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Numero do processo: 10980.903275/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/02/2003
DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
Não merece reparo a decisão de primeira instância que não toma conhecimento das razões de defesa suscitadas em Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal e, portanto, intempestiva.
Numero da decisão: 3202-001.414
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/02/2003 DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Não merece reparo a decisão de primeira instância que não toma conhecimento das razões de defesa suscitadas em Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal e, portanto, intempestiva. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI – Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 32 75 /2 00 8- 20 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10980.903275/200820 Acórdão n.º 3202001.414 S3C2T2 Fl. 192 2 Tratase de recurso voluntário interposto por Kraft Foods Brasil “Ltda” contra Acórdão nº 0634.681, de 1º de dezembro de 2011, proferido pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que acordou por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade e, consequentemente, não tomar conhecimento das demais alegações constantes da manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade, apresentada em 03/09/2008, em face da homologação parcial da compensação declarada na Dcomp de nº 24484.31063.180906.1.7.046270, nos termos do Despacho Decisório emitido em 09/05/2008 pela DRF/Curitiba (fl. 2). Segundo o Despacho Decisório, cientificado em 20/05/2008 (fl. 5), a compensação foi homologada parcialmente porque o Darf indicado pela contribuinte em sua Dcomp estava parcialmente utilizado em DCTF, para extinguir o débito de Cofins, 2172, do PA 02/2002. Salientese que o crédito original na data de transmissão informado na Dcomp é de R$ 267.087,18, enquanto o valor deferido foi de 233.022,01. Em virtude do reconhecimento parcial do crédito, a homologação da compensação pleiteada também se deu parcialmente. No recurso interposto a recorrente alega, preliminarmente, que “a contribuinte restou surpreendida com a exigência dos valores em questão. Até o presente momento a empresa não havia recebido nenhuma confirmação oficial da pretensão fazendária em questão”. Diz que “somente após verificação rotineira que faz de sua situação fiscal, acabou por descobrir uma série de débitos supostamente pendentes em seu nome em razão do indeferimento de seus pedidos de compensação”. Afirma ainda que “nenhuma pessoa com a mínima capacidade dentro da organização da empresa recebeu os documentos em questão. Se houve qualquer intimação, esta foi completamente desprovida de seus mínimos fundamentos de validade”. Argumenta que “nem o sujeito passivo, nem qualquer um de seus mandatários e, muito menos, qualquer um de seus prepostos receberam a notificação de lançamento em foco”. No que toca ao mérito, diz que o crédito ofertado à compensação é decorrente de pagamento indevido de Cofins, do PA 28/02/2002, que, tendo sido pago em atraso em 24/02/2003, foi recolhido com os juros correspondentes, mas sem a multa de mora. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10980.903275/200820 Acórdão n.º 3202001.414 S3C2T2 Fl. 193 3 Por esse motivo, acredita que a Receita Federal ao analisar o crédito, pode ter entendido que parte dele já teria sido utilizado para a extinção da multa moratória decorrente do respectivo pagamento em atraso, motivo pelo qual restaria apenas uma parcela passível de compensação. No entanto, argumenta que o Darf pago em atraso, sem a adição da multa respectiva, foi objeto do Mandado de Segurança no. 2003.70.00.0331380, impetrado para reconhecer a denúncia espontânea e afastar a exigibilidade da multa correspondente. Diz que houve o trânsito em julgado em 17/04/2006, tendo sido reconhecido o direito postulado pela contribuinte, ou seja, o direito à denúncia espontânea com a consequente inexigibilidade da multa decorrente do pagamento em atraso. Argumenta também que a Administração Pública deve agir de acordo com os princípios da verdade material e do informalismo, bem como, cabe a ela o dever de salvar os atos praticados pelos administrados, os quais, muitas vezes, se veem perdidos frente aos inúmeros entraves burocráticos existentes. Diz que as autoridades julgadores devem buscar mais do que dados existentes nos processos e declarações, mas sim o que efetivamente ocorreu. Assevera, ainda, que mesmo não existindo a possibilidade “salvabilidade” dos dados informados na compensação, restaria, ainda, o dever da Administração Pública de proceder à pesquisa de possíveis créditos anteriores que tivessem sido utilizados em compensação. Diz, também, que não existe prova material contundente contra à suposta inexistência do crédito ofertado pela contribuinte na compensação, afirmando que a fragilidade do sistema de pagamentos é conhecido por todos. Diante disso, sustenta que por conta da total ausência de provas e de sua incontestável boafé, há que ser “afastada a glosa efetivada pela fiscalização e, consequentemente, a não homologação da compensação requerida”. Pede o reconhecimento da preliminar de nulidade, requerendo ainda que seja apresentado com clareza o nome completo e os dados da suposta pessoa que recebeu a intimação, para fins de responsabilização pessoal; pede a produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a documental e a pericial; e, no mérito, requer a homologação da compensação realizada. É o relatório.” Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10980.903275/200820 Acórdão n.º 3202001.414 S3C2T2 Fl. 194 4 A DRJ, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de tempestividade e, consequentemente, não tomou conhecimento da manifestação de inconformidade, em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/02/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. MÉRITO NÃO CONHECIDO. A Manifestação de Inconformidade interposta após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência do Despacho Decisório proferido não instaura a fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, impossibilitando o exame do mérito nela contido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão em 6 de junho de 2012, apresentou recurso voluntário em 6 de julho de 2012 ao Conselho Administrativo Fiscal – CARF. Não obstante, consta observação da DRF/CTA CAC/CENTRO de que foi recepcionado o “documento” por insistência com observação “sem procuração, sem comprovante de assinatura e sem demais documentos”. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10980.903275/200820 Acórdão n.º 3202001.414 S3C2T2 Fl. 195 5 Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a priori, passo a analisar a preliminar de legitimidade passiva do recurso voluntário. Para tanto, importante lembrar que a unidade de origem recepcionou o documento de fls. 168 entregue em 06 de julho de 2012, como recurso voluntário. No entanto, observou que tal documento foi recepcionado como recurso voluntário por insistência, atentando “sem procuração, sem comprovante de assinatura e sem demais documentos”. Cabe trazer que o “recurso voluntário”, em nome da Kraft Foods Brasil “LTDA”, foi assinado pelos Drs. José Augusto Lara dos Santos e Bruna Herdina Comitti. Depreendendose da análise dos autos do processo, vêse que consta da fl. 30 instrumento particular, substabelecendo pelo Dr. Rafael Myazaki Otta ao, entre outros, Dr. José Augusto Lara, com reserva de iguais poderes para recepcionar intimações, podendo praticar todos os atos judicias e extras judiciais necessários à apresentação e defesa dos interesses da Outorgante Kraft Foods Brasil S/A em qualquer juízo, instância ou Tribunais bem como perante quaisquer pessoas físicas ou jurídicas, inclusive de direito público, seus órgãos, Ministérios, Repartições Públicas Federais, Estaduais e Municipais, Juntas Comerciais, Prefeituras e Autarquias, com poderes para transigir, desistir, confessar, receber e dar quitação, firmar termos e compromissos, podendo inclusive substabelecer, enfim, praticar todos os demais atos necessários. No entanto, não há instrumentos substalecendo iguais poderes para a Dra. Bruna Herdina Comitti, que também assinou o Recurso Voluntário. O que em relação ao aspecto subjetivo da relação jurídica processual, considerando os documentos acostados ao processo, vêse que a mesma não possuiria legitimidade para figurar no pólo passivo da lide em que se discute a compensação – quando constar como sujeito passivo a Kraft Foods Brasil S/A.. Dessa forma, caso considerássemos a procuração e o substabelecimento constante do processo, nos quais constam como outorgante a Kraft Foods Brasil S/A, ainda que inexistente a legitimidade da Dra. Bruna, seria cabível se reconhecer a legitimidade do Dr. José Augusto Lara. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10980.903275/200820 Acórdão n.º 3202001.414 S3C2T2 Fl. 196 6 Não obstante ao descrito acima, cabe trazer que a Kraft Foods Brasil S/A sofreu reorganização societária e, por conseguinte foi renomeada para Mondelez Brasil Ltda em ato de julho/2013 conforme CNPJ abaixo: REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 33.033.028/000184 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 24/01/1973 NOME EMPRESARIAL MONDELEZ BRASIL LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) MONDELEZ BRASIL CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 82.99799 Outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 82.19999 Preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo não especificados anteriormente 82.11300 Serviços combinados de escritório e apoio administrativo CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO AV PRESIDENTE KENNEDY NÚMERO 2511 COMPLEMENTO PARTE CEP 80.610010 BAIRRO/DISTRITO AGUA VERDE MUNICÍPIO CURITIBA UF PR SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 03/11/2005 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10980.903275/200820 Acórdão n.º 3202001.414 S3C2T2 Fl. 197 7 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014. Emitido no dia 29/10/2014 às 09:35:09 (data e hora de Brasília). O processo administrativo deve respeitar rotinas indispensáveis à segurança das partes, dos atos e da prestação jurisdicional e administrativa. O que, por conseguinte, nos casos de alteração de denominação social, decorrente de reorganizações societárias, os poderes outorgados anteriormente aos advogados da pessoa jurídica – sujeito passivo, deixam de existir. Tanto é assim que em outro processo da Kraft Foods Brasil S.A de nº 10980.901545/201082 vêse que o Recurso Voluntário foi apresentado regularmente com a nova denominação social da Kraft Foods Brasil S/A – qual seja, Mondelez Brasil LTDA, conjuntamente com a procuração e substabelecimento expondo como outorgante a Mondelez Brasil Ltda. Porém, no caso vertente, haja vista o Recurso Voluntário ter sido apresentado no dia 6.7.2012 portanto, antes da mudança da denominação social da sociedade, independentemente de não ter sido apresentado o recurso conjuntamente com as procurações e demais documentos que possam atestar a legitimidade passiva, tornase necessário constar dos autos a procuração outorgando poderes, para tanto, a esses advogados, ou instrumento particular substabelecendo esses poderes. A meu sentir, para fins de se trazer a segurança necessária ao processo administrativo, tornase obrigatório a apresentação de procuração ou instrumento particular em cada processo, substabelecendo poderes, para tanto, a seus procuradores, sob pena de não conhecimento do recurso. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10980.903275/200820 Acórdão n.º 3202001.414 S3C2T2 Fl. 198 8 O que, por conseguinte, causa estranheza a conduta praticada no processo presente, tendo em vista que foi apresentado recurso voluntário com o nome da Kraft Foods Brasil “Ltda”, e não “S/A” e sem a procuração dos advogados que lá assinavam. Frisese os dizeres do art. 6º do CPC – “ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei”. No entanto, independentemente de não ter anexado ao recurso voluntário a procuração e demais documentos necessários, considerando que consta da fl. 32 instrumento particular, substabelecendo pelo Dr. Rafael Myazaki Otta ao, entre outros, Dr. José Augusto Lara, poderes para tanto, passo a apreciar as questões trazidas no recurso voluntário. Depreendendose da análise do processo, vêse que a lide original envolve autuação fiscal recepcionada pela empresa Kraft Foods Brasil S/A incorporada pela Mondelez Brasil Ltda) tratando do reconhecimento parcial do pedido de compensação – considerando que houve a consolidação de suposto débito no montante de R$ 156.204,39. Não obstante à essa discussão, vêse que a DRJ não tomou conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, considerando sua intempestividade. Eis que, no caso vertente, o contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório por meio de Aviso de Recebimento, no dia 20 de maio de 2008 e apresentou a Manifestação de Inconformidade em 3.9.2008, quando já havia se esgotado o prazo regulamentar fixado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Dessa forma, em vista da decisão de 1ª instância, a contribuinte pede a reforma do Acórdão da DRJ, descrevendo julgados do CARF, solicitando que seja integralmente homologada a declaração de compensação do contribuinte, afastando os supostos débitos de Cofins. Quanto à intempestividade da manifestação de inconformidade alegada pela DRJ, notase que, de acordo com o disposto nos arts. 14 e 151 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, somente a impugnação da exigência apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10980.903275/200820 Acórdão n.º 3202001.414 S3C2T2 Fl. 199 9 No caso vertente, resta claro que a recorrente apresentou a impugnação fora do prazo legal. Logo, a controvérsia cingese apenas ao conhecimento da impugnação suscitada pela recorrente, que deve ser conhecida por este Colegiado, em razão do disposto no art. 56, § 3º, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo administrativo fiscal, a seguir transcrito (destaques meus): “Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14 e 15). § 1º Apresentada a impugnação em unidade diversa, esta a remeterá à unidade indicada no caput. § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. § 3º No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. § 4º Na hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. 5º Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. §6º Na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. §7ºNo caso previsto no § 5o, a unidade de preparo deverá juntar, por anexação ao processo correspondente, o referido envelope.” No recurso voluntário, a recorrente pleiteou o conhecimento das razões de fato e de mérito apresentadas, com base no argumento de que, no âmbito do processo administrativo fiscal, deve prevalecer o princípio da verdade material. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10980.903275/200820 Acórdão n.º 3202001.414 S3C2T2 Fl. 200 10 Porém, entendo que não assiste razão a recorrente, pois tal princípio somente poderia ser invocado quando o processo administrativo fiscal tenha sido regulamente instaurado à fase contenciosa do procedimento. Por essas razões, rejeitase o conhecimento desses fatos e do mérito apresentados, uma vez que devidamente caracterizada a intempestividade da manifestação de inconformidade. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, rejeitar o conhecimento das razões dos fatos e de mérito, para manter na íntegra a decisão recorrida. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908794/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 87 94 /2 01 2- 15 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908794/201215 Acórdão n.º 3301002.441 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação formulado pela Recorrente que foi não homologado diante da inexistência de crédito. A Recorrente apresentou em face do indeferimento, Manifestação de Inconformidade alegando que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado. A DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário a Recorrente aponta que possui os créditos pleiteados, que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado e que somente não retificou as declarações de modo que os mesmos devem ser homologados. É o que importa relatar. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908794/201215 Acórdão n.º 3301002.441 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No presente caso, apesar da contribuinte reiteradamente se manifestar acerca do seu direito creditório e ter sido avisada pela DRJ de que deveria comproválo, conforme consta reiteradamente no acórdão da Manifestação de Inconformidade, a mesma não apresentou nenhuma prova. Prova conforme o velho e conhecido Aurélio Buarque de Holanda é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente. Prova, portanto, serve para demonstrar uma verdade, quer da Fazenda, quer da Contribuinte com relação aos fatos apresentados. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte administrado apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida; provar que tinha o crédito para realizar a compensação declarada. Logo, seria imprescindível que provas e argumentos fossem carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, e que essas provas se revestissem de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908794/201215 Acórdão n.º 3301002.441 S3C3T1 Fl. 5 4 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13839.913065/2009-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/09/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/09/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 30 65 /2 00 9- 52 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913065/200952 Acórdão n.º 3801003.919 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Em julgamento recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa. Adoto o relatório do acórdão recorrido “Tratase de Despacho Decisório, que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica , sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. A interessada por sua vez, contesta a decisão alegando preliminarmente a nulidade do ato. Contesta a ausência absoluta do motivo da não homologação da compensação cerceando seu direito a ampla defesa. Aduz que o crédito em que se fundou a compensação decorre de pagamento a maior da Cofins [ou da contribuição para o PIS/Pasep], pois ao calcular o montante devido, incluiu na base de cálculo do tributo não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas como também as demais receitas, ampliandoa indevidamente. Assevera que a pretensão é legitima na medida em que utilizouse de algumas teses tributárias julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Invoca a alínea “a” do artigo 16 do Decreto 70.235/72, para postular a posterior produção de provas uma vez que , como dito de forma exaustiva, se nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, como poderia a manifestante defenderse adequadamente? Ao final, reitera suas alegações quanto à nulidade do despacho decisório, solicita a posterior produção de provas como também a baixa dos autos em diligência e o reconhecimento de seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme a seguinte ementa do acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913065/200952 Acórdão n.º 3801003.919 S3TE01 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 31/08/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência será indeferido quando se apresentar prescindível, nos moldes do art.18 do Decreto nº 70.235/72. POSTERIOR JUNTADA DE DOCUMENTOS É legalmente admissível quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação na contestação, por motivo de força maior, fato ou direito superveniente. Da leitura do recurso voluntário, conseguese depreender apenas que, segundo a contribuinte, teria ficado plenamente demonstrado que ocorreu pagamento a maior da contribuição, decorrente da incorreta inclusão de valores no cálculo da contribuição, e que este valores seriam relativos a operações de importação, simples remessas consideradas em duplicidade e outras operações não bem identificadas. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913065/200952 Acórdão n.º 3801003.919 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. À luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito, cabia a contribuinte a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913065/200952 Acórdão n.º 3801003.919 S3TE01 Fl. 6 5 Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Nos autos, não há nenhuma prova da certeza e liquidez do crédito. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913065/200952 Acórdão n.º 3801003.919 S3TE01 Fl. 7 6 Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10850.000894/2004-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 00 89 4/ 20 04 -1 2 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000894/200412 Resolução nº 3801000.860 S3TE01 Fl. 923 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente de pedido de restituição (fl. 1) de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), advindos de compensação a maior com créditos do Finsocial, referente ao período de abril a agosto de 1999. Posteriormente, foram apresentadas Declarações de Compensação (DComp) aproveitando o mesmo crédito. A DRF/São José do Rio Preto, por meio do despacho decisório de fls.77/85, indeferiu o pedido de restituição e deixou de homologar as compensações, por inexistência de crédito. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 97/106, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 390840/MG e que o art. 26A do Processo Administrativo Fiscal (PAF) determina que nos casos em que a lei tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, os órgãos de julgamento da Administração Federal devem afastar sua aplicação. Assim, requer a restituição da parcela da contribuição apurada sobre as receitas que não compõem o faturamento. A 1ª Turma de Julgamento desta Delegacia de Julgamento, conforme resolução de fls. 709/714, por entender que, em tese, a contribuinte teria direito à restituição de valores da contribuição calculados sobre receitas diferentes do faturamento, determinou o retorno do presente à unidade de origem para que a interessada fosse intimada a apresentar cópias de sua escrituração contábil de modo a demonstrar a liquidez e certeza do crédito requerido. Após ser intimada, a contribuinte apresentou os documentos de fls.719/768. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM CONTROLE DIFUSO. EFEITOS. A competência para suspender a execução de uma lei declarada inconstitucional incidentalmente, em controle difuso, é privativa do Senado Federal e gera sempre efeitos ex nunc. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000894/200412 Resolução nº 3801000.860 S3TE01 Fl. 924 3 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO SEM LEI ESPECÍFICA. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL. Permanecendo válida a lei com todos os seus efeitos, enquanto não retirada do mundo jurídico, a Constituição Federal veda expressamente a redução de base de cálculo de impostos, taxas ou contribuições sem uma lei específica que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, na essência: · que o crédito pleiteado se refere à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição Cofins, de receitas estranhas ao conceito de faturamento dada a inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98; · que, após ser intimada, apresentou os documentos de fls.719/768, juntando toda a documentação necessária para comprovar o direito creditório; · que a retificação de declarações não se configura legitima como condição para repetição do indébito; · que essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei n. 9718/98; bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria; · que a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9718/98, com fulcro no inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11941, de 27.5.2009 e também no Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), no seu art. 62, parágrafo 1o, inciso I, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22.6.2009; Fl. 925DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000894/200412 Resolução nº 3801000.860 S3TE01 Fl. 925 4 Assim, postula a reforma da decisão a quo, a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000894/200412 Resolução nº 3801000.860 S3TE01 Fl. 926 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Todavia, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo para a incidência de PIS e da Cofins, no julgamento dos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, conforme ementa abaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF, RE 390.840, j. em 09/11/2005) Destaquese que o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJE nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral da questão constitucional e reafirmou a Fl. 927DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000894/200412 Resolução nº 3801000.860 S3TE01 Fl. 927 6 jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF No mais, o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009 e o artigo 62 do RICARF, estabelecem estar vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, com exceção dos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, no que também se amolda o presente caso. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, ultrapassada a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, verificamos que a decisão recorrida considerou como impedimento para o deferimento do pleito o fato do contribuinte não ter retificado a DCTF até a transmissão do PERDCOMP. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou Balancete do livro diário relativo ao período 04/1999 a 08/1999, bem como o termo de abertura e fechamento comprovando devido registro no órgão competente, Balancete analítico da comprovação de apuração das receitas oriundas de prestação de serviço e Planilha de apuração da origem do crédito. Da análise da documentação apresentada, verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição em desacordo com o conceito de faturamento Fl. 928DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000894/200412 Resolução nº 3801000.860 S3TE01 Fl. 928 7 adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. A recorrente alega que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento do imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente e que o direito ao aproveitamento do crédito é corolário do princípio da legalidade. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser considerada a documentação comprobatória apresentada,como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior. No entanto, em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição COFINS e eventuais pagamentos a maior, procedimento esse que compete à Delegacia de origem. Outra questão que não foi enfrentada pela autoridade julgadora a quo é que no caso vertente a recorrente informa que o parte do indébito no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação, formalizada por meio da declaração de compensação eletrônica, colacionando extrato de Declaração de Compensação DCOMP e DCTF onde constam os débitos compensados.. Conforme consta no Despacho Decisório e na documentação acostada aos autos os créditos em questão decorrem de pagamento/compensação indevido ou a maior do tributo COFINS código da receita 2172, referente aos períodos de apuração de abril/1999 a agosto/1999, que foram totalmente extintos com vinculação: parte por meio de pagamento com DARF, e o restante por meio de compensação com créditos referentes ao processo judicial n° 94.07032434, cuja apreciação se deu por meio da formalização do Processo Administrativo n° 10850.0010219827. Para evitar supressão de instância, superada a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998 e a comprovação do valores compensados a maior, caso não se possa decidir do mérito a favor do sujeito passivo, entendo que devem os autos retornar à instância a quo para exame dessa matéria. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição COFINS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; Fl. 929DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000894/200412 Resolução nº 3801000.860 S3TE01 Fl. 929 8 b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 930DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.902982/2012-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 29 82 /2 01 2- 90 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.902982/201290 Acórdão n.º 3803006.796 S3TE03 Fl. 73 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 9 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.902982/201290 Acórdão n.º 3803006.796 S3TE03 Fl. 74 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.902982/201290 Acórdão n.º 3803006.796 S3TE03 Fl. 75 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em fevereiro de 2005 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 19.921,58 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 12.066,50 (conforme índice de juros de 60,57% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 6.636,57, valor esse muito próximo, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.902982/201290 Acórdão n.º 3803006.796 S3TE03 Fl. 76 5 com diferença de apenas R$ 0,70, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 6.635,87). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10620.001026/2007-14
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
AUTO LAVRADO COM BASE NAS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS INFORMADOS EM DACON - MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Revisão de ofício de decisão de primeira instância administrativa que deu provimento ao recurso do contribuinte por entender que os débitos constituídos foram extintos pela compensação. Entendimento pela realização de diligência para confirmação de existência dos créditos informados na DACON (PIS/COFINS não cumulativo), cancelados débitos cujos créditos foram confirmados em diligência.
Recurso de Ofício Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Déroulède, que negavam provimento ao recurso. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Walber José da Silva farão declaração de voto.
Sustentação Oral: Bruno Fajersztajn OAB/SP 206899
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 AUTO LAVRADO COM BASE NAS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS INFORMADOS EM DACON - MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Revisão de ofício de decisão de primeira instância administrativa que deu provimento ao recurso do contribuinte por entender que os débitos constituídos foram extintos pela compensação. Entendimento pela realização de diligência para confirmação de existência dos créditos informados na DACON (PIS/COFINS não cumulativo), cancelados débitos cujos créditos foram confirmados em diligência. Recurso de Ofício Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Déroulède, que negavam provimento ao recurso. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Walber José da Silva farão declaração de voto. Sustentação Oral: Bruno Fajersztajn OAB/SP 206899 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10620.001026/200714 Recurso nº 254.846 De Ofício Acórdão nº 3302002.742 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria Cofins NAO CUMULATIVO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VOTORANTIM METAIS ZINCO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 AUTO LAVRADO COM BASE NAS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS INFORMADOS EM DACON MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Revisão de ofício de decisão de primeira instância administrativa que deu provimento ao recurso do contribuinte por entender que os débitos constituídos foram extintos pela compensação. Entendimento pela realização de diligência para confirmação de existência dos créditos informados na DACON (PIS/COFINS não cumulativo), cancelados débitos cujos créditos foram confirmados em diligência. Recurso de Ofício Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Déroulède, que negavam provimento ao recurso. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Walber José da Silva farão declaração de voto. Sustentação Oral: Bruno Fajersztajn – OAB/SP 206899 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 10 26 /2 00 7- 14 Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 268/274) lavrado para fim de constituir valores referentes à COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, resultante de diferenças entre o valor declarado e escriturado, devidamente acrescidas de juros de mora e multa de ofício. Todos os valores foram apurados de forma individualizada e estão indicados no Termo de Verificação Fiscal – TVF, às fls. 480/501. Inconformada com o auto lavrado, a Recorrente apresentou recurso de impugnação às fls. 277/291, por meio do qual alegou, em síntese, explicações específicas para cada pendência contábil indicada pela fiscalização. Em seu arrazoado verificase que os valores não seriam indevidos porque quitados na forma de compensação ou de recolhimento. Em relação às compensações, esclarece a Recorrente que os créditos decorreram do sistema não cumulativo do COFINS, de estornos e retenções. Diz a Recorrente que as informações em DCTF que não se coadunam com estes fatos, por sua vez, estariam erradas, mas que este seria erro menor e escusável que não justifica a autuação por inexistência do tributo e que as compensações foram informadas em DACON. Registra ainda a Recorrente que a fiscalização não aceitou os esclarecimentos prestados às fls. 184/199 e fls. 217/243, por entender que o aproveitamento dos créditos decorrentes de estorno e retenções deveria ter sido realizado por intermédio de pedidos de restituição/compensação (PERD/DCOMP’s – Lei 9430/96, artigo 74 e IN SRF 598, artigo 2º), com esta alegação finaliza que a fiscalização não questionou a efetividade dos créditos quanto à natureza e valor. Defende a regularidade de seu procedimento, que consiste: (i) na apuração do valor do crédito pelo DACON, e conseqüente lançamento destes créditos decorrentes do regime nãocumulativo e das retenções na fonte naquele documento; e posteriomente (ii) na declaração dos valores apurados como devidos em sua DCTF e quitação. Ressalta que o Agente Fiscal não analisou as DACON’s que lhe foram disponibilizadas e que justamente em virtude deste fato é que encontrou subsídios para lavrar o auto de infração, pois as DACON’s sanariam qualquer dúvida a respeito das questões suscitadas. Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a Primeira Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte proferiu o acórdão nº 0217.293, fls. 507/520, por meio do qual acatou as alegações postas cancelando o auto de infração, a saber: Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10620.001026/200714 Acórdão n.º 3302002.742 S3C3T2 Fl. 11 3 “IMPROCEDÊNCIA. Comprovado nos autos a inexistência de COFINS devida, no período considerado pela autuação, cancelase o lançamento. Lançamento Improcedente.” Em virtude do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Egrégio Conselho para fim de julgamento do Recurso de Ofício interposto com base no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em 27/10/2010, os autos foram analisados por esta Segunda Turma de Julgamento da Terceira Câmara da Terceira Seção, a qual entendeu por bem converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora, tendo proferido a Resolução no 330200.077, in verbis: “Assim como se verifica do texto da decisão de primeira instância administrativa, a conclusão de cancelamento do auto de infração teve origem da constatação de que “os valores lançados correspondem basicamente às diferenças encontradas entre o saldo da conta contábil ‘COFINS a pagar’ e o valor declarado em DCTF”. Esclarece ainda a decisão recorrida: ‘Em alguns períodos de apuração o contribuinte pagou valores maiores que os declarados. Em outros compensou com créditos ou estornou lançamentos equivocados.’ Entenderam as autoridades julgadoras de primeira instância administrativa, que ‘os equívocos de preenchimento de DCTF não podem justificar o lançamento de tributos que se encontram extintos pelo pagamento, pela compensação ou por qualquer outra forma. A simples divergência entre os registros contábeis e os valores declarados não dá origem à obrigação tributária, quando crédito tributário encontrase extinto, pois, nesses casos, a realidade fática não se subsume à hipótese legal.’ Logo, é de se admitir que a principal razão que justificou o cancelamento deste auto de infração é a existência de crédito tributário. E é exatamente neste ponto que a matéria deve ser observada com cuidado. O primeiro questionamento a ser feito é: quem validou o crédito que foi contabilizado pela Recorrente? A compensação foi contábil. A consolidação do valor do crédito, assim como a indicação nos livros contábeis foi realizado pela Recorrente. Assim, fora a Recorrente, que apurou os valores e procedeu à compensação contábil, qual autoridade administrativa confirmou a existência do quantum compensado? Após o cômputo dos autos, constatei que não houve análise/avaliação dos cálculos por pessoa diversa ao próprio contribuinte. A maioria dos créditos que foram compensados, são extemporâneos e decorrem da sistemática não cumulativa da COFINS. Este fato, por si só, é suficiente para questionar a origem/existência do crédito indicado pela Recorrente. É que o Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 sistema não cumulativo é recente e os conceitos de “insumo” que geram créditos para esta legislação específica ainda estão em discussão, tanto no âmbito administrativo, quanto judicial. Não se trata de matéria pacífica. Em razão desta situação peculiar, pareceme imprescindível para o bom julgamento da questão, a conversão do presente julgamento em diligência para que as autoridades administrativas analisem a efetiva existência do crédito tributário alegado, ou mesmo se concordam com o entendimento do contribuinte acerca do que são créditos para o sistema não cumulativo. Neste aspecto, a simples manutenção da decisão de primeira instância administrativa acabaria por homologar, ainda que tacitamente e por via reflexa, o entendimento da Recorrente sobre o conceito de insumos e produtos que geram créditos na sistemática não cumulativa. Ante o exposto, converto este julgamento em diligência, determinando à autoridade administrativa competente que: (a) Intime a Recorrente a apresentar, no prazo de 30 dias, a formação dos créditos utilizados para compensar os valores autuados, refletidos nos fatos geradores incorridos em maio/2004; janeiro/2005; fevereiro/2005; outubro/2005; maio/2006; novembro/2006 e dezembro/2006. (b) Esclareça à Recorrente que, os créditos decorrentes da sistemática não cumulativa da COFINS, deverão ter sua origem comprovada ou seja, deverá ser esclarecido qual foi o insumo/produto/bem que gerou o crédito, qual a finalidade deste insumo/produto/bem no sistema produtivo da empresa, quando ocorreu o custo com este insumo/produto/crédito e todos os outros aspectos que justifiquem a existência do crédito. (c) Após, analise as informações apresentadas para averiguar se o crédito apontado pela Recorrente em seus livros fiscais realmente existem, ou seja, se quando do seu aproveitamento eram válidos (ou encontravamse prescritos), se são considerados créditos para o sistema não cumulativo, etc. (d) elabore relatório especificado por fato gerador, fundamentado inclusive documentalmente, com indicação precisa dos documentos e conclusão de existência ou não do crédito tributário, para que este Colegiado compreenda a origem dos valores contabilizados como crédito. (e) Intime novamente a Recorrente acerca da conclusão da fiscalização, sendolhe concedido o prazo de 30 dias para se manifestar. (f) Após, encaminhe os autos a este Egrégio Conselho de Contribuintes para julgamento.” A diligência foi realizada, tendo resultado no Parecer de fls. 1937/1966, que após receber informações da Recorrente e verificar a situação fática existente, concluiu pela procedência da compensação realizada em determinados itens e pela impossibilidade de conclusão em outros face a insuficiência de documentos. Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10620.001026/200714 Acórdão n.º 3302002.742 S3C3T2 Fl. 12 5 A Recorrente se manifestou em relação ao resultado da diligência discorrendo, principalmente, sobre a impossibilidade de alteração da fundamentação jurídica do auto de infração que teria sido lavrado especificamente em razão da ausência de registro em DCTF de valores efetivamente devidos e corretamente lançados na contabilidade, mas que foram extintos pela compensação; bem como pela ausência de procedimento de compensação (PerdComp) para os valores compensados. Em seu entender, a diligência realizada estaria promovendo verdadeiro aperfeiçoamento do lançamento, o que é inadmissível no ordenamento jurídico. É o relatório. Voto O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado em razão da diferença entre valores contabilizados e valores declarados em DCTF. A decisão recorrida, como relatado, concluiu que “os equívocos de preenchimento de DCTF não podem justificar o lançamento de tributos que se encontram extintos pelo pagamento, pela compensação ou por qualquer outra forma. A simples divergência entre os registros contábeis e os valores declarados não dá origem à obrigação tributária, quando crédito tributário encontrase extinto, pois, nesses casos, a realidade fática não se subsume à hipótese legal.” Para fundamentar seu entendimento, o julgador administrativo de primeira instância administrativa analisou débito a débito, concluindo pela extinção do valor exigido em virtude deste estar extinto, seja pelo pagamento, seja pela compensação. Claro está, a meu sentir, que a decisão recorrida cancelou a autuação por entender que foram lançados débitos extintos, a leitura da decisão demonstra que item a item acatouse a informação contábil da Recorrente, ainda que suportada em indícios ou constatouse a ocorrência de recolhimento do tributo. Exatamente por este fato é que os autos foram baixados em diligência, porque o Colegiado, à época, concluiu que a simples alegação da Recorrente em suas informações contábeis não extingue o débito tributário, que era necessário analisar o alegado pelo contribuinte. Frisese que este entendimento decorreu do fato de que o presente recurso é a revisão da decisão proferida pela DRJ. Divirjo do simples posicionamento de que os valores contabilizados ou informados na DACON não precisam ser declarados em DCTF. É cediço que a DCTF é forma de constituição de débito tributário, logo, é na DCTF que devem constar os valores devidos ao Fisco. Desta forma, em face do resultado trazido no relatório de diligência, divirjo do acórdão recorrido, não há meios de se manter a decisão de total cancelamento do auto de infração com base na suposta extinção de todos os débitos tributários, uma vez que não é Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 possível comprovar a dita extinção. Inclusive em prol do princípio da verdade material. Neste aspecto, concordo com o cancelamento dos valores recolhidos por meio de guia DARF e daquelas compensações confirmadas pelas autoridades administrativas indicadas no Relatório de Diligência. Registro que a Recorrente alega, em suas razões, que acatar a diligência seria alterar a fundamentação do auto de infração, inovar o lançamento. Concordar com este raciocínio implicaria em negar provimento ao Recurso de Ofício, posição defendida por outros julgadores desta turma de julgamento e que se contrapõe ao posicionamento aqui defendido. De fato o lançamento, como esclarecido, foi realizado com base em “diferença entre valores contabilizados e valores declarados em DCTF”. Todavia, a DRJ, a meu sentir, para dar provimento à impugnação, analisou débito a débito, extinguindo valores, acatando compensações com base simplesmente nos valores declarados pelo contribuinte em suas obrigações acessórias e registros fiscais, o que entendo não ser possível. Neste sentido, a meu sentir, acatar o Parecer resultado da diligência não é alterar o fundamento da autuação. Ante o exposto, é o presente para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso de ofício para o fim cancelar os débitos constituídos que se referem aos pagamentos via DARF e compensações comprovadas, nos termos da diligencia realizada. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Declaração de Voto CONSELHEIRO GILENO GURJÃO BARRETO O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Os cernes da discussão aqui travada giram em torno de dois fatos. Primeiramente, pela existência dos créditos, comprovados por meio documental. Em seqüência, acerca dos aspectos processuais envolvidos. Verifico que o lançamento efetuado o foi a partir de verificações obrigatórias, e nesse tipo de verificação, são conferidos os créditos e débitos e a DCTF, resultandose sim Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10620.001026/200714 Acórdão n.º 3302002.742 S3C3T2 Fl. 13 7 em autos de infração, mas sem que sejam analisados os documentos comprobatórios dos créditos, por exemplo. No caso concreto, houve julgamento desse lançamento pela DRJ, que acatou os documentos apresentados pelo contribuinte, cabíveis ao caso, ou seja, documentos tais como DACON´s, etc., uma vez que não foram discutidos no lançamento em si qualquer impropriedade documental que pudesse afetar os valores dos créditos, mas tão somente a sua adequação contábil e de obrigações acessórias. A Conselheira relatora entendeu ser aplicável uma diligência, e retornou dessa diligência a impossibilidade de demonstração de alguns dos créditos envolvidos. Por isso, julgou parcialmente improcedente o recurso de ofício. Divirjo respeitosamente da posição da i. Conselheira relatora, por entender que ao fazêlo estaríamos aperfeiçoando o lançamento em si, na sua origem, que não considerou ou contestou a formação dos referidos créditos. A meu ver tal procedimento resultaria em julgamento extra petita, e acaba por alterar o fundamento do próprio auto de infração. Na hipótese de lançamento a partir de “verificações obrigatórias” os documentos contábeis e obrigações acessórias são suficientes. Isso posto, voto de modo divergente da i. Conselheira relatora, para negar provimento integral ao recurso de ofício. É como voto, (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO CONSELHEIRO WALBER JOSÉ DA SILVA Minha declaração de voto é para ratificar o entendimento da Ilustre Conselheira Relatora sobre a necessidade de a empresa autuada comprovar, com documentação hábil e idônea, os lançamentos contábeis e as informações prestadas no DACON e na DCTF. E a diligência se prestou exatamente para isso. E no curso da diligência a empresa foi intimada e reintimada a comprovar os créditos que alega foram utilizados para abater o valor do débito apurado. A empresa não logrou provar a existência dos créditos alegados. Sem a comprovação da sua existência, referidos créditos não podem ser aceitos para abater do valor dos débitos apurados e lançados. Portanto, adoto integralmente o resultado da diligência para manter parcialmente o Auto de Infração, excluindo o débito do PA 05/04, em face da comprovação da existência do crédito utilizado na compensação do débito que não foi declarado em DCTF, e mantendo parte do débito relativo ao PA 02/05, no valor de R$ 623.044,92, por falta de comprovação do crédito que a empresa interessada alega ter utilizado para a extinção do débito e por ter sido comprovado que no saldo de 02/05, na contabilidade, estava incluído o saldo de R$ 773.201,84, relativo ao PA 01/05. Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Para o PA 05/04 a RFB deve adotar as providências para vincular referidos pagamentos ao débito lançado no auto de infração. Estas são, em resumo, as razões que me levaram a votar no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10880.962185/2008-07
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa.
Numero da decisão: 1801-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 125 1 124 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.962185/200807 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.196 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente LICYN MERCANTIL INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 21 85 /2 00 8- 07 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962185/200807 Acórdão n.º 1801002.196 S1TE01 Fl. 126 2 Relatório LICYN MERCANTIL INDUSTRIAL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1629.324 (fl. 34), pela DRJ São Paulo I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 01079.71386.261004.1.3.040840 (fl. 10), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 2: 0(s) DARF indicado(s) abaixo, não foi(ram) localizado(s) nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da Ficha DARF, informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do(s) DARF objeto(s) do crédito. No caso de REDARF, as informações devem ser as constantes da retificação. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 15, em que faz as seguintes afirmações: 12. Ocorre que a Impugnante, por mero erro técnico, apesar de cumpridas as exigências legais, estabelecidas pelo Código Tributário Nacional para a extinção do crédito tributário (art. 156, I) elaborou Pedido de Compensação vinculando o débito declarado com o crédito oriundo do próprio pagamento do imposto. 13. 0 IR devido, como já comprovado, possuía apuração trimestral, sendo devido, então, um único débito correspondendo ao lucro presumido acumulado no trimestre. 14. Ocorre que a Impugnante quitou o débito através de três DARF, todos recolhidos na mesma data, cujo montante foi superior ao valor devido na apuração trimestral, conforme detalhado a seguir: ... 15. 0 principal ponto de análise é, então, a inexistência de qualquer razão para a entrega da PER/DCOMP, haja vista sua irrelevância com o contexto, sendo totalmente dispensável para a análise dos débitos em questão. 16. Deve prevalecer, portanto, a verdade material do fatos, a qual pode ser constatada e comprovada através dos próprios DARF's pagos, que servem de premissa para o erro inequívoco então cometido pela Impugnante. Ao final, requer o cancelamento da referida DCOMP, nos seguintes termos: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962185/200807 Acórdão n.º 1801002.196 S1TE01 Fl. 127 3 21. Pelo exposto, requerse o seu integral acolhimento, para que, reformandose a r. decisão proferida, seja cancelada a exigência do crédito tributário, cancelandose a PER/DCOMP n°. 27754.44630.211004.1.3.049180, determinandose, ao final, o arquivamento do presente procedimento administrativo. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dando a seguinte ementa à sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Corroborada a inexistência de DARF com os exatos atributos certificados pelo sujeito passivo para fins caracterização da origem do crédito tipificado na qualidade de pagamento de indevido ou a maior na respectiva declaração de compensação, impõese ratificar a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO E DESISTÊNCIA. A retificação ou desistência da declaração de compensação somente são admitidas com observância das condicionantes legais estabelecidas pela norma de regência, bem como desde que requeridas antes da prolação de decisão administrativa pela autoridade administrativa competente. Cientificado dessa decisão em 22/03/2011, por meio de remessa postal (fl. 44), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 60), em 19/04/2011, em que faz a seguinte afirmação: Merece reforma o v. acórdão preferido pela 7a. Turma da DRJ/SP1, não por seus bem lançados fundamentos, mas sim porque a recorrente encontrou em seus arquivos o DARF de recolhimento do imposto gerador do crédito que pretende reconhecimento, evidenciando assim a legitimidade do registro na declaração de compensação e procedência do crédito pleiteado, guia esta que se tornou o cerne da questão. Ao final, requer a realização de diligência. Junta cópia de DARF à fl. 64. Em 14/02/2014, o recorrente apresenta aditamento às suas razões de defesa, juntado à fl. 83, a título de “esclarecimentos ao recurso”, em que afirma: Em decorrência de auditoria interna na apuração de seus tributos, a contribuinte verificou que realizou compensação de débito do IRPJ Código Receita 2089 no valor de RS 1.588,49 ao Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962185/200807 Acórdão n.º 1801002.196 S1TE01 Fl. 128 4 qual serviu para liquidar quota do mesmo imposto do 2o Trim/2002 que já havia sido quitado com o pagamento em DARF conforme demonstrado abaixo: Débito Declarado em DCTF: Débito em DCTF Código Receita Tributo Valor P.A Vencimento 2089 IRPJ 4.118,88 2º T/2002 31/07/2002 Valor da quota liquidada com DARF: Pagamento em DARF Código receita Tributo Valor da 1ª quota P.A Vencimento Código do Pagamento 2089 IRPJ 1.660,27 30/04/2002 31/07/2002 35256193984 Como podemos observar, não houve vinculação da Per/DCOMP número 27754.44630.211004.1.3.049180 na DCTF (doc.03) do 2o Trimestre de 2002, e sim do DARF extinguindo o crédito tributário. Portanto, é certo o dever de demonstrar ao fisco, que tal erro não gerou nenhum prejuízo ao erário, tendo em vista que a compensação pretendida no Per/DCOMP n° 27754.44630.211004.1.3.049180, não foi absorvida com débito declarado em DCTF do 2o Trimestre/2002, ou seja, não foi utilizada como pagamento do tributo devido pela empresa. Destarte que tal erro levou a duplicidade do lançamento de débito declarado pela contribuinte, uma vez que, tanto a DCTF quanto a Per/DCOMP, tem força para constituir o crédito tributário, este que foi extinto com o pagamento conforme previsto no inciso I do art. 156 do CTN. Ponderase também que, o objetivo desse esclarecimento é a extinção do crédito tributário declarado na Per/DCOMP n° 27754.44630.211004.1.3.049180 não homologada, tendo em vista que a compensação realizada nem se quer foi vinculada a DCTF do 2o Trimestre de 2002. Ao final, requer a extinção do crédito tributário declarado na DCOMP em análise. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado não atende aos pressupostos de admissibilidade, conforme as razões seguintes. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual pretendeu extinguir débito de IRPJ do 1º trimestre de 2003, código da receita 2089 (lucro presumido), no valor de R$ Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962185/200807 Acórdão n.º 1801002.196 S1TE01 Fl. 129 5 3.905,55. Para isso apontou um indébito oriundo de pagamento a maior/indevido de IRPJ, no valor de R$ 4.241,07, recolhido em 26/10/2004, relativo ao período de apuração 31/01/2003. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que o pagamento apontado não havia sido localizado. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma que cometeu um “erro técnico” ao transmitir a DCOMP em tela, “vinculando o débito declarado com o crédito oriundo do próprio pagamento do imposto”, uma vez que o pagamento apontado na DCOMP faz parte do conjunto de três pagamentos realizados para quitar o débito declarado. Já no recurso voluntário, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeira instância em razão de ter encontrado o DARF apontado na DCOMP, juntando cópia. Ao final, requer a realização de diligência. Mais adiante, atravessa petição em que requer a extinção do crédito tributário confessado na DCOMP, em razão deste já ter sido confessado em DCTF e ter sido extinto por pagamento, evitando a duplicidade de exigência do mesmo crédito tributário. Junta comprovante de arrecadação e cópia da DCTF. Acreditandose na versão apresentada pelo contribuinte, ele utilizou uma DCOMP para vincular um pagamento parcial de IRPJ do 1º trimestre de 2003 ao débito já confessado em DCTF do mesmo tributo e período de apuração. Assim, o contribuinte desvirtua a finalidade da DCOMP. Ademais, ao descrever o pagamento na DCOMP, informao com dados que não permitem vinculálo ao débito de IRPJ do 1º trimestre de 2003. Mesmo olvidando o vício no procedimento, a conclusão a qual se chega é a de que os pagamentos são devidos e, portanto, não são passíveis de gerar indébito tributário. Assim, não há como homologar tal compensação. Todavia, o contribuinte não pede a homologação da compensação, mas sim o seu cancelamento, para evitar a duplicidade de cobrança do crédito tributário confessado duas vezes. Assim, o contribuinte desvirtua a finalidade do recurso no processo administrativo fiscal. Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a manifestação de inconformidade é destinada apenas para combater o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação: Art. 77 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. O pedido de cancelamento deve ser realizado conforme o rito previsto no artigo 93 do mesmo instrumento normativo: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962185/200807 Acórdão n.º 1801002.196 S1TE01 Fl. 130 6 Art. 93. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Os erros no procedimento do contribuinte não podem ser escusados para o fim de homologação das compensações apresentadas, todavia não podem levar ao enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, cabendo à Administração Tributária as providências necessárias para evitar a exigência em duplicidade do mesmo crédito tributário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10880.010921/2002-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/1997 a 30/11/1997
COMPENSAÇÃO. COFINS.
A compensação entre tributos administrados pela SRF é possível, desde que obedecidas às regras emitidas pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação devem obedecer o disposto na IN/SRF nº 21/97, e suas alterações posteriores, atual IN/SRF nº 900/08, que trata dos pormenores do pedido de compensação administrativa.
SOBRESTAMENTO. CONEXÃO
Não havendo conexão entre os processos em julgamento, não há que se falar em sobrestamento dos autos.
MULTA DE MORA
Realizado o pagamento do tributo fora do prazo previsto em lei, o mesmo será acrescido da multa de mora, nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 30/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/1997 a 30/11/1997 COMPENSAÇÃO. COFINS. A compensação entre tributos administrados pela SRF é possível, desde que obedecidas às regras emitidas pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação devem obedecer o disposto na IN/SRF nº 21/97, e suas alterações posteriores, atual IN/SRF nº 900/08, que trata dos pormenores do pedido de compensação administrativa. SOBRESTAMENTO. CONEXÃO Não havendo conexão entre os processos em julgamento, não há que se falar em sobrestamento dos autos. MULTA DE MORA Realizado o pagamento do tributo fora do prazo previsto em lei, o mesmo será acrescido da multa de mora, nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 30/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède e Gileno Gurjão Barreto.
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COFINS. A compensação entre tributos administrados pela SRF é possível, desde que obedecidas às regras emitidas pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação devem obedecer o disposto na IN/SRF nº 21/97, e suas alterações posteriores, atual IN/SRF nº 900/08, que trata dos pormenores do pedido de compensação administrativa. SOBRESTAMENTO. CONEXÃO Não havendo conexão entre os processos em julgamento, não há que se falar em sobrestamento dos autos. MULTA DE MORA Realizado o pagamento do tributo fora do prazo previsto em lei, o mesmo será acrescido da multa de mora, nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 09 21 /2 00 2- 46 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10880.010921/200246 Acórdão n.º 3302002.708 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 30/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Em auditoria interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), com base na IN SRF 45/98 e IN 77/98, constatouse falta de recolhimento de COFINS apurada em novembro/97, lavrandose o Auto de Infração de fls. 3233 e demonstrativos anexos, pela compensação sem DARF fundada no processo 13.808.003458/9728. Exigese recolhimento de R$ 485.434,50 até 31/05/02 (capitulação legal descrita no campo 10 do auto). A intimação deuse em 14/6/2002 (fl. 91). Em 29/8/97, Fertisul S/A incorporara a autuada. Em 31/7/98 Fertilizantes Serrana S/A as sucede e, em 31/8/2000, Bunge Fertilizantes S.A incorpora esta última (fl. 15). Em 15/07/02 a sucessora impugna o lançamento alegando, em suma (fis. 1/14 e anexos): a) em 5/8/97, a matriz da autuada Serrana de Mineração Ltda pedira restituição de crédito de PIS no processo 13.808.003458/9728 (fl. 3); b) em 18/10/2000, a sucessora Fertisul S/A teve reconhecido crédito de PIS pela 1ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, com base de cálculo no faturamento de seis meses atrás, sem correção monetária, até a edição da MP 1.212/95 (acórdão 20174.045, Proc. 11050.000496/9749, requerimento de ressarcimento/homologação de compensação), traz também jurisprudência do STJ e decisões da CSRF de 31/07/2000, sobre a tese da semestralidade, e 19/03/2001, esta quanto ao termo inicial para pedir restituição de indébito contarse da Resolução 49/95; c) o débito de COFINS declarado em DCTF foi pago mediante regular compensação, com créditos de mesma espécie (PIS), independente de requerimento, conforme artigo 14 da IN 21/97, extinguindo o crédito tributário (art 156 II do CTN), não cabendo lançamento de oficio (traz acórdãos do conselho de contribuintes no sentido da cobrança com multa e juros, dispensado o lançamento, sob pena de duplicidade, quando há DCTF); d) a taxa SELIC é indevida, pois é remuneratória e alterável pelo BACEN, foi definida em Circulares, não em lei, afronta os princípios constitucionais da legalidade, isonomia segurança jurídica e, conforme ementa do STJ, o art. 150, I, da CF/88; e) a multa do artigo 44 da Lei 9.430/96 é confiscatória face ao art. 150 IV, da CF/88, e inaplicável, pois os fatos geradores foram declarados corretamente; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10880.010921/200246 Acórdão n.º 3302002.708 S3C3T2 Fl. 4 3 f) o auto sobre valor pago é nulo e fere o principio da moralidade administrativa e, conforme doutrina, sendo ato administrativo viciado é passível de anulação. Pede, ao final: a) juntar documentos posteriormente e razões aditivas à impugnação; b) reconhecimento da nulidade em face do lançamento dos valores declarados e compensados e aplicação de multa sem suporte legal; ou, c) cancelamento do auto quanto: c1) aos valores lançados em DCTF compensados com tributo da mesma espécie, em face da duplicidade e acréscimos de multa e juros; e, c2) A multa ilegal, pois os valores lançados foram declarados em DCTF e compensados;c3) à taxa SELIC. 4. No demonstrativo de créditos não confirmados consta que o débito se vincularia ao processo administrativo 13.808.003458/9728 (fls. 34) protocolado em 5/8/97 e que trata de restituição de PIS do estabelecimento matriz e da autuada (fls. 99). Em 5/3/2007 a DIORT/EQITD considerou que o pedido de compensação de débitos não se conformou aos requisitos da IN 21/97, por estar incompleto e não ter indicado os valores dos débitos a serem compensados (fls. 114). Esse processo se encontra sob a égide do 2° Conselho de Contribuintes (fls. 116 a 119) e não consta o débito da filial ora impugnado (fls. 120). O Processo 11050.000496/9749 de Fertisul S/A, trata de requerimento de ressarcimento e homologação de compensação de supostos indébitos de PIS (fls. 40) no qual a decisão da 1° Câmara do 2° Conselho de Contribuintes de 18/10/2000 admite base de calculo do PIS pelo faturamento de seis meses antes do fato gerador, sem correção monetária, até a edição da MP 1.212/95 (fls. 47). O processo encontra se na DERAT (fls. 111), foi protocolado em 15/4/97 e trata do débito de PIS do período de apuração março/97 da Fertisul S/A (11 121/122). Os membros da 9ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP, por unanimidade de votos, resolveram julgar procedente em parte o lançamento. Intimada do acórdão supra em 10/04/2008, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 12/05/2008 É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Os autos decorrem de auto de infração da filial de Serrana de Mineração Ltda. pelo não recolhimento da COFINS de novembro de 1997, com vencimento em 15/12/97. Da Alegação de Nulidade do Acórdão Recorrido. Da compensação Fl. 608DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10880.010921/200246 Acórdão n.º 3302002.708 S3C3T2 Fl. 5 4 No que tange a alegação de nulidade do acórdão recorrido, sob o argumento de que único motivo para esse lançamento seria a suposta “declaração inexata” em sua DCTF, este não procede. Não foi única e exclusivamente a declaração inexata que deu ensejo ao lançamento ora combatido. Conforme bem fundamentado no acórdão recorrido, além da declaração inexata, a forma que foi efetuada a compensação pelo Recorrente estava em desacordo também com a Legislação em vigor à época dos fatos. Vejamos. Da formalização do pedido de Compensação do COFINS nos exatos termos da IN/SRF nº 21/97 (vigente à época dos fatos). A IN/SRF nº 21/97, tratou dos pormenores acerca do pedido de compensação na via administrativa referente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos seguintes termos: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3º A compensação a requerimento do contribuinte será formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III. § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 5º Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4º, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação específica. § 6º Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4º, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. § 8º A parcela do crédito, passível de restituição ou ressarcimento em espécie, que não for utilizada para a compensação de débitos, será devolvida ao contribuinte mediante emissão de ordem bancária na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN nº 117, de 1989. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10880.010921/200246 Acórdão n.º 3302002.708 S3C3T2 Fl. 6 5 § 9º Os pedidos de compensação de débitos, vencidos ou vincendos, de um estabelecimento da pessoa jurídica com os créditos a que se refere o inciso II do art. 3º, de titularidade de outro, apurados de forma descentralizada, serão apresentados na DRF ou IRF da jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento titular do crédito, que decidirá acerca do pleito. § 10. Na hipótese do parágrafo anterior, a compensação será pleiteada por meio do formulário ‘Pedido de Compensação’, de que trata o Anexo III. No caso concreto o Recorrente não apresentou pedido de compensação para proceder a referida compensação, não apresentou ou não consta dos autos qualquer pedido expresso perante a Secretaria da Receita Federal. Quedouse omisso quanto e elaboração do pedido de compensação, constado apenas em sua DCTF os valores compensados, muito embora a DCTF também não fosse o meio hábil para que a Recorrente realizasse compensações entre tributos de diferentes espécies. A necessidade de apresentação de declaração de compensação é expressa na IN/SRF 21/97, além de estar prevista no artigo 74 da Lei nº 9.430/96: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.” Neste sentido, à época era necessária a solicitação de tal compensação à Delegacia da Receita Federal para que se formalizasse a sua intenção nos termos da legislação em vigor. A compensação é uma prerrogativa do Recorrente, mas deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer seu direito. Conforme bem decidido na decisão ora recorrida: “Assim, no cenário estabelecido a partir da Lei n° 9.430/96, ainda que a compensação pretendida pelo contribuinte viesse a decorrer de direito creditório liquido e certo a ser reconhecido em algum dos dois processos administrativos apontados, em se tratando de compensação entre tributos de espécies distintas ou com destinações constitucionais diversas seria necessário prévio requerimento à autoridade, o que, igualmente, não restou comprovado (o débito autuado não consta como requisitado em eventual compensação decorrente daqueles processos). Indiscutível o acerto do procedimento adotado pela fiscalização que lançou de oficio o debito em aberto, uma vez que a legislação aplicável à época do lançamento ora analisado assim determinava, pois a compensação realizada pela autuada na DCTF (PIS e COFINS) estava em desacordo com a legislação Fl. 610DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10880.010921/200246 Acórdão n.º 3302002.708 S3C3T2 Fl. 7 6 que rege a matéria, em face da impossibilidade da compensação sem as previas liquidez e certeza, bem como sem a prévia requisição à autoridade administrativa, por se tratar de contribuições de diferentes espécies e diversa destinação constitucional.” Assim, não atendido os requisitos previstos na legislação, em referência, não há como se homologar a pretensa compensação, sendo correta a exigência ora combatida. Do sobrestamento dos autos Seguindo, também não vislumbro conexão entre o presente processo, e os demais processos mencionados pela Recorrente. Conforme restou decidido: “No processo citado na DCTF (13.808.003458/9728) buscase direito creditório de PIS (II 99), mas nele não foram apontados débitos a compensar mediante pedido de compensação, conforme despacho da DIORT (item 7, 114) nem quaisquer outros débitos (fls. 120). Tais autos ainda tramitam no 2° Conselho (fls. 116 a 119), estando ausentes a certeza e a liquidez necessárias a uma eventual compensação, se tivesse nele sido pleiteada (art. 170 do CTN), de modo que se ao final for reconhecida a certeza de um direito creditório e calculado seu montante, sua utilização será feita nos moldes a serem nele fixados. “Na impugnação a empresa inova as razões do não recolhimento alegando que a sucessora Fertisul S/A teve reconhecido crédito de PIS no Processo 11050.000496/97 49, que havia sido protocolado antes da elaboração e entrega da DCTF (30/1/98). Não houve retificação da DCTF entre a decisão nele apontada (18/10/2000) e a ciência deste auto de infração (14/6/2002), para alterar o processo que conteria o crédito vinculado. Naquele processo a sucessora Fertisul S/A busca utilizar seu débito de PIS de março de1997 (if 40 e 121), não constando este débito de Cofins da sucedida (f1.121). O presente processo decorre de auto de infração da filial de Serrana de Mineração Ltda pelo não recolhimento da COFINS de novembro de 1997, com vencimento em 15/12/97. Como os procedimentos administrativos têm sujeitos, objetos e ritos diversos, a falta de vinculo entre os dois casos constituiria óbice suficiente à alegada compensação.” Grifos nossos Neste sentido, não há que se falar em sobrestamento, visto não haver conexão entre este, e os demais processos administrativos. Da multa de mora No que tange à multa de mora aplicada, também entendo não assistir razão à Recorrente. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10880.010921/200246 Acórdão n.º 3302002.708 S3C3T2 Fl. 8 7 Nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Neste sentido, tendo em vista estarmos tratando de valores que foram lançados de ofício pela autoridade competente, uma vez que a compensação efetuada pela Recorrente estava em desacordo com a legislação que rege a matéria entendo cabível a multa de mora exigida por se tratar de norma prescrita em lei, não havendo necessidade de lançamento expresso quanto a incidência da referida multa, visto esta ser aplicada em face do pagamento do tributo fora do prazo determinado em lei. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2014. GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 14751.000140/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
A irresignação contra o acórdão prolatado deve ser manejada pela via recursal adequada.
Embargos de declaração rejeitados.
Numero da decisão: 1401-001.332
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos de declaração , nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: Relator Maurício Pereira Faro
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos de declaração , nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
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OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. A irresignação contra o acórdão prolatado deve ser manejada pela via recursal adequada. Embargos de declaração rejeitados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos de declaração , nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 40 /2 00 6- 01 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 14751.000140/200601 Acórdão n.º 1401001.332 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de embargos de declaração contra acórdão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo parte do relatório anterior: 1.Contra a empresa supra qualificada foi lavrado, em 16/05/2006, o Auto de Infração a seguir relacionado, referente a fatos geradores ocorridos entre os anos calendários de 2001 e 2002: 2. Segundo a descrição dos fatos (fl. 07), constatouse, na ação fiscal, FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DE SUA CAUSA (cheques sacados e pagamentos efetuados, CONTA:1.1.01.0001 CAIXA, listados nas intimações de 16/02/2006 e 20/03/2006— fls. 149 a 155) e. 3. Consta ainda que a empresa, durante a fase de implantação do projeto, efetuou pagamentos cuja causa não logrou comprovar: 3.1. Ano 2000: Cheques de R$ 5.000,00 emitidos pela CIMA e sacados no Bradesco, não incluidos no auto, em virtude da decadência do direito da fazenda lançar; 3.2. Ano 2001 e 2002: Cheques emitidos pela CIMA e sacados no Bradesco e Banco do Nordeste do Brasil. Intimação para apresentação dos cheques não atendida e intimação e reintimação para comprovação das operações que deram causa aos pagamentos também não atendidos; [...] Analisando a questão, entendeu o órgão julgador a quo por julgar procedente o auto de infração, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001, 2002 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA COMPROVADA. Sujeitamse à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à aliquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos Fl. 606DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 14751.000140/200601 Acórdão n.º 1401001.332 S1C4T1 Fl. 4 3 efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2001, 2002 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição do IRPJ na hipótese em que não há pagamento da divida, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2001, 2002 IMPUGNAÇÃO. ONUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Lançamento Procedente ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 1998 Ementa: DCTF. CSLL. EXIGÊNCIA SUB JUDICE. É cabível o lançamento de ofício para evitar a decadência do débito sub judice de CSL não confessado. .Lançamento Procedente. Em face de tal julgamento, interpôs a recorrente o presente recurso, sustentando os seguintes argumentos: Preliminarmente, a inadequação do meio utilizado, uma vez que ante a ausência de ato irregular praticado pelo contribuinte, haja vista o depósito judicial do valor discutido, o correto seria a notificação de lançamento do débito e não a lavratura do auto de infração; Preliminarmente, que não havia renunciado à esfera administrativa expressamente e que no processo judicial a discussão seria do direito em tese; Desnecessidade do auto de infração haja vista que a entrega de DCTF já se demonstra meio idôneo para a constituição do crédito tributário; A inconstitucionalidade da majoração de alíquotas da CSL para instituições financeiras; A inexigibilidade de multa e juros, notadamente calculados pela SELIC” Fl. 607DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 14751.000140/200601 Acórdão n.º 1401001.332 S1C4T1 Fl. 5 4 Em decorrência disso, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando preliminarmente a decadência parcial do crédito tributário ora discutido tendo em vista a aplicação do artigo 150, § 4º do CTN e do cerceamento de defesa. No mérito, alegou que as possíveis operações deram causa aos pagamentos (despesas na fase préoperacional), correlacionando pagamentos diversos a contratos, notas fiscais e recibos, além de alegações variadas, tais como acordos informais entre empresas contratadas. Em face destes argumentos, a 4º Câmara/ 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, proferiu acórdão, assim emendado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA COMPROVADA. Sujeitamse à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à aliquota de 35% todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. O prazo para a constituição do IRPJ na hipótese em que não há pagamento da divida, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário vencida a conselheira Karem Jureidini Dias. Inconformada, o Contribuinte opôs Embargos de Declaração, alegando em síntese que o acórdão recorrido incorreu em omissão atinente a questões essenciais ao desembaraço do Processo Administrativo. É o relatório. Voto Primeiramente, os embargos são tempestivos, motivo pelo qual os recebo nos termos da lei. O Embargante sustenta haver omissão no acórdão embargado, argumentando que os documentos anexados comprovam a composição societária de Joseilton Construções Ltda. Todavia, não merece amparo o pleito da ora Embargante. Da análise dos declaratórios, percebese que o Contribuinte vislumbra a rediscussão da matéria deduzida nestes autos. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 14751.000140/200601 Acórdão n.º 1401001.332 S1C4T1 Fl. 6 5 No entanto, como se sabe, esta não é a via eleita. Nesse sentido, este i. Conselho já se manifestou sobre a matéria: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS. LANÇAMENTO FISCAL. CONSTITUIÇÃO. FATOS EXISTENTES À ÉPOCA. Não se conhece dos embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado e se verifica que o lançamento fiscal foi efetuado com base nos fatos existentes à época da sua constituição, sendo que fatos posteriores não podem interferir em lançamentos corretamente formalizados. (Acórdão nº 1202 001.1702ª Câmara2ª Turma ordinária Rel. Carlos Alberto Donassolo Sessão de 19.07.2014 ). ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embarga do. (Acórdão nº 1802002.067 2ª Turma Especial Rel. Ester Marques Lins de Sousa Sessão de 08.04.2014). No mais, pela leitura do voto condutor, percebese que esta Turma já se manifestou sobre a documentação apresentada, consignando que “conforme registrado pela decisão de Primeiro Grau, a fiscalização não desconsiderou os contratos apresentados e demais documentos apresentados pela contribuinte relativamente a despesas da fase préoperacional, nem, tampouco, as obras realizadas, sendo certo que a contribuinte não obteve êxito para comprovar as causas dos dispêndios efetuados.” Deste modo, verificase que inexiste omissão/contradição/obscuridade no voto condutor do acórdão embargado, uma vez que o voto contém clara e completa fundamentação que levou à solução do litígio, de modo que descabe reapreciar novamente a matéria, como pretende o embargante, não sendo o caso de se proceder à revisão da decisão. Por não haver omissão, voto pela rejeição dos embargos. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 609DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10920.907756/2012-03
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 56 /2 01 2- 03 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907756/201203 Acórdão n.º 3803006.809 S3TE03 Fl. 66 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 9 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907756/201203 Acórdão n.º 3803006.809 S3TE03 Fl. 67 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907756/201203 Acórdão n.º 3803006.809 S3TE03 Fl. 68 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em julho de 2005 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 5.793,90 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 3.073,08 (conforme índice de juros de 53,04% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 1.690,19, valor esse muito próximo, Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907756/201203 Acórdão n.º 3803006.809 S3TE03 Fl. 69 5 com diferença de apenas R$ 0,11, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 1.690,08). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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