Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10510.004753/2008-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO - ALTERAÇÃO LEGISLATIVA - NÃO INCIDÊNCIA
O salário-de-contribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplica-se aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o salário-de-contribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, sem exigir o amplo acesso a empregados e diretores.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ABONO ÚNICO - PREVISTO EM ACORDO COLETIVO - NÃO INCIDÊNCIA
Pagamentos efetuados a título de Abono único previsto em Acordo Coletivo, expressamente desvinculado do salário, além de Abono pago na rescisão do contrato de trabalho, também expressamente desvinculado do salário, considero que não há incidência de contribuição social previdenciária, na interpretação do disposto no artigo 28, §9, e, 7, Lei 8.212/1991, bem como na aplicação do Ato Declaratório PGFN 16/2011, de 20/12/2011.
PREVIDENCIÁRIO - AUXÍLIO EXCEPCIONAL - NÃO INCIDÊNCIA
O rol descrito no art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, e o art. 214, §9°, do Decreto 3.048/1999 é taxativo acerca dos valores que não integram o salário-de-contribuição. Entretanto, o mesmo artigo 28 determina que a tributação incida sobre valores destinados a retribuição do trabalho. Assim, se não restar claro como a verba possa ser tributada à luz dos comandos dos arts. 22, I e 28, I, da Lei n° 8.212/91 em razão de os pagamentos não se revestirem de natureza de retribuição aos trabalhos prestados pelos empregados, a situação fática não se amolda à hipótese legal descrita.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PRÊMIO APOSENTADORIA - GANHO EVENTUAL - NÃO INCIDÊNCIA
O prêmio concedido a todos os funcionários que se aposentem, na hipótese do caso concreto, com no mínimo dez anos como funcionários da empresa, amolda-se à característica de ganho eventual de caráter claramente indenizatório, desvinculado do salário, sendo efetuado uma única vez, atraindo o disposto no art. 28, § 9º, e, 7, primeira parte, da Lei 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.949
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ABN - ABONO NÃO DECL, GFIP: o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari votou pelas conclusões: (ii) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento BEM - BOLSA DE ESTUDO NÃO DECL GFIP; (iii) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento PAN - PREMIO APOSENT NÃO DEL GFIP: (iv) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; (v) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento AEN- AUX EXCEPCIONAL NÃO DECL GFIP. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro (relator) e Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Ivacir Júlio de Souza - Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10510.004753/2008-53
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454275
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.949
nome_arquivo_s : Decisao_10510004753200853.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10510004753200853_5454275.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ABN - ABONO NÃO DECL, GFIP: o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari votou pelas conclusões: (ii) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento BEM - BOLSA DE ESTUDO NÃO DECL GFIP; (iii) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento PAN - PREMIO APOSENT NÃO DEL GFIP: (iv) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; (v) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento AEN- AUX EXCEPCIONAL NÃO DECL GFIP. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro (relator) e Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Ivacir Júlio de Souza - Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
id : 5891372
ano_sessao_s : 2015
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO - ALTERAÇÃO LEGISLATIVA - NÃO INCIDÊNCIA O salário-de-contribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplica-se aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o salário-de-contribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, sem exigir o amplo acesso a empregados e diretores. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ABONO ÚNICO - PREVISTO EM ACORDO COLETIVO - NÃO INCIDÊNCIA Pagamentos efetuados a título de Abono único previsto em Acordo Coletivo, expressamente desvinculado do salário, além de Abono pago na rescisão do contrato de trabalho, também expressamente desvinculado do salário, considero que não há incidência de contribuição social previdenciária, na interpretação do disposto no artigo 28, §9, e, 7, Lei 8.212/1991, bem como na aplicação do Ato Declaratório PGFN 16/2011, de 20/12/2011. PREVIDENCIÁRIO - AUXÍLIO EXCEPCIONAL - NÃO INCIDÊNCIA O rol descrito no art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, e o art. 214, §9°, do Decreto 3.048/1999 é taxativo acerca dos valores que não integram o salário-de-contribuição. Entretanto, o mesmo artigo 28 determina que a tributação incida sobre valores destinados a retribuição do trabalho. Assim, se não restar claro como a verba possa ser tributada à luz dos comandos dos arts. 22, I e 28, I, da Lei n° 8.212/91 em razão de os pagamentos não se revestirem de natureza de retribuição aos trabalhos prestados pelos empregados, a situação fática não se amolda à hipótese legal descrita. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PRÊMIO APOSENTADORIA - GANHO EVENTUAL - NÃO INCIDÊNCIA O prêmio concedido a todos os funcionários que se aposentem, na hipótese do caso concreto, com no mínimo dez anos como funcionários da empresa, amolda-se à característica de ganho eventual de caráter claramente indenizatório, desvinculado do salário, sendo efetuado uma única vez, atraindo o disposto no art. 28, § 9º, e, 7, primeira parte, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703230873600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 445 1 444 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.004753/200853 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.949 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente ENERGISA SERGIPE DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO ALTERAÇÃO LEGISLATIVA NÃO INCIDÊNCIA O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplicase aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 47 53 /2 00 8- 53 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, sem exigir o amplo acesso a empregados e diretores. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ABONO ÚNICO PREVISTO EM ACORDO COLETIVO NÃO INCIDÊNCIA Pagamentos efetuados a título de Abono único previsto em Acordo Coletivo, expressamente desvinculado do salário, além de Abono pago na rescisão do contrato de trabalho, também expressamente desvinculado do salário, considero que não há incidência de contribuição social previdenciária, na interpretação do disposto no artigo 28, §9, “e”, 7, Lei 8.212/1991, bem como na aplicação do Ato Declaratório PGFN 16/2011, de 20/12/2011. PREVIDENCIÁRIO AUXÍLIO EXCEPCIONAL NÃO INCIDÊNCIA O rol descrito no art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, e o art. 214, §9°, do Decreto 3.048/1999 é taxativo acerca dos valores que não integram o salário decontribuição. Entretanto, o mesmo artigo 28 determina que a tributação incida sobre valores destinados a retribuição do trabalho. Assim, se não restar claro como a verba possa ser tributada à luz dos comandos dos arts. 22, I e 28, I, da Lei n° 8.212/91 em razão de os pagamentos não se revestirem de natureza de retribuição aos trabalhos prestados pelos empregados, a situação fática não se amolda à hipótese legal descrita. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PRÊMIO APOSENTADORIA GANHO EVENTUAL NÃO INCIDÊNCIA O prêmio concedido a todos os funcionários que se aposentem, na hipótese do caso concreto, com no mínimo dez anos como funcionários da empresa, amoldase à característica de ganho eventual de caráter claramente indenizatório, desvinculado do salário, sendo efetuado uma única vez, atraindo o disposto no art. 28, § 9º, e, 7, primeira parte, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei Fl. 475DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 446 3 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ABN ABONO NÃO DECL, GFIP: o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari votou pelas conclusões: (ii) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento BEM BOLSA DE ESTUDO NÃO DECL GFIP; (iii) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento PAN PREMIO APOSENT NÃO DEL GFIP: (iv) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; (v) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento AEN AUX EXCEPCIONAL NÃO DECL GFIP. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro (relator) e Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Ivacir Júlio de Souza Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – ENERGISA SERGIPE DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A. contra Acórdão nº 1518.353 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.157.8370, às fls. 01, com valor inicial de R$ 995.982,23. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa contribuições dá empresa, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme inciso I, alínea c do inciso II e inciso III, do art. 22, da Lei n° 8.212/91. O relatório da decisão de primeira instância, às fls. 331 a 332, aponta os Códigos de Levantamento utilizados: 2.1. ABN ABONO NÃO DECL GFIP. Referese à remuneração dos segurados empregados apurada na folha de pagamento sob as rubricas 31 abono e 184 abono, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Constataramse pagamentos a título de abono lançados nas folhas de 12/03, 03/04, 05/04, 06/04, 09/04, 11/04 e 12/04, o que evidencia a não eventualidade do abono, além de que não previsto em lei; 2.2. AEN AUX EXCEPCIONAL NÃO DECL GFIP. Abrange os valores integrantes da folha de pagamento dos segurados empregados na rubrica 412 auxilio excepcional, utilizada para atribuir quantia destinada aos empregados que tenham filhos considerados pela empresa excepcionais, não declarados em GFIP; 2.3. BEN BOLSA DE ESTUDO NÃO DECL GFIP. Valores pagos aos segurados empregados a título de bolsa de estudo, em desacordo com o inciso XIX do § 9° do art. 214 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, não declarados em GFIP. Por meio do Projeto de Incentivo à Formação Profissional, a Energisa estabeleceu os critérios de concessão da bolsa de estudo, onde se observa no item l4.2.5 a exigência de não haver sofrido, o empregado, advertência escrita, suspensão ou cinco ou mais faltas não abonadas nos 12 meses imediatamente anteriores à solicitação do benefício, restringindo o acesso à bolsa de estudo. O referido item, inclusive, excedeu o disposto no acordo coletivo em vigor à época, cláusula quadragésima terceira (2003/2004) e cláusula quadragésima segunda (2004/2005), em que previa que a bolsa seria concedida' para os empregados com no máximo 5 (cinco) faltas não abonadas nos 12 meses imediatamente anteriores a sua concessão; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 447 5 2.4. GDN GRATIF DIRETORIA NÃO DECL GFIP. Pró labore pago, na competência 08/2004, ao diretor não empregado Paulo Afonso da Silva Pegado, no valor de R$ 47.224,08, por meio da rubrica 167, denominada gratificação eventual, não declarado em GFIP. Nessa mesma rubrica foram feitos pagamentos a segurados empregados nos meses de 06/04 e 11/04. Ao se constatar que há valores pagos na rubrica 167 em três competências ao longo do ano de 2004 e que a empresa nas competências 12/03 e 12/04 (levantamentos RDN e REN) lançou em sua contabilidade créditos para os administradores e para os empregados, de fomia semelhante a este valor, é razoável concluir pela nãoeventualidade da gratificação, além de que não há lei determinando que dita gratificação não é base de cálculo de contribuição previdenciária; 2.5. GEN GRATIF EMPREGADO NÃO DECL GFIP. Valores pagos aos segurados empregados, em 06/04 e ll/04, utilizandose a rubrica 167, denominada gratificação eventual pela empresa, não declarados em GFIP. Na mesma rubrica foi feito pagamento, em 08/04, ao segurado contribuinte individual (diretor não empregado). Ao se constatar que há valores pagos na rubrica 167 em três competências ao longo do ano de 2004 e que a empresa nas competências 12/03 e 12/04 (levantamentos RDN e REN) lançou em sua contabilidade créditos para os administradores e para os empregados, com valores semelhantes, é razoável concluir pela nãoeventualidade da gratificação, além de que não há lei detenninando que dita gratificação não é base de cálculo de contribuição previdenciária; 2.6. PAN PREMIO APOSENT NÃO DECL GFIP. Remuneração dos segurados empregados apurada na folha de pagamento sob as rubricas 751 indenização e 753 prêmio aposentadoria, não declarada em GFIP. Tratase de um prêmio pago no momento da aposentadoria, em função do longo tempo de serviço dedicado à empresa, ou seja, pelo trabalho desenvolvido com assiduidade, consoante Acordos Coletivos de Trabalho 2003/2004 e 2004/2005; 2.7. RDN REM C IND ADMINIST N DECL GFIP. Remuneração creditada aos contribuintes individuais administradores, na conta contábil 6150411020201 remuneração (grupo despesas admin. central administ.), não declarada em GFIP. 2.8. REN REMUN EMPREGADO NAO DECL GFIP. Remuneração creditada aos segurados empregados, na conta contábil 6150411010101 remuneração (grupo despesas admin. central pessoal), não declarada em GFIP. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 13, é de 12/2003 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 24.09.2008, conforme fls. 01. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A Recorrente apresentou impugnação, conforme Relatório da decisão de primeira instância: 4.1. Inicialmente, insta constar que a Energisa Sergipe é concessionária de distribuição de energia no estado de Sergipe, tendo sempre diligenciado no sentido de bem cumprir as suas obrigações tributárias, em especial para com a Previdência Social. 4.2. Há que se destacar que são considerados indenizatórios todos aqueles valores recebidos como forma de recomposição de um patrimônio jurídico anteriormente existente. 4.3. O item 7 da alínea “e” do §9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, prevê que há situações em que um determinado funcionário pode vir a receber uma quantia desvinculada de sua remuneração, é onde se enquadram as verbas indenizatórias, que obrigatoriamente também constituem um ganho apenas eventual. Assim, a norma vigente não veda o pagamento de verbas indenizatórias, tampouco obriga a inclusão destas no saláriodecontribuição. Colaciona jurisprudência. 4.4. Inclusive, é lícito às partes negociarem, seja através de acordo ou convenção coletiva, ou mesmo em sede de acordo individual judicial o pagamento de verbas indenizatórias, sobre as quais não incidem as contribuições previdenciárias. Colaciona jurisprudência. 4.5. Assim, restará demonstrada a impossibilidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas indenizatórias e eventuais, e, conseqüentemente, ficará definido que a tributação pretendida através do presente AI é completamente indevida. 4.6. O Acordo Coletivo de Trabalho tem o condão de fazer lei entre as partes envolvidas, importando registrar que tanto a empresa quanto os funcionários possuem liberdade de negociação, contudo esta é mitigada pelas garantias asseguradas constitucionalmente e legalmente, além de sofrer o controle com a participação e fiscalização do Ministério do Trabalho, pois o Acordo deve ser registrado em órgão competente. 4.7. No caso em tela, os Acordos que vigerarn no período fiscalizado foram devidamente registrados no Ministério do Trabalho, que dispõe do auxílio institucional do Ministério Público do Trabalho para buscar eventual nulidade de qualquer norma que afronte os interesses públicos ou dos trabalhadores, consoante determina a Lei Complementar n° 75, de 20 de maio de 1993. 4.8. Não pode a empresa descumprir as cláusulas pactuadas no Acordo, sob pena de sofrer as sanções próprias. Destaquese que o caráter normativo do acordo coletivo de trabalho está estampado no art. 611 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Colaciona doutrina. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 448 7 4.9. É inexigível à impugnante que adote qualquer conduta diversa àquela determinada no Acordo Coletivo de Trabalho, não sendo possível que seja autuada por seguir a norma vigente à época. Colaciona jurisprudência. 4.10. Ademais, se a Receita Previdenciária, porventura, ao longo de uma fiscalização encontra norma que acredita ser ilegal ou inconstitucional, primeiramente deve a mesma requerer a sua anulação junto ao Poder Judiciário, na forma do art. 623 da CLT, somente podendo ser considerado nulo pela fiscalização após declaração judicial da nulidade da norma. Colaciona jurisprudência. 4.11. Os abonos concedidos pela impugnante sob as rubricas 31 e 184 (Levantamento ABN) estão previstos nos Acordos Coletivos de Trabalho dos períodos de 2003/2004 (doc. O3) e 2004/2005 (doc. 04), donde se verifica claramente 0 caráter indenizatório dos mesmos. 4.12. Assim, os acordos coletivos de trabalho não só expressamente relatam tal caracteristica do abono, como ainda fazem literal menção acerca da não incidência das contribuições previdenciárias, de sorte que é incontestável a nãoincidência neste caso. Inclusive, o próprio Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) já julgou pela não incidência das contribuições previdenciárias sobre tais abonos. 4.13. Ressaltese _que o Ministério do Trabalho _registrou .os acordos sem fazer ~ qualquer ressalva quanto ao seu conteúdo, assim como não houve qualquer ajuizamento de ação pelo Ministério Público do Trabalho visando a declaração de nulidade de quaisquer das cláusulas ali dispostas. 4.14. Frisese que o abono concedido é linear, tendo o mesmo valor para todos os funcionários independentemente de cargo ou função, o que lhe retira qualquer possibilidade de possuir caráter remuneratório. Embora a autoridade autuante aponte que houve pagamentos em diversos meses do ano, na verdade o abono apenas foi pago única e exclusivamente nas datas compactuadas nos acordos coletivos de trabalho. 4.15. Quanto aos demais pagamentos, encontrados sob a mesma rubrica, tratase em verdade da indenização concedida por mera liberalidade da empresa pela não fruição do abono de faltas, porque, segundo a cláusula décima sexta do acordo coletivo de trabalho, todo funcionário poderá faltar até cinco dias de trabalho ao longo do ano sem que isto implique em descontos em seu salário. Tratase de abono único, pago a todos os funcionários exclusivamente quando da rescisão do contrato de trabalho, sendo claramente indenizatório e eventual, conforme comprova os termos de rescisão anexos (doc. 05). Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 4.16. Referente ao auxílio excepcional (Levantamento AEN), o mesmo serve como uma indenização aos funcionários pelos gastos extraordinários gerados pela condição especial de tratamento contínuo a que necessariamente se submete uma pessoa portadora de necessidades especiais. Tratase de situação semelhante à do auxílio criança, em que se busca indenizar o funcionário do alto custo da despesa do mesmo com a manutenção da creche de seu filho, enquanto este labora. 4.17. Vejase que a quantia não visa remunerar o empregado, até porque não altera a eficácia profissional, e este auxílio em nada se relaciona com a sua produtividade, mas se trata de uma indenização pelo gasto necessário para a manutenção da criança no período de trabalho dos pais. 4.18. Aliás, a Impugnante mantém o auxílio criança. Não é aceitável que a simples mudança da designação do nome do auxílio ou de seu valor faça o agente autuante ter ópticas tão diferentes sobre um auxílio prestado. O auxílio excepcional tem o mesmo propósito do auxílio criança, com a diferença em relação ao valor, em face do incontestável maior custo para a manutenção de um excepcional e o limite de idade, vez que este ao alcançar determinada idade não perde sua condição de excepcional. Sendo que ambos os auxílios são disponibilizados a todos os funcionários da empresa, desde que comprovada a condição de filho. 4.19. Ademais, importa registrar que o auxílio excepcional estava previsto na cláusula sétima dos acordos coletivos de 2003/2004 e 2004/2005. Desta forma, não cabe a incidência das contribuições previdenciária sobre tais valores. Seguem em anexos (doc. 06), por amostragem, os laudos médicos que constituem a comprovação da condição necessária, ter filho excepcional, ao recebimento de tais verbas. Colaciona jurisprudência. 4.20. Quanto às bolsas de estudo (Levantamento BEN), cabe inicialmente destacar que o programa de bolsas de estudos é mantido em razão de Acordo Coletivo de Trabalho e que todo funcionário tem acesso à bolsa, independente de nível ou cargo que ocupa na empresa, sendo 0 funcionário obrigado a demonstrar perante a empresa o efetivo pagamento da mensalidade, o que faz mediante apresentação de boleto autenticado ou recibo emitido pela instituição de ensino, anexados por amostragem (doc. 07). Ou seja, há na verdade o reembolso da despesa com educação e em nada se relaciona com o trabalho desempenhado pelo funcionário junto à empresa ou sua produtividade ou desempenho. 4.21. Tratase, logo, de verba indenizatória, já que se trata de valores que necessariamente jamais chegarão às mãos do funcionário, ficando sempre em poder da instituição de ensino. 4.22. Não faz sentido algum 0 argumento do douto fiscal de que a impugnante teria limitado o alcance do programa ao restringir a participação de funcionários faltosos, porque a própria convenção afirma que o beneficiário não deverá ter mais de 5 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 449 9 (cinco) faltas não abonadas, limite convencionado pelos sindicatos das categorias. Colaciona jurisprudência. 4.23. Quanto à gratificação paga a empregados sob a rubrica 167 (Levantamento GEN), esta efetivamente foi paga, dividida em duas parcelas, efetuadas em junho e novembro de 2004, conforme tabela constante da autuação, contudo os referidos valores têm flagrante natureza indenizatória. 4.24. O Brasil, ao final do ano de 2001, enfrentou a maior crise energética de sua história, conhecida como “apagão”. Um pacote de medidas foi editado pelo governo, sendo uma das principais metas o racionamento do uso de energia elétrica, cuja distribuição constitui a principal atividade comercial da impugnante, acarretando em grande impacto nas contas da mesma. 4.25. Embora o racionamento propriamente dito tenha se restringido a um determinado período, se encerrando em 2002, seus efeitos para a impugnante são sentidos até a presente data. Os projetos arquitetados para os anos seguintes ao “apagão” tiveram de ser revistos e, com isto, restou prejudicado o trabalho elaborado pelos diretores, que tiveram que repensar todas as estratégias e metas para os anos seguintes, provocando uma sobrecarga de trabalho imensa, mas também uma frustração financeira àqueles que esperavam participar do sucesso financeiro que era esperado para aqueles anos de 2001, 2002 e em especial para os seguintes. 4.26. O Conselho Deliberativo da impugnante, reconhecendo que os funcionários de alto escalão, assim como os Diretores, não contribuíram de forma alguma para aquele resultado negativo, muito pelo contrário, restaram prejudicados pela ação da natureza, resolveu indenizálos pelo prejuízo sofrido, arbitrando um abono único a ser pago no anocalendário de 2004, que reparasse, ainda que de forma parcial, o dano provocado pela crise. Em face do grande impacto da crise ainda sofrido pela impugnante ao longo de 2004, o referido abono excepcional foi parcelado em duas vezes, o que não lhe retira a natureza de eventual, já que decorrente de um motivo completamente fortuito. 4.27. Logo, face ao caráter indenizatório dos referidos valores, não há que se falar em incidência das contribuições previdenciárias sobre tais verbas. 4.28. Quanto à indenização por tempo de serviço prêmio aposentadoria (Levantamento PAN), a mesma encontrase prevista na cláusula décima primeira dos Acordos Coletivos de Trabalho, e é concedido a todos os funcionários que se aposentem após dez anos como funcionário da empresa. Trata se, pois, de uma indenização paga uma única vez àquele funcionário que dedicou longo tempo de sua vida profissional à empresa e que por isto, independentemente de quanto vinha produzindo ou de seu nível/cargo na empresa, faz jus ao premio. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 4.29. Não se trata de verba remuneratória, haja vista que paga àquele profissional que após muitos anos de empresa se desligou em face de ter alcançado o direito à aposentadoria. Já está assentado pelo CRPS que se trata de verba de cunho indenizatório, sobre a qual não incide as contribuições previdenciárias. O prêmio aposentadoria visa amenizar o impacto sofrido, em especial no que tange à remuneração, pelo profissional que, assim que alcança o direito de se aposentar, pede a sua saída da empresa, no que se assemelha com os planos de demissão voluntária, os quais o STJ asseverou se tratarem de verbas de natureza indenizatória, não incidindo, portanto, imposto de renda. Seguem em anexos (doc. 08) os comprovantes de aposentadoria dos funcionários que se aposentaram no período fiscalizado e que receberam o referido prêmio. 4.30. Quanto à gratificação paga a diretor sob a rubrica 167 e aos bônus supostamente creditados a diretores não funcionários conta contábil n° 6150411020201 (Levantamentos GDN e RDN), há que se salientar o completo absurdo cometido pelo fiscal autuante ao tomar como base de cálculo o valor contido numa conta contábil, seja qual for a sua denominação, em razão da falta de nexo causal entre a base de cálculo apontada e o fato gerador da contribuição previdenciária, pagamento de salários, cuja base de cálculo é a folha de salários. 4.31. Assim, ainda que se pudesse afirmar que os pagamentos efetuados aos diretores não funcionários constituíssem fatos geradores das contribuições previdenciárias, somente os valores efetivamente pagos poderiam ser apontados como base de cálculo da autuação, mas não um valor de determinada conta contábil. Qualquer valor existente numa conta contábil que sirva de provisão a determinado pagamento, ainda que este seja fato gerador de contribuição previdenciária, não pode ser adotado para cálculo de contribuição previdenciária, pois a provisão não constitui fato gerador da referida contribuição. 4.32. Estabelecida a premissa, há que se destacar que das provisões feitas através das supramencionadas contas, efetivamente foram efetuados alguns pagamentos a determinados diretores não funcionários no período autuado, quais sejam: (...) 4.33. Contudo, também estes pagamentos não podem ser considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias, haja vista não se tratarem de remuneração, mas sim de verbas indenizatórias, porque, em razão do “apagão”, o Conselho Deliberativo da impugnante, reconhecendo que os Diretores não contribuíram de forma alguma para aquele resultado negativo, muito pelo contrário, restaram prejudicados pela ação da natureza, resolveu indenizálos pelo prejuízo sofrido, determinando um abono único, que reparasse, ainda que de forma parcial, o dano provocado pela crise. Em face do grande impacto da crise ainda sofrido pela impugnante ao longo de 2004, foi determinado o pagamento do abono em 3 parcelas, o que não lhe retira a natureza de eventual, já que decorrente de um motivo completamente fortuito. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 450 11 4.34. Logo, face ao caráter indenizatório dos referidos valores não há que se falar em incidência das contribuições previdenciárias. 4.35. Quanto ao bônus supostamente creditados a funcionários conta contábil n° 6150411010101 (Levantamento REN), tratase do mesmo tema tratado no tópico sobre o Levantamento RDN, contudo em relação aos funcionários de alto escalão. 4.36. O douto fiscal autuante aponta como tributável suposta quantia de R$ 46.195,14, classificada como participações 2004 empregados, a qual constituiu tãosomente uma provisão feita em 31/12/2004, mas que não foi paga no período autuado. Destarte, em relação a tal valor, não há o que se discutir, pois nem sequer ocorreu fato gerador em dezembro de 2004 que pudesse acarretar a incidência de contribuição previdenciária. 4.37. Dos valores aludidos apenas ocorreram os pagamentos efetuados em favor do funcionário Rodrigo Ulrich de Oliveira nos valores de R$ 1.700,00, nos meses de janeiro, fevereiro, abril e maio de 2004, e de R$ 30.000,00 no mês de agosto de 2004. 4.38. Contudo, estes pagamentos decorreram por decisão do Conselho Deliberativo da empresa no sentido de indenizar o funcionário frustrado com os resultados negativos enfrentados em razão do “apagão”, embora não tivesse contribuído de forma alguma para que os mesmos ocorressem, sendo, a única forma encontrada pela empresa de amenizar a situação de tal funcionário, o pagamento de determinada indenização. 4.39. Logo, face ao caráter indenizatório dos referidos valores não há que se falar em incidência das contribuições previdenciárias. Ainda, em virtude dos problemas enfrentados, os referidos valores foram parcelados, contudo, isto não retira o caráter indenizatório destas verbas. 4.40. Isto posto, requer seja declarada a improcedência da autuação in totum, uma vez que restou mais que demonstrada a impossibilidade de se tributar com a contribuição previdenciária os valores gastos com abonos únicos previstos em acordo coletivo, auxílio excepcional, bolsas de estudo, indenizações a funcionários e diretores, prêmio aposentadoria, assim como é completamente incabível a tributação por contribuições previdenciárias de uma provisão contábil, devendo, se for 0 caso, ser comprovado tal fato em diligência a ser designada pelo órgão julgador, e determinando o arquivamento do auto. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO:: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004 Ementa: ABONOS. GANHOS EVENTUAIS. Não integram o saláriodecontribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por forçadelei As parcelas referidas no § 9° do art. 214 do RPS, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. BOLSA DE ESTUDO. Integra o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n9 9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, quando houver restrição ao acesso do plano educacional. AUXÍLIO EXCEPCIONAL. PRÊMIO APOSENTADORIA. O art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212, de 1991, e 0 art. 214, §9°, do RPS são taxativos acerca dos valores que não integram o saláriodecontribuição. Se a Lei Orgânica da Seguridade Social não exclui o pagamento de determinada parcela remuneratória, esta não deve ser excluída da base de cálculo da contribuição REMUNERAÇÃO CREDITADA. Considerase creditada a remuneração na competência em que a empresa contratante for obrigada a reconhecer contabilmente a despesa ou o dispêndio ou, no caso de equiparado ou empresa legalmente dispensada da escrituração contábil regular, na data da emissão do documento comprobatório da prestação de serviços. Lançamento Procedente Acordam os membros da 6” Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do voto e sua fundamentação. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, na forma dos arts. 25, II, e 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 451 13 Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância e reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Dos abonos pagos código de levantamento ABN rubricas 31 e 184 Pois bem, o ato que expressa o quanto decidido por estas partes é o Acordo Coletivo de Trabalho, o qual tem o condão de fazer lei entre as partes envolvidas. Neste sentido, importa registrar que tanto a empresa quanto os funcionários possuem liberdade de negociação, contudo, esta é mitigada pelas garantias asseguradas constitucionalmente e legalmente (leis infraconstitucionais). Assim, são irrenunciáveis e, por conseqüência, inegociáveis, a título de exemplificação, os direitos fundiários, o limite da jornada máxima de trabalho, o| direito.ao gozo de férias, as garantias previdenciárias, o salário mínimo, etc Além das garantias legais, o Acordo Coletivo de Trabalho sofre um segundo controle, este bem mais rígido e próximo, é a participação e fiscalização do Ministério do Trabalho. (...) Pois bem, os abonos concedidos pela ora Recorrente 'sob as rubricas 31 e 184 estão previstos nos acordos coletivos de trabalhos dos períodos de 2003/2004 e 2004/2005 juntados ã Impugnação, donde. se verifica claramente o caráter indenizatório dos mesmos. CLÁUSULA TERCEIRA (ABONO) A EMPRESA concederá um ABONO de R$400,00 (quatrocentos A reais), a ser pago no mês de dezembro/2003. PARÁGRAFO PRIMEIRO O presente abono somente será concedido aos empregados com vínculo empregatício com a EMPRESA em 1 ° de novembro de 2003.. PARÁGRAFO SEGUNDO Em função, da natureza e condição em que o presente abono é concedido, a título indenizatório, não compara o mesmo a remuneração do empregado, não tendo,| portanto, nenhuma natureza salarial. Conseqüentemente, não será, também, base de cálculo ou fato gerador 1de contribuição previdenciária, fundiária (FGTS) e assemelhadas.” (grifo do original) Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 2004 / 2005 CLÁUSULA TERCEIRA (ABONO) A EMPRESA concederá um ABONO de R$500,00 (quinhentos reais), a ser p'ago da seguinte forma: > R$400,00 (quatrocentos reais) junto à folha de pagamento de dezembro; de 2004, em 30/12/2004; > R$100,00 (cem reais); junto ã folha de pagamento de julho de 2005, em 29/ 07/2005. PARÁGRAFO PRIMEIRO O presente abono somente será concedido aos empregados com vínculo empregatício com a EMPRESA em 1° de novembro de 2004, inclusive àqueles que se encontram, nesta data, em gozo de auxílio doença. l PARÁGRAFO SEGUNDO Em função da natureza e condição em que o presente abono é concedido, a título indenizatório, não comporá o mesmo a remuneração do empregado, não tendo,` portanto, nenhuma natureza salarial. Conseqüentemente, não será, também, base de cálculo ou fato gerador de contribuição previdenciária, fundiária (FGTS) e assemelhadas.” (grifo do original) (...) Assim, os acordos coletivos de trabalho não. só expressamente relatam tal característica do abono, como ainda fazem literal menção acerca da não incidência das contribuições previdenciárias, de sorte que ê incontestável a nãoincidência neste caso." Ainda, frisese que o abono concedido é linear, tendo o mesmo valor fixo para todos os funcionários independentemente de cargo ou função, o que lhe retira completamente qualquer possibilidade de possuir caráter remuneratório. Por fim, ressaltese que embora a autoridade autuante aponte que houveram pagamentos em diversos meses do ano, na verdade o abono apenas foi pago única e exclusivamente nas datas compactuadas nos acordos coletivos de trabalho. . Quanto aos demais pagamentos encontrados sob a mesma rubrica, tratamse em verdade indenização concedida por mera liberalidade da empresa pela não fruição do abono de faltas. Isto porque, segundo a cláusula décima sexta do acordo coletivo de trabalho, com redação logo baixo transcrita, todo funcionário poderá faltar até cinco dias de trabalho ao longo do ano sem que isto implique em descontos em seu salário. CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA (ABONO DE FALTA) Os empregados poderão faltar ao trabalho até cinco dias ' durante o período de um ano calendário, sendo que as faltas não poderão ser em dois (dois) ou mais dias contínuos, exceto por motivo de força maior, devidamente comprovado. Da mesma forma, as faltas não poderão recair em dia útil anterior ou posterior a feriado, exceto se previamente combinado com a chefia. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 452 15 PARÁGRAFO ÚNICO ~ O não uso desse direito, , parcial ou totalmente, não implicará em crédito para . o empregado, não podendo ser gozado em anos seguintes nem pago em pecúnia. Assim, embora a ora Recorrente não tivesse obrigação legal de indenizar o saldo de dias não faltados pelo funcionário, quando de sua rescisão de contrato ela o faz por mera liberalidade, sendo, portanto, uma indenização pelos dias trabalhados quando não precisariam ter sido.: Tratase de abono único, pago a todos os funcionários exclusivamente quando da rescisão do contrato de trabalho, sendo claramente indenizatório e eventual, conforme comprova os termos de rescisão anexados ã Impugnação. Deste modo, fica claro que os abonos pagos sob as rubricas 31 e 184, tanto em relação aos estabelecidos nos Acordos Coletivos, como aqueles de mera liberalidade, por conta de indenizar dias não abonados por falta, não devem servir de base de cálculo para cobrança de contribuição previdenciária. (ii) Do auxílio excepcional Código de Levantamento:AEN A indenização em tela não retira nem repara a dor de um pai ou uma mãe ao ver as dificuldades enfrentadas pelo filho excepcional, mas certamente serve como uma indenização aos funcionários pelos gastos extraordinários gerados pela condição especial de tratamento contínuo a que necessariamente se submete uma pessoa portadora de necessidades especiais. Tratase, Nobres Julgadores, de situação semelhante à do auxilio criança, também denominado de .auxílio creche, em que se busca indenizar os funcionários do alto custo da despesa do mesmo com a manutenção da creche de seu filho, enquanto este labora. (...) O auxílio excepcional tem o mesmo propósito do auxílio criança, com a diferença em 'relação ao valor, em face do incontestável maior custo .para a manutenção de um excepcional e o limite de idade, vez que este ao alcançar determinada idade não perde sua condição de excepcional. (...) Ademais, importa registrar quel o auxílio excepcional estava previsto na cláusula sétima dos acordos coletivos de 2003/2004 e_ 2004/2005, os quais foram devidamente registrados junto ao Ministério Público do Trabalho šque não se opôs ã referida cláusula, que tem a seguinte redação: CLÁUSULA SÉTIMA (AUXÍLIO EXCEPCIONAL) Fl. 488DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 A EMPRESA concederá aos empregados que tenham filhos “excepcionais” um auxílio para tratamento específico no valor mensal de R$470,00 (quatrocentos e setenta reais), por filho. PARÁGRAFO PRIMEIRO Para fins de concessão do presente beneficio, a característica de “excepcional” será determinada por médico especialista designado pela EMPRESA, através da CAPIGE. PARÁGRAFO SEGUNDO Em função da natureza e condição em que o presente beneficio é concedido, não comporá o mesmo, a remuneração do empregado, não tendo, portanto, nenhuma natureza salarial. Conseqüentemente, não será, também, base, de cálculo ou fato gerador de contribuição previdenciária, fundiária, (FGTS) e assemelhadas. (iii) Bolsas de Estudo Código de Levantamento BEN E ainda por outro lado, na mesma esteira do quanto destacado já anteriormente, cabe ainda relembrar que o programa de bolsas de estudos da ora Recorrente é mantido em razão de Acordo Coletivo de Trabalho que expressamente dispõe: CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA TERCEIRA (Bolsa de Estudos) A EMPRESA manterá a concessão, aos seus empregados, de BOLSA DE ESTUDOS, mediante as seguintes condições cumulativas: 1. o valor da bolsa será a mensalidade escolar, excluindose quaisquer outros tipos de taxas cobradas pelas escolas, conforme abaixo: > 100% para os cursos de alfabetização e 1 ° grau; > 75 %paraocursode2 °grau; >50% para curso de nível superior . 2. a bolsa se destina, exclusivamente, ao custeio dos estudos dos empregados ativos da EMPRESA, não podendo ser estendida aos seus dependentes em nenhuma hipótese; 3. a bolsa será concedida somente para cursos do currículo escolar e até o curso superior, inclusive supletivo de 1 ° e 2° grau, com exclusão de mestrados e doutorados. Os cursos ide pósgraduação “latu sensu” (oferecidos nos termos da resolução N° 12/83 do Conselho Federal de Educação) e cursos técnicos de extensão, estarão abrangidos por essa cláusula; 4. a bolsa somente será concedida para a realização de cursos que tenham aplicabilidade direta nas atividades que o empregado desempenha na empresa; e a bolsa será concedida somente para empregados com mais de 3 (três) meses de tempo de serviço na EMPRESA; Fl. 489DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 453 17 6.a bolsa será concedida para os empregados com no máximo 5 (cinco) faltas não abonadas nos 12 meses imediatamente anteriores a sua concessão; 7. no caso de reprovação que implique em repetição do período (ano ou semestre letivo), o beneficio será imediatamente cancelado. 8.a bolsa será concedida para a realização de no máximo 2 (dois) cursos, simultâneos ou não. PARÁGRAFO PRIMEIRO A concessão do presente beneficio, com a conseqüente diplomação do empregado não implicará em compromisso da EMPRESA em promoção ou reclassificação do empregado habilitado. PARÁGRAFO SEGUNDO A concessão do presente beneficio estará, ainda, sujeita às normas de procedimento expedidas pela EMPRESA. ' PARÁGRAFO TERCEIRO Em função da natureza e condição em que o presente beneficio é concedido, não comporta, o mesmo, a remuneração do empregado, não tendo, portanto, nenhuma natureza salarial. Conseqüentemente, não: será, também, base de cálculo ou fato gerador de contribuição previdenciária, fundiária (FGTS) e assemelhadas. (grifos do original) Visto isto, importa salientar de imediato que todo e qualquer funcionário da ora Recorrente tem acesso à bolsa de Estudo, independente de nível ou cargo que ocupa na empresa. Ainda, para o efetivo recebimento do auxílio bolsa de estudo, 0 funcionário é obrigado a demonstrar perante a empresa o efetivo pagamento da mensalidade, o que faz mediante apresentação de boleto autenticado ou recibo emitido pela institui ão de ensino. . Ou seja, Nobres Julgadores, o que há na verdade é o reembolso da despesa com educação, frise:se, que em nada se relaciona com o trabalho desempenhado pelo funcionário junto ã empresa ou sua produtividade e desempenho. (iv) Gratificação paga a Diretor código de levantamento: GDN (v) Gratificação paga a empregados código de levantamento: GEN Fl. 490DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 (vi) Indenização por tempo de serviço prêmio aposentadoria código de levantamento: PAN A indenização por tempo de serviço encontrase devidamente prevista na cláusula décima primeira dos acordos coletivos de trabalho firmado entre a ora Recorrente e o sindicados representante de seus funcionários. Vejamos o teor da clausula que o instituiu: CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA (INDENIZAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO) A EMPRESA concederá; ao empregado que se aposentar por tempo de serviço, por invalidez ou por doença, um prêmio' a ser pago na rescisão do seu contrato de trabalho, mediante as condições abaixo relacionadas: 1. o valor do prêmio ,será igual a 10 (dez) vezes a remuneração mensal do empregado, a qual, para fins exclusivos dessa cláusula, compreende as seguintes verbas: Saláriobase, Incorporação da Participação nos Lucros, Anuênio, Periculosidade, Insalubridade, Horasextras (desde que com seis meses ininterruptos) e Gratificação de Função (desde que com vinte e quatro meses ininterruptos); 2. o prêmio somente será concedido ao empregado que tenha, no mínimo, 10 (dez) anos de tempo de serviço na empresa, dos quais não poderá terse afastado do serviço, por qualquer motivo, por mais de 6 (seis) meses, ininterruptos ou não, prazo de afastamento esse que não se aplica àqueles que tenhamse afastado por acidente do trabalho; 3. no caso de Aposentadoria por Tempo de Serviço o prêmio somente será concedido àqueles que protocolarem o seu pedido de aposentadoria no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) até no máximo 30 (trinta) dias após .adquirirem o (direito de se aposentar aposentadoria ' integra( (inclusive aposentadoria especial), direito esse que decorre, exclusivamente, da aplicação sumária da legislação previdenciária em vigor; 4. no caso de Aposentadoria por Invalidez ou por Doença, o prêmio somente 'será concedido àqueles que protocolarem o seu pedido de aposentadoria no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS)'até no máximo 2 (dois) anos após a data inicial de afastamento do trabalho que originou a aposentadoria ou, então, até a data em que for considerado incapaz pelo INSS, aplicando se o que 'ocorrer primeiro; 5. deferido o pedido de aposentadoria pelo INSS, o empregado. deve, imediatamente, no prazo de até 5 (cinco) dias contados partindo referido deferimento, solicitar à empresa o 'seu desligamento, que se dará através do competente Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, devidamente homologado pelo SINDICATO, sem o que não fará jus ao presente benefício; _ 6. nos casos de aposentadoria por invalidez ou doença Fl. 491DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 454 19 concedidas pelo INSS de forma provisória, e' sujeitas a revisão, o empregado receberá o referido prêmio, a título de adiantamento, através de Termo de Ajuste a ser homologado. pelo. SINDICATO, dando o empregado ã EMPRESA, nesse ato, plena, geral e irrevogável quitação, para nada mais pleiteai ou reclamar no que diz respeito a esse benefício, judicial ou extra judicialmente, a qualquer tempo, caso a aposentadoria provisória venha a ser transformada em definitiva, assim como, obrigase o empregado a devolver ã EMPRESA o adiantamento concedido, .corrigido ¡ na forma da lei, caso a aposentadoria provisória venha a ser revogada pelo INSS. PARÁGRAFO PRIMEIRO Nos casos de aposentadoria por invalidez ou' doença, o prêmio somente será devido aos empregados que vierem a se afastar do trabalho a » partir desta data, respeitadas as condições estabelecidas no caput desta cláusula seus demais itens, ou àqueles que, muito embora já se encontrem afastados do trabalho, ainda não obtiveram o deferimento de sua aposentadoria junto ao INSS, de forma provisória ou definitiva, excluindose portanto, aqueles que já se encontram aposentados' pelo INSS, de forma provisória' ou definitiva, independentemente da efetivação das rescisões dos seus contratos de trabalho. PARÁGRAFO SEGUNDO Os empregados que aderirem a Programa de Desligamento Voluntário (PDV), porventura instituído pela EMPRESA a qualquer época, não terão direito ao beneficio de que trata o caput dessa Cláusula. ¡ PARÁGRAFO TERCEIRO _ Após os prazos estabelecidos nos parágrafos anteriores, o empregado não mais terá direito ao supracitado prêmio. Pois bem, como estabelecido; na regra supra, o premio aposentadoria é concedido a todos os funcionários que se aposentem após 'dez anos como funcionário da empresa'. Tratase, pois, de uma indenização paga, uma única vez, àquele funcionário que dedicou longo tempo de sua vida profissional à empresa e_ que por isto, independentemente de' quanto vinha produzindo ou de seu nível/cargo na empresa, faz jus ao prêmio. Não se trata, nem mesmo 'se poderia cogitar, de verba remuneratória, haja vista que 'é paga àquele profissional que após muitos anos. de «empresa se desligou em face de ter alcançado o direito á aposentadoria.. (vii) Bônus supostamente creditados a diretores não funcionários código de levantamento: RDN Fl. 492DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 (viii) Bônus supostamente creditados a funcionários código de levantamento: REN Observase, às fls. 398 a 400, a Recorrente aderiu ao parcelamento especial, constante da Lei 11.941/2009, de forma a desistir dos Recursos relativos aos Códigos de Levantamento: GDN, GEN, RDN e REN: Ante o exposto, para efeito do que dispõe a Lei n.° 11.941 /O9 e em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN / RFB n.° 6/09, vem a ora Requerente, requerer a DESISTÊNCIA PARCIAL, de forma irrevogável, do Recurso Voluntário interposto no presente processo, bem como cumulativamente, RENUNCIAR a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o referido recurso EXCLUSIVAMENTE em relação aos débitos apontados como GDN, GEN, RDN e REN, permanecendo a discussão em relação aos demais itens. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 455 21 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Inconstitucionalidades Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 494DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – ENERGISA SERGIPE DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A. contra Acórdão nº 1518.353 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.157.8370. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa contribuições dá empresa, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme inciso I, alínea c do inciso II e inciso III, do art. 22, da Lei n° 8.212/91. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.013.6250 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos Fl. 495DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 456 23 fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte b. DD Discriminativo do Débito c. RDA Relatório de Documentos Apresentados d. RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados e. DAL Diferença de Acréscimos Legais f. FLD Fundamentos Legais do Débito g. VINCULOS Relatório de Vínculos h. REFISC Relatório Fiscal Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva Fl. 496DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. DO MÉRITO. Observase, conforme fls. 398 a 400, que a Recorrente aderiu ao parcelamento especial, constante da Lei 11.941/2009, de forma a desistir dos Recursos relativos aos Códigos de Levantamento: GDN, GEN, RDN e REN: Ante o exposto, para efeito do que dispõe a Lei n.° 11.941 /O9 e em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN / RFB n.° 6/09, vem a ora Requerente, requerer a DESISTÊNCIA PARCIAL, de forma irrevogável, do Recurso Voluntário interposto no presente processo, bem como cumulativamente, RENUNCIAR a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o referido recurso EXCLUSIVAMENTE em Fl. 497DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 457 25 relação aos débitos apontados como GDN, GEN, RDN e REN, permanecendo a discussão em relação aos demais itens. Portanto, restam a serem discutidos os Códigos de Levantamento: ABN; AEN; BEN; e PAN. Analisemos então esses Códigos de levantamento que não foram incluídos na desistência parcial da Recorrente. (i) Dos abonos pagos código de levantamento ABN rubricas 31 e 184 Analisemos. Observase que foi julgado por esta Colenda 3a.Turma Ordinária de Julgamento, na Sessão de dezembro/2014, o processo administrativo no. 10510.004754/2008 06, AIOP no. 37.157.8388 (parte Segurados), Acórdão 2403002.847, na qual se decidiu por maioria de votos dar provimento ao Recurso Voluntário, nesta mesma matéria, do Recorrente ENERGISA SERGIPE DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A. Feita tal observação, analisemos essa questão dos ABONOS. As importâncias pagas à título de abonos, expressamente desvinculados do salário, segundo o disposto no artigo 28, §9, “e”, 7, Lei 8.212/1991, não integram o saláriode contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) As importâncias: 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; No caso concreto, a Fiscalização descaracterizou as importâncias pagas a título de Abono porque considerou que não teriam ocorrido de maneira eventual, conforme fls. 36 do Relatório Fiscal: 2.1.1. Constatouse a título de abono pagamentos lançados nas folhas de 12/2003, O3/2004, 05/2004, 06/2004, 09/2004, 11/2004 e 12/2004.' O que evidencia a não eventualidade do abono. Por outro lado, o Recorrente aduz que tais importâncias pagas se referem a dois tipos de Abono. O primeiro tipo de Abono se refere aos pagamentos feitos conforme os Acordos Coletivos de Trabalho dos períodos 2003/2004 e 2004/2005. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 O primeiro Acordo Coletivo referente ao período 2003/2004, juntado aos autos pelo Recorrente às fls. 149 a 150, prevê o pagamento no mês 11/2003: CLÁUSULA TERCEIRA (ABONO) A EMPRESA concederá um ABONO de R$400,00 (quatrocentos A reais), a ser pago no mês de dezembro/2003. PARÁGRAFO PRIMEIRO O presente abono somente será concedido aos empregados com vínculo empregatício com a EMPRESA em 1 ° de novembro de 2003.. PARÁGRAFO SEGUNDO Em função, da natureza e condição em que o presente abono é concedido, a título indenizatório, não compara o mesmo a remuneração do empregado, não tendo,| portanto, nenhuma natureza salarial. Conseqüentemente, não será, também, base de cálculo ou fato gerador 1de contribuição previdenciária, fundiária (FGTS) e assemelhadas.” (grifo do original) Enquanto que o segundo Acordo Coletivo referente ao período 2004/2005, juntado aos autos pelo Recorrente às fls. 168 a 169, prevê o pagamento do Abono único no valor de R$ 500,00 em duas parcelas distintas em 30/12/2004 e em 29/07/2005: 2004 / 2005 CLÁUSULA TERCEIRA (ABONO) A EMPRESA concederá um ABONO de R$500,00 (quinhentos reais), a ser p'ago da seguinte forma: > R$400,00 (quatrocentos reais) junto à folha de pagamento de dezembro; de 2004, em 30/12/2004; > R$100,00 (cem reais); junto ã folha de pagamento de julho de 2005, em 29/ 07/2005. PARÁGRAFO PRIMEIRO O presente abono somente será concedido aos empregados com vínculo empregatício com a EMPRESA em 1° de novembro de 2004, inclusive àqueles que se encontram, nesta data, em gozo de auxílio doença. l PARÁGRAFO SEGUNDO Em função da natureza e condição em que o presente abono é concedido, a título indenizatório, não comporá o mesmo a remuneração do empregado, não tendo,` portanto, nenhuma natureza salarial. Conseqüentemente, não será, também, base de cálculo ou fato gerador de contribuição previdenciária, fundiária (FGTS) e assemelhadas.” (grifo do original) Portanto, para estes pagamentos feitos a título de Abono, considero que estão expressamente desvinculados do salário, na interpretação do disposto no artigo 28, §9, “e”, 7, Lei 8.212/1991, de forma a não integrarem o saláriodecontribuição. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 458 27 Por outro lado, o segundo tipo de Abono se refere à indenizações concedidas pela empresa pela não fruição do Abono de faltas, sendo então pagas quando da rescisão do contrato de trabalho. Observase que o denominado Abono de Faltas está previsto no primeiro Acordo Coletivo referente ao período 2003/2004, juntado aos autos pelo Recorrente às fls. 156, e no segundo Acordo Coletivo referente ao período 2004/2005, juntado aos autos pelo Recorrente às fls. 175: CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA (ABONO DE FALTA) Os empregados poderão faltar ao trabalho até cinco dias ' durante o período de um ano calendário, sendo que as faltas não poderão ser em dois (dois) ou mais dias contínuos, exceto por motivo de força maior, devidamente comprovado. Da mesma forma, as faltas não poderão recair em dia útil anterior ou posterior a feriado, exceto se previamente combinado com a chefia. PARÁGRAFO ÚNICO ~ O não uso desse direito, , parcial ou totalmente, não implicará em crédito para . o empregado, não podendo ser gozado em anos seguintes nem pago em pecúnia. Ora, entendo que a empresa age por mera liberalidade ao efetuar o pagamento único a título de Abono, quando da rescisão do contrato de trabalho, pela não fruição do abono de faltas por parte do empregado. Portanto, para estes pagamentos feitos, na rescisão do contrato de trabalho, a título de Abono pela não fruição do Abono de faltas, considero que estão expressamente desvinculados do salário, na interpretação do disposto no artigo 28, §9, “e”, 7, Lei 8.212/1991, de forma a não integrarem o saláriodecontribuição. Inclusive, na hipótese desses dois tipos de Abono listados acima, exsurge a aplicação do Ato Declaratório PGFN 16/2011, de 20/12/2011: ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011A PROCURADORiA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5ºdo Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Diante do exposto, prospera a argumentação do Recorrente para se afastar a tributação incidente nos valores pagos pela empresa a título de abono, código de levantamento ABN. (ii) Do auxílio excepcional Código de Levantamento:AEN Analisemos. Segundo o Relatório Fiscal, às fls. 37, o Código de Levantamento AEN abrange os valores integrantes da folha de pagamento dos segurados empregados na rubrica 412 auxílio excepcional, a qual foi utilizada para atribuir quantia destinada aos empregados que tenham filhos considerados pela empresa excepcionais. A Recorrente argumenta que tal pagamento a título de auxílio excepcional está previsto nos Acordos Coletivos 2003/2004 e 2004/2005 na Cláusula sétima, de modo a que deveria ter sido afastada a tributação: Ademais, importa registrar que o auxílio excepcional estava previsto na cláusula sétima dos acordos coletivos de 2003/2004 e_ 2004/2005, os quais foram devidamente registrados junto ao Ministério Público do Trabalho que não se opôs à referida cláusula, que tem a seguinte redação: CLÁUSULA SÉTIMA (AUXÍLIO EXCEPCIONAL) A EMPRESA concederá aos empregados que tenham filhos “excepcionais” um auxílio para tratamento específico no valor mensal de R$470,00 (quatrocentos e setenta reais), por filho. PARÁGRAFO PRIMEIRO Para fins de concessão do presente beneficio, a característica de “excepcional” será determinada por médico especialista designado pela EMPRESA, através da CAPIGE. PARÁGRAFO SEGUNDO Em função da natureza e condição em que o presente beneficio é concedido, não comporá o mesmo, a remuneração do empregado, não tendo, portanto, nenhuma natureza salarial. Conseqüentemente, não será, também, base, de cálculo ou fato gerador de contribuição previdenciária, fundiária, (FGTS) e assemelhadas. Ora, para efeitos de tributação incidente sobre tal hipótese de auxílio excepcional, devese verificar o disposto na Lei 8.212/1991 ou ainda no Decreto 3.048/1999. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 459 29 Observase que o art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, e o art. 214, §9°, do Decreto 3.048/1999 são taxativos acerca dos valores que não integram o saláriode contribuição, de forma a não se excluir da incidência de contribuição social previdenciária as importâncias pagas a título de auxílio excepcional: Lei 8.212/1991 Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Decreto 3.049/1999 Art.214. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente para se afastar a tributação incidente nos valores pagos pela empresa a título de auxílio excepcional, código de levantamento AEN, por falta de amparo legal. (iii) Bolsas de Estudo Código de Levantamento BEN Analisemos. A Recorrente aduz que o programa de bolsas de estudos é mantido em razão de Acordo Coletivo de Trabalho no qual todo e qualquer funcionário tem acesso à bolsa de Estudo, independente de nível ou cargo que ocupa na empresa: CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA TERCEIRA (Bolsa de Estudos) A EMPRESA manterá a concessão, aos seus empregados, de BOLSA DE ESTUDOS, mediante as seguintes condições cumulativas: 1. o valor da bolsa será a mensalidade escolar, excluindose quaisquer outros tipos de taxas cobradas pelas escolas, conforme abaixo: > 100% para os cursos de alfabetização e 1 ° grau; > 75 % para o curso de 2 °grau; >50% para curso de nível superior . Fl. 502DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 2. a bolsa se destina, exclusivamente, ao custeio dos estudos dos empregados ativos da EMPRESA, não podendo ser estendida aos seus dependentes em nenhuma hipótese; 3. a bolsa será concedida somente para cursos do currículo escolar e até o curso superior, inclusive supletivo de 1 ° e 2° grau, com exclusão de mestrados e doutorados. Os cursos ide pósgraduação “latu sensu” (oferecidos nos termos da resolução N° 12/83 do Conselho Federal de Educação) e cursos técnicos de extensão, estarão abrangidos por essa cláusula; 4. a bolsa somente será concedida para a realização de cursos que tenham aplicabilidade direta nas atividades que o empregado desempenha na empresa; e a bolsa será concedida somente para empregados com mais de 3 (três) meses de tempo de serviço na EMPRESA; 6.a bolsa será concedida para os empregados com no máximo 5 (cinco) faltas não abonadas nos 12 meses imediatamente anteriores a sua concessão; 7. no caso de reprovação que implique em repetição do período (ano ou semestre letivo), o beneficio será imediatamente cancelado. 8.a bolsa será concedida para a realização de no máximo 2 (dois) cursos, simultâneos ou não. PARÁGRAFO PRIMEIRO A concessão do presente beneficio, com a conseqüente diplomação do empregado não implicará em compromisso da EMPRESA em promoção ou reclassificação do empregado habilitado. PARÁGRAFO SEGUNDO A concessão do presente beneficio estará, ainda, sujeita às normas de procedimento expedidas pela EMPRESA. ' PARÁGRAFO TERCEIRO Em função da natureza e condição em que o presente beneficio é concedido, não comporta, o mesmo, a remuneração do empregado, não tendo, portanto, nenhuma natureza salarial. Conseqüentemente, não: será, também, base de cálculo ou fato gerador de contribuição previdenciária, fundiária (FGTS) e assemelhadas. (grifos do original) Outrossim, a Fiscalização considerou que os critérios estabelecidos pela empresa para o acesso à bolsa de estudos eram restritos. Neste sentido, entendeu a Fiscalização que a empresa estabeleceu os critérios de concessão da bolsa de estudo, pois se observa, no item l4.2.5 do Projeto de Incentivo à Formação Profissional, a exigência de não haver sofrido, o empregado, advertência escrita, suspensão ou cinco ou mais faltas não abonadas nos 12 meses imediatamente anteriores à solicitação do benefício, restringindo o acesso à bolsa de estudo. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 460 31 Ou seja, a Fiscalização entendeu estarem os valores pagos aos segurados empregados a título de bolsa de estudo, em desacordo com o inciso XIX, do § 9°, do art. 214, do Decreto 3.048/1999: Decreto 3.048/1999 Art.214. Entendese por saláriode contribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: XIX o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Em que pese o posicionamento da Fiscalização, temse que a redação do art. 28, § 9º, t, da Lei 8.212/1991 foi alterado pela Lei 12.513/2011, de forma a não constar mais a expressão de amplo acesso de empregados e dirigentes: Lei 8.212/1991 Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior;(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Então, aplicase aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, na qual não mais subsiste o fundamento da autuação em função da restrição imposta pela empresa ao amplo acesso a todos os empregados às bolsas de estudo. Diante do exposto, prospera a argumentação do Recorrente para se afastar a tributação incidente nos valores pagos pela empresa a título de bolsa de estudos, código de levantamento BEN. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 (vi) Indenização por tempo de serviço prêmio aposentadoria código de levantamento: PAN Analisemos. A Recorrente argumenta que a indenização por tempo de serviço encontrase devidamente prevista na cláusula décima primeira dos acordos coletivos de trabalho firmado entre a ora Recorrente e o sindicados representante de seus funcionários, sendo paga uma única vez a todos os funcionários que se aposentem após dez anos como funcionário da empresa. Por outro lado, a Fiscalização considerou o prêmio por aposentadoria como parcela integrante do salário de contribuição por ser em função do longo tempo de serviço dedicado à empresa, ou seja, pelo trabalho desenvolvido com assiduidade. Outrossim, não obstante o posicionamento da Fiscalização, considero que o prêmio concedido a todos os funcionários que se aposentem com no mínimo dez anos como funcionários da empresa, tratandose, então, de ganho eventual de caráter claramente indenizatório, desvinculado do salário, sendo efetuado uma única vez, atraindo o disposto no art. 28, § 9º, e, 7, primeira parte, da Lei 8.212/1991: Lei 8.212/1991 Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) e) as importâncias:(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Diante do exposto, prospera a argumentação do Recorrente para se afastar a tributação incidente nos valores pagos pela empresa a título de prêmio aposentadoria, código de levantamento PAN. DA MULTA DE MORA Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia Fl. 505DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 461 33 conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 34 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ABN ABONO NÃO DECL GFIP; (ii) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento BEN BOLSA DE ESTUDO NÃO DECL GFIP; (iii) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento PAN PREMIO APOSENT NÃO DECL GFIP; (iv) determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 462 35 Voto Vencedor Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Redator Designado DO AUXÍLIO EDUCAÇÃO PARA FILHOS EXCEPCIONAIS OU ESPECIAIS Embora respeitando o posicionamento do i. Relator, cumpre divergir pelas razões que exponho. Para formar sua convicção , na condução do voto o i. Relator se apóia nos fundamentos legais conforme o abaixo transcrito: "Observase que o art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, e o art. 214, §9°, do Decreto 3.048/1999 são taxativos acerca dos valores que não integram o saláriodecontribuição, de forma a não se excluir da incidência de contribuição social previdenciária as importâncias pagas a título de auxílio excepcional: Lei 8.212/1991 Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Decreto 3.049/1999 Art.214. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente para se afastar a tributação incidente nos valores pagos pela empresa a título de auxílio excepcional, código de levantamento AEN, por falta de amparo legal." De plano faço destacar que os valores pagos não se tratam de remuneração de fato gerador de atividade laborativa dos empregados, mas sim auxílio pelo o mal que aflige os filhos destes e que os mesmos seguramente não gostariam de ter recebido tal auxilio bem como também não almejam tais verbas os demais empregados do contribuinte não contemplados. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 36 DA RETRIBUIÇÃO DO TRABALHO Na forma da redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999, o inc. I do art. 22 da Lei nº 8.212/91 determina que a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. " I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. ( Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999) " A mesma exegese se observa no caput do citado art 28 exortado pelo i. Relator: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa." Embora o rol descrito no art. 28 seja taxativo, o mesmo artigo determina que a tributação incida sobre valores destinados a retribuição do trabalho. Assim, não resta claro como semelhante verba possa ser tributada à luz dos comandos dos arts. 22, I e 28, I, da Lei n° 8.212/91. DA JURISPRUDÊNCIA. Busca por jurisprudência me faz folgar saber que não estou solitário neste convencimento. Recentes decisões no judiciário formam entendimento de que o auxílio excepcional têm natureza indenizatória, e não remuneratória.Verbis: Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 463 37 " Processo: AMS 6095 SP 000609587.2010.4.03.6107 ( TRF 3 ) Relator(a): DESEMBARGADOR FEDERAL PEIXOTO JUNIOR Julgamento: 11/12/2012 Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA "Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE AUXÍLIODOENÇA OU AUXÍLIOACIDENTE NOS PRIMEIROS 15 DIAS DE AFASTAMENTO, AVISO PRÉVIO INDENIZADO, 13º SALÁRIO PROPORCIONAL AO AVISO PRÉVIO INDENIZADO, SALÁRIOMATERNIDADE, FÉRIAS INDENIZADAS, TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS E AUXÍLIO EXCEPCIONAL. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. I Aplicação do prazo prescricional quinquenal às ações ajuizadas após a Lei Complementar nº 118 /05. Precedente do STF. II As verbas pagas pelo empregador ao empregado nos primeiros quinze dias de afastamento do trabalho em razão de doença ou acidente, o aviso prévio indenizado e as férias indenizadas não constituem base de cálculo de contribuições previdenciárias, posto que não possuem natureza remuneratória mas indenizatória. O adicional de 1/3 constitucional de férias também não deve servir de base de cálculo para as contribuições previdenciárias, por constituir verba que detém natureza indenizatória. Precedentes do STJ e desta Corte. III A rubrica auxílio excepcional prevista em acordo coletivo não se sujeita a incidência da contribuição previdenciária, pois se destina a custear as despesas dos empregados com filhos comprovadamente considerados portadores de necessidades especiais, ostentando natureza indenizatória. Precedentes. IV É devida a contribuição sobre o salário maternidade, o entendimento da jurisprudência concluindo pela natureza salarial dessa verba. V E devida a contribuição sobre os valores relativos ao 13º proporcional ao aviso prévio indenizado tendo em vista que a nãoincidência de contribuição previdenciária referese apenas a rubrica aviso prévio indenizado, não se estendendo a eventuais reflexos. Entendimento desta Corte. VI Direito à compensação com a ressalva estabelecida no art. 26 , § único , da Lei n.º 11.457 /07. Precedentes. VII Recurso da União e remessa oficial parcialmente providos. Recurso da impetrante desprovido. " "TRF 2 APELAÇÃO CIVEL AC 420382 RJ 2004.51.01.006781 Data de publicação: 04/09/2008 Ementa: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI Nº 8.212 /91. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIOEXCEPCIONAL. NATUREZA JURÍDICA. PROVA. 1. Ação anulatória de débito referente à incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de auxílio ao excepcional. 2. A base de cálculo da contribuição impugnada é a remuneração efetivamente recebida a qualquer título pelo empregado (art. 28 , I da Lei nº 8.212 /91). 3. Os valores percebidos a título de auxílioexcepcional têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado ou aposentado Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 38 nas despesas de educação e tratamento especializado despendidas em relação aos filhos excepcionais. 4. A referida verba não integra, pois, o saláriodecontribuição, não se sujeitando à incidência de contribuição previdenciária. 5. Indispensável a prova de que os valores objeto do lançamento impugnado foram efetivamente gastos com a finalidade de auxiliar os filhos excepcionais, conforme previsto nos acordos coletivos de trabalho, o que não restou demonstrado nos autos. 6. Honorários advocatícios razoavelmente fixados, na forma do § 4o , do art. 20 , do Código de Processo Civil . 7. Apelação improvida ". TRF2 APELAÇÃO CIVEL AC 200351010269501 RJ 2003.51.01.0269501 (TRF2) Data de publicação: 17/01/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO AO FILHO EXCEPCIONAL. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Tratase de apelação de interposta contra a sentença que julgou improcedente o pedido da autora e a condenou ao pagamento de custas e honorários advocatícios na ordem de 10% sobre o valor da causa atualizado. 2. A autora alega em seu recurso que a NFLD em questão, que “diz respeito à pretensa cobrança de contribuição previdenciária sobre a verba denominada auxílio excepcional”, não deve ser cobrada porque o referido auxílio excepcional, ao contrário do que defendeu a sentença, não possui natureza remuneratória, mas sim retributivo e comutativo. 3. Inicialmente, é de se dizer que, como bem observou a sentença atacada, saláriodecontribuição, nos termos do “inciso I do art. 28 da Lei 8.212 /91, (...) referese à totalidade dos rendimentos pagos ou creditados a qualquer título” ao empregado e que “o auxílio excepcional não se enquadra em qualquer das hipóteses de exclusão da contribuição previdenciária taxativamente previstas no § 9ºdo artt . 28” (fls. 97/98) da aludida lei. 4. Por outro lado, devem ser excluídos da autuação fiscal em debate os valores pagos como auxílio à criança excepcional que, em sede de execução, correspondam, comprovadamente, a pagamentos de despesas médicas ou que tenham sido utilizados na educação básica do menor excepcional, nos termos do artigo 28, § 9º, alíneas “q” e “t”, da Lei nº 8.121 /91. 5. Nesse sentido é a deliberação contida no processo nº 97.02.446066, da relatoria do MM. Juiz Federal Convocado Luiz Norton Baptista de Mattos, e que fora julgada no dia 22/01/2008 pela 3ª Turma Especializada deste TRF, com a seguinte fundamentação: “o auxílio excepcional previsto em acordo coletivo firmado pela autora é pago ao empregado, na forma de reembolso mensal, enquanto perdurar o atendimento especializado e a condição de empregado. Não tendo cunho remuneratório, de contraprestação de serviço, não integra o saláriodecontribuição, sendo, porém, necessária prova da prestação do serviço especializado”. 6. Recurso conhecido e parcialmente provido.... Tendo em mente tal panorama legislativo e voltando vistas ao caso concreto, entendo que a situação fática não se amolda à hipótese legal descrita. Isso porque os pagamentos são pagos em caráter extralaborativo conforme critérios fixados em acordos Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004753/200853 Acórdão n.º 2403002.949 S2C4T3 Fl. 464 39 coletivos firmados entre a autora e o sindicato respectivo da categoria. Como se vê, a rubrica citada não se reveste de natureza de retribuição aos trabalhos prestados pelos empregados, daí porque não se submete ao pagamento das contribuições impugnadas. CONCLUSÃO Face ao exposto DOU PROVIMENTO às alegações da Recorrente para o efeito de anular o crédito tributário consubstanciado no levantamento "Auxílio Excepcional Código de Levantamento:AEN" É como voto Relator designado Ivacir Julio de Souza Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723690/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE.
A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN.
RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor dos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91.
PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA.
Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes.
Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário.
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. NATUREZA INFORMATIVA.
O Relatório de Vínculos anexo ao lançamento tributário previdenciário lavrado unicamente em desfavor de pessoa jurídica não tem o condão de atribuir responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tampouco comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8.212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo o valor da penalidade pecuniária aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.366.025-1, CFL 68, ser recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor dos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. NATUREZA INFORMATIVA. O Relatório de Vínculos anexo ao lançamento tributário previdenciário lavrado unicamente em desfavor de pessoa jurídica não tem o condão de atribuir responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tampouco comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8.212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.723690/2012-81
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5443632
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-003.704
nome_arquivo_s : Decisao_10166723690201281.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10166723690201281_5443632.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo o valor da penalidade pecuniária aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.366.025-1, CFL 68, ser recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5869891
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703262330880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 62; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 10.156 1 10.155 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.723690/201281 Recurso nº 003.704 Voluntário Acórdão nº 2302003.704 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias AIOP Recorrente OCT VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constituise motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor dos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 36 90 /2 01 2- 81 Fl. 10081DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. NATUREZA INFORMATIVA. O “Relatório de Vínculos” anexo ao lançamento tributário previdenciário lavrado unicamente em desfavor de pessoa jurídica não tem o condão de atribuir responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tampouco comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8.212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo o valor da penalidade pecuniária aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.366.0251, CFL 68, ser recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Fl. 10082DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.157 3 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 10083DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Data de lavratura dos Autos de Infração: 02/05/2012 Data da ciência dos Autos de Infração: 10/05/2012 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelos sujeitos passivos do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.366.0286, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, contratados, porém, por intermédio de interposta pessoa, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal a fls. 5636/5753. De acordo com a Resenha Fiscal, verificouse que os serviços eram prestados pela Pessoa Jurídica Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 04.832.433/000164, doravante denominada Egave, e que tal empresa foi utilizada para a intermediação dos pagamentos remuneratórios efetuados pelo Autuado a segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais que lhe prestavam serviços. Informa a Autoridade Lançadora que tais segurados obrigatórios do RGPS eram admitidos como sócios da Egave com a finalidade de trabalhar para a Orca e outras empresas do grupo que integra. Deste modo, os rendimentos destas pessoas eram pagos na forma de lucros distribuídos pela Egave, enquanto que o contribuinte em tela se beneficiava com a redução indevida do encargos tributários e trabalhistas. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.366.0251, CFL 68, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP contendo informações incorretas ou omissas. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec. 4.729, de 09/06/2003. Foram arroladas como responsáveis tributários solidários, em razão de grupo econômico de fato, as seguintes empresas: · Orlando Carlos Participações Societárias Ltda CNPJ 00.635.698/000111; · OCS Investimentos SA CNPJ 00.791.919/000140; Fl. 10084DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.158 5 · Jorlan Participações Societárias Ltda CNPJ 36.760.635/000134; · Target Veículos Ltda CNPJ 38.035.010/000135; · Parsec Corretora de Seguros Ltda CNPJ 02.758.654/000104; · Orsa Agenciadora de Serviços e Seguros Ltda; CNPJ 02.769.826/000145; · Jorlan Administradora de Consórcio Ltda CNPJ 37.137.767/000177; · JPAR Distribuidora de Veículos Ltda CNPJ 01.152.671/000130; · BR France Veículos Ltda CNPJ 11.953.116/000161; · JORLAN SA Veículos Automotores Importação e Comércio CNPJ 01.542.240/000180 e · Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C Ltda CNPJ 04.832.433/000164. Irresignados com o supracitado lançamento tributário, os Sujeitos Passivos principal e solidários ofereceram impugnação administrativa, contendo o mesmo teor, a fls. 5796/5852 relativa ao AI DEBCAD nº 37.366.0286 e a fls. 7902/7954, relativa ao AI DEBCAD nº 37.366.0251, ambas subscritas por procurador constituído pelo Autuado e demais devedores solidários, com exceção da Egave. A Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C Ltda, CNPJ 04.832.433/000164, arrolada como responsável solidário, não apresentou impugnação em face do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0948.487 5ª Turma da DRJ/JFA, a fls. 10028/10050, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito tributário lançado em sua integralidade. Devidamente cientificados da decisão de 1ª Instância, conforme Aviso de Recebimento a fls. 10052/10053, e inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, os Sujeitos Passivos principal e solidários, à exceção da Egave, interpuseram Recurso Voluntário em petição conjunta a fls. 10054/10075, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que as recorrentes, em busca de maior competitividade no mercado, socorreramse de mecanismo econômico e administrativo absolutamente lícito e comum, consistente na contratação de pessoa jurídica especializada para fornecimento de força de trabalho em áreas específicas; · Que nenhuma irregularidade se verifica na constituição da pessoa jurídica da empresa interposta, cujos atos constitutivos observaram estritamente as imposições legais, tratandose, pois, de verdadeira empresa de direito; Fl. 10085DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 · Que não se verificando o descumprimento de obrigação acessória, impõese o afastamento da multa aplicada; · Que a multa aplicada pela Administração acaba por violar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e, principalmente, do não confisco, previsto no artigo 150, inciso IV da Constituição Federal; · Que é possível a juntada de documentos apos a apresentação de impugnação, em observância ao princípio administrativo da verdade material. Ao fim, requer o afastamento do Crédito Tributário mantido pelo Acórdão recorrido. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 10086DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.159 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 20/01/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19/02/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem enfrentadas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO O Recorrente alega que, em busca de maior competitividade no mercado, socorreram se de mecanismo econômico e administrativo absolutamente lícito e comum, consistente na contratação de pessoa jurídica especializada para fornecimento de força de trabalho em áreas específicas. Aduz que nenhuma irregularidade se verifica na constituição da pessoa jurídica da empresa interposta, cujos atos constitutivos observaram estritamente as imposições legais, tratandose, pois, de verdadeira empresa de direito. Fl. 10087DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Pondera ainda que os sócios da Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C LTDA. atuavam, de fato e de direito, como consultores das recorrentes. ... é o que temos ... Em primeiro lugar, há que se deixar claro que o presente caso não trata da caracterização de vínculo empregatício (instituto de Direito do Trabalho), mas, sim, da caracterização da condição de segurado empregado (instituto de Direito Previdenciário) e do lançamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa em decorrência da prestação remunerada de serviços por tais trabalhadores à Autuada. Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro Fl. 10088DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.160 9 efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647/93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação jurídica e mediante remuneração. Conforme já salientado anteriormente, vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em Fl. 10089DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana por pessoa física ao Recorrente, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. O episódio em pauta configurase numa derivação típica de relação jurídica conhecida no mercado pelo neologismo “pejotização”, em que profissionais especializados são levados a constituir pessoas jurídicas para prestar serviços a empresas, não numa relação formal de pessoa jurídica x pessoa jurídica, mas substancialmente mediante uma relação fática em que figuram ostensivamente presentes a pessoalidade, a não eventualidade do serviço, a subordinação jurídica e, obviamente, a onerosidade. Na estrutura de tal mecanismo, formalmente a empresa contrata uma outra pessoa jurídica, porém, na realidade dos fatos, quem efetivamente presta o serviço remunerado é o “pejotizado” (sem qualquer viés pejorativo, por favor), isto é, a pessoa física do sócio da pessoa jurídica artificialmente contratada, de maneira não eventual, sob subordinação jurídica e em caráter intuitu personae. 2.1.1. DA SUBORDINAÇÃO No que pertine à subordinação, tal atributo tem que ser averiguado em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico ou técnico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levando se em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade livre das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: De um lado, figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar, em contrapartida à remuneração que irá auferir. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. Fl. 10090DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.161 11 À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, se o treinador de futebol, Sr. Luiz Felipe Scolari, celebrar contrato de prestação de serviço de pintura artística com o pintor de fama internacional Romero Britto para a confecção de um quadro representativo da Seleção Brasileira de futebol de 2014, mas este renomado pintor, em honra de suposta autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio, retratar em pop art a Seleção Alemã da copa do Mundo do Brasil do mesmo ano, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente de insubordinação consistente no descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. No caso ora em apreciação, as provas colhidas pela Fiscalização demonstram que a empresa prestadora Egave era, de fato, administrada pelos mesmos sócios administradores das empresas do grupo econômico OCP, Orlando Carlos da Silva Jr., doravante Orlando Carlos, Antonio Carlos Machado e Silva, doravante Antonio Carlos, e Luis Fernando Machado e Silva, doravante Luis Fernando. Os três administradores são irmãos, e filhos de Orlando Carlos da Silva, já falecido, e fundador do grupo Orlando Carlos Participações – OCP, o qual é integrado pelas empresas Orlando Carlos Participações Societárias Ltda, OCS Investimentos AS, Jorlan Participações Societárias Ltda, Target Veículos Ltda, Parsec Corretora de Seguros Ltda, Orsa Agenciadora de Serviços e Seguros Ltda; Jorlan Administradora de Consórcio Ltda, JPAR Distribuidora de Veículos Ltda, BR France Veículos Ltda, JORLAN SA Veículos Automotores Importação e Comércio e Tork Chevrolet, conforme se pode constatar na página do grupo OCP na internet, no endereço eletrônico www.grupoocp.com.br. A Jorlan S/A controla a Orca via a Jorlan Participações Societárias Lida, da qual detém 99,99% do Capital Social, que por sua vez controla a OCT Veículos ltda, com 98,06% do capital social. A administração das três empresas é exercida pelos mesmos três irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando. A Egave foi constituída na forma de sociedade por quotas de responsabilidade em 01/11/2001, sendo o capital social dividido em hum mil cotas de R$ 1,00 cada, distribuídas da seguinte forma: · Leonardo Carlos da Silva Prudente ....... 602; · Orlando Carlos da Silva ........................ 100 · Orlando Carlos da Silva Junior ............. 80 · Antonio Carlos Machado e Silva .......... 80 · Luis Fernando Machado e Silva ........... 80 · Regina Maria Machado e Silva ............. 10 · Dóris Helena Machado e Silva .............. 10 Fl. 10091DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 · Antonio Augusto e Silva Sa Peixoto ..... 10 · Outros ................................................. 28 As 28 quotas restantes pertenciam a outros 28 outros sócios, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00. Em janeiro de 2008, primeiro mês do período de apuração da presente Fiscalização, o capital social era composto, conforme 13ª alteração contratual, por 1920 quotas de valor unitário igual a R$ 1,00 divididas da seguinte Forma: · Leonardo Carlos da Silva Prudente ....... 1641; · Orlando Carlos da Silva Junior ............. 80 · Antonio Carlos Machado e Silva .......... 80 · Luis Fernando Machado e Silva ........... 80 · Outros ................................................. 39 As 39 quotas restantes pertenciam a outros 39 outros sócios, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00. Na última alteração contratual registrada na Junta Comercial do Estado de Goiás, antes do inicio do procedimento fiscal na Jorlan S/A (19ª alteração), o capital social era composto por 1918 quotas de valor unitário de R$ 1,00 divididas entre os quotistas da seguinte maneira: · Leonardo Carlos da Silva Prudente ....... 1616; · Orlando Carlos da Silva Junior ............. 80 · Antonio Carlos Machado e Silva .......... 80 · Luis Fernando Machado e Silva ........... 80 · Outros ................................................. 62 As 62 quotas restantes pertenciam a outros 62 outros sócios, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00. A tabela abaixo mostra o percentual do capital social que cabia a Leonardo Carlos, aos três irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando e aos demais “sócios”, desde janeiro/2008 até março/2011. ALTERAÇÕES CONTRATUAIS 13ª 14ª 15ª 16ª 17ª 18ª 19ª Antonio Carlos 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% Luis Fernando 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% Orlando Carlos 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% Leonardo Carlos Prudente 85,5% 85,1% 84,4% 84,4% 84,0% 84,1% 84,3% outros 1,90% 2,30% 3,00% 3,00% 3,40% 3,30% 3,10% Fl. 10092DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.162 13 A tabela a seguir mostra a quantidade de sócios da Egave a cada alteração contratual e a representatividade percentual do número de sócios que detinham uma quota de R$ 1,00 com relação ao número total de sócios. ALTERAÇÕES CONTRATUAIS 13ª 14ª 15ª 16ª 17ª 18ª 19ª TOTAL DE SÓCIOS 43 51 63 63 71 69 66 Sócios com 1 única cota 39 47 59 59 67 65 62 representatividade 90,7% 92,2% 93,7% 93,7% 94,4% 94,2% 93,9% Do exame das diversas alterações contratuais ocorridas num espaço tão curto de tempo, constatou a Fiscalização que: · Os sóciosadministradores da Orca Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando mantiveram suas quotas desde a criação da Egave; · Orlando Carlos da Silva, pai dos três diretores, teve suas quotas canceladas após seu falecimento, provocando redução do capital social da empresa (13ª alteração contratual); · Leonardo Carlos da Silva Prudente consta como sócioadministrador da empresa e sempre teve a maior participação, porém, apesar disso, nunca recebeu rendimentos a título de distribuição de lucros. · Do exame da DIPJ da Egave, apurou a Fiscalização que, enquanto os três administradores da Orca recebem a maior parcela – cerca de 23% dos lucros distribuídos pela Egave no período fiscalizado , Leonardo Carlos Prudente, possuidor de aproximadamente vinte vezes o número de quotas de cada um dos três irmãos, nada recebeu; · São frequentes as transferências de uma quota de R$ 1,00 de titularidade de Leonardo Carlos Prudente para outros sócios que ingressam na sociedade. Do mesmo modo, esta quota unitária retorna, isto é, é devolvida para o suposto sócio administrador quando estes outros sócios saem da sociedade. Estas transferências são registradas em alterações contratuais. Tal fato demonstra que as quotas de Leonardo Carlos Prudente funcionam como um verdadeiro “bolsão”, um buffer de quotas da empresa para facilitar o ingresso ou saída de outros sócios sem necessidade de alteração do capital social total da Egave. Ou seja, a “contratação” de um novo sócio é realizada mediante transferência de uma quota da Egave no valor de R$ l,00 de titularidade de Leonardo Carlos Prudente para o novo sócio/empregado. Já a “rescisão” é realizada no sentido inverso; · A Fiscalização apurou que a Orca e as demais empresas do grupo OCP contratam empregados por intermédio da Egave. A Orca, interessada em contratar um novo profissional para cargos de gerência, o convida a tornarse sócio da Egave através do recebimento de uma quota no valor irrisório de R$ 1,00. Este profissional passa a Fl. 10093DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 ocupar determinado cargo de chefia na Orca e receber pela Egave sob a forma de distribuição de lucros. · Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando administram as empresas do grupo OCP que contrataram os serviços da Egave, conforme atos constitutivos disponibilizados pelas Juntas Comerciais de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. · A Egave prestou serviços exclusivamente para as empresas do grupo OCP, de 2008 a 2010, circunstância que demonstra a total dependência financeira da Egave em relação ao grupo OCP. · A Egave esclareceu que distribui lucros a seus sócios de acordo com os serviços prestados por cada um e que a distribuição não é proporcional a participação de cada sócio na empresa. Complementando, asseverou que a distribuição se baseia em critérios pautados no contrato social. Já a cláusula 17 do contrato social da Egave define que “os lucros serão distribuídos aos quotistas conforme proporção a ser deliberada por maioria absoluta pelos mesmos, que não será necessariamente correspondente à participação de cada um no capital”. Avulta da tabela abaixo que as pessoas que receberam a maior parcela dos lucros distribuídos pela Egave de 2008 a 2010 foram os irmãos Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando, cada qual tendo recebido mais de R$ 2.500.000,00. LUCROS DISTRIBUÍDOS PELA EGAVE 2008 2009 2010 VALOR (%) VALOR (%) VALOR (%) Antonio Carlos 1.022.650,00 10,40% 652.257,00 6,80% 871.128,27 6,70% Luis Fernando 1.022.650,00 10,40% 652.257,00 6,80% 871.128,27 6,70% Orlando Carlos 1.022.650,00 10,40% 652.257,00 6,80% 871.128,27 6,70% Leonardo Carlos Prudente 0,00 0,00% 0,00 0,00% 0,00 0,00% outros 6.765.547,28 68,80% 7.612.759,18 79,60% 10.331.999,46 79,90% total 9.833.497,28 100% 9.569.530,18 100% 12.945.384,27 100% Ora, que interessante: Como Leonardo Carlos Prudente sempre foi titular da maioria absoluta das quotas da Egave, nos termos da cláusula 17 do contrato social da Egave, caberia a ele decidir sobre a parcela dos lucros que cabe a cada sócio. Nada obstante, ele não auferiu qualquer rendimento a título de participação de lucros, muito menos a título de pro labore ou de qualquer outra espécie de remuneração. Ora ... quem parte e reparte e ficar sem parte alguma, ou não tem arte ou .... A maior parcela de lucros distribuídos pela Egave coube aos três irmãos e não houve qualquer negociação prévia. Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando, no exercício das funções de administradores das empresas do grupo OCP, pagaram aproximadamente R$ 38.000.000,00 a Egave, sendo que aproximadamente R$ 7.600.000,00 retornaram para eles. O esquema arquitetado teve, entre outros objetivos, transferir recursos de pessoas jurídicas que os três administram para suas contas bancarias de pessoa física sem a devida incidência de contribuições previdenciárias e Imposto sobre a Fl. 10094DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.163 15 Renda de Pessoa Física IRPF, já que os rendimentos foram creditados na forma de lucros distribuídos pela Egave. Aditese que, justamente após o início do procedimento fiscal na Jorlan S/A, ocorreu a 20ª alteração do contrato social, a primeira alteração contratual registrada após o início do procedimento fiscal na Jorlan S/A, formalizando a saída Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando da Egave . Para que se possa ter uma referência da diferença com relação aos demais, o sócio que recebeu a maior quantia depois dos três citados teve direito a aproximadamente R$ 1.100.000,00 (com apenas 1 cota de R$ 1,00), de 2008 a 20l0, ou seja, 44% do valor percebido pelos primeiros. Por outro lado, a média geral do total recebido, por sócio da Egave, no transcorrer dos três anos foi de R$ 371.000,00, com apenas 1 única cota de R$ 1,00, menos de 15% do valor recebido por cada um dos três irmãos. Apesar disso, Orlando Carlos e Antonio Carlos declararam que não havia negociação dos valores que recebiam. A Fiscalização intimou Leonardo Carlos Prudente (sócio majoritário da Egave) e Luis Fernando Machado e Silva (um dos sóciosadministradores da Orca) a comparecessem a Delegacia da RFB em Brasília. Luis Fernando não se apresentou. Colheu a Fiscalização do depoimento de Leonardo Carlos Prudente: · É sócioadministrador da Egave desde sua fundação em setembro de 2001; · É primo dos três administradores da Orca; · Não tinha experiência com administração de empresas de consultoria antes de ingressar na Egave; · Antes de se tornar sócio da Egave, trabalhava como sócioadministrador de uma empresa de construção civil e ainda hoje continua se dedicando a esta empresa; · Não se lembra de todas as empresas para as quais a Egave presta serviços de consultoria. Disse que a Egave presta serviços para empresas do grupo Jorlan e que, especificamente, lembra da Jorlan S/A, JPAR Distribuidora de Veículos e Orca Veículos; · Que não sabe quais os dois maiores contratos da Egave atualmente; não sabe quem eram os exsócios da Egave que moveram ações trabalhistas contra a empresa; não sabe quem são os sócios que hoje trabalham na Jorlan do SIA e na Orca Taguatinga; não sabe as atividades que cada um desenvolve; Citou o nome de alguns sócios que conhece embora não saiba para qual empresa prestem serviços Salvino Pires, Rui, Marcio, Leonardo, Vanda e Maria; · Que nunca recebeu qualquer quantia da Egave desde sua criação apesar de administrar a empresa. Na resposta que enviou pelos Correios, justificou que deixava os lucros na empresa para que fosse feito seu plano de expansão. Já no depoimento, disse que não recebe rendimentos da Egave porque, quando convidado Fl. 10095DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 por Maria Rolim para fundar a empresa, achava que poderia captar clientes do ramo de engenharia para prestar consultorias pela Egave. Questionado porque continua nesta situação por dez anos (administrando e não recebendo), disse que não dedica muito tempo a Egave e que pode haver alguma mudança que traga novas oportunidades de negócios para a empresa de engenharia. Quanto aos lucros auferidos pela Egave, informou que quase a totalidade é distribuída aos sócios e que os lucros retidos têm como finalidade eventuais emergências, contradizendo sua primeira resposta em que alegou que deixava seus lucros na empresa para permitir um suposto plano de expansão; · Declarou que sua fonte de renda decorre de sua empresa de engenharia (pro labore e lucros); · Com relação às suas atribuições na Egave, afirmou que se restringem a parte burocrática, assinando contratos pelos quais não é responsável pela negociação e elaboração. · Quanto à fixação da parcela dos lucros destinada a cada sócio, disse que apenas e cientificado verbalmente por Maria Rolim dos valores que serão pagos, desconhecendo qualquer documento ou estudo voltado a definição da partilha dos lucros entre os sócios. Soube informar apenas que os rendimentos de cada sócio são compostos por uma parcela fixa acrescida de um percentual incidente sobre os lucros decorrentes do trabalho desenvolvido. · Que não realiza atividades de acompanhamento dos serviços de consultoria prestados pelos sócios e que não os orienta sobre cumprimento de metas. Novamente uma contradição a resposta enviada pelos Correios em que declarou: “distribuo as atividades aos demais sócios para execução dos trabalhos“. · Declarou que Maria Rolim é a responsável por negociar e definir as condições contratuais (inclusive valor do contrato), fixar os rendimentos que serão distribuídos a cada sócio, definir e distribuir as atividades para os sócios, comunicar os sócios a respeito das metas que devem ser alcançadas e acompanhar os resultados dos trabalhos desenvolvidos; · Informou que acredita que o sócio que recebeu a maior parcela dos lucros da Egave nos últimos anos foi Maria Rolim, mas não sabe quanto ela recebe por ano. · Quando questionado sobre a complexidade da administração de uma empresa com atuação em diferentes estados, respondeu que somente Maria Rolim pode esclarecer; · Declarou que não participou de reuniões em que houvesse ocorrido discussão sobre metas a serem cumpridas pelos sócios assim como acompanhamento de resultados dos serviços prestados pela Egave; · Declarou que as atividades desenvolvidas por Orlando Carlos da Silva Junior, Antonio Carlos Machado e Silva e Luis Fernando Machado e Silva, enquanto sócios da Egave, resumemse, de acordo com seu conhecimento, a captação de novos clientes, não desenvolvendo atividades de consultoria. Entretanto, esclareceu que eles nunca captaram cliente algum para a Egave. Fl. 10096DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.164 17 Como visto, o administrador e sócio majoritário da Egave ignora dados básicos da Empresa por ele administrada: não sabe quem são seus clientes (são apenas oito empresas), quais são os maiores contratos, quem são os sócios que recebem a maior fatia dos lucros“, quais os parâmetros para divisão dos lucros, quem são os demais sócios (lembrou o nome de apenas seis), quais as atividades desenvolvidas pelos sócios e o respectivo local; que sócios moveram ações trabalhistas contra a Egave, etc. De outro eito, afirmou diversas vezes que realiza apenas atividades burocráticas, como assinar documentos. Asseverou que Maria Rolim, sócia da empresa, é responsável pela negociação e elaboração de contratos, orientação dos supostos consultores, acompanhamento dos serviços prestados e definição dos critérios de distribuição dos lucros aos sócios (definição dos rendimentos de cada sócio). Citese que Maria Abadia Leão Rolim é a pessoa de confiança dos três administradores da Orca para desempenhar a controladoria do grupo OCP, atuando como verdadeiro “braço direito” dos três irmãos na administração da Egave. Em resumo, temse a improvável situação em que os três receberam a maior parcela dos lucros da empresa, sem conhecimento de seu administrador constituído formalmente, por serviços de consultoria em gestão prestados em empresas que já administram ou por captação de clientes que efetivamente nunca ocorreu em dez anos. Registrese, ainda, que, apesar de cada um dos três sócios ter recebido aproximadamente R$ 2.500.000.00 no período fiscalizado, eles se retiraram do quadro societário da Egave simultaneamente na primeira alteração contratual formalizada após o início do procedimento fiscal na Jorlan S/A em que os negócios com a Egave foram investigados. O depoimento evidencia que Leonardo Prudente, embora designado administrador da empresa nos atos constitutivos, não desempenha esta função, ou seja, tratase de pessoa interposta, também conhecido como “laranja”. Outro fato que merece atenção é a assinatura da 3ª e da 4ª alteração contratual da Egave, eis que, apesar de haver 38 sócios em seu quadro societário, as únicas pessoas que assinaram estes documentos, além de Leonardo Carlos da Silva Prudente (sócioadministrador, formalmente), foram os irmãos Antonio Carlos e Orlando Carlos Junior e seu pai Orlando Carlos da Silva (hoje falecido), fato que demonstra que os demais “sócios”, os detentores de uma única cota de R$ 1,00, não integram a “affectio societatis” do grupo. São meros empregados do grupo econômico. A Fiscalização coletou depoimentos de outros sócios da Egave, nos quais se afirmam que a gerência da Egave se confundia com a gerência das empresas do grupo OCP e era exercida pelos três irmãos em realce. Diante do exposto, não restam duvidas que a administração de fato da Egave coube aos irmãos Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando, visto que a Egave era utilizada para simular a contratação de serviços de consultoria por empresas do grupo OCP (administradas pelos três), enquanto, efetivamente, ocorria retiradas pro labore dos administradores e contratação de empregados Fl. 10097DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 para ocupar cargos de gestão naquelas empresas. O negócio jurídico simulado visava a reduzir indevidamente os encargos tributários e trabalhistas; Embora Leonardo Carlos da Silva Prudente constasse como sócioadministrador no contrato social, seu depoimento evidencia que ele não administrava, de fato, a Egave. Ele declarou que realiza apenas atividades burocráticas, como assinar documentos, além de demonstrar profunda falta de conhecimento do negócio. Depoimentos prestados por outros sócios da Egave, obtidos durante o procedimento fiscal, também confirmam este entendimento, eis que afirmam que participaram de reuniões comandadas por Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando e que nunca tiveram contato com Leonardo Carlos da Silva Prudente. Além disso, Leonardo Carlos da Silva Prudente não recebeu quantia alguma pela administração da empresa. O conjunto probatório produzido em processo de reclamatória trabalhista demonstra que a negociação da contratação e dos rendimentos de um novo sócio da Egave foi realizada diretamente pelos administradores da Orca, sem intermediação da Egave ou de Leonardo Prudente. Em depoimentos tomados na Delegacia da RFB, nenhum dos “sócios” ou “exsócios” da Egave, após questionado, soube informar quais as atribuições de Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando, enquanto sócios da Egave, a justificar o recebimento da Parte do Leão dos lucros distribuídos. Com efeito, não ha racionalidade no fato de uma empresa pagar mais de R$ 7.600.000,00 em três anos a três sócios por serviços de consultoria em gestão prestados a empresas que os próprios já geriam (empresas do grupo OCP), a menos que os administradores da Egave que decidiram distribuir tamanha fatia dos lucros fossem, também, os beneficiários. Avulta do caso que os sócios detentores de uma quota de R$ 1,00 não possuem qualquer poder de deliberação na empresa, muito menos affectio societatis com os três irmãos em apreço, estes, os verdadeiros donos da Egave. O vínculo societário formalmente estabelecido em contrato entre os “sócios” titulares de uma quota de R$ 1,00 e a Egave é apenas uma formalidade jurídica utilizada para mascarar os verdadeiros negócios praticados entre os trabalhadores alocados na Egave e empresas do grupo OCP, entre elas, a Orca Veículos. Diligência realizada na sede da Egave, em Aparecida de Goiânia – GO, revelou tratar se de uma pequena sala, com duas mesas e onde trabalha uma secretaria, que informou que apenas realizava tarefas de digitação e que toda e qualquer demanda externa era direcionada para Maria Rolim. Em outras salas do edifício em que esta localizada a sede da Egave, também há outras empresas do grupo OCP, a saber: Jorlan Administradora de Consorcio Ltda., Jorlan S/A (filial), e a Parsec Corretora de Seguros Ltda. (filial). A Egave foi então intimada, mediante termo próprio, a apresentar os Relatórios produzidos pelos funcionários que prestaram os serviços de Consultoria na Jorlan S/A, com discriminação detalhada dos serviços prestados. A Egave, todavia, não apresentou qualquer relatório, apresentando, somente, uma breve e genérica descrição de atividades associadas a serviços de Gestão de Recursos humanos, Gestão Estratégica e de Operação, Gestão Financeira e Gestão Administrativa e de Controladoria. Em razão da falta de clareza e objetividade das respostas da Empresa, esta foi mais uma vez intimada a apresentar esclarecimentos e documentos pertinentes aos serviços prestados às empresas Fl. 10098DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.165 19 do grupo OCP, concedendo nova oportunidade para que a empresa explicasse a natureza dos serviços prestados. 1) Relação dos gerentes (nome, CPF e data de admissão, salario/comissões) do contrato de prestação de serviços firmado com as tomadoras, com indicação do período em que atuaram. Em resposta, informou que os trabalhos são prestados pelos sócios e que o atendimento se dá de acordo com a disponibilidade dos sócios e da especificidade dos trabalhos a serem desenvolvidos. Também respondeu que os lucros auferidos com as atividades são divididos entre os sócios. 2) Relação de funcionários que prestaram os serviços às tomadoras, com indicação do período, local e número de horas em que cada funcionário prestou os serviços. A empresa respondeu que estes executam apenas serviços administrativos. A resposta vaga e imprecisa indica que a Egave não tem controle sobre o trabalho efetuado pelos “sócios” nas atividades de “consultoria” prestadas aos seus clientes, tampouco qual o rendimento financeiro de cada prestação. 3) Relatórios produzidos pelos funcionários que prestaram os serviços às tomadoras, com discriminação detalhada dos serviços prestados. A empresa não apresentou qualquer relatório ou documento assemelhado. Na resposta a este item, apresentou uma breve e genérica descrição do que são atividades associadas a serviços de Gestão de Recursos humanos, Gestão Estratégica e de Operação, Gestão Financeira e Gestão Administrativa e de Controladoria. Mais uma vez a empresa não respondeu aos questionamentos realizados, revelando que nos alegados serviços de consultoria não é produzido qualquer material escrito, qualquer documento de gestão, nada ! 4) Orçamentos e documentos comprobatórios que possam ter dado origem a reembolsos de despesas pagas pela contratante, assim como autorização dessas despesas pela contratante. A empresa respondeu que cada sócio encaminha sua prestação de contas de reembolso de despesas diretamente ao cliente e que não tem esse controle. Concluise que a Egave não tem qualquer controle ou gerenciamento sobre as viagens realizadas pelos seus “sócios” a serviço dos clientes, a necessidade de tais viagens, o trabalho por eles realizado, relatório de viagens, despesas realizadas, etc. Tudo é prestado diretamente aos tomadores, circunstância que evidencia, uma vez mais, a subordinação dos “sócios” às empresas do Grupo OCP. 5) Informar, detalhada e individualmente, as atribuições de cada sócio na contratante Jorlan S/A. A empresa respondeu que “os sócios da Egave são profissionais das áreas de Administração, Economia, Contabilidade, Engenharia, dentre outros e prestam serviços de consultoria, Fl. 10099DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 assessoria e Gestão nas áreas administrativa, financeira, corporativa e de gestão empresarial. A Egave tem outros clientes, inclusive no ramo de Agronegócio.” Mais uma vez a empresa se furta a prestar os esclarecimentos solicitados, demonstrando desconhecer as atribuições dos seus “sócios” nas empresas contratantes. Tal desconhecimento revela que todo o trabalho desenvolvido pelos trabalhadores em realce nas empresas do Grupo OCP é determinado e dirigido no próprio local de trabalho, pelos próprios contratantes, demonstrando, assim, que tais obreiros não exercem qualquer atividade de consultoria empresarial, mas, tão somente, fornecem a mão de obra necessária ao desenvolvimento regular da atividade empresarial da contratante. 6) Informar os valores recebidos por cada “sócio”, devendo discriminar o valor recebido, a data e a forma de pagamento. A Egave informou que os sócios recebiam lucros que dependiam do resultado da empresa. Também encaminhou informes de rendimentos de seis sócios, sem informar se aqueles rendimentos referemse a serviços prestados exclusivamente a Jorlan S/A. 7) Apresentar os comprovantes de pagamento aos sócios. A empresa nada apresentou. Respondeu que os pagamentos foram feitos diretamente nas contas dos sócios. Exsuda das respostas acima, uma vez mais, que a empresa não tem o controle sobre os rendimentos dos “sócios”, de quanto é devido a cada “sócio”, tampouco de qual é a composição dos rendimentos de trais trabalhadores, de onde se conclui que tal controle é realizado por outra entidade, certamente, as empresas do Grupo OCP. 8) A empresa foi intimada a prestar esclarecimentos quanto à politica de distribuição de lucros, devendo esclarecer quais os parâmetros utilizados para definição dos rendimentos de cada sócio. Caso a regra aplicada varie de acordo com sócio, contratante ou outras variáveis, devera apresentar os esclarecimentos de forma individualizada. A Egave respondeu que os lucros são distribuídos de acordo com o cumprimentos das metas de cada sócio, não sendo proporcional a sua participação na empresa. Outra resposta evasiva, pois não esclarece quais eram as metas de cada sócio e a vinculação com os valores recebidos, o que só corrobora a ilação de que o controle dos rendimentos de cada “sócio” era realizado não pela Egave, mas, sim, pelas empresas do Grupo OCP. 9) Além dos esclarecimentos do item anterior, a Egave foi intimada a apresentar documentação que comprove a definição dos rendimentos que cabem a cada sócio em cada contrato assinado, podendo ser apresentados contratos, atas de reunião, emails ou outros documentos. Foi intimada ainda a demonstrar, através de documentos, a forma utilizada pela Egave para cientificar os sócios dos rendimentos a que teriam direito. No caso de rendimentos vinculados a execução de metas, também devera apresentar documentação comprobatória em que o sócio é cientificado do estabelecimento dessas metas e dos critérios utilizados para cálculo dos rendimentos variáveis (relação determinada entre rendimentos e execução de metas). A Egave, no entanto, se restringiu a comentar que os sócios tinham autonomia de trabalho, não tinham horário de trabalho definido e que os sócios poderiam comparecer no horário desejado desde que as metas definidas pelo cliente fossem atingidas. Fl. 10100DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.166 21 A resposta apresentada apenas confirma que a remuneração dos “sócios” não é administrada pela Egave. A resposta da empresa, além de não guardar relação com a pergunta, demonstra a preocupação da Egave em tentar afastar indícios de vinculo empregatício envolvendo os sócios da Egave. 10) a Egave foi intimada a informar quem é a pessoa responsável por indicar/selecionar o sócio responsável pela execução de determinado serviço. Explicar também quais os critérios de seleção. A empresa respondeu que não havia um responsável único e que os trabalhos eram distribuídos conforme disponibilidade e área de maior afinidade dos sócios. Acrescentou que os “sócios da Egave não são submetidos às ordens dos Vices Presidentes (diretores) da Jorlan S/A, estes apenas passam diretrizes gerais dos trabalhos aos representantes da sociedade, que repassam aos seus sócios”. A empresa responde que “não havia um responsável único”, mas não informa nenhum deles sequer. Tal omissão confirma as constatações percebidas pela Fiscalização de que as empresas do Grupo OCP, interessadas em contratar um novo empregado, o seleciona no mercado e lhe impõe a se tornar sócio da Egave através do recebimento de uma quota no valor irrisório de R$ 1,00. Tal mecanismo de contratação de empregados supre totalmente a necessidade de se ter alguém na Egave responsável pela distribuição de serviços aos “sócios” já contratados. Para cada novo serviço, um novo “sócio” é contratado adrede. Quando desaparece o interesse do Grupo OCP, o “sócio” é excluído do quadro societário da Egave, retornado a sua cota única de R$ 1,00 para o buffer de titularidade do sócio majoritário Leonardo Prudente. Tal mecanismo explica a existência de 8 (oito) alterações do contrato social da Egave num período de 3 (três) anos. Notese, todavia, que embora não conste da intimação, a Egave novamente demonstra em sua resposta a preocupação em afastar indícios de relação de emprego ao argumentar que os sócios não estão submetidos diretamente as ordens dos diretores da Jorlan S/A. Não é razoável que um contrato que represente significativas transferências de recursos para outra empresa seja fundado apenas em diretrizes gerais transmitidas pelos diretores da Contratante à contratada, uma vez que o contrato de prestação de serviços é genérico e também não define objetivamente o objeto contratado e as metas definidas pelo cliente. Também é difícil conceber que uma empresa de consultoria, constituída por profissionais com formações e especialidades tão diversas, e com atuação em três unidades da Federação (MG, GO e DF), não possua um gerenciamento centralizado para alocação dos seus especialistas nas empresas contratantes. Tal alegação nos conduz a dois cenários possíveis. No primeiro, restaria ao próprio contratante escolher os profissionais da Egave que prestariam os serviços. Como os serviços foram prestados exclusivamente para empresas do grupo OCP, caberia aos irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando, na qualidade de administradores destas empresas, a aprovação da seleção dos supostos prestadores de serviço. No segundo cenário, a seleção dos profissionais caberia a uma direção centralizada da Egave. No entanto, considerando que os dirigentes da Egave são os próprios administradores das empresas do grupo OCP, como demonstrado anteriormente, concluise que as duas hipóteses convergem e as supostas diretrizes gerais eram repassadas diretamente dos vicepresidentes para os sócios da Egave. Também é logico concluir que os supostos prestadores de serviços de consultoria estavam subordinados a direção dos três administradores das empresas do grupo OCP, em face dos cargos de chefia que aqueles ocupavam naquelas empresas, da falta de especificidade do objeto do contrato pactuado com a Egave, dos depoimentos obtidos durante a ação fiscal, da situação Fl. 10101DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 constatada em visitas a estabelecimentos da Orca e da Jorlan S/A, das provas juntadas a processos de reclamatória trabalhista ajuizadas por exsócios da Egave e da diligência perante a General Motors do Brasil. 11) Esclarecer como a Jorlan S/A demandava os serviços de consultoria da Egave, informando inclusive os meios utilizados (reuniões, contratos, correspondências, emails, etc.) e os parâmetros relacionados nas demandas, como qualidade de atendimento, satisfação de clientes, metas de vendas dentre outras. A Egave informou que algumas vezes a Jorlan S/A solicitava os serviços e em outras a Egave lhe ofertava os serviços. Acrescentou que eram realizadas reuniões para as tratativas tanto dos trabalhos a serem executados quanto dos resultados apos a execução. 12) Documentação comprobatória das demandas de serviços objeto de esclarecimento no item anterior. A empresa esclareceu que as tratativas eram feitas em reuniões e que não existiam documentos. 13) Esclarecer como os sócios da Egave recebiam as demandas dos serviços de consultoria. A empresa afirmou que eram comunicados em reuniões e por telefone. 14) Documentação que comprove o envio destas demandas para os sócios responsáveis pela execução da consultoria. A empresa não apresentou qualquer documentação, alegando que não havia um responsável único e que os trabalhos eram distribuídos conforme disponibilidade e área de maior afinidade dos sócios. 15) Esclarecer como os resultados dos serviços do consultoria prestados pelos sócios eram acompanhados pela Egave e pela contratante. Apresentar documentação comprobatória. A empresa afirmou que eram feitas reuniões com esta finalidade, mas não apresenta qualquer documentação, ata de reunião, nada ! 16) Relação dos valores reembolsados aos prestadores do serviço (passagens, hospedagem, deslocamento, alimentação, etc.), devendo conter o nome do sócio que efetuou as despesas, a data do pagamento e a relação das despesas que justificaram o reembolso. A Egave afirmou que não tinha controle dos reembolsos. 17) Orçamentos e documentos comprobatórios que possam ter dado origem a reembolsos de despesas pagas pela contratante, assim como autorização dessas despesas pela contratante. A Egave respondeu que não tem essa documentação porque a contratante reembolsava diretamente as pessoas que suportavam as despesas. 18) Relatórios produzidos pelos sócios que prestaram os serviços, com discriminação detalhada dos serviços prestados e dos resultados obtidos. A Egave afirma que estas apresentações são feitas via reuniões presenciais. Fl. 10102DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.167 23 Realmente, não é factível que uma relação contratual de prestação de serviços de consultoria, representativa de transferência de 38 milhões de reais em três anos, com atuação em diferentes Estados da Federação e constituída por dezenas de sócios com diferentes especialidades não produza um único documento representativo da consultoria realizada, não possua responsáveis pela definição e acompanhamento dos serviços prestados, não tenha controle e administração sobre a remuneração dos “sócios”, que as solicitações de serviços, comunicados entre Egave e seus sócios, definição de metas, acompanhamento e discussão de resultados serem sempre realizados em reuniões e por telefone, sem a existência de documentos que comprovem tais relações, sem atas das reuniões realizadas, sem estrutura empresarial, nem acervo de conhecimento para oferecer a seus clientes. Nada !!! Em Diligência fiscal efetuada na concessionaria de veículos Orca Taguatinga, a Fiscalização foi atendida pelo gerente administrativo Leonardo Marques de Paula, a quem seria entregue uma Intimação Fiscal. Este informou que não era empregado da empresa mas “sócio” da Egave, de maneira que a intimação foi recebida pela secretária Sra. Maria Lucia Felix. A Fiscalização constatou que, à exceção de Flavio Souza, todos os gerentes da concessionária (Oliveira Gualberto Junior, Luciano Silva Cunha, Hudson Jose Verissimo, Sanny Lady Borges Carneiro e Leonardo Marques de Paula) são sócios da Egave. A Fiscalização apurou que os citados “sócios” da Egave laboram como administradores nas empresas do Grupo OCP, diretores operacionais, gerentes, etc. assinando documentos de gestão empresarial, aprovando contratação de trabalhadores, etc. Em Diligência Fiscal a um dos estabelecimentos da empresa em TaguatingaDF a Fiscalização apurou que a concessionaria de veículos se estrutura em seis departamentos (Veículos Novos, Veículos Seminovos, Serviços/Oficina, Facilidades/Cadastro, Administrativofinanceiro e Peças) e que os gerentes de cada um desses setores, respectivamente, Joao Oliveira Gualberto Junior, Luciano Silva Cunha, Hudson Jose Verissimo, Sanny Lady Borges Carneiro, Leonardo Marques de Paula e Flavio de Souza, à exceção deste último, todos são sócios da Egave. A Fiscalização colheu o depoimento de um dos gerentes que administrava um dos departamentos da Orca Taguatinga, que confirmou que o seu superior hierárquico era o Sr. Nilson Cusatis, “sócio” da Egave e diretor operacional na Orca e na Jorlan S/A. Tal circunstância houvese por confirmada pelo Sr. Cusatis, em depoimento na Delegacia da RFB. A Fiscalização apurou, ainda, que a Administração Geral é exercida pelos irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando. Em Diligência Fiscal na Tork Veículos, a Fiscalização foi recebida por Marcio Macedo do Oliveira, “sócio” da Egave, que entregou seu cartão de visitas em que é qualificado como diretor operador da Tork Veículos, nele constando telefone, email e endereço da Tork Veículos, embora Marcio Macedo seja Formalmente “sócio” de uma suposta empresa de consultoria. Fl. 10103DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 A Fiscalização colheu a termo depoimento prestado por Cassius Wendel de Carvalho, empregado da Tork, que informou ser supervisor de vendas de veículos novos e estar subordinado ao gerente administrativo Marcelo Ferreira e ao diretor Marcio Macedo; ou seja, o próprio empregado da fiscalizada declarou que esta subordinado a um consultor da Egave. Também se houveram por reduzidas a termo as informações prestadas por Sergio Pires Coutinho, que se autodeclarou como “sócio” da Egave e como gestor do departamento de serviços (oficina) da Tork. Além disso, informou que estava subordinado aos vicepresidentes do grupo OCP e sóciosadministradores da Orca Veículos Antonio Carlos, Orlando Carlos e Luis Fernando, apenas confirmando que “sócios” da Egave exercem função de gerência nas empresas do grupo OCP, estando subordinados aos vicepresidentes do grupo OCP. A Fiscalização constatou que diversos gerentes desempenhavam suas funções, a princípio, como empregados formais de empresas do grupo OCP e que, posteriormente, foram demitidos sem justa causa, mas continuavam a executar o mesmo serviço sem a1teração de suas atribuições e local de trabalho, mas, agora, na condição de “sócios” da Egave. Os “sócios” da Egave, assim, eram admitidos para desempenhar funções diretamente relacionadas à atividadefim da fiscalizada. Na estrutura produtiva da empresa, os ocupantes destes cargos são efetivamente empregados subordinados ao gerente/diretor operacional. Já o gerente operacional (também chamado de operador) é diretamente subordinado à administração geral, conforme documentos e depoimentos de “sócios” da Egave que já ocuparam este cargo em empresas do grupo OCP (Roberto Carlos Moreira Carvalho, Arlindo Boemer Antunes Costa e Nilson Luiz Delascio Cusatis). Também se revestem dos pressupostos do vinculo empregatício os cargos de gerente/diretor operacional (ou gestor operador). Alguns dos “sócios” da Egave ouvidos pela Fiscalização não se declararam como gerentes ou chefes de departamento, mas afirmaram ser os “responsáveis pela gerência e administração de setores das empresas contratantes”, sendo evidente que o nomen iuris dado ao cargo não lhe altera a natureza jurídica. Assim, independentemente do título, o fato é que diversos “sócios” da Egave exerciam funções gerenciais na estrutura das empresas do Grupo OCP, estando subordinados diretamente à direção geral da empresa exercida pelos sóciosadministradores Antonio Carlos, Orlando Carlos e Luis Fernando. O contribuinte fiscalizado foi intimado a apresentar o organograma detalhado da empresa e os responsáveis por cada setor a partir de 2008. No entanto, respondeu que não tem um organograma formal e apenas relacionou alguns cargos que se encontram em posição hierárquica inferior aqueles listados anteriormente e que são ocupados por empregados formais da Orca, omitindo assim os cargos de gerência, os quais são ocupados por “sócios” da Egave. Quanto à direção operacional da empresa e dos departamentos que a estruturam cargos ocupados por sócios da Egave nada mencionou. Fica patente que o contribuinte procurou ocultar a verdade acerca dos fatos relacionados às operações estabelecidas entre as empresas do Grupo OCP e a Egave. Em Diligência Fiscal realizada na concessionária de veículos da Jorlan S/A, localizada no setor SIA em Brasília, a Fiscalização constatou que os gerentes Maria Lúcia da Silva Sousa, Alessandra Doreia Figueiredo, Estenio Tiberio Pereira da Costa, Carlo Carvalho Farinha, Alessandro Gonçalves Farias e Leandro Lourenço Dias de Mattos, respectivamente, gerentes dos departamentos Administrativofinanceiro/suporte, facilidades/analista de crédito, vendas de novos/consultor de vendas, serviços/auxiliar administrativo, venda de seminovos/consultoria de vendas e peças/comprador eram, sem exceção, “sócios” da Egave. Fl. 10104DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.168 25 Em depoimento reduzido a termo, Leandro Lourenço Dias de Mattos identificouse à Fiscalização como funcionário da Jorlan S/A, informando que trabalha na empresa desde 08/2008, como gerente do departamento de peças, e que seu superior hierárquico é o Sr. Nilson Cusatis. Em seu cartão de visitas, o Sr. Leandro se apresenta como gerente de Pecas e Acessórios e, apesar de constar logotipos da Jorlan e da Egave, todas as informações condizentes ao site da internet, email (leandro.mattos@jorlan.com), endereço comercial e telefone referemse à Jorlan S/A. Alessandro Gonçalves Farias, gerente do departamento de seminovos, informou que trabalha como “sócio” da Egave; que começou a trabalhar na Jorlan S/A em 01/2011; que é gerente do departamento de seminovos e que seu superior hierárquico é Nilson Cusatis. A Fiscalização apreendeu documentos da Jorlan S/A assinados por “sócios” da Egave, assinados e autorizados por Estenio Tibério, identificado como “Gestor de Veículos Novos Jorlan S/A”; por Alessandra Dorea, identificada como “Gestora do Negócios”, e por Alessandro Farias, identificado como “Gestor de SemiNovos Jorlan S/A”. Estes três gestores que representam a Jorlan S/A nesses documentos são “sócios” da Egave. Em outra Diligência Fiscal realizada na Jorlan S/A, o Sr. Estenio Tiberio se apresentou como “gestor do novos”. Seu email institucional (estenio.tiberio@jorlan.com) , telefone e endereço comercial, estampados em seu cartão de visitas, também são da Jorlan S/A. Informações prestadas pelo Sr. Estenio, e reduzidas a termo, revelam que o depoente ocupa o cargo de “gerente/gestor" do departamento de veículos novos, gerencia toda a equipe lotada nesse departamento e que está diretamente subordinado ao diretor vicepresidente da Jorlan S/A Sr. Luis Fernando. Também indicou os departamentos existentes na Jorlan S/A e seus respectivos gerentes: · Peças Leandro Mattos; · Serviços Carlo Farinha; · Veículos seminovos – Alessandro Farias; · Veículos novos: o próprio. Verificase, portanto, que a concessionária Jorlan S/A se estrutura sobre os mesmos departamentos que a Orca, e que estes são coordenados por um diretor operacional (ou gestor operador ou simplesmente operador). Da mesma maneira, os operadores e os gerentes dos departamentos são, formalmente, “sócios” da Egave, confirmando o esquema Fraudulento implementado nas empresas do grupo OCP. Tal organograma foi confirmado por alguns depoentes que compareceram e prestaram depoimentos na Delegacia da RFB, conforme descrito no item 16 do Relatório Fiscal, a fls. 5672/5675. Devidamente intimada, a OCT veículos apresentou a Folha de Pagamento da empresa, sendo constatada inexistência de empregados ocupando a maioria dos cargos de gerência, nomeadamente nos departamentos de veículos novos, pecas, serviços e financiamento/analise de credito, diretor operacional. Quanto à gerência de veículos usados, Claudio Vieira Bezerra ocupou formalmente o cargo Fl. 10105DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 ate 31/5/2008. Conforme dados de GFIP, ele foi demitido sem justa causa e, na sequência, foi admitido como “sócio” da Egave para ocupar as mesmas atribuições na Tork Veículos. A Fiscalização apurou que os gerentes foram gradativamente substituídos por “sócios” da Egave em muitas vezes, pela mesma pessoa. Os “sócios” da Egave não atuavam como consultores do departamento, mas como os verdadeiros gerentes, com poderes de mando, direção e fiscalização. Entendimento contrário nos levaria a concluir que a empresa se estrutura em departamentos acéfalos. A própria direção operacional da concessionaria não possui ocupante empregados, cargo esse ocupado por um “sócio” da Egave. De fato, conforme descrito no tópico 15 do Relatório Fiscal, a fls. 5671/5672, a Fiscalização constatou que várias pessoas que eram empregados de empresas do grupe OCP, foram demitidas sem justa causa para, em seguida, ingressaram no quadro societário da Egave para prestar serviços para a mesma empresa eu para outra empresa do grupo OCP. Diligência promovida na General Motors do Brasil revelou que treze dos dezesseis gerentes ou diretores da Orca que participaram de treinamentos promovidos pela GM do Brasil eram “sócios” da Egave. De outro eito, dentre os eventos promovidos pela GM do Brasil, em pelo menos três deles a Orca foi representada por “sócios” da Egave, qualificados como diretores e gerentes da Orca. · Lançamento Captiva — Ano 2008 Renato Faria Araújo Cargo: Diretor Operador; · Lançamento Agile — Ano 2009 Renato Faria Araújo – Cargo: Diretor Operador; · Encontro Nacional / Lançamento Novo Classic Ano 2010 – João de Oliveira Gualberto Junior Cargo: Gerente de vendas Novos Reclamatórias trabalhistas examinadas pela Fiscalização revelam que o Reclamante Eder Leoni alega existência de relação de emprego com o grupo econômico composto por Jorlan S/A e Egave. Resumidamente, sustenta o reclamante a unicidade contratual, tendo a relação de emprego se originado em marco de 2004, encerrado em dezembro de 2008, com ruptura simulada em marco de 2007, quando rescindiu seu contrato de trabalho junto a Jorlan S/A (ao menos formalmente) e Foi admitido como “sócio” da Egave para continuar prestando serviços à Jor1an S/A. Da leitura dos depoimentos, destacamos alguns pontos: · O reclamante era empregado da Jorlan S/A e alegou que recebeu proposta para rescindir seu contrato de trabalho com a Jor1an S/A vinculada à proposta de ser admitido como “sócio” da Egave e continuar prestando os mesmos serviços na Jor1an S/A; · O reclamante não pagou pela quota quando admitido na sociedade assim como nada recebeu quando foi desligado; · os sócios da Egave que tinham uma quota de R$ 1,00 não pagaram por ela; · o vicepresidente da Jorlan S/A afirmou que o reclamante continuou a trabalhar na empresa, realizando as mesmas atividades e no mesmo horário, porém, como sócio da Egave; Fl. 10106DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.169 27 · o vicepresidente da Jorlan S/A informou que Roberto Carvalho, enquanto sócio da Egave, ocupava cargo de direção na Jor1an S/A e tinha poderes para demitir funcionários da Jorlan S/A; · o vicepresidente da Jorlan S/A declarou que o reclamante, no âmbito das atividades desenvolvidas na Jorlan S/A, mesmo depois de prestar serviços como sócio da Egave, era subordinado a Roberto Carvalho; · O preposto da Egave afirmou que houve uma reunião da Egave para decidir sobre o desligamento do reclamante, mas não sabe quando ocorreu ou quem conduziu a suposta reunião. Por outro lado, o vicepresidente da Jorlan S/A e também sócio da Egave, declarou que não houve reunião de sócios para o desligamento do reclamante da segunda reclamada. Por sua vez, Roberto Carvalho, diretor da Jorlan S/A no período do evento e citado nos depoimentos, enfatizou que foi o responsável pelo afastamento do reclamante da Jorlan S/A, que comunicou Maria Rollin para as providencias administrativas devidas e que não participou de reunião de sócios da Egave para que houvesse o desligamento. · Eder Leoni, quando compareceu à Delegacia da RFB, confirmou que foi dispensado definitivamente de suas atividades na Jorlan S/A pelo diretor Roberto Carvalho e que a dispensa foi concomitante a sua retirada da Egave. Resumindo, a dispensa do funcionário de suas atividades na empresa contratante representou seu desligamento como sócio da Egave; · Por fim, destacamos que o preposto e sócio da Egave disseram que a maioria dos sócios da Egave eram empregados de empresas do grupo ao qual pertence a Jorlan S/A. O aviso prévio referente à rescisão formal do contrato de trabalho de Eder Leoni foi assinado por Maria Lúcia da Silva Sousa, representando o empregador no exercício de suas funções de gerente administrativa da Jorlan S/A. Também há uma carta de apresentação de Eder Leoni, assinada em 9/5/2007 por Maria Lúcia da Silva Sousa, novamente identificada como gerente administrativa, merecendo ser frisado que Maria Lúcia da Silva Sousa foi demitida da Jorlan S/A em 2008, admitida como sócia da Egave e continua a exercer as mesmas atividades. Outra prova apresentada na reclamatória referese a uma carta em que a Jorlan S/A nomeia e constitui Eder Leoni como preposto para representar a empresa em audiência em Juizado Especial. Tal carta foi assinada em 26/7/2007 por Nilson L. D. Cusatis, identificado como Diretor Operador da Jorlan S/A. Nesta data, tanto Eder Leoni como Nilson Cusatis não eram empregados formais da Jorlan S/A. Apesar de serem formalmente prestadores terceirizados de serviços de consultoria, o primeiro foi nomeado preposto para representar a Jorlan S/A e o segundo tinha poderes para nomear prepostos na qualidade de diretor operacional da contratante. O documento evidencia, novamente, que os sócios da Egave eram empregados de empresas do grupo OCP com poderes, inclusive, para nomear e atuar como prepostos para representar a empresa perante o Poder Judiciário. Quanto à sentença proferida pelo Juiz do Trabalho que reconheceu a relação de emprego, transcrevemos abaixo alguns trechos: Fl. 10107DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 a prestação de serviços continuou como antes, quando havia a relação de emprego; a relação societária entre reclamante e a segunda reclamada, a começar pelo tamanho da participação societária, ou seja, 01 cota no universo de 1918 cotas, o que corresponde a o,52%, adquirida gratuitamente de vínculo societário não te nada; ainda que se considerasse válida a relação societária, entre o reclamante e a segunda reclamada, seria típica situação caracterizadora de terceirização na atividadefim, ostentando, portanto, caráter ilícito, na forma da tese da sumula 331 do TST. Tais elementos revelam que o mecanismo fraudulento construído pelas reclamadas de inteligente e sofisticado não tem nada. Tratase de fraude grosseira envolvendo a necessidade de pouca mobilização cognitiva por parte de estruturas neurobiológicas de um ser humano com um mínimo de instrução. Diante do presente cenário, com fundamento nos artigos 3º e 9º da CLT e no princípio da Primazia da Realidade, reconheço a relação de emprego entre o reclamante e a segunda reclamada no período de 22/03/2007 a 16/12/2008 [...] condeno a primeira reclamada ao pagamento dos mesmos direitos de forma solidária [...] A Primeira Turma do TRT não reconheceu o vínculo empregatício, embora o relatório do Desembargador Federal do Trabalho seja claro ao afirmar que “efetivamente houve a simulação de um negocio jurídico, com a celebração de contrato de prestação de serviços com nítido intuito de burlar o Fisco”. Em sua argumentação, o Desembargador não reconheceu o vínculo por entender que o reclamante participou voluntariamente da fraude: “Desse modo, a pretensão do reconhecimento do vínculo esbarra no óbice de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza. O princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas, no caso em análise, resta mitigado diante da fraude perpetrada pelo autor. Em tal cenário, temse por válida a avença civil firmada entre as partes”. Provas colhidas em outro processo trabalhista revelam que o reclamante requer, entre outros pontos, o reconhecimento de vínculo empregatício com a JPAR (Jorlan Caminhões/Forlan Caminhões), ao fundamento de haver ocupado o cargo de diretor operador na JPAR e de que sua contratação foi formalizada mediante inserção no quadro societário da Egave, recebendo seu salario na forma de distribuição de lucros. O reclamante alegou que foi combinado que receberia remuneração mensal fixa de R$ 7.000,00, tendo negociado inicialmente com o Sr. Landim, representante do grupo OCP. Também apresentou emails comprovando que Orlando Carlos Junior participou das negociações e do Fechamento do contrato. Na negociação, Orlando Carlos Junior discorre: “conforme mencionado abaixo referente nosso acordo para sua contratação como operador da Jorlan Caminhões [...]. Esta claro que não se trata de contratação de empresa de consultoria em gestão, mas de uma pessoa física para assumir o cargo de operador da filial. Orlando Carlos Junior assina os emails como representante do grupo Jorlan e não como sócio da Egave (também utiliza email institucional da Jorlan), evidenciando que a JPAR negociou a contratação do reclamante sem a intermediação da Egave. Fl. 10108DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.170 29 Além disso, o reclamante tornouse sócio da Egave aproximadamente seis meses depois de iniciar suas atividades na JPAR. Ele foi incluído como sócio da Egave em 10/4/2006, conforme 10ª alteração contratual da empresa. Entretanto, começou a trabalhar para a JPAR em novembro de 2005. No período de novembro de 2005 a abril de 2006, não recebia comprovantes de rendimentos da Egave e a remuneração era depositada diretamente em sua conta corrente. A partir da formalização de sua admissão como sócio, passou a receber os recibos de pagamento emitidos pela Egave. Os extratos bancários e os comprovantes emitidos pela Egave foram anexados ao processo. O reclamante também afirmou que Antonio Carlos, um dos três irmãos, vicepresidente da JPAR e seu superior hierárquico, a quem respondia diretamente, foi o responsável por realizar seu acerto rescisório, tendo comprovado mediante emails que demonstram um impasse ocorrido por ocasião da rescisão. Os fatos aviados nas provas constantes na reclamatória trabalhista em questão (fl. 5685) bem demonstram que o reclamante era o gerente geral da concessionaria de caminhões, tinha poderes para admitir funcionários e estava subordinado a Antonio Carlos Machado, e que a negociação e aprovação do acerto rescisório coube a Antonio Carlos Machado. Notou a Fiscalização que Leonardo Prudente, supostamente sócioadministrador da Egave, em momento algum é citado em documentos relacionados à contratação, à rescisão ou a outras questões referentes à prestação dos serviços. Alguns pontos merecem destaque no depoimento do diretor da JPAR e do sócio administrador da ORCA. · reconhece que o reclamante era gerente geral da concessionaria e que estava subordinado diretamente a Antonio Carlos, fato que evidencia a pessoalidade, não eventualidade e subordinação jurídica à JPAR; · confirma que o reclamante foi contratado pela JPAR para receber um valor lixo, apesar de atuar como sócio de outra empresa, fato que demonstra a onerosidade e denuncia que o reclamante não recebia sob a forma de lucros distribuídos; · reconheceu que enviou o email em que a remuneração do reclamante foi acertada. Além de confirmar a subordinação, denota a contratação de pessoa física e não da Egave; · informa que o reclamante, enquanto diretor operador pessoa Física (e não a Egave), poderia ter direito a participação nos lucros da JPAR e que as regras do programa eram definidas pela JPAR. Também vale lembrar que o contrato entre JPAR e Egave prevê pagamento com base no faturamento da JPAR e não nos lucros. Quanto ao depoimento do preposto da Egave, o sócio Salvino Pires Sobrinho: [...] que é sócio das 2 reclamadas, sendo que trabalhou desde a criação da JPAR Caminhões até pouco mais do seu fechamento; [...]; que salvo engano o reclamante recebia ordens de serviço do Sr. Antonio Carlos, vicepresidente do grupo; que o reclamante era gestor da Jorlan Caminhões; [...] que é gestor da Jorlan automóveis e recebe participação nos lucros de forma semestral [...], Fl. 10109DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 que durante 1 ano recebe participação nos lucros no valor máximo de um salário ...; Como visto, o sócio da Egave, além de ratificar a existência dos pressupostos do vínculo empregatício na relação entre o reclamante e a JPAR, apresentou alguns esclarecimentos relevantes sobre a sua relação com a Egave e a JPAR ao informar que gerenciou a Jorlan Automóveis (estabelecimento da JPAR) e que recebia participação nos lucros, apesar de prestar serviços como terceirizado (sócio da Egave). Diversos “sócios” da Egave foram formalmente intimados a prestar esclarecimentos e a apresentar documentos relacionados a prestação de serviços pela Egave, ao relacionamento com as empresas contratantes, a organização administrativa e operacional da Egave e aos critérios e forma de pagamento de rendimentos aos sócios. Todos os depoimentos e documentos coletados junto aos sócios da Egave foram anexados ao processo, merecendo destaque algumas respostas reproduzidas no item 19 do Relatório Fiscal, a fls. 5688/5701, das quais se extrai que: O depoimento de Roberto Carlos Moreira Carvalho evidencia que o contrato de prestação de serviços de consultoria era um instrumento simulatório. O depoente foi convidado para ocupar um cargo de gestão na Jorlan S/A e efetivamente prestou serviços como diretor operacional da Jorlan S/A. Ainda assinalou outros sócios da Egave que trabalhavam na mesma condição. Sua relação de subordinação com os diretores vicepresidentes da Jorlan S/A era clara, eis havia reuniões em que eles estabeleciam as diretrizes e metas e nas quais o depoente apresentava os resultados. Roberto Carlos Moreira Carvalho deixou claro que era o maior executivo operacional da empresa e que os demais funcionários, inclusive os sócios da Egave que eram gerentes de departamento, estavam sob sua subordinação. Todos os fatos analisados corroboram o entendimento de que "foi implementado um mecanismo fraudulento para ocultar a relação de emprego entre o depoente e a empresa fiscalizada”. Armando Bulgari Filho declara que foi diretor operacional da Forlan Caminhões, empresa do grupo OCP, de julho de 2008 a marco de 2009; Como diretor operacional, era responsável pela gestão geral da empresa nas áreas comercial e técnica; Quanto à contratação, informou que se candidatou a uma vaga de gerente de serviços da Forlan Caminhões e o responsável pelo departamento de RH, Alan Patric, o convidou para participar da seleção para a vaga de diretor operacional, sendo que foi selecionado apos varias entrevistas. Foi informado que seria sócio da Egave somente no momento em que se apresentou como diretor da Forlan à sede da empresa em Goiás para as devidas formalizações contratuais. Novamente se demonstra que os contratos celebrados com a Egave eram utilizados para mascarar a contratação de empregados por empresas do grupo OCP. Sylvio Machado Tosta Junior esclareceu que era responsável pela gerência de oficina na Jorlan S/A, sendo que todos os empregados deste setor estavam sob sua subordinação e ele estava subordinado ao diretor operacional, Sr. Nilson Cusatis e, posteriormente, Roberto Carvalho. Foi demitido Fl. 10110DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.171 31 sem justa da causa do uma empresa do grupo OCP e, dois meses depois, passou a exercer as mesmas atividades, como sócio da Egave, em outra empresa do grupo. Afirma que não conhece Leonardo Prudente e desconhece suas funções na Egave; não soube informar as funções de Orlando Carlos da Silva Junior, Antonio Carlos Machado e Silva e Luis Fernando Machado e Silva na Egave, mas informou que eles coordenavam as reuniões das quais participou enquanto sócio da Egave, fato que demonstra que quem mandava na Egave eram o três irmãos e não o sócio majoritário. O mesmo teor dos depoimentos acima citados vai se repetindo nas declarações prestadas pelos demais “sócios” da Egave que exerciam cargos de gerência nas empresas do Grupo OCP, de onde se destaca que os contratos de prestação de serviços de consultoria eram um instrumento simulatório, utilizado para encobrir a relação jurídica trabalhista do obreiro com as empresas do grupo OCP e que se encontram subordinados diretamente aos vicepresidentes do grupo Orlando Carlos da Silva Junior, Antonio Carlos Machado e Silva e Luis Fernando Machado e Silva. As circunstâncias e as provas acostadas pela Fiscalização aos autos bem demonstram o modus operandi da Organização em tela. As empresas do Grupo OCP, necessitando contratar profissional especializado para ocupar um cargo de relevo no Grupo, busca no mercado de trabalho e seleciona o profissional que melhor atende às suas necessidades, mas só o contrata se for na condição de sócio da empresa Egave, condição que se dá com a transferência de 01 (uma) cota no valor de R$ 1,00 do sócio Leonardo Prudente para o novo “sócio” contratado. Diante de tal quadro, ou o profissional se ajusta ao requerido e se “associa” à Egave, ou se sujeita a permanecer no ostracismo no mercado de trabalho. No desempenho de suas funções, o trabalhador contratado na forma do paragrafo anterior se apresenta e atua exatamente como gerente/diretor da empresa do Grupo OCP (nunca na condição de mero consultor de gestão), se subordinando diretamente aos vicepresidentes do Grupo OCP, com amplos poderes de gestão e em nome da empresa contratante, circunstância que revela a alteralidade na prestação dos serviços, quintessência supralegal da relação de emprego e da relação de segurado empregado. Na prestação dos serviços, toda a infraestrutura técnica e operacional são de propriedade e responsabilidade da Contratante, entrando a Egave tão somente com a mão de obra do seu sócio, como sói ocorrer numa relação jurídica entre empresa e empregado. Para desempenho de suas atividades, o contribuinte fiscalizado disponibiliza uma remuneração composta de parte fixa e variável, instalações físicas e equipamentos (sala, mesa, computador, linha telefônica, etc.), cursos de aperfeiçoamento, assistência médica, cartões de visita corporativo e email institucional. Revelase assim, uma vez mais, o atributo da alteralidade, na medida em que, na realidade dos fatos, o “sócio” não atua em nome da Egave, mas, sim, como longa manus da empresa contratante. Não se tratam de meros analistas de relatórios, de estudo de tendências e estratégias que assessoram o departamento. Não havia um empregado formal que atuasse como gerente dos departamentos que administravam ou da própria concessionaria, conforme folha de pagamento e fatos constatados pela Fiscalização. O gerente é o próprio sócio da Egave e é responsável pela direção, Fl. 10111DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 controle e fiscalização de departamentos cujas atividades estão relacionadas diretamente à atividadefim da Recorrente. Os “sócios” tem que cumprir o horário, padrão de serviço e as metas estabelecidos pela contratante, se reportando diretamente aos vicepresidentes do Grupo OCP, circunstâncias que revelam o poder de controle e hierárquico da Contratante sobre os trabalhadores em foco. A existência de simulação e da relação jurídica de fato típica de patrão vs empregado avulta de maneira insofismável do fato de a demissão do gerente das empresas do Grupo OCP implicar, automaticamente, a exclusão do trabalhador do quadro societário da Egave. Como visto, a subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando, onde e quanto do serviço será executado, além do poder de controle sobre o serviço realizado e de dispensa mesmo sem justa causa do trabalhador. A Fiscalização apurou que os “sócios” da Egave possuem em comum características que deixam claro que a pessoa jurídica em tela houvese por criada, tão somente, para atender ao modelo de contratação de empregados implementado pelo Grupo OCP, visando a excluirse dos encargos tributários e trabalhistas previstos na legislação federal. Os contratados como “sócios” da Egave são, na verdade, profissionais pessoas físicas que, em caráter não eventual, executam pessoalmente os trabalhos contratados, visando a atender as atividades normais da Autuada, relacionadas diretamente com os fins do empreendimento econômico desta. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa Autuada. Podese perceber a não eventualidade do serviço, ainda, no elevado volume de operações contínuas e de rotina, originárias desta relação entre as empresa do Grupo OCP e a Egave, comprovadas em quase uma centena de contratos, no período de apuração. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do serviço do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa contratante, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. No caso em litígio, a não eventualidade diz espeito à contratação de serviços de Gestão de Recursos Humanos, gestão Financeira e Administrativa, bem como Gerenciamento de Força de Vendas de veículos novos e usados, serviços de oficina, venda de pecas, administração e finanças, negócios, contabilidade, operação de concessionarias, etc., todos relacionados com a atividade fim da Autuada e à natureza do trabalho desenvolvido pelo profissional em relação à natureza do trabalho a que a Contratante se propõe a executar, bem como à necessidade permanente dessas categorias de profissionais especializados para a realização de seu objeto social. A Fiscalização constatou que os contratos de prestação de serviços são padronizados, no estilo Contrato de Adesão, em geral, firmados por período de 12 meses, podendo ser renovados automaticamente por período anual, desde que as partes não se manifestem de forma contrária. Os contratos possuem como objeto cláusula genérica mediante a qual a Egave “se obriga a executar os seguintes serviços para a Contratante: Gestão de toda e qualquer atividade Fl. 10112DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.172 33 relacionada as seguintes áreas: Recursos Humanos, Financeira, Administrativa, Gerenciamento de Força de Vendas e Outras Sociedades”. Os “sócios” da Egave, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Recorrente, inseremse na dinâmica regular das empresas do Grupo OCP, que necessitam do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social e aos contratos celebrados com os seus clientes. Esta necessidade permanente da contratação destes profissionais comprova, com contundência, a não eventualidade dos serviços prestados. A pessoalidade tem sua caracterização realçada no fato de o trabalho contratado ser realizado, unicamente, por intermédio dos “sócios” da Egave, contratados especificamente para ocupar aquele cargo na empresa contratante. A Fiscalização demonstrou que os trabalhadores eram selecionados pelas próprias empresas do Grupo OCP, mas somente eram contratadas se fosse por intermédio da Egave, na condição jurídica aparente de “sócio” desta empresa de fachada. A Fiscalização apurou e demonstrou que os profissionais contratados por intermédio da Egave exerciam funções na estrutura hierárquica das empresas do Grupo OCP, com amplos poderes de gestão, se apresentando, inclusive, perante terceiros como gerentes e diretores das empresas contratantes. As provas colhidas pela Fiscalização revelam que a prestação dos serviços pelos “sócios” da Egave à Autuada ostenta natureza intuitu personae, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação. Avulta das circunstâncias do caso que o risco da atividade econômica é integral da empresa contratante que, além do encargo de captar clientes no mercado de compra e venda de veículos novos e usados, peças, e oficina, contrata e remunera trabalhadores para a prestação de tais serviços aos seus clientes, e assume toda a responsabilidade perante estes terceiros pelos serviços prestados, respondendo tais trabalhadores, quando muito, de maneira regressiva, e tão somente nas hipóteses em que atuarem com dolo ou culpa, como sói ocorrer nas típicas relações jurídicas patrãoempregado. Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Recorrente se revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. A onerosidade, por derradeiro, foi comprovada pela Egave que relacionou os rendimentos creditados aos sócios no período fiscalizado, os quais foram declarados, também, em suas DIPJ. A onerosidade dos serviços prestados também foi comprovada pelos depoimentos dos “sócios” e “exsócios” da Egave que afirmaram que a remuneração por eles auferida nessa condição comportava parcelas fixa (valor mínimo) e parcela variável, esta dimensionada em função do alcance das metas estabelecidas pelo contratante. Fl. 10113DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 A apuração da base de cálculo das contribuições patronais previstas no art. 22 da Lei de Custeio da Seguridade Social se deu por aferição indireta, na forma descrita nos itens 292 a 306 do Relatório Fiscal, a fls. 5713/5716, e nos itens 332 a 346 do Relatório Fiscal, a fls. 5725/5730. Não procede, portanto, a alegação de que os sócios da Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C LTDA. atuavam, de fato e de direito, como consultores das recorrentes. Nas últimas duas décadas, passouse a observar neste País, uma tendência, capitaneada por grandes empresas, máxime as de comunicação e as de consultoria técnica, de se exigir que seus empregados se transformem em empresa individual ou se associem a empresa de consultoria, na condição de sócio minoritário, para contratálos como meros prestadores de serviços, aparentemente, sem vínculo empregatício, com o fito de esquivarse do recolhimento de encargos trabalhistas e previdenciários, sob o rótulo de “planejamento tributário”. Nessa nova arquitetura, o ex empregado, ao constituir sua própria empresa individual ou ao ingressar no quadro societário de outra pessoa jurídica e, nessa condição, assim ser contratado, deixa de ser empregado da contratante e passa a ser um mero prestador de serviços, mas continua cumprindo horário, recebendo ordens e exercendo as mesmas atividades de antes, nas dependências do contratante ou nas de terceiros. O mesmo ocorre com os demais trabalhadores disponíveis no mercado. Como consequência imediata dessa mudança de status (de pessoa física e empregado para pessoa jurídica e prestador de serviços), o trabalhador assim contratado perde os direitos trabalhistas e previdenciários assentados na CLT e na Lei nº 8.213/91, respectivamente, enquanto que a empresa contratante, por seu turno, além de poder contar com a prestação ininterrupta de serviços pelos 12 meses do ano pessoa jurídica não tem direito a férias , se exclui dos encargos trabalhistas e previdenciários inerentes à relação de emprego e à condição de segurado empregado. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurandose o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente previdenciários, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. O desvirtuamento dos direitos trabalhistas e previdenciários tratado nos parágrafos precedentes ganhou notoriedade na mídia com a celeuma que cercou a, assim denominada, Emenda 3, a qual, se aprovada, impediria a fiscalização do Trabalho de coibir situações fraudulentas desse jaez, na medida em que tal atribuição passaria a ser da competência exclusiva da Justiça do Trabalho, a qual, por seu turno, exige como condição sine qua non a provocação do prejudicado, digase, o trabalhador. Nesse contexto, o trabalhador, agora prestador de serviço pessoa jurídica, dificilmente irá questionar semelhante transgressão nos Tribunais Trabalhistas, eis que, ao buscar o acessório, incorre no risco de perder o principal o trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de Fl. 10114DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.173 35 trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93). A atuação fiscal empreendida no presente caso encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais formais apontem para a celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Fl. 10115DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da citada condição de segurado empregados existente entre o Recorrente e as pessoas físicas dos sócios da Egave, importando na submissão de contratante e “sócio” prestador de serviços, estes na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou do negócio jurídico praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial. Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato simulado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. Merece ser destacado que a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃO ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação Fl. 10116DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.174 37 tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Fl. 10117DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Fl. 10118DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.175 39 Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014. No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Reiterese que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. Fl. 10119DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Como visto, a empresa fiscalizada defendeu que o negócio celebrado com a Egave referiase a contratação de serviços de consultoria em gestão empresarial e apresentou uns poucos documentos (contratos, notas fiscais, registros contábeis, etc.) e alguns raros esclarecimentos para comprovar suas alegações. Entretanto, as análises efetuadas mostraram que as operações realizadas de fato não coincidem com a versão trazida pelo contribuinte. A Autuada não comprovou a efetiva necessidade dos serviços de consultoria, a racionalidade econômica do contrato celebrado com a Egave e os resultados esperados (exame do motivo e finalidade do negocio). Apesar dos valores significativos despendidos, da relevância dos serviços (gestão de setores diversos da empresa fiscalizada), da diversidade de especialidades dos prestadores de serviço e da abrangência geográfica de atuação da Egave (Distrito Federal. Goiás e Minas Gerais), a Egave e o contribuinte alegam não existir qualquer documentação relacionada ao gerenciamento e controle dos serviços contratados. Por outro lado, o contrato escrito firmado apresenta cláusulas genéricas que também não delimitam o objeto e o modo de operacionalização da “consultoria”. A Fiscalização comprovou que os alegados serviços de “consultoria” eram, em verdade, o próprio desempenho das funções de gerência e de diretoria das empresas do Grupo OCP (Gestão de Recursos Humanos, gestão Financeira e Administrativa, bem como Gerenciamento de Força de Vendas de veículos novos e usados, serviços de oficina, venda de pecas, administração e finanças, negócios, contabilidade, operação de concessionarias, etc.), de natureza permanente e não eventual, todas necessárias e relacionadas com a atividade fim da Autuada. Restou demonstrado que os “sócios” da Egave, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Recorrente, inseremse na dinâmica regular das empresas do Grupo OCP, que necessitam do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social e aos contratos celebrados com os seus clientes. Diante de tal panorama, visando a aprofundar a investigação, a Fiscalização passou a examinar outros elementos de prova que poderiam esclarecer os fatos verdadeiramente ocorridos, sendo então intimados vários sócios e exsócios da Egave para prestar esclarecimentos formais, realizouse diligências à General Motors do Brasil, foram examinados os conjuntos probatórios de reclamatórias trabalhistas, realizouse diligências fiscais a estabelecimentos da Fiscalizada e a outras empresas do Grupo OCP, foram tomados depoimentos de empregados e gerentes de empresas do Grupo OCP, dentre outras providências. Como resultado de tal procedimento, concluiu a Fiscalização que a contratação dos serviços de consultoria não passou de mera simulação jurídica. Para tanto, a administração do grupo OCP criou a Egave, designou um “laranja” para ser seu sócioadministrador, elaborou contratos de prestação de serviços sem definição especifica do seu objeto, emitiu notas fiscais exclusivamente para empresas do grupo OCP e transferiu recursos financeiros das contas das empresas contratantes para a Egave. Todo este aparato teve, basicamente, dois objetivos: aumentar as retiradas pro labore dos administradores das empresas do grupo OCP e pagar a remuneração de empregados que exerciam funções de gerência nas empresas do Grupo OCP sem o peso dos encargos tributários e trabalhistas, mediante o artifício da interposição fraudulenta de suposta empresa de consultoria (Egave) com a finalidade única de ocultar a ocorrência de fatos geradores de obrigações tributarias e trabalhistas. Fl. 10120DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.176 41 A fraude se deu, portanto, pela criação de Pessoa Jurídica visando unicamente a albergar, na condição simulada de sócio minoritário, os trabalhadores de que necessitava para a execução das tarefas e demandas inerentes à sua atividade fim, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado, mediante a celebração de contratos civis de prestação de serviços técnicos pelos “sócios” simuladamente incorporados ao quadro societário da prestadora, mas sem a presença da affectio societatis, restando presentes, todavia, entre tais “sócios” e as empresas contratantes de seus serviços todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. A Fiscalização apurou que a administração da Orca, no período fiscalizado ate os dias atuais, vem sendo exercida pelos irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando os quais são, igualmente, responsáveis pela administração das outras empresas do grupo OCP. O trino de vicepresidentes suso citado eram sócios formais da Egave, desde a sua constituição formal até a primeira alteração contratual formalizada apos início do procedimento fiscal no Grupo OCP, sendo as pessoas que recebiam as maiores quantias a título de suposta “distribuição de lucros”. No exercício das funções de administradores das empresas do grupo OCP, os três irmãos autorizaram a contratação e o pagamento de aproximadamente R$ 38.000.000.00 para a Egave de 2008 a 2010. O quadro exposto no tópico 22 do Termo de Verificação Fiscal discrimina, por ano e empresa contratante, as receitas auferidas pela Egave nos exercícios de 2008 a 2010, conforme extraído das DIRF. Dessarte, considerando que os três irmãos eram sócios da Egave; que eles receberam vultosas quantias na forma de “lucros distribuídos” pela Egave; que “os lucros eram distribuídos de acordo com o cumprimento de metas de cada “sócio”; que os “sócios” supostamente prestam serviços de consultoria em gestão; que a Egave prestou serviços exclusivamente para as empresas listadas acima; e que os três irmãos são administradores destas empresas; chegase a desarrazoada constatação que eles contrataram a si próprios para prestar consultoria em gestão em empresas que já estavam sob sua gestão, direção e administração. Alguns sócios da Egave, em depoimento prestado na Delegacia da RFB em Brasília, foram formalmente questionados sobre as atribuições dos três irmãos enquanto sócios da Egave. Sylvio Machado Tosta Junior não soube informar as funções dos três na Egave, mas informou que eles coordenavam as reuniões das quais participou enquanto responsável pela gerência do departamento de serviços da Jorlan S/A e sócio da Egave. Eder Leoni dos Anjos não soube informar quais as funções dos três na Egave, mas relatou que eles eram os vicepresidentes da Jorlan S/A e que estava sob subordinação deles na Jorlan S/A. Pedro Neres de Azevedo não soube dizer qual a função e atribuição dos três na Egave. Fl. 10121DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 Vanda Maria Ferreira Caitano, muito embora fosse a pessoa de confiança na empresa, já que recebeu procuração da Orca, da Egave e da Jorlan S/A para representálas perante a RFB em procedimento fiscal e era a responsável pela escrituração contábil das empresas do grupo, também não soube informar quais eram as funções dos três na Egave. Merece ser lembrado, ainda, que os contratos celebrados com a Egave definiam como remuneração dos “sócios” um valor fixo acrescido de um percentual sobre o faturamento. Ou seja, não é correto qualificar tais verbas como distribuição de lucros das empresas contratantes a seus sócios/acionistas administradores, uma vez que havia prévia definição contratual de repasse para a Egave independentemente de as contratantes auferirem lucros bastava que a empresa gerasse receita. Considerese, também, que a Egave informara que seus sócios prestavam serviços de consultoria em gestão e que os lucros eram distribuídos de acordo com o cumprimento de metas de cada “sócio”. Todavia, intimada a comprovar a definição das metas em cada contratante e sua relação com a quantia paga a título de distribuição de lucros, a empresa se recusou a apresentar tais documentos. Não se deslembre que, conforme já demonstrado, a Egave não possuía qualquer controle sobre os rendimentos dos “sócios”, de quanto era devido a cada “sócio”, tampouco qual era a composição dos rendimentos de tais trabalhadores, de onde se conclui que tal controle era realizado por outra entidade, certamente, as empresas do Grupo OCP. A Egave, mesmo intimada, não foi capaz de apresentar, sequer, os comprovantes de pagamento aos sócios. Diante de tal quadro, fica claro que as vultosas quantias que recebiam por intermédio da Egave, sob a forma de distribuição de lucros, travamse, em realidade, de efetiva remuneração percebida pelos serviços prestados como dirigentes das empresas contratantes. De todo o exposto, concluise que os valores recebidos pelos três sócios administradores citados, por meio de empresa interposta, a título de distribuição de lucros da Egave, são qualificados sobre o prisma da primazia dos fatos sobre os atos, como remuneração paga/creditada aos sóciosadministradores do Grupo OCP, segurados contribuintes individuais na forma da lei, base de cálculo de contribuições sociais previdenciárias. Os três sóciosadministradores do Grupo OCP respondem pela administração de todas as empresas que formalmente contrataram os serviços da Egave no período fiscalizado. Por isso, foram instauradas Diligências Fiscais em nome de cada um dos três, sendo estes intimados a informar em quais empresas trabalharam enquanto sócios da Egave, com discriminação para cada empresa do período e endereço em que ocorreu a prestação dos serviços; cargo ocupado e período; descrição, de forma clara e detalhada, das atribuições do cargo ocupado e das atividades desenvolvidas; bem como o valor dos rendimentos recebidos, por mês, em cada empresa que prestou serviços na condição sócio da Egave. Luis Fernando Machado e Silva não respondeu a intimação. Orlando Carlos da Silva Junior afirmou que prestou serviços de consultoria para Orca, Jorlan, JPar e TargetHonda, que não recebeu valores destes serviços das empresas relacionadas e que os lucros que recebeu da Egave estão declarados na declaração de imposto de renda. Antonio Carlos Machado e Silva declarou que prestou consultorias na Jorlan, Orca, J Par e Target; que não recebeu qualquer valor a título destas prestações de serviços, e que os valores que recebeu da Egave de distribuição de lucros estão declarados em seu imposto de renda. A Fiscalização também intimou a Orca a relacionar, para cada nota fiscal emitida pela Egave, as pessoas que prestaram os serviços, com indicação do período, local e numero de horas. A Fl. 10122DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.177 43 Egave, por seu turno, foi intimada a prestar estas mesmas informações com relação a todas as empresas contratantes. Contudo, os esclarecimentos requeridos não foram apresentados, impossibilitando a apuração direta da remuneração recebida individualmente pelos três irmão em apreço, por intermédio da Egave. Dessarte, diante da recusa, sonegação e apresentação deficiente de documentos e informações, a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias ora em debate houvese por apurada mediante o procedimento de arbitramento, com amparo no permissivo encartado nos parágrafos 3° e 6° do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, revertendo em desfavor do Autuado o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O valor tributável foi aferido indiretamente com base nas condições de contorno descritas nos itens 300 e 301 do Termo de Verificação Fiscal. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Fl. 10123DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 44 Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. As constatações empreendidas in loco pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil não deixam dúvidas: Efetiva ocorrência de contratação fraudulenta de profissionais especializados pela Recorrente para o atendimento de demandas contínuas e múltiplas inerentes à sua atividade fim e ao desempenho satisfatório do seu objeto social. A fraude se deu pela criação de Pessoa Jurídica visando unicamente a albergar, na condição simulada de sócio minoritário, os trabalhadores de que necessitava para a execução das tarefas e demandas inerentes à sua atividade fim, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado, mediante a celebração de contratos civis de prestação de serviços técnicos pelos “sócios” simuladamente incorporados ao quadro societário da prestadora, mas sem a presença da affectio societatis, restando presentes, todavia, entre tais “sócios” e as empresas contratantes de seus serviços todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. Não procede, portanto, a alegação de que as recorrentes, em busca de maior competitividade no mercado, socorreramse de mecanismo econômico e administrativo absolutamente lícito e comum, consistente na contratação de pessoa jurídica especializada para fornecimento de força de trabalho em áreas específicas. Conforme exaustivamente demonstrado, encontramse presentes todos os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de profissionais, quiçá para esquivarse dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Também não procede a alegação de que “nenhuma irregularidade se verifica na constituição da pessoa jurídica da empresa interposta, cujos atos constitutivos observaram estritamente as imposições legais, tratandose, pois, de verdadeira empresa de direito”. A irregularidade não esta nos atos constitutivos da empresa, mas sim, na intermediação fraudulenta de trabalhadores visando a se excluir dos encargos tributários e trabalhistas. Com efeito, nada impede que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. A condição de segurado empregado não exige exclusividade com o empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou operar como segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa recorrente. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa Autuada. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, Fl. 10124DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.178 45 procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. Aditese que as provas dos autos também revelam a existência de grupo econômico de fato entre as empresas Orlando Carlos Participações Societárias Ltda, OCS Investimentos AS, Jorlan Participações Societárias Ltda, Target Veículos Ltda, Parsec Corretora de Seguros Ltda, Orsa Agenciadora de Serviços e Seguros Ltda; Jorlan Administradora de Consórcio Ltda, JPAR Distribuidora de Veículos Ltda, BR France Veículos Ltda, JORLAN SA Veículos Automotores Importação e Comércio e Tork Chevrolet, conforme se pode constatar na página do grupo OCP na internet, no endereço eletrônico www.grupoocp.com.br, fato esse não contestado pelos Recorrentes. Da existência do Grupo Econômico de Fato acima mencionado, decorre a responsabilidade solidária das empresas do grupo pelo adimplemento do Crédito Tributário ora em constituição, conforme previsto no art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. 2.2. DO AUTO DE INFRAÇÃO CFL 68 Assentado que os serviços prestados à Autuada pelos “sócios” da Egave se deu com a presença ostensiva de todos os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, da mesma forma como os ganhos recebidos pelos três irmãos vicepresidentes do Grupo OCP ostentavam natureza de pro labore, revelase obrigatória, em relação a tais segurados, a observância de todas as obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, tanto pela empresa como pelos segurados em questão. Nessa vertente, tendo as remunerações auferidas por tais segurados natureza remuneratória, tais verbas deveriam ter sido, necessariamente, declaradas nas respectivas GFIP, porém não o foram. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Não procede, portanto, a alegação de que “não se verificando o descumprimento de obrigação acessória, impõese o afastamento da multa aplicada”. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o §5º do art. 32 do Pergaminho Legal em foco, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados Fl. 10125DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 46 relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) No mesmo sentido, assim dispõem os artigos 225, IV, e 284, II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social. Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Fl. 10126DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.179 47 Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, dessumese de forma hialina que cada apresentação de GFIP com omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada individualmente mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e, ao fim, devidamente somadas. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; Fl. 10127DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 48 II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; No caso em apreço, o valor mínimo acima referido acima foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 02, de 06/01/2012, publicada no Diário Oficial da União de 09/01/2012. Portaria Interministerial MPS/MF nº 02, de 06 de janeiro de 2012 Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2012: (...) Fl. 10128DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.180 49 IV o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.617,12 (um mil, seiscentos e dezessete reais e doze centavos) a R$ 161.710,08 (cento e sessenta e um mil, setecentos e dez reais e oito centavos); V o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do RPS é de R$ 16.170,98 (dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos); Procedente, portanto, o lançamento tributário levado ora a cabo pela Autoridade Fiscal Fazendária. 2.3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Mudamse os tempos, mudamse as vontades, Mudase o ser, mudase a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as magoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já cuberto foi de neve fria, E enfim converte em choro o doce canto. E, afora este mudarse cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soia. Luís de Camões Preliminarmente, deve ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou Fl. 10129DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 50 privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 10130DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.181 51 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 10131DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 52 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Fl. 10132DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.182 53 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e viceversa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 10133DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 54 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento Fl. 10134DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.183 55 de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, em relação ao Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.366.0251, CFL 68, tratandose o caso nele versado de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 2.4. DA MULTA APLICADA O Recorrente alega que a multa aplicada pela Administração acaba por violar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e, principalmente, do não confisco, previsto no artigo 150, inciso IV da Constituição Federal. Não ... Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) Fl. 10135DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 56 §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Deflui das disposições legislativas ora revisitadas que as vedações constitucionais acima mencionadas são dirigidas aos impostos – espécie tributária do gênero tributo, obrigação tributária principal , e não às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação tributária. Justificamse tais vedações pelo fato de os tributos serem prestações pecuniárias compulsórias, que não constituem sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Sendo compulsória, não há como o Contribuinte, ao praticar o fato gerador lícito, se esquivar do seu recolhimento. Já a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária representa sanção pela prática de ato tributário ilícito, o qual é perfeitamente evitável. Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados, além de outros dispostos na CF/88, são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico a princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido por aqueles que militam com profissionalismo no Direito Pátrio que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constitui se prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Cumpre trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição ainda que decorrente de uma interpretação conforme. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de Fl. 10136DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.184 57 autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Nesse sentido, no que é atávico ao Processo Administrativo Fiscal, determina o Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ser vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Fl. 10137DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 58 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, trigo de outra safra, porém, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar penalidade pecuniária aplicada nos estreitos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação a princípios constitucionais, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.5. DA PRODUÇÃO DE PROVAS O Recorrente alega ser possível a juntada de documentos apos a apresentação de impugnação, em observância ao princípio administrativo da verdade material. Mas com toda razão, desde que cumpridas as exigências da lei. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de Fl. 10138DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.185 59 defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados Fl. 10139DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 60 pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Diante de tal panorama, após o oferecimento da impugnação, a juntada de novos documentos há que ser requerida ao Órgão que irá apreciar e julgar o recurso eventualmente interposto, in casu, ao CARF, se se tratar de Recurso Voluntário, ou à CSRF, nas hipóteses de Recurso Especial, repousando aos ombros do Peticionante o encargo processual de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo quarto do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §4º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.6. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS O Recorrente, por amor ao debate, requer o afastamento da responsabilidade dos sócios da empresa. Cumpre, de plano, esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes dos vertentes Autos de Infração é da empresa, e não dos seus representantes legais arrolados no relatório intitulado "RELATÓRIO DE VÍNCULOS", não integrando estes o polo passivo da autuação. Fl. 10140DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723690/201281 Acórdão n.º 2302003.704 S2C3T2 Fl. 10.186 61 O anexo "Relatório de Vínculos" possui apenas caráter informativo, prestandose como mero subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Tal entendimento encontrase consolidado no Verbete da Súmula CARF nº 88, conforme se vos segue: Súmula CARF nº 88: A “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura da NFLD em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: Fl. 10141DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 62 (...) XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente;" Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição do Relatório de Vínculos, não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o valor da penalidade pecuniária aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.366.0251, CFL 68, ser recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 10142DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13831.000048/98-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/06/1997 a 31/12/1997
PIS/FATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. BASE DE CALCULO. SÚMULA CARF Nº. 15
Durante o período em que a Lei Complementar n° 7/70 teve vigência, a base de cálculo da Contribuição ao PIS foi o faturamento do sexto mês anterior a ocorrência da hipótese de incidência, em seu valor histórico, não corrigido monetariamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/06/1997 a 31/12/1997 PIS/FATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. BASE DE CALCULO. SÚMULA CARF Nº. 15 Durante o período em que a Lei Complementar n° 7/70 teve vigência, a base de cálculo da Contribuição ao PIS foi o faturamento do sexto mês anterior a ocorrência da hipótese de incidência, em seu valor histórico, não corrigido monetariamente. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13831.000048/98-09
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5438442
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.549
nome_arquivo_s : Decisao_138310000489809.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 138310000489809_5438442.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5847925
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703283302400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 401 1 400 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13831.000048/9809 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.549 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria PIS Base de Cálculo. Recorrente CAFEEIRA BRASÍLIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/1997 a 31/12/1997 PIS/FATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. BASE DE CALCULO. SÚMULA CARF Nº. 15 Durante o período em que a Lei Complementar n° 7/70 teve vigência, a base de cálculo da Contribuição ao PIS foi o faturamento do sexto mês anterior a ocorrência da hipótese de incidência, em seu valor histórico, não corrigido monetariamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 00 00 48 /9 8- 09 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13831.000048/9809 Acórdão n.º 3301002.549 S3C3T1 Fl. 402 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório contido no Acórdão Nº 20179.932 do Segundo Conselho de Contribuintes: A contribuinte foi autuada em 03/03/1998, conforme Auto de Infração de fls. 01/03 e anexos, por "FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL", referente ao período de 06/97 a 12/97. Foi lançado o valor do crédito apurado de R$ 266.538,67, referente a contribuição devida, juros de mora e multa proporcional. Apontou o auto de infração acerca dos valores do PIS/FATURAMENTO: (..) não recolhidos nos prazos regulamentares sob a alegação de compensação autorizado no Mandado de Segurança Proc. 97.100144471 com créditos decorrente de pagamento a maior do referido tributo no período de apuração 08/88 a 09/95, conforme demonstrativos apresentados pela autuada A sentença prolatada em 10/6/97, no Mandado de Segurança 97100014447 (sic), concedeu o direito da autuada compensar com o PISPROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL supostamente pago a maior, ressalvando ao Fisco, a qualquer momento, lavrar autuação caso apure inexistência dos supostos recolhimentos indevidos compensados. O alegado pagamento a maior inexiste, pois, para a autuada apurar o suposto pagamento a maior, converteu o imposto devido pelos valores das OTN/BTN/BTATFISCAL/UFIR do 6' mês subseqüente ao período de apura cão e os impostos recolhidos pelos valores de referência da data do pagamento. Às fls. 55/79 há cópia da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 97.10014447, concedendo a segurança. Inconformada, a empresa apresentou sua Impugnação de fl s. 120/144, afirmando haver ajuizado mandado de segurança "visando obter garantia às compensações realizadas no período questionado por este órgão", afirmando que a decisão judicial foi favorável, com deferimento de liminar e, posteriormente, sentença procedente. Aduz a nulidade da ação fiscal, tece considerações acerca da inconstitucionalidade dos DecretosLeis n's 2.445/88 e 2.449/88, acerca da compensação. Resolveu, então, o Delegado da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP, As fls. 230/247, julgar procedente o lançamento, conforme a seguinte ementa: FALTA DE RECOLHNIENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. A base de cálculo da contribuição para o PIS é o faturamento do mês a que se refere o fato gerador. (.) Ementa: DESCRIÇÃO DOS FATOS. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13831.000048/9809 Acórdão n.º 3301002.549 S3C3T1 Fl. 403 3 A descrição minuciosa e circunstanciada dos fatos apurados afasta a nulidade arguida. LANÇAMENTO PROCEDENTE". Afirmou a decisão estar o cerne da questão "no fato de a interessada ter considerado o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS sempre no sexto mês posterior ao da apuração, enquanto o autuante afirmou ser aplicável a legislação que modificou tais prazos". Então, citou pareceres e fundamenta dizendo que a base de cálculo utilizada pela contribuinte estava errada, não sendo o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Em Recurso Voluntário de fls. 251/282, a recorrente manifesta sua inconformidade com a decisão atacada, apresentando suas razões sob os fundamentos já trazidos e fundamentando seu entendimento a respeito do depósito prévio exigido para o prosseguimento do recurso voluntário. Há, às fls. 283/284, cópia de decisão judicial, proferida nos autos do Mandado de Segurança no 2000.61.11.0036415, deferindo liminar para determinar o recebimento do recurso sem a exigência do depósito de importância equivalente a 30% da exigência fiscal recorrida. Em sessão plenária de 20 de junho de 2002, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário n° 114.708, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. O Acórdão Nº 20176.196, que recebeu a seguinte ementa: PIS/FATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. BASE DE CALCULO. Durante o período em que a Lei Complementar n 7/70 teve vigência, a base de cálculo da Contribuição ao PIS foi o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência da hipótese de incidência, em seu valor histórico, não corrigido monetariamente. Recurso provido. Houve a apresentação, por parte da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, de embargos de declaração contra a decisão consubstanciada no Acórdão Nº 20176.196, solicitando retificação do julgado com fundamento no art. 28 do Regimento Intermo dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF N° 55/1998). Alegava que é nulo o acórdão que julgou incorretamente a admissibilidade do recurso à vista da falta de juntada os autos de documentação relativa à revogação de medida judicial que autorizava o seguimento do recurso, independentemente de arrolamento ou depósito recursal. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13831.000048/9809 Acórdão n.º 3301002.549 S3C3T1 Fl. 404 4 A falta de regularização do depósito ou arrolamento de bens, após revogação de medida judicial que autorizava a sua dispensa para o seguimento do recurso, implica ausência de requisito de admissibilidade do recurso. Tratavase de questão relevante e que exige a correção do acórdão embargado, uma vez que a falta de juntada da documentação aos autos fez o Relator do acórdão e a Câmara Julgadora incorrerem em erro. Considerou o acórdão, portanto, nulo. Dessa forma, a matéria de admissibilidade, cujo mérito foi apreciado de forma incorreta, à vista da falta de juntada de documentos, deve ser apreciada novamente no âmbito dos embargos. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal autuante, baseada no Ato Declaratório Interpretativo RFB Nº 16, de 21 de novembro de 2007, encaminhou o processo para o CARF, com a recomendação de que fosse apreciado o tempestivo Recurso Voluntário do contribuinte. É o relatório. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13831.000048/9809 Acórdão n.º 3301002.549 S3C3T1 Fl. 405 5 Voto Em 24 de janeiro de 2007, foram acolhidos os embargos declaratórios apresentados pela Presidência da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, considerando o Acórdão Nº 20176.196 nulo. Entretanto, considerando a publicação do Ato Declaratório Interpretativo RFB Nº 16, de 21 de novembro de 2007, a situação se modificou, já que o Ato dispõe da seguinte maneira: (...) Dispõe sobre o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento de recurso voluntário. Art. 1° As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) deverão declarar a nulidade das decisões que não tenham admitido recurso voluntário de contribuintes, por descumprimento do requisito do arrolamento de bens e direitos, bem como dos demais atos delas decorrentes, realizando um novo juízo de admissibilidade com dispensa do referido requisito. Parágrafo Único. A declaração de nulidade referida no caput será proferida mediante requerimento do contribuinte, observado o prazo prescricional de cinco anos, contados da ciência da decisão administrativa. Art. 2° Na hipótese de o débito ter sido encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o requerimento deve ser dirigido pelo contribuinte àquele órgão. (...) Assim, o processo retornou para novo julgamento do Recurso Voluntário anteriormente apresentado. A controvérsia disposta no processo é singela. A questão restringese à base de cálculo da contribuição para o PIS, pelo fato da recorrente ter considerado o prazo de recolhimento da contribuição o sexto mês posterior ao da apuração, enquanto a autuação afirmou ser aplicável a norma que modificou os prazos. Não faz sentido a discussão da já declarada inconstitucionalidade dos Decretoslei números 2.445 e 2.449/1988, em cujas disposições o lançamento não se assentou, assim como da legalidade da Instrução Normativa SRF n° 67/1992, pois o autuante não discordou dos critérios de compensação adotados pela impugnante na parte em que a referida instrução estabelece "limitações". O cerne da questão está, portanto, no fato da interessada ter considerado o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS sempre no sexto mês posterior ao da apuração, enquanto o autuante afirmou ser aplicável a legislação que modificou tais prazos, tudo nos exatos dizeres do Termo de Constatação Fiscal e da própria impugnação. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13831.000048/9809 Acórdão n.º 3301002.549 S3C3T1 Fl. 406 6 O assunto está sumulado pelo CARF: Súmula CARF Nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, ressalvado o direito de a Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte verificar o efetivo recolhimento e os cálculos. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 406DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003991/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2007
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
É cabível a aplicação da multa isolada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002.
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-002.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso, considerando tributáveis os rendimentos, porém incabível a multa por falta de retenção na fonte.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2007 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.003991/2010-91
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5440075
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2201-002.676
nome_arquivo_s : Decisao_19515003991201091.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 19515003991201091_5440075.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso, considerando tributáveis os rendimentos, porém incabível a multa por falta de retenção na fonte. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5853796
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703285399552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2014; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003991/201091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.676 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria IRRF Recorrente TEXTUAL CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso, considerando tributáveis os rendimentos, porém incabível a multa por falta de retenção na fonte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 91 /2 01 0- 91 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), consubstanciado no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal, fls. 324/332, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 121.657,43. A fiscalização aplicou multa de ofício de 75% e juros de mora isolados, devidos por falta de retenção e recolhimento de IRRF, referentes a fatos geradores ocorridos no período de 02/2006 a 12/2006. Transcrevese trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 324/332): O contribuinte intimado a comprovar a origem dos valores creditados em sua conta bancária com documentos hábeis e idôneos, apresentou, em 26/07/2010, justificativas para a origem de vários créditos através da apresentação de Notas Fiscais de Prestação de Serviços; Das justificativas apresentadas, concluiuse que os valores creditados em sua conta bancária eram, em parte, relativos às receitas de prestação de serviços omitidas, e os demais, referentes a depósitos bancários de origem não comprovada; Foi emitido o AI relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003423/201090), com as infrações de omissão de receitas e presunção de omissão de receitas por depósitos bancários não comprovados, tendo por bases de cálculo os valores demonstrados no ANEXO II. Através da análise dos extratos bancários fornecidos, também foram identificados lançamentos a débito com o histórico de pagamentos de salários, apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. E de acordo com as notas fiscais, contrato, e aditivos apresentados, os serviços eram prestados efetivamente pelos próprios sócios; A empresa foi intimada a apresentar esclarecimentos, tendo informado que se tratava de transferências feitas aos sócios, a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Verificouse que a empresa recebia os valores das notas fiscais, descontava Fl. 487DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003991/201091 Acórdão n.º 2201002.676 S2C2T1 Fl. 3 3 parte dos valores, e repassava o restante aos sócios que haviam prestado os serviços; Considerando que a empresa adota o regime de tributação pelo lucro presumido, apresentou o livro Caixa sem contemplar toda a movimentação financeira, não possui escrituração contábil, informou que os pagamentos eram transferências a titulo de distribuição de lucros aos sócios, não possuía empregado, o serviço era prestado pelos próprios sócios, concluiuse que a empresa deveria reter na fonte o imposto de renda incidente sobre os valores distribuídos a maior, além de tributálos para efeito das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos; As tabelas dos itens 2.4.3 e 2.4.4 demonstram os valores dos lucros distribuídos a maior, trimestralmente e mensalmente; O tópico 3 – “Critérios Adotados” apresenta a fundamentação legal da incidência do imposto de renda na fonte sobre remuneração dos administradores, e informa que: diante dos fatos relatados, constatouse que o Contribuinte deixou de reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os valores distribuídos a maior a título de distribuição de lucros; por se tratar de rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração de rendimentos dos beneficiários, a retenção constitui mera antecipação do imposto de renda devido, afastando a possibilidade de sua exigência na fonte pagadora depois de ultrapassado o prazo de entrega, pelo beneficiário, da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) sem a respectiva retenção na fonte; a Fiscalização limitarseia ao lançamento da multa e dos juros lançados isoladamente, não alcançando o imposto cuja retenção e recolhimento deixou de ser antecipado pela fonte pagadora; Houve o lançamento de ofício da multa isolada, no valor de 75% do imposto devido, bem como dos juros devidos pela não retenção e não recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre os valores excedentes pagos a título de distribuição de lucros, com base na fundamentação legal elencada nos itens 3.2 e 3.3; Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 2.1. que no lançamento, foi aplicada a Multa Exigida Isoladamente de 75% (setenta e cinco por cento), com base no artigo 9º da Lei n.° 10.426/2002, com a redação dada pelo artigo 16 da Lei n.° 11.488/2007 . 2.2. que o referido dispositivo legal nada tem a ver com a aplicação da Multa Exigida Isoladamente, tendo em vista que o inciso I do caput do art. 44 da Lei n.° 9.430/1996 diz respeito à Fl. 488DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 aplicação de penalidade sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata. 2.3. que a multa exigida isoladamente está prevista no Artigo 44, inciso II, da Lei n.° 9.430, de 1996, e no percentual de 50% (cinqüenta por cento). 2.4. que a multa prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, só é cabível se acompanhada da exigência da totalidade ou diferença do tributo que deixou de ser recolhido ou pago, na falta da entrega da declaração ou nos casos de declaração inexata. Na presente autuação inexiste a exigência de qualquer tributo, pois a fiscalização concluiu que o imposto supostamente devido e não retido/recolhido pela Impugnante, passou a ser de responsabilidade do beneficiário do rendimento que tem o dever de incluílo em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda — vide item 3.1.1 do TVF. 2.5. que no procedimento fiscal não há a exigência de qualquer espécie de tributo, razão pela qual não há porque aplicar a multa prevista no inciso I, do Art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, ainda mais sob a intitulação de Multa Exigida Isoladamente. 2.6. que, portanto, a multa exigida na autuação não tem respaldo na legislação, nem mesmo no disposto na letra "b" do inciso II do art.44, da Lei n.° 9.430/96, devendo ser declarada sua improcedência e nulidade. 2.7. que a exigência fiscal, baseada na suposta distribuição de lucros acima dos limites legais previstos na legislação fiscal/tributária, dando origem, por reflexo, a outros procedimentos fiscais :19515.003981/201055 (DEBCAD 37.251.6807); 19515.003984/201099 (DEBCAD 37.251.681 5); 19515.003986/201088 (DEBCAD 37.251.6823) e 19515.003989/201011 (DEBCAD 37.312.6220), é totalmente improcedente porquanto os lucros distribuídos pela Impugnada estão respaldados em seus assentamentos contábeis; 2.8. que conforme Demonstrativo de Resultado Econômico do Exercício e o Balanço Patrimonial, no ano calendário de 2006, (Anexo IV), auferiu receitas no montante de R$ 670.412,89que subtraído das despesas necessárias à manutenção de suas atividades operacionais na quantia de R$ 117.731,30, gerou o lucro contábil de R$ 552.681,59. 2.9. que se analisando as demonstrações contábeis acima, verificase que a Impugnante acusou em seu Patrimônio Liquido lucros de exercícios anteriores no montante de R$ 22.772,30, que somados ao lucro do anocalendário de 2006, após a dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na quantia de R$ 552.681,59perfazem o total de R$ 575.453,89. 2.10. que a fiscalização, conforme consta dos itens 2.4.3 do Termo de Verificação Fiscal, apurou que no curso do ano calendário de 2006, distribuiu lucros no montante de R$ 534.421,92 (quinhentos e trinta e quatro mil, quatrocentos e Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003991/201091 Acórdão n.º 2201002.676 S2C2T1 Fl. 4 5 vinte e um reais e noventa e dois centavos), portanto em valor inferior aos lucros acumulados constantes nos demonstrativos contábeis levantados em 31 de dezembro de 2006. 2.11. que são totalmente improcedentes as conclusões da Fiscalização, constantes dos itens 2.4.3 e 2.4.4 do Termo de Verificação Fiscal. 2.12. que como bem situou a Autuante, a Instrução Normativa SRF n° 11, de 21 de fevereiro de 1996, em seu artigo 51, § 2º e a Instrução Normativa n° 93, de 24 de dezembro de 1997, em seu artigo 48, § 2º, admitem que as empresas tributadas com base no Lucro Presumido ou Arbitrado, possam distribuir lucros excedentes aos calculados através da base de cálculo do imposto, diminuído dos impostos e contribuições devidos, desde que a empresa demonstre através de seus assentamentos contábeis com observância da lei comercial, que o lucro efetivo, ou seja, o contábil era maior do que os lucros efetivamente distribuídos. 2.13. que conforme dispõe o parágrafo 3º do artigo 48 da IN nº 93/97, os lucros auferidos no curso do anocalendário de 2006, acrescidos dos lucros de exercícios anteriores, dão plena, total e cabal cobertura aos lucros distribuídos aos seus sócios quotistas, no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2006, razão pela qual a autuação improcedente. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA 2.14. que se acolhida a inexistência de distribuição de lucros acima do limite legal permitido pela legislação fiscal/tributária, há de se pugnar que o julgamento do presente feito seja estendido a outros prováveis procedimentos administrativos fiscais: n.°s 19515.003981/201055 (DEBCAD 37.251.6807); 19515.003984/201099 (DEBCAD 37.251.6815); 19515.003986/201088 (DEBCAD 37.251.68 e 19515.003989/201011 (DEBCAD 37.312.6220), por se tratarem de tributações reflexas, conforme vem decidindo os órgãos de julgamento de primeira e segunda instâncias administrativas. 2.15. que apesar do parágrafo 1º do artigo 161 do CTN estabelecer que "se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês", não se pode utilizar os juros remuneratórios como instrumento de sanção pelo inadimplemento do crédito tributário, dado que aqueles estão sujeitos a variação de um mercado especifico, voltado exclusivamente para o mercado financeiro, o qual possui regras e objetivos próprios totalmente dissociados da tributação. DOS JUROS MORATÓRIOS E TAXA SELIC 2.16. que o Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC foi criado e concebido para a custódia e liquidação de títulos públicos federais. A Taxa SELIC é taxa remuneratória de capital e não pode ser exigida como juros de mora. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 2.17. que os juros moratórios têm por finalidade ressarcir o credor pelo inadimplemento de uma obrigação no tempo certo, configurandose, portanto, em uma indenização pelo dano causado ao credor pela não satisfação da divida ou da obrigação à época correta. 2.18. que o artigo 161 do Código Tributário Nacional é claro ao estabelecer juros de mora sobre os créditos tributários em atraso, acrescentando que, na ausência de lei que os determine, serão eles de 1% (um por cento) ao mês., conforme decisão do STJ (RE nº 439.040SP.. 2.19. que os juros calculados com base na Taxa SELIC constituem verdadeiro confisco, o que é vedado pela Constituição Federal. DOS JUROS MORATÓRIOS SUSPENSÃO DE SUA INCIDÊNCIA E EXIGIBILIDADE NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL 2.20. que independentemente do acolhimento do seu pedido de afastamento da taxa SELIC, a sua incidência deve ser suspensa no período compreendido entre a data de protocolização da Impugnação e a data em que se proferir decisão final do feito na esfera administrativa”. 2.21 que conforme dispõe o artigo 151, III, do CTN, as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal, 2.22. que o disposto no art. 27, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual “Os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal, observada a prioridade de que trata o caput deste artigo”, evidencia que o legislador procurou amparar o contribuinte da inércia e incapacidade dos Órgãos de Julgamento. 2.23. que a própria Administração reconhece a existência de processos administrativos que tramitam há anos em seus órgãos de julgamento, tendo em vista o estabelecimento de prioridade de julgamento para processos protocolados há mais de quatro anos, contados do ano em curso, veiculada pela Portaria SRF nº 454, de 10.05.2004. 2.24. que, no paradigma fornecido pelo art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição”. 2.25. que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário acarreta a suspensão da exigibilidade dos seus consectários legais. 2.26. que não se pode carrear para o contribuinte os encargos financeiros decorrentes da demora no julgamento dos Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003991/201091 Acórdão n.º 2201002.676 S2C2T1 Fl. 5 7 procedimentos administrativos fiscais, motivo pelo qual enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 do Decreto n.° 70.232, de 6 de março de 1972, incluído por força do disposto na Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, não há que se falar em imputar os juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da impugnação até a decisão final da lide instalada. Do Pedido 3. Pelo exposto, a Impugnante requer que: a) seja acolhida a preliminar de nulidade da autuação ora impugnada, tendo em vista ser incabível a imputação da multa isolada na forma pretendida pela Fiscalização; b) sejam acolhidas as razões de mérito, declarandose a improcedência da exigência fiscal; c) se estenda aos demais procedimentos administrativos fiscais elencados a decisão a ser prolatada no julgamento desta impugnação, por se tratarem de tributação reflexa; d) se mantida a autuação ora impugnada, que se afaste a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC que vierem a ser imputados sobre o crédito tributário constituído através do Auto de Infração que questiona; e) sucessivamente, requer que não incidam os juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização desta impugnação até decisão final deste contencioso na esfera administrativa. 3.1. Protesta, com base no disposto na Lei n.° 9.784/99, artigos 2°, 3 °, III e 69, pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. A 14ª Turma da DRJ em São Paulo/SPO1 julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Auto de Infração (AI) que se encontra revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, pode ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO ACIMA DO LIMITE FIXADO PARA EMPRESAS OPTANTES PELO LUCRO PRESUMIDO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. MULTA ISOLADA.. No caso de distribuição de lucro acima do limite fixado para empresas optantes pelo lucro presumido, sem comprovação de que o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa, os valores excedentes configuram verbas de natureza remuneratória, sobre as quais incidem o imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora. JUROS. TAXA SELIC. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DURANTE O TRÂMITE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1º do art. 161. Não cabe ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei ordinária validamente inserida no ordenamento pátrio. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, regra que comporta exceções desde que expressas em lei. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser apreciado levandose em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Caso contrário, deve ser indeferido Impugnação improcedente Intimada da decisão de primeira instância em 07/11/2012, conforme carimbo no AR de fl. 448, a autuada apresenta Recurso Voluntário em 06/12/2012 (fls. 450/479), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003991/201091 Acórdão n.º 2201002.676 S2C2T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente processo de Auto de Infração de multa isolada e juros isolados por falta de retenção ou recolhimento do IRRF, com base no art. 9º da Lei n.° 10.426/2002. Preliminarmente, quanto ao pedido da recorrente de se efetuar a conexão deste processo aos demais, verifico, pois, que a anexação não se faz necessária, já que os lançamentos são distintos, regidos por legislações específicas, contendo cada um dos processos os elementos de comprovação pertinentes. Com efeito, a recorrente apresentou Recurso Voluntário específico contra o lançamento da contribuição previdenciária e multa por descumprimento de obrigações acessórias, e as suas considerações foram integralmente analisadas, conforme se observa dos Acórdãos nº 2803002.916; 2803002.987; 2803002.918 e 2803002.915. Ante a esses fundamentos, indefiro o pedido de reunião dos autos. Sobre o pedido de conversão do julgamento em diligência, penso que também deve ser indeferido, pois não se demonstrou qualquer necessidade desse procedimento, e, especificamente no tocante à comprovação do lucro distribuído sem o pagamento do imposto, era ônus da contribuinte juntar aos autos toda a escrita contábil. Rejeitase, assim, o pedido de conversão do julgamento em diligência. No mérito, alega a recorrente, essencialmente, que o Auto de Infração partiu de inúmeras presunções feitas pela autoridade fiscal, inclusive, de que o valor recebido pelos sócios corresponde a prólabore, e não distribuição de lucros. Da análise dos autos, verificase que a autoridade fiscal identificou nos extratos bancários débitos na conta com o histórico PGTO SALÁRIOS. Intimada, alegou a recorrente que os valores referemse à distribuição de lucros aos sócios, entretanto, não logrou identificar os valores pagos a cada beneficiário. No procedimento fiscal, a autuante cotejou o valor do lucro presumido, ano calendário 2006, calculado com base na receita apurada, com os valores pagos aos sócios (identificados nos extratos bancários), tendo sido constatado que a recorrente distribuiu lucro acima do valor permitido. Notese que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço. Em razão da falta de apresentação da escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, a fiscalização considerou os valores pagos acima deste limite como pagamento de remuneração a contribuintes individuais, sócios da empresa, a título de prólabore pelo serviço prestado. Assim, como já havia ultrapassado o prazo de entrega Declaração de Ajuste Anual, não era mais possível constituir a exigência do Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 imposto de renda na fonte pagadora dos rendimentos, por essa razão procedeu a autoridade fiscal o lançamento da multa isolada, conforme dispõe o art. 9º da Lei nº 10.426/2002: Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único.As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Citase, outrossim, o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9430/1996: Art. 44. (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Portanto, a multa exigida isoladamente, em razão da falta de retenção do IRRF, possui como fundamento legal o art. 9o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, c/c o art. 44, inciso I, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, consoante se observa das ementas transcritas: VERIFICAÇÃO DA FALTA APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO – MULTA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, publicada no D.O.U de 28/12/2001, convertida na Lei nº. 10.426, de 2002 é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação. Tal multa será calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, sem o reajustamento da base de cálculo. (Acórdão no 10616798, de 06/03/2008). FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO MOMENTO DE VERIFICAÇÃO DA FALTA MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da Medida Provisória nº. 16, de 27/12/2001, publicada no D.O.U de 28/12/2001, convertida na Lei nº. 10.426, de 2002, é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora, pela falta de retenção ou recolhimento de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação. (Acórdão no 104 21857, de 20/09/2006) Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003991/201091 Acórdão n.º 2201002.676 S2C2T1 Fl. 7 11 Assim, é cabível a aplicação da multa isolada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida/recolhida. Por fim, conforme determina a Súmula n° 4 do CARF, sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos os juros com base na taxa Selic: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Nessa conformidade, não há previsão legal para a suspensão da incidência dos juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 496DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001876/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2004
Ementa.
ADMISSIBILIDADE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Consiste a omissão no silêncio do Órgão Julgador sobre questão ou argumento suscitado pelas partes. Também configura omissão a inércia do Órgão Julgador diante de matéria apreciável de ofício.
Numero da decisão: 3402-002.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e rejeitá-los
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Mônica Elisa de Lima
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2004 Ementa. ADMISSIBILIDADE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Consiste a omissão no silêncio do Órgão Julgador sobre questão ou argumento suscitado pelas partes. Também configura omissão a inércia do Órgão Julgador diante de matéria apreciável de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10675.001876/2007-79
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429286
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3402-002.373
nome_arquivo_s : Decisao_10675001876200779.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10675001876200779_5429286.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e rejeitá-los GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Mônica Elisa de Lima
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5824631
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703289593856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 330 1 329 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.001876/200779 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402002.373 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Embargante Fazenda Nacional Interessado 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2004 Ementa. ADMISSIBILIDADE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Consiste a omissão no silêncio do Órgão Julgador sobre questão ou argumento suscitado pelas partes. Também configura omissão a inércia do Órgão Julgador diante de matéria apreciável de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e rejeitálos GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Mônica Elisa de Lima Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3402001337, sob alegação de omissão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 18 76 /2 00 7- 79 Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 A Fazenda Nacional afirma que a decisão proferida pelo Colegiado foi omisso em sua fundamentação uma vez que reconheceu a decadência do lançamento tributário nos termos do § 4º, do art. 150, do CTN, sem esclarecer se houve pagamento parcial do tributo, ponto essencial para definição do dies a quo do prazo decadencial. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Os embargos de declaração são tempestivos. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo à análise. Argumenta o embargante que o Colegiado não se pronunciou acerca da existência do pagamento parcial do tributo para fins de aplicação do § 4º, do art. 150, do CTN, fato caracterizador da omissão. Discordo do embargante, pois consta no relatório do acórdão embargado que a Autoridade Autuante considerou os pagamentos realizados a título de PIS Folha de Salário e Cofins para fins de apuração das diferenças lançadas. Verifico que o relator utilizou essa informação, que não foi contestada por nenhuma das partes interessada, para subsidiar sua razão de decidir. Lembro que uma decisão é formada pela premissa maior, menor e conclusão. A maior caracterizada pelos fundamentos legais, a menor pelos fundamentos jurídicos e a conclusão pela subsunção dos fatos aos ditames legais. Diante desse axioma, entendo que não existe omissão a ser sanada na decisão embargada, pois o Colegiado aplicou a regra do art. 150 baseado nos fundamentos jurídicos constantes nos autos. Forte nestes argumentos, não conheço dos embargos opostos pela Fazenda Nacional. Sala de sessões, 24/04/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10675.001876/200779 Acórdão n.º 3402002.373 S3C4T2 Fl. 331 3 Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900457/2008-39
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.900457/2008-39
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442400
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-000.635
nome_arquivo_s : Decisao_16327900457200839.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 16327900457200839_5442400.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5863797
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703290642432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 428 1 427 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900457/200839 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 1802000.635 – 2ª Turma Especial Data 04 de março de 2015 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO ITAUCRED FINANCIAMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 00 45 7/ 20 08 -3 9 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.900457/200839 Resolução nº 1802000.635 S1TE02 Fl. 429 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1641.680, às fls. 50/51: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 39/44 (PER/DCOMP nº 16438.42210.281103.1.3.042924), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL (cód. receita 2469) relativo ao período de apuração encerrado em 31/05/2003. Pelo Despacho Decisório de fls. 21 o contribuinte foi cientificado, em 21/05/2008 (fls. 48), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Por essa razão, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 346.121,42). Irresignado, o contribuinte apresentou em 20/06/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/04, alegando que preencheu incorretamente sua DCTF, uma vez que o recolhimento efetuado mediante o DARF indicado foi vinculado integralmente para a quitação de um débito, quando na verdade tratase de pagamento a maior. Informa que já procedeu a retificação da DCTF e requer seja reconhecido o seu direito à compensação. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 429DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.900457/200839 Resolução nº 1802000.635 S1TE02 Fl. 430 3 Inconformada com essa decisão, da qual foi considerada cientificada em 13/12/2012, a Contribuinte apresentou em 10/01/2013 o recurso voluntário de fls. 56 a 63, com os argumentos descritos abaixo: a não homologação da compensação pleiteada no PER/DCOMP em referência, decorrente de despacho eletrônico, ocorreu por conta de um erro do Recorrente, qual seja, a entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito; o mero erro formal no preenchimento da DCTF não pode dar causa ao indeferimento do pedido de compensação, tendo em vista a existência do crédito; o crédito em questão teve origem no recolhimento de maio de 2003, tendo em vista que o Recorrente efetuou o recolhimento de CSLL para o período no montante de R$ 626.160,83 (doc. 05), quando o montante efetivamente apurado foi de R$ 209.332,74, conforme DIPJ (doc. 06); a diferença entre o valor recolhido (doc. 07) e o efetivamente devido (doc. 08) devese ao reprocessamento da base de cálculo desse tributo, conforme demonstrado no quadro a seguir (quadro constante do recurso). A partir do quadro acima referido, a Contribuinte informa que está apresentando os seguintes esclarecimentos para uma melhor compreensão das razões que deram causa ao reprocessamento da base de cálculo da CSLL: 1) MTM SWAP (8.1.5.80.006 TVM Ajuste Negativo ao Valor de Mercado) Houve um equívoco quanto ao valor dessa despesa para o mês de maio/2003. Isso porque, no cálculo inicial foi considerado o montante de R$ 41.532.946,37, que se referia à despesa acumulada de cinco meses, conforme se verifica no quadro abaixo e no Livro Razão de cada um dos meses (doc. 09): 8.1.5.80.006 TVM Ajuste Negativo ao Valor de Mercado 41.532.946,37 8190.951.000.0007 Janeiro pág.691 9.996.440,50 8190.951.000.0007 Fevereiro pág.400 (626.750,78) 8190.951.000.0007 Março pág. 382 12.710.390,28 8190.951.000.0007 Abril pág. 414 16.732.258,36 8190.951.000.0007 Maio pág.422 2.720.608,01 Todavia, o correto para o mês de maio/2003 seria considerar somente o valor de despesa desse mês, qual seja, R$ 2.720.608,01, conforme se verifica no Livro Razão do período de 01/05/2003 a 31/05/2003, na rubrica # 8.1.5.50.11.2.015 MTM SWAP, p. 422 (doc. 10). Dessa forma, no cálculo reprocessado, houve a devida retificação, considerandose somente o montante de R$ 2.720.608,01. 2) OUTRAS REVERSÕES No cálculo original do tributo, o Recorrente deixou de excluir o montante de R$ 55.616,66 a título de outras reversões. No entanto, conforme disposto no art.7°, inciso IV c/c art. 49 da IN SRF n° 93/97, a reversão de saldo de provisões anteriormente constituídas não integram a base de cálculo da CSL. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.900457/200839 Resolução nº 1802000.635 S1TE02 Fl. 431 4 Assim, no cálculo reprocessado, o montante de R$ 55.616,66, demonstrado no Livro Razão do período de 01/05/2003 a 31/05/2003 na rubrica contábil # 7.19.90.99.1.025 Reversões de Despesas Administrativas, p. 408 (doc. 10), foi excluído da base de cálculo da CSL. 3) RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO No cálculo original, o Recorrente não considerou o montante de R$ 930.719,12 a título de exclusão de recuperação de créditos baixados como prejuízo. Contudo, nos termos art.7°, inciso III c/c art. 49 da IN SRF n° 93/97, as recuperações de créditos que não representem ingressos de novas receitas não integram a base de cálculo da CSL. Desse modo, no cálculo reprocessado, o montante de R$ 930.719,12, demonstrado no Livro Razão do período de 01/05/2003 a 31/05/2003 na rubrica contábil # 7.1.9.20.10.1.01.2 Recuperação de Créditos Baixados como prejuízo, p. 406 (doc. 10), foi excluído da base de cálculo da CSL. 4) OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS O montante de R$ 44.612,10, referente a outras rendas operacionais, não foi considerado no cálculo original, mas foi incluído para fins de apuração da base reprocessada. Referido valor pode ser verificado no Livro Razão do período de 01/05/2003 a 31/05/2003 (doe. 10), nas seguintes rubricas contábeis (p.p. 410 a 413): 7.1.9.99.009 Outras Rendas Operacionais 44.612,10 Outras Rendas Operacionais 7.1.9.99.10.1.014 13.075,16 Taxa Selic Créditos Tributários 7.1.9.99.10.1.049 11,06 Multas 7.1.9.99.10.120 31.525,88 Portanto, pelas provas trazidas aos autos, resta demonstrado que o Recorrente efetuou recolhimento a maior de CSL, o qual deu origem ao crédito pleiteado. Assim, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento indevido e o mero erro no preenchimento da DCTF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antigo Conselho de Contribuintes) também privilegia o princípio da verdade material em detrimento de erros de preenchimento das declarações. Este é o Relatório. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.900457/200839 Resolução nº 1802000.635 S1TE02 Fl. 432 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 28/11/2003, na qual utilizou um alegado crédito proveniente de pagamento a maior de estimativa mensal de CSLL, referente ao mês de maio/2003. De acordo com suas alegações, ela declarou em DCTF e recolheu equivocadamente o valor de R$ 626.160,83 a título de CSLL/estimativa de maio/2003, quando o valor correto a recolher era de R$ 209.332,74, o que caracterizaria o excedente utilizado como crédito no PER/DCOMP. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa da compensação, com o seguinte fundamento: O manifestante limitase a afirmar ter havido o recolhimento do tributo em valor maior do que o efetivamente devido. Entretanto, não traz nenhum elemento que dê embasamento à sua alegação, ou seja, não apresenta nenhuma explicação e tampouco junta documentos hábeis e idôneos que demonstrem que o valor anteriormente declarado na DCTF estava incorreto. Sendo assim, por não restar comprovado o direito creditório em questão, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Na fase processual anterior, a Contribuinte já havia juntado aos autos cópia parcial da DIPJ, onde consta o valor de R$ 209.332,74 como estimativa de CSLL do mês de maio/2003. Nesta faze recursal, ela tece vários esclarecimentos no intuito de demonstrar o erro na apuração original da CSLL, e também justificar o reprocessamento da base de cálculo da contribuição, e apresenta uma série de demonstrativos e de razonetes para comprovar suas alegações. Não considero que a divergência entre as informações contidas na DCTF e na DIPJ deva ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.900457/200839 Resolução nº 1802000.635 S1TE02 Fl. 433 6 Também é importante perceber que nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida no curso do processo administrativo. Cabe destacar que não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. O fato é que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Contudo, ela não foi em nenhum momento intimada a apresentar qualquer documento relacionado à apuração do tributo que ela alega ter recolhido a maior. Em relação às divergências entre DCTF e DIPJ, ainda é importante lembrar que de acordo com a IN SRF 45/1998, os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL seriam objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e Declaração de Rendimentos. Ocorre que não consta do despacho da autoridade administrativa da Delegacia Especial das Instituições Financeiras de São Paulo – DEINF/SP, às fls. 21, qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ relativa ao ano calendário de 2003, com o objetivo de se verificar o real valor a pagar a título de CSLL/estimativa referente ao mês de maio/2003. Desse modo, entendo que a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do débito de CSLL/estimativa de maio/2003, e também qual o reflexo do eventual excedente mensal no ajuste anual da referida contribuição social. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, mediante análise da DIPJ, das demais informações também constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (DCTF, SINAL, DIRF, etc.), dos documentos e esclarecimentos apresentados pela Recorrente, e ainda de outros elementos que se entender relevantes: 1) verifique e informe: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16327.900457/200839 Resolução nº 1802000.635 S1TE02 Fl. 434 7 o valor do débito da estimativa de CSLL de maio/2003, e qual o reflexo do excedente mensal (caso ele seja confirmado) no ajuste anual da referida contribuição social; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior de CSLL, seja em relação à estimativa mensal, seja em relação ao ajuste anual, e, se for o caso, qual o valor do excedente; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DEINF São Paulo atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724065/2013-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.383
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2012
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja promovida a ciência da decisão de primeira instância aos devedores solidários e lhes seja concedida abertura de prazo recursal.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.724065/2013-38
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5443629
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-000.383
nome_arquivo_s : Decisao_10166724065201338.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10166724065201338_5443629.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2012 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja promovida a ciência da decisão de primeira instância aos devedores solidários e lhes seja concedida abertura de prazo recursal. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
id : 5869881
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703302176768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1.699 1 1.698 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.724065/201338 Recurso nº 000.383Voluntário Resolução nº 2302000.383 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de março de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente M GARZON EUGÊNIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2012 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja promovida a ciência da decisão de primeira instância aos devedores solidários e lhes seja concedida abertura de prazo recursal. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 24 06 5/ 20 13 -3 8 Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.724065/201338 Resolução nº 2302000.383 S2C3T2 Fl. 1.700 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2012 Data da lavratura dos AIOP: 04/07/2013. Data da Ciência do AIOP: 10/07/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 51.034.7290 e 51.034.7304, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre seus respectivos salários de contribuição, e a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida aos referidos Segurados Contribuintes Individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 1147/1185. Informa a Autoridade Lançadora que o objeto do presente lançamento referese às contribuições sociais devidas pela empresa e pelos Segurados Contribuintes Individuais, destinadas a Seguridade Social (Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS), incidentes sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas corretores de imóveis autônomos e demais pessoas físicas que prestaram serviços à empresa , pelos serviços prestados a M Garzon Eugênio, no período fiscalizado. Tais pagamentos não transitaram pela folha de salários do período correspondente, não foram declarados nas GFIP correspondentes, tampouco se houveram por recolhidas as contribuições devidas à Seguridade Social. Constituem fatos geradores das contribuições sociais integrantes do presente lançamento: a) o pagamento de remuneração, a título de comissão de venda, efetuado a corretores de imóveis autônomos, pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à Empresa no período fiscalizado (Levantamento Código SV); b) o pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais (pessoas físicas) pelos serviços de natureza diversa (assessoria, jardinagem, buffet, manutenção, entre outros) prestados a Empresa no período fiscalizado e registrados na conta contábil “SERVIÇOS TERCEIROS PESSOA FISICA”, código 4201010036 (Levantamentos Códigos Si e SN). Pelas razões expostas no tópico XI do Relatório Fiscal, o Crédito Tributário se houve por lançado em face das Pessoas Jurídicas abaixo relacionadas, em razão de Sujeição Passiva Tributária. a) M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda; b) Polis Desenvolvimento imobiliário Ltda; c) Eugênio Participações Ltda; Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.724065/201338 Resolução nº 2302000.383 S2C3T2 Fl. 1.701 3 d) Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C ltda; e) MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda; f) Brasil Brokers Participações S/A; g) Marcos Fabricio Moraes Garzon; h) Arnaldo Frattini; i) Maurício Eugênio; Irresignado com o supracitado lançamento tributário, a Brasil Brokers Participações S/A apresentou impugnação a fls. 1218/1251. A MGE Intermediação Imobiliária Ltda, por seu turno, ofereceu impugnação administrativa a fls. 1336/1370. De outro eito, a M Garzon Eugenio Empreendimentos Imobiliários Ltda, Polis Desenvolvimento imobiliário Ltda, Eugênio Participações Ltda, Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C ltda, Arnaldo Frattini e Maurício Eugênio apresentaram defesa administrativa em face do lançamento, mediante petição conjunta a fls. 1439/1474. Marcos Fabricio Moraes Garzon ofereceu impugnação ao lançamento mediante instrumento a fls. 1567/1588; Por derradeiro, a M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda ofereceu impugnação individual a fls. 1590/1609. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0359.445 – 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 1620/1653, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. A M Garzon Eugenio Empreendimentos Imobiliários Ltda foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 13/03/2014, conforme Termo de Intimação e Aviso de Recebimento a fls. 1658/1659, respectivamente. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, a M Garzon Eugenio Empreendimentos Imobiliários Ltda interpôs recurso voluntário a fls. 1662/1691, requerendo, ao fim, a declaração de insubsistência dos Autos de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.724065/201338 Resolução nº 2302000.383 S2C3T2 Fl. 1.702 4 2. VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 2.1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 13/03/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14/04/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2.2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.2.1. DO SANEAMENTO DO PROCESSO Antes de adentrar o mérito da causa, urge sanar uma irregularidade processual verificada na formalização do processo em relação aos devedores solidários. Não foge ao conhecimento que o presente lançamento houvese por formalizado em face da empresa M GARZON EUGÊNIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, esta como devedora principal, bem como em desfavor das empresas abaixo relacionadas, na qualidade de devedores solidários, conforme descrito no Relatório Fiscal fls. 1147/1185. a) M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda; b) Polis Desenvolvimento imobiliário Ltda; c) Eugênio Participações Ltda; d) Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C ltda; e) MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda; f) Brasil Brokers Participações S/A; g) Marcos Fabricio Moraes Garzon; h) Arnaldo Frattini; i) Maurício Eugênio; Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.724065/201338 Resolução nº 2302000.383 S2C3T2 Fl. 1.703 5 Na formalização do processo, tanto o devedor principal quanto os devedores solidários houveramse por devidamente intimados a respeito do presente lançamento, sendo que todos compareceram de forma ostensiva e voluntária ao polo passivo da relação jurídica processual em debate e ofereceram impugnação administrativa em face da exigência fiscal em debate. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, após apreciar as razões de defesa oferecidas pelo devedor principal e pelos devedores solidários, lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0359.445 – 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 1620/1653, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Ocorre, todavia, que do resultado do Julgamento Administrativo referido no parágrafo precedente, somente o devedor principal, a M Garzon Eugenio Empreendimentos Imobiliários Ltda, se houve por intimada a tomar ciência da Decisão de 1ª Instância, inexistindo nos autos qualquer indício de prova material de que os devedores solidários acima relacionados tenham sido cientificados do Acórdão nº 0359.445 – 5ª Turma da DRJ/BSB. Tal irregularidade vicia o Processo Administrativo Fiscal em foco, uma vez que se exclui dos devedores solidários o direito de submeter ao julgador de 2ª Instância as razões por eles deduzidas em face do lançamento que ora se opera. Havendo os devedores solidários em questão oferecido tempestivamente defesa administrativa, não se pode contra eles operar os efeitos da revelia previsto no art. 322 do Código de Processo Civil, eis que revéis eles não são. Código de Processo Civil Art. 322. Contra o revel que não tenha patrono nos autos, correrão os prazos independentemente de intimação, a partir da publicação de cada ato decisório. (Redação dada pela Lei nº 11.280/2006) Parágrafo único O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendoo no estado em que se encontrar. (Incluído pela Lei nº 11.280/2006) Nessa perspectiva, em atenção aos imperativos do devido processo legal, devem os devedores solidários em foco, todos eles, ser intimados de todas as decisões proferidas no curso do Processo Administrativo Fiscal, para que possam exercer, em sua plenitude, o seu legítimo direito ao contraditório e à ampla defesa. Cumpre frisar que tal irregularidade processual não implica nulidade do processo, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que a sua sanatória depende, tão somente, da devida intimação dos devedores solidários em apreço, cortejada pela abertura de prazo para o oferecimento de recurso voluntário em face da decisão de 1ª instância, se assim desejarem. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.724065/201338 Resolução nº 2302000.383 S2C3T2 Fl. 1.704 6 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em diligência, para que sejam intimados a tomar ciência da decisão de 1ª Instância os devedores solidários acima citados e a abertura do prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 para o oferecimento de recurso voluntário, se assim desejarem. 3. RESOLUÇÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos do parágrafo que a este antecede. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13706.005577/2008-78
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DESPESA MÉDICA. PARCELA NÃO REEMBOLSADA. POR PLANO DE SAÚDE CUJA CONTRIBUIÇÃO FOI DECLARADA PELA CÔNJUGE. DECLARAÇÕES EM SEPARADO. CABIMENTO.
È possível deduzir a parcela da despesa com clínica médica que não foi reembolsada por plano de saúde cuja titular é cônjuge que declarou as contribuições ao plano.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. NÃO CABIMENTO.
Reconhecido que o fundamento adotado pelo lançamento não possui base legal, deve ser excluída a respectiva exigência, sendo vedado ao Órgão Julgador inovar na fundamentação.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. DESPESA MÉDICA. PARCELA NÃO REEMBOLSADA. POR PLANO DE SAÚDE CUJA CONTRIBUIÇÃO FOI DECLARADA PELA CÔNJUGE. DECLARAÇÕES EM SEPARADO. CABIMENTO. È possível deduzir a parcela da despesa com clínica médica que não foi reembolsada por plano de saúde cuja titular é cônjuge que declarou as contribuições ao plano. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. NÃO CABIMENTO. Reconhecido que o fundamento adotado pelo lançamento não possui base legal, deve ser excluída a respectiva exigência, sendo vedado ao Órgão Julgador inovar na fundamentação. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13706.005577/2008-78
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435703
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.307
nome_arquivo_s : Decisao_13706005577200878.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 13706005577200878_5435703.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
id : 5839837
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703304273920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 79 1 78 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.005577/200878 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.307 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente CARLOS ALBERTO SILVA ARRUDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF. DESPESA MÉDICA. PARCELA NÃO REEMBOLSADA. POR PLANO DE SAÚDE CUJA CONTRIBUIÇÃO FOI DECLARADA PELA CÔNJUGE. DECLARAÇÕES EM SEPARADO. CABIMENTO. È possível deduzir a parcela da despesa com clínica médica que não foi reembolsada por plano de saúde cuja titular é cônjuge que declarou as contribuições ao plano. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. NÃO CABIMENTO. Reconhecido que o fundamento adotado pelo lançamento não possui base legal, deve ser excluída a respectiva exigência, sendo vedado ao Órgão Julgador inovar na fundamentação. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/01/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 55 77 /2 00 8- 78 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003, decorrente de glosa de despesa com instrução e despesas médicas. A glosa de dedução de despesas médicas foi de R$ 4.465,82, conforme descrição dos fatos, às fls. 25, in verbis: “glosa de R$ 4.465,82 referente a clínica Aldrighi, conforme documentação apresentada foi considerada somente a nota de valor R$ 15.750,00, menos o valor reembolsado em seu plano de saúde, de R$ 3.933,92. A outra Nota da mesma clínica teve reembolso através do plano da Caixa Econômica, declarado na declaração de sua cônjuge.” Na impugnação, alegouse: a) a preliminar de cerceamento do direito de defesa, por suposta insuficiência na descrição dos fatos que ensejaram a lavratura da autuação fiscal. b) a inexistência de correlação entre a fundamentação da autuação legal e a descrição dos fatos; c) no mérito, alegou, em suma, a legitimidade das deduções pleiteadas; bem como juntou aos autos os comprovantes dessas despesas, às fls. 28/29 e 36. A impugnação foi indeferida sob fundamento de que a) o lançamento descreveu adequadamente a matéria e permitiu pleno conhecimento e exercício do direito de defesa; b) o documento alusivo a despesas com instrução não comprova pagamento, é mero termo de compromisso, e referese a pessoa não dependente; c) o documento de fls. 29, comprova que a despesa médica de R$ 6.750,00, incorrida com o estabelecimento Clínica Aldrighi, objeto de pedido de reembolso junto ao plano de saúde da Caixa Econômica Federal, com parcela reembolsada de R$2.284,18, refere se à Srª Idelma Cândida Sivieri Arruda, que apresentou DIRPF em separado, e não figura como dependente do impugnante, o que viola art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999. A ciência do acórdão ocorreu em 20/08/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 13/09/2012 amarado na alegações abaixo resumidas: 1. na sua Declaração de Ajuste Anual a dedução de despesas relativas à Clínica Aldrighi totalizou R$16.281,90, representada por duas notas fiscais, a de nº 54 de R$15.750,00 e a de nº 53 de R$6.750,00. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.005577/200878 Acórdão n.º 2802003.307 S2TE02 Fl. 80 3 2. é portador de dois planos de saúde, o Itauseg, no qual é titular, e Saúde Caixa, no qual é dependente de sua cônjuge, Srª Idelma Cândida Sivieri Arruda; 3. a nota fiscal de nº 54 foi apresentada ao Plano Itauseg, onde obteve reembolso de R$3.933,92; a de nº 53, ao Caixa saúde, onde foi reembolsado de R$2.284,18; 4. a autoridade fiscal desconsiderou a nota fiscal nº 53, glosando valor de R$4.465,82 sem qualquer justificativa e aceitou a nota fiscal nº 54, sendo que a única diferença entre elas é o fato de a primeira ter sido apresentada ao Plano Saúde Caixa e a segunda ao Itauseg Saúde; 5. por ser titular do Itauseg saúde, o respectivo reembolso se deu em seu próprio nome; 6. relação outro plano, o reembolso ocorreu em nome de Idelma Cândida, a titular do plano Saúde Caixa. Ou seja, apesar de a nota de serviço estar em seu nome, o reembolso foi em nome da titular do plano, portanto não violou o art. 80 do RIR1999; e 7. devese privilegiar a busca da verdade material; cita doutrina e precedentes do CARF. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de outubro de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Conforme constou nas descrições da autoridade lançadora (fls. 25): a) a glosa referese a despesas com a Clínica Aldrighi; b) foi aceita somente a nota de valor R$ 15.750,00 (nº 54, fls. 63), menos o valor reembolsado em seu plano de saúde, de R$ 3.933,92; c) a outra Nota da mesma clínica (nº 53) teve a despesa glosada pois houve reembolso através do plano da Caixa Econômica, declarado na declaração de sua cônjuge. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O recorrente declarou R$16.281,90, que corresponde à parcela não reembolsada das notas fiscais nº 53 e 54. Está em litígio, exclusivamente, a glosa de despesa médica no valor de R$4.465,82, que se refere à parcela não reembolsada da nota fiscal nº 53 (fls. 28/29 da numeração digital). Como essa despesa foi glosada por se constituir da parcela não reembolsada do Plano de Saúde declarado pela sua cônjuge, não assiste razão ao recorrente em afirmar que a despesa foi glosada sem qualquer justificativa. A Srª Idelma deduziu despesas com o Plano Saúde Caixa e essa foi a fundamentação da glosa. A Declaração de Ajuste Anual da Srª Idelma Cândida Sivieri Arruda (fls. 34, numeração digital 33) não contém dedução alusiva á Clínica Aldrighi. A dedução da despesa com o Plano Saúde e a dedução das despesas com a Clínica Aldrighi possuem tratamento tributário distintos. O fato de a cônjuge ter deduzido a despesa com o Plano de saúde não é empecilho a que a parcela não reembolsada da despesa com a Clínica Aldrighi seja deduzida pelo seu cônjuge. O recorrente alega que não há distinção entre a nota fiscal aceita (nº 54) e a rejeitada (nº 53), que, quanto a esta, a despesa foi reembolsa em nome da cônjuge por que ela é a titular do plano. Notase que mesmo tendo constado no relatório de fls. 64 (numeração digital) que a paciente era a Srª Idelma, a autoridade lançadora admitiu a dedução amparada na nota fiscal em nome do recorrente. O fundamento adotado no lançamento não possui amparo legal. De outro giro, o fundamento adotado na decisão recorrida é outro: violação ao art. 80 do RIR1999, uma vez que o documento de fls. 29 comprova que a despesa médica referese à Srª Idelma Cândia Sivieri Arruda, que apresentou declaração em separado e não figura como dependente do recorrente. Não cabe ao Órgão julgador agravar a exigência, nem alterar a fundamentação do lançamento. Ademais, essa alteração da fundamentação afronta a previsão do §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (grifos acrescidos) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.005577/200878 Acórdão n.º 2802003.307 S2TE02 Fl. 81 5 Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a glosa de dedução de despesa médica. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005778/2002-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001
Ementa:
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de liminar em mandado de segurança, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. Portanto, o auto de infração é instrumento hábil para constituir o crédito tributário e impor a penalidade aplicável
Numero da decisão: 3402-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator .
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Pedro Souza Bispo e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de liminar em mandado de segurança, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. Portanto, o auto de infração é instrumento hábil para constituir o crédito tributário e impor a penalidade aplicável
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11543.005778/2002-64
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5440114
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3402-002.510
nome_arquivo_s : Decisao_11543005778200264.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 11543005778200264_5440114.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator . (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Pedro Souza Bispo e Fenelon Moscoso de Almeida.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5854863
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703306371072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 125 1 124 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.005778/200264 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.510 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria Cofins Recorrente ESTEVE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de liminar em mandado de segurança, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. Portanto, o auto de infração é instrumento hábil para constituir o crédito tributário e impor a penalidade aplicável Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator . (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Pedro Souza Bispo e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 57 78 /2 00 2- 64 Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Contra a empresa qualificada em epigrafe foi lavrado auto de infração de fls. 65/68 em virtude da apuração de falta de recolhimento da COFINS no período de 01/02/2001 a 31/12/2001, exigindo contribuição de R$ 2.459.779,18, e juros de mora de R$ 537.342,90, perfazendo o total de R$ 2.997.122,08. O crédito tributário foi lançado com exigibilidade suspensa por força da Medida Liminar concedida nos autos do processo n° 2001.50.01.0025145, da 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Espírito Santo (art.151, incisos II e IV do CTN). No Relatório Fiscal, a AFRFB autuante esclarece que durante os procedimentos de verificações obrigatórias foi constatado que: 1) em 15/02/2001, através do processo n° 2001.50.01.0025145, a empresa impetrou mandado de segurança com pedido de medida liminar, com o propósito de obter a suspensão da exigibilidade da COFINS sobre suas receitas não decorrentes venda de mercadorias ou de serviços, bem como da majoração de um ponto percentual (dois para três por cento), conforme alterações introduzidas pela Lei e 9.718/98, bem como compensar os valores recolhidos à maior a título de COFINS com futuros débitos da mesma contribuição, vide decisão de fls. 35/37; 2) através da sentença datada de 30/10/2002, foi concedida parcialmente a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de exigir do impetrante o recolhimento da COFINS sobre sua `receita bruta", nos termos do art.3º da Lei e 9.718/98, devendo ser restabelecida a sistemática anterior, traçada pela Lei Complementar nº 70/91, tomandose o “faturamento" como base de cálculo, ressalvando se a aplicação da alíquota de 3% (três por cento) estatuída no art.8° da Lei e 9.718/98 (fls.38/45); 3) Em 28/11/2002, a empresa requereu a desistência parcial da demanda no que tange a discussão da majoração da alíquota do tributo em tela de 2%(dois por cento) para 3% (três por cento), prosseguindo na lide no que se refere ao critério tomado como base de cálculo, faturamento ou receita, fls. 46/49, tendo efetuado o pagamento da parte não litigiosa (DARF de fls. 50/60); 4) Pelo fato da empresa ter dado prosseguimento a ação com referência a base de cálculo que foi restabelecida pela sentença, cabe o lançamento do crédito tributário referente a "Outras Receitas Auferidas" cujos débitos não foram declarados, correspondente ao período de fevereiro a dezembro de 2001; 5) As parcelas do crédito tributário estão sendo constituídas para prevenir o direito da Fazenda Nacional contra o instituto Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.005778/200264 Acórdão n.º 3402002.510 S3C4T2 Fl. 126 3 da decadência cuja exigibilidade está vinculada ao processo judicial citado. O enquadramento legal encontrase a fls. 66. Cientificada em 17/1212002, a interessada apresentou a impugnação e fls. 77/80, na qual alegou: 1) De fato não efetuou o recolhimento da COFINS reclamada na autuação, calculada na base de 3% sobre outras receitas, do período de fevereiro a dezembro de 2001, pois está amparada por decisão judicial proferida em 30/10/2002 nos autos do mandado de segurança processo n° 2001.50.01.0025145; 2) De acordo com a r.sentença, a autoridade impetrada deve se abster de exigir da contribuinte o recolhimento da COFINS sobre sua receita bruta nos termos do art.3° da Lei n° 9.718/98. Diz a sentença ainda que deve ser restabelecida a sistemática anterior, traçada pela LC 70/91, tomandose o "faturamento" como base de cálculo, ressalvando se a aplicação da alíquota de 3% estatuída no art.8° da Lei n° 9.718/98; 3) Diante desse fato entende a defendente que o auto de infração não pode prosperar, posto que o não recolhimento da COFINS no período reclamado no auto de infração está amparado por sentença judicial que suspendeu sua exigibilidade; 4) Por essas razões, espera a contribuinte seja recebida e provida a presente defesa para o fim de cancelar o auto de infração em questão, posto que qualquer cobrança neste sentido estaria afrontando a decisão judicial acima referida; 5) Protesta a defendente pela produção de todas as provas. em direito admitidas, em especial perícia e juntada de novos documentos. Junto com a impugnação, a pessoa jurídica carreou aos autos Procuração, Ata da Assembléia Geral Extraordinária. Mediante despacho exarado às fls.106, a SECAT/DRF Vitória/ES considerou intempestiva a presente impugnação, porém após expediente apresentado pelo contribuinte junto à Procuradoria da Fazenda Nacional, cuja cópia consta acostada às fl. 138, e junto ao próprio SECAT/DRFVitória/ES — fl.1441146, a impugnação foi considerada tempestiva — pois entregue em 16/01/2003(cópia do contribuinte U fl.114), sendo tal fato consignado no despacho da DRFVitóría de fl.161. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1327.883, de 28 de janeiro de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01102/2001 a 31/1212001 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 O lançamento de Crédito Tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de decisão judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de oficio do agente do Fisco. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A questão central da lide posta nos autos diz respeito à possibilidade de lançamento tributário referente à matéria que está sendo discutida no Poder Judiciário. Entendo que a sentença proferida em ação judicial não impede o lançamento tributário. Não poderia ser diferente, em vista da indisponibilidade do crédito tributário. Assim sendo, os provimentos judiciais que suspendem a sua exigibilidade não têm o condão de impedir o lançamento. Salvo se no dispositivo da sentença houver previsão expressa neste sentido. Para ilustrar minha opinião, pinço parte de texto do professor Alberto Xavier sobre o assunto, verbis: A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito. Noutro giro, a formalização do crédito tributário pelo lançamento, consoante o disposto no artigo 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que a exigibilidade esteja suspensa. Sobre o assunto, no sentido de elucidar tal posicionamento, podese citar trecho do voto do Exmo. Sr. Juiz Relator Ari Pargendler, em Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.005778/200264 Acórdão n.º 3402002.510 S3C4T2 Fl. 127 5 decisão proferida pelo Egrégio Tribunal Federal da 4ª Região, em sede de Agravo de Instrumento Processo n.º 91.04.033981: “... Na espécie, portanto, a agravada poderia ter corrigido monetariamente as contas de seu balanço pelo índice que lhe aprouvesse, independentemente de provimento judicial, desde que se sujeitasse a eventual lançamento “exofficio” por diferenças que o fisco entendesse devidas. Mas ela não quer se ver nessa contingência, e então propôs a presente ação, obtendo liminarmente a sustação do lançamento suplementar. Até aí não vai o poder cautelar do Juiz . Tudo porque o lançamento fiscal é um procedimento legal, subordinado ao contraditório, que não importa dano algum para o contribuinte, o qual pode discutir a exigência nele contida em mais de uma instância administrativa, sem constrangimentos que antes existiam em nosso ordenamento jurídico (“solve et repete”, depósito da quantia controvertida, etc.). A imposição nele contida pode ser ilegal, mas a pretexto disso não se deve tolher a constituição do crédito tributário, resultado de um procedimento que a Administração Pública está vinculada por lei ...” Por conseguinte, ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, nos moldes do art. 151 do CTN, o lançamento (ou auto de infração) deve ser sempre levado a cabo. E a razão disto é imediata. Materializada a hipótese jurídicotributária da regramatriz de incidência, isto é, dado o fato jurídicotributário, começa a fluir o prazo decadencial contra o direito subjetivo da Fazenda Pública que acaba de vir a lume. Necessário se faz, portanto, assegurar este direito. É pacífico o entendimento, tanto administrativo quanto no âmbito do Judiciário, de que, nos casos em que houver liminar em mandado de segurança, ou em procedimento cautelar, ou depósito do montante integral do tributo, deve ser efetuado o lançamento, conforme art. 142, parágrafo único, do CTN, sendo o sujeito passivo regularmente notificado (art. 145 do CTN c/c o art. 7º, I, do Decreto no 70.235/1972), com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário apurado permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (art. 151 do CTN). Nesse sentido, inclusive, estão as conclusões do Parecer PGFN/CRJN no 1.064/1993. Toda essa preocupação surge porque uma eventual decisão final contrária ao sujeito passivo, tida e havida após o decurso do prazo decadencial, suscitaria prejuízos ao erário, porquanto a Fazenda Pública não teria ao seu dispor título algum com o qual pudesse embasar uma execução judicial. Portanto, diante da obrigatoriedade de lançamento tributário pela autoridade fiscal quando deparado com a ocorrência do fato gerador e a possibilidade de reversão de decisão judicial não amparada pelo manto da coisa julgada, nego provimento ao recurso voluntário e o mantenho constituído com a exigibilidade suspensa. Sala das Sessões, em 14/10/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000093/2009-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PARCELAMENTO OU PAGAMENTO À VISTA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário, em razão da ausência de interesse recursal, quando o contribuinte renuncia expressamente à discussão por ter aderido a parcelamento ou realizado o pagamento à vista do débito.
Numero da decisão: 1103-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso por unanimidade.
(assinado digitalmente)
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PARCELAMENTO OU PAGAMENTO À VISTA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário, em razão da ausência de interesse recursal, quando o contribuinte renuncia expressamente à discussão por ter aderido a parcelamento ou realizado o pagamento à vista do débito.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16643.000093/2009-93
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5453641
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1103-001.202
nome_arquivo_s : Decisao_16643000093200993.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
nome_arquivo_pdf_s : 16643000093200993_5453641.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso por unanimidade. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5890751
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703309516800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1.203 1 1.202 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000093/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.202 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2015 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente AKZO NOBEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PARCELAMENTO OU PAGAMENTO À VISTA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário, em razão da ausência de interesse recursal, quando o contribuinte renuncia expressamente à discussão por ter aderido a parcelamento ou realizado o pagamento à vista do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso por unanimidade. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 93 /2 00 9- 93 Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.204 2 Relatório Lançamento A questão sob análise diz respeito a autos de infração lavrados em 18/12/09 para a exigência de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendários de 2003 a 2005, acrescidos de juros e multa de ofício (fls. 569593), decorrentes das infrações resumidas no relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP: (...) 2 O auditor fiscal glosou a amortização de ágio decorrente de uma sequência de operações de reorganização societária entre empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, que o auditor fiscal denominou de 1. Caso Intercoatings S/A. 3 Em 20/12/2000 é constituída a empresa Intercoatings S/A, CNPJ nº 04.269.953/000100 (Intercoatings), com capital social de R$6.000,00, sendo integralizados R$600,00 e tendo como sócias as empresas Intervet S/A, CNPJ 33.017.104/000168 (Intervet) e Akzo Nobel Coatings Ltda., CNPJ 43.221.084/000104 (Akzo Coatings). As duas sócias pertenciam ao mesmo grupo econômico, conforme doc de fls. 150. 4 em 29/12/2000 a Intervet e a Akzo Coatings, conforme Ata de Assembleia Extraordinária (fls. 152) resolvem aumentar o capital social da empresa Intercoatings, por meio de conferencia de bens, para R$25.955.211,89, representada por 12.600.000 ações, conforme quadro de fls. 156. 5 Em 16/02/2001 os acionistas da Intercoatings decidem aumentar seu capital social, por meio de conferência de bens, em R$9.688.101,93, passando de R$25.955.211,89 para R$35.815.540,72, sem emissão de novas ações, conforme ata da Assembleia Geral Extraordinária (fls. 188). 6 Em 23/02/2001 os acionistas da Intercoatings decidem por um aumento de seu capital social, no valor de R$130.000.000,00 a ser efetuado pela Akzo Nobel Ltda., CNPJ 60.651.719/000123, empresa autuada neste processo, em moeda corrente, passando o capital da Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.205 3 empresa de R$35.815.540,72 para R$45.855.668,27, mediante emissão de 3.532.142 ações ordinárias, conforme ata da Assembleia Geral Extraordinária (fls. 196). 7 Em 28/02/2001, conforme ata da Assembleia Geral Extraordinária (fls. 218), os acionistas decidem pela cisão total e extinção da sociedade, conforme justificação de fls. 232 e protocolo de cisão de fls. 234, com a versão de todo o seu acervo líquido, no valor contábil de R$165.581.157,20 para as empresas: Intervest S/A – R$96.808.912,28. Akzo Nobel Coatings Ltda. R$32.513.876,08 e Akzo Nobel Ltda. R$36.258.368,84. 8 Em 02/04/2001, a empresa Akzo Nobel Ltda incorpora as empresas Intervest S/A e Akzo Nobel Coatings Ltda e a partir dessa incorporação, passou a amortizar o ágio gerado, baixado contra resultado, conforme documento de fls. 68, numa operação considerada espúria pelo auditor fiscal e sem fundamento econômico, ocorrida dentro do próprio grupo empresarial, gerando as seguintes deduções de ágio (fls. 357): 2001 R$7.951.649,40 2002 R$9.541.979,27 2003 R$9.541.979,27 2004 R$9.541.979,27 2005 R$9.541.979,27 9 Os valores acima referente aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005 foram utilizados no Auto de Infração constante no presente processo. 2. Ganho de Capital x Equivalência patrimonial, alienação de participação societária – Caso Akzo Nobel Catalizadores S/A; 10 Foi tributado também a ocultação de ganhos de capital obtidos pela alienação de participação societária da empresa ora autuada na Akzo Nobel Catalizadores S/A, conforme cronologia a seguir: 11 Em 30/06/2004, ocorre a constituição da Akzo Nobel Catalizadores S/A, tendo como acionistas a Akzo Nobel Ltda, com 990 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.206 4 ações ordinárias no valor de R$990,00 e Edgard Maetrini, com 10 ações ordinárias. 12 Em 08/07/2004 proposta de aumento de capital da Akzo Catalizadores, mediante conferencia de bens do acionista Akzo Nobel Ltda, cujos bens se resumem na participação de 50% que a empresa Akzo Nobel detinha na Fábrica Carioca de Catalisadores S/A, participação essa avaliada em R$62.323.500,00 pela empresa KNTS Consultores Associados, cujo laudo se encontra às fls. 391. 13 Em 29/07/2004 há o aumento de capital da Akzo Catalizadores mediante o aporte, em espécie, de R$283.500.000,00, sendo R$62.000.000,00 o valor das ações nominativas, e R$221.500.000,00 o ágio pago pelas mesmas, passando o capital social da empresa para R$124.324.500,00, mediante a emissão de 3.000 ações nominativas, subscritas e integralizadas na mesma data por Albemarie Química Ltda (Albemarie). 14 Em 02/02/2004 é aprovado o laudo de avaliação do acervo líquido da Akzo Nobel Catalizadores, datado de 30/07/2004, e cisão parcial da empresa, com a retirada da Albemarie da sociedade, mediante versão para ela das ações da Fábrica Carioca de Catalizadores, três dias após ter sido feita a integralização de capital pela mesma Albemarie, no valor de R$283.500.000,00. 15 Em 31/08/2004, a Akzo Nobel, incorpora a Akzo Catalizadores, dois meses após a constituição da empresa, carreando para a contabilidade dessa última, ganho de capital mascarado de Equivalência Patrimonial, no valor de R$221.500.000,00 que, após a correção, conforme documento de fls. 70, resultou num montante de R$225.144.889,04, valor utilizado no presente Auto de Infração. 16 O auditor fiscal ressalta que os valores da equivalência patrimonial foram excluídos pela contribuinte do resultado para apuração de IRPJ e CSLL, o que seria o procedimento normal, não fosse o fato do valor ter sido oriundo de operação simulada para ocultar a venda, à empresa Albermarie, da participação na empresa Akzo Nobel, na Companhia Carioca de Catalisadores. 17 O auditor fiscal faz, em seguida, longa explanação sobre as infrações e sobre a base legal empregada, abordando o enfoque contábil das operações que geram ágio, o enfoque societário e o Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.207 5 enfoque tributário da questão. Aborda também o assunto sobre as despesas necessárias, o desdobramento do custo de aquisição, o tratamento tributário do ágio, ganho de capital, equivalência patrimonial, multa qualificada, prazo decadencial e compensação de prejuízos. 18 Desse modo, em 17/12/2009, foram efetuados os seguintes lançamentos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 561564): Total do crédito tributário, R$189.035.226,01, incluídos o tributo e juros de mora calculados até 30/11/2009. Fundamento legal: art. 13, inciso II, da Lei nº 9.249/95, arts. 3º, §2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98, arts. 247, 248, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§1º, 2º e 4º, 325, 385, 386, 418 e parágrafos e 425 do RIR/99. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 572 a 576): Total do crédito tributário, R$68.149.898,41, incluídos o tributo e juros de mora, calculados até 30/11/2009. Fundamento legal: artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88, artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002.” Impugnação da contribuinte (fls. 670940) Pela sua pertinência, transcrevo a parte do relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP que resume a impugnação ao auto de infração: (...) 19 Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada em 18/12/2009, a contribuinte protocolizou em 18/01/2010, a impugnação (fls. 653 a 736), relativa ao lançamento fiscal, apresentando suas razões, em apertada síntese, a seguir: 19.1 Faz, primeiramente, resumo dos fatos ocorridos. 19.2 Passa em seguida a tratar de cada assunto lançado. Caso Intercoatings 19.3 Alega que as operações que foram objeto de fiscalização não podem ser compreendidas isoladamente, mas sim analisados Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.208 6 no conjunto das operações do grupo Akzo Nobel do Brasil, conforme passa a demonstrar. 19.4 Descreve a operação de fundação e aumento de capital da empresa Intercoatings S/A alegando que o auditor fiscal relatou essas operações de forma isolada sem qualquer questionamento dos motivos que levaram a impugnante a realizar tais operações. 19.5 Faz longa digressão sobre o planejamento estratégico da Akzo Nobel, visando reduzir o número de pessoas jurídicas em um grupo quando da aquisição de outro grupo econômico, no caso a empresa britânica Courtauld’s em 1998, que teve sua denominação alterada para Akzo Nobel Coatings Ltda no Brasil e que alega não ter tido coligação com estrutura da Akzo Nobel Ltda, que tniha vinculação com a mátriz (Akzo Nobel NV) diretamente via Akzo Nobel Participações Ltda. 19.6 Alega que no final de 1999 a Akzo Nobel adquiriu o braço veterinário da empresa Hoechst, dando maior força a Intervest, sua empresa veterinária. No Brasil, a Hoechst Roussel Vet do Brasil S/A, foi alterada para Intervet S/A, controlada pela Intervet BV. 19.7 Alega que a partir desse momento então, grupo Akzo Nobel voltouse para os estudos de reestruturação societária. 19.8 Alega que as operações foram feitas em 2000 e 2001 e o Fisco não poderia mais questionar, por meio de autos de infração, que foram lavrados em 17/12/2009, a legalidade e a eficácia tributária dos atos societários de integralização de ações que culminaram com o surgimento do ágio em 23/02/2001. 19.9 Discorre sobre a impossibilidade do Fisco questionar atos ocorridos após o transcurso do prazo decadencial, citando acórdãos do Conselho de Contribuintes para embasar a sua tese da ocorrência de preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade dos fatos que geraram ágio em 2001. 19.10 Discorre sobre a decadência do Fisco lançar créditos tributários relativos ao anocalendário 2003, em 2009, citando o Código Tributário Nacional, e alegando que o auditor fiscal não lançou multa qualificada por ocorrência de dolo, fraude ou Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.209 7 simulação, fato que indicaria o uso do art. 173 do CTN, significando que o auditor fiscal não considerou ter havido dolo, fraude ou simulação nesse ano e, por consequência, estaria decaído o direito de lançar. 19.11 Discorre longamente sobre o que entende serem os limites para aplicação da ciência contábil pelo Direito, dividindo seus argumentos em vários itens, as fls. 667 a 675, citando Eliseu Martins para justificar a legitimidade do ágio gerado em suas operações. 19.12 Discorre sobre a natureza jurídica do ágio para o direito contábil societário e as várias formas de aquisição, para justificar que nas operações em comento houve a aquisição de participação societária com a existência de “pagamento”, no dizer da impugnante, que se deu em valor maior que seu valor nominal, o que gerou o ágio. 19.13 Discorre sobre a natureza jurídica do ágio para o direito contábil brasileiro para alegar que não haveria qualquer dispositivo previsto na legislação que estabeleça algum tratamento diferenciado para a subscrição e integralização de ações entre partes relacionadas. 19.14 Discorre sobre a isonomia com tratamento fiscal do deságio para se perguntar se tivesse havido deságio a Receita Federal do Brasil não teria se preocupado em isentar a tributação do referido deságio. 19.15 Discorre sobre o conceito de propósito negocial, concluindo que as operações realizadas cumpriram o dito propósito negocial e alega que o auditor fiscal não pôs e, questão a legitimidade empresarial e negocial da operação de subscrição de ações entre si, mas sim o critério de avaliação utilizado para a aquisição. 19.16 Alega novamente que o auditor fiscal encarou as operações de forma equivocada, analisando isoladamente, e não como um todo, citando ainda Marco Aurélio Greco e o antigo Conselho de Contribuintes. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.210 8 19.17 Alega que o ordenamento jurídico não traz em nenhum de seus dispositivos o conceito ou a definição de propósito negocial, e o que o auditor fez, significou consideralo fato gerador da obrigação tributária sem a respectiva previsão legal. 19.18 Alega que pagamento, na aquisição de participação societária não é requisito para dedutibilidade da despesa com amortização de ágio, como supôs a fiscalização. 19.19 Discorre sobre a dedutibilidade das despesas, citando artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) que embasariam o que alega. 19.20 Discorre sobre o princípio da especialidade para defender que a norma especial anula ou revoga a norma geral. 19.21 Discorre sobre a regra geral de dedutibilidade das despesas em confronto com a regra específica para dedutibilidade da despesa com amortização de ágio, concluindo a necessidade de cancelamento do auto de infração de IRPJ a respeito do ágio deduzido. 19.22 Alega que não existe previsão legal para a adição na base de cálculo da CSLL de despesa com ágio considerada indedutível pela fiscalização, discorrendo a respeito. 19.23 Conclui dizendo que não há possibilidade do auditor fiscal glosar a despesa com a amortização do ágio com base no art. 13, inciso III da Lei nº 9.249/95 para fins de apuração da CSLL, razão que requer o cancelamento do auto de infração lavrado para a cobrança da CSLL. Caso Akzo Nobel Catalizadores 19.24 Faz breve relato dos fatos, alegando que as operações feitas decorreram de reestruturação societária realizada sob a luz da legislação societária e tributária vigente à época. 19.25 Discorre sobre a legalidade da reestruturação societária implementada, alegando que buscando uma solução, “... foi lhes sugerida a implementação de uma operação lícita com vistas a atingir o objetivo econômico pretendido, realizando a melhor eficiência tributária válida possível.”(sic). Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.211 9 19.26 Alega que a referida operação, como seria “... de amplo conhecimento das autoridades fiscais, auditores e advogados tributaristas consiste basicamente na aceitação de um novo acionista no capital social de uma sociedade holding, o qual, após integralizar sua participação societária com ágio, retirase da sociedade, remanescendo com as participações societárias,” (sic). 19.27 Discorre sobre a operação, argumentando que todos os documentos foram devidamente registrados nos órgãos competentes e que aprovaram sem restrições a operação realizada, que foi sustentada por laudo de avaliação elaborado por empresa especializada. 19.28 Alega inexistência de simulação, pois no seu entender as operações estavam “... em total consonância com as intenções de cada uma das partes envolvidas, bem com, em total congruência com a legislação vigente à época.” (sic), 19.29 Alega que a intenção da impugnante nunca foi outra senão reestruturar adequadamente a companhia com vistas ao melhor atendimento de seu propósito negocial. 19.30 Discorre sobre a simulação, alegando que o que foi realizado pelo Akzo Nobel foi a pratica de um negócio indireto e não de ato simulado. 19.31 Alega que na operação foi gerada economia tributária lícita, a chamada elisão fiscal, e que não foram realizados para encobrir o que de fato estava acontecendo, o que não ocorreu e cita acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes para embasar o que alega. 19.32 Discorre longamente sobre o negócio jurídico indireto, apresentando suas características e para enfatizar que foi esse o caso da operação não aceita pela fiscalização, citando ainda Marco Aurélio Greco, que diferencia o negócio jurídico indireto e simulação, para defender a legalidade da operação realizada sem fraude à lei. 19.33 Discorre sobre o que entende ser a evolução da interpretação dos planejamentos tributários pela Doutrina e pela Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.212 10 Jurisprudência administrativa, para defender que todos os atos societários foram praticados em conformidade com a lei e foram tornados públicos. 19.34 Alega que ainda que se entenda que a cobrança sobre ganho de capital na alienação da participação societária na FCC, argumenta que não poderia prevalecer o que chama de “correção/atualização” que teria sido feito pelo auditor fiscal, a qual entende que não teria a menor justificativa para tanto e que deveria ser cancelada essa parcela de lançamento fiscal. 19.35 Discorre longamente sobre a inexistência de fraude nas duas operações fiscalizadas e entende que não é devida a multa agravada, pois os atos societários foram devidamente registrados na JUCESP e submetidos a Receita Federal do Brasil. Cita ainda doutrinadores, acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes e defende a inexistência de dolo nas operações efetuadas. 19.36 Discorre sobre o que chama de ilegitimidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício lançada, apresentando acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes. 19.37 Por fim requer a improcedência total dos autos de infração lavrados mas, se assim não for, que seja exonerada a CSLL tributada sobre o caso Intercoatings e ainda requer a exoneração da multa agravada e a exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Decisão da DRJ (fls. 942981) A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003. 2004 e 2005 DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO DOLOSA. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.213 11 Tendo a contribuinte simulado dolosamente que os rendimentos provinham de variação de sua participação no capital de uma determinada empresa, quando, em realidade, provinham de alienação de controle acionário de outra sociedade, excluída fica a possibilidade de contagem do prazo decadencial na forma do art. 150 do CTN. VENDA DE AÇÕES – GANHO DE CAPITAL É devido o tributo por ganho de capital em operações de vendas efetuadas através da sociedade veículo que existe apenas para servir de veículo entre a entrega de ações por parte da empresa vendedora e o pagamento efetuado pela empresa compradora. Operação descaracterizada gera apuração de ganho de capital com tributação de Imposto de renda. VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS – Não são válidos por si mesmos os negócios formalizados a título de “planejamento fiscal” ou “negócio jurídico indireto”, devendo sua validade ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; devem ser desconsiderados se constatada, à luz dessa teoria, a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifesta e a vontade real. INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controladora por sua controlada, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este título, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SIMULAÇÃO. O dolo é intrínseco à conduta das partes que contratam a alienação de determinada coisa por inteiro (controle acionário da sociedade X) com a finalidade de evitar o recolhimento de tributo devido, se obrigam a formalizar um conjunto de operações destinadas a simular que o preço foi pago por uma pequena participação no capital de outra empresa veículo para a qual a coisa alienada foi transferida. Tal conduta Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.214 12 evidencia intenção inequívoca de fraudar o credor (Fisco) e enseja a imposição da multa de ofício qualificada. DECORRÊNCIA. Versando ambos sobre a mesma ocorrência fática, aplicase ao lançamento reflexo (CSLL), no que couber, o que restar decidido para o lançamento matriz (IRPJ). Recurso Voluntário (fls. 9871.156) O recurso voluntário apresentado pela recorrente reproduziu os argumentos articulados na impugnação, acrescentando as seguintes alegações: (i) no tocante ao caso Intercoatings, a DRJ se equivocou ao enquadrar o presente caso concreto como instituto do abuso de direito; e (ii) no tocante ao caso Akzo Nobel Catalizadores, a recorrente não é o sujeito passivo da obrigação tributária, pois o suposto ganho de capital auferido era da Akzo Nobel Catalizadores. Petição de Desistência (fls. 1.1601.202) Em 23/12/2013, a recorrente apresentou, às fls. 1.1601.202, petição de desistência total do recurso voluntário interposto contra os lançamentos de IRPJ e CSLL decorrentes dos autos de infração lavrados em 18/12/2009. Referida desistência decorreu da alegada quitação integral desses créditos tributários, após a publicação da Lei nº 12.865/13, que reabriu o prazo de adesão do parcelamento da Lei nº 11.941/09. É o relatório. Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000093/200993 Acórdão n.º 1103001.202 S1C1T3 Fl. 1.215 13 A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. O recurso é tempestivo, mas não deve ser conhecido em razão da ausência de um dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o interesse de uma das partes. Isso porque, conforme relatado, com a publicação da Lei nº 12.865/13 e a reabertura do prazo de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, a recorrente informa haver optado pelo pagamento integral dos créditos tributários de IRPJ e CSLL referentes aos autos de infração lavrados em 18/12/09. Foram apresentados os respectivos comprovantes de recolhimento (fls. 1.2011.202). Nesse sentido, nos termos do artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho, o recurso voluntário não comporta julgamento. Conclusões Em face das razões acima expostas, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, em razão do pedido de desistência da recorrente. Sala das Sessões, 25 de março de 2015. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
