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Numero do processo: 10865.000033/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o processo tendo em vista o disposto no art. 62-A do RICARF por tratar-se de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. No caso em espécie trata-se de lançamento decorrente de movimentação de depósitos bancários cuja questão refere-se à constitucionalidade, ou não, do art. 6º da lei complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. conforme Leading Case RE 601314.
Como providência, devolver à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa.
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
(assinatura digital)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o processo tendo em vista o disposto no art. 62-A do RICARF por tratar-se de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. No caso em espécie trata-se de lançamento decorrente de movimentação de depósitos bancários cuja questão refere-se à constitucionalidade, ou não, do art. 6º da lei complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. conforme Leading Case RE 601314. Como providência, devolver à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa. PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
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Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o processo tendo em vista o disposto no art. 62A do RICARF por tratarse de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. No caso em espécie tratase de lançamento decorrente de movimentação de depósitos bancários cuja questão referese à constitucionalidade, ou não, do art. 6º da lei complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. conforme Leading Case RE 601314. Como providência, devolver à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa. PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em exercício. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 03 3/ 20 06 -3 7 Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.216 ___________ Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão 0114.249 – 2ª Turma da DRI/BEL, que julgou procedente o lançamento lavrado contra o sujeito passivo, acima identificado, foi lavrado auto de infração de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, referente aos anos calendários 2000 a 2003, R$ 1.094.997,91, fls. 04/20. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, após regular intimação do contribuinte. Segundo Termo de Verificação de fls. 13/20, o contribuinte apresentou como justificativa para os depósitos bancários em suas contas correntes: seriam provenientes de clugUis de terceiros (familiares e amigos) que transitaram em suas contas devido aos serviços de cobrança que executava de forma gratuita, e que a seguir eram , repassados aos beneficiários. Mas, não houve a coincidência de datas e valores entre os valores listados na planilha do contribuinte (fls. 244/256) e os depósitos, e não houvç a apresentação de documentos que corroborasse a afirmação do contribuinte. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 153/180, em que elenca, em resumo, as seguintes reclamações: a) O fato gerador do imposto de renda pessoa física é mensal. Como o lançamento regese pelo art. 150, § 4 0, do CTN, decaiu o direito do Fisco lançar tributos; b) A alteração introduzida pela lei 10.174/2001, respeitado o princípio da anualidade, só terá eficácia a partir do dia 1° de janeiro de 2002; c) Depósitos bancários não representam aquisição de disponibilidade econômica; d)Não houve a análise individualizada dos depósitos bancários; e) A taxa Selic não pode ser utilizada para a cobrança de juros de mora. ; f) A lei 10.174/2001 é inconstitucional; g) A quebra do sigilo bancário do contribuinte não se subsume a nenhuma das hipóteses elencadas no art. 30 do Decreto 3.724/01; h) Eventuais valores tributados como omissão de receita em determinado mês são considerados como saldo disponível no mês seguinte. i) os depósitos bancários em suas contas correntes são provenientes de aluguéis de terceiros (familiares e amigos) que transitaram em suas contas devido aos serviços de cobrança que executava de forma gratuita, e que a seguir eram repassados aos beneficiários. j) Requer perícia e eventual juntada de provas. A DRJ proferiu decisão assim ementada: Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.217 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa Omissão. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores Creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente em Parte Inconformado o contribuinte recorre reafirmando os argumentos da impugnação. Posteriormente, o contribuinte protocolou petição desistindo parcialmente do recurso. É o relatório do necessário. Voto. Inicialmente, tendo em vista a desistência parcial do recurso, entendo que o presente feito deve ser baixado para à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa. Contudo o presente feito trata da constitucionalidade da quebra de sigilo bancário, bem como a utilização de dados da CPMF é matéria que teve a sua repercussão geral reconhecida nos autos do Recurso extraordinário 601.314 em 22 de outubro de 2009, aguardando estes autos julgamento pelo STF, in verbis: RE 601314 RG / SP SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 DJe218 DIVULG 1911 2009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Por outro lado, o mesmo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389808, que versa sobre a mesma matéria, em sessão plenário decidiu ser inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem a intervenção do Poder Judiciário, nos seguintes termos: RE 389808 / PR PARANÁ RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 15/12/2010 Órgão Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.218 4 Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218Parte(s) SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Ocorre aqui a seguinte dúvida, poderia o Supremo Tribunal Federal, julgar o RE nº 389808, antes do julgamento do RE 601314 que estava em regime de Repercussão Geral? Entendo que tal possibilidade havia até o advento da Emenda Regimental nº 42. Analisando o Regimento Interno do A. STF verificase que a supra citada alteração Regimental, de 2 de dezembro de 2010, publicada no Dje de 7 de dezembro de 2010, procurou solucionar eventuais conflitos determinando a prevenção do relator do caso paradigma nos seguintes termos: “Art. 325A. Reconhecida a repercussão geral, serão distribuídos ou redistribuídos ao Relator do recurso paradigma, por prevenção, os processos relacionados ao mesmo tema.” Ocorre que o Ministro Marco Aurélio já havia pedido a inclusão do RE nº 389808 em pauta de julgamento, antes mesmo da deliberação administrativa que resultou na supra citada Emenda Regimental. Considerando que a regra é de que a lei processual seja aplicada tão logo entre em vigor, ou seja, tempus regit actum (o tempo rege o ato) deverseia perquirir se se trata de nulidade do julgado ou se ao caso deve prevalecer o juiz natural, ou mesmo ainda se ao ato de julgamento se aplicaria tal regra por ser ato complexo. Não vejo no caso qualquer tipo de nulidade. Isso porque não houve julgamento por órgão distinto, ambos os casos deveriam ser julgados pelo tribunal pleno o que ocorreu no no julgamento do RE nº 389808. Além disso também participou do julgamento o Ministro relator do leading case, que inclusive fez declaração de voto. Além disso, o ato de julgamento não é ato instantâneo, mas um verdadeiro procedimento que ao meu ver tem o seu início com o pedido de dia. Ademais, a nova regra regimental deve ser aplicada aos novos casos em que a repercussão geral for reconhecida e não aos anteriores. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.219 5 O próprio Supremo Tribunal Federal vem negando monocraticamente seguimento aos recursos com o mesmo tema, in verbis: RE 410054 / MG MINAS GERAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI Julgamento: 18/10/2011 Publicação DJe204 DIVULG 21/10/2011 PUBLIC 24 (...) Já se pacificou, neste Supremo Tribunal Federal, o entendimento segundo o qual a pretendida quebra de sigilo bancário de particulares depende de prévia e fundamentada liberação por parte da autoridade competente. Nesse sentido, confirase: “1. RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Instituições Financeiras. Sigilo bancário. Quebra. Requisição. Necessidade de autorização judicial ou decisão de Comissão Parlamentar de Inquérito, ambas devidamente fundamentadas. Jurisprudência assentada. Ausência de razões novas. Decisão mantida. Agravo regimental improvido. Negase provimento a agravo regimental tendente a impugnar, sem razões novas, decisão fundada em jurisprudência assente na Corte. 2. RECURSO. Agravo. Regimental. Jurisprudência assentada sobre a matéria. Caráter meramente abusivo. Litigância de máfé. Imposição de multa. Aplicação do art. 557, § 2º, cc. arts. 14, II e III, e 17, VII, do CPC. Quando abusiva a interposição de agravo, manifestamente inadmissível ou infundado, deve o Tribunal condenar a agravante a pagar multa ao agravado” (RE nº 243.157/MSAgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 1º/2/08). Tal posição foi referendada pelo Plenário desta Corte, mais recentemente, quando a apreciação do recurso supra mencionado, cuja ementa se transcreve: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo àReceita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte” (RE nº 389.808/PR, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJe de 10/5/11). RE 555112 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. AYRES BRITTO Julgamento: 22/09/2011 Publicação DJe195 DIVULG 10/10/2011 PUBLIC 11/10/2011 DECISÃO: vistos, etc. Tratase de recurso extraordinário, interposto com suporte na alínea “a” do inciso III do art. 102 da Constituição Republicana, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Acórdão assim ementado (fls. 120): Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.220 6 “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. RESERVA DE JURISDIÇÃO. DADOS DE TERCEIROS. HONORÁRIOS. Afirmada a reserva de jurisdição, com o conseqüente reconhecimento de vício na quebra de sigilo bancário determinada diretamente pela autoridade administrativa sob a égide da Lei 8.021/90. Ademais, o art. 8º da Lei nº 8.021/90 diz respeito à quebra do sigilo do contribuinte e não de terceiros. Vício na quebra também por ter alcançado os diretores da sociedade sem procedimento de fiscalização relativo a eles, com evidente confusão entre a sociedade e a pessoa de seus sócios. O art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 881 do RIR/94 não autorizam quebra de sigilo de terceiros sem que contra eles seja dirigido procedimento fiscal. Majorados os honorários para 2% sobre o valor atualizado da causa em razão do seu vulto.” 2. Pois bem, a parte recorrente alega violação aos incisos X e XII do art. 5º da Magna Carta de 1988. 3. Tenho que a insurgência não merece acolhida. É que o entendimento da instância judicante de origem afina com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que me parece juridicamente correta. Leia se, nesse mesmo sentido, a ementa do RE 389.808,da relatoria do ministro Marco Aurélio: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” Ante o exposto, e frente ao caput do art. 557 do CPC e ao § 1º do art. 21 do RI/STF, nego seguimento ao recurso. Publiquese. Brasília, 22 de setembro de 2011. Ministro AYRES BRITTO Relator RE 387604 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 23/02/2011 Publicação DJe049 DIVULG 15/03/2011 PUBLIC 16/03/2011 DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.221 7 Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.222 8 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientouse que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF” (Informativo n. 613). O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Por outro lado, consultando o andamento do RE nº 389808 junto ao site oficial do A. Supremo Tribunal Federal, verifico que foram opostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional, não tendo transitado em julgado o feito. Nesta esteira, em que pese o tratamento que vem sendo dado ao tema pelo próprio STF, entendo que o julgamento do presente processo deve ser sobrestado até o julgamento final dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional nos autos do RE Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.223 9 nº 389808, conforme imposição do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que determina, in verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.”. Diante do exposto, proponho sobrestar o processo tendo em vista o disposto no art. 62A do RICARF por tratarse de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. No caso em espécie tratase de lançamento decorrente de movimentação de depósitos bancários cuja questão referese à constitucionalidade, ou não, do art. 6º da lei complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. conforme Leading Case RE 601314. Como providência, devolver à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE
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Numero do processo: 11020.004976/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/12/2002 a 30/06/2004
BINGO. RESPONSABILIDADE.
Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator..
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DASILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 26/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DASILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 26/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/2002 a 30/06/2004 BINGO. RESPONSABILIDADE. Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DASILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 26/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 49 76 /2 00 7- 14 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em 03 de março de 2011, contra decisão exarada no Acórdão 0933.131, que por unanimidade de votos, decidiu por julgar improcedente a impugnação apresentada. Transcrevo abaixo, resumidamente, os fatos que motivaram o lançamento: Em procedimento fiscal de verificação de cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 01 COFINS – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS NA CONDIÇÃO DE RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Valor apurado conforme Relatóriode Atividade Fiscal em anexo a este auto de infração, o qual é devido pela administradora de jogos em decorrência de sua responsabilidade tributária. (...) Com base nas contratações explanadas acima, denotase que a empresa pagou prêmios de bingo a diversos beneficiários (...) e não recolheu a Cofins devida como responsável tributário. Sendo assim, esta fiscalização considerou os referidos valores de acordo com a legislação específica, os quais resultaram no presente auto de infração. Intimado do teor do auto de infração, o Recorrente protocolou Impugnação, aduzindo em síntese que: a) os fatos geradores ocorridos anteriormente à data de 29/08/2002 estão extintos, tendo em vista a aplicação do art. 150 § 4º cumulado com o art. 156, VII ambos do CTN; b) a cobrança destes créditos é indevida, pois não é tributada pela COFINS; c) existem irregularidades na quantificação, pelo Fisco, da base de cálculo, pois esta contribuição “exigida da litigante na qualidade de responsável tributária do Esporte Clube Serrano, não poderia incidir sobre uma base de cálculo superior à receita auferida pela entidade em decorrência do jogo de bingo”; d) não cabe exigir COFINS de entidades isentas, imputando responsabilidade pelo tributo ao Esporte Clube Serrano. A par dos argumentos lançados na Impugnação, a DRJ entendeu por bem manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11020.004976/200714 Acórdão n.º 3302002.013 S3C3T2 Fl. 11 3 Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário em que são reprisados os argumentos da Impugnção. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Inicialmente ressalto que apesar de o auto de infração mencionar dois tributos devidos, quais sejam IRRF e COFINS, houve a separação de processos que tiveram seguimento de forma autônoma, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa do Recorrente, bem como não há que se falar em nulidade quanto a este aspecto. A seguir analiso a eventual decadência de parte dos lançamentos efetuados. Via de regra, o CTN estabelece que o lançamento tributário deve observar o art. 173 do Código Tributário Nacional, que determina: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 426DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Referida regra, no entanto, comporta exceções para os casos em que os tributos estão sujeitos ao pagamento através do regime de homologação, como é o caso das contribuições discutidas nestes autos. Nestes casos, aplicável o prazo estabelecido pela redação do art. 150 do Código Tributário, senão vejamos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifouse) A jurisprudência do E. STJ, com a interpretação que vem sendo dada ao Resp 973.733 – SC de relatório do Ministro Luiz Fux, acabou por decidir, no rito do art. 543 C, que se deve aplicar o art. 150, § 4º do CTN , quando tenha havido pagamento parcial e o 173, I do CTN, nos casos em que não houve pagamento, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 427DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11020.004976/200714 Acórdão n.º 3302002.013 S3C3T2 Fl. 12 5 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. Conforme se depreende do relatório fiscal (fls 342), os lançamentos efetuados são decorrentes de ausência de recolhimento da Cofins, ou seja, no período deste lançamento não foram efetuados recolhimentos, sendolhes aplicável o disposto no art. 173, I do CTN, o que afasta as alegações de decadência. Como razões de defesa quanto ao mérito, o Contribuinte aduz que não é responsável tributário pela empresa Esporte Clube Serrano. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 Para melhor contextualizar a matéria tratada no presente processo, destaco do relatório fiscal: “Em decorrência da inexistência da prestação de contas à Caixa Econômica Federal e da falta de outros elementos que demonstrassem a real arrecadação do bingo, não nos restou outra alternativa que não fosse a de considerar como receita os valores do demonstrativo fornecido pelo contribuinte o qual demonstra os ‘valores arrecadados’ e suas destinações de acordo com os percentuais estabelecidos na legislação. No entanto, em análise realizada sobre os valores declarados, verificouse que o recolhimento da parcela dos encargos tributários não foi devidamente efetuada. (...) Tendo deixado re recolhe a COFINS devida, na condição de responsável tributário pelo Esporte Clube Serrano, informase que os valores que deixaram de ser recolhidos aos cofres da União, conforme planilha ‘Apuração dos valores devidos’, estão sendo constituídos na Administração de Jogos Schneider LTDA através do auto de infração ao qual este relatório faz parte inseparável. Sobre a legalidade da responsabilização da Recorrente pelos tributos não recolhidos, cumpre destacar o que determina a Lei nº 9.981/00 que sobre o tema determina: Art. 4º Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade. Nunca é demais lembrar que o Decreto nº 7.574/11, veda expressamente que o julgador afaste legislação em vigor, senão vejamos: Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Vale destacar também o que já decidiu o STJ sobre o tema: TRIBUTÁRIO. JOGOS DE BINGOS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. PIS. COFINS. ISENÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DISPENSA DE RETENÇÃO RELATIVAMENTE A PRÊMIOS CUJO VALOR NÃO ALCANCE R$ 11,10. INEXISTÊNCIA. 1. É inviável o processamento do Recurso Especial quando ausente o prequestionamento da questão nele versada.2. Nos termos do Decreto 3.000/99, estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de 30%, exclusivamente na fonte, os lucros decorrentes de prêmio em dinheiro obtidos em loterias, inclusive as instantâneas, ainda que de finalidade assistencial e exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em Fl. 429DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11020.004976/200714 Acórdão n.º 3302002.013 S3C3T2 Fl. 13 7 geral, compreendidos nestes o turfe e os sorteios de qualquer espécie.3. Não há que se falar em isenção em virtude da natureza desportiva das empresas administradoras de jogos, porquanto não perdem elas a feição comercial.4. São devidas as contribuições ao PIS e à COFINS, cuja base de cálculo é o faturamento da empresa, porquanto inexiste norma que impeça a incidência das referidas exações, enquadrandose a atividade da Recorrente na hipótese abstratamente prevista na legislação de regência.5. O imposto de renda incidente sobre prêmios é retido exclusivamente na fonte, consoante determina o art. 677 do RIR/99, não compondo a base de cálculo da exação devida na declaração de rendimentos das pessoas físicas ou jurídicas. A pleiteada dispensa de retenção de que trata o art. 67 da Lei 9.430/96, invocado pela Recorrente, somente alberga o imposto incidente na fonte sobre rendimentos que devam integrar a base de cálculo do imposto devido na declaração de ajuste anual, não atingindo, dessarte, a hipótese sub examine. 6. Havendo adimplemento apenas parcial do tributo, sem que haja qualquer causa suspensiva da exigibilidade do respectivo crédito, incide multa por atraso no seu pagamento, a teor do que dispõe o art. 39, § 4º da Lei 9.430/96. 7. Relativamente à Taxa SELIC é firme a jurisprudência desse Sodalício quanto à sua incidência na cobrança do crédito tributário, a partir da entrada em vigor da Lei 9.250/95, que a instituiu. 8. Recurso Especial conhecido em parte, e, nesta parte, desprovido. (REsp 572781 / RS RECURSO ESPECIAL 2003/01269398 – Rel. Ministro Luiz Fux. Publicação em 29/11/2004). Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima exposto em complemento aos externados na decisão recorrida aos quais faço remissão nos termos do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 430DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11080.922498/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que se sobreste o presente feito até decisão definitiva nos autos dos Processos Administrativos Fiscais n. 11080.725253/2011-24, n. 11080.909276/2011-90, n. 11080.909.277/2011-34, n. 11080.909275/2011-45, 11080.909278/2011-89 e 11080.909279/2011-23..
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que se sobreste o presente feito até decisão definitiva nos autos dos Processos Administrativos Fiscais n. 11080.725253/2011-24, n. 11080.909276/2011-90, n. 11080.909.277/2011-34, n. 11080.909275/2011-45, 11080.909278/2011-89 e 11080.909279/2011-23.. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que se sobreste o presente feito até decisão definitiva nos autos dos Processos Administrativos Fiscais n. 11080.725253/201124, n. 11080.909276/201190, n. 11080.909.277/201134, n. 11080.909275/201145, 11080.909278/201189 e 11080.909279/201123.. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Presidente em exercício (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 22 49 8/ 20 11 -0 6 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.922498/201106 Resolução nº 1101000.123 S1C1T1 Fl. 3 2 Na origem, cuidase de PER/Dcomp n. 31756.68397.300307.1.7.021016, que teve como objetivo o reconhecimento de crédito decorrente de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário 2004. No despacho decisório emitido em 02/12/2011, a análise feita pela DRF/POA concluiu pelo reconhecimento parcial do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004 nos seguintes valores (fl. 126): Parc. crédito Retenções Fonte Pagamentos Dem. Estim. Comp. Soma Parc. Cred. PER/DCOMP R$ 1.016.497,29 R$ 2.237.579,29 R$ 3.015.701,41 R$ 6.269.777,99 Confirmadas R$ 903.076,14 R$ 2.237.579,29 R$ 1.331.153,51 R$ 4.471.808,94 A discussão que remanesce nos autos, portanto, referese ao montante de R$1.797.969,05, relativo a crédito de saldo negativo que teria origem em retenções na fonte (R$113.421,15) e a crédito de saldo negativo que teria origem em pagamento de estimativas por compensação (R$1.684.547,90). Apresentada tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 02/15), a 5ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente o pleito por entender (i) que não teriam sido comprovadas as retenções na fonte além daquelas já comprovadas por ocasião da análise do saldo negativo pela DRF/POA e (ii) que “as manifestações de inconformidade referentes às compensações das estimativas foram julgadas improcedentes, portanto, seus valores não devem ser considerados no cômputo do saldo negativo” (fl. 488). Leiase, a propósito, a ementa do referido julgado (fl. 486): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário:2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A homologação da compensação depende da liquidez e certeza do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra a r. decisão de 1ª instância, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 492/504), em que repisa os argumentos trazidos em sede de Impugnação, no sentido de que: (i) “os valores relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte já foram comprovados pela CEEEGT através da Intimação nº 068/2011 – RFB, consoante documentos presentes no anexo II” (fl. 494); e (ii) em relação aos pagamentos por estimativa, como parte dos créditos oferecidos para liquidação das estimativas não teriam sido suficientes para a homologação das compensações, foram apresentados recursos administrativos, os quais seguem em discussão nos autos do “Processo Administrativo nº 11080.725253/2011 24, posteriormente desmembrado nos processos nº 11080.909276/201190 e 11080.909277/201134; 11080.909275/201145; 11080.909278/201189; 11080.909279/201123” (fl. 503). Nesse cenário, afirma a Recorrente que “se há Fl. 577DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.922498/201106 Resolução nº 1101000.123 S1C1T1 Fl. 4 3 dúvida da existência, ou não, dos créditos relativos aos pedidos de compensação realizados pelo contribuinte, objeto de discussão em processo administrativo, não poderia o Fisco cobrar os débitos vinculados a estes créditos formadores do Saldo Negativo de IRPJ” (fl. 503). Por essas razões, pede, ao final, a homologação total de suas compensações administrativas realizadas (homologações dos créditos) ou, subsidiariamente, seja determinada a suspensão do presente caso até o julgamento final dos Processos Administrativos n. 11080.725253/201124, n. 11080.909276/201190, n. 11080.909.277/201134, n. 11080.909275/201145, 11080.909278/201189 e 11080.909279/201123. É o relatório. Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Contra a r. decisão de 1ª Instância, a Contribuinte apresentou tempestivo Recurso Voluntário, razão por que dele conheço. No tocante à parcela do recurso voluntário em que se discute a existência de crédito de saldo negativo com origem em pagamento de estimativas por meio de compensação (R$1.684.547,90), ao compulsar os autos, verifico que a questão está sendo analisada nos autos de outros processos administrativos. Essa situação, contudo, afastaria a certeza necessária para que uma antecipação possa integrar o direito creditório representado pelo saldo negativo a partir dali formado, mormente tendo em conta que este direito creditório será pretendido para extinção de créditos tributários na forma do já citado art. 170 do CTN, que possui a seguinte redação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Com efeito, depreendese da norma que um dos pressupostos nucleares para a compensação tributária é justamente a necessidade de que o crédito do contribuinte contra a Fazenda se revista de certeza e liquidez. Por assim ser, pareceme razoável que seja o presente julgamento CONVERTIDO em DILIGÊNCIA, para aguardar o julgamento final dos Processos Administrativos n. 11080.725253/201124, n. 11080.909276/201190, n. 11080.909.277/2011 34, n. 11080.909275/201145, 11080.909278/201189 e 11080.909279/201123, conforme expressamente pleiteado pela contribuinte. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Conselheiro Fl. 578DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 11050.001077/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 07/07/2008, 28/09/2008, 28/09/2009, 11/10/2008, 12/10/2008
DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. MULTA DEVIDA
Cabível a multa do artigo 107, inciso IV, alínea 'e' do Decreto-lei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003 para a desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido.
Numero da decisão: 3101-001.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Corintho Oliveira Machado Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 2 1 1 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.001077/200974 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.320 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria MULTA ADUANEIRA Recorrente CRAFT MULTIMODAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/07/2008, 28/09/2008, 28/09/2009, 11/10/2008, 12/10/2008 DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. MULTA DEVIDA Cabível a multa do artigo 107, inciso IV, alínea 'e' do Decretolei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003 para a desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Corintho Oliveira Machado – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 10 77 /2 00 9- 74 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de autuação lavrada contra a Recorrente na função de agente responsável pela desconsolidação da carga no destino, para constituição da multa prevista no caput do artigo 37 do DecretoLei nº 37/66, tendo em vista o registro fora do prazo previsto no artigo 22 da IN RFB 800/2007 de doze conhecimentos de embarque. Os embarques ocorreram no período de julho a outubro de 2008, e a multa totaliza o montante de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). Em relatório fiscal, a autoridade administrativa consigna que as informações relativas às desconsolidações foram prestadas pelo Sr. Miguel de Castro Maio, representante legal da pessoa jurídica Sultrade Transportes Integrados Ltda., a qual a empresa e seu representante foram classificados como meros representantes da Recorrente, que seria a pessoa jurídica efetivamente obrigada à prestação das informações. Devidamente notificada da autuação, foi apresentada Impugnação que sustentou, em síntese: i) que o prazo previsto na IN 800/2007 só se aplicaria a partir de 1/04/2009; ii) o auto de infração fere os princípios da ampla defesa e contraditório, vez que o mesmo auto tem por objeto vários BIs distintos; iii) o atraso no registro se deu por culpa do armador, que retificou seu MASTER a atrasou o registro da Recorrente; iv) o agente de carga marítimo não possui responsabilidade sobre informações da carga; v) por ser agente de carga, a Recorrente não possui responsabilidade pelo conteúdo da carga e pelo despacho aduaneiro, não se equipando à pessoa do importador; e, vi) que somente poderia atribuir responsabilidade ao agente marítimo pelo despacho aduaneiro ou pagamento de crédito tributário caso este tivesse agido em infração da lei ou contrato social – artigo 135, II do CTN. Levado os autos à julgamento, a impugnação foi julgada parcialmente procedente para reduzir a autuação para R$ 30.000,00 (trinta mil reais), tendo em vista que 7 (sete) conhecimentos referemse à desconsolidação do conhecimento Master 210805192732843, cuja ementa restou transcrita nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/07/2008, 28/09/2008, 28/09/2009, 11/10/2008, 12/10/2008 DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. FORA DO PRAZO. MULTA DEVIDA Cabível a multa do artigo 107, inciso IV, alínea 'e' do Decreto lei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003 para a desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11050.001077/200974 Acórdão n.º 3101001.320 S3C1T1 Fl. 3 3 Inconformada, foi interposto Recurso Voluntário pela ora Recorrente aduzindo, em síntese: i) que o prazo previsto no art. 22 da IN RFB 800/2007 só se aplicaria a partir de 1/04/2009, conforme disposição do art. 50; ii) violação ao princípio da tipicidade, o Recorrente não se enquadra como sujeito passível da multa aplicada; iii) transcurso do prazo prescricional de 1 (um) ano (artigo 22 da Lei nº 9.611/1998), tendo em vista que até a data da interposição do Recurso Voluntário não havia sido ajuizada a ação judicial; iv) a IN RFB 800/2007 violaria o princípio da hierarquia das leis, vez que criou ilegalmente norma geral com viés de lei ordinária; v) a criação de prazos irreais pela IN RFB 800/2007 caracterizase como criação de tributo travestido de multa; vi) o prazo prescrito na IN RFB 800/2007 e a multa aplicada violam o princípio da legalidade, deveriam ser enunciados por meio de lei; vii) aplicação do princípio da proporcionalidade e razoabilidade devido à inexistência de prejuízos à União ou à administração portuária no cometimento da infração, devendo ser afastada a multa; e, por fim, viii) a aplicação do caput do artigo 736 do Decreto nº 6.759/2009 para decretar relevada a multa em razão da inexistência de falta de pagamento de tributo, ou, se assim não entender, reduzida em percentual menor nos termos do caput do artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Como visto, tratase de lançamento de penalidade por atraso no registro de desconsolidação de carga no destino, prevista no art. 22 da IN RFB nº 800/2007. Antes de adentrar na questão central passo a analisar as alegações trazidas no recurso. Quanto ao transcurso do prazo previsto no art. 22 da Lei nº 9.611/1998, entendo que tal não se aplica às infrações aduaneiras, seja por conta da especificidade prevista para ações judiciais, que não é o caso do presente feito, seja por conta de haver legislação Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 específica, DecretoLei nº 37/66, para o exercício do poder de polícia aduaneira para a Receita Federal. Quanto à legitimidade da IN RFB 800/2007, para criar a obrigação de registrar informações e respectivos prazos, cumpre salientar que é incabível a alegação de ilegalidade haja vista que o art. 64 da Lei nº 10.833/2003 estabeleceu a competência para a Receita Federal estabelecer as condutas necessárias ao controle aduaneiro, sendo que as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações está perfeitamente delineada no DecretoLei nº 37/66, cuja recepção e aprovação pelo Congresso Nacional lhe conferiu status de lei. Quanto à aplicação do art. 736 do Decreto nº 6.759/2009, entendo ser possível, mas se e quando mantida a penalidade, em julgamento definitivo. Em relação ao tópico central da defesa entendo o quanto segue: Como se sabe no direito penal a dúvida opera em favor do acusado, por se espera do direito a plena delimitação do tipo a fim de que as condutas ocorram tal como esperado pelo ordenamento. As normas que determinam uma dada obrigação devem ser convergentes de modo que o “modal deôntico” obrigatório esteja em contradição ou contrariedade com outras normas. Assim, o que é obrigatório, não pode ser proibido e deve ser permitido. A linguagem do legislador dever ser clara a ponto de o “homem médio” seja capaz de absorver a mensagem e reconhecela como impositiva de conduta e o sujeito deve ter, no âmbito do direito e no mei fático, possibilidade de agir na forma predeterminada pela norma. Paulo de Barros Carvalho explica que: Se a proposiçãohipótese é descritora de um fato de possível ocorrência no contexto social, a proposiçãotese funcionará como prescritora de condutas intersubjetivas. Obviamente, vista a norma na sua integridade entitativa, descabem considerações a respeito do papel, mais ou menos relevante, que cada qual dessas peças ideais desempenhe na organização interior da regra jurídica. Não obstante, quem porventura reflita sobre tal estrutura não pode deixar de tecer o seguinte raciocínio: se, por determinado prisma, o direito existe para regular os comportamentos interhumanos no convívio social, para bem orientálos em direção a certos valores que a sociedade anela; e se é no prescritor que encontramos essa disciplina; eis aqui a categoria fundamental do conhecimento jurídico. Esse, entre outros, o pensamento de Alessandra Levi, para quem a relação jurídica prevista no prescritor é a substância mesma do direito. Na verdade, o prescritor da norma é, invariavelmente, uma proposição relacional, enlaçando dois ou mais sujeitos de direito em torno de uma conduta regulada como proibida, permitida ou obrigatória. Tratase de uma relação entre termos determinados, que são necessariamente pessoas: S' R S". Nessa fórmula, S' é uma pessoa qualquer e S" é uma pessoa qualquer, desde que não seja S'. R é o relacional deôntico, aparecendo num dos modais do deverser: V, P ou O, que são irredutíveis, mas interdefiníveis, isto é, com o auxílio do conectivo negador (), é dado definir um pelo outro (Op = Pp). Interpretando: dizer que uma conduta "p" é obrigatória equivale a afirmar que não é Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11050.001077/200974 Acórdão n.º 3101001.320 S3C1T1 Fl. 4 5 permitido omitila. Ainda sobre a temática do "deverser" intraproposicional, cabe advertir que não acolho a "faculdade" como um quarto modal, ao lado dos três primeiros mencionados, já que esse operador desempenha o papel de permissão bilateral (Fp = Pp.Pp), sendo redutível, portanto, a um dos três modais que mencionamos. Permanece, assim, a lei deontológica do quarto excluído: os modais deônticos são três e somente três. Ao pretendermos saturar essas variáveis lógicas com as constantes do direito positivo, não poderemos colocar no tópico de S' ou de S" outra coisa que não seja o nome de sujeitos de direito. Ali não cabem designações de fatos jurídicos ou de relações, pois os valores que satisfazem essas variáveis são exclusivamente recolhidos entre pessoas, físicas ou jurídicas. Pois bem, a conduta que a fiscalização entendeu como exigível da Recorrente está prescrita no art. 22 da IN RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que dispõe: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB. I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput , se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Tal norma, a princípio teria início de vigência na data da publicação da Instrução Normativa, mas com a publicação da IN RFB nº 899, de 29/12/2008, os prazos para que o sujeito passivo estivesse submetido à conduta prevista no art. 22 foi postergada para 01/04/2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) . Desta forma, para os atrasos no registro das informações de desconsolidação de carga levados em consideração pelo Fisco para ao Conhecimento Eletrônicos dos períodos de objeto do lançamento, portanto, anteriores à 1º/04/2009, não estão sujeitos às condutas prescritas pela IN RFB nº 800/2007, ou melhor, nos prazos previstos no art. 22. Não pode essa norma jurídica ser supedâneo de incidência da penalidade sobre condutas cuja obrigação não se encontrava definida de forma obrigatória no momento do fato capitulado como punível. Ora, se não no momento da chagada do navio no porto nacional não havia vigência do prazo para cumprimento da obrigação do registro da desconsolidação submetida às regras do art. 22 da IN RFB 800/2007, não poderia ser ela o fundamento do ato administrativo que aplica a penalidade. Inobstante, ser o sujeito passivo o destinatário da obrigação, por ser a Recorrente a pessoa que representa o transportador – navio, as alterações legislativas, no mínimo, geraram dúvida acerca da conduta que deveria ser seguida e por conta disso, não há certeza necessária para aplicação da penalidade. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir as penalidades aplicadas. Luiz Roberto Domingo – Relator Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11050.001077/200974 Acórdão n.º 3101001.320 S3C1T1 Fl. 5 7 Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pelo I. Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que a exigência fiscal deve ser mantida no caso do recurso voluntário. A razão para tanto deriva de que o art. 50 da IN RFB nº 800/2007, com a redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008, não continha apenas os dizeres do seu caput: Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Mas também, e notadamente para o caso dos autos, o conteúdo de seu parágrafo único, inciso II: O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I (...); e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O que significa não estar eximida a recorrente de sua obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação no porto brasileiro. A única diferença da obrigação da recorrente, em virtude do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, é que até 1º de abril de 2009 deve prestar as informações antes da atracação, e depois da mencionada data deve fazêlo quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação. Dessarte, podese asseverar que no momento da chagada do navio no porto nacional havia vigência de norma prevendo prazo para cumprimento da obrigação do registro da desconsolidação submetida às regras do art. 22 da IN RFB nº 800/2007. Nesse diapasão, voto pelo DESPROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 15563.000444/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. NÃO ESCRITURAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
O art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê hipótese de presunção relativa de omissão de receitas ou rendimentos, que pode ser elidida a qualquer tempo com a apresentação dos documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos valores.
LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA, OMISSÃO DE RECEITA. DUPLICIDADE.
Tendo em vista que o lançamento está baseado no art. 42 da Lei nº 9.430/96 que versa sobre presunção legal de omissão de receita, é necessário proceder a exclusão da receita bruta apurada como omissa dos valores da declarados pelo contribuinte em DIPJ.
DISSOCIAÇÃO IRREGULAR. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. MULTA AGRAVADA. CONDUTA FRAUDULENTA.
Reputa-se correta a decisão que afastou o agravamento da multa de ofício aplicada pela falta de atendimento ás intimações, em razão da dissociação da empresa, mas mantida a multa agravada, em percentual menor (150%) pela conduta fraudulenta.
Recurso de Ofício Improvido
Numero da decisão: 1101-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, 1) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício relativamente à duplicidade de lançamento, e 2) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício relativamente ao agravamento da penalidade, em conformidade com o relatório e voto que integram o presente julgamento, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso Redator had-doc
EDITADO EM: 07/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda (relatora). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e Benedicto Celso Benício Junior, integrando o colegiado os Conselheiros José Sérgio Gomes e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. NÃO ESCRITURAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê hipótese de presunção relativa de omissão de receitas ou rendimentos, que pode ser elidida a qualquer tempo com a apresentação dos documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos valores. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA, OMISSÃO DE RECEITA. DUPLICIDADE. Tendo em vista que o lançamento está baseado no art. 42 da Lei nº 9.430/96 que versa sobre presunção legal de omissão de receita, é necessário proceder a exclusão da receita bruta apurada como omissa dos valores da declarados pelo contribuinte em DIPJ. DISSOCIAÇÃO IRREGULAR. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. MULTA AGRAVADA. CONDUTA FRAUDULENTA. Reputa-se correta a decisão que afastou o agravamento da multa de ofício aplicada pela falta de atendimento ás intimações, em razão da dissociação da empresa, mas mantida a multa agravada, em percentual menor (150%) pela conduta fraudulenta. Recurso de Ofício Improvido
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. NÃO ESCRITURAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê hipótese de presunção relativa de omissão de receitas ou rendimentos, que pode ser elidida a qualquer tempo com a apresentação dos documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos valores. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA, OMISSÃO DE RECEITA. DUPLICIDADE. Tendo em vista que o lançamento está baseado no art. 42 da Lei nº 9.430/96 que versa sobre presunção legal de omissão de receita, é necessário proceder a exclusão da receita bruta apurada como omissa dos valores da declarados pelo contribuinte em DIPJ. DISSOCIAÇÃO IRREGULAR. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. MULTA AGRAVADA. CONDUTA FRAUDULENTA. Reputase correta a decisão que afastou o agravamento da multa de ofício aplicada pela falta de atendimento ás intimações, em razão da dissociação da empresa, mas mantida a multa agravada, em percentual menor (150%) pela conduta fraudulenta. Recurso de Ofício Improvido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, 1) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício relativamente à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 04 44 /2 01 0- 27 Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O 2 duplicidade de lançamento, e 2) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício relativamente ao agravamento da penalidade, em conformidade com o relatório e voto que integram o presente julgamento, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Redator “haddoc” EDITADO EM: 07/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda (relatora). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e Benedicto Celso Benício Junior, integrando o colegiado os Conselheiros José Sérgio Gomes e Paulo Roberto Cortez. Relatório Em 07/03/2008, foi lavrado o Termo de Constatação e Declaração (proc. fl. 14) por meio do qual foi noticiado que a pessoa jurídica auditada não funcionava no endereço informado à Receita Federal do Brasil, o que desencadeou o processo de inaptidão nº 15.563.000.125/201011. Ante tal informação, o Termo de Início de Fiscalização (proc. fls. 19 e 20) foi endereçado ao Sr. Vilson Pascoalino, indicado na DIPJ como sócio da empresa IMBRA (proc. fl. 11). No entanto, não houve resposta por parte do contribuinte. A autoridade fazendária oficiou a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro – JUCERJA para que esta apresentasse o contrato social e suas alterações (proc. fls. 23). Constatouse que os únicos sócios, ambos com poder de gerência eram os Sr. João Paulo Ferreira Filho e Cláudio Araújo Santana. Este último sucedeu Vilson Pascoalino. A fiscalização encaminhou o Termo de Início de Fiscalização aos sócios, no entanto, as correspondências retornaram com as inscrições “mudouse” e “desconhecido”. Mais uma vez foi oficiada a JUCERJA, que forneceu ficha cadastral, contrato social e décima alteração contratual datada de 24/05/2006. De posse de tais informações, a fiscalização verificou que entre sócios e administradores em exercício ou não, constavam os seguintes nomes: Vilson Pascoalino, Izoli Alves de Oliveira, João Paulo Ferreira Filho e Cláudio Araújo Santana. Alguns cartórios foram oficiados, sendo identificados documentos de procuração (proc. fls. 89, 92, 95, 98 e 104) por meio dos quais os sócios e administradores conferiam amplos e irrestritos poderes de administração às seguintes pessoas: Izoli Alves de Oliveira, Mário Martinez do Canto e José Roberto Martinez do Canto. Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 15563.000444/201027 Acórdão n.º 1101000.908 S1C1T1 Fl. 3.471 3 Tais pessoas foram então intimadas para esclarecer se de fato exerciam os poderes conferidos em procuração. Os Srs. Mário e José Roberto informaram que a IMBRA pertencia ao tio de ambos, Sr. Izoli, falecido em 2007, e que nunca exerceram os poderes outorgados. Foi juntada certidão de óbito do Sr. Izoli à fl. 127. Em 12/05/2005, foi publicado Edital de Intimação nº 35 em nome da pessoa jurídica, para que fossem apresentados os documentos requeridos no Termo de Início de Fiscalização (proc. fl. 45 e 46). Mais uma vez a intimação restou frustrada. A autoridade fiscalizadora então realizou circularização com empresas clientes (11/05/2010), sendo apurado compras no valor total de R$ 118.664.102,49 (anexos I e II, proc. fls. 360 a 3437) Consolidados os valores e as informações, foi emitido o Edital nº 90 de 04/11/2010, que intimou a contribuinte e seus sócios a comprovarem, por documentação hábil e idônea, a tributação das vendas apuradas pelo procedimento de circularização. Não houve resposta por parte do contribuinte (proc. fls. 131 e 132). Destarte, em 06/12/2010 foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (proc. fls. 223 a 254) por omissão de receitas, tendo em vista que os valores declarados mostraramse discrepantes dos valores apurados quando da circularização. O lucro foi arbitrado com fundamento no art. 530, inciso III do RIR/99, e a multa qualificada. Segundo a fiscalização, a qualificação da multa se deu tendo em vista que foram constituídos sócios fictícios para encerrar as atividades da empresa. Conforme apontado em pesquisas realizadas aos arquivos eletrônicos da RFB, os sócios apontados no contrato social não possuíam bens e direitos compatíveis com a gerência e/ou administração de uma empresa cujo capital social integralizado era de R$ 50.000,00 e a receita anula alcançava aproximadamente R$ 147.000.000,00. Ademais, a pessoa jurídica possui cadastro na RFB com endereço que não foi confirmado e nem mesmo encontrado. Em suma, a utilização de interpostas pessoas, a manutenção de receitas à margem da contabilidade e, ainda, a disponibilização de falsas informações às autoridades fazendárias, são atitudes que denotam conduta fraudulenta com o fim de impedir o conhecimento, da ocorrência dos fatos geradores. Foi atribuída sujeição passiva, com base no art. 135, III do CTN, bem como nos fatos relatados, às seguintes pessoas: Vilson Pascoalino (sócio administrador à época dos fatos tributados), Wilson Paschoalino (sócio à época dos fatos tributados), Espólio de Izoli Alves de oliveira (administrador não sócio à época dos fatos tributados), João Paulo Ferreira Filho (formalmente sócio administrador, considerado interposta pessoa) e Cláudio Araújo Santana (formalmente sócio administrador, considerado interposta pessoa). Foram emitidos os Editais nº 97 e 100 (proc. fls. 253 e 254) em 06/12/2010 e 08/12/2010, respectivamente, para cientificar os contribuintes e responsáveis da lavratura dos Autos de Infração. Além disso, foi enviada correspondência via correio. Apenas a pessoa jurídica apresentou Impugnação (proc. fls. 263 a 283). Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O 4 De início o Postulante afirmou que houve desrespeito ao disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual a aplicação de penalidade, deverá ser formalizada em Autos de Infração distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade. O contribuinte asseverou que no caso em análise, o fiscal autuante colocou quatro infrações distintas em um único processo, o que dificultou a elaboração da defesa técnica. Ainda em sede de preliminar, o Impugnante alegou cerceamento do direito de defesa sob o argumento de que devido à complexidade da forma como todo conteúdo foi exposto, não há como identificar a real imputação ao contribuinte, pois não foram apresentados os critérios adotados que justificassem o montante cobrado. No mérito, afirmou que como houve recolhimento, mesmo que a menor, o prazo decadencial é o previsto no art. 150, § 4º do CTN, ou seja, 5 anos contado do fato gerador. Concluiu que o Fisco formalizou exigência após o prazo decadencial. A fiscalizada alegou que houve erro inequívoco no lançamento ao proceder, em duplicidade, o lançamento referente às infrações relacionadas ao IRPJ e CSLL. No que tange à aplicação da multa no percentual de 225%, o contribuinte afirmou que se tratava de valor exorbitante e não condizente com a realidade dos fatos. Ademais, o Fisco apenas se baseou em presunções no que concerne a existência de “evidente intuito de fraude”, não houve qualquer comprovação de tal alegação. Asseverou que “nada do que foi relatado no Auto de Infração, indica que a Impugnante agiu de forma dolosa e que teve o intuito de fraudar a Receita Federal. E ainda, nenhum documento de prova foi anexado ao processo de modo que comprovasse as alegações da auditora em sua pretensão à aplicação da multa qualificada”. Em 28/04/2011, os membros da 6º Turma da DRJ no Rio de Janeiro resolveram converte o julgamento em diligência para que fosse regularizada a ciência do co responsábel Wilson Paschoalino por meio de intimação pessoal/postal (proc. fls. 297). Ante o insucesso da intimação, foram emitidos os Editais nº 26 e 34 (proc. fls. 356 e 358), em 21/06/2011 e 21/07/2011, respectivamente. Não houve qualquer manifestação de defesa ou juntada de documentos. Em 31/10/2011, a DRJ no Rio de Janeiro exarou Acórdão (fls. 3439 a 3453) julgando parcialmente procedente a Impugnação apresentada, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ARBITRAMENTO. Justificase a apuração do imposto devido mediante arbitramento de lucros quando, apesar de intimada, a pessoa jurídica não apresente os livros e documentos cuja manutenção lhe é obrigatória. BASE DE CÁLCULO DO ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 15563.000444/201027 Acórdão n.º 1101000.908 S1C1T1 Fl. 3.472 5 Sob risco de dupla contagem, é incabível que, para fins de cálculo da receita bruta que servirá de base para a determinação do lucro arbitrado, sejam adotadas as vendas informadas em DIPJ e, ainda, o total das vendas apuradas em procedimento de circularização. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO POR FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A falta de atendimento à intimação justifica o agravamento da penalidade imposta sempre que seja não justificada ou motivada, revelando descaso ou conduta deliberada com o objetivo de impedir ou dificultar a auditoria. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. CONDUTA FRAUDULENTA. A omissão de informações, ou a prestação de falsas informações, quando tenham por objetivo reduzir ou suprimir tributos, é conduta que justifica o agravamento da multa de ofício conforme art 44, § 1º da Lei 9.430/1996. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL , PIS E COFINS. Na ausência de fatos novos a ensejarem conclusões diversas, o decidido no lançamento principal se estende aos reflexos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A 6ª Turma afastou a preliminar de nulidade levantada pela Impugnante referente à formalização dos Autos de Infração. Asseverou que foram lavrados Autos de Infrações distintos, um para cada tributo lançado. Além disso, a formalização dos Autos em um único processo é recomendada pelo parágrafo único do art. 9 do Decreto nº 70.235/72, pois os ilícitos imputados ao sujeito passivo dependem dos mesmos elementos de prova. Destarte, foi afastada a alegação de cerceamento de direito de defesa. Com relação à decadência alegada pela Impugnante, o órgão julgador a quo manifestouse no sentido de que nos casos de conduta fraudulenta, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. No caso em análise, pertinente ao lucro presumido, ano calendário de 2005, comprovada a ocorrência do dolo, o termo inicial do prazo decadencial, para os três primeiros trimestres é 01/01/2006 e, para o 4º trimestre, 01/01/2007. Concluiu que como a ciência ao procedimento de ofício se deu em 29/12/2010, não há que se falar em decadência. No mérito, o Colegiado ressaltou que nenhum dos coresponsáveis apresentou razões de defesa. Desta forma, com fundamento no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, todas as pessoas físicas responsabilizadas solidariamente foram confirmadas no polo passivo da autuação. Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O 6 Tanto por meio de intimação pessoal na pessoa dos sócios como de antigos representantes da empresa, bem como por meio de edital, a fiscalização não teve atendida sua solicitação de apresentação de arquivos e livros contábeis/fiscais referentes ao anocalendário de 2005. Desta forma, realizou o arbitramento do lucro com base no art. 530, III do RIR/99, pois a interessada, apesar de intimada, não apresentou os livros e documentos cuja manutenção lhe era obrigatória. A Impugnante não se opôs ao arbitramento do lucro, mas questionou a duplicidade de alguns valores. O Colegiado concordou com a contribuinte e procedeu a exclusão dos valores dúplices. Desta forma, a base tributável corresponde ao somatório das vendas apuradas por circularização deduzidas das receitas informadas em DIPJ. Ressaltou ainda que a parcela do arbitramento realizado com base nas receitas informadas em DIPJ será mantida tal qual formulada. Relativamente à multa, o órgão julgador a quo entendeu correto afastar o agravamento da multa qualificada, pois restou caracterizada a intenção deliberada, por parte do sujeito passivo, de omitir a ocorrência dos fatos geradores. No tocante à tributação da CSLL, o órgão julgador entendeu que as razões de decidir apontadas para o IRPJ se aplicam integralmente. Já em relação ao PIS e à COFINS, o lançamento realizado incidiu somente sobre as receitas apontadas como omitidas. Tendo em vista que o contribuinte não confessou em DCTF quaisquer valores referentes a estes tributos, bem como não preencheu, na DIPJ/2006, os quadros de apuração destas contribuições, não há que se falar em recalculo, pois a omissão de receitas abrange a totalidade das vendas apuradas por circularização. Não foi interposto Recurso Voluntário, quer pelo contribuinte, quer pelos co responsáveis solidários. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (Redator “adhoc”) O Recurso apresenta os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Versam os presentes autos sobre Recurso de Ofício referente ao crédito exonerado quando do julgamento pela 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro. O contribuinte e os coresponsáveis solidários não interpuseram Recurso Voluntário. Portanto, a matéria sujeita a julgamento está limitada ao que foi julgado procedente pela DRJ. O órgão julgador a quo julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pela pessoa jurídica para excluir do crédito os valores constantes em duplicidade. Ocorre que o arbitramento foi realizado com base na receita bruta conhecida (receitas informadas em DIPJ e as apuradas como omitidas), quando na verdade, deveria ser subtraído do valor obtido mediante o procedimento de circularização os valores declarados em DIPJ, pois Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 15563.000444/201027 Acórdão n.º 1101000.908 S1C1T1 Fl. 3.473 7 a autoridade fazendária não possui meios de provar que o montante apurado como omisso esteja totalmente à margem da escrituração da empresa. Destarte, entendo correto o recálculo da base tributária referente ao IRPJ e CSLL. No que diz respeito ao PIS e à COFINS a Turma acertadamente não procedeu ao recalculo da base de cálculo tributável, pois no anocalendário de 2005, o contribuinte não recolheu tais tributos ou mesmo os declarou em DIPJ, não havendo que se falar em dupla tributação. No que diz respeito à multa que foi aplicada no percentual de 225%, o órgão julgador a quo afastou o agravamento da multa referente à falta de atendimento às intimações formalizadas mantendo a qualificação da multa no percentual de 150% por entender presente o intuito fraudatório. Também não há que se corrigir tal entendimento. A Lei nº 9.430/96 versa sobre a qualificação e o agravamento das multas quando do lançamento de ofício, vide abaixo: “Art. 44: Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I – prestar esclarecimentos (...)” No caso em análise, verificase que houve dissolução irregular da sociedade nos moldes do previsto na súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça (“Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes,...”). Portanto, o caso concreto enquadrase na presunção de dissolução irregular da sociedade, tendo em vista que houve mudança de endereço e não se comunicou à Receita Federal do Brasil. Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O 8 Ademais, da análise das alterações do contrato social, é patente a presença de interposta pessoa, tanto pelo fato de que as pessoas que constam como sócias no contrato social não possuírem capacidade financeira condizente com a realidade da empresa, como pela presença de procurações conferindo poderes de gestão e administração aos verdadeiros proprietários. Neste panorama, o montante do valor omitido, que por si só não seria indício de fraude, ganha outros contornos e evidencia o intuito de não recolher aos cofres públicos os valores devidos. Já quanto ao agravamento da multa, previsto no parágrafo 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não deve ser aplicada ao caso concreto, pois como já mencionado a empresa sofreu dissolução irregular, motivo pelo qual não poderia prestar os esclarecimentos devidos quando solicitados. Em relação à exigência em concomitância das multas agravadas pelo não atendimento às intimações para a apresentação de livros e documentos e pela intenção de fraudar o Fisco, reputo correto a decisão recorrida quando afastou a possibilidade da exigência em duplicidade, em conformidade com a jurisprudência predominante deste colendo CARF, in verbis: MULTA AGRAVADA POR FALTA DE ENTREGA DE DOCUMENTOS. LUCRO ARBITRADO PELA NÃO APRESENTAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS. NORMAS QUE DEVEM SER INTERPRETADAS DE FORMA CONJUGADAS. A não apresentação de documentos necessários à demonstração do lucro real tem como consequência o arbitramento nos termos do artigo 148 do CTN e artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995. Contudo, uma vez arbitrado o lucro pela falta de apresentação dos documentos exigidos, não cabe o agravamento da multa. A mesma circunstância que caracteriza um fato típico não pode ser, ao mesmo tempo, causa de aumento da reprimenda prevista para o próprio fato típico. Para a não apresentação dos livros e demais documentos necessários à apuração do lucro real a consequência é a exigência dos tributos de forma arbitrada, não cabendo exigir, concomitantemente, o agravamento da multa pela não apresentação de documentos. (Ac. nº 1402001.416, rel. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva) Pois, de fato conforme bem frisou o voto condutor do mencionado acórdão, “uma vez arbitrado o lucro pela falta de apresentação dos documentos exigidos, não cabe o agravamento da multa. Para a não apresentação dos livros e demais documentos necessários à apuração do lucro real a penalidade é a exigência dos tributos de forma arbitrada, não cabendo exigir, concomitantemente, o agravamento da multa pela não apresentação de tais documentos”. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício por entender correto o recálculo da base de tributação excluindose os valores em duplicidade, bem como a quanto à redução do percentual da multa agravada, mantida em 150%. Sessão, 13 de junho de 2013 Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 15563.000444/201027 Acórdão n.º 1101000.908 S1C1T1 Fl. 3.474 9 (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso – Redator “adhoc”) Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
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Numero do processo: 11080.011707/2007-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO JULGADO VERGASTADO. PRETENSÃO À REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. INADMISSIBILIDADE.
É de se rejeitar embargos de declaração que, a pretexto de apontar omissões, contradições e obscuridades no acórdão vergastado, evidenciam clara intenção de ver a matéria rediscutida.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO JULGADO VERGASTADO. PRETENSÃO À REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. INADMISSIBILIDADE. É de se rejeitar embargos de declaração que, a pretexto de apontar omissões, contradições e obscuridades no acórdão vergastado, evidenciam clara intenção de ver a matéria rediscutida. Embargos rejeitados.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO JULGADO VERGASTADO. PRETENSÃO À REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. INADMISSIBILIDADE. É de se rejeitar embargos de declaração que, a pretexto de apontar omissões, contradições e obscuridades no acórdão vergastado, evidenciam clara intenção de ver a matéria rediscutida. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 17 07 /2 00 7- 08 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório O embargado formulou pedido de ressarcimento de créditos de COFINS acumulados, sob o regime da nãocumulatividade da Lei nº 10.833/03, ao término do quarto trimestre de 2006, como decorrência do desempenho de atividade exportadora. Esta sua iniciativa mobilizou a auditoria fiscal da DRFPorto Alegre/RS a, via procedimento fiscalizatório, averiguar a existência e a extensão dos direitos afirmados pelo embargado. Fato é que, no relatório preparado ao cabo da investigação, a auditoria tributária descreve uma série de supostas irregularidades cometidas na determinação seja dos próprios custos e despesas que ensejam o direito de crédito, seja da base de cálculo da exação, nos períodos de apuração considerados. Daí porque, reconheceu apenas parcialmente o crédito pretendido em pecúnia (fls. 77/83). O embargado, insatisfeito, opôs manifestação de inconformidade ao despacho decisório para, em síntese, sustentar (fls. 108/128): (a) preliminarmente, a nulidade do decisum em virtude da alegada indispensabilidade de lançamento para a constituição do crédito tributário sobre valores não oferecidos à tributação espontaneamente; (b) relativamente às glosas, o direito à apropriação de créditos sobre as seguintes rubricas: dispêndios escriturados nas contas “manutenção de prédios” (35120025 e 35520025) e “materiais para consumo próprio” (35120099 e 35520099); lançamentos à conta “compras para recebimento futuro” (CFOP 1.116 e 2.116); despesas incorridas com locação de veículos; e, ainda, com o custeio de frete contratado para entrega de peças em garantia; (c) relativamente à base de cálculo do tributo, a insujeição à incidência de valores resultantes da “recuperação de despesas” e da contraprestação pela transferência onerosa de saldo acumulado do ICMS a terceiros. Desprovida a irresignação pela DRJPorto Alegre/RS (fls. 146/150), o embargado interpôs voluntário a fim de acionar a revisão da matéria por este Colegiado (fls. 155/173). A então Segunda Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF, todavia, preferiu converter o julgamento em diligência por meio da Resolução nº 220200.025, objetivando, com a providência, melhor esclarecer a natureza de valores sobre os quais o embargado calculara seus créditos e, também, de rubricas não voluntariamente expostas à tributação. Cumprida a diligência e colhida a manifestação da parte, foi proferido acórdão (fls. 204 e ss.), pelo qual foi dado parcial provimento ao voluntário, a fim de excluir da base de cálculo o montante relativo às recuperações de despesas, bem como de reconhecer o direito de crédito das contribuições relacionado aos valores lançados na conta “manutenção de prédios”. Retornam, agora, os autos com embargos declaratórios, manejados pela Fazenda Nacional, pelo qual se requer, em breve síntese, esclarecimentos a respeito dos limites de Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.011707/200708 Acórdão n.º 3403002.862 S3C4T3 Fl. 5 3 aplicação dos arts. 290 e 299, do RIR/99, como fonte de interpretação do conceito de insumos para o PIS e para a COFINS nãocumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Os embargos de declaração em exame são tempestivos e, porque indicam a ocorrência de hipótese permissiva, constante do artigo 65 do RICARF, cumprem o necessário à admissibilidade. Superado isso, contudo, o recurso não prospera. Inexistem, no aresto atacado, as apontadas contradição, omissão e obscuridade. Alega a Fazenda Nacional que o aresto seria contraditório, uma vez que – assim como não há na legislação do PIS e da COFINS previsão para que o conceito de insumo seja aquele constante na legislação do IPI – também não há na legislação das contribuições previsão para que sejam utilizados os conceitos existentes no âmbito do IRPJ. De fato, as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, ao mencionarem o termo “insumo” como elemento apto a gerar créditos das contribuições, não trouxeram a sua definição e nem mesmo o equipararam às legislações do IPI ou do IRPJ. Contudo, esta constatação não torna incongruente ou contraditória a conclusão do julgado. Isto porque o que se pretendeu com o aresto não foi adotar, na íntegra, a legislação do IRPJ ou a legislação do IPI para delimitar a extensão do conceito de insumo a ser utilizado na legislação do PIS e da COFINS. A preocupação, sim, e isto está bem evidente no acórdão, é interpretar o termo insumo de uma forma intermediária, utilizandose, para isso, as normas vigentes no âmbito do IRPJ e respeitandose, por outro lado, as disposições constantes das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. Este é, em breve síntese, o intuito do julgado, o que é ratificado pela passagem abaixo transcrita: “No conceito, portanto, estão incluídos, sem prejuízo de outros itens, (i) o custo de aquisição dos materiais envolvidos na produção, (ii) o custo de mãodeobra direta, compreendendo a remuneração do pessoal vinculado à produção e os respectivos encargos sociais e previdenciários, e (iii) os gastos gerais de fabricação, também chamados de custos indiretos, entre os quais inspeção, manutenção, almoxarifado, supervisão, depreciação, energia, seguros etc. Incorrendo em tais dispêndios perante pessoas jurídicas domiciliadas no País, o contribuinte tem, pois, em princípio, assegurado o direito ao creditamento.” Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Devidamente harmonizadas, portanto, a legislação do IRPJ (que autoriza a dedução dos custos de mãodeobra) com a legislação do PIS e da COFINS (que permitem o creditamento apenas por dispêndios incorridos perante pessoas jurídicas – art. 3º, §3º, da Lei nº 10.833/03). Não se trata, portanto, de aplicar, indiscriminadamente, as normas atinentes ao IRPJ na conceituação de “insumos” para fins de creditamento do PIS e da COFINS. Há, sem dúvida, um balizamento a ser feito que, por decorrência lógica, é casuístico. Aliás, percebese que esta constatação está em consonância com o voto condutor do REsp nº 1.246.317/MG, proferido pelo Min. Mauro Campbell Marques e colacionado pelo embargante no corpo dos embargos declaratórios (pg. 10, 1º parágrafo). Ressaltase, ainda, que o julgamento deste recurso especial ainda não foi encerrado, pois se aguarda o voto do Min. Herman Benjamin após pedido de vista em 16.06.2011. Por fim, de acordo com os esclarecimentos supramencionados, também devem ser afastadas as alegações de omissão e obscuridade no julgado, que se referiam, em síntese, à interpretação (aplicabilidade e extensão) dos arts. 290 e 299, do RIR/99, no que diz respeito ao conceito de insumos para a contribuição ao PIS e para a COFINS. O que se desvenda na oposição destes embargos declaratórios é, em verdade, a pretensão subreptícia, não declarada, de rediscutir a matéria já ventilada no recurso voluntário e suficientemente enfrentada no acórdão de fls. 204 e ss. Não se trata de identificar omissões, contradições ou obscuridades no texto do decisum, mas de manifestar claro descontentamento com as razões que fundamentaram o provimento do apelo. Como, não obstante, a via dos declaratórios não se presta a tanto, proponho seja o recurso desprovido integralmente, mantendose intacto o v. acórdão embargado. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10074.001831/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009
MULTA E JUROS. INAPLICABILIDADE DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.
Quando a norma complementar alegada pelo sujeito passivo não se reveste das qualidades necessárias ao seu enquadramento no art. 100 do Código Tributário Nacional, é incabível a alegação de violação ao princípio da confiança legítima e da boa fé objetiva, e, consequentemente, não pode justificar o afastamento das penalidades e juros de mora.
MULTA. INAPLICABILIDADE DO ART. 155, INCISO II, DO CTN.
O art. 155, inciso II, do Código Tributário Nacional aplica-se somente aos casos em que há inequivocamente um benefício fiscal concedido, quando o beneficiado não preenchia ou deixa de preencher às condições para a sua fruição. Não se presta a afastar penalidades diante da pretensa existência de um benefício fiscal, caso em que sequer faz-se pertinente a análise do preenchimento de condições para a sua concessão.
Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-001.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso de ofício. Vencidos o relator-Daniel Mariz Gudiño, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Redatora designada-Mércia Helena Trajano Damorim (quanto à exigência de CND/FGTS para o II/IPI para os períodos que deixaram de comprovar essa regularidade fiscal). No restante das matérias, negado provimento ao recurso de ofício, por maioria de votos. Vencido Joel Miyazaki. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negou-se provimento.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriene Maria de Miranda Veras e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 LEI N° 8032/90. FRUIÇÃO AO BENEFÍCIO FISCAL (II e IPI). REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOCND E CRFFGTS. A fruição do benefício fiscal previsto na Lei nº 8032/90 exige a comprovação da regularidade fiscal, nos termos do art. 60 da lei de n/ 9.069/95, bem como no art. 47 da Lei de n° 8.212/91 e no art. 27 da Lei de n° 8.036/90. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ISENÇÃO. MOTORES. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Motores” incluemse no conceito de partes, peças ou componentes, razão pela qual deve ser reconhecida a isenção sobre a sua importação. ISENÇÃO. FERRAMENTAS. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Ferramentas” não se incluem no conceito de partes, peças ou componentes, mesmo que utilizadas em serviços de reparo, revisão ou manutenção de aeronaves. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ISENÇÃO. MOTORES. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Motores” incluemse no conceito de partes, peças AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 18 31 /2 01 0- 79 Fl. 4450DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 ou componentes, razão pela qual deve ser reconhecida a isenção sobre a sua importação. ISENÇÃO. FERRAMENTAS. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Ferramentas” não se incluem no conceito de partes, peças ou componentes, mesmo que utilizadas em serviços de reparo, revisão ou manutenção de aeronaves. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ALÍQUOTA ZERO. MOTORES E FERRAMENTAS. A norma que estabelece alíquota zero de PISImportação inclui expressamente motores e ferramentas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ALÍQUOTA ZERO. MOTORES E FERRAMENTAS. A norma que estabelece alíquota zero de PISImportação inclui expressamente motores e ferramentas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 MULTA E JUROS. INAPLICABILIDADE DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Quando a norma complementar alegada pelo sujeito passivo não se reveste das qualidades necessárias ao seu enquadramento no art. 100 do Código Tributário Nacional, é incabível a alegação de violação ao princípio da confiança legítima e da boa fé objetiva, e, consequentemente, não pode justificar o afastamento das penalidades e juros de mora. MULTA. 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No restante das matérias, negado provimento Fl. 4451DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.451 3 ao recurso de ofício, por maioria de votos. Vencido Joel Miyazaki. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negouse provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriene Maria de Miranda Veras e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, transcrevo abaixo o relatório da decisão recorrida, bem sua ementa e as razões recursais: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 545.195.689,79 referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multa de mora e juros de mora. Depreendese do Termo de Verificação integrante do auto de infração que: A interessada registrou Declarações de Importação no período de 01/01/2006 a 28/02/2009 para amparar importação de mercadorias, pleiteando benefícios fiscais. Os benefícios pleiteados se referem a isenção de Imposto de Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, com fundamento na Lei nº 8.032/1990, e a redução das alíquotas de PIS/Pasepimportação e de Cofinsimportação, amparandose na Lei nº 10.865/2004. As atividades da empresa giram em torno de motores aeronáuticos e outros motores, sendo que o Certificado de Homologação de Empresa (CHE) expedido pelo DAC autoriza a empresa a executar serviços, exclusivamente, conforme os Padrões D (manutenção, modificações e reparos em motores de Fl. 4452DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 aeronaves), F (manutenção e reparos em equipamentos de aeronaves) e H (serviços especializados). A isenção de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados, prevista na Lei nº 8.032/1990, é relativa a importações de partes, peças e componentes destinados a uma das operações relacionadas (reparo, revisão e manutenção) em um dos bens descritos (aeronaves e embarcações). A interpretação da norma isencional deve ser de forma restritiva, sendo vedadas interpretações extensivas. Portanto, as isenções em tela, in casu, somente abrangem aeronaves, que são classificadas na Posição NCM 8802 e não motores, classificados no Capítulo 84 da NCM. Análise dos 12 (doze) contratos da empresa com seus clientes confirma que nenhum deles tem por objeto reparo, revisão e manutenção de aeronaves, mas sim reparo, revisão e manutenção de determinados motores, seus acessórios ou componentes. Concluise, assim, que a empresa não faz jus às isenções previstas na Lei de regência, devendo ser revogadas. O artigo 1º da Lei nº 8.032/90 revogou o dispositivo que expressamente concedia isenção à manutenção, revisão e reparo de componentes das aeronaves, como é o caso de motores. A Solução de Consulta nº 523/89 e o Memo RF/Cosit/Dicex nº 60/2004, trazidos pela interessada não apresentam nenhuma contradição em relação às conclusões antes estabelecidas. Ao contrário, a Solução de Consulta ao se referir apenas à manutenção de aeronaves, reafirma a impossibilidade de gozo da isenção nas importações para manutenção de motores aeronáuticos. Análise da legislação comparada, da mesma forma, faz concluir que há clara distinção entre aeronaves e motores para essas. 89% das Declarações de Importação foram desembaraçadas no canal verde de conferência, ou seja, 11.020 DI’s, das 12.428 DI’s desembaraçadas. A isenção de II e IPI não abrange “ferramentas” e suas partes, portanto são revogadas na presente autuação as isenções indevidamente concedidas. O Decreto nº 5.268/2004 alterou a tipificação da isenção, que passou a ter caráter misto, ou seja, vinculada tanto à destinação dos bens, quanto à qualidade do importador, pois passou a direcionar a isenção aos proprietários ou possuidores de aeronaves, ou ainda, a oficinas homologadas. Uma importante consequência dessa alteração é a exigência de Certidões Negativas dos Tributos Federais e a regularidade perante o FGTS, conforme art. 47 da Lei nº 8.212/1991 e art. 60 da Lei nº 9.069/95. Especificamente em relação ao FGTS o art. 27 da Lei nº 8.036/90 condiciona a apresentação do certificado de regularidade para o reconhecimento de benefícios fiscais. Fl. 4453DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.452 5 O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 07/1998, esclareceu que o despacho e consequente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de beneficio ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador. Assim, caso a isenção ou redução seja direcionada a apenas alguns contribuintes (vinculada à qualidade do importador) estamos diante de um benefício subjetivo, condicionado, portanto, à comprovação de quitação de tributos e contribuições federais. No caso em apreço, com as alterações promovidas pelo Decreto nº 5.268/2004, apenas os proprietários ou possuidores de aeronaves, ou ainda as oficinas especializadas, homologadas e detentoras de contratos com os proprietários ou possuidores de aeronaves, estão aptos a realizar a importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves com isenção do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados, e com redução a zero das alíquotas do PIS/Pasepimportação e da Cofinsimportação, o que caracteriza claramente a subjetividade da isenção e da redução. Assim, deve a interessada comprovar a quitação de tributos e contribuições federais, bem como a regularidade perante o FGTS a partir de 10/11/2004. No período compreendido entre 05/05/2009 e 21/12/2009 houve retorno à tipificação objetiva, com a publicação do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759/20009 até sua alteração pelo Decreto nº 7.004/2009. A redução de alíquotas do PIS/Pasepimportação e da Cofins importação, para o caso em tela, foi prevista no art. 8º, § 12, inciso VII, da Lei nº 10.865/2004. A Lei nº 10.925/2004, publicada em 26/07/2004, alterou a redação do dispositivo em menção, todavia ainda abrangendo os bens em trato. Em 09/08/2004 foi publicado o Decreto nº 5.171/2004 que criou nova condição para a concessão do benefício, vigente a partir de 26/07/2004, idêntica àquela introduzida pelo Decreto nº 4.765/2003 para a isenção do imposto de importação, qual seja, que o benefício só seria aplicável para a importações destinadas à manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem de aeronaves utilizadas no transporte comercial de cargas ou de passageiros. O mesmo Decreto nº 5.268/2004, publicado em 10/11/2004, que alterou o Decreto nº 4.543/2002, introduzindo a subjetividade na isenção do imposto de importação (isenção vinculada à qualidade do importador), também o fez em relação ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação, estabelecendo exigências semelhantes. A interessada atende aos requisitos previstos para a redução das alíquotas das contribuições, relativamente aos contratos e Fl. 4454DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 certificados de homologação. Todavia, não comprovou sua regularidade perante os tributos federais e perante o FGTS, condição para a concessão e fruição do benefício. Desse modo, são revogados na presente autuação o benefício para o PIS/Pasep e para a Cofins, nas importações nos períodos sem comprovação da referida regularidade, por terem sido indevidamente concedidos. A interessada apresentou certidões de regularidade fiscal e perante o FGTS para parte do período, ou seja, não comprovou a qualidade de regular para todo o período fiscalizado. Assim, ao negligenciar a obtenção das certidões à época não tem como fazer prova, hoje, de que teria direito a elas. De acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.212/91 é ônus da empresa para usufruir o benefício fiscal apresentar CND. Alguns dos certificados de regularidade perante o FGTS apresentados pela interessada tinham validade condicionada à verificação de autenticidade no site da Caixa. Todavia tal conferência não foi possível em razão de o site não mais disponibilizar informações para esses períodos, portanto os certificados não foram aceitos. Ademais se refiram apenas a alguns períodos. A interessada apresentou ofício emitido pela Caixa, no qual essa informa que o modelo de gestão do FGTS adotado pela CEF não prevê a recuperação de regularidade em períodos passados. O ofício informa ainda que se verificou que os recolhimentos de FGTS pela interessada são efetuados rigorosamente em dia, conforme extrato anexo. Essa informação não confere com os extratos mencionados, pois praticamente todo o recolhimento foi efetuado em atraso. Por fim, o ofício registra que, “considerando o exposto acima, não identificamos óbice para que os certificados de regularidade fossem emitidos à época”. Ocorre que os atrasos mencionados já seriam óbice suficiente para não emissão do certificado à época. Ademais, recolhimento no prazo não significa dizer que houve recolhimento de tudo o quanto era devido à época. Somente o certificado de regularidade nos moldes da Caixa teria este condão. Cabe ao importador a comprovação de que cumpria todos os requisitos previstos na Lei nº 8.212/90 e da Lei nº 10.865/2004, bem como na legislação correlata, para ter reconhecido os benefícios fiscais pleiteados, e mais, que cabe ao importador a comprovação de que cumpriu a finalidade que motivou a concessão dos benefícios. Os benefícios fiscais em tela possuem dois momentos distintos: um momento inicial (momento da concessão) onde a autoridade fiscal avalia o preenchimento dos requisitos e o cumprimento das condições por parte do contribuinte e reconhece a aplicação dos benefícios fiscais, e um período posterior (período de fruição) durante o qual o beneficiário deve, além de continuar Fl. 4455DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.453 7 preenchendo os requisitos, observar o cumprimento de algumas outras condições. Verificouse que os benefícios foram concedidos de forma indevida, portanto, com base nos artigos 155 e 179 do CTN os benefícios devem ser revogados e os tributos renunciados devem ser cobrados, sem imposição de penalidade, exceto quando constatado artifício doloso. Para se verificar o cumprimento das condições e requisitos no momento da concessão, há a previsão de realizarse a revisão aduaneira (artigo 570 do Decreto nº 4.543/2002). A empresa deixou de cumprir condições e de satisfazer requisitos necessários para a concessão da isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados relativos às Declarações de Importação registradas no período entre 01/01/2006 e 28/02/2009. Portanto, esses benefícios foram revogados e os impostos devem ser cobrados, acrescidos de juros moratórios (art.61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996), sem multa de ofício (art. 155, II, do CTN). Todavia, por não possuir caráter punitivo, é proposta a aplicação da multa moratório, prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. Com relação à redução das alíquotas de PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação a interessada não comprovou a regularidade em relação aos tributos federais, bem como em relação ao FGTS, nos períodos indicados no item cinco do termo de verificação fiscal. Para esses períodos deve ser realizada a cobrança das contribuições não recolhidas, acrescidas de juros e multa de mora. Para o cálculo das contribuições foram utilizadas as seguintes alíquotas de ICMS: 19% (18 +1) DI’s desembaraçadas no RJ exceto aquelas desembaraçadas no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim nas quais foi utilizada a alíquota de 14 % (13 +1). Para as demais DI’s foi utilizada a alíquota de 18%. Pelas razões expostas, foram lavrados autos de infração para exigência dos impostos e contribuições não recolhidos quando do registro das Declarações de Importação, acrescidos de multa de mora de 20% e juros de mora. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fl. 2328) a interessada apresentou a impugnação tempestiva (v. fl. 3588) de folhas 3189 a 3243, com documentos anexados. A impugnante alega, em síntese, que: Para o cumprimento das atividades constantes de seu objeto social, muitas vezes importa do exterior partes, peças, componentes e ferramentas utilizados na prestação do serviço de reparo, revisão e manutenção de motores aeronáuticos. Fl. 4456DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Essas importações são beneficiadas com a isenção de imposto de importação e de imposto sobre produtos industrializados, nos termos da Lei nº 8.032/1990 e pela alíquota zero do PIS/Cofinsimportação, na forma da Lei nº 10.865/2004. Há erros de cálculo dos impostos e contribuições lançados. Com relação ao cálculo das contribuições, a fiscalização aplicou a alíquota de ICMS de 18%, todavia havia que considerar a redução da base de cálculo autorizada pelo Convênio ICMS 75, de 05/12/1991, vigente até 31/12/2012, que resulta na aplicação da alíquota de 4%. A fiscalização considerou as alíquotas de 16% para o imposto de importação incidente para as mercadorias classificadas nas NCM 4016.93.00 e 8483.10.90 e para o IPI aplicou alíquota de 8% para os bens classificados na NCM 4016.93.00 e de 12% para aqueles relativos à NCM 8483.10.90. Ocorre que essas alíquotas somente foram válidas até dezembro de 2006, pois a Resolução Camex nº 43/2006 e a TIPI, objeto do Decreto nº 6006/2006, ambas com efeitos a partir de 1/1/2007, estabeleceram alíquotas de II e IPI reduzidas a zero para as citadas NCM. Há, portanto, erro na apuração do II e do IPI a partir de 01/01/2007, que deve ser retificado, em função da utilização de alíquotas indevidas. Por essa razão, também a apuração de PIS/Cofinsimportação deve ser revista, tanto pelo uso de alíquotas indevidas do II e do IPI, quanto pelo percentual indevido do ICMS antes citado. É o que a jurisprudência tem a muito decidido. O inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865/2004 é inconstitucional, pois determina utilização de base de cálculo das contribuições diferente da autorizada pela Constituição Federal em seu artigo 149, § 2º, inciso III, alínea “a”, referente ao valo aduaneiro. Assim, deve ser reduzido o crédito tributário referente ao PIS/Cofinsimportação, excluindo da base de cálculo o valor do ICMS e das próprias contribuições, ajustando para o valor aduaneiro determinado pelo GATT. Sem prejuízo do já explicitado, há que se cancelar a totalidade da exigência fiscal, haja vista ter cumprido todos os requisitos necessários ao gozo dos benefícios fiscais pleiteados. A interpretação dada pela fiscalização à legislação de regência da isenção do II e do IPI é restritiva e equivocada, chegando a conclusão ilógica e absurda. A isenção do II sobre a importação de componentes aeronáuticos destinados à manutenção de aeronaves e de seus componentes está prevista no artigo 15, inciso IX, do Decretolei nº 37, de 18/11/1966. A Lei nº 8.032/1990 deixou de fora da revogação das isenções e reduções do II e do IPI, essa de que trata o artigo 15, IX, do DL 37/66, conforme o artigo 2º, inciso II, alínea “j”, da Lei nº 8.032/1990. Fl. 4457DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.454 9 E, além disso, estendeu a isenção ao imposto sobre produtos industrializados, conforme disposto no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.032/1990. A “isenção do Imposto de Importação sobre bens destinados à manutenção de aeronaves e de seus componentes, concedida pelo DL 37/66, ainda está em pleno vigor, tanto que mantida pela norma contida no artigo 2º, inc. II, alínea “j”, da Lei n. 8032/90, e estendida ao IPI, nos termos do artigo 3º desta mesma lei. E a redação do artigo 15 do DL 37/66 é muito clara no sentido de que a isenção em foco não se limita apenas às partes e peças de reparo de aeronaves, aplicandose, também, àquelas destinadas ao conserto dos componentes dessas aeronaves, dentre os quais, indubitavelmente, estão inseridos os motores aeronáuticos. Portanto, a Impugnante, que importou peças, partes e componentes de reparo, revisão e manutenção de motores de aeronaves, faz jus à isenção em foco. (...) A falta de identidade entre o artigo 2 o , inc. II, " j " , da Lei n. 8032 e o artigo 15 do DL 37/66, ou melhor, a ausência de menção, pelo primeiro, aos "componentes" das aeronaves, não tem o condão de validar o argumento do fisco de que teria havido revogação parcial do benefício fiscal. Ora, a diferença entre um e outro dispositivo legal é fruto de uma questão de estilo ou preferência redacional do legislador, não alterando o conteúdo da norma isentiva.” Não houve revogação parcial da isenção prevista no artigo 15, inciso IX, do Decretolei nº 37/1966 pela Lei nº 8.032/1990. A isenção concedida com vistas ao reparo de aeronaves abrange também seus componentes, dentre os quais se incluem os motores aeronáuticos. A interpretação literal realizada pela fiscalização não está correta. Mesmo para normas tributárias a jurisprudência dos tribunais tem sido no sentido de que a interpretação literal não cabe, mesmo nas hipóteses do artigo 111 do CTN. Da mesma forma no âmbito do julgamento administrativo. “Realmente, apesar de a legislação inerente ao benefício fiscal fazer referência apenas a "aeronaves e embarcações", que se submetem a reparo mediante o uso de componentes cuja importação é isenta dos impostos em apreço, sem aludir, de maneira expressa, a "motores", "partes", "peças", "equipamentos" e "componentes" das aeronaves, todos estes bens, por serem partes integrantes das últimas, ficam, sim, favorecidos com a isenção. Fl. 4458DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Essa conclusão não fere o artigo 111, inc. II, do Código Tributário Nacional, na medida em que não se trata de interpretação ampliativa da norma, mas, sim, de análise de seu verdadeiro alcance, de sua finalidade, de tal forma que a lei tenha aplicação prática, não conduzindo a conclusões absurdas. (...) Nesses termos, beneficiandose o "todo", as partes e componentes a ele inerentes estarão, também, e consequentemente, beneficiadas, até porque, ao aludir às aeronaves, o legislador não imaginou uma "carcaça", mas, sim, um equipamento complexo, formado por uma série de peças e aparelhos, tais como os motores aeronáuticos. Ora, se o benefício fiscal fosse dado à fuselagem, ele seria vazio, sem conteúdo, o que, de certo, não foi a intenção do legislador.” A Superintendência Regional da Receita Federal na 7ª Região Fiscal proferiu a Solução de Consulta nº 226/2001 no sentido de que a isenção do imposto de importação alcança os itens importados com vistas ao reparo e à manutenção, não só de aeronaves, como também de suas partes e peças. O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou quanto ao alcance da isenção em casos semelhantes, tendo determinado que o benefício concedido ao todo (principal) é extensivo às suas partes (acessórios). Da mesma forma que as partes, peças e componentes, as ferramentas também são isentas do imposto de importação e do IPI, pois são necessárias, indispensáveis à realização da atividade de revisão, manutenção ou reparo e aeronaves e de seus equipamentos. O Parecer CST/DTECEx, de 1989,e o MEMO/SEANA/001/94 confirmam que a impugnante possui direito à isenção do imposto de importação e do IPI. E ainda que os impostos fossem devidos, o fato de ter agido em conformidade a normas complementares das leis tributárias torna descabida a imposição de penalidade e cobrança de juros, nos termos do artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. “A isenção do Imposto de Importação e do IPI e a alíquota zero do PIS/COFINSImportação ora debatidos consistem em benefícios fiscais de natureza objetiva, e não "mista" ou subjetiva, como indevidamente afirmou a fiscalização, pelo que, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n. 7, de 7.7.1998, a apresentação da certidão de regularidade fiscal, nestes casos, é prescindível.” A Lei nº 8.032/1990 segregou as isenções de acordo com seu caráter, subjetivo ou objetivo. Assim foram definidas as isenções subjetivas (dependentes da qualidade do importador) no inciso I do artigo 2º e aquelas de caráter objetivo (dependentes do tipo de bem a ser importado) no inciso II do mesmo artigo 2º da lei. A isenção de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações foi prevista Fl. 4459DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.455 11 na alínea “j” do inciso II do artigo 2º da Lei nº 8.032/1990, caracterizando assim sua natureza objetiva. Da mesma forma em relação à redução de alíquotas do PIS/Cofinsimportação que foi definida no inciso VII do parágrafo 12 do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 especificamente aos bens ali arrolados e não direcionada a determinadas pessoas em função de suas qualidades pessoais. A interpretação realizada pela fiscalização está equivocada na medida em que admite que alteração de requisitos determinados em decretos (Decreto 4.543/2002 e Decreto nº 5.171/204, alterados pelo Decreto nº 5.268/2004) teriam alterado a natureza do benefício fiscal em foco, estabelecido em norma superior, lei. Essa interpretação estaria admitindo uma verdadeira ilegalidade, pois as alterações teriam sido realizadas sem amparo na lei. A redação do Regulamento Aduaneiro de 2002 foi novamente utilizada no Regulamento Aduaneiro de 2009, relativamente ao dispositivo que estabelece as condições para a isenção do imposto de importação e do IPI em trato, à exceção de pequeno período entre fevereiro e dezembro de 2009. “Assim, no que se refere ao Imposto de Importação e ao IPI, quando muito, podese dizer que, exceto durante o curto espaço de tempo durante o qual vigeu a redação original do artigo 174 Regulamento Aduaneiro de 2009, a importação dos componentes destinados ao conserto e à manutenção de motores de aeronaves era, como de fato é, isenta desses tributos, desde que observadas as seguintes condições”: (i) se a importação for realizada pelo proprietário ou possuidor respectivo: este deve fazer prova da propriedade ou posse do bem; ou (ii) se a importação por realizada por oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronaves: esta deverá apresentar o contrato de prestação de serviços para o que foi contratada, bem como estar homologada perante a ANAC para a realização destas atividades.” As condições cominadas na legislação regulamentar para a fruição do benefício atinente ao PIS/Cofinsimportação são exatamente as mesmas estabelecidas para o gozo da isenção do Imposto de Importação e do IPI. “Realmente, as normas que conferem isenção e atribuição de alíquota zero, respectivamente, para Imposto de Importação e IPI e para PIS/COFINSImportação, contemplam os mesmos requisitos e condições. Esses requisitos e condições nada têm a ver com as características da pessoa do importador. Sua finalidade não é restringir o benefício fiscal a esta ou aquela categoria de importadores; tratase, na verdade, de exigência no sentido de Fl. 4460DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 que o importador faça prova da destinação, a tal ou qual aeronave, dos componentes de reparo e manutenção por ele importados.” “O fato de o importador ter de se submeter a determinadas condições para fruição da isenção e da alíquota zero, como, por exemplo, ser proprietário ou possuidor da aeronave a ser reparada, ou ainda, ser empresa homologada para a prestação de serviços de manutenção da aeronave a ser reparada, não transforma a natureza do benefício originalmente concedido, que continua sendo, até a presente data, objetiva.” “Assim, não há que se falar que a isenção e a alíquota zero passaram a ser subjetivas, ou até mesmo mistas, como sustentou a fiscalização.” “Entendimento em sentido contrário fatalmente conduziria à conclusão de que a legislação regulamentar extrapolou os limites das Leis n.s 8032/90 e 10865/04, sendo, pois, ilegal, considerando que ambas leis livram os bens importados da tributação pelo Imposto de Importação, pelo IPI e pelo PIS/COFINSImportação, independentemente de qualquer qualidade pessoal do importador.” “Em suma, a isenção e a alíquota zero em apreço possuem natureza objetiva, sendo certo que as normas regulamentares que as disciplinaram, ao criarem condições para sua fruição, não tiveram o condão de alterar tal natureza, a uma porque esta decorre da lei, e a duas porque, se uma alteração desse jaez ocorresse em nível regulamentar, ela não teria validade, por ofensa ao princípio da legalidade.” “À luz de todas essas considerações, demonstrado que os benefícios atinentes ao Imposto de Importação, ao IPI e ao PIS/COFINSImportação na importação de bens utilizados para o reparo e a manutenção de motores e equipamentos aeronáuticos são de natureza objetiva, resulta caracterizado que a comprovação da quitação dos tributos não representava, como de fato representa, requisito para o aproveitamento destes benefícios, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n. 7. Portanto, é inteiramente descabida a exigência da fiscalização no sentido de que a Impugnante fornecesse certidão de regularidade fundiária, previdenciária e quanto a tributos federais em geral, razão pela qual é imperioso o cancelamento do crédito tributário ora combatido.” As normas que estabelecem a exigência da comprovação de situação regular perante o Fisco Federal e perante o FGTS (Lei nº 9069/1995, Lei nº 8212/1991 e Lei nº 8036/1990) são anteriores à instituição do PIS/Cofinsimportação e os benefícios fiscais (Lei nº 10865/2004). As condições, que representam um gravame, não podem ser exigidas com base em lei anterior à instituição do incentivo fiscal, pois as normas posteriores não prevêem restrição em semelhante sentido. O ônus de provar a situação fiscal irregular da impugnante é do Fisco. As Declarações de Importação foram quase que em sua totalidade desembaraçadas pelo canal verde de conferência Fl. 4461DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.456 13 aduaneira que, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 680/2006 leva em consideração a regularidade fiscal da interessada. Assim, o fato de as declarações terem sido desembaraçadas ratifica o fato de a impugnante estar em condição fiscal regular. “Não poderiam os agentes fiscais, a essa altura, e com base em meras ilações, sem qualquer prova, sequer indícios, reputar que a Impugnante não estaria em situação regular quando das importações em apreço.(...)o Fisco não poderia alegar, sem provas, que a impugnante estaria em situação irregular, na medida em que o ônus de tal prova é do Fisco. Isto porque, se a Impugnante desembaraçou quase a totalidade de suas mercadorias vindas do exterior pelo canal verde, no pressuposto, portanto, de que estava em situação regular, na forma do artigo 21, inc. I, da Instrução Normativa SRF n. 680, caberia ao Fisco produzir prova em contrário, o sentido de que tal regularidade não existia à época.” “Demais disso, se os próprios agentes fiscais é que controlam, ainda que em parte, os débitos existentes em nome do contribuinte, emitindo, se for o caso, a prova da regularidade fiscal, cabe a eles, em processo de fiscalização, buscar em seus cadastros a documentação que ateste que, à época, o contribuinte estava irregular. Isso, não só porque essa documentação (e as correspondentes informações) é de titularidade desses agentes fiscais, como também porque ela não mais é fornecida aos contribuintes, mesmo quando requerida. Ou seja, exigir a apresentação de determinados documentos ou informações pelo contribuinte, quando em posse da Administração Tributária, além de absurdo, é prova de realização impossível.” “Deveras, o próprio "Termo de Verificação" juntado ao auto de infração revela, à fl. 26, que, em alguns casos, a alegada falta das certidões acima mencionadas durou 1 único dia, ou 2 dias, ou 13 dias, tempo mínimo para que, na prática, as empresas consigam a liberação das certidões, qualquer que seja ela. Sendo assim, o período apontado, durante o qual, no entender da fiscalização, a Impugnante não estaria regular, é perfeitamente razoável, em qualquer empresa de médio ou grande porte que tenta obter certidões, ainda mais num período em que os documentos emitidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria da Fazenda Nacional não eram expedidos em menos de 30 dias! Portanto, é sem razão, além faltar com razoabilidade, o argumento da fiscalização de que a Impugnante na estaria quite com suas obrigações fiscais. No tocante à regularidade perante o FGTS, a fiscalização argumentou que a validade dos respectivos certificados apresentados pela Impugnante "está condicionada à verificação Fl. 4462DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 de autenticidade no site da Caixa, sendo que tal conferência não foi possível, em razão do site não mais disponibilizar informações para estes períodos. Pelo exposto, não foram aceitos os certificados acima mencionados" (fl. 24 do "Termo de Verificação"). Ora, não podem os agentes fiscais desconsiderar documentos do contribuinte sem qualquer justificativa válida para tanto. Em outros dizeres, não podem estes agentes, baseados em meras ilações, desprezar conjunto probatório que o contribuinte logrou produzir.” A verdade material deve prevalecer, conforme diversos julgados do Conselho de Contribuintes que se transcrevem. Foi ainda apresentado ofício emitido pela Caixa Econômica Federal por meio do qual a empresa pública estatuiu a regularidade fundiária da impugnante para o período em debate, todavia referido documento foi desconsiderado pela fiscalização. A acusação da fiscalização de que não havia regularidade perante o FGTS porque havia pagamentos em atraso é descabida, pois regularidade não é necessariamente sinônimo de pontualidade. O pagamento fora do prazo, mas durante o trâmite processual é suficiente para que o contribuinte seja considerado regular perante o Fisco, de acordo com decisões administrativas já proferidas. “Diante de todo o exposto, é imperioso o cancelamento integral da exigência fiscal ora combatida, a uma porque, sendo os benefícios fiscais em foco de natureza objetiva, faziase inexigível, para sua fruição, a apresentação de prova de regularidade fiscal da Impugnante, na forma determinada pelo Ato Declaratório Cosit n. 7/98, e a duas porque é do Fisco o ônus da prova de que a Impugnante não estaria regular à época dos fatos, ônus do qual o Fisco não se desincumbiu.” Há erro de enquadramento legal da penalidade no percentual de 20%, pois a fiscalização aludiu aos artigos 179 e 155 do Código Tributário Nacional. Ocorre que o artigo 179 do CTN se refere às isenções de caráter individual, assim entendidas aquelas cuja fruição depende da análise, caso a caso, pela autoridade administrativa, de requerimento do interessado, fazendo prova do cumprimento dos requisitos e condições para o gozo do benefício fiscal. Não é o caso da isenção do IPI e do imposto de importação e das alíquotas zero das contribuições, que são declaradas pelo importador na própria declaração de importação, deixando de ser recolhidas independentemente de qualquer autorização, licença ou processo formal de reconhecimento desses benefícios fiscais. Portanto, não podem ser aplicados os dispositivos legais utilizados pela fiscalização para fins de enquadramento da multa, além de, ademais, o benefício fiscal do PIS/Cofins sequer ser uma isenção, esta sim disciplinada pelo artigo 179 do CTN. Fl. 4463DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.457 15 Houve, assim, inobservância ao disposto no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, fato que torna nula a autuação fiscal conforme decisões administrativas. E ainda que fossem aplicáveis ao caso os dispositivos legais invocados pela fiscalização, o artigo 155, inciso II do Código Tributário Nacional impede a aplicação de qualquer multa para o caso em tela. Não há que se falar que a multa moratória, por não ser punitiva, poderia ser aplicada ao caso, diferentemente da multa de ofício. A multa moratória tem sim caráter punitivo, como a jurisprudência, administrativa e judicial, ha muito já firmou. Requer a reforma do auto de infração ou a declaração de sua improcedência. A instância a quo julgou procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa do Acórdão nº 0728.632, de 02/05/2012, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria específica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA NORMA. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Ferramentas” não se incluem no conceito de partes, peças ou componentes, mesmo que utilizadas em serviços de reparo, revisão ou manutenção de aeronaves, no âmbito da isenção de imposto de importação prevista na alínea “j” do inciso II do art. 2º da Lei nº 8.032 de 12/04/1990. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais, por ela emitida, para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. (IN RFB nº 734/2007) INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Fl. 4464DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como a parcela do crédito tributário que foi exonerada pela decisão da instância a quo excedeu ao patamar previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 2008 (o crédito tributário era originalmente R$ 545.195.689,79 e foi reduzido a R$ 643.030,65), o Presidente de 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) interpôs recurso de ofício, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Inconformada pelo fato de sua impugnação ter sido julgada apenas parcialmente procedente, sendo mantido pela instância a quo o crédito tributário no tocante ao Imposto de Importação – II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, bem como as respectivas multas e juros moratórios, a GE Celma Ltda. (“GE Celma”) interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando os argumentos da sua impugnação atinentes a essas exações. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Ambos os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual devem ser conhecidos. 1 RECURSO DE OFÍCIO Conforme já relatado, o recurso de ofício versa sobre a exoneração de parte dos créditos tributários relativos ao II e ao IPI, da totalidade do crédito tributário relativo a PIS/CofinsImportação, além das multas e juros de mora proporcionais. 1.1 NECESSIDADE DE APRESENÇÃO DE CND E CRFFGTS VOTO VENCIDO PARCIAL DANIEL MARIZ GUDIÑO Tal exoneração decorreu do fato de que, na visão da instância a quo, a autoridade preparadora não poderia ter exigido Certidão Negativa de Débito ou Certidão de Regularidade Fiscal do FGTS, no curso do procedimento de revisão aduaneira, por não ser um requisito específico para a concessão dos benefícios pleiteados pela GE Celma. É o que se depreende do seguinte trecho da decisão recorrida: ... não consta das normas que regulamentam os benefícios em tela a exigência de apresentação de Certidão Negativa de Tributos Federais (CND) ou de Certidão de Regularidade do FGTS, sendo, como se verá, a exigência de CND normativamente vedada. Fl. 4465DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.458 17 A decisão recorrida está fundamentada na legislação vigente à época e há precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que corroboram o entendimento da instância a quo, a saber: REGIMES ESPECIAIS. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. AERONAVES. Os regimes aduaneiros especiais se justificam como exceções ao regime normal de tributação, destoando considerálos como benefícios fiscais sujeitos a apresentação de certidão negativa para sua concessão. Aplicação do Ato Declaratório Cosit 22/1997. (Acórdão nº 3401002.185, Rel. Cons. Ângela Sartori, Sessão de 28/02/2013) ......................................................................................................... CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais, por ela emitida, para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. (Acórdão nº 3102001.672, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, Sessão de 27/11/2012) Por oportuno que é, vale mencionar que o posicionamento em tela também está amparado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – COSIT, a saber: Processo de Consulta nº 10/03 Órgão: CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Importação II Ementa: ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. O reconhecimento de isenção para partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves eembarcações não está condicionado à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais administrados pela SRF, nos termos da legislação vigente, posto tratarse de benefício fiscal de natureza objetiva, estando vinculado tão somente à destinação dos bens, contemplado, portanto, pelo Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 7, de 1998. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.032, de 1990, art. 2º, inciso II, alínea "j"; Lei nº 8.402, de 1992, art. 1o, inciso IV; Lei nº 9.069, de 1995, art. 60; art. 137, 145, 149, 156 e 158 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985; arts. 120 e 172 do Decreto nº 4.543, de 2002, Regulamento Aduaneiro; Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 7, de 1998. Fl. 4466DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 REGINA MARIA FERNANDES BARROSO CoordenadoraGeral (Data da Decisão: 04.06.2003) Porquanto a decisão recorrida observou fielmente a legislação vigente à época, não há motivos para reformála nesse particular. VOTO VENCEDOR CONSELHEIRA MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Peço vênia para discordar do i. conselheiro na parte sobre a necessidade de apresentação de CND e CRFFGTS em que este entende que a exoneração decorreu do fato de que, na visão da instância a quo, a autoridade preparadora não poderia ter exigido Certidão Negativa de Débito ou Certidão de Regularidade Fiscal do FGTS, no curso do procedimento de revisão aduaneira, por não ser um requisito específico para a concessão dos benefícios pleiteados pela GE Celma LTDA. Inicialmente, o art. 179 do Código Tributário Nacional, bem como o art. 195, § 3º, da Constituição Federal, que assim estabelecem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Art. 195. [...] § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios” Para se valer de qualquer incentivo concedido pelo Poder Público, necessário se faz a regularidade fiscal. Exigências trazidas na legislação infraconstitucional, a seguir transcritas: O art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995 (base da CND), dispõe: Art. 60 – A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (grifei) Assim sendo, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Além do mais, de acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.212/91 é ônus da empresa para usufruir o benefício fiscal apresentar CND. Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Fl. 4467DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.459 19 I da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele; E, mais, a Solução de Consulta SRF (COSIT) nº 10, de 04 de junho de 2003, a qual baseiase no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n. 07, de 1998, dispõe sobre a dispensa de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais quando do despacho aduaneiro de mercadorias isentas ou tributadas à alíquota zero, se o benefício ou incentivo fiscal envolvido não tiver sido concedido subjetivamente ao importador, conforme: (ou seja, de caráter geral) “O Coordenador do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o que dispõe o art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, DECLARA: Em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que o despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador.” (grifei) Portanto, o Ato Declaratório acima dispensa apresentação de CNDs por ocasião do despacho aduaneiro apenas para benefícios ou incentivos fiscais concedidos em caráter objetivo, e mesmo assim para mercadorias isentas ou tributadas à alíquota zero. Estão excluídos da dispensa casos como o do litígio, que veremos tratarse de benefício de caráter OBJETIVO / SUBJETIVO OU MISTO. As isenções do IIImposto de Importação e IPIImposto sobre Produtos Industrializados, para o caso, estavam assim previstas, in verbis: Lei nº 8.032/1990 Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: (...) II aos casos de: (...) j) partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações; (...) Parágrafo único. As isenções e reduções referidas neste artigo serão concedidas com observância do disposto na legislação respectiva. Fl. 4468DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 Art. 3º Fica assegurada a isenção ou redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme o caso: I nas hipóteses previstas no art. 2º desta lei, desde que satisfeitos os requisitos e condições exigidos para a concessão do benefício análogo relativo ao Imposto de Importação; (...) (grifei) Lei nº 8.402/1992 Art. 1° São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais: (...) IV isenção e redução do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, a que se refere o art. 2°, incisos I e II, alíneas a a f, h e j, e o art. 3° da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990; (grifei) Citando a legislação, à época dos fatos, através do Regulamento do II e do IPI, Decreto nº 4.543/2002 e o Decreto nº 4.544/2002 assim dispuseram, in verbis: Decreto nº 4.543/2002 Art. 135. São concedidas isenções ou reduções do imposto de importação: (...) II aos casos de: (...) i) partes, peças e componentes, destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e de embarcações; (...) Parágrafo único. As isenções ou reduções de que trata o caput serão concedidas com observância dos termos, limites e condições estabelecidos na Seção VI. Por sua vez: Seção VI Dos Termos, Limites e Condições (...) Subseção XIII Das Partes, Peças e Componentes Destinados a Reparo, Revisão e Manutenção de Aeronaves e de Embarcações Art. 172. A isenção do imposto, na importação de partes, peças e componentes, será reconhecida somente aos bens destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações. (Redação dada pelo Decreto nº 5.268, de 2004) Fl. 4469DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.460 21 § 1º Para cumprimento do disposto no caput, o importador deverá fazer prova da posse ou propriedade da aeronave ou embarcação. (Incluído pelo Decreto nº 5.268, de 2004) § 2º Na hipótese do § 1º, caso a importação seja promovida por oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronaves, esta deverá: (Incluído pelo Decreto nº 5.268, de 2004) I apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave; e (Incluído pelo Decreto nº 5.268, de 2004) II estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa. (Incluído pelo Decreto nº 5.268, de 2004) (grifei) O Decreto nº 4.544/2002 prescreve: Art. 51. São isentos do imposto: (...) XXI os demais produtos de procedência estrangeira, nas hipóteses previstas pelo art. 2º da Lei nº 8.032, de 1990, desde que satisfeitos os requisitos e condições exigidos para a concessão do benefício análogo relativo ao de Imposto de Importação; (...)(grifei) Percebese, claramente que o Decreto nº 5.268/2004 alterou a tipificação da isenção, que passou a ter caráter misto, ou seja, vinculada tanto à destinação dos bens, quanto à qualidade do importador, pois passou a direcionar a isenção aos proprietários ou possuidores de aeronaves, ou ainda, a oficinas homologadas. Caracterizando a isenção mista e sujeita à apresentação do CND. Por fim, o art. 27 da Lei de n° 8.36/90, dispõe: Art. 27. A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória nas seguintes situações: a) .......... b) .......... c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o FGTS; Pois bem, como é ressaltado no próprio relatório da decisão a quo: Alguns dos certificados de regularidade perante o FGTS apresentados pela interessada tinham validade Fl. 4470DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 condicionada à verificação de autenticidade no site da Caixa. Pois bem, para esses períodos, fica a exigência em aberto, dessa regularidade fiscal. Em sendo assim, dáse provimento parcial ao recurso de ofício pela necessidade da comprovação da regularidade fiscal (para o II e IPI). 1.2 ABRANGÊNCIA DE MOTORES NAS NORMAS QUE PREVÊEM ISENÇÕES E ALÍQUOTAS ZERO Outro fundamento para a exoneração do crédito tributário foi a concordância da instância a quo com a tese da GE Celma no sentido de que o reparo, a revisão e a manutenção de motores aeronáuticos estariam abrangidos pela isenção das aeronaves. Confira se: Nesse escopo, entender que a isenção concedida a partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves não inclui partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de motores de aeronaves seria admitir que a norma em apreço não seria plenamente aplicável. Basta considerar que o reparo, revisão e manutenção de aeronaves pressupõe o reparo, revisão e manutenção de seus componentes, dentre eles, seus motores. Assim, para a consecução dos serviços previstos na norma, imprescindível é a utilização de partes, peças ou componentes dos componentes de aeronaves. Exemplificando: o reparo, revisão e manutenção de aeronave inclui, por evidente, o reparo, revisão e manutenção de seus motores. A consecução desses serviços implica, no mais das vezes, a utilização de partes, peças ou componentes de motores de aeronaves. Entender de forma tão restritiva como fez a fiscalização levaria à conclusão de que, in casu, somente seriam isentas as importações de motores completos de aeronaves. Prevalecendo essa interpretação restaria inócua a previsão legal de isenção de bens destinados à revisão ou manutenção de aeronaves, pois o único serviço possível seria a substituição do motor completo da aeronave e não sua revisão, reparo ou manutenção. Portanto, da análise da legislação vigente somente se pode concluir que a isenção em tela abrange as partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de motores de aeronaves como os das importações em apreço. Com efeito, revelase exagerada a interpretação que a autoridade preparadora pretendeu dar aos dispositivos legais que versam sobre a isenção de II e IPI e a alíquota zero do PIS/CofinsImportação. Também nesse particular, portanto, não merece reforma a decisão recorrida. Fl. 4471DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.461 23 1.3 ABRANGÊNCIA DE FERRAMENTAS NA NORMA QUE PREVÊ ALÍQUOTAS ZERO Finalmente, no tocante ao PIS/CofinsImportação, a instância a quo decidiu que os lançamentos são improcedentes, uma vez que o art. 8º, § 1º, VII, da Lei nº 10.865, de 2004, com redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004, referese expressamente a ferramentais. Despiciendo qualquer comentário adicional sobre essa questão. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO Por óbvio, o recurso voluntário diz respeito ao valor remanescente do crédito tributário original, ou seja, parte do II e do IPI, bem como a multa e os juros de mora correspondentes. 2.1 INTERPRETAÇÃO DE NORMAS QUE OUTORGAM ISENÇÃO A manutenção parcial do lançamento foi justificada pela instância a quo pelo fato de a GE Celma também ter pleiteado os benefícios em tela para a importação de ferramentas, quando, na verdade, as respectivas leis isencionais dispuseram apenas sobre partes, peças e componentes. O Código Tributário Nacional é muito claro ao dispor que a legislação tributária deve ser interpretada literalmente quando dispõe sobre outorga de isenções. É o que se depreende do art. 111, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Há vários precedentes do CARF confirmando a aplicação do referido dispositivo, a saber: SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IPI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS EXPRESSOS. INTERPRETAÇÃO LITERAL DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O artigo 111 do CTN determina interpretação literal da lei em casos de suspensão ou exclusão do crédito tributário. Não cumpridos os requisitos do artigo 39 da lei 9.532/07, não há que se falar em suspensão do pagamento do IPI. (Acórdão nº 3801001.625, Rel. Cons. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Sessão de 28/11/2012) ......................................................................................................... EX TARIFÁRIO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Tratandose de hipótese de redução do Imposto de Importação, somente pode Fl. 4472DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 ser beneficiada com “ex” tarifário a mercadoria que corresponder exatamente àquela descrita no ato que concede o benefício. Aplicação do art. 111, II, do CTN. Jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. EXTARIFÁRIO 445 DO CÓDIGO NCM 8479.89.99. Comprovado nos autos que a máquina de cravação automática, Marca Komax, Modelo Gamma 255, não executa a função de aplicação de selos vedantes, não cabe o beneficio previsto no ExTarifário 445 do código NCM 8479.89.99. (Acórdão nº 3202000.435, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, Sessão de 28/02/2012) ......................................................................................................... NORMAS PROCESSUAIS. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Consoante art. 111 do CTN a legislação que confira exclusão do crédito tributário tem de ser interpretada literalmente. PIS. ISENÇÃO. FRETE REALIZADO DENTRO DO TERRITÓRIO NACIONAL. DESCABIMENTO. A teor do disposto no art. 11 da Lei 9.432, é isenta da contribuição ao PIS a receita de fretes desde que o transporte seja realizado entre o Brasil e ponto sediado no exterior. A contrário senso, se o transporte é realizado inteiramente dentro do território nacional não há falar em isenção sendo a receita correspondente inteiramente tributada. (Acórdão nº 340200.542, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, Sessão de 29/04/2010) Seguindo a determinação do Código Tributário Nacional, indiscutivelmente aplicável à Administração Tributária, conforme visto nos precedentes acima, é preciso diferenciar a situação dos motores e das ferramentas. Enquanto os motores são componentes de aeronaves na medida em que as integram, não há como enquadrar as ferramentas no conceito de partes, peças e componentes. As ferramentas são dissociadas das aeronaves ao passo que as partes, peças e componentes as integram. Quando o legislador quis incluir as ferramentas no escopo dos benefícios aplicáveis às aeronaves, isso foi feito de modo expresso. É o caso da redução de alíquota do PISImportação e da CofinsImportação. Nesse caso, o legislador foi textual ao incluir o termo “ferramentais” no inciso VII do § 12 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 2004. É importante ressaltar que muitas vezes as autoridades fiscais cometem excessos ao interpretar a norma tributária de maneira restritiva, sob a alegação de que estariam amparados pelo art. 111 do Código Tributário Nacional. Normalmente isso ocorre quando o legislador não adjetiva o substantivo que goza da isenção, deixando a norma isencional mais ampla. No caso concreto, todavia, a questão é outra: o legislador especificou exatamente o que deveria ser alcançado pela isenção do II e do IPI, deixando de fora as ferramentas utilizadas no reparo e na manutenção de aeronaves. Por essa razão, a aplicação do art. 111 do Código Tributário Nacional é oportuna. É de se considerar, portanto, que o art. 15, inciso IX, do DecretoLei nº 37, de 1966, foi sim restringido pelo art. 2º, inciso II, alínea “j”, da Lei nº 8.032, de 1990. Fl. 4473DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.462 25 2.2 A CONFIANÇA LEGÍTIMA E A BOA FÉ OBJETIVA Sobre o Parecer CST/DTCEX n. 523, de 1989, e o MEMO/SEANA/001/94 (na verdade, o documento em questão é o Memorando SRF/COSIT/DICEX nº 060, de 21/10/1994 – fl. 2.352), a GE Celma alega que os mesmos ainda produziriam efeitos normativos. Em suma, os referidos atos administrativos indicam que a isenção do II e do IPI tratada originalmente no art. 15, inciso IX, do DecretoLei nº 37, de 1966, continuou a abranger ferramentas mesmo após a edição da Lei nº 8.032, de 1990. Com efeito, o lançamento impugnador teria ferido os princípios da confiança legítima e a boa fé objetiva do contribuinte, os quais estariam positivados no art. 48, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Tal afirmação, conforme já decidido pela instância a quo, é falaciosa. Isso porque o Parecer CST/DTCEX n. 523, de 1989, versa sobre dispositivo legal revogado expressamente pelo art. 1º da Lei nº 8.032, de 1990. Além disso, o MEMO/SEANA/001/94 não se reveste das características da consulta administrativa de que trata o art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996. No que diz respeito ao primeiro argumento, há vários precedentes do CARF que demonstram que a consulta perde a eficácia quando é revogada a norma sobre a qual versa. A título ilustrativo, transcrevese as ementas abaixo: EFEITOS DA CONSULTA. MUDANÇA DO REGIME JURÍDICO. A consulta formulada à administração tributária somente surte efeitos enquanto inalterado o regime jurídico a que se referiu. Alterada a legislação tributária, deve o consulente interpretar o novo comando legal e aplicálo adequadamente ao seu caso. (Acórdão nº 2301003.374, Rel. Cons. Mauro José Silva, Sessão de 12/03/2013) ......................................................................................................... CONSULTA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. DISPOSITIVOS REVOGADOS. EFEITOS. CESSAÇÃO. A consulta produz efeitos sobre a aplicação de dispositivos determinados da legislação tributária aos fatos descritos pelo consulente (inteligência do art. 46, caput, do Decreto nº 70.235/1972), os quais cessam após a revogação dos normativos que embasaram a decisão da autoridade administrativa. A questão dos autos, tal como posta na consulta, perdeu seu objeto com a revogação expressa dos Decretosleis nº 902/1969 e nº 1.382/1974 pela Lei nº 8.023/1990, a qual instituiu novas condições para o gozo do benefício fiscal concedido à atividade rural. (Acórdão nº 9101001.234, Rel. Cons. Claudemir Rodrigues Malaquias, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. A solução de consulta, certa ou errada, vincula a Administração em relação consulente. Entretanto, se a legislação que amparou a solução de consulta é supervenientemente alterada ou revogada, a orientação Fl. 4474DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 26 administrativa perde sua eficácia, mormente quando são estabelecidas novas definições pela legislação de regência. (Acórdão nº 1202000.438, Rel. Cons. Nereida de Miranda Finamore Horta, Sessão de 13/12/2010) Já no que se refere ao segundo argumento, convém lembrar que a origem do instituto da consulta formal em matéria tributária é o Decreto nº 70.235, de 1972, especialmente os arts. 46 e ss. Tratase de legislação que já existia ao tempo em que o chamado MEMO/SEANA/001/94 foi expedido. Contudo, esse documento foi expedido pelo Chefe da Divisão de Tributos sobre o Comércio Exterior em resposta ao Chefe do Serviço de Controle Aduaneiro – SEANA/DRJ Nova IguaçuRJ, e não em resposta a uma consulta formulada pela GE Celma, nos termos da legislação aplicável à época. Tratase de documento interno da Receita Federal, não tendo o condão de se revestir dos efeitos normativos da consulta formal de que tratava os arts. 46 e ss. do Decreto nº 70.235, de 1972, à época dos fatos. Não prospera, portanto, a alegação de que o lançamento violaria o art. 48, § 12, da Lei nº 9.430, de 1996. 2.3 MULTA E JUROS No tocante à cobrança multa e juros, a GE Celma alega que o cumprimento de normas complementares a exime da sua imposição por força do art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Entretanto, como visto no tópico precedente, a GE Celma não atuou com respaldo em norma complementar válida e eficaz, razão pela qual o referido dispositivo não se aplica ao caso concreto. Da mesma forma, a GE Celma alega que a decisão recorrida teria ignorado o art. 155, II, do Código Tributário Nacional, segundo o qual, não havendo dolo ou simulação do contribuinte, o crédito tributário deve ser cobrado sem a imposição de penalidade, incluindose aí a multa moratória, sempre que se apure que o beneficiado de moratória deixou de satisfazer as condições para a concessão do favor. Com a devida vênia, esse dispositivo legal também não se aplica ao caso concreto, pois a GE Celma nunca fez jus à isenção de II e IPI para a importação de ferramentas realizadas no período abrangido pelo lançamento. A lei aplicável à época dessas importações não faz menção a ferramentas, logo, não se trata de satisfazer ou deixar de satisfazer condições para a concessão do benefício fiscal. É assim que a multa de ofício e os juros moratórios são cobrados, de forma legítima, no lançamento guerreado e mantido parcialmente pela decisão recorrida. 3 CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, DÁSE PROVIMENTO parcial ao recurso de ofício (necessidade de comprovação da regularidade fiscal para o II e IPI) e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a exoneração parcial do crédito tributário. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 4475DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.463 27 Fl. 4476DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13971.721404/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010
ASSINATURA DA AUTORIDADE FISCAL AUTUANTE. INDICAÇÃO DO LOCAL, DATA E HORA DA AUTUAÇÃO. FALTA. REQUISITOS FORMAIS OBRIGATÓRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL.
Revela-se o Direito Processual Administrativo Fiscal refratário à formalização de lançamento tributário que não seja realizada pela Autoridade Fiscal Competente, o qual já nasce sob o estigma da nulidade.
É nulo, por vício formal, o lançamento tributário que não contenha a assinatura da Autoridade Fiscal Autuante, nem a indicação do local, data e hora da autuação.
Processo anulado
Numero da decisão: 2302-003.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular os Autos de Infração nº 37.280.760-7, 37.280.761-5 e 37.280.762-3, por vício formal, em razão da carência de requisitos formais obrigatórios para a formalização do ato, previstos nos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, com fulcro no inciso I, in fine, do art. 59 desse mesmo Decreto.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 ASSINATURA DA AUTORIDADE FISCAL AUTUANTE. INDICAÇÃO DO LOCAL, DATA E HORA DA AUTUAÇÃO. FALTA. REQUISITOS FORMAIS OBRIGATÓRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Revela-se o Direito Processual Administrativo Fiscal refratário à formalização de lançamento tributário que não seja realizada pela Autoridade Fiscal Competente, o qual já nasce sob o estigma da nulidade. É nulo, por vício formal, o lançamento tributário que não contenha a assinatura da Autoridade Fiscal Autuante, nem a indicação do local, data e hora da autuação. Processo anulado
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INDICAÇÃO DO LOCAL, DATA E HORA DA AUTUAÇÃO. FALTA. REQUISITOS FORMAIS OBRIGATÓRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Revelase o Direito Processual Administrativo Fiscal refratário à formalização de lançamento tributário que não seja realizada pela Autoridade Fiscal Competente, o qual já nasce sob o estigma da nulidade. É nulo, por vício formal, o lançamento tributário que não contenha a assinatura da Autoridade Fiscal Autuante, nem a indicação do local, data e hora da autuação. Processo anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular os Autos de Infração nº 37.280.7607, 37.280.7615 e 37.280.7623, por vício formal, em razão da carência de requisitos formais obrigatórios para a formalização do ato, previstos nos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, com fulcro no inciso I, in fine, do art. 59 desse mesmo Decreto. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 14 04 /2 01 1- 66 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.721404/201166 Acórdão n.º 2302003.152 S2C3T2 Fl. 761 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 Data da lavratura dos AIOP: Não informado. Data da lavratura do AIOA: 28/07/2011. Data da ciência dos Autos de Infração: 04/08/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.280.7607 e 37.280.7615, consistentes em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Autuada, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 02/25. Relata a Autoridade Lançadora que durante os procedimentos de Fiscalização na empresa Industrial de Malhas Caravela ltda, doravante Caravela, apurouse, por meio dos procedimentos de auditoria fiscal e com supedâneo nas provas e constatações relacionados no relatório fiscal, que a Autuada, visando usufruir indevidamente do tratamento tributário favorecido oportunizado pelo Simples Federal (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) e, posteriormente, pelo Simples Nacional (Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), utilizouse da mãodeobra de trabalhadores que foram formalmente registrados como empregados e sócios da sociedade empresária Confecções Figueiredo Ghisleri Ltda. EPP, doravante Ghisleri, que é empresa existente apenas no plano formal. Dessarte, a Fiscalização considerou, com fundamento no princípio da primazia da realidade, que os empregados formalmente contratados pela Ghisleri são, sob a ótica do Direito Previdenciário, segurados empregados da empresa Autuada, para fins de cálculo das contribuições sociais devidas. A apuração das bases de cálculo, consistentes nas remunerações pagas, devidas ou creditadas, aos segurados empregados contratados pela Autuada por intermédio de interposta pessoa jurídica existente apenas no plano formal foi feita com base nos registros assentados nas folhas de pagamento da Ghisleri. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.280.7623, Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec. 4.729, de 09/06/2003. O contribuinte deixou de informar nas GFIP referentes às competências de 01/2006 a 12/2010, os fatos geradores decorrentes da remuneração dos segurados empregados que lhe prestaram serviços, tendo em vista a caracterização de vínculo de segurado empregado formalizada pela Fiscalização, infringindo, assim, o disposto no artigo 32, IV da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 242/431. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0731.091 – 5ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 573/624, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/06/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 626. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Autuado interpôs recurso voluntário a fls. 628/756, requerendo, ao fim, a declaração de nulidade dos Autos de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.721404/201166 Acórdão n.º 2302003.152 S2C3T2 Fl. 762 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO SANEAMENTO DO PROCESSO. Antes de adentrarmos a cognição meritória urge ser sanada uma irregularidade de cunho eminentemente processual. O art. 10 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, estatui expressamente que o Auto de Infração deve ser lavrado por servidor competente, in casu, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tem que conter OBRIGATORIAMENTE, a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, bem como a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Deflui das tintas dos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 que a assinatura do Servidor que efetuou o lançamento, bem como a indicação do local, da data e da hora da lavratura do Auto de Infração são requisitos formais indispensáveis na formalização do lançamento. Compulsando os autos, todavia, constatamos que os Autos de Infração objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal negligenciaram na observância de tais formalidades obrigatórias exigidas pela Lei que rege o Contencioso Administrativo Fiscal. Com efeito, os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.280.7607 e 37.280.7615, a fls. 164 e 232, respectivamente, não portam a assinatura do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil autuante, Sr. Everaldo Back, matrícula 6.148.752, tampouco informam o local, a data e a hora da lavratura do Auto de Infração. De maneira quase similar, o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.280.7623, Código de Fundamentação Legal nº 68, a fl. 230, também se mostra carente da assinatura do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil autuante, Sr. Everaldo Back, matrícula 6.148.752. Revelase o Direito Processual Administrativo Fiscal refratário à formalização de lançamento tributário que não seja realizada pela Autoridade Fiscal Competente, o qual já nasce sob o estigma da nulidade. A situação fática retratada no presente caso, consistente na lavratura de Auto de Infração sem a assinatura da Autoridade Fiscal Lançadora e sem a indicação do local, da data e da hora da autuação, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso I, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide se desenvolveram os fatos processuais aqui narrados. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.280.7607 e 37.280.7615, bem como do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.280.7623, com fulcro no art. 59, I, in fine, do Decreto nº 70.235/72, por vício formal, em razão da omissão de requisitos formais de validade do ato, previstos nos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, consistente na assinatura da Autoridade Fiscal Autuante e da indicação do local, data e hora da autuação, dispondo a Fl. 765DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.721404/201166 Acórdão n.º 2302003.152 S2C3T2 Fl. 763 7 Administração Fazendária do prazo de cinco anos, contados a partir da data em que se tornar definitiva a decisão proferida no presente Acórdão, para formalizar o lançamento substituto, com a sanatória dos vícios ora apontados, nos termos do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (grifos nossos) (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (grifos nossos) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto por DECLARAR A NULIDADE dos Autos de Infração nº 37.280.7607, 37.280.7615 e 37.280.7623, por vício formal, em razão da carência de requisitos formais obrigatórios para a formalização do ato, previsto nos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, com fulcro no inciso I, in fine, do art. 59 desse mesmo Decreto. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, relator. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13819.910060/2011-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/07/2001
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 13/07/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/07/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 60 /2 01 1- 21 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 113 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 114 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 115 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 116 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 117 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 118 7 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19679.005081/2003-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 06 15, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$12.790,66, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido no segundo trimestre no valor de R$5.950,44 e no quarto trimestre no valor de R$6.840,14, ambos do ano calendário de 1998. Consta na Descrição dos Fatos: O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminada(s) no quadro 3 (três), conforme INSRF n° 045 e 077/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .0 05 08 1/ 20 03 -4 1 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 115 2 Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos Ia ou Ib), e/ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV) . Para efetuar o pagamento da(s) diferença(s) apurada(s) em Auditoria Interna, objeto deste Auto de Infração, o contribuinte deve consultar as "Instruções de Pagamento" (Anexo V). [...] ANEXO III DEMONSTRATIVO DO CREDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR CÓDIGO DA RECEITA NÚMERO DO DÉBITO (1) NÚMERO DA DECLARAÇÃO (2) INFORMADO NA DCTF (3) PARA PAGTO DO AI (4) PERÍODO DE VENCIMENT O 6) DATA DE APURAÇÃO (5) VALOR DO PRINCIPAL LANÇAMENTO (8) 6901028 0000100199800025730 2372 2972 31/07/1998 0104/1998 2.201,37 10549748 0000100200118013844 2372 2972 31/07/1998 0110/1998 2.669,95 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 27 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 25 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 1º e art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 4º, art. 5º, art. 19, art. 25, art. 51, art. 53, art. 54, art. 55, art. 60 e art. 70 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e art. 69 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. O lançamento fundamentase na insuficiência de recolhimento de tributos apurados pelo cotejo entre os recolhimentos não localizados nos sistemas interno da RFB e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 3739. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0105, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando: O auto de infração em epigrafe, esta cobrando o recolhimento da CSLL, conforme segue: Débitos constantes da PAG. 003 do AI. CÓDIGO PER. AP. VENCTO Nº DÉBITO VL DÉBITO DT PAGTO SIT DARF 2372 0104/1998 31/07/98 69001028 2.201,37 30/04/98 DARF OK Obs: Foi declarado na DCTF o período de apuração errado. O correto é: CÓDIGO PER. AP. VENCTO VL DÉBITO DT PAGTO 2372 30/03/1998 30/04/98 2.201,37 30/04/98 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 116 3 Débitos constantes do PG 004 do AI CÓDIGO PER. AP. VENCTO VL DÉBITO DT PAGTO 2372 0110/1998 29/01/1999 2.669,95 29/01/99 O débito acima foi recolhido da seguinte forma: Matriz: R$1.133,65 vencto: 29/01/99; Filial: R$1.536,30 vencto: 29/01/99; Total: R$2.669,95 0 darf no valor de R$1.536,30 foi recolhido com o CNPJ da matriz. Será solicitado o REDARF. Portanto conforme a demonstração acima, a COBRANÇA E INDEVIDA E ILEGÍTIMA. A vista de todo exposto, em face da apresentação do darf quitado, as justificativas apresentadas, demonstra a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado.o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. A autoridade fiscal que jurisdiciona a Recorrente promoveu a revisão de ofício do lançamento, nos termos do inciso VIII do art. 149 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido foi excluído de ofício o crédito tributário no valor de R$6.840,14 do quarto trimestre do anocalendário de 1998, fls. 4145. Está registrado como resultado do Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 16 34.041, de 29.09.2011, fls. 5867: “Impugnação Procedente em Parte”, uma vez que em relação ao segundo trimestre do anocalendário de 1998, impõe promover a redução da respectiva multa de ofício ao percentual de 20% (vinte por cento), proporção equivalente à multa moratória incidente sobre o valor principal remanescente, objeto da autuação sob litígio. Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. REVISÃO INTERNA. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA HÁBIL E IDÔNEA DA EXISTÊNCIA DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. A carência de prova inequívoca hábil e idônea que comprove a ocorrência de erro de fato no preenchimento de débito regularmente declarado por intermédio da DCTF, torna imperativa a manutenção dos efeitos da autuação associada ao saldo devedor remanescente, aferido após conclusão de procedimento de revisão de ofício executada pela autoridade preparadora. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 117 4 MULTA VINCULADA. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Comprovado o recolhimento fora do prazo do tributo confessado em DCTF, é de manterse o lançamento da multa vinculada, observado o princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, II, c, do CTN, segundo o qual se aplica penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Notificada em 12.12.2011, fl. 71, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.01.2012, fls. 7377, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que: Pois bem, a empresa ora Recorrente demonstrou que foi feito o recolhimento do tributo no valor de R$ 2.201,37 (Dois mil, duzentos e um real e trinta e sete centavos), sendo que foi declarado na DCTF o período de apuração errado, segundo demonstrado na Defesa Administrativa à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, interposta com fundamento no artigo 16, inciso I, do Decreto 70.235/72, em 03/09/2003. Vejamos: 1) Débito n° 6901028 2° Trimestre/1998: CÓDIGO PER. AP. VENCTO Nº DÉBITO VL DÉBITO DT PAGTO SIT DARF 2372 0104/1998 31/07/98 69001028 2.201,37 30/04/98 DARF OK Para este débito foi declarado na DCTF o período de apuração errado, sendo que o correto seria: Portanto, houve o recolhimento da CSLL referente ao 2° trimestre de 1998, o que torna esta cobrança injusta e ilegal. Para tanto, a ora Recorrente anexa a DARF no valor de R$2.201,37 (Dois mil, duzentos e um real e trinta e sete centavos), devidamente recolhida em 30/04/98 . Conclui que: Por força do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a ora Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 118 5 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente alega que incorreu em erro no preenchimento da DCTF. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o Auto de Infração pode ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A lançamento de ofício formalizado a partir da DCTF, tem como fundamento a competência legal no sentido de que o Ministro da Fazenda, podendo eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, delegou esta competência ao Secretário da Receita Federal. O documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência da referida exigência2. A Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) foi instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, e na época foi utilizada pelo sujeito passivo para prestar as informar as informações relativas à obrigação principal de 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 119 6 tributos federais, cujos fatos geradores vieram a ocorrer a partir de 01.01.1987. A DCTF com a natureza jurídica informativa tãosomente foi extinta pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998. Posteriormente foi instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) a partir de 01.01.1999, disciplinada por atos normativos supervenientes, em que o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a partir dessa data a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. No presente caso, o pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Assim o sujeito passivo pode demonstrar o erro incorrido no preenchimento da DCTF apresentando os assentos contábeis e os documentos que o comprova. Consta no processo o Darf, fl. 86, referente ao suposto pagamento do débito tributário objeto do lançamento e consequente extinção do crédito tributário. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente intime a Recorrente a apresentar os registros fiscais e contábeis dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais que corroborem a alegação de defesa de forma inequívoca, explícita clara e congruente com os valores e as respectivas descrições conjugadamente com as memórias detalhadas de cálculos devidamente escrituradas que demonstrem o erro na DCTF e que de fato o correto é: CÓDIGO PER. AP. VENCTO VL DÉBITO DT PAGTO 2372 30/03/1998 30/04/98 2.201,37 30/04/98 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 5 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 120 7 A Recorrente alega: Portanto, houve o recolhimento da CSLL referente ao 2° trimestre de 1998, o que torna esta cobrança injusta e ilegal. Para tanto, a ora Recorrente anexa a DARF no valor de R$2.201,37 (Dois mil, duzentos e um real e trinta e sete centavos), devidamente recolhida em 30/04/98. Ainda deve ser verificado se o Darf, fl. 86, referente ao suposto pagamento do débito tributário objeto do lançamento extingue o crédito tributário. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial se houve erro na DCTF e que se o Darf, fl. 86, referente ao suposto pagamento do débito tributário objeto do lançamento extingue o crédito tributário. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes6 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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