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Numero do processo: 11330.000963/2007-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora junte cópia integral do processo administrativo tributário iniciado pela NFLD n. 35.371.914-5. Após a juntada da cópia, deve ser dada ciência às contribuintes, oportunizando manifestação pelo prazo de 30(trinta) dias, retornando os autos ao julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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score : 1.0
Numero do processo: 19311.000385/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento em respeito ao §1o, do art. 62, do Regimento Interno do CARF.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: Não se aplica
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score : 1.0
Numero do processo: 12466.003337/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/10/2003, 29/10/2003, 30/10/2003, 12/11/2003, 13/11/2003, 02/12/2003
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO E DO RESPONSÁVEL. ERRO DE QUALIFICAÇÃO JURÍDICA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
É nulo o lançamento, em virtude de vício formal, quando a autoridade lançadora deixa de identificar corretamente contribuinte e responsáveis, conforme subsunção aos critérios definidos em lei.
IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E EFETIVAMENTE PRATICADO OU ARBITRADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. MULTA APLICÁVEL.
Quando a diferença apurada entre o preço declarado na importação e o efetivamente praticado ou arbitrado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano ao Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida. Não incide, neste caso, a multa prevista no parágrafo único, do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que davam provimento parcial ao recurso. A conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/10/2003, 29/10/2003, 30/10/2003, 12/11/2003, 13/11/2003, 02/12/2003 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO E DO RESPONSÁVEL. ERRO DE QUALIFICAÇÃO JURÍDICA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento, em virtude de vício formal, quando a autoridade lançadora deixa de identificar corretamente contribuinte e responsáveis, conforme subsunção aos critérios definidos em lei. IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E EFETIVAMENTE PRATICADO OU ARBITRADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. MULTA APLICÁVEL. Quando a diferença apurada entre o preço declarado na importação e o efetivamente praticado ou arbitrado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano ao Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida. Não incide, neste caso, a multa prevista no parágrafo único, do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que davam provimento parcial ao recurso. A conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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ERRO DE QUALIFICAÇÃO JURÍDICA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento, em virtude de vício formal, quando a autoridade lançadora deixa de identificar corretamente contribuinte e responsáveis, conforme subsunção aos critérios definidos em lei. IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E EFETIVAMENTE PRATICADO OU ARBITRADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. MULTA APLICÁVEL. Quando a diferença apurada entre o preço declarado na importação e o efetivamente praticado ou arbitrado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano ao Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida. Não incide, neste caso, a multa prevista no parágrafo único, do art. 88 da MP nº 2.15835/2001. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 33 37 /2 00 8- 46 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 3 2 Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que davam provimento parcial ao recurso. A conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por descrever fielmente os fatos, transcrevo o Relatório do acórdão recorrido. Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 01 a 135) lavrado contra a empresa em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário no valor total de RS 3.477.733,16 (três milhões quatrocentos e setenta e sete mil, setecentos e trinta e três reais e dezesseis centavos), referente à falta de recolhimento de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescidos de multa qualificada lançada de ofício proporcional a 150% dos valores não recolhidos e juros moratórios, além de multa por infração administrativa ao controle das importações, em razão de subfaturamento, equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Segundo relata a fiscalização às fls. 04 a 119. o procedimento fiscal em causa teve por base documentos coligidos em diligências no estabelecimento da pessoa jurídica autuada, além de outros documentos e arquivos magnéticos que foram apreendidos pela Polícia Federal durante a denominada "Operação Dilúvio", voltada à apuração de esquema fraudulento perpetrado por uma organização controlada por Marco Antônio Mansur (CPF n.° 365.153.459/68). outrora denominada "grupo MAM". Mais precisamente, no que diz respeito às importações de mercadorias estrangeiras registradas entre 22/10/2003 e 02/12/2003, através das Declarações de Importação nºs 03/09128182, 03/09351213, 03/09434372, 03/09886990, 03/09927069 e 03/10553347, a autoridade autuante relata ter efetuado as seguintes constatações: a) as empresas DARCK e HITECH DO BRASIL S/A estão envolvidas nas importações relacionadas à fl. 04, tidas como simuladas, e realizadas com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, além da prática de utilização Fl. 632DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 4 3 de documentos ideológico e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas; b) as importações acobertadas pelas DI sob apreço foram registradas pela empresa HITECH por conta e risco próprio, sendo que, na realidade, quem financiava as operações de importação era a empresa DARCK, configurando um quadro de simulação e interposição fraudulenta; c) a Darck foi identificada como real compradora das mercadorias no exterior. real importadora e como real adquirente no mercado nacional ao passo que a HI TECH, ao revestirse da qualidade de importadora, serviu de escudo e blindagem para a real importadora, tendo sido esta empresa declarada inapta em 08/02/2006, por motivo de inexistência de fato, com efeitos a partir de 11/03/2003, data de sua primeira operação de comércio exterior; d) os fornecedores e a Darck (real importadora) foram os que acertaram as condições dos contratos de compra e venda, definindo mercadorias, preços efetivos, formas de pagamento, etc., que representa a operação real, aquela que os intervenientes colimaram ocultar; e) os valores de transação declarados nas DI analisadas são muito inferiores aos valores efetivamente praticados (DI n.°s 03/09128182 e 03/10553347) ou arbitrados (demais DI fiscalizadas neste procedimento). havendo a empresa fiscalizada incorrido na prática de subfaturamento. Regularmente cientificados, em 30/09/2008 e 24/09/2008 (fls. 03 e 530/531), respectivamente, a pessoa jurídica qualificada como contribuinte, DARCK TECHNOLOGIES LTDA, e a pessoa jurídica qualificada como responsável solidária, HITECH DO BRASIL S/A, apresentaram, em 30/10/2008 e 23/10/2008, respectivamente, os documentos de fls. 583 a 592. e 545 a 556, havendo a empresa DARCK TECHNOLOGIES apresentado a impugnação de fls. 558 a 581, onde, em síntese: Alega que todos os tributos incidentes nas operações que praticou, inclusive aqueles que incidiram na venda a varejo das mercadorias adquiridas foram recolhidos, além do que pagou à empresa HITECH pela aquisição no mercado interno das mercadorias importadas, fato este que foi desconsiderado pela fiscalização; Considera descabidas as acusações que lhe foram imputadas, já que a empresa HITECH estava habilitada no RADAR para efetivar suas atividades na qualidade de trading company, além do que reclama de estar sendo acusado por condutas que não lhe dizem respeito e que, ante a ausência de documentos, os valores aduaneiros arbitrados pelo Fisco encontramse fulcrados em suposições e ficções, em flagrante desatendimento ao princípio do ônus da prova; Nega ter assumido financeiramente os custos incorridos pela HITECH nas operações de importação, ao que aduz não ser da atividade da empresa desincumbir se de operações de logística atinentes ao comércio internacional e que o aspecto mais importante das operações realizadas pelas trading é a necessidade de recursos financeiros e fluxo de caixa para fazer frente aos tributos no momento da nacionalização das mercadorias importadas; Alega que, em razão de os tributos incidentes nas operações de importação serem pagos antecipadamente, a terceirização das atividades de logística internacional tornase conveniente. não só do ponto de vista de custos e de estrutura Fl. 633DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 5 4 organizacional, mas também em face do próprio aspecto econômicofinanceiro inerente às trading, como o financiamento de todos os custos e tributos até a entrega do bem no armazém do distribuidor e a possibilidade da redução de custos oriundos de benefícios e créditos fiscais das trading; Reclama que a autoridade autuante desbordou do que determinam as disposições contidas no art. 10 do Decreto n.° 70.235, de 1972, e no caput do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), visto que trouxe para o feito, indevidamente, relatos e graves afirmações extraídos de procedimentos levados a efeito nas esferas policial e judicial, quando deveria limitarse aos fatos que ensejaram o ato do lançamento para a constituição do crédito tributário; Nesta mesma linha, reclama também ter sido violado o sigilo de seus dados. com ajuntada de peças do processo de competência das autoridades policial e judicial, pelo que entende ter sido ofendido, na realização do feito ora atacado, o direito previsto no inciso XII do art. 5° da Constituição Federal; Insurgese contra a afirmação da autoridade autuante que se refere ao desmonte da empresa DARCK, efetuado com vistas à transferência da matriz para o Espírito Santo, eis que jamais buscou o encerramento de suas atividades, em razão de que entende ter a presente autuação desrespeitado as disposições contidas nos artigos 2° e 3° da Lei n.° 9.784, de 1999, dentre os quais destaca a previsão de ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que devem facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; Nega ter participado do esquema fraudulento apontado pela fiscalização, ao argumento de que não é empresa de grande porte, seu faturamento é limitado, não movimenta grande soma de recursos financeiros, além do que não é detentor de informações de natureza fiscal e procedimental relacionadas às demais empresas citadas no relatório da autuação; Reclama não poder ser equiparado à empresa industrial para efeito de exigir o IPI. pois jamais desenvolveu atividade industrial ou a ela equiparada, nem é importador. pelo que entende não poder ser responsabilizado pela exigência do IPI, nos moldes estabelecidos na autuação, ao que noticia ter recolhido todos os tributos que incidiram nas operações realizadas com as mercadorias em relevo no mercado interno; Em outro plano, contesta a cobrança de juros de mora calculados à taxa referencial Selic, eis que eivada de incerteza e iliquidez, por entender ser referida cobrança ilegal e inconstitucional; Quanto à aplicação da multa qualificada proporcional a 150% dos valores dos impostos exigidos e à multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado ou arbitrado em cada operação de importação, reclama serem confiscatórias referidas penalidades, ao que aduz não ter incorrido em qualquer fraude que desse azo a essa penalização; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do Auto de Infração hostilizado. Por sua vez, a empresa qualificada no feito como responsável solidária, HI TECH, apresentou a impugnação de fls. 533 a 544, onde, em síntese: Após reproduzir excertos contidos no feito, alusivos às condutas de simulação e de interposição fraudulenta, alega que, ainda que fossem verdadeiras essas Fl. 634DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 6 5 imputações, o Auto de Infração impugnado encontrase eivado de vício insanável, visto que. tais condutas são penalizadas com a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas ou com a multa equivalente ao valor aduaneiro dessas mercadorias, quando não localizadas ou consumidas. havendo a autoridade autuante incorrido em erro ou desvirtuamento de interpretação do direito, em seu afã de penalizar o fiscalizado o mais gravosamente possível; Aduz que, segundo o art. 71 do Decreto n.° 4.543, de 2002, o imposto não incide sobre mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento, e, neste caso, a incidência de imposto ou cobrança de outras multas sobre o mesmo fato violaria o próprio princípio da capacidade contributiva, além do que descabe à autoridade autuante escolher que tipo de infração deseja impor ao administrado, já que a atividade do Fisco é vinculada; Ademais disso, alega que, mesmo se a fiscalização houvesse efetuado o lançamento da multa de conversão da pena de perdimento, tal multa não poderia lhe ser exigida, mas sim a multa de 10% do valor aduaneiro, consoante o disposto no art. 33 da Lei n.° 11.488, de 2007, eis que, no caso de interposição fraudulenta, sem poder ser considerado o real sujeito passivo da obrigação tributária, a infração cometida seria a de ter cedido o nome, de molde a acobertar referido sujeito passivo, cabendo, no caso, a aplicação da retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN; Em outro plano, alega ter promovido importações em volume compatível com os limites préaprovados e determinados pela própria Receita Federal, após terem sido realizadas todas as auditorias fiscais condicionantes à sua habilitação para operar no comércio exterior. ao que aduz o argumento de que o faturamento de uma empresa não guarda relação direta com o seu capital social, e sim com o total dos recursos gerados e obtidos pela empresa no curso de sua atividade social; Na mesma linha, reclama que a fiscalização não demonstrou onde, na contabilidade ou na movimentação financeira, situavase qualquer indício ou prática de não comprovação de origem, qualquer saldo credor de caixa, passivos fictícios, suprimentos sem origem, pelo que entende carecer de lastro a afirmação da autoridade autuante segundo a qual a empresa HITECH não teria comprovado a origem de suas operações; Na seqüência, alega também não ter ocorrido, na espécie, a própria interposição fraudulenta apontada pela fiscalização, ao argumento de que as operações realizadas caracterizam importações sob encomenda, segundo o que veio a ser esclarecido e estabelecido pela Lei n.° 11.281, de 2006; Quanto à tributação do IPI, alega que, até a edição da Lei n.° 11.281, de 2006, apenas o importador era tributado no tocante a este imposto, para estimular a verticalização das empresas e a atuação das trading companies, em razão de que, sob este aspecto, entende que a fraude apontada pela fiscalização caracterizaria, na verdade, planejamento tributário; Em outra vertente, alega que o fato de o encomendante promover adiantamentos ao importador tampouco está em desacordo com a legislação, visto que, ante a ausência de norma específica para o comércio exterior, nada mais natural que fossem utilizadas as disposições contidas no Direito Tributário e no Direito Civil, as quais não vedam que o encomendante promova tais adiantamentos, pois, bem ao contrário, tal prática visa garantir o contratado, minimizando os riscos de eventual inadimplência; Fl. 635DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste mesmo viés, argumenta não merecer crédito a alegação de que, antes da Lei n.° 11.281, de 2006, inexistia importação por encomenda no direito brasileiro. e o fato de as mercadorias haverem sido repassadas para terceiros em nada invalida a condição da HITECH como legítimo importador das mercadorias em relevo; Finalmente. em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do Auto de Infração guerreado. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC julgou nulo por vício formal os lançamentos de II e IPI e improcedente o lançamento da multa capitulada no parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001, nos termos do Acórdão no 0721.223, de 17/09/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/10/2003, 29/10/2003, 30/10/2003, 12/11/2003, 13/11/2003, 02/12/2003 IDENTIFICAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS. ERRO DE QUALIFICAÇÃO JURÍDICA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento, em virtude de vício formal, quando a autoridade lançadora deixa de identificar corretamente contribuinte e responsáveis, conforme subsunção aos critérios definidos em lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/10/2003, 29/10/2003, 30/10/2003, 12/11/2003, 13/11/2003, 02/12/2003 IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E EFETIVAMENTE PRATICADO OU ARBITRADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Quando a diferença apurada entre o preço declarado na importação e o efetivamente praticado ou arbitrado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano ao Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida, apenas sendo cabível o lançamento da multa de cem por cento sobre a diferença de preços quando a caracterização do dano ao Erário ocorrer em momento posterior à aplicação dessa penalidade. Nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 03/2008, a decisão foi submetida à apreciação necessária (recurso de ofício) pelo CARF. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso de Ofício atende aos requisitos legais e, portanto, dele se conhece. Trata o presente de auto de infração de II, IPI e Multa isolada, lavrado contra a empresa DARK TECNOLOGIES DO BRASIL LTDA, tendo sido nomeado responsável solidário a empresa HITECH DO BRASIL S/A. Sobre a nulidade do lançamento, os fundamentos da decisão recorrida pode ser compreendida a partir das seguintes passagens do voto vencedor do acórdão: No caso vertente, a própria autoridade autuante informa no Relatório Fiscal que a empresa HITECH DO BRASIL S/A realizou importações por conta e ordem da empresa DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA e, sendo este o fato, a qualificação jurídica dos sujeitos passivos presente no feito encontrase em evidente desacordo com a legislação, eis que, nas importações realizadas por conta e ordem de terceiros, a norma legal qualifica como contribuinte dos tributos sob apreço o importador (no caso a HITECHI) que realizou as importações por conta e ordem do adquirente, ao passo que o adquirente (no caso a DARCK) é qualificado legalmente como responsável solidário, e não o contrário, conforme consta erroneamente dos lançamentos presentes no auto de infração. A rigor, no que tange ao Imposto de Importação, a qualificação jurídica dos sujeitos passivos que atuam nas operações de importação realizadas por conta e ordem de terceiros encontra se prévia e expressamente definida nos termos do inciso I do art. 31 e do inciso I1I e alínea "c" do art. 32, todos do Decretolei n.° 37, de 1966, com redação dada pelos Decretolei n.° 2.472, de 1988, Medida Provisória 2.15835, de 2001, e Lei n.° 11.281, de 2006, que determinam in litteris: [...] Na mesma linha, aliás, seguiu, como não poderia deixar de ser, a Instrução Normativa SRF n.° 225, de 18 de outubro de 2002, que não definiu como "importador de fachada" aquele que realiza importações por conta e ordem de outrem, mas sim como importador, e, portanto, como contribuinte do imposto, a pessoa jurídica que promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, nos seguintes termos: [...] No que pertine ao IPI vinculado à importação, também é o importador, e não o adquirente, o contribuinte do imposto, nos termos do que determina a alínea "b" do inciso I do art. 35 da Lei n.° 4.502, de 1964, ipsis verbis: Fl. 637DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 9 8 [...] No ponto, o adquirente da mercadoria importada deve ser igualmente qualificado como responsável solidário, nesse caso, por força da disposição contida no inciso I do art. 124 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), eis que, sem ter relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do IPI na importação, leiase desembaraço aduaneiro (Decreto n.° 4.543, de 2002, art. 241), o adquirente, na hipótese. tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Quanto às contribuições sociais incidentes na importação, PIS e Cofins, a qualificação jurídica legalmente determinada, para os sujeitos passivos relacionados a importações realizadas por conta e ordem de terceiros, não foge à regra, a teor das disposições expressamente vertidas pelo inciso I do art. 5° e pelo inciso I do art. 6°, todos da Lei n.° 10.865, de 2004, verbis: [...] Sobre a multa do art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.15835/2002, concluiu o voto do acórdão recorrido o seguinte: Vejase que as supracitadas alterações só vieram a confirmar que, no caso em que a diferença apurada entre o preço declarado na importação e o efetivamente praticado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano ao Erário jamais foi afastada, descabendo. na hipótese, a aplicação da multa capitulada no parágrafo único do art. 88 da MP 2.15835, de 2001, em lugar da pena de perdimento da mercadoria importada ou da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não tenha sido localizada ou que tenha sido consumida. A rigor, a multa equivalente a 100% sobre a diferença de preços só deve ser aplicada para as demais situações que não caracterizem dano ao Erário e desde que este dano só venha a exteriorizarse em momento posterior à aplicação dessa penalidade. Dito de outro modo, uma vez caracterizada a falsidade da fatura, quer porque foi encontrada a fatura que espelha o preço efetivamente praticado na operação, quer porque foi emitida em nome do importador interposto fraudulentamente, o que se impõe é a aplicação da pena capital de perdimento ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, sendo que, nesta última hipótese, entendo ser, em tese, cabível, até acrescido dos respectivos consectários legais, o lançamento dos impostos e contribuições sociais que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos em face do denominado "subfaturamento", a teor da disposição contida no inciso III do § 4° do art. 1º do DecretoLei n.° 37, de 1996, que, na redação dada pela Lei n.° 10.833. de 2003, determina ipsis litteris: [...] Fl. 638DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 10 9 Na espécie, porém, demonstrada a falta de consentaneidade entre os fatos descritos no Auto de Infração e a aplicação da penalidade prevista no parágrafo único do art. 88 da MP 2.158 35, de 2001, entendo ser improcedente o lançamento da multa, que se encontra fulcrada no precatado dispositivo legal. Está sobejamente provado nos autos que o importador é a empresa HITECH DO BRASIL S/A, sendo ela a contribuinte dos tributos aduaneiro (II, IPI, PISImportação e COFINSImportação) e, conseqüentemente, o auto de infração deveria ter sido lançado contra ela e a empresa DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA deveria ter sido nomeada responsável solidária, na qualidade de encomendante das mercadorias importadas. Portanto, sem reparos a decisão recorrida. Quanto a multa aplicada, a decisão recorrida demonstrou claramente que os fatos atribuídos à empresa autuada não se coadunam com a hipótese prevista no parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001, não procedendo o lançamento da respectiva multa. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício para declarar: (i) a nulidade, por vício formal, dos lançamentos do Imposto de Importação, IPI e respectivos consectários legais incidentes nas importações que foram objeto do presente procedimento fiscal, devendo o prazo para o saneamento do feito ser balizado nos termos da disposição contida no inciso II do art . 172 do Código Tributário Nacional, e (ii) a improcedência do lançamento da multa capitulada no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e regulamentada nos termos do inciso I do art. 633 do Decreto n° 4.543/2002. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 11 10 Declaração de Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ. Solicitei vistas do presente processo para melhor analisar a questão sobre a sujeição passiva. Da sujeição passiva A respeito da nulidade em face do alegado equívoco na denominação dos sujeitos passivos, entendo inocorrer em vista dos argumentos a seguir dispostos: O Código Tributário Nacional ao tratar de Constituição do Crédito Tributário estabelece: “CAPÍTULO II – CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEÇÃO I LANÇAMENTO Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (Grifei) E, ao referirse à sujeição passiva assim dispõe: “CAPÍTULO IV – SUJEITO PASSIVO SEÇÃO I – DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 12 11 II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. SEÇÃO II – SOLIDARIEDADE Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” No que tange à responsabilidade tributária, o Código Tributário Nacional dispõe: CAPÍTULO V – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SEÇÃO I – DISPOSIÇÃO GERAL Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” As disposições sobre contribuinte e responsável pelo pagamento de tributos na importação, ou seja, sujeição passiva da obrigação tributária, estão nos artigos 104 a 106 do RA 2002. “Art. 104Contribuintes do Imposto de Importação são: a) o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional; (...). Art. 106, são responsáveis solidários: a) o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; b) o representante, no País, do transportador estrangeiro; c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 13 12 d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora; e) O expedidor, o operador de Transporte MultimodalOTM ou qualquer subcontratada para a realização do transporte multimodal; f) O beneficiário de regime aduaneiro suspensivo destinado à industrialização para exportação, no caso de admissão de mercadoria no regime por outro beneficiário mediante sua anuência, com vistas à execução de etapa da cadeia industrial do produto a ser exportado; e g) Qualquer outra pessoa que a lei designar.” Ressaltese que a operação de comércio exterior realizada com utilização de recursos de terceiros, presumese por conta e ordem deste. 0 IPI, por sua vez, tem como fato gerador o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, nos termos do que dispõe Lei 4.502/64, conforme consta no Artigo 2' do Regulamento do IPI (Decreto ns 4.544 de 26/12/2002). Destacase também a responsabilidade por tal recolhimento, conforme está disposto no mesmo RIPI, Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Artigos 24 e 27, como que segue: Regulamento do IPI (Decreto n º 4.544 de 26/12/2002) “Art. 24 O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1 e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art.1º). Parágrafo único. 0 campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação 'NT' (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 62). Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: 1 o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei ns 4.502, de 1964, art. 35, inciso 1, alínea b ); 111 o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei ns 4.502, de 1964, art. 35, inciso 1, alínea a); e Art. 27. São solidariamente responsáveis: III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por Intermédio de pessoa jurídica importadora, pelo pagamento do Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 14 13 imposto e acréscimos legais (Decretolei ns 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso lll, e Medida Provisória n2 2.15835, de 2001, art. 77).” Não há dúvida de que as legislações acima mencionadas identificam quem é contribuinte e designa a responsabilidade em casos de importação por conta e ordem e, conseqüentemente, no caso da interposição fraudulenta de terceiro. Neste caso, a identificação de quem deve responder pela a obrigação tributária, não oferece maiores dificuldades, posto que tais sujeitos passivos estão expressamente indicados na legislação, ocupando a relação jurídicotributária. Mas, ressaltese que tal solidariedade não comporta benefício de ordem, nos termos do parágrafo único do art. 124 do CTN. Sabese que os casos de nulidade no Processo Administrativo Fiscal estão estatuídos nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, equivalentes, respectivamente, aos arts. 12 e 13 do Decreto nº 7.574, de 2011, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)” “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando for lavrado por pessoa incompetente, o que não foi o caso dessa autuação. Eventual nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, a teor do art. 60, também reproduzido. A regra do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 vai ao encontro de um dos princípios informadores do processo Administrativo Fiscal, o Princípio da eficiência, introduzido no art. 37 da Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº 19/1998, o qual se relaciona com os princípios da economia processual e o da Instrumentalidade da forma. A nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva deve ocorrer, logicamente, no caso de erro de identificação do sujeito passivo, podendo ser refeito contra o correto sujeito passivo. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 15 14 A Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 08 de março de 2013 bem esclarece a questão: “6.3. Não há nulidade sem prejuízo da parte. No caso de erro na identificação do sujeito passivo que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. Conforme Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.)” Pois bem, no caso específico, verificase que o lançamento identifica os sujeitos passivos em conformidade com os fatos apontados (cujo mérito, ressaltese, não foi analisado face a declaração de nulidade) e não obstante tenha havido a inversão acerca da denominação da sujeição passiva, tal fato não implicou prejuízo à nenhum dos autuados, posto que ambos foram devidamente cientificados do lançamento e ambos promoveram a sua defesa, com a apresentação de impugnação. Anular o presente lançamento para refazêlo sobre essas mesmas pessoas, apenas invertendo a sua denominação, fere os princípios acima mencionados da eficiência, da economia processual e o da instrumentalidade das formas. E mais, em nada influenciará na solução do litígio. Por tal motivo, uma vez demonstrado o interesse comum no fato apontado pela fiscalização, o que leva ao não benefício da ordem e não tendo havido prejuízo para os sujeitos passivos apontados, bem como pelo o fato de que a inversão não influenciará na solução do litígio, concluo pela inexistência de motivação para se declarar a nulidade do lançamento. Da Multa prevista no art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.15835/2002 No que atine à Multa prevista no art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.158 35/2002, concordo com o relator. Pelo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de Ofício. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Conselheira. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/200846 Acórdão n.º 3302002.739 S3C3T2 Fl. 16 15 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 10580.728134/2010-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
Independente da desfiliação da entidade desportiva, tal circunstância não afeta a exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra.
COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2403-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para exonerar os valores contidos no levantamento CP -Cooperativa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto. Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio De Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Independente da desfiliação da entidade desportiva, tal circunstância não afeta a exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra. COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CESSÃO DE MÃODEOBRA. Independente da desfiliação da entidade desportiva, tal circunstância não afeta a exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 81 34 /2 01 0- 49 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para exonerar os valores contidos no levantamento CP Cooperativa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto. Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio De Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10580.728134/201049 Acórdão n.º 2403002.724 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1530.707, fls. 199/207, que julgou improcedente a impugnação ofertada, para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.201.9358, referente ao período de 01/2009 a 06/2009, no valor de R$ 1.596,36 (um mil quinhentos e noventa e seis reais e trinta e seis centavos). A presente autuação almeja o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre: a) os valores pagos, através de notas fiscais de prestação de serviços durante a realização dos jogos, pela cooperativa de trabalho SAUDE COOP – Cooperativa dos Profissionais da Área de Saúde, não declarados em GFIP e não recolhidos; b) os valores brutos dos serviços, executados através de cessão de mão deobra, pela empresa GP ENGENHARIA DE INCÊNDIO E SEGURANÇA NO TRABALHO LTDA, contratada diretamente pela empresa, em cujas notas fiscais não foram realizadas a devida retenção de 11%, tampouco o recolhimento da respectiva contribuição. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 82/96, o contribuinte é sociedade anônima de capital fechado que tem por objeto difundir, aprimorar e gerir atividades de futebol, conforme estatuto registrado na JUCEB. Declara também que o Vitória SA contém dois estabelecimentos. No 0001 (matriz) estavam alocados os empregados da antiga Sede e Diretoria e no estabelecimento 0002 (filial) estavam alocados todos os atletas, a comissão técnica e os empregados da Toca do Leão. Todos os empregados foram transferidos para o Esporte Clube Vitória, CNPJ 15.217.003/000159, a partir de 01/07/2009, apesar da desfiliação da FBF – Federação Baiana de Futebol ter ocorrido em 19/02/2009. Portanto, afirma que o Vitória S.A. ao efetuar sua desfiliação da FBF em 19/02/2009 perdeu a condição de clube de futebol profissional passando a contribuir para a Previdência Social como empresa em geral, classificada no FPAS 566. Essa conclusão decorre do disposto no art. 257 da IN n. 971/2009 que afirma que Ocorrendo a desfiliação da respectiva federação, mesmo que temporária, deixa de ocorrer à substituição referida no art. 249, caso em que o clube de futebol profissional passará a efetuar o pagamento da contribuição patronal na forma e no prazo estabelecido para as empresas em geral, devendo a federação comunicar o fato ao CAC ou AFR jurisdicionante de sua sede. Da mesma forma seria a redação do art. 336 da IN SRP n. 03/2005. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 4 O Auditor ainda arrolou como solidário em razão da caracterização de Grupo Econômico, o Esporte Clube Vitória, CNPJ 15.217.003/000110. Vários foram os argumentos para o fiscal caracterizar o grupo econômico, dentre eles: a) Após alteração contratual do contribuinte principal, foi promovida constituição de entidades interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas; b) O grupo utiliza alternada ou concomitantemente os mesmos empregados, os mesmos espaços, os mesmos atletas, havendo confusão patrimonial, inclusive com relação à pagamento de despesas e transferências; c) As entidades se alternam na filiação à FBF; d) Ambas possuem o mesmo endereço, na Av. Artemio Castro Valente, 1 – Canabrava – Salvador – Bahia – Toca do Leão; e) O exercício da administração pelos mesmos diretores. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa Vitória S.A. contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 119/142. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão n° 1530.707, fls. 199/207, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 RETENÇÃO. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91. FALTA DE RECOLHIMENTO DE VALORES DESCONTADOS. EXIGÊNCIA. LANÇAMENTO. Na forma do art. 31 da Lei Orgânica da Seguridade Social, aprovada pela Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, a empresa contratante de serviços de construção civil, executados mediante empreitada ou cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter, da empresa contratada, 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida no prazo da legislação específica. O atraso total ou parcial no recolhimento da referida importância acarreta o lançamento do crédito, com os respectivos acréscimos legais. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10580.728134/201049 Acórdão n.º 2403002.724 S2C4T3 Fl. 4 5 A empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O atraso total ou parcial no recolhimento da contribuição acarreta o lançamento do crédito, na forma da Lei Orgânica da Seguridade Social e de sua regulamentação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Incide taxa SELIC sobre contribuições sociais recolhidas em atraso, as quais estão previstas na legislação específica. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA, DE JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS E DE PROCEDIMENTO DE INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO PROFISSIONAL DOS PATRONOS DA CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. De acordo com o PAF, salvo condições ali expressas, a prova documental será apresentada na impugnação, ficando precluso o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Durante a fase litigiosa do procedimento administrativo, a lei determina que as intimações sejam feitas por via postal, ou por qualquer outro meio ou via, porém com prova de recebimento, exclusivamente, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, Vitória S/A., interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 218/241, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Nulidade do acórdão uma vez que somente após a CBF ter regularizado os registros, substituindo a gestão e administração da prática do Futebol Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 6 Profissional para o Esporte Clube Vitória, é que foi liberado o Vitória S.A., das obrigações previdenciárias de seus segurados e dela própria, que deuse apenas em 01/07/2009; 2. A autuação não é clara; 3. É necessária a realização de perícia para demonstrar que a FBF quitou as contribuições sob exigência 4. O enriquecimento ilícito do Estado; 5. A necessária análise dos princípios constitucionais para o presente caso; 6. A inaplicabilidade de juros capitalizados e a Taxa Selic Concomitante; 7. A Confiscatoriedade da multa É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10580.728134/201049 Acórdão n.º 2403002.724 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fls. 215 e 217, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE DE FALTA DE CLAREZA – DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Uma análise superficial da autuação é suficiente para evidenciar a clareza na descrição dos fatos e nos fundamentos legais. O Auto de Infração faz expressa menção aos dispositivos legais infringidos, constantes no Relatório Fiscal. Ademais, o Relatório Fiscal consignou detalhadamente os levantamentos que compõem o processo em epígrafe, narrando as razões fáticas e legais, não vislumbrando, pois, qualquer restrição ao exercício da ampla defesa e do contraditório. Portanto, não merece acolhida a alegação de cerceamento do direito de defesa por ausência de menção ao dispositivo legal infringido ou de clareza na descrição dos fatos. CESSÃO DE MÃODEOBRA Em que pese, para a fiscalização, a ocorrência de desfiliação por parte da empresa, tal fato é irrelevante para o deslinde da presente controvérsia eis que tal fato afeta tão somente ao recolhimento das contribuições referentes a cota patronal, conforme dispõe o § 6º do art. 22, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 6º A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, quanto às demais contribuições devidas pelas associações desportivas, impõese o recolhimento na forma das empresas em geral, sendo devidas, pois, as contribuições referentes à retenção a ser procedida pela entidade desportiva em relação às notas Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 8 fiscais de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do art. 31, “caput”, da Lei nº 8.212/91, a seguir transcrito: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Os valores que compõem este levantamento referemse a notas fiscais que fazem parte das despesas dos jogos constantes nos respectivos Boletins Financeiros. Conforme se vê dos documentos, a empresa GP ENGENHARIA DE INCÊNDIO E SEGURANÇA NO TRABALHO LTDA. foi contratada diretamente pela entidade desportiva, para a prestação de serviços por parte de brigadistas que ficam de plantão durante a realização dos jogos de futebol no estádio Manoel Barradas a fim de garantir a segurança dos torcedores. Desta forma, em razão da cessão de mãodeobra, a entidade desportiva deveria ter procedido a retenção no percentual de 11% sobre as notas fiscais, o que não ocorreu no caso em tela, razão pela qual são devidas as contribuições previdenciárias COOPERATIVAS DE TRABALHO Quanto às cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) V quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário sob o manto da Repercussão Geral, art. 543B do CPC, ajuizado pela Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, cuja inconstitucionalidade fora declarada pela unanimidade de votos, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10580.728134/201049 Acórdão n.º 2403002.724 S2C4T3 Fl. 6 9 Referida decisão fora publicada na ATA Nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014. Apenas para aclarar o alcance e motivo da inconstitucionalidade, colaciona se trecho do voto do Ministro Relator, disponibilizado no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação é a que segue: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Por tal razão, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, merece ser exonerado o Levantamento CP, referente aos serviços prestados, durante a realização dos jogos, no estádio Manoel Barradas, pela cooperativa de trabalho SAUDE COOP – Cooperativa dos Profissionais da Área de Saúde, CNPJ 05.791.721/000180, apurada nos lançamentos contábeis conta 3.1.3.07.003 – Despesas com jogos. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A Recorrente alega, dentre os argumentos elencados, a violação a princípios constitucionais, além da multa revestirse de caráter confiscatório, nos termos do art. 150, IV, da Carta Magna. Ocorre, entretanto, que ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 10 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidades se não estiverem nas exceções acima, portanto, não subsistem tais argumentos. LEGALIDADE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos da Súmula CARF 03 a SELIC é aplicável, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No presente caso, foi aplicada a taxa SELIC como índice de atualização monetária, a ser cumulado com os juros de mora. Cuidamse de institutos distintos, conforme se vê acima, razão pela qual não há que se falar em ilegalidade na aplicação da referida taxa em matéria tributária. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial, para exonerar os valores contidos no Levantamento CP – Cooperativa. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.008168/2001-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 20/11/1992 a 16/10/1995
REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO DE 5 ANOS PARA PEDIDOS FORMULADOS APÓS 09/06/2005
O prazo para repetição de indébito é de 5 (cinco) anos para os pedidos formulados após a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, 09 de junho de 2005, conforme posicionamento do plenário do STF no julgamento do RE nº 566621, em sede de repercussão geral.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a prescrição com retorno dos autos à DRJ para apreciação das demais questões.
Henrique Pinheiro Torres- Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 20/11/1992 a 16/10/1995 REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO DE 5 ANOS PARA PEDIDOS FORMULADOS APÓS 09/06/2005 O prazo para repetição de indébito é de 5 (cinco) anos para os pedidos formulados após a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, 09 de junho de 2005, conforme posicionamento do plenário do STF no julgamento do RE nº 566621, em sede de repercussão geral. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 20/11/1992 a 16/10/1995 REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO DE 5 ANOS PARA PEDIDOS FORMULADOS APÓS 09/06/2005 O prazo para repetição de indébito é de 5 (cinco) anos para os pedidos formulados após a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, 09 de junho de 2005, conforme posicionamento do plenário do STF no julgamento do RE nº 566621, em sede de repercussão geral. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a prescrição com retorno dos autos à DRJ para apreciação das demais questões. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 81 68 /2 00 1- 48 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ de Recife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente por conta da apresentação extemporânea do pedido de restituição de PIS recolhido indevidamente por conta da declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449/88, conforme os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 20/11/1992 a 16/10/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.PRELIMINARES. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis. PIS/PASEP.RESTITUIÇÃO.PRAZO DECADENCIAL. 0 prazo para pleitear a restituição de tributos relativos a valores pagos a maior ou indevidamente, inclusive em relação aos tributos lançados por homologação, é de 5 anos contados da data do pagamento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa,razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil,possui corno pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e,ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas não beneficiando nem prejudicando terceiros. O resultado do julgamento decorreu da análise dos fatos que foram assim descritos pela decisão recorrida: “Trata o presente processo de pedido de restituição do PIS/ PASEP formulado af1.01, acompanhado da documentação de fls.02 a 103, sendo indicados como créditos na planilha de f1.24, as diferenças entre os pagamentos da contribuição referenciada efetivados nos períodos de 20/11/1992 a 16/10/1995 efetivados sob a égide dos DecretosLei n's 2.445 e2.449, de 1988 e os que deveriam ser recolhidos nos moldes da Lei Complementar n° 07/70. 2. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls.118, do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campina GrandePB, em razão de aquela autoridade administrativa haver considerado, com base no PARECER SARAC/CGD, as fls.115/117 que na data da solicitação da restituição — em 12/09/2001 já havia transcorrido o prazo decadencial para o pleito do contribuinte, no que se refere aos pagamentos efetuados, como dispõem os artigos 165, I, e 168, I, do Código Tributário Nacional e o Ato Declaratório no 96, de26.12.1999 Fl. 735DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.008168/200148 Acórdão n.º 3101001.762 S3C1T1 Fl. 186 3 3. Cientificada de tal negativa em 11/08/2008 conforme "AR" de fl. 207, a contribuinte, por meio do seu procurador, assim constituído pelo instrumento de procuração def1.143, apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 121/136, na data de 09/09/2008, em que contesta o indeferimento do seu pedido com os argumentos a seguir resumidos: 3.1. aduz que não ha que se falar em decadência do pedido de restituição formulado no presente processo, visto que, o prazo de que dispõeocontribuinte parataléde10 (dez) anos e não de 5 (cinco) anos, conforme sumula do STJ, uma vez que se trata de lançamento por homologação. Logo, no caso em questão, entre o fato gerador mais recente 1995 e a data do respectivo protocolo se verificaram apenas seis anos, fato, inconteste, e portanto dentro do lapso temporal de 10 (dez) anos necessários à concretização da prescrição; 3.2. acrescenta que o artigo 100, inciso II do CTN estabelece que as decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa, são normas complementares das leis, dos tratados, das convenções internacionais e dos decretos; 3.3. conclui, assim, que a decisão exarada pelo Conselho de Contribuintes estaria obviamente enquadrada nas disposições do diploma legal citado e se reporta ao Acórdão n° 20215.556 emanado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que considerou que o pedido de restituição das referidas contribuições somente estaria prescrito a partir de 10 (dez anos) do respectivo fato gerador, ou de cinco anos contados da Resolução do Senado que declarou a inconstitucionalidade dos indigitados DecretosLei, estando assim, o Despacho Decisório recorrido, indo de encontro ao Acórdão referenciado; 3.5. por fim, entende, que se ao fisco é dada a possibilidade de, nos casos de impostos cujo lançamento se verifica por homologação, aplicar o prazo para o lançamento de tributos não recolhidos, com base no art.173 do CTN, conforme julgados da Segunda Turma do STJ, em relação ao PIS por ela recolhido no período compreendido entre outubro de 1992 a outubro de 1995, a Fazenda teria até 2001 para homologar tais recolhimentos que são os ora pleiteados; 3.6. requer ao final, que seja acolhida a sua manifestação de inconformidade com o conseqüente deferimento do pedido e respectiva restituição em relação as verbas por ele recolhidas indevidamente aos cofres públicos a titulo de PIS.” Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Como visto, tratase de pedido de restituição da parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido Fl. 736DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores, recolhida indevidamente pela contribuinte (direito assegurado pelo art. 18, inciso VIII, da Lei nº 10.522/2002), em relação à qual, é imprescindível analisar o prazo para o ingresso do pedido, previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. O mencionado artigo 165 do CTN prescreve: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Da leitura dos dispositivos citados acima, verificase que no presente caso o Recorrente pleiteia sua restituição com base no inciso I do artigo 168 do CTN, cujo prazo para repetição é de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Visando redefinir o termo a quo do prazo para repetição do indébito, já que a jurisprudência considerava que a extinção ocorria no momento do transcurso do prazo 5 (cinco) anos para homologação do Fisco – tese dos 10 (dez) anos contados do fato gerador , foi editado o artigo 3º da Lei complementar nº 118/2005: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Quanto à aplicabilidade do artigo 3º, o artigo 4º da mesma Lei Complementar definiu a norma como interpretativa, atribuindolhe sentido retroativo, nos termos do artigo 106, I do CTN: Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, Fl. 737DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.008168/200148 Acórdão n.º 3101001.762 S3C1T1 Fl. 187 5 inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Diante do questionamento sobre o caráter interpretativo do artigo 3º da LC nº 118/2005, já que inovou no ordenamento jurídico ao prescrever um novo prazo para repetição do indébito, a questão foi levada ao judiciário que, recentemente, foi definida pelo Supremo Tribunal Federal em julgado realizado em sede de Repercussão Geral (art. 543B, §3º do CPC), nos seguintes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da Fl. 738DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relatora: Ministra ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULGAÇÃO 10/10/2011 PUBLICAÇÃO 11/10/2011 EMENTA VOL02605 02 PP00273) Nestes termos, restou pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplicase somente aos pedidos formulados antes do término da vacatio legis da LC nº 118/2005, ou seja, somente até 09 de junho de 2005. Quanto ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, o art. 62A do Regimento Interno do CARF determina que decisões proferidas em sede de Repercussão Geral deverão ser seguidas pelo órgão administrativo recursal. Assim, definido que o prazo para repetição do indébito é de 10 anos da data do fato gerador para os pedidos de restituição formulados até 09/06/2005, e que a Recorrente pleiteou seu Pedido de Restituição em 12/09/2001, entendo que não transcorreu o prazo para restituição dos créditos de PIS objeto do pedido (20/11/1992 a 16/10/1995). Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para afastar a prescrição com retorno dos autos à DRJ para apreciação das demais questões. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 739DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10380.906701/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, ..; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira- Relator.
EDITADO EM: 23/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, ..; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, ..; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 01 /2 00 9- 27 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 23/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima Relatório Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria. A Autoridade Administrativa, consoante despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação pleiteada pela Requerente, através da PER/DCOMP referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: .... A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada O contribuinte contestou essa decisão. Explicou que seu direito creditório para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e DIPJ, razão porque o sistema informatizado de controle identificou falta de crédito e não homologou a compensação. Mas que providenciou a DCTF e a DIPJ retificadora. Sua argumentação, in verbis: · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incluiu, no conceito de faturamento, além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras receitas nãooperacionais, tais como receitas financeiras, decorrentes de descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações, recuperação de despesas e reversão de provisões, conforme comprovam os balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos · Sobre o montante acima identificado, apurou os valores a pagar das referidas Contribuições, cujas informações foram devidamente prestadas à Receita Federal, através das declarações entregues à época, quais sejam DIPJ's e Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906701/200927 Acórdão n.º 3401002.820 S3C4T1 Fl. 3 3 DCTF's. Ato contínuo, efetuou o recolhimento dos valores supostamente devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, bem como efetuou a vinculação de outros créditos, decorrentes de compensações outrora realizadas. · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a Requerente passou a ser detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas, ... : · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos em seu favor, não efetuou as retificações necessárias das Declarações originalmente transmitidas à Receita Federal DIPJ's e DCTF's motivo pelo qual o Fisco, ao cruzar os valores declarados e os DARF's pagos, não identificou o recolhimento realizado a maior, entendendo que os pagamentos localizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a maior do período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido a título de COFINS em 31/01/2002 perfazia originalmente R$ 12.203,82 (doze mil, duzentos e três reais e oitenta e dois centavos), ao passo que foi efetuada a vinculação de créditos (pagamentos e compensações) no montante de 12.391,48 (doze mil, trezentos e noventa e um reais e quarenta e oito centavos) (também valores principais), remanescendo saldo credor original de R$ 187,66 (cento e oitenta e sete reais e sessenta e seis centavos), gerou valor este INTEGRALMENTE utilizado nesse Pedido de Compensação. Em sede de apreciação do pedido do contribuinte a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 0818.217 – 4ª Turma, em 15 de junho de 2010, ponderando que: "(...) cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação." Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 A respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou a contestação da contribuinte, mas concluiu pelo indeferimento do seu pedido. Em suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de compensação, e que a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela exigência relacionada à não homologação. A ementa do Acórdão 0818.217 ficou assim redigida: AS S U N T O : P R O C E S S O A D M I N I S T R A T I V O F I S C A L Anocalendário: 2002 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, onde, além das razões presentes na impugnação, acrescenta outras adicionais porque pede a reforma da decisão de 1º grau: · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. o “Preliminarmente, antes de adentrar nas razões que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade em comento, importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98.” o “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da ampliação de suas bases Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906701/200927 Acórdão n.º 3401002.820 S3C4T1 Fl. 4 5 de cálculo, assim entendidas como faturamento, deixando de ser considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para voltar a ser entendido como as receitas advindas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços.” · Em sua opinião, a legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do contribuinte retificar as declarações por ele prestadas, inclusive para louvar os princípios de justiça e da verdade material que devem orientar os procedimentos das relações tributárias: o “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.” o “No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.” o “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. (...) A Instrução Normativa RFB n°. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o iem ‘c’ desse artigo 11 não pode ser interpretado como restrição para a retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado do inicio de procedimento fiscal, mas apenas cientificado do despacho eletrônico de não homologação de seu pedido de compensação. o O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir de mera presunção. o Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não está limitada às provas produzidas pelas partes, nem está restrita às suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento. o Assim, dada à importância desse princípio, a busca da verdade material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim um dever, de modo que esta deve solicitar e analisar todos os documentos que entender necessários à elucidação do caso, principalmente quando o contribuinte apresenta documentação amplamente comprobatória do deu direito. · Não é verdade, como afirmaram os Julgadores que o contribuinte não comprovou seu direito ao crédito e à compensação: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 o Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." o Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. o Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. o Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não homologação da compensação declarada deve ser modificado, levandose em conta a documentação já apresentada pela Recorrente e já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade Administrativa, em obediência aos princípios da verdade material e da instrumentalidade. Referido Conselho ao analisar as manifestações do contribuinte aduziu, em síntese que: "De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e referida no recurso como "balancete", e por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas "demonstrações". E finaliza o julgamento do recurso com a Resolução n 3402000.157 – da 2ª Turma da 4ª Câmara do CARF, baixando o processo em diligência para que a fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou seja, considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias e indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão). A autoridade fiscal, como resultado no atendimento da diligência solicitada pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), concluiu que os demonstrativos apresentados nos autos, onde se apura o valor correto do tributo devido, encontra fidelidade com os registros contábeis exibidos. Ela finaliza seu parecer informando os valores indicados a seguir e saldo credor ao contribuinte. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906701/200927 Acórdão n.º 3401002.820 S3C4T1 Fl. 5 7 Após os procedimentos de auditoria, chegase ao seguinte valor de crédito a que faz jus o contribuinte: Base de cálculo COFINS apurada COFINS paga/retida Crédito da COFINS R$ 411.866,13 R$ 12.355,98 R$ 12.779,32 R$ 423,34 Apesar de cientificada desse relatório fiscal e da possibilidade de se manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Há tempestividade do Recurso Voluntário e atendimento dos requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso interposto contra decisão que indeferiu pedido de compensação declarado por meio do PER/DCOMP n° 38707.68959.290906.1.3.041290. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Cofins, referente ao mês de janeiro de 2002 e efetuado em 15.02.2002, com débito de estimativa de CSLL, respeitante ao mês de agosto de 2006. Aliome aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa. Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade material deve ser fortemente considerada nas relações tributárias e nas soluções dos contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte: IRPJ FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO Em respeito à legalidade, verdade material e segurança jurídica não pode subsistir lançamento de crédito tributário quando não estiver devidamente demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 PROCESSOS REFLEXOS PIS COFINS IRF CSLL Respeitandose a materialidade do respectivo fato gerador, a decisão prolatada no processo principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima relação de causa e efeito. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3° Câmara, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz, Recurso n°. 124737, Processo n°. 10283.002174/9774, Acórdão n°. 10320594,sessão de 22/05/2001) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência pode vir a ter sua aplicação mitigada nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido. (1° Conselho de Contribuintes, 8 Turma Especial, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Recurso n°.156170, processo n°. 10820.002086/200366, Acórdão n°. 19800116, sessão de 30/01/2009). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELEMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, tão caro no processo administrativo fiscal, deve prevalecer, de modo que sejam considerados documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas à realização de obra de construção civil, ainda que não expressamente previstas nas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (2° Conselho de Contribuintes, 6a Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de Araújo, Recurso n°. 246754, processo n°. 12045.000374/200772, Acórdão n°. 296 00078, sessão de 10/02/2009). IRRF DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Comprovados os recolhimentos de IRRF, mediante apresentação das guias respectivas, acompanhadas da regular retificação e complementação da DCTF e dos respectivos lançamentos contábeis, afastase o lançamento. Recurso provido. (Io Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/2002 67, Recurso n°. 147364, Relatora Silvana Mancini Karam, Acórdão 102 47820, Sessão de 16/08/2006) Correta a decisão e orientação dada pelo E. Relator na Resolução que originou o pedido de diligência, em suas palavras: “Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906701/200927 Acórdão n.º 3401002.820 S3C4T1 Fl. 6 9 necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso.” “De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.” “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação.” Portanto, não procede deixar de apreciar as retificações das declarações prestadas pelo contribuinte, nem de se verificar a sua correspondência com os próprios registros contábeis. E nessa direção, é que a verificação dos valores que seriam devidos do tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide. Por outro lado, há que se reconhecer o teor das bases do direito creditório pleiteado. Há decisões do CARF que consolidam, nos casos concretos, a definição de que a ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, foi inconstitucional, afastando a aplicação da referida Lei, o que corresponde à tese do recorrente, conforme julgados a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002 BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Acórdão 20181.260, de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco). COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Io, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 Processo n". 10120.003831/200381, Recuso n°. 140629, Acórdão 101 95764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § Io, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, limar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475 L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. [...] Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n°. 10980.011343/200318, Recurso nº 139409, Acórdão 20181235,Relator Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Sessão de 01/07/2008). A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência confirma as alegações do recorrente e os valores que seriam devidos desse tributo no período em questão. Por todos esses elementos, concluo que deve se dar provimento ao recurso voluntário, até o limite do requerido pelo contribuinte neste processo. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721975/2012-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. DEPENDENTE. DEDUÇÃO.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A dedução alcança, também, os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no país destinadas a coberturas de despesas médicas, odontológicas, de hospitalização. Restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Hipótese de dedução que se enquadra nos ditames legais e comprovada mediante declaração do responsável pelo Plano de Saúde.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesa médica com Plano de Saúde no valor de R$ 7.697,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. DEPENDENTE. DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A dedução alcança, também, os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no país destinadas a coberturas de despesas médicas, odontológicas, de hospitalização. Restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Hipótese de dedução que se enquadra nos ditames legais e comprovada mediante declaração do responsável pelo Plano de Saúde. Recurso Voluntário Provido.
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DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. DEPENDENTE. DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A dedução alcança, também, os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no país destinadas a coberturas de despesas médicas, odontológicas, de hospitalização. Restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Hipótese de dedução que se enquadra nos ditames legais e comprovada mediante declaração do responsável pelo Plano de Saúde. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesa médica com Plano de Saúde no valor de R$ 7.697,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 19 75 /2 01 2- 84 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.721975/201284 Acórdão n.º 2801003.879 S2TE01 Fl. 44 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Adoto como Relatório aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 33), que complemento ao final: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 23/27, lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2009, ano calendário de 2008, que alterou o saldo de imposto a restituir de R$ 3.802,74 para R$ 1.617,31. Consoante descrição dos fatos da Notificação de Lançamento às fls. 24/25, foi constatada dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 7.947,00, sendo: R$ 250,00 com a instrumentadora cirúrgica Elaine Zinderschi Belorino, e R$ 7.697,00 de despesas com o plano de saúde Volkswagen, por falta de comprovação. Cientificado em 21/03/2012 (fl. 28), o interessado apresentou, em 28/03/2012, a impugnação de fl. 02, instruída com os documentos de fls. 03/20, onde alega que as despesas do plano de saúde Volkswagen referemse a gastos do cônjuge – Sra. Edméia Cunha Zanoni. Acrescenta que o pagamento próprio e para o cônjuge era efetuado em duas partes iguais, e por equívoco o fisco teria considerado apenas um pagamento. Diz acostar documento que comprovaria o grau de parentesco, comprovantes de pagamentos emitidos pelo plano de saúde discriminando os valores relativos ao titular e demais beneficiários, recibos e/ou notas fiscais contendo os requisitos exigidos pela legislação tributária, e documento de identidade próprio. Alega, ainda, que o comprovante das despesas havida com Elaine Zinderschi, já teria sido apresentado. Por fim, requer prioridade no julgamento com base no Estatuto do Idoso. Analisando a Impugnação, aquele Julgador, em suma, assim dispôs: serviços de instrumentação cirúrgica não são passíveis de dedução, pois a emitente não é profissional contemplada entre aqueles que a legislação tributária reconhece como prestadores de serviços médicos; quanto às despesas com o plano de saúde Volkswagen, os documentos acostados não são hábeis às comprovações pretendidas, posto que não identificam os beneficiários do plano e, conseqüentemente, o valor correspondente a cada um, tampouco comprovam o efetivo pagamento. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.721975/201284 Acórdão n.º 2801003.879 S2TE01 Fl. 45 3 Cientificado dessa decisão em 05/07/2012, conforme AR na folha 36, o Contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 23/07/2012, com protocolo na folha 37. Em sede de recurso, manifestase apenas em relação à questão sobre a dedução de valor correspondente a Plano de Saúde de sua esposa e dependente Edméa Cunha Zanoni. Anexa declaração emitida pela empresa Volkswagen Ltda (folha 38). É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). A decisão de 1ª instância, recorrida, manifestouse em relação às duas glosas que constam da Notificação de Lançamento: um recibo emitido por instrumentadora cirúrgica, no valor de R$ 250,00 e a parcela do Plano de Saúde da Volkswagen, que seria relativa à esposa e dependente do contribuinte. No recurso, o Recorrente nada diz sobre o recibo emitido pela instrumentadora cirúrgica (fl. 09), pelo que considerase matéria não recorrida e fora do litígio, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em relação ao Plano de Saúde, observo que a Sra. Edméa Cunha Zanoni consta como dependente na DIRPF/2009 (fl. 14), a Certidão de Casamento está na folha 12 e que no Termo de Intimação Fiscal o Auditor intimou o contribuinte a apresentar "comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiário", não se referindo a "efetivo pagamento", como aludiu a DRJ. Entendo que o documento acostado às folhas 40 atende às exigências, sendo possível verificar que, no ano de 2008, o contribuinte teve despesas com Plano de Saúde seu e de sua esposadependente no valor de R$ 7.697,00 vezes dois, ou seja, R$ 15.394,00. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesa médica com Plano de Saúde no valor de R$ 7.697,00. (Notificação, fl. 05) Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.721975/201284 Acórdão n.º 2801003.879 S2TE01 Fl. 46 4 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723500/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - VALE ALIMENTAÇÃO E VALE REFEIÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. AUSENCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
O bônus de contratação (hiring bonus) não tem natureza jurídica remuneratória e não integra o salário-de-contribuição do empregado, independente da nomenclatura conferida pelo contribuinte.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria.
Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão doa auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido à ausência de atas que comprovem eleição para escolha de comissão negociante da PLR, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido a não extensão do pagamento de PLR a todos os segurados empregados, nos termos do voto do Relator; d) em dar provimento ao recurso, quanto à PLR, na questão da entrada na empresa de segurados em 07/2006, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados, nos pagamentos de 07/2006 e 02/2007, devido a ausência de fixação de direitos substantivos, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em anular o lançamento de bônus de admissão pela existência de vício, quanto à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram pela não existência de vício; c) em qualificar o vício no bônus de admissão como material, por estar ligado à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em qualificar o vício como formal; d) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos de 02/2007, referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido às regras para obtenção dos direitos substantivos não estarem previstos no acordo de PLR, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; e) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos de 10/2007, referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido à ausência de acordo com entidade (sindicato) representativa da categoria, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; f) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa no lançamento por descumprimento de obrigação principal prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; g) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa, por descumprimento de obrigação acessória, o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Sustentação oral: Celso Costa. OAB: 148.255/SP. Declaração de voto: Mauro José Silva.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator ad hoc apenas para formalização
Bernadete de Oliveira Barros - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - VALE ALIMENTAÇÃO E VALE REFEIÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. AUSENCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. O bônus de contratação (hiring bonus) não tem natureza jurídica remuneratória e não integra o salário-de-contribuição do empregado, independente da nomenclatura conferida pelo contribuinte. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão doa auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido à ausência de atas que comprovem eleição para escolha de comissão negociante da PLR, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido a não extensão do pagamento de PLR a todos os segurados empregados, nos termos do voto do Relator; d) em dar provimento ao recurso, quanto à PLR, na questão da entrada na empresa de segurados em 07/2006, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados, nos pagamentos de 07/2006 e 02/2007, devido a ausência de fixação de direitos substantivos, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em anular o lançamento de bônus de admissão pela existência de vício, quanto à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram pela não existência de vício; c) em qualificar o vício no bônus de admissão como material, por estar ligado à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em qualificar o vício como formal; d) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos de 02/2007, referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido às regras para obtenção dos direitos substantivos não estarem previstos no acordo de PLR, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; e) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos de 10/2007, referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido à ausência de acordo com entidade (sindicato) representativa da categoria, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; f) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa no lançamento por descumprimento de obrigação principal prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; g) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa, por descumprimento de obrigação acessória, o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Sustentação oral: Celso Costa. OAB: 148.255/SP. Declaração de voto: Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator ad hoc apenas para formalização Bernadete de Oliveira Barros - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. AUSENCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O bônus de contratação (hiring bonus) não tem natureza jurídica remuneratória e não integra o saláriodecontribuição do empregado, independente da nomenclatura conferida pelo contribuinte. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 35 00 /2 01 1- 12 Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.331 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão doa auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido à ausência de atas que comprovem eleição para escolha de comissão negociante da PLR, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido a não extensão do pagamento de PLR a todos os segurados empregados, nos termos do voto do Relator; d) em dar provimento ao recurso, quanto à PLR, na questão da entrada na empresa de segurados em 07/2006, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados, nos pagamentos de 07/2006 e 02/2007, devido a ausência de fixação de direitos substantivos, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em anular o lançamento de bônus de admissão pela existência de vício, quanto à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram pela não existência de vício; c) em qualificar o vício no bônus de admissão como material, por estar ligado à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em qualificar o vício como formal; d) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos de 02/2007, referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido às regras para obtenção dos direitos substantivos não estarem previstos no acordo de PLR, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; e) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos de 10/2007, referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido à ausência de acordo com entidade (sindicato) representativa da categoria, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; f) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa no lançamento por descumprimento de obrigação principal prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; g) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa, por descumprimento de obrigação acessória, o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Sustentação oral: Celso Costa. OAB: 148.255/SP. Declaração de voto: Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA Presidente. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR – Relator ad hoc apenas para formalização Bernadete de Oliveira Barros Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.332 5 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte BTG Pactual Gestora de Investimentos Alternativos Ltda. contra Acórdão prolatado pela 11ª Turma de Julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJI), assim ementado (f. 985): CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS. CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. DESCONTO SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo referente à contribuição da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, inclusive as relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. A empresa é obrigada a recolher, nos mesmos prazos definidos em lei para as contribuições previdenciárias, as contribuições destinadas a terceiros: Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE (sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados). A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. O processo ora em apreço referese a créditos previdenciários lançados pela fiscalização, contra o ora recorrente, através dos seguintes autos de infração: a) DEBCAD 37.329.2287 – contribuições sociais relativas à parte patronal inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, assim como diferenças de acréscimos legais, no valor consolidado em 05/05/2011 de R$ 9.378.308,93 Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 (nove milhões, trezentos e setenta e oito mil e trezentos e oito reais e noventa e três centavos), no período de 07/2006 a 12/2007; b) DEBCAD nº 37.329.2295 – contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, não descontadas, incidentes sobre remunerações pagas a empregados que prestaram serviços à autuada, no valor consolidado em 19/01/2011 de R$ 5.252,51 (cinco mil e duzentos e cinquenta e dois reais e cinquenta e um centavos), no período de 10/2006 a 12/2007; c) DEBCAD 37.329.2309 – contribuições destinadas a Terceiros (FNDE, INCRA), no valor consolidado em 19/01/2011 de R$ 1.031.533,17 (um milhão, trinta e um mil e quinhentos e trinta e três reais e dezessete centavos), no período de 07/2006 a 12/2007. d) DEBCAD 37.329.2279 – descumprimento de obrigações acessórias, tendo em vista infração ao disposto na Lei nº 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 c/c art. 225 inciso IV, parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 07/2006, 02/2007 e 08/2007 a 12/2007. 3. O Relatório Fiscal de fls. 27/49 descreve como fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas os valores pagos pela recorrente aos seus funcionários a título de vale alimentação e refeição, PLR e bônus de contratação, concedendolhes caráter remuneratório. Fundamenta o fiscal sua autuação nas seguintes premissas: a) os valores pagos a título de vale refeição e vale alimentação estão em desacordo com a legislação de regência, visto que a empresa não comprovou a sua inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; b) os valores pagos a título de Participação dos Lucros e Resultados (PLR), também desrespeitam as disposições legais, sendo que o contribuinte não cumpriu com as seguintes exigências: i) não apresentou a lista de presença de empregados que participaram da Assembléia Geral dos Empregados ocorrida em 26.08.2006; ii) o “Plano de Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa” não foi extensivo a todos os empregados, excluindo aqueles que detinham participação societária em qualquer outra empresa que tenha participação na contribuinte; iii) o “Plano” traz regras não objetivas do programa de participação prejudicando assim sua clareza, fazendo com que a empresa acabe por não estar vinculadas ao que foi acordado no instrumento de negociação; iv) os valores de participação nos lucros distribuídos em 07.2006 contemplaram empregados que foram admitidos no mesmo mês de distribuição; v) os valores distribuídos em 02.2007 foram discrepantes se confrontados com os salários mensais recebidos por cada empregado, empregados com a mesma avaliação receberam valores diferentes se baseados na remuneração ordinária de cada um. Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.333 7 c) o valor pago a título de bônus de contratação ao funcionário Gabriel Felzenszwald possui natureza salarial, visto que trará de salário antecipado em retribuição a uma futura prestação de serviço. 4. Inconformado, o recorrente apresentou tempestivamente sua impugnação ao lançamento (fls. 437/478), aduzindo, em apertada síntese, que: a) não subsiste razão para que a inclusão dos valores pagos a título de vale alimentação e refeição na base de cálculo das contribuições previdenciárias, visto que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT é uma aspecto meramente formal, bem como que aludidos valores não possuem natureza remuneratória; b) a autoridade atuante embasa sua pretensão em requisitos não exigidos pela legislação de regência a PLR, contraargumenta todos os pontos destacados pela Receita, arrimando à sua impugnação documentos capazes de afastar as alegações apresentadas no relatório fiscal; c) que o valor pago como bônus de contratação ao funcionário Gabriel Felzenswalb não possui natureza salarial. 5. A 11ª Turma de Julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro houve por bem de julgar improcedente a impugnação, conforme mencionado alhures. 6. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.018/1.073), reiterando as alegações já apresentadas em sede de impugnação, juntando novamente aos autos os documentos que, em seu entender, afastam as alegações constantes no relatório fiscal. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior DA ADMISSIBILIDADE 1. O Recurso Voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso voluntário. DOS VALORES PAGOS COMO VALE ALIMENTAÇÃO E VALE REFEIÇÃO 2. Como narrado no relatório fiscal, a empresa disponibilizou, conforme previsão em Acordo Coletivo de Trabalho, o benefício da alimentação e refeição a seus empregados, sem, contudo, ter comprovado a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 3. E a despeito do bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não merece prosperar, conforme passarei a demonstrar a seguir. 4. Tenho firmado entendimento no sentido de que o pagamento do auxílio alimentação “in natura” não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 5. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificando o entendimento no sentido de que o pagamento ‘in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 6. Confirase, a propósito, recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.334 9 convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) 7. Salientase, ainda, que para firmar esse entendimento fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] 8. Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 9. Digase, também, pelo que se indica nestes casos, que a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 10. Outrossim, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aprovou parecer vinculativo em que atesta: “Não incide contribuição previdenciária quando a empresa não tem inscrição no PAT” (Parecer n. 2117 de 10/11/2011, Despacho do Ministro de Estado da Fazenda de 22/11/2011, publicado em 24/11/2011). 11. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". 12. Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporta, mesmo que em pecúnica” Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.335 11 13. É oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. Ressaltase que cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 14. É o caso, portanto, de dar provimento ao recurso nesta parte. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 15. A segunda controvérsia dos presentes autos cingese à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). 16. A PLR visa a disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, regulada pela lei 10.101/2000. 17. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” 18. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 19. Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 20. Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. 21. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008). 22. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 23. Considerando que as Convenções Coletivas de Trabalho, bem como os demais documentos carreados aos autos demonstram a existência de um programa de participação nos lucros ou resultados na empresa, com o acompanhamento dos trabalhadores, a base procedimental trazida pelo contribuinte na distribuição dos lucros é suficiente para o cumprimento das formalidades legais (ff. 338 a 430). 24. O acórdão recorrido deixou de considerar o programa de PLR da recorrente, ao argumento de que não foram atendidas todas as exigências legais, apontando, contudo, diversos requisitos que não possuem previsão legal. Não obstante isso, a recorrente em suas razões recursais contraargumentou todas as ponderações da fiscalização, anexando em seu recurso voluntário a documentação para afastar a pretensão fazendária, conforme passo agora a demonstrar com mais clareza: a) Da Participação dos Empregados na Negociação dos Planos de PLR 25. Compulsando os autos, podese vislumbrar que os interesses dos trabalhadores jamais deixaram de ser tutelados ou defendidos, não faltando, em nenhum dos instrumentos celebrados pela Recorrente, chancela aos direitos de seus empregados através do Sindicato competente. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.336 13 26. No que se refere especificamente ao Plano de PLR para o anocalendário 2006, a recorrente trouxe aos autos documentos que demonstram sua legalidade: i) O Edital de Convocação dos Empregados para discussão da proposta de PLR, eleição da comissão de empregados e autorização para a Diretoria do Sindicato celebrar o termo de PLR, datado de 10 de junho de 2006 (f. 1.136); e ii) A Ata da Assembleia Geral Extraordinária de Empregados, realizada no dia 28 de junho de 2006, na qual foi eleita a Comissão de Empregados para a negociação do plano de PLR e após a discussão e avaliação do referido plano, este foi aprovado (f. 1.138). 27. Assim, resta claro que foram conferidos aos empregados amplos poderes de participação e discussão durante a elaboração do programa de pagamento de PLR, inexistindo qualquer macula de representatividade destes, podendose extrair a conclusão de que os planos de PLR elaborados pela Recorrente tiveram ou a participação de comissão de empregados, eleita por estes para representálos em sua elaboração, com a chancela do Sindicato, ou decorreram de acordo coletivo. 28. Não obstante isso, a argumentação da fiscalização de que não houve a apresentação por parte da recorrente da lista de presença dos empregados que participaram da Assembléia Geral Extraordinária para o plano de PLR de 2006 não pode prosperar. Ora, a manutenção de lista de presença de empregados em assembleia não é requisito exigido pela Lei nº 10.101/00, não podendo, por consectário, tal fato afastar a legalidade do PLR. 29. Ademais, conforme demonstrou a recorrente em sua peça de recurso, o plano de PLR foi assinado pela totalidade de seus funcionários, o que tornou despiciendo a elaboração de lista de presença, afastando, assim, a frívola argumentação em que se baseia a fiscalização. b) Da Correta Abrangência do Plano 30. A Autoridade Fiscal Lançadora, ao analisar o Plano de PLR do ano calendário de 2 00 61 interpretou erroneamente a cláusula de elegibilidade ao pagamento, ao entender que sua previsão acabou por não abranger todos os funcionários no plano. 31. Ora, analisando os requisitos estabelecidos pela Lei n° 10.101/00, verificase que inexiste esta exigência. Nesse sentido, manifestouse recentemente a COSIT, por meio da Nota Cosit n° 426 de 2 de dezembro de 2011, que assim dispõe: “ (...) Quanto à necessidade de que a PLR seja instituída para todos os empregados, para efeito da dispensa da contribuição previdenciária, a Lei no 10.101, de 2000, e a alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, não estabelecem essa exigência. Portanto, em tese, a empresa não descumpre a lei quando oferece a PLR para um grupo de empregados de determinado setor estratégico, por exemplo, no intuito de incentivar a melhor do seu desempenho. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 Ademais, muitas empresas atuam em atividades com empregados de categorias profissionais diversas e, por isso mesmo, têm seus direitos regidos por instrumentos coletivos por regras diversas (inciso III do art. 613 da CLT). Nesses casos, o tratamento diferenciado está justificado. (...)” 32. Este posicionamento já foi assentado por esse Conselho Administrativo, no Processo n.35366.001102/200410, de relatoria da eminente Conselheira Ana Maria Bandeira, com a seguinte ementa: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. I A discussão em torno da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, até porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a distribuição de lucros; II Para a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali estabelecidos, desqualifica o pagamento, tornandoo mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; III Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; IV A legislação regulamentadora da PLR não exige que a distribuição de lucros deva, necessariamente, ser dirigida a totalidade dos empregados, exigência essa que não pode advir da interpretação subjetiva de quem aplica a legislação.” 33. Assim, não me parece crível que se possa afastar a legalidade do plano sob este argumento, mormente porque ao excluir da abrangência do plano aqueles funcionários que figuram como sócios das empresas que controlam a recorrente é, na verdade, garantir a efetividade da PLR, visto que, se assim, não fosse, aludidos funcionários gozariam da lucratividade da empresa em duas oportunidades. c) Não Houve Pagamento a Empregados Recém Contratados 34. O auditor fiscal entendeu que alguns pagamentos realizados sob o amparo do Plano PLR 2006, foram realizados em desacordo com o disposto no próprio plano, uma vez que foram feitos para funcionários recémcontratados. 35. Todavia, diferentemente do que alegado pela autoridade lançadora, os funcionários Alan Gurfinkel Haratz, Esteban Fornasar e Luciana Aranha Alves Barreto, não foram recémcontratados pela Recorrente, mas eram funcionários de longa data do grupo que tinham acabado de ser transferidos para o quadro de funcionários da Recorrente. 36. Com o escopo de comprovas suas alegações, a recorrente trouxe aos autos os contratos de trabalho dos mencionados funcionários (ff. 1.267/1.285), demonstrando que os funcionários em comento, em observância ao princípio da unicidade contratual que rege as Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.337 15 transferências de funcionários ocorridas entre empresas do mesmo grupo econômico, possuíam sim o prazo necessário para recebimento do pagamento de PLR pela Recorrente, dado que o seus contratos de trabalho continuam sendo os mesmos. 37. Não há que se falar em um novo contrato de trabalho, não havendo rescisão do contrato anterior. Os funcionários em questão somente foram transferidos dentro de empresas do mesmo grupo, sendo que os contratos de trabalho destes funcionários continuam sendo os mesmos, tanto para fins trabalhistas como previdenciários. 38. Obstar que aludidos funcionários percebessem os valores relativos à PLR estarseia discriminandoos em face dos demais do mesmo grupo empresarial, pois não fariam jus ao recebimento de PLR da empresa em que anteriormente prestavam serviços, tampouco na empresa que agora prestam serviços, desrespeitando, assim, os basilar princípio da isonomia. 39. Observase, destarte, que neste ponto as alegações da autoridade fazendária não podem prosperar, não havendo qualquer razão para afastar a legalidade dos planos apresentados. d) Da Existência dos Requisitos Necessários para a Validação dos Planos de PLR Apresentados 40. Neste tópico, também, não vejo como dar abrigo à solução adotada no julgamento de origem. Entendo que as exigências pontuadas pela fiscalização são minguadas de qualquer previsão legal, sendo que não cabe à fiscalização criar requisitos que não aqueles expressos em lei para a configuração da PLR. Nesse sentido já se posicionou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, no acórdão nº 920200.503, de relatoria do Conselheiro Elias Sampaio Freire, que aqui peço vênia para transcrever parte de seu voto: “Se por um lado cabe ao fisco verificar se os requisitos legalmente estabelecidos estão sendo cumpridos pela empresa, por outro lado é defeso a este mesmo fisco exigir requisitos desprovidos de previsão legal. Peço vênia ao ilustre conselheiro Rycardo Oliveira para transcrever excerto de voto da sua relatoria, condutos do Acórdão nº 240100.828, de 3 de dezembro de 209, que de forma direta expões que não cabe a autoridade fiscal atribuir requisitos ou condições que não estejam contidas nos dispositivos legais disciplinadores da Participação de Lucros ou Resultados do empregador, in verbis: ‘Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não estar caracterizada. Por sua vez a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 16 dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive de afronta ao Princípio da Legalidade.” 41. Ressalto, outrossim, que, a estrutura montada pela empresa é satisfatória para determinar a natureza dos pagamentos excluindoos da base de cálculo do tributo. A preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito do trabalhador. 42. Devese verificar, portanto, a existência de um procedimento bilateral, firmado entre empregadores e empregados, a fim de delinear uma estrutura normativa interna com o escopo de dar a máxima efetividade ao texto constitucional (art. 7º, inc. XI da CF/88). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é neste sentido, verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. [...] Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.338 17 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. [...] Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes: AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido” [g.n.] (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 24/11/2010). 43. Na decisão exarada pelo Augusto Superior Tribunal de Justiça, e acima transcrita, merece especial destaque o posicionamento adotado pelo relator, o Ministro Luis Fux, que defendeu, com a mestria que lhe é peculiar, que o não atendimento a todas as exigências disposta na Lei nº 10.101/2000, uma vez não afetando a natureza dos pagamentos, não é por si só motivos para a tributação sobre a PLR. Assim, mais uma vez peço vênia para trazer parte do voto do eminente Ministro: “Destarte, a evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. Não obstante, conforme bem destacou a Corte de Origem, a intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. Vale dizer, o registro do acordo no Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 18 sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na forma acordada. O desrespeito a tais exigências afeta os trabalhadores, que poderiam, eventualmente, ser prejudicados numa negociação desassistida, não obtendo tudo aquilo que alcançariam com a presença de um terceiro não vulnerado pela relação de emprego. Com efeito, atendidos os demais requisitos da legislação que tornem possível a caracterização dos pagamentos como participação nos resultados, a ausência de intervenção do sindicato nas negociações e a falta de registro do acordo apenas afastam a vinculação dos empregados aos termos do acordo, podendo rediscutilos novamente. Deveras, mencionadas irregularidades não afetam a natureza dos pagamentos, que continuam sendo participação nos resultados: podem interferir, tãosomente, na forma de participação e no montante a ser distribuído, fatos irrelevantes para a tributação sobre a folha de salários. In casu, o Tribunal a quo firmou entendimento no sentido de que a natureza dos pagamentos aos empregados restou preservada e caracterizada como participação nos resultados, que não integra a remuneração e, por isso, não incide contribuição previdenciária.” 44. Ora, analisando toda a documentação acostada pela recorrente, observase que esta praticou todos os atos que estavam ao seu alcance para atender os requisitos legais necessários ao regular pagamento de PLR, demonstrando boafé no pagamento das referidas verbas aos seus empregados, não susbsistindo, assim, os argumentos em que se pautou o acórdão a quo. Ademais, os planos de PLR elaborados pela recorrente tiveram ou a participação de comissão de empregados, eleita por estes para representálos em sua elaboração, com a chancela do Sindicato, ou decorreram de acordo coletivo, demonstrando a bilateralidade dos mesmo. 45. Urge ressaltar, outrossim, que a regulamentação normativa tem o escopo de proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Assim, podese concluir que os documentos trazidos aos autos indicam que houve uma negociação prévia entre as partes, que possuem o condão de retificar a autuação fiscal (ff. 338 a 430). 46. Por fim, restando caracterizado a natureza do pagamento como a participação nos lucros, eventuais requisitos não observados não possuem o condão de descaracterizála, sendo irrelevantes para a tributação. O fisco deve aterse á natureza da verba e se esta atinge o seu fim, como corretamente atingiu no caso em apreço. 47. Diante desses elementos, deve ser provido o recurso neste tópico, com a invalidação da exação lançada sobre a distribuição dos lucros e resultados para os empregados da recorrente. DO BÔNUS CONTRATAÇÃO 48. A última incidência referese ao valor pago como bônus de contratação ao funcionário Gabriel Felzenswalb. Ora, o bônus de contratação (hiring bonus) ou luvas, usual, sobretudo, nos Estados Unidos, Canadá e Europa, é um procedimento lícito e regular, utilizado pelas empresas, numa conjuntura elevadamente competitiva, com o precípuo escopo de possibilitarlhes a contratação de profissionais muito disputados no mercado. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.339 19 49. Os agentes econômicos, em nossa economia de mercado, têm a autonomia para agir no cenário jurídico, sob a proteção da Constituição Federal, e as garantias que dela decorrem, com base em seus fundamentos insculpidos em seu art. 1º. 50. O pagamento do valor avençado entre as partes, em negócio jurídico válido, sob a égide do Direito Civil, entre agentes capazes, com objeto lícito e realizado sob forma não prescrita em lei, encontra pleno reconhecimento em nosso ordenamento jurídico, nos termos do art. 104 do Código Civil. 51. O valor entregue pelo Recorrente ao futuro funcionário servelhe de atrativo, sem o qual, por certo, continuaria a procurar no mercado, por melhores oportunidades profissionais, aproveitandose do cabedal de conhecimentos científicos, técnicos e de sua experiência anterior na atividade para a qual virá a ser contratado. De verba trabalhista por certo não se trata, pois ao ensejo de seu pagamento não há contrato individual de trabalho firmado, não houve qualquer prestação laboral subordinada, inocorrendo, portanto, a subsunção às normas protetivas do Direito do Trabalho e, por consequência, da Previdência Social. 52. Tratase o hiring bonus ou signon bonus de uma soma em dinheiro que a empresa oferece, normalmente como atrativo que precede a contratação, em detrimento do emprego anterior do profissional que, por muitas vezes, opta pelo novo emprego, ainda que no anterior obtivesse maiores garantias face ao tempo já trabalhado e à confiança conquistada. 53. No universo corporativo, o pagamento do bônus de contratação, luvas ou hiring bonus, é uma prática constante, porque há, no mercado, poucos profissionais com o perfil altamente especializado desejado pelas empresas. Dessa forma, o hiring bonus pode fazer toda a diferença numa negociação, já que no ramo empresarial praticamente não há diferença entre os salários dos executivos de alto escalão. 54. Esse negócio jurídico só se efetiva entre grandes empresas e pessoas de preparo intelectual diferenciado por sua formação, por sua perfomance, por seu reconhecido mérito no mundo empresarial, longe de serem os hipossuficientes históricos do Direito do Trabalho. 55. Ora, o bônus de contratação é um moderno fenômeno contratual, relativamente recente no Brasil, ao qual não estão afeitos os operadores do direito e, infelizmente, ainda, a literatura é rara a respeito do tema, cujo conceito está em elaboração doutrinária, sendo necessário, muitas vezes, abeberarmos do direito alienígena para a sua conceituação. 56. Em apertado escorço, podese afirmar que desse ajuste civil, resulta para o futuro empregado um atrativo à contratação, como compensação pela perda da estabilidade alcançada no emprego anterior e pelo risco que o profissional se expõe lançandose a um novo desafio. Não obstante isso, o hiring bonus possui o escopo de compensar eventuais verbas indenizatórias que tal profissional deixa de receber ao se desligar voluntariamente da empresa anterior. 57. Não se há, ainda, de confundir o bônus de contratação com os valores a serem pagos a contribuintes individuais, pois para estes a incidência é decorrente da prestação de serviço que à empresa aproveita, enquanto que o atrativo de contratação é oferecido sem qualquer relação de serviço prestado, até porque, como já restou demonstrado alhures, o bônus Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 20 é pago antes do início da relação empregatícia. Ora, não existindo o objeto da efetiva prestação, por consectário lógico, não persistirá qualquer supedâneo para a exação fiscal. 58. Outrossim, o próprio relatório fiscal afirma que: “tratandose de um salário antecipado em retribuição a uma futura prestação de serviço” (f. 35) 59. Insta ressaltar, igualmente, que tributar o bônus de contratação é, na verdade, obstaculizar as empresas nacionais na busca pelos profissionais mais capacitados do mercado, mormente porque tal prática já é deveras utilizada por empresas estrangeiras que buscam hodiernamente novos experts dentro do mercado brasileiro. Ademais, ao onerar a contratação de empregados especializados estarseia prejudicando os próprios funcionários, que dispenderam anos e dinheiro na árdua busca da excelência profissional, o que, como é cediço, desconfigura os próprios objetivos da Previdência Social. 60. Destarte, por sua evidência, não há qualquer relação direta ou indireta desse pagamento feito ao futuro funcionário com os riscos sociais cobertos pelo sistema de seguridade social. 61. Pelo fato de não haver previsão legal sobre pagamento do bônus de contratação (hiring bonus) não se pode chegar à ilação equivocada, de viés arrecadatório, que esse valor deve integrar o saláriodecontribuição e a base de cálculo da contribuição previdenciária da empresa. É o próprio Estatuto Supremo quem define como limitação ao poder de tributar (art. 150, 1). A regra máxima: é vedado exigir tributo sem que lei o estabeleça. 62. A Constituição Federal obstaculiza de modo inarredável esse procedimento da Previdência Social, ao dispor em seu art. 5º, inciso II, que “ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. 63. Em se tratando de tributo, acresce a presença do princípio da legalidade restrita, também prescrito na Carta Magna: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. 64. O pagamento de bônus de contratação não se enquadra na hipótese descritiva do art. 22, I, da Lei 8.121/91, pois, como já amplamente demonstrado, de empregados não se tratava, já que o pagamento foi efetuado antes da vigência de qualquer relação laboral, e, tampouco, de trabalhadores avulsos, visto que prestação de serviço nunca houve. 65. A natureza jurídica desse bônus que antecede o contrato de trabalho ainda não alcançou sua elaboração científicodoutrinária, pois alguns especialistas consideramno ora indenização, ora abono, mas nunca remuneração, pois: a) não é contraprestação patronal a trabalhos prestados por empregado; b) é pago uma única vez, sob condição resolutiva, pois se houver descumprimento do prazo de permanência, poderá ocorrer devolução total ou parcial; c) não é ganho habitual e, sobretudo, d) não tem previsão legal para considerálo remuneração e tributável para fins previdenciários. 66. O Augusto Tribunal Superior do Trabalho, ao analisar caso em que o empregado requeria a integração do valor recebido a título de bônus de contratação (hiring bonus) às verbas salariais e rescisórias, sotrancou o entendimento do caráter indenizatório de Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.340 21 tal verba. Assim, especial destaque merece o voto do Eminente Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, no Recurso de Revista n. 907/20030720200.2, que foi lapidar ao destrinçar o tema: "Manifesta o Reclamante inconformismo com a r. sentença de origem, no tocante à integração do 'hiring bonus' como parte integrante do salário. Argumenta que o valor pago a título de 'luvas' somente foi disponibilizado ao recorrente em oito parcelas ao longo de seu pacto laboral (doc. 41) e que o fato de estar condicionado à devolução na hipótese de pedido de demissão ou dispensa por justa causa caracteriza ainda mais a sua natureza salarial. Mais uma vez, sem razão o recorrente. Tratase o 'hiring bonus' ou 'signon bonus' de uma soma em dinheiro que a empresa oferece, normalmente como atrativo à contratação, em detrimento do emprego anterior do profissional que, por muitas vezes, opta pelo novo emprego, ainda que no anterior obtivesse maiores garantias face ao tempo já trabalhado e à confiança conquistada. No universo corporativo, o pagamento do bônus de contratação, 'luvas' ou 'hiring bonus', é uma prática constante, porque há, no mercado, poucos profissionais com o perfil altamente especializado desejado pelas empresas. Dessa forma, o 'hiring bonus' pode fazer toda a diferença numa negociação, já que no ramo empresarial praticamente não há diferença entre os salários dos executivos de alto escalão. Desse modo, considerando que a parcela de R$400.000,00 (quatrocentos mil reais) foi condição de contratação, ainda que paga em parcelas, não há amparo legal a justificar sua integração ao salário, não se inserindo no conceito de remuneração estabelecido pelo artigo 457 da CLT. Somente se entende que o 'bônus' corresponda ao conceito de 'gratificação ajustada', possuindo natureza de verba salarial, se verificada a habitualidade da sua concessão, o que não se constata na hipótese em exame. Nada modifico." 67. Saliente, ainda, que esta Turma já apreciou matéria análoga, no Processo nº 16327.720643/201191, de relatoria do ilustre conselheiro Adriano González Silvério, deixando assentado que não incide contribuições previdenciárias sobre os valores pagos como bônus de contratação, conforme se observa do trecho extraído do voto do respeitável conselheiro. “Ademais, investigando a natureza jurídica do bônus de contratação ou hiring bônus notase que se trata de expediente muito utilizado no meio corporativo para atrair profissionais especializados e reconhecidos, por suas qualidades, no mercado de trabalho e sem dúvida, uma indenização ao segurado que rompe o seu contrato de trabalho anterior e não receberá as verbas indenizatórias a que teria direito, previstas no artigo 477 da CLT, tampouco eventual participação nos lucros ou resultados. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 22 Nesse sentido o precedente abaixo do Tribunal Superior do Trabalho, que em caso análogo, entendeu que o bônus de contratação não assume as feições de remuneração: RECURSO DE REVISTA. 1. CONTRATO POR PRAZO DETERMINADO. INDENIZAÇÃO. O recurso de revista se concentra na avaliação do direito posto em discussão. Assim, em tal via, já não são revolvidos fatos e provas, campo em que remanesce soberana a instância regional. Diante de tal peculiaridade, o deslinde do apelo considerará apenas a realidade que o acórdão atacado revelar. Esta é a inteligência das Súmulas 126 e 297 do TST. Recurso de revista não conhecido. 2. BONUS. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. Não verificada a habitualidade no pagamento do bônus, tampouco o seu recebimento em decorrência do labor a ser desenvolvido, mas como incentivo à contratação, não se faz potencial a ofensa ao art. 457, § 1º, da CLT. Por sua vez, arestos em desacordo com o art. 896, "a", da CLT ou inespecíficos (Súmula 296/TST) não impulsionam o recurso de revista. Recurso de revista não conhecido.(PROCESSO Nº TSTRR907/20030720200.2) Pelo exposto, entendo que os valores aqui pagos a título de bônus de contratação não devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91.” 68. Em síntese e conclusivamente: o bônus de contratação (hiring bonus) não tem natureza jurídica remuneratória e não integra o saláriodecontribuição do empregado, independente da nomenclatura conferida pelo contribuinte, razão pela qual não necessita constar na folha de pagamento mensal, pois é adimplido antes da contratação, mediante promessa formal de sua ocorrência e duração na empresa. Assim, também neste tópico não assiste razão ao fisco, devendo o crédito ser exonerado em sua totalidade. 69. Pelo exposto, entendo que os valores aqui pagos a título de bônus de contratação não sofrem a incidência da contribuição previdenciária prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO 70. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, com o desiderato de exonerar o crédito tributário em sua totalidade. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator ad hoc apenas para formalização Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento manifestado pelo Conselheiro Relator, em relação ao PLR, pelas razões a seguir expostas. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.341 23 O Conselheiro vota por dar provimento ao recurso por entender que a parcela a título de Participação nos Lucros e Resultados foi paga em consonância com o estabelecido na Lei 10.101/2000 e não integra, portanto, o salário de contribuição. Sustenta a tese de que as regras estipuladas pela Lei 10.101/2000 devem ser postas com vistas a preservar os direitos do empregado, observando o princípio da razoabilidade, de maneira que meras irregularidades não desnaturem o benefício. Porém, a fiscalização observou que a recorrente descumpriu a legislação específica que trata da matéria. E o que irá afastar as verbas pagas a título de PLR da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. A fiscalização constatou que o sindicato não integrou a comissão que negociou e elaborou os termos do acordo que criou o PLR da empresa pago em 10/2007. A Lei 10.101/00 estabelece, em seu art. 2o, na redação vigente à época, que: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; O inciso I, transcrito acima, estabelece, de forma cristalina, que o sindicato deveria integrar a comissão escolhida pelas partes. Assim, entendo que a não participação do sindicato nas negociações do PLR da empresa implica descumprimento o dispositivo legal transcrito acima. Tal entendimento encontra esteio no Supremo Tribunal Federal que já se pronunciou no sentido de que a negociação requerida para fins da PLR é coletiva, não sendo prescindível a participação do sindicato, consoante ADIn nº 1.3611 DTF – TRT 3ª R., 1ª T., RO nº 8.610/96, Rel. Mônica S. Lopes, DJMG 12/10/96, p. 5. Dessa forma, concluise que a PLR da recorrente foi paga em desacordo com a Lei 10.101/00, devendo, por esse motivo, integrar o salário de contribuição. O outro motivo apontado pela fiscalização foi a ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e das regras adjetivas O documento apresentado não esclarece qual a regra ou o critério para escolha do percentual, ficando a cargo do empregador a sua fixação, como também não informa em que ocasiões esse percentual pode ser ultrapassado. Da mesma forma, o documento da PLR não define o percentual do lucro a ser distribuído aos empregados. Portanto, restou demonstrado que o acordo não foi claro quanto ao valor da premiação, uma vez que, ao estabelecer que o percentual máximo pode ser superior a um Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 24 percentual estipulado, dá margem a diversas interpretações quanto ao direito substantivo do trabalhador. Ou seja, os trabalhadores da recorrente não sabiam previamente qual percentual iriam receber, ou qual meta teria que atingir para receber certa quantia. Outro documento fixa as notas da avaliação dos empregados, sendo que a revisão final dessas avaliações será feita por comitê indicado pela diretoria da própria empresa. E, apesar de intimada por meio dos TIFs, a recorrente não apresentou os instrumentos de aferição das metas, correlacionando os valores pagos a cada empregado com as suas respectivas aferições. Dessa forma, a empresa descumpriu o disposto no parágrafo primeiro do art. 2o, da Lei 10.101/00, ao deixar de fazer constar, no acordo pactuado, regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, bem como os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. E como a alínea “j”, do § 9º, do art. 28 da Lei 8.212/91, isenta de contribuição apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, a referida verba, paga pela recorrente em desacordo com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição. Portanto, em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basede cálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e o relator do acórdão recorrido. Verificase, ainda, que as regras para obtenção dos direitos substantivos não estão previstos no acordo de PLR do ano de 2006, pago em 02/2007. o fato de a empresa não ter apresentado os relatórios de avaliação dos empregados a impossibilitou de verificar a regularidade e a conformidade dos valores pagos com os parâmetros fixados no instrumento celebrado. Assim, entendo que foi pago valores a título de PLR sem nenhum controle quanto ao cumprimento dos critérios acordados entre empresa e trabalhadores. Portanto, a verba intitulada PLR, paga pela empresa sem observar o acordado no instrumento de negociação, deve integrar o salário de contribuição, pois foi paga em desconformidade com o estabelecido na Lei 10.101/00. Por tudo que foi exposto acima, concluo que a verba intitulada Participação nos Lucros ou Resultados foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. Nesse sentido, Voto por negar provimento ao recurso, no sentido de manter o lançamento relativo ao PLR pago em 07/2006, 02/2007 e 10/2007. É como voto Bernadete de Oliveira Barros – Redatora. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2301003.720 S2C3T1 Fl. 1.342 25 Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 13506.000902/2008-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.322
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2107; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 96 1 95 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13506.000902/200862 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.322 – 1ª Turma Especial Data 04 de novembro de 2014 Assunto IRPF Recorrente ADAUTO SOARES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte recorrente com a Notificação de Lançamento constante da fl. 13 e ss., que resultou da revisão as informações prestadas em sua declaração de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas do exercício de 2007, ano calendário de 2006, onde se verifica, na “descrição dos fatos”, que a Fiscalização constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF. Narra a Autoridade Fiscal que constatou a omissão de rendimentos tributáveis sujeitos á tabela progressiva no valor de R$ 72.203,16, tendo sido, na apuração exofficio, compensado valor de IRRF de R$ 2.166,09(fl. 15). A fonte pagadora apontada é a Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.306.305/000115. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 06 .0 00 90 2/ 20 08 -6 2 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.322 S2TE01 Fl. 97 2 O Lançamento exigiu do contribuinte, assim, o crédito tributário importando em R$ 15.123,87 a título de imposto suplementar, acrescido de R$ 11.342,90 a título de multa proporcional (75%) e mais juros de mora com base na taxa Selic. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação, onde concentra suas razões no cálculo efetuado pela Autoridade Fiscal, em função da existência de parcelas isentas/não tributáveis (sucumbência e honorários advocatícios) e, principalmente, na não incidência do imposto, na forma como foi apurado, sobre verbas recebidas acumuladamente, em razão da faixa de tributação dos rendimentos em cada competência. A manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ em Salvador/BA, tendo aquela instância de julgamento concluído pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário exigido, em suma, com os seguintes argumentos: não foram apresentados documentos que comprovassem as alegações de que as verbas se enquadrem nas hipóteses legais de isenção; não foi comprovada a alegação de que as diferenças recebidas acumuladamente estariam abaixo do limite de alcance da tributação mensal pelo imposto de renda. Ressalva, não obstante, que caso restasse demonstrado, isso seria relevante para o cálculo do imposto retido na fonte mas não para a tributação, no ajuste anual, defendendo a aplicação do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988. destacou ainda que não foram apresentados documentos hábeis a comprovar as despesas com advogado, como por exemplo o recibo. Cientificado da decisão de 1ª instância em 11/03/2011 (AR na fl. 78), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/04/2011 (fl. 79). Em sede de recurso, repisa as razões apresentadas anteriormente, nos autos, do que destaco: o Recorrente, em processo judicial de revisão de pensão previdenciária, tramitado junto ao juízo federal de São Paulo, processo nº 2008/0085155, obteve o direito de revisão no valor de pensão previdenciária. parte do valor disponibilizado foi pago a título de honorários de sucumbência. Também deve ser levada em conta a parcela que foi paga a título de honorários advocatícios. o acréscimo patrimonial "é fictício" por ser ocasionado por pagamento único de inúmeras "mensalidades atrasadas", conforme arresto publicado em ação de repetição do indébito ajuizada em face da União. fala da ação civil pública nº 1999.61.00.0037100/SP onde houve "a tutela antecipada para determinar ao INSS que se abstenha de efetuar o desconto na fonte do IR, nas hipóteses de pagamento realizado a destempo..." fala ainda de parcelas indenizatórias que seriam isentas do imposto de renda. Requer que seja declarada a improcedência total da ação fiscal, "em face do IR não alcançar pagamento indenizatório sobre diferenças de pensão previdenciária decorrente de decisão judicial". Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.322 S2TE01 Fl. 98 3 Em Sessão de 21 de novembro de 2012, esta Turma Especial decidiu pelo sobrestamento do julgamento, considerando que à matéria que versa sobre tributação de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial foi atribuída a repercussão geral, pelo STF, que também determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre o tema, nos termos do art. 543B do CPC. Considerando ainda que havia no Regimento Interno deste CARF determinação para que se sobrestassem os julgamentos de recursos administrativos, nessas condições, assim restou decidido (fl. 93/94). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atende as demais condições de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Na "descrição dos fatos", a Autoridade Fiscal não aponta, como se pode observar na folha 15, que se tratem de rendimentos recebidos acumuladamente, em virtude de decisão da justiça federal, que reconheceu o direito de revisão de pensão previdenciária. O contribuinte alega que o lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial contra o INSS. Fala ainda em "repetição do indébito" de valores retidos pela fonte, anexando certidão de folhas 61 e seguintes, que trata da Ação Civil Pública 1999.61.0037100. Estes autos, contudo, não se prestam a repetição de indébito tributário. Aqui, os limites da lide são traçados de um lado pela pretensão do Fisco, consubstanciada na Notificação de Lançamento, e de outro pela resistência do contribuinte, expressa nas suas peças de impugnação e recurso. Assim, a pretensão do Fisco é a exigência do tributo sobre determinado valor identificado como "omissão de rendimentos", conforme a Notificação. Não se pode ir além, para pedir restituição de imposto que foi retido pela fonte pagadora, como consta da Impugnação, na folha 09. Portanto, o que deveria estar instruindo estes autos não é a Certidão que trata da Ação Civil Pública, já citada, mas a Sentença Judicial ou Certidão que trate do direito do contribuinte sobre a revisão da pensão previdenciária, para que se verifique a que períodos se refere e se confirme que se tratam de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de determinação judicial para a revisão de pensão paga pelo INSS. Não localizo nos autos a Sentença judicial, nem qualquer outra peça da Ação, que ensejou o pagamento. Não é possível, portanto, constatar que o montante tem origem em diferenças referentes a diversas competências, tendo o valor sido disponibilizado apenas em 2006, apesar da plausibilidade do alegado. Da mesma forma, não se pode verificar a natureza das verbas e se houve acordo, homologado judicialmente, para recebimento ainda que parcial. Ainda, apesar do contribuinte, no recurso, identificar que a Ação em comento "tramitou perante o Juízo Federal de São Paulo, proc. 2008/0085155" não consegui localizá la, mediante busca eletrônica no sítio do Tribunal, pelo citado número. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.322 S2TE01 Fl. 99 4 Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, vinhase sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) até que ocorresse o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.322 S2TE01 Fl. 100 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Contudo, os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados em decisão do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013: PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A (in)constitucionalidade ainda não foi declarada pelo Pretório Excelso e o dispositivo de lei permanece em vigor. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), contudo, tem se manifestado, repetidas vezes, no seguinte sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.322 S2TE01 Fl. 101 6 agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) Entendo ser imprescindível, portanto, que constem as peças processuais da ação judicial que determinou o pagamento das verbas em comento, sobretudo a Sentença, para que se identifique com clareza que se referem a diversos períodos, não pagas em tempo, sendo recebidas posteriormente e de forma acumulada. Isso influenciará, dentre outras coisas, na razão de decidir e nos argumentos do Voto. Diante do exposto acima, VOTO por converter o julgamento em DILIGÊNCIA a fim de que o Recorrente seja cientificado desta Resolução e intimado a apresentar a Sentença e demais atos judiciais, como por exemplo a liquidação, execução e acordo, se houver, que determinaram o pagamento das verbas que aqui se discute, especificando sua natureza e a que períodos se referem. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000863/2010-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998
IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REQUISITOS. TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE.
A aplicação de imunidade / isenção não deve ser aplicada em consideração a serviços terceirizados pela entidade, ou seja, contratação de serviços de mão-de-obra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. A constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicando-se o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REQUISITOS. TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE. A aplicação de imunidade / isenção não deve ser aplicada em consideração a serviços terceirizados pela entidade, ou seja, contratação de serviços de mão-de-obra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. A constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicando-se o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REQUISITOS. TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE. A aplicação de imunidade / isenção não deve ser aplicada em consideração a serviços terceirizados pela entidade, ou seja, contratação de serviços de mão deobra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. A constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicandose o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 63 /2 01 0- 95 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000863/201095 Acórdão n.º 2803003.913 S2TE03 Fl. 188 2 (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000863/201095 Acórdão n.º 2803003.913 S2TE03 Fl. 189 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ, que crédito tributário do crédito tributário oriundo de contribuições (patronal) sobre valores de notas fiscais de serviço por mão de obra (INTERGRAÇÃO – Serviços em Recursos Humanos Ltda), no período de 01/04/1998 a 30/09/1998. A ciência do crédito tributário 01.04.2010. O lançamento do crédito foi realizado substitutivamente ao anterior que fora primeiramente anulado com base na Nota Técnica CJ nº369/2002, procedeu a Reforma da referida decisão, anulando o lançamento através da DN — n. 21.003/295/2002,em 25/06/2002, contudo à indicada nota técnica teve os efeitos suspensos por decisão de antecipação de tutela nos autos da Ação Cível Pública n. 2005.34.00.0242080, da 4ª Vara Federal de Brasília, movida pelo Ministério Público Federal. Em tal decisão judicial foi declarada a suspensão do prazo decadencial para lavratura dos créditos e dos efeitos da Nota Técnica CJ n. 369/2002, bem como ordenou o prosseguimento dos procedimentos de apuração, lançamento e cobrança. Em razão da decisão judicial, a autoridade julgadora lavrou a Decisão Notificação n°21.003/0048/2006, que reformou a DN — n° 21.003/295/2002, e anulou os créditos por vício formal insanável(por conter débitos relativos a mais de um prestador de serviço), motivando o novo e atual lançamento, impugnado e julgado como procedente. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: em que as contribuições decadência e prescrição qüinqüenal dos créditos lançados, pois o vício apontado era de natureza material, também ser imune, inconstitucionalidade do SAT/RAT. Por fim, requereu que as intimações no presente feito, para serem válidas e vinculativas, sejam endereçadas, em nome, exclusivamente, do Dr. Márcio Pestana – OAB/SP 103.297 e da Dra. Maria Clara Villasbôas Arruda – OAB/SP 182.081A, ambos com endereço profissional na Avenida São Gabriel, nº 333 – 15º Andar, São Paulo – Capital. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000863/201095 Acórdão n.º 2803003.913 S2TE03 Fl. 190 4 Voto Gustavo Vettorato Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Inicialmente, indefiro o pedido de intimação requerido pelo contribuinte, com fulcro no parágrafo único do art. 55 do RICARF. Tendo em vista os fundamentos contidos no acórdão recorrido no que diz respeito à data correta para contagem do prazo decadencial, entendo que a data do lançamento é o dia 01/04/2010, situação que afasta por completo a discussão sobre a matéria. 10.2.1. Fica claro a partir das transcrições acima (liminar proferida nos autos da ACP e DN nº 21.003/0048/2006), que as razões que embasaram a primeira decisão de nulidade (DN 21.003/295/2002), são totalmente diversas das que fundamentaram a segunda decisão de nulidade (DN nº 21.003/0048/2006). Salientase, também, que a nulidade proveniente da DN 21.003/295/2002 não produziu qualquer efeito, conforme acima exposto. Logo, o lançamento somente pode ser considerado nulo a partir da DN nº 21.003/0048/2006. 10.2.2. Vale esclarecer que a prestadora de serviço não foi intimada da DN nº 21.003/0048/2006, pois não foi cientificada de nenhum procedimento fiscal que culminou na lavratura da NFLD/Debcad nº 35.002.3280, anulada pela referida decisão, situação já totalmente superada com a lavratura do presente auto substitutivo e ciência da referida prestadora. 10.2.3. Diante do acima exposto, o prazo estabelecido no art.173, II do CTN, deve ser contado a partir da ciência ao contribuinte da Decisão de Notificação nº 21.003/0048/2006, ocorrida em 24/04/2006, e não da ciência da Decisão de Notificação – DN nº 21.003/295/2002, cujos efeitos foram afastados em decorrência da citada decisão judicial. Assim, o presente auto de infração, que substituiu a NFLD/Debcad nº35.002.3280, foi lavrado regularmente em 29/03/2010, com ciência pessoal a Impugnante em 01/04/2010, observando, portanto, lapso temporal inferior a cinco anos, conforme dispõe o art.173, II do CTN, in verbis: (...) 11. Superada a alegação acima da Impugnante, passase a analise das demais alegações. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000863/201095 Acórdão n.º 2803003.913 S2TE03 Fl. 191 5 Não se aplica, portanto, a decadência na forma requerida pelo contribuinte (§4º do art. 150 do CTN). O crédito está apto à cobrança, nos exatos termos expendidos pelo julgador a quo. De outra parte, o argumento de imunidade / isenção não deve ser acatado, tendo em vista que a discussão em questão diz respeito a serviços por ele terceirizados, ou seja, contratação de serviços de mãodeobra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Como bem explicitado no Relatório Fiscal, a constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicandose o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. Fato esse bem relatado, com base nas Ordens de Serviços INSS n. 83/1993 e 176/97, na falta de outros elementos probantes dos valores referentes especificamente à mão de obra. O pleito de inconstitucionalidade em relação ao financiamento do RAT também não merece prosperar, em razão de o CARF não ter competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Considerando a correção do lançamento, bem como do acórdão recorrido, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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