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Numero do processo: 19515.004003/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96)
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 03 /2 01 0- 21 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96) (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004003/201021 Acórdão n.º 2302002.903 S2C3T2 Fl. 181 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 116/125), que bem resume o quanto consta dos autos: DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.313.4851, lavrado pela Fiscalização contra o Contribuinte em epígrafe, relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, da parte dos segurados contribuintes individuais – sócios, incidentes sobre as suas remunerações, não descontadas pela empresa. O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 67.439,64 (sessenta e sete mil e quatrocentos e trinta e nove reais e sessenta e quatro centavos), abrangendo o período de 01/2006 a 12/2006, consolidado em 24/11/2010. O Relatório Fiscal, de fls. 22 a 29, informa que: • O procedimento de fiscalização foi autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF) nº 0819000 2010 011098, de 09/04/2010, com ampliações de 18/10/2010 e 26/10/2010; • A ação fiscal foi iniciada em 29/04/2010, data da ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF; • O procedimento fiscal foi encerrado parcialmente, com a ciência do Contribuinte, em 21/10/2010, tendo sido emitidos o AI relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003303/201092) e o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal • Através da análise dos extratos bancários fornecidos, foram identificados, durante todo o ano calendário de 2006, lançamentos a débito na conta Unibanco – Ag. 7335 – c/c 1043713, com o histórico “PGTO SALÁRIOS”, apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social; • Uma vez que a movimentação financeira não estava escriturada integralmente no Livro Caixa, a empresa foi intimada a apresentar esclarecimentos, tendo informado, conforme declarações anexas, que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Estes pagamentos mensais, obtidos através dos Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 extratos bancários, encontramse discriminados no ANEXO 3 – LUCROS DISTRIBUÍDOS / PAGAMENTO SALÁRIO (fl. 34); • O Contribuinte entregou a DIPJ 2007, ano calendário 2006, com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições; • No caso de opção pelo lucro presumido, entendese como lucro passível de distribuição o valor deste lucro, diminuído dos impostos e contribuições devidos (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS/PASEP). O item 5.1.4.1. apresenta a legislação relativa à distribuição de lucros para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido; • Ao comparar o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada, e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatouse que o Contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido pelos critérios de apuração fixados para empresas que fizeram tal opção; • Tendo em vista que o Contribuinte não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais – sócios da empresa, a título de “pro labore”, pelo serviço prestado. A tabela do item 5.1.7 do Relatório Fiscal relaciona alguns sócios que constaram das notas fiscais de serviços ou dos aditivos de contrato de prestação de serviços apresentados, e que, conseqüentemente, prestaram serviços; • Diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, e considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, as remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, §§ 3º e 6º; • Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas, e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando nos Valores Distribuídos a Maior, conforme tabela demonstrativa do item 5.2.2; • Para determinação da Receita, no encerramento parcial da fiscalização, foi apurada Omissão de Receita através das Notas Fiscais de Prestação de Serviços e a Presunção de Omissão de Receitas decorrentes dos créditos não comprovados do extrato bancário. Estes valores encontramse demonstrados nas planilhas anexas, integrantes do processo nº 19515.003303/201092, relativo ao IRPJ e reflexos: ANEXO 1 – PLANILHA DOS CRÉDITOS JUSTIFICADOS E NÃO JUSTIFICADOS (fls. 30/31); ANEXO 2 – DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS INFRAÇÕES (item 1 – RECEITAS Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004003/201021 Acórdão n.º 2302002.903 S2C3T2 Fl. 182 5 BRUTAS OMITIDAS e item 2 –PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS) (fls. 32/33); • Conforme o disposto no artigo 725, do Decreto nº 3000/99 (RIR/99), foi efetuado o reajuste dos Valores Distribuídos a Maior, considerados como pagamento líquido aos contribuintes individuais – sócios, utilizandose a fórmula de reajustamento da base de cálculo para obtenção do rendimento bruto de acordo com o artigo 20 da Instrução Normativa nº 15/2001. A tabela do item 5.2.4 demonstra o reajuste efetuado; • As contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais não descontadas pela empresa, objeto da presente autuação, foram calculadas pela alíquota de 11% sem o limite máximo do salário de contribuição, por aferição indireta com base nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8212/91; • O item 7 do Relatório Fiscal relaciona os documentos examinados; • O item 8.3 do Relatório Fiscal informa que muito embora o período de apuração auditado seja anterior à edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, devese observar o principio da retroatividade benigna, previsto no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a imposta pela legislação superveniente, a fim de verificar qual a penalidade menos onerosa ao Contribuinte. Conforme a planilha comparativa de cálculo constante do ANEXO 4 e 6 (fl. 37), coluna “MULTA MAIS BENÉFICA”, existem duas situações: “ANTERIOR” – multa de mora de 24% e Auto de Infração código 68 – competências 02/2006, 03/2006, 05/2006, 06/2006, 08/2006, 09/2006, 11/2006 e 12/2006 “ATUAL” – multa de ofício de 75%, competências 01/2006, 04/2006, 07/2006, e 10/2006; • O item 10.1 relaciona os demais Autos de Infração lavrados, referentes à contribuições previdenciárias; • Por não informar a remuneração dos contribuintes individuais –sócios na GFIP, ficou configurada, “em tese”, a prática do crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I e III do Código Penal, na redação da Lei nº 9983/2000, motivo pelo qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada à autoridade competente; Não foi emitida Relação de Bens e Direitos (artigo 8º, parágrafo2º, da IN SRF nº 264/2002) tendo em vista que o Contribuinte declarou não possuir bens passíveis de registro; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 • A Fiscalização foi atendida pelo Sr. Welbison Lopes Lima, CPF nº 033.610.26822, sócio administrador, a quem foram prestados todos os esclarecimentos necessários. Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos ao Auto de Infração: Mandado de Procedimento Fiscal e Prorrogações, fls. 02/04, IPC – Instruções para o Contribuinte, de fls. 06 a 07; DD – Discriminativo do Débito, de fls. 08 a 10; FLD – Fundamentos Legais do Débito, de fls. 11 a 12; Relatório de Vínculos, de fls. 13 a 18; RL – Relatório de Lançamentos, de fls. 19 a 20; ANEXO 1 –Planilha dos Créditos Justificados e Não Justificados, fls. 30/31; ANEXO 2 – Demonstrativo de Apuração das Infrações, fls. 32/33; ANEXO 3 – Lucros Distribuídos/Pagamento Salário, fl. 34; ANEXO 4 – Distribuições De Lucro/Pagamento Contribuinte Individual – Sócio com Reajuste Da Base De Calculo, fls. 35/36; ANEXO 4 e 6 Demonstrativo do Cálculo da Multa Mais Benéfica, fl. 37; Demonstrativo do Cálculo da Multa Aplicada, fl. 38; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fl. 39; AR – Aviso de Recebimento, fl. 40. Consta Termo de Juntada por Apensação, à fl. 41, do presente processo de nº 19515.004003/201086 ao processo nº 19515.004002/201086. DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido cientificada do Auto de Infração em 27/11/2010, conforme AR à fl. 40, a Autuada impugnou o lançamento tempestivamente, conforme despacho de fl. 112, através do instrumento de fls. 44/48, com juntada dos seguintes documentos: (...) (destaques nossos) A 11ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 114/139). A recorrente foi intimada da decisão em 26/10/2012 (fls. 143), apresentado Recurso Voluntário em 26/11/2012 (fls. 147/176), no qual alega: * a lavratura decorreria do quanto apurado no 19515.004009/201006. Portanto, deveria ser reconhecida a conexão; * a recorrente, no anocalendário de 2006, teria submetido seus resultados econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as contidas no artigo 48 da Instrução Normativa n° 93/97, conforme exposto na impugnação interposta no processo administrativo n° 19515.004009/201006 e respaldado pelas demonstrações contábeis ali acostadas; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004003/201021 Acórdão n.º 2302002.903 S2C3T2 Fl. 183 7 * discorda da decisão de primeira instância que afirma que o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006 não teria o condão de comprovar o montante do lucro efetivo e que tais documentos constituiriam meros demonstrativos do resultado final da escrituração de cada exercício, de sorte que, somente através da contabilidade da empresa é que se tornaria possível apurar se o lucro distribuído corresponderia ao lucro efetivo da empresa. Alega que o Código Civil e a Lei das Sociedades Anônimas amparariam a aceitação do demonstrativo de resultado e balanço patrimonial. * aduz que, diferentemente do quanto decidido na primeira instância, o fato de a empresa não ter empregados não conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos sócios que excederem ao montante do lucro presumido, sem comprovação de sua natureza, somente pode ser considerado como remuneração pelo trabalho prestado, jamais como remuneração do capital. Também é inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os sócios teriam direito a uma retirada mensal de pro labore, pois tratase de direito disponível; * quanto ao protesto da impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas; * requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic; * pleiteia seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Conexão. Alega a recorrente que a lavratura decorreria do quanto apurado no processo n° 19515.004009/201006, de sorte que deveria ser reconhecida a conexão entre os processos. Como já destacado na decisão de primeira instância, o processo n° 19515.004009/201006 trata da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre a mesma remuneração paga aos sócios a título de pro labore. Portanto, tributo completamente distinto daquele de que tratam os presentes autos. Em verdade, pelo que consta dos autos, todas as lavraturas, inclusive aquela constante do processo n° 19515.004009/201006, decorrem dos fatos apurados no processo n° 19515.003303/201092, que trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). De novo, tributo de espécie diversa daquela de que versam os presentes autos. Aliás, cumpre destacar que não se tem notícia de que a recorrente tenha impugnado, no Auto de Infração n° 19515.003303/201092, estes fatos originários, dos quais decorreram não só os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias, mas também o suscitado processo n° 19515.004009/201006. De toda sorte, sendo tributos de natureza diversa, com regulamentações amplamente distintas, mesmo havendo origem fática comum, nada há que justifique ou determine o reconhecimento da conexão entre o processo n° 19515.004009/201006 e os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias. Demais disso, o processo verdadeiramente originário é o de n° 19515.003303/201092, que, como visto, trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). Distribuição de Lucros x Prolabore. Como visto, da documentação apresentada à fiscalização durante o procedimento fiscal, apurouse que a recorrente omitiu receitas descritas em Notas Fiscais de Prestação de Serviços, além de ter omitido as receitas apuradas em depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). Destes fatos, decorreu, primeiramente, a lavratura do Auto de Infração relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003303/201092). Ocorre que, da análise dos extratos bancários fornecidos, durante todo o ano calendário de 2006, foram identificados também lançamentos a débito na conta Unibanco – Ag 7335 – c/c 104.3713 com o histórico “PGTO SALÁRIOS”, apesar de não haver empregados Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004003/201021 Acórdão n.º 2302002.903 S2C3T2 Fl. 184 9 na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Como a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, a recorrente foi intimada a esclarecer qual o motivo dos pagamentos, a que título eram pagos e os beneficiários, sendo informado que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Como a recorrente entregou a DIPJ com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições, comparouse o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários. De tal cotejamento, apurouse que a recorrente distribuiu lucro acima do valor permitido. Como a recorrente não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais – sócios da empresa, a título de “pro labore”, pelo serviço prestado à empresa (art. 201, § 5°, do RPS/99). Importante consignar que as remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, §§ 3 º e 6º, diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, e considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço. Em seu recurso, a recorrente aduz que teria submetido seus resultados econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as contidas no artigo 48 da Instrução Normativa n° 93/97, conforme exposto na impugnação interposta no processo administrativo n° 19515.004009/201006 e respaldado pelas demonstrações contábeis ali acostadas. Ora, a recorrente entregou a DIPJ 2007 (anocalendário 2006) com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições. Como, então, pode ter observado as aludidas prescrições legais? É evidente que não respeito as normas aplicáveis. Ademais, é preciso considerar que não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido. Por tal razão, não há como se aceitar o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006. Como afirmado na decisão de primeira instância, somente com o exame da contabilidade da empresa é que se torna possível apurar se o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa. Também alega a recorrente que o fato de a empresa não ter empregados não conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos sócios que excederem ao montante do lucro presumido, sem comprovação de sua natureza, somente pode ser considerado como remuneração pelo trabalho prestado, jamais como remuneração do capital. Acrescenta que seria inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os sócios teriam direito a uma retirada mensal de pro labore, pois tratase de direito disponível. Na realidade, estes argumentos do decisório de primeira instância mostramse apenas como alegações adicionais, a reforçar o procedimento de aferição indireta e a demonstrar a obscuridade dos procedimentos adotados pela recorrente. Ao final, apenas atestam a esdrúxula situação da empresa não ter nenhuma espécie de mão de obra remunerada Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 e o não cumprimento das disposições societárias que estabelecem a remuneração dos sócios pelos serviços prestados. O fato que, verdadeiramente, importa destacar é apenas um: não foi comprovada a existência de lucro contábil acima do lucro apurado na sistemática do lucro presumido, razão pela qual foram tributados os valores pagos acima deste limite (reajustados nos termos do art. 725 do RIR/99, aprovado Decreto n° 3.000/99). Vejamos a apuração discriminada no Relatório Fiscal: Como visto, são claros e acertados os critérios utilizados pela autoridade fiscal, não remanescendo nenhuma dúvida quanto à legitimidade do lançamento. Nesse sentido, já se posicionou a CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB, conforme se depreende da Solução de Consulta nº 76/2010: Solução de Consulta nº 76, de 3 de setembro de 2010 ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: SOCIEDADE EMPRESÁRIA. LUCRO DISTRIBUÍDO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores pagos aos sócios de sociedade empresária a título de lucro ou de antecipação de lucro não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária se houver escrituração contábil regular por meio dos livros Diário e Razão, com discriminação da remuneração decorrente do trabalho e da proveniente do capital social, independentemente do regime de tributação adotado pelo contribuinte. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição Federal, art. 195, I, "a"; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048/1999, art. 201, §§ 1º e 5º, art. 225, II e § 13; Instrução Normativa RFB Nº 971/ 2009, art. 57, II, e §§ 5º e 6º. (destaques nossos) Portanto, concluise que razão nenhuma assiste à recorrente. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004003/201021 Acórdão n.º 2302002.903 S2C3T2 Fl. 185 11 Protesto por provas. A recorrente, quanto ao protesto feito na impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas. Primeiramente, devese ressaltar que a recorrente não especifica qual prova pretenderia produzir. Portanto, a divagação mostrase meramente teórica, sem qualquer efeito prático, até porque nenhum documento foi carreado aos autos junto ou após a apresentação do Recurso Voluntário. Quanto ao acórdão a quo, o decisório restringiuse a ressaltar que a produção de provas deve atender ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, que já contempla o princípio da verdade material, excepcionando as situações em que a prova documental deve ser apreciada, mesmo tendo sido apresentada após a impugnação. Sendo assim, seja porque a argumentação da recorrente está despida de qualquer repercussão concreta, seja porque o decisório, sem analisar qualquer situação fática, limitouse a apontar a regra jurídica aplicável à situação hipotética, o inconformismo da recorrente deve ser rechaçado. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Juros Moratórios. Suspensão da Exigibilidade. A recorrente pleiteia ainda seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. A respeito do tema cumpre citar a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, da mesma forma, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Multas. Direito Intertemporal. Impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004003/201021 Acórdão n.º 2302002.903 S2C3T2 Fl. 186 13 mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente à época dos fatos geradores. É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN, prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que se aplicae a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004003/201021 Acórdão n.º 2302002.903 S2C3T2 Fl. 187 15 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, foi levada ao equívoco de que a legislação superveniente seria mais benéfica (multa de ofício de 75%) em algumas competências. Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL devendo, à multa pelo descumprimento de obrigação principal, ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10945.902187/2012-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-005.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o onselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o onselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 87 /2 01 2- 13 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902187/201213 Acórdão n.º 3803005.006 S3TE03 Fl. 78 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902187/201213 Acórdão n.º 3803005.006 S3TE03 Fl. 79 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902187/201213 Acórdão n.º 3803005.006 S3TE03 Fl. 80 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902187/201213 Acórdão n.º 3803005.006 S3TE03 Fl. 81 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido: verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902187/201213 Acórdão n.º 3803005.006 S3TE03 Fl. 82 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Se este é o entendimento que se tem sob égide da Lei nº 9.718/98, não há distinção quando se considera a ampliação da base de cálculo implementada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porquanto não se está a tratar de receita outra que se agregue à de venda de mercadorias e serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11052.000641/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. AÇÃO JUDICIAL. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA.
O Fisco não está impedido de efetuar lançamento para prevenção de
decadência na vigência de decisão judicial não definitiva que resguarde a imunidade tributária da entidade. Além do mais, tendo em vista que as decisões judiciais mencionadas pelo contribuinte (no Mandado de Segurança e na Ação Declaratória), atualmente, transitaram em julgado de forma desfavorável as suas pretensões, válida é a cobrança perpetrada nos presentes autos.
JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula 02 do CARF.
Recurso Voluntário NEGADO.
Crédito tributário MANTIDO.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Juliana Campos de Carvalho - Relatora
Liege Lacroix Thomasi - Presidente da Turma
Numero da decisão: 2302-002.809
Decisão: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. AÇÃO JUDICIAL. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. O Fisco não está impedido de efetuar lançamento para prevenção de decadência na vigência de decisão judicial não definitiva que resguarde a imunidade tributária da entidade. Além do mais, tendo em vista que as decisões judiciais mencionadas pelo contribuinte (no Mandado de Segurança e na Ação Declaratória), atualmente, transitaram em julgado de forma desfavorável as suas pretensões, válida é a cobrança perpetrada nos presentes autos. JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula 02 do CARF. Recurso Voluntário NEGADO. Crédito tributário MANTIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Juliana Campos de Carvalho - Relatora Liege Lacroix Thomasi - Presidente da Turma
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AÇÃO JUDICIAL. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. O Fisco não está impedido de efetuar lançamento para prevenção de decadência na vigência de decisão judicial não definitiva que resguarde a imunidade tributária da entidade. Além do mais, tendo em vista que as decisões judiciais mencionadas pelo contribuinte (no Mandado de Segurança e na Ação Declaratória), atualmente, transitaram em julgado de forma desfavorável as suas pretensões, válida é a cobrança perpetrada nos presentes autos. JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula 02 do CARF. Recurso Voluntário NEGADO. Crédito tributário MANTIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 06 41 /2 01 0- 55 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Juliana Campos de Carvalho Relatora Liege Lacroix Thomasi Presidente da Turma Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11052.000641/201055 Acórdão n.º 2302002.809 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12 41.957, proferido pela 10ª Turma da DRJ/RJ que julgou procedente o lançamento constituído por intermédio do AI nº 37.274.5067 com o objetivo de prevenir a decadência. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 41/51), referese o auto de infração a cobrança das contribuições sociais previdenciárias destinadas as outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE). Segundo o relatório fiscal, constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais apurados nas GFIP, entretanto as contribuições patronais foram apuradas tendo em vista a empresa ter se autoenquadrado como entidade isenta, amparada por decisão judicial, utilizandose na GFIP o código FPAS 639. Informa o Notificante que existem duas ações judiciais em curso, sem trânsito em julgado, as quais impedem a cobrança dos tributos objeto do presente lançamento, quais sejam, a Ação Declaratória de Nulidade de Ato Administrativo, com pedido de antecipação de tutela — DF (Processo 2003.34.00.0304274) e Mandado de Segurança (Processo 2004.51.01.01.0185553 —RJ). Após intimado, o sujeito passivo, inconformado, apresentou impugnação (fls. 114/130), alegando, em síntese: a) Tempestividade da impugnação; b) Impossibilidade do lançamento na presença de liminar concedida em mandado de segurança que determinava que se respeitasse a imunidade tributária da impetrante, uma vez que a decisão judicial não apenas suspendeu a exigibilidade de qualquer crédito; c) Que o lançamento afrontou a liminar concedida, interrompendo os efeitos da mesma, devendo o débito ser declarado improcedente; d) Nulidade do lançamento, com base no art. 2° e parágrafo único, alínea "d", da Lei n° 4.717/1965 (Lei da Ação Popular) e art. 10, IV, do Decreto 70.235/1972, em face da inserção de fundamentação legal sem motivação nos fatos geradores lançados, qual seja, o Decreto n° 6.957/2009, quando o período do débito é 01/2006 a 12/2007; e) Indevida aplicação da taxa SELIC, por ser ilegal e inconstitucional; f) Caráter confiscatório da multa; g) Ao final pleiteou a improcedência do auto de infração. Encaminhados para julgamento da DRJ/RJ, foi dada a procedência do lançamento sob os seguintes fundamentos: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 a) Na vigência de decisão judicial não definitiva que resguarde a imunidade tributária da entidade, o Fisco não está impedido de efetuar lançamento para prevenção de decadência; b) Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento; c) São devidos os juros sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência; d) A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública; Intimado do julgado, interpôs recurso voluntário (fls. 223/233) ratificando os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11052.000641/201055 Acórdão n.º 2302002.809 S2C3T2 Fl. 216 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. I DA POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA: Estabelece o art. 63 da Lei nº 9.430/96 que na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício, vide: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. ( Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 ) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." Embora a norma acima não impeça o fisco previdenciário lançar crédito que julga devido, ainda que ele esteja com exigibilidade suspensa, rebate o contribuinte afirmando que a liminar deferida no Mandado de Segurança n° 2004.51.01.0185553 no sentido de determinar ao impetrado respeito à imunidade tributária seria óbice ao prosseguimento da presente ação. Assim dispôs a decisão judicial em sua parte conclusiva: "Pelo exposto, JULGO PROCEDENTE 0 PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, nos termos do art. 269, I, do CPC, para ordenar ao impetrado que respeite a imunidade tributária da impetrante, conferida pelo art. 195, § 7°, da CF, salvo se mediante regular processo administrativo for cassado o seu Titulo de Utilidade Pública, ou Certificado e Registro de Entidade de Fins Filantrópicos; ou ainda, se for provado, em processo regular, a remuneração dos diretores —e ocupantes de cargos equivalentes da impetrante ". Pela análise do comando judicial concluise que a enunciado normativo restringese a impor ao Fisco o respeito a imunidade tributária da Impetrante, no caso a ora Recorrente, nada mencionando sobre a proibição de dar continuidade ao lançamento. Neste sentido, bem pontuou o julgador da DRJ/RJ: Fl. 392DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 "...O mero lançamento com o fim exclusivo de prevenir a decadência não pode ser compreendido como ato que vise a compelir o sujeito passivo ao pagamento das contribuições, vez que como explicito no relatório fiscal, a cobrança deve ser sobrestada até o trânsito em julgado das ações judiciais concernentes à imunidade tributária da entidade (fls. 55). Assim, não houve o alegado descumprimento da decisão judicial." Não menos importante, vale ressaltar que a decisão de 1º grau proferida na ação mandamental em 1º grau foi revogada pelo Superior Tribunal de Justiça por ocasião do julgamento do RESP nº 952.719/RJ, transitada em julgado em 09.11.2010. No tocante a ação ordinária nº 2003.34.00.0304274, onde se discute a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, em consulta ao site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e do Superior Tribunal de Justiça constatei que a decisão proferida na 1ª instância foi revogada e, atualmente, encontrase transitada em julgado desde 05.06.2012. Sendo assim, permanece em vigor a Resolução do CNAS nº 146 que anulou a Resolução nº 03/99, sendo, portanto, revogado o benefício que fazia jus a Recorrente. Se, inicialmente, o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, no momento, a cobrança é válida não mais por causa da prevenção, mas sim em decorrência da ausência da isenção a que pretendeu o contribuinte pleitear judicialmente. Logo, razão não assiste ao Recorrente. II DA TAXA SELIC DA MULTA: Alega a Recorrente ilegalidade dos juros aplicados. Determina o art. 161, §1º do CTN que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora calculados à taxa de um por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Com efeito, as contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 – MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Vide transcrição da norma: “Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97)” grifo nosso A matéria já foi amplamente discutida no Segundo Conselho de Contribuintes. Na ocasião foi sedimentado o entendimento segundo o qual é possível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 393DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11052.000641/201055 Acórdão n.º 2302002.809 S2C3T2 Fl. 217 7 Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, vide a Súmula nº 3 CARF: “SÚMULA CARF nº 3: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Isto posto, não vislumbro qualquer ilegalidade na cobrança da taxa SELIC. O que faz a Receita Federal, como órgão administrativo sujeito ao princípio da legalidade, tal qual exposto no art. 37 da Constituição Federal, é aplicar a norma insculpida no art. 161, §1º do CTN c/c art. 34 da Lei nº 8.212/91. Em relação a alegada inconstitucionalidade da multa aplicada, há que ressaltar que inexistindo objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle difuso ou concentrado, os Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF estão impedidos se de manifestar sobre o tema. Eis a Súmula nº 2 do CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, importa ressaltar que o presente auto de infração não contemplou o lançamento de qualquer multa, nos termos do art. 63 e parágrafos, da Lei n° 9.430/1996. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, 16 de Outubro de 2013. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
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Numero do processo: 16327.000836/2002-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PERC - PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - MATÉRIA SUMULADA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O acórdão recorrido está em consonância com a súmula 37 do CARF, razão pela qual, de acordo com o artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria de número 256, de 22 de junho de 2009, não cabe recurso especial.
Numero da decisão: 9101-001.703
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plinio Rodrigues de Lima, Joao Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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RECURSO NÃO CONHECIDO. O acórdão recorrido está em consonância com a súmula 37 do CARF, razão pela qual, de acordo com o artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria de número 256, de 22 de junho de 2009, não cabe recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente substituto. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plinio Rodrigues de Lima, Joao Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 36 /2 00 2- 31 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS 2 Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria 256 de 22 de junho de 2009. O acórdão de nº 120100.184, ora combatido, foi proferido, em sessão realizada na data de 05 de novembro de 2009, pelos membros da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os quais acordaram, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para deferir o "Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, conforme ementa: “PERC. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO. Com vistas ao deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica onde se deu a opção pelo incentivo. Não tendo sido realizada essa verificação tempestivamente, descabe a exigência de comprovação da regularidade fiscal no curso do procedimento.” Cumpre transcrever trecho do voto condutor do acórdão recorrido: “(...) Assim, entendo que a regularidade deveria ter sido aferida quando da apresentação do pedido de revisão e não em momento posterior definido ao sabor do acaso, tal como, por exemplo, a data do julgamento do PERC. E se o momento de demonstração fosse dinâmico, então a CND juntada com o recurso supriria e deveria ser considerada. Não havendo prova de que o recorrente estava irregular quando da apresentação do pedido, não se pode negar a pretendida revisão. Isso posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para que o pedido de revisão seja examinado.” A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial argumentando que é ônus do contribuinte demonstrar sua regularidade fiscal para que possa usufruir de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativo a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Afirmou que a interpretação dada ao artigo 60 da lei 9.069/95 pelo acórdão recorrido é divergente da interpretação realizada por outras câmaras deste Conselho e transcreveu a ementa dos acórdãos paradigma, conforme segue: “Acórdão 10321478 INCENTIVOS FISCAIS. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo a tributos e contribuições administrados pela Fl. 539DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS Processo nº 16327.000836/200231 Acórdão n.º 9101001.703 CSRFT1 Fl. 539 3 Secretaria da Receita Federal, fica condicionada a comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. " “Acórdão 10195969 INCENTIVOS FISCAIS. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. PERC. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada a comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo.” Ademais, citou a súmula 37 do CARF afirmando que esta corrobora com o entendimento defendido de que o contribuinte deve provar a regularidade fiscal ao tempo da opção pelo incentivo, admitindose a prova em qualquer momento do processo, não havendo qualquer preclusão da oportunidade do Fisco aferir tal regularidade. Concluiu que o acórdão recorrido deve ser reformado, pois não é dever do Fisco provar a irregularidade do contribuinte para que seja afastado o benefício fiscal, mas pelo contrário, cabe ao contribuinte, enquanto interessado, comprovar sua regularidade fiscal para, somente assim, fazer jus ao incentivo, em qualquer fase processual, conforme entendimento sumulado no CARF. Por fim, pugnou pelo recebimento do Recurso Especial e requereu a reforma do acórdão para que seja indeferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls.) afirmando que o acórdão recorrido não deve ser reformado, pois demonstrou tanto em sede de Recurso Voluntário quanto em contrarrazões a regularidade de sua situação perante o Fisco, não importando o momento em que os documentos foram emitidos, bem como pelo fato de que a Recorrente em nenhum momento demonstrou nos autos que o contribuinte não faria jus ao benefício pleiteado, ou seja, não foi comprovada irregularidade fiscal do contribuinte no momento da opção pelo benefício. É o relatório Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria 256 de 22 de junho de 2009. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS 4 No presente caso, em sede de Recurso Especial, a Procuradoria sustentou o argumento de que é ônus do contribuinte demonstrar sua regularidade fiscal para que possa usufruir de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativo a tributos ou contribuições administrados pela SRF. E, ainda, afirmou que tal entendimento está em consonância com a súmula CARF 37. Nesse ponto, cumpre a transcrição da súmula CARF 37, que dispõe: “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” A súmula CARF nº 37 resolve, em sua redação, duas questões diversas. A primeira questão é a delimitação do momento em que a regularidade fiscal deve ser analisada pela autoridade administrativa para fins de deferimento ou indeferimento do PERC. Outra questão tratada pela súmula é a da possibilidade de demonstração da regularidade fiscal, pelo contribuinte, em qualquer momento do processo administrativo e, isto porque, o objetivo da lei é condicionar o gozo do benefício pretendido à quitação do débito. O entendimento exposto pode ser verificado em diversos julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e tornase mais claro a partir da análise do voto condutor do acórdão 110200.023, proferido pela então conselheira Sandra Maria Faroni, em 26/08/2009. Nesse ponto cumpre destacar trecho do voto mencionado: “(...) o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, identificado que na data da entrega declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ele quitar os débitos para obter o deferimento do pedido, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo (...)” Nesse mesmo sentido são os seguintes julgados: 10323546, de 14/08/2008, 10709202, de 18/10/2007, 19500110, de 10/12/2008, 19800080, de 09/12/2008. Os citados acórdãos conduziram à aprovação da súmula CARF nº37 e são capazes de esclarecer possíveis divergências quanto a sua interpretação. Esse posicionamento resta pacífico e continua prevalecendo nos julgados deste Conselho, conforme se verifica do voto condutor do acórdão 1401000.677, de 20/10/2011, relatado pelo conselheiro Antônio Bezerra Neto: “(..) Assim, segundo meu entendimento baseado na súmula CARF n 37, a comprovação da regularidade fiscal em qualquer dos momentos processuais (desde a entrega da declaração até o julgamento final administrativo) possibilita o deferimento do pleito para aqueles débitos existentes na data da declaração. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS Processo nº 16327.000836/200231 Acórdão n.º 9101001.703 CSRFT1 Fl. 540 5 (...) Nessa linha de raciocínio, uma vez identificado que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ele quitar os débitos para obter o deferimento do pedido ou provar que estavam com a exigibilidade suspensa, o que pela súmula CARF n 37, poderá ser feito em qualquer fase do processo.(...)” No presente caso, da análise dos autos verificase que o contribuinte demonstrou sua regularidade fiscal, apresentando em sede de Recurso Voluntário, Certidão Conjunta Positiva com efeitos de Negativa de débitos relativos à tributos federais e à dívida ativa da União. Nesse sentido, cumpre a transcrição de trecho do voto conduto do acórdão recorrido: “(...) Se, como afirma a r. decisão a quo, "a verificação da regularidade do contribuinte possui uma natureza essencialmente dinâmica", então a Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Divida Ativa da emitida em 26.02.2007 com validade até 25.08.2007, juntada pelo recurso voluntário deve ser considerada válida e suficiente para autorizar o processamento do beneficio. (...)” O acórdão recorrido trouxe dois fundamentos para dar provimento ao recurso do contribuinte: (i) quanto ao ônus da prova, consignou que é do contribuinte, entretanto, este poderá demonstrar sua regularidade fiscal em qualquer momento do processo administrativo e (ii) que, no caso, o contribuinte demonstrou sua regularidade fiscal por meio da apresentação de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, emitida em 26.02.2007 e com validade até 25.08.2007, apresentada em Recurso Voluntário. Portanto, diversamente do que sustenta a recorrente, verificase que o acórdão recorrido encontrase em consonância com a súmula CARF nº 37, bem como com o artigo 60 da lei 9.069/95. Por fim, se faz importante observar o que dispõe o artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria de número 256, de 22 de junho de 2009: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF: (...) § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na Fl. 542DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS 6 apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. (...)” Do exposto, resta clara a existência de vedação expressa quanto a possibilidade de interposição de recurso especial contra decisão que trata de matéria sumulada pelo CARF. É o que ocorre o presente caso, razão pela qual não conheço o Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 543DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS
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Numero do processo: 11040.720783/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CONDUTOR DE VEÍCULOS. AUTÔNOMOS. FRETES. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%.
O salário-de-contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido § 4º do art. 201 do RPS, corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA- Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONDUTOR DE VEÍCULOS. AUTÔNOMOS. FRETES. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. O saláriodecontribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido § 4º do art. 201 do RPS, corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 07 83 /2 01 2- 33 Fl. 961DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Cuidase de recurso voluntário interposto pela contribuinte MASTER TRANSPORTES LTDA. em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta, bem como manteve o crédito tributário. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (fls. 19/22), a constituição do crédito tributário referese às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, previstas no inciso III, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, no período de 01/01/2009 a 31/12/2010. Os fatos geradores “ocorreram em razão da remuneração de serviços prestados por transportadores rodoviários autônomos e de honorários, prólabore e outros valores pagos a segurados contribuintes individuais” (f. 20). Consta do relatório: 12. Os valores devidos, lançados neste auto de infração, estão identificados pelos levantamentos, a saber: 12.1 TA2 – TRANSPORTADOR AUTÔNOMO – período de 01/2009 a 12/2010, referese a contribuição incidente sobre a prestação de serviços de Transportadores Rodoviários Autônomos. A multa aplicada corresponde ao percentual de 75% sobre o valor da contribuição devida. 12.2 CI2 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL – período de 01/2009 a 12/2010, referese a contribuição incidente sobre a prestação de serviços de Contribuintes Individuais. A multa aplicada corresponde ao percentual de 75% sobre o valor da contribuição devida. 3. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (ff.875/899). Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONDUTOR DE VEÍCULOS. AUTÔNOMOS. FRETES Fl. 962DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11040.720783/201233 Acórdão n.º 2301003.717 S2C3T1 Fl. 962 3 O saláriodecontribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido § 4º do art. 201 do RPS, corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O servidor público tem o dever funcional de encaminhar à autoridade competente, a comunicação de ocorrência, em tese, de crime contra a Previdência Social, que tenha conhecimento em razão do cargo ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO. As contribuições previdenciárias objeto de lançamento fiscal, estão sujeitas à incidência de multa de mora ou de ofício, na forma da legislação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 4. O acórdão de impugnação aponta que o contribuinte não se manifestou expressamente quanto às contribuições incidentes sobre a remuneração paga a título de honorários, “pro labore” e pagamentos identificados a outros contribuintes individuais, pelo que considerou como matérias não impugnadas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. 5. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (ff. 927/954), no qual aduz, em síntese: a) houve cerceamento de defesa pela 1ª instância, por não ter sido oportunizada a produção de prova pericial a fim de demonstrar que a base de cálculo utilizada para o lançamento está equivocada, devendo ser anulada a decisão proferida pela 1ª instância, determinandose o retorno do processo para que seja realizada a perícia solicitada; b) a submissão aos valores lançados na autuação violam os princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e do nãoconfisco; c) os critérios necessários à apuração do tributo foram estabelecidos em ato infralegal, em face da antiga Portaria MPAS nº 1.135/2001 e do atual Decreto nº 4.032/2001, majorando a base de cálculo prevista na Lei nº 8.212/91 para incidir sobre o valor bruto do frete, elevando o valor do tributo devido, o que é ilegal; Fl. 963DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 d) a fiscalização não considerou os custos da atividade, fazendo incidir sobre o valor bruto da nota fiscal, o que eiva de nulidade o lançamento realizado; e) a base de cálculo eleita pela IN 971/09, art. 55, § 2º, V, fixada sobre o “valor bruto do frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer dispêndio com combustível e manutenção do veículo” discrepa da previsão contida no art. 201, caput e § 4º do RPS, na medida em que este prevê a contribuição a cargo da empresa sobre “a remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário (...), corresponde a 20% do rendimento bruto”; f) o auto de infração aplicou indiscriminadamente a alíquota de 20% sobre o valor do frete, sem considerar os pagamentos efetuados a transportadores autônomos cooperados, cuja alíquota descrita no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, que é de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços; e g) a imposição das multas no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento não condiz com a conduta assumida pela empresa, o que evidencia a atipicidade infracional, aduzindo que, caso mantida a penalidade, seja esta reclassificada para multa de natureza moratória. h) não deve subsistir a representação fiscal, pois a configuração da conduta criminosa exige a existência de dolo específico. 6. O fisco apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DO CONHECIMENTO DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos legais. DO LANÇAMENTO FISCAL 2. Conforme consta do relato fiscal, foram levantados débitos previdenciários em desfavor do contribuinte (fls. 19/22) tendo como fatos geradores das contribuições lançadas o pagamento de “remuneração de serviços prestados por transportadores rodoviários autônomos, de honorários, prolabore e outros valores pagos a segurados contribuintes individuais” nas seguintes rubricas: Fl. 964DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11040.720783/201233 Acórdão n.º 2301003.717 S2C3T1 Fl. 963 5 12. Os valores devidos, lançados neste auto de infração, estão identificados pelos levantamentos, a saber: 12.1 TA2 – TRANSPORTADOR AUTÔNOMO – período de 01/2009 a 12/2010, referese a contribuição incidente sobre a prestação de serviços de Transportadores Rodoviários Autônomos. A multa aplicada corresponde ao percentual de 75% sobre o valor da contribuição devida. 12.2 CI2 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL – período de 01/2009 a 12/2010, referese a contribuição incidente sobre a prestação de serviços de Contribuintes Individuais. A multa aplicada corresponde ao percentual de 75% sobre o valor da contribuição devida. 3. No meu sentir, não há qualquer retificação a fazer em relação ao débito fiscal mantido pela decisão recorrida, eis que devidas as contribuições apontadas no lançamento fiscal. 4. Analisando os autos temos como certo que a fiscalização apurou devidamente o fato gerador de contribuição patronal previdenciária sobre valores relativos a fretes pagos pela recorrente a transportadores autônomos (contribuintes individuais) e não declarou os valores em GFIP. A seu turno, a contribuição foi devidamente apurada conforme declara o art. 22, III, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 201, II do RPS. 5. Não é demais falar que o condutor autônomo de veículo rodoviário é segurado obrigatório da Previdência Social na categoria contribuinte individual, conforme prescrevem o artigo 12, inciso V, alínea “g” da Lei nº 8.212/1991, e artigo 9º, inciso I do § 15, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 sendo, portanto, devidas as respectivas contribuições previdenciárias. 6. No que diz respeito à contribuição incidente sobre a prestação de serviços de contribuintes individuais, no período de 01/2009 a 12/2010, também não há retificação a fazer, eis que a fiscalização apontou corretamente a ausência de pagamentos, bem como fixou os valores devidos e a legislação de regência do tributo. DA MULTA APLICADA 7. No que tange à multa aplicada pela fiscalização, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 8. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos Fl. 965DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 9. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera o limite do quantum a ser aplicado: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 10. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 11. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. 12. Com efeito, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 13. Do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário do contribuinte para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 966DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11040.720783/201233 Acórdão n.º 2301003.717 S2C3T1 Fl. 964 7 Fl. 967DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11065.901115/2006-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Compensação. Procedência do Direito Creditório.
Uma vez reconhecido o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo, as compensações devem ser homologadas até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1801-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Uma vez reconhecido o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo, as compensações devem ser homologadas até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 11 15 /2 00 6- 89 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Por economia processual, transcreve o relatório adotado na Resolução n º 1801000.151: Relatório. Recorre a empresa contribuinte a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF de acórdão da 5a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que reconheceu parte de direito creditório e homologou, também em parte, as compensações declaradas em PERDCOMP. Tratase de PERDCOMP que tem como direito creditório saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor R$ 82.963,98 formado por antecipações a título de IRRF incidente sobre remuneração de serviços prestados por pessoas jurídicas – código 1708. O despacho decisório consignou que não haveria crédito suficiente de retenção confirmada em DIRF em favor da beneficiária no período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP confirmando o montante de R$ 81.699,87 nesse período ocasionando a homologação parcial da compensação declarada no PER/DCOMP 04693.68825 e a não homologação das compensações declaradas nos PER/DCOMP 39778.90277 e 18016.58252. Na manifestação de inconformidade apresentada alegou a interessada que o fato da fonte pagadora não ter informado em DIRF a respectiva retenção não poderia criar uma obrigação exigível da contribuinte, ou seja, a utilização do crédito não poderia depender do envio da DIRF pela fonte pagadora. Apresentou notas fiscais cujas retenções destacadas comporiam a diferença não reconhecida de IRRF, assim como demonstrativos e cópias de livros de escrituração contábil/fiscal para comprovar a efetividade das retenções sofridas. A 5a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS ao apreciar o pleito assinalou que os informes de rendimentos exigidos pela legislação em vigor não teriam sido apresentados pela defesa. Constatou que algumas das notas fiscais apresentadas discriminariam valores de IRRF já considerados pela autoridade administrativa na composição do saldo negativo e considerou que os elementos apresentados seriam insuficientes a fazer a pretendida prova da retenção, indeferindo o pleito. Notificada da decisão, em 24/02/2011 (AR fl. 57), apresentou a interessada em 21/03/2011 o recurso voluntário de fls. 58/62. Aduz, em sua defesa, que o direito ao aproveitamento de IRRF sofrido não poderia estar condicionado à entrega de DIRF pela fonte pagadora pois isto seria uma inversão de direitos, colocandose a fonte pagadora como titular do direito subjetivo da requerente. Afirma haver juntado aos autos todos os documentos comprobatórios das retenções sofridas e que uma das fontes pagadoras de rendimentos já teria encerrado suas atividades, razão pela qual haveria óbice à tentativa de compelila a apresentar a DIRF competente. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. Em sessão realizada em 12/09/2012 esta 1a. Turma Especial da 3a. Câmara, 1a. Seção do CARF, converteu o julgamento na realização de diligência, para que fossem intimadas as fontes pagadoras cujos CNPJ encontramse relacionados à fl. 15 a esclarecer e comprovar os valores dos rendimentos pagos e do IRRF efetivamente retidos da empresa recorrente. Também deveria ser verificado, junto à recorrente, todas as notas fiscais de prestação de serviços em seu poder com os valores dos rendimentos pagos e do IRRF retido, Fl. 226DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.901115/200689 Acórdão n.º 1801001.831 S1TE01 Fl. 3 3 assim como sua contabilidade, que deveria registrar os valores das receitas pagas e do imposto retido pelas mencionadas fontes pagadoras. Atendida a solicitação, com a anexação ao processo dos documentos inclusos às fls. 79/204, o agente fiscal encarregado dos trabalhos produziu o relatório de fls. 205/211. A recorrente foi cientificada do resultado da diligência fiscal, em 25/02/2013, como demonstra a cópia do AR à fl. 213 e, em resposta encaminhada a repartição em 18/03/2013, manifestouse (fls. 215/216) no sentido de que a auditoria teria concluído pela veracidade de suas afirmações reiterando, assim, a procedente do direito creditório e o pedido de homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica do relato a recorrente pleiteia, neste processo, a homologação de compensações de débitos vinculados a direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor total de R$ 82.963,98, composto, basicamente, de imposto de renda retido na fonte. Seu pedido foi parcialmente deferido, tendo sido reconhecida a parcela de R$ 81.699,87 do direito creditório pleiteado, relativa ao valor confirmado em DIRF em favor da beneficiária. A parcela restante, no valor de R$ 1.264,11, não foi reconhecida porque não constou em DIRF, nem em informe de rendimentos. Contudo a recorrente trouxe aos autos fortes indícios de que o restante do IRRF foi, de fato, retido pelas fontes pagadoras, apresentando cópias de notas fiscais e de livros de sua escrituração contábil e fiscal, razão pela qual o processo foi baixado ao órgão de origem para proceder à diligência solicitada por esta Turma de Julgamento. Por pertinente, transcrevo trechos do Relatório de Diligência Fiscal: “... 9. Assim, intimouse o contribuinte e as devidas fontes pagadoras, conforme Termos de Intimação nº 1241 a 1245 de 2012 (fls. 75 a 79), os quais foram recebidos (Aviso de Recebimento às fls. 80 a 89) e atendidos (fls. 94 a 191). Fl. 227DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 10. O contribuinte, em sua resposta à intimação nº 1241/2012, compelido a apresentar comprovação, por meio de registro em Livros Contábeis, dos corretos valores das receitas recebidas e do imposto retido pelas fontes pagadoras dos CNPJ 89.312.367/000154, 91.519.306/000104, 93.101.632/000122 e 94.324.340/000111, enviou os seguintes registros efetuados na sua contabilidade (fls. 114 a 191): I) Relatório de rendimentos e retenções do anocalendário de 2002, por fonte pagadora (extracontábil); II) cópia conferida com o original do Livro Razão dos lançamentos contábeis das seguintes contas, no período de 2002: Bancos Conta Movimento; IRRF a Recuperar; Receita Bruta. 11. Analisouse então o Livro Razão nº 20 do período de 01/01/2012 a 31/12/2002, relativo às Contas Contábeis CAIXA, BANCOS CONTA MOVIMENTO, Banco do Brasil, contascorrente nº 4.9875 e 6.2731, DESPESAS FINANCEIRAS BANCÁRIAS, IMPOSTOS A RECUPERAR IRRF S/ SERVIÇOS, RECEITA BRUTA – ASSISTÊNCIA TÉCNICA e RECEITA BRUTA COMISSÕES, em que constam os lançamentos pertinentes ao litígio. Constatouse o seguinte: I) Fonte Pagadora BCB COUROS – CNPJ 89.312.367/000154: I.1) Registro a débito de um recebimento no valor de R$ 2.758,00 na conta Bancos Conta Movimento, no dia 23/12/2002, como “DEPÓSITO N/ DATA”. Seria o valor líquido da Nota Fiscal nº 4501, emitida pela Viler Calçados Ltda. Não há indicação expressa a que documento se refere. I.2) Registro a débito na conta contábil Impostos a Recuperar IRRF s/Serviços, no valor de R$ 42,00, na data de 23/12/2002, constando no histórico “Retido s/ NNF 4501 – BCB Couro Ind e Com”. I.3) Registro a crédito na conta contábil Receita Bruta Assistência Técnica, na data de 23/12/2002, contendo como histórico “REC NNF 4501 – BCB COURO IND E COM”, no valor de R$ 2.800,00. II) Fonte Pagadora J A CALÇADOS LTDA – CNPJ 91.519.306/000104 II.1) Registros a débito na conta contábil Bancos conta Movimento: Data Valor Histórico 05/03 5.910,00 DEPÓSITO N/ DATA 18/03 9.850,00 DEPÓSITO N/ DATA 03/04 9.850,00 REC NNF 4316 – JA CALÇADOS LTDA 17/04 10.835,00 REC NNF 4319 – JA CALÇADOS LTDA 02/05 11.820,00 REC DUPL 4326 – JA CALÇADOS LTDA Fl. 228DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.901115/200689 Acórdão n.º 1801001.831 S1TE01 Fl. 4 5 * Notese que nos dois primeiros registros acima não há indicação do número do documento ao qual se refere o depósito. II.2) Registros a débito na conta contábil Impostos a Recuperar – IRRF s/Serviços: Data Valor Histórico 05/03 90,00 RETIDO S/ NNF 4298 – JA CALÇADOS LTDA 18/03 150,00 RETIDO S/ NNF 4304 – JA CALÇADOS LTDA 03/04 150,00 VLR RETENÇÃO S/ NF – JA CALÇADOS LTDA 17/04 165,00 RETIDO S/ NNF 4319 – JA CALÇADOS LTDA 02/05 180,00 RETIDO S/ NNF 4326 – JA CALÇADOS LTDA * Notese que no terceiro registro acima não há indicação do número da nota fiscal. II.3) Registros a crédito na conta contábil Receita Bruta – Assistência Técnica: Data Valor Histórico 05/03 6.000,00 REC NNF 4298 – JA CALÇADOS LTDA 18/03 10.000,00 REC NNF 4304 – JA CALÇADOS LTDA 03/04 10.000,00 REC NNF 4316 – JA CALÇADOS LTDA 17/04 11.000,00 REC NNF 4319 – JA CALÇADOS LTDA 02/05 12.000,00 REC DUPL 4326 – JA CALÇADOS LTDA III) Fonte Pagadora SOUTH SERVICE TRADING S/A – CNPJ 93.101.632/000122 III.1) Registro a débito na conta contábil Bancos conta Movimento: Data Valor Histórico 20/12 30.903,50 DEPOSITO N/ DATA III.2) Registro a débito na conta contábil Impostos a Recuperar – IRRF s/Serviços: Data Valor Htórico 20/12 70,62 RETIDO S/ NNF 4505 – SOUTH SERVICE TRADING SA Fl. 229DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 III.3) Registro a crédito na conta contábil Receita Bruta – Assistência Técnica: Data Valor Histórico 20/12 31.374,12 REC NNF 4505 – SOUTH SERVICE TRADING SA IV) Fonte Pagadora BISON IND. DE CALÇADOS LTDA – CNPJ 94.324.340/000111 (atual VIA UNO) IV.1) Registro a débito na conta contábil Bancos conta Movimento: Data Valor Histórico 26/12 1.083,50 DEPOSITO N/ DATA IV.2) Registro a débito na conta contábil Impostos a Recuperar – IRRF s/Serviços: Data Valor Histórico 26/12 16,50 RETIDO S/ NNF 4507 – BISON IND DE CALC IV.3) Registro a crédito na conta contábil Receita Bruta – Assistência Técnica: Data Valor Histórico 26/12 1.100,00 REC NNF 4507 – BISON IND DE CALC 12. Da análise das cópias entregues, conferidas com o original, podese constatar que os lançamentos contábeis estão de acordo com as alegações feitas pelo contribuinte, de que os recebimentos auferidos pela interessada foram quitados pelas fontes pagadoras no valor líquido (valor da Nota Fiscal descontado o Imposto de Renda Retido na Fonte). Contudo, ante a documentação apresentada, não se pode afirmar que as retenções foram repassadas aos cofres públicos, ou seja, que as retenções foram efetivamente recolhidas pelas empresas responsáveis. 13. Com relação às respostas das fontes pagadoras, relatase a seguir: I) CNPJ 91.519.306/000104 – J A CALÇADOS LTDA – ME (fls. 94 a 99) I.1) Foi intimada pelo Termo nº 1243/2012 a esclarecer e comprovar os valores dos rendimentos pagos e do imposto de renda efetivamente retido da empresa fiscalizada, com relação às Notas Fiscais nº 4298, 4304, 4316, 4319, 4326 emitidas, respectivamente, em 04/03, 18/03, 03/04, 17/04, 02/05 do anocalendário de 2002. I.2) Protocolou relatório extraído do sistema contábil, no qual registrou por meio de lançamentos contábeis a retenção e sua devida baixa, com número, data e valor dos documentos solicitados. I.3) Registrou que a empresa encontrase sem atividades há sete anos e que os documentos já foram descartados fisicamente, havendo somente consultas contábeis. O Fl. 230DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.901115/200689 Acórdão n.º 1801001.831 S1TE01 Fl. 5 7 documento de atendimento foi assinado sem autenticação pelo sócio administrador Inácio Zimmer, CPF 329.722.96087 (informação confirmada pelo cadastro do sistema CNPJ). I.4) Juntou cópia do relatório, emitido por seu sistema informatizado, do Razão Analítico relativo ao anocalendário de 2002, da conta contábil DÉBITOS FISCAIS, subconta IRRF A PAGAR (conta do Passivo), no qual visualizamse registros a crédito da obrigação do valor a pagar e a débito do valor supostamente pago. Quadro resumido abaixo: Conta: IRRF A PAGAR NF N º Data lçto crédito Data lçto débito Valor 4298 04/03/2002 13/03/2002 90,00 4304 18/03/2002 27/03/2002 150,00 4316 03/04/2002 10/04/2002 150,00 4319 17/04/2002 24/04/2002 165,00 4326 02/05/2002 08/05/2002 192,12 747,12 I.5) Em consulta aos sistemas informatizados da RFB, os DARF, aparentemente correspondentes aos da tabela acima, foram localizados e encontramse alocados a débitos confessados pela fonte pagadora (fls. 195 a 202). Os pagamentos nos valores de R$ 150,00 e de R$ 165,00 estão alocados a débitos de mesmo valor; os pagamentos de R$ 90,00 e de R$ 192,12 estão alocados a débitos de valores maiores (R$ 149,58 e R$ 574,30 respectivamente). Como não há identificação registrada nos DARF, não se podese afirmar efetivamente que foram recolhidos para a quitação dos IRRF das Notas Fiscais emitidas pela Viler (interessada). Podese afirmar tão somente que os DARF pesquisados foram encontrados. II) CNPJ 93.101.632/000122 – SOUTH SERVICE TRADING S.A. (fls. 100 a 113) II.1) Foi intimada pelo Termo nº 1244/2012 a esclarecer e comprovar os valores dos rendimentos pagos e do imposto de renda efetivamente retido da empresa fiscalizada, com relação à Nota Fiscal nº 4505 emitida em 20/12/2002. II.2) Explicou que A empresa possuía dois sistemas de caixa na época (...). Os registros dos pagamentos, à época, eram efetuados pelo valor total enviado ao Banco Boston e não despesa por despesa conforme relatório de caixa contábil. Assim, o DARF, no valor total de R$ 4.556,00 (...) foi recolhido no dia 08/01/2003 e detectamos que o período de apuração deveria ser 31/12/2002. II.3) Protocolou procuração autenticada de seu procurador, cópia do extrato de conta corrente do Banco Boston referente a janeiro de 2003, cópia do DARF recolhido, Fl. 231DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 cópia de controle auxiliar extracontábil do IRRF recolhido no valor total de R$ 4.556,00, cópia de registros da conta Caixa em que constam os lançamentos pertinentes à data de 03/01/2003 e cópia de relatório do Movimento do Caixa também do dia 03/01/2003. II.4) Identificouse, somente no relatório de “Movimento do Caixa”, o registro da transação ocorrida em 03/01/2003, o qual é reproduzido abaixo: Data Cód/Nome C. Ctb Histórico Documento Rectos Pagtos 03/01/2003 479 BOSTON 0 52 CH EMIT PGTO COMISSÕES DOC 30.903,51 8045 IR A RECOLHER 0 370 RETENÇÃO IR NA FONTE NFO 470,61 104 VILER 0 234PAGTO COMISS AGENTE BRASIL NFO 31.374,12 II.5) Verificouse a existência de um DARF recolhido em 08/01/2003, no valor total de R$ 4.556,00, o qual deu quitação parcial ao débito confessado pelo contribuinte em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), sob o código 8045, relativo ao Período de Apuração 0101/2003 (data encerra PA 04/01/2003), no valor total de R$ 4.793,58 – vide fl. 203 a 204. II.6) Foi constatado que o período de apuração não está conferindo, considerando que a NF foi emitida em 20/12/2002 e o PA do débito confessado em DCTF se refere à primeira semana de janeiro de 2003. Porém há uma explicação da empresa intimada, alertando que “o DARF, no valor total de R$ 4.556,00 (...) foi recolhido no dia 08/01/2003 e detectamos que o período de apuração deveria ser 31/12/2002”. II.7) No relatório auxiliar que demonstra a conta “8045 I.R. DEMAIS RENDIMENTOS P.J.”, há a indicação da Nota Fiscal 4505 para o emitente VILLER no valor de IRRF R$ 470,61, na data de 07/01/2003, e o total desse relatório perfaz R$ 4.556,00, valor igual ao do DARF referido pelo contribuinte. Como não há identificação registrada no DARF, não se pode afirmar efetivamente que foi recolhido para a quitação do IRRF da Nota Fiscal emitida pela Viler (interessada). Podese afirmar tão somente que o DARF pesquisado foi encontrado. II.8) Não foram encontradas mais evidências da transação sob fiscalização nos outros relatórios e extratos bancários entregues. III) CNPJ 89.312.367/000154 BCB COUROS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. III.1) Foi intimada pelo Termo nº 1242/2012 a esclarecer e comprovar os valores dos rendimentos pagos e do imposto de renda efetivamente retido da empresa fiscalizada, com relação à Nota Fiscal nº 4501 emitida em 17/12/2002. O Aviso de Recebimento Postal (AR) foi recebido pela empresa na data de 14/12/2012. III.2) Até a presente data, a intimação não foi atendida. IV) CNPJ 94.324.340/001274 VIA UNO S/A CALCADOS E ACESSÓRIOS Fl. 232DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.901115/200689 Acórdão n.º 1801001.831 S1TE01 Fl. 6 9 IV.1) Foi intimada pelo Termo nº 1245/2012 a esclarecer e comprovar os valores dos rendimentos pagos e do imposto de renda efetivamente retido da empresa fiscalizada, com relação à Nota Fiscal nº 4507 emitida em 23/12/2002. O AR foi recebido pela empresa na data de 19/12/2012. IV.2) Até a presente data, a intimação não foi atendida. 14. De posse dessas informações, podese afirmar que, com relação unicamente às intimações atendidas, ocorreram lançamentos contábeis das transações analisadas, ou seja, na contabilidade da interessada, foram registrados a venda, seu recebimento líquido e o IR retido na fonte; e, no que se relaciona às fontes pagadoras as quais atenderam às intimações, foram registrados contabilmente a retenção na fonte do IR e seu respectivo pagamento. 15. Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARF – recolhidos pela J A CALÇADOS LTDAME – CNPJ 91.519.306/000104 – e pela SOUTH SERVICE TRADING S.A. – CNPJ 93.101.632/000122 – destinados a dar quitação a Imposto de Renda Retido na Fonte, sob código 1708 e 8045, foram localizados e encontramse alocados a débitos de IRRF confessados por ambas fontes pagadoras em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais). 16. Diante da contabilidade apresentada, podese concluir que há indícios de que as retenções de IR das fontes pagadoras acima identificadas foram recolhidas, apesar de não terem sido parte da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF –, tampouco informadas em Comprovante de Retenções de IR na Fonte, documentos nos quais as informações aqui averiguadas deveriam constar, como disposto em legislação. 17. Com relação às intimações não atendidas, CNPJ 89.312.367/000154 e 94.324.340/001274, apenas há a contabilidade da interessada, que demonstra o registro dos lançamentos pertinentes, confirmando suas alegações. 18. Isso posto, encaminhase à Secretaria do SEORT para que, consoante mandamento da Resolução nº 1801000.151, de 12 de setembro de 2012, da 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF , seja dada ciência deste Relatório de Diligência ao contribuinte em epígrafe, abrindose prazo de 30 (trinta) dias, com o fim de, se assim o desejar, apresentar suas considerações. 19. Após juntada das considerações do contribuinte, se houver, retornase os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para prosseguimento na análise da lide. Como se nota do relatório fiscal acima, a maior parte totalizando R$ 1.217,73 do valor do IRRF de R$ 1.264,11, não reconhecido a título de direito creditório como composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, confere com os registros contábeis mantidos pela recorrente, a título de pagamentos recebidos e IRRF retido, assim como também coincide com os registros e documentos contábeis e fiscais apresentados pelas fontes pagadoras J A Calçados LtdaMe – CNPJ 91.519.306/000104 – e pela South Service Trading S.A. – CNPJ 93.101.632/000122, no que tange aos pagamentos efetuados, IRRF retido e comprovantes de recolhimentos. Uma pequena parcela – R$ 46,38 do IRRF em litígio, composta pelas retenções efetuadas pelas fontes pagadoras BCB Couros Industria e Comercio Ltda. CNPJ 89.312.367/000154 e Via Uno S/A Calcados e Acessórios CNPJ Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 94.324.340/001274, teve os registros contábeis confirmados pela auditoria fiscal, mas o seu efetivo recolhimento não pode ser verificado porque tais fontes pagadoras não responderam às solicitações da autoridade fiscal. Em que pese o fato de não terem sido atendidas as intimações da auditoria fiscal que solicitou a comprovação dos recolhimento do IRRF retidos nos pagamentos efetuados, a recorrente não pode ser penalizada pela não apresentação de prova que não lhe compete fazer. Não pode ser penalizada sequer pela não apresentação dos informes de rendimentos pois, se as fontes pagadoras não respeitam o dever de atender às intimações do Fisco Federal, que em última análise detém poder de polícia, muito menos se sentem obrigadas a atender solicitações de empresas que um dia foram parceiras comerciais. Comprovado que os registros contábeis dos rendimentos recebidos e do IRRF retido conferem com aqueles solicitados pela defesa cabe à Receita Federal cobrar das fontes pagadoras o recolhimento do IRRF ou a comprovação do seu recolhimento, já que é a Receita Federal o órgão que tem competência para fiscalizar o recolhimento de tributos federais. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer, a favor da interessada, a parcela do direito creditório em litígio, no valor de R$ 1.264,11, a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 234DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.901115/200689 Acórdão n.º 1801001.831 S1TE01 Fl. 7 11 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10218.720114/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 20/11/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Recurso Voluntário Negado
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OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 14 /2 00 8- 43 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720114/200843 Acórdão n.º 2102002.727 S2C1T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 20/11/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício. Os valores declarados, retificados de ofício e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2006 Declarado, fl. 04 Retificação de ofício Acórdão DRJ, fl. 30 02 Área de Preservação Permanente 4.249,6 ha 0,0 ha 0,0 ha 20 Valor da Terra Nua R$ 72.000,00 R$ 404.215,02 R$ 404.215,02 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 32 a 39 Por meio da Notificação de Lançamento n 02103/00084/2008, de fls. 02 a 06, lavrada em 01/12/2008, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2006, referente ao imóvel denominado Fazenda Vale do Pontal , cadastrado perante a RFB sob o NIRF 7.259.8352, com área declarada de 4.864,2 ha, localizado no Município de São Felix do Xingu (PA). O crédito tributário apurado pela fiscalização é composto de imposto suplementar a pagar no valor de R$34.735,21 que, acrescido dos juros de mora no valor de R$8.694,22 e da multa proporcional no valor de R$26.051,40, totalizou R$69.480,83. Pois bem, a ação fiscal iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal n 02103/00056/2008, fls. 08/09, entregue ao contribuinte em 14/11/2008, conforme tela ECT de fls. 10. Por meio do referido termo, solicitouse ao interessado que apresentasse a seguinte documentação: 1º Identificação do contribuinte 2º Matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural 3º Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR do INCRA 4º Ato Declaratório Ambiental ADA requerido dentro do prazo legal junto ao IBAMA 5º Documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas a até h do art. 2 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720114/200843 Acórdão n.º 2102002.727 S2C1T2 Fl. 4 3 da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidoras dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro 6º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3 da Lei n 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou 7º Laudo de avaliação do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme NBR 14.653/ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no SIPT da RFB. Em que pese o contribuinte não tenha atendido ao Termo de Intimação de fls. 08/09, após analisar a documentação constante dos autos do processo n 10218.721025/200733, fls. 25 a 42 (Laudo de Avaliação Agronômica, ART e desenho topográfico do imóvel), apresentada pelo contribuinte para o exercício de 2005, a autoridade fiscal lavrou a Notificação de Lançamento de fls. 02 a 06, em que foi integralmente glosada a área declarada como de preservação permanente (4.249,6 ha) e arbitrado o VTN em R$404.215,02 (R$83,10ha), com base no VTN/ha médio constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, para o exercício 2006, em razão da falta de apresentação da documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2006. Em conseqüência da referida glosa e do aumento do VTN, foi lançado o imposto suplementar no valor de R$34.735,21, conforme demonstrativo de fls. 05 A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 03 a 06 dos autos. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 12/12/2008, conforme Tela Sucop de fls. 15, o interessado protocolou sua impugnação em 08/01/2009, juntada às fls. 18 a 22, por meio da qual: discorreu brevemente sobre a Notificação de Lançamento n 02103/00083/2008 alegou que os enquadramentos tidos como legais já se encontram superados pelas jurisprudências dos nossos egrégios Tribunais de Justiça afirmou que a legislação que disciplina o ITR (Lei n 9.393/1996) e o Código Florestal (Lei n 4.771/1965) prevê tão somente a averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis, para comprovar sua existência alegou que a Lei n 9.393/1996, ao dispor sobre a forma de apuração do ITR, fixou competência para a RFB estabelecer prazos e condições para apuração e pagamento do imposto, no entanto, não delegou competência à administração fazendária para a instituição de exigências capazes de alterar a base de cálculo e a alíquota do ITR, que somente poderá ser fixada por lei defendeu serem insubsistentes as exigências contidas no 4 do art. 10, na instrução normativa n 43/1997, da Receita Federal, alterada pela IN n 67/1997, vez que apresentação do ato declaratório ambiental é mera formalidade condicional Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720114/200843 Acórdão n.º 2102002.727 S2C1T2 Fl. 5 4 à comprovação da existência de utilização limitada da (Reserva Legal) . (Precedentes do STJ e do TRF da 1 Região: RESP 665.123, Rel. Ministra Eliana Calmon Cardoso, DJ de 10.05.07 e MAS 1999.01.000732833/ TO, Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, DJ 19.12.2005) afirmou que Instrução Normativa não é instrumento hábil para impor condições para a exclusão de área tributável, para fins de apuração de ITR, portanto, fere o principio constitucional da reserva de lei. transcreveu ementa de AMS 2006.43.00.0000129/ TO , Apelação em Mandado de Segurança por meio do qual a Exma. Sra. Desembargadora Federal, Dra. Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1 Região, em decisão unânime da Oitava Turma, publicada em 20.04.07, tratou da reserva legal acrescentou o voto da Exma. Sra. Desembargadora Federal, Dra. Maria do Carmo Cardoso, sobre o Acórdão supracitado (reserva legal) quanto ao VTN, alegou que para o cálculo do ITR 2004, deve ser estipulado o valor do imóvel (VTI), por hectare, onde de acordo com a ABNT, achase o VTN valor da terra nua, através da diferença entre o VTI e o valor das benfeitorias. Dessa maneira tomandose com base os valores oferecidos pelo contribuinte com base nos valores acima referidos, chegase ao VTN/ha, que deve ser adotado para efeito de Declaração do ITR/2004, o que poderá ser aprovado, ad argumentandum, caso assim seja necessário através de apresentação de LAUDO AGRONÔMICO DE VISTORIA . Por fim, requereu: seja julgada improcedente a Notificação de Lançamento n 02103/00083/2008, DRF/Marabá, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Vale do Pontal , exercício 2004, e reavaliado conforme acima exposto. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a ausência de ADA e de Laudo Técnico hábil não permitem que sejam consideradas a isenção da APP e redução do VTN lançado, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas, glosadas pela autoridade fiscal, sejam informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no menor valor, por aptidão agrícola da terra, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720114/200843 Acórdão n.º 2102002.727 S2C1T2 Fl. 6 5 constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão.Transcrevemos livremente os fundamentos da decisão de 1a instância antes referida: Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 45 a 52, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nas alegações que a exigência de ADA para a área de Preservação :Permanente não é obrigatória para isenção do ITR e que deve ser adotado o VTN constante do Laudo Técnico apresentado. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. Para que seja concedida a isenção da APP são requisitos a confirmação da existência área, v.g., por Laudo Técnico e apresentação de ADA. Em relação a apresentação do ADA, essa questão vem sendo tema abordada e tratada de forma uniforme nessa Turma, v.g., o Acórdão n° 210200.528, de 14 de abril de 2010, tendo como relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos. Resta pacífico nessa Turma que a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA sendo descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Da explanação supra, concluise ser fundamental para que se possa conceder a isenção do ITR, a apresentação do ADA, contudo, sem a necessidade de ser entregue no prazo de 6 meses na data de entrega da DITR. Diante disso, considerando que o contribuinte não apresentou ADA e, tampouco laudo que comprove a existência das áreas declaradas como APP, a glosa deve ser mantida. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720114/200843 Acórdão n.º 2102002.727 S2C1T2 Fl. 7 6 VALOR DA TERRA NUA (VTN) Protesta o recorrente que há uma supervalorização do VTN Tributado com base no SIPT. Requer que seja subavaliado essa base de cálculo, conforme valor declarado, contudo sem apresentar Laudo Técnico. Com a MP 2.16667/01, consolidada na IN SRF 256, de 2002, foi instituído o Sistema de Preços de Terras – SIPT baseado nos levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Ainda, a Portaria SRF nº 447, de 2002, estabeleceu: Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002 DOU de 3.4.2002 Aprova o Sistema de Preços de Terras O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data. EVERARDO MACIEL Extraise da legislação acima, que o banco de dados do SIPT é formado pelas próprias informações dos contribuintes e dados recebidos das Secretarias de Agricultura, inclusive, dos próprios municípios,conforme os convênios estaduais. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720114/200843 Acórdão n.º 2102002.727 S2C1T2 Fl. 8 7 Ou seja, o Sistema de Preços de Terra de Terra da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SIPT) traz sim valores médios reais dos valores das terras nuas das propriedade rurais, o que não quer dizer que não possam ser revistos por documento devidamente habilitado, nas situações onde a propriedade, por situações individualizadas possam fugir dessa média. Diante de uma questão nacional, obrigatoriamente para que haja uniformidade e justiça na aplicação da regra tributária, é imprescindível que se tenha uma normalização1, sob pena de se ter critérios totalmente distintos na aplicação da mesma regra tributária, sob pena de afronta aos Princípios da Igualdade ou Isonomia. Se é necessário essa normalização, no Brasil, devemos nos submeter a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A ABNT tratase de um órgão de notória importância nacional e internacional que nos fornece a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. Já as normas NBR/ABNT2 são fundamentadas no consenso da sociedade e são uma garantia dela, no caso específico, do direito coletivo da avaliação uniforme e justa de todos os imóveis rurais para avaliação das bases de cálculo do ITR. Da base supra, extraio dois aspectos fundamentais para a subavaliação do VTN: 1 Deve ser comprovado por laudo técnico seguindo norma NBR e 2Que demonstre cabalmente a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Bem, da análise, dos autos verificamos que no laudo apresentado pelo interessado, fls. 63 a 64, após algumas considerações, o laudo simplesmente deduz sem nenhuma base ou levantamento de dados que o valor total do imóvel seria de R$120,00/ha e que descontadas as benfeitorias o VTN, seria de R$66,23/ha. Ora, inaceitável um valor que surge sem um levantamento conforme determinado pela NBR. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. De outro lado, conforme decidiu o acórdão recorrido, deve ser mantida a tributação da Fazenda Vale do Pontal , com base no VTN arbitrado de R$83,10/ha, correspondente ao menor valor apontado pelo SIPT. Isso posto, sem um laudo competente não há condições para suportar a pretensão da subavaliação pretendida, devendo ser mantido o valor da terra nua considerado no lançamento. 1 Atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva, com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem, em um dado contexto. [http://www.abnt.org.br/m2.asp?cod_pagina=963#] 2 ABNT/NBR é a sigla de Norma Brasileira aprovada pela ABNT, de caráter voluntário, e fundamentada no consenso da sociedade. Tornase obrigatória quando essa condição é estabelecida pelo poder público. [http://www.abnt.org.br/m2.asp?cod_pagina=963#] Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720114/200843 Acórdão n.º 2102002.727 S2C1T2 Fl. 9 8 Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10580.011383/2005-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Numero da decisão: 2201-001.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinatura digital)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - PRESIDENTE EM EXERCÍCIO.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
EDITADO EM: 22/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em Exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira Franca, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinatura digital) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA PRESIDENTE EM EXERCÍCIO. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. EDITADO EM: 22/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 13 83 /2 00 5- 34 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em Exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira Franca, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins e Eduardo Tadeu Farah. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão 1121.294 1 a Turma da DRJ/REC que julgou procedente o lançamento efetuado contra o contribuinte acima identificado por meio do Auto de Infração de fls. 02/08, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2001, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Senta Pua", localizado no município de Wenceslau Guimarães BA, com área total de 408,0 ha, cadastrado na SRF sob o n° 1.152.8370, no valor de R$ 876,11 (oitocentos e setenta e seis reais e onze centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/11/2005, perfazendo um crédito tributário total de R$ 2.184,66 (dois mil cento e oitenta e quatro reais e sessenta e seis centavos). No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2001 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do ITR, fl. 06, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) declaração, a maior, de 150,0 ha de area utilizada com pastagens; b) valor da terra nua diferente do valor de mercado. As alterações, conforme demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 04, têm origem no aumento indevido do grau de utilização em decorrência da Área utilizada com pastagens em valor superior a calculada conforme indices de rendimentos mínimos para a pecuária e falta de comprovação do valor da terra nua. 4. 0 Auto de Infração foi postado nos correios, tendo o contribuinte tomado ciência em 16/12/2005;cottóiiiie'AR de fl. 11. 5. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 19/22, em 16/01/2006, alegando em síntese: I — que a autuante não acatou o Laudo Técnico expedido pela CEPLAC — Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, órgão do Ministério da Agricultura do Abastecimento; II — que o Laudo não foi aceito por estar expresso em Cz$ (cruzados) e não em R$ (reais) e ter sido realizado em 02/06/1997; III — que apresenta outro Laudo Técnico expedido em 05/01/2001, pela CEPLAC; IV — que os pontos de discordância apontados na impugnação são: a) valor total do imóvel; b) valor da terra nua tributável; e c) imposto devido; V— que demonstra a improcedência parcial do lançamento. O Sipt possui aptidão agrícola informada pela secretaria de estado da Agricultura do Estado da Bahia. Inconformado o contribuinte interpõe recurso reafirmando as razões da sua impugnação. É o relatório do necessário Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA Processo nº 10580.011383/200534 Acórdão n.º 2201001.568 S2C2T1 Fl. 41 3 Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente devo consignar que o contribuinte não se insurgiu conta a área de pastagem glosada. Por sua vez, a jurisprudência desta C. Turma é no sentido de o arbitramento com base em informações obtidas junto ao SIPT somente é válida quando as informações utilizadas forem prestadas pelas Secretarias Estaduais e/ou municipais, não podendo se basear exclusivamente na média dos valores informados nas DITRs. O art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA 4 c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, entretanto, o arbitramento se baseou única e exclusivamente nas informações do SIPT, como se verifica do extrato da tela do sistema da Receita Federal do Brasil de fls. 10. Transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, no acórdão 220200.722, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto, in verbis: “Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA Processo nº 10580.011383/200534 Acórdão n.º 2201001.568 S2C2T1 Fl. 42 5 Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” Assim entendo que foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser mantido o VTN arbitrado, salvo se comprovado mediante laudo elaborado que atenda as normas da ABNT que o valor do imóvel fiscalizado, em razão de características próprios possui valor diverso. Contudo, o laudo apresentado pela CEPLAC — Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, órgão do Ministério da Agricultura do Abastecimento não observou as regras da ABNT, entre outras não trás o laudo comparação de valor de mercado de outro cinco imóveis. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 12861.000138/2007-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2003, 30/11/2003, 31/08/2004, 30/09/2004
Ementa:
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN.
O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal, afasta a incidência da chamada multa moratória.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) manter o lançamento da competência agosto/2004, apenas pelo valor principal de R$ 261,23, devidamente acrescido de multa de ofício e juros moratórios desde 15 de setembro de 2004; e (ii) cancelar o lançamento da competência setembro/2004.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2003, 30/11/2003, 31/08/2004, 30/09/2004 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN. O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal, afasta a incidência da chamada multa moratória. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) manter o lançamento da competência agosto/2004, apenas pelo valor principal de R$ 261,23, devidamente acrescido de multa de ofício e juros moratórios desde 15 de setembro de 2004; e (ii) cancelar o lançamento da competência setembro/2004. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 86 1. 00 01 38 /2 00 7- 32 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Auto de infração lavrado para lançamento da contribuição ao PIS do regime cumulativo, recolhido a menor e não declarado em DCTF, dos períodos de setembro/2003, novembro/2003, agosto/2004 e setembro/2004 (fls. 7/23). A recorrente impugnou o lançamento (fls. 813/829) afirmando, relativamente aos períodos de agosto/2004 e setembro/2004, haver recolhido o crédito em atraso, devidamente acrescido de juros moratórios, porém sem acréscimo de multa moratória, porque antes de iniciado o procedimento fiscal, favorecido, portanto, pelo instituto da denúncia espontânea instituído pelo art. 138 do CTN. A DRJRibeirão Preto/SP manteve o lançamento (fls. 897/903), entendendo que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 impõe a incidência de multa moratória no pagamento tardio do tributo pelo contribuinte. Sobreveio tempestivo recurso voluntário (fls. 915/933), com os mesmos fundamentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso voluntário é tempestivo e observa as formalidades aplicáveis à interposição, motivo pelo qual dele se conhece. Registro, inicialmente, que o recurso, tanto quanto a própria impugnação que lhe precedeu, controverte apenas os lançamentos relativos às competências de agosto/2004 e setembro/2004, inexistindo resistência aos lançamentos das competências setembro/2003 e novembro/2003. Relativamente às competências impugnadas, não há controvérsia acerca do crédito tributário principal devido e dos pagamentos efetuados para adimplilos. As planilhas da RFB (fl. 50) e da recorrente (fl. 426) apontam os mesmos valores históricos devidos para agosto/2004 (R$13.708,51) e setembro/2004 (R$29.120,80), bem como as mesmas datas e valores dos pagamentos realizados pela recorrente. A divergência circunscrevese em saber se incide ou não a multa moratória no adimplemento tardio. Exemplifiquemos com a competência setembro/2004: o tributo, no montante de R$29.120,80 vencia em 15 de outubro de 2004; no dia do vencimento, a recorrente nada recolheu. Em 31 de janeiro de 2005, antes de instaurada a auditoria fiscal, a Fl. 943DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12861.000138/200732 Acórdão n.º 3403002.530 S3C4T3 Fl. 5 3 recorrente recolheu DARF no valor total de R$30.207,01, dos quais R$29.120,80 a título de principal e R$1.086,21 a título de juros moratórios fluentes entre a data de vencimento e a data de recolhimento (fl. 869). Em 2 de fevereiro de 2005, a recorrente, inclusive, peticionou à RFB informandoa do pagamento tardio efetuado (fl. 867) A DRF, entretanto, entendeu incidente multa moratória do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Sob tal premissa, a recorrente, em 31 de janeiro de 2005, não devia ao fisco apenas o montante principal (R$29.120,80) e juros moratórios (R$1.086,21), mas também R$5.824,16 (20% de R$ 29.120,80) a título de multa moratória. A DRF, então, imputou os R$30.207,01 pagos pela recorrente proporcionalmente às rubricas de principal, multa moratória e juros moratórios. O resultado foi que sobejaram R$4.707,15 a título de principal. Esses R$4.707,15 é que são objeto de lançamentos de ofício, acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios da data de vencimento até a data de lavratura do auto. A planilha fiscal de fls. 887/891 evidencia com clareza o procedimento adotado. Como dissemos acima, então, tudo está em saber se, na data do pagamento, incidia ou não a multa moratória; caso não incidente a multa, é dizer, caso nenhum quinhão do pagamento precise ser imputado à rubrica de multa, o valor recolhido pela recorrente terá sido suficiente para adimplir integralmente o crédito tributário principal devido naquela data. Pois bem. O assunto é recorrente neste Conselho, e sobre ele já manifestei entendimento por ocasião do julgamento do recurso voluntário nº 253.952, julgado em 26 de agosto de 2010 através do acórdão nº 340300.526, do qual fui relator. Reproduzo e reitero, aqui, a mesma compreensão. Eis o art. 138 do CTN: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. A denúncia espontânea consiste em opção políticofiscal do legislador. Pretendeu ele estimular o cumprimento voluntário de obrigações fiscais pelo contribuinte, eximindoo de sanções sempre que decida emendar qualquer irregularidade fiscal dentro de um determinado intervalo de tempo. Cuidase de figura tributária afim a do “arrependimento eficaz”, presente na área do direito penal. Dois elementos fáticos compõem a hipótese de incidência do instituto, a saber: Fl. 944DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 (a) a correção voluntária da irregularidade fiscal pelo contribuinte (art. 138, caput); e (b) a ausência de procedimento administrativo iniciado ao tempo da correção (art. 138, parágrafo único). A consequência normativa, lêse no mesmo artigo 138, é a “exclusão da responsabilidade do contribuinte por infrações tributárias”. A questão a pedir resposta diz justamente com o consequente normativo do art. 138: qual infração tributária é excluída pela denúncia? A tese sufragada pela DRJ tem por premissa a distinção entre multas “administrativas”, também chamadas “punitivas”, de um lado, e multas “moratórias” ou “indenizatórias”, de outro. A primeira espécie de multa, diz a DRJ, é aquela aplicada de ofício pela Administração, com o escopo de intimidar o contribuinte faltoso, de sancionálo pelo descumprimento da obrigação tributária, dissuadindoo de reincidir na prática. Já a segunda espécie, a multa de mora, prestase ao escopo único de indenizar o erário pelo lapso em que ficou privado do tributo devido, em razão do atraso do contribuinte em adimplilo. A distinção está cristalizada no Parecer Normativo CST nº 61/79: “As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. Punitiva é aquela que se funda no interesse público de punir o inadimplente. É a multa proposta por ocasião do lançamento. É aquela mesma cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde o arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir. A multa de natureza compensatória destinase diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido. É penalidade de caráter civil, posto que comparável a indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórios.” Feita essa distinção, o próximo passo do iter exegético da DRJ é associar o vocábulo “infração” à multa punitiva apenas, é dizer, somente a multa punitiva decorre de uma infração do contribuinte, já que a multa moratória decorreria da simples necessidade de indenizar o Fisco. Como o art. 138 do CTN vem encartado dentro de Seção denominada “Responsabilidade por Infrações”, a denúncia espontânea, conclui a DRJ, aplicase unicamente às multas punitivas. Divirjo da tese já na sua premissa. Entendo que toda e qualquer sanção guarda escopo necessariamente punitivo e que, para a indenização do Fisco credor, estão aí os juros moratórios. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12861.000138/200732 Acórdão n.º 3403002.530 S3C4T3 Fl. 6 5 Nesse sentido, o pensamento de Sacha Calmon: “Em direito tributário é o juro que recompõe o patrimônio estatal lesado pelo tributo não recebido a tempo. A multa é para punir, assim como a correção monetária é para garantir, atualizandoo, o poder de compra da moeda. Multa e indenização não se confundem. É verdade que do ilícito pode advir obrigação de indenizar. Isto, todavia, só ocorre quando a prática do ilícito repercute no patrimônio alheio, inclusive o estatal, lesandoo. O ilícito não é a causa da indenização; é a causa do dano. (...) Nada tem a ver com a multa que é sancionatória” (Teoria e Prática das Multas Tributárias. Rio de Janeiro: Forense, 2001. p. 72). Lucia Valle Figueiredo argutamente advertia que, fosse indenizatória a natureza da multa moratória, e teríamos bis in idem com os juros moratórios: “Realmente, não se pode afirmar, data venia dos que pensam em contrário, que a multa moratória não seja sanção. Se não se entendêla como sanção, os juros devidos (esses, sim, constituemse em autêntica compensação pela mora), seriam bis in idem, situação repelida pelo direito” (Da natureza sancionatória da multa e dos efeitos decorrentes das cassações de liminares. in RDDT 63/105). Agora, ainda que a taxionomia das multas proposta pelo Fisco subsistisse, não se justificaria restringir o alcance do art. 138 a apenas uma de suas espécies. Estarseia a enxergar no texto positivado uma limitação que nele não se encontra. Onde nele está dito que apenas as multas punitivas se submetem à disciplina da denúncia espontânea? Acaso o não pagamento do tributo no vencimento não é uma “infração” tributária? Hugo de Brito Machado esmiúça o ponto: “Ainda que a multa moratória não tivesse natureza punitiva, no caso da denúncia espontânea do atraso no pagamento indiscutivelmente incide o artigo 138 do Código Tributário Nacional, pois este não se refere a punição. Esse dispositivo na verdade exclui a responsabilidade pela infração, vale dizer, qualquer que seja a consequência da infração restará excluída. Seja essa consequência uma punição, ou simplesmente o dever de reparar ou indenizar o credor pelo atraso” (Comentários ao CTN. v. II. São Paulo: Atlas, 2004. p. 656). Cabe aqui o alerta de Sampaio Dória acerca da excessiva iniciativa exegética que por vezes acomete os aplicadores do direito: “Seria lógico admitir que o legislador, querendo atingir todo o gênero, mencionasse tão só uma de suas espécies quando, livre de quaisquer peias, poderia referir o gênero ao invés da espécie? Tão inepto é o legislador que precisa socorrerse do aplicador para a articulação da mens legis?” (Elisão e evasão fiscal. São Paulo: Lael. 1971, p.68). Fl. 946DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Quando o CTN quis referir apenas às multas ditas moratórias – por mais que a ciência do direito condene a distinção –, o fez com absoluta desenvoltura e precisão, como no art. 134, parágrafo único (“o disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório”). Há mais. Se a multa moratória não guardasse ímpeto punitivo, mas apenas indenizatório, restaria, a meu ver, completamente sem sentido a previsão legal de que a multa de ofício – esta sim punitiva, como quer a DRJ – substitui a moratória (RIR/99, art. 950, §3º); ora, se as finalidades são diferentes, não haveria razão para não cumulálas. Dizse que a nãoincidência da multa moratória no caso de pagamento intempestivo representaria um convite ao atraso, pois o agravamento financeiro infligido ao contribuinte impontual seria ínfimo. O argumento me remete ao dilema filosófico do copo “metade cheio, metade vazio”. Sim, não será um despautério enxergar, na denúncia espontânea aplicada à multa moratória, um convite ao atraso, assim como igualmente possível é enxergar um convite a cessar o atraso. Assim preferiu o legislador, essa foi sua opção de política fiscal. Ademais, para desestimular o atraso tem o legislador a ferramenta dos juros moratórios, aos quais o art. 161 CTN não impõe teto. Sacha Calmon adverte a respeito: “Ora, podem os legisladores ordinários (...) fixar um juro equiparado ao bancário, igualando o custo do dinheiro não pago à Fazenda ao tomado à rede bancária. Poderiam até fixálo um pouco acima tornandoo pouco atraente do ponto de vista financeiro. Com isto desestimulariam a inadimplência” (op. cit. p. 110) Poucos anos após a promulgação do CTN, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar lide falimentar em que se debatia a inclusão ou não de multa fiscal dentre os créditos cobráveis na falência, decidiu: “De fato, não disciplina o CTN as sanções fiscais de modo a extremálas em punitivas ou moratórias, apenas exige a sua legalidade, art. 97, V. (...). Nessa conformidade, a sanção fiscal aplicada ao falido, compensada a mora pela correção monetária do tributo exigido e pelos juros moratórios, é sempre punitiva, pois que a sanção aplicada, não o é pela mora, mas pelo simples fato do inadimplemento, daí considerar a sua natureza como punitiva, não como moratória” (RExt nº 79.625. Rel. Min. Cordeiro Guerra. j. 14.08.75) Forte neste entendimento, o Supremo cancelou a sua Súmula nº 191, vigente desde 1963, segundo a qual “incluise no crédito habilitado em falência a multa fiscal simplesmente moratória”, e aprovou a nova Súmula nº 565, pela qual “a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência”. E, já na vigência da nova súmula, voltou a decidir o Supremo: “Ora, a exoneração da responsabilidade pela infração e da consequente sanção, assegurada, amplamente, pelo art. 138 do CTN, é necessariamente compreensiva da multa moratória, em Fl. 947DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12861.000138/200732 Acórdão n.º 3403002.530 S3C4T3 Fl. 7 7 atenção e prêmio ao comportamento do contribuinte” (RExt nº 106.068. Rel. Min. Rafael Mayer. j. 6.8.85). No STJ, esse sempre foi o entendimento dominante (e que, segundo entendo, está atualmente sumulado no verbete nº 436, conforme verseá a seguir): “Considerase ‘denúncia espontânea’, para os efeitos do Art. 138 do CTN, a confissão de dívida, efetivada antes de ‘qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização’. Contribuinte que denuncia espontaneamente, débito tributário em atraso e recolhe o montante devido, com juros de mora, fica exonerado de multa moratória (CTN ART. 138)” (1ª Turma. REsp 241.114/RN. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros. j. 13.3.01). “Configurase denúncia espontânea o recolhimento de tributo acrescido o valor principal de correção monetária e juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo. Multa moratória indevida” (2ª Turma. REsp 511.340/MG. Rel. Min. Eliana Calmon. j. 6.11.03). No CARF, a questão ainda é disputada, mas já há precedentes da Câmara Superior no sentido aqui defendido: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA DE MORA Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. Recurso especial negado” (1ª Turma do CSRF. Proc. 10675.000081/0079. Rec. 123295. Rel. Cons. Remis Almeida Estol. j. 1.12.03). “DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. MULTA DE OFÍCIO Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial negado” (3ª Turma do CSRF. Proc. 11968.000894/200115. Rec. 325351. Rel. Cons. Anelise Daudt Prieto. j. 6.11.2006) Enfim, entendo que a denúncia espontânea da infração pelo contribuinte afasta a incidência de multa moratória. Poderseia, ainda, objetar o seguinte: se o pagamento tardio antes de iniciado o procedimento fiscal afasta a multa moratória, e se após iniciado o procedimento fiscal, a multa será a de ofício, quando então se cogitará da aplicação da multa moratória? Em que hipótese incidiria, afinal, o art. 61 da Lei nº 9.430/96?? Fl. 948DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Há, sim, campo para a incidência daquele preceito normativo, de modo a salválo da inutilidade e, mais que isso, de modo a salvar a própria exegese aqui proposta. Já decidiu o E. STJ que as declarações prestadas pelo contribuinte ao Fisco (DCTF, GIA, GFIP) têm natureza constitutiva do crédito tributário, isto é, lançam o crédito (Súmula 436); já decidiu também o STJ que a declaração do crédito pelo contribuinte inibe a incidência da norma de denúncia espontânea (Súmula 360). Portanto, se o contribuinte confessa o débito de Pis em DCTF mas não o recolhe a tempo, não haverá lançamento de ofício – e, por conseguinte, não haverá multa de ofício – mas tampouco configurarseá denúncia espontânea a afastar a responsabilidade por infrações. Nessa hipótese, pois, incidirá a multa moratória do art. 61 da Lei nº 9.430/96. In casu, o tributo não foi declarado pela recorrente, conforme se afirma no próprio auto de infração (fl. 13), razão pela qual essa hipótese de aplicação da multa moratória não se verifica aqui. Noto, contudo, que relativamente à competência agosto/2004 o pagamento tardio de principal efetuado pela recorrente (R$12.699,56) não foi suficiente para liquidar o valor principal total devido (R$12.960,79), restando um saldo de R$261,23 de crédito principal a lançar, com os devidos acréscimos. Ante o exposto, provejo parcialmente o recurso voluntário para os fins de: (i) manter o lançamento das competências setembro/2003 e novembro/2003, eis que não controvertidas; (ii) manter o lançamento da competência agosto/2004, apenas pelo valor principal de R$261,23, devidamente acrescido de multa de ofício e juros moratórios desde 15 de setembro de 2004; e, por fim, (iii) cancelar o lançamento da competência setembro/2004. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 949DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 15504.010750/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator e Presidente em exercício.
EDITADO EM: 22/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho (Presidente), Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi De Oliveira, Carlos André Rodrigues Pereira Lima
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator e Presidente em exercício. EDITADO EM: 22/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 07 50 /2 00 9- 32 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 15504.010750/200932 Acórdão n.º 2102002.544 S2C1T2 Fl. 11 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho (Presidente), Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi De Oliveira, Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 50 a 54: Tratase de Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte acima identificado, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, ano calendário 2004, formalizando a exigência de a exigência do crédito tributário assim discriminado (valores em reais): IMPOSTO SUPLEMENTAR 2904 3.132,25 MULTA DE OFICIO 2.349,18 JUROS DE MORA (até 07/2007) 747,04 TOTAL 6.228,47 O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, fls. 44 a 46, entre os quais foi efetuada glosa do valor de R$11.390,00 indevidamente deduzido a titulo de despesas médicas. A autoridade lançadora esclarece o que a seguir sera sintetizado. A declaração do contribuinte incidiu em malha fiscal e ele foi intimado a comprovar os pagamentos realizados e pleiteados como dedução na DIRPF/06, sendo que foram eleitos como prova dos efetivos pagamentos das despesas médicas declaradas, as cópias de microfilmagem dos cheques emitidos ou então extratos bancários que relacionassem as compensações dos cheques ou das retiradas necessárias aos pagamentos, com compatibilidade de datas e valores em relação aos recibos emitidos pelos prestadores de serviço. Quando do seu comparecimento a RFB, foi solicitado ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento, na forma descrita acima, relativamente aos valores declarados a Luciana Breder Barros e Vânia Maria Galvdo, conforme reintimação fiscal recebida e assinada pelo contribuinte em 17/06/2008. Em resposta a reintimação, o contribuinte disponibilizou os extratos bancários emitidos pelo Banco Real e Banco Itaú. Analisando os extratos bancários apresentados, observase a não correspondência entre datas e valores constantes nos recibos e as movimentações financeiras registradas nos extratos. Assim, por falta de identificação dos beneficiários dos serviços prestados e por falta de comprovação da efetividade de sua realização e pagamento deixouse de acatar os seguintes valores pleiteados como dedução a titulo de despesas médica na DIRPF/07: Luciana Breder Barros, valor de R$7.090,00 e Vânia Maria Galvão, no valor de R$4.300,00. Cientificado do lançamento, o interessado apresenta a impugnação de fls. 01/09 em 15/06/2009, instruída com as cópias de documentos de fls. 10/41, onde alega, em síntese que: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 15504.010750/200932 Acórdão n.º 2102002.544 S2C1T2 Fl. 12 3 considera equivocada a glosa efetuada do valor de R$11.390,00 sendo que pretende o Fisco o estorno de dedução considerada indevida de despesas médicas/odontológicas, lançadas em sua DIRPF/07, sob a alegação da falta da correspondência entre datas e valores constantes nos recibos e as movimentações financeiras registradas nos extratos; entretanto, considera que os extratos bancários apresentados comprovam que no mesmo dia, ou nos dias que seguem, ao recebimento de suas fontes pagadoras sempre efetuou o saque de quase a totalidade do valor recebido. Isto em função de ter como hábito a não utilização do sistema financeiro pelo custo de tarifas; evidenciase que todas as contas apresentadas foram pagas em dinheiro e que, pela manutenção constante de moeda corrente, não há relação dos saques com as datas dos recibos dos profissionais de saúde declarados; aduz que os extratos também demonstram que não faz uso de cheques; segundo informação obtida junto As duas profissionais que emitiram os recibos, consta o nome do beneficiário do serviço de saúde apenas quando o mesmo é diferente da pessoa responsável pelo pagamento e confirma que em ambos os casos os serviços foram diretamente prestados a ele, o que pode ser comprovado com os prontuários de atendimento; sustenta que não pode haver a presunção de que isto não seja verídico, uma vez que, ao se fazer a declaração de renda, assume a responsabilidade pela veracidade das informações prestadas; aduz que as despesas médicas que foram glosadas são comprovadas pelos recibos apresentados e as profissionais colocamse A disposição para confirmar a prestação dos serviços. Acrescenta que a fiscalização deverá efetuar diligencia perante as contribuintes para averiguar se os valores estão devidamente declarados; ressalta que os saques recorrentes de quase a totalidade dos saldos em conta demonstram o pagamento das despesas e que o fisco não produziu provas contra o contribuinte, apenas apresentou suposições. Não pode o fiscal acomodarse atrás dos sistemas e não investigar os fatos, argumentando ainda que ou deve ficar comprovado que o documento é inidôneo ou deve o fisco aceitálo como legitimo; em seguida, cita destaques jurídicos para embasar seus argumentos e discorre sobre o ônus da prova, juntando alguns acórdãos do Conselho de Recursos Fiscais; Requer, ao final, o acolhimento da impugnação para reconhecer e declarar nula de pleno direito a Notificação de Lançamento. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhados de provas suficientes, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento,resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 15504.010750/200932 Acórdão n.º 2102002.544 S2C1T2 Fl. 13 4 A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada A comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 64 a 71, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. O recorrente comprovou através dos extratos bancários que. efetua, uma vez por mês, o saque da totalidade dos rendimentos auferidos, por ter isenção de tarifas apenas no primeiro saque, e praticamente não usa do sistema bancário, não emitindo cheques e não realizando outros saques; logicamente mantém recursos em espécie, conseqüência do hábito descrito anteriormente, suficientes para pagar suas contas diárias, incluindo aí as consultas e tratamentos de saúde em questão. II. Que os recibos são provas de boafé do contribuinte, até que a fiscalização prove o contrário, o que não foi feito até o momento. Que a manutenção do lançamento é mera presunção. III. Que a negativa da autoridade fiscal em diligenciar junto aos emitentes dos recibos, limitou seu direito a ampla defesa. IV. O recorrente traz como fato novo as declarações preparadas pelas profissionais da saúde, com firma reconhecida, configurando prova testemunhal. V. Requer ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Alega o recorrente cerceamento de defesa decorrente do fato de não ter sido diligenciado pela autoridade fiscal para que fosse demonstrado que os pagamentos das notas fiscais foram feitos a prazo, deixando a responsabilidade para a recorrente fazer a descrição do que aconteceu concretamente, daí a necessidade do processo ser baixado em diligência. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 15504.010750/200932 Acórdão n.º 2102002.544 S2C1T2 Fl. 14 5 Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado a apresentar documentação comprobatória e com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, preferiu apenas repetir as mesmas razões sem juntar documentos comprobatórios. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento da diligência pleiteada, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Não há possibilidade de se sugerir qualquer preterição de direito de defesa, muito menos de se requerer a nulidade da autuação. MÉRITO Discutese as seguintes glosas das despesas médicas: · Luciana Breder Barros, dentista, no valor de R$7.090,00 e · Vânia Maria Galvao, psicoterapeuta, no valor de R$4.300,00. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 15504.010750/200932 Acórdão n.º 2102002.544 S2C1T2 Fl. 15 6 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, aqui no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Por tudo, não há qualquer dúvida que o contribuinte se enquadrou na tipologia 1, 2 e 5 ( 05/02/2006domingo fl. 16 e 04/03/2006sábado, fl. 16). Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Entendo que diante dos fatos narrados, a apresentação das declarações sem nenhuma comprovação de pagamento não traz a substância de prova que se procura. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 15504.010750/200932 Acórdão n.º 2102002.544 S2C1T2 Fl. 16 7 aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Ressalto que o contribuinte declarou duas fontes de rendimentos.. Ainda, poderseia alegar que os pagamentos foram feitos em dinheiro com os valores declarados percebidos de pessoas físicas mas ocorre deverseia que nem na sua totalidade seria o suficiente para cobrir as despesas declaradas. Se não te todos mas de alguns mas no presente caso, nenhum pagamento foi efetivamente comprovado. Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa da dedução de despesas médicas em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO
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