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Numero do processo: 10680.100181/2007-08
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. OBJETO DIVERSO. FALTA DE DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE DE REVISÃO DE OFÍCIO. ART 149 DO CTN.
Não há concomitância entre o pedido administrativo e ação judicial, já transitada em julgado, quando não se verifica que tenham o mesmo objeto, não interferindo eventual decisão administrativa, em relação à procedência ou não de declaração retificadora, naquilo decidido pelo Poder Judiciário.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
A falta de manifestação sobre o objeto da controvérsia, cerceando o direito de defesa do contribuinte, implica na nulidade do ato.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. OBJETO DIVERSO. FALTA DE DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE DE REVISÃO DE OFÍCIO. ART 149 DO CTN. Não há concomitância entre o pedido administrativo e ação judicial, já transitada em julgado, quando não se verifica que tenham o mesmo objeto, não interferindo eventual decisão administrativa, em relação à procedência ou não de declaração retificadora, naquilo decidido pelo Poder Judiciário. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. A falta de manifestação sobre o objeto da controvérsia, cerceando o direito de defesa do contribuinte, implica na nulidade do ato. Recurso Voluntário Provido.
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OBJETO DIVERSO. FALTA DE DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE DE REVISÃO DE OFÍCIO. ART 149 DO CTN. Não há concomitância entre o pedido administrativo e ação judicial, já transitada em julgado, quando não se verifica que tenham o mesmo objeto, não interferindo eventual decisão administrativa, em relação à procedência ou não de declaração retificadora, naquilo decidido pelo Poder Judiciário. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. A falta de manifestação sobre o objeto da controvérsia, cerceando o direito de defesa do contribuinte, implica na nulidade do ato. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 10 01 81 /2 00 7- 08 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.100181/200708 Acórdão n.º 2801003.497 S2TE01 Fl. 64 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Adoto como Relatório aquele elaborado pela 1ª instância, conforme folha 33, complementandoo, ao final: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 03 e 29, referente ao imposto de renda pessoa física, exercícios 2003, ano calendário 2002, o crédito tributário apurado está assim constituído: Demonstrativo do Crédito Tributário (em R$) Imposto Suplementar 11.216,34 Multa de Ofício (75%) 8.412,25 Juros de Mora calculados até o lançamento 7.459,98 Total do Crédito Tributário Apurado 27.088,57 No demonstrativo das infrações e enquadramento legal à fl. 29, as infrações apuradas estão, em síntese, assim descritas: Omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social. Cientificado do lançamento, o contribuinte o impugna, alegando, resumidamente, o que se segue: Afirma que ao retificar a declaração somente queria alterar valores na declarações de bens e direitos. Entretanto, achou que só deveria informar os dados que seriam alterados. Não houve intenção de omitir rendimentos. Na ementa do Acórdão, observase “impugnação não conhecida”, apesar de no Voto condutor, constar que “a impugnação é tempestiva ... motivo pelo qual dela tomase conhecimento para examinar as razões trazidas pelo sujeito passivo. (fl. 33) (sublinhei para destacar) Passou então o Julgador a quo a esclarecer que se tratando de matéria tributária, não importa verificar se a infração foi cometida em boafé, tendo em conta a alegação do contribuinte de que retificou equivocadamente sua declaração. Assim, entendeu que a declaração retificadora entregue fora, corretamente, considerada pela fiscalização como parâmetro para lançamento de crédito tributário. Após, asseverou que “quanto á infração omissão de rendimentos apurada”, em consulta aos sistemas da RFB, verificou que os rendimentos encontravamse com Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.100181/200708 Acórdão n.º 2801003.497 S2TE01 Fl. 65 3 exigibilidade suspensa, em virtude de ação judicial, conforme informado em DIRF (extrato fl. 29), constatando, então, “que a matéria em litígio no presente processo ...foi também objeto de apreciação pelo Poder Judiciário...” Por fim, proferiu o Voto condutor da maioria no sentido de não conhecer da impugnação no que se refere à infração de omissão de rendimentos por haver concomitância de processo judicial e administrativo, versando sobre a mesma matéria, e dispôs que “fica a cargo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem observar o disposto no ADN/Cosit nº 03/1996, bem como Parecer Cosit nº 2, de 05 de janeiro de 1999.”(destaquei). Não há qualquer manifestação da Delegacia da RFB de origem nesse sentido. Cientificado da decisão em 14/11/2011 (AR na folha 43), e inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/11/2011 (folha 45) onde, em síntese, assim se manifesta: propõese a esclarecer os equívocos constantes da decisão recorrida, em relação à menção que fez à concomitância entre processos administrativo e judicial, implicando em “renúncia à instância administrativa”; assevera que não há tal concomitância, notadamente com o mesmo objeto, fazendo distinção entre o objeto da impugnação administrativa: equívoco no preenchimento de declaração retificadora, do exercício de 2003; com o objeto de ação coletiva judicial: incidência sobre proventos de previdência privada – IRPF, a seu ver, completamente diversos; requer dirimir os equívocos suscitados, para conhecimento da impugnação, que aqui ratifica, com o cancelamento do crédito tributário exigido, alegando que o valor apurado na DIRPF original já foi inclusive quitado, tempestivamente, em 2003. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo digital (formato .pdf) O recurso é tempestivo e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A decisão da DRJ, conforme relatado, apesar de se pronunciar sobre o mérito da questão ali discutida, manifestando seu entendimento pela procedência da ação fiscal que considerou como parâmetro declaração retificadora em que o contribuinte alega haver erro de fato no preenchimento, para lançar omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, enfim dispôs que “não conhecia da impugnação” (fl. 34): Inicialmente, cumpre esclarecer ao impugnante que, tratandose de matéria tributária, não importa se a pessoa física cometeu a infração à legislação por boa fé, ou ainda, se tal fato aconteceu por puro descuido ou desconhecimento. A responsabilidade por Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.100181/200708 Acórdão n.º 2801003.497 S2TE01 Fl. 66 4 infrações tributárias é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente, conforme prevê o art. 136 do Código Tributário Nacional. (...) Portanto, a declaração retificadora entregue foi, corretamente, considerada pela fiscalização para lançamento do crédito tributário. Ademais, o contribuinte não apresenta nenhuma documentação referente às deduções pleiteadas na declaração original. Verifico, a meu turno, que não consta dos autos o Auto de Infração completo, existindo apenas uma “tela” (atende pleno) com a informação da infração, o que por si já seria motivo de devolução à Unidade preparadora para saneamento, providência ultrapassada pela decisão recorrida, que anexou tal tela com a descrição da infração. Não obstante, observo também que a Unidade de origem não se manifestou sobre o dispositivo da decisão de 1ª instância que deixou a seu cargo observar o disposto em atos administrativos normativos da RFB (ADN/Cosit nº 3 de 14 de fevereiro de1996): a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; (...) c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN;(sublinhei) No Ato referido, estabelecese ainda que “quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.);”. Seria o caso, por exemplo, da manutenção ou não de uma declaração retificadora, como parâmetro para lançamento. A DRJ entendeu pela “concomitância” baseandose apenas, pelo que consta dos autos, na tela de consulta da folha 29, onde está indicado que o imposto retido na fonte estava sendo depositado judicialmente. Observo na Impugnação que o contribuinte ali não discute administrativamente a natureza dos rendimentos, se tributáveis ou não, apenas busca reconhecimento de que uma declaração retificadora foi transmitida com erro de fato, sem preenchimento de todos os campos devidos, informando que apenas desejava retificar o percentual de propriedade de um bem imóvel, com reflexo no valor do mesmo, e não preencheu as informações de rendimentos e as deduções. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.100181/200708 Acórdão n.º 2801003.497 S2TE01 Fl. 67 5 Em seu recurso, o contribuinte alega que não há concomitância entre processo administrativo e judicial, uma vez que o objeto de cada um é diverso. No processo judicial, buscava reconhecer a não incidência do imposto de renda sobre proventos decorrentes de benefício de previdência privada, como se observa nas folhas 49 e 50. Ora, se os benefícios decorrentes de previdência privada forem considerados fora do campo de incidência do imposto, não poderia subsistir o Auto de Infração aqui em caso. Por outro lado, se os rendimentos forem considerados tributáveis pelo Poder Judiciário, é de analisar se a declaração retificadora foi motivada por erro de fato ou não, devendo ou não ser desconsiderada. Essa manifestação, que não está posta ao crivo do Judiciário, não foi feita pela primeira instância administrativa, que não decidiu sobre esse pedido do contribuinte. Pelo exposto, VOTO no sentido de anular a decisão recorrida para que os autos retornem à DRJ a fim de que analise o mérito da controvérsia, uma vez que a ação judicial, pelo que aqui consta, trata da incidência ou não do IRPF sobre rendimentos recebidos em decorrência de benefício de previdência privada e na impugnação o contribuinte pede que seja desconsiderada declaração retificadora apresentada com erro, excetuandose apenas alteração no valor de um bem, portanto tratandose de pedidos diversos, apesar do resultado de um interferir, conseqüentemente, mas não completamente, sobre o outro. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722093/2011-28
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC.
A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
NOTIFICAÇÃO PRÉVIA.
A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1803-002.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
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MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 20 93 /2 01 1- 28 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório AVIVAR ALIMENTOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Belo Horizonte (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de auto de infração para exigir multa regulamentar, no valor de R$ 24.587,92, aplicada em razão do atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON relativo a junho de 2007, que ocorreu apenas em 05/11/2009 (fl. 19). O auto de infração foi emitido eletronicamente em 04/07/2011, o que implica a data de intimação em 19/07/2011, conforme o art. 23, §2º, III, b, do Decreto nº 70.235, de 1974. O autuado apresentou, em 15/08/2011, a impugnação de fls. 2/7, que foi considerada tempestiva. Nessa sua peça de defesa, o contribuinte, em resumo, alegou que: i) a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade, consoante art. 138 do CTN; ii) a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e equidade; iii) a taxa Selic não pode ser aplicada para a atualização dos tributos, ante a natureza da taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização; iv) é necessária a notificação do contribuinte antes da imposição de multa; v) o valor que foi utilizado como base de cálculo da multa está incorreto. A DRJ Belo Horizonte (MG), por meio do acórdão nº 0236.448, de 29 de novembro de 2011(fls. 23), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722093/201128 Acórdão n.º 1803002.078 S1TE03 Fl. 81 3 Ciente dessa decisão em 13/12/2011, por meio de remessa postal (fl. 31), o autuado apresentou recurso voluntário em 11/01/2012 (fls. 32/42), em que afirma que a decisão de primeira instância não analisou a alegação de erro material quando do cálculo da multa aplicada e que a simples análise do Dacon é suficiente para verificar que o valor lá informado é zero e não de R$ 245.879,26, o que causou o erro da determinação do valor exigido. Ademais, reafirma os argumentos apresentados na impugnação. A presente Turma de Julgamento entendeu que a decisão recorrida deixou de apreciar a alegação de erro material no cálculo da multa exigida e a anulou, para que outra fosse proferida e também fossem anexados os documentos que deram suporte à decisão atacada, conforme o Acórdão nº 1803001.585, de 7 de novembro de 2012 (fls. 45/48). Retornando o processo à DRJ Belo Horizonte (MG), está prolatou o Acórdão nº 0241.615, de 8 de janeiro de 2013 (fls. 55/59), em que afirma, in verbis: Data vênia, não houve preterição do direito de defesa, pois os documentos que deram suporte à decisão são declarações do próprio contribuinte. Em atendimento ao acórdão do CARF, foram anexados ao processo: Dacon, fls. 54 e DCTF, fls. 53. A informação do valor em DCTF prestase apenas a confirmar o valor da contribuição apurada no Dacon. No Dacon, os valores são apurados. Na DCTF, confessados para posterior pagamento. Por obvio que os valores devem ser iguais. Quanto ao mais, repete os termos da decisão anulada. Cientificado da novel decisão em 17/01/2013, o contribuinte volta à carga, no bojo de novo recurso voluntário encontrado às fls. 65/76, apresentado em 13/02/2013. Nesse giro, o recorrente afirma que a nova decisão do julgador a quo não supre ou corrige a falha que ensejou a anulação da primeira decisão, permanecendo o erro material na formulação da exigência e o cerceamento do seu direito de defesa. Ademais, repete os argumentos já apresentados na impugnação e no primeiro recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. I. ERRO MATERIAL O recorrente alega que existe um erro no cálculo do valor da multa exigida. Afirma que o valor declarado no Dacon foi zero e é este que deve ser usado como base para o cálculo da multa, não o valor utilizado no auto de infração, de R$ 245.879,26. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Todavia, o auto de infração em análise diz respeito ao Dacon referente a junho de 2007 e a DRJ/Belo Horizonte fez juntar, às fls. 54, o referido Dacon, em que consta o valor devido de R$ 245.879,26, a título de COFINS, declarado pelo contribuinte. Por seu turno, o contribuinte, em nenhum momento desse processo, fez juntar qualquer documento que comprovasse a sua afirmação quanto ao valor declarado. Assim, conforme os documentos acostados nos autos, o valor exigido foi calculado corretamente. Portanto, o argumento do recorrente quanto ao suposto vício material carece de fundamento fático. II. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O recorrente afirma que a nova decisão da DRJ/Belo Horizonte não supriu a falta de apreciação de alegado erro material, ocorrido na sua primeira decisão, o que estaria causando cerceamento do seu direito. Entendo de forma diversa, pois a decisão guerreada nega a ocorrência do vício material quando afirma que o valor utilizado como base para o cálculo da multa é aquele declarado pelo contribuinte, tanto no Dacon em tela quanto na correspondente DCTF. Esses documentos foram juntados pela DRJ/Belo Horizonte nas fls. 53 e 54. Ademais, a questão fática em tela é o correto valor declarado pelo contribuinte em seu Dacon e, quanto a isso, o debate foi exaurido de ambas as partes e demonstrada a corretude do lançamento, não se vislumbrando qualquer prejuízo para a possibilidade de argumentação do interessado. Assim, afastase também essa preliminar. III. ESPONTANEIDADE O contribuinte entende que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação de penalidade, consoante art. 138 do CTN. Todavia, a denúncia espontânea prevista no dispositivo legal supracitado aplicase somente em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias, como o presente caso de multa pelo atraso na entrega de declarações. Esse entendimento foi pacificado na presente Corte por meio da Súmula CARF nº 49, que tem o seguinte enunciado: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Também se afasta essa alegada excludente de ilicitude. IV. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722093/201128 Acórdão n.º 1803002.078 S1TE03 Fl. 82 5 O recorrente afirma que a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e da equidade, o que tornaria inconstitucional a multa a ele aplicada. O recorrente não questiona a existência de previsão legal para a multa aplicada. Portanto, ao afirmar a inconstitucionalidade da multa está, na verdade, afirmando a inconstitucionalidade da lei que a prevê. Todavia, é defeso ao colegiado julgador administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse entendimento também foi pacificado na jurisprudência administrativa, por meio da Súmula CARF nº 02, que tem o seguinte enunciado: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. V. TAXA SELIC O recorrente também se levanta contra a aplicação da taxa Selic para a atualização de tributos, considerando a natureza dessa taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização. Todavia, a aplicação da taxa Selic para o cálculo de juros sobre créditos tributários tem previsão expressa no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 1995, o que levou este Tribunal Administrativo a pacificar seu entendimento na Súmula CARF nº 04, que tem o seguinte enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. VI. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA Por fim, o recorrente propugna pela necessidade de notificação prévia do contribuinte, como elemento preparatório da imposição de multa. A notificação prévia para a exigência de multa por atraso na entrega de declaração seria, no meu ver, antijurídica, na medida em que careceria de razoabilidade. Conforme as normas tributárias, o auto de infração em tela é gerado eletronicamente pelo mesmo software que gera a declaração, no exato momento de sua transmissão à Administração Tributária. Isso é possível porque o atraso é infração de conhecimento imediato, no momento da referida transmissão. Portanto, não há motivo suficiente para se criar um procedimento intermediário de notificação. Também não haveria proveito algum para as partes, sob o aspecto jurídico, nem para a sociedade. O contribuinte traz elementos retóricos para defender a sua posição, mas deixa de apresentar qualquer fundamento legal para a sua tese. Por outro lado, a jurisprudência também pacificou essa questão, no sentido de afirmar a desnecessidade dessa notificação, conforme a Súmula CARF nº 46, que tem o seguinte enunciado: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Assim, também afasto esse argumento. VII. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724905/2012-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACT ASSINADO NO EXERCÍCIO QUE SE ATRIBUI A PLR. LEGALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
O cerne da discussão entre o Fisco e o contribuinte ora recorrente está condicionado à validade ou não de Acordo Coletivo de Trabalho - ACT ser assinado seis meses depois do início do exercício que se atribui a PLR a ser distribuída aos empregados da empresa.
Sob a ótica da autoridade administrativa lançadora, bem como dos julgadores de primeira instância administrativa, os procedimentos levado a efeito pelo contribuinte não atendem aos requisitos da lei.
Por seu turno, o contribuinte assevera que inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletiva de trabalho, no exercício anterior ao que se paga a PLR.
No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que a lei de regência sobre o assunto (Lei nº 10.101/00), em ponto algum do seu texto, ampara a pretensão do Fisco, situação que afasta qualquer hipótese de incidência relacionada à matéria discutida nestes autos.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.425
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, excluindo do lançamento a verba PLR. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN. Sustentação oral Advogado Dr Modesto Justino de Oliveira Neto, OAB/MG nº 115.931.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACT ASSINADO NO EXERCÍCIO QUE SE ATRIBUI A PLR. LEGALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. O cerne da discussão entre o Fisco e o contribuinte ora recorrente está condicionado à validade ou não de Acordo Coletivo de Trabalho ACT ser assinado seis meses depois do início do exercício que se atribui a PLR a ser distribuída aos empregados da empresa. 2. Sob a ótica da autoridade administrativa lançadora, bem como dos julgadores de primeira instância administrativa, os procedimentos levado a efeito pelo contribuinte não atendem aos requisitos da lei. 3. Por seu turno, o contribuinte assevera que inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletiva de trabalho, no exercício anterior ao que se paga a PLR. 4. No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que a lei de regência sobre o assunto (Lei nº 10.101/00), em ponto algum do seu texto, ampara a pretensão do Fisco, situação que afasta qualquer hipótese de incidência relacionada à matéria discutida nestes autos. 5. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 6. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 05 /2 01 2- 17 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724905/201217 Acórdão n.º 2803003.425 S2TE03 Fl. 3 2 em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 7. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, excluindo do lançamento a verba PLR. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. Sustentação oral Advogado Dr Modesto Justino de Oliveira Neto, OAB/MG nº 115.931. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724905/201217 Acórdão n.º 2803003.425 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente à contribuição social destinada à outras entidades e fundos (SESI, SENAI, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA e SEBRAE), incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de PLR (em desacordo com a lei), não declarados em GFIP. A obrigação acessória (CFL 68) discutida nestes autos diz respeito à suposta infração ao art. 32, IV, e § 5º, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, IV, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, por ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de junho de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de Impugnação apresentada contra o auto de Infração DEBCAD 37.334.8614 (COMPROT 15504.724905/201217), no qual foi efetuado o lançamento de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados por Rosal S/A a seus empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR ordinária / extraordinária) durante os exercícios fiscais de 2007 e 2008. Conforme consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração, houve eventual pagamento de PLR “em desacordo com a Lei 10.101/2000” (fl. 02). A suposta infração cometida pela Interessada foi caracterizada como ter pago a PLR em data posterior àquela em que foi celebrada o acordo. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724905/201217 Acórdão n.º 2803003.425 S2TE03 Fl. 5 4 Tal fato, segundo o entendimento do Agente Fiscal que subscreveu o ato administrativo de lançamento, constitui infração capaz de descaracterizar os valores como PLR, a ponto de serem considerados como “saláriodecontribuição” para os fins da incidência da contribuição patronal, nos termos do art. 28, § 9º, alínea “j”, in fine, da lei nº 8.212/91. Assim consta da motivação do ato administrativo de lançamento impugnado. O lançamento foi objeto de impugnação a tempo e modo próprios, na qual constam argumentos bastantes para anular o ato administrativo por vício de ilegalidade. O lançamento deve ser anulado por ilegalidade da autuação, tendo em vista efetiva ofensa à legalidade administrativa. Inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletivo de trabalho no exercício anterior ao que se paga a PLR. Cultos Conselheiros, as razões expostas acima são aplicáveis a todos os pagamentos feitos a título de PLR feito por Rosal Energia S/A, seja ordinária ou extraordinária. Todos os requisitos estabelecidos pelo art. 2º da Lei nº 10.101/00 foram atendidos, conforme as razões acima expendidas. Não existem os requisitos necessários para a configuração da responsabilidade solidária atribuída à CEMIG S/A por eventuais débitos de Rosal energia S/A. Nos termos do que acima relatado, as Recorrentes entendem que não foi caracterizada a prática de qualquer ato irregular que ensejasse a aplicação da sanção pecuniária infligida. Ex positis, considerandose que não existe norma legal válida que determine que a PLR deve ser paga no exercício fiscal posterior ao ano da assinatura do acordo coletivo de trabalho, as Recorrentes requerem a este egrégio CARF: a) A reforma do Acórdão recorrido por manter a restrição indevida ao exercício de imunidade constitucional mediante ato administrativo autônomo, lavrado por autoridade desprovida de atribuições legais para analisar o conteúdo das cláusulas constantes nos ACT`s, e, invocando o Acórdão nº 9202002.484/CSRF, a Súmula 473, STF, e o princípio da legalidade administrativa, requerem o provimento do presente recurso, anulandose integralmente o auto de infração nº 37.334.8614 e autuações conexas. b) A reforma do Acórdão recorrido para que seja desconstituída a responsabilidade tributária solidária imposta por eventuais débitos de Rosal Energia S/A à CEMIG S/A, tendo em vista que não foi demonstrada a sua vinculação com o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 128 do CTN, e conforme as razões aduzidas no ite, 3.3, acima. c) Eventualmente superadas as razões jurídicas que embasam o pedido anterior, requerem seja anulada a multa infligida por ser desproporcional à conduta descrita no auto de infração, conforme razões expendidas nos itens 3.3 e 4, acima, ou seja, a mesma reduzida a uma única sanção máxima de 20%, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN e do art. 61 da Lei 9.430/96. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724905/201217 Acórdão n.º 2803003.425 S2TE03 Fl. 6 5 Solicitam as Recorrentes, que os atos processuais sejam informados às suas procuradoras. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724905/201217 Acórdão n.º 2803003.425 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O cerne da discussão entre o Fisco e o contribuinte ora recorrente está condicionado à validade ou não de Acordo Coletivo de Trabalho – ACT ser assinado seis meses depois do início do exercício que se atribui a PLR a ser distribuída aos empregados da empresa. Sob a ótica da autoridade administrativa lançadora, bem como dos julgadores de primeira instância administrativa, os procedimentos levado a efeito pelo contribuinte não atendem aos requisitos da lei. Por seu turno, o contribuinte assevera que inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletiva de trabalho, no exercício anterior ao que se paga a PLR. No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que a lei de regência sobre o assunto (Lei nº 10.101/00), em ponto algum do seu texto, ampara a pretensão do Fisco, situação que afasta qualquer hipótese de incidência relacionada à matéria discutida nestes autos. Há que se destacar, por oportuno, que a apuração de lucro ou resultados, em regra, ocorrerá somente após o término do exercício social, que na maioria dos casos, ocorre no dia 31 de dezembro. Destarte, a assinatura de ACT na forma em que foi assinado, em nada atrapalhará a discussão sobre as metas a serem alcançadas pelos trabalhadores, para que eles possam fazer jus ao beneficio de que trata o inciso XI do art. 7º da Constituição da República. Notase, então, que a questão da assinatura de ACT no decorrer do ano em que se apurarão as metas da PLR, não tem fundamento legal para afastar o benefício do trabalhador e muito menos para transformar tal benefício em saláriodecontribuição como pretende o Fisco. Assim sendo, no que diz respeito a PLR dou provimento ao recurso do contribuinte e afasto a possibilidade da responsabilidade solidária em relação à CEMIG S/A. Por questões óbvias, a multa aplicada, neste ponto, deve também ser afastada. Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724905/201217 Acórdão n.º 2803003.425 S2TE03 Fl. 8 7 Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724905/201217 Acórdão n.º 2803003.425 S2TE03 Fl. 9 8 As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, excluindo do lançamento a verba PLR. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.000368/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/01/2002
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. PAGAMENTO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No presente caso, o lançamento refere-se a falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte sobre: i) trabalho assalariado (Cód. Receita 0561); aluguéis e royalties pagos à pessoa física (Cód. Receita 3208); e iii) juros pagos ou creditados sobre o capital (Cód. Receita 5706). Todos com fato gerador na 1ª semana de janeiro de 2002, isto é, em 05/01/2002.
Entendo não restar configurada a antecipação de pagamento, posto que, no Extrato Completo do Contribuinte - Pessoa Jurídica (fls. 15 a 20), não há recolhimento do IRRF para os códigos de receita a que se referem os fatos geradores que tratam do presente lançamento.
Numero da decisão: 9202-003.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos alugueis e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Declarou-se impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ESTRUTURAS TUBULARES ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/01/2002 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. PAGAMENTO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No presente caso, o lançamento referese a falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte sobre: i) trabalho assalariado (Cód. Receita 0561); aluguéis e royalties pagos à pessoa física (Cód. Receita 3208); e iii) juros pagos ou creditados sobre o capital (Cód. Receita 5706). Todos com fato gerador na 1ª semana de janeiro de 2002, isto é, em 05/01/2002. Entendo não restar configurada a antecipação de pagamento, posto que, no Extrato Completo do Contribuinte Pessoa Jurídica (fls. 15 a 20), não há recolhimento do IRRF para os códigos de receita a que se referem os fatos geradores que tratam do presente lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos alugueis e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Declarouse impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 68 /2 00 7- 81 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 9202003.181 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 2202 00.372, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 03 de fevereiro de 2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, acolheu a argüição de decadência, suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Segue abaixo a sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF – Anocalendário: 2002 IRFONTE DECADÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de decadência para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 150, parágrafo 4º do CTN, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Arguição de decadência acolhida. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional entende que o r. acórdão diverge da jurisprudência mantida pelo CARF e pelo STJ sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do imposto, devendo, portanto, ser reformado. Apresenta dois acórdãos paradigmas das 2ª e 4ª Câmaras do 1º Conselho de Contribuintes, cujas ementas seguem abaixo: 10246.273 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA DATA DE INÍCIO DO PRAZO É A PREVISTA NO INC. I, DO ART. 173, DO CTN O direito de a Fazenda Pública constituir de ofício o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. 1). 10420.839 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA TERMO INICIAL Na falta de pagamento antecipado do imposto, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Fl. 201DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 ou a data da entrega da declaração referente ao período se esta for apresentada antes dessa data (art. 173,1 e parágrafo único). Junta a esses paradigmas, o Informativo nº 250 do STJ, que firma o entendimento de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerse á pelo disposto no art. 173, inciso I do CTN, como segue abaixo: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I do CTN. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. A Seção, ao prosseguir o julgamento, conheceu dos embargos e deulhes provimento. Precedentes citados: EREsp 101.407SP, DJ 8/5/2000; EREsp 278.727DF, DJ 28/10/2003; REsp 75.075RJ, DJ 14/4/2003, e REsp 106.593SP, DJ 31/8/1998. E R E s p 572.603PR. Rei. Min. Castro Meira, julgados em 8/6/2005. Ressalta que no acórdão recorrido, assim como nos acórdãos paradigmas, não houve recolhimento antecipado do imposto de renda pelo contribuinte. Argumenta que, no caso dos autos, em que não houve antecipação de pagamento de tributos, não há atividade do contribuinte a homologar, cabendo à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos, de acordo com o art. 173, I do CTN que dispõe que o prazo decadencial para o lançamento de ofício é de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho nº. 220000.169/2010, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou contrarrazões. Inicialmente, afirma que o AI deve ser declarado nulo de pleno direito, frente à divergência entre a falta de motivação e finalidade. Alega que não há que se falar em imposto devido pela compensação indevida, sendo esta, por não ter havido declaração em DCTF anteriormente ou concomitantemente, haja vista que operouse a decadência do direito da Impugnada de fazer o lançamento de ofício, como prescreve sua norma interna (Art. 23 da IN SRF 210/02) no prazo instituído no § 5º do Art. 74 da Lei nº 9.430/96. Argumenta que uma vez verificada a compensação indevida de tributo não confessado (em DCTF) deveria a SRF ter promovido o lançamento de ofício no prazo Fl. 202DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 9202003.181 CSRFT2 Fl. 4 5 determinado no § 5º do Art. 74 da Lei nº 9.430/96 (cinco anos contados da entrega da declaração de compensação), e que ao não fazêlo, os créditos tributários requeridos no auto de infração foram extintos pela ulterior homologação resolutória (§ 2º do Art. 74 da Lei nº 9.430/96), fazendo operarse a aplicação do prazo determinado no Art. 150, § 4º do CTN. Frisa que operouse a decadência em dois momentos distintos – a decadência especial da Lei 9430/96 e a decadência geral do art. 150, §4º do CTN – o que extingue o crédito tributário e a obrigação acessória. Ressalta que o prazo de cinco anos para o lançamento de ofício do crédito tributário, oriundo da compensação indevida do tributo não confessado, começou a fluir a partir da entrega da declaração de compensação, datada de 08/01/2002, cujo prazo final para o indeferimento do referido pedido compensatório expirouse em 08/01/2007. Frisa que não há que se falar em conversão da obrigação acessória em principal, uma vez que a multa há de merecer o mesmo regime jurídico do tributo e uma vez extinto o tributo principal, extintos estarão a multa e os juros correspondentes. Salienta que os valores a serem compensados foram devidamente incluídos para a devida compensação, passando a fazer parte dos montantes declarados em DCTF, e que eles são suficientes para liquidar os valores que deveriam ter sido recolhidos em função das retenções informadas em DIRF. Ao final, requer seja negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Voto Vencido Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 204DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 9202003.181 CSRFT2 Fl. 5 7 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No presente caso, o lançamento referese a falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte sobre: i) trabalho assalariado (Cód. Receita 0561); aluguéis e royalties pagos à pessoa física (Cód. Receita 3208); e iii) juros pagos ou creditados sobre o capital (Cód. Receita 5706). Todos com fato gerador na 1ª semana de janeiro de 2002, isto é, em 05/01/2002. Entendo restar configurada a antecipação de pagamento, posto que, no Extrato Completo do Contribuinte – Pessoa Jurídica (fls. 15 a 20), apesar de não haver recolhimento do IRRF para os códigos de receita a que se referem os fatos geradores que tratam do presente lançamento, constatase que houve para o período de apuração o recolhimento de IRRF para outros códigos de receita. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Destarte, quando o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 1º/03/2007, já havia transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador. Portanto, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativamente aos fatos geradores ocorridos em 05/01/2002. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 9202003.181 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de sua conclusão. O litígio em questão versa sobre a regra decadencial, determinada no CTN, que deve ser aplicada ao caso. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Na solução do relator, deveria ser aplicada ao caso a regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que o fato gerador do tributo em questão é exclusivo, referese ao fato gerador, e sobre os fatos geradores em questão não há recolhimentos parcias efetuados. Portanto, por não haver recolhimentos a homologar, em relação a esses fatos geradores, como determina a regra acima, do § 4º, Art. 150 do CTN, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Destacamos que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 9202003.181 CSRFT2 Fl. 7 11 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 Destarte, quando o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 1º/03/2007, não já havia transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, nesta data não se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativamente aos fatos geradores ocorridos em 05/01/2002. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11080.002790/2005-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
ESPONTANEIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos do art.138 do Código Tributário Nacional, a espontaneidade quanto à denúncia da infração não se caracteriza quando a confissão de débitos mediante parcelamento foi apresentada após o início da fiscalização, sendo cabível a multa de ofício.
DÉBITOS CONFESSADOS. APROVEITAMENTO. CABIMENTO.
Devem ser aproveitados os valores incluídos em parcelamento especial, devidamente confessados pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1103-001.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar os valores já incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 10.684/03, também por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator, no exercício da presidência
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Recorrente PREDIMAR INCORPORAÇÃO E COMÉRCIO DE IMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração tributária, e não se vincula à validade do lançamento tributário. Na hipótese de apuração de infração quanto a tributo mencionado no MPF, com base em elementos de prova que também configurem infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. DÉBITOS CONFESSADOS. APROVEITAMENTO. CABIMENTO. Devem ser aproveitados os valores incluídos em parcelamento especial, devidamente confessados pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003 ESPONTANEIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art.138 do Código Tributário Nacional, a espontaneidade quanto à denúncia da infração não se caracteriza quando a confissão de débitos mediante parcelamento foi apresentada após o início da fiscalização, sendo cabível a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar os valores já AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 27 90 /2 00 5- 54 Fl. 744DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.002790/200554 Acórdão n.º 1103001.067 S1C1T3 Fl. 745 2 incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 10.684/03, também por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator, no exercício da presidência Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório O processo trata de auto de infração de CSLL, relativo aos anoscalendário 2001 a 2003 (fls.5/18), no valor de R$ 40.341,21 (quarenta mil, trezentos e quarenta e um reais e vinte e um centavos), sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. O contribuinte foi cientificado em 15/4/05 (fl.5) No “Relatório de Ação Fiscal” (fls.20/25), as autoridades fazendárias consignaram, em resumo: na ação fiscal buscouse verificar o cumprimento de obrigações tributárias, a partir de mandado de busca e apreensão expedido pelo Juiz Federal Substituto da 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Estado do Rio Grande do Sul; nos anoscalendário 2001 a 2003, o contribuinte optou pela sistemática do lucro presumido, tendo sido a DIPJ do anocalendário 2002 retificada em 25/4/04, após a ciência, em 11/3/03, do Termo de Início de Fiscalização; as DCTF relativas aos três primeiros trimestres do anocalendário 2003 foram retificadas em 4/5/04; o contribuinte aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 10.684/03 (PAES), tendo declarado os débitos relacionados no extrato de folhas 413/429; o objeto social da autuada consiste na “compra, venda, incorporação e construção de imóveis”; conforme Instrução Normativa SRF nº 104/98, as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido poderiam, na apuração das bases de cálculo, adotar o regime de caixa como critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou serviços; as bases de cálculo são compostas por todas as vendas de unidades imobiliárias, mesmo que recebidas como pagamento de outras unidades vendidas; Fl. 745DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.002790/200554 Acórdão n.º 1103001.067 S1C1T3 Fl. 746 3 “a determinação dos resultados nas operações de permutas de imóveis entre pessoas jurídicas ou entre pessoas jurídicas e pessoas físicas deve seguir as orientações da IN SRF nº 107/88”; “para todos os casos em que não ocorre a permuta de imóveis, a alienação deve ser contabilizada como receita na empresa transmitente dos direitos sobre a unidade imobiliária”; quanto a algumas unidades imobiliárias, o contribuinte escriturou receitas no período base seguinte àquele em que foram realmente recebidas, tendo os respectivos valores sido excluídos “...dos períodos base em que foram incorretamente registrados, conforme tabelas de folhas 26 a 45, sendo tratadas como receitas omitidas nos períodos base a que competem (processos 11080.012058/200321 e 11080.002783/200552)”; os valores de CSLL devidos a partir das bases de cálculo ajustadas foram comparados com os valores pagos e/ou declarados em DCTF; “...Os valores de contribuição pagos ou declarados a maior em função dos ajustes produzidos por esta fiscalização foram deduzidos, em cada período base, do montante devido a partir de receitas omitidas (processo 11080.002783/200552)”. O lançamento foi considerado procedente pela Primeira Turma da DRJ – Porto Alegre (RS), conforme acórdão de fls.701/711, que recebeu a seguinte ementa: NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. O mandado de procedimento fiscal formalizado para o IRPJ gera efeito aos autos baseados nos mesmos fatos. CONFISSÃO DE DÍVIDAS E LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. E válido o lançamento de ofício formalizado após confissão de dívidas ínsita ao parcelamento especial (Paes), sobretudo porque esta é efetuada após o início do procedimento fiscal. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ESPONTANEIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PAES. MULTA DE OFÍCIO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do agente, impedindo que possa exonerarse da multa de ofício. Devidamente cientificado em 1/12/05 (fl.715), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 28/12/05 (fls.716/734), em que sustenta, em síntese: Preliminar considerando que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) restringiase ao IRPJ, não poderia ter embasado uma fiscalização relativa à CSLL, sendo pacíficas a jurisprudência e doutrina quanto à nulidade do lançamento em tal hipótese; Fl. 746DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.002790/200554 Acórdão n.º 1103001.067 S1C1T3 Fl. 747 4 a decisão de primeira instância estaria eivada de nulidade por ser omissa quanto “...à incidência de juros SELIC (em substituição aos juros TJLP), entre a data da opção pelo PAES e a data da lavratura do auto de infração”; Mérito as receitas objeto do auto de infração teriam sido declaradas em DIPJ; “...manteve sua espontaneidade até a data do recebimento do auto de infração, razão pela qual, quanto aos tributos e períodos não abrangidos pelo original mandado de procedimento fiscal, não há fundamento legal para a aplicação de multa de ofício quanto aos débitos incluídos no PAES”; os tributos devidos sobre as receitas declaradas foram, antes da efetivação do lançamento tributário, objeto de parcelamento instituído pela Lei nº 10.684/03 (PAES), regularmente deferido; o próprio acórdão recorrido reconhecera que os débitos declarados e parcelados seriam os mesmos e que apenas o acréscimo da multa de ofício seria legítimo; “...foram incluídos automaticamente no PAES não somente os valores declarados em DCTF (limitação que existia no REFIS mas não existe no PAES), mas também os valores declarados em DIPJ”; em momento algum se alegou “denúncia espontânea”, mas “declaração espontânea” quanto aos débitos ora exigidos, sendo impertinentes os fundamentos do acórdão recorrido; os débitos teriam sido declarados e a legislação não permitiria a aplicação de multa de ofício em tal situação; a declaração dos débitos em DIPJ apenas autorizaria a exigência com os acréscimos moratórios na hipótese de inadimplência, não se podendo cogitar de lançamento de ofício; além da declaração, houve o parcelamento da dívida antes da lavratura do auto de infração, razão pela qual não se poderia admitir a incidência da multa de ofício, mas apenas a moratória já objeto de consolidação no parcelamento; conforme Lei nº 10.684/03, “...os débitos declarados anteriormente, e não pagos, estão automaticamente incluídos no parcelamento especial, cabendo à SRF (dentro do PAES) a sua consolidação com os eventuais débitos incluídos na declaração PAES [...]. No caso da Recorrente, que verificou que alguns débitos declarados em DIPJ não estavam consolidados no PAES, protocolou em 16/08/2005, na ARF Tramandaí, a ‘Solicitação de Revisão dos Débitos Consolidados no PAES – SRDCPAES’ (processo nº 11012000173/200528 – cópia anexa), de forma a tornar clara a coincidência entre os valores declarados e os valores incluídos no parcelamento”; sobre os valores declarados e incluídos no PAES incidiriam multa de mora e juros calculados pela TJLP. É o que importa relatar. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.002790/200554 Acórdão n.º 1103001.067 S1C1T3 Fl. 748 5 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Inicialmente, poderseia pensar em não se conhecer do recurso voluntário em face da notícia de que os débitos exigidos constariam de pedido de parcelamento formalizado pelo contribuinte. Em tal hipótese, restaria configurada a desistência, nos termos do Anexo II do Regimento Interno: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.” (destaquei). Porém, a Primeira Turma da DRJ –Porto Alegre (RS) observou que “...Os valores confessados ao Paes ou pagos após a lavratura dos autos de infração não cobrem todos os lançamentos deste processo, nem os dos processos administrativos 11080.002783/200552 (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), 11080.002790/200554 (CSLL), 11080.002788/200585 (Cofins) e 11080.002784/200505 (PIS), conforme levantamento efetuado a partir da declaração do Paes e documentos de arrecadação (fl.677)”: CSLL (R$) Processos PA 11080.002783/200552 11080.002790/200554 Total PAES DARF LITÍGIO Mar/01 1.825,20 1.698,42 3.523,62 2.733,98 789,64 0,00 Jun/01 143,10 1.548,20 1.691,30 4.128,28 0,00 0,00 Set/01 1.371,60 1.905,22 3.276,82 3.567,84 0,00 0,00 Dez/01 5.473,51 1.518,80 6.992,31 4.074,90 917,41 2.000,00 Mar/02 108,00 9.995,68 10.103,68 7.312,24 0,00 2.791,44 Jun/02 0,00 4.494,74 4.494,74 1.606,12 0,00 2.888,62 Set/02 0,00 7.706,36 7.706,36 4.712,47 0,00 2.993,89 Dez/02 0,00 11.402,53 11.402,53 4.533,39 0,00 6.869,14 Jun/03 0,00 64,79 64,79 0,00 0,00 64,79 Dez/03 0,00 6,47 6,47 0,00 0,00 6,47 (*) Demonstrativo baseado na planilha de fl.677, restrito aos anoscalendário 2001 a 2003, elaborado pela DRJ – Porto Alegre (RS). Fl. 748DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.002790/200554 Acórdão n.º 1103001.067 S1C1T3 Fl. 749 6 Não tendo o parcelamento incluído a totalidade dos créditos tributários constituídos, e considerando que o Recorrente insurgiuse também quanto à incidência da multa de ofício e dos juros de mora, relativamente a todos os períodos de apuração, é de rigor o conhecimento do recurso voluntário, estando presentes os demais requisitos de admissibilidade, sob pena de se configurar cerceamento ao direito de defesa. PRELIMINARES Do Mandado de Procedimento Fiscal Sustenta o Recorrente que o auto de infração de CSLL seria nulo, pois no MPF não constaria autorização para a fiscalização de tal contribuição. Reiterese, aqui, o entendimento de que supostas impropriedades na expedição do MPF não maculam a ação fiscal, tampouco o seu resultado, mormente em razão da competência legal conferida ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para conduzir a auditoria e lavrar os autos de infração. O MPF, que não se traduz em elemento indispensável ao lançamento, é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, de forma a não se falar em nulidade do auto de infração em virtude de eventuais falhas em sua emissão ou nas sucessivas prorrogações, tese esta contemplada em vários precedentes, inclusive desta Terceira Turma Ordinária (acórdãos nº 1103000.808, de 5/3/13, e nº 1103000.993, de 12/2/14). Eventual descumprimento da norma infralegal que regula o MPF pode, quando muito, desencadear a apuração de responsabilidade administrativa do agente fazendário responsável pelo procedimento, jamais a invalidade deste e do lançamento decorrente. O Decreto nº 70.235/72, estabelece os requisitos de um auto de infração, todos contemplados no presente caso: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.(destaquei) Normas que regem o MPF não modificam, até mesmo por não se revestirem em instrumento hábil, a competência da autoridade fiscal estatuída em lei. A respeito, vejamos esclarecedora decisão administrativa: MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 1265/99 – NULIDADE – O desrespeito ao prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de Fl. 749DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.002790/200554 Acórdão n.º 1103001.067 S1C1T3 Fl. 750 7 fiscalizar e promover lançamento; ademais, o art. 13 dessa Portaria não traz como conseqüência a nulidade do ato (...). (1º CC, Oitava Câmara, Acórdão 10807523 de 10/09/2003). Destaquese, ainda, acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que tratou da autonomia do ato de lançamento, quando se entendeu inexistir vinculação a outro ato administrativo, a exemplo do combatido MPF: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida. (3ª Turma, AC 434330/SE, Rel. Élio Wanderley de Siqueira Filho, Julgamento em 15/05/08, DJ 31/07/08) (destaquei) Acrescentese que a Portaria SRF nº 3.007, de 26/11/01, vigente à época da emissão do MPF, previa a possibilidade de inclusão de outros tributos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa: Art.9º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Por tais razões, não se acolhe tal preliminar de nulidade. Da decisão de primeira instância Quanto à alegação de suposta omissão do acórdão a quo, no sentido de que não teria enfrentado a questão relacionada à taxa aplicável “...entre a data da opção pelo PAES e a data da lavratura do auto de infração”, igualmente não pode ser acolhida. Da forma como se decidiu a controvérsia na DRJ – Porto Alegre (RS), em que pese ter sido reconhecida a inclusão de parcela dos débitos no parcelamento especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/5/03, mantevese o lançamento na integralidade, de forma a incidir a taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios desde os respectivos vencimentos, Fl. 750DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.002790/200554 Acórdão n.º 1103001.067 S1C1T3 Fl. 751 8 entendimento este já consolidado no âmbito administrativo, conforme Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Do mérito No concernente ao mérito, o Recorrente não se insurgiu quanto à apuração das bases de cálculo nos moldes efetivados pela fiscalização, tendo tãosomente pleiteado o cancelamento das exigências em razão de os débitos supostamente estarem incluídos em parcelamento formalizado antes da lavratura do auto de infração. Apesar de no voto condutor do acórdão recorrido constar que “...A questão de relevo a ser solucionada neste processo referese à imposição de multa de ofício e juros de mora nos lançamentos sobre os valores declarados ao Paes”, na parte dispositiva concluiu o Relator pela “...rejeição da preliminar argüida e pela procedência do auto de infração”, o que foi acompanhado pelos demais Julgadores nos seguintes termos: “Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida e considerar procedente o auto de infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. Permaneceu, então, incólume o lançamento. Quanto à incidência do instituto da denúncia espontânea a afastar a responsabilidade pela infração, especificamente quanto à multa de ofício, o marco relevante, nos termos do art.138 do Código Tributário Nacional (CTN)1, consiste exatamente no início de qualquer medida de fiscalização, não a lavratura do auto de infração como entende o Recorrente. No caso concreto, conforme Termo de Início de Fiscalização (fls.58/59), a auditoria iniciouse em 11/3/03 (fl.59), data da ciência pessoal do representante do contribuinte. Por sua vez, a Declaração com os débitos inicialmente incluídos no PAES foi transmitida apenas em 28/11/03 (fl.413) e a Solicitação de Revisão do Débitos Consolidados no PAES (fls.735/736), em 18/8/05, ou seja, posteriormente ao início da fiscalização, razão pela qual não há se falar em dispensa da multa de ofício quando da realização do lançamento tributário. Isso não significa que estava o contribuinte impedido de incluir os respectivos débitos no parcelamento especial de que tratou a Lei nº 10.684/03. Ao contrário, tal lei previu que se aplicaria aos débitos com vencimento até 28/2/03, constituídos ou não, inscritos ou não como Dívida Ativa, mesmo em fase de execução ajuizada, ou que tivessem 1 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.002790/200554 Acórdão n.º 1103001.067 S1C1T3 Fl. 752 9 sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento (art.1º, §1º). Com relação à incidência de juros correspondentes à variação mensal da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) sobre as parcelas a serem pagas no bojo do aludido parcelamento (art.1º, §6º, da Lei nº 10.684/03), como pleiteia o Recorrente, é matéria estranha ao litígio, devendo qualquer controvérsia ser equacionada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), responsável pelo controle do parcelamento. Como visto no início deste voto, uma vez que a própria RFB, por meio de sua unidade de julgamento portoalegrense, identificou a inclusão, no parcelamento especial, de alguns créditos tributários de CSLL constituídos no presente auto de infração, caberá à unidade de origem afastar do auto de infração os correspondentes valores, mantendose a multa de ofício, que permanece devida em razão da não caracterização da espontaneidade. A conclusão por tal manutenção não representa juízo quanto aos efeitos do deferimento do parcelamento sobre a exigência de tal penalidade que remanesceu, cabendo à unidade de origem, se for o caso, considerálos. Em se tratando de parcelamento, acrescentese não ser aplicável à espécie o art.63 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, c/c art.151, IV e V, do CTN, que dispensaria o lançamento da multa de ofício. Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para afastar os valores já incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 10.684/03. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 752DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Numero do processo: 12898.000221/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2001
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública, da qual faz parte as empresas de economia mista, é restrita à cessão de mão de obra prevista no art.31 da Lei nº 8.212/91.
INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO LANÇADO POR SOLIDARIEDADE NO TOMADOR DOS SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONTRA A EMPRESA PRESTADORA.
Tendo sido cancelado o crédito lançado por solidariedade em fiscalização no tomador de serviços, não pode subsistir a responsabilidade do prestador neste lançamento, posto que este ato administrativo fica carente de fundamentação jurídica.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública, da qual faz parte as empresas de economia mista, é restrita à cessão de mão de obra prevista no art.31 da Lei nº 8.212/91. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO LANÇADO POR SOLIDARIEDADE NO TOMADOR DOS SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONTRA A EMPRESA PRESTADORA. Tendo sido cancelado o crédito lançado por solidariedade em fiscalização no tomador de serviços, não pode subsistir a responsabilidade do prestador neste lançamento, posto que este ato administrativo fica carente de fundamentação jurídica. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 21 /2 01 0- 90 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.000221/201090 Acórdão n.º 2401003.301 S2C4T1 Fl. 381 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelas codevedoras contra o Acórdão n.º 12 52.507 de lavra da 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.238.6628. O AI contempla as contribuições patronais para a Seguridade Social, lançadas por aferição indireta do saláriodecontribuição com base nas notas fiscais relativas à execução de obras de construção civil emitidas pela Construtora Coefer Ltda em nome da Companhia Brasileira de Trans Urbanos – CBTU. Por força do inciso VI do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, as empresas tomadora e prestadora dos serviços foram arroladas na condição de devedoras solidárias. O crédito foi constituído em substituição da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.e 37.537.5168, de 30/06/2003, que foi declarada nula, por vício de forma insanável, em decisões administrativas do CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social, no Acórdão n° 711 de 20/04/2005. A mácula que ensejou a nulidade foi a falta de indicação da fundamentação que autoriza o arbitramento das contribuições. A cientificação pelas empresas devedoras deuse em 12/03/2010. Ambas apresentaram impugnação e, inconformadas com a decisão de primeira instância, interpuseram recursos voluntários, com as alegações que, em síntese, abaixo serão reproduzidas. Construtora Coefer Ltda Alega que efetuou os recolhimentos das contribuições incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores que executaram os contratos auditados e apresentou os comprovantes à empresa tomadora, posto que sem essa providência não receberia a fatura seguinte. Sustenta que, caso sejam analisados os documentos acostados aos autos (folhas de pagamento, GFIP, GPS, notas fiscais e documentos contábeis), restará comprovado que as obrigações previdenciárias foram integralmente cumpridas. Ao final pede o cancelamento do AI. CBTU Inicia alegando que o recurso é tempestivo e deve garantir à recorrente a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Aduz que o fisco teria a obrigação de demonstrar a ocorrência do fato gerador, situação que seria facilmente aferida se houvesse a devida fiscalização na empresa prestadora. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Assevera que a recorrente, na condição de tomadora, tinha somente obrigações acessórias a cumprir, não lhe podendo ser atribuída a obrigação de pagar o tributo. Advoga que não foi procedida à fiscalização a fim de verificar a regularidade dos pagamentos pela empresa prestadora, dandose início, de forma arbitrária e absurda, a procedimento coercitivo de cobrança em relação à tomadora dos serviços. O crédito tributário, por não ser líquido, certo e exigível, merece a declaração de nulidade, conforme inciso I do art. 118 do Código de Processo Civil. Pede que seja reformada a decisão recorrida, de modo que seja declarada a improcedência do lançamento. Requer ainda que, sob pena de nulidade, as publicações e intimações sejam efetuadas em nome do seu patrono. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.000221/201090 Acórdão n.º 2401003.301 S2C4T1 Fl. 382 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recurso merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Quanto ao efeito do recurso, é previsão constante no CTN que este tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Portanto, essa consequência jurídica independe de pedido do sujeito passivo. Responsabilidade solidária – órgãos da Administração Pública Conforme já identificado no relatório deste acórdão, a responsabilidade solidária atribuída ao Recorrente foi fundamentada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. Ocorre que a Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU é uma empresa de economia mista conforme dispõe o art. 1. do seu estatuto: Art. 1. A COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS sociedade de economia mista vinculada ao Ministério das Cidades, constituída com fundamento no art. 5o da Lei 3.115, de 16 de março de 1957, no disposto no Decreto n° 74.242, de 28 de junho de 1974, e no contido no Decreto n° 89.396, de 22 de fevereiro de 1984, regerseá pelo presente Estatuto e pelas disposições legais que lhe forem aplicáveis. Em razão da sua natureza jurídica, a CBTU faz parte da Administração Pública Federal, estando submetida ao regramento especial disposto na Lei nº 8666/93. Essa Lei disciplina, no seu art. 71, que a responsabilidade pelos encargos que decorrem da execução dos contratos firmados com a Administração Pública deverão ser atribuídas apenas ao contratado, exceto nos casos em que a execução do contrato seja realizada mediante a cessão de mão de obra. Diante dessa previsão normativa, a Advocacia Geral da União reconheceu em no Parecer AC nº 055/2006, aprovado pelo Presidente da República, que a responsabilidade da Administração sobre as contribuições previdenciárias decorrentes dos contratos administrativos é restrita apenas aos casos de cessão de mão de obra, sendo que tal entendimento deve ser seguido pelos órgãos da Administração, conforme determina o art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93. Este entendimento restou pacificado no CARF através da Súmula aprovada pela segunda turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora Fl. 384DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Na situação sob comento, resta evidente que se trata de contratos por empreitada total efetuado com empresa construtora, não se vislumbrando a ocorrência de cessão de mãodeobra. Considerando, portanto, que o objeto da presente autuação não se refere à execução de contratos mediante cessão de mão de obra, concluise que no presente caso não há que se falar em responsabilidade solidária da CBTU. Vale ressaltar que, tendo a autoridade lançadora apurado o crédito tributário com base em aferição indireta, por entender equivocadamente ser possível a cobrança do tributo da tomadora do serviço – a CBTU – não pode a cobrança ser redirecionada contra o prestador. É que não havendo previsão legal de exigência das contribuições previdenciárias da tomadora dos serviços, todo o lançamento em discussão mostrase imprestável. A cobrança da contribuição eventualmente devida é permitida contra o prestador de serviço, porém através de procedimento fiscal instaurado perante este. Não existindo solidariedade no caso em apreço, não pode subsistir lançamento efetuado por aferição indireta, contra parte nitidamente ilegítima. Conclusão Voto por dar provimento aos recursos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13897.000304/2003-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/04/2003
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. RECURSO TEMPESTIVO. CONHECIMENTO.
Manifestaçãodeinconformidadeapresentadaforadoprazoregulamentarnão instaura o contraditório, e, como tal, impede o seu conhecimento. Negase provimento ao recurso, apresentado em tempo hábil, que não provaque a defesa inicial seria tempestiva, não se conhecendo das razões de mérito nele aduzidas.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1999 a 30/04/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. RECURSO TEMPESTIVO. CONHECIMENTO. Manifestaçãodeinconformidadeapresentadaforadoprazoregulamentarnão instaura o contraditório, e, como tal, impede o seu conhecimento. Negase provimento ao recurso, apresentado em tempo hábil, que não provaque a defesa inicial seria tempestiva, não se conhecendo das razões de mérito nele aduzidas. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez.
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RECURSO TEMPESTIVO. CONHECIMENTO. Manifestaçãodeinconformidadeapresentadaforadoprazoregulamentarnão instaura o contraditório, e, como tal, impede o seu conhecimento. Negase provimento ao recurso, apresentado em tempo hábil, que não provaque a defesa inicial seria tempestiva, não se conhecendo das razões de mérito nele aduzidas. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 03 04 /2 00 3- 22 Fl. 925DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13897.000304/200322 Acórdão n.º 3301002.278 S3C3T1 Fl. 926 2 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento adoto o relatório elaborado pela 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, abaixo transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 812/814, que considerou não homologadas as compensações vinculadas ao presente processo. O Despacho Decisório de fls. 812/814, tomando por base a Informação Fiscal de fls. 806/808, não homologou as compensações declaradas pois não restou confirmada a certeza e liquidez do direito creditório de IPI utilizado. Cientificada do Despacho Decisório em 15/07/2009 (fls. 815verso e 816 verso), a contribuinte ingressou, em 19/11/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 838/847 e documentos anexos, na qual alega, em síntese, o disposto a seguir: Ressalta que somente no dia 21/10/2009 tomou ciência das compensações não homologadas pela RFB via sistema PER/DCOMP; Há de ser observada a regra quanto à decadência dos débitos, atingindo o próprio direito material, uma vez que o lustro qüinqüenal restou consumado diante da inércia da Autoridade Fiscal e, desta forma, requer que seja o recurso administrativo conhecido e provido, reconhecendo a consumação da decadência do direito da recorrida constituir integralmente o crédito tributário (art. 150, §4º, c.c. art. 156, V, ambos do CTN c.c. art. 74, §5º da Lei 9.430/96). Analisando referida manifestação de inconformidade a 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1435.001, de 23/08/2011, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/1999 a 30/04/2003 RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade intempestiva contra despacho decisório versando sobre ressarcimento e compensação não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Manifestação de Inconformidade não Conhecida Sem Crédito em Litígio Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual, tece as seguintes razões de defesa, em síntese: Fl. 926DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13897.000304/200322 Acórdão n.º 3301002.278 S3C3T1 Fl. 927 3 que somente tomou conhecimento das compensações não homologadas em 21/10/2009, quando recebeu a carta cobrança; que a carta cobrança está datada de 08/10/2009 e, portanto, não haveria como a recorrente têla recebido em 15/07/2009, como afirmado na decisão recorrida; que a manifestação de inconformidade foi apresentada no prazo legal de 30 dias em conformidade com o art. 15 do Decreto nº 70.235/72; que houve a decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN, não podendo ser exigidos os créditos tributários do presente processo, bem como teria havido a homologação da compensação nos termos do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13897.000304/200322 Acórdão n.º 3301002.278 S3C3T1 Fl. 928 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. A recorrente defende que sua manifestação de inconformidade foi apresentada no prazo legal de 30 dias. Afirma que somente tomou conhecimento da não homologação da compensação por meio de carta cobrança que recebeu em 21/10/2009. Tendo apresentado a manifestação de inconformidade em 19/11/2009, esta seria tempestiva. Ocorre que está demonstrado nos presentes autos que o contribuinte tomou ciência do indeferimento de seus pedidos de compensação em 15/07/2009. Considerando que no presente processo constam créditos de IPI da matriz e da filial, foram enviadas duas intimações, que continham anexadas cópias do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP. Assim foi enviada para o endereço da matriz a Intimação nº 4630/2009, lavrada em 08/07/2009, fl. 830 (numeração digital do eprocesso), que foi recebida em 15/07/2009, AR à fl. 831. Da mesma forma, foi enviada para o endereço da filial a Intimação nº 4631/2009, lavrada em 08/07/2009, fl. 828, que foi recebida em 15/07/2009, AR à fl. 829. Desta forma, está demonstrado que o contribuinte foi cientificado duas vezes, as duas em 15/07/2009, do teor do Despacho Decisório que não homologou as compensações pretendidas no presente processo. Como só apresentou a manifestação de inconformidade em 19/11/2009, correta a decisão recorrida que lhe negou conhecimento por intempestiva. Assim dispõe o art. 15 do PAF, Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. É pacífica e remansosa a jurisprudência do CARF no sentido de que, não tendo sido apresentada em tempo hábil a manifestação de inconformidade ou impugnação, esta não deve ser conhecida e, por conseqüência, considerase não instaurado o litígio. Restam prejudicadas, portanto, as alegações de mérito efetuadas pela recorrente, que não devem ser conhecidas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 928DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13897.000304/200322 Acórdão n.º 3301002.278 S3C3T1 Fl. 929 5 Fl. 929DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915841/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/05/1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/05/1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
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LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 41 /2 00 8- 74 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915841/200874 Acórdão n.º 3302002.622 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 12/02/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 040935), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 449.267,95, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 10/05/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 04/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. No dia 16/09/2006, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 049603), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 449.267,95 para R$ 502.998,49, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação (R$ 449.267,95). Na DCTF Original entregue em abril de 1999, a Empresa Recorrente vinculou referido DARF de pagamento, no valor de R$ 502.998,49, ao débito declarado de COFINS do PA de 04/99. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 2º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 04/99, no valor de R$ 10.153.369,65. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 1.655.105,65 por compensação com parte do pagamento da COFINS do PA 11/94, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 8.498.264,00 com a utilização parcial do pagamento de R$ 9.650.371,16, efetuado no dia 10/05/99. Com a utilização parcial dos pagamentos feitos no dia 10/05/99, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 1.655.105,65 passível de restituição ou compensação. Desse valor, R$ 502.998,49 foi recolhido em um DARF separado e é exatamente esse o crédito pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 783792349, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915841/200874 Acórdão n.º 3302002.622 S3C3T2 Fl. 4 3 Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 827.192,15, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 30/04/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em abril de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 8.498.264,00, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 502.998,49, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega de PER/DCOMP, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou a PER/DCOMP retificadora 25401.43035.160906.1.7.049603. Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915841/200874 Acórdão n.º 3302002.622 S3C3T2 Fl. 5 4 podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.072, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/05/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos estabelecidos na legislação então vigente à época formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico Instruções Normativas SRF nº 210/2002 e nº 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 29/05/2013, com Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915841/200874 Acórdão n.º 3302002.622 S3C3T2 Fl. 6 5 recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de que a DCTF retificadora prova que ocorreu pagamento a maior da Cofins de 04/99, restando legítimo seu direito ao crédito no valor original de R$ 502.998,49. Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação da Cofins de abril/1999, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 05/12/2003” passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins de 1995, informado na DCTF Retificadora de 05/12/2003, que entende contarse após a homologação (tácita ou expressa) e as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de abril de 1999. O pagamento ocorreu no dia 10/05/1999. O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamentos feitos no dia 10/05/1999. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referidos pagamentos estavam integralmente declarados e alocados ao débito, de mesmo valor, da COFINS do PA 04/99. Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 04/99 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para corrigir o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915841/200874 Acórdão n.º 3302002.622 S3C3T2 Fl. 7 6 Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a COFINS Db: cód 2172 PA 30/04/1999. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 30/04/1999, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 10.153.369,65, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 05/12/2003, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua entrega à RFB, ou seja, em 05/12/2003, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915841/200874 Acórdão n.º 3302002.622 S3C3T2 Fl. 8 7 disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. [...] Ademais, cabe destacar que a simples apresentação de DCTF retificadora não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, no presente processo administrativo, perante esta autoridade julgadora, sendo imprescindível a sua comprovação por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Ou seja, nesta fase do processo, tal declaração – a DCTF retificadora – deveria estar acompanhada de documentos comprobatórios de erro no preenchimento da DCTF que já havia sido entregue antes dela, a fim de conferir liquidez e certeza ao crédito. E, no caso, a empresa não acostou aos autos documentos, como cópias da sua escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada em sua DCTF. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em maio de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 10/05/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 04/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915841/200874 Acórdão n.º 3302002.622 S3C3T2 Fl. 9 8 compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS do PA 11/94 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 04/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de maio de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. O mesmo vale para o aproveitamento parcial do pagamento de COFINS realizado no dia 10/05/1999. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS do PA de 11/94, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 04/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 04/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915841/200874 Acórdão n.º 3302002.622 S3C3T2 Fl. 10 9 vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915841/200874 Acórdão n.º 3302002.622 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10803.000073/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
DECADÊNCIA.
Na falta de pagamento do IRPF o prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I do CTN, na forma da jurisprudência pacificada pelo C. STJ, em recurso repetitivo, de observância obrigatória pro este Conselho.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
O acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte só se elide mediante comprovação sem r margem a dúvida.
FALTA DE COMPROVAÇÃO. ARBITRAMENTO.
Na falta de colaboração e comprovação do negócio desenvolvido pelo contribuinte, cabe arbitramento dos elementos que se tornarem necessários à autuação. O momento para contribuinte contestar o arbitramento realizado pela fiscalização é após a intimação feita sobre a sua realização.
ARBITRAMENTO DE GASTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA.
É perfeitamente legítimo o arbitramento de gastos efetuado com base nos sinais exteriores de riqueza quando o contribuinte, intimado, não comprove as receitas os dispêndios efetivamente realizados, prevalecendo o arbitramento.
MULTA QUALIFICADA. DECISÃO RECORRIDA.
Incabível a imposição da multa qualificação se a autuação nada justifica e nada comprova sobre os motivos para sua imposição, sendo totalmente incabível a decisão recorrida justificar e valorar a possível conduta do infrator para manter a qualificadora, se a autuação simplesmente se omitiu e nada estabeleceu.
Numero da decisão: 2201-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. Na falta de pagamento do IRPF o prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I do CTN, na forma da jurisprudência pacificada pelo C. STJ, em recurso repetitivo, de observância obrigatória pro este Conselho. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte só se elide mediante comprovação sem r margem a dúvida. FALTA DE COMPROVAÇÃO. ARBITRAMENTO. Na falta de colaboração e comprovação do negócio desenvolvido pelo contribuinte, cabe arbitramento dos elementos que se tornarem necessários à autuação. O momento para contribuinte contestar o arbitramento realizado pela fiscalização é após a intimação feita sobre a sua realização. ARBITRAMENTO DE GASTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. É perfeitamente legítimo o arbitramento de gastos efetuado com base nos sinais exteriores de riqueza quando o contribuinte, intimado, não comprove as receitas os dispêndios efetivamente realizados, prevalecendo o arbitramento. MULTA QUALIFICADA. DECISÃO RECORRIDA. Incabível a imposição da multa qualificação se a autuação nada justifica e nada comprova sobre os motivos para sua imposição, sendo totalmente incabível a decisão recorrida justificar e valorar a possível conduta do infrator para manter a qualificadora, se a autuação simplesmente se omitiu e nada estabeleceu.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2236; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000073/200875 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.441 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente EDUARDO MATIAS ASSOLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. Na falta de pagamento do IRPF o prazo decadencial regese pelo art. 173, I do CTN, na forma da jurisprudência pacificada pelo C. STJ, em recurso repetitivo, de observância obrigatória pro este Conselho. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte só se elide mediante comprovação sem r margem a dúvida. FALTA DE COMPROVAÇÃO. ARBITRAMENTO. Na falta de colaboração e comprovação do negócio desenvolvido pelo contribuinte, cabe arbitramento dos elementos que se tornarem necessários à autuação. O momento para contribuinte contestar o arbitramento realizado pela fiscalização é após a intimação feita sobre a sua realização. ARBITRAMENTO DE GASTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. É perfeitamente legítimo o arbitramento de gastos efetuado com base nos sinais exteriores de riqueza quando o contribuinte, intimado, não comprove as receitas os dispêndios efetivamente realizados, prevalecendo o arbitramento. MULTA QUALIFICADA. DECISÃO RECORRIDA. Incabível a imposição da multa qualificação se a autuação nada justifica e nada comprova sobre os motivos para sua imposição, sendo totalmente incabível a decisão recorrida justificar e valorar a possível conduta do infrator para manter a qualificadora, se a autuação simplesmente se omitiu e nada estabeleceu. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 73 /2 00 8- 75 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes– Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP, que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, anoscalendário 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, no valor de R$ 477.409,17, sobre omissão de rendimento caracterizada pelo Acréscimo Patrimonial a Descoberto – APD, com multa qualificada de 150%, em parte da omissão. Ao relatório de fls. acrescento que os autos foram convertidos em diligencia pela a Resolução n° 2201000.160, desta C. Turma de Julgamento, em sessão de 13.08.2013. Auto de Infração a fls.04 a 15, com ciência em 22.10.2008 (AR fls. 360). Termo de Verificação Fiscal a fls. 343 a 351, relatando o procedimento fiscal adotado para a autuação. A decisão recorrida (fls. 452 a 477) manteve a autuação pela falta de comprovação da inexistência do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, com a multa qualificada, e possui a seguinte ementa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADES Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade. DECADÊNCIA. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000073/200875 Acórdão n.º 2201002.441 S2C2T1 Fl. 3 3 Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. NOVAS PROVAS. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do auto de infração e conter os argumentos e provas de que dispuser o contribuinte, precluindo o direito de apresentação de provas em outro momento, a menos que reste comprovada circunstância prevista em lei para tal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. LANÇAMENTO O lançamento de ofício é feito abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. ARBITRAMENTO DE GASTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. É legítimo o arbitramento de gastos efetuado com base nos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte, intimado,não apresenta comprovação das despesas. Inexiste vedação para que seja utilizado o percentual máximo previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC como juros moratórios, assim como a aplicação da multa de ofício decorrem de expressas disposições legais. A apreciação de decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvose já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. MULTA QUALIFICADA Mantémse a qualificação da penalidade por evidente intuito de fraude, uma vez que caracterizado o dolo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário (fls. 499 a 564) sustenta, em síntese: Fl. 784DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES 4 a) Decadência; b) Alega que a Autoridade Fiscal não obedeceu aos princípios que regem a administração pública. Pede juntada dos documentos que comprovam as informações prestadas pelo Recorrente; c) Sustenta que há vício insanável, com lesão irreparável do ato administrativo, pois o julgamento ocorreu um ano e meio, após o prazo estabelecido no art. 24, da Lei nº 11.457/07 que fixa prazo de 360 dias; d) O julgamento após o prazo de 360 dias deve causar a suspensão da fluência dos juros moratórios, em razão de a demora decorrer da culpa da administração; e) Os atos da Receita Federal padecem de ilegalidade e arbitrariedade, pois não há motivo para o não recebimento da contestação protocolada em 13.10.2008, pois era tempestiva; f) O imóvel consistente na unidade 163 foi adquirido por meio de empréstimos garantido com hipoteca, posteriormente assumida e refinanciada por Julio R. Arango e Glória E. Castellanos; g) O imóvel consistente na unidade 1710 foi adquirido por meio de empréstimo garantido com hipoteca, posteriormente assumida e refinanciada por Arial Cartagene e Olga Cartageno; h) O imóvel consistente na unidade A2005 foi adquirida mediante a concessão de empréstimo hipotecário por Jorge Otte; i) Os valores declarados a titulo de despesas com a manutenção do veículo não correspondem a realidade; j) Pede a conversão dos autos em diligência; k) Os cálculos de rendimentos tributáveis foi aplicado no percentual errado, no lugar de 5,0% foi aplicado 10%; l) Alega afronta ao princípio da legalidade e a falta de motivação demonstra a inquestionável ilegalidade e discricionariedade sem base legal para constituir o crédito tributário guerreado; m) O arbitramento deve ser motivado, intimando o contribuinte para sanar em prazo razoável as irregularidades constantes dos documentos fiscais; n) Alega a necessidade da revisão de ofício dos atos que ensejaram a presente notificação de lançamento, sob pena de configurar confisco; o) Impossibilidade de afastar a pessoa jurídica por suposições da Receita Federal com ofensa aos princípios da legalidade e aos contidos no art. 37 da Constituição Federal; p) A Taxa Selic além de ser híbrida, com correção, juros e remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente pelo Poder Executivo e, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no art. 161, do CTN; Fl. 785DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000073/200875 Acórdão n.º 2201002.441 S2C2T1 Fl. 4 5 q) As multas devem ser aplicadas conforme o atraso no adimplemento do tributo e, com razoabilidade e proporcionalidade. Invoca a retroatividade da lei mais benéfica e requer a aplicação da multa de 75% por ausência de fraude ou dolo. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Cuidase de omissão de rendimentos apurada por meio do Acréscimo Patrimonial a Descoberto APD, consistente na aquisição de imóveis nos Estados Unidos e uma motocicleta no Brasil. Sustenta diversas prejudiciais ao desenvolvimento válido e regular do processo, a maioria relativas a falta de oportunidade para juntar documentos e comprovar os fatos, e vicio insanável pela decisão da DRJ ser proferida em prazo superior da 360 dias. Com o recurso juntou diversos documentos para comprovar que não houve a quitação, ou seja, não deteve a propriedade plena dos imóveis que foram considerados pela fiscalização na apuração da variação patrimonial a descoberto, notadamente pela existência de hipoteca em garantia do financiamento na aquisição imobiliária realizada. Sustenta que houve alienação dos direitos sobre os imóveis com a transferência da hipoteca, mas não houve essa consideração do preço e dos direitos cedidos/alienados na apuração da variação patrimonial. Trouxe ainda o Recorrente demonstrativo (planilha) da variação patrimonial que considera correta. Na fase inquisitiva do lançamento, observo, o Recorrente insistiu na prorrogação de prazo para apresentar documentos e comprovar os fatos. Alegou dificuldades em cumprir os prazos estipulados – cinco dias – em razão de estudar nos Estados Unidos e de os imóveis, considerados no APD, situaremse naquele país. Os autos foram convertidos em diligencia, conforme pedido do Recorrente. A diligente fiscalização confirmou as informações da autuação. Não há prejudicialidade a vencer e não se aplica aos órgãos de julgamento a Lei nº 11.457/07, que fixa prazo de 360 dias para decisão ao procedimento fiscal. Não há também qualquer ofensa ao princípio da legalidade, alegação esta que se confunde, em parte, com o mérito da autuação, notadamente o arbitramento realizado pela autuação e assim será examinada. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES 6 Houve atendimento ao reclamo da aplicação § 4º do art. 16, do Decreto 70.235/72 no momento em que se admitiu juntada de documentos, sem qualquer cerceamento do direito de defesa ou do contraditório. Multa qualificada. Em relação à imposição da multa qualificada vemos que tanto a autuação e a decisão recorrida não agiram com o costumeiro acerto. Não há na autuação uma palavra para justificar a imposição da qualificadora. E não é apenas justificar, mas comprovar a sua existência, seja de dolo, fraude ou conluio, para permitir a imposição da penalidade de 150%. A decisão recorrida, sem nada justificar e comprovar a autuação, manteve a qualificadora sob o fundamento de ter havido dolo, fraude e conluio, sob a justificativa de se tratar de omissão de rendimentos feita no exterior, por intermédio de empresa inexistente. A autuação não fez essa acusação, nem de dolo, conluio ou fraude, menos ainda de infração às essas três condutas. Fraude é fato objetivo e exige basicamente prova documental, coisa que não há nos autos. Dolo e conluio são tipos subjetivos, que exigem indagar sobre a conduta do infrator, ou seja, comprovar a vontade, livre, consciente, deliberada e premeditada de sonegar. Diferente da multa de oficio de 75%, que é objetiva e independe de culpa ou do dolo, a multa qualificada pelo dolo ou conluio é subjetiva e exige investigar a intenção do infrator. Nestes autos não se gastou uma palavra para justificar a imposição da multa qualificada, menos ainda a comprovação da sua existência. E não cabe ao julgador, na falta de comprovação e motivação da autuação, como fez a decisão recorrida, justificar e valorar a possível conduta do infrator para manter a penalidade, se a próprio lançamento não o fez e, pior, sem qualquer prova da conduta do autuado. Assim, afasto a multa qualificada e, com isso, passo ao exame da decadência. Aprecio a decadência em relação ao ano calendário de 2002. Auto de Infração (fls.04 a 15), notificação em 22.10.2008 (AR fls. 360). Afastada a qualificadora, resta saber se há pagamento de parcela do tributo do período para aplicação do art. 150, Par. 4° do CTN, na esteira do entendimento do C. Superior Tribunal de Justiça, no C. STJ no REsp. 973.733 – SC, submetido ao rito do recurso repetitivo, de aplicação obrigatória por este Conselho, a ter do art. 62A, do Regimento Interno. Vemos que não há essa comprovação, com isso, sem pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, sem se operar a decadência. No mérito, cuidase da omissão de rendimentos do Recorrente apurado por meio do APD, de quatro imóveis adquiridos nos Estados Unidos com garantia hipotecaria e de uma motocicleta. Esses imóveis estão denominados de Unidades A2005; 613; 1710; e 2606. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000073/200875 Acórdão n.º 2201002.441 S2C2T1 Fl. 5 7 Alega o Recorrente, com os documentos juntados na fase do recurso que não é proprietário dos imóveis e a fiscalização não considerou a existência da hipoteca americana. Engano. A fiscalização considerou a hipoteca e apurou no APD apenas sobre os valores efetivamente desembolsados pelo Recorrente no pagamento dos imóveis. Diz ainda não ser proprietário das unidades 613 e 1710 e assim não podem integrar e compor sua variação patrimonial a descoberto. Essas unidades, diz, pertencem a empresa americana Plantation, de titularidade do autuado e de seu pai, conforme confissão feita nos autos. Nessa mesma confissão o autuado Recorrente foi categórico: essa empresa NUNCA teve qualquer atividade, faturamento ou lucros. Foi constituída, continua a confissão, com seu pai, unicamente para aquisição do imóvel. E acrescenta, nunca apresentou qualquer documento ao fisco americano. Assim, na inexistência da empresa, admitida pelo próprio autuado, o imóvel foi considerado na pessoa física a razão de 50%, em razão de ter dois sócios, metade do capital de cada um. Em relação ao imóvel n° 2606 nada alega, com isso admite, com a falta de contestação, ser correto o procedimento fiscal realizado. A planilha do APD juntado pelo Recorrente volta a confessar a omissão e a sonegação de diversos valores, tanto que apresenta outros valores na sua versão do que entende serem os corretos, mas não se comprova nem se demonstra o desacerto da autuação. Verificase que em nenhum momento a fiscalização considerou nas aplicações a totalidade do valor do imóvel hipotecado. Considerou, isto sim, apenas as parcelas pagas. Nada mais. E certo ainda que a fiscalização intimou e reintimou o autuado, concedeu prazos, indeferiu outros impertinentes, para ele apresentar os documentos da empresa, suas rendas, despesas e transações realizadas, mas não obteve qualquer êxito pela omissão do autuado. Com isso, a fiscalização, diligentemente, estimou, por arbitrarem, as despesas para manutenção dos imóveis e da motocicleta, inclusive o valor pago. O Recorrente insurgese contra esse arbitramento, mas ele é lógico, certo, e razoável. Está perfeitamente detalhado no Termo de Verificação Fiscal a fls. 343 a 351 e 313 tanto a forma e o critério de todo o procedimento fiscal adotado, que obedeceu ao devido processo legal do art. 148, do CTN e do art. 5°, LV, da Constituição Federal. Não vemos assim qualquer reparo no procedimento adotado que conferiu inúmeras oportunidades ao autuado para demonstrar e comprovar o desacerto do arbitramento, que foi realizado, repitase, pela única e exclusiva omissão deliberada do autuado recorrente. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES 8 Os documentos trazidos aos autos com o recurso não são novos, já existiam ao tempo da autuação ou entes. Por essa razão, sem outros elementos firmes de prova, notadamente pericial, nada se comprova sobre o possível desacerto da autuação. Não servem à comprovação em razão de a autuação ser realizada por arbitramento na falta de colaboração e participação do contribuinte na busca de elementos concretos. O Recorrente foi notificado para fornecer documentos e informar a situação da empresa constituída nos Estados Unidos, não colaborou e disse que a sociedade não existia de fato, foi construída apenas formalmente. Depois, foi intimado para se manifestar sobre o arbitramento realizado. Contestou é certo, mas sem nenhuma comprovação, trouxe apenas argumentos vazios e destituídos de provas que pudessem merecer credibilidade para desconstituir o arbitramento realizado. Mesmo sem a sua colaboração na fase inquisitiva do lançamento, com a intimação do arbitramento surgiu momento para desconstituir os elementos considerados pela fiscalização. Por esta razão, a pretendida desconstituição da autuação, nesta particular situação do arbitramento, exige elemento firme e consistente de prova do desacerto do lançamento realizado. E essa prova era, é sempre foi do contribuinte que nada fez, além de juntar documentos destituídos dos fatos concretos dos autos. Na impugnação e agora no recurso voltase com os mesmos argumentos e elementos de prova, com pequenas alterações que não abalam a convicção e o acerto do arbitramento realizado que foi, repetimos, certo, lógico e razoável e obedeceu ao devido processo legal. Ante o exposto, pelo meu voto, afasto as preliminares e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 789DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 11065.000543/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
SIMPLES. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO.
Não há suspensão dos efeitos do ato declaratório de exclusão pela apresentação de manifestação de inconformidade do excluído.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 1302-001.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosAlberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcelo de Assis Guerra, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. Não há suspensão dos efeitos do ato declaratório de exclusão pela apresentação de manifestação de inconformidade do excluído. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 847 1 846 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000543/200854 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.297 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente BORN & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. Não há suspensão dos efeitos do ato declaratório de exclusão pela apresentação de manifestação de inconformidade do excluído. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheirosAlberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcelo de Assis Guerra, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 05 43 /2 00 8- 54 Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/POA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar procedente em parte a impugnação para cancelar R$28.375,07 de crédito tributário original, mais multa e juros, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Considerase omissão de receitas a existência de depósitos efetuados em conta bancária da empresa autuada, sem que esta comprove documentalmente a origem de tais ingressos. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES não possui efeito suspensivo CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não detém competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DOS PERCENTUAIS. Aplicase a redução de multa de ofício lançada, somente nos prazos e condições estabelecidos pela legislação tributária vigente. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: A empresa teve lavrados contra si autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 414), Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 425), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 434) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 419). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 1.493.121,38, calculado até 31/01/2008. O Fl. 848DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.000543/200854 Acórdão n.º 1302001.297 S1C3T2 Fl. 848 3 relatório da ação fiscal está às fls. 404/413. A ciência dos autos de infração ocorreu em 03/03/2008. A contribuinte impugnou as exigências em 02/04/2008, através das petições de fls. 480/499, 592/611, 643/660 e 682/701. Este processo foi formado originalmente em papel e depois digitalizado. Com isso, a numeração das páginas apostas no papel não coincidem necessariamente com a numeração do documento digitalizado. Nas referências que faço à numeração de páginas utilizarei a numeração do documento digitalizado. Razões de autuação A contribuinte foi excluída do Simples pois teria auferido receitas superiores ao limite permitido para aquela sistemática. Os efeitos da exclusão se deram a contar do ano calendário 2005. Os fatos geradores constantes deste processo são de 2005 e 2006. A fiscalização constatou que a empresa mantinha contas bancárias, mas não registrava a movimentação delas nos livros contábeis. Alguns depositantes identificados foram intimados a informar as operações que originaram os depósitos. Dois, entre aqueles de maior movimentação, informaram que efetuaram pagamento por compras que efetuaram da Born & Cia. Ltda. Os valores creditados em tais contas foram consolidados, excluídas as simples transferências, estornos e mútuos, e a contribuinte instada a comprovar a origem dos depósitos. Informou que não teria como comprovar os depósitos efetuados pelos clientes nas referidas contas (sublinhei). Em manifestação posterior, informou que os depósitos no Banco do Brasil e no Bradesco são relativos a receitas já escrituradas. Intimado a se manifestar sobre a possível existência de omissão de receitas e sobre a possibilidade de refazer sua escrita, informou que não teria condições de refazêla e não concorda que existam valores omitidos. Foi novamente intimada acerca dos mesmos pontos e reafirmou a resposta anterior. Os autuantes consideraram os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada como omissão de receita, com base na presunção estabelecida pelo art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Em face das falhas na escrituração e da alegada impossibilidade de refazimento dela, foram apurados os resultados pela sistemática do Lucro Arbitrado. O contribuinte foi intimado a comprovar se os depósitos tem origem na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Respondeu afirmando que não teria como segregar os valores. Com isso, para fins de apuração do lucro sobre a omissão de receitas, foi aplicado o coeficiente de prestação de serviços. Também para fins de arbitramento, foi aplicado o coeficiente relativo à venda de mercadorias no caso das receitas declaradas como provenientes de atividade comercial. Razões de defesa A exclusão do Simples foi objeto de manifestação de inconformidade e a matéria ainda estaria pendente de julgamento. Aquela defesa teria efeito suspensivo sobre eventual crédito tributário e até a decisão final sobre a exclusão não poderia o Fl. 849DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 fisco aplicar à empresa outra forma de tributação que não a do Simples. Diz (fls. 484): Do contrário, ou seja, se a defesa (manifestação de inconformidade do ato excludente) não tivesse sido apresentada, poderia ai sim o Fisco lavrar os autos pertinentes ás exigências dos tributos devidos, como o ora impugnado. Jamais antes, pois, se ainda pende de julgamento a exclusão ou não da Impugnante do SIMPLES, como pode a autoridade fiscal ir lavrando autos de lançamento que decorrem diretamente desta exclusão? [...] Denotase, da análise do julgado, que apenas o contribuinte que não apresentar defesa sujeitarseá as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas. Por óbvio, aquele que apresentou não irá se submeter a estas normas, pelo menos, até que a questão da exclusão fique resolvida. Haveria nulidade da autuação porque os autuantes não teriam comprovado que os valores decorrem efetivamente de atividade comercial e/ou receitas. Diz que somente dois clientes declararam que os valores teriam origem em vendas da autuada, mas os depósitos deles seria inferiores a cento e sessenta mil reais, frente a depósitos que totalizaram quatro milhões e quinhentos mil reais. Traz jurisprudência e doutrina dando conta da necessidade de comprovação cabal da infração para fins de imposição tributária. Reclama também da aplicação do maior percentual para fins de apuração do lucro arbitrado. Diz: como a empresa não reconhece a omissão, não poderia identificar a sua natureza; nos anos de 2005 e 2006 as receitas declaradas de venda de mercadorias foram superiores às receitas de prestação de serviços; os clientes que responderam à intimação do fisco informaram que os depósitos tinham origem na aquisição de mercadorias. Tudo indicaria que a receita tinha origem no comércio de bens, mas o fisco optou pela maior tributação. Bastaria ao fisco um pouco mais de investigação. A previsão de lei não é de que o maior percentual é aplicável quando o contribuinte não tem condições de comprovar a origem da receita. Diz que deve se aplicado o enquadramento na atividade que seja menos gravosa. Traz doutrina. Alega ainda que, ao contrário do que teria informado na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, as receitas auferidas no 4° trimestre de 2006, decorreriam exclusivamente da venda de mercadorias e não de serviços. Junta livros fiscais para fins de prova e pede a apropriação das receitas à base que considera correta. A taxa Selic não poderia ser aplicada para correção de tributos. O fato de não poder usufruir da redução da multa em função de ter impugnado o lançamento constitui cerceamento do direito de defesa. Pede que multa seja reduzida ao valor mínimo, mesmo tendo impugnado. Especificamente em relação ao PIS e COFINS, reclama da inconstitucionalidade de dispositivos da Lei n° 9.718/1998, pois essa legislação teria desbordado de sua competência ao ampliar o conceito de faturamento, acarretando verdadeira alteração na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.000543/200854 Acórdão n.º 1302001.297 S1C3T2 Fl. 849 5 A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) a manifestação de inconformidade contra exclusão do simples goza do efeito suspensivo, aplicandose o art. 151, III, do CTN; b) a separação de poderes constitucionais não é absoluta e a apreciação de inconstitucionalidade pode ser feita pelo órgão julgador administrativo; c) a autuação com base em presunção viola a legalidade; d) o art. 6º da Lei nº 8.218/91 e o art. 60 da Lei nº 8.383/91 impõem multas progressivas pelo fato de o contribuinte impugnar administrativamente a exigência fiscal, não a pagando nos prazos estabelecidos. Tal prescrição viola o direito constitucional da ampla defesa administrativa. É o relatório. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. a) Inexistência de efeito suspensivo relativamente à manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do Simples A manifestação de inconformidade contra exclusão do simples não goza do efeito suspensivo, como deseja a recorrente, a ela não se aplicandose o art. 151, III, do CTN. Com efeito, o caput do art. 151 afirma que suspendem a exigibilidade do crédito tributário [...]. Assim, de se ver por evidente que cuida da hipótese de sustação de cobrança de crédito tributário, situação que não se confunde com a interposição de recurso administrativo destinado a questionar um ato que não constitui crédito tributário. Por sua vez, o art. 16 da Lei nº 9.317/96 expressamente afirma que a pessoa jurídica excluída do Simples passa a se sujeitar, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (verbis) não fazendo qualquer exceção à hipótese de interposição de recurso administrativo (manifestação de inconformidade). Assim, descabem quaisquer solicitações neste sentido. b) Argüição de inconstitucionalidade de lei O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei. No recurso voluntário também questiona a legalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96, por permitir a constituição do crédito sem que o Fisco tenha que buscar todo o acervo probatório, invertendo o ônus da prova, e o art. 6º da Lei nº 8.218/91 e o art. 60 da Lei nº 8.383/91 que possibilitam a redução da multa de ofício somente nas situações em que não há interposição de impugação, pois haveria, segundo aduz, cerceamento do direito de defesa. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.000543/200854 Acórdão n.º 1302001.297 S1C3T2 Fl. 850 7 Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 853DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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