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Numero do processo: 10880.662125/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 25 /2 01 2- 65 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662125/201265 Acórdão n.º 1201002.520 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de IRPJ referente ao 2º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 8% para IRPJ, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 8%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 8%, e não 32%. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662125/201265 Acórdão n.º 1201002.520 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.662125/201265 Acórdão n.º 1201002.520 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.662125/201265 Acórdão n.º 1201002.520 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902971/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO.
Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
Numero da decisão: 1402-003.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 29 71 /2 00 9- 64 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.902971/200964 Acórdão n.º 1402003.456 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação da compensação", cujas razões de negação se fundam no fato de que o pagamento a título de estimativa mensal somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega que tem direito à restituição/compensação do valor pago a maior, seja qual for a modalidade de pagamento. Aduz ainda que a matéria não pode ser regulada por meio de instrução normativa, e sim por lei. E por fim, afirma a liquidez e certeza de seu crédito. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Do Recurso Voluntário: A recorrente, na sua peça recursal, pede anulação dos valores cobrados no presente processo, pois quitou os débitos em discussão na per/dcomp, através de DARFs especificados como anexo. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.902971/200964 Acórdão n.º 1402003.456 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.441, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10925.902212/2009 00, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.441): "Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Verificase nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal. Destarte, não se conhece do recurso voluntário por perda do objeto. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000055/2002-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.JULGAMENTO EXTRA PETITA
Devem ser acolhidos os embargos de declaração, para sanear vício consistente em julgamento de matéria não contida no recurso voluntário.
Numero da decisão: 3301-005.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão embargada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 00 55 /2 00 2- 95 Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 731 2 "Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, atualizado pela Selic, que foi parcialmente deferido, para excluir do total pleiteado os valores relativos às exportações de mercadorias adquiridas de terceiros, o valor do IPI das entradas, o valor dos fretes e a taxa Selic. Apresenta a contribuinte manifestação de inconformidade onde alega que as receitas de vendas de mercadorias adquiridas de terceiros não fazem parte da receita operacional bruta, que foram indevidamente incluídos na receita operacional bruta valores relativos a devoluções de compras para industrialização; que há um equívoco no valor do IPI do mês de janeiro, que pela Lei n2 10.276/2001, os combustíveis, energia elétrica e industrialização por encomenda devem compor o crédito e que a taxa Selic deve ser aplicada. A DRJ em Ribeirão Preto SP reformou parcialmente o indeferimento, tão somente para recalcular o IPI de janeiro, mantendo o indeferimento quanto ao restante, pelos seguintes fundamentos: os combustíveis, energia elétrica e industrialização por encomenda estão incluídos na apuração realizada pela fiscalização; inexiste previsão legal para a inclusão dos fretes no cômputo do crédito; descabe a utilização da taxa Selic. Inconformada, recorre a contribuinte. É o Relatório." O recurso voluntário foi provido em parte e o Acórdão n° 20219.340, de 07/10/08, foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002 CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Impossibilidade de inclusão como insumo por falta de previsão legal. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. Não se vê, na legislação de regência, nem tampouco na ratio essendi do conceito de receita de exportação, previsão de exclusão da receita de bens adquiridos de terceiros e revendidos no mercado externo. Se os referidos bens são revendidos para o mercado externo, por óbvio sua receita engloba a receita de exportação. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃOCABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por Fl. 731DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 732 3 implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte." E o dispositivo foi o seguinte: “ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, em dar provimento para que seja incluída a receita de produtos revendidos no cálculo do coeficiente de exportação, devendo a referida receita ser incluída tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética que dá origem ao referido coeficiente; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic: Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Carda zo, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor nesta parte.” A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) opôs embargos de declaração (fls. 661 a 663), sob o argumento de que o julgamento se deu extra petita, pois a decisão, ao determinar a inclusão da receita de produtos revendidos no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética, teria extrapolado os limites do que fora pleiteado no recurso voluntário." O então Presidente desta turma admitiu os embargos (Despacho de Admissibilidade, fls. 713 a 716). É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira A matéria objeto dos embargos de declaração opostos pela PGFN exigiu que o então Presidente desta turma realizasse um trabalho (Despacho de Admissibilidade, fls. 713 a 716, datado de 27/10/16) que, de tão apurado, extenso e detalhado, julgo estar apto a prover as informações necessárias para que este colegiado forme seu juízo acerca do tema: "Tratase de Embargos de Declaração opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 20219.340, de 07/10/2008, cuja ementa abaixo transcrevese: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002 CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 733 4 Impossibilidade de inclusão como insumo por falta de previsão legal. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. Não se vê, na legislação de regência, nem tampouco na ratio essendi do conceito de receita de exportação, previsão de exclusão da receita de bens adquiridos de terceiros e revendidos no mercado externo. Se os referidos bens são revendidos para o mercado externo, por óbvio sua receita engloba a receita de exportação. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃOCABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte." O resultado do julgamento foi o seguinte: “ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, em dar provimento para que seja incluída a receita de produtos revendidos no cálculo do coeficiente de exportação, devendo a referida receita ser incluída tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética que dá origem ao referido coeficiente; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic: Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Carda zo, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor nesta parte.” Alega a embargante que o julgamento se deu extra petita, vez que a decisão, ao determinar a inclusão da receita de produtos revendidos no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética, extrapolou os limites do requerido pela contribuinte no recurso voluntário. Relatadas as razões em que se fundamentaram os embargos, passase à análise de sua admissibilidade. Razão cabe à embargante. De fato, em nenhum momento a contribuinte requereu a exclusão das revendas de mercadorias do cálculo das receitas de exportação, mas sim do cálculo da receita operacional bruta. É de se observar, inclusive, que a contribuinte aquiesceu com o cálculo da receita de exportação formulado pela Fiscalização. Veja se o que diz o recurso voluntário: 'a) RECEITA DE EXPORTAÇÃO: Fl. 733DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 734 5 Ao formular o pedido de ressarcimento do Crédito Presumido do IPI, a Recorrente considerou receita de exportação o valor correspondente às notas fiscais de saída com código fiscal 7.11 (vendas de produção do estabelecimento) cujo embarque efetivamente ocorreu no período de apuração. As informações foram obtidas nos Despachos e Registros de Exportação. Salientese que, dentre o total das notas fiscais de saída emitidas pela Recorrente com o código 7.11, muitos produtos não foram embarcados no período de apuração, e, portanto, não integraram o valor da receita de exportação. Os valores informados pela Recorrente como exportações efetivas, utilizando como parâmetro a data do embarque, foram acatados pela Autoridade Fiscal e utilizados no cálculo do Crédito Presumido: [negritei] (...)' Segue o recurso voluntário questionando a inclusão das receitas de revendas de mercadorias no valor da receita operacional bruta. Vejase: 'I) QUANTO À INCLUSÃO DAS RECEITAS DE REVENDA DE MERCADORIAS: Conforme restou demonstrado através do detalhamento da composição da receita operacional bruta para fins de cálculo do crédito presumido do IPI nos quadros supra, a Autoridade Fiscal incluiu no referido cálculo os valores relativos aos códigos fiscais 5.12, 6.12 e 7.12, que correspondem a "venda de mercadorias adquiridas de terceiros". [negritei] (...) Assim, a revenda de mercadorias não compõe a receita operacional bruta para fins de apuração do Crédito Presumido do IPI, consoante orientação contida no artigo 21, I, da Instrução Normativa SRF n' 315, de 03 de abril de 2003, que dispõe sobre o cálculo, a utilização e a apresentação de informações do regime alternativo do crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n' 10.276, de 10 de setembro de 2001.” [negritei] (...) II) QUANTO À RECEITA DE EXPORTAÇÃO: (...) Em decorrência dos argumentos supra, a Recorrente entende que o valor correto da Receita Operacional Bruta do trimestre, para fins de determinação do valor do Crédito Presumido do IPI, deverá ser obtido mediante: a) Exclusão dos valores relativos a revenda de mercadorias (CFOP 5.12, 6.12 e 7.12) e das respectivas devoluções de revenda de mercadorias (1.32 e 2.32). (...)” [negritei] Os pedidos formulados pela querelante no recurso voluntário deixam claro que em nenhum momento foi questionado o valor das receitas de exportação, mas sim o valor da receita operacional bruta. Vejase: “Pelo exposto, a Recorrente pede que seja julgado procedente o presente recurso para reformar o Acórdão DRJ/RPO n' 13.818, de 27/09/2006, proferido Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 735 6 pela 2 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP, para: a) Excluir do valor da receita operacional bruta os valores relativos à revenda de mercadorias (CFOP 5.12, 6.12 e 7.12) e as respectivas devoluções de revenda de mercadorias (1.32 e 2.32). b) Considerar, para fins de determinação do valor da receita operacional bruta, o valor das exportações efetivamente embarcadas no período, eis que este foi o valor das exportações utilizadas para fins de cálculo, e não a totalidade das saídas (CFOP 7.11) escrituradas no Livro Registro de Apuração do IPI, que inclui operações de exportação não concretizadas. c) Incluir na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI os valores relativos aos fretes. Requer a final, que o valor do ressarcimento, após procedidos os ajustes descritos nas alíneas "a" a "c" supra, seja acrescido da Taxa do SELIC desde a data em que se tornou devido, ou seja, abril de 2002 até o seu efetivo pagamento/ aproveitamento.” Verificase, portanto, ter ocorrido julgamento extra petita, em que se analisou algo que sequer foi objeto do pedido. Tratase, nesse caso, de error in procedendo intrínseco, ou seja, de um vício formal da própria decisão impugnada, que leva à devolução do processo à Turma julgadora para que seja proferido um pronunciamento adequado, devendo o julgado ser refeito, assim, apenas nesta parte, mormente porque tal vício não interfere na rejeição das demais postulações. Salientese que este Conselho, nos autos do processo administrativo n° 11065.001917/9861, já aceitou o manejo dos declaratórios para sanar julgamento extra petita. Vejase: “ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO • CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar o julgamento extra petita relativo à concessão dos expurgos inflacionários e corrigir erro material relativo ao julgamento quanto à aquisição de insumos de nãocontribuintes existentes no Acórdão n? 20214.995.” Assim, entendo que restou caracterizado o vício no decisum apontado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, razão pela qual tenho por preenchidas as condições necessárias à admissibilidade do recurso. Desse modo, ACOLHO os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. Salientese, por fim, que à contribuinte deve ser dada ciência do Acórdão n° 20219.340, devendolhe ser oportunizada a interposição de embargos de declaração. Após, devem os autos retornar ao CARF, para as providências cabíveis. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente da 1° TO/3' CAM/ 3° SEJUL/CARF" Pelos motivos expostos no Despacho de Admissibilidade acima transcrito, proponho que os embargos de declaração opostos pela PGFN sejam acolhidos, com efeitos infringentes, para que sejam alterados os textos da ementa e do dispositivo, que passarão a ser os seguintes: EMENTA Fl. 735DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 736 7 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002 CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Impossibilidade de inclusão como insumo por falta de previsão legal. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃOCABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso Voluntário negado." DISPOSITIVO “ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, em negar provimento à inclusão dos fretes na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento à atualização do ressarcimento pela taxa Selic: Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Carda zo, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor nesta parte.” É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.003397/2004-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 11/09/2002
IPI. COMPETÊNCIA. DECLINADA. TURMA ESPECIALIZADA.
Compete a Turma Especializada o julgamento de recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa sobre aplicação da legislação do IPI a caso que não se trata de importação ou lançamento decorrente de classificação de mercadoria.
Declinada a Competência.
Numero da decisão: 3201-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para Turma especializada em IPI.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente, que assina para efeitos de formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator ad hoc (art. 17, inc. III, do Anexo II do RICARF)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama, Irene Souza da Trindade Torres, Nilton Luiz Bártoli, Heroldes Bahr Neto (Relator), Celso Lopes Pereira Neto e Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 11/09/2002 IPI. COMPETÊNCIA. DECLINADA. TURMA ESPECIALIZADA. Compete a Turma Especializada o julgamento de recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa sobre aplicação da legislação do IPI a caso que não se trata de importação ou lançamento decorrente de classificação de mercadoria. Declinada a Competência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.003397/200464 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201000.189 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO APREENSÃO DE MERCADORIAS NACIONAIS Recorrente MONALISA JÓIAS E PRESENTES AGA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 11/09/2002 IPI. COMPETÊNCIA. DECLINADA. TURMA ESPECIALIZADA. Compete a Turma Especializada o julgamento de recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa sobre aplicação da legislação do IPI a caso que não se trata de importação ou lançamento decorrente de classificação de mercadoria. Declinada a Competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para Turma especializada em IPI. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente, que assina para efeitos de formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator ad hoc (art. 17, inc. III, do Anexo II do RICARF) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama, Irene Souza da Trindade Torres, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 33 97 /2 00 4- 64 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 3 2 Nilton Luiz Bártoli, Heroldes Bahr Neto (Relator), Celso Lopes Pereira Neto e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. Em 01/12/2004, foi lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de fls. 227/232, juntamente com o Termo de Verificação e Conclusão Fiscal de fls. 202/226, que traz a respectiva capitulação legal (fls. 218/224), em que se destacam os artigos 202 e 484, III do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/98), aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998. Conforme o teor da descrição dos fatos (fl. 228) e do sobredito termo de verificação, em 11/09/2002, foram encontradas jóias em bagagem de condutor de veículo automotor, pela Polícia Militar Rodoviária, cujas quantidades não correspondiam às quantidades indicadas nas notas fiscais (fls. 30/40) apresentadas pelo portador das jóias, que, segundo o depoimento do qual (fls. 28/29), não teriam relação com as jóias transportadas e apreendidas. Posteriormente, as jóias foram remetidas à DRF em Presidente Prudente, SP, sendo constatadas diferenças de quantidades quanto a alguns itens relacionados no Auto de Apresentação e Apreensão lavrado pela Polícia Federal (fls. 25/26), conforme o quadro de fl. 204, e foi requisitado à Polícia Federal, mediante ofício, a elaboração de laudo pericial referente às jóias apreendidas, sendo requisitada, pela Polícia Federal, a liberação das jóias para remessa ao SECRIM/SP para a realização do exame pericial, o que ocorreu mediante ofício com a discriminação das peças (fl. 206). Em ação fiscal desencadeada na empresa em tela, foram recebidas notas fiscais (fls. 81/112) com data de emissão de 11/09/2002, sem detalhamento da hora de saída, e com quantidades discrepantes (a menor) em relação às jóias apreendidas. Com o laudo pericial (fls. 155/165), enviado mediante ofício, sem as jóias anteriormente remetidas, houve a constatação das seguintes características: maioria das peças em ouro, algumas de prata; peças de ouro, na maioria, com peso igual ou superior a um grama, classificadas na posição 7113 da TIPI. No referido laudo, não foi respondido o quesito respeitante à existência de punção. Solicitadas informações complementares e a devolução das mercadorias, a Polícia Federal comunicou, no ofício de fl. 188, o desaparecimento do material remetido ao SECRIM/SP. Segundo a autoridade fiscal, na ação fiscal, teria sido constatada visualmente a existência de superfície livre maior que meio milímetro para a gravação de algarismos e de letras, conforme, inclusive, reproduções impressas das jóias (fls. 41/66), angariadas junto destas na apreensão ocorrida. Em virtude dos fatos narrados, notadamente a ausência de punção obrigatória, as mercadorias apreendidas são reputadas como não identificadas com o descrito nos documentos fiscais e, portanto, sujeitas à pena de perdimento. A contribuinte, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 239/248, subscrita pelo respectivo patrono, Dr. Adriano Célio Alves Machado, qualificado à Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 4 3 fl. 249, e instruída com a documentação de fls. 250/264, em que, em síntese, há as seguintes alegações: 1. Em virtude da falta de demonstração do enquadramento dos fatos em cada um dos dispositivos legais citados, sem pormenorização e sem conclusão, teria sido violada a garantia constitucional da ampla defesa; 2. A peça impositiva carece de objeto, pois a pena de perdimento é inviável por conta do desaparecimento das jóias nas dependências da Polícia Federal, e, também porque o laudo da Polícia Federal deixou de dar respostas a alguns quesitos formulados; 3. A autuação é nula por ser baseada em meras presunções, sem a análise física dos objetos, já que os auditores acabaram fazendo um “laudo complementar indireto”, cuja idéia, inicialmente, suscitada pela Polícia Federal, fora repudiada pelo próprio Delegado da Receita Federal em Presidente Prudente, SP; 4. A autoridade administrativa não pode fazer juízo pessoal e subjetivo, não pode acusar sem provas suficientes; segundo os laudos da Caixa Econômica Federal (fls.163/165) e do Instituto de Criminalística (fls. 155/162) não apontaram irregularidades e teria sido demonstrada a correção dos valores consignados pela autuada nas notas fiscais, tendo sido recolhido corretamente o imposto devido (documentos anexos); a inexistência de punção não poderia ser presumida com base meramente no fato de a primeira perícia não ter feito nenhuma referência à existência de letras e algarismos nas peças, seria necessária uma perícia complementar; há vedação legal para a autuação administrativa baseada em simples presunção; em virtude do desaparecimento das jóias, não foram atendidos os termos do RIPI/98, art. 427 (verificação em diligência ou exame técnico da veracidade dos elementos constantes da marcação); as reproduções de peças não correspondem às peças apreendidas, sendo estas destinadas a demonstração, sendo, assim, prescindíveis reproduções fotográficas; 5. Inexistem as falhas de correspondência entre as quantidades apreendidas e aquelas constantes das notas fiscais nº 006876 a 006898 e 006922 a 006928 e 006930: seriam exatamente 73 colares e 162 pingentes, conforme as quantidades nas referidas notas fiscais; o que existiria é a divergência entre os números apurados pela Polícia Federal e pela Receita Federal, o que desacredita qualquer confronto com as notas fiscais; há também disparidades entre as quantidades avaliadas pela Polícia Federal e Receita Federal quanto a pulseiras, anéis, brincos e alianças, que são itens não mencionados na peça impositiva; as divergências apontadas desautorizam a alegação de falta de correspondência entre a quantidade de mercadorias apreendidas e a quantidade retratada nas notas fiscais citadas; 6. Ao contrário do que é afirmado na autuação, as notas fiscais identificariam perfeitamente as peças, com a discriminação por tipo, modelo, material, pedras, cor das pedras, pérolas e madrepérolas; cada peça apreendida possuía uma etiqueta com o código lançado nas notas fiscais, utilizado pelo Instituto de Criminalística para a individualização das peças periciadas (exemplo à fl. 246); 7. A ausência de alíquota e valor do IPI nas notas fiscais apreendidas é explicada pela natureza da operação: remessas para demonstração, com suspensão do IPI; foi tudo feito de acordo com o RIPI/98, art. 303; como as mercadorias não retornaram ao estabelecimento da autuada no prazo previsto na legislação, por causa da apreensão, houve o recolhimento dos valores, conforme documentação anexa; Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 5 4 8. A pena de perdimento é prevista em duas hipóteses (art. 484): falta de comprovação da origem da mercadoria ou falta de inscrição no CNPJ; nenhuma das hipóteses ocorreu, pois há regularidade da inscrição da impugnante no CNPJ, e, além da correta identificação das peças, o fato de que a primeira perícia não tenha feito referência à punção não autoriza a presunção da respectiva inexistência; os auditores não possuíam conhecimentos técnicos específicos para constatar a punção ou a existência de superfície livre (> 0,5 mm) para punção; 9. Quanto às notas fiscais, que teriam sido emitidas após a apreensão, segundo presunção dos auditores, não haveria irregularidades, conforme exame de arquivos magnéticos efetuado pelos auditores, com acompanhamento de um técnico de informática; se as notas fiscais tivessem sido emitidas posteriormente à apreensão, o sistema acusaria, pois há registro de data e hora da emissão de documentos fiscais; 10. Por fim, o auto de infração deve ser julgado insubsistente, com o cancelamento da pena de perdimento imposta Em 03/08/2007, foi proferido por esta Turma de Julgamento o Acórdão DRJ/RPO n° 1416.571 (fls. 298/301), com o julgamento de improcedência do lançamento, em virtude de ausência de comprovação da obrigatoriedade para punção das jóias apreendidas, assim como da perda de objeto para o perdimento destas por conta do respectivo desaparecimento nas dependências da Policia Federal. Em 15/10/2007, foram exarados os embargos de declaração, por omissão de decisão administrativa, de fls. 307/309, em que é apontada a existência de um segundo laudo pericial oriundo da Policia Federal (fls. 269/282), de 27/07/2005, ignorado pelo acórdão, em que são respondidos quesitos anteriormente ignorados, ficando patente, inclusive, o reaparecimento das jóias de que trata a pena de perdimento. A contribuinte tivera ciência do referido laudo pericial em 25/01/2006, conforme AR nos autos, e apresentou, em 2310212006, a manifestação de fls. 287/290 em que, basicamente, vergasta a legitimidade do segundo laudo, que padeceria de vicio insanável, por não ter sido informada, por mais de sete meses, do reaparecimento das jóias e, assim, acabou sendo impedida de verificar a integridade das mercadorias, e não foi intimada a acompanhar a realização da nova perícia.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO decidiu pela procedência do lançamento em acórdão cuja ementa está assim redigida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do fato gerador: 11/09/2002 JÓIAS. PUNÇÃO. SUPERFÍCIE LIVRE PARA ALGARISMOS E LETRAS COM ALTURA IGUAL OU SUPERIOR A 0,5 MM. OBRIGATORIEDADE. A punção em jóias é obrigatória naquelas com superfície livre que, comprovadamente, permita a aposição de algarismos e letras com altura igual ou superior a meio milímetro. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 6 5 PENA DE PERDIMENTO. PRODUTOS DA POSIÇÃO 7113 DA TIPI CUJA ORIGEM NÃO FOR COMPROVADA. As jóias apreendidas, sem punção obrigatória ou acobertadas por notas fiscais sem as especificações mínimas, vale dizer, sem valor legal, são reputadas como não identificadas com o descrito nos documentos fiscais e, portanto, sujeitas à pena de perdimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/09/2002 REVISÃO DE ACÓRDÃO. Constatada, antes da ciência do sujeito passivo, a existência de lapso manifesto em acórdão originalmente proferido, este deve ser submetido a revisão. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INEXISTÊNCIA. A descrição suficiente e completa dos fatos, com a adequada indicação dos dispositivos regulamentares infringidos, na peça fiscal, desautoriza a denúncia, pelo sujeito passivo, do cerceamento do direito de defesa. Lançamento Procedente” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao Terceiro Conselho de Contribuintes, tendo o processo sido distribuído ao Conselheiro Heroldes Bahr Neto. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator ad hoc. O processo foi julgado em sessão de 17/06/2009, tendo sido declinada a competência do julgamento para turma especializada em IPI. Tendo em vista que o Conselheiro Heroldes Bahr Neto, Relator, não mais integra o CARF e não formalizou o acórdão, o Presidente da 2ª Câmara distribuiume o processo para redigilo, conforme Despacho nº 3200252. Na data da sessão de julgamento estava em vigor Regimento Interno anterior ao atual. Transcrevo disposições do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/6/2007, vigente à época do julgamento: “Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: I às Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Câmaras, os relativos a: a) imposto sobre produtos industrializados (IPI), inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IPI nos casos de importação; (...) II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros. Art. 22. Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: I imposto sobre a importação e a exportação; II imposto sobre produtos industrializados nos casos de importação; III apreensão de mercadorias estrangeiras encontradas em situação irregular, prevista no art. 87 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964; Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 8 7 IV contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; V classificação tarifária de mercadoria estrangeira; VI isenção, redução e suspensão de impostos de importação e exportação; VII vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; VIII omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; IX infração relativa a fatura comercial e outros documentos tanto na importação quanto na exportação; X trânsito aduaneiro e demais regimes especiais e atípicos, salvo a hipótese prevista no inciso XVII, do art. 105, do Decreto lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; XI remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do Decretolei nº 37, de 1966.; XII valor aduaneiro; XIII bagagem; XIV imposto sobre propriedade territorial rural (ITR); XV imposto sobre produtos industrializados (IPI) cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias; (...) Conforme relatado, as mercadorias foram apreendidas pela Polícia Militar dentro do País, em zona secundária, ou seja, não estaria em procedimento de importação e não se trata de exigência de IPI decorrente de classificação das mercadorias. Com a produção de efeitos, em 1º/7/2009, da Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, houve a substituição dos antigos Conselhos de Contribuinte pelo CARF, de modo que cada um dos Conselhos se transformou em uma Seção de Julgamento do novo Órgão Colegiado, que compôsse de Câmaras, constituídas de Turmas Ordinárias e Turmas Especiais de julgamento. Apenas após 1º/7/2009, a 3ª Seção de Julgamento passou a ter competência para julgamento de matérias relativas à aplicação da legislação do IPI em geral, com exceção, apenas, dos casos previstos no art. 2º, IV, do Anexo II do RICARF, que trata de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos. Porém, uma vez que o RICARF não estava em vigor na data do julgamento, não poderia ser aplicado. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 9 8 Por todo o exposto, com fundamento nos arts. 21 e 22 do Regimento dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/6/2007, tendo em vista que a matéria em discussão se trata de aplicação da legislação do IPI a fatos que não se enquadram nas competências do Terceiro Conselho de Contribuinte, votase por declinar a competência para o julgamento do recurso voluntário para turma especializada na aplicação da legislação do IPI. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Redator ad hoc. Fl. 378DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.914277/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 14 27 7/ 20 12 -4 4 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10830.914277/201244 Resolução nº 3401001.466 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 03790.39998.301012.1.3.048308 a compensação de débito de IRPJ (cód.2362) do período de apuração 09/2012 no valor de R$ 6.313,71 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 171.252,74 do período de apuração 03/2012, arrecadado na data de 25/04/2012. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 6.251,20. Do Despacho Decisório A DRF de Campinas/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 03/01/2013, rastreamento nº 042010145 (efls.18), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da COFINS do Período de Apuração 31/03/2012. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), nos seguintes termos: “O crédito informado pela empresa na Perdcomp acima informado está correto, e portanto, estamos apresentando a DCTF referente março de 2012 para comprovação do mesmo”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 11ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2012 RETIFICAÇÃO DA DCTF. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Aludi o autor do voto como principal premissa a sustentar a decisão proferida, o fato de a interessada ter apresentado DCTF Retificadora após a ciência do Despacho Decisório, quando “a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, conforme dispõe o inciso I, alínea c do § 2º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010”. Do Recurso Voluntário Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10830.914277/201244 Resolução nº 3401001.466 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.59) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que o crédito informado pela empresa na PER/DCOMP está correto. A redução do débito ocorreu pela retificação da apuração de PIS e COFINS, por não ter sido incluído os créditos relativos aos Retornos de Mercadorias não entregues, emitidas com o CFOP 1949/2949; (b) ocorreram vendas e por algum motivo não foram aceitas pelos clientes, estando o motivo da recusa firmado no verso da Nota Fiscal de venda, o que acarretou a emissão de Notas Fiscal de entrada; (c) apresenta relação de Notas Fiscais e cópia de algumas delas para comprovar o ocorrido. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte em procedimento de revisão de sua escrituração fiscal/contábil constatou haver erro de apuração e de declaração em DCTF dos valores devidos de PIS e COFINS do período março de 2012. O valor originalmente declarado e pago de COFINS foi R$ 171.252,74 quando o correto seria R$ 165.001,54 informado em DCTF Retificadora (e fls.32), transmitida na data de 22/01/2013. A diferença entre o valor pago e o informado em DCTF Retificadora corresponde ao valor do crédito indicado na PER/DCOMP R$ 6.251,20. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DCTF Retificadora em 22/01/2013, data posterior ao de ciência do Despacho Decisório dado por “AR” em 21/01/2013 (efls.49), o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Ocorre que com o Recurso Voluntário a recorrente procurou esclarecer as razões que a levaram a ingressar com a PER/DCOMP e também, proceder com a apresentação de Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10830.914277/201244 Resolução nº 3401001.466 S3C4T1 Fl. 5 4 DCTF Retificadora. Junta as fls. 63/64 relatório indicando as notas fiscais que teriam dado origem ao crédito, redutor do débito originalmente declarado em DCTF, cópia de documentos fiscais (por amostragem), além de cópia do livro fiscal de entradas e planilha de apuração do PIS e da COFINS do mês de março de 2012 (efls.101 a 119). Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10830.914277/201244 Resolução nº 3401001.466 S3C4T1 Fl. 6 5 força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.963859/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 38 59 /2 00 9- 63 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.963859/200963 Acórdão n.º 1201002.424 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.963859/200963 Acórdão n.º 1201002.424 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.963859/200963 Acórdão n.º 1201002.424 S1C2T1 Fl. 5 4 A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720416/2017-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2001-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 16 /2 01 7- 53 Fl. 90DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2012, anocalendário de 2011, em que foi apurada omissão de rendimentos. 0'./*$.73*,! ,+)0#!/*&'"'+,!*1!"#$8#&1' 0 O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da PORTO ALEGRE. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 67/70. Em síntese, alega ser portadora de moléstia grave (neoplasia maligna, desde agosto de 2011). Informa que recebe proventos de aposentadoria. Sustenta que o Laudo Médico, apesar de ser simples, atende as exigências da Lei, complementados por exames laboratoriais. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10140.720416/201753 Acórdão n.º 2001000.306 S2C0T1 Fl. 3 3 Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o documento de f. 70. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Fl. 92DF CARF MF 4 Importante frisar acerca da documentação apresentada, que, conforme já explanado na decisão de primeira instância, o laudo anexado não possui os elementos mínimos exigidos para aceitação. A interessada apresenta Laudo Médico emitido pelo Serviço de Dermatologia Dr. Günter Hans, que não identifica o serviço médico oficial a que estaria vinculado. Ademais, o próprio texto do documento não menciona diagnóstico, mas procedimento ("exérese de lesão"). Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 12719.001435/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
DRAWBACK. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN.
A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN.
DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES.
A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-Lei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN. A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. A concessão do regime condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do DecretoLei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 14 35 /2 00 8- 20 Fl. 4270DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de auto de infração (fls.02 a 134), notificado pessoalmente ao contribuinte em 29/08/2008 (fls.05, 68, 101 e 133), lavrado em face de inadimplência de Atos Concessórios de Drawback Suspensão. Na tabela seguinte, podemse ver alguns dados extraídos do Relatório produzido pela fiscalização: A C nº Fls. Situação Siscomex Inadimplência Validade DI vinculado (fls.) RE vinculado pelo nº do AC (fls.) 20020202245 189 a 193 Parcial 17/12/2003 878 a 880 888 a 901 20040029484 194 a 202 Total 20/02/2005 884 a 885 902 a 910 20040085007 203 a 209 Parcial 03/05/2006 884 a 885 911 a 914 20050080083 210 a 211 Parcial 28/03/2007 886 a 887 915 a 919 Foram objeto do lançamento, que montou um valor total igual a R$ 1.669.263,82: o Imposto de Importação, o IPI – vinculado, o PIS/Pasep Importação, a Cofins Importação, os Juros de Mora e a Multa de Ofício (75%), estes dois últimos sobre cada um dos tributos em questão. Segundo consta do auto de infração, bem como do Relatório de Ação Fiscal (fls.135 a 152), que o acompanha, referido procedimento teve início em 08/02/2008, visando auditar mencionados Atos Concessórios, que deram amparo às importações de mercadorias classificadas na NCM 3207.10.90, 3207.10.10, 3207.40.90 e 2530.90.90, provenientes dos Estados Unidos, da Itália e da Espanha, com vistas à industrialização de revestimento cerâmico (NCM 6907.90.00), a ser posteriormente exportado. Após discorrer brevemente sobre a norma que regia os procedimentos fiscais à época, bem assim a legislação específica sobre o Drawback Suspensão, ainda sob a vigência do Fl. 4271DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 3 3 Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/2002), a fiscalização abordou os fatos apurados. Houve comparecimento pessoal da Auditora Fiscal no endereço do contribuinte, para cientificar o interessado do início do procedimento e intimarlhe a apresentar alguns documentos. Com a resposta, foi informado pelo contribuinte que este “desconhecia os motivos pelos quais os Atos apresentavam situação ‘inadimplente total’ e ‘inadimplente parcial’ no sistema Siscomex e, portanto, havia protocolado pedido de explicação à Secex” (fls.137 e 901/904). Ademais, foi dito à fiscalização, pelo contribuinte, que “não foi tomada nenhuma providência prevista no art.342 do Regulamento Aduaneiro” (item “6”, à fls.158). A fiscalização destacou que o art. 352, do Regulamento Aduaneiro de 2002, determinava que a utilização do Regime deveria ser anotada no documento comprobatório da exportação, o que deveria ser feito no Registro de Exportação (RE). Acostaramse aos autos, as telas dos Registros de Exportação, vinculados aos respectivos Atos Concessórios, não tendo sido considerados aqueles RE que, eventualmente, tiveram “erros de digitação”, não contendo, assim, o exato número do AC ao qual deveria estar vinculado. Embora tendo sido verificado que havia Registros de Exportação vinculados a cada um dos Atos Concessórios, foi necessário “analisar se foi exportada toda quantidade de mercadoria, conforme acordado no AC e se toda mercadoria importada com suspensão de impostos foi utilizada no processo produtivo da mercadoria que foi exportada”. No quadro abaixo, resumo das análises levadas a efeito pela fiscalização aduaneira: AC nº EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO QT (m2) total efetivamente exportada QT (m2) total a exportar, segundo AC NCM (Import) QT (kg) total necessária para fabricação do que foi exportado QT (kg) total efetivamente importada QT (kg) total importada a mais do que a necessária 3207.10.90 17.569,37 85.490,00 67.910,63 20040029484 324.942,15 768.394,36 3207.10.10 259.953,72 760.000,00 500.046,28 3207.10.90 7,120,95 6.050,00 20040029483 131.625,70 111.788,00 3207.10.10 105.300,56 40.000,00 3207.10.90 29.119,03 56.175,00 27.055,97 20020202245 538.244,63 466.898,00 3207.10.10 430.595,70 520.000,00 89.404,30 2530.90.90 11.025,43 90.707,60 79.628,17 3207.10.90 37.509,46 7.400,00 20040085007 261.390,00 112.377,54 3207.40.90 914,87 6.753,00 5.838,14 Para fins de cálculo dos tributos devidos, a fiscalização utilizou se do critério PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai), que privilegia o consumo das entradas mais antigas, em face das mais recentes, lançando os tributos correspondentes às Declarações de Importação com datas de registro mais recentes, considerando que as DI mais antigas carrearam as importações Fl. 4272DF CARF MF 4 de mercadorias que foram utilizadas efetivamente na fabricação do produto exportado. Em outras palavras, uma vez identificada a quantidade de mercadoria importada a mais do que a que seria necessária para fabricação do produto efetivamente exportado, essa quantidade foi apropriada nas Declarações de Importação, vinculadas ao AC, registradas mais recentemente, sendo notado que houve casos em que se procedeu a determinados “ajustes de quantidades”, haja vista que houve saldos finais a apropriar que “consumiram” apenas parte da quantidade total efetivamente importada numa DI. Assim, a fiscalização efetuou os cálculos dos tributos constantes do auto de infração sobre as quantidades totais de mercadorias que foram importadas em “valores” superiores aos que seriam necessários para fabricação das quantidades de produto efetivamente exportado o que correspondeu à última coluna à direita, na segunda tabela desse Relatório. Em 30/09/2008, o contribuinte autuado interpôs sua impugnação (fls.975 a 987 – volume VI), alegando, em síntese: a) Que o trabalho da fiscalização foi incompleto, embora minucioso, pois que foi considerado somente parte dos Registros de Exportação – somente aqueles que estavam vinculados ao módulo drawback, no Siscomex, bem como aos respectivos Atos Concessórios. Segundo suas palavras: “Assim, a fiscalização deixou de considerar todos os demais Registros de Exportação, que também servem para demonstrar a remessa desses produtos ao exterior, ainda que possa ter existido falha da empresa na vinculação desses REs aos respectivos Atos de Concessão, ou ainda ao módulo Drawback do Siscomex.”; b) Que o descumprimento de obrigações acessórias, como a vinculação do RE ao AC, não representou qualquer benefício ao contribuinte, muito menos uma prática comercial abusiva ou desleal, não implicou qualquer majoração de tributos, nem prática de ato ilícito ou máfé do contribuinte, não representando, aliás, qualquer tipo de dano ao erário ou a terceiros. Ademais, a “legislação vigente estabelece a necessidade de que a interpretação das infrações tributárias seja efetuada da forma mais benéfica ao contribuinte acusado, sobretudo quando existir dúvida quanto a natureza ou as circunstancias materiais do fato, ou a natureza e extensão de seus efeitos”, consoante dispõe o art.112, do CTN, o que se aplicaria ao caso, uma vez que não poderia haver a “desclassificação do regime aduaneiro especial, em decorrência da simples inobservância de obrigações secundárias”. c) Que os RE acostados aos autos estão devidamente vinculados aos respectivos AC, embora a empresa, por equívoco, não providenciou a vinculação desses RE ao módulo de drawback do Siscomex; d) Que também houve falta de vinculação de algumas exportações a um dos AC de que era titular, muito embora as mercadorias importadas foram utilizadas na fabricação do produto exportado; e) Que o art.342 – III (destacado pelo contribuinte – volume VI, à fls.984/985), do Regulamento Aduaneiro de 2002, possibilitava a regularização da situação junto ao órgão concedente; Fl. 4273DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 4 5 f) Que na hipótese de ser “necessária a regularização das obrigações acessórias”, fosse deferida a possibilidade dessa regularização, haja vista que a documentação apresentada seria suficiente para comprovar a utilização das mercadorias importadas na produção do que fora exportado. Nos pedidos formulados, ao final, demandou pelo conhecimento da impugnação, pelo julgamento da procedência de suas alegações, pela possibilidade de sustentação oral de sua defesa em sessão de julgamento, previamente notificada ao contribuinte, que todas as intimações sejam endereçadas em nome do patrono do contribuinte autuado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: Assunto: Regimes Aduaneiros Especiais. Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO DOS DEVERES INSTRUMENTAIS. A correta fruição do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, na modalidade Suspensão, requer a observância dos deveres instrumentais previstos na legislação expedida pela Secretaria de Comércio Exterior – Secex. O Registro de Exportação deve trazer consigo a indicação do código específico de enquadramento da operação, como vinculada ao Regime de Drawback, bem como indicar o número do Ato Concessório ao qual se liga. Se o código de enquadramento da operação se vincula a uma “exportação genérica” ou se não há indicação do número do Ato Concessório, o respectivo Registro de Exportação não pode ser aceito como integrante do cumprimento das condições do Regime. EXPORTAÇÕES DESCONHECIDAS PELA SECEX. A existência de exportação de produto fabricado com mercadoria amparada pelo Drawback Suspensão, mas cujo Registro de Exportação não foi apresentado à Secex para comprovação do atendimento das condições do Ato Concessório, não pode ser aceita pela RFB, ainda que a exportação tenha sido tempestiva. REGULARIZAÇÃO PERANTE A SECEX. Os procedimentos a serem tomados, no caso de as mercadorias admitidas no Regime de Drawback Suspensão deixarem de ser empregadas no processo produtivo, ainda que parcialmente, nos termos previstos no Ato Concessório, ou seu emprego em desacordo com esse mesmo Ato, devem ser seguidos nas exatas prescrições regulamentares, que se adequam aos casos de inadimplemento do compromisso de exportar, de renúncia à aplicação do Regime ou de descumprimento de outras condições previstas no Ato Concessório. Não se pode escolher uma das opções disponíveis sem que seja observado o requisito ao qual se vincula, por estarem previstas em texto do Regulamento Aduaneiro. Assim, se for o caso de descumprimento do compromisso de exportação, não pode haver regularização junto ao órgão expedidor do Ato Concessório. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS CÁLCULOS. Se o contribuinte não apresenta seus próprios cálculos para Fl. 4274DF CARF MF 6 contrapor os que foram elaborados pela fiscalização, limitando se a apresentar um conjunto de documentos, com a alegação genérica de que os cálculos foram impugnados, há preclusão nos termos do art.17, do Decreto nº 70.235/72. SUSTENTAÇÃO ORAL NA DRJ. A Portaria MF nº 341/2011 não prevê sustentação oral em sede de primeira instância administrativa de julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. O lançamento teve origem no descumprimento do compromisso de exportação assumido em Atos Concessórios de Drawback, conforme consta detalhadamente do relatório. A teor do relatado, o cerne da lide esta em decidir se a obrigações acessórias para confirmar as exportações vinculadas ao Drawback seria um mera obrigação formal que não inviabilizaria a comprovação do compromisso de exportação como quer fazer crer a Recorrente ou tal fato inviabiliza a correta aferição do compromisso assumido no Ato Drawback e portanto, desqualifica as exportações para cumprimento do regime, o que enseja a exigência dos tributos devidos, entendimento adotado pela Fiscalização. Para a solução da lide é necessário relembrar a definição do Drawback e o procedimento de comprovação do adimplemento do regime. Do Regime de Drawback e a exigência da comprovação das obrigações pactuadas no Ato Concessório. O benefício do Drawback pressupõe o acordo entre o Estado e o contribuinte, onde é concedido um benefício tributário tendo como contrapartida o cumprimento de certos requisitos. A materialização deste acordo é feito mediante o pedido e a emissão do ato concessório, fixando os benefícios e as obrigações do beneficiário do regime. A Receita Federal responsável pela fiscalização e a Secretária de Comércio Exterior SECEX, que responde pela concessão do regime, definiram, que determinam a forma a ser utilizada o Drawback, as informações a serem prestadas e prazos que deverão ser cumpridos pelos contribuintes. O conjunto destas obrigações, tais como, informar um determinado código nos documentos de exportação e informar os dados de cumprimento dos Fl. 4275DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 5 7 atos nos sistemas informatizados responsáveis pelos controles do regime, dentre outros, passaram a ser complementares ao regime e são utilizados para comprovar a realização dos compromissos assumidos. O cumprimento das obrigações administrativas de nenhum forma torna impossível a revisão ou de forma definitiva o adimplemento das obrigações registradas no ato concessório. Podendo ser objeto de revisão e fiscalização por parte dos órgãos responsáveis, neste caso específico a Secretária de Comércios Exterior SECEX e a Receita Federal do Brasil. De outro giro, o descumprimento das obrigações, apesar de poder ensejar a aplicação de penalidades administrativas não se torna verdade absoluta quanto ao descumprimento da obrigações pactuadas no regime. As informações prestadas pelo contribuinte, comprovam o cumprimento do ato concessório e permitem aos órgãos controlador e fiscalizador a auditoria da efetiva ocorrência da operação. A falta de informação nos termos determinados em atos administrativos, implica em considerar que não existiu o adimplemento das obrigações do regime, determinando que a Fiscalização Aduaneira realize o lançamento para a exigência dos tributos suspensos Do descumprimento de deveres instrumentais no Drawback Suspensão Verificase que as exportações efetuadas através dos respectivos RE Registros de Exportações, preenchidos pelo próprio exportador, foram enquadradas como "exportação normal" quando o correto a ser informado para justificar o cumprimento do regime é que tratavase de exportações vinculadas ao Drawback. Ao solicitar o enquadramento da operação de exportação no “regime normal”, o exportador fez com que todo o procedimento de desembaraço aduaneiro na exportação fosse conduzido com o tratamento fiscal de uma exportação no "regime comum" ou “Sistema Geral de Preferência” sem que fossem adotadas as cautelas próprias para uma exportação no "regime drawback" (solicitar a apresentação do Ato Concessório Drawback, confrontar as mercadorias exportadas com aquelas autorizadas pelo Ato Concessório, etc. ... ). Desta forma, não pode o exportador, após concluídos todos os procedimentos de despacho de exportação, utilizarse de uma exportação efetuada no "regime comum" ou “Sistema Geral de Preferência” para comprovar um Ato Concessório Drawback Suspensão. Neste caso, somente exportações enquadradas nos códigos de operação para o Regime Aduaneiro Especial de Drawback é que são hábeis para comprovar o Ato Concessório Drawback Suspensão. No caso em tela a fiscalização após detalhado procedimento de auditoria verificou a ausência de exportações que estivessem vinculadas ao Regime Drawback. A alegação da Recorrente que existiram exportações e que seriam aptas a comprovar o regime carece de amparo nos sistemas informatizados da Receita Federal e do MDIC. Tal fato pode ser comprovado com a informação da SECEX que os Atos Concessórios fiscalizados estavam inadimplidos. Fl. 4276DF CARF MF 8 A obrigatoriedade de informação nos Registros de Exportação para as exportações do drawback esta prevista no art. 325 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, vigente a época dos fatos. “Art. 325 – A Utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação.” A obrigatoriedade de incluir as informações referentes ao drawback nos Registros de Exportação advém da necessidade dos procedimentos aduaneiros, adotados no desembaraço das exportações, serem diferentes de uma exportação normal, pois nas exportações que visam o cumprimento do regime de drawback é necessário verificar se a mercadoria exportada corresponde aquela informa no ato concessório e atende as exigências necessárias para serem consideradas para cumprimento do regime. A necessidade de atender todos os requisitos necessários para a comprovação do regime de Drawback é matéria já discutida neste Conselho e a sua obrigatoriedade para comprovação do regime vem sendo adotada pela Câmara Superior deste Conselho, conforme pode ser verificado nos acórdãos abaixo: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 05/08/1999 a 02/09/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO O encerramento do regime de drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por meio da apresentação dos documentos fixados na legislação de regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido. Ausentes tais elementos, não há como se considerar o regime adimplido. Recurso Especial do Contribuinte Negado.”(Acórdão 9303 002869.julgado em 19/02/2014. Rel. Henrique Pinheiro Torres) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 16/01/1995 a 27/03/1998 DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. A concessão do regime condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do DecretoLei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais. Recurso Especial do Procurador Provido.”(Acórdão 9303 002.174. julgado em 18/10/2012. Rel. Mércia Helena Trajano D’Amorim) “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/02/1992, 21/02/1992, 13/04/1992 Fl. 4277DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 6 9 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, ai compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. ASSUNTO:. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/07/1996 DRAWBACK SUSPENSÃO COMUM. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. IMPOSIÇÃO LEGAL. 0 regime aduaneiro especial de drawback suspensão comum exige, em regra, sejam controlados, em separado, os estoques de insumos nacionais e importados, de forma a possibilitar a perfeita demonstração de que os insumos importados foram efetivamente empregados nas mercadorias exportadas, DRAWBACK SUSPENSÃO, EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual Vinculação ao Ato Concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. Recurso Especial do Procurador Provido. .”(Acórdão 9303 01.248.julgado em 06/12/2010. Rel. Henrique Pinheiro Torres) Da possibilidade de consideração de regularização de Atos Concessórios e exportações não informadas à SECEX A Recorrente argumenta que caberia a Fiscalização da Receita Federal aceitar exportações que não foram informadas à SECEX. Entendo não assistir razão ao recurso. A legislação ao definir os papeis dos órgãos responsáveis por conceder os benefícios do DrawBack, determinou à SECEX competência para a concessão do Ato Concessório e verificar o cumprimento das exportações acordadas de acordo com as informações prestadas pelo beneficiário. A SECEX no seu trabalho de conceder e acompanhar os Atos Concessórios realiza procedimentos próprios de sua competência, não cabendo à Receita Federal interferir nestes procedimentos. A Receita Federal possui a competência de fiscalização das operações de DrawBack, entretanto, não possui a competência para conceder, alterar ou aceitar exportações que não foram informadas à SECEX. Fl. 4278DF CARF MF 10 O pleito da Recorrente esbarra em barreira intransponível de competências governamentais. que impede ao CARF, órgão responsável pela julgamento de processos administrativos no âmbito do Ministério da Fazenda, adentrar as competências legais e institucionais de outro Ministério. A simples leitura do pleito da Recorrente, por si só já demonstra a total impropriedade deste pedido. A análise das informações sobre compromissos de exportar é realizada pela SECEX, a partir de informações prestadas pelo Beneficiário, eventuais ausências e equívocos destas informações devem ser solucionadas junto à SECEX, não cabendo nenhuma manifestação deste colegiado sobre este Ato Administrativo. Da impugnação dos cálculos Alega a Recorrente que diferente da posição adotada pela decisão de primeira instância, apresentou impugnação aos cálculos do auto de infração. Analisando a decisão da primeira instância verificase que o acórdão afirmou que não existiam na impugnação questionamentos quanto aos cálculos realizados pela Fiscalização. A Recorrente afirma que se considerados todas as exportações que constam das alegações o Regime estaria cumprindo na sua totalidade. Assim, afirma a Recorrente, existiu uma impugnação aos cálculos. Em que pese a discussão ou não da existência de impugnação do cálculo, entendo que nos termos detalhados neste voto, não existe reparo no trabalho realizado pela Fiscalização da Receita Federal e portanto, os valores constantes do lançamento devem ser mantidos na sua integralidade. A alegação da Recorrente que existiriam equívocos neste cálculo somente poderiam prosperar se houvessem sido consideradas exportações além daquelas considerada no trabalho fiscal. Considerando que a posição deste voto é por manter integralmente as conclusões do Auto de Infração não existem erros ou equívocos no lançamento fiscal. Da afronta aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal afastamento dos erros formais Alega a Recorrente que caberia a Receita Federal buscar as informações necessárias para confirmar o cumprimento do Ato Concessório do Drawback. Neste ponto discordo dos argumentos do recurso. A Autoridade Autuante fez um trabalho detalhado, identificando as exportações informadas pela Recorrente aptas a serem utilizadas para o Drawback, a exigência fiscal foi exaustivamente motivada, portanto, o trabalho fiscal atendeu plenamente as previsões legais do Processo Administrativo Fiscal. O Auto de Infração foi realizado dentro das normas legais, atendendo todos os requisitos previstos na legislação quanto a formalização do lançamento tributário. O Drawback é um benefício fiscal que tem origem no Contribuinte, os benefícios concedidos pressupõe um acordo que o beneficiário é responsável por cumprir as obrigações acordadas e demonstrar de forma clara e inequívoca o cumprimento do regime aos órgãos de controle. Não é responsabilidade da Receita Federal suprir eventuais falhas ou ausências de informações que são de responsabilidade do beneficiário. Fl. 4279DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 7 11 Quanto à alegação que o lançamento estaria ferindo princípios constitucionais. Também aqui não pode prosperar as alegações do recurso. Os princípios constitucionais atingiriam o legislador e estando a multa prevista em Lei e em plena vigência, não há que se considerar qualquer ofensa a preceitos constitucionais. Ainda que pudesse restar alguma dúvida sobre a legalidade sob o viés constitucional do lançamento tributário, mesmo assim, este colegiado não poderia apreciar a matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 4280DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720152/2016-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
DECADÊNCIA. DOLO. CONTAGEM.
Não há que se falar em decadência, pois não tendo havido qualquer pagamento e comprovadas às hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplica-se o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN.
RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS.
São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. O elemento doloso deve ser demonstrado pela autoridade fiscal.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011, 2012
MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DA CONDUTA DOLOSA.
Não pode o julgador presumir o elemento doloso na conduta do agente, tampouco aplicar a qualificadora em sentido amplo. Cabe a autoridade fiscalizadora demonstrar o elemento subjetivo da conduta, o dolo precisa ser provado. Se não há a causa do pagamento (artigo 674 do RIR/99), a priori não há como presumir ou provar o intuito doloso.
Numero da decisão: 1201-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado para: i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; ii) por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a aplicação de multa qualificada, mantendo o agravamento, reduzindo-a para 112,5% em relação aos lançamentos de IRRF. Vencidos os conselheiros, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que não afastavam a multa qualificada, e, iii) por unanimidade de votos, em declinar da competência para a 3ª Seção do CARF quanto à matéria relativa ao IOF, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA. DOLO. CONTAGEM. Não há que se falar em decadência, pois não tendo havido qualquer pagamento e comprovadas às hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplicase o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. O elemento doloso deve ser demonstrado pela autoridade fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011, 2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 52 /2 01 6- 82 Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 3 2 MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DA CONDUTA DOLOSA. Não pode o julgador presumir o elemento doloso na conduta do agente, tampouco aplicar a qualificadora em sentido amplo. Cabe a autoridade fiscalizadora demonstrar o elemento subjetivo da conduta, o dolo precisa ser provado. Se não há a causa do pagamento (artigo 674 do RIR/99), a priori não há como presumir ou provar o intuito doloso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado para: i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; ii) por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a aplicação de multa qualificada, mantendo o agravamento, reduzindoa para 112,5% em relação aos lançamentos de IRRF. Vencidos os conselheiros, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que não afastavam a multa qualificada, e, iii) por unanimidade de votos, em declinar da competência para a 3ª Seção do CARF quanto à matéria relativa ao IOF, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração (fls. 1984/2023) lavrados para a cobrança de IOF e IRRF, acompanhado de multa de ofício qualificada e agravada de 225%. A exigência é referente a fatos geradores ocorridos em 2012 e 2013 e perfaz o montante de R$ 23.888.476,92 de IOF e de R$ 51.484.913,06 de IRRF. 2. A fiscalização concluiu a ocorrência de infrações relativas a remessas de divisas para o exterior com base em contratos de câmbio amparados em importações não comprovadas e sem as devidas retenções e recolhimentos de IOF e IRRF. 3. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, trecho do relatório constante da decisão de primeira instância que resume os trabalhos da fiscalização apresentados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2031/2153), verbis: “1. O presente procedimento fiscal está relacionado com a denominada Operação Lava Jato, e sua execução foi Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 4 3 determinada pela Portaria Cofis n° 12, de 13/02/2015, que instituiu a Equipe Especial de Fiscalização (EEF). 2. Esta ação fiscal foi programada a partir da denúncia do Ministério Público Federal Processo Eproc 5049557 14.2013.404.7000 IPL 1041/2013 SR/DPF/PR, recebida na Demac/SPO. 3. Os denunciados que participaram da organização criminosa, assim denominada pelo Ministério Público Federal e que têm, de acordo com a denúncia, relação direta com os fatos apurados na ação fiscal, ora relatada, são: 4. PEDRO ARGESE JÚNIOR: É sócio da empresa Piroquímica Comercial Ltda. EPP, detendo 34% do capital total, conforme declarado na DIPJ/2011. Conforme o MPF, atuava sob as ordens de Youssef com o denunciado Leonardo gerenciando as atividades e os interesses da organização criminosa. Autorizou o uso das contas da empresa Piroquímica no interesse da organização. As contas foram usadas para a evasão de divisas e tinha plena consciência da finalidade. Também atuava como o responsável pela abertura das empresas no exterior. 5. ALBERTO YOUSSEF: considerado pelo MPF o líder da organização criminosa. Coordenava as atividades dos outros denunciados e era o responsável por todas as decisões. Foi o responsável direto por constituir, comandar, promover, integrar e financiar a organização criminosa. O MPF apurou, ainda, que: o denunciado YOUSSEF estruturou um sistema complexo de remessas ao exterior e evasão de divisas, valendose de empresas de fachada e offshores, simulando contratos de importação, visando realizar contratos de câmbio fraudulentos. 6. LEONARDO MEIRELLES, com a colaboração de seu irmão, o também denunciado Leandro, agia de maneira consciente como o executor de Alberto Youssef na prática dos crimes de operação não autorizada de instituição financeira, lavagem de dinheiro de terceiros e evasão de divisas. Valiase diretamente das empresas Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia e Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen Ltda., indiretamente, valiase das empresas: 1) Piroquímica Comercial Ltda. EPP; 2) RMV & CW Consultoria em Informática Ltda. ME; 3) HMAR Consultoria em Informática Ltda. ME. Estava envolvido na: 1) criação de empresas offshore DGX Imp. and Exp. Limited e RFY Imp. Exp. Ltd.; 2) celebração de contratos de câmbio fraudulentos com diversas instituições financeiras para evasão de divisas em benefício da organização criminosa liderada por Youssef. Recebia comissões no valor de 0,5 a 1% do valor movimentado. 7. Leonardo Meirelles é sócio da empresa Indústria e Comércio Labogen, detendo 90% do capital social de R$ 400.000,00. Também é sócio da empresa Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia. Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 5 4 8. ESDRA DE ARANTES FERREIRA era o autorizador das operações de Youssef nas empresas Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia e Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen. Era diretor da Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia desde 12/05/2008 e sócio da Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen. Recebia comissão de 0,5% paga por Youssef equivalente à metade da recebida por Leonardo e Leandro. 9. LEANDRO MEIRELLES: irmão de Leonardo Meirelles, também era operador de Youssef nas empresas Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia e Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen. Atuava por intermédio de seu irmão, o denunciado Leonardo que era o administrador das duas empresas. O contrato social da empresa DGX Import & Export Limited, foi registrada em Hong Kong em nome de Leandro e era utilizada para fraudes realizadas pela organização criminosa, sobretudo na importação fraudulenta. Youssef mandava as ordens para pagamentos no exterior para o denunciado Leonardo, que as repassava ao seu irmão. O denunciado Leandro executava diversos contratos de câmbio fictícios e tinha consciência de que não representavam importações verdadeiras. 10. RAPHAEL FLORES RODRIGUEZ integrou a organização criminosa, é sócio da empresa HMAR Consultoria em Informática Ltda. ME, detendo 50% do capital total, conforme declarado na DIPJ/2008. A empresa HMAR não apresentou as DIPJs dos ACs de 2010 a 2014. 11. CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA, entre 31/08/2010 e 03/05/2011, agindo com Alberto Youssef ocultou e movimentou US$ 3.135.875,20 valores provenientes dos crimes antecedentes indicados, por intermédio das empresas GFD e Devonshire Global Fund. Foram elaborados quatro contratos de Câmbio, sob a falsa rubrica "Capitais Estrangeiros a Longo Prazo – Investimentos Diretos no Brasil participação em empresas no País – para aumento de capital. Foi uma simulação, como se estivessem investindo capital na empresa GFD, quando, em verdade, o objetivo era ocultar, dissimular e movimentar valores provenientes de crimes antecedentes existentes no exterior. 12. Youssef promoveu e, agindo com os denunciados Leonardo, Leandro, Pedro, Esdra, Carlos Alberto e Raphael, entre junho de 2011 (pelo menos) e 17/03/2014, saídas de divisas do Brasil para o exterior, no valor de US$ 444.659.188,75, por meio de 3.649 operações de câmbio. 13. As empresas envolvidas são: 1) Bosred Serviços de Informática Ltda. ME; 2) HMAR Consultoria em Informática Ltda. ME; 3) Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia; 4) Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen; 5) Piroquímica Comercial Ltda. EPP: 6) RMV & CVV Consultoria em Informática Ltda. ME. Também estão envolvidas as empresas offshore DGX IMP. EXP. LTD e RFY IMP. EXP. LTD. Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 6 5 14. O Ministério Público Federal na denúncia, ora analisada, elaborou itens específicos para as empresas que, conforme consta, realizaram operações de câmbio fraudulentas e, consequentemente, evasão de divisas, motivo pelo qual fora transcrito na íntegra o subitem (ii) Labogen Química no TVF. 15. No contrato social da empresa DGX Import & Export Limited consta que foi registrada em Hong Kong em nome do denunciado Leandro Meirelles. Era utilizada para fraudes realizadas pela organização criminosa, sobretudo na importação fraudulenta. 16. O denunciado Leonardo Meirelles assina como Presidente da empresa offshore RFY Imp. Exp. Ltd., fato que foi confirmado pelo denunciado Pedro Argese Junior. 17. A Labogen Química Fina realizou diversas importações com a DGX Import & Export Limited e com a RFY Imp. Exp. Ltd., empresas controladas pela organização criminosa e que não existem de fato. Nenhuma destas importações ocorreram na realidade e foram operações simuladas com o intuito de evasão de divisas para o exterior. Na Receita Federal do Brasil (RFB) não há registros dessas importações. 18. Também fora transcrito do relato do MPF na íntegra o subitem (vii) Das empresas estrangeiras Da DGX IMP. AND EXP. LIMITED e RFY IMP.EXP.LTD, entre outras. 19. Nos autos n° 504955793.2013.404.7000 IPL e correlatos (autos originários n° 2006.70.00.0186628 e 2009.70.00.003250 0), o Ministério Público Federal relatou na denúncia, de 23/04/2014, que os denunciados Alberto Youssef, Waldomiro Oliveira, Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Esdra de Arantes Ferreira e Pedro Argese Júnior, entre outros, de forma consciente e voluntária, ocultaram de maneira ilícita da atividade econômica das empresas valores no montante de R$ 24.318.167,00 provenientes de peculato e corrupção em face da Petrobras. Esse montante foi ocultado mediante inúmeras transferências bancárias pulverizadas das contas da M. O. Consultoria paras diversas empresas como Labogen S.A., Indústria de Medicamentos Labogen e Piroquímica, todas de propriedade de fato de Youssef. 20. Os recursos depositados nas contas correntes das mencionadas empresas foram remetidos para o exterior por meio de contratos de câmbio para pagamento de importações inexistentes, caracterizando o crime de lavagem de dinheiro transnacional e crimes contra o sistema financeiro nacional, conforme o MPF. 21. E, ainda no relato do MPF consta que, segundo informações do Banco Central, só no período em que receberam os depósitos da M. O. Consultoria, foram identificados 2.074 contratos de câmbio no montante de US$ 111.960.984,43. Os remetentes foram as empresas: 1) Labogen S.A.: 1.125 contratos no montante de US$ 64.210.057,56; 2) Indústria de Medicamentos Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 7 6 Labogen: 483 contratos no montante de US$ 22.713.141,31; 3) Piroquímica: 462 contratos no montante de US$ 25.037.785,56; 22. A empresa Piroquímica, embora tenha registro no Siscomex, registrou apenas 4 Declarações de Importação no ano calendário de 2013, no valor total de US$ 15.517,23. Mas, nenhuma dessas importações constam na tabela dos contratos de câmbio celebrados para pagamento de importações inexistentes, elaborada com base nas informações do Banco Central do Brasil; 23. Para dar aparência de legalidade às operações de câmbio efetuadas, todas sem Declarações de Importação, foi celebrado um contrato simulado entre a Piroquímica e a RFY Import & Export Ltd., situada em Hong Kong, no valor de US$ 2,05 milhões. Tal contrato foi firmado para uma suposta venda de glicerina. O denunciado Leonardo é quem assina como presidente da RFY e como presidente da Piroquímica é o denunciado Pedro quem assina; 24. Os denunciados Leonardo Meirelles, Esdra de Arantes Ferreira, Pedro Argese Júnior e Leandro Meirelles tinham total conhecimento das operações de câmbio irregulares das empresa, conforme depoimento de Leandro. 25. Distribuição por dependência nos autos n° 5049557 14.2013.404.7000, 500499631.2015.404.7000, 5085114 28.2014.404.70000 e conexos: Nesta denúncia Waldomiro de Oliveira, entre outros, foi denunciado pelo delito de lavagem de capitais, previsto no art. 1º da Lei n° 9.613/98. 26. Autos originários n° 507347513.2014.404.7000 IPL n° 5071698 90.2014.404.7000 (CAMARGO CORREA) e IPL n° 5053836 09.2014.404.7000 (UTC): O MPF, em 09/12/2014, denunciou Alberto Youssef e Waldomiro de Oliveira, entre outros. Trechos da denúncia do MPF são transcritos no TVF. 27. Os depoimentos de Alberto Youssef, foram publicados no jornal Folha de São Paulo, Seção Poder em 12/03/2015, na matéria "Acesse a Integra dos Depoimentos da Delação do Doleiro Alberto Youssef", referente aos seus Termos de Colaboração, dos quais se transcrevem trechos no TVF. 28. Leonardo Meirelles no termo de Declaração de 25/03/2014, entre outros, declarou que: Alberto Youssef fazia uso das contas bancárias das empresas Labogen S.A., Indústria de Medicamentos Labogen, Piroquímica, HMAR Consultoria e RMV & CVV Consultoria para indicar o depósito e transferências financeiras para essas contas. 29. A maioria do dinheiro era utilizada para aquisição de contratos de câmbio para pagamento de importações fictícias na modalidade de Câmbio Simplificado de Importação; não tinha conhecimento da origem do dinheiro que Youssef movimentava em suas contas; todos os contratos de câmbio celebrados a mando de Youssef não possuem Declarações de Importação e Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 8 7 não foram objeto de qualquer tributo; Alberto Youssef sempre pagou uma comissão de 1% sobre cada movimentação feita nas contas de suas empresas. 30. Leandro Meirelles declarou, entre outros, que: quando começou a trabalhar na Labogen S.A. a empresa estava inativa; em 2008/2009, ele e seu irmão começaram a trabalhar no escritório de José Estevan fazendo contratos de câmbio de clientes para transferência de divisas para o exterior para pagamento de importações fictícias e utilizavam o nome das empresas Labogen S.A. e Indústria de Medicamentos Labogen. 31. Ganhavam 0,5% de comissão sobre os valores dos contratos; Por volta de um ano depois da aquisição da Piroquímica, começaram a fazer essas mesmas operações em nome desta empresa com a autorização de Pedro Argese. Ele e o irmão Leonardo recebiam uma comissão de 1% da qual dividiam a porcentagem de 0,5 para o caixa da Piroquímica; por intermédio de Waldomiro de Oliveira, em 20/11/2012, ele e Leonardo conheceram Alberto Youssef e logo começaram a operar para ele fazendo contratos de câmbio para pagamento de importações fictícias. 32. Pedro Argese Júnior, no termo de Declaração de 19/03/2014, entre outros, declarou à PF em Curitiba: não sabe porque as contas de sua empresa Piroquímica são utilizadas por Alberto Youssef para movimentações financeiras. Esclareceu que as contas da Piroquímica e da Labogen S.A. são administradas por Leonardo Meirelles, o qual mantém contato com Youssef para as movimentações; desconhece a origem dos milhões que foram remetidos para o exterior. 33. Esdra Arantes Ferreira, no termo de Declaração de 20/03/2014, entre outros, declarou à PF em Curitiba: é sócio da empresa Labogen com 10% das cotas. Conheceu Leonardo Meirelles em 2004 quando era frentista do posto de gasolina frequentado por Leonardo e que foi, então, convidado para trabalhar na Labogen. Os 10% das cotas que recebeu foram de forma gratuita em troca de seu trabalho; conheceu Pedro Argese em 2009, que possuía 100% das cotas da Piroquímica. 34. De acordo com as denúncias do Ministério Público Federal e os depoimentos apresentados, restou comprovado que a Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia foi utilizada pelos envolvidos: Pedro Argese Júnior, Leonardo Meirelles, Esdra de Arantes Ferreira, Leandro Meirelles e Waldomiro Oliveira, sob o comando de Alberto Youssef – para o envio de remessas irregulares de divisas ao exterior, se valendo de importações fictícias e inexistentes com o intuito de lavagem de dinheiro de terceiros e evasão de divisas. 35. Desqualificandose as importações, o que de fato ocorreu foram remessas de divisas ao exterior sem o devido recolhimento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 9 8 36. Em consulta ao Siscomex, constatamos que a Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia realizou até a presente data apenas 11 operações de importação registradas no ano calendário 2010. As Declarações de Importação (DI) estão anexas ao processo desta ação fiscal. O valor total das importações corresponde a USD 240.000,00, que equivale a 3.200 kg de produtos químicos. 37. A Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos, por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 2, de 17/02/2016, declarou inapta a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia, sob número 58.092.297/000142, tendo em vista o disposto no Processo Administrativo nº 11829.720009/2015 1631. 38. Foram declarados inidôneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, os documentos emitidos pela Labogen S.A. a partir da data de 01/07/2010. 39. Em 11/09/2015 recebemos o Ofício 021878/2015 BCB/Decon/Diadi/Coadi02 acompanhado de mídia CDROM contendo os relatórios extraídos do sistema SISBACEN – Câmbio e do sistema DW, que disponibiliza os registros de operações de câmbio, transferência internacionais em reais (TIR) e cartões de crédito de uso internacional. Tal documento foi complementado pelo Ofício nº 004114/2016 BCB/Decon/Diadi/Coadi02 de 03/06/2016. 40. Segundo o Banco Central do Brasil, a Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia realizou 971 remessas financeiras ao exterior no período compreendido entre AC 2011 e AC 2014, com natureza “1202 – Comércio Exterior – Importação de Mercadorias”, “15806 Importação – Câmbio Simplificado” ou “15002 – Importação Geral”, totalizando USD 51.146.918,25 e R$ 93.602.646,23. Nesse período não foram registradas no Siscomex nenhuma Declaração de Importação (DI). 41. Com a Pioneer Corretora de Câmbio Ltda. em Liquidação Extrajudicial, CNPJ 69.251.239/000130, a Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia, no período compreendido entre os anoscalendário de 2011 e 2013, fechou 906 contratos de câmbio no valor total de US$ 47.314.142,44 equivalente a R$ 86.527.455,19, aproximadamente 65% do valor total remetido pela Labogen no referido período. 42. Nos dados recebidos do Banco Central do Brasil em atenção ao RMF, verificamos que nos anoscalendário 2010 a 2014, a corretora Pioneer fechou com as três empresas (Indústria e Comércio Labogen, Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia e Piroquímica Comercial Ltda. EPP) aproximadamente 2.150 contratos de câmbio, para pagamento de importações, totalizando USD 113.115.313,27 ou R$ 207.255.634,84. Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 10 9 43. O Banco Central do Brasil, no Ato n° 1.304, de 07/10/2015, decretou a Liquidação Extrajudicial da PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO LTDA. 44. É relevante notar a similaridade que há entre as faturas comerciais (invoices) apresentadas. Apesar de terem emitentes distintos, elas possuem estrutura e formatação parecidas. 45. A empresa M.O. Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos Ltda, em 18/03/2015, teve baixada de ofício sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) por inexistência de fato, conforme determinado no inc. II do art. 27 da Instrução Normativa RFB n° 1.470/2014. 46. A referida baixa de ofício foi por intermédio do Ato Declaratório Executivo n° 312, de 06/03/2015 (DOU de 18/03/2015), da Delegada da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo. Todo o procedimento fiscal para a baixa de ofício do CNPJ está contido no eProcesso n° 10803.720074/201488. 47. A empresa Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia teve o intuito consciente de efetuar operações de câmbio para pagamento de importações inexistentes, sonegando informações que deveriam prestar e prestando informações falsas, com o fim de promover, sem autorização legal, a saída de divisas para o exterior. 48. A Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia realizou diversas importações simuladas com a RFY IMP. EXP LTD. e com a DGX IMP. AND EXP. LIMITED nos anoscalendários de 2012 e 2013. Ambas as empresas não existem de fato e nunca realizaram exportações ao Brasil, conforme pesquisas efetuadas pela Receita Federal do Brasil. 49. O contrato social da empresa DGX Import & Export Limited, foi registrada em Hong Kong em nome de Leandro Meirelles e era utilizada para fraudes realizadas sobretudo na importação fraudulenta. Por sua vez, Leonardo Meirelles, sócio da Labogen e irmão de Leandro assina como presidente da empresa offshore RFY Imp. Exp. Ltd. 50. A Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia registrou no Siscomex, no período de 2009 a 2013, apenas 24 Declarações de Importação, no valor de US$ 372.935,54. Porém, nenhuma dessas operações de importação estão relacionadas com os 1.294 contratos de câmbio fraudulentos, sob a falsa rubrica de “Importação – Câmbio Simplificado”. 51. A simulação pode ser incluída no conluio, pois foram estabelecidos negócios jurídicos bilaterais nos quais participaram empresas envolvidas. Como "importadora" a Labogen S/A Quimica Fina e Biotecnologia e como "exportadoras" as empresas inexistentes RFY IMP. EXP LTD e DGX IMP. AND EXP. LIMITED, que pertencem ao sócio das Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 11 10 empresas Labogen, Leonardo Meirelles e a seu irmão Leandro Meirelles, respectivamente”. 4. A contribuinte e os responsáveis solidários Alberto Youssef, Banco Confidence, Pioneer Corretora de Câmbio Ltda Em Liquidação, Carlos Alberto Pereira da Costa, Esdra de Arantes Ferreira, Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Pedro Argese Junior, Raphael Flores Rodriguez e Waldomiro De Oliveira foram devidamente intimados do lançamento, mas apenas os responsáveis solidários Alberto Youssef e Banco Confidence apresentaram, individualmente, impugnações (fls. 2475/2510 e 2168/2211). 5. Cientificado dos Autos de Infração (AR de 13/12/16, fl. 2461), Alberto Youssef protocolou impugnação (fls. 2475/2510) em 12/01/17, onde alegou, em síntese, que: (i) houve preterimento do direito de defesa; (ii) a responsabilidade solidária foi imputada sem a devida descrição dos fatos e da fundamentação legal; (iii) os dispositivos legais supostamente infringidos pela empresa autuada não foram precisamente indicados, o que enseja a nulidade do auto de infração; (iv) os lançamentos compreendidos no período anterior a 13/12/2011 foram alcançados pela decadência; (v) inexiste elemento essencial para o agravamento da multa; (vi) o fato de Youssef utilizarse do serviço prestado pela empresa autuada não o torna responsável pelas transações já praticadas pela empresa; (vii) a fiscalização parte da premissa de prova colhida na fase inquisitorial sem anexar aos autos a decisão judicial que autoriza o compartilhamento de dados entre Polícia Federal e Receita Federal, restando demonstrado vício insanável dos autos; (viii) não há provas suficientes para a comprovação de que o solidário seja chefe de suposta organização criminosa; e (iv) Youssef não é sócio da empresa autuada e não tem poderes para representála, sendo equivocada a imputação de responsabilidade pessoal nos termos do artigo 135 do CTN. 6. Por fim, requer que: (a) o processo seja declarado nulo; (b) seja declarada a inexistência de solidariedade e responsabilidade de Alberto Youssef; e (c) caso não sejam acolhidas as preliminares de nulidade, que seja dada a oportunidade ao impugnante para complementar sua impugnação. 7. Cientificado dos Autos de Infração (AR de 13/12/16, fl. 2470), Banco Confidence de Câmbio protocolou impugnação (fl. 2168/2211) em 09/01/17, onde alegou, em síntese, que: (i) não tem qualquer vínculo com os fatos geradores do presente auto de infração; (ii) nenhuma das operações de câmbio objeto do Auto de Infração envolveu o relacionamento direto do impugnante com a autuada; (iii) não cabe à impugnante o monitoramento das transações entre a corretora e seus clientes finais; e (iv) que não havia, à época dos fatos analisados, qualquer situação que ensejasse a aplicação do IOF à alíquota máxima de 25. Por fim requer: (a) sua exclusão do polo passivo; (b) subsidiariamente, redução da alíquota de IOF de 25%; (c) e cancelamento da multa de ofício e qualificada, e ainda que se afaste a aplicação de juros de multa; e (d) protesta por produção de provas e sustentação oral. 8. Em sessão de 11 de setembro de 2017, a 2ª Turma da DRJ/RJO, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação do Banco Confidence de Câmbio S.A. para excluílo do polo passivo; julgou improcedente a impugnação de Alberto Youssef; e declarou a revelia da contribuinte e dos responsáveis Pioneer Corretora de Câmbio Ltda Em Liquidação, Carlos Alberto Pereira da Costa, Esdra de Arantes Ferreira, Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Pedro Argese Junior, Raphael Flores Rodriguez e Waldomiro De Oliveira que não apresentaram impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1291.134 (fls. 2651/2689), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 12 11 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2012 a 31/05/2013 Nulidade. Pressupostos. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Juntada de Novas Provas. Preclusão. A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2012 a 31/05/2013 Decadência. Prazo Quinquenal. Contagem. Não havendo pagamento; ou comprovadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação; contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Administrador. Infração à Lei. Responsabilidade Solidária. Por ser administrador de fato e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado solidariamente com a pessoa jurídica por tributos que deixaram de ser retidos e recolhidos, em razão do ilícito perpetrado, mas que, de ofício, foram constituídos com multa qualificada. Responsabilidade Tributária. Solidariedade. Interesse Comum. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Responsabilidade Solidária. Totalidade do Crédito. A sujeição passiva solidária atribuída à terceiros responsáveis referese à totalidade do crédito tributário, sendo este composto pelo tributo, multa e juros, não havendo espaço para proporção, redução ou exoneração, com base em critérios de pessoalidade ou participação no delito fiscal. Fraude. Multa Qualificada. A multa qualificada deve ser aplicada quando há prova robusta de que o sujeito passivo, mediante artifício doloso, evitou o pagamento dos tributos devidos. Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 13 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS – IOF Período de apuração: 01/06/2012 a 31/05/2013 Operação Cambial Fraudulenta. Importações Inexistentes. Incidência. Incide o IOF nas operações cambiais fraudulentas baseadas em operações de importação inexistentes, não se aplicando a isenção prevista em lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Período de apuração: 01/06/2012 a 31/05/2013 Pagamento sem Causa. IRRF. Alíquota 35%. Sujeitase à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas quando não comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido”. 9. A DRJ/RJO julgou as impugnações dos solidários sob os seguintes fundamentos: 8.1. A alegação de nulidade do solidário Alberto Youssef não se sustenta, pois a participação do responsável no curso da ação fiscal não é condição necessária para validade do lançamento. No mais, o fato de o impugnante, Alberto, encontrarse em prisão domiciliar em nada prejudicou sua defesa, uma vez que foi capaz de produzir robusta contestação ao lançamento. 8.2. A alegação de nulidade quanto à ausência de motivação não se sustenta, pois o auto de infração está devidamente fundamentado. 8.3. Também não procede a alegação de uso de prova emprestada sem a devida permissão por decisão judicial, pois os depoimentos, interrogatórios e demais peças utilizadas pela fiscalização foram tornados públicos pela autoridade judicial, portanto é desnecessária decisão de compartilhamento com a Receita Federal. 8.4. Não há que se falar em decadência, pois não tendo havido qualquer pagamento e comprovadas às hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplicase o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN. 8.5. Diferentemente do alegado, os depoimentos já públicos do próprio Alberto Youssef no âmbito da operação lavajato em acordo de colaboração premiada atestam sua participação relevante nos ilícitos fiscais, ora em exame. Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 14 13 8.6. Restou comprovado o interesse comum entre os arrolados e também que o solidário Alberto Youssef tinha controle sobre as operações fraudulentas, o que justifica a aplicação dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN. 8.7. A multa qualificada é devida em face da comprovação da ocorrência de fatos que amparam a imputação dolosa às infrações cometidas. No mais, o agravamento da multa neste caso é cabível, pois não houve nenhum atendimento por parte da contribuinte, que permaneceu revel. 8.8. A responsabilidade solidária do Banco Confidence foi excluída em face da ausência dos pressupostos necessários para a aplicação do artigo 124, inciso II, do CTN. 10. A contribuinte, Labogen S.A., e os responsáveis solidários Banco Confidence de Câmbio, Pioneer Corretora de Câmbio Ltda, Carlos Alberto Pereira da Costa, Esdra de Arantes Ferreira, Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Pedro Argese Junior, Raphael Flores Rodriguez e Waldomiro De Oliveira, devidamente cientificados (fls. 2784; 2759; 2786; 3086; 2776; 2766; 2771; 2769; 2767; e 2781) não interpuseram recurso voluntário. 11. Cientificado da decisão (AR de 20/09/2017, fl. 2696), o solidário Alberto Youssef interpôs Recurso Voluntário (fls. 2710/2749) em 19/10/2017, no qual reitera em parte as razões já expostas em sede de impugnação (item 5) e complementa a defesa com os seguintes pontos: 10.1 Houve cerceamento diante do fato de que o CD/DVD, o qual continha todos os documentos do lançamento, não foi entregue ao Recorrente no ato da ciência da notificação, o que comprometeu de forma irremediável sua defesa. 10.2. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu apenas em 13/12/2016, os créditos relativos aos fatos geradores anteriores a 13/12/2011 foram alcançados pela decadência. 10.3. No mérito, afirma que as atividades da empresa autuada eram organizadas sem a ingerência do Recorrente e que não foi comprovada a existência do interesse comum previsto no artigo 124, inciso II, do CTN, pois a fiscalização sequer demonstra o nexo de causalidade entre os fatos geradores do tributo e uma conduta específica do Recorrente. 10.4. Por fim, o Recorrente requer que seja: (i) declarada a nulidade do processo por preterimento do direito de defesa; (ii) declarada a nulidade do auto por ausência de descrição dos fatos; (iii) afastada a aplicação de multa qualificada; (iv) reconhecida a decadência; (v) no mérito seja reconhecida a improcedência da ação fiscal; e (vi) declarada a inexistência de solidariedade e responsabilidade do Recorrente. 12. A União, por intermédio da Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões (fls. 2802/2835) ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, nas quais reforçou as questões fáticoprobatórias trazidas pelas autoridades fiscais para que seja mantido o acórdão proferido pela E. Delegacia de Julgamento e negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 15 14 Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 13. Inicialmente, cumpre consignar que diante da inexistência de contestação da matéria relativa à apuração do crédito referente ao IRRF e o agravamento da multa, a presente decisão está adstrita a análise dos fundamentos apresentados no Recurso Voluntário do responsável solidário Alberto Youssef e ao Recurso de Ofício. 14. Com relação à contribuinte e aos solidários que não interpuseram Recurso Voluntário (itens 9), resta mantido o decidido pela r. DRJ. 15. O Recurso Voluntário interposto pelo solidário Alberto Youssef é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade. 16. Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 63/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 17. No caso em tela, a decisão de piso, ao excluir o solidário Banco Confidence do polo passivo, exonerouo do pagamento de valor que superou o limite estabelecido pela norma em referência de 2,5 milhões. Portanto, ambos os recursos, de ofício e voluntário, são cabíveis, deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Preliminarmente I. Da Incompetência da 1ª Seção para apreciar Matéria Relativa ao IOF 18. De acordo com o artigo 4º do RICARF, compete à 3ª Seção processar e julgar a matéria relativa ao IOF, verbis: " Art. 4º. À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: VII Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF);" 19. Como os presente processo administrativo contempla lançamentos de IOF e IRRF, declino da competência para a 3ª Seção do CARF quanto à matéria relativa ao IOF e passo a Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 16 15 apreciar as questões de fato e de direito suscitadas em sede recursal cujos efeitos estão limitados ao lançamento de IRRF. II. Da Correta Constituição do Crédito Tributário 20. O Recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado em razão de não ter acesso à mídia eletrônica contendo cópias dos autos no momento de sua intimação. Afirma ainda que o exíguo tempo que teve para apresentar a impugnação deste e de outros processos administrativos fiscais prejudicou seu direito ao contraditório. 21. Ademais alega que o Auto de Infração é nulo por descrever a atribuição de responsabilidade de forma genérica e não atribuir o fundamento legal do lançamento. Alega também que houve violação do artigo 142 do CTN e do artigo 10, inciso IV, do CTN. Contudo, as alegações de nulidade não se sustentam. 22. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, o que não se verifica no presente caso. 23. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10 e 59, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” (grifos nossos) “ Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 17 16 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 24. No presente caso, não verifico qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto nos artigos 10 e 59, tampouco dos requisitos constantes do artigo 5º, incisos V e XXXIII, da Constituição Federal e artigo 142 do Código Tributário Nacional. 25. Da análise dos autos, verifico que o responsável solidário, ora Recorrente, notoriamente compreendeu a imputação que lhe foi imposta e não teve seu direito de defesa cerceado, vez que apresentou impugnação administrativa para contrapor a atribuição da responsabilidade solidária, o que demonstra de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal. 26. No mais, verifico que houve a descrição detalhada do fato gerador dos tributos e dos motivos que levaram a imputação de responsabilidade solidária, assim como o respectivo enquadramento legal. A matéria e a determinação da exigência tributária estão perfeitamente identificadas nos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal. 27. Do exposto, a constituição do crédito tributário foi feita de maneira correta, razão pela qual afasto a alegação de nulidade dos autos de infração e do termo de sujeição passiva solidária. III. Da Inocorrência de Decadência 28. O Recorrente alega que os créditos de IRRF estão decaídos no que tange a pessoa de Alberto Youssef, sob a justificativa de que a decadência continua a fluir até a ciência do contribuinte do lançamento do crédito tributário e esta ocorreu apenas em 13/12/2016. Entretanto, a alegação do Recorrente não merece prosperar. 29. A decisão recorrida e as contrarrazões da PGFN indicam, corretamente, que o prazo decadencial a ser aplicado neste caso está previsto no artigo 173, inciso I, do CTN em contrapartida ao artigo 150, §4º, do CTN. “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 18 17 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento”. 30. Partindo da data de ocorrência do fato gerador em junho de 2012, correspondente ao IRRF, verificase que a decadência não alcança nenhum dos créditos exigidos neste processo. 31. Tendo em vista que nenhum pagamento foi efetuado e que houve comprovação da ocorrência de dolo, o prazo decadencial passa a correr a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN. Considerando a ocorrência do fato gerador em junho de 2012, o prazo decadencial tem início no dia 01/01/2013 e finda no dia 31/12/2017. Portanto, visto que a ciência do lançamento se deu em 13/12/2016, não há que se falar em decadência. 32. Ainda que se entendesse correta a aplicação do artigo 150 do CTN, os créditos em cobrança não seriam alcançados pela decadência, pois a decadência começaria a operar a partir de junho de 2017. 33. Diante do exposto, afasto a alegação de decadência trazida pelo Recorrente. Questões de Mérito I. Premissas Técnicas I.1. Pressupostos de Aplicação do Artigo 124 do CTN 34. Com relação a responsabilidade solidária capitulada no artigo 124, inciso I, do CTN, cabe trazer algumas ponderações de ordem técnicointerpretativas. Confirase o teor do dispositivo: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” 35. Para restar configurada a responsabilidade solidariedade tributária em questão, as pessoas constantes do dispositivo devem efetivamente participar do negócio jurídico que deflagra a incidência tributária no mesmo polo da relação jurídica, como os co proprietários de um imóvel no caso do IPTU ou os herdeiros no caso do ITCMD incidente na sucessão1. 1 Sobre o tema, vale referenciar DARZÉ, Andréa Medrado. Responsabilidade Tributária Solidária. Breves Considerações sobre os Artigos 124 e 125 do Código Tributário Nacional. In: Grandes Questões em Discussão no CARF. São Paulo: Foco Fiscal, 2014, p. 3637. Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 19 18 36. É nesse contexto de raciocínio que, o termo "interesse comum" não pode ser considerado como um interesse qualquer, de fundo econômico, sancionador, monetário ou de cunho inespecífico. Trata se de interesse exclusivamente jurídico, relativo à prática do fato gerador da obrigação tributária. 37. Com efeito, não pode ser aplicado às pessoas que se encontrem em posições diversas da relação jurídica (e.g. vendedor vs comprador) ou pessoas que não tenham qualquer ligação com a "situação que constitui o fato gerador". A chamada comunhão de interesses jurídicos entre duas ou mais pessoas, que tenham relação pessoal e direta com a situação que deflagra a obrigação de pagar o tributo, é condição sine qua non para aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. 38. Nesse sentido, são as lições de Luciano Amaro2 acerca da solidariedade tributária: "Sabendose que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele esteja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ter ele 'interesse comum no fato gerador' (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Neste segundo caso é que a responsabilidade solidária do terceiro dependerá de a lei expressamente estabelecer. Por outro lado, o só fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex. alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa dizer que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sêlo, mas isso dependerá de expressa previsão da lei, nos termos do item II do art. 124). Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição. Se, porém, houver dois vendedores ou dois compradores (copropriedade), aí sim teremos interesse comum (dos vendedores ou dos compradores, respectivamente), de modo que se a lei definir como contribuinte a figura do comprador, ambos os compradores serão responsáveis solidários, não porque a lei tenha eventualmente vindo a proclamar essa solidariedade, mas sim porque ela decorre do interesse comum de ambos no fato da aquisição. O mesmo se diga em relação ao imposto predial. Havendo copropriedade, ambos os proprietários são devedores solidários". 39. É, também, o entendimento já fixado em definitivo pelas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre a matéria: 2 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2017. Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 20 19 "1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: (...) Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação... Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato. o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos , a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. E o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed Saraiva, 8ª ed, 1996, p. 220)... Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 21 20 proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). (...) 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A" (REsp 884.845/SC, 1ª T., Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ: 18/02/2009). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do 'interesse comum' previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Precedente da Primeira Turma (REsp 859.616/RS, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 15.10.07). Recurso especial não provido" (REsp 1.001.450/RS, 2ª T., Rel. Min. Castro Meira, DJ: 27/03/2008). 40. Portanto, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, somente se pode cogitar de interesse comum nas situações em que duas ou mais pessoas concorrem, em pé de igualdade, para a realização do fato descrito em lei como deflagrador da obrigação tributária. 41. Ademais, o parágrafo único do artigo 124, do CTN, prevê que a solidariedade referida no artigo não comporta benefício de ordem, o que significa que o Fisco pode exigir o crédito tributário em sua integralidade de qualquer um dos sujeitos passivos, principal e solidários, sem seguir ordem de preferência ou individualizar valores para cada devedor, pois todos os devedores respondem igualmente pelo crédito. I.2. Pressupostos de Aplicação do Artigo 135 do CTN 42. A responsabilidade disciplinada no artigo 135, III, do CTN, não considera a personalidade jurídica do contribuinte, mas cuida de incluir pessoalmente no polo passivo da relação jurídicotributária, o administrador responsável pela prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei. 43. Para que se configurar a responsabilidade prevista no referido artigo, devem estar presentes duas condições: (i) os sócios, os acionistas, os gerentes e/ou administradores devem praticar atos de gestão e (ii) a obrigação tributária deve decorrer de Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 22 21 atos praticados com abuso de poder ou contrários à lei, contrato social ou estatutos. Logo, o elemento doloso deve estar presente. 44. Em razão da gravidade dessas práticas, o legislador apontou expressamente quais pessoas devem ser pessoalmente responsabilizadas, verbis: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifos nossos) 45. A partir da análise do dispositivo, verificase que apenas as pessoas elencadas podem ser responsabilizadas pessoalmente. No mais, caso a pessoa seja sócia, mas não tenha poderes de gestão, deve ser afastada a responsabilidade pessoal. Da mesma forma, ainda que tenha poderes de gestão, deve ser comprovado o nexo de causalidade entre a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos e a exigência do crédito tributário em litígio. 46. Neste sentido, é o posicionamento já consolidado em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal. Confirase: Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 23 22 DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as quais as contribuições de seguridade social, estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. 2. O Código Tributário Nacional estabelece algumas regras matrizes de responsabilidade tributária, como a do art. 135, III, bem como diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça outras regras específicas de responsabilidade tributária relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art. 128. 3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas “as pessoas expressamente designadas por lei”, não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores – de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) – pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tão somente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 24 23 solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. 7. O art. 13 da Lei 8.620/93 também se reveste de inconstitucionalidade material, porquanto não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada, afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição. 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. 9. Recurso extraordinário da União desprovido. 10. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. (Recurso Extraordinário nº 562276/PR, Tribunal Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie, Julgado em 03/11/2010, Dje nº 27, Publicado em 10/02/2011). 47. O artigo 135 do CTN aponta a necessidade de elemento subjetivo, mais especificamente, dolo ou fraude para a configuração da responsabilidade, cabendo à fiscalização demonstrar e provar que as pessoas indicadas praticaram diretamente ou toleraram o ato abusivo, ilegal ou contrário ao estatuto enquanto sócias com poder de gerência. Por fim, deve comprovar que os diretores, gerentes (de fato ou de direito) ou representantes da pessoa jurídica exerciam tais funções de gestão durante o período que ocorreu o fato gerador. Somente a partir desta construção probatória é possível imputar a responsabilidade pessoal constante do artigo 135, III, do CTN. II. Das Circunstâncias Fáticas II.1. Do Recurso de Ofício 48. A fiscalização atribuiu a responsabilidade do Banco Confidence nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN por entender que teria responsabilidade em acompanhar os contratos de câmbio com o objetivo de evitar a prática de operações fraudulenta: “A determinação do art. 213 é clara ao afirmar que os bancos autorizados devem fazer o acompanhamento das contas em moedas estrangeiras, das quais são mantenedores. Com base nesse dispositivo legal, podemos afirmar que o Banco Confidence não foi um mero pagador e liquidante de ordens de pagamento emitidas por diversas corretoras de câmbio, mas tinha a responsabilidade de acompanhar a movimentação das contas dessas corretoras, objetivando a prevenção à lavagem de dinheiro e combate ao financiamento ao terrorismo. (...) Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 25 24 Cabe repetir que o Banco Confidence deveria fazer o acompanhamento da movimentação das contas das referidas corretoras, objetivando a prevenção à lavagem de dinheiro e combate ao financiamento ao terrorismo, conforme determinado no art. 213 da Circular nº 3.691/2013. Ao emitir os swifts, o Banco Confidence tinha pleno conhecimento da empresa contratante (Labogen), do valor da operação e, lógico, da corretora de câmbio. Em um curto período, compreendido entre junho/2012 e setembro/2012, pagou e liquidou 175 ordens de pagamento emitidas pela Pioneer Corretora no montante de US$ 12.624.190,85 equivalente a R$ 25.899.029,45. É importante ressaltar que no Termo de Início ficou consignado que o Banco Confidence atuou sistematicamente no mercado de câmbio como sender remetendo divisas ao exterior por intermédio de 1.445 contratos de câmbio utilizados para pagamento de operações de importação fraudulentas perfazendo o montante de US$ 107.680.665,43 equivalente a R$ 232.530.218,35, no período compreendido entre 13/02/2012 a 14/03/2014. 49. Em sede de impugnação o banco afirmou que sua responsabilidade, no que diz respeito aos contratos de câmbio, reside apenas em atender à ordem da corretora e realizar a transferência bancária. Sobre o artigo 213 da Circular Bacen nº3.691/2013, alega que tal dispositivo não pode se aplicado ao caso, pois a norma foi editada muito tempo após a realização dos fatos constantes nos autos de infração. 50. A DRJ acatou, em parte, as alegações do banco e o excluiu do polo passivo por entender que o inciso II do artigo 124 do CTN exige lei ordinária ao se referir a “pessoas expressamente designadas por lei”. Nesse sentido, a circular Bacen não cumpre tal requisito. No mais, a decisão de piso constatou que a circular entrou em vigor apenas em 03/02/2014, e, portanto, não poderia ser aplicada aos contratos de câmbio em questão. 51. Considero que a decisão de piso excluiu corretamente o então solidário Banco Confidence, pois, conforme exposto nas premissas técnicas, não há que se atribuir a responsabilidade solidária nos termos do artigo 124 a pessoas que não tenham qualquer ligação com a "situação que constitui o fato gerador". 52. A partir da leitura do tópico que discorre sobre a responsabilidade do banco no Termo de Verificação Fiscal, constato que a fiscalização sustenta a responsabilidade do Banco Confidence em determinação prevista pela Circular Bacen nº 3.691/2013. 53. Ainda que a circular tivesse vigência à época dos fatos geradores, verifico que seu artigo 213 não traz nenhuma menção à responsabilização de bancos conforme exigência prevista no inciso II do artigo 124 do CTN, verbis: “Circular Bacen nº 3.691/2013 Art. 213. Os bancos autorizados a operar no mercado de câmbio mantenedores de contas em moedas estrangeiras permitidas neste capítulo devem tomar medidas para conhecer os procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro adotados Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 26 25 pelos titulares dessas contas, de forma a cumprir com as recomendações do GAFI, bem como devem aplicar procedimentos internos de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Combate ao Financiamento ao Terrorismo (PLD/CFT) no acompanhamento da movimentação das referidas contas. CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: (...) II as pessoas expressamente designadas por lei”. 54. Conforme leitura dos dispositivos acima transcritos, fica claro que o artigo 124, inciso II, do CTN é explícito ao prever a responsabilização de pessoas quando expressamente designadas em lei. No presente caso não verifico a identificação de disposição normativa capaz de caracterizar a responsabilidade do Banco Confidence. 55. Diante do exposto, deixo de acolher o recurso de ofício e mantenho a exclusão do Banco Confidence do polo passivo. II.2. Da Responsabilidade do Sr. Alberto Youssef 56. Foi atribuída a responsabilidade solidária e pessoal ao Recorrente em razão do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, conforme o artigo 124, inciso I, do CTN e também pela prática de atos ilícitos ou contrários aos contratos sociais enquanto sócios com poder de gestão, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. 57. O acórdão recorrido manteve a responsabilidade solidária do Recorrente por entender que estavam presentes os requisitos de ambos os dispositivos citados acima. A partir das premissas técnicas aqui desenvolvidas acerca da responsabilidade prevista nos artigos 124 e 135 do CTN, passo a analisar as circunstâncias fáticas. 58. Em suas peças de defesa, o Recorrente afirma que a fiscalização não trouxe aos autos provas concretas de que ele possuía poder de mando na operação. Afirma também que não se enquadra em nenhuma das hipóteses elencadas pela legislação no que diz respeito a responsabilidade solidária. Entretanto, a fiscalização apresentou um conjunto robusto de indícios e provas que justificam a atribuição da responsabilidade solidária e pessoal ao Recorrente. 59. Em análise da decisão de piso, verifico que restou demonstrado o racional que fundamentou a imputação de responsabilidade realizada pela fiscalização (fls. 2677/2680), verbis: Os fatos alegados pela Impugnante não refutam a hipótese de comando da fraude perpetrada consistente em simular importações com fim de ("lavar" e) remeter recursos (ilícitos) para o exterior e, assim, promover a ilicitude fiscal da qual trata estes autos. Os depoimentos do próprio Alberto Youssef prestados no âmbito da operação lavajato, perante Polícia Federal, Ministério Público Federal e seu Advogado, em acordo de colaboração premiada, já tornados públicos (e.g. “Folha de São Paulo”, de 12/03/15), com cópia nos autos deste PAF (v. fls. 693 e ss), atestam sua participação relevante nos ilícitos fiscais, Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 27 26 ora em exame. Algumas passagens do Termo de Colaboração devem ser aqui destacadas: “(...) QUE, assevera que muitos pagamentos eram feitos por meio de transferências no exterior em favor das off shores de LEONARDO MEIRELLE (sic.), NELMA PENASSO e de clientes de CARLOS ROCHA, vulgo CEARA; (...);QUE, os valores em espécie eram obtidos junto as contas da MO CONSULTORIA ou outras empresas de WALDOMIRO, junto a LABOGEM ou PIROQUIMICA; (...)QUE, questionado acerca de quais empresas utilizava para emissão de notas, diz que utilizava as empresas de WALDOMIRO (MO CONSULTORIA, RCI e RIGIDEZ), empresas de LEONARDO MEIRELLES (não recordando o nome no momento) sendo que eventualmente a GFD emitiu notas também ficando o declarante, nesse caso, com a verba destinada a cobertura de custos de emissão de nota fiscal; (gn, fls. 693 e ss)” Nesta passagem, o Impugnante, então declarante, admite relações tanto com as pessoas físicas Leonardo e Waldomiro, quanto com as pessoas jurídicas Labogen e Piroquímica, no contexto da fraude desvendada pela força tarefa da lavajato. Observese que havia pelo ResponsabilizadoImpugnante uso livre das empresas de Leonardo Meirelles para as operações que viabilizavam os ilícitos, seja emitindo notas fiscais ideologicamente falsas, seja transferindo recursos para o exterior, seja para operações bancárias. Tudo admitido pelo Impugnante em seu Termo de Colaboração. Na seqüência esta conclusão é corroborada ainda em outra passagem do depoimento de Youssef: “QUE nestes casos as empresas de WALDOMIRO transferiam os recursos para as empresas de LEONARDO e este fornecia o dinheiro em espécie ao declarante; QUE para isto o declarante remunerava LEONARDO a ordem de 1% a 2% do valor sacado, utilizandose para tanto o valor de 5,5% que sobravam dos 20% anteriormente mencionados; QUE, acerca de empresas de LEONARDO MEIRELLES no exterior, explica que a sua relação comercial com LEONARDO era inicialmente relacionada a transferências financeiras, sendo que o declarante emitia TEDs para que este fizesse saques em espécie e lhe devolvesse o dinheiro, tendo LEONARDO executado a tarefa de emissão de notas como WALDOMIRO, nos termos antes mencionados; QUE, LEONARDO recebia cerca de 1 a 2% do valor da transação no caso dos saques, sem emissão de nota fiscal; QUE, ocorreram casos em que o declarante devia receber recursos no exterior e os valores foram careados (sic.) as empresas usadas por LEONARDO a RFY, ELITE DAY e a DGX, promovendo este a disponibilização dos valores ao declarante no Brasil. (gn, fls. 693 e ss)”. Alberto Youssef admitiu citação anterior que fazia uso das contas bancárias, entre outras, da Piroquímica e Labogen e, Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 28 27 agora, admite que remunerava Leonardo Meirelles, inferindose daí haver relação de subordinação deste em relação a si. Leonardo Meirelles, por sua vez, em seu depoimento (fls. 751 e ss) à Polícia Federal, admitiu a prevalência de Youssef. Observese que os depoimentos convergem no sentido apontado de um comando de Alberto Youssef: “(...) QUE ALBERTO YOUSSEF fazia uso das contas bancárias da LABOGEN QUÍMICA, INDUSTIA LABOGEN, PIROQUÍMICA, HMAR CONSULTORIA e RMV CCV CONSULTORIA, para indicar o recebimento de depósitos e transferências financeiras para tais contas de onde o dinheiro era utilizado em sua maioria para aquisição de contratos de cambio referente a importações fictícias; QUE no tocante aos valores depositados nas empresas controladas pelo declarante acima citadas com destino ao exterior, YOUSSEF sempre avisava ao declarante a respeito do recebimento de determinado valor que deveria ser disponibilizado no exterior para uma empresa que o próprio YOUSSEF indicava, inclusive os dados bancários. A partir destas informações recebidas de YOUSSEF, o declarante fechava o cambio e a operação correspondente; (...) Ou seja, todos os contratos de cambio feitos a mando de YOUSSEF não possuem declaração de importação e não foram objeto de pagamento de qualquer tributo; (...)”. 60. É notório que desempenhou papel importante e central para a situação que constituiu o fato gerador, demonstrando, portanto, que ele tem interesse comum conforme previsto no artigo 124 do CTN. 61. Ademais, a partir da análise conjunta de todos os indícios apontados com os elementos de prova produzidos pela fiscalização evidencio que o Recorrente teve interesse comum na situação fática constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por possuir íntima relação de gestão da empresa autuada e das demais empresas integrantes na operação fraudulenta. 62. Portanto, merece ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Alberto Youssef, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. 63. No mais, embora o Recorrente não figure como sócio da autuada (Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia) exercia atividade fática de gestão com excesso de poderes em afronta à lei (item 56), verifico nítido elemento doloso. Em vista das premissas técnicas desenvolvidas nos itens 39 a 44 (pressupostos de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN), deve ser mantida a responsabilidade pessoal do Sr. Alberto Youssef. III. Da ausência de Pressupostos para Aplicação da Multa de Ofício Qualificada (150%) ao Lançamento de IRRF 64. Em que pese o Recorrente não tenha comprovado a operação ou a causa que deu origem aos valores relativos às operações de importação, não pode o julgador presumir o elemento doloso na conduta do agente, tampouco aplicar a qualificadora em sentido amplo. Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 16561.720152/201682 Acórdão n.º 1201002.509 S1C2T1 Fl. 29 28 Cabe à autoridade fiscalizadora demonstrar o elemento subjetivo da conduta, o dolo precisa ser provado e não presumido. 65. Indo mais além, da simples leitura do artigo 674 do RIR/99 não é possível abstrair sequer a possibilidade de imposição de multa qualificada, visto que o dispositivo limitase a consignar a incidência do IRRF à alíquota de 35% sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados ou, ainda que identificados, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. 66. Por meio deste dispositivo, eventual ausência de recolhimento do IRRF fica assegurada. Vejam que, o artigo 674 do RIR/99 figura como verdadeira medida de enforcement (solução eficiente apta a incentivar boas práticas), pois tem a capacidade de direcionar o comportamento do contribuinte para que opere com a devida transparência, tanto é que, a manutenção e adequada escrituração fiscal e contábil hábil a identificar eventuais beneficiários e as causas do pagamento, afastam a aplicação do IRRF de 35%. 67. Com efeito e em análise ao disposto no artigo 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430/96 (com redação dada pela Lei nº 11.488/07), fica difícil (para não dizer impossível) provar a existência do evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, no caso concreto. Se não há causa, a priori não há como presumir ou provar o intuito doloso. Há real "perda do objeto" (perda dos elementos/pressupostos fáticos) para fins de aplicação da multa qualificada. 68. No mais, prejuízo ao erário não há, vez que restou mantida o IRRF de 35%, diante da ausência de comprovação da causa da operação. Os objetivos da lei foram atendidos. 69. Diante do exposto, considero que deve ser afastada a multa de 150% em relação aos lançamentos de IRRF. Conclusão 70. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER dos presentes RECURSO VOLUNTÁRIO e RECURSO DE OFÍCIO, e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a aplicação da a multa de 150% (reduzindoa para 112,5%) em relação aos lançamentos de IRRF. 71. Declino a competência quanto à matéria relativa ao IOF, por tratarse de competência da 3a Seção do CARF, nos termos do artigo 4º, inciso VII, do RICARF. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 2940DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000090/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE APRECIAÇÃO RAZÕES RELEVANTES DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Apresentando o julgador com clareza os fatos e elementos de convicção que entendeu suficientes e relevantes para a conclusão do julgado, não se pode exigir que se manifeste sobre cada detalhe da impugnação.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
Após iniciado o procedimento fiscal somente é cabível a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, reduzindo os valores de tributos anteriormente apurados, se constatado erro de fato no preenchimento. Mudança de opção não se considera erro.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE APURAÇÃO DE CUSTOS.
Se o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta a documentação por ele utilizada e as memórias de cálculo do preço parâmetro apurado, a autoridade fiscal tem o direito de, com os elementos de que dispuser, determinar o referido preço.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA.
Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1301-003.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE APRECIAÇÃO RAZÕES RELEVANTES DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Apresentando o julgador com clareza os fatos e elementos de convicção que entendeu suficientes e relevantes para a conclusão do julgado, não se pode exigir que se manifeste sobre cada detalhe da impugnação. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Após iniciado o procedimento fiscal somente é cabível a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, reduzindo os valores de tributos anteriormente apurados, se constatado erro de fato no preenchimento. Mudança de opção não se considera erro. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE APURAÇÃO DE CUSTOS. Se o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta a documentação por ele utilizada e as memórias de cálculo do preço parâmetro apurado, a autoridade fiscal tem o direito de, com os elementos de que dispuser, determinar o referido preço. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2).
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FALTA DE APRECIAÇÃO RAZÕES RELEVANTES DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Apresentando o julgador com clareza os fatos e elementos de convicção que entendeu suficientes e relevantes para a conclusão do julgado, não se pode exigir que se manifeste sobre cada detalhe da impugnação. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Após iniciado o procedimento fiscal somente é cabível a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, reduzindo os valores de tributos anteriormente apurados, se constatado erro de fato no preenchimento. Mudança de opção não se considera erro. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE APURAÇÃO DE CUSTOS. Se o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta a documentação por ele utilizada e as memórias de cálculo do preço parâmetro apurado, a autoridade fiscal tem o direito de, com os elementos de que dispuser, determinar o referido preço. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 90 /2 01 0- 51 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 237 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão nº 1255.759, proferido pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 09 de maio de 2013, que, ao apreciar a impugnação apresentada, entendeu, por maioria de votos, negar provimento à impugnação e, em conseqüência, considerar procedentes os lançamentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reduzindo o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL do exercício de 2006, anocalendário de 2005, aos valores de, respectivamente, R$30.221,87 e R$31.032,03. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo dos autos de infração de fls 97/104, por meio dos quais foram reduzidas em R$ 2.550.392,10 as bases de cálculo negativas do Imposto sobre a Renda e Contribuição Social informadas em DIPJ para o ano de 2005. Os fundamentos da autuação constam das fls 92/96 e foram sintetizados conforme trechos a seguir transcritos: • “A empresa, originalmente, declarou que efetuou o controle dos preços de transferência dos afretamentos contratados com sua controladora americana, a empresa C & C Technologies Inc., de acordo com o método PRL, considerando duas situações: PRL 60% Produção para o afretamento das embarcações OCEAN Fl. 276DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 238 3 SURVEYOR e COASTAL SURVEYOR e PRL 20% Revenda – para o afretamento da embarcação RIG SUPPORTER.” • ... “intimada a apresentar os cálculos que ampararam a apuração do controle dos preços de transferência segundo estes métodos, a empresa informou que não dispunha mais dos papéis ... e que pretendia apresentar novos cálculos, desta vez em conformidade com os parâmetros previstos para o método CPL.” • “Em 04/05/2009 a fiscalização formulou consulta interna para dirimir dúvidas quanto ao momento de escolha do método de apuração dos preços de transferência por determinada empresa” • “ Em 08/12/2009 a Coordenação Geral de Tributação emitiu a Solução de Consulta Interna nº 20, concluindo, basicamente, que após o início da ação fiscal o contribuinte não se encontra em situação de espontaneidade para alterar opções por ele antes realizadas em declaração.” • “Em face de tais fatos, restou à fiscalização a recomposição dos cálculos segundo o método PRL. Nada obstante, verificase que não é possível a situação pretendida pela empresa quanto ao afretamento da embarcação RIG SUPPORTER, qual seja, o enquadramento da margem de lucro minima em 20%. Isto porque, em conformidade com o que dispõe o artigo 12 da IN/SRF 243/02, esta margem só se aplica às situações de revenda de bens, serviços ou direitos. Tal não é o caso de quaisquer dos três Afretamentos contratados pela empresa, uma vez que todos eles constituem insumos para a variedade de serviços prestados ...” • “Diante disso, ficou constatada a falta de declaração dos tributos devidos por infração ao disposto no artigo 18 da Lei 9.430/96 (com a redação dada pela Lei nº 9.959/00). Cabe, portanto, seu lançamento, nos termos do que dispõe o artigo 841 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99)” Com base nos fatos assim relatados e nos cálculos elaborados às fls 94/95, foram lançadas as diferenças que abaixo consolido: Fl. 277DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 239 4 Cientificada da autuação em 12/03/2010 (fls 101), a interessada apresentou, em 09/04/2010, a impugnação de fls 109/125, na qual solicita a realização de diligência para a verificação dos cálculos de apuração dos preços de transferência elaborados pela impugnante pelo método CPL. Quanto ao mérito, alega a seu favor que : • É ilegal a SCI 20, proferida pela Coodenação Geral de Tributação em 08/12/2009. Nesta data ainda não havia norma que vedasse a alteração do método de apuração dos preços de transferência após o início do procedimento fiscal; • Esta vedação foi posteriormente introduzida na legislação pela MP 478, publicada em 29/12/2009, que acrescentou o art 19B à Lei 9.430/96; • se os cálculos efetuados pelo método CPL (Custo de Produção mais Lucro) já haviam sido elaborados pela impugnante e disponibilizados, juntamente com a respectiva documentação de respaldo, revelase, de forma clara, que o objetivo da auditoria foi o de adotar o método mais oneroso; • conforme art 40 da IN 243/2002, não havia impedimento para que fosse adotado o método CPL, mais benéfico à interessada; • Dispondo a lei que o cálculo do preço de transferência deve ser feito por um dos métodos nela previstos e não havendo qualquer disposição expressa limitativa, há que se entender que o contribuinte tem o direito de opção. Se o legislador pretendesse restringir cronologicamente a escolha, teria o feito expressamente; • Ilegal, portanto, o indeferimento da alteração do método de apuração dos preços de transferência nas importações; Fl. 278DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 240 5 • O método PRL constitui verdadeiro confisco. A préfixação legal da margem de lucro de 60% não leva em consideração a realidade do mercado, afronta o sistema jurídico barsileiro e não possui correspondência no padrão internacional. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, que julgou improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Após iniciado o procedimento fiscal somente é cabível a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, reduzindo os valores de tributos anteriormente apurados, se constatado erro de fato no preenchimento. Mudança de opção não se considera erro. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE APURAÇÃO DE CUSTOS. Se o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta a documentação por ele utilizada e as memórias de cálculo do preço parâmetro apurado, a autoridade fiscal tem o direito de, com os elementos de que dispuser, determinar o referido preço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após intimada, e inconformada com a decisão que lhe foi desfavorável, a autuada apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário Fl. 279DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 241 6 Conforme relatado, tratase o presente processo de auto de infração, por meio do qual a fiscalização reduziu em R$ 2.550.392,10 as bases de cálculo negativas do Imposto sobre a Renda e Contribuição Social informadas em DIPJ para o ano de 2005.. Os fundamentos da autuação podem assim ser sintetizados, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 92/96): • “A empresa, originalmente, declarou que efetuou o controle dos preços de transferência dos afretamentos contratados com sua controladora americana, a empresa C & C Technologies Inc., de acordo com o método PRL, considerando duas situações: PRL 60% Produção para o afretamento das embarcações OCEAN SURVEYOR e COASTAL SURVEYOR e PRL 20% Revenda – para o afretamento da embarcação RIG SUPPORTER.” • ... “intimada a apresentar os cálculos que ampararam a apuração do controle dos preços de transferência segundo estes métodos, a empresa informou que não dispunha mais dos papéis ... e que pretendia apresentar novos cálculos, desta vez em conformidade com os parâmetros previstos para o método CPL.” • “Em 04/05/2009 a fiscalização formulou consulta interna para dirimir dúvidas quanto ao momento de escolha do método de apuração dos preços de transferência por determinada empresa” • “ Em 08/12/2009 a Coordenação Geral de Tributação emitiu a Solução de Consulta Interna nº 20, concluindo, basicamente, que após o início da ação fiscal o contribuinte não se encontra em situação de espontaneidade para alterar opções por ele antes realizadas em declaração.” • “Em face de tais fatos, restou à fiscalização a recomposição dos cálculos segundo o método PRL. Nada obstante, verificase que não é possível a situação pretendida pela empresa quanto ao afretamento da embarcação RIG SUPPORTER, qual seja, o enquadramento da margem de lucro minima em 20%. Isto porque, em conformidade com o que dispõe o artigo 12 da IN/SRF 243/02, esta margem só se aplica às situações de revenda de bens, serviços ou direitos. Tal não é o caso de quaisquer dos três Afretamentos contratados pela empresa, uma vez que todos eles constituem insumos para a variedade de serviços prestados ...” • “Diante disso, ficou constatada a falta de declaração dos tributos devidos por infração ao disposto no artigo 18 da Lei 9.430/96 (com a redação dada pela Lei nº 9.959/00). Cabe, portanto, seu lançamento, nos termos do que dispõe o artigo 841 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99)” Fl. 280DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 242 7 Irresignada, a recorrente apresentou impugnação, sustentando a ilegalidade da Solução de Consulta Interna nº 20, pelo fato de não ter aceitado os cálculos efetuados pelo método CPL, após o início da fiscalização, aduzindo ainda que o método PRL 60% constituise verdadeiro confisco. Ao analisar a impugnação, a decisão recorrida negoulhe provimento, por maioria, sendo assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Após iniciado o procedimento fiscal somente é cabível a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, reduzindo os valores de tributos anteriormente apurados, se constatado erro de fato no preenchimento. Mudança de opção não se considera erro. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE APURAÇÃO DE CUSTOS. Se o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta a documentação por ele utilizada e as memórias de cálculo do preço parâmetro apurado, a autoridade fiscal tem o direito de, com os elementos de que dispuser, determinar o referido preço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por sua vez, a Recorrente se insurge alegando em síntese que: (i) nulidade, por preterição do direito de defesa, em razão da decisão recorrida não ter apreciado todos os argumentos suscitados, em especial: a) o intuito meramente arrecadatório; e, b) o método PRL 60% constituise em verdadeiro confisco. (ii) a inexistência de limitação temporal à época quanto à alteração de método de preço de transferência, podendo o contribuinte optar pela mudança de método, inclusive, em data posterior ao início do procedimento fiscal; Preliminar Em preliminar, argüiu a recorrente que há nulidade no acórdão recorrido, uma vez que este teria deixado de enfrentar duas alegações de defesa contidas na impugnação. Verificando o v. Acórdão e a peça de defesa inicial apresentada, de fato, não há enfrentamento dessas alegações, porém, entendo que não é o caso de nulidade. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 243 8 Estabelece o art. 31 do Decreto 70.235/1972: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De acordo com essa norma, o relatório não pode ignorar os argumentos trazidos pela parte, porém, tal dispositivo não impõe ao julgador a obrigação de rebater cada uma das teses de defesa. Isso porque o citado artigo 31 deve ser analisado em conjunto com o artigo 59, II, do mesmo Decreto 70.235/1972, o qual estabelece que são nulas as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa. Penso que, de uma forma bem resumida, a omissão que se traduz em cerceamento de defesa, é aquela em que o órgão julgador deixa de se manifestar sobre um dos pedidos, ou, rejeitando um pedido, não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seja, suficiente para justificar o acolhimento. No caso, não ocorre nenhuma dessas situações, isso porque a decisão recorrida se manifestou sobre fatos e argumentos que entendeu relevantes, deixando de se manifestar sobre a simples argüição de que o auto se revestia de "mero intuito arrecadatório", e que haveria "efeito confiscatório do método PRL60%", que poderiam ser repelidas até implicitamente. Primeiro que o efeito de arrecadação é conseqüência natural do ato de lançar, não havendo que se falar em ilegalidade, em razão do lançamento possuir efeitos de arrecadação ou mero efeitos. Segundo, quanto à argüição de inconstitucionalidade, ainda que o julgador administrativo a reconheça, não poderia declarála, por absoluta incompetência, sendo esta prerrogativa exclusiva do judiciário (Súmula CARF nº 2). Com efeito, não é razoável exigir do julgador que se manifeste expressamente sobre fatos ou argumentos irrelevantes ao deslinde da causa, para que se cumpra com plenitude a prestação jurisdicional, bastando que apresente fundamentos suficientes para motivar sua decisão, como de fato ocorreu no caso que se apresenta. O STJ vem se manifestando nesse sentido, conforme demonstra os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. REEXAME DE PROVA. SÚMULA N°7/STJ. (...) 3. O não acatamento das argumentações deduzidas no recurso,não implica em cerceamento de defesa, posto que, ao julgador, cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 244 9 4. Não está obrigado o magistrado a julgar a questão posta a seu exame de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim, com o seu livre convencimento (art. 131, do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. (....) (STJ — Primeira Turma — Rd Min. José Delgado — Embargos de Declaração em Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº 304.754/MG — DJ 12.02.2001) ...... PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO OMISSO SOBRE QUESTÕES INVOCADAS NO RECURSO DE APELAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO INEXISTENTE. COMPLEMENTAÇÃO DA APOSENTADORIA. TETO SALARIAL AFASTADO POR DECISÃO IRRECORRIDA. PRECLUSÃO. 1. o Juiz deve se pronunciar sobre todos os temas controvertidos da causa; não está obrigado, entretanto, a responder ponto a ponto, todas as alegações das partes, que se irrelevantes podem ser repelidas implicitamente. Ofensa ao CPC, art. 535, II, que não se caracteriza. (....) (STJ — Quinta Turma — Rd MM. Edson Vidigal — Recurso Especial nº 260.803/SP — DJ 11.12.2000) Pelo exposto, deve ser indeferido o pedido de nulidade. Do mérito O cerne da discussão diz respeito a possibilidade (ou não) de, após o início da presente ação fiscal, a interessada retificar a opção de apuração de custos, segundo as regras de preços de transferência, já manifestada na apuração do lucro real, declarada na DIPJ/2006. Aduz a recorrente que embora tenha informado em DIPJ que adotaria o método PRL60 para cálculo do preço de transferência, intimada a apresentar os cálculos que ampararam a apuração do controle dos preços de transferência segundo estes métodos, informou que não dispunha mais dos papéis e que pretendia apresentar novos cálculos, desta vez em conformidade com os parâmetros previstos para o método CPL. Sustenta ainda não haver limite temporal, de acordo com a legislação sobre preço de transferência vigente à época dos fatos, para efetuar mudança de opção após o início da ação fiscal. De fato, a legislação de regência dos preços de transferência autoriza a alteração da opção pelo método de apuração de custos, sendo inicialmente silente com relação ao prazo limite para ser efetuada a alteração de método. A delimitação expressa de prazo limite somente ocorreu com entrada em vigor do art. 20A da Lei nº 9.430/96, para ser aplicada a partir do anocalendário de 2012. Entretanto, entendo que o art. 20A não trouxe qualquer Fl. 283DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 245 10 inovação jurídica à matéria, vez que o ordenamento jurídico vigente já impedia que após iniciada a ação fiscal fossem alteradas opções na apuração das bases de cálculo de tributos objeto de fiscalização. Com efeito, a alteração da opção pelo método de apuração dos custos pretendida pelo contribuinte importaria em aumento do valor dos custos e, conseqüentemente, redução das bases de cálculo e dos valores devidos do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro do período., sento tal alteração vedada, segundo penso, pelo disposto no § 1º do art. 147 do CTN que determina que “a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento”. Nesse mesmo sentido, dispõe o § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, segundo o qual “o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas”. Assim, uma vez iniciada a ação fiscal fica afastada a espontaneidade das alterações na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, salvo, por óbvio, as que decorressem de erro de preenchimento. Como a alteração de opção pelo método de apuração dos custos segundo as regras do preço de transferência não configura erro de preenchimento, impossível sua retificação após o início do procedimento fiscal. Assim, entendo válido o procedimento adotado pela Fiscalização de refazer os cálculos dos custos segundo as regras do preços de transferência, e procedentes os lançamentos do IRPJ, que reduziu o prejuízo fiscal de R$2.580.613,97 para R$30.221,87, e da CSLL, que reduziu a base de cálculo negativa de R$2.581.424,13 para R$31.032,03. Da Argüição de Confisco Em sua impugnação, renovado em seu recurso, suscita a recorrente que a aplicação do método de apuração dos preços de transferência as importações denominado PRL 60% violaria o princípio constitucional de proibição de confisco, citando, para ilustrar seu argumento, o artigo 15, inciso IV da CF. Porém, o enfrentamento dessa argumentação demandaria uma análise de constitucionalidade, o que é vedado a este Tribunal, nos termos da Súmula CARF n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não se conhece da alegação. Da Conclusão Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 284DF CARF MF Processo nº 12897.000090/201051 Acórdão n.º 1301003.293 S1C3T1 Fl. 246 11 Fl. 285DF CARF MF
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