Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10715.005588/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 06/12/2004, 13/12/2004, 14/12/2004, 17/12/2004, 18/12/2004, 25/12/2004, 26/12/2004, 27/12/2004, 28/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Acórdão Ratificado
Numero da decisão: 3102-002.305
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 06/12/2004, 13/12/2004, 14/12/2004, 17/12/2004, 18/12/2004, 25/12/2004, 26/12/2004, 27/12/2004, 28/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acórdão Ratificado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10715.005588/2009-31
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5414106
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-002.305
nome_arquivo_s : Decisao_10715005588200931.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Luis Marcelo Guerra de Castro
nome_arquivo_pdf_s : 10715005588200931_5414106.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5778419
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476874772480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 185 1 184 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.005588/200931 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3102002.305 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria Embargos de Declaração Embargante LUFTHANSA CARGO AG Interessado LUFTHANSA CARGO AG ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 06/12/2004, 13/12/2004, 14/12/2004, 17/12/2004, 18/12/2004, 25/12/2004, 26/12/2004, 27/12/2004, 28/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acórdão Ratificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 3102 001.399, de 16 de fevereiro de 2012, que, à época, recebeu a seguinte ementa. Assunto: Obrigações Acessórias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 55 88 /2 00 9- 31 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.005588/200931 Acórdão n.º 3102002.305 S3C1T2 Fl. 186 2 Data do Fato Gerador: 06/12/2004, 13/12/2004, 14/12/2004, 17/12/2004, 18/12/2004, 25/12/2004, 26/12/2004, 27/12/2004, 28/12/2004 INFORMAÇÃO PRESTADA SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E” DO DECRETOLEI 37/66. O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. O presente processo trata da exigência do valor de R$ 45.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em dezembro 2004 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/00272/09", descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 15 a 32 alegando, em síntese, que: a equivocada fundamentação legal da penalidade aplicada torna nulo o auto de infração, conforme se depreende do inciso IV do artigo 10 combinado com o inciso II do artigo 59, ambos do Decreto 70.235/72, eis que cerceia o direito de Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.005588/200931 Acórdão n.º 3102002.305 S3C1T2 Fl. 187 3 defesa da impugnante, uma vez que a multa não corresponde à infração supostamente praticada; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2º da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2º do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade específica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considerase concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; o artigo 107 inciso IV alínea "e" do DecretoLei 37/66, ao mencionar a expressão "deixar de prestar informações'", não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os dados de embarque das mercadorias no Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex. Portanto, foi exatamente por esses motivos e em atendimento aos princípios da finalidade e da motivação que foi proferida a Solução de Consulta 215/04, que não deixa dúvida quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem de prazo para registro das informações no Siscomex nas retro mencionadas datas, razão pela qual devem ser declarados nulos os lançamentos da multa relativamente àquelas averbações realizadas no primeiro dia útil subseqüente ao respectivo embarque; por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; a inobservância dos prazos regulamentares tão somente acarretaria embaraço à fiscalização se prejudicasse negativamente a capacidade de o fisco arrecadar tributos, o que não é o caso, pois referida intempestividade não traz qualquer prejuízo à atividade fiscalizadora, sendo irrelevante para o direito tributário a conduta infracional supostamente praticada. por diversas vezes no decorrer do ano de 2004 o Siscomex permaneceu indisponível,impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade. Nesse sentido, pede para que seja resgatada a memória das panes de sistema ocorrida no mês de dezembro de 2004. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.005588/200931 Acórdão n.º 3102002.305 S3C1T2 Fl. 188 4 Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação, reduzindo a multa à R$ 15.000,00, por entender que o prazo previsto na IN SRF nº 1.096/2010, de 7 (sete) dias, para informação de carga transportada, deveria ser aplicado à parte do lançamento, em razão da retroatividade benigna. Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma parcial da decisão, repisando as alegações apresentadas na impugnação, que podem ser assim resumidas em apertada síntese. O auto de infração não foi instruído com documentação comprobatória da infração imputada e com a base legal diferente dos fatos apurados, caracterizando cerceamento do direito de defesa. A planilha Siscomex em que se baseia o lançamento não indica a data das tentativas realizadas pela Recorrente para a inserção de dados, que não ocorreram em razão de falhas técnicas do Sistema Siscomex. Inaplicabilidade ao caso, da multa por embaraço a fiscalização. Finaliza a Recorrente alegando a absoluta falta de proporcionalidade e razoabilidade da multa aplicada e seu caráter confiscatório. As razões dos Embargos opostos ao Acórdão podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. Omissão em relação à alteração do artigo 102, § 2º, do Decreto Lei nº 37/66, introduzida pela Lei nº 12.350/10, por meio da qual foi introduzido o benefício da espontaneidade para as infrações aduaneira de natureza administrativa. Cita e transcreve jurisprudência deste Conselho que considera favorável ao entendimento de que a infração cometida estaria excluída, a partir da Lei nº 12.350/10, pelo instituto da espontaneidade. Omissão quanto à ausência de provas da infração e quanto às provas de indisponibilidade do Siscomex. Argumenta, A Embargante solicita que sanada a omissão quanto à ausência de prova no auto de infração de que o registro de embarque efetuado pela Embargante se deu a destempo. Isto porque a Embargante comprovou por meio de vasta documentação que o Siscomex registra apenas as correções de dados de embarque, caso sejam estas necessárias, não sendo a planilha apresentada pela fiscalização prova suficiente da infração. Quanto às provas de indisponibilidade do Siscomex juntadas aos autos, quais sejam, notícias ANVISA, emails da Administração Pública e decisões administrativas, a Embargante requer que este E. Conselho se pronuncie especificamente sobre elas, bem como sobre a legislação aduaneira que reconhece essas indisponibilidades, mas precisamente o art. 1º da IN RFB nº 835/2008, abaixo transcrito. (...) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.005588/200931 Acórdão n.º 3102002.305 S3C1T2 Fl. 189 5 Omissão quanto à impossibilidade de aplicação de norma ainda não vigente à época em que ocorridos os fatos geradores. Diante desta autuação, a IN 510/05 não poderia retroagir aos fatos geradores relacionados aos vôos realizados em 2004, eis que a redação original da IN 28/94 era mais benéfica, em razão de sua incerteza, do que o prazo de 02 dias estipulado pela IN 510/05. Omissão em relação à incorreta tipificação das ocorrências, da incorreta adequação dos fatos à norma, mais uma vez, quanto à ausência de provas da infração imputada à Embargante e, por fim, quanto à imperfeição das provas apresentadas em face dos problemas operacionais do Siscomex. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Compulsando os autos, percebese que o excludente de espontaneidade não foi uma das razões de defesa da Embargante por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário. O que se extrai do teor peça recursal é que a então Recorrente tratou, desde logo, de apresentar os elementos com os quais pretendia demonstrar a improcedência da autuação, nos seguintes termos. No entanto, concluiremos no presente recurso que esta autuação é nula e que a r. decisão necessariamente deve ser reformada pelas seguintes razões: 1) O auto de infração lavrado em face da Recorrente não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando a não ocorrência do fato gerador da multa, bem como a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa; 2) O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 3) A planilha Siscomex que integra o presente auto de infração não indica a data real em que a Recorrente realiza a inserção de dados de embarque no sistema, razão pela qual, por falha técnica, não ficam registradas as tentativas de inclusão de dados de embarque no Siscomex, conforme comprovado abaixo; 4) O Siscomex inegavelmente apresenta falhas técnicas (comprovadas abaixo) que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa; Nem aí nem em nenhum outro momento fezse menção à aplicação do instituto da espontaneidade e à possibilidade de que as novas disposições normativas fossem empregadas a fatos pretéritos. Nestas condições, não vejo como cogitar de omissão. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.005588/200931 Acórdão n.º 3102002.305 S3C1T2 Fl. 190 6 Ainda a esse respeito, imperioso que se diga que o excludente associado à ação espontânea não pode ser reconhecida como matéria de ordem pública. Basta que se lembre que a aplicação do instituto às infrações por atraso na entrega das declarações aduaneiras vem formando jurisprudência administrativa dissonante. Se não é uníssono o entendimento administrativo, como se haveria de cogitar de sua aplicação de ofício? E nem se diga que matéria de ordem pública comporta diferentes interpretação na jurisprudência. Isso, de fato, pode perfeitamente acontecer; contudo, jamais em relação à essência do assunto tratado, mas exclusivamente em relação às diferentes interpretações que possam receber determinadas regras de aplicação que lhes sejam próprias. Por exemplo, discutemse as regras de contagem do prazo decadencial, mas jamais a submissão de todo e qualquer tributo a um prazo para constituição da exigência. E é isso que se observa em relação ao instituto da espontaneidade. Conforme jurisprudência, ele pode ser aplicado a determinadas infrações e a outras não. Tanto é assim, que existe súmula aprovada no âmbito deste Conselho, afastando sua aplicação às infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações. Observe se. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Também não identifiquei omissão a respeito da falta de comprovação da infração. Sobre o assunto, localizei no Acórdão embargado as considerações a seguir transcritas. Inicialmente cabe a análise da alegação de cerceamento do direito de defesa, em razão da ausência de prova comprobatória dos fatos e divergência quanto ao embasamento legal. Nesta matéria não assiste razão a Recorrente. O Auto de Infração foi realizado dentro das normas legais, atendendo todos os requisitos previstos na legislação quanto a formalização do lançamento tributário. A multa foi corretamente descrita e detalhada, sendo o lançamento objeto de impugnação e julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e ainda, não tendo as suas pretensões atendidas, a Recorrente protocolou o Recurso Voluntário. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa. O procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, ao devido processo administrativo fiscal. Como pode ser visto no texto extraído do Recurso Voluntário, conforme acima transcrito, já no primeiro item da lista que contém os apontamentos sobre os quais recairá a defesa, a Recorrente refere o fato de que o auto de infração lavrado em face da Recorrente não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando a não ocorrência do fato gerador da multa, bem como a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Contudo, mesmo que alegue, como consequência da ausência de instrução probatória, a inocorrência do fato gerador da multa, ao sustentar a nulidade do auto de infração referese ao cerceamento do direito de defesa, razão pela qual o assunto foi sob esse prima examinado pelo Relator do Processo. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.005588/200931 Acórdão n.º 3102002.305 S3C1T2 Fl. 191 7 Quanto a isso, importante acrescentar que mesmo que a defesa não tivesse associado a falta de provas à preterição do direito de defesa, seria perfeitamente aceitável que o Relator, por si mesmo, escolhesse essa abordagem, uma vez que, strictu sensu, associase a nulidade do procedimento ou à preterição ao direito de defesa ou à incompetência do agente. O que importa no caso concreto é que o Relator referiuse textualmente à alegada ausência de prova comprobatória dos fatos, decidindo que o Auto de Infração foi realizado dentro das normas legais, atendendo todos os requisitos previstos na legislação quanto a formalização do lançamento tributário, razão pela qual, nesta matéria não assiste razão a Recorrente. Também foram enfrentadas pela decisão embargada as alegações de que a Fiscalização teria considerado a data de averbação do embarque da carga e não a data do registro dos dados de embarque. No tópico IV, sob o título "Prova Imperfeita da Infração Cometida em Razão de Falhas do Siscomex Ausência de Registro das Tentativas de Inserção de Dados" a então Recorrente defendeu seu ponto de vista. IV PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE FALHAS DO SISCOMEX AUSÊNCIA DE REGISTRO DAS TENTATIVAS DE INSERÇÃO DE DADOS (...) Ou seja, depreendese do dispositivo acima que a relação de embarques informada no auto de infração está informando, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a do registro, porque esta efetivamente não consta do SISCOMEX. Para compreender a questão, é necessário, em primeiro lugar, verificar que o registro de informações de embarque é diferente da averbação. 0 exportador ou seu representante registram a DDE ou a DSE e preenchem o AWB da carga que será transportada. Após este registro, a transportadora aérea tem acesso ao AWB com base no qual faz o manifesto. A Receita Federal, na conferência da exportação, libera ou não a mercadoria com base na DDE ou na DSE e no manifesto. Como as informações são prestadas por diferentes agentes, podem ocorrer erros durante este processo. (...) Por seu turno, o Voto condutor da decisão embargada, manifesta seu entendimento a respeito das razões de defesa. Alega a Recorrente a existência de erros no sistema Siscomex. O que teria impossibilitado a informação do embarque da carga, no prazo determinado pela IN SRF nº 28/1994. Analisando os documentos constantes do recurso voluntário não foram identificados quaisquer documentos ou fatos que comprovam o erro no Sistema Siscomex, que vincula ou demonstre que as informações da carga em discussão nos autos, foi impossibilitada por erro deste Sistema. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.005588/200931 Acórdão n.º 3102002.305 S3C1T2 Fl. 192 8 E tampouco houve omissão em relação à incorreta tipificação das ocorrências, da incorreta adequação dos fatos à norma. O assunto é abordado em diversas passagens do Acórdão, se não vejamos. Lançamento em razão da informação intempestiva de dados de embarque O lançamento teve origem no descumprimento do prazo para informação dos dados de embarque, referente a transportes internacionais realizados pela Recorrente. O prazo para informação dos embarques estava definido à época dos fatos no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, alterado pelo art. 1º, da IN SRF nº 510/2005. In verbis. (...) A Recorrente tece nos seus argumentos diversas considerações acerca da obrigação acessória constante da IN SRF nº 37/2004. Para um melhor deslinde da questão fazse necessário, antes de qualquer discussão, a análise da atribuição da Receita Federal para criar obrigações acessórias. (...) Enquadramento legal da penalidade aplicada Insurgese a Recorrente contra o enquadramento legal, utilizado no enquadramento da penalidade aplicada, qual seja a alínea “e”, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/66. Em razão da falta de informação da carga, não configuraria embaraço a fiscalização e, portanto, o enquadramento não poderia ser utilizado no Auto de Infração. Aqui incorre a Recorrente em erro de argumentação, pois, o enquadramento legal, utilizado para aplicação da penalidade é alínea “e”, do inciso IV, do art. 107 do DL nº 37/66, que trata da falta de prestação de informação a que estava obrigada. (...) Alega a Recorrente que o descumprimento do prazo para informação do embarque somente poderia ensejar a aplicação da penalidade de embaraço a fiscalização, prevista no inciso “c” do art. 107 do DL 37/66, em razão do art. 44 da IN 28/1994. (...) O art. 44 da instrução normativa somente confirma que o descumprimento das obrigações acessórias constituem embaraço a fiscalização, não determinando qual a penalidade a ser aplicada. A penalidade é definida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal que diante dos fatos, verifica o enquadramento legal e aplica a penalidade prevista. No caso em estudo foi aplicado o inciso “e” do art. 107, do DL nº 37/66. Que define a penalidade para os casos de informação intempestiva referentes à carga transportada o que se amolda perfeitamente ao caso em tela, visto a discussão travada em todo o processo versar sobre a informação intempestiva de dados de carga. Portanto, não há qualquer reparo no enquadramento legal utilizado no Auto de Infração. Finalmente, também não houve omissão quanto à impossibilidade de aplicação de norma ainda não vigente à época em que ocorridos os fatos geradores. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.005588/200931 Acórdão n.º 3102002.305 S3C1T2 Fl. 193 9 Revendo as razões do Recurso interposto, percebese que tal fato ou argumento não foi objeto de contestação/reclamação. Uma vez que ausentes as omissões apontadas pela Embargante, VOTO pela rejeição dos Embargos de Declaração interpostos. Sala das Sessões, 16 de outubro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720197/2011-72
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A DECLARAÇÃO COMO DEPENDENTE.
Comprovado que, na data do fato gerador, a filha do contribuinte tinha mais de 25 anos de idade e não cursava curso superior, não é possível a sua declaração como dependente.
DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA TOTAL DE COMPROVAÇÃO.
Ausentes documentos comprobatórios das despesas médicas, há de se manter as glosas levadas a efeito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
TÂNIA MARA PASCHOALIN - Presidente.
Assinado digitalmente
FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A DECLARAÇÃO COMO DEPENDENTE. Comprovado que, na data do fato gerador, a filha do contribuinte tinha mais de 25 anos de idade e não cursava curso superior, não é possível a sua declaração como dependente. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA TOTAL DE COMPROVAÇÃO. Ausentes documentos comprobatórios das despesas médicas, há de se manter as glosas levadas a efeito. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12571.720197/2011-72
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5405960
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-003.897
nome_arquivo_s : Decisao_12571720197201172.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 12571720197201172_5405960.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente TÂNIA MARA PASCHOALIN - Presidente. Assinado digitalmente FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5754717
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476885258240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 113 1 112 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.720197/201172 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.897 – 1ª Turma Especial Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente Flávio Alves Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A DECLARAÇÃO COMO DEPENDENTE. Comprovado que, na data do fato gerador, a filha do contribuinte tinha mais de 25 anos de idade e não cursava curso superior, não é possível a sua declaração como dependente. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA TOTAL DE COMPROVAÇÃO. Ausentes documentos comprobatórios das despesas médicas, há de se manter as glosas levadas a efeito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente TÂNIA MARA PASCHOALIN Presidente. Assinado digitalmente FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 01 97 /2 01 1- 72 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 12571.720197/201172 Acórdão n.º 2801003.897 S2TE01 Fl. 114 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte contra acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/CTA (acórdão número 0634.515), em processo administrativo instaurado após a lavratura de auto de infração por conta da glosa de deduções indevidas com dependentes, despesas médicas e despesas de instrução. Após a autuação, o contribuinte, ora recorrente, apresentou impugnação administrativa, sustentando que todos os valores deduzidos haviam sido pagos, muito embora não houvesse comprovação documental de todos. Em relação às deduções com dependentes, informou o contribuinte que, muito embora uma de suas filhas já contasse com mais de 25 anos de idade, ela fora declarada porque houve dispêndios com educação da mesma após a sua formatura (parcelas deixadas em aberto e quitadas após a conclusão do curso universitário). Por fim, sustentou o contribuinte, ora recorrente, que não teria havido intenção em burlar o Fisco, motivo pelo qual seria descabida a multa qualificada de 150% sobre os créditos tributários apurados. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA julgou procedente em parte a impugnação apresentada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Não é cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando não ficou demonstrado de forma inequívoca que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em hipóteses tipificadas nos art. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502, de 1964. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. DEDUÇÕES COM DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Só podem ser dependentes, para efeito de dedução dos rendimentos tributáveis, aqueles que atenderem aos requisitos legais e a relação de dependência estiver devidamente comprovada. Impugnação Procedente em Parte Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 12571.720197/201172 Acórdão n.º 2801003.897 S2TE01 Fl. 115 3 Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a manutenção parcial do crédito tributário lançado pelo Fisco, o contribuinte interpõe recurso voluntário. Pugna pela reforma integral da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. O recurso é tempestivo e reúne condições de admissão e julgamento. Dedução de despesas com dependente O recorrente arrola como dependente a filha Tânia Eliza Maciel Alves. No entanto, não comprova que a filha se enquadre dentro das condições para se utilizar da dedução das despesas com dependente, na forma do que dispõem o art. 35 da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, o art. 77 do RIR (Decreto nº 3.000/99) e o art. 38 da Instrução Normativa, da Secretaria da Receita Federal, nº 15, de 16 de fevereiro de 2001: LEI 9250/95 Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 12571.720197/201172 Acórdão n.º 2801003.897 S2TE01 Fl. 116 4 VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. RIR/99 Art. 77 Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º. Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. IN/SRF 15/2001 Art. 38. Podem ser considerados dependentes: [...] III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; [...] Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 12571.720197/201172 Acórdão n.º 2801003.897 S2TE01 Fl. 117 5 § 1º As pessoas elencadas nos incisos III e V podem ser consideradas dependentes quando maiores até 24 anos de idade, se estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. O contribuinte justificase afirmando que a sua filha Tânia teria encerrado seu curso superior no ano de 2007, porém, os valores devidos à instituição superior de ensino, relativamente ao curso superior, somente teriam sido quitados posteriormente. Logo, no entender do recorrente, a sua filha permaneceria sua dependente. Não assiste razão ao contribuinte. Os dispositivos legais citados anteriormente são claros ao reconhecer que somente seria possível que o filho maior de 21 anos fosse dependente caso estivesse cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. E, em relação à filha Tânia, nenhum dos requisitos legais se faz preenchido: 1. a filha Tânia Eliza Maciel Alves contava com 25 anos de idade em 2008 (fl. 8 dos autos); 2. a filha Tânia encerrou seus estudos universitários no ano de 2007 (fl. 48 dos autos). Diante do exposto, não havendo comprovação do preenchimento dos requisitos legais, é inviável a dedução, por parte do contribuinte ora recorrente, de despesas com dependente em relação à filha Tânia Eliza Maciel Alves. Por consequência lógica, uma vez reconhecido que a filha em questão não poderia ser considerada dependente do contribuinte, então todos os valores deduzidos a título de despesas médicas e despesas com educação da filha terão de ser glosados. Dedução de despesas médicas Em relação à glosa das despesas médicas declaradas pelo contribuinte, entendo como correta a decisão proferida pela DRJ/CTA. Isso porque não há, nos autos, qualquer comprovante que demonstre tais despesas, salvo pelo valor de R$ 222,57, pagos em março, abril e novembro de 2008 (fl. 93 dos autos). O contribuinte junta, à fl. 65, um boletim de ocorrência unilateral, segundo o qual "a parede do escritório estava pegando fogo na parte externa e devido ao calor danificou alguns documentos no interior do escritório". Dito boletim foi lavrado em 22 de agosto de 2011, relativamente a um fato que, segundo o contribuinte, ora recorrente, teria ocorrido em 25 de outubro de 2010 ou seja, 10 meses antes da data do registro. Convém observar que o registro da ocorrência, curiosamente, ocorreu alguns dias após o recebimento da notificação referente ao início da ação fiscal (11 de julho de 2011, fl. 4 dos autos). Mais: a lavratura do boletim de ocorrência policial se deu exatamente dois dias antes da entrega da impugnação ao auto de infração (fl. 34). Independentemente disso, o fato é que os recibos não são a única forma de comprovação das despesas médicas declaradas pelo contribuinte. Poderia ele ter buscado, junto Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 12571.720197/201172 Acórdão n.º 2801003.897 S2TE01 Fl. 118 6 aos profissionais, a segunda via dos recibos e/ou notas fiscais, assim como comprovantes do efetivo pagamento (por exemplo, cópias de cheques, extratos bancários etc.). Ao invés de fazê lo, preferiu reportar um incêndio que teria ocorrido 10 meses antes da lavratura do auto de infração. Em não havendo comprovação das despesas médicas, não há como se acolher a pretensão do recorrente. Entendo como corretas as glosas levadas a efeito pela autoridade fiscalizatória e mantidas pela DRJ/CTA, motivo pelo qual, neste particular, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusões O recorrente aduz, ainda, que sua situação financeira seria grave. No entanto, tal alegação não tem qualquer relevância para o julgamento deste recurso voluntário, uma vez que o que se analisa é o preenchimento, ou não, dos requisitos legais para o gozo das deduções previstas (despesas médicas, despesas com dependentes etc.). No caso dos autos, não há comprovação documental ou mesmo início de prova documental capaz de sustentar as razões aduzidas pelo recorrente. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida. Assinado digitalmente Flavio Araujo Rodrigues Torres Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004664/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. INDISPONIBILIDADE DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. EXPEDIENTE NÃO NORMAL. PRORROGAÇÃO DE PRAZO.
Demonstrado pelo contribuinte, de modo suficiente, a impossibilidade de transmissão eletrônica da declaração, por falha atribuível ao sistema de transmissão a cargo do sujeito ativo, durante significativa parte do último dia de vencimento do prazo de entrega daquela declaração, admite-se a postergação deste prazo para o primeiro dia útil seguinte.
Numero da decisão: 1102-001.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. INDISPONIBILIDADE DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. EXPEDIENTE NÃO NORMAL. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. Demonstrado pelo contribuinte, de modo suficiente, a impossibilidade de transmissão eletrônica da declaração, por falha atribuível ao sistema de transmissão a cargo do sujeito ativo, durante significativa parte do último dia de vencimento do prazo de entrega daquela declaração, admite-se a postergação deste prazo para o primeiro dia útil seguinte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10950.004664/2010-42
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5406027
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-001.276
nome_arquivo_s : Decisao_10950004664201042.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 10950004664201042_5406027.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5754784
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476904132608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.004664/201042 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.276 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DIPJ. Recorrente CHANSON VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. INDISPONIBILIDADE DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. EXPEDIENTE NÃO NORMAL. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. Demonstrado pelo contribuinte, de modo suficiente, a impossibilidade de transmissão eletrônica da declaração, por falha atribuível ao sistema de transmissão a cargo do sujeito ativo, durante significativa parte do último dia de vencimento do prazo de entrega daquela declaração, admitese a postergação deste prazo para o primeiro dia útil seguinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 46 64 /2 01 0- 42 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.004664/201042 Acórdão n.º 1102001.276 S1C1T2 Fl. 3 2 Todas as indicações de folhas no presente relatório e voto a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Tratase de recurso voluntário interposto por CHANSON VEICULOS LTDA, contra acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de ForaMG, que possui a seguinte ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2009 DECLARAÇÕES E DEMONSTRATIVOS. MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração ou demonstrativo, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente.” Por meio de notificação de lançamento, foi exigida do contribuinte a multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ relativa ao exercício de 2010, ano calendário 2009, no valor de R$ 1.841,80. Inconformado, o interessado apresentou impugnação, na qual, consoante os argumentos ali aduzidos, ao final assim requereu: (a) Anulação da Notificação de Lançamento n° 63.19.28.39.34.9086, visto sua improcedência perante a culpa concorrente entre Receita Federal do Brasil e SERPRO ao indisponibilizar meio hábil de entrega da DIPJ 2010 no prazo legal de vencimento, conforme argumentos já aduzidos. (b) Que o término do prazo de transmissão da DIPJ 2010 seja, especificamente na presente situação, entendido como 02 de agosto de 2010, haja vista problemas técnicos da SERPRO que, em consonância com o artigo 50 , parágrafo único, do Decreto n° 70.235/1972, impede o vencimento do ato a ser praticado (DIPJ 2010) enquanto não houver expediente normal, inclusive técnico, do órgão responsável, no caso pelo recebimento, declarando assim tempestiva a entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2010 da Impugnante e consequente anulação da Notificação de Lançamento n° 63.19.28.39.34.9086. (c) Que a servidora da Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaringáPR, Sra. Alacir Braz — Responsável pela Central de Atendimento ao Contribuinte — seja oficiada para prestar informações a respeito do caso em tela. (d) Que o SERPRO — Serviço Federal de Processamento de Dados seja oficiada para prestar informações a respeito das falhas de envio da DIPJ durante o dia 30 de julho de 2010, bem como solicitando confirmação dos problemas técnicos havidos nesta data e informados pelo CHAMADO 2010/001436811, pelo 0800978 8282, pela Ouvidoria e pelo CAC da Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaringáPR. Requer, ainda a utilização dos acostados documentos como meios de prova para as alegações fundadas nesta Impugnação, bem como protesta pela produção e juntada de provas supervenientes.” Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.004664/201042 Acórdão n.º 1102001.276 S1C1T2 Fl. 4 3 A DRJ julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa acima transcrita. Destacou que, para o lançamento da multa, basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro do prazo, independentemente de culpa ou dolo do sujeito passivo, e que, ademais, a Receita Federal do Brasil, em diversas situações em que ocorreram problemas técnicos de sua responsabilidade, prorrogou o prazo para cumprimento de obrigação acessória, contudo, não há qualquer ato administrativo reconhecendo instabilidade ou falha em sistema da Receita Federal que tenha impedido entrega da DIPJ/2010 tempestivamente, até o dia 30/07/2010, às 23h59min59s. No recurso voluntário, o contribuinte reprisa seus argumentos e pedidos, nos mesmos termos de sua defesa inicial. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A multa por atraso na entrega da DIPJ tem suporte legal no art. 7o da Lei nº 10.426/2002, e é devida à razão de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, limitado a 20%, sendo que, quando não há imposto devido, aplicamse as multas mínimas previstas no dispositivo. Destinase a punir aqueles que, por descuido ou deliberadamente, não apresentem a declaração no prazo legal, funcionando como meio de coerção para evitar que os contribuintes cumpram a obrigação quando bem entenderem, o que perturbaria os procedimentos de controle da Receita Federal. Neste sentido, tem razão a DRJ quando afirma que a penalidade independe de averiguação de culpa ou dolo do sujeito passivo, bastando que se materialize o atraso para que se faça incidir a multa em questão. Contudo, é de senso comum e a qualquer cidadão repele a idéia de que, estando o sujeito passivo impossibilitado de cumprir tempestivamente com a sua obrigação, em virtude de falha atribuível ao sujeito ativo da relação, façase incidir a multa por atraso. A grande questão, contudo, é de como pode o sujeito passivo fazer a prova de que a falha deva, ou possa, ser atribuída ao sujeito ativo. Certamente não é tarefa fácil. Seguramente, podese afirmar que dificilmente logrará êxito um contribuinte em produzir prova inequívoca de culpa do órgão arrecadador. Por outro lado, é intuitivo que, à medida que se aproxima o prazo final de entrega das declarações, até mesmo em face da enorme demanda que sofre o sistema como um todo, sejam mais comuns períodos de instabilidade. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.004664/201042 Acórdão n.º 1102001.276 S1C1T2 Fl. 5 4 Em situações em que essas instabilidades venham a atingir proporções muito grandes, afetando um sem número de contribuintes, ocorre de a própria Receita Federal emitir ato reconhecendo a possibilidade de extensão excepcional do prazo. Isto ocorreu, por exemplo, em pelo menos duas situações que se pode mencionar: com o prazo de entrega da DCTF referente ao 4º trimestre de 2004, que teve o seu prazo prorrogado por três dias, por meio do Ato Declaratório Executivo SRF nº 24, de 8 de abril de 2005, e com o prazo de entrega da DCTF e do DACON, que venceria em 7 de outubro de 2009, e teve o seu prazo prorrogado por um dia, por meio do Ato Declaratório Executivo RFB nº 90, de 11 de novembro de 2009. Em situações assim, fica dispensado o contribuinte do difícil ônus probatório que lhe incumbiria. Contudo, conforme destacou a DRJ, não há qualquer ato administrativo da Receita Federal reconhecendo alguma instabilidade ou falha em sistema de sua responsabilidade que tenha impedido a entrega da DIPJ/2010 tempestivamente. Por outro lado, conforme antes referido, é intuitivo que tais problemas ocorram com maior frequência nos momentos próximos à expiração do prazo fatal, e a não expedição de ato específico por parte da Receita Federal não é garantia de que não tenham ocorrido. Pode apenas ser que, em razão de um eventual número reduzido de reclamações, proporcionalmente ao universo de contribuintes, tenha entendido o órgão arrecadador que os problemas não tenham sido assim tão graves a ponto de efetivamente impedir o cumprimento da obrigação, e, portanto, que não se justificaria a edição de ato extraordinário. Contudo, retornase à difícil questão da prova a cargo do interessado, no sentido de que ao menos para ele, in concreto, os problemas lhe foram impeditivos ao cumprimento da obrigação. Conforme dito, dificilmente logrará o contribuinte produzir prova inequívoca atribuível ao órgão arrecadador, simplesmente por não dispor dos meios para isto. Em razão deste fato, entendo que se deva analisar com alguma razoabilidade o conjunto dos fatos descritos. No caso, temse que o contribuinte tomou diversas atitudes com vistas ao cumprimento tempestivo da obrigação. É verdade que algumas delas demandariam, a rigor, alguma averiguação para certificação de sua efetiva ocorrência, tal como o pedido do contribuinte para que fosse oficiada uma servidora da Receita Federal responsável pela Central de Atendimento ao Contribuinte – CAC, bem como o próprio Serviço Federal de Processamento de Dados – SERPRO, a respeito de determinado “Chamado” feito a ele por aquele setor (CAC), relatando os problemas encontrados. Contudo, em virtude do conjunto dos fatos, entendo desnecessário tal procedimento. Ademais, por outro lado, este próprio pedido do contribuinte já bem evidencia a dificuldade que lhe é imposta na produção da prova, pois vejase que não pode o contribuinte “abrir um chamado” junto ao Serpro, de sorte que não tem ele como conseguir alguma resposta objetiva, por escrito, reconhecendo eventual instabilidade do sistema, restandolhe apenas a alternativa de relato verbal, neste caso, das ocorrências. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.004664/201042 Acórdão n.º 1102001.276 S1C1T2 Fl. 6 5 Entretanto, além de identificar precisamente o número do chamado que foi aberto pela servidora do CAC junto ao Serpro, vêse ainda que o contribuinte em questão tomou as seguintes medidas, em busca da solução para o problema: buscou atendimento presencial junto ao órgão arrecadador (senha de atendimento no CAC emitida em 30/07/2010, às 18:07:16, fls. 25); anexou telas (“print screen”) do computador onde constam as diversas tentativas de transmissão da declaração, indicando a data e hora dessas tentativas, bem como a informação de “serviço indisponível temporariamente” (fls. 2628, conforme abaixo parcialmente reproduzido); enviou mensagem à Ouvidoria da Receita Federal em 30/07/2010, relatando com algum maior detalhamento os problemas encontrados, da qual recebeu em resposta o seguinte: “Sua manifestação foi encaminhada à Divisão de Tecnologia da Receita Federal, para conhecimento e providências. Agradecemos sua participação. Não deixe de nos alertar quando porventura vierem a ocorrer novas dificuldades. E disponha desta Ouvidoria para tratar de assuntos relativos ao Ministério da Fazenda e à Secretaria da Receita Federal, sempre que necessário. Atenciosamente, (...)” (fls. 3334). Ainda que se possa objetar não ser possível atribuir total fidedignidade às telas acima mencionadas, entendo que, data venia, o conjunto de medidas adotadas pelo contribuinte demonstram, senão a cabal prova da existência de problema técnico atribuível ao sujeito ativo, ao menos o imenso esforço do contribuinte em cumprir a sua obrigação. E, convenhamos, se problema nenhum houvesse com os sistemas a cargo da Receita Federal, esforço muito menor teria o contribuinte em providenciar a transmissão de sua declaração com dados incompletos ou incorretos, apenas como forma de cumprir o prazo fatal e, assim, evitar a multa por atraso, e, logo a seguir, alguns dias após, enviar a declaração corretamente preenchida. E, no caso, a declaração foi transmitida, afinal, já no dia útil imediatamente seguinte ao do vencimento do prazo, no caso, o dia 02/08/2010. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, no seu art. 5o, possui norma que reproduz aquilo que o CTN, no seu art. 210, também consagrou, ou seja, de que os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou que deva ser praticado o ato. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.004664/201042 Acórdão n.º 1102001.276 S1C1T2 Fl. 7 6 Neste sentido, atualizandose as suas disposições para os dias atuais, em que os atos são praticados virtualmente, temse que o “órgão”, no caso, não deve ser entendido como a repartição física da Receita Federal, mas sim o órgão “virtual” Serpro. Tanto é assim que o prazo para a entrega das declarações se encerra às 23:59:59, horário este certamente inusual para repartições físicas. A falha ocorrida no sistema de transmissão da DIPJ por um período tão extenso, conforme aqui relatado, equivale à situação de expediente anormal no último dia de vencimento do prazo de entrega de declaração, fazendo com que este seja postergado, portanto, para o primeiro dia útil seguinte. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa aplicada. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 37280.001821/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. OCORRÊNCIA.
Ocorrendo pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN).
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99).
No presente caso, está demonstrado nos autos que houve pagamento parcial antecipado, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN e conseqüente provimento do recurso do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-004.266
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. OCORRÊNCIA. Ocorrendo pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99). No presente caso, está demonstrado nos autos que houve pagamento parcial antecipado, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN e conseqüente provimento do recurso do sujeito passivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 37280.001821/2005-97
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424844
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-004.266
nome_arquivo_s : Decisao_37280001821200597.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 37280001821200597_5424844.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5809824
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476916715520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2049; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37280.001821/200597 Recurso nº 150.255 Voluntário Acórdão nº 2301004.266 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ESTADO DO RIO DE JANEIRO GOVERNADORIA DO ESTADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. OCORRÊNCIA. Ocorrendo pagamento antecipado, aplicase a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99). No presente caso, está demonstrado nos autos que houve pagamento parcial antecipado, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN e conseqüente provimento do recurso do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 0. 00 18 21 /2 00 5- 97 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37280.001821/200597 Acórdão n.º 2301004.266 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de pedido de revisão, já analisado e aceito, interposto pela Receita Previdenciária, fls. 0393, combatendo o acórdão, fls. 0383, proferido por Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que anulou lançamento por vicio formal. Como o pedido de revisão foi aceito, cabe analisar as questões do recurso. Foi apresentado recurso voluntário, fls. 0322, contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), fls. 0288, que negou provimento à impugnação do sujeito passivo, nos seguintes termos: “DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. A teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, a empresa é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal e prestados pela contratada, mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de mãodeobra, e recolher a importância retida na época própria ou empreitada de mãodeobra, e recolher a importância retida na época própria. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. SUJEIÇÃO AOS ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS recolhidas fora do prazo legal sujeitamse aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, com fulcro no art. 34, da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DA RETENÇÃO DE 11% SOBRE A NOTA FISCAL DE SERVIÇOS, DA APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC E DO ART. 45 DA LEI 8.212191. O julgador de instância administrativa não possui competência para apreciar argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE” Segundo o relatório fiscal, fls. 0187, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, oriundas da retenção de 11% (onze por cento), sobre os valores que pagam as empresas por serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Empresa prestadora de serviços: FIEL SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA LTDA Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0248, acompanhada de anexos, onde argumenta, em síntese, que: 1. O indeferimento do pedido de vista dos autos fora da repartição cerceou o direito de defesa do recorrente; 2. Foram violados, no lançamento, os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; 3. O lançamento foi alcançado pela decadência; 4. Requer seja o recurso conhecido e provido. Em sede de contrarazões, o INSS pugna pela manutenção da decisão proferida em primeira instância. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso, fls. 0322, acompanhado de anexos, onde alega as mesmas razões já expostas em sua impugnação. O CRPS analisou a questão e anulou o lançamento, pois entendeu que deveria ser emitido novo lançamento com observância do art. 351, da Instrução Normativa n ° 100, pois, em síntese, não foi citado o órgão público na capa da autuação. O autoridade preparadora ingressou com pedido de revisão, pois, em síntese, defende que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não um vicio insanável. A Presidência da Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, acolheu o pedido de revisão. Na análise do pleito, o colegiado acolheu o pedido de revisão – pois o lançamento não é só composto de sua capa e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que se verificasse datas sobre ciência dos termos e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A fiscalização emitiu parecer conclusivo, onde relata as datas e a conformidade com o exposto na legislação, fls. 0451. O sujeito passivo foi intimado do parecer e apresentou suas razões, pela extinção do lançamento. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37280.001821/200597 Acórdão n.º 2301004.266 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Nas preliminares, devemos analisar a questão da decadência. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 472DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Fl. 473DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37280.001821/200597 Acórdão n.º 2301004.266 S2C3T1 Fl. 5 7 Além do mais, há súmula no CARF que define a questão sobre quais recolhimentos considerar. “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Cabe destacar que na análise dos autos encontramos valores recolhidos, conforme informado pelo Fisco, fls. 0228. Outro ponto importante é que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Portanto, claro está que qualquer recolhimento está contido no termo remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 475DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37280.001821/200597 Acórdão n.º 2301004.266 S2C3T1 Fl. 6 9 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, como a ciência do sujeito passivo ocorreu em 08/03/2005, fls. 0240, e no lançamento só há exigência de contribuições na competência 02/1999, decadente está a exigência do crédito, pela utilização da regra expressa no Art. 150 do CTN. CONCLUSÃO: Em razão do expoSto, voto em dar provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 476DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720087/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DCTF. RETIFICAÇÃO. ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA.
A DCTF retificadora, entregue antes do início do procedimento fiscal, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente.
COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Uma vez denegada a compensação em processo conexo, mantém-se o lançamento de ofício efetuado para débitos constantes na DIPJ, mas não confessados ou pagos.
DA MULTA DE OFÍCIO.
Apurado imposto suplementar e efetuado lançamento de ofício, cabe exigi-lo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO.
Aplica-se à Contribuição Social s/Lucro Líquido - CSLL - o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.
Numero da decisão: 1401-001.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A DCTF retificadora, entregue antes do início do procedimento fiscal, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Uma vez denegada a compensação em processo conexo, mantém-se o lançamento de ofício efetuado para débitos constantes na DIPJ, mas não confessados ou pagos. DA MULTA DE OFÍCIO. Apurado imposto suplementar e efetuado lançamento de ofício, cabe exigi-lo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplica-se à Contribuição Social s/Lucro Líquido - CSLL - o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.720087/2009-42
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5426699
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.369
nome_arquivo_s : Decisao_10166720087200942.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10166720087200942_5426699.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5812946
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476925104128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 194 1 193 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720087/200942 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.369 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria Compensação Recorrente DAMASCO MATERIAL ELETRICO HIDRAULICO E FERRAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A DCTF retificadora, entregue antes do início do procedimento fiscal, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Uma vez denegada a compensação em processo conexo, mantémse o lançamento de ofício efetuado para débitos constantes na DIPJ, mas não confessados ou pagos. DA MULTA DE OFÍCIO. Apurado imposto suplementar e efetuado lançamento de ofício, cabe exigilo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplicase à Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 87 /2 00 9- 42 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Acórdão n.º 1401001.369 S1C4T1 Fl. 195 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Antonio Bezerra Neto. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Acórdão n.º 1401001.369 S1C4T1 Fl. 196 3 Relatório Tratase de analisar recurso voluntário perante Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento em BrasíliaDF. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em 23/04/2009, foram lavrados contra o interessado os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, atinente ao anocalendário de 2005, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$617.659,10, assim discriminados por exação fiscal: Auto de Infração do IRPJ (fls. 50/56 e 64/68) Im posto Juros de Mora (calculados até 31/03/2009) Multa Proporcional (75%) Total R$ 181.605,26 R$74.188 ,15 R$136.203,94 R$39 1.997,35 Infrações Ano Calendário Falta ou Insuficiência de Recolhimento de Imposto 2005 Auto de Infração da CSLL (fls. 57/63 e 64/68) Co ntribuição Juros de Mora (calculados até 31/03/2009) Multa Proporcional (75%) Total R$ 104.546,84 R$42.704 ,79 R$78.410,12 R$22 5.661,75 Infrações Ano Calendário Falta de Recolhimento/Declaração da CSLL Insuficiência de Recolhimento ou Declaração 2005 Em síntese, em procedimento de revisão interna de declaração, constatouse que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, não obstante ter apurado IRPJ e CSLL a pagar na DIPJ, não informou os débitos em DCTF, nem tampouco efetuou recolhimento, aderiu a parcelamento ou compensou qualquer parcela do valor devido, para o terceiro e quarto trimestre do anocalendário de 2005. Nesse contexto, efetuou a Fiscalização os lançamentos fiscais, em razão de falta de declaração e/ou recolhimento do IRPJ e da CSLL. Cientificada dos lançamentos, em 29/04/2009 ("AR" de fls. 69), a interessada apresentou a impugnação de fls. 72/85, em 28/05/2009 (despacho de Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Acórdão n.º 1401001.369 S1C4T1 Fl. 197 4 encaminhamento de fls. 146). Apoiada nos documentos já acostados aos autos, discorre sobre os seguintes pontos, resumidos a seguir. Da declaração do crédito em DCTF e da suspensão da exigibilidade do crédito. O Auto de Infração foi lavrado como suporte em situação fática falaciosa, vez que se equivoca o Fisco ao informar que "não há débitos relativos ao IRPJ e a CSLL, relativos ao 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2005 declarados em DCTF do 2° semestre de 2005", já que os créditos tributários, objeto do lançamento fiscal, foram declarados em DCTF, como se pode observar em cópia da DCTF que acompanha a presente impugnação. Todo crédito tributário já está declarado em DCTF, motivo, por si só, para que seja declarada nulidade do Auto de Infração, vez que a DCTF constitui o crédito tributário. O crédito referente ao auto de infração em questão, ainda, é objeto de processo administrativo de compensação, que se encontra pendente de decisão final, e, portanto, encontrase com a exigibilidade suspensa, consoante os termos do art. 151, inc. III, do CTN. Tratase do processo de compensação, n° 10166.008785/200381, no qual a impugnante efetuou a compensação dos seus créditos com os seus débitos tributários declarados em DCTF do 2° semestre do anocalendário de 2005. A compensação não foi informada em PER/DCOMP em razão de restrição no programa de computador da Receita Federal, que não aceitou a informação da compensação na forma como foi feita pela impugnante. Da Multa Aplicada. Não se pode olvidar que a multa possui natureza jurídica de medida punitiva e/ou educativa, sendo que o valor de 75% é desproporcional, caracterizando o confisco. Há que se considerar ainda a total ausência do intuito de fraude ou sonegação por parte da contribuinte, vez que o débito apurado no auto de infração está declarado em DCTF e também é objeto de pedido administrativo de compensação que se encontra pendente de decisão final. O TRF da 1a Região já se pronunciou no sentido de considerar confiscatória a multa por descumprimento de obrigação tributária fixada em 75% do valor principal, entendimento em conformidade com a jurisprudência do STF. Assim, deve ser declarado nulo o auto de infração ou, ao menos, reduzida a multa aplicada ao percentual máximo de 5%. Pedido. Requer seja conhecida e julgada procedente a presente impugnação para o fim de anular totalmente o auto de infração. Ultrapassado o primeiro pedido, requer reduzida a multa aplicada ao percentual de 5%. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa a baixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A DCTF retificadora, entregue antes do início do procedimento fiscal, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE OCORRÊNCIA FUTURA. IMPOSSIBILIDADE. Pedido impossível aquele de compensação de débitos tributários cuja hipótese de incidência não se concretizou. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Acórdão n.º 1401001.369 S1C4T1 Fl. 198 5 DA MULTA DE OFÍCIO. Apurado imposto suplementar e efetuado lançamento de ofício, cabe exigilo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplicase à Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, e, no essencial, alega que: o crédito tributário objeto do auto de infração já havia sido declarado na época própria em sua DCTF e, portanto, não haveria razão para a lavratura de auto de infração para constituir um crédito tributário já constituído por atividade do próprio contribuinte. o acórdão recorrido merece reforma por ter desconsiderado os efeitos próprios da compensação pleiteada pela Recorrente por meio do processo administrativo n° 10166.008785/200381 com direito creditório superior aos débitos de que tratam os presentes autos já declarados em DCTFs. É o relatório Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Acórdão n.º 1401001.369 S1C4T1 Fl. 199 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de autos de infração (IRPJ e CSLL) onde fora constatada diferenças entre o que fora declarado em DIPJ e DCTF/pagos, conforme tabela Abaixo: Trimestre DIPJ DCTF SINAL PERD/COMP DIFERENÇA Em sua defesa a Recorrente alega em síntese que o crédito tributário objeto do auto de infração já havia sido declarado na época própria em sua DCTF e, portanto, não haveria razão para a lavratura de auto de infração para constituir um crédito tributário já constituído por atividade do próprio contribuinte. Alegou ainda que o crédito declarado em DCTF e, desnecessariamente, constituído novamente por meio do auto de infração guerreado não por ser exigido por encontrarse com a exigibilidade suspensa, vez que é objeto de pedido administrativo de compensação. O Acórdão recorrido julgou manteve os lançamentos sob a alegação de que efetivamente foi entregue DCTF informando os créditos tributários objeto do auto de infração, todavia, que em momento posterior foi apresentada nova DCTF retificadora "que não declarou nenhum débito" e mais, que o processo administrativo de compensação dos créditos tributários informados na DCTF foi instaurado no ano de 2003 (Processo n° 10166.008785/200381) e, pelo fato do processo administrativo ser anterior ao crédito constituído pela DCTF, relativo ao ano de 2005, seria impossível essa compensação "porque não há previsão legal para a compensação de débitos tributários futuros". Superada a primeira alegação da Recorrente, uma vez que de fato ela retificou a DCTF dos terceiros e quarto trimestres, não tendo declarado nenhum débito para esses períodos, resta ainda ser averiguada a segunda alegação de conexão com o processo n. Processo n° 10166.008785/200381. Através da Resolução nº 1401000.263, de 11 de setembro de 2013, reconheceuse a conexão do presente processo com o processo supracitado (° 10166.008785/200381), motivo pelo qual através dessa Resolução determinouse a AVOCAÇÃO do processo nº. 10166.008785/200381 para serem julgados juntos em função da conexão existente entre eles. i 81.776,60 81.776,59 0, 00 0,00 0, 01 2 91.213,82 91.213,81 0, 00 0,00 0,01 ....... _3 ' "93"."404,78 0,00 0, 00 0,00 93.404,78 4 88.200,48 0,00 0, 00 0,00 88.200,48 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Acórdão n.º 1401001.369 S1C4T1 Fl. 200 7 O processo n. 10166.008785/200381, ora sendo julgado em conjunto com o presente processo, na sessão de fevereiro, teve seu recurso negado, uma vez que se pretendia compensar débitos tributários com créditos de natureza não tributária, não administrados pela Receita Federal, havendo absoluta vedação legal. Por conseqüência, a sua argumentação como matéria de defesa no presente processo deve ser afastada e o crédito tributário cobrado no presente processo deve ser mantido. MULTA DE OFÍCIO Multa confiscatória Superada no mérito, a questão de os débitos já estarem declarados em DCTF, resta analisar suas alegações de que a multa de ofício tem caráter confiscatório. Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Como se vê, a aplicação da multa de 75% prevista em norma legal e vigente não pode ser afastada. INCONSTITUCIONALIDADE Quanto às alegações de ofensa a princípios constitucionais, cabe esclarecer que a a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste Conselho (atual Primeira Sessão do CARF): Súmula 1ºCC nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Lançamento Decorrente CSLL Aplicase à Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Execução A autoridade julgadora deverá atentar para o fato de não cobrar em duplicidade o mesmo crédito tributário cuja compensação foi indeferida no processo n. 10166.008785/200381. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Acórdão n.º 1401001.369 S1C4T1 Fl. 201 8 Por todo o exposto, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900999/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
AÇÕES. AQUISIÇÃO COMO INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO.VENDA. NATUREZA DA RECEITA.
Ações adquiridas e mantidas no patrimônio do adquirente até o fim do exercício seguinte devem ser escrituradas no ativo permanente e a receita de sua venda, quando ocorrer, é receita não-operacional e, como tal, não integra a base de cálculo da Contribuição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 30/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 AÇÕES. AQUISIÇÃO COMO INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO.VENDA. NATUREZA DA RECEITA. Ações adquiridas e mantidas no patrimônio do adquirente até o fim do exercício seguinte devem ser escrituradas no ativo permanente e a receita de sua venda, quando ocorrer, é receita não-operacional e, como tal, não integra a base de cálculo da Contribuição. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16682.900999/2011-68
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5421966
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-002.688
nome_arquivo_s : Decisao_16682900999201168.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GILENO GURJAO BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 16682900999201168_5421966.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 30/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5797598
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476951318528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900999/201168 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.688 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2014 Matéria COFINS RESTITUÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente BNDES PARTICIPAÇÕES S/A BNDESPAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 AÇÕES. AQUISIÇÃO COMO INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO.VENDA. NATUREZA DA RECEITA. Ações adquiridas e mantidas no patrimônio do adquirente até o fim do exercício seguinte devem ser escrituradas no ativo permanente e a receita de sua venda, quando ocorrer, é receita nãooperacional e, como tal, não integra a base de cálculo da Contribuição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 30/12/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 09 99 /2 01 1- 68 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Tratase de pedido de compensação formulado no PER/DCOMP n° 37802.22212.260706.1.3.045793 (folhas 02 a 06), no qual é utilizado suposto indébito tributário, no montante original de R$ 5.530.024,53, que segundo a contribuinte, tem origem no pagamento a maior de COFINS (código de receita 5856) de fevereiro de 2005, com o qual pretende o contribuinte compensar débito de IRPJ relativo a junho de 2006. Quanto ao alegado direito creditório, verificase o recolhimento de COFINS (código de receita 5856) relativo ao mês de fevereiro/2005, em 29/12/2005, mediante DARF no valor total de R$ 5.530.024,53, sendo que este é composto de R$ 4.159.684,47 de principal, R$ 831.715,68 de multa e R$ 538.624,38 de juros, conforme extrato de pagamento (fl. 09). Por meio do Parecer Conclusivo nº 113/2011 (fl. 196//204) e do correspondente Despacho Decisório (fl. 205), a Demac/RJ/Diort, não reconheceu o direito creditório, bem como não homologou a compensação declarada. Informou nestes que: · Na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF originalmente entregue em 31/08/2005 (folhas 10/11), o contribuinte informou, para o mês de fevereiro de 2005, COFINS (código de receita 5856) devido no montante de R$ 3.196.547,48. No DACON/1º trimestre de 2005 original, transmitido em 02/08/2005, foi apurado Cofins, regime não cumulativo (código de receita 5856), no valor de R$ 3.196.547,48 (folhas 13 e 16). · Para quitar o débito de COFINS código 5856 da competência de fevereiro de 2005 constante na DCTF ativa de nº 1000.000.2006.1810336388, a contribuinte efetuou dois recolhimentos, um de R$ 3.196.547,48 em 15/03/2005 e outro de R$ 5.530.024,53 em 29/12/2005 (extrato de fl. 09), sendo que deste há um saldo de pagamento disponível de R$ 5.530.024,53. A fim de instruir a análise desta e de outras declarações de compensação, a interessada foi intimada (Termo de Intimação 534 e 597/2011, às folhas 44, 45 e 193 a 195) a prestar os seguintes esclarecimentos: · Justificar a diferença entre o valor pago e o valor declarado dos débitos em questão, apresentando, para cada um, a apuração da base de cálculo que determinou o valor total pago, apontando os ajustes realizados para a obtenção da importância declarada e/ou retificada e os correspondentes motivos de tais alterações e juntando os documentos contábeis e fiscais que serviram de base para o procedimento; · Apresentar cópias do balancete dos períodos de apuração correspondentes ao débito em questão e das páginas dos livros Diário e Razão, nas quais estejam registradas as respectivas retificações, assinalando os lançamentos contábeis pertinentes, bem como demais documentos e justificativas que considerar cabíveis. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 4 3 Em resposta, o contribuinte apresentou as seguintes justificativas (folhas 46 a 51): "1. DO TRATAMENTO DA RECEITA COM A VENDA DE AÇÕES Em outubro de 2005, a BNDESPAR realizou a operação "PIBB II", a qual consistiu da venda de diversas ações da sua carteira para o respectivo fundo. Com essa operação, foi gerado um ganho líquido, na ordem de R$ 1,121 bilhão. Analisando e interpretando a legislação pertinente, a BNDESPAR chegou à conclusão de que a receita com venda de ações deveria ser tratada como receita operacional, devendo, dessa forma, ser tributada à alíquota de 7,6% para o COFINS e 1,65% para o PIS pelo seu valor bruto, evitando assim um potencial risco fiscal. 2. DO RECÁLCULO DO PIS/COFINS PARA O ANO DE 2005. Diante do acima exposto, foi feito o recálculo do PIS/COFINS, considerando a receita com venda de ações (participações societárias) como receita tributável, contabilizada como receita operacional e incluída na base de cálculo pelo seu valor bruto. A diferença total de R$ 35,489 milhões foi paga e contabilizada em 29/12/2005, conforme razões em anexo. 3. DA CONSULTA À SRF Para ratificar o nosso entendimento sobre a legislação vigente, foi também feita uma consulta à Secretaria da Receita Federal, questionando se sobre a venda de ações poderia gerar uma receita operacional passível de tributação de PIS/COFINS. O resultado dessa consulta (Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT nº 36/06 de 06/02/06) foi o de que esta receita NÃO deve compor a base de cálculo para a tributação de PIS/COFINS, por se tratar de venda de bens do ativo permanente. 4. DA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE De acordo com a base legal firmada na Solução de Consulta da SRF (art. 1º §3º II c/c art. 15 da citada Lei 10.833/03), as receitas decorrentes da venda de ativo permanente não integram a base de cálculo do PIS/COFINS. Entretanto, fazse necessário, face ao dispositivo citado anteriormente, delimitar o alcance da norma apenas às ações pertencentes ao ativo permanente. Em termos fiscais, de acordo com o art. 35, III, da IN 25/01, temse o seguinte: "Está dispensado o pagamento em separado do imposto de renda sobre os ganhos líquidos auferidos, na alienação de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas, e de participações societárias que permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições". Dessa forma, se o investimento não se enquadrar como uma coligada ou controlada, ou não permanecer em seu ativo até o término do exercício seguinte ao da aquisição, a SRF entende que a intenção não era de permanência da ação (ativo permanente), devendo ser tributado para fins de apuração do Lucro Real Anual, juntamente com os demais ganhos. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 5 4 5. DO NOVO CÁLCULO DO PIS/COFINS PARA O EXERCÍCIO DE 2005 De acordo com o entendimento do item anterior, para o fisco, um investimento é caracterizado como permanente se for enquadrado como coligada ou controlada, ou se permanecer na carteira até o término do exercício seguinte ao de sua aquisição. Subsidiariamente, utilizouse esse conceito para a tributação do PIS/COFINS, já que de acordo com o item 3 anterior, a SRF se pronunciou, em resposta à consulta, que a receita com a venda de bens do ativo permanente não se configura base para tributação pelo PIS/COFINS. Assim, foi procedido o recálculo do PIS/COFINS de todos os meses de 2005, o que inclui aqueles objeto do Termo de Intimação em Referência, tributandose apenas o valor bruto da venda das ações que não se enquadram no conceito de ativo permanente para o fisco, utilizando como base o Demonstrativo do Resultado na Venda de Ações/Tributação de Renda Variável/Controle e Apuração de Prejuízos", elaborado pela Gerência que controla a carteira de ações. (...) Conforme demonstrado (...), foram recolhidos a maior R$ 32,515 milhões de PIS e R$ 149,768 milhões de COFINS, totalizandose R$ 182,285 milhões. 6. CONCLUSÃO Ao longo do exercício de 2005, o tratamento do cálculo do PIS/COFINS, com relação às receitas oriundas de venda de ações, sofreu alterações significativas em razão da divergência em relação ao entendimento inicial, motivando a elaboração de Consulta à SRF. Tais alterações ensejaram recolhimentos extemporâneos, em dezembro de 2005, de R$ 35,489 milhões, principalmente por causa do grande volume de alienação de ações para o fundo PIBB II”. Por ocasião de resposta à consulta efetuada à SRF, um novo entendimento foi dado à receita na venda de ações e, em conseqüência, ao tratamento que vínhamos aplicando, identificamos valores recolhidos a maior no exercício de 2005 de PIS e de COFINS, totalizando R$ 182,285 milhões. Os responsáveis pelo controle, apuração e recolhimento desses tributos procederam, através da legislação aplicável, à compensação desses valores, ocasionando as diferenças apontadas no Termo de Intimação. Com relação às DCTF, foram necessárias as retificações, haja vista as alterações dos valores devidos de PIS e COFINS, pois os mesmos não estavam condizentes com a nova realidade. O contribuinte baseouse em entendimento firmado na Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT n° 36/06 (fls. 64/78) de que a receita com venda de ações constantes do ativo permanente é não operacional, e por isso não deve compor a base de cálculo para a tributação de PIS/COFINS. Tal consulta nos termos de sua conclusão (itens 36 a 39 da consulta) teve ineficácia parcial declarada, só sendo vinculante em relação ao disposto no seu item 39, o qual transcrevemos: "39. A receita decorrente da alienação, em 13 de dezembro de 2005, de participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, é não operacional, decorrente da venda de ativo permanente. Dessa forma, tal receita não integra as bases de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS.” Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 6 5 A despeito do resultado da consulta, esta partiu da premissa de que as participações societárias estariam corretamente classificadas no ativo permanente e que não se constituiriam em receita operacional. O exame dos documentos contábeis e extracontábeis apresentados permite observar que os valores excluídos da base de cálculo pela contribuinte são coerentes com os valores demonstrados de receita com venda de ações. Restaria apenas verificar se tais operações de venda de participações societárias estariam incluídas no artigo 1º, § 1º, inciso II da Lei 10.833/2003, com a redação dada pelo artigo 21 da Lei n° 10.865/2004, isto é, caberia verificar se: as receitas são nãooperacionais; e se decorrem da venda de item devidamente escriturado e mantido no ativo permanente. A consulente, quando da Solução de Consulta SRRF/7ª/DISIT n° 36, de 06/02/2006, afirma que a referida parcela alienada compunha PARTICIPAÇÃO PERMANENTE e, no item 15.3 da consulta consta que a consulente declarou que a participação societária foi mantida contabilizada no ativo permanente até a data da alienação. A solução de consulta foi solucionada na forma dos itens 38 e 39 desta, a seguir transcritos: “38. Isto posto, soluciono parcialmente a consulta para esclarecer que a participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação, em 13 de dezembro de 2005. 39.A receita decorrente da alienação, em 13 de dezembro de 2005, de participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, é não operacional, decorrente da venda de ativo permanente. Dessa forma, tal receita não integra as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins." Para se adequar ao item 38 da solução de consulta em comento, foi verificado se a situação fática atende as premissas expostas neste item, quais sejam: se a participação societária é, de fato, permanente; e se permaneceu classificada em conta do ativo permanente até o momento da alienação. A respeito da referida consulta, em seu item 26, é citado o Parecer Normativo CST N°3, de 28/01/1980. Tal parecer, em sua ementa diz: "Para os efeitos da legislação do imposto de renda, sendo norma afeta àquele imposto; No item 6 do Parecer Normativo CST N°3, de 28/01/1980 se afirma que os critérios de classificação a serem observados são aqueles consubstanciados nos arts. 178 a 182 da Lei 6.404/76, sendo que o artigo 179, III determina que serão classificados em investimentos apenas as participações permanentes em outras sociedades. No período em análise, em estrita consonância com o artigo 179 da Lei 6.404/76, o Parecer de Orientação CVM 17/89 esclarece que as participações societárias são um direito e podem ser classificadas contabilmente: no ativo circulante, quando de caráter temporário, havendo a intenção de realização no curso do exercício social subseqüente; no realizável a longo prazo, quando de caráter temporário, igualmente, de caráter temporário, havendo a intenção de realização após o término do exercício seguinte; no ativo permanente, em investimentos, quando de caráter permanente. O segundo parágrafo do Parecer de Orientação CVM 17/89 pontua que: Investimentos (no Ativo Permanente) devem ser classificadas as participações permanentes em outras sociedades. Quanto ao caráter temporário versus permanente, esclarece, mais adiante, o Parecer de Orientação CVM 17/89: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 7 6 "No caso dos investimentos em ações ou quotas de outras empresas, embora possam ser realizados para atender aos mais diversos objetivos, podese agrupálos da seguinte forma: participações voluntárias de caráter meramente especulativo ou com o objetivo de obter, independentemente de prazo, rendimentos produzidos pela sua valorização e negociação. São normalmente as aplicações feitas em Bolsa, embora a empresa possa manter "permanentemente" uma carteira de ações comprando e vendendo ações de acordo com a sua expectativa de valorização, este é tipicamente um investimento temporário (classificação: Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo, consoante a expectativa de alienação); participações voluntárias exercidas para extensão ou complementação das atividades da investidora, ou mesmo para diversificação (horizontalização) dessas atividades, ou ainda como estratégia operacional (segurança no fornecimento de insumos, eliminação de concorrência, etc). Neste caso esperase não o rendimento da valorização dessas ações no mercado, mas sim o rendimento, produzido pelas operações da empresa investida ou pela melhoria operacional da empresa investidora. Assim, mesmo que um investimento dessa natureza possa, a qualquer momento, ser alienado, não deve ser considerado como temporário, são investimentos permanentes (classificação: Ativo Permanente/Investimentos);" Com o fim de examinar o caráter de permanência ou transitoriedade das participações societárias da BNDESPAR foi verificado primeiramente o que determina seu estatuto. No caso da interessada, é uma sociedade de participações cujo objeto social abrange a realização de operações de capitalização de empreendimentos, o apoio para o desenvolvimento de novos empreendimentos e a contribuição para o fortalecimento do mercado de capitais, através do acréscimo de oferta de valores mobiliários e da democratização da propriedade do capital das empresas, nos termos do artigo 4º do seu estatuto. Para consecução de tais objetivos, no artigo 5º do estatuto está determinado que a empresa adquirirá títulos e valores mobiliários (inciso I) e operará no mercado secundário (inciso III), isto é, na bolsa de valores ou no mercado de balcão. Foram verificadas as demonstrações contábeis e os relatórios de administração, disponíveis no sítio da internet do BNDES. No Relatório de Administração do ano de 2006, consta o seguinte, às fls. 135 e 137: "O resultado com alienações reflete a estratégia de giro da carteira de investimentos da BNDESPAR e visa contribuir com o orçamento de investimentos do Sistema BNDES, sempre aproveitando as oportunidades favoráveis do mercado. Em 2006 os principais desinvestimentos que contribuíram para o resultado foram: Banco do Brasil (R$ 819 milhões), incluindo oferta pública realizada em junho de 2006, Net (R$ 247 milhões), Arcelor Brasil (R$ 220 milhões) e Iochpe Maxion (R$ 128 milhões). Em 2005 o principal desinvestimento está representado pelo Papéis índice Brasil Bovespa (PIBB) – Fundo de índice Brasil 50, lançado em julho de 2004, com novo aporte em outubro de 2005, que gerou um resultado positivo de R$ 1.012 milhões no exercício de 2005. "A BNDESPAR é uma importante fonte de apoio financeiro às empresas através de valores mobiliários e mantém os seus investimentos por um prazo médio de cinco anos, raramente detendo mais do que 33% do capital total de uma empresa. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 8 7 Apesar de serem transitórios por natureza, alguns dos investimentos da BNDESPAR são feitos por períodos mais longos, dependendo essencialmente do tempo de maturação dos investimentos realizados. Adicionalmente, no início dos anos 80, houve integralização de capital do BNDES pelo Tesouro Nacional com ações de empresas estatais. Essas ações foram transferidas posteriormente para a BNDESPAR, constituindo atualmente parte expressiva do valor da carteira de participações societárias da Emissora. O gerenciamento da carteira da BNDESPAR enfatiza a diversificação e o giro de ativos. Em 31 de dezembro de 2006, tal carteira compreendia papéis de 182 empresas (incluindo ações em 138 empresas), com valores concentrados principalmente nos setores de petróleo e gás, de mineração e de energia elétrica. " Já no relatório da administração que consta das demonstrações financeiras completas referentes ao ano de 2005, publicada no Diário Oficial da União em 24/02/2006, a empresa informa que a receita de alienação de participações societárias é o seu carro chefe, dado que, em 2005, representou 69% da receita operacional. A empresa detém suas participações societárias com a finalidade transitória e especulativa, caracterizandose sua carteira de ações por ativos financeiros. Tal transitoriedade significa, nos termos do Parecer de Orientação CVM n° 17/89 que suas participações societárias deveriam estar classificadas no Ativo Circulante ou no Realizável a Longo Prazo, conforme a expectativa de realização no curso do exercício social subsequente ou não. É contrário à Lei 6.404/76 e ao Parecer CVM N° 17/89 classificálas no permanente dado o caráter especulativo do qual se revestem. Apesar dos relatórios de administração, a BNDESPAR tem suas participações societárias classificadas principalmente no ativo permanente, o que configura técnica contábil em desconformidade com o referido PO CVM 17/89. Apesar da incoerência na classificação de suas participações, a receita oriunda da alienação de tais participações societárias é registrada na Demonstração do Resultado do Exercício de forma coerente com o estatuto social e com os Relatórios de Administração, visto que na DRE a receita da alienação das participações societárias da empresa está demonstrada como RECEITA OPERACIONAL. Tal classificação como Receita Operacional foi coerente com as normas e procedimentos de contabilidade expedidas pelo IBRACON, mais especificamente a NPC nº 14. aprovada em 18/01/2001 que em seu item 9 define receita operacional e receita não operacional: "9. As receitas podem ser classificadas ou denominadas como segue: Receita operacional corresponde ao evento econômico relacionado com a atividade ou atividades principais da empresa independentemente da sua frequência. Receita não operacional corresponde aos eventos econômicos aditivos ao patrimônio líquido, não associados com a atividade ou atividades principais da empresa, independentemente da sua frequência. O conceito de receita não operacional é de elemento líquido, ou seja, ela é considerada pelo líquido dos correspondentes custos. Como casos comuns desse tipo de receita temos os ganhos de capital, correspondentes a transações com imobilizados ou com investimentos de natureza permanente, desde que não relacionadas com a atividade principal da empresa. " Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 9 8 As receitas de participação societária ora analisadas são classificáveis no Ativo Circulante ou no Ativo Realizável a longo prazo, de conformidade com a orientação expedida pela CVM através do PO CVM n° 17/89, nos estritos termos do artigo 179 da Lei 6.404/76, e tidas como receitas operacionais nos termos da NPC n° 14 do IBRACON. Estão enquadradas na base de cálculo da COFINS não cumulativa determinada conforme o artigo 1º da Lei 10.833/2003, não havendo como enquadrá las no inciso II do § 2°, visto que são RECEITAS OPERACIONAIS. Em conformidade com o Parecer DIORT/DEMAC 113/2011, o chefe da DIORT/DEMAC, resolveu 1. NÃO RECONHECER o direito creditório relativo ao pagamento a maior de COFINS (código: 5856) referente ao período de apuração de fevereiro de 2005; e 2. NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada através da DCOMP n° 37802.22212.260706.1.3.045793. O contribuinte foi cientificado da não homologação do crédito tributária em 13/07/2011 (fl. 208). Inconformada com a decisão administrativa, o contribuinte interpôs, em 09/08/2011, manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que (fls. 218/249): · Após a Emenda Constitucional n° 20, com a edição da Lei n° 10.833, a hipótese de incidência da COFINS deixou de estar limitada ao faturamento, passando a abarcar "o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". · Entretanto, a própria Lei exclui a incidência da COFINS sobre algumas espécies de receitas e, em relação às receitas oriundas daquela venda de participações societárias realizada pela BNDESPAR, houve dúvida se não estariam justamente abarcadas pela previsão do inciso I ou pela do inciso II do § 3º do artigo 1º da Lei n° 10.833/2003, eis que, além do fato de que tais ativos estiveram classificados no ativo permanente por mais de um ano calendário, poderseia considerar que se tratava de receitas financeiras, sujeitas a alíquota zero, por força do Decreto n° 5.442, de 9 de maio de 2005 · Por outro lado, vale registrar que a intenção da BNDESPAR por ocasião da aquisição dos ativos nunca foi de especular. Muito pelo contrário, tais ativos haviam sido classificados no Ativo Permanente originariamente, em razão de não haver qualquer previsão de alienação dos mesmos nos momentos das respectivas aquisições. · Não homologada a compensação, não resta outra alternativa à BNDESPAR senão apresentar Manifestação de Inconformidade, no prazo de 30 dias da intimação da decisão, instaurandose processo administrativo fiscal litigioso para verificação dos créditos tomados para compensação. · O BNDES é o principal instrumento de execução da política de investimento do Governo Federal e tem por objetivo primordial apoiar programas, projetos, obras e serviços que se relacionem com o desenvolvimento econômico e social do País. · A BNDESPAR é uma sociedade por ações, constituída em 1982, controlada integral do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES. · As empresas integrantes do Sistema BNDES foram criadas com a finalidade de praticar operações que auxiliem o fomento da economia nacional ex vi d Fl. 484DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 10 9 o artigo 8º da Lei n.° 1.628/52 tendo como objeto a prática de atividades necessárias ao desenvolvimento da economia nacional. · Sua ação é pautada nas diretrizes estratégicas formuladas em conjunto com o BNDES (principal instrumento do Governo Federal para os financiamentos de longo prazo com ênfase no estímulo à iniciativa privada nacional) e direcionada a apoiar o processo de capitalização e o desenvolvimento de empresas nacionais. · Por ser uma subsidiária integral do BNDES, atua de forma aderente ao objetivo deste, que se consubstancia no desenvolvimento econômico do País. Em resumo, a BNDESPAR atua de acordo com políticas determinadas pelo Governo Federal, apoiando empresas nacionais, de forma a: (i)Fortalecer as estruturas de capital das empresas e apoiar novos investimentos na economia; (ii)Apoiar a reestruturação da indústria através de fusões e aquisições; (iii)Apoiar o desenvolvimento de empresas emergentes; (iv)Apoiar o desenvolvimento de pequenas e médias empresas; (v)Desenvolver a indústria de fundos fechados de "private equity"; e (vi)Contribuir para o desenvolvimento do mercado de capitais. · A BNDESPAR desempenha atividades voltadas para o fortalecimento do mercado de capitais, dentre outras atividades previstas no artigo 4º de seu estatuto. · Esse processo se dá pelo investimento em empresas nacionais através da subscrição de ações (participações societárias de caráter minoritário) e debêntures conversíveis e ainda, pelo fortalecimento e modernização do mercado de valores mobiliários. · No contexto das atividades de fomento, as operações de apoio realizadas pela BNDESPAR, via de regra, são realizadas no longo prazo, razão pela qual, as inversões em participações societárias adquiridas com intenção de permanência são mantidas até o término do ano calendário subsequente ao de sua aquisição, classificadas originariamente no subgrupo de Investimentos do Ativo Permanente. · Foi com base nos aspectos acima destacados, não observados no parecer contra o qual se apresenta a presente manifestação, que foram emitidos diversos pareceres anteriores da própria Receita Federal em sentido contrário ao do despacho decisório ora recorrido. · Foi formulada, com fulcro no art. 48 da Lei n.° 9430/96, consulta específica a respeito da alienação de participações societárias da BNDESPAR. A consulta realizada pela BNDESPAR à Receita Federal teve como finalidade sanar dúvida referente à incidência de PIS e da COFINS sobre receitas decorrentes da alienação de participação acionária de titularidade da BNDESPAR realizada em dezembro de 2005, cujo crédito, foi compensado no presente pedido de compensação (sic). · A Solução de Consulta SRRF/70 RF/DISIT N° 36, de 06/02/2006 (fls. 74/82) elucidou parcialmente a consulta, restando assim ementada no tocante à COFINS, verbis: "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 485DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 11 10 Ementa: BEM DO ATIVO PERMANENTE. ALIENAÇÃO. RECEITA NÃO INTEGRA A BASE DE CÁLCULO. A receita decorrente da alienação, em 13 de dezembro de 2005, de participação societária permanente, formada até 06 de agosto de 2001, é não operacional, decorrente da venda de ativo permanente. Dessa forma, tal receita não integra a base de cálculo da Cofins. A mera intenção de alienação de participação societária permanente é incapaz de alterar a classificação, como não operacional, da receita decorrente de eventual concretização da operação. Dispositivos Legais: Art. 1o, § 3o, II, da Lei n° 10.833/2003; e art. 511 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/1999).” · Há que se destacar que o tempo de manutenção da participação acionária nos ativos da BNDESPAR até sua alienação foi elemento determinante para que a Receita Federal concluísse que o ativo alienado preenchia os requisitos necessários para qualificalo como permanente, conforme sobressai do seguinte trecho da solução de consulta, verbis: "35. Dessa forma, a receita decorrente da alienação de participação societária em tela, mantida por mais de quatro anos, não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, por ser não operacional, decorrente da venda de ativo permanente." · A conclusão da Solução de Consulta nº 71/08, também é neste sentido. "SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 71/08 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/6ª Região Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: REQUISITOS PARA CLASSIFICAÇÃO NO ATIVO PERMANENTE Do ponto de vista da aquisição de um bem, a simples intenção ou pretensão de vendêlo já descaracteriza a sua incorporação ao imobilizado. A entrada de um bem no ativo imobilizado tem como condição básica a expectativa de permanecer no patrimônio da pessoa jurídica por mais de 12 meses com a finalidade de ser utilizado na manutenção das atividades da pessoa jurídica (ex: alugar). No caso de prazo inferior, o contribuinte deverá provar que não havia expectativa inicial de comercializar o bem. No caso dos imóveis alugados também deve ser demonstrado que havia expectativa de auferir benefícios econômicos com as locações. No caso de imóveis para atividades administrativas, devem ser apresentadas provas de que tais bens estavam destinados a estas atividades. Em não sendo satisfeitos os requisitos, para fins fiscais a classificação do bem no imobilizado é indevida, o que não permite a exclusão da receita auferida na alienação deste bem da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. DISPOSITIVOS LEGAIS: CTN (Lein n. 5172, de 25 de outubro de 1966); arts. 96 e 100; Lei n. 6404, de 1976, art. 179; Lei 10.637/2002; Lei n. 10.833, de 2003; Lei n. 10.684, de 2003; Parecer Normativo CST 3,de 28 de janeiro de 1980. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 12 11 Complementa a solução de consulta n. 80/2007 SRRF/6ª RF/Disit Sandro Luiz de Aguilar Chefe de Divisão (Data da decisão 23.5.2008)" (Grifo nosso) · A decisão acima ratifica as seguintes conclusões já alinhavadas na consulta específica realizada pela BNDESPAR: (i) a expectativa de permanência de um bem no ativo imobilizado por mais de 12 meses é condição para classificação no ativo permanente, o que confere natureza nãooperacional à receita decorrente de sua venda; e (ii) quando o bem é comercializado antes do período de 12 meses não se presume a permanência, que deve ser provada. · Também neste sentido, o Parecer Normativo do COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n° 3 de 28.01.1980 (D.O.U.: 04.02.1980), citado no item 25 do Parecer Consultivo n° 80/2011, em que a Receita Federal orienta, no parágrafo 4º, que os resultados obtidos na alienação, baixa ou liquidação de bens do Ativo Permanente são considerados ganhos ou perdas de capital e, por conseguinte, classificados como Resultados NãoOperacionais: · A definição de Investimentos e o tratamento a ser dado consta do Parecer Normativo do COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n° 108 de 28 de dezembro de 1978 (D.O.U.: 09.01.79), referido no item 4.2.1 do PN CST n° 41 de 1980: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179., III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. 7.1.1 A intenção de permanência, em certos casos, é presumida em função de critérios estabelecidos em lei. Por exemplo: a participação da companhia em sociedades coligadas e controladas, de que trata o art. 243 e seguintes da Lei n° 6.404/76, dados os reflexos da aquisição do investimento (expressiva participação do capital ou, então, assunção do controle societário); as participações decorrentes dos incentivos fiscais, cujas regras e princípios mostram, de maneira clara, Fl. 487DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 13 12 que o poder público abre mão de parte de sua receita tributária, desde que aplicada em investimentos que, pela sua natureza, revestemse do caráter de permanência. 7.1.2 Da mesma forma, presumese a permanência em relação às participações em sociedades por quotas, em razão da ausência de título representativo da respectiva quota e pela formalidade exigida para a sua transferência, notadamente a necessidade de contrato escrito, registrado no órgão competente. 7.2 Ainda com relação a participações há que considerar as hipóteses de subscrição de ações, quotas ou quinhões de capital de outras sociedades, não seguida da imediata integralização. (...) 7.4 Finalmente, tem gerado dúvidas a restrição constante do final do inciso III do artigo 179 da Lei das S.A. A interpretação sistemática do dispositivo leva à conclusão de que a expressão "não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa", refere se apenas aos "direitos de qualquer natureza" e não às "participações permanentes em outras sociedades". 7.4.1 Deste modo, as aplicações em direitos, não destinadas à manutenção da atividade da empresa, quando a intenção do investidor seja a de permanência, se classificam como investimento, passível de correção monetária. É o caso, por exemplo, das aplicações em imóveis não necessários à manutenção da atividade explorada e não destinados à revenda. · Por sua vez, o Parecer Normativo COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO – CST n° 100 de 01.12.1978 (D.O.U.: 07.12.1978) é também bastante taxativo na orientação de que bens classificados no Ativo Permanente e alienados posteriormente terão as receitas decorrentes da alienação classificadas como não operacionais. · Através do parecer de fls. 239/247, o fisco, desconsiderando a própria Solução de Consulta para o caso específico e todo o tempo em que permaneceram no Ativo Permanente, entendeu que a receita decorrente de operação que deu origem ao crédito utilizado nas compensações não homologadas deveria ser classificada como receita operacional e, ainda, que sobre tal receita deveria incidir PIS/COFINS. · O próprio Parecer Conclusivo n° 121/2011 consignou que "a BNDESPAR tem suas participações societárias classificadas principalmente no ativo permanente". · De fato, as ações alienadas em julho de 2005, sempre estiveram classificadas no Ativo Permanente. · O Parecer também reconhece que as participações societárias permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições. · Além disso, em diligência realizada na BNDESPAR, foi lavrado Termo de Verificação Fiscal MPF 201000.1594 de 21/10/2010 (doc.3), no qual a própria autoridade fiscal constatou que as ações alienadas no mês de novembro e dezembro de 2005 sempre estiveram contabilizadas no ativo permanente, razão pela qual a receita de tais vendas não integraria a base de cálculo da COFINS e do PIS, cf. trecho do termo transcrito abaixo: Fl. 488DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 14 13 "Em Novembro/2005, a receita bruta de venda de ações foi de R$ 42.478.400,00, e em Dezembro/2005, de R$ 269.467.163,97, sendo que todas as participações alienadas em Novembro/2005 e Dezembro/2005 estavam registradas no Ativo Permanente, razão pela qual as receitas correspondentes não integram as bases de cálculo de PIS e COFINS". · Ainda que prevalecesse o entendimento externado no parecer, o artigo 373 do Regulamento do Imposto de Renda, conjugado à Instrução Normativa n.° 1.022/2010, considera como sendo Receitas Financeiras as receitas de títulos vinculados ao mercado aberto, os quais, por força do Decreto n° 5.442, de 9 de maio de 2005, são sujeitos a alíquota zero de COFINS. · O agente ampara a sua decisão na NPC 14 do IBRACON, mas não observa que a própria redação desta norma contábil exclui do âmbito de sua aplicação as sociedades de participação. · Na clássica lição de Friedrich Müller, o texto normativo não se confunde com a norma, que é a aplicação prática de um determinado enunciado, que se origina no princípio para atingir a regra. Com efeito, a interpretação dos enunciados normativos do direito tributário não pode partir daqueles que enunciam regras. Há que se iniciar qualquer raciocínio interpretativo com fundamento nos princípios. O ordenamento jurídico se presta à proteção de valores de uma sociedade. Tais valores informam os princípios que, por sua vez, norteiam a interpretação das regras jurídicas. · Assim, a Lei de tributação deve descrever, sob pena de ofensa a tal subprincípio (e, consequentemente, inconstitucionalidade) os 5 elementos do fato gerador principal, de forma clara: 1 Elemento Material (hipótese de incidência), 2 Elemento Subjetivo (sujeito ativo e sujeito passivo), 3 Elemento Temporal, 4 Elemento Espacial e 5 Elemento Quantitativo (alíquota e base de cálculo). · No caso, há uma aparente obscuridade na definição do elemento material da COFINS, que levou a não homologação das declarações de compensação que indicaram como crédito pagamento indevido de tal tributo. A BNDESPAR entende que deve prevalecer a sua intenção ao adquirir os ativos, alienados alguns anos mais tarde. O Fisco, através do parecer de fls. 239 e seguintes entendeu que a tal operação integra o objeto da BNDESPAR, desconsiderando todo o tempo em que permaneceram no Ativo Permanente e classificando a receita dele decorrente como operacional. · A não homologação de tal crédito implica em ofensa ao princípio da igualdade, regulado, em matéria tributária, no CRFB artigo 150 II (isonomia fiscal ou igualdade tributária), segundo o qual é vedado aos Entes federativos instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. · No caso concreto, haveria violação ao subprincípio da generalidade, no sentido de que todo contribuinte que exteriorizar idêntica capacidade contributiva deverá sofrer a mesma carga de tributação. Embora o artigo 153 §2°, I, da CRFB/88, se refira especificamente ao imposto de renda, o operador do direito deverá interpretálo de forma sistemática (lex dixit minus quam voluit), buscando a generalidade em todo o sistema tributário, em razão da isonomia, da igualdade na tributação. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 15 14 · Ademais, conforme já visto, o Parecer Conclusivo n° 121/2011 esbarra no princípio do Nemo potest venire contra factum proprium, termo utilizado, na doutrina, por Ruy Barbosa Nogueira. De acordo com esse princípio, a Administração Pública não poderá contradizer uma decisão por ela tomada anteriormente. A Administração "não pode punir ou onerar alguém por ter seguido as instruções ou orientações ainda que o fisco as venha repudiar". Não haverá contradição entre uma vontade administrativa expectorada e uma vontade administrativa futura. · Antes de se aplicar os enunciados normativos de direito tributário devese Interpretálos. Ao contrário da aplicação, a interpretação, de fato, admite mais de um resultado, até mesmo porque, como admite Ricardo Lobo Torres, os métodos de interpretação são intercomunicáveis. O argumento do operador pode partir de dois ou mais métodos hermenêuticos, não existindo hierarquia entre eles: · Podese falar ainda na interpretação benigna (em casos de dúvida, como o presente, aponta o artigo 112 do CTN que deve se interpretar em favor do contribuinte) e no método histórico, que não tem maior relevância na presente questão. Por outro lado, em razão da tipicidade fechada adotada pelo Direito Tributário brasileiro, não se pode admitir a interpretação econômica, prófisco, que vai de encontro às garantias fundamentais, ao permitir que a autoridade fazendária promova a tributação independentemente da forma adequada, sempre que houver alguma exteriorização de riqueza (remonta ao Código Tributário Alemão de 1919, vigente até 1977). · Na presente hipótese, vislumbrase claramente esta interpretação econômica, típica da jurisprudência dos interesses, que não pode ser admitida em hipótese alguma, pois configura claramente um excesso de exação, constituindo ato atentatório à moralidade administrativa em matéria tributária. · Se o Parecer conclui que aquela receita tem caráter especulativo, ignorando o tempo em que os ativos permaneceram classificados como Ativo Permanente, que indicam a natureza não operacional dos mesmos, por que, então, não concluiu que se tratava de receita financeira, sujeita a alíquota zero, por força do Decreto n° 5.442, de 9 de maio de 2005? · Levandose em consideração que a conclusão pela incidência ou não de COFINS no caso depende, não meramente de sua classificação contábil, mas da verificação da real natureza da receita, se operacional ou não, a BNDESPAR entende ser imprescindível a realização de diligência e perícia para aferição de sua real natureza ex vi do artigo 18 do Decreto n.° 70.235/72. · Diante do exposto, e tendo em vista que as compensações requeridas são direito do contribuinte, a BNDESPAR requer: i) que sejam juntados ao processo, os documentos que acompanham a presente Manifestação; ii)que seja concedido prazo adicional razoável, para serem juntados ao processo documentação suplementar ex vi da alínea "a" do parágrafo 4º do inciso V do artigo 16 do Decreto n°. 70.235 de 06/03/1972; iii)que seja homologada a declaração de compensação que indicou como crédito pagamento indevido de COFINS, em função da alienação de valores mobiliários em fevereiro de 2005, conforme entendimento firmado na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT N° 36, de 06/02/2006, a qual concluiu pela não incidência de PIS/COFINS; iv) subsidiariamente, que sejam homologadas as declarações de Fl. 490DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 16 15 compensação que indicaram como crédito pagamento indevido de COFINS, porque o pagamento era mesmo indevido, por força do § 3º do artigo 1º da Lei 10.833,de 2003; v) a exclusão da multa, dos juros de mora e do valor correspondente à atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, na forma do parágrafo único do artigo 100 c/c 112 do CTN; vi) seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da glosa, nos termos do art. 151, III do CTN e do § 11 do art. 4 da Lei nº 9.430/96. Os membros da 16ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro TJ, por unanimidade de votos, resolveram julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Intimada do acórdão supra em 02.07.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. No processo em epígrafe, o Recorrente vendera participações societárias diretamente de seu ativo permanente, e oferecera à tributação a respectiva receita. Posteriormente, em face de dúvida acerca se a receita da venda dessas ações deveria se ou não tributada, a Recorrente formalizou consulta à secretaria da Receita Federal que emitiu a Solução de Consulta SRF7ª RF/DISIT nº 36 de 06.02.2006, onde concluiuse que a receita decorrente da venda das respectivas participações societárias de titularidade da Recorrente, qualificadas como Ativo Permanente, deveriam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS por configurar receita não operacional, nos termos do § 3, inciso VI, do artigo 1º da Lei nº 10.833/03. Em face dessa Solução de Consulta a Recorrente alterou suas DACON´s, bem como apresentou PER/DCOMP nº 37802.22212.260706.1.3.045793, requisitando a compensação dos valores pagos a maior a título de PIS/COFINS, em face da operação da venda de ações qualificadas como ativo permanente, configurando, portanto em receita não operacional. Todavia, de forma contrária ao entendimento da Recorrente, bem como de forma contraditória ao entendimento anteriormente exposto pela própria Secretaria da Receita Federal, esta ao analisar sua PER/DCOMP não a homologou, conforme Parecer nº 113/2011, por entender que as participações societárias alienadas não estariam incluídas na previsão do § 3, inciso VI, do artigo 1º da Lei nº 10.833/03. Feita essas considerações iniciais, passo a análise do presente recurso. Primeiramente, salientamos que o crédito objeto da presente lide foi depositado administrativamente. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 17 16 Conforme exposto, a Recorrente invoca, como fundamento de seu direito creditório, a SRRF/7 RF/DISIT Nº 36, de 06/02/2006, segundo a qual a receita com venda de ações constantes do ativo permanente é não operacional, e por isso não deve compor a base de cálculo para a tributação de PIS/COFINS. Com razão a Recorrente. Vejamos. A consulta à DISIT/7 SRRF referese expressamente à participação societária permanente, frisando que sua alienação tem natureza não operacional e, desta forma, não integra as bases de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins. Portanto, em relação a venda de ações que se encontravam no ativo permanente da Recorrente, a referida Solução de Consulta encontrase plenamente eficaz. Essa é a conclusão da consulta que deve ser cumprida, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade administrativa e do nemo venire contra factum proprium como arguido, conforme exposto pelo próprio Recorrente em seu recurso. Veja que, a resposta dada a solução de consulta válida é de aplicação obrigatória por parte do contribuinte e da própria RFB. Assim, estando registradas a operações de aquisição no ativo permanente, a receita auferida é de venda de bens do ativo permanente e deve ser excluída da base de cálculo da Cofins do período de apuração respectivo. Nesse sentido o §3º, inciso VI, do artigo 1º da Lei nº 10.833/03: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Por fim, em caso semelhante dessa mesma Recorrente, este E. Conselho, proferiu decisão, cujo acórdão transcrevo em parte: “(...) A possibilidade aventada pela Diort/Demac/RJ de a recorrente possuir uma carteira de ações destinadas a negociação em bolsa (o que é compatível com a sua atividade) não se confunde com a também possibilidade de a recorrente possuir investimentos permanente em companhias abertas ou fechadas, também compatível com seu objeto social. O Parecer Conclusivo da Diort/Demac/RJ não prova que as ações vendidas integravam carteira de ações destinadas à venda. O caráter subjetivo do destino de uma ação adquirida (investimento permanente ou revenda) desaparece se, na virada do ano seguinte ao de sua aquisição, o título ainda permanece em poder do adquirente e registrado no seu ativo (permanente ou circulante). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.900999/201168 Acórdão n.º 3302002.688 S3C3T2 Fl. 18 17 Se na aquisição da ação a empresa escriturou a no ativo permanente, é porque a compra foi feita como investimento permanente. Se escriturou no ativo circulante é porque pretendia revender. Se a venda se realizar até o final do ano seguinte ao da aquisição, independente da intenção do adquirente (fator subjetivo) fica provado que a aquisição foi feita para revenda e, portanto, o registro correto da aquisição é no ativo circulante. Se a escrituração foi feita no ativo permanente, deve ser feito a retificação. No entanto, se venda ocorrer após o ano seguinte ao da aquisição, não há como contestar o lançamento contábil da aquisição no ativo permanente. Nesta hipótese, a receita da venda do título é, sim, receita da venda de bens do ativo permanente e, portanto, deve ser excluída da base de cálculo da Cofins. (...) (Acórdão nº 3302002.055. Sessão 25.04.2013) Por tais razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer como nãooperacional, decorrente da venda de ativo permanente, a receita da venda de ações realizada em fevereiro/2005. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de Agosto de 2014. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001589/98-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DÉBITOS DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE.
O pedido de compensação de crédito financeiro próprio com débito tributário de terceiro, pendente de julgamento na data da instituição da compensação, mediante Declaração de Compensação (Dcomp), não se converteu nesta declaração, para os efeitos previstos na legislação tributária que instituiu essa modalidade de compensação.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste amparo legal para se aplicar a homologação tácita da compensação de débito tributário com crédito financeiro de terceiro, objeto de pedido de compensação, porque tal pedido, ainda que pendente de apreciação, na data de instituição da Dcomp, não foi convertido em declaração de compensação. Recurso Provido.
Numero da decisão: 9303-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a homologação tácita, e determinar o retorno dos autos à instância a quo para que seja examinadas as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencida a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que negava provimento.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DÉBITOS DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. O pedido de compensação de crédito financeiro próprio com débito tributário de terceiro, pendente de julgamento na data da instituição da compensação, mediante Declaração de Compensação (Dcomp), não se converteu nesta declaração, para os efeitos previstos na legislação tributária que instituiu essa modalidade de compensação. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste amparo legal para se aplicar a homologação tácita da compensação de débito tributário com crédito financeiro de terceiro, objeto de pedido de compensação, porque tal pedido, ainda que pendente de apreciação, na data de instituição da Dcomp, não foi convertido em declaração de compensação. Recurso Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13811.001589/98-48
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5419119
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-003.188
nome_arquivo_s : Decisao_138110015899848.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 138110015899848_5419119.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a homologação tácita, e determinar o retorno dos autos à instância a quo para que seja examinadas as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencida a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que negava provimento. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5786917
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476975435776
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-12-29T19:20:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-12-29T19:20:59Z; Last-Modified: 2014-12-29T19:20:59Z; dcterms:modified: 2014-12-29T19:20:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:9c0c25b4-5b7f-4741-9733-62fd0702a6d9; Last-Save-Date: 2014-12-29T19:20:59Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-12-29T19:20:59Z; meta:save-date: 2014-12-29T19:20:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-12-29T19:20:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-12-29T19:20:59Z; created: 2014-12-29T19:20:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2014-12-29T19:20:59Z; pdf:charsPerPage: 2211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-12-29T19:20:59Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 396 1 395 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13811.001589/9848 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.188 – 3ª Turma Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria Compensação com Débito de Terceiro Homologação Tácita Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPO DO BRASIL IND. E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DÉBITOS DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. O pedido de compensação de crédito financeiro próprio com débito tributário de terceiro, pendente de julgamento na data da instituição da compensação, mediante Declaração de Compensação (Dcomp), não se converteu nesta declaração, para os efeitos previstos na legislação tributária que instituiu essa modalidade de compensação. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste amparo legal para se aplicar a homologação tácita da compensação de débito tributário com crédito financeiro de terceiro, objeto de pedido de compensação, porque tal pedido, ainda que pendente de apreciação, na data de instituição da Dcomp, não foi convertido em declaração de compensação. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a homologação tácita, e determinar o retorno dos autos à instância a quo para que seja examinadas as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencida a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que negava provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 15 89 /9 8- 48 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.001589/9848 Acórdão n.º 9303003.188 CSRFT3 Fl. 397 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI (fls. 01/109), no valor total de R$179.384,08, referente a insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação, com amparo no art. 40 da Lei n° 8.248/91, e no art. 1°, parágrafo único, do Decreto n° 792/93, relativamente ao mês de agosto de 1998. O direito creditório não foi reconhecido pela unidade de origem com base nos seguintes fundamentos, em apertada síntese: a) a contribuinte não trouxe aos autos elementos que permitam exame do cumprimento das disposições do art. 11 da Lei n° 8.248/91, bem como dos artigos. 7° e 9° do Decreto n° 792/93, embora a requerente tenha sido intimada a apresentálos; b) a Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pelos exames prescritos no art. 9° do Decreto n° 792/93, por meio de oficio (cópia às fls. 182/192), informou que a empresa não cumpriu os mandamentos legais que regem a fruição dos benefícios em pauta. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 330200.807, de 03 de fevereiro de 2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998 COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS. Na vigência do art. 15 da IN SRF nº 21/97, entre 11/03/1997 e 10/04/2000, a compensação de crédito com débito de terceiros era permitida. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Ocorre a homologação tácita do pedido de compensação após 5 (cinco) anos do seu protocolo. Recurso Voluntário Provido. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial requerendo a reforma do acórdão vergastado, para que não seja reconhecida a conversão do pedido de Fl. 397DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.001589/9848 Acórdão n.º 9303003.188 CSRFT3 Fl. 398 3 compensação de débitos de terceiros em Declaração de Compensação, bem como para não reconhecer a homologação tácita da compensação pleiteada. O recurso foi admitido, conforme Despacho 330000.98, de 2013 (fls. 388/391). A contribuinte foi devidamente cientificada do despacho acima citado, mas não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, essencialmente, à questão da homologação tácita da compensação de créditos com débitos de terceiros. Essa questão foi por mim enfrentada em recente julgamento nesta instância, nos termos do Acórdão 9303002.908, de 09/04/2014, do qual transcrevo os seguintes excertos, que se aplicam à presente lide: Quanto à homologação tácita de compensação de crédito financeiro próprio com débitos tributários de terceiros, objeto do pedido de compensação pendente de julgamento na data de instituição da Dcomp, inexiste amparo legal para o reconhecimento de sua ocorrência. A compensação de débitos tributários com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, foi instituída por meio da Medida Provisória (MP) nº 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 398DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.001589/9848 Acórdão n.º 9303003.188 CSRFT3 Fl. 399 4 [...]. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...].’ Já o instituto da homologação tácita surgiu com a edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, com vigência a partir desta mesma data, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que, por meio art. 17, deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluindo nele o parágrafo 5º, assim dispondo: ‘§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.’ Ora, segundo estes dispositivos legais, somente podem ser objeto de compensação, mediante a apresentação de Dcomp, créditos financeiros e débitos tributários do mesmo contribuinte, administrados pela Secretaria da Receita Federal. Também, conseqüentemente, somente se converteram em Dcomp os pedidos de compensação de créditos financeiros e débitos tributários do mesmo contribuinte. Pedidos de compensação de créditos financeiros cedidos por terceiros não foram convertidos em Dcomp. Posteriormente, ratificando o disposto no caput do art. 74, citado e transcrito acima, de que a compensação de crédito financeiro com débito tributário de terceiro não estava e não está amparada neste dispositivo legal, a Lei nº 10.051, de 2004, incluiu o § 12 naquele artigo, assim dispondo: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...]; II – em que o crédito: seja de terceiros; [...].’ Dessa forma, não há que se falar em homologação tácita, no presente caso. Afastada a questão relativa à homologação tácita da compensação, resta, para a solução final da presente lide, verificar a legitimidade/liquidez do direito creditório utilizado na compensação em foco (pedidos de ressarcimento de fls. 01, 32 e 65), o que não foi feito pelo colegiado a quo, que decidiu o pleito em preliminar. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.001589/9848 Acórdão n.º 9303003.188 CSRFT3 Fl. 400 5 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Procuradora da Fazenda Nacional, para que seja proferida nova decisão de segunda instância, adentrando na análise do direito creditório utilizado na compensação pleiteada. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 400DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001319/2003-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. Os depósitos bancários, cujo segundo titular da conta não foi intimado para comprovar, devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, conforme Súmula 29 deste Conselho.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Documentos que apenas comprovam a relação profissional entre o advogado e seus clientes não são considerados como justificativa de origem de depósitos bancários. Caso dos autos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. MÚTUO. Comprovada a ocorrência de operação de mútuo, aonde o contribuinte é o mutuante, exonera-se o depósito bancário relativo ao pagamento do empréstimo pelo mutuário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: a) exonerar da base de cálculo o valor de R$ 1.620.000,00, por ter ficado comprovado o empréstimo intermediado; e b) retirar da base de cálculo os depósitos da conta conjunta do banco Sudameris, por falta de intimação do segundo titular da conta.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. Os depósitos bancários, cujo segundo titular da conta não foi intimado para comprovar, devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, conforme Súmula 29 deste Conselho. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Documentos que apenas comprovam a relação profissional entre o advogado e seus clientes não são considerados como justificativa de origem de depósitos bancários. Caso dos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. MÚTUO. Comprovada a ocorrência de operação de mútuo, aonde o contribuinte é o mutuante, exonera-se o depósito bancário relativo ao pagamento do empréstimo pelo mutuário. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.001319/2003-31
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5413926
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2101-002.629
nome_arquivo_s : Decisao_19515001319200331.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA CLECI COTI MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 19515001319200331_5413926.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: a) exonerar da base de cálculo o valor de R$ 1.620.000,00, por ter ficado comprovado o empréstimo intermediado; e b) retirar da base de cálculo os depósitos da conta conjunta do banco Sudameris, por falta de intimação do segundo titular da conta. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
id : 5778239
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476982775808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001319/200331 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.629 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA RIBEIRO CATTANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. Os depósitos bancários, cujo segundo titular da conta não foi intimado para comprovar, devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, conforme Súmula 29 deste Conselho. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Documentos que apenas comprovam a relação profissional entre o advogado e seus clientes não são considerados como justificativa de origem de depósitos bancários. Caso dos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. MÚTUO. Comprovada a ocorrência de operação de mútuo, aonde o contribuinte é o mutuante, exonerase o depósito bancário relativo ao pagamento do empréstimo pelo mutuário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: a) exonerar da base de cálculo o valor de R$ 1.620.000,00, por ter ficado comprovado o empréstimo intermediado; e b) retirar da base de cálculo os depósitos da conta conjunta do banco Sudameris, por falta de intimação do segundo titular da conta. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 19 /2 00 3- 31 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que visa reverter a decisão do Acórdão 17 47.725 da 5a. Turma da DRJ/SP2, que manteve em parte o crédito tributário do lançamento de IRPF. A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu em 20/04/2011 e o Recurso Voluntário foi interposto em 24/05/2011. O recorrente alega as razões a seguir. Apresentou documentação hábil e idônea para demonstrar a efetiva realização da operação de mútuo e das despesas alegadas para a devida caracterização dos depósitos existentes em suas contas bancárias. Pelo princípio da verdade real, toda e qualquer documentação apresentada deveria ser meticulosamente analisada pelo fisco. Colaciona o parágrafo 5o. do art. 42, II que determina que " quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento". Entende também que devem ser reduzidos dos depósitos lançados, os valores declarados na DIRPF do ano. Na sequência estão as argumentações individualizadas, separadas por mês de ocorrência do depósito bancário. Mês fevereiro/1998 O depósito de R$ 2.350,00 está comprovado com o documento de fls. 253/270(doc.16) e o numerário serviu para o pagamento de laudo de pesquisa e avaliação de Lira Barra Mineração Ltda. Mês março/1998 Os valores R$ 5.100,00 e R$ 1.000,00 estão justificados nos documentos fls. 272, 275/277. (obs.:os documentos referemse a peças judiciais aonde figura como advogado) Os valores R$ 8.000,00, R$ 5.552,70 e R$ 2.742,90 referemse, respectivamente à : pagamento de CPMF, e pagamento de despesas de ação judicial (doc. 25, Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001319/200331 Acórdão n.º 2101002.629 S2C1T1 Fl. 3 3 fls. 295/313. (fl. 295 é um documento bancário informando depósito proveniente do exterior que entendo não justifica a origem do depósito) Mês maio/1998 R$ 2.000,00 transferência entre contas do autuado para cobertura de saldo devedor, cfe. fls. 17, 33/35, 178 e 315. (obs.: os documentos de fls. 33/35 e 315 mostram o depósito feito de cheque, mas não tem a cópia do cheque ou indicação de que seria de outra conta do contribuinte) R$ 5.500,00 Pagamento de despesa de cliente Senior Engenharia para Lira Barra Mineração Ltda. (projeto PAE), cfe. fls. 317/326 R$ 3.000,00 (em dinheiro) pagamento de perito e certidões em ação movida por Furnas Centrais Elétricas S/A, cfe. fls. 178 e 329/336. Mês junho/1998 R$ 40.000,00 recebido para pagamento de custas na ação por danos da empresa Valoart, cfe. fls. 331/346. (obs.: os documentos mencionados tratamse de procuração e outros do processo judicial em que o recorrente opera como advogado). R$ 2.758,00 Foi pagamento de custas, taxas, etc. no processo 917/97, cfe. documento de fls. 350/357. (docs. de processo judicial) R$ 1.476,00 Depósito para pagamento de custas cfe. doc. fls. 378/382.(docs. de processo judicial) Mês agosto/1998 R$ 12.000,00 para pagamento de custas cfe. fls. 129, 179 e 384/385 dos autos. (obs.: o documento de fl. 384 é um recibo datado de 11/08/98, cuja autenticação em cartório ocorreu em 21/05/2003) R$ 1.000,00 pagamento de custas, cfe. fls. 179, 387/391. (obs. a fl. 391 referese ao valor da causa no processo e não às custas processuais efetivamente pagas) R$ 1.000,00 fls. 179, comprovado cfe. fls. 393/397 (obs.: o documento à fl.397 referese ao valor da causa no processo e não às custas processuais efetivamente pagas) R$ 1.000,00 fls. 179, comprovado cfe. fls. 399/402 (obs:.:o documento da fl. 402 referese ao valor da causa no processo e não às custas processuais efetivamente pagas) Mês setembro 1998 R$ 1000,00 comprovado cfe. fls. 404/421 (obs.: o recibo de custas é de R$ 84,43) R$ 2.000,00 comprovado cfe. doc. fls. 423 (obs.: o documento referenciado não é um recibo, apenas uma peça de Embargos de Declaração) R$ 3.000,00 (relativo a 3 depósitos) custas, comprovado cfe. fls. 425/440 (obs. os valores mencionados são relativos ao valor da causa no processo e não a custas recolhidas) Mês outubro 1998 Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 R$ 1500,00 comprovação fls. 442/446 (obs. os documentos mencionados não são recibos comprobatórios de custas) R$ 14.944,00 comprovado cfe. fls. 448/456 (obs. os documentos referemse à declaração datada de 2003 que estaria sendo utilizada para comprovar uma despesa de 1998) R$ 1.000,00 lançamento indevido, pois foi declarado R$ 900,00 na DIRPF. R$ 1.300,00 Custas comprovadas cfe. fls. 459/465 R$ 37.650,00 Custas em inventário e imposto de transmissão. O contribuinte teria recebido um cheque no valor de R$ 37.650,00 de Guilherme Cardoso e outros., fl. 468. Custas no valor de R$ 27.170,38, cfe. cheque 428301 em favor da Secretaria da Fazenda Estadual, e cópia da GARE no valor de R$ 10.666,31, pago em nome de Maria Zacharias Cardoso (Espólio). Conforme fls. 467/468 e declaração da sra. Maria Sylvia Cardoso Duva. (obs.: declaração datada de 2003) R$ 4.000,00 comprovação custas de clientes fls. 473.(obs.: o contribuinte apresenta um recibo particular datado de 1998, mas com autenticação de 21/05/2003) Mês novembro 1998 R$ 7.000,00 custas em inventário, cfe. fls. 475/477 e declaração da sra. Maria Sylvia Cardoso Duva. O contribuinte apresenta um recibo relativo a 1998, mas com autenticação de 21/05/2003 para pagamento de imposto de transmissão causa mortis. Apresenta cópia de GARE relativo a Custas (R$ 2.115,12) e ITBI R$ 3.194,24, R$ 1.938,29, R$ 1,23, e R$ 212,71. Nas referidas GARE´s não consta o nome do beneficiário do pagamento, apenas o processo. O CPF informado no documento é o do recorrente e, portanto, entendo que referese a pagamento de tributo do próprio recorrente e não de cliente. R$ 2.500,00 comprovação, custas e depósito em execução, fls. 479/483 (obs. existe um cheque de pagamento de R$ 1.500,00 e relacionado com o mandado judicial, contudo não tem recibo do recolhimento em nome do cliente e os valores não são coincidentes) R$ 11.000,00 comprovação, para pagar IPTU e ITR mais certidões de cliente, cfe. fls. 485/492. (obs. declaração datada de 2003; existe um levantamento de dívida ativa do sr. José Meira Cardoso e Outros, mas não consta qualquer recibo de recolhimento do devido valor) R$ 6.000,00 comprovação pagamento de perito avaliador para inventário sr. João Duva fls. 494/497 e declaração sra. Maria Sylvia Cardoso Duva. (obs. declaração datada de 2003; consta apenas uma petição de juntada dos honorários no processo cível de fl. 495) Mês dezembro 1998 R$ 3.000,00 (três depósitos), seriam de honorários recebidos. R$ 24.000,00 honorários e despesas de levantamento topográfico e aprovação de planta de loteamento, fls. 499/502. (obs. declaração datada de 2003 para justificar depósito em 1998) É o relatório. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001319/200331 Acórdão n.º 2101002.629 S2C1T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro MARIA CLECI COTI MARTINS O Recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e merece ser conhecido. O recorrente questiona o não reconhecimento dos documentos apresentados como justificativas da origem dos depósitos em sua conta bancária. Tendo em vista a argumentação apresentada, passo à análise dos itens, primeiramente dos empréstimos de mútuo e posteriormente dos valores mensais, conforme relacionados no relatório. OPERAÇÕES DE MÚTUO Neste item estáse analisando dois depósitos na conta bancária do contribuinte, nos dias 01/04/1998 e 17/06/1998. No dia 01/04/1998 o contribuinte recebeu os seguintes valores (depósito em conta bancária): TEC DEP CHEQUE 250.000,00 TEC DEP CHEQUE 50.000,00 DOC BANCO 399 R$ 300.000,00 DOC BANCO 398 300.000,00 DOC BANCO 409 300.000,00 DOC BANCO 473 300.000,00 Esses valores foram retirados da conta do recorrente nos dias 02/04 (R$ 1.200.000,00) e 03/04(R$ 300.000,00). Foi anexada aos autos a escritura pública de um empréstimo de mútuo no valor de R$ 1.620.000,00, lavrada em 02/04/1998 no 3o. Serviço Notarial da Capital do Estado de São Paulo, Cauciona 23501 livro. 1802, fl 039 (obs.: Foram anexados dois documentos iguais). Pela narrativa da escritura o contribuinte teria entregue R$ 1.500.000,00 em cheque (640.993, Banco Itaú S/A) e R$ 162.000,00 em moeda corrente nacional ao mutuário. O pagamento do empréstimo deveria ocorrer em 01/06/1998. No dia 17/06 foi feito depósito em cheque, na conta do contribuinte, no valor de R$ 1.622.700,00, que teria sido o pagamento do empréstimo mais os juros pelo atraso. O contribuinte alega ser um intermediário dos empréstimos. Realmente existe um contrato de mútuo de R$1.620.000,00 no dia 02/04 aonde o contribuinte empresta o valor aos mutuários. Observase contudo que no contrato de mútuo não está explicitado o terceiro participante do empréstimo, ou seja, a fonte dos recursos que foram depositados na conta do contribuinte em 01/04/1998. Desta forma, entendo que o contrato de mútuo não justifica os depósitos ocorridos no dia 01/04/1998 e, portanto, tais valores devem ser tributados (R$ 1.620.000,00). Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 OUTROS DEPÓSITOS Relativamente à comprovação dos outros depósitos questionados, mês a mês pelo contribuinte, apresentando em geral documentos relativos a peças processuais e provas de que teria atuado em processos judiciais, não se pode inferir, da documentação apresentada, que os depósitos recebidos referemse ao alegado. Mais ainda, em algumas situações, o contribuinte utilizou a declaração de valor do processo para justificar depósitos em sua conta bancária, como sendo custas repassadas por clientes para que efetivasse o pagamento junto ao órgão público. Mesmo os recibos GARE apresentados pelo contribuinte não comprovam que teria recolhido os valores para o cliente, tendo em vista a não coincidência de valores e datas e a identificação do beneficiário na referida guia. VALORES DECLARADOS EM DIRPF Observo que a autoridade fiscal já havia reduzido da base de cálculo os valores declarados na DIRPF do contribuinte para o ano calendário. Assim, não assiste razão o contribuinte ao afirmar que tais valores deveriam ser deduzidos da base tributável. CONTA CONJUNTA A conta corrente no Banco Sudameris é conjunta e, no entanto, não consta nos autos a intimação ao outro titular da conta. Os depósitos na conta SUDAMERIS somam R$ 69.340,00. Desta forma, conforme Súmula 29 deste conselho, devese excluir da base de cálculo os lançamentos baseados nos depósitos na conta do referido banco. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. A quase totalidade dos depósitos não justificados foram feitos em conta bancária aonde o contribuinte é o único titular. Os valores dos depósitos no banco Itaú (titularidade exclusiva do contribuinte) menores que R$ 12.000,00 superam o limite de R$ 80.000,00 definido pela súmula CARF 61 e não são exonerados de tributação. CONCLUSÃO Voto para: a) exonerar da base de cálculo do tributo devido o valor de R$ 1.620.000,00, por ter ficado comprovado que o depósito bancário de 17/06/1998 referese a recebimento de valor emprestado anteriormente mais os juros; e b) retirar da base de cálculo do lançamento tributário os depósitos da conta conjunta do banco Sudameris por falta de intimação ao segundo titular (conforme Súmula 29 deste Conselho). MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 620DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001319/200331 Acórdão n.º 2101002.629 S2C1T1 Fl. 5 7 Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.923460/2009-83
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
TRIBUTÁRIO - ICMS - INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI.
Conforme explicita o art. 47, II, a, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão valor da operação deve ser compreendida com sua inclusão.
Numero da decisão: 3802-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 TRIBUTÁRIO - ICMS - INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. Conforme explicita o art. 47, II, a, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão valor da operação deve ser compreendida com sua inclusão.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15374.923460/2009-83
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5426659
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-002.136
nome_arquivo_s : Decisao_15374923460200983.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15374923460200983_5426659.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5812906
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477000601600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 415 1 414 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.923460/200983 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.136 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente VALPLAST LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 TRIBUTÁRIO ICMS INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. Conforme explicita o art. 47, II, “a”, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 34 60 /2 00 9- 83 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/JFA, a qual, por unanimidade de votos julgou improcedente o pedido de homologação da compensação relativa à PER/DCOMP nº 41193.55794.130406.1.3.042057, onde se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 159.397,83, tendo por lastro crédito originário de pagamento a Maior/Indevido do IPI realizado em 29/04/2006, de valor original igual a R$ 86.747,12 o que corrigido pela selic acumulada informada na DCOMP resulta no crédito atualizado de R$ 159.397,83 (fls. 54/58), nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do Fato Gerador: 29/06/2001 Conforme explicita o art. 47, II, “a”, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado com lastro da DCOMP, é de ser não homologação a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.923460/200983 Acórdão n.º 3802002.136 S3TE02 Fl. 416 3 Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem, em preliminar, nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, no mérito, apresenta a tese da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento, segundo os conceitos jurídicos contidos na doutrina e na jurisprudência. Esta tese apresentada pelo recorrente tem como fundamento para excluir o ICMS da base de cálculo do IPI. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Preenchidos os requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pelo recorrente, voto pelo seu Conhecimento. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente recurso ordinário para que este Órgão analisasse novamente as suas pretensões. E, nesse sentido, a questão central é saber se é possível se incluir na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI parcela referente ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços pago quando da operação de saída da mercadoria. O artigo 47, II, “a”, do Código Tributário Nacional, estabelece que a base de cálculo do IPI é composta pelo “valor da operação” de que decorrer a saída da mercadoria. Notese que o ICMS, por ser cálculo por dentro do valor da operação, nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. Nesse sentido, a jurisprudência da Segunda Turma do STJ é pacífica no sentido de que o ICMS integra a base de cálculo do IPI. Transcrevese: TRIBUTÁRIO – IPI – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO DO ICMS. Doutrina e jurisprudência são uníssonas em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Tratase de uma espécie tributária, cujo cálculo é feito com o ICMS embutido e não em destaque, o que só ocorre a partir da primeira operação, como claro está no art. 47 do CTN. Recurso especial improvido (REsp. Nº 610.908 – PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.09.2005). Ainda em reforço ao entendimento aqui noticiado, a doutrina de Misabel Machado Derzi caminha no mesmo sentido: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Na questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI, quando a operação configure o fato gerador dos dois impostos, vem prevalecendo a tese da Administração Fazendária Federal (Pareceres Normativos CST nº 39/70 e 341/71). A posição vitoriosa na doutrina e nos tribunais é de que o ICM ou ICMS se inclui na base de cálculo do IPI, sob fundamento de que o montante do imposto estadual sobre operações de circulação integra o produto que saiu do estabelecimento industrial, nesse valor estará computado o imposto pago a título de ICMS. O Tribunal Federal de Recursos assim decidiu por vezes (ver Lex Jurisprudência do Tribunal Federal de Recursos, nº 50, p. 54 e nº 57, PP. 9091: AP. Civ. 56.988/SP e 88.101 – Rel. Min. Armando Rollemberg; AP. Civ. 82/299/SP e 85/363/SP – Rel. Min. Torreão Brás; AP. Civ. 92.507/SP – Rel. Miguel Ferrante) (...) a principal argumentação está centrada no fato de que o ICM ou ICMS integra a própria base de cálculo, ou seja, o valor da operação inclui o valor do ICMS, sendo o destaque em documento fiscal destinado à simples controle. Já o IPI é calculado por fora do valor da operação de que resulta a saída pela industrialização. Sendo assim, não há que ser feito nenhum reparo a decisão inferior. A sistemática da cobrança do ICMS desde o Decretolei 406/68 e interpretando literalmente a Constituição Federal brasileira, já previa a inclusão do então ICMS na base de cálculo do imposto na mesma operação, de modo a permitir a dedução nas operações seguintes. Ou seja, a sistemática foi mantida pela LC 87/96 (artigo 2º, § 7º). As outras matérias trazidas aos autos, como cerceamento de defesa, nulidade do despacho decisório e prova pericial, necessário se faz rechaçar tais considerações, já que, como é sabido, para se configurar o cerceamento de defesa, como pretendido pelo recorrente, haveria de existir aquilo que a doutrina chamou de prejuízo, o que não se verificou em nenhum momento na marcha processual administrativa. Insta observar que, no procedimento aqui adotado, foram seguidas as normas inseridas no Decreto nº 70.235/72. Com relação à nulidade apontada, a matéria está regulamentada no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Apreciando os autos de forma detida, chegase a conclusão de que não se apresenta nenhuma das hipóteses legais ali contidas. Portanto, é de se considerar improcedente também tal argumento de defesa. Por último, não há que se falar em prova pericial quando a tese apontada pelo recorrente é de direito, apenas: Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Notese que o recorrente aplicou a tese ao seu bel prazer, excluindo o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, o que, pelo seu raciocínio, resultaria em parcela indevida do IPI recolhido por meio do DARF indicado na DCOMP. Portanto, não há que se falar em prova pericial. Nesse sentido, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE provimento para manter em sua integralidade a decisão a quo, que não reconheceu o direto creditório e não homologou a compensação requerida. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.923460/200983 Acórdão n.º 3802002.136 S3TE02 Fl. 417 5 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911860/2009-97
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/08/2002
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/08/2002 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.911860/2009-97
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404862
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.735
nome_arquivo_s : Decisao_10580911860200997.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10580911860200997_5404862.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5751487
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477008990208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 80 1 79 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.911860/200997 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.735 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente PROMÉDICA PATRIMONIAL S.A. PROMAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/08/2002 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 18 60 /2 00 9- 97 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. O Recorrente, nas razões de fls. 61 e ss., alega que a existência de decisão judicial seria suficiente para comprovar do crédito objeto da compensação. Após reproduzir parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito dos substituídos processuais dentre os quais o Recorrente de compensar todos os valores indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos, nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/02/2014 (fls. 67), interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911860/200997 Acórdão n.º 3802003.735 S3TE02 Fl. 81 3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911860/200997 Acórdão n.º 3802003.735 S3TE02 Fl. 82 5 CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples afirmação de que existiria decisão judicial reconhecendo suposto direito de crédito – formulada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário e omitida no campo dos “dados inicias” do PER/Dcomp– é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, quando não demonstrada documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório. Na data da transmissão dos PER/Dcomps, vigorava a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que, como se sabe, exige a prévia habilitação do crédito como requisito indispensável para a transmissão válida de pedido de compensação lastreado em decisão judicial: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. O Recorrente, além de omitir a suposta existência de decisão judicial na manifestação de inconformidade, sequer fez indicação deste fato nos “dados iniciais” do PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato além de induzir em erro a autoridade julgadora a quo inviabiliza o reconhecimento da homologação, uma vez que o PER/Dcomp, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, pressupõe a correta identificação do crédito, inclusive e principalmente no tocante ao fato de ser decorrente de suposta decisão judicial. Com efeito, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que – ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911860/200997 Acórdão n.º 3802003.735 S3TE02 Fl. 83 7 A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque não foi identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
