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Numero do processo: 10540.001346/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
RELATÓRIO
TELEVISÃO CONQUISTA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento formalizado em 20/12/2002 exigindo crédito tributário no valor total de R$ 202.849,01.
A exigência decorre da compensação indevida de estimativas de IRPJ apuradas no ano-calendário 1997 com indébitos referentes a pagamentos indevidos de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. A autoridade lançadora observa que o pedido de compensação formulado junto ao processo administrativo nº 10540.000757/97-09 foi indeferido, verificando-se também a impetração de mandado de segurança com o mesmo objeto. O desfecho do pedido de compensação, por esta razão, permaneceu no aguardo de decisão judicial definitiva. O lançamento foi formalizado sem o acréscimo de multa de ofício.
Impugnando a exigência, a contribuinte alegou que o indeferimento inicial do pedido de compensação foi revertido pela DRJ/Salvador, seguindo-se diligência para confirmação dos valores compensados, e posterior cobrança de estimativas de IRPJ relativas a outubro e novembro/97. Reportou-se a despacho do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Salvador afirmando a validade da decisão anterior daquele órgão, bem como a manifestação da DISIT/5a RF, e informou ter requerido o cancelamento da cobrança dos mencionados débitos. Observou que o mandado de segurança referido pela autoridade fiscal foi impetrado um ano depois da decisão favorável obtida perante a DRJ/Salvador, e não é concomitante com o presente processo, de modo que não se configura qualquer renúncia à via administrativa. Acrescentou que a compensação de créditos de Contribuição ao PIS com débitos de IRPJ tem amparo em várias decisões administrativas e judiciais, e discorreu sobre a inconstitucionalidade dos Decretos-lei nº 2.445 e 2.449/88.
A Turma julgadora rejeitou a argüição de nulidade do lançamento, observou que a decisão proferida pela DRJ/Salvador apenas reconheceu o direito de a interessada pleitear restituição dos valores da Contribuição ao PIS indevidamente pagos nos moldes dos Decretos-lei antes mencionados, sem apreciar a regularidade dos valores pleiteados e a adequação do pedido aos requisitos formais vigentes. Neste contexto, antes da execução da referida decisão, a contribuinte teria impetrado mandado de segurança para impedir qualquer cobrança de débitos compensados com o crédito referido, além de ver reconhecido e determinado o quantum do indébito correspondente. Assim, a impugnação não foi conhecida por se tratar de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
Cientificada da decisão de primeira instância em 27/05/2006 (fl. 332), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 28/06/2006 (fls. 335/).
Reprisa que apresentou pedido de compensação em 28/11/97, sendo cientificada de seu indeferimento em 22/06/98, mas posteriormente a DRJ/Salvador julgou procedente o pedido de compensação, determinando o retorno dos autos à DRF/Vitória da Conquista para a apuração do crédito. Cientificada da decisão em 02/03/99, a contribuinte foi submetida a diligência iniciada em 23/08/2000, apresentando os documentos exigidos. Neste ínterim, foi surpreendida com a cobrança dos valores compensados em razão do contribuinte ter ajuizado o Mandado de Segurança nº 2000.33.00.004185-1, supostamente concomitante ao pedido de compensação. Na seqüência, foi cobrada dos débitos aqui em debate.
Reitera que a decisão da DRJ/Salvador é definitiva e lhe foi favorável, reporta-se a despacho em que a DRJ confirmou tal circunstância, e que à DRF/Vitória da Conquista cumpria apenas apurar os créditos e homologar, ou não, a compensação pleiteada. Contudo, ignorando aquela decisão, e reportando-se ao mandado de segurança impetrado, a autoridade fiscal interpretou equivocadamente que haveria concomitância, apesar da impetração ter ocorrido um anos depois da decisão favorável e definitiva proferida pela DRJ/Salvador. Aduz que tal atitude quer parecer ser uma retaliação contra o contribuinte que se socorre do Judiciário, e conclui ser nulo o lançamento.
Reporta-se ao pedido veiculado em mandado de segurança, afirma seu trânsito em julgado em 2004, diz que a verificação dos cálculos da compensação cabe à Receita Federal, e defende que ante a decisão administrativa favorável antes proferida, inexiste concomitância com o processo judicial. Cita julgados administrativos que exigem simultaneidade entre os processos.
Discorre sobre a inconstitucionalidade dos Decretos-lei nº 2.445 e 2.449/88 e afirma seu direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos, para, na seqüência defender seu direito à compensação com os demais tributos arrecadados pela Receita Federal, mormente tendo em conta o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, no Decreto nº 2.138/97 e na Instrução Normativa nº 73/97. Observa que as alterações posteriores afastaram qualquer dúvida acerca do tema, citando Solução de Consulta a respeito e julgado administrativo em favor de seu entendimento.
Esclarece que com o trânsito em julgado nos autos do mandado de segurança, restou-lhe assegurado o direito à restituição de TODA contribuição ao PIS paga por força dos inconstitucionais Decretos-Lei nº 2.445/88 e 2.449/88. E aduz que o trânsito em julgado afasta a alegada concomitância.
Argumenta que os débitos lançados, assim como os créditos reconhecidos, recebem idêntica correção com base na taxa SELIC, de modo que mesmo se julgado procedente o lançamento, não há débito a ser pago, já que há créditos suficientes para sua liquidação, o que evidencia a inadequação dos procedimentos até aqui desenvolvidos.
Entende que, uma vez comprovado que a ora Recorrente possui créditos, os quais a devida apuração nos autos do processo administrativo n° 10540.000757/97-09 revelará mais que suficientes ao adimplemento dos débitos exigidos, fica evidente que a decisão mais prudente, além de respaldada nos preceitos legais vigentes, somente levará ao cancelamento do auto de infração e à conseqüente homologação da compensação pleiteada. Por esta razão, pede o provimento do recurso voluntário para cancelamento do auto de infração, com a quitação dos supostos débitos de IRPJ, mediante procedimento de compensação com créditos do PIS que deverá ser expressamente homologado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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A exigência decorre da compensação indevida de estimativas de IRPJ apuradas no ano-calendário 1997 com indébitos referentes a pagamentos indevidos de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. A autoridade lançadora observa que o pedido de compensação formulado junto ao processo administrativo nº 10540.000757/97-09 foi indeferido, verificando-se também a impetração de mandado de segurança com o mesmo objeto. O desfecho do pedido de compensação, por esta razão, permaneceu no aguardo de decisão judicial definitiva. O lançamento foi formalizado sem o acréscimo de multa de ofício. Impugnando a exigência, a contribuinte alegou que o indeferimento inicial do pedido de compensação foi revertido pela DRJ/Salvador, seguindo-se diligência para confirmação dos valores compensados, e posterior cobrança de estimativas de IRPJ relativas a outubro e novembro/97. Reportou-se a despacho do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Salvador afirmando a validade da decisão anterior daquele órgão, bem como a manifestação da DISIT/5a RF, e informou ter requerido o cancelamento da cobrança dos mencionados débitos. Observou que o mandado de segurança referido pela autoridade fiscal foi impetrado um ano depois da decisão favorável obtida perante a DRJ/Salvador, e não é concomitante com o presente processo, de modo que não se configura qualquer renúncia à via administrativa. Acrescentou que a compensação de créditos de Contribuição ao PIS com débitos de IRPJ tem amparo em várias decisões administrativas e judiciais, e discorreu sobre a inconstitucionalidade dos Decretos-lei nº 2.445 e 2.449/88. A Turma julgadora rejeitou a argüição de nulidade do lançamento, observou que a decisão proferida pela DRJ/Salvador apenas reconheceu o direito de a interessada pleitear restituição dos valores da Contribuição ao PIS indevidamente pagos nos moldes dos Decretos-lei antes mencionados, sem apreciar a regularidade dos valores pleiteados e a adequação do pedido aos requisitos formais vigentes. Neste contexto, antes da execução da referida decisão, a contribuinte teria impetrado mandado de segurança para impedir qualquer cobrança de débitos compensados com o crédito referido, além de ver reconhecido e determinado o quantum do indébito correspondente. Assim, a impugnação não foi conhecida por se tratar de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. Cientificada da decisão de primeira instância em 27/05/2006 (fl. 332), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 28/06/2006 (fls. 335/). Reprisa que apresentou pedido de compensação em 28/11/97, sendo cientificada de seu indeferimento em 22/06/98, mas posteriormente a DRJ/Salvador julgou procedente o pedido de compensação, determinando o retorno dos autos à DRF/Vitória da Conquista para a apuração do crédito. Cientificada da decisão em 02/03/99, a contribuinte foi submetida a diligência iniciada em 23/08/2000, apresentando os documentos exigidos. Neste ínterim, foi surpreendida com a cobrança dos valores compensados em razão do contribuinte ter ajuizado o Mandado de Segurança nº 2000.33.00.004185-1, supostamente concomitante ao pedido de compensação. Na seqüência, foi cobrada dos débitos aqui em debate. Reitera que a decisão da DRJ/Salvador é definitiva e lhe foi favorável, reporta-se a despacho em que a DRJ confirmou tal circunstância, e que à DRF/Vitória da Conquista cumpria apenas apurar os créditos e homologar, ou não, a compensação pleiteada. Contudo, ignorando aquela decisão, e reportando-se ao mandado de segurança impetrado, a autoridade fiscal interpretou equivocadamente que haveria concomitância, apesar da impetração ter ocorrido um anos depois da decisão favorável e definitiva proferida pela DRJ/Salvador. Aduz que tal atitude quer parecer ser uma retaliação contra o contribuinte que se socorre do Judiciário, e conclui ser nulo o lançamento. Reporta-se ao pedido veiculado em mandado de segurança, afirma seu trânsito em julgado em 2004, diz que a verificação dos cálculos da compensação cabe à Receita Federal, e defende que ante a decisão administrativa favorável antes proferida, inexiste concomitância com o processo judicial. Cita julgados administrativos que exigem simultaneidade entre os processos. Discorre sobre a inconstitucionalidade dos Decretos-lei nº 2.445 e 2.449/88 e afirma seu direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos, para, na seqüência defender seu direito à compensação com os demais tributos arrecadados pela Receita Federal, mormente tendo em conta o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, no Decreto nº 2.138/97 e na Instrução Normativa nº 73/97. Observa que as alterações posteriores afastaram qualquer dúvida acerca do tema, citando Solução de Consulta a respeito e julgado administrativo em favor de seu entendimento. Esclarece que com o trânsito em julgado nos autos do mandado de segurança, restou-lhe assegurado o direito à restituição de TODA contribuição ao PIS paga por força dos inconstitucionais Decretos-Lei nº 2.445/88 e 2.449/88. E aduz que o trânsito em julgado afasta a alegada concomitância. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 40 .0 01 34 6/ 20 02 -4 1 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.001346/200241 Resolução nº 1101000.142 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO TELEVISÃO CONQUISTA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento formalizado em 20/12/2002 exigindo crédito tributário no valor total de R$ 202.849,01. A exigência decorre da compensação indevida de estimativas de IRPJ apuradas no anocalendário 1997 com indébitos referentes a pagamentos indevidos de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. A autoridade lançadora observa que o pedido de compensação formulado junto ao processo administrativo nº 10540.000757/9709 foi indeferido, verificandose também a impetração de mandado de segurança com o mesmo objeto. O desfecho do pedido de compensação, por esta razão, permaneceu no aguardo de decisão judicial definitiva. O lançamento foi formalizado sem o acréscimo de multa de ofício. Impugnando a exigência, a contribuinte alegou que o indeferimento inicial do pedido de compensação foi revertido pela DRJ/Salvador, seguindose diligência para confirmação dos valores compensados, e posterior cobrança de estimativas de IRPJ relativas a outubro e novembro/97. Reportouse a despacho do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Salvador afirmando a validade da decisão anterior daquele órgão, bem como a manifestação da DISIT/5a RF, e informou ter requerido o cancelamento da cobrança dos mencionados débitos. Observou que o mandado de segurança referido pela autoridade fiscal foi impetrado um ano depois da decisão favorável obtida perante a DRJ/Salvador, e não é concomitante com o presente processo, de modo que não se configura qualquer renúncia à via administrativa. Acrescentou que a compensação de créditos de Contribuição ao PIS com débitos de IRPJ tem amparo em várias decisões administrativas e judiciais, e discorreu sobre a inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449/88. A Turma julgadora rejeitou a argüição de nulidade do lançamento, observou que a decisão proferida pela DRJ/Salvador apenas reconheceu o direito de a interessada pleitear restituição dos valores da Contribuição ao PIS indevidamente pagos nos moldes dos Decretos lei antes mencionados, sem apreciar a regularidade dos valores pleiteados e a adequação do pedido aos requisitos formais vigentes. Neste contexto, antes da execução da referida decisão, a contribuinte teria impetrado mandado de segurança para impedir qualquer cobrança de débitos compensados com o crédito referido, além de ver reconhecido e determinado o quantum do indébito correspondente. Assim, a impugnação não foi conhecida por se tratar de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. Cientificada da decisão de primeira instância em 27/05/2006 (fl. 332), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 28/06/2006 (fls. 335/). Reprisa que apresentou pedido de compensação em 28/11/97, sendo cientificada de seu indeferimento em 22/06/98, mas posteriormente a DRJ/Salvador julgou procedente o pedido de compensação, determinando o retorno dos autos à DRF/Vitória da Conquista para a apuração do crédito. Cientificada da decisão em 02/03/99, a contribuinte foi submetida a diligência iniciada em 23/08/2000, apresentando os documentos exigidos. Neste ínterim, foi surpreendida com a cobrança dos valores compensados em razão do contribuinte ter ajuizado o Mandado de Segurança nº 2000.33.00.0041851, supostamente concomitante ao pedido de compensação. Na seqüência, foi cobrada dos débitos aqui em debate. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.001346/200241 Resolução nº 1101000.142 S1C1T1 Fl. 4 3 Reitera que a decisão da DRJ/Salvador é definitiva e lhe foi favorável, reporta se a despacho em que a DRJ confirmou tal circunstância, e que à DRF/Vitória da Conquista cumpria apenas apurar os créditos e homologar, ou não, a compensação pleiteada. Contudo, ignorando aquela decisão, e reportandose ao mandado de segurança impetrado, a autoridade fiscal interpretou equivocadamente que haveria concomitância, apesar da impetração ter ocorrido um anos depois da decisão favorável e definitiva proferida pela DRJ/Salvador. Aduz que tal atitude quer parecer ser uma retaliação contra o contribuinte que se socorre do Judiciário, e conclui ser nulo o lançamento. Reportase ao pedido veiculado em mandado de segurança, afirma seu trânsito em julgado em 2004, diz que a verificação dos cálculos da compensação cabe à Receita Federal, e defende que ante a decisão administrativa favorável antes proferida, inexiste concomitância com o processo judicial. Cita julgados administrativos que exigem simultaneidade entre os processos. Discorre sobre a inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449/88 e afirma seu direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos, para, na seqüência defender seu direito à compensação com os demais tributos arrecadados pela Receita Federal, mormente tendo em conta o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, no Decreto nº 2.138/97 e na Instrução Normativa nº 73/97. Observa que as alterações posteriores afastaram qualquer dúvida acerca do tema, citando Solução de Consulta a respeito e julgado administrativo em favor de seu entendimento. Esclarece que com o trânsito em julgado nos autos do mandado de segurança, restoulhe assegurado o direito à restituição de TODA contribuição ao PIS paga por força dos inconstitucionais DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88. E aduz que o trânsito em julgado afasta a alegada concomitância. Argumenta que os débitos lançados, assim como os créditos reconhecidos, recebem idêntica correção com base na taxa SELIC, de modo que mesmo se julgado procedente o lançamento, não há débito a ser pago, já que há créditos suficientes para sua liquidação, o que evidencia a inadequação dos procedimentos até aqui desenvolvidos. Entende que, uma vez comprovado que a ora Recorrente possui créditos, os quais a devida apuração nos autos do processo administrativo n° 10540.000757/9709 revelará mais que suficientes ao adimplemento dos débitos exigidos, fica evidente que a decisão mais prudente, além de respaldada nos preceitos legais vigentes, somente levará ao cancelamento do auto de infração e à conseqüente homologação da compensação pleiteada. Por esta razão, pede o provimento do recurso voluntário para cancelamento do auto de infração, com a quitação dos supostos débitos de IRPJ, mediante procedimento de compensação com créditos do PIS que deverá ser expressamente homologado. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.001346/200241 Resolução nº 1101000.142 S1C1T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Colhese na decisão recorrida o relato preciso das ocorrências que antecederam o lançamento: A impugnante alega a existência de Decisão DRJ/SDR nº 858, prolatada, em 12/12/1998, no processo de Pedido de Homologação de Compensação protocolado sob o nº 10540.000757/9709, julgando procedente o pedido de compensação, determinando o retorno dos autos à DRF/VICON para as providências cabíveis, e nega a renúncia à via administrativa por ter impetrado o Mandado de Segurança Preventivo nº 2000.33.00.0041851 (cópia de fls. 38 a 59). Efetivamente, a Decisão DRJ/SDR nº 858, de 1998 (fls. 213/218), reconheceu o direito de a interessada pleitear restituição dos valores da Contribuição para o Pis, indevidamente pagos nos moldes dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, de 1988 – atualizados monetariamente pela Unidade Fiscal de Referência, incidindo sobre estes juros calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, de acordo com as determinações contidas nos art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e art. 39 da lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Porém foi ressaltado que, naquela Decisão, não foram apreciados a regularidade dos valores que a empresa pleiteava fossem compensados e a adequação do pedido formulado inicialmente, aos requisitos formais estabelecidos na Instrução Normativa nº 21/97 e 73/97, por não constituírem objeto da demanda, e determinado o encaminhamento do processo à DRF/VICON (Ba) para as providências cabíveis, inclusive quanto à adequação do pedido às mencionadas Instruções Normativas e ao exame da liquidez e certeza dos valores relacionados na solicitação. Antes da execução da Decisão da DRJ/SDR, o referido processo administrativo fiscal foi encerrado, em virtude de a contribuinte ter impetrado, em 01/03/2000, Mandado de Segurança Preventivo contra “ato em vias de ser praticado pelo SENHOR DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM VITÓRIA DA CONQUISTA – BA, que consubstanciado na autorização estatuída no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN (dispositivo que determina competência à autoridade administrativa para cobrança de créditos fiscais) exigirá créditos de tributos e contribuições sob sua administração, créditos esses indevidos pelas razões de direito líquido e certo da Impetrante...”, pedindo: a) a concessão de medida liminar que determine à Autoridade Coatora que se abstenha de impor qualquer restrição a: 1. apuração do Pis conforme os ditames da Lei Complementar nº 7/70, isto é, base de cálculo correspondente ao Imposto de Renda devido, ou como se devido fosse, no período de apuração de junho de 1988 a outubro de 1995; 2. emissão de Certidões Negativas de Débitos – CDN, enquanto não existir lançamentos de ofício de débitos tributários pela autoridade coatora, isto é, notificação expressa pela Receita Federal, contra a apuração e existência de créditos do Pis apurados pela impetrante, com o conseqüente e regular procedimento contábil e fiscal de aproveitamento destes créditos; 3. apuração desses créditos tributários considerando a plena correção monetária dos valores recolhidos indevidamente a título de Contribuição ao Programa de Integração Social – Pis, aplicável o IPC (jan/89 a fev/91)/INPC (março a dezembro/91)/UFIR Fl. 636DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.001346/200241 Resolução nº 1101000.142 S1C1T1 Fl. 6 5 (jan/92 a dez/95) – incluindo os expurgos inflacionários, conforme a jurisprudência pátria. b) Que fique determinado à Autoridade Coatora apontada no preâmbulo da presente exordial que se abstenha de adotar qualquer medida constritiva ou punitiva contra a impugnante, que lhe suponha sujeita a outros ditames que não os legalmente contemplados pela legislação de regência do Pis, isto é, a Lei Complementar nº 7/70, e que em razão disso seja tendente a lhe exigir tributos indevidos; c) A notificação da referida Autoridade Coatora, a fim de que preste as devidas informações no prazo legal, em conformidade com o disposto no inciso I, do artigo 7º, da Lei Federal nº 1.533, de 31 de dezembro de 1951; e d) A concessão definitiva da segurança, em sentença de mérito, com a conseqüente confirmação da medida liminar, reconhecendose o direito líquido e certo da Impetrante, de apurar o Pis conforme os ditames da Lei Complementar nº 7/70, isto é, base de cálculo correspondente ao Imposto de Renda devido ou como se devido fosse, no período de apuração de junho de 1998 a outubro de 1995, considerando para tanto a plena correção monetária dos valores recolhidos indevidamente a título de Pis, aplicável o IPC (jan/89 a fev/91)/INPC (março a dezembro/91)/UFIR (jan/92 a dez/95), incluindo os expurgos inflacionários. O processo administrativo nº 10540.000757/9709 está apenso ao presente, e nele observase que a contribuinte formalizou em 24/11/97 e 22/12/97 os pedidos de compensação de fls. 01/10 do processo apenso, tendo em conta pagamento a maior ou indevido de Contribuição ao PIS e débitos de IRPJ vencidos em 28/11/97 (R$ 48.716,89) e 30/12/97 (R$ 53.669,83). Em DIPJ, porém, indicou para o vencimento de 28/11/97 (apuração de outubro/97) outra compensação de R$ 4.485,06 para, juntamente com a parcela de R$ 48.716,89, liquidar o débito de R$ 53.201,95, assim como na apuração de novembro/97 (vencimento 30/12/97), indicou como compensadas as parcelas de R$ 51.851,79 e R$ 1.125,04 (fls. 112/113). A autoridade fiscal identificou na escrituração da contribuinte que os débitos daqueles períodos seriam R$ 53.214,34 e R$ 54.794,86, respectivamente, e considerando os valores retidos na fonte informados pela contribuinte (R$ 1.081,46 e R$ 613,00, respectivamente), bem como o recolhimento de R$ 1.818,04 informado para novembro/97, promoveu o lançamento do ajuste anual devido em razão da falta de recolhimento de estimativas nos valores de R$ 52.132,88 (outubro/97) e R$ 52.363,83 (novembro/97). Frente a tais circunstâncias, a compensação debatida pela recorrente alcança apenas parte da exigência, dado que a falta de recolhimento de estimativa apontada para outubro/97, no valor de R$ 52.132,88, é superior à parcela que a contribuinte pretendeu compensar com créditos da Contribuição ao PIS, no valor de R$ 48.716,89. Quanto à referida compensação, o Secretário da Receita Federal foi autorizado a admitir compensação entre tributos por ele administrados, ainda que de espécies diferentes, em razão da apuração, pelo sujeito passivo, de crédito passível de restituição ou ressarcimento. Cumprialhe, apenas, observar os ajustes necessários na arrecadação tributária, como exigido no art. 73 da mesma lei para as compensações de ofício: Art.73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; Fl. 637DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.001346/200241 Resolução nº 1101000.142 S1C1T1 Fl. 7 6 II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Com vistas à implementação do disposto no art. 73 da Lei nº 9.430/96, o Decreto nº 2.138/97 condicionou as compensações entre tributos de espécies diferentes à prévia apresentação de pedido: Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte Na seqüência, com vistas a dispor sobre a restituição, o ressarcimento e a compensação de tributos e contribuições federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 21/97, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73/97, autorizando os pedidos de compensação formulados pela contribuinte no processo apenso: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3º A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte.; (parágrafo com redação dada pela IN SRF nº 73/97) § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 5º Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4º, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação específica. § 6º Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4º, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.001346/200241 Resolução nº 1101000.142 S1C1T1 Fl. 8 7 § 8º A parcela do crédito, passível de restituição ou ressarcimento em espécie, que não for utilizada para a compensação de débitos, será devolvida ao contribuinte mediante emissão de ordem bancária na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN nº 117, de 1989. § 9º Os pedidos de compensação de débitos, vencidos ou vincendos, de um estabelecimento da pessoa jurídica com os créditos a que se refere o inciso II do art. 3º, de titularidade de outro, apurados de forma descentralizada, serão apresentados na DRF ou IRF da jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento titular do crédito, que decidirá acerca do pleito. (parágrafo acrescido pela IN SRF nº 73/97) § 10. Na hipótese do parágrafo anterior, a compensação será pleiteada por meio do formulário ‘Pedido de Compensação’, de que trata o Anexo III. (parágrafo acrescido pela IN SRF nº 73/97) (negrejouse) Frente a este cenário legal, o procedimento da contribuinte mostravase regular, inclusive no que tange ao prazo prescricional, tendo em conta a interpretação do art. 168 do CTN estipulada pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, e refletida na jurisprudência consolidada deste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De fato, como os recolhimentos indevidos teriam começado em meados de 1988, com a vigência dos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88, e os pedidos de compensação foram apresentados antes do término de 1997, não se verificou entre eles o decurso do prazo prescricional de 10 (dez) anos. Acrescentese, ainda, que o pedido de compensação com débitos próprios equiparase a pedido de restituição do montante de crédito necessário para liquidação do débito que o sujeito passivo pretende extinguir por compensação. Os pedidos de compensação, contudo, foram inicialmente indeferidos, com decisão cientificada à contribuinte em 22/06/98, providência, inclusive, que impediu a conversão daqueles pedidos em Declaração de Compensação – DCOMP, prevista no art. 74, §4o da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637/2002. Com a decisão posteriormente produzida pela DRJ/Salvador, declarando a eficácia ex tunc da Resolução do Senado Federal nº 49/95, a autoridade fiscal ficou incumbida de apurar os recolhimentos indevidos promovidos pelo sujeito passivo, e a imputálos aos débitos compensados. Contudo, no curso deste procedimento, a contribuinte impetrou o mandado de segurança antes referido, com o qual transferiu para o Poder Judiciário a definição quanto ao montante dos indébitos, mormente no que tange à sua atualização monetária. Observase, porém, que a sentença proferida no mencionado mandado de segurança, reconheceu a prescrição dos indébitos anteriores a 01/03/90, estabeleceu os critérios para sua atualização, e limitou a compensação a parcelas vencidas ou vincendas de tributo da mesma espécie. Embora não seja possível ter acesso junto ao Tribunal Regional Federal da 1a Região acerca do resultado do julgamento dos recursos interpostos contra esta sentença, verificase no sítio do Superior Tribunal de Justiça que o litígio em questão já foi lá apreciado, nos autos do Recurso Especial nº 617.983BA, assim ementado: Fl. 639DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.001346/200241 Resolução nº 1101000.142 S1C1T1 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. PIS. COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. LEI N.º 8.383/91 E 9.430/96. ART. 170A, DO CTN. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. Os tributos devidos e sujeitos à administração da Secretaria da Receita Federal podem ser compensados com créditos referentes a quaisquer tributos ou contribuições administrados por aquele órgão. (Lei 9.430/96, art. 74 c/ a redação da Lei 10.637/2000). 2. Em virtude da alteração legislativa, forçoso concluir que tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, é possível a compensação, ainda que o destino de suas respectivas arrecadações não seja o mesmo. 3. In casu, verificase que à época da propositura da demanda (2000), não havia autorização legal para realização da compensação pelo próprio contribuinte, autorização esta que somente adveio com a entrada em vigor da Lei 10.637, de 30/12/2002, sendo, pelo regimento então vigente, indispensável o seu requerimento à Secretaria da Receita Federal. Inferese, dessarte, que o pleito estampado na petição inicial não poderia, com base no direto então vigente, ser atendido. 4. Deveras, no julgamento do ERESP 488.992/MG, o relator, o e. Min. Teori Albino Zavascki, deu a exata exegese ao art. 170A, do CTN que veio a reforçar o entendimento no sentido da nãoaplicação retroativa dos sucessivos regimes legais de compensação tributária, consoante se colhe do seguinte excerto do votocondutor: "a Lei Complementar 104/201, que introduziu no Código Tributário art. 170A, segundo qual "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". Agregouse, com isso, novo requisito para a realização da compensação tributária: inexistência de discussão judicial sobre os créditos a serem utilizados pelo contribuinte na compensação. Atualmente, portanto, a compensação será viável apenas após o trânsito em julgado da decisão,(.)" 5. Por ter o IPC de janeiro de 1989, à base de 70,28%, sido fixado de forma anômala, abrangendo período de 51 dias, a aplicação do referido índice em 42,7% (janeiro de 1989) traz com conseqüência lógica fixação do IPC para o mês subseqüente, fevereiro de1989, à base de 10,14%. 6. Recurso especial parcialmente provido (CPC, art. 557, §1ºA). A decisão monocrática assim expedida pelo Ministro Relator Luiz Fux transitou em julgado em 08/11/2004, dando provimento ao recurso especial da contribuinte apenas para determinar a incidência do IPC, à base de 10,14%, para correção monetária relativa ao mês de fevereiro de 1989. Em seu relatório consta que o julgamento do Tribunal Regional Federal da 1a Região foi assim ementado: PROCESSUAL CIVIL, TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL –PIS – DECRETOSLEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88: INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF (RE Nº 148.7542/RJ) – DECADÊNCIA DA RESTITUIÇÃO (PRECATÓRIO OU COMPENSAÇÃO): INOCORRÊNCIA – LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (LEIS Nº 9.032/95 E Nº 9.129/5): INAPLICABILIDADE. 1. As alterações introduzidas na sistemática da contribuição para o PIS pelos Decretosleis nºs. 2.445/88 e 2.449/88 foram declaradas inconstitucionais pelo STF Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.001346/200241 Resolução nº 1101000.142 S1C1T1 Fl. 10 9 (RE nº148.7542/RJ) e tiveram a sua execução suspensa pela Resolução do Senado Federal nº49, de 09 OUT 1995. 2. Suspensa cobrança da exação pela Resolução do Senado Federal, o contribuinte tem, da data de sua publicação, prazo de cinco anos para o ajuizamento da ação de repetição, por compensação ou precatório, de todos os valores indevidamente recolhidos, independentemente do período do recolhimento. 3. A compensação não pode ocorrer com a incidência dos limites percentuais impostos pelas Leis nº 9.032/95 e nº 9.129/5, eis que aplicáveis apenas na esfera das contribuições devidas ao INSS (Precedente: AC nº 2000.01.00.1195167, TRF1, T3, un., DJ 28 JUN 2002, p.94). 4. Valores corrigidos desde o indevido recolhimento (SÚMULA nº 162/STJ) com inclusão dos expurgos inflacionários havidos no período dos recolhimentos, nos índices proclamados pelo STJ: AG nº318.515/PR (DJ 25/02/2002) c/ SÚMULA nº252 [...42,72% (IPC) quanto às perdas de janeiro de 1989 e 44,80% (IPC) quanto às de abril de 1990...18,02% (LBC) quanto às perdas de junho de 1987, de 5,38% (BTN) para maio de 1990 e 7,0% (TR) par fevereiro de 1991...] até 31 DEZ 195. A partir de JAN 1996, incidindo apenas a taxa SELIC (que subsistiu juros de mora e correção monetária), consoante jurisprudência do STJ (REsp nº 322.297/PR, DJ 02/09/2002; REsp nº 397.893/RJ, DJ 01/07/2002). 5. Na compensação não há incidência de juros moratórios, porque é iniciativa exclusiva do contribuinte, ainda que sujeita à homologação da Administração Tributária. 6. Apelações e remessa oficial providas, em parte. 7. Peças liberadas pelo Relator em 11/03/2003 para publicação do acórdão. Destes termos inferese que a decisão de 1a instância, no sentido de que a compensação de indébitos de Contribuição ao PIS somente fosse promovida com prestações vencidas ou vincendas de tributos da mesma espécie, não foi alterada. Nos termos do entendimento firmado pelo Ministro Luiz Fux, à época da propositura da demanda (2000), não havia autorização legal para a realização da compensação pelo próprio contribuinte, autorização esta que somente adveio com a entrada em vigor da Lei 10.637, de 30/12/2002, sendo, pelo regime então vigente, indispensável o seu requerimento à Secretaria da Receita Federal, de modo que o pleito estampado na petição inicial não poderia, como base no direito então vigente, ser atendido. Isto não significa, porém, que os pedidos de compensação apresentados antes da impetração do mandado de segurança devam ser desconsiderados. A decisão judicial apenas impede que o sujeito passivo promova, em sua própria escrituração, a compensação de indébitos de Contribuição ao PIS com débitos de outra natureza. Para além disso, como visto, os pedidos foram apresentados antes do prazo estipulado na Súmula CARF nº 91, muito embora no caso concreto existam evidências de que o Tribunal Regional Federal da 1a Região afastou a prescrição parcial reconhecida na sentença, em razão da propositura da ação judicial antes de transcorridos 5 (cinco) anos da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88. Diante de tais circunstâncias, concluise que o direito creditório reconhecido ao sujeito passivo judicialmente, embora somente pudesse ser por ele destinado, em sua escrituração, a compensações de mesma espécie, e antes da vigência da Lei nº 10.637/2002, na medida em que o sujeito passivo observou o regramento legal e normativo anterior para pretender a compensação dos referidos créditos com tributos de outra espécie (in casu, o IRPJ), Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.001346/200241 Resolução nº 1101000.142 S1C1T1 Fl. 11 10 necessário se faz que a autoridade fiscal competente se manifeste acerca da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório reconhecido judicialmente para liquidação dos débitos de IRPJ indicados nos pedidos de compensação que instruem o processo apenso. Por tais razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente, confirmando as decisões judiciais acima indicadas, informe se o direito creditório reconhecido ao sujeito passivo é suficiente e está disponível para liquidação dos débitos de IRPJ informados nos pedidos de compensação juntados às fls. 01/10 do processo apenso nº 10540.000757/9702, com observância do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 21/97, alterado pela Instrução Normativa SRF nº 73/97. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000138/99-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1991
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS.
Não se conhece do recurso especial quando o acórdão recorrido e paradigmas apresentados tem situações fáticas distintas e com aplicação de legislação diferente.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NÃO CONHECIDO
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
Numero da decisão: 9303-003.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por falta de divergência; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise do mérito do pedido de restituição.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1991 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. Não se conhece do recurso especial quando o acórdão recorrido e paradigmas apresentados tem situações fáticas distintas e com aplicação de legislação diferente. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NÃO CONHECIDO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
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PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. Não se conhece do recurso especial quando o acórdão recorrido e paradigmas apresentados tem situações fáticas distintas e com aplicação de legislação diferente. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NÃO CONHECIDO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por falta de divergência; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise do mérito do pedido de restituição. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 01 38 /9 9- 98 Fl. 963DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Foram apresentados recursos especiais por ambas as partes. Eis a ementa do acórdão recorrido: Relator: José Fernandes do Nascimento Acórdão: 3102 00.587 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. NORMA INCONSTITUCIONAL. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ATO GERAL DO PODER EXECUTIVO. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DO PAGAMENTO. O prazo decadencial de restituição do indébito da contribuição para o Finsocial, ainda que decorrente de inconstitucionalidade de norma com efeito reconhecido em ato de caráter geral do Poder Executivo, tem o inicio de sua contagem a partir da data do pagamento do indébito tributário e término no dia em que completar cinco. CRÉDITO DE CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. DÉBITO DE COFINS. AUTOCOMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. A contribuição para o Finsocial e Cofins são consideradas contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, logo, no período compreendido entre 01/01/1992 a 30/09/2002, os créditos de uma poderiam ser compensados com os débitos da outra, segundo os procedimentos da autocompensação tributária, realizada pelo sujeito no âmbito do lançamento por homologação. AUTOCOMPENSAÇÃO TR1BUTÁR1A. EXTINÇÃO DO DÉBITO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO QUINQUENAL. Os débitos tributários autocompensados pelo sujeito passivo e não homologados expressamente pela autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) até o final do prazo de cinco anos, contado da entrega da DCTF, são extintos definitivamente pela homologação tácita do procedimento de constituição do crédito pelo sujeito passivo. A PGFN apresentou recurso especial onde questiona a homologação tácita sob o argumento de que o prazo de 5 anos para homologação, disposto no art. 74, § 5º da Lei n.° Fl. 964DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000138/9998 Acórdão n.º 9303003.080 CSRFT3 Fl. 191 3 9.430/96, com a redação conferida pelo art. 17 da Medida Provisória 11 .0 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apenas se aplica a partir de 30/10/2003. Logo, não ouve a conversão em DCOMP dos pedidos de compensação apresentados antes daquela data. Já o sujeito passivo interpôs o seu recurso pedindo a reforma do acórdão na parte que considera o início do prazo decadencial na data do pagamento e o término desse prazo cinco anos depois. Essas são as questões jurídicas necessárias ao deslinde da questão. É o relatório. Voto Em que pese o presidente desta 3ª sessão ter admitido o recurso especial em despacho em às fls. 352 e 353, penso que se tratam de matérias distintas e com legislações também diferentes. Vejamos os acórdão recorrido e paradigmas: Recorrido: CRÉDITO DE CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. DÉBITO DE COFINS. AUTOCOMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. A contribuição para o Finsocial e Cofins são consideradas con1ribuições da mesma espécie e destinação constitucional, logo, no período compreendido entre 01/01/1992 a 30/09/2002, os créditos de uma poderiam ser compensados com os débitos da outra, segundo os procedimentos da autocompensação tributária, realizada pelo sujeito no âmbito do lançamento por homologação. AUTOCOMPENSAÇÃO TR1BUTÁRIA. EXTINÇÃO DO DÉBITO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO QUINQUENAL. Os débitos tributários autocompensados pelo sujeito passivo e não homologados expressamente pela autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) até o final do prazo de cinco anos, contado da entrega da DCTF, são extintos definitivamente pela homologação tácita do procedimento de constituição do crédito pelo sujeito passivo. Paradigmas: Acórdão 20311.648 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei no 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de Fl. 965DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. Acórdão 30332.217 COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ocorrência de homologação tácita antes da vigência da Medida Provisória n° 135/2003, por falta de amparo legal. O acórdão recorrido trata da homologação tácita da compensação realizado no âmbito do procedimento da autocompensação tributária (art. 66 da Lei n° n° 8.383, de 1991) e do lançamento por homologação, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN. Por sua vez os paradigmas tratam do direito intertemporal a ser aplicado em relação aos parágrafos 4° e 5 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, no que tange à conversão em declaração de compensação dos pedidos de compensação formulados pelo sujeito passivo até 30 de setembro de 2002. O próprio relator do voto condutor do acórdão recorrido enfatiza bem essa diferença. Transcrevo a parte do voto mencionada acima: Cabe esclarecer, por oportuno, que não se aplica ao caso em tela o disposto nos §§ 4° e 5 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n" 10.833, de 2003, no que tange à conversão em declaração de compensação dos pedidos de compensação formulados pelo sujeito passivo até 30 de setembro de 2002, matéria que foi regulamentada, originariamente, pelos arts. 64 e 70 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 2004, a seguir transcritos: (...) Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. Art. 70. A data de inicio da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRF. 0 prazo de que trata o referenciado § 2° do art. 29 da citada IN, é o prazo de 5 (cinco) anos estabelecido para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo, fixado no § 5º do citado art. 74. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000138/9998 Acórdão n.º 9303003.080 CSRFT3 Fl. 192 5 O procedimento compensatório em apreço, enfatizo mais uma vez, trata de homologação tácita da compensação realizado no âmbito do procedimento da autocompensação tributária (art. 66 da Lei n° n° 8.383, de 1991) e do lançamento por homologação, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN. Como o acórdão e o recorrido tratam de situações distintas e legislações distintas, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O recurso interposto pela contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Tratase do Pedido de Compensação de fl. 01, protocolado na Unidade de origem em 26/01/1999, no qual é informada a compensação de créditos da Contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial) dos períodos de apuração de janeiro de 1989 a dezembro de 1991, com débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) dos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a agosto de 1999 (fl. 01) e de janeiro a abril de 2000 (fl. 67). O valor do crédito informado corresponde a parcela da Contribuição para o Finsocial, referente ao período de apuração de janeiro de 1989 a dezembro de 1991, que foi recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento), conforme demonstrativo de fls. 20/21. Por sua vez, os débitos compensados da Cofins dos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a agosto de 1999 foram informados no Pedido de Compensação de fl. 01, enquanto os débitos dos períodos de apuração de janeiro a abril de 2000 foram informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) dos 1º e 2º trimestres de 2000 (fls. 149/154). No requerimento de fl. 67, a recorrente solicita o cadastramento de tais débitos no Sistema Sief Cobrança. Dessa forma, assiste razão à contribuinte, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 26/01/1999, os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados Fl. 967DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 pela prescrição, o que não ocorreu in casu, pois o fato gerador mais remoto foi em janeiro de 1989. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, não existe nenhum período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Ante o exposto voto por não conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, com retorno dos autos à unidade preparadora para a análise do mérito do pedido de restituição. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 968DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008622/2008-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/10/2008
CILINDROS USADOS. ENCOMENDA DE TERCEIROS. RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. INDUSTRIALIZAÇÃO. EXCLUSÃO.
O conserto, a restauração e o recondicionamento de cilindros usados, quando executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio desses produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente nessas operações, não caracteriza industrialização, e as saídas dos produtos renovados ou recondicionados nestas condições não realiza o fato gerador do imposto.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-003.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/10/2008 CILINDROS USADOS. ENCOMENDA DE TERCEIROS. RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. INDUSTRIALIZAÇÃO. EXCLUSÃO. O conserto, a restauração e o recondicionamento de cilindros usados, quando executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio desses produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente nessas operações, não caracteriza industrialização, e as saídas dos produtos renovados ou recondicionados nestas condições não realiza o fato gerador do imposto. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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ENCOMENDA DE TERCEIROS. RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. INDUSTRIALIZAÇÃO. EXCLUSÃO. O conserto, a restauração e o recondicionamento de cilindros usados, quando executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio desses produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente nessas operações, não caracteriza industrialização, e as saídas dos produtos renovados ou recondicionados nestas condições não realiza o fato gerador do imposto. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 86 22 /2 00 8- 70 Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.008622/200870 Acórdão n.º 3403003.418 S3C4T3 Fl. 1.338 2 Relatório O Presidente da 4ª Turma da DRJ/SDR recorre de ofício contra a decisão tomada no Acórdão n° 1530.884, de 15 de junho de 2012, fls. 1.307 a 1.325, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/10/2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no artigo 12 do Decreto n° 7.574, de 2011. CILINDROS USADOS. ENCOMENDA DE TERCEIROS. RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. As operações de usinagem e revestimento de cilindros usados, recebidos por encomenda e devolvidos diretamente ao estabelecimento encomendante, não serão consideradas industrialização quando essas operações forem executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo ausência de pagamento, o prazo de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Examinando lançamento de ofício de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, a 4ª Turma julgou que as operações de usinagem e revestimento realizadas pelo estabelecimento industrial de VOITH PAPER MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA estão excluídas do conceito de industrialização e cancelou integralmente a exação. Modo sintético, é o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.008622/200870 Acórdão n.º 3403003.418 S3C4T3 Fl. 1.339 3 Admissibilidade A decisão recorrida julgou o lançamento de ofício improcedente, para excluir os valores lançados relativamente a principal e multa nos seguintes valores, calculados até 28/11/2008: IPI (R$) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (R$) TOTAL (R$) 2.284.832,95 1.713.624,52 3.998.457,47 Exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor superior ao fixado pela Portaria MF nº 03, de 2008, conheço do recurso de ofício impetrado pelo presidente da 4ª Turma da DRJ/SDR. Mérito A autoridade autuante relata que apurou falta de lançamento do IPI na saída de produto tributado do estabelecimento, que não considera sua atividade como de industrialização. Esclarece que o estabelecimento tem como objeto social principal a industrialização de máquinas e aparelhos para a indústria de celulose, papel, papelão e artefatos, inclusive peças. Demandam do estabelecimento industrial dois tipos de "saídas": produtos industrializados, nos quais todos os insumos agregados "pertencem" ao próprio industrializador, e produtos industrializados nos quais, um dos insumos ("cilindro"), de propriedade do "encomendante", integra o produto industrializado. Explica quais são as ações realizadas em "cilindros" de terceiros enviados para "recuperação" nas seguintes modalidades: 1) Performance: os cilindros são recepcionados, objetivando uma "melhora em sua performance": são cilindros que não possuem revestimento inicial. Neste caso a ação de industrialização consumase com uma "usinagem"(exercida sobre o cilindro), seguida da inserção de um revestimento de borracha (manta composta de látex, adesivo, polímero, cargas minerais, plastifícante, agente de cura, acelerador, pigmentos e aditivos) sobre o cilindro; 2) Desgaste: os cilindros são recepcionados com vestígios de revestimento anterior: Neste caso, além da "usinagem" e da aplicação de "novo" revestimento de borracha, temos a remoção do resíduo do revestimento anterior, cujo serviço, também deve ser cobrado pelo industrializador do cliente; e 3) Reparo: constatase, após submeter o "cilindro" a uma análise técnica, que o trabalho a ser realizado consistirá na remoção de parte do antigo revestimento e na substituição dessa parte por novo revestimento, ação esta que o contribuinte denominou de "reparo". Como o contribuinte tratou sempre esse tipo de saída como "serviço" e, não as oferecia à tributação pelo IPI. Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.008622/200870 Acórdão n.º 3403003.418 S3C4T3 Fl. 1.340 4 Em sua impugnação, Voith Paper alega que o produto saído do estabelecimento não é a manta de borracha ou revestimento, por ela fabricada, mas cilindros usados que foram objeto de conserto, reparo, restauração e recondicionamento. Declarações das empresas, proprietárias dos cilindros usados (International Paper do Brasil Ltda., Fernandez S/A Indústria de Papel, Orsa Celulose, Papel e Embalagens S/A, Celulose NipoBrasileira S/A – Cenibra, e Multiverde Papeis Especiais Ltda. confirmam a remessa para conserto e revestimento de bens usados (cilindros ou rolos) pertencentes ao ativo imobilizado das referidas empresas. Tratase pois de operações de conserto, restauração e/ou renovação realizadas em cilindros (rolos) usados, por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, conforme declarações das empresas encomendantes, Tais operações estão excluídas do conceito de industrialização pelo comando do inc. XI do art. 5º do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – RIPI/2002, não havendo portanto falar em ocorrência do fato gerador nas respectivas saídas. Referendo a decisão recorrida e nego provimento ao recurso de ofício. Sala de sessões, em 13 de novembro de 2014 Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726495/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. EXTINÇÃO EM VIRTUDE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE LEGAL. OBSERVÂNCIA.
Inexiste amparo para, à luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídico-tributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria.
Numero da decisão: 1301-001.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. EXTINÇÃO EM VIRTUDE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE LEGAL. OBSERVÂNCIA. Inexiste amparo para, à luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídico-tributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. EXTINÇÃO EM VIRTUDE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE LEGAL. OBSERVÂNCIA. Inexiste amparo para, à luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 64 95 /2 01 1- 11 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 201 2 (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 202 3 Relatório Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto pela contribuinte tendo em vista as disposições do acórdão nº 0237.500 (fls. 300 e seguintes), proferido pela respeitosa 3ª Turma da DRJ/BHE que, apreciando as razões apresentadas pela contribuinte em sua impugnação, concluiu pela sua total IMPROCEDÊNCIA, apresentando, em sua ementa, as seguintes considerações: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL LIMITE DE 30% Mediante compensação de prejuízo fiscal, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA LIMITE DE 30% Mediante compensação de base de cálculo negativa, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor do acórdão proferido (09/03/2012), por ela então foi interposto o presente Recurso Voluntário, pretendendo a reforma daquela decisão, e, para tanto, aduzindo os seguintes fundamentos: A validade da utilização integral (100%) do saldo de prejuízo fiscal e base negativa acumulada em períodos anteriores na compensação com os montantes de IRPJ e CSLL (respectivamente) – sem a aplicação do limite de 30% (trinta por cento) , em razão das alterações societárias (cisão e incorporação) promovidas pela empresa Usina Hridrelétrica GuilmanAmorim S.A. (UHGASA), extinta com a incorporação de todo o seu patrimônio pelas empresas ARCELORMITTAL BRASIL S/A e SAMARCO MINERAÇÃO S/A. Da mesma forma, válida também foi a operação praticada pela empresa ARCELOR BRASIL S/A, utilizandose integralmente do saldo de prejuízos e bases negativas, em razão de sua extinção – por incorporação , tendo em vista a inexistência de determinação legal expressa contra a atividade, e, no caso, a impossibilidade de eternização da tributação do patrimônio, da forma como ali então efetivado. Que a compensação de prejuízos e bases negativas não se coaduna com o conceito de “benefício fiscal”, da forma como equivocadamente entendeu a fiscalização e a decisão de primeira instância, não se lhe aplicando, portanto, as limitações interpretativas do art. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 203 4 111 do CTN. A compensação, no caso, reflete a aplicação do princípio da capacidade contributiva, sendo o seu aproveitamento “uma conseqüência normativa constitucional necessária”. Da incorreção de valores utilizados pela fiscalização – prejuízo fiscal acumulado da UHGASA: A fiscalização (e também a decisão recorrida) indicaram a existência de crédito em decorrência da utilização incorreta de um saldo de prejuízo no montante de R$ 5.491.594,61. Tal divergência, segundo aponta, teria sido considerada pelos agentes da fiscalização tendo em vista a existência de divergências em relação ao anocalendário de 1999, período em relação a qual a contribuinte teria entregue duas declarações de rendimento (28/06/2000 e retificadora em 07/12/2006). O valor apresentado pela contribuinte (Lalur) coincide com o da primeira declaração apresentada, mas, entretanto, o montante mantido no SAPLI indica como sendo aquele indicado pela retificadora, tendo assim então apontada a divergência. A contribuinte afirma e reconhece que a “declaração retificadora” (por razões alheias a estes autos) foi apresentada de forma equivocada, não podendo assim prevalecer, ante os documentos apresentados nos autos. Destaca que, não podendo ser a declaração “fato gerador” do tributo, a declaração contendo equívoco não pode ser considerada para a manutenção do lançamento, sob pena de infringência das disposições do art. 147 do CTN e, também, do princípio da capacidade contributiva. Como não pode mais a contribuinte promover a retificação da declaração equivocada, deve então ela ser retificada de oficio. Da inaplicabilidade do limite de 30% à compensação do saldo de prejuízos fiscais a empresas com atividades encerradas Ultrapassada a questão do apontado erro material na quantificação dos saldos de prejuízos, a recorrente destaca então a discussão a respeito da inaplicabilidade da trava de 30% (de que trata o art. 42 da Lei 8.981/95 às empresas sujeitas a cisão e incorporação. Para tanto, destaca a recorrente o histórico legislativo em que foi inserido o referido dispositivo, a partir, inclusive, das disposições da exposição de motivos da MP 812/94 (convertida na Lei 8.981/95), destacando que a sua inserção no sistema fora efetivada como forma de garantir o “fluxo estável no ingresso de receitas”, excluindose, assim, a limitação temporal antes existente. Com essa nova sistemática, o que se estabeleceu, então, não teria sido um regime de “proibição” ou “limitação”, mas sim, de “postergação” do exercício do direito em quantos anoscalendário fossem ´necessários para o esgotamento do saldo de prejuízos acumulados. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 204 5 Com a vedação expressa de transferência dos prejuízos fiscais para a sucessora, conforme o art. 514 do RIR/99, outra não poderia ser a conclusão, senão, a inaplicabilidade da trava no caso de encerramento de atividades da empresa, sob pena de incidência dos tributos sobre o patrimônio, o que seria vedado pelo sistema. Recebido o processo em distribuição, na sessão de 09 de abril de 2013, este colegiado concluiu pelo sobrestamento da apreciação dos elementos contidos nos autos, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 591340 (Relator: MIN. MARCO AURÉLIO), e, no caso, a aplicação das disposições então existentes dos parágrafos do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. Com e revogação das referidas disposições regulamentares pela Portaria n.º 545/2013 do Ministério da Fazenda, retorna então este processo para julgamento, nos termos aqui então especificamente considerados. É o relatório. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 205 6 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo e regular o recurso voluntário interposto, dele conheço. A discussão central trazida nos autos, pelo que se verifica, gira em torno do debate relativo à (in)aplicabilidade da trava de 30% (trinta por cento) introduzida em nosso sistema normativo pelo Art. 42 da Lei 8.981/1995, no caso de encerramento de atividades das respectivas contribuintes, no casos de realização de incorporação societária. Além dessa questão, entretanto, há também, ainda, uma discussão específica relativa à validade do montante apurado e aplicado pela contribuinte e pelos agentes da fiscalização a respeito da composição do saldo de prejuízos, o que, por oportuno, aqui também deve ser analisado. Pois bem. Vejamos. A composição do saldo de prejuízos fiscais A primeira questão discutida nos autos pelos recorrentes, diz respeito à adequada composição dos montantes de saldos de prejuízos fiscais considerados pela fiscalização – em contraposição àqueles por então indicados/utilizados na operação realizada pela empresa UHGASA, por ela incorporada. A fiscalização aponta que, no ano de 2006, o montante constante no SAPLI era indicado como sendo de R$ 47.565.327,93, enquanto que a contribuinte teria considerado o montante de R$ 53.056.922,54, sendo então verificado, pelo confronto das informações, que a diferença existente seria, tão somente, em relação ao montante de prejuízos indicados no ano calendário de 1999. Conforme antes destacado, é incontroverso nos autos que, em relação aos rendimentos do Ano de 1999 a contribuinte apresentou duas declarações distintas, sendo a primeira (original) em 28/06/2000, e a ultima (retificadora) em 07/12/2006. A contribuinte, em sua impugnação primeira, simplesmente destaca a correção de seus procedimentos, apresentando, para tanto, um quadro de composição de seu saldo de prejuízos, nos seguintes termos: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 206 7 Observese que, a respeito desse item, a contribuinte simplesmente faz referência aos documentos por ela ali apresentados que, segundo entende, seriam suficientes para demonstrar a correção da composição referenciada, verificandose que, juntamente com a impugnação, não fazendo, sequer, qualquer consideração a respeito das declarações (original e retificadora) apresentadas em relação aos rendimentos do anocalendário de 1999. Analisando a questão, verificase que a decisão de primeira instância especificamente analisou os documentos apresentados, simplesmente concluindo pela impossibilidade de consideração dos valores sustentados pela contribuinte, especificamente em face da determinação normativa de que a apresentação de declaração retificadora substitui integralmente aquela anteriormente apresentada, sendo essa então a ser efetivamente considerada naquele momento. A divergência de informações, verificase, é que enquanto a contribuinte utilizou o valor registrado em seu LALUR coincidente com a DIPJ apresentada em 28/06/2000, a informação considerada pelos agentes fazendários é aquela constante nos registros do SAPLI, decorrentes da Declaração retificadora apresentada em 07/12/2006. No recurso, entretanto, a contribuinte argui, agora, a necessidade de aplicação do princípio da busca da verdade material, sustentando que a declaração considerada pelos agentes da fiscalização (apresentada pela contribuinte em 07/12/2006) continha “erros”, não correspondendo ao devido e correto montante do saldo de prejuízos fiscais, devendo, assim, de ofício ser retificada pelas autoridades fazendárias. Analisando as informações apresentadas pela contribuinte em sua impugnação, verifico que ali se encontra, especifica e exclusivamente a respeito do tema aqui tratado, a cópia do LALUR da empresa USINA HIDRELÉTRICA GUILMAN AMORIM S/A, no período de 1998 a 2007, o que, entretanto, acredito, não se mostra suficiente para a sustentação do apontado vício como suficiente para aqui ser então considerado. Relevante destacar que, a rigor, a informação utilizada pelos agentes da fiscalização fora aquele decorrente de DIPJ apresentada pela própria contribuinte, valendo aqui o destaque que a contribuinte somente sustenta o suposto “erro” em sua DIPJretificadora agora, em sede recursal, sem que, para tanto, apresente qualquer estruturação material efetiva do suposto equívoco, que, insistase, somente a ela pode ser imputado. Com todas as vênias, penso que a busca da verdade material é mesmo um ideal a ser perseguido no desenvolvimento do processo administrativo fiscal, mas isso de forma alguma significa que à contribuinte não se imponha qualquer ônus para a sustentação clara, fiel e objetiva de seu direito, e ainda, muito menos, que não seja ela responsável pela escorreita Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 207 8 prestação de informações à Fazenda Pública, não podendo agora, em sede de defesa (exclusivamente sem seu “Recurso”) suscitar o equívoco originário, que, se admitido, poderia, em tese, atuar em seu proveito próprio. Apenas para fins de registro, nenhum dos precedentes suscitados pela contribuinte em sua peça recursal lhe favorecem em relação à questão aqui discutida, sobretudo porque, conforme ali se verifica, tratase de questão completamente distinta daquela aqui verificada, sendo, portanto, totalmente aqui inaplicáveis. Todos os precedentes referemse a registros da DCTF, que, quando especificamente confrontados com a contabilidade e demais elementos regularmente apresentados pela contribuinte, poderiam, de alguma forma, desconstituir a presunção a ela aplicável, desconstituindo, assim, a “Declaração de Dívida” dela decorrente. A situação dos autos, é outra: tratase aqui de pretensão de desconsideração de DIPJretificadora apresentada pela própria contribuinte, como fundamento para a sustentação da existência de crédito de prejuízo fiscal que, acaso eventualmente possível, exigiria análises ainda mais profundas dos agentes da fiscalização. A contribuinte, em 2006, apresentou DIPJretificadora, alterando e substituindo, assim, a declaração anteriormente apresentada (2000), sendo, portanto, completamente inválidos e insuficientes os registros por ela mantidos em seu LALUR, da forma como por ela então considerado, sendo a manutenção da perfeita regularidade das informações fiscais, ônus a ela exclusivamente atribuído para a garantia da operação por ela então aqui pretendida. Em face dessas razões, além de rejeitar a inovação de tese de defesa apresentada pela contribuinte exclusivamente em seu recurso, entendo que, no presente caso, completamente indevida se apresenta a argumentação deduzida, seja porque os elementos contidos nos autos não se mostram suficientes para a confirmação da existência do “erro” sustentado, ou ainda, simplesmente, porque os dados utilizados pelos agentes da fiscalização, de forma completamente incontroversa nos autos, são aqueles então validamente apresentados pela contribuinte no ano de 2006 em sua DIPJretificadora, não havendo razão alguma, assim, a agasalhar a tese sustentada nos presentes autos. Com essas considerações, entendo, neste ponto, irretocáveis as considerações apresentadas pela r. decisão de origem, mantendoa, aqui, em seus específicos e regulares termos. A (in)aplicabilidade da trava de 30% (trinta por cento) na incorporação societária Ultrapassada a questão relativa à composição do saldo de prejuízos fiscais a serem considerados nos presentes autos, verificase agora o tema central da discussão mantida nos autos que trata, indubitavelmente, do debate a respeito da (in)aplicabilidade da trava de 30% (trinta por cento) na compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases de cálculo negativas (CSLL) na apuração dos respectivos tributos devidos, em caso de efetivação de alterações societárias que importam na extinção das atividades pela pessoa jurídica. O tema, por certo, é já de amplo e vasto conhecimento por esta Turma julgadora, já tendo sido objeto de diversas manifestações e debates em inúmeros casos aqui então apresentados. A discussão em torno do tema trazido, importa, de fato, na análise a respeito do conteúdo próprio das específicas disposições de regência, e, de uma forma geral, da sua Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 208 9 compreensão no âmbito do arcabouço técnicojurídico relacionado com a sistemática de incidência do IRPJ e também da CSLL, visandose, a partir daí, a verificação da específica natureza jurídica da compensação “autorizada” e, nesses casos, os requisitos fundamentais para a sua aplicação. No histórico da evolução legislativa a respeito da matéria, é relevante destacar que o direito à dedução dos prejuízos fiscais acumulados e das bases negativas acumuladas com os resultados positivos apurados nos exercícios posteriores passou a ser reconhecido pelo direito brasileiro em 1947, pela Lei nº 154, em seu artigo 10, limitado o seu exercício a 3 (três) anos. Vejamos: Art. 10. O prejuízo verificado num exercício, pelas pessoas jurídicas, poderá ser deduzido, para compensação total ou parcial, no caso de inexistência de fundos de reserva ou lucros suspensos, dos lucros reais apurados dentro dos três exercícios subseqüentes. Parágrafo Único. Decorridos os três exercícios, não será permitida a dedução nos seguintes, do prejuízo porventura não compensado. Alterando essa sistemática, o DecretoLei nº 1.598/77, em seu artigo 64 e parágrafos, no tocante ao prazo decadencial, aumentou de 3 (três) anos para 4 (quatro) anos, conforme se verifica: Art. 64. A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em um períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. § 1º O prejuízo compensável e o apurado na demonstração do lucro real e registrado no livro de que trata o item I do art. 8º, corrigido monetariamente até o balanço do períodobase em que ocorrer a compensação. § 2º Dentro do prazo previsto neste artigo a compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodosbase, a vontade do contribuinte. Posteriormente, a Lei nº 8.383/91, nos arts. 38, parágrafo 7º e 44, parágrafo único, reconheceu o direito à dedução dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da contribuição social com os resultados positivos apurados nos períodos subseqüentes, sem qualquer limitação percentual ou temporal: Art. 38.................. Parágrafo 7º O prejuízo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subseqüentes. Art. 44.............. Parágrafo único: Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. (Artigo revogado pela Lei nº 8.981, de 20.01.95). Fl. 407DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 209 10 Em seguida, o artigo 12, da Lei nº 8.541/92, especificamente quanto ao imposto sobre a renda, determinou que os prejuízos fiscais, apurados a partir de 1º de janeiro de 1993, poderiam ser deduzidos do lucro real apurado em até 4 (quatro) anoscalendário subseqüentes ao ano de apuração. Vejase: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1º de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendário, subseqüentes ao ano da apuração. (Artigo revogado pela Lei nº 8.981, de 20.01.95) Como se pode observar, nas disposições referenciadas, inexistia qualquer limite quanto ao aspecto material para a compensação do prejuízo fiscal apurado, podendo ser feito em sua integralidade pela pessoa jurídica, observando, entretanto, o limite temporal estabelecido, somente sendo essa operação admitida no período de até 04 (quatro) anos do respectivo exercício. A par da sistemática estabelecida, entretanto, é de se observa que as referidas disposições foram então especificamente alteradas no ano de 1995, verificandose, a esse respeito, a inserção das disposições dos artigos 42 e 58 da Lei 8.985/95 (IRPJ) e, também, dos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95 (CSLL), que, assim então especificamente passaram a determinar: Lei 8.985/95 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 210 11 Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Com base nessas disposições, verificase no histórico próprio da composição legislativa da regra de compensação de prejuízos fiscais/bases de cálculo negativas no campo da incidência e aplicação do IRPJ e da CSLL, fora ela mantida em todas as alterações apontadas, apenas regularizando o seu impacto no que tange à manutenção orçamentária da arrecadação dos referidos tributos. O que então exsurge como análise essencial e necessária, no presente momento, referese aos contornos jurídicos próprios a serem considerados em relação a essa “possibilidade de compensação de prejuízos e bases negativas”, visando identificála, de fato como exclusivo “benefício” (favor) fiscal, ou se tal providência se insere, na essência, nos critérios próprios da quantificação do montante do tributo devido, a partir de sua específica conformação jurídica hipotética. Na análise do histórico normativo apresentado, sobretudo nos fundamentos específicos extraídos dos atos legislativos que teriam dado origem às disposições da Lei 8.981/95 e 9.065/95, verifico que, a todo instante, buscava o legislador a viabilização entre a exigência tributária e a regularidade da arrecadação fiscal, sendo então entabulada a aplicação da referida “trava de 30%” como alternativa para a manutenção do fluxo orçamentário, sendo esse, especificamente, o fundamento para a sua aplicação. Na adoção da referida sistemática, foi expressamente apontado o afastamento da contagem de prazo prescricional sobre o referido crédito, garantindo, assim, a manutenção da essência da tributação ali então considerada. Com essa composição, com respeito às laboriosas manifestações já proferidas em sentido contrário, entendo que no caso, a utilização da compensação de prejuízos fiscais (e também das mencionadas bases negativas) não trata de simples “benefício” ou “favor” fiscal, mas sim, de composição própria e específica quantificação do montante dos tributos devidos, sendo, assim, forçosa a sua conclusão como parte integrante e componente da base de cálculo dos referidos tributos, e, nesse caso, efetivamente inaplicável as limitações interpretativas do Art. 111 do CTN, da forma como então considerado pela decisão proferida em primeira instância. Da fato, as alterações propostas pelas Leis 8.981/95 e 9.065/95 referemse a sistemáticas construídas com vistas à continuidade do desenvolvimento das atividades das pessoas jurídicas, tendo como foco a possibilidade futura de resultados positivos na atividade da pessoa jurídica, garantindo, assim, a manutenção da arrecadação fiscal e, ao mesmo tempo, a limitação à tributação sobre a renda – e não sobre o patrimônio , nos termos determinados pelas disposições constitucionais de regência. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 211 12 A matéria, por certo, é ainda muito debatida neste CARF, sendo verificável, entretanto, a existência de precedentes que apontam no mesmo sentido aqui por nós sustentado, conforme se verifica, por exemplo, no julgado proferido pela egrégia 3a Turma da 1a Câmara desta Primeira Sejul, da lavra do ilustre conselheiro MARCOS SHIGUEO TAKATA, que, no acórdão 1103000.619, por maioria, assim então pontificou: Número do Processo 16095.000635/200809 Contribuinte JS ADMINISTRACAO DE RECURSOS S/A Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 31/01/2012 Relator(a) MARCOS SHIGUEO TAKATA Nº Acórdão 1103000.619 Tributo / Matéria IRPJ glosa de compensação de prejuízos fiscais Decisão Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: “TRAVA” DE 30% PARA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES NEGATIVAS NA INCORPORAÇÃO A finalidade da “trava” de compensação não é ceifar a compensação de prejuízos fiscais, mas manter ou aumentar o fluxo de caixa de arrecadação, tanto que se revogou o limite temporal de compensação. A regra de limitação quantitativa da compensação só tem sentido no tempo (“vida” da pessoa). Como o lucro é apurado segundo cortes temporais mais ou menos arbitrários, porém necessários, por imperativo de ordem prática a limitação quantitativa de compensação de prejuízos fiscais implica essa periodicidade (e a interperiodicidade). Diante da “morte” da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limitadora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo. Nesse sentido, entendemos, na linha do precedente aqui invocado, que o estabelecimento de limitação quantitativa à possibilidade de compensação de prejuízos acumulados, aliado – necessariamente – à inaplicabilidade de qualquer critério temporal para o exercício desse direito, somente possui sentido em nosso sistema normativo, nas hipóteses de regular manutenção da vida da pessoa jurídica, não se aplicando, assim, nas circunstâncias em que ela passa, obrigatoriamente, a não mais existir (incorporação). Tal conclusão, destaco, mostrase para mim relevante, sobretudo em face da expressa vedação legal de transferência dos referidos prejuízos à sucessora, a teor do que expressamente determinado pelas disposições do Art. 514 do RIR/99. Nessa linha, é importante também destacar, verificamse precedentes na jurisprudência desta Corte Administrativa, conforme se verifica no aresto a seguir transcrito: Número do Processo 19515.002561/200675 Contribuinte KLABIN S.A. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 16/01/2012 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 212 13 Relator(a) ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Nº Acórdão 1103000.617 Tributo / Matéria IRPJ glosa de compensação de prejuízos fiscais Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. O Conselheiro José Sérgio Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da “trava” de 30%, em razão da vedação legal à transferência de prejuízos para a sucessora. Em face dessas considerações, entendo que, especificamente no que diz respeito à discussão em torno da impossibilidade de aplicação da limitação (“trava”) de 30% (trinta por cento) na compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSLL), entendo que estas não se aplicam nos casos em que a empresa por conseqüência natural da alteração societária formulada , obrigatoriamente deixa de existir (incorporação), podendo então, nessas hipóteses, ser integralmente compensado, sob pena de imposição da tributação sobre o patrimônio (e não a renda). Diante disso, encaminho o meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso da contribuinte, exclusivamente no que diz respeito ao acolhimento da tese de inaplicabilidade da trava de 30% (trinta por cento) na compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e Bases de Cálculo negativas (CSLL) no caso da incorporação realizada, tendo em vista a inexistência de vedação expressa e, no caso, a impossibilidade de transferência dos referidos créditos para a empresa sucessora (art. 514 do RIR/99), nos termos e fundamentos então aqui especificamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 411DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 213 14 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Em que pese os valiosos argumentos expendidos pelo Ilustre Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, pronunciouse de forma diversa relativamente à possibilidade de aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL sem observância do limite de 30% previsto na lei, no caso versado nos autos. Antes de tudo, convém destacar que tanto os argumentos expendidos na peça recursal, como os que serviram de suporte para o pronunciamento do Ilustre Relator, foram direcionados no sentido de que, tratandose de extinção da pessoa jurídica detentora de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, ainda que em razão de reorganização societária, existe fundamentação jurídica capaz de autorizar a compensação dos referidos saldos sem que seja observada a limitação de 30% imposta pela lei. Em apertada síntese, alegou a Recorrente que, no caso de empresas cindidas, o limite de 30% não é aplicável, visto que o encerramento das atividades da empresa impede a compensação do prejuízo fiscal apurado nos períodos seguintes. O entendimento majoritário do Colegiado, entretanto, dirigiuse em outro sentido. Não se trata exatamente de explicar, ainda que por meio de fundamentos jurídicos, a JUSTIÇA do pleito, mas, sim, de buscar na legislação de regência autorização para que o limite imposto seja simplesmente desconsiderado. Nessa linha, entendeu a Turma Julgadora, pelo voto de qualidade, que não existe amparo na legislação para que o contribuinte, na circunstância versada nos autos, compense de forma integral os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas. Têmse, pois, que, tratandose de declaração final decorrente de extinção provocada por processo de reorganização societária, em virtude da absoluta ausência de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acima do limite de 30% estabelecido pelos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, verbis: ... Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 214 15 Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. . No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. Perscrutandose a legislação tributária acerca da aplicação do limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais (e de bases negativas), verificase que, por expressa determinação legal, tal limite não é aplicável aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividade rural, quando compensados com o lucro real da mesma atividade, bem como aos apurados pela empresa industrial titular de Programas Especiais de Exportação aprovados até 03 de junho de 1993 pela Befiex, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981, de 1995, na redação dada pela Lei nº 9.065, também de 1995. Não se identifica, portanto, (e nem a Recorrente aponta) disposição de lei capaz de recepcionar a pretensão deduzida na peça de defesa. Releva esclarecer, ainda, que, na medida em que nas extinções decorrentes de reorganizações societárias ocorre o evidente encerramento de atividades, uma vez admitida a compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL, estarseá possibilitando, por via oblíqua, a compensação entre sucessora e sucedida, eis que em tais situações os valores objeto de compensação podem estar travestidos de saldos negativos. Cumpre lembrar, também, que na conceituação de LUCRO REAL a lei é taxativa no sentido de que as compensações devem estar prescritas ou autorizadas pela legislação tributária, senão vejamos: DECRETO LEI Nº 1.598/77 Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. Não é demais lembrar que, em seara administrativa, a leitura do princípio da legalidade revestese de especificidade, qual seja, o aplicador só está autorizado a fazer aquilo que a lei lhe autoriza, por mais justa que seja a pretensão do administrado. Cumpre registrar ainda que em relação ao erro material apontado na peça recursal o relator rejeitou as alegações trazidas pela contribuinte, no que foi acompanhado pelos demais integrantes da Turma de Julgamento. Assim, por entender que não existe dispositivo de lei autorizando a compensação nos termos pretendido pela Recorrente, decidiu o Colegiado negarlhe provimento ao recurso também em relação a essa matéria. “documento assinado digitalmente” Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 215 16 Wilson Fernandes Guimarães Redator designado Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 1301001.543 S1C3T1 Fl. 216 17 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 19515.002646/2005-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n. 9.430/1996, em seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
assunto: contribuição para o pis/pasep
OMISSÃO DE RECEITA. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. O auto de infração do PIS lavrado em decorrência do auto principal de IRPJ, em razão da presunção legal de omissão de receitas, deve ser mantido uma vez que não é possível determinar se a receita originou-se exclusivamente da venda de combustíveis.
assunto: contribuição para o financiamento da seguridade social - cofins
OMISSÃO DE RECEITA. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. O auto de infração da COFINS lavrado em decorrência do auto principal de IRPJ, em razão da presunção legal de omissão de receitas, deve ser mantido, uma vez que não é possível determinar se a receita originou-se exclusivamente da venda de combustíveis.
assunto: processo administrativo fiscal
LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
Numero da decisão: 1101-001.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n. 9.430/1996, em seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP OMISSÃO DE RECEITA. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. O auto de infração do PIS lavrado em decorrência do auto principal de IRPJ, em razão da presunção legal de omissão de receitas, deve ser mantido uma vez que não é possível determinar se a receita originouse exclusivamente da venda de combustíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS OMISSÃO DE RECEITA. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. O auto de infração da COFINS lavrado em decorrência do auto principal de IRPJ, em razão da presunção legal de omissão de receitas, deve ser mantido, uma vez que não é possível determinar se a receita originouse exclusivamente da venda de combustíveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 46 /2 00 5- 72 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone e Marcelo de Assis Guerra. Relatório Tratase de Autos de Infração, às fls. 375 a 398, lavrados em face de ‘Posto de Serviços Diadema Ltda.’ atinentes a exigências de IRPJ, de CSLL, de PIS e de COFINS, relativos ao anocalendário de 2001 sobre valores apurados nas contas bancárias do Contribuinte e supostamente omitidos na DIPJ 2002. A autoridade fiscal procedeu à auditoria contábil, mormente a partir da DIPJ 2002 (fls. 08/49) e de extratos de movimentações financeiras nos bancos Unibanco e Safra (fls. 51/266), que foram apresentados pelo Contribuinte em cumprimento à intimação fiscal (fl. 7), tendo sintetizado o Mapa Demonstrativo Mensal dos Créditos em Conta Corrente à fl. 354, em razão da identificação de recursos não justificados e diferentes daqueles declarados na DIPJ 2002, após expurgar os recursos creditados a título de devolução de cheques, estornos, resgates de aplicações financeiras e transferências intercontas. Em 12/09/2005, o Contribuinte foi intimado (fl. 355) a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse a origem da citada movimentação financeira (depósitos). Não tendo apresentado à fiscalização referida documentação, foram lavrados Autos de Infração (fls. 363/365), constituindose o crédito tributário em questão (IRPJ) e seus reflexos (PIS, COFINS e CSLL), considerando como receitas omitidas os valores apurados no Fl. 474DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.002646/200572 Acórdão n.º 1101001.191 S1C1T1 Fl. 474 3 Mapa Demonstrativo de fl. 354, com fundamento na presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, os quais foram sintetizados no quadro de fl. 365. Cientificado das autuações em 07/10/2005 (fl. 398), o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 404/406), defendendo o cancelamento das autuações pelos seguintes fundamentos: a) “não subsistem as autuações do PIS e da COFINS, pois são tributos sujeitos à alíquota zero para a atividade exercida (Posto de Gasolina), segundo determina o Art. 42, da Medida Provisória n. 1.99118/2000, atual Medida Provisória n. 215835, de 24 de agosto de 2001” (fl. 405); b) “no que concerne ao Imposto de Renda de Pessoa Física e à contribuição sobre o lucro líquido, devese levar em conta que a movimentação financeira apontada nos autos de infração carece de origem definida pela fiscalização, não podendo, destarte, recair sobre o contribuinte, sob o pretexto de que a ele compete o ônus de provála” (fl. 406). Os membros da Colenda DRJ/SPO entenderam pela procedência dos lançamentos (fls. 456/463), restando a ementa assim redigida, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430/1996, em seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITA. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. O auto de infração do PIS lavrado em decorrência do auto principal de IRPJ, em razão da presunção legal de omissão de receitas, deve ser mantido uma vez que não é possível determinar se a receita originouse exclusivamente da venda de combustíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITA. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. O auto de infração da COFINS lavrado em decorrência do auto principal de IRPJ, em razão da presunção legal de omissão de receitas, deve ser mantido, uma vez que não Fl. 475DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 é possível determinar se a receita originouse exclusivamente da venda de combustíveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Lançamento Procedente. (fls. 456/457) A Colenda DRJ/SPO salientou que, a despeito de regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários apurados pela Fiscalização, razão pela qual aqueles valores foram corretamente tributados, considerando a sistemática de apuração do lucro real trimestral, eis que foi o regime adotado pelo contribuinte no período da omissão verificada (anocalendário 2001), conforme se extrai da DIPJ 2002 (fl. 08) e determina o artigo 24 da Lei n. 9.249/95. Quanto à exigência do PIS e da COFINS, a primeira instância expôs que, à época da ocorrência dos fatos, as incidências das mencionadas contribuições sobre as vendas de derivados de petróleo e de álcool carburante realmente estavam sujeitas à alíquota zero, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001 e da Lei n° 9.990/00. Porém, neste processo administrativo fiscal, as exigências dessas Contribuições eram mero reflexo do lançamento principal de IRPJ, decorrente da omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários não justificados, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, sendo que a inércia do contribuinte em comprovar a origem de tais valores impedia a determinação se eles seriam tão somente receita da venda de combustíveis – contemplados com a alíquota zero – ou seriam compostos por outras entradas. Inconformado, o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora analisado (fls. 467/470), reiterando as mesmíssimas razões apresentadas na impugnação, no sentido de que, diante da atividade empresária exercida, (i) deverseia presumir que valores depositados são provenientes da venda de combustível; (ii) não existiria razão para omitir receita acerca de tributo com alíquota zero, devendo serem cancelados os lançamentos de PIS e da COFINS; e (iii) teria indicado elementos suficientes a permitir a identificação da origem dos depósitos bancários, recaindo sobre a fiscalização o ônus de comprovar que os valores teriam origem diversa daquela ou que os documentos apresentados seriam insuficientes. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 476DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.002646/200572 Acórdão n.º 1101001.191 S1C1T1 Fl. 475 5 A ciência do ora Recorrente quanto ao acórdão recorrido ocorreu em 06/08/2008 (quartafeira) – conforme AR à fl. 466. O termo final do trintídio legal para a interposição do recurso voluntário findaria, portanto, em 05/09/2008 (sextafeira), conforme dispõe o art. 33 do Decreto n. 70.235/72. Tempestivo, portanto, o recurso interposto em 03/09/2008 (quartafeira). Como relatado, as sintéticas alegações do Recorrente atacam, primeiramente, o cabimento da exigência de PIS e COFINS no auto de infração, afirmando que a empresa não teria que recolher os tributos citados, tendo em vista que, pela sua atividade (posto de gasolina), tais contribuições estariam sujeitas à alíquota zero. Na sequência, sendo nítida a atividade exercida, presumirseia que os valores depositados adviriam da venda de combustíveis, cabendo à fiscalização provar o contrário. Pois bem. A presunção de omissão de receitas está prevista no artigo 42 da Lei n. 9.430/96, o qual dispõe, litteris: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Já o art. 42 da MP nº 2.15835/2001 determina a incidência do PIS e da COFINS sobre vendas de derivados do petróleo (inciso I) e de álcool etílico com fins carburantes (inciso II vigente à época, mas revogado pela MP 413, de 03 de janeiro de 2008) à alíquota zero, estando, obviamente, o contribuinte desobrigado do seu recolhimento. A redação do dispositivo dispunha os seguintes termos: Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; II álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; III álcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. No presente caso, a fiscalização entendeu que a inércia do Recorrente – regularmente intimado em 12/09/2005, fl. 355 – em apresentar documentação hábil e idônea a comprovar a origem dos depósitos bancários não identificados implicaria na aplicação daquela regra de presunção e, consequentemente, na tributação daqueles valores pela sistemática a que estava submetido o contribuinte à época dos acontecimentos. Esse entendimento foi endossado na r. decisão recorrida e deve ser mantido, eis que, efetivamente, em situações de exigência de tributos decorrente de reflexos do lançamento de IRPJ sobre receitas omitidas, o regime de tributação passa a ser aquele a que se Fl. 477DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 submetia o contribuinte, sendo ato vinculado (consequência jurídica) o lançamento dos créditos referentes às contribuições incidentes sobre essa “nova” base de cálculo, nos termos do art. 24 da Lei 9.249/1995, in verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. §1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. §2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. Assim, a sujeição do Recorrente à alíquota zero de PIS e da COFINS estaria vinculada à comprovação – mediante documentação de origem das receitas (depósitos bancários) apuradas pela Fiscalização com base nos próprios extratos bancários por ele próprio apresentados, após as deduções legais (recursos creditados a título de devolução de cheques, estornos, resgates de aplicações financeiras e transferências intercontas) – da origem daqueles montantes, se decorrentes ou não da venda exclusiva de combustíveis, etc. Contudo, ante a inércia do contribuinte, a DRJ/SPO apresentou uma planilha demonstrativa na qual cotejou as movimentações bancárias apuradas pela Fiscalização, com base nos extratos bancários apresentados, e os valores declarados na DIPJ 2002 pelo Contribuinte (fls. 08/49), especialmente aqueles inseridos na Ficha 19A que aponta a receita bruta auferida mensalmente, confirase: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.002646/200572 Acórdão n.º 1101001.191 S1C1T1 Fl. 476 7 Nessa situação, ressoa inequívoco o ônus do Recorrente em comprovar a origem desses depósitos bancários, cujos documentos deveriam ter sido juntados na Impugnação apresentada às fls. 404/406, sob pena de preclusão, conforme preceitua o art. 16, III, do Decreto 70.235/72, verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir” Frisese que, consoante sabido, entendo que tal regra não deve ser aplicada com rigidez, sendo certo que jamais me furtaria ao exame de documentação apresentada inclusive após o aviamento de Recurso Voluntário, pois penso que o processo administrativo fiscal comporta essa maleabilidade com meras formalidades. De qualquer maneira, à míngua de apresentação de documentos hábeis à comprovação da origem dos depósitos não identificados, a aplicação dos citados artigos 42 da Lei n. 9.430/96 c/c 24 da Lei 9.249/1995 é medida de rigor, sendo pacífico o entendimento deste Egrégio Conselho de que ônus probatório das presunções legais feitas pelo Fisco é de responsabilidade do contribuinte, a exemplo de excerto ementário transcrito a seguir, in verbis: “PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS NA ESCRITURAÇÃO. COMPRAS DE MERCADORIAS EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Restando demonstrado pela autoridade de lançamento, mediante procedimento de circularização, que a pessoa jurídica autuada efetuou aquisições de produtos em nome de interposta pessoa (?laranja?), realizando pagamentos que não foram registrados na escrituração contábil/fiscal e intimada, inclusive, para fazer a comprovação da escrituração dos pagamentos, não logrou êxito na produção de provas, autoriza a presunção legal de que tais recursos são provenientes de receitas omitidas. O ônus probatório do fisco, nas presunções legais, resumese à comprovação fato indiciário (fato conhecido) que, por ilação ou por inferência, autoriza a tributação do fato presumido. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nas infrações lançadas por presunção legal de que o fato probando ou presumido não ocorreu.” (Acórdão 1802002.086, 2ª Turma Especial, 1ª Seção, CARF. Processo n. 16045.000492/201037. Sessão de 08.04.14. Publicação em 19.05.14) Logo, deveser mantida a presunção legal quanto à omissão de receitas quando o Contribuinte não se desincumbe de comprovar a origem daqueles valores ou que teriam sido oferecidos à tributação. Igualmente mostrase descabida a alegação, sem prova cabal, de que seriam receitas exclusivas decorrentes da venda de combustíveis e, portanto, estariam sujeitas à Fl. 479DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 alíquota zero de PIS e da COFINS, conforme recentemente decidiu esse E. Conselho Administrativo, litteris: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade.” (Acórdão 1101 001.158. Processo n. 13982.000735/201059 Sessão de 31.07.14. Publicação em 10.09.14) Portanto, não havendo alteração na documentação que deveria ter sido apresentada pelo ora Recorrente, entendo ser o caso de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo os créditos tributários exigidos. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 480DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10665.001003/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. DÉBITO EXIGÍVEL. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Cabível lançamento de oficio para cobrança de débitos não recolhidos que se tomaram exigíveis por indeferimento do pedido de compensação.
LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO.
É aplicável na hipótese de lançamento de ofício, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, não cabendo a este colegiado manifestar-se quanto a eventual natureza confiscatória de penalidade prevista em lei.
Numero da decisão: 1402-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação ao IRPJ para os fatos geradores ocorridos em 31/03/1998, 30/04/1998 e 31/05/1998; em complemento ao Acórdão nº 103-23.259, proferido pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. DÉBITO EXIGÍVEL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Cabível lançamento de oficio para cobrança de débitos não recolhidos que se tomaram exigíveis por indeferimento do pedido de compensação. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. É aplicável na hipótese de lançamento de ofício, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, não cabendo a este colegiado manifestar-se quanto a eventual natureza confiscatória de penalidade prevista em lei.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. DÉBITO EXIGÍVEL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Cabível lançamento de oficio para cobrança de débitos não recolhidos que se tomaram exigíveis por indeferimento do pedido de compensação. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. É aplicável na hipótese de lançamento de ofício, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, não cabendo a este colegiado manifestarse quanto a eventual natureza confiscatória de penalidade prevista em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação ao IRPJ para os fatos geradores ocorridos em 31/03/1998, 30/04/1998 e 31/05/1998; em complemento ao Acórdão nº 10323.259, proferido pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 10 03 /2 00 3- 51 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Tratase o presente de Autos de Infração do 1RPJ (fls. 2/5), CSLL (fls. 10/13), PIS (fls. 6/9), Cofins (fls. 14/17) e contribuição para a seguridade social — INSS (fls. 18/21) lavrados o âmbito do SIMPLES, referentes aos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000. Esses tributos seriam quitados mediante compensação solicitada no bojo dos processos administrativos n° 13678.000090/0037 e 13678.000091/0008. Como o pedido foi indeferido, os débitos tornaramse exigíveis e não foram recolhidos espontaneamente pelo sujeito passivo, sendo então cobrados mediante lançamento de oficio. Cientificado da exigência em 24/06/2003 (fl. 70) a interessada apresentou tempestiva impugnação (fls. 72/109, com documentos de fls. 110/144) onde tece longo arrazoado doutrinário sobre o instituto da compensação. Afirma ainda que possui direito ao crédito com base em decisões do STF e que o débito estaria suspenso pelo fato de ter sido interposto recurso, o que implicaria na impossibilidade de aplicação da multa. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão DRJ/BHE n° 8.797/2005 (fls. 155/162) considerando o lançamento integralmente procedente com base fundamentalmente no fato dos pedidos de compensação terem sido indeferidos em decisão já transitada em julgado, o que implicaria na necessidade de recolhimento dos débitos o que não foi feito pela interessada. Devidamente notificado dessa decisão (fl.173), o sujeito passivo recorreu a este Colegiado (fls. 176/206, com documentos de fls. 207/215) ratificando as razões da peça impugnatória. Em primeira apreciação, a antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes prolatou o Acórdão nº 10323.259 dando provimento parcial ao recurso exclusivamente para reconhecer a decadência, suscitada de ofício, para os fatos geradores ocorridos em 31/03/1998, 30/04/1998 e 31/05/1998; aplicável a todos os tributos. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando que a decisão contrariou, quanto ao PIS, à Corins, à CSLL e à Contribuição para a Seguridade Social — INSS, o art. 45, da Lei n° 8.212/91, e, no que se refere ao IRPJ, os art. 149, V, 150, §4° e 173, I do CTN. Em exame de admissibilidade formalizado no Despacho 1030212/2008 o então Presidente da Câmara recorrida deu seguimento parcial ao recurso especial, para que fosse submetida à CSRF exclusivamente a decadência do IRPJ. Por meio do Acórdão 9101001.572, a 1ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso manifestandose pela inocorrência da caducidade do IRPJ relativamente aos fatos geradores ocorridos em 31/03/1998, 30/04/1998 e 31/05/1998. Assim, os autos retornaram ao relator original do feito no CARF para apreciação do mérito da exigência do IRPJ para esses períodos. É o Relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10665.001003/200351 Acórdão n.º 1402001.778 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Após decisão da CSRF, a lide nestes autos abrange exclusivamente a exigência do IRPJ para os fatos geradores ocorridos em 31/03/1998, 30/04/1998 e 31/05/1998, restabelecida em função da não ocorrência da decadência, conforme lá decidido. Nesse aspecto, o mérito já foi apreciado por este relator no bojo do voto condutor do Acórdão nº 10323.259, em julgamento ocorrido na antiga Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Transcrevese a decisão cujos fundamentos são aqui adotados: No mérito, a recorrente em nenhum momento apresentou questionamento efetivo contra o auto de infração. Suas razões envolveram exclusivamente a questão da compensação. Esqueceuse o sujeito passivo de que o procedimento de compensação foi discutido nos autos dos processos n° 13678.000090/0037 e n° 13678.000091/0008 com decisões que lhe foram desfavoráveis. Apesar da recorrente afirmar que recorreu ao Conselho de Contribuintes contra essas decisões, isso não ocorreu. Os processos estão arquivados e não há registro de remessa dos mesmos a este Colegiado em nenhum momento. Portanto, a decisão que rejeitou o pedido de compensação naqueles processos transitou em julgado e tomouse definitiva. Dessa forma, as alegações de defesa, exclusivamente referentes à compensação, não socorrem a interessada por dois motivos: deveriam ser argüidas nos autos daqueles processos pois o presente não trata de compensação, mas sim de auto de infração, e a decisão lá proferida transitou em julgado. No que se refere à multa de oficio aplicada em conjunto com o tributo, sua incidência tem origem na inobservância da norma jurídica o que importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe a incidência da penalidade. O suposto caráter confiscatório da multa é matéria de natureza constitucional que foge à apreciação desse Colegiado pela prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário quanto ao tema. Nessa linha, o Conselho de Contribuintes uniformizou entendimento através da Súmula CC n° 2, cujo Enunciado prevê: “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Do exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso, salientando que esta decisão aplicase exclusivamente ao IRPJ dos fatos geradores 31/03/1998, Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 30/04/1998 e 31/05/1998; prevalecendo quanto aos demais valores autuados o teor do Acórdão nº 10323.259. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 15771.722164/2011-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/11/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 08/11/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/11/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 21 64 /2 01 1- 07 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.722164/201107 Acórdão n.º 3803006.495 S3TE03 Fl. 300 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/11/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 302DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.722164/201107 Acórdão n.º 3803006.495 S3TE03 Fl. 301 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.722164/201107 Acórdão n.º 3803006.495 S3TE03 Fl. 302 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13976.000111/2004-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000
PAF - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Embargos de Declaração que se conhece apenas para esclarecer questão no acórdão embargado, sem, contudo, alterar o resultado de julgamento.
Numero da decisão: 1401-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar a infração relacionada à variação cambial. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Lincoln de Souza Chave - OAB/RJ nº 34.990.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros JORGE CELSO FREIRE DA SILVA (Presidente), MAURICIO PEREIRA FARO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, KAREM JUREIDINI DIAS, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, ANTONIO BEZERRA NETO, MARCELO BAETA IPPOLITO.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000 PAF - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargos de Declaração que se conhece apenas para esclarecer questão no acórdão embargado, sem, contudo, alterar o resultado de julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar a infração relacionada à variação cambial. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Lincoln de Souza Chave - OAB/RJ nº 34.990. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros JORGE CELSO FREIRE DA SILVA (Presidente), MAURICIO PEREIRA FARO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, KAREM JUREIDINI DIAS, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, ANTONIO BEZERRA NETO, MARCELO BAETA IPPOLITO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13976.000111/200472 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401001.326 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria Embargos de Declaração Embargante CVG CIA VOLTA GRANDE DE PAPEL Interessado 1FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000 PAF EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargos de Declaração que se conhece apenas para esclarecer questão no acórdão embargado, sem, contudo, alterar o resultado de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar a infração relacionada à variação cambial. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Lincoln de Souza Chave OAB/RJ nº 34.990. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros JORGE CELSO FREIRE DA SILVA (Presidente), MAURICIO PEREIRA FARO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, KAREM JUREIDINI DIAS, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, ANTONIO BEZERRA NETO, MARCELO BAETA IPPOLITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 01 11 /2 00 4- 72 Fl. 915DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, em face do acórdão nº 1401000.889 (fls. 853 a 863), proferido pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Utilizome de parte do relatório do acórdão embargado para relembrar os fatos: “Tratase de Autos de Infração de IRPJ/CSLL/PIS e COFINS, todos referentes ao anocalendário de 2000. Os lançamentos dos tributos versam sobre: IRPJ: 001 – Outras Receitas Operacionais; PIS: 001 – Falta/Insuficiência de Recolhimento do PIS (omissão de recita operacional); COFINS: 001 Falta/Insuficiência de Recolhimento de COFINS (omissão de recita operacional); CSLL: 001 – Falta de Recolhimento de CSLL (omissão de receita operacional). A autuação é baseada na omissão de receitas operacionais no anocalendário de 2000, conforme apurado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, caracterizada pela falta de contabilização do ganho obtido com a aquisição de prejuízos fiscais que posteriormente foram utilizados na compensação com acréscimos legais de suas dívidas parceladas no REFIS, gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito a tributação. Uma vez intimado da lavratura do Auto de Infração o contribuinte, em 01.07.04, apresentou Impugnação, com fundamento nos artigos 7° a 22, do Decreto n° 70.235/72, alegando, basicamente, que: Preliminarmente, a multa de 75% imposta sobre o montante supostamente devido é exorbitante e atenta claramente contra o direito de propriedade garantido pelo art. 5°, XXII da CF, uma vez que assume caráter confiscatório, cuja vedação está estatuída no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Tal multa, por seu alto valor, causaria a falência de empresas, castigando empresário e trabalhador, ferindo, pois, a função social da empresa, defendida no Novo Código Civil. Não incide IRPJ e CSLL sobre aquisição de Prejuízos Fiscais de terceiros, uma vez que a base de cálculo de tais impostos é a renda, e essa, por natureza, caracterizase pelo acréscimo patrimonial. Já a aquisição de Prejuízos Fiscais de terceiros implicaria, por sua vez, aumento dos passivos da empresa, não Fl. 916DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 4 3 refletindo, pois, na contabilidade da empresa como ganho de capital. Assim, pela impossibilidade de extensão da definição e alcance dos institutos constitucionais, a aplicação de IRPJ e CSLL, no caso em questão, é indevida. Quando se fala em PIS e COFINS, remetese automaticamente às receitas auferidas pelo contribuinte. No caso em questão, o “deságio” apontado pelo Sr. Fiscal foi enquadrado como receita, o que, na realidade, corresponderia a uma afirmação de que o contribuinte investe em dívidas, uma vez que é esse o quadro no qual a empresa se insere, não cabendo, nesse momento, nenhuma espécie de receita. Em relação à amortização, o que ocorreu foi uma anistia limitada mediante a utilização de prejuízo fiscal acumulado e base de cálculo negativa, e não o ingresso de receitas no patrimônio do contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, ao apreciar a Impugnação apresentada, houve por bem julgar procedente o lançamento em Acórdão assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000 Emenda: Deságio obtido na aquisição de Prejuízos Fiscais de terceiros. Utilização no REFIS. Tratamento Fiscal. Receita Tributável. A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal adquirido de terceiro, no âmbito do REFIS, se constitui em acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo IRPJ na data da aquisição de sua disponibilidade para pagamento parcial do débito incluído no REFIS e, por decorrência, também pelas contribuições sociais (PIS/Pasep, COFINS e CSLL). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2000 Ementa: Lançamento de Ofício. Multa Aplicável. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindose, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2000 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 5 4 Ementa: Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade dos atos legais regularmente editados. Lançamento procedente.” O contribuinte foi notificado, em 18.11.04, por meio de carta com aviso de recebimento, enviada para a Rua Visconde de Mauá, 366, Indl. Norte, CEP 89295000, Rio Negrinho/SC, do acórdão proferido. Uma vez notificado, o contribuinte, apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, reafirmando, em suas considerações, os pontos outrora enumerados na Impugnação ao Auto de Infração. Em 20.01.06 a Recorrente protocolou petição requerendo o adiamento do julgamento, justificando “porquanto foram juntados documentos e fatos novos de extrema complexidade no dia 29.12.05 junto à DRF – Joinville que ainda não foram juntados ao processo”. O adiamento foi deferido. Em 13.02.06 chegou à então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes expediente para juntada dos mencionados documentos. Os documentos foram juntados aos autos (fls. 181 a 227). No aditamento do Recurso Voluntário, a Recorrente inicialmente salienta que os impostos e as contribuições incluídas no REFIS encontravamse nas contas de provisões no Passivo, quando foram transferidos para a conta Passiva do REFIS. Ao mesmo tempo, foram registrados os acréscimos legais e ajustes não reconhecidos anteriormente. Estes ajustes parece que foram lançados a débito de Resultado de Exercícios Anteriores, no montante de R$ 36.981.460,00, totalizando o montante de passivo de R$ 63.924.393,29, contra um crédito na conta REFIS de R$ 63.294.393,29(sic). O montante de resultado de exercícios anteriores corresponderia, segundo a Recorrente, ao montante de R$ 8.030.857,52 de multa e R$ 25.064.020,34 de juros, além do principal. Alega que não reconheceu as multas e os juros dos tributos e contribuições por competência, efetuando o lançamento diretamente em ajuste de exercícios anteriores. Desta forma, “caso tivesse a empresa realizado as apropriações por competência, não haveria se falar em tributação sobre o suposto ‘deságio’, visto que ocasionaria significativo Prejuízo Fiscal”. Afirma, ainda, o contribuinte que mesmo “considerado o hipotético deságio, o mesmo não teria tributação, haja vista a apresentação anteriormente comprovada de Prejuízo Fiscal no Fl. 918DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 6 5 período”. Neste sentido, o contribuinte compara seu lucro tributável com todos os efeitos do REFIS e seu lucro tributável sem a aquisição e compensação de valores adquiridos de terceiros, salientando que em ambos os casos há geração de Prejuízo Fiscal, o que, por si só, afasta qualquer pretensão de tributação. Conclui reiterando o pedido de cancelamento do Auto de Infração, bem como a autorização para diligências fiscais. Analisando questão prejudicial ao julgamento da lide, qual seja, o conhecimento do Recurso apresentado pela Recorrente, verificouse a necessidade de diligência para esclarecimento acerca do arrolamento, uma vez que não se encontrava juntado aos autos o ofício SAFIS/DRF/JVE/SC Nº 082/2004, tampouco havia notícias sobre qualquer arrolamento de bens à época exigido para dar prosseguimento ao Recurso interposto. Assim, de forma a dirimir qualquer tipo de dúvida, tornandose possível a análise do conhecimento do recurso, foi proposta a devolução dos autos à repartição de origem, a fim de que fosse realizada diligência para esclarecer a existência do arrolamento de bens informado pelo contribuinte em suas razões de recurso. Adotadas as providências solicitadas, sanada a dúvida e comprovado o arrolamento de bens, através das cópias do Processo Administrativo nº 13976.000115/200451 (fls. 240/252), bem como devidamente atestado às fls. 256 a efetivação do aludido arrolamento de bens, passouse ao julgamento do feito. Em sessão de 18/10/2006, decidiuse, nos termos do voto desta relatora, converter o julgamento em diligência, tendo sido tomadas algumas premissas, qual seja, o fato incontestável de que a aquisição de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL de terceiro com deságio para pagamento de tributo próprio, inclusive no âmbito do REFIS, constitui ganho tributável. Tal constatação está inclusive de acordo com jurisprudência citada no referido voto. Ademais, ao que parece, embora não tenha lançado e não levado à tributação a diferença entre o valor da compra e o valor efetivo do crédito – deságio , também não lançou e deduziu da base o valor dos juros e multa dos tributos, que seriam dedutíveis. Assim, devese verificar qual o efeito tributário de não ter sido lançado o deságio nem as despesas de multa e juros do REFIS. Necessário também, verificar se os débitos lançados foram espontaneamente declarados por DCTF ou Declaração REFIS, ou se são objetos de auto de infração, e a partir disto, concluirseá se o acréscimo de débito (multa) é dedutível ou não. Assim, para dirimir dúvidas em relação às questões supracitadas, a diligência teve como objetivo que: Fl. 919DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 7 6 Fosse confirmado que o valor de R$ 36.981.460,00 lançado na conta de resultados de exercícios anteriores não foi deduzido da base de IRPJ e CSLL, em qualquer exercício, como afirma a Recorrente, assim como não foi tributado o deságio relativo à aquisição dos créditos. A D. Autoridade Fiscal competente se manifestasse sobre o comparativo efetuado pela Recorrente às fls. 186 entre o “a) Lucro Tributável com todos os efeitos do REFIS” e “b) Lucro Tributável sem a aquisição e compensação de valores adquiridos de terceiros”. Esclarecer sobre o saldo de IRPJ a recuperar no montante de R$ 6.241.106,30, informado pela Recorrente às fls. 184, como anterior à aquisição de Prejuízo Fiscal de terceiros. As multas e os juros lançados para resultado de exercícios anteriores tivessem seus montantes devidamente segregados entre aqueles de natureza compensatória (denúncia espontânea efetuada no âmbito do REFIS), e aqueles decorrentes de infrações fiscais, nos termos do PN CST Nº 61/79 (por exemplo, multas lançadas de ofício). Em retorno da diligência solicitada, a Delegacia da Receita Federal de Joinville/SC elaborou termo de encerramento de diligência fiscal (fls. 299/302), com as seguintes conclusões: Após solicitado balanço patrimonial, constatouse discrepância entre o LALUR referente ao período encerrado em 31/12/1999 e o que consta da contabilidade. Em relação ao valor de R$ 36.981.460,00 consta a apropriação em 31/12/1999 com o histórico de “Prejuízos fiscal Ajuste Exercícios anteriores”. Aduz ainda que, com a adesão ao REFIS em 2000, a empresa reabriu a contabilidade do ano 1999 para apropriar o valor de R$ 36.981.460,00. Foi também identificado que em 31/12/1999 na conta “RESULTADOS EXERCÍCIOS ANTERIORES” os seguintes lançamentos: lançamento a débito o valor de R$ 36.981.460,00 com o histórico de “V1 atualização Refis” e lançamentos a créditos os valores de R$ 5.340.597,00 e R$ 2.760.726,00 com os históricos de “V1 provisão IRPJ a recuperar” e “V1 provisão Contrib. Social a recuperar”. Ainda, na conta “RESULTADOS DE EXERCÍCIOS FUTUROS recebeu a crédito o valor de R$ 36.981,00, referente à apropriação das multas e juros decorrentes, conforme consta da contabilidade, da atualização dos tributos a serem incluídos no REFIS, no ano seguinte. Nesta mesma conta, foi debitado o valor de R$ 5.340.597,00, a título de IRPJ a recuperar. Afirma também que o contribuinte tem razão quando alega que o valor não transitou em conta de resultados no ano de 1999, porém consta na contabilidade os lançamentos acima identificados, e em relação ao LALUR nada consta sobre este fato. Por fim, relata que também não consta nenhuma apuração de prejuízos fiscais no ano de 1999 e que esteja registrado no LALUR, citando o art. 509 do Decreto n° 3000/1999. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 8 7 Com relação ao item ii da solicitação de diligência, entende que “não deve ser considerado nenhuma suposição do tipo ‘lucro tributável com todos os efeitos do REFIS’ ou ‘lucro tributável sem a aquisição e compensação dos valores adquiridos de terceiros’, pois estes fatos não ocorreram contabilmente”. Em relação ao valor de R$ 6.241.108,30 (item iii da solicitação de diligência), constata que a conta “IRPJ a Recuperar” recebeu em 31/12/1999 os lançamentos a débito no valor de R$ 5.340.597,00 e R$ 900.511,30 (contrapartida do lançamento “Conta de Ativo Impostos a Recuperar”), que totalizaram o citado valor e que, conforme o contribuinte, equivale ao saldo de imposto a recuperar, sendo anterior à aquisição de prejuízos fiscais. Por fim, afirma que houve discordância da fiscalização no que se refere à apuração do Lucro Real e, portanto, foi lavrado Auto de Infração. Em face do referido termo de encerramento, a Recorrente apresentou Manifestação (fls. 305/308), alegando que na diligência não foram esclarecidas as questões suscitadas por este Conselho. Aduz que o relatório de encerramento foi elaborado de forma narrativa sem a devida análise e devido detalhamento dos lançamentos contábeis, concluindo, em suma, que a fiscalização: não analisou as DCTF`s do período a fim de esclarecer se os valores dedutíveis foram efetivamente declarados; não analisou a apuração de IRPJ e CSLL para confirmar se o valor de R$ 36.981.460,00 foi deduzido da base de cálculo dos referidos tributos; não analisou de forma pormenorizada o comparativo entre o Lucro Tributável com os Efeitos do Refis e o Lucro Tributável sem a Aquisição e Compensação dos Valores Adquiridos; não calculou os acréscimos legais inclusos no Refis a fim de obter os valores de multa e juros dedutíveis. Após retorno da diligência, proferi voto esclarecendo os seguintes pontos: Preliminarmente, esclareceuse que não procede a alegação de que a multa de oficio de 75% é "exorbitante e atenta claramente contra o direito de propriedade", além de ser confiscatória e poder causar a falência do empresário. O percentual de 75% para a multa de oficio é previsto na legislação e se mostra como um instrumento de desestimulo ao inadimplemento das obrigações tributárias. Além disso, às multas não é aplicado o principio do nãoconfisco, mas o principio da proporcionalidade, atendido pelas disposições legais que determinam este percentual para a multa de oficio. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 9 8 No tocante ao mérito, como já havia sido afirmado no voto que determinou a primeira diligência, fixouse que a aquisição de crédito fiscal representa um ativo, portanto, um direito disponível econômico ou juridicamente. Se o crédito fiscal foi adquirido com deságio (diferença entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal), tal deságio caracterizase como um acréscimo patrimonial, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional e deve ser reconhecido e tributado pelo IRPJ e reflexos, mesmo que utilizado no âmbito do REFIS. A partir disto, observase que, se por um lado o contribuinte não lançou na conta de resultado e não levou à tributação o deságio, por outro lado também não teria lançado para o resultado e deduzido da base, o valor dos juros e da multa dos tributos posteriormente incluídos no parcelamento. Deste modo, o efeito da não tributação do deságio pode ter sido parcialmente anulado. Neste sentido, a diligência foi determinada para verificar: (i) se o valor de R$ 36.981.460,00 lançado na conta de resultados de exercícios anteriores não foi deduzido da base de IRPJ e CSLL, em qualquer exercício, como afirma a Recorrente, assim como se não foi tributado o deságio relativo à aquisição dos créditos; (ii) o comparativo efetuado pela Recorrente ás fls. 186 entre o "a) Lucro Tributável com todos os efeitos do REFIS" e "h) Lucro Tributável sem a aquisição e compensação de valores adquiridos de terceiros"; (iii) o saldo de 1RPJ a recuperar no montante de R$ 6.241.106,30, informado pela Recorrente às fls. 184, como anterior à aquisição de Prejuízo Fiscal de terceiros; (iv) as multas e os juros lançados para resultado de exercícios anteriores, segregando devidamente seus montantes entre aqueles de natureza compensatória (denúncia espontânea efetuada no âmbito do REF1S), e aqueles decorrentes de infrações fiscais, nos termos do PN CST N° 61/79 (por exemplo, multas lançadas de oficio). Conforme se extrai do voto condutor que determinou a segunda diligência, quanto ao item (i), a diligência informou que o valor de R$ 36.981.460,00 permaneceu em conta patrimonial, deixando de transitar na conta de resultado. Não obstante tal constatação tenha sido feita pela diligência apenas no ano calendário imediatamente anterior (anocalendário de 1999), resta neste momento, tomar como verdadeira e integralmente respondida diligência neste item, adotando por fato que referido valor não transitou pela conta de resultados. Com relação ao IRPJ a recuperar no montante de R$ 6.241.108,30, entendeu a Resolução 10800.488, que houve esclarecimento em diligência, no sentido de que se trata de imposto a recuperar anterior à aquisição de prejuízos fiscais. Já no tocante aos quesitos (ii) e (iv), entendeu a d. Câmara julgadora à época que os mesmos não foram analisados, ou seja, não houve conclusão acerca do comparativo efetuado pela Recorrente As fls. 186 entre o a) Lucro Tributável com todos os efeitos do REFIS' e o b) Lucro Tributável sem a aquisição e Fl. 922DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 10 9 compensação de valores adquiridos de terceiros"; e não foram devidamente segregados os montantes de multa e juros, entre aqueles de natureza compensatória (denúncia espontânea efetuada no âmbito do REFIS), e aqueles decorrentes de infrações fiscais, nos termos do PN CST N° 61/79. Desta forma, entendeu necessário retornar em diligência, data maxima vênia da D. Autoridade Fiscal, a fim de que se esclareçam todos os quesitos formulados, em especial o item (iv) da Resolução n°. 10800.372 que determinou a diligência, uma vez que esta C. Oitava Câmara sempre entendeu necessário tais esclarecimentos para melhor conclusão da lide. Na hipótese de o item (ii) não poder ser verificado, dada a insuficiência de elementos na contabilidade da empresa, determinouse que deveria ser inteiramente respondido o item (iv) da diligência, analisando a contabilidade e a apuração de IRPJ e CSLL para fins de apontar de forma individualizada quais valores seriam dedutíveis para fins de apuração de tais tributos, e quais não seriam, conforme parecer normativo CST n° 61/79, o que possibilitará a retirada de valores eventualmente dedutíveis do valor total lançado. Às fls. 398/402, foi realizada a diligência fiscal, a partir da qual o contribuinte apresentou os documentos anexados às fls. 330 a 397, em que consta discriminado os valores informados com multa de ofício de 75%, referentes aos processos administrativos discriminados. Em manifestação de fls. 407/410, o contribuinte afirma que após o encerramento da diligência fiscal “obtémse que do valor total de R$ 36.981.416,00, apenas R$ 935.090,66 seriam indedutíveis, por serem oriundos das multas de lançamento de ofício, restando R$ 36.046.369,34 como dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Esclarece o contribuinte, ainda, que: a Manifestante não reconheceu as multas e juros dos tributos e contribuições por competência. Entretanto, por conta do ingresso no REFIS, efetuou os lançamentos na conta de RESULTADO DE EXERCÍCIOS ANTERIORES, diretamente no PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Tal procedimento resultou em prejuízo fiscal acumulado superior ao apurado até então, uma vez que as despesas não haviam sido computadas no resultado dos períodos anteriores. Diante destes fatos e após o encerramento desta diligência fiscal, temse que confrontado o valor do DESÁGIO apurado pelo fiscal (R$ 18.472.597,94), com o valor dedutível apurado nesta diligência (R$ 36.046.369,34), ambos contabilizados diretamente no Patrimônio Liquido, há geração de PREJUÍZO FISCAL, o que por si só afasta qualquer pretensão de tributação federal. Após o retorno da segunda diligência, proferi voto no qual verifiquei que a fiscalização se deteve em atender ao item iv da Fl. 923DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 11 10 diligência, apresentando lista em que constam discriminados os valores informados com multa de ofício por processo administrativo, não se manifestando novamente sobre o item ii. Conforme esclarecido no acórdão que determinou essa diligência, as multas de ofício não são dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Acolhendo o resultado da diligência, bem como no sentido em que manifestado pelo contribuinte, devese excluir do lançamento os valores que não são relativos à multa de ofício de 75%, enumerados conforme planilha de fls. 401/402, anulandose assim, para o restante, o efeito da não tributação do deságio. Temse que do valor total de R$ 36.981.460,00, não seriam dedutíveis, porque correspondem à multa de ofício de 75%, conforme diligência realizada e cálculo efetuado pelo contribuinte, o valor de R$ 935.090,66, remanescendo o montante de R$ 36.046.369,34 como dedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, considerando o valor indedutível de R$ 935.090,66, este deve ser a base de cálculo para fins de tributação ou para ajuste de prejuízo fiscal. Verifico dos autos (DIPJ de fls. 09/59) que no anocalendário de 2000, o contribuinte apurou prejuízo fiscal, razão pela qual o mencionado valor (R$ 935.090,66) deve servir de base para o cálculo de deságio tributável e, por consequência, tão somente reduzir o prejuízo fiscal. Por fim, no tocante à incidência da Contribuição ao PIS e a COFINS sobre as receitas financeiras, a despeito da presunção de constitucionalidade das leis, bem como a despeito das decisões acerca da ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS terem sido proferidas em controle difuso, cumpre fazer duas considerações a seguir: (i) a primeira de que é determinado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a lei por inconstitucionalidade, quando houver decisões definitivas de mérito, proferidas pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543B do Código de Processo Civil; (ii) a segunda, de que, em 10/09/2008, o Supremo Tribunal Federal, resolvendo questão de ordem no Recurso Extraordinário nº 585.235 reconheceu a repercussão geral acerca do tema e reafirmou a jurisprudência anteriormente firmada, no sentido de que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; RE`s nºs. 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de Fl. 924DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 12 11 cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Neste passo, aplicável o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual deve ser reproduzido o entendimento de que não incide a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Pelas razões acima expostas, a decisão do Colegiado foi, por unanimidade de votos, no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, exonerando o montante da Contribuição ao PIS e à COFINS, em razão da sua inconstitucionalidade reconhecida na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, bem como para reduzir o lançamento do IRPJ e da CSLL ao ajuste de prejuízo fiscal e base negativa, considerando a base reduzida de R$ 935.090,66 (valor não dedutível quitado com deságio). Após proferida tal decisão, em 26 de junho de 2013 a DRF de Joinville – SC, por meio de Despacho SACAT encaminhou ao CARF a seguinte dúvida: “Em relação ao IRPJ e à CSLL, a decisão é no sentido de diminuirse tanto o prejuízo fiscal quanto a base negativa da CSLL em R$ 935.090,66, cada. No entanto, a Base de Cálculo Negativa – BCN – CSLL 2000 e o Prejuízo Fiscal – PF – do IRPJ – 2000 antes da alteração efetuada pela fiscalização eram, respectivamente, de R$ 228.140,23 e de 36.544,08, ou seja, teria que ser mantido parcialmente o auto nos valores de R$ 706.950,43 (935.090,66 – 228.140,23) e de R$ 898.546,58 (935.090,66 – 36.544,08), respectivamente, mais os juros e multas respectivos, pois estes são os valores que sobrariam para cobrança após zerados os saldos no SAPLI” É o relatório. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 13 12 Os Embargos de Declaração opostos pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT de Joinville (SC), foram analisados pelo Acórdão nº 1401001.014 (fls. 879 a 889), cuja ementa segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2000 EMBARGOS ACOLHIDOS. Embargos recebidos e providos para esclarecer que o lançamento deve restringirse ao valor remanescente após a compensação do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, possibilitando a execução do acórdão pela Delegacia da Receita Federal. Em face do mencionado acórdão, o contribuinte opõe Embargos de Declaração, alegando que que houve contradição entre a argumentação na elaboração do voto de minha relatoria e o resultado numérico, que, segundo ela, não condiz com o voto. É o relatório. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 14 13 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Os embargos são tempestivos. Esclareço que inicialmente foram opostos Embargos de Declaração (fl. 872) pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT de Joinville (SC), a fim de se esclarecer o valor mantido na decisão. Esses Embargos foram analisados pelo Acórdão nº 1401001.014 (fls. 879 a 889), cuja ementa segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2000 EMBARGOS ACOLHIDOS. Embargos recebidos e providos para esclarecer que o lançamento deve restringirse ao valor remanescente após a compensação do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, possibilitando a execução do acórdão pela Delegacia da Receita Federal. Neste Acórdão de nº 1401001.014, recebi os Embargos com efeito infringente para corrigir a forma de implementação da conclusão previamente exarada. Esclareci que o Acórdão Embargado estava correto ao determinar que a tributação levasse em consideração o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa existentes no respectivo ano calendário. No entanto, como indagado pela DRF, tal prejuízo e base de cálculo negativa não eram suficientes para que o lançamento fosse limitado a mero ajuste, remanescendo valores tributáveis na parte em que mantido parcialmente o auto, os quais sofreriam a incidência de multa e juros, conforme DARF apresentado pela DRF de Joinville, o que é clarificado da seguinte forma: Cálculo da Base Base tributável valores indedutíveis Prejuízo Fiscal Base de Cálculo do Tributo (a ser acrescido de multa e juros) IRPJ R$ 935.090,66 R$ 36.544,08 R$ 898.546,58 CSLL R$ 935.090,66 R$ 228.140,23 R$ 706.950,43 Nesse sentido, a Câmara esclareceu os Embargos para manter parcialmente o auto, relativamente aos valores remanescentes após o aproveitamento do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL efetivamente existentes, como apontado pela DRF. Contra esse entendimento, a ora Embargante alega que houve contradição entre a argumentação na elaboração do voto de minha relatoria e o resultado numérico, que, Fl. 927DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 15 14 segundo ela, não condiz com o voto. Asseverou que não haveria valores a serem lançados, pois após deduzir as despesas dedutíveis de R$ 36.046.369,34 e se compensar o prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL de, respectivamente, R$ 36.544,06 e R$ 228.140,23, não restaria base tributável, sobrando ainda saldo de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Elucidou seu entendimento no seguinte quadro: Incorre em erro a Embargante ao fazer os seus cálculos, porquanto a Câmara não outorgou que se somasse ao prejuízo fiscal e à base de cálculo negativa a despesa considerada dedutível (R$ 36.046.369,34). O que se fez foi reconhecer a neutralização dos efeitos do ganho. Ao mesmo tempo que não houve tributação do ganho, tampouco foi considerada como despesas dedutíveis os juros e principal. Assim, esclarecese, reconheceram se as despesas dedutíveis, neutralizandose o ganho obtido na aquisição do prejuízo. Por isso, correto o acórdão embargado, de nº 1401000.889, que acolheu a diligência nos seguintes termos: “Verifico dos autos que no anocalendário de 2000, o contribuinte apurou prejuízo fiscal, razão pela qual o mencionado valor (R$ 935.090,66) deve servir de base para o cálculo de deságio tributável e, por consequência, tão somente reduzir o prejuízo fiscal, procedendose aos devidos ajustes no SAPLI.” Assim, sendo o valor de base remanescente é de R$ 935.090,66, partindose desse valor para compensar o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL, conforme já esclarecido no acórdão que acolheu os Embargos, de nº 1401001.014. Dessa forma, CONHEÇO dos presentes Embargos de Declaração apenas para esclarecer o quanto no Acórdão nº 1401000.889, complementado pelo Acórdão nº 1401001 014, não alterando o resultado de julgamento. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2014. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 928DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401001.326 S1C4T1 Fl. 16 15 Fl. 929DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000022/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA DE SANÇÃO.
O art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007 tem conteúdo meramente programático, não havendo que se falar em cancelamento do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento.
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 Ementa: PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA DE SANÇÃO. O art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007 tem conteúdo meramente programático, não havendo que se falar em cancelamento do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
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INEXISTÊNCIA DE SANÇÃO. O art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007 tem conteúdo meramente programático, não havendo que se falar em cancelamento do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 00 22 /2 00 9- 76 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 48/51, exigindose a importância de R$10.083,72 (dez mil e oitenta e três reais e setenta e dois centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, correspondente à dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, e ainda com a complementação da descrição dos fatos, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 19.000,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea "a", e §§ 2.° e 3.°, da Lei n.° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n.°15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS GLOSAS EFETUADAS: R$ 19.000,00 glosa integral da despesa declarada em relação a MARCOS MARTINS CURY (dentista). A contribuinte, conforme Termo de Intimação n° 504/2008, de 09/09/2008, apresentou 03 cheques compensados de R$ 2.000,00 cada um, emitidos em 24/01/2006, 14/02/2006 e 17/03/2006, em favor de MARCOS M. CURI, que não guardam correspondência, identidade e coincidência com os comprovantes apresentados (recibo de R$ 7.000,00, emitido em 24/01/06), recibo de R$ 7.000,00, emitido em 14/02/06, e recibo de R$ 5.000,00, emitido em 23/03/2006). Glosa efetuada nos termos do art. 73 do Decreto 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA: O pagamento de despesas médicas, para fins de dedução do Imposto de Renda não se comprova apenas Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.000022/200976 Acórdão n.º 2102003.041 S2C1T2 Fl. 108 3 com a exibição de recibos emitidos e/ou dos pagamentos, sendo necessário a prova do efetivo desembolso das importâncias. É legítima a glosa das deduções se o contribuinte não apresentar elementos adicionais de comprovação. (Acórdão do 1º Conselho de Contribuintes / 4ª Câmara n° 10421.076 em 22/10/2005) (DOU18/04/2006)”. Cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02/19, por meio da qual alegou que: ARBITRARIEDADE DO AGENTE FISCAL NAS GLOSAS DAS DESPESAS MÉDICAS: FALTA DE MOTIVAÇÃO NA DECISÃO Alegou a Contribuinte que o agente fiscal não teria explicado/justificado onde estaria a insuficiência quanto aos recibos e declarações emitidos pelo cirurgiãodentista, Dr. Marcos Martins Curi, o que impossibilitou o correto questionamento do lançamento fiscal em comento. Ressaltou ainda que seria absurdo exigir que a comprovação dos gastos com despesas médicas fosse feita tãosomente através de cópias de cheques, boletos ou ordens bancárias, já que não houve emissão de boletos ou ordens bancárias para o pagamento dos serviços prestados; bem como caberia ao Contribuinte optar pela forma de pagamento; POSSIBILIDADE DE OCORRÊNCIA DE UM ILEGAL E INCONSTITUCIONAL BIS IN IDEM: COBRANÇA SIMULTÂNEA DO IRPF DO PRESTADOR E DO TOMADOR DO SERVIÇO Alegou a Contribuinte que em nenhum momento foi pesquisado e/ou analisado pelo agente fiscal se o profissional envolvido declarou/pagou, ou não, o recebimento dos seus honorários/remunerações consignados nos recibos, tendose presumido que não houve a declaração nem o recolhimento do imposto de renda por parte daquele profissional, portanto, sendo a análise deste lançamento fiscal dependente da verificação da declaração de ajuste anual prestada pelo profissional, a fim de ser checado se houve, ou não, a declaração das receitas aqui tratadas. Ressaltou ainda que, caso tenha sido declarado pelo profissional prestador de serviço, estaria evidentemente constatada a duplicidade da cobrança por parte da Receita Federal sobre o mesmo fato gerador. AUSÊNCIA DE SOLIDARIEDADE ENTRE A IMPUGNANTE E OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE Alegou que, caso não tenha ocorrido a declaração dos honorários/remunerações por parte do profissional da saúde, a Contribuinte não poderia ser responsabilizada como "devedora solidária" do Imposto de Renda devido por ele, já que somente ele poderia responder pela omissão de receitas. IDONEIDADE DAS DECLARAÇÕES, RECIBOS, CHEQUES E EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS: EFETIVA SUBMISSÃO DA IMPUGNANTE ÀS INTERVENÇÕES ODONTOLÓGICAS Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Alega a Contribuinte que, de acordo com a legislação vigente, as deduções efetuadas na Declaração de Rendimentos deverá corresponder às despesas médicas pagas (pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas), devidamente comprovadas. E a forma de comprovação do pagamento dessas despesas, segundo a Lei n ° 9.250/95, seria somente a apresentação do recibo passado pelo profissional, e que, consoante disposto n o art. 8 o , §2°, III, deve conter os dados do emitente, com seu número de CPF/MF ou CNPJ/MF. DOS FARTOS JULGADOS DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SOBRE O TEMA, AMPLAMENTE FAVORÁVEIS À IMPUGNANTE Alega a Contribuinte que suas razões estariam em total consonância com o entendimento do CARF, e cita diversos julgados para fundamentar seu entendimento. SUBSIDIARIAMENTE: EXCLUSÃO DA MULTA PUNITIVA PELA EQUIDADE Alega a Contribuinte que, na hipótese de as glosas serem mantidas, a multa punitiva deveria ser afastada, uma vez que os serviços foram efetivamente prestados pelo profissional, havendo os efetivos pagamentos, apenas não ocorrendo a necessária comprovação dos efetivos pagamentos. CONCLUSÕES E PEDIDO FINAIS Desta forma, a Contribuinte postulou pela improcedência do lançamento fiscal, com o acolhimento integral da respectiva Impugnação, restabelecendose a dedução das despesas médicas com os tratamentos efetivamente realizados e pagos. Subsidiariamente, pleiteia a Contribuinte o afastamento da multa punitiva, pelo uso da equidade. Na análise de suas alegações, os integrantes da 8ª Turma da DRJ/SP2 decidiram, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a Impugnação apresentada pela Contribuinte, mantendose em parte o crédito tributário exigido, reduzindose a glosa das despesas médicas de R$19.000,00 (dezenove mil reais), para R$13.000,00 (treze mil reais), em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DEDUÇÕES. O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, §1º, III. e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 73/92, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda, em suma, o seguinte: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.000022/200976 Acórdão n.º 2102003.041 S2C1T2 Fl. 109 5 “Preliminarmente, foi largamente ultrapassado o prazo de 360 dias previsto no art. 24, da Lei n° 11.457/2007, para que a autoridade administrativa profira decisão administrativa nas defesas e recursos apresentados pelo contribuinte, devendo, pois, ser cancelado o lançamento tributário; No mérito: apesar da conclusão de que os recibos médicos não possuem valor probante absoluto, a Recorrente juntou vários outros documentos que atestam sua efetiva sujeição às despesas médicas glosadas. Além do mais, houve arbitrariedade nas glosas (ausência de motivação), possível bis in idem, e ausência de solidariedade entre a Recorrente e os profissionais da saúde. Por tais razões, o presente Recurso Voluntário deve ser recebido, e, no seu mérito, totalmente provido, para que seja parcialmente reformada a r. decisão recorrida, devendo, por conseguinte, ser TOTALMENTE CANCELADO o auto de infração ora guerreado.” (grifos no original) Posteriormente, às fls. 93 e seguintes, a Recorrente trouxe aos autos novos documentos, no sentido de comprovar as despesas objeto de glosa, e reiterou o pedido para que fosse provido seu recurso. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 18.04.2011, como atesta o AR de fls. 71. O Recurso Voluntário foi interposto em 16.05.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de glosa de despesa médica de R$ 19.000,00 com o cirurgião dentista Marcos Martins Curi. Parte deste valor foi considerado como comprovado pela decisão recorrida, mantendose apenas a glosa de R$ 13.000,00. Em preliminar de seu recurso, a Recorrente suscita a necessidade de cancelamento do lançamento em razão do decurso do prazo previsto no art. 24, da Lei n° 11.457/2007, para que a autoridade administrativa proferisse decisão nestes autos. A referida preliminar não merece acolhida pois a lei não estabelece que o lançamento será cancelado, mas apenas que o processo deverá analisado dentro do referido prazo, não havendo qualquer sanção para o descumprimento do referido prazo. Neste sentido: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ EXERCÍCIO: 2002 EMENTA:CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.NÃO HÁ QUE SE FALAR EM CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA SE O SUJEITO PASSIVO DEMONSTRA TER PLENO CONHECIMENTO ACERCA DAS INFRAÇÕES QUE LHE FORAM IMPUTADAS, E, COM BASE NISSO, EXERCE, DE FORMA PLENA, ESSE MESMO DIREITO.INCONSTITUCIONALIDADES.À AUTORIDADE ADMINISTRATIVA CUMPRE, NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE DE LANÇAMENTO, O FIEL CUMPRIMENTO DA LEI. EXORBITA À COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES JULGADORAS A APRECIAÇÃO ACERCA DE SUPOSTA INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE ATO INTEGRANTE DO ORDENAMENTO JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS.DECISÃO ADMINISTRATIVA. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. SANÇÃO. INEXISTÊNCIA.O ARTIGO 24 DA LEI Nº. 11.457, DE 2007, DANDO EFETIVIDADE AO PRINCÍPIO DO TEMPO RAZOÁVEL DO PROCESSO (CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 5º, LXXVIII), ESTABELECEU UM PRAZO PRECLUSIVO DO PROCESSO, PORÉM, NÃO CUIDOU DE INDICAR AS SANÇÕES QUE PODERIAM ADVIR EM RAZÃO DA EVENTUAL INOBSERVÂNCIA DO REFERIDO PRAZO. NESSE CONTEXTO, CONSIDERADO O ÂMBITO EM QUE A CONTROVÉRSIA FOI POSTA EM DISCUSSÃO, NÃO HÁ QUE SE FALAR EM EXTINÇÃO DO PROCESSO, EM EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E EM PRECLUSÃO TEMPORAL, EM FACE DO DISPOSITIVO EM COMENTO, HAJA VISTA A ABSOLUTA AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.DEPÓSITOS BANCÁRIOS.A PARTIR DA EDIÇÃO DA LEI Nº 9.430, DE 1996, CARACTERIZAMSE OMISSÃO DE RECEITA OS VALORES CREDITADOS EM CONTA DE DEPÓSITO OU DE INVESTIMENTO MANTIDA JUNTO A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, EM RELAÇÃO AOS QUAIS O TITULAR, REGULARMENTE INTIMADO, NÃO COMPROVE, MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, A ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS NESSAS OPERAÇÕES.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. (Acórdão nº 130200390 do Processo 10805001352200674, julgado em 10.11.2010) Assim, não merece acolhida a preliminar suscitada. No que diz respeito ao mérito do lançamento, a defesa da Recorrente insiste que os R$ 13.000,00 cujo pagamento não foi acolhido pela decisão recorrida teriam sido pagos em espécie: Por outro lado, esclareceuse que os outros R$ 13.000,00 foram quitados em dinheiro, ou mesmo através de cheques ao portador ou de terceiros, motivo pelo qual restou impossível demonstrar o dispêndio desse valor. Porém, lamentavelmente, essa Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.000022/200976 Acórdão n.º 2102003.041 S2C1T2 Fl. 110 7 justificativa não foi aceita pelo agente fiscal, tampouco pelo julgador Tributário. A decisão recorrida manteve parcialmente o lançamento pelos seguintes motivos: Registrese que em defesa do interesse público, é entendimento no âmbito da Receita Federal do Brasil que para gozar as deduções com despesas médicas não basta ao contribuinte à disponibilidade de simples recibos, cabendo a este comprovar, de forma objetiva, a efetiva prestação do serviço médico contratado e o pagamento realizado. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde (prestador de serviços), mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos. Por isso, este deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço, ainda mais quando o valor do pagamento é alto. A emissão de recibo de pagamento serve muito bem para quitar um débito e fazer prova contra o credor, mas não para comproválo junto a terceiros interessados. (...) Em que pese a correção do lançamento quanto à glosa do valor cuja transferência de numerário não foi comprovada, diferentemente do entendimento da autoridade fiscal, parecenos haver elementos suficientes de que os três cheques apresentados referemse aos serviços descritos nos recibos e declaração apresentadas. Com efeito, os recibos foram emitidos em 24/01/2006, 14/02/2006 e 17/03/2006, em favor de Marcos M. Curi, e não há motivos para se afirmar que não guardam correspondência, identidade e coincidência com os comprovantes apresentados, pois os recibos foram emitidos nas exatas datas (24/01/06 e 14/02/2006) ou em data próxima (23/03/2006), ainda que os valores não sejam os mesmos. Vale dizer, o contribuinte fez prova parcial dos valores declarados como recebidos. Sendo assim, a glosa de R$ 19.000,00 deve ser revista, reduzindose para R$13.000,00. Como se vê, dos R$ 19.000,00 que foram inicialmente objeto de glosa, R$ 6.000,00 foram acolhidos pela decisão recorrida como comprovados, de forma que restaria agora analisar se os R$ 13.000,00 restantes seriam dedutíveis ou não. A legislação vigente prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Em resumo, o contribuinte deve provar: a) que ele ou um de seus dependentes efetivamente tenha utilizado os serviços médicos cuja dedução pleiteou; e b) que efetivamente pagou pelos serviços prestados. Por isso a autoridade lançadora pode e deve exigir a comprovação do pagamento das despesas cuja dedução pleiteia o contribuinte em sua DIRPF. Esta comprovação pode ser exigida quando faltarem outros dados de comprovação da efetividade das despesas, e/ou ainda quando a documentação apresentada pelo contribuinte for inidônea – sob pena de ser indeferido o direito à dedução pretendida. No caso vertente, a Recorrente trouxe aos autos três recibos, nos valores de R$ 7.000,00 (de 24.01.2006), R$ 7.000,00 (de 14.02.2006) e R$ 5.000,00 (de 23.03.2006). Trouxe ainda cheques comprobatórios de três pagamentos de R$ 2.000,00 cada, em datas próximas das datas estampadas nos recibos. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.000022/200976 Acórdão n.º 2102003.041 S2C1T2 Fl. 111 9 Por outro lado, trouxe a declaração de fls. 37, firmada pelo referido profissional, que atesta que a Recorrente lhe teria pago R$ 11.000,00 no mês de janeiro de 2006 e outros R$ 8.000,00 nos meses de fevereiro/março do mesmo ano. Tal informação diverge do conteúdo dos recibos emitidos pelo profissional, assim como diverge dos pagamentos comprovadamente efetuados pela Recorrente (os quais, repitase, já foram acolhidos pela decisão recorrida). Diante de tal situação, e não havendo prova contundente no sentido de que a Recorrente efetivamente tenha pago os R$ 19.000,00 ao profissional em tela, devese manter a glosa (parcial) do valor declarado, acolhendose apenas os R$ 6.000,00 comprovadamente pagos pela Recorrente (que já foram acolhidos pela decisão recorrida). Por fim, também não merece acolhida a alegação da Recorrente de que haveria bis in idem na hipótese de manutenção deste lançamento, tendo em vista que são situações diversas e fatos geradores diversos a serem tratados aqui. Ao profissional prestador do serviço cabe a tributação dos valores recebidos a título de prestação de serviço, enquanto que à Recorrente cabe comprovar a efetividade das despesas médicas incorridas, a fim de deduzir os respectivos valores da base de cálculo do imposto devido. Por isso, inexiste bis in idem. Outrossim, no que diz respeito à alegada efetiva comprovação do tratamento odontológico a que a Recorrente foi submetida, tal alegação já foi analisada anteriormente, sendo certo que a comprovação da efetividade do serviço deve sempre estar associada à comprovação do montante pago, sob pena do contribuinte não poder se beneficiar da referida dedução. Quanto ao pedido de aplicação da multa moratória no lugar da multa de ofício por equidade melhor sorte não terá a Recorrente, por absoluta falta de previsão legal para tanto. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares argüidas, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 115DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10925.002581/2005-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Jeferson Eugenio Dossa Borges, OAB/SC nº. 11.155.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Jeferson Eugenio Dossa Borges, OAB/SC nº. 11.155. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto por Reunidas Transportes Coletivos (fls. 2.964 a 3.001) contra o v. acórdão proferido pela Colenda DRJ em Florianópolis (fls. 2.909 a 2.951) que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento consubstanciado nos autos de infração (fls. 09 a 64). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 02 58 1/ 20 05 -6 9 Fl. 4742DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.751 2 Referidos autos de infração tratam da aplicação da multa isolada a que se refere o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato do contribuinte ter efetuado compensações indevidas de valores em declarações prestadas em PER/DCOMPs de COFINS (fls. 1407). Vale destacar, inicialmente, que a Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao julgar o presente recurso voluntário, entendeu que a matéria dos autos era de competência do Terceiro Conselho de Contribuintes e, assim, declinou a competência (fls. 3772 a 3785). A ementa desse julgado é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. COFINS. PIS. IRRF. COMPETÊNCIA É do 3º Conselho de Contribuintes a competência para apreciar recursos relativos a multas isoladas aplicadas sobre tributos irregularmente compensados, quando não é discutida a legislação de qualquer dos tributos de competência específica dos três Conselhos de Contribuintes e está envolvida, ainda que subsidiariamente, a imposição de multa por compensação considerada não declarada. Recurso não conhecido. No tocante à matéria de fundo dos autos, por bem descrever a presente controvérsia, adoto o relatório apresentado na Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 3772 a 3785), verbis: Tratase de recurso voluntário (fls.2.964 a 3.001) apresentado em 27 de outubro de 2006 contra o Acórdão nº 078.562, de 8 de setembro de 2006, da DRJ em Florianópolis – SC (fls. 2.909 a 2.951), que considerou procedente auto de infração de multa isolada sobre Cofins, PIS e IRRF dos períodos de junho de 2004, fevereiro, julho, agosto e outubro de 2005, nos seguintes termos: “Assunto: Normas de Administração Tributária AnoCalendário: 2004, 2005 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO – Nos casos de compensação nãodeclarada, verificada a ocorrência de fraude, aplicase a multa isolada correspondente a 150% do valor total do débito indevidamente compensado. Lançamento Procedente”. A interessada tomou ciência do Acórdão em 29 de setembro de 2006. O auto de infração foi lavrado em 12 de dezembro de 2005 e, segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 20 a 64, inicialmente a contribuinte foi intimada a prestar esclarecimentos sobre a origem do crédito objeto de compensação em Declarações de Compensação apresentadas. Fl. 4743DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.752 3 Os créditos, segundo as declarações apresentadas, referirseiam a recolhimentos efetuados a maior. As declarações foram objeto de apreciação no âmbito dos Processos Administrativos nºs 10925.000973/200593, 10925.000974/200538, 10925.000976/2005 27 e 10925.000978/200516. Atualmente, os mencionados processos encontramse na Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Joaçaba – SC, não havendo tramitado pelos Conselhos de Contribuintes. Os débitos compensados referemse a PIS e Cofins e outros tributos dos períodos de fevereiro de 2003, janeiro a dezembro de 2004, janeiro, fevereiro e julho de 2005, conforme tabelas 1 a 4 do Termo de Verificação Fiscal. Antes do início da ação fiscal, houve retificação de algumas declarações para inclusão de multa e juros de mora, nos termos das tabelas 5 a 12 do TVF. Os créditos compensados, por sua vez, conforme tabelas 13 a 16, referirseiam a indébitos de PIS (código 8109), Cofins (2172), Contribuição Social sobre o Lucro (2484) e Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (5993). A seguir, a Fiscalização passou a descrever a conduta alegadamente fraudulenta da contribuinte, ressaltando que os créditos referirse iam a créditos tributários da União extintos por pagamento e que teria a contribuinte utilizado uma “artimanha maliciosa” para alterar a situação dos créditos e, assim, poder utilizálos em compensação. Nos anos de 2000 a 2004 os créditos tributários foram apurados e quitados pela contribuinte. Utilizando retificações de Darf, “o Contribuinte alterou a situação desses créditos tributários, ou seja, eles passaram à condição de ativos, como se a empresa não os tivesse pago”. Pela análise do Processo de Retificação nº 13981.000004/200475, concluiu a Fiscalização que não teriam sido “atendidas as exigências mínimas necessárias para que tal pedido fosse aceito, como por exemplo, motivação para alterar o Darf tendo em vista que o pagamento se referia a crédito tributário declarado e extinto por pagamento e, portanto, injustificável se alterar tal pagamento, a fim de ativar o crédito tributário da União extinto por pagamento”. Do próprio processo não constaria decisão alguma de autoridade local (ARF/Caçador – SC) autorizando a alteração, que foi efetuada por servidor da unidade. Mencionou a legislação que regula a matéria e acrescentou que, em alguns casos, os pagamentos foram alterados para um código de tributo que não foi sequer apurado pela contribuinte, como Imposto de Renda e contribuição social. A seguir, passou a descrever as alterações efetuadas pela contribuinte, conforme tabelas 17 a 19. Consistiram as alterações em mudança do código do tributo de PIS para Cofins ou viceversa, período de Fl. 4744DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.753 4 apuração, vencimento, isolada ou conjuntamente, relativamente a débitos apurados, declarados e vinculados em DCTF; alteração do código de tributo de PIS ou de PIS não cumulativo para Contribuição Social e de Cofins e Cofins nãocumulativa para IRPJ. Após as retificações de Darf, a contribuinte apresentou retificações de DCTF, “a fim de alterar a situação de seus débitos de pagos para saldos a pagar”, conforme tabelas 20 a 25 do TVF. Assim, a finalidade da contribuinte seria a de “forjar um crédito fictício contra a União com aqueles pagamentos retificados e com a comodidade de ver parcelados, com juros subsidiados, aqueles débitos originalmente pagos, mediante o Parcelamento Especial – Lei 10.864 – Paes”, cujas condições de parcelamento passou a descrever. Na tabela 26 indicaramse os valores mensais pagos no âmbito do Paes em comparação com as compensações efetuadas pela empresa. Asseverou, ainda, que o método adotado pela contribuinte requereria um incomum conhecimento dos sistemas informatizados da Receita Federal, que passou a descrever, com ênfase, em sua integração. Esclareceu, a seguir, que a contribuinte tentou eximirse das responsabilidades, após haver sido intimada a explicar a origem dos créditos, sob a alegação de que, havendo “contratado empresa especializada para efetuar as compensações declaradas” e não se havendo “convencido da correção do trabalho desenvolvido por esta”, requereu “o cancelamento das Dcomps, desistindo das compensações em questão”. Entretanto, a referida desistência ocorreu em 6 de abril de 2005, após o início da ação fiscal de revisão de Declaração de Compensação, em 31 de março, não se podendo mais efetuar a denúncia de espontânea. Ainda segundo a Fiscalização, em 26 de outubro de 2005, teria chegado ao seu conhecimento, por meio de fax, a existência de supostos pedidos em papel de cancelamento de DComps apresentadas à Agência da Receita Federal de Caçador – SC em 9 de março de 2005. Esclarece que tais pedidos nunca chegaram à DRF e não foram encontrados na ARF, “apesar de a funcionária ter reconhecido como sua a rubrica no suposto pedido de cancelamento em papel”. Entretanto, a Fiscalização desconsiderou tais pedidos, em razão de não terem sido acompanhados do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, o que seria necessário para configurar a denúncia espontânea. Relacionou, nas tabelas 27 a 30, os pedidos constantes do fax e passou a tratar dos novos pedidos apresentados posteriormente ao alegado cancelamento, dando conta de que, em 25 de julho de 2005, a contribuinte transmitiu novas Declarações de Compensação a respeito dos débitos objeto das DComps que deram origem à ação fiscal e que foram consideradas não declaradas por decisões da DRF. Fl. 4745DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.754 5 Segundo a Fiscalização, “Nestes novos Pedidos Eletrônicos de compensação o contribuinte tenta compensar débitos que já estavam inscritos em Dívida Ativa da União, débitos parcelados no Parcelamento Especial – PAES e débitos não homologados em compensações anteriores e, também, tenta utilizarse de créditos de terceiros e de créditos que não se referem a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. De acordo com as novas DComps, a origem dos créditos seria ainda pagamentos a maior ou indevidos, mas informados em processo anterior (Processo nº 13807.006828/200470). Tais Declarações de Compensação foram consideradas também não declaradas por decisões da DRF, das quais teria tomado conhecimento somente em 27 de outubro de 2005, uma vez que “vinha terminantemente, sem justificativa, recusando o recebimento das correspondências enviadas pela Secretaria da Receita Federal”. Acrescentou a Fiscalização que a contribuinte indicou nas DComps que os créditos não teriam origem em ações judiciais e que a ação existente seria de autoria de terceiro. No entendimento da Fiscalização, foi inserida informação falsa nas declarações transmitidas com o intuito de evitar que o programa gerador da declaração recusasse sua transmissão e, ainda, de evitar a habilitação de créditos. O processo administrativo informado na declaração era de autoria da empresa P & P Porciúncula Participações Ltda., havendo a contribuinte apresentado documentos relativos à ação judicial e instrumento público de cessão de direitos creditórios. Segundo os documentos apresentados, o crédito referirseia à sobretaxa do extinto Fundo Nacional de Telecomunicações – FNT, administrada pela Telebrás, não passível de compensação. A seguir, discorreu a Fiscalização a respeito da impossibilidade de compensação de créditos de terceiros e de créditos de tributo não administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sua conformação ao CTN. Nas tabelas 31 a 34 elencou novamente os débitos compensados e passou a tratar das compensações apresentadas em papel, conforme tabela 35, que se utilizaram de créditos de terceiros (mesma empresa anteriormente citada), relativos a títulos de obrigação ao portador de empréstimo compulsório à Eletrobrás, cobrado na conta de energia elétrica. O pedido foi denegado no âmbito do Processo nº 11831.003440/2003 11, que nunca transitou pelos Conselhos de Contribuintes e encontra se arquivado na Gerência Regional de Administração – GRA de São Paulo. Os débitos compensados foram relacionados na tabela 35 do TVF. A seguir, passou a Fiscalização a analisar a legislação que trata da compensação e da imposição de multa isolada para concluir pela Fl. 4746DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.755 6 aplicação da multa agravada, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Relacionou, em demonstrativo, todos os débitos irregularmente compensados, adotados como base de cálculo para aplicação da multa de 150%. No Acórdão de primeira instância ficou esclarecido que se tratou de três autos de infração de multa isolada, conforme a tabela abaixo reproduzida: Tributo ou Contribuição Valor em Reais Fl. COFINS 19.946.449,62 12 PIS/Pasep 5.302.603,73 965 IRRF 30.473,44 1934 Total 25.279.526,79 No recurso, após discorrer sobre sua tempestividade e satisfação dos requisitos de admissibilidade, alegou, preliminarmente, a contribuinte que a multa não poderia ser aplicada, em face de princípios constitucionais. Mencionando trecho do Acórdão de primeira instância, que relata a aplicação a fatos ocorridos nos anos de 2004 e 2005 de disposições alteradas pelos dispositivos do art. 25 da Lei nº 11.051, de 2005, alegou que o art. 150, I, da Constituição Federal impediria a retroatividade da lei, especialmente porque aquela disposição somente entraria em vigor após o prazo de anterioridade nonagesimal. Ainda em relação à retroatividade, citou o art. 106 do CTN, alegando que a redação do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, à época da autuação, teria a redação dada pela Lei nº 10.892, de 2002. Segundo a recorrente, o referido inciso, com a redação dada por essa lei, foi alterado pela MP nº 303, prevendo apenas a aplicação da multa isolada de 50%. Citou ementas de acórdãos judiciais e administrativos que trataram da matéria. A seguir, alegou que seria aplicável ao caso o disposto no art. 1º, §7º, da MP nº 303, de 2006, que tratou dos pedidos de compensação apresentados até 29 de junho de 2006 e indeferidos no todo ou em parte, facultando ao contribuinte a liquidação por pagamento ou inclusão no Paes, no prazo de trinta dias. Segundo a recorrente, sua adesão ao Paes teria ocorrido em agosto de 2006 e a opção dada pela lei corresponderia a uma reabertura de prazo para compensar. Assim, com a anulação da compensação anterior, a aplicação da multa estaria prejudicada, sendo absurdo que os contribuintes ainda Fl. 4747DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.756 7 não autuados pudessem anular os efeitos da compensação e que o mesmo direito fosse negado aos demais. A seguir, passou a tratar do que chamou de “confusão processual”. Primeiramente, haveria divergência entre os valores constantes do anexo à intimação do Acórdão da DRJ e os das guias de Darf que a acompanharam. Segundo a recorrente, tal fato poderia levar o contribuinte “menos atento” a oferecer garantia de instância a menor ou a efetuar pagamento a menor, caso optasse por não recorrer da decisão da DRJ. Ainda alegou que seria necessária a identificação perfeita do contribuinte e que, do processo constariam documentos da empresa Reunidas Transportadora Rodoviária de Cargas S/A, o que poderia levar o julgador ou o sujeito passivo a erro. A seguir, transcreveu o Termo de Verificação Fiscal, relativamente à descrição da fraude, e o Acórdão da DRJ, julgando necessária tal ressalva em função de entender ter sido exarada decisão resumida para os três relatórios constantes do Termo de Verificação Fiscal. A contribuinte iniciou as alegações de mérito pelos pedidos de desistência apresentados em papel. Segundo seu entendimento, teria tempestivamente apresentado os pedidos de desistência, o que fora reconhecido pela própria autoridade fiscal, não podendo ser responsabilizada pela “desorganização de uma instituição que deveria prezar justamente pela organização de suas unidades”. Ademais, seria mais grave ainda a situação em face de a Fiscalização haver omitido a existência de um processo de inquérito administrativo, sob o nº 10980.011248/200586, relativo justamente ao mencionado pedido, do qual figurariam como acusados dois servidores, tendo juntado ao recurso cópias do mencionado processo. Outras omissões incluiriam os fatos de que, em depoimento constante daqueles autos, haver menção específica à existência do documento em “forma autenticada” e ao fato de que, no âmbito do presente processo, não se haver intimado a contribuinte a apresentar a sua via com protocolo. Dessa forma, se cópia autenticada do documento consta do inquérito, estaria então demonstrado que a desistência teria ocorrido de forma regular. Afirmou que ficou insatisfeito com os procedimentos adotados em função dos serviços da empresa de consultoria NMS, por contrariarem normas internas da RFB, razão pela qual teria tomado a decisão de desistir da compensação. A seguir, alegou que o procedimento fiscal seria nulo, em razão de a aplicação da penalidade, em face do exposto, ser “totalmente infundada, ilegal e abusiva”. Fl. 4748DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.757 8 Mais ainda, o reconhecimento da existência dos pedidos implicaria a nulidade de todos os Despachos Decisórios. Passou, a seguir, a tratar da desnecessidade de o pagamento acompanhar a denúncia espontânea, para que fosse configurada, uma vez que o art. 138 do CTN apenas exige o referido pagamento “se for o caso”. Segundo as decisões dos tribunais, descaberia a incidência da multa de mora no caso de denúncia espontânea e o que teria relevância, no recurso, seria o fato de a denúncia ter sido efetuada anterior ou posteriormente ao início do procedimento fiscal, “e que apenas sob hipótese, se fosse considerado como feito depois, teria o contribuinte contra si apenas e tãosomente, afora o tributo e o(s) juros de mora, a multa de mora e não a multa de ofício”. Ademais, em ato contínuo, a recorrente teria encaminhado “o pagamento, via compensação eletrônica, das competências que ficaram em aberto, o que evidencia a figura da denúncia espontânea e, consequentemente, a exclusão da multa de mora”. Tratou, na seqüência, das compensações dos débitos inscritos em dívida ativa, alegando que as compensações foram apresentadas depois de haverem sido anuladas as inscrições, “por ato do chefe da Agência de Caçador/SC”. Portanto, não estando inscritos os débitos no momento da apresentação das declarações, não seria vedada sua transmissão. Também não poderia prosperar o argumento de que houve compensação relativamente a débitos objetos de compensações anteriormente não homologadas, em razão de haver apresentado os pedidos de desistência. Em face das desistências, as decisões do Delegado da Receita Federal seriam nulas. No tocante ao Paes, alegou que a inclusão dos débitos com exigibilidade suspensa teria sido um erro da DRF, pois tais valores constariam erroneamente dos sistemas da Receita como débitos. Em relação às compensações não homologadas anteriormente, alegou que os pedidos de compensação anteriores tiveram sua desistência realizada antes de qualquer procedimento fiscal, conforme já relatado. Quanto aos créditos do FNT, alegou também ser integrante da ação judicial. No que tange à natureza dos créditos, alegou que se trata de receitas da União e que o 3º Conselho de Contribuintes teria julgado vários casos similares, em face da declaração de inconstitucionalidade da exigência efetuada pelo Supremo Tribunal Federal. As compensações ainda estariam em discussão administrativa, em face das manifestações de inconformidade apresentadas. Fl. 4749DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.758 9 Posteriormente, a recorrente encaminhou para juntada aos autos parecer de autoria de Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo, que, em preâmbulo, considera que a recorrente, após apresentar as Declarações de Compensação e antes de qualquer procedimento da autoridade fiscal, desistiu expressamente dos pedidos, por insatisfação com o trabalho da empresa de consultoria que a orientou na compensação. Ademais, considerou que, a seguir, postulou a compensação dos débitos com créditos do FNT, que deveria receber em processo administrativo de restituição que tramitaria em São Paulo, tendo, entretanto, sofrido autuação. Os débitos compensados, entretanto, teriam sido parcelados no âmbito do Paex, “tendo havido, posteriormente à lavratura do AI (e como condição para ingresso no Paex), a desistência também da segunda compensação, mencionada no item 2 acima, que utilizaria crédito decorrente do pagamento indevido ao FNT”. Como o auto de infração foi lavrado e mantido pela DRJ, apresentou recurso ao 3º Conselho de Contribuintes e, nesse contexto, requereu a manifestação a respeito das seguintes questões: 1) é valida a aplicação da penalidade prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, no caso em que a contribuinte formalizou desistência da compensação antes de ser esta apreciada pela autoridade? 2) Qual o efeito, relativamente à multa isolada aplicada à consulente, da pretensão dela de compensar aquele mesmo débito com outro crédito (FNT)? 3) Qual a repercussão da MP nº 303, de 2006, em relação à apontada penalidade? Após exarar considerações sobre o Acórdão de primeira instância e a existência do pedido de desistência, com protocolo da ARF em Caçador – SC, considerando que o pedido foi efetivamente apresentado, analisou qual teria sido a conduta praticada pela recorrente que teria levado à aplicação da multa qualificada. Nesse contexto, considerou não haver sido objeto da consulta a validade da compensação ou a existência efetiva de elementos fraudulentos, uma vez que teria desistido das declarações. Segundo o Parecer, não haveria previsão legal a tese da autuação e da DRJ de que a desistência teria de ser acompanhada da renúncia ao crédito ou do reconhecimento da total inexistência do débito. Assim, ao desistir do pedido ou pedir o cancelamento da compensação declarada, a contribuinte teria retirado do mundo jurídico o objeto da homologação. Sendo a não homologação o suporte fática para a aplicação da multa, não haveria como ser ela aplicada no momento da autuação. A impossibilidade da aplicação da multa, dessa forma, não decorreria das disposições do art. 138 do CTN, pois não se trataria de infração Fl. 4750DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.759 10 consumada levada ao conhecimento da autoridade fiscal pelo contribuinte, mas de não ocorrência do suporte fático da norma primária, questão que se subordinaria ao disposto no art. 112, I, do CTN. Ademais, a afirmação da validade da primeira compensação prescindiria da segunda, sendo improcedente o argumento da DRJ de que tal compensação confirmaria a conduta fraudulenta. No tocante à segunda compensação, no entendimento do Parecer, o uso de crédito próprio adquirido por cessão anterior não representaria crédito de terceiro. Assim, a simples apresentação da compensação não ensejaria a aplicação da multa, para o que a configuração da fraude seria essencial. Citou decisão do Supremo Tribunal Federal e manifestação do Ministério Público a respeito do assunto. A seguir, afirmou que a distinção essencial que deveria ser feita no caso diria respeito àquele entre fato e ato jurídico, ou seja, entre o fato e o seu significado jurídico, citando exemplos. Segundo o Parecer, “Eventuais inexatidões ou equívocos constantes das declarações feitas pelo contribuinte somente podem estar a dizer respeito a inexatidões ou falsidades relacionadas ao fato, enquanto fato, e não em relação ao seu significado jurídico”, o que seria de “relevo decisivo” na definição de fraude, para aplicação do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, porque a norma que define o tipo de ilícito administrativo não poderia anular as garantias de outras normas do sistema, especialmente o constitucional. Entre as normas constitucionais estaria o princípio de que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário a lesão ou ameaça a direito, além de vários princípios que limitam o poder de tributar, o que seria inútil se ao contribuinte não fosse possível o direito de questionar o significado e o alcance das normas segundo as quais está obrigado ao pagamento de tributo. Assim, havendo a contribuinte informado corretamente o valor do crédito e a sua origem, as divergências quanto à sua natureza ou à sua compensabilidade seriam questão de direito, não podendo a conduta representar crime. Quanto à MP nº 303, de 2006, considerou o Parecer que teria reduzido a aplicação da multa isolada ao percentual de 50% e a segunda a de estabelecer que o agravamento da multa não se aplicaria à multa isolada. Considerou que a MP teria que ser aplicada de forma retroativa de ofício, nos termos do art. 106, II, do CTN. Ao final, respondeu aos quesitos formulados. É o Relatório. (grifos e destaques nossos) Fl. 4751DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.760 11 Em seguida, a Colenda Primeira Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, ao analisar a questão, entendeu por bem converter o julgamento em diligência (Resolução nº 310100.020, fls. 3806 a 3811v). O Colegiado, em síntese, considerando o contido nos autos, especificamente que os pedidos de desistência das compensações, em princípio realizados antes do início do procedimento de fiscalização, estariam sendo analisados quanto à sua regularidade no bojo do inquérito administrativo registrado sob o nº 10980.011248/200586, decidiu no sentido de converter o julgamento em diligência para a repartição de origem a fim de que (i) fosse acostado aos autos a íntegra do referido inquérito, após o seu encerramento, com todas as suas conclusões, devendose aguardar e ficar suspenso o presente feito, se for o caso, até o encerramento do referido inquérito administrativo. Requereuse, também, na referida diligência para a repartição de origem, que deveriam restar esclarecidas as seguintes questões: (i) como foi efetivado o primeiro procedimento de REDARF´s (retificação de Darf’s) para “obtenção” do indébito utilizado na compensação, e (ii) como referidos valores foram realocados após a desistência dos pedidos de compensação. Outrossim, se requereu (iii) que seja confirmado o cancelamento dos REDARF’s, bem como que se esclareça a forma como se deu a alocação dos valores para extinção dos créditos tributários originários. Os autos retornaram após a Manifestação de fls. 3821 a 3824 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba – SC. É o relatório. Voto No presente feito cuidase de retorno de diligência decorrente da Resolução nº 310100.020 (fls. 3806 a 3811v) da Colenda Primeira Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF. A questão controvertida nos presentes autos demanda, entre outras questões, verificar a ocorrência de regular pedido de cancelamento das DCOMPs antes do início da ação fiscal. Conforme apontado na mencionada Resolução, a apresentação desse pedido de cancelamento das DCOMPs, e mais especificamente a sua data de protocolo, estava sendo analisada em sede de inquérito administrativo, cujo objeto, a princípio, seria a verificação da conduta de funcionários públicos que estariam envolvidos em eventuais procedimentos irregulares. É de se destacar novamente, a propósito, os seguintes trechos do relatório da DRJ, verbis: (...) Asseverou, ainda, que o método adotado pela contribuinte requereria um incomum conhecimento dos sistemas informatizados da Receita Federal, que passou a descrever, com ênfase, em sua integração. Fl. 4752DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.761 12 Esclareceu, a seguir, que a contribuinte tentou eximirse das responsabilidades, após haver sido intimada a explicar a origem dos créditos, sob a alegação de que, havendo “contratado empresa especializada para efetuar as compensações declaradas” e não se havendo “convencido da correção do trabalho desenvolvido por esta”, requereu “o cancelamento das Dcomps, desistindo das compensações em questão”. Entretanto, a referida desistência ocorreu em 6 de abril de 2005, após o início da ação fiscal de revisão de Declaração de Compensação, em 31 de março, não se podendo mais efetuar a denúncia de espontânea. Ainda segundo a Fiscalização, em 26 de outubro de 2005, teria chegado ao seu conhecimento, por meio de fax, a existência de supostos pedidos em papel de cancelamento de DComps apresentadas à Agência da Receita Federal de Caçador – SC em 9 de março de 2005. Esclarece que tais pedidos nunca chegaram à DRF e não foram encontrados na ARF, “apesar de a funcionária ter reconhecido como sua a rubrica no suposto pedido de cancelamento em papel”. Entretanto, a Fiscalização desconsiderou tais pedidos, em razão de não terem sido acompanhados do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, o que seria necessário para configurar a denúncia espontânea. Mais adiante, ao relatar o contido no recurso voluntário interposto pela contribuinte, apontouse o seguinte, verbis: (...) A contribuinte iniciou as alegações de mérito pelos pedidos de desistência apresentados em papel. Segundo seu entendimento, teria tempestivamente apresentado os pedidos de desistência, o que fora reconhecido pela própria autoridade fiscal, não podendo ser responsabilizada pela “desorganização de uma instituição que deveria prezar justamente pela organização de suas unidades”. Ademais, seria mais grave ainda a situação em face de a Fiscalização haver omitido a existência de um processo de inquérito administrativo, sob o nº 10980.011248/200586, relativo justamente ao mencionado pedido, do qual figurariam como acusados dois servidores, tendo juntado ao recurso cópias do mencionado processo. Outras omissões incluiriam os fatos de que, em depoimento constante daqueles autos, haver menção específica à existência do documento em “forma autenticada” e ao fato de que, no âmbito do presente processo, não se haver intimado a contribuinte a apresentar a sua via com protocolo. Dessa forma, se cópia autenticada do documento consta do inquérito, estaria então demonstrado que a desistência teria ocorrido de forma regular. Fl. 4753DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.762 13 Afirmou que ficou insatisfeito com os procedimentos adotados em função dos serviços da empresa de consultoria NMS, por contrariarem normas internas da RFB, razão pela qual teria tomado a decisão de desistir da compensação. A seguir, alegou que o procedimento fiscal seria nulo, em razão de a aplicação da penalidade, em face do exposto, ser “totalmente infundada, ilegal e abusiva”. Mais ainda, o reconhecimento da existência dos pedidos implicaria a nulidade de todos os Despachos Decisórios. (...) Apontouse, assim, que o resultado desse processo, e, por conseqüência, os seus desdobramentos, podem ser determinantes para o deslinde da presente controvérsia. Por conseguinte, a Colenda Primeira Turma da Primeira Câmara desta Terceira Seção do CARF, considerando o contido nos autos, especificamente que os pedidos de desistência das compensações, em princípio realizados antes do início do procedimento de fiscalização, estariam sendo analisados quanto à sua regularidade no bojo do inquérito administrativo registrado sob o nº 10980.011248/200586, decidiu no sentido de converter o julgamento em diligência para a repartição de origem a fim de que (i) fosse acostado aos autos a íntegra do referido inquérito, após o seu encerramento, com todas as suas conclusões, devendose aguardar e ficar suspenso o presente feito, se for o caso, até o encerramento do referido inquérito administrativo. Requereuse, também, na referida diligência para a repartição de origem, que deveriam restar esclarecidas as seguintes questões: (i) como foi efetivado o primeiro procedimento de REDARF´s (retificação de Darf’s) para “obtenção” do indébito utilizado na compensação, e (ii) como referidos valores foram realocados após a desistência dos pedidos de compensação. Outrossim, se requereu (iii) que seja confirmado o cancelamento dos REDARF’s, bem como que se esclareça a forma como se deu a alocação dos valores para extinção dos créditos tributários originários. Pois bem, em atendimento à Resolução nº 310100.020 foi proferida a Manifestação de fls. 3821 a 3824 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba – SC. Verificase que os itens (i) a (iii) constantes do parágrafo acima foram respondidos pela Repartição de Origem. A indagação referente ao inquérito administrativo registrado sob o nº 10980.011248/200586 e a sua respectiva juntada, todavia, não foi cumprida. Foram apresentados como fundamentos para tanto o seguinte, verbis: A fim de atender a diligência requerida, esta Delegacia, no que se refere a solicitação de acostamento aos autos da íntegra do processo administrativo disciplinar (10980011248/200586) relativo ao inquérito administrativo, uma vez que o mesmo encontrase finalizado desde 21/02/2007, com a aprovação do Parecer PGFN/CDI nº 287/2007 pelo Exmo. Senhor Ministro da Fazenda, solicitou orientação junto a Chefe do Escritório de Corregedoria na 9a Região Fiscal, Sra. Dra. Georgette Milleny de Souza (fls. 3816 a 3820). Esta por sua vez Fl. 4754DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.763 14 solicitou manifestação do ChefeSubstituto da Diaco/RFB/COGER/CODIS, Sr. Dr. Barner Silva Marques. A Coger, com amparo na Nota Técnica COGER nº 2005/01 e com base no Manual do PAD da CGU entede (sic) que: “À luz destas orientações, consideramos que a juntada, na íntegra, do Processo Administrativo Disciplinar – PAD nº 10980011248/200586, ao PAF nº 10925.002581/20056, pode ser prejudicial aos interesses dos servidores interessados no PAD. A empresa interessada no Processo Administrativo Fiscal ora sob julgamento do CARF, apesar de não ser interessada no PAD, passaria a ter livre acesso às informações deste, caso venha ocorrer a juntada solicitada. Assim, sugerimos que a 3a Seção de Julgamento da (sic) Câmara Superior de Recursos Fiscais seja instada, por intermédio da DRF/Joaçaba/SC, a apresentar esclarecimentos relativos aos fins e razões do pedido, bem como a indicação dos documentos necessários à elucidação dos fatos em discussão no PAF nº 10925.002581/20056, para análise no âmbito deste Escor09” Nesta linha, portanto, a autoridade administrativa da DRF/Joaçaba encontrase impedida de acostar cópia integral do referido PAD, cabendo (sic) a CARF, no entanto, apresentar esclarecimentos relativos aos fins e razões do pedido, bem como indicação dos documentos necessários à elucidação dos fatos em discussão no presente processo, para análise da Escor09. Mais adiante, a Repartição de Origem ressaltou que no tocante à controvérsia alegada pelo contribuinte de que teria solicitado o cancelamento das declarações de compensação em 09 de março de 2005, anteriormente ao início do procedimento de fiscalização, documento esse que nunca teria chegado ao conhecimento das autoridades fiscais, já se encontrava juntado aos autos Representação da Presidente da Comissão do inquérito administrativo em questão ao Procurador da República no Estado de Santa Catarina. Nesta Representação já se teria apontado forte indício de falsidade do pedido de cancelamento. Pois bem, quanto ao pedido de juntada do inquérito administrativo, e a par do desrespeito da autoridade preparadora ao comando exarado na diligência requerida cujo desiderato, sem dúvida alguma, foi o de auxiliar dirimir a controvérsia, em observância, dentre outros princípios, ao da Verdade Material, em processo que já é eminentemente sigiloso – o próprio contribuinte informou que já teve acesso a referido procedimento. Sendo assim, em razão desse documento ser essencial ao deslinde da presente controvérsia, impõese a insistência na sua juntada aos autos, ressaltando que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é um órgão integrante do Ministério da Fazenda, razão pela qual não se pode presumir que haverá prejuízo aos servidores que estão sendo investigados no referido inquérito administrativo. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de, novamente, converter o presente julgamento em diligência a fim de que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba – SC e o contribuinte procedam à (i) juntada aos autos da íntegra do inquérito administrativo registrado sob o nº 10980.011248/200586, com todas as suas conclusões, bem como (ii) a juntada de quaisquer outros documentos que sejam importantes para o deslinde da presente controvérsia. Fl. 4755DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10925.002581/200569 Resolução nº 3202000.211 S3C2T2 Fl. 4.764 15 Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 4756DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA
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