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Numero do processo: 10850.907339/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/06/2008
DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELA AUTORIDADE LANÇADORA.
Restando comprovado através de diligência que a contribuinte possuía crédito para pagamento de outros débitos, deve-se determinar o processamento da declaração e a compensação até o limite reconhecido.
Recurvo Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a compensação até o limite do crédito admitido no relatório de fls. 618-620.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 07/05/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/06/2008 DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. Restando comprovado através de diligência que a contribuinte possuía crédito para pagamento de outros débitos, devese determinar o processamento da declaração e a compensação até o limite reconhecido. Recurvo Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a compensação até o limite do crédito admitido no relatório de fls. 618620. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 73 39 /2 00 9- 28 Fl. 628DF CARF MF 2 EDITADO EM: 07/05/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação DComp nº 20562.62547.170708.1.3.041930, visando a compensação de parte do crédito do pagamento indevido da Cofins do mês de maio de 2008, com débitos de PIS e da Cofins do mês de junho de 2008, nos valores de R$ 1.139,94 e R$ 22.051,15, respectivamente. A unidade da Receita Federal de São José do Rio Preto, por meio de despacho decisório (eletrônico) de fls.32, não homologou a compensação declarada, com base nos seguintes fundamentos: "A partir das características discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada" Em sede de manifestação de inconformidade (fls.0102) a contribuinte alegou (i) preliminarmente: No preenchimento da DCTF do 1º semestre de 2008, o valor informado no campo "Informações do Débito" foi informado com base no DARF que havia sido pago, porém o valor é indevido; e (ii) no mérito: Apesar do preenchimento incorreto DCTF 1º Semestre de 2008, segue anexo a mesma retificada, e diante do exposto acima e com base nos documentos anexados, comprovamos a origem da apuração do crédito e discordamos do despacho decisório em questão. Para comprovar suas alegações, apresentou cópia (i) do despacho de decisório; e (ii) da DCTF retificadora apresentada em 06.11.2009, relativa ao 1º Semestre/2008 (fls.3457), sendo que o comprovante de pagamento do DARF no valor de R$ 16.357,87, mencionado pela Recorrente não fora juntado aos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls.6062), proferida pela 14ª Turma da DRJ/RPO que, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base nos seguintes fundamentos: (i) Embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. (ii) O exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10850.907339/200928 Acórdão n.º 3302005.408 S3C3T2 Fl. 3 3 extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. (iii) a interessada não contesta os fundamentos da decisão administrativa, ou seja, não busca demonstrar os fundamentos legais ou factuais da existência do crédito com o qual pretendeu a extinção do débito tributário por meio de compensação. Simplesmente alega erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais sem trazer qualquer justificativa ou prova a respeito. Com efeito, não foi apresentado qualquer documento que evidencie o erro de apuração original e, portanto, confira consistência à retificação formalizada. (iv) a simples retificação de declarações, no caso da DCTF, não é suficiente para fazer nascer direito creditório passível de oposição à Fazenda Pública. Sem que se justifique e se comprove os fundamentos do direito de crédito, acatar o argumento da interessada seria admitir que sua simples vontade, materializada numa declaração retificadora, fosse suficiente para criar créditos em seu favor, o que contraria todo o arcabouço legal tributário. (v) Ainda sobre a retificadora, sua apresentação aconteceu após a ciência do despacho decisório, pelo que é incapaz de comprometer seus fundamentos. Intimada da decisão de piso em 07.11.2013, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.12.2013, instruído com novos documentos (DACON; Balancete Analítico; DCTF retificadora apresentada em 20/07/2010; DARF no valor de R$ 60.645,56; DARF´s relacionadas aos processos 10850.908.422/200914 e 10850.908155/200985) e, alegando em síntese: (i) que, por um erro material escusável no preenchimento da DCTF Semestral 1º Semestre de 2008 a recorrente lançou incorretamente como valor devido a título de COFINS referente à Maio de 2008 o valor de R$ 60.645,56, quando na verdade deveria informar o valor de R$ 37.684,08, valor correto devido a titulo de COFINS referente a Maio de 2008; (ii) que a DACON Semestral, na competência Maio de 2008 fora preenchida incorretamente na ficha 18A Cálculo da COFINS, como se nota da cópia da DACON referida, a qual segue em anexo (doc. 02), na linha 01 Receita de Vendas de Bens e Serviços Alíquota Cumulativa consta como Receita o valor de R$ 723.152,59, quando na verdade deveria constar o valor de R$ 1.256.136,05, valor este que deveria ser utilizado como Base de Cálculo da COFINS; (iii) que, tendo sido informado valor incorreto de Receita, o valor a ser recolhido a título de COFINS foi calculado incorretamente como R$ 21.694,58, quando na verdade o valor devido a título de COFINS referente ao período 05/2008 é de R$ 37.684,08. Tal valor de Receita pode ser confirmado a partir da análise do Balancete Contábil da recorrente referente ao mês de maio de 2008, cuja cópia segue em anexo (doe. 03); (iv) que, como visto, a recorrente, por conta de sucessivos erros, preencheu incorretamente as declarações que comprovam o valor devido a esse título no período de maio de 2008 (DACON e DCTF), tanto que a DCTF do 1º Semestre de 2008 (doc.04), ainda pende de retificação, eis que permanece incorreta, não havendo sido declarado nenhum valor devido a título de COFINS referente a maio de 2008; e (v) por fim, invoca o princípio da verdade material, colacionando precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 630DF CARF MF 4 Em 16.10.2014, por meio da Resolução nº 3801000.850, o julgamento do processo foi convertido em diligência para que a Recorrente fosse intimada a regularizar sua representação processual. Em atendimento a citada diligência, a Recorrente procedeu a regularização de sua representação através dos documentos juntados às fls.158170. Já em 17 de maio de 2016, o processo foi novamente convertido em diligência para que a autoridade administrativa certificasse a existência do indébito, a partir dos documentos constantes nos autos ou de outros que julgasse necessário, bem como se houve utilização do crédito em outras compensações, além das já mencionadas no relatório do voto condutor. A fiscalização prestou informações às fls. 618620, com intimação da Recorrente sobre o resultado em diligência em 16.08.2017, sendo que esta não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme noticiado anteriormente, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação DComp nº 20562.62547.170708.1.3.041930 visando a compensação de parte do crédito do pagamento indevido da Cofins do mês de maio de 2008, no valor de R$ 22.961,48, (60.645,5637.684,10=22.961,48) com débitos de PIS e da Cofins do mês de junho de 2008, nos valores de R$ 1.139,94 e R$ 22.051,15, respectivamente. Referida declaração não foi homologada pela fiscalização pelo fato do crédito apurado pela Recorrente ter sido utilizado em outras DCOMPS, conforme noticiado no despacho decisório e, confirmado na decisão combatida. A Recorrente em sede recursal confessou que utilizou o crédito apurado no mês de maio de 2008, no valor de R$ 60.645,56, para compensar outros débitos, objeto dos processos administrativos 10850.907718/200918 e 10850.907340/200952 e, que dado o equivoco noticiado, procedeu ao pagamento dos débitos informados naqueles processos, restando, assim, crédito para pagamento do débito objeto destes autos. É o que se extrai do argumento apresentado pela Recorrente: "Por fim, importante que se esclareça que o presente crédito não sendo discutido em nenhum outro processo administrativo ou PER/DCOMP, sendo objeto exclusivo dos presentes autos. A recorrente identificou que havia informado o presente crédito em outros 02 PER/DCOMP (28774.72091.170309.1.3.040738 e 12993.14520.250209.1.304.6676) objeto dos processos administrativos 10850.907718/2009189 e 10850.907340/200952, todavia a recorrente procedeu ao pagamento dos dois débitos supracitados a fim de extinguir os 02 processos mencionados, conforme demonstram as guias recolhidas em anexo (doc.07)" (grifado) Não obstante o evidente equivoco nos procedimentos adotados pela Recorrente para pagamento dos débitos através dos pedidos de compensação, a antiga Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10850.907339/200928 Acórdão n.º 3302005.408 S3C3T2 Fl. 4 5 composição dessa turma, determinou a conversão do julgamento em diligência (vide resolução nº 3302000.552 fls.174180) para esclarecer os seguintes pontos: a) verificar a existência do indébito, a partir dos documentos constantes dos autos ou de outros que a fiscalização julgasse necessário; e b) se houve utilização do crédito em outras compensações, além daqueles já mencionadas nos autos. Em resposta ao pedido de diligência, a fiscalização prestou as seguintes informações: 4. A soma total das receitas acima mencionadas, no mês de Maio de 2008, é de R$.1.256.136,05, e que multiplicado pela alíquota de 3% (três por cento) temos o valor da contribuição da COFINS devida de R$.37.684,08. (...) 8. Apuramos através dos registros ao sistema SIEF PERDCOMP que foram transmitidas 5 (cinco) Declarações de Compensação que utilizaram o mesmo direito creditório, são elas: 20562.62547.170708.1.3.041930; 12993.14520.250209.1.3.046676; 28774.72091.170309.1.3.040738; 31553.24632.200309.1.3.049641; 12197.72024.200409.1.3.04 3145. 9. A DCOMP de nº 20562.62547.170708.1.3.041930 foi a primeira a ser transmitida e está sendo objeto de análise neste processo de nº 10850.907339/220928. As DCOMPs acima relacionadas de nºs 12993.14520.250209.1.3.046676 e 28774.72091.170309.1.3.040738 foram consideradas não homologadas através dos processos de nºs 10850.907340/200952 e 10850.907718.200918, respectivamente, e os débitos compensados foram extintos por pagamentos. 10. As DCOMPs de nºs 31553.24632.200309.1.3.049641 e 12197.72024.200409.1.3.043145 encontramse totalmente homologadas. Abaixo, demonstramos os débitos compensados e o valor doscréditos utilizados: DCOMP Nº DÉBITO COMPENSADO SALDO CREDOR VALOR DEB. COMPENSADO VR UTILIZADO DO CRÉDITO SALDO ORIGINAL APÓS COMPENSAÇÕES 31553.24632.200309.1.3.049641 0561 – PA 02/2009 22.961,48 8.382,16 7.660,54 15.300,94 12197.72024.200409.1.3.043145 2372 – PA 1ºTR2009 15.300,94 2.253,33 2.041,24 13.259,70 11. Conforme acima demonstrado, verificamos que após compensados os débitos das referidas DCOMPs, restou um saldo original no valor de R$.13.259,70. 12 Assim, conforme os termos propostos na Resolução nº 3302000.522 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, proferido na data de 17/05/2016 (FLS.174/180), concluímos que, da análise aos documentos anexados ao processo, verificamos que os registros apresentados nos Livros Diário, Razão e ISSQN, registram o faturamento para o mês Maio de 2008 no valor de R$.1.256.136,05, onde não foi possível confirmar pela não apresentação das Notas Fiscais de Serviços Prestados, que multiplicado pela alíquota de 3% (três por cento), apurase a COFINS devida de R$.37.684,08, e observado que o recolhimento total do DARF em 20/06/2008 foi de R$.60.645,56, resta um saldo de R$.22.961,48 pleiteado inicialmente pela contribuinte. Desta forma, proponho, que esta Informação Fiscal seja cientificada ao Fl. 632DF CARF MF 6 contribuinte, para que, se o desejar, apresente manifestação dentro do prazo de 30 (trinta) dias e, posteriormente seja encaminhado ao CARF para continuidade do julgamento. Do que se extrai das informações fiscais é que (i) restou confirmada a base de cálculo apurada pelo contribuinte e, consequentemente a existência do indébito; (ii) o crédito apurado pela Recorrente no valor de R$ 22.961,48, inicialmente foi informado em outras DCOMP´s, contudo, após o pagamento dos débitos noticiados pela Recorrente, referido valor é passível de utilização para pagamento do débito discutido nestes autos. Neste cenário, entendo que assiste razão à Recorrente, devendo ser devidamente processado a DComp nº 20562.62547.170708.1.3.041930 e compensado o débito até o limite do crédito admitido pela fiscalização no relatório de fls. 618620. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 633DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.901506/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO ATRASADO.
A multa moratória não é afastada pelo instituto da denuncia espontânea em razão de recolhimento atrasado e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito.
Numero da decisão: 1301-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO ATRASADO. A multa moratória não é afastada pelo instituto da denuncia espontânea em razão de recolhimento atrasado e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
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MULTA DE MORA. PAGAMENTO ATRASADO. A multa moratória não é afastada pelo instituto da denuncia espontânea em razão de recolhimento atrasado e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 15 06 /2 00 8- 01 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10073.901506/200801 Acórdão n.º 1301002.880 S1C3T1 Fl. 116 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10073.901506/200801 Acórdão n.º 1301002.880 S1C3T1 Fl. 117 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instancia que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas em razão da inexistência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirma que o reconhecimento do débito, bem como, dos juros de mora foram efetuados voluntariamente, o que torna indiscutível a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, e exime o contribuinte da responsabilidade pelo pagamento da multa de mora, pois a efetivação das compensações se deu antes de qualquer procedimento de fiscalização. O Acórdão recorrido entendeu pela inaplicabilidade da denúncia espontânea ao caso concreto, fundamentando sua decisão no argumento de que não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea, pois o art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). No Recurso Voluntário apresentado a recorrente repisa seus argumentos de defesa levantados em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10073.901506/200801 Acórdão n.º 1301002.880 S1C3T1 Fl. 118 4 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Compensação Conforme o parágrafo 3º do art. 57 do Regulamento do CARF, o relator pode, para fundamentar seu voto, adotar os argumentos da decisão de primeira instância e transcrever respectivo trecho de tal decisão se verificar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação do adotado pela decisão recorrida. Neste sentido, transcrevese trecho da decisão de primeira instancia que retrata o convencimento do relator (fl. 64 e segs.): O interessado pretendeu compensar valor pago a titulo de multa de mora, invocando o art. 138 do CTN. Não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância do art. 138, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. A multa de mora não é afastada em razão de recolhimento espontâneo e, por conseguinte; seu pagamento não representa indébito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não ter restado configurada a existência de crédito. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10073.901506/200801 Acórdão n.º 1301002.880 S1C3T1 Fl. 119 5 Resssaltase que o pagamento atrasado, uma vez formalizada a declaração e sem apresentação de procedimento específico relacionado a denuncia espontânea não se enquadra no art. 138 do CTN. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901194/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 11 94 /2 01 4- 65 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.901194/201465 Acórdão n.º 3301004.414 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.731, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.901194/201465 Acórdão n.º 3301004.414 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.901194/201465 Acórdão n.º 3301004.414 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.901194/201465 Acórdão n.º 3301004.414 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.901194/201465 Acórdão n.º 3301004.414 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.901194/201465 Acórdão n.º 3301004.414 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.901194/201465 Acórdão n.º 3301004.414 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.901194/201465 Acórdão n.º 3301004.414 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.724523/2016-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Ausência de elementos que justifiquem na forma documental a data do início da ocorrência da situação alegada.
Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte está sustentada em elementos que indicam a inocorrência da situação na data apontada no documento.
Numero da decisão: 2001-000.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de 01/04/2014, não se aplicando para o ano-base de 2013, como pleiteado na declaração retificadora, e excluir as penalidades a título de multa e juros de mora aplicadas. Vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira que votou por negar provimento e Jorge Henrique Backes que votou por dar provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Ausência de elementos que justifiquem na forma documental a data do início da ocorrência da situação alegada. Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte está sustentada em elementos que indicam a inocorrência da situação na data apontada no documento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de 01/04/2014, não se aplicando para o anobase de 2013, como pleiteado na declaração retificadora, e excluir as penalidades a título de multa e juros de mora aplicadas. Vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira que votou por negar provimento e Jorge Henrique Backes que votou por dar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 23 /2 01 6- 81 Fl. 76DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por pleito de direito creditório, para efeito de restituição, sobre rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 8.751,71, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento com imposto suplementar de R$8.751,71 relativo ao anocalendário de 2013 em virtude da apuração da omissão de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave por não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. A descrição dos fatos e o enquadramento legal se encontram na notificação de lançamento. (...) Na isenção dos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, o inciso XXXIII do artigo 39 do RIR/1999, dispõe que: “Art.39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10166.724523/201681 Acórdão n.º 2001000.312 S2C0T1 Fl. 77 3 portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º). § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Necessário esclarecer que o objetivo da apresentação do laudo pericial é comprovar, para fins da isenção do imposto de renda prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713 de 1998, que a pessoa física é efetivamente portadora de uma das moléstias graves ali arroladas. Concluise que a isenção está vinculada a dois requisitos cumulativos indispensáveis à sua concessão: a patologia do contribuinte, que deve estar tipificada no texto legal e assim reconhecida por intermédio de laudo pericial expedido por serviço médico oficial, e a natureza do rendimento percebido deve ser aposentadoria, reforma ou pensão. Consta da descrição dos fatos e do enquadramento legal: De acordo com os documentos apresentados, o contribuinte e portador de Doença Alzheimer desde fevereiro de 2012. Há de se destacar que o direito a isenção começa a partir do momento em que é diagnosticado como alienado mental (o que ocorreu em abril de 2014). Nesse sentido, os rendimentos recebidos no anocalendário 2013 são considerados como tributáveis (R$127.365,15). No caso dos autos, o “Laudo Pericial” (fl.15) datado de 13/03/2015 e a declaração da Total Care, ambos assinados pela Dra. Josie T. Lima Velano – CRMDF 18.481, informa que o contribuinte é portador de Fl. 78DF CARF MF 4 Doença de Alzheimer (CID 10 – G30) desde de 02/2012 devendo ser reavaliado em 20/01/2015. Entretanto, esses documentos não se constituem em Laudo Médico Oficial tendo em vista que ambos foram emitidos por médico particular neles não havendo qualquer vinculação com o serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, conforme expressamente previsto nos dispositivos legais acima transcritos. Por outro lado, através da Avaliação nº 229/2015 (fls. 18 a 20) realizada pela Junta Médica Oficial do Departamento de Gestão de Pessoas da Policia Civil do Distrito Federal verificase que somente foi deferido pedido de isenção de seus proventos de aposentadoria a partir de 01/04/2014. Esclareçase que a referida Junta Médica Oficial não fixou expressamente que a data do início da doença seria em fevereiro de 2012, como constou nos documentos firmados pela Dra. Josie T. Lima Velano. Assim, estando comprovado nos autos que o contribuinte teve a moléstia grave reconhecida mediante Laudo Médico Oficial (fls. 18 a 20) somente em 01/04/2014, não faz ele jus a isenção de seus proventos de aposentadoria. (...) Diante do acima exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido em razão do não reconhecimento ao direito à isenção pleiteada referente período. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10166.724523/201681 Acórdão n.º 2001000.312 S2C0T1 Fl. 78 5 (...) (...) (...) Fl. 80DF CARF MF 6 (...) (...) Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10166.724523/201681 Acórdão n.º 2001000.312 S2C0T1 Fl. 79 7 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), Fl. 82DF CARF MF 8 contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10166.724523/201681 Acórdão n.º 2001000.312 S2C0T1 Fl. 80 9 remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo Oficial que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. O Contribuinte retificou sua declaração do Imposto de Renda com o objetivo de incluir os rendimentos no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência requerer a restituição do imposto recolhido na fonte pela instituição pagadora. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. O laudo médico particular atesta a doença de Alzheimer desde fevereiro de 2012, contudo o laudo médico oficial que tem a força comprobatória legal, embora considere que a moléstia tenha se iniciado anteriormente, conclui que a alienação mental definidora do direito ao benefício da isenção se processou a partir de 2014, conforme consta dos autos. Ocorre que o laudo médico do Dr. Josie Theodoro Lima Velani, datado de 13/03/2015, relata que o paciente foi atendido, oportunidade em que foi constatado déficit cognitivo, ocasião em que foi relatado pela família que a situação há mais de um ano, portanto, desde 2014, embora no texto introdutório tenha apontado que o paciente seja portador da doença de Alzheimer desde 02/2012. Da mesma forma, consta dos autos o Relatório Medico da TotalCare, assinado pelo mesmo profissional médico datado de 27/12/2015, em que afirma que o referido Fl. 84DF CARF MF 10 paciente encontrase em segmento clínico regalar há cerca de um ano, reportandose, portanto, ao ano de 2014, com o diagnóstico de Demência de Alzheimer (CID10 G30), em estágio moderado. Em sequência, o laudo médico de avaliação da Junta Médica Oficial, Avaliação nº 229/2015, exarado em 07/04/2015, consigna o procedimento do exame pericial do paciente José Luiz da Silva, em que discorre sobre o histórico da situação da moléstia e conclui que pela presença da enfermidade. Assim, em razão do laudo oficial ter sido firmado considerando que os efeitos definidores da doença de Alzheimer com apresentação do estágio de demência, considerados os relatos familiares e da afirmação apontada nos laudos médicos particulares que reportam o estágio definidor da enfermidade a partir do ano anterior aos exames, foi deferida a solicitação de isenção do Imposto sobre a Renda a contar de 01 de abril de 2014, primeiro dia do mês da constatação oficial do exame que definiu o direito ao beneficio, considerando a retroatividade de um ano com base nos relatos das informações médicas prestadas. CONCLUSÃO O Recorrente afirma que: “O que se busca aqui é a restituição dos valores retroativos à data do laudo que constatou a doença. (...), requer a restituição referente ao ano de 2013.” Pondera ainda que: “A decisão deve ser reformada, tendo em vista que o direito que se busca aqui é a restituição dos valores já descontados a título de Imposto de Renda retroativamente à data do laudo que atestou a enfermidade do servidor (fevereiro de 2012 vide laudo anexo), acrescidos dos juros de mora e correção monetária, conforme legislação regente, observandose o prazo prescricional.” Reafirma que: “O contribuinte recolheu o IR indevidamente e tem o direito de ter restituído esse valor imediatamente, porque sua retenção é ilegal.” Quanto à retificação da DIRPF apresentada diz: “É dever da Administração revisar seus atos quando perceba que eles estão incorretos, não sendo razoável tributar mais que o devido apenas porque o contribuinte retificou sua declaração para incluir em campo específico que é isento do IR.” Quanto á multa de ofício e juros de mora, alega que: “O auditor poderia, no máximo, não ter acatado o laudo, por considerar que não era válido, porém, nunca ter apenado o contribuinte com a punição das multas aplicadas. (...)” Por fim requer: “A imediata restituição dos valores já descontados a título de Imposto de Renda exercício de 2014 retroativamente à data do laudo médico que atestou a enfermidade do contribuinte, (02/2012) acrescidos dos juros de mora e correção monetária, conforme legislação de regência.” Neste sentido como o pedido do Recorrente é pela restituição dos valores que foram retidos pela fonte pagadora de seus proventos de aposentadora referente ao anobase de 2013, mas antes da comprovação oficial da moléstia, a decisão deste Acórdão é de negar provimento, desconsiderando os efeitos da declaração retificadora apresentada pelo Contribuinte. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10166.724523/201681 Acórdão n.º 2001000.312 S2C0T1 Fl. 81 11 No que se refere à multa de ofício e juros de mora é de considerar que devam ser excluídos tais acréscimos de vez que não ocorreu inadimplência no pagamento do tributo e tampouco houve lesão a fisco porque o Recorrente não deixou de pagar o imposto, apenas apresentou DIRPF retificadora para pleitear os valores que lhes foram descontados a título de Imposto de Renda retidos na fonte sobre proventos de aposentadoria, em data anterior a expedição do laudo oficial. Da mesma forma que incabível a exigência de multas sobre valores não inadimplidos ou não oferecidos a tributação. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de 01/04/2014, não se aplicando, portanto, para o anobase de 2013, como pleiteado na declaração retificadora, desconsiderando os efeitos dela decorrentes e excluirse, todavia, pelas razões antes apontadas, as penalidades a título de multa e juros de mora que lhe foram aplicadas. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.001191/2007-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/05/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECONSTITUIÇÃO DE LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. INDICAÇÃO DA NATUREZA DO VÍCIO NO ACÓRDÃO. TRANSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO POR OUTRO ÓRGÃO JULGADOR.
Não compete ao julgador mudar a natureza de vício já declarado por outro órgão julgador, e por conseguinte, declarar a decadência do lançamento, quando o processo anulado transitou em julgado com expressa indicação de tratar-se de vício formal.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECONSTITUIÇÃO DE LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. INDICAÇÃO DA NATUREZA DO VÍCIO NO ACÓRDÃO. TRANSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO POR OUTRO ÓRGÃO JULGADOR. Não compete ao julgador mudar a natureza de vício já declarado por outro órgão julgador, e por conseguinte, declarar a decadência do lançamento, quando o processo anulado transitou em julgado com expressa indicação de tratarse de vício formal. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 11 91 /2 00 7- 01 Fl. 708DF CARF MF 2 por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de NFLD, DEBCAD: 35.690.8577 consolidado em 21/12/2005, contra o contribuinte identificado acima, no valor de R$ 6.974,93 (seis mil, novecentos e setenta e quatro reais e noventa e três centavos), relativo à responsabilidade solidária decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme preceitua o art. 31 da Lei nº 8.212/91. A Caraíba Metais foi alvo de ação fiscal no período de 02/03/1998 a 21/01/1999, quando foram lavradas 221 (duzentos e vinte e uma) Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD, tendo por motivação principal a ocorrência de responsabilidade solidária em relação às contribuições para a Seguridade Social decorrentes dos serviços prestados por diversas empresas contratadas pela pessoa jurídica ora notificada. Tal ação fiscal abrangeu o período de 02/1993 a 02/1998. O Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS considerou nulas todas as NFLD lavradas, oportunizando ao INSS a possibilidade de efetuar novos lançamentos. Com base no art. 45, II, da Lei 8.212/91, transcrito pelos notificantes, a Secretaria da Receita Previdenciária, através da Unidade Descentralizada de Salvador, emitiu o MPF Mandado de Procedimento Fiscal n°.09220145 (fls. 39), do qual a Caraíba Metais S/A teve conhecimento em 11/02/2005, com a finalidade específica de recompor documentos de constituição de créditos anulados pelo CRPS, referentes ao período de 02/1993 a 06/1998. De acordo com o Relatório Fiscal, constituem fato gerador da presente NFLD as remunerações contidas nas notas fiscais relativas aos serviços prestados (transporte rodoviário de ácido), mediante cessão de mãodeobra, pela empresa Transligeiro Transporte Rodoviário Ltda à Caraíba Metais S/A, no período de 12/1997 a 05/1998. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13502.001191/200701 Acórdão n.º 9202006.631 CSRFT2 Fl. 3 3 A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador/BA julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 21/10/2010, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403000.233, com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do colegiado, nas preliminares, por voto de qualidade, em rejeitar a tese de decadência. Vencidos os Conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Savio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. NO MÉRITO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos na questão de multa de mora os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Núbia Moreira Barros Mazza.”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/05/1998 DECADÊNCIA. Quando o lançamento anterior é anulado por vício formal, o termo a quo para contagem da decadência passa a ser a data que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o crédito anteriormente constituído. SOLIDARIEDADE. CESSÃO DE MÃODEOBRA. A contratante de serviços executados mediante cessão de mão deobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 03/02/2011, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, em 01/03/2011, portanto tempestivamente, Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 189/2011, da 4ª Câmara, de 28/03/2011. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 caput da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do Fl. 710DF CARF MF 4 julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 2403000.233, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 08/07/2011, o contribuinte interpôs, em 22/07/2011, portanto tempestivamente, Recurso Especial da parte do Acórdão que lhe foi desfavorável e contrarrazões. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento conforme Despacho nº 2400548/2011, da 4ª Câmara, de 05/12/2011 e do Despacho nº 2400123R/2012, de 01/02/2012, respectivamente, Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial do Contribuinte. Em suas contrarrazões, o contribuinte, preliminarmente, argumenta que a Fazenda Nacional não logrou apresentar a interpretação diversa do mesmo dispositivo legal, conforme exige o §7º do art. 67 do RICARF, uma vez que apenas utiliza como paradigma acórdão que se refere à aplicação da multa de ofício mais benéfica, quando o lançamento em cotejo sequer lançou qualquer multa de ofício, limitandose a aplicar a multa de mora pelo não pagamento da contribuição lançada. Em relação ao mérito, diz que não foi aplicado ao crédito lançado a multa de ofício – somente aplicável depois de introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91, através da MP 449/2008 , mas tão somente a multa de mora, única aplicada à época do lançamento, de modo que, neste ponto, não merece reparo o acórdão recorrido, devendo ser julgado totalmente improcedente o Recurso Especial ora contraarrazoado. Argumenta que a aplicação da multa mais benéfica deve, portanto, ser analisada através do cálculo dos percentuais aplicados à multa de mora na redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 à época do lançamento e na redação dada ao mesmo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, atribuída pela Lei nº 11.941/2009, para que prevaleça a mais benéfica. Afirma que a retroatividade benigna da lei, no direito tributário, somente comporta comparações de multas moratórias entre si e de multa de ofício entre si, que se apliquem a situações idênticas. Conclui que acertada a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que modificou a redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91, visto que aquele estabelece uma multa de 0,33%, limitada a 20%, enquanto a multa de mora estabelecida pela lei anterior poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Cientificado da negativa de admissibilidade de seu Recurso Especial em 12/11/2012, o contribuinte apresentou, em 20/11/2012, Embargos de Declaração e/ou Pedido de Reconsideração contra o despacho que negou seguimento ao seu recurso especial de divergência. No seu Recurso Especial, o contribuinte alegou que o acórdão recorrido, ao apontar a aplicabilidade do art. 173, II, divergiu do posicionamento adotado pelo CARF no Acórdão n.º 230100.502 (paradigma apresentado), onde em caso idêntico ao julgado pela decisão recorrida, inclusive do mesmo contribuinte e igual período, em que houve no primeiro lançamento a falta de caracterização dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, entendeu que o fato representaria vício material, razão pela qual os valores estariam alcançados pela decadência, portanto inaplicável o inciso II, do artigo 173 do CTN. Ao examinar o Recurso Especial, o presidente da Câmara se manifestou dizendo que as situações fáticas não eram idênticas, porquanto o paradigma negou a aplicação do art. 173, II do CTN, por entender que a nulidade do lançamento se deu por vício material e o Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13502.001191/200701 Acórdão n.º 9202006.631 CSRFT2 Fl. 4 5 julgado recorrido aplicou o art. 173, II do CTN, por verificar nos autos que a anulação efetuada pelo CRPS foi por vício formal. Em seus argumentos nos Embargos de Declaração e/ou Pedido de Reconsideração, o contribuinte diz que houve erro material em relação à realidade do recurso, caracterizada pela equivocada inadmissibilidade do mesmo, uma vez que as situações fáticas são idênticas. Os Embargos de Declaração e/ou Pedido de Reconsideração foram analisados, conforme Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 30/09/2016, que entendeu que realmente houve erro manifesto no despacho que negou seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, uma vez que “a leitura da peça recursal e dos paradigmas colacionados demonstra que o então recorrente evidenciou o dissídio que entendeu restar configurado, colacionando acórdãos da mesma matéria, com a mesma identidade fática, inclusive proferidos para o mesmo contribuinte, com igual período lançado, de forma que não se sustenta a negativa de seguimento na premissa de que os acórdãos não apresentam teses divergentes, porque a situação fática não é similar”. Assim, por tratarse de erro manifesto – já que o paradigma apresentado se refere à questão idêntica àquela existente no acórdão recorrido – os embargos de declaração foram conhecidos e a decisão foi alterada, dandose seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte Como já havia sido realizado reexame do Recurso Especial do Contribuinte, a decisão de dar seguimento ao mesmo foi encaminhada ao Presidente do CARF para apreciação, que aprovou o parecer. Cientificada em 04/11/2016, a Fazenda Nacional apresentou, em 07/11/2016, portanto, tempestivamente, contrarrazões. Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional alega que o recurso especial do contribuinte não pode ser admitido ou conhecido, uma vez que o despacho do Presidente da CSRF que negar seguimento ao recurso especial é irrecorrível e definitivo; e que o primeiro despacho proferido pelo Presidente da CSRF (Despacho nº 2400123R/2012) negou seguimento ao recurso especial interposto, por entender que não houve demonstração da divergência. Argumenta que, por ser definitivo, o despacho que negou seguimento ao recurso especial do contribuinte implica preclusão consumativa para o julgador. E acrescenta: “A preclusão consumativa impede que reconsidere, o julgador, o ato de ofício ou através de provocação da parte prejudicada. Esse é o teor do art. 471, caput, do CPC, a determinar, como regra, que ‘nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide’”. Diz que, além do entendimento acima, o Recurso Especial do Contribuinte não demonstrou a divergência jurisprudencial. Vejamos os argumentos da Fazenda Nacional nesse sentido: “A Recorrente entende que, diante do vício material, aplicase o preceito do art. 173, I, do CTN e, portanto, decaído já se encontrava o direito de renovar a ação fiscal quando do novo lançamento ora combalido. O fato de constar no acórdão que ao Fisco ficava facultado o direito de renovar a ação fiscal não pode implicar na aplicação do preceito do art. 173, II, do CTN, Fl. 712DF CARF MF 6 pois a renovação apenas seria plausível desde que dentro do prazo decadencial previsto no inciso I, do artigo retrocitado. Argumenta que a primeira NFLD fora anulada pelo CRPS tendo em vista carecer de provas suficientes para que restasse comprovado o direito de crédito do INSS, portanto, inequívoco vício material. Ao final, requer o provimento do recurso para que se reconheça a decadência do direito de a Fazenda constituir novos créditos, tendo em vista estarem descaracterizados os fatos geradores, uma vez que o vício no lançamento anterior foi de natureza material, portanto aplicável a regra contida no inciso I, do artigo 173 do CTN, e não a exceção prevista no inciso II, do mesmo diploma legal. Mediante análise dos autos, não se verifica a similitude fática nos acórdãos recorrido e paradigma, uma vez que tais decisões não apresentam teses divergentes. De fato, o paradigma negou a aplicação do art. 173, II do CTN naquele caso por entender que a nulidade do respectivo lançamento se deu por vício material. O aresto recorrido, por outro lado, aplicou o art. 173, II do CTN por verificar, nos autos, que a anulação efetuada pelo CRPS foi por vício formal. Portanto, não há como formar uma divergência de interpretação, requisito de admissibilidade do recurso, quando inexiste uma similitude fática.” Por fim, a Fazenda Nacional ressalta que o recurso do contribuinte se mostra equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos ensejadores do lançamento constitui vício material, eis que o vício existente no lançamento inicial é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo; e que assim, em razão do vício no lançamento tributário originário ser de natureza formal, devese aplicar o art. 173, II, do CTN que prescreve: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Conclui, portanto, que nesse ponto, não merece reforma, a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13502.001191/200701 Acórdão n.º 9202006.631 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Recurso Especial do Contribuinte Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despachos de Admissibilidade e Revisão de Admissibilidade por ter sido detectado erro manifesto, fls. 688. Contudo, em existindo questionamento acerca do conhecimento, passo a enfrentar a questão. Assim, argumenta a PGFN: Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional alega que o recurso especial do contribuinte não pode ser admitido ou conhecido, uma vez que o despacho do Presidente da CSRF que negar seguimento ao recurso especial é irrecorrível e definitivo; e que o primeiro despacho proferido pelo Presidente da CSRF (Despacho nº 2400123R/2012) negou seguimento ao recurso especial interposto, por entender que não houve demonstração da divergência. Argumenta que, por ser definitivo, o despacho que negou seguimento ao recurso especial do contribuinte implica preclusão consumativa para o julgador. E acrescenta: “A preclusão consumativa impede que reconsidere, o julgador, o ato de ofício ou através de provocação da parte prejudicada. Esse é o teor do art. 471, caput, do CPC, a determinar, como regra, que ‘nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide’”. Contudo, entendo que esse argumento não merece guarida, vejamos trecho do próprio despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente do CARF, fls. 688: Tratamse de embargos de declaração (fls.634/640) opostos pelo sujeito passivo contra o despacho que negou seguimento ao seu recurso especial de divergência interposto com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/06/15. Seguem trechos do Acórdão recorrido n.º 240300.233. No Recurso Especial o sujeito passivo entendeu que o acórdão recorrido ao apontar a aplicabilidade do art. 173, II, divergiu do posicionamento adotado pelo CARF no Acórdão n.º 2301 00.502, que apresenta como paradigma, onde em caso idêntico ao julgado pela decisão recorrida, inclusive do mesmo contribuinte e igual período, em que houve no primeiro lançamento a falta de caracterização dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, entendeu que o fato representaria vício material, razão pela qual os valores estariam alcançados Fl. 714DF CARF MF 8 pela decadência, portanto inaplicável o inciso II, do artigo 173 do CTN. Ao examinar o Recurso Especial, o presidente da Câmara se manifestou dizendo que as situações fáticas não eram idênticas, porquanto o paradigma negou a aplicação do art. 173, II do CTN, por entender que a nulidade do lançamento se deu por vício material e o julgado recorrido aplicou o art. 173, II do CTN, por verificar nos autos que a anulação efetuada pelo CRPS foi por vício formal. O embargante tomou ciência da denegação de seguimento do seu Recurso Especial, e de seu reexame, em 12/11/12, conforme AR de fls.629 e por discordar do entendimento opôs os presente embargos para a reconsideração do despacho que negou seguimento ao seu recurso especial. Não obstante a falta de previsão legal, foi formulado o pedido, que se denominou embargos de declaração, com o seguinte teor: [...] Do exposto, se vê que o que está sob exame nesse momento são embargos de declaração contra o despacho que negou admissibilidade ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Nos seus argumentos, o embargante diz que houve erro material em relação à realidade do recurso caracterizada pela equivocada inadmissibilidade do mesmo, uma vez que as situações fáticas são idênticas. Processo nº 13502.001191/200701 Despacho n.º s/nº S2C4T2 Fl. 3.251 5 Muito embora esta situação não esteja contemplada no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.º 343, de 09 de junho de 2015, que no Anexo II, artigo 65 e seguintes, trata dos Embargos de Declaração, devese atentar que a possibilidade da existência de erro material na decisão que negou seguimento ao Recurso Especial deve ser examinada, com respaldo do artigo 66 do mesmo regimento, onde está expresso que: [...] Ademais, também deve ser considerada a existência de precedente: processo 11030.722197/201242, da Contribuinte FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA em que houve a reanálise de admissibilidade de recurso especial, em resposta a Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte e foi realizado novo despacho para dar seguimento ao recurso especial, inclusive ratificado pela CSRF. Por este fato e analisando o Recurso Especial do sujeito passivo, entendo que existe erro manifesto no despacho que negou seguimento ao mesmo, sob o argumento de que não foi evidenciada a divergência jurisprudencial, porque as situações fáticas não eram idênticas. A leitura da peça recursal e dos paradigmas colacionados demonstra que o então recorrente evidenciou o dissídio que entendeu restar configurado, colacionando acórdãos da mesma matéria, com a mesma identidade fática, inclusive proferidos para o mesmo contribuinte, com igual período lançado, de forma que não se sustenta a negativa de seguimento na premissa de que os Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13502.001191/200701 Acórdão n.º 9202006.631 CSRFT2 Fl. 6 9 acórdãos não apresentam teses divergentes, porque a situação fática não é similar. Ou seja, pelo trecho acima transcrito, parecenos claro que o Presidente do CARF estendeu por acatar a peça denominada de embargos pelo contribuinte, destacando que, embora não houvesse previsão regimental, mas se identificando lapso manifesto, possível a revisão do ato preferido. Nessa seara, entendo que não compete a esse colegiado, rever decisão já proferida por autoridade competente para fazêlo. Assim, a decisão do então Presidente do CARF, de análise da peça interposto, conforme fundamentado pelo despacho de efls. 688 a 697, é definitiva na esfera administrativa. Já quanto a alegação de que não resta demonstrada a divergência, entendo sim, competente esse colegiado. Senão vejamos as alegações da PGFN: Diz que, além do entendimento acima, o Recurso Especial do Contribuinte não demonstrou a divergência jurisprudencial. Vejamos os argumentos da Fazenda Nacional nesse sentido: “A Recorrente entende que, diante do vício material, aplicase o preceito do art. 173, I, do CTN e, portanto, decaído já se encontrava o direito de renovar a ação fiscal quando do novo lançamento ora combalido. O fato de constar no acórdão que ao Fisco ficava facultado o direito de renovar a ação fiscal não pode implicar na aplicação do preceito do art. 173, II, do CTN, pois a renovação apenas seria plausível desde que dentro do prazo decadencial previsto no inciso I, do artigo retrocitado. Argumenta que a primeira NFLD fora anulada pelo CRPS tendo em vista carecer de provas suficientes para que restasse comprovado o direito de crédito do INSS, portanto, inequívoco vício material. Ao final, requer o provimento do recurso para que se reconheça a decadência do direito de a Fazenda constituir novos créditos, tendo em vista estarem descaracterizados os fatos geradores, uma vez que o vício no lançamento anterior foi de natureza material, portanto aplicável a regra contida no inciso I, do artigo 173 do CTN, e não a exceção prevista no inciso II, do mesmo diploma legal. Mediante análise dos autos, não se verifica a similitude fática nos acórdãos recorrido e paradigma, uma vez que tais decisões não apresentam teses divergentes. De fato, o paradigma negou a aplicação do art. 173, II do CTN naquele caso por entender que a nulidade do respectivo lançamento se deu por vício material. O aresto recorrido, por outro lado, aplicou o art. 173, II do CTN por verificar, nos autos, que a anulação efetuada pelo CRPS foi por vício formal. Portanto, não há como formar uma divergência de interpretação, requisito de admissibilidade do recurso, quando inexiste uma similitude fática.” Aqui convém reproduzir o trecho do despacho que analisou a questão: Fl. 716DF CARF MF 10 Em acréscimo, argumenta que o Conselho se posicionou em duas direções, quando no mesmo caso fático, os acórdãos proferidos para o mesmo contribuinte, trataram como anulação por vício formal e anulação por vício material. Reitera que agora cabe a revisão do ato administrativo que está eivado de ilegalidade, em atenção ao princípio da autotutela que deve nortear a Administração Pública. O acórdão apresentado a título de paradigma foi proferido por colegiado distinto e não foi reformado quanto à matéria recorrida, prestandose, desta forma, para análise da divergência alegada. Compulsando os autos, vislumbro a similitude da situação fática encontrada, qual seja, em ambos os casos tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito substitutiva de outra que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, devido à falta de descrição dos fatos geradores. No acórdão recorrido, o Colegiado entendeu que o vício que maculou o lançamento foi de natureza formal, aplicando o artigo 173, II do CTN, e por conseguinte rejeitou a tese da decadência argüida pelo contribuinte. Por outro lado, no acórdão paradigma, a turma julgadora entendeu que o vício que maculou o lançamento não teria sido qualificado pelo acórdão que anulou o primitivo lançamento, o que deixou margem para que a decisão se pronunciasse pela natureza material do vício. Para evidenciar a similitude das situações fáticas colaciono excertos do votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigma, que bem demonstram que os julgados proferidos pelo CRPS foram idênticos ao não declarar explicitamente a natureza do vício que levou a anulação do lançamento, apenas resguardando o direito da administração lançar novamente o débito, com amparo no artigo 173, II do CTN. Trecho do Acórdão recorrido onde diz que restou evidente que ao se pronunciar por resguardar os direitos da autarquia no que se refere ao prazo decadencial do inciso II do art. 173, do CTN, o CRPS anulou o lançamento por vício formal: O INSS procedeu de forma generalizada apresentando um único modelo de Relatório Fiscal, Pronunciamento Fiscal e DN, sem adentrar nas peculiaridades de cada um dos contratos e/ou serviços. Só quando está CaJ reclamou a necessidade de uma melhor caracterização da cessão de mãodeobra foram apresentados os contratos e outros, ainda assim nenhum esclarecimento foi apresentado, além de teorias. O INSS não conseguiu sair do campo da suposição — tese da terceirização, e dos dispositivos legais para a realidade fática dos contratos ou das prestações de serviços. Ainda lembro, quando analisei diversos contatos e serviços, ter apontado o que, sob minha ótica, caracterizava ou evidenciava a existência de cessão de mãodeobra. Reputo, hoje, tal procedimento como intolerável, posto que comporta total cerceamento de defesa. Não cabe a este ou a qualquer outro Conselheiro garimpar nos autos evidências do que foi afirmado pelo INSS de forma genérica. Devemos sim cotejar as Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13502.001191/200701 Acórdão n.º 9202006.631 CSRFT2 Fl. 7 11 afirmativas do INSS, devidamente delimitadas e comprovadas, com as alegações, do contribuinte inconformado. Cabe sim, ao INSS, motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no Inciso LV, do Art. 5o da CF/88. Portanto, entendo que o melhor desfecho para a NFLD em pauta, é apontar sua nulidade por cerceamento defesa, possibilitando que o INSS, a seu critério refaça o lançamento, sanando a nulidade apresentada. Registro ainda que em alguns contratos e serviços, vislumbrei a existência de cessão de mão deobra, entretanto volto a reafirmar que cabe à autoridade lançadora motivar seus atos. Tal decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere ao prazo decadencial — Inciso II. Do Art. 173. do CTN. (grifei) CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por CONHECER DO PEDIDO DE REVISÃO DO INSS e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, anulado o Acórdão n° 02/002757/2002, da 2"CaJ/CRPS. Em substituição àquele voto no sentido de CONHECER DO RECURSO do notificado e ANULAR a NFLD em pauta, na forma do voto acima apresentado. Como pode se depreender do texto acima, pela citação expressa do inciso II, do artigo 173 do CTN, a anulação foi "na forma do voto acima apresentado" e o voto apresentado registra que "Tal decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere ao prazo decadencial — Inciso II, do Art. 173, do CTN." Entendo evidente que a anulação efetuada pelo CRPS foi por vício formal e que se aplica o inciso II, do artigo 173 do CTN, abaixo transcrito. Por outro lado, transcrevese trecho do paradigma onde não houve identificação do vício: O INSS procedeu de forma generalizada apresentando um único modelo de Relatório Fiscal, Pronunciamento Fiscal e DN, sem adentrar, nas peculiaridades de cada um dos contratos e/ou sennços. Só quando está CaJ reclamou a necessidade de uma melhor caracterização da cessão de mãodeobra foram apresentados os contratos e outros, ainda assim nenhum esclarecimento foi apresentado, além de teorias. O INSS não conseguiu sair do campo da suposição — tese da terceirização, e dos dispositivos legais para a realidade fática dos contratos ou das prestações de serviços. Ainda lembro, quando analisei diversos contratos e serviços, ter apontado o que, sob minha ótica, caracterizava ou evidenciava a existência de cessão de mãodeobra. Reputo, hoje, tal procedimento como intolerável, posto que comporta total cerceamento de defesa. Não cabe a este ou a qualquer outro Conselheiro garimpar nos autos evidências do que foi afirmado pelo INSS de forma genérica. Devemos sim cotejar as afirmativas do INSS, devidamente delimitadas e comprovadas, Fl. 718DF CARF MF 12 com as alegações do contribuinte inconformado. Cabe sim, ao Il\rSS, motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercido do direito inserido no Inciso LV, do Art.5a, da CF/88. Portanto, entendo que o melhor desfecho para a NFLD em pauta, é apontar sua nulidade por cerceamento defesa, possibilitando que o INSS, a seu critério refaça o lançamento, sana/ido a nulidade apresentada. Registro ainda que em alguns contratos e serviços, vislumbrei a existência de cessão de mãode obra, entretanto volto a reafirmar que cabe à autoridade lançadora motivar seus atos. Ta! decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere a prazo decadencia! Inciso II, do Art. 173,doCTN. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por CONHECER DO PEDIDO DE REVISÃO DO CONTRIBUINTE e no mérito DARLHE PROVIMENTO, anulando o Acórdão n° 04/02342/2002, da 4CaJ/CRPS. Em substituição àquele voto no sentido de CONHECER DO RECURSO do notificado e ANULAR. POr fim, assim concluise no despacho: Com efeito, se pode ver que as situações são idênticas, inclusive os julgamentos proferidos pelo CRPS nos casos concretos possuem os mesmos termos, mas o acórdão recorrido entendeu por afastar a decadência aplicando o art. 173, II, do CTN e qualificando o vício como formal, enquanto o acórdão paradigma entendeu que seria inaplicável o artigo 173, II, porque o julgado que anulou o lançamento não se manifestou expressamente pela natureza do vício como sendo formal, de forma que a questão não transitou em julgado e, assim, qualificou o vício como material e acatando a decadência para dar provimento ao pleito do contribuinte. Destarte, por tratarse de evidente erro manifesto, já que o paradigma apresentado referese à questão idêntica àquela existente no acórdão recorrido, entendo que devam ser conhecidos os embargos de declaração contra o despacho que negou seguimento ao recurso especial, que deve ser admitido. Ou seja, no entender dessa relatora, pelos trechos trascritos acima, a uma mesma situação fática foram apresentados entendimentos diversos, sobre uma mesma nulidade decidida no âmbito do CRPS, razão pela qual demonstrada a divergência. Ademais, mesmo que nos julgados não fossem abordadas as mesmas questões, o simples fato de termos os mesmos lançamentos julgados no CRPS, sob o mesmo embasamento, com reconstituições idênticas e julgamentos distintos no âmbito do CARF, já seriam suficientes para conhecimento, tratando se do mesmo sujeito passivo. Face o exposto, conheço do Recurso. Do Mérito Da decadência Quanto ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD/AIOP, antes mesmo de apreciar a correta Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13502.001191/200701 Acórdão n.º 9202006.631 CSRFT2 Fl. 8 13 aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, trago a baila outro fundamento para discussão que norteará meu voto, inclusive com relação a decadência. Como objetivamente descrito pelo acórdão recorrido o CRPS ao proferir sua decisão foi direto em aportar a forma como deveria ser considerada a nulidade, indicando, inclusive o dispositivo legal a ser observado pelo INSS, há época, responsável pela fiscalização e lavratura dos autos de infração (NFLD). Ou seja, no meu entender a discussão sobre a decadência passa antes pela impossibilidade de rever vício já declarado em processo transitado em julgado por outro Órgão, o que afrontaria o princípio da Segurança Jurídica. Conforme já amplamente transcrito acima ao apreciarmos o conhecimento, aquele colegiado, quando da análise do caso, indicou sim, indiretamente o vício quando fez constar expressamente a aplicabilidade do art. 173, II do CTN para recomposição do lançamento, senão vejamos: Portanto, entendo que o melhor desfecho para a NFLD em pauta, é apontar sua nulidade por cerceamento defesa, possibilitando que o INSS, a seu critério refaça o lançamento, sana/ido a nulidade apresentada. Registro ainda que em alguns contratos e serviços, vislumbrei a existência de cessão de mãode obra, entretanto volto a reafirmar que cabe à autoridade lançadora motivar seus atos. Tal decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere a prazo decadencia! Inciso II, do Art. 173,do CTN. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por CONHECER DO PEDIDO DE REVISÃO DO CONTRIBUINTE e no mérito DARLHE PROVIMENTO, anulando o Acórdão n° 04/02342/2002, da 4 CaJ/CRPS. A indicação do dispositivo acima, torna cristalina a descrição de tratarse de vício formal, o que torna totalmente incabível a este colegiado a revisão de decisão já transitada em julgado. Dessa forma, entendo estar correto o julgamento proferido no acórdão recorrido, que abaixo transcrevo, adotando como razões de decidir: Como pode se depreender do texto acima, pela citação expressa do inciso II, do artigo 173 do CTN, a anulação foi "na forma do voto acima apresentado" e o voto apresentado registra que "Tal decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere ao prazo decadencial — Inciso II, do Art. 173, do CTN." Entendo evidente que a anulação efetuada pelo CRPS foi por vício formal e que se aplica o inciso II, do artigo 173 do CTN, abaixo transcrito. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, (grifei) Disso resulta que, neste caso, para a análise da decadência, devese aplicar inicialmente o § 4 do artigo 150, seguida do inciso II, do artigo 173, isto é, inicialmente 5 anos a partir do fato gerador e, depois, mais 5 anos da data em que se tornou Fl. 720DF CARF MF 14 definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. O período do débito é de 12/1997 a 05/1998. O lançamento anulado foi efetuado em 12/98. A anulação acorreu em 02/2004. Lançamento atual foi em 12/2005. Concluo que não se operou a decadência. Entendo que admitir ao julgador rever a natureza de vício, quando o acórdão que anulou o processo anterior expressamente delimitou seu alcance, fere o princípio da Segurança Jurídica; que nada mais busca, do que assegurar a estabilidade das relações já consolidadas, frente a constante evolução das normas legislativas e da própria jurisprudência. Seria como admitir, em relação a processos já transitados em julgados, a interposição de novos recursos ou artifícios para rediscussão das teses ali decididas, sempre que fossem alteradas as composições dos tribunais ou conselhos. Dessa forma, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. Recurso Especial da Fazenda Nacional Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 287. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13502.001191/200701 Acórdão n.º 9202006.631 CSRFT2 Fl. 9 15 penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei Fl. 722DF CARF MF 16 nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13502.001191/200701 Acórdão n.º 9202006.631 CSRFT2 Fl. 10 17 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 724DF CARF MF 18 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13502.001191/200701 Acórdão n.º 9202006.631 CSRFT2 Fl. 11 19 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, Fl. 726DF CARF MF 20 os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, com destaque para os meses em que a decadência alcançou a obrigação principal, visto que ,para esses ,a retroatividade será aplicada a luz do art. 32A nos termos destacados no presente voto. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em relação ao Recurso especial do Sujeito Passivo, voto no sentido de CONHECER do recurso, para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 727DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918870/2016-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/09/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.547
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 70 /2 01 6- 54 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918870/201654 Acórdão n.º 3201003.547 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.688, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918870/201654 Acórdão n.º 3201003.547 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721571/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Henrique Lemos.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
André Henrique Lemos Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em função de ter se declarado impedido o conselheiro Tiago Guerra Machado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Henrique Lemos. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator André Henrique Lemos Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em função de ter se declarado impedido o conselheiro Tiago Guerra Machado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Henrique Lemos. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator André Henrique Lemos – Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em função de ter se declarado impedido o conselheiro Tiago Guerra Machado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 21 57 1/ 20 13 -1 1Fl. 7135DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 4 __________ Relatório Tratase de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, período de apuração 01/07/2009 a 30/06/2010, decorrente da glosa de créditos indevidos. Relata a fiscalização que as infrações detectadas foram as seguintes: i) revenda de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos de terceiros, sem destaque de imposto; ii) aproveitamento de créditos na aquisição de bebidas, sujeitas à tributação na forma da Lei nº 7.798/89, de outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica; iii) creditamento pela aquisição de materiais de uso e consumo; iv) apropriação de créditos na transferência de bebidas entre estabelecimentos pertencentes à mesma pessoa jurídica; v) tomada de créditos por aquisição isenta de concentrados e material de embalagem oriundos da ZFM; e, vi) utilização indevida de saldos credores de períodos anteriores revertidos em função de lançamento (PA 10480.721144/201081), o que motivou a aplicação de multa isolada. Em impugnação o contribuinte asseverou que todos os créditos glosados referemse a produtos utilizados no seu processo industrial; que o creditamento pela aquisição de mercadorias sujeitas ao regime monofásico foi objeto de destaque na operação subseqüente, não acarretando qualquer prejuízo ao erário; que parte dos produtos oriundos da ZFM atendem às exigências do arts. 82, III e 175 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/02), mormente o concentrado de bebidas não alcoólicas produzido pela PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda.; que o direito ao crédito pela aquisição de produtos isentos estaria amparado pelo princípio da não cumulatividade, segundo jurisprudência do STF; que a glosa do saldo credor, relativo a período de apuração lançado no PA 10480.721144/201081, não observou a contestação do lançamento em referido processo; e, que revelaria dupla penalização a imposição de multa isolada sobre o crédito cujo estorno foi determinado pela autoridade administrativa. A DRJ Belém/PA deu parcial provimento ao recurso tãosomente para afastar a multa isolada, em decisão assim ementada: “AMAZÔNIA OCIDENTAL. CRÉDITO. Por expressa disposição legal, estão isentos do IPI os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental com projeto aprovado pela Suframa. CRÉDITO. INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. CRÉDITO. MONOFÁSICO. A aquisição de produtos acabados sujeitos ao regime monofásico está fora das hipóteses geradoras de crédito do IPI. CRÉDITO. GLOSA. ATO ADMINISTRATIVO DEFINITIVO. Fl. 7136DF CARF MF Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3401001.379 S3C4T1 Fl. 5 3 Os atos administrativos são sempre definitivos podendo, em momento posterior, serem revistos parcialmente, anulados ou declarados nulos por outro ato competente para tal. Assim, caberá o estorno de crédito glosado, ainda que pendente de recurso administrativo.” O recurso voluntário, com alguma variação, reprisou os fundamentos da defesa inaugural. Em 24/02/2015, por intermédio da Resolução nº 3402000.322, a 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, diante da vinculação destes autos com o PA 10480.721144/201081, converteu o julgamento em diligência para se aguardar o seu julgamento definitivo. A unidade preparadora devolveu o processo, em 10/04/2015, sob alegação que o mesmo se encontrava no CARF, aguardando julgamento. Na sessão de 09/12/2015, tendo em vista redesignação da relatora original para a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, o processo foi redistribuído por sorteio. Na sessão de 23/08/2016, através da Resolução nº 3401000.939, por pertinência, o processo foi novamente convertido em diligência, desta feita para esclarecimentos acerca da isenção utilizada pela PepsiCola Indl. da Amazônia S/A, tanto pela empresa quanto pela SAUFRAMA, e juntada da documentação respectiva. Cumprida a diligência e apresentada manifestação pelo recorrente, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em preliminar de julgamento o colegiado, pela maioria de seus membros, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para averiguação do aproveitamento do crédito e seus desdobramentos, em operações sujeitas à tributação exclusiva, nos moldes da Lei nº 7.798/89, consoante termos do voto vencedor, de modo que, vencido nesta matéria, excluí o voto apresentado em sessão, quanto aos demais temas, reservandome o direito de reapresentá lo quando do retorno do processo. Nessa oportunidade cumpreme apenas externar resumidamente a motivação da discordância quanto à realização da diligência, uma vez que entendo, não só desnecessária, mas incabível a providência, ante as disposições legais que expressamente estabelecem o regime monofásico para indigitadas operações, não sendo, nessa modalidade de incidência tributária, admitida a apropriação de créditos de IPI nas etapas subseqüentes, sob pena de completa Fl. 7137DF CARF MF Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3401001.379 S3C4T1 Fl. 6 4 desvirtuação do regime e sua conseqüente equiparação, à margem da lei, da não cumulatividade. Esse o angusto voto. Robson José Bayerl Voto vencedor Conselheiro André Henrique Lemos, Redator designado Como se viu, a presente discussão tem como matéria de fundo o creditamento do IPI no regime monofásico. Este processo é similar aos PAF 18470.731952/200169 e 13116.720483/2012 59, nos quais foram objeto das Resoluções 3403000.542 e 3403.000570, respectivamente. Em ambos os casos, o julgamento foi convertido em diligência, para descartar qualquer possibilidade de exigência de crédito tributário indevido. Deste modo, a fim de subsidiar o presente julgamento, evitando a exigência indevida de crédito tributário, converto o julgamento em diligência para que a repartição de origem adote as seguintes providências: 1) intime o autuado para fazer prova cabal de sua alegação de glosa de créditos em operações posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertandose o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e documentos que os legitima, evitando o indébito, inclusive com aplicação subsidiária do artigo 6° do CPC/2015; 2) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituase a escrita fiscal dos períodos de apuração, objeto do lançamento, excluindose os débitos indevidamente lançados; 3) repercutase a reconstituição da escrita no lançamento de ofício in casu, em parecer circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações pertinentes; e 4) dêse ciência desse parecer ao autuado, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, devolvendose o processo para este Colegiado dar prosseguimento ao julgamento. É como voto. André Henrique Lemos Fl. 7138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903049/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP com demonstrativo de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, de CSLL, referente ao período de apuração de agosto de 2007. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 03 04 9/ 20 13 -3 6 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10120.903049/201336 Resolução nº 1201000.345 S1C2T1 Fl. 3 2 Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que diante da não homologação, foi verificado que a empresa cometeu erro material ao declarar na DCTF um débito fictício, solicitando que seja, assim, processada e homologada a PER/DCOMP inicialmente apresentada, uma vez que, a empresa não deve ser apenada por esse equívoco formal que não desnatura a compensação realizada. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente face à ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. A DRJ/RPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: A não homologação da compensação decorreu da inexistência do crédito utilizado, pois o valor recolhido correspondeu ao débito expresso na DCTF que se achava ativa na data em que o despacho decisório foi emitido. Estando o pagamento integralmente alocado, não havia saldo disponível para suportar a extinção do crédito tributário pretendida pelo contribuinte. A partir da ciência do contribuinte do despacho decisório que negou a compensação requerida, deixa de existir a espontaneidade e a retificação da DCTF somente será válida caso esteja acompanhada de elementos de prova suficientes para o convencimento da autoridade fiscal quanto ao erro praticado no documento retificado, conforme disposto no artigo 9º, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974/2009. De acordo com o §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caberia ao contribuinte não só a juntada das declarações retificadoras, mas também a apresentação de outros elementos, tais como cópias de livros contábeis e fiscais com os lançamentos dos valores apropriados na apuração, capazes de demonstrar o propalado erro cometido no preenchimento da declaração original. Ao invés disso, o contribuinte limitouse a indicar o erro cometido na DCTF com base no balancete, o que não é suficiente para a comprovação do alegado erro praticado pelo sujeito passivo. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de CSLL referente ao mês de agosto de 2007; (ii) o erro no preenchimento da DCTF acabou por refletirse no valor a maior constante do DARF; (iii) a partir da análise da DIPJ, LALUR e balancete de verificação é possível observar o valor do CSLL apurado no mês de agosto de 2007. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10120.903049/201336 Resolução nº 1201000.345 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.339, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10120.903043/201369, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de abril de 2007 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL do período de apuração de agosto de 2007. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.339), adequandoa ao caso concreto: "[...] Conforme visto, a recorrente trouxe aos autos documentação robusta no que tange à apuração do IRPJ devido no mês em referência. No entanto, [...], há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10120.903049/201336 Resolução nº 1201000.345 S1C2T1 Fl. 5 4 Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; b) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720242/2012-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
INOBSERVÂNCIA DA MODALIDADE DE ENTREGA SEMESTRAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. INOBSERVÂNCIA DA MODALIDADE DE ENTREGA SEMESTRAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins - Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente POUSADA SONHO DE FAMILIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. INOBSERVÂNCIA DA MODALIDADE DE ENTREGA SEMESTRAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 02 42 /2 01 2- 91 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros Relatório Tratase de Recurso Voluntário (de 20/09/2013) interposto contra o Acórdão n° 1449.590, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (em 20/08/2013), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. MULTA POR ATRASO. DCTF. SEMESTRAL X MENSAL. A opção pela entrega da DCTF mensal, para contribuintes sujeitos à entrega semestral, é definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos dispostos na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Em síntese, sustenta que apresentou erroneamente as DCTF's na modalidade mensal, quando deveria têlo feito na sistemática semestral, verbis: Em 29/12/2001 foram elaboradas e apresentadas as DCTF's, relativas ao ano de 2008, por equívoco, na modalidade mensal, a partir da utilização da versão 2.3 do programa de DCTF, quando a intenção era a elaboração e apresentação somente das duas declarações semestrais, na versão 1.5, identificadas como pendentes no documento de Informações Fiscais do Contribuinte expedido por essa Receita. Na ocasião, foram gerados, automaticamente, 12 (doze) autos de infrações. (...) As declarações foram elaboradas e apresentadas na modalidade mensal, e não por opção e sim por equívoco, quando a intenção era a elaboração e apresentação somente das duas declarações semestrais, identificadas como pendentes no documento de Informações Fiscais do Contribuinte expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Considerando também o não enquadramento da empresa nas hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF mensal, conforme artigo 3º da IN RFB 786/2007. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10380.720242/201291 Acórdão n.º 1002000.116 S1C0T2 Fl. 3 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao equívoco e atraso terem efetivamente ocorrido. O pleito da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseia na dispensa da multa, em virtude da existência de erro procedimental. Tais aspectos foram fundamentadamente afastados na esfera a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, dos meses de janeiro a dezembro do ano calendário de 2008. A impugnante alega que não estava obrigada a apresentar a DCTF mensal, afirma que a declaração que deu origem à exigência ora guerreada foi transmitida por equivoco. A Instrução Normativa, SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, seguida pela Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, e pela Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, dispõem de forma idêntica que: (destaque acrescido) Art. 3º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas: I – cuja receita bruta auferida no segundo ano calendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II – cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo ano calendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais). (...) Art. 4º As pessoas jurídicas não enquadradas no disposto no art. 3º deverão apresentar a DCTF Semestral. Da Opção pela Apresentação da DCTF Mensal Fl. 127DF CARF MF 4 Art. 5º As pessoas jurídicas não enquadradas nas hipóteses do art. 3º poderão optar pela apresentação da DCTF Mensal. § 1º A opção de que trata o caput será exercida mediante a apresentação da primeira DCTF Mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. § 2º Exercida a opção de que trata o caput com a apresentação de DCTF Mensal relativa a mês posterior a janeiro, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação das declarações relativas aos meses anteriores ao da primeira DCTF apresentada, sendo devida a multa pelo atraso na entrega das referidas declarações. § 3º A obrigatoriedade de entrega na forma prevista no § 2º não se aplica no caso de pessoa jurídica dispensada da apresentação da DCTF no período considerado. Diante dos citados atos normativos, resta evidenciado que a legislação somente dá lugar à consideração de hipótese de erro àqueles que, desobrigados de entrega de DCTF a tenham entregue. Aos obrigados, ainda que sob a modalidade semestral, a entrega de DCTF na modalidade mensal constituise em opção definitiva e irretratável por esta modalidade, não havendo brecha para considerar indevida a entrega. Portanto, tendo optado pela entrega da DCTF mensal, com a apresentação em atraso da declaração, a impugnante sujeitouse à multa, nos termos da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7o. Ressaltese, ainda, que, segundo o CTN, art. 136, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, estando caracterizada a situação fática que originou o lançamento nenhum reparo há de se lhe fazer. Adicionando ao argumentos acima, assevero que tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Por fim, repiso que o caráter punitivo da multa decorre de seu viés objetivo, sendo irrelevante a alegação de equívoco por parte da Contribuinte. Isso porque reprimenda quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10380.720242/201291 Acórdão n.º 1002000.116 S1C0T2 Fl. 4 5 agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.916335/2011-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 35 /2 01 1- 77 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916335/201177 Acórdão n.º 9303006.459 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.957, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916335/201177 Acórdão n.º 9303006.459 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916335/201177 Acórdão n.º 9303006.459 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13971.916335/201177 Acórdão n.º 9303006.459 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
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