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5754757 #
Numero do processo: 11330.000963/2007-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora junte cópia integral do processo administrativo tributário iniciado pela NFLD n. 35.371.914-5. Após a juntada da cópia, deve ser dada ciência às contribuintes, oportunizando manifestação pelo prazo de 30(trinta) dias, retornando os autos ao julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO

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5809874 #
Numero do processo: 19311.000385/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento em respeito ao §1o, do art. 62, do Regimento Interno do CARF. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19311.000385/2009­76  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401­000.489  S3­C4T1  Fl. 469          2 1­  Todos  os  documentos  solicitados  foram  entregues,  o  que  torna  nulo  o  lançamento por lucro arbitrado;  2­ O lançamento do PIS e da COFINS foi feito sem considerar os descontos do  PIS e da COFINS não­cumulativos;  3­  O  lançamento  do  PIS  e  da  COFINS  sem  considerar  a  não­cumulatividade  levou à exigência de tributos com efeitos confiscatórios;  4­ Deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS o valor do ICMS,  haja vista que este imposto não compõe o faturamento da empresa;  Ao fim, a Recorrente pediu que fosse declarado nulo o lançamento, por ter sido  efetuado indevidamente com base no lucro arbitrado e que seja realizada diligência a fim de se  constatar a regularidade dos documentos contábeis da empresa.  É o Relatório.    Voto   O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão  pela qual dele tomo conhecimento.  Além  de  insurgir­se  contra  o  lançamento  pelo  lucro  arbitrado,  a  Recorrente  suscitou matéria referente à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e a COFINS. Como  essa matéria  está  sendo  tratada  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  na  forma  do  art.  543­B,  do  Código de Processo Civil, no Recurso Extraordinário nº 574.706, é o caso de aplicação §1o, do  art. 62­A, do Regimento Interno do CARF que assim dispõe:  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B.  Ex  positis,  em  atendimento  ao  §1o,  do  art.  62­A,  do  Regimento  Interno  do  CARF, sobrestou o julgamento do presente Recurso Voluntário, até o julgamento definitivo do  Recurso Extraordinário nº 574.706, pelo STF.  É como voto.     Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA

score : 1.0
5779299 #
Numero do processo: 12466.003337/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/10/2003, 29/10/2003, 30/10/2003, 12/11/2003, 13/11/2003, 02/12/2003 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO E DO RESPONSÁVEL. ERRO DE QUALIFICAÇÃO JURÍDICA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento, em virtude de vício formal, quando a autoridade lançadora deixa de identificar corretamente contribuinte e responsáveis, conforme subsunção aos critérios definidos em lei. IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E EFETIVAMENTE PRATICADO OU ARBITRADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. MULTA APLICÁVEL. Quando a diferença apurada entre o preço declarado na importação e o efetivamente praticado ou arbitrado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano ao Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida. Não incide, neste caso, a multa prevista no parágrafo único, do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que davam provimento parcial ao recurso. A conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2164; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12466.003337/2008­46  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  3302­002.739  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de outubro de 2014  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ II IPI MULTA ISOLADA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data  do  fato  gerador:  22/10/2003,  29/10/2003,  30/10/2003,  12/11/2003,  13/11/2003, 02/12/2003  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO  E  DO  RESPONSÁVEL.  ERRO  DE  QUALIFICAÇÃO  JURÍDICA.  VÍCIO  FORMAL. NULIDADE.  É  nulo  o  lançamento,  em  virtude  de  vício  formal,  quando  a  autoridade  lançadora  deixa  de  identificar  corretamente  contribuinte  e  responsáveis,  conforme subsunção aos critérios definidos em lei.  IMPORTAÇÃO.  DIFERENÇA  ENTRE  PREÇO  DECLARADO  E  EFETIVAMENTE  PRATICADO  OU  ARBITRADO.  FALSIDADE  DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. MULTA APLICÁVEL.  Quando  a  diferença  apurada  entre  o  preço  declarado  na  importação  e  o  efetivamente  praticado  ou  arbitrado  decorrer  da  apuração  de  falsidade  (material  ou  ideológica)  da  fatura  que  instruiu  o  despacho  aduaneiro,  a  caracterização do dano ao Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da  mercadoria  importada  ou  da  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida.  Não incide, neste caso, a multa prevista no parágrafo único, do art. 88 da MP  nº 2.158­35/2001.  Recurso de Ofício Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 33 37 /2 00 8- 46 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 3          2 Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que davam provimento parcial ao  recurso. A conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó apresentará declaração de voto.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator.     EDITADO EM: 29/10/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva,  Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó,  Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.    Relatório  Por descrever fielmente os fatos, transcrevo o Relatório do acórdão recorrido.  Versa  o  presente  processo  sobre  Auto  de  Infração  (fls.  01  a  135)  lavrado  contra  a  empresa  em  epígrafe,  com  vistas  à  constituição  de  crédito  tributário  no  valor  total  de RS  3.477.733,16  (três milhões  quatrocentos  e  setenta  e  sete mil,  setecentos  e  trinta  e  três  reais  e  dezesseis  centavos),  referente  à  falta  de  recolhimento  de  Imposto  de  Importação  (II),  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  acrescidos  de  multa  qualificada  lançada  de  ofício  proporcional a 150% dos valores não recolhidos e juros moratórios, além de multa  por  infração  administrativa  ao  controle  das  importações,  em  razão  de  subfaturamento, equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o  preço  efetivamente  praticado  na  importação  ou  entre  o  preço  declarado  e  o  preço  arbitrado.  Segundo relata a fiscalização às fls. 04 a 119. o procedimento fiscal em causa  teve  por  base  documentos  coligidos  em  diligências  no  estabelecimento  da  pessoa  jurídica  autuada,  além  de  outros  documentos  e  arquivos  magnéticos  que  foram  apreendidos pela Polícia Federal durante a denominada "Operação Dilúvio", voltada  à apuração de esquema fraudulento perpetrado por uma organização controlada por  Marco  Antônio  Mansur  (CPF  n.°  365.153.459/68).  outrora  denominada  "grupo  MAM".  Mais  precisamente,  no  que  diz  respeito  às  importações  de  mercadorias  estrangeiras registradas entre 22/10/2003 e 02/12/2003, através das Declarações de  Importação  nºs  03/0912818­2,  03/0935121­3,  03/0943437­2,  03/0988699­0,  03/0992706­9 e 03/1055334­7, a autoridade autuante relata ter efetuado as seguintes  constatações:  a) as empresas DARCK e HI­TECH DO BRASIL S/A estão envolvidas nas  importações relacionadas à fl. 04, tidas como simuladas, e realizadas com o objetivo  de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, além da prática de utilização  Fl. 632DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 4          3 de documentos ideológico e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente  falsas;  b)  as  importações  acobertadas  pelas  DI  sob  apreço  foram  registradas  pela  empresa  HI­TECH  por  conta  e  risco  próprio,  sendo  que,  na  realidade,  quem  financiava  as  operações  de  importação  era  a  empresa  DARCK,  configurando  um  quadro de simulação e interposição fraudulenta;  c) a Darck foi identificada como real compradora das mercadorias no exterior.  real  importadora  e  como  real  adquirente  no mercado nacional  ao  passo  que  a HI­ TECH,  ao  revestir­se  da  qualidade  de  importadora,  serviu  de  escudo  e  blindagem  para  a  real  importadora,  tendo  sido  esta  empresa declarada  inapta  em 08/02/2006,  por motivo de inexistência de fato, com efeitos a partir de 11/03/2003, data de sua  primeira operação de comércio exterior;  d)  os  fornecedores  e  a Darck  (real  importadora)  foram  os  que  acertaram  as  condições dos contratos de compra e venda, definindo mercadorias, preços efetivos,  formas  de  pagamento,  etc.,  que  representa  a  operação  real,  aquela  que  os  intervenientes colimaram ocultar;  e) os valores de  transação declarados nas DI analisadas  são muito inferiores  aos  valores  efetivamente  praticados  (DI  n.°s  03/0912818­2  e  03/1055334­7)  ou  arbitrados  (demais  DI  fiscalizadas  neste  procedimento).  havendo  a  empresa  fiscalizada incorrido na prática de subfaturamento.  Regularmente cientificados, em 30/09/2008 e 24/09/2008 (fls. 03 e 530/531),  respectivamente,  a  pessoa  jurídica  qualificada  como  contribuinte,  DARCK  TECHNOLOGIES  LTDA,  e  a  pessoa  jurídica  qualificada  como  responsável  solidária, HI­TECH DO BRASIL S/A, apresentaram, em 30/10/2008 e 23/10/2008,  respectivamente, os documentos de fls. 583 a 592. e 545 a 556, havendo a empresa  DARCK TECHNOLOGIES apresentado a impugnação de fls. 558 a 581, onde, em  síntese:  Alega que  todos os  tributos incidentes nas operações que praticou,  inclusive  aqueles  que  incidiram  na  venda  a  varejo  das  mercadorias  adquiridas  foram  recolhidos,  além  do  que  pagou  à  empresa  HI­TECH  pela  aquisição  no  mercado  interno  das  mercadorias  importadas,  fato  este  que  foi  desconsiderado  pela  fiscalização;  Considera descabidas as acusações que lhe foram imputadas, já que a empresa  HI­TECH estava habilitada no RADAR para efetivar suas atividades na qualidade de  trading company, além do que reclama de estar sendo acusado por condutas que não  lhe  dizem  respeito  e  que,  ante  a  ausência  de  documentos,  os  valores  aduaneiros  arbitrados pelo Fisco encontram­se fulcrados em suposições e ficções, em flagrante  desatendimento ao princípio do ônus da prova;  Nega  ter  assumido  financeiramente  os  custos  incorridos  pela HI­TECH  nas  operações de importação, ao que aduz não ser da atividade da empresa desincumbir­ se  de  operações  de  logística  atinentes  ao  comércio  internacional  e  que  o  aspecto  mais importante das operações realizadas pelas trading é a necessidade de recursos  financeiros  e  fluxo  de  caixa  para  fazer  frente  aos  tributos  no  momento  da  nacionalização das mercadorias importadas;  Alega  que,  em  razão  de  os  tributos  incidentes  nas  operações  de  importação  serem  pagos  antecipadamente,  a  terceirização  das  atividades  de  logística  internacional torna­se conveniente. não só do ponto de vista de custos e de estrutura  Fl. 633DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 5          4 organizacional,  mas  também  em  face  do  próprio  aspecto  econômico­financeiro  inerente às trading, como o financiamento de todos os custos e tributos até a entrega  do bem no armazém do distribuidor e a possibilidade da redução de custos oriundos  de benefícios e créditos fiscais das trading;  Reclama  que  a  autoridade  autuante  desbordou  do  que  determinam  as  disposições contidas no art. 10 do Decreto n.° 70.235, de 1972, e no caput do art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  visto  que  trouxe  para  o  feito,  indevidamente,  relatos  e  graves  afirmações  extraídos  de  procedimentos  levados  a  efeito  nas  esferas  policial  e  judicial,  quando  deveria  limitar­se  aos  fatos  que  ensejaram o ato do lançamento para a constituição do crédito tributário;  Nesta mesma linha, reclama também ter sido violado o sigilo de seus dados.  com  ajuntada  de  peças  do  processo  de  competência  das  autoridades  policial  e  judicial,  pelo  que  entende  ter  sido  ofendido,  na  realização  do  feito  ora  atacado,  o  direito previsto no inciso XII do art. 5° da Constituição Federal;  Insurge­se  contra  a  afirmação  da  autoridade  autuante  que  se  refere  ao  desmonte da empresa DARCK, efetuado com vistas à transferência da matriz para o  Espírito Santo, eis que jamais buscou o encerramento de suas atividades, em razão  de  que  entende  ter  a  presente  autuação  desrespeitado  as  disposições  contidas  nos  artigos 2° e 3° da Lei n.° 9.784, de 1999, dentre os quais destaca a previsão de ser  tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que devem facilitar o exercício  de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações;  Nega  ter  participado  do  esquema  fraudulento  apontado  pela  fiscalização, ao  argumento de que não é empresa de grande porte, seu faturamento é  limitado, não  movimenta  grande  soma  de  recursos  financeiros,  além  do  que  não  é  detentor  de  informações  de  natureza  fiscal  e  procedimental  relacionadas  às  demais  empresas  citadas no relatório da autuação;  Reclama não poder ser equiparado à empresa industrial para efeito de exigir o  IPI.  pois  jamais  desenvolveu  atividade  industrial  ou  a  ela  equiparada,  nem  é  importador. pelo que entende não poder ser responsabilizado pela exigência do IPI,  nos moldes estabelecidos na autuação, ao que noticia ter recolhido todos os tributos  que incidiram nas operações realizadas com as mercadorias em relevo no mercado  interno;  Em  outro  plano,  contesta  a  cobrança  de  juros  de  mora  calculados  à  taxa  referencial  Selic,  eis  que  eivada  de  incerteza  e  iliquidez,  por  entender  ser  referida  cobrança ilegal e inconstitucional;  Quanto à aplicação da multa qualificada proporcional a 150% dos valores dos  impostos exigidos e à multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o  efetivamente praticado ou arbitrado em cada operação de importação, reclama serem  confiscatórias  referidas  penalidades,  ao  que  aduz  não  ter  incorrido  em  qualquer  fraude que desse azo a essa penalização;  Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do  Auto de Infração hostilizado.  Por  sua vez, a empresa qualificada no  feito como responsável  solidária, HI­ TECH, apresentou a impugnação de fls. 533 a 544, onde, em síntese:  Após reproduzir excertos contidos no feito, alusivos às condutas de simulação  e  de  interposição  fraudulenta,  alega  que,  ainda  que  fossem  verdadeiras  essas  Fl. 634DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 6          5 imputações,  o Auto de  Infração  impugnado encontra­se  eivado de vício  insanável,  visto que. tais condutas são penalizadas com a aplicação da pena de perdimento das  mercadorias  importadas  ou  com  a  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  dessas  mercadorias, quando não localizadas ou consumidas. havendo a autoridade autuante  incorrido  em  erro  ou  desvirtuamento  de  interpretação  do  direito,  em  seu  afã  de  penalizar o fiscalizado o mais gravosamente possível;  Aduz  que,  segundo o  art.  71  do Decreto  n.°  4.543, de  2002,  o  imposto  não  incide sobre mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento, e,  neste  caso,  a  incidência  de  imposto  ou  cobrança  de outras multas  sobre  o mesmo  fato violaria o próprio princípio da capacidade contributiva, além do que descabe à  autoridade autuante escolher que tipo de infração deseja impor ao administrado,  já  que a atividade do Fisco é vinculada;  Ademais  disso,  alega  que,  mesmo  se  a  fiscalização  houvesse  efetuado  o  lançamento da multa de conversão da pena de perdimento, tal multa não poderia lhe  ser exigida, mas sim a multa de 10% do valor aduaneiro, consoante o disposto no  art. 33 da Lei n.° 11.488, de 2007, eis que, no caso de interposição fraudulenta, sem  poder  ser  considerado  o  real  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  a  infração  cometida seria a de ter cedido o nome, de molde a acobertar referido sujeito passivo,  cabendo,  no  caso,  a  aplicação  da  retroatividade  benigna  prevista  na  alínea  “c”  do  inciso II do art. 106 do CTN;  Em outro plano, alega ter promovido importações em volume compatível com  os  limites  pré­aprovados  e  determinados  pela  própria Receita  Federal,  após  terem  sido  realizadas  todas  as  auditorias  fiscais  condicionantes  à  sua  habilitação  para  operar no comércio exterior. ao que aduz o argumento de que o faturamento de uma  empresa não guarda relação direta com o seu capital social, e sim com o total dos  recursos gerados e obtidos pela empresa no curso de sua atividade social;  Na  mesma  linha,  reclama  que  a  fiscalização  não  demonstrou  onde,  na  contabilidade ou na movimentação financeira, situava­se qualquer indício ou prática  de não comprovação de origem, qualquer saldo credor de caixa, passivos fictícios,  suprimentos  sem  origem,  pelo  que  entende  carecer  de  lastro  a  afirmação  da  autoridade  autuante  segundo  a  qual  a  empresa HI­TECH  não  teria  comprovado  a  origem de suas operações;  Na  seqüência,  alega  também  não  ter  ocorrido,  na  espécie,  a  própria  interposição  fraudulenta  apontada  pela  fiscalização,  ao  argumento  de  que  as  operações realizadas caracterizam importações sob encomenda, segundo o que veio  a ser esclarecido e estabelecido pela Lei n.° 11.281, de 2006;  Quanto à tributação do IPI, alega que, até a edição da Lei n.° 11.281, de 2006,  apenas  o  importador  era  tributado  no  tocante  a  este  imposto,  para  estimular  a  verticalização das empresas e a atuação das trading companies, em razão de que, sob  este  aspecto,  entende  que  a  fraude  apontada  pela  fiscalização  caracterizaria,  na  verdade, planejamento tributário;  Em  outra  vertente,  alega  que  o  fato  de  o  encomendante  promover  adiantamentos  ao  importador  tampouco está  em desacordo com a  legislação, visto  que, ante a ausência de norma específica para o comércio exterior, nada mais natural  que  fossem  utilizadas  as  disposições  contidas  no  Direito  Tributário  e  no  Direito  Civil,  as quais não vedam que o encomendante promova  tais  adiantamentos, pois,  bem  ao  contrário,  tal  prática  visa  garantir  o  contratado, minimizando os  riscos  de  eventual inadimplência;  Fl. 635DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 7          6 Neste mesmo viés, argumenta não merecer crédito a alegação de que, antes da  Lei n.° 11.281, de 2006, inexistia importação por encomenda no direito brasileiro. e  o fato de as mercadorias haverem sido repassadas para terceiros em nada invalida a  condição da HI­TECH como legítimo importador das mercadorias em relevo;  Finalmente. em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do  Auto de Infração guerreado.  A 2a  Turma de  Julgamento  da DRJ  em Florianópolis  ­  SC  julgou  nulo  por  vício formal os lançamentos de II e IPI e  improcedente o lançamento da multa capitulada no  parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.158­35/2001, nos termos do Acórdão no 07­21.223, de  17/09/2010, cuja ementa abaixo se transcreve.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data  do  fato  gerador:  22/10/2003,  29/10/2003,  30/10/2003,  12/11/2003, 13/11/2003, 02/12/2003  IDENTIFICAÇÃO  DOS  SUJEITOS  PASSIVOS.  ERRO  DE  QUALIFICAÇÃO JURÍDICA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.  É  nulo  o  lançamento,  em  virtude  de  vício  formal,  quando  a  autoridade  lançadora  deixa  de  identificar  corretamente  contribuinte  e  responsáveis,  conforme  subsunção  aos  critérios  definidos em lei.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data  do  fato  gerador:  22/10/2003,  29/10/2003,  30/10/2003,  12/11/2003, 13/11/2003, 02/12/2003  IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E  EFETIVAMENTE PRATICADO OU ARBITRADO. FALSIDADE  DOCUMENTAL.  DANO  AO  ERÁRIO.  LANÇAMENTO.  ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA.  Quando  a  diferença  apurada  entre  o  preço  declarado  na  importação e o efetivamente praticado ou arbitrado decorrer da  apuração  de  falsidade  (material  ou  ideológica)  da  fatura  que  instruiu  o  despacho  aduaneiro,  a  caracterização  do  dano  ao  Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria  importada  ou  da  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido  consumida, apenas sendo cabível o lançamento da multa de cem  por cento sobre a diferença de preços quando a caracterização  do  dano  ao  Erário  ocorrer  em momento  posterior  à  aplicação  dessa penalidade.  Nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 03/2008, a decisão foi submetida à  apreciação necessária (recurso de ofício) pelo CARF.  Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar.  É o Relatório.    Fl. 636DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 8          7 Voto             Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator.    O Recurso de Ofício atende aos requisitos legais e, portanto, dele se conhece.  Trata o presente de auto de infração de II, IPI e Multa isolada, lavrado contra  a  empresa  DARK  TECNOLOGIES  DO  BRASIL  LTDA,  tendo  sido  nomeado  responsável  solidário a empresa HI­TECH DO BRASIL S/A.  Sobre a nulidade do  lançamento, os  fundamentos da decisão  recorrida pode  ser compreendida a partir das seguintes passagens do voto vencedor do acórdão:  No  caso  vertente,  a  própria  autoridade  autuante  informa  no  Relatório  Fiscal  que  a  empresa  HI­TECH  DO  BRASIL  S/A  realizou  importações  por  conta  e  ordem  da  empresa  DARCK  TECHNOLOGIES  DO  BRASIL  LTDA  e,  sendo  este  o  fato,  a  qualificação  jurídica  dos  sujeitos  passivos  presente  no  feito  encontra­se  em  evidente  desacordo  com  a  legislação,  eis  que,  nas  importações  realizadas  por  conta  e  ordem  de  terceiros,  a  norma legal qualifica como contribuinte dos tributos sob apreço  o importador (no caso a HI­TECHI) que realizou as importações  por conta e ordem do adquirente, ao passo que o adquirente (no  caso  a  DARCK)  é  qualificado  legalmente  como  responsável  solidário, e não o contrário, conforme consta erroneamente dos  lançamentos presentes no auto de infração.  A rigor, no que tange ao Imposto de Importação, a qualificação  jurídica  dos  sujeitos  passivos  que  atuam  nas  operações  de  importação realizadas por conta e ordem de terceiros encontra­ se prévia e expressamente definida nos termos do inciso I do art.  31 e do inciso I1I e alínea "c" do art. 32, todos do Decreto­lei n.°  37, de 1966, com redação dada pelos Decreto­lei n.° 2.472, de  1988, Medida Provisória 2.158­35, de 2001, e Lei n.° 11.281, de  2006, que determinam in litteris:  [...]  Na mesma linha, aliás, seguiu, como não poderia deixar de ser,  a  Instrução Normativa SRF n.° 225, de 18 de outubro de 2002,  que  não  definiu  como  "importador  de  fachada"  aquele  que  realiza importações por conta e ordem de outrem, mas sim como  importador, e, portanto, como contribuinte do imposto, a pessoa  jurídica  que  promove,  em  seu  nome,  o  despacho  aduaneiro  de  importação  de  mercadoria  adquirida  por  outra,  nos  seguintes  termos:  [...]  No  que  pertine  ao  IPI  vinculado  à  importação,  também  é  o  importador, e não o adquirente, o contribuinte do imposto, nos  termos do que determina a alínea "b" do  inciso I do art. 35 da  Lei n.° 4.502, de 1964, ipsis verbis:  Fl. 637DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 9          8 [...]  No  ponto,  o  adquirente  da  mercadoria  importada  deve  ser  igualmente qualificado como responsável  solidário, nesse caso,  por força da disposição contida no inciso I do art. 124 da Lei n.°  5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional —  CTN), eis que,  sem ter  relação pessoal e direta com a situação  que  constitui  o  fato  gerador  do  IPI  na  importação,  leia­se  desembaraço aduaneiro (Decreto n.° 4.543, de 2002, art. 241), o  adquirente,  na  hipótese.  tem  interesse  comum  na  situação  que  constitui o fato gerador da obrigação principal.  Quanto às contribuições sociais incidentes na importação, PIS e  Cofins, a qualificação jurídica legalmente determinada, para os  sujeitos  passivos  relacionados  a  importações  realizadas  por  conta  e  ordem  de  terceiros,  não  foge  à  regra,  a  teor  das  disposições expressamente vertidas pelo inciso I do art. 5° e pelo  inciso I do art. 6°, todos da Lei n.° 10.865, de 2004, verbis:  [...]  Sobre a multa do art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.158­35/2002, concluiu  o voto do acórdão recorrido o seguinte:  Veja­se que as supracitadas alterações só vieram a confirmar  que,  no  caso  em  que  a  diferença  apurada  entre  o  preço  declarado na importação e o efetivamente praticado decorrer  da apuração de  falsidade  (material  ou  ideológica)  da  fatura  que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano  ao  Erário  jamais  foi  afastada,  descabendo.  na  hipótese,  a  aplicação da multa capitulada no parágrafo único do art. 88  da MP 2.158­35, de 2001, em lugar da pena de perdimento da  mercadoria  importada ou da aplicação da multa equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria  que  não  tenha  sido  localizada  ou  que  tenha  sido  consumida.  A  rigor,  a  multa  equivalente a 100% sobre a diferença de preços  só deve ser  aplicada para as demais situações que não caracterizem dano  ao Erário e desde que este dano só venha a exteriorizar­se em  momento posterior à aplicação dessa penalidade.  Dito  de  outro  modo,  uma  vez  caracterizada  a  falsidade  da  fatura,  quer  porque  foi  encontrada  a  fatura  que  espelha  o  preço  efetivamente  praticado  na  operação,  quer  porque  foi  emitida em nome do importador interposto fraudulentamente,  o que se impõe é a aplicação da pena capital de perdimento  ou  da multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria  importada, sendo que, nesta última hipótese, entendo ser, em  tese,  cabível,  até  acrescido  dos  respectivos  consectários  legais, o lançamento dos impostos e contribuições sociais que,  incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos em face  do  denominado  "subfaturamento",  a  teor  da  disposição  contida no inciso III do § 4° do art. 1º do Decreto­Lei n.° 37,  de 1996, que, na redação dada pela Lei n.° 10.833. de 2003,  determina ipsis litteris:  [...]  Fl. 638DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 10          9 Na  espécie,  porém,  demonstrada  a  falta  de  consentaneidade  entre  os  fatos  descritos  no  Auto  de  Infração  e  a  aplicação  da  penalidade prevista no parágrafo único do art. 88 da MP 2.158­ 35, de 2001,  entendo  ser  improcedente o  lançamento da multa,  que se encontra fulcrada no precatado dispositivo legal.  Está sobejamente provado nos autos que o importador é a empresa HI­TECH  DO BRASIL S/A,  sendo ela  a contribuinte dos  tributos  aduaneiro  (II,  IPI, PIS­Importação  e  COFINS­Importação) e, conseqüentemente, o auto de infração deveria ter sido lançado contra  ela  e  a  empresa DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL  LTDA  deveria  ter  sido  nomeada  responsável solidária, na qualidade de encomendante das mercadorias importadas.  Portanto, sem reparos a decisão recorrida.  Quanto a multa aplicada, a decisão recorrida demonstrou claramente que os  fatos  atribuídos  à  empresa  autuada  não  se  coadunam  com  a  hipótese  prevista  no  parágrafo  único do art. 88 da MP nº 2.158­35/2001, não procedendo o lançamento da respectiva multa.  Por  fim,  ratifico  e,  supletivamente,  adoto  os  fundamentos  da  decisão  recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991).  Por  tais  razões,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício  para declarar:  (i) a nulidade, por vício  formal, dos  lançamentos do  Imposto de  Importação,  IPI e respectivos consectários legais incidentes nas importações que foram objeto do presente  procedimento fiscal, devendo o prazo para o saneamento do feito ser balizado nos  termos da  disposição  contida  no  inciso  II  do  art  .  172  do  Código  Tributário  Nacional,  e  (ii)  a  improcedência  do  lançamento  da multa  capitulada  no  parágrafo  único  do  art.  88  da Medida  Provisória nº 2.158­35/2001, e regulamentada nos termos do inciso I do art. 633 do Decreto n°  4.543/2002.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Relator                                                              1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  [. . .]  § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de  anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.              Fl. 639DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 11          10   Declaração de Voto  Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ.    Solicitei vistas do presente processo para melhor analisar a questão sobre a  sujeição passiva.  Da sujeição passiva   A  respeito  da  nulidade  em  face  do  alegado  equívoco  na  denominação  dos  sujeitos passivos, entendo inocorrer em vista dos argumentos a seguir dispostos:  O Código Tributário Nacional ao tratar de Constituição do Crédito Tributário  estabelece:  “CAPÍTULO II –   CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  SEÇÃO  I  ­  LANÇAMENTO   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.   Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.” (Grifei)  E, ao referir­se à sujeição passiva assim dispõe:  “CAPÍTULO IV –   SUJEITO PASSIVO   SEÇÃO I –  DISPOSIÇÕES GERAIS   Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.   Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:   I  –  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;   Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 12          11 II  –  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.    SEÇÃO II –   SOLIDARIEDADE   Art. 124. São solidariamente obrigadas:   I  –  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;   II – as pessoas expressamente designadas por lei.   Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.”   No  que  tange  à  responsabilidade  tributária,  o  Código  Tributário  Nacional  dispõe:  CAPÍTULO V –   RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA   SEÇÃO I –   DISPOSIÇÃO GERAL   Art.  128.  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  Capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.”  As disposições sobre contribuinte e  responsável pelo pagamento de  tributos  na importação, ou seja, sujeição passiva da obrigação tributária, estão nos artigos 104 a 106 do  RA 2002.  “Art. 104­Contribuintes do Imposto de Importação são:  a)  o  importador,  assim  considerada  qualquer  pessoa  que  promova  a  entrada  de  mercadoria  estrangeira  no  território  nacional;  (...).  Art. 106, são responsáveis solidários:  a) o  adquirente  ou  cessionário  de mercadoria  beneficiada  com  isenção ou redução do imposto;  b) o representante, no País, do transportador estrangeiro;  c)  o  adquirente  de  mercadoria  de  procedência  estrangeira,  no  caso  de  importação  realizada  por  sua  conta  e  ordem,  por  intermédio de pessoa jurídica importadora;   Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 13          12 d) o  encomendante predeterminado que adquire mercadoria de  procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora;  e) O expedidor, o operador de Transporte Multimodal­OTM ou  qualquer  subcontratada  para  a  realização  do  transporte  multimodal;   f)  O  beneficiário  de  regime  aduaneiro  suspensivo  destinado  à  industrialização  para  exportação,  no  caso  de  admissão  de  mercadoria  no  regime  por  outro  beneficiário  mediante  sua  anuência,  com  vistas  à  execução  de  etapa  da  cadeia  industrial  do produto a ser exportado; e   g) Qualquer outra pessoa que a lei designar.”  Ressalte­se que a operação de comércio exterior realizada com utilização de  recursos de terceiros, presume­se por conta e ordem deste.  0  IPI,  por  sua  vez,  tem  como  fato  gerador  o  desembaraço  aduaneiro  de  produto de procedência estrangeira, nos termos do que dispõe Lei 4.502/64, conforme consta  no Artigo 2' do Regulamento do IPI  (Decreto ns 4.544 de 26/12/2002). Destaca­se também a  responsabilidade  por  tal  recolhimento,  conforme  está  disposto  no  mesmo  RIPI,  Decreto  nº  4.544, de 26 de dezembro de 2002, Artigos 24 e 27, como que segue:  Regulamento do IPI (Decreto n º 4.544 de 26/12/2002)  “Art.  24  O  imposto  incide  sobre  produtos  industrializados,  nacionais  e  estrangeiros,  obedecidas  as  especificações  constantes da Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados  –  TIPI  (Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  art.  1­  e Decreto­lei  nº  34,  de  18  de  novembro  de  1966,  art.1º).  Parágrafo  único.  0  campo  de  incidência  do  imposto  abrange  todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na  TIPI,  observadas  as  disposições  contidas  nas  respectivas  notas  complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação  'NT'  (não­tributado)  (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art.  62).  Art.  24.  São  obrigados  ao  pagamento  do  imposto  como  contribuinte:  1  ­  o  importador,  em  relação  ao  fato  gerador  decorrente  do  desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira  (Lei ns 4.502, de 1964, art. 35, inciso 1, alínea b );  111­ o  estabelecimento  equiparado a  industrial,  quanto ao  fato  gerador  relativo  aos  produtos  que  dele  saírem,  bem  assim  quanto  aos  demais  fatos  geradores  decorrentes  de  atos  que  praticar (Lei ns 4.502, de 1964, art. 35, inciso 1, alínea a); e Art.  27. São solidariamente responsáveis:  III­ o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no  caso  de  importação  realizada  por  sua  conta  e  ordem,  por  Intermédio de pessoa  jurídica  importadora, pelo pagamento do  Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 14          13 imposto e acréscimos legais (Decreto­lei ns 37, de 1966, art. 32,  parágrafo único, inciso lll, e Medida Provisória n2 2.158­35, de  2001, art. 77).”  Não há dúvida de que as legislações acima mencionadas identificam quem é  contribuinte  e  designa  a  responsabilidade  em  casos  de  importação  por  conta  e  ordem  e,  conseqüentemente, no caso da interposição fraudulenta de terceiro. Neste caso, a identificação  de quem deve  responder pela  a obrigação  tributária,  não oferece maiores dificuldades,  posto  que  tais  sujeitos  passivos  estão  expressamente  indicados  na  legislação,  ocupando  a  relação  jurídico­tributária.  Mas, ressalte­se que tal solidariedade não comporta benefício de ordem, nos  termos do parágrafo único do art. 124 do CTN.  Sabe­se que os casos de nulidade no Processo Administrativo Fiscal estão  estatuídos  nos  arts.  59  e  60  do Decreto  nº  70.235,  de  06  de março  de  1972,  equivalentes,  respectivamente, aos arts. 12 e 13 do Decreto nº 7.574, de 2011, in verbis:  “Art. 59. São nulos:  I  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente;  II  os  despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  (...)”  “Art.  60. As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio”.   Como se vê, de acordo com o art. 59, I, só se pode cogitar de declaração de  nulidade de auto de infração ­ que se insere na categoria de ato ou termo ­, quando for lavrado  por pessoa incompetente, o que não foi o caso dessa autuação. Eventual nulidade por preterição  do  direito  de  defesa,  como  se  infere  do  art.  59,  II,  somente  pode  ser  declarada  quando  o  cerceamento está  relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em  uma fase posterior à lavratura do auto de infração.  Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em  nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem  na  solução  do  litígio,  a  teor  do  art.  60,  também reproduzido.   A  regra  do  art.  60  do  Decreto  nº  70.235,  de  06  de março  de  1972  vai  ao  encontro de um dos princípios informadores do processo Administrativo Fiscal, o Princípio da  eficiência,  introduzido  no  art.  37  da  Constituição  Federal  pela  Emenda  Constitucional  nº  19/1998,  o  qual  se  relaciona  com  os  princípios  da  economia  processual  e  o  da  Instrumentalidade da forma.  A  nulidade  do  lançamento  por  ilegitimidade  passiva  deve  ocorrer,  logicamente, no caso de erro de identificação do sujeito passivo, podendo ser refeito contra o  correto sujeito passivo.   Fl. 643DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 15          14 A  Solução  de  Consulta  Interna  Cosit  nº  8,  de  08  de  março  de  2013  bem  esclarece a questão:  “6.3. Não há nulidade sem prejuízo da parte. No caso de erro na  identificação do sujeito passivo que não macule o seu direito de  defesa  nem  o  normal  andamento  do  processo  administrativo  fiscal, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento.  Conforme Leandro Paulsen:   Não  há  requisitos  de  forma  que  impliquem  nulidade  de  modo  automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do  descumprimento  do  requisito  formal,  mas  dos  seus  efeitos  comprometedores  do  direito  de  defesa  assegurado  constitucionalmente ao contribuinte já por  força do art. 5º, LV,  da  Constituição  Federal.  Isso  porque  as  formalidades  se  justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são  um  fim,  em  si  mesmas,  mas  um  instrumento  para  assegurar  o  exercício  da  ampla  defesa.  Alegada  eventual  irregularidade,  cabe, à autoridade administrativa ou  judicial verificar,  pois,  se  tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse  do  princípio  da  informalidade  do  processo  administrativo.  (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da  doutrina e da  jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do  Advogado, 2011.)”  Pois  bem,  no  caso  específico,  verifica­se  que  o  lançamento  identifica  os  sujeitos  passivos  em  conformidade  com  os  fatos  apontados  (cujo mérito,  ressalte­se,  não  foi  analisado  face  a  declaração  de  nulidade)  e  não  obstante  tenha  havido  a  inversão  acerca  da  denominação da sujeição passiva, tal fato não implicou prejuízo à nenhum dos autuados, posto  que ambos foram devidamente cientificados do lançamento e ambos promoveram a sua defesa,  com a apresentação de  impugnação. Anular o presente  lançamento para  refazê­lo sobre essas  mesmas pessoas, apenas invertendo a sua denominação, fere os princípios acima mencionados  da eficiência, da economia processual e o da  instrumentalidade das  formas. E mais, em nada  influenciará na solução do litígio.  Por  tal motivo,  uma vez  demonstrado  o  interesse  comum no  fato  apontado  pela  fiscalização, o que  leva ao não benefício da ordem e não  tendo havido prejuízo para os  sujeitos  passivos  apontados,  bem  como  pelo  o  fato  de  que  a  inversão  não  influenciará  na  solução  do  litígio,  concluo  pela  inexistência  de  motivação  para  se  declarar  a  nulidade  do  lançamento.  Da Multa prevista no art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.158­35/2002   No que atine à Multa prevista no art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.158­ 35/2002, concordo com o relator.  Pelo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  de  Ofício.  (Assinado digitalmente)  MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Conselheira.  Fl. 644DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 12466.003337/2008­46  Acórdão n.º 3302­002.739  S3­C3T2  Fl. 16          15     Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO

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5803020 #
Numero do processo: 10580.728134/2010-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Independente da desfiliação da entidade desportiva, tal circunstância não afeta a exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra. COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2403-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para exonerar os valores contidos no levantamento CP -Cooperativa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto. Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio De Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Independente da desfiliação da entidade desportiva, tal circunstância não afeta a exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra. COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO     2   ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  exonerar  os  valores  contidos  no  levantamento  CP  ­ Cooperativa.       Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Marcelo Magalhães Peixoto ­ Relator    Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto. Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio De  Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10580.728134/2010­49  Acórdão n.º 2403­002.724  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 15­30.707,  fls. 199/207, que julgou improcedente a impugnação ofertada, para manter incólume o crédito  tributário  consubstanciado  no  DEBCAD  37.201.935­8,  referente  ao  período  de  01/2009  a  06/2009,  no  valor  de R$  1.596,36  (um mil  quinhentos  e  noventa  e  seis  reais  e  trinta  e  seis  centavos).  A presente autuação almeja o recolhimento das contribuições previdenciárias  incidentes sobre:  a)  os  valores  pagos,  através  de  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  durante a realização dos jogos, pela cooperativa de trabalho SAUDE  COOP  –  Cooperativa  dos  Profissionais  da  Área  de  Saúde,  não  declarados em GFIP e não recolhidos;  b)  os valores brutos dos serviços, executados através de cessão de mão­ de­obra,  pela  empresa  GP  ENGENHARIA  DE  INCÊNDIO  E  SEGURANÇA NO TRABALHO LTDA, contratada diretamente pela  empresa,  em  cujas  notas  fiscais  não  foram  realizadas  a  devida  retenção  de  11%,  tampouco  o  recolhimento  da  respectiva  contribuição.  Segundo o Relatório Fiscal, fls. 82/96, o contribuinte é sociedade anônima de  capital fechado que tem por objeto difundir, aprimorar e gerir atividades de futebol, conforme  estatuto registrado na JUCEB.  Declara  também que  o Vitória  SA  contém  dois  estabelecimentos. No  0001  (matriz) estavam alocados os empregados da antiga Sede e Diretoria e no estabelecimento 0002  (filial)  estavam  alocados  todos  os  atletas,  a  comissão  técnica  e  os  empregados  da  Toca  do  Leão.  Todos  os  empregados  foram  transferidos  para  o  Esporte  Clube  Vitória,  CNPJ  15.217.003/0001­59, a partir de 01/07/2009, apesar da desfiliação da FBF – Federação Baiana  de Futebol ter ocorrido em 19/02/2009.  Portanto,  afirma  que  o  Vitória  S.A.  ao  efetuar  sua  desfiliação  da  FBF  em  19/02/2009  perdeu  a  condição  de  clube  de  futebol  profissional  passando  a  contribuir  para  a  Previdência Social como empresa em geral, classificada no FPAS 566.  Essa  conclusão  decorre  do  disposto  no  art.  257  da  IN  n.  971/2009  que  afirma que Ocorrendo a desfiliação da respectiva federação, mesmo que temporária, deixa  de ocorrer à substituição referida no art. 249, caso em que o clube de futebol profissional  passará a efetuar o pagamento da contribuição patronal na forma e no prazo estabelecido  para  as  empresas  em  geral,  devendo  a  federação  comunicar  o  fato  ao  CAC  ou  AFR  jurisdicionante  de  sua  sede. Da mesma  forma  seria  a  redação  do  art.  336  da  IN SRP  n.  03/2005.   Fl. 259DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO     4 O Auditor  ainda  arrolou  como  solidário  em  razão  da  caracterização  de  Grupo Econômico, o Esporte Clube Vitória, CNPJ 15.217.003/0001­10. Vários  foram os  argumentos para o fiscal caracterizar o grupo econômico, dentre eles:  a)  Após  alteração  contratual  do  contribuinte  principal,  foi  promovida  constituição de entidades interligadas entre si e controladas direta ou  indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas;  b)  O  grupo  utiliza  alternada  ou  concomitantemente  os  mesmos  empregados,  os  mesmos  espaços,  os  mesmos  atletas,  havendo  confusão patrimonial, inclusive com relação à pagamento de despesas  e transferências;  c)  As entidades se alternam na filiação à FBF;  d)  Ambas possuem o mesmo endereço, na Av. Artemio Castro Valente,  1 – Canabrava – Salvador – Bahia – Toca do Leão;  e)  O exercício da administração pelos mesmos diretores.   DA IMPUGNAÇÃO  Inconformada  com  o  lançamento,  a  empresa  Vitória  S.A.  contestou  a  autuação por meio de instrumento de fls. 119/142.  DA DECISÃO DA DRJ   Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia  da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão n° 15­30.707,  fls.  199/207,  a  qual  julgou  improcedente  a  impugnação  ofertada  para  manter  incólume  o  crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009  RETENÇÃO.  ART.  31  DA  LEI  Nº  8.212/91.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  VALORES  DESCONTADOS.  EXIGÊNCIA. LANÇAMENTO.  Na  forma  do  art.  31  da  Lei  Orgânica  da  Seguridade  Social,  aprovada  pela  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  9.711/98, a empresa contratante de serviços de construção civil,  executados  mediante  empreitada  ou  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  deverá  reter,  da  empresa  contratada,  11%  (onze  por  cento)  do  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços  e  recolher  a  importância  retida  no  prazo  da  legislação  específica. O  atraso  total  ou  parcial  no  recolhimento  da  referida  importância  acarreta o lançamento do crédito, com os respectivos acréscimos  legais.  COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO.  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10580.728134/2010­49  Acórdão n.º 2403­002.724  S2­C4T3  Fl. 4          5 A empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária  de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho.  O  atraso  total  ou  parcial  no  recolhimento  da  contribuição  acarreta o lançamento do crédito, na forma da Lei Orgânica da  Seguridade Social e de sua regulamentação.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO  DIREITO DE DEFESA.  Não  se  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa  se  o  conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito  de  resposta  ou  de  reação  se  encontrarem  plenamente  assegurados.  TAXA SELIC. LEGALIDADE.  Incide  taxa  SELIC  sobre  contribuições  sociais  recolhidas  em  atraso, as quais estão previstas na legislação específica.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  PAF.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA/PERÍCIA,  DE  JUNTADA  POSTERIOR  DE  DOCUMENTOS E DE PROCEDIMENTO DE INTIMAÇÃO NO  ENDEREÇO  PROFISSIONAL  DOS  PATRONOS  DA  CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.   De  acordo  com o  PAF,  salvo  condições  ali  expressas,  a  prova  documental será apresentada na impugnação, ficando precluso o  direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual.  Durante  a  fase  litigiosa  do  procedimento  administrativo,  a  lei  determina que as intimações sejam feitas por via postal, ou por  qualquer  outro meio  ou  via,  porém  com prova  de  recebimento,  exclusivamente,  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Irresignada,  a Recorrente, Vitória  S/A.,  interpôs,  tempestivamente, Recurso  Voluntário, fls. 218/241, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizando­se, para tanto,  dos seguintes argumentos:  1.  Nulidade do acórdão uma vez que somente após a CBF ter regularizado  os registros, substituindo a gestão e administração da prática do Futebol  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO     6 Profissional  para  o  Esporte  Clube Vitória,  é  que  foi  liberado  o  Vitória  S.A.,  das  obrigações  previdenciárias  de  seus  segurados  e  dela  própria,  que deu­se apenas em 01/07/2009;  2.  A autuação não é clara;  3.  É necessária a realização de perícia para demonstrar que a FBF quitou as  contribuições sob exigência  4.  O enriquecimento ilícito do Estado;  5.  A necessária análise dos princípios constitucionais para o presente caso;  6.  A inaplicabilidade de juros capitalizados e a Taxa Selic Concomitante;  7.  A Confiscatoriedade da multa  É o relatório.  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10580.728134/2010­49  Acórdão n.º 2403­002.724  S2­C4T3  Fl. 5          7   Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator  DA ADMISSIBILIDADE  Conforme documentos de fls. 215 e 217, tem­se que o recurso é tempestivo e  reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  DA NULIDADE  DE  FALTA DE CLAREZA  –  DO CERCEAMENTO  DO DIREITO DE DEFESA  Uma análise superficial da autuação é suficiente para evidenciar a clareza na  descrição  dos  fatos  e  nos  fundamentos  legais. O Auto  de  Infração  faz  expressa menção  aos  dispositivos  legais  infringidos,  constantes  no  Relatório  Fiscal.  Ademais,  o  Relatório  Fiscal  consignou detalhadamente os  levantamentos que compõem o processo em epígrafe, narrando  as  razões  fáticas  e  legais,  não  vislumbrando,  pois,  qualquer  restrição  ao  exercício  da  ampla  defesa e do contraditório.   Portanto, não merece acolhida a alegação de cerceamento do direito de defesa  por ausência de menção ao dispositivo legal infringido ou de clareza na descrição dos fatos.  CESSÃO DE MÃO­DE­OBRA  Em  que  pese,  para  a  fiscalização,  a  ocorrência  de  desfiliação  por  parte  da  empresa, tal fato é irrelevante para o deslinde da presente controvérsia eis que tal fato afeta tão  somente ao recolhimento das contribuições referentes a cota patronal, conforme dispõe o § 6º  do art. 22, da Lei nº 8.212/91, in verbis:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:   (...)  § 6º A  contribuição empresarial da  associação desportiva  que  mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade  Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo,  corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos  espetáculos  desportivos  de  que  participem  em  todo  território  nacional  em  qualquer  modalidade  desportiva,  inclusive  jogos  internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento  de  uso  de  marcas  e  símbolos,  publicidade,  propaganda  e  de  transmissão  de  espetáculos  desportivos. (Incluído  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  Portanto,  quanto  às  demais  contribuições  devidas  pelas  associações  desportivas, impõe­se o recolhimento na forma das empresas em geral, sendo devidas, pois, as  contribuições referentes à retenção a ser procedida pela entidade desportiva em relação às notas  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO     8 fiscais de prestação de serviços executados mediante cessão de mão­de­obra, nos termos do art.  31, “caput”, da Lei nº 8.212/91, a seguir transcrito:  Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da  nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços  e  recolher  a  importância retida até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da  emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa  cedente da mão­de­obra, observado o disposto no § 5o do art. 33  desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007).  Os  valores  que  compõem  este  levantamento  referem­se  a  notas  fiscais  que  fazem parte das despesas dos jogos constantes nos respectivos Boletins Financeiros.   Conforme  se  vê  dos  documentos,  a  empresa  GP  ENGENHARIA  DE  INCÊNDIO  E  SEGURANÇA  NO  TRABALHO  LTDA.  foi  contratada  diretamente  pela  entidade desportiva, para a prestação de serviços por parte de brigadistas que ficam de plantão  durante  a  realização  dos  jogos  de  futebol  no  estádio  Manoel  Barradas  a  fim  de  garantir  a  segurança dos torcedores.  Desta  forma,  em  razão  da  cessão  de  mão­de­obra,  a  entidade  desportiva  deveria ter procedido a retenção no percentual de 11% sobre as notas fiscais, o que não ocorreu  no caso em tela, razão pela qual são devidas as contribuições previdenciárias  COOPERATIVAS DE TRABALHO  Quanto  às  cooperativas  de  trabalho,  as  contribuições  devidas  a  cargo  da  empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, in verbis:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  V ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).  Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada  em  23/04/2014,  em  sede  de Recurso Extraordinário  sob  o manto  da Repercussão Geral,  art.  543­B  do  CPC,  ajuizado  pela  Etel  Estudos  Técnicos  Ltda.,  em  face  da  União,  cuja  inconstitucionalidade  fora declarada pela unanimidade de votos,  conforme  se percebe de  seu  trecho abaixo, verbis:  Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do  Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a  inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991,  com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente,  Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro  Gilmar  Mendes.  Falaram,  pelo  amicus  curiae,  o  Dr.  Roberto  Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida  de  Souza  Trindade,  Procuradora  da  Fazenda  Nacional.  Plenário, 23.04.2014.  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10580.728134/2010­49  Acórdão n.º 2403­002.724  S2­C4T3  Fl. 6          9 Referida decisão  fora publicada na ATA Nº 10,  de 23/04/2014. DJE nº 85,  divulgado em 06/05/2014.  Apenas para aclarar o alcance e motivo da inconstitucionalidade, colaciona­ se trecho do voto do Ministro Relator, disponibilizado no sítio eletrônico do Supremo Tribunal  Federal  (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf),  cuja  redação é a que segue:  Diante  de  tudo  quanto  exposto,  é  forçoso  reconhecer  que,  no  caso, houve  extrapolação da  base  econômica delineada no  art.  195,  I,  a,  da  Constituição,  ou  seja,  da  norma  sobre  a  competência  para  se  instituir  contribuição  sobre  a  folha  ou  sobre outros rendimentos do trabalho.   Houve  violação  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  estampado  no  art.  145,  §  1º,  da  Constituição,  pois  os  pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho,  em  face  de  serviços  prestados  por  seus  associados,  não  se  confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos  cooperados.  Ademais,  o  legislador  ordinário  acabou  por  descaracterizar  a  contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do  trabalho  dos  cooperados,  tributando  o  faturamento  da  cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída  pela  Lei  nº  9.876/99  representa  nova  fonte  de  custeio,  sendo  certo  que  somente  poderia  ser  instituída  por  lei  complementar,  com base no art. 195, § 4º ­ com a remissão feita ao art. 154, I,  da Constituição.  Diante  do  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  extraordinário  para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da  Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.  É como voto.  Por tal razão, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, conforme  arts.  62,  I  e  62­A  do  RICARF,  merece  ser  exonerado  o  Levantamento  CP,  referente  aos  serviços  prestados,  durante  a  realização  dos  jogos,  no  estádio  Manoel  Barradas,  pela  cooperativa  de  trabalho  SAUDE COOP  –  Cooperativa  dos  Profissionais  da  Área  de  Saúde,  CNPJ 05.791.721/0001­80, apurada nos lançamentos contábeis conta 3.1.3.07.003 – Despesas  com jogos.  ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE  A Recorrente alega, dentre os argumentos elencados, a violação a princípios  constitucionais, além da multa revestir­se de caráter confiscatório, nos termos do art. 150, IV,  da Carta Magna.  Ocorre, entretanto, que ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe  ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF afastar a aplicação de uma lei sob a  alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis:  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO     10 “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  constitucionalidade de lei tributária.”  Mister  destacar  que  os  incisos  I  e  II  do  Parágrafo  único  do  art.  62  do  Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso  em  tela.  Por  esses  motivos,  este  julgador  não  irá  se  pronunciar  acerca  das  alegações  que  inconstitucionalidades  se  não  estiverem  nas  exceções  acima,  portanto,  não  subsistem  tais  argumentos.  LEGALIDADE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA SELIC  A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do  crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos da Súmula CARF 03 a SELIC é aplicável,  verbis:  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.  No  presente  caso,  foi  aplicada  a  taxa  SELIC  como  índice  de  atualização  monetária, a ser cumulado com os juros de mora. Cuidam­se de institutos distintos, conforme  se vê acima, razão pela qual não há que se falar em ilegalidade na aplicação da referida taxa em  matéria tributária.  CONCLUSÃO  Do  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito,  dar­lhe  provimento parcial, para exonerar os valores contidos no Levantamento CP – Cooperativa.    Marcelo Magalhães Peixoto.                              Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO

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5752046 #
Numero do processo: 10880.008168/2001-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 20/11/1992 a 16/10/1995 REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO DE 5 ANOS PARA PEDIDOS FORMULADOS APÓS 09/06/2005 O prazo para repetição de indébito é de 5 (cinco) anos para os pedidos formulados após a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, 09 de junho de 2005, conforme posicionamento do plenário do STF no julgamento do RE nº 566621, em sede de repercussão geral. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a prescrição com retorno dos autos à DRJ para apreciação das demais questões. Henrique Pinheiro Torres- Presidente. Luiz Roberto Domingo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T1  Fl. 185          1 184  S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.008168/2001­48  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3101­001.762  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de outubro de 2014  Matéria  Restituição PIS  Recorrente  LUBINTER LUBRIFICANTES INTERNACIONAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 20/11/1992 a 16/10/1995  REPETIÇÃO  DO  INDÉBITO.  PRAZO  DE  5  ANOS  PARA  PEDIDOS  FORMULADOS APÓS 09/06/2005  O  prazo  para  repetição  de  indébito  é  de  5  (cinco)  anos  para  os  pedidos  formulados  após  a  vacatio  legis  da  Lei  Complementar  nº  118/2005,  09  de  junho de 2005, conforme posicionamento do plenário do STF no julgamento  do RE nº 566621, em sede de repercussão geral.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  em,  por  unanimidade,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  afastar  a  prescrição  com  retorno  dos  autos  à  DRJ  para  apreciação das demais questões.  Henrique Pinheiro Torres­ Presidente.     Luiz Roberto Domingo ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Valdete  Aparecida  Marinheiro,  José  Henrique  Mauri  (Suplente),  Demes  Brito  (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres     Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 81 68 /2 00 1- 48 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     2 Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ de Recife,  que  julgou  improcedente  a manifestação de  inconformidade  apresentada  pela Recorrente por  conta da apresentação extemporânea do pedido de restituição de PIS recolhido indevidamente  por  conta  da  declaração  de  inconstitucionalidade  dos  Decretos­leis  nºs  2.445  e  2.449/88,  conforme os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  o  PIS/PASEP  Período  de  apuração: 20/11/1992 a 16/10/1995  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.PRELIMINARES.  Na decisão em que for julgada questão preliminar será também  julgado o mérito, salvo quando incompatíveis.  PIS/PASEP.RESTITUIÇÃO.PRAZO  DECADENCIAL.  0  prazo  para pleitear a restituição de tributos relativos a valores pagos a  maior  ou  indevidamente,  inclusive  em  relação  aos  tributos  lançados  por  homologação,  é  de  5  anos  contados  da  data  do  pagamento.  DECISÕES  ADMINISTRATIVAS.  EFEITOS.  As  decisões  administrativas  proferidas  pelos  órgãos  colegiados  não  se  constituem  em  normas  gerais,  posto  que  inexiste  lei  que  lhes  atribua eficácia normativa,razão pela qual seus julgados não se  aproveitam  em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência,  sendo  àquela objeto da decisão.  DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.  A  extensão  dos  efeitos  das  decisões  judiciais,  no  âmbito  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,possui  corno  pressuposto  a  existência  de  decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  acerca  da  inconstitucionalidade  da  lei  que  esteja  em  litígio  e,ainda  assim,  desde  que  seja  editado  ato  especifico do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil nesse  sentido. Não estando  enquadradas nesta  hipótese,  as  sentenças  judiciais  só produzem efeitos para as partes entre as quais  são  dadas não beneficiando nem prejudicando terceiros.  O  resultado  do  julgamento  decorreu  da  análise  dos  fatos  que  foram  assim  descritos pela decisão recorrida:  “Trata o presente processo de pedido de restituição do PIS/ PASEP formulado  af1.01,  acompanhado  da  documentação  de  fls.02  a  103,  sendo  indicados  como  créditos  na  planilha  de  f1.24,  as  diferenças  entre  os  pagamentos  da  contribuição  referenciada efetivados nos períodos de 20/11/1992 a 16/10/1995 efetivados  sob a  égide dos Decretos­Lei n's 2.445 e2.449, de 1988 e os que deveriam ser recolhidos  nos moldes da Lei Complementar n° 07/70.  2. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls.118, do Delegado da  Receita Federal do Brasil em Campina Grande­PB, em razão de aquela autoridade  administrativa  haver  considerado,  com  base  no  PARECER  SARAC/CGD,  as  fls.115/117  que  na  data  da  solicitação  da  restituição —  em  12/09/2001  ­  já  havia  transcorrido o prazo decadencial para o pleito do contribuinte, no que se refere aos  pagamentos  efetuados,  como  dispõem  os  artigos  165,  I,  e  168,  I,  do  Código  Tributário Nacional e o Ato Declaratório no 96, de26.12.1999  Fl. 735DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.008168/2001­48  Acórdão n.º 3101­001.762  S3­C1T1  Fl. 186          3 3. Cientificada  de  tal  negativa  em  11/08/2008  conforme  "AR"  de  fl.  207,  a  contribuinte,  por  meio  do  seu  procurador,  assim  constituído  pelo  instrumento  de  procuração def1.143, apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 121/136, na  data  de  09/09/2008,  em  que  contesta  o  indeferimento  do  seu  pedido  com  os  argumentos a seguir resumidos:  3.1.  aduz  que  não  ha  que  se  falar  em  decadência  do  pedido  de  restituição  formulado  no  presente  processo,  visto  que,  o  prazo  de  que  dispõe­o­contribuinte­ para­tal­é­de10 (dez) anos e não de 5 (cinco) anos, conforme sumula do STJ, uma  vez que se trata de lançamento por homologação. Logo, no caso em questão, entre o  fato  gerador  mais  recente  1995  e  a  data  do  respectivo  protocolo  se  verificaram  apenas  seis anos,  fato,  inconteste,  e portanto dentro do  lapso  temporal de 10  (dez)  anos necessários à concretização da prescrição;  3.2. acrescenta que o artigo 100, inciso II do CTN estabelece que as decisões  de  órgãos  singulares  ou  coletivos  de  jurisdição  administrativa,  a  que  a  lei  atribua  eficácia  normativa,  são  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados,  das  convenções internacionais e dos decretos;  3.3.  conclui,  assim,  que  a  decisão  exarada  pelo  Conselho  de  Contribuintes  estaria obviamente enquadrada nas disposições do diploma legal citado e se reporta  ao Acórdão n° 202­15.556 emanado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que  considerou que o pedido de  restituição das  referidas contribuições  somente  estaria  prescrito  a  partir  de  10  (dez  anos)  do  respectivo  fato  gerador,  ou  de  cinco  anos  contados  da  Resolução  do  Senado  que  declarou  a  inconstitucionalidade  dos  indigitados Decretos­Lei,  estando  assim,  o Despacho Decisório  recorrido,  indo  de  encontro ao Acórdão referenciado;  3.5. por fim, entende, que se ao fisco é dada a possibilidade de, nos casos de  impostos  cujo  lançamento  se  verifica  por  homologação,  aplicar  o  prazo  para  o  lançamento  de  tributos  não  recolhidos,  com  base  no  art.173  do  CTN,  conforme  julgados da Segunda Turma do STJ, em relação ao PIS por ela recolhido no período  compreendido entre outubro de 1992 a outubro de 1995,  a Fazenda  teria  até 2001  para homologar tais recolhimentos que são os ora pleiteados;  3.6. requer ao final, que seja acolhida a sua manifestação de inconformidade  com  o  conseqüente  deferimento  do  pedido  e  respectiva  restituição  em  relação  as  verbas por ele recolhidas indevidamente aos cofres públicos a titulo de PIS.”  Inconformada  com  a  decisão,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário,  reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Roberto Domingo  Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade.  Como visto,  trata­se de  pedido de  restituição da parcela da  contribuição  ao  Programa de Integração Social exigida na forma do Decreto­Lei nº 2.445, de 29 de junho de  1988, e do Decreto­Lei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido  Fl. 736DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     4 com  fulcro  na  Lei  Complementar  nº  7,  de  7  de  setembro  de  1970,  e  alterações  posteriores,  recolhida indevidamente pela contribuinte (direito assegurado pelo art. 18, inciso VIII, da Lei  nº  10.522/2002),  em  relação  à  qual,  é  imprescindível  analisar  o  prazo  para  o  ingresso  do  pedido, previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional, que dispõe:  Art.  168. O  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  nas  hipótese  dos  incisos  I  e  II  do  artigo  165,  da  data  da  extinção do crédito tributário;   II  ­  na hipótese do  inciso  III do artigo 165, da data  em que se  tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado  a  decisão  judicial  que  tenha  reformado,  anulado,  revogado  ou  rescindido a decisão condenatória.  O mencionado artigo 165 do CTN prescreve:  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  II  ­  erro  na  edificação  do  sujeito  passivo,  na  determinação  da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  III  ­  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória.  Da leitura dos dispositivos citados acima, verifica­se que no presente caso o  Recorrente pleiteia sua restituição com base no inciso I do artigo 168 do CTN, cujo prazo para  repetição é de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário.  Visando redefinir o termo a quo do prazo para repetição do indébito, já que a  jurisprudência  considerava  que  a  extinção  ocorria  no  momento  do  transcurso  do  prazo  5  (cinco) anos para homologação do Fisco – tese dos 10 (dez) anos contados do fato gerador ­,  foi editado o artigo 3º da Lei complementar nº 118/2005:  Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  –  Código  Tributário  Nacional,  a  extinção  do  crédito  tributário  ocorre,  no  caso  de  tributo  sujeito a  lançamento por homologação, no momento do  pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida  Lei.  Quanto à aplicabilidade do artigo 3º, o artigo 4º da mesma Lei Complementar  definiu  a  norma  como  interpretativa,  atribuindo­lhe  sentido  retroativo,  nos  termos  do  artigo  106, I do CTN:  Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua  publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106,  Fl. 737DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.008168/2001­48  Acórdão n.º 3101­001.762  S3­C1T1  Fl. 187          5 inciso  I,  da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  –  Código  Tributário Nacional.  Diante do questionamento sobre o caráter interpretativo do artigo 3º da LC nº  118/2005, já que inovou no ordenamento jurídico ao prescrever um novo prazo para repetição  do  indébito,  a questão  foi  levada  ao  judiciário que,  recentemente,  foi  definida pelo Supremo  Tribunal Federal em julgado realizado em sede de Repercussão Geral (art. 543­B, §3º do CPC),  nos seguintes termos:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005. Quando do  advento  da LC 118/05,  estava consolidada a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a  lei  expressamente  interpretativa  também  se  submete,  como  qualquer  outra,  ao  controle  judicial  quanto  à  sua  natureza,  validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente à  luz do prazo então aplicável, bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando  da  publicação  da  lei,  sem  resguardo  de  nenhuma  regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança  e  de  garantia  do  acesso  à  Justiça.  Afastando­se  as  aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia  da  norma, permite­se a aplicação do prazo reduzido relativamente  às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento  consolidado  por  esta  Corte  no  enunciado  445  da  Súmula  do  Tribunal.  O  prazo  de  vacatio  legis  de  120  dias  permitiu  aos  contribuintes não apenas que  tomassem ciência do novo prazo,  mas  também  que  ajuizassem  as  ações  necessárias  à  tutela  dos  seus  direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/08,  que  pretendeu  a  aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida  sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral,  tampouco  impede  iniciativa  legislativa  em  contrário.  Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da  LC 118/05,  considerando­se  válida  a  aplicação do novo  prazo  de  5  anos  tão­somente  às  ações  ajuizadas  após  o  decurso  da  Fl. 738DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     6 vacatio  legis  de  120  dias,  ou  seja,  a  partir  de  9  de  junho  de  2005.  Aplicação  do  art.  543­B,  §  3º,  do  CPC  aos  recursos  sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.  (RE  566621,  Relatora:  Ministra  ELLEN  GRACIE,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  04/08/2011,  DJe­195  DIVULGAÇÃO  10/10/2011 PUBLICAÇÃO 11/10/2011 EMENTA VOL­02605­ 02 PP­00273)  Nestes termos, restou pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo  de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplica­se somente aos pedidos formulados antes do  término da vacatio legis da LC nº 118/2005, ou seja, somente até 09 de junho de 2005.  Quanto  ao  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal,  o  art.  62­A  do  Regimento Interno do CARF determina que decisões proferidas em sede de Repercussão Geral  deverão ser seguidas pelo órgão administrativo recursal.  Assim, definido que o prazo para repetição do indébito é de 10 anos da data  do fato gerador para os pedidos de restituição formulados até 09/06/2005, e que a Recorrente  pleiteou seu Pedido de Restituição em 12/09/2001, entendo que não transcorreu o prazo para  restituição dos créditos de PIS objeto do pedido (20/11/1992 a 16/10/1995).  Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  para afastar a prescrição com retorno dos autos à DRJ para apreciação das demais questões.  Luiz Roberto Domingo ­ Relator                              Fl. 739DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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Numero do processo: 10380.906701/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, ..; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira- Relator. EDITADO EM: 23/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, ..; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     2 Eloy Eros da Silva Nogueira­ Relator.    EDITADO EM: 23/11/2014  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Alves  Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy  Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima    Relatório    Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que  não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do  contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria.  A  Autoridade  Administrativa,  consoante  despacho  decisório,  entendeu  por  não  homologar  a  compensação  pleiteada  pela  Requerente,  através  da  PER/DCOMP  referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos:  "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  ....  A  partir  das  características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.”  [...]  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada    O  contribuinte  contestou  essa  decisão.  Explicou  que  seu  direito  creditório  para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS  conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e  DIPJ,  razão  porque  o  sistema  informatizado  de  controle  identificou  falta  de  crédito  e  não  homologou  a  compensação.  Mas  que  providenciou  a  DCTF  e  a  DIPJ  retificadora.  Sua  argumentação, in verbis:  · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  incluiu,  no  conceito  de  faturamento,  além  das  receitas  decorrentes  das  vendas  de  mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras  receitas  não­operacionais,  tais  como  receitas  financeiras,  decorrentes  de  descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações,  recuperação  de  despesas  e  reversão  de  provisões,  conforme  comprovam  os  balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos  · Sobre o montante  acima  identificado, apurou os valores  a pagar das  referidas  Contribuições,  cujas  informações  foram  devidamente  prestadas  à  Receita  Federal,  através  das  declarações  entregues  à  época,  quais  sejam  DIPJ's  e  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906701/2009­27  Acórdão n.º 3401­002.820  S3­C4T1  Fl. 3          3 DCTF's.  Ato  contínuo,  efetuou  o  recolhimento  dos  valores  supostamente  devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais  ­ DARF,  bem  como  efetuou  a  vinculação  de  outros  créditos,  decorrentes  de  compensações outrora realizadas.  · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS,  a Requerente  passou  a  ser  detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das  referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas,  ... :  · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos  em  seu  favor,  não  efetuou  as  retificações  necessárias  das  Declarações  originalmente  transmitidas  à Receita Federal  ­ DIPJ's  e DCTF's  ­ motivo  pelo  qual  o  Fisco,  ao  cruzar  os  valores  declarados  e  os  DARF's  pagos,  não  identificou  o  recolhimento  realizado  a  maior,  entendendo  que  os  pagamentos  localizados  teriam  sido  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados no PER/DCOMP.  · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu  às  retificações  necessárias  das  declarações  apresentadas  à  Receita  Federal,  devidamente transmitidas ­ DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o  montante  do  crédito  existente,  este  amparado  na  contabilidade  e  demais  documentos da Requerente.  · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a  maior  do  período,  visto  que,  a  partir  das  Declarações  Retificadoras,  o  valor  efetivamente devido a título de COFINS em 31/01/2002 perfazia originalmente  R$ 12.203,82 (doze mil, duzentos e três reais e oitenta e dois centavos), ao passo  que  foi  efetuada  a  vinculação  de  créditos  (pagamentos  e  compensações)  no  montante de 12.391,48  (doze mil,  trezentos e noventa e um reais  e quarenta  e  oito centavos) (também valores principais), remanescendo saldo credor original  de R$ 187,66 (cento e oitenta e sete reais e sessenta e seis centavos), gerou valor  este INTEGRALMENTE utilizado nesse Pedido de Compensação.  Em  sede  de  apreciação  do  pedido  do  contribuinte  a  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 08­18.217 – 4ª Turma,  em 15 de junho de 2010, ponderando que:  "(...)  cabe  vincar  que  a  declaração  retificadora  redutora  de  tributo  deve  ser  considerada  legítima  se  apresentada  no  período  de  espontaneidade  legal.  No  entanto,  para  que  se  atribua  eficácia  às  informações  nela  contidas,  especificamente  em  relação  àquelas  que  implicam  a  caracterização  do  pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue  antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser  aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue  depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito  creditório  mediante  a  juntada,  com  a  manifestação  de  inconformidade,  não  somente  da  declaração  retificadora, mas  também  de  documentos  (contábeis  e  fiscais) que fundamentam a retificação."    Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     4 A  respeitável  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  apreciou  a  contestação  da  contribuinte, mas  concluiu  pelo  indeferimento  do  seu  pedido.  Em  suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de compensação, e que  a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela  exigência relacionada à não homologação.     A ementa do Acórdão 08­18.217 ficou assim redigida:  AS S U N T O : P R O C E S S O A D M I N I S T R A T I V  O F I S C A L  Ano­calendário: 2002  PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.  A prova documental deve ser apresentada na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que  fique  demonstrada  a  impossibilidade de  sua  apresentação oportuna,  por motivo  de  força maior,  refira­se a  fato  ou  a  direito  superveniente  ou  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas os autos.   DCTF.  RETIFICAÇÃO.  DECISÓRIO.  ESPONTANEIDADE.  REDUÇÃO  DE  TRIBUTO.  CONFIGURAÇÃO  DE  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir  tributo  se apresentada por contribuinte em espontaneidade  legal.  No  entanto,  para  que  se  atribua  eficácia  às  informações  nela  contidas,  especificamente  em  relação  àquelas  que  suportam  a  caracterização  do  pagamento  a  maior  ou  indevido  de  tributo,  é  mister  que  a  retificadora  tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois,  incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito  creditório  mediante  ajuntada,  com  a  manifestação  de  inconformidade,  não  somente  da  declaração  retificadora,  mas também de documentos que fundamentam a retificação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    O  contribuinte  ingressou  com  Recurso  Voluntário,  onde,  além  das  razões  presentes na impugnação, acrescenta outras­ adicionais ­ porque pede a reforma da decisão de  1º grau:  · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face  a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998.  o  “Preliminarmente,  antes  de  adentrar  nas  razões  que  levaram  à  improcedência  da  Manifestação  de  Inconformidade  em  comento,  importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade  de  compensação  dos  valores  indevidamente  recolhidos  pela  Recorrente  a  título  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n°  9.718/98.”  o  “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo  legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram  reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o  PIS/PASEP e  da COFINS decorrentes  da  ampliação  de  suas  bases  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906701/2009­27  Acórdão n.º 3401­002.820  S3­C4T1  Fl. 4          5 de  cálculo,  assim  entendidas  como  faturamento,  deixando  de  ser  considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para  voltar  a  ser  entendido  como  as  receitas  advindas  da  venda  de  mercadorias e/ou prestação de serviços.”  · Em sua opinião, a  legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do  contribuinte retificar as declarações por ele prestadas,  inclusive para louvar  os  princípios  de  justiça  e  da  verdade  material  que  devem  orientar  os  procedimentos das relações tributárias:  o  “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos  valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu  por  julgar  improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade,  sob  o  fundamento  da  impossibilidade  de  análise  das  retificações  de  declarações  apresentadas  após  o  despacho  decisório  que  não  homologara  as  compensações,  o  que,  a  seu  ver,  impossibilitaria  a  análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.”  o  “No  caso  em  comento,  a  Autoridade  Administrativa  afirma  que  o  despacho decisório  (de não homologação das compensações)  levara  em  conta  as  informações  prestadas  em  DCTF  original,  e  que  o  manifestante  retificou  a  DIPJ  e  a  DCTF  depois  de  cientificado  do  decisório  impugnado,  o  que  impossibilitaria  a  análise  das  referidas  retificações,  a  não  ser  que  a  defesa  administrativa  fosse  acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.”  o  “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em  que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo  qual merece  ser acatado,  senão veja­se.  (...) A  Instrução Normativa  RFB  n°.  903,  de  30  de  dezembro  de  2008,  vigente  à  época  da  retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em  seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o iem ‘c’  desse  artigo  11  não  pode  ser  interpretado  como  restrição  para  a  retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado  do  inicio  de  procedimento  fiscal,  mas  apenas  cientificado  do  despacho  eletrônico  de  não  homologação  de  seu  pedido  de  compensação.  o  O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas  o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da  verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos  analisados a partir de mera presunção.  o  Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não  está  limitada às provas produzidas pelas partes, nem está  restrita às  suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos  que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento.  o  Assim,  dada  à  importância  desse  princípio,  a  busca  da  verdade  material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim  um  dever,  de  modo  que  esta  deve  solicitar  e  analisar  todos  os  documentos  que  entender  necessários  à  elucidação  do  caso,  principalmente  quando  o  contribuinte  apresenta  documentação  amplamente comprobatória do deu direito.  · Não  é  verdade,  como  afirmaram  os  Julgadores  que  o  contribuinte  não  comprovou seu direito ao crédito e à compensação:  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     6 o  Neste  diapasão,  afirmou  a  Autoridade  Administrativa  que  a  Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao  instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora."  o  Ocorre  que  basta  uma  análise  perfunctória  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  Recorrente,  para  verificar  que  a  mesma  não  instruiu  referida  impugnação  "apenas  com  a  DCTF  retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa.  o  Quando  da  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade  por  parte  da  Recorrente,  a  mesma  apresentou  diversas  PLANILHAS  contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando  ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como  também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento  das  receitas  auferidas,  acompanhados  ainda  da  DIPJ  devidamente  retificada.  o  Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não  homologação  da  compensação  declarada  deve  ser  modificado,  levando­se em conta a documentação já apresentada pela Recorrente  e  já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de  inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade  Administrativa, em obediência  aos princípios da verdade material  e  da instrumentalidade.    Referido Conselho  ao  analisar  as manifestações  do  contribuinte  aduziu,  em  síntese que:  "De  fato,  há  nos  autos  diversos  documentos,  coerentes  entre  si,  que  demonstram  o  indébito.  Mas  nenhum  deles  é,  ao  menos  comprovadamente,  documento  contábil  cuja  validação  seja  exigida  legalmente.  Entendo,  por  isso,  que  o  acatamento  do  recurso  requer  a  verificação,  que  já  deveria  ter  sido  feita  em  primeiro  grau,  da  veracidade  das  informações  apostas,  primeiro,  na  planilha  integrante  da  própria  manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e  referida  no  recurso  como  "balancete",  e  por  fim,  na  DIPJ  entregue.  Repise­se  que  há  perfeita  consonância  entre  as  diversas  "demonstrações".    E finaliza o julgamento do recurso com a Resolução n 3402­000.157 – da 2ª  Turma  da  4ª  Câmara  do  CARF,  baixando  o  processo  em  diligência  para  que  a  fiscalização  aponte  qual  é  o  valor  devido  da  contribuição,  levando  em  conta  apenas  o  conceito  de  faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou  seja,  considerando apenas  receitas de prestação de  serviços e/ou de vendas de mercadorias  e  indique  se  há  indébito  no  mês  em  discussão  e  qual  o  seu  montante,  com  base  nos  livros  contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão).    A autoridade  fiscal,  como resultado no atendimento da diligência  solicitada  pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), concluiu  que os demonstrativos apresentados nos autos, onde se apura o valor correto do tributo devido,  encontra fidelidade com os registros contábeis exibidos. Ela finaliza seu parecer informando os  valores indicados a seguir e saldo credor ao contribuinte.  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906701/2009­27  Acórdão n.º 3401­002.820  S3­C4T1  Fl. 5          7 Após os procedimentos de auditoria, chega­se ao seguinte valor de crédito a  que faz jus o contribuinte:  Base de cálculo   COFINS apurada  COFINS paga/retida  Crédito da COFINS  R$ 411.866,13  R$ 12.355,98  R$ 12.779,32  R$ 423,34  Apesar  de  cientificada  desse  relatório  fiscal  e  da  possibilidade  de  se  manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna  ao CARF.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.  Há  tempestividade  do  Recurso  Voluntário  e  atendimento  dos  requisitos  de  admissibilidade.  Trata­se  de  recurso  interposto  contra  decisão  que  indeferiu  pedido  de  compensação  declarado  por  meio  do  PER/DCOMP  n°  38707.68959.290906.1.3.04­1290.  O  pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Cofins, referente  ao  mês  de  janeiro  de  2002  e  efetuado  em  15.02.2002,  com  débito  de  estimativa  de  CSLL,  respeitante ao mês de agosto de 2006.  Alio­me aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à  realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa.   Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade  material  deve  ser  fortemente  considerada  nas  relações  tributárias  e  nas  soluções  dos  contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte:  IRPJ  ­  FALTA  DE  CARACTERIZAÇÃO  DA  INFRAÇÃO  ­  Em  respeito  à  legalidade,  verdade  material  e  segurança  jurídica  não  pode  subsistir  lançamento  de  crédito  tributário  quando  não  estiver  devidamente  demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese  descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA ­ Na  relação jurídico­tributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao  Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou  não,  do  fato  jurídico  tributário  ou  da  prática  de  infração  praticada  no  sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material,  o  contraditório  e  a  ampla  defesa.  O  sujeito  passivo  somente  poderá  ser  compelido  a  produzir  provas  em  contrário  quando  puder  ter  pleno  conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação.   Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     8 PROCESSOS REFLEXOS ­ PIS ­ COFINS ­ IRF ­ CSLL ­ Respeitando­se a  materialidade  do  respectivo  fato  gerador,  a  decisão  prolatada  no  processo  principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima  relação de causa e efeito.  Recurso provido.     (Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  3°  Câmara,  Relatora  Mary  Elbe  Gomes  Queiroz,  Recurso  n°.  124737,  Processo  n°.  10283.002174/97­74,  Acórdão n°. 103­20594,sessão de 22/05/2001)    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ Exercício: 1999  EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR   Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade  material, no sentido de que, busca­se descobrir se realmente ocorreu ou não  o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se  levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca  da  verdade  material,  da  legalidade  e  da  eficiência  pode  vir  a  ter  sua  aplicação  mitigada  nos  julgamentos  administrativos.  Recurso  Voluntário  Provido.  (1°  Conselho  de  Contribuintes,  8  Turma  Especial,  Relator  Edwal  Casoni  de  Paula  Fernandes  Júnior,  Recurso  n°.156170,  processo  n°.  10820.002086/2003­66, Acórdão n°. 198­00116, sessão de 30/01/2009).    Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias   PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004   PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA  PARA  EXECUÇÃO  DE  OBRA  DE  CONSTRUÇÃO  CIVIL.  ELEMENTOS  PARA  COMPROVAÇÃO  DA  DECADÊNCIA.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  O  princípio  da  verdade  material,  tão  caro  no  processo  administrativo  fiscal,  deve  prevalecer,  de  modo  que  sejam  considerados  documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas  à  realização  de  obra  de  construção  civil,  ainda  que  não  expressamente  previstas  nas  normas  da  Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil.  Recurso  Voluntário Provido.  (2° Conselho de Contribuintes, 6a Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de  Araújo,  Recurso  n°.  246754,  processo  n°.  12045.000374/2007­72, Acórdão  n°. 296­ 00078, sessão de 10/02/2009).  IRRF  ­  DCTF  ­  ERRO  DE  PREENCHIMENTO  ­  Comprovados  os  recolhimentos  de  IRRF,  mediante  apresentação  das  guias  respectivas,  acompanhadas  da  regular  retificação  e  complementação  da  DCTF  e  dos  respectivos lançamentos contábeis, afasta­se o lançamento. Recurso provido.  (Io Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/2002­ 67,  Recurso  n°.  147364,  Relatora  Silvana  Mancini  Karam,  Acórdão  102­ 47820, Sessão de 16/08/2006)    Correta  a  decisão  e  orientação  dada  pelo  E.  Relator  na  Resolução  que  originou o pedido de diligência, em suas palavras:  “Não  partilho,  como  já  tive  oportunidade  de  afirmar  em  outros  julgados,  a  tese  da  Administração  segundo  a  qual  a  homologação  de  compensações  declaradas  pelo  sujeito  passivo  dependa de  prévia  retificação  de  sua DCTF  quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906701/2009­27  Acórdão n.º 3401­002.820  S3­C4T1  Fl. 6          9 necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso  que não se pode ainda decidir o recurso.”  “De  fato,  há  nos  autos  diversos  documentos,  coerentes  entre  si,  que  demonstram o  indébito. Mas nenhum deles  é,  ao menos  comprovadamente,  documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.”  “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já  deveria  ter  sido  feita  em  primeiro  grau,  da  veracidade  das  informações  apostas,  primeiro,  na  planilha  integrante  da  própria  manifestação  de  inconformidade,  depois,  na  peça  intitulada  “balanço”  e  referida  no  recurso  como  “balancete”  e,  por  fim,  na  DIPJ  entregue.  Repise­se  que  há  perfeita  consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do  processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido  da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito  de  faturamento  reconhecido  pelo  STF  como  apto  a  constituir  a  base  de  cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas  de  prestação  de  serviços  e/ou  de  vendas  de  mercadorias,  indique  se  há  indébito  no mês  em  discussão  e  qual  o  seu montante,  com  base  nos  livros  contábeis  exigidos  pela  legislação  (Diário  e  Razão)  a  serem  exibidos  pelo  contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora  recorrente,  abrindo­se­lhe prazo de trinta dias para eventual contestação.”    Portanto,  não  procede  deixar  de  apreciar  as  retificações  das  declarações  prestadas  pelo  contribuinte,  nem  de  se  verificar  a  sua  correspondência  com  os  próprios  registros  contábeis.  E  nessa  direção,  é  que  a  verificação  dos  valores  que  seriam  devidos  do  tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide.  Por  outro  lado,  há  que  se  reconhecer  o  teor  das  bases  do  direito  creditório  pleiteado. Há  decisões  do CARF que  consolidam,  nos  casos  concretos,  a  definição  de  que  a  ampliação do conceito de faturamento às  receitas  financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998,  foi  inconstitucional,  afastando  a  aplicação  da  referida  Lei,  ­  o  que  corresponde  à  tese  do  recorrente, ­ conforme julgados a seguir:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002   BASE  DE  CALCULO.  LEI  Nº  9.718,  DE  1998.  RECEITAS  FINANCEIRAS.  A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei  n°  9.718,  de  1998,  é  inconstitucional,  segundo  decisão  definitivo  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal.  Recurso  voluntário  provido.  (Segundo Conselho de Contribuintes,  Ia Câmara, Acórdão 201­81.260,  de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco).    COFINS E PIS ­ RECEITA FINANCEIRAS ­  INAPLICABILIDADE DA  LEI 9.718/98 ­ SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ­ RE 380840 ­ MG  Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840­MG, o Supremo  Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Io, do artigo 3°, da Lei  9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas  as  partes,  estancando  custos  desnecessários.  Por  conseqüência,  não  compõem  a  base  da  contribuição  em  apreços  as  receitas  financeiras.  Recurso  provido.  (Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  Ia  Câmara,  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     10 Processo n". 10120.003831/2003­81, Recuso n°. 140629, Acórdão 101­ 95764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006).    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999  PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98.  INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.  Já  é  do  domínio  público  que  o  Supremo  Tribunal  declarou  a  inconstitucionalidade  do  art.  3o,  §  Io,  da  Lei  n°  9.718/98  (RREE  n°s  346.084,  limar;  357.950,  358.273  e  390.840,  Marco  Aurélio,  Pleno,  09/11/2005  ­  Inf/STF  408),  proclamando  que  a  ampliação  da  base  de  cálculo  da  Cofins  por  lei  ordinária  violou  a  redação  original  do  art.  195,  I,  da  Constituição  Federal,  ainda  vigente  ao  ser  editada  a  mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a  nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser  considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso,  a  decisão  do  STF  tem  natural  vocação  expansiva,  com  eficácia  imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ  (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de  sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475­ L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do  art.  3o  da  Lei  n°  9.718/98,  que  ampliara  a  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  é  ilegítima  a  exação  tributaria decorrente de sua aplicação.  [...]   Recurso voluntário provido.   (Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  Ia  Câmara,  Processo  n°.  10980.011343/2003­18, Recurso nº 139409, Acórdão 201­81235,Relator  Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Sessão de 01/07/2008).    A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência confirma as  alegações do recorrente e os valores que seriam devidos desse tributo no período em questão.  Por  todos  esses  elementos,  concluo que deve  se dar provimento  ao  recurso voluntário,  até o  limite do requerido pelo contribuinte neste processo.  Eloy Eros da Silva Nogueira­ Relator                               Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA

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Numero do processo: 10980.721975/2012-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. DEPENDENTE. DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A dedução alcança, também, os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no país destinadas a coberturas de despesas médicas, odontológicas, de hospitalização. Restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Hipótese de dedução que se enquadra nos ditames legais e comprovada mediante declaração do responsável pelo Plano de Saúde. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesa médica com Plano de Saúde no valor de R$ 7.697,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. DEPENDENTE. DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A dedução alcança, também, os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no país destinadas a coberturas de despesas médicas, odontológicas, de hospitalização. Restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Hipótese de dedução que se enquadra nos ditames legais e comprovada mediante declaração do responsável pelo Plano de Saúde. Recurso Voluntário Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesa médica com Plano de Saúde no valor de R$ 7.697,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2038; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 43          1 42  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.721975/2012­84  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.879  –  1ª Turma Especial   Sessão de  03 de dezembro de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  ADILSON JOSÉ ZANONI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2009  DIRPF.  DESPESAS  MÉDICAS.  PLANO  DE  SAÚDE.  DEPENDENTE.  DEDUÇÃO.  Na  declaração  de  rendimentos  poderão  ser  deduzidos  os  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos  ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º,  inciso II, alínea "a"). A dedução alcança, também, os pagamentos efetuados a  empresas domiciliadas no país destinadas a coberturas de despesas médicas,  odontológicas, de hospitalização. Restringe­se aos pagamentos efetuados pelo  contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.  Hipótese  de  dedução  que  se  enquadra  nos  ditames  legais  e  comprovada  mediante declaração do responsável pelo Plano de Saúde.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesa médica com Plano de Saúde no valor  de R$ 7.697,00, nos termos do voto do Relator.   Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin – Presidente.   Assinado digitalmente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 19 75 /2 01 2- 84 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.721975/2012­84  Acórdão n.º 2801­003.879  S2­TE01  Fl. 44          2 Marcio Henrique Sales Parada ­ Relator.  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida,  Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.   Relatório  Adoto  como  Relatório  aquele  elaborado  pela  Autoridade  Julgadora  de  1ª  instância (fl. 33), que complemento ao final:  Trata  o  presente  processo  de  Notificação  de  Lançamento  de  Imposto  sobre a Renda de Pessoa Física –  IRPF, às  fls. 23/27,  lavrada  em  face  da  revisão  da  declaração  de  ajuste  anual  do  exercício de 2009, ano calendário de 2008, que alterou o saldo  de imposto a restituir de R$ 3.802,74 para R$ 1.617,31.  Consoante descrição dos fatos da Notificação de Lançamento às  fls. 24/25, foi constatada dedução indevida de despesas médicas,  no  valor  de  R$  7.947,00,  sendo:  R$  250,00  com  a  instrumentadora  cirúrgica  Elaine  Zinderschi  Belorino,  e  R$  7.697,00  de  despesas  com  o  plano  de  saúde  Volkswagen,  por  falta de comprovação.  Cientificado  em  21/03/2012  (fl.  28),  o  interessado  apresentou,  em  28/03/2012,  a  impugnação  de  fl.  02,  instruída  com  os  documentos de fls. 03/20, onde alega que as despesas do plano  de  saúde  Volkswagen  referem­se  a  gastos  do  cônjuge  –  Sra.  Edméia Cunha  Zanoni.  Acrescenta  que  o  pagamento  próprio  e  para  o  cônjuge  era  efetuado  em  duas  partes  iguais,  e  por  equívoco  o  fisco  teria  considerado  apenas  um  pagamento.  Diz  acostar  documento  que  comprovaria  o  grau  de  parentesco,  comprovantes  de  pagamentos  emitidos  pelo  plano  de  saúde  discriminando  os  valores  relativos  ao  titular  e  demais  beneficiários,  recibos  e/ou  notas  fiscais  contendo  os  requisitos  exigidos  pela  legislação  tributária,  e  documento  de  identidade  próprio. Alega, ainda,  que o  comprovante  das  despesas  havida  com Elaine Zinderschi, já teria sido apresentado. Por fim, requer  prioridade no julgamento com base no Estatuto do Idoso.  Analisando a Impugnação, aquele Julgador, em suma, assim dispôs:  ­ serviços de  instrumentação cirúrgica não são passíveis de dedução, pois a  emitente  não  é  profissional  contemplada  entre  aqueles  que  a  legislação  tributária  reconhece  como prestadores de serviços médicos;  ­  quanto  às  despesas  com  o  plano  de  saúde  Volkswagen,  os  documentos  acostados  não  são  hábeis  às  comprovações  pretendidas,  posto  que  não  identificam  os  beneficiários  do  plano  e,  conseqüentemente,  o  valor  correspondente  a  cada  um,  tampouco  comprovam o efetivo pagamento.  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.721975/2012­84  Acórdão n.º 2801­003.879  S2­TE01  Fl. 45          3 Cientificado  dessa  decisão  em  05/07/2012,  conforme  AR  na  folha  36,  o  Contribuinte,  inconformado, apresentou  recurso voluntário em 23/07/2012, com protocolo na  folha 37. Em sede de  recurso, manifesta­se apenas em relação à questão sobre a dedução de  valor correspondente a Plano de Saúde de sua esposa e dependente Edméa Cunha Zanoni.  Anexa declaração emitida pela empresa Volkswagen Ltda (folha 38).  É o relatório.   Voto             Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  O  recurso  é  tempestivo,  conforme  relatado,  e,  atendidas  as  demais  formalidades legais, dele tomo conhecimento.  A  numeração  de  folhas  a  que  me  refiro  a  seguir  é  a  identificada  após  a  digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf).  A decisão de 1ª instância, recorrida, manifestou­se em relação às duas glosas  que constam da Notificação de Lançamento: um recibo emitido por instrumentadora cirúrgica,  no  valor  de R$  250,00  e  a  parcela  do  Plano  de  Saúde  da Volkswagen,  que  seria  relativa  à  esposa e dependente do contribuinte.  No  recurso,  o  Recorrente  nada  diz  sobre  o  recibo  emitido  pela  instrumentadora cirúrgica (fl. 09), pelo que considera­se matéria não recorrida e fora do litígio,  a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972.  Em  relação  ao  Plano  de  Saúde,  observo  que  a  Sra.  Edméa  Cunha  Zanoni  consta como dependente na DIRPF/2009 (fl. 14), a Certidão de Casamento está na folha 12 e  que  no  Termo  de  Intimação  Fiscal  o  Auditor  intimou  o  contribuinte  a  apresentar  "comprovantes  originais  e  cópias  de  despesas  médicas  com  planos  de  saúde  com  valores  discriminados por beneficiário", não se referindo a "efetivo pagamento", como aludiu a DRJ.  Entendo que o documento acostado às folhas 40 atende às exigências, sendo  possível verificar que, no ano de 2008, o contribuinte teve despesas com Plano de Saúde seu e  de sua esposa­dependente no valor de R$ 7.697,00 vezes dois, ou seja, R$ 15.394,00.  CONCLUSÃO  Dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de  despesa médica com Plano de Saúde no valor de R$ 7.697,00. (Notificação, fl. 05)  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada              Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.721975/2012­84  Acórdão n.º 2801­003.879  S2­TE01  Fl. 46          4                 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN

score : 1.0
5806584 #
Numero do processo: 12448.723500/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - VALE ALIMENTAÇÃO E VALE REFEIÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. AUSENCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. O bônus de contratação (hiring bonus) não tem natureza jurídica remuneratória e não integra o salário-de-contribuição do empregado, independente da nomenclatura conferida pelo contribuinte. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão doa auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido à ausência de atas que comprovem eleição para escolha de comissão negociante da PLR, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido a não extensão do pagamento de PLR a todos os segurados empregados, nos termos do voto do Relator; d) em dar provimento ao recurso, quanto à PLR, na questão da entrada na empresa de segurados em 07/2006, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados, nos pagamentos de 07/2006 e 02/2007, devido a ausência de fixação de direitos substantivos, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em anular o lançamento de bônus de admissão pela existência de vício, quanto à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram pela não existência de vício; c) em qualificar o vício no bônus de admissão como material, por estar ligado à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em qualificar o vício como formal; d) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos de 02/2007, referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido às regras para obtenção dos direitos substantivos não estarem previstos no acordo de PLR, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; e) em negar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos pagamentos de 10/2007, referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido à ausência de acordo com entidade (sindicato) representativa da categoria, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; f) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa no lançamento por descumprimento de obrigação principal prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; g) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa, por descumprimento de obrigação acessória, o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Sustentação oral: Celso Costa. OAB: 148.255/SP. Declaração de voto: Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR – Relator ad hoc apenas para formalização Bernadete de Oliveira Barros - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. 
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 1.330          1 1.329  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12448.723500/2011­12  Recurso nº  99.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­003.720  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de setembro de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  BTG PACTUAL GESTORA DE INVESTIMENTOS ALTERNATIVOS  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ­ VALE ALIMENTAÇÃO E VALE  REFEIÇÃO.  PAGAMENTO  IN  NATURA.  SEM  ADESÃO  AO  PAT.  AUSÊNCIA DE  NATUREZA  SALARIAL.  NÃO  INCIDÊNCIA.  BÔNUS  DE  CONTRATAÇÃO.  AUSENCIA  DE  NATUREZA  SALARIAL.  NÃO  INCIDÊNCIA.  O  fornecimento  de  alimentação  não  sofre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  por  não  constituir  natureza  salarial,  esteja  o  empregador  inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador ­ PAT.  O  bônus  de  contratação  (hiring  bonus)  não  tem  natureza  jurídica  remuneratória  e  não  integra  o  salário­de­contribuição  do  empregado,  independente da nomenclatura conferida pelo contribuinte.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ­ INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO  DE REGÊNCIA ­ INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO  Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  a  empresa  deverá  observar  a  legislação específica sobre a matéria.   Ao  ocorrer  o  descumprimento  da  Lei  10.101/2000,  as  quantias  creditadas  pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas,  portanto, à incidência da contribuição previdenciária.  O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário  de contribuição.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 35 00 /2 01 1- 12 Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   2     Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.331          3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar  provimento ao recurso, na questão doa auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; b)  em  dar  provimento  ao  recurso,  sobre  a  não  integração  ao  salário  de  contribuição  dos  pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido à ausência de atas  que comprovem eleição para escolha de comissão negociante da PLR, nos termos do voto do  Relator; c) em dar provimento ao recurso, sobre a não integração ao salário de contribuição dos  pagamentos referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido a não extensão do  pagamento de PLR a todos os segurados empregados, nos termos do voto do Relator; d) em dar  provimento  ao  recurso,  quanto  à  PLR,  na  questão  da  entrada  na  empresa  de  segurados  em  07/2006, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao  recurso,  sobre  a  não  integração  ao  salário  de  contribuição  dos  pagamentos  referentes  à  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  nos  pagamentos  de  07/2006  e  02/2007,  devido  a  ausência  de  fixação  de  direitos  substantivos,  nos  termos  do  voto  da  Redatora.  Vencidos  os  Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes  e Manoel Coelho Arruda Júnior,  que votaram  em  dar provimento ao recurso nesta questão; b) em anular o lançamento de bônus de admissão pela  existência  de  vício,  quanto  à  descrição  do  fato  gerador,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram pela  não existência de vício; c) em qualificar o vício no bônus de admissão como material, por estar  ligado  à  descrição  do  fato  gerador,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencida  a  Conselheira  Bernadete  de  Oliveira  Barros,  que  votou  em  qualificar  o  vício  como  formal;  d)  em  negar  provimento ao  recurso,  sobre a não  integração ao salário de contribuição dos pagamentos de  02/2007,  referentes  à  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR),  devido  às  regras  para  obtenção dos direitos substantivos não estarem previstos no acordo de PLR, nos termos do voto  da  Redatora.  Vencido  o  Conselheiro  Damião  Cordeiro  de  Moraes,  que  votou  em  dar  provimento  ao  recurso  nesta  questão;  e)  em  negar  provimento  ao  recurso,  sobre  a  não  integração ao salário de contribuição dos pagamentos de 10/2007, referentes à Participação nos  Lucros  e  Resultados  (PLR),  devido  à  ausência  de  acordo  com  entidade  (sindicato)  representativa da categoria, nos  termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Damião  Cordeiro  de  Moraes,  que  votou  em  dar  provimento  ao  recurso  nesta  questão;  f)  em  dar  provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa no  lançamento por  descumprimento  de  obrigação  principal  prevista  no  Art.  61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se  mais  benéfica  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos  os  Conselheiros  Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; g)  em  dar  provimento  parcial  ao  Recurso,  no  mérito,  para  aplicar  ao  cálculo  da  multa,  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  o  art.  32A,  da  Lei  8.212/91,  caso  este  seja  mais  benéfico  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos  os  Conselheiros  Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao  Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da  Lei  n.º  9.430/1996,  como  determina  o  Art.  35A  da  Lei  8.212/1991,  deduzindose  as  multas  aplicadas  nos  lançamentos  correlatos,  e  que  se  utilize  esse  valor,  caso  seja mais  benéfico  à  Recorrente.  Redatora:  Bernadete  de  Oliveira  Barros.  Sustentação  oral:  Celso  Costa.  OAB:  148.255/SP. Declaração de voto: Mauro José Silva.  MARCELO OLIVEIRA ­ Presidente.     Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   4 MANOEL  COELHO  ARRUDA  JÚNIOR  –  Relator  ad  hoc  apenas  para  formalização    Bernadete de Oliveira Barros ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  MARCELO  OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA  BARROS,  DAMIÃO  CORDEIRO  DE  MORAES,  MAURO  JOSE  SILVA,  MANOEL  COELHO ARRUDA JUNIOR.   Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.332          5   Relatório  1. Trata­se de Recurso Voluntário  interposto pelo contribuinte BTG Pactual  Gestora  de  Investimentos  Alternativos  Ltda.  contra  Acórdão  prolatado  pela  11ª  Turma  de  Julgamento  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  (DRJ/RJI), assim ementado (f. 985):  CONTRIBUIÇÕES  PATRONAIS.  CONTRIBUIÇÕES  DE  TERCEIROS.  DESCONTO  SEGURADO  EMPREGADO.  OBRIGAÇÃO  DO  RECOLHIMENTO.  A  empresa  é  obrigada a  recolher  as  contribuições  a  seu  cargo  referente  à  contribuição da empresa,  incidentes  sobre as  remunerações pagas, devidas  ou creditadas, a qualquer  título, aos segurados empregados e contribuintes  individuais  a  seu  serviço,  inclusive  as  relativas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho.  A empresa é obrigada a recolher, nos mesmos prazos definidos em lei para  as  contribuições  previdenciárias,  as  contribuições  destinadas  a  terceiros:  Salário  Educação,  INCRA,  SENAC,  SESC  e  SEBRAE  (sobre  as  remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados  empregados).  A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu  serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres  públicos.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  DA  EMPRESA  EM  DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.  O  pagamento  a  segurado  empregado  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário  de contribuição.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  2.  O  processo  ora  em  apreço  refere­se  a  créditos  previdenciários  lançados  pela fiscalização, contra o ora recorrente, através dos seguintes autos de infração:  a) DEBCAD  37.329.2287  –  contribuições  sociais  relativas  à  parte  patronal  inclusive  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  –  RAT,  assim  como  diferenças  de  acréscimos  legais,  no  valor  consolidado  em  05/05/2011  de  R$  9.378.308,93  Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   6 (nove milhões, trezentos e setenta e oito mil e trezentos e oito reais e noventa e três centavos),  no período de 07/2006 a 12/2007;  b)  DEBCAD  nº  37.329.2295  –  contribuições  sociais  devidas  à  Seguridade  Social, correspondentes à parte dos segurados, não descontadas, incidentes sobre remunerações  pagas a empregados que prestaram serviços à autuada, no valor consolidado em 19/01/2011 de  R$  5.252,51  (cinco mil  e  duzentos  e  cinquenta  e  dois  reais  e  cinquenta  e  um  centavos),  no  período de 10/2006 a 12/2007;  c)  DEBCAD  37.329.2309  –  contribuições  destinadas  a  Terceiros  (FNDE,  INCRA), no valor consolidado em 19/01/2011 de R$ 1.031.533,17 (um milhão, trinta e um mil  e quinhentos e trinta e três reais e dezessete centavos), no período de 07/2006 a 12/2007.  d) DEBCAD 37.329.2279 – descumprimento de obrigações acessórias, tendo  em vista infração ao disposto na Lei nº 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5º, acrescentado  pela  Lei  nº  9.528/97  c/c  art.  225  inciso  IV,  parágrafo  4º,  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99,  por  ter  a  empresa  apresentado  as  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  nas  competências 07/2006, 02/2007 e 08/2007 a 12/2007.  3.  O  Relatório  Fiscal  de  fls.  27/49  descreve  como  fatos  geradores  das  contribuições previdenciárias lançadas os valores pagos pela recorrente aos seus funcionários a  título  de  vale  alimentação  e  refeição,  PLR  e  bônus  de  contratação,  concedendo­lhes  caráter  remuneratório. Fundamenta o fiscal sua autuação nas seguintes premissas:  a)  os  valores  pagos  a  título  de  vale  refeição  e  vale  alimentação  estão  em  desacordo com a legislação de regência, visto que a empresa não comprovou a sua inscrição no  Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT;  b) os valores pagos a título de Participação dos Lucros e Resultados (PLR),  também  desrespeitam  as  disposições  legais,  sendo  que  o  contribuinte  não  cumpriu  com  as  seguintes exigências:  i)  não  apresentou  a  lista  de  presença  de  empregados  que  participaram  da  Assembléia Geral dos Empregados ocorrida em 26.08.2006;  ii) o “Plano de Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa” não foi  extensivo a todos os empregados, excluindo aqueles que detinham participação societária em  qualquer outra empresa que tenha participação na contribuinte;  iii)  o  “Plano”  traz  regras  não  objetivas  do  programa  de  participação  prejudicando assim sua clareza, fazendo com que a empresa acabe por não estar vinculadas ao  que foi acordado no instrumento de negociação;  iv)  os  valores  de  participação  nos  lucros  distribuídos  em  07.2006  contemplaram empregados que foram admitidos no mesmo mês de distribuição;  v)  os  valores  distribuídos  em  02.2007  foram  discrepantes  se  confrontados  com os salários mensais recebidos por cada empregado, empregados com a mesma avaliação  receberam valores diferentes se baseados na remuneração ordinária de cada um.  Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.333          7 c)  o  valor  pago  a  título  de  bônus  de  contratação  ao  funcionário  Gabriel  Felzenszwald  possui  natureza  salarial,  visto  que  trará  de  salário  antecipado  em  retribuição  a  uma futura prestação de serviço.  4.  Inconformado,  o  recorrente  apresentou  tempestivamente  sua  impugnação  ao lançamento (fls. 437/478), aduzindo, em apertada síntese, que:  a) não subsiste  razão para que a inclusão dos valores pagos a  título de vale  alimentação  e  refeição  na  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  visto  que  a  inscrição  no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  –  PAT  é  uma  aspecto  meramente  formal, bem como que aludidos valores não possuem natureza remuneratória;  b) a autoridade atuante embasa sua pretensão em requisitos não exigidos pela  legislação  de  regência  a  PLR,  contra­argumenta  todos  os  pontos  destacados  pela  Receita,  arrimando  à  sua  impugnação  documentos  capazes  de  afastar  as  alegações  apresentadas  no  relatório fiscal;  c)  que  o  valor  pago  como  bônus  de  contratação  ao  funcionário  Gabriel  Felzenswalb não possui natureza salarial.  5. A 11ª Turma de Julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento no Rio de Janeiro houve por bem de julgar improcedente a impugnação, conforme  mencionado alhures.  6.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  (fls.  1.018/1.073),  reiterando  as  alegações  já  apresentadas  em  sede  de  impugnação,  juntando  novamente aos autos os documentos que, em seu entender, afastam as alegações constantes no  relatório fiscal.  É o relatório    Voto Vencido  Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior  DA ADMISSIBILIDADE  1. O Recurso Voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos  para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso voluntário.  DOS  VALORES  PAGOS  COMO  VALE  ALIMENTAÇÃO  E  VALE  REFEIÇÃO  2.  Como  narrado  no  relatório  fiscal,  a  empresa  disponibilizou,  conforme  previsão  em  Acordo  Coletivo  de  Trabalho,  o  benefício  da  alimentação  e  refeição  a  seus  empregados,  sem,  contudo,  ter  comprovado  a  inscrição  no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador ­ PAT.  Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   8 3. E a despeito do bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não  merece prosperar, conforme passarei a demonstrar a seguir.  4. Tenho  firmado entendimento no sentido de que o pagamento do auxílio­ alimentação  “in  natura”  não  sofre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  haja  vista  a  ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT.  5. Corroborando  o  posicionamento  ora  exposto,  tem­se  a  jurisprudência  do  Superior Tribunal de  Justiça pacificando o  entendimento no  sentido de que o pagamento  ‘in  natura’ do auxílio­alimentação não sofre a  incidência da contribuição previdenciária, por não  constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação  do Trabalhador ­ PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da  produtividade  e  eficiência  funcionais.  (Precedentes.  EREsp  603.509/CE,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJ  de  08/11/2004,  REsp  719.714/PR,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJ  de  24/04/2006).  6. Confira­se, a propósito, recente julgado da Primeira Turma deste Colendo  Tribunal, in verbis:  “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE­ALIMENTAÇÃO.  PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR ­ PAT.  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO­INCIDÊNCIA.  1.  O  valor  concedido  pelo  empregador  a  título  de  vale­ alimentação  não  se  sujeita  à  contribuição  previdenciária,  mesmo nas hipóteses  em que o  referido benefício  é pago em  dinheiro.  2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte  e  da  Excelsa  Corte,  assenta  que  o  contribuinte  é  sujeito  de  direito, e não mais objeto de tributação.  3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu  pela  inconstitucionalidade  da  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  valor  pago  em  espécie  sobre  o  vale­ transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido  caráter  indenizatório.  (STF  ­  RE  478.410/SP,  Rel.  Min.  Eros  Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010)   4.  Mutatis  mutandis,  a  empresa  oferece  o  ticket  refeição  antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir  ao  trabalho,  e  não  como  uma  base  integrativa  do  salário,  porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador  com  o  seu  empregador,  e  é  pago  como  contraprestação  pelo  trabalho efetivado.  5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílio­alimentação,  vale  dizer,  quando  a  própria  alimentação  é  fornecida  pela  empresa,  não  sofre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  por  não  possuir  natureza  salarial,  esteja  o  empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do  Trabalhador  ­  PAT,  ou  decorra  o  pagamento  de  acordo  ou  Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.334          9 convenção  coletiva  de  trabalho’  (REsp  1.180.562/RJ  (grifo  nosso)  (...)  6. Recurso especial provido.”   (STJ  ­  REsp  1185685/SP,  Rel.  Ministro  HAMILTON  CARVALHIDO,  Rel.  p/  Acórdão  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA TURMA,  julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011)  (g.n.)  7.  Salienta­se,  ainda,  que  para  firmar  esse  entendimento  faz­se  mister  a  referência  de  acórdão  cuja  relatoria  é  do  Ministro  José  Delgado  que  tratou  da  matéria  em  questão, conforme ementa abaixo transcrita:  “TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  EXECUÇÃO  FISCAL.  REFEIÇÃO  REALIZADA  NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃO­INCIDÊNCIA DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PRECEDENTES.  DÉBITOS  PARA  COM  A  SEGURIDADE  SOCIAL.  PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA  DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES.  1.  Recurso  especial  interposto  pelo  INSS  contra  acórdão  proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples  inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração  à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios;  b)  o  auxílio­alimentação  fornecido  pela  empresa  não  sofre  a  incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador  inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador ­  PAT.  Em  seu  apelo,  o  INSS  aponta  negativa  de  vigência  dos  artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80,  28,  §  9º,  da  Lei  n.  8.212/91  e  divergência  jurisprudencial.  Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não­ ocorrência  da  responsabilidade  tributária  será  do  sócio­ executado,  tendo  em  vista  a  presunção  de  legitimidade  e  certeza  da  certidão  da  dívida  ativa;  b)  é  pacífico  o  entendimento  no  STJ  de  que  o  auxílio­alimentação,  caso  seja  pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de  Alimentação  do  Trabalhador  ­  PAT,  é  salário  e  sofre  a  incidência de contribuição previdenciária.  2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou  o entendimento no sentido de que o pagamento  in natura do  auxílio­alimentação,  isto  é,  quando  a  própria  alimentação  é  fornecida  pela  empresa,  não  sofre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  por  não  constituir  natureza  salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de  Alimentação  do  Trabalhador  ­  PAT.  Com  tal  atitude,  a  empresa  planeja,  apenas,  proporcionar  o  aumento  da  Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   10 produtividade  e  eficiência  funcionais.  Precedentes.  EREsp  603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp  719.714/PR,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJ  de  24/04/2006.  3.  Constando  o  nome  do  sócio­gerente  na  certidão  de  dívida  ativa  e  tendo  ele  tido  pleno  conhecimento  do  procedimento  administrativo  e  da  execução  fiscal,  responde  solidariamente  pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer  vínculo com a obrigação.   4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa.  Ônus  da  prova  da  isenção  de  responsabilidade  que  cabe  ao  sócio­gerente.  Precedentes:  EREsp  702.232/RS,  Rel.  Min.  Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min.  Luiz Fux, DJ de 02/04/2007.  5. Recurso especial parcialmente provido.”  (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA  TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo  nosso]  8.  Inclusive,  a  argumentação  da  Fazenda  Nacional  nos  autos  acima  (REsp  977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  (PAT),  possuía  natureza  salarial  sendo,  portanto,  passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da  orientação  jurisprudencial  pacífica  do  STJ  em  sentido  contrário,  qual  seja  não  incidência  de  contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação.   9.  Diga­se,  também,  pelo  que  se  indica  nestes  casos,  que  a  concessão  da  alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não  integração  do  salário­de­contribuição  às  importâncias  recebidas  a  título  de  ganhos  expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7).  10.  Outrossim,  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda Nacional  aprovou  parecer  vinculativo em que atesta: “Não incide contribuição previdenciária quando a empresa não tem  inscrição  no  PAT”  (Parecer  n.  2117  de  10/11/2011,  Despacho  do  Ministro  de  Estado  da  Fazenda de 22/11/2011, publicado em 24/11/2011).  11.  No  mesmo  diapasão,  posicionou­se  a  Advocacia  Geral  da  União,  nos  termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de  fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido:  "Não há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  vale  transporte  pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba".  12. Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de  2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor:  “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a  título de vale transporta, mesmo que em pecúnica”  Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.335          11 13.  É  oportuno  dizer  que  as  empresas,  na  verdade,  estão  desempenhando  enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles  de menor renda. Ressalta­se que cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de  alimentação  é  penalizar  as  empresas  e  desestimular  a  colaboração  da  sociedade  na  saúde  do  trabalhador.  14. É o caso, portanto, de dar provimento ao recurso nesta parte.  DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS  15.  A  segunda  controvérsia  dos  presentes  autos  cinge­se  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  pagamentos  efetuados  pela  empresa  recorrente  a  seus  empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR).  16.  A  PLR  visa  a  disposição  das  estratégias  organizacionais  com  a  participação  dos  empregados  no  ambiente  de  trabalho,  pois  só  será  feita  a  distribuição  dos  lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta  de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona  a atração de melhores resultados, regulada pela lei 10.101/2000.  17.  Como  é  cediço,  a Constituição  Federal  de  1988,  no  inc. XI  do  art.  7º,  incluiu  entre  os  direitos  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  a  participação  nos  lucros  ou  resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a  sua  desvinculação  da  remuneração  percebida  pelo  empregado,  de  acordo  com  os  critérios  legais. Eis o teor do dispositivo:  “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além  de outros que visam à melhoria de sua condição social:  XI  ­  participação nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada da  remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da  empresa, conforme definido em lei.”  18. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, §  9º,  "j"`,  condicionou  a  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  ao  atendimento  dos  critérios fixados em lei específica:  “Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição: (...)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta Lei,  exclusivamente: (...)  j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga  ou creditada de acordo com lei específica;”  19. Deste modo, para que uma empresa possa  efetuar pagamentos  aos  seus  funcionários  do  referido  benefício,  são  necessários  que  se  preencham  alguns  requisitos  mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000:   “Art.2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação entre  a  empresa  e  seus  empregados, mediante  um dos  procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum  acordo:  Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   12 I  ­  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  § 1º Dos  instrumentos decorrentes da negociação deverão constar  regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos  para  revisão  do  acordo,  podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes critérios e condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.”  20.  Posta  a  norma  resta  saber  se  o  procedimento  adotado  pela  empresa  afrontou ou não tal regulamentação.  21.  Consoante  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal,  o  exercício  do  direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo  para  regulamentá­lo,  diante  da  imperativa  necessidade  de  integração”.  (RE  398284,  Relator  Min.  Menezes  Direito,  Primeira  Turma,  julgado  em  23/09/2008).  A  seu  turno,  a  regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”,  posteriormente  convertida  na  Lei  10.101/00.  (RE  393764  AgR,  Rel.  Min.  Ellen  Gracie,  Segunda Turma, julgado em 25/11/2008).  22.  É  dizer:  a  não  incidência  da  contribuição  social  previdenciária  está  adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa,  pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma  vez  descaracterizado  o  benefício,  as  quantias  em  comento  pagas  pelo  empregador  a  seus  empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas.  23. Considerando que  as Convenções Coletivas  de Trabalho,  bem como os  demais  documentos  carreados  aos  autos  demonstram  a  existência  de  um  programa  de  participação nos lucros ou resultados na empresa, com o acompanhamento dos trabalhadores, a  base  procedimental  trazida  pelo  contribuinte  na  distribuição  dos  lucros  é  suficiente  para  o  cumprimento das formalidades legais (ff. 338 a 430).  24.  O  acórdão  recorrido  deixou  de  considerar  o  programa  de  PLR  da  recorrente,  ao  argumento  de que  não  foram  atendidas  todas  as  exigências  legais,  apontando,  contudo, diversos  requisitos que não possuem previsão  legal. Não obstante  isso, a  recorrente  em  suas  razões  recursais  contra­argumentou  todas  as  ponderações  da  fiscalização,  anexando  em seu recurso voluntário a documentação para afastar a pretensão fazendária, conforme passo  agora a demonstrar com mais clareza:  a) Da Participação dos Empregados na Negociação dos Planos de PLR  25.  Compulsando  os  autos,  pode­se  vislumbrar  que  os  interesses  dos  trabalhadores  jamais  deixaram de  ser  tutelados ou defendidos,  não  faltando,  em nenhum dos  instrumentos celebrados pela Recorrente, chancela aos direitos de seus empregados através do  Sindicato competente.  Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.336          13 26. No que se refere especificamente ao Plano de PLR para o ano­calendário  2006, a recorrente trouxe aos autos documentos que demonstram sua legalidade:  i) O Edital  de Convocação  dos Empregados  para  discussão  da  proposta  de  PLR, eleição da comissão de empregados e autorização para a Diretoria do Sindicato celebrar o  termo de PLR, datado de 10 de junho de 2006 (f. 1.136); e  ii) A Ata da Assembleia Geral Extraordinária de Empregados,  realizada  no  dia 28 de junho de 2006, na qual foi eleita a Comissão de Empregados para a negociação do  plano de PLR e após a discussão e avaliação do referido plano, este foi aprovado (f. 1.138).  27. Assim, resta claro que foram conferidos aos empregados amplos poderes  de  participação  e  discussão  durante  a  elaboração  do  programa  de  pagamento  de  PLR,  inexistindo  qualquer macula  de  representatividade  destes,  podendo­se  extrair  a  conclusão  de  que os planos de PLR  elaborados pela Recorrente  tiveram ou a participação de  comissão de  empregados,  eleita  por  estes  para  representá­los  em  sua  elaboração,  com  a  chancela  do  Sindicato, ou decorreram de acordo coletivo.  28. Não  obstante  isso,  a  argumentação  da  fiscalização  de  que  não  houve  a  apresentação por parte da recorrente da lista de presença dos empregados que participaram da  Assembléia  Geral  Extraordinária  para  o  plano  de  PLR  de  2006  não  pode  prosperar.  Ora,  a  manutenção de lista de presença de empregados em assembleia não é requisito exigido pela Lei  nº 10.101/00, não podendo, por consectário, tal fato afastar a legalidade do PLR.  29. Ademais,  conforme demonstrou  a  recorrente  em sua peça de  recurso,  o  plano  de PLR  foi  assinado  pela  totalidade  de  seus  funcionários,  o  que  tornou  despiciendo  a  elaboração de  lista de presença, afastando, assim, a frívola argumentação em que se baseia a  fiscalização.  b) Da Correta Abrangência do Plano  30.  A  Autoridade  Fiscal  Lançadora,  ao  analisar  o  Plano  de  PLR  do  ano­ calendário de 2 00 61  interpretou erroneamente a cláusula de elegibilidade ao pagamento, ao  entender que sua previsão acabou por não abranger todos os funcionários no plano.  31.  Ora,  analisando  os  requisitos  estabelecidos  pela  Lei  n°  10.101/00,  verifica­se que  inexiste  esta  exigência. Nesse  sentido, manifestou­se  recentemente  a COSIT,  por meio da Nota Cosit n° 426 de 2 de dezembro de 2011, que assim dispõe:  “ (...)  Quanto  à  necessidade  de  que  a  PLR  seja  instituída  para  todos  os  empregados,  para  efeito  da  dispensa  da  contribuição  previdenciária,  a  Lei  no  10.101,  de  2000,  e  a  alínea  "j"  do  §  9°  do  art.  28  da  Lei  n°  8.212,  de  1991, não estabelecem essa exigência.  Portanto,  em  tese,  a  empresa  não  descumpre  a  lei  quando  oferece  a  PLR  para  um  grupo  de  empregados  de  determinado  setor  estratégico,  por  exemplo, no intuito de incentivar a melhor do seu desempenho.  Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   14 Ademais,  muitas  empresas  atuam  em  atividades  com  empregados  de  categorias profissionais diversas e, por isso mesmo, têm seus direitos regidos  por  instrumentos  coletivos  por  regras  diversas  (inciso  III  do  art.  613  da  CLT). Nesses casos, o tratamento diferenciado está justificado.  (...)”    32. Este posicionamento já foi assentado por esse Conselho Administrativo,  no  Processo  n.35366.001102/2004­10,  de  relatoria  da  eminente  Conselheira  Ana  Maria  Bandeira, com a seguinte ementa:  “PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  NFLD  SALÁRIO  INDIRETO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  OBSERVÂNCIA  DA  LEGISLAÇÃO  REGULAMENTADORA.  I  ­  A  discussão  em  torno  da  tributação da PLR não cinge­se em infirmar se esta seria ou não vinculada a  remuneração, até porque o  texto constitucional expressamente diz que não,  mas  sim  em  verificar  se  as  verbas  pagas  correspondem  efetivamente  a  distribuição de  lucros;  II  ­ Para a alínea “j” do § 9º do art.  28 da Lei nº  8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros  que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma  que  apenas  a  afronta  aos  critérios  ali  estabelecidos,  desqualifica  o  pagamento, tornando­o mera verba paga em decorrência de um contrato de  trabalho,  representando  remuneração  para  fins  previdenciários;  III  ­  Os  instrumentos  de  negociação  devem  adotar  regras  claras  e  objetivas,  de  forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o  direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros;  IV ­ A legislação regulamentadora da PLR não exige que a distribuição de  lucros  deva,  necessariamente,  ser  dirigida  a  totalidade  dos  empregados,  exigência essa que não pode advir da interpretação subjetiva de quem aplica  a legislação.”  33. Assim, não me parece crível que se possa afastar a  legalidade do plano  sob este argumento, mormente porque ao excluir da abrangência do plano aqueles funcionários  que  figuram como  sócios  das  empresas  que  controlam  a  recorrente  é,  na  verdade,  garantir  a  efetividade  da  PLR,  visto  que,  se  assim,  não  fosse,  aludidos  funcionários  gozariam  da  lucratividade da empresa em duas oportunidades.  c) Não Houve Pagamento a Empregados Recém Contratados  34. O auditor fiscal entendeu que alguns pagamentos realizados sob o amparo  do Plano PLR 2006, foram realizados em desacordo com o disposto no próprio plano, uma vez  que foram feitos para funcionários recém­contratados.  35.  Todavia,  diferentemente  do  que  alegado  pela  autoridade  lançadora,  os  funcionários Alan Gurfinkel Haratz, Esteban Fornasar  e  Luciana Aranha Alves Barreto,  não  foram recém­contratados pela Recorrente, mas eram funcionários de longa data do grupo que  tinham acabado de ser transferidos para o quadro de funcionários da Recorrente.  36. Com o escopo de comprovas suas alegações, a recorrente trouxe aos autos  os contratos de trabalho dos mencionados funcionários (ff. 1.267/1.285), demonstrando que os  funcionários  em  comento,  em  observância  ao  princípio  da  unicidade  contratual  que  rege  as  Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.337          15 transferências de funcionários ocorridas entre empresas do mesmo grupo econômico, possuíam  sim o prazo necessário para  recebimento do pagamento de PLR pela Recorrente, dado que o  seus contratos de trabalho continuam sendo os mesmos.  37.  Não  há  que  se  falar  em  um  novo  contrato  de  trabalho,  não  havendo  rescisão do contrato anterior. Os funcionários em questão somente foram transferidos dentro de  empresas do mesmo grupo, sendo que os contratos de trabalho destes funcionários continuam  sendo os mesmos, tanto para fins trabalhistas como previdenciários.  38. Obstar que aludidos funcionários percebessem os valores relativos à PLR  estar­se­ia discriminando­os em face dos demais do mesmo grupo empresarial, pois não fariam  jus ao recebimento de PLR da empresa em que anteriormente prestavam serviços, tampouco na  empresa que agora prestam serviços, desrespeitando, assim, os basilar princípio da isonomia.  39.  Observa­se,  destarte,  que  neste  ponto  as  alegações  da  autoridade  fazendária  não  podem  prosperar,  não  havendo  qualquer  razão  para  afastar  a  legalidade  dos  planos apresentados.  d) Da Existência dos Requisitos Necessários para a Validação dos Planos  de PLR Apresentados  40. Neste  tópico,  também,  não  vejo  como dar  abrigo  à  solução  adotada  no  julgamento de origem. Entendo que as exigências pontuadas pela fiscalização são minguadas  de qualquer previsão legal, sendo que não cabe à fiscalização criar requisitos que não aqueles  expressos  em  lei para a configuração da PLR. Nesse  sentido  já se posicionou a 2ª Turma da  Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, no acórdão nº 9202­00.503, de relatoria  do Conselheiro Elias Sampaio Freire, que aqui peço vênia para transcrever parte de seu voto:  “Se  por  um  lado  cabe  ao  fisco  verificar  se  os  requisitos  legalmente  estabelecidos estão sendo cumpridos pela empresa, por outro lado é defeso a  este mesmo fisco exigir requisitos desprovidos de previsão legal.  Peço vênia ao ilustre conselheiro Rycardo Oliveira para transcrever excerto  de  voto  da  sua  relatoria,  condutos  do  Acórdão  nº  2401­00.828,  de  3  de  dezembro  de  209,  que  de  forma  direta  expões  que  não  cabe  a  autoridade  fiscal  atribuir  requisitos  ou  condições  que  não  estejam  contidas  nos  dispositivos legais disciplinadores da Participação de Lucros ou Resultados  do empregador, in verbis:  ‘Nessa  esteira  de  entendimento,  é  de  fácil  conclusão  que  as  importâncias  pagas  aos  segurados  empregados  intituladas  de  PLR  somente  sofrerão  incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos  requisitos  legais de aludida verba. Melhor  elucidando, a  tributação não  se  dá  sobre  o  valor  da  PLR,  mas,  tão  somente,  quando  assim  não  estar  caracterizada.  Por  sua  vez  a  interpretação  do  caso  concreto  deve  ser  levada  a  efeito  de  forma objetiva,  nos  limites  da  legislação  específica. Em outras  palavras,  a  autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os  pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente,  a  atribuição  de  requisitos/condições  que  não  estejam  contidos  nos  Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   16 dispositivos  legais  que  regulamentam  a  matéria,  a  partir  de  meras  subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam  dos autos, sob pena, inclusive de afronta ao Princípio da Legalidade.”     41. Ressalto, outrossim, que, a estrutura montada pela empresa é satisfatória  para  determinar  a  natureza  dos  pagamentos  excluindo­os  da  base  de  cálculo  do  tributo.  A  preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito  do trabalhador.  42.  Deve­se  verificar,  portanto,  a  existência  de  um  procedimento  bilateral,  firmado entre empregadores e empregados, a fim de delinear uma estrutura normativa interna  com o escopo de dar a máxima efetividade ao texto constitucional (art. 7º, inc. XI da CF/88). A  jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é neste sentido, verbis:  “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  CARACTERIZAÇÃO.  MATÉRIA  FÁTICO­ PROBATÓRIA.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA  07/STJ.  PROCESSO  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ.  1.  A  isenção  fiscal  sobre  os  valores  creditados  a  título  de  participação nos  lucros ou  resultados pressupõe a observância da  legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91.  2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e  3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e  2º, MP 1.539­34/ 1997; art. 2º, MP 1.698­46/1998; art. 2º, da Lei  n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser  suscitados  pelo  INSS  por  notória  carência  de  interesse  recursal,  máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição  sobre  participação  nos  lucros,  mercê  tratar­se  de  benefício  constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX).  3. A evolução  legislativa da participação nos  lucros ou resultados  destaca­se  pela  necessidade  de  observação  da  livre  negociação  entre  os  empregados  e  a  empresa  para  a  fixação  dos  termos  da  participação nos resultados.  4.  A  intervenção  do  sindicato  na  negociação  tem  por  finalidade  tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo  de  participação  nos  resultados;  fixação  de  resultados  atingíveis  e  que  não  causem  riscos  à  saúde  ou  à  segurança  para  serem  alcançados;  determinação  de  índices  gerais  e  individuais  de  participação, entre outros.  5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos  termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento  na participação dos lucros na forma acordada.  6.  A  ausência  de  homologação  de  acordo  no  sindicato,  por  si  só,  não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar  a incidência da contribuição previdenciária.  [...]  Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.338          17 8.  In  casu,  o  Tribunal  local  afastou  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  verba  percebida  a  título  de  participação  nos  lucros  da  empresa,  em  virtude  da  existência  de  provas  acerca  da  existência  e  manutenção  de  programa  espontâneo  de  efetiva  participação nos  lucros  da  empresa  por  parte  dos  empregados  no  período  pleiteado,  vale  dizer,  à  luz  do  contexto  fático­probatório  engendrado  nos  autos,  consoante  se  infere  do  voto  condutor  do  acórdão hostilizado,  verbis:  "Embora  com alterações  ao  longo do  período,  as  linhas  gerais  da  participação  nos  resultados,  estabelecidas  na  legislação,  podem  ser  assim  resumidas:  a)  deve  funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho,  mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e  estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade  de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos  de aferição dos resultados.  [...]  Comparando­se  o  PPR  da  autora  com  as  linhas  gerais  antes  definidas,  bem  como  com  os  demais  requisitos  legais,  verifica­se  que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos  como  participação  nos  resultados.  Desse  modo,  estão  isentos  da  contribuição  patronal  sobre  a  folha  de  salários,  de  acordo  com o  disposto  no  art.  28,  §  9.º,  alínea  "j",  da  Lei  n.º  8.212/91".  (fls.  596/597)   9.  Precedentes:  AgRg  no  REsp  1180167/RS,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  TURMA,  DJe  07/06/2010;  AgRg  no  REsp  675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008;  AgRg  no  Ag  733.398/RS,  Rel.  Ministro  JOÃO  OTÁVIO  DE  NORONHA,  DJ  25/04/2007;  REsp  675.433/RS,  Rel.  Ministra  DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006;  10. Recurso especial não conhecido” [g.n.] (REsp 865.489/RS, Rel.  Ministro Luiz Fux, DJe 24/11/2010).  43. Na decisão exarada pelo Augusto Superior Tribunal de  Justiça,  e acima  transcrita, merece  especial  destaque  o  posicionamento  adotado  pelo  relator,  o Ministro  Luis  Fux,  que  defendeu,  com  a  mestria  que  lhe  é  peculiar,  que  o  não  atendimento  a  todas  as  exigências disposta na Lei nº 10.101/2000, uma vez não afetando a natureza dos pagamentos,  não é por si só motivos para a tributação sobre a PLR. Assim, mais uma vez peço vênia para  trazer parte do voto do eminente Ministro:  “Destarte,  a  evolução  legislativa  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  destaca­se  pela  necessidade  de  observação  da  livre  negociação  entre  os  empregados  e  a  empresa  para  a  fixação  dos  termos  da  participação  nos  resultados.  Não obstante, conforme bem destacou a Corte de Origem, a intervenção do  sindicato  na  negociação  tem  por  finalidade  tutelar  os  interesses  dos  empregados,  tais  como  definição  do modo  de  participação  nos  resultados;  fixação  de  resultados  atingíveis  e  que  não  causem  riscos  à  saúde  ou  à  segurança  para  serem  alcançados;  determinação  de  índices  gerais  e  individuais de participação, entre outros. Vale dizer, o registro do acordo no  Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   18 sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando  a exigência do cumprimento na forma acordada.  O  desrespeito  a  tais  exigências  afeta  os  trabalhadores,  que  poderiam,  eventualmente, ser prejudicados numa negociação desassistida, não obtendo  tudo aquilo que alcançariam com a presença de um terceiro não vulnerado  pela relação de emprego.  Com efeito, atendidos os demais requisitos da legislação que tornem possível  a  caracterização  dos  pagamentos  como  participação  nos  resultados,  a  ausência de intervenção do sindicato nas negociações e a falta de registro do  acordo apenas afastam a vinculação dos empregados aos termos do acordo,  podendo rediscuti­los novamente.  Deveras,  mencionadas  irregularidades  não  afetam  a  natureza  dos  pagamentos,  que  continuam  sendo  participação  nos  resultados:  podem  interferir,  tão­somente,  na  forma  de  participação  e  no  montante  a  ser  distribuído, fatos irrelevantes para a tributação sobre a folha de salários.  In casu, o Tribunal a quo firmou entendimento no sentido de que a natureza  dos  pagamentos  aos  empregados  restou  preservada  e  caracterizada  como  participação nos resultados, que não integra a remuneração e, por isso, não  incide contribuição previdenciária.”  44. Ora, analisando toda a documentação acostada pela recorrente, observa­se  que  esta praticou  todos  os  atos que  estavam ao  seu  alcance para  atender os  requisitos  legais  necessários  ao  regular pagamento de PLR, demonstrando boa­fé no pagamento das  referidas  verbas  aos  seus  empregados,  não  susbsistindo,  assim,  os  argumentos  em  que  se  pautou  o  acórdão  a  quo.  Ademais,  os  planos  de  PLR  elaborados  pela  recorrente  tiveram  ou  a  participação  de  comissão  de  empregados,  eleita  por  estes  para  representá­los  em  sua  elaboração, com a chancela do Sindicato, ou decorreram de acordo coletivo, demonstrando a  bilateralidade dos mesmo.  45. Urge ressaltar, outrossim, que a regulamentação normativa tem o escopo  de  proteger  o  trabalhador,  para  que  sua  participação  nos  lucros  se  efetive.  Assim,  pode­se  concluir que os documentos trazidos aos autos indicam que houve uma negociação prévia entre  as partes, que possuem o condão de retificar a autuação fiscal (ff. 338 a 430).  46.  Por  fim,  restando  caracterizado  a  natureza  do  pagamento  como  a  participação  nos  lucros,  eventuais  requisitos  não  observados  não  possuem  o  condão  de  descaracterizá­la, sendo irrelevantes para a tributação. O fisco deve ater­se á natureza da verba  e se esta atinge o seu fim, como corretamente atingiu no caso em apreço.  47. Diante desses elementos, deve ser provido o recurso neste tópico, com a  invalidação da exação lançada sobre a distribuição dos lucros e resultados para os empregados  da recorrente.  DO BÔNUS CONTRATAÇÃO  48. A última incidência refere­se ao valor pago como bônus de contratação ao  funcionário Gabriel Felzenswalb. Ora, o bônus de contratação (hiring bonus) ou luvas, usual,  sobretudo, nos Estados Unidos, Canadá e Europa, é um procedimento lícito e regular, utilizado  pelas  empresas,  numa  conjuntura  elevadamente  competitiva,  com  o  precípuo  escopo  de  possibilitar­lhes a contratação de profissionais muito disputados no mercado.  Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.339          19 49.  Os  agentes  econômicos,  em  nossa  economia  de  mercado,  têm  a  autonomia para agir no cenário jurídico, sob a proteção da Constituição Federal, e as garantias  que dela decorrem, com base em seus fundamentos insculpidos em seu art. 1º.  50.  O  pagamento  do  valor  avençado  entre  as  partes,  em  negócio  jurídico  válido, sob a égide do Direito Civil, entre agentes capazes, com objeto  lícito e realizado sob  forma não prescrita em lei, encontra pleno reconhecimento em nosso ordenamento jurídico, nos  termos do art. 104 do Código Civil.  51.  O  valor  entregue  pelo  Recorrente  ao  futuro  funcionário  serve­lhe  de  atrativo, sem o qual, por certo, continuaria a procurar no mercado, por melhores oportunidades  profissionais,  aproveitando­se  do  cabedal  de  conhecimentos  científicos,  técnicos  e  de  sua  experiência  anterior  na  atividade  para  a  qual  virá  a  ser  contratado. De  verba  trabalhista  por  certo  não  se  trata,  pois  ao  ensejo  de  seu  pagamento  não  há  contrato  individual  de  trabalho  firmado, não houve qualquer prestação laboral subordinada, inocorrendo, portanto, a subsunção  às normas protetivas do Direito do Trabalho e, por consequência, da Previdência Social.  52. Trata­se o hiring bonus ou sign­on bonus de uma soma em dinheiro que a  empresa  oferece,  normalmente  como  atrativo  que  precede  a  contratação,  em  detrimento  do  emprego anterior do profissional que, por muitas vezes, opta pelo novo emprego, ainda que no  anterior obtivesse maiores garantias face ao tempo já trabalhado e à confiança conquistada.  53. No universo corporativo, o pagamento do bônus de contratação, luvas ou  hiring  bonus,  é  uma  prática  constante,  porque  há,  no  mercado,  poucos  profissionais  com  o  perfil altamente especializado desejado pelas empresas. Dessa forma, o hiring bonus pode fazer  toda a diferença numa negociação, já que no ramo empresarial praticamente não há diferença  entre os salários dos executivos de alto escalão.  54. Esse negócio jurídico só se efetiva entre grandes empresas e pessoas de  preparo  intelectual  diferenciado  por  sua  formação,  por  sua perfomance,  por  seu  reconhecido  mérito  no  mundo  empresarial,  longe  de  serem  os  hipossuficientes  históricos  do  Direito  do  Trabalho.  55.  Ora,  o  bônus  de  contratação  é  um  moderno  fenômeno  contratual,  relativamente  recente  no  Brasil,  ao  qual  não  estão  afeitos  os  operadores  do  direito  e,  infelizmente,  ainda,  a  literatura  é  rara  a  respeito  do  tema,  cujo  conceito  está  em  elaboração  doutrinária,  sendo  necessário,  muitas  vezes,  abeberarmos  do  direito  alienígena  para  a  sua  conceituação.  56. Em apertado escorço, pode­se afirmar que desse ajuste civil, resulta para  o futuro empregado um atrativo à contratação, como compensação pela perda da estabilidade  alcançada no emprego anterior e pelo risco que o profissional se expõe lançando­se a um novo  desafio.  Não  obstante  isso,  o  hiring  bonus  possui  o  escopo  de  compensar  eventuais  verbas  indenizatórias que tal profissional deixa de receber ao se desligar voluntariamente da empresa  anterior.  57. Não se há, ainda, de confundir o bônus de contratação com os valores a  serem pagos a contribuintes individuais, pois para estes a incidência é decorrente da prestação  de  serviço que  à  empresa  aproveita,  enquanto que o  atrativo de  contratação é oferecido  sem  qualquer relação de serviço prestado, até porque, como já restou demonstrado alhures, o bônus  Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   20 é pago antes do início da relação empregatícia. Ora, não existindo o objeto da efetiva prestação,  por consectário lógico, não persistirá qualquer supedâneo para a exação fiscal.  58.  Outrossim,  o  próprio  relatório  fiscal  afirma  que:  “tratando­se  de  um  salário antecipado em retribuição a uma futura prestação de serviço” (f. 35)  59.  Insta  ressaltar,  igualmente,  que  tributar  o  bônus  de  contratação  é,  na  verdade, obstaculizar as empresas nacionais na busca pelos profissionais mais capacitados do  mercado,  mormente  porque  tal  prática  já  é  deveras  utilizada  por  empresas  estrangeiras  que  buscam  hodiernamente  novos  experts  dentro  do  mercado  brasileiro.  Ademais,  ao  onerar  a  contratação  de  empregados  especializados  estar­se­ia  prejudicando  os  próprios  funcionários,  que  dispenderam  anos  e  dinheiro  na  árdua  busca  da  excelência  profissional,  o  que,  como  é  cediço, desconfigura os próprios objetivos da Previdência Social.  60.  Destarte,  por  sua  evidência,  não  há  qualquer  relação  direta  ou  indireta  desse  pagamento  feito  ao  futuro  funcionário  com  os  riscos  sociais  cobertos  pelo  sistema  de  seguridade social.  61.  Pelo  fato  de  não  haver  previsão  legal  sobre  pagamento  do  bônus  de  contratação (hiring bonus) não se pode chegar à ilação equivocada, de viés arrecadatório, que  esse  valor  deve  integrar  o  salário­de­contribuição  e  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  da  empresa.  É  o  próprio  Estatuto  Supremo  quem  define  como  limitação  ao  poder  de  tributar  (art.  150,  1).  A  regra  máxima:  é  vedado  exigir  tributo  sem  que  lei  o  estabeleça.  62.  A  Constituição  Federal  obstaculiza  de  modo  inarredável  esse  procedimento  da  Previdência  Social,  ao  dispor  em  seu  art.  5º,  inciso  II,  que  “ninguém  será  obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.  63. Em se tratando de tributo, acresce a presença do princípio da legalidade  restrita, também prescrito na Carta Magna:  Art.  150­  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte,  é  vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:   I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça.  64.  O  pagamento  de  bônus  de  contratação  não  se  enquadra  na  hipótese  descritiva  do  art.  22,  I,  da  Lei  8.121/91,  pois,  como  já  amplamente  demonstrado,  de  empregados  não  se  tratava,  já  que  o  pagamento  foi  efetuado  antes  da  vigência  de  qualquer  relação  laboral,  e,  tampouco,  de  trabalhadores  avulsos,  visto  que  prestação  de  serviço  nunca  houve.  65. A natureza jurídica desse bônus que antecede o contrato de trabalho ainda  não alcançou sua elaboração científico­doutrinária, pois alguns especialistas consideram­no ora  indenização,  ora  abono,  mas  nunca  remuneração,  pois:  a)  não  é  contraprestação  patronal  a  trabalhos prestados por empregado; b) é pago uma única vez, sob condição resolutiva, pois se  houver descumprimento do prazo de permanência, poderá ocorrer devolução total ou parcial; c)  não é ganho habitual e, sobretudo, d) não tem previsão legal para considerá­lo remuneração e  tributável para fins previdenciários.  66.  O  Augusto  Tribunal  Superior  do  Trabalho,  ao  analisar  caso  em  que  o  empregado  requeria  a  integração  do  valor  recebido  a  título  de  bônus  de  contratação  (hiring  bonus) às verbas salariais e rescisórias, sotrancou o entendimento do caráter  indenizatório de  Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.340          21 tal  verba.  Assim,  especial  destaque  merece  o  voto  do  Eminente  Ministro  Alberto  Luiz  Bresciani de Fontan Pereira, no Recurso de Revista n. 907/2003­072­02­00.2, que foi  lapidar  ao destrinçar o tema:  "Manifesta  o  Reclamante  inconformismo  com  a  r.  sentença  de  origem,  no  tocante  à  integração  do  'hiring  bonus'  como  parte  integrante  do  salário.  Argumenta que o valor pago a título de 'luvas' somente foi disponibilizado ao  recorrente em oito parcelas ao longo de seu pacto laboral (doc. 41) e que o  fato de estar condicionado à devolução na hipótese de pedido de demissão  ou dispensa por justa causa caracteriza ainda mais a sua natureza salarial.   Mais uma vez, sem razão o recorrente.   Trata­se o 'hiring bonus' ou 'sign­on bonus' de uma soma em dinheiro que a  empresa oferece, normalmente  como atrativo à contratação, em detrimento  do  emprego anterior do profissional que,  por muitas  vezes,  opta pelo novo  emprego, ainda que no anterior obtivesse maiores garantias face ao tempo já  trabalhado e à confiança conquistada.   No universo corporativo, o pagamento do bônus de contratação,  'luvas' ou  'hiring  bonus',  é  uma  prática  constante,  porque  há,  no  mercado,  poucos  profissionais com o perfil altamente especializado desejado pelas empresas.  Dessa forma, o 'hiring bonus' pode fazer toda a diferença numa negociação,  já que no ramo empresarial praticamente não há diferença entre os salários  dos executivos de alto escalão.   Desse  modo,  considerando  que  a  parcela  de  R$400.000,00  (quatrocentos  mil reais) foi condição de contratação, ainda que paga em parcelas, não há  amparo  legal  a  justificar  sua  integração  ao  salário,  não  se  inserindo  no  conceito de remuneração estabelecido pelo artigo 457 da CLT. Somente  se  entende  que  o  'bônus'  corresponda  ao  conceito  de  'gratificação  ajustada',  possuindo natureza de  verba  salarial,  se  verificada a habitualidade da  sua  concessão, o que não se constata na hipótese em exame.  Nada modifico."    67. Saliente, ainda, que esta Turma já apreciou matéria análoga, no Processo  nº  16327.720643/2011­91,  de  relatoria  do  ilustre  conselheiro  Adriano  González  Silvério,  deixando assentado que não incide contribuições previdenciárias sobre os valores pagos como  bônus  de  contratação,  conforme  se  observa  do  trecho  extraído  do  voto  do  respeitável  conselheiro.  “Ademais,  investigando  a  natureza  jurídica  do  bônus  de  contratação  ou  hiring  bônus  nota­se  que  se  trata  de  expediente  muito  utilizado  no  meio  corporativo para atrair profissionais especializados e reconhecidos, por suas  qualidades,  no  mercado  de  trabalho  e  sem  dúvida,  uma  indenização  ao  segurado que rompe o seu contrato de trabalho anterior e não receberá as  verbas  indenizatórias  a  que  teria  direito,  previstas  no  artigo  477  da  CLT,  tampouco eventual participação nos lucros ou resultados.  Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   22 Nesse sentido o precedente abaixo do Tribunal Superior do Trabalho, que em  caso análogo, entendeu que o bônus de contratação não assume as feições de  remuneração:  RECURSO  DE  REVISTA.  1.  CONTRATO  POR  PRAZO  DETERMINADO.  INDENIZAÇÃO.  O  recurso  de  revista  se  concentra na avaliação do direito posto em discussão. Assim, em  tal  via,  já  não  são  revolvidos  fatos  e  provas,  campo  em  que  remanesce  soberana  a  instância  regional.  Diante  de  tal  peculiaridade,  o  deslinde  do  apelo  considerará  apenas  a  realidade  que  o  acórdão  atacado  revelar.  Esta  é  a  inteligência  das  Súmulas  126  e  297  do  TST.  Recurso  de  revista  não  conhecido.  2.  BONUS.  INTEGRAÇÃO  AO  SALÁRIO.  Não  verificada a habitualidade no pagamento do bônus,  tampouco o  seu  recebimento  em  decorrência  do  labor  a  ser  desenvolvido,  mas como incentivo à contratação, não se faz potencial a ofensa  ao art. 457, § 1º, da CLT. Por sua vez, arestos em desacordo com  o art.  896,  "a",  da CLT ou  inespecíficos  (Súmula 296/TST) não  impulsionam  o  recurso  de  revista.  Recurso  de  revista  não  conhecido.(PROCESSO Nº TSTRR907/20030720200.2)  Pelo  exposto,  entendo  que  os  valores  aqui  pagos  a  título  de  bônus  de  contratação  não  devem  sofrer  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91.”  68. Em síntese e conclusivamente: o bônus de contratação (hiring bonus) não  tem  natureza  jurídica  remuneratória  e  não  integra  o  salário­de­contribuição  do  empregado,  independente  da  nomenclatura  conferida  pelo  contribuinte,  razão  pela  qual  não  necessita  constar  na  folha  de  pagamento  mensal,  pois  é  adimplido  antes  da  contratação,  mediante  promessa  formal  de  sua  ocorrência  e  duração  na  empresa. Assim,  também  neste  tópico  não  assiste razão ao fisco, devendo o crédito ser exonerado em sua totalidade.  69.  Pelo  exposto,  entendo  que  os  valores  aqui  pagos  a  título  de  bônus  de  contratação não  sofrem  a  incidência da contribuição previdenciária prevista no  inciso  III,  do  artigo 22, da Lei 8.212/91.  CONCLUSÃO  70. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário  e, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO, com o desiderato de exonerar o crédito tributário em  sua totalidade.    Manoel Coelho Arruda Júnior ­ Relator ad hoc apenas para formalização  Voto Vencedor  Conselheira Bernadete de Oliveira Barros  Permito­me divergir do entendimento manifestado pelo Conselheiro Relator,  em relação ao PLR, pelas razões a seguir expostas.  Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.341          23 O Conselheiro vota por dar provimento ao recurso por entender que a parcela  a título de Participação nos Lucros e Resultados foi paga em consonância com o estabelecido  na Lei 10.101/2000 e não integra, portanto, o salário de contribuição.  Sustenta a tese de que as regras estipuladas pela Lei 10.101/2000 devem ser  postas  com  vistas  a  preservar  os  direitos  do  empregado,  observando  o  princípio  da  razoabilidade, de maneira que meras irregularidades não desnaturem o benefício.  Porém,  a  fiscalização  observou  que  a  recorrente  descumpriu  a  legislação  específica que trata da matéria.  E o que irá afastar as verbas pagas a título de PLR da incidência tributária é a  estreita observância à legislação específica que trata da matéria.   A  fiscalização  constatou  que  o  sindicato  não  integrou  a  comissão  que  negociou e elaborou os termos do acordo que criou o PLR da empresa pago em 10/2007.  A Lei 10.101/00 estabelece, em seu art. 2o, na redação vigente à época, que:  Art.2oA  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I­comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  O inciso  I,  transcrito acima, estabelece, de forma cristalina, que o  sindicato  deveria integrar a comissão escolhida pelas partes.  Assim, entendo que a não participação do sindicato nas negociações do PLR  da empresa implica descumprimento o dispositivo legal transcrito acima.  Tal  entendimento  encontra  esteio  no  Supremo  Tribunal  Federal  que  já  se  pronunciou no sentido de que a negociação requerida para fins da PLR é coletiva, não sendo  prescindível a participação do sindicato, consoante ADIn nº 1.361­1 ­DTF – TRT 3ª R., 1ª T.,  RO nº 8.610/96, Rel. Mônica S. Lopes, DJMG 12/10/96, p. 5.  Dessa forma, conclui­se que a PLR da recorrente foi paga em desacordo com  a Lei 10.101/00, devendo, por esse motivo, integrar o salário de contribuição.  O outro motivo apontado pela  fiscalização  foi a ausência de regras claras e  objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e das regras adjetivas  O  documento  apresentado  não  esclarece  qual  a  regra  ou  o  critério  para  escolha  do  percentual,  ficando  a  cargo  do  empregador  a  sua  fixação,  como  também  não  informa em que ocasiões esse percentual pode ser ultrapassado.  Da mesma forma, o documento da PLR não define o percentual do lucro a ser  distribuído aos empregados.  Portanto, restou demonstrado que o acordo não foi claro quanto ao valor da  premiação,  uma  vez  que,  ao  estabelecer  que  o  percentual  máximo  pode  ser  superior  a  um  Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR   24 percentual  estipulado,  dá margem  a  diversas  interpretações  quanto  ao  direito  substantivo  do  trabalhador.  Ou  seja,  os  trabalhadores  da  recorrente  não  sabiam  previamente  qual  percentual iriam receber, ou qual meta teria que atingir para receber certa quantia.  Outro  documento  fixa  as  notas  da  avaliação  dos  empregados,  sendo  que  a  revisão final dessas avaliações será feita por comitê indicado pela diretoria da própria empresa.  E,  apesar  de  intimada  por  meio  dos  TIFs,  a  recorrente  não  apresentou  os  instrumentos de aferição das metas, correlacionando os valores pagos a cada empregado com  as suas respectivas aferições.  Dessa forma, a empresa descumpriu o disposto no parágrafo primeiro do art.  2o, da Lei 10.101/00, ao deixar de fazer constar, no acordo pactuado, regras claras e objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação,  bem  como  os  mecanismos  de  aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado.  E  como  a  alínea  “j”,  do  §  9º,  do  art.  28  da  Lei  8.212/91,  isenta  de  contribuição  apenas  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  quando  paga  ou  creditada de acordo com a lei específica, a referida verba, paga pela recorrente em desacordo  com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição.  Portanto, em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verifica­se que  os  pagamentos  em  tela  realmente  se  a  amoldam  ao  figurino  legal  que  delimita  a  base­de­ cálculo  da  contribuição  previdenciária,  como  bem  entendeu  a  fiscalização  e  o  relator  do  acórdão recorrido.  Verifica­se, ainda, que as regras para obtenção dos direitos substantivos não  estão previstos no acordo de PLR do ano de 2006, pago em 02/2007.   o  fato  de  a  empresa  não  ter  apresentado  os  relatórios  de  avaliação  dos  empregados  a  impossibilitou de verificar  a  regularidade  e a  conformidade dos  valores pagos  com os parâmetros fixados no instrumento celebrado.  Assim,  entendo que  foi pago valores  a  título de PLR  sem nenhum controle  quanto ao cumprimento dos critérios acordados entre empresa e trabalhadores.  Portanto, a verba intitulada PLR, paga pela empresa sem observar o acordado  no  instrumento  de  negociação,  deve  integrar  o  salário  de  contribuição,  pois  foi  paga  em  desconformidade com o estabelecido na Lei 10.101/00.  Por tudo que foi exposto acima, concluo que a verba intitulada Participação  nos Lucros ou Resultados foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria.   Nesse sentido,  Voto  por  negar  provimento  ao  recurso,  no  sentido  de manter o  lançamento  relativo ao PLR pago em 07/2006, 02/2007 e 10/2007.  É como voto  Bernadete de Oliveira Barros – Redatora.  Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 12448.723500/2011­12  Acórdão n.º 2301­003.720  S2­C3T1  Fl. 1.342          25                     Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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Numero do processo: 13506.000902/2008-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.322
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/2008­62  Resolução nº  2801­000.322  S2­TE01  Fl. 97          2      O Lançamento exigiu do contribuinte, assim, o crédito tributário importando em  R$  15.123,87  a  título  de  imposto  suplementar,  acrescido  de R$  11.342,90  a  título  de multa  proporcional (75%) e mais juros de mora com base na taxa Selic.      Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  Impugnação,  onde  concentra  suas  razões  no  cálculo  efetuado  pela  Autoridade  Fiscal,  em  função  da  existência  de  parcelas  isentas/não  tributáveis  (sucumbência  e  honorários  advocatícios)  e,  principalmente,  na  não  incidência do  imposto, na forma como foi  apurado,  sobre verbas  recebidas acumuladamente,  em razão da faixa de tributação dos rendimentos em cada competência.      A manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ em Salvador/BA, tendo aquela  instância de julgamento concluído pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito  tributário exigido, em suma, com os seguintes argumentos:  ­ não foram apresentados documentos que comprovassem as alegações de que as  verbas se enquadrem nas hipóteses legais de isenção;  ­não foi comprovada a alegação de que as diferenças recebidas acumuladamente  estariam abaixo do limite de alcance da tributação mensal pelo imposto de renda. Ressalva, não  obstante, que caso restasse demonstrado, isso seria relevante para o cálculo do imposto retido  na fonte mas não para a tributação, no ajuste anual, defendendo a aplicação do artigo 12 da Lei  nº 7.713/1988.  ­ destacou ainda que não foram apresentados documentos hábeis a comprovar as  despesas com advogado, como por exemplo o recibo.  Cientificado  da  decisão  de  1ª  instância  em  11/03/2011  (AR  na  fl.  78),  o  contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/04/2011 (fl. 79). Em sede de recurso, repisa  as razões apresentadas anteriormente, nos autos, do que destaco:  ­  o  Recorrente,  em  processo  judicial  de  revisão  de  pensão  previdenciária,  tramitado junto ao juízo federal de São Paulo, processo nº 2008/008515­5, obteve o direito de  revisão no valor de pensão previdenciária.  ­ parte do valor disponibilizado foi pago a título de honorários de sucumbência.  Também deve ser levada em conta a parcela que foi paga a título de honorários advocatícios.  ­ o acréscimo patrimonial "é  fictício" por ser ocasionado por pagamento único  de  inúmeras  "mensalidades  atrasadas",  conforme  arresto  publicado  em  ação  de  repetição  do  indébito ajuizada em face da União.  ­  fala  da  ação  civil  pública  nº  1999.61.00.003710­0/SP  onde  houve  "a  tutela  antecipada para determinar ao INSS que se abstenha de efetuar o desconto na fonte do IR, nas  hipóteses de pagamento realizado a destempo..."  ­ fala ainda de parcelas indenizatórias que seriam isentas do imposto de renda.  Requer que seja declarada a improcedência total da ação fiscal, "em face do IR  não alcançar pagamento indenizatório sobre diferenças de pensão previdenciária decorrente  de decisão judicial".   Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/2008­62  Resolução nº  2801­000.322  S2­TE01  Fl. 98          3 Em  Sessão  de  21  de  novembro  de  2012,  esta  Turma  Especial  decidiu  pelo  sobrestamento  do  julgamento,  considerando  que  à  matéria  que  versa  sobre  tributação  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente  em  virtude  de  decisão  judicial  foi  atribuída  a  repercussão geral, pelo STF, que também determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos  extraordinários sobre o tema, nos termos do art. 543­B do CPC. Considerando ainda que havia  no Regimento Interno deste CARF determinação para que se sobrestassem os julgamentos de  recursos administrativos, nessas condições, assim restou decidido (fl. 93/94).  É o Relatório.  Voto  Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator  O  recurso  é  tempestivo,  conforme  relatado,  e  atende  as  demais  condições  de  admissibilidade. Dele tomo conhecimento.  Na  "descrição  dos  fatos",  a  Autoridade  Fiscal  não  aponta,  como  se  pode  observar na folha 15, que se tratem de rendimentos recebidos acumuladamente, em virtude de  decisão da justiça federal, que reconheceu o direito de revisão de pensão previdenciária.  O  contribuinte  alega  que  o  lançamento  versa  sobre  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  decorrentes  de  ação  judicial  contra  o  INSS.  Fala  ainda  em  "repetição  do  indébito" de valores retidos pela fonte, anexando certidão de folhas 61 e seguintes, que trata da  Ação Civil Pública 1999.61.003710­0.  Estes autos, contudo, não se prestam a repetição de indébito tributário. Aqui, os  limites  da  lide  são  traçados  de  um  lado  pela  pretensão  do  Fisco,  consubstanciada  na  Notificação de Lançamento, e de outro pela resistência do contribuinte, expressa nas suas peças  de impugnação e recurso.  Assim,  a  pretensão  do Fisco  é  a  exigência  do  tributo  sobre determinado valor  identificado  como  "omissão  de  rendimentos",  conforme  a Notificação. Não  se  pode  ir  além,  para  pedir  restituição  de  imposto  que  foi  retido  pela  fonte  pagadora,  como  consta  da  Impugnação, na folha 09.  Portanto, o que deveria estar instruindo estes autos não é a Certidão que trata da  Ação  Civil  Pública,  já  citada,  mas  a  Sentença  Judicial  ou  Certidão  que  trate  do  direito  do  contribuinte sobre a revisão da pensão previdenciária, para que se verifique a que períodos se  refere e  se confirme que se  tratam de  rendimentos  recebidos acumuladamente em virtude de  determinação judicial para a revisão de pensão paga pelo INSS.   Não  localizo nos autos a Sentença  judicial, nem qualquer outra peça da Ação,  que ensejou o pagamento. Não é possível, portanto, constatar que o montante tem origem em  diferenças  referentes  a  diversas  competências,  tendo  o  valor  sido  disponibilizado  apenas  em  2006, apesar da plausibilidade do alegado. Da mesma forma, não se pode verificar a natureza  das verbas e se houve acordo, homologado judicialmente, para recebimento ainda que parcial.   Ainda,  apesar do  contribuinte,  no  recurso,  identificar que  a Ação em comento  "tramitou perante o Juízo Federal de São Paulo, proc. 2008/008515­5" não consegui localizá­ la, mediante busca eletrônica no sítio do Tribunal, pelo citado número.  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/2008­62  Resolução nº  2801­000.322  S2­TE01  Fl. 99          4 Ocorre  que  a  constitucionalidade  da  regra  estabelecida  no  art.  12  da  Lei  nº  7.713,  de  1988,  sobre  a  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  no  mês  do  recebimento  do  crédito,  foi  levada  à  apreciação,  em  caráter  difuso,  por  parte  do  Supremo  Tribunal  Federal,  o  qual  reconheceu  a  repercussão  geral  do  tema  e  determinou  o  sobrestamento,  na  origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a  matéria,  bem  como  dos  respectivos  agravos  de  instrumento,  nos  termos  do  art.  543­B,  §  1º,  do Código  de  Processo  Civil (CPC), em decisão assim ementada:  “TRIBUTÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL  DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  VALORES  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  ART.  12  DA  LEI  7.713/88.  ANTERIOR  NEGATIVA  DE  REPERCUSSÃO.  MODIFICAÇÃO  DA  POSIÇÃO  EM  FACE  DA  SUPERVENIENTE  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  FEDERAL  POR  TRIBUNAL  REGIONAL FEDERAL. 1. A questão  relativa ao modo de  cálculo do  imposto  de  renda  sobre  pagamentos  acumulados  –  se  por  regime  de  caixa  ou  de  competência  –  vinha  sendo  considerada  por  esta  Corte  como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão  geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no  art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento  da  inconstitucionalidade  parcial  do  art.  12  da  Lei  7.713/88  por  Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para  justificar,  agora,  seu  caráter  constitucional  e  o  reconhecimento  da  repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da  questão,  tendo  em  conta  os  princípios  constitucionais  tributários  da  isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida  para:  a)  tornar  sem  efeito  a  decisão  monocrática  da  relatora  que  negava  seguimento  ao  recurso  extraordinário  com  suporte  no  entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral  da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a  matéria,  bem  como  dos  respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543­B, § 1º, do  CPC.”  (STF, RE 614406 AgR­QO­RG, Relatora: Min. Ellen Gracie,  julgado  em 20/10/2010, DJe­043 DIVULG 03/03/2011).  Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a  determinação  do  sobrestamento  dos  recursos  extraordinários  sobre  a matéria,  bem  como dos  respectivos  agravos  de  instrumento,  nos  termos  do  art.  543­B,  §  1º,  do  CPC,  vinha­se  sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais  (CARF)  até  que  ocorresse  o  julgamento  final  do  Recurso  Extraordinário,  conforme  disposto no art. 62­A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de  junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de  21 de dezembro de 2010, que assim dispõe:  Artigo 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.   Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/2008­62  Resolução nº  2801­000.322  S2­TE01  Fl. 100          5 §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B.   §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes.  Por  sua  vez,  o  art.  2º  da  Portaria  CARF  n°  1,  de  03  de  janeiro  de  2012,  estabelece que:  Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício  ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma­se, em  tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º.  Contudo, os §§1º e 2º do art. 62­A do Regimento do CARF foram revogados em  decisão do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013:  PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013  Altera  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  aprovado  pela  Portaria  nº  256,  de  22  de  junho  de  2009, do Ministro de Estado da Fazenda.  O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que  lhe  conferem  os  incisos  I  e  II  do  parágrafo  único  do  art.  87  da  Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro  de 2002, resolve:  Art.  1º  Revogar  os  parágrafos  primeiro  e  segundo  do  art.  62­  A  do  Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no  DOU  de  23  de  junho  de  2009,  página  34,  Seção  1,  que  aprovou  o  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais  ­ CARF.  Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.  A  (in)constitucionalidade  ainda  não  foi  declarada  pelo  Pretório  Excelso  e  o  dispositivo de lei permanece em vigor. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), contudo, tem se  manifestado, repetidas vezes, no seguinte sentido:   TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  IMPOSTO  DE  RENDA  DA  PESSOA  FÍSICA  ­  IRPF.  (...).  ACÓRDÃO  DO  TRIBUNAL  DE  ORIGEM  EM  CONSONÂNCIA COM A  JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO  TRATAMENTO  TRIBUTÁRIO  DE  PARCELAS  PAGAS  ACUMULADAMENTE  EM  CUMPRIMENTO  DE  DECISÃO  JUDICIAL.  TEMAS  JÁ  JULGADOS  PELA  SISTEMÁTICA  INSTITUÍDA PELO ART. 543­C DO CPC.  1....   2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da  Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e  impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a  rubrica  "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13506.000902/2008­62  Resolução nº  2801­000.322  S2­TE01  Fl. 101          6 agravada  que  o  mencionado  recurso  não  procede  porque  a  decisão  proferida  pelo  Tribunal  de  origem  está  em  consonância  com  a  orientação  firmada  pela  Primeira  Seção  do  STJ,  por  ocasião  do  julgamento  do  recurso  repetitivo  REsp  1.118.429/SP  (Rel.  Min.  Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O  imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente  deve  ser  calculado  de  acordo  com  as  tabelas  e  alíquotas  vigentes  à  época em que os  valores deveriam ter  sido adimplidos,  observando a  renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de  IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente."  3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12  da  Lei  7.713/88  disciplina  o  momento  da  incidência  do  imposto  de  renda,  porém  nada  diz  a  respeito  das  alíquotas  aplicáveis  a  tais  rendimentos.  Assim,  no  julgamento  do  recurso  especial,  não  ocorreu  violação  do  art.  97  da  Constituição  da  República,  tampouco  contrariedade  à  Súmula Vinculante  n.  10/STF. Como  já  proclamou a  Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix  Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação  ao  princípio  constitucional  da  reserva  de  plenário  (art.  97  da  Lex  Fundamentalis)  se,  nem  ao  menos  implicitamente,  foi  declarada  a  inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei)  4. Agravo regimental não provido.  (AgRg  no  AgRg  no  REsp  1332443  /  PR  AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO  ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520­  DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei)  Entendo ser imprescindível, portanto, que constem as peças processuais da ação  judicial que determinou o pagamento das verbas em comento, sobretudo a Sentença, para que  se  identifique  com  clareza  que  se  referem  a  diversos  períodos,  não  pagas  em  tempo,  sendo  recebidas posteriormente e de forma acumulada.  Isso influenciará, dentre outras coisas, na razão de decidir e nos argumentos do  Voto.   Diante do exposto acima, VOTO por converter o julgamento em DILIGÊNCIA  a fim de que o Recorrente seja cientificado desta Resolução e intimado a apresentar a Sentença  e  demais  atos  judiciais,  como  por  exemplo  a  liquidação,  execução  e  acordo,  se  houver,  que  determinaram o pagamento das verbas que aqui se discute, especificando sua natureza e a que  períodos se referem.  Assinado digitalmente   Marcio Henrique Sales Parada.       Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN

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Numero do processo: 19515.000863/2010-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REQUISITOS. TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE. A aplicação de imunidade / isenção não deve ser aplicada em consideração a serviços terceirizados pela entidade, ou seja, contratação de serviços de mão-de-obra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. A constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicando-se o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REQUISITOS. TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE. A aplicação de imunidade / isenção não deve ser aplicada em consideração a serviços terceirizados pela entidade, ou seja, contratação de serviços de mão-de-obra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. A constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicando-se o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000863/2010­95  Acórdão n.º 2803­003.913  S2­TE03  Fl. 188          2 (Assinado digitalmente)    Gustavo Vettorato – Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio  Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior.  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000863/2010­95  Acórdão n.º 2803­003.913  S2­TE03  Fl. 189          3 Relatório  O  presente  Recurso  Voluntário  foi  interposto  contra  decisão  da  DRJ,  que  crédito  tributário  do  crédito  tributário  oriundo  de  contribuições  (patronal)  sobre  valores  de  notas fiscais de serviço por mão de obra (INTERGRAÇÃO – Serviços em Recursos Humanos  Ltda), no período de 01/04/1998 a 30/09/1998. A ciência do crédito tributário 01.04.2010.  O lançamento do crédito foi realizado substitutivamente ao anterior que fora  primeiramente  anulado  com  base  na  Nota  Técnica  CJ  nº369/2002,  procedeu  a  Reforma  da  referida decisão, anulando o lançamento através da DN — n. 21.003/295/2002,em 25/06/2002,  contudo à indicada nota técnica teve os efeitos suspensos por decisão de antecipação de tutela  nos  autos  da  Ação  Cível  Pública  n.  2005.34.00.024208­0,  da  4ª  Vara  Federal  de  Brasília,  movida pelo Ministério Público Federal. Em tal decisão judicial foi declarada a suspensão do  prazo decadencial  para  lavratura dos  créditos  e dos  efeitos  da Nota Técnica CJ n.  369/2002,  bem como ordenou o prosseguimento dos procedimentos de apuração, lançamento e cobrança.  Em  razão  da  decisão  judicial,  a  autoridade  julgadora  lavrou  a  Decisão  Notificação  n°21.003/0048/2006, que reformou a DN — n° 21.003/295/2002, e anulou os créditos por vício  formal insanável(por conter débitos relativos a mais de um prestador de serviço), motivando o  novo e atual lançamento, impugnado e julgado como procedente.  Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que  apresentou  os  seguintes  argumentos  resumidos:  em  que  as  contribuições  decadência  e  prescrição  qüinqüenal  dos  créditos  lançados,  pois  o  vício  apontado  era  de natureza material,  também ser imune, inconstitucionalidade do SAT/RAT. Por fim, requereu que as intimações no  presente feito, para serem válidas e vinculativas, sejam endereçadas, em nome, exclusivamente,  do Dr. Márcio Pestana – OAB/SP 103.297 e da Dra. Maria Clara Villasbôas Arruda – OAB/SP  182.081­A, ambos com endereço profissional na Avenida São Gabriel, nº 333 – 15º Andar, São  Paulo – Capital. Não apresentadas as contrarrazões.    É o relatório.  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000863/2010­95  Acórdão n.º 2803­003.913  S2­TE03  Fl. 190          4 Voto             Gustavo Vettorato ­ Relator      O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.      Inicialmente, indefiro o pedido de intimação requerido pelo contribuinte, com  fulcro no parágrafo único do art. 55 do RICARF.       Tendo  em  vista  os  fundamentos  contidos  no  acórdão  recorrido  no  que  diz  respeito à data correta para contagem do prazo decadencial, entendo que a data do lançamento  é o dia 01/04/2010, situação que afasta por completo a discussão sobre a matéria.    10.2.1.  Fica  claro  a  partir  das  transcrições  acima  (liminar  proferida nos autos da ACP e DN nº 21.003/0048/2006), que as  razões  que  embasaram  a  primeira  decisão  de  nulidade  (DN  21.003/295/2002),  são  totalmente  diversas  das  que  fundamentaram  a  segunda  decisão  de  nulidade  (DN  nº  21.003/0048/2006).  Salientase,  também,  que  a  nulidade  proveniente  da  DN  21.003/295/2002  não  produziu  qualquer  efeito, conforme acima exposto.  Logo, o lançamento somente pode ser considerado nulo a partir  da DN nº 21.003/0048/2006.  10.2.2.  Vale  esclarecer  que  a  prestadora  de  serviço  não  foi  intimada da DN nº  21.003/0048/2006,  pois  não  foi  cientificada  de  nenhum  procedimento  fiscal  que  culminou  na  lavratura  da  NFLD/Debcad  nº  35.002.3280,  anulada  pela  referida  decisão,  situação  já  totalmente  superada  com  a  lavratura  do  presente  auto substitutivo e ciência da referida prestadora.  10.2.3.  Diante  do  acima  exposto,  o  prazo  estabelecido  no  art.173,  II  do  CTN,  deve  ser  contado  a  partir  da  ciência  ao  contribuinte  da  Decisão  de  Notificação  nº  21.003/0048/2006,  ocorrida  em  24/04/2006,  e  não  da  ciência  da  Decisão  de  Notificação  –  DN  nº  21.003/295/2002,  cujos  efeitos  foram  afastados em decorrência da citada decisão judicial.  Assim,  o  presente  auto  de  infração,  que  substituiu  a  NFLD/Debcad  nº35.002.3280,  foi  lavrado  regularmente  em  29/03/2010,  com  ciência  pessoal  a  Impugnante  em 01/04/2010,  observando,  portanto,  lapso  temporal  inferior  a  cinco  anos,  conforme dispõe o art.173, II do CTN, in verbis:   (...)  11.  Superada  a  alegação  acima  da  Impugnante,  passa­se  a  analise das demais alegações.  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000863/2010­95  Acórdão n.º 2803­003.913  S2­TE03  Fl. 191          5 Não  se  aplica,  portanto,  a  decadência  na  forma  requerida  pelo  contribuinte  (§4º do art. 150 do CTN). O crédito está apto à cobrança, nos exatos termos expendidos pelo  julgador a quo.  De  outra  parte,  o  argumento  de  imunidade  /  isenção  não  deve  ser  acatado,  tendo em vista que a discussão em questão diz respeito a serviços por ele terceirizados, ou seja,  contratação  de  serviços  de  mão­de­obra  fornecida  por  empresa  de  serviços  temporários,  situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991.      Como  bem  explicitado  no  Relatório  Fiscal,  a  constituição  do  crédito  tributário se deu por aferição aplicando­se o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais  para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº  8.212/91,  art.  31,  com  a  redação  original  e  posteriormente  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.528/97. Fato esse bem relatado, com base nas Ordens de Serviços INSS n. 83/1993 e 176/97,  na falta de outros elementos probantes dos valores referentes especificamente à mão de obra.      O  pleito  de  inconstitucionalidade  em  relação  ao  financiamento  do  RAT  também não merece prosperar, em razão de o CARF não ter competência para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).      Considerando  a  correção  do  lançamento,  bem  como  do  acórdão  recorrido,  conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas nego­lhe provimento.      CONCLUSÃO.      Pelo  exposto,  voto  por CONHECER  do  recurso  para,  no mérito, NEGAR­ LHE PROVIMENTO.       É como voto.      (Assinado digitalmente)  Gustavo Vettorato                              Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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