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Numero do processo: 11080.010515/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Verificada a existência de omissão em parte do julgado é de se acolher parcialmente os Embargos de Declaração apresentados.
Embargos acolhidos parcialmente.
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2202-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher, parcialmente, os Embargos apresentados para rerratificar o Acórdão n.º 2202-01.887, de 10/07/2012, sanando a omissão apontada, manter a decisão anterior.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Júnior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Verificada a existência de omissão em parte do julgado é de se acolher parcialmente os Embargos de Declaração apresentados. Embargos acolhidos parcialmente. Acórdão rerratificado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher, parcialmente, os Embargos apresentados para rerratificar o Acórdão n.º 2202-01.887, de 10/07/2012, sanando a omissão apontada, manter a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Júnior.
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Embargos acolhidos parcialmente. Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher, parcialmente, os Embargos apresentados para rerratificar o Acórdão n.º 220201.887, de 10/07/2012, sanando a omissão apontada, manter a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 05 15 /2 00 6- 95 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CAL OMINO ASTORGA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, relativo ao Acórdão n° 2202001.887, de 10/07/2012 sob alegação de existência de omissão no acórdão. Aduz o Embargante, que notase omissão do acórdão em não se manifestar sobre a análise das disposições legais constantes na peça recursal em dois pontos. Primeiramente no que toca a necessidade de tradução dos documentos acostados com suporte fático para lavratura da infração. Indica que o julgado se olvidou de apreciar as disposições dos arts. 18 e 19 do Decreto 13.609/43, sem nem analisálos perante a situação de fato, indicando omissão categórica prevista no artigo 65 do RICARF. Em outro ponto, aponta que o julgado omitiuse formalmente da alegação levantada pela parte recorrente, sobre a forma de construção da base de cálculo dos tributos que deram ensejo a formalização do valor de constituição do crédito tributário pelo lavratura do auto de infração. Registrese por pertinente que a decisão no acórdão embargado foi, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento parcial, pelo fato da omissão ser evidente em relação a um do pontos suscitados pelo embargante. A presidência da Câmara, às fls. 658, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CAL OMINO ASTORGA Processo nº 11080.010515/200695 Acórdão n.º 2202002.272 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Câmara quanto à omissão existente no acórdão embargado. No que toca a alegação de que não teria apreciado as disposições expressas no art. 18 e 19 do Decreto 13.609/43, ou qualquer outro que não possibilite a utilização de documentos não traduzidos, o não enfrentamento direto desse ou de outro dispositivo legal não implica em omissão do julgamento, pois no voto justificou claramente o porque da validade dos elementos que estavam sendo utilizados. Entretanto no que toca ao segundo ponto suscitado pelo embargante, notase que efetivamente, ainda que tenha sido provocado pelo recurso, o acórdão não se manifestou sobre a alegação da forma de construção da base de cálculo do tributo lançado. No recurso foi feita alegação de que teria sido indevida a formula usada estaria em descompasso com o previsto no artigo 725 do RIR, e nesse ponto o Acórdão foi omisso. A omissão é clara e os embargos devem ser acolhidos parcialmente. Assiste razão ao Contribuinte, o acórdão foi omissão nesta parte. Entretanto revisando esses fatos notase que a aplicação da base do artigo 725 do RIR é correta. A autoridade, entendendo estar comprovada a responsabilidade do contribuinte pelas operações realizadas e ante a ausência do registro contábil e da não comprovação das operações que lhes deram causa, concluiu pela incidência IRRF sobre essas operações, com fulcro no art. 674 do Decreto n° 3.000, de 26/03/99 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999). O imposto foi calculado convertendose o valor das operações para reais com base na cotação do dólar fixada em atos declaratórios CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), reajustando a base de cálculo do imposto nos termos do art. 725 do mesmo regulamento. O procedimento adotado foi realizado tal como prescreve a legislação é nenhum vício foi identificado ou apontado pelo recorrente. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os Embargos apresentados para, rerratificando o Acórdão n.º 220201.887, de 10/07/2012, sanando a omissão apontada, manter a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 661DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CAL OMINO ASTORGA 4 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CAL OMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011181/2007-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INOVAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA QUANTO A PARTE DAS DESPESAS DEDUZIDAS.
Não tendo a autoridade fiscal apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos, prova do pagamento das despesas, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade lançadora justificar a exigência do efetivo desembolso. Incabível a inovação nos autos quando da decisão da DRJ para agregar fundamentos faltantes no auto de infração de forma a justificar a inidoneidade dos comprovantes de pagamento. Vinculação do ato de lançamento. Mantida a glosa, porém, quanto a dedução que não foi comprovada por qualquer documento idôneo.
Recurso a que se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 2802-001.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer R$13.000,00 (treze mil reais) nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Ferro Barros acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas e Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INOVAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA QUANTO A PARTE DAS DESPESAS DEDUZIDAS. Não tendo a autoridade fiscal apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos, prova do pagamento das despesas, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade lançadora justificar a exigência do efetivo desembolso. Incabível a inovação nos autos quando da decisão da DRJ para agregar fundamentos faltantes no auto de infração de forma a justificar a inidoneidade dos comprovantes de pagamento. Vinculação do ato de lançamento. Mantida a glosa, porém, quanto a dedução que não foi comprovada por qualquer documento idôneo. Recurso a que se dá parcial provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer R$13.000,00 (treze mil reais) nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Ferro Barros acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas e Mello - Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA QUANTO A PARTE DAS DESPESAS DEDUZIDAS. Não tendo a autoridade fiscal apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitandose a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos, prova do pagamento das despesas, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade lançadora justificar a exigência do efetivo desembolso. Incabível a inovação nos autos quando da decisão da DRJ para agregar fundamentos faltantes no auto de infração de forma a justificar a inidoneidade dos comprovantes de pagamento. Vinculação do ato de lançamento. Mantida a glosa, porém, quanto a dedução que não foi comprovada por qualquer documento idôneo. Recurso a que se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 11 81 /2 00 7- 41 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer R$13.000,00 (treze mil reais) nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Ferro Barros acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas e Mello Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 08), o qual apurou supostas irregularidades (fls. 09) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2003, anocalendário 2002, em virtude de deduções indevidas de despesas médicas e de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, relativos a três fontes pagadoras. Resta consignado no auto de infração, a título de fundamentação que os rendimentos foram informados nas DIRFs das respectivas fontes pagadoras e que, em relação às deduções de despesas médicas, os pagamentos feitos a Manoella Dalledone foram comprovados por documentos sem identificação profissional, além de não ter havido comprovação de desembolso e os pagamentos a dois outros profissionais não foram objeto de comprovação de efetivo desembolso. Além disso, diante dos valores que se buscou comprovar, constatouse diferença de R$ 4.345,54, sem qualquer comprovação. Por fim, informa o fisco que, em virtude da inclusão dos rendimentos omitidos, igualmente corrigiuse para mais o imposto retido na fonte, nos termos das DIRFs das fontes pagadoras. O Contribuinte foi cientificado (fl.33). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação parcial de fl. 01, de vez que não questiona o lançamento no que tange aos rendimentos de trabalho omitidos nem quanto à diferença não comprovada nas deduções de despesas médicas no valor de R$ 4.345,54, afirmando ter recolhido o imposto respectivo e juntando DARF recolhido. Persiste a impugnação em face das deduções de despesas médicas pagas a Manoella Dalledone (R$ 12.500,00), a Carla M.Veiga, na verdade Carla E.Matos, nos termos da DIRPF, incorretamente nominada no auto de infração (R$ 6.000,00) e a Cristiano M.Veiga (R$ 7.000,00), juntandose recibos e declarações de profissionais prestadores dos serviços. Alega o caráter abusivo da comprovação de efetivo desembolso, por falta de previsão legal. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10980.011181/200741 Acórdão n.º 2802001.427 S2TE02 Fl. 133 3 Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/CTA, em sessão realizada no dia 15/12/2009, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n.º 06 24.904, uma vez que (i) mantido o lançamento em relação às matérias não impugnadas referidas no parágrafo anterior; (ii) é ônus do contribuinte comprovar os pagamentos objeto de dedução, quando solicitado; (iii) as deduções são expressivas, não bastando a disponibilidade de meros recibos, sem vinculação do pagamento ou da efetiva prestação do serviço, mormente quando restarem dúvidas quanto à idoneidade dos documentos, (iv) na maioria dos recibos sequer consta o dia em que teriam sido emitidos; (iv) os valores giram em torno de aproximadamente 34,7% dos rendimentos líquidos tributáveis declarados; (v) há uma clara diferença de padrão gráfico entre os demais campos dos recibos e o nome do beneficiário, permitindo concluir que foram apostos por pessoas diferentes, bem como há a utilização de diferentes canetas, até três, em um mesmo recibo; (vi) o contribuinte não envidou esforços para comprovar o efetivo desembolso dos valores em questão. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 43, o Recorrente, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário às fl. 44, atacando a decisão exarada pela DRJ, reiterando o pedido de retificação da glosa de despesas médicas, ao fundamento de que (i) que os recibos trazidos aos autos foram ratificados pelos profissionais em questão; (ii) o fato de a legislação admitir a comprovação das despesas por meio de cheques não torna o dinheiro meio vedado de pagamento, repisando ainda os argumentos e reportandose aos comprovantes trazidos em sua impugnação. Na hipótese de não ser bem sucedido o recurso, impugna a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo, por falta de previsão legal. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello – Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, no particular em que impugna a exigência concernente, exclusivamente, à glosa da dedução de despesas médicas, eis que este, e apenas este, é o objeto da irresignação do Contribuinte/Recorrente. Com a devida vênia ao Órgão prolator da decisão recorrida, cuja decisão deve ser enaltecida em sua tese, o caso concreto é de, s.m.j., resolução simples, na medida em que o lançamento de ofício impugnado não se desincumbe do dever de motivar seu ato administrativo de efeito concreto (lançamento de ofício), pois não apresenta razões suficientes para que possa afirmar que houve “dedução indevida” (fls.09), exceto quanto aos pagamentos efetuados a Manoella Dalledone, uma vez que consta do auto de infração que foram comprovados sem identificação profissional da mesma. Portanto, os pagamentos efetuados a Carla Emilene Silva de Matos (R$ 6.000,00) e a Cristiano M.Veiga (R$ 7.000,00) foram comprovados por meio dos documentos carreados aos autos pelo contribuinte. Se considera a fiscalização que a documentação é inidônea para comprovar as despesas informadas, deveria se haver desincumbido de apontar as razões para tanto. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Uma vez mais, com todas as vênias, não se pode admitir nenhum dos fundamentos apontados pelo órgão a quo e descritos no relatório supra, para justificar as razões pelas quais as despesas deduzidas pelo contribuinte “chamam atenção”, uma vez que nenhum desses motivos foi ventilado no auto de infração, tendo assim nesses aspectos inovado nos autos, em face do contido no auto de infração. Por esta razões, não se pode aqui adentrar a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que não fundouse o auto de infração na indicação de qualquer deficiência dos mesmos, tampouco discutirse as circunstâncias ainda que pouco usuais que circundam os pagamentos efetuados pelo contribuinte. Caberia, pois, à autoridade autuante dizer exatamente o porquê de sua recusa aos comprovantes apresentados pelo ora Recorrente para justificar a dedução das despesas médicas objeto de glosa, assim como no mesmo sentido não possui competência a DRJ para agravar o lançamento inovando em seus fundamentos, atribuindo motivação complementar ao auto de infração. O artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Ora, se o contribuinte não apresentasse qualquer comprovação ou justificativa para as deduções questionadas, dúvida não haveria em manterse o lançamento, mas, tendo apresentado comprovantes, como já dito, deveria a fiscalização apontara as razões pelas quais não os acolhe, já que não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Demais disso, para além dos recibos, há declarações dos profissionais trazidas aos autos, atestando a prestação dos serviços (fls.20/21). Quanto aos pagamentos efetuados a Manoella Dalledone, há a declaração de fls.22, que não faz referência a valores e vem desacompanhada de recibos. O conjunto fático, em cotejo com o auto de infração, causa certa perplexidade, já que o auto de infração contém somente a seguinte expressão, “sem identificação profissional e sem comprovação de desembolso”. Ora, comprovação de desembolso é expressão que se confunde com a utilizada em relação aos demais profissionais, “comprovação do efetivo pagamento”. O que deveria afirmar o auto de infração é que não há comprovantes idôneos para as despesas deduzidas no caso de Manoella Dalledone, mas não foi isso que fez a autoridade responsável pelo lançamento. Contudo, tenho que a exigência de comprovação do efetivo desembolso está nesse caso justificada justamente pela ausência de qualquer comprovante idôneo da despesa em questão. Nos termos do RIR/99 deveria o contribuinte nesse caso trazer aos autos outros elementos capazes de comprovar as despesas, não o socorrendo declaração que sequer faz referência a valores, embora dela conste a identificação profissional da psicóloga, diferentemente do que afirma o auto de infração. Quanto ao pedido de não incidência de juros sobre a multa de ofício após escoado o prazo para pagamento amigável, não pode prestarse o recurso a albergar requerimento referente a fato futuro. Os juros a incidirem sobre o crédito tributário não são objeto do lançamento, consistindo assim, tal requerimento, em matéria estranha a esse contencioso administrativo fiscal. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10980.011181/200741 Acórdão n.º 2802001.427 S2TE02 Fl. 134 5 Desta forma, voto por dar provimento parcial ao recurso, no sentido de restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas pelo auto de infração de fls.(08 e ss.), relativas aos profissionais Carla Emilene Silva de Matos, indevidamente denominada Carla M.Veiga (R$ 6.000,00) e a Cristiano M.Veiga (R$ 7.000,00), mantendose a glosa quanto aos valores deduzidos a título de pagamentos a Manoella Dalledone no valor de R$ 12.500,00, bem como mantendose o lançamento quanto àquilo que não é objeto do presente recurso, isto é, a diferença não comprovada nas deduções de despesas médicas no valor de R$ 4.345,54. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1.1.1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 18 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente 2 Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 15983.001139/2008-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.085
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Julio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Ewan Teles Aguiar e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Julio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Ewan Teles Aguiar e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 01 13 9/ 20 08 -9 7 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001139/200897 Resolução nº 2403000.085 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, referente a contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, no período de 12/2002 a 12/2007, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/RAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, bem como a parte patronal incidente sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais e aquelas incidentes sobre os valeres brutos das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços de cooperados, intermediadas pela Cooperativa de Trabalho Unimed de Santos, conforme Relatório Fiscal de fls. 81 a 88 e anexos de fls. 89 a 357. Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.764, a 10 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo – SP DRJ/SP II, em04 de março de 2009, exarou o Acórdão n° 1730.312 mantendo procedente o Não obstante o êxito parcial, irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 780, onde combatendo o decisium reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” . Resumidamente, a Autoridade Fiscal procedeu à constituição do crédito em comento em razão da ocorrência dos fatos geradores acima descritos bem como do Ato Cancelatório registrado conforme o Relatório Fiscal fls.82, itens 09 e 17 : “ Do Cancelamento da Isenção Previdenciária 9. Através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 01/2008, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos em 03.03.2008, a instituição teve cancelado, com efeitos a partir de 01/01/1993, o direito que usufruía de isenção das contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91, pelo descumprimento dos requisitos previstos para essa finalidade nos incisos I, 1V e V do art. 55 e, mesma Lei. (..) 17. Ora, como vimos o reconhecimento da isenção previdenciária da Fundação Lusíada, cuja manutenção depende da observância dos requisitos contidos no art. 55 da Lei 8.212/91 sendo que possuir o Certificado CEAS é apenas um deles , foi cancelado pela Receita Federal, em 03.03.2008, conforme mencionado no item 9 acima. O próprio CEAS relativo ao período de vigência de 01/2001 a 12/2006, conforme também mencionado no item 10, encontrase também cancelado por decisão administrativa respaldada por decisão judicial transitada em julgado em , 02.07.2008. Teve a autuada portanto a oportunidade de, aproveitando a espontaneidade existente antes de iniciada a ação fiscal, recolher as importâncias devidas e corrigir o descompasso existente entre as suas declarações em GFIP e os fatos geradores de contribuições previdenciárias.” Cumpre destacar que o Relatório Fiscal não faz alusão ao recurso interposto pela Recorrente recebido pela RFB conforme carimbo de protocolo às fls. 647, datado de Fl. 822DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001139/200897 Resolução nº 2403000.085 S2C4T3 Fl. 4 3 16/04/2008, destaquese, anterior ao início da ação fiscal cujo Termo de Início ocorreu em 17/06/2008, fls. 67, que se infere na oportunidade tramitava no então Conselho de Contribuintes. Aduz que na forma do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF de fls. 71, a empresa foi notificada do Crédito em 16/10/2008. Em sede de impugnação , às fls. 768, o item 7.4 do Relatório “ ad quod ”, revela que a Recorrente já exortara o Recurso Voluntário interposto contra a decisão do Ato Cancelatório que sofrera : “ 7.4. O interposto Recurso Voluntário contra o Ato Cancelatório possui efeito suspensivo, nos moldes do art. 151, III do CTN e do art. 206, IV do Decreto 3.048/99, não havendo desta forma motivo, conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal.” Na condução do voto, a instância “ad quod ” se referindo a esta alegação se manifestou na forma dos itens 10.3 de fls. 770 abaixo transcrito: “ 10.3. Em relação à emissão do Auto de Infração, uma vez emitido o Ato Cancelatório, sem interposição de recurso, a Fiscalização será comunicada para constituir o crédito respectivo que terá tramitação normal. Em caso de interposição de recurso contra o Ato Cancelatório a Fiscalização será comunicada para constituir o crédito respectivo, cuja exigibilidade ficará suspensa até o julgamento final do processo de cancelamento da isenção pelo 2° Conselho de Contribuintes.” Nos itens 10.4 a 10.6 seguintes, o texto sugere mas não deixa claro se o decisium considerou que a autuação teria ocorrido tãosomente para ilidir hipótese decadencial. No que se refere a isto, também o Relatório Fiscal é silente: “ Não efetuado o lançamento no curso do prazo de decadência, o Fisco não mais poderá fazêlo, ainda que obtenha decisão judicial favorável, pelo fato de o crédito acharse fulminado pela decadência. É que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo .a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. 10.5. Ressaltase que, como já afirmado, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não possui o condão de impedir o lançamento, por este ser ato vinculado e obrigatório, indispensável para prevenir a decadência. Além disso, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não afeta a obrigação tributária que lhe deu origem. Assim já afirmava Aliomar Baleeiro: "O direito de crédito da Fazenda não se extingue, mas,enquanto duram as causas arroladas no art. 151 (CTN), não poderá ser exercido por ausência de exigibilidade. Mais uma vez se comprovaque a existência do direito não se confunde com a sua exigibilidade ou seu exercício." (BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro,1 l a ed., Rio de Janeiro, Forense, 2004, p. 840). Fl. 823DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001139/200897 Resolução nº 2403000.085 S2C4T3 Fl. 5 4 10.6. O que a suspensão da exigibilidade impede é que sejam executados pelo sujeito ativo os atos executórios (de cobrança) do crédito enquanto suspensa a sua exigibilidade. Entendamse como atos executórios (de cobrança) os consubstanciados na inscrição em Dívida Ativa e propositura da ação de execução fiscal.” Em Recurso Voluntário, a Recorrente aludiu o item 10.3 acima referido exortando que se deva observar a SUSPENSÃO e ainda a conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal : “ Importante destacar que como o Recurso Voluntário interposto contra o ato cancelatório esta sujeito ao efeito suspensivo, não havendo desta forma motivo, conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal.” Enfrentando a matéria, entendo que neste sentido, assiste parcial razão à Recorrente quando alude à suspensão, entretanto descabe provimento quanto a questionar o poder de a administração efetuar o lançamento e mantêlo sobrestado até o trânsito em julgado. Esta questão potestativa foi bem esclarecida na condução do voto “ ad quod ” , no item 10. 5, quando o I. Julgador exorta lição do Mestre Aliomar Baleeiro que corrobora que o direito de crédito da Fazenda não se extingue : “ 10.5. Ressaltase que, como já afirmado, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não possui o condão de impedir o lançamento, por este ser ato vinculado e obrigatório, indispensável para prevenir a decadência. Além disso, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não afeta a obrigação tributária que lhe deu origem. Assim já afirmava Aliomar Baleeiro: "O direito de crédito da Fazenda não se extingue, mas,enquanto duram as causas arroladas no art. 151 (CTN), não poderá ser exercido por ausência de exigibilidade. Mais uma vez se comprova que a existência do direito não se confunde com a sua exigibilidade ou seu exercício." (BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro,1 l a ed., Rio de Janeiro, Forense, 2004, p. 840).” DAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Nos autos, a Recorrente discutiu apenas matéria de direito não exercendo o direito de impugnar faticamente os motivos relatados pela Autoridade Fiscal para a constituição do crédito ora em apreço. Isto posto, inferese desde já ocorridos os fatos geradores. DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM FACE DO ATO CANCELATÓRIO. A Recorrente informa que o Cancelamento do Ato foi objeto de Recurso Voluntário n° 0390912008. Na forma do abaixo transcrito, busca no sitio deste Conselho revelou que para o sobredito Recurso Voluntário datado de 16/04/2008, em face do Ato Cancelatório n° 01/2008(Decisão Notificação n° 21.433.4/006812007 e 21.433.4/0069/2007), não se verifica registro. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001139/200897 Resolução nº 2403000.085 S2C4T3 Fl. 6 5 Número do Processo Número do Recurso 35569.003489/200624 265874 15983.001140/200811 507543 15983.001137/200806 507550 15983.001139/200897 507553 15983.001143/200855 507555 15983.001141/200866 507559 15983.001142/200819 507562 15983.001138/200842 507563 15983.001135/200817 873795 15983.001136/200853 873796 CONCLUSÃO Dado que o Acórdão de primeira instância, aparentemente, considerou a existência do Recurso supra, é fundamental que se esclareça se naquele julgamento houve entendimento que a autuação ocorreu para ilidir hipótese decadencial visando sobrestar o lançamento até o trânsito em julgado. Resta esclarecer , também, qual o número do processo que Recurso supra obteve por ocasião do cadastro neste Conselho e a fase em que se encontra. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos sejam encaminhados à DRJ de origem para as providências supraelencadas. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 825DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10855.000561/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. PEDIDO ANTERIOR. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA.
O requerimento formulado pela pessoa jurídica em sede de pedido de ressarcimento anterior, suspende o prazo de prescrição durante o tempo que a Administração demorar para decidir o pleito, nos termos do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32. O ato inequívoco da pessoa jurídica é hábil para suspender a prescrição, mesmo que o pedido anterior tenha sido feito em nome da matriz, de crédito de titularidade de filial, já que a autonomia dos estabelecimentos do IPI não se sobrepõe à unicidade da personalidade jurídica.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.
Afastada a prescrição, anteriormente acolhida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito do pedido de ressarcimento, em primeira instância (Decreto nº 70.235/72), para que não sobrevenha supressão de instância.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3402-002.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. PEDIDO ANTERIOR. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. O requerimento formulado pela pessoa jurídica em sede de pedido de ressarcimento anterior, suspende o prazo de prescrição durante o tempo que a Administração demorar para decidir o pleito, nos termos do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32. O ato inequívoco da pessoa jurídica é hábil para suspender a prescrição, mesmo que o pedido anterior tenha sido feito em nome da matriz, de crédito de titularidade de filial, já que a autonomia dos estabelecimentos do IPI não se sobrepõe à unicidade da personalidade jurídica. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a prescrição, anteriormente acolhida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito do pedido de ressarcimento, em primeira instância (Decreto nº 70.235/72), para que não sobrevenha supressão de instância. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 05 61 /2 00 6- 13 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.000561/200613 Acórdão n.º 3402002.044 S3C4T2 Fl. 252 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento formulado por Flextronics International Tecnologia Ltda CNPJ N° 74.404.229/000128 (matriz) em 20/02/2006, de saldo credor de IPI oriundo da filial – CNPJ 74.404.229/000209, no valor de R$ 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais), referente ao 3º trimestre de 2000, relativo a insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação nos termos da Lei n° 8.248/91, glosados anteriormente na solicitação feita no processo n° 10855.002730/0011, por falta de previsão legal que autorizasse a transferência entre estabelecimentos da mesma empresa. Ao proceder a análise dos pedidos, a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba por meio do despacho decisório n. 698/2006 de fls. 53/56, houve por bem indeferir integralmente o pedido de ressarcimento de crédito do IPI por decadência do direito de pleitear a restituição. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Devidamente cientificada da decisão em 22 de janeiro de 2007 (fl. 60), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 61/68), em 16 de fevereiro de 2007, alegando que não há que se falar em decadência sendo inaplicável o artigo 173, I do CTN como pretende a decisão proferida, e que o primeiro protocolo do pedido de ressarcimento ocorreu em 09/11/2000, tendo suspendido, ou ainda, interrompido a contagem do prazo prescricional, que teria voltado a ocorrer em 03/05/2005 (data da decisão administrativa que indeferiu o ressarcimento no processo 10855.002730/0011), nos termos do Decreto 20.910/32. Ao final pugna pela reforma da decisão n° 698/2006, para deferir o ressarcimento nos autos do processo administrativo 10855.000.561/200613. DO JULGAMENTO PELA DRJ/RPO Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), houve por bem em considerar totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferindo Acórdão nº. 1435.774 (fls. 188/195), ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 CRÉDITOS DE IPI. APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 20.910, DE 1932. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE ESTABELECIMENTO FILIAL TRANSFERIDO PARA A MATRIZ SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. Os créditos de IPI passíveis de ressarcimento tem natureza de dívida passiva da União e, com isto, a norma aplicável é o Decreto nº. 20.910, de 1932. A entrada do requerimento do titular do direito ou do credor na repartição pública suspende a prescrição. Em respeito ao princípio da autonomia dos estabelecimentos, a apuração do IPI deve ser realizada pelo próprio estabelecimento contribuinte, não sendo permitida a transferência de saldo credor para outro estabelecimento e aproveitálo em seu Registro de Apuração do IPI. A questão não é meramente formal, mas sim de mérito. Ao pretender um crédito indevido, a requerente não exerce um direito do qual é o titular ou credor. Por conseguinte, não ocorre suspensão da prescrição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: NULIDADE. APLICAÇÃO INCORRETA DE DISPOSITIVO LEGAL. A análise atinente à correta aplicação de dispositivo legal é matéria de mérito que não dá ensejo à nulidade do despacho decisório. Os vícios capazes de eivar de nulidade o ato são aqueles mencionados no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a DRJ competente para o julgamento entende ser improcedente a arguição de suspensão da contagem do prazo prescricional para o ressarcimento dos créditos de IPI, nos próprios termos dos arts. 1º e 4º do Decreto n° 20.910, de 6 de janeiro de 1932, invocado pelo contribuinte. Nesse caso, avalia que a discussão precedente a respeito do processo administrativo nº 10855.002730/0011, tratou de não reconhecer um direito que o estabelecimento matriz (contribuinte distinto dos estabelecimentos filiais) pretendeu exercer, qual seja o de transferir e aproveitar o crédito de outros estabelecimentos em seu próprio Livro de Apuração do IPI, em flagrante desrespeito ao princípio da autonomia dos estabelecimentos. Portanto, ao pretender um crédito indevido, o estabelecimento matriz não exerceu um direito do qual era o titular ou credor e, sendo o saldo credor oriundo do 3º trimestre de 2000, o prazo fatal para eventuais pedidos de ressarcimento foi 30/09/2005, já estando prescrita a pretensão em 01/10/2005. Já no tocante a fundamentação do indeferimento no despacho decisório, aduz que o equívoco na fundamentação não é o bastante para anular o despacho, vez que a discussão sobre a correta aplicação da legislação que rege o ressarcimento é matéria concernente ao mérito e a suposta aplicação de dispositivo legal inaplicável ao caso não representa vício capaz de conduzir à nulidade prevista no art. 59 do Decreto 70.235/1972. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.000561/200613 Acórdão n.º 3402002.044 S3C4T2 Fl. 253 5 DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 07/12/2011, conforme AR de fls. 198, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 199) em 22/12/2011, aduzindo que a centralização do pedido não implica em omissão do titular do direito, muito pelo contrário, de forma ativa encaminhou o seu pleito para que a matriz o apresentasse, configurando, assim, um exercício do direito da filial pela matriz de uma mesma empresa. Em sendo assim, o próprio titular haveria exercido o direito ao crédito através de sua matriz e, portanto, o Decreto n. 20.910/1932 surtiu os seus efeitos, suspendendo ou interrompendo a prescrição, estando plenamente tempestiva o pleito instaurado neste processo. Afirma ainda que a decisão recorrida deve ser reformada por não ter aplicado corretamente os fatos, dado que jamais teria ocorrido a inércia do titular do crédito. Subsidiariamente, requer sejam os autos baixados em diligência para conferência da verdade material demonstrada nos autos, sob pena de cerceamento de defesa e/ou supressão de instância. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerados eletronicamente até a folha 250 (duzentos e cinquenta), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando à análise dos fatos articulados pela Recorrente. Inicialmente, verifico que os créditos postulados pela Recorrente são relativos ao 3º trimestre de 2000, sendo o pedido de ressarcimento constantes dos autos formulado em 20/02/2006. Passo à análise: A Recorrente alega que se trata de pedido de ressarcimento de IPI correlacionado a outro formulado tempestivamente em 09/11/2000, nos autos do processo n° 10855.002730/0011, fato que restou incontroverso nos autos e que teria o condão de afastar a ocorrência da prescrição. Afirma, ademais, que houve a suspensão/interrupção do prazo prescricional com o protocolo do pedido original. De outro lado, a Autoridade de 1ª instância considerou prescrito o direito ao crédito pleiteado calculando o lapso temporal entre a data do trimestrecalendário e a data do 2º pedido formulado pela Recorrente (ora em análise). Tenho que a discussão se cinge no fato de ser a pessoa jurídica envolvida no primeiro e segundo pedido de ressarcimento, rigorosamente a mesma, representado juridicamente por uma unicidade, embora possa, em termos de apuração tributária, estar organizada em estabelecimentos, sem que, no entanto, tal fato acarrete concluir ter ela tantas personalidades jurídicas distintas quantas forem os seus estabelecimentos. Explicando: embora haja a autonomia dos estabelecimentos para fins de definição da responsabilidade tributária para o IPI, apurandose o tributo por cada uma das unidades, na verdade estamos diante de uma única pessoa jurídica, com uma única personalidade jurídica, e não de tantas personalidades jurídicas quantas sejam os seus estabelecimentos matriz e filiais. Consequentemente, se ficar assente dentro do Direito que as pessoas jurídicas, mesmo divididas em estabelecimentos – que são seus órgãos operacionais , no todo compõem uma unicidade com personalidade jurídica única, caracterizada estará a hipótese de que os atos praticados pela matriz, que importem em suspensão/interrupção do prazo prescricional, favorecerá a pessoa jurídica como unicidade que é, inclusive em benefício de seu órgão filial. E isso não quer significar que os estabelecimentos não sejam autônomos para fins de se apurar os tributos e as responsabilidades para cada estabelecimentos. Apenas que os atos da pessoa jurídica favorecem todos os seus órgãos. Nesse sentido, os precedentes que abaixo colaciono, assim nos lecionam: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 06/03/1997 a 15/10/1998 DRAWBACK ISENÇÃO IRREGULARIDADE FORMA NA CONCESSÃO ATO ADMINISTRATIVO COMPETÊNCIA PARA ANULAÇÃO. A análise do cumprimento dos requisitos Fl. 260DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.000561/200613 Acórdão n.º 3402002.044 S3C4T2 Fl. 254 7 necessários à obtenção e o respectivo deferimento de Regime Especial de Drawback Isenção dáse de forma antecipada pela apresentação da demonstração da exportação de produtos fabricados com mercadorias importadas com pagamento de impostos, é de competência exclusiva da SECEX. Não cabe à Receita Federal declarar a nulidade do ato administrativo vigente daquele órgão ou negarlhe vigência, por entender que ocorreu vicio formal ou material na concessão e, com base nisso, considerar inadimplido o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, uma vez que deve prevalecer a presunção de legitimidade do ato e do principio da moralidade administrativa. Recurso Voluntário Provido.” DESTAQUE DO VOTO “Desta forma, em que pese o fato da não aposição do CNPJ da matriz informado no Ato Concessório nos documentos nos registros de exportação, e sim da filial, real exportadora, esta atitude não fere nem desnatura o objetivo do Ato Concessório em seu intuito políticoeconômico. De fato, houve a exportação por estabelecimento diverso ao informado no Ato Concessório, mas o estabelecimento cujo CNPJ foi informado é diretamente ligado à matriz, sendo desproporcional desconsiderar a fruição do beneficio por descumprimento de obrigação acessória, a verdade material, desta forma, surge como evidência.” (CARF. Terceira Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão 310100.323. Sessão de 04 de dezembro de 2009.) “DRAWBACK — EXPORTAÇÃO FEITA POR OUTRO ESTABELECIMENTO — Com fulcro no princípio da unicidade da personalidade jurídica, devem ser reconhecidas como válidas as exportações realizadas por outro estabelecimento (filial) — que não aquele que firmou o compromisso do Regime Especial (matriz) — para fins de verificação de cumprimento do Ato Concessório. • FUNGIBILIDADE — Havendo clara e inequívoca descrição e distinção dos produtos a serem exportados para adimplemento do compromisso assumido no Ato Concessório do regime especial de Drawback, não pode ser aplicado o princípio da fungibilidade. DESCUMPRIMENTO PARCIAL DE ATO CONCESSÓRIO — A exigência dos tributos incidentes na importação de mercadorias beneficiaras pelo regime especial de Drawback está limitada à parte da obrigação descumprida nos termos do compromissado no Ato Concessório, devendo ser consideradas como cumprimento a parte das exportações efetivamente realizadas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE DESTAQUE DO VOTO Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 “Aliás, como já tive oportunidade de manifestar meu entendimento, a unicidade da personalidade jurídica deve ser concebida pela Administração em todos os momentos das relações jurídicas, ressalvadas as condições especiais (exceções), na medida em que há o efetivo reconhecimento de tal unicidade no momento em que a Administração exige o cumprimento de obrigações tributárias; aí não há diferença nem distinção entre estabelecimentos, qualquer um é responsável pelo todo. Assim, se o estabelecimento filial tem a mesma capacidade de industrializar e/ou exportar, entendo deva ser reconhecida a exportação como da contribuinte, independentemente do "sufixo" de seu CNPJ.” (3º Conselho de Contribuintes . 1ª Câmara. Acórdão n. 301 32.676. Sessão de 25 de abril de 2006.) Seguindo a linha de entendimento dos julgados supra citados, penso que deve ser aplicada a unicidade da personalidade jurídica ao caso dos autos, de forma a colocar alguns limites a regra da "autonomia dos estabelecimentos", que por força de Lei vincula realmente o dever de se apurar e recolher descentralizadamente o IPI. Porém, elevar tal regra excepcional, que é aplicável ao IPI, para conferir status de personalidade jurídica distinta para cada um dos estabelecimentos, penso que seria extrapolar as normas gerais de direito, pois que as filiais são ligadas à matriz, e todas elas são órgãos da empresa, que no todo estão realizando os objetivos sociais contidos nos estatutos sociais, esses sim, registrados no Registro Público correspondentes, conferem a personalidade jurídica ao ente sujeito de direitos e obrigações. Entender de modo diverso, seria penalizar o contribuinte em seu direito, por mero erro de indicação de qual de seus estabelecimentos era o credor, quando em última análise a pessoa jurídica assume toda a responsabilidade tributária por passivos que porventura venha a possuir. E mais: poderia permitir que o elevado volume de trabalho e a demora da Administração na análise de processos de restituição e ressarcimento, que sabidamente podem levar mais que 05 (cinco) anos, e havendo algum vício, indefira o pedido, impedindo que o contribuinte saneieo e renove o pedido. Com isso estaria literalmente "empurrando" o direito do contribuinte para a prescrição. Daí porque existe a previsão de suspensão da prescrição prevista no artigo 4º do Decreto 20.910, de 1932, in verbis: “Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano.” Assim, independentemente de terem sido formulados outros pedidos de ressarcimento de IPI relativos ao mesmo período (3º trimestre de 2000), temse que o prazo prescricional é suspenso a partir do momento em que a Recorrente apresenta o primeiro pedido de ressarcimento até a decisão que impôs o seu indeferimento. Desta feita, apesar do crédito discutido naqueles autos de fato ter sido apurado e requerido de forma equivocada pela centralização do pedido no CNPJ da matriz, de créditos que a rigor seriam do estabelecimento filial configurando nítido erro formal Fl. 262DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.000561/200613 Acórdão n.º 3402002.044 S3C4T2 Fl. 255 9 referidos créditos, se existente, pertenceriam à mesma pessoa jurídica, em homenagem a unicidade da personalidade jurídica. Portanto, considerando que o primeiro pedido foi apresentado em 09/11/2000 e a decisão de indeferimento ocorreu em 06/04/2005, nos autos do processo 10855.002730/00 11, o pedido constante destes autos protocolado em 20/02/2006 não se encontra prescrito, já que no período que medeou o protocolo e a decisão final de indeferimento do mesmo, encontravase suspensa a prescrição, por força do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32. Superada a discussão a respeito da prescrição, observo que a DRJ não se manifestou com relação à analise do mérito da existência, liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Dessa forma, para que não haja supressão de instância, os autos devem retornar à instância "a quo" para novo julgamento. Na esteira das considerações acima, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a ocorrência da prescrição e determinar o retorno dos autos a DRJ para que se manifeste sobre a existência, certeza e liquidez dos créditos objeto do pedido de ressarcimento. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 16682.904223/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.524
Decisão: RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
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(assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 04 22 3/ 20 11 -1 7 Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16682.904223/201117 Resolução nº 3402000.524 S3C4T2 Fl. 1.335 2 Relatório: Tratase o processo de Pedido de Ressarcimento de Cofins nãocumulativa (exportação), relativa ao 3º trimestre de 2005, formalizado pelo sujeito passivo no PER/DCOMP nº. 18975.59355.291009.1.1.090538, no valor de R$28.453.645,76 (vinte e oito milhões, quatrocentos e cinqüenta e três mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e setenta e seis centavos). Segundo o que se colhe do Despacho proferido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/RJO, o crédito pleiteado pelo sujeito passivo fora tomado principalmente sobre o valor das aquisições de bens para revenda e de bens/serviços utilizados como insumos no processo produtivo da requerente, assim como despesas de energia elétrica, de aluguel de equipamentos, despesas de armazenagem e frente na operação de vendas e encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, sendo indeferido em sua integralidade sob os seguintes argumentos: Rateio Proporcional: foram aceitos os valores adotados pela empresa empregando o critério de rateio Bens para Revenda: os valores informados na DACON não encontram sustentação nos arquivos digitais das notas fiscais a que se referem, ou sequer nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte; Bens utilizados como insumos: os valores constantes da memória de cálculo do próprio contribuinte mostram que os valores alocados nesta ficha alocam tanto os dispêndios utilizados na industrialização, quanto custos e despesas de uso e consumo. Serviços utilizados como insumos: para este item aplicase a mesma disposição legal utilizada nos bens de insumo (tópico acima), qual seja, a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº. 404, de 2004, que dispõe serem passíveis do crédito a aquisição de serviços utilizados diretamente na produção dos bens destinados a venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pela contribuinte. No caso em tela, o sujeito passivo apropriouse de créditos que não se enquadrariam no conceito regulamentado pela citada Instrução Normativa, tais como: serviços portuários (capatazia; rebocagem; movimentação de container; e serviços diversos prestados a bordo de navio), transporte realizado entre estabelecimentos; projetos e estudos de engenharia e geologia; lavagem de roupas comuns; serviços de chaveiro; serviços de cozinha; manutenção de equipamentos ferroviários; limpeza e manutenção prediais e etc, asseverando que os mesmos não guardam direta corelação com a produção de minério, sendo entendidos como serviços auxiliares. Despesas de energia elétrica: Não houveram objeções aos valores de crédito da COFINS decorrentes da aquisição de energia elétrica apropriados pela empresa; Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados: os valores apresentados à Autoridade no curso da fiscalização são incompatíveis com os declarados em Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16682.904223/201117 Resolução nº 3402000.524 S3C4T2 Fl. 1.336 3 DACON, e, não tendo os mesmos base probatória, restou ao Fisco considerar aqueles da memória de cálculo apresentada pela empresa; Despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de vendas: foram aceitos pelo Fisco os valores declarados pela contribuinte para composição de seu crédito, encontrando os mesmos respaldo nos arquivos digitais das notas fiscais apresentados à fiscalização; Créditos relativos a bens do ativo imobilizado: Considerando que a empresa não logrou êxito em demonstrar a base de cálculo dos créditos relativos a bens do ativo imobilizado, foram retificados os valores declarados no Dacon e considerados os valores informados nas planilhas entregues pela contribuinte; Por fim, a ação fiscal tendente a análise do crédito pleiteado pelo contribuinte resultou no entendimento de que seriam necessárias retificações nas DACONS relativas ao período fiscalizado, procedendo ao lançamento de ofício das diferenças encontradas e acabando por consumir integralmente o crédito reconhecido, na dedução dos valores mensais de COFINS a pagar. Manifestação de Inconformidade Cientificado do despacho decisório o contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 166, sustentando a reforma do despacho decisório acima relatado, nos termos que, por medida de brevidade e de eficiência da instancia a quo, a seguir transcrevo: a) A RFB deixou de realizar um exame detido e profundo acerca das circunstâncias essenciais para se reputar determinado custo ou despesa como passível de gerar crédito, à alegação de que caberia a prova ao próprio contribuinte; b) A auditoria fiscal não realizou qualquer diligência no sentido de averiguar, concretamente e de acordo com as especificidades desse, a legitimidade dos créditos, com flagrante ofensa ao princípio da verdade material; c) Nos termos do art. 142 do CTN, a atividade de lançamento pressupõe delimitação exaustiva de todos os elementos de fato que deram origem à matéria tributável, e não em simples presunções e conjecturas, sob pena de violação à garantia da estrita legalidade, cravada nos arts. 9o e 97, I do CTN; d) A ausência de elementos concretos e objetivos a justificar a glosa afronta a garantia constitucional da ampla defesa; e) Seja por não exaurir a matéria tributável, seja por violar a garantia constitucional da ampla defesa, o despacho decisório é anulável; f) O regime nãocumulativo da Cofins possui fundamento na própria Constituição. Não é dado à lei interferir no conteúdo da regra, para limitála ou restringila, reduzindo a sua eficácia, no sentido de desonerar a cadeia produtiva do ônus incorrido com o tributo nas anteriores etapas do ciclo econômico; Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16682.904223/201117 Resolução nº 3402000.524 S3C4T2 Fl. 1.337 4 g) O que deve ser observado é a vinculação entre a receita verificada na etapa anterior do ciclo econômico, que representou custo ou despesa para o adquirente ou tomadores do serviço, e a receita auferida ao final por aqueles. O critério da vinculação física entre as mercadorias adquiridas e aquelas objeto de saída, aplicáveis ao IPI e ICMS, não pode ser transplantado para o caso vertente; h) O direito aos créditos da contribuição está atrelado aos custos, despesas e encargos de tudo o que contribua para a obtenção de receitas; i) Conforme justificado pela descrição dos itens apresentados pela fiscalização, bem como as descrições dos itens e Notas Fiscais de aquisição ora anexadas aos autos e/ou respectivas telas dos sistemas da Suplicante (doc. 03) eles são aplicados diretamente no seu processo produtivo e indispensáveis a este, o que poderá ser demonstrado, ainda, pela prova pericial cuja produção desde já se pleiteia; j) Cita a Solução de Divergência COSIT nº 35/2008; k) O Fisco deixou de atentar para a natureza dos equipamentos, partes e peças e serviços adquiridos e sua aplicabilidade, informações essas disponibilizadas pela autuada, através de planilha demonstrativa. Notadamente porque o objeto social da autuada é por demais amplo; l) A atuação da prestadora de serviços portuários ao recepcionar os vagões, desembarcar e agrupar minério e, inclusive, embarcálo diretamente nos navios, consiste em etapa indissociável do transporte da mercadoria, razão pela qual é de se tratar a despesa como parcela do custo do transporte; m) Também não foram consideradas despesas de frete na operação de venda, tais como serviços prestados pela MRS Logística S/A, no transporte de minério modal ferroviário, entre a mina e o Porto, bem como LogIN Logística Intermodal S/A, responsável pelo transporte marítimo. Junta telas do seu sistema, por amostragem, que representam o lançamento contábil de Notas Fiscais não incluídas no cálculo Fiscal (doc. 06), o que demonstra a inexatidão do trabalho fiscal e autoriza a realização de prova pericial, desde já requerida; n) O transporte entre estabelecimentos é uma etapa indissociável do transporte do produto como um todo, composta de várias etapas que, ao cabo, tem por fim a entrega da mercadoria ao consumidor; o) Não prospera o valor informado pelo Fisco a título de crédito pela aquisição de energia elétrica, que admitiu apenas o montante informado no Dacon, sem considerar as informações prestadas pelo contribuinte durante a fiscalização; p) Requer o deferimento de prova pericial técnica e contábil, apresentando quesitos e indica assistente técnico; Do Julgamento de 1ª Instância Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa,a 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJ1), houve por Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16682.904223/201117 Resolução nº 3402000.524 S3C4T2 Fl. 1.338 5 bem em considerar Improcedente o pleito do contribuinte, ementando seu julgamento nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido As preliminares suscitadas foram rejeitadas por entender a DRJ/RJ1 que o despacho fora proferido por agente competente, baseado nos elementos apresentados pelo próprio contribuinte, o qual ainda oportunizou a pertinente defesa, não incorrendo, portanto, na previsão do art. 59 do Decreto 70.235/72. No mérito a DRJ confirmou o entendimento da Autoridade Preparadora, esposando que o conceito de insumo não engloba “todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa”, nos termos estritos do que prevê IN SRF 404/2004, assegurando ainda, que nas rubricas em que insistiu o contribuinte em comprovar sua relação com o processo produtivo, as provas apresentadas não foram suficientes para que se reformasse a decisão recorrida. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16682.904223/201117 Resolução nº 3402000.524 S3C4T2 Fl. 1.339 6 Entendeu ainda a DRJ que cabe a administração constatar o aproveitamento indevido de créditos não autorizados por lei, e, nos termos do que preconiza o art. 111 do CTN, efetuar os ajustes necessários à correta determinação da Cofins devida pelo contribuinte no período. Quanto à contestação específica do contribuinte pela glosa das rubricas de despesas com frete e energia elétrica, o julgador salienta que a Autoridade Preparadora acatou as próprias informações prestadas pelo contribuintes nas memórias de cálculo apresentadas e que ao divergir dos valores considerados o sujeito passivo contesta suas próprias informações, solicitando a retificação de seu demonstrativo, sem ao menos indicar claramente os valores que entende corretos. Por fim, rejeita o pedido de perícia por entender que a comprovação dos fatos alegados na manifestação de inconformidade não demanda a ajuda de perito. Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão de 1ª Instancia em 10/09/2010, conforme documento de fls. 1117 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou, tempestivamente seu Recurso Voluntário, alegando, sinteticamente que: É nulo o despacho decisório que considerou indevido os créditos apropriados, glosandoos sem justificativa concreta e objetiva, o que a prejudica o direito de defesa do contribuinte na medida em que o impede de contrapor adequadamente os argumentos fiscais; É essencial a realização de perícia, pois que a demonstração da origem dos créditos transcende o conhecimento da autoridade fiscal, sendo eminentemente técnica, o que, se lhe for negado, ofende o direito ao contraditório e à ampla defesa, e ainda a busca da verdade material; No mérito o Recorrente argüiu que o entendimento utilizado pela DRJ julgadora quanto ao conceito de insumos é diverso da interpretação que vem sendo utilizada pelo CARF, bem mais ampla do que as diretrizes da IN SRF 404/2004 e discorre sobre a aplicação específica em seu processo produtivo de alguns insumos glosados, asseverando a necessidade de perícia para efetiva constatação. Distribuição Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 volume, numerado até a folha 1151 (hum mil, cento e cinqüenta e uma páginas), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16682.904223/201117 Resolução nº 3402000.524 S3C4T2 Fl. 1.340 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Inicialmente, cumpre delimitar o fato de que a contenda que emana dos autos é relativa, especificamente, a conceituação de insumos na análise da apropriação de créditos não cumulativos da Cofins, segundo a disposição do artigo 3º da Lei 10.833/2003. Contempla ainda, é verdade, questão de adição de débitos nos períodos de apuração, que, junto da glosa de créditos, acabaram por esgotar o saldo credor objeto do ressarcimento que sustentaria a compensação ora analisada. Conforme se pode depreender do relatório acima, foi apresentado ao Fisco Pedido de Ressarcimento dos citados créditos, tendo o mesmo sido integralmente indeferido (apesar de haver o reconhecimento de direito de crédito sobre certas rubricas), ante ao fato de terem sido também constadas divergências nas apurações do contribuinte, procedendose ao ajuste de suas declarações e constatandose a inexistência de saldo a ressarcir. Cumpre antes de mais nada, mencionar que a análise efetuada pelo fiscal foi efetuada com base nas declarações prestadas pelo contribuinte nas DACON´s pertinentes ao trimestre a que se referia o crédito pleiteado, nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte mediante intimações, e, por fim, aos arquivos digitais das notas fiscais correspondentes, não constando cópias digitalizadas das mesmas nestes autos. Consignase ainda, que o despacho decisório que resultou da análise do pedido do contribuinte versada nestes autos, restou por segregar suas verificações intitulandoas sob certas rubricas, sem, no entanto, esclarecer, esmiuçadamente, quais os efetivos “bens e direitos” que a compõem. A denominação das rubricas, por títulos, no despacho de fls. 161, descrevia a análise e conclusão das verificações realizadas, conforme os seguintes títulos: Bens para Revenda; Bens utilizados como insumos (discriminados conforme planilha do contribuinte em dois itens à a) industrialização e b) uso e consumo); Serviços utilizados como insumos; Despesas de energia elétrica; Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; Despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de vendas; Créditos relativos a bens do ativo imobilizado: Como se pode observar, algumas rubricas (tais como energia elétrica), dispensam qualquer esclarecimento acerca dos “bens e direitos” que a compunham, todavia, outras já não podem ser “autointerpretadas”, uma vez que os bens e direitos que a compunham não estão discriminados detalhadamente em qualquer documento do processo, sendo citados apenas exemplificativamente pelas partes envolvidas nas oportunidades processuais pertinentes. É o caso, por exemplo, da rubrica “bens utilizados como insumos”, onde no Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16682.904223/201117 Resolução nº 3402000.524 S3C4T2 Fl. 1.341 8 Acórdão da DRJ/RJ1 podemos verificar a análise genérica dos insumos discutidos, observandose apenas valores e declarações, sem, contudo, haver menção aos referidos bens ou direitos envolvidos. Ou ainda, no próprio Despacho Decisório, no qual a Autoridade Preparadora, ao analisar a rubrica “serviços utilizados como insumos” é textual em citar que “exemplificativamente” existem nesta rubrica os seguintes serviços: “serviços portuários, transporte realizado entre estabelecimentos; projetos e estudos de engenharia e geologia; lavagem de roupas comuns; serviços de chaveiro; serviços de cozinha; manutenção de equipamentos ferroviários; limpeza e manutenção prediais e etc." Neste sentido, entendo necessária a baixa dos autos à origem para que seja realizada diligência, a fim de que sejam detalhados e apontados objetivamente cada bem ou direito que compõe as rubricas relacionadas anteriormente, para que seja possível identificar detalhadamente quais os “bens ou direitos” a que se refere a apropriação do crédito discutida nestes autos, e daí, por conseguinte, também deverá a diligência esclarecer efetivamente qual o papel dos mesmos no processo produtivo do sujeito passivo. Apesar do pedido de perícia ser objeto das argüições do sujeito passivo em seu recurso, tenho que a realização de diligência, acobertada por laudo técnico a ser requisitado pela Autoridade Preparadora, sucedida ainda de parecer conclusivo sobre as fatos apurados, é suficiente para a avaliação do mérito a ser efetuada posteriormente, e que, obtendose detalhamento pronunciado por profissional tecnicamente responsável e habilitado, acerca dos produtos então evidenciados e sua relação (direta ou até mesmo indireta) no processo produtivo se poderá melhor interpretar os fatos para então se poder aferir a melhor forma para se aplicar o Direito. Observo que a referida diligência se justifica pelo entendimento que possuo de que o conceito de insumo utilizado pelo legislador na apuração dos créditos a serem descontados das contribuições aos PIS e a COFINS, denota maior abrangência do que aquela relacionada à legislação do IPI (MP, PI e ME), mas que também, porém, segundo têm entendido vários pares neste Colegiado, não é tão abrangente quanto aquele conceito interpretado à luz da legislação do IRPJ, a ponto de que sejam abarcados todos os custos de produção e/ou despesas necessárias à atividade da empresa. Nesta esteira, entendo que o processo administrativo que trouxer discussão acerca do conceito de insumos na tomada dos créditos relativos à nãocumulatividade do PIS e da COFINS, de cujas provas não se possa extrair quais são todos esses bens e direitos e a respectiva participação no processo produtivo, deve ter sua análise vinculada a cada item (bem ou direito) relacionado pelo contribuinte interessado como sendo “insumos”, devendose considerar sua efetiva relação, e seu estreito envolvimento no processo produtivo da mesma, para que seja então definida, pelo Colegiado, a possibilidade de aproveitamento dos créditos. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não encontrase em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à Autoridade Preparadora, para que seja esclarecido, além de exatamente quais os itens que compõem as rubricas segregadas pela mesma em seu despacho decisório, também qual a efetiva participação no processo produtivo da empresa de cada item (“bem ou direito”) então evidenciado, bem como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que seja possível aquilatar sua participação em relação ao produto ou serviço ao final gerado. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16682.904223/201117 Resolução nº 3402000.524 S3C4T2 Fl. 1.342 9 Ao efetuar estas constatações, peço que a autoridade preparadora elabore um parecer conclusivo acerca das determinações solicitadas acima, para possibilitar a análise jurídica a ser efetuada por este Colegiado. Após, seja dada oportunidade para que a Recorrente se manifeste, querendo, sobre Relatório Conclusivo acima mencionado, inclusive acostando Laudo Técnico se entender cabível, para que após, sejam retornados os autos ao CARF, para prosseguimento do rito processual. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912967/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo F. Minatel OAB 210198.
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo F. Minatel OAB 210198. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo F. Minatel OAB 210198. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte Trata o presente processo de pedido de compensação referente à COFINS no valor de R$ 25.827,09, relativo ao período de apuração dez/2002. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório de não homologação da compensação, sob o seguinte fundamento: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 96 7/ 20 09 -6 3 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912967/200963 Resolução nº 3401000.668 S3C4T1 Fl. 97 2 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese: Não foi realizada a devida alteração e retificação da DCTF no momento em que foram recalculados os débitos e identificados os valores pagos a maior, por um mero equívoco administrativo; A resolução do problema se dá com a simples retificação da DCTF alterando o valor do débito e excluindo o referido DARF como fonte de pagamento de débito. A 3ª Turma da DRJ constatou que a DCTF foi retificada após o despacho eletrônico, mas manteve o indeferimento por não haver prova de erro cometido na original. Observou que a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da retificação da DCTF. A contribuinte protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual explica que a retificação na DCTF decorre da tributação de “outras receitas” – além do faturamento –, incluídas na base de cálculo da Contribuição, asseverando que a realização de simples diligência permitiria constatar na sua escrituração o seu direito creditório. Anexou aos autos cópias de Diário e Razão, dentre outros documentos, invoca o princípio da verdade material e cita em prol de sua argumentação o Acórdão nº 20309.788 e a Solução de Consulta da 3ª Região Fiscal nº 35, de 30/08/2005. Por fim, a contribuinte requer que seja reformada integralmente a decisão proferida pela DRJ Campinas, a fim de que seja reconhecido o direito ao crédito proveniente de recolhimento indevido efetuado a título de Cofins e, conseqüentemente, que seja homologada a compensação por ela realizada. É o Relatório. Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os requisitos admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de COFINS relativo ao mês de dezembro de 2002. Não obtendo êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, alegando que a retificação da DCTF decorre da tributação de “outras receitas”, destacando que a simples realização de diligência comprovará o direito creditório da recorrente. Apesar de a contribuinte ter retificado sua DCTF somente após o despacho eletrônico proferido pela DRJ de origem e de não ter trazido à primeira instância as provas que juntou aos autos à época da apresentação do Recurso Voluntário, se efetivamente tiver recolhido a Contribuição sobre “outras receitas”, nos termos do alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, este Colegiado poderá decidir ao seu favor. A DRJ, ao manter o indeferimento considerando a ausência de provas do recolhimento a maior e a retificação tardia da DCTF, decidiu conforme o estado do processo até então. Certamente poderia ter cogitado de diligência, se na manifestação de inconformidade Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912967/200963 Resolução nº 3401000.668 S3C4T1 Fl. 98 3 a contribuinte tivesse esclarecido o indébito, como faz na peça recursal. Assim, descabe cogitar de anulação do acórdão recorrido, sendo certo que inexistiu qualquer cerceamento do direito de defesa. A diligência ora proposta surgiu com os esclarecimentos prestados no recurso voluntário, desta feita acompanhados de documentos (cópias dos Livros Diário e Razão) que precisam ser analisados pela fiscalização. Quanto à circunstância de a DCTF ter sido retificada extemporaneamente, há de ser relevada se o resultado da diligência comprovar ter havido pagamento a maior, por terem sido computadas na base de cálculo receitas que somente seriam tributadas à luz do alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, cuja inconstitucionalidade, em caráter definitivo, é posterior ao fato gerador deste processo. Por sinal, a decisão de Superintendência da RFB confirmando a desnecessidade de retificação de DCTF, na hipótese que se afigura como a situação destes autos. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO:Obrigações Acessórias EMENTA:COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e a fiscal e outros documentos que considerar pertinentes. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido. Deve ser demonstrado, ainda, se houve recolhimento a maior, levandose em conta os dois valores devidos levantados (um tomandose como base de cálculo a receita bruta alargada, outro apenas o faturamento estrito anterior à Lei nº 9.718/98). Cientifiquese a contribuinte no prazo de trinta dias para, caso queira, manifestarse em relação ao resultado da diligência. É como voto! Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002742/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004
Ementa:: DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
Numero da decisão: 2301-003.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado; b) em dar provimento ao recurso voluntário, devido a referir-se a auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2002, anteriores a 08/2002, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Leonardo Henrique Lopes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004 Ementa:: DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado; b) em dar provimento ao recurso voluntário, devido a referir-se a auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2002, anteriores a 08/2002, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Leonardo Henrique Lopes - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes.
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PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado; b) em dar provimento ao recurso voluntário, devido a referirse a auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2002, anteriores a 08/2002, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 42 /2 00 8- 31 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Leonardo Henrique Lopes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15504.002742/200831 Acórdão n.º 2301003.413 S2C3T1 Fl. 749 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o Órgão Público acima identificado, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, à da empresa, e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório da NFLD (fls. 471), constitui fato gerador do tributo lançado o fornecimento de alimentação in natura, sem inscrição no PAT, aos seguintes servidores públicos estaduais não detentores de cargo efetivos e, segundo a fiscalização, segurados obrigatórios do RGPS: ocupantes de função pública, bolsistas, cedidos, contratados sob a modalidade de contrato administrativo e médicos residentes. A notificada impugnou o débito e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, conforme despacho de fls. 672, resultando na Informação Fiscal de fls. 679, por meio da qual a autoridade notificante ratifica o débito. Por meio do Acórdão 0222.341, da 12a Turma da DRJ/BHE (fls. 689), a Receita Federal do Brasil julgou o lançamento procedente em parte, reconhecendo a decadência de parte do débito, nos termos da regra do art. 173, I, do CTN, e recorrendo de ofício a este Conselho dessa decisão. Inconformada com a manutenção de parte do valor lançado, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 721), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insurgese contra o indeferimento da perícia requerida em sede de impugnação. No mérito, reafirma que aplicamse aos detentores de função pública os dispositivos da Lei Estadual n° 869/52, do Decreto Estadual n° 31.930/90 e da Lei n. 9.380/86, vigentes à época do período em cobrança, em cujos artigos prevêem os benefícios previdenciários aos servidores estaduais, incluindo aposentadoria nas diversas modalidades e pensão aos seus dependentes. Reitera que os detentores de função pública também eram e são segurados do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Minas Gerais — IPSEMG, que lhe concede outros benefícios previdenciários, inclusive pensão, por força dos arts. 2° e 18 da Lei n° 9.380/86, e que os contratados administrativamente são regidos pelo art. 11, da Lei 10.254/90. Ressalta que ainda que se entenda ser devida qualquer contribuição da FHEMIG ao INSS em relação a estes servidores, tal débito seria passível de compensação, nos moldes da Lei n° 9.796/99, o que geraria a improcedência do presente lançamento. Em relação aos bolsistas, expõe os motivos pelos quais entende que inexiste qualquer vínculo empregatício, o que impede que sejam enquadrados como segurados obrigatórios do RGPS. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Conclui requerendo o deferimento da perícia solicitada e, no mérito, que seja julgado procedente o recurso, a fim de reformar a decisão recorrida e anular o lançamento efetuado. É o relatório. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15504.002742/200831 Acórdão n.º 2301003.413 S2C3T1 Fl. 750 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Os recursos sáo tempestivso e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento A 12a Turma da DRJ/BHE recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente em parte a NFLD lançada contra o Órgão Público FHEMIG, excluindo do débito os valores lançados nas competências alcançadas pela decadência nos termos do art. 1730, I, do CTN. De fato, verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. No caso em tela, tratase de lançamento de verba que a notificada não considerava fato gerador da contribuição, ou seja, de lançamento de ofício, para o qual não houve antecipação do tributo, aplicandose, dessa forma, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Dessa forma, assiste razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento procedente em parte, excluindo, do débito, por decadência, os valores lançados até a competência 11/2001, inclusive, motivo pelo qual conheço do recurso de ofício e negolhe provimento. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Quanto aos valores mantidos no lançamento pela primeira instância administrativa, observase que se referem a contribuições previdenciárias incidentes sobre as quantias relativas à alimentação in natura fornecida pela recorrente aos servidores públicos apontados pela fiscalização. Em relação a essa matéria, é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não integrar o salário de contribuição, independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Leonardo Henrique Lopes No caso em apreço, quando da autuação, o prazo de decadência de que gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15504.002742/200831 Acórdão n.º 2301003.413 S2C3T1 Fl. 751 7 Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 771DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15504.002742/200831 Acórdão n.º 2301003.413 S2C3T1 Fl. 752 9 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No presente caso, verificase que o débito lançado referese ao pagamento contribuições previdenciárias no período de 01/1997 a 12/2004. Em análise dos autos, não se verificou o inadimplemento de todas as contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Além disso, não restou comprovado que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação,o que configura o pressuposto fático Fl. 772DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, estando, assim, afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Deste modo, considerando que o crédito previdenciário foi constituído em 08/2002, envolvendo as competências 01/1997 a 12/2004, encontramse decaídos os períodos até 07/2002, isto é, anteriores a 08/2002. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 11080.730764/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo até decisão definitiva do STF.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo até decisão definitiva do STF. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 30 76 4/ 20 11 -6 8 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730764/201168 Resolução nº 2402000.349 S2C4T2 Fl. 287 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 23/11/2011 para constituição de crédito sobre serviços contratados por intermédio de cooperativa de trabalho. Segue transcrição de trechos do relatório fiscal e da decisão recorrida: Relatório Fiscal: SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA SESI teve lavrado contra si o Auto de Infração AI n.º DEBCAD 37.335.3502, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais das competências janeiro de 2007 a dezembro de 2008, incidentes sobre pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho, no caso, a Unimed Federação das Cooperativas Médicas do RGS, CNPJ n.º 87.158.507/000156. A autoridade lançadora noticia que a Fundação dos Servidores do SESI FUSERGS discute judicialmente as contribuições sobre cooperativas de trabalho. “A ação, em fase de recurso, tramita no STF sob n.º 368675.” ... Decisão recorrida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ISENÇÃO. LEI N.º 2.613/55 A “ampla isenção fiscal” de que gozam os serviços e bens do SESI, prevista nos artigos 11 a 13 da Lei n.º 2.613/55, não pode ser estendida, por falta de amparo legal, às contribuições incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho médico. ISENÇÃO. DECRETOLEI N.º 9.403/46 A isenção prevista no artigo 5.º do DecretoLei n.º 9.403/46, combinado com o disposto no artigo 1.º e seu parágrafo único do DecretoLei n.º 7.690/45, referese exclusivamente aos impostos incidentes sobre os bens, rendas e serviços do SESI. Em conseqüência, não pode tal benefício, por falta de amparo legal, ser estendido às contribuições previdenciárias patronais devidas por essa entidade, incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho médico. DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730764/201168 Resolução nº 2402000.349 S2C4T2 Fl. 288 3 As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJs têm competência para conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, impugnações e manifestações de inconformidade interpostas contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a imunidade e a isenção. Descabe, em conseqüência, em processo referente a auto de infração, a discussão de imunidade/isenção tributária, objeto de processo específico. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Aponta, inicialmente, a “inconstitucionalidade do auto de infração”, tendo em vista que o dispositivo legal em que se funda, ou seja, o inciso IV do artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, introduzido pelo artigo 1.º da Lei n.º 9.876, de 26 de novembro de 1999, padece do vício insanável da inconstitucionalidade, tanto material quanto formal. E isto porque restaram inobservados, em relação à Constituição Federal, (a) o artigo 195, inciso I, “a”, que não prevê incidência dessa exação nas relações com pessoa jurídica; (b) o artigo 195, parágrafo 4.º, que exige lei complementar nos casos de instituição de nova fonte de custeio da Seguridade Social; e (c) o artigo 146, inciso III, “c”, que reclama, também, lei complementar, para o tratamento tributário ao ato cooperativo. Em seqüência, refere sua condição de entidade beneficente de assistência social e educacional, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, e afirma que possui imunidade tributária em relação às contribuições para a Seguridade Social, nos termos do artigo 195, parágrafo 7.º, da Constituição Federal, bem como goza de ampla isenção fiscal, “ex vi” da Lei n.º 2.613, de 23 de setembro de 1955, mais o artigo 5.º do DecretoLei n.º 9.403, de 25 de junho de 1946, não estando obrigado ao pagamento dos valores apontados, como de resto, das demais contribuições, inclusive aquelas destinadas a terceiros, “consoante remansosa e escorreita jurisprudência dos Tribunais”. Tece também considerações acerca do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, concluindo que tal norma “trata, inegável e irretorquivelmente, de limitação ao poder de tributar, para o que se faz imprescindível a edição de lei complementar, por força do disposto no artigo 146, II, da Constituição Federal”. Assim, os requisitos da lei a que remete o artigo 195, parágrafo 7.º, da Constituição Federal, são aqueles do artigo 14 do Código Tributário Nacional CTN, “lei complementar, nessa parte recepcionada pelo texto constitucional”. Reitera que a par de beneficiário da isenção de que trata o artigo 195, parágrafo 7.º, da Constituição Federal, goza de ampla isenção fiscal, “que se lhe foi outorgada pela Lei Federal n.º 2.613/55, não estando obrigado ao pagamento de contribuições, inclusive as destinadas a terceiros, e, como de resto, do indigitado PIS, exação de caráter previdenciário por excelência”. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730764/201168 Resolução nº 2402000.349 S2C4T2 Fl. 289 4 Ademais, a própria norma de criação do SESI, o artigo 5.º do Decreto Lei n.º 9.403, de 25 de junho de 1946, estendeu, desde logo, aos seus bens, rendas e serviços, os benefícios da isenção tributária outorgados à Legião Brasileira de Assistência pelo DecretoLei n.º 7.690/45 – o que posteriormente foi complementado pela outorga de “mais ampla isenção fiscal através da Lei n.º 2.613, de 23 de setembro de 1955”, concedida de forma expressa e específica no tocante ao “pagamento de contribuições previdenciárias, as denominadas contribuições para o custeio da seguridade social, nelas compreendida, por óbvio, a contribuição ao PIS, a COFINS, bem como as destinadas a terceiros”. ... Postula seja acolhida “a presente impugnação para desconstituir o auto de infração DEBCAD 37.335.3502, tornandoo sem efeito e, ato contínuo, declarar a inexigibilidade da exação de que trata a norma inconstitucional e dos valores que constituem a consolidação do suposto débito.” Entende, ainda, “devam ser desconstituídos também os autos de infração DEBCAD 51.011.6019, posto se referi [sic] a multas imanentemente vinculadas à obrigação principal, objeto desta Impugnação, fiel ao princípio e à máxima latina ‘acessorium sequitur principale” “Em feitio sucessivo”, pretende seja apreciada “a possibilidade de manter o efeito suspensivo da presente Impugnação até a decisão final do STF nos autos da ADI 2.5945, ou do Recurso Extraordinário 430.534, este no caso de seu provimento.” É o Relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730764/201168 Resolução nº 2402000.349 S2C4T2 Fl. 290 5 Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Das Preliminares Sobrestamento de matérias O lançamento constituiu crédito de contribuição sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho, matéria essa em discussão no STF com repercussão geral. De acordo com a Portaria CARF n° 001, de 03/01/2012, para o sobrestamento no âmbito deste CARF não basta o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, deve ser comprovado que de fato os processos que versem sobre a mesma matéria estão sobrestados nos tribunais de origem: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. No presente caso, constato através das decisões monocráticas proferidas pelos ministros do STF, que se seguiram ao reconhecimento da repercussão geral, que houve efetivamente o sobrestamento de todos os processos onde se discute a constitucionalidade da contribuição previdência incidente sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho: DECISÃO Vistos. O Plenário desta Corte, em sessão realizada por meio eletrônico, concluiu, no exame do Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, de minha relatoria, pela existência da repercussão geral da matéria constitucional versada nestes autos. Tratase da discussão acerca da constitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura decorrente de serviços prestados por cooperativas de trabalho, consoante o disposto no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação alterada pela Lei nº 9.876/99. Na Questão de Ordem suscitada pelo Ministro Gilmar Mendes, Presidente, no Agravo de Instrumento nº 715.423/RS, o Plenário deste Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730764/201168 Resolução nº 2402000.349 S2C4T2 Fl. 291 6 Supremo Tribunal Federal, na sessão de 11/6/08, decidiu que o regime previsto no artigo 543B, §§ 1º e 3º, do Código de Processo Civil, na hipótese de já ter sido reconhecida por esta Corte a repercussão da matéria constitucional discutida nos autos, aplicase, também, aos recursos extraordinários interpostos de acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007 e aos agravos de instrumentos respectivos. Na sessão do Pleno de 20/8/08, no julgamento da Questão de Ordem suscitada pelo Ministro Cezar Peluso, Relator, no Recurso Extraordinário nº 540.410/RS, este Tribunal decidiu, em situação similar à anterior, pela devolução dos autos ao Tribunal local para os fins do disposto no artigo 543B do Código de Processo Civil. Assim, nos termos do artigo 328 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja aplicado o disposto no artigo 543B do Código de Processo Civil. Publiquese. Brasília, 18 de maio de 2009. Ministro MENEZES DIREITO Relator ... DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. QUESTÃO SUSCETÍVEL DE REPRODUZIRSE EM MÚLTIPLOS FEITOS. ART. 543B DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO REGIMENTO INTERNO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra julgado no qual se discute a constitucionalidade do artigo 22, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, alterada pela Lei n. 9.876/99. Esse dispositivo instituiu contribuição social à alíquota de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida em decorrência de prestação de serviços realizados por cooperativas. Apreciada a matéria posta em exame, DECIDO. 2. No julgamento eletrônico do Recurso Extraordinário n. 595.838, Relator o Ministro Menezes Direito, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada neste recurso extraordinário. Reconhecida a repercussão geral do tema, os autos deverão retornar à origem para aguardar o julgamento do mérito e, após a decisão, observar o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil. 3. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, em 20.8.2008, o Supremo Tribunal Federal Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730764/201168 Resolução nº 2402000.349 S2C4T2 Fl. 292 7 resolveu questão de ordem no sentido de que o art. 543B do Código de Processo Civil também se aplica aos recursos extraordinários interpostos contra acórdãos publicados antes de 3.5.2007. 4. Pelo exposto, determino a devolução destes autos ao Tribunal a quo para que seja observado o art. 543B do Código de Processo Civil, nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Publiquese. Brasília, 7 de outubro de 2009. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora ... DESPACHO (Petição 3.310/2010) DETERMINAÇÃO DE RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM: ART. 543B DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. PETIÇÕES PROTOCOLADAS APÓS A DETERMINAÇÃO DE RETORNO. EXAME PELO ÓRGÃO JUDICIAL DE ORIGEM. 1. Em 7.10.2009, determinei a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que fosse observado o art. 543B do Código de Processo Civil. Em 4.12.2009, os autos foram baixados ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 2. Em 1º.2.2010, a Recorrente requereu, “nos termos da desistência expressa da empresa Duratex S/A (cópia anexa), a exclusão da referida empresa dos benefícios da ação”. 3. Os autos já estão na origem e a determinação de retorno com fundamento no art. 543B do Código de Processo Civil devolve ao órgão judicial de origem a competência para a apreciação de novos incidentes processuais. O procedimento do art. 543B do Código de Processo Civil se tornaria inócuo se a cada petição protocolizada pelas partes os autos ficassem paralisados à espera de exame ou tivessem que retornar ao Supremo Tribunal Federal para despacho. 4. Desse modo, a petição em referência e as demais que eventualmente vierem a ser apresentadas deverão ser examinadas pelo Juízo de origem. À Secretaria Judiciária para que devolva esta petição ao seu subscritor. Publiquese. Brasília, 22 de março de 2010. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730764/201168 Resolução nº 2402000.349 S2C4T2 Fl. 293 8 ... Assim, comprovado o sobrestamento pelo STF, em cumprimento ao artigo 62 A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 e artigo 1º da Portaria CARF n° 001, de 03/01/2012, entendo que deva ser sobrestado o presente processo até decisão de mérito do STF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Em razão do exposto, voto pelo sobrestamento do presente processo até decisão de mérito definitiva pelo plenário do STF. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11042.000224/2004-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 11/11/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REXAMIDA 60. O produto de nome comercial
Rexamida 60 é um agente orgânico de superfície não iônico e classifica-se na posição NCM 3402.13.00.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.284
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara/lª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11042.000224/2004-83 Recurso n° 138.938 Voluntário i Acórdão n° 3201-00.284 — 2a Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2009 • Matéria 11/Classificação Fiscal • Recorrente ALFHA QUÍMICA LTDA Recorrida DRJ em Florianópolis/SC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/11/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REXAMIDA 60. O produto de nome comercial Rexamida 60 é um agente orgânico de superfície não iônico e classifica-se na posição NCM 3402.13.00. I RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros !da 2a Câmara/la. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. • 41 ot...L. • JUDITH e O ' MARAL MARCONDES ARMA lo O Presidente , (1 /VAA/U—e/ R/4/vm ÁM4403 • • MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA ! SRelator , Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Lopes de Almeida Moraes. I , i 1• 1 • Processo n° 11042.000224/2004-83 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.284 Fl. 292 Relatório Trata-se de retorno de diligência determinada por este Colegiado eM recurso voluntário que versa sobre a classificação correta do produto Rexamida 60, 1 seja na classificação adotada pelo recorrente (2924.19.94) ou a adotada pela fiscalização (3402.13.00). Como os laudos que constam dos autos foram considerados contraditórios e merecedores de nova análise cuidadosa no que se refere ao produto para definir se o mesmo é um composto orgânico definido ou não, este Colegiado determinou a remessa dos autos ao LABANA a fim de que aquele laboratório respondesse o que se segue: • 1 — O produto Remaxida 60 é um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente (mesmo contendo impurezas)? 2 — O produto Remaxida 60 é uma substância constituída por urna espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo), cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos? 3 — O produto Remaxida 60 pode ser representada por um diagrama estrutural único? 4 - Numa rede cristalina, a espécie molecular do produto Remaxida 60 corresponde ao motivo repetitivo? 5 — O produto Remaxida 60, quando misturado com água numa concentração de 0,5%, a 20°C e deixado em repouso durante uma hora à mesma temperatura, origina um líquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel? 6 — O produto Remaxida 60, quando misturado com água numa concentração de 0,5%, a 20°C e deixado em repouso durante urna hora à mesma teMperatura, reduz a tensão superficial da água a 4,5x10-2 N/m (45dyn/cm), ou menos? 7 — O produto Remaxida 60 é um agente orgânico de superficie, não iônico? 8 — Queira desconsiderar na análise para a resposta das perguntas acima as eventuais impurezas encontradas no referido produto (exceto se as mesmas tenham sido deliberadamente incluídas neste, justificando, se for este o caso, o motivo de sua inclusão na análise procedida) e acrescentar as informações que considere relevantes para o julgamento correto do presente feito. Após a diligência, foi intimado o contribuinte para se manifestar sobre as informações fornecidas e vieram aos autos suas considerações. Os autos retornaram ao antigo Terceiro Conselho de Contribuinte e tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar corno relator 2 Processo n° 11042.000224/2004-83 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.284 Fl. 293 no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. • • • 3 Processo n° 11042.000224/2004-83 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.284 Fl. 294 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator O recurso é tempestivo e atende a lei quanto aos requisitos, portanto, tomo conhecimento do mesmo. Conforme já apontei por ocasião da conversão do julgamento em diligência, aponto a meus pares que a matéria sobre a qual versa este recurso voluntário já foi debatida pela Colenda Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, no Recurso Voluntário n° 133.479, da lavra do Ilustre Conselheiro Zenaldo Loibman, cuja ementa, no que se refere ao tema deste recurso, transcrevo parcialmente abaixo: REXAMIDA. AUSÊNCIA DE DITAME DO COMITÊ TÉCNICO DO MERCOSUL. NÃO HÁ CONVENÇÃO INTERNACIONAL. RECLASSIFICAÇÃO PARA O CAP.34. CABÍVEL MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE OS TRIBUTOS ADUANEIROS NÃO RECOLHIDOS. CONFIRMAÇÃO DA ORIGEM E DO LICENCIAMENTO. AFASTADAS A MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADUANEIRO BEM COMO A MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. Não há Ditame Mercosul neste caso. Mesmo que houvesse uma recomendação do Comitê Técnico do MERCOSUL, esta não alcança o status de convenção internacional, cujos formalidades exigidas são bem especificas. A administração aduaneira brasileira tem competência para manejar adequadamente as regras do SH e estabelecer a classificação fiscal do produto. Realizada a análise da mercadoria. As respostas aos quesitos afastam a hipótese de ser composto orgânico com constituição química definida e isolada, portanto não poderia ser classificado no Capítulo 29. Com base na descrição constante do laudo técnico, a correta classificação deve ser no código NCM 3402.13.00, conforme apontado pela fiscalização. A falta de recolhim'ento dos tributos aduaneiros nas alíquotas exigíveis autoriza a multa de oficio de 75% sobre o valor devido. Os certificados de origem mencionam o número da fatura comercial, estas, por sua vez, indicam expressamente o nome comercial REXAMIDA bem como seus números estão informados nas DI's, com o que se pode concluir que os certificados de origem identificam corretamente os produtos descritos nas faturas correspondentes que se vinculam as DI's. Licenciamento válido, e o certificado de origem cumpre sua finalidade precípua. Afastadas a multa por infração ao controle aduaneiro, bem como a multa por falta de licenciamento. Depreende-se do resultado da diligência, pela primeira vez nos autos que o produto em questão, Rexamida 60, não é uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (apesar do nome Dietanolamidas de Ácidos Graxos de C12 a C18), conforme a resposta ao item 4 da diligência. 4 , I Processo n° 11042.000224/2004-83 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.284 Fl. 295 • É bem verdade que o item 4 não foi plenamente respondido, ao menos não da forma que este relator gostaria que fosse, entretanto, acredito que a afirmativa - não rebatida pelo contribuinte em seu comentário - de que não se trata de mistura de isômeros, é suficiente para a formação de meu convencimento sobre a matéria. Isto porque, na forma da regra 1, b, do Capítulo 29, as misturas de isômeros devem ser classificadas naquele Capitulo e, como as misturas de reação podem ser misturas de isômeros, havia a possibilidade da classificação do contribuinte estar correta. Como ficou claro pelo resultado da diligência que não se trata de mistura de isômeros, nem um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, a Rexamida 60 não pode ser enquadrada no Capítulo 29, por não atender aos requisitos da regra 1 daquele Capítulo. Assim, resta evidente que a classificação correta passa pelo Capítulo 34, por ser um agente orgânico de superficie, enquadra-se na posição 3402, pois a Rexámida 60 quando misturada com água em uma concenttação de 0,5%, a 20°C, e deixada em repouso durante uma hora à mesma temperatura: a) origina um liquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel; e b) reduz a tensão superficial da água a 4,5x10-2 N/m (45dyn/cm), ou menos. Por ser não iônico, vai à subposição 3402.13.00, portanto, correta a classificação adotada pela fiscalização, portanto, VOTO, por conhecer do recurso para negar- lhe provimento. Sala das Sessões, DF, 14 de agosto de 2.009. aÀ/Ck- 41-4(A/0) , I\ 1 • MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - reatr
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Numero do processo: 11128.002802/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 15/02/2006
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A alteração do art. 102, § 2º do Decreto-Lei nº 37/66 permite a aplicação do instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas, contudo,
o regime jurídico das penas impõe sua aplicação retroativa, haja vista que
vige o princípio excludente da punibilidade sempre que a norma nova é mais
benéfica ao acusado (princípio positivado no âmbito tributário no art. 106 do
CTN).
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3101-001.088
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX.DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A alteração do art. 102, § 2º do DecretoLei nº 37/66 permite a aplicação do instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas, contudo, o regime jurídico das penas impõe sua aplicação retroativa, haja vista que vige o princípio excludente da punibilidade sempre que a norma nova é mais benéfica ao acusado (princípio positivado no âmbito tributário no art. 106 do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. TARÁSIO CAMPELO BORGES Presidente Substituto VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17 /05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por TARASIO CAMPELO B ORGES Processo nº 11128.002802/200719 Acórdão n.º 3101001.088 S3C1T1 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Mônica Monteiro Garcia De Los Rios e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 47 dos autos emanados da decisão DRJ/SP2, por meio do voto da relatora Cecília Miyuki Ishida, nos seguintes termos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, referente à multa por deixar de prestar informações relativas ao embarque de mercadoria no prazo estipulado. Segundo relato da autoridade autuante (fl. 02), em 08/02/2006, as mercadorias objeto da Declaração de Simplificada de Exportação – DSE n° 2060010102/8 foram embarcadas ao amparo do Conhecimento Marítimo BSA32432. Todavia, os dados do embarque só foram informados no Siscomex em 25/09/2006, conforme extrato do Siscomex. Considerando que o registro dos dados foi realizado fora do prazo de 07 dias, conforme o disposto no art. 37 da IN/SRF n° 28/1994, com a redação dada pela IN SRF nº 510/2005, a autoridade fiscal intimou a impugnante por meio do Termo nº 179/06 (fl. 22), a recolher a multa prevista no artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Como a multa não foi recolhida, lavrouse o auto de infração sob análise. Cientificada do lançamento em 21/11/2006 (fl. 23 verso), a contribuinte apresentou impugnação em 30/05/2007 (fls. 29 e ss), alegando em síntese que: (a) por razões alheias à vontade da impugnante a referida DDE não pode ser entregue no prazo, mas não ocasionou embaraço à fiscalização. (b) a entrega da referida documentação se deu antes da intimação 179/06, o que caracterizaria denúncia espontânea; (c) por ser apenas uma prestadora de serviços e não a empresa de transporte internacional nem a agente de carga, não pode ser penalizada com a multa em questão. (d) Ao final requer o arquivamento do feito.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1746.390 de fls. 46 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/02/2006 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17 /05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por TARASIO CAMPELO B ORGES Processo nº 11128.002802/200719 Acórdão n.º 3101001.088 S3C1T1 Fl. 3 3 No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, tornase aplicável a multa regulamentar por falta do respectivo registro. SUJEIÇÃO PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. As agências marítimas, representantes do transportador estrangeiro, são responsáveis solidárias pelos tributos apurados em razão de faltas cometidas pelo representado que se encontram tipificadas na legislação aduaneira pátria. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido ” Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF em fls. 55 a 87 onde apresenta as mesmas alegações de sua impugnação inicial. Finalmente requer seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, a fim de que seja integralmente reformado o v.acórdão recorrido descontituindose o lançamento fiscal objeto do presente processo. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Por ser o presente processo idêntico aos processos 11128000143/200603 e 11128001966/200729 julgados nessa 1º Turma da 1º Câmara Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF em 26/01/2002, que teve como relator o Conselheiro Luiz Roberto Domingos, adoto as suas razões de decidir, com minhas homenagens, nos seguintes termos: “A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa agência marítima e não transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que sua responsabilização é expressamente determinada pelo §1º do art. 37 do DecretoLei nº 37/66, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17 /05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por TARASIO CAMPELO B ORGES Processo nº 11128.002802/200719 Acórdão n.º 3101001.088 S3C1T1 Fl. 4 4 informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Igualmente afasto o argumento de que a matéria em tela é regida pelo art. 41 da Instrução Normativa nº 28/94, haja vista não guardar relação alguma com os fatos narrados no Auto de Infração, que descreve o atraso na entrega das informações ao SISCOMEX a respeito do embarque de mercadorias destinadas ao exterior, o que se subsume adequadamente à hipótese do art. 37 dessa mesma Instrução Normativa, não havendo, quanto a esse aspecto específico, qualquer inexatidão nos fundamentos da autuação. Ultrapassados tais argumentos, contudo, entendo que a penalidade em tela deve ser afastada, por força da retroatividade da norma mais benigna prevista pelo art. 106, II, “a” do CTN. Vencida essa etapa, contudo, entendendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. É que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela estamos diante de uma excludente da punibilidade, haja vista estar a Recorrente perfeitamente amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Dispõe o art. 102 (caput §2º) do DecretoLei nº 37/66 que: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com isso recompensase a boafé do administrado, que espontaneamente declara ao Poder Público a prática de infrações que poderiam trazer consequências negativas a bem da atividade administrativa. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17 /05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por TARASIO CAMPELO B ORGES Processo nº 11128.002802/200719 Acórdão n.º 3101001.088 S3C1T1 Fl. 5 5 Leandro Paulsen1 leciona no sentido de que a denúncia espontânea tem a virtude de apontar para o Fisco determinadas pendências que sequer seriam percebidas no contexto das infinitas relações jurídicas das quais ele deve dar conta. O sistema é falível e o contribuinte, imbuído de boafé, não pode ser responsabilizado quando corrobora com o trabalho da administração, suprindolhe lacunas estruturais, vejamos: O objetivo da norma é de estimular o contribuinte infrator a colocarse em situação de regularidade, resgatando as pendências deixadas e ainda desconhecidas por parte do Fisco [...] A previsão legal é absolutamente consentânea com uma estrutura tributária incapaz de proceder à fiscalização efetiva de todos os contribuintes e que precisa, demais, estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, seja tempestiva, seja tardiamente. Na medida em que a responsabilidade por infrações resta afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservase a higidez do sistema [...] Para esse autor, tal instituto tem a função de estimular o cumprimento espontâneo das obrigações, quando já inadimplente o contribuinte. Isso nos permite ver emergir um aspecto de relevada importância. É que o jurisdicionado, confiante na exclusão da penalidade, fornece as informações ao Fisco, permitindolhe a ciência de fatos, que poderiam até passar despercebidos. Transportando esses argumentos para o caso em tela, percebemos que as condicionantes para aplicabilidade dos efeitos da denúncia espontânea estão satisfeitos. Está evidenciado que o procedimento fiscalizatório iniciouse depois que o contribuinte apresentou à autoridade competente as retificações noticiadas, muito embora estivessem fora do prazo determinado pela IN/SRF nº28/94. Foi à denúncia espontânea que permitiu ao fisco autuálo pelo atraso na entrega das informações e/ou retificações, conforme exigido por lei, bem como foi à denúncia espontânea que forneceu à administração as informações necessárias para que identificasse a regularidade ou não dos atos declarados. Tal constatação se reveste de grande relevância para o caso, haja vista que as mercadorias já embarcadas, depois de sete dias, estarão em altomar e sua conferência física é impossível, não havendo diferença substancial se a entrega foi tempestiva ou não. Ademais, o contribuinte não foi impedido de apresentar as informações relativas ao embarque antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório, o que não acontece, por exemplo, com as DCTF´s entregues em atraso, pois o próprio sistema da Receita Federal condiciona sua entrega extemporânea à automática ciência da autuação. Com isso, sabendo que a Recorrente informou o embarque antes de qualquer ato de ofício por parte da autoridade aduaneira ou do auto de infração, estando satisfeita a condição temporal da denúncia espontânea, ou seja, sua apresentação antes de qualquer procedimento fiscal. 1 PAULSEN, Leandro. DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 9ª Ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2007, p. 927. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17 /05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por TARASIO CAMPELO B ORGES Processo nº 11128.002802/200719 Acórdão n.º 3101001.088 S3C1T1 Fl. 6 6 Além disso, por ser legalmente possível a denúncia espontânea nos casos de infrações de natureza administrativa (§2º do art. 102 d DecretoLei nº 37/66), entendo pela incidência desse instituto ao caso, impondo a imediata exclusão da penalidade lavrada nos autos. Ressaltese que a alteração do art. 102, § 2º, do DecretoLei n° 37/66, que permite a aplicação do instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas, só ingressou para o sistema de direito positivo com a publicação da Lei n°12.350/2010. Contudo, o regime jurídico das penas impõe sua aplicação retroativa, haja vista que vige princípio excludente da punibilidade sempre que a norma nova é mais benéfica ao acusado (princípio positivado no âmbito tributário no art. 106 do CTN).” Isto posto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17 /05/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por TARASIO CAMPELO B ORGES
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