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Numero do processo: 16327.000536/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO.
Entende-se por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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APLICAÇÃO. Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/06/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 36 /2 00 7- 67 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 16327.000536/200767 Acórdão n.º 2102002.586 S2C1T2 Fl. 68 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Contra BANCO ITAUSAGA S/A foi lavrado Auto de Infração, fls. 15/20, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 44.833,44. A infração apurada pela autoridade fiscal foi o recolhimento do IRRF em momento posterior ao vencimento do tributo, desacompanhado da multa de mora, que é exigida no Auto de Infração, com fundamento no seguinte enquadramento legal: art. 160 da Lei nº 5.172/66; arts. 43 e 61 e parágrafos 1º e 2º da Lei nº 9.430/96; e art. 9º e parágrafo único da Lei nº 10.426/02. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/07, onde alega, em apertada síntese, que a multa de mora não é devida em razão da aplicação da denúncia espontânea, prevista no art. 138 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). A autoridade julgadora de primeira instância considerou improcedente a impugnação, conforme Acórdão DRJ/SP1 nº 1629.834, de 23/02/2011, fls. 25/30, que está assim ementado: DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 33, o contribuinte apresentou, em 20/04/2011, recurso voluntário, fls. 37/46, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que o art. 138 do CTN, ao eximir o contribuinte da responsabilidade sobre a infração tributária espontaneamente denunciada, retira do Estado a base legal para a imposição de penalidade e, consequentemente, para a cobrança de multa, quer seja moratória ou punitiva. que com a finalidade de comprovar a espontaneidade do pagamento referente ao valor do IRRF, o recorrente anexa aos autos cópia da DCTF original, transmitida em 13/08/2004 e da guia DARF recolhida em 06/08/2004, o que demonstra que o recolhimento foi feito antes de informado, o que caracteriza a existência de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 16327.000536/200767 Acórdão n.º 2102002.586 S2C1T2 Fl. 69 3 É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do relatório acima verificase que a lide que se impõe gira em torno do alcance da denúncia espontânea, que está disciplinada no art. 138 do Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. O objetivo do art. 138 do CTN é o de estimular o contribuinte infrator a regularizar a sua situação, denunciando fatos desconhecidos por parte do Fisco, sendo certo que sua conduta – denúncia espontânea – tem por conseqüência o recolhimento de tributo devido acompanhado dos juros de mora, cujo recolhimento não fora efetuado dentro do prazo legal e que não fosse sua iniciativa, talvez nunca viesse a lhe ser exigido de ofício. Assim, não configura denúncia espontânea a situação em que o contribuinte apresenta declarações que constituem o crédito tributário, tais como DCTF, DIRPF, Dcomp, etc. e em momento posterior quitam o débito, mediante pagamento ou compensação. Nesse sentido, temse o Acórdão nº 9202002.570, de 06/03/2013, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais, da relatoria do Conselheiro Elias Sampaio Freire, que está assim ementado: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 16327.000536/200767 Acórdão n.º 2102002.586 S2C1T2 Fl. 70 4 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 543C DO CPC. A questão referente à ocorrência de denúncia espontânea já foi matéria controversa no âmbito do STJ, prevalecendo o entendimento, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's n. 1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco" Assim sendo, devem ser identificadas as circunstâncias fáticas que ensejam a aplicação, ou não, do instituto da denúncia espontânea, quais sejam: a) se o contribuinte declara e paga a menor, mas retifica o valor da declaração e realiza, concomitantemente, o pagamento integral do valor retificado, deve ser reconhecida a denúncia espontânea; b) se contribuinte declara, mas não paga o tributo na mesma oportunidade, não deve ser reconhecida a denúncia espontânea (Súmula 360/STJ). No presente caso, o contribuinte apresentou a DCTF correspondente ao segundo trimestre do anocalendário de 2004, onde informou débito de R$ 224.167,20 (principal), cujo vencimento se deu em 07/04/2004 e efetuou o recolhimento da referida quantia acompanhada dos juros de mora devidos em 06/08/2004, antes da data da apresentação da DCTF, sendo certo que o procedimento fiscal, que exigiu do contribuinte a multa de mora, somente teve seu início caracterizado com a ciência do lançamento, que se deu em 20/03/2007, fls. 23. Configurase, portanto, a denúncia espontânea, sendo indevida a exigência da multa de mora. Nestes termos, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 70DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723574/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devendo-se excluir da tributação os rendimentos declarados pelo contribuinte por se tratarem de origem dos referidos depósitos bancários
CONTA BANCÁRIA EM CONJUNTA - FALTA DE INTIMAÇÃO - NULIDADE.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29)
Numero da decisão: 2202-002.316
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente ).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, ausente justificadamente, o conselheiro Fabio Brun Goldschmid.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devendo-se excluir da tributação os rendimentos declarados pelo contribuinte por se tratarem de origem dos referidos depósitos bancários CONTA BANCÁRIA EM CONJUNTA - FALTA DE INTIMAÇÃO - NULIDADE. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 100 1 99 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.723574/201005 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.316 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria Omissão de Rendimentos Depósito Bancário Recorrente Divonira Cristina Torres Kudri Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devendose excluir da tributação os rendimentos declarados pelo contribuinte por se tratarem de origem dos referidos depósitos bancários CONTA BANCÁRIA EM CONJUNTA FALTA DE INTIMAÇÃO NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 35 74 /2 01 0- 05 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, ausente justificadamente, o conselheiro Fabio Brun Goldschmid. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10980.723574/201005 Acórdão n.º 2202002.316 S2C2T2 Fl. 101 3 Relatório Por meio do auto de infração de fls. 259/265, são exigidos R$ 130.939,73 de imposto sobre a renda de pessoa física, além de multa de ofício de 150% e acréscimos legais correspondentes. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 264/265, e Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal de fls. 254/258, referese à constatação de que houve omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos meses de fevereiro, abril, maio, agosto a dezembro de 2004, janeiro, abril, maio e agosto de 2005. A origem do lançamento ocorreu em 15 de setembro de 2009, através do ofício da segunda vara federal criminal da Curitiba, 3812015, de 26 de agosto de 2009, sobre o inquérito policial 2007.70.00.0236053/PR, onde o pai da contribuinte aparece como um dos titulares da conta no exterior 400648326 da institiuição financeria JPMorgan Chase Bank, a qual não consta em suas Declarações do Imposto de Renda – DIRPF, nos anoscalendário de 2004 a 2005. Efetuada a ciência do lançamento, em 28/09/2010 (fl. 263), a recorrente por intermédio de procurador (fl. 301) apresentou, tempestivamente, em 27/10/2010, a impugnação de fls. 268/300, instruída com os documentos de fls. 301/427. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba ao analisar a impugnação, por unanimidade decidiram em manter o lançamento através do acórdão 06 29.625, de 14 de dezembro de 2010, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, notadamente quando o lançamento é efetuado com a constatação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais os titulares, regularmente intimados, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. A ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, consistente em omissão de rendimentos expressivos auferidos e de manutenção de recursos em conta bancária estrangeira, está sujeita à multa qualificada. Devidamente cientificada decisão o representante do contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde alega em síntese: a) Teria ocorrida a decadência de todos os lançamentos objeto da autuação, ou, no mínimo, a decadência dos lançamentos referentes ao anocalendário de 2004; b) A comprovada ausência de omissão de rendimentos da Recorrente, pois, se omissão tivesse havido, teria sido praticada pelo pai dela e não por ela;e, c) Que jamais agiu com dolo, fraude ou simulação que pudesse ensejar a aplicação da penalidade de multa qualificada correspondente a 150% sobre o valor do tributo cobrado. É o relatório Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10980.723574/201005 Acórdão n.º 2202002.316 S2C2T2 Fl. 102 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 663DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso a Recorrente não nega que é uma das cotitulares da conta corrente, mas alega em sua defesa que toda a movimentação dessa conta bancária situada no exterior foi efetuada por seu pai que faleceu em 14 de agosto de 2009, portanto ela não teria condições de poder manifestar a respeito de tais transações. Além do mais alega que o espólio teria origem suficiente para movimentar tais recursos conforme podese verificar na sua DIRPF. Entendo que são razoáveis as argumentações da Recorrente, uma vez que a origem do lançamento ocorreu em 15 de setembro de 2009, através do ofício da segunda vara federal criminal da Curitiba, 3812015, de 26 de agosto de 2009, sobre o inquérito policial 2007.70.00.0236053/PR, e nele só consta o nome do pai da Recorrente, e a autoridade lançadora não conseguiu demonstrar de maneira inequívoca que tais movimentações foram de titularidade da recorrente. Além do mais os documentos bancários juntados aos autos demonstram que quem movimentava a conta era o genitor da Recorrente. Além do mais devemos aplicar ao caso a Súmula do CARF 29, pela falta de intimação de um dos titulares da conta, no caso o pai o Sr. Abdo em virtude do falecimento ocorrido: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento Fl. 664DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10980.723574/201005 Acórdão n.º 2202002.316 S2C2T2 Fl. 103 7 Desta forma, não é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 665DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 11080.935244/2009-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
PIS. REGIME CUMULATIVO. APLICABILIDADE. RECEITA. CONTRATOS DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. IGP-M. PREÇO PREDETERMINADO. EFICÁCIA TEMPORAL.
O art. 10, XI, b, da Lei nº 10.833/2003, nos termos do art. 15, V, e do art. 93, I, somente é aplicável ao PIS/Pasep a partir de 01 de fevereiro de 2004. O parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 aplica-se apenas à Cofins.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Pimentel Bueno, OAB/DF nº 22.403.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Pimentel Bueno, OAB/DF nº 22.403.
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REGIME CUMULATIVO. APLICABILIDADE. RECEITA. CONTRATOS DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. EFICÁCIA TEMPORAL. O art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003, nos termos do art. 15, V, e do art. 93, I, somente é aplicável ao PIS/Pasep a partir de 01 de fevereiro de 2004. O parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 aplicase apenas à Cofins. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 52 44 /2 00 9- 25 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Pimentel Bueno, OAB/DF nº 22.403. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 417): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. PIS. REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA. CONTRATOS A PREÇO PREDETERMINADO. EFEITOS. A possibilidade de manter no regime da cumulatividade do PIS receitas oriundas de contratos a preço predeterminado, celebrados anteriormente a 31/10/2003, produz efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O sujeito passivo, em síntese, visa a repetição de suposto indébito tributário decorrente da aplicação equivocada do regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins às receitas decorrentes de contratos de fornecimento de energia elétrica (Contratos nº CGTEE97/40.141, nº CGTEE97/40.142 e nº CGTEE97/40.143), que, nos termos do art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003, estariam submetidos ao regime cumulativo. A DRJ reconheceu que, de acordo com interpretação da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, a aplicação do IGPM não descaracterizaria a condição de preço predeterminado dos contratos (Nota Técnica nº 224/2006 SFF/ANEEL e Ofício nº 1.431/2006). Entendeu, porém, que deveria prevalecer a exegese adotada pela Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil (Nota COSIT nº 01/2007) e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Fl. 549DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.935244/200925 Acórdão n.º 3802001.937 S3TE02 Fl. 549 3 Nacional (Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007). As receitas decorrentes dos Contratos nº CGTEE97/40.141, nº CGTEE97/40.142 e nº CGTEE97/40.143, assim, estariam sujeitas ao regime nãocumulativo. Isso porque, na falta de uma definição legal de “preço determinado”, incidiria o critério da Instrução Normativa SRF nº 658/2006, que afastaria a aplicação do regime cumulativo aos contratos reajustados pelo IGPM após 31/10/2003. Em suas razões recursais (fls. 437 e ss.), o Recorrente requer o julgamento do feito em conjunto com o processo administrativo nº 11080.003212/200969 e a intimação de seus representantes legais para a realização de sustentação oral. Sustenta a incompetência da Secretaria da Receita Federal para definir “preço determinado”, para fins de incidência da Lei nº 10.833/2003; e que a Instrução Normativa nº 658/2006 extrapolaria os limites da lei, sendo contrária ao art. 100 do Código Tributário Nacional (CTN), à medida que autoriza a descaracterização da predeterminação de preços em decorrência de simples implemento de cláusulas de reajuste nominal. Aduz que, por se tratar de instituto regulado pelo Direito Privado, os conceitos de preço e de preço predeterminado não podem ser modificados pelo legislador tributário, nos termos do art. 110 do CTN. Assim, aplicandose os parâmetros do Código Civil, preço determinado seria aquele fixado e conhecido pelas partes na celebração do contrato, ainda que sujeito à cláusula de reajuste ou de correção monetária. Discorre sobre as particularidades dos contratos de fornecimento de energia, alegando ainda que, diferente do que entendeu a decisão recorrida, o IGPM, nos termos da Nota Técnica SFF/ANEEL nº 224, constitui um índice de recomposição de preços que reflete o custo de produção do setor elétrico. Sustenta que o objeto do art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003, não seria proporcionar um período de adaptação, mas garantir a segurança jurídica mediante manutenção do equilíbrio econômico dos contratos de longo prazo, considerando uma tributação previamente acordada; que o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 teria atribuído efeitos retroativos apenas às alíenas “b” e “c” do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Faz referência ao Ofício nº 1.431/2006, da ANEEL, cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, requerendo o conhecimento do recurso e o seu integral provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 20/07/2012 (fls. 435), interpondo recurso tempestivo em 20/08/2012 (fls. 437). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Antes do exame do mérito, cabe ressaltar que se encontra prejudicado o pedido de intimação dos representantes legais do sujeito passivo para a realização de sustentação oral, uma vez que esta foi devidamente realizada por meio de publicação no Diário Oficial da União. Por outro lado, entendese que deve ser rejeitado o pedido de reunião do presente feito ao processo administrativo nº 11080.003212/200969. Isso porque não há prova da existência de identidade fática entre os processos. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A rigor, a partir do que consta nos autos, verificase que haveria apenas a identidade de partes e de matéria de direito debatida, sendo distinto o período de apuração e, por conseguinte, o direito de crédito que se pretende compensar. Com efeito, enquanto no presente caso se discute a possibilidade de repetição, por meio de compensação, da contribuição supostamente recolhida de forma indevida no período de apuração de junho de 2003, o processo nº 11080.003212/200969, de acordo com a Informação Fiscal que fundamentou o Despacho Decisório DRF/POA nº 2.132, de 05/11/2010, referese ao período de dezembro de 2004 a maio de 2005: “Com relação ao período de dezembro de 2004 a maio de 2005, o sistema eletrônico não aceitou os pedidos realizados neste período, razão pela qual o contribuinte, através do presente processo (nº 11080.003212/200969), protocolado em 07/05/2009, solicitou compensação através de procedimento em papel, expondo toda sua argumentação para o fato de apresentar créditos de PIS e COFINS decorrentes da mudança do regime de apuração de suas contribuições.” (fls. 395). Não cabe, assim, a reunião dos processos. No mérito, por sua vez, o Recorrente sustenta ter aplicado equivocadamente o regime nãocumulativo às receitas decorrentes de contratos de fornecimento de energia elétrica (Contratos nº CGTEE97/40.141, nº CGTEE97/40.142 e nº CGTEE97/40.143), que, nos termos do art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003, estariam submetidos ao regime cumulativo: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005). [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...] b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;” Esse dispositivo, de acordo com o art. 15, da Lei nº 10.833/2003, também se aplica às contribuições ao PIS/Pasep: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) Redação originária: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3º do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º, incisos II e III, Fl. 551DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.935244/200925 Acórdão n.º 3802001.937 S3TE02 Fl. 550 5 10 e 11 do art. 3o, nos §§ 3º e 4º do art. 6º, e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13.” Entretanto, cumpre observar que, na data do período de apuração (01/06/2003 a 30/06/2003), o art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003 aplicavase apenas à Cofins, à medida que, de acordo com o art. 93, I, da mesma lei, o art. 15 somente produziu efeitos a partir de 01 de fevereiro de 2004: “Art. 93 . Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1º a 15 e 25, a partir de 1º de fevereiro de 2004;” Portanto, em nada aproveita ao Recorrente o exame da aplicabilidade do regime cumulativo do PIS/Pasep aos contratos de fornecimento de energia elétrica nº CGTEE 97/40.141, nº CGTEE97/40.142 e nº CGTEE97/40.143. Por outro lado, ao contrário do que sustenta o Recorrente, o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 é expresso ao atribuir efeitos retroativos apenas às alíenas “b” e “c” do inciso XI do caput do art. 10, e não ao art. 15, V, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003.” O parágrafo único, portanto, aplicase apenas à Cofins, na linha do que também dispõe o art. 23, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004: “Art. 23. Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a Lei n º 10.833, de 2003, não se lhes aplicando as disposições desta Instrução Normativa: [...] XVII as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...] b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; e [...] Parágrafo único. O disposto nos incisos XIV a XVII do § 1 º aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei n º 10.637, de 2002, a partir de 1 º de fevereiro de 2004.” Fl. 552DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Ficam prejudicadas, assim, as demais questões de direito ventiladas na petição recursal. Votase pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 553DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13807.002662/2010-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SP2 (Fls. 23), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 05 a 07, referente ao anocalendário de 2004, para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 02 66 2/ 20 10 -6 1 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13807.002662/201061 Resolução nº 2801000.258 S2TE01 Fl. 44 2 a retificação do valor do imposto a restituir de R$ 1.512,14 para R$ 367,42. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 06) que foi apurada a seguinte infração: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Enquadramento legal: arts. Io a 3o e §§, e 8o da Lei n° 7.713/1988; arts. Io a 4o da Lei n° 8.134/1990; arts. Io e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 e 45 do Decreto n° 3.000/1999 RIR/1999. O interessado foi cientificado em 08/03/2010 (fl. 14) e, em 05/04/2010, apresentou a impugnação de fls. 01 e 02, na qual alega que retificou a sua declaração de ajuste anual, para excluir do montante dos rendimentos tributáveis o valor recebido a título de abono pecuniário de férias. Considera que o termo inicial do prazo para a retificação da declaração seria a data do fato gerador do tributo, que ocorreria ao final do período de apuração. Afirma que a retenção do imposto relativa ao abono pecuniário de férias teria ocorrido em 30 de dezembro de 2004, de acordo com os elementos de fls. 08 e 09, o que colocaria o pleito dentro do período decadencial. Menciona a "manifestação pública do Supervisor Geral", Sr. Joaquim Adir, veiculada na mídia, conforme anexo de fl. 10, que constituiria manifestação oficial do órgão administrativo e estabeleceria critério de interpretação da legislação tributária. À fl. 17, anexouse cópia da intimação encaminhada à fonte pagadora, para que fossem prestados esclarecimentos sobre o pagamento de abono pecuniário ao contribuinte. À fl. 18, consta a resposta da empresa. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/SP2 entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O prazo para requerer a restituição do imposto, decorrente da exclusão do valor recebido a título de abono pecuniário de férias de que trata o artigo 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é de 5 (cinco) anos contados da data da retenção indevida. In casu, constatado que a apresentação da declaração retificadora que materializou o pleito ocorreu após o referido prazo, deve ser mantido o lançamento. Em 28/02/2011 (Fls. 29), a EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S/A., entrou com solicitação informando em síntese que: (...) 2. Em resposta datada de 26/10/2010, a empresa respondeu a intimação, com base nas informações prestadas pelo seu Departamento de Recursos Humanos, informando o pagamento do valor de R$ 3.121,97 a título de abono pecuniário e R$ 1.040,66 referente ao 1/3 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13807.002662/201061 Resolução nº 2801000.258 S2TE01 Fl. 45 3 constitucional, mencionando que o pagamento teria ocorrido em 01/12/2004. 3. Ocorre que, o referido departamento, ao consultar novamente os seus arquivos, constatou que houve lapso na informação prestada à Receita Federal do Brasil em 26A0/2010, pois, em verdade, o pagamento das verbas ao empregado MARCOS RAGOZZINO, CPF n" 121.305.96827 ocorreu em 30/12/2004 e não em 01/12/2004. 4. Tal lapso precisa ser sanado, em nome do primado da auto tutela da Administração Pública, pois o erro no cômputo da data faz toda a diferença ao empregado MARCOS RAGOZZINO, não podendo prosperar, pois seria imensamente prejudicado por conta de uma informação equivocada. 5. Assim, para a comprovação da data correta do pagamento, a empresa colaciona aos autos um print da tela do sistema do departamento de recursos humanos em que consta a data de pagamento das verbas, ou seja, 30/12/2004 (Doc.03^. 6. Desta feita, demonstrando a sua total sua boafé, em nome da verdade material e invocando a autotutela da Administração Pública para revisão de seus atos, requer seja retificada a informação prestada em 26/10/2010, para que conste o seguinte: no anocalendário de 2004, o pagamento realizado ao empregado MARCOS RAGOZZINO, a título de abono pecuniário de férias e adicional de um terço constitucional, foi de R$ 3.121,97 e R$ 1.040,66, respectivamente, sendo que o pagamento foi realizado em 30/13/2004, de acordo com o controle do Departamento de Recursos Humanos. (...) Cientificado em 03/02/2011 (Fls. 28), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/03/2011 (fls. 39 e 40), argumentando em síntese: (...) O requerente solicitou retificação da Declaração de Ajuste apresentada para o exercício de 2005 para ver excluída da renda liquida, sujeita à tributação, a verba de R$ 4.162,63 recebida do empregador a titulo de abono pecuniário de férias, erroneamente informada entre os rendimentos tributáveis e assim declarada, fato que onerou indevidamente o tributo calculado sobre a renda liquida. A pretensão foi indeferida pela autoridade lançadora sob alegação de ter sido pleiteada após o período de cinco anos da data da retenção. A decisão ora recorrida fundamentouse na resposta incorreta da fonte pagadora, à qual foi solicitada confirmação da data da retenção. Na resposta incorreta a empresa empregadora indicou erroneamente a data de 01/12/2004 (sic) quando a resposta correta seria 30 de dezembro de 2004. Não obstante não ser essa Egrégia Corte o foro adequado para se produzirem provas, mas considerando a anormalidade ocorrida na resposta da fonte pagadora peço vênia para comprovar este fato, apresentando anexo a este recurso os seguintes documentos: (1) declaração do Departamento de Recursos Humanos da Empresa Folha Fl. 45DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13807.002662/201061 Resolução nº 2801000.258 S2TE01 Fl. 46 4 da Manhã S.A. confirmando a data de 30 de Dezembro de 2004 como a data do efetivo pagamento das férias e, por conseqüência, da retenção do tributo; (2) cópia da petição retificadora do Departamento Jurídico da Empresa Folha da Manhã S.A., corrigindo a declaração anterior, devidamente protocolada na CAC Paulista no dia 28 de fevereiro de 2011. (...) É o Relatório. Voto. Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Compulsando os autos, verifico que o lançamento se refere a omissão de rendimentos. Ao que parece, o contribuinte retificou sua DIRPF do ano base 2004, excluindo dos rendimentos tributáveis valores recebidos à título de abono pecuniário de férias. Contudo todo o processo foi conduzido como se o contribuinte houvesse retificado a sua DIRPF pedindo restituição do IRRF incidente sobre tal verba. Tal diferença sobre o que consta na Declaração Retificadora é fundamental para o deslinde da questão. Caso o contribuinte tenha apresentado a Declaração Retificadora apenas excluindo tal verba do rol dos rendimentos tributáveis, e esta exclusão leve a restituição de IRPF, não seria o caso de se aplicar o prazo decadencial estabelecido pela DRJ. Ocorre que não constam nos autos a DIRPF original nem a DIRPF Retificadora. Ante tais ausências, não é possível afirmar de forma definitiva qual foi o procedimento do contribuinte e qual norma deve ser aplicada. Portanto, é necessário converter o presente julgamento em diligência, a fim de que a unidade administrativa competente faça juntar aos autos as declarações, original e retificadora, apresentadas pelo contribuinte, referente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Ante o acima exposto, proponho o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora junte aos autos as declarações, original e retificadora, apresentadas pelo contribuinte, referente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Fl. 46DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13807.002662/201061 Resolução nº 2801000.258 S2TE01 Fl. 47 5 Carlos César Quadros Pierre Fl. 47DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 15374.907837/2008-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/12/1999
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 78 37 /2 00 8- 76 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro II/RJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1999 a 30/12/1999 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese parte do relatório do acórdão da DRJ: “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica nº 17976.72817.270904.1.7.042076 (fls. 03/07), transmitida em 27/09/2004, de débitos de COFINS (cód. 2172), relativos aos períodos de apuração de dezembro de 2003 a fevereiro de 2004, com crédito oriundo de pagamento a maior, a título de COFINS (cód. 2172), recolhido em 14/01/2000, atinente ao Período de Apuração 31/12/1999, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. Por meio do Despacho Decisório (fl. 10) emitido eletronicamente, a DERATRio de JaneiroRJ, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 30/07/2008 (fl. 09), a interessada ingressou, em 28/08/2008, com manifestação de inconformidade (fls. 12/21), na qual alega, em síntese, que: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907837/200876 Acórdão n.º 3802001.719 S3TE02 Fl. 186 3 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto social; 5. Em 2006 tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos; Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e homologar a compensação efetuada por intermédio da declaração de compensação objeto do presente processo. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluído em setembro de 1999 na base de cálculo da COFINS.” A Recorrente, nas razões de fls. 136 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo, por fim, o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/04/2012 (fls. 134), interpondo recurso tempestivo em 22/05/2012 (fls. 136). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte: (i) retifique a Dctf antes da ciência do despacho decisório; ou (ii) ainda que a posteriormente, o faça antes da inscrição do débito em dívida ativa e comprove, de plano, a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos, de nossa relatoria, acompanhados pela unanimidade do colegiado: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907837/200876 Acórdão n.º 3802001.719 S3TE02 Fl. 187 5 apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). Contudo, no presente caso, verificase que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitouse a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação. Assim, devido à ausência de prova da liquidez e da certeza do direito creditório, votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001148/2011-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
Declaração De Benefícios Fiscais. Falta/Atraso Na Entrega. Penalidade Revogada.
A Instrução Normativa RFB nº 1.389/13 revogou expressamente o artigo 5º da IN RFB nº 1.307/12, que disciplinava sobre a multa por falta de entrega da Declaração de Benefícios Fiscais, em razão da revogação parcial do artigo 57, inciso I, da MP nº 2.158-35/01 pelas disposições da Lei nº 12.766/12 (PN RFB nº 03/13)
Princípio da Retroatividade Benéfica.
Em se tratando de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando deixe de defini-lo como infração e/ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, a e b, Código Tributário Nacional)
Numero da decisão: 1801-001.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 Declaração De Benefícios Fiscais. Falta/Atraso Na Entrega. Penalidade Revogada. A Instrução Normativa RFB nº 1.389/13 revogou expressamente o artigo 5º da IN RFB nº 1.307/12, que disciplinava sobre a multa por falta de entrega da Declaração de Benefícios Fiscais, em razão da revogação parcial do artigo 57, inciso I, da MP nº 2.158-35/01 pelas disposições da Lei nº 12.766/12 (PN RFB nº 03/13) Princípio da Retroatividade Benéfica. Em se tratando de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando deixe de defini-lo como infração e/ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, a e b, Código Tributário Nacional)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
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FALTA/ATRASO NA ENTREGA. PENALIDADE REVOGADA. A Instrução Normativa RFB nº 1.389/13 revogou expressamente o artigo 5º da IN RFB nº 1.307/12, que disciplinava sobre a multa por falta de entrega da Declaração de Benefícios Fiscais, em razão da revogação parcial do artigo 57, inciso I, da MP nº 2.15835/01 pelas disposições da Lei nº 12.766/12 (PN RFB nº 03/13) PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Em se tratando de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando deixe de definilo como infração e/ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, “a” e “b”, Código Tributário Nacional) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 11 48 /2 01 1- 63 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 79 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fls. 36, com a exigência do crédito tributário no valor de R$15.000,00 a título de três mesescalendário de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.06.2011 da Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 31.03.2011. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e Instrução Normativa RFB nº 1.113, de 28 de dezembro de 2010. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0310, argumentando que discorda do procedimento fiscal com as alegações a seguir sintetizadas. Suscita que da municipalidade não pode ser aplicada multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, tendo em vista sua imunidade constitucional e assim a exigência é nula. O Fundo dos Direitos da Criança e Adolescente é suprido por doações de pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Tece comentários sobre as entidades imunes de assistência social. Diz que está amparada pelo princípio da legalidade, uma vez que somente a lei pode instituir penalidade (art. 97 da Constituição Federal). Suscita que a multa te caráter de confisco e por essa razoa é inconstitucional e ainda fere sua capacidade contributiva. Acrescenta que nenhum prejuízo financeiro trouxa ao Erpario. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que a exigência deve ser cancelada . Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1439.191, de 01.11.2012, fls. 4147: Impugnação Improcedente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 80 3 ENTIDADE IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE PRESTAR INFORMAÇÕES. A imunidade não exime a pessoa jurídica das demais obrigações previstas na legislação tributária, especialmente a de prestar informações. FALTA OU ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constatado que a entrega da DBF deuse após o prazo estipulado na legislação tributária, tornase exigível a multa nela prevista. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 INCONSTITUCIONALIDADE É competência atribuída ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, em caráter privativo, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. Notificada em 25.04.2012, fl. 106, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.05.2012, fls. 107116, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 81 4 ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do lançamento de ofício. A obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)2. No exercício do seu poder regulamentar e com base no art. art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, a RFB instituiu a Declaração de Benefícios Fiscais (DBF), cuja apresentação é obrigatória para, entre outras entidades, os Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional, referentes às doações efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e Adolescente. O programa e as instruções para preenchimento da DBF estão disponíveis na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e são de livre reprodução. A DBF deverá ser apresentada até o último dia útil do mês de março, em relação ao anocalendário imediatamente anterior, por intermédio da Internet, utilizandose o Programa Receitanet, que está disponível no endereço do sítio institucional. O Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional, art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 82 5 No que se refere à penalidade, cabe esclarecer que a partir de 04.12.2007, restou estabelecido que a não apresentação da DBF no prazo legal ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo e (b) cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas. Essa multa tem, por termo inicial, o primeiro dia subseqüente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DBF ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. A partir de 30.12.2010, para a apresentação da DBF relativa a fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário 2010, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido. Até 27.12.2012 o descumprimento das obrigações acessórias exigidas pela legislação acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados e (b) cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta (art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001). A partir de 28.12.2012, de acordo com o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito às seguintes multas por apresentação extemporânea (a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido, (b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento, (c) por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mês calendário e (d) por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 83 6 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 6.1.2. Quanto à IN RFB nº 1.307, de 2012 (DBF) e à IN RFB nº 1.114, de 2010 (Derc), a análise deve ser mais detalhada. A multa do art. 57 da MP possui como aspecto pessoal as pessoas físicas e jurídicas, tanto de direito público como privado. O aspecto quantitativo dos incisos I e III pressupõe a sanção à pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, já que pessoa física, pessoa jurídica imune ou de direito público não têm forma de apuração de lucro presumido ou real (inciso I) nem receita bruta (inciso III). Como o direito tributáriopenal deve respeito ao princípio da tipicidade cerrada, não se pode aplicar analogia para a configuração da multa. Não há base legal, atualmente, para a multa por atraso na sua entrega (inciso I), bem como para informações inexatas, incompletas ou omitidas em relação a ela (inciso III). Somente é passível de aplicação da multa à situação do inciso II, ou seja, após a intimação para entrega dos arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos. 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos acrescentados) [...] Conclusão 10. Em conclusão: [...] h) As multas constantes do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 84 7 de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal em decorrência da alteração da redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. As IN devem ser alteradas para se adequarem ao novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001; (grifos acrescentados) 3 Corroborando o disposto de acordo com o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 1.389, de 30 de agosto de 2013, que vigorou a partir de 02.09.2013 e revogou expressamente o art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.307, de 27 de dezembro de 2012 que previa que não apresentação da DBF no prazo legal ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (a) multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de sua entrega depois do prazo, e (b) multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas (Instrução Normativa RFB nº 311, de 28 de março de 2003, Instrução Normativa RFB nº 789, de 30 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 1.113, de 28 de dezembro de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.120, de 22 de dezembro de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.307, de 27 de dezembro de 2012 e Instrução Normativa RFB nº 1.389, de 30 de agosto de 2013). Em conformidade com o Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, as multas ali indicadas que têm amparo art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, atualmente devem ser ajustadas aos novos parâmetros previstos com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna. Por via de consequência tem cabimento a aplicação do art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. No presente caso está correta a exigência do crédito tributário a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 20.12.2011 do Declaração de Benefícios Fiscais (DBF)) do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 31.03.2010, independentemente da intenção do agente. Entretanto, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido para R$4.500,00 pelos três mesescalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, destacase como procedente em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo 3 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 03 set.2013. 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 85 8 administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$4.500,00 (trinta e um mil e quinhentos reais). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes, Redatora designada Divirjo do entendimento da Conselheira Relatora, pois o dispositivo legal que previa a penalidade tributária foi revogado, fato reconhecido pela Administração Tributária, devendose aplicar ao caso em concreto o princípio tributário insculpido no artigo 106, do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172/66), conhecido por retroatividade benigna da norma tributária: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] a) quando deixe de definilo como infração; [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A penalidade em questão – multa por atraso/não entrega da Declaração de Benefícios Fiscais – DBF estava prevista inicialmente na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu artigo 57, inciso I, de forma genérica: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 86 9 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.7796, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, nos seguintes termos: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de 6 Lei nº 9.779, de 1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 87 10 uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) Ao analisar as alterações legislativas, que extraíram da aplicação de multas por infração a obrigações acessórias a generalidade, passandose a especificar na norma os sujeitos passivos alcançados e novos valores cominados, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou o Parecer Normativo nº 03 de 10 de junho de 2013, interpretando os efeitos da nova legislação sobre os casos que trata. Dispõe o referido Parecer, explicitamente: (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5ºda Lei nº 11.033, de 2004? 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (e Lalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (eLalur), a IN RFB nº 1.052, de 2010 (EFD), a IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a IN RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionamse apenas às pessoas jurídicas de direito privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regramatriz da multa do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação. (grifos não pertencem ao original) E especificamente sobre a DBF – Declaração de Benefícios Fiscais, normatizou no âmbito da RFB: 6.1.2. Quanto à IN RFB nº 1.307, de 2012 (DBF) e à IN RFB nº 1.114, de 2010 (Derc), a análise deve ser mais detalhada. A multa do art. 57 da MP possui como Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 88 11 aspecto pessoal as pessoas físicas e jurídicas, tanto de direito público como privado. O aspecto quantitativo dos incisos I e III pressupõe a sanção à pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, já que pessoa física, pessoa jurídica imune ou de direito público não têm forma de apuração de lucro presumido ou real (inciso I) nem receita bruta (inciso III). Como o direito tributáriopenal deve respeito ao princípio da tipicidade cerrada, não se pode aplicar analogia para a configuração da multa. Não há base legal, atualmente, para a multa por atraso na sua entrega (inciso I), bem como para informações inexatas, incompletas ou omitidas em relação a ela (inciso III). Somente é passível de aplicação da multa à situação do inciso II, ou seja, após a intimação para entrega dos arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos. (grifos não pertencem ao original) Impôs, ainda: 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos não pertencem ao original) Daí que a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.389, de 30/08/2013, revogou expressamente o artigo 5º da IN RFB nº 1.307, de 27/12/12: Art. 2º Fica revogado o art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.3077, de 2012. Pelo exposto, a penalidade imposta pela ausência da entrega de DBF – Declaração de Benefícios Fiscais, foi expressamente revogada (derrogação), nos casos em que os contribuintes obrigados não foram intimados a apresentála, por norma tributária posteriormente editada, fato reconhecido pelo órgão exator, não podendo subsistir a sua exigência contra a recorrente, por força do princípio da retroatividade benigna da norma tributária que deixa de cominar penalidade por ato anteriormente considerado infração tributária. Voto em dar provimento ao recurso voluntário. 7 Art. 5º A não apresentação da DBF no prazo estabelecido no art. 4º ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (Revogado pela Instrução Normativa nº 1.389, de 30 de agosto de 2013) I multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de sua entrega depois do prazo; e II multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I do caput tem por termo inicial o 1º (primeiro) dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DBF ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10835.001148/201163 Acórdão n.º 1801001.685 S1TE01 Fl. 89 12 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 89DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.901370/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 13 70 /2 01 0- 32 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901370/201032 Acórdão n.º 3301001.848 S3C3T1 Fl. 73 2 Relatório O contribuinte solicitou, por meio do PER/DCOMP nº 42745.28854.280207.1.3.044458 a compensação de crédito decorrente de valor pago a maior a título de Cofins relativa ao período de apuração de janeiro/2005 no valor de R$ 9.846,33 que corresponderia à diferença entre o valor do DARF pago em 15/02/2005, R$ 16.483,62, e o valor devido da contribuição no valor de R$ 6.637,29. A DRF/Teresina indeferiu o seu pedido, por meio do Despacho Decisório de 06/09/2010, fl. 4, em decorrência da inexistência do crédito pleiteado pois todo o valor pago do DARF em questão estaria totalmente alocado para pagamento da própria Cofins do período de apuração de janeiro/2005, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados nas PER/DCOMP. Inconformado com a decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 2/3, alegando em síntese que o valor do DARF em questão foi recolhido a maior pois foi calculado com a alíquota de 7,6% referente ao regime da não cumulatividade da Cofins, quando o correto seria de 3%, pois exerce a atividade de ensino médio estando obrigado a apurar a Cofins pelo regime da cumulatividade nos termos do art. 10 da Lei 10.833/2003. Nesta oportunidade apresentou cópia da DCTF retificadora do primeiro semestre de 2005 na qual corrige o valor confessado da Cofins relativa a janeiro/2005 para o valor de R$ 6.637,29, fl. 15. Esta DCTF retificadora foi entregue em 06/10/2010, ou seja, posteriormente à ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação,17/09/2010. A DRJ em Fortaleza (CE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano Calendário: 2005 NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não recohecido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901370/201032 Acórdão n.º 3301001.848 S3C3T1 Fl. 74 3 . Inconformado com a Decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 48/51, reafirmando que vinha recolhendo a Cofins com base na alíquota de 7,6% e posteriormente, percebendo o erro, passou a pagar na forma correta com alíquota de 3% e solicitou por meio de PER/DCOMP a compensação dos valores pago a maior. Informa que por exercer a atividade de Ensino Fundamental e Médio, estaria obrigado à apuração da Cofins dentro do regime cumulativo, conforme art. 10, inc. XIV, da Lei 10833/2003. Que após tomar conhecimento do Despacho Decisório de não homologação da compensação, providenciou a apresentação de DCTF retificadora na qual informou corretamente o valor devido da Cofins com a utilização da alíquota de 3%. Informa também que, por entender de direito certo, efetuou na contabilidade todos os ajustes, conforme demonstrado em folhas do livro razão as quais juntou cópias. Por fim, requer a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901370/201032 Acórdão n.º 3301001.848 S3C3T1 Fl. 75 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Está demonstrado nos autos que efetivamente o contribuinte está sujeito ao regime cumulativo na apuração da Cofins. Verificase na cláusula segunda do Contrato Social da recorrente que o objeto da sociedade é “ensino de Préescolar e Primeiro grau”. Conforme art. 10, inc. XIV da Lei 10833/2003, abaixo parcialmente transcrito, não se aplicam as regras do regime não cumulativo de apuração da Cofins às receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Art. 10 – Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: .... XIV as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Está também demonstrado nos autos que o valor de R$ 16.483,62 recolhido por meio de DARF, com código 2172, referente ao período de apuração de janeiro/2005 foi calculado com a aplicação da alíquota de 7,6%. A análise da ficha 17B do Dacon, fl. 37, não deixa margem de dúvida quanto a este fato. Portanto está comprovado nos autos que o contribuinte deveria recolher a título de Cofins relativo ao fato gerador de janeiro/2005, o valor de R$ 6.637,29. Considerando que o valor pago foi de R$ 16.483,62, então o valor da diferença, R$ 9.846,33, configurase como valor pago a maior ou indevidamente. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901370/201032 Acórdão n.º 3301001.848 S3C3T1 Fl. 76 5 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Entendo que o simples erro no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com o art. 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), como ocorreu nestes autos administrativos. Alerto que caberá à unidade preparadora, no caso a DRF/Teresina efetuar todos os ajustes necessários, inclusive verificar se o crédito autorizado não está sendo utilizado indevidamente em outras PER/DCOMP. Desta forma dou provimento ao recurso voluntário no sentido de homologar as compensações efetuadas no limite do crédito pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo ao pagamento indevido. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720916/2010-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é dada ao contribuinte a oportunidade de impugnar amplamente a decisão administrativa exarada.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO.
O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 é claro ao garantir o direito creditório nos casos de saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Em nenhum momento o legislador garantiu o direito creditório para regimes de apuração distintos, in casu, o monofásico e o cumulativo.
CONSTITUCIONALIDADE.
Escapa à competência do CARF a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é dada ao contribuinte a oportunidade de impugnar amplamente a decisão administrativa exarada. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 é claro ao garantir o direito creditório nos casos de saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Em nenhum momento o legislador garantiu o direito creditório para regimes de apuração distintos, in casu, o monofásico e o cumulativo. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência do CARF a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1757; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720916/201014 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.136 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria COFINS Recorrente ATLAS VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é dada ao contribuinte a oportunidade de impugnar amplamente a decisão administrativa exarada. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 é claro ao garantir o direito creditório nos casos de saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Em nenhum momento o legislador garantiu o direito creditório para regimes de apuração distintos, in casu, o monofásico e o cumulativo. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência do CARF a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 16 /2 01 0- 14 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720916/201014 Acórdão n.º 3801002.136 S3TE01 Fl. 12 2 Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJBelém, abaixo transcrito: O presente processo trata do Pedido de Ressarcimento PER, referente a crédito de PIS não Cumulativo Mercado Interno do 3º trimestre de 2007, com apresentação de Declarações de Compensação – DCOMP para aproveitamento de créditos. 2. A Delegacia de origem emitiu Despacho Decisório (fl. 25) com seguinte conteúdo: “Com base nas informações e documentos constantes deste processo e no Parecer SEORT/DRF/BEL n° 140/2011 (fl. 24), que aprovo, e no uso da competência estabelecida com a delegação prevista no art. 3º, item IV, da Portaria DRF/BEL nº 47/2009, publicada no Diário Oficial da União de 07 de abril de 2009, resolvo HOMOLOGAR PARCIALMENTE a declaração de compensação 42066.49092.180110.1.3.104052 até o limite do direito creditório reconhecido de R$ 871,58.” 3. Cientificado em 19.12/2011 (AR fl. 27), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 05.01.2012, manifestação de inconformidade (fls. 28/47), alegando, em síntese: a) Vício do ato administrativo por não existir no auto, no Relatório Fiscal ou no Despacho Decisório qualquer fundamentação ou motivo legal para deixar de reconhecer o pleito. Observa que o ato sequer indefere o pedido de ressarcimento, mas tão somente glosa os créditos; b) Cerceamento ao seu direito de defesa por não existir fundamentação fática, jurídica ou forma legal; c) Defende a regularidade e a legalidade dos créditos de PIS e Cofins mercado interno de produtos sujeitos à tributação Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720916/201014 Acórdão n.º 3801002.136 S3TE01 Fl. 13 3 monofásica, sendo direito conferido pelo art. 17 da lei n° 11.033/04; d) Ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 594, de 26/12/2005; e) Violação ao princípio da igualdade tributária: “Assim, não pode a Autoridade Fiscal interpretar o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 de forma a restringir a aplicação das regras e benefícios do sistema não cumulativo a uma parte dos contribuintes, haja vista que os mesmos estão, por opção única, do legislador, no sistema não cumulativo, sob pena de configurar desigualdade injustificada para os contribuintes que possuem saída tributada à alíquota zero, o que representa violação direta ao princípio da igualdade tributária.”; f) Ao final requer: “1. Seja declarada a nulidade do ato administrativo que ‘glosou’ os créditos tributários do recorrente e, na prática, homologou parcialmente a declaração de compensação em questão em razão de evidente vício de validade que ocasionou cerceamento exercício do regular direito defesa, conforme garantido pelo art. 5º , LV da Constituição Federal. 2. Caso seja ultrapassada a preliminar arguida, que seja declarado ao recorrente comerciante produtos sujeitos a tributação ‘monofásica’ o direito ao desconto dos créditos em razão dos produtos adquiridos para revenda, nas mesmas condições dos contribuintes que comercializam produtos sujeitos a tributação não monofásica. Assim, esteado na legislação pátria, especificamente nos artigos 150, II da Constituição Federal, art. 17 da Lei n° 11.033/94, art. I da Lei n° 10.865/04, 156 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei n° 9.430/96, pugna o contribuinte pela reforma total da decisão exarada que ‘glosou’ (indeferiu) o pedido de ressarcimento para que mesmos sejam julgados procedentes e, por consequência, homologadas as compensações efetuadas por meio dos PER/DCOMPs acima referenciados, em respeito à legislação pátria, e, sob pena de violação ao principio da igualdade em razão da distinção estar centrada no tipo de atividade exercida.” g) Enfatiza a inexistência de suporte legal, citando o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF). Analisando o litígio, a DRJ Belém (PA) considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720916/201014 Acórdão n.º 3801002.136 S3TE01 Fl. 14 4 A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 ATOS ADMINISTRATIVOS. MOTIVAÇÃO. A motivação dos atos administrativos que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 ILEGALIDADE DE ATO NORMATIVO. O julgador administrativo, nesta instância, deve estrita observância aos atos expedidos pela Receita Federal, consoante estabelece o art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, a empresa repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, sem trazer aos autos qualquer nova documentação ou argumentação para fins de reforma do julgado recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, com relação à alegação de nulidade do ato administrativo exarado por ter deixado de motivar a decisão e, por isso, ter violado o direito de defesa do Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720916/201014 Acórdão n.º 3801002.136 S3TE01 Fl. 15 5 Recorrente, não assiste razão a este. Como se observa dos autos, uma vez formulado o pedido de ressarcimento dos valores, houve o proferimento de decisão administrativa que não reconheceu os créditos pleiteados. O contribuinte foi devidamente intimado desta decisão e, neste momento, lhe foi dado o direito de apresentar defesa administrativa, sem que houvesse qualquer tipo de limitação ao seu direito de defesa. No despacho exarado, a fiscalização não reconheceu o direito creditório, embasada na legislação em vigor. Caberia, naquele momento, ao contribuinte, demonstrar que as ilações da fiscalização estavam equivocadas, podendo, inclusive, para comprovar o seu direito creditório, juntar documentos e requerer perícia técnica. Desta feita, não há que se falar em cerceamento de defesa e, muito menos, nulidade, do ato administrativo exarado, tendo em vista que, repitase, foi dada ao contribuinte a oportunidade de impugnar amplamente a decisão administrativa exarada. Nestes termos, afasto a preliminar de nulidade da decisão administrativa levantada pelo Recorrente. Com relação ao mérito, entendo também que não assiste razão ao contribuinte. Explicase. Como demonstrado no relatório da douta Delegacia de Julgamento acima transcrito, o Recorrente, Atlas Veículos Ltda., formulou pedido de compensação, no qual apontou créditos de PIS, oriundos da compra de bens, cuja sistemática de recolhimento da contribuição é monofásica, ou seja, a cadeia anterior suporta o ônus tributário das demais cadeias de produção, nos termos definidos pela legislação. Ocorre que a Lei 10.637/02, que instituiu a cobrança não cumulativa da contribuição ao PIS, é muito clara ao vedar o creditamento nos casos dos produtos sujeitos ao recolhimento na sistemática monofásica. Vejase, nesse sentido a redação, dos dispositivos da citada lei: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) “Art. 2o Para determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720916/201014 Acórdão n.º 3801002.136 S3TE01 Fl. 16 6 § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) O Recorrente alega, por sua vez, que o artigo 17, da Lei nº 11.033, de 2004, supostamente, teria autorizado o creditamento pretendido e que, por isso, o disposto na Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005, seria inconstitucional e ilegal. Contudo, em análise minuciosa ao dispositivo citado pelo contribuinte, é fácil perceber que, data venia, não é possível ter a mesma conclusão do Recorrente. Importante, neste ponto, transcrever o disposto na lei: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O referido artigo, como se observa, é claro ao garantir o direito creditório nos casos de saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. O que houve, com a edição da referida lei, foi a garantia ao creditamento naqueles casos sujeitos ao mesmo regime de apuração. Em nenhum momento o legislador garantiu o direito creditório para regimes distintos, in casu, o monofásico e o cumulativo. Devese ressaltar, ainda, que não cabe a este Tribunal Administrativo averiguar a inconstitucionalidade da tributação. De toda forma, o caso em questão já foi levado para a apreciação do Poder Judiciário e, nos termos dos julgados abaixo colecionados, a tese dos contribuintes não foi acolhida por nenhum dos Tribunais Regionais Federais pesquisados. Vejase: TRIBUTÁRIO. COMÉRCIO VAREJISTA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES, PEÇAS E ASSESSÓRIOS. PIS E COFINS. LEI 10.485/2002. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720916/201014 Acórdão n.º 3801002.136 S3TE01 Fl. 17 7 IMPOSSIBILIDADE. SISTEMA MONOFÁSICO. IN 594/2005. ARTIGO 17 DA LEI 11.033/2004. 1. Tratandose de empresa cujo objeto diz respeito ao comércio varejista de veículos automotores, peças e assessórios, para fins de tributação pela contribuição para o PIS e COFINS, devem ser aplicados os artigos 1º e 3º da Lei 10.485/2002, que, no caso, se constitui em lei especial a ser aplicada em prejuízo de lei geral. 2. Nos termos do § 2º do artigo 3º da Lei 10.485/2003, relativamente à venda de produtos por esta disciplinados, por comerciante atacadista ou varejista, tratase de operação cuja tributação pela contribuição ao PIS e COFINS está sujeita à alíquota zero. 3. As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem, ambos no seu parágrafo 1º do artigo 2º, a impossibilidade de creditamento de PIS e COFINS recolhidos na etapa anterior, relativamente às operações cuja tributação obedece ao regime da Lei 10.485. 4. Tratase, no caso, de sistema de tributação monofásico, com o qual não se coaduna o sistema de creditamento, como forma de aplicação da nãocumulatividade. 5. O parágrafo 5º do artigo 26 da IN nº 594/2005 ao proibir o creditamento do que foi recolhido anteriormente a título de PIS e COFINS, relativamente às vendas cuja operação está tributada à alíquota zero, apenas sistematizou o que já constava em Lei Ordinária, não procedendo, neste sentido, em ilegalidade. 6. O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que dispõe acerca da manutenção de crédito, em hipótese de vendas efetuadas cuja tributação esteja sujeita à alíquota zero, configurase em lei especial que não deve ser aplicada genericamente. (AC 200771050033577, JOEL ILAN PACIORNIK, TRF4 PRIMEIRA TURMA, D.E. 01/06/2010.) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. AQUISIÇÃO, PARA REVENDA, DE AUTOPEÇAS, ACESSÓRIOS E VEÍCULOS NOVOS. REGIME MONOFÁSICO. NÃOCUMULATIVIDADE. LEIS NºS 10.637/2002, 10.833/2003 E 11.033/2004. INS/SRF Nº 594/2005. LEGALIDADE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DESTA CORTE REGIONAL. 1. Apelação contra sentença que julgou improcedente pedido para assegurar o direito ao aproveitamento, mediante escrituração, dos créditos do PIS/COFINS decorrentes da aquisição, para revenda, de autopeças, acessórios e veículos novos, por meio das alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre o valor da nota fiscal destes bens adquiridos diretamente do fabricante, em face da ilegalidade da IN/SRF nº 594/05. 2. A jurisprudência de todas as Turmas desta Corte Regional é pacífica na esteira de que no regime tributário monofásico de nãocumulatividade, não é permitido à revendedora o aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições de veículos automotores e autopeças para revenda, tendo em vista que a Lei nº 11.033/2004 não revogou as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Legalidade do art. 26, parágrafo 5º, IV, da IN/SRF nº 594/05 referente à vedação ao creditamento das exações em tela, quando da aquisição no mercado interno, para Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720916/201014 Acórdão n.º 3801002.136 S3TE01 Fl. 18 8 revenda, dos produtos comercializados. 4. Apelação não provida. (AC 200781000007082, Desembargador Federal Bruno Leonardo Câmara Carrá, TRF5 Terceira Turma, DJE Data::17/11/2011 Página::734.) PROCESSUAL CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. DECISÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DO PIS E COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS, PEÇAS, PNEUS E ACESSÓRIOS. SISTEMA MONOFÁSICO. ART. 17 DA LEI 11.033/04 (PIS) E ART. 16 DA LEI 10.833/03 (COFINS). IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. 1. Tratase de agravo interno de fls. 392/415, oposto por BRETAGNE COMERCIAL LTDA, objetivando reformar a decisão de fls. 379/385, que negou seguimento à apelação interposta pela ora agravante, mantendo a sentença de fls. 322/327, que denegou a segurança, julgando improcedente o pedido que objetivava a manutenção do lançamento de créditos de PIS (1,65%) e COFINS (7,60%) decorrentes de aquisição de veículos, peças, pneus e acessórios abrangidos pelo sistema monofásico, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/04 e no art. 16 da Lei nº 11.116/05, dispositivos posteriores às Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) e que teriam superado a pretensa vedação estabelecida no art. 3º, §2º, inciso II. 2. Verificase que inexiste qualquer fundamento nas alegações da agravante, havendo o voto condutor se manifestado de forma clara e objetiva. 3. Precedentes Jurisprudenciais. 4. Não havendo ilegitimidade da exigência fiscal sustentada pela impetrante, não há o pretendido direito ao ressarcimento de supostos créditos por recolhimentos indevidos, não merecendo qualquer reparo a decisão ora atacada, uma vez que a agravante não trouxe argumento que alterasse o quadro descrito acima. 5. A agravante não trouxe argumentos que alterassem o quadro descrito acima. 6. Agravo interno conhecido e desprovido. (AC 200851010086660, Desembargador Federal ALUISIO GONCALVES DE CASTRO MENDES, TRF2 TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::26/03/2012 Página::163.) TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. LEI Nº 10.485/2002. CADEIA AUTOMOTIVA. COMÉRCIO DE VEÍCULOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS. ALÍQUOTA ZERO. ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DO COMERCIANTE VAREJISTA. 1. A Impetrante pretende ver reconhecido o direito à escrituração dos créditos vincendos decorrentes do PIS e da COFINS, em razão da aquisição de bens para revenda, ressaltando que a atividade por ela exercida é a de distribuição de veículos novos, adquiridos diretamente das fabricantes, venda de autopeças e acessórios. Reconhece, ainda, que o regime a que Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720916/201014 Acórdão n.º 3801002.136 S3TE01 Fl. 19 9 está submetida é o monofásico das contribuições sociais PIS e COFINS. 2. A Lei nº 10.485/2002 estabelece, em seu artigo 1º que: "As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo , relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004).". 3. Diversamente do que se aplica aos demais tributos, que possuem também como base de sua incidência o faturamento, a nãocumulatividade quanto ao PIS e à COFINS não alcança todos as atividades econômicas, e, como bem alertou o magistrado de primeiro grau, foi outorgado ao legislador ordinário o estabelecimento da sistemática a ser seguida. 4. Acerca da questão o egrégio Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de incompatibilidade da incidência monofásica com a técnica do creditamento, como no caso dos presentes autos. "(...) 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 2. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 3. Recurso especial não provido." (REsp 1218561/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 15/04/2011). 5. Apelação não provida. (AC 201037010002755, JUIZ FEDERAL RONALDO CASTRO DESTÊRRO E SILVA (CONV.), TRF1 SÉTIMA TURMA, e DJF1 DATA:29/06/2012 PAGINA:387.) Por fim, sem maiores delongas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos exatos termos da Súmula nº 02, “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Neste caso, verificandose que a Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005, nada mais fez do que regulamentar o disposto na legislação em vigor, não há que se falar em afastameto do disposto nesta regulamentação, como mencionado pelo Recorrente em suas razões recursais. Nestes termos voto pelo conhecimento e não provimento do Recurso Voluntário do Recorrente. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720916/201014 Acórdão n.º 3801002.136 S3TE01 Fl. 20 10 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13910.000381/2009-52
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
MULTA DE OFÍCIO.
A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. Recurso Voluntário Negado
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RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 00 03 81 /2 00 9- 52 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13910.000381/200952 Acórdão n.º 2801003.224 S2TE01 Fl. 65 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/CTA (Fls. 33), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo de Notificação de Lançamento, fls. 11 e 13/14, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, que exige R$2.333,12 de imposto de renda – suplementar, R$1.749,84 de multa de ofício (75%), além dos acréscimos legais, em virtude de glosa de dedução indevida a título de despesas médicas. 1.1. Segundo consta da Complementação da Descrição do Fatos (fl. 11), “devidamente intimado, o contribuinte deixou de apresentar comprovação do efetivo pagamento pelos serviços médicos discriminados nos recibos emitidos por VITOR LUCIO ROSS FABIANI CPF 046.797.33934, no valor total de R$8.500,00”. 2. Regularmente cientificada do lançamento em 06/05/2009 (fl.26), a interessada apresentou impugnação tempestiva, fls.01 a 09, em 16/09/2008, alegando em síntese que: 2.1. “A presente imposição foi postalizada, através de correspondência, provocando grande estranheza a impugnante, vez que sempre primou dentro dos mais escorreitos princípios que determinam as obrigações tributárias”; 2.2. O agente notificante incorreu em diversos equívocos, uma vez que a Impugnante já havia enviado documentos em 16/10/2008 e 25/03/2009, que demonstravam encontrar plena correspondência com as despesas efetuadas; 2.3. Sustenta que “não falta previsão legal para a dedução”, transcrevendo o art. 8º da Lei nº 9.250/99, ressaltando o contido no inciso II, alínea “a”, que trata das deduções relativas a despesas médicas, bem como o inciso III, que dispõe acerca da comprovação das despesas incorridas, afirmando que em todos os recibos apresentados constavam o nome do profissional, com seu número de inscrição no CPF e no órgão de classe. Outrossim, em caso de dúvida em relação ao recibos, “poderia a autoridade tributária solicitar informações aos profissionais, se houvera a prestação de serviços”; 2.4. É preocupante a todos os contribuintes que, para a comprovação de despesas dedutíveis, seja necessária a anexação Fl. 65DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13910.000381/200952 Acórdão n.º 2801003.224 S2TE01 Fl. 66 3 de cópias de cheques nominais compensados e/ou saques em conta bancária em data e valor compatíveis, o que implica na mudança do conceito de moeda e inversão de provas; 2.5. A própria complementação das disposições dos fatos salienta a apresentação de recibos médicos (dez recibos que novamente anexa). Logo, há que ser considerada nula a notificação, evitandose a ofensa aos Princípios Tributários; 2.6. Requer, ao final, seja acolhida a impugnação, cancelando se o débito fiscal reclamado. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. PROVA. REQUISITOS. A legislação tributária prevê que a prova das despesas médicas dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual seja feita por meio de documentação hábil e idônea, a exigir documentação original que demonstre a efetiva prestação dos serviços e o efetivo pagamento. PROVAS DOCUMENTAIS. IMPUGNAÇÃO. FASE INSTRUTÓRIA. PRAZO. PRECLUSÃO TEMPORAL. O momento para produção de provas documentais é justamente com a impugnação, inexistindo fase instrutória específica. precluindo o direito de o contribuinte fazelo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação pertinente. Cientificada em 13/06/2011 (Fls. 42), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 12/07/2011 (fls. 44 a 58), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como se observa, o litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta na insuficiência dos recibos, sem vinculação do pagamento como forma de comprovação do pagamento, exigindo que, quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento, essas condições devam ser comprovadas por outros meios, cumulativamente com o fato de a contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento da despesa médica, apesar de ter sido regularmente intimado. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13910.000381/200952 Acórdão n.º 2801003.224 S2TE01 Fl. 67 4 Por sua vez, a contribuinte afirma que a apresentação dos recibos e declarações é suficiente para o afastamento das glosas. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e a decisão da DRJ, e nela vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente. De fato, há nos autos a evidência de que o contribuinte, apesar de possuir plano de saúde da UNIMED, realizou despesas médicas com médico conveniado em citado plano de saúde. A intimação de folhas 18 dos autos é suficiente para compreender as razões de a fiscalização exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa médica em tela; in verbis: “Uma vez que o profissional Vitor Lucio Ross Fabiane é credenciado junto ao plano de saúde UNIMED Norte Pioneiro, informar se houve recusa do profissional em atender o beneficiário do tratamento, recebendo seus honorários diretamente do plano de saúde (o contribuinte apresentou comprovação de pagamentos efetuados ao plano de saúde UNIMED Norte Pioneiro) ou se os procedimentos médicos não estavam cobertos pelo referido plano de saúde. Informar ainda a existência ou não de processo judicial para o ressarcimento junto ao plano de saúde UNIMED Norte Pioneiro, do valor das despesas médicas havidas com o profissional Vitor Lucio Ross Fabiane (caso afirmativo, apresentar cópia da petição inicial devidamente protocolizada.” Logo, entendo que há nos autos elementos que permitam a fiscalização afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos. Melhor sorte não resta à recorrente no que pertine a argumentação de possível existência de bis in idem e de responsabilidade solidária. Segundo a recorrente a manutenção do lançamento poderia acarretar um bis in idem, na medida em que o suposto prestador do serviço pode ter oferecido para a tributação a renda destes serviços, e assim estaria sendo cobrado duas vezes o mesmo tributo sobre o mesmo fato gerador. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13910.000381/200952 Acórdão n.º 2801003.224 S2TE01 Fl. 68 5 Ainda segundo a recorrente, se o prestador do serviço não ofereceu para a tributação a renda destes serviços, a fiscalização não poderia considerar a recorrente responsável solidária pelo pagamento do IR incidente sobre tal renda. Ora, o lançamento não se refere a incidência de IR sobre a renda decorrente de prestação de serviços médicos, mas sim sobre a glosa de dedução de despesa médica. Deste modo, não há a cobrança duplicada do tributo sobre o mesmo fato gerador, nem a imputação de responsabilidade solidária, no lançamento. Superadas as argumentações da contribuinte e como não constam nos autos provas dos efetivos pagamentos, tais como cheques ou extratos bancários, as glosas devem ser mantidas. Por fim, pede a recorrente a exclusão da multa de ofício em caso de manutenção da glosa da despesa médica, já que os serviços médicos foram prestados e apenas não se comprovou o pagamento. Entendo que o pedido de não aplicação da multa de ofício, não pode ser acatado, em razão do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/ 96, que prega: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso o lançamento promoveu a glosa de dedução de despesa médica, que carreou na apuração de Imposto de Renda que não foi recolhido. Deste modo, confirmada a glosa de dedução de despesa médica, é cabível a aplicação da multa de ofício. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 68DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13910.000381/200952 Acórdão n.º 2801003.224 S2TE01 Fl. 69 6 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 35226.001470/2006-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Da leitura do acórdão recorrido percebe-se, de pronto, que o decisum recorrido está incompleto, pois lhe faltou a página que constava a fundamentação, ou melhor, a análise do lançamento em face dos ocupantes de cargos em comissão [vide folhas 116/117].
EMBARGOS ACOLHIDOS.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. SEGURADO EMPREGADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
CARGO EM COMISSAO. RGPS.
O servidor ocupante de cargo em comissão, quando não amparado por Regime Próprio de Previdência Social - RPPS deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos e dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente Substituta
MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente Substituta), ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS, ADRIANA SATO E JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Da leitura do acórdão recorrido percebe-se, de pronto, que o decisum recorrido está incompleto, pois lhe faltou a página que constava a fundamentação, ou melhor, a análise do lançamento em face dos ocupantes de cargos em comissão [vide folhas 116/117]. EMBARGOS ACOLHIDOS. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. SEGURADO EMPREGADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CARGO EM COMISSAO. RGPS. O servidor ocupante de cargo em comissão, quando não amparado por Regime Próprio de Previdência Social - RPPS deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos e dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente Substituta MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente Substituta), ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS, ADRIANA SATO E JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ.
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OMISSÃO. Da leitura do acórdão recorrido percebese, de pronto, que o decisum recorrido está incompleto, pois lhe faltou a página que constava a fundamentação, ou melhor, a análise do lançamento em face dos ocupantes de cargos em comissão [vide folhas 116/117]. EMBARGOS ACOLHIDOS. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. SEGURADO EMPREGADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CARGO EM COMISSAO. RGPS. O servidor ocupante de cargo em comissão, quando não amparado por Regime Próprio de Previdência Social RPPS deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 6. 00 14 70 /2 00 6- 24 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos e dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente Substituta), ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS, ADRIANA SATO E JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ. Relatório Tratase de NFLD referente às contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos empregados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga pela Prefeitura Municipal de Bom Princípio do Piauí a servidores não vinculados a regime próprio de previdência social, a pessoas físicas prestadoras de serviços, caracterizadas pela fiscalização na categoria de segurados empregados, e as pessoas físicas contribuintes individuais [trabalhadores autônomos], na competência 01/2003. Os fatos geradores foram apurados com base em notas de empenho, folhas de pagamento e recibos de pagamento. Em 02/08/2003, o Notificado foi cientificado da NFLD, tendo apresentado, tempestivamente, impugnação [fls. 34/48]. No dia 10/11/2004, os autos foram encaminhados à Seção de Fiscalização para identificar corretamente o sujeito passivo do lançamento [MUNICÍPIO DE BOM PRINCÍPIO DO PIAUÍ – PREFEITURA MUNICIPAL], conforme determinado no art. 351, parágrafo único, da IN n. 65/2002, tendo sido juntados, na oportunidade, nova folha de rosto e novos relatórios da NFLD [fls. 54/74] e encaminhado cópias ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa. Devolvido o prazo ao sujeito passivo, esse restou silente [fls. 79]. Por meio de DN n. 16.401.4/0036/2006 [fls. 8088] decidiu pela procedência do lançamento. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35226.001470/200624 Acórdão n.º 2302002.253 S2C3T2 Fl. 11 3 Insatisfeita com a DN prolatada, o Notificado interpôs tempestivamente recurso voluntário que alegou, em síntese: A inconstitucionalidade da cobrança sobre a remuneração dos ocupantes de cargo em comissão, cargo temporário, emprego público, dos prestadores de serviços e dos trabalhadores autônomos, uma vez que esses não são servidores do Município, não possuindo vínculo empregatício com o Município; Não pode ser aplicado aos servidores autônomos o mesmo percentual aplicado às empresas privadas; O valor das contribuições previdenciárias foi lavrado por estimativa, sem respaldo em qualquer ordenamento jurídico; O §13, do art. 40, da CF/88, acrescentado pela Emenda Constitucional n. 20/98, uma vez que tal dispositivo é inconstitucional, por não observar os princípios federativo, da isonomia e da imunidade recíproca; Requereu, ao final, que o lançamento seja julgado totalmente improcedente. Instada a se manifestar, a DRP repisou os argumentos já expostos [fls. 106 109]. Em 02 de dezembro de 2008, a então 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes prolatou acórdão n. 20501.383 que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto. Intimado do decisum, a PFN opôs embargos de declaração. Instado a se manifestar, este Conselheiro Relator proferiu Despacho n. 2302201 que encaminhou pelo acolhimento dos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Relator Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela PGFN em face do Acórdão n. 20501.383 [fls. 110/123], sob a alegação de existir obscuridade/ contradição do julgado, pois, segundo expressa a i. Procuradora: [...] Observese que, embora leve a crer que o lançamento dos comissionados foi mantido, o excerto confunde contribuinte individual com a relação de emprego, caracterizada pela fiscalização, no que concerne a prestadores de serviço, não havendo como se inferir a qual das duas relações jurídicotributárias se refere o termo NÃO CARACTERIZAÇÃO ali aposto. Requereu, ao final, o saneamento dos vícios apontados. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Da leitura do acórdão recorrido percebese, de pronto, que o decisum recorrido está incompleto, pois lhe faltou a página que constava a fundamentação, ou melhor, a análise do lançamento em face dos ocupantes de cargos em comissão [vide folhas 116/117]. Assim, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração opostos pela PFN, entretanto, por motivo diverso, qual seja, omissão. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Acolhidos os embargos, fazse necessária nova análise do Recurso Voluntário. Primeiramente, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente, haja vista o atendimento dos requisitos intrínsecos e extrínsecos. I DAS QUESTÕES PRELIMINARES I.1 INCONSTITUCIONALIDADE Quanto à alegação de inconstitucionalidade, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35226.001470/200624 Acórdão n.º 2302002.253 S2C3T2 Fl. 12 5 Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” I.2 DA COMPETÊNCIA DA ENTIDADE PREVIDENCIÁRIA E DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL EM SEGURADO EMPREGADO Em relação às alegações de que o Instituto deve absterse de transformar uma relação entre pessoas jurídicas – autônomo e empresa numa relação de emprego, entendendo tratarse de matéria de competência da Justiça do Trabalho, a mesma é inaceitável, pois a legislação previdenciária é especial e autônoma, não se conflitando com as leis trabalhistas. A atuação de ambas se processa paralelamente; cada qual atua com total independência harmônica e complementarmente entre si. Com bem citado pela autoridade fiscal, quando do Relatório Fiscal, o art. 33, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, alterado pela Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, conferiu ao INSS competência para normatizar o recolhimento das contribuições sociais: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001] Além disso, o Auditor Fiscal da Previdência Social no exercício de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, art. 142, CTN ao constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I, do caput do art. 9º, RPS, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado [art. 229, § 2º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99]: Fl. 37DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 RPS ART. 229 , §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. O CTN já previa, antes mesmo da inserção desse famigerado parágrafo único – art. 116 , em seu art. 150, §4º, a possibilidade de não homologar o lançamento quando comprovado dolo, fraude ou simulação: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Dessa forma, se a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio de seu órgão fiscal, observou ato previdenciário que não se coaduna com a realidade fática, deve, por força de obrigação legal, investigálo, e, se for o caso, promover a sua descaracterização. Ressaltase, entretanto, que a Entidade Previdenciária deverá se eximir do onus probandi, logo, tornar evidente a situação jurídica existente, sob pena de ser declarada a nulidade do lançamento. Consoante Relatório Fiscal [fls. 6970] e anexos juntados, a Fiscalização compreendeu que constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas em decorrência de : [...] pagamentos de remuneração aos servidores municipais, decorrentes do exercício de funções em diversos órgãos da administração pública municipal. [...] A ocorrência dos fatos geradores das contribuições apuradas se deu com os pagamentos de remuneração aos prestadores de serviços, no exercício de atividades de telefonista, agentes de saúde, agentes comunitários de saúde e assessor secretaria municipal, junto aos órgãos da administração pública municipal. O salário contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias, foi apurado através das notas de empenho, folhas de pagamento e recibos de pagamentos de remuneração efetuados aos prestadores de serviços, conforme Demonstrativo Pagamentos Remuneração a Prestadores de Serviços Enquadrados como Empregados”, e lançado no Levantamento “SP – Serviços PrestadosEmpregados”. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35226.001470/200624 Acórdão n.º 2302002.253 S2C3T2 Fl. 13 7 A fiscalização caracterizou os trabalhadores que prestaram serviços à Prefeitura Municipal de Bom Princípio do PiauíPI, na categoria de segurados empregados, tendo em vista que a relação jurídica estabelecida se enquadrou nos pressupostos básicos previstos na legislação previdenciária, relativamente à relação de emprego – Art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei n. 8.212/91 (pessoalidade, não eventualidade, subordinação e mediante remuneração) [...] Não obstante a menção pela autoridade fiscal de observância aos pressupostos da relação de emprego, observo que o Relatório Fiscal não traz à tona elementos suficientes para corroborar o vínculo empregatício entre a sociedade empresária e os tidos segurados empregados. Ressaltase que o Relatório Fiscal, apenas menciona conceitos teóricos sobre relação de emprego e vínculos empregatícios, não demonstrando a relação no sentido prático. Ademais, SUBSUNÇÃO significa empregar a norma em um caso concreto, sendo assim, a Fiscalização ao promover o lançamento não demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe deram suporte, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas. Nesse sentido, importante mencionar o art. 37 da Lei 8.212/91: ART.37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Por todo o exposto, voto pela nulidade do lançamento sub examinem, uma vez que a mesma não está em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria. Ato contínuo, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado, EM PARTE, o exame de mérito. II DO MÉRITO II.1 SERVIDORES – CARGO EM COMISSÃO A recorrente se insurge contra a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos servidores ocupantes de cargo em comissão que lhe prestaram serviço. Sobre o assunto, é de se ver que o artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 39DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Como já mencionado os servidores, cujas remunerações constam deste levantamento, são aqueles não detentores de cargos efetivos, mas comissionados, para os quais se aplica o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, consoante o disposto no artigo 13 da Lei n.º 8.212/91: Art.13 O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da união, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral da Previdência Social consubstanciado nesta Lei, dedes que amparados por regime próprio de previdência social Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: A Emenda Constitucional n° 20, deu nova redação ao art. 195 da Constituição Federal, prevendo na alínea "a" do inciso I, a contribuição a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhes preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Assim, a partir da Emenda Constitucional n° 20, o texto constitucional prevê a contribuição da entidade equiparada à empresa sobre a remuneração de qualquer pessoa física que lhe preste serviço. Por isso, a criação da contribuição previdenciária sobre a remuneração dos agentes políticos passou a ser matéria de lei ordinária, para o que serviu a Lei n.º 10.887 de 18/06/2004, com vigência a partir da competência 09/2004. A citada lei não foi inquinada de inconstitucionalidade, permanecendo válida e amparando o lançamento constante da presente notificação. O lançamento em questão abrange apenas período posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, e referese exclusivamente a servidores públicos não efetivos, que compulsoriamente estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Portanto, o levantamento relativo aos servidores públicos ocupantes de cargos, exclusivamente, em comissão e de segurados que prestaram serviço como contribuintes individuais está de acordo com a legislação vigente. II.2 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Fl. 40DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35226.001470/200624 Acórdão n.º 2302002.253 S2C3T2 Fl. 14 9 No que tange às remunerações pagas a trabalhadores autônomos vale dizer que o lançamento não merece qualquer retoque, pois a autoridade notificante, com espeque no art. 22, III, da Lei n. 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Desta forma, comprovado o pagamento de remuneração a autônomos/contribuintes individuais, conforme se percebe nos relatórios da NFLD e havendo embasamento legal para a exação, improcedentes as alegações da Entidade Municipal. II.3 SELIC Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. CONCLUSÃO Fl. 41DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Em razão do exposto, voto por acolher os embargos de declaração opostos. Ato contínuo, conheço do Recurso Voluntário interposto, para, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL, para que seja afastado o levantamento relativo aos contribuintes individuais “caracterizados como segurados empregados” pela Fiscalização. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Fl. 42DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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