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11234174 #
Numero do processo: 13896.907082/2019-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 31/10/2016 REMESSAS AO EXTERIOR. CONVENÇÃO BRASIL–FRANÇA (ART. 7º). NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE CONDICIONANTES. DIREITO CREDITÓRIO CONFIGURADO. Remessas efetuadas a empresa residente na França, relativas a serviços de manutenção ou disponibilização de peças, classificam-se como lucros da empresa estrangeira, tributáveis exclusivamente no Estado de residência, nos termos do art. 7º da Convenção Brasil–França. Reconhecida a não incidência do IRRF, os valores recolhidos configuram indébito, independentemente da forma de contabilização da despesa ou de eventual ausência de adição ao LALUR, que não afetam a liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1302-007.677
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.672, de 23 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 13896.907085/2019-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Sérgio Magalhães Lima (Presidente).
Nome do relator: SERGIO MAGALHAES LIMA

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CONVENÇÃO BRASIL–FRANÇA (ART. 7º). NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE CONDICIONANTES. DIREITO CREDITÓRIO CONFIGURADO. Remessas efetuadas a empresa residente na França, relativas a serviços de manutenção ou disponibilização de peças, classificam-se como lucros da empresa estrangeira, tributáveis exclusivamente no Estado de residência, nos termos do art. 7º da Convenção Brasil–França. Reconhecida a não incidência do IRRF, os valores recolhidos configuram indébito, independentemente da forma de contabilização da despesa ou de eventual ausência de adição ao LALUR, que não afetam a liquidez e certeza do crédito. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.672, de 23 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 13896.907085/2019-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator Fl. 351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.677 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.907082/2019-48 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Sérgio Magalhães Lima (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto em face de decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indeferiu o reconhecimento de direito creditório pleiteado, e consequentemente, não homologou a compensação declarada. Conforme consignado no relatório da Delegacia de Julgamento da receita Federal do Brasil (DRJ), o contribuinte informou que os valores de IRRF discutidos decorrem de pagamentos a empresa residente na França, sem estabelecimento no Brasil, relativos a serviços técnicos. Defendeu que, à luz do artigo 7º da Convenção Brasil–França, tais remessas configuram lucros da empresa estrangeira e, portanto, não estão sujeitas à retenção na fonte. Alegou ainda que o Tratado e seu Protocolo não qualificam serviços técnicos como royalties, razão pela qual a tributação caberia exclusivamente ao país de residência da beneficiária. Por sua vez, a fiscalização, ao analisar a documentação, concluiu que se tratava de disponibilização e locação de peças, afastando o enquadramento como serviço técnico nos termos da IN RFB nº 1.455/2014 e da Solução de Consulta COSIT nº 501/2017, motivo pelo qual considerou devida a retenção do IRRF. Examinada a manifestação de inconformidade, a Turma da DRJ concluiu que as remessas destinadas à empresa francesa, por serviços de manutenção ou aluguel de peças, constituem lucros da empresa no exterior e estão sujeitas apenas à tributação na França, conforme o artigo 7º da Convenção. Assim, reconheceu a não incidência do IRRF, mas deixou de admitir o direito creditório e não homologou as compensações declaradas, uma vez que não houve comprovação de que as despesas a título de IRRF não foram deduzidas do lucro real. Por fim, a Recorrente interpôs seu recurso que será a seguir analisado. É o relatório. VOTO Fl. 352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.677 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.907082/2019-48 3 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A Recorrente foi cientificada da decisão da DRJ em 07/07/2023 e apresentou o recurso em 08/08/2023, dentro do prazo legal. Atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Insurgiu-se a Recorrente alegando, em síntese, que o acórdão reconheceu a não incidência do IRRF sobre as remessas à luz do artigo VII do tratado Brasil–França para evitar a dupla tributação, mas, apesar desse reconhecimento expresso, a autoridade de primeira instância não homologou o direito creditório, gerando incongruência e ilegalidade. Sustentou, ainda, a ausência de critério nas condicionantes criadas pela DRJ, qualificadas como 'requisitos de compensação' sem amparo normativo, bem como afirmou que não apurou lucro tributável, de modo que as premissas adotadas estariam dissociadas da verdade material. Por fim, defendeu que a fase instrutória foi plenamente atendida, com farto acervo documental apto a comprovar as remessas realizadas A questão central submetida a julgamento consiste em verificar se, após reconhecer a não incidência do IRRF sobre as remessas efetuadas à empresa domiciliada na França — por enquadramento no artigo 7º da Convenção Brasil–França — a DRJ poderia deixar de homologar as compensações realizadas pela Recorrente, com fundamento na ausência de estorno contábil da despesa, na suposta falta de adição do valor ao LALUR e na necessidade de comprovação de que não houve reflexo no IRPJ e na CSLL. Em síntese, trata-se de definir se essas condicionantes encontram respaldo legal suficiente para afastar o direito creditório decorrente do recolhimento indevido. De início, é importante registrar que a própria DRJ reconheceu, de forma expressa e fundamentada, que o IRRF não era devido. Concluiu-se que as remessas se enquadram como lucros da empresa francesa, sujeitos exclusivamente à tributação na França, nos termos do art. 7º da Convenção bilateral, conforme interpretação já reafirmada pela Receita Federal em Solução de Consulta e pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Este ponto do debate, portanto, encontra-se pacificado no processo administrativo: houve recolhimento indevido. Diante desse reconhecimento, forma-se o indébito tributário, cujo tratamento está previsto nos artigos 165 e 168 do CTN. Com isso, cabe examinar se os requisitos adicionais mencionados pela DRJ — relacionados Fl. 353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.677 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.907082/2019-48 4 à escrituração contábil ou à apuração do IRPJ e da CSLL — podem, à luz da legislação vigente, impedir a restituição ou compensação de valores indevidamente recolhidos. A legislação que rege a compensação (Lei nº 9.430/1996, art. 74) estabelece critérios específicos, e nenhum deles envolve análise prévia de LALUR, estorno contábil ou comprovação de ajustes retroativos. É certo que, em diversas situações, podem ser exigidos esclarecimentos ou comprovações contábeis quando esses elementos sejam relevantes para definir a certeza e a liquidez do crédito, como ocorre no âmbito da Súmula CARF nº 80, segundo a qual o aproveitamento do IRRF na apuração do IRPJ depende da comprovação da retenção e do efetivo oferecimento das receitas à tributação. Nesse contexto, tais verificações são indispensáveis porque a receita influencia diretamente a formação do saldo negativo. No presente caso, contudo, não há paralelismo com a lógica da súmula, tampouco se configura a alegada duplicidade mencionada pela DRJ, de modo que tais exigências não têm o condão de afetar o direito creditório decorrente do pagamento indevido. Explico. A lógica da Súmula CARF nº 80 condiciona o aproveitamento do IRRF à comprovação do oferecimento das receitas à tributação do IRPJ justamente porque, na formação do saldo negativo, o imposto retido funciona como antecipação do tributo devido e integra a operação matemática que parte do IRPJ apurado para, então, deduzir as retenções sofridas. Nessa situação, a ausência de comprovação da receita afeta diretamente a liquidez e certeza do crédito, razão pela qual a súmula exige a demonstração do efetivo cômputo das receitas na base de cálculo do imposto. No presente caso, porém, a despesa contabilizada relativa ao IRRF indevido não integra a apuração do IRPJ ou da CSLL, não compõe a matemática do saldo negativo nem interfere no cálculo do crédito objeto de compensação. Eventual ausência de adição no LALUR, mesmo se verificada, não altera o valor do indébito nem compromete sua liquidez e certeza, de modo que a lógica da Súmula 80 não pode ser transposta para situações de pagamento indevido de IRRF sobre remessas ao exterior. No que tange à duplicidade alegada, é necessário observar quanto ao efeito contábil da despesa que, embora o valor do IRRF possa ter transitado pela contabilidade, isso não significa que tenha sido efetivamente deduzido na apuração fiscal. O Lucro Real exige ajustes que podem neutralizar despesas contabilizadas, e despesas indevidas não são dedutíveis, ainda que registradas. Soma-se a isso o fato de que a empresa alega que possuía prejuízo fiscal naquele período, o que afasta qualquer Fl. 354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.677 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.907082/2019-48 5 impacto concreto na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, não há elemento de fato que sustente a presunção de redução indevida desses tributos. Mesmo que se admitisse — apenas em hipótese — que o contribuinte tivesse apurado lucro e tratado o IRRF como despesa dedutível, a alegação de duplicidade não se confirma. O efeito máximo que uma dedução indevida poderia produzir seria equivalente ao somatório das alíquotas de IRPJ e CSLL, cerca de 34% do valor contabilizado. Isso significa que, se o IRRF recolhido indevidamente fosse de R$ 100, o potencial impacto tributário seria de aproximadamente R$ 34, e nunca dos mesmos R$ 100 que estão sendo objeto da compensação. As grandezas são distintas e não se confundem. Por isso, mesmo que existisse algum equívoco contábil, não haveria fundamento para glosa integral ou proporcional do crédito, pois não ocorre dupla recuperação do mesmo valor. A eventual ausência de adição de despesa indedutível — se configurada — somente poderia ser tratada por meio de lançamento específico para recomposição da base de cálculo, e não mediante redução do crédito de indébito. E, ainda assim, o impacto máximo decorrente de tal despesa seria limitado ao efeito das alíquotas do IRPJ e da CSLL, sem jamais justificar o não reconhecimento integral do valor pago indevidamente. Em face de todos esses elementos, entendo que as condicionantes introduzidas pela decisão de primeira instância não encontram apoio nas normas que disciplinam a compensação tributária e não alteram o fato fundamental de que o IRRF foi recolhido indevidamente. Reconhecida a inexistência de incidência, o contribuinte faz jus à restituição ou à homologação da compensação declarada, nos termos da legislação aplicável. Assim, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, determinando a homologação das compensações relativas ao IRRF indevidamente recolhido, na forma do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.677 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.907082/2019-48 6 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator Fl. 356DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11240969 #
Numero do processo: 10830.720072/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PRODUTOS. CLASSIFICAÇÃO. ERRO. TRIBUTAÇÃO. Cabível o reenquadramento e cobrança das diferenças de alíquotas do tributo, quando Identificado pelo fisco erro do contribuinte na classificação fiscal dos produtos industrializados.
Numero da decisão: 3201-013.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA SALES CAMPOS VALE

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CLASSIFICAÇÃO. ERRO. TRIBUTAÇÃO. Cabível o reenquadramento e cobrança das diferenças de alíquotas do tributo, quando Identificado pelo fisco erro do contribuinte na classificação fiscal dos produtos industrializados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Fl. 468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.027 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720072/2014-61 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo Recorrente e manteve o crédito tributário. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Tem-se em pauta Auto de Infração – AI (fls. 3/24), destinado à cobrança do Imposto sobre Produto Industrializado – IPI e seus acréscimos, relativos ao período de 01/2009 a 12/2011, em decorrência de diferenças de alíquotas, apuradas pelo fisco, em função de erro, pelo contribuinte, na classificação de produtos por ele industrializados e comercializados. Consoante Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 25/41), a empresa em questão fabricou e comercializou “fitas de borda, faixas de PVC e perfis tipo fita”, no referido período, classificando-as, equivocadamente, na Tabela de Incidência do IPI - TIPI, vigente para o período, consoante Decreto Federal nº 6.006/2006, com o código 3916.20.00 (Monofilamentos cuja maior dimensão da seção transversal seja superior a 1 mm (monofios), varas, bastões e perfis, mesmo trabalhados à superfície, mas não trabalhados de outro modo, de plástico de polímeros de cloreto de vinila), com alíquota de 10%, quando, segundo a auditoria fiscal, o correto era 3920.49.00 (Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plástico não alveolar, não reforçadas, nem estratificadas, sem suporte, nem associadas de forma semelhante a outras matérias), com alíquota de 15%. Assim, constitui-se o presente crédito para a cobrança da referida diferença de tributo sobre os mencionados produtos, cuja produções e saídas foram identificadas na escrituração contábil, no catálogo dos produtos da empresa e notas fiscais de saída emitidas pela mesma. A auditoria da RFB, ainda, reconstituiu a escrita fiscal, para obtenção do IPI devido, consoante fls. 10/2. O lançamento, na ocasião de sua consolidação, perfez o montante de R$ 276.289,30 (duzentos e setenta e seis mil, duzentos e oitenta e nove reais e trinta centavos). Cientificada, em 7/1/2014 (fls. 3 e 384), do referido AI, a empresa, por meio de representante legal, manejou, em 5/2/2014 (fl. 386), impugnação (fls. 387/97), ocasião em que requer o cancelamento da infração e da multa, argumentando, em síntese: I – inexistência do alegado erro de classificação fiscal dos produtos em discussão Atesta a correta classificação dos produtos em testilha no código 3916.20.00, porque são perfis de PVC. Mesmo as fitas de bordas, cujo processo de produção assinala como idêntico aos dos perfis de PVC, somente diferenciados na forma Fl. 469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.027 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720072/2014-61 3 final, bem como as faixas de PVC, são todos perfis, porque 97% de sua composição são polímeros de cloreto de vinila e 3%, pigmentos de cor. Por serem perfis, não são tiras, como acusa o fisco, sendo, assim, inadmissível a classificação dos mesmos na posição 3920, como infligida no presente AI; II – inexistência de má fé, por não haver erros do contribuinte quanto à alíquota aplicável e o tributo devido e inexistir intenção de fraudar o Fisco, mesmo porque, no ano de 2012, considerando a novel classificação fiscal, era isenta do IPI sobre mencionados produtos e, mesmo assim, recolheu 10%, por se autoenquadrar na classificação 3916.20.00; III – inexistência de prejuízo ao Fisco; IV – incabível multa de ofício de 75%, dado que honrou com suas obrigações fiscais; V – que seu advogado, signatário da impugnação, seja intimado da decisão, sob pena de nulidade; VI – direito à produção de provas, especialmente perícia (elabora quesitos, fl. 397) e juntada posterior de documentos. Anexa à sua impugnação: > procuração: fl. 398; > contrato social: fls. 399/402 e 403/13; > discriminativo de processo produtivo: fls. 403/13; > documentos do mandatário: fl. 414. A decisão recorrida manteve o crédito tributário e conforme ementa do Acórdão nº 104-003.599 apresenta o seguinte resultado: ACÓRDÃO Nº 104-003.599 - 7ª TURMA DA DRJ04 DATA DA SESSÃO 04 de março de 2021 PROCESSO Nº 10830.720072/2014-61 INTERESSADO PERFICAMP LTDA CNPJ/CPF 03.827.310/0001-72 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PRODUTOS. CLASSIFICAÇÃO. ERRO. TRIBUTAÇÃO. Cabível o reenquadramento e cobrança das diferenças de alíquotas do tributo, quando Identificado pelo fisco erro do contribuinte na classificação fiscal dos produtos industrializados. Fl. 470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.027 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720072/2014-61 4 PERFIL. REENQUADRAMENTO FISCAL. RETIFICAÇÃO. Evidenciado equívoco do fisco no reenquadramento entabulado, para fins de cobrança do tributo, em relação, especificamente, ao produto “perfil tipo fita", aplicável é a retificação do Auto de infração, com a exclusão dos valores lançados a este título, para prevenir enriquecimento indevido da Administração Fazendária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 INTENÇÃO. PREJUÍZO. TRIBUTAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. A tributação independe da intenção do agente e da aquilatação do prejuízo causado à Fazenda Pública, sendo irrelevantes, para apuração do tributo devido, a existência de boa ou má fé ou da extensão dos danos causados ao erário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PERÍCIA. NÃO CONHECIMENTO. Reputa-se, por expressa previsão legal, não formulado o pedido de perícia quando não indicado perito (assistente técnico) da parte demandante. PROVAS. PRECLUSÃO. A produção de provas precluiu com o término do prazo de impugnação, especialmente quando não demonstrada a ocorrência de situações excepcionais, previstas em lei, para sua admissão extemporânea. ADVOGADO DA PARTE. INTIMAÇÃO. INAPLICABILIDADE. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário reproduzindo em síntese os mesmos argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório. VOTO Conselheira Flávia Sales Campos Vale, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Fl. 471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.027 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720072/2014-61 5 Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Recorrente e manteve o crédito tributário. ADRJ manteve o débito quanto às “fitas de borda” e as “fitas de PVC”, entendeu ser a classificação correta dos produtos industrializados pela empresa Recorrente a posição 3920.49.00 da TIPI. A Recorrente em síntese defende ser a posição mais especifica no caso é a posição 3916.20.00 (polímeros de cloreto de vinila). Entende ser a posição fiscal 3920.49.00 genérica, de modo que, deve prevalecer aquela com as características do produto. Ocorre que, da análise dos autos, em que pese as alegações apresentadas pela Recorrente, razão não lhe assiste em relação as exigências relativas as “fitas de borda” e as “fitas de PVC”. Assim, por entender que a decisão proferida pela instância a quo acerca das matérias discriminadas acima seguiu o rumo correto e que a Recorrente não trouxe aos autos elementos novos capazes de elidir o feito fiscal, utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis:. Passemos, então, à questão de mérito, qual seja, a classificação na TIPI dos produtos em discussão: atesta o contribuinte tratarem-se de perfis de PVC e não de tiras, como acusa a fiscalização. Sobre a matéria, vejamos o que diz o fisco, em seu relato de fls. 25/41, cujo excertos reproduzimos a seguir: Fl. 472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.027 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720072/2014-61 6 Pelo que se extrai do relato fiscal, a auditoria identificou os produtos em questão como sendo tiras planas de plástico e não como perfis como acusa a empresa. Para dirimir a questão, compulsemos o catálogo de produtos industrializados pelo autuado, disponibilizado ao fisco e reproduzido às fls. 170/1, do qual extraímos as seguintes reproduções: Fl. 473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.027 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720072/2014-61 7 Quanto às "fitas de borda" e as “faixas de PVC", são, nitidamente, distintas dos "perfis tipo fita": por se tratarem de fitas e faixas, são estruturas planas e, portanto não configuram perfis, na acepção acima já especificada. São verdadeiras tiras de plástico. Também, não é o simples fato de serem todos de PVC que os transmutam em perfis, como quer fazer crer a impugnante. Assim, evidenciado, pelas figuras do catálogo, descrição das notas fiscais de saída e detalhamento do fisco em seu relato, que “as fitas de borda” e as "faixas de PVC" são, de fato, tiras de plástico não alveolares, não reforçadas, nem estratificadas (código 3920), de PVC (código 3920.4), sem especificações de percentual mínimo de participação de plastificantes em seu peso, e, portanto, enquadráveis no código TIPI 3920.49.00 (outros), com alíquota de IPI de 15%. Conclusão Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale Fl. 474DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11235940 #
Numero do processo: 10073.722349/2019-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2015 a 31/10/2016 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. NÃO ACOLHIMENTO. Não havendo omissão na decisão embargada, quanto à matéria constante no dispositivo do Acórdão embargado, não cabe provimento aos Embargos de declaração, com vistas a sanar o vício apontado. Embargos de declaração conhecidos e não acolhidos.
Numero da decisão: 3402-012.948
Decisão: Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os Embargos de Declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Anselmo Messias Ferraz Alves – Relator Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cynthia Elena de Campos, Mariel Orsi Gameiro, Laércio Cruz Uliana Junior (substituto), Anselmo Messias Ferraz Alves (relator), José de Assis Ferraz Neto e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (presidente).
Nome do relator: ANSELMO MESSIAS FERRAZ ALVES

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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. NÃO ACOLHIMENTO. Não havendo omissão na decisão embargada, quanto à matéria constante no dispositivo do Acórdão embargado, não cabe provimento aos Embargos de declaração, com vistas a sanar o vício apontado. Embargos de declaração conhecidos e não acolhidos. ACÓRDÃO Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os Embargos de Declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Anselmo Messias Ferraz Alves – Relator Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cynthia Elena de Campos, Mariel Orsi Gameiro, Laércio Cruz Uliana Junior (substituto), Anselmo Messias Ferraz Alves (relator), José de Assis Ferraz Neto e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (presidente). RELATÓRIO Resumo Fl. 4049DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.948 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.722349/2019-14 2 Trata-se de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3402-011.758, o qual foi proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF em 15 de abril de 2024. Tais embargos foram admitidos por meio do Despacho de Admissibilidade constante nas fls. 4039 e 4040. Basicamente, a Embargante alega omissão no voto condutor sobre a matéria sujeição passiva solidária, em relação à sociedade empresária RECOFARMA, apesar de essa matéria constar no dispositivo do Acórdão embargado. ....................................................................................................................................... Relatório completo A Embargante alega omissão no voto condutor do Acórdão nº 3402-011.758, nos seguintes termos (grifei): Consta na decisão do acórdão embargado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar os Recursos Voluntários da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício e a responsabilidade solidária sobre a empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda; (...) Pela simples leitura da ementa do acórdão infere-se que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário tão somente para afastar a qualificação da multa de ofício e a responsabilidade solidária sobre a empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. Outrossim, pela leitura do voto condutor constata-se que a conclusão coaduna-se com o dispositivo da ementa: Conclusão Desta forma, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de afastar a qualificação da multa de ofício e a responsabilidade solidária sobre a empresa RECOFARMA. Entretanto, verifica-se omissão quanto à responsabilidade solidária, uma vez que a matéria não foi abordada no voto condutor. Do teor do voto condutor do aresto ora embargado, observa-se que o colegiado incorreu em omissão quanto à análise da responsabilidade solidária. Apesar do voto expressamente elencar o tema no tópico “II.4 - Da Responsabilidade Solidária e Qualificação da Multa”, a matéria não foi enfrentada, tendo em vista que apesar do afastamento da responsabilidade, os fundamentos não foram apostos no voto. Veja-se o excerto do voto no ponto: Fl. 4050DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.948 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.722349/2019-14 3 II.4. Da Responsabilidade Solidária e Qualificação da Multa A qualificação da multa de ofício decorrente de fraude ou simulação, baseou-se nos autos deste processo inteiramente a respeito da acusação constante do auto de infração, referente ao Relatório Fiscal 03, onde se discutia a fraude e simulação no estabelecimento dos preços de venda dos kits para refrigerantes, e onde se alegava que haveria embutido neste preço parcelas estranhas à formação de custos dos produtos vendidos, como royalties e despesas relacionadas à venda ao consumidor final. Este tema foi tratado no item anterior: “II.3. Da majoração da base de cálculo”. Desta forma, como a conclusão foi de que a Autoridade Tributária falhou em demonstrar objetivamente a fraude, conluio ou simulação, entendo que é incabível a qualificação da multa de ofício. Dou razão às Recorrentes, e afasto a qualificação da multa de ofício. Ora, pela fundamentação supra infere-se que somente a multa de ofício qualificada foi objeto de análise e provimento pela Turma; e apesar da responsabilidade solidária constar do subitem II.4, não consta qualquer referência à responsabilidade tributária solidária, assim como os fundamentos para o afastamento da referida responsabilidade, em clara omissão. Assim, em face do exposto, requer sejam os presentes Embargos de Declaração acolhidos e providos para sanar a omissão apontada, a fim de conste no voto condutor os fundamentos pelos quais a Turma afastou a responsabilidade solidária da empresa Recofarma, não deixando qualquer margem de dúvidas para eventual interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. É o Relatório. VOTO Conselheiro Anselmo Messias Ferraz Alves, Relator CONHECIMENTO Os Embargos declaratórios, como destacado no Despacho de Admissibilidade, são tempestivos e merecem conhecimento por não serem os seus argumentos manifestamente improcedentes. MÉRITO Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional apontam vício de omissão no voto condutor da decisão embargada. Fl. 4051DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.948 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.722349/2019-14 4 A Embargante alega que o voto condutor não abordou a questão da sujeição passiva da sociedade empresária RECOFARMA, apesar de o dispositivo do respectivo Acórdão ter afastado tal sujeição passiva. Apesar do voto expressamente elencar o tema no tópico “II.4 - Da Responsabilidade Solidária e Qualificação da Multa”, a matéria não foi enfrentada, tendo em vista que apesar do afastamento da responsabilidade, os fundamentos não foram apostos no voto. Veja-se o excerto do voto no ponto: II.4. Da Responsabilidade Solidária e Qualificação da Multa A qualificação da multa de ofício decorrente de fraude ou simulação, baseou-se nos autos deste processo inteiramente a respeito da acusação constante do auto de infração, referente ao Relatório Fiscal 03, onde se discutia a fraude e simulação no estabelecimento dos preços de venda dos kits para refrigerantes, e onde se alegava que haveria embutido neste preço parcelas estranhas à formação de custos dos produtos vendidos, como royalties e despesas relacionadas à venda ao consumidor final. Este tema foi tratado no item anterior: “II.3. Da majoração da base de cálculo”. Desta forma, como a conclusão foi de que a Autoridade Tributária falhou em demonstrar objetivamente a fraude, conluio ou simulação, entendo que é incabível a qualificação da multa de ofício. Dou razão às Recorrentes, e afasto a qualificação da multa de ofício. Sem razão a Embargante. A pseudo-omissão é sanada pelo leitura da conclusão do item II.3 do Acórdão (fl. 4029), “Da majoração da base de cálculo”: Desta forma, considero que a Autoridade Tributária falhou em provar as afirmações que fez a respeito deste tema. Se a solidariedade passiva da RECOFARMA dizia respeito apenas à majoração de preços, que para a Fiscalização, além da sua ocorrência, esta foi realizada em conluio com a sociedade SPAL, levando à qualificação da multa aplicada, e o Relator considerou que a Fiscalização falhou em provar tais afirmações, tendo esta tese sido a vencedora no Acórdão, claro está que o lançamento, nesta matéria, foi cancelado. Cancelado o lançamento, cancelados estão o principal e a respectiva multa qualificada, tendo por consequência lógica o afastamento da solidariedade passiva da sociedade RECOFARMA. CONCLUSÃO Desta forma, voto por conhecer dos Embargos de declaração, para, no mérito, não os acolher, por não vislumbrar a omissão apontada. É como voto. Fl. 4052DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.948 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.722349/2019-14 5 Assinado Digitalmente ANSELMO MESSIAS FERRAZ ALVES Fl. 4053DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11634.720098/2019-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SERVIÇOS DE PORTARIA. ATIVIDADE VEDADA. EXCLUSÃO. SIMPLES NACIONAL. A pessoa jurídica que realize cessão ou locação de mão-de-obra não pode recolher tributos na forma do Simples Nacional. A exclusão produz efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Os serviços de portaria e de zeladoria, porque não se confundem com vigilância, limpeza ou conservação e são prestados mediante cessão de mão-de-obra, são vedados aos optantes pelo Simples Nacional.
Numero da decisão: 1402-007.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça – Relatora Assinado Digitalmente Alexandre Iabrudi Catunda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Zedral, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Ricardo Piza di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda (Presidente).
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça – Relatora Assinado Digitalmente Alexandre Iabrudi Catunda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Zedral, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Ricardo Piza di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda (Presidente).

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SERVIÇOS DE PORTARIA. ATIVIDADE VEDADA. EXCLUSÃO. SIMPLES NACIONAL. A pessoa jurídica que realize cessão ou locação de mão-de-obra não pode recolher tributos na forma do Simples Nacional. A exclusão produz efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Os serviços de portaria e de zeladoria, porque não se confundem com vigilância, limpeza ou conservação e são prestados mediante cessão de mão-de-obra, são vedados aos optantes pelo Simples Nacional. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça – Relatora Assinado Digitalmente Alexandre Iabrudi Catunda – Presidente Fl. 1929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Zedral, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Ricardo Piza di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em desfavor do Acórdão nº 14-100.02, pela 10ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a pessoa jurídica excluída no Simples Nacional. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão de piso: “Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado em relação ao Ato Declaratório Executivo nº 033, de 04 de junho de 2019, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina-PR, que declarou a sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), com efeitos a partir de 01 de fevereiro de 2014, com fundamento no artigo 17, inciso XII, e artigo 29, inciso I, da Lei Complementar nº 123/2006. Os motivos que justificaram a exclusão da empresa do Simples Nacional constam da Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional (fls. 02/13), cujo teor abaixo se transcreve: 06. A empresa ESCOLHA SERVIÇOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.° 13.660.002/0001-59, é optante do SIMPLES NACIONAL desde 20/04/2011, conforme tela de consulta. 07. Durante o procedimento fiscal, com base nos documentos e informações obtidas para o período entre 01/2014 e 12/2016, verificou-se que a empresa exerceu atividade vedada para opção ao SIMPLES NACIONAL, pela prestação de serviço de portaria com cessão de mão-de-obra. 08. A Solução de Divergência COSIT n.° 14, de 14/10/2014, dispõe como atividade vedada no SIMPLES NACIONAL a prestação de Serviço de Portaria realizado por cessão de mão de obra, nos seguintes termos: [...] 09. No mesmo sentido a Solução de Consulta n° 57 - COSIT, de 27 de fevereiro de 2015, dispõe: [...] 10. A referida Solução de Consulta esclarece a vedação e consequente exclusão da sistemática prevista na Legislação do Simples Nacional: Fl. 1930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 3 [...] 22. Como vimos acima, os serviços de portaria e de zeladoria não se subsomem no art. 18, § 5°-C, inciso VI, da Lei Complementar n° 123, de 2006. Ou seja, não são tributados pelo Anexo IV. Todavia, são inequivocamente prestados mediante cessão de mão-de-obra, cf. RPS: [...] 23. Deve-se concluir, portanto-, que os serviços de portaria e de zeladoria são vedados aos optantes pelo Simples Nacional. 11. Já na GFIP - Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social consta a informação dos trabalhadores por CBO e por Tomador de Serviço. Quanto ao CBO a empresa prestará a informação considerando os quatro primeiros dígitos, nos termos do Manual GFIP, versão 8.4, Capítulo II - INFORMAÇÕES CADASTRAIS, item 4.5: [...] 12. Com estas definições extraímos os dados da empresa, por tomador, que esteja classificado no CBO 5174 - Porteiros, vigias e afins, conforme tabela abaixo: [...] 13. Em várias Notas Fiscais de Serviço - NFS-e também aparecem a prestação de serviço de Portaria. Por amostragem selecionamos algumas, a exemplo das NFS n.° 419, 436, 451, 467, 484, 503 emitidas para o tomador LORENZON HOTÉIS LTDA. [...] Nas NFS-e emitidas pela empresa também se encontra a prestação de serviço de Portaria, a exemplo da NFS-e n.° 419, onde consta em destaque (vide seta abaixo) na DISCRIMINAÇÃO DOS SERVIÇOS "Prestação de serviço de posto de portaria, referente ao período de 01 a 31 de julho de 2014". [...] 14. Em várias Notas Fiscais de Serviço - NFS-e também aparecem a prestação de serviço de Portaria. Por amostragem selecionamos algumas, a exemplo das NFS n.° 434, 452, 482, 501, 767, 949 emitidas para o tomador CLUBE CURITIBANO. Nas NFS-e emitidas pela empresa também se encontra a prestação de serviço de Portaria, a exemplo da NFS-e n.° 949: [...] 15. Em várias Notas Fiscais de Serviço - NFS-e também aparecem a prestação de serviço de Portaria. Por amostragem selecionamos algumas, a exemplo das NFS n.° 421, 487, 754, 755, 773 emitidas para o tomador Fl. 1931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 4 CONDOMÍNIO VILLA BELLA. Nas NFS-e emitidas pela empresa também se encontra a prestação de serviço de Portaria, a exemplo da NFS-e n.° 773: [...] 16. Desse modo, por tudo exposto e considerando a situação fática da empresa, procede-se a exclusão do SIMPLES NACIONAL, nos termos do art. 17, inciso XII, e art. 29, inciso I, da Lei Complementar n.° 123, de 2006, abaixo transcrito: 17. No mesmo sentido, dispõe a Resolução CGSN n° 140, de 22/05/2018, art. 5°, inciso XI, alíneas "a" a "c", art. 15, inciso XXI e parágrafo 3º , art. 112, parágrafo 1°: [...] 18. Considerando o disposto na Resolução CGSN n° 140, de 22/05/2018, art. art. 15, inciso XXI, produzirá os efeitos da exclusão a partir de 01/02/2014, por conta da comprovação da prestação de serviço com cessão de mão-de-obra no mês de janeiro de 2014, nos termos do art. 81, inciso II, alínea "c", item "2", da referida Resolução, abaixo transcrito: [...] O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1856/1859), na qual aduz, em suma, o seguinte: - Na emissão do ato de exclusão não se observou a legislação em vigor para o Simples Nacional e, em principal, as atividades previstas nos CNAE para as empresas optantes do Simples Nacional. - As atividades exercidas pela empresa não a impede de ser optante pelo Simples Nacional. Os CNAE das atividades exercidas pela empresa (CNAE nº 8111-7/00, 8121-4/00 e 8011-1/01) não estão dentre os CNAE impedidos de opção pelo Simples Nacional. - Da análise das atividades do CNAE 8111-7/00, não paira dúvida de que se a empresa presta serviços combinados (mais de 01 serviço para o cliente), não há que se falar em exclusão do Simples Nacional. As notas fiscais emitidas pela empresa deixam claro que os serviços prestados são combinados, atendendo assim as atividades permitidas do CNAE 8111-7/00. O que está impedido de participação do Simples Nacional com base no CNAE 8111-7/00 é a prestação de uma atividade isolada, como uma empresa que presta exclusivamente serviço de limpeza. - Dentre as atividades permitidas de opção pelo Simples Nacional encontram-se o CNAE 8121-4/00 (limpeza em prédios e em domicílios) e o CNAE 8011-1/01 (atividades de vigilância e segurança privada). - Quando a empresa solicitou o ingresso no Simples Nacional, o pedido teve que passar pelo crivo das autoridades municipal, estadual e, Fl. 1932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 5 principalmente, da Receita Federal. Assim, o ingresso da empresa no Simples Nacional, bem como a prática das atividades previstas em seus CNAE, teve a chancela da Receita Federal. - Se Receita Federal permite que a empresa opte pelo Simples Nacional com base nas atividades constantes dos CNAE 8111-7/00, 8121-4/00 e 8011- 1/01, não se pode admitir a sua exclusão se ela está prestando os serviços combinados nos termos da legislação da Receita Federal, até porque, os anexos mencionados fazem parte integrante da Lei e não pode a administração afastar-se dos seus comandos. - O artigo 111 do Código Tributário Nacional impõe que a legislação tributária deve ser interpretada de forma restritiva, não podendo a administração afastar-se deste comando. - No caso em tela, a interpretação da lei deve ser literal, ou seja, se os anexos permissíveis fazem parte da lei e, ainda, se as notas fiscais demonstram que a mesma exerce as atividades combinadas, não há como se falar em infração ao contido no artigo 17, XII, da Lei Complementar 123/2006, visto que as atividades desenvolvidas pela empresa são combinadas, não se permitindo a autoridade fiscalizadora interpretar a lei de forma diferente. - Assim, se a empresa exerce atividades permitidas pelo Simples Nacional, o seu enquadramento nesse regime tributário deve ser mantido e, por consequência, os Autos de Infração decorrentes de sua exclusão do regime devem ser anulados. - Requer que seja reconsiderado a exclusão da empresa do Simples Nacional e, via de consequência, anulado o Ato Declaratório Executivo nº 33, bem como, os autos de infração lavrados em decorrência. - Considerando que a empresa pode ser optante pelo Simples Nacional, o que implica na anulação dos autos de infração e afasta o objeto do suposto crime de sonegação fiscal, requer-se a expedição de novo ofício a PGR para o fim de informar a existência desse recurso e, via de consequência, suspender qualquer apuração criminal antes do trânsito em julgado deste processo”. Por sua vez, a 10ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a pessoa jurídica excluída no Simples Nacional, cuja decisão restou assim ementada: Fl. 1933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 6 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2014 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. SERVIÇOS DE PORTARIA. VEDAÇÃO. Os serviços de portaria, quando prestados mediante cessão de mão-de-obra, por não se confundirem com os serviços de vigilância, limpeza ou conservação, são vedados aos optantes pelo Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Discordando da decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário reproduzidos argumentos veiculados em sede de manifestação de inconformidade, alegando, em síntese que: “I - DO ACÓRDÃO QUE INDEFERIU O RECURSO DA RECORRENTE Conforme se verifica dos autos, a Recorrente foi excluída do Simples Nacional com base em decisão proferida no Ato Declaratório Executivo n.° 033 de 04 de julho de 2019, entendendo, em suma, que tendo a Recorrente exercido atividades correlatas com cessão de mão de obra, o que, na ótica do órgão atuador, estaria vedada aos optantes do SIMPLES NACIONAL, nos termos do art.17, inciso XII da Lei Complementar n° 123/06 e art. 15, Inciso XXII da Resolução CGSN n° 94 de 2011. decidindo assim pela exclusão. Neste sentido, considerando que como a Recorrente é optante pelo SIMPLES NACIONAL, a mesma sempre realizou as declarações conforme determina a legislação de opção (SIMPLES NACIONAL), no entanto, mesmo tendo a Recorrente agindo em conformidade com o que lhe permite o CNAE 8111-7/00, ainda assim a mesma foi autuada, o que gerou a aplicação da multa de 150% sobre o tributo apurado no período, gerando assim um tributo devido no valor de R$ 1955.734.52 (um milhão, novecentos e cinquenta e cinco mil. setecentos e trinta e quatro reais e cinquenta e dois centavos). A Recorrente em face da decisão proferida no Ato Declaratório n° 033, ingressou com o competente recurso, no qual, em suma, demonstrou que a sua exclusão do SIMPLES NACIONAL não encontra respaldo nos artigos mencionados na decisão pois, quando o Delegacia da Receita Federal do Brasil/Londrina observou as atividades desenvolvidas pela Recorrente, ou seja, cessão de mão de obra, ao invés de observar as atividades desenvolvidas como um todo, ou seja, serviços combinados, preferiu separar cada atividade para trata-la como uma só e, neste sentido, encontrar um dispositivo na Lei Complementar n° 123/2006 que lhe permitisse excluir a Recorrente do SIMPLES NACIONAL e lhe aplicaras penalidades debatidas. Nesta linha, a Recorrente demonstrou de forma precisa e salutar que mesmo nos casos de cessão de mão de obra, quando estas estão elencadas e desenvolvidas com relação aos CNAEs permissivos e constantes dos Anexos da LC Fl. 1934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 7 123/06, não pode a empresa ser considerada infratora, isto porque, não há dúvidas que os CNAE's são atividades autorizadas pela Receita Federal e, nesta linha, não pode a Receita Federal colocar o contribuinte em erro pois, se apresenta atividades permitidas com seus anexos (CNAE) para, posteriormente, ao verificar que a empresa desenvolve as atividades permitidas pela própria Receita Federal, vir e determinar a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL e, via de consequência, aplicar-lhe multas que causarão a sua própria falência, indiscutivelmente é fazer interpretação extensiva da LC 123/06, quando o coreto seria percorrer o que determina o art. 111 do CTN, o qual determina que a interpretação das atividades devem ser restritivas, ou seja, sendo as atividades permitidas pelos CNAE's da opção, não pode o órgão fiscalizante afastar-se daquelas atividades. Neste contexto, há de ressaltar precisamente o que permite a Receita Federal do Brasil com base nos CNAE que optou a Recorrente, a se ver: CNAE 8111-7/00 - Nesta opção, há de verificar que quando a empresa presta serviços combinados, não existe a vedação trazida no Ato Declaratório Executivo n° 033 que entendeu pela exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL, sendo que, conforme verifica-se pela classificação do IBGE, as atividades desenvolvidas pela Recorrente estão precisamente elencadas nas atividades permitidas pelo CNAE a que fez opção, para tanto, vejamos: (...) Vejam, a Recorrente jamais, em momento algum pretendeu afastar-se das atividades permitidas para os optantes pelo SIMPLES NACIONAL, sendo que. Sempre alerta a forma como deveria prestar seus serviços, sempre agiu em conformidade com o de determina a lei e, nesta linha, todas as notas fiscais da empresa demonstram que esta sempre prestou os serviços combinados, conforme demonstrado pela nota explicativa do IBGE, o que se repisa: "Notas explicativas: Esta subclasse compreende: - as atividades de fornecimento de pessoal de apoio para prestar serviços em instalações prediais de clientes, desenvolvendo uma combinação de serviços, como a limpeza geral no interior de prédios, serviços de manutenção, disposição de lixo, serviços de recepção, portaria e outros serviços relacionados para dar apoio à administração e conservação das instalações dos prédios. As unidades aqui classificadas fornecem pessoal para as atividades de apoio mas não estão envolvidas ou têm responsabilidade com o desenvolvimento da atividade empresarial do cliente." Ora, dentro do conceito de serviços combinados, principalmente os listados acima, verifica-se claramente que a Recorrente age e sempre agiu estritamente conforme lhe determina a lei, visto que o Anexo (CNAE) também dever ser considerados como tal e, neste sentido, não pode a Receita Federal do Brasil isolar uma atividade para encontrar uma suposta Fl. 1935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 8 vedação sem que, contudo, observe qual é a atividade desenvolvida pela Recorrente. Em todos os lugares que se procura, em nenhum lugar encontra-se que as atividades desenvolvidas no CNAE 8111-7/00 estaria dentro das situações previstas nos §§ 1º e 2° da Resolução n° 94 da CGSN, o que, de fato. demonstra que a atividade desenvolvida pela Recorrente é sim permitida pela LC 123/06. A Exemplo, verifica-se as seguintes informações: Assim, não existe como o contribuinte ser enganado pela Receita Federal, a qual. disponibiliza uma atividade da empresa, excetuando o serviço de portaria quando combinado com outros serviços e em conformidade com o que se analisa das notas fiscais da Recorrente para, por um Ato Declaratório Executivo, isolar uma atividade para determinar a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL. Veja, não se discute que o serviço de portaria quando prestado de maneira isolada é vedado pela LC 123/06, porém, há de ressaltar que quando o mencionado serviço é prestado de forma conjunta (combinado) com outros serviços de apoio predial, tal serviço por fazer parte de uma prestação de serviços totais, não há como se falar em vedação se. neste caso, o CNAE 8111-7/00 determina tal prestação de serviço como exceção permitida Neste caso, como demonstrado acima, se o CNAE 8111-7/00 determina a permissão de serviços combinados, até pela segurança jurídica é que o art. 111 do Código Tributário Nacional determina que a interpretação deve ser restritiva e basear-se na atividade permitida pelo CNAE da empresa e, assim o sendo, não há que se falar e exclusão da Recorrente do SIMPLES NACIONAL. O A propósito, a cessão de mão de obra, por si só, não imputa a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL ao contrário, quando se analisa os julgados recentes de todos nossos Tribunais Federais decidiram que nestes casos o que se aplica as empresas é a tributação diferenciada, no entanto, em todos os casos analisados, a manutenção da empresa no SIMPLES NACIONAL é matéria que se impõe. Para tanto, colaciona-se os seguintes julgados: (...) No caso da jurisprudência juntada, não resta dúvida que com relação as empresas que prestam serviços combinados a questão se insere apenas na possibilidade de retenção de 11% diretamente nas notas fiscais, porém, com a manutenção da empresa no SIMPLES NACIONAL, devendo ser observada que a Fl. 1936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 9 empresa em comento no julgado, estava enquadrada no CNAE 8111-7/00, ou seja, mesma atividade desenvolvida pela Recorrente. Veja que como se vislumbra das notas fiscais emitidas pela empresa que sempre houve a retenção dos 11% pelo tomador de serviços que sempre recolheram a Previdência Social, assim, sendo a Recorrente sabedora de suas obrigações tributárias, jamais se voltou quanto a tais retenções. Agora, da análise do julgado mencionado, verifica-se que a empresas constantes do CNAE 8111-7/00 não possui atividade incompatível com o SIMPLES NACIONAL, porém, em que pese a opção pelo regime diferenciado, a tributação sobre a empresa segue critérios diferentes, no entanto, mesmo existindo a aplicação de regime diferenciado de tributação, a manutenção da empresa no SIMPLES NACIONAL de maneira alguma pode ser entendida como incompatível, a ponto de se dar a sua exclusão, PRINCIPALMENTE QUANDO DEMONSTRA QUE PRESTA SERVIÇOS COMBINADOS. Desta forma, como o CNAE. segundo a própria Resolução 94 da CGSN em seu art. 8º determina que pela opção da atividade permitida pela Receita Federal é que determinará o enquadramento ou não da empresa no SIMPLES NACIONAL. Ora se a Resolução 94 determina que são pelas atividades do CNAE que a empresa se torna optante do SIMPLES NACIONAL, há de ressaltar que se no CNAE 8111-7/00 afirma expressamente que serviço de portaria quando combinado com outros para apoio dos clientes é plenamente permitido e, assim, não pode a Receita Federal se afastar de seus próprios comando, principalmente para determinar a falência de uma empresa. Nesta linha, assim determina o art. 8º da referida Resolução: "Art. 8º - Serão utilizados os códigos de atividade econômica previstas na Classificação de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelo contribuinte no CNPJ, para verificar se a ME ou EPP atende aos requisitos pertinentes (Lei Complementar 123, de 2006, art. 16, caput). Ora se é pelo CNAE que as atividades são analisadas como permitidas, quando a Recorrente utiliza o CNAE 8111-7/00 e prestas todos os serviços combinados lá previsto, não há como se imputar uma infração quando a própria Receita Federal afirma que tais atividades seriam permitidas se prestadas de forma conjunta Assim, não demonstrando a Receita Federal pela análise das notas fiscais que a Recorrente, pelo menos uma única vez, prestou o serviço de portaria de forma isolada, não há como se impor a mesma a exclusão do SIMPLES NACIONAL. Desta forma, pelo que foi exposto e. pelo que certamente será suprido pela luz do conhecimento deste CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSO FISCAIS, requer-se que seja o presente recurso recebido e, no mérito, lhe seja dado provimento para o fim de reconhecer que as notas fiscais da Recorrente demonstram que ela sempre prestou a seus clientes serviços combinados e. que Fl. 1937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 10 em nenhum dos casos os serviços prestados se confundem com a atividade de seus clientes, anulando, via de consequência o Ato Declaratório Executivo n° 033, para o fim de determinar a permanência da Recorrente no SIMPLES NACIONAL e, via de consequência, anulando a penalidade imposta para a Recorrente face a opção feita pela tributação pelo SIMPLES NACIONAL II - DO OFÍCIO DETERMINANDO A SUSPENSÃO DOS PROCEDIMENTOS PENAIS ATÉ O TRÂNSITO EM JULGADO DA PRESENTE RECURSO Pois bem, considerando que da exclusão da Recorrente do SIMPLES NACIONAL, além da punição pecuniária, ainda, poderão seus sócios sofrerem punições criminais, há de ressaltar que enquanto não houver o trânsito em julgado do presente recurso, vale para o caso o princípio da inocência Conforme foi demonstrado no presente recurso, a Recorrente sempre agiu em conformidade com o que permite a Receita Federal do Brasil principalmente quando disciplina quais são as atividades que podem ser desenvolvida pela empresa no CNAE 8111-7/00, sendo que, como demonstrado, o serviço de portaria quando prestados de forma combinadas, estão dentro das atividades do permissivo legal. Agora, responder a Recorrente e seus sócios por agirem em conformidade com a Lei, principalmente de forma prematura, ou seja, antes do trânsito em julgado do presente processo administrativo é colocar o contribuinte em situação de incerteza jurídica muito grande pois, sendo o presente recurso julgado procedente, não haverá qualquer crime praticado pela mesma. Desta forma, requer-se que seja expedido oficio para o Ministério Público Federal para que aquele órgão tome conhecimento de que in casu, há recurso pendente que poderá ser procedente e anular a autuação procedida, visto o reconhecimento de que as atividades prestadas pela Recorrente atendem, em sua totalidade, o que lhe é permitido pelo CNAE 8111-7/00.” É o relatório. VOTO Conselheiro Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Conforme já relatado, presente processo versa sobre a exclusão da Recorrente do Simples Nacional por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 33, de 04 de junho de 2019, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina-PR , com efeitos a partir de 01 de Fl. 1938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 11 fevereiro de 2014, com fundamento nº artigo 17, inciso XII, e artigo 29, inciso I, da Lei Complementar nº 123/2006. A Recorrente contestou a mencionada exclusão. Porém, o acórdão de piso manteve o Ato Declaratório Executivo nº 33. Inconformada, em sede recursal, a Recorrente aduziu que sua exclusão do SIMPLES NACIONAL não pode prevalecer, pois, a Delegacia da Receita Federal do Brasil/Londrina teria baseado sua decisão de excluí-la observando as atividades desenvolvidas pela Recorrente, ou seja, cessão de mão de obra, ao invés daquelas desenvolvidas como um todo, ou seja, serviços combinados, preferiu separar cada atividade para tratá-la como uma só e, neste sentido, encontrar um dispositivo na Lei Complementar n° 123/2006 que lhe permitisse excluir a Recorrente do SIMPLES NACIONAL e lhe aplicaras penalidades debatidas. A Recorrente não apresentou nenhum argumento novo ou documento que comprovasse estar equivocada a decisão recorrida, limitando-se a afirmar que os serviços por ela prestados não se enquadrariam na cessão de mão de obra e impossibilidade de atribuir efeito retroativo ao presente caso. Todavia, não há como prosperar tais argumentos. Explica-se. O ponto controvertido da lide restringe-se à possibilidade de uma empresa prestadora de serviços de portaria, mediante cessão de mão de obra, ser optante pelo Simples Nacional. De acordo com o ADE, a empresa foi excluída do Simples por realizar "a cessão de mão de obra”, tendo em vista a ocorrência da hipótese de exclusão de ofício, prevista no artigo 17, inciso XII e artigo 29, inciso I, da Lei Complementar nº. 123, de 14 de dezembro de 2006, procedendo-se a expedição do Termo de Exclusão do Simples Nacional, com observância das demais disposições aplicáveis, em especial o art. 29, § 3 º da Lei Complementar n° 123, de 2006, e artigo 83, § 1º, da Resolução CGSN n° 140, de 2018 e considerando o que consta do presente processo administrativo. Vale a reprodução do ADE: Fl. 1939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 12 Neste sentido, nos termos da Representação Fiscal, e-fls. 2-13, a Recorrente prestava serviços de PORTARIA, que se enquadra na prestação de serviços de serviço de portaria com cessão de mão-de-obra, situação impeditiva ao ingresso no Simples Nacional, nos termos do art. 17, XII, da LC nº 123, de 2006, e não excepcionada pelos citados §§5º-C e 5-H do art. 18 da mesma lei. Segue transcrito teor da dita Representação Fiscal (e-fls. 2-13): “02. Em 21/09/2018, foi emitido o TIPF - Termo de Início de Procedimento Fiscal, sendo a empresa cientificada em 25/09/2018 por via postal com Aviso de Recebimento – AR, n.º DY 446477971 BR, sendo que o AR não retornou para esta fiscalização, mas constatamos por informações no site dos correios que a correspondência foi entregue às 16h 43min do dia 25/09/2018 constando a seguinte informação “Objeto entregue ao destinatário”. Fl. 1940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 13 03. Em 01/04/2019, foi emitido o TIF - Termo de Intimação Fiscal n.º 1, sendo a empresa cientificada em 03/04/2019 por via postal com Aviso de Recebimento – AR, n.º QA 10892517 7 BR. Para atendimento à intimação, foi criado o Dossiê de Atendimento n.º 10010.033488/0419-58, cujo acesso é feito no Portal E-CAC, disponível na página da Receita Federal, na Internet, por meio de certificado digital da empresa. Por meio do Dossiê de Atendimento n.º 10010.033488/0419-58, o contribuinte solicitou a juntada de documentos em 22/04/2019, 16:09:59hs para atendimento da intimação. 04. No entanto, foi intimado o contribuinte em 29/04/2019, foi emitido o TIF -Termo de Intimação Fiscal n.º 2, sendo a empresa cientificada em 06/05/2019 por via postal com Aviso de Recebimento – AR, n.º JT 74471327 3 BR, para fins de apresentação dos “arquivos de folha de pagamento, em meio digital” e também “contratos de prestação de serviços e GPS de retenção relativos à prestação de serviço sujeitas à retenção na nota fiscal para a Previdência Social”, documentos estes relativos ao período fiscalizado, mas que a empresa não atendeu a intimação e não apresentou os documentos. 05. Foi também expedido Ofício nº 0106/2019 – Safis/DRF/Londrina à Secretaria de Finanças do Município de Curitiba/PR solicitando notas fiscais de prestação de serviço por meio de correspondência AR JT 74471310 6 BR recebido em 26/04/2019 e foi respondido pelo Ofício nº 138/2019 – SMF-E de 3/05/2019 encaminhando conforme solicitado. II – DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL 06. A empresa ESCOLHA SERVIÇOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 13.660.002/0001-59, é optante do SIMPLES NACIONAL desde 20/04/2011, conforme tela de consulta. 07. Durante o procedimento fiscal, com base nos documentos e informações obtidas para o período entre 01/2014 e 12/2016, verificou-se que a empresa exerceu atividade vedada para opção ao SIMPLES NACIONAL, pela prestação de serviço de portaria com cessão de mão-de-obra. 08. A Solução de Divergência COSIT n.º 14, de 14/10/2014, dispõe como atividade vedada no SIMPLES NACIONAL a prestação de Serviço de Portaria realizado por cessão de mão de obra, nos seguintes termos: Fl. 1941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 14 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL EMENTA: SIMPLES NACIONAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PORTARIA. VEDAÇÃO O serviço de portaria realizado por cessão de mão de obra, não se confunde com os de vigilância, limpeza e conservação, portanto, não se enquadra na exceção do inciso VI §5º-C do art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e sim na regra de vedação do inciso XII do art. 17 dessa mesma lei. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, XII, art. 18, § 5º-C, VI, § 5º-H; Decreto nº 89.056, de 1983, art. 30; IN RFB nº 971, de 2009, art. 191, § 2º. 09. No mesmo sentido a Solução de Consulta nº 57 – COSIT, de 27 de fevereiro de 2015, dispõe: PORTARIA. ZELADORIA. Os serviços de portaria e de zeladoria, porque não se confundem com vigilância, limpeza ou conservação e são prestados mediante cessão de mão-de-obra, são vedados aos optantes pelo Simples Nacional. 10. A referida Solução de Consulta esclarece a vedação e consequente exclusão da sistemática prevista na Legislação do Simples Nacional: 20. Veremos agora quais são as consequências jurídicas, para o Simples Nacional, do fato de os serviços de portaria e zeladoria não se enquadrarem nesse § 5º-C. Vejamos, para tanto, o que diz a Lei Complementar nº 123, de 2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte:... XII – que realize cessão ou locação de mão-de-obra; ... Art. 18... § 5º-C. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis: (cf. red. do art. 2º da LC 128, de 2008; em vigor a partir de 22.12.2008, cf. art. 14, caput)... VI – serviço de vigilância, limpeza ou conservação. (cf. red. do art. 3º da LC 128, de 2008; em vigor a partir de 01.01.2009, cf. art. 14, II) ... § 5º-H. A vedação de que trata o inciso XII do caput do art. 17 desta Lei Complementar não se aplica às atividades referidas Fl. 1942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 15 no § 5º-C deste artigo. (cf. red. do art. 3º da LC 128, de 2008; em vigor a partir de 01.01.2009, cf. art. 14, II) 21. Como se vê, aos optantes pelo Simples Nacional é vedada a prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra, salvo nos casos tributados pelo Anexo IV da Lei Complementar nº 123, de 2006, ou seja, de vigilância, limpeza e conservação, entre outros sem relação com a presente consulta. Nesse sentido, também a IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009: Art. 191... § 2º A ME ou a EPP que exerça atividades tributadas na forma do Anexo III, até 31 de dezembro de 2008, e tributadas na forma dos Anexos III e V, a partir de 1º de janeiro de 2009, todos da Lei Complementar nº 123, de 2006, estará sujeita à exclusão do Simples Nacional na hipótese de prestação de serviços mediante cessão ou locação de mão-de-obra, em face do disposto no inciso XII do art. 17 e no § 5º-H do art. 18 da referida Lei Complementar 22. Como vimos acima, os serviços de portaria e de zeladoria não se subsomem no art. 18, § 5º-C, inciso VI, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Ou seja, não são tributados pelo Anexo IV. Todavia, são inequivocamente prestados mediante cessão de mão-de-obra, cf. RPS: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003). § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende- se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Fl. 1943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 16 § 2º Enquadram-se na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra: I - limpeza, conservação e zeladoria; ... XX - portaria, recepção e ascensorista; ... 23. Deve-se concluir, portanto, que os serviços de portaria e de zeladoria são vedados aos optantes pelo Simples Nacional. 11. Já na GFIP – Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social consta a informação dos trabalhadores por CBO e por Tomador de Serviço. Quanto ao CBO a empresa prestará a informação considerando os quatro primeiros dígitos, nos termos do Manual GFIP, versão 8.4, Capítulo II – INFORMAÇÕES CADASTRAIS, item 4.5: 12. Com estas definições extraímos os dados da empresa, por tomador, que esteja classificado no CBO 5174 – Porteiros, vigias e afins, conforme tabela abaixo: (...) Fl. 1944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 17 13. Em várias Notas Fiscais de Serviço – NFS-e também aparecem a prestação de serviço de Portaria. Por amostragem selecionamos algumas, a exemplo das NFS n.º 419, 436, 451, 467, 484, 503 emitidas para o tomador LORENZON HOTÉIS LTDA. Nas NFS-e emitidas pela empresa também se encontra a prestação de serviço de Portaria, a exemplo da NFS-e n.º 419, onde consta em destaque (vide seta abaixo) na DISCRIMINAÇÃO DOS SERVIÇOS “Prestação de serviço de posto de portaria, referente ao período de 01 a 31 de julho de 2014”. (...) 14. Em várias Notas Fiscais de Serviço – NFS-e também aparecem a prestação de serviço de Portaria. Por amostragem selecionamos algumas, a exemplo das NFS n.º 434, 452, 482, 501, 767, 949 emitidas para o tomador CLUBE CURITIBANO. Nas NFS-e emitidas pela empresa também se encontra a prestação de serviço de Portaria, a exemplo da NFS-e n.º 949: (...) 15. Em várias Notas Fiscais de Serviço – NFS-e também aparecem a prestação de serviço de Portaria. Por amostragem selecionamos algumas, a exemplo das NFS n.º 421, 487, 754, 755, 773 emitidas para o tomador CONDOMÍNIO VILLA BELLA. Nas NFS-e emitidas pela empresa também se encontra a prestação de serviço de Portaria, a exemplo da NFS-e n.º 773: (...) 16. Desse modo, por tudo exposto e considerando a situação fática da empresa procede-se a exclusão do SIMPLES NACIONAL, nos termos do art. 17, inciso XII, e art. 29, inciso I, da Lei Complementar n.º 123, de 2006, abaixo transcrito: (...) 17. No mesmo sentido, dispõe a Resolução CGSN nº 140, de 22/05/2018, art. 5º, inciso XI, alíneas “a” a “c”, art. 15, inciso XXI e parágrafo 3º, art. 112, parágrafo 1º: (...) 18. Considerando o disposto na Resolução CGSN nº 140, de 22/05/2018, art. art. 15, inciso XXI, produzirá os efeitos da exclusão a partir de 01/02/2014, por conta da comprovação da prestação de serviço com cessão de mão-de-obra no mês de janeiro de 2014, nos termos do art. 81, inciso II, alínea “c”, item “2”, da referida Resolução, abaixo transcrito: (...) Nesse sentido, em que pese a Recorrente afirmar que os serviços por ela prestados não se configurariam como cessão de mão-de-obra, não produziu conjunto probatório em sentido diverso e, ao contrário do alegado em sede recursal, houve análise de todos dos documentos Fl. 1945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 18 carreados aos autos e pactuo da conclusão exposta, expressamente, no acórdão de piso de que “tanto o contrato social e suas alterações (e-fls. 9/25), quanto as notas fiscais de serviços juntadas pela autoridade fiscal e pelo próprio interessado (e-fls. 29/46 e 212/284), comprovam a prestação de serviços de portaria”. De tal modo, não há que se falar em inexistência de cessão de mão de obra nem em ausência de subsunção do fato à norma, pois comprovado está que a Recorrente, de fato, prestava serviços de portaria, que se enquadra na prestação de serviços por meio de cessão de mão de obra, situação impeditiva ao ingresso no Simples Nacional, nos termos do art. 17, XII, da LC nº 123, de 2006, e não excepcionada pelos citados §§5º-C e 5-H do art. 18 da mesma lei. Há se destacar que para configuração da operação de cessão ou locação de mão de obra devem estar reunidas concomitantemente as seguintes condições: (a) o trabalho seja executado nas dependências da tomadora/contratante ou nas dependências de terceiros por ela indicados, (b) o trabalhador seja cedido pela prestadora/contratada para ficar à disposição da tomadora/contratante, em caráter não eventual e (c) o objeto da contratação seja a realização de serviços considerados contínuos, por constituírem necessidade permanente da tomadora/contratante relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário. Consideram-se (a) dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços, (b) serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da tomadora/contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores e (c) por colocação à disposição tomadora/contratante, entende-se a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Na cessão a mão de obra o objeto é que os trabalhadores da prestadora/contratada estão à disposição da tomadora/contratante de serviços, o que significa dizer que pode deles dispor, pode deles exigir a execução de tarefas dentro dos limites estabelecidos, previamente, em contrato, sem que eles necessitem, para executá-las, reportarem-se à prestadora/contratada. A mão de obra é originada do chamado "locatio operarum", com característica marcante centrada na própria mão de obra, sendo essa a essência desse tipo de contrato. Na prestação de serviços os trabalhadores simplesmente fazem o que está previsto em contrato, mediante ordem e coordenação da prestadora/contratada, que está à disposição da tomadora/contratante e não os seus trabalhadores, que continuam subordinados prestadora/contratada. Em caso de necessidade, é a prestadora/contratada que recebe orientações da tomadora/contratante e as repassa aos seus empregados. Nesse tipo de contrato o objeto é a execução de um serviço certo. A tomadora/contratante está interessada no resultado final do serviço contratado, que é de responsabilidade da prestadora/contratada. Fl. 1946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 19 Na empreitada a característica principal é a predeterminação clara da necessidade a ser atendida e, por consequência, sua finitude. O serviço necessário para produzir o resultado apto a atender a necessidade pode ser antecipadamente dimensionado e especificado. Acrescenta-se, ainda, que a relação de negócio é estabelecida entre tomador/contratante e prestador/contratada e este mantém intacto seu poder de direção, supervisão e gerenciamento da execução dos serviços, direitos estes que não são transferidos nem compartilhados com o tomador, porquanto os trabalhadores não foram colocados à disposição daquele. A de mão de obra tem sua origem no "locatio operis", contrato caracterizado quando as partes objetivam a realização de uma tarefa ou de uma obra, sendo a mão de obra apenas um meio de se alcançar o objeto almejado pelas partes (Solução de Consulta Cosit nº 312, de 06 de novembro de 2014 e Solução de Consulta Cosit nº 19, de 25 de janeiro de 2019). A Solução de Consulta Cosit nº 57, de 27 de fevereiro de 2015, orienta: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL EMENTA: PORTARIA. ZELADORIA. Os serviços de portaria e de zeladoria, porque não se confundem com vigilância, limpeza ou conservação e são prestados mediante cessão de mão-de-obra, são vedados aos optantes pelo Simples Nacional. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, XII, art. 18, § 5º- C, VI, § 5º-H; RPS, art. 219, § 2º, I, XX; IN RFB nº971, de 2009, art. 191, § 2º. Ademais, analisando o acervo fático-probatório constantes nos autos verifica-se que a Recorrente se dedica à atividade de prestação de portaria em condomínios realizada por cessão ou locação de mão de obra. Em várias Notas Fiscais de Serviço – NFS-e também aparecem a prestação de serviço de Portaria. Por amostragem selecionamos algumas, a exemplo das NFS n.º 419, 436, 451, 467, 484, 503 emitidas para o tomador LORENZON HOTÉIS LTDA, constantes nos autos. Nas NFS-e emitidas pela empresa também se encontra a prestação de serviço de Portaria, a exemplo da NFS-e n.º 419, onde consta em destaque na DISCRIMINAÇÃO DOS SERVIÇOS “Prestação de serviço de posto de portaria, referente ao período de 01 a 31 de julho de 2014”. Fl. 1947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 20 Também em outras Notas Fiscais de Serviço – NFS-e aparecem a prestação de serviço de Portaria. Por amostragem selecionamos algumas, a exemplo das NFS n.º 434, 452, 482, 501, 767, 949 emitidas para o tomador CLUBE CURITIBANO. Nas NFS-e emitidas pela empresa também se encontra a prestação de serviço de Portaria, a exemplo da NFS-e n.º 949: Ademais, em várias Notas Fiscais de Serviço – NFS-e ainda aparecem a prestação de serviço de Portaria. Por amostragem selecionamos algumas, a exemplo das NFS n.º 421, 487, 754, Fl. 1948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 21 755, 773 emitidas para o tomador CONDOMÍNIO VILLA BELLA. Nas NFS-e emitidas pela empresa também se encontra a prestação de serviço de Portaria, a exemplo da NFS-e n.º 773: Sobre a questão, assim tem decidido este Tribunal: SIMPLES NACIONAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PORTARIA. VEDAÇÃO. O serviço de portaria realizado por cessão de mão de obra não se confunde com os de vigilância, limpeza e conservação, portanto, não se enquadra na exceção do inciso VI, § 5°-C, do art. 18 da Lei Complementar n° 123, de 2006, e sim na regra de vedação do inciso XII do art. 17 dessa mesma lei. (Acórdão nº 1201-004.291, Relator: Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Data da Sessão: 15/11/2020 ) SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DEVIDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE PORTEIRO ATRAVÉS DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADE VEDADA. A atividade de prestação de serviços de porteiro, através de cessão de mão de obra, é atividade vedada no Simples Nacional. (Acórdão nº 1401-005.100, Relator: Letícia Domingues Costa Braga, Data da Sessão: 18/12/2020 ) EXCLUSÃO - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA - PORTEIRO - EXERCÍCIO COMPROVADO. Comprovado o exercício efetivo de atividade vedada ao regime do Simples Nacional, mantém-se o ato de exclusão. (Acórdão nº 1001-002.484, Relator: José Roberto Adelino da Silva, Data da Sessão: 14/07/2021 ) Fl. 1949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 22 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PORTARIA E VIGIA MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. É vedada a opção pelo Simples Nacional de pessoas jurídicas que prestem serviços de portaria e vigia mediante cessão ou locação de mão de obra. VIGIA. PORTARIA E ZELADORIA. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO COM O SERVIÇO DE VIGILÂNCIA. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO RFB 7/2015. A atividade de vigia é aquela exercida por um porteiro, por cessão de mão de obra, não se confunde com o serviços de vigilância, limpeza e conservação; e não se enquadra na exceção prevista no inciso VI do §5º-C do art. 18 da LC 123/2006, e sim na regra do inciso XII do caput do art. 17 da mesma Lei. (Acórdão nº 1002-002.274, Relator: Rafael Zedra, Data da Sessão: 10/10/2021 ) EXCLUSÃO DE OFÍCIO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PORTARIA MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. É vedada a opção pelo Simples Nacional de pessoas jurídicas que prestam serviços de portaria mediante cessão ou locação de mão de obra. SIMPLES NACIONAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO A exclusão do Simples Nacional produz efeitos a partir do primeiro dia do mês seguinte ao da ocorrência da situação de vedação. (Acórdão nº 1002- 002.447, Relator: Fellipe Costa Data da Sessão: 06/10/2022 ) Por fim, os efeitos da exclusão está disciplinado na Lei Complementar nº 123/2006, que assim estabelece: Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á: II - obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; (...) Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I - na hipótese do inciso I do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir de 1º de janeiro do ano-calendário subsequente, ressalvado o disposto no §4º deste artigo; II - na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; No mesmo sentido, é a Resolução CGSN nº 94/2011, a qual estabelece o seguinte: Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: III - a partir da data dos efeitos da opção pelo Simples Nacional, nas hipóteses em que: a) for constatado que, quando do ingresso no Simples Nacional, a ME ou EPP incorria em alguma das hipóteses de vedação previstas no art. 15; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 2º, inciso I e § 6º; art. 16, caput) (...) Fl. 1950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 23 Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput) XXII - que realize cessão ou locação de mão-de-obra; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso XII) Diante do exposto, analisando as legislações acima descritas, identifica-se que uma das hipóteses de exclusão obrigatória, notadamente o de realização de cessão de mão de obra, deverá surtir efeitos retroativamente, devendo o contribuinte ser excluída desde a data dos efeitos da opção, no presente caso, a partir de 1° de fevereiro de 2014. Ademais , como o recurso voluntário apenas repisou as alegações da manifestação de inconformidade e não houve nenhum argumento de mérito ou documentos que justifiquem uma nova visão dos fatos, e por entender que a decisão a quo analisou detalhadamente a matéria, adoto como razões de decidir as externadas pela decisão recorrida (Acórdão nº 14-76.192, prolatado pela 9ª Turma da DRJ/RPO, em 21 de fevereiro de 2018), tal como abaixo descritas, que ora ficam confirmadas, nos termos do art. 50, inciso V e § 1º, da Lei nº 9.784/1999 c/c art. 114, § 12, inciso I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 : “(...) O ponto controvertido da lide restringe-se à possibilidade de uma empresa prestadora de serviços de portaria, mediante cessão de mão de obra, ser optante pelo Simples Nacional. Essa questão deve ser analisada à luz da legislação tributária aplicável ao regime do Simples Nacional vigente à época, especialmente a Lei Complementar nº 123, de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, e a Resolução CGSN nº 94, de 2011, que dispôs sobre o Simples Nacional. O artigo 15, inciso XXII, da Resolução CGSN nº 94/2011, prevê, expressamente, que a microempresa ou a empresa de pequeno porte que realize cessão ou locação de mão-de-obra não poderá ser optante pelo Simples Nacional: Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, caput) [...] XXII - que realize cessão ou locação de mão-de-obra; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, inciso XII) Essa vedação apenas não se aplica às empresas que se dediquem exclusivamente a certas atividades ou as exerçam em conjunto com outras que não tenham sido objeto de vedação, conforme dispõe o §2º do artigo 15 da Resolução CGSN nº 94/2011: Fl. 1951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 24 § 2º As vedações relativas ao exercício de atividades previstas no caput não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput: (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º) I - creche, pré-escola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos XIII e XIV deste parágrafo; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-B, inciso I) II - agência terceirizada de correios; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-B, inciso II) III - agência de viagem e turismo; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-B, inciso III) IV - centro de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-B, inciso IV) V - agência lotérica; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-B, inciso V) VI - serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º- B, inciso IX) VII - transporte municipal de passageiros; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-B, inciso XIII) VIII - escritórios de serviços contábeis, observado o disposto no § 8ºdo art. 6º; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º- B, inciso XIV) IX - produções cinematográficas, audiovisuais, artísticas e culturais, sua exibição ou apresentação, inclusive no caso de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, cinematográficas e audiovisuais; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-B, inciso XV) X - construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-C, inciso I) XI - serviço de vigilância, limpeza ou conservação; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-C, inciso VI) Fl. 1952DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 25 XII - cumulativamente administração e locação de imóveis de terceiros; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso I) XIII - academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes marciais; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso II) XIV - academias de atividades físicas, desportivas, de natação e escolas de esportes; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso III) XV - elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento da optante; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso IV) XVI - licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso V) XVII - planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados em estabelecimento da optante; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso VI) XVIII - empresas montadoras de estandes para feiras; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso IX)XIX - laboratórios de análises clínicas ou de patologia clínica; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso XII) XX - serviços de tomografia, diagnósticos médicos por imagem, registros gráficos e métodos óticos, bem como ressonância magnética; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso XIII) XXI - serviços de prótese em geral. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, § 1º; art. 18, § 5º-D, inciso XIV) Por sua vez, o § 4º do artigo 15 da Resolução CGSN nº 94/2011 especifica que a vedação à opção por empresas que exerçam a atividade mediante cessão ou locação de mão de obra não se aplica às atividades de construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; e de serviço de vigilância, limpeza ou conservação: § 4º A vedação à opção por empresas que exerçam a atividade mediante cessão ou locação de mão de obra, de que trata o inciso XXII do caput, não se aplica às atividades referidas nos incisos X e XI do § 2º. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 18, § 5º-H) Fl. 1953DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 26 A atividade de portaria não se encontra relacionada em nenhuma dessas exceções. Poderia se aduzir que a atividade de portaria estaria inclusa no serviço de vigilância, previsto no inciso XI, ou que a ele seria semelhante. Contudo, essa hipótese foi afastada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, por meio da Solução de Consulta COSIT nº 57, de 27/02/20151, segundo a qual os serviços de portaria e de zeladoria, quando prestados mediante cessão de mão- de-obra, por não se confundirem com os serviços de vigilância, limpeza ou conservação, são vedados aos optantes pelo Simples Nacional. Por fim, em consulta ao CNPJ do contribuinte, na página da Receita Federal do Brasil – RFB na internet, verifica-se que consta informado como atividade principal o código CNAE 81.11-7-00 - Serviços combinados para apoio a edifícios, exceto condomínios prediais; e como atividades secundárias os CNAE 81.21-4-00 - Limpeza em prédios e em domicílios, 82.11-3-00 - Serviços combinados de escritório e apoio administrativo e 96.09-2-99 - Outras atividades de serviços pessoais não especificadas anteriormente. São exatamente para esses CNAE que o contribuinte aduz não haver impedimento de opção pelo Simples Nacional. Contudo, o contribuinte não informou nenhum código de CNAE que abrangesse atividades de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, tais como o CNAE 7830-2/00 -Fornecimento e gestão de recursos humanos para terceiros ou o CNAE 7820-5/00 - Locação de mão de obra temporária. E esses dois códigos de CNAE são impeditivos de opção pelo Simples Nacional. Essa, portanto, deve ser a razão de a solicitação de opção pelo Simples Nacional efetuada pelo contribuinte ter sido deferida em abril de 2011, já que a alteração de dados no CNPJ para a inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional equivale à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional, nos termos do artigo 74, II, da Resolução CGSN nº 94/2011. Portanto, não há que se falar em violação ao artigo 111 do Código Tributário Nacional. O pedido de anulação dos Autos de Infração lavrados em decorrência da exclusão do contribuinte do Simples Nacional não será aqui conhecido, uma vez que referidos Autos de Infração são objeto de processo distinto (Processo Administrativo nº 11634.720097/2019-59). De igual modo, a questão relativa à formalização da representação fiscal para fins penais também não será conhecida, tanto por ela não ser o objeto deste processo que se restringe ao ato de exclusão da empresa do Simples Nacional, como por este órgão de julgamento não possuir competência para a apreciação 1 Nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1396/2013, na redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1434/2013, a Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB. Fl. 1954DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.584 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720098/2019-01 27 dessa matéria. Deveras, após a representação fiscal para fins penais, essa competência é dos membros do Ministério Público Federal e dos Juízes Federais, em sede de denúncia criminal ou de processo judicial, respectivamente. Em relação ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, esse entendimento está inclusive consolidado na Súmula CARF nº 28, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal atribuída pela conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010: Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. DIANTE DO EXPOSTO, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade”. Desta forma, comprovado está que a Recorrente incorreu em vedação à fruição do regime tributário simplificado do Simples Nacional e que todos os documentos constantes nos autos foram regularmente examinados com minudência, conforme a legislação de regência da matéria. Em suma, diferente do entendimento da Recorrente, os supostos fatos indicados na peça recursal não podem ser corroborados. Ademais, o procedimento fiscal decorre de expressa previsão legal que é de observância obrigatória pela autoridade tributária, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional). Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 1955DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13976.000164/96-77
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2000
Numero da decisão: 203-00.851
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURO WASILEWSKI

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Numero do processo: 10480.907738/2019-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018 ROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL. PRINCÍPIO DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. DIALETICIDADE RECURSAL. MATÉRIAS IMPUGNADAS DE FORMA GENÉRICA. NÃO CONHECIMENTO. Quando o sujeito passivo, em recurso voluntário, apenas reproduz a impugnação ou apresenta alegações genéricas, sem atacar de forma específica os fundamentos da decisão recorrida, incidem os princípios da impugnação específica e da dialeticidade, impondo-se o não conhecimento do recurso nessas matérias, nos termos do artigo 932, III, do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente. PIS E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS DIVERSOS. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ÔNUS DA PROVA. MANUTENÇÃO DAS GLOSAS. A indicação genérica de gastos com manutenção de postos, materiais de uso e consumo, comissões, processamento de dados, serviços de arquitetura, aluguéis de veículos e outros como “insumos” não supre o ônus de demonstrar sua essencialidade ou relevância, rubrica a rubrica. Ausente prova individualizada e impugnação específica, mantêm-se as glosas e não se conhece do recurso no ponto, por violação ao princípio da dialeticidade. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. A atividade do distribuidor de combustíveis é caracterizada como de revenda de combustíveis, não se tratando de atividade de serviço ou de produção. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL HIDRATADO PARA REVENDA POR DISTRIBUIDOR. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de crédito sobre a aquisição de álcool hidratado para revenda, por distribuidor, nos termos do §13 do artigo 5º da Lei nº 9.718/98. PIS E COFINS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. APLICAÇÃO DO TEMA 1.093 DO STJ.Na revenda de combustíveis sujeitos ao regime monofásico, é vedado o crédito de PIS e de COFINS sobre despesas de frete na operação de venda suportadas pelo distribuidor, por se tratar de componente do custo de aquisição de bens monofásicos. PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO AO CRÉDITO. Inexistindo remissão, para armazenagem, às restrições previstas no artigo 3º, I, b, das referidas leis, é admitido o crédito sobre gastos de armazenagem de combustíveis submetidos ao regime monofásico.
Numero da decisão: 3301-014.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria 3-bens e serviços como insumos e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito sobre armazenagem dos combustíveis, vencidas as Conselheiras Rachel Freixo Chaves (relatora) e Keli Campos de Lima que davam provimento aos créditos de aquisição de álcool anidro e biodiesel B-100 e de álcool hidratado para revenda. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Assinado Digitalmente Rachel Freixo – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente e Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros s Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Vinicius Guimaraes (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: RACHEL FREIXO CHAVES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria 3-bens e serviços como insumos e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito sobre armazenagem dos combustíveis, vencidas as Conselheiras Rachel Freixo Chaves (relatora) e Keli Campos de Lima que davam provimento aos créditos de aquisição de álcool anidro e biodiesel B-100 e de álcool hidratado para revenda. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Assinado Digitalmente Rachel Freixo – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente e Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros s Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Vinicius Guimaraes (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).

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RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL. PRINCÍPIO DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. DIALETICIDADE RECURSAL. MATÉRIAS IMPUGNADAS DE FORMA GENÉRICA. NÃO CONHECIMENTO. Quando o sujeito passivo, em recurso voluntário, apenas reproduz a impugnação ou apresenta alegações genéricas, sem atacar de forma específica os fundamentos da decisão recorrida, incidem os princípios da impugnação específica e da dialeticidade, impondo-se o não conhecimento do recurso nessas matérias, nos termos do artigo 932, III, do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente. PIS E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS DIVERSOS. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ÔNUS DA PROVA. MANUTENÇÃO DAS GLOSAS. A indicação genérica de gastos com manutenção de postos, materiais de uso e consumo, comissões, processamento de dados, serviços de arquitetura, aluguéis de veículos e outros como “insumos” não supre o ônus de demonstrar sua essencialidade ou relevância, rubrica a rubrica. Ausente prova individualizada e impugnação específica, mantêm-se as glosas e não se conhece do recurso no ponto, por violação ao princípio da dialeticidade. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. A atividade do distribuidor de combustíveis é caracterizada como de revenda de combustíveis, não se tratando de atividade de serviço ou de produção. Fl. 1860DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 2 PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL HIDRATADO PARA REVENDA POR DISTRIBUIDOR. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de crédito sobre a aquisição de álcool hidratado para revenda, por distribuidor, nos termos do §13 do artigo 5º da Lei nº 9.718/98. PIS E COFINS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. APLICAÇÃO DO TEMA 1.093 DO STJ. Na revenda de combustíveis sujeitos ao regime monofásico, é vedado o crédito de PIS e de COFINS sobre despesas de frete na operação de venda suportadas pelo distribuidor, por se tratar de componente do custo de aquisição de bens monofásicos. PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO AO CRÉDITO. Inexistindo remissão, para armazenagem, às restrições previstas no artigo 3º, I, b, das referidas leis, é admitido o crédito sobre gastos de armazenagem de combustíveis submetidos ao regime monofásico. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria 3-bens e serviços como insumos e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito sobre armazenagem dos combustíveis, vencidas as Conselheiras Rachel Freixo Chaves (relatora) e Keli Campos de Lima que davam provimento aos créditos de aquisição de álcool anidro e biodiesel B-100 e de álcool hidratado para revenda. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Assinado Digitalmente Rachel Freixo – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente e Redator designado Fl. 1861DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros s Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Vinicius Guimaraes (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RELATÓRIO 1. Por economia processual e por relatar a realidade dos fatos, reproduzo, no que interessar para fins deste julgamento o relatório da DRJ: Trata o presente processo do pedido eletrônico de ressarcimento - PER nº 09405.14416.220119.1.1.18-2713, relativo ao crédito de PIS/Pasep não cumulativo do 4º trimestre 2018, no valor de R$ 77.213,40, bem como das Declarações Eletrônicas de Compensação – Dcomps que utilizaram referido crédito. Após analisar o pleito da interessada (PER e Dcomps vinculadas), a unidade de origem emitiu em 09/02/2021 o Despacho Decisório (1.091/2021 - Eq. Regional Dcfaz. 4ª RF), por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento formulado, bem como não homologou as compensações declaradas (Dcomps vinculadas). Procedimento Fiscal Referido despacho decisório, observa-se, teve por base procedimento fiscal (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal - TDPF nº 0410100.2020.00204) que analisou os Pedidos de Ressarcimentos de PIS e Cofins - mercado externo do 1º trimestre de 2017 ao 4º trimestre de 2018, consubstanciado no Relatório Fiscal e anexos que constam apensados em mencionado Despacho Decisório. Da leitura do Relatório Fiscal constata-se que o procedimento de auditoria (de verificação dos créditos solicitados) foi realizado com base nas informações constantes da Escrituração Fiscal Digital – EFD (SPED Fiscal), das Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e), dos Conhecimentos de Transporte Eletrônicos (CT-e) e das Escriturações Contábeis Digitais (ECD) da empresa, envolvendo, também, a análise dos documentos contábeis e fiscais, planilhas e informações apresentados pela contribuinte durante o procedimento fiscal. Verifica-se, também, que a autoridade a quo, após análise de toda a documentação coletada durante a fiscalização, sustenta que ao invés de créditos a ressarcir existem contribuições a pagar (PIS e Cofins) em todos os períodos de apuração fiscalizados (01 de 2017 a 12 de 2018), em razão de ter encontrado infrações a legislação tributária, tanto em relação a apuração dos créditos da não cumulatividade quanto em relação a determinação das receitas tributáveis. Fl. 1862DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 4 Primeiramente, no tocante aos créditos, os ajustes/glosas foram efetivados nas seguintes rubricas (conforme tópico 3. Análise dos Créditos): 3.1 – Aquisição de Bens e Serviços no Mercado Interno. 3.1.1 – Aquisição de Bens para Revenda (MI) - Nesta rubrica foram glosados os créditos relativos às aquisições de Álcool Anidro, Álcool Hidratado e Biodiesel, contabilizados nas contas contábeis nº 1.01.05.01.00003, 1.01.05.01.00004 e 1.01.05.01.00008, respectivamente. - Aquisições de Etanol. A autoridade a quo argumenta que “O art. 4º da Medida Provisória nº 613/2013, convertida na Lei nº 12.859/2013, com produção de efeitos a partir de 08/05/2013, excluiu as distribuidoras de combustíveis do § 13 da Lei nº 9.718/1998, as quais passaram a não ter mais previsão em lei para apurar créditos de PIS e Cofins não-cumulativos quando da aquisição no mercado interno de álcool carburante para revenda. Além disso, com a referida exclusão do § 13, passou-se a aplicar sobre as aquisições, pelas distribuidoras, de álcool carburante para revenda a vedação ao aproveitamento de créditos prevista no art. 3º, inciso I, alínea “b” das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Adicionalmente a isso, o Decreto nº 7.779/2013, com produção de efeitos a partir 08/05/2013, alterou o coeficiente de redução previsto no art. 1º do Decreto nº 6.573/2008 o que reduziu a zero as alíquotas específicas incidentes sobre as vendas desses combustíveis realizadas pelas distribuidoras.” Acrescenta que a Solução de Consulta Cosit nº 119, de 2015, corrobora esse entendimento. - Aquisições de Biodiesel. Sustenta que este produto está sujeito a incidência da alíquota concentrada das contribuições (PIS e Cofins), consoante o disposto no art. 3º, da Lei nº 11.116, de 2004, e que existe vedação legal para o aproveitamento de créditos no caso em que as aquisições são realizadas no mercado interno, para comercialização, de combustíveis sujeitos a alíquotas diferenciadas/concentradas, consoante disposto no art. 3º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, c/c art. 6º, da Lei nº 11.116, de 2004. 3.1.2 – Aquisição de Bens Utilizados como Insumo - Argumenta que a empresa não possui o direito ao crédito em relação à aquisição de insumos (previsto no inciso II, art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003) uma vez que, consoante Contrato Social, ela tem como atividade-fim exclusiva o comércio atacadista de combustíveis carburantes, e também, porque não foram constatadas em sua contabilidade receitas relativas a prestação de serviços ou produção de bens destinados à venda. Para defesa de sua tese menciona a Solução de Consulta Cosit nº 248, de 2019, bem como outros posicionamentos contidos em acórdãos administrativos e outras soluções de consulta administrativas. Nesse sentido, informa que glosou os créditos relativos às aquisições contabilizadas nas contas "1.01.05.01.00008 - BIODIESEL", "5.01.04.01.00007 - 5A34- MATERIAL DE SEGURANCA", "5.01.03.03.00001 - 5A17 - MANUTENCAO COM POSTOS" e "1.02.05.03.00003 - MAQUINAS E EQUIPAMENTOS", as quais “correspondem às aquisições no mercado interno de Fl. 1863DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 5 bens (biodiesel, lacres, óleo diesel, garrafa plástica, tanques de combustível e material para uso e consumo) e de serviços (de manutenção na rede de postos e não especificados, prestados por pessoas jurídicas)”. 3.1.3 – Aquisição de Serviços Utilizados como Insumo - Nesta rubrica a fiscalização implementou glosas em relação aos serviços utilizados como insumo, serviços de armazenagem e serviços de aluguéis de veículos. Por outro lado, admitiu a integralidade dos créditos relativos aos aluguéis de imóveis e locações de máquinas, ressaltando que existem denominações próprias para os registros destas rubricas nas EFDs (Aluguéis de prédios e Aluguéis de máquinas e equipamentos). - No tocante aos serviços utilizados como insumos a glosa ocorreu pelas mesmas razões apresentadas na rubrica anterior, ou seja, como se trata de empresa comercial que não presta serviço e/ou não realiza produção de produtos destinados a venda, a autoridade a quo entendeu que inexistem insumos e, por consequencia, direito ao crédito sobre a aquisição de serviços utilizados insumos. Nesse sentido glosou os créditos relativos às aquisições contabilizados na conta 2.01.01.01 - FORNECEDORES MATERIAIS E SERVICOS, a qual agrega, entre outros, “as comissões sobre vendas, as manutenções na rede de postos, os serviços de processamento de dados, as despesas de armazenagem de combustíveis carburantes, de fretes nas operações de compra e venda de combustíveis carburantes e demais serviços (não detalhados no campo descrição da planilha) prestados por pessoas jurídicas com atividades econômicas nas áreas de: consultoria em tecnologia da informação; desenvolvimento e licenciamento de programas de computador; tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na internet; fabricação de componentes eletrônicos; fabricação de letras, letreiros e placas de qualquer material, exceto luminosos; fabricação de painéis e letreiros luminosos; impressão de material de segurança; instalação e manutenção elétrica; perfuração, sondagem e construção de poços de água; cartografia, topografia e geodésia; contabilidade; comunicação multimídia; engenharia; arquitetura; construção civil; provedores de acesso às redes de comunicações; reparação e manutenção de computadores e de equipamentos periféricos; representantes comerciais e agentes do comércio de combustíveis, minerais, produtos siderúrgicos e químicos; intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários; comércio atacadista de bombas e compressores; comércio atacadista de equipamentos de informática; comércio varejista de materiais de construção em geral.” - No que diz respeito aos serviços descritos como "serviços de armazenagem", a fiscalização não concedeu o crédito com base no entendimento disposto na Solução de Divergência - Cosit nº 02, de 2017. Como se tratam de serviços relacionados à armazenagem de gasolina “A”, álcool etanol anidro, álcool etanol hidratado, biodiesel B100, óleo diesel “A” S500 e óleo diesel “A” S10”, sustenta que não existe o direito ao crédito, consoante o disposto em referida solução de divergência. Fl. 1864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 6 - Por último, quanto aos serviços de aluguéis de veículos, o direito ao crédito não foi autorizado pela por falta de previsão legal. Segundo a fiscalização esse o entendimento encontra-se disposto na Solução de Consulta - Cosit nº 1, de 2014. 3.1.4 – Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda - Nessa rubrica os créditos da não cumulatividade foram apropriados pela interessada em relação as mais diversas aquisições de bens e serviços. Consoante o relato da fiscalização, “Dentre as operações se encontram as armazenagens de combustíveis carburantes, os fretes nas aquisições e vendas de combustíveis carburantes, os fretes nas aquisições de lacres e de bens para uso e consumo ou utilização na manutenção da rede de postos, os fretes nas transferências de combustíveis carburantes e de bens do ativo imobilizado entre estabelecimentos da empresa, as comissões sobre vendas, os serviços de processamento de dados, as manutenções na rede de postos e os demais serviços (não detalhados no campo “Descrição do Serviço”) prestados por pessoas jurídicas com atividades econômicas voltadas para: engenharia; arquitetura; construção de edifícios; impermeabilização em obras de engenharia civil; fabricação de letras, letreiros e placas de qualquer material, exceto luminosos; comunicação multimídia; transporte rodoviário de produtos perigosos; pré-impressão; cartografia, topografia e geodésia; reparação e manutenção de computadores e de equipamentos periféricos; recarga de cartuchos para equipamentos de informática; instalação e manutenção elétrica; aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes; aluguel de outras máquinas e equipamentos comerciais e industriais não especificados anteriormente, sem operador; entre outras.” . Nesse sentido a fiscalização: - No que diz respeito aos créditos sobre os diversos serviços empregados na manutenção da rede de postos e nas atividades comerciais da empresa, não concedeu o direito ao crédito porque (como já dito) a empresa não exerce atividade produtiva e/ou de prestação de serviços e, portanto, não existem bens e serviços utilizados como insumo. - No tocante às despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda de gasolina, óleo diesel e álcool carburante o crédito também não foi concedido. Para o caso da gasolina e do óleo diesel porque se tratam de revenda de produtos sujeitos à incidência concentrada das contribuições sociais para os quais existe proibição legal (Art. 2º, §§ 1º e 1º-A, combinado com o art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003). E para o caso do álcool, porque após a edição da MP nº 613/2013 (convertida na Lei nº 12.859/2013) as distribuidoras de combustíveis foram excluídas do art. 5º, § 13, da Lei nº 9.718, de 1998, e com isso, as disposições do § 16, do mesmo artigo, não mais se aplicam às aquisições de álcool carburante pelas distribuidoras, o que torna tais operações sujeitas às previsões do citado art. 3º, inciso I, alínea “b”, ou seja, referida alteração legal fez com que o álcool carburante passasse a estar sujeito à incidência concentrada das contribuições sociais, tornado o direito ao crédito proibido. Para o fim de corroborar sua tese menciona o entendimento, no Fl. 1865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 7 mesmo sentido, disposto nas Soluções de Consulta Cosit nº 99.048, de 2017, e nº 265, de 2019. - Quanto às despesas de fretes nas aquisições de lacres e de bens para uso e consumo ou utilização na manutenção da rede de postos, bem como em relação às despesas relacionadas às operações de transferência de combustíveis carburantes ou de bens do ativo imobilizado entre estabelecimentos da empresa, o direito ao crédito não foi concedido de igual forma. A fiscalização alega que não se referem a aquisições passíveis de creditamento, de bens para revenda ou para utilização em processo produtivo, de forma que não existe possibilidade de apuração de crédito sobre o valor do frete como parte do custo do bem adquirido. - Por último, de forma idêntica ao apontamento do item 3.1.3 acima, a autoridade a quo admitiu a integralidade dos créditos relativos aos aluguéis de imóveis e locações de máquinas, apesar de existirem (como dito anteriormente) denominações próprias para os registros destas rubricas nas EFDs (Aluguéis de prédios e Aluguéis de máquinas e equipamentos). 3.1.5 – Energia Elétrica e Térmica, inclusive sob a forma de vapor - Os ajustes quanto a essa rubrica ocorreram em relação a despesas (apropriadas pela interessada) que não correspondem à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e, também, por não existir previsão legal para apuração destas despesas. São elas: - serviço prestado pela empresa Previncêndio Prevenção Contra Incêndio Ltda. – Me, em 09/02/2017, referente à nota fiscal nº 10.972, no valor de R$ 205,33; - serviço de ligação/conexão de rede de distribuição aérea de energia, prestado pela empresa Energisa Paraíba - Distribuidora de Energia S.A, em 29/05/2017, ref. a nota fiscal nº 52.107, no valor de R$ 10.409,91; e - parcelas da conta de energia relativas à taxa de iluminação pública e ao ICMS subvenção. 3.1.6 – Aluguéis de Prédios - As glosas nessa rubrica se deram em relação às seguintes despesas: - serviço prestado pela empresa Antônio Figueiredo - Arquiteto - Me, em 11/01/2017, no valor de R$ 6.000,00, posto que não existe previsão legal para o creditamento de serviço de arquitetura por pessoa jurídica comercial; - aluguéis de veículos, fornecidos pela empresa Localiza Rent a Car S/A, em março/2018, no valor total de R$ 2.598,00, pelo fato de não existir previsão legal para o aproveitamento de créditos dessa natureza. 3.1.7 – Aluguéis de Máquinas e Equipamentos - Nessa rubrica não houve glosa ou ajustes, tendo sido admitidas todas as despesas informadas nas EFDs (somente ano de 2018). Fl. 1866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 8 3.1.8 - Máquinas, Equipamentos e Outros Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado (crédito sobre encargos de depreciação) – MI – A fiscalização sustenta que o direito ao crédito relativo a essa rubrica não ocorre no caso da interessada, uma vez que ele se aplica, tão somente, quando os bens são adquiridos para locação à terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Alega, portanto, que a empresa tem como atividade-fim exclusiva o comércio atacadista de combustíveis carburantes e, também, que não constatou nos assentamentos contábeis receitas decorrentes de aluguéis de máquinas e equipamentos, de venda de bens de sua produção ou de prestação de serviços que fizessem jus aos créditos. 3.1.9 - Amortização e Depreciação de Edificações e Benfeitorias em Imóveis – Argumenta, mais uma vez, que como se trata de empresa comercial, inexiste direito ao crédito em relação às despesas de amortização de bens do ativo intangível, tais como: licenças de uso de software, sistemas de informática e marcas e patentes. 3.1.10 – Devolução de Vendas Sujeitas à Incidência Não-Cumulativa. Nessa rubrica não houve aplicação de glosas/ajustes, tendo sido admitidas todas as despesas informadas nas EFDs. 3.2 – Aquisição de Bens e Serviços no Mercado Externo. 3.2.1 – Aquisição de Bens para Revenda (Importação). As aquisições (importações) relativas a essa rubrica foram todas admitidas pela fiscalização, ocorrendo, entretanto, um ajuste de rateio no tocante às aquisições do mês de dezembro de 2018. 3.2.2 – Máquinas, Equipamentos e Outros Bens Incorporados ao ativo Imobilizado (crédito sobre encargos de depreciação) – Import – O posicionamento da fiscalização para essa rubrica é idêntico ao que foi adotado para a mesma rubrica do mercado interno (3.1.8), ou seja, que não existe o direito ao crédito, uma vez que ele se aplica somente quando os bens são adquiridos para locação à terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Assim, mais uma vez, como se trata de empresa puramente comercial inexiste o direito ao crédito nessa rubrica. Por segundo, relativamente às receitas tributáveis, consoante o disposto no tópico “4. Receitas não Oferecidas à Tributação das Contribuições Sociais", a fiscalização sustenta que, no período fiscalizado, em conformidade com as informações prestadas nas EFDs, NF-es e ECDs, a contribuinte deixou tributar (no PIS e na Cofins) as seguintes receitas: 1. Receitas de Vendas de Fardamento; 2. Receitas de Aluguel; 3. Outras Receitas Operacionais (Diversos); 4. Receitas da Venda de Álcool Carburante; e 5. Receitas Financeiras. - Receitas listadas nos itens “1", "2" e “3” - Argumenta que elas não foram oferecidas à tributação e que não existe previsão legal para a exclusão dessas receitas da base de cálculo do PIS e da Cofins. Informa, também, que a empresa Fl. 1867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 9 foi intimada para esclarecer a não tributação, tendo declarado que “Com relação às operações das contas referenciadas o problema ocorreu por erro de parametrização do Sistema ERP, para calcular e contabilizar os créditos e débitos de PIS e da COFINS.” - Receitas do item “4. Receitas da Venda de Álcool Carburante" - Diz que no período de julho/2017 a março/2018 a empresa deixou de tributar as receitas relativas às vendas de etanol carburante (hidratado e anidro). Afirma que não existe previsão legal para excluir essas receitas da base de cálculo das contribuições sociais e que, portanto, aplicou a tributação conforme o disposto nos §§ 8º do art. 5º, da Lei nº 9.718, de 1998, e art. 2º, do Decreto nº 6.573, de 2008, com a redação dada pelo Decreto nº 9.112, de 2017. Acrescenta que a empresa foi intimada a prestar esclarecimentos e que em resposta declarou que "Verificamos que operações de venda de hidratado foram informados na ECD com os valores de débitos de PIS e CFINS e por alguma falha, não foram informados na EFD Contribuições" e também que “Nas vendas de Etanol Anidro, verificamos que nas operações de venda, por alguma falha, não foram informados na EFD". - Receitas do item “5. Receitas Financeiras” - Informa que apurou as seguintes receitas financeiras que não foram tributadas: a) Juros Ativos; b) Descontos Obtidos; c) Outras Receitas Financeiras; d) Variações Monetárias Ativas; e e) Rendimento sobre Aplicação Financeira. Argumenta que os valores mensais de referidas receitas não integraram as bases de cálculo das contribuições sociais apuradas nas EFDs e que elas são tributáveis conforme o disposto no art. 27, § 2º, da Lei nº 10.865, de 2004, c/c art. 1º, do Decreto nº 8.426, de 2015. Alega, ainda, que as Soluções de Consulta Cosit nº 387, de 2017, nº 531, de 2017, e nº 40, de 2018, corroboram o entendimento a favor da tributação. A autoridade a quo relata, também, que refez a apuração das contribuições sociais (PIS e Cofins) de todo o período fiscalizado, levando em consideração as infrações acima relatadas, bem como todos os ajustes/glosas reportados no Relatório Fiscal, tendo concluído que: (1) não existem saldos de créditos a serem ressarcidos em nenhum dos pedidos de ressarcimento (1º trimestre de 2017 ao 4º trimestre de 2018): (2) que, nos meses de julho/2017 a dezembro/2018, além de não existirem saldos a serem ressarcidos, a contribuinte descontou créditos de PIS e Cofins não-cumulativos em valores superiores aos apurados pela fiscalização, ou seja, alega que os ajustes/glosas de créditos da não cumulatividade implementados foram maiores que os valores solicitados nos pedidos de ressarcimento, atingindo os valores de créditos que haviam sido utilizados para o desconto das contribuições apuradas; e (3) que, em todos os períodos de apuração fiscalizados, houve omissão de receitas tributáveis. Informa, ademais, que na apuração dos saldos devedores foram aproveitados de ofício os saldos credores do PIS e da Cofins disponíveis nos meses de janeiro a junho/2017 e que os descontos indevidos de créditos (dos meses de julho/2017 a dezembro/2018) e Fl. 1868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 10 as receitas não oferecidas à tributação (todo o período fiscalizado) foram objeto de autos de infração, consubstanciados no processo digital nº 11274.720257/2020-30. Manifestação de Inconformidade A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 23/02/2021, e apresentou, em 22/03/2021, manifestação de inconformidade, cujo conteúdo é resumido a seguir. Inicialmente, após identificar-se e caracterizar o processo administrativo, a interessada pugna pela tempestividade da manifestação, alegando que a protocolizou dentro do prazo legalmente estabelecido. Na seqüência, a manifestante apresenta um brevíssimo relato dos fatos, deixando claro que entende possuir o direito ao crédito total solicitado, bem como à homologação integral das compensações declaradas, passando a discorrer sobre as suas razões de discordância, conforme os tópicos abaixo dispostos. A) DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS: ETANOL ANIDRO COMBUSTÍVEL (EAC) ADQUIRIDO DAS USINAS PRODUTORAS PARA SER MISTURADO À GASOLINA “A” NA OBTENÇÃO DA GASOLINA TIPO “C”; E BIODIESEL B100 ADQUIRIDO DAS REFINARIAS PARA SER MISTURADO AO ÓLEO DIESEL "A” NA OBTENÇÃO DO DIESEL “B". Argumenta, em síntese, que o etanol anidro combustível (EAC) e o que o biodiesel B100 devem ser considerados como insumo de seu processo produtivo para fins do direito ao crédito das contribuições não cumulativas (PIS e Cofins), previsto no inciso II, art. 3º, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Diz que o primeiro é utilizado para a produção da gasolina tipo “C” e o segundo para a produção do diesel tipo “B”; que a formulação (composição) destes dois produtos está regulamentada pela Agência Nacional de Petróleo – ANP; que os dois produtos passam por um processo de beneficiamento, consoante o disposto no art. 46 do CTN e art. 4º do Decreto nº 7.212, de 2010; que o conceito de produto industrialização é um instituto de direito privado e não pode, portanto, ser alterado pela legislação tributária e nem por interpretação da autoridade tributária, conforme o disposto no art. 110, do CTN; que o etanol anidro combustível (EAC) e o biodiesel B100 devem ser considerados como insumo a luz do julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, realizado pelo Superior Tribunal de Justiça; que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscal CARF em caso idêntico (acórdão n. 3302-009.337 da 3ª Seção de Julgamento/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária) concedeu o direito ao crédito de álcool anidro (EAC), como insumo, para a produção de gasolina tipo “C". B) DOS BENS ADQUIRIDOS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO DE INSUMOS EMPREGADO PELAS LEIS N.S 10.637/02 E 10.833/2003. RECURSO ESPECIAL N. 1.221.170/PR (REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA). NOTA EXPLICATIVA DA PGFN (NOTA SEI N. 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF). Neste tópico a interessada argumenta, em resumo, que os mais diversos bens e serviços adquiridos (tais como serviços de comissão sobre vendas, de Fl. 1869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 11 armazenamento de combustíveis, de manutenção de postos de combustíveis, de processamento de dados, de arquitetura e de aluguel de veículos) concedem direito ao crédito das contribuições, uma vez que se caracterizam como insumos da atividade empresarial desenvolvida. Diz que sua atividade, de distribuição e comércio de combustíveis, está sujeita ao cumprimento obrigatório de normas regulatórias (ANP); que para tanto necessita realizar a aquisição de bens e a contratação de serviços; que para a realização da venda dos combustíveis é necessária a contratação de empresas representantes/corretoras, bem como o pagamento de comissões; que o aluguel de veículos é necessário para a atividade comercial de venda e de logística de distribuição; que a manutenção dos postos de combustíveis exige a manutenção dos imóveis dos pontos de venda, com a contração, inclusive, de serviços de arquitetura; que a utilização de programas de processamento de dados e a compra de maquinários é indispensável para o funcionamento dos postos varejistas; que a ANP determina uma série de obrigações a serem cumpridas pela manifestante, restando obrigatória, por questões de segurança (mercadoria altamente inflamável), a aquisição de lacres, sacolas, frascos para amostras; que está obrigada a requisitos específicos relacionados ao serviços de transporte e armazenagem, fato que os tornam, essenciais para atividade desenvolvida. Conclui que resta “evidente que as despesas com bens adquiridos para manutenção dos postos de combustíveis, para uso e consumo na atividade empresarial, aos serviços de comissão sobre vendas, armazenamento de combustíveis, manutenção de postos de combustíveis e processamento de dados, serviços de arquitetura, aluguel de veículos, representam verdadeiros insumos para a Impugnante, nos termos do art. 3º, das Leis n.s 10.637/2002 10.833/2003, vez que são indispensáveis para a atividade desenvolvida pela Impugnante." C) DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDA. Neste outro tópico a manifestante defende o direito ao crédito sobre armazenagem e frete nas operações de venda, mesmo quando eles (armazenagem e frete) estejam relacionados com a revenda de gasolina, óleo diesel e álcool etílico carburante. Argumenta que a vedação de crédito que consta do inciso I, art. 3º das Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, refere-se especificamente à revenda de mercadorias e produtos e que o direito ao crédito, para as despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, está garantido no inciso IX, art. 3º de citadas leis, ou seja, sustenta que o direito ao crédito sobre fretes e armazenagem é totalmente desvinculado do produto principal. Diz que não existe no ordenamento jurídico qualquer vedação a referido crédito e que ele se assemelha ao crédito de energia elétrica. Ademais, menciona acórdãos do CARF que corroboram a sua tese. Diante do exposto, a interessada pede o acolhimento integral da manifestação Fl. 1870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 12 apresentada, para o fim de deferir o pedido de ressarcimento apresentado e homologar a(s) Dcomp(s) vinculada(s). É o relatório. 2. Em sessão de 22/07/2021, a 9ª TURMA DA DRJ09, através do acórdão DRJ 109-007.462, julgou parcialmente improcedente a impugnação restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018 MANIFESTAÇÃO. ARGUMENTOS GENÉRICOS. CONFIRMAÇÃO DAS CONCLUSÕES FISCAIS. Na presença de uma manifestação genérica, sem apresentação de argumentos específicos, é de se confirmar as conclusões fiscais, mormente quando essas encontram-se fundamentadas em procedimento fiscal e com argumentos e documentações robustos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018 INSUMO. EMPRESA COMERCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Para pessoas jurídicas que pratiquem atividade comercial, custos e despesas não podem ser configurados como insumos, pois tal termo somente é aplicável nas atividades de prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos. NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DO PETRÓLEO. ALÍQUOTAS CONCENTRADAS E INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE. A mistura de gasolina “A” com etanol anidro (álcool) para obtenção de gasolina tipo “C” e a mistura de biodiesel ao óleo diesel tipo “A” para obtenção de óleo diesel tipo “B” não se equiparam à produção de combustíveis. Dessa forma, não é permitida a apuração de créditos da não cumulatividade da contribuição (PIS e Cofins) com relação às aquisições de combustíveis derivados de petróleo para mistura e posterior revenda por parte das pessoas jurídicas distribuidoras de combustíveis. NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDORES DE ÁLCOOL CARBURANTE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE A Medida provisória nº 613, de 2013, convertida na Lei nº 12.859, de 2013, através de seu art. 4º (com produção de efeitos a partir de 8 de maio de 2013), alterou o § 13 da Lei nº 9.718, de 1998, para excluir os distribuidores de álcool, os Fl. 1871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 13 quais passaram a não mais poder apurar crédito da contribuição (PIS e Cofins) quando da aquisição de álcool para revenda. FRETES E ARMAZENAGEM DE PRODUTOS. CREDITAMENTO. O direito de aproveitamento do crédito decorrente de gastos com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, está condicionado ao principal, ou seja, os produtos que armazena ou transporta devem garantir direito ao creditamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Irresignada, em partes, com a decisão a quo, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação sobre os seguintes temas: A) Da aquisição de etanol e biodiesel adquiridos como insumos; B) Do direito ao crédito nas aquisições de etanol hidratado combustível (ehc); C) Dos bens adquiridos e serviços utilizados como insumos; D) Do frete e armazenagem para efeitos do direito a crédito da contribuição do pis e da cofins nas operações de venda; 4. É o relatório. 5. Passo ao voto. VOTO VENCIDO Conselheira Rachel Freixo Chaves, Relatora. I. DO CONHECIMENTO 6. O recurso voluntário é tempestivo, e dele tomo integral conhecimento, posto que preenchidos todos os requisitos para tanto. II. MÉRITO Fl. 1872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 14 7. Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da unidade a quo que julgou parcialmente procedente a impugnação. Conforme o Relatório Fiscal, os lançamentos tributários foram constituídos em razão de: (i) desconto de créditos das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) em desacordo com a legislação de regência, nos períodos de 07/2017 a 12/2018; e (ii) insuficiência de recolhimento das contribuições (PIS e COFINS), nos períodos de 01/2017 a 12/2018. Em síntese, no procedimento fiscal instaurado para analisar os pedidos de ressarcimento referentes aos períodos de apuração de 01/2017 a 12/2018, concluiu-se que, em vez de créditos a ressarcir, há contribuições a pagar (PIS e COFINS) em todos os períodos fiscalizados, em razão de infrações à legislação tributária tanto na apuração dos créditos da não cumulatividade quanto na determinação das receitas tributáveis. 8. Conforme detalhado no relatório, a Recorrente, no recurso sob análise, reitera seus argumentos exclusivamente quanto aos seguintes temas: (1) da aquisição de etanol e biodiesel como insumos; (2) do direito ao crédito nas aquisições de etanol hidratado combustível (EHC); (3) dos bens adquiridos e serviços utilizados como insumos; e (4) do frete e da armazenagem para efeitos do direito ao crédito de PIS e COFINS nas operações de venda. 9. Passo, pois, ao exame tópico por tópico. II.1. Da aquisição de etanol e biodiesel adquiridos como insumos 10. Cumpre, inicialmente, consignar que a matéria não se encontra preclusa, por ter sido ventilada pela Recorrente tanto na impugnação quanto no presente recurso. 11. Pois bem. A Recorrente sustenta que, no exercício de sua atividade empresarial, adquire etanol anidro das usinas para empregá-lo como aditivo (insumo) na formulação da gasolina “C”. A gasolina “A”, adquirida diretamente da produtora de petróleo, não atende às especificações de consumo; por força de regramento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, impõe-se sua transformação em gasolina “C”, o que é feito pela Recorrente mediante a adição do etanol anidro, conferindo ao produto in natura as características necessárias ao consumo. O mesmo ocorre com o óleo diesel “B”: a Recorrente adquire biodiesel “B100” para misturá-lo ao óleo diesel in natura tipo “A”, também adquirido diretamente do produtor de petróleo. 12. Nessa linha, afirma que o processo de formulação da gasolina “C” e do diesel “B” configura atividade industrial, à luz do direito privado, pois implica modificação e aperfeiçoamento do produto e alteração de sua forma de utilização. Assim, tanto o etanol anidro quanto o biodiesel “B100” constituem insumos indispensáveis à formulação da gasolina “C” e do óleo diesel “B”, integrando-se de modo definitivo ao resultado final e, ao serem adicionados, Fl. 1873DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 15 sofrendo alterações, inclusive com perda de propriedades físico-químicas originais em relação à gasolina “A” e ao óleo diesel “A”. 13. Assiste razão à Recorrente. 14. A natureza “híbrida” da atividade econômica desenvolvida pelas distribuidoras de combustíveis não é inédita neste órgão julgador. 15. Embora conste em seu objeto social “comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador retalhista (T.R.R.) (CNAE 46.81-8-01)”, não é possível afirmar que a atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente seja exclusivamente comercial. Por imposição normativa da ANP, a Recorrente exerce, além da distribuição, etapa de formulação do produto, acumulando funções típicas de produtora e distribuidora. 16. Nesse sentido foi, inclusive, a conclusão do Colegiado da 3ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, por unanimidade, no Acórdão nº 3101-004.084, de agosto de 2025, cujo entendimento se alinha ao desta Relatora. Adoto, pois, suas razões de decidir, conforme a transcrição que se segue: “Das alegações quanto aos aspectos legais e regulatórios da atividade fim da Recorrente. Da figura da distribuidora na indústria de combustíveis e biocombustíveis. Da atividade híbrida de produção e distribuição. No tocante a esse primeiro tópico, a Recorrente explica que se dedica à atividade de distribuição atacadista de combustíveis e biocombustíveis em geral. Alega que recebe gasolina tipo A (imprópria para o consumo) e adiciona à sua fórmula um percentual de etanol anidro combustível (EAC) para produzir a gasolina tipo C (usada para o consumo), nos termos impostos pela Lei n° 8.723/1993 e pela Resolução ANP n° 40/2013. Além disso, também adquire óleo diesel tipo A produzido nas refinarias e adiciona biodiesel para produzir o óleo diesel tipo B, sob previsão da Lei n° 13.033/2014 e da Resolução CNPE n° 16/2018. Assim, explica que adquire tanto produtos acabados (que são destinados à revenda), como produtos inacabados (que são destinados aos processos mecânicos de formulação e mistura para gerarem os produtos finais. Frisa que, por determinação legal, a responsabilidade de fazer essa mistura/formulação de gasolina tipo C e óleo diesel tipo B é exclusiva das distribuidoras. Confirase: Resolução ANP nº 40/13: Fl. 1874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 16 Art. 5º A responsabilidade pela adição de etanol anidro combustível à GASOLINA “A” é exclusiva do distribuidor autorizado pela ANP.”. Resolução ANP nº 30/16: Art. 4º Fica o distribuidor de combustíveis líquidos responsáveis pela FORMULAÇÃO e comercialização de ÓLEO DIESEL “B” a B30, observados os dispositivos constantes da Resolução CNPE nº 3, de 21 de setembro de 2015 e Portaria MME nº 516, de 11 de novembro de 2015. Portanto, argumenta que sua atividade empresarial possui natureza híbrida/complexa, pois não se resume ao mero armazenamento e distribuição de produtos prontos para o consumo (como ocorre com os atacadistas em geral), mas também engloba a produção de combustíveis até então inexistentes (gasolina tipo C e óleo diesel tipo B), fruto da combinação de combustíveis fósseis com biocombustíveis. Por outro lado, o Fisco vem justificando a autuação por entender que a atividade de distribuição atacadista de combustíveis e biocombustíveis não se confunde com atividade produtiva para fins de creditamento da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. Cita Solução de Consulta nº 3 – Cosit, de 01/03/2021, que, ao tratar da questão, esclareceu: i) que não se confundem a atividade de formulação de combustíveis com as atividades desenvolvidas pelo distribuidor, que se resumem à mistura de gasolina “A” e etanol anidro combustível, para obtenção da gasolina “C”, e à adição de biodiesel ao óleo diesel “A” para a obtenção do óleo diesel “B”; ii) que não é permitido ao Distribuidor exercer a atividade de formulação, visto que as distribuidoras de combustível não foram incluídas na permissão contida art. 15 da Resolução ANP nº 5, de 2012; iii) que não é permitida a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep com relação às aquisições de combustíveis derivados de petróleo para mistura e posterior revenda por parte das pessoas jurídicas distribuidoras de combustíveis. Informa ainda que se a Recorrente fosse, de fato, fabricante dos produtos gasolina C e óleo diesel A (equiparando-se então às refinarias), ela deveria apurar as contribuições em comento pelas alíquotas concentradas, de acordo com o art. 4º da Lei n° 9.718/98. E que, pela análise das EFD Contribuições do período, constatou-se que a maior parte de suas receitas são classificadas como Receitas Isentas ou Não Alcançadas pela Incidência da Contribuição ou Sujeitas a Alíquota Zero ou com Suspensão, justamente por se tratar de uma empresa distribuidora. Pois bem! De um lado, há decisões que salvaguardam o entendimento do Fisco de que a distribuidora não fabrica ou produz bens, de forma que possa considerar, para efeitos tributários, o álcool anidro, a gasolina do tipo A ou o biodiesel como insumos dos produtos gasolina do tipo C ou óleo diesel tipo C, destinados à venda: Fl. 1875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 17 Acórdão nº 9303-010.327, de 17/06/20: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO A GASOLINA. DESCARACTERIZAÇÃO DE INSUMO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O álcool anidro, adicionado pelos distribuidores à Gasolina Tipo “A” para a obtenção da Tipo “C”, na proporção estabelecida pela ANP, não é considerado insumo pela legislação PIS/Cofins, caracterizada a simples revenda pelo inciso II do artigo 42 da MP nº 2.15835/2001, que determinava que seria igual a zero a alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a receita bruta auferida, até o advento da Lei nº 11.727/2008, quando passou a ser possível o creditamento. Acórdão nº 3401-008.704, de 28/01/21: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO A GASOLINA. DESCARACTERIZAÇÃO DE INSUMO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O álcool anidro, adicionado pelos distribuidores à Gasolina Tipo “A” para a obtenção da Tipo “C”, na proporção estabelecida pela ANP, não é considerado insumo pela legislação PIS/Cofins, caracterizada a simples revenda pelo inciso II do artigo 42 da MP nº 2.15835/2001, que determinava que seria igual a zero a alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a receita bruta auferida, até o advento da Lei nº 11.727/2008, quando passou a ser possível o creditamento. Acórdão nº 3402-007.717, de 22/09/20: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/08/2003 a 30/04/2008 DF CARF MF Fl. 774 DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO A GASOLINA. DESCARACTERIZAÇÃO DE INSUMO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O álcool anidro, adicionado pelos distribuidores à Gasolina Tipo “A” para a obtenção da Tipo “C”, na proporção estabelecida pela ANP, não é considerado insumo pela legislação Fl. 1876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 18 PIS/Cofins, caracterizada a simples revenda pelo inciso II do artigo 42 da MP nº 2.15835/2001, que determinava que seria igual a zero a alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a receita bruta auferida, até o advento da Lei nº 11.727/2008, quando passou a ser possível o creditamento. Noutra perspectiva, acham-se apreciações pela possibilidade de creditamento desses produtos, já que são considerados insumos. Senão, vejamos: Acórdão nº 3401-009.479, de 24/08/2021: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 PIS. COFINS. DIREITO AO CRÉDITO. ÁLCOOL ANIDRO. INSUMO PARA PRODUÇÃO DE GASOLINA TIPO C. POSSIBILIDADE. Por se tratar de insumo para a produção de gasolina tipo C, é possível que o contribuinte se credite das operações com aquisição de álcool anidro, nos termos do que dispõe o art. 3º, inciso II da lei n. 10.833/04, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. Lei 10.865/04. PIS. COFINS. CRÉDITOS. NÃO-CUMULATIVIDADE E REGIME MONOFÁSICO. POSSIBILIDADE. A incidência monofásica da COFINS não é impedimento para o creditamento do contribuinte. Não há uma dependência entre monofasia e creditamento, já que tais normativas apresentam funções jurídicas distintas. Precedentes do STJ (AgRg no REsp 1.051.634/CE). Acórdão nº 3402-007.012, de 26/09/2019: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2006 PIS. COFINS. DIREITO AO CRÉDITO. ÁLCOOL ANIDRO. INSUMO PARA PRODUÇÃO DE GASOLINA TIPO C. POSSIBILIDADE. Por se tratar de insumo para a produção de gasolina tipo C, é possível que o contribuinte se credite das operações com aquisição de álcool anidro, nos termos do que dispõe o art. 3º, inciso II da lei n. 10.833/04, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. Lei 10.865/04. PIS. COFINS. CRÉDITOS. NÃO-CUMULATIVIDADE E REGIME MONOFÁSICO. POSSIBILIDADE. A incidência monofásica da COFINS não é impedimento para o creditamento do contribuinte. Não há uma dependência entre monofasia e creditamento, já que Fl. 1877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 19 tais normativas apresentam funções jurídicas distintas. Precedentes do STJ (AgRg no REsp 1.051.634/CE). Adianto que essa é a posição que defendi no voto proferido na sessão de 25 de julho de 2023, no Acórdão de Recurso Voluntário n° 3401-011.908, de minha relatoria, ao entender que aquisição de álcool anidro é elemento estrutural e inseparável (critério da essencialidade) para a produção da gasolina tipo C, o que, por conseguinte, é suficiente para caracterizar a aquisição de tal bem como insumo nos termos do artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, na leitura que lhe foi conferida pelo STJ no REsp n. 1.221.170. Considero importante transcrever trechos do meu voto: A definição dos elementos da cadeia produtiva da gasolina e suas correntes e do álcool hidratado é definido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): Álcool Etílico Anidro Combustível (AEAC): Produzido no País ou importado pelos agentes econômicos autorizados para cada caso, sendo obtido, no Brasil, pelo processo de fermentação do caldo da cana-de-açúcar. O AEAC também é utilizado para mistura com a gasolina A, especificada pela Portaria ANP nº 309/01, para produção da gasolina tipo C. Gasolina Automotiva Tipo A: É a gasolina produzida pelas refinarias de petróleo, isenta de álcool, e entregue diretamente às companhias distribuidoras. Esta gasolina constitui-se basicamente de uma mistura de naftas numa proporção que enquadre o produto na especificação prevista, sendo a base da gasolina disponível nos postos revendedores. Gasolina Automotiva Tipo C: É a gasolina comum que se encontra disponível no mercado, sendo comercializada nos postos revendedores e utilizada em geral pelos veículos automotores. A gasolina C é preparada pelas companhias distribuidoras que adicionam álcool etílico anidro à gasolina tipo A, nos termos das normas ditadas pela ANP. A Resolução ANP nº 36, de 6 de dezembro de 2005, publicada no Diário Oficial da União de 7 de dezembro de 2005, definia o Álcool Etílico Anidro Combustível (álcool anidro) como álcool destinado aos distribuidores para mistura com gasolina A para formulação da gasolina do tipo C, e determinava que a realização das adições de álcool anidro à gasolina do tipo A fosse realizada por distribuidor autorizado pela ANP. Art. 2º. Para efeitos desta Resolução os álcoois etílicos combustíveis classificam-se em: I – Álcool Etílico Anidro Combustível (AEAC) – produzido no País ou importado sob autorização, conforme especificação constante do Regulamento Técnico, Fl. 1878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 20 destinado aos Distribuidores para mistura com gasolina A para formulação da gasolina C e,” (...) Art. 6º. O Distribuidor de combustíveis automotivos, autorizado pela ANP a realizar as adições de AEAC à gasolina A, para produção da gasolina C, deverá manter sob sua guarda, pelo prazo mínimo de 1 (um) mês, uma amostra testemunha armazenada em embalagem devidamente identificada, lacrada, coletada ao final do dia de cada tanque de AEAC em operação, acompanhada do Certificado da Qualidade emitido pelo Produtor ou Importador, sempre que houver recebimento deste produto. Sendo mais didático, dentre a cesta de combustíveis ofertada pelo distribuidor, destaca-se a gasolina, que não é vendida em sua forma pura (gasolina tipo A), pelo dever de ser misturada com álcool, na denominação técnica de gasolina tipo C. Essa classe inclui as gasolinas aditivadas, premium e comum. Nesse ponto, vale observar que na própria ANP, ao estabelecer o destino do álcool anidro, faz referência à produção da gasolina tipo C, demonstrando tratar-se de uma mistura que acarreta um novo produto elaborado a partir de dois insumos: álcool anidro e gasolina do tipo A. Em que pese haver questionamento no tocante a considerar a gasolina tipo C produto industrializado (nos termos do parágrafo único do art. 46 do CTN), a meu ver, a característica de ser produto industrializado ou não, para fins de interpretação do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, é irrelevante no caso em comento. Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) É que fabricação de produtos corresponde às hipóteses de industrialização firmadas na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e produção de bens refere-se às atividades que, conquanto não sejam consideradas industrialização, promovem a transformação material de insumo(s) em um produto novo destinado à venda. Como exemplo de atividades que promovem a reunião de insumos para produção de um bem novo que não são consideradas industrialização, mas que podem ser consideradas produção de bens para fins de apuração de créditos das contribuições com base no dispositivo em tela, citam-se as hipóteses de Fl. 1879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 21 preparação de produtos alimentares não acondicionados em embalagem de apresentação mencionadas nos incisos I do caput do art. 5º do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do IPI). Art. 5° Não se considera industrialização: I - o preparo de produtos alimentares, não acondicionados em embalagem de apresentação: na residência do preparador ou em restaurantes, bares, sorveterias, confeitarias, padarias, quitandas e semelhantes, desde que os produtos se destinem a venda direta a consumidor; ou em cozinhas industriais, quando destinados a venda direta a pessoas jurídicas e a outras entidades, para consumo de seus funcionários, empregados ou dirigentes; Obviamente, há atividades que se encontram em zona intermediária entre a mera revenda e a produção de bens e, em razão disso, oferecem dificuldades de interpretação acerca da modalidade de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a ser aplicada à hipótese (aquisição de bens para revenda ou de insumos produtivos, inciso I e II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). Nesses casos, o enquadramento somente pode ser feito a partir da análise do caso concreto para verificação da atividade efetivamente desenvolvida. E aqui, entendo que o álcool anidro é um dos elementos estruturais e inseparáveis (critério da essencialidade) do processo de produção da gasolina do tipo C, já que a produção deste exige uma reação físico-químico de fusão do álcool anidro à gasolina tipo A. Nesse ritmo, mister destacar que a compra do álcool anidro serve justamente para a composição da Gasolina tipo C (um novo produto destino à venda), e não para a revenda, como acontece normalmente com o álcool hidratado (vendido em postos de combustíveis com o escopo de abastecer veículos movidos à etanol). Confirma tal fato exigência imposta pela ANP, responsável por regular o setor de derivados de petróleo e afins, exigência essa, aliás, prescrita no art. 9º da lei n. 8.723/93: Art. 9º É fixado em vinte e dois por cento o percentual obrigatório de adição de álcool etílico anidro combustível à gasolina em todo o território nacional. § 1º O Poder Executivo poderá elevar o referido percentual até o limite de 27,5% (vinte e sete inteiros e cinco décimos por cento), desde que constatada sua viabilidade técnica, ou reduzi-lo a 18% (dezoito por cento). § 2º Será admitida a variação de um ponto por cento, para mais ou para menos, na aferição dos percentuais de que trata este artigo. Por isso, corretamente, a Instrução Normativa nº 594/2005 previa a possibilidade de descontar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes Fl. 1880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 22 utilizados como insumo para a produção de outros combustíveis, na forma do art. 3º das Leis10.637/2002 e 10.833/2003, a saber: Art. 26. Na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não-cumulatividade, a pessoa jurídica pode descontar, do valor das contribuições decorrente de suas vendas, créditos relativos a: - aquisições de bens e serviços efetuadas no mês, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no art. 1º, no caso de pessoa jurídica fabricante desses produtos; - aquisição dos produtos relacionados no art. 1º para serem utilizados como insumos na produção de bens ou prestação de serviços, no caso das pessoas jurídicas em geral;” (...) Diante deste cenário, resta claro que a aquisição de álcool anidro é elemento estrutural e inseparável (critério da essencialidade) para a produção da gasolina tipo C, o que, por conseguinte, é suficiente para caracterizar a aquisição de tal bem como insumo nos termos do artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, na leitura que lhe foi conferida pelo STJ no REsp n. 1.221.170. Nessa toada, embora entenda que obtenção da gasolina tipo C e do óleo diesel tipo B seja um processo que não se enquadra no conceito de industrialização, a Recorrente ainda assim é uma empresa produtora (embora não seja indústria) que exerce atividade além de distribuição, vale dizer, acumula função de produtora e distribuidora, por imposição normativa. S.m.j., vencida essa primeira questão (ou premissa) bastante relevante para o entendimento do caso concreto, passamos a analisar as glosas propriamente ditas.” 17. Portanto, o álcool anidro adicionado pelos distribuidores à gasolina tipo “A” para a obtenção da gasolina tipo “C”, na proporção estabelecida pela ANP, é considerado insumo pela legislação do PIS/Pasep e da Cofins. 18. Tratando-se de insumo para a produção de gasolina tipo “C”, é possível o creditamento pelas aquisições de álcool anidro, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004. Razão pela qual reverto as glosas neste tópico. II.2. Do direito ao crédito nas aquisições de etanol hidratado combustível (ehc); 19. Cumpre, inicialmente, consignar que a matéria não se encontra preclusa, por ter sido ventilada pela Recorrente tanto na impugnação quanto no presente recurso. Fl. 1881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 23 20. A Recorrente sustenta que o etanol anidro combustível (EAC) e o biodiesel B100 devem ser considerados insumos de seu processo produtivo para fins de creditamento no regime não cumulativo do PIS e da COFINS (art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003). Afirma que o primeiro é empregado na produção da gasolina “C” e o segundo na do diesel “B”; que a formulação desses produtos é regulamentada pela ANP; que ambos passam por processo de beneficiamento (art. 46 do CTN e art. 4º do Decreto nº 7.212/2010); que o conceito de industrialização é instituto de direito privado e não pode ser alterado pela legislação tributária nem por interpretação administrativa (art. 110 do CTN); que, à luz do REsp nº 1.221.170/PR (STJ), o EAC e o B100 devem ser tidos como insumos; e que o CARF, em caso idêntico (Acórdão nº 3302- 009.337, 3ª Seção/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), reconheceu o direito ao crédito do álcool anidro como insumo na produção da gasolina “C”. 21. A decisão a quo, entretanto, rejeitou a tese por entender que, no regime de tributação concentrada aplicável à gasolina e ao diesel, as alíquotas variam conforme o papel do contribuinte na cadeia, ficando a carga no produtor (refinaria) e no importador, com alíquota zero para distribuidor e varejista. Acrescentou haver vedação legal ao aproveitamento de créditos nas aquisições, para comercialização, de combustíveis sujeitos a alíquotas diferenciadas/concentradas (art. 3º, I, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003) e que a simples mistura realizada pelo distribuidor (adição de EAC à gasolina “A” e de B100 ao óleo diesel “A”) não caracteriza produção ou fabricação para fins de creditamento pelo inciso II do art. 3º, afastando a aplicação dos critérios de essencialidade e relevância do REsp nº 1.221.170/PR. 22. Nesse tópico, contudo, assiste razão também à Recorrente. 23. A partir de agosto de 2017, instituiu-se regime bifásico nas operações com etanol hidratado comum (EHC), com incidência de PIS e COFINS nas distribuidoras (Decretos nºs 9.101/2017 e 9.112/2017). Assim, por força da não cumulatividade assegurada pelo § 12 do art. 195 da CF/88 e delineada nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, admite-se o creditamento sobre aquisições tributadas do referido produto. Esse é, inclusive, o entendimento do Colegiado da 3ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, por unanimidade, no acórdão nº 3101-004.084, de agosto de 2025, que se alinha ao desta Relatora, cujas razões de decidir também adoto para este tópico, conforme a transcrição que se segue: Do creditamento de aquisição de Etanol Hidratado Comum Verificou-se que a Recorrente descontou créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na aquisição no mercado interno de etanol hidratado comum (EHC). De acordo com a autoridade fiscal, com a edição da Lei nº 11.727/2008, sua tributação é concentrada no produtor/importador e no distribuidor. Trata-se de regime bifásico, tributando-se os dois primeiros elos da cadeia de produção e comercialização, reduzindo-se a zero a alíquota incidente sobre a receita bruta Fl. 1882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 24 auferida na venda do produto pelo comerciante varejista. No entanto, de acordo com a autoridade fazendária, o creditamento, quando possível, envolve somente o produtor ou importador, não podendo o distribuidor tomar crédito na aquisição de álcool para a revenda, pois a Medida Provisória 613/2013, convertida na Lei 12.859/2013, trouxe relevante alteração para excluir o termo distribuidor de sua redação, de modo a não mais permitir, a partir de 08/05/2013, que o distribuidor se credite quando da aquisição de álcool para revenda. Confira-se a atual redação: § 13. O produtor e o importador de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeitos ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor ou de outro importador. (g.n.) Ainda explica que: Vale ressaltar que, conforme exposto nas Tabelas acima, o Decreto nº 7.997/2013, ao alterar o Decreto nº 6.573/2008, concentrou toda a tributação do álcool no produtor e no importador, uma vez que majorou suas alíquotas ao mesmo passo que reduziu a zero as alíquotas específicas a cargo do distribuidor. Dessa forma, não havia crédito na aquisição pelo distribuidor, tampouco débito em sua revenda do produto. Dessa forma, glosaram-se os créditos descontados na aquisição de etanol hidratado comum granel (NCM 22071090), escriturados nos registros C191 e C195 da EFD- Contribuições, detalhados no Demonstrativo E. Em outra posição, a Recorrente defende que se trata exclusivamente de operações com EHC, cuja tributação, a partir de agosto/2017 passou a ser plurifásica, razão pela qual, a partir desse período, passou a descontar créditos de PIS/COFINS referentes à aquisição desse produto para revenda. Explica que supressão do distribuidor nada mais era do que evitar que ele pudesse permanecer aproveitando créditos sobre as compras de EHC cujas revendas não seriam oneradas, o que transformaria o referido dispositivo em um benefício fiscal, e não na explicitação da regra geral da não cumulatividade a que alude o §12º do art. 195 da CF/88. Nesse particular prosperam as razões da Recorrente. Primeiro, vale registrar que, no meu voto condutor produzido no Acórdão n° 3101003.945, na sessão de 28 de novembro de 2024, no qual defendi que o § 13- A do art. 5° da Lei n° 9.718/1998 é literal em permitir creditamento, por parte do distribuidor, somente de álcool anidro para adição à gasolina, e não do álcool hidratado comum para revenda. Na ocasião, o Colegiado acompanhou o meu entendimento para mantém-se as Fl. 1883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 25 glosas de créditos sobre aquisição de álcool hidratado comum, vencidas as Conselheira Laura Baptista Borges e Luciana Ferreira Braga. No entanto, na sessão de 21 de agosto de 2025, após didática explicação da defesa do contribuinte e produtivo debate na Turma, restei convencido de que, de fato, há direito ao creditamento sobre aquisição de álcool hidratado comum a partir de agosto de 2017. Explico. Antes de agosto de 2017, o regime de tributação do álcool hidratado comum era monofásico, conforme Decreto n° 7.997/2013, quando se estipulou as alíquotas zero de PIS/COFINS incidentes sobre as operações realizadas pelos distribuidores. No mesmo ano da publicação do Decreto n° 7.997/2013, o Governo Federal também editou a Medida Provisória nº 613/2013 (posteriormente convertida na Lei nº 12.859/13), cujo teor, coerentemente, deu nova redação ao referido §13º do art. 5 da Lei nº 9.718/98, suprimindo a figura do distribuidor do direito ao crédito sobre as operações com álcool hidratado comum. Confira-se a nova redação, vigente até os dias atuais: “Art. 5 (...) 13. O produtor e o importador de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeitos ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor ou de outro importador.” Agora, após agosto de 2017, o Governo Federal, com a edição dos Decretos nº 9.101/17 e 9.112/17, as alíquotas do PIS/COFINS incidentes sobre as vendas de etanol pelos atacadistas (distribuidores/RECORRENTE) aos varejistas foram reestabelecidas, adotando-se um novo regime de tributação para o álcool hidratado comum: regime bifásico. Senão, vejamos: DECRETO Nº 9.101, DE 20 DE JULHO DE 2017: Art. 2º O Decreto nº 6.573, de 19 de setembro de 2008 , passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 2º As alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de que trata o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998 , com a utilização do coeficiente fixado no art. 1º, ficam fixadas, respectivamente, no valor de: Fl. 1884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 26 - R$ 23,38 (vinte e três reais e trinta e oito centavos) e R$ 107,52 (cento e sete reais e cinquenta e dois centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador; e - R$ 35,07 (trinta e cinco reais e sete centavos) e R$ 161,28 (cento e sessenta e um reais e vinte e oito centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor.” (NR) DECRETO Nº 9.112, DE 28 DE JULHO DE 2017 Art. 2º O Decreto nº 6.573, de 19 de setembro de 2008 , passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 1º ......................................................................... ............................................................................................ II - 0,6611 (seis mil, seiscentos e onze décimos de milésimo) para o distribuidor.” (NR) “Art. 2º ........................................................................ ............................................................................................. II - R$ 19,81 (dezenove reais e oitenta e um centavos) e R$ 91,10 (noventa e um reais e dez centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor.” (NR) Dessa forma, as operações com etanol hidratado comum voltaram a ser tributadas pelo PIS/COFINS tanto nas vendas dos produtores/importadores para os atacadistas/distribuidores, quanto na posterior revenda destes aos varejistas, permanecendo desoneradas apenas o “último elo” da cadeia, notadamente as vendas dos varejistas aos consumidores finais: regime bifásico. Ora, restabelecido o regime bifásico por ato infralegal (decreto), em que pese não haver nenhuma norma legal específica autorizado o desconto de créditos sobre tal combustível, entendo que o direito dos distribuidores aos créditos de PIS e COFINS deve ser reconhecido com base na regra geral estabelecida por meio do artigo 3°, I, das Leis n.°s 10.637/2002 e Lei n.° 10.833/2003, conforme abaixo se destaca: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: no inciso III do § 3° do art. 1o desta Lei; e Fl. 1885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 27 nos §§ 1° e 1°-A do art. 2° desta Lei;” Ainda assim, para melhor elucidação da questão, trago a declaração de voto da eminente Conselheira Laura Baptista Borges proferida no Acórdão n° 3101- 003.945: Havendo incidência bifásica na operação de venda do etanol hidratado, o direito dos distribuidores aos créditos de PIS e COFINS deve ser reconhecido com base na regra geral estabelecida por meio do artigo 3°, I, das Leis n.°s 10.637/2002 e Lei n.° 10.833/2003, conforme abaixo se destaca: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Não obstante na parte final do dispositivo acima transcrito haja a previsão das exceções ao crédito sobre determinados produtos adquiridos para a revenda, entre as quais se incluem as operações com etanol (artigo 2°, §1°-A), que é o caso dos autos, entendo que a legislação deve ser interpretada de forma sistemática. Não se pode ignorar o contexto do ordenamento jurídico como um todo e, assim, a aplicação da norma para esse caso, deve considerar a sua conexão com outras normas e princípios. Ou seja, no meu entendimento, tais exceções partem da lógica da monofasia, ou seja, sendo o regime de tributação monofásico, não deveria há direito ao desconto de crédito sobre a mercadoria adquirida para revenda, já que a tributação estava toda concentrada no início da cadeia (produtor/importador). De outro modo, com o reestabelecimento do regime bifásico e consequente incidência do PIS e da COFINS também sobre as operações dos distribuidores, torna-se mandatório o reconhecimento do crédito de PIS/COFINS sobre o etanol hidratado adquirido para revenda pela regra geral constante do artigo 3°, I, das Leis n.°s 10.637/2002 e 10.833/2003. De igual forma, a interpretação sistemática do artigo 5°, §13, da Lei n.° 9.718/1998, sob pena de violação direta ao princípio da não cumulatividade e considerando o contexto jurídico, conclui-se que o direito ao crédito às distribuidoras sobre as aquisições de etanol hidratado para revenda é possível, desde que a receita de venda de tais produtos sejam oneradas, que é exatamente o que ocorre desde a majoração das alíquotas ad rem realizadas por meio dos Decretos n.°s 9.101/2017 e 9.112/2017. Ante o todo exposto, reverto também as glosas das aquisições de etanol hidratado comum listadas no Demonstrativo “D” do Termo de Verificação Fiscal. Diante disso, voto por reverter as glosas de créditos sobre aquisição de álcool hidratado comum, em respeito ao princípio da não cumulatividade assegurado no citado §12º do art. 195 da CF/88 e definido pelas Leis n° 10.637/2002 e n.° 10.833/2003.” Fl. 1886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 28 24. Nesse sentido, alinhando com a jurisprudência que se consolidada desta casa, reverto as glosas de créditos sobre aquisição de álcool hidratado comum, em respeito ao princípio da não cumulatividade assegurado no citado §12º do art. 195 da CF/88 e definido pelas Leis n° 10.637/2002 e n.° 10.833/2003. II.3. Dos bens adquiridos e serviços utilizados como insumos: 25. A DRJ firmou que o creditamento de PIS e COFINS por “insumos” circunscreve-se às hipóteses de prestação de serviços e de produção ou fabricação de bens, art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, assentando, à luz do Parecer Normativo COSIT, RFB, nº 05, de 2018, a inaplicabilidade do conceito de insumo às atividades de mera revenda. A Recorrente, por sua vez, sustenta a possibilidade de crédito com fundamento direto no art. 3º, II, das Leis de regência, invoca o próprio Parecer COSIT nº 05, de 2018, na parte em que reconhece itens legalmente qualificados como insumos, e o precedente vinculante do STJ, REsp nº 1.221.170, PR, Tema 779, que consagrou os critérios de essencialidade e relevância e afastou restrições infralegais ao regime da não cumulatividade. 26. Antes do exame material das rubricas, impõe-se o enfrentamento da dialeticidade recursal, tal como adequadamente registrado pela DRJ, a Recorrente deixou de impugnar, ou o fez de modo genérico, as seguintes matérias, 3.1.4, armazenagem e frete na venda, fretes de lacres, uso e consumo e transferências entre estabelecimentos, 3.1.5, energia elétrica e térmica e serviços correlatos, 3.1.6, aluguéis de prédios e serviço de arquitetura, 3.1.8, depreciação de máquinas e equipamentos, MI, 3.1.9, amortização e depreciação de edificações e benfeitorias, 3.2, 3.2.1 e 3.2.2, operações de importação e depreciação de ativo importado. Também permaneceu silente quanto às receitas não oferecidas à tributação, vendas de fardamento, aluguéis, outras receitas operacionais e receitas financeiras. 27. Portanto, tais matérias não foram apreciadas pela DRJ e também não integram o recurso voluntário, nem esta análise, por força de preclusão. 28. Sobre as rubricas relativas a manutenção de postos de combustíveis, uso e consumo na atividade empresarial, comissões sobre vendas, armazenamento de combustíveis, manutenção de postos, processamento de dados, serviços de arquitetura, aluguel de veículos, entre outras, expressamente citadas em sede de impugnação e repisada no recurso voluntário, verifica-se que a Recorrente novamente se limita a alegações genéricas, em afronta ao princípio da impugnação específica, dialeticidade, não oferecendo elementos concretos que permitam ao julgador enfrentar o mérito, rubrica a rubrica. Fl. 1887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 29 29. À míngua de ataque pontual aos fundamentos da decisão recorrida, incide o óbice do art. 932, III, do CPC, impondo-se o não conhecimento do recurso no ponto, conforme orientação deste Conselho: Numero do processo: 19679.720502/2019-24 Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2024 Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2024 Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PRINCÍPIO DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. FUNDAMENTO PARA NÃO CONHECIMENTO. Pelo Princípio da Impugnação Específica e pelo Princípio da Dialeticidade, o Recorrente deve apresentar os argumentos para se contrapor à decisão recorrida, bem como contestar especificamente cada ponto com o qual tenha discordância, sendo vedada a simples reiteração do mesmo argumento já analisado em 1ª instância ou negativas genéricas. Nos termos do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, o julgador não deve conhecer de recurso que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. 30. De todo modo, ad argumentandum tantum, ainda que superado o óbice de conhecimento, a própria DRJ registrou que as despesas invocadas, materiais de uso e consumo, comissões sobre vendas, processamento de dados, despesas condominiais, serviços de arquitetura e serviços diversos não especificados, não se qualificam como insumos nem mesmo para empresas industriais ou prestadoras de serviços, à luz do Parecer Normativo COSIT, RFB, nº 05, de 2018. Some-se que a natureza híbrida reconhecida no item antecedente limita-se à etapa de mistura e adição para obtenção de gasolina “C” e diesel “B”, não se estendendo automaticamente a todas as atividades comerciais da Recorrente, o que reforça a necessidade de demonstração, rubrica a rubrica, de essencialidade e relevância, ônus não satisfeito. 31. Por essas razões, voto pelo não conhecimento do recurso neste tópico, por violação ao princípio da dialeticidade, e, subsidiariamente, pela manutenção das glosas e ajustes efetuados. II.4. Do frete e armazenagem para efeitos do direito a crédito da contribuição do PIS E DA COFINS nas operações de venda; Fl. 1888DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 30 32. A DRJ afirma que somente houve insurgência explícita em relação às seguintes glosas: item 3.1.3 – Aquisição de Serviços Utilizados como Insumo, armazenagens de gasolina A, álcool etanol anidro, álcool etanol hidratado, biodiesel B100, óleo diesel “A” S500 e óleo diesel “A” S10”; e item 3.1.4 – Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda, armazenagens de combustíveis carburantes e fretes nas aquisições e vendas de combustíveis carburantes. 33. A DRJ manteve as glosas post que, segundo a decisão à quo, a Recorrente é mera comerciante, não industrializa nem presta serviços. 34. Transcrevo, por oportuno, a ratio decidendi da DRJ sobre o ponto: 2.3 Despesas de Armazenagem e Frete nas Operações de Venda Em relação a essa rubrica, consoante o exposto acima somente houve insurgência explícita em relação às seguintes glosas: item 3.1.3 – Aquisição de Serviços Utilizados como Insumo, armazenagens de gasolina A, álcool etanol anidro, álcool etanol hidratado, biodiesel B100, óleo diesel “A” S500 e óleo diesel “A” S10”; e item 3.1.4 – Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda, armazenagens de combustíveis carburantes e fretes nas aquisições e vendas de combustíveis carburantes. A interessada argumenta, em síntese, que a vedação de crédito que consta do inciso I, art. 3º das Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, refere-se especificamente à revenda de mercadorias e produtos e que o direito ao crédito, para as despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, está garantido no inciso IX, art. 3º de citadas leis, ou seja, sustenta que o direito ao crédito sobre fretes e armazenagem é totalmente desvinculado do produto principal. Diz que não existe no ordenamento jurídico qualquer vedação a referido crédito e que ele se assemelha ao crédito de energia elétrica. Ademais, menciona acórdãos do CARF que corroboram a sua tese. Sem razão, novamente, a interessada. O direito ao crédito, relativamente às despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, encontra-se previsto no inciso IX, art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, conforme reprodução abaixo. “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Pela leitura do dispositivo acima pode se observar que o direito ao crédito (ora tratado) está obrigatoriamente vinculado para os casos tratados nos incisos I e II do mesmo art. 3º, ou seja, o direito ao crédito para as despesas de armazenagem Fl. 1889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 31 e frete nas operações de vendas somente ocorre em relação aos “Bens Adquiridos para Revenda" e aos "Bens e Serviços Utilizados como Insumo" e nas condições estabelecidas nos incisos I e II do art. 3º, respectivamente. Para o caso da contribuinte, como já visto anteriormente, não existe a aquisição de bens e serviços utilizados como insumo, posto que se trata de empresa comercial que não industrializa, não produz e, também, não presta serviços, restando analisar, tão somente, a possibilidade de crédito para a hipótese de revenda de mercadorias (inciso I, art. 3º). E neste caso, observa-se que, também, não existe o direito ao crédito. Isto porque o inciso I do art. 3° das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, trata, como dito, do crédito obtido a partir da aquisição de mercadorias para revenda. No entanto, o dispositivo em questão expressamente exclui da possibilidade de créditos as mercadorias e produtos referidos "nos § 1° e 1°-A do art. 2°", entre os quais se encontram os combustíveis aqui abordados. Ou seja: para o caso da gasolina e do óleo diesel, porque se tratam de revenda de produtos sujeitos à incidência concentrada das contribuições sociais para os quais existe proibição legal de direito ao crédito (Art. 2º, §§ 1º e 1º-A, combinado com o art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003); e para o caso do álcool, porque após a edição da MP nº 613/2013 (convertida na Lei nº 12.859/2013) as aquisições de referido produto restaram sujeitas às previsões do citado art. 3º, inciso I, alínea “b”, fazendo com que o álcool carburante passasse a estar sujeito à incidência concentrada das contribuições sociais, o que torna o direito ao crédito proibido. Nesse sentido a Solução de Consulta Cosit n° 99.079, de 2017, que dispôs que o inc. IX do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003 (bem como da Lei nº 10.637, de 2003), que trata do crédito obtido com custo de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, não é aplicável aos revendedores de combustíveis, porquanto tal previsão normativa apenas se aperfeiçoa "nos casos dos incisos I e II". Note-se que mencionada solução de consulta é vinculante no âmbito da RFB, consoante o disposto nos art. 9º e 22 da IN RFB n.º 1.396, de 2013. Corroboram esse entendimento as Soluções de Consulta Cosit n.º 119, de 19, de maio de 2015, nº 265, de 24 de setembro de 2019, e a Solução de Divergência Cosit nº 2, de 13 de janeiro de 2017. 35. Em sua defesa, a Recorrente argumenta, em síntese, que efetivamente tem direito a adquirir créditos de PIS e COFINS, advindos da aquisição de álcool anidro e biodiesel, uma vez que trata-se de insumos e a legislação é extremamente clara quanto ao creditamento de bens e serviços adquiridos como insumo. E, que, mesmo que se considerássemos que existe vedação em relação à aquisição de álcool anidro e biodiesel, o que admite-se apenas por amor ao argumento - a proibição seria apenas em relação a sua aquisição, não atingindo o seu frete e armazenagem. Fl. 1890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 32 36. Pois bem. 37. Quanto às despesas de frete nas operações de venda de combustíveis sujeitos ao regime de tributação concentrada (monofásica), impõe-se observar a orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema 1.093 dos recursos repetitivos, segundo a qual é vedada a constituição de créditos de PIS e de COFINS sobre componentes do custo de aquisição, tal como definido no artigo 13 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, relativamente a bens submetidos à incidência monofásica (artigo 3º, inciso I, alínea b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003). Nessa linha, o frete na operação de venda, quando vinculado à circulação de mercadorias monofásicas, não pode gerar crédito na sistemática não cumulativa. Por essa razão, mantenho as glosas dos créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas de frete nas operações de venda de combustíveis sujeitos ao regime de tributação concentrada (monofásica). 38. Diversa, contudo, é a solução quanto às despesas de armazenagem de combustíveis. O artigo 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevê, expressamente, o direito ao crédito sobre “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. A vedação prevista no artigo 3º, inciso I, alínea b, das mesmas leis, ao remeter aos §§ 1º e 1º-A do artigo 2º, refere-se às mercadorias e produtos adquiridos para revenda (bem principal), não havendo, contudo, norma legal que estenda, de modo expresso, essa restrição às despesas de armazenagem. 39. A leitura sistemática dos dispositivos conduz à conclusão de que, na hipótese de distribuidores de combustíveis, as despesas de armazenagem de gasolina e óleo diesel submetidos ao regime monofásico podem gerar créditos de PIS e de COFINS, na forma do artigo 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, por inexistir, para tal despesa, remissão expressa às limitações aplicáveis aos bens para revenda. 40. Este também é o entendimento sufragado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: REVENDA DE PRODUTO SUJEITO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA. Na apuração da contribuição não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda, por distribuidores, de gasolina e óleo diesel, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), pois o inciso IX (que daria este direito) do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 remete ao inciso I, que os excepciona, ao, por sua vez, remeter ao § 1º do art. 2º (Solução de Divergência Cosit nº 2/2017). REVENDA DE PRODUTO SUJEITO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM. POSSIBILIDADE. Fl. 1891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 33 Na apuração da contribuição não cumulativa existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com armazenagem de mercadorias, por distribuidores, de gasolina e óleo diesel, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), por inexistir para tal despesa a restrição relativa aos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 remete ao inciso I. (Solução de Consulta Cosit nº 66/2021). Fonte: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3ª Turma, Acórdão nº 9303-015.967, sessão de 12/09/2024, Processo nº 10469.905326/2009-28. 41. Assim, em coerência com a jurisprudência administrativa e com a interpretação estrita das hipóteses de vedação ao crédito, entendo que assiste razão à Recorrente tão somente quanto às despesas de armazenagem de combustíveis, devendo ser revertidas as glosas nessa específica rubrica, mantidas, entretanto, as glosas relativas aos fretes nas operações de venda com produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada (monofásica). 42. Portanto, dou parcial provimento ao recurso no presente tópico, para restabelecer os créditos de PIS e de COFINS relativos às despesas de armazenagem de combustíveis e manter as glosas dos créditos referentes às despesas de frete nas operações de venda de produtos submetidos ao regime monofásico. III. CONCLUSÃO 43. Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário, não o conhecendo quanto às matérias “3-bens e serviços como insumos”, impugnadas genericamente, por afronta aos princípios da impugnação específica e da dialeticidade, e, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para: (i) reconhecer o direito ao crédito de PIS e de COFINS, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, sobre as aquisições de álcool etílico anidro combustível e de biodiesel B100 utilizados na produção de gasolina C e óleo diesel B; (ii) reconhecer o direito ao crédito de PIS e de COFINS, com fundamento no art. 3º, I, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, sobre as aquisições para revenda de etanol hidratado comum, a partir de agosto de 2017, revertendo-se as glosas correspondentes; (iii) restabelecer os créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas de armazenagem de combustíveis, na forma do art. 3º, IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; Fl. 1892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 34 (iv) manter as glosas dos créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas de frete nas operações de venda de combustíveis submetidos à tributação monofásica, em conformidade com o Tema 1.093 do STJ. 44. É como voto. Assinado Digitalmente Rachel Freixo Chaves VOTO VENCEDOR Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede redator designado. Com as devidas vênias, divirjo da ilustre relatora quanto à possibilidade de creditamento nas aquisições de etanol e biodiesel adquiridos como insumos e nas aquisições de etanol hidratado combustível para revenda. Aquisições de etanol anidro e biodiesel A lide repousa sobre definir a atividade da recorrente, se de comercialização ou se de produção. A situação refere-se à mistura de gasolina “A” com etanol anidro (álcool) para obtenção de gasolina tipo “C” e à mistura de biodiesel ao óleo diesel tipo “A” para obtenção de óleo diesel tipo “B”. Sobre a atividade de distribuição, a Resolução nº 40/2013 da ANP estipula em seu art. 2º: Art. 2º Para efeitos desta Resolução as gasolinas automotivas classificam-se em: I - gasolina A: combustível produzido a partir de processos utilizados nas refinarias, nas centrais de matérias-primas petroquímicas e nos formuladores, destinado aos veículos automotivos dotados de motores de ignição por centelha, isento de componentes oxigenados; II - gasolina C: combustível obtido da mistura de gasolina A e etanol anidro combustível, nas proporções definidas pela legislação em vigor. Art. 3º Para efeitos desta Resolução define-se: .............................................................................................. Fl. 1893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 35 III - Distribuidor: pessoa jurídica autorizada pela ANP ao exercício da atividade de distribuição de combustíveis líquidos derivados de petróleo, gasolina C, etanol combustível, biodiesel, óleo diesel B e outros combustíveis automotivos; IV - Formulador: pessoa jurídica autorizada pela ANP para o exercício da atividade de formulação de combustíveis; ............................................................................................. VIII – Produtor de gasolina A: refinarias, centrais de matérias-primas petroquímicas e formuladores. (Grifou-se)Já a Resolução ANP nº 58/2014 define: Art. 2º Para os fins desta Resolução, ficam estabelecidas as seguintes definições: ................................................................... III - Combustíveis líquidos - gasolina automotiva A ou C, óleo diesel A ou B, óleo diesel marítimo A ou B, óleo combustível, óleo combustível marítimo, querosene iluminante, óleo combustível para turbina elétrica (OCTE), etanol combustível, biodiesel (B100) ou óleo diesel BX e outros combustíveis líquidos especificados ou autorizados pela ANP, exceto combustíveis de aviação ........................................................................... V - Distribuidor de combustíveis líquidos: pessoa jurídica autorizada pela ANP ao exercício da atividade de distribuição de combustíveis líquidos; ............................................................................... XVII - Produtor de Derivados de Petróleo - pessoa jurídica autorizada pela ANP ao exercício da atividade de refinação, de formulação, assim como de central petroquímica; XVIII - Refinaria: pessoa jurídica autorizada pela ANP ao exercício da atividade de refinação de petróleo, gás natural e seus derivados; A ANP isolou a cadeia de comercialização e a tributação seguiu a sua normatização ao estipular alíquotas distintas para a venda de gasolinas por produtores e distribuidores. A legislação definiu a tributação para produtores em alíquotas concentradas, reduzindo a zero nos distribuidores e varejistas, conforme exposto no Acórdão nº 9303-012.771, cujos fundamentos, em parte, adoto e transcrevo abaixo: “No mérito, esta questão já foi enfrentada por esta Turma, conforme Acórdão nº 9303-010.327 de 17 de junho de 2020, de minha relatoria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO A GASOLINA. DESCARACTERIZAÇÃO DE INSUMO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE O álcool anidro, adicionado pelos distribuidores à Gasolina Tipo “A” para a obtenção da Tipo “C”, na proporção estabelecida pela ANP, não é considerado insumo pela legislação PIS/Cofins, caracterizada a simples revenda pelo inciso II do artigo 42 da MP nº 2.158-35/2001, que determinava que seria igual a zero a alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a receita bruta auferida, até o advento da Lei nº 11.727/2008, quando passou a ser possível o creditamento. Fl. 1894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 36 Toda a análise passa pelo tratamento diferenciado (sempre) dado pelo legislador PIS/Cofins à tributação dos combustíveis, em razão da sua representatividade para a arrecadação tributária (o que não se verifica para o IPI, ao qual são imunes). Para a gasolina, sempre se procurou a concentração no fabricante, pois o monopólio do refino é da PETROBRÁS. Já, no caso do álcool, a produção se dá pelas Usinas/Destilarias – privadas e várias, o que levou à tributação concentrada nos distribuidores (dos quais, o mais representativo era da PETROBRÁS), nos fabricantes, depois em ambos ... E, neste contexto "diferenciado”, estão os distribuidores de Gasolina Tipo "C", que misturam o álcool anidro (que só existe em razão desta mistura) à Gasolina Tipo "A", na proporção estabelecida pela ANP, os quais, à vista destas epecificidades, são tratados pelo legislador como comerciantes. Portanto, não desconhece o legislador que o distribuidor de combustíveis mistura a gasolina ao álcool anidro e, mesmo assim, o trata como simples comerciante – e não como industrial, o que, por si só, já tira qualquer suporte da alegação da recorrente. Vejamos o teor do então vigente inciso II do art. 42 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001: Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a(...)II - álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) Ora, se o álcool anidro fosse um insumo para industrialização, como ele poderia ser tributado diferentemente depois da mistura? Nesse sentido, transcrevo Acórdão (já diversas vezes citado por outros eméritos julgadores em diversos Processos da Empresa PETROSUL) – nº 3301-003.050, de 21/07/2016, de relatoria do Ilustre Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, em julgamento presidido pelo também ilustre Dr. Andrada Márcio Canuto Natal: [...] O álcool etílico anidro e consequentemente a gasolina A não são considerados insumos pela legislação tributária. O inciso II do artigo 42 da MP nº 2.158-35, de 2001, na redação vigente no período relativo ao pedido em análise, determinava que seria igual a zero a alíquota da contribuição para o PIS incidente sobre a receita bruta auferida por distribuidores decorrentes da venda de álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina. Portanto, o álcool etílico anidro era tratado como um produto vendido pela distribuidora, sujeito à alíquota zero e não um insumo. Assim, por lógica, tendo em vista que a distribuidora não podia vender o álcool etílico anidro separado da gasolina A, esta também não deveria ser tratada como um insumo, mas sim um produto. Fl. 1895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 37 A seguir transcreve-se o inciso II do artigo 42 da MP nº 2.158-35, de 2001, vigente à época ...” Reforçando este posicionamento e tratando das mudanças legislativas ocorridas em 2008 a que se refere o Acórdão recorrido, além de retomar – pela sua relevância para a compreensão de todas estas peculiaridades relativas à tributação dos combustíveis, logo no início do Voto já aventadas – transcrevo também trechos da preciosa Solução de Consulta nº 328 – SRRF08/Disit, de 19/12/2012: [...] 24. Pretende a consulente ter reconhecido o seu direito de crédito sobre o valor das aquisições de álcool anidro para fins carburantes sob a alegação de que a vedação de aproveitamento de crédito constante dos arts. 3º, inciso I, alínea “a” das Leis nº 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, aplica-se apenas quando de sua aquisição para revenda, hipótese que não se coadunaria com o seu caso concreto uma vez que o álcool anidro por ela adquirido seria na verdade insumo a ser utilizado na industrialização (beneficiamento) da gasolina A para sua transformação na gasolina C. 25. Não é possível prosperar a tese defendida pela interessada dentro da lógica tributária inerente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre os produtos com tributação concentrada. As alíquotas, neste caso, são diferenciadas de acordo com o papel do contribuinte na cadeia de produção e comercialização do produto. Como visto, no caso da gasolina e suas correntes, a tributação ficou concentrada no produtor (refinaria) e importador, aplicando-se ao distribuidor e ao varejista a alíquota zero. Caso viesse a ser acatada a argumentação da consulente, nas vendas de gasolina tipo C, ela não seria distribuidora, mas fabricante do produto, o que remeteria à imposição sobre suas receitas das alíquotas de 5,08% para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 23,44% para a Cofins, de acordo com o art. 4º da Lei n° 9.718, de 1998. No entanto, ao contrário, as receitas estão sujeitas à alíquota zero. Em nome da maior clareza, reproduz-se tal dispositivo: Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(...)26. Desta forma, não cabe a transposição para o regime próprio de tributação da Contribuição para o PIS e da Cofins relativo à gasolina e suas correntes dos conceitos adotados na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativos à industrialização, sob pena de macular toda a sua Fl. 1896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 38 construção. A adição de álcool anidro à gasolina A feita pela consulente e por todos os demais distribuidores, para obtenção da gasolina C, que é por eles vendida e posteriormente comercializada pelos varejistas (postos de gasolina), não é considerada, neste contexto e para fins de apuração das contribuições, fabricação ou produção de bem ou produto, e, portanto, não permite a caracterização como insumo do álcool anidro a ela agregado. Logo, descabe a aplicação do desconto de crédito de que trata o inciso II do art. 3º das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, porquanto tais dispositivos são relativos a insumos. 27. Em linha com tal interpretação, verifica-se que o legislador teve cuidado de reduzir a zero a alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativas ao álcool anidro para fins carburantes adicionado à gasolina pelo distribuidor, conforme art. 42, inciso II, da MP 2158-35, de 2001, c/c §1º do art. 11 da IN SRF nº 594, de 2005.” A análise sistemática da legislação denota que a tributação seguiu as definições da ANP, concentrando a tributação de derivados de petróleo nos produtores e importadores, conforme os artigos 4º da Lei nº 9.718/98 e 42 da Mp 2158-35/2001: Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a(...)II - álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) Assim, não se desconhece que a mistura de álcool anidro e gasolina A resultam em gasolina C e que este processo poderia ser considerado como produção. Contudo, a legislação aplicou as alíquotas concentradas, considerando que os distribuidores não seriam produtores, reduzindo a zero a incidência sobre a venda de gasolinas por distribuidores. Trata-se de verdadeira ficção jurídica. Segundo Maria Rita Ferragut, “De acordo com José Perez de Ayala, a ficção jurídica constitui-se na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se atribuem a determinados supostos fáticos, certos efeitos jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas. É uma técnica que permite ao legislador atribuir efeitos jurídicos que, na ausência de ficção, não seriam possíveis a certos fatos ou realidades sociais. No Fl. 1897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 39 entanto, não encerra mentira alguma, nem oculta a verdade real; apenas cria uma verdade jurídica distinta da real. As ficções jurídicas são regras de direito material que, propositadamente, criam uma verdade legal contrária à verdade natural, fenomênica. Alteram a representação da realidade ao criar uma verdade jurídica que não lhe corresponde, e produzem efeitos jurídicos, prescindindo da existência empírica dos fatos típicos que originalmente ensejariam tais efeitos.” A legislação tributária resolveu estabelecer uma ficção jurídica ao reduzir a tributação da gasolina a zero e do álcool adicionado à mistura, como se revendesse o álcool anidro. A caracterização da ficção fica evidente diante da redução a zero prevista no art. 5º, §1º, inciso I: Art. 5º A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 1.157, de 2023) [...] § 1º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda de álcool, inclusive para fins carburantes, quando auferida: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – por distribuidor, no caso de venda de álcool anidro adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (Revogado pela Medida Provisória nº 1.063, de 2021) (Produção de efeitos) I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 14.292, de 2022) A revogação da redução a zero deixou mais evidente a ficção, ao estabelecer a tributação do álcool anidro adicionado à gasolina, nos termos do §4º do art. 5º da Lei 9718/98, com redação dada pela Lei 14.292/2022: § 4º-C Na hipótese de venda de gasolina pelo distribuidor, em relação ao percentual de álcool anidro a ela adicionado, a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ocorrerá, conforme o caso, pela aplicação das alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 14.292, de 2022) I - no inciso I do caput deste artigo; ou (Incluído pela Lei nº 14.292, de 2022) II - no inciso I do § 4º, observado o disposto no § 8º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.292, de 2022) Deflui-se, portanto, que ao incidir alíquota zero ou positiva sobre o álcool anidro adicionado à mistura, a legislação estabeleceu a ficção jurídica quanto à atividade de revenda de álcool anidro pelo distribuidor. Fl. 1898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 40 A situação é similar para o biodiesel adicionado ao óleo diesel. O artigo 4º da Lei nº 9.718/98 dispõe: Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 1.157, de 2023) A legislação estabeleceu a tributação concentrada para os produtores e importadores, ao passo que reduziu a zero, a venda pelos distribuidores: Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos I - gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; II - álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) III - álcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) De modo similar, a Lei nº 11.116/2005 estabeleceu alíquotas concentradas para o Biodiesel, uma única vez no produtor e importador: Art. 3º A Contribuição para o PIS/Pasep e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins incidirão, uma única vez, sobre a receita bruta auferida, pelo produtor ou importador, com a venda de biodiesel, às alíquotas de 6,15% (seis inteiros e quinze centésimos por cento) e 28,32% (vinte e oito inteiros e trinta e dois centésimos por cento), respectivamente. (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 1.157, de 2023) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos Fl. 1899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 41 No caso, a recorrente é uma distribuidora e vende com sujeição a zero ou não incidência, por se tratar de uma revenda considerada. Contudo, a recorrente efetivamente pleiteia que seja considerada produtora para fins de creditamento de insumos, mas que seja considerada revendedora ao tributar a saída da venda de gasolina e óleo diesel, o que se revela incompatível com o desenho tributário do setor. Deflui-se que a atividade da recorrente deve ser considerada como de comercialização de gasolina e óleo diesel. Assim, não há que se falar em creditamento de insumos, nem de bens para revenda, pois a alínea “b” do inciso I do artigo 3º as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 impedem tal creditamento: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos § 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I - nos incisos I a III do art. 4º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo - GLP derivado de petróleo e de gás natural; [...] § 1º-A. Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida com a venda de etanol, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas, conforme o caso, no art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Redação dada pela Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos Lei 11.116/2005: Aquisições de álcool etílico hidratado para revenda Fl. 1900DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 42 A recorrente alega que a aquisição de álcool hidratado gera crédito da não- cumulatividade, sustentando que o referido decorre da própria sistemática não-cumulativa disposta no artigo 195, §12 da Constituição Federal. Contudo, a alteração promovida no §13 do artigo 5º se trata de silêncio eloquente. Vejamos. O §13 mencionado possui a seguinte evolução histórica: § 13. O produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 13. O produtor e o importador de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor ou de outro importador. (Redação dada pela Medida Provisória nº 613, de 2013) § 13. O produtor e o importador de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeitos ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor ou de outro importador. (Redação dada pela Lei nº 12.859, de 2013) Está claro que a retirada do “distribuidor” não significa uma omissão ou descuido, mas intenção de vedar o crédito pelo distribuidor. Por outro lado, os incisos I dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõem que: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento)I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; O§1º-A se refere ao álcool para fins carburantes: § 1º-A. Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do Fl. 1901DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 43 art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) Assim, a vedação de creditamento da não-cumulatividade disposta na alínea “b” do inciso I do artigo 3º apenas remete ao produto referido nos §§1º e 1º-A. Quando a legislação quis afastar esta vedação, o fez de forma expressa, como no §16 do artigo 5º da Lei nº 9.718/98: § 16. Observado o disposto nos §§ 14 e 15 deste artigo, não se aplica às aquisições de que trata o § 13 deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 16. Observado o disposto nos §§ 14 e 14-A deste artigo, não se aplica às aquisições de que tratam os §§ 13 e 13-A deste artigo o disposto na alínea “b” do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea “b” do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Redação dada pela Lei nº 14.292, de 2022) Por fim, a recorrente alega a aplicação do art. 17 da Lei 11.033/2004. Todavia, a interpretação do artigo 17 já está pacificada pelo STJ, no tema 1093, no julgamento do RESp 1.894.741/RS, com acórdão publicado 04/05/2022 com trânsito em julgado em 14/12/2023, com a seguinte ementa: RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3. RECURSO REPETITIVO. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA AS SITUAÇÕES DE MONOFASIA. RATIO DECIDENDI DO STF NO TEMA DE REPERCUSSÃO GERAL N. 844 E NA SÚMULA VINCULANTE N. 58/STF. VIGÊNCIA DOS ARTS. 3º, I, "B", DAS LEIS N. N. 10.637/2002 E 10.833/2003 (COM A REDAÇÃO DADA PELOS ARTS. 4º E 5º, DA LEI N. 11.787/2008) FRENTE AO ART. 17 DA LEI 11.033/2004 COMPROVADA PELOS CRITÉRIOS CRONOLÓGICO, DA ESPECIALIDADE E SISTEMÁTICO. ART. 20, DA LINDB. CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS INDESEJÁVEIS DA CONCESSÃO DO CREDITAMENTO. 1. Há pacífica jurisprudência no âmbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercussão geral, no sentido de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v.g. casos de monofasia e substituição tributária), a saber: Súmula Vinculante n. 58/STF: "Inexiste direito a crédito presumido de IPI relativamente à entrada de insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, o que não contraria o princípio da não cumulatividade"; Repercussão Geral Tema n. 844: "O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero". Fl. 1902DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 44 2. O art. 17, da Lei n. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3º, § 2º, II, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto- Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, contudo permite a manutenção de créditos por outro modo constituídos, ou seja, créditos cuja constituição não restou obstada pelas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Isto porque a vedação para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (creditamento), além de ser norma específica contida em outros dispositivos legais - arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 (critério da especialidade), foi republicada posteriormente com o advento dos arts. 4º e 5º, da Lei n. 11.787/2008 (critério cronológico) e foi referenciada pelo art. 24, §3º, da Lei n. 11.787/2008 (critério sistemático). 4. Nesse sentido, inúmeros precedentes da Segunda Turma deste Superior Tribunal de Justiça que reconhecem a plena vigência dos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, dada a impossibilidade cronológica de sua revogação pelo art. 17, da Lei n. 11.033/2004, a saber: AgInt no REsp. n. 1.772.957 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 07.05.2019; AgInt no REsp. n. 1.843.428 / RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 18.05.2020; AgInt no REsp. n. 1.830.121 / RN, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 06.05.2020; AgInt no AREsp. n. 1.522.744 / MT, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 24.04.2020; REsp. n. 1.806.338 / MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 01.10.2019; AgRg no REsp. n. 1.218.198 / RS, Rel. Des. conv. Diva Malerbi, julgado em 10.05.2016; AgRg no AREsp. n. 631.818 / CE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10.03.2015. 5. Também a douta Primeira Turma se manifestava no mesmo sentido, antes da mudança de orientação ali promovida pelo AgRg no REsp. n. 1.051.634 / CE, (Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Regina Helena Costa, julgado em 28.03.2017). Para exemplo, os antigos precedentes da Primeira Turma: REsp. n. 1.346.181 / PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. p/acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 16.06.2014; AgRg no REsp. n. 1.227.544 / PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 27.11.2012; AgRg no REsp. n. 1.292.146 / PE, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 03.05.2012. 6. O tema foi definitivamente pacificado com o julgamento dos EAREsp. n. 1.109.354 / SP e dos EREsp. n. 1.768.224 / RS (Primeira Seção, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgados em 14.04.2021) estabelecendo-se a negativa de constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (negativa de creditamento). 7. Consoante o art. 20, do Decreto-Lei n. 4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB): "[...] não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão". É Fl. 1903DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 45 preciso compreender que o objetivo da tributação monofásica não é desonerar a cadeia, mas concentrar em apenas um elo da cadeia a tributação que seria recolhida de toda ela caso fosse não cumulativa, evitando os pagamentos fracionados (dupla tributação e plurifasia). Tal se dá exclusivamente por motivos de política fiscal. 8. Em todos os casos analisados (cadeia de bebidas, setor farmacêutico, setor de autopeças), a autorização para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica, além de comprometer a arrecadação da cadeia, colocaria a Administração Tributária e o fabricante trabalhando quase que exclusivamente para financiar o revendedor, contrariando o art. 37, caput, da CF/88 - princípio da eficiência da administração pública - e também o objetivo de neutralidade econômica que é o componente principal do princípio da não cumulatividade. Ou seja, é justamente o creditamento que violaria o princípio da não cumulatividade. 9. No contexto atual de pandemia causada pela COVID - 19, nunca é demais lembrar que as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS possuem destinação própria para o financiamento da Seguridade Social (arts. 195, I, "b" e 239, da CF/88), atendendo ao princípio da solidariedade, recursos estes que em um momento de crise estariam sendo suprimidos do Sistema Único de Saúde - SUS e do Programa Seguro Desemprego para serem direcionados a uma redistribuição de renda individualizada do fabricante para o revendedor, em detrimento de toda a coletividade. A função social da empresa também se realiza através do pagamento dos tributos devidos, mormente quando vinculados a uma destinação social. 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: 10.1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 10.2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 10.3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 10.4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode Fl. 1904DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.634 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.907738/2019-16 46 adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem lhe gerar créditos. 10.5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. 11. Recurso especial não provido. Depreende-se que o artigo 17 não representou nova hipótese de creditamento, mas apenas o direito à manutenção de créditos, não vedados pelas normas de regência, como as do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/04. Destarte, a glosa de crédito na aquisição de álcool hidratada para revenda deve ser mantida. Diante do exposto, voto para negar provimento aos créditos sobre aquisição de álcool anidro e biodiesel como insumos, bem como quanto aos créditos de álcool hidratado para revenda. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede Fl. 1905DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 16004.720053/2012-92
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO ANTES DO JULGAMENTO FINAL DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. INOCORRÊNCIA. O lançamento tributário constitui atividade vinculada da autoridade fiscal, sujeita aos prazos decadenciais, não havendo previsão legal de suspensão do prazo para constituição do crédito referente aos tributos devidos no regime normal. A simples interposição de defesa administrativa no processo de exclusão não impede a fiscalização de promover o lançamento subsequente. Inteligência da Súmula CARF nº 77. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 CONFIGURAÇÃO DAS HIPÓTESES LEGAIS DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL POR CONSTITUIÇÃO MEDIANTE INTERPOSTAS PESSOAS E PARTICIPAÇÃO DE SÓCIOS ADMINISTRADORES EM EMPRESA COM RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Demonstrada, mediante robusto conjunto probatório, a constituição da empresa optante por procuradores e sócios da empresa controladora, com o objetivo de camuflar a real prestação de serviços e dissimular a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias patronais. Comprovada a existência de administração comum, confusão patrimonial, custeio integral das atividades pela empresa controladora, fornecimento de máquinas e equipamentos essenciais sem contrato formal, prestação quase exclusiva de serviços para a controladora e ausência de assunção dos riscos da atividade econômica pela empresa optante. Caracterização de grupo econômico de fato criado com objetivo exclusivo de usufruir indevidamente do benefício tributário. Violação aos artigos 3º, parágrafo 4º, inciso V, e 29, inciso IV, da Lei Complementar nº 123 de 2006. Exclusão do Simples Nacional mantida. RETROATIVIDADE DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL AO MÊS EM QUE INCORRIDA A INFRAÇÃO, E NÃO AO MÊS SUBSEQUENTE À CIÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO. Nas hipóteses de exclusão por ofício decorrente de constituição por interpostas pessoas, o artigo 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, determina expressamente que a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas as situações impeditivas. O lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional. A empresa nunca preencheu os requisitos legais de permanência no regime simplificado devido à constituição fraudulenta por interpostas pessoas, sendo o ato declaratório meramente declaratório de situação preexistente. A retroatividade constitui regra imposta pelo legislador para restabelecer a tributação correta desde o início da irregularidade em casos de simulação ou fraude. Precedentes jurisprudenciais fundados na legislação anterior não se sobrepõem ao disposto de forma clara pela Lei Complementar vigente. COMPENSAÇÃO OBRIGATÓRIA DOS VALORES RECOLHIDOS PELO SIMPLES NACIONAL COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS EXIGIDAS NO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO. O regime do Simples Nacional implica no recolhimento mensal da Contribuição Patronal Previdenciária para a Seguridade Social, conforme artigo 13, inciso VI, da Lei Complementar nº 123, de 2006. As parcelas recolhidas na sistemática do Simples correspondentes à contribuição previdenciária patronal devem ser necessariamente deduzidas do valor do débito lançado nos presentes autos, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Aplicação do racional da Súmula CARF nº 76. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 MULTA QUALIFICADA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A conduta fraudulenta de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, com administração comum e confusão patrimonial, visando dissimular a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias patronais e aproveitar indevidamente do regime do Simples Nacional, caracteriza a fraude prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502 de 1964, justificando a aplicação da multa qualificada. Penalidade reduzida em decorrência da alteração promovida pela Lei nº 14.689, de 2023. Aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA POR INTEGRAR GRUPO ECONÔMICO DE FATO E POSSUIR INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelas obrigações previdenciárias, nos termos do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991. Demonstrada de forma robusta e inequívoca a existência de grupo econômico de fato mediante administração comum exercida pelos mesmos sócios e procuradores, confusão patrimonial caracterizada pela utilização gratuita de imóvel dos sócios e pela ausência de contrato de comodato para uso de máquinas e equipamentos, socorros financeiros pontuais e vitais fornecidos pela controladora para que a controlada honrasse a folha de pagamento e encargos sociais, custeio integral de despesas essenciais como assistência médica e odontológica, uniformes, equipamentos de proteção individual, materiais de higiene e limpeza, telefone e honorários médicos, e prestação quase exclusiva de serviços para a controladora. A controladora possuía interesse direto e comum na situação que constituiu o fato gerador, pois era a real beneficiária da mão de obra e da redução do custo previdenciário em sua cadeia produtiva, garantindo vantagem econômica mediante a supressão do tributo. Configuração da solidariedade prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Responsabilidade solidária mantida. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES QUE EXERCERAM GESTÃO CONCOMITANTE NAS EMPRESAS ENVOLVIDAS E PRATICARAM ATOS COM INFRAÇÃO À LEI MEDIANTE SIMULAÇÃO E FRAUDE PARA DISSIMULAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DO ART. 135, III DO CTN. Sócios que atuaram simultaneamente como administradores de fato e de direito da empresa controladora e como sócios-gerentes da empresa optante praticaram atos com infração manifesta à lei ao permitirem e orquestrarem a constituição fraudulenta do esquema para dissimular a real atividade e o verdadeiro empregador, visando impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades fazendárias. Demonstração de atos concretos de gestão dolosa, incluindo o custeio integral da empresa optante pela controladora, o controle total da folha de pagamento dos trabalhadores pela controladora, o fornecimento de ativos essenciais sem formalização contratual, a confusão patrimonial admitida, e o planejamento documentado em convocações para reunião sugerindo a redução do número de funcionários registrados na controladora para registrá-los em coligadas optantes pelo Simples. A conduta não caracteriza mero inadimplemento, mas sim fraude e simulação qualificadas que atraem a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, inciso III, do CTN. Atendimento aos requisitos do precedente vinculante do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 562.276, que exige ilícito qualificado para responsabilização do administrador. Responsabilidade pessoal mantida. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. INAPLICABILIDADE DO ART. 124, I DO CTN. Ausente demonstração de benefício direto com os fatos geradores que ensejaram os tributos exigidos, não há como também imputar responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN aos que desfrutam da proteção legal ao patrimônio pessoal dos que regularmente compõem uma sociedade. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. CABIMENTO. A aplicação da Taxa SELIC encontra previsão expressa no artigo 61, §3º, combinado com artigo 5º, § 3º, da Lei nº 9.430 de 1996. Inteligência da Súmula CARF nº 4. JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A incidência de juros de mora sobre quaisquer débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, incluindo as multas de ofício, encontra-se consolidada na Súmula CARF nº 108.
Numero da decisão: 1004-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte para: i.i) determinar que as parcelas recolhidas na sistemática do SIMPLES correspondentes à contribuição previdenciária patronal sejam deduzidas do valor do débito lançado nos presentes autos; e (i.ii) reduzir a multa de ofício para 100%; ii) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e (iii) por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários de Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues para excluir a responsabilidade tributária atribuída com base no art. 124, inciso I, do CTN, mantendo-a somente com base no art. 135, III, do CTN, vencido o Conselheiro Jandir José Dalle Lucca (relator) que votou por negar provimento aos recursos. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca – Relator Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa – Redatora designada Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA

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Demonstrada, mediante robusto conjunto probatório, a constituição da empresa optante por procuradores e sócios da empresa controladora, com o objetivo de camuflar a real prestação de serviços e dissimular a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias patronais. Comprovada a existência de administração comum, confusão patrimonial, custeio integral das atividades pela empresa controladora, fornecimento de máquinas e equipamentos essenciais sem contrato formal, prestação quase exclusiva de serviços para a controladora e ausência de assunção dos riscos da atividade econômica pela empresa optante. Caracterização de grupo econômico de fato criado com objetivo exclusivo de usufruir indevidamente do benefício tributário. Violação aos artigos 3º, parágrafo 4º, inciso V, e 29, inciso IV, da Lei Complementar nº 123 de 2006. Exclusão do Simples Nacional mantida. RETROATIVIDADE DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL AO MÊS EM QUE INCORRIDA A INFRAÇÃO, E NÃO AO MÊS SUBSEQUENTE À CIÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO. Nas hipóteses de exclusão por ofício decorrente de constituição por interpostas pessoas, o artigo 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, determina expressamente que a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas as situações impeditivas. O lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional. A empresa nunca preencheu os requisitos legais de permanência no regime simplificado devido à constituição fraudulenta por interpostas pessoas, sendo o ato declaratório meramente declaratório de situação preexistente. A retroatividade constitui regra imposta pelo legislador para restabelecer a tributação correta desde o início da irregularidade em casos de simulação ou fraude. Precedentes jurisprudenciais fundados na legislação anterior não se sobrepõem ao disposto de forma clara pela Lei Complementar vigente. COMPENSAÇÃO OBRIGATÓRIA DOS VALORES RECOLHIDOS PELO SIMPLES NACIONAL COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS EXIGIDAS NO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO. O regime do Simples Nacional implica no recolhimento mensal da Contribuição Patronal Previdenciária para a Seguridade Social, conforme artigo 13, inciso VI, da Lei Complementar nº 123, de 2006. As parcelas recolhidas na sistemática do Simples correspondentes à contribuição previdenciária patronal devem ser necessariamente deduzidas do valor do débito lançado nos presentes autos, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Aplicação do racional da Súmula CARF nº 76. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 MULTA QUALIFICADA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A conduta fraudulenta de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, com administração comum e confusão patrimonial, visando dissimular a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias patronais e aproveitar indevidamente do regime do Simples Nacional, caracteriza a fraude prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502 de 1964, justificando a aplicação da multa qualificada. Penalidade reduzida em decorrência da alteração promovida pela Lei nº 14.689, de 2023. Aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA POR INTEGRAR GRUPO ECONÔMICO DE FATO E POSSUIR INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelas obrigações previdenciárias, nos termos do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991. Demonstrada de forma robusta e inequívoca a existência de grupo econômico de fato mediante administração comum exercida pelos mesmos sócios e procuradores, confusão patrimonial caracterizada pela utilização gratuita de imóvel dos sócios e pela ausência de contrato de comodato para uso de máquinas e equipamentos, socorros financeiros pontuais e vitais fornecidos pela controladora para que a controlada honrasse a folha de pagamento e encargos sociais, custeio integral de despesas essenciais como assistência médica e odontológica, uniformes, equipamentos de proteção individual, materiais de higiene e limpeza, telefone e honorários médicos, e prestação quase exclusiva de serviços para a controladora. A controladora possuía interesse direto e comum na situação que constituiu o fato gerador, pois era a real beneficiária da mão de obra e da redução do custo previdenciário em sua cadeia produtiva, garantindo vantagem econômica mediante a supressão do tributo. Configuração da solidariedade prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Responsabilidade solidária mantida. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES QUE EXERCERAM GESTÃO CONCOMITANTE NAS EMPRESAS ENVOLVIDAS E PRATICARAM ATOS COM INFRAÇÃO À LEI MEDIANTE SIMULAÇÃO E FRAUDE PARA DISSIMULAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DO ART. 135, III DO CTN. Sócios que atuaram simultaneamente como administradores de fato e de direito da empresa controladora e como sócios-gerentes da empresa optante praticaram atos com infração manifesta à lei ao permitirem e orquestrarem a constituição fraudulenta do esquema para dissimular a real atividade e o verdadeiro empregador, visando impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades fazendárias. Demonstração de atos concretos de gestão dolosa, incluindo o custeio integral da empresa optante pela controladora, o controle total da folha de pagamento dos trabalhadores pela controladora, o fornecimento de ativos essenciais sem formalização contratual, a confusão patrimonial admitida, e o planejamento documentado em convocações para reunião sugerindo a redução do número de funcionários registrados na controladora para registrá-los em coligadas optantes pelo Simples. A conduta não caracteriza mero inadimplemento, mas sim fraude e simulação qualificadas que atraem a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, inciso III, do CTN. Atendimento aos requisitos do precedente vinculante do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 562.276, que exige ilícito qualificado para responsabilização do administrador. Responsabilidade pessoal mantida. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. INAPLICABILIDADE DO ART. 124, I DO CTN. Ausente demonstração de benefício direto com os fatos geradores que ensejaram os tributos exigidos, não há como também imputar responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN aos que desfrutam da proteção legal ao patrimônio pessoal dos que regularmente compõem uma sociedade. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. CABIMENTO. A aplicação da Taxa SELIC encontra previsão expressa no artigo 61, §3º, combinado com artigo 5º, § 3º, da Lei nº 9.430 de 1996. Inteligência da Súmula CARF nº 4. JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A incidência de juros de mora sobre quaisquer débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, incluindo as multas de ofício, encontra-se consolidada na Súmula CARF nº 108.

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO ANTES DO JULGAMENTO FINAL DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. INOCORRÊNCIA. O lançamento tributário constitui atividade vinculada da autoridade fiscal, sujeita aos prazos decadenciais, não havendo previsão legal de suspensão do prazo para constituição do crédito referente aos tributos devidos no regime normal. A simples interposição de defesa administrativa no processo de exclusão não impede a fiscalização de promover o lançamento subsequente. Inteligência da Súmula CARF nº 77. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 CONFIGURAÇÃO DAS HIPÓTESES LEGAIS DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL POR CONSTITUIÇÃO MEDIANTE INTERPOSTAS PESSOAS E PARTICIPAÇÃO DE SÓCIOS ADMINISTRADORES EM EMPRESA COM RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Demonstrada, mediante robusto conjunto probatório, a constituição da empresa optante por procuradores e sócios da empresa controladora, com o objetivo de camuflar a real prestação de serviços e dissimular a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias patronais. Comprovada a existência de administração comum, confusão patrimonial, custeio integral das atividades pela empresa controladora, fornecimento de máquinas e equipamentos essenciais sem contrato formal, prestação quase exclusiva de serviços para a controladora e ausência de assunção dos riscos da atividade econômica pela empresa optante. Caracterização de Fl. 3908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 2 grupo econômico de fato criado com objetivo exclusivo de usufruir indevidamente do benefício tributário. Violação aos artigos 3º, parágrafo 4º, inciso V, e 29, inciso IV, da Lei Complementar nº 123 de 2006. Exclusão do Simples Nacional mantida. RETROATIVIDADE DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL AO MÊS EM QUE INCORRIDA A INFRAÇÃO, E NÃO AO MÊS SUBSEQUENTE À CIÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO. Nas hipóteses de exclusão por ofício decorrente de constituição por interpostas pessoas, o artigo 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, determina expressamente que a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas as situações impeditivas. O lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional. A empresa nunca preencheu os requisitos legais de permanência no regime simplificado devido à constituição fraudulenta por interpostas pessoas, sendo o ato declaratório meramente declaratório de situação preexistente. A retroatividade constitui regra imposta pelo legislador para restabelecer a tributação correta desde o início da irregularidade em casos de simulação ou fraude. Precedentes jurisprudenciais fundados na legislação anterior não se sobrepõem ao disposto de forma clara pela Lei Complementar vigente. COMPENSAÇÃO OBRIGATÓRIA DOS VALORES RECOLHIDOS PELO SIMPLES NACIONAL COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS EXIGIDAS NO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO. O regime do Simples Nacional implica no recolhimento mensal da Contribuição Patronal Previdenciária para a Seguridade Social, conforme artigo 13, inciso VI, da Lei Complementar nº 123, de 2006. As parcelas recolhidas na sistemática do Simples correspondentes à contribuição previdenciária patronal devem ser necessariamente deduzidas do valor do débito lançado nos presentes autos, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Aplicação do racional da Súmula CARF nº 76. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 MULTA QUALIFICADA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A conduta fraudulenta de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, com administração comum e confusão patrimonial, visando Fl. 3909DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 3 dissimular a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias patronais e aproveitar indevidamente do regime do Simples Nacional, caracteriza a fraude prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502 de 1964, justificando a aplicação da multa qualificada. Penalidade reduzida em decorrência da alteração promovida pela Lei nº 14.689, de 2023. Aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA POR INTEGRAR GRUPO ECONÔMICO DE FATO E POSSUIR INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelas obrigações previdenciárias, nos termos do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991. Demonstrada de forma robusta e inequívoca a existência de grupo econômico de fato mediante administração comum exercida pelos mesmos sócios e procuradores, confusão patrimonial caracterizada pela utilização gratuita de imóvel dos sócios e pela ausência de contrato de comodato para uso de máquinas e equipamentos, socorros financeiros pontuais e vitais fornecidos pela controladora para que a controlada honrasse a folha de pagamento e encargos sociais, custeio integral de despesas essenciais como assistência médica e odontológica, uniformes, equipamentos de proteção individual, materiais de higiene e limpeza, telefone e honorários médicos, e prestação quase exclusiva de serviços para a controladora. A controladora possuía interesse direto e comum na situação que constituiu o fato gerador, pois era a real beneficiária da mão de obra e da redução do custo previdenciário em sua cadeia produtiva, garantindo vantagem econômica mediante a supressão do tributo. Configuração da solidariedade prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Responsabilidade solidária mantida. Fl. 3910DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 4 RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES QUE EXERCERAM GESTÃO CONCOMITANTE NAS EMPRESAS ENVOLVIDAS E PRATICARAM ATOS COM INFRAÇÃO À LEI MEDIANTE SIMULAÇÃO E FRAUDE PARA DISSIMULAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DO ART. 135, III DO CTN. Sócios que atuaram simultaneamente como administradores de fato e de direito da empresa controladora e como sócios-gerentes da empresa optante praticaram atos com infração manifesta à lei ao permitirem e orquestrarem a constituição fraudulenta do esquema para dissimular a real atividade e o verdadeiro empregador, visando impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades fazendárias. Demonstração de atos concretos de gestão dolosa, incluindo o custeio integral da empresa optante pela controladora, o controle total da folha de pagamento dos trabalhadores pela controladora, o fornecimento de ativos essenciais sem formalização contratual, a confusão patrimonial admitida, e o planejamento documentado em convocações para reunião sugerindo a redução do número de funcionários registrados na controladora para registrá-los em coligadas optantes pelo Simples. A conduta não caracteriza mero inadimplemento, mas sim fraude e simulação qualificadas que atraem a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, inciso III, do CTN. Atendimento aos requisitos do precedente vinculante do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 562.276, que exige ilícito qualificado para responsabilização do administrador. Responsabilidade pessoal mantida. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. INAPLICABILIDADE DO ART. 124, I DO CTN. Ausente demonstração de benefício direto com os fatos geradores que ensejaram os tributos exigidos, não há como também imputar responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN aos que desfrutam da proteção legal ao patrimônio pessoal dos que regularmente compõem uma sociedade. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. CABIMENTO. A aplicação da Taxa SELIC encontra previsão expressa no artigo 61, §3º, combinado com artigo 5º, § 3º, da Lei nº 9.430 de 1996. Inteligência da Súmula CARF nº 4. JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Fl. 3911DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 5 A incidência de juros de mora sobre quaisquer débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, incluindo as multas de ofício, encontra-se consolidada na Súmula CARF nº 108. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte para: i.i) determinar que as parcelas recolhidas na sistemática do SIMPLES correspondentes à contribuição previdenciária patronal sejam deduzidas do valor do débito lançado nos presentes autos; e (i.ii) reduzir a multa de ofício para 100%; ii) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e (iii) por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários de Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues para excluir a responsabilidade tributária atribuída com base no art. 124, inciso I, do CTN, mantendo-a somente com base no art. 135, III, do CTN, vencido o Conselheiro Jandir José Dalle Lucca (relator) que votou por negar provimento aos recursos. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca – Relator Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa – Redatora designada Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RELATÓRIO 1.Trata-se de Recursos Voluntários interpostos por GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA. EPP, EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA., FLORINDO MIGUEL Fl. 3912DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 6 CAJUELA RODRIGUES e JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES em face do v. acórdão de fls. 3737/3745, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão da empresa do sistema Simples Nacional; bem como em face do v. acórdão de fls. 3746/3768, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve a sujeição passiva solidária; e b) por maioria de votos, manteve integralmente o crédito tributário. 2.Para melhor compreensão da matéria versada nos autos e por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado por ocasião da Resolução nº 2401-000.735 (fls. 3896/3904), complementado por parte do relatório constante da Resolução nº 2401- 000.697 (fls. 3814/3823), a saber: Resolução nº 2401-000.735: Trata-se de processo de exclusão do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF n º 095, de 05 de dezembro de 2012, fls. 3.339, retificado com a mesma numeração em 26 de fevereiro de 2013, por ter sido constituído por interposta pessoa e o fato de seus sócios serem administradores ou equiparados de outra pessoa jurídica com fins lucrativos que auferiu receita bruta global que ultrapassa o limite estabelecido na legislação, conforme previsto no artigo 3º, inciso II, § 4º, inciso V, e no artigo 29, inciso IV, da Lei Complementar n° 123, de 2006, em concordância com a Representação Fiscal constante do presente processo às fls. 3.280 a 3.333. A Fiscalização, no decorrer dos trabalhos efetuados na contribuinte GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA EPP, verificou que a mesma na condição de optante pelo Simples Nacional presta serviços para a empresa EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA (CNPJ nº 45.164.753/000170), estabelecida na Avenida Nasser Marão, 1951 – Parque Industrial, Município de Votuporanga – SP. De acordo com a Representação Fiscal, as empresas acima citadas utilizaram meios irregulares com o objetivo exclusivo de não recolherem os tributos da forma e montantes previstos e determinados em Lei, constatados tais fatos através da análise dos documentos disponibilizados e, em pesquisa nos sistemas internos da Receita Federal e visita ao domicílio fiscal da fiscalizada. A Fiscalização informa que a abertura da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP ocorreu por procuradores e atuais sócios da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda com o intuito de camuflar a real prestação de serviços por pessoas físicas em industrialização de produtos fabricados pela empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, bem como a execução de serviços de consertos, reparos e adaptações para terceiros provenientes de operações comerciais por ela realizados. Em seguida, afirmou restar comprovado que a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda custeou a atividade da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda contabilizando como sendo seus os custos e despesas desta última conforme abaixo relacionados: a) Telefone; b) Assistência médica aos trabalhadores; c) Assistência odontológica aos trabalhadores; d) Uniformes para os trabalhadores; e) Equipamentos de Proteção Individual utilizados pelos trabalhadores; f) Materiais de Higiene e Limpeza; g) Materiais intermediários utilizados na execução dos serviços; h) Honorários médicos relativos a serviços de exames admissionais e demissionais dos trabalhadores. Fl. 3913DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 7 Relata que além dos itens relacionados acima, a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda arcou com o suporte financeiro através de adiantamentos pontuais, para que a empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP viesse honrar seus compromissos junto aos trabalhadores a ela vinculados inclusive os decorrentes dos encargos sociais e demais custos. Aponta que a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda forneceu, ainda, as máquinas e equipamentos pertencentes ao seu Ativo Permanente indispensáveis na execução dos serviços e no desenvolvimento da atividade econômica. As empresas utilizavam inclusive a mesma caixa postal nº 105, conforme consta no cabeçalho das notas fiscais da empresa Galego Implementos para Transportes (documentos de fls. 2457 a 2459) e no rodapé dos documentos de fls. 2463 e 2465, que correspondem à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. Aduz a Auditoria que os serviços executados pela empresa Galego Implementos foram realizados de forma exclusiva para atender aos interesses da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. Assim, entende que a pessoa jurídica Galego Implementos para Transportes Ltda EPP foi constituída de forma a disfarçar a existência de sua verdadeira atividade, isto porque os documentos juntados no processo nº 16004.720053/2012-92 apontam que a empresa Galego Implementos para o Transporte Ltda EPP, optante pelo Simples Nacional, não assumiu o risco de sua atividade econômica, sendo, portanto, subordinada a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda tanto em sua administração quanto em seu custeio, não estando assim em consonância com o artigo 15 da Lei nº 8.212 de 24/07/1991. Destaca que as provas colacionadas ao processo demonstram que, em vez da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda incluir em sua própria folha de pagamento todos os funcionários que trabalham para ela, decidiu financiar/custear outra pessoa jurídica sob o regime tributário do Simples Nacional para prestar os mesmos serviços subordinados a ela. Por fim, conclui a Auditoria Fiscal que o conjunto de elementos e documentos juntados ao presente processo constituem provas irrefutáveis quanto aos atos praticados para dissimular a ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias patronais e que a empresa GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA EPP foi constituída por interposta pessoa, tendo como sócia de fato a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda com o objetivo de usufruir do beneficio tributário pelo não pagamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados. Em aditamento à Representação Fiscal (fls. 3.414/3.419) a Fiscalização acrescenta que a documentação juntada aos autos (procurações e alterações contratuais) demonstram que os sócios da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda são administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, cuja receita bruta global é superior ao previsto no inciso II do caput do artigo 3º da Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Haja vista mais uma hipótese de exclusão em que se enquadra a empresa, propôs a fiscalização a reforma do ato Declaratório Original. Às fls. 3.420/3.423, a autoridade administrativa competente optou por retificar o Despacho Decisório anterior atribuindo-lhe a mesma numeração e acrescentando-lhe a fundamentação legal decorrente do citado aditamento. Cientificado em 10/12/2012 (fls. 3.340) do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/SJR/SAORT nº 095 e do Despacho Decisório DRF/SJR/SAORT nº 136/2012, o contribuinte apresentou em 08/01/2013 (fls. 3.354/3.3690), Manifestação de Inconformidade da Exclusão do SIMPLES NACIONAL, onde contesta a exclusão do Simples Nacional pelo motivo mencionado pela fiscalização de que a empresa, optante pelo Fl. 3914DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 8 Simples Nacional, teria sido constituída por interposta pessoa, com enquadramento previsto no inciso IV do artigo 29 da Lei Complementar n° 123, de 14.12.2006. Em síntese, argumenta o que segue: (i) O ato de exclusão é nulo por falta de motivação, pois os argumentos dispostos no Despacho Decisório não têm relação com a realidade dos fatos; (ii) Que houve equívoco da fiscalização que apesar do tempo e da farta documentação apresentada não conseguiu entender que GALEGO IMPLEMENTOS e EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA são empresas distintas e administradas por pessoas diferentes; (iii) Alega que a afirmação pela fiscalização de que o Sr. Florindo Rodrigues e o Sr. José Antonio C. Rodrigues na época da formação da empresa Galego Implementos são as pessoas que administravam a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues é uma inverdade. São irmãos que apenas assinavam pela empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda em virtude do seu pai, verdadeiro administrador da empresa, ter sido acometido de Doença de Parkinson e assim estar impedido de assinar (“somente assinar”) documentos; (iv) Sustenta que o Sr. Florindo somente passou a ser sócio da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, compulsoriamente, por herança, após o falecimento de seu pai em 2011. Nesse momento, conforme prevê a legislação, a Galego Implementos deixou o sistema do Simples e passou a apurar o lucro tributável pelo regime de Lucro Presumido (cópia do recibo da DIPJ anexo doc. n° 3); (v) Admite que o imóvel situado na Avenida Emilio Arroyo Hernandes n° 2373 descrito no Despacho Decisório SAORT n° 136/2012, é de propriedade das três pessoas citadas, sócios da empresa Galego Implementos e que não foi ainda transferido para a pessoa jurídica por questões burocráticas, haja vista que o imóvel ainda não está regularizado junto à Prefeitura Municipal local e que sua aquisição adveio de arrematação em leilão de uma massa falida. Assim entende que pelo imóvel pertencer aos três sócios não haveria necessidade de cobrar aluguel. (vi) Considera normal os suportes financeiros prestados pela Equipamentos Rodrigues para a Galego Implementos e reputa inadequada a abordagem sobre o assunto contida no já citado despacho decisório. (vii) Em relação às informações fiscais de que a Equipamentos Rodrigues cedeu para a Galego suas máquinas e equipamentos para a consecução do seu objetivo e que custeou as despesas e os custos, inclusive detendo o controle da folha de pagamento dos seus trabalhadores; e mais, que a empresa Galego presta serviços de forma exclusiva para atender os interesses da empresa Equipamentos Rodrigues, admite que de fato, o cliente "Equipamentos Rodrigues" adiantou numerário para a empresa Galego Implementos, fornecedora de serviços e cedeu em comodato algumas máquinas e equipamentos para que essa atingisse seus objetivos sociais. Considera isso normal e de ocorrência frequente nos mais variados ramos sendo uma relação que não pode ser ignorada. O cliente fornece condições para obter com rapidez e precisão o produto ou serviço encomendado. (viii) Afirma que a empresa Galego Implementos quita sua folha de pagamento através de depósito no Bradesco, diretamente na conta dos seus empregados (exemplo cópia em anexo doc. n° 4) e seus custos e despesas (incluindo a folha de pagamento) são suportados pela receita auferida e declarada, conforme pode ser observado nos Balanços Patrimoniais elaborados pela Dafon Assessoria Contábil (doc. n° 5). (ix) 2.7. Afirma também não ser verdade que sua prestação de serviço é feita exclusivamente para a "Equipamentos Rodrigues". Destaca que o Auditor não se deu ao trabalho de apurar os fatos de maneira clara e precisa. O exame da vasta documentação colocada à sua disposição foi superficial e tendencioso, ficando muito mais fácil afirmar o que lhe convém, ainda que sem prova, do que aprofundar as investigações que retratam a verdade. Basta então, agora, verificar a planilha com a relação dos clientes nos anos 2008 Fl. 3915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 9 a 2010 e cópia de algumas notas fiscais emitidas pela manifestante para comprovar o que aqui é afirmado,(doc. 6). (x) Cita jurisprudências para corroborar a sua tese. Cientificado por via postal em 07/03/2013 do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/SJR/SAORT nº 095 retificado e do Despacho Decisório DRF/SJR/SAORT nº 136/2012 retificado, conforme AR à fl. 3.425, o contribuinte apresentou em 08/04/2013, aditamento a Manifestação de Inconformidade da Exclusão do Simples Nacional, fls. 3.431/3.453, onde contesta a exclusão do Simples Nacional pelos motivos mencionados pela fiscalização, praticamente repetindo as alegações anteriormente apresentadas. Observa que diferentemente da primeira representação fiscal que fundamentava a exclusão do Simples na suposta constituição da empresa por interpostas pessoas, esta segunda representação fiscal (aditada) tem como fundamento a suposição de que os sócios de outra empresa (Equipamentos Rodrigues) são os administradores da empresa excluída (Galego). Considera assim que houve vício material no ato administrativo retificado e não vício formal como quer fazer acreditar a autoridade fiscal, devendo ser declarada nula de início a exclusão da contribuinte do Simples. Estranha o fato da manifestação de inconformidade oferecida contra o primeiro ato declaratório de exclusão, não ter sido apreciada, como também não foram analisados os argumentos e provas apresentados com o objetivo de esclarecer os fatos como realmente ocorreram e impedir a exclusão da empresa do Simples Nacional. Supõe que os argumentos apresentados em sua inconformidade foram utilizados pela fiscalização para retificar o ato administrativo. Ao final, requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade e o cancelamento por consequência do Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/SRJ n° 095 retificado, afastando todos os seus efeitos e que seja determinado o arquivamento do presente processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 08-29.406 da 6ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 3.737/3.745, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve a exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional, em conformidade com o Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/STR nº 095 retificado de 26/02/2013. Ato contínuo, a mesma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou o Acórdão de Impugnação nº 08-29.406 (mesma numeração do Acórdão de Manifestação) da 6ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 3.746/3.768, que julgou: a) Por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e manter a sujeição passiva solidária; b) Por maioria de votos, manter integralmente o crédito tributário. Vencido o julgador Daniel Sobral de Almeida Braga, que votou pela exclusão de ofício da qualificação da multa, visto que a auditoria não teria se dado ao trabalho de enquadrar juridicamente a conduta descrita, imputando genericamente a ocorrência ou de sonegação ou de fraude ou de conluio, o que ofenderia o amplo direito de defesa da contribuinte. Note-se que referido Acórdão surge em razão do fato de que, após o cancelamento do Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/SRJ n° 095 retificado, como consequência foi lavrado Auto de Infração cujo lançamento refere-se à contribuições previdenciárias da parte patronal e multas, tendo como base de cálculo os valores declarados em GFIP, cujas contribuições estão fundamentadas no Relatório Fiscal e no Relatório de Fundamentação Legal – FLD anexos ao citado Auto de Infração, envolvendo competências de 01/2009 a 12/2010, inclusive 13º salário, consolidado em 10/04/2013. Fl. 3916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 10 Tal lançamento resultou, segundo o relatório fiscal da exclusão do Simples Nacional da empresa em epígrafe, conforme ADE/SAORT/DRF/SRJ 095/2012 e ADE/SAORT/DRF/SRJ 095/2013 – retificado. A Fiscalização esclareceu que para apuração do crédito tributário tomou como base os valores de remunerações declaradas pelo contribuinte constantes nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, as quais foram extraídas do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil– RFB e encontram-se anexas ao presente processo. Considerou ainda como fatos geradores das contribuições lançadas remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais discriminadas e declaradas na GFIP, em consonância com o artigo 28 da Lei n.8212/91, cujos valores encontram-se relacionados no Relatório Fiscal, fl.3.548 e no Relatório de Lançamentos, fls.3.542/3.545. Para o cálculo das contribuições devidas informa que aplicou as alíquotas previstas no Art. 22 da Lei 8.212/91. Relata ainda a Auditoria que os sujeitos passivos solidários foram informados quanto aos fatos que ensejaram a imputação da responsabilidade solidária e intimados a se manifestar quanto a apresentação de documentação hábil e idônea que ilidisse a responsabilidade solidária, conforme Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado de 27/12/2012. Informa que na resposta protocolada em 22/01/2013, os responsáveis solidários não apresentaram documento, alegando apenas não existir responsabilidade solidária. Diante do exposto a Auditoria lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da pessoa Jurídica Equipamentos Rodrigues Ltda, bem como Termos de Sujeição Passiva Solidária na pessoa dos sócios Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues Da análise do quadro societário das empresas listadas a Auditoria reconheceu a solidariedade entre as empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias, consoante os dispositivos legais a seguir relacionados: artigo 2.° da CLT; inciso IX do artigo 30 da Lei do Custeio da Previdência Social n.° 8.212, de 24 de julho de 1.991, com redação alterada pela Lei n.8.620/93; artigo 121, incisos I e II; artigo 124; artigo 128 e inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional; artigo 265, parágrafo primeiro e segundo e artigo 267da Lei n. 6.404, de 15/12/1976, artigo 17 da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994, Revogada pela lei n.12.529, de 30 de novembro de 2011, artigo 33 da Lei nº 12.529/2011 e artigo 222 do Regulamento aprovado pelo Decreto n.3.048/1999. Informou ainda a fiscalização que o presente crédito tributário foi lançado em nome de Galego Implementos para Transportes Ltda EPP "E OUTROS", tendo em vista que a documentação apreendida no estabelecimento da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e os documentos apresentados na ação fiscal demonstram que a empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP, juntamente com outras pessoas jurídicas formam um grupo econômico de fato. Aduziu que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados na Representação Fiscal e juntados ao presente processo administrativo (nº 16004.720053/201292). Assim, com fulcro nos artigos 124, inciso I, e 135 do CTN a Auditoria Fiscal lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls 3.562/3.613, onde fundamenta a responsabilidade solidária dos sócios pela identificação do interesse comum no fato gerador com base nos documentos e constatações evidenciadas durante a ação fiscal que fazem parte do presente processo e que demonstram claramente, a administração comum, confusão patrimonial, socorros financeiros, ausência de contrato de comodato para uso de máquinas e equipamentos, conduta que traduz a simulação da contratação de empregados pela Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. posto que custeou a atividade da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda, constituída por Fl. 3917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 11 interpostas pessoas (procuradores da Equipamentos Rodoviários Rodrigues) como optante do SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. Por fim, informa a fiscalização que em decorrência da conduta infracionária descrita acima conforme previsto nos artigos 71,72 e 73 da Lei 4.502/64, aplicou a multa de ofício em dobro no percentual de 150% (75% x 2) a partir da competência 01/2009 com fundamento no Art. 44, inciso I e § 1º da Lei 9.430/96, e considerou ser irrelevante distinguir se tal conduta se configurou em sonegação, fraude ou conluio já que demonstra infração a tipos definidos na citada Lei. (...) Resolução nº 2401- 000.697: Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 3.784/3.806, resumidamente nos seguintes termos: (i) Cerceamento de Defesa – Sustenta que a Constituição Federal de 1988 e a Lei nº 9.784/99 garantem além da obrigatoriedade de observância de um procedimento administrativo regular, garantem, igualmente, que durante o procedimento seja conferido aos administrados o contraditório e a ampla defesa, o que não teria sido observado na espécie, uma vez que, antes mesmo de decisão definitiva quanto ao ADE 095/2012 (original) e ADE 095 retificado de 26/02/2013, já foram lavrados autos de infrações em desfavor da recorrente, pelo qual se exigem contribuição previdenciária. Todavia, entende que a efetividade da exclusão do SIMPLES somente ocorre quando o contribuinte perde qualquer dos requisitos estabelecidos na Lei Complementar 123/2006, o que não ocorre no caso presente, pelo fato de que não se tem julgamento em definitivo do ADE retificado. Dessa forma entende que o presente lançamento se encontra-se maculado de vício insanável, porquanto a premissa a que se vale não encontra-se devidamente e legalmente constituída, uma vez que o ADE não definitivamente julgado. (ii) Inexistência de motivo a justificar a exclusão da recorrente. Alega que a Fiscalização deturpou a real situação fática da Recorrente, buscando maliciosamente unir duas empresas distintas, administradas por pessoas diferentes, com quadro de funcionários próprios. Argumenta que em nenhum momento os irmãos Florindo Rodrigues e José Antonio Rodrigues, sócios da Recorrente, participaram e/ou administraram a empresa Equipamentos Rodrigues. Defende que conforme asseverado em aditamento à Manifestação de Inconformidade, o verdadeiro sócio da Equipamentos Rodrigues, Sr. José Rodrigues Martinez outorgou procuração pela qual simplesmente assinavam em nome de seu genitor pelo fato de que este se encontra acometido de doença de Parkinson, o que impossibilita o mesmo de proceder às assinaturas. Além disso, destaca que o Sr. Florindo somente passou a ser sócio da empresa Equipamento Rodrigues em 2011, após o falecimento do seu genitor, ocasião em que a Recorrente deixou de integrar o Simples Nacional e passou a apurar lucro tributável através do Lucro Presumido. Finaliza argumentando que não incorreu em prática que justifique a atitude de sua exclusão do Simples Nacional. (iii) Da impossibilidade de efeitos retroativos ao Ato Declaratório Executivoº 095/2012. Sustenta que o lançamento não merece prosperar, uma vez que os efeitos do ADE não podem retroagir a situações anteriores. Nesse passo, defende que o entendimento adotado pela DRJ de origem vai na contramão do quanto dispõe o artigo 22, § 5º da Instrução Normativa SRF nº 355, de 2003. Colaciona jurisprudência do STJ para corroborar a sua tese. (iv) Da compensação entre os valores objeto do lançamento de ofício e os valores recolhidos pela Recorrente no SIMPLES. Caso mantido os valores do lançamento de ofício, estes devem ser compensados com os valores recolhidos pela Recorrente quando do Fl. 3918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 12 sistema do Simples Nacional, sob pena de cobrança de valores além dos supostamente devidos. (v) Da inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. Defende que jamais se utilizou de conduta maliciosa de modo a ludibriar o Fisco, e que não há nos autos elementos que justifiquem a aplicação da multa de 150%. Assim, requer seja determinada a exclusão da multa qualificada imposta, ou, caso não seja o entendimento, a sua redução ao patamar de 75%. (vi) Do descabimento da Taxa Selic. Sustenta a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic, em razão da sua natureza remuneratória. (vii) Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. 3.Registre-se que a Resolução nº 2401-000.697, de 12.09.2018, houve por bem converter o julgamento em diligência, com retorno dos autos à origem para determinar a intimação/ciência dos demais interessados (sujeitos passivos), para, querendo, se manifestassem, no prazo legal, sobre o teor do Acórdão nº 08-29.406. Com o atendimento da medida proposta, os responsabilizados EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA., FLORINDO MIGUEL CAJUELA RODRIGUES e JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES interpuseram os Recursos Voluntários de fls. 3864/3872, 3873/3882 e 3883/3892, respectivamente, com base nos seguintes tópicos: Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda:  Inexistência de responsabilidade solidária por ausência de interesse comum (art. 124, I do CTN).  Inaplicabilidade da solidariedade fundada em indícios.  Não configuração das hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN.  Ausência de indicação de ato concreto que justifique a responsabilização.  Exigência de prova de dolo ou culpa (Lei nº 8.620, de 1993, art. 13, parágrafo único).  Inconstitucionalidade da responsabilização automática de sócios (RE 562.276/STF) Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues:  Falta de responsabilidade pessoal como sujeito passivo solidário.  Ausência de prova de conduta dolosa específica.  Inaplicabilidade dos arts. 134 e 135 do CTN ao caso concreto.  Responsabilidade pessoal exige ato doloso qualificado (art. 135 do CTN).  Exigência de prova de dolo ou culpa (Lei nº 8.620, de 1993).  Precedente vinculante do STF (RE 562.276 - Repercussão Geral).  Ausência de lançamento tributário e de fatos geradores específicos. Fl. 3919DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 13 4.Submetido o feito a julgamento em sessão de 05.06.2019, a Resolução nº 2401- 000.735 determinou nova diligência, “com o objetivo de encaminhar os presentes autos para a 1ª Seção para que efetue o julgamento do Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão de Manifestação nº 0829.406 – proferido pela 6ª Turma da DRJ/FOR – fls. 3.737/3.745, que manteve a exclusão da empresa recorrente – GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES – do Sistema Simples Nacional, em conformidade com o Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/STR nº 095 retificado, de 26/02/2013, tendo em vista o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, Portaria nº 343/2015, que determina a competência da Primeira Seção de Julgamento para apreciação de recursos contra exclusão do Simples Nacional”; bem como para “restituir os autos para este Colegiado, para que também em face da competência regimental, possa realizar o julgamento do Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão de Impugnação às – Fls. 3.746/3.768”. 5.Em cumprimento ao quanto determinado, foram os autos distribuídos para julgamento perante a 1ª Seção do CARF. 6.É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator. 7.Os pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário interposto por GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA. EPP já foram atestados pela Resolução nº 2401- 000.735 e os Recursos Voluntários interpostos por EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA., FLORINDO MIGUEL CAJUELA RODRIGUES e JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES são tempestivos e atendem aos requisitos legais, razão pela qual deles conheço. 8.Esclareça-se, com respeito à Resolução nº 2401-000.735, de 05.06.2019, que houve a publicação da Portaria CARF ME n° 1.339, de 2001, atualmente incorporada ao art. 43, inciso IV do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 1.634, de 2023, que atribui à 1ª Seção de Julgamento competência para julgar exigências de créditos tributários decorrentes de exclusão do SIMPLES "independentemente da natureza do tributo exigido". Assim, os recursos voluntários serão integralmente apreciados nesta 1ª Seção de Julgamento. RECURSO DE GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA. EPP PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA 9.A Recorrente alega que a lavratura do auto de infração constituiu cerceamento de defesa e vício insanável, uma vez que a exigência das contribuições previdenciárias se deu antes do julgamento final da Manifestação de Inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples Nacional. Fl. 3920DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 14 10.Tal alegação, contudo, não pode prosperar. 11.Em primeiro lugar, a própria instância a quo consignou que a Manifestação de Inconformidade da Recorrente contra o ADE já foi analisada e julgada improcedente por meio de acórdão proferido na mesma sessão de julgamento. Portanto, no momento da apreciação recursal, a exclusão do Simples já foi mantida em primeira instância administrativa. 12.Em segundo lugar, a fiscalização, ao efetuar o lançamento, agiu em estrita obediência ao dever legal de constituir o crédito tributário, sob pena de decadência. O lançamento de ofício, previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), é atividade vinculada e obrigatória para a autoridade fiscal. O auto de infração cumpriu os requisitos legais de clareza, precisão e motivação jurídica, permitindo a ampla defesa e o contraditório à Recorrente, que exerceu seu direito por meio de impugnação. 13.A Recorrente menciona na peça recursal o parágrafo único do art. 23 da Lei Complementar nº 123, de 2006, que supostamente ostentaria a seguinte redação: 14.Entretanto, referido dispositivo se encontra assim redigido: Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. § 1º As pessoas jurídicas e aquelas a elas equiparadas pela legislação tributária não optantes pelo Simples Nacional terão direito a crédito correspondente ao ICMS incidente sobre as suas aquisições de mercadorias de microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional, desde que destinadas à comercialização ou industrialização e observado, como limite, o ICMS efetivamente devido pelas optantes pelo Simples Nacional em relação a essas aquisições. § 2º A alíquota aplicável ao cálculo do crédito de que trata o § 1º deste artigo deverá ser informada no documento fiscal e corresponderá ao percentual de ICMS previsto nos Anexos I ou II desta Lei Complementar para a faixa de receita bruta a que a microempresa ou a empresa de pequeno porte estiver sujeita no mês anterior ao da operação. § 3º Na hipótese de a operação ocorrer no mês de início de atividades da microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional, a alíquota aplicável ao cálculo do crédito de que trata o § 1º deste artigo corresponderá ao percentual de ICMS referente à menor alíquota prevista nos Anexos I ou II desta Lei Complementar. § 4º Não se aplica o disposto nos §§ 1º a 3º deste artigo quando: I - a microempresa ou empresa de pequeno porte estiver sujeita à tributação do ICMS no Simples Nacional por valores fixos mensais; Fl. 3921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 15 II - a microempresa ou a empresa de pequeno porte não informar a alíquota de que trata o § 2º deste artigo no documento fiscal; III - houver isenção estabelecida pelo Estado ou Distrito Federal que abranja a faixa de receita bruta a que a microempresa ou a empresa de pequeno porte estiver sujeita no mês da operação. IV - o remetente da operação ou prestação considerar, por opção, que a alíquota determinada na forma do caput e dos §§ 1º e 2º do art. 18 desta Lei Complementar deverá incidir sobre a receita recebida no mês. (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos § 5º Mediante deliberação exclusiva e unilateral dos Estados e do Distrito Federal, poderá ser concedido às pessoas jurídicas e àquelas a elas equiparadas pela legislação tributária não optantes pelo Simples Nacional crédito correspondente ao ICMS incidente sobre os insumos utilizados nas mercadorias adquiridas de indústria optante pelo Simples Nacional, sendo vedado o estabelecimento de diferenciação no valor do crédito em razão da procedência dessas mercadorias. (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos § 6º O Comitê Gestor do Simples Nacional disciplinará o disposto neste artigo. § 7º Para os exercícios de 2025 e 2026, o disposto no caput deste artigo não se aplicará à hipótese de apuração de crédito realizada a título de devolução total ou parcial de resíduo tributário remanescente na cadeia de produção de bens exportados, na forma prevista nos arts. 21 a 29 da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014. (Incluído pela Lei Complementar nº 216, de 2025) 15.Redação similar à indicada pela Recorrente, em verdade, era encontrada no § 3º do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, revogada pela indigitada Lei Complementar nº 123, de 2006, litteris: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) § 3º. A exclusão de ofício dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 16.De todo modo, não há previsão legal determinando a suspensão do prazo para constituição do crédito referente aos tributos devidos no regime normal, uma vez constatada a situação excludente que gera a retroatividade legal. A simples interposição de defesa no processo de exclusão não impede a fiscalização de promover o lançamento subsequente, contanto que se assegure a ampla defesa contra este, o que efetivamente ocorreu in casu. 17.A matéria, aliás, não comporta discussão desde a edição da Súmula CARF nº 77, assim enunciada: Súmula CARF nº 77 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 18.Portanto, não havendo preterição do direito de defesa ou vício insanável no procedimento fiscal, a preliminar deve ser rejeitada. Fl. 3922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 16 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL 19.A Recorrente insiste que a exclusão do Simples Nacional carece de base fática, negando a constituição por interpostas pessoas ou a equivalência de seus sócios à administração da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. 20.A exclusão se fundamentou em duas hipóteses claramente configuradas, previstas na LC 123/06: (i) constituição por interpostas pessoas (art. 29, IV) e (ii) participação de sócio administrador ou equiparado em outra pessoa jurídica com receita bruta global superior ao limite legal (art. 3º, § 4º, V). 21.O conjunto probatório coligido aos autos desconstitui a alegada independência e demonstra robustamente a existência de um grupo econômico de fato criado com o objetivo de usufruir indevidamente do benefício tributário. As constatações demonstram que a Recorrente estava subordinada à EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA, em uma relação de simulação:  Administração comum e interposição de pessoas: A alegação de que os sócios da Recorrente (irmãos Florindo e José Antônio) apenas "assinavam" pela Equipamentos Rodrigues por procuração devido à doença do pai é contrariada pela conclusão de que a outorga lhes conferia poderes para gerir e administrar. As notas de reuniões apreendidas indicam que os sócios controlavam de fato o grupo, inclusive orquestrando o registro de funcionários entre as empresas coligadas para redução de custos (artifício de geração de receita/custeio de despesas).  Confusão patrimonial e custeio: A Equipamentos Rodrigues custeou a atividade da Recorrente de forma abrangente, arcando com despesas como assistência médica, uniformes, materiais intermediários e honorários médicos para os trabalhadores da Recorrente. Houve, ainda, a admissão de ocupação de imóvel de propriedade dos sócios pessoas físicas da Recorrente sem cobrança de aluguel, caracterizando a confusão patrimonial.  Subordinação econômica: A Recorrente recebeu suporte financeiro por meio de adiantamentos e utilizava máquinas e equipamentos pertencentes ao ativo permanente da Equipamentos Rodrigues sem contrato formal de comodato, além de prestar quase a totalidade de seus serviços para a coligada. 22.A formação de um grupo econômico de fato, com o uso da Recorrente (optante pelo Simples) para encobrir a folha de pagamento e custos de uma empresa de maior porte (Equipamentos Rodrigues), caracteriza a infração prevista no art. 29, IV, da LC 123/06. A atuação dos sócios, que tinham poderes de gestão na Equipamentos Rodrigues, também atrai o óbice da receita bruta global (art. 3º, § 4º, V, LC 123/06). Fl. 3923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 17 23.Por conseguinte, os fundamentos de fato e de direito apresentados pela fiscalização e confirmados pela DRJ são suficientes para sustentar a manutenção da exclusão e a validade do lançamento subsequente. DOS EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO 24.A Recorrente pleiteia que, caso mantida a exclusão, seus efeitos sejam limitados ao mês subsequente ao da ciência do ADE, com base em jurisprudência e na Instrução Normativa SRF n° 355, de 2003. 25.Contudo, esta linha argumentativa desconsidera a especificidade legal da infração cometida. O art. 29, § 1º, da LC 123/06, é taxativo ao determinar que nas hipóteses de exclusão por ofício, como a constituição por interpostas pessoas (inciso IV), a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas. 26.O art. 144 do CTN estabelece que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador. No presente caso, os fatos geradores tributários ocorreram sob a égide da regra geral, uma vez que a Recorrente nunca preencheu os requisitos de permanência no regime simplificado, sendo o ADE apenas o ato administrativo declaratório dessa situação preexistente. Os fatos geradores (pagamento de remunerações e salários) ocorreram durante 2009 e 2010, mas a tributação sob o Simples Nacional (regime favorecido) só era válida se a empresa cumprisse permanentemente os requisitos legais. Isso porque constatou-se que a empresa nunca preencheu os requisitos de permanência devido à constituição por interpostas pessoas. 27.A alegação de aplicação da Instrução Normativa SRF n° 355/2003 e de precedentes judiciais fundados na legislação anterior (Lei nº 9.317, de 1996), citados no recurso, não se sobrepõe ao disposto de forma clara pela Lei Complementar nº 123, de 2006, que rege o Simples Nacional. Ademais, tratando-se de infração que implica simulação ou fraude (interposição de pessoas para gozo indevido de regime favorecido), a retroatividade é a regra imposta pelo legislador para restabelecer a tributação correta desde o início da irregularidade. A manutenção dos efeitos retroativos é plenamente legítima e está em consonância com o ordenamento jurídico. DA COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS NO SIMPLES 28.A Recorrente requer, sucessivamente, a compensação dos valores recolhidos via Simples Nacional (DAS) com o débito de Contribuições Previdenciárias Patronais ora exigido. Defende que o Simples é um sistema de recolhimento, e não um novo tributo, o que permitiria o encontro de contas. 29.Com razão a Recorrente. De fato, o inciso VI do artigo 13 da Lei Complementar nº 123, de 2006, é de meridiana clareza ao estatuir que o regime do Simples Nacional implica no recolhimento mensal da “Contribuição Patronal Previdenciária - CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991”. Fl. 3924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 18 30.Conseguintemente, as parcelas recolhidas na sistemática do SIMPLES NACIONAL, correspondentes à contribuição previdenciária patronal devem ser deduzidas do valor do débito lançado nos presentes autos, nos termos da Súmula CARF nº 76, que, embora tenha sido concebida à luz de precedentes que apreciaram a adesão ao regime do Simples estabelecido pela Lei nº 9.317, de 1996 (Simples Federal), tem seu racional plenamente aplicável ao caso dos autos: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) DA MULTA QUALIFICADA 31.A Recorrente defende a redução da multa para 75%, argumentando que a qualificação a 150% se baseou em presunção e em imputação genérica, sem prova cabal de fraude ou dolo, citando a divergência do julgador vencido na DRJ. 32.O Termo de Constatação Fiscal de fls. 3546/3561 aponta as seguintes razões que conduziram à qualificação da penalidade: 9 - DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Conforme demonstrado na Representação Fiscal de fls.3280 à 3333, processo administrativo n.16004.720053/2012-92, ficou evidente que os administradores intencionalmente permitiram e agiram ao longo dos anos de forma a disfarçar a existência de uma verdadeira atividade da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP. Com tal conduta, ficou caracterizado a simulação, que tais atos foram praticados com infração de lei. Os documentos juntados ao processo n.16.004.720053/2012-92 demonstram que a empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP, optante pelo Simples Nacional, não assumiu o risco de sua atividade econômica, sendo ela, subordinada à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda tanto em sua administração quanto em seu custeio, visando, portanto, fraudar a Administração Tributária simulando aparência de existência de uma verdadeira atividade, de empresa independente que atua livremente no mercado. Ou seja, a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda se utiliza da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP, como forma de encobrir fatos geradores por ela realizados, para impedir ou dificultar que a Fazenda Pública lhe exija a obrigação tributária. Em decorrência dos fatos constatados, elevamos a multa de oficio para 150%, incidente sobre os valores das contribuições devidas, em cumprimento ao que determina o parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei n.9.430, de 1996, por restar configurado que a empresa fiscalizada agiu com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da Autoridade Fazendária, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, mediante os atos praticados por seus dirigentes, visando como resultado o não pagamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados. Transcrevemos abaixo o parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei n.9.430, de 1996: (...) Fl. 3925DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 19 Ressalte-se que qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, COM vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. 33.Como se vê, a aplicação da multa qualificada não foi meramente presuntiva, mas sim o resultado das provas robustas que indicaram o evidente intuito de fraude. A simulação de independência da empresa, com a constituição por interpostas pessoas e o uso da Recorrente como centro de custo de mão de obra para a Equipamentos Rodrigues, visava diretamente a impedir ou retardar o conhecimento do Fisco sobre o real fato gerador das contribuições previdenciárias patronais devidas pela Equipamentos Rodrigues. 34.Esta conduta dolosa se enquadra perfeitamente na definição de fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, que se caracteriza pela ação ou omissão dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador para reduzir o montante devido. A existência de um planejamento explícito, documentado em notas de reunião apreendidas, que sugere a transferência de funcionários entre as empresas coligadas para redução de custos, demonstra a materialidade do dolo e da simulação. A interposição de pessoas e o controle fático de um grupo econômico, neste contexto, são suficientes para a qualificação da penalidade. 35.Não obstante, verifica-se que o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9430, de 1996, foi alterado pela Lei nº 14.689, de 2023, com acréscimo dos incisos VI, VII e §§ 1º-A e 1º-C, passando o dispositivo a ostentar o seguinte enunciado: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-B. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) Fl. 3926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 20 § 1º-C. A qualificação da multa prevista no § 1º deste artigo não se aplica quando: (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) I – não restar configurada, individualizada e comprovada a conduta dolosa a que se referem os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) II – houver sentença penal de absolvição com apreciação de mérito em processo do qual decorra imputação criminal do sujeito passivo; e (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) III – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-D. (VETADO); (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) (...) 36.Desse modo, a penalidade, que antes alcançava 150% em decorrência da dobra do percentual de 75% prescrito pelo inciso I do artigo 44, foi reduzida para 100%, conforme estabelecido pelo novel inciso VI. 37.Adicionalmente, a fiscalização não enveredou, por não constituir fator relevante à época, na perquirição da ocorrência de reincidência da conduta infracional, conforme estatuído pelo inciso VII e § 1-A. 38.Diante dessas circunstâncias, deve ser reconhecida a redução do percentual da multa para 100%, por conta da aplicação do princípio da retroatividade benigna de que trata a letra “c” do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC 39.A Recorrente contesta a aplicação da Taxa SELIC, alegando sua natureza remuneratória, ausência de lei específica e inconstitucionalidade. 40.De início, anote-se que, nos termos do artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, conforme, aliás, disposto na Súmula CARF nº 21 e no artigo 98 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 1.634, de 21.12.20232. 41.O artigo §3º do 61 c/c §3º do artigo 5º da Lei nº 9.430, de 1996, é suficientemente elucidativo ao dispor sobre a aplicação da SELIC. Confira-se: 1 Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 2 RICARF: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto”. Fl. 3927DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 21 Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 42.No mais, a aplicação da taxa SELIC já se encontra pacificada conforme orientação da Súmula CARF nº 4. Confira-se: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). DOS JUROS SOBRE A MULTA 43.Por fim, a Recorrente argumenta que a multa não é tributo (art. 3º do CTN) e que a legislação não prevê a incidência de juros (SELIC) sobre penalidades pecuniárias, mas apenas sobre tributos. 44.Entretanto, a liceidade da incidência dos juros sobre a multa de ofício já se encontra superada com edição da Súmula CARF nº108, a saber: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 45.Por via de consequência, nada a prover no ponto combatido. RECURSO DE EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA 46.Inicialmente, refuta-se a alegação da Recorrente que, ao questionar o débito, insinua a nulidade do lançamento. O crédito tributário em questão é o valor total das Fl. 3928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 22 Contribuições Previdenciárias Patronais (20% CPP e GIILRAT) devidas pela Galego Implementos após sua exclusão retroativa do Simples Nacional. 47.O lançamento cumpriu todas as formalidades legais e identificou de forma clara e precisa os fatos geradores e o período (01/2009 a 13/2010), baseando-se nas remunerações declaradas pela própria contribuinte em GFIP. Ademais, a exclusão da empresa Galego do Simples Nacional foi mantida por decisão anterior, confirmando a ocorrência das infrações legais que autorizam a desconsideração do benefício fiscal e a cobrança da dívida previdenciária. 48.Dessa maneira, o crédito tributário existe e o debate se restringe, unicamente, à legitimidade da Recorrente em responder solidariamente por ele. 49.A fiscalização apurou, mediante robusta prova material, a constituição de pessoa jurídica (Galego Implementos para Transportes Ltda. EPP.) por interpostas pessoas e o controle e custeio total de sua atividade por outra empresa (Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda.), com o intuito deliberado de dissimular o real fato gerador e usufruir indevidamente do regime simplificado (SIMPLES Nacional). Tal conduta, que caracteriza simulação e infração à lei, impõe a exclusão retroativa da empresa do regime. 50.A verificação de administração comum, confusão patrimonial, socorros financeiros pontuais para honra de compromissos essenciais (incluindo folha de salários) e cessão gratuita de ativos essenciais para a produção, configura inequivocamente grupo econômico de fato. Em matéria previdenciária, empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelas obrigações, ex vi do disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) 51.A Recorrente alega que não havia comunhão de interesses ou administração, enfatizando a separação física (endereços distintos) e societária formal (ingresso posterior a 2011). Tais argumentos não podem prosperar diante da prova material que demonstra a simulação e o controle de fato exercido pela Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. sobre a Galego Implementos para Transportes Ltda. EPP. 52.De acordo com o inciso VII do art. 149 do CTN, o lançamento pode ser efetuado “quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação”. A fiscalização demonstrou que as formalidades (endereços e datas contratuais) foram meramente utilizadas para criar uma aparência de independência. Apesar da alegação de ingresso tardio em 2011, os Srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues atuaram, durante todo o período autuado (2009-2010), como procuradores da Recorrente com amplos poderes para gerir e administrar a empresa, enquanto eram Fl. 3929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 23 simultaneamente sócios-gerentes da Galego Implementos. Isso demonstra que a direção e o comando eram unificados em duas figuras centrais, caracterizando a administração comum do grupo. 53.A prova mais contundente da subordinação reside no fato de que a Galego Implementos não assumiu o risco de sua atividade econômica. Ela não possuía as máquinas e equipamentos essenciais (soldas, tornos, empilhadeiras, tratores) para sua atividade. Tais bens pertenciam à Recorrente (ERR) e eram cedidos mediante mero acordo verbal. 54.Além disso, a Recorrente custeou integralmente despesas vitais da Galego, como telefone, assistência médica e odontológica, uniformes, EPIs, materiais de higiene e limpeza, e honorários médicos. 55.A alegação de que a relação era meramente comercial ou que não havia exclusividade é contrariada pela constatação de que a Galego Implementos prestava serviços “quase que exclusivamente” (92,49% em 2009) para a Recorrente, agindo como um “setor interno de mão de obra” da Recorrente. 56.A Recorrente alega a ausência de prova de fraude ou dolo. Contudo, a prova documental apreendida, inclusive em Mandado de Busca e Apreensão, demonstra a intenção deliberada de fraude. Foram encontrados documentos internos (convocações para reunião) que sugeriam “Reduzir o número de funcionários registrados na Carrocerias e registrá-los em outra coligada (Ex: Galego Implementos)", evidenciando um planejamento de evasão fiscal que utilizava as empresas optantes pelo Simples Nacional para "equilibrar a situação" do grupo. 57.A Recorrente detinha o controle total da folha de pagamento dos trabalhadores vinculados à Galego, inclusive para depósitos de 13º salário. A finalidade de todo o arranjo era inegavelmente a busca por redução de custos, utilizando o Simples Nacional para que a Contribuição Previdenciária Patronal fosse substituída por percentual sobre o faturamento, via de regra, inferior ao cálculo sobre a folha de pagamento. 58.Tais elementos demonstram um ajuste doloso entre as pessoas jurídicas e físicas, caracterizando simulação e fraude, afastando a tese de simples presunção e configurando a infração à lei. 59.Já o conceito de interesse comum (art. 124, I, do CTN) abrange as pessoas que “que tenham interêsse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. No caso concreto, a Recorrente (ERR) tinha interesse comum e direto na situação que constituiu o fato gerador (o pagamento de remunerações aos trabalhadores da Galego) porque:  Benefício direto: O trabalho realizado pelos empregados formalmente ligados à Galego era revertido exclusivamente para a produção da Equipamentos Rodrigues.  Evasão da CPP: A ERR se beneficiava diretamente do regime Simples da Galego, pois, se os trabalhadores estivessem em sua folha (como deveriam Fl. 3930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 24 estar, dada a subordinação), a ERR teria de arcar com os 20% de CPP e o GIILRAT.  Controle financeiro: A ERR era quem provia o suporte financeiro pontual para que a Galego honrasse justamente os encargos sociais e salários que constituíam o fato gerador. 60.Deste modo, a Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. participou ativamente do arranjo que tornou possível a ocorrência do fato imponível sem o respectivo recolhimento, caracterizando a solidariedade também pelo interesse comum. 61.A Recorrente, ao citar o art. 135 do CTN, aduz não ter havido excesso de poderes ou infração de lei. Entretanto, a responsabilidade da Recorrente, como pessoa jurídica beneficiada, é primariamente solidária (art. 124, I, CTN e art. 30, IX, Lei nº 8.212, de 1991). No que toca ao interesse comum, necessário ressaltar que a imputação da responsabilidade da Recorrente se consolida pela conduta de seus administradores, que agiram com infração à lei. 62.O arranjo simulado (criação e custeio da Galego como "empresa satélite" para burlar o Simples Nacional) configura infração à Lei Complementar nº 123, de 2006, e ao princípio de que a empresa deve assumir os riscos de sua atividade econômica (art. 2º da CLT e art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991). 63.Em conclusão, constata-se que a fiscalização demonstrou, de forma detalhada e robusta, a existência de um ardil orquestrado para desvirtuar a legislação do Simples Nacional e suprimir o recolhimento das contribuições previdenciárias patronais devidas, utilizando-se da Recorrente como verdadeira manus longus da Recorrente (Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda.). 64.A alegação de que a relação era meramente comercial e que as empresas eram distintas é contrariada pela farta prova material apurada durante a auditoria fiscal, que evidenciou a subordinação e a dependência econômica e administrativa da autuada em relação à Recorrente. 65.A prova do grupo econômico de fato reside em elementos concretos:  Administração comum e interposição de pessoas: A empresa autuada (Galego) foi constituída por procuradores que eram, de fato, administradores da Recorrente. Os documentos fiscais e as notas de reuniões apreendidas revelam o controle total e a administração comum das operações, inclusive o planejamento para movimentar funcionários entre as empresas do grupo, como forma de gerenciar o fluxo de caixa e a carga tributária. A Recorrente detinha inclusive o controle da folha de pagamento da autuada.  Custeio e suporte operacional integral: A Recorrente custeou as despesas essenciais da autuada, absorvendo encargos que deveriam ser próprios da empresa prestadora de serviços. Isso inclui telefone, assistência médica e Fl. 3931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 25 odontológica, uniformes, Equipamentos de Proteção Individual (EPI), materiais de higiene e limpeza, materiais intermediários, e honorários médicos admissionais/demissionais. Ademais, a Recorrente forneceu máquinas e equipamentos essenciais do seu Ativo Permanente para a execução dos serviços, mediante mero acordo verbal e sem contrato de comodato, indicando a fusão operacional dos recursos.  Confusão patrimonial e financeira: Foram identificados “socorros financeiros” e adiantamentos pontuais fornecidos pela Recorrente para que a autuada pudesse honrar compromissos, incluindo o pagamento de encargos sociais. Além disso, a autuada utilizava, de forma gratuita, imóvel pertencente aos seus sócios pessoas físicas, o que revela confusão patrimonial admitida inclusive pela defesa.  Exclusividade da prestação de serviços: Os serviços executados pela autuada foram realizados de forma quase total para atender aos interesses exclusivos da Recorrente (Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda.), evidenciando que a Galego Implementos não operava livremente no mercado. Esporádicos trabalhos realizados para terceiros não tem o condão de mitigar este elemento probatório. 66.A existência de tais elementos afasta a tese de mera presunção sustentada pela Recorrente. O arcabouço probatório demonstra, inequivocamente, a constituição fraudulenta do esquema visando dissimular a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias patronais, aproveitando-se indevidamente do regime do Simples Nacional. 67.os termos da legislação previdenciária, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza (de fato ou de direito) respondem solidariamente pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212, de 1991 (art. 30, inciso IX). A solidariedade tributária também se configura com base no Código Tributário Nacional (CTN):  Interesse comum (art. 124, I, CTN): O interesse comum não se restringe à participação no lucro ou ao quadro societário formal, mas sim à participação na situação que constitui o fato gerador. No caso, a Recorrente possuía interesse direto e comum em que a autuada mantivesse o status de optante pelo Simples Nacional, pois era a real beneficiária da mão-de-obra e da redução do custo previdenciário (20% de CPP e GIILRAT) em sua cadeia produtiva, garantindo assim sua vantagem econômica e a supressão do tributo.  Infração de lei (art. 135, CTN): Mesmo que a Recorrente alegue não ter tido ingerência formal no período, a fiscalização demonstrou que os administradores da Recorrente (Florindo e José Antonio) atuaram diretamente na administração da autuada (Galego). A responsabilidade Fl. 3932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 26 solidária se estende a quem, de fato, administra a pessoa jurídica, mesmo que seus poderes não constem expressamente no contrato social. Ao permitirem que a Galego fosse administrada e custeada pela Recorrente, visando o benefício tributário ilegal, os administradores praticaram atos com infração de lei. A responsabilidade da Recorrente, como pessoa jurídica beneficiada, é suportada pelos dispositivos citados (art. 124, I, CTN e art. 30, IX, Lei nº 8.212, de 1991), enquanto a dos administradores se fundamenta no art. 135, III do CTN. 68.Portanto, a alegação de que os sócios da Recorrente só ingressaram formalmente após o período fiscalizado (em fevereiro de 2011) não elide a responsabilidade, pois a fiscalização demonstrou que a administração era exercida em comum e a subordinação fática existiam durante todo o período autuado (01/2009 a 13/2010), mediante atuação como procuradores e agentes de fato. 69.Dessarte, a responsabilidade atribuída à Recorrente deve ser prestigiada. RECURSOS DE FLORINDO RODRIGUES e JOSÉ ANTONIO RODRIGUES 70.Os recursos de FLORINDO MIGUEL CAJUELA RODRIGUES e JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES apresentam argumentação substancialmente idêntica, que será apreciada conjuntamente. 71.As condutas atribuídas aos Recorrentes, que motivaram a sua responsabilização solidária e pessoal, decorrem principalmente de sua atuação concomitante na administração das empresas envolvidas e da prática de atos que configuram simulação, fraude, infração à lei e interesse comum no fato gerador. 72.De acordo com o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 3562/3627, a responsabilidade tributária foi atribuída com fundamento nos artigos 124, inciso I (interesse comum no fato gerador) e 135, inciso III (atos praticados com infração à lei) do Código Tributário Nacional (CTN), a partir das seguintes condutas:  Administração comum e controle (infração à lei e grupo econômico de fato): As provas demonstraram que ambos os Recorrentes exerciam controle e direção sobre as empresas envolvidas, o que permitiu a orquestração da fraude fiscal: o Duplo papel de gestão: Ambos atuaram como sócios-gerentes da empresa autuada (Galego Implementos para Transportes Ltda EPP) desde 17.07.2002. Simultaneamente, possuíam procurações com amplos poderes para gerir e administrar a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda (ERR) desde 16.08.2000. A partir de 01.02.2011, tornaram-se sócios-administradores da ERR. Fl. 3933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 27 o Centralização do controle: Os documentos apreendidos (HDs e convocações para reunião) demonstraram a total centralização no controle e administração da Galego Implementos pela administração da ERR. o Ato de simulação: Ambos, na qualidade de administradores de fato e de direito da ERR e sócios-gerentes da Galego, intencionalmente permitiram e agiram de forma a disfarçar a verdadeira atividade da Galego Implementos. Esta conduta revelou o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades fazendárias, configurando simulação e fraude. o Direcionamento da mão de obra: Um documento apreendido (Convocação para reunião datada de 08.02.2007, fls. 2516/2530) sugere a intenção de “Reduzir o número de funcionários registrados na Carrocerias e registrá-los em outra coligada (Ex: Galego Implementos)". O "Dr. Florindo" (Florindo Miguel Cajuela Rodrigues) sugeriu que a Carrocerias Votuporanga começasse a faturar serviços para a Equipamentos (ERR), "Semelhante ao que ocorre hoje com a Galego Implementos", para gerar receita e custos/despesas na ERR, demonstrando o conhecimento e participação direta de Florindo no esquema de disfarce: [...]  Atos de gestão com infração de lei (art. 135, III, do CTN): A infração de lei decorreu do fato de terem permitido que a Galego Implementos, optante pelo Simples Nacional, fosse utilizada para obter benefício tributário ilegal (evasão fiscal), pois ela não assumia os riscos da atividade econômica. Os atos específicos de gestão que caracterizam esta infração incluem: Fl. 3934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 28 o Custeio pela ERR: Permitiram que a Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. (ERR) custeasse integralmente a atividade da Galego Implementos, assumindo despesas que deveriam ser da Galego, tais como:  Assistência médica e odontológica (UNIMED/UNIODONTO): Os custos dos serviços prestados pela UNIMED e UNIODONTO aos trabalhadores da Galego foram assumidos e escriturados na contabilidade da ERR.  Materiais de trabalho e segurança: A ERR adquiriu e forneceu materiais de proteção, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), uniformes e materiais de higiene e limpeza utilizados pelos trabalhadores da Galego, mas os custos foram lançados na contabilidade da ERR.  Honorários médicos: A ERR arcou com os honorários médicos do Dr. Luiz Roberto Meneghin, coordenador do PCMSO, responsável pelos exames admissionais e demissionais dos empregados da Galego.  Despesas de Comunicação: As despesas de telefone e internet da linha utilizada pela Galego constavam em nome e eram pagas pela ERR. o Suporte financeiro e confusão patrimonial: Autorizaram o fornecimento de adiantamentos pontuais e vitais de recursos financeiros da ERR (classificados como "Adiantamentos a Fornecedor" na ERR) para a Galego Implementos, notadamente para que esta pudesse honrar a folha de salários, FGTS, INSS e demais encargos sociais. o Uso de ativos essenciais: Permitiram o acordo verbal para que os trabalhadores da Galego Implementos utilizassem máquinas e equipamentos (como máquinas de solda, tornos, empilhadeiras e trator) de propriedade da ERR, ativos indispensáveis para a execução dos serviços (industrialização de produtos).  Interesse comum no fato gerador (art. 124, I, do CTN): O interesse comum reside no fato de que os sócios e administradores de ambas as empresas se beneficiaram diretamente da situação que gerou a obrigação tributária (o pagamento de remunerações com encargos previdenciários reduzidos via Simples). Fl. 3935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 29 o Finalidade da Galego: A empresa Galego foi constituída de forma a disfarçar a real atividade e a encobrir fatos geradores realizados pela ERR, visando impedir que a Fazenda Pública exigisse a obrigação tributária correta. o Benefício da evasão: A ERR foi beneficiada diretamente pela conduta ilícita de seus administradores, através da contratação simulada de empregados pela Galego, que, por ser optante pelo Simples, tinha a contribuição previdenciária patronal substituída por um percentual sobre o faturamento, resultando em valores inferiores aos incidentes sobre a folha de pagamento da ERR. o Exclusividade dos serviços: Os serviços executados pelos trabalhadores da Galego (soldadores, torneiros, operadores, etc.) foram prestados de forma quase exclusiva para atender aos interesses da ERR, tanto na fabricação de seus produtos, quanto em serviços de reparos para os clientes da ERR. 73.Bem se vê, pois, que a vasta prova materializada nos autos revela que enquanto José Antonio participou integralmente de todas as condutas de gestão ilícita, a documentação apreendida confere a Florindo a atribuição específica de sugerir e arquitetar o uso da Galego Implementos como veículo de evasão fiscal por meio da alocação de pessoal e custos. Vale dizer, a sujeição passiva dos Recorrentes não decorre de mera presunção, mas sim da comprovação exaustiva do seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador (art. 124, I, do CTN) e da prática de atos com infração manifesta da lei (art. 135, III, do CTN). 74.Os Recorrentes, como sócios-gerentes da empresa Galego Implementos, e simultaneamente procuradores com amplos poderes de gestão, e posteriormente sócios- administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda (ERR), atuaram diretamente para a composição do grupo econômico de fato, visando a obtenção de uma vantagem econômica ilícita. 75.Os elementos que comprovam o interesse comum e a subordinação de Galego à ERR são sólidos e irrefutáveis, transcendendo a mera coexistência de empresas. Portanto, o interesse comum é patente: os Recorrentes e a empresa ERR se beneficiaram da situação fática (a utilização da Galego, optante pelo Simples Nacional, com custos previdenciários reduzidos) que gerou o fato imponível (a remuneração da mão de obra). 76.Em adição, verifica-se que a conduta dos Recorrentes não foi de mero inadimplemento (falta de pagamento), mas sim de fraude e simulação, atos tipificados como infração à lei. A constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa para disfarçar o verdadeiro empregador e, consequentemente, afastar as contribuições previdenciárias patronais, configura o ilícito qualificado exigido para a aplicação do art. 135 do CTN. Fl. 3936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 30 77.Ao permitir que a Galego Implementos fosse custeada, administrada e utilizada como uma "fachada" (ou “empresa de passagem”) para a ERR, os Recorrentes agiram com propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pela autoridade fazendária, enquadrando-se nas condutas definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação, fraude ou conluio). Esta conduta é, em si, a infração de lei que atrai a responsabilidade pessoal dos administradores sob o art. 135, III, do CTN. 78.Dessa forma, o entendimento firmado pelo STF no RE nº 562.276, que exige o ilícito qualificado para a responsabilização do administrador, é plenamente atendido no caso concreto, visto que a fraude e a simulação foram comprovadas por um extenso acervo probatório. A responsabilidade pessoal, neste contexto, é a consequência que decorre ao administrador por sua atuação ilícita, não sendo necessário aguardar a insuficiência patrimonial da pessoa jurídica para sua inclusão no polo passivo (benefício de ordem não prevista na legislação tributária). CONCLUSÃO 79.Pelo exposto e por tudo mais que dos autos consta, rejeito a preliminar de nulidade, e, no mérito, dou provimento parcial aos recursos para determinar que as parcelas recolhidas na sistemática do SIMPLES correspondentes à contribuição previdenciária patronal sejam deduzidas do valor do débito lançado nos presentes autos; e (ii) reduzir a multa de ofício para 100%. Assinado Digitalmente Jandir José Dalle Lucca VOTO VENCEDOR Conselheira Edeli Pereira Bessa, redatora designada O I. Relator restou vencido em seu entendimento favorável à responsabilização de Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues com fundamento no art. 124, I do CTN. A maioria do Colegiado compreendeu que a responsabilidade tributária que lhes foi imputada deveria ser mantida com base, apenas, no art. 135, III do CTN. Isto porque a acusação fiscal em favor da existência de interesse comum bem demonstrou a integração das atividades da Contribuinte com Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e a administração das empresas por Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, mas, com respeito à caracterização do “interesse comum”, apenas o deduziu das constatações que justificaram aquelas imputações, inclusive consignando que: Logo, soa óbvio que a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e seus administradores tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos Fl. 3937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 31 geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portanto, solidariamente obrigadas e pessoalmente responsáveis pelo pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 124, inciso I e 135 do CTN. Em preliminar da acusação fiscal, a autoridade lançadora expõe conceitos de “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” e destaca: Os referidos conceitos “todas por uma ou uma por todas”, “mutualidade de interesses”, “ligação mútua”, “comunhão de atitudes” se aplicam perfeitamente à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e seus administradores na condução dos negócios da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP, pois os mesmos, visando driblar o Fisco com propósito de ocultar informações que demonstram quem de fato administrou e custeou assumindo os riscos da atividade econômica, realizaram conjuntamente a situação a dissimular a ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias patronais com o objetivo do benefício tributário pelo não pagamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados. Ou seja, a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda se utiliza da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP, como forma de encobrir fatos geradores por ela realizados, para impedir ou dificultar que a Fazenda Pública lhe exija a obrigação tributária. É a caracterização do interesse comum. Na sequência, são expostas as constatações acerca da dependência da Contribuinte em relação a Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e a realização conjunta das atividades segregadas apenas documentalmente entre elas, inclusive com pagamento de suas despesas com recursos daquela empresa, e utilização dos equipamentos daquela para prestação de seus serviços, para além da utilização, por aquela, de serviços de empregados registrados na Contribuinte. Diante destas evidências, a autoridade lançadora conclui que Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda seria sócia de fato da Contribuinte, mas nada diz acerca de qualquer benefício direto auferido por Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues em relação aos fatos apurados. Registre-se, inicialmente, que com respeito à responsabilização de pessoas físicas, não se vislumbra vinculação ao que consolidado na jurisprudência deste Conselho, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 210 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. Fl. 3938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 32 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. Acórdãos Precedentes: 9202-007.682; 9202-010.131; 9202-010.178. (destacou-se) Assim, apesar de o art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91 estar referido na acusação fiscal, é possível, aqui, demandar a necessidade de demonstração do interesse comum a que alude o art. 124, inciso I do CTN, mormente tendo em conta que os responsáveis pessoa física integram o quadro social da Contribuinte. Em circunstâncias semelhantes, esta Conselheira já teve a oportunidade de solucionar divergência jurisprudencial apresentada pela Fazenda Nacional, em busca de maior alcance do art. 124, I do CTN para responsabilização de sócio-administrador, o que não foi reconhecido no voto, acolhido à unanimidade3, no Acórdão nº 9101-007.181: No mérito, o acórdão recorrido não merece reparos. A condição de sócio- administrador em parte do período autuado permitiria a responsabilização com fundamento no art. 135, III do CTN, se demonstrada infração de lei, estatuto ou contrato social, e no presente caso a multa qualificada foi mantida no contencioso administrativo. Já a responsabilidade com fundamento no art. 124, I do CTN demanda a realização conjunta do fato gerador, em regra demonstrada a partir do proveito extraído dos fatos econômicos que foram suprimidos da tributação. Neste sentido, inclusive, esta Conselheira votou por afastar a responsabilidade imputada a Heber Participações S/A no paradigma nº 1201-001.640, assim se manifestando no Acórdão nº 9101-004.382, proferido depois da interposição do presente recurso especial: Acrescento, ainda, que também acompanhei o I. Relator em suas conclusões acerca da exclusão de responsabilidade de Heber Participações S/A porque, embora admita o art. 124, I, do CTN como fundamento para inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária – em especial quando o contribuinte realiza fatos geradores em conjunto com sócio ou terceira pessoa, física ou jurídica, que não desfruta, em razão da anormalidade das operações, da proteção ao seu patrimônio assegurada por vínculo contratual ou de representação regular –, no presente caso a acusação fiscal se pauta, apenas, no fato de a responsável ser controladora da autuada, a infração ter sido cometida de forma dolosa e aquela pessoa jurídica ter se beneficiado direta e majoritariamente da redução ilícita da carga fiscal da Tinto Holding, seja por ter recebido dividendos calculados sem levar em conta os tributos fraudulentamente evadidos pela investida [...] seja por ter reconhecido um resultado de equivalência patrimonial superior ao que seria licitamente devido. Neste sentido já me manifestei no voto condutor do acórdão que apreciou recursos de ofício e voluntário interpostos nos autos do processo administrativo nº 10980.722164/2012-09, não só quanto à exclusão da responsabilidade de 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Fl. 3939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 33 sociedade de participação controladora da contribuinte autuada, como também no que se refere à possibilidade de imputação de responsabilidade tributária a outra pessoa jurídica com fundamento no art. 124, I do CTN. Para maior clareza, reproduzo abaixo os excertos nos quais tais temas são tratados, com destaque dos fundamentos que conduzem, também aqui, à exclusão da responsabilidade tributária de Heber Participações S/A: CBL – Cia Brasileira de Logística S/A apresenta em seu recurso voluntário os mesmos argumentos deduzidos em impugnação, apenas retificando seu objeto social para as atividades de armazenagem e operação portuária e asseverando que não realiza comercialização de produtos agrícolas. Disse a autoridade julgadora de 1 a instância, com amparo na acusação fiscal: Na impugnação que apresentou contra a responsabilidade solidária que lhe foi irrogada, além das alegações comuns a outras impugnações, já apreciadas, a pessoa jurídica CBL – COMPANHIA BRASILEIRA DE LOGÍSTICA S/A argumenta que, nas poucas vezes em que foi citada no Termo de Confusão Patrimonial, trata-se de operações totalmente legais e registradas que foram retiradas de Livro Caixa ou registros imobiliários. Enfatiza que atua em segmento comercial diverso da autuada, razão pela qual não há centralização gerencial. Reclama que a Solo Agrícola foi atuada em razão de suposta irregularidade tributária na venda de soja para exportação, enquanto opera no ramo de geração de energia elétrica (?). A alegação não procede. Com efeito, restou evidenciado que as receitas da autuada – fatos geradores dos tributos exigidos nestes autos – decorrem integralmente da venda de grãos existentes no interior das instalações da impugnante CBL – COMPANHIA BRASILEIRA DE LOGÍSTICA S/A, e que lá não foram depositados pela autuada Solo Agrícola Ltda. Ademais, parcelas expressivas dos valores arrecadados foram transferidos diretamente das contas da autuada para a impugnante CBL – COMPANHIA BRASILEIRA DE LOGÍSTICA S/A, o que autoriza a convicção inabalável de que esta tinha interesse comum – talvez a principal interessada – na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, situação determinante da solidariedade, nos termos do art. 124 do CTN. Confiram-se abaixo os valores que, segundo a escrituração da autuada, teriam sido repassados à CBL, diretamente ou em pagamento de obrigações suas: [...] É inequívoco, portanto, que a impugnante CBL – COMPANHIA BRASILEIRA DE LOGÍSTICA S/A deve ser mantida na condição de responsável solidária dos débitos da autuada. Estes fatos não foram contraditados na defesa da recorrente. Volta a insistir que atua em segmento comercial diverso da autuada principal, mas nada traz especificamente para esclarecer as inúmeras operações financeiras realizadas entre a Solo Agrícola Ltda e ela, como acusado no Termo de Confusão Patrimonial, e detalhado nos documentos acima referenciados. No mais, cabe apenas esclarecer que: Fl. 3940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 34 Falta de fundamentação no Termo de Sujeição Passiva Solidária: referido termo prestou-se a cientificar a recorrente dos atos processuais lavrados no procedimento fiscal, dentre os quais o Termo de Verificação Fiscal e o Termo de Confusão Patrimonial, no qual estas pessoas são responsabilizadas em razão da inexistência de “autonomia patrimonial” entre as SOCIEDADES do Grupo Interalli, e tendo em conta a inexistência de bens e direitos do autuado suficientes para garantia do crédito tributário, com base nos artigos 124 e 135 da Lei nº 5.172/66 combinado com o art. 50 da Lei 10.406/02, como exposto também no Termo de Verificação Fiscal; Disposições do art. 50 do Código Civil: referido dispositivo legal não impede o Fisco de produzir prova a ser levada ao Poder Judiciário em sede de execução fiscal; Impossibilidade de caracterização de grupo econômico com fundamento no art. 124, I do CTN: a acusação fiscal extensamente aborda as investigações policiais no sentido de que a responsável operou irregularmente com grãos de reserva técnica, e restou constatada a venda destes produtos pela autuada sem que outra origem externa lhes fosse atribuída. Expressamente são apontadas as autorizações assinadas por Fabrício Slaviero Fumagalli para movimentação das cargas de produtos agrícolas, dirigidas à CBL, autorizando a transferência dos produtos para as adquirentes que transacionaram com a autuada, evidenciando o domínio sobre as tomadas de decisões e sobre os frutos da lucratividade decorrente do grupo econômico, montando mediante “confusão patrimonial” com a finalidade precípua de obstaculizar o trabalho do Fisco. Além disso, a circulação de valores entre as empresas está demonstrada, a caracterizar a realização conjunta da situação que configura o fato gerador, suscitada pela recorrente como necessária para a imputação de responsabilidade. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de CBL – Cia Brasileira de Logística S/A. Firenze Energética S/A apresenta recurso voluntário com argumentos semelhantes aos deduzidos por CBL – Cia Brasileira de Logística S/A. Apenas destaca que atua na produção de energia elétrica e não tem qualquer vínculo com comércio de produtos agrícolas. Ressalta que não é mencionada no Termo de Confusão Patrimonial, e que a decisão recorrida estabeleceu sua responsabilidade em face de créditos tributários de mais de R$ 16 milhões em razão de uma dívida sua, com a autuada, de R$ 686.685,35. Acrescenta que seu imobilizado representará cerca de R$ 40 milhões, mostrando-se insignificante o mútuo contraído com a autuada; observa que não poderia contribuir para a realização conjunta do fato gerador porque atua em outro ramo de atividade; e finaliza recordando o reconhecimento da espontaneidade da autuada principal. A autoridade julgadora de 1 a instância assim argumentou para rejeitar a impugnação desta responsável: Na impugnação que apresentou contra a responsabilidade solidária que lhe foi irrogada, além das alegações comuns a outras impugnações, já apreciadas, a pessoa jurídica FIRENZE ENERGÉTICA S/A tece considerações Fl. 3941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 35 acerca de sua atividade social e afirma que sua única unidade geradora de energia está localizada em Nortelândia, Estado do Mato Grosso, a mais de dois mil quilômetros de distância, e enfatiza a inexistência de vínculo com o comércio de produtos agrícolas. Afirma que a inexistência de responsabilidade solidária é tão evidente que sequer há alguma menção a seu respeito no Termo de Confusão Patrimonial. Voltando os olhos para o Livro Caixa da autuada, constato às fls. 181 que no dia 21/10/2008, a autuada recebeu a importância de R$ 1.078.000,00, relativa a venda de soja para a empresa OLFAR e no dia seguinte, 22/10/2008, transferiu a importância de R$ 900.000,00 (novecentos mil reais) para a impugnante FIRENZE ENERGÉTICA S/A. Evidente, portanto, que o valor transferido tem origem em operação que constitui fato gerador dos tributos lançados nestes autos. Pois bem, a escrita da autuada registra o retorno de apenas parte pouco significativa desse valor, no importe total de R$ 213.314,65, em quatro parcelas, no período de 05/02/2009 a 03/07/2009, conforme se vê às fls. 186 e 190. É inegável, portanto, que a impugnante FIRENZE ENERGÉTICA S/A comungou com a autuada o interesse na situação que constituiu fato gerador dos tributos lançados, determinando assim sua inclusão na condição de responsável solidário, a teor do que se contém no art. 124 do Código Tributário Nacional, por cuja manutenção voto neste momento. A acusação fiscal, porém, relativamente a esta recorrente, não enuncia fatos caracterizadores do interesse comum na situação que constitua o fato gerador. A evidência trazida pela autoridade julgadora denota que a responsável compartilhou dos recursos de caixa auferidos pela autuada nas operações questionadas pela Fiscalização, mas, de fato, nada impede que este valor tenha sido reconhecido como empréstimo em sua contabilidade. Em verdade, a autoridade fiscal incluiu a recorrente no rol de responsáveis tributários porque ela integra o grupo Interalli, e foi demonstrada a confusão patrimonial entre seus membros, especialmente em razão do [...]. Todavia, embora referido documento deixe patente a atuação de Anderson Fumagalli, Cristiano Slaviero Fumagalli, Fabrício Slaviero Fumagalli e Felipe Slaviero Fumagalli como sócios de fato da autuada e das demais empresas do grupo, com poderes para deslocar patrimônio entre elas para satisfazer seus interesses particulares, de modo a ensejar a aplicação do art. 50 do Código Civil durante a execução fiscal dos créditos tributários devidos pelas empresas do grupo, a atribuição de responsabilidade tributária no âmbito administrativo é estipulada como meio de garantia do direito de defesa contra a exigência fiscal. Por esta razão, a formalização de Termo de Sujeição Passiva deve decorrer do vínculo do responsável com a situação que constitua o fato gerador ou da prática de atos que procurem ocultar os verdadeiros representantes da pessoa jurídica. Desta forma, assegura-se o direito de defesa àqueles que de alguma forma contribuíram para a prática do fato gerador, e aos que efetivamente representam a pessoa jurídica. Fl. 3942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 36 Se a confusão patrimonial não se verifica na prática do fato gerador, não há razão para debatê-la no âmbito administrativo, exclusivamente com vistas a validar a prova por meio da qual se pretenderá judicialmente a aplicação do art. 50 do Código Civil. Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Firenze Energética S/A, apenas porque não demonstrada sua responsabilidade por interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores que motivaram a autuação, sem adentrar aos demais aspectos que poderiam caracterizar a alegada confusão patrimonial, porque externos ao lançamento tributário. [...] Parkville Administração e Participação Ltda não foi cientificada por via postal porque desconhecida no endereço informado como seu domicílio fiscal (fl. 1937/1938), mas postou recurso voluntário em 12/12/2012 (fls. 1986/1992) com argumentos semelhantes aos deduzidos por CBL – Cia Brasileira de Logística S/A. Aduz que não há identidade comercial ou centralização gerencial entre elas, e que o interesse comum ocorre quando as empresas integrantes do grupo econômico ocultam ou registram indevidamente negócios jurídicos com benefício econômico comum. Finaliza recordando o reconhecimento da espontaneidade da autuada principal. A autoridade julgadora de 1 a instância manteve a acusação fiscal em razão das seguintes constatações: Na impugnação que apresentou contra a responsabilidade solidária que lhe foi irrogada, além das alegações comuns a outras impugnações, já apreciadas, a pessoa jurídica PARKVILLE ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA afirma que desde sua constituição dedica-se ao seu objeto social e não tem vínculo com exportação de produtos agrícola. Também afirma que, nas poucas vezes em que é citada no Termo de Confusão Patrimonial é com base em operações totalmente legais e registradas extraídas de Livro Caixa ou registro imobiliários. Voltando os olhos para o Livro Caixa da autuada, constato às fls. 188 que no dia 07/05/2009 a autuada (Solo Agrícola Ltda) recebeu da empresa Nidera, pela venda de soja que lhe fez, a importância de R$ 1.734.600,00, da qual aplicou R$ 550.000,00 em CDB no Banco Real no mesmo dia. Pouco após, no dia 15/05/2009, resgatou o CDB e transferiu para a impugnante PARKVILLE ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA a importância de R$ 660.000,00. Também vejo às fls. 191 que, pouco tempo após, em 10/08/2009, foi transferida a importância de R$ 350.000,00. Em seguida, no dia 17/08/2009, foi transferida a importância de R$ 200.000,00. Também vejo às fls. 192 que, em 25/09/2009, foi transferida a importância de mais R$ 200.000,00 e, em 02/10/2009, mais a importância de R$ 150.000,00. Já no ano de 2010, o Livro Razão da autuada acusa um extenso conta corrente entre ela e a impugnante Parkville, conforme se vê às fls. 1.026- 1.027, cabendo destacar que a autuada lhe transferiu a importância de R$ Fl. 3943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 37 800.000,00 em 01/06/2010, pouco após venda feita à empresa Nidera Sementes Ltda. Tem-se, portanto, ratificada a assertiva fiscal (fls. 1.562-1.563) de que a autuada transferiu para a impugnante Parkville Administração e Participações Ltda, a expressiva importância de R$ 2.360.000,00. E em tendo recebido esses recursos, é inegável seu interesse na situação que constituiu o fato gerador dos tributos lançados, fator determinante de sua inclusão no polo passivo da relação obrigacional, na condição de sujeito passivo solidário, por cuja manutenção voto neste momento. Em que pese a evidência acima relatada e também referenciada no Termo de Confusão Patrimonial, denota-se, daí, apenas o escoamento dos recursos obtidos na operação comercial em favor de uma das empresas de administração patrimonial nas quais foi distribuído o patrimônio pessoal da família [...]. Em outras palavras, esta pessoa jurídica nada mais é do que a extensão patrimonial das pessoas físicas já responsabilizadas pelo crédito tributário. Esta personalidade atribuída aos bens daquelas pessoas físicas impede a afirmação de que esta responsável teve interesse comum, com os demais agentes, na situação que constitui o fato gerador. Certamente foi beneficiária dos resultados daí auferidos, e representa uma parte do patrimônio do grupo que praticou os fatos jurídicos tributários. Mas este patrimônio deve ser alcançado mediante a constrição daqueles que são responsáveis pelo crédito tributário, e não integrando esta pessoa jurídica no pólo passivo da obrigação tributária. Esta posição é reservada àqueles que praticam o fato jurídico tributário. Em conseqüência, valem aqui os argumentos antes expostos na apreciação do recurso voluntário de Firenze Energética S/A acerca da finalidade do Termo de Sujeição Passiva, bem como a conclusão de que, se a confusão patrimonial não se verifica na prática do fato gerador, inexiste razão para debatê-la no âmbito administrativo, exclusivamente com vistas a validar a prova por meio da qual se pretenderá judicialmente a aplicação do art. 50 do Código Civil. Por tais motivos, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Parkville Administração e Participações Ltda, apenas porque não demonstrada sua responsabilidade por interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores que motivaram a autuação, sem adentrar aos demais aspectos que poderiam caracterizar a alegada confusão patrimonial, porque externos ao lançamento tributário. (negrejei) É como voto. Assim, como bem exposto no acórdão recorrido, ausente prova do interesse comum na situação relatada nestes autos, nem mesmo no período de janeiro/2011 a junho/2011 é possível imputar responsabilidade tributária, com fundamento no art. 124, I do CTN, a Antonio Manoel de Carvalho Neto. Fl. 3944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 38 Transcreva-se, mais uma vez, a fundamentação fática da responsabilidade tributária imputada: No caso sob análise, restou cabalmente demonstrado por meio do processo administrativo fiscal nº (sic) que até junho de 2011, parte do objeto do lançamento, o senhor Antônio Manoel de Carvalho Neto, ainda era o sócio da empresa acima identificada, assinou todos os contratos firmados com diversas prefeituras para prestação de serviços de locação de veículos. Também foi verificado que, até junho de 2011, esse senhor era sócio da empresa detendo 99,99% do Capital Social. Ou seja, era praticamente uma firma individual, na qual ele agia de forma direta e pessoal, muito embora usando o nome da empresa. Portanto, todos os atos praticados por esta pessoa jurídica dizem respeito diretamente ao sócio majoritário daquela, restando patente o interesse comum com o sujeito passivo nas situações que constituíram os fatos geradores do crédito tributário lançados na ação fiscal, objeto parcial daquele processo administrativo fiscal. A figuração do sócio-administrador na contratação dos serviços cujas receitas deixaram de ser oferecidas à tributação, não caracteriza interesse comum na situação que constitui o fato gerador e não valida sua responsabilização com fundamento no art. 124, I do CTN, mormente se o responsabilizado deixou de ser sócio-administrador na maior parte do período autuado. A infração de lei que motivou a qualificação da penalidade permitiria, apenas, cogitar de imputação com fundamento no art. 135, III do CTN. Estas as razões para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. Naquele caso, distintamente do presente, o sócio-administrador não fora responsabilizado com fundamento no art. 135, III do CTN, apesar da aplicação de multa qualificada sobre os créditos tributários não recolhidos. Lá, portanto, ausente prova da realização conjunta do fato gerador, em regra demonstrada a partir do proveito extraído dos fatos econômicos que foram suprimidos da tributação, a 1ª Turma da CSRF decidiu manter o acórdão recorrido que afastara a imputação com fundamento no art. 124, I do CTN. Em outra oportunidade, esta Conselheira assim ponderou no voto declarado no Acórdão nº 9101-006.631 para justificar o cabimento da responsabilidade tributária imputada a sócio de fato com fundamento no art. 124, I do CTN, sob a premissa de que tais sócios não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade: O contexto ampliado, portanto, contempla pessoa jurídica que manteve escrituração imprestável por diversos motivos, com confusão patrimonial inclusive entre as pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico, o que obrigou a autoridade lançadora a expurgar diversas operações irreais entre elas, para além dos registros pautados em notas fiscais inidôneas, e assim aferir os créditos tributários não declarados e não recolhidos em razão das operações efetivamente realizadas pela Contribuinte. Em tais circunstâncias, a confissão de Irineu Peretto Fl. 3945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 39 Junior no sentido de que, por estar sob risco de bloqueio judicial, teria realizado movimentações financeiras com intermediação de sua cônjuge, Marili Elisabete Mainardi Peretto, apenas reforça a validade da integração desta ao polo passivo da obrigação tributária aqui constituída, que não poderia ficar limitada ao patrimônio da pessoa jurídica autuada, corrompido que foi pela evidente inobservância do princípio da entidade, como bem exposto no voto condutor do acórdão recorrido. O presente caso, assim, se assemelha a outros nos quais este Colegiado já se manifestou reiteradas vezes em favor da responsabilização de sócios de fato que se ocultam sob a interposição de pessoas no quadro social da pessoa jurídica, conforme ementas de julgados a seguir transcritas: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicando-se, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. (Acórdão nº 9101-002.349 - Sessão de 14 de junho de 2016). SOCIEDADE QUE SE COMPORTA COMO SOCIEDADE DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ILIMITADA PARA OS SÓCIOS DE FATO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (CTN, art. 124, I). Em condições normais, o sistema jurídico prevê apartação patrimonial entre a pessoa jurídica e as pessoas que compõem o seu quadro societário (sócios de direito). Mas a utilização fraudulenta de pessoa jurídica afasta essa apartação patrimonial, e os sócios de fato respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações surgidas de sua empresa (negócio/ empreendimento). A sonegação de tributo perpetrada via utilização fraudulenta da pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas, faz com que a pessoa jurídica seja tratada de modo semelhante a uma sociedade de fato (porque se comporta como tal), situação em que as pessoas envolvidas, por se encontrarem na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, respondem solidária e ilimitadamente pelos débitos surgidos do negócio. Fl. 3946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 40 PROCURADOR/ADMINISTRADOR DE SOCIEDADE EMPRESARIAL. PRÁTICA DE ILÍCITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os mandatários e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (CTN, art. 135, II e III). CTN, ART. 124, I, E ART. 135, II E III. INCIDÊNCIA CONJUNTA. POSSIBILIDADE. No caso destes autos, as referidas regras de responsabilização tributária não são excludentes, elas coexistem. A mesma ilicitude (uso fraudulento de pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas) leva à responsabilização tributária. O vínculo obrigacional por uma regra surge em decorrência da condição de sócio de fato, enquanto pela outra, da condição de procurador/ administrador da empresa. (Acórdão nº 9101-002.954 - Sessão de 3 de julho de 2017). SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Havendo a utilização de interposta pessoa para acobertar as operações e o efetivo auferimento de receitas, deve ser considerado como sujeito passivo o efetivo proprietário e administrador da empresa pelos débitos tributários desta. (Acórdão nº 9101-003.592 - Sessão de 9 de maio de 2018). É certo que o Código Civil confere personalidade jurídica às sociedades mediante as quais empreendedores exploram atividades econômicas, personalidade esta distinta de seus sócios, de modo que seus patrimônios e obrigações não se confundem, ainda que constituídos por intermédio de seus administradores: Art. 1.022. A sociedade adquire direitos, assume obrigações e procede judicialmente, por meio de administradores com poderes especiais, ou, não os havendo, por intermédio de qualquer administrador. Especificamente no que se refere à sociedade unipessoal, espécie à qual pertence a Contribuinte, a responsabilidade do sócio em relação às dívidas da sociedade está assim regulada no Código Civil: Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. § 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as disposições sobre o contrato social. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) Disto resulta a segregação do patrimônio dos sócios em relação ao patrimônio da sociedade. Apenas a parcela do patrimônio de cada sócio conferido ao capital social presta-se como garantia de terceiros ao contratar com a sociedade, e assim se sujeita ao risco do empreendimento. Em consequência, se os sócios empregam Fl. 3947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 41 regularmente os recursos da sociedade, sem desvios, eles não podem ser chamados a responder por dívidas da sociedade. Aqui tem-se que a escrituração da Contribuinte foi considerada imprestável, para além da constatação que sua movimentação financeira transitou em favor da cônjuge do sócio, pelas razões antes expostas. Em tais circunstâncias, a autoridade fiscal tem competência para, na forma do art. 142 do CTN, constituir o crédito tributário pelo lançamento, identificando o sujeito passivo, conceito no qual está incluído não só o contribuinte, como também, nos termos do art. 121, parágrafo único, inciso II, o responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. E, neste sentido, o CTN traz preceitos expressos acerca da responsabilidade solidária pelo crédito tributário das pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...) Impróprio afirmar que referido dispositivo não trata de responsabilidade de terceiro ou de inclusão de terceiro no polo passivo, referindo-se apenas à graduação de responsabilidade nos casos de pluralidade de sujeitos passivos. Apesar de localizado entre as normas gerais do capítulo de sujeição passiva, o citado dispositivo é uma espécie de responsabilidade tributária a ser compatibilizada com os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Neste sentido são as lições de Marcos Vinícius Neder, no artigo Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito4: Cumpre observar, nesse passo, que a norma de solidariedade albergada pelo artigo 124 do CTN é uma espécie de responsabilidade tributária, apesar de o dispositivo legal estar localizado topograficamente entre as normas gerais previstas no capítulo de Sujeição Passiva e, por conseguinte, fora do capítulo específico que regula a responsabilidade tributária. Decerto a organização dos dispositivos acerca de responsabilidade no Código segue uma orientação lógica, mas as reflexões sobre tal conjunto normativo devem considerar princípios constitucionais que atuam, especificamente, sobre o tema, como o da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. 4 in FERRAGUT, Maria Rita e NEDER, Marcos Vinícius (coords.). Responsabilidade Tributária, Dialética, São Paulo: 2007, p. 32-33) Fl. 3948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 42 O artigo 145 da Constituição Federal estabelece que os impostos devam ser graduados segundo a manifestação de riqueza do fato jurídico, e o art. 150 veda utilizar tributo com efeito de confisco. O texto constitucional prescreve, assim, que os fatos colhidos no mundo social para construção da hipótese de incidência tributária evidenciem capacidade econômica, evitando-se, assim, uma tributação excessiva que comprometa a subsistência dos contribuintes e avance sobre o patrimônio privado além do estritamente necessário à manutenção das atividades estatais. Esses valores informam todo o sistema jurídico e, por conseguinte, não há interpretar o art. 124 sem compatibilizar a norma de responsabilidade tributária com tais limitações constitucionais ao poder de tributar. Para tornar mais transparente a correlação entre esses princípios e a exeqüibilidade da imposição de responsabilidade por solidariedade, vale o recurso a um exemplo hipotético, porém esclarecedor. Se determinada propriedade pertencer a quatro irmãos em condição de igualdade, um dos co-proprietários pode ser chamado a responder por todo o débito anual do Imposto Territorial Rural sem guardar a proporcionalidade com sua fração ideal (25%). Assim, embora manifeste riqueza apenas por sua participação no bem imóvel (25%), poderá ser exigido pelo pagamento integral do tributo relativo à propriedade (100%). Consente a ordem jurídica essa imposição de responsabilidade tributária de forma desproporcional à capacidade contributiva em função da previsão legal de reembolso da quantia excedente paga em lugar dos demais devedores. De fato, cada co-proprietário se qualifica como contribuinte em relação ao tributo correspondente ao seu quinhão de interesse na propriedade e como responsável pelo pagamento do tributo excedente em relação ao que lhe cabe. Referido dispositivo legal, portanto, presta-se à inclusão de terceiro no polo passivo da obrigação tributária, mas desde que presente prova de sua atuação ao lado da pessoa jurídica, e fora de seu quadro social, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Neste sentido também, depois de abordar a hipótese de interposição de pessoas na prática de fatos jurídicos tributários, e ressaltar que a simulação dos atos constitutivos impõe o afastamento do sujeito passivo aparente para alcançar os reais titulares da renda, observa Marcos Vinícius Neder (Op. cit., p. 46): Outra situação completamente distinta é quando o ilícito é promovido por pessoa jurídica ativa e operacional, que, comprovadamente, tenha ocultado ou registrado indevidamente negócios jurídicos realizados em parcela com terceiros (sócios ocultos) para benefício comum. Nessa hipótese, não há falar em fictícia interposição de pessoas, mas em sociedade comum de fato, pois não é possível distinguir a sociedade de fato de seus integrantes (pessoas físicas e jurídicas). Diante dessas condições, é perfeitamente possível evidenciar solidariedade entre as pessoas que compõem a sociedade de fato, eis que, além do patrimônio comum amealhado em razão do ilícito, há interesse comum nos negócios jurídicos realizados em benefício dos envolvidos. Logo, o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E esta condição pode ser imputada aos sócios de Fl. 3949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 43 fato ou que agem como tais, sem figurar no quadro social da pessoa jurídica, e assim não desfrutando da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Significa dizer que tais agentes, cuja ação nas atividades da pessoa jurídica se dá para ocultar o sócio de direito, figuram no polo passivo da obrigação tributária ao lado da pessoa jurídica, praticando conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sem benefício de ordem, e destituídos de qualquer garantia que somente o vínculo societário formal lhes conferiria. Neste contexto, a responsabilidade solidária pelo crédito tributário, atribuída à cônjuge do administrador do empreendimento e beneficiária dos recursos obtidos com a atividade desenvolvida em nome da empresa, mostra-se perfeitamente compatível com os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. No mesmo sentido são as ponderações da ex-Conselheira Adriana Gomes Rêgo, no voto condutor do Acórdão nº 9101-002.349, decidido à unanimidade em desfavor dos responsáveis tributários, com voto pelas conclusões dos ex- Conselheiros Luiz Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Maria Teresa Martinez Lopez: Em relação ao art. 124, I, do CTN, que estabelece a imposição de responsabilidade tributária solidária àqueles que "tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", estou convencida de que os elementos fáticos colhidos pela Fiscalização são suficientes para demonstrar a ocorrência da situação descrita na norma. Embora entenda que a expressão "interesse comum" estampada nesse dispositivo não pode denotar o mero interesse econômico que todo o sócio tem nos resultados da empresa, sendo necessária uma relação de interesse mais direta com os fatos que deram ensejo à autuação fiscal, considero que a evidência de que os Recorrentes não apenas eram sócios de fato da Nutrilínea, mas estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta (LAÇO e SPASSO faziam a comercialização e armazenagem dos produtos da Nutrilínea), bem caracteriza a situação prevista na norma. O Sr Cláudio, representando a Spasso assinou um contrato de locação de 17 caminhões para a Nutrilínea; os próprios empréstimos bancários à Nutrilínea, que totalizavam mais de R$ 12 milhões, e que assinaram como devedores solidários também corrobora, enfim há um conjunto probatório robusto a reforçar o interesse comum. Discordo do entendimento trazido pelos sujeitos passivos ora recorrentes de que o art. 124, inciso I, só se aplica a contribuintes, pois o CTN não faz tal distinção. O que jurisprudência do STJ assinala é quanto à necessidade de ambos os solidários estarem no mesmo pólo de uma situação jurídica que tenha impacto na exação tributária (neste sentido, por exemplo, o REsp 884.845/SC, de 5/2/2009). No caso em comento, os recorrentes solidários, ao assinarem contratos, ao participarem como devedores solidários e fiéis depositários dos negócios da Nutrilínea, somando-se isso a todo o conjunto probatório, demonstram, sim, Fl. 3950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 44 estarem no mesmo pólo jurídico da contribuinte, daí porque vislumbro a solidariedade por interesse comum. Também corroboram o entendimento aqui firmado as razões do ex-Conselheiro Rafael Vidal de Araújo expostas no Acórdão nº 9101-002.954 para, por maioria de votos, com a divergência dos ex-Conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra (ausente o Conselheiro Luís Flávio Neto), restabelecer a responsabilidade do sócio de fato apontado na acusação fiscal: Via de regra, a solidariedade previstas no art. 124, I, do CTN, não deve mesmo ser aplicada para imputar responsabilidade tributária aos sócios/administradores de empresa (pessoa jurídica) pelos débitos devidos por esta. Isto porque, em condições normais, o sistema jurídico prevê apartação patrimonial entre a pessoa jurídica e as pessoas que compõem o seu quadro societário (sócios de direito), assim como entre a pessoa jurídica e seus administradores. Conforme o acórdão recorrido, a regra do art. 124, I, do CTN é realmente mais adequada para estabelecer solidariedade tributária, por exemplo, entre os coproprietários de um mesmo imóvel sobre o qual incide o IPTU, situação em que os solidários estão na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, em que eles co-realizam o fato gerador. Ocorre que a sonegação de tributo perpetrada via utilização fraudulenta da pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas, modifica o quadro jurídico traçado acima, fazendo com que a pessoa jurídica seja tratada de modo semelhante a uma sociedade de fato (porque se comporta como tal), situação em que as pessoas envolvidas, por se encontrarem na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, respondem solidária e ilimitadamente pelos débitos surgidos do negócio. Na utilização fraudulenta de pessoa jurídica não há a mencionada apartação patrimonial, e os sócios de fato respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações surgidas de sua empresa (negócio/empreendimento). É esse contexto que justifica perfeitamente a aplicação do art. 124, I, do CTN ao caso sob exame. Além disso, restou caracterizado que Alberto Mucciolo podia dispor e administrar sozinho os recursos da empresa, que ele movimentava as contas bancárias, que assinava cheques e autorizações de transações bancárias, que tinha procuração para tanto, e que, desse modo, era quem administrava de fato a empresa, o que, dada a forma e o conteúdo de sua atuação como procurador/administrador, também enseja a aplicação do art. 135, II e III, do CTN. Do que se disse até aqui, já é possível verificar que as referidas regras não são excludentes. O vínculo obrigacional por uma regra surge em decorrência da condição de sócio de fato, enquanto pela outra, da condição de procurador/administrador. Quando uma pessoa participa de uma sociedade que se comporta como uma sociedade de fato, ela responde solidária e ilimitadamente pelos tributos decorrentes da atividade empresarial (art. 124, I, do CTN). Fl. 3951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.340 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720053/2012-92 45 Aqui, como as pessoas físicas integram o quadro social da Contribuinte, inclusive como administradores – o que atraiu a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III do CTN em face da infração de lei - a responsabilização também com fundamento no art. 124, I do CTN demandaria prova de benefício direto com os fatos geradores que ensejaram os tributos exigidos, no caso, os valores não recolhidos em razão da indevida opção pelo Simples Nacional. Ausente qualquer prova neste sentido, não há como também imputar responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN aos que desfrutam da proteção legal ao patrimônio pessoal dos que regularmente compõem uma sociedade. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO PARCIAL aos recursos voluntários de Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, para excluir a responsabilidade tributária atribuída com base no art. 124, inciso I do CTN. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa Fl. 3952DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 10380.903191/2017-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO OBJETO DE DCOMP NÃO HOMOLOGADA. IMPOSSIBILIDADE. Com fundamento no art. 74, § 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996, não poderá ser objeto de compensação ou restituição o indébito não reconhecido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que a definição acerca do indébito se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, bem como se o sujeito passivo optou por não manifestar sua inconformidade contra a decisão que não o reconheceu, permitindo que ela se consolidasse definitivamente no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 9101-007.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior que votaram por dar provimento com retorno dos autos à unidade de origem. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Jandir José Dalle Lucca. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa - Relatora Assinado Digitalmente Carlos Higino Ribeiro de Alencar – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo dos Santos Pereira Júnior, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Jandir José Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro e Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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IMPOSSIBILIDADE. Com fundamento no art. 74, § 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996, não poderá ser objeto de compensação ou restituição o indébito não reconhecido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que a definição acerca do indébito se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, bem como se o sujeito passivo optou por não manifestar sua inconformidade contra a decisão que não o reconheceu, permitindo que ela se consolidasse definitivamente no âmbito administrativo. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior que votaram por dar provimento com retorno dos autos à unidade de origem. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Jandir José Dalle Lucca. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa - Relatora Assinado Digitalmente Carlos Higino Ribeiro de Alencar – Presidente Fl. 4034DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo dos Santos Pereira Júnior, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Jandir José Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro e Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto por MAKRO ENGENHARIA LTDA ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402-006.591, na sessão de 19 de setembro de 2023, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário no sentido de, i) reconhecer o direito creditório buscado pela recorrente, no valor original de R$ 201.408,04, que deve ser considerado como tendo sido formalizado via Pedido de Restituição (PER); ii) não homologar as compensações presentes nos PERD/DCOMP nºs 03875.00631.191114.1.3.04-6759 (paradigma) e 00075.99385.191114.1.3.04- 7652 e 07759.39455.250814.1.7.04-3391 (repetitivos); iii)determinar o prosseguimento da cobrança dos débitos indevidamente compensados e demonstrados, conforme Despachos Decisórios encartados nos autos, vencidos os Conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda e Maurício Novaes Ferreira que negavam provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1402-006.590, de 19 de setembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10380.903193/2017-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Desincumbindo-se a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório alegado e confirmadas suas alegações pela Fl. 4035DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 3 diligência realizada, cabe o provimento do recurso voluntário nesta parte, sem, entretanto, homologar as compensações efetuadas com lastro no referido direito creditório, por descumpridos os atos procedimentais que regulamentam a matéria. Todavia, com suporte no princípio da busca da verdade material, inerente ao processo administrativo-fiscal, cabe a validação do PER (Pedido de Restituição) transmitido pela contribuinte e acostado aos autos, posto que estampado e confirmado o direito creditório pretendido pela recorrente à vista dos documentos juntados e, principalmente, da sua escrituração. O litígio decorreu da não homologação de compensação declarada com crédito apurado em pagamento a maior de uma das três parcelas de IRPJ apurado no 4º trimestre de 2011. O despacho decisório indica que o crédito associado ao DARF teria sido objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou atendimento a pedidos de restituição (e-fls. 15/17). A autoridade julgadora de 1ª instância negou provimento à manifestação de inconformidade (e-fls. 117/121). O Colegiado a quo, por sua vez, depois de converter o julgamento em diligência para confirmação do indébito alegado (e-fls. 211/220), deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o indébito para fins de restituição, mantendo a não homologação das compensações (e-fls. 3935/3959). A PGFN apenas manifestou ciência da decisão (e-fl. 3961). Cientificada em 18/06/2024 (e-fl. 3965), a Contribuinte interpôs recurso especial em 28/06/2024 (e-fl. 3967/4014) no qual arguiu divergência admitida no despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 4018/4023, excluindo o terceiro paradigma – Acórdão nº 1003-002.706 – e o paradigma nº 1402-005.849, editado pelo mesmo Colegiado, e consignando-se que: O segundo paradigma, Acórdão nº 1302-004.472, não apresenta esse problema. Além disso, trata-se de decisão que consta do sítio do CARF, e que não foi reformada na matéria que poderia aproveitar à recorrente. E esse segundo paradigma serve para a demonstração da alegada divergência jurisprudencial em relação ao acórdão recorrido. As decisões cotejadas trataram exatamente da mesma questão. E o referido paradigma, ao contrário do acórdão recorrido, entendeu que “não há óbice à apresentação de DCOMP pleiteando compensação de pagamento indevido em face de pagamento indicado em declaração de compensação anterior, que restou indeferida por inexistência de crédito disponível, quando o crédito pleiteado decorre de DCTF retificadora apresentada em data posterior, cabendo a autoridade administrativa examinar a efetividade e suficiência do crédito para a homologação da compensação”. Ou seja, no entendimento do paradigma, o fato de o crédito ter sido negado no exame de um PER/DCOMP anterior, e ter sido reconhecido posteriormente em Fl. 4036DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 4 outro PER/DCOMP, após a retificação da DCTF que tinha justificado a negativa original do crédito (em razão de sua indisponibilidade), não é óbice para o processamento desse novo PER/DCOMP, inclusive para fins de compensação dos débitos nele declarados, e não apenas para restituição do crédito que vier a ser reconhecido. Desse modo, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao recurso especial da contribuinte. A Contribuinte pondera, inicialmente, que: 4. Conforme se pode verificar, a Colenda Turma, mesmo diante do evidente reconhecimento do direito creditório da Recorrente, entendeu por não homologar as compensações em questão. 5. Isso porque, no seu entendimento, a Recorrente descumpriu atos procedimentais infralegais no que se refere à utilização de crédito já fiscalizado pela autoridade administrativa. Nesse caso, no seu entendimento o referido crédito não poderia ser objeto de pedido de compensação, mas somente poderia ser objeto de pedido restituição. 6. Ocorre que, com devido respeito ao entendimento da Turma, não foi observado adequadamente que o crédito objeto utilizado nas PER/DCOMP's em questão sequer existia no momento da primeira compensação, uma vez que não estava devidamente constituído em DCTF. 7. Somente após o indeferimento da primeira compensação, é que a Recorrente retificou a DCTF, constituindo adequadamente o crédito sob análise, e utilizou em seguida. Tecnicamente, pode-se concluir que o crédito somente foi utilizado uma única vez. 8. Além disso, o fundamento adotado no Acórdão recorrido não possui respaldo legal, o que se mostra uma restrição indevida a direito da Recorrente resguardado por Lei. 9. Desse modo, o Acórdão apesar de reconhecer a retificação da DCTF não levou em consideração para análise do deslinde da questão, motivo pelo qual se justifica o presente recurso, uma vez que esta Turma deu à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara. (destaques do original) E, depois de transcrever a ementa dos paradigmas, conclui que para a mesma situação, o CARF possui entendimentos opostos sobre o mesmo tema, e defende que tal circunstância deve ser devidamente corrigida para evitar insegurança jurídica e incoerência do sistema jurídico, de modo que resta perfeitamente demonstrado o cabimento do presente recurso especial. Na argumentação de mérito, aponta que: Fl. 4037DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 5 15. Conforme exposto, apesar do reconhecimento do direito creditório, as compensações em questão não foram homologadas porque a Recorrente supostamente descumpriu atos procedimentais infralegais no que se refere à utilização de crédito já fiscalizado pela autoridade administrativa. Em suma, o referido crédito não poderia ser objeto de pedido de compensação, mas somente poderia ser objeto de pedido restituição. 16. Inicialmente, destacando que a matéria foi devidamente prequestionada pelo acórdão recorrido, destaca-se que a o fundamento se deu em matéria infralegal, senão vejamos: "Posteriormente, com a retificação desta declaração, a interessada buscou repetir-se utilizando o mesmo crédito (e não o mesmo débito), o que encontrou óbice no artigo 41, § 3º, inciso XI, da IN n° 1300/2012, citada acima." 17. Ocorre que tal entendimento, baseado no art. 41, §3°, XI, da IN n° 1.300/2012, não tem como prosperar, em razão de o referido dispositivo não ser aplicável, ferindo o Princípio da Legalidade. 18. O art. 74, §3°, inciso VI, e §12 da Lei n° 9.430/96, trata de dispor, de forma taxativa, as hipóteses em que não poderão ser realizados pedidos de compensação, da seguinte forma: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) §3° Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I - o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV - o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal - SRF; V - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; Fl. 4038DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 6 VI - o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal - SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, (grifos nossos) 19. A redação do dispositivo legal acima transcrito é clara e taxativa ao afirmar que somente não poderão ser objeto de compensação além daqueles débitos relacionados nos incisos II a V: (i) os valores referentes ao saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física e (ii) os valores que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento. 20. Assim, considerando que o presente caso não trata de valor que já fora objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento, tampouco de saldo de Imposto de Renda Pessoa Física, resta evidente a inaplicabilidade do artigo 74, parágrafo 3°, inciso VI e parágrafo 12, inciso I da Lei n° 9.430/96 ao presente caso. 21. Além disso, cumpre ressaltar que a retificação da DCTF pode ensejar novo pedido de restituição, devendo a autoridade examinar a suficiência de crédito, inclusive, para fins de HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO VALOR PLEITEADO EM OUTRO PER/DCOMP INDEFERIDO. INEXISTÊNCIA DE ÓBICE PARA APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não há impedimento para a apresentação de pedido de restituição de pagamento indevido decorrente de pagamento indicado em PER/DCOMP anterior, que restou indeferida por inexistência de crédito disponível, quando o crédito pleiteado decorre de DCTF retificadora apresentada em data posterior, cabendo à autoridade administrativa examinar a efetividade e suficiência do crédito para a homologação da compensação ou do pedido de restituição. (Processo n° 13896.901732/2017-80, Acórdão n° 1402-005.849 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 19 de outubro de 2021) (doc. 01) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. VALOR PLEITEADO EM OUTRA DCOMP INDEFERIDA. IMPEDIMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE NOVA DCOMP. NÃO OCORRÊNCIA. Não há óbice à apresentação de DCOMP pleiteando compensação de pagamento indevido em face de pagamento indicado em declaração de compensação anterior que restou indeferida por inexistência de crédito disponível, quando o crédito pleiteado decorre de DCTF retificadora apresentada em data posterior, cabendo a autoridade administrativa examinar a efetividade e suficiência do crédito para a homologação da compensação. (Processo n° 10983.904080/2017-68, Acórdão n° 1302-004.472- 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 17 de junho de 2020) (doc. 02) 22. Inclusive, vale destacar a fundamentação do acórdão acima citado que se adequa perfeitamente ao presente caso, o que comprova a divergência de interpretação e o equívoco da presente decisão. Fl. 4039DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 7 Somente depois de apresentar DCTF retificadora a recorrente apresentou nova DCOMP, com a indicação do crédito, agora sim disponível, decorrente do pagamento realizado à maior. A partir da retificadora apresentada é que surge o (novo) crédito pleiteado na DCOMP sob exame. Não é incomum a indicação de um mesmo pagamento de DARF efetuado pelo contribuinte em diversas DCOMP's, quando o mesmo não é exaurido logo na primeira compensação apresentada. Por óbvio, o contribuinte somente pode compensar o valor pago a maior até o limite do seu crédito. 23. No mesmo sentido, a fundamentação do Voto do Relator no Processo n° 10983.904079/2017-33 (Acórdão nº 1003-002.706 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária - doc. 03), senão vejamos. Portanto, entendo que o acórdão de piso deve ser reformado visto que, em síntese: a) a matéria em pauta não se amolda ao art. 74. § 3°. inc. VI da Lei no 9.430/1996; b) somente depois de apresentar DCTF retificadora a Recorrente apresentou nova DCOMP, com a indicação do crédito, agora sim disponível, decorrente do pagamento realizado à maior, visto que a partir da retificadora apresentada é que surge o crédito pleiteado na DCOMP sob exame; c) é comum a indicação de um mesmo pagamento de DARF efetuado pelo contribuinte em diversas DCOMP's, quando o mesmo não é exaurido logo na primeira compensação apresentada; d) o débito anteriormente confessado em outra DCOMP foi objeto de parcelamento, logo, o valor em discussão nestes não é o mesmo objeto do pedido anterior (Processo n° n° 10980.906095/2012-56), pois surgido depois da retificação da DCTF, sendo passível de utilização pelo contribuinte. 24. A manutenção do entendimento ora recorrido, qual seja, de reconhecer o crédito, mas não homologar as compensações além de ilegal, mostra-se absurdamente contrarrazoável e com finalidade exclusiva arrecadatória, uma vez que praticada ao arrepio da Lei. 25. O acórdão menciona expressamente que a Recorrente deverá arcar com o ônus da multa de mora de 20%, mesmo diante de um crédito legitimamente reconhecido e toma a liberdade de converter um pedido de compensação em um pedido de restituição, mas não traz qualquer fundamento legal que autorize uma turma do CARF a desclassificar a natureza do Pedido Inicial de Compensação. 26. Com o devido respeito, a Turma do CARF, ao realizar o Controle de Legalidade dos atos da administração tributária, deve simplesmente aferir a adequação dos entendimentos à Lei, não possuindo, portanto, a competência de transmudar a natureza de um pedido do contribuinte. 27. Por fim, cumpre ainda destacar que a Recorrente sequer possui previsão de recebimento dos valores reconhecidos, tendo que arcar com o ônus financeiro de Fl. 4040DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 8 pagar os débitos com todos os encargos relacionados, mesmo possuindo o crédito, o que se mostra um procedimento SEM PREVISÃO LEGAL. 28. Ante o exposto, restaram perfeitamente demonstradas as razões pelas quais se justifica a reforma do acórdão recorrido, especialmente pela interpretação divergente dos dispositivos da legislação tributária entre as turmas deste Colendo Contencioso, sob pena de falta de coerência da jurisprudência do CARF. (destaques do original) Pede, assim, que o recurso especial seja conhecido e provido a fim de que seja reformado o acórdão recorrido para que, além do já reconhecimento da legitimidade do crédito, que seja determinada a homologação integral das compensações pleiteadas por meio deste processo. Os autos foram remetidos à PGFN em 10/03/2025 (e-fl. 4024), e retornaram em 24/03/2025 com contrarrazões (e-fls. 4025/4028) nas quais a PGFN defende que o acórdão recorrido seja mantido por seus próprios fundamentos. VOTO Conselheira Edeli Pereira Bessa, Relatora. Recurso especial da Contribuinte - Admissibilidade O recurso especial da Contribuinte deve ser CONHECIDO com fundamento nas razões do Presidente de Câmara, aqui adotadas na forma do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784, de 1999. De fato, o voto condutor do acórdão recorrido afirma que, apesar da retificação da DCTF depois da primeira DCOMP, a segunda compensação não seria admitida na legislação de regência. Veja-se: Com isso, mesmo comprovadamente havendo um pagamento “a maior”, a sua repetição, via PER/DCOMP, ou seja, com pedido de restituição concomitante ao pedido de compensação não pôde ser validado inicialmente, em razão de o montante estar totalmente alocado na DCTF original. Posteriormente, com a retificação desta declaração, a interessada buscou repetir- se utilizando o mesmo crédito (e não o mesmo débito), o que encontrou óbice no artigo 41, § 3º, inciso XI, da IN nº 1300/2012, citada acima. Todavia, o contexto dos autos mostra que, materialmente, existe um crédito comprovado da recorrente e, ao mesmo tempo, dentro da jurisprudência desenvolvida nesta 2ª Turma - 4ª Câmara – 1ª Seção (1402), a contribuinte envidou todos os esforços no sentido de demonstrar suas alegações e comprovar seus argumentos, incluindo, naquilo que é mais importante, sua escrituração, que, Fl. 4041DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 9 neste caso, a teor do artigo 9º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.598/1977, faz prova a seu favor. Já o paradigma nº 1302-004.472, em réplica do que decidido no Acórdão nº 1302- 004.471, compreende que o crédito informado em DCOMP depois da retificação da DCTF é distinto do crédito pleiteado na primeira DCOMP, não incidindo na vedação invocada no recorrido: De qualquer sorte, o motivo do indeferimento do pedido de compensação não está relacionado ao alegado erro de indicação do tipo de crédito na DCOMP, mas sim ao fato de que o mesmo crédito já teria sido pleiteado anteriormente em outra(s) DCOMP(s), que restaram indeferidas tendo em vista que o valor constante dos DARF indicado como passível de compensação estava integralmente alocado para a quitação de débitos informados em DCTF. A própria recorrente confirma tal ocorrência, informando que ao ver indeferido aqueles pedidos de compensação e constatar que não havia retificado as respectivas DCTF’s, optou por efetuar o parcelamento dos débitos compensados naquelas DCOMP’s e efetuar nova compensação com outros débitos, depois de retificadas as DCTF’s, o que foi feito em 24/10/2012. [...] A situação dos autos, a meu ver, não se amolda ao art. 74, § 3º, inc. VI da Lei nº 9.430/1996, verbis: [...] O valor indicado como pagamento indevido ou a maior de CSLL na DCOMP ora examinada, embora corresponda ao mesmo DARF de recolhimento do tributo, efetuado em 31/08/2009, não estava disponível por ocasião do exame da DCOMP anteriormente examinada e indeferida pela autoridade administrativa, uma vez que o pagamento estava completamente alocado a um débito de igual valor informado na DCTF. É certo que a recorrente poderia ter discutido o valor pleiteado nos autos que trataram da DCOMP anterior, que restou indeferida, mediante a apresentação de manifestação de inconformidade e comprovação do erro de fato cometido no preenchimento da DCTF original e apresentação de retificadora desta última declaração. A recorrente bem aponta que o Parecer Normativo COSIT nº 02 de 28 de agosto de 2015, hoje daria respaldo a esta discussão, mas que este não era o entendimento da RFB à época. Assim optou por não discutir a exigência dos débitos indicados na DCOMP apresentada naquele processo, aderindo ao parcelamento dos mesmos. Somente depois de apresentar DCTF retificadora a recorrente apresentou nova DCOMP, com a indicação do crédito, agora sim disponível, decorrente do pagamento realizado à maior. Fl. 4042DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 10 A partir da retificadora apresentada é que surge o (novo) crédito pleiteado na DCOMP sob exame. Não é incomum a indicação de um mesmo pagamento de DARF efetuado pelo contribuinte em diversas DCOMP’s, quando o mesmo não é exaurido logo na primeira compensação apresentada. Por óbvio, o contribuinte somente pode compensar o valor pago a maior até o limite do seu crédito. No presente caso, o pagamento indevido indicado não foi confirmado anteriormente, posto que os sistemas da RFB acusavam a utilização integral do valor pago no DARF para a quitação do débito originalmente declarado na DCTF. O débito anteriormente confessado na outra DCOMP foi objeto de parcelamento. Assim, entendo que o valor em discussão não é o mesmo objeto do pedido anterior, pois surgido depois da retificação da DCTF, sendo passível de utilização pelo contribuinte. Recurso especial da Contribuinte – Mérito O despacho decisório traz como enquadramento legal os arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430/96. A autoridade julgadora de 1ª instância assim expõe o contexto legal e normativo diante da alegação da Contribuinte de que retificou a DCTF depois de cientificada da não-homologação da primeira DCOMP, apresentando novas DCOMP para liquidação de débito diverso do anteriormente pleiteado: Nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional (CTN) “o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, nos casos de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido...”, sendo que na hipótese de pagamento indevido, é preciso demonstrar o erro de apuração que lhe dá a natureza de indébito e na hipótese de pagamento a maior, basta evidenciar que, independentemente do tributo ter sido apurado corretamente, o pagamento foi feito em excesso. Como se vê, a restituição é um direito disponível do sujeito passivo, enquanto a compensação dos créditos apurados contra a Fazenda depende de autorização legal, conforme o artigo 170, do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Vemos que a compensação, além de depender de autorização e estar sujeita a condições, exige que os créditos do sujeito passivo sejam líquidos e certos. A autorização para compensação está materializada no artigo 74, da Lei nº 9.430/96: Fl. 4043DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 11 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Pela redação acima, temos que a compensação é ação unilateral do sujeito passivo, isto é, cabe a ele apurar o crédito que há de ser líquido e certo para dar suporte à extinção do débito. O sistema não impede que o sujeito passivo retifique sua apuração e declaração via DCTF, no entanto, se após a declaração em DCTF e a extinção do débito, normalmente efetuada por meio de pagamento via DARF, o contribuinte efetuar uma nova apuração contábil e por ela constatar que o pagamento efetuado foi indevido ou a maior, ele deve apresentar uma DCTF retificadora com os novos valores do débito apurado. Só assim seu crédito poderá ser considerado líquido e certo. Assim, a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e o comunicado à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora). É dizer que, para ser considerado líquido e certo, o crédito há de estar demonstrado em DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Sem o estabelecimento dessa relação lógico-temporal, a compensação não pode ser homologada. Segundo a legislação vigente, os créditos que já foram objeto de pedido de compensação não podem ser incluídos em nova DCOMP, conforme abaixo reproduzo o dispositivo: IN 1300/2012 Art. 41. (...) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII a esta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) XI - o valor informado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação apresentada à RFB, a título de crédito para com a Fazenda Nacional, que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente da RFB, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; Fl. 4044DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 12 Assim, apesar da alegação da defendente que o pagamento efetuado foi em valor a maior do que realmente era devido, o caso é que a legislação veda o pedido de compensação de créditos em períodos iguais aquele que já foi objeto de pedido anterior e que não teve seu direito creditório reconhecido. Desta forma, no caso em análise, são duas as premissas que deveriam ter sido cautelosamente verificadas pela contribuinte, a liquidez e certeza do crédito que quando retificado passa a se ter a necessidade de comprovação de que a retificadora é a declaração correta e tal comprovação dá-se por documentos que suportaram tal conduta e a duplicidade de pedidos de compensação para o mesmo crédito. A análise aqui deve ser feita em relação ao CRÉDITO tido pela defendente como líquido e certo e não ao débito compensado, ao analisarmos a DCOMP é necessário verificar a existência do crédito para só então verificar a possibilidade da compensação do débito pela contribuinte declarado. No dispositivo da norma anteriormente mencionada, há as duas vedações, para créditos e débitos que já foram objeto de pedido de compensação anterior que não teve o direito creditório reconhecido. Assim, ainda que seja débito diferente para compensação o fato que o crédito pretendido como existente é o mesmo anteriormente pleiteado, portanto, sendo vedada sua inclusão em novo pedido de compensação. A autoridade julgadora de 1ª instância não menciona, mas o art. 41, §3º, inciso XI da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 tem origem na alteração assim promovida pela Lei nº 11.051/2004 no art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 4045DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 13 I - o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IV - o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal - SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI - o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal - SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (destacou-se) Este acréscimo foi interpretado com maior alcance desde a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em seu art. 34, §3º, inciso XIV, logo depois da réplica, no inciso XIII, da disposição legal acima destacada. Veja-se: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: [...] Fl. 4046DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 14 XIII - o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento indeferido pela autoridade competente da RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; XIV - o valor informado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação apresentada à RFB, a título de crédito para com a Fazenda Nacional, que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente da RFB, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; [...] Tal interpretação em nada extrapola a vedação legal, vez que a DCOMP veicula, implicitamente, pleito de reconhecimento de indébito até o limite utilizado em compensação. Logo, à semelhança de direito creditório veiculado em pedido de restituição ou de ressarcimento indeferido, o indébito cujo pleito de reconhecimento é negado em análise de DCOMP deixa de se apresentar como “passível de restituição ou de ressarcimento” e não mais observa, na forma do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, desde a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, e nos termos do caput deste art. 34 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, as condições para ser deduzido com vistas a extinguir débitos até ulterior não-homologação da DCOMP. A Contribuinte defende, com amparo no que decidido no paradigma nº 1302- 004.472, que o direito creditório deduzido na DCOMP ora em discussão seria distinto daquele informado na primeira DCOMP, vez que houve retificação da DCTF e o direito creditório aqui compensado somente surgiu depois desta retificação. Contudo, a retificação da DCTF - ou mesmo da DIPJ na hipótese de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ ou CSLL – não se presta, por si só, a constituir indébito de origem distinta do invocado inicialmente, quer em pedido de restituição ou ressarcimento, quer em declaração de compensação. O indébito tem sua origem definida em razão do tributo e do período de apuração, e não da declaração na qual a apuração é informada. Significa dizer que, na dicção literal do art. 74, §3º, inciso VI, da Lei nº 9.430/96, e da sua interpretação no art. 34, §3º, incisos XIII e XIV da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, o direito creditório correspondente a determinado tributo e período de apuração, uma vez não reconhecido, não pode voltar a ser utilizado em compensações futuras, ainda que a declaração de sua apuração seja retificada depois do não reconhecimento. Somente se poderia cogitar de um novo direito creditório se a nova apuração evidenciasse valor suplementar não pleiteado ou utilizado originalmente, o que não se verifica no caso presente. Importa, ainda, ter em conta outro ponto no qual a legislação restringe condutas tendentes a renovar utilização de créditos: a vedação de desistência de pleitos de reconhecimento de indébito e de compensação, assim expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 900/2008: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a Fl. 4047DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 15 partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Como se vê, a espontaneidade para cancelar pedido de restituição ou ressarcimento subsistia enquanto o sujeito passivo não era cientificado de decisão administrativa, bem como, para cancelar DCOMP, enquanto não iniciado o procedimento fiscal de verificação da compensação. Estes diferentes limites temporais de cancelamento de pedido de restituição/ressarcimento e de declaração de compensação decorriam do fato de a apresentação abusiva de DCOMP, ou com falsidade, sujeitar o declarante a penalidades, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, e alterações posteriores. Tanto o é que, quando instituídas penalidades em razão de pedidos de ressarcimento abusivos, a partir das alterações introduzidas pela Lei nº 12.249/2010 no art. 74 da Lei nº 9.430/96, o limite temporal para cancelamento dos pedidos de restituição e ressarcimento foi alterado, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012: Art. 93. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O cancelamento do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Ou seja, quando a conduta do sujeito passivo passou a ter o potencial de veicular uma infração sujeita a lançamento, necessário se fez aplicar o disposto no Decreto nº 70.235/72: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 4048DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 16 Esclarecida, assim, a razão de o cancelamento não poder se verificar depois do início de procedimento de verificação fiscal do indébito arguido pelo sujeito passivo, cabe avaliar a razão de não se admitir o cancelamento de pedidos de restituição ou ressarcimento, bem como de declarações de compensação, antes da decisão sobre o indébito ou a compensação, na hipótese de inexistir procedimento prévio cientificado ao sujeito passivo. Basta ver que se não existisse tal vedação, o sujeito passivo poderia escolher entre recorrer da decisão de indeferimento/não-homologação e cancelar o pedido de restituição/ressarcimento ou a DCOMP. Ou seja, na hipótese de ainda não ter decorrido o prazo prescricional para pleito ou utilização do indébito, o sujeito passivo poderia, com o cancelamento do pedido de restituição/ressarcimento ou da DCOMP, pretender desconstituir a vedação expressa no art. 74, §3º, inciso VI da Lei nº 9.430/96 - replicada nos incisos XIII e XIV do art. 34, §3º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e nos incisos X e XI do art. 41, §3º da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 – e mais uma vez deduzir o direito creditório para nova apreciação da autoridade fiscal, ao invés de se submeter ao contencioso administrativo especializado e apresentar as provas que possui para afirmar o indébito pleiteado ou utilizado em compensação originalmente. O que se preserva, portanto, é a eficiência da Administração Pública, impedindo a multiplicação de demandas por conveniência, exclusiva, do sujeito passivo. De fato, não se pode admitir que o pleito de reconhecimento de indébito, depois de recebido, analisado e negado pela Administração Tributária, possa ser renovado quantas vezes interesse ao sujeito passivo, enquanto não decorrido o prazo prescricional. No presente caso, a DCOMP originalmente apresentada foi considerada válida, o indébito nela demonstrado foi analisado em sua integralidade, e a Contribuinte foi cientificada das irregularidades em sua demonstração, sendo-lhe facultada apresentação de manifestação de inconformidade para questionamento daquele despacho decisório perante as instâncias especializadas de julgamento administrativo. Mas a Contribuinte optou por não exercer este direito, e permitiu que se consolidasse, no âmbito administrativo, a decisão de não reconhecimento de apuração de indébito no pagamento do IRPJ devido no 4º trimestre/2011. Ressalte-se, por oportuno, que o legislador, ao instituir a DCOMP como instrumento extintivo de crédito tributário, concordando com a redação original da Medida Provisória nº 66/2002, conferiu à Secretaria da Receita Federal o dever de disciplinar a recepção destes documentos, de modo a conformá-los, minimamente, à evidenciação do crédito cogitado no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, nos termos assim fixados na conversão daquela Medida Provisória na Lei nº 10.637/2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 4049DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 17 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I - o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (destacou-se) Assim, correta a interpretação normativa que, nos termos do despacho decisório aqui proferido, limitou a renovação de pleitos de reconhecimento de indébito depois da decisão administrativa que não homologou a compensação anterior por não reconhecimento do mesmo direito creditório. À Contribuinte restaria, neste contexto, pretender a reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória administrativa, no âmbito judicial, e só então passar a ter o direito de buscar o indébito no prazo suplementar que a Lei nº 5.172/66 (CTN) cogita: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (destacou- se) Discorda-se, portanto, da conclusão do Colegiado a quo, no sentido de que a Contribuinte não poderia ser privada de repetir-se de indébito ao qual realmente comprovou ter direito, por equívoco formal e não atendimento às normas pertinentes. Ao escolher não manifestar sua inconformidade contra a não-homologação da primeira DCOMP apresentada, a Contribuinte abdicou do direito de demandar nova análise do direito creditório à Administração Tributária, e somente lhe restaria a possibilidade de dirigir seu pleito ao Poder Judiciário. Fl. 4050DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.514 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10380.903191/2017-46 18 De toda a sorte, como está em apreciação recurso especial da Contribuinte, não é possível alterar a decisão recorrida no ponto que lhe foi favorável, sob pena de se caracterizar reformatio in pejus. Cabe aqui, portanto, apenas discordar do entendimento expresso no paradigma e validar a premissa do acórdão recorrido de que não é permitido à Contribuinte destinar a novas compensações direito creditório antes não reconhecido em DCOMP que restou não-homologada. Conclusão O presente voto, assim, é por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Contribuinte. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa Fl. 4051DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11080.722133/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. SALDOS DISPONÍVEIS DE PERÍODOS ANTERIORES. Com a constatação da não existência de prejuízos fiscais em montante suficiente e adequado para a compensação com resultados positivos, cabe lançamento do imposto de renda que havia sido compensado com prejuízos fiscais anteriores não comprovados. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 BASE NEGATIVA DE CSLL. SALDOS DISPONÍVEIS DE PERÍODOS ANTERIORES. Com a constatação da não existência de saldo de base negativo de CSLL em montante suficiente e adequado para a compensação com resultados positivos, cabe lançamento da contribuição que havia sido compensada com base negativa de períodos anteriores não comprovada.
Numero da decisão: 1301-008.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Luis Angelo Carneiro Baptista – Relator Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luis Angelo Carneiro Baptista, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: LUIS ANGELO CARNEIRO BAPTISTA

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JARROS LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. SALDOS DISPONÍVEIS DE PERÍODOS ANTERIORES. Com a constatação da não existência de prejuízos fiscais em montante suficiente e adequado para a compensação com resultados positivos, cabe lançamento do imposto de renda que havia sido compensado com prejuízos fiscais anteriores não comprovados. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 BASE NEGATIVA DE CSLL. SALDOS DISPONÍVEIS DE PERÍODOS ANTERIORES. Com a constatação da não existência de saldo de base negativo de CSLL em montante suficiente e adequado para a compensação com resultados positivos, cabe lançamento da contribuição que havia sido compensada com base negativa de períodos anteriores não comprovada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Luis Angelo Carneiro Baptista – Relator Fl. 1065DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 2 Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luis Angelo Carneiro Baptista, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). RELATÓRIO 1. Trata-se de lançamento de ofício de IRPJ e CSLL, relativo aos anos-calendário de 2007 e 2008, tendo em vista a constatação de compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) em montante superior ao saldo compensável existente no sistema da Receita Federal de controle de saldo (SAPLI - Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Lucro Inflacionário). 2. Durante o procedimento fiscal a empresa foi intimada por duas vezes (e-fls. 123 e 126) a prestar os esclarecimentos necessários quanto às diferenças apuradas. 3. Em atendimento às intimações citadas, o contribuinte apresentou resposta (e-fls. 129 a 131), anexando os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) de nº 01 a 12 e cópias das declarações de rendimentos dos anos-calendário de 1993 a 2000, juntadas às fls. 312 a 670. 4. Na visão da empresa, estes seriam seus saldos de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa de CSLL para os anos em questão: 5. O contribuinte ponderou que acreditava que a diferença entre o valor do SAPLI e dos LALUR seriam ajustes de exercício anteriores realizados nos anos de 1995 a 1998 e declarados em DIPJ retificadoras. 6. Respondendo a nova intimação, o contribuinte informou (e-fls. 672 a 675) que não teria condições de reconstituir a conta “Ajustes Devedores de Períodos-Base Anteriores” dos anos 1995, 1996, 1997 e 1998 por ter sofrido um incêndio de grandes proporções em 17/01/1997 (destruindo os documentos relativos a 1995 e 1996) e por já ter mais de 10 anos da entrega das DIPJ dos anos de 1997 e 1998, razão pela qual eliminou os documentos, só restando os livros diários e LALUR para estes dois períodos. Fl. 1066DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 3 7. Em Relatório da Ação Fiscal (e-fls. 831 a 834), a Autoridade Fiscal cita que estes seriam os ajustes de exercícios anteriores que foram alegados pelo contribuinte como possível origem das distorções encontradas entre o SAPLI e os LALUR da empresa: 8. O Relatório da Ação Fiscal, então, tenta remontar o histórico dos saldos de prejuízos acumulados e lançamentos em LALUR, apontando: a) Que no final de 1994 as informações em LALUR, partes A e B, e no SAPLI são coincidentes: LALUR parte B – 1994 – e-fl. 205 SAPLI – 1994 – e-fl. 98 Fl. 1067DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 4 b) Que para os anos de 1995 a 1998 apenas na parte B do LALUR foram registrados os “ajustes de exercícios anteriores” referidos pela empresa em sua resposta à intimação, sem correspondência na parte A do LALUR e no SAPLI (cópias abaixo só referente a prejuízos fiscais acumulados, mas que possuem correspondência em relação da base negativo de CSLL): LALUR – Parte A – 1995 – e-fl. 180 LALUR – Parte A – 1996 – e-fl. 186 LALUR – Parte A – 1997 – e-fl. 192 LALUR – Parte A – 1997 – e-fl. 252 LALUR – Parte B – 1995 a 1998 – e-fls. 206, 208, 209 e 257 Fl. 1068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 5 SAPLI – 1995 – e-fl. 98 SAPLI – 1996 – e-fl. 99 SAPLI – 1997 – e-fl. 100 SAPLI – 1998 – e-fl. 101 c) Que no ano de 1995 houve redução do prejuízo fiscal no SAPLI em razão de procedimento fiscal, conforme e-fl. 825: Fl. 1069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 6 d) Que nas DIPJ não houve a exclusão dos valores referentes a Ajustes Devedores de Períodos Anteriores na Demonstração do Lucro Real e no Cálculo da CSLL declaradas para os períodos de 1995 a 1998. e) Que no ano de 1998 apesar de constar o Ajuste de Devedores de Exercícios Anteriores no LALUR (só na parte B, e-fl. 257), houve registro de Lucro Real (e-fl. 252). f) Que na parte A do LALUR de 1995 a 1998 não há especificação de exclusões a título de Ajustes Devedores de Períodos Anteriores, bem como não há indicação de exclusões destes valores na Demonstração do Lucro Real. g) Que a empresa não esclareceu a que se referem tais Ajustes Devedores de Período-base Anteriores. h) Que a partir de 1999 os resultados positivos e negativos são coincidentes entre DIPJ e SAPLI, com exceção dos saldos compensáveis (que tiveram as diferenças provocadas pelos ajustes realizados de 1995 a 1998). 9. Ante às considerações, o Relatório da Ação Fiscal afirma que foram desconsiderados os supostos ajustes existentes entre 1995 e 1998, utilizando os valores de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL apurados em DIPJ, valores confirmados com os registrados na parte A dos LALUR. Os valores são os mesmos existentes no SAPLI, já que este sistema espelha os valores de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL declarados em DIPJ nas fichas de Demonstração do Lucro Real e na ficha de Cálculo da CSLL. E, com base nestes, se chegou aos valores lançados no auto de infração controlado por este processo. 10. O contribuinte impugnou o lançamento (e-fls. 861 a 871), assim resumida pelos instância de piso: Realizou, durante os anos-calendário de 1995, 1996, 1997 e 1998, ajustes em seus registros contábeis retificando erros imputáveis a exercícios anteriores, não atribuídos a fatos subsequentes na forma do §1° do art. 186 da Lei 6.404/1976. Em decorrência de tais ajustes, houve um aumento do saldo de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. Em razão disso, na mesma época em que foram realizados os ajustes em sua contabilidade societária, os saldos do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL foram também corrigidos mediante o registro dos referidos ajustes no Lalur (fls. 206, 208, 209, 211, 212, 213 e 257 dos autos do processo administrativo), conforme determina o Decreto-lei n° 1.598/1977 e a IN SRF 28/78, eis que se referiam a despesas dedutíveis conforme a legislação do Imposto de Renda. A existência de ajustes também aparece nas Demonstrações Financeiras publicadas pela contribuinte no Diário Oficial do Estado, e em Jornal de Grande Circulação nos termos do art. 133 da Lei 6.404/1976: Fl. 1070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 7 (...) Decorreram mais de 12 (doze) anos desde que o último dos referidos ajustes foi realizado pela contribuinte, registrado no LALUR (fls. 206, 208, 209, 211, 212, 213 e 257 dos autos do processo administrativo), declarado na DIPJ e publicado juntamente com as suas Demonstrações Financeiras, sem que a Secretaria da Receita Federal solicitasse qualquer informação ou realizasse qualquer espécie de glosa em tais registros oficiais. Todavia, no final do ano de 2010, foi a contribuinte intimada a comprovar se tais ajustes relativos a exercícios anteriores, realizados durante os anos-calendário de 1995, 1996, 1997 e 1998, referiam-se “efetivamente a despesas dedutíveis na apuração do lucro real e no cálculo da CSLL". Devido ao tempo decorrido desde a realização dos referidos ajustes em sua contabilidade até a intimação fiscal para prestar esclarecimentos (mais de 12 anos), à época em que foram solicitados os esclarecimentos à contribuinte, a maioria dos documentos contábeis relativos a tais ajustes já haviam sido eliminados, eis que decorrido o prazo legal de guarda dos mesmos, que é de 5 (cinco) anos. Não obstante, mesmo assim a contribuinte se esforçou em prover a fiscalização dos elementos necessários para constatar a legalidade de seus lançamentos. Neste sentido, foram apresentados os Lalur, DIPJ e os Livros Diário do período, exceção feita, quanto a estes últimos, aos anos de 1995 e 1996 que foram perdidos em um incêndio ocorrido em sua sede no dia 17/01/1997 (há mais de 14 anos). Todavia, por óbvio que a contribuinte não possuía mais as notas-fiscais, contratos, recibos, etc. comprobatórios das despesas dedutíveis que foram objeto dos ajustes, eis que decorridos mais de 12 (doze) anos desde o lançamento contábil do último ajuste. Ocorre que, para a surpresa da contribuinte, não obstante estarem devidamente registrados, declarados e publicados os referidos ajustes que aumentaram os saldos do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL nos anos-calendário de 1995, 1996, 1997 e 1998, foi lavrado o Auto de Infração ora impugnado, neste ano de 2011, sob o fundamento básico de que teria havido "impossibilidade de confirmar-se os Ajustes Devedores de Períodos-base Anteriores, considerados pela contribuinte como prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL nos anos- calendário de 1995 a 1998, referem-se efetivamente a despesas dedutíveis na apuração do lucro real e no cálculo da CSLL". Decadência Tendo o contribuinte entregue a DIPJ com todos os dados atinentes ao resultado do exercício e respectivos ajustes para apuração do Lucro Real, e não tendo o Fisco se pronunciado no prazo de 5 (cinco) anos, considera-se homologado o lançamento e, portanto, incontroversos o valor do tributo devido ou do prejuízo Fl. 1071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 8 fiscal e base negativa de CSLL apurados pelo contribuinte, conforme prevê expressamente o §4° do art. 150 do CTN. Esta mesma regra se aplica aos ajustes de exercícios anteriores regularmente lançados nas Demonstrações Financeiras da empresa e declarados nas DIPJs. No caso concreto decorreu mais de 12 (doze) anos desde o lançamento contábil dos ajustes glosados pelo Auto de Infração ora impugnado. Conforme demonstrado, tais ajustes constaram expressamente nas Demonstrações Financeiras publicadas, foram devidamente registrados no Lalur (fls. 206, 208, 209, 211, 212, 213 e 257 dos autos do processo administrativo), declarados nas DIPJs dos anos anos-calendário de 1995, 1996, 1997 e 1998, sem que, no prazo hábil - 05 (cinco) anos a contar da data de entrega das declarações - tivessem sido contestadas pelo Fisco. Destarte, não poderia o Fisco, em 2011, mais de 12 (doze) anos após os tais lançamentos, exigir que a contribuinte comprovasse se tais ajustes, realizados durante os anos-calendário de 1995, 1996, 1997 e 1998, referiam-se "efetivamente a despesas dedutíveis na apuração do lucro real e no cálculo da CSLL". Isto porque, no caso, o registro de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL decorrentes dos referidos ajustes são definitivos, eis que homologados tacitamente pelo Fisco nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Não se argumente que o prazo decadencial se iniciaria apenas do aproveitamento dos referidos prejuízos fiscais e base negativa de CSLL, mediante compensação, eis que os mesmos já haviam se incorporado definitivamente ao patrimônio da contribuinte na época em que foram utilizados. Ademais, não é crível se exigir que a contribuinte mantenha em seus arquivos os comprovantes das despesas dedutíveis, até que se esgote o estoque de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, eis que o aproveitamento completo de tais prejuízos pode durar décadas, como ocorreu com a contribuinte. Assim, preliminarmente a contribuinte requer a insubsistência e improcedência da ação fiscal, em face da decadência e homologação tácita demonstrada. Mérito. Assim dispõe o Decreto-lei n° 1.598/1977 que regula, dentre outras, a obrigatoriedade de a contribuinte escriturar o Lalur: (...) Conforme se constata claramente do texto legal antes transcrito, especialmente dos §§1° e 2º do art. 9º, as Demonstrações Financeiras e o Lalur (fls. 206, 208, 209, 211, 212, 213 e 257 dos autos do processo administrativo) fazem prova a favor da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos ali registrados pela contribuinte. Fl. 1072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 9 Ora, se constata que houve uma inversão da regra claramente estabelecida no Decreto-lei n° 1.598/1977 eis que, enquanto aquele diploma legal estabelece que devem prevalecer os dados lançados nos registros contábeis e fiscais, salvo prova em contrário da autoridade administrativa, no caso concreto a autoridade administrativa desconsiderou os lançamentos existentes no Lalur (fls. 206, 208, 209, 211, 212, 213 e 257 dos autos do processo administrativo) e nas demonstrações financeiras publicadas há mais de 12 (doze) anos pela contribuinte, sob o argumento de que esta não teria apresentado provas de que os Ajustes Devedores de Períodos-base Anteriores, considerados como prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, referem-se efetivamente a despesas dedutíveis na apuração do lucro real e no cálculo da CSLL. Na verdade, para lavrar o Auto de Infração ora impugnado deveria a autoridade fiscal ter produzido a prova inequívoca de que os referidos lançamentos se referem a despesas indedutíveis. Todavia não o fez. Limitou-se o fisco a alegar que havia divergências entre os valores compensados pela contribuinte e o saldo apontado pelo Sapli transferindo todo o ônus da prova para a contribuinte e exigindo a prova de que despesas realizadas há bem mais de 12 (doze) anos eram efetivamente dedutíveis na apuração do Lucro Real. Ocorre que a eventual existência de "divergências" no Sapli não é motivo suficiente para ensejar a autuação da contribuinte, eis que o Sapli muitas vezes contém erros conforme reconhecido pelo Conselho de Contribuintes. Além disso, conforme reconhecido no próprio "Relatório da Ação Fiscal", no dia 17/01/1997 ocorreu um incêndio de grandes proporções nas dependências da contribuinte, tendo sido perdidos os documentos contábeis do ano-calendário de 1996 e períodos anteriores, conforme comprovam a "Certidão de Atendimento de Ocorrência" e as "Comunicações de Ocorrência" que já se encontram acostadas aos autos do processo administrativo, às fls. 826/830 dos autos do processo administrativo. Não obstante, a contribuinte ainda providenciou declarações dos seus contadores à época (fls. 674/675 do processo administrativo), atestando que os referidos ajustes de períodos anteriores foram realizados porque foi constatada a existência de despesas dedutíveis para fins de apuração do Lucro Real, conforme a legislação do Imposto de Renda, que por um equívoco não haviam sido registradas nos exercícios correspondentes. 11. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) exarou o Acórdão 14-88.564 - 3ª Turma da DRJ/POR (e-fls. 923 a 933), de 05/10/2018, julgando improcedente a impugnação. 12. O contribuinte foi cientificado do julgado acima em 14/11/2018 (e-fl. 938). Irresignado, apresentou Recurso Voluntário (e-fl. 942 a 959) em 13/12/2018 (e-fl. 940) arguindo, em suma: Fl. 1073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 10 a) Que os ajustes realizados entre 1995 e 1998 foram declarados à Receita Federal através das DIPJ e que foram publicados no Diário Oficial do Estado e em Jornal de Grande Circulação. b) Que decorreram mais de 12 anos desde o último dos ajustes realizados até que a Receita Federal o intimasse a comprovar tais lançamentos. Que, por isso, ocorreu a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º, do CTN, tendo os períodos 1995 a 1998 alcançados pela decadência tributária. O fisco não atuando em 5 anos para glosar despesas indedutíveis, essas se tornam definitivas, assim como o valor dos tributos devidos ou do prejuízo fiscal e base negativa de CSLL apurados. Logo, não poderia o fisco cobrar documentos que lastrearam lançamentos de mais de 12 anos atrás. c) Que, pelo lapso temporal citado, a maioria dos documentos já tinha sido eliminado, tendo apresentado os documentos que possuía. d) Que um incêndio ocorreu na empresa em 17/01/1997, devidamente registrado, destruindo parte dos documentos solicitados. e) Que o ônus da prova para desconstituir os lançamentos de ajustes é da Autoridade Fiscal, com base no Decreto-lei nº 1.598/77 que regula a escrituração do LALUR. E que a Autoridade Fiscal não comprovou que os lançamentos eram indevidos. f) Que a mera existência de divergência no SAPLI não é motivo suficiente para ensejar autuação. 13. Em 23/05/2022 (e-fl. 1010) o contribuinte voltou ao processo (petição de e-fls. 1012 a 1022) para reportar que em 12/04/2022 houve julgado da 3ª Turma da Câmara de Superior de Recursos Fiscal deste CARF (Acórdão nº 9303-012.808 CSRF / 3ª Turma) que acolheu os mesmos argumentos adotados pelo recorrente em sua defesa (quanto à decadência). 14. Este é o relatório. VOTO Conselheiro Luis Angelo Carneiro Baptista, Relator Admissibilidade 15. Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 43 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023. Fl. 1074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 11 16. A ciência do Acórdão 14-88.564 - 3ª Turma da DRJ/RPO se deu em 14/11/2018 (e-fl. 938), sendo o recurso voluntário apresentado em 13/12/2018 (e-fl. 940). Logo, o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar 17. O recorrente alega que decorreram mais de 12 anos desde o último dos ajustes realizados até que a Receita Federal o intimasse a comprovar tais lançamentos. Que, por isso, ocorreu a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º, do CTN, tendo os períodos 1995 a 1998 sido alcançados pela decadência tributária. 18. De antemão, salienta-se que se entende que não é caso de análise de decadência tributária relativo aos anos de 1995 a 1998 (na apuração do saldo de prejuízos fiscal e base de cálculo negativo de CSLL), pois os dados que foram considerados pela Autoridade Fiscal relativos a estes anos são exatamente os dados presentes na apuração do lucro real e na apuração da CSLL a pagar pelo recorrente para estes anos. Logo, não houve alteração de valores relativo às apurações destes anos, como se será explicado na análise do mérito. 19. De toda sorte, se analisando, em tese, o tema decadência tributária, há hoje, neste Conselho, uma corrente majoritária que entende aplicável o art. 150, § 4º, ou o art. 173 do CTN para análise de formação do prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Este entendimento tem se baseado muito no Acórdão nº 1302-001.796 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 01/03/2016, cuja relatora foi a Conselheira Edeli Pereira Bessa, cuja ementa assim versa sobre o tema: REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Se o sujeito passivo informa ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa, na medida em que a lei autoriza a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte, este ato administrativo deve ser promovido antes do decurso do prazo decadencial. 20. Contudo, esta tese não é aplicável para o caso presente. Como será explicitado na análise do mérito, a forma de escrituração dos ajustes de exercícios anteriores foi imprópria, razão da divergência entre os saldos de prejuízos fiscais acumulados entre o SAPLI e os controles do contribuinte. Então, há um debate anterior sobre a homologação, que é saber se estes lançamentos e os saldos existiram ou não para fins tributários. 21. Desta sorte, não se acolhe a preliminar de decadência tributária. Mérito 22. O recorrente alega que realizou ajustes entre 1995 e 1998 em relação erros imputáveis a exercícios anteriores que desencadearam no aumento do saldo de prejuízos fiscais e Fl. 1075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 12 base de cálculo negativa da CSLL. Que estes ajustes foram declarados à Receita Federal através das DIPJ e que foram publicados no Diário Oficial do Estado e em Jornal de Grande Circulação. 23. O primeiro esclarecimento que se faz necessário, no caso, é entender e diferenciar os livros e escritas contábeis/financeiras e fiscais. 24. Primeiramente, a "Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados” (DLPA) é Demonstração Financeira, com base no art. 176 e art. 186 do Lei das S/A (Lei nº 6.404/76): Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: (...) II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; (...) Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará: I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. § 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia. 25. A função da DLPA, então, não é o controle de saldo prejuízos fiscais passíveis de compensação. Ele é um livro comercial e serve para mostrar como os lucros ou prejuízos contábeis de uma empresa são movimentados ao longo do tempo. Em outras palavras, ela detalha as alterações no saldo de lucros ou prejuízos contábeis acumulados de um período para outro, indicando como esses resultados são utilizados, seja através da distribuição de dividendos, transferência para reservas ou compensação de prejuízos de anos anteriores. Reforça-se, não se trata de um livro que lide com prejuízos fiscais, mas sim com prejuízos contábeis, para fins de análise comercial. Fl. 1076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 13 26. O controle de saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL se dá por um livro fiscal, denominado Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), previsto no art. 8º do Decreto-Lei nº 1.598/77 (redação vigente à época): Art. 8º - O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I - de apuração de lucro real, no qual: a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subsequentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). § 3º O disposto neste artigo será disciplinado em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifo próprio) 27. Pela delegação do § 3º do art. 8º do Decreto-Lei nº 1.598/77, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF Nº 28/78 (vigente até 2020, quando foi revogada pela IN RFB Nº 1.928/2020). Essa IN de 1978 aprovou o modelo do LALUR, com “Parte A” com o nome de “Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício”, assim como a “Parte B” com o nome de “Controle de Valores que Constituirão Ajuste do Lucro Líquido de Exercício Futuros”, além do modelo de “Demonstração do Lucro Real”. No corpo da IN citada foram estabelecidas nas normas da escrituração do LALUR, que aqui se destaca algumas partes: 1.2. Modelo do Livro O livro de apuração do lucro real, cujas folhas serão numeradas tipograficamente, terá duas partes, reunidas em um só volume encadernado, a saber: a) Parte A, conforme modelo anexo, destinada aos lançamentos de ajuste do lucro líquido do exercício e à transcrição da demonstração do lucro real; e b) Parte B, conforme modelo anexo, destinada ao controle dos valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercícios futuros e não constem da escrituração comercial. (...) 1.3 — Autenticação e Registro O livro de apuração do lucro real deverá conter, respectivamente na primeira e na última página, os termos de abertura e de encerramento, que identificarão o contribuinte (firma ou razão social, número e data do arquivamento dos atos constitutivos no órgão de registro do comércio e o número de registro no Fl. 1077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 14 Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda) e serão datados e assinados por diretor, gerente ou titular e por contabilista legalmente habilitado. É dispensado o registro do livro. A escrituração de cada exercício se completa com a assinatura, após a demonstração do lucro real, de responsável pela pessoa jurídica e de contabilista legalmente habilitado. Considera-se não apoiada em escrituração a declaração de rendimentos entregue sem que estejam lançados no livro de que trata esta Instrução Normativa os ajustes ao lucro líquido, a demonstração do lucro real e os registros correspondentes nas contas de controle. (...) 3 — DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL 3.1 — Momento da Demonstração Após terem sido efetuados os lançamentos de ajuste do lucro líquido do exercício, na Parte A do livro, na data de encerramento do exercício social será elaborada demonstração do lucro real, de conformidade com a orientação contida no subitem a seguir. 3.2 — Modelo e Forma de Apresentação A demonstração do lucro real será transcrita na Parte A do livro de apuração do lucro real, após o último lançamento de ajuste do lucro líquido do exercício, na forma do modelo anexo, devendo conter: 1 — o lucro ou prejuízo líquido constante da escrituração comercial, apurado no período-base de incidência; 2 — as adições ao lucro Líquido, discriminadas item por item, agrupados os valores de acordo com sua natureza, e a soma das adições; 3 — as exclusões do lucro líquido, discriminadas item por item, agrupados os valores de acordo com sua natureza, e a soma das exclusões; 4 — subtotal, obtido pela soma algébrica do lucro ou prejuízo líquido do exercício com as adições e exclusões; 5 — as compensações que estejam sendo efetivadas no exercício, cuja soma não poderá exceder o valor positivo do item 4; 6 — o lucro real do exercício; ou prejuízo do exercício, a pensar em exercícios subsequentes. 4 — REGISTRO DE CONTROLE 4.1 — Momento e Modelo do Registro Na parte B do livro de apuração do lucro real, concomitantemente com os lançamentos de ajuste efetuados na Parte A do livro ou no final de cada exercício Fl. 1078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 15 social, serão efetuados os controles dos valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercícios subsequentes. (...) 4.3 — Contas Suscetíveis de Controle Os valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e que não devam ser controlados na escrituração comercial serão agrupados em contas distintas, segundo a sua natureza, tais como: — Prejuízos a Compensar, na forma do item 5; (...) 5 — CONTROLE DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Os prejuízos compensáveis na forma da legislação tributária serão controlados no livro de apuração do lucro real, observados os seguintes procedimentos: 5.1. Individuação Será utilizada conta distinta para o prejuízo correspondente a cada exercício financeiro. (...) 5.2 — Registro do Prejuízo O lançamento de inscrição do prejuízo a compensar será feito em folha própria da Parte B do livro, com preenchimento de todas as colunas exceto as de números 5 e 6 (...) 5.2.3 — O valor a ser registrado na coluna 4 é o prejuízo a compensar apurado na demonstração do lucro real. Tratando-se de prejuízos apurados em períodos- base anteriores ao correspondente ao do exercício financeiro de 1978, o valor lançável na coluna 4 é o prejuízo apurado segundo a legislação vigente à época de sua apuração (antigo prejuízo fiscal ou, para o exercício financeiro de 1977, o prejuízo contábil ajustado). Quando parte do prejuízo já tiver sido compensado antes do início da escrituração deste livro, o valor a ser lançado será o saldo compensável. 28. Ou seja, se tem no LALUR duas partes: A e B. Na parte A se faz a apuração do lucro real (que serve para fins fiscais, para cômputo da base de cálculo de IRPJ e CSLL). E na parte B se controla contas que podem influenciar exercícios futuros. Nesta parte B do LALUR, especificamente sobre controles para fins de compensação de prejuízos fiscais, se deve ter conta individual de cada ano em que houve prejuízo fiscal, sendo o valor registrado o prejuízo calculado na demonstração do lucro real da parte A do LALUR. 29. Voltando ao recurso do recorrente, ele traz como argumento para justificar os ajustes em questão que eles foram realizados no livro comercial “Demonstração dos Lucros ou Fl. 1079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 16 Prejuízos Acumulados” (e-fl. 943 e 944), trazendo cópias deste livro nas DIPJ, como este para 1996 (um exemplo): 30. Além disso, argumenta que publicou estas Demonstrações no Diário Oficial e Jornais de Grande Circulação, trazendo exemplo como este (e-fl. 945): 31. Ora, mas como dito, este não é um livro fiscal que se preste a controlar saldo de prejuízos a compensar. É um livro comercial que controla lucro ou prejuízos contábeis, que possui outra finalidade, como a análise financeira pelos sócios e acionistas. 32. Então, o que deve orientar os saldos existentes oriundos destes períodos são os valores apurados de Prejuízos Fiscais em LALUR, lado A, e seus transporte para o lado B. Para isso, toma-se como ponto de partida o ano de 1994: 33. Como se percebe, o saldo de prejuízo deste ano, no lado B do Lalur, foi de R$ 179.401,00. No SAPLI se possuía saldo similar: Fl. 1080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 17 34. No ano de 1995, esta foi a apuração do Lucro Real no lado A do LALUR: 35. Observa-se, no quadro acima, que não há ajustes de exercícios anteriores. 36. Pelas regras do LALUR (aqui antes explicitadas), o valor do prejuízo apurado na parte A é que deve ser lançado no lado B do LALUR para compensação de prejuízos futuros. Mas não é o que fez o contribuinte. Ele levou os R$ 509.383,12 e, após, no lado B, fez “Ajustes de Exercícios Anteriores” no valor de R$ 22.336,03: Fl. 1081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 18 37. Ora, mas não cabe este tipo de lançamento na parte B do LALUR. Na parte B, na conta de Prejuízos Fiscais de um ano específico, só pode ser transportado o valor apurado de prejuízo fiscal na parte A do mesmo livro. O que aparenta é que este lançamento foi realizado após a apuração do lucro real na parte A do LALUR. Como não havia mais como incluir este ajuste na parte A, o contribuinte fez este lançamento atípico e sem fundamento normativo diretamente na conta de prejuízos fiscais do ano de 1995 na parte B do LALUR. A mais, este lançamento datado de 31/12/95 denota ter sido realmente feito extemporaneamente, até com caligrafia diferente das linhas anteriores, chamando atenção a letra “J” que é bem diferente das existentes nas linhas anteriores. Ou seja, lançamentos que seriam do mesmo dia (31/12/1995) foram lavrados por pessoas diferentes e não passando pelo resultado fiscal do exercício, que é a forma preconizada pela legislação. 38. Na DIPJ de 1995 (e-fls. 408) o valor do prejuízo fiscal apurado é exatamente igual a parte A do LALUR: 39. O sistema SAPLI é alimentado deste valor (ficha 07, Demonstração do Lucro Real). E assim se vê o valor do SAPLI de 1995: Fl. 1082DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 19 40. Explicando os valores acima, o saldo inicial (R$ 219.688,34) é resultado do saldo de 1994 (R$ 179.396,00) multiplicado pelo fator de correção da época (1,2246). Para o ano de 1995 houve uma redução de prejuízo fiscal fruto de Malha Fiscal, passando de R$ 509.383,12 para R$ 473.942,07, como se vê: 41. Desta sorte, o saldo de prejuízos fiscais acumulados compensáveis, no final de 1995, foi de R$ R$ 219.688,34 (1994) + R$ 473.942,07 (1995 após fiscalização), totalizando R$ 693.630,41. Até este momento se percebe que o SAPLI replica exatamente os valores apurados na parte A do LALUR e declarados em DIPJ. 42. Em 1996, esta foi a apuração do Lucro Real no lado A do LALUR: Fl. 1083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 20 43. Mais uma vez se observa que não há ajustes de exercícios anteriores na apuração do lucro real. 44. Se repete aqui o mesmo que ocorreu em 1995. Após o contribuinte transportar o valor do prejuízo fiscal (R$ 389.037,88) da parte A do LALUR para a conta de prejuízos a compensar do ano de 1996 na parte B, ele adicionou, de informa imprópria, “Ajustes de Exercícios Anteriores” no valor de R$ 859.600,32: 45. Se reafirma: não cabe este tipo de lançamento na parte B do LALUR. Na parte B, na conta de Prejuízos Fiscais de um ano específico, só pode ser transportado o valor apurado de prejuízo fiscal na parte A do mesmo livro. Reforça-se que, o que aparenta é que este lançamento foi realizado após a apuração do lucro real na parte A do LALUR. Como não havia mais como incluir este ajuste na parte A, o contribuinte fez este lançamento atípico e sem fundamento normativo diretamente na conta de prejuízos fiscais do ano de 1996. E, mais uma vez, a caligrafia chama a atenção: os lançamentos efetuados em 1996 de transporte dos prejuízos ou lucros apurados são com a caligrafia que realizaram os mesmos em 1995. Já o “Ajuste” é outra caligrafia, a mesma que fez o “Ajuste” de 1995 – chama-se a atenção para a comparação da letra “J” nos lançamentos. 46. Na DIPJ de 1996 (e-fls. 424) o valor do prejuízo fiscal apurado é exatamente igual a parte A do LALUR: Fl. 1084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 21 47. Como o sistema SAPLI é alimentado deste valor (ficha 07, Demonstração do Lucro Real), assim se percebe neste sistema para 1996: 48. Ou seja, se transportou corretamente o saldo R$ 693.630,41 do ano de 1995, adicionou o valor apurado de prejuízo fiscal no ano de 1996 (R$ 389.037,88), chegando ao valor de saldo de prejuízos fiscais acumulados compensáveis de R$ 1.082.688,29 no final de 1996. 49. Em 1997, esta foi a apuração do Lucro Real no lado A do LALUR: 50. Mais uma vez se observa que não há ajustes de exercícios anteriores na apuração do lucro real. 51. Se observa para 1997 o mesmo que ocorreu para 1995 e 1996. Após o contribuinte transportar o valor do prejuízo fiscal (R$39.013,46) da parte A do LALUR para a conta de prejuízos Fl. 1085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 22 a compensar do ano de 1997 na parte B, ele adicionou, de informa imprópria, “Ajustes de Exercícios Anteriores” no valor de R$ 280.892,39: 52. Se volta a reforçar: não cabe este tipo de lançamento na parte B do LALUR. Na parte B, na conta de Prejuízos Fiscais de um ano específico, só pode ser transportado o valor apurado de prejuízo fiscal na parte A do mesmo livro. Para este ano se observa que a caligrafia já parece ser a mesma. 53. Na DIPJ de 1997 (e-fls. 450) o valor do prejuízo fiscal apurado é exatamente igual a parte A do LALUR: 54. Como o sistema SAPLI é alimentado deste valor (ficha 07, Demonstração do Lucro Real), assim se vê no SAPLI de 1997: 55. Ou seja, se transportou corretamente o saldo R$ 1.082.668,29 do ano de 1996, adicionou o valor apurado de prejuízo fiscal no ano de 1997. 56. Em 1998, esta foi a apuração do Lucro Real no lado A do LALUR (momento em que o contribuinte passa a utilizar livros digitados, não mais com escrita manual): Fl. 1086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 23 57. Ou seja, neste ano de 1998 o contribuinte teve lucro fiscal. Ele poderia ter compensado parte do prejuízo fiscal acumulado, mas não o fez. 58. Mais uma vez se observa que não há ajustes de exercícios anteriores na apuração do lucro real. 59. Neste ano de 1998 o contribuinte fez diferente. Criou uma conta na parte B do LALUR denominada “Prejuízos – Ajustes de Exercícios Anteriores” e lançou o valor de R$ 98.503,41: 60. Para este ano de 1998 a forma imprópria é ainda maior. Se havia ajustes de exercícios anteriores, ele deveria passar pelo lucro real, reduzindo o lucro fiscal apurado. E somente o valor de prejuízo fiscal apurado na parte A do LALUR é que iria para uma conta prejuízos a compensar de 1998 na parte B do LALUR. Mas não. De forma imprópria, criou uma conta não prevista em norma para compensação de prejuízos futuros, mesmo tendo lucro no ano corrente. 61. Na DIPJ de 1998 (e-fls. 487) o valor do lucro real apurado é exatamente igual a parte A do LALUR: Fl. 1087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 24 62. Como em 1998 houve lucro fiscal apurado, mas não houve compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores, o saldo do SAPLI se manteve inalterado: 63. Pelo que se percebe de tudo que ficou aqui demonstrado, que é também aplicável para base de cálculo de CSLL, o contribuinte pode até ter desejado fazer ajustes de exercícios anteriores, mas não os fez da forma normatizada. Criou uma forma nova de escrituração fiscal, não prevista na legislação. Além disso, aparentemente, ao menos parte dos lançamentos efetuados para este fim foram feitos de forma extemporânea, apesar das datas registradas nos lançamentos. Em suma, o prejuízo fiscal apurado em cada ano (quando ocorreu) é que deve ser levado em consideração para computo do saldo de prejuízos fiscais acumulados compensáveis, em desprezo a esta forma atípica de escrituração ventilada pelo contribuinte. 64. Os lucros reais apurados em LALUR (parte A) estão exatamente iguais aos apurados em DIPJ para todos os anos de 1995 a 1998. E o SAPLI os utilizou devidamente para o computo do saldo de prejuízos fiscal a compensar. 65. Ou seja, a princípio estes ajustes nem existiram para fins de computo em prejuízos fiscais a compensar. 66. A Autoridade Fiscal, no entanto, ainda deu a oportunidade para que o fiscalizado apresentasse a documentação que lastreava o saldo de prejuízo fiscais que o contribuinte entendia possuir. O argumento do recorrente foi este, em resposta à intimação fiscal (e-fl. 129): A contribuinte atribui tal diferença à hipótese de o referido Sistema SAPLl não ter considerado os ajustes de exercícios anteriores, regularmente declarados pela contribuinte nas DIPJs relativas aos anos-calendário de 1995, 1996, 1997 e 1998, que seguem em anexo, conforme se verifica pelas respectivas fichas abaixo reproduzidas: (...) 67. Em seguida o contribuinte colecionou as Demonstrações dos Lucros ou Prejuízos Acumulados de 1995 a 1998 (e-fls. 130 e 131). Contudo, como aqui já foi explicado, estas demonstrações não possuem valor fiscal, servindo somente para fins comerciais. Para fins fiscais são considerados os valores presentes em LALUR. A apuração do Lucro Real, que está presente no Fl. 1088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 25 LALUR na parte A, é declarada em DIPJ. E, a partir dela, a Receita Federal recompõe o que seria o saldo de prejuízos fiscais a compensar. E foi exatamente o que ocorreu. 68. Dando continuidade à ação fiscal, a Autoridade, então, intimou o recorrente a (e-fl. 671): 1- No que se refere à conta Ajustes Devedores de Períodos-Base Anteriores, cujos valores estão especificados nas fichas de Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados das declarações de rendimentos da pessoa jurídica dos anos- calendário de 1996, 1997 e 1998, informar: 1.1 a qual despesa se refere o lançamento na citada conta; 1.2 de qual período é a despesa; 2- Apresentar o documento contábil onde estão registrados os lançamentos que deram origem ao citado ajuste, bem como os lançamentos relativos ao ajuste especificamente. 69. O contribuinte, então, respondeu (e-fl. 672 e 673): 1. Conforme comprovam a 'Certidão de Atendimento de Ocorrência' e as "Comunicações de Ocorrência' em anexo, no dia 17/01/1997 ocorreu um incêndio de grandes proporções nas dependências da contribuinte, tendo sido perdidos os documentos contábeis do ano-calendário de 1996 e períodos anteriores. Já em relação aos anos-calendário de 1997 e 1998. referidos na inumação, cumpre informar que os documentos contábeis deste período, com exceção dos livros diários e do LALUR, já foram eliminados pela empresa em face de já ter decorrido mais de 10 (dez) anos desde a entrega das DIPJ. Em razão disso, a contribuinte esclarece que não tem condições de reconstituir a conta 'Ajustes Devedores de Períodos-Base Anteriores', cujos valores estão especificados nas fichas de Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados das declarações de rendimentos relativas aos anos-calendário de 1996, 1997 e 1998. (...) 2. Além disso a contribuinte também junta, em anexo, declarações firmadas pelos contadores da empresa na época, responsáveis pela apresentação das DIPJs e pelo registro dos referidos Ajustes Devedores de Períodos-Base Anteriores, os quais atestam que se tratavam tais ajustes de despesas dedutíveis, daí porque foram também lançadas no LALUR à época 70. Com o encerramento do procedimento, a Autoridade Fiscal assim pontuou no Relatório da Ação Fiscal: 2.1.4.3.2 Os valores relativos aos Ajustes Devedores de Exercícios Anteriores foram informados pela empresa apenas nas fichas 19 (Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados), das declarações de rendimentos dos anos-calendário Fl. 1089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 26 de 1996 e 1997, fls. 442 e 471, e na ficha 27 da declaração do ano-calendário de 1998, fl. 507. Já na ficha 19 da declaração de rendimentos referente ao ano- calendário de 1995, fl. 417, a linha correspondente a Ajustes Devedores de Períodos-Base Anteriores está zerada. 2.1.4.3.3 Nas fichas de Demonstração do Lucro Real e nas fichas de Cálculo da CSLL das declarações de rendimentos dos anos-calendário de 1995 a 1998, fls. 408, 424, 450, 487, 412, 433, 466, 515, não há exclusões dos valores de Ajustes Devedores de Períodos-Base Anteriores. 2.1.4.3.4 No que diz respeito ao Livro LALUR referente aos anos-calendário de 1995 a 1998, os valores de Ajustes Devedores de Exercícios Anteriores estão registrados unicamente na Parte "B”, na folha individual de controle dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL apurados em cada um dos anos- calendário de 1995 a 1997, fls. 206, 208, 209, 211, 212 e 213. No ano-calendário de 1998, na Parte "B" do livro LALUR, fls. 257 e 262, há apenas o registro do valor referente a Ajustes Devedores de Exercícios Anteriores, urna vez que, na Parte "A", foi registrado um lucro real, fl. 252 (vide também fls. 487 e 515). 2.1.4.3.5 Na Parte "A" dos livros LALUR relativos aos anos-calendário de 1995 a 1998. fls. 174 a 192 e 252, não há especificação de exclusões a este título, bem como não há indicação de exclusões desses valores nas Demonstrações do Lucro Real ali registradas. 2.1.4.3.6 Observamos que em nenhum dos documentos apresentados pela empresa há qualquer informação que possa esclarecer a que se referem tais Ajustes Devedores de Períodos-base Anteriores. 2.1.4.4 A partir do ano-calendário de 1999, os resultados positivos ou negativos apurados de lucro real e base de cálculo da CSLL estão coincidentes nos documentos citados no item anterior, exceção para os saldos compensáveis, em virtude do que a contribuinte considerou como prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL os valores referentes aos Ajustes Devedores de Períodos-Base Anteriores, os quais estão especificados nos itens 2.1.3 e 2.1.4.3). (...) 2.1.7.1 É oportuno esclarecer que, em relação aos anos-calendário de 1995 a 1998, utilizamos os valores do prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL apurados, respectivamente, nas fichas de Demonstração do Lucro Real e nas fichas de Cálculo da CSLL das declarações de rendimentos dos anos-calendário referidos, fls. 408, 412. 424, 433, 450, 465, 487 e 515, valores estes confirmados nos registros existentes na PARTE “A” dos livros LALUR relativos aos citados períodos, fls. 174 a 192 e 252. 2.1.7.2 Esses mesmos valores constam nos demonstrativos do sistema SAPLI de fls. 96 a 101, 115 e 116, uma vez que eles espelham os valores de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL declarados pela contribuinte, respectivamente, nas fichas de Demonstração do Lucro Real e nas fichas de Fl. 1090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 27 Cálculo da CSLL. fls. 408, 412. 424. 433. 450, 466, 487 e 515, em conformidade com a legislação anteriormente citada. 71. Quanto à citada, pelo contribuinte, destruição dos documentos referentes a períodos pretéritos, já que havia se passado, à época, mais de 10 anos das entregas das DIPJ, se traz aqui o previsto no art. 15 da Lei 9.065/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. (grifo próprio) 72. Ora, a Autoridade Fiscal nem precisaria intimar o contribuinte a apresentar os documentos que justificariam os ajustes realizados de forma imprópria nos anos de 1995 a 1998. Mas o fez, dando uma oportunidade em busca pela verdade material. E a legislação exige que o contribuinte tivesse guarda de tais documentos, como citado. Mas o contribuinte não apresentou a documentação que desse lastro aos ajustes de exercícios anteriores que ele dizia ter direito. 73. O julgado de piso, ora recorrido, assim se pronunciou sobre o tema, que aqui se adota como razões de decidir adjacentes: De acordo com o art. 264 do RIR/1999, as empresas são responsáveis pela manutenção, em boa guarda e ordem, de todos os livros, documentos e demais papéis relativos a sua atividade, e, no caso de extravio desses documentos (§ 1º), devem divulgar o fato em jornal de grande circulação dentro de 48 horas e comunicar ao órgão competente do Registro do Comércio e à Receita Federal da jurisdição da empresa. Ressalte-se, entretanto, que a adoção de tais procedimentos previstos no § 1º, apesar de necessários, não são suficientes para excluir a responsabilidade do contribuinte pela guarda e conservação de seus documentos contábeis e fiscais, tampouco fica afastada a obrigatoriedade de comprovar, com documentos hábeis, os custos e despesas deduzidos na apuração de cálculos dos tributos. É necessária a reconstituição dos livros fiscais, cabendo à contribuinte buscar e obter as informações e cópias de documentos junto a terceiros, como instituições financeiras, repartições estaduais e federais, fornecedores, clientes, etc. A contribuinte, durante o procedimento fiscal, foi intimada a informar a qual despesa e a qual período se referia o lançamento dos ajustes devedores de exercícios anteriores (especificados nas fichas de Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados das DIPJ dos anos-calendário de 1996, 1997 e 1998) e a Fl. 1091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 28 apresentar o documento contábil onde estariam registrados os lançamentos que deram origem ao citado ajuste, bem como os lançamentos relativos ao ajuste especificamente. Em resposta, informou que ocorreu um incêndio de grandes proporções nas dependências da empresa, tendo sido perdidos os documentos contábeis do ano- calendário de 1996 e períodos anteriores. Já em relação aos anos-calendário de 1997 e 1998, informou que os documentos contábeis, com exceção dos livros diários e do Lalur, já tinham sido eliminados pela empresa em face de já ter decorrido mais de 10 (dez) anos desde a entrega das DIPJ. Consta no processo que os valores relativos aos Ajustes Devedores de Exercícios Anteriores estão registrados unicamente na Parte "B" do Lalur, porém na Parte "A" deste livro, relativamente aos anos-calendário de 1995 a 1998, não há especificação de exclusões a este título, bem assim não há indicação de exclusões desses valores nas Demonstrações do Lucro Real ali registradas. Assim, não há que se falar em glosa de valores registrados no Lalur. Deve-se ressaltar que, em relação aos citados anos-calendário de 1995 a 1998, foram utilizados os valores de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL apurados, respectivamente, nas fichas de Demonstração do Lucro Real e nas fichas de Cálculo da CSLL das declarações de rendimentos dos referidos anos- calendário, fls. 408, 412, 424, 433, 450, 466, 487 e 515, valores estes confirmados nos registros existentes na PARTE "A" do Lalur relativo aos citados períodos, fls. 174 a 192 e 252. Vê-se, assim, que a contribuinte não comprovou, com documentação hábil, que os alegados Ajustes Devedores de Períodos-base Anteriores se referem efetivamente a despesas dedutíveis na apuração do lucro real e no cálculo da CSLL. 74. Frente a tudo relatado, se entende que não houve glosa de valores registrados em LALUR, mas sim a apuração do saldo de prejuízos compensáveis e do saldo de base negativa de CSLL compensável de acordo com o declarado em DIPJ e presente em LALUR, parte “A”. E, mesmo oportunizado a apresentar documentações que lastreasse possíveis ajustes registrados de forma inapropriada, o contribuinte se furtou de o fazer. 75. Desta sorte, não se vislumbra razões para reforma da decisão da instância de piso. Dispositivo 76. Diante do exposto, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. 77. É como voto. Assinado Digitalmente Fl. 1092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.050 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.722133/2011-75 29 Luis Angelo Carneiro Baptista Fl. 1093DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11235917 #
Numero do processo: 12571.720124/2017-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014, 2015 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. CONTRATO DE PARCERIA RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA DA DENOMINAÇÃO. ARRENDAMENTO RURAL. EQUIPARAÇÃO A RENDIMENTO DE ALUGUEL. Para fins de tributação, o contrato de arrendamento rural se equipara a rendimento de aluguel, não descaracterizando tal natureza o fato de o rendimento pactuado não ser fixo, sendo lícito às partes estipulá-lo em função do valor de mercadoria, por porcentagem, com adiantamentos, em atenção ao princípio da autonomia da vontade. A despeito de ser intitulado contrato de parceria, tem-se em essência arrendamento rural, quando ausente prova inequívoca de que houve partilha do risco do empreendimento, estipulado de forma independente do resultado do negócio pactuado.
Numero da decisão: 2402-013.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. Assinado Digitalmente Gregório Rechmann Junior – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alexandre Correa Lisboa, Gregório Rechmann Junior, João Ricardo Fahrion Nüske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria e Rodrigo Duarte Firmino (presidente)
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR

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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. CONTRATO DE PARCERIA RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA DA DENOMINAÇÃO. ARRENDAMENTO RURAL. EQUIPARAÇÃO A RENDIMENTO DE ALUGUEL. Para fins de tributação, o contrato de arrendamento rural se equipara a rendimento de aluguel, não descaracterizando tal natureza o fato de o rendimento pactuado não ser fixo, sendo lícito às partes estipulá-lo em função do valor de mercadoria, por porcentagem, com adiantamentos, em atenção ao princípio da autonomia da vontade. A despeito de ser intitulado contrato de parceria, tem-se em essência arrendamento rural, quando ausente prova inequívoca de que houve partilha do risco do empreendimento, estipulado de forma independente do resultado do negócio pactuado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 2 Assinado Digitalmente Gregório Rechmann Junior – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alexandre Correa Lisboa, Gregório Rechmann Junior, João Ricardo Fahrion Nüske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria e Rodrigo Duarte Firmino (presidente) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da DRJ/POA, consubstanciada no Acórdão 10-61.850 (p. 244), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Na origem, trata-se de Auto de Infração (p. 161) com vistas a exigir débito do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em decorrência da constatação, pela Fiscalização, da seguinte infração cometida pela Contribuinte: omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa jurídica. Conforme destacado pelo órgão julgador de primeira instância, tem-se que, de acordo com o Relatório Fiscal (p. 117), foi desconsiderado o Contrato de Parceria Agroflorestal (fls. 27-40) celebrado entre o contribuinte e a Klabin S.A., por entender a fiscalização que os supostos parceiros outorgantes: 1. Não participam da decisão de como explorar a terra, não têm gerência sobre a plantação; 2. Não plantam e não colhem; 3. Não podem dispor da produção pois no mesmo ato contratual comprometem- se a vender "a sua parte", ao suposto parceiro outorgado, por um preço fixo previamente ajustado, desvinculado da qualidade e quantidade efetivamente produzida; 4. Não compartilham riscos de produção, de caso fortuito e força maior, que são integralmente assumido pela suposta parceira outorgada; 5. Não realizam despesas de custeio e investimento e Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 3 6. Por fim, no contrato firmado inserem-se cláusulas que são atinentes a contratos de arrendamento. Conclui, que os contratantes simularam um contrato de parceria rural para dissimular a verdadeira natureza jurídica, que é arrendamento. Os rendimentos decorrentes da locação do imóvel foram tributados 100% na contribuinte nos anos-calendários 2014 e 2015. Foi atribuída responsabilidade solidária à empresa Kablin S.A. por ser essa, de acordo com a autoridade administrativa fiscal, a principal mentora do contrato de parceria rural e beneficiária de vantagem econômica na locação de imóvel rural. A multa de ofício foi aplicada na sua forma qualificada de 150%, fundamentada no evidente intuito de fraude do sujeito passivo com o arrendatário solidário ao transmutar o contrato de arrendamento em parceria rural, com o objetivo de reduzir o imposto de renda do arrendatário. Cientificada do lançamento fiscal, a Contribuinte Devedora Principal e a Responsável Solidária apresentaram, em conjunto, a impugnação de p. 181. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do susodito Acórdão nº 10-61.850 (p. 244), conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2014,2015 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. PARCERIA RURAL. O contrato de parceria rural se caracteriza pela divisão de riscos e resultados e pela efetiva exploração da atividade rural pelos parceiros. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não restando comprovada a ocorrência da circunstância qualificadora, imprescindível para a aplicação da multa, incabível a penalidade de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Somente cabe a responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário quando ficar demonstrado o interesse comum na situação que constitui fato gerador da respectiva obrigação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 4 Cientificada dos termos da decisão de primeira instância, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de p. 269, esgrimindo suas razões recursais da seguinte forma, em síntese: * a r. decisão recorrida parte do errôneo pressuposto de que a atividade rural seria única e exclusivamente exercida por Klabin, sendo que a Recorrente figuraria "meramente como arrendante, sem ter ingerência no empreendimento rural"; * como se mencionou na impugnação, os riscos da atividade, e os custos inerentes a esta atividade são assumidos por ambas as partes; * a r. decisão recorrida repete o mesmo engano cometido pelo Sr. Fiscal que, ao deparar-se com o tratamento que o contrato deu ao CASO FORTUITO ou FORÇA MAIOR, não foi capaz de perceber que justamente esta disposição é que faz caracterizar o contrato de parceria firmado entre as Impugnantes, porquanto pretendem elas, com esforço comum, obter o resultado da atividade rural assumindo seus riscos; * a parceria agrícola - e que deliberadamente não é compreendida pela fiscalização e pelo julgador - obriga sem dúvida, que o negócio seja entabulado da forma que foi estabelecido no instrumento de parceria. De fato, diferentemente do que acontece com quaisquer outras culturas agrícolas, cujo ciclo de produção é normalmente inferior a um ano, a produção de madeira, apta para uso industrial, demora de 14 a 20 anos, além de submeter os parceiros à diversas incertezas ; * não prospera a afirmação contida no auto de infração e repetida incorretamente no julgado de que o fato de a Klabin antecipar pagamentos ao Primeiro Impugnante configuraria contraprestação do arrendamento rural. Coerentemente com o que se afirmou anteriormente, tendo em vista que o ciclo produtivo é bastante alongado (mínimo de 14 anos para que se possa colher as árvores plantadas e destinar as toras para a produção de papel e papelão), obviamente que o produtor rural (parceiro) não teria como auferir neste período que medeia entre o plantio e a colheita o mínimo necessário para a sua subsistência (tal como, o pagamento de seus empregados, despesas com abastecimento, pagamento de ITR, manutenção da propriedade, etc.). Daí porque para fazer frente a estas despesas mínimas de subsistência do produtor, as circunstâncias impõem que Klabin faça periódicas antecipações de recursos por conta da venda, futura e incerta, da produção ao final do período de no mínimo catorze anos; * de outra parte, a pretendida 'descaracterização' da parceria e consequente 'caracterização' enquanto arrendamento rural também não se sustenta frente às disposições e características do contrato entabulado entre as partes. Isto porque, de acordo com o art. 95 do Estatuto da Terra e o art. 13 do Decreto-Lei nc2 59.666/66, para que se possa falar em arrendamento rural hão de estar presentes as seguintes características e condições: (i) prazo mínimo de 3 anos para a vigência Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 5 do contrato, (ii) direito de preferência na aquisição do imóvel, (iii) direito a indenização das benfeitorias necessárias e úteis feitas no imóvel, ou a sua retenção até a efetiva indenização, (iv) limites da remuneração e formas de pagamento preço do aluguel em função do valor cadastral do imóvel, e (v) direito à renovação do contrato de arrendamento. Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de Auto de Infração (p. 161), com vistas a exigir débito do IRPF em decorrência da constatação, pela Fiscalização, da seguinte infração cometida pela Contribuinte: omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa jurídica. Cinge-se a controvérsia em definir a natureza jurídica do contrato celebrado entre a Contribuinte, ora Recorrente, e a empresa Klabin: parceria rural ou arrendamento. De acordo com a Autoridade Administrativa Fiscal (p. 117), foi desconsiderado o Contrato de Parceria Agroflorestal celebrado entre a Contribuinte e a Klabin S.A., por entender a fiscalização que os supostos parceiros outorgantes: 1. Não participam da decisão de como explorar a terra, não têm gerência sobre a plantação; 2. Não plantam e não colhem; 3. Não podem dispor da produção pois no mesmo ato contratual comprometem-se a vender "a sua parte", ao suposto parceiro outorgado, por um preço fixo previamente ajustado, desvinculado da qualidade e quantidade efetivamente produzida; 4. Não compartilham riscos de produção, de caso fortuito e força maior, que são integralmente assumido pela suposta parceira outorgada; 5. Não realizam despesas de custeio e investimento e 6. Por fim, no contrato firmado inserem-se cláusulas que são atinentes a contratos de arrendamento. Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 6 Concluiu, assim, a Fiscalização que os contratantes simularam um contrato de parceria rural para dissimular a verdadeira natureza jurídica, que é arrendamento. Em seu apelo recursal, a Contribuinte, conforme igualmente exposto linhas acima, defende, em síntese, os seguintes pontos: * a r. decisão recorrida parte do errôneo pressuposto de que a atividade rural seria única e exclusivamente exercida por Klabin, sendo que o Sra. Delilde do Carmo Barbosa figuraria "meramente como arrendante, sem ter ingerência no empreendimento rural"; * como se mencionou na impugnação, os riscos da atividade, e os custos inerentes a esta atividade são assumidos por ambas as partes; * a r. decisão recorrida repete o mesmo engano cometido pelo Sr. Fiscal que, ao deparar-se com o tratamento que o contrato deu ao CASO FORTUITO ou FORÇA MAIOR, não foi capaz de perceber que justamente esta disposição é que faz caracterizar o contrato de parceria firmado entre as Impugnantes, porquanto pretendem elas, com esforço comum, obter o resultado da atividade rural assumindo seus riscos; * a parceria agrícola - e que deliberadamente não é compreendida pela fiscalização e pelo julgador - obriga sem dúvida, que o negócio seja entabulado da forma que foi estabelecido no instrumento de parceria. De fato, diferentemente do que acontece com quaisquer outras culturas agrícolas, cujo ciclo de produção é normalmente inferior a um ano, a produção de madeira, apta para uso industrial, demora de 14 a 20 anos, além de submeter os parceiros à diversas incertezas; * não prospera a afirmação contida no auto de infração e repetida incorretamente no julgado de que o fato de a Klabin antecipar pagamentos ao Primeiro Impugnante configuraria contraprestação do arrendamento rural. Coerentemente com o que se afirmou anteriormente, tendo em vista que o ciclo produtivo é bastante alongado (mínimo de 14 anos para que se possa colher as árvores plantadas e destinar as toras para a produção de papel e papelão), obviamente que o produtor rural (parceiro) não teria como auferir neste período que medeia entre o plantio e a colheita o mínimo necessário para a sua subsistência (tal como, o pagamento de seus empregados, despesas com abastecimento, pagamento de ITR, manutenção da propriedade, etc.). Daí porque para fazer frente a estas despesas mínimas de subsistência do produtor, as circunstâncias impõem que Klabin faça periódicas antecipações de recursos por conta da venda, futura e incerta, da produção ao final do período de no mínimo catorze anos; * de outra parte, a pretendida 'descaracterização' da parceria e consequente 'caracterização' enquanto arrendamento rural também não se sustenta frente às disposições e características do contrato entabulado entre as partes. Isto porque, Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 7 de acordo com o art. 95 do Estatuto da Terra e o art. 13 do Decreto-Lei nc2 59.666/66, para que se possa falar em arrendamento rural hão de estar presentes as seguintes características e condições: (i) prazo mínimo de 3 anos para a vigência do contrato, (ii) direito de preferência na aquisição do imóvel, (iii) direito a indenização das benfeitorias necessárias e úteis feitas no imóvel, ou a sua retenção até a efetiva indenização, (iv) limites da remuneração e formas de pagamento preço do aluguel em função do valor cadastral do imóvel, e (v) direito à renovação do contrato de arrendamento. Pois bem! Considerando que tais alegações de defesa em nada diferem daquelas apresentadas em sede de impugnação, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento perfilhado por este Relator, em vista do disposto no inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, in verbis: (...) Omissão de rendimentos de aluguéis A contribuinte e seu cônjuge firmaram o contrato particular denominado de Contrato de Parceria Agroflorestal com a empresa Klabin S/A, em 26/04/2013, para implantação de florestamento ou reflorestamento com árvores de pinus e/ ou Eucalyptus em uma gleba de terras 262,65 hectares de efetivo plantio, pelo prazo de 28 anos, podendo ser prorrogado por no máximo 28 meses (fls. 22 a 39). A fiscalização apurou que, embora no instrumento particular de contrato firmado com a Klabin S/A as partes contratantes sejam chamadas de parceiras, se trata de um contrato de arrendamento rural, pois o contribuinte não assumiu os riscos inerentes à exploração da atividade rural, não fazendo jus à tributação favorecida dos resultados dessa atividade. O impugnante sustenta tratar-se de parceira rural Assim, o ponto central da controvérsia está em definir a natureza dos contratos de que se originou a receita objeto do presente lançamento. Cabe, portanto, estabelecer a distinção entre parceria e arrendamento. A matéria está disciplinada expressamente nos artigos 49 e 59 do RIR/99, a seguir reproduzidos: Art. 49. São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 3o, Lei n° 4.506, de 1964, art. 21, e Lei n° 7.713, de 1988, art. 3o, §4°): - aforamento, locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento, direito de uso ou passagem de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza; Fl. 292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 8 - locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento de pastos naturais ou artificiais, ou campos de invernada; (...) Art. 59. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural, comprovada a situação documentalmente, pagarão o imposto, separadamente, na proporção dos rendimentos que couberem a cada um (Lei n°8.023, de 1990, art. 13). Parágrafo único. Na hipótese de parceria rural o disposto neste artigo aplica-se somente em relação aos rendimentos para cuja obtenção o parceiro houver assumido os riscos inerentes à exploração da respectiva atividade. Note-se que a legislação tributária, neste ponto, está em perfeita sintonia com a legislação agrária quando esta define a parceria e o arrendamento rurais: Decreto no 59.566, de 14 de novembro de 1966. Art 3° Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa ou mista, mediante certa retribuição ou aluguel, observados os limites percentuais da Lei. Art 4o Parceria rural ê o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso especifico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha de riscos do caso fortuito e da forca maior do empreendimento rural e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (artigo 96, Estatuto da Terra). Parágrafo único, para os fins deste Regulamento denomina-se parceiro outorgante, o cedente, proprietário ou não, que entrega os bens; e parceiro- outorgado, a pessoa ou o conjunto familiar, representado pelo seu chefe, que os recebe para os fins próprios das modalidades de parcerias definidas no art. 5o. Da leitura da legislação pertinente, o que distingue os contratos rurais de arrendamento e parceria, estipulado tanto pela lei civil quanto pela legislação tributária, é a existência ou não do risco assumido pelo outorgante. Assim, no contrato de parceria ambos os contratantes desfrutam do sucesso e sofrem o ônus do insucesso do negócio, arcam com os riscos, cuja renda, portanto, é incerta. Já no arrendamento inexiste a assunção do risco. Fl. 293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 9 Ressalte-se que a Administração Tributária vem orientando os contribuintes de acordo com esse mesmo critério de assunção dos riscos do empreendimento, consoante se constata na pergunta n° 195 do Perguntas e Respostas – IRPF 2014, disponível no site da SRF: ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL 195 — Os rendimentos oriundos de contrato de arrendamento de imóvel rural são tributáveis? Os rendimentos provenientes de arrendamento de imóvel rural, ainda que o contrato celebrado refira-se a parceria rural, se o cedente perceber quantia fixa sem partilhar os riscos do negócio, que é da essência do contrato de parceria rural, estão sujeitos ao imposto de renda. Estes rendimentos são tributados, como rendimentos equiparados a aluguéis, por meio do recolhimento mensal (carnê-leão), se recebidos de pessoa física ou, na fonte, se pagos por pessoa jurídica e na declaração de ajuste. (Grifou-se) Quando o contrato celebrado referir-se a parceria rural e o cedente não receber quantia fixa e participar dos riscos do negócio, a tributação desses rendimentos é efetuada como atividade rural. No presente caso, ainda que as contestações de algumas das conclusões da autoridade lançadoras merecessem acolhidas, está vastamente demonstrado pela autoridade fiscal que a efetiva natureza dos rendimentos não era de parceria, mas sim de arrendamento. Examinando-se o teor dos contratos apresentados, verifica-se não haver menção alguma de partilha de riscos de caso fortuito e de força maior do empreendimento rural, que é da essência do contrato de parceria rural. Da análise do contrato de parceria agroflorestal nº 005/2013 com compromisso de compra e venda, destacam-se as seguintes cláusulas: (...) Não há nenhuma cláusula no contrato que preveja a devolução do valor adiantado pela Klabin, no caso de prejuízos decorrentes de caso fortuito ou força maior. Se não houver a produção de madeira, o contribuinte já terá recebido o valor estipulado e não terá que fazer nenhuma devolução, não havendo que se falar, em adiantamento para entrega futura. A Lei nº 11.443/2007, que deu nova redação ao art. 96, da Lei nº 4.504/1964 – Estatuto da Terra, assim determinou no § 1º, com grifos nossos: § 1o Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel rural, de parte ou partes dele, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e/ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e/ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias-primas Fl. 294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 10 de origem animal, mediante partilha, isolada ou cumulativamente, dos seguintes riscos: I - caso fortuito e de força maior do empreendimento rural; II - dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais estabelecidos no inciso VI do caput deste artigo; III - variações de preço dos frutos obtidos na exploração do empreendimento rural. No contrato de parceria agroflorestal apresentado inexiste o fator risco inerente aos contratos de parceria, pois a cláusula de compra e venda antecipada atribui pagamentos ao contribuinte independentemente do resultado da produção. No caso, não se trata de parceria rural e sim arrendamento rural, apesar da denominação que lhe foi dada pelos contratantes. O contribuinte não participa dos riscos ligados à atividade e decorrentes do caso fortuito. Independentemente da denominação que se dá aos contratos, o que realmente importa para fins de aplicação da legislação tributária é a sua efetiva natureza, determinando o regime tributário a ser aplicado. No que concerne ao alegado fato de que eventual adiantamento não descaracteriza o contrato de parceria, de fato, consta na legislação citada tal dispositivo, todavia, no caso presente não se está a tratar de contrato de parceria, mas de arrendamento, como demonstrado. Por todo o exposto, não subsiste o pleito de improcedência do lançamento, e is que, a despeito de serem intitulados contratos de parceria, tem-se, em essência, contrato de arrendamento, já que aqueles pressupõem a assunção dos riscos do empreendimento, partilhados por ambas as partes, incerteza esta que não se confunde com o recebimento de valores estipulados de forma independente do resultado do negócio pactuado. (...) Adicionalmente às razões de decidir supra reproduzidas, ora adotadas como fundamento do presente voto, cumpre destacar que este Conselho já julgou diversos processos similares ao caso ora em análise, nos quais a empresa Klabin S.A também foi arrolada como responsável solidária, sendo certo que, em todos os casos identificados por este Conselheiro- Relator, a autuação fiscal – no mérito - foi mantida, limitando-se eventuais provimentos parciais ao afastamento da qualificadora da multa de ofício e/ou da responsabilidade solidária (ambas matérias já afastadas pelo órgão julgador de primeira instância no presente processo). Cite-se, a título meramente exemplificativo, os acórdãos abaixo mencionados: Acórdão 2201-012.136 PARCERIA x ARRENDAMENTO RURAL. DISTINÇÃO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Fl. 295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.376 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720124/2017-76 11 A diferença intrínseca entre os contratos de parceria rural e de arrendamento rural é que os primeiros caracterizam-se pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto nos segundos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe uma retribuição fixa pelo arrendamento das terras. Quando em um contrato, ainda que denominado de parceria rural, contiver a estipulação de que uma das partes receberá quantia fixa, independente de produção, sem assunção de riscos, resta caracterizado o arrendamento, devendo ser assim tributado. (Sessão de 25 de julho de 2025, Relatora Conselheira Luana Esteves Freitas) (obs.: neste precedente, de acordo com relatório objeto do acórdão aqui mencionado, a DRJ afastou a multa de ofício e a responsabilidade solidária) Acórdão nº 1002-003.571 ATIVIDADE RURAL. CUSTOS. RISCOS. Não podem ser consideradas receitas da atividade rural as rendas recebidas pela exploração de propriedade agrícola cujos riscos e custos foram integralmente assumidos por terceiros. (Sessão de 7 de agosto de 2024, Relator Conselheiro José Roberto Adelino da Silva) (obs.: neste precedente, salvo melhor entendimento, não houve aplicação da multa de ofício qualidade. No que tange à responsabilidade solidária, a DRJ afastou a mesma). Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. Assinado Digitalmente Gregório Rechmann Junior Fl. 296DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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