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11455630 #
Numero do processo: 10680.913273/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3301-002.339
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3301-002.338, de 15 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10680.913272/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcio Jose Pinto Ribeiro, Keli Campos de Lima, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Rodrigo Kendi Hiramuki.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3301-002.338, de 15 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10680.913272/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcio Jose Pinto Ribeiro, Keli Campos de Lima, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Rodrigo Kendi Hiramuki. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte pedido de ressarcimento apresentado pelo Contribuinte relativo à IPI com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99 – 1º trimestre/2013. Fl. 522DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.339 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.913273/2014-71 2 O Despacho Decisório eletrônico foi submetido à revisão de ofício, por intermédio do Despacho Decisório nº 1469/2017 - DRF/BHE, de 29 de dezembro de 2017, alterando o valor reconhecido para R$ 1.250.288,98 (reconhecido originalmente R$ 1.177.612,50). Informada apresentou manifestação de inconformidade, cujo fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado do acórdão recorrido, insurge a Recorrente por meio de Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo, em síntese: “Por todo o exposto, requer seja o presente Recurso Voluntário julgado procedente para determinar a homologação da compensação objeto da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 13414.93934.271213.1.1.01-3030”. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Em síntese, a controvérsia cinge-se a glosa de créditos de IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados objeto de auditoria no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n.º 0610100.2014.01412-2 em face de pedidos de ressarcimento do período de 2011 a 2014. Foi proferido despacho decisório homologando parcialmente o direito creditório posteriormente reformado mantendo parte das glosas sob seguintes argumentos:  a existência de produtos que não se enquadram na operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II - a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); ou III – a que consista na reunião dos produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto. Tais produtos foram considerados por esta fiscalização como não integrantes, portanto, dos produtos industrializados pelo contribuinte, discriminados no Anexo 01; Fl. 523DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.339 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.913273/2014-71 3  aquisição de bem para o ativo imobilizado com aproveitamento indevido do imposto sobre produtos industrializados – CFOP 2551, discriminado no Anexo 02: - CFOP 2551 – compra de bem para o ativo imobilizado, entrada de outros estados;  aquisição de material para uso ou consumo com aproveitamento indevido do imposto sobre produtos industrializados – CFOP 1556 e 2556, discriminados no Anexo 02: - CFOP 1556 e 2556 – compra de material para uso ou consumo, entrada do estado e de outros estados;  aquisição de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final com aproveitamento indevido do imposto sobre produtos industrializados – CFOP 2653, discriminado no Anexo 02: - CFOP 2653 – compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final, entrada de outros estados;  lançamento em duplicidade do imposto sobre produtos industrializados nos seguintes códigos de operações e prestações - CFOP 1917 e 1111, discriminados no Anexo 03: - CFOP 1917 - entrada de mercadoria recebida em consignação mercantil ou industrial, entrada do estado; - CFOP 1111 - compra para industrialização de mercadoria recebida anteriormente em consignação industrial, entrada do estado.  lançamentos indevidos de créditos não destacados nas NF-eletrônicas de entradas de mercadorias – anexo 4. Em manifestação de inconformidade a Recorrente, pleiteia a realização de diligência para comprovar que aproveitou crédito sobre itens devidamente enquadrados no conceito passível de tomada de crédito nos termos da legislação do IPI; que não houve aproveitamento de IPI em condições irregulares, que não foram lançados em duplicidade dos produtos relacionados no anexo 3, em relação ao anexo 4 os créditos de IPI consignados devem ser considerados pela fiscalização. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo a desnecessidade de perícia/diligência e em sede recursal a Recorrente insiste que os autos devem ser baixados para que seja verificado as inconsistências apontadas. Pois bem. Analisando os autos e os argumentos e documentos apresentados pelo Recorrente em manifestação de inconformidade, entendo que os conjunto probatório não foi devidamente analisado à luz da busca pela verdade material. Neste sentido, embora o Recorrente não tenha juntado todos os documentos em manifestação de inconformidade, fato é que houve apresentação dos fatos correlacionados à escrituração fiscal analisada, tais como Sped e notas fiscais que levam a contradições sobre os fatos e valores apurados, sendo certo que não se pode negar o exame destes apontamentos. Especificamente, a Recorrente questiona os lançamentos relativos ao anexo 3 no sentido de que não houve duplicidade de lançamentos e traz os registros do Sped para comprovar. Já em relação aos valores relativos ao anexo 4, argui a Fl. 524DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.339 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.913273/2014-71 4 necessidade de consideração dos créditos relativos à venda para entrega futura, que não foram considerados. Há que se ter em mente que o processo administrativo é regido por diversos princípios e um dos princípios norteadores é a busca verdade material, ou seja, o dever efetivo na busca da verdadeira realidade dos fatos. Assim, a análise de todos os fatos, informações e documentos que levem a apuração da realidade dos fatos não é uma faculdade, mas o dever dos agentes públicos e julgadores, não cabendo a estes julgadores deixar de analisar e apreciar as informações e provas que conduzam a elucidação dos fatos. Assim, considerando que este Colegiado tem se posicionado sob a prevalência da verdade material como norteadora do processo administrativo fiscal, assim entendido como busca efetiva da realidade dos fatos e para que não haja prejuízos e correto saneamento do processo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: i. Analise os documentos e argumentos apresentados pela Recorrente em manifestação de inconformidade e recurso voluntário, inclusive em relação ao anexo 3 e 4, a fim de identificar se são hábeis a comprovar o direito creditório. ii. Intime a Recorrente para complementar documentação se for necessário. iii. elabore relatório fiscal conclusivo manifestando-se acerca dos documentos e das informações apresentadas nos presentes autos, avaliando a eventual revisão das glosas realizadas, trazendo os esclarecimentos e as considerações pertinentes. iv. Intime a Recorrente para se manifestar em 30 (dias) dias. v. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Redator Fl. 525DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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11457699 #
Numero do processo: 10840.722745/2012-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. PREVISÃO LEGAL. A legislação tributária permite a dedução na declaração de rendimentos, a título de despesa com instrução, dos pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. A dedução, entretanto, condiciona-se à comprovação da despesa.
Numero da decisão: 2001-008.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial visando a restabelecer a glosa efetuada a título de Despesas com Instrução no valor de R$ 1.160,09. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Rosimery Brandao Barbosa, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente)
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. PREVISÃO LEGAL. A legislação tributária permite a dedução na declaração de rendimentos, a título de despesa com instrução, dos pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. A dedução, entretanto, condiciona-se à comprovação da despesa.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial visando a restabelecer a glosa efetuada a título de Despesas com Instrução no valor de R$ 1.160,09. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Rosimery Brandao Barbosa, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente)

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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. PREVISÃO LEGAL. A legislação tributária permite a dedução na declaração de rendimentos, a título de despesa com instrução, dos pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. A dedução, entretanto, condiciona-se à comprovação da despesa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial visando a restabelecer a glosa efetuada a título de Despesas com Instrução no valor de R$ 1.160,09. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Rosimery Brandao Barbosa, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente) RELATÓRIO Fl. 93DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.546 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.722745/2012-37 2 Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento que se encontra devidamente consubstanciado no documento de fls. 39/41 até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida, proferida pela DRJ/SPO, acórdão nº 16-81.403, 19ª Turma, fls. 78/91, julgado totalmente improcedente em face do ora recorrente: “(...) Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 40, em 30/07/2012, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do exercício 2009, ano-calendário 2008, na qual se exige imposto suplementar de R$ 3.107,25 sujeito à multa de ofício, além dos acréscimos legais previstos na legislação. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual, tendo sido apuradas as seguintes infrações à legislação tributária, à vista de o contribuinte não ter atendido intimação para comprovar os valores declarados (fl. 41/44): omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (R$ 3.457,74); dedução indevida de dependentes (R$ 6.623,52); dedução indevida de despesas médicas (R$ 5.474,57); e dedução indevida de despesas com instrução (R$ 5.184,58). Cientificado do lançamento na data de 10/08/2012 (fl. 30), o contribuinte impugnou parcialmente a exigência em 29/08/2012, por intermédio do instrumento de fl. 2/3. O interessado concordou expressamente concorda com a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Alegou que os dependentes são seus filhos, esposa e sogra; que as despesas médicas são de convênio médico do titular e dependentes; que as despesas de instrução são da faculdade de pedagogia de sua esposa, e que não tem mais os recibos do outro valor. Forma apresentados documentos relativos às despesas glosadas. Considerando que a notificação de lançamento fora emitida sem que o contribuinte houvesse atendido à intimação prévia da fiscalização, o processo retornou para a malha fiscal, a fim de serem analisados os documentos e as razões de fato apresentados na impugnação, conforme orientação da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 04 de agosto de 2010. A análise dos documentos apresentados na impugnação resultou na retificação da notificação de lançamento, com alteração do resultado do exercício de imposto suplementar de R$ 3.107,25 para imposto a restituir ajustado de R$ 583,60, conforme fundamentação constante do termo circunstanciado de fl. 51/55, aprovado pelo despacho decisório de fl. 57. Foi mantida integralmente a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, com a qual o contribuinte concordou; e parcialmente a dedução de despesas com instrução, no valor de R$ R$ 2.592,29. As demais deduções foram restabelecidas. Fl. 94DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.546 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.722745/2012-37 3 O sujeito passivo foi notificado do termo circunstanciado e do despacho decisório em 01/04/2015 (fl. 58/60), por via postal, com reabertura de prazo para apresentar impugnação. Entretanto, não houve manifestação por parte do interessado. É o relatório. (...).” Referido acórdão ficou assim devidamente ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria não contestada expressamente na impugnação, tornando-se a exigência incontroversa e definitiva, sem direito a recurso na esfera administrativa. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. PREVISÃO LEGAL. A legislação tributária permite a dedução na declaração de rendimentos, a título de despesa com instrução, dos pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. A dedução, entretanto, condiciona-se à comprovação da despesa. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados Cientificado da decisão de primeira instância em 15/03/2018, fls. 83, o sujeito passivo interpôs, em 06/04/2018, fls. 86, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) erro de preenchimento da declaração por informar deduções indevidas ou a maior b) as despesas com instrução estão comprovadas nos autos c) a multa aplicada é improcedente Não houve apresentação de contrarrazões. O processo foi remetido para o CARF. É o relatório. VOTO Conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima, Relator Fl. 95DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.546 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.722745/2012-37 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço 1. Delimitação da lide Reside como remanescente a ser apreciado por este órgão judicante em sede do recurso voluntário ora sob exame a seguinte questão; a) Manutenção, ou não, da dedutibilidade efetuados pelo ora recorrente com instrução própria no montante da glosa efetuada pela autoridade lançadora no valor de R$ 2.592,29 2. Mérito 2.1 Despesas com Instrução Considerando que as alegações de fundo do presente recurso voluntário, na realidade sequer teria havido manifestação de contrariedade no documento de fls. 88, no tocante ao montante principal das exações, em nada diferem daquelas apresentadas em sede de impugnação, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento perfilhado por este Relator em vista do disposto no § 12, I, o art. 114 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição de excertos do voto condutor neste particular. Afirmou o ilustre relator em seu voto condutor quando da apreciação da matéria constante dos autos pela autoridade de primeira instância, verbis: “(...) Da Dedução Indevida de Despesas com Instrução Após a revisão procedida em cumprimento da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 04 de agosto de 2010, o contencioso ficou circunscrito à dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 2.592,29, correspondente ao limite anual individual previsto na legislação para despesas com instrução. Os comprovantes de pagamentos relativos a despesas com instrução do titular e de seus dependentes apresentados junto com a impugnação foram aceitos na revisão do lançamento. Não obstante, para a despesa com instrução do titular no valor R$ 3.360,00, o interessado alega não ter mais os recibos, que por isso não foram apresentados. (grifei e negritei) As pessoas físicas estão obrigadas a apurar o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário, sendo que, na determinação da base de cálculo do imposto, podem ser deduzidas uma série de despesas autorizadas pela legislação. Fl. 96DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.546 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.722745/2012-37 5 Não obstante, apesar de permitidas pela legislação, todas as deduções sujeitam- se à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, conforme excerto que segue: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Assim, considerando que o contribuinte não apresentou os comprovantes da despesa de R$ 3.360,00 com instrução do titular declarada, deverá ser mantida a glosa do valor deduzido, correspondente ao limite anual individual de R$ 2.592,29, conforme procedido na revisão do lançamento. (negritei e sublinhei) (...) A despeito de me filiar aos princípios de que a documentação deverá ser anexada quando do início do litígio quando da oferta da impugnação ao lançamento, de acordo com os ditames contantes dos artigos 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, sob pena de preclusão, não obstante tal posicionamento não poderei vir a desconsiderar o documento trazido pelo ora recorrente e que se encontra às fls. 88, e que comprova um dispêndio com Gastos com a sua Instrução no montante de R$ 1.160,09. 3. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL visando a restabelecer a glosa efetuada a título de Despesas com Instrução no valor de R$ 1.160,09. É o meu voto. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima Fl. 97DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13982.721048/2016-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2016 CRÉDITO PRESUMIDO. LEITE IN NATURA. SOCIEDADE COOPERATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO ACUMULADO. PERÍODO ANTERIOR À LEI Nº 13.137/2015. LIMITAÇÃO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 já integrava o regime das contribuições antes da Lei nº 13.137/2015. Todavia, para as sociedades cooperativas, o crédito calculado sobre bens recebidos de cooperados estava sujeito à limitação prevista no art. 9º da Lei nº 11.051/2004. A possibilidade de ressarcimento ou compensação de saldo acumulado, introduzida pelo art. 9º-A da Lei nº 10.925/2004, pressupõe a existência de saldo juridicamente acumulável, não autorizando a recomposição retroativa de valores que, no período de apuração, estavam submetidos a limite legal. LEI Nº 13.137/2015. NATUREZA INOVADORA. ART. 106, I, DO CTN. RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 13.137/2015 alterou o regime jurídico até então vigente, ao disciplinar a utilização de saldos de créditos presumidos vinculados à produção e à comercialização de leite e ao excepcionar, para o leite in natura recebido de cooperado, a limitação aplicável às sociedades cooperativas. Não se tratando de lei expressamente interpretativa, não há fundamento para aplicação retroativa com base no art. 106, I, do CTN. RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de ressarcimento, cabe ao contribuinte comprovar a existência, a origem, a composição, a quantificação, a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. A apresentação de demonstrativo global, sem segregação suficiente das operações que formaram o crédito, não autoriza o reconhecimento do direito creditório. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a providência requerida se destina a suprir prova que competia ao contribuinte apresentar.
Numero da decisão: 3001-004.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia/diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se o não reconhecimento do direito creditório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-004.152, de 24 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 13982.720923/2015-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Leandro Wilhelm Wolff, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Nome do relator: LUIZ CARLOS DE BARROS PEREIRA

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LEITE IN NATURA. SOCIEDADE COOPERATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO ACUMULADO. PERÍODO ANTERIOR À LEI Nº 13.137/2015. LIMITAÇÃO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 já integrava o regime das contribuições antes da Lei nº 13.137/2015. Todavia, para as sociedades cooperativas, o crédito calculado sobre bens recebidos de cooperados estava sujeito à limitação prevista no art. 9º da Lei nº 11.051/2004. A possibilidade de ressarcimento ou compensação de saldo acumulado, introduzida pelo art. 9º-A da Lei nº 10.925/2004, pressupõe a existência de saldo juridicamente acumulável, não autorizando a recomposição retroativa de valores que, no período de apuração, estavam submetidos a limite legal. LEI Nº 13.137/2015. NATUREZA INOVADORA. ART. 106, I, DO CTN. RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 13.137/2015 alterou o regime jurídico até então vigente, ao disciplinar a utilização de saldos de créditos presumidos vinculados à produção e à comercialização de leite e ao excepcionar, para o leite in natura recebido de cooperado, a limitação aplicável às sociedades cooperativas. Não se tratando de lei expressamente interpretativa, não há fundamento para aplicação retroativa com base no art. 106, I, do CTN. RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de ressarcimento, cabe ao contribuinte comprovar a existência, a origem, a composição, a quantificação, a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. A apresentação de demonstrativo global, sem segregação Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 2 suficiente das operações que formaram o crédito, não autoriza o reconhecimento do direito creditório. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a providência requerida se destina a suprir prova que competia ao contribuinte apresentar. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia/diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se o não reconhecimento do direito creditório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-004.152, de 24 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 13982.720923/2015-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Leandro Wilhelm Wolff, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de Cofins. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Fl. 148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 3 1. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVA. LIMITAÇÃO. AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. Somente a partir de 01 de outubro de 2015, com a entrada em vigor do artigo 5 o da Lei nº 13.137, de 2015, o direito ao crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, calculado sobre o leite in natura recebido de cooperado, deixou de estar limitado, para as operações de mercado interno, ao valor do PIS/Pasep e da Cofins devidos. 2. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia/diligência cuja realização revela-se prescindível para o deslinde da questão.” Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual defende o direito à manutenção e ao ressarcimento do crédito presumido de PIS/Cofins apropriado sobre o leite in natura. A recorrente afirma que a Lei nº 13.137/2015, ao incluir o § 2º no art. 9º da Lei nº 11.051/2004, apenas teria esclarecido que a limitação prevista nesse dispositivo não se aplica ao recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado. Por essa razão, entende que a alteração teria natureza interpretativa e deveria alcançar fatos pretéritos, nos termos do art. 106, I, do CTN. Também sustenta que o art. 9º-A da Lei nº 10.925/2004 autorizou a utilização do saldo de créditos presumidos vinculados à produção e à comercialização de leite, inclusive em relação a créditos acumulados em anos anteriores, observadas as regras previstas na legislação. Quanto à origem do leite na apuração do crédito, a recorrente alega que a fiscalização teria presumido que todo o leite recebido provinha de cooperados. Afirma que seus registros contábeis e fiscais não foram desconstituídos e que caberia à autoridade fiscal demonstrar eventual incorreção da escrituração. Subsidiariamente, requer a realização de perícia/diligência para apurar se o leite in natura utilizado no cálculo dos créditos presumidos foi recebido integralmente de cooperados ou se também houve aquisições de terceiros não cooperados, com a correspondente quantificação de cada parcela. Ao final, pede o provimento do Recurso Voluntário, para que seja reconhecido o direito à manutenção e ao ressarcimento do crédito presumido. Subsidiariamente, requer a realização da prova pericial ou diligência indicada. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 4 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1. Conhecimento O Recurso Voluntário é tempestivo, foi interposto por parte legítima e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. 2. Delimitação da controvérsia A controvérsia diz respeito ao direito ao ressarcimento de crédito presumido das contribuições, apurado por sociedade cooperativa em operações com leite in natura, relativamente a período anterior à eficácia da Lei nº 13.137/2015. A recorrente sustenta, em linhas gerais, que a Lei nº 13.137/2015 teria autorizado o ressarcimento dos créditos presumidos acumulados em períodos anteriores, inclusive quanto ao leite in natura recebido de cooperados. Defende que a alteração teria natureza interpretativa, com aplicação retroativa nos termos do art. 106, I, do CTN. Afirma, ainda, que a autoridade fiscal teria considerado indevidamente que todo o crédito decorreria de operações com cooperados, quando também haveria operações com terceiros não cooperados. Com base nessa alegação, requer a realização de perícia ou diligência para apuração da origem do leite utilizado na formação do crédito. A questão central, portanto, não é a existência genérica do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Esse crédito já existia antes da Lei nº 13.137/2015. O ponto a examinar é se, no regime jurídico anterior à referida lei, a sociedade cooperativa podia formar saldo acumulado ressarcível, acima do limite previsto no art. 9º da Lei nº 11.051/2004, em relação ao leite in natura recebido de cooperado. 3. Da perícia/diligência requerida A recorrente sustenta a necessidade de realização de perícia ou diligência para apuração da origem do leite utilizado na formação do crédito presumido, especialmente para verificar eventual segregação entre Fl. 150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 5 entradas oriundas de cooperados e entradas oriundas de terceiros não cooperados. O pedido não merece acolhimento. No procedimento de ressarcimento, cabe ao contribuinte comprovar o fato constitutivo do direito creditório alegado. A demonstração da origem das aquisições, da natureza das operações, da composição da base de cálculo e da quantificação do crédito deve instruir o pedido ou, ao menos, ser apresentada de forma suficiente no curso da impugnação. A perícia ou diligência não se presta a substituir a prova que competia à própria interessada produzir. Também não cabe transferir ao órgão julgador, à fiscalização ou a terceiros a tarefa de reconstruir a escrituração, segregar operações e elaborar memória de cálculo que deveria acompanhar a pretensão de ressarcimento. No caso, a providência requerida não se destina a esclarecer dúvida pontual sobre prova já produzida, mas sim a suprir insuficiência da demonstração do próprio crédito pleiteado. Essa finalidade não se compatibiliza com a natureza da diligência no processo administrativo fiscal. Assim, tratando-se de providência prescindível para o deslinde da controvérsia e voltada, em essência, a suprir insuficiência probatória do pedido, rejeito a alegação e indefiro a realização de perícia ou diligência. 4. Do regime jurídico aplicável antes da Lei nº 13.137/2015 O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 admitiu a apuração de crédito presumido pelas pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzissem mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, observadas as condições previstas na legislação. Contudo, no regime então vigente, esse crédito presumido tinha como forma ordinária de utilização a dedução das contribuições devidas em cada período de apuração. Além disso, para as sociedades cooperativas, o art. 9º da Lei nº 11.051/2004 estabelecia regra específica. O crédito presumido calculado sobre bens recebidos de cooperados ficava limitado, nas operações de mercado interno, ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrente da venda dos bens e produtos deles derivados, após as exclusões legalmente admitidas. Fl. 151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 6 Assim, para os períodos anteriores à alteração legislativa promovida em 2015, não basta afirmar que havia previsão de crédito presumido. Havia. O ponto decisivo é verificar se, no caso das cooperativas e em relação ao leite in natura recebido de cooperado, a legislação permitia a formação de saldo acumulado passível de ressarcimento para além do limite então vigente. A resposta é negativa. A limitação prevista no art. 9º da Lei nº 11.051/2004 incidia sobre o próprio alcance do crédito presumido das cooperativas em operações de mercado interno. Por isso, em relação aos bens recebidos de cooperados, não havia saldo acumulável e ressarcível acima do teto legal então aplicável. 5. Da Lei nº 13.137/2015 e da impossibilidade de recomposição retroativa de saldo A Lei nº 13.137/2015 promoveu alterações relevantes no regime do crédito presumido vinculado à produção e à comercialização de leite. De um lado, incluiu o art. 9º-A na Lei nº 10.925/2004, passando a prever a possibilidade de utilização de saldo de créditos presumidos mediante compensação ou ressarcimento, observadas as condições e o cronograma estabelecidos na legislação e na regulamentação aplicável. De outro lado, acrescentou o § 2º ao art. 9º da Lei nº 11.051/2004, para estabelecer que a limitação prevista naquele dispositivo não se aplica ao recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado. Essas alterações, contudo, não autorizam concluir que todo crédito presumido apurado em períodos anteriores passou automaticamente a constituir saldo ressarcível. A possibilidade de ressarcimento pressupõe a existência de saldo juridicamente acumulável. Se, no período de apuração, a legislação limitava o crédito da cooperativa ao valor das contribuições devidas, não há saldo pretérito a ser recomposto com base em lei posterior. Também não se trata de lei meramente interpretativa. A Lei nº 13.137/2015 alterou o regime jurídico então vigente, criando disciplina própria para utilização de saldos e excepcionando a limitação antes aplicável às cooperativas em relação ao leite in natura recebido de cooperado. A existência de regra específica de vigência reforça esse entendimento. A lei nova não declarou estar interpretando norma anterior, nem autorizou a Fl. 152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 7 recomposição retroativa de créditos que, no período de apuração, estavam sujeitos a limite legal. O art. 106, I, do CTN permite a aplicação retroativa da lei expressamente interpretativa. Essa hipótese não se confunde com norma posterior que modifica o regime jurídico, cria nova disciplina de aproveitamento de saldos ou excepciona limitação até então vigente. Por isso, o cronograma previsto para apresentação de pedidos relativos a anos anteriores não dispensa a verificação da existência jurídica do saldo. Ele apenas disciplina o momento em que créditos acumulados, se existentes e regularmente formados, poderiam ser objeto de compensação ou ressarcimento. Não cabe, portanto, transformar em saldo ressarcível aquilo que, no período de apuração, estava submetido a limite legal expresso. 6. Das alegações fundadas em isonomia, não cumulatividade e demais princípios A recorrente também invoca princípios constitucionais, especialmente isonomia e não cumulatividade, para sustentar que as cooperativas deveriam receber tratamento equivalente ao das demais pessoas jurídicas do setor. Essas alegações não alteram a conclusão. A discussão, no âmbito do julgamento administrativo, deve observar a legislação tributária vigente no período de apuração. Enquanto válido e eficaz, o art. 9º da Lei nº 11.051/2004 deve ser aplicado pelo julgador administrativo. Eventual alegação de ofensa à Constituição, de tratamento anti-isonômico ou de inadequação do regime legal não autoriza o CARF a afastar a aplicação de lei tributária. Aplica-se, nesse ponto, a Súmula CARF nº 2, segundo a qual o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, ainda que a recorrente entenda que a alteração posterior teria corrigido distorção do regime anterior, essa avaliação não permite atribuir efeitos retroativos à lei nova, nem afastar a limitação legal vigente à época da formação do crédito. 7. Da origem do crédito, liquidez, certeza e ônus da prova Fl. 153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 8 A recorrente afirma que a autoridade fiscal teria presumido que o crédito decorreu exclusivamente de operações com cooperados, sustentando a existência de aquisições de terceiros não cooperados. Esse argumento, contudo, não basta para o reconhecimento do direito creditório. Em pedido de ressarcimento, cabe ao contribuinte demonstrar, de forma hábil e suficiente, a origem, a composição, a quantificação, a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. A escrituração contábil e fiscal pode constituir elemento de prova, mas não dispensa a apresentação de documentos e memória de cálculo capazes de demonstrar, com segurança, quais operações compuseram a base do crédito e qual o tratamento jurídico aplicável a cada uma delas. No caso, a interessada sustenta genericamente a existência de operações com cooperados e não cooperados, sem demonstrar, de forma individualizada e inequívoca, a parcela do crédito eventualmente vinculada a aquisições de terceiros que pudesse exigir tratamento jurídico distinto. A ausência dessa segregação impede o reconhecimento do crédito, ainda que parcial. Não cabe ao julgador refazer a apuração, selecionar documentos, classificar fornecedores e reconstruir a memória de cálculo do pedido. Essa incumbência é da própria contribuinte, especialmente porque se trata de pedido de ressarcimento formulado em seu favor. O processo de ressarcimento exige crédito líquido e certo. Sem demonstração suficiente da origem, da composição e do montante do crédito, não há base para reconhecimento do direito creditório, tampouco para deferimento parcial por estimativa ou reconstrução posterior. Assim, ausente demonstração suficiente da origem e da quantificação do crédito pleiteado, não há liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório. 8. Dos julgados administrativos sobre a matéria O Carf já vem enfrentando processos sobre o mesmo tema e eu chamo a nossa atenção dois acórdãos em linha com o pensamento descrito nos itens anteriores . O acordão nº 3301-014.713, da 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, em sua ementa chega a mesma conclusão deste voto assim ementado: “NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVA. LIMITAÇÃO. Fl. 154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 9 O direito ao crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sobre o leite in natura recebido de cooperado, está limitado para as operações de mercado interno, em cada período de apuração, ao valor do PIS e da Cofins devidos em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Somente a partir de outubro de 2015 é que teve efeito a retirada dessa limitação pela Lei nº 13.137, de 2015.” Acordão nº 3301-014.713 de 26 de novembro de 2025, CARF Também no mesmo sentido o Acórdão nº 3102-002.481 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da lavra do conselheiro Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator do qual transcrevo excerto pertinente: “Ajustes de créditos Presumidos - Sociedades Cooperativas - Art. 9° da Lei n° 11.051, de 2004 Neste tópico, em suma, a Fiscalização não reconheceu o crédito pleiteado haja vista que a cooperativa não respeitou o limite para o cálculo do crédito presumido presente no art. 9° da Lei n° 11.051, de 20041, bem como afirma que à época não havia amparo legal para utilização do crédito presumido para compensação ou ressarcimento em dinheiro, como quer a cooperativa. A Recorrente afirma que não há que se falar em realizar ajustes no crédito presumido sob exame. Tanto é verdade que o art. 5º da Lei nº 13.137/2015 fez inserir o § 2º ao art. 9º da Lei nº 11.051/2004, esclarecendo que a vedação ao crédito não se aplica aos casos de recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado. Explica que o art. 4º da Lei nº 13.137/15 introduzindo o art. 9-A à Lei nº 10.925/04, determinou expressamente que todas as pessoas jurídicas, sem quaisquer distinções, têm direito de utilizar o crédito presumido de PIS e COFINS apurados nas operações de leite in natura. Vejamos: (...) Segundo entende, a nova disposição legal (art. 5º, Lei nº 13.137/15) deu verdadeira interpretação ao art. 9º da Lei nº 11.051/04, determinando que a Recorrente tem direito à manutenção do crédito presumido do PIS e COFINS no caso que se apresenta. Nesse diapasão, consoante o inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, a lei alcança os atos e fatos pretéritos, vale dizer, aplica-se e garante à Recorrente o direto de manter o crédito presumido a partir do ano de 2010. Veja o dispositivo: Fl. 155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 10 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Defende, assim, a cooperativa que o dispositivo citado é de interpretação e que seu efeito retroage retirando desde sempre a limitação ao aproveitamento do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, apurado pelas sociedades cooperativas sobre o leite recebido de cooperados ou outras cooperativas. Não prosperam as alegações da Recorrente. Como se percebe, a Recorrente pleiteia a retroatividade das alterações introduzidas pelo art. 5º, Lei nº 13.137/15 no art. 9º da Lei nº 11.051/04, que previram a partir de 2015 a compensação e restituição de créditos presumidos acumulados até o dia anterior da entrada em vigor da lei e a partir de então, por terem natureza interpretativa, nos temos do inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional. Visa com isso legitimar tanto seu pedido de compensação dos seus valores apurados de crédito presumido, assim como, não se submeter ao cálculo do limite especificado no art. 9° da Lei n° 11.051, de 2004. Entendo, no entanto, que a autorização para compensação e ressarcimento de créditos presumidos, bem como o limite a aproveitamento, só são permitidos em períodos posteriores ao do trimestre em exame nos presentes autos, qual seja, a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao da publicação daquela lei, ou seja, a partir de 1º de outubro de 2015, como passo aa explicar. Como se sabe a lei tributária tem aplicação pretérita nos casos listados no art.106, do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vejamos o que a doutrina pátria diz sobre as características das lei interpretativas. Fl. 156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 11 Segundo Carlos Augusto Daniel Neto, a lei interpretativa nada mais é do que um instrumento de redefinição (sem prejuízo dela mesmo ser passível de múltiplas interpretações), que promove a escolha apriorística de um sentido normativo da legislação, vinculando o aplicador, com a característica específica de sua retroatividade no âmbito tributário. Para a caracterização de lei interpretativa, segundo José de Oliveira Ascensão3 atenta para a reunião de três requisitos, a saber: a) a fonte interpretativa deve ser posterior à interpretada; b) possua a nova lei o fim de interpretar a antiga; e c) a nova fonte não deve ser hierarquicamente inferior à lei interpretada. Para Alexandre Mazza, por sua vez, entende que a lei interpretativa é aquela promulgada com o objetivo de explicar o conteúdo de lei anterior. Conforme exigido pelo art. 106, I, do CTN, para que tenha efeito retroativo a lei deve ser expressamente interpretativa, ou seja, o diploma normativo precisa autodeclarar se interpretativo, sob pena de o efeito retroativo não ocorrer. Segundo o mesmo autor, existem ao menos três requisitos fundamentais que precisam ser rigorosamente observados para que a lei tributária interpretativa retroaja: 1) existência de fundada dúvida interpretativa sobre o conteúdo da lei tributária anterior; 2) a lei nova deve ser expressamente declarada pelo legislador como interpretativa; 3) o conteúdo da lei nova deve ser de fato voltado a solucionar a dúvida interpretativa da lei anterior. No caso em apreço, entendo que o dispositivo introduzido pelo art.5º, da Lei nº 13.137/15, não tem presente qualquer característica de ser interpretativa, visto que não trata de lei interpretativa expressamente ou sequer tacitamente e não contém qualquer esclarecimento sobre redefinição de sentido de algum conceito ou dispositivo legal já existente. Trata o referido dispositivo introduzido na legislação claramente de inovação material, posto que retira do ordenamento jurídico limitações ao cálculo e aproveitamento do crédito presumido sobre o leite in natura, e , inclusive, informa em seu texto a data na qual tal alteração entrará em vigor, qual seja, a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao da publicação daquela lei, ou seja, a partir de 1º de outubro de 2015. Tem-se, assim, que a limitação no aproveitamento de créditos presumidos da agroindústria do PIS e da Cofins, quanto ao leite in natura, foi extinta para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 2015, não se aplicando ao caso ora analisado. Fl. 157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.155 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13982.721048/2016-66 12 Por tais razões, deve ser mantida a glosa com essa motivação. A decisão se funda na circunstância de que o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 já existia antes da Lei nº 13.137/2015, mas, no caso das sociedades cooperativas, estava submetido à limitação específica prevista no art. 9º da Lei nº 11.051/2004, quando calculado sobre bens recebidos de cooperados. A Lei nº 13.137/2015 passou a disciplinar a possibilidade de utilização de saldos acumulados mediante compensação ou ressarcimento e excepcionou a limitação para o leite in natura recebido de cooperado. Contudo, tais alterações não possuem natureza expressamente interpretativa, nem autorizam a recomposição retroativa de valores que, no período de apuração, estavam submetidos a limite legal. Além disso, no procedimento de ressarcimento, cabe ao contribuinte demonstrar a existência, a origem, a composição, a quantificação, a liquidez e a certeza do crédito pleiteado, ônus do qual não se desincumbiu de forma suficiente. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar o pedido de perícia/diligência e, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo-se o não reconhecimento do direito creditório. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar o pedido de perícia/diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se o não reconhecimento do direito creditório. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Fl. 158DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11439234 #
Numero do processo: 10821.720029/2021-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2021 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. MULTA ADUANEIRA. TEMA 1293 STJ. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, §1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. Não incidirá o art.1º, §1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado.
Numero da decisão: 3401-014.682
Decisão: Vistos e relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado conhecer do recurso voluntário para, por unanimidade, dar provimento mediante a aplicação de ofício do tema repetitivo 1293 do STJ, prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999. Assinado Digitalmente MATEUS SOARES DE OLIVEIRA – Relator Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laércio Cruz Uliana Junior, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira (Relator), Laura Baptista Borges, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: MATEUS SOARES DE OLIVEIRA

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PETROBRÁS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2021 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. MULTA ADUANEIRA. TEMA 1293 STJ. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, §1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. Não incidirá o art.1º, §1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. ACÓRDÃO Vistos e relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado conhecer do recurso voluntário para, por unanimidade, dar provimento mediante a aplicação de ofício do tema repetitivo 1293 do STJ, prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999. Fl. 188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.682 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10821.720029/2021-34 2 Assinado Digitalmente MATEUS SOARES DE OLIVEIRA – Relator Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laércio Cruz Uliana Junior, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira (Relator), Laura Baptista Borges, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Conforme consta no Auto de Infração e no Relatório deste processo, o contribuinte, ao registrar a Declaração de Importação nº 21/0366495-6 na data 24/02/2021, submeteu a despacho de importação Óleo Bruto de Petróleo. No entanto, a recorrente deixou de anexar o comprovante de pagamento ou exoneração do adicional ao frete da marinha mercante (AFRMM), resultando no enquadramento à tipificação da infração prevista no artigo 70, II, “b”, item 1 da Lei 10.833/03 como infração punível com multa de 5% do valor das mercadorias objeto de operação de comércio exterior. A contribuinte teve ciência do Auto de Infração em 23/03/2021 (fl.43). Em sede de julgamento pela DRJ, o colegiado rejeitou a impugnação por unanimidade. Primeiramente, afastou o pleito de nulidade. No mérito, aplicou as regras previstas nos incisos do art. 3º da IN 1282/2012, de modo que a falta da apresentação do comprovante de pagamento do ARFMM, quando do registro da DI, em procedimento de despacho aduaneiro antecipado por tratar-se de mercadoria a granel, resultou na aplicação da sanção da multa de 5%, prevista nos artigos art. 553, III e 710 do RA. c.c. 3º, VI da IN RFB nº 1282/2012, c/c com 70, inciso II, alínea “b”, item 1, da Lei 10.833/2003”. Ao apresentar Recurso Voluntário da empresa pugna pela reforma do julgado, sustentando, em síntese que: a) A conduta é atípica; b) Sustenta que o parágrafo único do artigo 710 do RA estabelece a inaplicabilidade da multa enquanto estiver em trâmite o despacho aduaneiro; c) O auto de infração foi lavrado em 22/03/2021, sendo que o desembaraço foi concluído em 26/03/2021, com a emissão do CI em 28/03/2021. Em seguida os autos foram encaminhados ao E. CARF para julgamento. Eis o relatório. Fl. 189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.682 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10821.720029/2021-34 3 VOTO Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. 1 DO CONHECIMENTO. O recurso é tempestivo e reúne as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 2 DA PRESCRIÇÃO. Da leitura e aplicação conjunta dos artigos 487, II c.c. 332, § 1º, ambos do CPC sob a interpretação do fim social da própria norma nos termos do artigo 5º do Decreto nº 4657/1942 (LINDB), amparado ainda em vasto repertório jurisprudencial pautado no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/1999, compartilha-se do entendimento que a prescrição intercorrente é matéria de ordem pública, motivo pelo qual pode ser reconhecido de ofício. Neste sentido, vale transcrever os respectivos dispositivos: CPC- Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: § 1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição. LINDB- Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Pela delimitação do litígio realizado quando do lançamento da sanção pecuniária no Auto de Infração, bem como sua respectiva capitulação, observa-se que em momento algum a fiscalização teve pôr fim imediato a arrecadação de tributos. Pela delimitação do litígio realizado quando do lançamento da sanção pecuniária no Auto de Infração, bem como sua respectiva capitulação, observa-se que em momento algum a fiscalização teve pôr fim imediato a arrecadação de tributos. A propósito, acerca deste tema o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior discorreu com maestria em sua dissertação de Mestrado, motivo pelo qual transcreve-se trecho do respectivo trabalho: Fl. 190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.682 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10821.720029/2021-34 4 Ao adentrar no regime jurídico da infração aduaneira, é imprescindível analisar, novamente, a Convenção de Quioto Revisada, a qual, em seu anexo H.2, definiu Infrações Aduaneiras como qualquer violação ou tentativa de violação da legislação aduaneira. Além disso, infração aduaneira caracteriza-se, também, por qualquer oposição ou obstrução à estância aduaneira em cumprimento das medidas de controle necessárias, bem como a apresentação às autoridades aduaneiras de faturas ou outros documentos falsos. (...) Primeiramente, é fundamental a compreensão da natureza das obrigações aduaneiras: que são sempre aduaneiras, mas podem ser integradas pela relação administrativa, tributária, penal. Assim, se a relação for aduaneira-tributária, a obrigação principal figurará no pagamento de tributo ou de multa pecuniária e/ou a obrigação acessória versará sobre a prestação de interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos (...) Outra conceituação falha, visto que todas as obrigações aduaneiras também possuem natureza administrativa, mas que foi consolidada pelo legislador quando definiu a denúncia espontânea em matéria aduaneira. Assim, as obrigações que surgem a partir de uma relação aduaneira-tributária possuem natureza tributária e as obrigações que surgem de uma relação aduaneira não tributária possuem natureza administrativa.1 Em reforço, esta diferenciação encontra-se abordada na Nota SEI nº 943/2024 da PGFN nos termos que se seguem: PARECER SEI Nº 943/2024. M.F. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Procuradoria-Geral Adjunta Tributária Coordenação-Geral do Contencioso Administrativo Tributário. 161. A relação que guardam o Direito Tributário e o Direto Aduaneiro é objeto de debate. Distinção é reconhecida pelo próprio direito positivo, a exemplo da Lei n.º 10.833/03, que trata da legislação tributária no Capítulo II e da legislação aduaneira no Capítulo III. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.999.532/RJ, após qualificar como nebulosos os contornos no Direito Aduaneiro no Brasil, adotou proposta da doutrina, segundo a qual define-se o “Direito Aduaneiro como o conjunto de normas jurídicas que disciplinam as relações decorrentes da atividade do Estado referentes ao tráfego de mercadorias objeto 1 ULIANA JUNIOR, Laércio Cruz. Sanções aduaneiras decorrentes da importação de mercadoria e a proteção ao direito fundamental a livre-iniciativa: uma perspectiva da Análise Econômica do Direito. https://www.unibrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Dissertac%CC%A7a%CC%83o- LA%C3%89RCIO-CRUZ-ULIANA-JUNIOR.pdf Fl. 191DF CARF MF Original https://www.unibrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Dissertac%CC%A7a%CC%83o-LA%C3%89RCIO-CRUZ-ULIANA-JUNIOR.pdf https://www.unibrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Dissertac%CC%A7a%CC%83o-LA%C3%89RCIO-CRUZ-ULIANA-JUNIOR.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.682 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10821.720029/2021-34 5 de comércio exterior no território aduaneiro, bem como dos aspectos a isso correlatos” e, em seguida, separou as obrigações compreendidas no despacho aduaneiro entre administrativas e administrativas-fiscais, quando imediatamente relacionadas ao recolhimento de tributos. Às últimas atribuiu a natureza de obrigações tributárias acessórias, nos termos do art. 113, §2º do CTN, enquanto as primeiras classificam-se como administrativas, decorrentes do exercício do Poder de Polícia estatal. 162. Rosaldo Trevisan, em dissertação apresentada em 2008, segmentou a intervenção do Estado na ordem econômica em direta e indireta ou regulatória, manifestada por direção (“que abarca, além de medidas normativas que determinam comportamentos, o exercício do poder de polícia”) ou por indução (“que envolve as medidas normativas que estimulam ou desestimulam comportamentos”), reconhecendo, na regulação aduaneira, intervenção na ordem econômica na modalidade regulação e destacando que a tributação incidente sobre as operações de comércio exterior não ostenta finalidade arrecadatória, mas sim medida de indução: "As medidas tarifárias, por sua vez, caracterizam essencialmente a atuação estatal regulatória por indução, mediante o estabelecimento de incentivos (v.g. regimes aduaneiros especiais e aplicados em áreas especiais) ou desincentivos (v.g. majoração de impostos de importação e de exportação) com reflexos tributários, na importação e na exportação". 163. A partir do exposto, é possível identificar distinção entre os ramos do Direito Tributário e Aduaneiro no que tange às respectivas finalidades. Enquanto o Direito Tributário é marcadamente arrecadatório, com sopesamentos que buscam atender a valores e princípios albergados pelo ordenamento e, eventualmente, operar efeitos extrafiscais, o objetivo do Direito Aduaneiro é regulatório, visando disciplinar o comércio exterior sob diferentes aspectos, e, nesse mister, o Direito Aduaneiro protege interesses públicos primários que não são contemplados pela legislação tributária. 164. Os interesses públicos não patrimoniais que orientam a legislação aduaneira não foram ponderados pelo legislador por ocasião das discussões que culminaram na introdução do § 9º-A do art. 25 do Decreto n.º 70.235/72, como se infere das manifestações acima reproduzidas, encontrando-se, pois, fora da teleologia da norma introduzida pela Lei n.º 14.689/23. Outrossim, a defesa dos interesses outros protegidos pelas normas aduaneiras, isto é, assegurar que atendam às finalidades de direção e indução de comportamentos a que se destinam, requer que a imposição das multas seja efetiva, e, pois que a cobrança das respectivas penalidades pecuniárias atinja o patrimônio dos infratores. 166. O exposto resulta em que, no que tange às multas aduaneiras, duas linhas de razões aliam-se para concluir pelo afastamento do art. 25, §9-A do Decreto n.º 70.235/72. De um lado, enumeram-se questões lógico-sistemática e teleológico- axiológica, uma vez que as multas aduaneiras não são ladeadas por outras multas, de natureza acessória, que sejam subtraíveis em caso de controvérsia e a Fl. 192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.682 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10821.720029/2021-34 6 aplicação do art. 25, §9-A do Decreto n.º 70.235/72 fulminaria o próprio lançamento do principal. De outro, as penalidades de natureza aduaneira protegem valores que devem ser privilegiados para além do aspecto patrimonial, impondo-se sua efetiva cobrança para que cumpram sua função regulatória. 167. Por fim, deve-se registrar que, para os fins da presente manifestação, consideram- se compreendidos na definição de Direito Aduaneiro os julgamentos que versem sobre de exigência de multas aduaneiras e aqueles referentes à aplicação de direitos antidumping e de medidas compensatórias. Entende-se que a ausência de atos que visam impulsionar o processo a fim de ser julgado por período de três anos, pode e deve ser reconhecida de ofício, até mesmo para que seja alcançado o fim social estabelecido na essência da norma pelo próprio legislador ordinário. A propósito, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema n. 1293), que a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras que permaneçam paralisados por mais de três anos, ocasião em que houve a aprovação, por unanimidade, do tema repetitivo 1293 nos termos que se seguem: 1. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. 2. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. 3. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. Dispõe o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99: Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. Esta decisão reflete vários precedentes da própria Egrégia Corte: Fl. 193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.682 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10821.720029/2021-34 7 RECURSO ESPECIAL Nº 2085093 - SP (2023/0241962-5). RECURSO ESPECIAL Nº 2085093 - SP (2023/0241962-5). RECURSO ESPECIAL Nº 2085093 - SP (2023/0241962-5). (...) A prescrição intercorrente foi alegada apenas em embargos de declaração opostos em face da sentença, porém, sendo matéria de ordem pública, pode ser reconhecida qualquer tempo, mesmo de ofício, nas instâncias ordinárias. Nesse sentido: AgRg no REsp 1458441/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2014, DJe 25/08/2014. In casu, diante da em questão, é evidente natureza administrativa da infração a incidência da prescrição intercorrente prevista no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99. Ao contrário do que sustenta a agravante a respeito da natureza tributária das obrigações acessórias de natureza aduaneira, esta C. Turma já decidiu que: “a norma sancionadora invocada pela fiscalização (artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei nº 37/66) possui natureza administrativa (sanção de polícia), visto que tem como pressuposto o descumprimento do dever administrativo de prestar informações, imposto genericamente aos intervenientes no comércio exterior, independentemente do surgimento de obrigação tributária, consequentemente, por não constituir obrigação relacionada à obrigação tributária é aplicável as disposições da Lei nº 9.873/199” (TRF 3ª Região, 6ª Turma, ApCiv - APELAÇÃO CÍVEL - 5004780-59.2021.4.03.6104, Rel. Desembargador Federal LUIZ ALBERTO DE SOUZA RIBEIRO, julgado em 05/08/2022, DJEN DATA: 15/08/2022). E M E N T A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ANÁLISE DE PETIÇÃO APRESENTADA PELA EMBARGANTE. ARGUIÇÃO DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PARALISAÇÃO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS POR PRAZO SUPERIOR A TRÊS ANOS. NATUREZA ADMINISTRATIVA DA INFRAÇÃO. INCIDÊNCIA DO § 1º DO ART. 1º DA LEI Nº 9 .873/99. PRESCRIÇÃO ACOLHIDA, COM INVERSÃO DA SUCUMBÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PREJUDICADOS. 2. Os processos administrativos juntados integralmente aos autos revelam o decurso de prazo superior a três anos entre a impugnação administrativa e o respectivo julgamento. 4. A prescrição intercorrente é matéria de ordem pública, que pode ser reconhecida de ofício a qualquer tempo nas instâncias ordinárias. Nesse sentido: AgRg no REsp 1458441/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2014, DJe 25/08/2014 . 5. In casu, diante da natureza administrativa da infração em questão, é evidente a incidência da prescrição intercorrente prevista no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99 . 6. Prescrição intercorrente reconhecida, com inversão da sucumbência, restando prejudicados os embargos de declaração. (TRF-3 - ApCiv: 50076877520194036104 SP, Relator.: Desembargador Federal LUIS ANTONIO JOHONSOM DI SALVO, Data de Julgamento: 08/07/2022, 6ª Turma, Data de Publicação: DJEN DATA: 12/07/2022). RECURSO ESPECIAL Nº 1.999.532 - RJ (2022/0012142-1) RELATORA : MINISTRA REGINA HELENA COSTA- EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADUANEIRO E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA AOS ART. 489, § 1º, IV, E Fl. 194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.682 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10821.720029/2021-34 8 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284/STF. ARTS. 37 DO DECRETO-LEI N. 37/1966 E 37 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 28/1994. NATUREZA JURÍDICA DO DEVER DE PRESTAR INFORMAÇÕES SOBRE MERCADORIAS EMBARCADAS AO EXTERIOR POR EMPRESAS DE TRANSPORTE INTERNACIONAL. OBRIGAÇÃO QUE NÃO DETÉM ÍNDOLE TRIBUTÁRIA. EXEGESE DO ART. 113, § 2º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICABILIDADE DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE APURAÇÃO DA PENALIDADE PREVISTA NO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI N. 37/1996. INTELIGÊNCIA DO ART. 1º, § 1º, DA LEI N. 9.873/1999. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO. (...)I – As Turmas integrantes da 1ª Seção desta Corte firmaram orientação segundo a qual incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei n. 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações de índole não tributária por mais de 03 (três) anos e ausente a prática de atos de impulsionamento do procedimento punitivo. Precedentes. PROCESSUAL CIVIL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. REEXAME FÁTICO- PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Caso em que a sentença, confirmada no julgamento da Apelação, julgou improcedente o pedido da autora para que fosse desconstituído o auto de infração, lavrado pelo IBAMA, com a seguinte descrição: [...] 3. O STJ entende que incide a prescrição intercorrente quando o procedimento administrativo instaurado para apurar o fato passível de punição permanece paralisado por mais de três anos, sem atos que denotem impulsionamento do processo, nos termos do art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999, o que, conforme exposto pelo acórdão recorrido, não ocorreu...(AgInt no AREsp n. 1.719.352/ES, relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, j. 07.12.2020, DJe 15.12.2020). Sob a ótica da legislação regulamentar aduaneira, a infração, punida com a sanção ora impugnada, encontra-se prevista no artigo 710. Eis a sua redação: Art. 710. Aplica-se a multa de cinco por cento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, no caso de descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras. E no âmbito da Lei nº 10.833/2001: Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: Fl. 195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.682 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10821.720029/2021-34 9 II - se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e A obrigação inadimplida pelo contribuinte consistiu na intempestividade da apresentação de documento instrutório do despacho. Trata-se de uma obrigação sem cunho tributário, sem prejuízo do conteúdo do documento. O recurso voluntário foi protocolizado aos 27/10/2021. A reunião de julgamento, no mês 06 de 2026. Portanto, considerando a natureza não tributária da sanção, inerente a não apresentação de documento, há que se aplicar o tema 1293 do STJ ao presente caso e, por conseguinte, reconhecer a prescrição intercorrente e cancelar o Auto de Infração. 3 DO DISPOSTO Isto posto, conheço do recurso e dou provimento, mediante a aplicação de ofício do tema repetitivo 1293 do STJ, prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999. Assinado Digitalmente MATEUS SOARES DE OLIVEIRA Fl. 196DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 do conhecimento. 2 DA PRESCRIÇÃO. 3 do disposto

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Numero do processo: 15588.720166/2024-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2021 a 30/11/2023 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FUNDAMENTOS RECURSAIS. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. ALEGAÇÃO GENÉRICA. NÃO CONHECIMENTO. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Simples alegações desacompanhadas dos fundamentos jurídicos e dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. É devida a contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontando-as da respectiva remuneração. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PESSOA FÍSICA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EVENTUAL. A pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, vincula-se à Previdência Social como segurado obrigatório na condição de contribuinte individual. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GILRAT. DIFERENÇA. AUTOENQUADRAMENTO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. É devida a cobrança da diferença de alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela CNAE, vigente à época dos fatos geradores. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo ao fisco, em caso de erro no autoenquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configura-se ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. ALÍQUOTA GILRAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alíquota GILRAT aplicável é aquela atribuída à atividade na qual se encontram o maior número de segurados empregados ou trabalhadores avulsos. Cabe ao contribuinte apresentar provas que contradigam as informações prestadas por ela mesma no preenchimento da GFIP. ALEGAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INFIRMAR O LANÇAMENTO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Alegações sem qualquer comprovação não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la. MULTA. VALOR SUPOSTAMENTE EXORBITANTE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem valor exorbitante. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502 DE 1964. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. CABIMENTO. O não atendimento das intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos autoriza o agravamento da multa de ofício JURISPRUDÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A decisão proferida em processo judicial ou administrativo aplica-se tão-somente ao caso concreto ao qual se refere e às partes envolvidas no litígio, não vinculando o julgador. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 2101-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações acerca do caráter confiscatório da multa de ofício e da inclusão de verbas indevidas na base de cálculo da contribuição previdenciária; na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos - Relatora Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Débora Fófano dos Santos, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Luciana Costa Loureiro Solar (substituto[a] integral), Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações acerca do caráter confiscatório da multa de ofício e da inclusão de verbas indevidas na base de cálculo da contribuição previdenciária; na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos - Relatora Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Débora Fófano dos Santos, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Luciana Costa Loureiro Solar (substituto[a] integral), Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2021 a 30/11/2023 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FUNDAMENTOS RECURSAIS. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. ALEGAÇÃO GENÉRICA. NÃO CONHECIMENTO. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Simples alegações desacompanhadas dos fundamentos jurídicos e dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. É devida a contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontando-as da respectiva remuneração. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PESSOA FÍSICA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EVENTUAL. A pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, vincula-se à Previdência Social como segurado obrigatório na condição de contribuinte individual. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GILRAT. DIFERENÇA. AUTOENQUADRAMENTO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. É devida a cobrança da diferença de alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela CNAE, vigente à época dos fatos geradores. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo ao fisco, em caso de erro no autoenquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configura-se ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. ALÍQUOTA GILRAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alíquota GILRAT aplicável é aquela atribuída à atividade na qual se encontram o maior número de segurados empregados ou trabalhadores avulsos. Cabe ao contribuinte apresentar provas que contradigam as informações prestadas por ela mesma no preenchimento da GFIP. ALEGAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INFIRMAR O LANÇAMENTO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Alegações sem qualquer comprovação não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la. MULTA. VALOR SUPOSTAMENTE EXORBITANTE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem valor exorbitante. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502 DE 1964. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. CABIMENTO. O não atendimento das intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos autoriza o agravamento da multa de ofício JURISPRUDÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A decisão proferida em processo judicial ou administrativo aplica-se tão-somente ao caso concreto ao qual se refere e às partes envolvidas no litígio, não vinculando o julgador. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo.

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IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FUNDAMENTOS RECURSAIS. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. ALEGAÇÃO GENÉRICA. NÃO CONHECIMENTO. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Simples alegações desacompanhadas dos fundamentos jurídicos e dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. É devida a contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontando-as da respectiva remuneração. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PESSOA FÍSICA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EVENTUAL. A pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, vincula-se à Previdência Social como segurado obrigatório na condição de contribuinte individual. Fl. 5260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 2 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GILRAT. DIFERENÇA. AUTOENQUADRAMENTO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. É devida a cobrança da diferença de alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela CNAE, vigente à época dos fatos geradores. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo ao fisco, em caso de erro no autoenquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configura-se ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. ALÍQUOTA GILRAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alíquota GILRAT aplicável é aquela atribuída à atividade na qual se encontram o maior número de segurados empregados ou trabalhadores avulsos. Cabe ao contribuinte apresentar provas que contradigam as informações prestadas por ela mesma no preenchimento da GFIP. ALEGAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INFIRMAR O LANÇAMENTO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Alegações sem qualquer comprovação não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la. MULTA. VALOR SUPOSTAMENTE EXORBITANTE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem valor exorbitante. Fl. 5261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 3 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502 DE 1964. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. CABIMENTO. O não atendimento das intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos autoriza o agravamento da multa de ofício JURISPRUDÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A decisão proferida em processo judicial ou administrativo aplica-se tão- somente ao caso concreto ao qual se refere e às partes envolvidas no litígio, não vinculando o julgador. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações acerca do caráter confiscatório da multa de ofício e da inclusão de verbas indevidas na base de cálculo da contribuição previdenciária; na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos – Relatora Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior – Presidente Fl. 5262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Débora Fófano dos Santos, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Luciana Costa Loureiro Solar (substituto[a] integral), Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 5.225/5.256 e págs. PDF 5.223/5.254) interposto contra decisão no acórdão exarado pela 12ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 01 (fls. 5.174/5.207 e págs. PDF 5.172/5.205), que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário formalizado nos Autos de Infração abaixo relacionados, lavrados em 09/04/2024, acompanhados do Relatório Fiscal (fls. 39/60) e de Anexos (fls. 62/4.044):  Auto de Infração – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DO EMPREGADOR, no montante de R$ 49.396.836,71, já incluídos juros de mora (Calculados até 04/2024) e multa proporcional (Passível de Redução), referente contribuição previdenciária patronal e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), ajustada pelo FAP, decorrente das remunerações pagas, devidas ou creditadas pelo sujeito passivo, em função dos serviços prestados por seus empregados e contribuintes individuais (fls. 02/24) e  Auto de Infração - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS, no montante de R$ 19.533.078,77, já incluídos juros de mora (Calculados até 04/2024) e multa proporcional (Passível de Redução), decorrente das contribuições dos segurados empregados para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração a eles paga, cujos descontos das respectivas remunerações por parte do Município não foram integralmente declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) ou eSocial (fls. 25/38). Do Lançamento Extraem-se do Relatório Fiscal os seguintes excertos (fls. 39/60): (...) 6 – DO FATO GERADOR: 6.1 - Constitui fato gerador das contribuições apuradas, objeto deste Relatório Fiscal, a prestação de serviço remunerado, realizada por segurados empregados (efetivos, contratados, comissionados e eletivos) e contribuintes individuais que trabalharam na Prefeitura Municipal de Santana, no período compreendido entre janeiro/2021 e dezembro/2023. 6.2 – - Não tendo o Contribuinte fornecido as folhas de pagamento em formato MANAD (Manual Normativo de Arquivos Digitais), conforme anexo II do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001, alterado pelo art. 2º do Ato Declaratório Fl. 5263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 5 Executivo Cofis nº 44, de 24/08/2020, nem as folhas de pagamento analíticas, a fiscalização utilizou as informações constantes das folhas de pagamento extraídas do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia – TCM/BA, enviadas pelo Ente Municipal àquele órgão. 6.3 - A utilização dos dados citados no item 6.2, para o lançamento de ofício, está respaldada na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, Art. 33 e §§ 2º, 3º, e 6º e Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, Arts. 233 e 235 e alterações posteriores, in verbis: (...) 6.4 – As remunerações das folhas de pagamento obtidas através do TCMBA, com as rubricas discriminadas por competência e por empregados, estão relacionadas nos anexos 1, 2 e 3. 6.5 – O Anexo 4 contém as rubricas declaradas no eSocial, discriminadas por competência e por trabalhador e confessadas em DCTFWeb- Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. 6.6 – Foi constatado que o Município de Santana-Ba deixou de enviar, ao TCMBA, as folhas de pagamento dos meses de agosto, novembro e dezembro de 2021 e as de junho, outubro, novembro e dezembro de 2023. 6.6.1 – Para o arbitramento das remunerações das folhas de pagamento ausentes foram adotados os seguintes critérios: a) 08/2021 – repetidos os dados da folha do mês 07/2021; b) 11 e 12/2021 – repetidos os dados da folha do mês 10/2021; c) 13/2021 - apurado proporcional ao número de meses trabalhados em 2021, para os segurados que estavam no mês de outubro (Anexo 5); d) 06/2023 – repetidos os dados da folha do mês 05/2023; e) 10, 11 e 12/2023 – repetidos os dados da folha do mês 09/2023; e f) 13/2023 - apurado proporcional ao número de meses trabalhados em 2023, para os segurados que estavam na folha do mês de setembro/2023 (Anexo 6). 6.7 - Do confronto entre as bases de cálculo de contribuições previdenciárias dos segurados empregados constantes das Folhas de Pagamento (TCMBA) e as declaradas em GFIP, constatou se que o contribuinte deixou de declarar grande parte dos fatos geradores de contribuição previdenciária, bem como deixou de recolhê-la junto à rede bancária, conforme demonstrado no anexo 7, período de 01/2021 a 09/2022. (...) 6.7.1 – Das diferenças de contribuição dos segurados apuradas no item 6.7, coluna “CONTRIB. SEG. NÃO DECL EM GFIP”, foram deduzidos os valores de Salário-Família não declarados em GFIP, (...). (...) Fl. 5264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 6 6.8 - Do confronto entre os empregados constantes das Folhas de Pagamento (TCMBA) e os declarados no eSocial e confessados em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), constatou-se que o contribuinte deixou de incluir grande parte dos empregados nas declarações do eSocial, conforme demonstrado no anexo 8, para o período de 10/2022 a 13/2023”. Demonstramos abaixo o resumo do apurado no anexo 8, onde as colunas “DIFERENÇA (FOPAG - ESOCIAL)” e “CONTRIB. SEG. NÃO DECL NO ESOCIAL” correspondem apenas aos empregados que estão ausentes do eSocial: (...) 6.8.1 - Das diferenças de contribuição dos segurados apuradas no item 6.8, coluna “CONTRIB. SEG. NÃO DECL NO ESOCIAL”, foram deduzidos os valores de Salário- Família não declarados no eSocial, conforme demonstrado abaixo: (...) 6.9 - Nos meses de competência 13/2021 e 02 a 09/2022 houve recolhimentos através de GPS – Guia da Previdência Social, antes do início do Procedimento Fiscal, mas não tinha havido as respectivas declarações em GFIP. O Contribuinte foi intimado através dos TIFs nºs 2 e 3, para transmitir as correspondentes GFIPs, nos valores dos respectivos recolhimentos, para sanar erro de fato, nos termos do artigo 256, §5º, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 2110/2022, o que foi atendido, portanto, estas novas GFIPs foram deduzidas dos valores apurados. (...) 6.10 – Através dos relatórios de Consulta Pagamento Empenho obtido do TCMBA, Sistema Integrado de Gestão e Auditoria – SIGA, foi constado que houve pagamentos de remunerações por serviços prestados por pessoas físicas, não declaradas em GFIP, nos elementos de despesa 339035 (serviço de consultoria) e 339036 (outros serviços de terceiros – pessoa física) - contribuintes individuais. Estas remunerações estão relacionadas, por trabalhador, com discriminação dos serviços prestados, nos anexos 9 e 10. Segue abaixo o resumo mensal dos anexos 9 e 10. (...) 6.11 - Da análise das GFIPs declaradas pelo contribuinte, referentes ao período de 01/2021 a 09/2022, constantes do Sistema Informatizado GFIPWEB, constatou-se que os valores de GILRAT foram declarados a menor, resultando em uma diferença a recolher da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa, decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT), conforme demonstrativo abaixo. (...) Fl. 5265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 7 6.12 – O “ANEXO 11 - RESUMO DOS VALORES DECLARADOS EM GFIP” contém o resumo das GFIPs, utilizadas pela fiscalização com seus respectivos códigos de controle. 6.13 – Os anexos 12 a 14 contêm as folhas de pagamento, em formato pdf, que foram extraídas do sítio do TCMBA, SIGA - Sistema Integrado de Gestão e Auditoria - Módulo de Análise, e depois convertidas para o formato excel, para serem utilizadas no cálculo das contribuições previdenciárias apurados neste processo. 6.14 – O anexo 15 contém os valores totais mensais das remunerações, contribuições e deduções declaradas no eSocial/DCTFWeb, cujas remunerações correspondem às discriminadas por rubrica no anexo 4. 7 – DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA DE 150% (...) 7.5 – O contribuinte autuado declarou nas GFIPs e no eSocial, menos de quarenta por cento da remuneração e da contribuição dos trabalhadores a seu serviço, bem como o correspondente recolhimento, conforme demonstrado nos itens 6.7 e 6.8. (...) 7.8 – O Município mantém a conduta de não declarar e não recolher integralmente as contribuições estabelecidas pelo artigo 22 da Lei nº 8.212/1991; apenas pequena parte do total é declarada. 7.9 - A entrega de GFIP e de declaração do eSocial-DCTFWeb, sem preencher os requisitos legais e formais em vários meses, evidenciou prática de ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, incorrendo, assim, na conduta típica da sonegação descrita na forma do art. 71, Inciso I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (D.O.U. de 30 de novembro de 1964), verbis: (...) 7.10 - No caso de qualificação da penalidade, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, § 1º, inciso VI, estabelece que o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado para 100% nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 7.11 - Assim, o elemento subjetivo alcança a qualificação da multa. A multa qualificada, de natureza “penal tributária”, tem característica repressiva e punitiva devido a grave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a Fl. 5266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 8 sonegação, a fraude ou o conluio. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. acerca 7.12 - Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entendimento do contribuinte de determinado fato. Por esta razão, a autoridade administrativa observou, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo verifica-se pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzi-lo. 7.13 - A situação dos lançamentos de ofício não configura mera irregularidade de gestão, derivada da ausência de repasse dos tributos no tempo e modo devidos, senão efetivo desvio de finalidade malferidor da coisa pública, em face do dolo em subtrair os recursos predestinados a União. (...) 7.15 - O contribuinte agiu dolosamente (in casu, sonegação), ao inserir em instrumento instituído pela Receita Federal do Brasil para que se processasse o lançamento por homologação, que se dá através das informações relativas aos tributos e contribuições devidas, informadas pelo sujeito passivo, ou seja, a GFIP/eSocial-DCTFWeb, foram preenchidos com informações falsas, de maneira proposital e planejada, visto que, presta informações contraditórias em documentos que emite: nas Folhas de Pagamentos e sua escrituração contábil que apresenta ao Tribunal de Contas, que são bases de cálculo da apuração da contribuição previdenciária, bem como, na DIRF e na RAIS. Nas GFIPs/eSocial- DCTFWeb em que declaram as contribuições previdenciárias devidas omite parcela expressiva do valor apurado e, portanto, não recolhe a totalidade das contribuições devidas. 7.16 - Com base nas informações obtidas junto ao TCM-BA, fruto das informações enviadas e declaradas pelo próprio Ente Municipal, bem como DIRF (Anexo 17 e 18) e RAIS (Anexo 19), consegue-se ratificar que o Município vem sonegando e se apropriando da contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. 7.17 - A omissão de trabalhadores e remunerações na GFIP/eSocial é demonstrada pela divergência da declaração com a base de dados de remuneração de empregados obtida das folhas de pagamento, conforme demonstrado nos itens 6.7 e 6.8 e a ausência de contribuintes individuais citada no item 6.10. 7.18 - Portanto, o contribuinte, de forma consciente e intencional, enviou as GFIPs e as declarações do eSocial com omissões e incorreções quanto à sua situação de empresa sujeita ao pagamento integral da contribuição previdenciária, por diversos meses, consoante demonstrado acima, o que impediu o sistema SEFIP Fl. 5267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 9 (Sistema gerador da GFIP) e o eSocial de calcular o valor correto dos tributos previdenciários devidos. Tal fato caracteriza, em tese, a vontade livre e consciente, restando, por conseguinte, configurada a sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. 7.19 - Vale ressaltar ainda que, na medida em que o contribuinte presta informação que deveria saber verdadeira, tendo, ainda, a convicção de que tal informação reduz o valor declarado (e devido) à Previdência Social, fica comprovada a sonegação e a falsidade por meio de declaração não condizente com a sua realidade, eis que esta restou distorcida pela omissão dolosa, com vistas a induzir o Fisco em erro. 7.20 - Demonstra-se assim, que o Município omite nas GFIPs e nas declarações do eSocial parcela expressiva da contribuição previdenciária devida, tendo em vista a divergência encontrada entre a informação declarada e a contribuição apurada. 7.21 - O elemento subjetivo está demonstrado, os quais denotam que o Município agiu com dolo de forma livre e consciente com o fim de lesar a União. 7.22 - Em decorrência do procedimento do Município, demonstrado no presente relato, a multa foi qualificada no percentual de 100% (cento por cento), nos termos do artigo 44, § 1º, inciso VI da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 14.689 de 2023, face a inserção de informações sabidamente falsas, em desacordo com suas Folhas de Pagamentos e sua escrituração contábil fiscal, em declarações de apresentação obrigatória à RFB, além dos fatos expostos já elencados neste Relatório Fiscal, denotando a ação deliberada do Município de modo a não satisfazer as obrigações tributárias. 7.23 – O Ente Público, devidamente intimado, através do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF e pelos Termos de Intimação Fiscal – TIF nº 1 e 3, não forneceu a documentação solicitada, ou seja, omitiu-se em atender às intimações da fiscalização, não apresentando, dentre outros documentos solicitados, os arquivos digitais das Folhas de Pagamento, de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD), conforme anexo II do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001, alterado pelo art. 2º do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 44, de 24/08/2020, informações estas solicitadas em meio digital, propiciando a aplicação da multa de ofício agravada. 7.24 - É evidente que a recusa em atender às intimações fiscais para apresentar os documentos solicitados, mesmo sob ação fiscal, representa condutas dolosas, intencionais e planejadas por parte do sujeito passivo com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento (pelo Fisco) da ocorrência do fato gerador da contribuição devida. 7.25 - Trata-se, portanto, de situação que enseja a aplicação da multa qualificada de 100% (cento por cento), conforme item 9.22, aumentada de metade (agravada), isto é, majorada em 50% (cinquenta por cento), totalizando 150% (cento e cinquenta por cento), haja vista que, além da conduta dolosa que Fl. 5268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 10 configura sonegação, o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para apresentar os arquivos digitais dos documentos solicitados pela fiscalização, nos termos artigo 35 A da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 44, inciso I, § 1º, inciso VI (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) e § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. 7.25.1 – A multa sobre a infração “DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÃO GILRAT SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADA EM GFIP” não foi agravada por não depender de documento fornecido pelo contribuinte, foi apenas qualificada no percentual de 100% pelo mesmo motivo das demais contribuições apuradas neste processo. (...) 9 - REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS 9.1 - Ao se realizar a auditoria fiscal, ficou constatado que o contribuinte não declarou, nas GFIPs/eSocial-DCTFWeb, os dados correspondentes à parcela dos fatos geradores de contribuições previdenciárias apuradas no presente procedimento fiscal, deixando, ainda, de recolhê-las junto à rede bancária; 9.2 - Tais fatos configuram, em tese, a prática de crime de sonegação de contribuição previdenciária, consoante previsões contidas nos art. 337-A, incisos I e III do Código Penal, acrescentado pela Lei nº 9.983, de 14/07/2000, motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. (...) Da Impugnação O contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 16/05/2024 (AR de fl. 5.105 e pág. PDF 5.103) e apresentou impugnação em 15/06/2024 (fls. 5.110/5.151 e págs. PDF 5.108/5.149), com os argumentos sintetizados nos tópicos abaixo: I – DOS FATOS II – DO DIREITO DA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE 150% INFRAÇÃO: DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÃO GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADA EM GFIP Rubrica RAT/FAP Rubrica 404 - SALÁRIO MATERNIDADE Rubrica 013 – ADICIONAL DE INSALUBRIDADE HORAS EXTRAORDINÁRIAS, ADICIONAL NOTURNO e TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS DAS GRATIFICAÇÕES DE DIRETOR, VICE-DIRETOR E SECRETARIO ESCOLAR III – DO PEDIDO Fl. 5269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 11 Por todo o exposto e demonstrada a nulidade do Auto de Infração ora impugnado, requer: a) sejam os pedidos formulados na presente Impugnação Administrativa julgados totalmente procedentes para o fim de anular o lançamento impugnado. b) seja declarada a consequente extinção do crédito tributário, conforme artigo 156, IX, do Código Tributário Nacional. Da Decisão da DRJ A 12ª Turma da DRJ01, em sessão de 28 de maio de 2025, no acórdão nº 101- 029.369 (fls. 5.174/5.207 e págs. PDF 5.172/5.205) julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo reproduzida (fls. 5.174/5.175 e págs. PDF 5.172/5.173): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2021 a 30/11/2023 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. Há incidência de contribuições previdenciárias sobre rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. RAT. GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ENQUADRAMENTO. O enquadramento nos correspondentes graus de risco (leve, médio e grave), para fins da contribuição ao SAT/RAT, deve ser realizado considerando a atividade econômica preponderante da empresa, que é a que necessita a alocação da maior quantidade de segurados empregados e trabalhadores avulsos. As alegações desacompanhadas de prova que as justifiquem não produzem efeito em sede de Fl. 5270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 12 processo administrativo fiscal, sendo insuficientes para elidir o lançamento de ofício. FAP - FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. A contribuição a cargo da empresa destinada à Seguridade Social para o financiamento do SAT, poderá ser majorada ou reduzida em função da aplicação do Fator Acidentário de Prevenção. Se houver discordância quanto ao FAP atribuído pelo Ministério da Previdência Social, a empresa poderá contestá-lo perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. A multa que encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada se enquadra na hipótese prevista pela norma. Não se aplica à multa de ofício, quanto à sua utilização, a vedação contida inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, que ao tratar das limitações do poder de tributar, proibiu o legislador de utilizar tributo com efeito de confisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ pela abertura da mensagem da ciência na sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, ciência esta realizada por seu procurador 39.XXX.XXX/0001-03 - MATOS E WILDBERGER ADVOGADOS ASSOCIADOS em 12/06/2025, data em que se considera feita a intimação nos termos do artigo 23, § 2º, inciso III, alínea “b” do Decreto nº 70.235/72, conforme teor do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM DTE INTIMAÇÃO (fl. 5.221 e pág. PDF 5.219) e interpôs recurso voluntário em 26/06/2025 (fls. 5.225/5.256 e págs. PDF 5.223/5.254), onde reitera os argumentos apresentados na impugnação, sintetizados nos tópicos abaixo: 1 – DOS FATOS 2 – DO DIREITO 2.1 – DA MULTA DE OFÍCIO. VALOR CONFISCATÓRIO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 150, IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 2.3 – DA AUSÊNCIA DE DOLO DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE DE MAJORAR A MULTA NOS TERMOS DO ARTIGO 44, §1º, VI, DA LEI 9.430/96 2.3 – DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDIR A MULTA AGRAVADA DO ARTIGO 44, § 2º DA LEI N. 9.430 /96. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À FISCALIZAÇÃO 2.4 - DA ALIQUOTA DO SAT/RAT Fl. 5271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 13 2.5 - DA INEXISTÊNCIA DA RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA. INCLUSÃO DE VERBAS INDEVIDAS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 2.5.1 - Da Ilegalidade Da Inclusão Da Gratificação Sobre o Exercício De Cargo de Direção ou Comissionado Para os Servidores Efetivos na Base de Cálculo da Contribuição Previdenciária Patronal 2.5.2 - Da Ilegalidade Da Cobrança Da Contribuição Previdenciária Sobre O Pagamento Do Terço Constitucional De Férias 2.5.3 - Da Ilegalidade Da Cobrança Da Contribuição Previdenciária Sobre As Horas Extras 3 – DO PEDIDO À luz de todo o exposto o contribuinte vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência requerer o conhecimento e processamento do recurso voluntário, reformando-se o acórdão 101-029.369 – 12ª TURMA/DRJ 01, anulando-se o processo administrativo fiscal n° 15588.720166/2024-45, uma vez que foi constituído em desacordo com a ordem jurídica nacional. Requer, ainda, que Vossa Senhoria, tendo em vista a apresentação tempestiva do presente recurso voluntário, declare a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários discutidos na presente demanda administrativa. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora. É o relatório. VOTO Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora DA ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e ainda que preencha os requisitos de admissibilidade, deve ser parcialmente conhecido, não se conhecendo dos argumentos constantes nos tópicos a seguir: (i) Da multa de ofício. Valor confiscatório. Violação do artigo 150, IV da Constituição Federal. O Recorrente insurge-se contra o percentual da multa aplicada, alegando que tal padrão punitivo é totalmente descabido, tendo em vista nítido caráter confiscatório, cuja imposição é inaceitável, relatando que a vedação ao confisco se estende às multas tributárias exorbitantes. Tal matéria não será conhecida, tendo em vista o teor da Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória por parte de seus membros: Súmula CARF nº 2 Fl. 5272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 14 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (ii) Da inexistência da relação jurídico-tributária. Inclusão de verbas indevidas na base de cálculo da contribuição previdenciária. Aduz o Recorrente que a autoridade fazendária efetuou a cobrança das contribuições previdenciárias supostamente devidas pelo contribuinte, mas tais cobranças são nulas de pleno direito, tendo em vista que foram incluídas na base de cálculo verbas indenizatórias, fazendo menção e tecendo considerações em relação às seguintes: gratificação sobre o exercício de cargo de direção ou comissionado para os servidores efetivos; terço constitucional de férias e horas extras. No acórdão recorrido, a autoridade julgadora de primeira instância considerou não impugnada a matéria, sob o argumento de não ser admitida impugnação genérica, por negação geral ou em abstrato, conforme excerto abaixo reproduzido (fls. 5.201/5.202 e págs. PDF 5.199/5.200): (...) SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. Em sua impugnação, o interessado discorre, em abstrato acerca da não incidência de contribuições previdenciárias sobre algumas verbas trabalhistas, mesmo aparentando não saber informar se tais verbas teriam sido incluídas nas bases de cálculos pela autoridade fiscal. Pelas argumentações apresentadas na impugnação, sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre determinadas verbas trabalhistas, verifica-se que o interessado não combate pontualmente e diretamente os referidos levantamentos, cuja relação de segurados e bases de cálculos não foram extraídas das suas folhas de pagamentos em razão da não apresentação, mas sim por intermédio do batimento entre as suas GFIPs com suas folhas de pagamentos. Caberia ao sujeito passivo, em sede de impugnação, apresentar provas documentais, para cada um dos seus colaboradores relacionados nos referidos relatórios, demonstrando que determinadas verbas estariam, ou não, incluídas indevidamente no cálculo das contribuições previdenciárias ora constituídas. Porém, oportunizado nesta instância impugnatória a apresentar detalhadamente as bases de cálculos de todos os fatos geradores que considera como sendo os corretos, e acompanhados dos correspondentes documentos comprobatórios, o interessado limitou-se a combater o método de aferição indireta, adotada pela fiscalização, de maneira ampla e genérica. Tanto é que, em que pese da ação fiscal resultaram lançamentos de naturezas diversas, distribuídos em quatro Processos Fl. 5273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 15 Administrativos Fiscais - PAD, o sujeito passivo limitou-se a apresentar impugnações de idênticos teores. Para obter êxito em sua tentativa de afastar a validade dos procedimentos adotados, caberia ao interessado rebater pontualmente cada um dos fatos geradores relacionados na tabela de lançamentos apresentados pela fiscalização, pois a mera alegação ampla e genérica, por si só, não traz aos autos nenhum argumento ou prova capaz de descaracterizar o trabalho efetuado pelo Auditor- Fiscal, pelo que persistem os créditos lavrados por intermédio dos Autos de Infração em suas plenas integralidades. Informa-se, que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, não sendo admitida impugnação genérica, por negação geral ou em abstrato, situação em que o lançamento será considerado não impugnado, haja vista o que dispõe o art. 17 do mesmo Decreto: “Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (...) Na peça recursal, semelhantemente ao ocorrido na impugnação, o Recorrente novamente apenas tece considerações em abstrato sobre as referidas verbas, reiterando o seu caráter indenizatório sem, contudo, apresentar provas documentais no sentido de demonstrar que tais verbas estariam, ou não, incluídas indevidamente no cálculo das contribuições previdenciárias ora constituídas. O momento de apresentação da prova documental é com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, salvo se (artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235 de 1972): a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente e c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Desse modo, alegações genéricas desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo Recorrente, com fundamento nos artigos 373 da Lei nº 13.105 de 2015 (Código de Processo Civil)1 e 36 da Lei n° 9.784 de 19992, deve ser mantido o acórdão recorrido. 1 LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Código de Processo Civil. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) 2 LEI Nº 9.784, DE 29 DE JANEIRO DE 1999. Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 5274DF CARF MF Original http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2013.105-2015?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.784-1999?OpenDocument D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 16 Do exposto, a pretensão recursal além de não ser conhecida não merece prosperar. DAS RAZÕES RECURSAIS No recurso voluntário o Recorrente insurge-se em relação aos seguintes pontos: I. Da Multa de Ofício. Em relação à multa de ofício aplicada, o Recorrente contesta o percentual da multa de ofício aplicada (qualificada e agravada), com base no artigo 44, § 1º, inciso VI e § 2º, inciso II da Lei nº 9.430 de 1996, na redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023, com as alegações constantes nos tópicos abaixo. I.1. Valor confiscatório. Violação do artigo 150, IV da Constituição Federal. Alega que a majoração da multa ao percentual de 150%, decorrente da sua qualificação e agravamento resulta em padrão punitivo totalmente descabido, haja visto o poder confiscatório que detém sobre o contribuinte. Relata que o Supremo Tribunal Federal já julgou confiscatória a imposição de multas em patamares aos semelhantes instituídos pelos dispositivos questionados. Informa haver jurisprudência acerca da ilegalidade da multa de 150%, devendo esta ser reduzida para 20%, uma vez que prejudica de forma demasiada as receitas municipais. Inicialmente convém ressaltar que a multa é consequência da constatação da infração à legislação tributária e foi aplicada com fundamento em normas vigentes, de modo que não resta à autoridade administrativa outra alternativa senão a imposição da penalidade no quantum nela previsto. O artigo 142 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional)3 prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, de modo que não há previsão ou discricionariedade por parte do fisco para reduzi-la ao percentual de 20%, conforme requerido pelo sujeito passivo. Ainda que não deva ser conhecida a matéria em relação à alegação do caráter confiscatório da multa, convém deixar registrado que é uma apreciação a ser feita previamente pelo legislador ou no controle da constitucionalidade pelo judiciário. Uma vez vigente a lei, esta 3 LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 5275DF CARF MF Original http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%205.172-1966?OpenDocument D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 17 goza presunção de constitucionalidade, não cabendo ao aplicador negar sua aplicação sob argumentos desta natureza. Em vista dessas considerações não podem ser acolhidas as alegações do Recorrente. I.2 Da ausência de dolo do contribuinte. Impossibilidade de majorar a multa nos termos do artigo 44, § 1º, V, da Lei 9.430 de 1996. Afirma o Recorrente não haver no processo administrativo fiscal nenhuma prova de dolo do contribuinte que leve à majoração da multa para 100%, nos termos do artigo 44, § 1º, inciso VI da Lei nº 9.430 de 1996, motivo pelo qual deve ser anulado o auto de infração para incidir somente a multa ordinária. Em apertada síntese, os motivos ensejadores da qualificação da multa de ofício relatados pela fiscalização foram os seguintes (fls. 53/56):  Conduta reiterada de não declarar e não recolher integralmente as contribuições estabelecidas pelo artigo 22 da Lei nº 8.212 de 1991; apenas pequena parte do total é declarada.  Entrega de GFIP e de declaração do eSocial-DCTFWeb, sem preencher os requisitos legais e formais em vários meses, evidenciou prática de ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, incorrendo, assim, na conduta típica da sonegação descrita na forma do artigo 71, inciso I da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.  A situação dos lançamentos de ofício não configura mera irregularidade de gestão, derivada da ausência de repasse dos tributos no tempo e modo devidos, senão efetivo desvio de finalidade malferidor da coisa pública, em face do dolo em subtrair os recursos predestinados a União.  O contribuinte agiu dolosamente ao inserir em instrumento instituído pela Receita Federal do Brasil para que se processasse o lançamento por homologação, informações falsas relativas aos tributos e contribuições devidas na GFIP/eSocial-DCTFWeb, de maneira proposital e planejada, visto que, presta informações contraditórias em documentos que emite: nas folhas de pagamentos e sua escrituração contábil que apresenta ao Tribunal de Contas, que são bases de cálculo da apuração da contribuição previdenciária, bem como, na DIRF e na RAIS. Nas GFIPs/eSocial-DCTFWeb em que declaram as contribuições previdenciárias devidas omite parcela expressiva do valor apurado e, portanto, não recolhe a totalidade das contribuições devidas. Fl. 5276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 18  Com base nas informações obtidas junto ao TCM-BA, fruto das informações enviadas e declaradas pelo próprio Ente Municipal, bem como DIRF e RAIS, consegue-se ratificar que o Município vem sonegando e se apropriando da contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais.  A omissão de trabalhadores e remunerações na GFIP/eSocial é demonstrada pela divergência da declaração com a base de dados de remuneração de empregados obtida das folhas de pagamento e a ausência de contribuintes individuais e  Na medida em que o contribuinte presta informação que deveria saber verdadeira, tendo, ainda, a convicção de que tal informação reduz o valor declarado (e devido) à Previdência Social, fica comprovada a sonegação e a falsidade por meio de declaração não condizente com a sua realidade, eis que esta restou distorcida pela omissão dolosa, com vistas a induzir o Fisco em erro. Ao contrário do alegado pelo Recorrente, restou comprovado pela fiscalização a intenção dolosa do Município, ao sonegar e se apropriar da contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, utilizando do subterfugio de omitir informações em declarações oficiais e com isso omitir valores significativos de recolhimento de contribuições previdenciárias devida. Do exposto não há como acolher o pedido do Recorrente, devendo ser mantida a multa de ofício aplicada no percentual de 100%. I.3 Da impossibilidade de incidir a multa agravada do artigo 44, § 2º da Lei nº 9.430 de 1996. Ausência de prejuízo à fiscalização. O Recorrente alega que a multa agravada pelo não disponibilização dos arquivos no formato MANAD, deve ser afastada uma vez que tal circunstância não impossibilitou a lavratura do auto de infração, tendo em vista que todos os dados das folhas de pagamento, assim como as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, estavam à disposição do auditor fiscal, inexistindo prejuízo à fiscalização. Colaciona jurisprudência do CARF no sentido da tese por ele defendida. Preliminarmente vejamos o motivo ensejador do agravamento da penalidade descrito no Relatório Fiscal (fls. 56/57): (...) 7.23 – O Ente Público, devidamente intimado, através do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF e pelos Termos de Intimação Fiscal – TIF nº 1 e 3, não forneceu a documentação solicitada, ou seja, omitiu-se em atender às intimações da fiscalização, não apresentando, dentre outros documentos solicitados, os arquivos digitais das Folhas de Pagamento, de acordo com o leiaute definido no Fl. 5277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 19 Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD), conforme anexo II do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001, alterado pelo art. 2º do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 44, de 24/08/2020, informações estas solicitadas em meio digital, propiciando a aplicação da multa de ofício agravada. 7.24 - É evidente que a recusa em atender às intimações fiscais para apresentar os documentos solicitados, mesmo sob ação fiscal, representa condutas dolosas, intencionais e planejadas por parte do sujeito passivo com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento (pelo Fisco) da ocorrência do fato gerador da contribuição devida. (...) De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte apesar de intimado, deixou de apresentar documentos solicitados por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal e dos Termos de Intimação Fiscal – TIF nº 1 e 3. Em seu recurso voluntário o sujeito passivo não alega que teria apresentado tais documentos, mas apenas que tal circunstância não impossibilitou a lavratura do auto de infração, tendo em vista que todos os dados das folhas de pagamento, assim como as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, estavam à disposição do auditor fiscal, inexistindo prejuízo à fiscalização. Em que pese o entendimento do contribuinte em sentido contrário, todos os elementos solicitados pela fiscalização, que se considerem úteis ao desenvolvimento do procedimento fiscal, representam esclarecimentos a fiscalização, sendo inconteste o cometimento da infração. Esclareça-se que o fato de a fiscalização ter obtido os documentos solicitados por outros meios não tem o condão de afastar a aplicação da multa prevista na legislação. Assim, ao deixar de apresentar tais documentos, impõe-se a obrigação acessória tributária passível de penalidade pecuniária pelo seu descumprimento. II. Da Alíquota do SAT/RAT. O Recorrente alega que a majoração da alíquota de 1% (um por cento) é totalmente ilegal, haja vista que as atividades desenvolvidas pelos servidores públicos são eminentemente burocráticas, inexistindo risco de acidentes e exposição a fatores nocivos. Colaciona jurisprudência sobre o tema. Inicialmente cabe destacar que para os órgãos da administração pública em geral, categoria na qual se insere o Recorrente, com a mudança implementada pelo Decreto nº 6.042 de 2007, o correspondente GILRAT passou de 1% (risco leve) para 2% (risco médio) a partir de 06/2007, quando entrou em vigor a tabela CNAE-FISCAL e o correto enquadramento do Órgão passou a ser no código 8411-6/00 – Administração Pública em Geral, conforme anexo V, ou seja, a Administração Pública em Geral (categoria em que se enquadra a Prefeitura Municipal), código Fl. 5278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 20 CNAE (8411-6/00), passou a ser classificada como de risco médio, devendo, portanto, ser aplicada a alíquota de 2% (dois por cento) prevista na alínea "h" do inciso II do artigo 22 da Lei nº 8.212 de 1991, a partir de 06/2007, o que não foi observado pelo Recorrente. Desse modo, a regra geral da alíquota GILRAT para os Municípios é de 2%, quando só houver um CNPJ, determinado pela atividade preponderante. Quando houver mais de um CNPJ, o GILRAT é individualizado pelo seu CNAE, conforme a Súmula 351 do Superior Tribunal de Justiça – STJ, in verbis: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Assim, em conformidade com a Súmula 351 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cabia ao Recorrente ter apresentado, especificadamente, competência por competência, as alíquotas devidas, confrontados com os demonstrativos da autoridade lançadora e comprovados por meio de documentos idôneos, pois o ônus probatório é de quem alega, consoante os artigos 28 e 57 do Decreto nº 7.574 de 20114 e artigo 373 da Lei nº 13.105 de 20155. Pelo exposto acima, não há como acolher as alegações do impugnante. III. Da Jurisprudência Administrativa e Judicial. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados pelo Recorrente, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. IV. Da Suspensão da Exigibilidade dos Créditos Tributários. 4 Decreto nº 7.574 de 29 de setembro de 2011. Regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta relativo à interpretação da legislação tributária e aduaneira, à classificação fiscal de mercadorias, à classificação de serviços, intangíveis e de outras operações que produzam variações no patrimônio e de outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 ( Lei nº 9.784, de 1999, art. 36 ). (...) Art. 57. A impugnação mencionará ( Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º , e pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113): I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) 5 LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Código de Processo Civil. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 5279DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Decreto/D8853.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9784.htm#art36 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art16 http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2013.105-2015?OpenDocument D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.887 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720166/2024-45 21 O interessado requer seja declarada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutidos nos presentes autos. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Deste modo, as reclamações e recursos apresentados nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário em litígio, consoante artigo 151, inciso III da Lei nº 5.172 de 19666 (Código Tributário Nacional), combinado com o artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 19727. Conclusão Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, vota-se por conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações acerca do caráter confiscatório da multa de ofício e da inclusão de verbas indevidas na base de cálculo da contribuição previdenciária e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos 6 LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966. Denominado Código Tributário Nacional. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III - as reclamações e os recursos, nos têrmos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...) 7 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (redação vigente à época dos fatos). Fl. 5280DF CARF MF Original http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%205.172-1966?OpenDocument https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ACP/acp-36-67.htm#art7 http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC%2070.235-1972?OpenDocument Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 15746.720852/2020-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. SANEAMENTO. CABIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração, para saneamento da obscuridade apontada, quando restar caracterizado evidente lapso do acórdão embargado quanto à referência de processo com o qual o presente processo guarda vínculo de prejudicialidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 ART. 80 DA LEI N. 4.502/1964. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. REDUÇÃO. TEMA 863 STF. A multa de ofício prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio, deve, com base no Tema 863 do STF, ser limitada ao percentual de 100% (cem por cento) do IPI devido, a menos que se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23.
Numero da decisão: 3402-013.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os Embargos de Declaração (i) para, saneando a obscuridade apontada, fazer constar no primeiro parágrafo do item 7 da página 41 do Acórdão 3402-012.334 (e-fl. 172551) o número do processo 10830.729.074/2017-69, de tal sorte que o texto passará a ter a seguinte redação: As recorrentes alegam que houve erro na reconstituição da escrita do IPI, que teria indevidamente estornado o saldo credor apurado no Processo Administrativo n. 10830.729.074/2017-69. Nesse sentido, defendem a nulidade do auto de infração, por violação ao artigo 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, e (ii) para, atribuindo efeitos infringentes, aplicar, de ofício, o Tema 863 do STF, de repercussão geral, reduzindo a multa de ofício qualificada do percentual de 150% para 100%. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, José de Assis Ferraz Neto, Alessandra Lessa dos Santos, Rafael de Souza Medeiros e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: ARNALDO DIEFENTHAELER DORNELLES

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OBSCURIDADE. SANEAMENTO. CABIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração, para saneamento da obscuridade apontada, quando restar caracterizado evidente lapso do acórdão embargado quanto à referência de processo com o qual o presente processo guarda vínculo de prejudicialidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 ART. 80 DA LEI N. 4.502/1964. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. REDUÇÃO. TEMA 863 STF. A multa de ofício prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio, deve, com base no Tema 863 do STF, ser limitada ao percentual de 100% (cem por cento) do IPI devido, a menos que se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os Embargos de Declaração (i) para, saneando a obscuridade apontada, fazer constar no primeiro parágrafo do item 7 da página 41 do Acórdão 3402-012.334 (e-fl. 172551) o número do processo 10830.729.074/2017-69, de tal sorte que o texto passará a ter a seguinte redação: “As recorrentes alegam que houve erro na reconstituição da escrita do IPI, que teria indevidamente estornado o saldo credor apurado no Processo Administrativo n. 10830.729.074/2017-69. Nesse sentido, defendem a nulidade do auto de infração, por violação ao artigo 11, inciso II, do Decreto Fl. 172673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.321 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720852/2020-22 2 nº 70.235/72”, e (ii) para, atribuindo efeitos infringentes, aplicar, de ofício, o Tema 863 do STF, de repercussão geral, reduzindo a multa de ofício qualificada do percentual de 150% para 100%. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, José de Assis Ferraz Neto, Alessandra Lessa dos Santos, Rafael de Souza Medeiros e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos em conjunto pela UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL (“UBI”) e UNILEVER BRASIL (“UBR”) (e-fls. 172609 a 172615) com fulcro no art. 116 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 2023, contra o Acórdão de Recurso Voluntário nº 3402-012.334 (e-fls. 172511 a 172590), de 16 de outubro de 2024, que contou com a seguinte ementa e com o seguinte dispositivo: EMENTA Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 IPI. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditar-se do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. GRUPO ECONÔMICO. Respondem, solidariamente, na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, as pessoas que tenham interesse comum, especialmente quando se trata de companhia pertencente do mesmo grupo econômico, sócia e cliente exclusiva do sujeito passivo, apresentando estreita relação de interdependência. Cabível a imputação de responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. CONTAGEM DE PRAZO. O prazo de decadência dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando presente dolo, fraude ou simulação, em virtude do que dispõe a parte Fl. 172674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.321 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720852/2020-22 3 final do § 4º do art. 150 do CNT, rege-se pelas regras do art. 173, I, do CTN, com o termo inicial coincidindo com o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DISPOSITIVO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares apresentadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a prática de simulação nas operações da Recorrente, vencida a conselheira Mariel Orsi Gameiro, que votava por dar provimento ao Recurso Voluntário, e, por voto de qualidade, em não reduzir a multa de ofício de 150% para 100%, vencidos os conselheiros Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora), Marcos Antônio Borges e Mariel Orsi Gameiro, que votavam por reduzir a multa em razão da alteração promovida pela Lei nº 14.689, de 2023, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A Conselheira Mariel Orsi Gameiro manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Na peça apresentada às e-fls. 172609 a 172615, a Embargante sustenta a existência de três vícios no Acórdão embargado, um vício de obscuridade, um vício de contradição e um vício de omissão. Da obscuridade A Embargante aponta que o Acórdão embargado deixou de registrar o número do PAF que teria apurado o saldo credor que nestes autos foi estornado, tendo reproduzido excerto do voto condutor para demonstrar o alegado. “7. Apuração do montante devido As recorrentes alegam que houve erro na reconstituição da escrita do IPI, que teria indevidamente estornado o saldo credor apurado no Processo Administrativo n. Nesse sentido, defendem a nulidade do auto de infração, por violação ao artigo 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/72”. Para a Embargante, “ao mencionar um determinado “Processo Administrativo” e não informar o seu número, é fato que a decisão é obscura e precária no tema, prejudicando, inclusive, a sua futura liquidação, dado que ela própria afirma que, se vencedora neste outro PAF cuja numeração não restou consignada, a Unilever terá direito ao aproveitamento dos créditos caso “se mostre vitoriosa em seu pleito””. Da contradição Fl. 172675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.321 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720852/2020-22 4 A Embargante acusa a decisão proferida por este Colegiado no Acórdão nº 3402- 012.334 de ser contraditória, “na medida em que reconhece o direito ao creditamento, condicionando-o a evento futuro e incerto, o que é vedado, nos termos da jurisprudência deste CARF”. No entender da Embargante, se foi reconhecida a conexão entre os dois processos, o Colegiado deveria ter determinado o sobrestamento deste feito, e não o tendo feito, “incorreu em contradição com a sua própria premissa, já que o consequente natural de existir uma relação prejudicialidade entre dois processos é o sobrestamento, e não o condicionamento da decisão a superveniência de fatos futuros e incertos”. Da omissão Por fim, a Embargante sustenta que o Acórdão embargado é omisso, uma vez que deixou de analisar a decisão do STF no Tema 863 de Repercussão Geral para fins de redução da multa de ofício, prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, do patamar de 150% para o patamar de 100%. Sustenta a Embargante que, “ainda que o v. Acórdão embargado entenda que a Lei nº 14.689/23 não se aplica ao art. 80 da Lei nº 4.502/64, deveria ter analisado se a limitação ao teto de 100% também não se daria em razão do Tema 863/RG, que é de aplicação cogente no CARF”. Da admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos em conjunto pela UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL (“UBI”) e UNILEVER BRASIL (“UBR”) foram remetidos para exame de admissibilidade, tendo cabido a mim, na qualidade de presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, admiti-los apenas em relação à obscuridade apontada, uma vez que, de fato, o Acórdão embargado incidiu em erro ao não informar o número do processo no qual foram estornados os créditos do IPI, e ao qual o resultado deste tem relação de interdependência. Na sequência, os autos foram distribuídos para minha relatoria e, após, incluídos em pauta para julgamento neste Colegiado. Em 21/05/2026, a Embargante atravessou no processo a Petição de e-fls. 172625 a 172671, onde requer a juntada do Parecer elaborado pelo Professor Marco Aurélio Greco e a sua apreciação por este Colegiado. É o relatório. VOTO Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Relator. Fl. 172676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.321 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720852/2020-22 5 Presentes os requisitos de admissibilidade, já escrutinados no Despacho de Admissibilidade de Embargos de e-fls. 172620 a 172621, passo a analisar a obscuridade admitida. Da falta de indicação do número de processo Conforme relatado, a Embargante observou que o “Acórdão embargado deixou de consignar número do PAF que teria apurado o saldo credor que nestes autos fora estornado”, o que caracterizaria uma obscuridade. E tem razão a Embargante. Isso de fato ocorreu no tópico em que o Acórdão embargado trata da preliminar de nulidade do Auto de Infração por violação ao art. 11, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim se manifestou sobre a matéria. 7. Apuração do montante devido As recorrentes alegam que houve erro na reconstituição da escrita do IPI, que teria indevidamente estornado o saldo credor apurado no Processo Administrativo n. Nesse sentido, defendem a nulidade do auto de infração, por violação ao artigo 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. No entanto, a questão foi tratada no TVF, à folha 261 e seguintes, quando se dispõe sobre a reconstituição da escrita. Dessa forma, concordo com o acórdão recorrido, considerando ainda que, segundo as recorrentes, a questão aguarde posicionamento definitivo, até que isso ocorra os créditos precisam ser excluídos da escrita fiscal, sem prejuízo de serem aproveitados futuramente, caso a UNILEVER se mostre vitoriosa em seu pleito. Portanto, no presente caso, verifica-se que não houve violação ao artigo 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, a ensejar a decretação de nulidade do referido processo. Nesse sentido, rejeito a preliminar. Como se percebe, o voto condutor do Acórdão embargado “esqueceu” de referir o número do processo em que, após a reconstituição da escrita do IPI, foi constatada a inexistência de saldo credor a transportar de dezembro de 2014. Para corrigir esse “esquecimento”, buscamos identificar no Termo de Verificação Fiscal de e-fls. 110230 a 110488, mais especificamente no tópico que trata da reconstituição da escrita fiscal (e-fls. 110476 a 110478), o número do processo em que restou constatada a inexistência de saldo credor inicial para o mês de janeiro de 2015, e que ensejou o estorno do valor de R$ 86.432.521,75 na reconstituição da escrita do IPI no presente processo. O número desse processo (10830-729.074/2017-69) pode ser visto no seguinte excerto, extraído do Termo de Verificação Fiscal (e-fl. 110477): - Estorno do valor relativo ao saldo inicial escriturado pelo contribuinte no Livro Registro de Apuração do IPI em janeiro de 2015, no valor de R$ 86.432.521,75, Fl. 172677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.321 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720852/2020-22 6 relativo a período imediatamente anterior, tendo em vista não haver restado saldo credor a transportar de dezembro/2014, segundo o apurado na reconstituição da escrita do Auto de Infração objeto do processo 10830- 729.074/2017-69. O valor de R$ R$ 86.432.521,75 foi diminuído do somatório de outros créditos em janeiro/2015 (R$ 8.474.664,45) e o resultado (R$ 77.957.857,29), incluído a débito em “Outros Créditos ou Débitos a Incluir na Reconstituição de Escrita” do “DEMONSTRATIVO DOS DADOS APURADOS” da “PLANILHA DE RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA DE IPI”, integrante deste Auto de Infração. Também encontramos referência a esse mesmo número de processo no Recurso Voluntário apresentado pela ora Embargante (e-fl. 170638), quando é suscitada a nulidade do Auto de Infração por violação ao art. 11, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972: III.7 Nulidade: adoção de premissa incorreta para apuração do montante supostamente devido 125. Há ainda outra nulidade a ser examinada, que se relaciona com a base de cálculo do suposto crédito tributário. Para calcular o valor supostamente devido pela UBI, a D. Fiscalização estornou o saldo credor a que tinha direito essa empresa (no montante de R$ 86.432.521,75), ao argumento de que, nos autos do processo administrativo nº 10830.729.074/2017-69, teria sido constatado que a UBI não teria saldo credor a transportar de dezembro/2014. Confira-se trecho do TVF: ... 131. Desse modo, requer-se a reforma da r. decisão recorrida nesse ponto para que seja reconhecida a nulidade do auto de infração, por violação ao artigo 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Diante disso, para sanearmos a obscuridade apontada pela Embargante, devemos integrar o Acórdão embargado, acrescentando no primeiro parágrafo do item 7 da página 41 do Acórdão 3402-012.334 (e-fl. 172551) o número do processo 10830.729.074/2017-69, de tal sorte que o texto passará a ter a seguinte redação: “As recorrentes alegam que houve erro na reconstituição da escrita do IPI, que teria indevidamente estornado o saldo credor apurado no Processo Administrativo n. 10830.729.074/2017-69. Nesse sentido, defendem a nulidade do auto de infração, por violação ao artigo 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/72”. Do Tema 863 do STF Embora o Despacho de Admissibilidade de Embargos de e-fls. 172620 a 172621 não tenha acolhido os Embargos quanto ao vício de omissão suscitado pela Embargante, relativo à aplicação do Tema 863 do STF, de repercussão geral, essa é uma matéria que pode e deve ser conhecida de ofício por este Colegiado. O voto vencedor do Acórdão embargado rejeitou a redução da multa qualificada do percentual de 150% para o percentual de 100% por entender que as razões trazidas pela i. Fl. 172678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.321 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720852/2020-22 7 Relatora, fundadas na alteração promovida no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 pela Lei nº 14.689/2023, não justificavam tal medida. Não obstante, o Tema 863 do STF de repercussão geral nos trouxe uma leitura mais ampla da matéria a partir da tese lá fixada, que assim foi formulada: Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1- A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23. Como se depreende da tese fixada pelo STF, a multa tributária, qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio, deve ser limitada ao percentual de 100% do tributo devido, à exceção dos casos de reincidência definida no art. 44, § 1-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23, quando o percentual da multa pode chegar a 150%. No caso dos autos, temos uma multa tributária que foi qualificada em razão de fraude, sem que tenha sido identificada a reincidência definida no art. 44, § 1-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23, o que, nos termos do que decidido pelo STF no Tema 863, exige a sua redução para o percentual de 100% do IPI lançado. É nesse sentido que encaminho meu voto. Da Petição de e-fls. 172625 a 172671 Por fim, deixo registrado que não me manifestarei sobre a Petição atravessada nos autos em 21/05/2026, por tratar de matéria estranha aos Embargos de Declaração aqui analisados e que não pode ser enfrentada de ofício por este Colegiado. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher em parte os Embargos de Declaração, com atribuição de efeitos infringentes, (i) para, saneando a obscuridade apontada, fazer constar no primeiro parágrafo do item 7 da página 41 do Acórdão 3402-012.334 (e-fl. 172551) o número do processo 10830.729.074/2017-69, de tal sorte que o texto passará a ter a seguinte redação: “As recorrentes alegam que houve erro na reconstituição da escrita do IPI, que teria indevidamente estornado o saldo credor apurado no Processo Administrativo n. 10830.729.074/2017-69. Nesse sentido, defendem a nulidade do auto de infração, por violação ao artigo 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/72”, e (ii) para aplicar, de ofício, o Tema 863 do STF, de repercussão geral, reduzindo a multa de ofício qualificada do percentual de 150% para 100%. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Fl. 172679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.321 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720852/2020-22 8 Fl. 172680DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 15746.720016/2022-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIVERGÊNCIA ENTRE ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL (EFD) E DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). Constatada a falta de recolhimento de IPI devidamente apurado e escriturado na EFD do contribuinte, e não declarado em DCTF, é legítima a constituição do crédito tributário por meio de auto de infração. FALTA DE RECOLHIMENTO. IMPOSTO LANÇADO, ESCRITURADO E NÃO DECLARADO EM DCTF. Cobra-se o imposto destacado nas notas fiscais eletrônicas de saída, registrado na escrituração fiscal digital (EFD) e não declarado em DCTF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se decreta a nulidade do lançamento quando o auto de infração descreve de forma clara e suficiente os fatos que motivaram a exigência fiscal e a legislação aplicável, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. A amplitude do relatório fiscal que acompanha a autuação, ainda que aborde outros temas, não invalida o ato quando o núcleo da infração está devidamente demonstrado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%). AFASTAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO. A mera ausência de declaração em DCTF de débito regularmente escriturado na EFD, embora configure infração e justifique a aplicação da multa de ofício de 75%, não caracteriza, por si só, as condutas de sonegação, fraude ou conluio previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Para a qualificação da multa, exige-se a comprovação do dolo e da intenção de ocultar o fato gerador, o que não ocorre quando o próprio contribuinte informa o débito em sua escrituração fiscal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. Em face do afastamento das hipóteses de duplicação da multa de ofício, deve ser cancelada a responsabilização solidária baseada na caracterização de excesso de poderes ou infração à lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Ausente a demonstração de que os fatos geradores lançados de ofício correspondem objetivamente a tributos subtraídos ou reduzidos por conta de suposto abuso de personalidade jurídica empreendido pela pessoa jurídica autuada, não há como se manter a responsabilização solidária de terceiros, fundamentada em interesse comum.
Numero da decisão: 1101-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) em não conhecer do recurso voluntário do responsável solidário Izaquiel Pafumi de Oliveira; ii) em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Conselheiro Edmilson Borges Gomes - Relator assinado digitalmente Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Edmilson Borges Gomes (Relator), Efigênio de Freitas Júnior (Presidente), Jeferson Teodorovicz, Roney Sandro Freire Correa , Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: EDMILSON BORGES GOMES

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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIVERGÊNCIA ENTRE ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL (EFD) E DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). Constatada a falta de recolhimento de IPI devidamente apurado e escriturado na EFD do contribuinte, e não declarado em DCTF, é legítima a constituição do crédito tributário por meio de auto de infração. FALTA DE RECOLHIMENTO. IMPOSTO LANÇADO, ESCRITURADO E NÃO DECLARADO EM DCTF. Cobra-se o imposto destacado nas notas fiscais eletrônicas de saída, registrado na escrituração fiscal digital (EFD) e não declarado em DCTF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se decreta a nulidade do lançamento quando o auto de infração descreve de forma clara e suficiente os fatos que motivaram a exigência fiscal e a legislação aplicável, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. A amplitude do relatório fiscal que acompanha a autuação, ainda que aborde outros temas, não invalida o ato quando o núcleo da infração está devidamente demonstrado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%). AFASTAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO. A mera ausência de declaração em DCTF de débito regularmente escriturado na EFD, embora configure infração e justifique a aplicação da multa de ofício de 75%, não caracteriza, por si só, as condutas de sonegação, fraude ou conluio previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Para a qualificação da multa, exige-se a comprovação do dolo Fl. 2916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 2 e da intenção de ocultar o fato gerador, o que não ocorre quando o próprio contribuinte informa o débito em sua escrituração fiscal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. Em face do afastamento das hipóteses de duplicação da multa de ofício, deve ser cancelada a responsabilização solidária baseada na caracterização de excesso de poderes ou infração à lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Ausente a demonstração de que os fatos geradores lançados de ofício correspondem objetivamente a tributos subtraídos ou reduzidos por conta de suposto abuso de personalidade jurídica empreendido pela pessoa jurídica autuada, não há como se manter a responsabilização solidária de terceiros, fundamentada em interesse comum. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) em não conhecer do recurso voluntário do responsável solidário Izaquiel Pafumi de Oliveira; ii) em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Conselheiro Edmilson Borges Gomes – Relator assinado digitalmente Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Edmilson Borges Gomes (Relator), Efigênio de Freitas Júnior (Presidente), Jeferson Teodorovicz, Roney Sandro Freire Correa , Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RELATÓRIO 1. Trata-se de Recurso Voluntário apresentado contra a Decisão nº 108-040.831 – 21ª TURMA/DRJ08, sessão de 26/10/2023, que julgou improcedente em parte a Impugnação. 2. A decisão recorrida contém o seguinte relatório, que adoto: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI/2010), conforme Fl. 2917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 3 capitulação legal indicada, foi lavrado o auto de infração às fls. 2.467/2.469, em 07/01/2022, para exigir R$ 7.596.311,35 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 1.722.182,10 de juros de mora calculados até 31/01/2022 e R$ 11.394.466,99 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 20.712.960,44. Responsáveis solidários arrolados no “demonstrativo de responsáveis tributários” (fls. 2.470/2.479) do auto de infração. Consoante a descrição dos fatos (fl. 2.480) e o relatório fiscal (fls. 169/171), foi constatado que o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, embora incluídos na escrituração fiscal digital (EFD), não recolheu nem declarou em DCTF os débitos mensais do IPI. Assim consta do relatório fiscal – Refisc (e-fls. 2325-2418): “Este processo trata do lançamento do IPI na matriz da empresa acima identificada. A ação fiscal teve início na empresa GARCIA & OLIVEIRA COSMÉTICOS LTDA, doravante G&O COSMÉTICOS, tendo como objeto o IPI referente ao ano-calendário de 2017, e está amparada pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) nº 0812500.2020.00040. Após a verificação dos fatos que serão mencionados neste relatório, o procedimento fiscal passou a incluir o IRPJ e seus reflexos, referentes ao ano calendário 2017, conforme previsto pelo artigo 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e deu-se início à fiscalização na KRENAK DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COSMÉTICOS LTDA, doravante KRENAK, tendo como objeto o PIS e a COFINS referentes ao ano-calendário de 2017, objeto deste Relatório Fiscal”. Primeiramente, alguns pontos de destaque no relatório fiscal: - Início do procedimento (fls. 2.328/2.329); - acesso aos dados bancários do sujeito passivo (fls. 2.329/2.330); - acesso aos dados bancários da KRENAK (fl. 2.330); - grupo Acquaflora (fls. 2.330/2.333); - processos referentes a fraudes com títulos públicos (fls. 2.333/2.335); - prejuízo deliberado da KRENAK nas operações com cosméticos (fls. 2.335/2.339); - vínculos entre KRENAK, G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO (fls. 2.339/2.365); 2.375/2.376); 2.377/2.385); - movimentação financeira (fls. 2.366/2.374); - despesas pessoais de Rodrigo Mansur pagas pelo grupo econômico (fls. 2.375/2.376); - participação de Paulo Monteiro na administração do sujeito passivo (fls. 2.377/2.385); - resumo dos fatos (fls. 2.386/2.387); - conclusão sobre os fatos (fls. 2.388/2.390); Fl. 2918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 4 - evasão de tributos (fls. 2.390/2.397); - infração à legislação tributária, etc. (fl. 2.397 em diante). Especificamente quanto ao IPI, o sujeito passivo foi intimado a esclarecer o seguinte: Assim prossegue o relatório fiscal: “O mesmo foi solicitado no Termo de Reintimação Fiscal de 19/08/2020, com relação ao IPI, e nos Termos de Intimação Fiscal de 14/05/2021, e de Reintimação Fiscal de 21/06/2021 e 02/09/2021, com relação ao IRPJ/CSLL. Desta forma, no ano-calendário de 2017 a empresa apurou valores de IPI, IRPJ e CSLL e os informou à RFB utilizando o Sped EFD ICMS/IPI e Sped ECF, e não confessou todos os valores em DCTF. Na resposta apresentada em 24/09/2020 (fls. 30 e 31), a G&O COSMÉTICOS reconhece que cometeu alguns erros na transmissão de informações em DCTF, nos seguintes termos: “R. O contribuinte promoveu outsourcing de sua contabilidade, delegando a profissionais de elevada reputação a realização das declarações e demais obrigações fiscais acessórias. Nesse sentido, em hipótese alguma agiu com má-fé ao proceder suas declarações, recebendo as orientações e guias da contabilidade para que promovesse o adimplemento das obrigações tributárias atinentes à sua atividade. Nesse contexto, contudo, reviu os procedimentos e, a partir de meados deste ano, considerando a necessidade de readequação de rotinas e equalização de custos, há dificuldade de obter o atendimento às solicitações de esclarecimentos sobre os fatos que motivaram a divergência constatada. Com isso, acreditamos se tratar de lapso da contabilidade e, por isso, a nova equipe interna promovendo a correção das obrigações, de modo a atender plenamente à notificação de V.Sas..” Porém, cabe esclarecer que, apesar da alegação da Fl. 2919DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 5 ausência de má-fé, fica evidente o intuito fraudulento, a partir do momento em que verificamos todo o exposto nos tópicos “14.1 – ORIGEM E OBJETIVO DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO DO GRUPO ACQUAFLORA” e “14.2 – NEUTRALIZAÇÃO DA INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS INDIRETOS” c/c o “ANEXO 1 – RELAÇÃO DE LANÇAMENTOS E PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO GRUPO”. Em resumo, o planejamento tributário do GRUPO ACQUAFLORA baseou-se na premissa de subfaturamento e interposição fraudulenta de sócios, inclusive na empresa fiscalizada. O subfaturamento nas vendas da KRENAK acarretou aumento nos lucros das atacadistas, em nome de interpostas pessoas, o que obrigou o grupo ao uso de compensações fraudulentas. Na tabela a seguir, extraímos os débitos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI confessados em DCTF das empresas KRENAK, G&O COSMÉTICOS (todos os estabelecimentos), AC MACHADO e AT DE JESUS, para que possamos visualizar com mais clareza o resultado das ações das empresas: Vemos que em 2016, a G&O COSMÉTICOS também não confessou os débitos de IPI, praticamente não confessou débitos de IRPJ/CSLL desde 2013, e não apurou débitos de PIS/COFINS (monofásico), o que é resultado do planejamento tributário fraudulento. Ora, se desde 2010 a empresa vem sendo utilizada em esquema fraudulento, se desde 2017, em relação ao ano-calendário de 2013, a RFB vem lançando multas por ausência de confissão de débitos em DCTF, justificadas como compensações fraudulentas, é evidente que o grupo vem reiteradamente se utilizando de meios fraudulentos para o não pagamento de impostos. Trata-se de conduta reiterada de omissão na confissão de tributos, pelos variados motivos. Os valores apurados no Sped EFD ICMS/IPI e Sped ECF serão lançados de ofício, conforme informações reproduzidas nos Autos de Infração”. Acerca da tentativa reiterada de impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária e da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, no relatório fiscal: Fl. 2920DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 6 “Conforme exposto nos tópicos “8 – DOS VÍNCULOS ENTRE AS EMPRESAS KRENAK, G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS E AC MACHADO” e “6 – DOS PROCESSOS REFERENTES A FRAUDES COM TÍTULOS PÚBLICOS ”, até 2016 as empresas do grupo utilizaram artifícios dolosos para a extinção dos créditos tributários: a criação de empresas utilizando interpostas pessoas e a compensação indevida de débitos com títulos públicos. Tais situações podem ser verificadas na totalização dos lançamentos nas empresas do grupo a seguir: Apenas os lançamentos na KRENAK não foram com multa qualificada, resultado de fraude e sonegação. A relação completa de lançamentos e seus respectivos processos pode ser consultada no “ANEXO 1 – RELAÇÃO DE LANÇAMENTOS E PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO GRUPO”. Mais recentemente, também foi lavrado auto de infração na filial da G&O COSMÉTICOS, pelos mesmos motivos (PAF 17095.722061/2021-55). Mas não é só. A constituição da empresa G&O COSMÉTICOS em nome de interposta pessoa, tal como no caso da AC MACHADO e da AT DE JESUS, e as transferências posteriores, ocorreram devido à legislação tributária, que, no caso do IPI, permitia a atacadistas adquirentes de cosméticos não se equipararem a industrial. O artigo 10º do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados – RIPI), dispõe sobre a equiparação a industrial de estabelecimentos atacadistas: “Art. 10. São equiparados a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, de estabelecimentos industriais ou dos estabelecimentos equiparados a industriais de que tratam os incisos I a V do art. 9º (Lei nº 7.798, de 1989, arts. 7º e 8º). § 1º O disposto neste artigo aplica-se nas hipóteses em que o adquirente e o remetente dos produtos sejam empresas controladoras ou controladas - Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, art. 243, coligadas - Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1.099, e Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 46, Fl. 2921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 7 parágrafo único , interligadas - Decreto-Lei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, art. 10, § 2º - ou interdependentes (Lei nº 7.798, de 1989, art. 7º § 1º).” Entre 2009 e 2014, a G&O COSMÉTICOS não apurou IPI, porque supostamente não seria equiparada a industrial. Porém, vemos no § 1º do artigo 10º do RIPI que, se o sócio oculto, o Sr. RODRIGO MANSUR, fosse registrado como tal, a empresa seria obrigada à apuração, por equiparação à industrial. Apenas na alteração dada pelo Decreto nº 8.393, de 28 de janeiro de 2015, que os produtos fabricados pela KRENAK foram inseridos na Lei “Art. 1º Ficam incluídos no Anexo III à Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, os produtos constantes do Anexo a este Decreto, de acordo com a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 23 de dezembro de 2011. (…) Código TIPI 3303.00.10 3304.10.00 3304.20 3304.30.00 3304.9 3305.20.00 3305.30.00 3305.90.00 3307.10.00 3307.30.00 3307.4 3307.90.00” Por esta razão a G&O COSMÉTICOS e a AC MACHADO entraram com ações judiciais solicitando exatamente que não tivessem a obrigação de recolher o IPI em decorrência da equiparação a industrial: processos 0005750- 63.2015.403.6102 e 0080121-21.2015.402.5101. E, ao consultar a relação de apuração do IPI no Sped EFD ICMS/IPI, os débitos de IPI confessados em DCTF e os pagamentos até 2017 (período da fiscalização), vemos que após 2015, quando equiparada a industrial, as empresas atacadistas não pagaram ou sequer confessaram quaisquer débitos de IPI: Em resumo, a matriz da G&O COSMÉTICOS, após a equiparação a industrial, confessou os débitos em 2015, mas não pagou. Em 2016, sequer confessou. A AC MACHADO, confessou seus débitos de IPI em 2015 e 2016, mas não pagou nada. Fl. 2922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 8 Antes de 2015, como as empresas estava em nome de interpostas pessoas, o IPI também não era apurado. Destarte, vemos que as empresas representantes do GRUPO ACQUAFLORA buscam reduzir o IPI de forma fraudulenta desde 2010, com a constituição da G&O COSMÉTICOS e a AT DE JESUS (desde então, no Simples Nacional, também não paga o IPI), e, posteriormente, em 2011, da AC MACHADO, todas em nome de interpostas pessoas”. Quanto à sujeição passiva, no relatório fiscal: 1) Interesse Comum (art. 124, I, do CTN): 1.1) KRENAK DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COSMÉTICOS LTDA. “A KRENAK é de propriedade de RODRIGO MANSUR e ARETHA MELLO. Descrevemos no tópico “13.1 – CONFUSÃO PATRIMONIAL” fatos que comprovam a confusão patrimonial entre a KRENAK, a G&O COSMÉTICOS, a AT DE JESUS e a AC MACHADO: • a gestão de recursos humanos da KRENAK era responsável pelos recursos humanos da G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO; • dentre os e-mails obtidos, está a apuração dos valores a ressarcir dos funcionários da G&O COSMÉTICOS e AT DE JESUS, em que o RH da KRENAK indicou que o valor deveria ser depositado na conta corrente do Sr. RODRIGO MANSUR; • da consulta a processos administrativos fiscais da G&O COSMÉTICOS, constatamos avisos de recebimento assinados por funcionários de outras empresas do grupo (KRENAK e AT DE JESUS), o que demonstra o compartilhamento de funcionários; • a análise da movimentação financeira também indica pagamentos de despesas pessoais do Sr. RODRIGO MANSUR. A vinculação gerencial entre as empresas está demonstrada no tópico “13.2 – VINCULAÇÃO GERENCIAL E COINCIDÊNCIA DE SÓCIOS E ADMINISTRADORES”, em que concluímos que o GRUPO ACQUAFLORA é administrado pelo Sr. RODRIGO MANSUR e sua equipe, não havendo independência entre as empresas, e que ALINE PATRÍCIA DE OLIVEIRA era interposta pessoa na G&O COSMÉTICOS: • O Sr. RODRIGO MANSUR é o real proprietário das empresas do GRUPO ACQUAFLORA, com maior participação. • No período da fiscalização, foi sócio da KRENAK em todo o ano-calendário de 2017 e da G&O COSMÉTICOS entre 01/01/2017 até 06/11/2017. • O Sr. RODRIGO MANSUR é procurador da G&O COSMÉTICOS desde 15/09/2014, e é também quem movimenta a conta-corrente da empresa na Caixa Econômica Federal desde 2014. Fl. 2923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 9 • Conforme exposto no tópico “8.2.1 – CARLA RAFAELA SANGA”, a Sra. CARLA SANGA, que constituiu a G&O COSMÉTICOS, era funcionária da KRENAK no mesmo período em que supostamente teria atuado como empresária. • A gestão de recursos humanos da KRENAK era responsável pelos recursos humanos da G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO (tópico “8.4 – ENVIO DE E-MAILS PELA ÁREA DE RECURSOS HUMANOS DA KRENAK SOBRE CONTRATAÇÃO E DEMISSÃO DE FUNCIONÁRIOS DAS EMPRESAS DO GRUPO”). • Da consulta às notas fiscais das empresas do grupo, constatamos que, desde, 2012, são utilizados e-mails da ACQUAFLORA para compras da G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO. • A KRENAK, AT DE JESUS, G&O COSMÉTICOS e a AC MACHADO utilizaram, nos últimos anos, os mesmos escritórios de contabilidade e de advocacia. • A supervisão de funcionária da G&O COSMÉTICOS era realizada por funcionária da KRENAK (tópico “8.13 – REMETENTES DOS TELEGRAMAS DA G&O COSMÉTICOS”). • Todos os elementos acima expostos no levam à conclusão de que o GRUPO ACQUAFLORA é administrado pelo Sr. RODRIGO MANSUR e sua equipe, não havendo independência entre as empresas. O subfaturamento nas vendas da KRENAK para a G&O COSMÉTICOS, tratado nos tópicos “7 – DO PREJUÍZO DELIBERADO DA KRENAK NAS OPERAÇÕES QUE ENVOLVEM COSMÉTICOS” e “13.5 – SUBFATURAMENTO NAS VENDAS ENTRE EMPRESAS DO GRUPO”, demonstra que o objetivo da estrutura de empresas era a redução de tributos. Por fim, citamos concluímos pela “13.6 – CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO”. À vista do exposto, é de se incluir a KRENAK no polo passivo, tendo em vista o sócio em comum com a G&O COSMÉTICOS, a confusão patrimonial, a direção única e o subfaturamento. Sobre a solidariedade, o CTN, em seu artigo 124 dispõe: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Do exposto, responderá solidariamente, nos termos do artigo 124, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN – o sujeito passivo abaixo discriminado, empresa participante do esquema citado neste relatório: 1.2) A.T DE JESUS RASTELLE COSMÉTICOS “A A.T DE JESUS está registrada em nome de ANDRESSA DE JESUS. Fl. 2924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 10 Descrevemos no tópico “13.1 – CONFUSÃO PATRIMONIAL” fatos que comprovam a confusão patrimonial entre a KRENAK, a G&O COSMÉTICOS, a AT DE JESUS e a AC MACHADO: • a gestão de recursos humanos da KRENAK era responsável pelos recursos humanos da G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO; • dentre os e-mails obtidos, está a apuração dos valores a ressarcir dos funcionários da G&O COSMÉTICOS e AT DE JESUS, em que o RH da KRENAK indicou que o valor deveria ser depositado na conta-corrente do Sr. RODRIGO MANSUR; • da consulta a processos administrativos fiscais da G&O COSMÉTICOS, constatamos avisos de recebimento assinados por funcionários de outras empresas do grupo (KRENAK e AT DE JESUS), o que demonstra o compartilhamento de funcionários; • a análise da movimentação financeira também indica pagamentos de despesas pessoais do Sr. RODRIGO MANSUR. A vinculação gerencial entre as empresas está demonstrada no tópico “13.2 – VINCULAÇÃO GERENCIAL E COINCIDÊNCIA DE SÓCIOS E ADMINISTRADORES”, em que concluímos que o GRUPO ACQUAFLORA é administrado pelo Sr. RODRIGO MANSUR e sua equipe, não havendo independência entre as empresas, e que ANDRESSA TORO DE JESUS RASTELLE era interposta pessoa na AT DE JESUS: • O Sr. RODRIGO MANSUR é o real proprietário das empresas do GRUPO ACQUAFLORA, com maior participação. • No período da fiscalização, foi sócio da KRENAK em todo o ano-calendário de 2017 e da G&O COSMÉTICOS entre 01/01/2017 até 06/11/2017. • A gestão de recursos humanos da KRENAK era responsável pelos recursos humanos da G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO (tópico “8.4 – ENVIO DE E-MAILS PELA ÁREA DE RECURSOS HUMANOS DA KRENAK SOBRE CONTRATAÇÃO E DEMISSÃO DE FUNCIONÁRIOS DAS EMPRESAS DO GRUPO”). • No tópico “8.2.4 – ANDRESSA TORO DE JESUS RASTELLE”, citamos que ANDRESSA DE JESUS também é funcionária da KRENAK desde 01/10/2004. • O domínio na internet da empresa AT DE JESUS possui como contato o e-mail da sócia da KRENAK (aretha@acquafloracosmeticos.com.br). • Da consulta às notas fiscais das empresas do grupo, constatamos que, desde, 2012, são utilizados e-mails da ACQUAFLORA para compras da G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO. DOCUMENTO VALIDADO EM 30/10/2023 13:23:59 • A KRENAK, AT DE JESUS, G&O COSMÉTICOS e a AC MACHADO utilizaram, nos últimos anos, os mesmos escritórios de contabilidade e de advocacia. Fl. 2925DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 11 • E-mails obtidos em processos trabalhistas comprovam que o Sr. RODRIGO MANSUR que tratou diretamente da contratação do escritório de advocacia da AT DE JESUS, e, ainda, assinou procuração em nome desta. • Todos os elementos acima expostos no levam à conclusão de que o GRUPO ACQUAFLORA é administrado pelo Sr. RODRIGO MANSUR e sua equipe, não havendo independência entre as empresas. O subfaturamento nas vendas da KRENAK para a AT DE JESUS, tratado nos tópicos “7 – DO PREJUÍZO DELIBERADO DA KRENAK NAS OPERAÇÕES QUE ENVOLVEM COSMÉTICOS” e “13.5 – SUBFATURAMENTO NAS VENDAS ENTRE EMPRESAS DO GRUPO”, demonstra que o objetivo da estrutura de empresas era a redução de tributos. Por fim, citamos concluímos pela “13.6 – CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO”. À vista do exposto, é de se incluir a AT DE JESUS no polo passivo, tendo em vista a confusão patrimonial, a direção única, a utilização de interposta pessoa e o subfaturamento, bem como a utilização indevida do regime simplificado (Simples Nacional). Sobre a solidariedade, o CTN, em seu artigo 124 dispõe: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Do exposto, responderá solidariamente, nos termos do artigo 124, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN – o sujeito passivo abaixo discriminado, empresa participante do esquema citado neste relatório: – A.T DE JESUS RASTELLE COSMÉTICOS, CNPJ 12.901.622/0001-70”. 1.3) AC MACHADO COSMÉTICOS LTDA. PROCESSO 15746.720016/2022-18 “Em 2017, AC MACHADO estava registrada em nome de BEATRIZ MANSUR, MARCELO COSTI e ARLEI MACHADO. Descrevemos no tópico “13.1 – CONFUSÃO PATRIMONIAL” fatos que comprovam a confusão patrimonial entre a KRENAK, a G&O COSMÉTICOS, a AT DE JESUS e a AC MACHADO: • a gestão de recursos humanos da KRENAK era responsável pelos recursos humanos da G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO; • dentre os e-mails obtidos, está a apuração dos valores a ressarcir dos funcionários da G&O COSMÉTICOS e AT DE JESUS, em que o RH da KRENAK indicou que o valor deveria ser depositado na conta-corrente do Sr. RODRIGO MANSUR; Fl. 2926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 12 • da consulta a processos administrativos fiscais da G&O COSMÉTICOS, constatamos avisos de recebimento assinados por funcionários de outras empresas do grupo (KRENAK e AT DE JESUS), o que demonstra o compartilhamento de funcionários; • a análise da movimentação financeira também indica pagamentos de despesas pessoais do Sr. RODRIGO MANSUR. A vinculação gerencial entre as empresas está demonstrada no tópico “13.2 – VINCULAÇÃO GERENCIAL E COINCIDÊNCIA DE SÓCIOS E ADMINISTRADORES”, em que concluímos que o GRUPO ACQUAFLORA é administrado pelo Sr. RODRIGO MANSUR e sua equipe, não havendo independência entre as empresas, e que BEATRIZ GARCIA MANSUR, ARLEI CASSIMIRO MACHADO e MARCELO SCOVINI COSTI eram interpostas pessoas na AC MACHADO: • O Sr. RODRIGO MANSUR é o real proprietário das empresas do GRUPO ACQUAFLORA, com maior participação. • No período da fiscalização, foi sócio da KRENAK em todo o ano-calendário de 2017 e da G&O COSMÉTICOS entre 01/01/2017 até 06/11/2017. • O Sr. RODRIGO MANSUR é procurador da AC MACHADO desde 20/05/2014. • A gestão de recursos humanos da KRENAK era responsável pelos recursos humanos da G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO (tópico “8.4 – ENVIO DE E-MAILS PELA ÁREA DE RECURSOS HUMANOS DA KRENAK SOBRE CONTRATAÇÃO E DEMISSÃO DE FUNCIONÁRIOS DAS EMPRESAS DO GRUPO”). • Da consulta às notas fiscais das empresas do grupo, constatamos que, desde, 2012, são utilizados e-mails da ACQUAFLORA para compras da G&O COSMÉTICOS, AT DE JESUS e AC MACHADO. • A KRENAK, AT DE JESUS, G&O COSMÉTICOS e a AC MACHADO utilizaram, nos últimos anos, os mesmos escritórios de contabilidade e de advocacia. • Todos os elementos acima expostos no levam à conclusão de que o GRUPO ACQUAFLORA é administrado pelo Sr. RODRIGO MANSUR e sua equipe, não havendo independência entre as empresas. O subfaturamento nas vendas da KRENAK para a AC MACHADO, tratado nos tópicos “7 – DO PREJUÍZO DELIBERADO DA KRENAK NAS OPERAÇÕES QUE ENVOLVEM COSMÉTICOS” e “13.5 – SUBFATURAMENTO NAS VENDAS ENTRE EMPRESAS DO GRUPO”, demonstra que o objetivo da estrutura de empresas era a redução de tributos. Por fim, citamos concluímos pela “13.6 – CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO”. À vista do exposto, é de se incluir a AC MACHADO no polo passivo, tendo em vista a confusão patrimonial, a direção única, a utilização de interpostas pessoas e o subfaturamento. Fl. 2927DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 13 Sobre a solidariedade, o CTN, em seu artigo 124 dispõe: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Do exposto, responderá solidariamente, nos termos do artigo 124, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN – o sujeito passivo abaixo discriminado, empresa participante do esquema citado neste relatório: – AC MACHADO COSMÉTICOS LTDA, CNPJ 17.270.254/0001-22” 2) ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI (art. 135 do CTN): 2.1) RODRIGO GARCIA MANSUR “Neste relatório elencamos diversos elementos que comprovam que o Sr. RODRIGO MANSUR não só é sócio de fato e de direito da KRENAK e da G&O COSMÉTICOS, como é sócio de fato da AC MACHADO, da AT DE JESUS, e participa efetivamente da gestão das empresas. Desde 16/02/2004, o Sr. RODRIGO MANSUR, está à frente do GRUPO ACQUAFLORA, data em que assumiu a KRENAK. Vejamos que todos os fatos nos levam a concluir que o Sr. RODRIGO MANSUR gerenciava as empresas. Além de sócio administrador da KRENAK, o Sr. RODRIGO MANSUR é procurador da G&O COSMÉTICOS desde 15/09/2014, e da AC MACHADO desde 20/05/2014, e é também quem movimenta a conta-corrente da G&O COSMÉTICOS na Caixa Econômica Federal desde 2014. A G&O COSMÉTICOS e a AT DE JESUS foram constituídas em nome de funcionárias de sua empresa, a KRENAK. Após a saída da Sra. CARLA SANGA da G&O COSMÉTICOS, os sócios passaram a ser o Sr. PAULO MONTEIRO e a Sra. ALINE DE OLIVEIRA, advogado e recepcionista do escritório deste advogado que representava a KRENAK e o GRUPO ACQUAFLORA. A AC MACHADO foi constituída em nome da mãe do Sr. RODRIGO MANSUR, a Sra. BEATRIZ MANSUR. A saída da Sra. BEATRIZ MANSUR da KRENAK ocorreu após a entrada dos Srs. ARLEI MACHADO e MARCELO COSTI, ambos funcionários do ESCRITÓRIO CONTÁBIL CENTENÁRIO, escritório de contabilidade que atendia o GRUPO ACQUAFLORA na época dos fatos. DOCUMENTO VALIDADO EM 30/10/2023 13:23:59 Todas as alienações da empresa G&O COSMÉTICOS foram simuladas (neste caso, falamos da alienação da empresa, não das mercadorias), por valores irrisórios, diante de uma empresa com milhões de reais em disponíveis e patrimônio líquido milionário na época. Fl. 2928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 14 Comprovamos por e-mails obtidos que a área de Recursos Humanos da KRENAK é a que atende todo o GRUPO ACQUAFLORA, inclusive os funcionários da G&O COSMÉTICOS, da AC MACHADO e da AT DE JESUS. Dentre os e-mails obtidos, está a apuração dos valores a ressarcir dos funcionários da G&O COSMÉTICOS e AT DE JESUS, em que o RH da KRENAK indicou que o valor deveria ser depositado na conta-corrente do Sr. RODRIGO MANSUR. Em um dos e mails, o Sr. RODRIGO MANSUR é copiado no e-mail, portanto, tinha ciência. E-mails obtidos em processos trabalhistas comprovam que o Sr. RODRIGO MANSUR que tratou diretamente da contratação do escritório de advocacia da AT DE JESUS, e, ainda, assinou procuração em nome desta. Ademais, a KRENAK, AT DE JESUS, G&O COSMÉTICOS e a AC MACHADO utilizaram, nos últimos anos, os mesmos escritórios de contabilidade e de advocacia. O endereço inicial da AC MACHADO, constituído pela Sra. BEATRIZ MANSUR, mãe do Sr. RODRIGO MANSUR, ficava em imóvel de um representante comercial remunerado, a partir da constituição empresa, pela KRENAK. A supervisora de uma funcionária da G&O COSMÉTICOS era uma funcionária da KRENAK. O remetente de telegramas encaminhados pela empresa MONTEIRO E OLIVEIRA COSMÉTICOS LTDA ME (antiga denominação da G&O COSMÉTICOS) é o endereço da KRENAK. O Sr. RODRIGO MANSUR assina documentos da AC MACHADO desde 2013, quando ainda não detinha procuração para atuar em nome da empresa. As empresas do GRUPO ACQUAFLORA vêm compartilhando a ferramenta de ERP paga pela KRENAK desde 2017. A Fiscalização identificou pagamento de despesas pessoais do Sr. RODRIGO MANSUR pelas empresas do grupo. Todo o exposto nos leva a concluir que o Sr. RODRIGO MANSUR não só era sócio de fato e de direito da KRENAK e da G&O COSMÉTICOS, como tinha poderes de gestão e obteve benefício econômico. Portanto, tinha conhecimento da interposição fraudulenta dos sócios ALINE DE OLIVEIRA, na G&O COSMÉTICOS, da ANDRESSA DE JESUS, na AT DE JESUS, e de BEATRIZ MANSUR, MARCELO COSTI e ARLEI MACHADO, na AC MACHADO, e, destarte, infringiu a lei ao assinar contratos sociais em que os sócios eram interpostas pessoas. Sobre a solidariedade e a responsabilidade pessoal, o CTN, em seus artigos 124 e 135 dispõe: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (…) Fl. 2929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 15 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (…) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Do exposto, fica responsabilizado pessoalmente, nos termos do artigo 124, I, combinado com o artigo 135, III da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN – o sujeito passivo abaixo discriminado, sócio, administrador e principal beneficiário do esquema citado neste relatório: – RODRIGO GARCIA MANSUR, CPF 141.043.298-00”. 2.2) PAULO RENATO DE FARIA MONTEIRO “O Sr. PAULO MONTEIRO foi sócio da G&O COSMÉTICOS no período entre 02/06/2014 e 18/09/2018, datas de registro na Junta Comercial. É sócio da MONTEIRO E CAMPOS ADVOGADOS ASSOCIADOS, em conjunto com JOSE HENRIQUE DONISETE GARCIA DE CAMPOS desde o ano de 2001. O escritório MONTEIRO E CAMPOS atende à KRENAK pelo menos desde 01/07/2011, data da procuração emitida ao Sr. JOSE HENRIQUE DE CAMPOS. Advogado, supostamente teria resolvido entrar no ramo de cosméticos em 2014, ao adquirir da Sra. CARLA SANGA participação societária na G&O COSMÉTICOS. Porém, permaneceu trabalhando como advogado no período, como podemos ver em diversos processos em que é o representante. Saiu, de forma curiosa, apenas dois meses após a lavratura dos autos de infração dos processos 19515.720527/2018-10 e 19515.720528/2018-64 contra a G&O COSMÉTICOS (lavrado em 16/07/2018, ciência em 31/07/2018), em razão de fraude contra o Tesouro Nacional e contra a Administração Tributária, em decorrência de compensação de títulos públicos com tributos da União. Atuou como advogado em processos da HMPX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA, empresa de seu sócio na MONTEIRO E CAMPOS (Sr. JOSE HENRIQUE DE CAMPOS). Em 2017, ano do procedimento fiscal em referência, esteve registrado como sócio administrador da G&O COSMÉTICOS. Constatamos que a empresa era também do Sr. RODRIGO MANSUR, e o Sr. PAULO MONTEIRO atuava em seu interesse e em nome do escritório de advocacia que atendia o grupo: MONTEIRO E CAMPOS. DOCUMENTO VALIDADO EM 30/10/2023 13:23:59 O que a Fiscalização constatou é que o escritório MONTEIRO E CAMPOS, a HMPX e o ESCRITÓRIO CONTÁBIL CENTENÁRIO são empresas com fortes relações e todas atuam no planejamento tributário, como vemos nos próprios sites das empresas na internet. No momento em que o Sr. PAULO MONTEIRO é colocado de sócio na G&O COSMÉTICOS, é com o intuito fraudulento destinado a encobrir as operações do GRUPO ACQUAFLORA, diante do planejamento tributário elaborado. Fl. 2930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 16 A partir da constatação de que as empresas MONTEIRO E CAMPOS, a HMPX e o ESCRITÓRIO CONTÁBIL CENTENÁRIO possuem fortes relações, de que o advogado da MONTEIRO E CAMPOS, o Sr. PAULO MONTEIRO, alega ter sido colocado como interposta pessoa em depoimento, que a HMPX intermediou as operações fraudulentas com títulos e que o ESCRITÓRIO CENTENÁRIO contabilizou operações fictícias, concluímos que as empresas vêm dando suporte fiscal e contábil à fraude No Depoimento nº 4332515, de 15/09/2021, obtido no processo nº 5004357- 08.2021.4.03.6102 por meio do PJe, que trata de inquérito policial decorrente da Representação Fiscal para Fins Penais oriunda do processo administrativo fiscal nº 19515.720527/2018-10, já citado, o Sr. PAULO MONTEIRO dá diversas declarações que não estão de acordo com os fatos. Pelo conjunto probatório coletado, verificamos que o Sr. PAULO MONTEIRO não só foi colocado na função de sócio, mas atuou, de fato como tal, exercendo poderes de gestão, responsável pela estrutura da fraude na empresa bem como do atendimento à RFB na fiscalização que culminou na lavratura de autos de infração. Junto com o Sr. RODRIGO MANSUR, o Sr. PAULO MONTEIRO atuou como sócio da G&O COSMÉTICOS, não por acaso foi destinatário de R$ 498.425,00 de dividendos, valor confirmado pelo próprio PAULO MONTEIRO em sua DIRPF 2018. Também recebia pró-labore. Todas as empresas citadas (MONTEIRO E CAMPOS, a HMPX e o ESCRITÓRIO CONTÁBIL CENTENÁRIO) atuam no planejamento tributário, como vemos nos próprios sites das empresas na internet. Da análise da tabela reproduzida neste relatório, de pagamentos à HMPX, constata-se que foram pagos quase 12 milhões de reais à HMP-X CONSULTORIA TRIBUTÁRIA em 2017. É o preço da sonegação. Foram quase 12 milhões de reais (R$ 11.883.118,32) em um grupo com receita bruta de pouco menos de 110 milhões de reais (R$ 109.623.339,11). São 10,84% pagos, decorrentes do não pagamento de tributos! Também não condiz com a verdade o fato de que a empresa tomou conhecimento da fraude apenas em 2017. Em abril de 2015 foi enviada à caixa postal da RFB mensagem com a informação da fraude. O Sr. MARCOS MARQUES, sócio do ESCRITÓRIO CONTÁBIL CENTENÁRIO, visualizou a mensagem no dia 28/04/2015. Obviamente nada foi feito porque todos estavam cientes do fato. Verifica-se, desta forma, que o Sr. PAULO MONTEIRO foi colocado como sócio para atender aos objetivos do GRUPO ACQUAFLORA, diante da fraude estruturada pelo grupo e pelas empresas MONTEIRO E CAMPOS, a HMPX e o ESCRITÓRIO CONTÁBIL CENTENÁRIO, que atuam em conjunto. Fl. 2931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 17 Destarte, o Sr. PAULO MONTEIRO foi colocado como sócio para atender aos objetivos do GRUPO ACQUAFLORA, diante da fraude estruturada pelo grupo e pelas empresas MONTEIRO E CAMPOS, a HMPX e o ESCRITÓRIO CONTÁBIL CENTENÁRIO, mas tomou decisões e foi responsável por atos de gestão, e também obteve benefício econômico. Como sócio no Contrato Social, infringiu a lei inserindo informação falsa. Sobre responsabilidade pessoal o CTN em seu artigo 135 dispõe: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (…) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Do exposto, fica responsabilizado pessoalmente, nos termos do artigo 135, III, do CTN, o sujeito passivo abaixo discriminado, preposto, representante e sócio da G&O COSMÉTICOS em 2017: – PAULO RENATO DE FARIA MONTEIRO, CPF 155.769.358-70”. 2.3) IZAQUIEL PAFUMI DE OLIVEIRA “Por meio de procedimentos fiscais, a Fiscalização apurou os fatos descritos a seguir. O Sr. IZAQUIEL DE OLIVEIRA era contador das empresas do GRUPO ACQUAFLORA, responsável informado nas declarações transmitidas e funcionário do escritório de contabilidade que atendida o grupo: ESCRITÓRIO CONTÁBIL CENTENÁRIO. Consta como testemunha em diversos documentos, tais como: Alterações dos Contratos Sociais registradas em 06/11/2017, 02/02/2018, 30/07/2018, 18/09/2018 e 23/10/2018, da G&O COSMÉTICOS. Assinou digitalmente os seguintes arquivos/declarações: • Sped ECD da KRENAK dos anos de 2015 a 2017; • Sped ECD da G&O COSMÉTICOS de 2016 e 2017; • DCTFs entre 2015 e 2019 da KRENAK, da G&O COSMÉTICOS, da AC MACHADO e da ACQUAFLORA COMERCIAL; • Dirfs entre 2016 e 2019 da KRENAK, da G&O COSMÉTICOS, da AC MACHADO, da AT DE JESUS e da ACQUAFLORA COMERCIAL; • Dirfs do Sr. RODRIGO MANSUR em 2016, 2018 e 2019; Responsável pelo preenchimento dos seguintes arquivos/declarações: • Sped EFD Contribuições da KRENAK de 2017; • Sped ECF da KRENAK entre 2014 e 2019; • Sped ECF da G&O COSMÉTICOS entre 2016 e 2019; • Sped ECF da AC MACHADO entre 2016 e 2019; • Sped ECF da ACQUAFLORA COMERCIAL entre 2016 e 2019; Fl. 2932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 18 • Sped EFD Contribuições da KRENAK entre 2016 e 2019; • Sped EFD Contribuições da G&O COSMÉTICOS entre 2017 e 2020; • Sped EFD Contribuições da AC MACHADO entre 2016 e 2020; • Sped EFD Contribuições da ACQUAFLORA COMERCIAL entre 2016 e 2019; • Sped EFD ICMS/Contribuições da KRENAK entre 2016 e 2019; • Sped EFD ICMS/Contribuições da G&O COSMÉTICOS entre 2017 e 2020; • Sped EFD ICMS/Contribuições da AC MACHADO entre 2016 e 2020; • Sped EFD ICMS/Contribuições da ACQUAFLORA COMERCIAL entre 2016 e 2019. Destarte, o Sr. IZAQUIEL DE OLIVEIRA era o contador responsável pela transmissão das declarações nas seguintes infrações: • DCTF da G&O COSMÉTICOS, em que constatamos ausência de confissão das dívidas do IRPJ e CSLL referentes ao ano de 2017, tratadas no processo nº 15746.720017/2022-54; • DCTF da G&O COSMÉTICOS, em que constatamos ausência de confissão das dívidas do IPI referentes ao ano de 2017, tratadas no processo nº 15746.720016/2022-18; • EFD/Contribuições da KRENAK, em que constatamos subfaturamento das vendas e consequente recolhimento a menor de PIS/Cofins, tratada no processo nº 15746.720018/2022-07; • Sped ECF da G&O COSMÉTICOS em relação ao ano-calendário de 2016, em que foi constatada compensação indevida com títulos públicos e omissão de receita, tratadas nos processos 13896.722524/2019-88, 13896.722595/2019-81 e 13896.722525/2019-22; • Sped ECF e DCTFs da AC MACHADO em relação aos anos-calendário de 2015 e 2016, em que foi constatada compensação indevida com títulos públicos e omissão de receita, tratadas no processo 19515.720375/2018-55. Cabe ressaltar que o Sr. IZAQUIEL DE OLIVEIRA já era funcionário do ESCRITÓRIO CONTÁBIL CENTENÁRIO desde 2014, e o mesmo escritório foi responsável pela transmissão das declarações em períodos anteriores em que também foram identificadas fraudes. Impossível alegar desconhecimento do esquema, tendo em vista que da análise do subfaturamento nas vendas da KRENAK para as empresas do GRUPO ACQUAFLORA, constatamos que os preços praticados entre as empresas do grupo eram pouco mais de 84% menores do que os das vendas a terceiros. Ademais, a prática de emprestar dinheiro em espécie, em contratos de mútuo, foram apenas realizadas contabilmente destinadas a ocultar os pagamentos realizados por uma empresa em nome de outras, tendo em vista que, em Fl. 2933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 19 decorrência do subfaturamento nas vendas, o lucro nas operações ficava nas atacadistas. Portanto, contabilizou informações fictícias. O Sr. IZAQUIEL DE OLIVEIRA, portanto, deu suporte contábil à fraude, tendo em vista que contabilizou operações fictícias, sem respaldo documental (pagamentos para a KRENAK originados de saques de cheques das empresas do GRUPO ACQUAFLORA lançados na conta caixa). Isso porque os supostos contratos de mútuo foram necessários para direcionar o dinheiro das atacadistas, que ficavam com a maior parte do lucro devido às vendas subfaturadas, para a fábrica. Portanto, tinha ciência do esquema de sonegação e fraude do GRUPO ACQUAFLORA e prestou informações falsas às autoridades tributárias em relação ao Sped ECD da KRENAK, da G&O COSMÉTICOS, e da AC MACHADO, em relação ao ano-calendário de 2017. Sobre responsabilidade pessoal a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN – em seu artigo 135 dispõe: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (…) II - os mandatários, prepostos e empregados; (…)” Cabe salientar que o artigo 1.177 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil de 2002) trata da responsabilidade dos contabilistas: “ Seção III Do Contabilista e outros Auxiliares Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos.” Do exposto, fica responsabilizado pessoalmente, nos termos do artigo 135, II, do CTN, combinado com o artigo 1.177 do Código Civil, o sujeito passivo abaixo discriminado, contador das empresas do GRUPO ACQUAFLORA em 2017: – Sr. IZAQUIEL PAFUMI DE OLIVEIRA, CPF 155.743.518-97. Por fim, cabe ressaltar que o Sr. IZAQUIEL DE OLIVEIRA assinou as ECDs das empresas do GRUPO ACQUAFLORA do ano-calendário de 2017, e, conforme verificado neste Relatório Fiscal, inseriu informações falsas, enquadrando-se no Fl. 2934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 20 artigo 1.049 do Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018, com redação dada pelo Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 39, § 2º””. Sobre a qualificação das multas: 1) Evidente intuito de fraude: “A Lei 4.502/64, no seu artigo 72, define a fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” No presente Relatório Fiscal elencamos confusão patrimonial entre as empresas do GRUPO ACQUAFLORA, a direção única, a utilização de interpostas pessoas e o subfaturamento nas vendas da KRENAK para as empresas do grupo. Os atos acima relacionados configuram claramente a fraude. E o objetivo de reduzir o montante dos tributos é evidente, conforme demonstrado ao longo deste relatório”. 2) Sonegação: “Por tudo o que foi relatado, também resta plenamente caracterizada a sonegação, conforme definida no artigo 71 da Lei 4.502/64: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.”” 3) Consciência da ilicitude: “Neste relatório demonstramos o plano foi montado e executado, passo a passo, e o fim desejado foi obtido. Entretanto, na trajetória pela consecução de seu objetivo, o GRUPO ACQUAFLORA confrontou a finalidade do ordenamento jurídico-tributário e incorreu em diversas ilicitudes, como se verá a seguir. Foram mostrados os efeitos tributários e benefícios indevidamente auferidos pela corporação. Foi comprovado o subfaturamento entre a empresa industrial e as atacadistas, resultando em redução artificial da base de cálculo dos tributos. É possível extrair dos documentos apresentados à Fiscalização, das Declarações obrigatórias apresentadas e das diversas diligências efetuadas, que a direção do GRUPO ACQUAFLORA tinha consciência das ilicitudes cometidas, entre outros motivos, porque há [sic] ninguém é dado desconhecer a lei. Especialmente, a prática dos atos caracterizados como falsidade ideológica ou material não pode ser dissociada do intuito deliberado de fraudar”. Fl. 2935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 21 4) Conluio: “A prática dos atos simulados visando à substancial redução do pagamento de tributos do grupo. Foi decidida e planejada logo na saída da KRENAK do Simples Nacional, em 2010. Contudo, a utilização de interpostas pessoas, funcionários, advogados e contadores do grupo, deixa evidente que a situação amolda-se perfeitamente à prática de conluio, conforme definido no artigo 73 da Lei 4.502/64: “Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.”” *** A ciência da exigência fiscal pelo sujeito passivo se deu em 10/01/2022 com o “termo de ciência por abertura de mensagem” (fls. 2.520 e 2.522). Ciência dos outros impugnantes: KRENAK, 10/01/2022, fl. 2.518; AC MACHADO, 10/01/2022, fl. 2.516; AT DE JESUS RASTELLE, 19/01/2022, AR às fls. 2.531/2.532; RODRIGO GARCIA MANSUR, 14/01/2022, AR à fl. 2.528. Em 09/02/2022, conforme “termo de solicitação de juntada” (fl. 2.533), o sujeito passivo, juntamente com responsáveis solidários (KRENAK, AC MACHADO, RODRIGO GARCIA MANSUR e AT DE JESUS RASTELLE), apresentou impugnação (fls. 2.536/2.643) subscrita pelo patrono (procuração à fl. 2.644), em que alega, em resumo, que: 1) Inicialmente, não existe relação entre os fatos narrados no relatório fiscal e o lançamento efetuado (falta de recolhimento do IPI – demais produtos infração: falta de declaração/recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado), pois todos os valores estavam corretamente escriturados, sem existir fato, simulação ou dolo para justificar critérios de qualificação das penalidades; a escrituração fiscal (SPED EFD ICMS/IPI), ou seja, a conduta descrita como fundamento da autuação não tem relação com a suposta prática de fraude fiscal. 2) A KRENAK é uma indústria de cosméticos que mantém um grupo de distribuidores exclusivos, ou terceiristas, em várias regiões, conforme ocorre com outras indústrias e produtos (fls. 2.540/2.554); é plenamente normal e lícito que uma empresa adquira produtos exclusivos para revenda no atacado e no varejo, observada a regra da apuração do IPI por equiparação; inexiste vedação legal para que o fabricante utilize estruturas independentes de distribuição ou mesmo que participe das estruturas societárias em prol da eficiência e economia tributária na distribuição dos produtos, conforme precedentes do CARF. Segue a impugnante: “Notem, preclaros julgadores, ainda que o Auditor fiscal aponte a ocorrência da suposta simulação em relação à composição societária das empresas, não está confortável em promover a desconstrução das operações e negócios, tanto que não lavrou o auto relacionado ao IPI contra a indústria krenak (apuração por VTM) Fl. 2936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 22 e, tampouco, desconstitui as operações de venda a varejistas realizada pela Impugnante Garcia e Oliveira - o que apenas corrobora que estamos diante de estruturação do negócio baseada em premissas comerciais, com empresas que existem e tem atividade econômica, lícita portanto”. 3) Circunstâncias concernentes ao sócio/procurador da impugnante, da fabricante, e das outras empresas, Sr. Rodrigo Mansur, e contradita quanto às alegações de subfaturamento nas vendas da fabricante para as distribuidoras (fls. 2.557/2.560). 4) Trata-se de mera presunção a alegação de que teria ocorrido fraude, sendo que o relatório fiscal nem tem relação material com o lançamento efetuado e a atividade fiscal, como atividade administrativa vinculada, deve ser balizada na razoabilidade, na proporcionalidade e na boa-fé, conforme doutrina. 5) Preliminarmente, a acusação fiscal é eivada de nulidade, pois os fundamentos da autuação não se coadunam com a narrativa do relatório fiscal; há vício de motivação, sendo insubsistente o auto de infração, com a vulneração do direito de defesa da impugnante, sendo dever da autoridade fiscal fundamentar fática e juridicamente a infração fiscal imputada à contribuinte, sob pena de violação do art. 142 do CTN. 6) No que concerne aos responsáveis arrolados, há a nulidade do lançamento por violação do devido processo legal (CF, art. 5º, LV), em virtude da falta de intimação das pessoas identificadas como responsáveis para participar do procedimento fiscal. 7) Há também vício de motivação na inclusão dos responsáveis tributários no relatório fiscal uma vez que a impugnante, equiparada a industrial com interdependência (Lei nº 7.789/89, c/c art. 612, III, do RIPI/2010), efetuou adequadamente a apuração do tributo na escrituração fiscal, além do destaque de IPI nas notas fiscais, sendo inócua para a tributação observada, ou seja, não altera o critério de apuração do tributo, a acusação de dissimulação de grupo econômico e de simulação de fatos geradores. O interesse comum previsto no art. 124, I, do CTN, só existe quando ambas as partes realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. Já no caso do art. 135, III, do CTN, o Fl. 2937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 23 excesso de poder, infração à lei ou ao estatuto, devem ser suficiente e completamente caracterizados, com a configuração do dolo do responsável tendente à supressão do tributo ou violação da norma. Assim, requer a exclusão imediata da responsabilidade tributária atribuída aos coobrigados Rodrigo Garcia Mansur, Krenak do Brasil Industria e Comércio de Cosméticos Ltda., A.T. de Jesus Rastelle Cosméticos e A.C. Machado Cosméticos Ltda. 8) No mérito, o que transparece de tudo é a regularidade ou higidez das operações levadas a cabo com as distribuidoras e das operações realizadas por estas (fls. 2.576/2.578); planejamento tributário lícito (fls. 2.579/2.587); inexistência de simulação ou violação de norma jurídica tributária (fls. 2.587/2.594). Quanto ao IPI, não há nenhum ilícito observado, pois a impugnante, como equiparada a industrial, destacou o imposto nas notas fiscais de saída, sendo legal a operação entre empresas interdependentes. Jurisprudência administrativa sobre planejamento tributário (fls. 2.595/2.608). “166. Assim, é irrelevante se a distribuidora Impugnante era controlada pelo sócio da indústria, na medida em que, existindo REGRAMENTO PRÓPRIO (regra da interdependência no IPI), a Impugnante já destacava IPI em suas notas e apurava 6) No que concerne aos responsáveis arrolados, há a nulidade do lançamento por violação do devido processo legal (CF, art. 5º, LV), em virtude da falta de intimação das pessoas identificadas como responsáveis para participar do procedimento fiscal. 7) Há também vício de motivação na inclusão dos responsáveis tributários no relatório fiscal uma vez que a impugnante, equiparada a industrial com interdependência (Lei nº 7.789/89, c/c art. 612, III, do RIPI/2010), efetuou adequadamente a apuração do tributo na escrituração fiscal, além do destaque de IPI nas notas fiscais, sendo inócua para a tributação observada, ou seja, não altera o critério de apuração do tributo, a acusação de dissimulação de grupo econômico e de simulação de fatos geradores. O interesse comum previsto no art. 124, I, do CTN, só existe quando ambas as partes realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. Já no caso do art. 135, III, do CTN, o excesso de poder, infração à lei ou ao estatuto, devem ser suficiente e completamente caracterizados, com a configuração do dolo do responsável tendente à supressão do tributo ou violação da norma. Assim, requer a exclusão imediata da responsabilidade tributária atribuída aos coobrigados Rodrigo Garcia Mansur, Krenak do Brasil Industria e Comércio de Cosméticos Ltda., A.T. de Jesus Rastelle Cosméticos e A.C. Machado Cosméticos Ltda. 8) No mérito, o que transparece de tudo é a regularidade ou higidez das operações levadas a cabo com as distribuidoras e das operações realizadas por estas (fls. 2.576/2.578); planejamento tributário lícito (fls. 2.579/2.587); inexistência de simulação ou violação de norma jurídica tributária (fls. 2.587/2.594). Quanto ao Fl. 2938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 24 IPI, não há nenhum ilícito observado, pois a impugnante, como equiparada a industrial, destacou o imposto nas notas fiscais de saída, sendo legal a operação entre empresas interdependentes. Jurisprudência administrativa sobre planejamento tributário (fls. 2.595/2.608). “166. Assim, é irrelevante se a distribuidora Impugnante era controlada pelo sócio da indústria, na medida em que, existindo REGRAMENTO PRÓPRIO (regra da interdependência no IPI), a Impugnante já destacava IPI em suas notas e apurava 3. A DRJ através do Acórdão nº 108-040.831 – 21ª TURMA/DRJ08, sessão de 26 de outubro de 2023 (e-fls. 2818-2849), julgou procedente em parte a Impugnação, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 FALTA DE RECOLHIMENTO. IMPOSTO LANÇADO, ESCRITURADO E NÃO DECLARADO EM DCTF. Cobra-se o imposto destacado nas notas fiscais eletrônicas de saída, registrado na escrituração fiscal digital (EFD) e não declarado em DCTF. MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA. SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. O lançamento de ofício de débitos de IPI previamente informados na Escrituração Fiscal Digital (EFD) não autoriza a caracterização dos tipos normativos de sonegação, fraude ou conluio, previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. Em face do afastamento das hipóteses de duplicação da multa de ofício, deve ser cancelada a responsabilização solidária baseada na caracterização de excesso de poderes ou infração à lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Ausente a demonstração de que os fatos geradores lançados de ofício correspondem objetivamente a tributos subtraídos ou reduzidos por conta de suposto abuso de personalidade jurídica empreendido pela pessoa jurídica autuada, não há como se manter a responsabilização solidária de terceiros, fundamentada em interesse comum. NULIDADE. VIOLAÇÃO DOS REQUISITOS PARA O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Inexiste nulidade por alegada violação dos pressupostos do art. 142 do CTN, se a peça básica de autuação contiver efetivamente os requisitos legais e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de perícia que, além de não conter a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide. Fl. 2939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 25 INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. As intimações, para ciência, devem ser encaminhadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte 4. Em 13/12/2023, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 2879-2884), bem como o responsável solidário (e-fls. 2879-2884), com as alegações abaixo resumidas: Contribuinte: i) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. A recorrente alega que o relatório fiscal que embasou a autuação era excessivamente amplo e desproporcional, focando em acusações de fraude e formação de grupo econômico. Isso forçou a empresa a concentrar sua defesa em refutar essas alegações graves (que foram posteriormente afastadas na primeira instância), prejudicando a discussão sobre o mérito da cobrança do IPI. Segundo a defesa, essa discrepância entre o relatório fiscal e o auto de infração violou o seu direito à ampla defesa, o que, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, torna o ato nulo. ii) Ao final, a recorrente requer: O provimento do Recurso Voluntário para anular parcialmente a decisão de primeira instância. A devolução do processo à primeira instância para que seja oferecida nova Impugnação, focada exclusivamente no mérito da cobrança do IPI. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão final. Responsável solidário: i) O recurso argumenta que a própria fiscalização, em decisão anterior, afastou a qualificação da multa por não caracterizar sonegação, fraude ou conluio. Assim, não haveria base para a responsabilização pessoal do contador, conforme o art. 1.049 do Decreto nº 9.580/2018. ii) O recorrente afirma ser apenas um funcionário do escritório de contabilidade, sem poder de gestão ou decisão sobre a empresa autuada, o que descaracterizaria a responsabilidade solidária. iii) Requer realização de perícia para identificar o computador e o local de onde foram transmitidas as declarações fraudulentas, a fim de comprovar a autoria do ilícito. iv) Exclusão definitiva de seu nome da responsabilidade pessoal pelo débito tributário. v) E a suspensão total da responsabilidade a ele atribuída até a decisão final. Fl. 2940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 26 5. É o relatório. VOTO Conselheiro Edmilson Borges Gomes – Relator 6. O recurso voluntário apresentado pelo contribuinte é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Do Recurso Voluntário de Izaquiel Pafumi de Oliveira 7. De início, analiso o recurso interposto pelo contador. O recorrente busca afastar a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída no Auto de Infração. 8. Ocorre que, conforme detalhado no relatório, o Acórdão da DRJ nº 108-040.831 (e-fls. 2818-2849), ao cancelar a multa qualificada, expressamente cancelou também a responsabilidade solidária de todos os coobrigados, incluindo o Sr. Izaquiel. 9. Dessa forma, a decisão de primeira instância já concedeu integralmente o pleito do recorrente. O presente recurso, portanto, perdeu seu objeto, carecendo de interesse recursal. 10. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário de Izaquiel Pafumi de Oliveira, por perda superveniente de objeto. Do Recurso Voluntário de Garcia & Oliveira Cosméticos Ltda. 11. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que julgou parcialmente procedente a impugnação ao lançamento de ofício de créditos de IPI referentes ao ano-calendário de 2017 (e- fls. 2818-2849). 12. A autoridade fiscal apurou a falta de recolhimento do imposto, constatada por meio de divergências entre os valores escriturados na EFD ICMS/IPI e os declarados em DCTF. Preliminar – nulidade do lançamento por cerceamento de defesa 13. A Recorrente reiterou os argumentos da impugnação, em que arguiu, em preliminar, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Sustentou que o Relatório Fiscal que embasou a autuação era excessivamente amplo e desconexo, tratando de fatos e processos alheios à cobrança do IPI de 2017, o que teria prejudicado a formulação de sua defesa de mérito. 14. A decisão de primeira instância (Acórdão nº 108-040.831) afastou a preliminar de nulidade, por entender que a infração estava devidamente descrita e fundamentada no auto de infração. Inconformada com a manutenção do crédito tributário, a contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, reiterando a tese de nulidade por cerceamento de defesa. Fl. 2941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 27 15. A recorrente insiste na tese de nulidade do lançamento, ao argumento de que a amplitude e a complexidade do relatório fiscal, que fazia menção a outros processos e investigações sobre fraudes, teriam tornado impossível o exercício de uma defesa focada no mérito da cobrança do IPI. 16. Contudo, entendo que não lhe assiste razão. 17. O direito à ampla defesa é assegurado quando o auto de infração contém todos os elementos necessários para a compreensão da acusação fiscal, conforme o artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972. 18. No processo administrativo fiscal são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Por sua vez, o art. 10, também Decreto nº 70.235/1972, elenca os requisitos obrigatórios mínimos do auto de infração, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la nº prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 19. Pois bem, entendo que o auto de infração contém todos os requisitos legais estabelecidos nos dispositivos legais citados. 20. Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo Fl. 2942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 28 sofrido pelo contribuinte. O direito a ampla defesa e ao contraditório, encontra-se previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição da República, que assim dispõe: art. 5º [...] LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 21. O contraditório no processo administrativo fiscal tem por escopo a oportunidade do sujeito passivo conhecer dos fatos apurados pela fiscalização, devidamente tipificados à luz da legislação tributária, e, dentro do prazo legalmente previsto, poder rebater, de forma plena, as irregularidades então apontadas pela Autoridade Fiscal, apresentando a sua versão dos fatos e juntando os elementos comprobatórios de que dispuser. Em suma, é o sistema pelo qual a parte tem a garantia de tomar conhecimento dos atos processuais e de reagir contra esses. 22. Ademais, cabe ressaltar que os princípios do contraditório e da ampla defesa são cânones constitucionais que se aplicam tão somente ao processo judicial ou administrativo, e não ao procedimento de investigação fiscal, ou seja, apenas a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, com a instauração do litígio e formalização do processo administrativo, é assegurado ao contribuinte o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. 23. No caso em tela, a infração é clara: falta de recolhimento de IPI apurado e escriturado pela própria empresa em sua EFD. A própria peça recursal demonstra que a contribuinte compreendeu perfeitamente o objeto da autuação, tanto que reconhece a existência da divergência, ainda que com "algumas ponderações", conforme destacado pela decisão da DRJ. 24. A jurisprudência deste Conselho Administrativo é firme no sentido de que a existência de um relatório fiscal detalhado ou abrangente não é causa de nulidade, desde que a infração principal esteja devidamente apontada, como ocorre no presente caso. O que anula o ato é a ausência ou a descrição deficiente do fato, o que não se verifica. 25. Portanto, afasto a preliminar de nulidade. Mérito – lançamento IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados 26. Superada a questão preliminar, passo ao mérito do recurso. 27. A exigência fiscal decorre da apuração de débitos de IPI que a própria recorrente escriturou em seus livros fiscais (EFD) e que, incontroversamente, não foram recolhidos nem declarados na DCTF. Trata-se, em essência, de uma confissão de dívida registrada em sua própria escrituração, o que torna a cobrança do principal, acrescido da multa de ofício, legítima e imperativa. 28. A decisão da DRJ foi exemplar ao separar as questões: reconheceu a improcedência das acusações de fraude para fins de qualificação da multa, mas manteve a Fl. 2943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 29 cobrança do imposto que era, repita-se, incontroverso, pois baseado em dados fornecidos pela própria empresa. Não há que se falar em prejuízo ou em supressão de instância. 29. O mérito da exigência fiscal reside na ausência de pagamento de imposto que a própria empresa, em sua escrituração, reconheceu como devido. A falta de contestação específica sobre os valores lançados, que espelham a EFD, torna o débito principal exigível e legítimo. 30. Em resumo, a empresa registrou em sua contabilidade fiscal que devia um determinado valor de IPI a cada mês, mas não informou essa dívida ao Fisco por meio da DCTF, que é o instrumento de confissão de dívida e que gera a obrigação de pagamento. O Relatório Fiscal, e posteriormente o Auto de Infração, apontaram as seguintes diferenças mensais para o ano de 2017, que somam o valor principal da autuação: Período de Apuração Valor Apurado em EFD (RAIPI) Valor Declarado em DCTF Diferença (Valor não pago) jan/17 R$ 468.097,67 R$ 0,00 R$ 468.097,67 fev/17 R$ 468.478,38 R$ 0,00 R$ 468.478,38 mar/17 R$ 619.316,01 R$ 0,00 R$ 619.316,01 abr/17 R$ 429.556,35 R$ 0,00 R$ 429.556,35 mai/17 R$ 589.125,52 R$ 0,00 R$ 589.125,52 jun/17 R$ 584.467,37 R$ 0,00 R$ 584.467,37 jul/17 R$ 596.546,55 R$ 0,00 R$ 596.546,55 ago/17 R$ 681.789,73 R$ 0,00 R$ 681.789,73 set/17 R$ 607.699,98 R$ 0,00 R$ 607.699,98 out/17 R$ 731.166,38 R$ 0,00 R$ 731.166,38 nov/17 R$ 820.948,84 R$ 0,00 R$ 820.948,84 dez/17 R$ 999.118,57 R$ 0,00 R$ 999.118,57 Total R$ 7.596.311,35 31. Dessa forma, a decisão de primeira instância, que manteve o crédito tributário principal e a multa de 75%, mas afastou o agravamento indevido, aplicou a legislação de forma justa e equilibrada. Conclusão 32. Ante o exposto, voto no sentido de: i) em NÃO CONHECER do recurso voluntário do responsável solidário Izaquiel Pafumi de Oliveira; ii) em afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. É como voto. assinado digitalmente Fl. 2944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.131 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720016/2022-18 30 Edmilson Borges Gomes Fl. 2945DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11413072 #
Numero do processo: 11070.900146/2020-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2017 a 30/09/2017 FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMO. NÃO ONERADO. SÚMULA CARF 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de frete na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Deve-se reconhecer o direito à correção monetária dos eventuais créditos da contribuição não cumulativa após escoado o prazo de 360 dias contados a partir da data da formulação do pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3101-004.866
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.844, de 20 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 11070.900331/2020-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.844, de 20 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 11070.900331/2020-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).

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AQUISIÇÃO DE INSUMO. NÃO ONERADO. SÚMULA CARF 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de frete na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Deve-se reconhecer o direito à correção monetária dos eventuais créditos da contribuição não cumulativa após escoado o prazo de 360 dias contados a partir da data da formulação do pedido de ressarcimento. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.844, de 20 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 11070.900331/2020-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Fl. 349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.866 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11070.900146/2020-00 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2017 a 30/09/2017 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n.° 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. O critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n.° 5, de 2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. FRETES NA AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA NÃO SUJEITOS À INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VINCULAÇÃO AO BEM ADQUIRIDO. O frete pago na aquisição de mercadorias para revenda, quando contratado de pessoa jurídica e suportado pelo adquirente dos bens, pode, em princípio, gerar créditos do PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que, nessa situação, ele integra o custo de aquisição, contudo, tratando-se de valor que integra o custo de aquisição, a possibilidade de apropriação do respectivo crédito deve ser determinada em função da possibilidade ou não de apropriação de crédito em relação aos bens transportados. Fl. 350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.866 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11070.900146/2020-00 3 FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. VINCULAÇÃO AO BEM ADQUIRIDO. A possibilidade de apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins sobre despesas com fretes contratados para o transporte de insumos ocorre apenas se o bem adquirido ensejar creditamento, assim, tratando-se de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento do PIS/Pasep ou da Cofins, não há direito à apuração de tais créditos. Ato contínuo, foi interposto recurso voluntário pela Recorrente, requerendo a reversão da totalidade das glosas efetuadas, relativo ao crédito de COFINS, bem como a correção pela taxa SELIC. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Tempestivo o recurso, passo à análise. É cediço que o regime da não cumulatividade permite que empresas se creditem de valores pagos pela aquisição de bens e serviços, desde que sejam insumos da sua atividade. Para definir o conceito de insumo, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de julgamento de recurso especial sob o regime repetitivo, estabeleceu que deve ser considerado insumo tudo aquilo que seja imprescindível para o desenvolvimento da atividade econômica. Foi fixada pelo referido Tribunal que: “O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” Ato contínuo, a SRFB editou o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 que apresenta as principais repercussões deste julgado na definição do conceito de insumo na legislação das referidas contribuições:” Ato contínuo, a SRFB editou o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 que apresenta as principais repercussões deste julgado na definição do conceito de insumo na legislação das referidas contribuições: (...) Fl. 351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.866 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11070.900146/2020-00 4 14. Conforme constante da ementa do acórdão, a tese central firmada pelos Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça acerca da matéria em comento é que “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item -bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. 15. Neste ponto já se mostra necessário interpretar a abrangência da expressão “atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto essa expressão, por sua generalidade, possa fazer parecer que haveria insumos geradores de crédito da não cumulatividade das contribuições em qualquer atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (administrativa, jurídica, contábil, etc.), a verdade é que todas as discussões e conclusões buriladas pelos Ministros circunscreveram-se ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços desenvolvidos pela pessoa jurídica. 16. Aliás, esta limitação consta expressamente do texto do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, que permite a apuração de créditos das contribuições em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. 17. Das transcrições dos excertos fundamentais dos votos dos Ministros que adotaram a tese vencedora resta evidente e incontestável que somente podem ser considerados insumos itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, o que não abarca itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades. 18. Deveras, essa conclusão também fica patente na análise preliminar que os Ministros acordaram acerca dos itens em relação aos quais a recorrente pretendia creditar-se. Por ser a recorrente uma indústria de alimentos, os Ministros somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização (“água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e (...) equipamentos de proteção individual – EPI”), excluindo de plano de tal conceito itens cuja utilidade não é aplicada nesta atividade (“veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (...), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões”). 19. Prosseguindo, verifica-se que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado “segundo os critérios da essencialidade ou relevância”, explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; Fl. 352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.866 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11070.900146/2020-00 5 b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Em breve resumo, após o julgamento do Recurso Repetitivo e com a introdução da norma Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, é preciso constatar caso a caso se o gasto é essencial, ou seja, se o bem ou serviço é indispensável para o desenvolvimento da atividade econômica ou mesmo não o sendo, se é relevante para obtenção do produto ou serviço. No caso, a Recorrente é sociedade cooperativa de produção agropecuária, com atuação também nas atividades de beneficiamento e industrialização de produtos agropecuário, conforme se extrai de seu estatuto social. A cooperativa é tributada com base no lucro real e, portanto, sujeita ao regime de apuração não cumulativa da contribuição do PIS e COFINS. Pois bem, passada a análise introdutória do assunto, é preciso verificar no presente caso, se os gastos apontados na fiscalização como indevidos (glosados) e mantidos pela DRJ se enquadram ou não no conceito de insumo para fins de abatimento pelo regime da não cumulatividade. Assim, insurge o recorrente acerca da análise da possibilidade de apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins sobre despesas com fretes tributado, contratados para o transporte de insumos e mercadorias, não sujeitas ao pagamento das contribuições, do PIS e da COFINS ou tributados a alíquota zero. Neste ponto a DRJ aplicou o art. 3º das leis que regem o regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS – Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 – que estabelecem que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, em regra, não dá direito à apuração de créditos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (…) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (…) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Com isso, entendeu a DRJ, pela interpretação do dispositivo acima mencionado, que a única exceção é o caso de aquisição de bens alcançados por isenção, mas Fl. 353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.866 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11070.900146/2020-00 6 apenas quando utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos ao pagamento de contribuição. Citou Solução de Consulta COSIT nº 227, de 12/05/2017. A Recorrente, por sua vez, sustentou que deve ser reconhecido o seu direito a apropriação de crédito sobre fretes pelo transporte de produtos sujeitos a alíquota zero, pois a lei não condiciona a tomada de crédito pelo serviço de transporte à tributação do produto transportado com alíquota positiva da contribuição. Quanto ao ponto, entendo que assiste razão à contribuinte. A matéria se encontra sumulada por este órgão julgador e cuja observância é obrigatória nos termos do art. 123, §4º, do RICARF. Trata-se da Súmula CARF nº 188, aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024, com vigência em 27/06/2024, que assim dispõe: Súmula CARF nº 188 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Acórdãos Precedentes: 9303-014.478; 9303-014.428; 9303-014.3484 Veja-se que a aludida súmula impôs a seguinte condição para que seja reconhecido o crédito pleiteado pela contribuinte: que o serviço de frete seja registrado de forma autônoma em relação aos insumos e tenha sido tributado pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas. Diante disso, entendo que deve ser revertida a glosa sobre os fretes, tributados e contabilizados em separado, na aquisição de insumos não tributados. Correção Monetária Quanto à correção monetária dos créditos em questão, alega o Recorrente que a jurisprudência é pacífica no sentido de que deve incidir nos casos em que o ressarcimento for injustamente obstado pelo Fisco, ou seja, quando superado o prazo legal para apreciação, sem conclusão. A matéria referente à incidência de atualização monetária sobre pedidos de ressarcimento encontra-se pacificada na jurisprudência pátria, cujo colendo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.138.206/RS, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, firmou o entendimento de que incide correção monetária, traduzida pela aplicação da taxa SELIC, sobre os pedidos de ressarcimento quando caracterizada a resistência ilegítima do Fisco, configurada Fl. 354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.866 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11070.900146/2020-00 7 na mora administrativa superior a 360 (trezentos e sessenta) dias para a apreciação do pleito, prazo este erigido pelo art. 24 da Lei nº 11.457/2007. No caso em tela, verifica-se que os pedidos de ressarcimento se referem ao ano- calendário 2018, ao passo que o Despacho Decisório foi emitido apenas em 2020, evidenciando o transcurso superior ao prazo limite de 360 dias. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso neste item, para reconhecer o direito da Recorrente à atualização monetária dos créditos de ressarcimento pela taxa SELIC. Ante o exposto, voto por conhecer o recurso e no mérito dar provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 355DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10875.902787/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 OURO ATIVO FINANCEIRO. INSTRUMENTO CAMBIAL. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Quando se adquire ouro na forma de ativo financeiro/instrumento cambial não se está adquirindo uma mercadoria (um insumo). A instituição financeira não deu destino diverso ao ouro ativo financeiro, nem poderia. A alteração dessa condição vantajosa, para que o ouro seja considerado uma mercadoria pela adquirente, deverá vir acompanhado das consequências tributárias que esse fato vier a gerar, com a regência das normas impositivas do ICMS, do IPI, do PIS e da Cofins, e só a partir da primeira venda como mercadoria poderá o adquirente do ouro, então mercadoria, beneficiar-se dos créditos por ventura gerados, em conformidade com as leis de regência, antes não. Sobre o bem ouro ativo financeiro não houve incidência da contribuição para a(o) COFINS.
Numero da decisão: 3102-003.742
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-003.735, de 22 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 10875.902797/2014-50, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 OURO ATIVO FINANCEIRO. INSTRUMENTO CAMBIAL. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Quando se adquire ouro na forma de ativo financeiro/instrumento cambial não se está adquirindo uma mercadoria (um insumo). A instituição financeira não deu destino diverso ao ouro ativo financeiro, nem poderia. A alteração dessa condição vantajosa, para que o ouro seja considerado uma mercadoria pela adquirente, deverá vir acompanhado das consequências tributárias que esse fato vier a gerar, com a regência das normas impositivas do ICMS, do IPI, do PIS e da Cofins, e só a partir da primeira venda como mercadoria poderá o adquirente do ouro, então mercadoria, beneficiar-se dos créditos por ventura gerados, em conformidade com as leis de regência, antes não. Sobre o bem ouro ativo financeiro não houve incidência da contribuição para a(o) COFINS. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-003.735, de 22 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 10875.902797/2014-50, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Fl. 963DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.742 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.902787/2014-14 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 OURO. DTVM. CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. O ouro adquirido de DTVM não dá direito a crédito a ser descontado na apuração da(o) COFINS não cumulativa(o). Em seu Recurso Voluntário a Recorrente alega o seguinte: I. A Recorrente é empresa industrial que utiliza metais preciosos no seu processo produtivo, especialmente, no caso específico, o ouro, possuindo um perfil notadamente exportador. II. A alienação do ouro ativo financeiro seria tributada pelas contribuições PIS/COFINS, ainda que sobre o valor da intermediação. III. O ouro ativo financeiro foi adquirido pela Recorrente como insumo para o seu processo industrial. IV. O direito ao crédito seria inerente à natureza da utilização do bem adquirido, no caso sendo o ouro insumo, aplicar-se-ia o inciso II, do art. 3º, da Leis nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. V. Que a receita com a venda do ouro ativo financeiro seria tributada pelas contribuições PIS/COFINS, como receita financeira da instituição vendedora. Por fim, apresenta o seguinte pedido: DO PEDIDO Fl. 964DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.742 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.902787/2014-14 3 Diante do exposto, requer seja conhecido e dado integral provimento ao presente recurso voluntário, a fim de que seja reformada a decisão proferida pela 34ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08 e canceladas as cobranças decorrentes das compensações não homologadas. Requer, ainda, desde já, seja autorizada a realização de sustentação oral. Pede deferimento. Este é o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. A questão em litígio decorre da glosa pela Autoridade Tributária de créditos de PIS/COFINS pleiteados em pedido de ressarcimento e com posterior utilização em compensações de tributos vencidos ou vincendos da Recorrente. Os créditos glosados referem-se à aquisição de ouro ativo financeiro, assim definido pelo art. 1º, da Lei nº 7.766, de 11 de maio de 1989, que foi adquirido de instituição financeira (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários- DTVM), com o objetivo de integrá-lo ao seu processo produtivo como insumo, e que teve apropriado o crédito referente ao regime não cumulativo de PIS/COFINS, relativo à sua aquisição, nos termos do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A Autoridade Tributária entende que pela aplicação do § 5º, do inciso V, do art. 153 da Constituição Federal de 1988, não cabe incidência de nenhum outro tributo sobre ouro ativo financeiro, que não o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), e que, portanto, não teria havido o pagamento ou tributação das contribuições do PIS/COFINS na operação de compra, afastando a possibilidade de apropriação do crédito pretendido pela Recorrente, em cumprimento ao § 2º, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003. A Recorrente por sua vez argumenta que o que define a natureza jurídica do bem seria a sua destinação, no caso, fato incontroverso nos autos que seria a utilização como insumo, e que a instituição financeira teria sido tributada pelo PIS/COFINS ainda que por seu faturamento, o qual envolve a referida transação do ouro ativo financeiro. Fl. 965DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.742 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.902787/2014-14 4 Entendo que de fato, o ouro é um bem de natureza fungível, e que a sua caracterização nas duas classes que a legislação brasileira lhe confere, como ativo financeiro, ou como mercadoria, depende exclusivamente do uso que lhe é dado pelo seu proprietário, sendo que conforme a Lei nº 7.766/1989, que estabelece que a destinação do ouro como ativo financeiro precisa dar-se desde a sua produção, não havendo qualquer restrição de que haja alteração de sua natureza jurídica, conforme a vontade do proprietário. Arrisco dizer que a Lei nº 7.766/1989 restringe que ocorra a operação inversa, o ouro que tenha natureza jurídica de mercadoria não pode transformar-se em ativo financeiro, pois esta condição precisa ser determinada na produção do metal, desde a sua extração. De forma que considero que é legítimo que o proprietário do bem defina o seu uso e natureza jurídica como mercadoria e o aplique como insumo. A partir daí temos uma alteração da natureza jurídica do bem, que era submetido a um tratamento tributário específico, com exclusividade da tributação pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), num regime monofásico, e que o valor da operação de tradição da propriedade do ativo financeiro (ouro), que compõe a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS, é o resultado líquido da valorização do ativo e eventuais taxas de intermediação, que comporão o faturamento da entidade financeira intermediadora e determinará a apuração das contribuições pelo regime cumulativo. Há desta forma, no caso concreto, uma migração do regime de apuração e de tratamento tributário, no que diz respeito ao PIS/COFINS, decorrente da alteração da natureza jurídica do bem por decisão legítima do seu proprietário em razão do uso efetivo a que se destina, o que importa dizer que trata-se da formação originária de um novo bem para efeitos tributários, o que por si só, não havendo outros gastos relacionados à sua aquisição, e que já estivessem submetidos ao regime não cumulativo de apuração, afasta a possibilidade de apropriação do crédito pretendido. Dito de outra forma, o crédito pleiteado refere-se a um bem que possuía um tratamento específico e exclusivo dada a sua natureza jurídica, mas que por decisão discricionária do proprietário passa a ter novo tratamento tributário, que segue o caráter geral da tributação, e cuja motivação para a aquisição como ativo financeiro para posterior uso como mercadoria decorre também, ou talvez principalmente, em razão do custo menor decorrente do regime tributário anterior destinado a outra natureza jurídica daquele mesmo bem. O caso não é inédito neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), tendo sido já considerado em decisão definitiva através do contencioso tributário controlado pelos seguintes processos, todos da mesma Recorrente: Fl. 966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.742 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.902787/2014-14 5 16095.720023/2012-12, 16095.720038/2012-72, 16095.720058/2016-77 e 16095.720341/2011-94. Os referidos processos referem-se às contribuições do PIS/COFINS, períodos de apuração diferentes e mesma motivação para a glosa. Todos foram objeto de embargos, que foram rejeitados, e de Recurso Especial que não foram conhecidos, conforme reproduzo abaixo a ementa do Julgamento de Recurso Especial do processo nº 16095.720023/2012-12, a qual é idêntica aos demais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PAF. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Para que o recurso especial seja conhecido, é necessário que a recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de Acórdão paradigma em que, enfrentando questão fática equivalente, a legislação tenha sido aplicada de forma diversa. Hipótese em que as decisões apresentadas a título de paradigma trataram de questões diferentes daquela enfrentada no Acórdão recorrido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PAF. RECURSO ESPECIAL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se à Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS a partir da mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo ex- conselheiro Demes Brito. (Acórdão nº 9303-010.239, Conselheiro Redator-Voto Vencedor Luiz Eduardo de Oliveira Santos, 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 11/03/2020) Já o julgamento de Segunda Instância, deste mesmo processo, foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 OURO ATIVO FINANCEIRO / INSTRUMENTO CAMBIAL. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Quando se adquire ouro na forma de ativo financeiro/instrumento cambial não se está adquirindo uma mercadoria (um insumo). A instituição financeira não deu destino diverso ao ouro ativo financeiro, nem poderia. A alteração dessa condição vantajosa, para que o ouro seja considerado uma mercadoria pela adquirente, deverá vir acompanhado das consequências tributárias que esse fato vier a gerar, com a regência das normas impositivas do ICMS, do IPI, do PIS e da Cofins, e só a partir da primeira venda como mercadoria poderá o adquirente do ouro, então mercadoria, beneficiar-se dos créditos por ventura gerados, em conformidade com as leis de regência, antes não. Sobre o bem ouro ativo financeiro não houve incidência da contribuição para a COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Fl. 967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.742 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.902787/2014-14 6 OURO ATIVO FINANCEIRO / INSTRUMENTO CAMBIAL. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Quando se adquire ouro na forma de ativo financeiro/instrumento cambial não se está adquirindo uma mercadoria (um insumo). A instituição financeira não deu destino diverso ao ouro ativo financeiro, nem poderia. A alteração dessa condição vantajosa, para que o ouro seja considerado uma mercadoria pela adquirente, deverá vir acompanhado das consequências tributárias que esse fato vier a gerar, com a regência das normas impositivas do ICMS, do IPI, do PIS e da Cofins, e só a partir da primeira venda como mercadoria poderá o adquirente do ouro, então mercadoria, beneficiar-se dos créditos por ventura gerados, em conformidade com as leis de regência, antes não. Sobre o bem ouro ativo financeiro não houve incidência da contribuição para o PIS. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido (Acórdão nº 3402-005.581, Conselheiro Relator Pedro Sousa Bispo, 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, 3ª Seção, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Sessão de 25/09/2018) Os demais resultados, referentes aos outros processos acima citados, são idênticos e de relatoria do Conselheiro Pedro Sousa Bispo, cujo brilhante voto detalha mais pormenorizadamente as questões aqui suscitadas neste voto, e com as quais alinho-me, de forma que considero desnecessário prolongar-me mais em minhas razões de decidir, as quais são as mesmas do resultado dos demais processos já julgados da mesma Recorrente. Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 968DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4830969 #
Numero do processo: 11075.002026/92-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 1993
Ementa: ITR - Impugnação intempestiva. Não instaurada a fase litigiosa. Não se conhece do recurso voluntário.
Numero da decisão: 203-00.774
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso, por não instaurada a fase litigiosa.
Nome do relator: SEBASTIÃO BORGES TAQUARY

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I Ile_ JR. V V._! 192:9_ 1 r-, alt.i's"-' 1 C (Nt MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 11075.002026/92-91 Sessâb de 2 20 de outubro de l e,93 ACORDRO No 203-00.774 ReCI.1 r150 no:: 9:1. -011 Recorrente g MARIA HELENA LOPES Recorrida g DRE EM URHGUAINA -- RS /TR - ImpugnagWo intempestiva. NSo instaurada a fase liti.giosa„ NXo se conhece do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recmrso interposto por MARIA HELENA LOPES. ACORDAM os Membros da Tercmira Camara do Segundo . Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em n2k, se conhecer do recurso, por ao instaurada a fase litigiosa. Sala das SessEies, em 20 de outubro de 19'93. 45!!%. 40,52_, ..alra„ CISVAI... • ...Sr: ."::: ::)..'7A -- Pre 4s, J. cl pnte 2.,,_ 7., :Orck:ft. J. At) PC • •(..irS TM; ../AF:' s' Relator djge4ieL WDRIGC .-.)AF U UIERIA -, Procurador-Represeutante 110 /g da Enenda Nacional , yISTA i:„Pri SESSr10 DE„ 1 O O F 7 1993_ _ 1::, a r ti. c :i. pa r.M11,, a I. ri da., do presente .-.111.1. g aimen tn„ os Conselheiros RI: cnsno {...JEL[Tif:: Roma GUEs „ PIAR:1: n •niEnEzn VASCONCELLOS DE: nut::::[: nn SERGIO AFANASIEFF„ TIEFRANY FERRAZ DOS SANTOS !, MAURO WAST.I...E:WSKI e CEI .30 iNHEE11.0 7...:rs por) •AL pico./ /Dy TB/Clpv/1 t. tY1-2- . t _ ~TEMO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 1 <e*,.7. • SEGUNDOCONSEMODECONUMUNTES Processo no 11075.002026/92-91 Recurso Hm: 91.011 Acórdao No g 203-00.774 Recorrente g MARIA HELENA LOPES RELATORID 111 Contribuinte aCiMA ifil-M .rtificack, foi notJfi nada (fls. 01) a pawar o I~sto sobre a Propriedade Territorial Rural. - 1TR/91. e demais tributos, referentes ao imóvel. rural ~mi:rimada Granja Nova Esperança, de sua propriedade, localizado no Município de Guarai .- RS, com Area total de 119,2na. Impugnando o twito às fls. 02/W, a Requerente alegou em sínt(ese: a) a falta da reduçao do ITR/91. OCOVYPIA por erro no preenchimento do cadastro pela Prefeitura Municipal de Muarat que omitiu dadon fornecidos pela Requerente, quanto à existen:ia de pecoâvia e cultura tomporaria no referido iMOVEd. h) o Valor da Terra Ulua -- VINI atribuído pelo INCRA, diverge daquele conntante no cadastro e da realidade ria regiao, devendo ser reduzido em 50'::: c) nJo existem debites anterior(,s; d) propos a compensaçao de croditos relatj.von ao imposto pago pela Sra IgnOs ~tinis Lopes e que, com seu falerImiiento, ocorreu o desmembramento da ¡Areia, ocorrendo tres novon cadastros em nome de Paulo Ernesto Lopes (pago PM 06.03.90) Therezinha Lopes (pago 9ffs 06,06.90) e PM nome da Reguem:1'M? (pago em 21..02.90). Sendo Ansim, em 1989 ocorreu e pagamento em duplicidade, e o) solicita a reducjo do imposto Lançado pela compensaoJo do crodito referente a duplicidade de pagamento. (I/ fl es. 13/11 consta a informaçao fiscal. proferida na DRE-Urugualana-RS, esclarecendo que o pedido de restitui0o e compensiacao somente poderia ser efetmado pele interessado, no caso a Sra, TwRius Martins Lopes e corou já ocorreu o SPLA falecimento, o pleito deverá iic , J- formulado em nome do espólio, pele inventariante oru. seus sucessores, apresentando a comprovaçao, Solicitou a juntada ao processo do "AP", onde consta a data do ~ah:Traça:ao pelo interessado do lançamento ram .., questI10 para verifica0o do cumprimento do prazo definido no Decreto ng 70.225/77, 2 ys 5 MINISTÉRIO DA ECONOMIA. FAZENDA E PLANEJAMENTO ; SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 11075.002026/92-91 Acórd:ão no 203-00.774 C "PR" foi. anexado â g fls. 15, e, ag fls. . 16, consta o Termo de Revelia, pois c prazo para a1rooenta0b dm ii~y1AC) esgotou-se em 27.11.'21, e a Contribuinte encaminhou oua defgoa em 04.06.92. A autoridade singular decidiu pela proczadOncia do lançawerrto, urna vez que a impugnao intempestiva n'Ao icroLmira a fase contenciosa. Tempeotívamonte, a Ice ir ir~pOs recurso de fls., 271/30 aduzindo que n'Ao houve revelia, poio no caso da. g oistOncla de erro que nab seja de responsahjidade do contribuinte?, cabe revia, Contestou taohêo oo altoo vaioreo cobrados sobre a terra nua e, mais uma VP7, solicitou • I compensa0o do imposto page. E o relatório, 3 UI, . •- -IJWCiII MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO it, ttwitii i . Mit Jiiii, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processa no 11075.002026/92-91 Acérdaa no 203-00.77A VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEDASTIA0 BORGES TA9UARY Realmente, a flyugnaçao q intempestiva e, por 1:01“:: CCIINti 1 C: :1 ià t I la0 Se 11“5 .1a111' 011 a 1 . 4111t1 :I 11 i (111,11a !, -gt 0á111 g LtiR ti O defesa, resUmdo infensurâvel a deu1so remrrida„ que rqYo conheceu da peFa impugnatória. C fesitrsk., veluntário nWo ataca esse decreto de jrflfmapewl~dade. Apenas argamenta que, havendo erro de Uknçamento per parte da Fiscaliza0o, Vão ocmrfe revelia. Assim, e por tudo mais nue dos autof consta, nMa conheço do vecq 1 . 1;:e voluntâsio. Sala das S psIMTes, em 20 de eutabro de 1993. d r 7,flItAhTIWO BC éS TAO ARY 4

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