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Numero do processo: 11516.002163/2006-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA MULTA DE OFÍCIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Mais especificamente, no caso de multa por atraso na entrega da DITR, não se presta como paradigma o Acórdão que contempla a multa isolada prevista para outras situações jurídicas, concernentes a outros tributos e escoarada em dispostivo legal diverso, conforme precedentes desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Igualmente, não há se falar em divergência entre teses, na hipótese de o paradigma não analisar precisamente, como razão de decidir, os fundamentos que serviram de base ao decisório combatido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 01/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA MULTA DE OFÍCIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré questionamento a respeito do tema. Mais especificamente, no caso de multa por atraso na entrega da DITR, não se presta como paradigma o Acórdão que contempla a multa isolada prevista para outras situações jurídicas, concernentes a outros tributos e escoarada em dispostivo legal diverso, conforme precedentes desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Igualmente, não há se falar em divergência entre teses, na hipótese de o paradigma não analisar precisamente, como razão de decidir, os fundamentos que serviram de base ao decisório combatido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 21 63 /2 00 6- 37 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório CONSTRUTORA SÃO LUIZ LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, datado de 16/05/2006, exigindolhe crédito tributário decorrente de multa por atraso na entrega da Declaração do ITR, em relação ao exercício de 2001, pertinente ao imóvel rural denominado “Quiriri”, localizado no município de Garuva/SC, inscrita na RFB sob nº 4.912.7420, conforme peça inaugural do feito, às fls. 03, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0414.141/2008, às fls. 16/20, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 30/11/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220200.877, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial e Rural ITR Exercício: 2001 DECLARAÇÃO DE IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (DITR) – APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO – DECLARAÇÃO COM IMPOSTO DEVIDO – MULTA DE MORA X MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – COBRANÇA CONCOMITANTE – A penalidade prevista nos arts. 7° e 9° da Lei n° 9393, de 1996, incide quando ocorrer à falta de apresentação de Declaração de Imposto Territorial Rural (DITR) ou a sua apresentação fora do prazo fixado. Em se tratando de Lançamento formalizado segundo o disposto no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996 (Lançamento de ofício), sobre o montante do imposto apurado, cabe tão somente a aplicação da multa Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.002163/200637 Acórdão n.º 9202003.246 CSRFT2 Fl. 99 3 específica para lançamento de ofício. Impossibilidade da simultânea incidência de ambos os gravames. Recurso provido.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 38/48, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 30333.334, 30237.622 e 10194.858, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. Sustenta que o Acórdão recorrido manifestou tese no sentido de que a multa por entrega intempestiva da DITR seria aplicada sobre o valor do imposto informado na declaração, enquanto o decisório paradigma concluiu que aludida penalidade é aplicada sobre o valor do imposto devido e não sobre a importância que fora declarada, reforçando a existência de divergência de teses. Defende que o Acórdão guerreado contrariou a legislação de regência, especialmente o artigo 9º da Lei nº 9.393/96, o qual contempla a penalidade aplicada nos autos, diante do descumprimento de obrigação acessória (atraso entrega da declaração), que não guarda consonância com a penalização por infração cometida na apuração do imposto. A fazer prevalecer seu entendimento, considera legítima a aplicação cumulativa de duas multas (por atraso na entrega da declaração e de ofício), não se cogitando em bis in idem, eis que decorrem de infrações diversas, com penalizações distintas. Em defesa de sua pretensão, explicita que a multa por atraso na entrega da declaração é calculada com arrimo no artigo 7° da Lei n° 9.393/1996, exigida sobre o imposto devido, que não representa necessariamente o imposto declarado pelo contribuinte, como aqui se vislumbra. Ressalta que o entendimento estampado no Acórdão recorrido acaba por privilegiar o contribuinte infrator, que apura e declara imposto a menor que o devido, o que contraria o princípio da isonomia tributária, corolário do princípio constitucional da igualdade de todos perante a lei (art. 5°, caput e inc. I c/c art. 150, inc. II, da CF/88), na linha que restou assentado pelo julgador de primeira instância. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o decisório recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas, conforme Despacho nº 220000.308/2011, às fls. 79/84. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 88/92, corroborando os fundamentos do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 2a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida nos decisórios paradigmas trazidos à colação, bem como a legislação de regência, os quais possibilitam a aplicação concomitante da multa por atraso na entrega da declaração e a multa de ofício, na esteira do decidido nos Acórdãos nºs 30333.334, 30237.622 e 10194.858, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. A corroborar seu entendimento, infere que o Acórdão recorrido manifestou tese no sentido de que a multa por entrega intempestiva da DITR seria aplicada sobre o valor do imposto informado na declaração, enquanto o decisório paradigma concluiu que aludida penalidade e aplicada sobre o valor do imposto devido e não sobre a importância que fora declarada, reforçando a existência de divergência de teses. Defende que o Acórdão guerreado contrariou a legislação de regência, especialmente o artigo 9º da Lei nº 9.393/96, o qual contempla a penalidade aplicada nos autos, diante do descumprimento de obrigação acessória (atraso entrega da declaração), que não guarda consonância com a penalização por infração cometida na apuração do imposto, ou seja, infrações distintas com penalizações diversas. Em defesa de sua pretensão, explicita que a multa por atraso na entrega da declaração é calculada com arrimo no artigo 7° da Lei n° 9.393/1996, exigida sobre o imposto devido, que não representa necessariamente o imposto declarado pelo contribuinte, como aqui se vislumbra. Não obstante o esforço da recorrente, corroborado quanto ao conhecimento pelo nobre Presidente subscritor do Despacho que deu seguimento ao especial, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Procuradoria não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.002163/200637 Acórdão n.º 9202003.246 CSRFT2 Fl. 100 5 § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a Fazenda Nacional ao formular o Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto observar os requisitos ali insculpidos, especialmente aqueles constantes do § 6o, capaz de ensejar o conhecimento de sua peça recursal. De início, ressaltase que os Acórdãos n°s 30237.622 e 10194.858, ao contrário do que restou decidido no Despacho que deu seguimento ao especial, não têm o Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 condão de comprovar a divergência arguida. Isto porque, contemplam penalidades diversas, pertinentes a outros tributos e escoradas em dispositivos legais distintos. O primeiro paradigma, Acórdão n° 30237.622, trata da cumulação da multa por atraso na entrega da DCTF com a multa de mora. Por sua vez, o segundo decisório paradigma, Acórdão n° 10194.858, traz em seu bojo análise da multa isolada inscrita no inciso IV, parágrafo único, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, concernente à falta de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa. Dessa forma, na linha da jurisprudência deste Colegiado, tais paradigmas, por tratarem de penalidades e tributos distintos, além de encontrarem guarida em dispositivos legais diversos, não se prestam a demonstrar a divergência pretendida pela Procuradoria, senão vejamos: "[...] MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA MULTA DE OFÍCIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, vigente à época, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, fundamentado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência argüida entre o Acórdão recorrido e o paradigma. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a título de carnêleão (artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que contempla a multa isolada inscrita no inciso IV daquele dispositivo legal, concernente à sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, conforme precedentes do Pleno desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...]" (2ª Turma da CSRF Processo nº 11543.002616/200436 Acórdão nº 9202002.653) Rechaçados os Acórdãos n°s 30237.622 e 10194.858, remanesce para fins de comprovação da divergência suscitada o Acórdão nº 30333.334. E, no mesmo sentido, melhor sorte não socorre a Procuradoria da Fazenda Nacional. Destarte, o Acórdão recorrido encontrase escorado, essencialmente, na conclusão de não ser viável a aplicação concomitante da multa por atraso na entrega da Declaração do ITR, cumulada com a multa de ofício do lançamento, ambas calculadas sobre a mesma base de cálculo apurada de ofício. E, para tanto, o ilustre Conselheiro Antonio Lopo Martinez, subscritor do voto condutor do Acórdão recorrido, elaborou arrazoado diferenciando as hipóteses de incidência de referidas multas, concluindo o seguinte: “[...] Assim, quando se trata de lançamento de ofício, efetuado em razão de irregularidades constatadas pela autoridade fiscal Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.002163/200637 Acórdão n.º 9202003.246 CSRFT2 Fl. 101 7 lançadora, descabe a aplicação da multa de mora pela apresentação fora do prazo da Declaração Anual de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Urbana (DITR), prevista no artigo 8° da Lei n 9.393, de 1996, sobre a mesma base de cálculo apurado de ofício. Não há, portanto, como prevalecer à multa de mora aplicada pelo atraso na entrega do formulário da DITR, na forma como fundamentada a exigência. Assim, é de se excluir a multa por atraso na entrega da DITR lançada em concomitância com a multa de lançamento de ofício, observando que a penalidade prevista no artigo 8°, da Lei n° 9.393, de 1996, incide quando ocorrer à falta de apresentação da DITR ou a sua apresentação fora do prazo fixado, tendo por base de cálculo o imposto devido declarado. Em se tratando de lançamento formalizado segundo o disposto no artigo 14 da Lei n° 9.393, de 1996, cabe tão somente a aplicação da multa específica para lançamento de ofício. Impossibilidade da simultânea incidência de ambos gravames. [...]” Por outro lado, o Acórdão n° 30333.334, adotado pela Fazenda para fins de comprovação da divergência pretendida, ao se manifestar sobre a multa por atraso na entrega da DITR, assim prelecionou: “[...] Por fim, em relação ao atraso na entrega da declaração, mantenho os argumentos expostos pelo acórdão recorrido por entender que, de acordo com os arts. 9° c/c 7o, da Lei n° 9.393/96, a multa por atraso incide sobre o imposto devido e não sobre o imposto declarado. [...]” Constatase, assim, que o Acórdão paradigma não contemplou a matéria objeto da presente demanda, qual seja, a possibilidade da exigência simultânea da multa de ofício com a penalidade por atraso na entrega da declaração, adotando a mesma base de cálculo, registrando, tão somente, que a multa por atraso incide sobre o imposto devido e não sobre o imposto declarado, tema que não fora discutido a fundo e não se prestou de arrimo no decisório combatido. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em dissídio jurisprudencial na hipótese dos dois julgados confrontados analisarem matérias absolutamente distintas. Nesse sentido, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido, devendo ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Procuradoria em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13609.001432/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. REJEIÇÃO.
O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no Processo Administrativo Fiscal. Rejeita-se a argüição de nulidade da decisão recorrida, tendo em vista que foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame.
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS.
Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantém-se o lançamento.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO.
A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica.
SÚMULA CARF Nº 25
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, desqualificar a multa de ofício e excluir do lançamento os créditos relacionados às contas do Banco do Brasil e Bradesco (Súmula CARF nº 29). Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os depósitos relacionados à conta bancária mantida na Cooperativa de Crédito de Capelinha e Região Ltda. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que somente excluíam as dez TED relacionadas às fls. 854.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
Assinado digitalmente.
Núbia Matos Moura Declaração de Voto
EDITADO EM: 22/10/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atílio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. REJEIÇÃO. O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no Processo Administrativo Fiscal. Rejeitase a argüição de nulidade da decisão recorrida, tendo em vista que foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS. Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantémse o lançamento. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei n 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. SÚMULA CARF Nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 14 32 /2 00 7- 15 Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 12 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, desqualificar a multa de ofício e excluir do lançamento os créditos relacionados às contas do Banco do Brasil e Bradesco (Súmula CARF nº 29). Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os depósitos relacionados à conta bancária mantida na Cooperativa de Crédito de Capelinha e Região Ltda. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que somente excluíam as dez TED relacionadas às fls. 854. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. Assinado digitalmente. Núbia Matos Moura – Declaração de Voto EDITADO EM: 22/10/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atílio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 976 a 986 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte precitado foi lavrado o Auto de Infração às fls. 885 a 894, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003 e 2004, anos calendário 2002 e 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 951.206,85, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até outubro de 2007, totalizando crédito tributário no valor de R$ 2.942.518,32. O lançamento decorre de: I omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas bancárias de titularidade do interessado, uma vez que a origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, II – omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e III – omissão de rendimentos da atividade rural. Como enquadramento legal é citado, entre outros, o seguinte dispositivo: art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 13 3 Cientificado em 16/11/2007 (fl. 895), em 10/12/2007, o contribuinte, por meio de representante (procuração à fl. 950), apresenta a impugnação às fls. 900 a 948, acompanhada dos documentos às fls. 951 a 974, alegando, em apertada síntese, que: · A fiscalização desconsiderou todas as provas robustas apresentadas e não diligenciou no sentido de justificar a autuação. Pessoas físicas não estão obrigadas a manter escrituração contábil. Todos os depósitos foram considerados omissões de rendimento; · A quebra de sigilo bancário foi feita de forma arbitrária e houve cerceamento do direito de defesa. Em conseqüência o lançamento é nulo; · Inexiste nexo causal a amparar a autuação, pois não houve disponibilidade econômica nem acréscimo patrimonial. As provas requeridas pela fiscalização são impossíveis de serem produzidas; · O contribuinte é responsável exclusivo pela movimentação financeira. Assim, deve ser excluída a exigência em relação ao Sr. José Carlos Soier. E o julgamento dos processos deve ser realizado em conjunto; · Não foram excluídos créditos inferiores a R$ 80.000,00, de que trata o §3o do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; · Princípios de direito foram ignorados, tais como capacidade contributiva, vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. A norma que ampara a exigência é inconstitucional e ilegal; · O contribuinte é corretor de café e atua no interior do Estado. Os valores depositados decorrem de operações de compra e venda de café e foram repassados aos titulares de direito, sendo que comissão era paga no valor de um por cento dos negócios. Há que se ter em mente os costumes da região. Dessa forma, a base de cálculo deve ser reduzida a um por cento dos depósitos; · O procedimento fiscal está eivado de vícios. Apenas algumas notas promissórias e notas fiscais foram aceitas (fls. 849 e 853). Por que não foram considerados suficientes os documentos emitidos pela Cooperativa de Crédito (fl. 854)? Não se sabe. É notório que o café está sujeito a variações de peso durante o transporte, o que explica as diferenças entre os valores das notas fiscais e a composição dos valores correspondentes. As operações indicadas nos extratos como “liberação de título” devem ser desprezadas, conforme documento apresentado à fl. 968; · A multa aplicada é confiscatória. Ao longo da impugnação, cita doutrina, jurisprudência administrativa e judicial que entende vir ao encontro de seus argumentos e, ao final, postula a juntada posterior de provas e o cancelamento da exigência. Registro que a multa de ofício lançada foi qualificada em 150% para todos os fatos geradores. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares arguidas e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando em relação ao lançamento Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 14 4 com base nos depósitos bancários, que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento e que em relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e à omissão de rendimentos da atividade rural, o interessado não carreou nos autos nenhum documento capaz de desconstituir o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa e excertos do voto que transcrevo a seguir livremente: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 989 a 1044, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: a) Que houve negativa da prestação jurisdicional na instância anterior por falta de análise das provas e alegações apresentadas, inclusive falta de observância aos princípios jurisdicionais da razoabilidade e da proporcionalidade, causandolhe cerceamento do direito de defesa; b) Que é desmedida a exigência da coincidência de datas e valores para se comprovar a origem dos depósitos bancários, uma vez que, as pessoas físicas são desobrigadas de escrituração contábil; c) Que não deve prosperar a tese da decisão anterior acerca das formalidades das provas, especialmente, a exigência de registro público nos contratos apresentados como provas, em razão da necessidade da busca da verdade material. Caberia a fiscalizar diligenciar e provar, o que não teria sido feito; d) Protesta dizendo que os depósitos bancários, não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, tampouco pode ser admitida a presunção do acréscimo patrimonial; e) Que o débito e multa lançados são confiscatórios quando comparados com a capacidade contributiva do sujeito passivo; f) Ficou cabalmente comprovado que o recorrente tem uma pequena propriedade e é corretor de café, com rendimentos correspondentes a 1% sobre as vendas. Assim,a base de cálculo deve ser esse 1% ou ainda, arbitrar a base de cálculo em 20% como atividade rural, ou equiparar à pessoa jurídica como Lucro Presumido; Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 15 5 g) Reclama pela falta da observância da observação legal dos limites de valores individuais de R$ 12.000,00, desde que não ultrapasse R$ 80.000,00; h) Absurdamente, foram desconsideradas notas promissórias (fls. 358 a 373) e cheques descontados no banco da cooperativa que demonstram que as operações são referentes a empréstimos obtidos junto aos beneficiários das mesmas, que são pequenos produtores de café que buscavam recursos para arcar com as despesas correntes do café (fls. 501/502); i) Alega que foram comprovadas as origens dos depósitos, cabendo à fiscalização provar o contrário; j) O Sr. Eduardo Henrique Vieira Martins é responsável exclusivo pela movimentação financeira. Assim, deve ser excluída a exigência em relação ao autuado e os julgamentos dos processos devem ser realizados em conjunto; k) A fiscalização lavrou, também, auto de infração contra Sr. José Carlos Soier, inscrito no CPF/MF sob o n. 670.994.67620, no importe de R$1.617.732,55, tratando do mesmo assunto, pelo simples fato de possuir conta corrente conjunta. Fica desde já esclarecido que quem é responsável integral pela movimentação financeira das contas corrente é o Sr. Eduardo Henrique Vieira Martins, inscrito no CPF/MF sob o n. 378.469.06615; l) Requer ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência e subsidiariamente, que seja considerada a base de cálculo no montante de1% dos depósitos bancários e redução das multas confiscatórias com ciência por escrito ao recorrente e aos seus procuradores, protestando pela produção de provas pericial, documental e testemunhal. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro RUBENS MAURÍCIO CARVALHO ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR .. CERCEAMENTO DE DEFESA. Alega a recorrente cerceamento ao amplo direito de defesa na decisão de primeira instância, pela negativa da prestação jurisdicional na instância anterior por falta de análise das provas e alegações apresentadas, inclusive falta de observância aos princípios jurisdicionais da razoabilidade e da proporcionalidade, eivandoa de nulidade. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 16 6 Ocorre que conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, inexiste o alegado cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade da decisão anterior por essa razão. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Acerca das questões de afronta aos Princípios Constitucionais, v.g., Capacidade Contributiva Confisco, informo que tal insurgência não mais gera litígio nesse Conselho, pois se encontra sumulada, verbis: SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÕES 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E 002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL Em relação as infrações 001 e 002, observamos que o contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova ou apresentou argumentos específicos acerca destes lançamentos, além da questão genérica da multa qualificada que será analisada ao final para todos as infrações. Dessa forma, voto pela manutenção destas duas infrações pela ausência de contestação no Recurso, ora julgado. INFRAÇÃO 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Contasconjuntas Especificamente acerca dos depósitos das contas no Banco do Brasil e no Bradesco, desde a fiscalização, foi informado que se tratavam de contas conjuntas com sua esposa, Maria Celina Rocha Vieira, fl. 342. Diante disso, a autoridade fiscal assim fez constar no Termo de Verificação Fiscal, fl. 844: Ou seja, a autoridade autuante entendeu que era desnecessário intimar a co titular esposa por ser sua dependente na DIRPF. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 17 7 Contudo, conforme Súmula Carf nº 29, essa questão sequer gera o litígio administrativo tributário, verbis: SÚMULA CARF Nº 29 Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Dessa forma, voto para que de plano os respectivos depósitos bancários sejam retirados da base de cálculo do lançamento. Listagem de DOC/TED, fl. 854. Ainda, costa no Termo de Verificação Fiscal, fl. 854, o seguinte: Ora, o lançamento em debate deve abranger os depósitos cuja origem não foi identificada. Este é o Princípio que deve nortear este lançamento e aqui entendo que a fiscalização entrou numa contradição, pois, os depósitos dessa listagem estão com sua origem perfeitamente identificada e deveria a fiscalização terse aprofundado para buscar o verdadeiro fato gerador para subsumir tais fatos a norma tributária específica. Destarte, não me resta dúvida que não podem estes depósitos compro a base de cálculo. Depósitos remanescentes Auditados os extratos bancários, a autoridade compilou todos os créditos bancários e intimou o contribuinte a comproválos, fls. 320 e seguintes, considerados de Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 18 8 origem não comprovada. Em resposta, fl. 336, o contribuinte diz expressamente que trabalha há 20 anos como corretor de café e que essa movimentação bancária devese a execução dessa atividade comercial, juntando vasta documentação nesse sentido, como se pode ver às fls. 343 (Declaração dos Sindicato dos Produtores Rurais de Capelinha), declarações de pessoas físicas e de pessoas jurídicas, notas fiscais de produtor e contratos de corretagem, tudo às fls. 344 a 479. A autoridade fiscal, por sua vez, no Termo de Verificação Fiscal, fls. 843: Mais para frente, fls. 862, a autoridade observa: É inconteste nos autos que o Recorrente não identificou todos os depósitos de forma individualizada, contudo, está patente que a atividade do contribuinte é a de Corretor e Produtor de Café como indicado desde o início da fiscalização e entendo que os valores dessas atividades comerciais são na verdade a origem dos depósitos que deram origem ao lançamento. Além disso, do que consta nos autos não há qualquer outro indício que haveria qualquer outra atividade exercida pelo recorrente senão a de corretor e produtor de café. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 19 9 Nesse sentido, entendo que as receitas objeto desse recurso lançadas como omissão decorrente de depósitos bancários não identificados não pode prosperar, pois, as origens destes depósitos foram identificados como decorrentes da atividade comercial exercida pelo interessado. Entendo que no contexto dos lançamentos dos depósitos bancários, uma vez que as atividades comerciais são definidas, é factível a alegação do contribuinte e a autoridade fiscal com seu poder investigatório deveria ter se aprofundado nas provas juntadas aos autos para efetivar os lançamentos segundo legislação específica, como acertadamente foi feito nas Infrações 001 e 002. Essa linha de entendimento é conhecida nessa Turma e foi tratada no Acórdão 10617.164, de 6 de novembro de 2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos, cujo julgado se amoldando ao caso em debate, utilizoo como fundamento para minha decisão, de forma livre com meus grifos: (...) Inicialmente, devese evidenciar que a autuação tomou por base o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que trata da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, caso o contribuinte, regularmente intimado a comprovar a origem dos depósitos, com documentação hábil e idônea, não o faça, aperfeiçoase a presunção legal de que os depósitos bancários serão considerados omitidos. Como é de sabença geral, tratase de vetusta presunção legal, de longa data combatida pelos contribuintes, que obtiveram sucesso sob a égide anterior e posterior a Lei nº 8.021/90, quando se assentou, no âmbito judicial e administrativo, que depósito bancário, por si só, não poderia ser considerado como presunção de omissão de rendimentos. O sucesso dos contribuintes no âmbito da Lei nº 8.021/90, ressaltese, esteve associado a exigências próprias dessa Lei, que, na espécie, exigiu a comprovação dos sinais exteriores de riqueza, caracterizado pelo consumo ou incremento patrimonial, tudo em prol do contribuinte. Entretanto, esse cenário normativo mudou sensivelmente a partir da Lei nº 9.430/96, que passou a considerar os depósitos de origem não comprovada, desde que o contribuinte tenha sido regularmente intimado, como rendimentos omitidos. Nessa linha, os questionamentos sobre a essência dessa tributação perderam substância, e as discussões administrativas e judiciais penderam de forma uníssona em direção à pretensão do fisco, chancelando a tributação na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, como descrita precedentemente. Entretanto, não se deve imaginar que tal tributação pode ser manejada pela autoridade fiscal sem um mínimo de cuidado ou compreensão dos fatos imponíveis sobre sua apreciação. Ora, no momento em que o contribuinte informa a origem do depósito bancário, quer especificando, individualizadamente, cada depósito, como expressamente exigido pela Lei nº 9.430/96, quer englobadamente, aqui justificando a impossibilidade de individualizar cada depósito, deve a autoridade fiscal perscrutar a procedência da afirmação do contribuinte. Caso o contribuinte indique a origem dos depósitos, mesmo que de maneira geral, não pode a autoridade fiscal, simplesmente, quedarse inerte, sequer circularizando as informações trazidas pelo fiscalizado, confirmando, ou não, suas assertivas. (...) Por tudo, percebese que o procedimento da fiscalização, que tinha obrigação de circularizar as informações do contribuinte, já que, desde o cumprimento da Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 20 10 primeira intimação, este informara a origens dos depósitos bancários (nome, endereço, CNPJ e Inscrição Estadual dos depositantes – fls. 38), prejudicou sobremaneira o contribuinte, já que hoje é quase impossível se investigar a origem dos depósitos bancários, como pugnado pelo recorrente, que, de maneira quase pueril, apela para que esta Câmara intime “com FORÇA e veemência” (fls. 527) os curtumes citados. Considerando que a fiscalização não cumpriu o papel que dela se esperava, que deveria ter investigado a origem dos eventuais fatos geradores a serem imputados ao contribuinte, aliado à robustez das origens trazidas pelo recorrente, desde o primeiro momento da ação fiscal, aqui ressaltando que quase metade dos depósitos tem origem em um dos curtumes, forçoso reconhecer que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não se aperfeiçoou, sendo incabível imputar o ônus da presunção ao contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Recentemente, essa mesma Turma julgou o Recurso Voluntário no Processo nº 10620.001213/200366, Acórdão nº 2102002.415 de 22/01/2013, Conselheira Núbia Matos Moura, onde foi dado provimento ao recurso de uma contribuinte que também era corretora de produtos agrícolas, caso que entendo idêntico ao que se julga nesse momento. Naquela oportunidade a Relatora assim se manifestou: Por outro lado, a contribuinte quando da apresentação da impugnação trouxe aos autos declaração, fls. 433, da Fazenda São Miguel Ltda, onde se esclarece que a comissão, que era de 1% ou de R$ 0,50 por saca, era paga pela vendedora e somente, excepcionalmente, pelo comprador, sendo importante destacar que a grande maioria das notas fiscais apresentadas pela contribuinte foram emitidas pela Fazenda São Miguel Ltda. Importa, ainda, dizer que em nenhum momento, seja durante o procedimento fiscal, ou quando da realização da diligência requerida por este CARF, a Fazenda São Miguel Ltda, assim como as demais empresas emitentes das notas fiscais apresentadas pela contribuinte, foram intimadas seja para confirmar as informações prestadas na declaração de fls. 433, seja para averiguar o pagamento de comissões que a contribuinte afirma ter recebido. Existem outros fatores que corroboram a alegação da contribuinte de que os recursos movimentados em suas contas bancárias advinham da atividade de intermediação de venda de cereais (corretagem), quais sejam: primeiro, o fato de o somatório dos valores das 149 notas fiscais apresentadas pela contribuinte perfazer a quantia de R$ 2.404.382,00, ao passo que a movimentação financeira da contribuinte em suas contas bancárias, durante o anocalendário 1998, foi de R$ 2.795.965,72, sendo certo que o valor dos créditos levados à tributação foi de R$ 2.056.395,77 e que os créditos considerados como de origem comprovada perfaz a quantia de R$ 359.654,98 e segundo, a própria posse das 149 notas fiscais de venda de cereais indica que a contribuinte teve alguma participação em tais transações comerciais. Cabe ressaltar que quando da apreciação deste recurso, em 18/10/2006, o Conselheiro Moisés Giocomelli Nunes da Silva encaminhou seu voto no sentido de dar provimento ao recurso, concluindo sua fundamentação nos seguinte termos: O grande volume das transações comerciais representadas pela Fazenda são Miguel que prestou os esclarecimentos de fls. 433; somado a praxe de mercado de que os produtos agrícolas normalmente são comercializados Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 21 11 por meio de intermediador, que estes corretores, pelos serviços que prestam, conforme provas dos autos, recebem em torno de 1% (um por Cento) ou 0,50 (cinqüenta centavos de real) por saca; somado ao fato de que ninguém dispõe de tantas notas fiscais de terceiros, como as que foram apresentadas, caso efetivamente não tivesse alguma atividade profissional que o ligasse aos emitentes das notas fiscais, conjugado com as demais peculiaridades relatadas neste acórdão, pelo entendimento deste relator, os valores movimentados nas contas bancárias da recorrente, no ano de 1998, foram creditados em virtude das atividades que desenvolve, sendo que tais recursos não se constituem em renda da contribuinte, mas sim receita dos produtores rurais dos quais a contribuinte atuou intermediando a comercialização das respectivas produções. (...) Nestes termos, levandose em conta o elenco de fatos e provas, todos a corroborar a tese da contribuinte de que os recursos movimentados em suas contas bancárias advinham da atividade de intermediação de venda de cereais (corretagem), devese considerar comprovada a origem dos depósitos creditados nas contas de titularidade da contribuinte, cancelandose a exigência consubstanciada no Auto de Infração. (grifei) Ainda importante registrar que outros processos nessa turma de julgamento, vem se posicionando pelo provimento do recurso no caso de depósitos bancários quando fica inconteste que o interessado exerce o comércio e que os depósitos são originários dessa atividade, podemos citar ainda os processos de minha relatoria, 10510.003509/200954 acórdão nº 210201.600 e 10510.003510/200989 acórdão nº 2102001.601. Deste primeiro acórdão, destaco o seguinte: Em sede de recurso, juntou às folhas 129 a 140 Demonstrativos de Depósitos e Receitas mês a mês, indicando o movimento financeiro diária das pessoas jurídicas e a sua coerência com depósitos lançados como omissão de receitas. Registro que as quantidades de depósitos, seus valores e volume de cheques devolvidos configuram uma movimentação de atividade comercial exercida por pessoa jurídica. Considerando que os documentos das pessoas jurídicas apresentados pelo contribuinte não foram juntados aos autos para conferência das suas alegações e das planilhas que juntou com o Recurso e que tais documentos tampouco foram contestados de maneira específica pela fiscalização, entendo nos mesmos dizeres do acórdão transcrito que a fiscalização não cumpriu o papel que dela se esperava, que deveria ter investigado a origem dos eventuais fatos geradores a serem imputados ao contribuinte e sob pena de cerceamento do direito de defesa, deve ser cancelado o lançamento. (destaquei) Nestes termos, levandose em conta o elenco de fatos e provas, todos a corroborar a tese da contribuinte de que os recursos movimentados em suas contas bancárias advinham da atividade de intermediação de venda de café (corretagem) e produtor rural, deve se considerar comprovada a origem dos depósitos creditados nas contas de titularidade do contribuinte, cancelandose a exigência consubstanciada no Auto de Infração. MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO PARA 75%. O artigo 72 da Lei n° 4.502, de 1964, conceitua fraude como sendo “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 22 12 fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. Nestas circunstâncias, resta saber quando um ato praticado em conformidade com o Direito deixa de ser uma prerrogativa do contribuinte para se caracterizar em sonegação tributária, mediante fraude que impõe aplicação de multa qualificada. A qualificação da multa, no Direito Tributário, está sempre vinculada a uma ação ou omissão consciente, com a finalidade de suprimir ou reduzir tributo. O artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, ao prever multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), faz referência aos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A seu turno, a Lei n° 4.502, de 1964, nos artigos aqui referidos, dispõe, “in verbis”: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No presente processo a autoridade fiscal fundamentou no Termo de Verificação Fiscal, fls. 882/883, a qualificação da multa da seguinte forma: No presente caso houve a qualificação da multa pelo fato de que a omissão de rendimentos apurada supera em muito os rendimentos declarados, omissão esta caracterizada, principalmente, por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Considerou a fiscalização, portanto, que tal fato configurou omissão dolosa para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. De outro lado, entendo que a fraude somente se caracteriza a partir de uma ação ou omissão ilícita, o que não é o caso dos autos. Isso posto, não vejo no presente caso os pressupostos agravantes que permitem a qualificação da multa pelo fato de ter sido apurada uma omissão muito acima dos valores declarados. Ainda, considerando o cancelando a Infração 003, essa razão deixa de existir. Ainda mais, vejo que nesse caso, aplicase a seguinte Súmula Carf: SÚMULA CARF Nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 23 13 necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Destarte, voto por afastar a multa qualificada da exigência do crédito tributário mantido, reduzindoa de 150% para 75%. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, cancelando a Infração 003 Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com origem não comprovada e mantendo as exigências das Infrações 001 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas e 002 Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, com redução da multa de ofício aplicada de 150% para 75%. Assinado digitalmente. RUBENS MAURÍCIO CARVALHO Relator Declaração de Voto Descordo do ilustre relator no que se refere à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. De pronto, cumpre esclarecer que restou evidenciado nos autos que o contribuinte exerce múltiplas atividades, quais sejam: produtor rural, comerciante de café e corretor de café, de modo que não é correto que se presuma que a totalidade dos créditos bancários efetivados em suas contas bancárias, cuja origem não foi comprovada, seja fruto da atividade de corretor de café. O que restou comprovado nos autos foi que o contribuinte exercia a atividade de corretagem de café. Tal fato, por si só, não evidencia que a movimentação financeira ocorrida em suas contas bancárias seja decorrente desta atividade. Ora, poderseia também entender que os créditos efetivados em suas contas bancárias, cujas origens não foram comprovadas, fossem decorrentes da atividade rural ou da atividade de beneficiamento e venda de café. Não existem nos autos documentos que permitam concluir, de forma inequívoca, que os créditos com origem não comprovada fossem decorrentes da atividade de corretagem. Nesse ponto, importa observar que a presente situação não guarda semelhança com o Recurso Voluntário do Processo nº 10620.001213/200366, Acórdão nº 2102002.415, de 22/01/2013, da qual fui relatora, cujo voto foi mencionado pelo relator. Naquele caso, a contribuinte somente exercia a atividade de corretora de cereais e houve a apresentação de 149 notas fiscais de venda de cereais, cujo somatório (R$ 2.404.382,00) era bastante próximo ao valor total dos créditos efetivados na conta bancária da contribuinte Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13609.001432/200715 Acórdão n.º 2102002.595 S2C1T2 Fl. 24 14 (R$ 2.795.965,72). Estes dois fatos, aliados a outros, devidamente narrados e especificados naquele voto, foram preponderantes para que se acolhesse a alegação da recorrente de que os recursos movimentados em suas contas bancárias tinham origem na atividade de corretagem. No presente caso, conforme já afirmado, o contribuinte exercia outras atividades e os documentos apresentados não tem representatividade quando comparados com o volume de créditos havidos em suas contas bancárias. Pelas razões acima expostas, entendo que não restou comprovada a origem da totalidade dos depósitos bancários objeto da autuação, razão porque votei por apenas excluir do lançamento os valores correspondentes às 10 TED, relacionadas às fls. 594. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/10/ 2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assina do digitalmente em 23/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720627/2011-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido para resumir o caso. “O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, a ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. O processo foi encaminhado à fiscalização, a qual contatou que houve falta de lançamento de IPI por ter o estabelecimento, em operações que o caracterizava como equiparado a industrial, promovido a saídas de produtos tributados, sem o devido destaque. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 62 7/ 20 11 -2 2 Fl. 636DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.720627/201122 Resolução nº 3801000.749 S3TE01 Fl. 3 2 Conseqüentemente, foi refeita a escrita fiscal em decorrência do auto de infração lavrado no processo nº 10830.720891/201166. Diante disso, apenas parte do direito creditório foi reconhecido e parcialmente homologadas as compensações declaradas. Tempestivamente, o sujeito passivo manifestouse reportandose à impugnação do indigitado lançamento argumentando, em síntese, que sua defesa administrativa contra o Auto de Infração culminaria pelo retorno do saldo credor e que, pela decorrente suspensão da exigibilidade dos débitos lançados no processo nº 10830.720891/201166, as compensações declaradas no presente processo deveriam ser homologadas.” A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU O SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de ofício que reduziu o saldo credor do IPI, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito.” Após, a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual transcreve as alegações apresentadas no processo nº 10830.720891/201166, que trata do auto de infração formalizado para exigência de IPI e consectários legais. Ao final, solicita que “seja acolhido integralmente o Recurso Voluntário interposto, para o fim de serem decretadas insubsistentes as exigências tributárias com o decorrente cancelamento da exigência fiscal, legitimando o procedimento de compensação adotado pela Recorrente...” É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. São apresentados argumentos apenas em relação às exigências contidas no auto de infração, objeto do processo nº 10830.720891/201166. Nada foi dito com relação à DRJ ter assentado não se poder considerar líquidos e certos os créditos pleiteados, o que impediria a homologação da compensação. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.720627/201122 Resolução nº 3801000.749 S3TE01 Fl. 4 3 Apesar disto, verifico no voto da decisão recorrida e no recurso voluntário que a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal da contribuinte, de modo que os créditos dos períodos de apuração foram consumidos pelos débitos normais dos períodos e pelos débitos apurados na ação fiscal, tendo concluído a autoridade fiscal pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento nos anos de 2006 a 2010. O pedido de ressarcimento que se discute neste processo fundase em saldo credor da contribuinte que só passou a ser questionado pelo Fisco com a instauração de procedimento fiscal que resultou na lavratura de auto de infração e instauração do processo nº 10830.720891/201166. Assim, a incerteza e a falta de liquidez dos créditos estão baseadas nos fatos e direito discutidos naquele processo administrativo. Não se pode julgar sobre o direito de crédito aqui pleiteado sem o conhecimento do que finalmente decidido no processo administrativo nº 10830.720891/201166. Em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, verifiquei que foi interposto recurso voluntário contra a decisão de primeira instância proferida naquele processo, logo, ele não se encontra definitivamente julgado na esfera administrativa. Por estas razões, voto por baixar o processo em diligência para que a unidade de origem aguarde decisão administrativa definitiva do CARF no processo administrativo nº 10830.720891/201166; após, junte a estes autos cópias das decisões proferidas pelo CARF naquele processo; finalmente, devolva os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 638DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917200/2011-78
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2000
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2000 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 00 /2 01 1- 78 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917200/201178 Acórdão n.º 3801003.992 S3TE01 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917200/201178 Acórdão n.º 3801003.992 S3TE01 Fl. 51 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917200/201178 Acórdão n.º 3801003.992 S3TE01 Fl. 52 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917200/201178 Acórdão n.º 3801003.992 S3TE01 Fl. 53 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917200/201178 Acórdão n.º 3801003.992 S3TE01 Fl. 54 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917200/201178 Acórdão n.º 3801003.992 S3TE01 Fl. 55 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10935.907097/2011-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/12/2001
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 97 /2 01 1- 57 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070351), indeferiu o Per/DComp transmitida em 13/12/2001, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.345, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 13/12/2001 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907097/201157 Acórdão n.º 3803005.599 S3TE03 Fl. 7 3 as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907097/201157 Acórdão n.º 3803005.599 S3TE03 Fl. 8 5 No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900176/2009-34
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração, para o fim de suprir contradição que é aquela havida no interior da própria decisão.
LAPSO MANIFESTO
Acolhe-se o Despacho de Lapso Manifesto no caso de serem identificadas inexatidões materiais.
Numero da decisão: 1803-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e o Despacho de Lapso Manifesto para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803-001.948, de 06.11.2013, fls. 118-124, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, para o fim de suprir contradição que é aquela havida no interior da própria decisão. LAPSO MANIFESTO Acolhese o Despacho de Lapso Manifesto no caso de serem identificadas inexatidões materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e o Despacho de Lapso Manifesto para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.948, de 06.11.2013, fls. 118124, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 76 /2 00 9- 34 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900176/200934 Acórdão n.º 1803002.347 S1TE03 Fl. 144 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 39944.26159.260906.1.7.040565, em 26.09.2006, fls. 02 06, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$104.276,49 contido no DARF no valor de R$459.351,07 recolhido em 30.07.2003, determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1117. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01 20.500, de 25.01.2011, fls. 7983: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO D E COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 23.02.2011, fl. 84, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.03.2011, fls. 8592, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Consta na parte dispositiva como resultado do Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.948, de 06.11.2013, fls. 118124, para “rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório”. Por outro lado, na conclusão do Voto condutor está registrado: “Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário por não encontrar nos autos comprovação do direito creditório, mantendo, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA.” Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, fls. 127129, argumentando, em síntese que há contradição entre a parte dispositiva e na conclusão do Voto condutor no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.948, de 06.11.2013, fls. 118124. Ainda, foi proferido o Despacho de Lapso Manifesto, fls. 140142, para fins de sanar as inexatidões materiais, em face da Ata da Reunião de Julgamento do período de Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900176/200934 Acórdão n.º 1803002.347 S1TE03 Fl. 145 3 05.11.2013 a 07.11.2013 da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ do CARF/MF, formalizada no processo nº 151690.000109/201162. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, como também o Despacho de Lapso Manifesto, nos termos do art. 65 e do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim, deles tomo conhecimento. Assim, deles tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Procuradoria da Fazenda Nacional, aduz, em síntese que há contradição entre a parte dispositiva e a conclusão do Voto condutor no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.948, de 06.11.2013, fls. 118124. Restou identificada de forma clara, explícita e congruente a contradição que é aquela havida no interior da própria decisão, ou seja, a desconformidade interna da decisão jurisdicional. De outro lado, também foram identificadas inexatidões materiais, conforme Despacho de Lapso Manifesto, enganos esses que devem ser retificadas conjuntamente com apreciação dos Embargos de Declaração. Consta na Ata da Reunião de Julgamento do período de 05.11.2013 a 07.11.2013 da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ do CARF/MF, formalizada no processo nº 151690.000109/201162, fl. 431: Relator(a): SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo: 10283.900176/200934 Recorrente: SHOWA DO BRASIL LTDA Acórdão 1803001.948 Decisão: Por unanimidade de votos deram provimento parcial ao recurso voluntário para que o direito creditório seja analisado como saldo negativo. [...] Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900176/200934 Acórdão n.º 1803002.347 S1TE03 Fl. 146 4 Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão Para melhor espelhar a situação dos autos, devem ser rerratificados os seguintes trechos na parte dispositiva e no Voto condutor do Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.948, de 06.11.2013, fls. 118124, como segue: De: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. [...] Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário por não encontrar nos autos comprovação do direito creditório, mantendo, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Para: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. [...] Antes de entrar no mérito, passo a analisar a preliminar de nulidade em decorrência do indeferimento do pedido de diligência levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. 85 e segs. dos autos. Relativamente à diligência/perícia requerida não pode o pleito ser acolhido, pois a Recorrente busca o esclarecimento de fatos que já deveria ter sido providenciado desde a manifestação de inconformidade, conforme arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: “Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. No caso dos autos a perícia não se faz necessária, eis que as provas que foram (ou deixaram de ser) acostadas ao longo do procedimento fiscal são suficientes para a formação da convicção do julgador. Desse modo, não se faz necessária a dilação probatória por meio de diligências ou perícia. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900176/200934 Acórdão n.º 1803002.347 S1TE03 Fl. 147 5 E, não tendo a Recorrente anexado qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma diligência ou perícia, fazse imperioso indeferir o pedido. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, quando afirmou às fls. 79 dos autos: [...] “No caso presente, embora a manifestante afirme que se trata de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido, verificase que ao efetivar sua compensação a interessada indicou como crédito pagamentos correspondentes a estimativas mensais. Impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19961. os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei n° 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa.”. Porém, o único ponto levantado pela Recorrente é que é detentora do Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005, fl. 41 dos autos, e por isso afirma o seguinte: “Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 está respaldado por lei e ratificado pelo Decreto n° 756/69, de 11 de agosto de 1969, que trata das deduções tributárias para fins de investimentos, cujo artigo 1º, assim prescreve: ‘Art 1º. Todas as pessoas jurídicas registradas no Pais poderão deduzir do Imposto de Renda e seus adicionais não restituíveis: a) Até 75% (setenta e cinco por cento) do valor das obrigações, que adquirirem, emitidas pelo Banco da Amazônia S/A, com o fim específico de ampliar os recursos do Fundo para Investimentos Privados no Desenvolvimento da Amazônia (FINAM);’ Do mesmo modo, o Ato Declaratório n° 58, foi expedido por autoridade competente, ou seja, Sr. Delegado da Receita Federal, amparado por Resolução da SUFRAMA que autorizou a realização da atividade industrial da Recorrente, retroativamente ao ano de 2004, nos seguintes termos: ‘Art. 1° Fica reconhecido o direito da empresa SHOWA DO BRASIL LTDA, CNPJ n° 04.012.043/000148, à redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais não restituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004’”. A decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, consubstanciada através do Acórdão nº 0120.500, de 25.01.2011, asseverou, em síntese, que não haveria direito à compensação, pois a Recorrente, enquanto pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetue pagamento de estimativas mensais (IRPJ ou CSLL), só poderia utilizar esses valores ao final do período de apuração, já que a lei determina que o indébito seja apurado apenas no dia 31 de dezembro. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900176/200934 Acórdão n.º 1803002.347 S1TE03 Fl. 148 6 A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, em um voto bem fundamentado, mas sob uma premissa equivocada, não se pronunciou sobre o mérito do direito creditório da Recorrente, que efetivamente recolheu aos cofres públicos R$104.276,49, porém, manifestouse no sentido de que a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração da CSLL anual, seja para dedução do CSLL devida ou na composição do respectivo saldo negativo. Esse tema já possui direcionamento reiterado no CARF que fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Além do mais, a matéria é objeto da Súmula nº 84 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim determina: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Essa questão já foi enfrentada diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados dos Ilustres Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch. Nesse sentido tem cabimento adotar o mesmo entendimento constante no Acórdão 3º TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.654, de 09.04.2013, proferido no processo nº 10240.900338/201074, em cuja ementa consta: “IRPJ ESTIMADO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)”. De outro giro, a recorrente afirma categoricamente que o valor indevidamente recolhido compõe o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004, devendo sobre este ponto de vista ser apreciado pela Administração Tributária, juntamente com outras PER/DCOMP que indiquem o mesmo direito creditório. Com relação a redução de imposto de renda de 75% decorrente de projeto em área de atuação da extinta SUDAM é matéria estranha à lide não devendo ser apreciada por esta turma julgadora. Diante de tudo isso e em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instância administrativa preparadora estabeleceu como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para apreciação do aspecto meritório do crédito em tela. Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, Fl. 148DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900176/200934 Acórdão n.º 1803002.347 S1TE03 Fl. 149 7 abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Em assim sucedendo, voto por em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e o Despacho de Lapso Manifesto para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.948, de 06.11.2013, fls. 118124, afastando a contradição e alterando o decidido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 149DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13893.001097/2003-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. EXTINÇÃO POR PAGAMENTO. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO.
Não procede o lançamento motivado por não localização do pagamento de débito informado na DCTF, se o contribuinte, mediante documentação hábil e idônea, colacionada aos autos, comprova que o pagamento do débito cobrado foi efetivamente realizado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. EXTINÇÃO POR PAGAMENTO. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. Não procede o lançamento motivado por não localização do pagamento de débito informado na DCTF, se o contribuinte, mediante documentação hábil e idônea, colacionada aos autos, comprova que o pagamento do débito cobrado foi efetivamente realizado. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Marcos Antonio Borges.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. EXTINÇÃO POR PAGAMENTO. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. Não procede o lançamento motivado por não localização do pagamento de débito informado na DCTF, se o contribuinte, mediante documentação hábil e idônea, colacionada aos autos, comprova que o pagamento do débito cobrado foi efetivamente realizado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Marcos Antonio Borges. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 10 97 /2 00 3- 63 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13893.001097/200363 Acórdão n.º 3801004.175 S3TE01 Fl. 229 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de auto de infração eletrônico, decorrente do processamento da DCTF do anocalendário de 1998, lavrado em 18 de junho de 2003, cientificado à contribuinte em 11 de julho de 2003, conforme AR de fl. 59, exigindo crédito tributário no valor de R$ 277.012,93, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, diante da não localização de recolhimentos informados em DCTF, conforme demonstrativo: Falta de Recolhimento Código Receita Período Apuração Exigido (*) 2172 0106/98 36.212,30 2172 0109/98 28.400,73 2172 0112/98 40.719,76 Totais 105.332,79 (*) acrescido de multa de ofício e juros de mora 2. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 01/03, em 08 de agosto de 2003, alegando, em síntese, que os débitos exigidos foram recolhidos, conforme cópias dos DARF que anexa (docs. 04 a 06), fls. 35/37. 3. Em revisão de ofício, a DRF de origem excluiu parte do crédito tributário, nos termos do despacho de fl. 108, demonstrativos de fls. 103/106 e extrato do processo fl. 107: Falta de Recolhimento Revisão de Ofício Código Receita Período Apuração Exigido Excluído Litígio 2172 ► 01/06/1998 36.212,30 36.212,30 0,00 2 1 7 2 01/09/1998 28.400,73 0,00 28.400,73 2 i 7 2 01/12/1998 40.719,76 40.719,76 0,00 Totais 105.332,79 76.932,06 28.400,73 (*) acrescido de multa de ofício e juros de mora A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, excluindose a multa de ofício, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13893.001097/200363 Acórdão n.º 3801004.175 S3TE01 Fl. 230 3 FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. Diante da ausência, nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do recolhimento alegado pela contribuinte, mantémse as exigências fiscais formalizadas. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício, para débitos já declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, alegando, em síntese, que os valores lançados já haviam sido quitados conforme comprovantes de pagamento apresentados pela Recorrente por ocasião do Termo de Intimação n.° 033/2007 e na impugnação, sendo lavrado Termo de Retenção para reter a cópia autenticada do DARF relativo ao período remanescente nesta autuação, qual seja 01.09.1998 no valor de R$ 28.400,73 (vinte e oito mil, quatrocentos reais e setenta e três centavos), devidamente quitado, como comprovante de recolhimento desta exação. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13893.001097/200363 Acórdão n.º 3801004.175 S3TE01 Fl. 231 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração eletrônico, decorrente de auditoria interna da DCTF do ano calendário de 1998, que promoveu a constituição de crédito tributário de COFINS. Consta como descrição dos fatos que ensejaram a autuação a "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme anexo III", sendo informado que a situação do DARF encontravase como “Pgto não Localizado”. Apesar da descrição lacônica, inferese que a autuação tem por motivação a falta de recolhimento dos débitos declarados em DCTF relativo a pagamentos não localizados da COFINS informados para os meses de junho, setembro e dezembro nos valores de R$ 36.212,30, R$ 28.400,73 e R$ 40.719,76, respectivamente. Na impugnação o contribuinte argüiu que todos os valores apontados encontravamse devidamente recolhidos, juntando os DARF's respectivos. Em revisão do lançamento de ofício foram confirmados os pagamentos da COFINS informados para os meses de junho e dezembro nos valores de R$ 36.212,30 e R$ 40.719,76, respectivamente. Intimada a apresentar os DARFs originais a recorrente apresentou os documentos de fls. 66/68, sendo lavrado Termo de Retenção para reter a cópia autenticada dos mesmos. Nos documentos apresentados consta como nome do contribuinte a Expressão "Bba Creditanstalt Assessoria Administração e", e o CNPJ mostrase coincidente com o da contribuinte autuada. Conforme alega a recorrente, comprovado pela documentação societária acostada aos autos, a razão social BBA CREDITANSTAL ASSESSORIA, ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS DE CRÉDITO S/C LTDA, que assim constou no DARF à época de seu recolhimento, nada mais representou que a antiga denominação social da empresa FINAUSTRIA ASSESSORIA, ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS DE CRÉDITO S/C LTDA CNPJ 01.335.874/000162 e que referido equivoco no preenchimento do campo "nome" não possui o condão de afastar o pagamento realizado pela Recorrente e conseqüentemente afastar a extinção do crédito tributário nos termos do CTN 156, inciso I, posto que o recolhimento fora devidamente comprovado por meio da juntada do DARF e em razão do próprio Termo de Retenção lavrado pela RFB. Assiste razão à recorrente. Os comprovantes de pagamento acostados aos autos constituem elementos de prova hábeis e idôneos a confirmar o recolhimento dos valores lançados. O fato do DARF relativo ao período remanescente nesta autuação, qual seja Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13893.001097/200363 Acórdão n.º 3801004.175 S3TE01 Fl. 232 5 01.09.1998 no valor de R$ 28.400,73 não ter sido confirmado nos sistemas de controle da RFB não me parece suficiente para afastar a idoneidade do pagamento realizado. Uma vez apresentado o comprovante original do recolhimento, e que a princípio não apresenta nenhum elemento aparente que possa atestar a sua falsidade, o ônus da prova recai sobre o agente fiscal para infirmar a sua idoneidade. Os procedimentos para confirmação, pela Receita Federal do Brasil, de pagamentos e depósitos arrecadados estão disciplinados, atualmente, na Portaria Codac nº 89, de 19 de julho 2013 e dentre as suas providências preliminares previstas no seu art. 8, I consta a retenção do documento apresentado como comprovante de arrecadação, mediante lavratura de termo de retenção, o que foi feito no presente caso, providenciando a suspensão do crédito, fazendo assim prova a favor do contribuinte. Posteriormente, caso houvesse suspeita sobre a sua inautenticidade, deveria ser encaminhada cópia legível do documento retido à área de controle da Rede Arrecadadora da delegacia que jurisdiciona a matriz do agente arrecadador para que esse possa regularizar o registro da arrecadação ou, se for o caso, informar que a chancela aposta no documento retido não foi reconhecida, adotando assim as demais providencias cabíveis, o que não consta nos autos. Além disso, em consonância com o disposto no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006, caso entenda necessário, a unidade da Receita Federal de origem poderá proceder a retificação de ofício do referido Darf, trocando o nome da razão social antiga pelo da atual denominação social da empresa. Como conseqüência, em não tendo sido constatada a situação que fundamenta o presente lançamento, o mesmo deve ser cancelado em relação aos débitos remanescentes, exonerandose o crédito tributário nele exigido. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003462/2005-12
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. VALOR POR APTIDÃO AGRÍCOLA.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra, constante de sistema de preços de terras da Receita Federal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE.
Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Reserva Legal, reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental.
ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 considerar-se-á não impugnada a matéria que não seja expressamente questionada pelo contribuinte, estando, portanto, fora do litígio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a área de reserva legal de 319,0 ha. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. VALOR POR APTIDÃO AGRÍCOLA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra, constante de sistema de preços de terras da Receita Federal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Reserva Legal, reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 considerar-se-á não impugnada a matéria que não seja expressamente questionada pelo contribuinte, estando, portanto, fora do litígio. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. VALOR POR APTIDÃO AGRÍCOLA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra, constante de sistema de preços de terras da Receita Federal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Reserva Legal, reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 considerarseá não impugnada a matéria que não seja expressamente questionada pelo contribuinte, estando, portanto, fora do litígio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a área de reserva legal de 319,0 ha. Vencidos os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 34 62 /2 00 5- 12 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 2 Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Ewan Teles Aguiar. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado Auto de Infração, conforme folhas 113/115, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, relativo ao exercício de 2001, no valor de R$ 5.732,31, acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 4.299,23 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, tendo por objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Santo Inácio – Bonito de Baixo Samambaia”, cadastrado na RFB sob o nº 2.511.8056, com área declarada de 3.767,4 há e localizado no Município de Coromandel/MG. A lavratura deuse em 09/12/2005 e aperfeiçoouse com a ciência ao sujeito passivo em 15/12/2005 (fl. 117). Na “descrição dos fatos”, constante de fls. 108/110, narra a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento que, após regularmente intimado, o contribuinte não apresentara documentos para comprovar a isenção das áreas de preservação ambiental (Reserva Legal e Preservação Permanente); declarara uma área ocupada com benfeitorias superior àquela por ele mesmo reconhecida, em resposta à intimação fiscal e que arbitraria o VTN com base no SIPT (sistema de preços de terras da RFB) considerando as informações existentes; decorrentes de apurações informadas pela Secretaria Estadual ou Municipal de Agricultura. Na “complementação”, o Auditor Fiscal demonstra com base nos dados obtidos no Sistema de Preços de Terras –SIPT, instituído pela RFB, como chegou ao valor arbitrado para o VTN do imóvel. Verifico na folha 106 o extrato contendo a tela informativa do referido Sistema e destaco que há, para o exercício de 2001, informações sobre aptidão agrícola/valor, para vários tipos de terra. A DITR objeto da revisão fiscal está copiada na folha 04. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 3 Inconformado com o lançamento do crédito tributário, o contribuinte apresentara impugnação (folha 119 e seguintes). Questiona a glosa das áreas de preservação ambiental, afirmando que realmente existem; quanto ao valor da terra nua arbitrado, manifesta se contrário, dizendo que declarou o imóvel pelo valor da aquisição, que consta de Escritura. Na folha 13 consta cópia do Termo de Intimação, sem a intimação do contribuinte para apresentar, dentre outros documentos, Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel, com as especificidades relativas às normas técnicas. Percebendo isso, a Autoridade Julgadora de 1ª instância proferiu o Despacho de folha 146, para que fosse orientado o contribuinte sobre a documentação necessária para comprovar o valor da terra nua, contrapondo ao arbitramento efetuado pela Fiscalização. O Laudo apresentado, então, consta de folhas 152 e seguintes, com a ART registrada. A manifestação de inconformidade foi conhecida e tratada pela DRJ/BRASÍLIA, nos seguintes termos, em resumo (fl. 163). Disse o Julgador de 1ª instância que: existem duas exigências formais para que se considere isentas as áreas de preservação permanente e/ou reserva legal: a primeira é que a reserva legal esteja averbada à margem da matrícula do imóvel no registro imobiliário competente, a segunda diz respeito á necessidade de reconhecimento de tais áreas como de interesse ambiental por intermédio de Ato Declaratório Ambiental – ADA, emitido pelo Ibama ou órgão conveniado, protocolizado tempestivamente. considerandose que não foi comprovada a exigência relativa ao ADA, não há que se excluir qualquer área ambiental da incidência do ITR/2001, seja de preservação permanente, qualquer que seja a sua dimensão, ou mesmo a área de utilização limitada/reserva legal averbada, mantendose a glosa da autoridade fiscal. no que tange ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, verificase que o autuante rejeitou o VTN declarado de R$ 1.100.000,00 (R$ 291,98 por hectare) para efeito de apuração do ITR/2001, por entender que o mesmo estava subavaliado, arbitrando o valor de R$ 2.829.270,00, com base no VTN médio, por hectare, de R$ 750,98, apurado com base nos valores apontados no SIPT, extrato de fls. 94, observados os diversos tipos de terras da propriedade. Esses valores foram fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais, nos termos do § 1° do art. 14, da Lei n° 9.393/1996. é preciso ressaltar que não há previsão legal para se considerar, como valor de mercado, o valor de aquisição do imóvel rural, para efeito de apuração do VTN, que servirá de base de cálculo do respectivo imposto, cabendo observar o disposto no art. 8°, § 2° da Lei 9.393/96. seria documento hábil a comprovar o VTN laudo técnico de órgão estadual e/ou federal, como também, nos termos da Norma de Execução Cofis n° 005, de 27 de maio de 2004, aplicável ao exercício de 2001, ou Laudo Técnico de Avaliação, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica, devidamente registrada no CREA, efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal), com os requisitos da NBR 8799 e, atualmente, da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), demonstrando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas. O "Laudo Técnico" apresentado, doc. de fls. 138/144, emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotada no Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 4 CREA, fls. 145, não atende aos requisitos das Normas da ABNT (atualmente a NBR 14.6533), principalmente no que diz respeito à metodologia utilizada e As fontes eventualmente consultadas; não se mostrando hábil para a finalidade a que se propõe, por não demonstrar, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2001 (01/01/2001). Assim, decidiu o Acórdão recorrido “por unanimidade de votos, PARA JULGAR PROCEDENTE o lançamento... Regularmente cientificado dessa decisão, conforme Aviso de Recebimento em 03/03/2008 (fl. 175), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 31/03/2008 (fl. 188), onde assim expõe suas razões, em síntese: 1 – parte do lançamento deriva de glosa da área de reserva declarada, baseada em questões meramente formais, que seriam irrelevantes. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes para concluir que a falta de apresentação do ADA ou sua entrega tempestiva, bem como a falta de averbação da reserva legal, “deixaram de ser tratadas como regra absoluta” para gozo de isenção; 2 – cita dispositivos da revogada Lei nº 8.847/1994; 3 – em relação ao VTN, diz que forçosa é a conclusão que o Valor da Terra Nua — VTN é determinado em função de peculiaridades inerentes a cada propriedade rural, não comportando que seja unilateralmente adotado pela Secretaria da Receita Federal, a revelia do fazendeiro interessado, como ocorreu no presente caso, desprezando fatos concretos e inerentes, máxime quanto às exclusões e isenções previstas em lei ; 4 – defende o Laudo Técnico apresentado, para que seja considerado, porque resultante de “minuciosa vistoria feita in loco”; Desta feita, REQUER a reconstituição dos cálculos que o caso está a desafiar, para sua conseqüente adequação à verdadeira materialidade dos fatos. Observo que o recurso foi subscrito pela Advogada Mônica Rosa Pereira, OAB/MG 57.403, que teve procuração passada em 25 de março de 2008 pela Senhora Josefa Francisca Nunes, inventariante do espólio de Sebastião Antônio da Silva, conforme Termo de Compromisso passado em juízo (fl. 204) em 13 de fevereiro de 2008. Conforme Certidão de óbito, o contribuinte faleceu em 08 de fevereiro de 2008 (fl. 205). É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 5 A lide deve ser limitada e contextualizada, tomandose como limites, de um lado, as alterações perpetradas na DITR, pela Autoridade Fiscal, consubstanciadas no Auto de Infração e, de outro lado, a resistência do contribuinte, expressa na impugnação. Assim, sendo chamo a atenção que foi alterada a área ocupada como benfeitorias, passandose do valor declarado de 150,0 há para 75,5 há, sendo que isso não foi contestado pelo contribuinte, nem na impugnação, nem no recurso. Dessa feita, considerarseá matéria fora do litígio, conforme disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972, que estabelece as regras concernentes ao processo administrativo fiscal (PAF). Também observo que na DITR não foi declarada qualquer área como de utilização limitada/reserva legal. Assim, em seu demonstrativo de apuração (fl. 107) o Auditor Fiscal nada alterou. A área de reserva legal, por definição de lei, é diferente da área de preservação permanente. Segundo a Lei nº 4.771, de 1965, com alterações posteriores, consideramse de Preservação Permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água; ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água"; no topo de morros, montes, montanhas e serras; nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°; nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; nas bordas dos tabuleiros ou chapadas,e etc. Já Reserva Legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Considerando as matrículas de imóvel apresentadas, o Julgador de 1ª instância, verificando que havia reserva legal averbada, em parte, em área menor que a declarada como de preservação permanente, entendeu que poderia considerar uma pela outra, se houvesse o competente Ato Declaratório Ambiental – ADA. Vejamos no Acórdão, fl. 168: Assim sendo, para fazer jus à não tributação da área declarada como de utilização limitada/reserva legal, em se tratando do exercício de 2001, a exigência de averbação da referida Area deveria ter sido cumprida, pelo interessado, até a data de ocorrência do fato gerador do correspondente exercício, no caso 01/01/2001. No presente caso, o contribuinte comprovou o cumprimento da obrigação ora tratada para uma área total de 319,0 ha (289,0 ha para a matricula 11.830, AV111.830, em 29/08/1997, fls. 17, e 30,0 ha para a matricula 8.764, AV38.764 em 17/02/1989, fls. 12), portanto, menor que a declarada como preservação permanente. Assim, a desconsideração da isenção das áreas de preservação ambiental deu se pela não apresentação do ADA. Vejamos no Acórdão recorrido (fl. 169): No presente caso, o impugnante não comprovou a protocolização, tempestiva, do, requerimento solicitando o competente Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA ou órgão conveniado. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 6 Em síntese, a solicitação tempestiva do ADA constituise urn ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre a referida área, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA ou, não adotada tal atitude, deveria oferecer a área de utilização limitada à tributação. Façamos então breve digressão sobre o instituto da isenção tributária: CTN Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração Natureza da isenção. Conforme art. 175, caput, a isenção exclui o crédito tributário, ou seja, surge a obrigação, mas o respectivo crédito não será exigível; logo, o cumprimento da obrigação resta dispensado. Para Rubens Gomes de Souza, favor legal consubstanciado na dispensa do pagamento de tributo. Para Alfredo Augusto Becker e José Souto Maior Borges, hipótese de nãoincidência da norma tributária. Para Paulo de Barros Carvalho, o preceito de isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério antecedente ou do conseqüente da norma tributária, paralisando a atuação da regra matriz de incidência para certos e determinados casos.(PAULSEN. Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 10 ed – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1179) DO ADA COMO REQUISITO PARA ISENÇÃO A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 7 A jurisprudência da Câmara Superior deste CARF já se manifestou em julgamento no Acórdão 9202 – 002.383 (processo: 10120.000407/200628, data 13/03/2013, Relatora Susy Gomes Hoffmann): ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área.(grifei) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Verifico também que a matéria é objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 41 – A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ora, a contrario sensu, claro está que a não apresentação do ADA pode motivar lançamento de ofício para exercícios a partir de 2001. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e(grifei) Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 8 áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Destaquese que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar. É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) O órgão de controle, Ibama, a seu turno, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a supra mencionada Portaria, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 9 “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório AmbientalADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR ; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Bem, não estamos discutindo a existência da área de preservação permanente ou de utilização limitada, frisese. A não existência ou a não preservação poderia ensejar, para o proprietário, outras repercussões ou sanções previstas na legislação ambiental/penal. Na esfera tributária, o que nos cabe discutir e avaliar, creio, é se os requisitos estabelecidos para que seja aproveitada uma isenção estão presentes. Não me parece que a exigência do ADA não tenha previsão legal. Tampouco que ela não esteja disciplinada e ainda que não seja, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. Com o devido respeito à jurisprudência colacionada pelo contribuinte recorrente, que não é unânime neste Conselho, como deve ter verificado em sua pesquisa, entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 10 inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, desta feita, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Contudo, entendendo a autoridade fiscal que se faz necessária comprovação, principalmente no que diz respeito a uma isenção pleiteada pelo declarante, cabe a este atendê la. Quando não o faz, na forma prevista em diploma legal, que, portanto, revestese de todas as prerrogativas e formalidades que possamos aqui discutir, é de entenderse que restou não comprovada a veracidade da declaração. Mais uma vez vejamos o que diz o Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 47. A DITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal, que, se for o caso, pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. Assim, data vênia, não vejo que o dispositivo legal tenha vindo a criar uma isenção sem condições ou requisitos para sua fruição ou mesmo permita entender que outros documentos possam vir a suprir um especificamente indicado por Lei. Também não vislumbro que caiba ao Fisco provar que o contribuinte não satisfaz os requisitos para isenção, cabendo apenas regularmente intimálo para tal, estando a cargo do declarante comprovar a veracidade das informações. Portanto, discordo do Recorrente quando diz que a glosa da área declarada é baseada “em questões meramente formais que a hodierna jurisprudência admite como irrelevantes”. DA ALTERAÇÃO NO VTN. ARBITRAMENTO. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2001, foi alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB) pela autoridade fiscal, passandose a considerar o valor apurado conforme relatório integrante do Auto de Infração. (fl. 110) Instado a contestar, na fase litigiosa do procedimento, o valor arbitrado, não comprovou, através de Laudo de Avaliação do imóvel, nos ditames da NBR 14.653 da ABNT, o valor declarado, O Laudo Técnico apresentado deveria conter, conforme estabelecido na Norma Técnica citada, o grau de fundamentação de no mínimo II, o que significa que é exigida a identificação das fontes de pesquisa/informação (item 7.4.3.3), número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco (item 9.2.3.5), homogeneização dos resultados obtidos como o comparativo das características dos imóveis, cálculo da média com expurgo Fl. 226DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 11 dos dados e desvio padrão. Por não atender a esses parâmetros técnicos, foi rejeitado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância. Vejamos (fl. 170): O "Laudo Técnico" apresentado, doc. de fls. 138/144, emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotada no CREA, fls. 145, não atende aos requisitos das Normas da ABNT (atualmente a NBR 14.6533), principalmente no que diz respeito à metodologia utilizada e às fontes eventualmente consultadas; não se mostrando hábil para a finalidade a que se propõe, por não demonstrar, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel A época do fato gerador do ITR/2001 (01/01/2001). A tela informadora do sistema SIPT encontrase anexada na fl. 106. Ali observase que constam informações sobre o “VTN médio por aptidão agrícola” para o Município de Coromandel/MG, no exercício de 2001, e que o valor utilizado no lançamento levou em consideração os tipos de terra/cobertura existentes e a distribuição das áreas informadas na DITR. Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a possibilidade de utilização do VTN por aptidão agrícola constante do SIPT, calculado a partir das informações sobre preços de terras referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, para imóveis localizados em determinado Município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal, uma vez que além de encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que reflete a realidade e a peculiaridade do imóvel. Senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 1ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 12 Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 13 §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Portanto, o contribuinte teve a oportunidade de demonstrar, nos autos, que seu imóvel tem valor diverso do arbitrado pela Autoridade Fiscal, que utilizou parâmetros legalmente aceitos. Entretanto, o Laudo não atende a requisitos técnicos necessários para ilidir o arbitramento, como já explanado no Acórdão recorrido, com o que concordo. No recurso, não foram apresentados novos documentos ou complementado o Laudo anterior. Assim, face ao exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento somente acerca da área de Reserva Legal. Quanto a área de reserva legal, temos que a fiscalização a glosou em razão da falta de apresentação de ADA tempestivo. Cingese, então, a discussão em saber se a apresentação do ADA tempestivo é elemento essencial e indispensável para que as áreas possam ser isentas de tributação. Nesse sentido, cabe destacar, com relação à matéria, o que prevê o art. 10 da Lei 9.393/96, o qual disciplina a apuração do ITR: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior.” A exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal para fins de apuração da área tributável do ITR, por sua vez, está prevista nas alíneas “a”e “b”, do inciso II, §1º, do artigo supramencionado: “§ 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 14 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;” Até o Exercício de 2000, o ADA, segundo entendimento amplamente dominante desse Egrégio Conselho, não era indispensável para efetiva comprovação quanto à existência das áreas passíveis de serem excluídas de tributação, de modo que admitiase a comprovação mediante a produção de outras provas. Isso se dava, principalmente, em razão de à época, inexistir previsão legal no sentido de caracterizar aquele documento como requisito para o gozo da isenção. A exigência se dava tãosomente através de instrumentos infralegais, com o que entendiase não ser possível exigirse o ADA como requisito indispensável ao benefício. Ocorre que, em 2000, com o advento da Lei nº 10.165/00, que incluiu o art. 17O, § 1º, à Lei nº 6.938/81, a exigência de apresentação do ADA passou a ter fundamento legal, expressandose o dispositivo no seguinte sentido: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” É certo que a Administração Pública, em razão do disposto no art. 37, caput, da Constituição Federal, que prevê o princípio da legalidade, deve, necessariamente, cumprir as determinações dos ditames legais, salvo se contrários a alguma norma constitucional – o que parece não ser o caso do dispositivo acima mencionado. Assentese, assim, que, em consonância com tal dispositivo, o ADA passou a ser documento indispensável para fruição da isenção. Todavia, em 24 de agosto de 2001, foi editada a MP 2.16667, que inseriu o §7º ao art. 10 da Lei nº 9.393/96: “Art. 10. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” Denotase, assim, que a regra que foi inserida pela Medida Provisória em comento diverge daquela prevista no art. 17O, § 1º, à Lei nº 6.938/81. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN 15 Em consonância com as regras de resolução de antinomias entre regras jurídicas previstas na Lei de Introdução do Código Civil, segundo a qual as normas mais novas revogam as anteriores no que forem divergentes, entendemos que, hoje, encontrase em vigor, sendo plenamente aplicável, a regra do art. 10, §7º, da Lei nº 9.393/96, que não condiciona a isenção à prévia apresentação do ADA. É clara a norma decorrente do art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 ao determinar que a isenção de ITR não dependerá da prévia apresentação do ADA, com o que se pode concluir que admitese a posterior apresentação do mesmo no caso em que a Fiscalização tenha dúvidas quanto à efetiva possibilidade de determinado beneficiário gozar do benefício, ou mesmo a apresentação de outros documentos que tenham força probante suficiente para corroborar as informações da declaração. A respeito da comprovação é importante destacar a previsão da Lei nº 4.771/96 (Código Florestal), que no § 2º do art. 16 (incluído pela Lei nº. 7.803/89) define que “reserva legal é a área de, no mínimo, 20% de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso”, e no § 8º prevê que tal área “deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão a qualquer título, ou de desmembramento da área”. De acordo com artigo acima mencionado do Código Floresta a averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel é maneira legalmente prevista de comprovar a preservação e conseqüentemente a existência das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Observase que consta da matrícula do imóvel, às fl. 12, 13 e 18, averbação do termo de responsabilidade de preservação de florestas firmado entre o contribuinte/proprietário do imóvel e a autoridade florestal, segundo o qual a área de 319,00 ha ficou gravada como de Reserva Legal. Da análise dos requisitos para isenção do ITR, especificamente a comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental e averbação na matrícula do imóvel da referida área, cabe computar a área a área de 319,00 ha como área de Reserva Legal, excluindoa, desse modo, da área tributável pelo ITR no exercício em exame. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para acatar a área de Reserva Legal de 319,00 ha. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 231DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 12893.000076/2007-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins).
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Não se aplica
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Numero do processo: 13433.720861/2011-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL.
A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso ao qual se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente
(assinado digitalmente)
Solon Sehn - Relator
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Redator designado
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente (assinado digitalmente) Solon Sehn - Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator designado Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 08 61 /2 01 1- 21 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, que manteve a exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), assentado nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇOẼS ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que a contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente, em suas razões recursais de fls. 50 e ss., alega que optou pela inclusão no Simples, desde a data de sua constituição (09/01/1997), sendo excluído de ofício, em 30/06/2007, por exercer atividade econômica vedada, fundamentada pelo inciso XI do art. 17 da Lei Complementar no 123/2006, conforme Termo de Indeferimento de Opçaõ pelo Simples Nacional, registrado em 20/07/2007. Assim, estaria dispensada de apresentar o Dacon no período, conforme inciso I do art. 5º da IN/SRF nº 590/2005, ficando obrigada apenas a partir do período que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos. Requer o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13433.720861/201121 Acórdão n.º 3802003.409 S3TE02 Fl. 64 3 A ciência da decisão se deu no dia 06/09/2013 (fls. 47) e o protocolo do recurso, em 02/10/2013 (fls. 50). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Inicialmente, embora intempestiva a entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), cumpre destacar que este foi extinto pela Instrução Normativa RFB nº 1.441/2014: “Art. 1º Fica extinto o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase também aos casos de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2014. Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 4º Fica revogada a Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 5 de março de 2010.” Ao extinguir o demonstrativo, a IN RFB nº 1.441/2014 fez com que a sua não apresentação e sua transmissão extemporânea deixassem de ser tratadas como contrárias à exigência de ação prevista nas INs RFB nº 1.015/2010, nº 940/2009 e nº 590/2005, que, como se sabe, estabeleceram, entre 2005 e 2014, a obrigatoriedade desse dever instrumental. Assim, à medida que não se trata de ato definitivamente julgado, fraudulento ou que tenha implicado a falta de pagamento de tributo, deve ser aplicado deofício o disposto no art. 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;” Com efeito, a revogação da regra de obrigatoriedade do Dacon implica a desoneração da multa decorrente do seu descumprimento. Isso ocorre porque toda violação de um dever instrumental constitui uma infração. Logo, a extinção do dever afasta também a infração. Há, na linha do que ensina Paulo de Barros Carvalhos, uma equivalência entre as Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 alíneas “a” e “b”, o que também é ressaltado pela doutrina de Hugo de Brito Machado e Sacha Calmon Navarro Coêlho: “As duas primeiras alíneas dizem quase a mesma coisa. Toda a exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 16 ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 94). “Não conseguimos ver qualquer diferença entre as hipóteses da letra ‘a’ e da letra ‘b’. Na verdade, tanto faz deixar de definir um ato como infração, como deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 77). “Dáse que o contribuinte praticou o ato vedado ou não praticou o ato obrigatório. Cometeu em qualquer dos casos uma infração. Lei posterior risca do mapa jurídico o dever de fazer que foi descumprido ou o dever de nãofazer que, não obstante, foi exercido. A lei posterior e nova, pois, aplicase retroativamente para apagar os deveres, as infrações e as penalidades às infrações. Por que punir o desrespeito a algo que, se reconhece, nao era assim tão importante, tanto que pôde ser desjuridicizado?” (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 566). Votase, assim, pelo conhecimento e provimento do recurso voluntário, com a consequente afastamento da multa pelo atraso na entrega do Dacon. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator designado: O litígio trata da exigência de multa por atraso na entrega do DACON do primeiro semestre de 2006. Em função da edição da IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014, cujo artigo 1º extinguiu o demonstrativo em tela, entende o i. relator que a não apresentação e a transmissão extemporânea da declaração deixaram de ser tratadas como contrárias à exigência da correspondente ação por parte do sujeito passivo. Assim, uma vez que não se trata de ato definitivamente julgado, votou o nobre relator pela desoneração da multa objeto da lide, com fundamento no artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional. Com efeito, entendimento similar ao seu encontra guarida na jurisprudência: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ATRASO NA COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE 'TORNA GUIAS' DESTINADAS A DEMONSTRAR A CONCLUSÃO DE OPERAÇÃO DE TRÂNSITO Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13433.720861/201121 Acórdão n.º 3802003.409 S3TE02 Fl. 65 5 ADUANEIRO, NOS TERMOS DA IN SRF N. 84/89. NORMA SUPERVENIENTE (IN SRF Nº 70/97) QUE DESOBRIGA O BENEFICIÁRIO DESSA COMPROVAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA MAIS BENIGNA (ART. 106, II, "A" OU "C" DO CTN). 1. Execução fiscal que tem origem em auto de infração lavrado com aplicação de multa por atraso na comunicação da conclusão de trânsito aduaneiro simplificado, com fundamento no art. 521, III, "c", do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto nº 91.030/85). 2. A Instrução Normativa SRF nº 70/97 suprimiu o dever instrumental tributário (a "obrigação acessória") de comprovar, na origem, a entrega dos bens no destino. Encargo que foi transferido para a própria repartição de destino (e não mais ao beneficiário do trânsito aduaneiro). 3. Se a conduta em questão deixou de ser obrigatória e, por extensão, não mais autoriza a imposição de qualquer sanção, impõese reconhecer a retroatividade da lei tributária mais benigna a que se refere o art. 106, II, "a", do CTN. Precedente da Turma. 4. Podese argumentar, é certo, que não se trata, propriamente, de um ato que deixou de ser uma infração, mas de um ato que se tornou desnecessário por força da norma superveniente. Ainda assim, tais fatos estariam subsumidos à hipótese do art. 106, II, "c" do CTN, isto é, em que a norma superveniente deixa de tratar o fato "como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo". 5. Condenação da União em honorários de advogado. 6. Apelação a que se dá provimento. [nota: na verdade, a transcrição da alínea “c” corresponde à alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN] (TRF 3ª Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº 1.648.600. Relator: Renato Barth. Data do acórdão: 14/06/2012. Publicado em 22/06/2012) (Grifos nossos) Porém, com a devida vênia, penso de forma diferente, vez que o caso presente me parece ter uma peculiaridade que o torna distinto da jurisprudência supra, a ponto de o mesmo não se subsumir è hipótese de que trata o artigo 106, II, “b”, do CTN. A IN RFB nº 1.441, de 2014, com efeito, extinguiu o demonstrativo em comento, mas apenas em relação “aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014” (artigo 1º). Tanto isso é verdade que o artigo 2º da norma em tela prescreve que “a apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso”. Assim, a nova instrução normativa, em relação aos fatos geradores anteriores a 2014, não deixou de tratar o ato omissivo como contrário à exigência de sua apresentação, de sorte que é inaplicável, à presente realidade, o disposto no artigo 106, II, “b”, do CTN. De fato, a extinção do DACON a partir de 1º de janeiro de 2014 foi motivada pela implantação da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita – EFD Contribuições, no âmbito do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital. Tal implantação vem ocorrendo de forma paulatina desde de 1º de janeiro de 2012, seguindo o cronograma traçado pela IN RFB nº 1.252, de 1º/03/2012. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 Na EFD Contribuições passaram a ser detalhadas as informações que outrora eram disponibilizadas no DACON, tornando esta obsoleta a partir de então. Tanto isso é verdade que, relativamente aos períodos anteriores a 2014 (quando o SPED ainda não operava plenamente), ainda há necessidade de se utilizar programa gerador do DACON no caso desta não haver sido transmitida, ou, ainda, na hipótese de retificação da declaração. Logo, não se cogita de que a norma tenha deixado de tornar obrigatória a apresentação do DACON com respeito aos períodos anteriores a 2014, motivo pelo qual, penso, é inaplicável ao caso a retroatividade benigna prevista no CTN. Vale lembrar que a multa pela apresentação extemporânea da obrigação tributária acessória do DACON, instituída por instrução normativa da Receita Federal, está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. Quanto à exclusão da recorrente do SIMPLES, adoto, como razões de decidir os argumentos aduzidos pela primeira instância, principalmente no tocante ao motivo pelo qual a interessada foi excluída do sistema, que se subsume ao disposto no inciso II do artigo 15 da Lei nº 9.317/96, onde está consignado que a exclusão do SIMPLES surtirá efeitos “a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º”. Diante da atividade exercida pelo sujeito passivo – construção de imóveis – vedada à opção pelo SIMPLES nos termos do artigo 9º, inciso V, da Lei nº 9.317/96, não resta dúvida de que a reclamante, considerando os efeitos retroativos da exclusão, estava obrigada à apresentação da declaração. Uma vez demonstrada a legitimidade da exigência da multa pelo atraso na entrega do DACON e a inaplicabilidade da retroatividade benigna, deverá ser mantido o lançamento correspondente à exigência lavrada contra o sujeito passivo. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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