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Numero do processo: 10830.007795/2010-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.623
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 07 79 5/ 20 10 -4 8 Fl. 22DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 23 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0540.5049ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP que julgou procedente o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.273.1090 (CFL 68). Conforme o Relatório Fiscal, o contribuinte informou as Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com código do FPAS 639. Entretanto conforme o ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS o mesmo não faz jus à isenção da parcela patronal da contribuição previdenciária sendo, portanto, inadequada a utilização do referido código do FPAS. Ao utilizar o código do FPAS 639 na GFIP o contribuinte teve a intenção de iludir a autoridade fazendária com conduta sistemática durante o período fiscalizado, uma vez que o sistema deixa de calcular referida cota patronal de contribuição previdenciária constante dos incisos, I e II do art. 22 da Lei 8212/91, alterando os valores das contribuições devidas no período 06/2006 a 13/2007. Nos autos, às fls. 21, há o Termo de Apensação informando que o presente processo foi apensado ao processo 10830.007796/201092, em 30.06.2015: Nessa data, este processo foi juntado por apensação ao processo nº 10830.007796/201092 DATA DE EMISSÃO : 30/06/2015 O Relatório Fiscal destaca o fundamento do procedimento fiscal ensejador da autuação lavrada, que foi a expedição do Ato Cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais: . isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, CNPJ: 46.020.301/000188 foi cancelada a partir de 01/01/1994 por não atender aos requisitos constantes nos Incisos IV e V do artigo 55~da Lei 8.212 de 24/07/91, Conforme ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇAO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/003/2004, datado de 10/11/2004 e mantido em última instância administrativa pelo Conselho de Recursos da Previdência Social Acórdão número 240 de 28/03/2006. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 24 3 O Relatório Fiscal apresenta os fatos geradores da autuação fiscal: 6.1 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores Contribuintes Individuais, código categoria 13 no período abrangido pelas competências 06/2006 a 12/2007, apuradas com base nos valores informados na GFIP no código inadequado lançadas sob código de levantamento "CI" e discriminadas no Relatório de Lançamentos RL; 6.2 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01 no período abrangido pelas competências 06/2006 a 13/2007, apuradas com base nos valores informados na GFIP no código inadequado lançadas sob código de levantamento “FP” e discriminadas no Relatório de Lançamentos RL; 6.3 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01 no período abrangido pelas competências 06/2006 a 13/2007, apuradas com base nos valores informados na GFIP no código inadequado com indicação no campo de ocorrência 4 ou 8 (exposição a agentes nocivos aposentadoria especial 25 anos de trabalho conforme previsto no Manual da GFIP) lançados ADICIONAL RAT sob código de levantamento “FR” e discriminadas no Relatório de Lançamentos ~ RL; V Obs: As bases de cálculo empregada na apuração das contribuições devidas nos Itens 6.1, 6.2 e 6.3 acima foram o total da remuneração informada em GFIP código inadequado FPAS 639 (ANEXO H). 6.4 Os valores relativos ao pagamento dos serviços que lhe foram prestados por cooperados, por intermédio das cooperativas de trabalho: a) UNIMED CAMPINAS, CNPJ 46.124.624/0001 11, no período de 06/2006 a 12/2007 e b) COOPNET, CNPJ 07.797.188/000190, n o período 05/2007 a 07/20047, cuja contribuição previdenciária está prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212/91, lançados sob o código de levantamento "C0" e discriminados no ANEXO I; O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos de Débito DD, é de 06/2006 a 12/2007. O contribuinte teve ciência das Autuações em 15.06.2010, conforme os autos. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, na qual alega em síntese, conforme o apresentado resumidamente no Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 2982 a 2989 do Volume XII do processo 10830.007796/201092: A autuada apresentou impugnação, em 15/07/2010, onde, alega que o presente deve ser anulado, uma vez que o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004, de 10/11/2004, foi expedido em desrespeito à segurança jurídica e de modo a lesar o particular. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 25 4 Afirma que: obteve, em 1975, sob a égide da Lei 3.577, de 04 de julho de 1959, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, que não requer renovação, atestando que a entidade faz jus à citada isenção. Assegura que o parágrafo 1% artigo 55 da Lei 8.21/91 lhe assegura o direito à isenção continuada e que o seu Certificado de Entidade Filantrópica tem validade por prazo indeterminado. Infere que o STJ reconheceu a isenção veiculada pela Lei 3.577/59, ao apreciar o MS 9746, no qual se impugna o Ato cancelatório expedido nos autos dos processos n° • 44000.000943/200369 e 44006.004661/200094. Portanto, agiu corretamente ao informar o código 639 referente ao FPAS. Entende que, por se tratar de desoneração de tributos, o § 7% artigo 195 da CF/1988 deveria ter sido regulamentado por lei complementar, como determina o inciso II, artigo 146 da mesma Constituição e nesse sentido, até que se edite outra lei complementar, as entidades beneficentes deve atender aos disposto no artigo 14 do CTN. Para fazer valer tal entendimento cita a Medida Cautelar n° 1999.61.05.0063970 e Ação Ordinária 1999.61.05.0095167, que interpôs no intuito de não observar a alteração trazida pela Lei 9.732/98 à Lei 8.212/91. Alega que a remuneração paga ao Secretário e Assessor da Vice Presidência foi em decorrência à rescisão do contrato de trabalho e, portanto, não desatendeu disposto no inciso IV, artigo 55 da Lei 8.212/91 que foi um dos motivos que ensejou a fissão do Ato Cancelatório 2142410032004. Tão pouco desatendeu ao disposto no inciso V do mesmo artigo e lei, isto porque, a determinação do parágrafo 1% artigo 35 do Estatuto da SCEI sempre foi fiscalizada conforme prestação de contas a diversos órgãos públicos, que acompanham e referendam o desenvolvimento das atividades. Acrescenta que: A escrituração contábil do período de 1994 a 1996 foi regularmente feita, através de lançamentos no sistema interno de informática, e armazenada por 5 anos. Ocorre que, após esse prazo, a implantação de novo sistema não permitiu a recuperação dos dados anteriores. Por conta disso, a Impugnante submeteuse ao pagamento da multa, pela impossibilidade de atender alguns dos documentos solicitados pela fiscalização. Dessa forma a indicação do código 639 referente ao FPAS é correta, pois não há que se falar em dolo no preenchimento da GFIP, uma vez que o que se está discutindo é exatamente a isenção integral das contribuições previdenciárias devidas pela Impugnante. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0540.5049ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Fl. 25DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 26 5 Brasil de Julgamento em Campinas SP, conforme Ementa a seguir, às fls. 2974 a 2981 do Volume XII do processo 10830.007796/201092: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de informar mensalmente à Seguridade Social, através de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas, constitui infração punível na forma da Lei APLICAÇÃO DA MULTA A multa aplicada no momento do lançamento atende ao primado da retroatividade benigna. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, às fls. 3038 a 3066 do Volume XII do processo 10830.007796/2010 92, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da desnecessidade de observância da Lei 8.212/91 Ao contrário do quanto narrado no Acórdão ora guerreado, a Recorrente possui decisão judicial favorável garantindo o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7° da Constituição Federal à observância única e exclusiva dos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional. (...) Conforme salta aos olhos da leitura da decisão judicial favorável à Recorrente e acima transcrita, possui esta o direito de gozar da imunidade de que trata o artigo 195, §7° da Constituição Federal mediante a observância do artigo 14 do Código Tributário Nacional, fato que pratica conforme atesta o próprio Magistrado em sua decisão, e não mediante observância ao artigo 55 da Lei 8212/91. (ii) Da garantia constitucional de gozo da imunidade do artigo 195, §7° Para além da obrigatoriedade de obediência às citadas decisões judiciais, que claramente desobrigam a Recorrente da observância ao artigo 55 da lei 8.212/91, também a interpretação do texto Fl. 26DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 27 6 constitucional, ao contrário do quanto narrado no Acórdão, conduz a esta conclusão. Vejamos: Argumentase, no Acórdão, que o diploma apto a tratar da imunidade prevista no artigo 195, §7° da Constituição Federal é a lei ordinária, e não a complementar. Para tanto, citase jurisprudência. Tanto no argumento como na jurisprudência trazida os argumentos são uníssonos: que imunidade é questão atinente a impostos, e não a contribuições previdenciárias, que possuem legislação própria; que a Constituição Federal não exige lei complementar para a disciplina do art. 195, 57% uma vez que quando demanda lei complementar a tratar de determinada matéria, o faz expressamente. (iii) Da ineficácia do Ato Cancelatório e conseqüente ineficácia do Auto de Infração É de se registrar que, conforme narrado em sede de Impugnação, o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais (doc. 03), praticado em 2.004, não deve produzir efeitos jurídicos, fato que deve ser devidamente reconhecido pela Administração. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 28 7 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE O Recurso é tempestivo, conforme informação colhida dos autos. DO PROCEDIMENTO FISCAL O crédito tributário se refere à contribuições destinadas a outras entidades e fundos, denominadas “Terceiros”, quais sejam, Fundo Nacional de Desenvolvimento da 'Educação FNDE, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social do Comércio SESC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos artigos 2° e 3° da L/ei 11.457 de 16/03/2007, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa aos trabalhadores empregados no período de 06/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal destaca o fundamento do procedimento fiscal ensejador da autuação lavrada, que foi a expedição do Ato Cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais: 2 — A isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, CNPJ: 46.020.301/000188 foi cancelada a partir de 01/01/1994 por não atender aos requisitos constantes nos Incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212 de 24/07/91, conforme ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/003/2004, datado de 10/11/2004 e mantido em última instância administrativa pelo • Conselho de Recursos da Previdência Social — Acórdão número 240 de 28/03/2006, razão pela qual o presente crédito está sendo constituído. O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos de Débito DD, é de 06/2006 a 12/2007. O contribuinte teve ciência das Autuações em 15.06.2010, conforme os autos. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 29 8 De início, é importante se observar do Relatório Fiscal que o Auto de Infração lavrado NÃO TEVE como fundamento a lavratura para se prevenir a decadência, nos termos do art. 86, do decreto 7.574/2011: Art.86.O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei no 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei no 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 70). §1oO lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto no 70.235, de 1972, art. 7o). §2oO lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função de prevenção da decadência, continuemos. Observase que no fundamento em que baseou o procedimento fiscal aparece nos autos controvérsias judiciais a respeito: Senão, vejamos. Em relação aos efeitos da expedição do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004. No conexo processo administrativo 10830.007796/201092, bem como no processo 10830.727646/201261, constam informações de medidas judiciais que discutes tal matéria acerca do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais: (a) O Mandado de Segurança impetrado no STJ, MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), na qual se reconhece o direito da impetrante à manutenção do CEBAS, anulandose o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004; (b) No processo 10830.727646/201261 às fls. 1984 da Impugnação, temse referência ao Agravo de Instrumento AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região, na qual se discute a exigência de contribuição previdenciária incidente sobre remunerações pagas a Fl. 29DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 30 9 autônomos, onde a Recorrente informa que se reconheceu judicialmente a "imprestabilidade" dos fundamentos do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004, além de lhe garantir o direito adquirido ao certificado de entidade filantrópica sem prazo determinado com a isenção da cota patronal. Ou seja, a partir do trânsito em julgado e os efeitos no processo administrativo fiscal do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012) e do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, é que se poderá determinar, em sede Preliminar, se incorre em nulidade (total ou parcial, formal ou material), ou não, esta segunda fundamentação do procedimento fiscal que resultou na lavratura dos Autos de Infração. Em consulta ao AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 0008864 40.2011.403.6105), ao site do TRF da 3a Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20110 3000249289), em 05.12.2015, constatase que, em 02.10.2004, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em consulta ao MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), ao site do STJ (https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo= 200302372012&totalR), em 05.12.2015, constatase que a última movimentação ocorreu em 16.04.2010 com a certidão de objeto e pé. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função de prevenção da decadência, como prejudicial ao julgamento dos Autos de Infração temse, por óbvio, que se observar os seguintes trânsito em julgado e os efeitos neste processo administrativo fiscal: (i) da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (ii) do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), impetrado no STJ; e (iii) do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 31 10 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe (sendo que, após a conclusão das Diligências requeridas, a Unidade da Receita Federal do Brasil deverá intimar o contribuinte acerca do resultado das Diligências, abrindo o prazo de 30 dias para Manifestação com vistas ao contraditório e à ampla defesa): (i) o trânsito em julgado da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (ii) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (iii) o trânsito em julgado do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), impetrado no STJ; (iv) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012); (v) o trânsito em julgado do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região; (vi) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105; (vii) conclusivamente se, em função do resultado das diligências elencadas acima, a Recorrente possui direito à isenção de contribuições sociais previdenciárias no período 01/2008 a 12/2008; (viii) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 31DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10880.915929/2008-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA
O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo.
VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO
Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus.
Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3802-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado.
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NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 29 /2 00 8- 96 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 102), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA, insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1630.840, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo –DRJ/SP1, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra a referida Recorrente. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)Declaração de Compensação (DComp) de fl. 1, por falta de crédito no DARF da contribuição acima citada (código de receita: 2172; fato gerador: 31/07/2000). O Valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito compensado nesta declaração é de: Cofins Não Cumulativa; código de receita: 5856; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 5.323,71 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e no art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 10 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915929/200896 Acórdão n.º 3802001.945 S3TE02 Fl. 104 3 prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base de compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer a emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. Não acatando as razões aduzidas pela Recorrente na instância a quo, a 9ª Turma da DRJ/SP1, resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Vejase: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência do direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. A alegação de existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/07/2000 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÕES SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 60 e seguintes) pleiteando a nulidade do Acórdão recorrido, alegando que a decisão foi construída com base em premissas confusas e obscuras, bem como enfatizando o direito que ampara seu pedido, consubstanciado na equiparação das vendas para a Zona Franca de Manaus à exportações – o que explicita ter ocorrido recolhimento indevido de PIS e COFINS sobre as receitas daí oriundas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar o Acórdão (fl. 102), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega haver indevidamente submetido à tributação por PIS e COFINS as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. Preliminar Como questão preliminar aduzse a nulidade do Acórdão recorrido, por haver sido “construído com base em premissas confusas e obscuras, que impossibilitam o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, no caso concreto”. O art. 59 do Decreto 70.235/72, que rege o processo tributário administrativo em âmbito federal, traz como uma das causas de nulidade a preterição do direito de defesa. No entanto não vislumbro no caso nulidade do Acórdão, especialmente porque a decisão recorrida traz um argumento escalonado para não acolher o pleito do contribuinte, a saber: a) a impossibilidade de se reconhecer o direito de crédito à Recorrente, diante da Solução de Divergência Cosit nº 07, que limitaria as isenções a apenas alguns produtos, não sendo genérica para qualquer venda realizada para a Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 14 da MP 203725; b) ultrapassada a questão acima, a inexistência de comprovação da materialidade do crédito em termos concretos. O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso (ou mesmo, ao seu ver, lacônico), não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915929/200896 Acórdão n.º 3802001.945 S3TE02 Fl. 105 5 Tanto assim que a Recorrente não só identificou os fundamentos do Acórdão, como o presente Recurso ataca o ponto que parece mais sensível ao contribuinte – a existência, ao seu ver, de exoneração de PIS e COFINS sobre as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Desse modo, não acolho o argumento de nulidade do Acórdão. Vale o aforismo jurídico: pas de nullité sans grief. Mérito Quanto ao mérito, o ponto nodal referese à existência, ou não, de exoneração de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. A celeuma tem origem no fato de o art. 40 do ADCT/88 (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias) ter estendido para o ordenamento constitucional de 1988 o regime tributário da Zona Franca em Manaus, nos seguintes termos: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Esse regime tributário, como cediço, teve início por intermédio do Decretolei nº 288/67, porém seguramente a determinação constitucional estende toda a exoneração fiscal existente no ordenamento anterior para o Sistema Tributário atual. Esse é o comando expresso do art. 40 do ADCT, cujo prazo veio a ser prorrogado por mais 10 anos por força do art. 92 das mesmas Disposições Constitucionais. A discussão que pode ser travada é quanto à interpretação da expressão das características “de exportação” sobre a Zona Franca de Manaus, especialmente diante da imunidade constitucional que as exportações possuem sobre as contribuições especiais. De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF, que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº. 2, do CARF, impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e da COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória nº 2.037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADIMC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 quinta reedição da MP nº 2.037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP nº 2.037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP nº 2.03725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP nº 2.03725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP n° 2.037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADIMC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP nº 2.037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP nº 2.037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Conclusão Destarte, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915929/200896 Acórdão n.º 3802001.945 S3TE02 Fl. 106 7 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10980.004946/97-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995
EFEITOS DO PROCESSAMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS REMANESCENTES.
Restando demonstrado nos autos que o direito creditório reconhecido em última instância administrativa foi insuficiente para compensar os débitos informados pelo sujeito passivo nos referidos pedidos de compensação, o processamento da manifestação de inconformidade, via Mandado de Segurança reinaugurou a via contenciosa, suspendendo a exigibilidade dos saldos devedores remanescentes.
Numero da decisão: 3302-003.003
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Sem Crédito em Litígio
Recurso Voluntário Negado
Sem Crédito em Litígio
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência arguída em plenário pelo Conselheiro Domingos de Sá, vencido o proponente. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a preterição do direito de defesa pela impossibilidade de compreensão dos cálculos e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência arguída em plenário pelo Conselheiro Domingos de Sá, vencido o proponente. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a preterição do direito de defesa pela impossibilidade de compreensão dos cálculos e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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INEXISTÊNCIA. Estando os valores finais de débitos remanescentes, por insuficiência do direito creditório reconhecido, perfeitamente identificados nos extratos e demonstrativos respectivos, com relação ao tributo, período de apuração e vencimento, incabível a arguição de nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A DCTF possui o efeito de confissão de dívida, elidindo a necessidade de constituição formal do crédito pelo fisco. Estando os débitos remanescentes declarados em DCTF, é dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995 EFEITOS DO PROCESSAMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS REMANESCENTES. Restando demonstrado nos autos que o direito creditório reconhecido em última instância administrativa foi insuficiente para compensar os débitos informados pelo sujeito passivo nos referidos pedidos de compensação, o processamento da manifestação de inconformidade, via Mandado de Segurança reinaugurou a via contenciosa, suspendendo a exigibilidade dos saldos devedores remanescentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 49 46 /9 7- 81 Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência arguída em plenário pelo Conselheiro Domingos de Sá, vencido o proponente. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a preterição do direito de defesa pela impossibilidade de compreensão dos cálculos e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por IVAI ENGENHARIA DE OBRAS SOCIEDADE ANONIMA, com CNPJ 76.592.542/000162, em face do Acórdão nº. 47.603, de 21/11/2013, proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA, que, à unanimidade, deu provimento parcial à manifestação de inconformidade para excluir a exigência de acréscimos legais na compensação/abatimento dos débitos de PISRepique, homologando as compensações até o limite do crédito. Para a cognição da situação fática dos autos demonstrase a seguir a cronologia dos atos processuais, ressaltando que a referência às folhas do processo correspondem à numeração do eprocesso e em parêntese, quando necessário, será indicada a folha do processo físico: 1 Pedidos de compensação protocolizados a partir de 19/05/1997, fls. 1.238/1.243, (vol.1) originariamente solicitando o reconhecimento de direito creditório de R$ 2.554.309,10, decorrentes de recolhimentos de contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, efetuados na forma prescrita pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, a partir de janeiro de 1990, para a compensação de débitos de contribuição para o PIS, na modalidade PIS/Repique, dos anoscalendário de 1990 a 1995, e para que fosse autorizada a utilização de valor remanescente em compensações com tributos e contribuições de espécies diferentes. 2 Despacho Decisório das fls. 1.924 a 1.929 (fls.644/649), de 12/03/2001, cientificado ao contribuinte em 25/03/2003, fl.1.929, (vol 1_371) reconheceu o direito Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.618 3 creditório de 1.589.000,61 Ufir, equivalentes a R$ 1.316.804,81, em valores de 01/01/96. Os pagamentos efetuados até 19/05/92 não foram considerados, em face do transcurso do prazo decadencial de cinco anos, em relação à data do protocolização do processo (19/05/1997), a teor do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 96, de 26 de novembro de 1999, ressaltando que as decisões judiciais que beneficiaram a interessada apenas concederam o direito de recolher a contribuição para o PIS com base na Lei Complementar nº 7, de 1970, não fazendo menção a compensações ou restituições. Foram efetivadas as compensações até o limite do crédito. 1º CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 3 Manifestação de inconformidade, fls. 2.076/2.080 (vol.2) apresentada em 24/04/2003, fl.2076 na qual, em síntese, contesta a limitação temporal ao direito de reaver recolhimentos anteriores a 19/05/92, aduzindo que o Poder Judiciário já consolidou o entendimento que, em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial ou prescricional de cinco anos somente se conta a partir de cinco anos do fato gerador, perfazendo o prazo de dez anos. 4 Acórdão DRJ/CTA nº 4.765/2003, fls. 2.096/2.103 (vol.2) indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos a seguir ementados: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 19/05/1992 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. 5 Recurso Voluntário em 20/07/2004, fls.2.134/2.138 (vol.2); 6 Acórdão 20215.928, de 09/11/04, fls.2.159/2.163 (vol.2), assim ementado: PIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.PRESCRIÇÃO. O termo inicial do prazo prescricional de cinco anos para a compensação do PIS recolhido a maior, por julgamento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs2.445/88 e 2.449/88, flui a partir do nascimento do direito à compensação/restituição, no presente caso, a partir da data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95.(grifei). Excertos do voto (parte dispositiva): Por estas razões, voto no sentido de dar PARCIAL PROVIMENTO Recurso Voluntário, para assegurar à Recorrente seu direito de compensar as parcelas indevidamente recolhidas a título de Contribuição ao PIS com base nos malsinados Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88 no período compreendido entre 10.04.90 e 19.05.92, assegurando ao Fisco, por outro lado, seu direito/dever quanto à verificação da adequação do montante postulado. Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 Recurso parcialmente provido. 7 Recurso especial da PFN, fls.2165/2.175 argui que o acórdão recorrido diverge da nova orientação firmada pela 1ª seção do STJ, na apreciação do ERESP 423.994/MG, assim como supera os termos do Ato Declaratório SRF no.096, de 26/11/99, (...) o qual determina que o termo a quo contase da extinção do crédito tributário(...)(sic) 8 Despacho nº 202230 fls.22/04/2205 cientificar o sujeito do Acórdão 20215.928 e assegurar o prazo para o oferecimento de contrarrazões; 9 Contrarrazões ao RE/PFN, fls.2.209/2.213 argui que a jurisprudência administrativa está consolidada em sentido contrário ao do pleito da PFN. Indica os acórdãos paradigmas: CSRF/0201.790, AC 20176527 e CSRF/0201.834; 10 Acórdão CSRF nº 0203.334, de 01/07/2008, fls.2.219/2.221, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1995 PIS. RESTITUIÇÃO.DECADÊNCIA.PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso Especial de Divergência da Fazenda Nacional Negado. 11 Recurso Extraordinário impetrado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) , fls.2.225/2.234 argui divergência jurisprudencial, indicando os acórdãos paradigmas: CSRF/0105.858 e CSRF/0105.773, cujos colegiados recorridos decidiram que é no momento do pagamento que se inicia a contagem do prazo de cinco anos para que o contribuinte possa pleitear a restituição; 12 Despacho CSRF Nº 102, de 10/03/2009, fls. 2.239/2.240 foi negado seguimento ao recurso extraordinário interposto pela PFN, tornandose definitivo o Acórdão CSRF nº 0203.334, de 01/07/2008, fls.2219/2221. ATOS EXECUTÓRIOS 13 Despacho Decisório Complementar, fls. 2.244 a 2.270 (fls.950/976), com ciência da interessada em 09/07/2010 , fl.976 o AuditorFiscal designado refez todos os cálculos, agregando o período anterior, conforme determinado na decisão administrativa, sendo reconhecido o direito creditório complementar, passível de compensação, no valor de R$ 928.033,75, a ser acrescido de taxa selic de juros SELIC a partir de 01/01/96; 14 Listagens de débitos/saldos remanescentes fls.2.282/2.283 fls.(987/988); 15 Demonstrativo de Compensação, fls.2.284/2.292 (fls.989/997); 16 Despacho Decisório Complementar, fls. 2.293 a 2.295 (fls.998/1000), de 07/07/2011: Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.619 5 3. Os débitos atrelados ao presente processo com pedidos de compensação são aqueles discriminados nas planilhas, de fls. 731 e 732, e os débitos que foram compensados a partir do crédito mencionado no articulado 1 são aqueles informados na planilha de fl.731( saldo zero + parte do débito 8109 PA 05/98).(grifei). 4. Com base em acórdão do CARF foram estendidos os períodos de apuração dos créditos e, consequentemente, foi reconhecido direito creditório suplementar de R$ 928.033, 75 a ser acrescido de taxa de juros SELIC a partir de 01/01/1996 (fls.950 a 976). 5. Tendo em vista o direito creditório suplementar, imputei os dados do crédito e dos saldos devedores dos débitos (conforme estampados nas planilhas de fls. 731 e 732) no Sistema de Apoio Operacional, sendo que o resultado, conforme fls.987 a 997, demonstra que o crédito não foi suficiente para proporcionar o deferimento das compensações de todos os débitos havendo remanescido débitos cujas compensações não foram deferidas conforme a planilha de fl. 987. 6. Dessa forma, proponho: · Sejam deferidas as compensações dos débitos elencados na planilha de fl. 987, cujos saldos devedores são zero. · seja deferida parcialmente a compensação do débito 2172 COFINSPA 05/1999 até o valor de R$ 46.625,61. · Não sejam deferidas as compensações dos demais débitos elencados na planilha de fl.987. De acordo. RESOLVO. · deferir as compensações dos débitos elencados na planilha de fl. 987, cujos saldos devedores são zero. · deferir parcialmente a compensação do débito 2172 COFINSPA 05/1999 até o valor de R$ 46.625,61. · Não deferir as compensações dos demais débitos elencados na planilha de fl.987. Encaminhese (..) para as seguintes providências: · com relação à implementação das compensações no SIAFI(SAPO fls.987 a 997). · Implementar a Cobrança dos débitos cujas compensações não foram deferidas, observandose que o contribuinte já foi cientificado do despacho decisório complementar, de fls. 950 a 976 (ver fl. 976). Referências: Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 · fls. (731 e 732) fls.2.013/2.014; · fls. (950/976) fls. 2.244 a 2.270; · fls.(987/997) fls.2.282/2.292; 17 Extratos do processo fls.2.296/2.314 (fls.101/1019); 18 Despacho de fl. 2.315 (1020), de 05/10/2011: Com o crédito remanescente da compensação acima foram feitas novas compensações como se observa às fls.760 a 769, resultando na planilha de fl. 767 e o saldo credor do despacho decisório de fls. 644 a 649 foi utilizado até o limite. Assim, as planilhas de débitos remanescentes são encontradas às fls. 768 e 769. Observamos que o saldo devedor do PIS/PASEP(8109), PA 05/1998, venc.15/06/1998 é de R$ 20.424, 01 após as novas compensações, divergindo da planilha de fl.731/732 que era de R$ 4.288,02 (cancelada). Juntamos extratos do sistema PROFISC dos processos nº 10980.004.946/9781 e 10980.005.947/200325 nos quais foram cadastrados os débitos compensados com o saldo credor do presente processo e verificamos que os saldos devedores remanescentes estão cadastrados no processo nº 10980.005.929/200343, juntado ao presente processo raiz. Assim sendo, encaminhese o presente processo à EQARC para revisão do Despacho Decisório Complementar de fls.998 a 1000. 19 Listagens de Créditos/Saldos Remanescentes, fl. 2.316 (fl.1.021); 20 Listagens de Débitos/Saldos remanescentes, fl. 2.317 (fl.1.022); 21 Demonstrativo de Compensação, fls. 2.318/2.321 (1.023/1.026) 22 Despacho Decisório Complementar Retificador, fls.2.327/2.329 (1.032/1.034), de 11/10/2011: 1. Tendo em vista a informação do SEORT/EQLIQ, de fl.1020, é providenciado o presente despacho decisório para alterar o saldo do débito 8109 PA 05/1998 de R$ 4.288,02 para R$ 20.424,01. (...) 4. Dessa forma, proponho: · Seja anulado o despacho decisório, de fls. 998 a 1000, para ser substituído pelo presente despacho decisório complementar. · Sejam deferidas as compensações dos débitos elencados na planilha de fl.1022, cujos saldos devedores são zero. Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.620 7 · Seja deferida parcialmente a compensação do débito 2172 COFINS PA05/1999 até o valor de R$ 79.091,61. · Não sejam deferidas as compensações dos demais débitos elencados na planilha de fl. 1022. De acordo. RESOLVO. · Anular o despacho decisório, de fls. 998 a 1000, para ser substituído pelo presente despacho decisório complementar. · Deferir as compensações dos débitos elencados na planilha de fl.1022, cujos saldos devedores são zero. · Deferir parcialmente a compensação do débito 2172 COFINS PA05/1999 até o valor de R$ 79.091,61. · Não deferir as compensações dos demais débitos elencados na planilha de fl. 1022. (...) · Implementar a Cobrança dos débitos cujas compensações não foram deferidas, observandose que o contribuinte já foi cientificado do despacho decisório complementar, de fls.950 a 976 (ver fl.976). 23 Listagens de Débitos/Saldos remanescentes/Demonstrativo de Compensação, fls. 2.330/2.363 (fls.1.035/1.068); 24 CartaCobrança, fls.2.364 (fl.1.069) Ofício nº 1.998/2011 , com ciência do contribuinte em 01/12/2011, fl.2.366 comunica que após a compensação efetuada restaram débitos que deverão ser recolhidos ou apresentar, dentro de 30 dias, manifestação de inconformidade de acordo com o art. 17, III, § 9º da Lei nº 10.833/2003 que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637/2002; 25 Manifestação de Inconformidade, fls. 2.373 a 2.393 (fls.1.077/1.092), (não consta a data de protocolo) Indica que foram lançados débitos de Cofins do período, mas não de IRPJ, CSLL e PIS, contidos na cobrança recebida. Alega que já ocorreu a decadência em relação aos débitos em questão. Questiona a aplicação retroativa da legislação a partir da MP 135/2003, de outubro de 2003, posterior à manifestação de inconformidade original, que previu a suspensão dos débitos não compensados, uma vez que a legislação aplicável é a da época da efetivação da compensação. Cita jurisprudência do STJ. Entende que tal procedimento agride o princípio da irretroatividade. Alega que nunca foi oportunizada a discussão dos débitos. Argumenta que, se válida a aplicação da legislação posterior, também é igualmente válida a determinação da lei que fixa o prazo de homologação do pedido em cinco anos. Sob todos os aspectos, entende caracterizada a decadência. Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 Com relação ao cálculo, se irresigna contra a incidência de multa e juros sobre os débitos de PISRepique, uma vez que o crédito é anterior. Alega que a Ufir de conversão seria a do momento do pedido, 0,9108, e não 0,8287. Argumenta, por fim, que o cálculo é incompreensível, ensejando nulidade dos atos. Requer, julgar procedente a manifestação, para declarar a nulidade da cobrança e da compensação de ofício realizada, comunicar aos autos do processo de Cofins e existência de saldo de crédito compensável e, alternativamente, reconhecer a procedência dos questionamentos sobre o cálculo. 26 Informação Fiscal , fls.2.428/2.437 (fls.1.131/1.140), de 06/01/2012, com ciência em 11/01/2012 A DRF/CTA acata parcialmente as razões apresentadas: 43. A compensação dos débitos contestados pelo interessado deveria ter sido feita sem os acréscimos de juros e multa. 44. Na realidade, ocorreu uma situação particularíssima em que tais débitos não deveriam ter sido compensados mediante o Sistema de Apoio Operacional com os acréscimos de juros e multas como ocorreu com os cálculos de fls. 743 a 769. 45. A situação é a seguinte: os débitos elencados para compensação referemse a períodos de apuração de 12/1990 até 12/1995 e o Pedido de Compensação foi protocolado em 1997, ou seja, após o vencimento dos débitos. 46. Como os Pedidos de Compensação se converteram em Declarações de Compensação entregues após os vencimentos dos débitos são homologadas com os acréscimos de juros e multas devido ao atraso de sua entrega, esta é a razão dos acréscimos incluídos na compensação. 47. No entanto, o crédito utilizado para compensação teve sua constituição iniciada desde 04/1990 (situação particularíssima de crédito de constituição complexiva determinado por ação judicial transitada em julgado), ou seja, quando da compensação do 1º débito referente ao período de apuração de 12/1990, já existia crédito suficiente para compensar tal débito e, portanto, não deve ser cobrado multa e juros na compensação desses débitos. 49. A soma dos débitos elencados pelo interessado conexos aos débitos do PIS código 8205 (Pedido de Compensação de fl.01) soma R$ 76.666,85. 50. Assim, do valor do crédito reconhecido de R$ 1.316.8904,81 será abatido o valor acima (sem multa e juros) e o restante R$ 1.240.137,96 utilizado para compensar os demais débitos. 27 Manifestação de Inconformidade, fls. 2.440/2.441, de 24/02/2012 argui que os débitos relacionados não se encontravam com a exigibilidade suspensa, a despeito da manifestação de inconformidade entregue, que não havia sido encaminhada à DRJ, situação que está lhe ocasionar prejuízos pois em breve sua Certidão Negativa será extinta, e não será possível obter nova Certidão. Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.621 9 28 Mandado de Segurança (MS) 501085618.2012.404.7000/ PR, fls.2.442/2.443 teve liminar parcialmente deferida. Após, sobreveio a sentença, cujo dispositivo foi assim redigido (fls. 2.466 a 2.470): Em decorrência, impetrou o Mandado de Segurança (MS) 501085618.2012.404.7000/ PR, que teve liminar parcialmente deferida, com o fito de determinar ao impetrado que expeça a certidão positiva com efeitos de negativa (...). 29 CartaCobrança, fls.2463/2464, Ofício nº 671/2012, com ciência em 04/05/2012, fl.2465 Fica anulada a cartacobrança referente ao Ofício nº 1.998/2011 de acordo com os artigos nº 53, 54 e 55 da Lei nº nº 9.784, de 1999; 30 Sentença, fls. 2.466/2.470: “Ante o exposto, CONCEDO a ordem para determinar ao impetrado o recebimento e processamento da manifestação de inconformidade apresentada no EVENTO 1 PROCADM 7, relativo aos feitos administrativos já referidos, bem como forneça à impetrante a certidão positiva com efeitos de negativa, nos termos da fundamentação.” Na fundamentação, consta trecho que cumpre transcrever: “A partir de tal dispositivo, introduzida na legislação a figura da manifestação de inconformidade, conforme não deixa qualquer resquício de dúvida o contido no art. 74 da Lei 9.430/96, é evidente que, enquanto pendente de decisão final, há a suspensão do crédito tributário, eis que não poderia exsurgir, do exercício de direito, o efeito deletério da recusa quanto à regularidade fiscal.” 31 A DRF/CTA encaminha o processo à DRJ para apreciação, atestando a tempestividade da manifestação. 2º CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL 32 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstram a ementa e parte dispositiva da decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995 CRÉDITO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A autoridade fiscal deverá apurar o recolhimento a maior, caso a quantificação do crédito já não tenha sido objeto da decisão judicial. A certeza e liquidez do crédito é condição para a restituição/compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. DECISÃO JUDICIAL. CÁLCULO. INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO. Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Se a decisão judicial determinou a exigibilidade do PIS pela sistemática da Lei Complementar 07/70, desconsideradas as alterações dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, os valores de PISRepique serão deduzidos sem a imposição de acréscimos legais, no caso de pagamentos realizados antes ou na data de vencimento dos débitos. O valor do indébito, para fins de compensação, quando expresso em UFIR, deverá ser convertido para Real utilizandose a UFIR vigente em janeiro de 1996, no valor de 0,8287. A partir de janeiro/1996, serão acrescidos juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente até o mês anterior, mais o percentual de 1% relativamente ao mês do encontro de contas. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A entrega da DCTF pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal tem efeito constitutivo do crédito tributário, sendo dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. PROCESSO ANTERIOR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das declarações de compensação foi introduzida pela Lei 10.833/03. Não se aplica a homologação tácita aos pedidos/declarações de compensação já apreciados pela unidade de jurisdição. O termo a quo para a contagem da homologação tácita referese a data de entrega de cada declaração ativa. Por todo o exposto, voto por conhecer da manifestação de inconformidade, reconhecendo a suspensão do saldo de débitos, rejeitar a alegação de nulidade e dar provimento parcial à manifestação de inconformidade para excluir a exigência de acréscimos legais na compensação/abatimento dos débitos de PISRepique, homologando as compensações até o limite do crédito e dando prosseguimento à cobrança dos débitos não compensados. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/09/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 2.574, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 2.579/2.596 em 02/10/2014, fl.2.579, onde reitera os mesmos argumentos já aduzidos na manifestação de inconformidade, notadamente quanto à decadência quanto aos débitos, o valor da UFIR utilizado e o valor do PISREPIQUE, acrescentando , porém os a seguir transcritos, em apertada síntese: A DRJ menciona que o processo tem trajetória peculiar, isso por conta da terrível prática administrativa de se obstruir um direito do contribuinte, que no presente caso ocorreu em algumas situações:a ) quando a Receita Federal não aceitou a Manifestação de Inconformidade, recorrendo portanto o Recorrente ao Poder Judiciário; b) A Receita Federal desconsiderou jurisprudência pacífica e remansosa quanto ao prazo decadencial de dez anos para restituição, tendo a Recorrente que ingressar com Recurso Voluntário para ver seu direto reconhecido; c) mesmo sabendo que não prosperaria sua tese recorreu à Câmara Superior; d) agora também a Receita Federal insiste em não reconhecer a decadência dos créditos tributários cobrados. Da decadência Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.622 11 Assim, mais uma vez a Recorrente se vê na obrigação de se utilizar de recurso voluntário para ver resguardado um direito cristalino: o de não ter cobrado contra si créditos tributários já atingidos pela decadência. A decadência pode ser arguída sob dois prismas: Primeiro, porque em processo que se desdobra desde 1997, a Receita Federal entendeu por bem aplicar retroativamente uma legislação que foi editada em 30/03/03. Portanto não há como aplicar o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.440/96 (sic), ao presente caso, pois a compensação realizada, bem como a manifestação de inconformidade apresentada à época pela peticionária (protocolada em 20.04.2003, contra decisão que reconheceu apenas parcialmente o direito creditório) se referem a períodos anteriores ao advento da MP 135 de 30.10.03. Aplicar mudança legislativa posterior seria, na esteira da retrocitada jurisprudência, agredir o princípio da irretroatividade, bem como ao princípio da igualdade, pois quando a mudança legislativa é benéfica ao contribuinte o Fisco não admite a retroatividade, mas quando é prejudicial ao mesmo, o Fisco não pensa duas vezes em aplicála. Cita respeitável jurisprudência em socorro de sua tese. Em uma segunda perspectiva, a decadência também pode ser vislumbrada, porque nunca houve discussão da peticionaria quanto ao mérito dos débitos objeto de compensação. Os únicos débitos que a peticionária resolveu questionar são aqueles de COFINS, em razão de auto de infração, datado de junho de 2003 (PAF 10980.005998/2003 57). Quando foi proferido o primeiro Despacho decisório (fls.644649 do PAF 10980.004946/9781), do qual a contribuinte foi notificada em 25.03.03, esta somente ingressou com a Manifestação de Inconformidade contra o reconhecimento da decadência. A Peticionária não questionou o mérito do crédito, nem mesmo a utilização da UFIR de 0,8287. Portanto, mesmo que fosse possível aplicar retroativamente o º 11 do art. 74 da Lei 9430/96, o fato é que a inconformidade da peticionária seria apenas parcial; isto é apenas em relação à decadência. Ou seja, desde 25.03.03 (data que a peticionária tomou ciência do Despacho em questão fls. 649), os débitos poderiam ter sido lançados. Portanto o crédito de R$ 928.033,75 somente poderia ser compensado co o crédito de COFINS constante do (PAF 10980.005998/200357). Se a DRJ entende que não precisa ser lançado, pois o pedido de compensação já serviria de lançamento, então os débitos já poderiam ter sido executados. Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 Aqui entra em questão o problema da prescrição, que se dá em cinco anos após o lançamento definitivo (1997, com o pedido de compensação) e, portanto, já em 15.5.2002 os créditos estariam extintos porque prescritos, nos termos do art. 174 do CTN. Em uma quarta perspectiva de aplicação do prazo decadencial, decorre do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, promovida pela MP 135/03. Se a receita entende que pode aplicar imediatamente uma mudança de legislação, o mesmo critério tem que ser utilizado em favor do contribuinte. Com base em tal raciocínio, o direito da Receita Federal homologar o pedido de compensação da peticionária apresentado em 15.5.97, no valor de R$ 2.554.309,10, decaiu em 15.5.2002. Se o Despacho Decisório de reconhecimento do crédito em favor do Fisco é de 25.03.2003(fls.644649 do do PAF 10980.004946/9781), então já havia operado a decadência. Em última perspectiva, mesmo sendo possível aplicar o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, este não tem o condão de suspender o prazo decadencial, uma vez que por força da Súmula Vinculante nº 08 do STF, está pacífico que somente Lei Complementar é que tem competência para tratar do tema de prescrição e decadência em matéria tributária. O quer se quer demonstrar é que a aplicação do supracitado § 11, não impediria o dever de realizar o Lançamento de Ofício, apenas para fins de interrupção da decadência Da UFIR utilizada A Receita Federal tomou como valor de UFIR R$ 0,8287, enquanto que o valor correto da UFIR é o da data do pedido de compensação, que seria, em 15.5.97, de R$ 0,9108. Do efeito suspensivo quanto à incidência de juros e multa Há que se questionar a exigência do PISRepique, constante das fls. 762. O Acórdão DRJ agiu bem ao expurgar multa e juros, no entanto, há uma dificuldade da peticionária em compreender os critérios e a metodologia empregada pelo r. Despacho Decisório Retificador (fls. 1.032 e ss). A Receita Federal não apresenta de forma clara porque não aceitou os cálculos da peticionária. Essa presunção de que o contribuinte deve entender o que está escrito e planilhado é uma agressão ao princípio do dever de fundamentação e todas as decisões administrativas. Assim, em razão da decadência, em verdade a peticionária tem créditos e não débitos. O caso é tão peculiar que quando a Recorrente recebeu a notificação relacionada a análise das compensações e débitos, não lhe foi encaminhada o cálculo final, assim é imperioso que seja suspensa a incidência de juros e multa aos alegados valores decorrentes dos pretensos débitos, visto que caso queira a Recorrente efetuar o pagamento de eventual débito, não lhe seria possível em razão de não ter o valor determinado. Ao final requer: Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.623 13 seja o presente Recurso Voluntário aceito e provido, para que, provendose a Manifestação de Inconformidade, seja reconhecida a decadência e/ou prescrição extintiva dos créditos tributários cobrados pela Receita Federal ou, alternativamente, seja reconhecido o direito de utilizarse o cálculo com base na UFIR supracitada ou, ainda, e por fim, seja anulado o cálculo do PIS/REPIQUE, porquanto não há explicação alguma apresentada pela Receita Federal, apenas uma planilha indicando valores que não se sabe como foram alcançados. Ademais, ainda se requer que seja atribuído efeito suspensivo a cobrança de eventuais juros e multa em razão da falta de informação acerca do alegado valor devido. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 1Inicialmente, cabe realinhar a discussão quanto às questões postas na peça recursal para que se tenha delimitada a matéria objeto de apreciação por esse colegiado. Da inexistência de nulidade Preliminarmente se insurge o Recorrente em síntese, pela tramitação longa do presente processo, decorrência, segundo suas razões. de não ter a Administração Tributária, acolhido ab initio sua tese, desconhecendo inclusive jurisprudência que respaldaria sua tese, tendo recorrido ao Poder Judiciário para fazer valer o seu alegado direito, bem como por não ter perfeita cognição dos cálculos apresentados como débitos remanescentes. Embora já relatado, é importante de plano consignar que o objeto do presente processo é o pleito inicial do recorrente, pedido de compensação , fl.1.823, protocolizado em 19/05/1997, solicitando o reconhecimento de direito creditório de R$ 2.554.309,10, decorrentes de recolhimentos de contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, efetuados na forma prescrita pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, a partir de janeiro de 1990, para a compensação de débitos de contribuição para o PIS, na modalidade PIS/Repique, dos anoscalendário de 1990 a 1995, acrescido de outros pedidos de compensação conforme fls. 558 e 559 (compensação de PIS faturamento código 8109 dos períodos de apuração 03/96 a 08/97). fl. 568 (compensação de PIS Repique código 8205 que o contribuinte já havia anexado à fl. 01 do processo) e 572 (compensação de PIS Faturamento código 8109 para o período de apuração 09/97), conforme item 12 do Despacho Decisório Complementar fls.2.244/2.270, de 08/05/09. 1 A numeração citada no presente voto é a do processo digitalizado, no entanto para facilitar a identificação das processuais, quando se fizer necessário, indicarseá entre parênstese o nº do processo físico. Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 Pelo relatório do presente voto restou destacado que o Recorrente teve seu pleito analisado, conforme estabelece a competência regimental da RFB, tendo sido reconhecido ainda na unidade de origem, conforme Despacho Decisório de fls. 1.924/1.929 (649/662), anexado novamente às fls. 2.117/2.122 o direito creditório de 1.589.000,61 UFIR, equivalentes a R$ 1.316.804,81, em valores de 01/01/96. Os pagamentos efetuados até 19/05/92 não foram considerados, por entender referida autoridade que houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, cujo termo a quo foi estabelecido em relação à data do protocolização do processo (19/05/1997), a teor do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 96, de 26 de novembro de 1999. Com efeito, o Recorrente foi regularmente cientificado do referido despacho decisório, em 23/03/03, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, princípios constitucionais, corolários do devido processo legal, que assim exercidos, materializados na manifestação de inconformidade apresentada em 24/04/03, fl. 2026, foi o processo submetido ao rito do Decreto nº 70.235, de 1972, inaugurando a fase contenciosa, sendo apreciado em primeira instância administrativa pela 2ª Turma da DRJ/POA, que manteve o indeferimento quanto ao direito resistido ( pagamentos efetuados até 19/05/92) e definitivamente pela segunda instância administrativa, através do Acórdão nº 20215.928 do então Conselho de Contribuintes que em sessão de 09/11/04, afastou a decadência, determinando a inclusão dos pagamentos pleiteados para o período 10/04/90 a 19/05/92, uma vez que a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao Recurso Especial impetrado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), em 01/07/08 e posteriormente, foi negado seguimento ao recurso extraordinário interposto pela PFN. Estando seu pleito acolhido na via contenciosa administrativa, coube à Administração Tributária proceder à execução do direito proclamado no acórdão, no entanto estando sua atuação informada pelos princípios constitucionais dispostos art. 37 da CF/88, entre os quais o da legalidade, fezse mister efetuar os exames fiscais pertinentes ao caso, haja vista as prescrições do art. 3º do Decreto nº 2138, de 1997, que atribui à Secretaria da Receita Federal referidos procedimentos quando do reconhecimento de direito creditório, uma vez que tem a Administração Tributária o poderdever de cobrar um tributo devido, por ser um direito indisponível, porém somente no exato "quantum" devido. Assim tendo em vista os pedidos de compensação acrescidos ao original, abrangendo o pleito em sua totalidade vários períodos de apuração de diferentes tributos a serem analisados nesse encontro de contas, percebese que equívocos existiram e foram reconhecidos pela unidade, tanto de oficio, como por solicitação do sujeito passivo, de forma que os despachos e informações fiscais colacionados aos autos tiveram o condão de apurar a liquidez necessária dos valores, ex vi do princípio da estrita legalidade a que se submete os atos da Administração Tributária. Notese que os valores a título de créditos e débitos foram informados pelo próprio sujeito passivo, demonstrando os extratos do processo, a exemplo dos extratos e demonstrativo de compensação, fls. 2.317/2.321 (1.021/1.031), de 11/10/11, o encontro de contas efetuado, distinguindose perfeitamente ao analisálos o tributo e respectivo período de apuração, inexistindo nos extratos e demonstrativos em destaque alteração dos valores informados pelo sujeito passivo, seja a título de crédito ou de débito. Ultimado o encontro de contas, o direito creditório reconhecido no presente processo em última instância administrativa, foi insuficiente para compensar os débitos informados pelo sujeito passivo nos referidos pedidos de compensação, conforme demonstram os vários atos e termos processuais, a exemplo do Despacho Decisório Complementar/Retificador fls.2.327/2.329 (1.032/1.034), de 11/10/11, Listagem de Débitos Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.624 15 Remanescentes, fl.2.330 (1.035) e Informação Fiscal, fls. 2.428/2.436 (1.131/1.139) de 06/01/2012, com ciência do contribuinte em 11/01/12. Vejase o teor da Cartacobrança nº 671/2012, fls. 2.463/2.464, de 27/04/12, da qual o contribuinte teve ciência em 04/05/2012, conforme AR de fls. 2.465, expedida quando finalizada a operacionalização da compensação: OFÍCIO Nº 671/2012 CARTACOBRANÇA Sr.Contribuinte, Foi reconhecido direito creditório suplementar conforme despacho decisório complementar retificador e informação fiscal(fl.1131). Efetuouse a compensação de acordo com os valores deferidos. Após efetuada a compensação, restaram débitos não compensados por insuficiência de crédito conforme extrato do processo(em anexo). Assim sendo, solicitamos efetuar o recolhimento do saldo devedor em aberto, dentro do prazo de 30 dias, contados a partir desta (data da assinatura do "AR"). [...]O nãoatendimento da solicitação acima implicará na adoção das medidas cabíveis. Segue em anexo: Demonstrativo de débito; Extrato do processo (compensações efetuadas); Guia DARF. Encerrado o encontro de contas e cientificado o sujeito passivo da insuficiência do crédito reconhecido, bem como da existência de débitos remanescentes, o contencioso administrativo foi novamente restabelecido ao presente processo por força de decisão judicial, Sentença em Mandado de Segurança nº 501085618.2012.404.7000/PR, fls. 2.466/2.470, de 11/06/2012 que determinou o processamento da manifestação de inconformidade, de fls.2.440/2.441, de 24/02/2012 e por consequência e observância da referida decisão, procedeuse ao julgamento em primeira instância. Assim, resta demonstrado: a) que o processo foi analisado pelas autoridades revestidas de competência nas diversas fases processuais; b) que o interessado teve ciência dos despachos e decisões lavrados no presente processo, acompanhados dos respectivos demonstrativos da compensação e dos débitos remanescentes, comparecendo aos autos em diversas oportunidades aduzindo razões de fato e direito invocados; c) que o direito creditório reconhecido em última instância administrativa foi submetido ao encontro de contas, nos termos da legislação de regência, a partir dos valores (de débitos/créditos) informados nos pedidos de compensação protocolados pelo sujeito passivo interessado, estando os valores finais de débitos remanescentes, por insuficiência do direito Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 creditório reconhecido, demonstrados nos extratos e demonstrativos respectivos, e perfeitamente identificados com relação ao tributo, período de apuração e vencimento, portanto escorreitamente apurados; d) que força de decisão judicial, o interessado teve novamente inaugurada a via contenciosa, cujos fundamentos de sua inconformidade estão aduzidos na peça processual de fls.2.440/2.441, de 24/02/2012, objeto do provimento judicial. Ante a análise acima resta explicada a razão da longa duração processual, depreendendose também que o cerceamento de defesa alegado na peça recursal, ainda que indiretamente arguido, não pode ser acolhido, uma vez que os atos e termos processuais do presente processo submeteramse ao regramento do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), lei que rege o processo administrativo fiscal e ainda às disposições da Lei nº 9784, de 1999, lei que rege o processo administrativo no âmbito da administração direta e indireta, aplicada subsidiariamente quando inexistente disposição específica no PAF, não se vislumbrando qualquer vício no processo enquadrável no art. 59 do já referido Decreto nº 70.235de 1972, que trata das hipóteses de nulidade, entre as quais o cerceamento do direito de defesa, visto que demonstrado à saciedade a observância nos autos das diretrizes constitucionais do art. 5º, LV, da CF, de 1988. Estando afastada qualquer ilação quanto à hipótese de nulidade nos autos e constatandose que se exauriu o objeto do presente processo quanto ao direito creditório resistido, na via contenciosa, analisarseá a seguir as demais razões da peça recursal à luz da legislação de regência aplicável ao caso. Da inaplicabilidade do instituto da decadência A compensação no âmbito do direito tributário tem seu fundamento de validade no art. 170 do Código Tributário Nacional CTN, conforme a seguir transcrito: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 permitem a compensação quando há crédito do contribuinte decorrente de restituição ou ressarcimento com quaisquer tributos e contribuições, desde que administrados pela SRF: "Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.625 17 restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." O Decreto nº 2.138, de 1997 que dispõe sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, a ser efetuada pela Secretaria da Receita Federal assim disciplina a matéria: Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Art. 2° O sujeito passivo, que pleitear a restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, pode requerer que a Secretaria da Receita Federal efetue a compensação do valor do seu crédito com débito de sua responsabilidade. Art. 3° A Secretaria da Receita Federal, ao reconhecer o direito de crédito do sujeito passivo para restituição ou ressarcimento de tributo ou contribuição, mediante exames fiscais para cada caso, se verificar a existência de débito do requerente, compensará os dois valores. Parágrafo único. [...] Art. 4° Quando o montante da restituição ou do ressarcimento for superior ao do débito, a Secretaria da Receita Federal efetuará o pagamento da diferença ao sujeito passivo. Parágrafo único. Caso a quantia a ser restituída ou ressarcida seja inferior aos valores dos débitos, o correspondente crédito tributário é extinto no montante eqüivalente à compensação, cabendo à Secretaria da Receita Federal adotar as providências cabíveis para a cobrança do saldo remanescente.(gn). Art. 5° A unidade da SRF que efetuar a compensação observará o seguinte: I certificará: a) no processo de restituição ou ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o valor do saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o valor do saldo remanescente do débito; (gn). Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 18 II emitirá documento comprobatório de compensação, que indicará todos os dados relativos ao sujeito passivo e aos tributos e contribuições objeto da compensação necessários para o registro do crédito e do débito de que trata o parágrafo único do artigo 3°; III expedirá ordem bancária, na hipótese de saldo a restituir ou ressarcir, ou aviso de cobrança, no caso de saldo do débito; IV efetuará os ajustes necessários nos dados e informações dos controles internos do contribuinte. (gn). Art. 6° A compensação poderá ser efetuada de ofício, nos termos do art. 7° do DecretoLei n° 2.287, de 23 de julho de 1986, sempre que a Secretaria da Receita Federal verificar que o titular do direito à restituição ou ao ressarcimento tem débito vencido relativo a qualquer tributo ou contribuição sob sua administração. O Despacho Decisório de fls. 1.924/1.929 (649/662), com ciência em 23/03/03 anexado novamente às fls. 2.117/2.122 que reconheceu o direito creditório de 1.589.000,61 UFIR, equivalentes a R$ 1.316.804,81, em valores de 01/01/96 foi proferido sob a égide da legislação acima referida. Nesse mister restando já demonstrado que o direito creditório reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados pelo sujeito passivo nos referidos pedidos de compensação, os saldos devedores remanescentes foram cadastrados no processo nº 10980.005.929/200343, em observância às disposições do art. 5º e incisos do Decreto nº 2.138, de 1997. Notese que o crédito tributário referente ao lançamento de COFINS formalizado no PAF 10980.005998/200357 não é objeto de discussão na presente lide, como bem destacou a Informação Fiscal de fls. 2.428/2.436 (1.131/1.139), de 06/01/2012, com ciência do contribuinte em 11/01/12: " A discussão no âmbito do processo de Auto de Infração nº 10980.005998/200357 é matéria separada e a impugnação por parte do interessado teve como objetivo a suspensão da exigência dos débitos do Auto de Infração, matéria objeto do processo. Neste processo, os débitos não são o objeto principal do processo. No presente caso é o crédito pleiteado pelo interessado. Os débitos são administrados por dependência do crédito. Caso seja confirmado o crédito pleiteado e suficiente para a compensação dos débitos, os débitos serão extintos por compensação, caso contrário, os débitos serão exigidos total ou parcialmente, caso o crédito não se confirme ou então seja confirmado apenas parcialmente." Aclarese que os débitos remanescentes em atendimento à legislação vigente à época do referido despacho decisório não comportavam lançamento de ofício, uma vez que estavam declarados pelo próprio sujeito passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, [Ver DCTF, fls. 1.992/2.004 (710/722)], constituindo confissão Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.626 19 de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, nos termos do 2§ 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de Junho de 1984 c/c Instrução Normativa SRF nº 126, de 1998, posteriormente revogada pela IN SRF nº 255, de 2002. Assim, nos termos da legislação acima citada a entrega pelo contribuinte de uma Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF possui o efeito de confissão de dívida, elidindo a necessidade de constituição formal do crédito pelo fisco. A própria DCTF , por si, já constitui o crédito tributário, sendo que, após o decurso do prazo de vencimento do tributo declarado, passa este a ser imediatamente exigível. Somente na hipótese em que os citados débitos remanescentes não estivessem confessados em instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito é que haveria a necessidade de lançamento mediante Auto de Infração com a observância do prazo decadencial. Nesse sentido dispõe o Parecer PGFN/CAT/Nº 632/2011: O CTN elegeu o lançamento como via ordinária para a constituição do crédito tributário. Porém, a par desse ato administrativo, conferese à declaração o mesmo efeito, quando dela constarem o reconhecimento do débito e os dados suficientes à correspondente inscrição em dívida ativa. Nesses casos, o contribuinte informa a ocorrência do fato gerador, apura o tributo devido e reconhece formalmente o débito, não restando nada mais a fazer ao Fisco no que concerne ao lançamento. O entendimento de que essas declarações são suficientes à constituição do crédito tributário encontrase pacificado no âmbito do STJ. (STJ, Resp nº 962379/RS, rel. Min. Teori Albino Zavascki, julg. em 22/10/2008, DJ de 28/10/2008). Súmula 436/STJ. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco.1 (STJ, Súmula 436, 1ª S., j. em 14/04/2010, DJe de 13/05/2010). Com efeito, a decadência e a prescrição são institutos que regulam a extinção de direitos por decurso de prazo e que se encontram relacionados ao princípio constitucional da segurança jurídica. 2 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 20 No âmbito do Direito Tributário, podemos distinguir a decadência e a prescrição do direito da Fazenda da seguinte forma: a decadência significa a extinção do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, enquanto a prescrição extingue o direito de exigir o crédito tributário definitivamente constituído. De relevo salientar que, na hipótese de o contribuinte confessar a sua dívida, não há que se falar em decadência (em relação à parte confessada), uma vez que a declaração por parte do contribuinte constitui o crédito tributário. Assim, estando o crédito quanto aos débitos remanescentes regularmente constituído como acima explicitado, fazse mister a análise do instituto da prescrição. O prazo de prescrição da ação para a cobrança do crédito tributário e as hipóteses de interrupção do referido prazo prescricional foram estabelecidos pelo art. 174 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). O art. 174 do CTN trata da prescrição da ação para a cobrança do crédito tributário e fixa, como termo inicial da contagem do prazo prescricional, a data da constituição definitiva do crédito tributário, que se dá quando não mais cabível recurso ou após o transcurso do prazo para sua interposição na esfera administrativa. Como a manifestação de inconformidade apresentada, por força da ação judicial impetrada, reabriu o litígio na esfera administrativa e ambos (manifestação de inconformidade e recurso) têm efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, constatase que o prazo prescricional de cobrança do crédito tributário, somente tem sua contagem reiniciada na data em que a nãohomologação da compensação tornase definitiva na esfera administrativa, logo, durante o período de que a Administração dispõe para homologar ou não a compensação efetuada, não se há de falar em prescrição. Afinal, enquanto não expressar sua discordância com o encontro de contas realizado pelo sujeito passivo, resta impossível o exercício do direito de ação, pois não há crédito a ser cobrado. No caso em apreço, como demonstra a cronologia dos atos processuais há um pleito de direito creditório, plenamente acolhido na via contenciosa, em última instância administrativa, porém diante da existência de débitos confessados pelo contribuinte em DCTF, procedeuse à compensação de ofício dos débitos remanescentes nos termos da legislação de regência à época, cuja remissão legal já foi reproduzida na presente peça. Logo, desde 2003, a partir da ciência (25/03/03 data da ciência) do Despacho Decisório, e a subsequente interposição de recursos administrativos por parte da impetrante, a RFB esteve impedida de prosseguir na cobrança dos débitos, inexistindo portanto inércia da administração na cobrança dos referidos débitos remanescentes. Reiterese que os débitos remanescentes não são objeto deste processo, mas consequência da compensação de ofício implementada em face da insuficiência do direito creditório reconhecido, os quais estão sendo controlados no processo nº 10980.005.929/2003 43, em observância às disposições do art. 5º e incisos do Decreto nº 2.138, de 1997. Ante a fundamentação acima, não podem ser acolhidos os fundamentos quanto à decadência ou prescrição aduzidos na peça recursal. Efeitos do processamento da manifestação de inconformidade Cabe esclarecer que as disposições da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, DOU de 31/10/2003, não foram aplicadas ao caso, como argui ainda o Recorrente, Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.627 21 no entanto, referida MP nº 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003, DOU de 30/12/2003, alterou a Lei nº 9.430, de 1996. Referida lei que regula o procedimento da compensação, com a novel alteração, passou a prever, no § 9º do seu art. 74, a faculdade de apresentação de “manifestação de inconformidade”, com observância ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, e eficácia suspensiva nos termos do art. 151, III, do CTN. Conforme já aduzido no presente voto, a Sentença em Mandado de Segurança nº 501085618.2012.404.7000/PR, fls. 2.466/2.470, de 11/06/2012 determinou o processamento da manifestação de inconformidade, de fls.2.440/2.441, de 24/02/2012, cujos efeitos atendem ao preceito do art. 151, III, do CTN, sendo apta, pois, a suspender a exigibilidade do crédito tributário, que no presente caso se efetiva com a suspensão dos atos executórios quanto aos débitos remanescentes declarados em DCTF. Inferese portanto que a legislação foi corretamente aplicada nas diferentes fases processuais já mencionadas, sendo incabível também a homologação tácita invocada, visto que esta advém das prescrições do § 5º da Lei nº 9.430, de 1996, alterada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, DOU de 30/12/2003, hipótese não aplicável ao caso uma vez que não havia pendência de apreciação, já que o Despacho Decisório de fls. 1.924/1.929 (649/662), que apreciou originalmente o direito creditório pleiteado teve a ciência do interessado em 23/03/03. Nesse mister, apropriadamente fundamentou a r. decisão de primeira instância: Primeiro, a chamada homologação tácita foi introduzida pela Lei 10.833/03, que deu nova redação ao § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, com efeitos a partir de 01/01/97. Essa legislação, de fato, poderia ser aplicável às compensações protocoladas antes de sua vigência, mediante a aplicação do § 4º da mesma Lei que determinou que os pedidos pendentes de apreciação serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo. Ora, o pedido em questão já havia sido apreciado quando publicada a Lei. Conforme consta do corpo do ato e confirma a própria empresa em sua manifestação, a decisão foi cientificada em 25/03/2003. Depois, após correções de débitos, juntada de pedidos em outros processos e realização de todos os procedimento de compensação, foi novamente a empresa cientificada em 24/06/2003 (fl. 2.059). Já havia, inclusive, apresentado recurso, tendo sido apreciado pela DRJ/CTA em sessão de 22/10/2003 (embora só cientificado em 2004). A homologação tácita não poderia ser aplicada aos pedidos já apreciados quando da edição da lei que a instituiu. Segundo, a homologação referese a cada compensação realizada, que extingue o crédito tributários sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação transformaramse em declarações de compensação por força da alteração da redação do art. 74 da Lei 9.430/96 promovido pela Lei 10.637/02. Na manifestação, a empresa cita o pedido de 15/05/97. Porém, neste pedido inicial, constam apenas os débitos de PISRepique. Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 22 Para estes, o caso nem seria propriamente de compensação a pedido, uma vez que o abatimento de tais débitos é reflexo inclusive da determinação judicial, que declarou a inconstitucionalidade dos já referidos DecretosLeis, mantendo a sistemática da Lei Complementar 07/70. Como será visto no item posterior, isto é, inclusive, um dos argumentos para alegar inexistência de multa e juros no caso da compensação destes débitos. Após, foram entregues diversos pedido de compensação e retificados outros. De qualquer modo, aqui interessa apenas a data da compensação dos débitos em cobrança. Isso porque a homologação tácita impede alteração ou invalidação do encontro de contas promovido pela empresa, mas nunca liberação de crédito aproveitado. Tal procedimento implicaria dispor dos recursos públicos sem causa, duplicando o uso do indébito existente. Na utilização do crédito nos débitos compensados, não há diferença se ela foi expressa ou tácita. Já no caso dos débitos com compensação não homologada, objeto do questionamento, não ocorreu o transcurso do prazo de cinco anos entre a declaração de compensação e o pedido. Tal conclusão pode ser obtida apenas considerando os períodos dos débitos. Vejase que os débitos mais antigos cobrados, de maio ou junho de 1999, só poderiam ser compensados a partir do mês do fato gerador, quando apurados. Portanto, em março de 2003 não havia transcorrido cinco anos. Com efeito, o pedido/declaração de compensação referente ao mês 05/99 foi entregue em 28/06/99 (fl. 1.957).(grifos do original). Da correta aplicação da UFIR Com relação ao valor da UFIR, com acerto decidiu a decisão de primeira instância, reproduzindose na íntegra a fundamentação respectiva: Quanto à conversão da UFIR, temse como correta a aplicação da conversão pela Ufir de 0,8287. O crédito convertido em reais passou a ser acrescido de selic a partir daí. Assim dispunha já a IN SRF 210/2002: “Art. 39. Os valores sujeitos a restituição, apurados em declaração de rendimentos, bem assim os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, passíveis de compensação ou restituição, apurados anteriormente a 1 o de janeiro de 1996, quantificados em Unidade Fiscal de Referência (Ufir), deverão ser convertidos em Reais, com base no valor da Ufir vigente em 1 o de janeiro de 1996, correspondente a R$ 0,8287. § 1º O valor resultante da conversão referida no caput constituirá a base de cálculo dos juros de que trata o art. 38. (...)” Ressaltese ainda que o próprio Recorrente afirma estar correta a UFIR utiliza, discordando porém quanto à legalidade do ato normativo: Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.628 23 É verdade que, desde a IN 22/96, a Receita Federal entende que o valor da UFIR a ser tomado para efeitos de compensação é de R$ 0,8287. Todavia, tal regramento é ilegal e desproporcional. Isto porque, a UFIR correta a ser considerada é a da data do pedido de compensação, que, no presente caso, era de R$ 0,9108. Ante os fundamentos acima expendidos inferese que o direito creditório pleiteado, foi plenamente acolhido na via contenciosa, em última instância, insurgindose a Recorrente quanto aos cálculos para execução do acórdão, no entanto resta sobejamente demonstrado nos autos pelos vários extratos do processo acima referenciados a existência de saldo remanescentes de débitos confessados pelo contribuinte em DCTF, débitos estes não controlados neste processo. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000211/2003-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 31/01/1998 a 31/03/1998, 01/06/1998 a
30/06/1998, 30/09/1998 a 31/12/1998, 28/02/1999 a 31/05/1999,
01/07/1999 a 31/07/1999, 01/10/1999 a 31/10/1999, 31/12/1999 a
31/03/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA SUA LAVRATURA. SÚMULA N° 5.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para
proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe
sendo exigida a habilitação profissional do contador.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Afasta-se a prejudicial de nulidade quando a argumentação da
ocorrência da nulidade se mostra totalmente desassociada da
realidade processual.
COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. DEZ ANOS. LEI Nº 8.212/91
O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de
dez anos, consoante o art. 45 da Lei n°8.212/91.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N°1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo
sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade
processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o
mesmo objeto do processo administrativo. No caso, a Recorrente
aguarda desfecho de ação judicial tratando do alargamento da CONFERE COM O ORIGINAL base de cálculo e do aumento da alíquota.
TAXA SELIC. SÚMULA N° 3.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com
a União decorrentes de tributos e contribuições administrados
pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic
para títulos federais.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/01/1998 a 31/03/1998, 01/06/1998 a
30/06/1998, 30/09/1998 a 31/12/1998, 28/02/1999 a 31/05/1999,
31/07/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 31/10/1999, 31/12/1999 a
28/02/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA SUA LAVRATURA. SÚMULA N° 5.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para
proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe
sendo exigida a habilitação profissional do contador.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Afasta-se a prejudicial de nulidade quando a argumentação da
ocorrência da nulidade se mostra totalmente desassociada da
realidade processual.
PIS/Pasep DECADÊNCIA. PRAZO. DEZ ANOS. LEI Nº 8.212/91. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de dez anos, consoante o art. 45 da Lei n°8.212/91.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N°2
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
TAXA SELIC. SÚMULA N°3
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com
a União decorrentes de tributos e contribuições administrados
pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic
para títulos federais.
MULTA DE OFICIO. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONAL IDADE.
O pedido de cancelamento da multa de oficio ou de sua redução,
por supostamente ter caráter confiscatório, não pode ser
conhecido no âmbito administrativo, tendo em vista que o exame
da constitucionalidade da norma transborda a competência dos
Conselhos de Contribuintes. Ademais, existem dispositivos legais
vigentes que permitem a exigência da multa de oficio a 75%
Recurso negado
Numero da decisão: 203-12.804
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto às alegações acerca da Cofins, tendo em vista a opção pela via judicial. Na parte conhecida, em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, afastou-se as prejudiciais de nulidade; b) pelo voto de qualidade, negou-se provimento, quanto à decadência. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda que reconheciam a decadência; c) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à tese do - PIS. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça,Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda; d) por unanimidade, negou-se o pleito, o a não aplicação da SELIC; e e) por unanimidade, negou-se provimento ao recurso quanto à multa de ofício incidente sobre o PIS/Pasep.
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 31/01/1998 a 31/03/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 30/09/1998 a 31/12/1998, 28/02/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/07/1999, 01/10/1999 a 31/10/1999, 31/12/1999 a 31/03/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA SUA LAVRATURA. SÚMULA N° 5. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional do contador. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Afasta-se a prejudicial de nulidade quando a argumentação da ocorrência da nulidade se mostra totalmente desassociada da realidade processual. COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. DEZ ANOS. LEI 1‘12 8.212/91. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de dez anos, consoante o art. 45 da Lei n°8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N°1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. No caso, a Reco nte MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINI I aguarda desfecho de ação judicial tratando do alargamen4 da CONFERE COM O ORIGINAL base de cálculo e do aumento da aliquota. Brasília. h3 0 5 /--°—g-4 Matilde Cur‘ OIketra MM. Sim 91650 . Processo n• 13819.000211/2003-21 . CCOVCO3 . Acórdão a. 203-12.504 Fls. 417 TAXA SELIC. SÚMULA N° 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1998 a 31/03/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 30/09/1998 a 31/12/1998, 28/02/1999 a 31/05/1999, 31/07/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 31/10/1999, 31/12/1999 a 28/02/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA SUA LAVRATURA. SÚMULA N° 5. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional do contador. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Afasta-se a prejudicial de nulidade quando a argumentação da ocorrência da nulidade se mostra totalmente desassociada da realidade processual. PIS/Pasep DECADÊNCIA. PRAZO. DEZ ANOS. LEI 10 8.212/91. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de dez anos, consoante o art. 45 da Lei n°8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N°2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. TAXA SELIC. SÚMULA N°3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. MULTA DE OFICIO. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONAL IDADE. O pedido de cancelamento da multa de oficio ou de sua redução, por supostamente ter caráter confiscatório, não pode ser conhecido no âmbito administrativo, tendo em vista que o exame da constitucionalidade da norma transborda a competência dos ----------------rn j7rMF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRI ES Conselhos de Contribuintes. Ademais, existem dispositivos legais CONFERE COM O ORIGINAL n\ Bresnia,_13---.1-1:25-1_ Matilde sino do °Mira vigentes que permitem a exigência da multa de oficio a 75%. 2 Mat. Sane 91650 Processo e 13819.000211/2003-21 CCO2/CO3 . Acórdão n.° 203-12.804 Fls. 418 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto às alegações acerca da Cofins, tendo em vista a opção pela via judicial. Na parte conhecida, em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, afastou-se as prejudiciais de nulidade; b) pelo voto de qualidade, negou-se provimento, quanto à decadência. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda que reconheciam a decadência; c) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à tese do - PIS. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, _ Fernando Marques Cle 4 Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda; d) por unanimidade, negou-se o pleito • , .. o a não aplicação da SELIC; e e) por unanimidade, negou-se provimento ao rec iy,:uant e - -dy. • - se oficio inc . e - e sobre o PIS/Pasep. , 1 ., 4r, , ./ #„, A' ' -.. 't ‘ 4, • EDO ROSE :URG FILHO Presidente ODASSI GUERZONI F HO R - .tor Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e José Adão Vitorino de Morais. ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORlCiNAL Brasília •'• / 0 C / £92 -atMatilde C eno de Oliveira Ma Siape 91650 3 - _ Processo n° 13819.000211/2003-21 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.804 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES FIs. 419 CONFERE COM O ORIGINAL &adia, isa_c_ai_ • Martde Cur o de ra Mat. Slave 91850:9[ Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração cientificados ao contribuinte em 23/01/2003 relativos, o primeiro, à Cofins dos períodos de apuração de janeiro a março, junho, setembro a dezembro de 1998, fevereiro a maio, julho e outubro de 1999, e dezembro de 1999 a março de 2000. O segundo, ao PIS/Pasep dos períodos de apuração de janeiro a março, junho, setembro a dezembro de 1998, fevereiro a maio, julho, agosto e outubro de 1999 e dezembro de 1999 a fevereiro de 2002. Seus valores montam, respectivamente, a R$ 7.275,58 e 4.548,19, em ambos incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%. Segundo se depreende dos dois termos de Verificação e Constatação Fiscal lavrados pelo Fisco, respectivamente, às fls. 69/76 e 250/255, as autuações decorreram de diferenças encontradas entre o valor devido e o valor efetivamente pago. Na Impugnação ao auto da Cofins (fls. 80/108) a contribuinte suscitou a nulidade do procedimento pelo fato de ter sido o mesmo lavrado por pessoa incompetente, no caso, pela falta do registro do servidor autuante junto ao Conselho Regional de Contabilidade. Suscitou também a decadência para os períodos de apuração de janeiro a março de 1998, em face de ter transcorrido o prazo de cinco anos contido no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. No mérito das diferenças lançadas pelo Fisco, invoca a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que trouxe o alargamento da base de cálculo da contribuição, para afirmar que as mesmas não procedem. Aduz ainda que, em 27/09/1999, impetrou Mandado de Segurança (Processo n° 1999.6114005431-2) objetivando a suspensão dos recolhimentos da Cofins e do PIS/Pasep (sic) nos moldes da Lei n° 9.718/98, fazendo-o nos moldes da Lei Complementar n° 70/91, inclusive sob a aliquota de 2%, bem como de proceder ao aproveitamento dos valores recolhidos a maior para fins de compensação com tributos administrados pela SRF. Na verdade, não consta da petição inicial que o PIS/Pasep também tenha sido objeto da ação. Por fim, questionou a incidência da taxa Selic e da multa de oficio de 75%, a qual considera confiscatória. Na Impugnação do auto do PIS/Pasep (fls. 259/290) os argumentos foram repetidos, exclusive na parte que versa sobre a interposição de ação judicial. Em uma só decisão a DRJ tratou de ambas as impugnações e manteve parcialmente o lançamento, afastando a incidência da multa de oficio sobre as exigências da Cotins referentes aos períodos posteriores a janeiro de 1999, visto que a exigibilidade do crédito se encontrava suspensa por conta da sentença de primeiro grau favorável à contribuinte No Recurso Voluntário a autuada alega ter havido afronta ao princípio contraditório e da ampla defesa, verbis, "uma vez que houve óbice à efetiva contraposição d contribuinte". Ressalta que a presente matéria ainda se encontra sztb jztdice em face de Recurski Extraordinário interposto contra reforma parcial da decisão que obtivera em primeiro grau. 4 Processo e 13819.000211/2003-21 CCO2/CO3 Acórdão 203-12.804 Fls. 420 Aduz ainda que o STF, quando do julgamento dos RE !fs. 357.950, 390.840 e 358.273, decidiu, por maioria de votos, pela inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, fato este que estaria a respaldar os procedimentos da Recorrente. Especificamente em relação ao PIS/Pasep, visto que não abrigada pela ação judicial acima referenciada, alega a inconstitucionalidade da MP 1.724/98 e da Lei n°9.718/98, na parte que trata do alargamento da base de cálculo. Por fim, repete as argumentações contra a incidência da taxa Selic e da multa de oficio de 75%. É o Relatório. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRiBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília / 02 Manada Cu no ee Oliveira Mat. Siape 91650 • Processo n° 13819.000211/2003-21 afaMF-SwEeljaHUNOrCEORNES:225.LHOLislroDoERCIGOI:N4ATRLI;INTE3 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.804 Fls. 421 Matilde Curime oriv Mal Sion/ 91650 el Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificado da decisão da DRJ em 08/11/2006, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 08/12/2006. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. A primeira nulidade suscitada pela Recorrente - falta de registro no CRC do fiscal autuante - não merece guarida a teor, inclusive, da Súmula n° 5, aprovada na Sessão - Plenária de 18/09/2007, e publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28, nos seguintes termos, verbis: SÚMULA N" 5 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. A segunda, suscitada em sede de recurso voluntário - ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa - não merece melhor sorte, visto que completamente desassociada da realidade processual, que trouxe com clareza todos os detalhes e motivações da autuação, na se justificando a alegação de obstaculização da defesa. No que se refere à decadência dos períodos de apuração de janeiro a março de 1998, entendo que a mesma não ocorreu; tanto para o PIS/Pasep quanto para a Cofins, por duas razões: a primeira, em face de que o dispositivo a ser aplicado para ambas as autuações é o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que estabelece ser de dez, e não de cinco, o prazo para a constituição de crédito tributário relacionado ao PIS/Pasep e à Cofins. E a segunda, mais singela, que fosse o caso de ser aplicado o § 4° do artigo 150 do CTN, que estabelece o prazo de cinco anos contados do fato gerador, ainda assim os períodos questionados pela Recorrente não teriam sido atingidos, já que a ciência do auto de infração se deu em 23/01/2003. Assim, para o mês de janeiro, que é o período mais antigo, o prazo da Administração seria, ad argumentandum, 31/01/2003, visto que é sempre no último dia do mês que se dá a ocorrência do fato gerador. Portanto, fosse o caso, repito, de se admitir o prazo de cinco anos, ainda assim a decadência não teria ocorrido para o período de janeiro de 1998. No que se refere à parte do Recurso Voluntário que trata das diferenças da Cofins constituídas de oficio em face do alargamento da base de cálculo e da aliquota a ser aplicada, esta não merece ser conhecida. Ocorreu que, antes mesmo da lavratura do presente auto de infração, a autuada ingressara em juízo visando obter o reconhecimento do direito de efetuar os recolhimentos da Cofins sob a égide da Lei Complementar n° 70/91 e não da Lei n° 9.718/98, ou seja, sem sofrer os efeitos do alargamento da base de cálculo e o aumento da alíquota, de 2% para 3%, e tal ação ainda se encontra pendente de solução, haja vista a interposição de Recurso Extraordinário. Tal fato, indubitavelmente, caracteriza a concomitância de objeto, e a teor da Súmula n° 1, aprovada na Sessão Plenária do Segtffido Conselho de Contribuintes em 18/09/2007, publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, -g. 28, verbis, "importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo suj 'to 6 Processo n° 13819.00021i /2003-21 CCO2/CO3 Acórdão n.• 203-12.804 Fls. 422 passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo". Voto, portanto, por não conhecer do recurso voluntário na parte que trata das diferenças da Cofins constituídas de oficio. Em relação às diferenças do PIS/Pasep constituídas de oficio em face do alargamento da base de cálculo, ocorreu que a Recorrente se defendeu da autuação invocando a inconstitucionalidade de dispositivos da Lei n°9.718/98. O mesmo se deu em relação à aplicação da multa de oficio de 75% sobre os valores do PIS/Pasep — lembre-se, aqui, que a instância de piso exonerara a multa de oficio sobre a Cofins -, ou seja, considerou seu percentual uma ofensa ao princípio do não confisco. Não obstante as divergências de entendimento, entendo que os julgados do STF que trataram do alargamento da base de cálculo trazido pelo § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, não devem ser aplicados para o presente caso haja vista a ausência dos efeitos erga omnes. Para a multa de oficio sobre o PIS/Pasep de 75%, entendo deva ser aplicável a Súmula n° 2, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007, e publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28, verbis, "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". A incidência da taxa Selic sobre o valor da exigência também é outra matéria que restou pacificada neste Segundo Conselho, com a edição da Súmula n° 3, que dispõe: "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais". Pelo exposto, não conheço do recurso na parte em que constatada a concomitância de objeto, e, na parte conhecida, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em O de abril d2008 (3rk;L: j„,___, DASSI GUERZONI FIL O 1 ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brastria,_aa .2 7)S- t____alL -StMatilde Curei de 011velra Mat. Sane 91650 7 Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10825.720819/2012-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO DE DIGITAÇÃO.
Verificado no acórdão embargado a existência de erro de digitação no dispositivo, cabe a retificação deste, sem modificação quanto ao resultado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-004.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os inominados os embargos para fins de que o dispositivo do referido acórdão passe a ter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$13.666,66, R$4.500,00 e R$19.179,49, relativos, respectivamente, aos meses de abril, maio e setembro do ano-calendário 2008, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ERRO DE DIGITAÇÃO. Verificado no acórdão embargado a existência de erro de digitação no dispositivo, cabe a retificação deste, sem modificação quanto ao resultado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os inominados os embargos para fins de que o dispositivo do referido acórdão passe a ter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$13.666,66, R$4.500,00 e R$19.179,49, relativos, respectivamente, aos meses de abril, maio e setembro do anocalendário 2008, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 08 19 /2 01 2- 99 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de alegação de inexatidão material formulada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Bauru/SP mediante Informação Fiscal datada de 14/9/2015 (fls. 740/741), nos seguintes termos: 1. De acordo com despacho de fls. 738, foi constatada divergência de valor exonerado nas partes do Acórdão nº 2802003.344 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acostado às fls. 711 a 723 deste processo. 1.1. No voto deste Acórdão, às fls. 717, quando decidiu sobre os honorários (rendimentos) percebidos de Valter Mariotto, externou: “... cancelar a omissão no valor de R$ 13.666,66, pertinente ao mês de abril de 2008”. 1.2. No resumo do acórdão, no penúltimo parágrafo às fls. 721, consignou: “Em suma, e recapitulando, devem ser excluídos da infração de omissão de rendimentos recebidos da pessoa física R$ 13.666,66 pagos por Valter Mariotto em abril/2008 ...” 1.3. Entretanto, no dispositivo do Acórdão, no último parágrafo às fls. 721, determinou: “... voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$ 13.166,66 ... relativos, respectivamente, aos meses ... abril ... do ano calendário 2008”. 1.4. Há, aparentemente, um erro de digitação no algarismo que representa a centena do valor, justamente na parte do dispositivo do acórdão; em conflito com a fundamentação do voto (fls. 717) e com o resumo feito (penúltimo parágrafo às fls. 721) que parecem estar corretos. 2. Considerando que o provável erro se deu na parte dispositiva (imperativa) do Acórdão, entendo que, por forma própria, essa dúvida deve ser extirpada com pronunciamento do órgão emitente. 3. Ao Sr. Supervisor, sugerindo a remessa ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para saneamento da dúvida com trânsito pela Agência da Receita Federal em Botucatu (unidade de controle). A alegação formulada pela DRF/Bauru/SP foi recebida como Embargos Inominados para correção do supra evidenciado erro de redação, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF (Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), conforme despacho datado de 12/11/2015, sendo então enviada a este relator para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Fl. 749DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10825.720819/201299 Acórdão n.º 2402004.813 S2C4T2 Fl. 749 3 Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. De fato, pode ser constatado da leitura dos autos que o valor em evidência, R$ 13.666,66, corresponde exatamente ao constante no documento de fl. 696, excluído, consoante fundamentação do aresto, da infração de omissão de rendimentos apurada pela fiscalização. Houve, como sugerido pela Delegacia de origem, provável erro de digitação quando da redação do dispositivo decisório. Por conseguinte, verificase inexatidão material na redação do Acórdão de Recurso Voluntário em questão, a qual deve ser corrigida por meio da prolação de um novo acórdão, de modo que conste no dispositivo do Acórdão nº 2802003.344, no lugar de "R$ 13.166,66", o valor de "R$ 13.666,66". Sendo assim, e para que reste claro o alcance do julgado em evidência, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS INOMINADOS, para fins de que o dispositivo do referido acórdão passe a ter a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$ 13.666,66, R$ 4.500,00 e R$ 19.179,49, relativos, respectivamente, aos meses de abril, maio e setembro do ano calendário 2008, nos termos do voto do relator. É o voto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 750DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10803.720084/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO,
FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do
prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF no
72)
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PROVA LÍCITA. DOCUMENTAÇÃO ENCAMINHADA À
FISCALIZAÇÃO POR ORDEM JUDICIAL.
A documentação encaminhada ao Fisco com respaldo em decisão judicial
constitui prova licita utilizada para fins de instrução de processo
administrativo tributário.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO
COMERCIAL OU LIVRO DIÁRIO.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração contenha
deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva
movimentação financeira ou para determinar o lucro real, assim como o
contribuinte, optante pelo regime de tributação com base no Lucro
Presumido, que não mantenha escrituração regular e cujo Livro Caixa não
reproduza com fidedignidade a sua movimentação bancária.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou
de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação
hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação
de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação
tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer
justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e
implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n.
4.502/64.
Numero da decisão: 1102-001.321
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do
recurso voluntário para: (a) acolher em parte a preliminar de decadência em relação aos fatos
geradores ocorridos até 30.11.2006; (b) rejeitar a preliminar de nulidade e (c) no mérito, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF no 72) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 PROVA LÍCITA. DOCUMENTAÇÃO ENCAMINHADA À FISCALIZAÇÃO POR ORDEM JUDICIAL. A documentação encaminhada ao Fisco com respaldo em decisão judicial constitui prova licita utilizada para fins de instrução de processo administrativo tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL OU LIVRO DIÁRIO. Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração contenha deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou para determinar o lucro real, assim como o contribuinte, optante pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido, que não mantenha escrituração regular e cujo Livro Caixa não reproduza com fidedignidade a sua movimentação bancária. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 08 03 .7 20 08 4/ 20 11 -7 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária março de 2015 março de 2015 Matéria: IRPJ e reflexos - depósitos bancários de origem não comprovada - Matéria: IRPJ e reflexos - depósitos bancários de origem não comprovada - arbitramento - multa qualificada arbitramento - multa qualificada MARNANGLO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA MARNANGLO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Fl. 4386DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 3 2 contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para: (a) acolher em parte a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30.11.2006; (b) rejeitar a preliminar de nulidade e (c) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Terceira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo (SP) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 IRPJ. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA Apura-se o IRPJ, pelos critérios do lucro arbitrado, quando a escrita a que estiver obrigado o contribuinte apresenta vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive a bancaria, ou determinar o lucro real. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária Fl. 4387DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 4 3 determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal de omissão de receita inverte o ônus da prova, incumbindo ao autuado elidir de forma cabal a acusação fiscal. CSLL. PIS. COFINS. RECEITA OMITIDA. BASE DE CÁLCULO. O valor da receita omitida é considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento das contribuições CSLL, COFINS e PIS. DECADÊNCIA. A ausência de pagamentos sobre os fatos jurídicos de que trata o lançamento e/ou a presença de dolo, com o fim de suprimir/reduzir o pagamento de tributos, sabidamente devidos, ensejam a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 173, I, do CTN. O lançamento de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes do prazo de cinco anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido realizado, implica a extinção dos correspondentes créditos. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. PARCELAMENTO. DATA ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO. As importâncias declaradas em DCTF e/ou parceladas, antes do início do procedimento fiscal, devem ser excluídas dos lançamentos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. As ações e omissões dolosas visando à supressão/redução de tributos e contribuições sabidamente devidos ensejam a aplicação da multa de ofício qualificada PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. INDEFERIMENTO. A Impugnante deve demonstrar as razões que justifiquem o pedido de diligência, não se configurando como tal alegações de cunho genérico que visem ao reexame de documentação analisada no curso do procedimento fiscal. SUSTENTAÇÃO ORAL. APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS IMPOSSIBILIDADE EM PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. A sustentação oral das razões de defesa, com a apresentação de memoriais, não está prevista nas normas que regem o julgamento em primeira instância administrativa, motivo pelo qual o pedido deve ser indeferido O momento adequado para a produção de provas dá-se dentro do prazo de impugnação, exceção feita às hipóteses previstas nas normas que regem o contencioso administrativo fiscal, as quais devem ser demonstradas pela Impugnante. Impugnação Procedente em Parte Fl. 4388DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 5 4 Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “1. Trata-se de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, formalizados com base nos mesmos elementos de prova e referentes aos anos- calendário 2005 (3º e 4º trimestres), 2006 e 2007. 1.1. Os lucros foram arbitrados sob o fundamento de que a escrituração da Autuada mostrou-se imprestável para apuração do lucro presumido (anos- calendário 2005 e 2006) e do lucro real (ano-calendário de 2007), nos termos do art. 530, II, do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99. 1.2. A receita bruta, de R$ 7.384.542,47, foi apurada com base nos valores depositados em instituições financeiras (art. 42 da Lei 9.430/96), sendo composta por: a) Depósitos cuja origem não foi comprovada; b) Depósitos Associados à Atividade de Hospedagem; c) Depósitos Associados a Contratos de Mútuo e d) Serviços Prestados à BRASTEC (Rally Aéreo), conforme demonstrativo abaixo: 1.3. O lucro arbitrado (art.532 do RIR/1999) de cada ano-calendário foi obtido pela aplicação do percentual de 32% (art. 518 c/c art.519, §1º, III, “a”, ambos do RIR/1999Atividade de Prestação de Serviços em Geral), acrescido de vinte por Fl. 4389DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 6 5 cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I), sobre a Receita Bruta apurada em cada trimestre. 1.4. As bases de cálculo da CSLL foram apuradas pela aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta apurada em cada trimestre, nos termos do art. 29 da Lei 9.430/96 c/c 24,§ 2º, da Lei 9.249/95. 1.5. As bases de cálculo das contribuições PIS e COFINS correspondem à receita bruta apurada em cada mês (art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95). 1.6. Relata a Fiscalização que as operações bancárias foram devidamente conciliadas, excluindo-se créditos inferiores a R$ 300,00, devoluções de cheques, baixas automáticas da conta poupança e resgates de investimentos. O número de operações consta do quadro abaixo: 1.7. Nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96, a Fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas correntes (Banco Bradesco, Banco Itaú e UNIBANCO). O resultado do exame individualizado das alegações, justificativas e documentos que ela apresentou, bem como dos históricos discriminados nos extratos bancários, encontra-se sintetizado no quadro abaixo: 1.8. A multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) foi duplicada, perfazendo 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 11.488/02, uma vez que foi constatado que a Fiscalizada agiu com dolo ao suprimir/reduzir os tributos e contribuições de que tratam os Autos de Infração. 1.9. Os créditos constituídos importam no total consolidado de R$ 3.374.903,03 (três milhões, trezentos e setenta e quatro mil, novecentos e três reais e três centavos) e têm a seguinte composição: IRPJ 651.075,99 Juros de Mora 308.320,69 Multa 976.613,96 Valor do Crédito Apurado 1.936.010,64 PIS 47.999,42 Juros de Mora 23.456,79 Fl. 4390DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 7 6 Multa 71.999,05 Valor do Crédito Apurado 143.455,26 CSLL 212.674,79 Juros de Mora 101.647,05 Multa 319.012,17 Valor do Crédito Apurado 633.334,01 COFINS 221.536,17 Juros de Mora 108.262,74 Multa 332.304,21 Valor do Crédito Apurado 662.103,12 1.10. O relatório elaborado pela Fiscalização, TVF-Termo de Verificação de Infração (fls. 3.760/3.887), foi subdividido em partes e é integrado por planilhas (3.888/3.914), conforme descrição abaixo: TVF: Parte 1 - Introdução Parte 2 – A Empresa Parte 3 – Declaração de IRPJ Parte 4 – Procedimento Fiscal Parte 5 – Origens dos Depósitos/Créditos Parte 6 – Atividade Econômica Parte 7 – Aplicações de Recursos Parte 8 – Arbitramento do Lucro Parte – Termo de Constatação, Manifestação e Análise Parte 10 – Apuração da Base de Cálculo Parte 11 – Síntese e Conclusões Anexos: Planilha 1 Depósitos cuja origem não foi comprovada Planilha 2 Depósitos associados à atividade de hospedagem Planilha 3 Depósitos associados a supostos contratos de mútuos Fl. 4391DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 8 7 Planilha 4 Depósitos referentes a serviços prestados a BRASTEC (RALLY AÉREO) 1.11. A fim de complementar o ora relatado, passa-se a descrever sinteticamente as análises e conclusões feitas pela Fiscalização em cada parte do TVF. Parte 1 Introdução 1.11.1. A ação fiscal iniciou-se em 03/03/2010, com a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal, e teve como foco a análise da relação entre a movimentação financeira e os rendimentos declarados nas DIPJ, que, nos anos- calendário 2005, 2006 e 2007, atingiu, respectivamente, os índices 2,1, 1,6 e 3,2. 1.11.2. Regularmente intimada, a Autuada apresentou sucessivos pedidos de prorrogações de prazo e suas respostas, na maioria das vezes, foram inconclusivas, com o conseqüente decurso de prazo. Apesar disso foram reunidas informações, tais como, Livro Caixa (AC 2005 e 2006), Livro Razão e Diário (AC 2007), comprovações e alegações relativas às origens dos depósitos/créditos nas contas bancárias (contratos de mútuo, recibos e notas fiscais das aplicações dos recursos) e demais esclarecimentos e documentos. 1.11.3. Em 25/11/2011, foi obtida autorização judicial para acesso e utilização do conteúdo das interceptações telefônicas e telemáticas da OPERAÇÃO PERSONA, pertinentes ao contribuinte MARNANGLO, bem como a utilização do teor de documentos apreendidos em Mandados de Busca e Apreensão nos domicílios de: WALDOMIRO ALVES ROSA (Código SP28); ERNÂNI BERTINO MACIEL (Código SP05); BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA (Código SP33) e FULL SERVICEVIRTUAL OFFICE (Código SP34). 1.11.4. Ficou caracterizado o elo existente entre a MARNANGLO, empresa patrimonial prestadora de serviços com sede inicialmente em Alphaville, Santana do Parnaíba/SP (no curso da ação fiscal alterou seu endereço para o município de Vassouras/RJ, adjacente ao município de Barra do Piraí/RJ) e a FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA ME, CNPJ 02.544.560/000132, com sede na Barra do Piraí/RJ. Estas empresas, juntamente com OLINDA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 86.815.420/000141 e BARRA DO PIRAÍ PROMOÇÕES E EVENTOS LTDA, CNPJ 04.349.875/000154, são gerenciadas e controladas pelo proprietário de fato, ERNÂNI BERTINO MACIEL, CPF 239.033.84704. 1.11.5. Afirma a Fiscalização que: “Através da vinculação da diversidade de informações, fatos e documentos coletados foi efetuado Arbitramento do Lucro, em face da escrituração mantida pelo contribuinte ser imprestável para determinação do Lucro Presumido nos AC 2005 e 2006, e do Lucro Real, no AC 2007, cuja análise detalhada foi efetuada ao longo deste Relatório”. 1.11.6. Às fl. 1160, encontra-se a Relação de Documentos utilizados na ação fiscal, consistindo de livros fiscais, comprovantes de despesas, documentos apreendidos na OPERAÇÃO PERSONA e telas de CNPJ. Parte 2 – A Empresa 1.11.7. Nesse tópico, a Fiscalização examina atos constitutivos e alterações, assim como dados cadastrais disponíveis na RFB, com a finalidade de demonstrar que Ernani Bertino Maciel era quem controlava, de fato, as empresas Fl. 4392DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 9 8 MARNANGLO, FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA e OLINDA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. 1.11.8. A MARNANGLO foi constituída, em 28/11/2001, tendo por objeto social a “Prestação de Serviços de Assessoria Comercial, Assessoria em Informática e Participações em outras empresas”, com sede em Alphaville, Santana do Parnaíba- SP e foi cadastrada na RFB com o código CNAE nº 7020400 (Atividades em Gestão Empresarial, exceto em Consultoria Técnica Específica). 1.11.9. Fundaram a MARNANGLO, MARIA SELMY BOMTEMPO DE LIMA (participação de 1%) e HUNTINGTON VENTURES LIMITED (99%), empresa estabelecida nas Ilhas Virgens Britânicas. 1.11.10. Em 19/07/2004, após aumento do capital em 2003, passaram a constar como únicos integrantes do quadro societário, OLINDA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (171.340 quotas) e MARTA SANTOS BERTINO MACIEL (10 quotas). 1.11.11. Em 22/08/2008, foi criada uma filial da MARNANGLO, situada na Estrada Fazenda Ribeirão de Ubá, 1.555, Bairro Minuano, Barra do Piraí/RJ, tendo por objeto social a atividade de “Assessoria e Administração em Hotelaria” e códigos CNAE: 9609299 (Outras atividades de serviços pessoais não especificados anteriormente) e 8211300 (Serviços combinados de escritório e apoio administrativo). 1.11.12. Destaca a Fiscalização que o estabelecimento filial tem o mesmo domicílio fiscal da FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA e que a alteração do contrato social foi assinada pelas testemunhas Antonio Amadeu Ferreira (Procurador da Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer Ltda) e Waldomiro Alves Rosa (sócio da Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer Ltda). 1.11.13. Durante ação fiscal, em 02/02/2011, o domicílio fiscal da MARNANGLO (Matriz) foi alterado para a Av. Pref. Carlos Eugênio Mexias, 3640, térreo, Itakamovi, Vassouras/RJ. 1.11.14. A OLINDA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES foi constituída, em 07/02/1994, tendo como sócios FRANCISCO EDUARDO BERTINO MACIEL e ERNANI BERTINO MACIEL, cada qual com 50% de participação. 1.11.15. Em 03/07/2000, a participação de Ernani Bertino Maciel passou a ser de 99,90%. 1.11.16. Em 28/02/2002, o domicílio fiscal da OLINDA foi alterado para Av. Dr. Yojiro Takaoka, 4384, CV 1577, Alphaville, Santana de Parnaíba, SP (mesmo endereço virtual da MARNANGLO), constando como objeto social a "Prestação de Serviços de Assessoria Comercial, Marketing e Informática, e Participação como Quotista em Outras sociedades” 1.11.17. Os atuais sócios da OLINDA são Marta Bertino Maciel Fernandes (8,0%), Ernâni Casella Bertino Maciel (46,0%) e Gloria Casella Bertino Maciel (46,0 %). Em 18/11/2009, o domicílio fiscal foi alterado para Av. Carlos Eugenio Mexias, 2640, Itakamosi, Vassouras/RJ (mesmo domicilio atual da MARNANGLO). Fl. 4393DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 10 9 1.11.18. Conclui a Fiscalização que tanto as atividades da matriz como as da filial da MARNANGLO não contemplam o exercício de atividades de alojamento e alimentação (Hotéis CNAE 5510801). 1.11.19. Conclui também que, como a OLINDA é sócia da MARNANGLO com 99,99% de participação, ERNÂNI BERTINO MACIEL, CPF 239.033.84704, também é o controlador e proprietário de fato da MARNANGLO. 1.11.20. Observa ainda que a MARNANGLO é a atual proprietária da área rural e das instalações hoteleiras, cuja atividade hoteleira é explorada pela FAZENDA RIBEIRÃO. Parte 3 Declarações de IRPJ 1.11.21. Foram transmitidas sucessivas declarações retificadoras de IRPJ (30/06/2005, 05/12/2006, 07/12/2006 e 04/09/2007) com alterações dos saldos da conta “Caixa e Bancos”, no início e no final de cada um dos anos-calendário 2001, 2002, 2003 e 2004, o que produziu efeito cascata e ocasionou significativos reflexos nos saldos da conta “Caixa e Bancos", nos períodos fiscalizados de 2005, 2006 e 2007. O quadro, abaixo, foi extraído do TVF: 1.11.22. Observa a Fiscalização que, somente depois de transcorridos quatro anos, contados da data de transmissão da DIPJ original do AC 2001 (07/11/2002), houve o envio da retificadora (05/12/2006), alterando o "Saldo Final de Caixa e Bancos" de R$ 1.000,00 para R$ 201.000,00, ou seja, no limite do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos no AC 2001. Parte 4 – Procedimento Fiscal 1.11.23. No início do procedimento fiscal (03/03/2010), a Fiscalizada foi intimada a apresentar, dentre outros documentos, os livros comerciais e fiscais e a relação dos bens do ativo permanente, acompanhada da documentação pertinente, assim como a identificar suas contas bancárias e a apresentar os extratos delas. 1.11.24. Quem atendeu à intimação, foi o mandatário Waldomiro Alves Rosa (sócio da FAZENDA RIBEIRÃO), com poderes expressos para atender às exigências decorrentes do procedimento fiscal (MPF 08/2800201000600). Fl. 4394DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 11 10 1.11.25. A Fiscalização afirma que o atendimento foi parcial, tendo sido apresentados o Contrato Social, Livro de Registro de Empregados, Certidão Negativa de Imóveis e Recibo de Compra de Aeronave/Certificado de Aeronavegabilidade, e salienta a justificativa de Waldomiro de que muitos dos documentos da MARNANGLO estavam em sua residência e foram apreendidos por meio de Mandado de Busca e Apreensão (OPERAÇÃO PERSONA). 1.11.26. Transcorridos 55 dias do início do procedimento fiscal, foi encaminhado o Livro Caixa do AC 2005. 1.11.27. Intimada a apresentar a autorização governamental para que a sócia HUNTINGTON VENTURE LIMITED funcionasse no Brasil e participasse com 99.0% do capital da MARNANGLO, a Fiscalizada alegou ausência da documentação e esclareceu que o sócio retirou-se da sociedade em 2004. 1.11.28. Transcorridos 75 dias e, após sucessivos pedidos de prorrogação e entrega parcial dos documentos e esclarecimentos solicitados, foi lavrado Auto de Embaraço à Fiscalização (fls. 815/818), o qual foi impugnado durante a ação fiscal (fls. 822/870). 1.11.29. Transcorridos 140 dias, foram apresentados o Livro Caixa do AC 2006 e expediente solicitando prorrogação de prazo para apresentação dos livros Razão e Diário do AC 2007. 1.11.30. Por meio do TIF nº 05, de 02/08/07, o Contribuinte foi intimado a comprovar origens dos recursos creditados /depositados em suas contas bancárias mantidas no Banco Bradesco (1493 operações); Banco Itaú (uma operação) e Unibanco (4 operações), no total de R$ 7.665.413,05. (fls. 875/914). 1.11.31. Relata a Fiscalização que: ‘4.17. Através do expediente de 16/08/2010 a MARNANGLO encaminhou, conforme referenciado os "documentos contábeis" dos anos-calendário 2005 (numerados de 0001 a 0228) e 2006 (numerados de 0001 a 0838). Estes documentos referem-se a comprovações de aplicações de recursos, tais como: notas fiscais, recibos, comprovantes de pagamentos, de aquisição de materiais, serviços de terceiros, aluguel, etc. (fls.924; AC 2005: 1783/2038 e AC 2006: 2038/2898). 4.18. Em 27/08/2010, foi lavrado o Termo de Reiteração de Intimação Fiscal n° 06, para comprovação das origens dos depósitos/créditos, (fls.926/965) 4.19. Por meio do expediente de 08/09/2010, apresentou conforme sua "referência", os "documentos contábeis do ano-calendário 2007, os quais estão numerados de 0001 a 1991". De novo, tais documentos consistem em notas fiscais, recibos, comprovantes de pagamentos, de aquisição de materiais, serviços de terceiros, aluguel, etc, ou seja, comprovantes de despesas, não ensejando os esclarecimentos relativos à origem dos recursos, (amostragem às fls.2899/3036)’ 1.11.32. Transcorridos 203 dias, apresentou o Livro Razão do AC 2007 e cópia dos contratos de mútuo com a Fazenda Ribeirão, conforme quadro abaixo: 1.11.33. Transcorridos 211 dias, apresentou o Livro Diário do AC 2007 e justificativas parciais relativas ao Termo de Intimação Fiscal n° 06. (fls.980/984). Fl. 4395DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 12 11 1.11.34. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 07, de 28/10/2010, a MARNANGLO foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea, referente aos depósitos no montante de R$ 1.010.000,00, com origem na BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA (fls. 985/987). 1.11.35. A Fiscalizada solicitou prorrogação de prazo. 1.11.36. A MARNANGLO apresentou recibos referentes aos depósitos efetuados pela BRASTEC, relativo ao "Rally Aéreo Caipira" e atendeu parcialmente ao Termo de Intimação Fiscal n° 06. (fls.991/1007). 1.11.37. Através de expediente de 03/12/2010, atendeu novamente parcialmente ao Termo de Intimação Fiscal n° 05. Juntou outros contratos de mútuo: (fls. 1008/1013). 1.11.38. Para apuração das bases de cálculo, informadas nas DIPJ dos AC 2005, 2006 e 2007, a Fiscalizada foi intimada a apresentar livros e documentos relacionados no TIF nº 08 (fls. 1018/1020). 1.11.39. A intimação foi atendida parcialmente, tendo sido juntada adição a contrato de mútuo (fls. 1018/1020): 1.11.40. A Fiscalizada foi intimada a apresentar documentos relacionados à alteração de seu domicílio fiscal, promovida, durante a ação fiscal, para o município de Vassouras/RJ. 1.11.41. Apresentou contrato de comodato, certidão do imóvel rural e autorização para impressão de nota fiscal, (fls. 1094/1099). 1.11.42. A Fiscalizada foi intimada a comprovar o efetivo pagamento da aquisição da aeronave da BAURUENSE, nos termos do TIF nº 13 (fl.1103/1105). 1.11.43. Apresentou Recibo de Compra e Venda e Certificado de Aeronavegabilidade (fls. 1118/1124). 1.11.44. A BAURUENSE, em procedimento fiscal de diligência, foi intimada a comprovar o recebimento de R$ 200.000,00 pela venda da aeronave. 1.11.45. A BAURUENSE informou que, em razão do decurso de prazo prescricional e a conseqüente inutilização da documentação contábil/tributária, restou prejudicado o envio dos documentos solicitados (fls. 1110/1114). 1.11.46. Em 16/08/2011, a Fiscalização lavrou o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 15. (fls.1127/1136), nos termos abaixo transcritos: ‘4. DA INTIMAÇÃO Tendo em vista as constatações expostas INTIMAMOS a: 4.1. ESCLARECER as razões pelas quais foram efetuadas as sucessivas retificações das DIPJ's dos AC 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, em que o Fl. 4396DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 13 12 contribuinte alterou os valores dos "Saldos de Caixa e Bancos "; se, nas DIPJ's dos AC 2001, 2002, 2003 e em 2005, a empresa declarou como INATIVA; 4.2. APRESENTAR documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, que comprove a alteração do "Saldo de Caixa e Bancos" do AC2001, de RS 1.000,00 para RS 201.000,00, bem como comprovar as sucessivas alterações do "Saldo de Caixa e Bancos" dos AC 2002, 2003 e 2004, inclusive do "Saldo de Caixa e Bancos" do período em fiscalização de 2005, 2006 e 2007, que sofreram impacto destas sucessivas retificações, desde a alteração do "Saldo de Caixa e Bancos" do AC 2001; 4.3. APRESENTAR os Livros Caixa dos AC 2001, 2002, 2003 e 2004; 4.4. JUSTIFICAR as inconsistências no "Saldo de Caixa e Bancos" constantes das DIPJ's das últimas declarações retificadoras, comparativamente com os saldos extraídos dos Livros Caixa (2005/2006) e do Livro Razão (2007): 4.5. REAPRESENTAR os Livros Caixa dos AC 2005 e 2006 (Lucro Presumido), e, se for o caso, conforme demonstrado, efetuar os respectivos ajustes e correções dos saldos de caixa, assim como, que a escrituração contemple o registro de toda a movimentação financeira inclusive a bancária (parágrafo único do art.527 do RIR/1999), bem como, reapresentar os Livros Razão e Diário do AC 2007 (Lucro Real); 4.5.1. ESCLARECER as razões, mediante comprovação por meio de documentação hábil e idônea, pelas quais foram efetuados depósitos/créditos nas contas bancárias da MARNANGLO, de valores referentes à atividade de hotelaria, em 2006 e em 2007, tais como, adiantamentos de reserva de hospedagem, de cheques de hóspedes, bem como, de pagamentos de compra de insumos para atividade de hotelaria, tais como, gastos para cozinha, alimentos, bebidas, açougue, utensílios de restaurante e descartáveis, gás etc, confirmado pelas respectivas escriturações contábeis, de atividade relacionada à Hotelaria, pertence à FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA. 4.6. Com relação aos Contratos de Mútuo, APRESENTAR comprovação com base em documentação hábil e idônea que comprovem a efetividade dos empréstimos, bem como dos pagamentos destes empréstimos, tais como cópias de cheques, das transferências, de extratos bancários do Mutuante, bem como cópia da escrituração contábil do Mutuante, coincidentes em datas e valores. A ausência desta comprovação implicará na exigência do imposto devido nos termos do art.42 da Lei 9.430/96, em relação aos créditos. 4.7. Fica o contribuinte CIENTE de que a falta da apresentação dos livros contábeis e fiscais escriturados conforme disposto nos arts. 259 e 527 do RIR/1999, ensejará o ARBITRAMENTO DOS LUCROS, com base nas informações e documentos em poder da fiscalização, nos termos do art.530 do RIR/1999, sem prejuízo das demais cominações penais previstas em lei.’ Fl. 4397DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 14 13 1.11.47. A MARNANGLO apresentou o certificado de aeronavegabilidade e o certificado de matrícula n° 6324, emitidos pela ANAC, porém não comprovou o efetivo pagamento do montante de R$ 200.000,00, escriturado no Livro Caixa do AC 2005 (fIs. 1137/1139). 1.11.48. Concedido prazo adicional (fls.1142 e 1147/1148), a MARNANGLO, em expediente de 10/10/2011, apresentou resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 15, que foi analisado na parte 9 - Arbitramento do Lucro, (fls.1149/1159). Parte 5 – Origens dos Depósitos/Créditos 1.11.49. Os valores depositados/creditados nas contas bancárias, de 2005 a 2007, foram detalhados e analisados individualmente, de acordo com as informações apresentadas pelo contribuinte e as disponíveis nos históricos dos extratos bancários. O quadro abaixo sintetiza os resultados obtidos: 1.11.50. Ressalta a Fiscalização que: Fl. 4398DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 15 14 a) Depósitos cuja Origem Não Foi Comprovada 1.11.51. Os depósitos não justificados mediante expediente e documentação hábil e idônea correspondem ao montante de R$ 2.961.866,23 (38,6%), sendo que a maior parte deste (95.4%) concentra-se no ano calendário 2007. 1.11.52. Afirma a Fiscalização que o histórico das operações bancárias identificam: transferências de dinheiro entre agências, depósitos em conta corrente em terminais de autoatendimento, depósitos em dinheiro, depósitos em cheques, descontos de cheques, DOC, descontos comerciais, etc. A título de exemplo, ela elaborou o seguinte quadro: b) Depósitos Associados à Atividade de Hospedagem 1.11.53. Depósitos, no montante de R$ 1.902.003,72 (24,8%), foram associados à atividade hoteleira, com base nas alegações em expedientes datados de Fl. 4399DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 16 15 22/09/2010, 24/09/2010, 30/09/2010, 24/11/2010, 22/12/2010, 07/01/2011, 17/01/2011, 29/01/2011 e 04/05/2011. Nas justificativas, as origens foram descritas como: adiantamento referente à reserva, desconto de cheques pré-datados de hóspedes, depósito de cheques de hóspedes, recebimento de cliente empresa e de serviços prestados para empresas, etc. 1.11.54. A falta de previsão legal da atividade de hospedagem, no objeto social da MARNANGLO, e a ausência de documentação hábil e idônea que comprovasse a origem destes recursos, levaram à classificação dos mesmos como depósitos com origem não comprovada. c) Depósitos Decorrentes de Contratos de Mútuo 1.11.55. Nesse tópico são analisados os contratos de mútuo que, de acordo com alegações e documentos apresentados, seriam a origem de depósitos no montante de R$ 1.510.672,52, do qual R$ 1.355.216,96 (705.192,64 + 438.882,40+186.141,92 + 25.000,00) estão relacionados à Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer Ltda. Me., e, R$ 155.808,06, à Barra do Piraí Promoções e Eventos Ltda. 1.11.56. A Fiscalização afirma que os contratos são simulados, sustentando que foram assinados posteriormente aos depósitos, dado que as datas, valores, inclusive centavos neles previstos, coincidem com os dos depósitos. Sustenta ainda que os contratos não foram registrados em Cartório, tampouco tiveram suas firmas reconhecidas. Abaixo, um exemplo dado pela Fiscalização (Contrato firmado com a Barra do Piraí Promoções e Eventos Ltda., datado de 04/01/2007): (...) I) – O MUTUANTE concede ao MUTUÁRIO um empréstimo no valor de R$ 155.455,56 (cento e cinqüenta e cinco mil, quatrocentos e cinqüenta e cinco reais e cinqüenta e seis centavos) a ser entregue da seguinte forma: R$ 19.160,02 em 04/04/2007; R$ 13.240,26 em 12/04/2007 R$ 4.440,00 em 29/05/2007; R$ 47.670,00 em 21/08/2007; R$ 23.788,47 em 06/11/2007; R$ 10.000,00 em 22/11/2007; R$ 33.156,81 em 03/12/2007; R$ 4.000,00 em 18/12/2007 II) – O MUTUÁRIO se confessa devedora do MUTUANTE, pelo valor consignado na cláusula anterior, obrigando-se a pagá-lo até 31.12.2009, com parcelas desiguais a seu critério, ou total, sem correção monetária e juros. (...) d) Depósitos Efetuados pela BRASTEC. Fl. 4400DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 17 16 1.11.57. Quanto aos valores depositados pela BRASTEC, no montante de R$ 1.010.000,00, a Intimada alegou que decorrem de serviços de hospedagem, prestados pela MARNANGLO à BRASTEC, nos períodos de 07/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 02/2007. 1.11.58. Intimada (TIF nº 07) a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse a prestação de serviços, tais como, notas fiscais de serviços, contrato de prestação de serviços, relação de hóspedes e discriminação dos serviços prestados, a Fiscalizada apresentou “cópia do contrato referente ao patrocínio do “RALLY AÉREO CAIPIRA”, cópia dos recibos dos pagamentos e fotos do evento. 1.11.59. A BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA. Foi constituída, em 05/09/2003, com o objeto social principal de montagem de microcomputadores e de importação e exportação de produtos ou equipamentos elétricos, eletrônicos, eletroeletrônicos, de telecomunicações, computadores seus periféricos e componentes. 1.11.60. Relata a Fiscalização que: ‘5.16.7 Foi comprovado exaustivamente que WALTER FLAMENGO SALLES, sócio da BRASTEC, no papel, foi laranja a serviço do grupo K/E (CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL). Foram lavrados os autos de infração consubstanciados nos processos administrativos n°10803.720034/201193 e n° 10803.720033/201149, por omissão de receita (através de simulação com interposição de pessoa a BRASTEC transferiu recursos para as contas do laranja WALTER FLAMENGO SALLES, à título de supostos contratos de mútuos, cujos reais beneficiários foram CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL 5.16.8. Não logrando êxito em comprovar a origem dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior, a BRASTEC foi declarada INAPTA, retroativamente a 14/02/2005. (..,) 5.16.9 Com débitos perante a RFB da ordem de R$ 25,4 milhões e na situação cadastral INAPTA, recursos no montante de R$ 1.010.000,00 foram transferidos pela BRASTEC para a MARNANGLO à título de patrocínio do RALLY AÉREO CAIPIRA. A MARNANGLO alegou que a importância de R$ 1.010.000,00 foi devida a prestação de serviços de hospedagem, junto à BRASTEC, isto é, a título de patrocínio do RALLY AÉREO. Foi comprovado, na OPERAÇÃO PERSONA, que a BRASTEC. na situação cadastral INAPTA, foi uma das interpostas empresas, utilizada pelo grupo K/E, que realizou operações fraudulentas de importação. Este recurso foi considerado sem comprovação da origem por falta de documentação hábil e idônea e por caracterizar SIMULAÇÃO. 5.16.10 Documento SP33IT91 Pág.36/37 (fls.3689/3690) comprova contrato de mútuo assinado entre a citada empresa BRASTEC com a MARNANGLO, com ERNÂNI BERTINO MACIEL, assinando pela mutuária (MARNANGLO), confirmando a ingerência de ERNÂNI BERTINO MACIEL perante a BRASTEC e a MARNANGLO. Parte 6 – Atividade Econômica do Contribuinte Fl. 4401DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 18 17 1.11.61. Nesse ponto a Fiscalização retoma alguns elementos apresentados no item “A Empresa” e complementa com outros, a fim de demonstrar a estreita ligação entre as empresas MARNANGLO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA. e OLINDA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., controladas, de fato, por Ernani Bertino Maciel. 1.11.62. Algumas notas fiscais emitidas pela MARNANGLO e que denotam a atividade de hotelaria foram tomadas como exemplos, sendo que algumas delas (canceladas) traziam em seu corpo o carimbo de representante exclusivo da FAZENDA RIBEIRÃO. 1.11.63. A vinculação foi também analisada sob o aspecto dos imóveis e das instalações, onde os serviços foram prestados, sendo que desde 2002 integravam o patrimônio da MARNANGLO. Dois dos imóveis foram adquiridos da OLINDA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES e, o outro, de terceiro. 1.11.64. Frisa a Fiscalização que, em 23/07/2004, a MARNANGLO procedeu à averbação de imóvel com área total de 5.371,04 m2, resultante de projeto de legalização na Prefeitura Municipal de Barra do Piraí. 1.11.65. A Fiscalização cita o documento SP28IT3048, apreendido na Operação Persona e referente a contrato de locação para fins comercias, onde a MARNANGLO cede à FAZENDA RIBEIRÃO imóvel de sua propriedade com 27 alqueires, contendo 40 apartamentos e infraestrutura hoteleira, pelo preço de R$ 6.000,00 mensais e prazo de duração de 10 (dez) anos. Assinou, como procurador da MARNANGLO, Waldomiro Alves Rosa. 1.11.66. Abaixo, reproduz-se o quadro “RETROSPECTIVA HISTÓRICA OLINDA X FAZENDA RIBEIRÃO X MARNANGLO”, elaborado pela Fiscalização. Fl. 4402DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 19 18 Fl. 4403DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 20 19 1.11.67. Afirma a Fiscalização que as notas fiscais de prestação de serviços de hospedagem, emitidas pela MARNANGLO, são absolutamente incompatíveis com a atividade formalizada pelo contribuinte, primeiro, porque contrariam o disposto no contrato social e no cadastro da RFB, segundo, porque o domicílio fiscal da empresa situava-se numa sala (mesmo endereço da contratada Virtual Office Ltda. Me), na Av. Dr. Yojiro Takaoka, nº 4384, Loja 17 CV 1539, Aphaville, Santana do Parnaíba, SP, local onde a atividade desenvolvida resumia-se a recepcionar e reencaminhar todas as correspondências destinadas a MARNANGLO. 1.11.68. Questiona, relata e conclui a Fiscalização que: ‘Desta forma, como a MARNANGLO. estabelecida em Santana do Parnaíba/SP, poderia explorar a atividade de hospedagem, se o local da prestação dos serviços situava-se na Estrada Fazenda Ribeirão de Ubá, 1555, Bairro Minuano, Barra do Pirai, no estado do Rio de Janeiro, no local onde se encontra estabelecida a FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA??? 6.15 Documento SP34IT344 Pág.1/8 (fls.3618/3625), apreendido na OPERAÇÃO PERSONA, no endereço situado à Av Dr. Yojiro Takaoka, 4384, loja 17, Santana do Parnaíba/SP, comprovou assinatura, em 21/11/2001, do Contrato Particular de Prestação de Serviços, entre a MARNANGLO (contratante), representada por MARIA SELMY BOMTEMPO DE LIMA, com endereço à Av. São Gabriel, 149 conj. 506, bairro Itaim, São Paulo/SP, com a VIRTUALOFFICE LTDA ME (contratada), com endereço à Av. Yojiro Takaoka, 4.384, Loja 17: (...) 6.21 Portanto, as notas fiscais emitidas pela MARNANGLO, inclusive as notas fiscais canceladas, com o carimbo Representante Exclusivo Da Fazenda Ribeirão Hotel De Lazer comprovam que a MARNANGLO emitia notas fiscais de serviços de hospedagem, cujos serviços eram prestados pela FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER.’ 1.11.69. A Fiscalização traz também dados fiscais e econômico-financeiros para corroborar com sua conclusão de que houve transferência de receita bruta e da movimentação financeira da FAZENDA RIBEIRÃO para a MARNANGLO, conforme se observa nos excertos, abaixo: ‘6.22. Com base nas informações internas da RFB a FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA. CNPJ 02.544.560/000132, com domicílio fiscal na Estrada Fazenda Ribeirão de Ubá, 1555, Bairro Minuano, Barra do Piraí/RJ, optou pelo Simples Federal em 20/05/98, tendo sido incluída no Simples Nacional em 01/07/2007. 6.23. Retrospectiva da Receita Bruta e da Movimentação Financeira, da FAZENDA RIBEIRÃO, de acordo com os sistemas internos da RFB, indicam queda da receita bruta de cerca de R$ 2,1 milhões para R$ 82,6 mil (queda de 96,1%), e, queda da movimentação financeira, de cerca de R$ 4,8 milhões para R$ 1,8 milhões (gueda de 61,4%), no AC 2007, em relação ao AC 2006: 6.24 Informações da receita bruta e da movimentação financeira da MARNANGLO demonstram crescimento significativo da receita da ordem de R$ Fl. 4404DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 21 20 384,9 mil para R$ 1,5 milhão (acréscimo de 292,4%) e de aumento da movimentação financeira de cerca de R$ 2,1 milhões para R$ 5,3 milhões (acréscimo de 148,0%), no AC 2007, em relação a AC 2006 6.25 À luz dos fatos apurados, tais como, objeto social, domicílio fiscal, notas fiscais de serviços emitidas pela MARNANGLO, de serviços prestados de hospedagem pela FAZENDA RIBEIRÃO, e, comparando-se o desempenho das duas empresas, concluímos que houve transferência de receita bruta e da movimentação financeira da FAZENDA RIBEIRÃO para a MARNANGLO, no AC 2006, e de maneira significativa no AC 2007; e que, portanto, perante a RFB executou atividades relacionadas a prestação de serviços de alojamento e de alimentação de estabelecimentos hoteleiros. Por fim, no item 6.26.22, do TVF, a Fiscalização afirma que: 6.26.22 De fato. ERNANI BERTINO MACIEL nunca deixou de gerenciar, controlar e dirigir a MARNANGLO. OLINDA E FAZENDA RIBEIRÃO, utilizando a distância para salvaguardar seus interesses, principalmente porque sua ocupação principal constava na DIRPF. como servidor das carreiras de auditoria e fiscalização, na medida em que o mesmo atuou, até abril de 2006, como AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil:’ Parte 7 – Aplicações de Recursos 1.11.70. Neste tópico a Fiscalização analisa a aplicação dos recursos, com base em documentos apresentados pela MARNANGLO (expediente de 16/08/2010), tais como, notas fiscais, recibos, comprovantes de pagamentos de materiais, serviços de terceiros e aluguel, bem como em documentos apreendidos na Operação Persona. 1.11.71. No ano calendário 2005, os gastos mais significativos (total de R$ 364.143,00) constituíram-se de despesas com material e serviços aplicados em construção (47,3%) e pagamento de pessoal alocado a obras (25,2%), representando 72,5% do total dos recursos aplicados. 1.11.72. Relata a Fiscalização que, de acordo com a planilha de controle da MARNANGLO (documento SP28IT2925), os recursos mais significativos, incluindo os investimentos (47,4% aeronave, veículo e contrato de mútuo), materiais e serviços de construção (20,4%) e folha de pagamento da obra (19,9%), foram os seguintes: 1.11.73. No ano-calendário 2006, contribuíram para o montante de R$ 1.373.972,19, as despesas com material e serviços aplicados na construção (42,7%), folha de pagamento de pessoal alocado a obras (22,9%) e serviços de terceiros (8,4%). Fl. 4405DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 22 21 1.11.74. Conforme controle da MARNANGLO, os recursos foram aplicados de maneira mais significativa em materiais e serviços de construção (66,6%) e folha de pagamento do pessoal da obra (24,3%), totalizando R$ 1.276.595,17. 1.11.75. Afirma a Fiscalização que: ‘7.10 Documento SP28IT3056 Pág. 1/1 (fls.3568/3569) comprova a emissão de cheques, no campo de DÉBITOS, referentes as APLICAÇÕES de recursos para o c/c 33.9636 – OBRAS no montante de 1.591.199.90. no AC 2006.' As ORIGENS das aplicações de recursos em OBRAS, no AC 2006. Foram provenientes de TED transferidos pela BRASTEC e justificados como valores recebidos devido ao patrocínio do RALLLY AÉREO CAIPIRA ,R$ 825.000.00), de recursos do HOTEL FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA (R$ 690.000.00) e em menor proporção de caixas/bancos e transferências MARNANGLO: (...) 1.11.76. No ano-calendário 2007, de um total de R$ 787.501,20, a Fiscalização ressalta os gastos com manutenção predial (261.361,11) e elétrica e, principalmente, os dispêndios com a atividade hoteleira no montante de R$ 459.317,61. 1.11.77. Afirma a Fiscalização que, de acordo com o Livro Razão do AC 2007, os dispêndios em cozinha, alimentos, sacolão e padaria, no montante de R$ 236.915,18, comprovam o total envolvimento da MARNANGLO com a atividade hoteleira. 1.11.78. Nesse sentido, e, também para comprovar a estreita ligação entre as duas empresas, são dadas, como exemplos, notas fiscais emitidas pela H.S. Coutinho Ind. E Com Ltda. (Casa do Arroz), contra a Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer Ltda. Me., documentos para os quais foram solicitadas, dentre outras alterações, a mudança da razão social (FAZENDA RIBEIRÃO para MARNANGLO). Parte 8 – Arbitramento do Lucro 1.11.79. Nesse tópico, a Fiscalização busca apresentar as razões de fato e de direito, com ênfase para aspectos pontuais da escrituração dos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, que a motivaram a arbitrar o lucro, nos termos do art 530, II, “a” e “b”, do RIR/99. 1.11.80. A escrituração do Livro Caixa do AC 2005 (Lucro Presumido) não possui sistemática de registro que demonstre efetivamente as movimentações financeira e bancária, bem como os saldos individualizados, correspondentes à conta Caixa e a cada uma das contas bancárias mantidas no Banco Bradesco, Banco Itaú e Unibanco. Situação semelhante foi constatada no Livro Caixa do AC 2006 (Lucro Presumido). 1.11.81. Segundo a Fiscalização, a MARNANGLO alterou dolosamente o saldo da conta Caixa do ano-calendário 2001 e dos anos subseqüentes, a fim de justificar, em 01/04/2005, a aquisição de uma aeronave, no montante de R$ 200.000,00. Os documentos comprobatórios (fluxo de caixa da MARNANGLO) foram apreendidos na Operação Persona. Abaixo, encontram-se transcritos trechos do TVF: Fl. 4406DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 23 22 (...) b) O contribuinte alterou intencionalmente o saldo de caixa (incluindo bancos) do final do AC 2001, de R$ 1.000,0 para R$ 201.000,00 através da declaração retificadora transmitida em 05/12/2006, que por sua vez, produziu efeito cascata nos saldos de caixa, dos AC 2002 A 2007; AC 2002 (saldo final de caixa alterado de R$ 4.989,71 para R$ 193.840,00; DIPJ retificadora de 05/12/2006); AC 2003 (saldo final de caixa alterado de R$ 13.612,41 para R$ 357.678,60; DIPJ retificadora de 07/12/2006); AC 2004 (saldo final de caixa alterado de R$ 5.396,44 para R$ 406.938,27; DIPJ retificadora de 07/12/2006); causando significativa influência no saldo inicial de caixa do período fiscalizado de 2005 (saldo de caixa zero para R$ 406.937,27: DIPJ retificadora de 07/12/2006), com reflexos nos AC 2006 e 2007. (...) d) A MARNANGLO efetuou sucessivas alterações dos "Saldos de Caixa e Bancos" através de DIPJ retificadoras, retroativamente ao AC 2001, 2002, 2003 até AC 2004, quando a empresa informava na DIPJ sua situação de INATIVA, cujas alterações influenciaram o saldo inicial de caixa do AC 2005, que foi alterado de R$ 5.396,44 para R$ 406.938,27 e posteriormente para R$ 483.991,40, início do período fiscalizado, conforme demonstrado a seguir (fl. 1163): (...) g) No período em fiscalização, os "Saldos de Caixa e Bancos" constantes das DIPJ's, das últimas declarações retificadoras, apresentaram divergências em relação aos "Saldos de Caixa e Bancos" extraídos dos Livros Caixa (2005/2006) e do Livro Razão (2007): k) Os saldos de caixa extraídos dos fluxos de caixa apreendidos estão discriminados a seguir, refletindo a situação anterior às retificações de declarações 1.11.82. Intimada a comprovar o efetivo pagamento da aeronave, no montante de R$ 200.000,00, a MARNANGLO apresentou apenas um recibo no valor de R$ 200.000,00 e o Certificado de Aeronavegabilidade, documentos insuficientes para comprovar o efetivo pagamento. 1.11.83. Em procedimento de diligência fiscal, a BAURUENSE TECNOLOGIA E SERVIÇOS LTDA. foi intimada a comprovar o efetivo recebimento, pela venda da aeronave, tendo ela informado que em face do decurso de prazo prescricional e da inutilização da documentação contábil, não pôde atender à intimação. 1.11.84. No AC 2006 (Lucro Presumido), a Fiscalização aponta outras divergências entre valores escriturados no Livro Caixa e os constantes dos extratos bancários, que foram agrupadas sob os seguintes títulos: “Créditos Bancários não Fl. 4407DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 24 23 registrados no Livro Caixa”, Créditos Bancários Registrados como Saída no Livro Caixa ao invés de Entrada”, “Créditos Bancários Divergentes Comparativamente com o Livro Caixa”. 1.11.85. No AC 2007, frisa a Fiscalização que a MARNANGLO adotou a forma de tributação pelo Lucro Real e que os Livros Razão e Diário do citado ano- calendário só foram apresentados após transcorridos, respectivamente, 203 e 211 dias, do Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 30/09/2010. Afirma ainda que: A Escrituração do Livro Caixa do AC 2005 revelou evidentes indícios de fraude, contendo vícios e eficiências que a tornaram imprestável; que por sua vez contaminou a escrituração do Livro Caixa do AC 2006, que também continha erros, vícios e deficiências; além disso, o efeito cascata produzido pela alteração dos saldos de caixa dos AC 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, acabou comprometendo também a escrituração dos Livros Razão e Diário do AC 2007, tornando-o imprestável para verificação do cumprimento das obrigações tributárias. 1.11.86. Abaixo, estão reproduzidos os principais motivos que levaram a Fiscalização a arbitrar os lucros dos AC 2005, 2006 e 2007: ‘8.4.1. Pelo exposto, a Escrituração do Livro Caixa, nos AC 2005 e 2006 (Lucro Presumido) não possui sistemática de registro, que demonstre efetivamente as movimentações financeiras e bancárias, bem como os saldos individualizados correspondentes à conta Caixa e a cada uma das contas bancárias mantidas no Banco Bradesco, Banco Itaú e Unibanco, estando em desconformidade com o parágrafo único do art.527 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, que estabelece que a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido deverá manter Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. 8.4.2. O contribuinte apresentou intencionalmente seqüência de declarações retificadoras retroagindo ao AC 2001, em que alterou o saldo de caixa no final do ano de R$ 1.000,00 para R$ 201.000,00. A retificação da DIPJ do AC 2001 provocou efeito cascata nos saldos de caixa dos AC2002, 2003, 2004, cujas DIPJ também foram retificadas, causando significativo impacto no caixa inicial do AC 2005 e influenciando a escrituração dos AC 2006 e 2007. O inciso II do art.530 do RIR/1999 identifica as hipóteses para arbitramento do lucro, quando à escrituração revelar indícios de fraudes, ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável. 8.4.3. Conforme fluxo de caixa arrecadado na OPERAÇÃO PERSONA, na residência de WALDOMIRO ALVES ROSA, foi comprovada a falta de recursos para suportar a aquisição da aeronave, em 11/04/2005, no montante de R$ 200.000,00; para tanto o contribuinte transmitiu a retificadora da DIPJ do AC 2001, que produziu efeito cascata nos AC 2002, 2003, 2004; e que impactou na escrituração do período fiscalizado de 2005, 2006 e 2007. 8.4.4. O contribuinte não apresentou justificativas e tampouco documentação comprobatória do saldo inicial de caixa do ÃC 2005, resultante do efeito cascata que se iniciou em 2001. Nos termos do inciso III do Art. 527 do RIR/1999 a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deveria manter os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Fl. 4408DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 25 24 8.4.5. Este procedimento adotado viciou a escrituração do período fiscalizado AC 2005, 2006 e 2007. Além dos erros cometidos pelo contribuinte na escrituração do Livro Caixa do AC 2006, tornaram os Livros Caixa dos AC 2005, 2006 e os Livros Diário e Razão do AC 2007, imprestáveis para verificação do cumprimento das obrigações tributárias. 8.4.6. Para maior clareza reproduzimos os art. 527 e 530 do RIR/1999: (...)’ Parte 9 – Termo de Constatação, Manifestação e Análise 1.11.87. Neste tópico a Fiscalização analisa e traz resultados e conclusões acerca das respostas que o contribuinte deu à intimação para esclarecimentos e apresentação de livros e documentos, efetivada por meio do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 15, de 19/08/2011 (fls. 1127/1135). 1.11.88. Os questionamentos versaram sobre as inconsistências e deficiências da escrituração e da documentação comprobatória, descritas anteriormente. 1.11.89. Ao final, justifica e conclui a Fiscalização que pelo fato de o Contribuinte não ter acrescentado novos esclarecimentos ou comprovações, inclusive novos livros que permitissem a apuração do IRPJ, de conformidade com as opções feitas, quais sejam, Lucro Presumido para os anos-calendário 2005 e 2006 e Lucro Real, para 2007, procedeu-se ao arbitramento dos lucros. Parte 10 – Apuração da Base de Cálculo 1.11.90. Nesse tópico a Fiscalização traz elementos fáticos e de direito relacionados às bases de cálculo do IRPJ (lucro arbitrado) e das contribuições CSLL, PIS e COFINS. Os valores depositados, depois de analisados individualmente, foram totalizados e agrupados em “Depósitos cuja Origem não foi Comprovada”, “Depósitos Associados à Atividade de Hospedagem”, “Depósitos Associados a Supostos Contratos de Mútuo”, e “Serviços Prestados à BRASTEC (Rally Aéreo), conforme tabela apresentada no item 9.4 do TVF: Parte 11 – Síntese e Conclusões 1.11.91. Nesse item a Fiscalização faz um resumo de cada parte do TVF e traz os motivos de fato e de direito que a levaram a aplicar multa de ofício qualificada de 150 % (cento e cinquenta por cento). 1.11.92. Inicialmente a Fiscalização aponta, como um dos elementos de prova da conexão entre as empresas MARNANGLO, OLINDA, FAZENDA RIBEIRÃO e BARRA DO PIRAÍ, o conteúdo do documento SP28IT309 (fls. 2459/3460), aprendido na residência de Waldomiro Alves Rosa (Operação Persona), e frisa que ERNANI BERTINO MACIEL é o elo de ligação entre elas. Abaixo, transcreve-se o referido conteúdo: EMPRESA OLINDA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES SC LTDA. CNPJ 86.815.420/000141 Sócios: Ernâni Bertino Maciel 07 02/1994 RG : 19.156.353 SSP/SP – CPF : 239.033.84704 Participação 99,90% Fl. 4409DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 26 25 Marta Santos Bertino Maciel 28/02/2002 RG : 33.921.1465 SSP/SP CPF : O83.664.16712 Participação 0,10% Procurador : Waldomíro Alves Rosa RG : 6.140.521 SSP/SP CPF 768.471.52834 MARNANGLO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 04.870.142/000141 Sócios : Olinda Empreendimentos e Participações SC Ltda.19/ 07/2004 CNPJ 86.815.420/000141 Participação 99,99% Marta Santos Bertino Maciel 28/02/2002 RG : 33.921.1465 SSP/SP CPF : 083.664.16712 Participação 0,01% BARRA DO PIRAI PROMOÇÕES E EVENTOS LTDA CNPJ 04.349.875/000154 Sócios : Ernâni Bertino Maciel 22/08/2003 RG : 19.156.353 SSP/SP CPF 239.033.84704 Participação 33,333% Marta Santos Bertino Maciel 22/ 08/2003 RG : 33.921.1465 SSP/SP CPF : 083.664.16712 Participação 33,333% Waldomíro Alves Rosa 22/08/2003 RG : 6.140.521 SSP/SP CPF : 768.471.52834 Participação 33,333% Procurador: Marco Antonio Amedeu Ferreira RG : 04.465.1131 IFP/RJ CPF : 613.407.74704 FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA ME CNPJ 02.544.560/000132 Sócios : Ernani Bertino Maciel 21/01/2003 RG : 19.156.353 SSP/SP CPF : 239.033.84704 Participação 80,00% Fl. 4410DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 27 26 Marta Santos Bertino Maciel 21/01/2003 RG : 33.921 .1465 SSP/SP CPF : OB3.664.16712 Participação 10,0 0% "Waldomíro Alves Rosa 21/01/2003 RG : 6.140.521 SSP/SP CPF : 768.471.52834 Participação 10.00% Procuradores: Marco Antonio Amedeu Ferreira RG : 04.465.1131 IFP/RJ CPF : 613.407.74704 Patrícia Lage da Fonseca RG : 901.000.2476 IFP/RJ CPF : 848.533.01704” 1.11.93. Prosseguindo com as justificativas para a aplicação da multa qualificada de 150%, argumenta a Fiscalização que: a) a MARNANGLO demonstrou ânimo em fugir da tributação, declarando nos anos-calendário 2005, 2006 e 2007 receita de 3,2 milhões de reais, enquanto que os depósitos bancários atingiram 7,9 milhões; b) houve a deliberada intenção de alteração dos saldos da conta Caixa retroagindo ao AC 2001, de modo a garantir saldo suficiente, em 2005, para a aquisição da aeronave, comprovado cabalmente em documento (fluxo de caixa) apreendido na Operação Persona, onde WALDOMIRO ALVES ROSA faz a observação de que "Não tem caixa para compra" (referindo-se a aeronave aerocomander, em 04/2005) e o submete à análise e crítica de ERNÂNI BERTINO MACIEL c) ato contínuo foi deflagrado seqüência de retificações das DIPJ, alterando os saldos de caixa; d) informações sobre a Receita Bruta e a movimentação financeira, disponíveis no banco de dados da RFB, evidenciam, nos AC 2006 e 2007, a transferência de receitas e despesas, de responsabilidade da FAZENDA RIBEIRÃO, para a escrituração contábil da MARNANGLO, que não tem por objeto social a atividade de hotelaria, e) a ação conjunta e intencional da referida transferência teve o intuito de reduzir a tributação da FAZENDA RIBEIRÃO e, conseqüentemente, evitar a sua exclusão do SIMPLES, que tinha, como limite de Receita Bruta, o valor de 2,4 milhões de reais. f) quanto aos contratos de mútuo é inegável que houve transferência de recursos da FAZENDA RIBEIRÃO para a MARNANGLO, conforme se verifica nos extratos bancários, todavia, como poderia a FAZENDA RIBEIRÃO assinar, em 15/01/2007, contrato de mútuo, no valor de um milhão de reais, que justificasse o depósito do referido valor, se, no AC de 2007, informou, na DIPJ do ano-calendário 2007, Receita Bruta de R$ 82.652,87. g) as razões para que se considere que houve simulação nos contratos de mútuo são as seguintes: Fl. 4411DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 28 27 ‘As cópias simples apresentadas, dos referidos contratos não foram registradas em Cartório e não tinham firma reconhecidas; Análise dos depósitos e dos contratos comprovaram que houve SIMULAÇÃO, pois, todos os supostos contratos foram assinados após as transferências dos depósitos, ou seja, os contratos contemplavam depósitos futuros com a precisão de centavos; WALDOMIRO ALVES ROSA é o procurador da MARNANGLO para representar a empresa perante as demandas referentes ao MPF autorizado, relativa a esta fiscalização; WALDOMIRO ALVES ROSA assinou os supostos contratos de mútuo, como procurador da MARNANGLO; WALDOMIRO ALVES ROSA é sócio (10,0%) da FAZENDA RIBEIRÃO, porém quem assinou os supostos contratos de mútuos foi o procurador da FAZENDA RIBEIRÃO, MARCO ANTONIO AMEDEU FERREIRA, CPF 613.407.74704; O suposto contrato de mútuo entre a MARNANGLO e a BARRA DO PIRAÍ foi assinado, pelo denominado também procurador da MARNANGLO: MARCO ANTONIO AMEDEU FERREIRA e pelo sócio da BARRA DO PIRAÍ: WALDOMIRO ALVES ROSA; Em outras palavras, ERNÂNI BERTINO MACIEL, o proprietário de fato das empresas MARNANGLO, FAZENDA RIBEIRÃO e BARRA DO PIRAÍ, através de seus procuradores WALDOMIRO ALVES ROSA (como sócio da BARRA DO PIRAÍ, BA FAZENDA RIBEIRÃO e procurador da MARNANGLO) e de MARCO ANTONIO AMEDEU FERREIRA (procurador da FAZENDA RIBEIRÃO e da MARNANGLO), tenta provar através de informações de suas próprias empresas, que houve a transferência de recursos por conta de contratos de mútuos, entre suas empresas. Além disso, como pode a FAZENDA RIBEIRÃO viabilizar empréstimo de R$ 438,8 mil no AC 2007, se a receita bruta declarada atingiu R$ 82,6 mil??? Portanto, os contratos de mútuos, as transferências bancárias e a escrituração não comprovam que a origem dos recursos decorreram dos supostos empréstimo, caracterizando SIMULAÇÃO. h) foi comprovado que a MARNANGLO recebeu cerca de R$ 1,0 milhão (de 28/07/2006 a 13/02/2007) da interposta empresa BRASTEC (empresa INAPTA com efeitos desde 14/02/2005), desvendada na OPERAÇÃO PERSONA, a serviço do grupo K/E, comandado por CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL, cujo recurso foi justificado como patrocínio do RALLY AÉREO CAIPIRA. Este aporte de recursos teve a finalidade de financiar OBRAS, no imóvel rural onde estão localizadas as instalações da FAZENDA RIBEIRÃO, no município de Barra do Piraí/RJ, de propriedade da MARNANGLO (a FAZENDA RIBEIRÃO paga aluguel para MARNANGLO, pela utilização das instalações hoteleiras). 1.11.94. Conclui a Fiscalização que: Descumprida a obrigação principal pelo não pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, mediante artifício doloso de utilizar a conta corrente da MARNANGLO junto aos bancos BRADESCO, ITAU e UNIBANCO (anos 2005, 2006 e 2007) e de, sistematicamente, intencionalmente e reiteradamente, omitir, ao Fl. 4412DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 29 28 conhecimento da RECEITA FEDERAL DO BRASIL, os valores apurados de tributos a pagar, no intuito retardar c conhecimento da ocorrência do fato gerador, incorreu na imposição da penalidade qualificada. 1.11.95. Após discorrer sobre o direito aplicável e enquadrar os fatos na multa qualificada prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/96, ressalta a Fiscalização: 11.60.17 Para fugir da tributação e conseqüente exclusão do SIMPLES, (cuja receita bruta estava limitada a R$ 2.400.000,00 por ano) a FAZENDA RIBEIRÃO HOTEL DE LAZER LTDA, repassou suas receitas e as despesas referentes a exploração do hotel para a MARNANGLO. Desta forma, a FAZENDA RIBEIRÃO que tinha o nome ligado a ERNÂNI BERTINO MACIEL ficou blindada, perante o Fisco, o mesmo acontecendo com o imóvel rural e as instalações hoteleiras que foram adquiridas pela OLINDA (enquanto ERNÂNI BERTINO MACIEL era sócio) e que fc ai i (sic) transferidas para MARNANGLO (sendo o sócio majoritário a OLINDA). Todas as mutações patrimoniais, societárias e geográficas tiveram o objetivo de manter distância das conseqüências tributárias e penais, ficando cabalmente caracterizado o dolo.’ Anexos 1.12. Integram o TVF, quatro planilhas que agrupam os depósitos bancários em: Planilha 1 – Depósitos cuja origem não foi comprovada Planilha 2 – Depósitos associados à atividade de hospedagem Planilha 3 – Depósitos associados a supostos contratos de mútuos Planilha 4 – Depósitos referentes a serviços prestados a BRASTEC (RALLY AÉREO) Outros Fatos do Processo 1.13. Às fls. 3925/3950, foram juntados outros documentos com as seguintes naturezas: Da Impugnação Fl. 4413DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 30 29 1.14. Às fls. 3981/4005, a Empresa impugnou o lançamento. Alega em síntese que: 1.14.1. a ciência dos Autos de Infração ocorreu em janeiro de 2012, para fatos geradores ocorridos nos períodos de julho de 2005 a dezembro de 2007, portanto, com a inclusão indevida de períodos cujos créditos tributários estavam atingidos pela decadência; 1.14.2. o IRPJ e a CSLL são apurados em bases correntes, com fatos geradores mensais ou trimestrais, e, portanto, estão sujeitos ao lançamento por homologação,. 1.14.3. dessa forma, o prazo decadencial de cinco anos é contado da ocorrência do fato gerador; 1.14.4. o prazo de cinco anos foi estendido à contribuições sociais, nos ´termos da Súmula Vinculante nº 08, do STF; 1.14.5. portanto, os créditos tributários de que tratam os Autos de Infração, quais sejam, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, estão decaídos por força do artigo 150, do CTN, não cabendo a aplicação da regra geral prevista o artigo 173, I , do CTN; 1.14.6. a qualificação da multa de ofício, em lançamento fundamentado em presunção legal, e por infrações ordinárias, sem provas da ocorrência do evidente intuito de fraude, é improcedente, descabida e não exclui a aplicação do prazo decadencial previsto no § 4.° do Artigo 150 do CTN,; 1.14.7. há erro na identificação do sujeito passivo, pois,caso se considere que são verídicas as afirmações de que a Fazenda Ribeirão transferiu receitas para a Marnanglo, o lançamento deveria ter sido feito contra aquele contribuinte e não exigir tributo que sabidamente não era devido pela Marnanglo. 1.14.8. a ação fiscal teve início em 03/03/2010 e foi concluída, em 06/12/2011, conforme consignado no TVF, por outro lado, o processo contém dezenas de referências e conclusões que estão fundamentadas em documentos e mídias cuja autorização para o procedimento de fiscalização restou formalizado em 02/12/2012; 1.14.9. conclui-se, portanto, que a análise de toda a documentação ocorreu entre os dias 02 e 05 de dezembro de 2005 (3 e 4 caíram no sábado e domingo), ou antes da autorização judicial. 1.14.10. todos os depósitos e créditos bancários estão registrados nas contas das disponibilidades da empresa (Caixa e Bancos), estão devidamente identificadas e tiveram como contrapartida não somente a conta da Receita Bruta, como entendeu a Fiscalização; 1.14.11. os créditos lançados nos extratos bancários decorrem das operações da empresa e também de operações financeiras, tais como Empréstimos, Descontos de Títulos de Crédito (Duplicatas, Cheques, Notas Promissórias, etc), Mútuo com outras Pessoas Jurídicas e outras; 1.14.12. as contrapartidas dos créditos foram realizadas nas contas representativas dos Créditos a Receber, Clientes, Empréstimos e Financiamentos Bancários, Títulos Descontados, Empréstimos de Outras Pessoas Jurídicas, Mútuos, Receitas Diferidas (nos casos de reservas e recebimento antecipado de diárias); Fl. 4414DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 31 30 1.14.13. a simples comparação da Receita Bruta com a movimentação financeira, sem a devida análise das origens dos recursos (outras contrapartidas), nada representa; 1.14.14. qualquer contribuinte Pessoa Física ou Pessoa Jurídica, por mais simples que seja, apresenta movimentação financeira superior às receitas porque em suas contas bancárias são creditados, além da receitas, valores relativos a empréstimos, descontos de títulos e duplicatas, reembolso de despesas, recebimentos de créditos decorrente de receitas de exercícios anteriores, devolução de valores emprestados, etc. 1.14.15. as operações de mútuo, devidamente identificadas nos extratos bancários, realizadas de fato e registradas na contabilidade da empresa nas contas representativas de Mútuo e Empréstimos não foram consideradas pela simples falta de registro em cartório dos contratos de mútuo e pela comparação do valor mutuado com a receita do mutuante; 1.14.16. a desconsideração do Mútuo não está suportada por análise técnica da capacidade financeira do Mutuante (Disponibilidades Financeiras, Lucros Acumulados, Potencial e Efetividade de repasses de Recursos tomados de terceiros, etc), além de contrariar a prova da efetividade da operação que está identificada no histórico dos lançamentos nos extratos bancários, fato que pode ser comprovado a qualquer momento e também por diligência específica junto ao mutuante, que o impugnante requerer nesta impugnação; 1.14.17. a Fiscalização não investigou a Fazenda Ribeirão, simplesmente negou a existência dos fatos reais que estão devidamente comprovados e desconsiderou os mútuos, tributando-os como receitas omitidas; 1.14.18. as operações de desconto comercial e de desconto de títulos de crédito identificadas nos extratos bancários como operações de crédito foram indevidamente inseridas na Planilha 1 Depósitos cuja origem não foi comprovada (sequencias: 666, 667, 678,683, 723,726, 775, 776, 836, 863, 887, 888, 916, 917, 937, 938, 973, 986, 990, 1015, 1021, 1066, 1075, 1083, 1089, 1093, 1113, 1154, 1253, 1259, 1272, 1287, 1359, 1360 – folhas 3888 a 3902) e na Planilha 2 — Depósitos associados a atividade de hospedagem (sequências: 182,183, 189, 226, 230, 231,257, 305, 306, 326, . 43, 373, 374, 382, 397, 400, 406, 456, 490, 520, 544. Folhas 3903 a 3913); 1.14.19. os depósitos referentes aos serviços prestados à Brastec (Rally Aéreo) foram registrados como receitas, todavia, embora o Auditor não as tenha aceito como oriunda da prestação de serviços de hospedagem, e, também, a forma como foram contabilizadas e tributadas, incluiu-as na apuração do Lucro Arbitrado, com fundamento na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42, da Lei 9.430/96, o que vale dizer que os créditos não são receitas, mas devem ser tributados como receita presumida; 1.14.20. apesar de bastante simplificada a contabilidade da empresa levanta o Balanço Patrimonial e apura o Demonstrativo de Resultado registra detalhadamente toda a movimentação financeira em uma conta única de Caixa e Bancos, fato que não desqualifica a escrita contábil como reiteradamente decidido pelas Delegacias de Julgamento e pelo Conselho de Contribuintes, além do mais toda a movimentação financeira pode ser comprovada a qualquer momento e por diligência específica que o impugnante requerer nesta impugnação; Fl. 4415DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 32 31 1.14.21. não há a possibilidade de arbitramento do lucro, uma vez que a escrituração contábil está de acordo com o previsto no art. 251 e parágrafo único do RIR/99 e faz prova a favor do contribuinte como determina o artigo 26 do Decreto 7.574/2011; 1.14.22. a escrituração do livro caixa registra toda a movimentação em dinheiro e das contas bancárias da empresa, todos os lançamentos nos extratos bancários estão correspondidos no Livro Caixa; 1.14.23. por se tratar de conta única CAIXA o saldo apurado em cada dia representa o somatório dos saldos disponíveis em dinheiro, dos cheques a depositar e os aldos de todas as contas bancárias mantidas no Bradesco, Itaú e Unibanco, fato que não desqualifica a escrita contábil como reiteradamente decidido pelas Delegacias de Julgamento e pelo Conselho de Contribuintes, além do mais toda a movimentação financeira pode ser comprovada a qualquer momento e por diligência específica que o impugnante requerer nesta impugnação; 1.14.24. a ocorrência de erro eventual também não é razão para a desclassificação da escrita e arbitramento do lucro (transcreve ementa no Acórdão 10192.182/98); 1.14.25. se ocorreu o aumento indevido do saldo de caixa em 2001, no montante de RS 200.000,00, esse valor deve ser desconsiderado no fluxo de caixa de modo a apurar a ocorrência de saldo credor nos períodos posteriores. 1.14.26. cabe ao fisco a prova inequívoca de que toda a escrituração é imprestável. 1.14.27. a ocorrência do saldo credor implica a tributação prevista no artigo 281 do RIR/99 e não é fato suficiente para desclassificar toda a escrita contábil dos períodos subsequentes. 1.14.28. tal prática implicaria condenar o contribuinte eternamente ao Lucro Arbitrado. 1.14.29. os lançamentos em 2005 não consideraram os efeitos dos ajustes dos RS 200.000,00 no saldo de Caixa e são posteriores à aquisição da aeronave em maio de 2005; 1.14.30. nada foi exigido pela suposta ocorrência além da utilização do fato para tentar justificar a continuidade arbitramento do Lucro para os períodos posteriores; 1.14.31. além do Ajuste de R$ 200.000,00 cujo efeito fiscal não foi investigado pelo Auditor Fiscal (saldos credores posteriores) e dos erros sanáveis no ano de 2006, também o arbitramento do Lucro do Ano de 2007 não apresenta nenhum fundamento técnico ou legal para a sua aplicação, restando apenas a infundada tentativa de condenar o contribuinte eternamente ao Lucro Arbitrado pela suposta ocorrência do ajuste de 2005. 1.14.32, sendo absurda a tentativa de desclassificação da escrita contábil, com o conseqüente arbitramento dos lucros, deve-se apurar os resultados tributáveis, nos termos do artigos 288 e 287, §2º, ambos do RIR/99. 1.14.33. o IRPJ e a CSLL, apurados nas Declarações do IRPJ, não foram compensados quando da apuração dos tributos lançados, assim como as contribuições do PIS e da COFINS, conforme demonstração abaixo: Fl. 4416DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 33 32 1.14.34 como restou demonstrado, a tentativa para a qualificação da multa não encontra base técnica e legal, 1.14.35. a Fiscalização, apoiando-se na Operação Persona e utilizando-se de dados estatísticos superficiais, não investigou, desconsiderou sem base legal a escrita fiscal, desconsiderou mútuos efetivamente realizados, tributou receitas do Rally devidamente declaradas e tributadas, além de não compensar no Auto de Infração os Impostos e contribuições declarados pela empresa. 1.14.36. observa-se a tentativa de penalizar a Marnanglo por fatos ocorridos com terceiros, ligados ou não à empresa, com o arbitramento do lucro e a aplicação simultânea da multa qualificada. 1.14.37. quanto à presunção de Omissão de Receitas cabe reportarmos à Súmula n.° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes de 2006 que assim dispõe: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." consagrando o entendimento, daquele colegiado, sobre as condições legais para a qualificação da multa (transcreve ementas julgados) 1.14.38. requer a realização de diligência para confirmação de suas afirmações através do exame de seus registros contábeis, evitando assim a juntada dos livros nesta impugnação, assim como o exame dos livros e contas dos Mutuantes com fundamento no artigo 63 do Decreto n.° 7.574/2011. 1.15.Do exposto, requer o cancelamento dos Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, decorrentes da fiscalização do Imposto de Renda e, o arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal e de arrolamento de bens; 1.15.1. Requer ainda, a ciência da data de realização do julgamento deste processo, bem como a possibilidade de sua participação direta no julgamento, com a entrega de memoriais aos julgadores e a sustentação oral da impugnação. Fl. 4417DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 34 33 Do Despacho da DRJ Intempestividade da Impugnação e da Manifestação de Inconformidade. 1.16. Impugnado os Autos de Infração, ou autos foram enviados à DRJ/SÃO PAULO/SP1 e distribuídos à 3º Turma, para julgamento. 1.16.1. Todavia, a análise preliminar da peça impugnatória, em face dos fatos relatados pelo Auditor Fiscal responsável pelo procedimento fiscal, nos documentos “Termo de Informação Fiscal –Arrolamento de Bens e Direitos” e “Termo de Informação Fiscal – Auto de Infração”, às fls. 3952/3981, levou o então e atual Relator do processo a concluir pela intempestividade da impugnação, nos termos do Despacho nº 9 –3ª Turma da DRJ/SP1, de 29/062012, conforme fls. 4061/4063. 1.16.2. Cientificado do referido despacho, o Contribuinte argüiu a tempestividade da impugnação, apresentando suas razões de fato e de direito no documento “Manifestação de Inconformidade”, às fls. 4079/4085. Alega em síntese que: 1.16.3. o Sr. Waldomiro, não tendo mais poderes para representar a MARNANGLO, não poderia tomar ciência, como de fato não tomou, de qualquer documento a ela endereçado; 1.16.4. o estatuto da OAB e o artigo 45 do CPC não são aplicáveis, uma vez que o Sr. Waldomiro não é advogado; 1.16.5. refuta-se a conclusão contida no item 13, do Despacho da DRJ, de que o Sr. Waldomiro teria o objetivo de retardar a ciência dos Autos de Infração; 1.16.6. a sócia Marta Maciel Fernandes compareceu em 18/01/2012 para ter vista dos Autos em função de ter tomado ciência do Processo na página da Receita Federal do Brasil, no Comprot, tendo a impugnação sido apresentada tempestivamente em 17/02/2012; 1.16.7. não obstante as considerações do julgador e as conclusões da Autoridade lançadora, obviamente equivocadas, a Autoridade lançadora fez publicar Edital, publicado no DOU de 27/01/2012; 1.16.8. a intempestividade da impugnação foi fundamentada nos artigos 5º, parágrafo único, 14 e 15, do Decreto 70.235/72, mas tal conclusão é totalmente improcedente, visto que a Agente dos Correios não é autorizada a receber correspondência e a alegação da mesma de que o Sr. Waldomiro devolveu a correspondência é absolutamente inverídica, 1.16.9. somente pode ser devolvido aquilo que foi recebido, o que não ocorreu; 1.16.10. o Sr. Waldomiro não recebeu a correspondência 1.16.11. (discorre sobre os institutos da citação e da intimação e transcreve o art. 23, II, § 2º, I, do Decreto 70.235/72); 1.16.12. não há como exigir do contribuinte a produção de prova negativa, ou seja, demonstrar que não recebeu a correspondência em determinada data; 1.16.13. (transcreve a Súmula nº 9 do CARF); Fl. 4418DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 35 34 1.16.14. a alegação da Agente dos Correios é absolutamente inverídica, posto que as correspondências endereçadas à MARNANGLO são sempre retiradas na caixa postal da agência dos Correios, não sendo, entregues pessoalmente; 1.16.15. no caso de AR, é depositado na caixa postal aviso de que consta correspondência com AR a ser retirada; 1.16.16. o Sr. Waldomiro não tomou conhecimento de que tal AR estava na agência dos Correios, tendo a Agente sido absolutamente imprudente ao assinar o AR, haja vista que não era competente para tanto; 1.16.17. o encargo do evidente equívoco da Agente dos Correios, assinando o recebimento não pode ser transferido para a MARNANGLO; 1.16.18. o Julgador entendeu que a ciência foi efetivada por via postal, afastando a data efetiva da ciência ocorrida em 18/01/2012, data da vista aos autos pela sócia Marta; 1.16.19. obviamente, a Autoridade lançadora tomou conhecimento da vista aos autos naquela data, e, não obstante publicou Edital no dia 27/01/2012; 1.16.20. essa publicação se fez em virtude da reconhecida não entrega do AR, sendo, portanto, descabidas as alegações de devolução do AR pelo Sr. Waldomiro, posto que, se considerado como recebido, não faz sentido a publicação do Edital sob a alegação de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional. 1.17. Por todo o exposto, requer seja reformado o Despacho 9 3ª Turma da DRJ/SP1, afastando-se a intempestividade, e julgado o mérito da impugnação." O acórdão recorrido (fls. 4.158 a 4.221) julgou procedente em parte a impugnação, para, preliminarmente, acolher a alegação de decadência do crédito tributário relativo IRPJ e CSLL apurado no 3º trimestre de 2005 e o PIS e COFINS referente aos períodos de julho de 2005 e novembro de 2005, a teor da regra prevista no art. 173, I do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, acolheu os argumentos da Contribuinte para cancelar partes dos débitos que já tinham sido declarados em DCTF ou que foram objeto de parcelamento, por considerar que os créditos tributários já estavam constituídos em data anterior aos lançamentos. Tendo em vista a exoneração parcial do crédito tributário não ultrapassou o valor de alçada, previsto na Portaria do Ministério da Fazenda nº 3/2008, não houve interposição de recurso de ofício. Em recurso voluntário (fls. 4.245 a 4.308), a Contribuinte, preliminarmente, sustenta a tempestividade da impugnação e, no mérito, reproduz as suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à (a) decadência dos tributos lançados, considerada a data dos respectivos fatos geradores (anos-calendário de 2005 e 2006) e a ciência dos lançamentos (ocorrida apenas em janeiro de 2012); (b) ausência de autorização à RFB para obtenção de informações da Operação Persona; (c) improcedência de arbitramento do lucro, considerada a possibilidade de auditoria da apuração da Contribuinte nos anos-calendário de 2005 e de 2006 pelo lucro presumido e de 2007 pelo regime do lucro real; (d) improcedência da presunção de omissão de receita, considerado o fato de serem conhecidas as origens dos valores respectivos; e (e) ilegitimidade da imposição da multa qualificada, ante a ausência de comprovação de intuito de dolo ou fraude pela Contribuinte. Fl. 4419DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 36 35 É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, esclareço que fui designado pelo Presidente da 1a Câmara redator ad hoc após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista a não formalização do acórdão pelo relator originário, conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Tendo participado do julgamento em questão, observo que, na ocasião, foi disponibilizado pelo relator minuta do voto proferido. Tendo efetuado a sua revisão para fins de formalização do presente voto, verifico tratar-se de reprodução fiel do quanto foi apresentado em sessão e que representa, portanto, as razões que orientaram o Colegiado a reconhecer parcialmente a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Nestes termos, o voto a seguir é a reprodução do mencionado voto, com mínimos ajustes de redação que se fizeram necessários. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. a. Da tempestividade Da leitura do Termo de Informação Fiscal (Fls. 3.957 a 3.968), o auto de infração foi lavrado contra a Contribuinte em 06/12/2011. A RFB encaminhou intimação via postal ao endereço do domicílio tributário do contribuinte (SEDEX – Controle nº SI094218446BR), o qual, segundo constou no sistema de rastreamento dos correios, foi entregue em 09/12/2011 (fls. 3.957). Conforme consta no Aviso de Recebimento, a intimação foi recebida por Adriana Macedo (fls. 3.957), a qual é a responsável pela Agência dos Correios (AGC) Itakamosi, Município de Vassouras/RJ. Em expediente datado de 14/12/2011, a responsável pela AGC, Sra. Adriana Macedo, informou à Fiscalização que: “(...) de boa fé recebi este sedex para a empresa Marnanglo Empreendimentos e Parti. Ltda, dia 09 deste. O Sr Waldomiro Alves Rocha responsável pela correspondência devolveu-me dizendo que não é mais o procurador e que não poderia recebe- las.” Em 09/11/2012, mesmo dia em que consta no AR como data do recebimento da intimação, o Sr. Waldomiro Alves Rosa, que até aquele momento era o responsável por prestar informações na ação fiscal, renunciou aos poderes que lhe foram conferidos pela Contribuinte. Abre-se aqui um parênteses: a despeito de citada renúncia, supervenientemente, o Fl. 4420DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 37 36 Sr. Waldomiro recebeu as intimações do despacho sobre a intempestividade da impugnação e da decisão de mérito proferida pela DRJ (fls. 4.066 e 4.243). Em vistas das informações prestadas pela Sra. Adriana, responsável pelo AGC, a RFB determinou que a intimação dos lançamentos fosse feita por edital em 20/01/2012 (fls. 3.950). Em 17/02/2012, a Contribuinte apresentou impugnação aos lançamentos (fls. 3.981 a 4.005). Mediante despacho proferido às fls. 4.061 a 4.063, a DRJ entendeu que a impugnação teria sido intempestiva ao considerar ter sido válida a intimação postal efetuada no dia 09/12/2011. Contra o referido despacho, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 4.072 a 4.085) alegando, em síntese, que (i) o Sr. Waldomiro não tinha poderes para receber a referida intimação; (ii) ainda que tivesse poderes, a intimação, por uma falha dos Correios, nunca teria sido entregue a ele; e (iii) mesmo que a intimação tivesse ocorrido, a data da intimação por edital deveria prevalecer. Em que pese o acórdão recorrido manter o entendimento de que a intimação ocorrida no dia 09/12/11 teria sido válida, o Colegiado a quo entendeu que a intimação por edital, neste caso, deveria prevalecer apenas para fins de contagem de prazo para a apresentação da impugnação. Verbis: 2.1. Como a intempestividade da impugnação só veio a ser declarada e, conseqüentemente, comunicada ao Contribuinte, após o processo ter sido encaminhado para julgamento, há que se conhecer da argüição de intempestividade e, sendo o caso, também da impugnação inicialmente apresentada, nos termos do art. 16, §4º, “c”, do Decreto 70.235/72, c/c ADN/COSIT nº 15/96. 2.2. Alega a Impugnante que Waldomiro não tinha poderes para tomar ciência dos Autos de Infração e que, independentemente, desse fato, a correspondência não lhe foi entregue, sendo inverídico o que afirma a Agente dos Correios. 2.3. Alega ainda que a Agente dos Correios não estava autorizada a assinar o AR e receber as correspondências endereçadas à MARNANGLO, tendo ela agido imprudentemente ao proceder da forma como procedeu. 2.4 Sustenta que as correspondências são sempre retiradas na caixa postal da agência dos Correios, não sendo entregues pessoalmente e que, no caso de AR, é depositado na caixa postal aviso de que consta correspondência com AR a ser retirada, não tendo o Sr. Waldomiro tomado conhecimento de que tal AR estava na Agência dos Correios. 2.5. Tendo em vista tais alegações, cabem algumas considerações, sem prejuízo do que já foi consignado no Despacho nº 9 – 3a Turma da DRJ/SP1. 2.6. Em primeiro lugar, é certo que, por parte da RFB, não houve qualquer irregularidade na intimação realizada por via postal, uma vez que o endereço para o qual foi enviada a correspondência é o do domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, conforme consta nos cadastros da RFB. 2.7. Por outro lado, as provas que já existiam nos autos e as alegações contraditórias do Contribuinte são mais do que suficientes para atestar que a Marnanglo, empresa autuada, tomou ciência em 09/12/2011. Fl. 4421DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 38 37 2.8. A alegação de que as correspondências eram “sempre” retiradas na Agência dos Correios de certa forma se opõe às reclamações que Waldomiro fez aos Correios, em virtude de outras intimações que a RFB havia feito à Marnanglo e que foram devolvidas, pelos Correios, sob o motivo de mudança de endereço do destinatário. Na Carta, Waldomiro diz que a MARNANGLO não mudou de endereço e exige providências para que aqueles fatos não se tornassem a repetir. Por outro lado, tal alegação corrobora com a conclusão do Auditor Fiscal de que a Agente dos Correios estava autorizada a receber as correspondências para a MARNANGLO. 2.9. Ressalte-se que não é incomum as empresas fazerem acordo com os Correios para que as correspondências destinadas para o endereço em que estão estabelecidas sejam redirecionadas para caixas postais, cabendo a elas, empresas, o dever de verificar, frequentemente, o conteúdo das mesmas. 2.10. Abaixo, encontram-se transcritos a ementa e trechos do voto de acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (www.trf5.jus.br/Jurisprudencia/), onde se observa que o procedimento adotado pela Agente dos Correios, qual seja, o de assinar o AR pela MARNANGLO, é mais comum do que se poderia pensar, não podendo tal fato, que decorre de acordo entre a Fiscalizada e terceiro (Correios), invalidar a intimação regularmente feita pela RFB. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA n.º 92807/RN - 2005.84.01.0011699 EMENTA AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO REMETIDA AO DOMICÍLIO FISCAL ELEITO PELO CONTRIBUINTE. REDIRECIONAMENTO PARA CAIXA POSTAL EM FUNÇÃO DE CONTRATO COM AGÊNCIA DOS CORREIOS. PRAZO DE RESPOSTA A PARTIR DA DATA FIRMADA NO AVISO DE RECEBIMENTO. – Tendo sido a notificação remetida ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, não há ilegalidade na contagem do prazo para oferecimento de resposta da ação fiscal com base na data do recebimento da intimação pela agência dos Correios com a qual o apelante tinha contrato de manutenção de caixa postal, para onde eram redirecionadas as correspondências remetidas à empresa alvo da fiscalização. – Aplicação do Decreto 70235/72 (art. 23, § 2º, parte inicial do inciso II). – Apelação improvida. Voto: (...) Invocou a recorrente o fato de, costumeiramente, receber as notificações da Fazenda Nacional em sua sede, pessoalmente, através de seu representante legal, enquanto que, na situação ora em debate, a intimação foi direcionada à sua caixa postal e recebida pela gerente dos Correios onde a mesma se localizava. Nesse caso, não se poderia ter como notificada a empresa alvo da fiscalização pelo simples recebimento firmado pela funcionária dos Correios. Fl. 4422DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 39 38 (...) Assim, se houve o redirecionamento da correspondência fiscal à Caixa Postal existente em nome do impetrante junto à agência dos Correios Franqueada São Manoel, tal fato ocorreu sem que a Fazenda Nacional concorresse para tanto. (...) Portanto, o fato de a intimação não ter sido entregue pessoalmente à impetrante decorreu de prática corrente entre a agência de Correios e o assinante da Caixa Postal ali localizada, não havendo como se atribuir à Receita Federal, que sequer conhecia esse procedimento adotado, a responsabilidade pelo decurso do prazo para a apresentação de resposta pelo contribuinte. (...) Nada mais há de se esperar do Fisco. Se a rotina dos Correios era a de redirecionar as correspondências destinadas à (...) para a sua Caixa Postal, conforme acerto realizado entre eles, cabia à impetrante averiguar, com a freqüência necessária, a existência de objetos a ela remetidos, (...) 2.11. Frise-se que referido acórdão foi reformado, por meio de segundo acórdão que deu efeitos modificativos aos embargos de declaração opostos pela impetrante, mas apenas para considerar incerto o momento em que a gerente de Correios efetivamente entregara o Auto de infração à empresa, o que implicou alteração do termo inicial do prazo de impugnação, passando ele a ser de 15 dias, contados da data de expedição da notificação (art. 23, § 2º, II, do Decreto 70.235/72), em vez da data de recebimento aposta no AR, como havia sido considerado no acórdão embargado. 2.12. No tocante à carta de renúncia ao mandato que Waldomiro enviou à RFB, a questão já foi tratada no Despacho nº 93ª Turma da DRJ/SP1, todavia, é bom que se diga que na intimação, por via postal, não há a exigência de que a pessoa que a recebe seja o representante legal da autuada ou seu mandatário, bastando que ela seja preposto, ou mesmo, como ocorre em algumas situações, que ela apenas se encontre no domicílio eleito pelo sujeito passivo, como se dá quando o recebimento é feito por porteiro de edifício condominial. É assim que vem se orientando a jurisprudência dos tribunais. 2.13. Note-se ainda que Waldomiro sempre atuou como preposto da Autuada, pois, conforme restou comprovado nos autos, Waldomiro, enquanto sócio formal da Fazenda Ribeirão, empresa que tem o mesmo domicílio tributário da Marnanglo, jamais deixou de receber ordens de Ernani Bertino Maciel, que, na realidade, era quem decidia pelas duas empresas. 2.14. Como bem observou a Fiscalização, a carta de renúncia enviada por Waldomiro e postada na mesma data em que a Agente dos Correios assinou o AR, é a prova cabal de que, em 09/12/2011, a MARNANGLO tomou ciência dos Autos de Infração, fato que, aliás, acabou por ser confirmado pela Agente dos Correios, quando em correspondência enviada à RFB, afirma, expressamente, que Waldomiro devolveu a documentação, sob alegação de que não era mais o procurador da MARNANGLO. 2.15. Conclui-se, portanto, que, sob o aspecto do aperfeiçoamento do ato de lançamento, não há como afastar a data, de 09/12/2011, como sendo a da ciência dos Fl. 4423DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 40 39 Autos de Infração, o que, alíás, já se havia concluído no Despacho nº 93ª Turma da DRJ/SP1. 2.16. Contudo, apesar do ora exposto, e, melhor analisando a questão sob o aspecto processual, é forçoso reconhecer que as intimações que se sucederam, quais sejam, a pessoal, realizada pela Agência da Receita Federal do Brasil em de Barra do Piraí/RJ, e a por edital, com publicação no Diário Oficial da União, produziram o efeito de alterar o termo inicial da contagem do prazo de impugnação. 2.17. Assim, tendo em vista que a intimação pessoal foi realizada, em 18/01/2012, há que se considerar tempestiva a impugnação apresentada, em 17/02/2012, e dela deve-se conhecer, nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/72.” Considerando-se os fatos de que não há prova efetiva de que a agente dos Correios efetuou a entrega dos lançamentos ao Sr. Waldomiro e de que a própria RFB reconheceu o insucesso da intimação postal mediante a realização da intimação editalícia, reconhece-se a tempestividade da impugnação apresentada e a conseqüente regularidade do processo administrativo. b. Da decadência Conforme se depreende do trecho acima transcrito, apesar de ter reconhecido que a data da intimação por edital seria o marco inicial para a contagem do prazo para a apresentação da impugnação, o acórdão recorrido considerou válida a intimação da Contribuinte via postal relativa aos lançamentos para fins de decadência. Nesses termos, considerou-se 09.12.2011 o termo ad quem do prazo decadencial. Confira-se: “2.36. A ciência, por via postal, ocorrida em 09/12/2011, foi considerada válida, razão pela qual, para efeitos de contagem do prazo decadencial, essa é a data da constituição do crédito.” (grifei) Com a devida vênia à proposta do acórdão recorrido, o Decreto n. 70.235/1972 não diferencia os efeitos da intimação dos lançamentos de acordo com a respectiva modalidade ou circunstâncias em que realizada. Apenas a intimação válida dos lançamentos inicia a contagem do prazo para a apresentação de impugnação e, concomitantemente, interrompe o prazo de contagem da decadência. Ou a intimação é válida ou a intimação não é válida, para todos e quaisquer fins. Note-se, nesse sentido, que o art. 23 do Decreto n. 70.235/1972 prevê a intimação editalícia apenas para as hipóteses em que não houver sucesso nas demais modalidades de intimação (pessoal, postal ou eletrônica) Admitida como válida a intimação editalícia em janeiro de 2012, é essa que deverá determinar a interrupção do prazo decadencial dos lançamentos. Considerada a inexistência de comprovação pela Contribuinte de pagamento antecipado e a acusação de fraude e simulação, aplica-se ao caso a regra de decadência prescrita no art. 173, I do CTN, razão pela qual se impõe o reconhecimento da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30.11.2006. c. Da utilização de informações da Operação Persona Fl. 4424DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 41 40 Aduz a Contribuinte que a Fiscalização não possuía autorização para utilizar informações da investigação denominada Operação Persona a ela relacionadas. Segundo a Contribuinte, a RFB detinha apenas autorização para fiscalizar o Sr. Ernani Bertino Maciel, pessoa esta que não se confunde com a Contribuinte. O acórdão a quo negou pedido de nulidade do lançamento, pois entendeu que a Fiscalização detinha autorização para se utilizar das provas levantadas na Operação Persona. Verbis: “2.48. Inicialmente cabe esclarecer que a autorização judicial deu-se em 25/11/2011, conforme fls. 3.700/3702, sendo que o pedido formulado pela RFB teve o fim específico de instruir o procedimento fiscal contra a Marnanglo. Antes disso, a RFB já havia obtido autorização para utilizar documentos apreendidos na Operação Persona e havia lavrado outros Autos de Infração, inclusive de IRPF contra Ernani Bertino Maciel, apontado pela Fiscalização como quem verdadeiramente decidia pela Marnanglo. 2.49. O Ofício 5038/201157LBB, da 4ª Vara Federal Criminal1ª Subseção Judiciária de São Paulo, às fls. 3.700/3.702, não deixa dúvidas quanto à possibilidade e legalidade da utilização das provas colhidas no processo criminal para instruir processo administrativo, desde que preservado o sigilo dos dados. 2.50. Ademais, deve-se frisar que os documentos obtidos, no âmbito da Operação Persona, são provas pré-constituídas e de conhecimento da Marnanglo, visto que foram apreendidos na residência de Waldomiro Alves Rosa, procurador da Marnanglo e sócio formal da Fazenda Ribeirão.” Da análise do despacho proferido pelo MM Juiz Federal da 4ª Vara Criminal Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, às fls. 3.701, verifica-se que há autorização específica para a utilização das provas apuradas naquele processo para fins de instrução de ação de fiscalização da RFB. Confira-se: “Some-se que o pedido é próprio e delimitado, com o fim específico de instruir procedimento de fiscalização do contribuinte MARNANGLO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ 04.870.142/0001- 60), bem como processo administrativo no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, como estamos diante de pedidos de utilização de provas emprestadas em relação a fatos direta ou indiretamente relacionados com os fatos apurados nesse procedimento criminal, entendo cabível a autorização de uso desses dados sigilosos devendo ser mantido o sigilo em relação a terceiros.” (grifei) Portanto, os argumentos da Contribuinte de que a (i) a fiscalização não detinha autorização para utilizar as provas apuradas na ação criminal; e (ii) que a autorização restringia-se à pessoa do Sr. Ernani Bertino Maciel não merecem prosperar. Rejeita-se, pois, a argüição de nulidade dos lançamentos. d. Do arbitramento de lucros Cinge-se a controvérsia à possibilidade ou não de apuração dos tributos lançados sob o regime de arbitramento, previsto no art. 50, II do RIR/99, o qual dispõe que: Fl. 4425DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 42 41 “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros e ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” Da leitura do referido artigo depreende-se que é fundamental que, para a aplicação da sistemática do lucro arbitrado, reste demonstrado que os vícios, erros ou deficiências tornaram a escrituração contábil imprestável para identificar a movimentação financeira ou determinar o lucro real ou presumido apurado pelo contribuinte. A posição uníssona dessa Corte é no sentido de que a aplicação o arbitramento do lucro é medida excepcional, extrema, ou seja, se faz necessário que a autoridade fiscal percorra todos os caminhos disponíveis para tentar compor o lucro real com as informações contábeis apresentadas. Depois de exauridas todas as possibilidades, sem sucesso, aplica-se, então, o arbitramento. Verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA E OUTROS Anos-calendários: 2005 e 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. NÃO CONTABILIZAÇÃO PARCIAL DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. PRESTABILIDADE DOS LIVROS FISCAIS. O arbitramento do lucro é medida extrema que somente deve ser utilizada pela autoridade lançadora do tributo se comprovadamente inexistirem meios que viabilizem a apuração do lucro real. A simples constatação de contas correntes bancárias não contabilizadas não se constitui, por si só, em motivo bastante e suficiente à desclassificação da escrita e ao consequente arbitramento do lucro. (...)” (grifei) (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Julgado em 06/03/2013. Relator Benedicto Celso Benício Júnior) No mesmo sentido: “(...) ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita.” (grifei) (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Julgado em 07/11/2012. Relator Maurício Pereira Faro) No mesmo sentido: Fl. 4426DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 43 42 “IRPJ - FALTA DE MOTIVAÇÃO VÁLIDA PARA ARBITRAMENTO DO LUCRO - NULIDADE - A técnica do arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção requer motivação válida e bem fundamentada na impossibilidade de se aferir a verdadeira base de cálculo dos tributos por outros meios. Quando o contribuinte dispõe de escrita contábil e fiscal aptas, o arbitramento não pode ser aplicado, senão o regime pelo qual a empresa optou.” (grifei) (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª. Turma Especial. Julgado em 07/11/2012. Relatora Meigan Sack Rodrigues) A questão a ser analisada, portanto, é saber se os apontamentos efetuados pela Fiscalização permitem considerar, de fato, a escrita comercial imprestável e, portanto, passível da aplicação da sistemática do lucro arbitrado. Para o período de 2006, em que a Contribuinte adotou o regime do Lucro Presumido, há de se avaliar se o livro caixa apresentado à Fiscalização continha inconsistências que implicariam na impossibilidade de verificar a movimentação financeira da empresa. Dispunha o art. 40 da então vigente Instrução Normativa SRF nº 93/97 que o IRPJ seria exigido pelo lucro arbitrado quando “o contribuinte, não obrigado a tributação do lucro real, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, nos quais deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária”. Portanto, para o ano de 2006, em que a Contribuinte adotou o lucro presumido, o Livro Caixa poderia suprir a falta da escrituração comercial convencional, desde que toda a movimentação financeira fosse escriturada. O acórdão recorrido apontou que os seguintes vícios no Livro Caixa da Contribuinte ensejaram o arbitramento do lucro. Confira-se (fls. 4.205 e 4.206): “2.66. Resumidamente, os vícios que acabaram por determinar o regime de tributação pelo lucro arbitrado foram os seguintes: a) a escrituração dos Livros Caixa dos anos-calendário 2005 e 2006 não possui sistemática de registros que demonstre efetivamente a movimentação financeira e bancária, bem como os saldos individualizados correspondentes à Conta Caixa e a cada uma das contas bancárias mantidas no Banco Bradesco, Banco Itaú e Unibanco. b) a fim de prover a Conta Caixa de saldo suficiente para a compra de uma aeronave, em 11/04/2005, no valor de R$ 200.000,00, a Fiscalizada alterou, dolosamente, no final do ano de 2006, o saldo existente daquela conta no ano-calendário 2001 e sucessivamente nos AC 2002, 2003, 2004, causando significativa influência no saldo inicial de 2005 (zero para 406.937,27), com repercussão nos saldos do anos-calendário 2006 e 2007, devendo ser ressaltado que ela havia se declarado inativa nas DIPJ originais dos anos-calendário 2001 a 2004. Fl. 4427DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 44 43 c) os saldos de Caixa e Bancos, constantes das últimas DIPJ retificadoras, apresentam divergências significativas com os registrados nos livros Caixa (2005/2006) e Razão (2007). d) o documento SP28IT3060 (“Fluxo de Caixa” da MARNANGLO), apreendido na residência de Waldomiro Alves Rosa (Operação Persona) comprova a insuficiência de saldo de caixa para a compra da aeronave e revela que o comando da MARNANGLO era exercido por Ernani Bertino Maciel; e) o pagamento da aeronave foi registrado na Conta Caixa, como tendo sido feito em dinheiro, fato que não foi comprovado pelo Contribuinte, que se restringiu a apresentar o Certificado de Aeronavegabilidade e recibo de compra, no valor de R$ 200.000,00, por outro lado, a Bauruense Tecnologia e Serviços LTDA., vendedora da aeronave, também não comprovou o recebimento, tendo ainda alegado impossibilidade de atender à intimação, em razão do decurso do prazo prescricional e inutilização da documentação contábil; f) no ano-calendário de 2006, há divergência entre valores escriturados no Livro Caixa e os dos extratos bancários, tais como: - depósitos bancários de valores significativos não registrados no Livro Caixa, sendo que alguns deles referem-se ao suposto contrato de mútuo com a Fazenda Ribeirão; - créditos bancários que foram registrados como saídas ao invés de entradas; - créditos bancários registrados com valores diferentes no livro Caixa; g) a alteração dos saldos de caixa dos AC 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 também comprometeu a escrituração dos livros Razão e Diário do AC 2007.” Aduz a Contribuinte que não haveria elementos para o arbitramento do lucro, pois não havia necessidade de que as contas bancárias fossem identificadas de forma individualizada no livro caixa e as retificações das DIPJs deveriam ser aceitas, pois substituem, para todos os efeitos, as declarações originais. Em que pesem as razões aduzidas pela Contribuinte, as constatações arroladas pela Fiscalização e, reproduzidas pelo acórdão recorrido, são suficientes para considerar que o Livro Caixa padecia de severas inconsistências, justificando o arbitramento do lucro do período. Às fls. 3839, a Fiscalização aponta diversas situações em que o livro caixa não reproduz os valores constantes nos extratos bancários ou aponta como saída de valores que, na realidade, referiam-se a entradas. Cite-se, por exemplo, outra inconsistência na escrituração do livro caixa, citada pelo acórdão recorrido, verbis: “(...) na data de 07/11/2006, “a fiscalizada afirma (fl. 1156) que, por meio do cheque nº 15, no valor de R$ 45.000,00, do Branco Bradesco, efetuou pagamento de mútuo à Fazenda Ribeirão e que o registro contábil encontra-se na página 36 do livro caixa. Fl. 4428DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 45 44 2.98. Todavia, o que o livro Caixa mostra, à fl. 1.216, são dois lançamentos, de R$ 45.000,00, que se anulam, pois um deles está registrado como entrada e, o outro, como saída, conforme demonstrado no quadro abaixo: ” Em relação ao período de 2007, em que a Contribuinte optou pelo regime do lucro real, a par (a) dos vícios relativos à apuração do saldo inicial do caixa do respectivo ano e (b) de os livros fiscais terem sido confeccionados e entregues à Fiscalização em períodos superiores a 100 dias contados da respectiva intimação,o arbitramento do lucro se justifica também pelo fato de as receitas da Contribuinte (e boa parte de suas respectivas despesas) sequer estarem atreladas ao desenvolvimento de sua atividade fim de assessoria e consultoria, o que torna controversos os lançamentos contábeis respectivos. Nesse ponto, pede-se vênia para transcrever trecho do acórdão recorrido, verbis: 2.67. Afirma a Fiscalização que, em face dos vícios indicados no Termo de Constatação e das respostas dadas pelo Contribuinte a seus questionamentos, ele foi intimado a reapresentar os Livros Caixa dos AC 2005 e 2006 e os livros Razão e Diário do AC 2007, porém, não trouxe novos esclarecimentos ou comprovações com base em documentação hábil e idônea. 2.68. Além disso, a Fiscalização frisa com veemência, e, em diversas situações ao longo de seu relato, que quem decidia pelas empresas Marnanglo Empreendimentos e Participações Ltda. e a Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer Ltda., era Ernani Bertino Maciel, que também comandava as empresas Barra do Piraí Promoções e Eventos Ltda. e Brastec Tecnologia e Informática Ltda., as quais deram causa a créditos que compõem o presente lançamento. 2.69. De fato, a análise do que consta nos autos leva à conclusão de que a escrituração da Marnanglo não reproduz com fidelidade os fatos geradores dos tributos lançados, não apenas pelos vícios pontuais apontados, mas pelo fato de que as receitas oriundas da prestação de serviços em hotelaria eram atribuídas, ora à Marnanglo ora à Fazenda Ribeirão, segundo os interesses de Ernani Bertino Maciel. 2.70. A Impugnante não explica, em momento algum, os motivos que a levaram a desviar-se de seu objeto social e passar a prestar serviços de hotelaria, emitindo notas fiscais, por meio de seu único estabelecimento, que, à época dos fatos geradores, situava-se no município de Santana do Parnaíba/SP, enquanto quem estava habilitada a prestar os serviços e, portanto, a emitir os documentos fiscais, se não houvesse intromissão em sua atividade, era a Fazenda Ribeirão, que, embora não tenha deixado de fazê-lo, não o fez com exclusividade, conforme mostram os dados trazidos pela Fiscalização. 2.71. Note-se que o terreno e as instalações hoteleiras pertenciam à MARNANGLO, que no entanto firmara, ao menos formalmente, contrato de aluguel com a FAZENDA RIBEIRÃO, a fim de que esta explorasse, comercialmente, a atividade de hotelaria. Fl. 4429DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 46 45 2.72. Vide, abaixo, algumas cláusulas do referido contrato, no qual Waldomiro Alves Rosa, formalmente sócio da Fazenda Ribeirão, assina pela Marnanglo como mandatário desta: (...) 2.73. Como se vê, a prestação de serviços de hotelaria, nos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, era realizada num único espaço físico, sendo que, formalmente, havia duas empresas, ambas sob o comando de Ernani Bertino Maciel, explorando a atividade e, no caso da MARNANGLO, irregularmente, já que no período 2005 a 2007, ela sequer havia aberto filial e seu objeto social era outro. De acordo com os registros disponíveis no banco de dados da RFB (fls. 3628), a abertura do estabelecimento filial, no município de Barra do Piraí/RJ, ocorreu, em 16/09/2008, depois, portanto, da ocorrência dos fatos geradores de que trata o processo. 2.74. Pelo que vem sendo exposto, fica claro que as afirmações feitas pela Fiscalização acerca das transferências de recursos de uma empresa para outra, inclusive a desconsideração dos contratos de mútuo e da natureza de receitas que supostamente teriam origem no patrocínio do Rally Aéreo, sem excluir a transferências de despesas, não podem ser afastadas. 2.75. Não há, portanto, como desconsiderar o fato de que a contabilidade da Marnanglo não é merecedora de fé, a ponto de desclassificá-la, e, por via de conseqüência, arbitrar o lucro com base na receita conhecida, após análise individual dos depósitos bancários. 2.76. Às fls. 3801/3.813, a análise da situação econômica e financeira das empresas Marnanglo e Fazenda Ribeirão (item 6 do TVF), lastreada nos depósitos bancários e em dados das declarações enviadas à RFB, referentes aos anos- calendário 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, demonstra que tanto a receita bruta quanto a movimentação financeira tiveram variações inversas, quando se comparam os dados de uma empresa com os da outra. 2.77. A receita bruta e a movimentação financeira da MARNANGLO tiveram grande crescimento, já com relação à FAZENDA RIBEIRÃO, aconteceu o contrário, ambas diminuíram significativamente. 2.78. A análise mostra também a grande desproporção entre a receita bruta e a movimentação financeira, e isso vale para as duas empresas, ou seja, além da transferência de recursos de uma empresa para outra, há evidente indicação de que elas omitiram receitas nas declarações que enviaram à RFB, conforme se verifica no quadro, abaixo, extraído do TVF. (...) 2.79. Esses dados também confirmam que a atividade hoteleira era explorada, ao menos formalmente, pelas duas empresas, e, conseqüentemente, revelam a impossibilidade de se realizar, com a confiabilidade necessária, o confronto das receitas e despesas com vistas à apuração do lucro real do ano-calendário 2007, e, em que pese a menor complexidade, do lucro presumido dos anos 2005 e 2006. 2.80. Portanto, reafirma-se aqui que agiu acertadamente a Fiscalização ao arbitrar o lucro com base em depósitos bancários, procedimento este que contou com a participação do sujeito passivo, dado que, por meio de intimações específicas, ele foi instado a esclarecer e a comprovar a origem de cada depósito.” Fl. 4430DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 47 46 Legítimo, portanto, o arbitramento de lucros nos anos-calendário de 206 e de 2007. e. Da Omissão de Receitas Da leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.778), a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos depósitos selecionados pela Fiscalização, os quais totalizavam o montante de R$ 7.665.413,05. A Contribuinte, por sua vez, do total questionado, deixou de justificar cerca de R$3 milhões conforme tabela constante no TVF, a qual está reproduzida a seguir (fls. 3.779): Do valor justificado, a Contribuinte alega que os depósitos tiveram origem (i) no desempenho da atividade de hotelaria; (ii) em contratos de mútuo; (iii) em serviços prestados para a Brastec; e (iv) em operação de capital de giro. Quanto ao primeiro tópico acima (atividade de hospedagem), conforme informações prestadas pela Contribuinte, os depósitos diziam respeito a adiantamento de reservas, depósito de cheque de hospedes, faturas de serviços de hospedagem e desconto de cheques e duplicatas de clientes. A Fiscalização entendeu que, dada a ausência no objeto social da Contribuinte da atividade de hotelaria, e da ausência de comprovação respectiva, as justificativas apresentadas não poderiam ser acolhidas. A par da ausência de efetiva comprovação acerca da origem dos valores depositados, mediante apresentação de documentação hábil e idônea em que haja coincidência de datas e valores, o afastamento da tributação dos montantes em referência apenas se justificaria se a Contribuinte tivesse comprovado à Fiscalização o oferecimento à tributação dos montantes respectivos ou a não incidência/isenção tributária na hipótese. Mesmo diante dos esclarecimentos apresentados pela Contribuinte, os quais, reitere-se, estão desacompanhados de adequada comprovação, ainda assim a exigência dos tributos deveria ser mantida, ante a ausência de tributação respectiva pela Contribuinte. O mesmo ocorre com os serviços prestados em favor da empresa BRASTEC. A par da ausência de efetiva comprovação da prestação dos serviços, a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar que os valores em referência já tinham sido submetidos à tributação em data anterior aos lançamentos. Considerando-se que o acórdão a quo já exclui dos lançamentos os valores confessados em DCTF, a fim de se evitar duplicidade de lançamentos, não há dúvidas que tais depósitos, seja pela ausência de justificativa, seja pelo reconhecimento pela Contribuinte de que se tratam de receitas tributáveis, devam ser considerados como receitas omitidas. Fl. 4431DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 48 47 Quanto aos contratos de mútuo, por não se tratarem potencialmente de receitas, mas de lançamentos a crédito em contas patrimoniais, há de se analisar se as justificativas e documentos apresentados caracterizam os depósitos como uma operação de mútuo. Sobre o tema, há diversos lançamentos no livro caixa da Contribuinte com a denominação “DEPÓSITO EM DINHEIRO FAZENDA RIBEIRÃO” (fls. 3.786). Conforme demonstrado pela Fiscalização, a FAZENDA RIBEIRÃO pertencia ao mesmo grupo econômico da Contribuinte. Para justificar os depósitos, a Contribuinte apresentou contrato de mútuo firmado com a FAZENDA RIBEIRÃO, sem autenticação em cartório (fls. 3.789), por meio do qual constam os mesmos valores e datas cujos depósitos foram questionados. A Fiscalização aponta que o contrato não prevê a incidência de juros e entende que o instrumento respectivo foi elaborado apenas para atender à solicitação do procedimento fiscal, em manifesta simulação. O fato de o contrato não ter registro em cartório não é suficiente, de per si, para afastar a justificativa apresentada pela Contribuinte. Contudo, a ausência de prova a respeito da data em que o contrato foi celebrado entre as partes, - acrescida das circunstâncias de que (a) foi celebrado entre partes relacionadas, (b) com a indicação de valores não usuais (definidos em centavos); (c) sem a previsão de cláusulas ordinárias em contratos de empréstimo (como a fixação de juros); (d) sem o adequado registro correspondente em contabilidade; (e) cujos recursos foram aportados por terceiros e não pelo respectivo mutuante, que sequer teria condições financeiras para tanto, conforme apontado pela Fiscalização; - são indicativos seguros de que os valores em referência caracterizam omissão de receitas e não empréstimos. Por fim, em relação ao demais depósitos, a Contribuinte não apresentou documentos que comprovassem a origem e ilidissem a presunção legal de omissão de receitas. Rejeita-se, pois, o recurso voluntário nessa parte. f. Do Agravamento da Multa A prática de ocultar do fisco, mediante apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. No caso, constatou-se a apresentação de DCTFs e DIPJs com valores expressivamente inferiores àqueles verificados nas movimentações bancárias do Contribuinte, o que evidenciada substancial diferença entre a receita declarada e a efetivamente recebida. Citada conduta conduziu a Fiscalização a (acertadamente) lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96, lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96 c/c art. 71 da Lei n. 4.502/64. Fl. 4432DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 49 48 Esse entendimento encontra respaldo em precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE. - Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. IRPJ - DECADÊNCIA - CONTAGEM DO PRAZO - Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, desloca-se do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entende-se por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o ano-calendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia- se 1º de janeiro de 2001. CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. IRPJ/CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO - RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO - VALIDADE - É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO PATENTE - Auferir vultosas receitas de exportação sem declará-las à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo- as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar Fl. 4433DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720084/2011-71 Acórdão n.º 1102-001.321 S1-C1T2 Fl. 50 49 de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.” Marcos Vinicius Neder de Lima - Presidente. (i) Conclusão Diante de todo o exposto, orienta-se voto no sentido de conhecer do recurso voluntário da Contribuinte para (a) acolher em parte a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30.11.2006; (b) rejeitar a preliminar de nulidade e (c) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Fl. 4434DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13628.720654/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADA.
Não comprovadas as despesas médicas glosadas pela fiscalização com documentação hábil e idônea, deve-se manter a glosa relativa às deduções indevidas de despesas médicas.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADA. Não comprovadas as despesas médicas glosadas pela fiscalização com documentação hábil e idônea, devese manter a glosa relativa às deduções indevidas de despesas médicas. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 8. 72 06 54 /2 01 2- 70 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Contra a contribuinte acima qualificada, foi lavrada notificação de lançamento, em 12/11/2012 (fl. 28/32), anocalendário 2010, que constatou dedução indevida de despesas médicas por falta de comprovação, apurando crédito total de R$ 8.515,45. O enquadramento legal consta na notificação de lançamento. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fl. 02), instruída com documentos de fls. 03 e seguintes, alegando que as despesas médicas declaradas estão corretas já que teriam sido incluídas em DIRF e que a Receita Federal tem todos esses dados. Acrescentou que o ônus da prova incumbe a quem alega. Após análise dos autos, a autoridade lançadora concluiu que "o contribuinte deverá recolher a parte do crédito não contestada, referente a despesas médicas da Unimed Belo Horizonte, CNPJ 16.513.178/000176 (do valor declarado de R$ 7.017,12 concorda com a alteração para 3.657,66) [...]" A Turma de Primeira Instância, julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, o ônus probatório recai sobre o sujeito passivo. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à existência de previsão legal e à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados com o tratamento do contribuinte e/ou de seus dependentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" A contribuinte foi cientificada do Acordão nº 0943.267 6ª Turma da DRJ/JFA, em 04/04/2013 ( fl. 43). Sobreveio recurso voluntário em 16/04/2013 (fls. 45/46), repisando a tese de que o ônus da prova incumbe a quem alega e que a partir da nova Constituição Federal do Brasil, ninguém é obrigado por lei a produzir prova contra si mesmo. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi Fl. 51DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13628.720654/201270 Acórdão n.º 2301004.546 S2C3T1 Fl. 51 3 O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Sobre as deduções da base de cálculo na declaração de ajuste anual, o decreto nº 3.000/99, em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. [...] Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1°O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Compulsando os autos, verificase que a contribuinte não logrou comprovar a dedução com despesas médicas, deixando de acostar qualquer documentação, como recibos médicos, a fim de provar o dispêndio dos valores. Limitouse a contribuinte a alegar na impugnação e no presente recurso que o ônus da prova incumbe a quem alega, quedandose inerte quanto a efetiva comprovação das despesas médicas declaradas. Nesse sentido, cabe transcrever excertos da decisão a quo, os quais ratifico e utilizo como razões para julgar. A interessada alegou apenas que as despesas médicas foram corretamente declaradas por ela sem, no entanto apresentar os devidos comprovantes. Pelo entendimento da contribuinte, a Receita Federal teria em seus sistemas informatizados todas essas informações, provenientes das DIRF apresentadas pelas empresas. Devese esclarecer que esse tipo de informação não é declarado em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte), Fl. 52DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 mas sim por meio da DMED (Declaração de Serviços Médicos e de Saúde). Entretanto, ainda que as DMED tenham sido entregues pelos prestadores dos serviços, a contribuinte não estaria eximida de apresentar ao fisco federal os documentos comprobatórios das despesas médicas por ela declaradas. Acrescentese que, no que tange à glosa das despesas médicas, cumpre esclarecer que a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física prova a declaração, mas não o fato declarado. Compete ao contribuinte o ônus de provar o fato, quando intimado pela fiscalização, a qual tem atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Portanto, tudo que é colocado na declaração está sujeito à comprovação. Quando o contribuinte declara despesas médicas, ele está sujeito, se fiscalizado, a apresentar os respectivos documentos hábeis e idôneos. [...] Assim, não havendo comprovação das deduções através de documentação hábil e idônea, deve ser mantida a glosa de despesas médicas declaradas. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 53DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16561.720093/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE O VOTO E O REGISTRO DA DECISÃO.
Acolhem-se os embargos de declaração para reconhecer a contradição suscitada e saná-la, com alteração em parte do voto para adequá-lo ao registro da decisão.
Numero da decisão: 1402-002.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para sanar a contradição apontada e ratificar o teor da decisão proferida no Acórdão 1402-001.938.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para sanar a contradição apontada e ratificar o teor da decisão proferida no Acórdão 1402-001.938. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
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CONTRADIÇÃO ENTRE O VOTO E O REGISTRO DA DECISÃO. Acolhemse os embargos de declaração para reconhecer a contradição suscitada e sanála, com alteração em parte do voto para adequálo ao registro da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para sanar a contradição apontada e ratificar o teor da decisão proferida no Acórdão 1402001.938. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 93 /2 01 1- 38 Fl. 8180DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Conforme despacho de admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração tempestivamente contra o Acórdão 1402001.938 prolatado por este Colegiado e que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo para cancelar a exigência referente à realização da reserva de reavaliação e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. De acordo com a embargante a decisão teria incorrido em contradição, pois o resultado do julgamento indica o cancelamento da exigência referente à realização da reserva de reavaliação, enquanto no bojo do voto condutor o relator manifestouse claramente pela manutenção do lançamento quanto a essa matéria. Pelo exame dos autos constatase que assiste razão à embargante. De fato, a contradição é flagrante. Isso porque, em primeira análise, entendi que o procedimento fiscal estava correto quanto ao tema em questão e redigi o voto nesses termos. Durante o julgamento, acatei os argumentos em sentido contrário expedidos pelos meus pares e mudei meu posicionamento. Inadvertidamente não registrei no voto essa alteração. Cabe, portanto, a retificação do voto, com registro das razões pelas quais o lançamento não deve ser mantido nessa parte. Fl. 8181DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 1402002.092 S1C4T2 Fl. 8.181 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Tendo em vista a contradição no Acórdão 1402001.938, conforme detalhadamente explicado no relatório, no que se refere ao julgamento do item correspondente à reserva de reavaliação, registro a seguir a parte do voto que deve ser susbstituída: [....] No que se refere à escrituração, não constam do autos os registros a que o sujeito passivo se refere. Examinei a DIPJ e também não consegui localizar a origem dos valores informados na tabela apresentada. Registrese que a decisão recorrida já havia se manifestado pela inexistência de elementos comprobatórios das alegações e, ainda assim, a recorrente limitouse a reafirmar o anteriormente alegado, sem provas documentais. Nesse termos, voto por negar provimento ao recurso neste item. [...] O entendimento do colegiado foi expresso nos seguintes termos que passam a integrar o voto condutor: [...] No que se refere à reserva de reavaliação, ainda que as respostas dadas pela interessada aos pedidos de esclarecimento tenham sido insatisfatórias o colegiado atentou para o equívoco cometido pela autoridade lançadora na formalização da exigência. Isso porque o Fisco considerou a reavaliação como tendo ocorrido num momento único utilizando como parâmetro exclusivamente o saldo contábil, sem levar em consideração as sucessivas alterações na composição do ativo ao longo de diversos períodos como resultado, ou da depreciação ou da reavaliação de outros bens, como indicado na escrituração da interessada. Por esse motivo, voto por dar provimento ao recurso neste item. [...] Do exposto, voto por dar provimento aos embargos de declaração para sanar a contradição apontada conforme supra exposto e ratificar o teor da decisão proferida no Acórdão1402001.938. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 8182DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Fl. 8183DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.905387/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM BASE EM DÉBITO DECLARADO EM DCTF QUE JÁ HAVIA SIDO RETIFICADA ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO FUNDADO EM PREMISSA EQUIVOCADA. NULIDADE.
A DCTF retificadora, satisfeitas as condições normativas expedidas pela RFB, substitui integralmente a original, podendo o crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado ser utilizado para fins de compensação tributária.
Recurso ao qual se dá parcial provimento para declarar nulo o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF que já havia sido tempestivamente retificada antes do aludido despacho.
Numero da decisão: 3802-004.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso para declarar nulo o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF já retificada antes do aludido despacho.
Acompanhou o julgamento, pela interessada, o Dr. Dalton Miranda, OAB/DF 11.853.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM BASE EM DÉBITO DECLARADO EM DCTF QUE JÁ HAVIA SIDO RETIFICADA ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO FUNDADO EM PREMISSA EQUIVOCADA. NULIDADE. A DCTF retificadora, satisfeitas as condições normativas expedidas pela RFB, substitui integralmente a original, podendo o crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado ser utilizado para fins de compensação tributária. Recurso ao qual se dá parcial provimento para declarar nulo o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF que já havia sido tempestivamente retificada antes do aludido despacho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso para declarar nulo o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF já retificada antes do aludido despacho. Acompanhou o julgamento, pela interessada, o Dr. Dalton Miranda, OAB/DF 11.853. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM BASE EM DÉBITO DECLARADO EM DCTF QUE JÁ HAVIA SIDO RETIFICADA ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO FUNDADO EM PREMISSA EQUIVOCADA. NULIDADE. A DCTF retificadora, satisfeitas as condições normativas expedidas pela RFB, substitui integralmente a original, podendo o crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado ser utilizado para fins de compensação tributária. Recurso ao qual se dá parcial provimento para declarar nulo o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF que já havia sido tempestivamente retificada antes do aludido despacho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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(assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 53 87 /2 00 9- 82 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. O Relatório abaixo foi baseado naquele apresentado pelo Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira na sessão em que houve o julgamento do feito. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 7ª Turma da DRJ Campinas, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, não reconhecendo o direito creditório alegado na declaração de compensação objeto dos autos. A decisão recorrida foi fundamentada na ausência de prova do crédito reclamado, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. O contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de indeferimento da compensação realizada. A DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF. A declaração em Dacon não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data da apresentação da Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos que, em síntese, se referem: (i) à informação errônea na época da transmissão da DCTF, cujo valor correto do PIS seria de R$ 264.550,03, e não de R$ 269.038,35; (ii) ao fato de o processamento da DCTF retificadora haver ocorrido antes da ciência do despacho decisório; e (iii) ao não reconhecimento dos sistemas informatizados da Receita Federal da retificação efetuada. A primeira instância, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento objeto da lide em acórdão assim ementado: É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13884.905387/200982 Acórdão n.º 3802004.251 S3TE02 Fl. 191 3 Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: Abaixo reproduzo integralmente o voto apresentado pelo Conselheiro Relator na ocasião em que o feito foi julgado (sessão do dia 18/03/2015): Conforme consta dos autos, as provas apresentadas pelo contribuinte para valerse do reconhecimento do seu direito de crédito são a DCTF retificadora e a Dacon. Ambas foram transmitidas antes da ciência oficial da decisão de não homologação da compensação. Pois bem! No voto condutor do não reconhecimento do direito do crédito alegado pelo contribuinte, o Relator assim se manifestou: Caso o processo administrativo fosse isoladamente considerado, poderseia argumentar que o procedimento do contribuinte foi espontâneo e que, se tivesse providenciado a retificação da DCTF com mais antecedência, os sistemas informatizados da RFB a teriam levado em consideração na análise da compensação. É o que ocorreu no Processo nº 13884.902017/201027, em que a DCTF retificadora foi transmitida 221 dias antes da emissão do despacho decisório, diferentemente do observado no presente caso, em que a decisão pela não homologação foi proferida apenas 5 dias antes após a transmissão da mencionada declaração retificadora. (fls.90). Nesse sentido, a instância julgadora inferior entendeu impossível a restituição/compensação, ao fundamento de que a DCTF retificadora não seria espontânea no contexto em que foi transmitida. Tais argumentos não devem prosperar porquanto a DCTF retificadora tem a mesma natureza da retificada, substituindoa integralmente, cuja matéria, atualmente, está disciplinada no § 1º do artigo 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010. Ainda, em sede de fundamentação, nos termos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 9.784 de 1999, o administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão prolator. Posto isto, pelas razões de fato e de direito acima expostos, voto por CONHECER do presente recurso e DECLARAR NULO o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa falsa, qual seja, DCTF já retificada antes do aludido despacho. Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725709/2010-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ESPECÍFICA. DEIXAR DE ARRECADAR.
O art. 30, inc. I, a), da Lei n° 8.212/1991 estabelece a obrigação de a empresa arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, ficando sujeita à penalidade quando não cumpre essa norma, conduta distinta da ausência de recolhimento do tributo ou de ausência de declarações ao fisco.
RETROATIVIDADE DA NORMA PENAL MAIS BENIGNA.
Não há nova norma mais benigna relativamente à aplicação da penalidade isolada prevista no art. 92 da Lei n° 8.212/1991, com a regulamentação dada pelo art. 283 do Decreto n° 3.048/1999.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
O conhecimento do recurso especial de divergência depende de o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos pelo recorrente versem sobre a mesma situação tratada no auto de infração, não tendo sido essa a situação apreciada em nenhum deles, aguarda-se nova decisão da instância recorrida no tocante à penalidade aplicada.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reformar a decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do Recurso Voluntário quanto a multa específica aplicada. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 25/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ESPECÍFICA. DEIXAR DE ARRECADAR. O art. 30, inc. I, a), da Lei n° 8.212/1991 estabelece a obrigação de a empresa arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, ficando sujeita à penalidade quando não cumpre essa norma, conduta distinta da ausência de recolhimento do tributo ou de ausência de declarações ao fisco. RETROATIVIDADE DA NORMA PENAL MAIS BENIGNA. Não há nova norma mais benigna relativamente à aplicação da penalidade isolada prevista no art. 92 da Lei n° 8.212/1991, com a regulamentação dada pelo art. 283 do Decreto n° 3.048/1999. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso especial de divergência depende de o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos pelo recorrente versem sobre a mesma situação tratada no auto de infração, não tendo sido essa a situação apreciada em nenhum deles, aguarda-se nova decisão da instância recorrida no tocante à penalidade aplicada. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reformar a decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do Recurso Voluntário quanto a multa específica aplicada. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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MULTA ESPECÍFICA. DEIXAR DE ARRECADAR. O art. 30, inc. I, a), da Lei n° 8.212/1991 estabelece a obrigação de a empresa arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, ficando sujeita à penalidade quando não cumpre essa norma, conduta distinta da ausência de recolhimento do tributo ou de ausência de declarações ao fisco. RETROATIVIDADE DA NORMA PENAL MAIS BENIGNA. Não há nova norma mais benigna relativamente à aplicação da penalidade isolada prevista no art. 92 da Lei n° 8.212/1991, com a regulamentação dada pelo art. 283 do Decreto n° 3.048/1999. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso especial de divergência depende de o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos pelo recorrente versem sobre a mesma situação tratada no auto de infração, não tendo sido essa a situação apreciada em nenhum deles, aguardase nova decisão da instância recorrida no tocante à penalidade aplicada. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 09 /2 01 0- 69 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 9202003.789 CSRFT2 Fl. 1.062 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reformar a decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do Recurso Voluntário quanto a multa específica aplicada. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, à efl. 02, com relatório fiscal às efls. 340 e 341, relativo à multa por falta de arrecadação, mediante desconto das remunerações, das contribuições dos segurados contribuintes individuais e empregados que receberam remuneração. Em sua impugnação, às efls. 344 a 360, a empresa, que atua no ramo de transporte rodoviário de cargas secas e granel, contestou o auto de infração. A 5ª Turma da DRJ/CTA considerou improcedente a impugnação, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0634934 de 16/12/2011, ás efls. 380 a 392, mantendo a integralidade do crédito lançado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 395 a 406, no qual argumenta, em síntese: insuficiência na descrição da infração que não permite plena defesa; a subcontratação de outras empresas para realização dos transportes faz com estas sejam obrigadas à retenção das contribuições previdenciárias, já que os representantes por elas enviados são seus funcionários e não da recorrente; e ainda que mantida a multa aplicada, não caberia a incidência de juros de mora sobre essa exação. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 18/09/2012, pelo acórdão 2301003.046 (efls. 426 a 434), que tem a seguinte ementa: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 9202003.789 CSRFT2 Fl. 1.063 3 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Relativamente às matérias recorridas, houve manutenção unânime do entendimento da DRJ. Contudo, foi modificada de ofício, pela maioria, a multa aplicada no auto de infração. Tal modificação se daria em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, em face de alteração que, a partir das mudanças trazida pela Lei n° 11.941/2009 ao art. 35 da Lei n° 8.212/1991, tornou mais benéfica a aplicação da penalidade por mora disposta no § 2° do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 (limitado a 20%), do que a anteriormente aplicável (podendo chegar até 100%). O entendimento exarado é de que fosse aplicada a multa do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 até novembro de 2008, caso essa seja mais benéfica à contribuinte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 435 a 446, em 26/11/2013, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Em suma, afirma que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, com a redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, seria aplicável em casos nos quais os contribuintes realizassem pagamento do tributo devido de forma espontânea, mas extemporânea. Em casos onde inexistisse o recolhimento espontâneo, como no caso em questão, caberia o lançamento de ofício do tributo, com a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.460/1996, conforme prevista no art. 35A da Lei n° 8.121/1991. Por fim, salienta ainda que, com base na IN RFB n° 971 de 13 de novembro de 2009, relativamente aos fatos ocorridos até 30/11/2008, há que se comparar: a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941/2009, com as aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da mesma lei, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; com b) a multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n° 8.212/1991, acrescido pela Lei n° 11.941/2009. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 9202003.789 CSRFT2 Fl. 1.064 4 A partir dessa comparação, por aplicação do art. 106, inc. II, alínea “c” do CTN, aplicarseia a penalidade mais benéfica à contribuinte. Tal entendimento seria suportado pelos entendimentos dos acórdãos paradigmas: 230100283 e 240100120, bem como da IN RFB n° 971 de 13/11/2009. Pelas razões expostas, o Procurador pleiteou o provimento do RE para que se reforme o acórdão recorrido o acórdão recorrido. O Presidente da 3ª Câmara da Segunda seção de Julgamento do CARF através do Despacho n° 2300879/2013, às efls. 447 a 451, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 20/12/2013. Cientificada do resultado do julgamento de seu recurso voluntário e do prosseguimento do RE da Fazenda em 06/04/2015 (efl. 455), a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo previsto no art. 69 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Preliminarmente, há que se apreciar situação de fato concernente à admissão do recurso. Com a devida vênia, entendo que os acórdãos paradigmas não tratam de situação equivalente àquela tratada no auto de infração objeto do presente processo. Senão vejamos: Paradigma 230100.283 – “A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, bem como as destinadas aos Terceiros. O período do presente levantamento abrange as competências outubro de 1998 a janeiro de 2004, fls. 34 a 37; referente à verba "participação nos lucros e resultados” Paradigma 240100.120 – "Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.045.5177 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 58/61, referese a contribuições devidas à Seguridade Social e a Outras Entidades conveniadas, denominadas 'Terceiros' cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa, bem como não constam do banco de dados do Sistema de Fl. 460DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 9202003.789 CSRFT2 Fl. 1.065 5 Informação de Arrecadação e Débito do INSS DATAPREV" A situação posta no auto de infração em testilha decorre da constatação de que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados individuais e empregado, infringindo o art. 30, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, pelo que houve a sanção através do art. 92 da mesma lei, e quantificação regulada pelos arts. 283, inc, I, “g” e 283, inc, I, “g” e 373, ambos do Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999. Em uma conclusão apressada poderseia pensar em não conhecer do recurso, pelo fato de os acórdãos paradigma terem sido proferidos em face de lançamentos diversos daquele objeto do acórdão recorrido. Ocorre que, formalmente, as teses jurídicas esposadas no recorrido e nos paradigmas são claramente opostas, para enfrentamento daquela mesma situação, no acórdão descrita. Uma vez conhecido o recurso, verifico que foi proferida uma decisão equivocada pelo colegiado recorrido, formalmente atacada pela Fazenda Nacional (no Recurso Especial). Porém, nem a Fazenda Nacional, nem o então Presidente da Câmara (na análise de admissibilidade do Recurso Especial) e nem o contribuinte (em sede de contrarrazões), identificaram o equívoco do colegiado a quo, na análise do objeto da autuação, em face do Recurso Voluntário interposto. Em consequência, foi proferida uma decisão inexequível. Esclarecendo, à efl. 02 do AI que originou o litígio, está exposta a norma infringida pela contribuinte: Lei 8.212 de 24/07/1991, art,. 30, I, a) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a)arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (Grifei.) Relativamente à infração, foi descrito no relatório fiscal do AI, à efl. 340: “...a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados, contribuintes individuais e empregado que receberam remuneração...” O fato da falta de arrecadação não foi controvertido, o que se discutiu no mérito era se haveria incidência de contribuições sociais sobre os pagamentos feitos pela empresa a transportadores rodoviários autônomos. A conclusão do acórdão recorrido era de que o lançamento tem fundamento, que a contribuição era devida e quem teria a obrigação de arrecadar e recolher era a empresa. Logo, houve a infração ao art. 30, I, “a”, pela não arrecadação das contribuições, independentemente de haver ou não posterior recolhimento ao fisco; isso é matéria incontroversa. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 9202003.789 CSRFT2 Fl. 1.066 6 Aliás, essa obrigação é presunção legal posta no § 5° do art. 33 daquele diploma legal: § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (Grifei.) À infração daquela norma foi aplicada a sanção do seu art. 92 da mesma lei: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Essa penalidade teve sua quantificação especificada no Regulamento da Previdência Social, pelo Decreto n° 3.048 de 06/05/1999, em seus art. 283, I, g) e 373, c/c Portaria MPS/MF n° 333 de 29/06/2010, com o seguinte teor: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: ... g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) ... Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. (Grifei.) Fl. 462DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 9202003.789 CSRFT2 Fl. 1.067 7 A apreciação de ofício da penalidade informada no acórdão recorrido se focou em redação nova do art. 35 da Lei n° 8.212, alterado pela Lei n° 11.941/2009, que não era base legal da penalidade aplicada. Não havia que se fazer redução de ofício por cotejo do atual art. 35 com o anterior em face de possível incidência do art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”. Mesmo levando em consideração o RE da Fazenda, que, à efl. 445, in fine, invoca o disposto na Instrução Normativa RFB nº 971 de 13/11/2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, observase inaplicável outra forma de apuração de penalidades por descumprimento de obrigações acessórias ao caso concreto. Vale transcrever: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifei.) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso concreto, a obrigação descumprida foi a de arrecadar as contribuições dos empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. Pelo descumprimento dessa obrigação de arrecadar houve a sanção penal tributária com base em artigo distinto daquele que foi apontado tanto no acórdão recorrido quanto no próprio Recurso Especial. Observese que nem a antiga “multa de mora” do art. 35 nem as multas por falhas nas declarações dos §§ 4°, 5° e 6° do art. 32 estão dispostas na base legal do lançamento. Poderseia até buscar discutir se seria justo aplicar penalidade isolada por falta de arrecadação, cuja base legal não foi revogada, assim como acabou existindo a discussão sobre as penalidades acessórias incluídas nos §§ 4°, 5° e 6° do art. 32 (que foram revogadas. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 9202003.789 CSRFT2 Fl. 1.068 8 Assim, como essa questão não foi decidida pelo colegiado a quo, para evitar a supressão de instâncias, concluo pelo conhecimento do recurso especial de divergência, e a ele dou provimento parcial para reformar o acórdão recorrido, com retorno ao colegiado a quo, para apreciação do recurso voluntário quanto à multa específica aplicada, da forma estabelecida no auto de infração. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 464DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 9202003.789 CSRFT2 Fl. 1.069 9 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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