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Numero do processo: 16327.002698/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE.
Restando comprovado, por meio de diligência fiscal, que a autoridade fiscal procedeu o lançamento e a cobrança em duplicidade, há que se cancelar o Auto de Infração.
RO Negado e RV Provido
Numero da decisão: 3302-003.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Restando comprovado, por meio de diligência fiscal, que a autoridade fiscal procedeu o lançamento e a cobrança em duplicidade, há que se cancelar o Auto de Infração. RO Negado e RV Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 22/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 26 98 /2 00 3- 14 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da Resolução nº 3401.00.425 de fls. 192193: O processo trata de auto de infração eletrônico do PIS Faturamento lavrado em 17/06/2003, períodos de apuração de 01/01/1998 a 31/12/1998, cujos valores principais foram lançados com juros de mora e multa de ofício. A 10ª Turma da DRJ deu provimento parcial à impugnação para exonerar a multa de ofício, em razão de suspensão da exigibilidade do crédito tributário determinada no Mandado de Segurança nº 97.00576868. Da parte exonerada coube recurso de ofício, por ultrapassar o limite de alçada. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte inova em relação à impugnação e alega duplicidade do lançamento, referindose ao processo nº 16327.001916/200395. Informa que o Auto de Infração desse outro processo contempla o PIS nos períodos de janeiro de 1998 a abril de 2002, que nele a CSRF negou provimento a Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional de modo a reconhecer a decadência dos meses de janeiro a abril de 1998, e que em relação aos períodos de maio a dezembro de 1998, não decaídos, efetuou depósito judicial nos autos do Mandado de Segurança acima já mencionado. Informa também que autoridade fiscal desmembrou daquele processo nº 16327.001916/200395 os períodos de maio a dezembro de 1998, dando origem ao processo nº 16327.000178/200873, e junta documentos referentes a esses dois processos. Requer, em face da duplicidade de lançamento, o cancelamento do presente Auto. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. O voto proferido na referida Resolução, por unanimidade, foi no sentido de "...converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem junte cópia do Auto de Infração do PIS do processo nº 16327.001916/200395, de sua ciência à contribuinte e informe do desfecho desse processo, especialmente se os períodos de apuração de maio a junho de 1998 foram (e quando, se for o caso) cancelados." Atendendo a solicitação de diligência, a Receita Federal do Brasil (fls. 225 226) prestou as seguintes informações: Cuida o presente de auto de infração de DCTF, o qual originouse em declaração do contribuinte no tocante aos débitos de PIS de janeiro à dezembro de 1998. Tais débitos foram, como acima expresso, declarados pelo contribuinte com suspensão da exigibilidade em razão de ação judicial (MS 97.00576868). Retornou o processo do CARF em decorrência da Resolução nº 3401.000.425 – 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, onde os membros do Colegiado resolveram converter o julgamento em diligência , para que se acostasse ao presente cópia do auto de infração consubstanciado no PAF 16327.001916/200395 (já acostado), em Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.002698/200314 Acórdão n.º 3302003.086 S3C3T2 Fl. 3 3 razão das alegações do contribuinte de duplicidade, bem como se desse ciência ao contribuinte da conclusão da diligência, abrindose lhe o prazo de 30 (trinta) dias para, em querendo manifestarse. Informou o contribuinte, em síntese, que os débitos de janeiro a abril de 1998 foram extintos do processo 16327.001916/200395, visto que foi declarada a decadência do direito de lançálos, bem como foi aberto o processo 16327.000178/200873, para onde foram transferidos os períodos de maio a dezembro de 1998. No que pertine aos débitos de janeiro a abril de 1998, não há que se falar em duplicidade, visto que os débitos aqui controlados, conforme já explanado são oriundos de declaração do próprio contribuinte, que constitui confissão de dívida. Os débitos excluídos do processo 16327.001916/200395, o foram por diferente fundamento, assim os períodos de janeiro a abril de 1998, devem ser tratados neste processo. Cumpre informar que a decisão judicial vigente no MS 97.00576868 é o acórdão proferido na apelação nº 2004.03.99.0262021, cujos principais excertos colacionamse: "Não bastasse tudo quanto dito, insta ter em conta que a linguagem da constituição, por se tratar de documento de índole política, evidentemente não tem o mesmo rigor de significado que razoável esperar de uma lei civil ou penal, sendo aquela mais ampla de significação e de consequências. Portanto, quando o inciso V, do artigo 72, do ADCT, com a redação da Emenda Constitucional 17/97, se refere à receita bruta operacional, relativamente às instituições financeiras, reportase, indubitavelmente, à receita bruta oriunda da prestação de serviços e das operações financeiras decorrentes do exercício da atividade bancária. Em suma, no caso dos autos, a contribuição é devida, no período de 01 de julho de 1997 a 23 de fevereiro de 1998, na forma da Lei Complementar 7/70, em face da inconstitucionalidade da norma contida no artigo 4º da Emenda Constitucional nº 17/97, por violação do princípio da anterioridade nonagesimal, aplicável às contribuições previdenciárias por força do disposto no artigo 195, §6º, da Constituição Federal de 1988. Ante o exposto, nego provimento às apelações e à remessa oficial, para manter íntegra a sentença recorrida." Assim, verificase que para o período em tela, amparo judicial, existe apenas para o mês de janeiro de 1998, visto ser a apuração do tributo no final do mês. Relativamente aos períodos de maio a dezembro de 1998, constatase a efetiva duplicidade com processo 16327.000178/200873 (o qual já integra a base do e processo), e encontrase suspenso por medida judicial em razão dos depósitos que perfizeram o montante integral dos valores, efetuados no MS supra. Face ao exposto, e em cumprimento à resolução do CARF, proponho seja cientificado o contribuinte do presente despacho para, em querendo se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, findos os quais deverá o processo retornar ao CARF. . Devidamente intimada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 230233) alegando em síntese que: (i) é incontroverso que a Receita Federal do Brasil lançou duas vezes o valor discutido e, nesse sentido, a duplicidade deve ser Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 4 reconhecida; (ii) a decisão proferida pela CSRF no PAF nº 16327.001916/200395, que reconheceu a decadência do período relativo a 01/98 a 04/98, não pode ser rediscutida neste ou naquele processo, pois já possui caráter de definitividade; (iii) em relação aos débitos do período de 05/98 a 12/98 não há nada a acrescentar, à medida que a própria Autoridade Fiscal reconheceu a efetiva duplicidade de cobrança com o processo 16327.000178/200373. Assim, concluiu a Recorrente que os débitos tributários não são exigíveis, devendo ser anulado o auto de infração objeto do presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator. Recurso de Ofício O recurso de ofício é dirigido para revisão da decisão proferida no acórdão de nº 1630.746, da 10ª Turma da DRJ/SP1, que afastou a cobrança da multa de ofício nos termos do artigo 63, §2º, da Lei 9.430/96, conforme trecho da referida decisão destacado abaixo: No entanto, verificada a suspensão da exigibilidade, incabível a exigência da multa de ofício, a teor do disposto no art. 63, da Lei nº 9.430/96: “Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.” No presente caso, restou demonstrado e confirmado pela própria fiscalização às fls. 225226 que os débitos exigidos estão com a exigibilidade suspensa em razão da decisão proferida em 15.12.1997, nos autos do Mandado de Segurança nº 97.0057686 8 (fls.77120). Desta forma, a teor do que determina o dispositivo anteriormente citado, o ajuizamento de ação judicial favorecida com medida liminar e com depósito do montante integral interrompe a incidência da multa de ofício. Portanto, em relação a cobrança da multa de ofício, não merece reparo a decisão proferida pela primeira instância. Recurso Voluntário O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O princípio da verdade material Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.002698/200314 Acórdão n.º 3302003.086 S3C3T2 Fl. 4 5 O primeiro aspecto que deve ser destacado decorre do fato que a Recorrente (contribuinte) não apresentou em sede de impugnação argumentos atinentes a duplicidade de lançamento, o que em tese acarretaria preclusão do direito de alegar tal fato em sede recursal. A matéria relativa a duplicidade de lançamento somente foi arguida no recurso voluntário por ela interposto e, confirmado no resultado de diligência determinada pela 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária. Em resposta a diligência, a Receita Federal do Brasil (fls. 225226) confirmou a duplicidade de lançamento, exceção feita apenas ao período compreendido entre jan/98 a abr/98, pelas razões já mencionadas anteriormente. E por esse motivo, em observância ao princípio da verdade material, e que deve prevalecer, entendo que não há como deixar de analisar os fatos suscitados pela Recorrente em sede recurso voluntário, ainda mais, considerando que a própria autoridade fiscal confirmou a existência de duplicidade de lançamento. Assim, passo à análise das questões envolvendo a duplicidade de lançamento. A duplicidade de lançamento Neste ponto, a Recorrente sustenta a ocorrência de duplicidade de lançamento, uma vez que os débitos exigidos nestes autos foram constituídos no processo administrativo nº 16327.001916/200395. Conforme relatado, trata o presente processo de Auto de Infração eletrônico do PIS Faturamento lavrado em 17/06/2003, para cobrança de débitos apurados no período de 01/01/1998 a 31/12/1998. Para os mesmos períodos de apuração e para cobrança do mesmo tributo, PIS Faturamento, a autoridade fiscal também constituiu os créditos tributários por meio do processo administrativo nº 16327.001916/200395 (fls.202223). O demonstrativo abaixo, comprova a similitude de exigências realizadas pela autoridade fiscal, indicando que, de fato, ocorreu a duplicidade de lançamento: Todavia, a Receita Federal do Brasil desconsiderou parcialmente tais fatos e admitiu a duplicidade de lançamento somente em relação ao período compreendido entre mai/98 a dez/98, pleiteando o prosseguimento da cobrança em relação aos débitos de jan/98 a abr/98. Processo jan/98 fev/98 mar/98 abr/98 mai/98 jun/98 16327.002698/200314 857.872,83 924.223,65 772.121,18 706.255,18 905.099,34 934.337,16 16327.001916/200395 857.872,83 924.223,65 772.121,18 706.255,18 905.099,34 934.337,16 Processo jul/98 ago/98 set/98 out/98 nov/98 dez/98 16327.002698/200314 935.719,30 869.813,92 959.149,53 954.800,15 962.164,56 886.099,46 16327.001916/200395 935.719,30 869.813,92 959.149,53 954.800,15 962.164,56 886.099,46 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 6 Os argumentos apresentados pela autoridade fiscal para justificar o prosseguimento da cobrança em relação aos débitos de jan/98 a abr/98 (fls. 225226) estão assim descritos: No que pertine aos débitos de janeiro a abril de 1998, não há que se falar em duplicidade, visto que os débitos aqui controlados, conforme já explanado são oriundos de declaração do próprio contribuinte, que constitui confissão de dívida. Os débitos excluídos do processo 16327.001916/200395, o foram por diferente fundamento, assim os períodos de janeiro a abril de 1998, devem ser tratados neste processo. Cumpre informar que a decisão judicial vigente no MS 97.00576868 é o acórdão proferido na apelação nº 2004.03.99.0262021, cujos principais excertos colacionamse: Não bastasse tudo quanto dito, insta ter em conta que a linguagem da constituição, por se tratar de documento de índole política, evidentemente não tem o mesmo rigor de significado que razoável esperar de uma lei civil ou penal, sendo aquela mais ampla de significação e de consequências. Portanto, quando o inciso V, do artigo 72, do ADCT, com a redação da Emenda Constitucional 17/97, se refere à receita bruta operacional, relativamente às instituições financeiras, reportase, indubitavelmente, à receita bruta oriunda da prestação de serviços e das operações financeiras decorrentes do exercício da atividade bancária. Em suma, no caso dos autos, a contribuição é devida, no período de 01 de julho de 1997 a 23 de fevereiro de 1998, na forma da Lei Complementar 7/70, em face da inconstitucionalidade da norma contida no artigo 4º da Emenda Constitucional nº 17/97, por violação do princípio da anterioridade nonagesimal, aplicável às contribuições previdenciárias por força do disposto no artigo 195, §6º, da Constituição Federal de 1988. Ante o exposto, nego provimento às apelações e à remessa oficial, para manter íntegra a sentença recorrida. Assim, verificase que para o período em tela, amparo judicial, existe apenas para o mês de janeiro de 1998, visto ser a apuração do tributo no final do mês. Relativamente aos períodos de maio a dezembro de 1998, constatase a efetiva duplicidade com processo 16327.000178/200873 (o qual já integra a base do e processo), e encontrase suspenso por medida judicial em razão dos depósitos que perfizeram o montante integral dos valores, efetuados no MS supra. Face ao exposto, e em cumprimento à resolução do CARF, proponho seja cientificado o contribuinte do presente despacho para, em querendo se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, findos os quais deverá o processo retornar ao CARF" Como se vê, o entendimento da autoridade fiscal para justificar a manutenção da cobrança relativa aos débitos do período de jan/98 a abr/98 foi no sentido de que "os débitos aqui controlados, conforme já explanado são oriundos de declaração do próprio contribuinte, que constitui confissão de dívida. Os débitos excluídos do processo 16327.001916/200395, o foram por diferente fundamento, assim os períodos de janeiro a abril de 1998, devem ser tratados neste processo." Contudo, razão não assiste a autoridade fiscal. Com efeito, a decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 16327.001916/200395 que reconheceu a decadência dos débitos não pode ser desconsiderada. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.002698/200314 Acórdão n.º 3302003.086 S3C3T2 Fl. 5 7 Isto porque, referida decisão não foi alvo de nenhum recurso interposto pelas partes litigantes, tornandose, assim, definitiva a teor do que determina o inciso III, do artigo 42, do Decreto 70.235/72, disciplinado da seguinte forma: Art. 42. São definitivas as decisões: (...) III de instância especial. Desta forma, não resta dúvida de que a decisão proferida naquele processo, independentemente dos fundamentos utilizados pelo julgador para aplicar o prazo decadencial, deve ser cumprida para o fim de afastar a cobrança dos débitos aqui discutido, sob pena infringir o ato jurídico perfeito e o princípio da segurança jurídica. Portanto, considerando que já houve reconhecimento do prazo decadencial, tornase despicienda a manutenção da cobrança no presente feito, posto que, repitase, a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 16327.001916/200395, tornouse definitiva a teor do que determina o inciso III, do artigo 42, do Decreto 70.235/72. Deste modo, entendo que não deve prevalecer a cobrança dos débitos relativos ao período de jan/98 a abr/98, posto que (i) é incontroverso a duplicidade de lançamento; e (ii) a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 16327.001916/200395 deve ser totalmente cumprida para o fim de afastar a cobrança nestes autos. Para o período de mai/98 a dez/98, considerando que a autoridade fiscal admitiu a duplicidade de cobrança, o cancelamento de tais débitos também é medida que se impõe, sob pena de acarretar enriquecimento ilícito. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e, dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento realizado neste processo, por evidente duplicidade de lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 10830.002962/2002-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. No entanto, em que pese a contribuinte tenha alegado que figurou como "interposta pessoa", não se desincumbiu de provar que a origem dos recursos creditados na sua conta sejam provenientes de movimentação de terceira pessoa, ou seja, empresa da qual não possui sequer possui participação societária ou qualquer vínculo empregatício.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Júlio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. No entanto, em que pese a contribuinte tenha alegado que figurou como "interposta pessoa", não se desincumbiu de provar que a origem dos recursos creditados na sua conta sejam provenientes de movimentação de terceira pessoa, ou seja, empresa da qual não possui sequer possui participação societária ou qualquer vínculo empregatício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). Recurso Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 29 62 /2 00 2- 54 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Júlio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/SP2, nº 1735.260, constante em fls. 387/394 (PDF): Contra o contribuinte supraqualificado foi lavrado o auto de infração de fls. 12/15, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls.17/21 relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas, anocalendário 1998, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto o exame do cumprimento das obrigações tributárias relativas a esse período fl.0l). Das verificações realizadas resultou a apuração do crédito tributário no valor total de R$ 1.488.998,32 (um milhão, quatrocentos e oitenta e oito mil, novecentos e noventa e oito reais e trinta e dois centavos), na seguinte composição: (R$ ) Imposto 668.221,66 Juros de mora (calc. até 28/02/2002) 319.610,42 Multa proporcional 501.166,24 O crédito tributário constituído decorreu da constatação de irregularidade assim descrita no referido auto: “Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nessas operações não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea. " Enquadramento legal: art. 42 da Lei 9.430/96; art. 4° da Lei n° 9.481/97; art. 21 da Lei n° 9.532/97. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.002962/200254 Acórdão n.º 2301004.430 S2C3T1 Fl. 428 3 A multa de ofício foi aplicada no percentual de 75,00% (setenta e cinco por cento), com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 (fl.15). No Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante do Auto de Infração, o auditor fiscal responsável pelo procedimento dá conta dos fatos que originaram a autuação. Nele, verificase que, de posse de informações que revelavam movimentação financeira junto ao Banco Real S/A e Banco Itaú S/A e diante da constatação da não apresentação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao ano calendário de 1998, a fiscalização intimoua a apresentar os extratos bancários, bem como documentação que justificasse a origem dos recursos depositados nas contas bancárias. A fiscalizada impetrou Mandado de Segurança, tendo sido indeferido o pedido de medida liminar, o que foi posteriormente confirmado em decisão proferida nos autos de agravo de instrumento interposto. Foi expedida RMF Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira ao Banco Itaú (fl.34), que apresentou, entre outras informações solicitadas, os extratos bancários de fls. 59/97. De posse das informações fornecidas pelas instituições bancárias, a fiscalização efetuou os expurgos determinados em lei, e elaborou novas planilhas, intimando a fiscalizada a comprovar por meio de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nas operações . Não tendo a contribuinte atendido à intimação, lavrouse o auto de infração considerandose como omissão de rendimentos os valores dos depósitos bancários sem comprovação de origem, com respaldo no artigo 42 da Lei 9.430/1996 e alterações posteriores. A ciência do auto de infração foi dada pessoalmente à contribuinte na data de 22/03/2002 (fl.12). Em 23/04/2002, por meio de procurador constituído conforme instrumento de fl.184, a interessada apresentou a impugnação de fls.l49/174 na qual, após proceder ao relato dos fatos, aduz as razões de defesa que a seguir se reproduzem sinteticamente. Inicia, alegando a ilegitimidade da pretensão do Fisco, uma vez que não restou provada a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, bem assim a incompatibilidade de sua renda com a realização de gastos. Prossegue, afirmando que é estudante e não comerciante e que emprestou sua conta bancária, a pedido do exmarido Nelson Aparecido Dias, para que Eider José Silveira a movimentasse para realização de negócios comerciais da empresa IMPAKTO DISTRIBUIDORA IMPORTADORA e EXPORTADORA LTDA. Acrescenta que entregava os cheques assinados em branco e que jamais recebeu qualquer benefício em razão de sua ação. Afirma, ainda, que após várias tentativas infrutíferas junto ao Sr. Eider para que este prestasse esclarecimentos por escrito, procurou a ajuda de profissionais da área contábil e conseguiu obter alguns documentos que demonstram a existência da empresa mencionada. Confonne atestam tais documentos, o Sr. Eider era o representante de fato da Fl. 429DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 empresa e contra ela encontramse ajuizadas 18 (dezoito) execuções fiscais movidas pela Fazenda do Estado de SãoiPaulo, além de um Auto de Infração e Imposição de Multa lavrado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Conclui, pois, que se alguma infração foi cometida, esta deve ser debitada à referida empresa e/ou ao Sr. Eider, havendo, pois, no caso, eleição errada do sujeito passivo. Acrescenta que o método presuntivo utilizado pelo Fisco , que consiste no confronto entre os dados relativos à CPMF e os valores declarados a título de imposto de renda não tem sido admitido como suficiente para a manutenção dos lançamentos. Porque afirma os valores pagos a título de CPMF nao tem necessariamente qualquer relação com a renda auferida. Discorre largamente sobre os conceitos de presunção, indícios e ficção para concluir que a tributação erigida sobre depósitos bancários sem origem comprovada não se sustenta porquanto não restou comprovada a ocorrência do fato gerador no conceito adotado pelo artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim , questiona a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, aduzindo que esta foi criada e utilizada para a remuneração de títulos privado, trazendo à colação ementa do acórdão proferido por ocasião do julgamento do Resp n° 215881/PR (1999/00453450), relatado pelo Min. Franciulli Neto. Em 28/08/2002 o procurador da impugnante apresentou a petição de fl. 236, solicitando a anexação aos autos dos documentos de fls.237/3 80. A Turma de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação. A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1735.260 da 5ª Turma da DRJ/SP2 em 04/01/2010 (fl. 403/423). Sobreveio Recurso Voluntário em 19/01/2010 (fls. 403/423 PDF), no qual, a contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os autos de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada, com fundamento no art. 42 da Lei 9.430/1996, o qual dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.002962/200254 Acórdão n.º 2301004.430 S2C3T1 Fl. 429 5 No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. A recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame das peças constituintes dos autos, a interessada, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias indicadas pelo Fisco. Ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Cabe frisar que o objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, uma vez que, os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Inclusive, é entendimento pacificado neste E. Conselho, através da Súmula nº 26 do CARF, que não há necessidade de a fiscalização demonstrar sinais exteriores de riqueza para fundamentar lançamentos com base em depósitos bancários sem origem justificada: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Com efeito, sustenta a recorrente que emprestou sua conta bancária, a pedido do exmarido Nelson Aparecido Dias, para que Eider José Silveira a movimentasse para realização de negócios comerciais da empresa IMPAKTO DISTRIBUIDORA IMPORTADORA e EXPORTADORA LTDA. Acrescenta que entregava os cheques assinados em branco e que jamais recebeu qualquer benefício em razão de sua ação e junta cópia de Fl. 431DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 execuções fiscais contra a empresa IMPAKTO DISTRIBUIDORA IMPORTADORA e EXPORTADORA LTDA e certidões de dívida ativa, bem como acosta uma relação de títulos (duplicatas), que segundo a Recorrente foram sacadas pela empresa IMPAKTO para pagamento das operações comerciais realizadas entre a empresa que transitaram pela conta bancária da contribuinte fiscalizada. Contudo, como bem referiu a decisão a quo, a documentação apresentada logra demonstrar apenas a existência da pessoa jurídica (IMPAKTO DISTRIBUIDORA IMPORTADORA) em situação de irregularidade junto à Fazenda Estadual, porém, não há a devida vinculação dos depósitos bancários com a referida empresa, tendo em vista que as duplicatas acostadas (fls. 244/386), por si só, não são documentos hábeis a demonstrar a veracidade das alegações da Recorrente. Ademais, à título de esclarecimento, prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. No entanto, em que pese a contribuinte tenha alegado que figurou como espécie de "interposta pessoa", argumentando sobre a nulidade do lançamento por erro do sujeito passivo, não se desincumbiu de provar que a origem dos recursos creditados na sua conta sejam provenientes de movimentação de terceira pessoa, ou seja, empresa na qual sequer possui participação societária ou qualquer vínculo empregatício. Visto que o Recorrente não comprovou a utilização por interposta pessoa, conduz à presunção de ser ela a titular dos depósitos bancários em sua conta, conforme Súmula do CARF nº 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Quanto à insurgência do recorrente em relação à taxa Selic, a matéria resta pacificada neste E. Conselho, conforme Súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento da legitimidade de sua aplicação: “Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Logo, correta a aplicação da taxa Selic. Ante o exposto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 432DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.002962/200254 Acórdão n.º 2301004.430 S2C3T1 Fl. 430 7 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10803.720074/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator ad hoc
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Quinta Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .7 20 07 4/ 20 12 -1 6 Fl. 6347DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720074/201216 Resolução nº 1102000.302 S1C1T2 Fl. 3 2 2006, 2007, 2008 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. IRPJ. OCORRÊNCIA PARCIAL. O IRPJ por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, tratase de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário. No Anocalendário em exame, a regra era a da apuração do lucro real trimestral, mas o contribuinte poderia optar, como optou, pela apuração anual do IRPJ, o que implica em considerar que o fato gerador do tributo ocorreu em 31 de dezembro daquele ano. Logo, o lançamento de ofício realizado dentro dos cinco anos seguintes e após 31/12/2006 está fora do alcance da decadência. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. CAUSA NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS E IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. PROVIMENTO RECURSO. Trazidos aos autos a comprovação e a identificação dos beneficiários dos pagamentos de valores constantes das notas fiscais, exonerase o lançamento na parte objeto de comprovação, mantendose o lançamento na parte que não foi comprovada. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVIMENTO DO RECURSO. Comprovada a efetiva prestação de serviços por contratada da pessoa jurídica e tratandose de despesa necessária à manutenção da fonte produtora, é de se prover o recurso e cancelar a autuação quanto à parte que foi comprovada, mantendose o lançamento na parte que não foi comprovada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Fl. 6348DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720074/201216 Resolução nº 1102000.302 S1C1T2 Fl. 4 3 O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratase de fiscalização levada a efeito junto à empresa acima identificada relativa ao imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL e do imposto de renda retido na fonte –IRF nos anos base de 2006, 2007 e 2008. O resultado da fiscalização efetuada e amparada no mandado de procedimento fiscal – MPF nº 08.1.90.002012013845 foi o lançamento de ofício do IRPJ de R$ 2.283.566,34; da CSLL de R$ 848.003,88 e do IRRF de R$4.903.232,97, todos acrescidos da multa de ofício agravada de 150% e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$24.611.688,44. Segundo o Termo de Verificação Fiscal – TVF lavrado pelos autuantes em 24/10/2012, parte integrante dos autos de infração, o objetivo da fiscalização era verifcar o registro contábil e a regularidade no cumprimento das obrigações tributárias relacionadas ao IRPJ, em virtude da emissão de notas fiscais de prestação de serviços por Expertise Comunicação Total Ltda (Expertise), CNPJ 03.069.255/000107, nos anos calendários de 2006 a 2008. O termo de inicio de procedimento fiscal exigiu a apresentação de livros, informações e documentos nele relacionados, cujas exigências foram objeto de pedido e concessão de prorrogação de prazo para atendimento, mas que foram cumpridas, em 10/07/2012, com apresentação de 16 contratos de prestação de serviços entre a fiscalizada e a Expertise, cópias dos comprovantes de pagamentos efetuados em relação às notas fiscais emitidas em 2006, cópias do livro Razão, conta publicidade e propaganda do ano de 2006, balancetes de 2006 a 2008, cópia do contrato social e alterações, relação de administradores, balanço patrimonial em 31/12/2011 e declaração de que tomou serviços da Expertise nos anos de 2006 a 2008. Expediente datado de 16/07/2012 apresentou declaração da fiscalizada de que os valores pagos à Expertise não transitaram pelas folhas de pagamento e, e m2/08/2012, foram encaminhadas à fiscalização cópias dos comprovantes de pagamentos das notas fiscais emitidas em 2007 e 2008, realizados através do sistema Pagfor Bradesco e do livro Razão de 2007 e 2008, conta propaganda e publicidade. Os contratos apresentados pela fiscalizada (matriz e suas filiais), na condição de Contratante da Expertise, esta figurando como Contratada, revelou que tinham como objeto a prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização de cartão eletrônico denominado Exclusive Card ou Exchange Card. Segundo os autuantes, a Expertise prestava à fiscalizada serviços que correspondiam à implantação e condução do programa de gerenciamento de campanhas de marketing de incentivo, segundo critérios definidos pela Contratante e a disponibilização do uso do Exc* Charge para pagamento e recebimento da premiação, com créditos pré definidos a serem fornecidos pela Contratante para os indicados como recebedores dos prêmios, a título de incentivo profissional e como meio de publicidade interna da Contratante. Consta do TVF que, contratualmente, os critérios de premiação e do valor dos prêmios a serem distribuídos cabia à Contratante, excluindose qualquer responsabilidade da Contratada e que o objeto do contrato não visava proporcionar qualquer espécie de vantagem fiscal, trabalhista ou previdenciária ao Contratante ou a terceiro participante do programa de marketing de relacionamento, não implicando vínculo empregatício entre os contratantes ou entre uma parte e os funcionários da Fl. 6349DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720074/201216 Resolução nº 1102000.302 S1C1T2 Fl. 5 4 outra, sendo os encargos sociais, tributários, previdenciários e trabalhistas de seus respectivos funcionários. Informam os autuantes que nas notas fiscais da Contratada, Expertise, esta fez constar como “Não Tributados ISS” e “Tributados”, importâncias como descritos no campo “Discriminação dos Serviços e Despesas” correspondentes respectivamente a “Exchange Card Campanha de Incentivo” e “Comissão Agência...”, concluindo que tais importâncias destinavamse à remuneração pelos serviços que deveriam ser prestados pela Contratada e para aquisição de cartões carregados com valores a serem entregues a beneficiários indicados pela Contratante. Consta, ainda, do TVF, que o montante do valor das notas fiscais da Expertise foram pagas pela autuada e levado a resultado do exercício, em conta de despesa (propaganda e publicidade) sem identificar na contabilidade os beneficiários dos pagamentos efetuados através dos cartões Exchange Card, concluindo que não foi comprovada a efetiva prestação de serviços por parte da Expertise, a causa dos pagamentos e a identificação dos beneficiários desses pagamentos, o que implica na glosa desses valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com base no artigo 299, e seus parágrafos, do RIR/99. De igual forma, não identificados os beneficiários dos pagamentos e a efetiva prestação dos serviços e suas causas, segundo os autuantes, mister se faz necessário o reajuste dos valores relativos aos pagamentos feitos através dos cartões para fins de incidência do IRRF, cf. artigo 674, e seus parágrafos, do RIR/99. Em decorrência do procedimento contábil adotado, os autuantes entendem caber a aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 957 do RIR/99 e crime contra a ordem tributária, cf. lei 8.137/90, com a conseqüente formalização da representação fiscal para fins penais. Lavrados, os autos de infração apontaram para as seguintes infrações: AIIRPJ: Item 001 Custos, despesas operacionais e encargos. Pagamentos a beneficiários não identificados – causa não comprovada: Valores pagos à Expertise Comunicação Total S/C Ltda, apurados com base em notas fiscais e registros contábeis, conforme Termo de Verificação Fiscal e Anexo 1, contratualmente destinados à aquisição de cartões que deveriam ser utilizados a pagamentos de prêmios a beneficiários que deveriam ser indicados pelo contribuinte, sem comprovação da causa dos pagamentos e sem identificação dos beneficiários. Valores contabilizados como propaganda e publicidade. Enquadramento legal: Art 3º da Lei 9.249/95. Art 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 300 e 304, do RIR/99 – Decreto 3.000/99. Os lançamentos do IRPJ, item 001, são acompanhados da multa de 150% e dos juros de mora. Item 002 – Custos, despesas operacionais e encargos. Despesas indedutíveis – falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços. Valores pagos à Expertise Comunicação Total S/S Ltda, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços, apurados com base em notas fiscais de prestação de serviços, conforme Termo de Verificação Fiscal e Anexo I que fazem parte integrante do presente AI. Fl. 6350DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720074/201216 Resolução nº 1102000.302 S1C1T2 Fl. 6 5 Enquadramento legal: Art 3º da Lei 9.249/95. Art 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 299 e 300 do RIR/99 – Decreto 3.000/99. Os lançamentos do IRPJ, item 002, são acompanhados da multa de 75% e dos juros de mora. AICSLL Item 001 – Custos/despesas operacionais/encargos. Custos/despesas operacionais/encargos não dedutíveis: valores pagos à Expertise Comunicação Total S/C Ltda, apurados com base em notas fiscais e registros contábeis, conforme Termo de Verificação Fiscal e Anexo 1, contratualmente destinados à aquisição de cartões que deveriam ser utilizados a pagamentos de prêmios a beneficiários que deveriam ser indicados pelo contribuinte, sem comprovação da causa dos pagamentos e sem identificação dos beneficiários. Valores contabilizados como propaganda e publicidade. Item 002 Valores pagos à Expertise Comunicação Total S/S Ltda, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços, apurados com base em notas fiscais de prestação de serviços, conforme Termo de Verificação Fiscal e Anexo I que fazem parte integrante do presente AI. Colase abaixo o fundamento das autuações da CSLL: O s lançamentos da CSLL: item 001, são acompanhados da multa de 150% e dos juros de mora; item 002, são acompanhados da multa de 75% e dos juros de mora. AIIRRF Item 001 – Imposto de renda na fonte – apuração reflexa. Imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa: valores pagos à Expertise Comunicação Total S/C Ltda, apurados com base em notas fiscais e registros contábeis, conforme Termo de Verificação Fiscal e Anexo 1, contratualmente destinados à aquisição de cartões que deveriam ser utilizados a pagamentos de prêmios a beneficiários que deveriam ser indicados pelo contribuinte, sem comprovação da causa dos pagamentos e sem identificação dos beneficiários. Valores contabilizados como propaganda e publicidade. Enquadramento legal: Art. 674 e 675 do RIR/99. Os lançamentos do IRRF, item 001, são acompanhados da multa de 150% e dos juros de mora. O enquadramento legal das multas foram copiados dos AI e colados abaixo: Fl. 6351DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720074/201216 Resolução nº 1102000.302 S1C1T2 Fl. 7 6 Os autos de infração foram objeto de ciência do contribuinte em 30/10/2012 (fl. 3202) e contestados através de impugnação apresentada em 22/11/2012 (fls. 3206 e seguintes) em que o contribuinte, irresignado, apresenta suas razões de fato e de direito, que se resumem em que: * todas as autuações decorrem dos fundamentos apontados no TVF pela autoridade administrativa, mas baseiamse em presunções sobre fatos ocorridos que são interpretados somente em favor do fisco, para justificar a arrecadação almejada, sem que haja comprovação robusta de sua realidade, afrontando princípios constitucionais de ampla defesa, contraditório e devido processo legal, devendo ser cancelados, sob pena de afronta aos princípios basilares do direito, mormente quando se evidencia o cerceamento do direito de defesa; * os lançamentos são nulos em decorrência do cerceamento do direito de defesa, vez que, em momento algum da ação fiscal a autuada foi intimada a apresentar a relação dos beneficiários das comissões, objeto dos pagamentos efetuados por ela, glosados como pagamentos a beneficiários não identificados e sem comprovação da efetiva contrapartida de prestação dos serviços; * contestou os lançamentos alegando que não foi intimada a fazer comprovação, ou apontar as causas dos pagamentos e a identificação dos beneficiários desses pagamentos, pelo que teria havido cerceamento do seu direito de defesa e, por conseguinte, serem nulos os autos de infração; * o direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos tributários relativos aos fatos geradores anteriores a 30/10/2007 estariam extintos, face à ocorrência da decadência, em razão do transcurso de 5 (cinco) anos dos fatos geradores da obrigação tributária, face ao que dispõe o artigo 150, parágrafo 4º do CTN; * não é possível fazer o lançamento do IRPJ e do IRRF para os mesmos anos calendários, com base no artigo 674 do RIR/99. Isto porque, por sua natureza, o imposto na fonte: ou é o único imposto devido sobre o rendimento de que se trate (tributação definitiva), ou é cobrado como antecipação por conta de um imposto futuro; * traz a lume, por juntada aos autos, a identificação dos beneficiários dos pagamentos, a comprovação da efetiva prestação dos serviços pela Expertise (contratada), do pagamento dos serviços prestados e, conseqüentemente, da necessidade das despesas para a manutenção de suas atividades; * a legislação vigente e as jurisprudências administrativas amparam as suas teses anteriormente declinadas. Requer, in fine: o cancelamento dos autos de infração e o arquivamento sumario do presente processo; .exclusão da multa de 150%, em razão da impossibilidade de aplicação da mesma concomitantemente com a penalidade imposta pelo artigo 674 RIR/99 ou seja reduzida ao mínimo legal, desqualificandoa pela falta de comprovação Fl. 6352DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720074/201216 Resolução nº 1102000.302 S1C1T2 Fl. 8 7 da fraude, conluio ou simulação; protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em direito. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a impugnação da Contribuinte, sob os fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em síntese, o acórdão impugnado acolheu em parte a preliminar de decadência suscitada pela Contribuinte para cancelar as exigências de IRPJ, CSLL e IRRF anteriores a 01.01.2007, considerada a antecipação de pagamento dos tributos lançados e a data de ciência dos lançamentos (30.10.2012). No mérito, o acórdão recorrido determinou (a) o cancelamento da exigência de IRPJ, CSLL e IRRF, sob o fundamento de que teriam sido comprovados os beneficiários e causa dos pagamentos ao longo do procedimento fiscal; e (b) a redução do percentual da multa de ofício de 150% para 75%, por entender que a Fiscalização não teria apresentado elementos suficientes para comprovar a fraude, dolo ou simulação que justificaria a qualificação da multa aplicada. Tendo em vista a exoneração parcial do crédito tributário acima do valor de alçada previsto na Portaria do Ministério da Fazenda nº 3/2008, o Colegiado a quo suscitou de ofício o reexame da matéria a este órgão julgador de segunda instância. Em recurso voluntário, a Contribuinte suscita apenas preliminar de decadência dos valores exigidos a título de IRRFonte no período de 01/01/2007 a 30/10/2007 e informa a adesão ao parcelamento especial em relação aos débitos de IRPJ, CSLL e IRRFonte remanescentes do (não cancelados pelo) acórdão recorrido. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, esclareço que fui designado pelo Presidente da 1a Câmara redator ad hoc após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista a não formalização do voto pelo relator originário, conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Tendo participado do julgamento em questão, observo que, na ocasião, foi informado pelo relator que o caso seria muito semelhante ao de outra empresa que havia sido julgado na sessão do mês anterior, e no qual o colegiado havia decidido pela conversão do julgamento em diligência. E que, por conseguinte, o voto proferido também seria, substancialmente, o mesmo. Nestes termos, o voto a seguir foi elaborado a partir do mencionado voto, com mínimos ajustes de redação que se fizeram necessários. Os recursos de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. Fl. 6353DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720074/201216 Resolução nº 1102000.302 S1C1T2 Fl. 9 8 Conforme se depreende do relatório supra, os lançamentos de IRPJ, CSLL e IRFonte objeto deste PA decorrem do fato de que a Contribuinte não teria identificado os beneficiários e o efetivo pagamento (a esses beneficiários) de valores objeto do contrato de prestação de serviços e outras avenças celebrado com a Expertise Comunicação Total S/C Ltda., cujo objeto é a prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante utilização do cartão eletrônico denominado Exclusive Card / Exchange Card (que seria entregue aos beneficiários em contrapartida ao cumprimento de metas de trabalho e performance – prêmios / comissões pela venda). Em impugnação, a Contribuinte traz vasta informação acerca dos efetivos beneficiários dos pagamentos realizados em favor da Expertise, decorrentes da prestação de serviços para a comercialização dos bens por ela produzidos em todo o território nacional. Diante da documentação apresentada e por discordar dos critérios da Fiscalização sobre o tema, o acórdão recorrido entendeu que estariam comprovados a causa e os beneficiários de boa parte dos citados pagamentos, como também a necessidade dos dispêndios em referência para a respectiva fonte produtiva. Contudo, do exame dos autos, verificase que citada documentação não foi adequadamente auditada pela Fiscalização, que a desconsiderou ao longo do procedimento fiscal, e foi examinada por amostragem pelo acórdão recorrido. Nesses termos, com a devida vênia, por sua relevância para a solução da lide, e ante os demais elementos constantes dos autos, indispensável a conversão do julgamento em diligência para que seja adotada pela E. Delegacia da Receita Federal da jurisdição da Contribuinte as seguintes providências: (i) seja intimada a Contribuinte e a Expertise para que estas informem a relação discriminada de todos os beneficiários aos quais foram entregues os Cartões Exclusive Card de que trata o contrato de prestação de serviços objeto desse processo administrativo, com (a) identificação de nome, CPF e endereço; (b) indicação de datas e valores, acompanhada dos respectivos comprovantes de entrega ou qualquer outro elemento de prova que comprove tal entrega e (c) indicação do vínculo respectivo do beneficiário com a Contribuinte. Caso os cartões sejam entregues diretamente à Contribuinte para repasse aos beneficiários, intimar a Contribuinte para que forneça os comprovantes de entrega dos cartões aos beneficiários ou qualquer outro documento que lhes faça as vezes; (ii) verificar e atestar, de forma conclusiva e fundamentada, em diligência perante a Contribuinte, Expertise e, a critério da Fiscalização, os beneficiários, (a) a correção dos dados informados pela Contribuinte na planilha referida no item (ii) e nos demais elementos apresentados nos autos, contendo os supostos beneficiários do cartão eletrônico; e (b) quais beneficiários possuem vínculo de trabalho (com vínculo de emprego ou não) com a Fl. 6354DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10803.720074/201216 Resolução nº 1102000.302 S1C1T2 Fl. 10 9 Contribuinte, indicando especificamente em relação a cada um deles a natureza do respectivo vínculo, as datas e os valores por eles recebidos por força dos cartões eletrônicos e o respectivo fundamento, cotejando as informações com as notas fiscais emitidas pela Expertise. (iii) Para a providência solicitada no item (ii) supra pedese sejam verificados também extratos dos cartões e outros documentos bancários que possam comprovar as informações constantes da planilha referida no item (i) e a efetiva fruição dos valores pelo respectivo beneficiário. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Fl. 6355DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO
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Numero do processo: 19515.720797/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.564
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter os autos em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de Autos de Infração com exigência da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep e da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 359/396), incluindo o principal, multa proporcional (75%) e juros de mora, calculados até 04/2013, totalizando R$ 14.174.792,18 o crédito tributário. Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep 2.528.476,32 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins 11.646.315,86 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 79 7/ 20 13 -1 6 Fl. 6217DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.218 2 Valor do Crédito tributário apurado 14.174.792,18 Os lançamentos são decorrentes da constatação de falta/insuficiência de recolhimento das contribuições, por desconto indevido de créditos. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 350/358, verificase que foram glosados créditos calculados sobre valores declarados no DACON relativos a: a) Descartáveis, escriturados como bens adquiridos para revenda, sob fundamento de que este tipo de comercialização (venda de descartáveis) não se enquadra nas atividades praticadas pela empresa, constantes do Estatuto Social, assim, não poderiam compor a base de cálculo dos créditos do PIS. b) Bens utilizados como insumos (pães em geral, recheios em geral e sobremesas), diferença entre os valores declarados no DACON e os valores demonstrados e comprovados pela empresa; c) Gastos com produtos de higiene/limpeza, sob o fundamento de que não deveriam compor a base de cálculo dos créditos do PIS, por não terem amparo legal e, por não se tratarem de bens considerados insumos efetivamente consumidos ou desgastados em razão do contato direto com o produto em fabricação, tendo em vista a atividade econômica da empresa. d) Gastos com Assistência Médica – Unimed, P.C.M.S.O, P.P.R.A, Vale Transporte Fichas, Transportes Profissionais, Assistência Médica – Outras, Assistência Odontológica Uniodonto, Assistência Odontológica Outras, Cesta Básica – VR, Cesta Básica – Física, Logística (Alimentar e Não Alimentar), Assessoria Gestão e Qualidade, Assessoria RH/Treinamento, Equipamentos – Alojamento, Uniforme, sob o fundamento de que a utilização dos valores como base de cálculo dos créditos não tem amparo legal. e) Também foram glosados créditos apurados sobre gastos com Vale Transporte Fichas, Transporte Profissionais Fichas, Uniformes e Epi, sob o fundamento de que a legislação não permitia à época, porém, com a publicação da Lei 11.898 em 09/01/2009, em seus Artigos 24 (PIS) e 25 (COFINS), somente as empresas que exploram a atividade de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção, podem utilizar tais gastos na composição da base de cálculo para apuração dos créditos das contribuições. Assim, podese concluir que em anos anteriores nenhum tipo de empresa poderia utilizar os gastos na composição da base de cálculo dos créditos das contribuições. Cientificada das exigências em 16/04/2013 (fl. 398), a empresa apresentou, tempestivamente, impugnação aos autos de infração, fls. 406/457, contestando o feito fiscal, na qual alega, em síntese, o que segue: NULIDADE Entende ser nulo o crédito tributário relativo a COFINS sob o argumento de que no curso do procedimento de fiscalização, a RFB limitouse a apontar a contribuição ao PIS como tributo alvo de sua análise. Entretanto, no momento de encerrar tal procedimento e lavrar o auto de infração, sem qualquer outra explicação, houve por Fl. 6218DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.219 3 bem constituir o crédito tributário considerando não apenas a contribuição ao PIS, sempre referida nas intimações dirigidas a ela, mas também suposto não recolhimento de COFINS. Argumenta que tendo sido iniciada a fiscalização com relação ao PIS, o resultado final do trabalho fiscal somente poderia ser a constituição de crédito tributário relativo ao tributo que era alvo da fiscalização. Cita decisão do CARF cujo entendimento foi de que eventuais irregularidades na emissão do MPF ou extrapolação dos limites da investigação fiscal nele definidos acarretam a nulidade do lançamento. Entende que laborou em equívoco a RFB ao não se ater ao real e restrito espectro de seu trabalho de fiscalização, circunstância que impõe a nulidade parcial da peça fiscal (relativamente às contribuições a COFINS), a qual só poderia prosseguir com relação ao crédito tributário constituído a título de contribuição ao PIS. DECADÊNCIA Diz que a aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional deve ocorrer, segundo a melhor doutrina e jurisprudência, quando o contribuinte não recolher o tributo supostamente devido e não prestar qualquer informação ao Fisco sobre a existência da obrigação tributária. O art. 150, §4° do mesmo diploma, por sua vez, é aplicado quando o contribuinte efetua pagamento antecipado do montante devido. Aduz que o fato de ter efetuado o pagamento de PIS e COFINS nos períodos abrangidos pela autuação atrai a aplicação do art. 150, §4°, do CTN, devendo o prazo decadencial de cinco anos desde a data da ocorrência do fato gerador, considerando que os tributos em comento estão sujeitos ao lançamento por homologação, Alega que o período dos pagamentos realizados com os créditos glosados ocorreu no curso do ano de 2008. Sendo assim, considerando que a intimação acerca do Auto de Infração ocorreu em 16/04/2013, todos os valores pagos até 15/04/2013 utilizados, para abatimento ou desconto na apuração dos tributos, os créditos ora questionados foram homologados tacitamente pela RFB. Por esta razão, estão abrangidos pela decadência as parcelas do crédito tributário relativas aos períodos de apuração de janeiro a março de 2008, devendo, por esta razão, ser decretada a nulidade parcial do lançamento, relativamente a estes meses, como ao final será requerido. DESCARTÁVEIS Alega a impugnante que, para que se possa tratar da análise da possibilidade ou não de aproveitamento dos créditos relativos a despesas com aquisição de produtos descartáveis, há que se compreender a natureza das atividades desenvolvidas por ela e se ter conhecimento de quais são os produtos descartáveis cujas despesas com aquisição foram lançadas na conta questionada pela fiscalização. Na seqüência alega que pela leitura de seu estatuto social, ela, assim como a Puras do Brasil Sociedade Anônima, sociedade incorporada ao final do ano de 2011, se dedica à atividade de fornecimento de refeições coletivas. Acrescenta que tal atividade tem como característica básica o estabelecimento, dentro das dependências de outras empresas (os Fl. 6219DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.220 4 clientes), de restaurantes nos quais é preparada e servida a alimentação dos empregados das empresas contratantes. Alega que a venda de refeições é uma atividade mista, a qual compreende a revenda dos bens adquiridos e a prestação do serviço de preparo e entrega da refeição. Aduz que firmada a premissa de que a atividade de fornecimento de refeições compreende a venda de mercadoria e a prestação de um serviço, ainda que, para fins fiscais, todo o valor seja tributado pelo ICMS, há de se compreender quais são os "descartáveis em geral" lançados na conta 424 das DACONs entregues pela Impugnante. Diz que a abertura de tal conta (doc. 04) permite verificar que os bens que dela constam são copos, facas, garfos, colheres, bandejas, palitos, xícaras, marmitex, guardanapos, enfim, uma série de produtos que são adquiridos pela Impugnante e que precisam ser utilizados no momento em que servidas as refeições. Entende que de qualquer sorte, ainda que se entenda que tais produtos não são efetivamente revendidos pela empresa, o direito ao lançamento dos créditos não pode ser afastado apenas em face destes terem constado de conta destinada aos "bens adquiridos para revenda". VALORES NÃO COMPROVADOS DE INSUMOS Alega a impugnante que, apresentou os documentos requisitados pela fiscalização para a análise de seu crédito, quais sejam as planilhas que promoviam o cruzamento entre as DACONs apresentadas no ano de 2008 e as contas contábeis constantes de seu livro razão que formavam cada uma das 13 linhas destas DACONs. Em verdade, tratavase de uma descrição analítica das despesas agrupadas nas rubricas "bens adquiridos para revenda", "bens utilizados como insumos", "serviços utilizados como insumos" e assim por diante. Prosseguindo, afirma que em 25 de março de 2013, apresentou a sua derradeira manifestação. Nesta, por um equívoco no momento da extração de informações do sistema, os valores informados como sendo a base de cálculo para os créditos de PIS e COFINS decorrentes das aquisições de "pães em geral", "recheios em geral" e "sobremesas" restaram por ser diferentes daqueles que constam das DACONs e dos razões contábeis (doc. 05), gerando a controvérsia que deu ensejo à glosa ora discutida. Que a RFB houve por bem encerrar o seu trabalho elegendo como correta a indicação, por parte da Impugnante, de uma base de cálculo de créditos muito menor do que aquela que restou por ser informada durante todo o procedimento de fiscalização. A seu ver, a prudência determinava que a RFB questionasse a Impugnante acerca dos motivos que levaram à divergência. Entretanto, preferiu a RFB encerrar o procedimento, apontando como não comprovados todos os valores lançados nas DACONs e que ultrapassaram as importâncias referidas na resposta à intimação entregue em 25 de março de 2013. Fl. 6220DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.221 5 No contexto, argumenta, que a opção adotada pela RFB é, no mínimo, estranha. Isso porque restou por acolher como corretos os valores relativos às despesas com pães, recheios em geral e sobremesas apenas por terem constado de um documento emitido em papel timbrado da Impugnante e assinado por seu representante legal, desconsiderando documentos fiscais regularmente entregues (as DACONs) e livros contábeis que, na forma dos arts. 378 a 380 do Código de Processo Civil, fazem prova contra e favor dos contribuintes. Diz que não se quer retirar a validade da resposta apresentada à fiscalização no dia 25 de março de 2013. O que precisa ficar claro, entretanto, é que o documento assinado pelo representante legal dela pode ser considerado como um importante elemento de prova, mas não pode prevalecer em um confronto com documentos contábeis e fiscais que o contradizem. Acrescenta que, neste cenário, se a RFB não contesta o direito ao crédito de PIS e COFINS sobre a aquisição de "pães", "recheios em geral" e "sobremesas", o valor de tais créditos há de ser aquele integralmente lançado pela Impugnante em seu Livro Razão e posteriormente declarado nas DACONs, sob pena de se privilegiar uma mera resposta do contribuinte em detrimento de sua escrituração contábil e fiscal. PRODUTOS DESTINADOS À HIGIENE E LIMPEZA Alega a impugnante que, para um melhor desenvolvimento da questão, cumpre perquirir, inicialmente, qual o conceito de insumo para, após, se analisar o emprego dos bens destinados à higiene e limpeza dos restaurantes dela, assim como os materiais descartáveis utilizados no preparo e fornecimento de refeições. Entende que, as Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 simplesmente referemse à utilização de bens e serviços como insumo na fabricação de bens ou prestação de outros serviços, não estabelecendo a restritiva delimitação constante da Instrução Normativa n° 404/2004. Que, a correta conceituação de insumo para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS é muito mais ampla do que aquela aceita pela RFB e refletida na presente autuação. Afirma que, a legislação tributária reconhece a amplitude do conceito de insumos. Prova disso foi a edição da Lei n° 10.276/2001, a qual dispôs sobre o crédito presumido de IPI, na forma de ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação. Que, nesse caso, restou claro que os insumos que geravam direito ao crédito eram apenas as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Os demais insumos, por força de expressa disposição legal, estavam fora do benefício instituído. No seu entendimento, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já teve a oportunidade de se manifestar e acolher a tese ora defendida. Conforme faz prova a ementa abaixo colacionada, restou reconhecido, Fl. 6221DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.222 6 no julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do processo n° 11020.001952/200622, o direito ao lançamento de créditos de PIS e COFINS calculados sobre todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa. Sustenta que, trazendose tais conceitos para o caso concreto, resta mais do que evidente que todas as despesas incorridas por ela com a aquisição de materiais de higiene e limpeza empregados em seus restaurantes, assim como dos produtos descartáveis utilizados para servir suas refeições podem ser consideradas como necessárias para o seu processo produtivo. Logo, devem gerar o direito ao crédito ora postulado. Aduz que, o fundamento utilizado pela RFB para glosar os créditos com despesas decorrentes da aquisição de produtos de higiene e limpeza reside na inexistência de consumo ou desgaste destes com o produto em fabricação. Tal entendimento, como exposto linhas acima, decorre da restritiva interpretação do conceito de insumos conferido pela RFB através das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, que conferem ao PIS e COFINS, no que diz respeito aos créditos, tratamento semelhante ao dispensado para o cálculo do IPI. Que, uma análise das atividades desenvolvidas por ela, no entanto, é suficiente para colocar à lona referida interpretação. Que, higiene e limpeza adequadas nos seus restaurantes se apresentam como condição sine qua non para o exercício de suas atividades. Que, não há como falar em preparo e fornecimento de refeições sem que tenha de despender vultosas importâncias destinadas aos custos com a higiene e limpeza de seus estabelecimentos. Que, a despeito do inegável acerto do acórdão proferido nos autos do processo administrativo n° 11020.001952/200622, que reconheceu a nítida relação entre os conceitos de insumo e despesa necessária (art. 299 do RIR/99), não desconhece a existência de outras decisões que, mesmo não de forma tão ampla, afastamse da idéia inicial estampada nas IN 247/2002 e 404/2004. Que, a primeira delas foi proferida pela Cosit na Solução de Divergência n° 35/08. Que, nela, fica clara a desnecessidade de contato direto do insumo com os bens que estão sendo fabricados (e, por decorrência lógica, aos serviços que estejam sendo prestados). Que, o entendimento estampado no Auto de Infração no que diz respeito ao contato direto do insumo com o bem produzido ou serviço prestado não é mais requisito para o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS por parte da própria RFB. Que, no mesmo sentido de uma interpretação mais ampla, digno de transcrição o trecho do voto do eminente Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira, quando do julgamento, na 3ª Turma Especial da 3a Seção, do Recurso Voluntário n° 942.334. Colacionou ementa. Que, não há como se falar em prestação do serviço de preparo e fornecimento de refeições sem utilização de produtos de higiene e Fl. 6222DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.223 7 limpeza em todo o processo, sob pena de se obstar a atividade da empresa, tendo em vista todas as determinações constantes da legislação sanitária relacionadas com esta atividade. Que, prova de que este é o entendimento que vem se sedimentando no CARF está no julgamento do Recurso Voluntário relativo ao processo administrativo n° 16707.002127/200569, de relatoria do eminente conselheiro Maurício Taveira e Silva. Colacionou ementa. DESCARTÁVEIS Alega que, consoante antecipado no item 2.3 da presente peça, mesmo na hipótese de não restar reconhecido que os produtos adquiridos por ela e classificados como "descartáveis" são objeto de posterior revenda no momento do fornecimento das refeições, não há como ser vedado o direito ao lançamento dos créditos de PIS e COFINS decorrentes de suas aquisições. Que, tais descartáveis são, dentre outros, copos, facas, garfos, colheres, bandejas, palitos, xícaras, marmitex e guardanapos fornecidos pela Impugnante àqueles que consomem suas refeições (listagem constante do doc. 04). Que, na esteira do que já foi exposto neste trabalho, não se pode imaginar que uma empresa que exerce a atividade de fornecimento de refeições coletivas, assim como todo e qualquer restaurante, possa fazêla sem cogitar a utilização dos bens acima citados. Que, os produtos acima referidos são aqueles que, fornecidos com a refeição, se não se tornam imprestáveis para uso após uma primeira utilização, têm vida útil absolutamente reduzida, não podendo ser enquadrados como ativo permanente do estabelecimento, o que também geraria direito ao crédito. Que, portanto, por qualquer ângulo que se analise a questão, os bens lançados na conta "descartáveis" permitem à Impugnante o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS. DESPESAS COM TRANSPORTE DE INSUMOS – LOGÍSTICA ALIMENTAR E NÃO ALIMENTAR Alega que a atividade de fornecimento de refeições coletivas, na forma como explorada por ela, demanda a instalação de restaurantes dentro dos estabelecimentos de seus clientes. Acrescenta que fazia e ainda faz uso de uma série de prestadores de serviços que tem como tarefa armazenar e distribuir os mais diversos produtos especialmente gêneros alimentícios e utensílios para cada um dos restaurantes. Que, como o prazo para estocagem de determinados gêneros alimentícios não é dos mais elevados (especialmente aqueles que dependem de condições específicas de armazenamento, como os congelados e resfriados), a logística de transferência de insumos há de ser perfeita. Argumenta que a Lei n° 10.833/2003 (art. 3o , IX) é clara ao permitir o lançamento de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com Fl. 6223DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.224 8 "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". Que, no que diz respeito à armazenagem, certamente que a glosa foi determinada apenas em razão da RFB não ter identificado sua descrição na denominação da conta analítica n° 434 (doc. 14). Que, se tivesse interesse em aprofundar este trabalho, teria se deparado com os contratos ora anexados e verificado o equívoco cometido. Que, no que diz respeito ao frete, a situação não é muito diferente. Isso porque, tivesse analisado os contratos ora anexados, teria concluído que os serviços de transporte prestados em favor da Impugnante tinham como objetivo permitir a circulação de insumos desde os seus fornecedores e centros de distribuição até os seus restaurantes. Que, ciente de tal realidade, certamente teria a RFB aplicado o disposto em diversas soluções de consulta relativas ao tema, dentre as quais podem ser destacadas as seguintes. Colacionou ementa de solução da SC nº 92. Por fim conclui, sendo assim, restando demonstrado que a conta analítica 434 denominada "Logística (Alimentar e Não Alimentar)" diz respeito às despesas que tinha com armazenagem e frete de insumos no ano de 2008, dúvidas não podem existir acerca do seu legítimo direito de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre tais despesas. UNIFORME, EPIS, PPRA e PCMSO Argumenta que no caso dos uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs), a lógica é a mesma desenvolvida no tópico 2.5.2, que trata da existência de regras do Poder Executivo que impõem a sua utilização. Que a leitura da RDC 216 (doc. 09) deixa absolutamente clara a necessidade de utilização de uniformes por aqueles que preparam as refeições. Diz que não se trata, portanto, de uma liberalidade do empregador fornecer uniformes para melhor identificação dos seus funcionários. A utilização de uniformes é impositiva, sob pena da empresa vir a ser multada pelo órgão responsável pela fiscalização. Que o mesmo pode ser dito com relação aos EPIs. Isso porque a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é clara ao prever a obrigação do empregador de fornecer tais equipamentos aos seus empregados. Acrescenta que outras duas obrigações trabalhistas se enquadram na mesma situação. Tratase do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Diz que o CARF, sensível a tal realidade, já reconheceu aos contribuintes o direito ao crédito sobre as despesas com uniformes quando estas decorrerem de obrigação legal. Transcreveu ementa do acórdão. Fl. 6224DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.225 9 EQUIPAMENTOS ALOJAMENTO Alega que, mais uma vez, o nome da conta analítica constante do Livro Razão restou por determinar a glosa dos créditos lançados por ela. Acrescenta que, conforme faz prova a relação anexada a presente (doc. 20), eram lançadas na referida conta analítica apenas as despesas incorridas por ela relacionadas aos seus contratos firmados com a Petrobrás, para os quais o serviço a ser prestado era de hotelaria. Argumenta que para prestar tal serviço, ela precisava adquirir bens como roupas de cama, travesseiros, toalhas, equipamentos de lazer, todos eles nitidamente insumos na forma prevista no art. 3°, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. TRANSPORTES PROFISSIONAIS Alega que a conta analítica descrita como "transportes profissionais" (doc. 22) diz respeito aos custos que ela tinha de assumir em face da inexistência de serviço regular capaz de permitir o deslocamento de seus empregados de seus estabelecimentos para suas residências. Diz que força de trabalho é, sabidamente, um dos mais importantes insumos para o exercício de qualquer atividade econômica. Acrescenta, ora, se a força de trabalho é um insumo na prestação de serviços, dúvidas não podem existir que gera direito ao crédito de PIS e COFINS a despesa com o transporte que deve ser pela Impugnante custeado para permitir que seus funcionários cheguem a lugares remotos e/ou desprovidos de transporte regular e, consequentemente, tornem possível o exercício da atividade. VALETRANSPORTE, ASSISTÊNCIAS MÉDICA E ODONTOLÓGICA, VALEREFEIÇÃO E CESTA BÁSICA Inicia dizendo, a defesa da possibilidade de lançamento de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com valetransporte, assistências médica e odontológica, valerefeição e cesta básica aproveita tudo que já fora exposto na presente peça. Acrescenta que, independentemente do entendimento dela acerca da possibilidade de lançamento de tais despesas, desde a edição das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, outra circunstância veio a reforçar tal compreensão. Ressalta que, em janeiro de 2009, a Lei nº 11.898 inseriu o inciso X ao art. 3º dos dois diplomas acima indicados, passando a prever a possibilidade de desconto de créditos sobre despesas com "vale transporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Prosseguindo argumenta que, para a RFB, que interpreta como exaustiva a listagem prevista nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, outra não poderia ser a conclusão senão a possibilidade de lançamento de créditos relativos a tais despesas apenas a partir do início da vigência da nova norma. Fl. 6225DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.226 10 Entende que a correta exegese da norma reforça a idéia de uma nítida diferenciação conferida pelo legislador no que diz respeito ao tratamento que há de ser conferido na apuração do PIS e da COFINS para os prestadores de serviços e para pessoas jurídicas que atuam na indústria e no comércio. ASSESSORIA RH/TREINAMENTO ASSESSORIA GESTÃO E QUALIDADE Alega que viuse compelida a buscar o auxílio de terceiros para implementação de melhores práticas na prestação de seus serviços. Para isso, contratou assessorias externas, as quais ministravam cursos aos funcionários, visando a tal aperfeiçoamento. Entende que afirmar que tais serviços não geram direito a crédito é, mais uma vez, resultado da limitada compreensão que as autoridades fiscais têm do conceito de insumo, eis que, conforme exaustivamente indicado, toda a despesa que importa no auferimento das receitas tributáveis pelo PIS e pela COFINS há de gerar o direito ao respectivo crédito. Por fim, requer: a) seja recebida e processada a presente impugnação, por tempestiva, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário lançado através do Auto de Infração ora combatido até decisão final; b) seja acolhida a preliminar de nulidade do lançamento, excluindose do auto de infração o valor relativo ao crédito tributário constituído a título de COFINS, uma vez que não foi alvo da fiscalização realizada junto à Impugnante; Sobreveio decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 Ementa: APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES. PRODUTOS DESCARTÁVEIS E MATERIAIS DE LIMPEZA E HIGIENE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Produtos Descartáveis e Materiais de Higienização e Limpeza são insumos à atividade de fornecimentos de refeições coletivas e, portanto, Fl. 6226DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.227 11 os dispêndios correspondentes são geradores de crédito no regime não cumulativo. PIS. NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. O não recolhimento ou recolhimento a menor da contribuição, detectado em procedimento de fiscalização, obriga o contribuinte ao pagamento dos valores devidos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 Ementa: APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. COFINS. NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. O não recolhimento ou recolhimento a menor da contribuição, detectado em procedimento de fiscalização, obriga o contribuinte ao Fl. 6227DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.228 12 pagamento dos valores devidos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES. PRODUTOS DESCARTÁVEIS E MATERIAIS DE LIMPEZA E HIGIENE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. Inconformada com a decisão, apresentou a Recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. No tocante à glosa de créditos referentes a insumos por falta de comprovação, constatase que a negativa do Fisco foi motivada por divergências entre os valores declarados no Dacon e os valores informados em planilha apresentada pelo contribuinte durante o procedimento fiscal. A Recorrente contesta a glosa, afirmando ter se equivocado ao apresentar a planilha citada pela fiscalização, e trazendo para comprovar o equívoco, em sede de recurso voluntário, as notas fiscais que embasariam o seu pleito (fls. 6152 a 6212). Em sendo estes os fatos, tendo em vista que a Fiscalização não verificou o crédito da Recorrente à luz das notas fiscais que comprovariam o direito creditório, bem como que estes documentos mostramse aptos a comprovar seus créditos, é necessário diligenciar junto à unidade de origem para a verificação da veracidade das alegações da Recorrente. Diante do exposto, voto para a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem verifique a existência de créditos referentes a insumos glosados por falta Fl. 6228DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201000.564 S3C2T1 Fl. 6.229 13 de comprovação do direito creditório tomando por base os livros contábeis e as notas fiscais a que estes créditos se referem. Realizada a diligência, a Recorrente e a PGFN devem ser intimadas de seu resultado, sendolhes concedido prazo de 30 dias para manifestação, se assim desejarem. Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro para prosseguimento no julgamento. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 6229DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 13609.001166/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2004, 30/09/2004
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-000.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Joel Miyazaki Presidente atual.
Marcelo Ribeiro Nogueira Relator.
José Luiz Feistauer de Oliveira Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño, Mércia Helena Trajano Damorim, Luciano Lopes de Almeida, Paulo Sérgio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Recorrente SIDERÚRGICA NOROESTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2004, 30/09/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Joel Miyazaki – Presidente atual. Marcelo Ribeiro Nogueira – Relator. José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño, Mércia Helena Trajano D’amorim, Luciano Lopes de Almeida, Paulo Sérgio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Para descrever os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 32/37), relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 11 66 /2 00 9- 92 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 19/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA 2 Cofins,' totalizando um crédito tributário de R$ 155.502,60 incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos períodos de 08/2004 e 09/2004 (fl. 34). A autuação ocorreu em virtude de divergências no recolhimento da contribuição nos citados períodos, tendo a fiscalização efetuado o lançamento das diferenças entre a contribuição devida e a declarada ou recolhida, originárias da utilização de percentual superior ao permitido (7,6% em vez de 3%) de crédito presumido referente ao estoque de abertura, e da glosa de créditos indevidos de bens utilizados como insumos, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 25/31 e demonstrativos de fls. 17/24. Como enquadramento legal, citaramse os artigos 1° , 3 0 e 5° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Irresignado, tendo sido cientificado em 28/08/2009 (fl. 33), o autuado apresentou, em 23/09/2009, acompanhadas dos documentos de fls. 43/59, as suas razões de discordância (fls. 39/42), a seguir resumidas. Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, aduz que os motivos que fundamentaram a autuação reclamam análise à luz dos principio constitucional da não cumulatividade, inserto no § 12 do art. 195 da Constituição Federal, segundo o qual tornase imperiosa a concessão de abatimento de tributo, calculado em determinada fase, do encargo tributário que o contribuinte suportou nos ciclos produtivos anteriores, ficando vedado à legislação infraconstitucional estabelecer qualquer supressão deste direito, constatandose no presente lançamento a violação deste principio, uma vez que a tributação ocorre à alíquota de 7,6% contra um aproveitamento de crédito limitado a 3%. Por fim, propugna pela insubsistência da autuação. Eis o essencial. É o relatório. A 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte proferiu decisão declarando a manifestação de inconformidade improcedente. A interessada regularmente cientificada do Acórdão interpôs Recurso Voluntário, onde repisa os argumentos trazidos na manifestação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado ao relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Por intermédio de Despacho, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 19/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 13609.001166/200992 Acórdão n.º 3201000.746 S3C2T1 Fl. 81 3 formalizar este Acórdão, não entregue pelo relator original, Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. Na esfera administrativa não há que se analisar questões relacionadas à inconstitucionalidade de leis como arguido pela recorrente. Não cabe, no caso, qualquer discussão quanto à legalidade da lei aplicável à presente lide, em razão de que não se pode negar sua eficácia. Ademais, presumese que o legislador ao se pronunciar sobre a referida matéria observou o supracitado princípio. Ressaltese que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, matéria reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Sendo assim, verificase que a ação fiscal, fundamentada na norma questionada, revestese de legitimidade, visto que o ato administrativo obedece à vontade expressa na lei, cujo procedimento é obrigatório e vinculase estritamente aos ditames da norma legal. Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. E estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 19/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001061/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2004
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas da contribuição para a COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para a COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 61 /2 00 7- 11 Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância, com as devidas adições. "Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 592 a 615, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente aos períodos de apuração de 12/2002 a 01/2004 no valor de R$ 36.520.347,33 incluído principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 30/11/2007. No Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 592 a 608), a autoridade lançadora registra, em resumo, que: a) A ação fiscal teve como origem o Despacho Decisório DRF/VIT/ES proferido no processo n° 11543.001207/200412, amparado no Parecer SEORT IV 767/2007 que tratou da análise de Declarações de Compensação de débitos de IRPJ, CSLL e Cofins através do aproveitamento de créditos do PIS não cumulativo de que trata o § 1 ° do art. 5° da Lei 10.637/2002; b) As informações constantes dos sistemas da RFB e aquelas colhidas em diligência no estabelecimento da pessoa jurídica dão conta que a Cia Nipo Brasileira de Pelotização Nibrasco atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro. Sua produção é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para a Companhia Vale do Rio Doce — CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, como no mercado externo; c) 0 Parecer SEORT de fls. 213/236 relatou as infrações constatadas que compreenderam ausência de tributação sobre as receitas de vendas em operação no mercado interno, receitas financeiras (variação monetária) e outras receitas (transferência de créditos de ICMS); d) 0 Memorando 307/2007 informou ainda da tramitação do Mandado de Segurança n° 99.00020359 onde se discutem as modificações trazidas pela Lei 9.718/98; e) Todas as verificações fiscais patrocinadas pelo SEORT, em especial as atinentes as isenções das supostas vendas com o fim especifico de exportação, receitas financeiras e cessão de créditos de ICMS, também dizem respeito à órbita da base de cálculo da COFINS; f) A Nibrasco impetrou o Mandado de Segurança n° 99.0002035 9 para não ser compelida ao recolhimento da COFINS e do PIS com base na Lei 9.718/98. 0 juízo da 6ª Vara Federal/ES deferiu a liminar assegurando o direito de recolher a COFINS com base na sistemática anterior (LC 70/91). A sentença de 1º grau ratificou a liminar. 0 TRF da 2ª Regido cassou parte da decisão Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Acórdão n.º 3201001.949 S3C2T1 Fl. 1.873 3 de 1º grau no que se refere à alíquota da COFINS. Foram opostos Embargos de declaração pela autora; g) Em 06/06/2007 a empresa efetuou depósito judicial do valor da COFINS decorrente da majoração da alíquota introduzida pela Lei 9.718/98; h) Em face do encaminhamento da documentação por parte do SEORT, foi emitido o MPF Complementar de fl. 01 para que a fiscalização procedesse ao lançamento da COFINS devida, de dezembro de 2002 a janeiro de 2004; i) 0 contribuinte apresentou DCTF para os períodos de dez/02 a jan/04 nas quais restaram constatados os débitos de COFINS, bem como as compensações e suspensão da exigibilidade; j) A empresa apresentou demonstrativos da base de cálculo da COFINS (fls. 582/583), em conformidade com suas DCTF; k) Com base nos valores escriturados pela Nibrasco e o trabalho fiscal realizado pelo SEORT, aliado com a ação judicial n° 99.00020359, a fiscalização estruturou a COFINS devida à alíquota de 3% sobre os seguintes valores: Vendas de produtos no mercado interno, objeto das Notas Fiscais de Saída CFOP 5.11 e 5.101, à empresa ligada CVRD, vez que a isenção concedida para as operações de venda à empresa comercial exportadora contempla apenas as vendas com o fim especifico de exportação para o exterior. Receitas decorrentes da alienação de créditos de ICMS, registradas nos Livros de Apuração do ICMS sob o código 5.601 (fls. 158, 161, 164 e 167). A COFINS calculada à alíquota de 3% sobre tais receitas encontrase suspensa por força da decisão exarada pelo TRF 2ª Região. l) As tabelas constantes do Termo demonstram, de forma individualizada, as bases de cálculo da COFINS, em conformidade com as planilhas de fls. 554/581 elaborada pelo SEORT; m) Em face de a Nibrasco estar amparada por acórdão exarado pelo TRF, os valores obtidos da alteração da base de cálculo pela inclusão das receitas financeiras e receitas provenientes da alienação de créditos de ICMS foram objeto de lançamento de oficio com exigibilidade suspensa e sem aplicação da multa de oficio em processo distinto, a fim de prevenir a decadência (tabelas 2 e 3); n) Ainda ao amparo da decisão judicial em comento, foi constituída a COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas de produtos no mercado interno, à alíquota de 3% (tabela 1); o) A tabela 1 foi preenchida já com seus valores líquidos, ou seja, os valores brutos de venda, excluídos os descontos incondicionais, devoluções de vendas ou estornos porventura existentes; Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 p) Os valores apurados na forma acima não foram incluídos nas DCTF apresentadas pela empresa. O enquadramento legal citado no Auto de Infração foi: artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto 4.524/02. A base legal dos juros de mora exigidos consta em fls. 615. Após tomar ciência da autuação em 12/12/2007 (fl. 609), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 620 a 636 e anexos de fl. 637 a 745 em 10/01/2008 alegando, em síntese que: a) A requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; b) As vendas realizadas pela requerente para a CVRD são destinadas ao mercado externo, conforme memorandos de exportação colacionados aos autos; c) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2 °, inciso I da CF); d) A disposição constitucional referese à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportação e, por isso, não deve ser interpretado restritivamente; e) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; f) Com base no artigo 279 do Regulamento do Imposto de Renda, o crédito de 1CMS não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador do custo anteriormente suportado na aquisição de insumos; g) Somente pode ser enquadrado no conceito de receita o ingresso de divisas proveniente de contraprestação decorrente do fornecimento de bens ou serviços; h) Tanto o STJ como o STF têm entendimento pacificado no sentido de que a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS deve ser pautada pelos limites das Leis Complementares 07/70 e 70/91, ou seja, o resultado decorrente do fornecimento de bens e serviços; i) O STJ, em caso análogo, entendeu que o crédito presumido de IPI não pode figurar na base de cálculo do PIS; j) Admitir a incidência da COFINS sobre o crédito de ICMS equivaleria a nulificar a sistemática adotada pelo legislador, pois se restauraria a incidência em cascata daquele imposto sobre os insumos consumidos no processo produtivo voltado à exportação; k) Ainda que se entenda que o crédito presumido é receita, seria incabível a sua inclusão na base de cálculo da COFINS e do Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Acórdão n.º 3201001.949 S3C2T1 Fl. 1.874 5 PIS, uma vez que as receitas de exportação são isentas dessa contribuição; l) Por fim, requer seja dado provimento à impugnação com a finalidade de reformar o auto de infração combatido e requer, ainda, a produção de todos os meios de prova cabíveis no processo administrativo fiscal." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento afastou as alegações quanto a cessão de créditos de ICMS por não ser objeto do presente lançamento, mantendo integralmente a exigência da COFINS. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas da COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligência e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Lançamento Procedente" Cientificada da decisão, a autuada apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação, reafirmando o direito a isenção, em razão das suas vendas terem como destino final a exportação e pedindo a interpretação extensiva da imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º da Constituição Federal e no art. 6º da Lei nº 10.833/2003. Em 16/04/2012 a Recorrente apresentou documentos alegando a existência de fato novo, com implicação direta no resultado do julgamento. Foram trazidos argumentos reafirmando que os produtos em discussão foram exportados, alegando que o pátio da Companhia Vale do Rio Doce para onde foram encaminhados os produtos a serem exportados, seria área alfandegada. Também foram trazidos aos autos cópia do acórdão nº 1334.003, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II, que ao tratar da mesma matéria, deu razão a Recorrente, decidindo que em razão da área da CVRD ser Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 alfandegada estariam atendidos os requisitos necessários para a configuração da exportação dos produtos. Quando da apreciação do recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora verificasse as afirmações que a área de destino das mercadorias revendidas pela Recorrente foram entregues em área alfandegada e se as conclusões do acórdão nº 1334.003 da DRJ Rio de Janeiro II, confirmaria que as vendas de pelotas de ferro produzidas pela Recorrente, foram exportadas. Em atendimento a resolução, a Delegacia da Receita Federal informou por meio do termo fiscal (fl. 889 a 890), que a diligência não foi realizada, em razão dos documentos citados não constarem dos autos. Com o retorno dos autos, a Segunda Turma da Primeira Câmara desta Terceira Seção identificado problemas na inclusão dos documentos citados na resolução anterior e determinou providências à Secretária para anexar os arquivos digitais com a documentação apresentada pela Recorrente e converter novamente o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora procedesse as verificações que entendesse necessárias para confirmas as premissas e tecer considerações que julgar pertinentes acerca da fundamentação que orientaram a prolação do Acórdão nº 1334.003 da DRJ Rio de Janeiro II. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 1594 a 1603). Da diligência extraio os trechos abaixo que tratam das informações solicitadas na Resolução. Quanto ao Acórdão nº 1334.003 da DRJ Rio de Janeiro II e área alfandegada da CVRD. " Analisando o referido acórdão, constatamos de forma preliminar que os períodos de apuração são totalmente distintos, e conforme veremos a seguir, com implicações totalmente diversas. Enquanto no processo administrativo 15586.001586/201043 (acórdão nº 1334.003) foram analisados os períodos de apuração 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008 e 01/10/2008 a 31/10/2008, no presente processo foram analisados os períodos de apuração de 12/2002 a 01/2004. No correspondente voto foi reconhecida que a área da CVRD era alfandegada e, conseqüentemente estariam atendidos os requisitos necessários para a configuração da exportação dos produtos. Ocorre que a área da CVRD somente passou a ser alfandegada em 14 de setembro de 2006, data posterior à ocorrência dos fatos aqui analisados, e com isso deixou a empresa de cumprir um dos requisitos para que as referidas vendas de pelotas de minério de ferro se enquadrassem na forma exigida na lei isentiva."(grifo nosso) Quanto ao Acórdão nº 1334.003 da DRJ Rio de Janeiro II contrato celebrado entre a CVRD e a Nibrasco. Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Acórdão n.º 3201001.949 S3C2T1 Fl. 1.875 7 "Ainda com base no acórdão da autoridade de primeira instância, foi firmado o entendimento de que a entrega das pelotas de minério de ferro não ocorreu no pátio da empresa diligenciada, mas sim após o embarque das mesmas nos navios que as destinaram ao exterior. Tal entendimento foi consubstanciado com base em novo elemento de prova trazido à baila pela empresa diligenciada, qual seja: Contrato para venda e compra de pelotas celebrado entre a Vale e a Nibrasco. Neste contrato constam novos termos acerca das operações de compra e venda entre as empresas envolvidas. Com base neste contrato, mais especificamente a cláusula XI, cláusula VIII item 8.3 e cláusula VII item 7.1 ficou estabelecido que a pesagem das pelotas produzidas pela Nibrasco deve ocorrer por meio de balança de esteira transportadora ou por meio da vistoria do calado da embarcação. Ou seja, que ou a pesagem se da na balança de esteira transportadora, que se localiza dentro da área alfandegada, ou ocorre quando as pelotas já foram embarcadas e se encontra dentro do navio para serem transportadas. Ocorre que o referido contrato foi celebrado no dia 06 de agosto de 2008 (versão em inglês), após o início das fiscalizações nas Brascos, ocorridas durante o ano de 2007, e que resultaram em autos de infração de grande monta. Ademais, tal contrato nem sequer foi autenticado, e nem teve as assinaturas dos celebrantes reconhecidas em cartório, sem mencionar que foi firmado entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico (Brascos e CVRD). Por essas razões, a presente diligência entende que o Contrato para Venda e Compra de Pelotas celebrado entre a Nibrasco e a CVRD (Vale) é desprovido de qualquer validade jurídica." (grifo nosso) Quanto as operações previstas no contrato firmado entre a CVRD e a Nibrasco. "Abstraindose da validade jurídica desse contrato, a Nibrasco alega que, segundo a cláusula XI, cláusula VIII item 8.3 e cláusula VII item 7.1, a titularidade das pelotas de minério de ferro se transfere apenas no pagamento pela Vale à Nibrasco, e que a Vale poderá a seu critério vistoriar a pesagem das pelotas, a qual determinará o preço a ser pago. Tais cláusulas, no entanto, afrontam a própria essência do negócio jurídico firmado entre as empresas, consubstanciado pelo Contrato para Operação da Usina de Pelotização firmado entre a Nibrasco e Vale, na medida em que a própria Vale se encarregaria de transportar as pelotas de minério de ferro, do pátio das Brascos até o seu pátio, ou até os navios para exportação, conforme previsto no item 2.3, transcrito abaixo ipsis litteris: Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 “A CVRD manuseará e carregará PELOTAS entregues pela NIBRASCO desde o começo da correia transportadora que sai do pátio de PELOTAS da NIBRASCO até o carregamento para compradores em Ponta de Tubarão, incluindo as operações de manuseio, após a recuperação e o carregamento adicionais especificados nos parágrafos 2.2.7 e 2.28 deste Contrato, a pesagem, amostragem e análise em Ponta de Tubarão. As operações de manuseio e carregamento de PELOTAS realizadas pela CVRD serão efetuadas com o máximo de eficiência e rapidez, compatível com os recursos e instalações próprias de manuseio, carregamento e facilidades da CVRD”(grifouse) Com base neste contrato a entrega das pelotas de minério de ferro pelas empresas de pelotização (Brascos) ocorre no próprio pátio das Brascos. Tanto é que a própria Vale manuseará e carregará as pelotas entregues pela Nibrasco desde o começo da correia transportadora que sai do pátio de pelotas da Nibrasco até o carregamento para o mercado externo em Ponta de Tubarão. Ademais, durante os procedimentos de fiscalização, a própria CVRD (Vale) esclareceu que as pelotas eram entregues no pátio da remetente. Tal fato foi corroborado com visita realizada ao parque fabril da NIBRASCO em 2007, pela autoridade fiscal que procedeu a fiscalização nesta empresa. Assim, não resta dúvidas de que a entrega das pelotas se dava nos pátios das Brascos, e referidos pátios não eram, e continuam não sendo alfandegados. Ainda que reconhecida a tese de que a entrega das pelotas de minério de ferro se dá ou se dava no pátio da CVRD (Vale), de acordo com o que prescreve o ADE da 7ª RF de nº 320, supra mencionado, este pátio somente passou a ser alfandegado em 14 de setembro de 2006, data posterior à ocorrência dos fatos aqui analisados (fls. 1.467/1.477)."(grifo nosso) Quanto a utilização dos créditos na aquisição de pelotas pela CVRD. "Abstraindose da validade jurídica desse contrato, a Nibrasco alega que, segundo a cláusula XI, cláusula VIII item 8.3 e cláusula VII item Ainda com base no acórdão nº 1334.003, a autoridade de 1ª instância se pauta na tese de que a CVRD (Vale) não se creditou dos créditos de Cofins decorrentes dessas operações de compra de pelotas de minério de ferro da Nibrasco. A própria CVRD apresenta documentos em que comprova a sua não utilização. No entanto, no presente processo restou provado que a CVRD (Vale) se aproveitou dos créditos de Cofins decorrentes da aquisição de pelotas de minério de ferro da Nibrasco, no período de apuração sob análise. A CVRD (Vale) deu entrada em sua contabilidade, no que tange as aquisições de pelotas de minério de ferro da Nibrasco, de acordo com os CFOP 1.112 e 1.102¹, ao invés de ter utilizado os CFOP 1.86 1.501¹, aproveitandose integralmente dos créditos das contribuições nãocumulativas, nos meses de junho de 2003 a janeiro de 2004. Apenas nos Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Acórdão n.º 3201001.949 S3C2T1 Fl. 1.876 9 primeiros meses (dez/02 a mai/03) a CVRD (Vale) deixou de se apropriar dos referidos créditos." A Recorrente foi cientificada do Termo de Encerramento de Diligência e veio aos autos questionando as conclusões da Fiscalização. A seguir transcrevo trechos das questões suscitadas pela Recorrente (fls. 1608 a 1627). Quanto a divergência entre os documentos apresentados no Acórdão 13 34.003 e aqueles apresentados no presente processo. "07. De que trata o primeiro argumento de que "o presente processo não guarda os mesmos elementos de prova do processo nº 15586.001586/201043 (acórdão nº 1334.003)", não assiste razão o i. Agente Fiscal, por uma simples leitura de todo arcabouço probatório que instrui estes autos. 08. Os documentos acostados pela Recorrente no bojo do processo nº 15586.001586/201043 também foram juntados nos presentes autos memorandos de exportação, cartas de correção, relatórios de movimentação das pelotas, contratos de compra e venda, dentre outros." Quanto a divergência entre o período de alfandegamento do pátio da CVRD. "11. Em sua "diligência" o i. Fiscal afirmou que "a área da CVRD somente passou a ser alfandegada em 14 de setembro de 2006, data posterior à ocorrência dos fatos aqui analisados". 12. Isso não é verdade. 13. Se tivesse um pouco de boa vontade e de compromisso com a verdade material, o d. AFRF responsável pela diligência determinada por esse E. CARF teria analisado com mais vagar o ADE da 7ª RF de nº 320 e teria visto que o mesmo, em seu artigo 5º, revoga o Ato Declaratório Executivo SRRF nº 165, de 22 de junho de 2004. 14 E o aludido Ato Declaratório Executivo SRRF nº 165 de 204, por sua vez, também em seu artigo 5º, revoga o Ato Declaratório Executivo SRRF nº 132, de 01 de julho de 2002. 15. Ocorre que esses três Atos Declaratórios Executivos ostentam, fora o prazo de vigência e as normas revogatórias, exatamente o mesmo teor, a saber:" .... 16. Ou seja, verificase, a partir da leitura dos Atos Declaratórios acima transcritos, que, ao menos desde o ano de 2002, os "pátios para a estocagem de minério de ferro e pelotas Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 da VALE, medindo 330.000,00 m2" já eram alfandegados, e se mantêm como área alfandegada até a apresente data." Quanto a divergência entre os documentos apresentados no Acórdão 13 34.003 e aqueles apresentados no presente processo. "18. Quanto ao argumento de que o contrato de compra e venda firmado entre a RECORRENTE a CVRD foi celebrado em 2008 após a fiscalização pela RFB e, ainda que o referido contrato não possui validade jurídica, da mesma forma não merece prosperar. 19. Em certa altura afirma o i. Agente que "Por essas razões, a presente diligência entende que o Contrato para Venda e Compra de Pelotas celebrado entre Nibrasco e a CVRD (Vale) é desprovido de qualquer validade". 20 Tais considerações, com a devida vênia, também não merecem prosperar. 21. A RECORRENTE apenas cuidou de juntar aos autos o seu contrato mais recente. 22. A relação havida entre a RECORRENTE e a CVRD (VALE S.A.) é antiga, tendo sido firmado contrato de compra e venda desde o ano de 2001." Ao final das contrarrazões, a Recorrente reafirma que o fato da pelotas de minério de ferro serem entregues a CVRD não desqualifica a operação de venda com destinação a exportação. O Colegiado ao analisar o resultado da diligência e as contrarrazões identificou divergências entre os fatos relatados. Enquanto a diligência afirma que a área da CVRD somente veio a ser alfandegada em 14/09/2006 a Recorrente apresenta argumentos de que a área já seria alfandegada desde 01/07/2002, abarcando o período em discussão nos autos. Também foi identificada forte divergência fática quanto ao contrato realizado entre a CVRD e a Nibrasco. O termo de diligência afirmou que o contrato somente passou a existir em 06/08/2008 ou seja data posterior aos fatos que ensejaram o lançamento. De outro giro, a Recorrente afirmou que o contrato existe desde 01/08/2001 e a Fiscalização partiu da análise de um aditivo ao contrato original. As divergência quanto aos fatos estavam evidentes e considerando que tais esclarecimentos eram essenciais para o prosseguimento do julgamento, A Turma resolveu converter o julgamento em nova diligência para que fossem esclarecidos em definitivo, a data em que foi alfandegado a área da CVRD, a data em que passou a existir contrato de fornecimento das pelotas de minério de ferro firmados entre a CVRD e a Nibrasco e em que bases foi negociada a entrega das mercadorias. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 1670 a 1673). Da diligência extraio os trechos abaixo que tratam das informações solicitadas na Resolução. Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Acórdão n.º 3201001.949 S3C2T1 Fl. 1.877 11 Quanto a data do Alfandegamento da área da Companhia Vale, a diligência retificou a sua informação anterior, confirmando as alegações da Recorrente , que a área estava alfandegada desde 29 de julho de 1996. "Analisando o referido acórdão, constatamos de forma preliminar que os períodos de apuração são totalmente distintos, Muito embora tenha sido informado que, com base no Ofício nº 151/2010/DRF/SEFIS/VIT/ES e no Memorando nº 87/ALF/VIT/Gabinete, a área da Vale somente passou a ser alfandegada em 14 de setembro de 2006, tal informação não procede. O referido Memorando não levou em conta os Atos Declaratórios Executivos SRRF nº 24/1996, 132/2002 e 165/2004, nos quais já haviam considerado os pátios para a estocagem de minério de ferro e pelotas da Vale como alfandegados. Portanto, os pátios da Vale passaram a ser alfandegados desde 29 de julho de 1996" A diligência também reafirma que os pátios das empresas coligadas da VALE, que é o caso da Recorrente, não são e nunca foram alfandegados. Em contrapartida, ressaltamos que os pátios das empresas coligadas da Vale, dentre elas a Nibrasco, não são e nunca foram alfândegas e, pelas razões já expostas ao longo da outra diligência, mantém o entendimento de que a entrega das pelotas de minério de ferro se dá no pátio da Nibrasco, e não no pátio da Vale. Quanto a forma da entrega das mercadorias pela Nibrasco à Vale. A diligência afirma que o contrato não deixou explicito como deveria ocorrer tal entrega e prossegue informando que o contrato estabeleceu cláusulas em que a Vale se encarregaria de transportar as pelotas de minério de ferro do pátio das brascos até o seu pátio, ou até os navios para exportação. "Com base neste contrato, celebrado no dia 1º de agosto de 2001, não foram estabelecidas as cláusulas previstas para a entrega das mercadorias, apenas sobre quantidade, período de entrega, preço e condições de pagamento. Na realidade, o Contrato para Operação da Usina de Pelotização firmado entre a Nibrasco e Vale foi o que estabeleceu cláusulas para a entrega das pelotas, na medida em que a própria Vale se encarregaria de transportar as pelotas de minério de ferro, do pátio das Brascos até o seu pátio, ou até os navios para exportação, conforme previsto no item 2.3, transcrito abaixo ipsis litteris: Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 “A CVRD manuseará e carregará PELOTAS entregues pela NIBRASCO desde o começo da correia transportadora que sai do pátio de PELOTAS da NIBRASCO até o carregamento para compradores em Ponta de Tubarão, incluindo as operações de manuseio, após a recuperação e o carregamento adicionais especificados nos parágrafos 2.2.7 e 2.28 deste Contrato, a pesagem, amostragem e análise em Ponta de Tubarão. As operações de manuseio e carregamento de PELOTAS realizadas pela CVRD serão efetuadas com o máximo de eficiência e rapidez, compatível com os recursos e instalações próprias de manuseio, carregamento e facilidades da CVRD”(grifouse) Com base neste contrato a entrega das pelotas de minério de ferro pelas empresas de pelotização (Brascos) ocorre no próprio pátio das Brascos. Tanto é que a própria Vale manuseará e carregará as pelotas entregues pela Nibrasco desde o começo da correia transportadora que sai do pátio de pelotas da Nibrasco até o carregamento para o mercado externo em Ponta de Tubarão. Ademais, durante os procedimentos de fiscalização, a própria Vale esclareceu que as pelotas eram entregues no pátio da remetente. Tal fato foi corroborado com visita realizada ao parque fabril da NIBRASCO em 2007, pela autoridade fiscal que procedeu a fiscalização nesta empresa. Assim, não resta dúvidas de que a entrega das pelotas se dava nos pátios das Brascos, e referidos pátios não eram, e continuam não sendo alfandegados. A Recorrente foi cientificada do Termo de Encerramento de Diligência e veio aos autos apresentando as suas contrarrazões. (fls. 1771 a 1869). Ressaltando a posição confirmada na diligência sobre o alfandegamento da área da CVRD. Quanto a situação levantada na diligência, sobre o alfandegamento do pátio da Recorrente, argumenta que nunca foi debatido nos autos, tampouco foi o motivo para o lançamento fiscal, o fato da sua área ser ou não alfandegada e que os produtos por ela industrializados saem diretamente da sua Usina de Pelotização para a exportação, por meio de esteiras da Vale ou seguem para seu pátio, não existindo circulação de mercadorias fora destes espaços físicos. Conclui as suas contrarrazões, reafirmando que todas as mercadorias possuem uma única destinação e apresenta para embasar seus argumentos modelo esquematizado do Porto de Tubarão. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF e a este Relator para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Acórdão n.º 3201001.949 S3C2T1 Fl. 1.878 13 Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A discussão presente no processo trata da questão sobre a exigência de COFINS sobre as vendas de produtos ao exterior. Discutidose nos autos a imunidade alcança as vendas realizadas com destino a exportação. A previsão constitucional da imunidade para as vendas ao exterior consta do art. 149, § 2º. "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III poderão ter alíquotas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 14 § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)" A previsão da isenção da COFINS consta do art. 14, incisos II, VIII, IX da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;(grifei) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Acórdão n.º 3201001.949 S3C2T1 Fl. 1.879 15 § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” As motivações para o lançamento e o entendimento que não foram comprovados a exportação de parte da produção da Recorrente, veio do parecer SAORT n° 767/2007, conforme consta do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 603). Do Parecer SAORT (fl. 221), extraio o trecho abaixo. " 27. Depreendese então que para fazer jus à isenção prevista no art. 5° da Lei 10.637/02, não basta que as vendas sejam efetuadas As empresas comerciais exportadoras e que estas promovam a exportação. Tornase indispensável também que os produtos vendidos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. 28. Intimados a empresa destinatária (CVRD) a elucidar como se operou a entrega das pelotas de minério de ferro, e, no caso de as mesmas terem sido diretamente remetidas do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a apresentar a documentação suporte de tais remessas. Foi esclarecido que as pelotas são entregues no pátio da remetente, inexistindo, desse modo, a documentação requerida. Tal fato foi corroborado com visita realizada ao parque fabril da NIBRASCO. Convém salientar que, apesar da NIBRASCO estar instalada próxima a terminais portuários, seu estabelecimento não está compreendido em área ou recinto alfandegado. 29. Simultaneamente, foi oficiado junto a Inspetoria da Receita Federal do Brasil a fim de elucidar acerca do alfandegamento dos pátios das usinas de pelotização das empresas coligadas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Atendendo ao oficio, constatouse que referidos pátios não são alfandegados, estando as áreas de alfandegamento da CVRD definidos no ADE SRRF07 N°320/2006, publicado no DOU de 18/09/2006 (fls. 884\887), o que não engloba as áreas dos pátios das usinas de pelotização. Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 16 30. Sobre o assunto, já disciplina o Art. 111 do CTN (Código Tributário Nacional) que a norma tributária deve ser interpretada literalmente, não cabendo ao sujeito passivo se valer de preceitos da analogia ou de interpretações extensivas, a fim de se enquadrar no bojo da norma isentiva. Assim sendo, não configurado o fim especifico de exportação delineado pelo art. 39, § 2° Lei n°.9.532 1997 e pela IN SRF n° 247/02, acima disciplinados, não cabe ao sujeito passivo fazer jus à isenção pretendida." No mesmo caminho foi o acórdão da autoridade de primeira instância, que informou como fato preponderante para a negativa de considerar os produtos como exportados, o fato de não terem sido remetidos à área alfandegada. (fls. 763 a 764) " O que se discute nos autos, portanto, não é a isenção da contribuição em tela sobre as receitas decorrentes de exportação, mas sim a comprovação de que as vendas de produtos A. CVRD tenham sido realizadas com o fim especifico de exportação, na forma exigida em lei. Evidentemente, para fazer jus ao beneficio fiscal, o contribuinte deve estar respaldado por documentos que comprovem que a operação realizada efetivamente se insere em uma das hipóteses legalmente previstas. Da mesma forma, a escrituração contábil da empresa deve refletir exatamente os fatos ocorridos e deve estar baseada em documentação hábil que lhe dê suporte. No caso em exame, a interessada não realizou diretamente a exportação dos seus produtos para o exterior, mas sim a venda dos produtos para a Companhia Vale do Rio Doce, afirmando em sua impugnação que todas as vendas foram destinadas exclusivamente ao mercado externo. No entanto, conforme relatado no Parecer SEORT n° 767/2007, proferido no processo relativo As Declarações de Compensação, a autoridade fiscal constatou através de diligência realizada com o objetivo de apuração do crédito a compensar, que as vendas em questão devem ser tratadas como operações normais realizadas no mercado interno. Tal conclusão teve por base a análise das Notas Fiscais de venda emitidas pela empresa, dos registros contábeis no Livro Razão e Livro de Apuração do ICMS, bem como nas informações obtidas através de diligência realizada junto ao estabelecimento da CVRD, destinatário das mercadorias produzidas pelo contribuinte, ocasião em que foram analisados os livros contábeis da empresa adquirente e as notas fiscais de venda ao exterior, não sendo possível constatar, também com base nestes documentos, que as vendas efetuadas pela Nibrasco à CVRD tivessem a finalidade especifica de exportação, nos termos definidos pela legislação. Também se comprovou através da diligência junto à CVRD que as mercadorias adquiridas da Nibrasco não foram diretamente remetidas para embarque de exportação nem foram entregues em recinto alfandegado." Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Acórdão n.º 3201001.949 S3C2T1 Fl. 1.880 17 Verificase que a informação da remessa das mercadorias para recinto não alfandegado estão dentre os motivos da exigência fiscal. Dai concluise que se comprovado que as mercadorias foram remetidas a recinto alfandegado da CVRD, o fato poderia influenciar na apuração dos fatos alegados pela Recorrente na sua impugnação e no recurso voluntário. Entendo, que de nenhuma maneira este fato possa ensejar vício no Auto de Infração, pois a motivação já estava originalmente ali descrita, que era a insuficiência de comprovação das exportações das mercadorias. Em momento posterior ao julgamento da autoridade de primeira instância, foram trazidos aos autos posição diversa da mesma turma de julgamento que ao analisar um lançamento com matéria correlata, decidiu por entender que as mercadorias foram remetidas à recinto alfandegado da CVRD, confirmando a posição defendida pela Recorrente que os produtos em discussão foram remetidos a área alfandegada, estando comprovados assim a exportação exigida na legislação par fruição da isenção da Cofins. Nos termos já bem detalhados no relatório, a turma de julgamento na busca dos esclarecimentos fáticos necessários a solução da lide converteu o julgamento por duas vezes em diligência para apurar se as alegações da Recorrente quanto a exportação das Pelotas de Ferro foram enviadas para a CVRD com o fim exclusivo de exportação. As duas diligências confirmaram que os produtos industrializados pela Recorrente tiveram como destino final a exportação. As conclusões constantes do segundo termo de diligência fiscal apontam para a existência da transferências das pelotas de ferro para a CVRD. A análise das informações colhidas pelas diligências fiscais, deixa evidente o fato que as vendas dos produtos em discussão nos autos foi realizada pela Recorrente à CVRD. O fato do pátio da Recorrente não ser alfandegado em nada interfere na fruição da isenção do PIS e da COFINS. O art. 14, IX da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que considera a venda para exportação para empresa que realize operações de comércio exterior e esteja devidamente registrada no SISCOMEX é suficiente para configurar a isenção do PIS e da COFINS. As operações em discussão nos autos não ocorre somente com a Recorrente, existindo outras empresas que operam de forma similar, industrializando produtos que posteriormente são vendidos a CVRD para exportação, estas empresas também atuam na área do Porto de Tubarão e foram também objeto de lançamento para exigência fiscal, nos termos constantes do presente lançamento. Duas destas atuações já foram enfrentadas pelo CARF, sendo decidido pela isenção do PIS e da COFINS nas operações realizadas com a CVRD. Uma dos julgados ocorreu no Acórdão 3402003.299 da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, quando em sede de recurso de ofício, por unanimidade, manteve a decisão da primeira instância que considerou isentas as operações realizadas nos mesmos moldes da Recorrente.O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 18 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VENDAS NO MERCADO INTERNO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Excluise do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições ao PIS e COFINS apurado sobre receitas comprovadamente oferecidas à tributação pelo contribuinte nos DACON. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A diferença a maior entre as bases de cálculo apuradas de ofício e aquelas informadas nos DACON, sujeitase à exigência por meio de lançamento de ofício. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Excluise da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS os valores recebidos a título de transferência onerosa de créditos do ICMS. Precedentes do STF, RE 606.107. Repercussão geral. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.(Acórdão3402003.299, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Sessão de 18/09/2014) A matéria também foi enfrentada por esta Primeira Turma no Acórdão 3201 001.459, que por unanimidade, também decidiu pela comprovação da exportação e da isenção das contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. (Acórdão 3201001.459, Relator Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão de 22/10/2013) Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Acórdão n.º 3201001.949 S3C2T1 Fl. 1.881 19 Conforme, bem esclarecido nas diligências fiscais. As operações da Recorrente e a CVRD com a finalidade de exportação foram confirmadas. Assim, a Recorrente faz jus a isenção da COFINS. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 13804.003018/99-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1995
PIS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para reconhecer a prescrição do direito à repetição de indébitos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente ao período de apuração referente a julho de 1989.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1995 PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para reconhecer a prescrição do direito à repetição de indébitos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente ao período de apuração referente a julho de 1989. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 30 18 /9 9- 54 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.003018/9954 Acórdão n.º 9303003.314 CSRFT3 Fl. 606 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de pedido de repetição de indébito relativo a pagamentos efetuados a maior, da contribuição para o Programa de Integração Social PIS. O colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a prescrição e reconhecer o direito ao cálculo do indébito com base na sistemática da semestralidade. O acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 10/07/1989 a 13/10/1995 PIS/Pasep. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. E de cinco anos o prazo decadencial para que o contribuinte reclame a restituição de tributos como o da espécie, este em especifico contados da edição da Resolução n. 49 do Senado Federal. SEMESTRALIDADE. SUMULA N° 11. a base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Recurso Provido em Parte. Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial onde requereu a reforma do julgado para restabelecer a decisão de primeira instância, a qual estabelecera que o prazo para repetição de indébito teria como termo inicial a extinção do crédito pelo pagamento. Regularmente cientificado desse acórdão, o sujeito passivo mantevese inerte, deixando transcorrer in albis o prazo para contrarrazoar o apelo fazendário. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. O Colegiado recorrido entendeu que o termo Fl. 606DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.003018/9954 Acórdão n.º 9303003.314 CSRFT3 Fl. 607 3 inicial para restituição do PIS, no caso de pagamento a maior referente à declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, seria a data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, enquanto que a Fazenda Nacional em seu especial defende que o dies a quo seria a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento, em atenção ao disposto no art. 168, I, do CTN c/c os arts. 3º e 4º da LC 118/05. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre abril de 1989 a setembro de 1995, enquanto que o pedido de repetição de indébito foi protocolado em 29 de julho de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.003018/9954 Acórdão n.º 9303003.314 CSRFT3 Fl. 608 4 A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005. Com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. Com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a Fl. 608DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.003018/9954 Acórdão n.º 9303003.314 CSRFT3 Fl. 609 5 última palavra é do STF. Por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. De outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF, já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da lei complementar acima citada, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, na data em que protocolado o pedido de repetição (29/07/1999), encontravamse alcançados pela prescrição apenas os créditos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente a julho de 1989. Os indébitos referentes a fatos geradores ocorridos em períodos de apuração compreendidos a partir daquele mês (julho de 1989) não estavam prescritos. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição do direito à repetição de indébitos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente ao período de apuração referente a julho de 1989. Henrique Pinheiro Torres Fl. 609DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16095.000465/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
No presente caso, impõe-se o esclarecimento devido, informando que esta Turma julgadora deu total provimento ao recurso do contribuinte, e não parcial provimento como consta na ementa da decisão.
As competências de 01/1996, 12/1996, 02/1997, 03/1997, 08/1997, 12/1997, 01/1998, 03/1998, 05/1998, 12/1998, 12/1999, 03/2000, e, 04/2000, restaram atingidas pela decadência, nos termos do art. 173, I do CTN.
Quanto às competências de 01/2001 a 12/2002, foi dado provimento ao recurso para não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, nos termos do voto do relator.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2402-004.809
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos apresentados para sanar a contradição apontada e para que o Recurso Voluntário seja integralmente provido.
Acompanhou a Seção de Julgamento Dra Fernanda Baracui Pereira. OAB nº 46623/DF.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. No presente caso, impõese o esclarecimento devido, informando que esta Turma julgadora deu total provimento ao recurso do contribuinte, e não parcial provimento como consta na ementa da decisão. As competências de 01/1996, 12/1996, 02/1997, 03/1997, 08/1997, 12/1997, 01/1998, 03/1998, 05/1998, 12/1998, 12/1999, 03/2000, e, 04/2000, restaram atingidas pela decadência, nos termos do art. 173, I do CTN. Quanto às competências de 01/2001 a 12/2002, foi dado provimento ao recurso para não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, nos termos do voto do relator. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 65 /2 00 7- 73 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16095.000465/200773 Acórdão n.º 2402004.809 S2C4T2 Fl. 717 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos apresentados para sanar a contradição apontada e para que o Recurso Voluntário seja integralmente provido. Acompanhou a Seção de Julgamento Dra Fernanda Baracui Pereira. OAB nº 46623/DF. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16095.000465/200773 Acórdão n.º 2402004.809 S2C4T2 Fl. 718 3 Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração, fls. 488/489, proposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional contra Acórdão deste conselho, fls. 452/456, sustentando que o acórdão embargado apresenta contradição, especificamente no que ser refere ao crédito tributário mantido e ao valor cancelado. 2. Alega a embargante, em síntese, que: 1. “Na folha 01 do Acórdão (fls. 452 do processo), a decisão, assinada pelo Sr. Presidente e a Sra. Relatora, é "Crédito Tributário Mantido em Parte". Continuando, na folha 2 do Acórdão (fls. 452V do processo) vem o "Relatório", assinado pela Sra. Relatara em 01/06/2009, onde na folha 6 (454V do processo), temos que "as competências até 04/2000 ficam alcançadas pela decadência, por inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei. 8.212/91, prevalecendo a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN". Com relação às competências dos anos 2001 e 2002, a Sra. Relatora conclui , "que os pagamentos do PLR estão de acordo com a Lei 10.101/00", de folha 9 (fls 456 do processo). Assim, a decisão do Sr. Presidente ("Crédito Tributário Mantido em Parte") é conflitante com a decisão da Sra. Relatora, que concluiu que parte do débito está decadente e a parte restante está de acordo com a Lei 10.101/00, favorecendo a Empresa, cancelando, desta forma o total dos créditos constantes do presente processo; 2. Ocorre que ainda, nas fls. 464 do processo, a Empresa reconhece o valor devido de R$ 5.916.784,12 (consolidado em 11/2009) e requer a inclusão do mesmo no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, solicitação esta datada de 29/03/2011. 3. Portanto os embargos devem, ser acolhidos e providos.” 3. Em seguida, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16095.000465/200773 Acórdão n.º 2402004.809 S2C4T2 Fl. 719 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. 1. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, a omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 2. Os embargos de declaração possuem o escopo de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR, verbis: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciá los, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 3. No presente caso, os embargos opostos tem o condão de esclarecer ponto contraditório entre a decisão que “exonerou todo o lançamento” e a ementa que discorreu como “provido em parte”. 4. Destarte, reconhecese a contradição alegada, tendo em vista que, na primeira folha do acórdão, a decisão assinada pelo Sr. Presidente e pela Sra. Relatora informa que o crédito tributário foi “mantido em parte”, sendo que em seu voto, a relatora concedeu provimento total ao recurso voluntário. 5. Consta na folha nº 06 do acórdão, que a relatora invoca o art. 173, I do CTN, afirmando que ficam alcançadas pela decadência as contribuições referentes às competências de 01/1996, 12/1996, 02/1997, 03/1997, 08/1997, 12/1997, 01/1998, 03/1998, 05/1998, 12/1998, 12/1999, 03/2000, e, 04/2000, no que foi acompanhada pela maioria da turma. 6. Quanto ao período relativo à competência de 01/2001 a 12/2002, consta na folha nº 09 do mesmo acórdão que a relatora deu provimento ao recurso, sendo acompanhada por unanimidade de votos. 7. No que tange ao pedido de parcelamento do débito efetuado pelo contribuinte, anoto que foi efetuado em março de 2011, período posterior à prolação da decisão ora embargada (junho 2009), daí porque os presentes embargos não constituem meio idôneo ou Fl. 719DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16095.000465/200773 Acórdão n.º 2402004.809 S2C4T2 Fl. 720 5 adequado para sanar qualquer problemática outra que não aquela advinda da decisão embargada. CONCLUSÃO 8. Por todo o exposto, conheço e acolho os embargos apresentados, nos termos do voto proferido, que passa integrar a decisão embargada, sanando a contradição apontada, para que o Recurso Voluntário seja integralmente provido e o crédito tributário exonerado. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
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Numero do processo: 10920.900010/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira que negavam provimento ao recurso voluntário. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo esteve ausente justificadamente.
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim- Relatora
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira que negavam provimento ao recurso voluntário. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo esteve ausente justificadamente. Charles Mayer de Castro Souza- Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim- Relatora (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Redator designado. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira que negavam provimento ao recurso voluntário. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo esteve ausente justificadamente. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redator designado. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 00 01 0/ 20 08 -8 4 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201000.626 S3C2T1 Fl. 74 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – Per/Dcomp, (00818. 62128. 151203..1.3. 0417.43) transmitida em 15/12/2003, onde foi verificado que o valor contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos informados. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual aduz que o Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, foi preenchido incorretamente, tendo faltado a informação nos campos “Informado em Processo Administrativo Anterior” e “Número do Processo” . Informa, ainda, que a DCTF do período de apuração foi preenchida incorretamente, tendo a retificação sido efetuada de acordo com a Intimação nº. 73/2008 de referido processo. Termina por afirmar que estão anexadas as fotocópias do Despacho Decisório do Processo nº. 13973.000286/200329 e da intimação nº. 73/2008, protocolada em 22/02/2008 e que resta demonstrado o erro no preenchimento e a suficiência de saldo. Requer, por fim, que seja retificada a Per/Dcomp e acolhida a impugnação. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS n° 0721.890, de 29/10/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis /SC, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, tendo em vista que para a compensação ter validade, a mesma demanda a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201000.626 S3C2T1 Fl. 75 3 Porém, verificase claramente no Despacho Decisório datado de 24/06/2008, o reconhecimento do direito creditório, e que o PER/DCOMP tratado neste processo, só não foi homologado em virtude de ter tido um Despacho Decisório eletrônico anterior, e que diante disso, deveria ser julgado na manifestação de inconformidade apresentada. Ocorre que diante das informações relevantes deste último Despacho Decisório, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em respeito aos princípios da economicidade, eficiência e moralidade (que devem ser observados pela Administração Pública), poderia ter cancelado o Despacho Decisório eletrônico e homologado todas as Declarações de Compensação informadas na intimação n° 73/2008. Desnecessário, portanto, toda esta discussão diante de um direito creditório líquido e certo. O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o processo de Declaração de Compensação – Per/Dcomp, transmitida em 15/12/2003, onde foi verificado que o valor contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, logo, não restando créditos para compensação dos débitos, ora tratados. Rebate a recorrente que só não foi reconhecido o seu direito creditório, em face de ter sido Despacho Decisório eletrônico anterior, e que diante disso, deveria ser julgado na manifestação de inconformidade apresentada. Vide trecho do despacho decisório acima referido: Importante também ressaltar que as PER/DCOMPs de n° 30001.95157.150903.1.3.044057, 10355.33898.151003.1.3.047730 e 00818. 62128151203.1.3.041743não estão sendo tratadas no presente processo, em virtude de terem sido não homologadas previamente, conforme Despachos Decisórios de fls. 35 a 37, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos dos §§ 7o e 9o do art. 74 da Lei 9.430/1996 (fls. 38 a 40). A Per/Dcomp de nº 00818. 62128. 151203..1.3. 0417.43 em discussão, nos autos, não foi homologada, conforme trecho do despacho acima, logo, não havia crédito inconteste. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201000.626 S3C2T1 Fl. 76 4 Como ressalta a própria decisão de primeira instância, não obstante a recorrente ter retificado a DCTF (em 20/02/2008), mas quando do pedido de compensação (em 15/12/2003), a mesma não possuía liquidez e certeza que pudesse ser objeto de repetição: Em que pese o fato da interessada ter retificado o documento no sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após a análise do Per/Dcomp que resultou na decisão pela nãohomologação, conforme descrito no Despacho Decisório. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise, foi realizado quando ainda não estava configurada a existência do pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em que o sujeito passivo formalmente apura e declara a contribuição devida à Receita Federal. Como se constata nos autos, a contribuinte retificou a DCTF em momento posterior ao pleito compensatório, por conseguinte, a compensação teria sido formalizada quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuía a liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição. Verificase, que através do processo de n° 13973000286/200329 (cópia trazida pela recorrente), através da intimação de n° 73/2008 (em 06/02/2008), a fiscalização observava divergência de valores informados entre a DCTF e DIPJ: Verificamos, entretanto, que essa empresa informou, em DCTF, ter apurado, no período acima, débito equivalente aos pagamentos relacionados (R$ 115.567,51). Já na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2003, ano calendário 2002, o valor apurado de PIS em novembro de 2002 foi de R$ 89.572,70. No Despacho Decisório consta a informação que a recorrente responde que a DCTF do período foi preenchida incorretamente, tendo sido providenciada a sua retificação e que o valor correto do débito de Pis de novembro de 2002 correspondeu a R$ 89.572,70, apresentando cópias do razão das contas de receita do período. Ressaltese que em sua defesa, o contribuinte trouxe aos autos referência do outro processo a DCTF retificadora, com recibo de entrega em 20/02/2008, ou seja, em momento posterior à apresentação do Per/Dcomp. Não obstante, retificado o documento no sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após a análise do Per/Dcomp que resultou na decisão pela nãohomologação, conforme descrito no Despacho Decisório, já comentado. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise, foi realizado quando ainda não estava configurada a existência do pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em que se apura e declara a contribuição devida à Receita Federal. Várias são as decisões proferidas pelo CARF que têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis e neste caso, dos autos, a origem do erro de apuração do débito retificado, não foi apresentado com essa documentação. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201000.626 S3C2T1 Fl. 77 5 E mais, não custa nada lembrar, que a discussão acima é o que o Despacho decisório, DCTF retificadora referemse a outro processo, que a recorrente traz cópia na tentativa de comprovar a liquidez da compensação, ora tratada. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do CTN Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Pois bem, como está disposto de forma literal no artigo 170 do CTN, a compensação, para ser válida, demanda a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que não se verifica no presente caso, motivo pelo qual tal compensação não foi homologada. Exemplo desse entendimento é o Acórdão de n° 3802001.290, de 25/09/2012, de relatoria de José Fernandes do Nascimento, cuja ementa (parte) dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (....) Logo, como se constata nos autos, a recorrente retificou a DCTF em momento posterior ao pleito compensatório, por conseguinte, a compensação teria sido formalizada quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuía a liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição. Diante do exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Voto Vencedor Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201000.626 S3C2T1 Fl. 78 6 Tatiana Josefovicz Belisário Redator designado. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, a unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos realizados pela Recorrente, mas integralmente utilizados para quitação de débitos dela própria, não restando, assim, crédito disponível para compensação. Não houve, todavia, antes de prolatada a decisão, intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos sobre o pedido que formulou, muito embora, como se sabe, a Lei n.º 9.784, de 1999, que rege o Processo Administrativo Federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF por força do disposto em seu art. 69, determina que o administrado tem, entre outros direitos perante a Administração Pública, o de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão competente (inciso III do art. 3º). Pelo exposto, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para determinar que a unidade de origem promova a intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos que se fizerem necessários e, sendo o caso, profira novo Despacho Decisório a partir dos esclarecimentos e documentos apresentados. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redator designado. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 11080.732918/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO NA ÁREA SOCIAL. FALTA DE POSSE DO CEAS. DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA IMUNIDADE.
Não deve ser reconhecida a imunidade das contribuições sociais para as entidades não certificadas na forma da legislação de regência.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN.
Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci no que tange às contribuições destinados a Terceiros/Outras Entidades.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO NA ÁREA SOCIAL. FALTA DE POSSE DO CEAS. DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA IMUNIDADE. Não deve ser reconhecida a imunidade das contribuições sociais para as entidades não certificadas na forma da legislação de regência. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN. Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci no que tange às contribuições destinados a Terceiros/Outras Entidades. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 160 1 159 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.732918/201237 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.736 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de dezembro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FUNDAÇÃO DE SOLIDARIEDADE NOSSA SENHORA APARECIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO NA ÁREA SOCIAL. FALTA DE POSSE DO CEAS. DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA IMUNIDADE. Não deve ser reconhecida a imunidade das contribuições sociais para as entidades não certificadas na forma da legislação de regência. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN. Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 29 18 /2 01 2- 37 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci no que tange às contribuições destinados a Terceiros/Outras Entidades. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732918/201237 Acórdão n.º 2402004.736 S2C4T2 Fl. 161 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 45.007 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 51.030.5938: exigência das contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; b) AI n.º 51.030.5946: exigência das contribuições para outras entidades ou fundos (terceiros); e c) AI n.º 51.030.5920: aplicação de multa pela conduta da empresa de não preparar as folhas de pagamento nos padrões definidos pelo órgão da Seguridade Social. Nos termos do Relato Fiscal, os fatos geradores contemplados no lançamento foram: a) as remunerações pagas a segurados empregados de verificadas mediante análise das folhas de pagamento e contabilidade. Esse valores não foram objeto de declaração na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP (levantamento FP2); b) as remunerações pagas ao Sr. Luis Carlos Sperling, obtidas de processo trabalhista em que foi reconhecido o vínculo empregatício deste segurado, cujos salários, nas competências 01/2008 a 12/2008, 01/2009, 02/2009, 08/2010 a 12/2010, não foram lançados em folha de pagamento (levantamento EF2). A multa por descumprimento de obrigação acessória decorreu do fato da autuada não haver em razão da entidade autuada não ter incluído nas folhas de pagamento das competências 01/2008 a 12/2008, 01/2009, 02/2009, 08/2010 a 12/2010, o segurado empregado Luiz Carlos Sperling. Informase que e entidade, cuja finalidade precípua é acolher, orientar e assessorar pessoas carentes visando ao seu tratamento de saúde, declarouse erroneamente como entidade beneficente de assistência social com isenção da cota patronal previdenciária. Afirmase que a autuada não atendeu as exigências previstas no revogado art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Ressaltase que a entidade não seria possuidora de Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, tampouco consta seu registro no Sistema de Informações do Conselho Nacional de Assistência Social SICNAS. Cientificado do lançamento em 06/11/2012, fl. 76, o sujeito passivo apresentou impugnação, na qual alega que nos termos do § 7.º do art. 195 da Constituição Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Federal são imunes ao pagamento das contribuições previdenciárias que atendam ao requisitos da Lei. Considerandose que o art. 146, II, também da Constituição dispõe que somente lei complementar pode dispor acerca das limitações do poder de tributar, então é o Código Tributário Nacional CTN, norma com força de lei complementar, que, validamente, pode exigir requisitos para fruição da referida imunidade. A entidade cumpre integralmente todos os requisitos do art. 14 do CTN, por isso as contribuições previdenciárias lançadas são indevidas. Prossegue afirmando que a contribuição ao INCRA, a qual visa ao financiamento da reforma agrária, é referente apenas ao contribuinte do segmento rural, não podendo a exação atingir empresas do meio urbano, como é o caso da autuada. Cita jurisprudência que acolhe este entendimento. Alega que o STF reconheceu a existência de repercussão geral em relação ao tema, quando apreciou o Recurso Extraordinário RE n.º 630.898, onde o Ministro Relator manifesta o mesmo entendimento que a entidade fiscalizada. Ao final, requer o cancelamento da lavratura. As teses da empresa não foram acolhidas pela DRJ, que manifestou a posição de que o art. 14 do CTN trata especificamente de impostos, não alcançando a imunidade relativa às contribuições previdenciárias. Assim, por não possuir o ato administrativo reconhecendo a isenção, a entidade desobedeceu ao § 1.º do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, não sendo merecedora da isenção pretendida. Quanto ao período de vigência da Lei n.º 12.101/2009, a partir de 29/11/2009, a DRJ também concluiu que a entidade não poderia usufruir da isenção, posto que sequer demonstrou que era certificada como entidade beneficente de assistência social. Acerca da contribuição ao INCRA, o órgão de primeira instância concluiu que essa exação caracterizase, no caso, como contribuição especial de intervenção no domínio econômico, classificada doutrinariamente como contribuição especial atípica. Tem, portanto, caráter de universalidade, não estando sua incidência condicionada a que a empresa exerça atividade rural. Complementou que o RE citado na defesa ainda não teria sido objeto de julgamento pela Corte Constitucional. Essas considerações levaram a DRJ a manter integralmente o lançamento. Inconformada, a entidade interpôs recurso voluntário, no qual lança argumentos idênticos aqueles apresentados na impugnação. É relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732918/201237 Acórdão n.º 2402004.736 S2C4T2 Fl. 162 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Aplicação do art. 14 do CTN A invocada imunidade da recorrente com base no inciso II do art. 14 do CTN não se sustenta. Vejamos: O inciso VI do art. 150 da Constituição Federal veda aos entes federados a instituição de impostos para as seguintes situações: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. (...) Como se pode ver do comando constitucional, a imunidade ali traçada diz respeito apenas aos impostos, que é espécie tributária diferente de contribuição, exação tratada no presente processo. O desdobramento infraconstitucional do inciso IV do art. 150 da Lei Maior encontrase na alínea “c” do inciso IV do art. 9.º e no art. 14, ambos do CTN, assim redigidos: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. (...) Como se pode ver, esses dispositivos do CTN têm aplicação restrita à imunidade/isenção relacionada aos impostos. Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7.º do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade/isenção, dispositivo esse que foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 e hoje é tem regramento ordinário na Lei n.º 12.101/2009. Para os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2009 aplicase o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, que dentre os requisitos para gozo da isenção das contribuições previdenciárias previa em seu inciso II a necessidade de que a entidade beneficente de assistência social fosse possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Para corroborar as informações prestadas pela autoridade lançadora, efetuei consulta no SICNAS e pude constatar que sequer a autuada consta naquele cadastro, o que me leva a inferir que em nenhum momento houve de sua parte do cumprimento do requisito de possuir o CEAS. Para o período posterior, referente à vigência da Lei n.º 12.101/2009 também se pode dizer que a entidade não atendeu aos requisitos legais. Vejamos o que diz este diploma normativo acerca da necessidade de certificação para gozo da isenção: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I – não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732918/201237 Acórdão n.º 2402004.736 S2C4T2 Fl. 163 7 sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos, exceto no caso de associações assistenciais ou fundações, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. (...) grifei Ora, em nenhum momento a recorrente logrou demonstrar ser reconhecida pelos órgão competentes como entidade beneficente de assistência social, o que nos leva a concluir que, mesmo após a revogação do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, ela não atendeu aos requisitos necessários à isenção. Assim deve ser mantida a exigência das contribuições lançadas, posto que a recorrente não cumpria as determinações legais para gozo da isenção pretendida. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Contribuição ao INCRA Afirma a recorrente em seu arrazoado que a contribuição paro Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA não poderia ser aplicada às empresas urbanas, por ser destinada ao atendimento dos trabalhadores rurais. Além de que é a mesma seria inconstitucional por não se enquadrar em nenhuma das espécies tributárias previstas na Constituição Federal. Para afastar essa tese, devo utilizar a jurisprudência do STJ, a qual manifesta o entendimento de que a contribuição ao INCRA enquadrase como contribuição de intervenção no domínio econômico, a qual pode ser exigida também das empresas urbanas. Eis um julgado que bem retrata o posicionamento daquele tribunal superior: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 977.058/RS, DJ DE 10/11/2008). REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. REVISÃO. SÚMULA 7 DESTE TRIBUNAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO SOB O RITO DO ART. 543C, DO CPC. 1. O exame da alegação de que a CDA não preenche os requisitos de validade encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Precedentes. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, mediante pronunciamento sob o regra prevista no art. 543C do CPC (REsp 977.058/RS, DJ de 10/11/2008), firmou o posicionamento no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. (grifo nosso). 3. Extrapola o limite de competência do recurso especial, ex vi do art. 105, III, da CF, enfrentar a tese recursal autoral, acerca da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação tributária, fundada no principio constitucional do nãoconfisco. 4. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.111.175/SP, em 10/6/2009, feito submetido à sistemática do art. 543C do CPC, decidiu pela legalidade da incidência da Taxa Selic para fins tributários. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1394332 / RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Dje 26/05/2011) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732918/201237 Acórdão n.º 2402004.736 S2C4T2 Fl. 164 9 Diante desse julgado, posso concluir que, ao contrário do que afirma a recorrente, a jurisprudência tem sedimentado o entendimento de que a contribuição ao INCRA pode ser exigida também das empresas urbanas, por se caracterizar como contribuição especial de intervenção no domínio econômico. Acerca do RE n.º 630.898, embora o STF tenha reconhecido a repercussão geral da questão constitucional ali suscitada, o recurso em questão ainda não teve julgamento naquela corte, estando conclusos ao Relator desde 08/05/2013. Devese, portanto, ser mantida a exigência da contribuição ao INCRA. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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