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Numero do processo: 19311.720411/2011-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009, 2010
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO.
Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2009, 2010 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fáticoprobatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 11 /2 01 1- 09 Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720411/201109 Acórdão n.º 9202004.399 CSRFT2 Fl. 1.030 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Município de São Paulo, por meio do qual exigese o recolhimento da Contribuição Previdenciária prevista no art. 31, §3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, c/c o art. 219, §2º, inciso XIX do regulamento da Previdência, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, caracterizada pela retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em razão da prestação de serviço de transporte público de passageiros. O entendimento do fiscal foi no sentido de os serviços prestados pelas empresas contratadas mediante contrato administrativo de concessão de serviço público, regido pelas Leis nº 8.666/93 e 8.987/95, caracterizam verdadeira cessão de mãodeobra em favor da municipalidade e como tal estariam sujeitos a retenção da citada contribuição. O lançamento foi lavrado também contra a concessionária prestadora do serviço, classificada como responsável solidária da obrigação tributária. Em sede de Impugnação a Prefeitura Municipal de São Paulo defende que no caso em tela inexiste cessão de mãodeobra. Estaríamos diante de prestação de serviço público de transporte à população por meio de concessionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários os verdadeiros tomadores do serviço, portanto não haveria fato gerador do tributo. Argumenta que se quer foi feita a verificação se houve o devido recolhimento da contribuição pela empresa prestadora do serviço. A empresa solidária, entre outros argumentos, reforça o entendimento de inexistir fato gerador ensejador da retenção, tece esclarecimentos acerca das diferenças de concessão de serviço público e mera prestação de serviço ao Poder Público, afirma ter efetuado o recolhimento da totalidade da Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários vinculados ao contrato administrativo, defende a inexistência de solidariedade e questiona a base de cálculo apurada. A Delegacia de Julgamento acolhendo os argumentos das Impugnantes julgou procedente as impugnações. Para o colegiado nos contratos de concessão de serviço publico nos moldes do ora discutido não há cessão de mãodeobra. Expôs, por meio de um verdadeiro tratado, que não tendo sido configurada a cessão de mãodeobra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, não há que se falar em obrigação de reter e recolher à previdência social a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. Afastou ainda, expressamente, ad argumentandum tantum, a solidariedade passiva. Em recurso de ofício o Colegiado a quo confirmou, sem qualquer ressalva a decisão da Delegacia de Julgamento. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional citando acórdão paradigma que segundo ela trataria de situação fática exatamente idêntica a do acórdão recorrido, mudando apenas a empresa contratada. Naquela oportunidade o colegiado entendeu estar caracterizada a cessão de mão obra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Foram apresentadas contrarrazões reiterando os argumentos da peça de impugnação e requerendo a manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720411/201109 Acórdão n.º 9202004.399 CSRFT2 Fl. 1.031 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Apenas à título de esclarecimento destaco que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional insurgiuse apenas contra a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em razão da não caracterização da cessão de mãodeobra. Tanto a decisão da Delegacia de Julgamento quanto o acórdão recorrido, apesar de afastarem a ocorrência do fato gerador abordaram a questão da responsabilidade tributária e em ambas decisões concluise pela inaplicabilidade do instituto ao presente processo. Tal conclusão não foi objeto do recurso. Reforça as explicações acima o fato de o acórdão paradigma, apesar de ter concluído pela existência da cessão de mãodeobra, ter decido no sentido de inexistir solidariedade passiva entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa cessionária do serviço de transporte. Também no entendimento daquele colegiado o "comando contido no inciso I do artigo 124 do CTN, que prevê a responsabilidade daqueles que têm interesse comum na ocorrência do fato gerador, não se aplica às hipóteses de contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, pois a lei é clara ao delimitar a responsabilidade exclusiva do contratante (art. 31 c.c. art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91)". Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigma, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso, afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra, divergiu do entendimento dado ao Acórdão nº 2302003.083 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Para a recorrente "a situação fática trazida no acórdão paradigma é exatamente idêntica à do acórdão recorrido, qual seja, caracterização de cessão de mãodeobra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo, mudando apenas a empresa contratada". Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, ambas decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, é cabível a retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em contratos administrativos que envolvem transporte coletivo de passageiros desde que fique configura cessão de mãodeobra. Percebese, portanto, que o objetivo do recurso interposto é na verdade a realização da revisão do juízo de valor exercido pelos julgadores da turma a quo, fato que conforme já me manifestei em outras ocasiões deveria ser suficiente para ensejar o não conhecimento do recurso. De toda forma, conhecendo o entendimento majoritário deste colegiado faço também outro apontamento que a meu ver nos leva a mesma conclusão. Segundo se depreende do relatório do acórdão paradigma o contrato objeto daquele lançamento, apesar de possuir traços semelhantes com o contrato ora discutido, possui uma especificidade: tratase de contrato de prestação de serviço, não submetido a processo de licitação e firmado única e exclusivamente para atender demanda emergencial da Municipalidade. E para chegar a minha conclusão cito parte do voto do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, relator do acórdão paradigma: Compatibilidade entre Cessão de Mãodeobra e Concessão. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, se mediante cessão de mão deobra ou não. (grifei) Ora, se nos dois processos estivéssemos diante de contratos administrativos de concessão de serviço público derivados do mesmo certame licitatório, poderíamos até supor que ambos seriam iguais, ou pelo menos semelhantes, não havendo qualquer variação substancial em suas cláusulas capaz de afastar o entendimento daquele colegiado caso o presente processo o fosse submetido. Ocorre que pelas circunstâncias fáticas que envolveram a celebração do contrato analisado pelo acórdão paradigma e a respectiva prestação do serviço (atendimento a uma situação emergencial), apesar da semelhança exposta pelo relatório, não tenho segurança em afirma que estamos diante de instrumentos com conteúdos análogos e cujos serviços foram prestados segundo as mesmas regras. Importante mencionar ainda o fato de (após o exame de admissibilidade) ter ocorrido a reforma do acórdão paradigma, tendo essa Câmara Superior em sua composição anterior e por unanimidade dos votos, concluído pela não configuração da "cessão de mãode obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado." Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720411/201109 Acórdão n.º 9202004.399 CSRFT2 Fl. 1.032 7 Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo a me manifestar quanto ao mérito do recurso o qual, conforme acima esclarecido, limitase a discutir se há nos autos elementos suficientes para caracterizar como cessão de mãodeobra a prestação de serviço público de transporte de passageiros contratado mediante contrato administrativo de concessão de serviço público. E neste aspecto comungo do entendimento externado pela decisão da Delegacia Fiscal e também do colegiado a quo para os quais inexiste provas quanto a ocorrência da cessão de mãodeobra haja vista a ausência de caracterização de um dos elementos essenciais: colocação do segurados empregados da contratada à disposição da contratante. A obrigação dos tomadores de serviços de cessão de mãodeobra de reterem 11% sobre as faturas e notas fiscais correspondentes está prevista no art. 31 da lei nº 8.212/91, com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. No caso do serviços de transporte de passageiros a obrigatoriedade da retenção está prevista no art. 219, §2º, XIX do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; ... A leitura dos dispositivos acima revelam que só estará obrigado à retenção aquele que contrata a cessão de mãodeobra. Assim, na prática, em cada contrato administrativo de prestação de serviços em favor do Poder Público, deve ser observado se há o elemento caracterizador da cessão de mãodeobra, qual seja, se os empregados do cedente são postos à disposição do tomador dos serviços, à semelhança do que ocorre em uma relação de emprego. Ora, como exaustivamente esclarecido na decisão de primeira instância e na decisão recorrida, estamos diante de contrato administrativo de concessão de serviço público de prestação de transporte coletivo de passageiros. Tal contrato é regido pelas leis 8.666/93 e 8.987/95 sendo que essa em seu art. 2º, II, conceitua concessão de serviço publico como sendo a delegação de funções essenciais do estado à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado: Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720411/201109 Acórdão n.º 9202004.399 CSRFT2 Fl. 1.033 9 O Doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição, p. 370/371, esclarece que "serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão". Os professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo (in Revista Dialética de Direito Tributária nº 169. p. 136), sintetizaram muito bem a diferença ora discutida: A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando esforço humano posto à disposição do contratante (tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mãodeobra, para que este dela faça uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento à assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviços, não há cessão de mãodeobra. Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mãodeobra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não haverá cessão ou locação de mãodeobra, mas apenas prestação de serviço. Já pelo contrário, se a sujeição dos empregados às ordens do tomador do serviço for característica marcante do contrato, então, aí sim, haverá autêntica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra. Diante dessa premissa é possível afirmar com segurança que no caso concreto não houve cessão de mão de obra, afinal o objeto do contrato era exatamente a prestação de um serviço pelo particular e não a contratação de mão de obra pelo Município. Para Prefeitura de São Paulo não importava a forma como os segurados empregados da contratada iriam executar o serviço, esses trabalhavam sob a gerência da própria contratada, o que lhe importava era o produto final da prestação: transporte eficiente, contínuo e com segurança a todos os cidadãos. Na prática são poucos os contratos de concessão de serviço público celebrados pela Administração Pública em que esta interfere diretamente nos trabalhos desenvolvidos pelo particular contratado, na grande maioria dos casos o ente não exerce qualquer ato de coordenação direta sobre os trabalhos da empresa contratada. Em regra o Poder Público limitase a verificar o regular cumprimento do contrato nos termos em que fixado pelo edital e essa interferência indireta é decorrência lógica do fato de a concessão ser sempre feita no interesse da coletividade, e, assim sendo, o concessionário ter o dever de prestar o serviço em condições adequadas para o público. A própria Constituição Federal, art. 175, parágrafo único, prevê esse Poder Dever da Administração Pública de regulamentar e fiscalizar os contratos de concessão de serviços públicos, exigindo do legislador a edição de lei para dispor sobre (I) o regime das Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; (II) os direitos dos usuários; (III) política tarifária; e (IV) a obrigação de manter serviço adequado. E aqui estamos falando da já citada Lei nº 8.987/95, cujo art. 23 traz quais são as cláusulas essenciais que devem constar dos contratos administrativos de concessão de serviço público: Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: I ao objeto, à área e ao prazo da concessão; II ao modo, forma e condições de prestação do serviço; III aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; V aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; VI aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do serviço; VII à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos órgãos competentes para exercêla; VIII às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a concessionária e sua forma de aplicação; IX aos casos de extinção da concessão; X aos bens reversíveis; XI aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas à concessionária, quando for o caso; XII às condições para prorrogação do contrato; XIII à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas da concessionária ao poder concedente; XIV à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas da concessionária; e XV ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais. Mais uma vez tomando os ensinamentos do Administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição p. 379/380) ressaltamos: a "fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público concedente, que é o fiador da sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já vimos que serviços públicos e serviços de Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720411/201109 Acórdão n.º 9202004.399 CSRFT2 Fl. 1.034 11 utilidade pública são sempre serviços para o público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas (art. 6º, §1º). Para assegurar esses requisitos, indispensáveis em todo serviço concedido, reconhecese à Administração Pública o direito de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a rentabilidade do serviço, fixar as tarifas e punir as infrações regulamentares e contratuais." A meu ver as cláusulas integrantes do contrato celebrado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua Secretaria Municipal de Transportes, e o particular prestador do serviço, que na visão da Fiscalização ajudaram a caracterizar a cessão de mão de obra, são cláusulas que visaram exclusivamente dar cumprimento a determinação legal. Vale citar: trajetos e horários das viagens, quantidade e qualidade dos recursos materiais e humanos empregados, forma de remuneração direta (tarifas) e indireta (receitas adicionais), entre outros. No mais, parece inexistir fundamento para a alegação de que teria ocorrido a cessão de mãodeobra pelo simples fato de que a empresa contratada deixou de contar com a força do labor dos profissionais 'cedidos', ou seja, esses não estariam disponíveis para realização de outro trabalho; por questão lógica uma mesma pessoa não pode, em um mesmo momento, desempenhar suas funções em dois locais distintos. Vale citar ainda, que inexistia no contrato qualquer cláusula de exclusividade de atuação de determinado funcionário. Portanto, não havia qualquer impedimento do trabalhador ser deslocado pelo particular para exercer outras funções, o que havia era o impedimento de que o serviço fosse interrompido, devendo a contratada diligenciar no sentido de haver a manutenção do número de funcionários suficientes para o seu fiel cumprimento do contrato. Destacase que entre cláusulas contratuais que tratavam de mãodeobra havia apenas a exigência de operar somente com pessoal devidamente capacitado e habilitado, mediante contratações regidas pelo direito provado e legislação trabalhista, assumindo todas as obrigações delas decorrentes, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros contratados pelo operador e o Poder Público, e ainda a obrigação de apresentar, quando solicitado, a comprovação de regularidade das obrigações previdenciárias e para com o FGTS. O fato de haver previsão de serem estabelecidos critérios (cláusula 19.1.25) para realização dos descontos das parcelas da remuneração dos funcionários destinados ao pagamento do INSS, a meu ver, tratase de questões operacional necessária. Estamos diante de um mesmo serviço que visa atender usuários de todo o município, entretanto é prestado por pessoas jurídicas distintas. Para não haver tratamento desigual entre os funcionários contatados pelo particular, gerando conflitos que poderiam prejudicar a correta prestação do serviço em sua totalidade, era crível que se estabelecesse um tratamento padrão. No mais, importante citar que o art. 71 da Lei nº 8.666/93 deixa claro que a responsabilidade pelos 'encargos trabalhistas' é da empresa contratada, sendo o Poder Público solidário apenas nos casos do descumprimento das obrigações previdenciárias: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. E aqui julgo pertinente fazer uma consideração sobre a remissão ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Por ora tenho dúvidas se a intenção do legislador foi a de exigir dos entes públicos a retenção dos 11% sobre a prestação do serviço. Isso porque a redação do art. 71 da Lei nº 8.666/93 foi dada pela Lei nº 9.032/95, sendo que nessa época a redação do art. 31 da Lei nº 8.212/95 não trazia qualquer previsão de retenção, na verdade apenas afirmava nos termos do parágrafo segundo que a Administração Pública era responsável solidária com os contratantes em relação aos débitos previdenciários. A obrigação da retenção surge a primeira vez apenas em 1998, com redação dada ao art. 31 pela Lei nº 9.711. Por fim, apesar de não ser esse o entendimento da maioria deste colegiado, manifestome que deve ser considerado o fato de que a retenção cobrada nada mais é do que uma antecipação do valor devido à título de contribuição correspondente aos 20% sobre a remuneração paga aos segurados. Assim, mesmo que tenha sido descumprida a obrigação e mesmo que haja a presunção de retenção nos termos do art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, a meu ver, essa regra não legitima a cobrança em duplicidade do crédito tributário, ou seja, havendo prova de que a empresa contratada pagou corretamente o débito (como ocorre nos autos), seria inviável exigirse o correlato crédito do Poder Público. Diante do exposto, ausente qualquer prova capaz de caracterizar cessão de mão de obra, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720411/201109 Acórdão n.º 9202004.399 CSRFT2 Fl. 1.035 13 Voto Vencedor Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, agora, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos do critério jurídico aplicado aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre os contratos utilizados para fins de contratação do transporte público de passageiros sob análise nos feitos recorrido e paradigmático, não interferindo, em meu entendimento, para fins de análise da caracterização ou não do instituto de cessão de mão de obra (cerne do caso em questão), nem o nomen juris do contrato e nem a modalidade sob o qual foi realizado (mesmo certame licitatório ou não), sendo relevante, sim, a meu ver, a coincidência entre as cláusulas contratuais de interesse para análise do instituto, de forma a ter restado caracterizada, assim, a identidade fáticoprobatória supramencionada. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos para fins de caracterização do instituto de cessão de mão de obra, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10882.902907/2008-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.902907/200846 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.041 – 3ª Turma Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria PIS/COFINS. Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 29 07 /2 00 8- 46 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 9303004.041 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.995, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 9303004.041 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 9303004.041 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 9303004.041 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 9303004.041 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 9303004.041 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 9303004.041 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10380.729113/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. FISCALIZAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO.
Representa desatendimento aos requisitos necessários ao gozo da imunidade destinada às instituições de educação e de assistência social a constatação de que a beneficiária adotou as condutas a seguir elencadas: o oferecimento de publicidade em equipe esportiva da entidade para empresa do mesmo grupo econômico, sem a devida cobrança pelo serviço prestado; a concessão pela entidade de bolsas de estudo a empregados das empresas que compõem o grupo econômico em que se encontra inserida, sem qualquer contrapartida por parte das empregadoras; o pagamento de anúncios publicitários em empresas pertencentes ao grupo econômico de seus dirigentes em valores superiores aos preços praticados para os demais anunciantes; e a participação da interessada em grupo econômico com fins lucrativos.
Numero da decisão: 1401-001.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorii, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Aurora Tomazini de Carvalho e Livia De Carli Germano votaram pelas conclusões, em função de entenderem que a aplicação em renda variável por entidade sem fins lucrativos por si só não seria suficiente para manter a suspensão da imunidade.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. FISCALIZAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Representa desatendimento aos requisitos necessários ao gozo da imunidade destinada às instituições de educação e de assistência social a constatação de que a beneficiária adotou as condutas a seguir elencadas: o oferecimento de publicidade em equipe esportiva da entidade para empresa do mesmo grupo econômico, sem a devida cobrança pelo serviço prestado; a concessão pela entidade de bolsas de estudo a empregados das empresas que compõem o grupo econômico em que se encontra inserida, sem qualquer contrapartida por parte das empregadoras; o pagamento de anúncios publicitários em empresas pertencentes ao grupo econômico de seus dirigentes em valores superiores aos preços praticados para os demais anunciantes; e a participação da interessada em grupo econômico com fins lucrativos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.729113/201269 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.713 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2016 Matéria SUSPENSÃO DA IMUNIDADE Recorrente FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. FISCALIZAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Representa desatendimento aos requisitos necessários ao gozo da imunidade destinada às instituições de educação e de assistência social a constatação de que a beneficiária adotou as condutas a seguir elencadas: o oferecimento de publicidade em equipe esportiva da entidade para empresa do mesmo grupo econômico, sem a devida cobrança pelo serviço prestado; a concessão pela entidade de bolsas de estudo a empregados das empresas que compõem o grupo econômico em que se encontra inserida, sem qualquer contrapartida por parte das empregadoras; o pagamento de anúncios publicitários em empresas pertencentes ao grupo econômico de seus dirigentes em valores superiores aos preços praticados para os demais anunciantes; e a participação da interessada em grupo econômico com fins lucrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorii, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Aurora Tomazini de Carvalho e Livia De Carli Germano votaram pelas conclusões, em função de entenderem que a aplicação em renda variável por entidade sem fins lucrativos por si só não seria suficiente para manter a suspensão da imunidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 91 13 /2 01 2- 69 Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou, por unanimidade dos votos, a manutenção do ato de suspensão de imunidade. Por bem descreve a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de processo formalizado tendo em vista o rito processual determinado pelo art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, instrumentalizado a nível infra legal pelo art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 113, de 1998, e pelo art. 123 do Decreto n° 7.574, de 2011, que tratam do procedimento a ser adotado para fins de suspensão da imunidade das instituições de educação e assistência social. Ao final do procedimento, deuse a emissão do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, fl. 607, declarando suspensa a imunidade tributária da pessoa jurídica Fundação Edson Queiroz, CNPJ 07.373.434/000186, em virtude da inobservância do disposto pelos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III da Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN), com efeitos legais nos anos calendário 2008, 2009 e 2010, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e às contribuições sociais que lhe são reflexas (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins). Em 23/08/2012, o representante legal da pessoa jurídica foi notificado de Relatório Fiscal, fls. 02/23, formalizado em razão do disposto pelo § 1° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 19961, documento em que ficou consignado que a empresa beneficiária da imunidade praticou atos representativos de ofensa aos dispositivos do Código Tributário Nacional (CTN) supra referidos, tendo por consequência a suspensão do benefício fiscal usufruído pela instituição, tudo conforme discorrido nos itens subsequentes. BOLSAS DE ESTUDOS CONCEDIDAS A EMPREGADOS DE EMPRESAS DO GRUPO EDSON QUEIROZ • a Fundação Edson Queiroz contemplou funcionários de outras empresas do Grupo Edson Queiroz com bolsas de estudos com descontos nas mensalidades variando entre 5% e 47% (R$ 244.165,00 em 2008, R$ 225.775 em 2009 e R$ 194.850,00 em 2010); • tratandose de prática comum no mundo empresarial as pessoas jurídicas custearem cursos de graduação e de capacitação de seus funcionários, as integrantes do Grupo Edson Queiroz perceberam inegável vantagem direta, pois deixaram de pagar a parte Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 5 4 § 1° Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9°, § 1°, e 14, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração que normalmente é cobrada dos empregadores, representada pela parcela da bolsa de estudo sem qualquer contrapartida ofertada Fundação Edson Queiroz; • a Fundação Edson Queiroz não tem nenhum motivo para beneficiar um funcionário que não é seu, mas de outra empresa do mesmo grupo econômico; • o mesmo tratamento não foi observado em relação aos empregados das pessoas jurídicas em geral, não integrantes do Grupo Edson Queiroz, para as quais somente foram diagnosticados os chamados descontos comerciais ou aqueles destinados aos participantes do PROUNI, que tem regulamentação própria; • com a adoção desse procedimento a Fundação Edson Queiroz distribuiu parcela de seu patrimônio e/ou renda, infringindo os incisos I e II do art. 14 do CTN ao longo dos anoscalendário 2008 a 2010, motivo suficiente para a suspensão da imunidade tributária vez que conceder bolsas a funcionários de outras empresas do grupo significa distribuir parcela de seu patrimônio e/ou renda àquelas empresas, além de configurar aplicação de recursos em atividade distinta da manutenção de seus objetivos institucionais. GASTOS COM EQUIPE DE FUTSAL • a Fundação Edson Queiroz mantém uma equipe de futsal feminina cujas atletas, além da ajuda de custo que normalmente é oferecida, foram contempladas com bolsas de estudo da própria Fundação o que, visto de forma isolada, não representa qualquer impedimento para o gozo da imunidade; • acontece que referida equipe é conhecida como Nacional Gás UNIFOR, tem em seu uniforme o logotipo da Nacional em destaque maior até do que o da própria Fundação, além do que as cores de seu uniforme não são o azul e branco da UNIFOR, mas o vermelho, azul e branco da Nacional; • nos campeonatos disputados, a equipe é tratada como Nacional Gás (empresa do Grupo Edson Queiroz), e não como UNIFOR como seria de se esperar; • tal equipe esportiva é usada como instrumento de publicidade da Nacional Gás, ferindo os princípios institucionais da Fundação que dizem respeito à educação e ao ensino, e não à publicidade; • as atletas não são selecionadas dentre as alunas da Fundação, mas dentre aquelas com maior aptidão para a prática do esporte, com a oferta de bolsas de estudo e da ajuda de custo neste item tratada, de modo que ingressem na entidade; • a Nacional Gás não oferece qualquer contrapartida financeira em razão da publicidade recebida, que é totalmente gratuita, sendo que todos os gastos com a equipe, a exemplo da ajuda de custo, das bolsas de estudo e das despesas com as viagens, são arcados pela Fundação Edson Queiroz, sem que haja qualquer repasse por parte da Nacional Gás, fato reconhecido pela própria implicada; Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 6 5 • a publicidade gratuita constitui inegável distribuição de receita e/ou patrimônio da Fundação pois caso a Nacional Gás desejasse patrocinar qualquer outra equipe esportiva fatalmente teria que arcar com o recurso financeiro necessário para a realização da empreitada; • quanto à Fundação, em não se tratando de empresa do mesmo grupo, haveria a necessária cobrança pela publicidade oferecida; • no período fiscalizado, as ajudas de custo alcançaram a quantia de R$ 248.560,00 enquanto a renúncia da receita, em razão das bolsas de estudo, foi da ordem de R$ 50.018,25; • a equipe de futsal feminina da Nacional Gás UNIFOR apresenta grande destaque no cenário esportivo nacional, participando continuamente dos campeonatos estadual, regional e nacional da modalidade, com expressiva cobertura da imprensa especializada, além da presença do público nos jogos, pelo que a exposição da marca Nacional Gás não pode ser considerada desprezível, tudo isso com dispêndio em torno de R$ 300 mil para a Fundação e custo zero para a Nacional Gás; • a parcela que deixou de ser cobrada da Nacional Gás representou aplicação de recurso em atividade diversa dos objetivos institucionais da Fundação, com ofensa aos incisos I e II do art 14 do CTN, motivo suficiente para a suspensão da imunidade. PUBLICIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE • a despeito de inexistir dispositivo legal a vedar gastos com publicidade por parte das empresas imunes, deve ser elaborada uma análise detalhada dos dispêndios da interessada a este título realizados; • os gastos com publicidade da Fundação Edson Queiroz totalizaram R$ 13,14 milhões em 2008, R$ 12,68 em 2009 e R$ 14,48 em 2010 com variação de 3,53% de 2008 para 2009 e de 14,26% de 2009 para 2010; • quanto às bolsas de estudo concedidas, em 2008 foram de R$ 6,10 milhões, em 2009 de R$ 5,75 milhões e em 2010 de R$ 5,81 milhões com decréscimo de 6,09% de 2008 para 2009 e com crescimento de 1,12% de 2009 para 2010; • considerandose apenas as bolsas assistenciais (excluídas aquelas concedidas a funcionários e dependentes da Fundação, a empregados de outras empresas do Grupo e aquelas concedidas às atletas de futsal), em 2008 foram de R$ 3,78 milhões, em 2009 de R$ 3,45 milhões e em 2010 de R$ 3,49 milhões com variação negativa de 9,59% de 2008 para 2009 e positiva de 1,29% de 2009 para 2010; • no mesmo período o lucro real da Fundação foi de R$ 216,64 milhões em 2008, de R$ 212,85 milhões em 2009 e de R$ 227,87 milhões em 2010 com decréscimo de 1,75% e acréscimo de 7,06% respectivamente; • tal situação pode ser sintetizada no demonstrativa a seguir disposto: Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 7 6 Ano Publicidade (%) Bolsas (%) Lucro (%) 2008 16.139.967,90 6.103.105,18 216.642.745,99 2009 12.675.690,28 3,53 5.752.526,91 5,74 212.851.018,32 1,75 2010 14.483.165,55 14,26 5.816.681,76 1,12 227.872.950,26 7,06 ante os números apresentados, o lucro da Fundação Edson Queiroz não foi revertido em gratuidades, que deveria ser o objetivo institucional da fiscalizada, mas em gastos com publicidade o que pode ser observado pelo crescimento maior dos dispêndios com publicidade, quando comparado com as gratuidades, o que demonstra claramente que o foco não foi a prestação de serviços educacionais, mas sim o lucro e sua distribuição para outras empresas do Grupo Edson Queiroz, como indicado no demonstrativo a seguir disposto, contendo os gastos da Fundação com publicidade nas mencionadas empresas: Empresa Grupo EQ 2008 2009 2010 Editora Verdes Mares 3.310.684,38 3.678.303,63 4.450.304,00 Rádio Verdes Mares 598.942,50 614.015,00 638.230,00 Televisão Verdes Mares 4.406.762,37 4.279.751,65 5.145.914,55 TV Diário 4.823.578,65 4.103.620,00 4.250.717,00 Total 13.139.967,90 12.675.690,28 14.483.165,55 ao realizar tão elevados gastos com publicidade, a detentora do benefício fiscal teve como objetivo distribuir seus resultados positivos a outras empresas do mesmo grupo econômico, fazendoo de forma disfarçada, através de gastos com publicidade; se a intenção da Fundação Edson Queiroz fosse apenas a publicidade, teria veiculado as mensagens de forma mais pulverizada, de modo a alcançar um público maior e mais variado, não as concentrando apenas nas empresas do Grupo Edson Queiroz; • foi também feita uma análise comparativa entre os gastos com publicidade da Fundação e aqueles despendidos por alguns de seus concorrentes na atividade de educação superior na cidade de Fortaleza/CE, elaborada na forma de percentual dentre as despesas com publicidade e as respectivas receitas brutas: Ano Fundação Empresa A Empresa B Empresa C 2008 6,54% 2,46% 0,78% 2,17% 2009 5,93% 1,38% 0,61% 1,36% 2010 6,53% 1,02% 0,31% 1,05% a fiscalizada gastou com publicidade, tanto em valores absolutos, quanto em percentuais, muito mais do que suas principais concorrentes, todas elas empresas com fins lucrativos, o que demonstra que o fim verdadeiramente almejado com tão elevados pagamentos não é a simples publicidade, mas a efetiva distribuição de seu patrimônio e/ou receita a outras empresas do Grupo Edson Queiroz; também foi elaborado um demonstrativo em que foi cotejado o volume financeiro representado pela imunidade tributária incidente sobre o IRPJ (valores Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 8 7 encontrados na DIPJ, ficha DOAR Demonstração da Origem e Aplicação de Recursos, correspondendo a uma origem de recursos) com os valores aplicados pela Fundação na aquisição de ações, em publicidade e na disponibilização de bolsas de estudo: Ano Imunidade IRPJ Aquisição Ações Publicidade Bolsas 2008 32.496.411,90 24.630.943,86 13.139.967,90 6.103.105,18 2009 31.927.652,75 0,00 12.667.246,29 5.752.526,91 2010 34.180.942,54 26.852.405,43 14.483.165,55 5.816.681,76 Total 96.605.007,19 51.483.349,29 40.290.379,74 17.672.313,85 • a tudo isso foi acrescido ser a Fundação Edson Queiroz a maior anunciante de duas empresas do Grupo Queiroz Galvão que foram objeto de diligência fiscal por parte do autor do procedimento, a Editora Verdes Mares (Jornal Diário do Nordeste) e a TV Diário, tendo sido constatado que, a despeito de se declarar sem fins lucrativos, a Fundação Edson Queiroz gastou em publicidade nos referidos veículos de comunicação mais do que qualquer empresa com fim lucrativo; • na realidade, a interessada gasta em anúncio muito mais do que qualquer outro cliente pois, para se alcançar o valor pago com publicidade na Editora Verdes Mares, foi necessário somar os valores dos três maiores anunciantes subsequentes a ela e, no caso da TV Diário, a soma atingiu os seis maiores anunciantes colocados logo abaixo da Fundação. PAGAMENTO DE PUBLICIDADE EM CONDIÇÕES DE DESVANTAGEM • neste item foi perquirida a existência de sobrepreço nos gastos com publicidade; • na TV Diário Ltda foram analisadas as notas fiscais de prestação de serviços a diversos clientes, tendo sido observado que o custo unitário da tabela é o mesmo para todos os clientes, variando apenas em função do programa em que o comercial é exibido; • também foi observado que o valor de tabela não é cobrado pois, normalmente, a TV Diário concede generosos descontos a seus anunciantes, os quais variaram entre 41,67 e 87,61% para empresas não integrantes do Grupo Edson Queiroz; • quando o anunciante pertence ao Grupo Edson Queiroz, o desconto concedido foi sempre o mesmo, da ordem de 50%; • tratandose da Fundação Edson Queiroz, foi diagnosticado que os descontos foram de apenas 30%, tendo a autoridade fiscal concluído que referida pessoa jurídica pagou pela publicidade até 273% a mais pela publicidade do que pagaram as empresas sem vinculação com o grupo empresarial e, na comparação com as demais empresas do grupo, o acréscimo foi de 40% a mais pelos mesmos serviços prestados; • os pagamentos proporcionalmente maiores da Fundação Edson Queiroz chamam mais a atenção pelo fato de se tratar da maior anunciante da TV Diário e pelo fato de a prática comercial ser justamente na direção contrária, ou seja, quanto mais relevante for o anunciante, melhores são as condições contratuais pactuadas e mais generosos são os descontos; • a TV Diário trata muito mal seu melhor cliente e, mesmo assim, ele permaneceu com a sua política publicitária naquela emissora, tendo até mesmo Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 9 8 aumentado o valor gasto em períodos anteriores, o que demonstra que a Fundação Edson Queiroz distribuiu à TV Diário, empresa do Grupo Edson Queiroz, parcela de seu patrimônio e/ou renda que chegou ao montante de R$ 3,63 milhões entre os anos de 2008 e de 2010, segundo os cálculos elaborados pela autoridade fiscalizadora; • tudo isso demonstra que a Fundação Edson Queiroz distribuiu parcela de seu patrimônio e/ou receita, incorrendo nas vedações estabelecidas pelos incisos I e II do art. 14 do CTN nos anos de 2008 a 2010, representando motivação suficiente para a suspensão da imunidade do IRPJ e dos tributos reflexos no período considerado. PARTICIPAÇÃO EM GRUPO ECONÔMICO • existem os grupos econômicos de direito e os grupos econômicos de fato; • os grupos econômicos de direito são aqueles constituídos em conformidade com o art. 2561 da Lei n° 6.404, de 19762; • já os grupos econômicos de fato são classificados em regulares e irregulares; • são regulares aqueles que, apesar de não serem dotados de formalização legal, não realizam práticas dissuasivas irregulares, ao serem constituídos, sendo resultado de decisões legítimas de seus controladores, que, não pretendendo dar à sua organização as características expressadas na Lei n° 6.404, de 1976, promovem a constituição de empresas interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, sem que se possa inferir, apesar desta circunstância, a ocorrência de práticas irregulares ou ilegais; • ainda que de fato, o grupo econômico assume, em geral, pública e ostensivamente a sua condição de "grupo"; • a Fundação Edson Queiroz faz parte de um grupo econômico de fato e regular, o Grupo Edson Queiroz, corroborando para este entendimento os fatos a seguir delineados: o grande parte da logística, a exemplo da contabilidade e dos setores financeiro e jurídico, encontrase centralizada no mesmo endereço, a Praça da Imprensa, s/n, sede do Grupo Edson Queiroz; o alguns funcionários trabalham indistintamente para várias empresas do grupo, inclusive para a Fundação, especialmente nos setores jurídico e de contabilidade, isso em espaços comuns localizados na Praça da Imprensa, s/n; o quando das diligências realizadas em quatro empresas do grupo (Editora Verdes Mares, CNPJ 07.209.299/000138; Esmaltec S/A, CNPJ 02.948.030/0001 50; Nacional Gás Butano Distribuidora LTDA, CNPJ 06.980.064/000182 e TV Diário Ltda, CNPJ 23.493.364/000156), os termos de início, de intimação e de encerramento foram recebidos pelo mesmo procurador da fundação, demonstrando unicidade de comando; 1 Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 10 9 o os responsáveis pela Fundação participam ou participaram de diversas empresas do grupo, conforme exaustivamente discorrido pelo responsável pelo procedimento fiscal; o em convênio com a UNIMED, é excluída expressamente "do grupo econômico do Grupo Edson Queiroz" apenas a empresa CONPAR PRODUTOS MARINHOS S/A (Cláusula 4.6), donde se conclui que a Fundação Edson Queiroz faz parte do Grupo Edson Queiroz; o a responsável pela contabilidade da Fundação Edson Queiroz, Sra Maria de Fátima Farias Santos Rebouças (responsável pelo preenchimento da DIPJ nos exercícios 2009 a 2011), não consta da folha de pagamentos nem da GFIP da Fundação, tendo sido localizada na GFIP da empresa Paragás Distribuidora Ltda, CNPJ 05.840.319/000149, empresa do Grupo Edson Queiroz; o a Fundação Edson Queiroz é exibida na rede mundial de computadores (www.edsonqueiroz.com.br) como integrante do referido grupo, onde consta que "as empresas do Grupo Edson Queiroz exercem sua prática de responsabilidade social através da Fundação Edson Queiroz"; • como imaginar uma entidade beneficente participando de um grupo econômico se ela não tem o lucro como um de seus objetivos? A única resposta possível é que não se trata de uma entidade beneficente, mas sim de uma empresa, com fins econômicos como qualquer outra; • não se afirma que as entidades beneficentes não possam ter lucros ou não devam se estruturar da maneira mais eficaz possível; • apenas se afiança que o lucro não deve ser um de seus objetivos fundamentais, mas apenas uma consequência de uma administração eficiente e que sua organização deve ser individualizada, sob risco de se confundirem os recursos, bens, patrimônios e receitas da entidade com os de outras empresas, dado que as empresas componentes de Grupos Econômicos comportamse como se fossem uma única empresa; • a participação da Fundação em grupo econômico constitui um impedimento ao gozo da imunidade durante todo o período entre os anos de 2008 a 2010 visto demonstrar claramente que, embora seu Estatuto Social afirme que a Fundação tem por objeto projetos assistenciais, seu verdadeiro e maior objetivo é o lucro, ferindo, pois, o disposto no art. 9°, IV, "c" Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN); • se a natureza jurídica de entidade beneficente impossibilita a configuração de grupo econômico, é o mesmo que dizer que, se uma instituição participa de grupo econômico, ela não será uma entidade beneficente; • também impossibilita a participação de entidade beneficente em grupo econômico a solidariedade das contribuições previdenciárias e dos débitos trabalhistas existente entre as empresas integrantes do grupo, pelo que poderia a Fundação responder por débitos de outras empresas, configurando distribuição de receitas. INVESTIMENTO EM BOLSA DE VALORES Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 11 10 • ao longo do período fiscalizado a Fundação Edson Queiroz aplicou recursos em bolsa de valores, mais especificadamente em ações da Petrobrás S/A, da Companhia Vale do Rio Doce S/A e da TAM S/A, alcançando os valores globais de R$ 24.630.943,86 em 2008, de R$ 0,00 em 2009 e de R$ 26.852.405,43 em 2010; • considerandose os valores acumulados alocados nessa modalidade de investimento, chegase ao resultado de R$ 128.696.234,97 em 21/12/2008, de R$ 128.696.234,97 em 31/12/2009 e de R$ 155.529.669,87 em 2010; • essa prática de investimento caracteriza a aplicação em objetivos distintos das finalidades institucionais de uma entidade beneficente, ferindo assim o disposto no art. 14, II da Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN), constituindo motivo para suspensão da imunidade quanto ao IRPJ e tributos reflexos durante todo o período entre os anos de 2008 a 2010; • tais recursos deveriam ser aplicados nas atividades educacionais ou assistenciais da Fundação, e não na ciranda financeira; • seria admissível a aplicação do numerário em renda fixa, por exemplo, ou em outro investimento com igual risco, mas não no mercado de ações em que os lucros podem ser bem maiores, mas os riscos de perdas também o são, percebendo se que a Fundação objetivou o acúmulo de capital, e não simplesmente a manutenção do valor real dos seus recursos, para posterior reaplicação em seus objetivos institucionais; • investimentos permanentes na Petrobrás, na Vale e na TAM caracterizam não somente a aplicação de recursos em atividades diversas de seus objetivos institucionais, mas também a constituição de patrimônio de terceiros, sem cunho beneficente, pois é inegável que tais empresas visam o lucro e que a aquisição de suas ações faz com que a Fundação Edson Queiroz passe a deter parte destas companhias e também vise o lucro, ferindo o disposto no art. 9°, IV, "c" do CTN, já que a imunidade somente deve ser conferida às instituições sem fins lucrativos. PROJETOS ASSISTENCIAIS • não se quer ignorar, ou pior, negar a importância da Fundação Edson Queiroz para a sociedade cearense, seja oferecendo educação de reconhecida qualidade, seja disponibilizando opções de lazer, gratuitamente ou não, tais como teatro, espetáculos musicais, mostras de arte, seja oferecendo atendimento médico, odontológico, jurídico, educacional ou desportivo à parcela mais carente de Fortaleza; • por outro lado, é também inegável se reconhecer que a atuação da Fundação em assistência, além do inegável caráter social e humano, denota um componente econômico embutido; • isso porque em todas as unidades nas quais são prestados serviços gratuitos à população são utilizadas pela Fundação para treinamento e capacitação de seus profissionais e para estágio de seus alunos; • a Escola de Aplicação Yolanda Queiroz é utilizada pelo curso de Pedagogia, o Núcleo de Atenção Médica Integrada utilizado pelos cursos do Centro de Ciências da Saúde e do Curso de Psicologia, o Núcleo de Aplicação em Tecnologia da Informação é utilizado pelo curso de Computação, o Escritório de Prática Jurídica pelo curso de Direito, a Clínica Integrada de Odontologia pelo curso Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 12 11 de odontologia e a Academia Unifor pelos cursos de educação física, fisioterapia, ciências da nutrição e terapia ocupacional; • assim, estes equipamentos representam muito mais uma economia com os custos de estágio, que deve ser obrigatoriamente oferecido pela instituição de ensino segundo exigência do Ministério da Educação MEC, do que atividade assistencial. Em 24/09/2012, conforme facultado pelo § 2°2 do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996 , a pessoa jurídica apresentou documento contendo as alegações e as provas entendidas como suficientes para elidir o que foi considerado pela fiscalização, fls. 359/587. A matéria foi submetida à apreciação do Sr. Delegado da DRF Fortaleza que, tendo por substrato a Informação Fiscal de fls. 589/605, emitiu o Despacho Decisório de fl. 606 considerando improcedentes as contrarrazões apresentadas pela defesa e determinando a expedição de Ato Declaratório suspensivo da imunidade do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e das contribuições sociais reflexas (CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), com efeitos nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010. Em conseqüência, foi editado o Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, fl. 607, suspendendo a imunidade tributária da Fundação Edson Queiroz em virtude de inobservância ao disposto nos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III da Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN), com efeitos para os anoscalendário 2008, 2009 e 2010. A ciência da Informação Fiscal, do Despacho Decisório e do Ato Declaratório deuse no dia 30/10/2012, fl. 609. Inconformado com o que foi deliberado, em 20/11/2012 a Fundação Edson Queiroz apresentou impugnação, fls. 612/625, conforme adiante reproduzido: VANTAGENS A EMPRESAS PERTENCENTES A SEUS DIRIGENTES BOLSAS DE ESTUDOS A EMPREGADOS A acusação de fornecimento de bolsas de estudos a empregados de empresas pertencentes a dirigentes da Fundação se mostra de todo infundada, uma vez que tal fato não caracteriza nenhuma vantagem às ditas empresas, dado que os beneficiários do fornecimento de bolsas de estudos são as pessoas físicas dos bolsistas e não as empresas e muito menos, seus dirigentes. Portanto, a acusação carece de fundamento fático e legal. Não procede também a conclusão do fisco de que o fornecimento de bolsas de estudo a funcionários do Grupo representa custo indireto suportado pela FEQ. Tal suposição é absolutamente fantasiosa e não passa de mera conjectura desprovida de qualquer fundamento legal. Não fosse assim, a visão do fiscal é estreita e distorcida, já que ele somente fala de bolsas conferidas a determinados grupos de pessoas que eventualmente fazem parte do Grupo Edson Queiroz, todavia, não menciona sequer uma vez as inúmeras bolsas de estudo conferidas a pessoas que nada tem a ver com o Grupo. Nesse sentido a auditoria fica completamente maculada pela parcialidade com que atuou o agente fiscal. 2 § 2° A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 13 12 Nesse passo é descabida a afirmação de que a Fundação teria distribuído parcela de seu patrimônio uma vez que ao fornecer bolsas de estudos, seja para funcionários do Grupo Edson Queiroz, seja para qualquer outra pessoa, a Instituição somente cumpre um de seus objetivos sociais, qual seja, o de "...elevar o nível cultural e educacional na área em que a Instituição venha a exercer as suas atividades." (cf. art. 1° da Escritura Pública de Constituição da Fundação Edson Queiroz). GASTOS COM EQUIPE DE FUTSAL No mesmo sentido, temse que a manutenção de time de futsal, ou outro de esporte qualquer, não representa afronta aos objetivos sociais da Instituição e nem tampouco ao artigo 14 do CTN. O fato de constar o nome da Nacional Gás juntamente com o da UNIFOR na camisa dos jogadores não representa descumprimento aos requisitos do mencionado artigo, uma vez que não há nesse comportamento descumprimento de atribuições estatutárias e nem tampouco distribuição de parcela do patrimônio. A acusação de que tal procedimento equivale à renúncia de receita também carece de prova, não passando de mera suposição, que não pode ser utilizada para a quebra da imunidade pretendida. Nesse diapasão, é bom deixar claro que a Fundação Edson Queiroz e as empresas do Grupo Edson Queiroz são administradas por pessoas diversas. A primeira, pelo Conselho Curador, e o segundo, por D. Yolanda Vidal Queiroz. E, em que pese o compartilhamento de espaços e eventualmente até mão de obra pela Fundação e algum funcionário do Grupo Edson Queiroz, isso não quer dizer que os objetivos da Fundação estejam sendo violados ou que ela vise o lucro. Ao contrário, o que há é uma racionalização na gerência e administração visando a economia de recursos. Por derradeiro, é bom não esquecer que a Fundação Edson Queiroz e o Grupo Edson Queiroz realmente estão intimamente ligados. Isto porque ambos foram concebidos e criados por Edson Queiroz, fato este que também não autoriza presumir, como faz várias vezes o Auditor Fiscal, que a Fundação tenha finalidade econômica e faça parte do Grupo empresarial Edson Queiroz. PUBLICIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE Como bem disse o Auditor Fiscal, não existe nos diplomas legais de regência, qualquer vedação aos gastos com publicidade. Assim, qualquer ilação, suposição ou presunção atinente à matéria não terá o condão de suspender a imunidade da Instituição. Ademais, não custa lembrar que a impugnante, mantenedora da UNIFOR UNIVERSIDADE DE FORTALEZA que vem a ser a única Universidade Particular do Estado, mantém em seu corpo discente cerca de 25.000 alunos, necessitando de publicidade para lá mantêlos e outros angariar, haja vista a grande e predadora concorrência, estabelecida por mais de 15 Faculdades particulares, que juntas não atingem o mesmo número de alunos da UNIFOR. Há de se destacar, necessariamente, que a publicidade combatida pela Fiscalização é essencial ao alcance dos objetivos da Fundação, uma vez que de cunho educacional, social, cultural, desportivo e científico. De fato, as mídias Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 14 13 impressas, televisivas e da Internet são meios extremamente eficazes de alcance de todas as camadas da sociedade. Assim, ao desenvolver a campanha publicitária "Doe de Coração" a Fundação não busca a captação de alunos, mas a conscientização de toda uma coletividade quanto à possibilidade de colaboração de cada indivíduo com a preservação da vida humana. Em outras palavras, seus esforços nesse segmento são voltados unicamente para a disseminação dos valores vida e solidariedade em cada cidadão. Do mesmo modo, quando a Fundação Edson Queiroz firma convênios com outras instituições e realiza a divulgação de eventos, tais como o Grand Prix Caixa/Unifor Internacional de Atletismo, ela divulga o esporte e este, é consagrado, não só no Brasil, mas em todo o mundo, como fator de desenvolvimento humano e social. Outro exemplo de publicidade não voltada estritamente para a divulgação dos cursos que oferece a toda a comunidade, é aquela que divulga os eventos culturais por ela promovidos, constantemente. Como atrair público para uma exposição de arte, gratuita, digase, sem utilizar veículos de grande alcance popular? Para isso, devese escolher veículos de grande audiência, do contrário, o conhecimento da realização do evento ficaria restrito àqueles cujo alcance aos meios tecnológicos é favorecido pelos recursos materiais. A TV Diário, por exemplo, é reconhecidamente um veículo de comunicação de grande alcance e com relevante audiência nas camadas sociais menos favorecidas, notadamente as chamadas classes C e D. Em sua programação estão incluídos programas de linguagem consideradas por muitos como "mais popular", mas também por programas regionais de elevado valor cultural, inclusive um telejornalismo de elevado nível. Portanto, quando a Fundação decide por veicular na TV Diário eventos culturais, esportivos e campanhas humanitárias o faz ciente de que o conteúdo de suas campanhas chegará a todos os lares, indistintamente. Ademais, ainda que divulgue seu calendário de matrículas e os cursos que oferta, é dever seu estimular a capacitação e formação educacional e científica, inclusive e principalmente dos cidadãos das classes C e D, como alicerce para o desenvolvimento da sociedade cearense. De outro lado, a forma como maneja os recursos da Fundação é de competência exclusiva do Conselho Curador. O fato de em um ano a Instituição gastar mais ou menos com publicidade ou fornecer mais ou menos bolsas de estudo é atribuição e decisão administrativa e gerencial, não importando tais decisões em motivação hábil e legal para a suspensão da imunidade. A fiscalização, mais uma vez, utiliza presunções, suposições e comparações não autorizadas por lei, com o único escopo de tentar cassar de forma ilegal a imunidade da Fundação Edson Queiroz. Quanto à afirmação de que "...é a Fundação que sustenta a Editora Verdes Mares e a TV Diário", não é verdade, eis ao verificar os balanços dos períodos em questão daquelas empresas, verseá que as mesmas auferem rendimentos de inúmeras fontes. Além do mais, nesse período, nenhum lucro ou dividendo foi distribuído aos sócios daquelas empresas, fato que por si só descaracteriza uma eventual tentativa de distribuição disfarçada do patrimônio da Fundação via de tais empresas, como foi aventado pela fiscalização, consoante se provou mediante a juntada dos balanços na Manifestação de Inconformidade apresentada em 24/09/2012. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 15 14 Relativamente à afirmação de que a Fundação teria pago valores maiores que a concorrência pela publicidade, temse que a FEQ não tem acesso a política de preços praticada pelas empresas que contrata, portanto, utiliza o bom senso e os referenciais de mercado para negociar seus contratos. Interessante notar, por final, que os anúncios são veiculados no Diário tendo em vista que aquele matutino é o mais lido no Estado, com alcance em todos os municípios e a constante publicidade é necessária para enfrentar a concorrência predatória que as demais faculdades fazem, baixando de forma irreal os preços, todavia, em contrapartida, oferecendo ensino de péssima qualidade. A UNIFOR, por outro lado, já se inseriu no Estado e no País e até no exterior como um referência no ensino superior. Vejase que a UNIFOR tem inúmeros convênios de cooperação e estudos firmados com universidades da Europa e dos Estados Unidos. Conforme anteriormente destacado, as exposições que realiza e patrocina trazem para o Ceará mostras de artistas mundialmente consagrados, o que denota uma inequívoca disposição de melhorar e lapidar o nível cultural da sociedade cearense. Nesse sentido, reiterase, para que tais eventos tenham permeabilidade é preciso divulgálos, e é isso exatamente que a FEQ faz via os meios de comunicação que elege. Ainda quanto à TV Diário, a Fundação Edson Queiroz sempre pagou o valor da tabela apresentado pela Televisão e desconhece a política de descontos utilizada por aquela empresa. PARTICIPAÇÃO EM GRUPO ECONÔMICO Como já se disse alhures, a Fundação Edson Queiroz e o Grupo Edson Queiroz, embora, são entes diversos e autônomos, estão umbilicalmente ligados, uma vez que o criador de um foi o fundador da outra. Ademais, tanto as empresas do Grupo Edson Queiroz, quanto a Fundação Edson Queiroz, têm a família Queiroz, como sócios e curadores e não poderia ser diferente. A afirmação de grupo econômico é absurda e fantasiosa, uma vez que é impossível dissociar a FEQ da família Queiroz, senão vejase. A afirmação de que a Fundação faz parte do Grupo Edson Queiroz é totalmente descabida uma vez que, não se vislumbra em todo o trabalho fiscal um indício sequer de que a/as empresa/s do Grupo Edson Queiroz estivessem unidas em torno de um propósito comum, promovendo uma cadeia de negócios formalmente lícitos, mas com intuito substancial de desviar patrimônio da Fundação Edson Queiroz. Ao contrário, o que se vê é a administração eficiente e individualizada tanto das empresas do Grupo quanto da Fundação Edson Queiroz. As empresas são dirigidas por Yolanda Queiroz e a FEQ por Airton Queiroz, como já demonstrado na Manifestação de Inconformidade apresentada em 24/09/2012. Tudo o mais são conjecturas infundadas e presunções não autorizadas uma vez que não existe nenhum normativo na legislação pátria que proíba que uma família institua e administre uma fundação e tenha também negócios outros no âmbito empresarial. INVESTIMENTO EM BOLSA DE VALORES Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 16 15 A autoridade fiscalizadora afirma que a Fundação vem efetuando aplicações de recursos em ações da Petrobrás S/A e da Vale do Rio Doce, o que caracterizaria um desvio de seus objetivos institucionais. Inicialmente, vale lembrar que tanto a doutrina quanto a jurisprudência administrativa e judicial são unânimes em entender que a aplicação de recursos financeiros mediante remuneração compatível com as taxas vigorantes no mercado, não implica concluir que a entidade esteja descumprindo a condição fixada na Lei que é: "aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais." Assim, o investimento das reservas da Entidade, seja em mercado de renda variável, renda fixa ou em qualquer outro tipo de investimento, visa, tão somente, preservar o patrimônio da Entidade, o que ao contrário do que foi dito pela autoridade recorrida, longe de ser infração é uma obrigação do gestor da Fundação. De outro lado, está pacificado o entendimento de que a Lei não estabelece prazo para que ocorra a aplicação dos recursos financeiros, até porque não teria sentido fixar tal exigência. Cada entidade é livre para julgar a oportunidade de realizar seus investimentos. O planejamento que vise a inversão de capital no desenvolvimento dos objetivos sociais pode ter como meta o longo prazo, e até que chegue a oportunidade de fazêlo, a instituição tem a liberdade de promover ou escolher a melhor forma de preservar suas disponibilidades. Cumpre consignar, por relevante, que o fato de determinada entidade ser classificada como de assistência social, filantrópica ou de educação, não implica, necessariamente, prestação de serviços gratuitos a todos quanto dela necessitem. Tal entendimento, segundo a mais abalizada doutrina, não encontra guarida nem no texto constitucional, nem nas regras jurídicas emanadas do Lei n°5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN). IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, em Parecer exarada a propósito de consulta formulada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, datado de 11 de dezembro de 2001, assim se manifestou sogre o assunto em foco: [...] A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais filiase à tese ora defendida. [...] No mesmo sentido, temos manifestações do Conselho de Contribuintes traduzidas nos Acórdãos n°s 10319.567, de 1998 e 103 23.066 de junho de 2007, "verbis": [...] Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 17 16 Por fim, vale notar que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.8023, cuja liminar foi por unanimidade concedida (DOUde 09/09/1998), assim se manifestou: [...] Dúvidas não restam, portanto, que o artigo 12 da lei ordinária n° 9.532/97 é inconstitucional, haja vista que a Constituição Federal ao mencionar a palavra lei, na alínea "c", do inc. VI, do art. 150 da CF/88, se referia a lei complementar e não lei ordinária. Portanto, o legislador fugiu de sua competência ao delimitar a aplicação da imunidade ali prevista. Esse entendimento já foi pacificado junto ao STF, no sentido de que a matéria de limitação constitucional ao poder de tributar caberá somente à Lei Complementar. Não fosse assim, a decisão contida na Medida Cautelar em epígrafe tem eficácia contra todos consoante disposto no artigo 11 da Lei 9.868/99. PROJETOS ASSISTENCIAIS O fato de a Fundação, que é a mantenedora da UNIFOR, utilizar as unidades nas quais são prestados serviços gratuitos à população para treinamento e estágios de alunos da UNIFOR em nada prejudica ou desnatura os objetivos de uma ou outra instituição. A capacitação e o treinamento de alunos da UNIFOR em unidades da Fundação traz benefícios à população, à UNIFOR, à sua mantenedora e aos alunos. Ademais, frisese que sua motivação é verdadeiramente de alcance social, porque os custos para oferecimento de estágio aos seus alunos em outras instituições, notadamente as de caráter público, são infinitamente menores. A manutenção de aparelhos como o NAMI, que prestam serviços à população mais carente, é por demais onerosa. Não há, portanto, que se falar em benefício próprio, o benefício é da sociedade. Nesse diapasão, não há nessa conduta, qualquer violação dos requisitos para fruição e gozo da imunidade tributária. CONCLUSÃO A fiscalização, nada obstante o hercúleo e bem elaborado trabalho, nada apontou de concreto que comprovasse a distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou das rendas da FEQ; a não aplicação no País os recursos por ela angariados na manutenção dos seus objetivos sociais ou a falta de escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão. Patinou a fiscalização apenas no campo da especulação, da suposição, da comparação e da presunção. Elementos estes não referendados pela legislação que rege a matéria, pelo que não podem ser utilizados em face da elevada dose de subjetividade suportada por aqueloutros elementos. Por isto mesmo a jurisprudência do CARF e a judicial são uníssonas ao entender que "A prova do desvio na aplicação de recursos de instituição a justificar a suspensão da imunidade tributária, deve ser evidente e cabal. Pequenas Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 18 17 irregularidades formais, não são capazes de desnaturar a sua condição. "(ac. 103 23.066 Conselho de Contribuintes). Insubsistem, desse modo, os alegados descumprimentos aos incisos I, II e III do artigo 14 e do art. 9°, IV, "c", ambos do CTN, uma vez que a impugnante não distribuiu qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, nem tampouco aplicou recursos em objetivos diversos dos das suas finalidades institucionais. Como visto, é transparente que a Fundação Edson Queiroz segue rigorosamente os ditames aos quais está subordinada, cumprindo de forma eficiente e altiva os objetivos para os quais foi constituída. E mais, ao contrário do que a SRFB deseja fazer ver por meio de ilações das mais diversas matizes só vem a comprovar que a Fundação Edson Queiroz jamais descumpriu os incisos I e II do Art. 14 da Lei 5.172/66, senão vejase. DO PEDIDO Face ao exposto, requerse o cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, com a manutenção do benefício fiscal da imunidade nos anos de 2008, 2009 e 2010. É o que se tem a relatar. A DRJ manteve a suspensão da imunidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. FISCALIZAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Representa desatendimento aos requisitos necessários ao gozo da imunidade destinada às instituições de educação e de assistência social a constatação de que a beneficiária adotou as condutas a seguir elencadas: o oferecimento de publicidade em equipe esportiva da entidade para empresa do mesmo grupo econômico, sem a devida cobrança pelo serviço prestado; a concessão pela entidade de bolsas de estudo a empregados das empresas que compõem o grupo econômico em que se encontra inserida, sem qualquer contrapartida por parte das empregadoras; a aplicação de recursos no mercado de ações, ato incompatível com a manutenção dos objetivos institucionais; o pagamento de anúncios publicitários em empresas pertencentes ao grupo econômico de seus dirigentes em valores superiores aos preços praticados para os demais anunciantes; e a participação da interessada em grupo econômico com fins lucrativos. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação na parte mantida, aduzindo em síntese: a Interessada nega qualquer favorecimento da Fundação para as empresas do grupo; Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 19 18 o oferecimento de bolsas de estudo a quaisquer beneficiários se enquadra em seu objetivo social; a simples aposição do nome de empresa do grupo nas camisas da equipe de futsal da UNIFOR não caracteriza descumprimento de atribuição estatutária; inexiste a apontada interrelação do Grupo Edson Queiroz com a Fundação, os quais são dirigidos por pessoas distintas, como nomeia; eventual utilização conjunta de instalações e mão de obra, não autoriza a se concluir que estejam sendo violados os objetivos da Fiscalizada, ou que ela vise lucro, pois tal fato representa racionalização na gerência e administração visando a economia de recursos; não há vedação legal aos gastos com publicidade, cabendo ao Conselho Curador da Fundação decidir a forma como maneja os seus recursos; as ilações ou suposições do autor do feito a esse respeito não se prestam a suspender a imunidade da Instituição; as referidas despesas se justificam para a manutenção e atração de novos alunos para a Universidade, diante da grande concorrência no mercado; não é verdadeira a afirmação do autor do feito, de que o jornal Diário do Nordeste (Editora Verdes Mares) e a TV Diário são sustentados pelas receitas oriundas da Fundação, pois têm eles inúmeras outras fontes de rendimentos, conforme os respectivos balanços; tampouco, no período em questão, foi distribuído qualquer lucro ou dividendo aos sócios das citadas empresas, fato que descaracteriza eventual tentativa de distribuição do patrimônio da Fundação; acerca do tratamento desvantajoso apontado pela Fiscalização, afirma que não tem acesso à política de preços praticada pelas empresas que contrata, utilizando o bom senso e os referenciais de mercado para negociar seus contratos; anuncia no Diário do Nordeste por ser o jornal mais lido no Estado, e a constante publicidade é necessária para enfrentar a concorrência observada no setor em que atua e divulgar os importantes eventos culturais que promove; quanto à TV Diário, a FEQ sempre pagou o valor da tabela apresentado pela emissora, desconhecendo a política de descontos por ela utilizada para os demais anunciantes. É o relatório. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 20 19 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de recurso voluntário, envolvendo a suspensão da imunidade/isenção da entidade recorrente. A questão posta em debate diz respeito à Fundação Edson Queiroz, pessoa jurídica de direito privado considerada imune por se tratar de instituição de educação sem fins lucrativos (art. 150, inc. VI, "c" da Constituição Federal) que teria, em razão da prática de diversos atos que lhe foram imputados, infringido as disposições dos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III da Lei n° 5.172, de 1966, o Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzidos, o que teve por conseqüência a suspensão do benefício fiscal considerado: CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre: [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem _fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; [...] CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art. 9°É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV cobrar imposto sobre: [...] c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo. [...] Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 21 20 I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. [destaques acrescidos] A imunidade tributária corresponde a uma expressa vedação constitucional determinando que a norma tributária não incida sobre um determinado fato ou uma especificada situação em relação aos quais, não fora o comando constitucional, normalmente incidiria, não se confundindo com a não incidência, menos ainda com a isenção. PREJUDICIAL DE MÉRITO (MANDADO DE SEGURANÇA) Alegou a Recorrente que o Auditor Fiscal não teria observado que a Entidade é detentora de decisão judicial transitada em julgado, reconhecendo o benefício fiscal de que se cuida, condicionada apenas ao cumprimento do inciso I, do art. 14, do CTN, o que comprometeria os pressupostos do raciocínio fiscal sob análise (na verdade, a dita condição alcança todo o art. 14, do CTN, conforme petição inicial da referida ação, constante das fls. 547/574). Porém, conforme muito bem observado pela decisão de piso, a matéria tratada no Mandado de Segurança n° 99.00096231, objeto da citada ação, diz respeito à imunidade das contribuições previdenciárias previstas no art. 22, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 2001, cuja decisão judicial transitada em julgado afastou a aplicação do disposto no art. 55 desta Lei, e de suas alterações introduzidas pela Lei n° 9.732, de 1998, assegurando a fruição do benefício com base apenas na observância do disposto no art. 14, do CTN, enquanto que os presentes autos cuidam de imunidade do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e tributação reflexa, nos anoscalendário de 2008 a 2010, restando, portanto, patente se tratarem de matérias distintas. Fatos Apontados na Autuação como Prejudiciais à Fruição da Imunidade/Isenção No mérito, a autuação se baseia em 2(dois) pressupostos básicos e seus desdobramentos para descaracterizar a imunidade da Recorrente: 1) A Fundação Edson Queiroz participa de grupo econômico de fato e regular o Grupo Edson Queiroz cujo objetivo é o lucro, contrariando o estatuto social da Entidade, ou seja, todo o contexto indica que a entidade não atenderia o primeiro requisito básico, que seria não possuir fins lucrativos. Esse pressuposto básico não atendido já de pronto seria suficiente para ensejar a descaracterização da entididade sem fins lucrativos; 2) Afora o desatendimento de critério básico referido no item anterior, a Recorrente descumpriu também os requisitos postos em lei para fruição dos benefícios fiscais aplicáveis às entidades imunes e que ensejaria também a suspensão da imunidade. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 22 21 Ou seja, ofereceu, no período considerado, vantagens indiretas a seus dirigentes, por meio de empresas a eles pertencentes, componentes do Grupo Edson Queiroz, consubstanciadas nos seguintes fatos descritos na Notificação sob análise e que estariam também umbilicalmente ligados ao item 1 acima retratado: 2.1 A Fundação Edson Queiroz ofereceu vantagens a empresas pertencentes a seus dirigentes, através de oferta de bolsas de estudo a empregados de empresas componentes do Grupo Edson Queiroz, conforme detalha; ao conceder as referidas bolsas, a Interessada distribuiu parcelas de seu patrimônio e/ou renda, além de aplicar recursos em atividades distintas de seus objetivos institucionais, ferindo o disposto nos incisos I e II, do Art. 14, do CTN. 2.2 A Fundação Edson Queiroz ofereceu vantagens a empresas pertencentes a seus dirigentes, através de gastos com equipe feminina de futebol de salão (futsal), por meio da qual divulga gratuitamente, sob a forma de publicidade, a empresa NACIONAL GÁS BUTANO, componente do grupo econômico por eles controlado; os referidos gastos se referem ao pagamento de ajuda de custos às atletas que compõem a equipe e de despesas com a sua manutenção, como de viagens, entre outras, além de bolsas de estudos gozadas pelas atletas; 2.3) A Fundação Edson Queiroz ofereceu vantagens a empresas pertencentes a seus dirigentes, através de gastos com publicidade realizados exclusivamente em veículos de comunicação componentes do Grupo Edson Queiroz (Editora Verdes Mares Ltda, TV Diário Ltda, Rádio Verdes Mares Ltda e Televisão Verdes Mares Ltda); 2.4) A Fundação Edson Queiroz ofereceu vantagens a empresa pertencente a seus dirigentes, através de pagamentos com publicidade realizados em desvantagem em relação aos demais anunciantes de veículo de comunicação componente do Grupo Edson Queiroz; 2.5) A Fundação Edson Queiroz, durante o período sob auditoria, vem repetindo a prática, já observada em períodos anteriores, de efetuar aplicações no mercado de ações, investindo elevados recursos em companhias abertas, como a Petrobrás S/A, a Cia Vale do Rio Doce e a TAM S/A (chegando a um saldo de cerca de R$ 155 milhões em 2010); Tratandose a Fundação Edson Queiroz de uma instituição de ensino cuja imunidade foi suspensa pela DRF Fortaleza, há que se perquirir se existem nos autos elementos suficientes para comprovar que a pessoa jurídica canalizou seus recursos para propósitos diversos de suas finalidades essenciais, como apregoado pela fiscalização, ou, ao contrário, os argumentos apresentados pela Recorrente elidiriam essa infração. Passemos, então, a análise de cada um dos fundamentos da autuação, 1) A Fundação Edson Queiroz participa de grupo econômico de fato e regular Ao afirmar que os fatos apurados configuram o oferecimento de vantagens aos dirigentes da Fundação, o autuante tomou o cuidado primeiro de bem contextualizar a acusação fiscal, demonstrando a estreita interrelação existente entre a Entidade fiscalizada e as empresas que compõem o Grupo Edson Queiroz, não só na questão das pessoas que participam da direção de ambos todas componentes do grupo familiar como no entrelaçamento das Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 23 22 atividades por eles exercidas, inclusive com o concurso de empregados comuns, fartamente documentado nos autos pelo fiscal, como se resume a seguir a partir da decisão DRJ: • centralização na sede do Grupo Edson Queiroz de grande parte da logística de todas as empresas que o compõem, incluindo a Fundação (contabilidade, setores financeiro e jurídico); • identificação de funcionários que trabalham indistintamente em várias empresas do Grupo Edson Queiroz, inclusive para a Fundação (especialmente nos setores jurídico e de contabilidade); • unidade de comando pois os termos das diligências realizadas em diversas empresas do Grupo Edson Queiroz foram assinados pelo mesmo procurador da Fundação; • participação dos responsáveis pela Fundação na composição societária das diversas empresas do Grupo Edson Queiroz, como especificado; • existência de convênios para a prestação de serviços de saúde destinados aos funcionários, firmados conjuntamente pela Fundação e empresas do Grupo Edson Queiroz, assim como de convênios entre a Fundação e as demais empresas do Grupo Edson Queiroz para intermediar a venda de seus produtos para funcionários da Fundação; • a responsável pela contabilidade da Fundação é funcionária da Paragás Distribuidora Ltda, empresa pertencente ao Grupo Edson Queiroz; • a Fundação Edson Queiroz é exibida ao público no sítio do Grupo Edson Queiroz na rede mundial de computadores como parte integrante do grupo, tendo sido acrescido ainda que no citado sítio consta que “as empresas do Grupo Edson Queiroz exercem sua prática de responsabilidade social através da Fundação Edson Queiroz”. No entender do fiscal aqui se configuraria perfeitamente uma relação entre as empresas do grupo, sem, contudo, que seja possível identificar a existência de uma empresa líder, tratandose do chamado grupo econômico por coordenação, tese abraçada pelo TST e pelo STJ. Como corolário dessas constatações, o Auditor Fiscal, o fiscal lança a indagação se é possível que uma entidade sem fins lucrativos possa compor um grupo econômico que visa tão somente o lucro, para então concluir que a participação da Fundação em grupo econômico constitui um impedimento ao gozo da imunidade concernente ao IRPJ e às contribuições sociais, pois resta comprovado que o seu verdadeiro objetivo é, ao contrário do que prescreve o seu Estatuto Social, o auferimento de lucro, afrontando o disposto no art. 9°, inciso IV, alínea "c", do CTN, e determinando a suspensão do benefício fiscal destinado apenas às entidades sem fins lucrativos. Assim, por exemplo, ao oferecer bolsas de estudos aos funcionários e dependentes das empresas do aludido grupo empresarial, fato não contestado pela Interessada, a Fundação extrapola o seu objetivo social, pois é inegável que a sua atuação não pode ser direcionada a beneficiar determinados grupos de pessoas, apenas por estarem vinculadas às empresas controladas por seus dirigentes; tais benefícios configuram salário indireto dos funcionários, ônus esse, que passa a ser indevidamente arcado pela Entidade, e caracteriza, sim, distribuição indireta de resultado aos seus dirigentes que, como sócios e/ou acionistas daquelas Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 24 23 empresas, se beneficiam de seus resultados incrementados pelo custo suportado indevidamente pela Fundação. 2.1. VANTAGENS A EMPRESAS PERTENCENTES A SEUS DIRIGENTES BOLSAS DE ESTUDOS A EMPREGADOS Segundo a Fiscalização, a Fundação Edson Queiroz teria concedido bolsas de estudo a empregados de empresas do Grupo Edson Queiroz, favorecendo injustificadamente tais empresas por se eximirem do ônus financeiro que normalmente lhes seria exigível, abdicando indevidamente de parcela normalmente cobrada das pessoas jurídicas em geral, o que significaria uma forma indireta de desvio de recursos para o patrimônio das pessoas jurídicas do grupo. A Recorrente, por sua vez se defende dessa acusação alegando que o fato relatado pela fiscalização não caracteriza nenhuma vantagem às ditas empresas, configurando distribuição de seu patrimônio, dado que os beneficiários do fornecimento de bolsas de estudos são as pessoas físicas dos bolsistas e não as empresas e, muito menos, os seus dirigentes. Aduziu, por fim, que ao fornecer bolsas de estudos, seja para funcionários do Grupo Edson Queiroz, seja para qualquer outra pessoa, a Instituição somente cumpriria com um de seus objetivos sociais, previsto no art. 1o de sua Escritura Pública de Constituição, qual seja, o de "elevar o nível cultural e educacional na área em que a Instituição venha a exercer as suas atividades". Falaciosa a sua argumentação, pois ao oferecer bolsas de estudos aos funcionários e dependentes das empresas do aludido grupo empresarial, fato não contestado por ela, a Fundação extrapola o seu objetivo social, pois não há dúvidas que a sua atuação não pode ser direcionada a beneficiar determinados grupos de pessoas sem critério objetivo algum, como foi o caso. Nesse contexto, como as bolsas por estarem vinculadas às empresas controladas por seus dirigentes; tais benefícios configuram salário indireto dos funcionários, ônus esse, que passa a ser indevidamente arcado pela Entidade, e caracteriza, sim, distribuição indireta de resultado aos seus dirigentes que, como sócios e/ou acionistas daquelas empresas, se beneficiam de seus resultados incrementados pelo custo suportado indevidamente pela Fundação. Outrossim, como bem colocou a fiscalização, caindo por terra também a sua alegação recursal de que a DRJ teria inovado nesse fundamento: Ademais, a Fundação não tem motivo nenhum para beneficiar um funcionário que não é seu. mas de uma outra empresa do mesmo grupo econômico, demonstrando claramente que o real beneficiário não é o funcionário, mas a empresa para o qual este trabalha. Se não fosse assim, qualquer interessado em obter uma bolsa de estudos na Fundação teria a mesma chance que um funcionário de empresas do grupo, o que não se observa na prática, tendo em vista que as bolsas concedidas a pessoas que não são funcionários da Fundação ou de outras empresas do grupo somente acontecem mediante os chamados descontos comerciais ou àquelas pessoas participantes do PROUNI. 16. Desta forma, podese aferir que as empresas do Grupo Edson Queiroz foram beneficiadas com o fornecimento de bolsas pela Fundação Edson Queiroz em Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 25 24 R$ 909.432.72 (novecentos e nove mil. quatrocentos e trinta e dois reais e setenta e dois centavos). Portanto, considero injustificado o favorecimento e caracteriza, sim, salários indiretos pagos aos empregados das empresas do grupo, efetuado com a utilização de recursos da Fundação impropriamente direcionados para a cobertura de custos das empresas vinculadas aos dirigentes da entidade. 2.2 A Fundação Edson Queiroz ofereceu vantagens a empresas pertencentes a seus dirigentes, através de gastos com equipe feminina de futebol de salão (futsal), NACIONAL GÁS BUTANO Conforme bem ressaltou a fiscalização: Outro ponto importante é que a publicidade da Nacional Gás na equipe de futsal da Fundação Edson Queiroz é gratuita. Todos os gastos na manutenção da equipe (ajuda de custo, bolsas de estudo e despesas de viagem) foram realizados pela Fundação, não havendo qualquer repasse, ressarcimento, reembolso ou pagamento pela Nacional Gás, direta ou indiretamente, à Fundação, consoante reconhece a própria Nacional Gás no documento em anexo "Item 22 Resposta TIF". Ora. a publicidade a título gratuito constitui inegavelmente distribuição de receitas e/ou patrimônio da Fundação Portanto essa questão envolvendo a equipe esportiva da UNIFOR,/NACIONAL GÁS BUTANO que estampa em seus uniformes, sem ônus para os beneficiários(outras empresas do grupo), publicidade de empresa do Grupo Edson Queiroz, caracteriza, por um lado, uma clara renúncia de receita da Fundação, em detrimento de seus resultados sociais e, por outro, uma vantagem do anunciante que economiza a despesa de publicidade, aumenta o lucro no período e favorece os seus sócios pela disponibilização da correspondente renda adicional, fato que igualmente configura distribuição indireta de resultado da Entidade. A Recorrente alega em sua defesa o fato de a Fundação manter uma equipe de futsal não constitui qualquer impedimento para o gozo de imunidade, ao contrário, tratase de uma atividade normalmente desempenhada por instituições de ensino, beneficentes ou não. E que o oferecimento de ajuda de custo e de bolsas de estudo para as atletas também não pode ser considerado como restrição ao gozo da imunidade. O problema maior não é nem as estampas da UNIFOR que aparecem em menor destaque, mas sim o nome de outra empresa do grupo, pois na verdade, a equipe de futsal da Fundação é chamada de NACIONAL GÁS UNIFOR. Conforme descrito no TVF: "(...) o uniforme da equipe traz o logo da Nacional Gás em destaque maior do que o da Unifor e suas cores não são o azul e branco da Unifor. mas o vermelho, azul e branco, da Nacional Gás. Nos sítios oficiais dos campeonatos dos quais a equipe participa, não se vê em lugar nenhum o logotipo da Unifor. mas sim da Nacional Gás (documentos em anexo "Item 20 Equipe Futsal Símbolos". "Item 20 Equipe Futsal Notícias"). A equipe é conhecida por Nacional Gás. e não por Unifor. De tudo isso. analisando Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 26 25 quaisquer dos símbolos da equipe, identificase com muito mais clareza e facilidade a Nacional Gás do que a própria Unifor (Fundação). Registrese que a Nacional Gás compõe o Grupo Edson Queiroz, mesmo grupo econômico da Fundação. 21. Desta forma, percebese que a equipe de futsal é utilizada muito mais como um instrumento de publicidade da Nacional Gás do que para prática desportiva pelos alunos da fundação, ferindo assim seus princípios institucionais que deveriam ser educação e ensino, e não publicidade. Como reforço, percebese que as atletas não são selecionadas entre as alunas, a maioria é selecionada como atleta, para depois ser oferecida bolsa de estudo e assim compor o corpo discente da Unifor, ou seja. a equipe de futsal são surgiu naturalmente entre as alunas da Fundação, mas foi artificialmente criada como um instrumento de promoção da Nacional Gás. Esta afirmação é decorrente do fato de que as atletas sempre foram bolsistas da Unifor, desde seu ingresso na universidade. Gastando em torno de R$ 100 mil por ano com a equipe esportiva, a Fundação com uma administração eficiente, como diz que tem, e que tenha seu procedimento voltado para o atendimento das finalidades institucionais da entidade, deveria cobrar algum valor do anunciante, mas não o fez. Neste contexto, apesar de não se tratar de uma quantia de grande monta, tendo em vista o porte da Fundação, porém em conjunto com os outros descumprimentos, entendo haver sido demonstrada adequadamente a existência de injustificada renúncia de recurso da instituição em favor de empresa vinculada aos dirigentes da Recorrente, desatendendo também a condição estabelecida nos incisos I e II do art. 14 do CTN. 2.3 INVESTIMENTO EM BOLSA DE VALORES Conforme relatado pela fiscalização, a Fundação Edson Queiroz aplicou recursos na bolsa de valores, em ações da Petrobrás S/A, da Companhia Vale do Rio Doce S/A e da TAM S/A (lançamentos contábeis efetuados na conta contábil 13210009 Custo de Aquisição dos Investimentos). Os valores aplicados pela Fundação em cada exercício foram bastante significativos, de R$ 24.630.943,86. em 2008. R$ 0.00 em 2009. R$ 26.852.405.43 em 2010. Esses são os valores de novas ações adquiridas no período. Contudo, se contarmos os valores totais de recursos investidos em ações, temse que no final de cada um dos exercícios, a Fundação mantinha em ações destas empresas, os seguintes montantes: 31/12/2008, R$ 128.696.234.97; 31/12/2009. R$ 128.696.234,97; e 31/12/2010, R$ 155.529.669.87. Ora, é claro que a manutenção de recursos da Fundação Edson Queiroz em operações de renda variáveis com alto risco de perda (ações), em montantes bastante expressivos, caracteriza a aplicação em objetivos distintos das finalidades institucionais de uma entidade beneficente, ferindo assim o disposto no art. 14. II do CTN. constituindo motivo bastante suficiente para suspensão da imunidade. Tais recursos deveriam ser aplicados nas atividades educacionais ou assistenciais da Fundação, e não mercado financeiro. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 27 26 É claro que a Fundação nem sempre consegue reaplicar o total de seu resultado positivo em suas atividades institucionais dada a magnitude deste resultado e tal "sobra" de caixa não pode ficar parado sem rendimentos. Assim seria perfeitamente admissível que este resultado positivo fosse aplicado em algum investimento que desse um bom retomo, mas sem nenhum risco de perda, como é o caso das aplicações de renda fixa, por exemplo, ou em outro investimento que não oferecesse risco. Entretanto, ao optar por investimentos que podem por um lado lhe dá um maior retorno financeiro em detrimento da segurança, revela mais uma vez que a fundação inserida umbilicalmente no grupo econômico visa de forma mais relevante o auferimento de lucro e o acúmulo de capital, e não simplesmente a manutenção do valor real dos seus recursos, para posterior reaplicação em seus objetivos institucionais. A doutrina é uníssima em revelar que em relação ã aplicação dos recursos auferidos, que o investimento deve ser em aplicações financeiras nas quais não seja caracterizado o risco elevado para não prejudicar o reconhecimento da condição de entidade sem fins lucrativos e desde que, os resultados obtidos sejam integralmente aproveitados em benefício da própria instituição. É também nessa linha de entendimento que o STF tem caminhado, mas não a ponto de amparar o caso concreto que se distingue do caso analisado pelo STF pelo fato de lá não se tratar de aplicações financeiras de risco como é o caso das aplicações em rendas variáveis no mercado acionário. Segundo a DIPJ da Fundação, esta recebeu a título de Juros de Capital Próprio e dividendos decorrentes da titularidade de ações de outras empresas os seguintes valores: Ano Dividendos JCP 2008 387.976,25' 3.525.564,90 2009 4.136.748,56 4.658.414,78 2010 877 452,96 5.468.095,63 Portanto, nesse contexto ferese novamente o disposto no art. 9o, IV. "c" do CTN, uma vez que a imunidade somente deve ser conferida às instituições SEM FINS LUCRATIVOS. Porém, relva ressaltar, em consonância com o art. 63, § 8º do RICARF, consigo que fui vencido pela maioria do colegiado quanto à esse fundamento, tendo a maioria do colegiado votado pelas conclusões em função apenas de entenderem que a aplicação em renda variável por entidade sem fins lucrativos por si só não seria suficiente para manter a suspensão da imunidade. 2.4) EXCESSIVOS GASTOS PUBLICITÁRIOS EM EMPRESAS DO GRUPO EDSON QUEIROZ, PAGOS EM CONDIÇÕES DESVANTAJOSAS Os dispêndios com publicidade em empresas do ramo das comunicações pertencentes ao Grupo Edson Queiroz foram considerados pelo fisco como desproporcionais, propositadamente voltados para a finalidade de distribuir indiretamente lucro da Fundação para as empresas do grupo, associado a isso ainda o fato de que os pagamentos foram efetivados em condição desvantajosa, relativamente aos demais anunciantes em geral. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 28 27 O autuante apresentou essa questão por três prismas: o excesso de dispêndios, se comparados com os gastos de empresas concorrentes no mercado do ensino superior, todas elas com fins lucrativos e oneradas pela tributação que a Interessada não suportou no período, em razão da imunidade ora sob questionamento; o direcionamento dos anúncios exclusivamente para os veículos de comunicação pertencentes ao Grupo Edson Queiroz; a constatação de pagamentos com publicidade realizados em desvantagem em relação aos demais anunciantes da TV Diário. Quanto ao montante, o autuante trouxe à baila diversos demonstrativos buscando comprovar numericamente que, também sob esse aspecto, o modus operandis da Entidade contraria os seus objetivos sociais, por destinar valores excessivamente altos para anúncios publicitários veiculados sempre em empresas do grupo empresarial a que se acha ligada. A utilização de dados comparativos contidos na Notificação (evolução histórica dos gastos em questão, a sua relação com o montante do lucro real, da receita bruta e do IRPJ que deixou de ser recolhido no período por conta do benefício fiscal, e, ainda, o confronto desses dados com os gastos de outras empresas de educação congêneres teve o objetivo de bem contextualizar as conclusões a que chegou a autoridade fiscal. De fato, a meu ver esse tópico é o de todos os descumprimentos o que a meu ver mais depõe contra a Recorrente, seja pela excessividade dos gastos com publicidade, sejam em valores absolutos ou relativos (comparados com a concorrência); seja pelo suspeito direcionamento dos recursos tão somente para empresas do Grupo Edson Queiroz, influindo diretamente no resultado dessa pessoas jurídicas e, por fim, seja pela desproporcionalidade demonstrada pelo fiscal quanto a maior onerosidade dos valores cobrados da Fundação, quando comparados àqueles exigidos das demais empresas. O apontado excesso nas despesas em questão levou o autuante a tecer as seguintes considerações e assim concluir que as duas empresas de comunicação do Grupo são sustentadas pela Fundação: Demonstrouse que, embora se declare uma fundação sem fins lucrativos, a Fundação Edson Queiroz gastou em publicidade no jornal Diário do Nordeste e na TV Diário mais que qualquer outra empresa com fins lucrativos. Mas o fato não é apenas que a Fundação dispenda mais que qualquer outro anunciante, o fato é que a Fundação gasta em anúncios muito mais que qualquer outro cliente. Para se ter idéia, para se chegar ao valor gasto pela Fundação na Editora Verdes Mares, é preciso se somar os três maiores anunciantes depois dela. No caso da TV Diário, é necessário se somar os seis maiores anunciantes depois da Fundação. Ou seja, é a Fundação que sustenta a Editora Verdes Mares e a TV Diário, repassandoas parte de suas receitas, incorrendo nas vedações expressas no art. 14, I e II do CTN durante todo o período entre os anos de 2008 e 2010, constituindo motivo para a suspensão da imunidade quanto ao IRPJ e tributos reflexos Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 29 28 Nesse contexto ao realizar esses gastos da forma como foi feito só demonstra a clara intenção da fundação em distribuir seus resultados positivos a outras empresas do mesmo grupo econômico de forma disfarçada e infringindo, portanto, o inc. II do art. 14 do Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN). E essa conclusão final se acha perfeitamente demonstrada também pelo voto irreparável da decisão de piso que não foi de forma alguma infirmado pela Recorrente, razão pela qual adoto seus fundamentos como razão adicional de decidir: (...)Aquiesceu a fiscalização inexistir na legislação norma a vedar a efetivação de gastos com publicidade por parte das instituições imunes, o que não impede que o caso concreto seja posto na berlinda, feitas as comparações e digressões que se mostrarem necessárias ao esclarecimento dos fatos, tendo sido destacados os seguintes aspectos: gastos com publicidade da Fundação R$ 13,19 milhões em 2008; R$ 12,67 milhões em 2009; R$ 14,48 milhões em 2010; variação de 3,53% de 2008 para 2009 e de 14,26% de 2009 para 2010; bolsas de estudo concedidas pela Fundação R$ 6,10 milhões em 2008; R$ 5,75 milhões em 2009; e R$ 5,81 milhões em 2010; variação de 6,09% de 2008 para 2009 e de 1,12% de 2009 para 2010; e lucro real da Fundação R$ 216.642,74 milhões em 2008; R$ 212.851,01 em 2009; R$ 227.872,95 em 2010; variação de 1,75% de 2008 para 2009 e de 7,06% de 2009 para 2010. O demonstrativo que se segue relaciona os três fatores considerados pela fiscalização: Publicidade Bolsas de Estudo Lucro Real Ano R$ (%) R$ (%) R$ (%) 2008 13.139.967,90 6.103.105,18 216.642.745,99 2009 12.675.690,28 3,53 5.752.526,91 5,74 212.851.018,32 1,75 2010 14.483.165,55 14,26 5.816.681,76 1,12 227.872.950,26 7,06 No entendimento do responsável pelo procedimento, o lucro apurado pela instituição não foi revertido em gratuidades, fim precípuo da Fundação, mas em gastos com publicidade, conclusão corroborada pelo fato de as variações dos gastos publicitários haverem sido mais expressivos do que os educacionais, demonstrando claramente que a prioridade da entidade não seria a prestação de serviços educacionais, mas o lucro e a sua posterior distribuição para as empresas do grupo em que se acha inserida. Objetivando demonstrar o afirmado, elaborou demonstrativo contendo os dispêndios da Fundação com publicidade, por ano e por veículo de comunicação participante do Grupo Edson Queiroz: Empresas Grupo EQ AnoCalendário 2008 AnoCalendário 2009 AnoCalendário 2010 Editora Verdes Mares 3.310.684,38 3.678.303,63 4.450.304,00 Rádio Verdes Mares 598.942,50 614.015,00 636.230,00 TV Verdes Mares 4.406.762,37 4.279.751,65 5.145.914,55 TV Diário 4.823.578,65 4.103.620,00 4.250.717,00 Totais 13.139.967,90 12.675.690,28 14.483.165,55 Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 30 29 Na visão do AFRFB, ao assim proceder a Fundação "teve por objetivo distribuir seus resultados positivos a outras empresas do mesmo grupo econômico, disfarçada sob a aparente inocência de gastos com publicidade", que "Se o interesse da Fundação fosse apenas em publicidade para divulgar suas atividades assistenciais e sua marca, ela realizaria publicidade em diversos veículos de comunicação, e de forma mais pulverizada, afim de alcançar o maior e mais variado público possível, e não apenas naqueles veículos de comunicação do mesmo grupo econômico". A defendente, por seu lado, destacou ser a mantenedora da UNIFOR, única Universidade particular do Estado do Ceará, contando com cerca de 25.000 (vinte e cinco mil) alunos, "necessitando de publicidade para lá mantêlos e outros angariar, haja vista a grande e predadora concorrência, estabelecida por mais de 15 Faculdades particulares, que juntas não atingem o mesmo número de alunos da UNIFOR", que a publicidade é "essencial ao alcance dos objetivos da Fundação, uma vez que de cunho educacional, social, cultural, desportivo e científico", que ao desenvolver campanhas publicitárias do tipo "doe de coração a Fundação não busca a captação de alunos, mas a conscientização de toda uma coletividade quanto à possibilidade de colaboração de cada indivíduo com a preservação da vida humana", que "seus esforços nesse segmento são voltados unicamente para a disseminação dos valores vida e solidariedade em cada cidadão", procedimentos para os quais deve "escolher veículos de grande audiência, do contrário, o conhecimento da realização do evento ficaria restrito àqueles cujo alcance aos meios tecnológicos é favorecido pelos recursos materiais" exemplificando, para tanto, a TV Diário por ser "um veículo de comunicação de grande alcance e com relevante audiência nas camadas sociais menos favorecidas, notadamente as chamadas classes C e D". Fez constar ainda que "Quanto à afirmação de que '...é a Fundação que sustenta a Editora Verdes Mares e a TV Diário', não é verdade, eis ao verificar os balanços dos períodos em questão daquelas empresas, verseá que as mesmas auferem rendimentos de inúmeras fontes" e que "nesse período, nenhum lucro ou dividendo foi distribuído aos sócios daquelas empresas, fato que por si só descaracteriza uma eventual tentativa de distribuição disfarçada do patrimônio da Fundação via de tais empresas, como foi aventado pela fiscalização, consoante se provou mediante a juntada dos balanços na Manifestação de Inconformidade apresentada em 24/09/2012". A fiscalização afiançou ainda que a Fundação teria pago valores maiores do que a concorrência em publicidade, argumento que foi rechaçado pela defesa sob a alegação de que "a FEQ não tem acesso a política de preços praticada pelas empresas que contrata, portanto, utiliza o bom senso e os referenciais de mercado para negociar seus contratos". Em síntese, quanto aos gastos com publicidade, os pontos mais relevantes considerados pela fiscalização podem ser assim sintetizados: excesso de dispêndios comparativamente com os gastos de publicidade das concorrentes no mercado de ensino, empresas com fins lucrativos, oneradas por tributação não suportada pela impugnante; Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 31 30 direcionamento dos anúncios exclusivamente para veículos de comunicação integrantes do Grupo Edson Queiroz; e pagamentos de publicidade em desvantagem, relativamente aos demais anunciantes da TV Diário. Em primeiro plano, destaco a minha surpresa com tamanho empenho da Fundação em angariar novos alunos além dos vinte e cinco mil atuais, o que seria o mote dos dispêndios publicitários, juntamente com a divulgação dos projetos assistenciais. Não me parece ser comum às instituições sem fins lucrativos se envolverem em renhidas disputas de mercado, juntamente com empresas voltadas exclusivamente para o lucro, sem qualquer preocupação social. No que diz respeito à grandiosidade dos gastos com publicidade, os números e os demonstrativos apresentados pelo autor do feito demonstraram com perfeição que, diferentemente do esperado para uma entidade de ensino imune, os valores pagos a título de publicidade foram sobejamente superiores ao que foi gasto com a concessão de bolsas de estudos, senão vejamos: Ano Publicidade (A) (A / C) Bolsas (B) (B / C) Lucro (C) 2008 13.139.967,90 6,07% 6.103.105,18 2,82% 216.642.745,99 2009 12.675.690,28 5,96% 5.752.526,91 2,70% 212.851.018,32 2010 14.483.165,55 6,36% 5.816.681,76 2,55% 227.872.950,26 Total 40.298.823,73 6,13% 17.672.313,85 2,69% 657.366.714,57 No acumulado entre 2008 e 2010, a Fundação gastou com publicidade 6,13% do lucro do período. Por outro lado, no que concerne aos dispêndios com bolsas de valores, o percentual não passou dos 2,69%, o que nos permite afirmar que os gastos com publicidade superaram aqueles relacionados às bolsas de valores em 228,03%, procedimento que reputo incompatível para uma instituição de ensino imune aos tributos. Para que não se diga que a magnitude de tais gastos seria decorrente do elevado porte da Fundação, o AFRFB elaborou interessante investigação dos dispêndios com publicidade suportado pelas principais "concorrentes" (termo que não me parece adequado para uma entidade beneficente) da Fundação para, ao final, evidenciar que a interessada gasta mais do que qualquer outra empresa do ramo, seja em valores absolutos, seja em termos proporcionais Gastos com Publicidade / Receita Bruta de Serviços Ano Fundação Empresa A Empresa B Empresa C 2008 6,54% 2,46% 0,78% 2,17% 2009 5,93% 1,38% 0,61% 1,38% 2010 6,53% 1,02% 0,31% 1,05% Médias Individuais 6,33% 1,62% 0,57% 1,53% Média Concorrentes 1,24% Relativizandose os valores gastos com publicidade, denotase que, em média, no período fiscalizado as principais "concorrentes" da Fundação, todas com fins lucrativos, gastaram 1,24% das respectivas receitas brutas ao passo que na pessoa jurídica albergada pela imunidade o índice foi de 6,33%. Assim, em termos proporcionais o Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 32 31 dispêndio com publicidade da Fundação foi 410,48% superior ao de suas "concorrentes". Além da grandeza dos dispêndios, as publicidades foram direcionadas exclusivamente para veículos de comunicação integrantes do Grupo Edson Queiroz. Conforme diligência fiscal levada a termo na TV Diário e na Editora Verdes Mares, foi constatado ser a Fundação disparadamente a principal anunciante de ambas as pessoas jurídicas, gastando muito mais com publicidade do que qualquer outro anunciante com fins lucrativos: [...] para se chegar ao valor gasto pela Fundação na Editora Verdes Mares, é preciso se somar os três maiores anunciantes depois dela. No caso da TV Diário, é necessário se somar os seis maiores anunciantes depois da Fundação. Ou seja, é a Fundação que sustenta a Editora Verdes Mares e a TV Diário, repassandoas parte de suas receitas, incorrendo nas vedações expressas no art. 14, I e II do CTN durante todo o período entre os anos de 2008 a 2010, constituindo motivo para suspensão da imunidade quanto ao IRPJ e tributos reflexos. [demarquei] A impugnante, por sua vez, assegurou não ser verdadeira essa afirmação pois "eis ao verificar os balanços dos períodos em questão daquelas empresas, verseá que as mesmas auferem rendimentos de inúmeras fontes. Além do mais, nesse período, nenhum lucro ou dividendo foi distribuído aos sócios daquelas empresas, fato que por si só descaracteriza uma eventual tentativa de distribuição disfarçada do patrimônio da Fundação via de tais empresas, como foi aventado pela fiscalização, consoante se provou mediante a juntada dos balanços na Manifestação de Inconformidade apresentada em 24/09/2012". Quanto a este aspecto, socorrome da Informação Fiscal elaborada pela DRF Fortaleza, quando da análise das contrarrazões da pessoa jurídica, segundo a qual Não obstante algum exagero contido na aludida conclusão, é certo que os valores carreados àquelas empresas pela Fundação contribuíram decisivamente para os resultados por elas apurados no triênio, senão vejamos (análise realizada com base nas respectivas demonstrações financeiras juntadas pela defesa às fls. 405, 412, 420 e 423): a) no caso da Editora Verdes Mares, os valores recebidos da Fundação no período, a título de pagamento pela veiculação de anúncios publicitários (2008: R$ 3.657.903,00; 2009: R$ 3.676.683,63; e 2010: R$ 4.460.514,00), corresponderam, respectivamente, a 5,6%, 5,3% e 6,1% da receita bruta da empresa, e são, sim, diretamente responsáveis pelos resultados positivos (lucros) por ela apurados nos trés anos sob estudo, todos eles em valores inferiores ao citado faturamento (2008: R$ 3.233.910,26; 2009: R$ 2.949.073,75; e 2010: R$ 578.176,00). Ou seja, podese afirmar, com certeza, que, sem o faturamento oriundo da Fundação, a Editora Verdes Mares amargaria prejuízos em todos os trés anos objeto da análise, ressalvada a hipótese remotíssima, digase de passagem de os custos com a veiculação serem superiores à correspondente receita. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 33 32 b) no que concerne à TV Diário, em que a participação da Fundação no seu faturamento é bem mais relevante que à da Editora Verdes Mares (2008: R$ 4.368.800,00 14,2%; 2009: R$ 4.103.620,00 17,5%; e 2010: R$ 4.250.717,00 17,4%), afora o ano de 2008, em que o lucro apurado foi superior aos pagamentos recebidos da Fundação (R$ 11.382.552,98), o quadro não se altera, ou seja, os lucros apurados são inferiores ao faturamento originado da Fundação (2009: R$ 3.007.633,16; e 2010: R$ 3.408.346,01), cabendo se concluir que, na auséncia deste, aqueles também seriam negativos. Quanto à alegação da Interessada de que, no período, não foi distribuído qualquer lucro ou dividendo aos sócios das citadas empresas, o fato em nada aproveita à defesa, uma vez que a caracterização de distribuição de resultados de forma indireta aos dirigentes da Fundação, por beneficiar empresas das quais estes são sócios ou acionistas, não fica condicionada a que estas distribuam os lucros que a Fundação contribuiu para incrementar, posto que estes lucros se incorporam ao patrimônio dos sócios, independentemente da destinação que a sociedade resolva lhes dar. Alinhome ao entendimento manifestado pela Unidade de Origem, tendo como minhas as considerações e conclusões exarados no apontado documento. Além de a Fundação gastar em demasia com publicidade, de direcionar os anúncios tão somente para as empresas do Grupo Edson Queiroz (itens já abordados), temse ainda um terceiro agravante consistente no fato de a interessada haver arcado com anúncios de publicidade mais custosos do que os que os valores cobrados dos demais anunciantes, conclusão a que chegou o autor do procedimento através de diligência fiscal realizada na TV Diário. Segundo apurado pela fiscalização, o valor de tabela nunca é cobrado. Normalmente a TV Diário concede os seguintes descontos a seus anunciantes: entre 47,25% e 85,19%, com média de 65%, para empresas que não compõem o Grupo Edson Queiroz e de 50% para uma amostragem de empresas do referido grupo, no caso a ESMALTEC e a INDAIÁ. Quando o anunciante é a Fundação, entretanto, o desconto é de apenas 30%. Pelos cálculos da autoridade fiscal, "a Fundação pagou até 273% a mais do que pagaram empresas de fora do Grupo Edson Queiroz para serviços do mesmo tipo e qualidade. Comparando com empresas do Grupo, a Fundação pagou 40% a mais pelos mesmos serviços". Tratandose a Fundação de maior anunciante na TV Diário, o esperado era que fosse contemplada com descontos mais vantajosos do que os oferecidos a qualquer outro anunciante. Essa é a regra do mercado, é o que ocorre no mundo dos negócios, não me parecendo factível o alegado pela interessada, consistente no fato de que "sempre pagou o valor da tabela apresentado pela Televisão e desconhece a política de descontos utilizada por aquela empresa", mostrandose pertinente uma nova reprodução de fragmento da Informação Fiscal que deu azo ao ADE impugnado: Mais uma vez é de se invocar a reconhecida excelência da gestão da Entidade e do Grupo Edson Queiroz, para se concluir que, exatamente por isso, e pelo entrelaçamento dos Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10380.729113/201269 Acórdão n.º 1401001.713 S1C4T1 Fl. 34 33 negócios praticados por todos os componentes do Grupo (aí incluída a Fundação), o argumento esposado pela defesa não tem o poder de convencimento capaz de desfazer o quadro indiciário construído pelo autor do feito, no sentido de demonstrar que a política de gastos com publicidade da Fundação Edson Queiroz tinha, efetivamente, a finalidade de distribuir indiretamente resultados aos seus dirigentes, por meio das empresas do grupo empresarial por eles controlado (destinatárias dos recursos correspondentes aos gastos realizados àquele título). Também é o que penso. Não encontro no que foi afirmado pela defesa qualquer argumento contrário que se mostre convincente, demonstrando aptidão para descaracterizar o que foi considerado pela fiscalização, termos em que, tendo por devidamente caracterizadas a excessividade dos pagamentos com publicidade; a no mínimo suspeita canalização dos recursos tão somente para empresas do Grupo Edson Queiroz, influindo diretamente no lucro auferido por essas pessoas jurídicas; assim como a maior onerosidade dos valores cobrados da Fundação, quando comparados àqueles exigidos das demais empresas, alinhome ao entendimento do fisco quanto ao fato de que "ao realizar gastos com publicidade, a empresa teve por objetivo distribuir seus resultados positivos a outras empresas do mesmo grupo econômico, disfarçados sob a aparente inocência de gastos com publicidade", infringindo, portanto, o inc. II do art. 14 do Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN). Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso, mantenho a suspensão da imunidade quanto ao IRPJ e tributos reflexos. Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 787DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.723977/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PRECLUSÃO. DOCUMENTOS COLACIONADOS APÓS A IMPUGNAÇÃO.VERDADE MATERIAL.
O art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 estabelece o balizamento do momento para apresentação das provas pelo sujeito passivo no processo administrativo fiscal. A produção de provas pré-existentes por ocasião da interposição do recurso voluntário, não impede, de modo absoluto, a apreciação do julgador, diante das especificidades do caso concreto e das provas apresentadas. O processo é mero instrumento para a aplicação do direito material, devendo prevalecer para o presente caso a busca da verdade material.
DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.Comprovado o pagamento da pensão alimentícia mediante documentação idônea deve ser considerada devida a dedução perpetrada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2201-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DOCUMENTOS COLACIONADOS APÓS A IMPUGNAÇÃO.VERDADE MATERIAL. O art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 estabelece o balizamento do momento para apresentação das provas pelo sujeito passivo no processo administrativo fiscal. A produção de provas préexistentes por ocasião da interposição do recurso voluntário, não impede, de modo absoluto, a apreciação do julgador, diante das especificidades do caso concreto e das provas apresentadas. O processo é mero instrumento para a aplicação do direito material, devendo prevalecer para o presente caso a busca da verdade material. DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.COMPROVAÇÃO. São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.Comprovado o pagamento da pensão alimentícia mediante documentação idônea deve ser considerada devida a dedução perpetrada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 39 77 /2 01 4- 11 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/0 9/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA Processo nº 10730.723977/201411 Acórdão n.º 2201003.309 S2C2T1 Fl. 66 2 Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suple nte Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: “Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 07, emitida em 22/09/2014, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2012, onde foi considerada indevida a dedução de R$ 70.745,73, a título de pensão alimentícia, por falta de comprovação de que seu pagamento decorre de escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Cientificado do lançamento em 01/10/2014 (fl. 13), o contribuinte apresentou, em 17/10/2015, a impugnação de fls. 02 e 03, alegando, em suma, que o valor glosado se refere a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia em virtude de sentença judicial, conforme consta do comprovante de rendimentos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão”. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte sob o argumento principal de que dedutibilidade do valor da pensão alimentícia somente é possível quando o pagamento se der em cumprimento de decisão ou acordo homologado judicial. Arremata a decisão de piso que a simples menção a esse valor no informe de rendimentos não prova, por si só, o direito do contribuinte. Cientificado do acórdão da DRJ em 22/12/2015, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivamente em 21/01/2016, alegando em síntese que: No comprovante de rendimentos emitido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro está claro o desconto e para que se destina o valor descontado, pois o Governo do Estado não iria efetuar o desconto, se não existisse uma decisão judicial. Não houve erro. Há um processo judicial e um beneficiário qualificado. Suplica por um julgamento mais justo. Anexa cópia das petições de homologação de acordo e decisão judicial que obriga ao pagamento da pensão alimentícia. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/0 9/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA Processo nº 10730.723977/201411 Acórdão n.º 2201003.309 S2C2T1 Fl. 67 3 Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Produção de prova documental na fase recursal Com relação à apresentação de provas o Decreto nº 70.235/1972 dispõe em seu art.16: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993.) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/0 9/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA Processo nº 10730.723977/201411 Acórdão n.º 2201003.309 S2C2T1 Fl. 68 4 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). (Grifouse). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ( Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente ;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Grifouse). § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como se vê, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 determina o momento processual para juntada de prova documental, sob pena de ocorrer a preclusão. Com isso, não estou a dizer que a regra inserta no o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 é absoluta. O julgador, que é um intérprete da lei na acepção lato sensu deve aplicar o ordenamento jurídico. Assim, a mencionada regra processual deverá ser sopesada com o princípio da verdade material, que deve basilar o julgador ao dirimir as lides tributárias, quando possível. A autoridade julgadora de primeira instância fundamentou a decisão que resultou na improcedência da impugnação, exclusivamente no fato de a contribuinte não ter comprovado as suas alegações através de prova documental, consubstanciada na juntada da decisão judicial que obriga ao pagamento da pensão alimentícia. Entendeu que o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, por si só, não é prova hábil a comprovar a regularidade da dedução efetuada. Em sede recursal, pretende o contribuinte a revisão do acórdão de primeira instância, sustentando que não havia base para o Governo do Estado do Rio de Janeiro efetuar os descontos, se não fosse em cumprimento de decisão judicial. Às fls. 58/62 dormitam as páginas extraídas dos autos do processo judicial que obrigam o sujeito passivo ao pagamento de 30% (trinta por cento) de seus rendimentos a título de pensão alimentícia judicial. No caso que se cuida depreendese que o sujeito passivo entendeu que a apresentação do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (fl. 11) seria prova cabal para demonstrar a regularidade da dedução com pensão alimentícia efetuada. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/0 9/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA Processo nº 10730.723977/201411 Acórdão n.º 2201003.309 S2C2T1 Fl. 69 5 Esse documento chegou a ser valorado pela decisão de piso como meio de prova, ainda que insuficiente para revisar o lançamento. Contudo, o sujeito passivo junta por ocasião do presente recurso a decisão judicial que o autoriza a efetuar a dedução em comento. Nesse caso, a prova documental carreada deve ser apreciada em harmonia com o já mencionado documento de fl. 11, anexado por ocasião da impugnação. A prova apresentada permite um fácil e rápido convencimento do julgador acerca do direito que detinha o sujeito passivo de efetuar a dedução da pensão alimentícia, nos exatos termos do que constou em sua declaração de ajuste anual, exercício de 2013. É certo que o instituto da preclusão, inserto no § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, deve ser a regra, uma baliza a ser seguida para a necessária ordem do processo. Entretanto, em casos excepcionais a preclusão pode ser afastada, como no caso em comento, em que se está diante de um direito comprovado pelo sujeito passivo, ainda que somente na fase recursal. Acrescentese que os documentos trazidos à colação no recurso voluntário, também, se prestam para contrapor as razões manejadas na decisão de piso, a qual não acolheu o comprovante de rendimentos como meio hábil para comprovar a regularidade da dedução efetuada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/0 9/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Numero do processo: 10580.726589/2009-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 65 89 /2 00 9- 96 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726589/200996 Acórdão n.º 9202004.081 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726589/200996 Acórdão n.º 9202004.081 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726589/200996 Acórdão n.º 9202004.081 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726589/200996 Acórdão n.º 9202004.081 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726589/200996 Acórdão n.º 9202004.081 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726589/200996 Acórdão n.º 9202004.081 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722148/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento, em maior extensão, para exonerar o crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 21 48 /2 01 3- 11 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento, em maior extensão, para exonerar o crédito tributário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.722148/201311 Acórdão n.º 2401004.464 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 11/03/2013, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2010, AnoCalendário 2009, na qual foi constatada a omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 61.817,11 (sessenta um mil, oitocentos e dezessete reais e onze centavos), recebidos pelo titular em virtude de Ação Judicial proposta para o recebimento de diferenças de pensões do período de 01/1991 a 04/2006. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos em análise devem ser tributados de acordo com tabela progressiva por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente. E sida que alegou em sua defesa o ato declaratório nº 1 de 2009, MP/2010 e a lei 12349/2012 lhe dão fundamento para deixar de recolher o imposto de renda ora cobrado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “TRIBUTAÇÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. Os rendimentos referentes a anos anteriores ao da edição da Medida Provisória nº 49/2010, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos.” “Cabe observar que o regime de tributação do imposto de renda da pessoa física é o de caixa, ou seja, os rendimentos são tributados a partir do momento que efetivamente tornamse disponíveis. Quando são recebidos acumuladamente, em virtude de ação trabalhista, como é o caso, a regra permanece, não apenas pela lógica do regime de caixa, mas também por expressa disposição legal contida no art. 12 da Lei 7.713, de 1988. Portanto, incabível falar em fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 1991 a 2006. De consequência, os rendimentos percebidos são acrescidos aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual do respectivo exercício, ou seja, 2010, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Isso porque o fato gerador do Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 imposto de renda de pessoa física é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de fato gerador complexivo, apurado no ajuste anual, ou seja, aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Assim é que a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano calendário. Dessa forma, o fato jurídico tributário somente considerase consumado por ocasião da entrega da declaração de rendimentos. Tanto que o lançamento ou qualquer outro pronunciamento acerca do lançamento, por parte da Fazenda Pública, só pode ser efetuado após a data em que se instaure a possibilidade jurídica de assim procederse, ou seja, após a efetiva entrega da Declaração de Ajuste Anual, ou, em não ocorrendo tal entrega, após o prazo limite estipulado para a sua entrega. Somente após esse prazo é que se tem como verificado o descumprimento da obrigação tributária, pressuposto para a possibilidade de efetuar o lançamento de ofício. (...) Como os rendimentos em questão foram percebidos em 2009, não há que se reportar aos ditames normativos da Instrução Normativa da RFB 1.127/2011 e aos dispositivos da MP 49/2010 e da Lei nº 12.349/2012, pois esses se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente a partir de 28 de julho de 2010.” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou que: “As bases legais para o adotado procedimento encontramse fundamentadas pelo Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a MP 49/2010 e a Lei nº 12.349/2012.” “Essas disposições legais preveem que o referido lançamento seja considerado pelo regime de competência para o calculo do exigido imposto, o que, neste caso geraria restituição do valor já retido, haja vista que o rendimento normal do Recorrente, mesmo com os acréscimos das diferenças não alcançaria o valor dos rendimentos considerados como tributáveis.” “O que importa deixar aqui assentado é que, conquanto reinem dúvidas sobre o significado, o conteúdo e o alcance da expressão “renda e proventos de qualquer natureza”, além da doutrina, a jurisprudência há muito já deixou assentado que ela não compreende as importâncias percebidas a título de rendimentos recebidos acumuladamente.” Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.722148/201311 Acórdão n.º 2401004.464 S2C4T1 Fl. 4 5 (...) “Salientase, ainda que a cumulação das parcelas mensais não gera acréscimo patrimonial, fato gerador do pagamento de qualquer tributo e, ademais, porque considerado o pagamento individualizado, ou seja, mês a mês, o tributo, se devido fosse, o seria a uma alíquota menor, ou então não haveria montante a ser retido.” Por fim, colaciona diversas jurisprudências que trata sobre a matéria. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 18/11/2013, conforme AR às fls. 211, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 13/12/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 61.817,11 (sessenta um mil, oitocentos e dezessete reais e onze centavos), recebidos pelo titular, em virtude de Ação Judicial proposta para o recebimento de diferenças de pensões do período de 01/1991 a 04/2006. 2.1. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Nesse tocante, o artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A reprodução de decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 1.036 a 1.041 do Novo Código de Processo Civil. Sobre o tema, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, no qual sobrou reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Ficou sedimento o entendimento de que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deve ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referiam cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Confirase: “IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.” (STF, RE 614.406 RS) Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.722148/201311 Acórdão n.º 2401004.464 S2C4T1 Fl. 5 7 Nesse interregno, como o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS foi realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos atrai a incidência do disposto no §2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Recordese: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Por outro giro, o Código Tributário Nacional em seu artigo 149 prevê a prerrogativa do Fisco de rever o lançamento. Assim, como a época do Lançamento em questão não existia o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS, deve o fisco rever o lançamento de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo Supremo. Confirase: “ Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 8 I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Por todo o exposto, em atenção ao disposto no artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF e ao artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Nesse sentido entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: “IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acordão nº 2202003.193, Processo nº 11080.731461/201324, rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016).” Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.722148/201311 Acórdão n.º 2401004.464 S2C4T1 Fl. 6 9 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
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Numero do processo: 13706.005900/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades
Numero da decisão: 2202-003.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relator.
EDITADO EM: 22/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relator. EDITADO EM: 22/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada
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IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relator. EDITADO EM: 22/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 59 00 /2 00 8- 11 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/08/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Adoto, no que diz respeito, o relatório da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro: O presente processo trata de exigência constante de notificação de lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2007, anocalendário 2006, lavrada em 07/07/2008, fls. 05/06, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 7.567,73, já acrescido da multa de ofício e dos juros legais calculados até 31/07/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 06, foi glosado o montante de R$ 20.177,32, a título de despesas médicas, sob a fundamentação de que a esposa do contribuinte apresentou DIRPF em modelo simplificado, optando, assim, pelo desconto padrão. Só foram consideradas as despesas médicas do próprio contribuinte que puderam ser identificadas: R$ 11.400,00 – Spencer Mendes, R$ 50,00; Pro vacina, R$ 76,80; Lab. Sérgio Franco, R$ 7.932,57 (50%) Golden Cross e R$ 293,50 (50%) Vida Sist. De Emergência Móvel. Cientificado do lançamento em 24/07/2008 (fl. 17), ingressou o contribuinte, em 06/08/2008, com sua impugnação (fls. 02/04), e respectiva documentação. Em síntese, o contribuinte alega que não foram considerados os valores da Declaração de reembolso de Despesas MédicoHospitalares da empresa GoldenCross. Anexa relatório analítico fornecido pela operadora do plano de saúde (fls. 07/09). Em sessão de 22/08/2011 foi prolatado por esta 13a. Turma de Julgamento o Acórdão 12.39754 (fl. 25/30). Às fls. 31, em Despacho datado de 16/05/2013, manifestase a DICAT/DRFRJ1 acerca da incorreção do valor consignado na parte dispositiva do acórdão, encaminhando o processo em retorno a esta Turma de Julgamento para proceder à retificação A Delegacia Regional de Julgamento negou provimento a Impugnação apresentada em decisão cuja a ementa segue transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÕES INDEVIDAS. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. Cabe ao Contribuinte, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, comprovar a efetividade do Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/08/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.005900/200811 Acórdão n.º 2202003.536 S2C2T2 Fl. 61 3 pagamento da despesa médica para afastar a glosa da dedução. Na ausência de prova, mantémse a glosa. PARCELA NÃO CONTESTADA. BENEFICIÁRIOS. Não tendo sido expressamente contestada a parte do lançamento relativa aos beneficiários do contribuinte, considerase a mesma não impugnada, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo" Cientificado da decisão da DRJ, o Impugnante, ora Recorrente, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 51/52, por meio do qual limitase a pedir o cancelamento da exigência fiscal e a juntar, novamente, o comprovante relativo às despesas reembolsadas pela empresa Golden Cross. Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso apresenta os pressupostos legais, portanto, dele conheço Conforme visto no relatório, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, negou provimento ao Recurso por entender que a declaração de reembolso fornecida pela Golden Cross e juntada novamente no Recurso Voluntário não seria documento hábil a legitimar a dedução pretendida, uma vez que nela não estão identificados os beneficiários dos serviços prestados, bem como quem são os benefíciários dos planos. A Lei 9.250, de 1995, em seu art. 8º, dispõe sobre os valores que poderão ser deduzidos da declaração de ajuste anual: Art. 8º (...); II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (grifamos) Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/08/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Para que a despesa médica possa ser deduzida é fundamental que o contribuinte faça prova de que esta se refere ao pagamento de serviços médicos prestado a si mesmo ou a algum de seus dependentes, arrolados na sua declaração de ajuste anual. Como bem ressaltou a DRJ, "os elementos exigidos pela fiscalização para comprovar as deduções realizadas não se prestam apenas para aferir requisitos formais, mas também para que se possa verificar a efetividade da ocorrência do fato que autoriza a dedução, qual seja, o efetivo dispêndio com o usufruto de um serviço médico ou odontológico, tal como previsto em lei. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/08/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000522/2010-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 9101-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado.
EDITADO EM: 10/11/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Redator designado. EDITADO EM: 10/11/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 05 22 /2 01 0- 01 Fl. 469DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado. EDITADO EM: 10/11/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ e CSLL pela compensação de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativas da CSLL, quanto ao anocalendário de 2007, à ocasião da incorporação da Dragaport Ltda., sem a observância do limite de 30% (trinta por cento), definido pelo artigo 15 e 16, da Lei nº 9.065/95. O auditor fiscal da Receita Federal imputou multa de 75% ao crédito tributário (Autos de Infração às fls. 168/178, Relatório Fiscal às fls. 161/166). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) manteve integralmente o Auto de Infração (fls. 223/230), em acórdão assim ementado: Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 470 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. BENEFÍCIO FISCAL. Em face do princípio da autonomia dos exercícios financeiros, a compensação de prejuízos não configura direito dos contribuintes, mas benefício fiscal passível de restrição por Lei. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITAÇÃO. INCORPORADAS. A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. A responsabilidade dos sucessores se refere aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de ofício. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. BENEFÍCIO FISCAL. Em face do princípio da autonomia dos exercícios financeiros, a compensação de bases de cálculo negativas não configura direito dos contribuintes, mas benefício fiscal passível de restrição por Lei. COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. LIMITAÇÃO. INCORPORADAS. A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de bases de cálculo negativas não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. A responsabilidade dos sucessores se refere aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de oficio. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Fl. 471DF CARF MF 4 A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O sujeito passivo apresentou recurso voluntário alegando: (i) não cabimento da multa de ofício, por contrariar os artigos 132, do CTN, 5º do DecretoLei nº 1.598/77 e artigo 207, do RIR; (ii) a inaplicabilidade da trava de 30% ao caso dos autos; (iii) a impossibilidade de exigência de juros sobre as multas de ofício. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara entendeu por (i) negar provimento ao recurso voluntário quanto à compensação de prejuízos fiscais, por voto de qualidade; (ii) negar provimento relativamente à multa de ofício, por unanimidade e (iii) por maioria de votos, manter os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITAÇÃO. INCORPORADAS. A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para a compensação de prejuízos aplicase inclusive no caso de descontinuidade da pessoa jurídica em virtude de reorganização societária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. LIMITAÇÃO. INCORPORADAS. A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para a compensação de bases de cálculo negativas aplicase inclusive no caso de descontinuidade da pessoa jurídica em virtude de reorganização societária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 471 5 A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento. A contribuinte foi intimada quanto ao mencionado acórdão em 30/05/2012, conforme termo de ciência pessoa às fls. 310, apresentando recurso especial em 12 de junho de 2012, sustentando a divergência a respeito dos seguintes temas: (i) limitação de 30% na compensação de prejuízo fiscal, indicando como paradigma o Acórdão nº 110300619, do qual consta que “Diante da ‘morte’ da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limit\adora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo”. (ii) incidência do juros de mora sobre a multa de ofício, identificando como paradigmas os Acórdãos (ii.a) nº 10196607, no qual consta que "não incidem os juros com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício" e (ii.b) 910100722, no qual foi expresso que "a regra veiculada pelo art. 61 da Lei nº 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre 'débitos decorrentes de tributos e contribuições', sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa SELIC sobre a multa de ofício" O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 439/443): 1º ponto: aplicação do limite de 30% (trava) na incorporação De fato, enquanto o acórdão recorrido veiculou entendimento no sentido de ser aplicável a limitação de 30% para a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, mesmo em face da descontinuidade da pessoa jurídica em virtude de reorganização societária (conforme ementa ao norte transcrita), o acórdão paradigma sustenta que esta limitação não é aplicável quando se está diante da descontinuidade da pessoa jurídica em virtude de sua incorporação, conforme se verifica na ementa do próprio julgado (...) De qualquer sorte, independentemente das considerações acima, e do fato de o RICARF, no seu art. 67, § 10, mencionar que somente não seria admitida como paradigma a tese que já estivesse superada pela CSRF na data de interposição do recurso, o fato é que não se pode, nem mesmo no presente momento, considerarse que a tese já esteja definitivamente superada. Portanto, o recurso deve ser admitido com relação a este ponto. 2º ponto: incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Fl. 473DF CARF MF 6 (...) demonstrada a divergência jurisprudencial, e tampouco se tratando de tese divergente que esteja superada pela CSRF, deve o recurso também ser admitido com relação a este ponto. (...) Considerando que, consoante o exposto no presente despacho, foram preenchidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, e foi demonstrada a divergência jurisprudencial, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pelo sujeito passivo DRAGAPORT ENGENHARIA LTDA. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial, requerendo seja negado provimento ao recurso especial (fls. 445/466). Voto Vencido Cristiane Silva Costa Conheço do recurso especial da contribuinte, eis que tempestivo e devidamente demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Passo à análise do seu mérito. Limitação de 30% na compensação de prejuízos fiscais A possibilidade de compensação de prejuízos fiscais é regulada pelo artigo 6º, §3º, alínea c, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. A Lei nº 8.981/1995 estabeleceu a limitação máxima de 30%, tratando também da possibilidade de utilização dos prejuízos acumulados nos anoscalendário subsequentes: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 472 7 Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. A Lei nº 9.065/1995 também delimitou a compensação do prejuízo fiscal, tratando do limite máximo de 30% do lucro líquido ajustado: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. A limitação de 30% na compensação de prejuízos é reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), verbis: Art. 250.Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): (...) III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1ºO disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2ºOs saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. Fl. 475DF CARF MF 8 § 3ºO limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. Em que pese a vedação à autorização de compensação usual acima dos 30%, a autorização para compensação integral dos prejuízos, na hipótese de incorporação, tem relação com a sucessão de direitos e obrigações da incorporada pela incorporadora, como tratam os artigos 227, da Lei nº 6.404/1964 e 1.116, do Código Civil. Afinal, a restrição ao direito da incorporadora de aproveitamento de todo o prejuízo detido pela incorporada implica na limitação indevida da plena sucessão de direitos e obrigações como assegurada legalmente. É oportuno ressaltar que os artigos 15 e 16, da Lei nº 9.065/1995 estabelecem limitação de 30% para o aproveitamento ao ano, sem, no entanto, impedir a compensação da totalidade dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL ao longo do tempo. A interpretação do acórdão recorrido, estendendo a limitação de 30% ao caso de empresas extintas por incorporação, implica na negativa do direito ao restante do crédito, em violação aos próprios artigos 15 e 16 da citada Lei. Ademais, lembrese que antes da Lei nº 9.065/1995 existia limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais, constante do artigo 12, da Lei nº 8.541/1992, para aproveitamento apenas nos 4 (quatro) anoscalendários subsequentes ao da apuração deste prejuízo. (Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1º de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anos calendários, subsequentes ao ano da apuração). Esta limitação temporal (quatro anoscalendários subsequentes) foi extinta com a edição da Lei nº 9.065/1995, que prestigiou a possibilidade de aproveitamento integral do prejuízo em qualquer exercício posterior, mas limitou este aproveitamento ao percentual de 30% ao ano. A lógica da norma, portanto, é assegurar o aproveitamento da integralidade do prejuízo, razão pela qual há que ser garantido o aproveitamento integral na hipótese de incorporação da pessoa jurídica. A garantia da integral compensação de prejuízos à incorporadora respeita, ainda, o conceito de lucro firmado no artigo 43, do Código Tributário Nacional, impossibilitando que patrimônio da incorporada seja objeto de tributação pelo Imposto sobre a Renda. Diante de tais razões, a compensação de prejuízos fiscais, no caso de incorporação, não está limitada ao percentual de 30%. É importante lembrar que o Supremo Tribunal Federal analisou a limitação de 30% na compensação de prejuízos fiscais, concluindo pela sua constitucionalidade, em acórdãos cujas ementas são a seguir reproduzidas: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 473 9 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Tribunal Pleno, DJe 27/08/2009) DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. (RE 545.308, Tribunal Pleno, DJe 25/03/2010) Ademais, há decisão do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a repercussão geral da matéria: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. (RE 591.340, DJe 06/11/2008) Não obstante o reconhecimento de repercussão geral, inexiste decisão definitiva que tenha reconhecido a constitucionalidade da limitação de 30%, para compensação de prejuízos fiscais, submetida ao rito do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Acrescentese que as decisões anteriormente proferidas pelo Supremo Tribunal Federal não são vinculantes para os julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, além disso, estas decisões não trataram da incorporação de pessoa jurídica, situação peculiar que há de ser enfrentada de forma distinta daquelas apreciadas pelo Supremo Tribunal Federal, conforme transcrição supra. Fl. 477DF CARF MF 10 Por tais razões, dou provimento ao recurso especial no tocante à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL. Juros sobre a multa Caso vencida quanto ao mérito acima tratado, passo a apreciar a impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Como manifestado em julgamentos anteriores, acolho o recurso especial para reconhecer a ilegalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, em face da falta de previsão expressa em lei para tanto. Isto porque o caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, trata apenas dos débitos de tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ao dispor sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, citado artigo tratou dos débitos decorrentes dos fatos geradores que originam a cobrança destes tributos e contribuições, isto é, os débitos dos tributos. Não tratou, desta feita, das penalidades decorrentes do descumprimento da obrigação tributária. Acrescentese que o §3º deste dispositivo legal trata da possibilidade de exigência de juros de mora sobre os débitos de tributos e contribuições devidas à Receita Federal do Brasil expressamente tratados pelo caput , confirmando que não há previsão para incidência de juros sobre a multa de ofício. Ressaltese que os parágrafos de um artigo expressam aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo, ou exceções à regra por ele estabelecidas, conforme artigo 11, III, alínea "c", da Lei Complementar nº 95/1998: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) III para a obtenção de ordem lógica: (...) Fl. 478DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 474 11 c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; Assim, a disposição do §3º, do artigo 61 deve se conformar ao caput deste dispositivo, para regular a exigência de juros sobre os débitos de tributos, contribuições e multa de mora, mencionados expressamente no caput. É oportuno lembrar que o legislador previu a incidência de juros sobre multas isoladas, como se depreende do artigo 43, da mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ao regular a multa de ofício, em sentido contrário, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 não estabeleceu expressamente a incidência de juros. Nesse sentido, destacase a redação do art. 44, com redação vigente ao tempo do fato gerador tratado nestes autos (2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Ressaltese que o Código Tributário Nacional trata de crédito tributário com dois sentidos diferentes, em alguns dispositivos relacionandoo à obrigação tributária e à penalidade pelo descumprimento desta obrigação, como se observa dos artigos 113, 139, 142; em outros apenas como a obrigação tributária principal, como se verifica dos artigos 161 e 164. Colacionase o artigo 164, do Código Tributário Nacional: Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: I de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória; Fl. 479DF CARF MF 12 II de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal; III de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador. § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. Ao dispor que cabe a consignação na hipótese de recusa ao pagamento "outro tributo ou de penalidade" evidencia que no crédito tributário tratado pelo artigo 164 não está incluída penalidade. No mesmo sentido, dispõe o artigo 161, do Código Tributário Nacional: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Notese que o artigo 161, do Código Tributário Nacional, define a incidência de juros de mora, "sem prejuízo das penalidades", revelando que estas penalidades não compõe o crédito tributário na acepção expressa por este dispositivo. O §1º do artigo 161 expressa "aspectos complementares à norma enunciada no caput" (conforme artigo 11, III, alínea "c", da Lei Complementar nº 95/1998) e, portanto, não infirma a conclusão que a penalidade não está incluída no crédito como definido por este dispositivo. Diante disso, voto por dar provimento ao recurso especial também neste ponto, afastando a incidência de juros sobre a multa. Conclusões Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial para reconhecer a legitimidade da compensação de prejuízos fiscais em percentual superior aos 30% (trinta por cento), reformando a decisão recorrida e cancelando o auto de infração. Caso vencida nesse ponto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial, afastando a incidência dos juros sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Fl. 480DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 475 13 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator Designado. Com a devida vênia, divirjo do entendimento exposto pela insigne Conselheira Relatora, tanto em relação à possibilidade de afastamento da trava de 30% na compensação de resultados negativos anteriores por pessoa jurídica no ano da sua extinção por incorporação quanto no que diz respeito ao cabimento da incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Por razões de clareza, trato a seguir dos dois temas separadamente. 1) Aplicabilidade da trava de 30% na compensação de resultados negativos anteriores por pessoa jurídica incorporada A principal controvérsia existente no presente processo diz respeito à autuação de IRPJ e CSLL relativamente ao anocalendário de 2007, por inobservância da chamada trava de 30% na compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. O auto de infração foi lavrado em face do sujeito passivo DRAGAPORT ENGENHARIA LTDA devido ao fato de ele ter incorporado, em 27/12/2007, a pessoa jurídica DRAGAPORT LTDA. De acordo com o Relatório Fiscal, elaborado pela Fiscalização, a documentação fornecida pela contribuinte, concernente ao anocalendário de 2007, demonstra que a DRAGAPORT LTDA não observou o limite de 30% do resultado do período de apuração ajustado para fins de compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas dos períodos anteriores. Com relação ao IRPJ referente ao anocalendário de 2007, a DRAGAPORT LTDA desrespeito o limite legal (30%) ao compensar integralmente o lucro apurado de R$27.020.649,14. Dessa forma, houve excesso de compensação no valor de R$18.914.454,40. O mesmo ocorreu em relação à CSLL, já que a base de cálculo da contribuição apurada para o anocalendário de 2007, no valor de R$27.020.649,14, também foi integralmente compensada com bases de cálculo negativas de períodos anteriores, o que provocou excesso de compensação também no valor de R$18.914.454,40. Como bem descrito no Relatório deste acórdão, o lançamento foi integralmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância (ora recorrida), também validou o lançamento, negando provimento ao recurso voluntário da contribuinte. De acordo com o acórdão recorrido, a empresa incorporada tem que observar a "trava" de 30%, prevista nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, ao efetuar a compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, acumulados em períodos anteriores, com os resultados positivos apurados até a data de sua extinção. Trazem os mencionados dispositivos legais: Fl. 481DF CARF MF 14 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (grifouse) A matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Como razões de decidir, adoto inicialmente o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à Fl. 482DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 476 15 compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. Fl. 483DF CARF MF 16 E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de Fl. 484DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 477 17 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. Fl. 485DF CARF MF 18 (...) Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: "Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei." Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulá la por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à balha a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 478 19 No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." (destaques no original) Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. Fl. 487DF CARF MF 20 A tese defendida pela recorrente, no sentido de que existiria, no ordenamento atinente ao IRPJ e à CSLL, norma implícita que determina a possibilidade de afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. Assim, improcede a defesa da existência da aventada norma implícita. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009, mencionado tanto na decisão recorrida quanto nas contrarrazões apresentadas pela PGFN, também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de Fl. 488DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 479 21 direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do Fl. 489DF CARF MF 22 lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." (destaques no original) Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 910100.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é inquestionável, como defende a recorrente, a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades Fl. 490DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 480 23 encerradas, por conta de sua incorporação, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ (aplicáveis também, obviamente, à CSLL). Com isso, visouse ao afastamento do argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em Fl. 491DF CARF MF 24 um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855 GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributa se. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data maxima venia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de Fl. 492DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 481 25 poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." (destaques no original) O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o I. Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não está a pretendida pela contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que Fl. 493DF CARF MF 26 regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 482 27 Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a Fl. 495DF CARF MF 28 matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art. 177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art. 177, in verbis: (...) Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado Fl. 496DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 483 29 dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não Fl. 497DF CARF MF 30 há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa incorporada: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Além disso, aborda também a tese segundo a qual os prejuízos fiscais e o saldo negativo das bases de cálculo da CSLL seriam uma espécie de ativo das pessoas jurídicas, compondo seu patrimônio. Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria à própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Considero que os argumentos erigidos pela recorrente foram satisfatoriamente refutados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real (ou da base de cálculo positiva de CSLL), mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101002.208, nº 9101002.209, nº 9101002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ e da CSLL não se dá dessa forma. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 484 31 Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE nº 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais transcritas neste voto (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto/contribuição; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto/contribuição (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Nesse passo, corretas as autuações fiscais referentes à glosa do excesso de compensação nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2007, objeto dos presentes autos. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte no que se refere ao pedido de cancelamento dos referidos lançamentos. 2) Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício A recorrente pede, na hipótese de seu recurso especial não obter provimento no que diz respeito inaplicabilidade da trava de compensação, que se afaste a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal que ampare tal cobrança. Se equivoca a recorrente ao alegar que tal cobrança estaria desamparada pela legislação tributária. A cobrança de juros de mora sobre os créditos não pagos até a data de vencimento é prevista no art. 161 do CTN, nos seguintes termos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 499DF CARF MF 32 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A expressão "crédito", constante do caput do artigo reproduzido, obviamente se refere ao crédito tributário, pela própria natureza do diploma legal que habita. Para se definir o alcance de tal expressão, recorrese a outro dispositivo do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já a definição de obrigação principal, mencionada no art. 139 do CTN, é trazida pelo §1º do art. 113 do mesmo Código. Tal obrigação tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. In verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O critério utilizado pelo CTN para enquadrar determinada obrigação tributária como principal é, portanto, seu conteúdo pecuniário. Uma vez que a multa de ofício tem a característica de penalidade pecuniária, fica claro que ela integra a obrigação principal, ao lado dos tributos. Interpretando em conjunto os dispositivos reproduzidos, concluise que incidem juros de mora sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento (art. 161) e que tais créditos decorrem da obrigação principal (art. 139), englobando o tributo e a multa de ofício (art. 113, §1º). Assim, a conclusão construída é a de que o CTN prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional. Os defensores da ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício argumentam que a interpretação literal do caput do art. 161 do CTN impossibilitaria tal incidência em razão da presença da expressão "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Se a penalidade referente à multa de ofício já estiver contemplada na expressão "crédito não integralmente pago no vencimento", a que outras penalidades cabíveis estaria se referindo o legislador? indagam. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 485 33 Ocorre que, frequentemente, a interpretação de uma norma tributária demanda a consideração da realidade jurídica e fática a que se aplica. Mais do que isso, a norma deve ser interpretada sistematicamente, levandose em conta todo o sistema tributário pátrio. A este respeito, examinese a interessante colocação da Ilustre Conselheira Viviane Vidal Wagner, designada para redigir o voto vencedor do Acórdão CSRF nº 910100.539, de 11/03/2010: "Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema." Sendo assim, a melhor interpretação a ser dada ao art. 161 do CTN é, sem dúvida, aquela que guarda harmonia com os demais dispositivos daquele Código que tratam do tema sob análise, quais sejam, os arts. 113 e 139. Além do CTN, a Lei nº 9.430/1997, em seu art. 61, caput e §3º, também dispõe sobre o cabimento de juros de mora sobre multa de ofício: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até Fl. 501DF CARF MF 34 o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Depreendese do artigo reproduzido que incidem juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica. A multa de ofício se amolda perfeitamente a tal definição, já que sua cobrança decorre, entre outras hipóteses, da falta de pagamento de imposto ou contribuição, nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1997. Sendo assim, a exemplo do que ocorre com o art. 161 do CTN, também o art. 61 da Lei nº 9.430/1997 fundamenta a possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Corrobora ainda tal entendimento o art. 43 da Lei nº 9.430/1997 que, em seu parágrafo único, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. Assim, vêse que a legislação não enxerga incompatibilidade entre os juros de mora e uma multa pecuniária de caráter punitivo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou a respeito da legalidade da cobrança de juros de mora nos moldes praticados no presente processo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (STJ, 1ª T., AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, dez/2012) Por fim, tanto o §3º do art. 61 quanto o parágrafo único do art. 43, ambos da Lei nº 9.430/1997, fazem alusão à taxa aplicável a título de juros de mora: taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11052.000522/201001 Acórdão n.º 9101002.454 CSRFT1 Fl. 486 35 Quanto a este ponto, a matéria já foi inclusive pacificada por meio da edição da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte em relação à alegação de descabimento de incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Desse modo, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito: negarlhe provimento quanto ao pedido de afastamento da trava de 30% na compensação de resultados negativos passados no momento da extinção da pessoa jurídica, mantendose o lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL do anocalendário de 2007; negarlhe provimento quanto ao pedido de afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721302/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS.
Os sócios administradores são solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias decorrentes de atos praticados em sua gestão.
ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE. TRIBUTOS DEVIDOS PELO DE CUJUS.
O Espólio responde pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, nos termos do art. 131 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. Os sócios administradores são solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias decorrentes de atos praticados em sua gestão. ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE. TRIBUTOS DEVIDOS PELO DE CUJUS. O Espólio responde pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, nos termos do art. 131 do CTN. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.841 1 1.840 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.721302/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 32013.201.002.309 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria IPI Recorrente AÇOMEDI AÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. Os sócios administradores são solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias decorrentes de atos praticados em sua gestão. ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE. TRIBUTOS DEVIDOS PELO DE CUJUS. O Espólio responde pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, nos termos do art. 131 do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 13 02 /2 01 1- 91 Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de impugnações de lançamento (efls. 1698 a 1712, 1713 a 1731, 1733 a 1766) apresentadas contra o auto de infração de IPI (efls. 1673 a 1690) relativo aos períodos de apuração de maio de 2006 a dezembro de 2007, lavrado em 05 de julho de 2011. De acordo com o auto de infração, o Estabelecimento teria deixado de recolher o IPI no período, em razão de se ter “utilizado de créditos básicos não comprovados, glosados por falta de apresentação da documentação de suporte, como descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo”. O presente processo decorreu, em parte, dos mesmos fatos (ausência de livros e documentos fiscais) que, no âmbito do processo n. 13896.721301/201146, geraram autos de infração do Imposto de Renda (arbitramento de lucro e omissão de receitas), da Contribuição Social Sobre o Lucro e das contribuições PIS e Cofins. No âmbito o IRPJ e reflexos, apurouse omissão de receitas, por comparação dos valores declarados em DIPJ e DCTF e os informados à Fazenda Estadual. Entretanto, relativamente ao IPI, observou o seguinte a Fiscalização: Devese ainda observar que o fiscalizado somente entregou preenchidas as fichas das DIPJs dos anos calendário 2006 e 2007 relativas às informações do lPI, em que o sujeito, passivo declara seu estabelecimento como “Industrial/Transformador”, com escrituração por processamento eletrônico e movimento, em todo o período, além de transcrever a apuração do saldo do IPI, apresentar um resumo dás entradas/créditos e das saídas/débitos, bem como relacionar os remetentes de insumos/mercadorias e as mercadorias e insumos recebidos. É sintomático verificar que não foram preenchidas as fichas Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13896.721302/201191 Acórdão n.º 32013.201.002.309 S3C2T1 Fl. 1.842 3 relativas aos destinatários de produtos/mercadorias/insumos e às saídas de produtos/mercadorias/insumos. A apuração de omissão de receitas não gerou autuação no âmbito do IPI, uma vez que o auto de infração referiuse apenas às glosas de créditos não comprovados, nos seguintes termos: O contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar os Livros Diário, Razão e ( Livro Registro de Apuração do IPI, além da documentação comprobatória da escrituração contábil e fiscal dos anos calendário 2006 e 2007. Contudo, o contribuinte, apesar do longo prazo decorrido, só conseguiu fornecer cópias em meio digital do Livro Registro de Apuração do IPI em formato PDF, deixando de apresentar os livros requisitados, devidamente encadernados e registrados, bem como a documentação de suporte dos valores escriturados. O contribuinte foi ainda devidamente alertado de que a falta de apresentação dos documentos fiscais ensejaria a glosa dos eventuais créditos de IPI escriturados no Livro Registro de Apuração de IPI e o conseqüente lançamento de ofício do saldo devedor resultante, nos termos do disposto nos artigos 190, inciso I, 195, 196 e 200, inciso IV, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002). Portanto, uma vez que o sujeito passivo deixou de apresentar os documentos comprobatórios dos créditos escriturados no LRAIPI, tais créditos serão glosados, reconstituindose a escrita e lançandose de ofício o crédito tributário relativo aos saldos devedores resultantes, mediante a lavratura de Auto de Infração do IPI, formalizado no processo administrativo n° 13896.721302/201191. A seguir, esclareceu a Fiscalização ter apurado hipóteses de sonegação fiscal, relativamente ao IRPJ e reflexos, e de falta de atendimento de intimações, relativamente a todos os tributos e contribuições. Em relação ao IRPJ e reflexos, houve qualificação e agravamento das multas, enquanto que, em relação ao IPI, somente seu agravamento. Ademais, em relação a todos os tributos e contribuições lançados, foi atribuída sujeição passiva solidária aos sócios Vicente Auricchio (espólio) e João Roberto Secchi, nos termos dos arts. 135, I e II, e 131, III, do Código Tributário Nacional. Instruíram o processo: Mandado de Procedimento Fiscal (efl. 2); DIPJ (efls. 5 a 66); Termo de Início de Ação Fiscal (efls. 67 e 68); Procuração do sócio Sr. João Roberto Secchi ao Sr. Renato Joaquim Silva (efls. 69 a 70); Pedido de prorrogação de prazo (efl. 71); Alteração de contrato social (efls. 72 a 78, 79 a 89); Cópias do Livro Registro de apuração do ICMS (efls. 90 a 115, 116 a 143, 144 a 172, 173 a 203); Cópias dos Livro Registro de Entradas (efls. 204 a 306, 631 a 749); Cópias do Livro Registro de Saídas (efls. 327 a 630, 750 a 1057); Extratos de informações da Gia obtidos do sítio do Governo do Estado de São Paulo (efls. 1058 a 1119, 1120 a 1182); Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Impressão do arquivo “Sinco” de 2006 a 2010 (efls. 1183 a 1539); Cópia de ofício ao Delegado Regional Tributário de Osasco (e fl. 1540); Informações fornecidas pela Delegacia Tributário de Osasco (efls. 1541, 1569, 1570 a 1618); Ficha cadastral completa da Junta Comercial do Estado de São Paulo (efls. 1618 a 1624, 1625 a 1628); Termo de ciência e continuação de procedimento fiscal (efls. 1629 a 1637); Termo de intimação (efls. 1538 a 1641); Termo de constatação e intimação fiscal (efls. 1642 e 1643); Demonstrativos de apuração de receita e extratos dos sistemas (efls. 1644 a 1653); Documentos relativos ao inventário de Vicente Auricchio (efls. 1654 a 1657); Extratos de consulta de dados cadastrais dos responsáveis (e fls. 1658 a 1660); Termo de constatação fiscal (efls. 1661 a 1672); Auto de infração (efls. 1673 a 1690); Demonstrativos anexos ao auto de infração (efls. 1691 a 1693); Avisos de Recebimento do auto de infração devolvidos (efls. 1694 e 1695, 1769 e 1770); Despacho para intimação por edital (efls. 1696 e 1697); Edital de ciência em papel para identificação do procurador e conferência de sua assinatura, para saneamento do despacho de efl. 1771 (efls. 1773); Extrato do processo (efls. 1774 e 1775). Foram apresentadas três impugnações: Efls. 1698 a 1712, em 03 de agosto de 2011, pela Açomedi Aços Ltda.; Efls. 1713 a 1731, em 03 de agosto de 2011, pelo sócio João Roberto Secchi; Efls. 1733 a 1766, em 10 de agosto de 2011, pelo espólio de Vicente Auricchio. A empresa e o primeiro sócio tiveram ciência do auto de infração em 05 de julho, enquanto que o último tomou ciência em 08 de agosto (efl. 1767). Em relação à impugnação da empresa, a Secat emitiu a intimação de efl. 1768, requerendo “Cópia autenticada (ou cópia simples acompanhada do original) de documento de identidade do subscritor da impugnação postada na data de 03/08/2011 que permita sua identificação e conferência de assinatura.” O aviso de recebimento foi devolvido (efls. 1769 e 1770) e o processo encaminhado à DRJ/Ribeirão Preto (efl. 1771). A DRJ devolveu o processo para intimação por edital (efl. 1772), que foi efetuada conforme efl. 1773, mas não atendida. Nas impugnações, após descrição da autuação, os impugnantes considerados responsáveis solidários alegaram a nulidade da autuação, por não terem sido intimados previamente em relação à ação fiscal. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13896.721302/201191 Acórdão n.º 32013.201.002.309 S3C2T1 Fl. 1.843 5 O espólio de Vicente Auricchio ainda contestou a sua legitimidade passiva, alegando que não se enquadraria no conceito de responsável do art. 121 do CTN e também nas hipóteses de responsabilidade por sucessão dos arts. 129 a 133. Em relação ao art. 134, alegou que a empresa ainda se encontraria “ativa” e não seria o caso de responsabilidade subsidiária. Citou ementas de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Da mesma forma, o sócio João Roberto Secchi alegou não poder integrar o pólo passivo da autuação, à vista do art. 121 do CTN. No mérito, alegaram que a autuação teria decorrido de “equivocado entendimento de que a empresa autuada teria deixado de fornecer ‘quaisquer dos documentos ou esclarecimentos solicitados e nem apresentou qualquer justificativa para o descumprimento da intimação’ (página 5 do Termo de Constatação Fiscal).” A seguir, citou exemplos de oportunidades em que teria apresentado a documentação solicitada pela Fiscalização, concluindo o seguinte: Portanto, o fornecimento dos seguintes documentos: Guias de Informação e Apuração do ICMS, Livros Registro dc Apuração do IPI, do ICMS, de Entradas e de Saídas, dados referentes às notas fiscais de entrada e de saída, DESAUTORIZAM o entendimento de que a autuada não apresentou quaisquer documentos! [...] Não obstante, o auto de infração foi imposto com base em arbitramento, o que não c admissível, tendo em vista que o critério adotado prejudica a empresa autuada, ao impugnante na medida em que este encontrase arrolado como responsável solidário não retrata suas reais operações comerciais e desconsidera os tributos efetivamente recolhidos. [...] A prevalência do Auto de Infração ofende aos princípios do contraditório e ampla defesa e ignora, por completo, o princípio da verdade real da motivação, do qual a administração pública não pode se afastar, sob pena de impor o reconhecimento da ilegalidade do ato administrativo. [...] Citaram, ainda, o art. 112 do CTN, entendimento da doutrina, entendimento judicial e administrativo sobre o ônus da prova e dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se basearam o lançamento. Atacaram o processo de representação penal, com base na decisão do STF na ADI n° 1521, e citaram ainda a decisão no HC 81.6118. Finalmente, foram juntadas aos autos, às efls. 1780 a 1793, cópia do Acórdão n. 1645.000, de 20 de março de 2013, da 3ª Turma da DRJ/São Paulo I, extraída dos autos do Processo Digital n° 13896.721301/201146. Segundo informações do eProcesso , não foi apresentado recurso contra o acórdão acima citado, tendo sido o processo Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 encaminhado para inscrição em dívida ativa, conforme o teor do último despacho constante daqueles autos nesta data: Tratase de Auto de Infração IRPJ e seus reflexos CSLL, COFINS E PIS (fls 1.708 a 1.755). O contribuinte e os sujeitos passivos solidários (termos de sujeição passiva constantes das fls 1.756 a 1.759) foram devidamente cientificados do Acórdão de Impugnação. Não consta recurso voluntário, pedido de parcelamento, nem pagamentos para os débitos do presente processo (fls 1.899 a 1.901). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu por não conhecer da impugnação apresentada pela Açomedi, em não tomar conhecimento dos questionamentos relativos ao processo de representação fiscal para fins penais; em considerar as impugnações dos responsáveis solidários ineptas em relação à contestação do arbitramento de lucro e não impugnadas as matérias relativas à glosa de créditos, à exigência de multa de ofício e juros de mora e à majoração da multa de ofício; e, no restante, em afastar as alegações de nulidade e considerar procedente a responsabilidade solidária atribuída aos sócios. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO SIGNATÁRIO. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA SANEAMENTO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. Não se toma conhecimento de impugnação apresentada por signatário desconhecido e não qualificado nos autos, após intimação reiterada da empresa para saneamento da peça processual. LANÇAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e em que se verifique a presença dos requisitos exigidos pela legislação tributária. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa do contribuinte que é regularmente intimado de todos os termos fiscais, com a concessão de prazo adequado para resposta, apresentação de livros e da documentação contábil e fiscal e para a produção de provas. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI E ARBITRAMENTO DE LUCRO DE IRPJ. DISTINÇÃO. IMPUGNAÇÃO. INÉPCIA. É inepta a impugnação de lançamento na parte em que se volta contra o arbitramento de lucro do Imposto de Renda efetuado em outro processo, em vez de contestar a glosa de créditos de IPI por falta de existência de documentação de suporte, matéria objeto dos autos. IPI. GLOSA DE CRÉDITOS, MULTA, JUROS E MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13896.721302/201191 Acórdão n.º 32013.201.002.309 S3C2T1 Fl. 1.844 7 Tornamse incontroversas e preclusas as matérias do lançamento que não tenham sido expressamente impugnadas. Não produzem efeitos legais as contestações genéricas, que não apresentem fundamentos. PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO PENAL. ACUSAÇÃO DE SONEGAÇÃO. AUSÊNCIA. Não se toma conhecimento de contestação relativa ao processo de representação fiscal para fins penais, por não integrar o rito do Decreto n° 70.235, de 1972, e especialmente quando não tenha abrangido imposto em discussão nos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. Os sócios administradores são solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias decorrentes de atos praticados em sua gestão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da primeira instância, o espólio de Vicente Auricchio representado pela inventariante Bruna Vicken Ávila Auricchio alegando a inaplicabilidade da sujeição passiva, visto que o IPI é devido pela pessoa jurídica Açomedi e durante a fiscalização não houve nenhuma evidência de que o critério jurídico adotado tenha implicado em responsabilidade do falecido nos termos do art. 137 do CTN e mesmo que considerada a responsabilidade tributária por sucessão, mesmo assim, da inventariante somente poderia ser exigido o tributo e não as penalidades. Prossegue a Recorrente afirmando que a inventariante não se subsume ao disposto no inciso I, do artigo 124 do CTN e nunca teve interesse nas situações apontadas como geradoras da obrigação tributária. Alega a nulidade do auto de infração por vício forma e material, tendo em vista que o lançamento deveria ter ocorrido em face da pessoa jurídica e somente poderia alcançar outra pessoa, caso restasse comprovada a responsabilidade pessoal do infrator. Por fim pede a exclusão do polo passivo da obrigação tributária. As demais pessoas autuadas Açomedi e João Roberto Secchi não apresentaram recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, o auto foi lavrado contra a empresa Açomedi, tendo como solidários Vicente Auricchio e João Roberto Secchi. A decisão da DRJ considerou revel a Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 empresa e analisando a impugnação dos solidários entendeu por negar provimento aos seus recursos. Cientificados da decisão da primeira instância, somente o espólio de Vicente Auricchio apresentou recurso voluntário, portanto a lide no presente processo, submetida a apreciação deste colegiado, restringese a discussão quanto a solidariedade e alegações de vicio formal e material do lançamento. Ofensa a princípios constitucionais e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. As Recorrentes foram cientificadas da exigência fiscal e apresentaram impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignados com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foram interpostos recursos voluntários, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. A solidariedade do espólio de Vicente Auricchio em relação às operações da Açomedi Considerando o falecimento do solidário Vicente Auricchio, a responsabilidade referente ao auto de infração passa a ser de responsabilidade do espólio, que responde pelos tributos devidos até a data da abertura da sucessão, nos termos previstos no art. 131, III do CTN. Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13896.721302/201191 Acórdão n.º 32013.201.002.309 S3C2T1 Fl. 1.845 9 Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. A Recorrente pede que seja afastada a obrigação do inventariante nas penalidades aplicadas. No caso em discussão nos autos a responsabilidade sobre os tributos esta restrito ao espólio, que responderá pelas dívidas tributárias. O inventariante somente será responsabilizado nos atos em que intervierem ou pelas omissões que forem responsáveis, nos termos do art. 134, IV. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. A decisão da primeira instância não atribuiu responsabilidade a inventariante do espólio, mas somente reafirmou com a sua decisão, que o espólio responde pelas dívidas tributárias devidas pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. A partir da abertura da sucessão, caso o inventariante, pratique atos tendentes a ocultar, reduzir ou afetar os valores devidos pelo espólio passa a responder de forma solidária pelos tributos que originalmente somente seriam devidos pelo espólio. Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Cabe ainda ressaltar, que se existir a formalização da partilha ainda com tributos pendentes referentes ao espólio, a responsabilidade tributária passa aos sucessores a qualquer título e o cônjuge meeiro, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou a meação, nos termos previstos no art. 131, II do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10830.007399/2001-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PROVAS ANEXADAS AO RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTRAPOSIÇÃO ARGUMENTOS DA DRJ. POSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 16, §4º, 'c' do Decreto nº 70.235/1972, é possível ao contribuinte juntar provas documentais após a apresentação da impugnação quando se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
LIVRO-CAIXA. DEDUTIBILIDADE. OCORRÊNCIA DA DESPESA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Contribuinte comprovar a ocorrência das despesas lançadas em seu livro caixa, sendo indedutíveis para fins de apuração do IRPF aquelas não comprovadas.
DESPESAS COM DESLOCAMENTO. INDEDUTIBILIDADE. LIVRO-CAIXA. VEDAÇÃO LEGAL.
A despeito da comprovação da ocorrência e da necessidade das despesas incorridas com o deslocamento para o auferimento do rendimento, são indedutíveis tais despesas por expressa vedação legal (art. 6º, §1º, 'b', da Lei nº 8.134/1990).
DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE NECESSIDADE PARA O AUFERIMENTO DO RENDIMENTO.
Nas hipóteses em que resta comprovada a ocorrência das despesas e a sua necessidade para o auferimento do rendimento, somado à falta de vedação legal, necessário aceitar sua dedutibilidade para fins de apuração do IRPF.
Numero da decisão: 2202-003.573
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de dedução das despesas de livro Caixa, relativas à alimentação, hospedagem, aluguel e manutenção de loja e depósito, contribuição previdenciária e fotografias, devidamente comprovadas, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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CONTRAPOSIÇÃO ARGUMENTOS DA DRJ. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 16, §4º, 'c' do Decreto nº 70.235/1972, é possível ao contribuinte juntar provas documentais após a apresentação da impugnação quando se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. LIVROCAIXA. DEDUTIBILIDADE. OCORRÊNCIA DA DESPESA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Contribuinte comprovar a ocorrência das despesas lançadas em seu livro caixa, sendo indedutíveis para fins de apuração do IRPF aquelas não comprovadas. DESPESAS COM DESLOCAMENTO. INDEDUTIBILIDADE. LIVRO CAIXA. VEDAÇÃO LEGAL. A despeito da comprovação da ocorrência e da necessidade das despesas incorridas com o deslocamento para o auferimento do rendimento, são indedutíveis tais despesas por expressa vedação legal (art. 6º, §1º, 'b', da Lei nº 8.134/1990). DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE NECESSIDADE PARA O AUFERIMENTO DO RENDIMENTO. Nas hipóteses em que resta comprovada a ocorrência das despesas e a sua necessidade para o auferimento do rendimento, somado à falta de vedação legal, necessário aceitar sua dedutibilidade para fins de apuração do IRPF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 73 99 /2 00 1- 20 Fl. 772DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de dedução das despesas de livro Caixa, relativas à alimentação, hospedagem, aluguel e manutenção de loja e depósito, contribuição previdenciária e fotografias, devidamente comprovadas, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir IRPF em razão de deduções indevidas a título de deduções de livro caixa. Intimado, o Contribuinte apresentou impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ. Ainda inconformado, interpôs Recurso Voluntário. Chegando ao CARF, o julgamento foi convertido em diligência, que já foi devidamente realizada. Tendo feito o resumo da lide, passamos ao relato pormenorizado dos autos. Em 11/09/2001, foi lavrado auto de infração (fls. 29/32) para reduzir o IRRF a restituir referente ao anocalendário de 1998, de R$ 5.021,67 para R$ 448,74, pela (i) redução dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica; (ii) constatação de "dedução indevida a título de livro caixa glosado por falta de atendimento ao pedido de esclarecimentos"; e (iii) "dedução indevida de imposto de renda retido na fonte". Intimado em 30/10/2001 (fl. 68), o Contribuinte apresentou impugnação em 20/11/2001 (fls. 27/28 e docs. anexos fls. 29/61). Explicou (i) que, por ter se mudado, deixou de receber diversas correspondências que chegaram ao antigo endereço; (ii) que, ao exercer atividade de perito judicial, era necessário fazer retenção do IR para poder levantar seus honorários; (iii) que, da mesma forma que as perícias geravam rendimentos, também incorriam em despesas; e (iv) que deixava de juntar documentação em função do volume de documentos, deixava de juntálos à impugnação, mas que se encontravam à disposição para análise da autoridade fiscalizadora. Em análise no 1º grau, a DRJ/RJOII proferiu o acórdão nº 1314.232, de 30/10/2006 (fls. 84/89), que restou assim ementado: Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10830.007399/200120 Acórdão n.º 2202003.573 S2C2T2 Fl. 773 3 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES Somente são possíveis de dedução, quando efetivamente comprovadas. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Comprovada a retenção na fonte de imposto de renda correspondente à rendimentos oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste, legítima é sua dedução. Lançamento Procedente em Parte.” Os fundamentos da decisão foram os seguintes: · Que o contribuinte não juntou aos autos as provas necessárias (Livro Caixa e Comprovantes das deduções), de forma que não é possível afastar a infração; · Que o contribuinte comprovou a retenção na fonte do montante R$ R$ 17.056,97, afastando a respectiva infração; e · Que, efetuando novos cálculo, e aceitando o valor do rendimento declarado pelo Contribuinte, a autoridade julgadora de 1º grau apurou IR a recolher em R$ 5.559,35. Uma vez que não lhe era permitido agravar o lançamento, manteve o valor original do imposto a restituir apurado no AI. Intimado em 14/05/2007 (fl. 93), o Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 95/98 e docs. anexos fls. 99/625) em 12/06/2007 (fl. 626) no qual aduziu, em síntese: · Que não foi intimado, durante a fiscalização, a fornecer os documentos do livro caixa que sempre estiveram em seu poder e à disposição dos órgãos fiscalizadores; · Que, nesse sentido, tampouco foi intimado a apresentar a documentação especifica durante o primeiro grau de jurisdição; e · Que apresentava tais documentos em anexo ao recurso voluntário. Chegando a este tribunal administrativo, foi proferida a Resolução CARF nº 10402.087, de 12/09/2008 (fls. 1/4 e repetida às fls. 627/630), que determinou a realização de diligência para que a autoridade fiscalizadora analisasse os documentos juntados pelo Contribuinte. A DRF proferiu então o Parecer Fiscal (fl. 6 e repetida à fl. 633), que concluiu pela não admissibilidade do livro caixa apresentado. Tendo recorrente sido intimado do parecer fiscal, apresentou manifestação. Vieram os autos ao CARF, que proferiu a Resolução nº 220200.207, de 15/05/2012 (fls. 654/659), na qual se declarou haver discordância com a conclusão tomada pela DRF e se Fl. 774DF CARF MF 4 determinou a realização de nova diligência para verificar, mais uma vez, o livrocaixa e a intimação do contribuinte para apresentar mais documentação. Feita a nova diligência, foi proferido um novo Parecer Fiscal Conclusivo (fls. 710/714 e docs. anexos fls. 715/753), na qual se concluiu pela admissibilidade das deduções de apenas parte das despesas constantes no livro caixa. Intimado, o Contribuinte já se manifestou (fls. 755/768) sobre a conclusão da diligência, argumentando pela aceitação de todas as despesas. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Uma vez que a DRJ já deu provimento a parte do recurso voluntário, especificamente no tocante à comprovação do IRRF, a lide se resume à comprovação e à dedutibilidade das despesas de livro caixa. Pois bem. O Contribuinte apresentou vastas provas em anexo ao recurso voluntário que foram aceitas pelo CARF em duas oportunidades, e igualmente já foram analisadas pela DRF. Argumentou que apresentava tais provas nesse momento processual exatamente para contrapor argumento levantado pela DRJ, o que é aceito nos termos do art. 16, §4º, "c", do Decreto nº 70.235/1972. In casu, o Auto de Infração, em momento algum, se referiu especificamente à não apresentação do livrocaixa ou a seus documentos, mas simplesmente ao não atendimento ao pedido de esclarecimentos. Nesse contexto foi apenas a DRJ que afirmou ser impossível analisar os pedidos sem os referidos documentos. Portanto, adequada a apresentação nesse momento. Foram apresentadas, nesse contexto (fls. 99/625): · Livrocaixa de 1998; · Cobranças telefônicas; · Cobranças de eletricidade; · Contrato de locação residencial; · Recibos de pagamento de aluguel de loja; · Comprovantes de pagamento de IPTU da loja; Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10830.007399/200120 Acórdão n.º 2202003.573 S2C2T2 Fl. 774 5 · Recibos de pagamentos de despesas com funcionários; · Recibos de materiais e de manutenção com indicação de que tais despesas foram incorridas em prol da loja; · Guias de Recolhimento da Previdência Social; · Recolhimentos de FGTS pelo Contribuinte em prol de outra pessoa; · Recolhimento do CREA, do Instituto de Engenharia Legal e do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (IBAPE); · DAMs de ISS; · Notas fiscais de Hospedagem; · Notas fiscais de manutenção de veículo e de abastecimento; · Notas Fiscais de alimentação; e · Recibos de pagamento a prestadores de serviço, entre outros. Ante a apresentação da referida documentação, conforme já relatado, foi determinada a primeira diligência, que não foi realizada à satisfação, porquanto o livro caixa não foi apresentado (foram juntadas apenas as capas), tornando impossível a análise da documentação. Então, determinada a nova diligência, para que o Contribuinte apresentasse o livro caixa, esta foi adequadamente apresentada, de sorte que a DRF pode, enfim, analisar os documentos apresentados pelo recorrente. Nesse análise, conforme se observa do Parecer Fiscal Conclusivo, apenas parte das despesas lançadas eram dedutíveis nos termos do art. 75 do RIR/1999 e do art. 6º, §2º, da Lei nº 8.134/1990. As razões para não aceitar a dedutibilidade das demais despesas foram assim enumeradas: · Vedação legal de deduções com locomoção e transporte; · Gastos com alimentação e hospedagem não constituem despesas necessárias para o desenvolvimento da atividade; · Despesas não comprovadas por falta de documentação hábil; nesse ponto, incluiu aluguel, haja vista a inexistência de contrato de locação; · Dispêndios considerados como aplicação de capital; e · Contribuição previdenciária do próprio Contribuinte. Foram elaborados, ainda, dois quadros anexos indicando, individualizadamente, as deduções aceitas e as não aceitas, todas com motivação. Em sua manifestação, o Contribuinte apontou que deveria ser aplicada a RIR/1994 e não a RIR/1999. Esse argumento, em que pese correto, não é relevante para o caso Fl. 776DF CARF MF 6 concreto. O fato é que ambos os Decretos (nº 3.000/1999 e nº 1.041/1994) apenas consolidam a legislação vigente (art. 6º da Lei nº 8.134/1990; art. 10 da Lei nº 8.383/1991 e art. 4º da Lei nº 9.250/1995); nesse contexto, a regra do art. 75 do RIR/1999 está contida também no art. 81 do RIR/1994, vigente à época dos fatos. Também, discorreu sobre a necessidade de aceitar todos os documentos que são compostos por notas fiscais. A verdade é que a autoridade diligenciadora explicou, ainda que sucintamente, haver despesas lançadas e desacompanhadas de documentos hábeis a comprovar a sua ocorrência, ou que não sejam suficientemente descritas ou ainda que fossem ilegíveis. Efetivamente, o Contribuinte lançou como despesas, ad exemplum, gastos com fotografia. Acontece que as notas fiscais (e.g. fls. 518) não constam o nome do adquirente do produto nem o nome do tomador do serviço, tornando impossível atestar quem foi o adquirente ou o tomador do serviço. Isoladamente, esses documentos não têm, portanto, o condão de comprovar que foi o Contribuinte quem incorreu em tais despesas. Diferente seria se tivessem tal descrição ou se, por exemplo, fosse comprovada a efetiva ocorrência do pagamento (comprovante de transferência bancária ou de pagamento em cartão). Enfim, assiste razão à autoridade diligenciadora: há diversas ocorrência nas quais os documentos juntados aos autos não são suficientes para comprovar a ocorrência das despesas, razão pela qual são indedutíveis. De resto, insistindo na dedutibilidade das despesas, o Contribuinte explicou que exercia atividade de vistoria e perícia técnica judicial, e isso implica na aceitação das despesas pelas seguintes razões: Despesas com deslocamento Que, para o auferimento do rendimento, precisava se deslocar até o local ou unidade que seria vistoriado, bem como aos cartórios judiciais para retirada e devolução de processos. Nesse sentido, as despesas com deslocamento (o que inclui pedágios) são necessária e dedutíveis. Em que pese a lógica e a justiça das alegações do Contribuinte, por expressa vedação legal (art. 6º, §1º, 'b', da Lei nº 8.134/1990), não é possível deduzir as despesas com deslocamento, o que inclui aquelas com abastecimento, manutenção de veículo ou mesmo de pedágio. Alimentação Argumenta o Contribuinte que precisava, devido ao deslocamento, em diversas oportunidades, se alimentar nos destinos. Assiste razão ao Contribuinte em tese. Uma vez que ele viajava a trabalho, efetivamente não se pode esperar que deixasse de se alimentar; também, não há dúvidas de que alimentação em estabelecimentos comerciais é como regra geral mais onerosa do que aquela feita na própria residência. Contudo, compulsando os autos, percebese que o Contribuinte não apresentou elementos hábeis a comprovar na prática quaisquer despesas com a alimentação. As notas fiscais apresentadas, segundo a autoridade diligenciadora, não contêm os requisitos necessários para identificar que o Contribuinte foi o consumidor. Fazendo análise por Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10830.007399/200120 Acórdão n.º 2202003.573 S2C2T2 Fl. 775 7 amostragem (e.g., nota fiscal de fls. 430), efetivamente tem razão a autoridade lançadora: as notas apresentadas não são hábeis a comprovar o dispêndio. Hospedagem O Contribuinte repete seu argumento em relação às despesas com hospedagem incorridas em viagens a trabalho. Assiste razão ao Contribuinte em tese. Não se pode esperar que o Contribuinte dormisse ao relento quando seu trabalho o levava a pernoitar em outro local que não sua residência. Como exemplo prático, é possível citar as notas fiscais de fls. 345 e 346, nas quais se atesta que o Contribuinte pagou por hospedagem em Campinas nos dias 06/08/1998 e 13/08/1998 (ambas quintasfeiras). Tendo em vista que se trata de dia de semana, bem como o fato de que o Contribuinte residia no Rio de Janeiro (cf. sua DIRPF/1999 fl. 33), e que seria, no mínimo, estranho que viajasse a lazer duas vezes em menos de dez dias para o mesmo local, é crível que efetivamente estivesse ali a trabalho. Nesse sentido, haja vista que a realização de viagens era imprescindível ao auferimento do rendimento, também as despesas com hospedagem o eram, devendo ser reestabelecida a dedutibilidade das despesas devidamente comprovadas. Compulsando, outrossim, a tabela elaborada pela autoridade diligenciadora (fls. 720/753), é possível identificar que os seguintes dispêndios foram aceitos como comprovados e ora são aceitos como dedutíveis: Hospedagem Data Lançamento Valor 30/01/1998 52 (fl. 721) R$ 251,00 20/02/1998 87 (fl. 723) R$ 106,54 19/03/1998 140 (fl. 726) R$ 129,10 27/03/1998 162 (fl. 727) R$ 80,40 09/04/1998 186 (fl. 728) R$ 77,60 24/04/1998 214 (fl. 729) R$ 121,50 07/05/1998 244 (fl. 731) R$ 130,00 20/05/1998 270 (fl. 732) R$ 78,60 29/05/1988 288 (fl. 733) R$ 101,00 04/06/1988 305 (fl. 734) R$ 78,60 13/06/1998 328 (fl. 735) R$ 139,00 15/07/1998 387 (fl. 737) R$ 52,40 24/07/1998 409 (fl. 738) R$ 54,57 06/08/1998 431 (fl. 739) R$ 79,60 13/08/1998 459 (fl. 740) R$ 180,94 28/08/1998 488 (fl. 742) R$ 109,80 18/09/1998 526 (fl. 743) R$ 104,80 26/09/1998 541 (fl. 744) R$ 81,80 15/10/1998 575 (fl. 745) R$ 106,80 Fl. 778DF CARF MF 8 29/10/1998 599 (fl. 746) R$ 106,80 11/11/1998 633 (fl. 748) R$ 139,52 24/11/1998 657 (fl. 749) R$ 79,60 10/12/1998 687 (fl. 750) R$ 52,40 11/12/1998 697 (fl. 751) R$ 53,40 18/12/1998 721 (fl. 752) R$ 114,29 TOTAL R$ 2.610,06 Aluguel e manutenção de loja e depósito A fundamentação apresentada pela autoridade diligenciadora para não aceitar a dedutibilidade das despesas com aluguel e manutenção de loja e de depósito é a falta de contrato. Por sua vez, o Contribuinte afirma que o Contrato foi verbal, mas que os documentos juntados aos autos apresentam todos os dados do locador e do locatário, bem como o endereço do imóvel e a forma do pagamento, devendo servir como prova. Efetivamente, a falta de apresentação de um contrato escrito não implica na inexistência do Contrato de locação. A materialidade do documento escrito serve para comprovar a existência do acordo entre as partes, mas não é elemento imprescindível à criação da obrigação. In casu, a existência da locação pode ser atestada pelo pagamento de aluguel e das despesas de manutenção dos imóveis, bem como pelo pagamento de IPTU. Uma vez que, como bem explicou o recorrente, era necessário manter escritório e depósito para realização de seus ensaios e elaboração de seus pareceres, bem como para a guarda dos equipamentos e das amostras tomadas, tais despesas são compatíveis com sua atividade e, portanto, devem ser dedutíveis. Compulsando, outrossim, a tabela elaborada pela autoridade diligenciadora (fls. 720/753), é possível identificar que os seguintes despêndios foram aceitos como comprovados e ora são aceitos como dedutíveis: Aluguel e Manutenção Data Lançamento Valor 05/01/1998 57 (fl. 720) R$ 454,00 30/01/1998 48 (fl. 721) R$ 30,00 17/02/1998 70 (fl. 722) R$ 80,00 28/02/1998 93 (fl. 723) R$ 880,00 31/03/1998 166 fl. 727) R$ 114,52 31/03/1998 167 fl. 727) R$ 106,88 31/03/1998 168 fl. 727) R$ 99,25 20/04/1998 197 (fl. 729) R$ 99,25 27/04/1998 217 (fl. 730) R$ 22,40 28/04/1998 218 (fl. 730) R$ 6,00 04/05/1998 223 (fl. 730) R$ 50,00 05/05/1998 231 (fl. 730) R$ 600,00 05/05/1998 232 (fl. 730) R$ 600,00 05/05/1998 233 (fl. 730) R$ 600,00 13/05/1998 254 (fl. 731) R$ 95,44 05/06/1998 307 (fl. 734) R$ 600,00 15/06/1998 330 (fl. 735) R$ 95,44 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10830.007399/200120 Acórdão n.º 2202003.573 S2C2T2 Fl. 776 9 06/07/1998 360 (fl. 736) R$ 640,00 09/07/1998 367 (fl. 736) R$ 95,44 11/08/1998 440 (fl. 739) R$ 880,00 12/08/1998 444 (fl. 740) R$ 95,43 08/09/1998 502 (fl. 742) R$ 880,00 13/09/1998 510 (fl. 743) R$ 95,43 14/10/1998 569 (fl. 745) R$ 20,50 14/10/1998 570 (fl. 745) R$ 20,00 04/11/1998 611 (fl. 747) R$ 550,00 05/11/1998 616 (fl. 747) R$ 103,06 12/11/1998 635 (fl. 748) R$ 880,00 14/12/1998 698 (fl. 751) R$ 550,00 TOTAL R$ 9.343,04 Despesas com contribuição previdenciária A autoridade diligenciadora não aceitou a dedutibilidade das despesas previdenciárias, argumentando que se tratavam de despesas em prol do próprio Contribuinte. Este, por sua vez, explica que as despesas previdenciárias foram feitas em prol de funcionária, devidamente registrada. Considerando que efetivamente foram recolhidos FGTS em prol de uma funcionária (fl. 306/312), tal argumento é plausível e deve ser aceito. Em outras palavras, deve ser reestabelecida a dedutibilidade das despesas previdenciárias incorridas e devidamente comprovadas. Compulsando, outrossim, a tabela elaborada pela autoridade diligenciadora (fls. 720/753), é possível identificar que os seguintes despêndios foram aceitos como comprovados e ora são aceitos como dedutíveis: Contr. Prev. Data Lançamento Valor 20/01/1998 2 (fl. 721) R$ 41,27 20/02/1998 3 (fl. 723) R$ 41,27 20/03/1998 4 (fl. 726) R$ 41,27 20/04/1998 5 (fl. 728) R$ 41,27 20/05/1998 6 (fl. 732) R$ 41,27 20/06/1998 7 (fl. 735) R$ 43,26 01/07/1998 354 (fl. 736) R$ 49,06 20/07/1998 8 (fl. 737) R$ 43,26 03/08/1998 419 (fl. 738) R$ 45,01 20/08/1998 735 (fl. 741) R$ 43,26 02/09/1998 499 (fl. 742) R$ 44,94 20/09/1998 9 (fl. 743) R$ 43,26 01/10/1998 552 (fl. 744) R$ 45,01 20/10/1998 10 (fl. 745) R$ 43,26 05/11/1998 617 (fl. 747) R$ 46,74 20/11/1998 11 (fl. 748) R$ 43,26 02/12/1998 668 (fl. 749) R$ 44,94 Fl. 780DF CARF MF 10 20/12/1998 12 (fl. 752) R$ 43,26 TOTAL R$ 784,87 Despesas com fotografia O Contribuinte argumenta, ainda, que à época era necessário adquirir filmes para fotografia, bem como revelação destas, vez que eram indispensáveis à instrução de seus pareceres e relatórios. A verdade é que a autoridade fiscalizadora não se refere a tais despesas em seu relatório de conclusão; nos anexos, entretanto, encontramos despesas dessa natureza que não foram aceitas em decorrência da falta de requisitos necessários para comprovar a ocorrência da despesa. Como já apontado acima, não basta o lançamento com pertinência lógica à atividade exercida; é necessária a prova da efetiva despesa. Portanto, apesar de o Contribuinte ter razão em tese, não apresentou provas nos autos suficientes para que sejam reconhecidas despesas a esse título. Conclusão É necessário concluir que são dedutíveis não apenas aquelas despesas reconhecidas pela autoridade diligenciadora no valor total de R$ 14.396,14 (cf. Anexo I ao Parecer Fiscal Conclusivo, fls. 715/719), mas também aquelas que, cumulativamente, foram consideradas comprovadas (cf. Anexo II ao Parecer Fiscal Conclusivo, fls. 720/753) e que, como exposto acima, têm pertinência lógica com a atividade desenvolvida e não são vedadas por lei (alimentação, hospedagem, aluguel e manutenção de loja e depósito, despesas com contribuição previdenciária e fotografias), no valor total de R$ 12.737,97. Enfim, refeita a apuração das despesas dedutíveis, deve ser recalculado o IRPF devido, nos moldes do acórdão da DRJ e, após a dedução do IRRF já comprovado de R$ 17.505,71, alcançado o IRPF a pagar ou a restituir. Recordase que, não sendo possível agravar o lançamento, o mínimo de IRPF a restituir deve ser, sempre, o valor original de R$ 448,74, devidamente atualizado, conforme estabelecido no AI. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto acima, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a dedutibilidade das despesas supradescritas no valor total de R$ 27.134,11, conforme o voto. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10830.007399/200120 Acórdão n.º 2202003.573 S2C2T2 Fl. 777 11 Fl. 782DF CARF MF
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