Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10930.720267/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/12/2006, 31/12/2006
DECADÊNCIA
Matéria de ordem pública que mesmo não sendo questão ventilada em impugnação, não encontra óbice para ser analisada em fase recursal, sem atingir a supressão de instância.
A contagem da decadência é de cinco anos. No caso em tela o período de apuração é de 2006 e a autuação consolidada é de 2010, ou seja, quatro anos.
DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE DECORRENTE DE TERCEIROS
No caso em tela a Recorrente diz não possuir responsabilidade tributária pela exibição de documentos de terceiros porque não adquiriu o estabelecimento empresarial de uma pessoa jurídica dela.
Entretanto a sucessão tributária do presente caso está configurada com a comprovação do vínculo entre as empresas como vendedora e adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial.
No caso em tela não é necessário que a aquisição seja formalizada, pois provado está a sucessão, face ao Artgio 212 do CC que trata dos atos não solene, onde as provas dos atos livres podem ser produzidas pela presunção.
No caso em exame comporta o ato como não solene, eis que o Artigo 133 do CTN não é limitado, ou seja, não se exaurindo somente em sua interpretação literal. A expressão por qualquer título, existente no referido dispositivo legal compreende qualquer forma de aquisição, inclusive a chamada sucessão presumida.
Havendo indícios de sucessão assaz que fulcra a autuação, onde as empresas se confundem e se extinguem irregularmente, atuando no mesmo local, mesmo endereço, mesma atividade, mesmas instalações e equipamentos, com pessoas do quadro societário e/ou do quadro de pessoal de uma constando do quadro societário e/ou do quadro de pessoal da outra, com transferência do direito essencial para a continuidade da atividade econômica e transferência de seu potencial de lucratividade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/12/2006, 31/12/2006 DECADÊNCIA Matéria de ordem pública que mesmo não sendo questão ventilada em impugnação, não encontra óbice para ser analisada em fase recursal, sem atingir a supressão de instância. A contagem da decadência é de cinco anos. No caso em tela o período de apuração é de 2006 e a autuação consolidada é de 2010, ou seja, quatro anos. DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE DECORRENTE DE TERCEIROS No caso em tela a Recorrente diz não possuir responsabilidade tributária pela exibição de documentos de terceiros porque não adquiriu o estabelecimento empresarial de uma pessoa jurídica dela. Entretanto a sucessão tributária do presente caso está configurada com a comprovação do vínculo entre as empresas como vendedora e adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial. No caso em tela não é necessário que a aquisição seja formalizada, pois provado está a sucessão, face ao Artgio 212 do CC que trata dos atos não solene, onde as provas dos atos livres podem ser produzidas pela presunção. No caso em exame comporta o ato como não solene, eis que o Artigo 133 do CTN não é limitado, ou seja, não se exaurindo somente em sua interpretação literal. A expressão por qualquer título, existente no referido dispositivo legal compreende qualquer forma de aquisição, inclusive a chamada sucessão presumida. Havendo indícios de sucessão assaz que fulcra a autuação, onde as empresas se confundem e se extinguem irregularmente, atuando no mesmo local, mesmo endereço, mesma atividade, mesmas instalações e equipamentos, com pessoas do quadro societário e/ou do quadro de pessoal de uma constando do quadro societário e/ou do quadro de pessoal da outra, com transferência do direito essencial para a continuidade da atividade econômica e transferência de seu potencial de lucratividade. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10930.720267/2010-50
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5317759
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.799
nome_arquivo_s : Decisao_10930720267201050.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10930720267201050_5317759.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5254403
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368804667392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.720267/201050 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.799 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FRIGORIFICO PLATINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/2006, 31/12/2006 DECADÊNCIA Matéria de ordem pública que mesmo não sendo questão ventilada em impugnação, não encontra óbice para ser analisada em fase recursal, sem atingir a supressão de instância. A contagem da decadência é de cinco anos. No caso em tela o período de apuração é de 2006 e a autuação consolidada é de 2010, ou seja, quatro anos. DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE DECORRENTE DE TERCEIROS No caso em tela a Recorrente diz não possuir responsabilidade tributária pela exibição de documentos de terceiros porque não adquiriu o estabelecimento empresarial de uma pessoa jurídica dela. Entretanto a sucessão tributária do presente caso está configurada com a comprovação do vínculo entre as empresas como vendedora e adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial. No caso em tela não é necessário que a aquisição seja formalizada, pois provado está a sucessão, face ao Artgio 212 do CC que trata dos atos não solene, onde as provas dos atos livres podem ser produzidas pela presunção. No caso em exame comporta o ato como não solene, eis que o Artigo 133 do CTN não é limitado, ou seja, não se exaurindo somente em sua interpretação literal. A expressão “por qualquer título”, existente no referido dispositivo legal compreende qualquer forma de aquisição, inclusive a chamada sucessão presumida. Havendo indícios de sucessão assaz que fulcra a autuação, onde as empresas se confundem e se extinguem irregularmente, atuando no mesmo local, mesmo endereço, mesma atividade, mesmas instalações e equipamentos, com pessoas do quadro societário e/ou do quadro de pessoal de uma constando do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 02 67 /2 01 0- 50 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 quadro societário e/ou do quadro de pessoal da outra, com transferência do direito essencial para a continuidade da atividade econômica e transferência de seu potencial de lucratividade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10930.720267/201050 Acórdão n.º 2301003.799 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Conforme Relatório Fiscal o Auto de Infração se refere a crédito tributário do período janeiro de 2005, relativo a contribuições a outras entidades e fundos , competência dezembro de 2006, no valor de R$ 3.173,43, relativo a contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive SAT/RAT, incidentes sobre 13ª salário do ano de 2006 pago aos empregados da Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola, apurado conforme Relação Anual de Informações Sociais RAIS. Informa o Relatório Fiscal que, além de não ter sido recolhida a contribuição sobre o 13º Salário, o sujeito passivo não informou tal fato gerador em GFIP. Registra, ainda, o Relatório Fiscal, que foi efetuado comparativo de multa calculada segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores, com multa calculada segundo a legislação em vigor (alterações introduzidas pela Lei 11.941/2009), aplicandose a mais benéfica ao contribuinte. Intimada aviou a impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para reformar a autuação, sendo mantida na integra. Em 16.AGO.2012 foi intimada da decisão e em 12.SET.2012 aviou o presente Recurso voluntário, alegando: i) decadência; ii) que não é obrigada a responder por obrigação acessória de terceiros; É a síntese do necessário. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. DECADÊNCIA A decadência não foi matéria apresentada na impugnação, mas deseja a Recorrente que seja apreciada com base no artigo 150, §° 4° do CTN, por entender ser matéria de ordem pública, o que lhe assiste razão, ou seja, de fato é matéria de ordem pública. Todavia, penso que não se aplica o artigo mencionado, eis que não houve algum tipo de recolhimento, portanto, não há de se falar em decadência em razão da aplicação no disposto do Artigo 173, I do CTN. Sem razão. DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE Alega a Recorrente não possuir responsabilidade tributária pela exibição de documentos da Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola. Ocorre que o Artigo 133 do CTN, nos socorrerá para deslinde da causa, uma vez que ficou cristalinamente configurada a sucessão tributária, pelas razões de fato e de direito que passaremos aduzir. Diz a Recorrente que a sucessão tributária do art. 133 do Código Tributário Nacional, somente se caracteriza com a “aquisição” de estabelecimento empresarial de uma pessoa jurídica por outra, e que isto não ocorreu no presente caso. Entretanto a sucessão tributária do presente caso está configurada com a comprovação do vínculo entre as empresas como vendedora e adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial. Porém, não é necessário que a aquisição seja formalizada, como pretende a Recorrente. A discussão está delineada pela prova da sucessão. Quanto a prova temos que ela é o conjunto dos meios empregados para demonstrar, legalmente, a existência de um ato jurídico. No caso estamos exatemente discutindo um ato jurídico, e como tal está estampado no artigo 212 e 215 do CC, o primeiro não solene ou forma livre e o segundo solene. A prova de atos solenes é o próprio ato, ou seja, a escritura, o contrato e outros que têm seus requisitos determinados pelo Artigo 215 do CC. Já o Artgio 212 do mesmo Caderno Legal trata dos atos não solene, onde as provas dos atos livres são divididas em cinco formas, sendo: i) através da confissão, ii) do documento, se houver; iii) da testemunha; iv) da presunção; e iv) da perícia. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10930.720267/201050 Acórdão n.º 2301003.799 S2C3T1 Fl. 4 5 No caso em exame comporta o ato como não solene, eis que o Artigo 133 do CTN não é limitado, ou seja, não se exaurindo somente em sua interpretação literal. A expressão “por qualquer título”, existente no referido dispositivo legal compreende qualquer forma de aquisição, inclusive a chamada sucessão presumida. A decisão de piso trouxe jurisprudência e a doutrina majoritárias que se têm posicionado no sentido, de reconhecer a sucessão presumida sempre que houver indícios e provas convincentes da existência de sucessão empresarial, cujas quais, faço delas as minhas, sendo desnecessária nova colação. Nos autos há indícios de sucessão assaz que fulcra a autuação, sendo que as empresas se confundem e se extinguem irregularmente, atuando no mesmo local, mesmo endereço, mesma atividade, mesmas instalações e equipamentos, com pessoas do quadro societário e/ou do quadro de pessoal de uma constando do quadro societário e/ou do quadro de pessoal da outra, com transferência do direito essencial para a continuidade da atividade econômica em questão e transferência de seu potencial de lucratividade, qual seja, do contrato de concessão de uso e serviço público do matadouro do Município de Santo Antônio de Platina. Portanto, sem razão a Recorrente. MULTA Consta nos autos do processo administrativo que a multa aplicada foi a mais benéfica ao Recorrente, seguindo as determinações legais (alterações introduzidas pela Lei 11.941/2009), conforme relata no Relatório Fiscal a autoridade. Tal questão somente poderá ser vislumbra com percuciência, qual seja, se de fato estarseá aplicando a melhor multa, na fase executória, onde poderá a Recorrente se opor, razão pela qual, nesta fase de cognição imperativo é não determinar qual dispositivo é o melhor, até porque há questões outras que envolve a questão, tal como a data do efetivo pagamento. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 6 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720122/2012-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.115
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16682.720122/2012-76
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315807
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.115
nome_arquivo_s : Decisao_16682720122201276.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 16682720122201276_5315807.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5242165
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368835076096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 3.867 1 3.866 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720122/201276 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1103000.115 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 9 de outubro de 2013 Assunto Diligência Recorrente BANCO BTG PACTUAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 12 2/ 20 12 -7 6 Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.868 2 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, fato gerador 31/12/07, no valor total de R$144.203.997,83 (cento e quarenta e quatro milhões, duzentos e três mil, novecentos e noventa e sete reais e oitenta e três centavos), sobre o qual incidem multa de ofício (75%) e juros de mora (fls.02/08). A ciência pessoal do contribuinte efetivouse em 3/8/12 (fl.03). A infração foi assim descrita: “001 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. PARTICIPAÇÕES NÃO DEDUTÍVEIS. Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, dos pagamentos efetuados a título de participações nos lucros da fiscalizada a estagiários e empregados, em desacordo com a lei, conforme o relatado no Termo de Verificação Fiscal.” Por sua vez, no “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal” (fls.09/32), a fiscalização assim fundamentou a autuação, em síntese: a Participação em Lucros e Resultados (PLR) consiste, nos termos do art.1º da Lei nº 10.101, de 19/12/00, em “...instrumento de que as empresas foram munidas para integrar capital e trabalho e estimular a produtividade de seus empregados”. São dedutíveis, para fins de apuração do IRPJ, no período de competência das despesas com a sua constituição e desde que observados determinados requisitos legais, relacionados “...com os critérios de definição dos valores a serem pagos e com quem a eles tem direito, com a periodicidade dos pagamentos e com a participação das entidades representativas dos trabalhadores (sindicatos) no processo e vinculação aos termos do acordo coletivo”; empregados seriam aqueles que possuem vínculo empregatício com a pessoa jurídica no período de cálculo; se a PLR guarda relação com o resultado e produtividade, os pagamentos são “necessariamente incidentais e excepcionais, pois a habitualidade é característica da remuneração salarial”; a PLR relativa ao anocalendário 2007 foi paga em uma parcela única, em fevereiro de 2008; “O Acordo que definiu as regras e critérios para pagamento da PLR no período em questão (Anexo V) foi assinado em 20/12/2007 e firmado entre o Banco UBS Pactual e coligadas, de um lado, e, do outro, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF/CUT, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e Financiários do Município do Rio de Janeiro, Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e região, Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região e Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Crédito no Estado de Pernambuco.”; Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.869 3 na DIPJ/08 informouse despesa com a constituição da PLR no valor de R$ 577.615.991,37; sendo este o valor registrado nos balancetes fornecidos, que diverge do total apresentado na folha de pagamentos e dos valores lançados nas contas “89710202016 – Bônus – IB, 89710202023 – Bônus – AM, 89710202030 – Bônus – VM&SB e 89710202047 – Bônus – CC”; valores pagos a estagiários não são dedutíveis, até mesmo porque “...não tiveram, em momento algum, qualquer vínculo empregatício com a empresa”; conforme art.2º da Lei nº 10.101/2000, “...o Acordo coletivo entre empresa e entidade representativa dos empregados é instrumento legítimo para se estabelecer os critérios que devem ser respeitados quando do pagamento da PRL, por se vincular à lei. Sendo o mesmo desrespeitado, deve ser a PRL descaracterizada como tal e considerada indedutível para fins de IRPJ”; na avaliação de desempenho individual dos empregados, prevista como critério para o pagamento da PLR, o contribuinte utilizava índices denominados “...Performance Segmentation – OS e Performance Measurement & Management – PMM, cujos parâmetros estão divididos em INSATISFATÓRIO (IN), NÃO SATISFATÓRIO (NS), PARCIALMENTE SATISFATÓRIO (PS), SATISFATÓRIOS (S), MUITO SATISFATÓRIO (MS) E EXCELENTE (E), onde a classificação em que o empregado for enquadrado determinará o teto máximo de PLR que poderá receber”; constatada a existência de pagamentos em valores incompatíveis com a média de PLR concedidas a pessoas jurídicas do mesmo ramo, o contribuinte foi intimado a apresentar os cálculos dos valores pagos a cada um dos 124 empregados que receberam valores superiores a R$ 800.000,00, a demonstração do índice de lucratividade efetiva, bem como a vinculação com os termos do Acordo coletivo e os índices de excelência, sendo ainda solicitado “...que apresentasse a relação de todos os empregados que receberam classificação E (EXCELENTE); “...a empresa apresentou formulário interno de avaliação (Anexo X), em papel comum, sem qualquer assinatura de responsável legal, em que afirmou estarem os empregados que receberam classificação EXCELENTE, conforme Declaração em resposta ao TIF nº 3 (Anexo VIII). Em tal formulário são relacionados, em diferentes colunas, o nome dos empregados, a nota que teriam recebido, opiniões pessoais de caráter subjetivo e descrições do trabalho empreendido pelo empregado ou seu papel na empresa e outras críticas, em inglês (sem tradução) ou português. Não foi esclarecida qual a função de quem prestou tais informações ou como influenciaram na avaliação final dos empregados, um vez que a própria empresa afirma terem todos, sem distinção, a classificação EXCELENTE.”; “...Como a empresa não apresentou, sob os termos do TIF nº 3, a memória de cálculo de pagamento da PLR aos 124 empregados usados como amostragem conforme item 4.9, e ainda para ratificar as informações de avaliação individual conforme o Anexo II do Acordo, reintimamos a mesma em 01/02/2012 para que o fizesse e solicitamos ainda que nos fornecesse as classificações que estes empregados receberam, de acordo com os critérios de avaliação INSATISFATÓRIO, NÃO SATISFATÓRIO/PARCIALMENTE SATISFATÓRIO, SATISFATÓRIO E MUITO SATISFATÓRIO, embora já tivessem sido solicitados, de maneira genérica, os índices de excelência de cada um deles”; o contribuinte apresentou relação incompleta, com ausência de alguns empregados na amostragem e sem discriminar em qual categoria cada um deles se encaixava; Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.870 4 de posse da documentação disponibilizada pelo contribuinte, procedeuse “...à análise comparativa do valor recebido por cada um a título de PLR em 2008 com a avaliação pessoal de acordo com o Anexo II do Acordo Coletivo”, definindose como critério de comparação “...a remuneração de cada empregado na competência 02/2008, contida nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa, considerando saláriobase e gratificações fixas (de função ou salário indireto, como aluguel, por exemplo) e dispensando valores extras, como férias, rescisão e gratificações eventuais”; além dos critérios previstos na Lei nº 10.101/00 para a concessão da PLR, as partes podem pactuar outras, “...desde que resguardadas sua clareza e objetividade, como, por exemplo, atendimento a metas concretas previamente fixadas, o acréscimo de vendas, a inexistência de atrasos, a redução dos custos ou despesas, dentre outros [...]. Sem regras claras e objetivas, não poderá o empregado saber de que forma fará jus à participação”; os requisitos para a concessão de PLR, estabelecidos pela Constituição Federal e Lei nº 10.101/00, que exige, além da negociação entre a empresa e seus empregados, com a participação sindical, sejam estabelecidas regras claras e objetivas. A lei indica critérios para a PLR (índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos), de forma não taxativa, “...podendo as partes pactuarem outros, desde que resguardadas sua clareza e objetividade, como por exemplo, atendimento de metas concretas previamente fixadas, o acréscimo de vendas, a inexistência de atrasos, a redução de custos ou despesas, dentre outros”; o Acordo Coletivo lavrado em 2007 condiciona o pagamento da PLR à existência de lucro ao fim do anocalendário, desde que atingido o índice de lucratividade (cálculo descrito no Anexo I), que consiste apenas em um dos elementos a serem considerados; “Como a lucratividade diz respeito à empresa como um todo, o valor final do índice não cria distinção na distribuição da PLR, porque é o mesmo para todos os empregados e não vai diferenciálos. Embora não se possa negar a existência de regras claras de maneira geral, tais regras não especificam o critério de cálculo adotado para individualizar o valor a ser recebido por cada empregado. Sendo assim, só nos resta tentar analisar os formulários de avaliação individual de cada um e seu impacto no valor pago, conforme as regras contidas no item 3.1 do Anexo II do Acordo, e levando em conta as informações apresentadas pela empresa.”; as opiniões pessoais sobre cada empregado (elogios e, às vezes, críticas e pontos negativos), não constituem critérios objetivos de avaliação. “Opinião é por natureza subjetiva. Sendo assim, podem até ser consideradas para se atribuir uma nota a cada empregado, como efetivamente se fez, mas, na ausência da atribuição de um valor que explique o cálculo das PLR’s individuais, tal formulário é tão ineficaz quanto o Acordo Coletivo na clareza, concretude e objetividade das regras no cálculo dos valores pagos, conforme exigido pelo §1º do Art.2º da Lei 10.101/2000”; após nova intimação, o contribuinte forneceu as avaliações internas dos empregados que receberam PLR em 02/2008 (Anexo XI), sendo constatado “...que ainda havia beneficiários de PLR nesta competência que não possuíam avaliação”; quanto à demonstração individualizada do cálculo dos valores de PLR pagos a todos os beneficiários em 02/2008, anteriormente já solicitada, o fiscalizado apresentou a seguinte resposta: Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.871 5 “Informamos que o valor de PLR é calculado tomandose por base o índice de lucratividade do Banco no período, bem como as avaliações individuais de desempenho dos empregados. Cada empregado é avaliado segundo mecanismos de apuração baseados no cumprimento de metas, competências e/ou habilidades próprias de cada um. Para compor o valor que será pago a cada empregado, levase em consideração também os resultados da empresa, representado (sic) pelo índice de lucratividade. Com isso, fica claro o propósito de estimular o desenvolvimento profissional, bem como a intenção de atingir os objetivos que foram traçados entre o avaliado e o seu respectivo gestor. Dessa forma, não há uma única fórmula matemática que possa resumir os valores de PLR pagos à totalidade dos empregados, uma vez que tal cálculo é realizado de forma individualizada para cada funcionário” o foco da análise foi ampliado de uma amostragem de 124 funcionários para todos os beneficiários de PLR; no intuito de obter documentação que já havia sido requerida no período de mais de um ano de intimações, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 9, em 22/05/12, para o contribuinte: a) reapresentar a planilha com a avaliação individual de todos os funcionários da empresa, discriminando, desta vez, em que categoria cada um deles foi encaixado (INSATISFATÓRIO, NÃO SATISFATÓRIO / PARCIALMENTE SATISFATÓRIO, SATISFATÓRIO, MUITO SATISFATÓRIO ou EXCELENTE), já que não o fez devidamente, conforme visto no item 4.12. b) apresentar todas as avaliações de beneficiários de PLR ainda não entregues, relacionando os funcionários ausentes na Planilha 1 anexa ao Termo; c) apresentar, em relação aos empregados relacionados na Planilha 2 anexa ao Termo, que afirmou serem estagiários, conforme o item 4.22 acima, a documentação que comprovasse esta condição, já que os referidos empregados não constam como estagiários na folha de pagamento de 02/2008 fornecida anteriormente; d) apresentar, em relação aos empregados relacionados na Planilha 3 anexa ao Termo, que afirmou estarem fora da data do processo de avaliação, conforme o item 4.22 acima, detalhada e individualmente, demonstração de como foi calculada a PLR paga a estes empregados e a CAMILA DA PONTE RABELLO, tendo em vista que de acordo com a mesma, as avaliações individuais repercutem no cálculo do valor de PLR pago em 02/2008 a cada beneficiário; e) preencher as lacunas das linhas dos formulários de avaliação com notas sem nome de avaliador, que foram indevidamente excluídas, conforme o item 4.23 acima, ou justificar a sua ausência; f) apresentar, em última instância, a demonstração individualizada do cálculo dos valores de PLR pagos aos beneficiários, com assinatura do(s) responsável(is) legal(is), explicando matemática e detalhadamente como se chegou ao valor pago a CADA empregado, conforme já solicitado no TIF nº 8, destacando ainda a contradição que vimos nos itens 4.24 e 4.25 acima, para que a empresa se explicasse, e dando a ela mais uma chance de vincular as regras gerais Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.872 6 ao cálculo individualizado de PLR, o que sempre foi o escopo desta fiscalização; g) apresentar a descrição dos conceitos de avaliação que afirma terem sido encaminhados em resposta ao TIF nº 5, mas na verdade não foram entregues; h) apresentar a explicação, em português, do significado de cada um dos tipos de avaliador, conforme item 4.17 acima.” em 29/5/12, o contribuinte forneceu “declaração, assinada por procuradores legalmente autorizados, acompanhando a reapresentação das avaliações internas individuais de todos os beneficiários de PLR na condição de empregados (Anexo XII)”. No caso de empregado não elegível a avaliação em sistema PMM, não foram apresentados cálculos individualizados, “...muito menos foram indicados que critérios de avaliação objetivos seriam dados pelo gestor”; quanto à graduação das Notas nas avaliações individuais, esclareceu o contribuinte que obedeceu à classificação abaixo, porém não explicou “...qual a descrição final que os empregados receberam nos casos de combinação de notas diferentes de Contribuição e Competência, como, por exemplo, a combinação 2 – D (Muito satisfatório – Não Satisfatório): DESCRIÇÃO CONTRIBUIÇÃO COMPETÊNCIA Excelente (E) 1 A Muito Satisfatório (MS) 2 B Satisfatório (S) 3 C Não Satisfatório (NS) / Parcialmente Satisfatório (PS) 4 D Insatisfatório (IN) 5 E Não Aplicável (NS) X X quanto aos tipos de avaliador, o contribuinte forneceu a seguinte listagem: “360° direct report (Avaliador – Funcionário Direto); 360° other (Avaliador – Outros); 360° peer (Avaliador – Colega/Par); 360° client (Avaliador – Cliente Interno); Evaluatee (Avaliado); Evaluating manager (Gerente Avaliador) e Additional manager (Gerente Adicional); “...a empresa forneceu informação crucial para a análise da PLR, que até este momento não havia sido apresentada: ‘...estas avaliações ‘360o’ e a avaliação de um gestor adicional, oferecem ao Gerente Avaliador subsídios e feedback complementar, para facilitar a tomada de decisão de forma estruturada sobre a avaliação final para o desempenho do empregado. Porém, somente a autoavaliação e a avaliação do gestor são obrigatórias no processo, sendo as avaliações ‘360o’, quando existentes, informação adicional para a tomada de decisão do gestor. As avaliações individuais que repercutem diretamente na tomada de decisão para a determinação do valor que será pago ao funcionário através do programa de Participação nos Lucros ou Resultados são as avaliações finais dadas pelos Gerentes Avaliadores”; considerando que o contribuinte considera como avaliação final aquela realizada pelo Gerente Avaliador, todas as demais foram descartadas, pois “...não influenciariam no valor final pago a cada funcionário. Assim, para efetuar nossa análise, relacionamos na Planilha 3 Análise dos Termos do Acordo (Anexo III) a avaliação dada pelo Gerente Avaliador para cada funcionário, o valor da PLR recebido, a remuneração da competência 02/2008, nos moldes que escolhemos [...], e ainda a relação multiplicadora entre sua PLR e sua remuneração de 02/2008, ou seja, o número de remunerações que sua PLR recebida significa”. Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.873 7 A fiscalização ainda afirmou, in verbis: [...] Quanto às lacunas de avaliações que haviam sido excluídas conforme o item 4.23 e cujo preenchimento foi solicitado, a empresa respondeu que ‘o sistema de Avaliação de Desempenho denominado PMM (Performance Management & Measurement) pertence ao UBS AG. Tendo em vista, que o UBS Pactuai foi adquirido pelo BTG, não temos mais acesso a tal sistema e tampouco às informações referentes aos avaliadores faltantes na planilha 4, uma vez que os mesmos eram indicados pelo gestor do funcionário diretamente pela ferramenta, único lugar onde permanecia o registro. O escritório do então UBS Pactual no Brasil apenas possuía acesso às informações de sistema de estruturas e funcionários constantes em áreas do Brasil. Nestes casos, os avaliadores que estão em branco, são avaliadores que pertenciam a áreas do exterior impossibilitando o preenchimento da informação ora requerida. (...) Quanto aos Evaluating managers (Gerentes Avaliadores) dos funcionários listados na tabela (...) que constavam em branco, localizamos em arquivos de controle histórico de Headcount os nomes dos Une managers dos responsáveis por avaliar cada funcionário que pertenciam a áreas do exterior, e, portanto preenchemos a seguir (...)’. Assim, como as avaliações realmente importantes para a nossa análise (Gerentes Avaliadores) tiveram suas lacunas preenchidas, não se tornou necessário o preenchimento das demais. 4.35. A empresa ainda respondeu que, dos funcionários que foram admitidos posteriormente à data de corte do processo de avaliação PMM, os funcionários ROBERTO MARIA MONTA FILHO e ROSA AMÉLIA DE OLIVEIRA PENNA MARQUES MOREIRA ‘... receberam altos valores de PLR, pois eram mínimos garantidos em Carta Oferta de trabalho feita pela empresa...’, no entanto não anexou as Cartas Ofertas à resposta, como disse que faria. 4.36. Em relação ao novo pedido dos cálculos individualizados de PLR conforme o item 4.26, ‘f’, a empresa reportouse à resposta ao TIF n° 8, com a mesma redação contraditória transcrita no item 4.24. 4.37. Voltando à Planilha 3 (Anexo III), percebemos em simples análise matemática que não é possível compreender qual a correlação entre a remuneração de 02/2008 e os valores de PLR pagos aos empregados listados. Na coluna ‘PLR/SAL’, podemos constatar, por exemplo, que o empregado Guilherme da Costa Paes recebeu em PLR o equivalente a 801,57 vezes a sua remuneração do mês, enquanto o empregado Bruno de Arruda Carvalho recebeu PLR de 125,86 vezes a sua remuneração. Notese que ambos eram funcionários da empresa por mais de 8 anos, tinham a mesma faixa salarial e ainda foram classificados, conforme o formulário interno de avaliação final apresentado pela empresa, como tendo recebido as notas máximas dos Gerentes Avaliadores, ou seja, a combinação 1A (EXCELENTE). Não existe um só empregado, entre todos os beneficiários de PLR, que tenha recebido a mesma proporção entre PLR e Remuneração do que os demais. Eis outros exemplos retirados da Planilha 3 (Anexo III), todos com a mesma faixa salarial (cerca de R$ 25.000,00), mais de 8 anos de trabalho na empresa e classificação 1 A (EXCELENTE): Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.874 8 EVANDRO LUIZ DE ALMEIDA PEREIRA PLR = 768,24 vezes a remuneração normal de 02/2008; JOSÉ OCTÁVIO MENDES VITA PLR = 307,13 vezes a remuneração normal de 02/2008; LEANDRO DE AZAMBUJA MICOTTI PLR = 131,93 vezes a remuneração normal de 02/2008; 4.38. Sem qualquer demonstrativo detalhado de cálculo da PLR por parte da empresa, ela não comprova qual teria sido a razão objetiva de cinco empregados igualmente classificados como EXCELENTES, nas mesmas condições, conforme item anterior, terem tido seu esforço recompensado financeiramente, por meio da PLR, de forma tão díspar, em que pese ter se utilizado o salário de 02/2008 como parâmetro. 4.39. Quando analisamos, então, as demais combinações de notas, fica menos claro ainda de se entender como estas avaliações se traduziram no cálculo dos valores de PLR pagos. Podemos observar na Planilha 3, por exemplo, que os empregados CARLOS DE ALMEIDA VASQUES DE CARVALHO NETO e MARCUS VINÍCIUS CUIABANO PEIXOTO, ambos com menos de 3 anos a serviço da empresa e avaliação meramente SATISFATÓRIA (combinação de notas 3C) receberam PLR de mais de 100 vezes cada um as suas respectivas remunerações, ao passo que mais da metade dos que receberam classificação EXCELENTE (combinação de notas 1A) não chegaram a essa proporção em relação a suas remunerações. A mesma disparidade tem seu extremo no caso do empregado ALEXANDRE CAMARA E SILVA, que recebeu notas cuja combinação (4 NÃO SATISFATÓRIO e E INSATISFATÓRIO) ainda assim lhe rendeu um valor de PLR que superou sua remuneração de 02/2008 em 74 vezes, enquanto outros 24 empregados que receberam classificação EXCELENTE (combinação de notas 1A) não chegaram a essa proporção. 4.40. Ainda, o item 2 do Acordo entre a empresa e a entidade sindical limita inicialmente o valor da PLR para no mínimo 5 (cinco) e no máximo 100 (cem) salários mensais, o que pode ser mudado pelas avaliações do item 3.1. do mesmo Acordo. Para oferecer outro extremo da pouca objetividade de suas regras, notese que a avaliação de MUITO SATISFATÓRIO permite que o teto seja estendido para ‘até 4x o limite máximo’, ou seja, 400 salários mensais. No entanto, o empregado RODOLFO RIECHERT, conforme a Planilha 3, recebeu PLR no valor de 777,97 vezes a sua remuneração de 02/2008, ao passo que sua avaliação final foi uma combinação das notas 2 (MUITO SATISFATÓRIO) e D (NÃO SATISFATÓRIO), o que, na melhor das hipóteses, limitaria sua PLR ao máximo de 400 salários. 4.41. É importante frisar que todas estas comparações foram feitas exclusivamente com os elementos fornecidos pela empresa, no intuito de se chegar aos valores finais de PLR pagos a cada empregado e verificar a regularidade no pagamento em consonância com a legislação. Destes elementos, pudemos constatar, em resumo, que: Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.875 9 a) a empresa vincula o montante do pagamento da PLR à existência de lucro no exercício e ao seu índice de lucratividade, cujo cálculo foi devidamente apresentado e é válido como regra geral de pagamento de PLR, embora não seja possível calcular os montantes individuais dos beneficiários unicamente pelo seu valor; b) o Acordo entre a empresa e a entidade sindical estabelece uma regra genérica de que os empregados farão jus ao recebimento, a título de PLR, de no mínimo 5 (cinco) e no máximo 100 (cem) salários mensais, ficando esclarecido, inclusive, que este limite máximo poderá ser excedido em casos excepcionais, mas não diz qual o critério que justifica o recebimento ente o limite mínimo e máximo; c) Conforme visto no item 4.13 acima, o Acordo não oferece a definição de ‘salário mensal’ e que rubricas ou verbas o integrariam, para fins de se estabelecer estes limites; d) os formulários de avaliação individual fornecidos pela empresa não oferecem a descrição final que os empregados receberam nos casos de combinação de notas diferentes de Contribuição e Competência, de acordo com o item 4.30 acima; e) as avaliações individuais, com o critério de análise eleito pela fiscalização de se considerar como ‘salário mensal’ a remuneração da competência 02/2008, em termos comparativos, não possuem vinculação clara com os valores de PLR pagos, conforme visto nos itens 4.37 a 4.40 acima. 4.42. A empresa teve diversas oportunidades de facilitar a compreensão e o entendimento do cálculo dos valores pagos, cuja análise era o único escopo desta ação fiscal. No entanto, diante de tudo o que foi exposto, fica claro que ela não teve, em momento algum, intenção de fornecer à fiscalização o cálculo detalhado e individualizado dos valores pagos aos empregados a título de PLR em 02/2008. Em suas duas últimas oportunidades, em resposta aos Termos de Intimação Fiscal n° 8 e 9, ela apresenta as mesmas explicações vagas e genéricas de como é calculado o seu PLR e admite ao final possuir o cálculo dos valores individualizados por funcionário, ou seja, exata e literalmente o que foi intimada a apresentar. Ao se utilizar de redundância e se recusar a fornecer o cálculo dos valores, a empresa demonstra não possuir regras específicas objetivas para o pagamento de PLR, em desacordo com a lei. 4.43. Se o cálculo toma por base o índice de lucratividade do Banco no período, bem como as avaliações individuais de desempenho dos empregados, podese dizer que, com isso, adotou uma regra clara com critérios (índice de lucratividade >60%, programa de metas, avaliação individual), mas tal regra deve vir acompanhada do valor a que cada empregado fará jus, inclusive para que ele possa, em caso de dúvidas, utilizarse do previsto na Cláusula Décima Quinta do Acordo, que faculta ao empregado, verbalmente ou por escrito, solicitar a realização de reunião, com a presença das partes, na hipótese de dúvidas ou divergências quanto ao cumprimento do acordo, podendo a empresa, de acordo com o seu Parágrafo Único, utilizar como mecanismos de aferição de informações os seus formulários internos de avaliações. Só que estes mecanismos têm que ser pertinentes ao cumprimento do acordado, senão a empresa fica livre para pagar o Fl. 3875DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.876 10 que quiser aos empregados com determinada avaliação. No caso da avaliação EXCELENTE, por exemplo, impera a discricionariedade para se pagar a PLR acima do limite. Quando a empresa informa que ‘não há uma única fórmula matemática que possa resumir os valores de PLR pagos à totalidade dos empregados, uma vez que tal cálculo é realizado de forma individualizada para cada funcionário’, ao mesmo tempo, não informa qual o critério utilizado para quantificar o recebido por cada funcionário, inclusive quando excedido do limite máximo previsto para os empregados com esta avaliação (acima de 4x o limite). 4.44. Quando nem mesmo os formulários possibilitam ao empregado a obtenção de informações objetivas sobre o valor final de PLR que recebeu, por inconclusivos que são, tal pagamento foge completamente da natureza justa da Participação pretendida pelo legislador. Critérios genéricos podem favorecer a quem tem cargo ou função mais alto, em detrimento dos empregados menos graduados ou que não são chefes de setor, por exemplo. O próprio empregado tem interesse na limpidez das regras. 4.45. Como não houve objetividade nas regras do Acordo ou dos formulários internos apresentados pela empresa, de forma a se quantificar conclusivamente os valores de PLR, e a mesma se recusou terminantemente a fornecer os cálculos individualizados por funcionário, deve ser a PLR descaracterizada como tal e considerada indedutível, para fins de IRPJ. 4.46. Quanto à divergência encontrada conforme relatado no item 4.4, emitimos Termo de Intimação Fiscal TIF em 14/02/2012, recebido na data de sua emissão pela Srta. Luara Correa Moura, acima qualificada, solicitando a justificativa da divergência entre o valor pago e o lançado. 4.47. Em resposta à divergência, a empresa informou ser de fato R$603.199.113,77 contidos na folha de pagamento de 02/2008 fornecida o valor real das participações relativas ao ano, acrescentando que: a) o total lançado nas Contas 89710202016 Bônus IB, 89710202023 Bônus AM, 89710202030 Bônus WM&SB e 89710202047 Bônus CC é de R$ 609.136.504,76, dos quais R$ 4.035.915,66 referemse a pagamentos feitos a título de rescisão e R$ 1.901.475,33 referemse à baixa de provisão do adiantamento do pagamento de PLR pela convenção coletiva. Sobram então os R$ 603.199.113,77 pagos em folha, valor também constante da Conta 49300000009 Gratificações e Participações a Pagar, em 31/12/2007; b) também foi lançado na Conta 89710200032 BÔNUS Particip. Nos Lucros Empregados o valor de R$ 31.520.513,39, que se constitui de R$ 25.051.637,12 recebidos provisão constituída no banco UBS S/A antes de sua incorporação pelo Banco UBS Pactuai S/A. Este valor, subtraído dos R$ 609.136.504,76 lançados nas contas de PLR, totaliza os R$ 577.615.991,37 deduzidos na DIPJ. Fl. 3876DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.877 11 4.48. Uma análise do LALUR (Anexo XVI) comprovou que não foram adicionados ao Lucro Real os valores de PLR pagos indevidamente. 4.49. Todos os valores discriminados foram confirmados em cópias de balancetes e do Livro Razão (Anexo XIII), fornecidas pela empresa para justificar os valores lançados e as divergências acima apontadas. 5. DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL 5.1. As despesas com a constituição de PLR reduzem o lucro líquido, e neste momento cumpre considerar que, caso atendidos os requisitos de dedutibilidade previstos na Lei n° 10.101/2000, não é necessário ajuste, a despesa é dedutível e seu efeito já se produziu. Mas, em caso de inobservância a qualquer dos critérios legais de dedutibilidade, como é o caso dos pagamentos discutidos no item anterior, devese ajustar o lucro líquido, adicionandose a despesa indedutível, quando da apuração da base de cálculo do Imposto de renda (lucro real). 5.2. Assim, no anocalendário de 2007, a empresa deduziu do lucro líquido R$ 577.615.991,37, embora tenha pago valor total de PLR superior em folha de pagamento, como explicamos no item 4.47 acima. Desta forma, o lucro líquido foi incorretamente reduzido e, para cálculo do Imposto de renda devido, é necessário adicionar estes R$577.615.991,37, que são indedutíveis por desrespeito à lei, ao lucro real.” O lançamento foi considerado procedente pela DécimaQuinta Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.3.574/3.627): IRPJ. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA A AVALIAÇÃO DOS EMPREGADOS. INDEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. Inexistindo regras claras e objetivas que dêem amparo aos pagamentos de PLR efetuados pela empresa a seus funcionários, e não tendo sido elucidada a conexão entre as avaliações e a composição dos valores pagos, reputamse indedutíveis as respectivas despesas, para fins de determinação do lucro real. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (REsp 1.129.990/PR). Devidamente cientificado em 24/4/13 (fl.3.631), o contribuinte tempestivamente interpôs recurso voluntário em 23/5/13 (fls.3.638/3.693), em que alega, em síntese: outros dois lançamentos tributários estariam intrinsecamente ligados à presente autuação: (a) processo nº 16682.720128/201243, referente “...à cobrança de valores relativos à parte Empresa e de Terceiros sob o argumento de que não teriam sido cumpridos os requisitos legais para o regular pagamento de PLR no anocalendário 2007, razão pela qual tais valores seriam considerados salário para fins de incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias”; e (b) processo nº 16682.720449/201248, referente “...à cobrança de multas relativas (i) a supostas incorreções ou omissões nas informações reportadas pela Recorrente nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (‘GFIP’) e (ii) a suposta ausência pela Recorrente de informações e esclarecimentos necessários à autuação da Fiscalização”; Fl. 3877DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.878 12 o Acordo Coletivo de PLR observara todas as normas e princípios que regem a matéria; não poderia a fiscalização ter descaracterizado o Acordo Coletivo com base em 9 (nove) pagamentos de PLR, do universo de 615 (seiscentos e quinze), ou seja, apenas com fundamento em pagamentos que equivaleriam a 1,5% do total de empregados (Guilherme da Costa Paes, Bruno de Arruda Carvalho, Evandro Luiz de Almeida Pereira, José Octávio Mendes Vita, Leandro de Azambuja Micotti, Carlos de Almeida Vasques, Marcus Vinícius Cuiabano Peixoto, Alexandre Câmara e Silva e Rodolfo Riechert). Ainda que considerado o universo de 124 empregados (20% do total registrado), conforme descrito no item 4.9 do TVF, os nove pagamentos não representariam nem 10% da amostra eleita; a amostra deveria ser representativa de uma população, “...para que nela estejam efetivamente refletidos os comportamentos dessa”, conforme já decidiu o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 10248.128 e 10247.456); “...A conduta adotada pelo I. Agente Fiscal não respeita nenhuma técnica de auditoria e nem os preceitos de materialidade de um estudo. A utilização de um percentual tão ínfimo para análise de instrumentos que abrangiam 615 empregados, pelo contrário, viola todas as referidas técnicas e regras”; uma vez identificados pagamentos em desconformidade com o Acordo Coletivo, caberia o lançamento apenas com relação àqueles; o próprio agente fiscal incorrera em contradição quando analisou os pagamentos realizados aos empregados André Cobianchi Almeida e Antonio Carlos Canto Porto Filho e deixou de apontar irregularidade; conforme decidido em acórdão da Segunda Seção de Julgamento (nº 240102.139), não poderia a tributação incidir sobre todos os valores pagos a título de PLR; a fiscalização também teria incluído indevidamente os pagamentos “...a título de antecipações, realizadas em Outubro de 2007, com base na CCT PLR Bancos 2007 (Doc.06 da Impugnação), instrumento este que sequer foi descaracterizado”; nos termos da Convenção, em outubro de 2007 teria antecipado o pagamento de PLR, sendo que em fevereiro de 2008 efetuara a compensação dos valores já pagos (Doc.15 da impugnação), fato ignorado pela fiscalização ao adicionar ao lucro a totalidade dos pagamentos realizados a título de PLR; “...57. De maneira simples e superficial, o I. Agente Fiscal optou por presumir que os montantes de todos os pagamentos de PLR relativos ao anocalendário 2007 corresponderiam a valores pagos nos termos do Acordo Coletivo. Ocorre que o descuido do I. Agente Fiscal foi tão significante que sequer há menção à CCT PLR Bancos 2007 no TVF, instrumento este que não foi objeto de qualquer questionamento [...]. 64. Ao efetuar o lançamento sobre parcelas de PLR que sequer foram objeto de questionamento ao longo da Fiscalização, mais uma vez o I. Agente Fiscal acabou por violar as mais fundamentais regras que regem o ato administrativo de lançamento, deixando de apurar com precisão a base de cálculo do IRPJ supostamente devido no período”; havendo erro na base de cálculo, a solução seria a nulidade do auto de infração, conforme decisões administrativas (acórdãos nº 240101.358 e 20310.576); ainda que os requisitos legais para pagamentos a título de PLR não tivessem sido cumpridos, deveriam os dispêndios ser considerados dedutíveis, haja vista a sua natureza operacional, conforme declaração de voto vencido em primeira instância e acórdão da DécimaQuinta Turma da DRJ/RJ1 (nº 1237.956, de 22/06/11); Fl. 3878DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.879 13 o próprio agente fiscal teria reconhecido a natureza remuneratória dos pagamentos a título de PLR, para fins de incidência de contribuição previdenciária, conforme Termo de Verificação Fiscal constante do processo nº 16682.720128/201243; “...Neste cenário, uma vez descaracterizados os pagamentos de PLR, tais verbas assumiriam a natureza salarial e seriam, indubitavelmente, despesas operacionais, necessárias à manutenção da sociedade. 80. Ainda que se considerasse que as verbas pagas não teriam natureza salarial, os pagamentos realizados assumiriam o caráter de gratificação paga pelo empregador aos empregados, com a finalidade de estimular os funcionários”, conforme art.299, §3º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), conclusão que se coadunaria com o seu art.462. a possibilidade de dedução de gratificações por liberalidade do empregador não seria novidade na legislação tributária, conforme Parecer Normativo CST nº 109, de 22/09/75; com a vigência da Lei nº 9.430/96, os limites para pagamento de gratificações a empregados teriam sido revogados; “...A dedutibilidade dos pagamentos feitos a empregados a título de PLR, seja por seu enquadramento frente à Lei nº 10.301/00 ou por sua natureza de gratificação paga aos empregados, também já foi assegurada por este E. Tribunal Administrativo em diversas ocasiões”, conforme acórdãos nº 10195.258, de 09/11/05, 1402001.135, de 08/12/12, 1101 000.847, de 05/03/12, e 1401000.944, de 06/03/13. O acórdão nº 1101000.847 referirseia ao próprio contribuinte, e, inclusive, “...Os Conselheiros reconheceram que a tese da D. Fiscalização cai em patente contradição à medida que não poderiam ser exigidos, simultaneamente, contribuições previdenciárias e IRPJ sobre os mesmos valores”; remunerações pagas a empregados, sendo gratificações ou não, seriam despesas operacionais necessárias ao regular funcionamento de qualquer sociedade; quanto aos requisitos legais para fins de pagamento de PLR, o cerne da questão, conforme posto pela DRJ/RJ1 “concentrase na falta de explicação por parte da empresa, de como foi calculado individualmente o valor pago a cada empregado”, em que pese ter reconhecido a existência de regras claras e objetivas; não caberia ao Fisco questionar, quando os critérios de avaliação foram livremente negociados pelas partes, o valor dos pagamentos aos empregados, vez que não lhe cabe “...criar qualquer outro requisito, sob pena de desrespeitar não só a Constituição, que prevê de forma incondicional o direito do trabalhador, como também a própria Lei nº 10.101/00”; quanto às avaliações de desempenho, cabe esclarecer: (a) o contribuinte adotou a metodologia de avaliação 360 graus, em que, “...Com base em critérios e metas já prédefinidos, cada empregado preenchia sua autoavaliação e também era avaliado por seus superiores e colegas. Em contrapartida, esse mesmo empregado avaliava seus pares e superiores”; (b) o preenchimento das avaliações era feito diretamente nos sistemas, cujo acesso era realizado mediante senha individual e intransferível; (c) conforme Manual explicativo, havia competências às quais eram atribuídas notas que variavam de 1 a 5 (Ultrapassou muito, Ultrapassou, Atingiu, Atingiu parcialmente e Não atingiu), relacionadas ao atendimento das metas; e também gradações que variavam de “A” a “E”, relacionadas com a visão global das competências (Ultrapassa muito o perfil, Ultrapassa o perfil, Atende o perfil, Abaixo do perfil e Muito abaixo do perfil); (d) o critérios eram combinados, gerando a nota final do avaliado; (e) as avaliações eram processados pelos sistemas PMM (“Performance Measurement & Management”) e PS (“Performance Segmentation”) e os resultados, submetidos à análise e aprovação de um Comitê de Avaliação, indicado pela Diretoria e composto por gerentes seniores; (f) estabelecida a faixa de avaliação de cada empregado, o Comitê verificava os Fl. 3879DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.880 14 limites mínimos e máximos se salários a serem recebidos a título de PLR, de acordo com o previsto no Plano de PLR, sopesando, ainda com base nas avaliações, “...o quanto cada empregado contribuiu para a formação dos resultados e, dentro da faixa de avaliação na qual cada empregado se enquadrou, calculava quantos salários seriam percebidos por cada colaborador”; (g) ao contrário do que entendera a fiscalização, “...a nota confirmada pelo gerente avaliador, após a conclusão de todas as avaliações 360 graus imputadas nos sistemas PMM e PS é que era levada ao Comitê de Avaliação”; acerca da suposta ausência de fórmula matemática individualizada para os pagamentos de PLR: (a) a própria fiscalização reconhecera a existência de regras claras e objetivas; (b) inexistiria na Lei nº 10.101/00 a obrigatoriedade de sistema de cálculo individualizado para cada empregado, conforme já decidido nos acórdãos 240202.508 e 20501.178; (c) a exigência fiscal seria manifestamente ilegal; (d) para o pagamento de PLR, relevante seria o acordo das regras entre as partes, “...que haja diálogo entre empresa, empregados e sindicatos e que todos os envolvidos sejam capazes de compreender as diretrizes para o pagamento de PLR”, como já decidido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos nºs 9202 00.503 e 920201.607); (e) “a Recorrente estabeleceu regras objetivas para o pagamento de PLR, que estavam claramente dispostas no Acordo Coletivo de PLR, regras essas que foram devidamente aprovadas pela CONTRAF/CUT e por seus empregados, sendo tal matéria incontroversa nos presentes autos”; sobre o Acordo Coletivo de PLR: (a) a Cláusula Quinta expressamente estabelecia três critérios: índice de lucratividade, programas de metas e avaliação de desempenho individual; (b) conforme Anexo I, “...a PLR corresponderia à diferença entre o índice de lucratividade da Recorrente vigente em 2007, que era de 60%, e o índice de lucratividade efetivo”; (c) nos termos do Anexo II, o lucro distribuído entre todas as áreas, de acordo com o índice de lucratividade, os empregados fariam jus no mínimo a 5 salários e no máximo a 100 salários, sendo que os valores poderiam se multiplicados por até 2, 4 ou mais, a depender da faixa de avaliação do empregado; a respeito da suposta não apresentação das avaliações à fiscalização: (a) não haveria razão para tal solicitação, vez que o PLR possuía regras claras e objetivas; (b) foram acostados aos autos (Doc.09 da impugnação) as avaliações individuais dos empregados, em que constam com clareza os critérios utilizados; (c) a razão de as avaliações terem sido redigidas no idioma inglês decorreria do fato de que “...diversos empregados da Recorrente também eram estrangeiros e não falavam português”; (d) as avaliações dos empregados Thays Vargas Ferreira da Cunha e Felipe Santos Wance de Souza teriam sido entregues no curso da fiscalização; relativamente aos catorze empregados contratados após 31/08/07, data do encerramento do processo de avaliação: (a) em razão de terem contribuído para a formação do resultado do ano calendário 2007, fizeram jus ao recebimento de PLR em fevereiro de 2008; (b) os desempenhos individuais teriam sido objeto de avaliação e discussão pelo Comitê de Avaliação que, após deliberação, teria determinado o valor de PLR a ser pago; no tocante aos comentários constantes das avaliações, que, no entender da fiscalização, denotariam opiniões de caráter subjetivo, “...influenciavam o Comitê de Avaliação na determinação da contribuição de cada empregado para os resultados da empresa e, conseqüentemente, no número de salários que cada empregado receberia a título de PLR”; quanto aos valores de PLR recebidos pelos empregados Roberto Maria Monta Filho e Rosa Amélia de Oliveira Penna Marques Moreira, seriam “...relativos a bônus de admissão, garantidos em Carta Oferta a ambos os empregados quando de sua contratação” (Doc. 12 da impugnação), argumento este que não teria sido apreciado pela DRJ; Fl. 3880DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.881 15 “...O pagamento de Bônus de Admissão representa o pagamento de uma gratificação eventual, e, portanto, coadunase perfeitamente aos requisitos de dedutibilidade previstos nos artigos 299 e 462 do RIR/99”; as diferenças entre os valores pagos, em quantidade de salários, justificarseiam na contribuição de cada empregado na geração do lucro, sendo que os pagamentos foram efetuados “...de acordo com os limites das faixas de avaliação previstas pelo Acordo Coletivo e o sistema PMM”; “...Na tentativa de confrontar os pagamentos realizados pela Recorrente, a I. Autoridade Fiscal Julgadora, ao longo de sua decisão, fez comparações entre os funcionários ora pelas notas referentes às avaliações, ora pelo valor do PLR recebido. Com base nisso, o Órgão Julgador teve como conclusão não ser compreensível a relação entre as avaliações e os valores pagos a título de PLR. 206. Nesse ponto, no entanto, cumpre demonstrar os equívocos cometidos nestas comparações, uma vez que o espaço amostral em nenhum momento foi restrito com base nas atividades exercidas por cada funcionário. Tampouco foi ponderada a natureza de cada função profissional e da hierarquia entre elas. Somente foram estabelecidos paralelos entre critérios que não são suficientes para descaracterizar os pagamentos de PLR”; a autoridade fiscal incorrera em equívoco ao comparar pagamentos de PLR a empregados que não exerciam mesma função, com responsabilidades distintas, ainda que tenham sido avaliados com a mesma nota; seria compreensível que, por exemplo, um Diretor Financeiro recebesse um número maior de salários do que uma Assistente de Diretoria; inexistiria imposição legal no sentido de que os valores pagos de PLR fossem iguais para todos os beneficiários; em primeira instância, a DRJ, ao se basear apenas nas notas das avaliações, ignorara a natureza e as particularidades da função profissional de cada empregado por ela listado; com relação aos pagamentos de PLR efetuados a 58 estagiários: (a) a DRJ/RJ1 dera provimento à impugnação apresentada no processo nº 16682.720128/201243, exonerandoa da contribuição previdenciária sobre tais parcelas; (b) seriam passíveis de dedução para fins de IRPJ, tendo em conta a sua natureza operacional; (c) cumprira os requisitos estabelecidos na Lei nº 6.494/77; (d) seriam necessários às atividades empresariais; seria incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ao final, o Recorrente protestou pela produção de provas e oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Em contrarrazões (fls.3.836/3.857), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sustentou: a desqualificação do PRL fundamentarase pela desobediência à legislação de regência, vez que “...não ficou concretamente demonstrada a existência de regras claras e objetivas de fixação da PLR”; os casos apresentados pela fiscalização não se constituiriam em amostragem, mas “...foram usados no TVF com o intuito de reforçar a relevância dos documentos solicitados no curso da fiscalização para a apuração do cumprimento das regras que deveriam nortear o pagamento da PLR”; Fl. 3881DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.882 16 “No que concerne à alegação de que foram incluídos na base de cálculos os montantes de PLR pagos com base em Convenção Coletiva de Trabalho, instrumento que não teria sido objeto de questionamento pela autuação, devese ter presente que, consoante a Cláusula Décima Terceira do Acordo Coletivo, os empregados não percebem PLR com base em dois títulos distintos (Acordo Coletivo e Convenção Coletiva), como faz crer a recorrente, mas apenas com lastro no Acordo Coletivo ora em discussão. [...] Nos termos da cláusula em comento, a PLR deveria ser paga de acordo com a regra mais benéfica para o empregado, sendo incontroverso nos autos que as estipulações mais benéficas eram as do Acordo Coletivo. Ora, se os pagamentos tiveram base em um único instrumento, qual seja, o Acordo Coletivo, não há porque se abater das adições procedidas pela fiscalização o valor previsto em Convenção Coletiva que em nada fundamentou os pagamentos recebidos pelos empregados.”; nem tudo que é pago pelo empregador, como contraprestação laboral, seria dedutível do lucro líquido, ou seja, “...Mesmo que uma verba seja considerada como retribuição decorrente do contrato de trabalho, integrando, portanto, o saláriodecontribuição, para fins de incidência da contribuição previdenciária, ainda assim poderá não ser dedutível da base de tributação do IRPJ, haja vista que este tributo tem regras próprias para apuração”; “...O fato de a distribuição de lucros aos empregados da pessoa jurídica não atender aos requisitos previstos na Lei n.º 10.101/2000, resultando na impossibilidade de dedução dos pagamentos do lucro líquido do período de apuração (art. 462, III, do RIR/99), não tem o condão de transmudar a natureza jurídica dos valores pagos. Ou seja, as participações no lucro conferidas aos empregados do banco autuado permanecem sendo distribuição de lucro, jamais deixaram de ser. Uma coisa é a natureza jurídica de um pagamento, outra é o efeito jurídico que esse pagamento gera. No âmbito do IRPJ, o efeito jurídico de distribuição de lucro aos empregados é a adição ao lucro líquido do período (regra geral). Todavia, este efeito pode ser modificado se, e somente se, o pagamento a esse título for realizado segundo os critérios estabelecidos na Lei n.º 10.101/2000, porque esta foi a exigência estabelecida pelo legislador para afastar a regra geral (inciso III art. 462 do RIR)”; a circunstância de a PLR “...ser retribuição econômica pelo contrato de trabalho, daí advindo o caráter remuneratório das parcelas no campo da contribuição previdenciária, tão somente por esse fato, não qualifica a despesa como operacional para fins de IRPJ, pois nesta seara o critério de dedutibilidade de um gasto é aferido pelos parâmetros de necessidade, normalidade e usualidade (art.299, do RIR), conceitos que seriam imprescindíveis à legitimação da dedução.”; a PLR não seria um gasto necessário, imprescindível, essencial ao desenvolvimento da atividade empresarial, mas um “...dispêndio decorrente de ato de mera liberalidade do empregador, uma vez que a não concessão de PLR não impossibilita a empresa de realizar a exploração de seu negócio”. Constituirseia em uma “...despesa extraordinária, a qual pode ou não ocorrer, a depender da opção empresarial de conceder participação nos lucros ou resultados aos seus empregados. Igualmente, não é despesa usual na acepção de habitualidade em relação à espécie do negócio desenvolvido pelo contribuinte”; “Ora, se, efetivamente, a participação nos lucros e resultados da pessoa jurídica fosse despesa operacional, como afirma o recorrente, qual o sentido lógico do legislador ter destacado um artigo específico para dizer que o contribuinte pode deduzir a PLR da base cálculo do IRPJ? Senhores Julgadores, que sentido tem reproduzir em artigo diverso uma regra que já estaria albergada no art. 299 do RIR? Por certo, outra não pode ser a conclusão senão a de que participação nos lucros da empresa não é despesa operacional, segundo os parâmetros estabelecidos no art. 299, do RIR/99, o que resulta na necessidade de haver um Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.883 17 preceptivo específico para conferir caráter de dedutibilidade à despesa, condicionando, porém, que o pagamento seja feito na forma da Lei n.º 10.101/2000”; o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes já decidira no sentido de que os pagamentos a título de PLR seriam indedutíveis, quando em desconformidade com as exigências legais, “...o que a contrario sensu confirma não se tratar de despesa operacional”; a PLR estaria vinculada ao alcance de metas pelos empregados, não consistindo em “...mecanismo para substituir eventual pagamento de abono, prêmio, gratificação, comissão, etc., de forma a ocultar a natureza salarial e, assim, eliminar os encargos sociais e tributários que normalmente incidiriam caso a verba não fosse paga de forma disfarçada”; de acordo com a jurisprudência administrativa (acórdão nº 240100.545) e do Superior Tribunal de Justiça (Resp 856160/PR), “...somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária”; o pagamento de PLR pelo contribuinte estaria cercado de subjetivismos, “...não existindo critérios claros e objetivos a nortear a atribuição do número de salários a que cada empregado fará jus”; “...nos termos da sistemática descrita pela própria recorrente em seu recurso voluntário, em última análise, o cálculo de quantos salários cada empregado receberia incumbia a um Comitê, que tomava tal decisão sem nenhum parâmetro objetivo, mas com base em uma percepção de montante de contribuição individual para a formação dos resultados do Banco. Está confessado nos autos que era determinante na fixação do valor a ser recebido ‘a contribuição que cada funcionário deu para a geração dos lucros’, fator esse que era aferido por um Comitê de Avaliação, sem quaisquer parâmetros ou critérios conhecidos. E mais! No Anexo II do Acordo Coletivo, há previsão de que os empregados farão jus ao recebimento de PLR de no mínimo cinco e no máximo 100 salários mensais. Ainda nos termos do Anexo II, o limite máximo pode ser extrapolado em casos excepcionais, a depender da avaliação geral do empregado e da sua classificação na Performance Segmentation. Assim, é possível pagar até 200, até 400 ou mais de 400 salários mensais a depender de tais análises. Ora, a diferença entre pagar 100 vezes o salário mensal e pagar 120, 150, 180, 200 ou 400 salários mensais é enorme, mas não se sabe como tal decisão é tomada.”; a ausência de critério objetivo fora ressaltada pela DRJ/RJ1, quando do julgamento do processo nº 16682.720128/201243; ao requerer as memórias de cálculo dos valores pagos, a fiscalização buscara verificar o cumprimento das regras previstas no instrumento de PLR, que deveriam conter regras claras e objetivas; considerando que o próprio empregador definira os parâmetros de pagamento de PLR, teria o dever de demonstrar que a eles se ateve, não se sabendo, no caso concreto, “...o critério que norteou o pagamento da PLR em múltiplos que chegam, por vezes, a 500 salários”; quanto aos empregados que não foram submetidos ao sistema de avaliação eleito pelo contribuinte, não teriam sido atendidas as regras postas no instrumento de fixação da PLR; os parâmetros estabelecidos em lei quanto aos pagamentos a título de PLR seriam razoáveis, “...tendo como escopo evitar as fraudes e garantir o cumprimento dos mandamentos constitucionais”; Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.884 18 conforme jurisprudência das duas Turmas do STJ e decisões do CARF, inclusive de sua Câmara Superior de Recursos Fiscais, seria legal a incidência de juros sobre a multa de ofício. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. A Constituição Federal prevê como direito social do trabalhador a participação nos lucros, ou resultados, desvinculandoa da remuneração: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ..... XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Por sua vez, a Lei nº 10.101, de 19/12/00, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.98277/2000, regulou a “participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade” nos termos abaixo, no que importa à presente discussão (redação vigente à época dos pagamentos de PLR): Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 3884DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.885 19 §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ..... Art.3o A participação de que trata o art.2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. Vêse, do art.3º, §1º, da Lei nº 10.101/00, que a dedução dos pagamentos a título de PLR é cabível quando realizados em conformidade com seus dispositivos. Assim, deve ser a PLR ser objeto de negociação entre o empregador e seus empregados, constando do instrumento resultante regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, bem como regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e programas de metas, resultados e prazos, previamente pactuados. Do relato fiscal, notase que o agente fazendário não questionou a validade do Acordo Coletivo de PLR, interessando à resolução da controvérsia verificar se os critérios ali estabelecidos foram cumpridos. Também é incontroverso que o índice de lucratividade estabelecido consistiu em uma regra clara, objetiva, estabelecida em tal ajuste. Apesar disso, a fiscalização, com base na documentação que lhe foi disponibilizada, entendeu que seria imprescindível a especificação dos critérios adotados na individualização dos valores pagos aos empregados, razão pela qual passou a analisar os formulários de avaliação. Dispunha o Acordo de PLR (fls.1.182/1.192), no que importa ao desate da controvérsia: a) era aplicável a todos os empregados do banco; b) a PLR era devida em conformidade com os Anexos I e II, levandose em consideração as avaliações individuais de desempenho (Cláusula Quinta); c) os valores estabelecidos no Anexo II representavam um mínimo a ser pago, sendo facultado o pagamento de valor superior quando o desempenho e contribuição individual ultrapassasse o esperado ou negociado (Cláusula Quinta, Parágrafo Primeiro); d) por ocasião do pagamento de PLR, o banco deduziria os valores já quitados por força de Convenção Coletiva sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2007 (Cláusula Sexta, Parágrafo Único); Fl. 3885DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.886 20 e) para fazer jus à PLR, o empregado deveria trabalhar no mínimo 90 (noventa) dias do período avaliado, podendo, em casos excepcionais e mediante aprovação da Diretoria do Banco, ser considerado período menor que este (Cláusula Sétima, Parágrafo Único); f) quando mais benéfico, prevaleceria o Acordo de PLR sobre qualquer cláusula que dispusesse sobre a mesma questão, decorrente de Acordo Coletivo, Convenção Coletiva ou Sentença Normativa (Cláusula Décima Terceira). Por sua vez, o Anexo II do Acordo de PLR, que dispôs sobre as “Regras Quanto à Fixação dos Direitos à Participação e Programas de Metas”, estabelecia: Após a definição do percentual do lucro a ser distribuído aos EMPREGADOS do BANCO dentro do limite estipulado no item 5, do Anexo I, para a fixação dos direitos à PLR a serem percebidos pelos EMPREGADOS deverão ser observadas as seguinte regras e critérios: 1 O percentual a ser distribuído será destinado a todas as áreas do Banco UBS Pactual S.A. (‘BANCO’). 2 Os EMPREGADOS farão jus ao recebimento, a título de PLR, de no mínimo 5 (cinco) e no máximo 100 (cem) salários mensais, ficando esclarecido que este limite máximo poderá ser excedido em casos excepcionais, conforme descrito no item 3.3 abaixo. 3 Na determinação do valor a título de PLR a ser recebido por cada EMPREGADO, serão consideradas as avaliações Performance Segmentation e Performance Measurement & Management PMM, descritas no PMM Profiles, Competency Model and Performance Cluster Descriptions (Descrição dos Parâmetros e Modelos de Competência para Avaliação e Gerenciamento de Performance), cujo teor, desde o início do exercício de 2007, foi amplamente divulgado internamente para os empregados; estando o mesmo, ademais, à disposição dos signatários. 3.1 Por fim, a PLR a ser distribuída será composta da seguinte forma: (i) pelo valor decorrente lucro auferido pelo BANCO, conforme item 2, deste Anexo; (ii) combinado com a avaliação PS, descrita no item 3.1. O montante a ser distribuído a título de PLR levará em consideração os seguintes parâmetros: Avaliação Geral do EMPREGADO Classificação do EMPREGADO na Performance Segmentation Fator multiplicador a ser utilizado para exceder o limite máximo estabelecido no item 2 acima INSATISFATÓRIO (IN) PS4 NÃO SATISFATÓRIO (NS) / PARCIALMENTE SATISFATÓRIO (PS) PS4 SATISFATÓRIO (S) PS3 Até 2x o limite máximo MUITO SATISFATÓRIO (MS) PS2 Até 4x o limite máximo EXCELENTE (E) PS1 Acima de 4x o limite máximo Fl. 3886DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.887 21 Em nota de rodapé do Anexo II consta a observação de que “Na hipótese de classificação EXCELENTE, poderá o EMPREGADO receber valor superior ao teto estabelecido no item 2 acima”. Tendo em vista que se ultrapassou o limite de 100 (cem) salários em alguns casos, fazse necessário, para saber se os pagamentos foram realizados em consonância com o Acordo Coletivo, como exaustivamente sustenta o Recorrente, analisar as regras contempladas em seu Anexo II. Conforme cópia anexada pela fiscalização (fl.1.192) e pelo sujeito passivo (fl.2.221), é possível que o inteiro teor do Anexo II do Acordo Coletivo não tenha sido acostado aos autos. Chegase a esta conclusão a partir da leitura do seu item 2, que fez referência ao subitem 3.3, não constante do documento, exatamente aquele em que supostamente estariam descritas as regras que justificariam pagamentos a título de PLR em valores superiores ao limite de 100 (cem) salários mensais. Considerando a importância das avaliações individuais na fixação dos valores que poderiam ser pagos aos empregados, o esclarecimento de alguns outros fatos pode fornecer elementos que contribuam para uma adequada solução à luz da legislação tributária. Sendo assim, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: intime o contribuinte para: (a) apresentar o inteiro teor do Anexo II do Acordo de PLR (“Regras Quanto à Fixação dos Direitos à Participação e Programas de Metas”), vez que aparentemente foi disponibilizado incompleto, conforme observação acima; (b) apresentar tradução juramentada dos documentos constantes das fls.3.539/3.548; e (c) esclarecer objetivamente qual a influência da classificação alfabética “Competência” (item 4.29 do Termo de Verificação Fiscal) nos pagamentos de PLR realizados com base nos parâmetros estabelecidos no item 3.1 do Anexo II do Acordo de PLR; verifique: (a) se nos pagamentos considerados pela fiscalização a título de PLR, realizados em fevereiro de 2008, foram incluídos os valores supostamente pagos com base na CCT PLR Bancos 2007 (fls.3.417/3.436); e (b) se procedem as informações prestadas pelo Recorrente quanto aos cargos exercidos pelos empregados, conforme relação de fls.2.913/2.928; aproveitando a diligência, anexe cópia do inteiro teor do Parecer Normativo CST nº 109, de 22/9/75, mencionado pelo Recorrente, podendo a este ser requerida; adote, se entender cabíveis, providências que auxiliem na solução da controvérsia; elabore relatório final circunstanciado, que deverá ser cientificado ao sujeito passivo, facultandolhe apresentar contrarrazões ao resultado da diligência no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3887DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900903/2012-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10945.900903/2012-28
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5323045
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-004.971
nome_arquivo_s : Decisao_10945900903201228.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 10945900903201228_5323045.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5289389
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368859193344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 76 1 75 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.900903/201228 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.971 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO PIS Recorrente CGS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 09 03 /2 01 2- 28 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13805.011539/97-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. PERDA DE OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tratando-se de pedido de restituição em que os créditos tenham sido compensados e para cujas compensações tenha ocorrido a homologação tácita, há que se homologar as compensações realizadas, independentemente da existência ou suficiência dos créditos correspondentes.
Numero da decisão: 1402-001.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. PERDA DE OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tratando-se de pedido de restituição em que os créditos tenham sido compensados e para cujas compensações tenha ocorrido a homologação tácita, há que se homologar as compensações realizadas, independentemente da existência ou suficiência dos créditos correspondentes.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13805.011539/97-59
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316644
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-001.448
nome_arquivo_s : Decisao_138050115399759.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS PELA
nome_arquivo_pdf_s : 138050115399759_5316644.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
id : 5247052
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368866533376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.011539/9759 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.448 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2013 Matéria IRRF Recorrente VOTOCEL FILMES FLEXÍVEIS Recorrida 5ª TURMA da DRJ/RPO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. PERDA DE OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tratandose de pedido de restituição em que os créditos tenham sido compensados e para cujas compensações tenha ocorrido a homologação tácita, há que se homologar as compensações realizadas, independentemente da existência ou suficiência dos créditos correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 01 15 39 /9 7- 59 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13805.011539/9759 Acórdão n.º 1402001.448 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de restituição (fls. 1/13), no valor de R$ 234.584,33, protocolado pela contribuinte em razão do suposto pagamento indevido de IRRF incidente sobre dividendos afetos a lucros apurados no anocalendário de 1995 por Votorantim Celulose e Papel S/A., da qual a interessada é sócia, distribuídos em 17/06/1996. Tratase também, de pedido de compensação (fls. 15 – protocolado em 13/03/98, fl. 17 – protocolado em 10/02/98,fl. 18 – protocolado em 10/02/98, fl. 20 – protocolado em 09/01/98 e fl. 22 – protocolado em 10/12/97), que requereu a compensação de tais supostos créditos com débitos de PIS, COFINS e IPI, relativos aos períodos de apuração novembro e dezembro de 1997 e janeiro e fevereiro de 1998. Além de tais compensações, consta nos autos, ainda, a informação de que o processo administrativo 13804.008850/200212 foi apensado a este, tendo em vista tratar de compensação que utiliza crédito objeto de análise nestes autos (declaração de compensação protocolada em 09/12/2002). Analisando os pedidos, em 23 de outubro de 2007, a Delegacia da Receita Federal de Sorocaba exarou o despacho decisório de fls. 59/65, indeferindo o direito creditório, ao fundamento de que o IRRF pela Votorantim, decorrente da distribuição de dividendos, é definitivo, quando não é compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária tiver de recolher relativamente à distribuição de dividendos, conforme arts. 655 e 656 do RIR/99. Observou, contudo, que apesar do não reconhecimento do direito creditório, ocorreu a homologação tácita dos pedidos de compensação de fls. 15, 17, 18, 20 e 22, por terem sido protocolados há mais de 5 anos. Assim, propôs o reconhecimento das compensações que foram homologadas tacitamente e o encaminhamento para cobrança dos débitos de IPI compensados no processo administrativo nº. 13804.008850/200212. Inconformada, a contribuinte apresentou peça recursal (fls. 69/122), sustentando, em síntese, que: A lei nº. 9064/95 não vedou a compensação dos valores retidos a título de imposto de renda incidente sobre o recebimento de dividendos no exercício, mas apenas deixou de sujeitar à incidência, na fonte, o referido fato. Ao não se permitir a compensação do IRRF com outros tributos, tornandoa definitiva, transfigurouse a natureza da própria retenção na fonte, uma vez que, no primeiro momento, a retenção se deu a título de “antecipação”, e, por força da mudança na legislação que determinou a superveniente não incidência do imposto, tal tributação passou a ser “definitiva – exclusiva na fonte”. Após isso, consta à fl. 138 dos autos despacho do Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária no sentido de que a decisão de fls. 59/65 deveria ser ratificada para bem delinear o montante da compensação que fora homologada tacitamente, já que o crédito tributário em discussão não fora suficiente à liquidação de todos os débitos indicados nas compensações de fls. 15,17,18,20 e22. Ademais, como o crédito também não era suficiente para a liquidação do débito em discussão no processo administrativo nº. 13804.008850/2002 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13805.011539/9759 Acórdão n.º 1402001.448 S1C4T2 Fl. 4 3 12, determinou que esses autos fossem desapensados e imediatamente encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União. Em observância à supracitada determinação, foi exarado o despacho decisório de fls. 141/147, retificando o despacho decisório de fls. 59/65, repisando idênticas razões para o indeferimento do direito creditório e, quanto à homologação tácita das compensações, esclarecendo que: (i) os débitos de COFINS e PIS do período de novembro de 1997, COFINS de dezembro de 1997 foram integralmente extintos; (ii) o débito de PIS de dezembro de 1997 foi parcialmente extinto, remanescendo saldo a pagar; e (iii) permaneceram integralmente sem quitação os débitos de COFINS e PIS de janeiro e fevereiro de 1998, e IPI de janeiro de 1998 e dezembro de 2002. Também em observância à mencionada determinação, em 29/11/2007 os autos do processo administrativo nº. 13804.008850/200212 foram desapensados destes, passando a tramitar em separado. Notificada da retificação do despacho decisório de fls. 59/65, mais uma vez a contribuinte apresentou manifestação (fls. 174/199), repisando suas razões anteriores. Nesse passo, a 5ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido (fl. 204/208), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1995 PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO. Os valores retidos na fonte sobre os dividendos recebidos no período de 01/01/1995 a 31/12/1195 só são compatíveis com o imposto de renda que a beneficiária, tributada pelo regime do lucro real, também tenha retido na distribuição de seus lucros e dividendos. Inexistindo a distribuição destes, ou advindo nova forma afastando a tributação dessa espécie de ganho, na há cogitar compensação tributária em face da definitividade na fonte. Solicitação Indeferida. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.221/270), reafirmando suas razões anteriores. É, no essencial, o Relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13805.011539/9759 Acórdão n.º 1402001.448 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Carlos Pelá Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A decisão recorrida afirma que surpreende o inconformismo da Recorrente, haja vista que a restituição pleiteada lhe ocorreu integralmente, em razão da homologação tácita das compensações de fls. 15,17,18,20 e 22. Afirma que a quantia de R$ 234.584,33 postulada pela Recorrente no presente pedido de restituição (fls. 1), após sua devida atualização com juros pela Taxa Selic, serviu à extinção das dívidas de COFINS na ordem de R$ 112.026,64 e R$ 122.785,84 (novembro e dezembro de 1997) e do PIS na importância de R$ 36.408,66 (novembro de 1997), além do valor de R$ 14.476,47 referente ao PIS de dezembro de 1997, consoante bem esclarece o demonstrativo de fl. 127. Acrescenta, ainda, que os demais débitos (parte do débito de PIS de dezembro de 1997, débitos de COFINS e PIS de janeiro e fevereiro de 1998 e IPI de janeiro de 1998 e dezembro de 2002) só não foram considerados quitados porque não havia mais saldo de crédito tributário a compensar. Dessa forma, sustenta que, nada obstante o entendimento fiscal de que inexiste direito ao reconhecimento dos créditos tributários pleiteados, uma vez que a Recorrente se adiantou e compensou tais valores, tendo havido a homologação tácita de tais compensações, a restituição pleiteada lhe ocorreu integralmente, até o limite do crédito pleiteado. Assim, o pedido de restituição teria perdido seu objeto. Ora, merece amparo a irresignação da Recorrente pelo fato de não terem sido quitados todos os débitos indicados nas compensações de fls. 15, 17, 18, 20 e 22. A compensação tributária prevista no inciso II do art.156 do CTN, é uma modalidade de extinção do crédito tributário. O contribuinte que, tendo direito a crédito líquido e certo, em conformidade com o art.170 do CTN, poderia, mediante requerimento dirigido à autoridade fiscal, pleitear a restituição do valor do indébito tributário ou efetuar a compensação com débitos vencidos ou vincendos para com a Fazenda Pública. O rito processual sofreu sensíveis alterações com a nova redação dada ao art.74 da Lei nº 9.430/96 pelas MP nº 66/2002 e 135/2003. Pela sistemática anterior não havia um prazo definido para o Fisco analisar os pedidos de compensação e, em decorrência disso, os processos administrativos eternizavamse na esfera administrativa. Pela sistemática atual, os pedidos de compensação apresentados antes da alteração do art.74 da lei nº 9.430/96 pela MP nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) foram transformados em Declaração de Compensação desde a data de seu protocolo. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13805.011539/9759 Acórdão n.º 1402001.448 S1C4T2 Fl. 6 5 Além disso, em virtude de alteração posterior inserida pelo art. 17 da MP nº 135/03, convertida na Lei nº 10.833/03 que deu nova redação ao § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, foi fixado o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da declaração de compensação, para a Secretaria da Receita Federal homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo. Noutros dizeres, os pedidos de compensação que em 01/10/2002 encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF foram considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/02, e pelo art, 17 da Lei n° 10.833/03. Por isso, os pedidos de compensação dos autos foram considerados Declaração de Compensação e aplicase ao caso a regra de que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996). Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data do pedido de compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Diante disso, forçoso concluir que os pedidos de compensação apresentados em 13/03/98, 10/02/98, 10/02/98, 09/01/98 e 10/12/97 restaram homologados tacitamente em 13/03/03, 10/02/03, 10/02/03, 09/01/03 r 10/12/02, respectivamente. Importa dizer, que a homologação tácita tem como efeito a extinção definitiva dos débitos objeto de declaração de compensação (ou de pedido de compensação nela transformado, por disposição legal), na ausência de manifestação da Autoridade Administrativa no lapso de 5 (cinco) anos, independentemente da existência ou suficiência dos créditos correspondentes. Com efeito, a decisão recorrida deve ser reformada para ratificar a homologação total das compensações de fls. 15, 17, 18, 20 e 22. A análise da questão de mérito, relacionada ao reconhecimento do crédito tributário de IRRF, é desnecessária ao deslinde da controvérsia e, uma vez homologadas as compensações pleiteadas, o pedido de restituição perdeu seu objeto. Ademais, vale lembrar que a legitimidade da compensação não homologada objeto do processo administrativo 13804.008850/200212 deverá ser discutida naqueles autos, posto que aquele não está mais apensado a este. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13805.011539/9759 Acórdão n.º 1402001.448 S1C4T2 Fl. 7 6 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001249/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 25/03/2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e a conclusão do voto condutor, mas tendo sido julgada a matéria, a questão deve ser corrigida em face do erro material.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS
Numero da decisão: 3101-001.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade, dar provimento aos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 25/03/2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e a conclusão do voto condutor, mas tendo sido julgada a matéria, a questão deve ser corrigida em face do erro material. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11128.001249/2007-05
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315760
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.415
nome_arquivo_s : Decisao_11128001249200705.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 11128001249200705_5315760.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade, dar provimento aos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Luiz Roberto Domingo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5242118
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368869679104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 159 1 158 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.001249/200705 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3101001.415 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de junho de 2013 Matéria Classificação Fiscal Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado INVISTA BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FIBRAS LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 25/03/2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e a conclusão do voto condutor, mas tendo sido julgada a matéria, a questão deve ser corrigida em face do erro material. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade, dar provimento aos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 12 49 /2 00 7- 05 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional que alega contradição entre a conclusão do voto condutor do Acórdão e a parte dispositiva do Acórdão nº 310101.126, de 23/05/2012: Enquanto na conclusão do voto consta: “Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar as multas de ofício e de controle administrativo das importações em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997”. (Grifos nossos) No dispositivo consta apenas: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, deuse provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício (...)”. (Grifos nossos) É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço dos Embargos por tempestivos e atender ao pressuposto de admissibilidade em face da contradição. O presente caso foi julgado em conjunto com o PAF nº 11128.001188/2007 78, sendo que neste processo a multa por infração ao controle administrativo já havia sido excluída pela decisão de primeira, fato que configura lapso manifesto. Diante de exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL aos embargos, para rerratificar o Acórdão nº 310101.126, de 23/05/2012, para que a parte a parte dispositiva do Acórdão passe a ter a seguinte redação: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as multas de ofício e de controle administrativo. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres. Esteve presente ao julgamento o advogado Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, OABDF nº 11.853, representante do sujeito passivo.” Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 12644.000012/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 17/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12644.000012/2008-11
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5324196
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-000.246
nome_arquivo_s : Decisao_12644000012200811.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 12644000012200811_5324196.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 17/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
id : 5295353
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368870727680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12644.000012/200811 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3102000.246 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ABSA AEROLINEAS BRASILEIRAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade, converteuse o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 17/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de notificação de lançamento, lavrada em 13/12/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS/COFINS, no valor de R$ 122.210,01, em face dos fatos a seguir descritos. Através do processo fiscal No. 10831.003472/200770, a empresa LG ELETRÔNICS Ltda., de São Paulo, CNPJ 01.166.372/000155, solicitou vistoria RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 26 44 .0 00 01 2/ 20 08 -1 1 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12644.000012/200811 Resolução nº 3102000.246 S3C1T2 Fl. 3 2 oficial da carga acobertada pelo conhecimento aéreo MAWB 549 1199 8313 HAWB 7011774, nos termos do artigo 581 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02, em face de suspeita de avaria; A comissão designada apurou a responsabilidade do transportador aéreo, empresa em epígrafe, pelas avarias; Cientificado da notificação de lançamento, pessoalmente, em 17/12/2007 (fls. 1 frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 21/12/2007, de fls. 02 à 19, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: No dia 26/04/2007 a impugnante desembarcou no Aeroporto Internacional de Viracopos/SP, mercadoria amparada pelo conhecimento aéreo MAWB 549 1199 8313 HAWB 7011774, através do vôo TUS 8423; A carga estava consolidada em 04 volumes com 844 quilos, contendo componentes eletrônicos da empresa LG ELETRÔNICS Ltda.; A mercadoria estava embalada em caixas de papelão, maneira que foi entregue ao transportador; No momento do desembarque da carga era péssima a condição climática em Campinas, devido a uma forte chuva; Com o desembarque a céu aberto, as mercadorias tiveram contato com a chuva; Ao receber a carga o depositário INFRAERO assinalou no Sistema MANTRA ressalvas quanto a diferença de peso, amassado, rasgado aberto e molhado, razão que foi solicitada a vistoria aduaneira; A mercadoria se encontrava avariada devido ao alto grau de umidade suportado, atribuindose a responsabilidade ao transportador; Efetuou o transporte aéreo em respeito a todas as normas; Não há qualquer ressalva no conhecimento aéreo quanto à umidade da chuva, informação que deveria estar contida, conforme a Convenção de Montreal e o artigo 239 do Código Brasileiro de Aeronáutica; O transporte da carga foi realizado em conformidade com o estipulado no conhecimento aéreo; A embalagem era imprópria para o transporte. Assim a negligência deve ser atribuída ao seu proprietário; A transportadora não possui a discricionariedade para mudar a embalagem; Por interpretação sistemática e lógica, a intenção da Instrução Normativa nº 102/94 foi de responsabilizar o transportador pela guarda física da mercadoria e não quanto aos danos e avarias para efeitos fiscais; Deve ser aplicado o artigo 591 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02, devendo ser responsabilizado quem deu causa a avaria, ou seja, seu proprietário; Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12644.000012/200811 Resolução nº 3102000.246 S3C1T2 Fl. 4 3 Ataca as respostas do perito sobre a contundência das afirmações de que os componentes se danificaram quando expostos a umidade, afirmando que traz apenas indícios e não a certeza; Pugna a improcedência do Auto de Infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 01/12/2007 Solicitação por terceiro interessado de vistoria oficial da carga, em face de suspeita de avaria. A comissão designada apurou a responsabilidade do transportador aéreo, empresa em epígrafe. É senso comum que as cargas devem estar protegidas de uma chuva forte, não sendo necessário tal explicitação em um conhecimento de carga. Se a carga chegou em perfeito estado ao transportador, é seu dever zelar pela sua conservação em condições ambientes. A ressalva do conhecimento de carga se faz necessária quando são precisos cuidados adicionais Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Repisa considerações de que efetuou o transporte aéreo da mercadoria em absoluto respeito e cumprimento a todas as normais e indicações constantes no conhecimento aéreo e que o importador não fez constar qualquer ressalva informando que a carga transportada era sensível à chuva. Assim, entende que a responsabilidade pela avaria é do importador. Que o fato da Instrução Normativa nº 102/94 mencionar que a mercadoria em TC4 fica sob a responsabilidade do transportador, não tem o condão de anular a disposição legal de que o responsável pela avaria é aquele que lhe deu causa. Acrescenta que “em nenhuma hipótese o transportador se responsabiliza pelas embalagens das cargas que lhe são entregues para transporte”. O importador é o responsável pelo acondicionamento dos volumes, sendo de conhecimento de todos que as operações de embarque e desembarque são feitas a céu aberto. Que o “próprio Laudo Pericial é claro ao mencionar que a causa do dano foi a exposição direta ‘a água ou a ambiente com níveis de umidade do ar suficientes para provocar a condensação do vapor de água presente no ar (100% de umidade relativa) [...]” e que a mercadoria foi afetada, em grande parte, pelo tipo de embalagem onde estavam acondicionadas. Acrescenta que o Código Brasileiro de Aeronáutica e a Convenção de Montreal determinam que o transportador não é responsável por avarias quando constatado que as mercadoria transportada não foi devidamente embalada. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12644.000012/200811 Resolução nº 3102000.246 S3C1T2 Fl. 5 4 Que, ao contrário de como entendeu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a Recorrente não poderia esperar o término da chuva para iniciar sua operação de descarregamento, sob pena de lhe ser imposta multa e restrições por parte da Agência Nacional de Aviação Civil. Por fim, que não há provas nos autos de que a mercadoria foi realmente danificada, apenas suspeitas. Prova disso são as manifestações do Perito responsável pelo Laudo de avaliação carreado aos autos e a carta da seguradora, dirigida à Recorrente, na qual admite não ter ficado comprovado na Vistoria Aduaneira a efetiva danificação da carga. É o relatório. VOTO Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Preliminarmente, de se destacar a manifestação da empresa em relação à ausência de provas de que a mercadoria tenha sido realmente avariada. Para confirmar sua alegação, faz menção à manifestação do Perito responsável pelo Laudo de avaliação, à carta da seguradora e às conclusões da própria Comissão de Vistoria. Compulsando os autos, percebese que esses documentos não integram a instrução processual, provavelmente por fazerem parte do processo formalizado durante o procedimento de Vistoria Aduaneira. Conforme reza a legislação, o contribuinte não é responsável pelo recolhimento dos tributos aduaneiros no valor correspondente à fração da mercadoria avariada, quando não tiver dado causa ao dano, cabendo, inclusive, a restituição do valor pago indevidamente. Decreto 4.543/02. Art. 109. Caberá restituição total ou parcial do imposto pago indevidamente, nos seguintes casos: (grifos meus) I diferença, verificada em ato de fiscalização aduaneira, decorrente de erro (Decretolei no 37, de 1966, art. 28, inciso I): a) de cálculo; b) na aplicação de alíquota; e c) nas declarações quanto ao valor aduaneiro ou à quantidade de mercadoria; II apuração, em ato de vistoria aduaneira, de extravio ou de depreciação de mercadoria decorrente de avaria (Decretolei no 37, de 1966, art. 28, inciso II); (grifos meus) A Vistoria Aduaneira destinase a verificar a ocorrência da avaria ou extravio da mercadoria, identificar o responsável e apurar o crédito exigido, na proporção, é claro, do dano causado. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12644.000012/200811 Resolução nº 3102000.246 S3C1T2 Fl. 6 5 Art. 581. A vistoria aduaneira destinase a verificar a ocorrência de avaria ou de extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Neste compasso, se não há certeza, com base nas informações carreadas aos autos, que a mercadoria foi de fato avariada, impossível reconhecer responsabilidade a quem deu causa a suposta avaria, se ela pode até mesmo não ter ocorrido. Ainda mais, não vejo como atestar a correção da metodologia de cálculo segundo a qual apurouse o percentual do dano causado e crédito tributário a ele correspondente. É fato que o transportador não fez prova de suas alegações; contudo, a falha na instrução processual antecede a apresentação da impugnação ao lançamento. De se observar que a própria Notificação de Lançamento que instaura o litígio não refere a ocorrência do dano. Vejase como consta do texto. Através do processo fiscal em epígrafe, a empresa LG Electronics De São Paulo Ltda, CNPJ 01.166.372/000155, solicitou vistoria oficial da carga acobertada pelo MAWB 549 1199 8313 HAWB 7011774, nos termos do artigo 581 do Regulamento Aduaneiro, tendo em vista a suspeita de avaria de parte da carga acima, sendo constatada a responsabilidade do transportador aéreo supra mencionado pelas avarias. (...) Compreendese, é claro, que o importador solicita a Vistoria em face da suspeita de danos. Contudo, a peça acusatória não menciona em nenhum momento que a avaria tenha sido confirmada pela Comissão de Vistoria. Isso, somado às outras considerações trazidas pela defesa, termina por lançar dúvidas sobre a efetiva ocorrência do dano e a sua extensão. VOTO por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, para que seja apensado aos autos o processo 10831.003472/200770. Outrossim, que a Fiscalização Aduaneira responsável pelo procedimento de Vistoria em epígrafe faça os esclarecimentos que julgar necessários sobre o assunto, em especial quanto à constatação de que as mercadorias importadas tenham de fato sofrido avaria pela chuva e sobre a metodologia empregada na apuração do percentual avariado. Após, intimese a empresa a manifestarse no prazo de dias, apresentando os documentos que julgar pertinentes. Sala de Sessões, 31 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000482/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte.
PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO.
Considera-se não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO. Considera-se não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12897.000482/2009-86
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326203
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-002.939
nome_arquivo_s : Decisao_12897000482200986.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
nome_arquivo_pdf_s : 12897000482200986_5326203.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5308016
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368873873408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 389 1 388 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000482/200986 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.939 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente TELE SOLUÇÕES TELEMARKETING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO. Considerase não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 04 82 /2 00 9- 86 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12897.000482/200986 Acórdão n.º 2302002.939 S2C3T2 Fl. 390 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 339/346). Adotase parte do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 340/341), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização (DEBCAD n° 37.234.4461) contra a empresa acima identificada, referente às contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre a remuneração de empregados, e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 2. O valor do presente lançamento é de R$ 3.058.770,40, consolidado em 27/08/2009. 3. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/51), o crédito lançado tem origem no pagamento de remuneração a seus segurados, sem o recolhimento das contribuições previdenciárias, relativo a valores pagos a título de conciliações trabalhistas efetuadas por Comissão de Conciliação Prévia, conforme Acordo Coletivo de Trabalho, registradas na conta contábil 4.1.01.01.0011, intitulada "Aviso Prévio e Indenizações Trabalhistas", bem como a valores constantes da folha de pagamento e não declarados em GFIP. 4. Informa o Auditor Fiscal que foi efetuada a comparação das multas a serem aplicadas nos termos dos atos normativos vigentes antes da edição da Medida Provisória 449/2008, e aquelas que passaram a vigorar após este ato normativo, sendo aplicada sempre a mais benéfica ao contribuinte, considerando como parâmetros de comparação a multa de mora somada à multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, IV, § 4o, com a multa única de 75% prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96. Acosta planilhas comparativas às fls. 52 e 53. 5. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais pela prática, em tese, do ilícito previsto no artigo 337A do Código Penal (DecretoLei 2.848/1940). 6. Toda fundamentação legal do lançamento encontrase discriminada no anexo "Fundamentos Legais do Débito FLD". 7. Notificada pessoalmente do Auto de Infração, em 27/08/2009, a interessada apresentou impugnação em 28/09/2009, de fls. 111/117, com a comprovação da legitimidade da outorgada que a assina (fls. 118/124), aduzindo as seguintes alegações: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 349/355, no qual alega, em apertada síntese, que: * Os valores mantidos pela DRJ estariam equivocados, sendo bem menores do que os informados. Assevera que a DRJ foi induzida a erro, pois a autoridade fiscal não teria analisado as GFIP´s retificadoras entregues pela recorrente; * Foram levadas em consideração verbas que não sofreriam incidência de contribuição previdenciária, tais como férias proporcionais e respectivo adicional, além de indenizações. Também não incidiria contribuição sobre os valores pagos quando do afastamento do empregado para o INSS, ajuda de custo, alimentação eventual fornecida pelo empregador (inclusive PAT), auxíliodoença, serviços médicos prestados, primeira parcela do 13°, parcela correspondente ao período de aviso indenizado pago na rescisão, férias (abono pecuniário, etc. A autoridade fiscal também teria deixado de verificar diversas guias de recolhimento do período, sendo que a recorrente teve indeferido o seu pedido de produção de prova pericial sem que fossem apontados quais os requisitos legais não teriam sido preenchidos. A decisão a quo também teria deixado de apreciar de forma fundamentada as centenas de GFIP´s juntadas e a cópia do Auto de Infração debcad n° 37.234.4453 (CFL 68); * Não há que se falar em crime fiscal antes de concluído o processo administrativo, razão pela qual não prospera a sustentação de representação fiscal para fins penais, caracterizando até mesmo abuso de poder e constrangimento ilegal; * Não teria sido observada a redução das multas prevista na Lei n° 11.941, devendo ser aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte em respeito ao artigo 106 do CTN; Ao final requer seja dado provimento total ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida e julgar insubsistente o crédito tributário ou para reformar a decisão recorrida e determinar a produção de prova pericial contábil, bem como a análise dos documentos apresentados. É o relatório. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12897.000482/200986 Acórdão n.º 2302002.939 S2C3T2 Fl. 391 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Apuração de Valores. Ônus da prova. Alega a recorrente que os valores mantidos pela DRJ estariam equivocados, sendo bem menores do que os informados, sem apontar, com precisão, quais valores teriam sido lançados a maior. Primeiramente, é preciso considerar que a recorrente, nem na impugnação, nem no recurso, trouxe qualquer elemento de prova para comprovar algum equívoco no lançamento. Por outro lado, o Fisco demonstrou, de forma inequívoca, a fonte das informações que geraram o lançamento, sendo certo que os valores indicados não foram objeto de contestação específica da recorrente. Com efeito, o lançamento encontrase acompanhando de robusto lastro documental e firme descrição dos fatos, conforme já apontado na decisão a quo: o Auditor Fiscal acosta às fls. 72/77 cópia do Livro Razão contendo os lançamentos da Conta Contábil "Aviso Prévio e Indenizações Trabalhistas", de onde foram retirados os valores contidos no lançamento "COC Conciliação Trabalhista". A análise destas provas documentais juntadas pela fiscalização, em cotejo com os valores lançados como base de cálculo no relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito permitem nos visualizar claramente que a autoridade fiscal lançou como base de cálculo apenas os valores relativos aos acordos trabalhistas, e não a totalidade dos lançamentos da conta. Como em sua própria peça defensiva a Impugnante confirma que os valores pagos relativos a estes acordos sofrem a incidência da contribuição previdenciária, não há que se falar, aqui também, em retificação do lançamento, eis que fica claro que apenas as verbas relativas aos acordos trabalhistas, pagos nos termos do Acordo Coletivo de Trabalho é que foram consideradas como base de cálculo tributada. Com isso não se quer dizer que a recorrente não poderia ter apresentado eventuais excessos ou lapsos do labor fiscal. Ocorre que, assim como a impugnação, o recurso encontrase despido de apontamento concreto de eventuais vícios no lançamento, restringindo se a afirmações vagas e genéricas, como quando afirma que foram levadas em consideração verbas que não sofreriam incidência de contribuição previdenciária. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 De duas uma, ou a impugnação e o recurso estão mal instruídos ou a versão de que houve compensação não passa de um devaneio. Em ambas as situações a conclusão é pela negativa de provimento das razões recursais. É sabido que alegações desacompanhadas das devidas comprovações de nada valem, ensejando a aplicação do aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Afirma a recorrente ainda que a autoridade fiscal também teria deixado de verificar diversas guias de recolhimento do período. Nos socorremos novamente da decisão a quo para demonstrar o desacerto da recorrente: Após análise das guias de pagamento, acostadas pela Impugnante às fls. 147/320, em confronto com o RDA Relatório de Documentos Apresentados, fls. 15/20, relatório no qual estão discriminados todos os documentos considerados pela auditoria fiscal, verificamos que deste relatório constam todas as guias juntadas pela Impugnante. Isto demonstra que o Auditor Fiscal apropriou os valores referentes a todas as guias constantes dos autos, não havendo que se falar em recolhimentos não considerados. De outro lado, embora a Impugnante alegue que foram lançados como base de cálculo valores que não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, ela não produz nenhuma prova sobre este fato, limitandose a arrolar a letra do artigo 28, § 9 o da Lei 8.212/91, que dispõe sobre as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Por fim, aponta ainda a recorrente que a DRJ foi induzida a erro, pois a autoridade fiscal não teria analisado as centenas de GFIP´s juntadas e a cópia do Auto de Infração debcad n° 37.234.4453 (CFL 68). Novamente a resposta contida na decisão a quo, conjuntamente com os argumentos supra transcritos, são suficientes para demonstrar o despropósito das afirmações: o que se verifica no caso em análise é que as GFIP's retificadoras não foram apresentadas no decorrer da ação fiscal, sendo assim, seria mesmo impossível que a autoridade fiscal tivesse qualquer outro procedimento que não o lançamento de ofício dos valores não pagos e não declarados. Incontestavelmente, o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando diversos relatórios e termos, tendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12897.000482/200986 Acórdão n.º 2302002.939 S2C3T2 Fl. 392 7 restando garantido, por conseguinte, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Inexiste, portanto, qualquer óbice procedimental da parte da fiscalização. Por tudo que se expôs até aqui, não há como se dar guarida ao inconformismo da recorrente. Prova pericial. Documentos apresentados. Afirma a recorrente que teve indeferido o seu pedido de produção de prova pericial sem que fossem apontados quais os requisitos legais não teriam sido preenchidos. Não é verdade. A decisão a quo apontou sim as razões do indeferimento. Vejamos: Já o pedido de perícia contábil requerido pela impugnante não atende aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 e também estabelecidos no art. 7o inciso IV da Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, pois não foram formulados os quesitos referentes aos exames desejados, assim como não foi indicado o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, portanto, nos termos do § I o do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, e também de acordo com o § I o do art. 11 da supracitada Portaria, tal pedido considerase não formulado. Segundo Pontes de Miranda, "a perícia serve à prova de fato que dependa de conhecimento especial, ou que simplesmente precise de ser fixado (...)" (Comentários ao Código de Processo Civil, Tomo IV, pg. 625, Forense, 2a Edição, 1979). Em outras palavras, só se admite perícia se o fato depender de conhecimento especial, o que não é o caso do presente processo. Assim sendo, não há que se aplicar a perícia no caso em tela. Como bem destacado no decisório de primeira instância, a recorrente descumpriu o artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, que ora regulamenta todo o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, inclusive o julgamento do recurso em comento. Com efeito, as disposições retro citadas exigem que, no caso de solicitação de perícias, no corpo da própria impugnação, devem ser indicados os “quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito”, sob pena de ser considerado não formulado (artigo 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72) É verdade que o artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 faculta a determinação de ofício da diligência ou perícia, quando entendêlas necessárias. No entanto, como visto anteriormente, não há que se cogitar de maiores investigações sobre o fato em debate se a própria recorrente não apresenta a documentação necessária. Outrossim, consignese que, diferentemente do que pretende a recorrente, a realização da prova pericial não constitui direito Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 subjetivo do contribuinte, pois, em razão do livre convencimento motivado, compete ao julgador deferila, se entendêla necessária. Assim, sendo a prova pericial forma inadequada de comprovação da questão controvertida e considerandose que a recorrente descumpriu dos requisitos necessários ao seu pleito, concluise que nenhum reparo há que ser feito na fundamentação, pelo órgão a quo, do indeferimento do pedido de perícia. RFFP. Alega a recorrente que não há que se falar em crime fiscal antes de concluído o processo administrativo, razão pela qual não prospera a sustentação de representação fiscal para fins penais, caracterizando até mesmo abuso de poder e constrangimento ilegal. Realmente consta do Relatório Fiscal que foi formalizado processo de "Representação Fiscal Para Fins Penais", tendo em constatação, em tese, de crime de sonegação, previsto no art. 337A do Código Penal, com adição pela Lei n°9.983/2000 (COMPROT n° 12897.000473/200995). Ocorre que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Destarte, as razões recursais relativas à Representação Fiscal para Fins Penais não devem ser apreciadas por este relator e nem pelo colegiado. Multas. Direito Intertemporal. Afirma a recorrente que não teria sido observada a redução das multas prevista na Lei n° 11.941, devendo ser aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte em respeito ao artigo 106 do CTN. Vejamos as alterações legislativas para investigar se procede o inconformismo da recorrente. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12897.000482/200986 Acórdão n.º 2302002.939 S2C3T2 Fl. 393 9 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente à época dos fatos geradores. É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12897.000482/200986 Acórdão n.º 2302002.939 S2C3T2 Fl. 394 11 actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN, prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que se aplica a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, foi levada ao equívoco de que a legislação superveniente seria mais benéfica (multa de ofício de 75%) em algumas competências. Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL devendo, à multa pelo descumprimento de obrigação principal, ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. É como voto. André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910118/2011-84
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10882.910118/2011-84
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326197
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.242
nome_arquivo_s : Decisao_10882910118201184.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10882910118201184_5326197.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5308010
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368878067712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 45 1 44 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.910118/201184 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.242 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente FERTIBRÁS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 01 18 /2 01 1- 84 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 34, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910118/201184 Acórdão n.º 3802002.242 S3TE02 Fl. 46 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 32), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 34). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902705/2008-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2001
DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO.
O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2001 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10783.902705/2008-12
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5312486
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9303-002.595
nome_arquivo_s : Decisao_10783902705200812.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10783902705200812_5312486.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5204634
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368883310592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 241 1 240 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10783.902705/200812 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.595 – 3ª Turma Sessão de 9 de outubro de 2013 Matéria COFINS Base de Cálculo Desconto Padrão Agência de Publicidade Veículo de divulgação Recorrente TELEVISÃO VITÓRIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2001 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 27 05 /2 00 8- 12 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902705/200812 Acórdão n.º 9303002.595 CSRFT3 Fl. 0 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior da COFINS. O alegado direito creditório é decorrente de haverem sido incluídos, na base de cálculo da contribuição recolhida, valores recebidos pelo veículo de comunicação, mas repassados às agências de publicidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, (...), a manifestação de inconformidade de fls. (...), na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. (...) Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902705/200812 Acórdão n.º 9303002.595 CSRFT3 Fl. 0 3 (...) Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos (...)” A DRJ indeferiu o pedido de perícia formulado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 310201.298, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão em foco, para que lhe seja reconhecido o direito a excluir da base de cálculo da Cofins as receitas repassadas às agências de publicidade, e, com isso, seja homologada a compensação declarada. O especial do sujeito passivo foi, por mim, admitido. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902705/200812 Acórdão n.º 9303002.595 CSRFT3 Fl. 0 4 contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art.19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplicase, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, à época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após, a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade: comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e, por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veículo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra a anunciante, quanto a da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902705/200812 Acórdão n.º 9303002.595 CSRFT3 Fl. 0 5 Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902705/200812 Acórdão n.º 9303002.595 CSRFT3 Fl. 0 6 Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associado ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004021/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 19/11/2010
AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ.
A alegação de ausência de má-fé do contribuinte é irrelevante em matéria tributária, vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente. Artigo 136 do Código Tributário Nacional.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 19/11/2010 AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. A alegação de ausência de má-fé do contribuinte é irrelevante em matéria tributária, vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente. Artigo 136 do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004021/2010-11
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316478
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-002.856
nome_arquivo_s : Decisao_19515004021201011.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
nome_arquivo_pdf_s : 19515004021201011_5316478.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5246423
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368885407744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 168 1 167 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004021/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.856 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente SWAP CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 19/11/2010 AUSÊNCIA DE MÁFÉ. A alegação de ausência de máfé do contribuinte é irrelevante em matéria tributária, vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente. Artigo 136 do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 21 /2 01 0- 11 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004021/201011 Acórdão n.º 2302002.856 S2C3T2 Fl. 169 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 125/131), que bem resume o quanto consta dos autos: DA AUTUAÇÃO 1. O presente processo (DEBCAD nº 37.313.4487) trata de Auto de Infração lavrado em 24/11/2010, em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, III e parágrafo 11, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, combinada com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 12) a empresa deixou de apresentar todos os documentos, informações e esclarecimento necessários à fiscalização. 1.1. Importa o crédito no valor de R$ 14.317,78 (quatorze mil e trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos), vinte e oito mil e seiscentos e trinta e cinco reais e oitenta centavos), consolidado em 19/11/2010. 1.2. O Relatório Fiscal da Infração de fl. 12, informa que: • na ação fiscal foi determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF 08.1.90.002010011986, com as alterações posteriores, não foram apresentados todos os documentos e esclarecimentos necessários à fiscalização, o que caracteriza infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III e § 11, com a redação com a redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999; • o Contribuinte entregou a DIPJ 2007, ano calendário 2006, com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições; • durante ação fiscal, a fiscalização constatou que a distribuição de lucros ocorreu acima do limite permitido e que os valores pagos acima desse limite tratavamse de remuneração paga a contribuintes individuais sócios da empresa, a titulo de "pro labore", pelo serviço prestado à empresa; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 • os valores pagos como distribuição de lucros foram identificados através da análise dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte, lançados a débito na conta, com o histórico de pagamento de salários, sendo constatado através da análise da GFIP que a empresa não possuía empregados; • intimado o contribuinte a esclarecer qual o motivo dos pagamentos, a que titulo eram pagos e quem eram os beneficiários a empresa esclareceu informando que se tratavam de transferências aos sócios a titulo de distribuição de lucros, não identificando os beneficiários e respectivos valores recebidos individualmente; • a empresa também não apresentou todos os contratos de prestação de serviço e aditivos, com a vinculação ao sócio que efetivamente prestou o serviço. 1.3. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 13, informa que: • a multa aplicada está prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inciso II, alínea "b" e art. 373, • a empresa não incorreu em nenhuma circunstância agravante/atenuante, a multa foi aplicada no valor de R$ 14.317,78 (catorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos), conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010, com alteração da Portaria Interministerial MPS/MF n° 408, de 17/08/2010, publicada no DOU em 18/08/2010. DA IMPUGNAÇÃO 2. A Autuada, cientificada do Auto de Infração em 27/11/2010 conforme informação às fls. 63, impugnou o lançamento, tempestivamente, em 27/12/2010, através do instrumento de fls. 65/69, com juntada de cópia da impugnação interposta nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.003999/201057, fls. 90/116. (...) (destaques nossos) A 14ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 124/137). A recorrente foi intimada da decisão em 03/01/2013 (fls. 141), apresentado Recurso Voluntário em 26/11/2012 (fls. 144/162), no qual alega: * a lavratura decorreria do quanto apurado no 19515.003999/201057. Portanto, deveria ser reconhecida a conexão; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004021/201011 Acórdão n.º 2302002.856 S2C3T2 Fl. 170 5 * que envidou todos os esforços a fim de dar cabal e integral cumprimento às intimações da Fiscalização, tanto que apresentou parte das informações e documentos solicitados. Assim, entende não haver motivação e nem ser razoável a aplicação da multa; * quanto ao protesto da impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas; * requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic; * pleiteia seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Conexão. Alega a recorrente que a lavratura decorreria do quanto apurado no processo n° 19515.003999/201057, de sorte que deveria ser reconhecida a conexão entre os processos. Como já destacado na decisão de primeira instância, o processo n° 19515.003999/201057 trata da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre a mesma remuneração paga aos sócios a título de pro labore. Portanto, tributo completamente distinto daquele de que tratam os presentes autos. Em verdade, pelo que consta dos autos, todas as lavraturas, inclusive aquela constante do processo n° 19515.003999/201057, decorrem dos fatos apurados no processo n° 19515.003427/201078, que trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). De novo, tributo de espécie diversa daquela de que versam os presentes autos. Aliás, cumpre destacar que não se tem notícia de que a recorrente tenha impugnado, no Auto de Infração n° 19515.003427/201078, estes fatos originários, dos quais decorreram não só os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias, mas também o suscitado processo n° 19515.003999/201057. De toda sorte, sendo tributos de natureza diversa, com regulamentações amplamente distintas, mesmo havendo origem fática comum, nada há que justifique ou determine o reconhecimento da conexão entre o processo n° 19515.003999/201057 e os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias. Demais disso, o processo verdadeiramente originário é o de n° 19515.003427/201078, que, como visto, trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). Ausência de máfé. Motivação. Alega a recorrente que envidou todos os esforços a fim de dar cabal e integral cumprimento às intimações da Fiscalização, tanto que apresentou parte das informações e documentos solicitados. Assim, entende não haver motivação e nem ser razoável a aplicação da multa. Cumpre chamar a atenção para o fato de que a imposição de penalidade pelo descumprimento de obrigação tributária tem natureza eminentemente objetiva e decorre da simples violação da norma previdenciária, sendo irrelevante para a sua configuração a investigação do dolo ou culpa do agente infrator. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004021/201011 Acórdão n.º 2302002.856 S2C3T2 Fl. 171 7 Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A investigação do elemento subjetivo da conduta infracional se mostra totalmente desnecessária à imputação da responsabilidade por infrações à legislação tributária, vez que esta ostenta natureza eminentemente objetiva. Ademais, é preciso reconhecer que as afirmações da recorrente tornam incontroverso o fato de que não apresentou todos os contratos de prestação de serviço e aditivos, com a vinculação ao sócio que efetivamente prestou o serviço. Destarte, resta patente a infração ao art. 32, III, da Lei no 8.212/91. Protesto por provas. A recorrente, quanto ao protesto feito na impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas. Primeiramente, devese ressaltar que a recorrente não especifica qual prova pretenderia produzir. Portanto, a divagação mostrase meramente teórica, sem qualquer efeito prático, até porque nenhum documento foi carreado aos autos junto ou após a apresentação do Recurso Voluntário. Quanto ao acórdão a quo, o decisório restringiuse a ressaltar que a produção de provas deve atender ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, que já contempla o princípio da verdade material, excepcionando as situações em que a prova documental deve ser apreciada, mesmo tendo sido apresentada após a impugnação. Sendo assim, seja porque a argumentação da recorrente está despida de qualquer repercussão concreta, seja porque o decisório, sem analisar qualquer situação fática, limitouse a apontar a regra jurídica aplicável à situação hipotética, o inconformismo da recorrente deve ser rechaçado. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Juros Moratórios. Suspensão da Exigibilidade. A recorrente pleiteia ainda seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. A respeito do tema cumpre citar a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, da mesma forma, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
