Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10680.910633/2015-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/07/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.910633/2015-64
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940383
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.293
nome_arquivo_s : Decisao_10680910633201564.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680910633201564_5940383.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7551335
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148313690112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910633/201564 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.293 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/07/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 33 /2 01 5- 64 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910633/201564 Acórdão n.º 3301005.293 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.515. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910633/201564 Acórdão n.º 3301005.293 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910633/201564 Acórdão n.º 3301005.293 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910633/201564 Acórdão n.º 3301005.293 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910633/201564 Acórdão n.º 3301005.293 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910633/201564 Acórdão n.º 3301005.293 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000188/2010-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestre-calendário. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferido-lhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório.
Numero da decisão: 9303-007.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestre-calendário. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferido-lhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12585.000188/2010-21
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5930654
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.499
nome_arquivo_s : Decisao_12585000188201021.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 12585000188201021_5930654.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7532627
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148361924608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2.852 1 2.851 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12585.000188/201021 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.499 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria 63.612.9999 COFINS COMPENSAÇÃO Outros Recorrente MAN LATIN AMERICA INDUSTRIA E COMERCIO DE VEICULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestre calendário. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferidolhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 88 /2 01 0- 21 Fl. 949DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório PERDcomp Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com declaração de compensação (efls. 3 a 13), no qual o contribuinte pleiteia a restituição de saldo credor de Cofins referente a julho de 2009, abarcando entre outros valores saldos dos dois trimestres anteriores do ano, para compensação com débito de IRPJ. Despacho Decisório A Equipe Especial de Auditoria da Derat em São Paulo, nos documentos de efls. 702 a 715, entendeu ser impossível o ressarcimento do saldo de vários trimestres em um único PERDcomp, com base no disposto na Lei n° 10.833, de 2003 e no art. 28 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008. Assim, glosou a utilização do saldo de créditos de meses anteriores a julho de 2009. Houve ainda outras glosas, relativas a critério de cálculo e a operações com CFOP 9999. Foi dada ciência do despacho ao sujeito passivo em 29/06/2012 (efl. 718). Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Irresignada, em 30/06/2012, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 720 a 752, requerendo a reforma do despacho decisório. Entre outras alegações, a contribuinte alega, em sua manifestação de inconformidade que falta fundamento legal para a Instrução Normativa que, em seu entendimento, teria extrapolado os limites do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Adicionalmente argumenta que o fundamento do despacho decisório estaria suportado por mera questão de forma, sem que tenha havido prejuízo ao erário. A 14ª Turma da DRJ/RBO, apreciou a manifestação em 29/07/2013, e no acórdão nº 1443.386, às efls. 780 a 803, negou provimento à manifestação de inconformidade. Entre outros pontos, defendeu a legalidade da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que, entendeu estar dentro dos limites traçados pela norma legal. Foi dada ciência da decisão à contribuinte em 09/08/2013 (efl. 804). Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 806 a 843, em 05/09/2013. Em seu recurso voluntário, a contribuinte basicamente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 9303007.499 CSRFT3 Fl. 2.853 3 Decisão de Segunda Instância A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 26/04/2017, resultando no acórdão de nº 3302004.119, às e fls. 845 a 867, que negou provimento ao recurso voluntário. A seguir, encontrase reproduzida a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS. GLOSA DOS CRÉDITOS. CABIMENTO. Constatado em procedimento fiscal a existência de tomada de crédito sobre aquisições e prestação de serviços não considerados insumos, impõe a glosa dos valores dos créditos indevidamente apropriados. SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestre calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestrecalendário. 2. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferidolhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, parcialmente vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que reconhecia o direito ao aproveitamento dos créditos extemporâneos. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. A Conselheira Lenisa Prado declarouse impedida. Na decisão, restou consignado o entendimento de que o disposto no art. 28 da IN não consiste em vedação, mas à fixação de prévio requisito necessário, de natureza procedimental. Argumentouse, ainda que interpretação em contrário prejudicaria o controle de procedimentos fraudulentos e a contagem do prazo para solicitação de repetição de indébito. Fl. 951DF CARF MF 4 A contribuinte foi intimada do acórdão em 28/08/2017, conforme documento de efl. 872. Recurso Especial do Sujeito Passivo Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Especial em 12/09/2017 (efl. 876). Em seu recurso especial, a contribuinte alega divergência quanto à matéria " possibilidade de aproveitar créditos da Cofins, vinculados à operação de exportação, apurados trimestres anteriores ao da apresentação da DComp". Para comprovação do dissídio, apresenta a título de paradigma os acórdãos 9303004.550 e 3403003.574. Argumenta que, enquanto os paradigmas dispensaram a necessidade de formalização de um único pedido de ressarcimento por trimestre, o recorrido exigiu essa condição. Finaliza requerendo que seja reconhecida a possibilidade de ressarcimento de saldos credores de vários períodos em um único pedido. O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF , afastando o acórdão 3403003.574, como paradigma, deu seguimento ao RESP com base na divergência comprovada mediante o paradigma 9303004.550. Contrarrazões da Fazenda Nacional A Procuradoria da Fazenda ofereceu contrarrazões (efls. 924 a 937), em que pede negativa de provimento ao recurso especial, para manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. A divergência que aqui se aprecia, limitase a dizer se cada PERDcomp deve se referir ao saldo credor das operações exclusivamente relativas a um trimestrecalendário ou se o saldo credor de trimestrescalendário anteriores pode ser considerado, no mesmo pedido. Em que pesem as considerações em sentido contrário, concordo com o entendimento esposado na decisão a quo, cujos fundamentos aqui adoto. A seguir, reproduzo as razões de decidir do acórdão recorrido: Com a devida vênia, não se trata de vedação à compensação, como entendeu o nobre Relator. A exigência contida no referido preceito normativo limitase à fixação de prévio requisito necessário à compensação dos créditos das referidas contribuições, realizada após o encerramento do trimestre calendário dos créditos correspondentes, que se encontra expressamente estabelecido no art. 42, §§ 10 e 11, da referida Instrução Normativa RFB 900/2008, que seguem transcritos: [...] Fl. 952DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 9303007.499 CSRFT3 Fl. 2.854 5 Assim, por força do disposto no art. 42, § 7º, da referida Instrução Normativa, por razão óbvia, a única exceção que dispensa a apresentação prévia do respectivo pedido de ressarcimento, cingese a situação em que o contribuinte formaliza a compensação (a apresenta a DComp) antes do encerramento do respectivo trimestre, o que, no caso em tela, ocorreu em relação ao saldo dos créditos do mês de julho de 2009, uma vez que as referidas DComp foram apresentadas antes do encerramento do 3º trimestre 2009. Assim, por estar vinculada aos atos normativos editados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem estava obrigada a dar pleno cumprimento ao disposto no art. 42, §§ 10 e 11, da Instrução Normativa RFB 900/2008. Também não procede a alegação da recorrente de que a exigência de apresentação de pedido de ressarcimento por trimestre calendário extrapolava a competência regulamentar da matéria, atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), pelo art. 74, § 14, da Lei 9.430/1996, combinado com o disposto art. 6º, § 1º, II, da Lei 10.833/2003, respectivamente, a seguir transcritos: [...] Ora, se a exigência em questão tem natureza meramente procedimental, com vista assegurar o controle e facilitar a verificação/confirmação da correta apuração do crédito pleiteado, inequivocamente, estava incluída no âmbito das prerrogativas conferidas ao Secretário da Receita Federal a competência para regulamentar tal matéria. Portanto, legítima tal exigência. Além disso, diferentemente do alegado pela recorrente, tal procedimento revelase indispensável à verificação eficaz e eficiente da correta apuração dos créditos das referidas contribuições e assim evitar ou reduzir as possibilidades de utilização ilícita de créditos, mediante de fraudes cometidas mediante a apropriação de créditos em duplicidade ou indevidos. E, como pretende a recorrente, negar legitimidade aos referidos preceitos normativos, editados com respaldo em expressa previsão legal seria o mesmo que afastar a legalidade dos citados preceitos legais que atribuíram à RFB competência para regulamentar a matéria, o que, fora das exceções estabelecidas no art. 26A, § 6º, do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado, no âmbito do processo administrativo fiscal, às autoridades julgadoras de todas instâncias. Enfim, cabe ainda consignar que, diferentemente do alegado pela recorrente, as referidas exigências procedimentais estão em perfeita consonância com o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 953DF CARF MF 6 [...] Deveras, conforme anteriormente demonstrado, as referidas exigências formais limitamse a estabelecer procedimentos com vistas apenas à facilitar o controle e a verificação/confirmação da correta apuração dos créditos, sem qualquer óbice ou restrição ao direito de aproveitamento do saldo remanescente de créditos nos períodos de apuração subsequentes, previsto no preceito legal em destaque. Tal direito é plenamente assegurado seja a sob a forma de dedução da contribuição devida apurada nos períodos de apuração seguintes, seja sob a forma de compensação com débitos vincendos ou vencidos do próprio contribuinte. A propósito, não se deve confundir procedimentos de controle da legitimidade do crédito, com meios legítimos de aproveitamento do saldo de créditos remanescente de determinado trimestre calendário por meio de compensação, em relação aos quais não há qualquer vedação ou restrição estabelecida nos atos normativos editados pela RFB. Também não se pode confundir aproveitamento de saldo de crédito remanescente existente no final do período de apuração (crédito com os atributos da certeza e liquidez), previsto no referenciado art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003, com registro de determinadas operações no Dacon, que asseguram a apropriação de crédito, como consignado no voto do i. Relator. Inequivocamente, tratamse de casos completamente distintos. Com efeito, enquanto o primeiro pressupõe o confronto de débitos e créditos e apuração, no final do período de apuração, de saldo credor remanescente, o segundo representa apenas o registro do valor de determinadas operações que comporão a base de cálculo de apuração dos referidos créditos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial da contribuinte, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 954DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002778/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. DOLO. DIES A QUO.
No âmbito da decadência, havendo dolo do contribuinte nas condutas de sonegação, simulação e/ou conluio, o marco inicial de sua contagem rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Existindo pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial rege-se pelo § 4º do art. 150 do CTN.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62, §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 (Novo Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, devidamente comprovados.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS
Comprovada a existência de benfeitorias constantes em Escritura de Registro de Imóveis, deve ser cancelado o lançamento que considerou no custo de aquisição apenas o valor da terra nua.
GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. APURAÇÃO DO GANHO.
A apuração dos ganhos líquidos no mercado de renda variável é mensal e se refere às operações realizadas nesse período e que se concretizam no momento da alienação dos ativos no pregão e não na liquidação financeira que se segue.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA.
Configurado o dolo, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência.
Numero da decisão: 2202-004.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de: declarar a decadência dos lançamentos até 10/2002 da infração ganhos líquidos em renda variável; deslocar o valor de R$ 41.486,45 com dispêndio em compra de imóveis, de 01/2002 para 12/2001; excluir o lançamento sobre ganho de capital na alienação de imóvel; e excluir os dispêndios relacionados na conclusão do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. DOLO. DIES A QUO. No âmbito da decadência, havendo dolo do contribuinte nas condutas de sonegação, simulação e/ou conluio, o marco inicial de sua contagem rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial rege-se pelo § 4º do art. 150 do CTN. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62, §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 (Novo Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, devidamente comprovados. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS Comprovada a existência de benfeitorias constantes em Escritura de Registro de Imóveis, deve ser cancelado o lançamento que considerou no custo de aquisição apenas o valor da terra nua. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. APURAÇÃO DO GANHO. A apuração dos ganhos líquidos no mercado de renda variável é mensal e se refere às operações realizadas nesse período e que se concretizam no momento da alienação dos ativos no pregão e não na liquidação financeira que se segue. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Configurado o dolo, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10907.002778/2007-88
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5932222
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.820
nome_arquivo_s : Decisao_10907002778200788.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10907002778200788_5932222.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de: declarar a decadência dos lançamentos até 10/2002 da infração ganhos líquidos em renda variável; deslocar o valor de R$ 41.486,45 com dispêndio em compra de imóveis, de 01/2002 para 12/2001; excluir o lançamento sobre ganho de capital na alienação de imóvel; e excluir os dispêndios relacionados na conclusão do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7535403
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148393381888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 47; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 3.688 1 3.687 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.002778/200788 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.820 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA Recorrente GILBERTO BUSS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. DOLO. DIES A QUO. No âmbito da decadência, havendo dolo do contribuinte nas condutas de sonegação, simulação e/ou conluio, o marco inicial de sua contagem regese pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial regese pelo § 4º do art. 150 do CTN. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62, §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 (Novo Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, devidamente comprovados. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 27 78 /2 00 7- 88 Fl. 3688DF CARF MF 2 Comprovada a existência de benfeitorias constantes em Escritura de Registro de Imóveis, deve ser cancelado o lançamento que considerou no custo de aquisição apenas o valor da terra nua. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. APURAÇÃO DO GANHO. A apuração dos ganhos líquidos no mercado de renda variável é mensal e se refere às operações realizadas nesse período e que se concretizam no momento da alienação dos ativos no pregão e não na liquidação financeira que se segue. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Configurado o dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de: declarar a decadência dos lançamentos até 10/2002 da infração ganhos líquidos em renda variável; deslocar o valor de R$ 41.486,45 com dispêndio em compra de imóveis, de 01/2002 para 12/2001; excluir o lançamento sobre ganho de capital na alienação de imóvel; e excluir os dispêndios relacionados na conclusão do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0619.494, proferido pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA) que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/CTA: Fl. 3689DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.689 3 Trata o processo de auto de infração de fls. 1.494/1.512, exigindo R$ 103.650,00 de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF e multas de ofício de 75% e 150%, fundamentadas no art. 44,I, e II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora. A autuação referese a: a. Omissão de rendimentos dada a apuração de variação patrimonial a descoberto apurada nos meses de 01 a 04, 08 a 10/2001, 01, 03 a 12/2002, 01 e 02, 04 e 05, 08 a 10 e 12/2003, 01, 02 e 04/2004, autuada em 50% dos valores a descoberto, tendo sido os demais 50% lançados na pessoa do cônjuge Claudete Kolling Buss; base legal nos arts. 1o a 3o e §§ da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. 1o e 2o da Lei n° 8.134, de 14 de abril de 1990; art. 55, XIII do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999); art. 1o da Lei n° 9.887, de 07 de dezembro de 1999; art. Io da Medida Provisória n° 22, de 8 de janeiro de 2002 (convertida na Lei n° 10.451, de 10 de maio de 2002); b. omissão de ganhos de capital na alienação do imóvel matrícula nº 11.442 do Ofício de Registro de Imóveis de Medianeira, autuada em 50%, tendo sido os demais 50% lançados na pessoa do cônjuge Claudete Kollig Buss; fatos geradores em 28/02/2001, 30/11/2001 e 31/01/2003; enquadramento legal nos arts. 1o a 3o e §§, 16, 18 a 22 da Lei n" 7.713, de 1988; arts. 1o e 2o da Lei n° 8.134, de 1990; arts, 7o, 21 e 22 da Lei n° 8.981, de 20 cie janeiro de 1995; arts. 17, 23 e §§ da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 arts. 22 a 24 da Lei n" 9.250, de 26 de dezembro de 1995; arts. 16, 17 e §§ da Lei ii° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; arts. 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR, de 1999; c. falta de recolhimento do IR sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável, fatos geradores mensais de 02 a 05, 07, 09, 11/2001; 01, 03, 04, 06 a 08 e 12/2002; 04, 05, 08, 10/2003 e 01, 02, 04, 07, 10 e 11/2004; base legal nos arts. 743, 761, 764, 765, 766 e 700 do RIR de 1999; arts. 6o e 8o da Medida Provisória n° 2.0053, de 14 de dezembro de 1999; arts. 6o e 8o da Lei n° 9.959 de 27 de janeiro de 2000. 3. No "Termo de verificação fiscal" TVF, fls. 1.513/. 1.533, o autuante historia os fatos e descreve as razões da autuação, em detalhe; às fls. 1.534/1.687, demonstrativos que embasaram a autuação. 4. Cientificado em 11/12/2007, fls. 1.495, 1.533 e 1.686, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls. 1.692/1.727, por meio de seus representantes legais, fls. 365 e 1.729, acompanhada dos documentos de fls. 1.728/2.725. 5. Preliminarmente, argüi a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores de 01/2001 a 11/2002 e erro na eleição do sujeito passivo, na autuação de omissão de Fl. 3690DF CARF MF 4 rendimentos devido à variação patrimonial a descoberto em relação aos negócios praticados pela esposa. 6. Lembra que o IRPF sobre os rendimentos e ganhos de capital das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente desde a Lei nº 7.713, de 1988, e que assim se caracteriza o lançamento por homologação em que o direito de lançamento pela Fazenda Pública se extingue decorridos cinco anos a partir do fato gerador, excetuada a hipótese, que não é o presente caso, de dolo, fraude ou simulação, a teor do art. 150, § 4° e 156 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; cita e transcreve autores e jurisprudência nesse sentido; pleiteia a decadência relativamente aos ganhos de capital com a alienação, que afirma ter se dado em dezembro de 2000, do imóvel de matrícula nº 11.442; transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda — CCMF; pleiteia a decadência do lançamento relativo ao período de 02/2001 a 11/2002 de IR sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, com base no art. 150, § 4o do CTN, e transcreve acórdão do CCMF. 7. Acerca do erro na eleição do sujeito passivo na autuação de omissão de rendimentos devido à variação patrimonial a descoberto, afirma que o fluxo patrimonial deveria ter sido elaborado em separado para cada cônjuge; aduz que atua como Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil o que demanda sua dedicação integral e sua esposa atuou em diversos negócios, tais como imóveis e jóias, mútuos e outros investimentos destinados a gerir os bens comuns do casal; que, por isso, declararam o IRPF em separado, sendo que optaram por tributar os rendimentos provenientes dos bens comuns integralmente na pessoa da sra. Claudete Buss, sua esposa, atendendo ao art. 6o, parágrafo único, do RIR de 1999; transcreve acórdãos do CCMF; por isso, deve ser adotado o fluxo que o impugnante já apresentou. Planilha de Fluxo Financeiro Mensal de fls. 498/501, e que reapresenta no doe. 2; reclama, que a fiscalização extrapolou o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) ao exigir do autuado que esclareça operações realizadas pela esposa, o que foi manifestado ao autuante já durante o procedimento de fiscalização; aduz que não haveria prejuízo à fiscalização em adotar o critério proposto pelo autuado, ou seja, em considerar os fluxos em separado, dado que as entradas e saídas de numerários estão identificadas, o que não se pode dizer em relação ao impugnante, sendo que, se mantido o critério, afirma que restará prejudicado o seu direito de ampla defesa, porque quem deve responder sobre os negócios de sua esposa é ela mesma; conclui que não é o sujeito passivo das operações desenvolvidas pela esposa; aduz que as operações desenvolvidas por ela, dada a característica de terem sido desenvolvidas com habitualidade e relacionadas à atividade mercantil, resultam em que deve ser equiparada a pessoa jurídica, não se sujeitando, por conseguinte, ao IRPF; transcreve acórdãos do CCMF. 8. No mérito, acerca do acréscimo patrimonial a descoberto, explica que: a. O veículo Brava placa AJR 7534: Fl. 3691DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.690 5 i. foi adquirido com cheques prédatados, para os quais foram emitidas várias duplicatas, conforme vencimento, segundo declaração prestada às fls. 495, 526/527 e nota fiscal nº 93156, fls. 504/505; reclama que, ainda que não tivessem sido consideradas as datas de vencimento das duplicatas, deveriam ter sido consideradas as datas de compensação bancária de cada cheque, e não arbitradas as suas datas como fez a fiscalização; e acusa tal procedimento de desprovido de amparo legal, principalmente em relação ao valor de R$ 13.000,00 considerado como pagamento à vista, quando se referia a uma duplicata com vencimento para 01/05/2001, garantida por cheque prédatado "o qual que foi trocado quando da venda do veiculo de placa AGM 6769"; ii. em abril/2002, foi vendido à Sra. Luciane Ferreira Dutra de Caldas, CPF 139.857.97854 que, conforme declaração de fl. 526, efetuou o pagamento no mesmo mês, mediante depósito junto ao revendedor de um outro veículo adquirido naquele mês pelo impugnante; a transferência do automóvel ocorreu em 04/2003 e é da responsabilidade do comprador, sendo tal demora corriqueira; a declaração da empresa PJ.Comércio de Veículos Ltda, CNPJ 79.553.863/000146 (doe. 3) confirma que o veículo foi entregue pela Sra. Luciane à compradora em 04/2003; a título de esclarecimento, informa que quando o comprador do veículo diligenciou para a transferência, o impugnante emitiu o devido recibo de transferência a fim de regularizar a situação; pelo exposto, conclui que a tradição desse bem, assim como o respectivo pagamento, ocorreram em abril/2002 e o fluxo patrimonial deve ser corrigido de acordo; b. explica que incluiu na Planilha de Fluxo Financeiro Mensal que apresentou, transferências destinadas à esposa, sendo que tais operações eram realizadas, quando necessário, para que ela pudesse investir em seus negócios próprios relativos às operações de mútuo, aquisição de imóveis e compra e venda de bens. 9. Afirma que a autuação não tem como prosperar, ainda que não se considere a opção pela tributação dos rendimentos dos bens comuns na pessoa da esposa, como advogou, porque, precipitada e arbitrariamente, não foram consideradas as origens de recursos em negócios efetuados pela esposa: a. Venda de jóias: com a extinção da empresa Weber, Fenner & Cia Ltda WF Jóias, da qual era sócia, ela recebeu jóias, a título de pagamento dos empréstimos realizados, pois a empresa tomava esses empréstimos para aquisição de jóias solicitadas por joalherias clientes e entregava cheques prédatados como garantia; que, não tendo conseguido honrar o pagamento do valor emprestado representado pelo cheque nº 001111 da CEF, (doe. 4), a WF Jóias "efetuou a dação em pagamento através dessas jóias, as quais ficaram sob sua guarda até o final de 2000", o que é comprovado pela declaração de fl. 326, do sócio da empresa, de que entregou à esposa do autuado aproximadamente 6 kg de jóias de ouro dezoito quilates, sendo Fl. 3692DF CARF MF 6 que, posteriormente, ela os vendeu às joalherias da região, o que é confirmado por; a) declaração do Sr. Sérgio Buss, fl. 327, que a representou nessas operações; fichas cadastrais que anexa, doe. 5, onde constam dados das joalherias clientes; c) pedidos emitidos pelas joalherias, doe. 6; finalmente, justifica que as jóias não foram declaradas porque se tratavam de anéis, brincos, pingentes e a legislação do IR não obriga a declarar bens cujo valor unitário seja inferior a RS 5.000,00, mas mesmo assim a esposa declarou rendimentos isentos e não tributados, uma vez que se trata de bens cujo valor não ultrapassa a faixa de isenção do ganho de capital; por isso, tais recursos devem ser considerados somente no fluxo patrimonial da esposa, dada a origem perfeitamente demonstrada e, mediante diligência fiscal a ser determinada, os valores recebidos poderão ser esclarecidos; b. Direitos sobre loteamentos: i. os dispêndios com a aquisição dos lotes do Jardim Universidade em Medianeira/PR, R$ 40.000,00 em 04/09/2001 (ñ. 1.229, Recibo) e RS 41.486,45 em 31/01/2002 (fl 1.231, Movimento de Caixa da empresa vendedora), devem ser alterados, o primeiro para dezembro2001, fl. 791, data da emissão e desconto do cheque, sendo o restante desse valor, correspondente ao pagamento da correção monetária da parcela, pago em espécie; e o segundo, relativo à segunda parcela, em dezembro/2001, quando foi efetivamente pago, conforme comprova o Recibo que anexa, doc. 7. ii. os dispêndios com a aquisição dos lotes do São Miguel do Iguaçu, RS 8.230,00 em maio/2002, RS 11.400,00 em junho/2002 e RS 57.180,00 em julho/2002, devem ser alterados para RS 50.000,00 em 10/07/2001 e R$ 33.660,00 em 14/12/2001, conforme declaração da imobiliária que intermediou a negociação, doc. 8, a esposa do autuado adquiriu esses lotes do Sr. Alfredo Ruaro (real proprietário, embora não estivessem escriturados em seu nome); esclarece que os contratos firmados com a Colonizadora Gaúcha, em 2002, foram celebrados tão somente, a fim de formalizar a transferência direta para a esposa do autuado, a fim de possibilitar a revenda dos lotes, uma vez que o correspondente pagamento foi efetuado para o Sr. Alfredo Ruaro que, na época, possuía os direitos de venda desses bens; iii. reclama o reconhecimento das receitas com a revenda desses terrenos, conforme contratos que anexa, doc. 9, e documentação já acostada aos autos; pleiteia que se reconheça o fluxo patrimonial da esposa, anexado no doc. 10; esclarece que os cheques eventualmente recebidos a prazo nos negócios celebrados foram utilizados, nas datas de seus recebimentos, "através dos contratos de mútuo celebrados pela Sra. Claudete Buss. Portanto, devem ser considerados no fluxo patrimonial exatamente na data de celebração do contrato, porquanto, os seus valores já haviam sido utilizados pela cônjuge do Impugnante." c. Mútuos: assevera que devem ser considerados como origem de recursos da esposa, operações de mútuo realizadas comprovadas Fl. 3693DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.691 7 mediante declarações, fls. 328/334, em que os declarantes afirmam que tomaram empréstimos da esposa do autuado e, posteriormente, os devolveram nas datas informadas, tendo sido tais depósitos identificados pela esposa nos seus extratos bancários; que tais empréstimos, na maioria valores abaixo de R$ 3.000,00 eram garantidos por duplicatas e cheques pré datados, sendo tais cheques, nos respectivos vencimentos, utilizados em outros negócios a fim de maximizar os lucros que seriam diminuídos caso os valores transitassem pela sua conta bancária, o que é corroborado por declaração do Sr. André Felini, fl. 329, que intermediou grande parte dessas negociações, dado que, junto de sua imobiliária, funcionava uma pequena factoring, a qual tomou empréstimos da esposa do autuado no período de 2000 a 2002; por isso, em relação aos empréstimos do Sr. André Felini, não é correto o arbitramento fiscal, sem qualquer respaldo legal, fl. 452, porque o empréstimo lhe foi disponibilizado no anocalendário anterior, isto é, em 2000, o que, inclusive, originou os cheques e duplicatas que constavam do fluxo financeiro no início do ano 2001; portanto, as devoluções de dinheiro se referem aos valores disponibilizados no anocalendário anterior e não no mês anterior; que outros mútuos, devido ao reduzido valor, eram efetuados diretamente com os mutuários, mediante acordos verbais e garantias com notas promissórias, resgatadas pelo devedor, ou cheques descontados ou utilizados em novas operações; destaca que os ganhos com essas operações foram declarados como rendimentos tributáveis de pessoas físicas; portanto, tais valores devem ser considerados somente no fluxo financeiro da esposa, dada a sua origem perfeitamente demonstrada; Rendimentos declarados: reclama que a fiscalização não reconheceu integralmente os valores declarados, recebidos de pessoa físicas; diz que, caso tais valores não existissem, não faria sentido oferecelos à tributação e se o entendimento da fiscalização prevalecer, seria o caso e o erário devolver o correspondente imposto recolhido; pleiteia a consideração de tais recursos declarados e transcreve acórdão do CCMF; Pleiteia que se considerem como recursos os rendimentos da caderneta de poupança do Banco do Brasil da esposa; Que se incluam os recursos originados da venda do veículo LXR 2083 adquirido pela esposa em 31/05/2002 e revendido para o Sr. Claudemir Scarpini em agosto/2002. 10. Reclama que a fiscalização, sem quaisquer provas, considerou como dispêndios consumidos, valores de Cheques e TED, sendo que a legislação do IR não alberga tal presunção, cabendo ao fisco demonstrar a efetiva utilização desses valores pelo autuado ou pela esposa; cita acórdão do CCMF nesse sentido; afirma que tais valores foram considerados em duplicidade, pois já haviam sido considerados no fluxo financeiro sob outros títulos e cita os casos: Fl. 3694DF CARF MF 8 i. Cheque 2176 R$ 5.000,00, Getúlio Maraschin, parte do pagamento do terreno em Florianópolis; ii. Cheque 061 R$ 4.300,00, Litoral Vidros, e TED 0106433, R$ 20.000,00, Sebastião Coelho, pagamentos à MIMA Engenharia, referente à construção do imóvel em Florianópolis que, a pedido da empresa, foram efetuados diretamente a seus fornecedores, conforme a declaração anexa, doc. 11 iii. Cheque 195 R$ 10.000,00, Jones Fellini, e cheque 036 R$ 13.748,77, CEF, entregues à imobiliária Fellini, para pagamento dos lotes urbanos em São Miguel do Iguaçu; iv. Cheque 0026 R$ 10.000,00, Comissária de Despachos Aduaneiros Itaipu, referente à troca por cheques prédatados; v. Afirma que as demais saídas de numerários são empréstimos celebrados pela esposa e já considerados em seu fluxo financeiro vi. Requer a exclusão dos valores, computados como dispêndios a esse título; 11. Doações aos filhos: afirma que são improcedentes e que os valores constantes das declarações de ajuste dos filhos são alugueis de imóvel depositados nas contas destes; tais valores foram submetidos à tributação e decorrem de bens de propriedade dos filhos e devem ser excluídos do fluxo financeiro; aduz que só efetuou doações aos filhos em 2002, na forma de pagamentos à MIMA Engenharia, pela construção de prédio em terreno de Florianópolis, imóvel matrícula 58834, dos quais os condôminos de fato são os filhos. 12. Acerca da omissão de ganho de capital na alienação do imóvel matriculo n° 11.442 do Oficio de Registro de Imóveis de Medianeira, assevera que não resultou ganho tributável nessa operação: que a alienação foi em 12/2000, mediante acordo verbal, formalizado em 07/01/2001, doc. 12; esse imóvel foi adquirido em 07/04/1995, por R$ 4.000,00, sem benfeitorias; após a aquisição, o impugnante construiu e averbou, em 25/08/1995, uma casa de alvenaria de 187,50m2, doc.13; declarou regularmente o valor do bem em R$ 69.052,37, resultante da soma dos valores de aquisição do terreno e os gastos com a construção; o cálculo do ganho de capital resultante do valor de alienação de R$ 77.000,00 e se considerado o custo declarado, não gera IRPF a recolher, mas a fiscalização entendeu que os custos com a construção não foram comprovados e considerou apenas o valor de aquisição do terreno atualizado; afirma que foi descabido a fiscalização desconsiderar o custo da construção da casa, constante da matrícula do imóvel, não tendo sequer intimado o contribuinte a comprovar os custos da construção, mesmo constando do contrato de venda o detalhamento das benfeitorias, incluindo a casa, muros, piscina e linha telefônica; transcreve acórdão do CCMF no sentido de que é de se admitir como custo o valor declarado, salvo prova em contrário por parte da autoridade lançadora; aponta que também não prevalece, neste caso, a imposição de multa de ofício qualificada de 150%. Fl. 3695DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.692 9 13. Acerca de exigência de IR sobre os rendimentos resultantes das operações de renda variável, aponta erros: a) foram desconsideradas as despesas necessárias para a realização dessas operações (art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 25, de 2001), tais como a taxa de custódia, corretagem, taxa de liquidação, emolumentos, doc. 14; b) a apuração dos rendimentos decorrentes dessas operações foi no regime de caixa, considerando como data de apuração do ganho a data da liquidação financeira da operação de compra e venda das ações, devendo ser recolhido até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que os ganhos foram percebidos (art. 852 do RIR de 1999) e não a data do pregão, critério esse erroneamente adotado na autuação, além de que, garante que o IR devido sobre esses ganhos sempre foi recolhido, mesmo que tivesse sido apurado no mês errado; aduz que parte também foi atingida pela decadência. 14. Disserta sobre a impossibilidade de se aplicar multa qualificada, dado que, como funcionário público, cumpriu rigorosamente suas obrigações fiscais, atendeu a todas as exigências de informações requeridas no curso da fiscalização, apenas tendo solicitado dilações de prazos, sendo pré julgamentos e contrárias ao princípio da impessoalidade as acusações de dificultar os trabalhos de fiscalização e falta de esmero no preenchimento das DIRPF; reclama que solicitou atendimento pessoal junto à fiscalização no que não foi atendido; reclama o direito de discordar de procedimentos da fiscalização, o que não configura obstaculização; que a não disponibilização espontânea dos extratos bancários se deu porque implicaria na quebra de sigilo fiscal de terceira pessoa, sua esposa, que não se encontrava abrangida pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), mas apenas pelo MPFE (extensivo), que não alberga a entrega da documentação bancária; que o fato de a fiscalização considerar genéricas e reduzidas as comprovações dos créditos, pelo autuado, não significa obstaculizar a fiscalização; ressalta que ocorreu devassa nas contas bancárias do autuado, não se tendo constatado qualquer prática de ilícito, tendo sido corroboradas por terceiros as atividades mercantis da sua esposa; acusa que o atraso no lançamento se deu em função da morosidade da ação fiscal e não pela demora proposital em o litigante disponibilizar documentos que a fiscalização afirma que já se encontravam de há muito em seu poder, defende que as acusações poderiam implicar em, no máximo, o agravamento da multa de oficio em 50%; detalha que: a. em relação à alienação do imóvel matrícula n° 11.442, explica que estava "baixado" o seu valor na declaração do ano calendário 2000, porque foi vendido em dezembro/2000, o recebimento ficou por conta da esposa, tendo em vista a incidência de juros, rendimento tributável, que foi de opção do casal, oferecer à tributação na declaração desta; o contrato de compra e venda assinado em 01/2001, quando do recebimento da primeira parcela e definição da forma de pagamento do restante, foi entregue à fiscalização, a fim de justificar os Fl. 3696DF CARF MF 10 depósitos recebidos; acusa de simplista a conclusão de que se pretendeu ocultar variação patrimonial no anocalendário 2000, porque a sua esposa mantinha na época negócios complexos e possuía muitos bens e direitos de valor individual inferior a R$ 5.000,00 e que não cabia serem declarados; b. sobre a aquisição do imóvel matrícula n° 58834 de Florianópolis, o valor de compra da escritura é de R$ 50.000,00, constando também a avaliação pela prefeitura, o que pode ter levado o contador, responsável pelo preenchimento da D1PRF a lançar o esse valor, por engano, induzindo o fisco à conclusão equivocada; aduz que o valor declarado na DIRPF do ano calendário 2002, da esposa, está correto; esse imóvel foi utilizado para a construção de um prédio em condomínio com os filhos e se compõe de três apartamentos e três salas comerciais, destinados à esposa e a cada um dos filhos; esse condomínio foi constituído desde 2003, quando foram doados 1/3 da obra para cada um dos filhos, o que consta da DIPRF e, desde 2003, os filhos deixaram a condição de dependentes do casal; afirma que as transferências de recursos estão registradas no fluxo financeiro da esposa, tanto a aquisição do terreno por R$ 50.000,00, quanto os pagamentos à construtora, no valor de RS 141.000,00, constando das DIRPF de cada condômino R$ 63.800,00; a averbação do condomínio está registrada na matrícula do imóvel e o desmembramento das unidades está em trâmite na prefeitura; c. a inscrição no CPF dos filhos menores deveuse a terem passado a ser condôminos do imóvel e a auferir rendimentos tributáveis, e foi em conformidade com o art. 4o do RIR, de 1999; d. no que tange à fazenda em Couto Magalhães, matrícula nº 2.440, o valor de aquisição consta da escritura, RS 222.700,00 e a transferência do restante dos recursos ocorreu para o pagamento de demais despesas, o que está devidamente claro nos esclarecimentos que ofereceu à fiscalização, tendo sido considerado no fluxo financeiro mensal apresentado; e. os direitos sobre os lotes da Colonizadora Gaúcha são negócios privativos da esposa e foram esclarecidos na resposta encaminhada ao Termo de Início de Fiscalização; diz que os valores e datas constantes do fluxo montado pela fiscalização estão errados: os direitos sobre os lotes em São Miguel do Iguaçu foram adquiridos em 2001, por meio da Imobiliária Fellini, bem como os lote de Medianeira, totalmente pagos em 2001, conforme previsto em contrato, podendo se observar a saída dos recursos relativos à última parcela no extrato do Banco Bradesco, em data compatível com a data do Recibo fornecido pela Colonizadora Gaúcha; reclama que foi aplicada multa qualificada porque a fiscalização encontrou "indícios de que o contribuinte agiu deliberadamente ao excluir o bem da sua declaração"; f. afirma que cabe à fiscalização provar que o autuado praticou os crimes dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.520, de 1964, que supostos indícios não são suficientes; que fraude não se presume; transcreve acórdão do CCMF nesse sentido. Fl. 3697DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.693 11 A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/CTA, que excluiu do lançamento "omissão nos ganhos na alienação de imóvel" os fatos geradores ocorridos em 28/02/2001 e 30/11/2001, e dos ganhos líquidos no mercado de renda variável os fatos geradores do período de 02 a 11/2001 e 06 e 08/2002, por decadência, e o TED 0324337 no valor R$ 41.400,00, do mês de 04/2003 da variação patrimonial a descoberto, por considerar que foi corretamente lançado em 01/2003, mas estava incluído no dispêndio de R$ 96.200,00 em 04/2003. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA.LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O prazo de decadência no lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido feito. DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL E SOBRE GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO. DOLO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN), que é de cinco anos, quando há pagamento do imposto pelo sujeito passivo; contudo, na falta deste, não havendo o que se homologar, ou quando há prova de dolo, fraude ou simulação aplicase o disposto no art. 173,1, do CTN. SONEGAÇÃO. DOLO. A reiterada conduta de omitir na Declaração de Ajuste Anual, a aquisição, propriedade e alienação de bens, simular rendimentos auferidos por filhos menores, quando tais recursos foram auferidos pelos pais, declarar rendimentos isentos não comprovados para justificar variação patrimonial e procrastinar o atendimento a intimações, evidencia o intuito doloso de sonegar imposto devido. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, devidamente comprovados. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. Excluemse os dispêndios comprovadamente considerados em duplicidade. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. BENS COMUNS. 50% PARA CADA CÔNJUGE. Fl. 3698DF CARF MF 12 Analisase a variação patrimonial do casal que declara em separado, mas que possui os bens em comum e que declarou tais bens em parte na declaração de um deles e parte na declaração do outro, num único fluxo do casal, apropriandose para cada cônjuge 50% da variação patrimonial a descoberto apurada. ATIVIDADE EXERCIDA POR CÔNJUGE QUE DECLARA EM SEPARADO Descabe discutir, em sede de impugnação ao lançamento fiscal na pessoa de um dos cônjuges, questionamentos relativos a lançamento fiscal contra o outro cônjuge, que declara em separado. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na falta de elementos comprobatórios de benfeitorias realizadas no imóvel, considerase o custo corrigido do bem constante do Registro Público. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL Descabe o pleito para dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações se, na apuração dos ganhos, o custo médio da ação vendida está computado acrescido das custas de corretagem, taxa de liquidação e emolumentos e, na alienação, as respectivas custas foram deduzidas do preço de venda. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. APURAÇÃO DO GANHO. A apuração dos ganhos líquidos no mercado de renda variável é mensal e se refere às operações realizadas nesse período e que se concretizam no momento da alienação dos ativos no pregão e não na liquidação financeira que se segue. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Configurado o dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/CTA em 03/12/2008. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 26/12/2008 (efls. 2861/2914), repisando os argumentos da impugnação na parte mantida pela decisão de piso. O Recurso Voluntário do contribuinte foi julgado em 17/10/2012, momento em que foi exarada a Resolução nº 2202000.357, a fim de que fosse sobrestado o julgamento do Recurso até que houvesse decisão definitiva no Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF, sobre a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal para obtenção de informações junto a instituições por meio de RMF. Em 23/11/2017, requereu desistência parcial do recurso, nos seguintes termos: Fl. 3699DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.694 13 O processo foi encaminhado à Unidade de Origem para que fossem efetuados os procedimentos necessários quanto à desistência parcial do recurso. Ocasião em que houve a transferência de crédito tributário para o processo nº 13942.720269/201774, nos seguintes valores: É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Delimitação da lide Considerando que a DRJ exonerou parte da exigência fiscal e que o recorrente parcelou outra parte, a lide se limita aos seguintes lançamentos: 1) Variação patrimonial a descoberto: · Veículo Fiat Brava AJR 7534 · Alegadas transferências destinadas à esposa que o impugnante apresenta em sua versão da Planilha de Fluxo Financeiro Mensal, individual · Alegados recursos recebidos pela esposa: 1) direitos sobre loteamentos; 2) rendimentos declarados; 3) Venda do veículo Fiat Fiorino LXR 2083 · Dispêndios Consumidos via Cheques e TEDs: I) cheque 216 (R$ 5.000,00), cheque 061 (R$ 4.300,00) e TED 0106433 (R$ 20.000,00), Fl. 3700DF CARF MF 14 cheques 27, 28, 29, 30 (abaixo listados); II) cheque 195 (R$ 10.000,00), cheque 036; 3) cheque 26 (R$ 10.000,00): · Doações aos filhos 2) Ganho de capital na alienação de imóvel: O fato gerador ocorrido em 31/01/2003 3) Ganhos líquidos no mercado de renda variável: os fatos geradores ocorridos em 01, 03, 04, 07, 12/2002; e nos anoscalendário 2003 e 2004. 4) Multa qualificada de 150% das infrações "variação patrimonial a descoberto" e "ganho de capital na alienação de imóvel". Das preliminares Decadência O recorrente alega estar decadente o período em relação aos anos de 01/2001 a 11/2002 relativos à infração de variação patrimonial a descoberto, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. O exame da decadência nesse ponto pressupõe decisão sobre a qualificação da multa. Adianto, portanto, minha posição sobre a manutenção da multa qualificada pelas razões mais adiante expostas. Em relação à decadência dos tributos lançados por homologação, há que se observar a decisão do STJ, no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4o, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 3701DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.695 15 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rei Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rei. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rei Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ28.02.2005). 2. E que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10aed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., MaxLimonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decisão acima transcrita deve ser reproduzida pelos conselheiros do CARF, conforme alínea "b" do inciso II do § 1º art. 62 do Anexo II de seu Regimento Interno: Fl. 3702DF CARF MF 16 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1o O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF n° 152. de 2016) No caso dos autos, conforme DIRPF, houve retenção do imposto de renda na fonte, o que caracteriza o pagamento antecipado que atrairia a regra do prazo decadencial do § 4º do art. 150 do CTN. Entretanto, a Autoridade Fiscal descreveu condutas do recorrente que caracterizam o dolo. Verificando o relato fiscal e os documentos acostados aos autos, entendo que o autuante conseguiu demonstrar a intenção dolosa do autuado, como foi pormenorizadamente descrito pela autoridade julgadora, e que me vez acompanhar o mesmo entendimento por ela despendido, pedindo vênia para transcrever as atitudes do recorrente que caracterizam a conduta dolosa: 1.1.1 Dolo 26. O autuado, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, fls. 221, 278/280, 619, 1.522, lotado na fiscalização, portanto conhecedor de procedimentos de análise e verificação de declarações de imposto de renda, ocultou informações que obrigatoriamente deveriam constar da declaração do imposto de renda (dele e da esposa, dado que são bens comuns): o imóvel matrícula nº 11.442 e a respectiva alienação "desapareceram" na DIPF apresentada, quando da alienação, o interessado omitiu ganhos com os recebimentos pela venda; não declarou o imóvel de matrícula nº 3.172; declarou por valores inferiores aos de aquisição os lotes do Jardim Universidade em Medianeira e em São Miguel do Iguaçu/PR, registrados no ano calendário 2001 por RS 53.487,04, quando os valores corretos seriam de R$ 80.000,00 em bens e direitos e RS 40.000,00 como dívidas e ônus reais, haja vista o pagamento parcelado, fls. 51, 1.219/1.232; e em 2001, declarou R$ 62.470,00, enquanto que o valor efetivamente pago foi R$ 158.296,45, fls. 53, 1.233/1.289; a declaração deste lotes é incompleta, citados de forma genérica como "lotes adquiridos da Colonizadora Gaúcha", sem indicação da identificação, nº matrícula, localização, forma de aquisição e pagamento, e datas de aquisição conforme exige o manual de preenchimento da Declaração de Bens, identificação do vendedor; o imóvel matrícula nº 2.440 do Oficio do Registro de Imóveis de Couto Magalhães, declarado por R$ 222.700,00, Fl. 3703DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.696 17 sendo que os desembolsos comprovados pelo casal totalizaram R$ 250.000,00 (fls. 921/924 e 1.445/1.460); valor a menor declarado relativamente ao imóvel matrícula nº 58.834, do 2o Ofício do Registro de Imóveis de Florianópolis, por R$ 20.000,00, quando o valor correto foi R$ 40.000,00, fls. 1.349/1.352, 51, 907; a construção efetuada sobre o mesmo imóvel em Florianópolis, cujo custo foi declarado por R$ 43.800,00, sendo que, quando intimado, o casal apresentou nota fiscal emitida pela MIMA Engenharia e Construções Ltda no valor de R$ 141.000,00; atribuição de rendimentos a filhos menores, à época com 6 e 8 anos de idade, alegadamente relativos a aluguéis de parte do citado imóvel em Florianópolis, constantes de declaração simplificadas em nome dos filhos, onde não se apuraram IRPF a pagar de nenhum deles, quando não foi feita doação de imóvel aos mesmos, nem se encontrava ainda constituído qualquer condomínio, evidenciandose um subterfúgio para a omissão de rendimentos pelos pais; verifica se nas declarações de Gilberto Buss e cônjuge, declaração de rendimentos isentos ou não tributáveis a justificar variação patrimonial, porém, tais rendimentos não foram comprovados, evidenciandose a sonegação de imposto, ao se apurar variação patrimonial a descoberto do casal; à fl. 1.532, o autuante resume os motivos pelos quais identificou a intenção dolosa de sonegar imposto. 27. Considerando a reiterada conduta de omitir na declaração de ajuste anual, a aquisição, propriedade e alienação de bens, a simulação de rendimentos auferidos por filhos menores, que declararam rendimentos doados pelos pais, configurase que o elemento subjetivo da conduta adotada pelo contribuinte é o dolo genérico que se apresenta como a vontade consciente e livre de omitir a informação, ou de prestála de forma adulterada, vale dizer, falsa, não verdadeira; além do dolo genérico, no presente caso, também se verificou o dolo específico caracterizado pela intenção voltada à redução e à omissão do tributo devido. (Grifei) A auditoria demonstra que a conduta do recorrente foi reiterada, o que, a despeito dos vários fatos acima transcritos, confirma a caracterização do dolo. Portanto, entendo que deve ser aplicada a contagem do prazo decadencial exposta no art. 173, inciso I do CTN, e os lançamentos referentes a 2001 e 2002 da infração variação patrimonial a descoberto não estão albergados pela decadência como entende a defesa. No caso do anocalendário de 2001, que é o mais remoto, o lançamento poderia ter sido efetuado em 2002, e o primeiro dia do exercício seguinte é 01/01/2003, data de início da contagem do prazo decadencial com término em 31/12/2007. Como a ciência ao auto de infração se deu em 17/11/2007 não há que se falar em decadência. Em relação aos ganhos de renda variável, o recorrente contradiz o julgador a quo, que entendeu não estarem decadentes as competências 01, 03, 04, 07/2002, apresentando planilha extraída do Termo de Verificação Fiscal, na qual o autuante informa os valores pagos de imposto de renda, de cuja planilha depreendese que houve pagamento de imposto para os meses de 01/2002 a 05/2002 e 07/2002 a 11/2002, mesmo que parcial. Fl. 3704DF CARF MF 18 Considerando essa informação (fls. 1698/1702), e a Súmula Carf nº 99, há que ser reconhecida a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º do CTN. Assim, decaídos estão os lançamentos até 10/2002 da infração de ganhos líquidos em renda variável. Súmula Carf nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Erro na eleição do Sujeito Passivo O recorrente alega que exerce atividade de Auditor Fiscal, com dedicação integral, e sua esposa atuou em diversos negócios durante o procedimento fiscal, e por isso, decidiram efetuar suas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física em separado, em que optaram pela tributação integral dos rendimentos comuns do casal na declaração de sua esposa. Entende que "a opção de tributar a totalidade dos rendimentos gerados pelos bens comuns em nome de um dos cônjuges não se confunde com a [...] a regra para a declaração de bens comuns,". Acrescenta não haver no ordenamento norma específica que determine ser obrigatória a tributação por cada cônjuge de 50% dos rendimentos gerados pelos bens comuns declarados por ambos os cônjuges. Afirma que a auditoria desconsiderou os ganhos obtidos pelas vendas das jóias recebidas, e dos terrenos, apesar de, nesse caso, ter considerado no fluxo de caixa os contratos particulares de compra, e de saber que parte tinha sido vendida. Aduz que no caso de presunção de renda tributável omitida, como no caso da variação patrimonial a descoberto de um casal, a nota não dá uma presunção direta de quem seria o sujeito passivo. Arrazoa que não existe situação em que o fato gerador seria 50% dos rendimentos para cada um dos cônjuges, que declaram em separado, porque os rendimentos de bens comuns são declarados por um só. Assevera que a suposta variação patrimonial ocorreu pela falta de aceitação dos negócios que embasaram os rendimentos declarados por sua esposa, e no caso de existência de renda tributável omitida, o certo seria presumir que eles tinham por sujeito passivo sua esposa. Cita o art. 112 do CTN, sobre a interpretação mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Aduz que como os rendimentos dos bens próprios do casal são declarados pelo cônjuge os fluxos financeiros devem ser elaborados individualmente. Nesse sentido, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes. Adiciona que a fiscalização extrapolou a extensão do MPF ao pedir esclarecimentos sobre operações realizadas por sua esposa e não por ela. E que terá cerceado seu direito de defesa caso não considerado o fluxo financeiro individualmente, uma vez que sua esposa deveria esclarecer negócios efetuados por ela. Por isso, entende que houve erro na eleição do sujeito passivo. Além disso, as atividades desenvolvidas por sua esposa por serem habituais, equiparaa a pessoa jurídica, não se sujeitando a IRPF. Acrescenta acórdãos do Conselho de Contribuintes nesse sentido. Reclama que a DRJ deixou de analisar essa questão Fl. 3705DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.697 19 sob o argumento de que caberia a ela discutir no processo do recorrente questionamentos relativos a lançamento fiscal efetuado contra sua esposa. Não assiste razão às alegações do recorrente. Primeiramente, não consta nos autos que o recorrente seja casado em regime de separação total de bens, situação na qual a planilha de acréscimo patrimonial a descoberto seria elaborada individualmente, caso as declarações fossem em separado. Aliás, a auditoria fiscal esclarece o regime de casamento do recorrente (efls. 1598): [...] o contribuinte Gilberto Buss é casado com comunhão parcial de bens [...]. Portanto, correta a eleição do sujeito passivo, pois ele estava sob fiscalização, e constatado que houve variação patrimonial a descoberto, considerando a estrita relação que há entre os rendimentos e os bens do casal, a planilha deve ser conjunta, e o resultado lançado 50% para o recorrente e os demais para a esposa, esta sujeito passivo no lançamento correspondente aos outros 50%. Pelo que se vê a auditoria não considerou os rendimentos da esposa, porque não foi apresentada qualquer prova quanto à existência deles. Da mesma forma, percebese que a auditoria verificou os rendimentos de ambos para fazer o batimento variação patrimonial do casal. Veja mais um trecho do relato fiscal: A fim de justificar o restante dos depósitos, o contribuinte apresenta declaração da sua esposa onde a mesma afirma que os depósitos bancários da relação anexa são originários de seus "negócios (juros recebidos, venda de imóveis, venda de jóias, aluguéis, transferências, empréstimos...)", sem, contudo, apresentar elementos de prova, assim como não indica qual seria a natureza de cada um dos valores. Quanto ao argumento do recorrente de que deveriam ser elaboradas planilhas individuais para ele e sua cônjuge, a auditoria já havia explicado em relatório fiscal, da impossibilidade de tal procedimento: Em sua manifestação quanto ao fluxo financeiro mensal, o contribuinte tece considerações visando à elaboração de fluxo independente para cada cônjuge. Sem fundamento jurídico pretende desconsiderar a existência do casamento em regime de comunhão de bens e impor para fins tributários uma divisão conjugal pessoal de tal forma a eliminar a variação patrimonial a descoberto apurada. Pretende definir por critério subjetivo pessoal quais contas bancárias seriam suas e quais de sua esposa, quais seriam os bens e direitos de cada um, eximese dos pagamentos das despesas e das doações efetuadas aos filhos, elabora demonstrativo de transferências de recursos entre o mesmo e sua esposa, sendo que a partir disto, monta novo fluxo de caixa, eliminando todas as variações patrimoniais a descoberto apuradas. Ora, as contas bancárias são em conjunto e os recursos disponíveis nas mesmas pertencem a ambos os cônjuges. No caso da principal conta bancária, no Banco Bradesco, a mesma é Fl. 3706DF CARF MF 20 evidentemente utilizada por ambos os contribuintes, tanto em operações de entrada quanto de saída de recursos. Não há base para se pleitear a existência de um "mútuo" entre os cônjuges. Se o mesmo existia informalmente sob a forma de um "acordo conjugal", não há como impôlo ao Fisco. Quanto aos bens e direitos, não há qualquer um que pertença exclusivamente a um dos contribuintes. Se a administração do bem ou direito é exercida mais por um ou por outro cônjuge, isto não elimina o direito de propriedade conjunto. Se informalmente havia o sentimento de posse individual, juridicamente o mesmo nunca existiu. Quanto aos filhos, podemos verificar que a partir do ano calendário 2001, os mesmos não foram declarados como dependentes por nenhum dos pais, sendo que a partir do ano calendário 2004 passaram a apresentar DIRPF. Não há qualquer documento que indique a guarda exclusiva da mãe. Logo, os filhos são de responsabilidade de ambos os cônjuges, ambos devem suprir suas necessidades de educação, saúde e outras, ambos tem poder de representar e administrar os bens em nome dos mesmos. Se os filhos geram qualquer desembolso financeiro, este afeta o patrimônio do casal, independentemente de quem tenha praticado a saída do recurso. Em síntese, não cabe ao presente caso a elaboração de fluxos financeiros por cônjuges. É imperioso, plenamente adequado, assim como é a melhor forma de representar a realidade dos fatos, o demonstrativo de fluxo financeiro conjunto, englobando todas as operações financeiras do casal. Da mesma forma, quanto à opção pela tributação de 100% dos rendimentos gerados pelos bens comuns do casal não se confundir com a regra da declaração de bens comuns, a fiscalização já havia com acerto explicado ao recorrente, nos seguintes termos: O contribuinte reiteradamente afirma que a opção quanto à tributação dos rendimentos de bens comuns é a de tributação de 100% dos rendimentos em nome do cônjuge. Contudo, o casal não obedeceu ao disposto na legislação quanto à forma de declarar os bens em DIRPF, a qual indicaria a opção adotada. Apesar de tudo, não é a opção quanto à tributação dos rendimentos dos bens comuns que se discute no presente, haja vista que em relação aos rendimentos comprovadamente originários de bens comuns, não se atribuiu qualquer valor ao contribuinte Gilberto Buss, mantendose os mesmos como tributados pela contribuinte Claudete. A questão se concentra na definição da forma de lançamento da variação patrimonial a descoberto na constância da sociedade conjugal, onde o rendimento omitido apurado beneficia ambos os cônjuges, haja vista que suportou o pagamento de despesas comuns e seu remanescente, a aquisição de bens e direitos pertencentes aos dois em proporções idênticas (casamento sob o regime de comunhão parcial de bens). Fl. 3707DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.698 21 Quanto à utilização das contas bancárias e dos recursos disponíveis nas mesmas, observase que são de titularidade do casal, sendo o primeiro titular o Sr. Gilberto. As operações bancárias são realizadas por ambos os cônjuges, não se caracterizando a existência de exclusividade de uso e tampouco de finalidade. O casal em questão forma efetivamente uma unidade na qual ambos interagem e da qual ambos se beneficiam. Não se observa a individualidade indicada pelo contribuinte em suas respostas, onde discorre como se cada cônjuge fosse totalmente autônomo em relação ao outro, deixando de lado o fato de serem um casal. Não há a autonomia de cada cônjuge na gestão, uso e propriedade de bens e recursos, nem autonomia operacional, tampouco jurídica. Retornando ao disposto no art. 6o do RIR/99, a opção de tributação de 100% dos rendimentos por apenas um dos cônjuges somente é aplicável aos rendimentos produzidos pelos bens comuns, logo, não se aplica ao presente caso. (Grifos no original). (Negritos meus; grifos no original). Ademais, os fatos aqui debatidos já foram analisados por este Conselho, no julgamento do processo nº 10907.002777/200733, que tem por sujeito passivo a cônjuge do recorrente, relativo aos outros 50% do acréscimo patrimonial a descoberto, cuja decisão foi exarada por meio do Acórdão nº 2201001.992, de 19/02/2013. Como naquele processo foram debatidas as mesmas alegações apresentadas pelo recorrente, peço vênia para transcrever passagens daquela decisão que adoto como razões de decidir: Examino também a alegação da defesa de que, como a Contribuinte exerce atividade comercial regular deveria ser equiparada a pessoa jurídica. A alegação não merece acolhida sobretudo porque não resta comprovada a alegação da tal atividade comercial regular, sendo a mesma apenas insistentemente alegada. Ademais, cuidase aqui de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, pelo qual se busca apurar a evolução patrimonial do contribuinte, o que de modo algum é prejudicado pelo fato de o contribuinte exercer ou não atividade comercial. Também não acolho a manifestação da defesa quanto à forma de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto em conjunto e não separadamente. E que, como está claramente demonstrado nos autos, há uma forte relação entre os rendimentos e o patrimônio dos cônjuges, como não poderia deixar de ser, de modo que a apuração do APD em conjunto se afigura como a forma mais adequada de se fazer essa apuração. E, de qualquer forma, o procedimento não Taz (sic) nenhum prejuízo para o Contribuinte. Ao contrário, o fracionamento do resultado da apuração beneficia, pois reduz a alíquota efetiva. Diante do exposto, vêse que o recorrente nada traz de novo, apenas apresenta alegações genéricas, sem provas contundentes que possam contradizer o afirmado pela fiscalização. Fl. 3708DF CARF MF 22 Do Mérito Acréscimo Patrimonial a Descoberto Comparando as alegações apresentadas no Recurso Voluntário, a sua quase totalidade é uma simples cópia das constantes na Impugnação. Em vista disso, adoto como razões de decidir, os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição de seu voto condutor, relativos aos lançamentos mantidos, apresentando minhas considerações nas questões em que entendi que o lançamento merecia alterações: · Veículo Fiat Brava AJR 7534 59. À fl. 1.563 a fiscalização planilhou os desembolsos na aquisição: R$ 13.000,00 em 31/01/2001; R$ 10.805.00 em 02/02/2001; R$ 4.195,00 em 05/02/2001 e R$ 2.000,00 em 05/03/2001; e o recebimento em 04/04/2003 pela venda por R$ 20.800,00. 60. O autuado alega que o veículo foi adquirido com cheques prédatados, para os quais foram emitidas várias duplicatas, conforme vencimento, segundo declaração prestada às fls. 495, 526/527 e nota fiscal nº 93156, fls. 504/505 e requer que sejam consideradas as datas de compensação bancária de cada cheque e não arbitradas as suas datas como afirma ter feito a fiscalização; e acusa tal procedimento de desprovido de amparo legal, principalmente em relação ao valor de R$ 13.000,00 considerado como pagamento à vista, quando se referia a uma duplicata com vencimento para 01/05/2001, garantida por cheque prédatado "o qual que foi trocado quando da venda do veículo de placa AGM 6769". 61. O veículo supra foi adquirido pelo litigante em 31/01/2001, conforme informado pelo Detran nas respostas datadas de 26/06/2006 e 18/07/2006 e documentos de fls. 540 e 554; e vendido em 04/04/2003, por R$ 20.800,00, fl. 554; à fl. 565, consta cópia da NF de venda ao litigante por R$ 30.000,00 em 31/01/2001. 62. Examinandose os documentos do processo, fls. 21 e 30, tem se que o autuado declarou a compra em 2001 por RS 30.000,00 e a venda em 2002, sem informar o valor, nem para quem; às fls. 1.152/1.169, a empresa vendedora, AutoFoz, intimada, informou e documentou que a venda se deu mediante a NF nº 093156 de 31/01/2001 por R$ 30.000,00 e as duplicatas de fls. 1.162/1.169, foram quitadas com R$ 13.000,00 em 31/01/2001 (cheque de Gilberto Buss do Banco do Brasil) e R$ 17.000,00 em 02/02/2001, dos quais R$ 6.695,00 mediante cheques de Gilberto do Banco do Brasil (R$ 500,00, R$ 2.000.00 e R$ 4.195,00) e os restantes R$ 23.305,00, em espécie e cheques prédatados de Claudete Kolling Buss, conforme declaração da empresa de fl. 1.161: Duplicatas Pagtos, fls. 1.161, considerados pela fiscalização, e conforme decl e documentou a AutoFoz Débitos em c/c, fls. 506/507, 888 31/01/2001 2.429,00 2.429,00 31/01/2001 13.000,00 05/02/2001 6.229,00 10.455,00 02/02/2001 17.000,00 05/02/2001 4.195,00 Fl. 3709DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.699 23 10/02/2001 1.988,00 15/02/2001 632,00 20/02/2001 650,00 28/02/2001 956,00 05/03/2001 4.116,00 4.116,00 05/03/2001 2.000,00 01/05/2001 13.000,00 13.000,00 Total 30.000,00 30.000,00 30.000,00 3. Temse à fl. 1.520, item 2.3.2.4, a explicação por parte do autuante relativamente ao critério adotado para lançar os dispêndios relativos à aquisição deste veículo: Quanto à compra do veículo Brava AJR 7534 efetuada parcialmente com cheques prédatados de terceiros, consideramos o desembolso na data de entrega dos cheques à revenda, haja vista estes cheques representarem uma disponibilidade do casal na data da compra, a qual foi repassada à Autofoz. A compensação dos cheques não representou uma saída de recursos na conta bancária do contribuinte e sim uma saída da conta de terceiros, diferentemente do caso de cheques próprios prédatados, os quais foram considerados na respectiva data de compensação (fls. 504518). 64. Mantémse o mesmo critério no presente voto, dado que o cheque de R$ 2.000,00 foi prédatado para fevereiro/2002, quando deu entrada no caixa da Auto Foz. 65. Alegou o litigante que o veículo foi vendido em abril/2002, a Luciane Ferreira Dutra de Caldas que, conforme declaração de fl. 526, efetuou o pagamento no mesmo mês, mediante depósito junto ao revendedor de um outro veículo adquirido naquele mês pelo impugnante (sic); que a transferência do automóvel ocorreu somente em 04/2003, mas que a declaração da empresa P.J.Comércio de Veículos Ltda, CNPJ 79.553.863/000146 (doc. 3) confirma que o veículo foi entregue à pessoa que o adquiriu de Luciane em 04/2003; a título de esclarecimento, informa que a pessoa que comprou o veículo de Luciane diligenciou para a transferência, então o impugnante emitiu o devido recibo de transferência a fim de regularizar a situação; a. Analisandose os documentos do processo, temse a declaração de fl. 526 de Luciane Ferreira Dutra de Caldas, afirmando que adquiriu o Fiat/Brava AJR 7534 de Gilberto Buss em 04/2002 e que o pagou mediante depósito na conta de uma revendedora de automóveis em São Paulo, no valor de RS 25.000,00; b. porém à fl. 554, a cópia do Certificado de Registro de Veículo obtida pela fiscalização junto ao Detran registra que a transferência foi por R$ 20.800,00, em 04/04/2003, data que foi considerada pela fiscalização e que se mantém, porque a mera declaração de Luciane Ferreira Dutra de Caldas não é comprovação suficiente e quanto à declaração da PJ Comércio de Veículos Ltda, fl. 1.734, meramente atesta que Luciante Ferreira Dutra de Caldas estava na posse do veículo Fiat Brava AJR 7534 em 04/2003, mas não atesta a data em que o adquiriu; Fl. 3710DF CARF MF 24 destaquese que a Auto Foz declara que, em 26/06/2002, comprou de Luciane Ferreira Dutra de Caldas um veículo usado Fiat /Pálio placa ALG3003, pago à mesma pela Auto Foz com cheque nº 127.610 de R$ 12.000,00, fls. 1.155,1.157/1.158. c. E às fls. 1.170/1.178, Luciane Ferreira Dutra de Caldas foi intimada pela fiscalização a justificar a que título repassou a Gilberto Buss o valor de RS 12.000,00, referente ao cheque 127.610 do Banco do Brasil, compensado em 26/06/2002, emitido por Auto Foz Veículos Ltda em pagamento a compra de veículo Pálio, placa ALG 3003 de propriedade dela; respondeu que efetuou o depósito (mas não localizou o recibo) a pedido de seu chefe Ederson Cassei Czekalski, referente a devolução de empréstimo; Éderson Cassei Czekalski informou que se referia a devolução de empréstimo que recebeu de Claudete Kolling Buss, no início de 2002, contratado verbalmente. d. Mantémse a data e valor de venda considerados pela fiscalização porque o autuado não conseguiu comprovar o que alega. Sobre esse ponto tenho a acrescentar que, o recorrente afirma que a duplicata às fls. 1162 é prova de que o vencimento ocorreu em 31/05/2001, e não em 31/01/2001. Entretanto, não apresenta provas de que o dispêndio teria ocorrido em 31/05/2001, pois analisando seus extratos bancários às fls. 730/741, tudo que se verifica são os dados já listados pela fiscalização, cheques compensados em 05/02/2001, no valor de R$ 4.195,00 e 05/03/2001, no valor de R$ 2.000,00 que batem com a informação prestada pela Empresa revendedora, atestando as datas de pagamentos, que guardam relação com o que consta no extrato bancário: Além disso, a defesa não apresenta provas que digam que o efetivo pagamento dos R$ 13.000,00 tenha se dado em 31/05/2001, uma vez que apesar de a fatura conter como data de vencimento o dia 31/05/2001, seria necessário que o recorrente apresentasse outras provas que corroborassem tal informação, tais como relacionasse os valores debitados em conta corrente com o pagamento da fatura, ou que a empresa atestasse que os pagamentos ocorreram nessa data, e que, a exemplo do demonstrado nas figuras acima, tal informação estivesse de acordo com os extratos bancários do recorrente, seja pela informação de cheques compensados, transferências, recibos, etc. Portanto, o recorrente não apresentou provas contundentes que pudessem deslocar a data do dispêndio para 05/2001. Fl. 3711DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.700 25 · Alegadas transferências destinadas à esposa que o impugnante apresenta em sua versão da Planilha de Fluxo Financeiro Mensal, individual. Nesse ponto também acompanho a decisão a quo: 66. O litigante apresentou à fiscalização de fls. 498/501, e reapresenta no doc. 2, fls. 1.731/1.732, a sua versão do demonstrativo de variação patrimonial, tratandose do fluxo patrimonial individual seu que advoga e que já se rechaçou neste voto; dado que a presente autuação se funda nas operações compra e venda de bens comuns do casal, não se coadunam doações ou empréstimos ou transferências entre os cônjuges, proprietários em comum do patrimônio, restando inócua a proposta do autuado. · Alegados recursos recebidos pela esposa: Nesse ponto, entendi que algumas alegações do recorrente mereciam acolhida: o 1) Sobre os direitos sobre loteamentos, o julgador a quo se pronunciou da seguinte forma: 71. Direitos sobre loteamentos, a respeito dos quais pleiteia que sejam reconhecidos como coberturas das variações patrimoniais os recursos que alega que a esposa recebeu nessas operações: a. Sobre os Lotes do Jardim Universidade em Medianeira/PR, pleiteia primeiramente que as datas de desembolso com os mesmos: R$ 40.000,00, em 04/09/2001 e R$ 41.486,45 em 31/01/2002, sejam alteradas ambas para 12/2001; analisandose o pleito, temse que os registros dos desembolsos efetuados pela fiscalização no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal do casal tiveram por base diligência realizada junto a terceiro, que é a Colonizadora Gaúcha, fls. 1.225/1.232: i. os R$ 40.000,00 do recibo da Colonizadora Gaúcha de fl. 1.229 datado 04/09/2001, referese a três cheques: n° 196 R$ 11.000,00, n° 2210 RS 5.000,00 e n° 22 RS 24.000,00, enquanto que o cheque debitado em 27/12/2001, RS 40.000,00, constante do extrato bancário à fl. 791, é de nº 37, portanto, não se refere a esse recibo; e à fl. 743, consta débito do cheque n° 2210 da CEF, RS 5.000,00 em 05/09/2001; à fl. 708, o débito do cheque n° 196 do Banco do Brasil, RS 11.000,00 em 05/09/2001; finalmente, à fl. 788, consta o débito do cheque n° 22 Bradesco RS 24.000,00, em 05/09/2001, que corrobora o recibo e que a pretensão do autuado é improcedente; ii. os RS 41.486,00 constam da declaração fornecida pela Colonizadora Gaúcha à fiscalização, de que o valor foi recebido por caixa, estão registrados no Movimento de Caixa da Colonizadora Gaúcha, bem como no seu Diário Geral, como recebidos de Gilberto Buss, no dia 31/01/2002, fls. 1.225, Fl. 3712DF CARF MF 26 1.230/1.232; o doc. 7, cópia de recibo de fl. 1.711, datado de 28/12/2001 apresentado pelo impugnante não é apoiado pelos comprovantes apresentados pela vendedora do lote, portanto, não se aceita a argumentação do contribuinte, devendo ser mantidas as datas consideradas pela fiscalização; O recorrente acrescenta que há um equívoco na decisão de primeira instância, pois o que ele pleiteou foi a data do efetivo pagamento do desembolso da segunda parcela, e que o cheque de nº 37 debitado em 27/12/2001 se refere à quitação da segunda parcela, tendo a Colonizadora Gaúcha registrado tal valor apenas no mês seguinte porque já havia fechado os procedimentos contábeis de 2001, conforme declaração juntada ao Recurso Voluntário (doc 2), e como havia previsão expressa no contrato para pagamento até 31/12/2001, o recorrente sacou um cheque em espécie em 27/12/2001 o valor de R$ 40.000,00 para pagamento. Apesar de o recorrente informar que o julgador a quo não se pronunciou sobre a segunda parcela de R$ 41.486,45, tal referência consta no acórdão recorrido item 71, "ii", como se pode ver do trecho transcrito acima. Entretanto, diferente do julgador de primeira instância, entendo que deve ser acatada a alegação do recorrente, pois o recibo às efls. 1811 no valor de R$ 41.486,45, é o mesmo constante nos registros contábeis apresentados por ele, efls. 1304/1305, e o valor sacado, conforme informado pelo recorrente é de R$ 40.000,00. A diferença de R$ 1.486,45 guarda relação com o rendimento da poupança entre a assinatura do contrato e o recibo (efls. 1811), que foi estipulado no contrato efls. 1298, cujo valor de R$ 40.000,00 seria pago em 31/12/2001 corrigido pelo rendimento da caderneta de poupança (efls. 1298): CLÁUSULA SEGUNDA: O preço total do imóvel é de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais ) que será pago conforme condições descritas abaixo: A) O valor de R$ 40.000,00 ( Quarenta mil reais ) que será pago até 30/08/01. B) O valor do saldo de R$ 40.000,00( Quarenta mil reais ) que será pago até 31/12/01 corrigido a partir da data de hoje pelo rendimento da caderneta de poupança. Analisando o histórico dos Rendimentos da Poupança em 2001, tabela abaixo, considero que as alegações do recorrente devem ser acolhidas: 20011 JAN 0,5996 FEV 0,6376 MAR 0,5370 ABR 0,6733 MAI 0,6554 JUN 0,6836 JUL 0,6465 AGO 0,7453 SET 0,8453 OUT 0,6635 NOV 0,7928 DEZ 0,6938 ACUMULADO 8,4865 1 Fonte: http://www.portalbrasil.net/poupanca_mensal.htm Fl. 3713DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.701 27 Ademais, o recorrente apresenta declaração da Colonizadora Gaúcha que confirma o porquê de o valor ter sido escriturado no mês seguinte ao pagamento. Entendo que tal recibo deve ser acatado como hábil para provar a data do efetivo pagamento da segunda parcela, pois analisado em conjunto com os demais documentos acostados aos autos confirma a veracidade do afirmado pelo recorrente. Em continuidade, o julgamento a quo assim se pronunciou sobre outros lotes, da seguinte forma: b. também em relação aos lotes de São Miguel do Iguaçu, igualmente adquiridos da Colonizadora Gaúcha, pleiteia alteração das datas e dos valores desembolsados na aquisição: i. a fiscalização baseouse nos documentos de fls. 1.236/1.289, fornecidos pela vendedora Colonizadora Gaúcha, que são contratos de compra e venda e lançamentos no Movimento de Caixa e Diário Geral da empresa: R$ 8.230,00 em 31/05/2002, fls. 1.240/1.242; R$ 11.400 em 06/2002, fl. 1.248 e R$ 57.180,00 em 07/2002, fls. 1.286/1.288; o impugnante apresenta o doc. 8, fl. 1.813, de Imobiliária Fellini Ltda para provar que esta intermediou a venda dos ditos lotes que teriam sido vendidos por um Alfredo Ruaro (não localizado nos registros da RFB) e os desembolsos por Claudete KoIIing Buss foram em 10/07/2001 R$ 50.000,00 e em 14/12/2001 R$ 33.660,00; não há outros documentos a respaldar essa declaração, por isso, concluise que as datas e valores dos desembolsos registrados pela fiscalização são os corretos, sendo improcedente a argumentação do autuado; O recorrente acosta ao Recurso Voluntário declaração de Ary Paulino Sutilli Bedin (efls. 2917/2939), afirmando que seu filho Álvaro Luis Bedin intermediara negócios da Sra. Claudete Buss, em relação a terrenos sob os quais ela teria adquirido direito de compra em 2001, e que este por solicitação dela retirou os carnês de IPTU/2002 (acostados aos autos). Isso para provar que os lotes foram adquiridos em 2001. Nesse ponto, tenho que concordar o julgador a quo. Os documentos juntados ao Recurso não são hábeis para desconstituir as provas utilizadas pela auditoria, que são documentos apresentados pela Colonizadora Gaúcha corroborados por registros contábeis. Além disso, ao contrário do caso anterior, o recorrente não apresentou qualquer documento de emissão dessa empresa, informando que as operações foram efetuadas de forma diferente da constante nos documentos por ela apresentados. Portanto em relação e esse lote o lançamento deve ser mantido. O julgador de primeira instância também se pronunciou sobre as receitas com as vendas desses terrenos: Finalmente, reclama o reconhecimento das receitas com a revenda desses terrenos; i. Juntou às fls. 1.815/1.842 (doc. 9) cópias de Contratos Particulares de Compra e Venda entre Claudete Kolling Buss (vendedora) e diversos compradores, relativos a lotes de São Miguel do Iguaçu/PR e do Jardim Universidade em Fl. 3714DF CARF MF 28 Medianeira/PR, nos anos de 2001 a 2004; nenhum deles foi registrado, nem consta reconhecimento de firma, não foram apresentados os registros em cartório das alegadas transações imobiliárias; também não comprova o recebimento dos recursos das alegadas vendas, mesmo diante da intimação para justificar depósitos/créditos bancários, portanto desprovida de provas a alegação; ii. Conseqüentemente, pleiteia que se reconheça o fluxo patrimonial da esposa, anexado no doc. 10, fls. 1.844/1.847; acontece que, como já exposto nos itens precedentes, os recebimentos pela venda de imóveis que pleiteia não foram comprovados, portanto, repitase, não são aceitos; iii. Destaquese que o fiscal considerou as alienações que constavam do DOI, nos registros da RFB, fl. 2.733: R$ R$ 25.000,00 em 08/2004 (fl. 1.536), e R$ 77.000,00, a parte recebida distribuída ao longo de diversos meses, conforme comprovação aceita pelo fiscal, detalhada à fl. 1.564; iv. O litigante afirma que os cheques eventualmente recebidos a prazo nesses negócios foram utilizados, nas datas de seus recebimentos, "através dos contratos de mútuo celebrados pela Sra. Claudete Buss. Portanto, devem ser considerados no fluxo patrimonial exatamente na data de celebração do contrato, porquanto, os seus valores já haviam sido utilizados pela cônjuge do Impugnante." analisase esse pleito, no tópico sobre mútuos, a seguir; Para sustentar suas alegações, o recorrente acosta aos autos declaração do contador responsável pelo condomínio com planilha informando para quem foram emitidos os boletos de cobrança do condomínio, a fim de provar que os lotes já eram de posse dos proprietários em 2003 e 2004 (efls. 2938/2941). Acrescenta que a auditoria considerou no lançamento fiscal contratos sem reconhecimento de firma ou registro em cartório para a aquisição de lotes, mas não considerou os mesmos instrumentos particulares para revenda dos lotes. Assevera que o autuante considerou na elaboração do fluxo financeiro a alienação constante na DOI (fls. 1536) no valor de R$ 25.000,00, entretanto, tal imóvel foi vendido anos antes, isso para mostrar a incorreção da fiscalização e que essa declaração não é prova de transferência de recursos. Ressalta que a auditoria não aprofundou suficientemente o procedimento, principalmente, em relação à sua cônjuge, o que teria evitado as incorreções, e que o fato de a auditoria ter sido efetuada em outra jurisdição prejudicou a busca da verdade real. Assevera que embora sua cônjuge tenha solicitado prazo para se manifestar sobre o fluxo patrimonial, a fiscalização não se pronunciou a tal pedido, e mesmo diante desse deferimento tácito, o auto foi lavrado sem oportunidade de defesa. Nesse ponto, concordo com a decisão de piso. O documento trazido com o Recurso Voluntário não é hábil para desconstituir o lançamento fiscal, pois se trata apenas da declaração de que os boletos de cobrança do condomínio eram emitidos em nome do proprietário. A meu ver, ela não é prova de que a cônjuge do recorrente vendeu os lotes a essas pessoas. Assevero que o recorrente deveria trazer provas mais contundentes que afirmassem a real venda. Os contratos trazidos não foram aceitos pelo julgador a quo, não apenas porque estavam sem registro, mas também porque não foi comprovada a entrada de recursos com as alegadas vendas. Não se trata aqui de não aceitação de documentos sem firma reconhecida e sem registro, mas de falta de outros elementos que corroborem os dados constantes nesse Fl. 3715DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.702 29 documento, tais como prova do efetivo recebimento das supostas vendas. Portanto, julgou corretamente a DRJ. Em adendo, observo que é perfeitamente válida auditoria realizada por Auditor Fiscal de outra jurisdição, conforme Súmula CARF nº 27: "É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.", da mesma forma que essa fase é apenas inquisitória, sendo que o momento de o contribuinte exercer seu pleno direito à defesa inicia com a apresentação da impugnação, quando se instaura a fase do contencioso administrativo. Assim, quando a Administração, antes de decidir o mérito de uma questão administrativa, oferece à parte contrária oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, em hipótese alguma, pode ser acusada de negar ao contribuinte o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório. Prosseguindo, o julgador a quo assim se pronuncia sobre as alegações do recorrente relativas a mútuos: d. Assevera que a esposa recebeu recursos oriundos de Mútuos comprovados pelos documentos de fls. 328/334 e 452, e que muitos não foram declarados porque se tratavam de valores pequenos e realizados os acordos de forma verbal; de qualquer forma, argumenta, a esposa declarou os rendimentos decorrentes como rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas; i. Os documentos apresentados, já examinados pela fiscalização, são declarações de pessoas físicas, datadas de 2007 durante os procedimentos de fiscalização, referentes a valores que essas pessoas declaram ter tomado emprestados de Claudete Kolling Buss em 2002 e 2003, posteriormente devolvidos mediante depósitos bancários ou em espécie (R$ 100.000,00, fl. 333) em 2000, 2001, 2002 e 2003; também empréstimos efetuados à esposa do autuado que teriam sido devolvidos mediante cheque desta; ii. Verificase que tais valores foram acatados pelo fiscal que, à fl. 452 e à fl. 1.567, resumiu a movimentação de recursos desses mútuos e lançou como recursos e dispêndios no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal, fls. 419/426 e 1.534/1.541; portanto, nada de novo foi acrescentado que já não tivesse sido examinado e acatado pela fiscalização. (Grifei). Nesse ponto, o recorrente acrescenta que o empréstimo no valor de R$ 50.000,00 concedido ao Sr. Éder, foi integralmente devolvido, conforme declaração que acosta ao Recurso Voluntário (efls. 2915), e que a auditoria arbitrou que a devolução foi de R$ 42.000,00. A meu ver, não houve arbitramento, a auditoria apenas lançou o que o Sr. Éder declarou às efls. 333, informação que foi corroborada pelos extratos bancários às efls. 847/848. Portanto, a simples declaração do Sr. Éder trazida com o Recurso Voluntário em relação a R$ 8.000,00 que também teria sido devolvido não é prova hábil para modificar o lançamento, visto que não está corroborada por outros elementos que sustentem o alegado. Fl. 3716DF CARF MF 30 o 2) Em relação aos rendimentos declarados, extraio da decisão de piso o seguinte trecho: 72. Rendimentos declarados: reclama que a fiscalização não reconheceu integralmente os valores declarados, recebidos de pessoa físicas; diz que, caso tais valores não existissem, não faria sentido oferecêlos à tributação e se o entendimento da fiscalização prevalecer, seria o caso de o erário devolver o correspondente imposto recolhido; pleiteia a consideração de tais recursos declarados temse que no procedimento de autuação de variações patrimoniais a descoberto, todos os valores comprovadamente recebidos foram considerados pela fiscalização e, repitase, a não consideração como recebimento de recursos no fluxo patrimonial, de valores de rendimentos tributáveis declarados não prejudica a contribuinte Claudete Kolling Buss, dado que, ao se apurar o IRPF devido na respectiva autuação, deduziuse o valor do IRPF que esta declarou e/ou recolheu; destaquese ainda que ela declarou grandes quantias como rendimentos isentos ou não tributáveis, cuja origem como receita de revenda de alegadas jóias recebidas e de mútuos, não comprovou e, obviamente, não recolheu de IRPF sobre tais rendimentos declarados como isentos ou não tributáveis. O recorrente acrescenta que a própria DIRPF é prova dos rendimentos recebidos por sua cônjuge, que se não os tivesse recebido não haveria porque declarálos. Assevera que caberia à fiscalização tanto a comprovação, quanto o lançamento da respectiva infração em nome de sua esposa, que não foi intimada a comprovar seus rendimentos. Aduz que a auditoria utilizou no fluxo a renda tributável do recorrente, mas não a renda tributável de sua esposa. Ressalta que a auditoria confundiu o MPF extensivo que tratava apenas de suas informações com a fiscalização em nome de sua esposa. Não vejo razão a tais alegações. A fiscalização relacionou os rendimentos da cônjuge do recorrente, que considerou como comprovados (efls. 1650). Ademais, ao contrário do que alega a defesa, sua cônjuge foi intimada a comprovar todos os rendimentos tributáveis e não tributáveis, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 001 (efls. 202). Portanto, se as provas apresentadas não foram suficientes para a total comprovação dos rendimentos declarados, com acerto agiu a fiscalização ao incluir no fluxo patrimonial apenas aqueles comprovados. Em relação à alegação sobre a devolução do IRPF pago, o julgador a quo explicou adequadamente que o valor pago a esse título foi deduzido do lançamento em nome de sua cônjuge. Portanto, nessa parte, deve ser mantido o lançamento. o 3) Sobre a venda do veículo Fiat Fiorino LXR 2083, a decisão de primeira instância foi no seguinte sentido: 74. Pleiteia o reconhecimento de recursos originados da venda do veículo Fiat Fiorino LXR 2083 adquirido pela esposa em 31/05/2002 e revendido para o Sr. Claudemir Scarpini em agosto/2002 à fl. 1.563, a fiscalização resumiu a movimentação de recursos referente às compras e vendas de veículos, onde consta o desembolso na compra deste veículo em 31/05/2002, no valor de R$ 5.400,00 mas não recebimento por venda; na impugnação nada se acostou de documentação adicional para respaldar a reivindicação de reconhecimento de recebimento de recursos pela venda desse veículo; na declaração de Claudete Fl. 3717DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.703 31 Kolling Buss, fls. 53 e 56, não foram declaradas nem a aquisição, nem a venda; à fls. 542, consta na Certidão de Histórico de Propriedade de Veículo, emitida em 22/06/2006, a confirmação da data de aquisição em 31/05/2002 considerada pela fiscalização, bem como a cópia do Certificado de Registro de Veículo de fl. 559 (fornecido pelo Detran), onde não consta a venda, nem data; portanto, sem comprovação o recebimento alegado que o autuado incluiu na Planilha de Fluxo Financeiro Mensal da esposa, em 08/2002, pelo valor de R$ 7.215,00, mas sem qualquer prova documental. Acrescento, nesse tópico, que o recorrente também não juntou documentos ao Recurso Voluntário que contraditasse o lançamento fiscal, portanto, deve ser mantido o crédito tributário nessa parte. · Dispêndios Consumidos via Cheques e TEDs: I) cheque 216 (R$ 5.000,00), cheque 061 (R$ 4.300,00) e TED 0106433 (R$ 20.000,00), cheques 27, 28, 29, 30 (abaixo listados); II) cheque 195 (R$ 10.000,00), cheque 036; 3) cheque 26 (R$ 10.000,00): Nesse tópico, o julgador a quo discriminou cada dispêndio nos seguintes trechos: 75. Á f1. 1.608 a fiscalização relaciona esses dispêndios, identificando a conta bancária originária, a data do débito na c/c do autuado e/ou esposa e os beneficiários dos cheques ou TED e valores. 76. O contribuinte foi intimado, Termo de Intimação Fiscal TIF n° 11 de fls. 418/493, a se manifestar por escrito sobre os valores apurados de Variação Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal; à fl. 493, integrante da TIF, o Fiscal relacionou o que entendia que eram Dispêndios Consumidos via Cheques e TEDs (observese que totalizavam R$ 210.000,00, enquanto que à fl. 1.608, que explica os valores considerados consumidos, na autuação, o total reduziuse a R$ 124.448,77, ou seja, a fiscalização acatou algumas das alegações do autuado); na resposta de fls. 495/497, o contribuinte informou "Os lançamentos como dispêndios consumidos via cheques e TEDs fazem parte do demonstrativo de transferências de recursos para minha esposa e serão lançados em sua planilha de fluxo financeiro mensal, assim como os empréstimos realizados por ela.", e anexou a relação de fl. 502, onde apenas listou os valores e o respectivo mês; constam dessa relação todos os dispêndios listados pelo fiscal na autuação, exceto o valor de R$ 5.000,00 em 31/01/2001. Fl. 3718DF CARF MF 32 77. Analisamse a seguir os argumentos do litigante na impugnação: i. Cheque 216, RS 5.000,00, beneficiário Getúlio Maraschin, cheque nominal, não cruzado; o litigante afirma que é parte do pagamento do terreno em Florianópolis, já considerado como dispêndio verificouse, fls. 902, 905/906 e 1.341/1.344, que a fiscalização enviou diversas intimações para o beneficiário, que respondeu desconhecer que c Gilberto Buss; o contribuinte não juntou documento que confirme o alegado: mantémse: ii. Cheque 061, R$ 4.300,00, beneficiário Litoral Vidros, e TED 0106433, R$ 20.000,00, beneficiário Sebastião Coelho, afirma que se tratam de pagamentos à MIMA Engenharia, referentes à construção do imóvel em Florianópolis que, a pedido da empresa, foram efetuados diretamente a seus fornecedores, conforme a declaração anexa, doc. 11, já considerados como dispêndio: 1. verificouse que a declaração de fl. 1.849 (doc. 11) da MIMA Engenharia afirma que R$ 20.000,00 foram em pagamento ao fornecedor Sebastião Coelho e que o pagamento de RS 96.200,00 em 30/04/2003, se refere a acerto Final da obra, que se deu através de várias operações financeiras, algumas referentes a adiantamentos realizados para os fornecedores e relaciona os cheques Bradesco nº 27, 28, 29 e 30, todos no valor de RS 5.000,00, o TED 0324337 no valor de RS 41.400,00 e o cheque Bradesco nº 61, de R$ 4.300,00; 2. quanto ao cheque Bradesco nº 61, fls. 996/997, 1.055/1.056, 1.115, temse que nominal a Litoral Vidros foi depositada em nome de Cláudio Vieira da Cruz e Veranilza Aparecida Vieira da Cruz, sócios da empresa, fls. 2.734/2.735 confirmando tratarse de dispêndios com construção: 3. fls. 918 e 1.420/1427, o TED de RS 20.000,00 foi para Sebastião Coelho, mas as intimações enviadas pela fiscalização para que esclarecesse o recebimento, fls. 1.420/1.427, não obtiveram resposta, mas o seu cadastro CPF indica que era sócio de uma empreiteira de mãodeobra, fls.2.734, portanto, são dispêndios com construção; 4. no que tange ao cheque Bradesco nº 27 (fls. 990/991, 1.022/1.023, 11 18, 1.361/1.369, nominal a João Salésio Prim, este, intimado declarou que achava que devia ser referente a grama ou areia); nº 28 (fls. 992/993, 1.025/. 1026, 1111, 1.372/1378, nominal a Marli Maurício Coelho, que não respondeu às intimações da fiscalização e a respeito da qual o cadastro apenas indica declarações omissas ou como isenta, fls.2.735); nº 29 (fls. 994/995, 1.028/1.029, 1111, 1.381/1.388, Tecnológica Conforto Ambiental que atestou têlo recebido da MIMA Engenharia referente a materiais e serviços de engenharia e ar condicionado) e nº 30 (fls. 1.031/1.032, 1111, 1.389/1.392 para Replas Comércio de Ferragens Ltda, que atestou que recebe muitos cheques de terceiros, referentes a serralheiros); portanto, exceto no caso dos RS 5.000,00 à beneficiária Marli Maurício Coelho, os demais se confirmam como dispêndios com construção, contudo, como a obra através Fl. 3719DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.704 33 da MIMA Engenharia iniciouse em 03/2002 ffl. 1.522. TVF) e obteve o "Habitese" em 04/2003. os dispêndios em 2001. não podem estar compreendidos no gasto com a construção civil de RS 96.2000 que a MIMA informa na declaração de fl. 1.849 (doc. 11): iii. Cheque 195 RS 10.000,00, para Jones Fellini, e cheque 036 RS 13.748,77, beneficiário CEF, alega que foram entregues à imobiliária Fellini, para pagamento dos lotes urbanos em São Miguel do Iguaçu; temse, fls. 890/891, 1139/1142, quanto ao cheque 195, que a fiscalização enviou intimações que retornaram, constando da última, em 24/08/2007, que Jones Fellini havia falecido, portanto, não houve resposta; destaquese que no cadastro da RFB, fls. 2.735/2.736, não foi dada baixa no CPF e as DIPF continuam sendo entregues declarando rendimentos, e consta como sócio da Imobiliária Fellini incluído em 27/12/2002, data posterior ao cheque, que é datado de 06/07/2001, debitado em 10/07/2001; quanto ao cheque 036, fls. 933/934, 1.110, 1.037/1.038, é nominal à CEF e foi depositado na conta 1095625648 a respeito da qual não constam informações no processo, portanto, sem comprovação as alegações do autuado; Cheque nº 26 R$ 10.000,00, Comissária de Despachos Aduaneiros Itaipu, que afirma ser referente à troca por cheques prédatados verificase, fls. 929/930, que o cheque nominal a "Com Desp", não cruzado, nem endossado, não consta conta de depósitos e fls. 1.356/1.360, que a empresa beneficiária foi intimada e reintimada, mas não se manifestou; (Grifei) O recorrente acrescenta que a DRJ se equivocou ao desconsiderar a duplicidade dos dispêndios, aos quais se refere a declaração da MIMA Engenharia (fls. 1849), porque antes do início da obra houve custos com projetos que foram cobrados pela construtora que foi contratada em meados de 2001. Analisando os documentos constantes nos autos, verificase que em parte assiste razão ao recorrente. Mima Engenharia apresenta as declarações às efls. 1511 (declaração1) e efls. 1849 (declaração2): Declaração1 Declaração2 Mantido pela DRJ Lançado pela Fiscalização Fl. 3720DF CARF MF 34 A declaração1 da Mima é que o pagamento de R$ 96.200,00 foi pela construção do edifício comercial/residencial, situado em Florianópolis, e a declaração2 é que o valor de R$ 96.200,00 foi acerto final de obra, referente a várias operações, algumas de adiantamentos a fornecedores que relaciona. Entendo que, da mesma forma que o julgador a quo desconsiderou o valor de R$ 41.400,00 por estar contido no valor de R$ 96.200,00, devese também desconsiderar os valores dos cheques 27, 29, 30 e 000061, por também estarem contidos nesse valor, além do que, conforme diligência e como afirmado pelo julgador a quo, ficou comprovado que esses valores decorriam de construção. Portanto, considero que o conjunto de provas é suficiente para confirmar o alegado pela defesa. Além disso, na declaração2 consta o valor de R$ 20.000,00 pago por meio do TED 0106433, e já constava na declaração1, como pagamento da construção do prédio em Florianópolis. Analisando o fluxo patrimonial (efls. 1622) verificase que o Auditor Fiscal lançou como dispêndio na construção de prédio em terreno em Florianópolis o valor de R$ 38.800,00, que é o somatório que consta na declaração1 para o mês de 10/2001, e que já contém o valor de R$ 20.000,00 que foi também lançado como dispêndio consumido via cheques e TEDs. Portanto, esse valor deve ser excluído deste dispêndio, pois já está contido no valor de R$ 38.800,00. Como se verifica da transcrição do acórdão recorrido, consta que os cheques n. 61 no valor R$ 4.330,00, e n. 27, 29, e 30, no valor de R$ 5.000,00, assim como, o TED 0106433 no valor de R$ 20.000,00 são dispêndios de construção, entendo que como foi possível confirmar que eram dispêndios de construção, devem ser excluídos do dispêndio de cheque, porque já estão inclusos como dispêndios de construção, conforme abaixo: Cheque Data Valor Beneficiário Decisão 2176 31/01/2001 5.000.00 Getúlio Maraschin Manter 195 10/07/2001 10.000,00 Jones Fellini Manter 26 19/10/2001 10.000,00 Com Desp Aduaneiros Itaipu Manter 27 23/10/2001 5.000,00 João Salésio Prim Excluir do dispêndio de 10/2001 28 23/10/2001 5.000,00 Marli Maurício Coelho Manter 29 23/10/2001 5.000,00 Tecnológica Conforto Amb Excluir do dispêndio de 10/2001 30 25/10/2001 5.000.00 Replas Excluir do dispêndio de 10/2001 36 14/12/2001 13.748.77 CEF Manter TED 0324337 29/11/2002 41.400,00 Sebastião Coelho Excluir do dispêndio de 04/2003 TED 0106433 30 01/2003 20.000.00 Sebastião Coelho Excluir do dispêndio de 01/2003 61 12/02/2003 4.300,00 Litoral Vidros Excluir do dispêndio de 02/2003 Acrescento que, os valores dos cheques que restaram mantidos, foram comprovados pela auditoria como dispêndios, visto terem sido identificados os beneficiários. Razão pela qual deixo de aplicar a Súmula Carf nº 67: "Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.". Esse entendimento, aliás, está de acordo com a decisão exarada pela CSRF, no acórdão n. 9202006.261, de 29/11/2016: Fl. 3721DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.705 35 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 REQUISITOS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO QUE APLICOU SÚMULA. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Contra acórdão que aplicou entendimento de súmula é cabível recurso especial cujo objeto seja a discussão acerca da aplicabilidade do entendimento sumulado ao caso concreto. O recurso será admitido, desde que o paradigma, posterior à edição da súmula e tratando de situação similar à do recorrido, deixe de aplicar o entendimento nela veiculado, justificando tal posicionamento. IRPF. SÚMULA CARF 67. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LANÇAMENTO DECORRENTE DE AMPLO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO. Incabível a aplicação da Súmula CARF 67 aos lançamentos de APD quando restar comprovado por "Demonstrativo da Variação Patrimonial" e ainda por meio de outros meios de prova existência de incremento patrimonial do contribuinte. (Grifei) · Em relação às Doações aos filhos, a decisão de piso contém o seguinte: 80. Afirma que esses dispêndios são improcedentes e que os valores constantes das declarações de ajuste dos filhos são aluguéis de imóvel depositados nas contas destes, submetidos à tributação e decorrem de bens de propriedade dos filhos. 81. A fiscalização esclarece os fatos à fl. 1.524, item 2.3.2.10. 82. De fato, as declarações de Gustavo e Gabriela Buss, do ano calendário 2004, aos 8 e 6 anos de idade, pois nascidos em 10/02/1996 e 06/03/1998, respectivamente, informam rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física, cada um no valor de RS 15.400,00, no modelo simplificado, o que resultou em que, depois do desconto simplificado, apurouse RS 0,00 (zero) de IRPF a pagar para ambos portanto, descabe alegar que os rendimentos tenham sido tributados. 83. Alegou o autuado que se trataria de rendimentos de aluguéis do imóvel matrícula 58834, situado em Florianópolis/SC, doado em parte pelo casal aos filhos, inclusive, as DIPF dos filhos, fls. 61/66. consignam a propriedade deste imóvel e a mãe, esposa do autuado, Claudete Kolling Buss também registrou propriedade do mesmo imóvel na DIPF 2005/2004, fl. 59; contudo o Registro de Imóveis, fls. 618/621, que é o documento hábil para se identificar transações imobiliárias, identifica apenas Gilberto Buss como proprietário, tendo sido averbada em 30/09/2003, uma obra residencial e comercial de 04 (quatro) pavimentos e 01 (um) subsolo com área total de 546,80 m2, com Habitese Fl. 3722DF CARF MF 36 concedido em 24/03/2003; não consta doação aos filhos, e à fl. 622, consta que não figuram como proprietários de imóveis, evidenciandose que o litigante e esposa se utilizaram desse artifício com o objetivo de reduzir a base de cálculo do IRPF devido pelo casal. Nesse ponto, o recorrente acrescenta que os contratos com a administradora do condomínio e com a imobiliária que locou os imóveis comprovam suas alegações. Assevera que o valor do aluguel era depositado pela imobiliária diretamente na conta dos filhos, que não eram declarados como seus dependentes, e por isso, a renda deles não pode ser considerada como disponibilidade econômica dos pais. Aduz que o imóvel foi vendido em 29/02/2008 e o valor foi depositado na proporção de 1/3 na conta dos filhos e da esposa, o que comprovaria que a propriedade se tratava de um condomínio. Da forma como entendeu a DRJ, não há como acolher as alegações do recorrente. Ele acosta ao Recurso Voluntário a Escritura Pública de Compra e Venda (efls. 2978/2982) do imóvel matrícula 58834, situado em Florianópolis/SC, em que consta como proprietários e vendedores o recorrente e sua cônjuge. O que apenas confirma o apurado pela fiscalização. Na Escritura consta que o valor do imóvel será depositado na conta da cônjuge e de seus dois filhos, mas tal fato não se mostra hábil a suportar a alegação de que a propriedade era em condomínio, pois resta mais que provado por esse documento quem eram os reais proprietários. O fato de o valor ter sido depositado também nas contas bancárias dos filhos, apenas afirma a doação dos valores aos dois. Além disso, sendo o imóvel de propriedade dos pais, é certo que os frutos dele decorrentes só pode ser deles; caso tenham sido depositados na conta dos filhos nada mais se pode concluir que foi uma doação, como afirmado pelo autuante. Portanto, deve ser mantido o lançamento nessa parte. Ganho de capital na alienação de imóvel (Matrícula 11.442): fato gerador ocorrido em 31/01/2003. O recorrente junta ao Recurso Voluntário as DIRPF's dos exercícios de 1996 a 2001. Analisando esses documentos, verificase que às fls. 2968 consta o referido imóvel declarado com a construção de uma casa em alvenaria com 187,5m2, no valor de R$ 59.250,00, que se repete na declaração de 1997. Na declaração de 1998, ano calendário 1997 o valor do imóvel é declarado por R$ 69.052,37, que se repete nas declarações de 1999 e 2000. Na declaração de 2001, relativa ao ano calendário de 2000, o imóvel foi declarado com valor zerado. A defesa afirma que o valor da construção declarado está compatível com o valor calculado pelo SINDUSCON. Acrescenta que o contrato de compromisso de compra e venda especifica como objeto da venda a casa de 187,5 m2, como muro, piscina, edícula e linha telefônica. Apresenta tabela de composição do custo, e conclui que os documentos constantes nos autos demonstram que o custo do imóvel foi superior ao valor da venda. Fl. 3723DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.706 37 Entendo que, o recorrente comprovou a existência de uma casa de alvenaria no terreno, conforme de observa dos documentos acostados aos autos. Portanto, diante da informação averbada no Registro de Imóveis (efls. 1937/1938), é certo que o custo de aquisição não se perfaz apenas pelo valor do terreno. Além disso, pela tabela do SINDUSCON, relativa ao ano de 2005, é possível ver que o valor de custo do imóvel declarado pelo recorrente estava compatível com essa tabela: CUB VAR.% VAR.% VAR.% 12 MÊS MÉDIO2 MÊS ANO M dez/95 379,71 1,16 30,20 30,20 nov/95 375,36 0,01 28,71 31,80 out/95 375,31 0,29 28,69 36,11 set/95 376,39 1,42 29,06 37,61 ago/95 371,13 1,07 27,26 35,90 jul/95 367,21 2,01 25,92 35,10 jun/95 359,96 9,38 23,43 33,65 mai/95 329,09 0,81 12,85 25,81 abr/95 326,45 2,99 11,94 23,17 mar/95 316,96 2,10 8,69 19,99 fev/95 310,44 2,78 6,45 19,47 jan/95 302,05 3,57 3,57 17,13 Assim, entendo que o lançamento não deve ser mantido. Aliás, essa matéria já foi objeto de análise neste Conselho quando do julgamento do processo nº 10907.002777/200733, que tem por sujeito passivo a cônjuge do recorrente, cuja decisão foi exarada por meio do Acórdão nº 2201001.992, de 19/02/2013, cujos trechos abaixo transcritos adoto como razões de decidir: A Fiscalização não acatou o custo da construção da casa por falta de provas. Porém, penso que o registro da averbação da benfeitoria é suficiente para fazer tal prova. Como se sabe, a averbação, no registro de imóveis, de uma construção, exige a observância de uma série de formalidades, como a expedição de habitese pelo órgão municipal, o recolhimento de tributos referentes à construção, etc. de modo que o registro somente se realiza mediante comprovação da efetividade, pelo menos do ponto de vista formal, da existência da benfeitoria, no caso da construção. Sabese também, conforme procedimento adotado pela própria Receita Federal, que o custo de construção é estimado mediante aplicação de critério objetivo, qual seja, a aplicação de tabelas fornecidas por órgãos especializados que estimam o valor médio por metro quadrado da construção, conforme seu padrão. Assim, não deveria haver dificuldade em se estimar o custo da construção neste caso. Assim, é forçoso concluir pela incorreção do lançamento quanto a este ponto. Ganhos líquidos no mercado de renda variável: fatos geradores ocorridos em 01, 03, 04, 07, 12/2002; e nos anoscalendário 2003 e 2004. Nesse tópico a decisão de piso contém o seguinte: 2 http://sindusconfpolis.org.br/index.asp?dep=54&pg=258 Fl. 3724DF CARF MF 38 89. Reclama que foram desconsideradas as despesas tais como a taxa de custódia, corretagem, taxa de liquidação, emolumentos, necessárias para a realização dessas operações, que deveriam ter sido abatidas, e que a apuração dos rendimentos deveria ter sido no regime de caixa e não na data do pregão, critério erroneamente adotado na autuação; que o IR devido sobre esses ganhos foi recolhido, mesmo que tenha sido apurado no mês errado. 3.3.1 Dedução de custas. 90. O art. 758, do RIR de 1999, bem como os formulários Resumo de Apuração de Ganhos Renda Variável orientam que os ganhos líquidos auferidos são tributáveis e que é admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações. 91. Verificase que o autuante demonstrou os lucros apurados nas operações com os ativos às fls. 1.628/1.685, tomando como base as Notas de Corretagem apresentadas pelo contribuinte e que se encontram no Anexo I do processo (as mesmas Notas de Corretagem são apresentadas pelo impugnante, Vol XI, XII, XIII, XIV); para explicar que a reclamação do litigante sobre dedução de custas não procede, demonstrase a seguir que o procedimento adotado com referência às Operações com o Ativo ARCZ6/ARACRUZ, fl. 1.628, e duas Notas de Corretagem relativas às operações com esse ativo, fls. 30 e 57 do Anexo I: a. Temse na Nota de Corretagem de fl. 30 do Anexo I, que, na data do pregão 13/12/2000, o autuante comprou ( C ) 1.000 ações ARCZ6/ARACRUZ por RS 2,61, totalizando o VLR da Operação R$ 2.610,00; entre operações de compra e venda (V) desse dia o Total de Operações foi de RS 13.321,00 e o total das custas foi R$ 81,25; apropriandose o valor proporcional aos R$ 2.610,00 de compra de ações da ARCZ6/ARACRUZ, resultam custas de RS 15,92; b. Verificase à fl. 1.628, no demonstrativo, Operações com o Ativo ARCZ6/ARACRUZ, que esta operação está registrada: data do pregão 13/12/2000; Valor Bruto RS 2.610,00 e Valor Líquido RS 2.625,92 (que é a soma de RS 2.610,00, mais as custas RS 15,92) 92. Por outro lado, na operação de venda: a. Temse na Nota de Corretagem de fl. 57 do Anexo I, que, na data do pregão 08/03/2001, o autuante vendeu ( V ) 1.000 ações ARCZ6/ARACRUZ por RS 2,94, totalizando o VLR da Operação RS 2.940,00; entre operações de compra e venda (V) desse dia o Total de Operações foi de RS 33.558,00 e o total das custas foi RS 189,53; apropriandose o valor proporcional aos RS 2.610,00 de venda de ações da ARCZ6/ARACRUZ, resultam custas de RS 16,60; b. Verificase à fl. 1.628, no demonstrativo "Operações com o Ativo ARCZ6/ARACRUZ", que esta operação está registrada: data do pregão 08/03/2001; Valor Bruto R$ 2.940,00 e Valor Líquido R$ 2.923,41 (que é a diferença de R$ 2.940,00, menos as custas RS 16,60) Fl. 3725DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.707 39 93. Portanto, na apuração do ganho, o custo médio da ação vendida está computado acrescido das custas de corretagem, taxa de liquidação e emolumentos que o autuante reivindica que sejam considerados; enquanto que na operação de venda, foram deduzidas essas custas do preço de venda. 94. Evidenciase que a reclamação do litigante é improcedente, dado que o autuante deduziu os custos e despesas incorridos necessários à realização das operações. 3.3.2 Apuração dos rendimentos: data do pregão x data da liquidação financeira. 95. Reclama inda que e que a apuração dos rendimentos deveria ter sido no regime de caixa e não na data do pregão. 96. O IRPF devido sobre tais ganhos tem a apuração mensal, pois o ganho líquido tributado é o resultado positivo auferido nas operações realizadas em cada mês (art. 760 do RIR, de 1999). 97. A operação de alienação do ativo se concretiza na data do pregão; a liquidação financeira que ocorre alguns dias depois, é mera transação financeira decorrente da alienação; de se notar que a diferença de três dias entre a data do pregão e da liquidação financeira pouca influência tem na apuração. 3.3.3 Que o IR devido sobre esses ganhos foi recolhido, mesmo que tivesse sido apurado no mês errado. 98. Conforme demonstra a fiscalização, restaram valores de IRPF não recolhidos, apurados na presente autuação. O recorrente acrescenta que foi orientado no plantão fiscal da DRF/Foz do Iguaçu em 2000, que o regime a ser utilizado nas operações de renda variável seria o de caixa, e assim procedeu na planilha de cálculos. Assevera que a operação só ocorre de fato com a liquidação financeira e transferência da custódia da ação no terceiro dia útil, e que o ganho líquido é o resultado positivo nas operações liquidadas em cada mês. Afirma que o demonstrativo do Auditor Fiscal está errado, apresentando como exemplo cálculo relativo ao mês de setembro/2001, informando ter considerado no cálculo a liquidação financeira e apurado um ganho de capital maior que o apurado pela fiscalização, pois não considerou proporcionalmente os custos de corretagem como feito pela auditoria. Nesse momento, oportuno recordar os dispositivos normativos sobre a matéria: Lei nº 7.713/88 Art 40. Fica sujeita ao pagamento do imposto de renda à alíquota de dez por cento, a pessoa física que auferir ganhos líquidos nas operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, ressalvado o disposto no inciso II do art. 22 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 7.751, de 1989)(Vide Lei nº 8.012, de 1990) Fl. 3726DF CARF MF 40 § 1º Considerase ganho líquido o resultado positivo auferido nas operações ou contratos liquidados em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas efetivamente incorridos, necessários à realização das operações, e à compensação das perdas efetivas ocorridas no mesmo período. § 2º O ganho líquido será constituído:(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) a) no caso dos mercados à vista, pela diferença positiva entre o valor de transmissão do ativo e o custo de aquisição do mesmo;(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) b) no caso do mercado de opções:(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) 1. nas operações tendo por objeto a opção, a diferença positiva apurada entre o valor das posições encerradas ou não exercidas até o vencimento da opção;(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) 2. nas operações de exercício, a diferença positiva apurada entre o valor de venda à vista ou o preço médio à vista na data do exercício e o preço fixado para o exercício, ou a diferença positiva entre o preço do exercício acrescido do prêmio e o custo de aquisição;(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) c) no caso dos mercados a termo, a diferença positiva apurada entre o valor da venda à vista ou o preço médio à vista na data da liquidação do contrato a termo e o preço neste estabelecido; d) no caso dos mercados futuros, o resultado líquido positivo dos ajustes diários apurados no período. § 3º Se o contribuinte apurar resultado negativo no mês será admitida a sua apropriação nos meses subseqüente. (Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) § 4º O imposto deverá ser pago até o último dia útil da primeira quinzena do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos. § 5º (Revogado pela Lei nº 8.014, de 1990) § 6º O Poder Executivo poderá baixar normas para apuração e demonstração de ganhos líquidos, bem como autorizar a compensação de perdas entre dois ou mais mercados ou modalidades operacionais, previstos neste artigo. Art. 41. As deduções de despesas, bem como a compensação de perdas previstas no artigo anterior, serão admitidas exclusivamente para as operações realizadas em mercados organizados, geridos ou sob a responsabilidade de instituição credenciada pelo Poder Executivo e com objetivos semelhantes aos das bolsas de valores, de mercadorias ou de futuros. (Grifei) Decreto nº 3.000/99 CAPÍTULO VI DAS OPERAÇÕES EM BOLSA OU FORA DE BOLSA Fl. 3727DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.708 41 Seção I Incidência Art.758.Os ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, serão tributados à alíquota de dez por cento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72). §1ºSão consideradas como assemelhadas às bolsas de que trata este artigo, as entidades cujo objeto social seja análogo ao das referidas bolsas e que funcionem sob a supervisão e fiscalização da CVM. §2ºO disposto neste artigo aplicase também (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 71): I aos ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário na alienação de ouro, ativo financeiro, fora de bolsa; II aos ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário em operações realizadas em mercados de liquidação futura, com qualquer ativo, fora de bolsa; III aos ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário pelas pessoas jurídicas na alienação de participações societárias, fora de bolsa. §3ºO disposto neste artigo não se aplica às operações conjugadas de que trata o inciso I do art. 730, e às operações com ouro, ativo financeiro, previstas no art. 734, cujos rendimentos são tributados de acordo com as regras aplicáveis às operações de renda fixa. §4ºO Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer condições para o reconhecimento de perdas apuradas nas operações realizadas em mercado de liquidação futura, fora de bolsa (Lei nº 9.430, de 1996, art. 71, §2º). §5ºO imposto apurado na forma deste Capítulo deverá ser pago nos prazos previstos nos arts. 852 e 859, conforme o caso. [...] Conceito de Ganho Líquido Art.760.Considerase ganho líquido o resultado positivo auferido nas operações realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações, e a compensação de perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 761, 764, 765 e 766, ressalvado o disposto no art. 767(Lei nº 7.713, de 1988, art. 40, §1º, e Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §§1ºe7º). §1ºAs perdas apuradas nas operações de que trata este Capítulo poderão ser compensadas com os ganhos líquidos auferidos nos Fl. 3728DF CARF MF 42 meses subseqüentes, em operações da mesma natureza (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, §4º). §2ºAs deduções de despesas, bem como a compensação de perdas previstas neste Capítulo, serão admitidas exclusivamente para as operações realizadas nos mercados organizados, geridos ou sob a responsabilidade de instituição credenciada pelo Poder Executivo e com objetivos semelhantes ao das bolsas de valores, de mercadorias ou de futuros (Lei nº 8.383, de 1991, art. 27). Seção II Mercados à Vista Art.761.Nos mercados à vista, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição (Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §2º, alínea "a", e Lei nº 8.541, de 1992, art. 29, §2º, alínea "a"). Custo de Aquisição Art.762.Os custos de aquisição dos ativos objeto das operações de que trata o artigo anterior serão considerados pela média ponderada dos custos unitários (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, §2º). §1ºQuando se tratar de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, apurados no anocalendário de 1993, e a partir de 1ºde janeiro de 1996, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizados que corresponder ao acionista beneficiário (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). §2ºNa ausência do valor pago, o custo de aquisição será, conforme o caso (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, incisos III, IV e V): I o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho líquido do alienante; III o valor da ação por conversão de debênture fixado pela companhia emissora; IV o valor corrente, na data da aquisição. §3ºO custo de aquisição é igual a zero nos casos de (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §4º): I partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; II acréscimo da quantidade de ações por desdobramento; III aquisição de qualquer ativo cujo valor não possa ser determinado pelos critérios previstos nos parágrafos anteriores. [...] Seção III Fl. 3729DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.709 43 Mercados de Opções Art.764.Nos mercados de opções, o ganho líquido será constituído (Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §2º, alínea "b",e Lei nº 8.541, de 1992, art. 29, §2º, alínea "b"): I nas operações tendo por objeto a negociação da opção, pelo resultado positivo apurado no encerramento de opções da mesma série; II nas operações de exercício da opção: a) no caso do titular de opção de compra, pela diferença positiva entre o valor da venda à vista do ativo na data do exercício da opção e o preço de exercício da opção, acrescido do valor do prêmio; b) no caso do lançador de opção de compra, pela diferença positiva entre o preço de exercício da opção, acrescido do valor do prêmio, e o custo de aquisição do ativo objeto do exercício da opção; c) no caso do titular de opção de venda, pela diferença positiva entre o preço de exercício da opção e o valor da compra à vista do ativo, acrescido do valor do prêmio; d) no caso do lançador de opção de venda, pela diferença positiva entre o preço da venda à vista do ativo na data do exercício da opção, acrescido do valor do prêmio, e o preço de exercício da opção. §1ºNão ocorrendo venda à vista do ativo na data do exercício da opção, o ativo terá como custo de aquisição o preço de exercício da opção, acrescido ou deduzido do valor do prêmio, nas hipóteses previstas, respectivamente, nas alíneas "a" e "d" do inciso II. §2ºPara efeito de apuração do ganho líquido, o custo de aquisição dos ativos negociados nos mercados de opções, bem como os valores recebidos pelo lançador da opção, serão calculados pela média ponderada dos valores unitários pagos ou recebidos. §3ºNão havendo encerramento ou exercício da opção, o valor do prêmio constituirá ganho para o lançador e perda para o titular, na data do vencimento da opção. Seção IV Mercados Futuros Art.765.Nos mercados futuros, o ganho líquido será o resultado positivo da soma algébrica dos ajustes diários ocorridos em cada mês (Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §2º, alínea "d",e Lei nº 8.541, de 1992, art. 29, §2º, alínea "d"). Seção V Fl. 3730DF CARF MF 44 Mercados a Termo Art.766.Nos mercados a termo o ganho líquido será constituído (Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §2º, alínea "c", e Lei nº 8.541, de 1992, art. 29, §2º, alínea "c"): I no caso do comprador, pela diferença positiva entre o valor da venda à vista do ativo na data da liquidação do contrato a termo e o preço nele estabelecido; II no caso do vendedor descoberto, pela diferença positiva entre o preço estabelecido no contrato a termo e o preço da compra à vista do ativo para a liquidação daquele contrato. §1ºNão ocorrendo venda à vista do ativo na data da liquidação do contrato a termo, o mesmo terá como custo de aquisição o preço da compra a termo. [...]. Seção VI Perdas em DayTrade Art.767.As perdas incorridas em operações daytrade somente poderão ser compensadas com os ganhos auferidos em operações da mesma espécie (daytrade)(Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, §5º). §1ºPara efeito do disposto neste artigo, consideramse daytrade as operações iniciadas e encerradas no mesmo dia, independentemente da detenção pelo investidor de estoque ou posição anterior do ativo objeto da operação. §2ºOs ganhos ou perdas em operações daytrade serão apurados pelo resultado líquido auferido no dia, em operações com o mesmo ativo objeto. §3ºNão se caracteriza como daytrade o exercício da opção e a venda ou compra do ativo no mercado à vista, no mesmo dia. §4ºO ganho líquido mensal correspondente a operações day trade (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, §6º): I integrará a base de cálculo do imposto prevista neste Capítulo; II não poderá ser compensado com perdas incorridas em operações de espécie distinta. (Grifei) O recorrente faz alegações genéricas sobre a consulta feita ao Plantão Fiscal, sem, entretanto, comprovar em que termos se deu essa consulta, e quais os termos da resposta obtida. Como bem fundamentou o julgador a quo, a apuração é feita mensalmente por nota de corretagem, onde se verifica a data da liquidação de determinado ativo, que seria a respectiva data da venda. Isso é demonstrado quando a legislação trata das operações a termo, em que, o resultado é apurado quando de liquidação do contrato a termo, que é a venda do ativo negociado no contrato. Da mesma forma, nas operações daytrade o resultado é apurado Fl. 3731DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.710 45 no dia, venda e compra no mesmo dia. E o recolhimento do imposto deve ser efetuado no 15º dia subsequente ao mês da operação. Além disso, o julgador a quo demonstrou ter a fiscalização apurado de forma correta o ganho de capital, apresentando o resultado mês a mês, nota a nota, ativo a ativo, e acertadamente apropriado proporcionalmente os custos das operações, nos termos que determina a legislação. Portanto, nenhum reparo merece o acórdão recorrido que fundamentou de forma adequada no tópico "Apuração dos rendimentos: data do pregão x data da liquidação financeira". Da mesma forma, em relação ao imposto recolhido há que se observar que o auditor fez a devidas apropriações, após as quais foram apurados valores a recolher, não havendo motivos para alterações no lançamento fiscal, nessa parte. 4) Multa qualificada de 150% das infrações "variação patrimonial a descoberto" e "ganho de capital na alienação de imóvel". Neste ponto, o julgador a quo ressalta o acerto da fiscalização nos seguintes trechos, que adoto como razões de decidir: 99. À fls. 1.532, o autuante resume os motivos pelos quais identificou a intenção dolosa de sonegar imposto, e porque aplicou a multa qualificada de 150% às infrações de omissão de rendimentos devidos à variação patrimonial a descoberto e à omissão de ganhos de capital na alienação do imóvel matrícula n° 11.442 de Medianeira/PR. 100. Aplicase a multa de ofício em percentual duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, transcrito às fls. 1.530/1.531 dos autos, quando identificado o dolo, fraude ou simulação, o que já se analisou no presente voto, concluindose pela correção da qualificação da multa dada a intenção dolosa de sonegar imposto, pelos diversos motivos que se relatou. 101. Portanto, concluise que é procedente a aplicação da multa de ofício de 150% aos lançamentos relativos à omissão de rendimentos devido à variação patrimonial a descoberto e à omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel. O recorrente acrescenta que não procede a acusação de que praticou atos para postergar a fiscalização, pois o somatório de dias das solicitações de prorrogação estão bem aquém dos dias que durou a fiscalização. Acrescenta alegação sobre o imóvel matrícula 3172, afirmando que o imóvel foi devidamente declarado, conforme documento efls. 2976, acostado ao Recurso Voluntário. Afirma que o imóvel foi declarado quando da compra em 20/09/1989, e quando da respectiva venda em 12/06/1994; que o imóvel estava hipotecado para a caixa econômica, tendo sido baixado em 09/08/2004, e em 27/09/2004 foi registrada a venda. Nesse caso, considero como matéria não impugnada, pois inovação no Recurso Voluntário. Além disso, o autuante informou não ter efetuado lançamento relativo a esse imóvel por inexistência de ganho de capital em sua alienação, mas que manteve os recursos da venda desse imóvel como origem de recursos na apuração da variação patrimonial, porque sua exclusão prejudicaria o casal. Fl. 3732DF CARF MF 46 Em relação ao imóvel matrícula 2440 (Couto Magalhães) acrescentou que constou como saída o valor da terra nua acrescido de despesas, conforme acordado com os vendedores. Aduz que o Auditor não buscou nos arquivos da Receita as declarações apresentadas, e erroneamente concluiu que os imóveis de matrículas 3172 e 11.442 não foram declarados. Assevera que os únicos bens não declarados foram as jóias decorrentes de negócios de sua cônjuge, conduta que não pode ser atribuída a ele por se tratar de terceiro. Apresentou documentos efls. 2915/2982. Entendo que deve permanecer apenas a multa qualificada em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, pois o lançamento relativo ao imóvel de medianeira (matrícula 11.442), a meu ver, deve ser cancelado. As alegações relativas aos demais imóveis (Matrículas 2440 e 3172) são genéricas, sem apresentação de documentação hábil para contradizer o apurado pela fiscalização. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para: 1) declarar a decadência dos lançamentos até 10/2002 da infração ganhos líquidos em renda variável; 2) deslocar o valor de R$ 41.486,45 com dispêndio em compra de imóveis, de 01/2002 para 12/2001; 3) excluir de dispêndios consumidos via Cheques eTEDs os seguintes valores: Cheque Data Valor Beneficiário Decisão 27 23/10/2001 5.000,00 João Salésio Prim Excluir do dispêndio de 10/2001 29 23/10/2001 5.000,00 Tecnológica Conforto Amb Excluir do dispêndio de 10/2001 30 25/10/2001 5.000.00 Replas Excluir do dispêndio de 10/2001 TED 0324337 29/11/2002 41.400,00 Sebastião Coelho Excluir do dispêndio de 04/2003 TED 0106433 30 01/2003 20.000.00 Sebastião Coelho Excluir do dispêndio de 01/2003 61 12/02/2003 4.300,00 Litoral Vidros Excluir do dispêndio de 02/2003 4) excluir o lançamento sobre Ganho de capital na alienação de imóvel (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 3733DF CARF MF Processo nº 10907.002778/200788 Acórdão n.º 2202004.820 S2C2T2 Fl. 3.711 47 Fl. 3734DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.902383/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.680
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13884.902383/2012-48
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5939902
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.680
nome_arquivo_s : Decisao_13884902383201248.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13884902383201248_5939902.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7550357
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148412256256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.902383/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.680 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria Compensação Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente EMBRAER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Em processos decorrentes da nãohomologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 23 83 /2 01 2- 48 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02 053.103proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo parcialmente o direito creditório da Recorrente. A contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento PER, de PIS, que foi parcialmente reconhecido após auditoria realizada pela unidade de origem da RFB. Irresignada com o reconhecimento apenas parcial de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em sede preliminar, nulidade do MPF por falha em sua prorrogação, e no mérito, a efetiva existência do direito creditório. O Colegiado a quo julgou parcialmente procedente a manifestação interposta, nos termos da decisão supracitada. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora em análise, pugnando pela reforma da decisão de primeira instância na parte vencida, o que fez com fundamento especificamente quanto às seguintes matérias: PRELIMINARMENTE – Nulidade do procedimento fiscal efetuado, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal tinha validade até 27/12/2011, enquanto a prorrogação se deu somente em 31/01/2012, com a emissão do “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”, cuja ciência se deu em 26/04/2012. Desta forma, seria nulo o procedimento fiscal, por ter descumprido o disposto nos artigos 12 e 14 da Portaria RFB nº 3.034/2011, que regulamenta o MPF. E, por conseqüência, os atos posteriores ao MPF “viciado”, como o Relatório Fiscal e também o Despacho Decisório. NO MÉRITO: DO EFETIVO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS EM DECORRÊNCIA DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO, uma vez que os créditos glosados neste item decorrem da aquisição de insumos para industrialização/montagem de peças vendidas para a indústria Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 3 aeronáutica e foram tratados como insumos para industrialização por encomenda, não tendo sido aplicada, portanto, a redução de alíquota prevista no inciso IV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. Como a aquisição dos insumos incorreu normalmente em tributação do PIS e da Cofins, a contribuinte entende serem passível de creditamento as respectivas contribuições. Aplica se a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008 da Receita Federal do Brasil; DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, POR FORÇA DA DISPOSIÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004, subsidiariamente, que seu aproveitamento então estaria respaldado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, considerando tão somente a saída das mercadorias para aproveitamento de créditos presumidos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.673, de 23 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.901477/201381, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.673): "PRESSUPOSTOS LEGAIS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. PRELIMINAR DE NULIDADE POR VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente alega que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) tinha validade até 27/12/2011, sendo que a prorrogação se deu somente em 31/01/2012, com a emissão do “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”, cuja ciência ocorreu em 26/04/2012. Desta forma, seria nulo o procedimento fiscal por ter descumprido o disposto nos artigos 12 e 14 da Portaria RFB nº 3.034/2011, que regulamenta o MPF. Por conseqüência, o Relatório Fiscal e o Despacho Decisório igualmente estariam viciados, ensejando em nulidade. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 4 Sem razão. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou subsequentes renovações não torna nulo o lançamento. As hipóteses de nulidade do lançamento estão consignadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, as quais não restaram caracterizadas no presente caso. Com iso, está correta a decisão de primeira instância ao concluir que: "O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é um mero instrumento da Administração Fiscal para gerenciamento, controle e acompanhamento do procedimento fiscal, em sua fase prévia à autuação, servindo também para notificar o contribuinte que está sendo fiscalizado por autoridade regularmente constituída, sendo que eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento, implicando, em essência, que não atingem a competência impositiva e vinculada dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. A competência para o lançamento dos Agentes Fiscais da Receita Federal está definida em Lei (art. 142 do CTN c/c o art. 6º, I, “a”, da Lei nº 10.593/2002), não podendo eventuais infrações a dispositivos de controle do procedimento fiscal, criados por atos infralegais, como o MPF, inquinar de nulidade o próprio lançamento, pois, no máximo, se poderia questionar a conduta das autoridades fiscais, se fosse o caso, no terreno disciplinar. Dessa forma, a imputação do poder dever do lançamento às autoridades fiscais federais está definida em lei, e, como tal, somente a violação de procedimentos definidos em lei poderia inquinar de nulidade o lançamento. (...) No caso desse auto, como se pode ver na tela às fls. 134/135, obtida na Internet (www.receita.fazenda.gov.br), a partir do código de acesso disponível no Termo de Início de Fiscalização, sequer se pode falar em irregularidade formal nas prorrogações do MPF, pois este foi prorrogado validamente pela autoridade, em 29/08/2011, não tendo expirado por decurso de prazo. Atentese que a autoridade fiscal não está obrigada a notificar o contribuinte a cada prorrogação do MPF, dentro do prazo de validade deste, pois quem está obrigado a cumprir o prazo de prorrogação é o Delegado da Receita Federal do Brasil, este que deve prorrogálo dentro do prazo, sob pena dele expirar. E, no caso destes autos, o MPF foi validamente prorrogado, lembrando que a ciência do mandado (e de suas prorrogações), por parte do contribuinte, deve ser feita via internet, como se vê no art. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 5 4º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 3.014/2011, ou seja, não há que se falar em irregularidade por eventual notificação fora do prazo de MPF regularmente prorrogado. No mesmo sentido vem decidindo este Colegiado, concluindo que eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte, como ocorre neste litígio, uma vez que a Recorrente demonstrou em manifestação de inconformidade o domínio sobre todas as matérias que embasam a autuação. Precedentes: Acórdão 3402004.7561 e Acórdão 3402 0029092. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. O lançamento realizado com a finalidade de evitar a decadência constitui, desde o início, o crédito tributário com exigibilidade suspensa. CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, iimporta renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Não Conhecido. 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. ESTOQUE DE ABERTURA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS e do PIS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência da COFINS, de acordo com a Lei nº 10.833/2003, art. 12 e do PIS, nos estoques de abertura existentes em 1º de dezembro de 2002, de acordo com o art. 11 da Lei nº 10.637/2002. COFINS E PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. IRREGULARIDADES.NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO. DILIGÊNCIA. Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem ser com ela apresentados, à exceção das hipóteses contempladas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972. A diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa Recorrente. Recurso Voluntário Negado Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 6 Por tais razões, rejeito a preliminar suscitada pela Recorrente. MÉRITO SOBRE O EFETIVO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS EM DECORRÊNCIA DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO, alega a Recorrente que os créditos glosados neste item decorrem da aquisição dos insumos, com tributação do PIS e da Cofins, utilizados para industrialização/montagem de peças vendidas para a indústria aeronáutica e, por isso, foram tratados como insumos para industrialização por encomenda, não tendo sido aplicada, portanto, a redução de alíquota prevista no inciso IV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. Invoca a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008. SUBSIDIARIAMENTE, SOBRE A POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, POR FORÇA DA DISPOSIÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004, alega a Recorrente que o aproveitamento de crédito presumido então estaria respaldado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, considerando tão somente a saída das mercadorias quando a incidência estivesse suspensa, com alíquota zero, isenção ou nos casos de não incidência. Sem razão à Recorrente. Como se observa da decisão de primeira instância, o crédito negado à Contribuinte decorre de ausência de comprovação de efetiva utilização de tais insumos. Importante frisar o que destacou o Eminente Relator da DRJ/BHE quanto à intimação oportunizada para que fossem apresentadas as provas necessárias: "Pelos documentos acostados aos autos, verificase que a contribuinte, a princípio, não se insurge contra o entendimento da fiscalização de que os insumos de que trata o art. 28, inciso V, da Lei nº 10.865/2004 não seriam passíveis de creditamento de suas contribuições, por estarem sujeitos à alíquota zero. Apenas informa que as referidas aquisições foram devidamente tributadas das contribuições de PIS e Cofins, por não se enquadrarem naquele dispositivo. As alegações apresentadas são no mesmo sentido das respostas anteriormente fornecidas à fiscalização, diante das intimações recebidas. Em relação aos períodos anteriores a junho de 2008, a contribuinte aduz que não teria sido aplicado tal dispositivo às referidas aquisições, por se destinarem à industrialização por encomenda; Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 7 quanto as períodos de junho, julho e agosto de 2008 e janeiro de 2009, simplesmente argumenta que seriam créditos extemporâneos e, portanto, anteriores à vigência da Lei nº 10.865/2004; quanto aos demais períodos, a contribuinte não se manifesta. Diante dessas informações, a Autoridade Fiscal intimou a contribuinte para que detalhasse as aquisições que alegava não terem sido tributadas à alíquota zero, mas nenhum documento foi apresentado nesse sentido. O mesmo se verifica na Manifestação de Inconformidade apresentada, em que a contribuinte não traz novos elementos aos autos. Em resumo, o deslinde da questão que aqui se apresenta passa pela verificação de alíquota da contribuição que foi efetivamente aplicada nas aquisições efetuadas nos períodos de apuração anteriores a junho de 2008. Com base no art. 28 da Lei nº 10.865/2004, a Autoridade Fiscal presumiu que essas aquisições estariam sujeitas à alíquota zero, enquanto a contribuinte afirma que dera interpretação diversa à legislação vigente, tributando normalmente aqueles valores. Ocorre que, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do Per/Dcomp, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar o seu direito. A partir dessa perspectiva e, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que seria lícito à RFB decidir indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez. Por sua vez, o indício constitui meio de prova, admitido até mesmo no processo penal, art. 239 do Código de Processo Penal (CPP). Assim, uma vez que a contribuinte não apresentou nenhum elemento no sentido de comprovar que as alegadas aquisições haviam de fato sido tributadas, não há como reconhecer o seu direito creditório em relação aos respectivos créditos das contribuições." (sem destaque no original) Cabe ainda observar a incidência do Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996, o qual prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 8 até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Aplicase, neste caso, o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 9 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 10 DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Portanto, ao que pese a alegação sobre o direito de crédito invocado pela Recorrente ao argumentar que adquiriu os insumos com regular tributação pela contribuição ao PIS e à COFINS, com crédito declarado em DACON, o fato é que não houve a comprovação da certeza e liquidez deste crédito, o que seria indispensável para o devido reconhecimento à compensação. Destarte, como bem observou o Eminente Relator de primeira instância, não consta nos autos nenhum elemento que indique que os referidos insumos foram de fato empregados na industrialização por encomenda, conforme alegado, não sendo possível aplicar a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008 citada pela Recorrente, uma vez que o fato concreto não se refere àquele sobre o qual versou a consulta em referência. Por sua vez, com relação ao argumento subsidiário, consignase que, caso fosse comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado, poderia a Contribuinte se enquadrar na aquisição com tributação regular de PIS/COFINS, motivo pelo qual igualmente resta afastado o crédito presumido previsto pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, por ausência de enquadramento legal. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. É como voto." Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13884.902383/201248 Acórdão n.º 3402005.680 S3C4T2 Fl. 0 11 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721519/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL.
Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO.
É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação.
Numero da decisão: 2402-006.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini Relatora
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveria Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL. Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO. É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.721519/2013-08
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5931947
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.679
nome_arquivo_s : Decisao_10680721519201308.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RENATA TORATTI CASSINI
nome_arquivo_pdf_s : 10680721519201308_5931947.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveria Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7534375
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148430082048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 718 1 717 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.721519/201308 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.679 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente M.I. MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL. Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO. É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini – Relatora (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveria – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 15 19 /2 01 3- 08 Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 719 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0963.965, da 5ª Turma da DRJ de Juiz de Fora (fls. 673/682), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAD nº 37.410.5995, no montante de 71.376,89 (setenta e um mil e trezentos e setenta e seis reais e oitenta e nove centavos), que tem por objeto contribuição para terceiros (SENAC, SESC e SEBRAE) incidente sobre valores pagos a empregados da empresa a título de aluguel residencial no período autuado em desacordo com a legislação vigente. O relatório da fiscalização esclarece o seguinte: 3. Informamos que o presente auto de infração está sendo emitido exclusivamente para restabelecer a exigência anulada, sem análise do mérito, na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD nº 37.004.8296 de 24/08/2006 (processo COMPROT nº 35301.014140/200659), em virtude da constatação de vício formal, conforme prolatado no Acórdão nº 20501.339 de 05/11/2008, da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (ANEXO I). 3.1. Ressaltamos que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou recurso visando a reformar o referido Acórdão a fim de que fosse apreciado o mérito do lançamento. Entretanto, em decisão definitiva datada de 12/04/2011 (acórdão nº 920201.467), a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Especiais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF negou seguimento aos citados recursos, não cabendo, assim, mais recurso administrativo contra a decisão proferida no referido Acórdão (ANEXO II). (...) 7. Qualificamos como centralizador, para todos os efeitos legais, o estabelecimento de CNPJ 42.563.692/000126, conforme disposto na 51ª Alteração Contratual de 10/07/2012, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais – JUCEMG em 11/12/2012, sob n° 4971653, e que foi considerada, pela fiscalização, como a última alteração do Contrato Social efetuada pela empresa. (...) 8. A Auditoria Fiscal, demandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 06.1.01.002013008072 (de abrangência nacional), tem como finalidade a emissão de novos autos de infração em substituição a processos anulados na esfera administrativa por vício formal. (...)”. (destacamos) Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 720 3 O contribuinte apresentou impugnação tempestivamente a fls. 334/342, na qual alega, em síntese: Que o acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (acórdão de nº 20500.878), mantido por unanimidade pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, reconheceu que os lançamentos refeitos por intermédio do presente auto de infração foram anulados por cerceamento de seu direito de defesa e que não há, em momento algum dos acórdãos do CARF, seja na fundamentação ou no dispositivo, declaração de que a anulação do lançamento original se deu por vício formal; assim, alega que a autoridade fiscal partiu de uma premissa equivocada e sem respaldo nas decisões supramencionadas ao lavrar o auto de infração impugnado, infringindo os arts. 3º do CTN e 5º, II e LV da CF, que estabelecem que a atividade exercida pela autoridade fiscal na constituição do crédito tributário é plenamente vinculada, bem como que qualquer o erro na fundamentação do lançamento gera sua nulidade absoluta, em obediência aos princípios constitucionais da legalidade e do devido processo legal; ademais, esclarece que este Conselho já se manifestou em diversos outros acórdãos, que anexa (fls. 702 ss.), relativos à mesma ação fiscal, inclusive por meio da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais reconheceu que o desrespeito ao domicílio fiscal da impugnante, ora recorrente, não se resumiu a um aspecto formal do lançamento do tributo, mas sim atingiu a própria constituição do crédito tributário, uma vez que pela impossibilidade de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos úteis à fiscalização por parte do contribuinte, implicou em cerceamento de defesa e ensejou o indevido lançamento por arbitramento, tratandose, assim, de nulidade absoluta e insanável, portanto de um vício material; desse modo, conclui que havendo, no caso, nulidade material, tendo em vista que os fatos geradores estão compreendidos entre julho/2001 e maio/2005 e que o Termo de Início de Procedimento Fiscal foi emitido no dia 07/08/2013, nos termos dos arts. 142 e 173, II do CTN, o direito do fisco de constituir os créditos tributários foram atingidos pela decadência; argumenta, ainda, que o único documento exigido pelo auditor fiscal nesse segundo procedimento fiscalizatório foi a última alteração do contrato social da empresa. Porém, em várias passagens do auto de infração, a autoridade fiscal alega omissão da recorrente na apresentação de documentos, além de ter pautado o novo lançamento em documentos que suportaram lançamento anterior, anulado justamente por cerceamento de defesa do recorrente; assim, alega que se a anulação do lançamento anterior se deveu justamente ao fato de não se ter dado oportunidade à recorrente de apresentar documentos, ficando caracterizado, por essa razão, cerceamento de seu direito de defesa, não oportunizar a ela fazêlo novamente neste novo lançamento, como ocorreu, implicou em novo cerceamento ao seu direito de defesa. por fim, requer o reconhecimento da decadência, com a extinção do crédito tributário ou, sucessivamente, a nulidade do auto de infração em face do novo cerceamento de defesa. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário em julgado assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 721 4 VÍCIO FORMAL. AUTO DE INFRAÇÃO SUBSTITUTIVO. Vício formal se caracteriza nos elementos extrínsecos do ato administrativo. O novo auto de infração deve ser efetuado com os mesmos elementos do anterior, a menos do fato irregular efetuado e tem, por prazo de decadência, o previsto no art. 173, II do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual trouxe os mesmos argumentos contidos na impugnação e juntou acórdãos recentes da DRJ em Recife que deram provimento a impugnações apresentadas contra outros autos de infração lavrados para restabelecer débitos originários da mesma ação fiscal, também anulados pelas mesmas razões pelas quais anulado o lançamento ora em debate, e que reconheceram a decadência do direito do fisco de constituir os créditos tributários, uma vez que o vício que motivou a anulação do lançamento original, qual seja cerceamento de defesa, tratase de vício de natureza material, não formal. Requer, por fim, o provimento do recurso, para que seja declarada a decadência, com a extinção do crédito tributário ou, sucessivamente, a nulidade do auto de infração em face do novo cerceamento de defesa. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo (fls. 687/689) e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A DRJ julgou improcedente a impugnação do recorrente sob o fundamento de que não consta dos autos do lançamento originário declaração expressa de nulidade material, não tendo havido pronunciamento a respeito da espécie do vício que o inquinou. Argumenta, ademais, que a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Volta Redonda se manifestou nos autos no sentido de que o procedimento fiscal em domicílio diverso do eleito pelo contribuinte, verificado no caso, tratase de vício formal. Ousamos discordar do nobre julgador. Se não há alusão acerca da espécie do vício que maculou o lançamento, no voto vencedor do último acórdão proferido nos autos do processo que anulou o lançamento originário há o reconhecimento expresso de que houve cerceamento do direito de defesa do recorrente, o que levou à sua anulação. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 722 5 Isso, aliás, consta da própria decisão recorrida, que reproduz esse trecho do aludido julgado, e o faz justamente para demonstrar que não há, nela, menção expressa à espécie do vício de que se trata, conforme se pode verificar abaixo, com destaque: Esclareçase que a ação fiscal que originou o lançamento anulado foi realizada na filial da recorrente, situada na São José, nº 90, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, o que ensejou o indevido arbitramento do valor da base de cálculo do tributo lançado em decorrência da não apresentação integral de documentos no endereço equivocado da recorrente, contrariando decisão judicial transitada em julgado, que declarou seu domicilio tributário na rua Capitão Jorge Soares, nº 04, Centro, no Município de Rio das Flores/RJ (autos do processo nº 2003.51.01.0224300, da 7ª Turma do Tribunal Regional da 2ª Região, rel. Des. Sergio Schwaitzer). Desse modo, o cerceamento de seu direito de defesa, no caso, teve influência direta no conteúdo do lançamento, pela impossibilidade de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos úteis à fiscalização em razão da ação fiscal ter ocorrido em endereço diverso de seu domicílio fiscal, tratandose, assim, de vício material, não de uma mera formalidade do auto de infração, como sustentam tanto a Procuradoria da Fazenda Nacional quanto a 5ª Turma da DRJ/JFA. Nesse mesmo sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho já teve a ocasião de se pronunciar em processos semelhantes, envolvendo autos de infração anulados, originários da mesma malfadada ação fiscal, em que expressamente reconheceu que a nulidade do lançamento decorrente do cerceamento de defesa em função da ação fiscal ter ocorrido em local diverso do domicílio fiscal da recorrente diz respeito ao seu conteúdo, implicando em nulidade material: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 723 6 Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Exonerado (Acórdão nº 2301003.235 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário, reconhecido em decisão judicial, que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. Deve ser declarada a nulidade de lançamento que aplica arbitramento pela falta de apresentação de documentação quando a fiscalização foi realizada em domicílio diverso do eleito, vício que afeta a própria fundamentação em que se sustenta a imputação infracional. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202002.413 – 2ª Turma) Nesse passo, cumpre transcrever, dada sua clareza e relevância para a apreciação do presente de caso, trecho do voto proferido pelo relator do acórdão nº 9202002.413: Acresço a isto fundamento particular do caso em concreto que considero sobremaneira relevante. Embora a decisão judicial não tenha tratado diretamente do lançamento efetuado nos presentes autos, é fato que ele decorreu de arbitramentos efetuados pela fiscalização por falta de apresentação de documentação no domicílio fiscalizado (diverso do eleito). Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 724 7 O fundamento da autuação – falta de apresentação de documentação comprobatória – tem assim relação direta com o vício de ilegalidade no exercício de fiscalização em domicílio diverso do eleito e em descumprimento a decisão judicial, consubstanciando situação em que o próprio lançamento, na origem, mostrase comprometido e eivado de vício. A postura da fiscalização de efetuar a fiscalização em domicilio diverso do eleito causou não só prejuízo à qualidade da acusação e da imputação infracional, mas inquinou de vício o próprio fundamento do arbitramento por ausência de apresentação de documentação comprobatória, medida que já é por si só extrema e admitida apenas em hipóteses excepcionais. Não se pode, nesta hipótese, considerar como ausente prejuízo para afastar a nulidade, por não se tratar de mero vício formal, mas de mácula que atinge a substância da imputação infracional. Resta claro, assim, que o vício que macula o lançamento original se trata de vício material, de modo que não se aplica ao presente caso o art. 173, II do CTN. Desse modo, considerando que os fatos geradores estão compreendidos entre julho/2001 e maio/2005 e que o procedimento fiscal visando a restabelecer os créditos tributários anulados teve início aos 03/12/2013 (fls. 44), o direito do fisco de fazêlo foi fulminado pela decadência, à luz do que dispõe o art. 173, I do CTN. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO VISANDO A RESTABELECER OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS ANULADOS Caso essa relatora reste vencida quando ao posicionamento adotado acerca da natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento original, cumprenos analisar a tese da defesa concernente à nulidade do novo lançamento visando a restabelecer o crédito tributário anulado. Segundo argumenta o recorrente, o novo lançamento padece do mesmo vício de nulidade em razão de cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que a fiscalização não lhe oportunizou, nesse novo procedimento, a apresentação de documentos e esclarecimentos relativamente ao crédito tributário em questão, apenas dele exigindo a última alteração de seu contrato social. Assim, alega que se o lançamento original foi anulado justamente em razão de cerceamento de defesa, não ter a fiscalização lhe dado oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos neste segundo lançamento caracteriza novo cerceamento ao seu direito de defesa. Inicialmente, cumprenos anotar que conforme apontado no relatório fiscal a fls. 62 (trecho, aliás, reproduzido no relatório da decisão recorrida fls. 674), o auto de infração ora combatido foi emitido exclusivamente para restabelecer, sem análise de mérito, a exigência anulada por decisão constante do Acórdão nº 20501.339, decisão esta que se tornou definitiva em face de ter sido negado seguimento ao recurso dela interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional visando reformar o referido julgado para que fosse apreciado o mérito do lançamento (Acórdão nº 920201.467, Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Especiais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, datado de 12/04/2011). Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 725 8 O Acórdão nº 20501.339, por sua vez, que anulou o lançamento original, é expresso no seguinte sentido: “Reconheço a existência de cerceamento de defesa, o que acabou se evidenciando através das autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento. O acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, prestando os esclarecimentos necessários e exibindo os documentos que justificam os fatos constatados pela fiscalização, constitui direito do contribuinte alinhado com os preceitos constitucional (sic) garantidores da ampla defesa e do contraditório”. Muito bem. Uma vez que essa decisão se tornou definitiva, não cabe mais a este colegiado analisar se houve ou não cerceamento de defesa no lançamento original, dado que essa questão já foi decidida afirmativamente por decisão administrativa transitada em julgado. Tratase, portanto, de questão posta. Assim, a nós somente nos cabe analisar se esse vício, assim já definitivamente reconhecido, é de natureza material ou formal e, superado este ponto, agora, nesta oportunidade, se o novo lançamento, tal como levado a efeito pela fiscalização, tem o condão ou não de restabelecer os créditos tributários que dele foram objeto. Nesse passo, a própria decisão recorrida reconhece que “por óbvio, os atos anulados devem ser repetidos saneandoos. Os atos não alcançados pela declaração de nulidade devem ser mantidos, conforme preceitua o art. 12 do Decreto 7.574/2011”, (destacamos) E prossegue: “O procedimento de restabelecimento da exigência não comporta fase instrutória, eis que o lançamento deve fundamentarse nos mesmos elementos de prova já levantados no processo anterior. Apenas o instrumento de lançamento (auto de infração) é que necessita ser reformulado, a fim de corrigir o erro que provocou a nulidade do auto primitivo. (...) Repetido o lançamento expurgandose o que imprestável à sua sanidade, abrese oportunidade de o sujeito passivo impugnálo em toda sua plenitude, apresentando as devidas e necessárias provas de seu interesse”. (destacamos) Ora, mas como haveria de ser saneado o procedimento fiscalizatório anulado e corrigido o erro que provocou a nulidade do auto primitivo, expurgandose o que de imprestável à sua sanidade, nas exatas palavras da decisão recorrida, se esse erro foi, exatamente, o cerceamento do direito de defesa do contribuinte? Seria tão somente mediante a solicitação de sua última alteração contratual? E seria isso, a apresentação de sua última alteração de seu contrato social, que a decisão recorrida entende como sendo uma nova oportunidade dada ao contribuinte de impugnar o auto em toda a sua plenitude, apresentado as devidas provas de seu interesse, uma vez que poderia ter ocorrido alteração de sua razão social, ou de seu domicílio tributário, ou Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 726 9 reorganização societária, suficiente para corrigir o lançamento viciado por cerceamento de defesa? Data maxima venia, é evidente que não. E é evidente também que tudo aquilo que teve lugar no procedimento fiscalizatório anterior, sob a pecha de cerceamento de defesa, está irremediavelmente comprometido e não pode ser simplesmente validado com a simples entrega de uma alteração do contrato social do contribuinte, sem que a ele se tivesse dado ocasião de apresentar documentos e considerações em sua defesa. De fato, a decisão recorrida tem razão. É sabido que o lançamento que substitui outro, anulado, não pode inovar além do ponto detectado na anulação. Mas aqui não se trata de inovação, de inserção de elementos novos, o que é vedado, mas sim de se dar oportunidade ao contribuinte de fazer prova com relação aos mesmos fatos constantes do lançamento anterior, anulado. Hugo de Brito Machado, ao tratar da reabertura de prazo para a correção de lançamento por vício formal, esclarece que “a reabertura de prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior”. (Aspectos do direito de defesa no processo administrativo. RDDT 175/106, abril/2010) E a nulidade do lançamento anterior, como já visto, é o cerceamento de defesa do contribuinte, de modo que um novo lançamento visando corrigilo no qual não seja dada oportunidade ao contribuinte de apresentar provas não se presta a essa finalidade, padecendo do mesmo vício do anterior, sendo, portando, nulo de pleno direito em face do cerceamento de seu direito de defesa. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para declarar extinto o crédito tributário em face da decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado Com a maxima venia, divirjo da Relatora quanto à natureza do vício ensejador da nulidade do primeiro lançamento e quanto à nulidade do segundo lançamento. Antes de considerações outras, gostaríamos de esclarecer que a definitividade da decisão consubstanciada no Acórdão nº 20501.339, do Segundo Conselho de Contribuintes, Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 727 10 em nosso entendimento, diz respeito, tão somente, à anulação do primeiro lançamento fiscal, mas não à existência ou não de cerceamento do direito de defesa, até porque, segundo se observa no voto condutor do acórdão em comento, além da decisão ter tratado do cerceamento do direito de defesa de modo muito superficial, em apenas um parágrafo, quase que en passant (vide transcrição acima, no voto da Relatora), o julgado também se amparou numa suposta ausência de justificativa para a recursa do domicílio tributário, nos seguintes termos: No caso sob exame temos que o sujeito passivo, logo após a ciência dos MPF e TIAD, manifestouse através de requerimento sobre o domicílio tributário eleito, apontando alteração de seus atos constitutivos e informando que sua documentação se encontrava no estabelecimento centralizador eleito. A resposta ao requerimento se limitou às alegações trazidas pela Procuradoria do INSS, já expostas no relatório, que em síntese são: a) em ação fiscal anterior, a documentação foi disponibilizada no estabelecimento ora fiscalizado; b) no papel timbrado da empresa não consta o endereço de Rio das Flores Volta Redonda/RJ; e c) o Poder Judiciário já analisou e rejeitou todos os argumentos trazidos pela empresa no requerimento. Assim procedendo, preferiu o órgão fiscalizador não demonstrar qual hipótese legal, impossibilidade ou dificuldade para a realização da ação fiscal, se configurou para a recusa do domicílio eleito pelo sujeito passivo, já que a matéria estava sendo deduzida em juízo e não havia até aquela data decisão judicial deferindo as pretensões do sujeito passivo. De fato, a última decisão judicial foi pelo indeferimento da medida cautelar inominada. Só que o fundamento evidencia que sequer o juízo sumário sobre o mérito foi enfrentado. Entendeu o Egrégio Tribunal Regional Federal da 2a Região que a cautelar não se presta para a realização do direito pretendido com a apelação, mas apenas para assegurar a instrumentalidade deste direito. Entendo que ao se sujeitar integralmente aos argumentos trazidos pela Procuradoria do INSS, sem mencionar a hipótese para a recusa do domicílio tributário eleito e, após, demonstrá la, o órgão fiscalizador assumiu que prevaleceria o desfecho do processo judicial, isto é, quando a sentença transitasse em julgado. Entendo que, equivocadamente, aplicouse ao caso o disposto no artigo 126, § 3° da Lei n° 8.213/91 combinado com o artigo 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: [...] Equivocadamente porque desejasse fazer uso da prerrogativa de recusar o domicílio eleito pelo sujeito passivo, caberia demonstrar a ocorrência de uma das hipóteses previstas no Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 728 11 artigo 127, §2° do CTN, já que não havia à época tutela judicial que a impedisse. Ao fazêla apenas sob o argumento de que havia discussão sobre a matéria em processo judicial, o órgão fiscalizador adotou, desnecessariamente, postura de submissão ao seu desfecho. Sendo assim, para que possamos identificar a natureza do vício ensejador da anulação (se formal ou material), uma vez que omitida no Acórdão nº 20501.339, temse por imprescindível avaliarmos se houve, de fato, algum cerceamento do direito de defesa, em razão da fiscalização ter sido realizada na Cidade do Rio de Janeiro, e se a recusa do domicílio tributário foi devidamente justificada. Pois bem, para melhor análise do caso, vejamos, primeiramente, o que restou consignado no item 11.1, e subitens, do relatório fiscal referente ao lançamento anulado (processo 35301.014140/2006591, fls. 268 e 269): 11.1. No início dos presentes trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa MI Montreal, esta encaminhou em 24/06/2005 ao INSS um requerimento, e seus anexos, protocolado sob o nº 35301.005732/200507 (protocolo geral da Gerência Executiva do Rio de Janeiro Centro), informando a Sra. Chefe do Serviço de Fiscalização que havia manifesto equívoco quanto à Autoridade competente para a determinação da fiscalização, bem como quanto ao seu cumprimento. Justifica a empresa que, conforme consta no seu contrato social, devidamente registrado na JUCERJA, sua sede é na Rua Capitão Soares nº 04, em Rio das Flores, Volta Redonda, RJ, sendo este, portanto, seu domicílio fiscal, “sob jurisdição da GRAF de Volta Redonda”. No referido requerimento, e em seus anexos, a empresa MI Montreal não faz referência a nenhuma ação judicial, onde figure como parte autora, em que se discute o seu domicílio tributário. O requerimento, sem os seus anexos, encontrase no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 11.1.1. Encaminhado o Processo n2 35301.005732/200507 (carta e seus anexos) para Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), esta se manifestou conforme transcrição abaixo dos parágrafos 6, 7 e 9 da resposta proferida contida no Despacho Nº 17.200.310DCGD/RJ, de 18/07/2005, ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 6. Como se vê do requerimento [...] do contribuinte, foi omitida a existência de ação judicial discutindo a fixação do domicílio fiscal do requerente. Todavia, da leitura da sentença proferida na ação ordinária nº 200351010224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.29/33), notase que todos os argumentos apresentados pela empresa já foram analisados e rejeitados pelo Poder Judiciário, que considerou justificada a recusa do INSS em aceitar o domicílio eleito, 1 Segue em apenso ao presente processo. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 729 12 aplicandose à hipótese o artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. 7. Acrescentase, nesta oportunidade, que o contribuinte propôs a Medida Cautelar Inominada nº 2005.02.01.0055337, junto ao Tribunal Regional Federal da 2º Região, visando à declaração de que o seu domicílio fiscal é em Rio das Flores/RJ, tendo a petição inicial sido indeferida, conforme se vê às fls. 34/37. 9. Concluise, pois, que o requerimento do contribuinte já é objeto de demanda judicial, que julgou improcedente a alteração do domicílio fiscal, devendo a ação fiscal proceder na filial 0012, Rua São José, 90, 7º andar, nesta Capital, em obediência às decisões judiciais vigentes. 11.1.2. A empresa MI Montreal foi notificada do despacho da Procuradoria em 29/07/2005, conforme ciência firmada pelo representante legal da empresa, Sr. Paulo Sérgio de Assumpção, numa cópia do referido despacho, juntada a esta NFLD no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. Nesta mesma data foi deixado o TIAD nº 2 que formalizou o reinício dos trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa, conforme comando contido no despacho do Sr. Delegado da Receita Previdenciária datado de 21/07/2005, reproduzido no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. (Grifos no original) Conforme se observa, após iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte apresentou requerimento à Gerência Executiva do INSS, no Rio de Janeiro/RJ, por meio do processo 35301.005732/200507, apontando suposto equivoco quanto à autoridade competente para realizar a fiscalização, informando que seu domicílio seria na Rua Capitão Soares nº 4, em Rio das Flores, Volta Redonda/RJ. Em razão do alegado, a fiscalização foi interrompida e o processo 35301.005732/200507 foi encaminhado à Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), para manifestação a respeito, tendo este setor da Procuradoria informado quanto à discussão judicial acerca do domicílio tributário do contribuinte e da sentença proferida na ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que confirmou o domicílio na Capital do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, 7º andar. O contribuinte foi, então, cientificado da manifestação da Procuradoria, recebendo, na mesma oportunidade, o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) nº 2, que formalizou o reinício da fiscalização. Insta destacar que o INSS, nos autos da ação ordinária nº 2003.51.01.022430 0, fez a devida demonstração dos motivos pelos quais recusou o domicílio eleito pelo contribuinte com vistas a proceder à fiscalização na Capital do Rio de Janeiro. Por oportuno, pedimos venia para transcrevermos o seguinte trecho da decisão judicial em tela (processo 35301.014140/200659, fls. 553 a 557): Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 730 13 M. I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA., qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, Objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, nº 4 Rio das Flores RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. [...] O feito está pronto para receber julgamento no estado em que se encontra, nos termos do artigo 330, I, do CPC. Algumas considerações introdutórias devem ser feitas. A decisão que deferiu o pedido de antecipação de tutela, da lavra do ilustre Dr. Carlos Alexandre Benjamin, estava fundada na alegação deduzida na inicial, no sentido de que a sede da autora estava fixada no Município de Rio das Flores, e tal assertiva foi demonstrada pela apresentação da última alteração contratual da sociedade, na qual foi alterada a cláusula primeira do contrato social da autora. Ali se lê que sua sede social está situada em Rio das Flores (cf. fls. 17 e 18 cláusula primeira denominação, sede e filiais). Tal constatação, a princípio, autorizava a aplicação do disposto no artigo 127, II, do Código Tributário Nacional. Entretanto, ofertada a defesa, todo o quadro se modificou, pois tudo indica que a fixação da sede no Município Rio das Flores foi o meio encontrado pela autora para dificultar a ação da fiscalização. Confirase excerto da contestação, que transcrevo, “in verbis”: Ao revés do noticiado pela Autora, o local onde instalado a Diretoria, o núcleo decisório da empresa, corresponde em verdade, à cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, como atesta a última alteração contratual, 37º, adunada pela Autora às fls. 15/23, local em que sediada até então. A referida ata comprova, igualmente, que a controladora da empresa MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., cláusula 4ª, fls. 19, é sediada no indigitado endereço. Igualmente significativo, que a sede indicada no instrumento de Procuração, de fls. 13, outorgada aos causídicos signatários da exordial, corresponde à Rua São José, 90, 7º ao 9º andar, Centro, Rio de Janeiro – RJ. [...] A transferência do domicilio fiscal de uma empresa que, segundo o preambulo da exordial, fls.02, fora constituída em 1976, tendo por ramo de negócio serviços ligados à Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 731 14 área de informática, execução de serviços de engenharia de sistemas, prestação de serviços de processamento de dados, de planejamento, de consultoria de treinamento, de impressão a laser, mercancia de equipamentos e materiais, para o Município de Rio das Flores, no interior do Estado, local alheio ao da prestação de tais serviços e distinto do em que atua sua Diretoria, só pode ter a conotação de criar embaraço à fiscalização. A Circunstância de que a Autora presta serviços à Prefeitura do Rio de Janeiro, Petrobrás, Serviço Federal de Processamento de Dados SERPRO, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, Empresa. Brasileira de Correios e Telégrafos, à toda evidência, efetuados em local distinto da sede de Rio das Flores, autoriza o entendimento preconizado pelo Eg. STJ de que a opção visa, tão só, criar embaraço a fiscalização, autorizandose ao INSS a recusa do domicílio eleito. (cf. fls.91/93) Tais esclarecimentos modificam todo o quadro anteriormente vislumbrado. Mas há mais: Advirtase, ainda, que a agravada se constitui numa das maiores devedoras previdenciárias, tendo lançados em seu desfavor 54 débitos que montam a R$ 42.258.006,27 (quarenta e dois milhões duzentos e cinqüenta e oito mil seis reais e vinte sete centavos), conforme atestam os extratos em anexo. A inconfessada intenção da açodada transferência de sede pela Autora, é de refugir à atuação centralizada da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, que só atua na capital do Estado, na execução fiscal dos indigitados créditos, que se encontram em fase de iminente julgamento pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, como atestam os extratos CCREDEXT adunados, que registram que a maioria dos créditos aguarda, tãosó, a expedição de acórdão para inscrição em dívida ativa. Consoante o disposto no art. 109, §1º, da CRFB/88 e art. 57B do Código [...], as execuções fiscais para cobrança dos referidos créditos, deverão ser ajuizadas no foro do domicílio do réu. Assim é de todo interesse da autora, que seja reconhecido o domicilio fiscal como Rio das Flores, em cuja circunscrição deverão ser ajuizados os executivos atinentes aos créditos que montam a mais de R$ 40 MILHÕES de reais, refugindo ao âmbito de atuação da Divisão de Grandes Devedores e, obviando a efetiva cobrança judicial, dado que não dispõe de patrimônio na comarca, ensejando a expedição de cartas precatórias, para ordinária necessidade de garantia do juízo. (grifos originais cf. fls.93) Em síntese, tais informações do INSS no sentido de que a intenção da autora, ao transferir sua sede de local situado no Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 732 15 Centro do Rio de Janeiro (onde passou a funcionar suposta filial) para município no interior do Estado, foi impedir a atuação da Divisão de Grandes Devedores, que só atua na capital, dificultando a fiscalização e arrecadação tributária estão amparadas em farta documentação acostada aos autos (confirase, especialmente, a diligência autuada em fls.113/114, no qual foi constado que no local, indicado como sede da sociedade, não havia qualquer representante legal, mas apenas uma secretária, e o local é guarnecido com aparelho de fac símile, e estantes com caixas de arquivos). Portanto, justificada está a recusa do INSS a aceitar o domicilio eleito, e tal postura tem amparo no disposto no artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. Sendo assim, o pedido é de ser julgado improcedente. II Do exposto, JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO. (Grifos no original) Portanto, como se pode ver, além da recusa do domicílio eleito ter sido plenamente justificada pela autoridade tributária, esteve devidamente amparada pela Justiça Federal, quando da realização do procedimento fiscal. Lembrando que a recusa do domicílio eleito encontra fundamento no art. 127, §§ 1º e 2º, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: [...] § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Dessa forma, restou consignado em todos os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIADs), como endereço para a disponibilização de documentos e informações, a Rua São José, nº 90, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, conforme se observa no seguinte excerto do TIAD nº 21, constante do processo 35301.014140/200659, fl. 253: A documentação assinalada, relativa ao período de 01/2001 a 05/2005, e a todos os estabelecimentos da empresa, inclusive obras de construção civil, deverá ficar à disposição desta Fiscalização, no endereço RUA SÃO JOSÉ N. 90 7 ANDAR, Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 733 16 CENTRO, RIO DE JANEIRO RJ, a partir de 28/07/2006 às 10:00 horas, durante todo o desenvolvimento do procedimento fiscal. A referida documentação deverá, ainda, ser liberada com vistas à extração de cópias reprográficas, destinadas à instrução processual, podendo, também, o sujeito passivo, se preferir, fornecer as cópias que se fizerem necessárias. (Grifos no original) Pois bem, compulsando os autos do processo 35301.014140/200659, nota se, claramente, que após ter sido superada a questão quanto ao domicílio tributário, o procedimento fiscal transcorreu normalmente, tendo a empresa fornecido diversos documentos solicitados pela fiscalização. Todavia, pela não apresentação de parte da documentação solicitada e valendose da prerrogativa prevista no art. 33, § 3º, da Lei 8.212, de 24/7/91, a fiscalização procedeu à apuração das bases de cálculo, das contribuições lançadas, por aferição indireta. Insta destacar que na fase preparatória do lançamento, que corresponde a uma fase inquisitória, a fiscalização atua com amplos poderes de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe, com vistas a efetuar o lançamento. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal. O que se desenvolve nessa fase é um “procedimento preparatório do ato de lançamento tributário” 2, no qual a fiscalização coleta os elementos capazes de justificar a exação, consubstanciada no lançamento. Finalizada essa etapa e consolidado o lançamento, deste é dado ciência ao contribuinte para que efetue o pagamento dos créditos lançados ou para que apresente a sua defesa (impugnação), momento em que se instala o contencioso administrativo, segundo previsto no art. 14 do Decreto 70.235, de 6/3/72. Importa ressaltar, ainda, que o arbitramento da base de cálculo, por meio de aferição indireta, corresponde, tão somente, a uma técnica de auditoria empregada para se apurar o montante das contribuições devidas na fase preparatória do lançamento, com inversão do ônus da prova ao contribuinte. Dessa forma, uma vez que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). De mais a mais, conforme se depreende dos autos, tanto do lançamento anulado (35301.014140/200659), quanto do lançamento substitutivo (10680.721519/201308), o relatório fiscal e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, estando devidamente motivado o lançamento e cumprindo todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura, tais como: a qualificação do sujeito passivo; a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem; o valor do crédito lançado e o prazo para recolhimento ou impugnação; a disposição legal de regência; a assinatura dos Auditores Fiscais, a indicação dos seus cargos e o número de matrícula. Atende, pois, às exigências do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro. São Paulo: Editora Dialética, 2002, p. 260. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 734 17 Nesse contexto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, máxime quando há nos autos prova de que o contribuinte foi regularmente cientificado da exação tributária, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa. Tanto foi possível o pleno exercício do direito de defesa que utilizou dessa prerrogativa, conseguindo contestar (na impugnação e no recurso voluntário) tanto os aspectos formais como materiais do lançamento, de uma forma bastante abrangente e extensa. Além do mais, no caso em tela, não entendemos que a fiscalização realizada no estabelecimento da empresa, situado na Capital do Rio de Janeiro, tenha representado qualquer obstáculo ao exercício do direito de defesa. Sem sobra de dúvida, a fiscalização foi realizada em estabelecimento importante da empresa, quiçá em estabelecimento com status material de sede, situado em localidade onde, seguramente, na época da ação fiscal, a empresa possuía o maior número de clientes e negócios no Estado, sendo um de seus clientes, inclusive, a própria Prefeitura do Rio de Janeiro. Isso sem mencionar o fato de que, segundo a 37ª alteração contratual da empresa3, a sua Diretoria esteve instalada na Cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, endereço no qual, aliás, encontravase sediada a MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., sua controladora. Acrescentese que no papel timbrado da empresa, no qual foi comunicado à fiscalização sobre o seu domicilio eleito, no início do procedimento fiscal (processo 35301.014140/200659, fls. 548 a 552), consta, em seu rodapé, endereço na Cidade do Rio de Janeiro e não na Cidade de Rio das Flores, o que só vem a corroborar a importância do estabelecimento situado na capital do Estado: Ademais, se parte da documentação solicitada pela fiscalização esteve arquivada no Município de Rio das Flores/RJ, cabia à empresa transferir essa documentação para o seu estabelecimento situado na Cidade Rio de Janeiro/RJ, a fim de atender aos termos de intimação. Lembrando que o procedimento fiscal durou mais de um ano, ou seja, de 30/5/05 (MPF4) a 24/8/06 (TEAF5). Cabe destacar, inclusive, que em seu primeiro recurso voluntário (processo 35301.014140/200659, fls. 1.055 a 1.086), a Recorrente não fez qualquer alegação quanto ao seu domicílio tributário e nem apontou qualquer dificuldade quanto ao fornecimento de documentos, em razão da fiscalização ter sido realizada na Cidade do Rio de Janeiro. Sendo assim, diante de todo o exposto, não vislumbramos qualquer erro de direito ou qualquer mácula na essência do lançamento original, capaz de ensejar a sua anulação por vício material. 3 Informação extraída da sentença proferida nos autos ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, cujo excerto foi transcrito neste voto. 4 Mandado de Procedimento Fiscal constante do processo 35301.014140/200659, 34. 5 Termo de Encerramento da Ação Fiscal constante do processo 35301.014140/200659, fls. 254 a 257. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 735 18 Todavia, tendo em vista que o lançamento foi anulado pelo CARF, de ofício, uma vez que a decisão judicial, que havia acatado a recusa do domicílio tributário eleito, fora reformada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em 2007, reconhecendo o domicílio do contribuinte no município de Rio das Flores/RJ, no muito, o quadro aponta para um erro de fato no instrumento do lançamento, passível de caracterizar vício formal. Nessa linha é a Solução de Consulta Interna nº 8, de 2013, da CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência que configure erro de direito é vício material. Dispositivos Legais: arts. 10, 11 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF); arts. 142 e 173, II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Segue esse entendimento, também, o Parecer PGFN/CAT nº 278/2014: LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA DO DEFEITO. POSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CASO CONCRETO. I O erro na identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar tanto um vício material quanto formal, a depender do caso concreto, não se podendo afirmar, aprioristicamente, em que categoria o defeito se enquadra. II Se o equívoco se der na “identificação material ou substancial” (art. 142 do CTN), o vício será de cunho “material”, por “erro de direito”, já que decorrente da incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato. Por outro lado, se o engano residir na “identificação formal ou instrumental” (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), o vício, por consequência, será “formal”, eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra insculpida no art. 173, II, do CTN. Convém observar, ainda, que a autoridade tributária, antes de proceder à realização do lançamento substitutivo, agiu com diligência, buscando se certificar quanto à Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10680.721519/201308 Acórdão n.º 2402006.679 S2C4T2 Fl. 736 19 natureza do vício que levou à anulação do lançamento original, segundo se extrai no parágrafo 8.1 do relatório fiscal, fl. 64: 8.1. Ressaltamos que em consulta formulada à Procuradoria da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro – PFN (Procuradoria Seccional em Volta Redonda) pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda, a douta Procuradoria esclareceu que se trata de vício formal quando “o procedimento fiscal é realizado em domicílio diverso do eleito pelo contribuinte”, conforme demonstrado no ANEXO IV. (Grifo no original) Também não vemos qualquer mácula no procedimento fiscal que resultou no lançamento substitutivo ao não oportunizar à Recorrente, durante a sua realização, a apresentação de documentos e informações, pois tal lançamento teve por fim, apenas, corrigir um vício formal no instrumento do lançamento, referente ao domicílio tributário, o qual, diga se de passagem, nem mais é em Rio das Flores/RJ, mas sim em Belo Horizonte/MG. Além do mais, com a ciência do lançamento substitutivo, foi instaurada a fase contenciosa do novo procedimento fiscal, e aí sim foi oportunizado à Recorrente o direito de carrear aos autos, junto com sua impugnação, documentos e informações capazes de amparar sua defesa, porém, não aproveitou essa oportunidade, limitandose a alegar a nulidade das autuações (original e substitutiva), o que permite concluir que a Recorrente não possui os alegados documentos ou, se os possui, tais documentos deporiam contra a defesa, explicando, assim, a sua não apresentação. Portanto, não restou evidenciada a ocorrência de vício material no lançamento anulado e, por conseguinte, temse por correta a realização do lançamento substitutivo, nos termos do art. 173, inciso II, do CTN, uma vez que os créditos lançados não foram atingidos pela decadência. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720036/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011
PAF. DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE.
Acolhem-se os embargos de declaração quando houver necessidade do afastamento da contradição e elucidação da obscuridade no acórdão.
PAF. DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. AUSÊNCIA.
A falta, na ementa, de algum detalhe ou aspecto específico do caso concreto não rende ensejo a omissão a ser sanada via embargos de declaração, se consta a discussão e a resolução da questão alvitrada no voto condutor.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 3401-005.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos interpostos, sem efeitos infringentes, exclusivamente para aclarar o dispositivo do Acórdão nº 3401-003.107, de 24/02/2016, em relação à Revisão Aduaneira e a mudança de critério jurídico (aplicação do artigo 146 do CTN), informando-se que foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, quanto às DI/Adição/Item: 1103770383/002/01; 1103770383/005/01; e 0912105725/001/01.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011 PAF. DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. Acolhem-se os embargos de declaração quando houver necessidade do afastamento da contradição e elucidação da obscuridade no acórdão. PAF. DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. AUSÊNCIA. A falta, na ementa, de algum detalhe ou aspecto específico do caso concreto não rende ensejo a omissão a ser sanada via embargos de declaração, se consta a discussão e a resolução da questão alvitrada no voto condutor. Embargos Acolhidos em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11829.720036/2012-38
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944501
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.699
nome_arquivo_s : Decisao_11829720036201238.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 11829720036201238_5944501.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos interpostos, sem efeitos infringentes, exclusivamente para aclarar o dispositivo do Acórdão nº 3401-003.107, de 24/02/2016, em relação à Revisão Aduaneira e a mudança de critério jurídico (aplicação do artigo 146 do CTN), informando-se que foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, quanto às DI/Adição/Item: 1103770383/002/01; 1103770383/005/01; e 0912105725/001/01. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7560583
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148444762112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1837; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 239 1 238 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11829.720036/201238 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401005.699 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria REVISÃO ADUANEIRA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Embargante SAMSUNG ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011 PAF. DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. Acolhemse os embargos de declaração quando houver necessidade do afastamento da contradição e elucidação da obscuridade no acórdão. PAF. DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. AUSÊNCIA. A falta, na ementa, de algum detalhe ou aspecto específico do caso concreto não rende ensejo a omissão a ser sanada via embargos de declaração, se consta a discussão e a resolução da questão alvitrada no voto condutor. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos interpostos, sem efeitos infringentes, exclusivamente para aclarar o dispositivo do Acórdão nº 3401003.107, de 24/02/2016, em relação à Revisão Aduaneira e a mudança de critério jurídico (aplicação do artigo 146 do CTN), informandose que foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, quanto às DI/Adição/Item: 1103770383/002/01; 1103770383/005/01; e 0912105725/001/01. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 36 /2 01 2- 38 Fl. 5576DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401005.699 S3C4T1 Fl. 240 2 André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de embargos de declaração, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, em 12/04/2017, ao amparo do art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face da ciência, em 10/04/2017, do teor do Acórdão nº 3401003.107, de 24/02/2016, que deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, cuja ementa transcrevese a seguir: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011 REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO. É de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder á revisão aduaneira das importações. O artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever as declarações prestadas por contribuinte e os lançamentos pendentes de homologação. Independentemente do canal em que se efetivou o despacho aduaneiro, o resultado da revisão assim realizada não significa mudança de critério jurídico. Aplicase o artigo 146 do CTN apenas naquilo que a revisão divergir com relação ao anteriormente estabelecido por exigência formal da autoridade fiscal no despacho aduaneiro ou em revisão antecedente, e que tenha sido integrado definitivamente na declaração em análise. A revisão aduaneira não está limitada pelo disposto no artigo 149 do CTN. O artigo 54 do DL 37/1966 também autoriza a revisão dos lançamentos homologados. DESPACHO ADUANEIRO E CRITÉRIO JURÍDICO. Apenas a exigência feita pela autoridade fiscal durante o despacho e incorporada na Declaração prestada pelo contribuinte constitui critério jurídico para os fins da inteligência do artigo 146 do CTN, de modo a exigir o artigo 149 do CTN para condicionar a revisão aduaneira. O desembaraço feito sem exigência fiscal não formula critério jurídico limitador da revisão aduaneira nos termos do artigo 146 do CTN. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7° DA LEI N° 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, conseqüentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro decorrente da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". Em sintonia com aludida decisão a redação atual do dispositivo em comento estabelece, simplesmente, que a base de cálculo do PIS/Pasep importação e da COFINS Importação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) será "o Fl. 5577DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401005.699 S3C4T1 Fl. 241 3 valor aduaneiro"", redação a qual foi dada pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. MORA E PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. Apesar de não se tratar de uma mudança de critério jurídico, a posição firmada a partir da revisão aduaneira que nega a prática reiterada das autoridades do despacho, exercidas individualmente, configura a situação para a qual se deve invocar a aplicação da lei posta no parágrafo único do artigo 100 do CTN, a ser aplicada nos termos da competência estatuída pela lei do processo administrativo fiscal (Decreto n. 70.235, de 1972) e estatuída na lei aduaneira (artigo 97 e 101 do DL 37/1966). PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. EXISTÊNCIA DE DEFINIÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO EM ATO DA ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA TRIBUTÁRIA. É de se afastar a penalidade quando a classificação fiscal determinada a partir de revisão aduaneira confrontar a adotada pelo importador que seria idêntica à classificação definida em ato da administração para o mesmo produto. Esta é a inteligência do Código Aduaneiro, onde se encontra lei (artigo 97 e 101 do Decretolei n. 37, de 1966) que prevê o afastamento das penalidades quando o importador tiver adotado em suas importações entendimento ou definição de classificação firmada pela administração aduaneira ou tributária, mesmo que o importador não seja o destinatário dessa manifestação da administração. Naquela assentada restou reconhecida a decadência para excluir as Declarações de Importação DIs, registradas anteriormente a 08/11/2007, e, para as declarações de importação restantes, entendeuse correta a classificação posta pela autoridade fiscal e mantevese a exigência dos tributos, entretanto, afastandose as penalidades tributárias, as penalidades administrativas e os acréscimos legais. Cientificado do acórdão, o contribuinte redargüiu o aresto apontando contradição e omissão. No exame de admissibilidade (fls. 5566/5570), concluiuse que, in verbis: "Os Embargos trazem, a meu ver, indicação de aparente e suposta contradição e omissão na redação do Acórdão.". É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo Quanto às pretensas contradições na aplicação do artigo 146 do CTN, entre a ementa, o voto condutor e o dispositivo, em parte, penso, vislumbrarse tal defeito. Fl. 5578DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401005.699 S3C4T1 Fl. 242 4 Entendo que a contradição que autoriza a oposição de embargos de declaração consiste na existência de argumentos ou teses contraditórias entre si no corpo da própria decisão: error in procedendo. No presente caso, notar que o ponto mais claro de uma possível contradição está no próprio corpo da decisão embargada. Vejase a afirmação feita no voto condutor (fl. 5231): "Creio que haveria afronta ao artigo 146 citado somente quando a autoridade do despacho firma, nos termos previstos na lei, divergência jurídica que acaba por se constituir em definição que altera o conteúdo da Declaração de Importação. Nessa situação, deve prevalecer o artigo 146 do CTN." (grifei) E, nos termos previstos em lei, digase, exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho (DecretoLei nº 37/66, art.511), tais exigências foram confirmadas por meio do TERMO nº 01 DE INÍCIO e RELATÓRIO CONCLUSIVO (fls. 5119/5140), especificamente à fl. 5121, quanto às DI+Adição+Item: 1103770383002.01; 1103770383005.01; e 0912105725001.01; havendo, portanto, no presente caso, fixação de critério jurídico, quanto à alegada exigência da autoridade fiscal do despacho aduaneiro no SISCOMEX para alterar a classificação fiscal, quanto às Adições+Itens das declarações de importação (09/12105725 e 11/03770383) apontadas pela embargante. Deste modo, entendo que a contradição argüida pela via dos presentes embargos constitui hipótese autorizadora da presente medida, havendo, sim, flagrante descompasso entre o corpo do voto condutor, a conclusão final nele proposta e o dispositivo do aresto. No mesmo trecho supracitado do voto condutor, afirmase (fl. 5231): Por essas considerações é que proponho a rejeição dos argumentos da recorrente de que a revisão aduaneira estaria adstrita às hipóteses do artigo 149 do CTN e que ela afrontaria o artigo 146 do CTN. E, ainda, concluise em dar provimento parcial ao recurso voluntário, sem incluir o ponto embargado, sobre a aplicação do artigo 146 do CTN (fl. 5235): CONCLUSÃO FINAL Proponho a este Colegiado dar provimento parcial ao recurso voluntário para, nos termos deste voto: (a) reconhecer a decadência e prescrição nos termos postos nos artigos 54 e 139 do DL 37 /1966; (b) a aplicação da lei contida no parágrafo único do artigo 100 do CTN e aplicação da lei contida no artigo 101 do Decretolei n. 37/1966 para afastar as penalidades e os juros de mora; (c) o afastamento da exigência de PIS Importação e COFINS Importação. Já o dispositivo indagado, em consonância com a ATA DA REUNIÃO DE JULGAMENTO PERÍODO: 23/02/2016 a 25/02/2016, foi claro em registrar quanto ao item: 1 Art.51 Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador. Fl. 5579DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401005.699 S3C4T1 Fl. 243 5 (e) Revisão Aduaneira e a mudança de critério jurídico (aplicação do artigo 146 do CTN) deuse provimento parcial, por maioria. E não é só isso, toda a tese levantada pelo voto condutor, somada às provas trazidas aos autos, converge no que restou registrado no dispositivo do aresto e na ATA. Já quanto às pretensas contradição e omissão em relação à ementa, salvo melhor juízo, não se vislumbra tal defeito. Como já dito, a contradição que autoriza a oposição de embargos de declaração consiste na existência de argumentos ou teses contraditórias entre si no corpo da própria decisão embargada. Vejase a parte da ementa onde haveria contradição: Aplicase o artigo 146 do CTN apenas naquilo que a revisão divergir com relação ao anteriormente estabelecido por exigência formal da autoridade fiscal no despacho aduaneiro ou em revisão antecedente, e que tenha sido integrado definitivamente na declaração em análise. Notar que nela existe simples fixação de uma tese, que em nada contradiz os argumentos e demais teses propostas no corpo do voto. Apenas as conclusões alcançadas no voto condutor, quando buscada a subsunção aos fatos do presente caso, verificouse descompassadas com o que foi efetivamente concluído, consignado no dispositivo e registrado em ATA. No que se refere ao outro vício apontado na ementa, penso, devase entender por omissão o vício resultante da falta de alguma declaração que a decisão deveria conter. Nesse caso, os embargos têm por fim provocar a declaração do ponto omitido, a fim de se completar a decisão. Desse modo, a omissão constante do art. 65, Anexo II, do RICARF, é a lacuna na conclusão da lide, e não quanto à existência de um resumo ementado de tudo o que foi decidido pelo tribunal. Verificase a omissão quando o julgador deveria ter decidido determinada questão e não o fez, competindolhe, apenas, indicar a fundamentação adequada ao deslinde da controvérsia, observadas às peculiaridades de cada caso concreto. Por essa razão, eventual omissão na ementa sobre algum ponto da decisão tomada não é suficiente para justificar a interposição de embargos de declaração, sobretudo se a questão supostamente omitida foi enfrentada no voto proferido na apreciação do caso. Nesse sentido, EDcl nos Embargos de Divergência em RESP Nº 695.214 RJ, Relator : Ministro Fernando Gonçalves: PROCESSUAL CIVIL. DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. AUSÊNCIA. 1 A falta, na ementa, de algum detalhe ou aspecto específico do caso concreto não rende ensejo a omissão a ser sanada via embargos de declaração, se consta a discussão e a resolução da Fl. 5580DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401005.699 S3C4T1 Fl. 244 6 questão alvitrada nos votos vencidos e vencedores, sendo, aliás, o mote para a divergência de conclusões. A ementa, como o próprio termo está a indicar, é apenas e tão somente um resumo e, juntamente com os demais votos, é parte integrante do inteiro teor, verdadeiramente o que interessa para saber se há ou não omissão. 2 Embargos de declaração rejeitados Por tudo exposto, vislumbrando, pois, contradição, ensejadora de obscuridade na decisão embargada, voto por acatar os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, exclusivamente, para aclarar o dispositivo do Acórdão nº 3401003.107, de 24/02/2016, em relação à Revisão Aduaneira e a mudança de critério jurídico (aplicação do artigo 146 do CTN) deuse provimento parcial, por maioria, quanto às DI+Adição+Item: 1103770383002.01; 1103770383005.01; e 0912105725001.01. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 5581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720473/2010-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.720473/2010-64
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944265
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.365
nome_arquivo_s : Decisao_16327720473201064.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16327720473201064_5944265.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7559675
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148466782208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.477 1 1.476 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.720473/201064 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.365 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 73 /2 01 0- 64 Fl. 1477DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, de efls. 1.050/1.069, contra o acórdão nº 2403002.158, julgado na sessão do dia 17 de julho de 2013, que restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECADÊNCIA ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Os pagamentos de verbas à título de PLR que cumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar declarar a decadência até a competência 11/2005 com base no Artigo 150 do CTN. Por maioria de votos, no mérito dar provimento ao recurso vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari que entende pela não caracterização do PLR e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro que manteve a tributação do PLR para os Administradores. Recurso Voluntário Provido Como bem relatado pela Câmara a quo: Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição social, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e administradores. O lançamento referese a quota patronal (DEBCAD 37.320.9088), e a destinadas a Outras Entidades e Fundos, denominados Terceiros, especificamente, ao Salário Educação e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA (DEBCAD 37.320.9096), no período de 01/2005 a 12/2005, com ciência do contribuinte em 31/12/2010. Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 16327.720473/201064 Acórdão n.º 9202007.365 CSRFT2 Fl. 1.478 3 De acordo com o Relatório Fiscal de fls 33/46, o lançamento teve por fatos geradores: a) o pagamento de Participação nos Resultados em desacordo com a Lei 10.101/2000 e b) Levantamento SS – Gratificação SIM SOMAR, ambos pagos aos executivos da empresa. Sobre a Participação nos Lucros ou Resultados a fiscalização efetuou o lançamento por entender que o acordo apresentado, firmado entre o SANTANDER e a CONTEC é específico para administradores, o que entende ser o suficiente para considerar como remuneração sujeita às contribuições sociais previdenciárias e as destinadas aos Terceiros. Sustenta ainda a falta de comprovação de programas de metas, resultados e critérios na Convenção Coletiva de Trabalho. Que de acordo com as metas qualitativas o Banco deveria ficar entre os cinco primeiros colocado no "P.I.F. Painel das Instituições Financeiras (FRACTAL/USP)", no entanto estava na 14ª colocação. Intimada do mencionado acórdão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração de efls. 1.027/1.035, que foram rejeitados conforme despacho de admissibilidade de efls. 1.047/1.048. Após ciência de tal decisão, que rejeitou os Embargos de Declaração, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial, requerendo: Diante do exposto, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) requer seja admitido e provido o recurso especial, restabelecendo a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos e/ou creditados a título de PLR, tendo em vista que ocorreu em favor de administradores não empregados da empresa a título de participação nos lucros e resultados, bem como por não ter observado ao critério do acordo prévio ao exercício. Utiliza em sua peça recursal os acórdãos 2401003.138 e 9202003.196 como paradigmas: PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. EMPREGADOS. LEI Nº 10.101/2000. ARBITRAMENTO. PERIODICIDADE. Fl. 1479DF CARF MF 4 Na ausência de apresentação de documentos comprobatórios do cumprimento do programa de metas estabelecido, compete à autoridade competente efetuar o lançamento por arbitramento. Não o fazendo, deve ser afastada a autuação motivada pela falta de apresentação de memória de cálculo da participação nos lucros ou resultados paga. Apenas devem ser tributados os pagamentos a título de PLR que excederem as regras de periodicidade previstas na Lei n. 10.101/2000. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2401 003.138) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. SÚMULA CARF N° 99. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Para efeito da aplicação do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, há que se considerar a remuneração paga aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais como um todo, não a fatiando por rubricas, entendimento consagrado pela Súmula CARF n° 99. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA EXIGÊNCIA FISCAL. Deve ser decretada a insubsistência do lançamento fiscal quando as autoridades julgadoras, constatando que a exigência encontrase escorada em premissa equivocada, determinam a manutenção do débito fundamentando seu entendimento em critério jurídico diverso do utilizado por ocasião da lavratura da notificação fiscal, sob pena de malferir o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Uma vez constatada a incorreção no fundamento utilizado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, deve ser declarada a improcedência Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 16327.720473/201064 Acórdão n.º 9202007.365 CSRFT2 Fl. 1.479 5 do feito, sendo defeso ao Fisco e/ou julgador mantêlo a partir de novos critérios jurídicos lançados no curso do processo administrativo fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. SEGURADOS EMPREGADOS. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE AS PARTES. PREMISSA EQUIVOCADA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Relativamente aos segurados empregados, somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, restando demonstrada/comprovada a existência de Convenção Coletiva de Trabalho amparando o pagamento de referida verba, exclusiva pretensa ilegalidade sustentada pela fiscalização, é de se reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a PLR concedida aos segurados empregados, julgando improcedente o lançamento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO ÚNICO COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NATUREZA EVENTUAL. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2.114/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 16/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Abono Único, previsto em Convenções Coletivas de Trabalho, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza eventual, nos termos do artigo 28, § 9°, alínea “e”, item 7, da Lei n° 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI N.º 6404, DE 1976. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. A Constituição, nos termos do art. 7º, inciso XI, erige a participação nos lucros ou resultados à categoria de direito social fundamental dos trabalhadores e desvincula o benefício da remuneração. O art. 7º, inciso XI da CF ao afastar ao afastar a natureza remuneratória da participação dos lucros ou resultados, gerou Fl. 1481DF CARF MF 6 uma imunidade no que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias. Neste sentido lição de Fábio Zambitte Ibrahim, em artigo intitulado "A participação nos lucros e resultados das empresas e sua imunidade previdenciária". O Supremo Tribunal Federal ao apreciar questão em que se discutia se era possível a cobrança de contribuição previdenciária sobre parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados entre a vigência da Constituição Federal e a Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, concluiu peremptoriamente que o exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal somente começou com a edição da lei prevista para regulamentálo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994 (RE 398284). Sobre a amplitude do termo "trabalhadores" contido no caput do art. 7º da CF "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social", que diz respeito aos chamados direitos sociais do trabalhador, verificase que as garantias inseridas em seus incisos, em verdade, definem a estrutura básica do modelo jurídico decorrente de relação de emprego. Neste sentido leciona Gilmar Ferreira Mendes, in Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade Estudos de Direito Constitucional, 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012. A teor do que dispõe a Constituição Federal, o art. 7º, inciso XI, constatase que a Lei nº 10.101, de 2000, que resulta da conversão da MP nº 794, de 1994 e suas reedições, ao regulamentar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição, de forma expressa demonstra que a participação nos lucros ou resultados é inerente aos trabalhadores com vínculo empregatício. Não considero que o art. 152 e seus parágrafos da Lei n° 6.404, de 1976 tenham o condão de regulamentar a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF. Justamente porque o dispositivo regula parcelas de participação no lucro da companhia para diretores sem vínculo empregatício e, conforme já concluímos, a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF, é destinada somente aos trabalhadores com vínculo empregatício. O fato de a assembléia geral que tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento (art. 121 da Lei n° 6.404, de 1976) deliberar sobre a concessão de participação aos diretores estatutários não tem o condão de desnaturar a relação jurídica laboral existente entre empresa e prestador de serviço sem vínculo empregatício, tampouco a natureza remuneratória da verba paga. Adentrandose na esfera contábil verificase que a demonstração do resultado do exercício discriminará antes da apuração do lucro do exercício e o seu montante por ação do capital social (art. 187 da Lei n° 6.404, de 1976) e, ainda, de acordo com o art. 191 da Lei n° 6.404, de 1976, o lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190, que inclui a participação dos administradores. Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 16327.720473/201064 Acórdão n.º 9202007.365 CSRFT2 Fl. 1.480 7 As verbas pagas pela empresa aos seus diretores estatutários a título de participação nos lucros subsumemse ao conceito de remuneração, portanto, sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial parcialmente provido. (Acórdão nº 9202 003.196) Conforme exame de admissibilidade de efls. 1.072/1.078, foi negado seguimento ao Recurso Especial, conforme trecho transcrito abaixo: Como se pode inferir, até pelo reforço argumentativo da recorrente acima transcrito e por ela, destacado, entende a Procuradoria haver dissenso interpretativo entre as decisões modelares e a vergastada. Não se pode concordar. Enquanto a decisão recorrida contém o convencimento de que havia regras claras e metas a serem atendidas, a decisão paradigmática entende que a inexistência de acordo prévio impede a exclusão da PLR da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Flagrante o equívoco do recorrente ao alegar que houve dissonância de entendimento. Aqui exsurge a ausência de dissenso interpretativo. As situações fáticas são totalmente distintas. Portanto, nos pontos apontados pelo recurso especial não se observou interpretação divergente de lei tributária por turmas distintas do colegiado. Assim sendo, não foi satisfeito requisito essencial para interposição de recurso especial de divergência, qual seja, a colação de acórdãos à guisa de dissídio jurisprudencial. Portanto, o apelo não pode ter seguimento. Diante do exposto, com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, proponho NEGAR SEGUIMENTO ao recurso especial por não atender aos pressupostos de admissibilidade. Intimada, a Fazenda Nacional interpôs Agravo de efls. 1.081/1.090 requerendo: (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 64, inciso III e art. 71, ambos do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para admitir o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em sua integralidade com a consequente reforma total do acórdão recorrido e a procedência do lançamento em todos os seus termos. O Agravo foi analisado, conforme despacho de efls. 1.092/1.102, nos seguintes termos: Fl. 1483DF CARF MF 8 O fato de as situações fáticas serem similares e terem sido aplicadas legislações distintas é um indício de que há divergência. Nessa seara, a Fazenda Nacional demonstrou que a Lei 6.404, de 1964, foi analisada nos paradigmas, mas ela não foi aplicada, na medida em que se concluiu que a Lei aplicável é a Lei 11.101, de 2000. Fincada essa baliza, verificase que a Fazenda Nacional demonstrou a divergência de interpretação, pois, embora o acórdão recorrido e os paradigmas tenham considerado que a PLR é disciplinada pela Lei 11.101, de 2000, interpretandoa em conjunto com o art. 28, § 9º da Lei 8.212, de 1991, divergiram quanto aos efeitos tributários decorrentes de tal fato, conforme resumido adiante. De um lado, encontrase o aresto hostilizado no qual considerouse que a referida lei não veda aos administradores não empregados o direito à percepção de tal verba, de forma que foi examinado se foram cumpridos os requisitos estampados nessa lei do que resultou a conclusão de que não incidiriam as ditas contribuições. De outro lado, situamse os paradigmas nos quais entendeuse que a supracitada lei trata apenas do pagamento de PLR a empregados, de modo que não exonera da tributação as verbas pagas a título de PLR a essas pessoas. Demonstrada a divergência, o agravo deve ser acolhido para que o recurso especial tenha seguimento em relação a incidência das Contribuições Previdenciárias sobre valores de PLR pagos por Sociedade Anônima a seu administradores não empregados. Constatase, ante o exposto, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de parcial reforma do despacho questionado. Propõese, desta forma, que o agravo seja: ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "incidência das Contribuições Previdenciárias sobre valores de PLR pagos por Sociedade Anônima a seu administradores não empregados". Assim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento para rediscussão da seguinte matéria: "incidência das Contribuições Previdenciárias sobre valores de PLR pagos por Sociedade Anônima a seu administradores não empregados". Intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 1.112/1.144 e posteriormente juntada novamente, conforme efls. 1.293/1.325, requerendo: Diante do exposto, aguardase o não conhecimento do RESP da D. PGFN, e, subsidiariamente, no mérito, o seu desprovimento, mantendose o v. acórdão Recorrido na parte em que vergastado. Subsidiariamente, na remota hipótese de esta C. CSRF dar provimento ao RESP ora contrarrazoado, pugnase pelo retorno destes autos à Turma a quo, para que esta se manifeste sobre o Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 16327.720473/201064 Acórdão n.º 9202007.365 CSRFT2 Fl. 1.481 9 descabimento da multa de ofício cominada em face da ora Recorrida. É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém, cabe analisar a questão que envolve o Agravo interposto pela recorrente, conforme descreve o Contribuinte em suas Contrarrazões. O Contribuinte alega que o despacho de exame de admissibilidade do Recurso Especial é do dia 14/10/2015 e é anterior à publicação da Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, que criou o Agravo. no mesmo sentido, alega que despacho foi submetido a Reexame de Admissibilidade após quase 8 meses, em 07/06/2016, ocasião em que I. Presidente foi proferido o despacho que, ao invés de proceder ao reexame, oportunizou à D. PGFN a apresentação de Agravo, em função da vigência da Portaria MF nº 152/2016 no momento de tal reexame. Vejamos: 1. O despacho de encaminhamento para intimação da PGFN após o exame de admissibilidade que rejeitou os Embargos, apresenta como data de emissão o dia 30/01/2015, conforme efls. 1.049. 2. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional reconhece a intimação no dia 30/01/2015 (sextafeira), sendo o recurso juntado ao e processo no dia 09/02/2015, sendo tempestivo. efls. 1.052. 3. O Exame de admissibilidade do Recurso Especial é do dia 14/10/2015, conforme efls. 1.072. No mesmo documento, houve a negativa da Presidente da Câmara e determinado o envio ao Presidente da CSRF, conforme art. 71 do RICARF. Antes da publicação da Portaria MF nº 152/2016, publicada no D.O.U em 05/05/2016 fls. 15 e 16. 4. Despacho do Presidente da CSRF do dia 07/06/2016, efls. 1.079, que destaca: "Entretanto, a Portaria MF nº 152, de 03/05/2016, alterou o Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/01/2015, e criou o recurso de agravo em face das decisões denegatórias de seguimento de recurso especial no juízo de prelibação. Diante do exposto, considerando a superveniência da Portaria MF nº 152, de 03/05/2016, encaminhese o processo à PGFN para ciência do Despacho de fls. 1.072/1.078 que negou seguimento a seu recurso especial e conceder o prazo de cinco dias para eventual Fl. 1485DF CARF MF 10 apresentação de agravo, nos termos do art. 64, III e art. 71 e parágrafos do RICARF." Realmente, houve um lapso temporal entre o exame de admissibilidade e o reexame realizado pelo Presidente da CSRF, momento em que já estava vigente a Portaria MF nº 152/2016, razão pela qual o Agravo produz seus efeitos. Entretanto, mesmo assim, não pode ser conhecido o presente Recurso Especial da Fazenda Nacional uma vez que o tratase aqui de diretores empregados. Assim, a matéria devolvida para debate "incidência das Contribuições Previdenciárias sobre valores de PLR pagos por Sociedade Anônima a seu administradores não empregados", não está´amais em litígio. Diante de tal fato, NÃO CONHEÇO o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008240/2008-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESA. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovada documentalmente parte da dedução glosada, cabe o seu restabelecimento.
Na hipótese de falta de comprovação pelo contribuinte, durante a fiscalização, das despesas deduzidas na declaração de ajuste, afigura-se correta a sua glosa com o lançamento do imposto ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO
As despesas dedutíveis restringem-se aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte para instrução própria ou de seus dependentes, observadas as normas legais e o limite anual individual.
Numero da decisão: 2002-000.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer despesas com instrução no valor de R$1.727,13.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovada documentalmente parte da dedução glosada, cabe o seu restabelecimento. Na hipótese de falta de comprovação pelo contribuinte, durante a fiscalização, das despesas deduzidas na declaração de ajuste, afigura-se correta a sua glosa com o lançamento do imposto ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. DESPESAS COM INSTRUÇÃO As despesas dedutíveis restringem-se aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte para instrução própria ou de seus dependentes, observadas as normas legais e o limite anual individual.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.008240/2008-13
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5935202
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.477
nome_arquivo_s : Decisao_10120008240200813.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10120008240200813_5935202.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer despesas com instrução no valor de R$1.727,13. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7539286
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148478316544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 81 1 80 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.008240/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.477 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO. Recorrente SOLANGE MARIA SEIXAS MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovada documentalmente parte da dedução glosada, cabe o seu restabelecimento. Na hipótese de falta de comprovação pelo contribuinte, durante a fiscalização, das despesas deduzidas na declaração de ajuste, afigurase correta a sua glosa com o lançamento do imposto ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. DESPESAS COM INSTRUÇÃO As despesas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte para instrução própria ou de seus dependentes, observadas as normas legais e o limite anual individual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer despesas com instrução no valor de R$1.727,13. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 82 40 /2 00 8- 13 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10120.008240/200813 Acórdão n.º 2002000.477 S2C0T2 Fl. 82 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 31/37), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2004. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.726,31 para saldo de imposto a pagar de R$10.589,22. A notificação noticia deduções indevidas com dependentes, de contribuição à previdência privada e Fapi e de despesas médicas e com instrução, em decorrência do não atendimento da intimação efetuada. Impugnação Cientificada à contribuinte em 11/6/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 26/6/2008, à fl. 2/19 dos autos, na qual a contribuinte suscita a nulidade do lançamento, uma vez que não teria sido regularmente intimada a comprovar ou justificar as deduções declaradas. No mérito, indica a juntada de documentação comprobatórias de suas despesas. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSA que, por unanimidade, julgou o lançamento procedente em parte em decisão assim ementada (fls. 41/47): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. INTIMAÇÃO PRÉVIA. Comprovado que o procedimento fiscal levado a efeito atende às normas regulamentares. não há que se falar em nulidade do lançamento. DEDUÇÕES INDEVIDAS COM DEPENDENTES, DESPESAS MÉDICAS, PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI E INSTRUÇÃO. Todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação, mediante documentação hábil e idônea, conforme estabelece a norma legal. São restabelecidos somente os valores efetivamente comprovados. O acórdão teve a seguinte redação: Vistos, reatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os julgadores da 3ª Turma da DRJ em Brasília, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade argüida e, no mérito, julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10120.008240/200813 Acórdão n.º 2002000.477 S2C0T2 Fl. 83 3 O colegiado de primeira instância restabeleceu parcialmente a dedução de dependentes, de despesas médicas e com instrução e, integralmente, a de previdência privada e Fapi. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 11/5/2009 (fl. 53), a contribuinte, em 28/5/2009 (fl. 54), apresentou recurso voluntário, às fls. 54/69, no qual alega, em apertado resumo, que: precisaria ser revista a decisão no que tange às despesas médicas e com instrução. teria comprovado os pagamentos de R$1.911,32 ao Instituto Presbiteriano de Educação e de R$220,00 ao Instituto Educacional Emmanuel, perfazendo o montante de R$2.131,32, mas, no julgamento, só teria sido acatado o valor de R$270,87. os cálculos teriam sido feitos aleatoriamente, visto que a notificação aponta imposto de R$8.862,91, enquanto a decisão consigna imposto de R$7.341,16. seria de se cancelar a autuação em face da inocorrência dos pressupostos necessários e da ausência de comprovação de sua autoria. protesta pela produção de provas de forma a robustecer a verdade dos fatos. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10120.008240/200813 Acórdão n.º 2002000.477 S2C0T2 Fl. 84 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Produção de provas No tocante ao pedido de complementação da presente defesa, mediante a juntada de novos documentos, cumpre lembrar que o momento oportuno para sua apresentação é por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, admitidas exceções somente nos casos expressamente previstos no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação acrescida pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997. É de salientar, ainda, que cabe ao contribuinte o ônus da comprovação de incidir em algumas destas hipóteses. Entretanto, não logra o recorrente demonstrar a ocorrência de quaisquer destes fatos previstos no Decreto nº 70.235/72, o qual permitiria o deferimento do pedido. Assim, o pedido deve ser indeferido. Mérito Em seu recurso, a recorrente requer a revisão da decisão no tocante às despesas médicas e com instrução. Quanto às alegações acerca dos pressupostos necessários e da autoria das infrações, é de se esclarecer que, à luz da legislação indicada na notificação de lançamento, os contribuintes podem deduzir dos rendimentos tributáveis valores relativos a determinadas despesas, entre elas as despesas médicas e com instrução, desde que obedecidos os limites individuais e desde que possam ser devidamente comprovadas. Todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (art. 73 do RIR/1999), podendo ser glosadas se os contribuintes não conseguirem comproválas ou justificálas. Despesas médicas No tocante às despesas médicas, a recorrente informou os seguintes pagamentos em sua Declaração de Ajuste (fl.25), no montante de R$20.971,57: Weimar Vidal R$12.000,00 Célio José de Lima R$395,00 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10120.008240/200813 Acórdão n.º 2002000.477 S2C0T2 Fl. 85 5 Luciane Morais Viana R$335,00 Hospital Ortopédico de Goiânia R$2.340,00 Santa Casa de Misericórdia de Goiânia R$1.235,00 Clínica São Camilo R$620,00 JF Instituto Saúde Odontológica R$1.000,00 Secretaria Municipal de Saúde R$846,57 Maternidade Modelo R$1.050,00 Hospital São Salvador R$1.150,00 Na impugnação, a contribuinte limitouse a juntar comprovação das despesas declaradas com a Secretaria Municipal de Saúde (fl.9) e com Luciane Viana (fl.13), as quais foram integralmente restabelecidas pelo colegiado de primeira instância. Em seu recurso, embora requeira a revisão da decisão no tocante às despesas médicas declaradas, a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório das demais despesas declaradas. Dessa feita, não há reparos a se fazer à decisão de piso no que tange às despesas médicas. Despesas com instrução A recorrente deduziu o montante de R$5.904,00 a esse título, na forma abaixo discriminada (fl.25): Faculdades Anhanguera de Ciências Humanas R$1.998,00 Instituto Educacional Emmanuel da IEC R$1.908,00 Colégio Presbiteriano de Educação R$1.998,00 Na análise dos documentos apresentados na impugnação, o colegiado de primeira instância registrou: Para comprovar gastos com instrução, a contribuinte trouxe somente os documentos de fls. 6, 13 e 15/19. Da apreciação de tais documentos, concluise que somente o de fl. 13 faz prova da realização da despesa de R$ 270,87, no anocalendário 2003, a qual há de ser considerada na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004. O valor de R$ 40,00, representado pelos documentos de fl. 6, referese à "contribuição comunitária estipulada em assembléia de pais", no entanto, como estabelece o art.40 da Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10120.008240/200813 Acórdão n.º 2002000.477 S2C0T2 Fl. 86 6 Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001, tal despesa não se enquadra no conceito de instrução para fins de dedução dos rendimentos tributáveis. Cumpre esclarecer que na elaboração da Declaração de Ajuste Anual é considerado o regime de caixa, ou seja, o ano calendário em que são realizados os pagamentos. Assim, o desembolso com instrução no valor de R$ 547, fls. 15/19, não pode ser aproveitado como dedução dos rendimentos no ano calendário 2003, haja vista que foi pago em fevereiro de 2004. (destaques acrescidos) Em relação às Faculdades Anhanguera, nenhum documento foi apresentado, seja em sede de impugnação, seja no recurso. Dessa feita, a glosa mostrase correta. No tocante ao Instituto Educacional Emmanuel da IEC, a recorrente juntara o comprovante de fl. 7 a sua impugnação e, agora, em seu recurso, junta documentos de fls. 57/58. Tratase de despesa vinculada a Ana Luiza Martins, dependente restabelecida na decisão de piso. Os documentos consignam que se trata de "contribuição comunitária estipulada em assembléia de pais". A teor do disposto no artigo 8o, inciso II, alínea b, da Lei no 9.250, de 1995, são dedutíveis os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico. A decisão recorrida fez menção ao artigo 40 da IN nº 15, de 2001, então em vigor: Art. 40. Não se enquadram no conceito de despesas de instrução: I as despesas com uniforme, material e transporte escolar, as relativas à elaboração de dissertação de mestrado ou tese de doutorado, contratação de estagiários, computação eletrônica de dados, papel, xerox, datilografia, tradução de textos, impressão de questionários e de tese elaborada, gastos postais e de viagem; II as despesas com aquisição de enciclopédias, livros, revistas e jornais; III o pagamento de aulas de música, dança, natação, ginástica, tênis, pilotagem, dicção, corte e costura, informática e assemelhados; IV o pagamento de cursos preparatórios para concursos ou vestibulares; V o pagamento de aulas de idiomas estrangeiros; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10120.008240/200813 Acórdão n.º 2002000.477 S2C0T2 Fl. 87 7 VI os pagamentos feitos a entidades que tenham por objetivo a criação e a educação de menores desvalidos e abandonados; VII as contribuições pagas às Associações de Pais e Mestres e às associações voltadas para a educação. De fato, a natureza do pagamento consignado nos recibos juntados aponta no sentido de que seja uma contribuição para associação de pais. Caso não seja essa a natureza do pagamento em tela, diante da decisão recorrida, caberia a recorrente obter uma declaração da instituição de forma a revelar a natureza desses pagamentos. Não obstante, ela limitouse a anexar outros recibos contendo idêntica natureza de pagamento. Dessa feita, não restando comprovado que se trata de despesa passível de dedução, mantémse a decisão de piso. Em relação ao Instituto Presbiteriano de Educação, a decisão de piso restabeleceu o valor de R$270,87 (fl.14). Ressaltou que o pagamento no valor de R$547,90 (fl.18) foi realizado em 2004, não podendo ser deduzido na declaração do anocalendário 2003, objeto destes autos. Agora, no recurso, considero que resta comprovado o pagamento do montante de R$1.928,32, conforme indicação a seguir: Parcela Valor Data do pagamento fl. 11 240,41 13/11/2003 59 2 246,40 10/02/2003 60 9 235,00 25/08/2003 62 8 235,00 31/07/2003 63 7 235,00 03/07/2003 64 6 247,07 17/06/2003 65 5 254,44 30/05/2003 66 4 235,00 04/04/2003 67 Registrese que o pagamento comprovado à fl.61 foi efetuado no ano calendário 2002, não podendo ser deduzido na declaração do anocalendário 2003, objeto destes autos. No anocalendário 2003, as despesas com instrução estavam sujeitas ao limite anual individual de R$1.998,00, sendo que o valor que ultrapassar esse limite não pode ser aproveitado nem mesmo para compensar gastos de valor inferior efetuados com o próprio contribuinte ou com outro dependente. Isto posto e considerando que o colegiado de primeira instância já restabelecera a dedução do valor de R$270,87, cabe cancelar a glosa de despesas de instrução do dependente Marcus Vinícius no valor de R$1.727,13. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10120.008240/200813 Acórdão n.º 2002000.477 S2C0T2 Fl. 88 8 Cálculos Quanto aos cálculos, cabe esclarecer que a diferença entre o imposto suplementar apontado na autuação (R$8.862,91) e aquele consignado na decisão recorrida (R$7.341,16) decorre do restabelecimento parcial das deduções pelo colegiado de primeira instância. Os cálculos estão apresentados detalhadamente, tanto na Notificação de Lançamento quanto no Acórdão da DRJ, e seguem as disposições previstas para o ano calendário sob análise, não havendo que se falar em falta de critério ou discricionariedade. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento para restabelecer despesas com instrução no valor de R$1.727,13. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.013824/2008-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA.
Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.013824/2008-01
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928817
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.764
nome_arquivo_s : Decisao_10120013824200801.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10120013824200801_5928817.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7519705
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148484608000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.013824/200801 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.764 – 1ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2018 Matéria ESTIMATIVA MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FORMULARIOS PILOTO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplicase a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/200615, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 38 24 /2 00 8- 01 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10120.013824/200801 Acórdão n.º 9101003.764 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face de decisão recorrida, para devolver a apreciação da matéria "afastamento da multa isolada de estimativas mensais aplicada ao mesmo tempo que a multa de ofício", relativamente ao(s) ano(s)calendário(s) de 2005. Despacho de exame de admissibilidade deu seguimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10508.000384/200615, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.762, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 10508.000384/200615. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.762: (...) Quanto ao mérito, como já dito, a matéria devolvida, multa isolada por insuficiência de recolhimento estimativa mensal com imputação ao mesmo tempo que a multa de ofício, em ano calendário anterior a 2007, encontrase resolvida pela Súmula nº 105 do CARF: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (...) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10120.013824/200801 Acórdão n.º 9101003.764 CSRFT1 Fl. 4 3 Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006059/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SÚMULA N° 1 DO CARF.
A matéria objeto do processo administrativo submetida à apreciação do Poder Judiciário não pode ser conhecida, por imperativo da Súmula CARF n° 1.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A validade do lançamento é pautada pela observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
CIDE. COMPENSAÇÃO. ART. 8° DA LEI N° 10.336/01. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação da CIDE com PIS só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. A dedução prevista no art. 8° da Lei n° 10.336/01 é para valores efetivamente pagos e não compensados.
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. PRECEDENTE DA TURMA, ACÓRDÃO 3301-004.355.
Matéria decidida no acórdão n° 3301-004.355, no sentido de que transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2.
A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SÚMULA N° 1 DO CARF.
A matéria objeto do processo administrativo submetida à apreciação do Poder Judiciário não pode ser conhecida, por imperativo da Súmula CARF n° 1.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A validade do lançamento é pautada pela observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
CIDE. COMPENSAÇÃO. ART. 8° DA LEI N° 10.336/01. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação da CIDE com COFINS só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. A dedução prevista no art. 8° da Lei n° 10.336/01 é para valores efetivamente pagos e não compensados.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. PRECEDENTE DA TURMA, ACÓRDÃO 3301-004.355.
Matéria decidida no acórdão n° 3301-004.355, no sentido de que transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2.
A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2.
Recurso Voluntário conhecido em Parte, e na parte conhecida, Negado.
Numero da decisão: 3301-005.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10410.006059/2007-18
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5923927
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.182
nome_arquivo_s : Decisao_10410006059200718.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 10410006059200718_5923927.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7499738
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SÚMULA N° 1 DO CARF. A matéria objeto do processo administrativo submetida à apreciação do Poder Judiciário não pode ser conhecida, por imperativo da Súmula CARF n° 1. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A validade do lançamento é pautada pela observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. CIDE. COMPENSAÇÃO. ART. 8° DA LEI N° 10.336/01. IMPOSSIBILIDADE. A compensação da CIDE com PIS só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. A dedução prevista no art. 8° da Lei n° 10.336/01 é para valores efetivamente pagos e não compensados. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. PRECEDENTE DA TURMA, ACÓRDÃO 3301-004.355. Matéria decidida no acórdão n° 3301-004.355, no sentido de que transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SÚMULA N° 1 DO CARF. A matéria objeto do processo administrativo submetida à apreciação do Poder Judiciário não pode ser conhecida, por imperativo da Súmula CARF n° 1. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A validade do lançamento é pautada pela observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. CIDE. COMPENSAÇÃO. ART. 8° DA LEI N° 10.336/01. IMPOSSIBILIDADE. A compensação da CIDE com COFINS só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. A dedução prevista no art. 8° da Lei n° 10.336/01 é para valores efetivamente pagos e não compensados. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. PRECEDENTE DA TURMA, ACÓRDÃO 3301-004.355. Matéria decidida no acórdão n° 3301-004.355, no sentido de que transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário conhecido em Parte, e na parte conhecida, Negado.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148489850880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 163 1 162 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.006059/200718 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.182 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria TRIBUTAÇÃO DO ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES Recorrente COMPANHIA AÇUCAREIRA USINA DO CAPRICHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SÚMULA N° 1 DO CARF. A matéria objeto do processo administrativo submetida à apreciação do Poder Judiciário não pode ser conhecida, por imperativo da Súmula CARF n° 1. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A validade do lançamento é pautada pela observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. CIDE. COMPENSAÇÃO. ART. 8° DA LEI N° 10.336/01. IMPOSSIBILIDADE. A compensação da CIDE com PIS só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. A dedução prevista no art. 8° da Lei n° 10.336/01 é para valores efetivamente pagos e não compensados. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. PRECEDENTE DA TURMA, ACÓRDÃO 3301004.355. Matéria decidida no acórdão n° 3301004.355, no sentido de que transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 60 59 /2 00 7- 18 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 164 2 cálculo do PIS/Pasep, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SÚMULA N° 1 DO CARF. A matéria objeto do processo administrativo submetida à apreciação do Poder Judiciário não pode ser conhecida, por imperativo da Súmula CARF n° 1. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A validade do lançamento é pautada pela observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. CIDE. COMPENSAÇÃO. ART. 8° DA LEI N° 10.336/01. IMPOSSIBILIDADE. A compensação da CIDE com COFINS só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. A dedução prevista no art. 8° da Lei n° 10.336/01 é para valores efetivamente pagos e não compensados. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. PRECEDENTE DA TURMA, ACÓRDÃO 3301004.355. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 165 3 Matéria decidida no acórdão n° 3301004.355, no sentido de que transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário conhecido em Parte, e na parte conhecida, Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por bem descrever os fatos: 1. Contra a empresa já identificada foram lavrados os Autos de Infração, de fIs.05/06 e 14/15, do presente processo, para exigência dos Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 166 4 créditos tributários, adiante especificados, referente aos períodos de apuração constantes dos mencionados autos de infração do PIS e da COFINS: 2. De acordo com o autuante, os referidos autos são decorrentes da falta/insuficiência de recolhimento das contribuições e apurados nos demonstrativos, em função dos seguintes fatos: 2.1 o contribuinte considerou a tributação do PIS e Cofins, incidentes sobre as receitas de venda de álcool para fins carburante, no período de dezembro/02 a julho/04 para o PIS e de fevereiro/04 a julho/04 para Cofins, de forma não cumulativa; 2.2 dedução dos valores da CIDE sobre combustíveis, compensada com créditos de IPI, dos valores a recolher a titulo de PIS e Cofins; 2.3 o procedimento adotado relativo ao item 1, contraria o art 1°, parágrafo 3°, inciso IV, art. 8°, inciso VII, “a”, da Lei 10.637/02; art. 1°, parágrafo 3°, inciso IV, art. 10, inciso VII, “a”, da Lei 10.833/03 e ADI n° 1, de 12/01/05. As receitas provenientes da venda de álcool para fins carburantes sempre estiveram na sistemática cumulativa, não lhes sendo aplicado o regime não cumulativo; 2.4 quanto ao item 2, a Cooperativa Reg. de Açúcar e Álcool, CNPJ 12.277.646/000108, na forma do art. 22 da Lei n° 10.833/03 e art. 66 da Lei n. 9.430/96, sendo responsável pelo recolhimento da CIDE, PIS e Cofins de suas cooperadas (o contribuinte é uma de suas cooperadas), efetuou os recolhimentos da CIDE sobre combustíveis de suas cooperadas com créditos de IPI e deduziu dos valores do PIS e da Cofins a pagar. Este procedimento não tem previsão legal, visto que a dedução prevista no art. 8° da Lei n° 10.336/01 é para os valores efetivamente pagos. Não há amparo legal para dedução da compensação, embora compensação e pagamento sejam formas de extinção de créditos tributários, são procedimentos distintos. Entendimento corroborado pelas Delegacias de Julgamento, Acórdão n° 4.197 da DRJ/IRPO, mantido pelo 2° Conselho de Contribuintes pelo Acórdão 20310527 Recurso 126835 e Acórdão n° 11 15286 da DRJ/REC; 2.5 o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas, CNPJ 12.316.337/0001 91, do qual o contribuinte é associado, através do processo AGTR68538PE, 2006.05.00.0248543 (processo originário 2006.83.00.0039034) obteve em 07/11/06, liminar em mandado de Segurança, junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, para que o PIS e a Cofins incidentes sobre as receitas de álcool para fins carburante fosse tributado de forma não cumulativa, no período de dez/02 a abr/04 para o PIS e fev/04 a abr/04 para Cofins. Em 20/10/06, o juiz da 6ª Vara da Justiça Federal de Pernambuco, proferiu sentença julgando improcedente o pedido e denegando a segurança. Em 19/03/07 o juiz da 6ª Vara da Justiça Federal de Pernambuco inadmitiu os embargos apresentados pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas. Em 27/04/07 o Agravo de Instrumento AGTR 68538PE foi julgado perecido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por perda de objeto em função da sentença existente. A apelação em Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 167 5 Mandado de Segurança AMS 98901PE, junto ao TRF da 5ª Região, ainda não apreciada até a presente data. 3. lnconformada com as autuações, a contribuinte, por seu representante legal, apresentou as impugnações, de fls. 56/73 e 871106, anexou cópias de documentos, alegando, em síntese, que: 3.1 como se observa do Termo de Encerramento, o regime de recolhimento cumulativo e não cumulativo do PIS e da Cofins incidente sobre o álcool carburante, no período de 02/2004 a julho/2004, é alvo de controvérsia judicial entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil e o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas SINDAÇUCARIAL ao qual a Defendente è filiada; 3.2 o mencionado litígio e travado em mandado de segurança que tramita atualmente no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, estando aguardando julgamento a Apelação em Mandado de Segurança n° 98.901/PE interposta pelo Sindicato; 3.3 o segundo motivo do lançamento foi o fato de a empresa ter deduzido a CIDE compensada dos valores devidos a título de PIS e Cofins, na forma do art. 8° da Lei n° 10.336 de 2001, o que, na perspectiva da auditoria fiscal, não poderia ser possível; 3.4 entretanto, por meio da presente defesa, a empresa demonstrará que os autos de infração não procedem, sendo nulos de pleno direito; 3.5 notese de antemão que, in casu, não há que se falar em renúncia as instâncias administrativas, quanto à discussão acerca do regime PIS e Cofins incidente sobre o álcool carburante, no período de 02/2004 a julho/2004. Isso porque entre o presente processo administrativo e o referido mandado de segurança não há identidade de partes, em virtude do mandamus ter sido impetrado pelo SINDAÇUCARIAL e não pela empresa ora defendente, como bem relatou a fiscalização no seu Termo de Encerramento. Assim, devem ser conhecidas todas as matérias ora ventiladas, inclusive aquela alusiva ao regime de tributação do álcool carburante, no período objeto de autuação; 3.6 o princípio constitucional da ampla defesa e o art. 10, III, do PAF, exigem que autoridade administrativa detalhe com precisão a infração supostamente cometida pelo contribuinte e o quantum ela representa, de modo a permitir que o cidadão faça o contraponto das afirmações e apurações empreendidas pela fiscalização; 3.7 apesar da fiscalização ter sido clara quanto às duas pretensas infrações cometidas pela empresa, o auto de infração não destacou, separadamente, o quantum representava cada um dos assuntos tratados e o método de cálculo, no Termo de Encerramento, impedindo dessa forma, que a empresa possa examinar a correção ou não da apuração realizada pela auditoria fiscal, no que diz respeito aos temas que envolvem a presente controvérsia administrativa; Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 168 6 3.8 outro vício formal do auto de infração é a ausência, nos autos do processo administrativo, das eventuais prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal que dariam legitimidade à fiscalização tributária; 3.9 consoante Portaria que regula o MPF, o sujeito passivo deve ser cientificado da prorrogação do MPF, mesmo na hipótese de que a prorrogação tenha sido procedida via internet, mesmo assim, a fim de convalidar o procedimento, no primeiro ato de ofício praticado pela autoridade o sujeito passivo deverá ser cientificado; 3.10 também são inválidos os autos de infração ora impugnados, nos termos do art. 59, I, do PAF, pois, ausente a intimação da contribuinte da prorrogação do MPF, a fiscalização autuante não possui legitimidade para efetuar o lançamento; 3.11 não assiste razão ao fiscal autuante quando sanciona a empresa pelo fato de ter submetido suas vendas de álcool carburante ao regime não cumulativo do PIS no período de dezembro/02 a junho/04 e da Cofins, no período entre 1°.02.2004 e 31.07.2004. A prova inequívoca do direito da Defendente reside no fato de que, somente após a vigência dos artigos 21 e 37 da Lei n° 10.865, de 30.04.2004 (os quais alteraram a redação do art 1° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003), é que todas as receitas decorrentes de vendas de álcool carburante passaram a ser excluídas da não cumulatividade; 3.12 só depois da vigência da Lei n° 10865/2004 é que o faturamento de álcool carburante vendido pelas usinas passou a se submeter ao antigo regime cumulativo de recolhimento do PIS e da Cofins, tendo, ainda, o art. 46, I e IV, da mesma lei, submetido ao prazo nonagesimal por se tratar de inovação na legislação tributária; 3.13 não bastasse a fiscalização ter incluído as vendas de álcool carburante no regime cumulativo do PIS, no período de dezembro/02 a julho/04 e da Cofins, no período entre 1°.02.2004 a 31.07.2004, a planilha anexa ao auto de infração assinala que o álcool outros fins foi incluído também nesse antigo regime de recolhimento dessas contribuições, sem que fosse apontada sequer o motivo tático ou a base legal para tanto; 3.14 o auto de infração a pretexto de aplicar o art 8° da Lei n° 10.836 de 2001, findou por violálo, padecendo de ilegalidade o ato ora criticado também sob esse ponto de vista. A empresa quitou a CIDE devida na comercialização de álcool, mediante compensação tributária. Em seguida, utilizou esse montante, que adimpliu a CIDE, para deduzir os valores devidos a título de contribuição para o PIS e d e Cofins, nos termos do art. 8 da Lei n° 10.336 de 2001; 3.15 outra impropriedade do auto de infração consiste na inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, a despeito desse imposto estadual não se enquadrar no conceito de faturamento. Nesse sentido seis ministros do Supremo Tribunal Federal já se pronunciaram pela impossibilidade jurídica de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, cujo julgamento foi interrompido por um pedido de vistas do Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 169 7 Ministro Gilmar Mendes, sendo certo que foi firmada a maioria em prol dos contribuintes; 3.16 não obstante o termo de encerramento fiscal tenha sido omisso, a planilha anexa ao auto de infração demonstra que a fiscalização fez incidir PIS e Cofins sobre vendas canceladas, sem apresentar justificativa nenhuma para tanto. Nada justifica a incidência do PIS e Cofins sobre vendas canceladas, diante do que dispõe o art. 2°, parágrafo único, alínea “b”, da LC 70/91; art. 31, parágrafo único da Lei 8.981/95; art. 3°, § 2°, I, da Lei 9.718/98; art. 1°, V, "a", das Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003. Todos esses dispositivos excluem as vendas canceladas do conceito de faturamento e de receita bruta; 3.17 no que diz respeito à cominação de multa de oficio no percentual de 75%, sua aplicação ao caso dos autos viola o art 44, I, da Lei n° 9.430 de 1996 com redação dada pela Lei n° 11.488 de 2007. E que a mencionada norma condiciona a aplicação da multa de 75% na hipótese de declaração inexata do tributo. No presente caso a empresa não apresentou declaração inexata dos elementos fáticos necessários à apuração do PIS e da Cofins. Os autos de infração foram lavrados porque a empresa classificou seu faturamento de álcool carburante como nãocumulativo e deduziu valores da base de cálculo valores relativos à compensação de CIDE; 3.18 ainda que fosse aplicável ao caso o art. 44, l, da Lei n° 9.430 de 1996, esse dispositivo legal deve ser modulado nos casos dos autos para reduzir o percentual da multa em respeito ao art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei n° 9.784 de 1999 e aos princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade; 3.19 requer que seja julgado improcedente o lançamento e anulados os autos de infração, porque viola: 3.19.1 o art 10, III, do PAF, ao não individualizar o montante do suposto crédito tributário de acordo com os dois fundamentos trazidos pela fiscalização, preterindo, assim o direito de defesa da contribuinte autuada; 3.19.2 o art. 59, I, do PAF, ao não fazer prova da intimação da autuada da prorrogação do MPF, retirando a legitimidade da auditoria fiscal; 3.19.3 os arts. 21, 37, 46, I e IV, da Lei n° 10.865, de 30.04.2004, que alteraram a redação do art. 1° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, ao dizer que antes de sua vigência o álcool para fins carburantes fabricado pela usina autuada já seria cumulativo; 319.4 as Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003, ao incluir no regime cumulativo o álcool para outros fins fabricado pela usina autuada; 3.19.5 o art 8° da Lei n° 10.336 de 2001, ao não permitir a dedução da CIDE, adimplida por meio de compensação, na apuração do PIS e da Cofins; 3.196 o art. 2°, parágrafo único, alínea “b”, da LC 70/91; art 31, parágrafo único da Lei n° 8.981; art. 3°, § 2°, l, da Lei n° 9.718/98; art. 1°, V, Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 170 8 “a”, das Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003, ao incluir as vendas canceladas na base de cálculo do PIS e da Cofins; 3.197 o conceito de faturamento ao incluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins; 3.19.8 a alíquota aplicável ao caso, ao fazer incidir o percentual de 3% sobre a base de cálculo julgada inconstitucional pelo STF; 319.9 o art. 44, I, da Lei 9.430 de 1996, com redação dada pela Lei 11.488 de 2007, ao fazer incidir a multa de ofício de 75%, apesar não existir declaração inexata quanto aos elementos fáticos necessários à apuração da contribuição exigida; 3.19.10 o art 2°, parágrafo único, VI, da Lei n° 9.784 de 1999 e os princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade, ao não modular o percentual da multa de oficio nas circunstâncias dos autos. A 2ª Turma da DRJ/REC, acórdão n° 1127.412, conheceu em parte a impugnação e, na parte conhecida, negou provimento. A decisão restou assim ementada: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS A opção, por parte da interessada, pela discussão de determinada matéria junto ao Poder Judiciário, importa renúncia tácita às instâncias administrativas. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. A exclusão do ICMS da base de calculo do PIS por falta de previsão legal, não é permitida, quando cobrado na condição de contribuinte. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 171 9 específico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. CIDE. COMPENSAÇÃO. A compensação da CIDE com PIS só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. Assumo: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS (...) A decisão de piso conheceu em parte a impugnação (em virtude de concomitância) para rejeitar as preliminares e julgar improcedentes as outras matérias que não foram discutidas na esfera judicial. Em recurso voluntário, a Recorrente ratifica os termos da impugnação e, em especial, afirma que não houve renúncia à esfera administrativa, tendo em vista que não é parte do mandado de segurança coletivo, que foi movido pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, contudo, deve ser conhecido apenas em parte, como se exporá a seguir. Concomitância entre o presente processo administrativo e o mandado de segurança coletivo ajuizado pelo Sindicato A DRJ entendeu pela existência de concomitância, declarando a definitividade dos créditos tributários dos autos de infração de efls. 05/07 e 17/18, em virtude da ação movida pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas. Vejase: O Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas, CNPJ n° 12.316.337/000191, conforme consta do agravo de instrumento, fls. 38/50, representando as empresas, pessoas jurídicas, agroindustriais, produtoras de açúcar e álcool, entre as quais se encontra CIA. AÇUCAREIRA USINA CAPRICHO, CNPJ n° 12.213.922l0000166, fl.29, que impetrou Mandado de Segurança, preventivo, perante a 6ª Vara Federal/PE, processo originário n° 2006.83.00.0039034, em razão do justo receio provocado por ato assinado pelo Chefe da Superintendência Regional da Receita Federal SRRF da 4ª Região Fiscal, que exclui do regime nãocumulativo do PIS/PASEP e Cofins as Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 172 10 vendas de álcool carburante, produzidos pelas empresas representadas pelo impetrante, no período entre 1°.12.2002 e 31.07.2004, violando, dessa forma, o direito líquido e certo das citadas contribuintes a tal regime fiscal. (...) 6. Pelo exposto, resta claro que a discussão na seara judicial versa exatamente sobre a exclusão do regime nãocumulativo do PIS/PASEP e Cofins, no período entre 1°.12.2002 e 31.07.2004, as vendas de álcool carburante produzido pela empresa, configurando notória identidade de objeto discutido no processo judicial e neste processo administrativo. 7. Assim, com a propositura de ação judicial contra a Fazenda, a contribuinte manifestou renúncia tácita às instâncias administrativas no que se refere às questões postas em discussão na via judiciária, afastando, a partir de então, o pronunciamento dos órgãos julgadores administrativos sobre as referidas matérias, em face da unicidade de jurisdição prevista na Constituição Federal. De fato, observase que o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas, ao qual a contribuinte é filiada, através do processo AGTR68538PE, 2006.05.00.0248543 (processo originário 2006.83.00.0039034) obteve em 07/11/06, liminar em mandado de segurança, junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª região, para que o PIS e a COFINS incidentes sobre as receitas de álcool para fins carburantes fossem tributados de forma não cumulativa, no período de 12/02 a 04/04 para o PIS e 02/04 a 04/04 para a COFINS. O TRF da 5ª Região, na AMS 98901PE 2006.83.00.0039034, decidiu que: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SINDICATO DA INDÚSTRIA DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL DE ALAGOAS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. EXCLUSÃO DA NÃO CUMULATIVIDADE DA RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES TÃOSÓ NOS TERMOS DA LEI 9.990/00 SOB REGIME MONOFÁSICO DE TRIBUTAÇÃO. CONSULTA QUE CONCLUIU PELA NÃO SUJEIÇÃO DAS USINAS AO REGIME MONOFÁSICO. MODIFICAÇÃO PELA LEI 10.865/2004. RECONHECIMENTO DO DIREITO DAS USINAS AO REGIME NÃOCUMULATIVO ATÉ A VIGÊNCIA DA LEI 10.865/2004 CONFORME SEU ART. 46. APELAÇÃO PROVIDA. 1 Mandado de segurança coletivo impetrado pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas que visa o reconhecimento do direito líquido e certo das Usinas do Estado de Alagoas ao recolhimento do PIS e da COFINS sobre as vendas de álcool para fins carburantes sob regime não cumulativo no período de vigência das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 até a edição da Lei 10.865/2004 (1º.08.2004). 2 – A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, trata do PIS à luz do regime nãocumulativo de incidência, e a Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, trata da COFINS quanto ao mesmo aspecto. 3 – A redação original dos art. 1º, §3º, IV da Lei 10.637/2002, reproduzido na Lei 10.833/2003, dispõe que Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 173 11 somente as pessoas jurídicas que auferiam receita nos moldes das Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e nº 10.485, de 3 de julho de 2002 todos estes produtos submetidos ao regime monofásico, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição, estavam excluídas do regime nãocumulativo do PIS e COFINS. 4 Ressaltese que a Lei 9.990/2000 alterou, dentre outros, dispositivos da Lei 9.718/98 e a redação atual de seu art. 3º trata especificamente da tributação monofásica do PIS e da COFINS, estabelecendo que devem se submeter àquela sistemática de cobrança as refinarias de petróleo, as distribuidoras de álcool para fins carburantes, os importadores de álcool carburante e os importadores ou produtores de gasolina, óleo diesel e gás liquefeito. 5 No tocante à Lei 9.990/00, que trata da incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda de álcool para fins carburantes, havia controvérsias, no âmbito da Administração Fiscal, no tocante às Usinas que vendiam álcool para fins carburantes. 6 Em face da consulta realizada a Administração Fiscal, restou esclarecido pelo Fisco que as empresas produtoras de álcool para fins carburantes não estavam sob o regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS e que as receitas auferidas pelas Usinas provenientes das vendas do álcool para fins carburante nunca estiveram sujeitas ao regime monofásico. 7 Observese que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 excluem da incidência do PIS e da COFINS, de forma expressa, às receitas provenientes da venda de álcool para fins carburantes. 8 É necessária uma interpretação combinada entre os artigos 1º, 3º, IV com o art. 8º da Lei 10.637/2002 e dos artigos 1º, 3º, IV com o art. 10º da Lei 10.833/2003, para concluir que as receitas provenientes de vendas de álcool, para fins carburantes, que ensejam a exclusão do regime da não cumulatividade do e da COFINS são aquelas provenientes das vendas de álcool, para fins carburantes, mas desde que sujeitas à tributação monofásica, e repitase que a própria Consulta feita à Administração reconheceu que as receitas auferidas pelas Usinas provenientes das vendas do álcool para fins carburante nunca estiveram sujeitas ao regime monofásico. 9 Somente a partir da vigência da Lei 10.865/2004, conforme prevê seu art. 53, a partir de 1º de maio de 2004 é que foi excluída, expressamente, a receita de venda de álcool para fins carburantes do regime nãocumulativo de incidência do PIS e da COFINS. 10 Tendo em vista que a legislação aplicável à obrigação tributária é aquela vigente à época da ocorrência do fato gerador, as receitas obtidas pelas Usinas, ora substituídas, provenientes da venda de álcool para fins carburantes no período entre 1º.12.2002 até 30.04.2004 estavam sujeitas ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, no período entre 1º.12.2002 e 31.07.2004, em observância ao art. 46 da Lei 10.865/2004. 11 Apelação provida. A Recorrente alega que não é parte do Mandado de Segurança, já que foi movido pelo Sindicato. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 174 12 Em sentido contrário, entendo correta a decisão recorrida, porquanto configurada a concomitância. O mandado de segurança coletivo foi impetrado pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas com o fim de reconhecimento do direito líquido e certo das usinas do Estado de Alagoas (incluída a Recorrente) ao recolhimento do PIS e da COFINS sobre as vendas de álcool para fins carburantes sob regime nãocumulativo no período de vigência das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 até a edição da Lei n° 10.865/2004 (01/08/2004). Claro, por conseguinte, que há a identidade de matéria. Os art. 21 e 22 da Lei n° 12.016/2009, dispõem: Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser: I coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; II individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1o O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. § 2o No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser concedida após a audiência do representante judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de 72 (setenta e duas) horas. O Sindicato impetrou mandado de segurança em defesa dos direitos individuais homogêneos de suas filiadas, ligados às atividades finalísticas delas, configurando Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 175 13 se como substituto processual. E, nos termos do art. 21 da Lei n° 12.016/2009, a defesa dos direitos das filiadas pelo Sindicato independe de autorização. Ademais, a coisa julgada lhe atinge, conforme art. 22 da Lei nº 12.016/2009. A renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa ou a desistência do recurso eventualmente interposto referese às medidas judiciais interpostas pelo sujeito passivo ou seu substituto processual. Logo, a concomitância alcança as medidas de caráter coletivo ajuizadas pelo Sindicato no interesse de seus associados. Em suma, a matéria referente à inclusão no regime nãocumulativo do PIS/PASEP e COFINS, no período entre 01/12/2002 e 31/07/2004, das vendas de álcool carburante, está submetida à apreciação do Poder Judiciário. Por isso, o recurso voluntário não deve ser conhecido na parte IIIA, efls. 146151. Cerceamento de defesa por violação ao art. 10, III, do Decreto n° 70.235/72 Afasto a pretensão de declaração de nulidade do auto de infração, porquanto entendo terem sido observados os requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 176 14 V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Outrossim, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando qualquer dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Comprovouse que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Logo, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em nulidade. Nulidade por ausência de notificação da prorrogação do MPF A Recorrente alega a nulidade dos autos de infração sob a alegação de que a autoridade fiscal não apresentou o demonstrativo de prorrogação do MPF. Não há razão no argumento, porquanto a falta de notificações de prorrogações de MPF, ainda que configurada, não implica em nulidade do auto de infração. Explico. O MPF e suas prorrogações são meros instrumentos de gerenciamento da atividade fiscal. Assim, eventual descumprimento do MPF caracteriza infração administrativa, que deve ser apurada em procedimento administrativo interno da RFB, sendo que o resultado desse procedimento não interfere no lançamento tributário legalmente formalizado. Apenas após a lavratura do auto de infração, é que se aplicam as disposições do Decreto n° 70.235/1972. Afasto a pretensão de nulidade, porquanto foram observados na lavratura dos autos de infração os requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972, como já mencionado acima. Art. 8° da Lei n° 10.336/2001 Alega a Recorrente que a extinção da CIDE por quaisquer modalidades previstas no art. 156 do CTN garante a possibilidade de dedução do PIS/COFINS, prevista no 8° da Lei 10.336/2001. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 177 15 Prescreve o art. 8° da Lei n° 10.336/2001: O contribuinte poderá, ainda, deduzir o valor da CIDE, pago na importação ou na comercialização, no mercado interno, dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos no art. 59, até o limite de, respectivamente:(.....) A Cooperativa de Açúcar e Álcool de Alagoas, que, na forma do art. 22 da Lei n° 10.833/03 e art. 66 da Lei n° 9.430/96 é responsável pelo recolhimento da CIDE, PIS e COFINS de suas cooperadas (incluída a Recorrente), efetuou compensação da CIDE sobre combustíveis de suas cooperadas com créditos de IPI e deduziu dos valores do PIS e da COFINS a pagar. A acusação fiscal voltase a apontar a ausência de previsão legal para tal conduta, visto que a dedução prevista no art. 8° da Lei n° 10.336/2001 é para valores efetivamente PAGOS e não COMPENSADOS. A compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário nos termos do art. 156 do CTN, todavia têm procedimentos distintos. Entendo que a decisão de piso andou bem ao não equiparar compensação a pagamento para fins de subsunção ao art. 8° da Lei n° 10.336/2001: Aqui não se trata de extinção do crédito tributário, mas sim de deduzir do PIS e da Cofins o valor da Cide, pago na importação ou na comercialização. Ora, se houve compensação da CIDE na importação ou na comercialização no mercado interno, o que houve foi uma extinção do crédito tributário da Cide, pela compensação. Assim, é de se manter o lançamento, por não se tratar de valores pagos, como previu a Lei n° 10.336 de 2001, inviabilizando sua dedução da contribuição devida. Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS A despeito de entendimento pessoal, curvome ao decidido por esta 1ª Turma Ordinária, no acórdão n° 3301004.355, de 20 de março de 2018, no sentido da impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS antes do trânsito em julgado do RE n° 574.706. Transcrevo o voto vencedor lá proferido, como razões de decidir: Sobre o tema da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 178 16 Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluindose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do trânsito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 179 17 estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1° A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e (...) § 4° Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5° Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4°. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. Inadequação da multa de ofício e confiscatoriedade Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10410.006059/200718 Acórdão n.º 3301005.182 S3C3T1 Fl. 180 18 Dessa forma, constatada a insuficiência de pagamento do PIS e da COFINS, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente, que neste caso foi de 75%, de acordo com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. A caracterização da multa como efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 02, a qual dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por essas razões, voto por conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
