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Numero do processo: 16327.913277/2009-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/03/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido
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ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 32 77 /2 00 9- 06 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913277/200906 Acórdão n.º 3801001.852 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I (SP) (fl. 62), abaixo transcrito: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 38284.55.487.170106.1.7.045370), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração encerrado em 30/04/2004. Apesar de mencionar ter anexado cópia da DCOMP (DOC 03), não há este documento. Em tal referência se encontra parte da DCTF retificadora. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 40 o contribuinte foi cientificado, em 03/03/2009 (fls. 60), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 32.410,05). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 01/04/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 04, alegando, em apertada síntese, que: 4.1 Incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em abril de 2004, PIS a pagar no montante de R$ 356.130,99, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 382.119.32). 4.2 Identificado o equívoco, o recorrente constituiu crédito tributário no valor de R$ 25.988,33 que foi utilizado para compensar débito de COFINS apurado em novembro de 2005 – PA Nov/2005. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, alterando os valores de PIS apurado, o que, segundo o Fl. 476DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913277/200906 Acórdão n.º 3801001.852 S3TE01 Fl. 13 3 mesmo, estaria condizente com o apurado na época, conforme cópia da ficha 22B da DIPJ anexada em fls. 58. 4.5 Condicionar a compensação a qualquer outra condição não estabelecida em lei, ainda mais na modalidade acessória, se constitui em burla ao Art. 170 do CTN e ao Art. 368 do Código Civil. Nesta linha, sustenta que se a obrigação acessória culmina na redução do direito creditório, tal situação deve ser afastada de imediato sob pena de se reportar a gravame novo, ferindo o princípio da legalidade. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. Analisando o litígio, a DRJSão Paulo I/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 62 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ao analisar o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, no qual este alegou, em síntese, que houve a comprovação dos créditos indicados no pedido de compensação, com a retificação da DCTF e com os demais documentos acostados aos autos, esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem determinar a realização de diligência pela Delegacia Fiscal, para que, com base nas retificações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao Recurso Voluntário, fosse apurado se os valores dos créditos indicados nas compensações são suficientes para liquidar os débitos compensados. Realizada a diligência, em manifestação acostada aos autos, a douta delegacia fiscal conclui que “tendo em vista o Demonstrativo de Compensação juntado ao presente expediente, verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado: 7987 COFINS 15/12/2005 R$32.410,05.” Devidamente intimado para se manifestar acerca da Diligência realizada, o Recorrente reiterou os argumentos apresentados em seu Recurso Voluntário e requereu o provimento deste, para que reste homologada a compensação apresentada. É o relatório Voto Fl. 477DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913277/200906 Acórdão n.º 3801001.852 S3TE01 Fl. 14 4 Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados, no voto em que houve a determinação de convolação do julgamento em diligência. Pois bem. No presente caso, como relatado acima, não restam dúvidas de que os créditos indicados pelo contribuinte na Declaração de Compensação apresentada são suficientes para quitar os débitos ali também indicados. Na diligência realizada, a própria fiscalização, ao analisar as declarações retificadas pelo Recorrente (DCTF e DIPJ) e os documentos por ele acostados aos autos, constatou que, de fato, “verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado”. Não há controvérsia, portanto, que é direito do Recorrente ver sua declaração de compensação homologada, mesmo que, em um primeiro momento, tenha ocorrido um erro no preenchimento das obrigações acessórias. Como as declarações foram devidamente retificadas pelo contribuinte, deve, in casu, ser privilegiado o princípio da verdade material. Este Conselho, em inúmeras oportunidades, já se manifestou pela aplicação do referido princípio no processo administrativo fiscal. Aqui é importante citar novamente decisões proferidas neste sentido. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 478DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913277/200906 Acórdão n.º 3801001.852 S3TE01 Fl. 15 5 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) Portanto, comprovada a existência de créditos suficientes para liquidar o débito indicado no pedido de compensação apresentado pelo Recorrente, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, ficando, desde já, homologada a compensação objeto do presente processo administrativo fiscal. É como voto. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 479DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720781/2009-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições sociais, no valor da receita bruta incluem-se as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas, a exemplo das receitas financeiras
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O custo ou encargo correspondente à diminuição de recursos florestais mediante quotas de exaustão não se subsume ao conceito de insumo nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/02.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição PIS os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do item Receitas MI as receitas de exportação nos termos do demonstrativo apresentado pela recorrente em seu recurso voluntário. II - Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos sobre créditos calculados em relação a encargos de exaustão. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. III - Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos com os encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições sociais, no valor da receita bruta incluem-se as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas, a exemplo das receitas financeiras REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. O custo ou encargo correspondente à diminuição de recursos florestais mediante quotas de exaustão não se subsume ao conceito de insumo nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/02. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição PIS os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do item Receitas MI as receitas de exportação nos termos do demonstrativo apresentado pela recorrente em seu recurso voluntário. II - Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos sobre créditos calculados em relação a encargos de exaustão. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. III - Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos com os encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade das contribuições sociais, no valor da receita bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas, a exemplo das receitas financeiras REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. O custo ou encargo correspondente à diminuição de recursos florestais mediante quotas de exaustão não se subsume ao conceito de insumo nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/02. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição PIS os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do item Receitas MI as receitas de exportação nos termos do demonstrativo apresentado pela recorrente em seu recurso voluntário. II Pelo voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 81 /2 00 9- 63 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 464 2 de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos sobre créditos calculados em relação a encargos de exaustão. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. III Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos com os encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 465 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, nãocumulativa, que remanesceram ao final do terceiro trimestre de 2008. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendo o com base no não acatamento de valores indevidamente incluídos na base de cálculo do crédito apurado pela contribuinte, conforme informado em Dacon e confrontado com as informações e registros por ela apresentados em resposta a intimações fiscais. Relatório fiscal O auditor fiscal relata que ante discrepâncias verificadas entre os montantes das operações de aquisição de bens e serviços, apurados por CFOP, registrados no LRE e os consignados na memória de cálculo (referentes aos valores informados nas respectivas linhas do Dacon), adotou na análise e apuração da base de cálculo do crédito da contribuinte o seguinte procedimento: em sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, tal valor foi o considerado como o ponto de partida para o desconto das notas fiscais desconsideradas na análise, resultando em valor ajustado pela diferença; quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória de cálculo, a diferença foi glosada por falta de comprovação, tendo sido o valor do LRE adotado como o ponto de partida para o desconto das notas fiscais desconsideradas na análise, obtendo se, assim, um valor ajustado; quando superior o valor obtido no LRE, deste foram extraídos os valores das notas fiscais desconsideradas: caso o valor resultante tenha sido superior ao informado na memória, validouse o valor da própria memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise; caso o valor resultante tenha sido inferior ao informado na memória, considerouse este como sendo o valor ajustado (e o máximo admissível). O auditor fiscal assenta, então, que para os montantes das operações registradas, apurados por CFOP das entradas, obtevese valores ajustados ou valores da memória validados na análise (máximo admissível por CFOP), cujo somatório foi Fl. 526DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 466 4 adotado como o máximo admissível em relação à respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem. Tendo em conta a sistemática acima, foram excluídos da base de cálculo do crédito apurado pela contribuinte os valores que seguem: aquisições de insumo da linha 02 das fichas 06A e 06B do Dacon: as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações; os valores das notas fiscais de aquisição de bens que não se enquadram no conceito de insumo; dentre os quais, os valores de aquisições de bens que foram imobilizados, em relação aos quais a contribuinte informou se referirem a “compras de reflorestamento, sendo feito o crédito pela exaustão”; as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 02 do Dacon; aquisições de serviços linha 03 das fichas 06A e 06B do Dacon: as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações; os valores das notas fiscais de aquisição de serviços que não se enquadram no conceito de insumo; as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 03 do Dacon; Também foram glosados os valores referentes a: despesas com energia elétrica linha 04 da ficha 06A do Dacon: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes a doações, cosip, créditos de ICMS a compensar, parcelamentos e benefício fiscal; despesas com locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores referentes às despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., pois, de acordo com a NCM, “caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”; despesas com armazenagem e frete na operação de venda: foram glosados os valores referentes a serviços portuários, quais sejam os serviços de posicionamento, levante, fumigação, retirada de vazios e descarga de contêineres; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 467 5 encargos com depreciação: foram glosados os valores da depreciação de máquinas e equipamentos que não são utilizados da atividade industrial e os valores referentes a despesas e investimentos em fazendas que compõem projetos florestais, sujeitos a quotas de exaustão; as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito informado no Dacon O auditor fiscal, considerando que a proporção de receitas vinculadas ao mercado interno e ao mercado esterno, discriminadas nas fichas 06A, 06B e 07A do Dacon, apresentam significativas discrepâncias nos meses que compõem o trimestre em análise, adotou para efeitos de cálculo dos créditos de mercado interno e externo, a proporção das receitas discriminadas na ficha 07A do Dacon, conforme Quadro 01 que segue: Quadro 01 – Proporção das receitas declaradas na ficha 07A do Dacon MÊS MERCADO INTERNO MERCADO EXTERNO JULHO 58,07% 41,93% AGOSTO 58,84% 45,16% SETEMBRO 67,11% 32,89% Manifestação de inconformidade Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade com as alegações que seguem. Inicialmente, a contribuinte contesta a análise realizada pela autoridade fazendária para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo. Nesse sentido argumenta que: as receitas tributadas à alíquota zero e de vendas de bens do ativo permanente, apresentadas respectivamente nas linhas 04 e 06 do Dacon, não podem ser consideradas para compor o cálculo da proporção, como, equivocadamente, fez a autoridade fiscal; a autoridade fazendária considerou, para fins de cálculo da proporção do mercado interno, além do valor das linhas 04 e 06 do Dacon, o valor da receitas auferidas informadas na coluna “receita” das linhas 01 e 02, onde deveria ter considerado os valores da coluna “base de cálculo”; aduz que procedendo assim, a autoridade fiscal acabou por considerar em duplicidade os valores de receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno; Fl. 528DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 468 6 Defende que a partir da análise adequada dos Dacon, os percentuais corretos de exportação a serem considerados são os seguintes: no mês de julho, 89,49%; no mês de agosto, 91,60%; e no mês de setembro, 92,87%. Em relação a glosa de aquisições de bens, alega que não há amparo legal para a autoridade fiscal glosar os créditos do PIS nãocumulativo referente à compra de floresta para extração de madeira utilizada em seu processo produtivo. Alega que diferentemente da fundamentação proferida pela autoridade fazendária, dando conta de que são indevidos os créditos em função das aquisições para reflorestamento ou oriundos de quotas de exaustão, as aquisições glosadas referemse a compra de floresta para dela extrair sua matéria prima; consistindo, portanto, de aquisição de insumo de gera crédito da não cumulatividade. Esclarece que a compra foi lançada no ativo imobilizado, com a devida incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Todavia, não tendo sido a extração promovida em um único momento, o pedido de crédito ocorreu em etapas, à medida que as árvores eram extraídas, fato comprovado pelas notas fiscais de transferência juntadas (CFOP 1.151), colacionadas por amostragem, haja vista o grande número de notas fiscais existentes. Quanto aos encargos de depreciação inicialmente informa que a glosa se deu em relação aos seguintes números e descrições de bens informados: 129 aquisição de caminhão trator; 403 aquisição de caminhão trator; 773 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças; 774 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças e serviços; 775 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças; 776 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças; 862 acréscimo referente reforma do trator florestal aquisição de peças e 873 acréscimo referente reforma do trator florestal aquisição de peças. Defende, então, que: os bens adquiridos são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, não podendo se fazer distinção entre os que são e não utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; ainda que se queira dar uma interpretação restritiva à lei de regência, não há como negar que os bens objeto da glosa fiscal são efetivamente máquinas ou equipamentos, ou seja, não há como negar, por exemplo, que um caminhão trator ou um trator seja uma máquina; não há a necessidade de maiores explicações para que se entenda que os tais bens são utilizados na produção de bens destinados à venda, já que sua descrição fala por si. Por fim, alega que a autoridade administrativa teve todos os subsídios necessários para comprovar as aquisições em comento, com a possibilidade de análise das notas fiscais e que, em assim sendo, se havia qualquer tipo de dúvida quanto a natureza e destinação do bem, esta poderia ter intimado a recorrente para prestarlhe todo e qualquer tipo de esclarecimento. Pede deferimento. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 469 7 A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL ÀS RECEITAS RELACIONADAS. Os percentuais a serem estabelecidos entre as receitas sujeita e as não sujeitas à incidência nãocumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, devem considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam a estes dispêndios associadas, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO DE EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade, os que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bem destinado à venda. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 470 8 Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que merece reforma a decisão recorrida. Com relação ao ônus da prova, entende a recorrente que a regra de quem alega deve provar não é absoluta, pois vige para o Fisco o princípio da busca pela verdade material buscando a satisfação do interesse público, que é corolário do princípio da legalidade. Sustenta que se falhou na comprovação dos fatos que a autoridade reputa pertinente, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruílo, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado. Conclui este tópico com a afirmação de que a autoridade administrativa não pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No que tange a proporção das receitas de exportação vinculadas ao mercado interno e externo, a DRJ considerou também em seu demonstrativo da proporção como “Receitas MI Tributadas” o valor das exportações, as vendas com suspensão, as vendas do ativo permanente e receitas financeiras, é o que fica demonstrado em comparação com o demonstrativo de proporção elaborado pela empresa. Se tomarmos como exemplo o mês de janeiro de 2008, a DRJ totalizou como “Receitas MI Tributadas” o valor de R$ 2.928.588,84 (soma dos valores: 123.573,90 + 1.500,00 + 281.940,13 + 1.689,93 + 2.501.939,04 + 17.945,84), onde na verdade o valor correto é R$ 125.073,90 (soma dos valores 123.573,90 + 1.500,00). Esclarece que no caso das vendas do ativo permanente (linha 07), a DRJ não considerou como receita bruta total para fins de proporção, porém, as receitas tributadas a alíquota zero (linha 04), também não podem compor a receita bruta total, pois tratamse de receitas financeiras as quais não estão relacionadas aos custos de produção da empresa. Argumenta que mesmo uma empresa exportando a totalidade de sua produção, não poderia aproveitar todo o crédito decorrente da exportação. Assim, temse, que, a partir da análise adequada dos DACON’s, Livros de Apuração do IPI e Balancetes, os percentuais corretos de exportação a serem considerados são os seguintes: no mês de janeiro 94,59%; no mês de fevereiro 92,97% e no mês de março 95,93%, conforme documentos anexos. No que se refere as glosas dos produtos não considerados como insumos, relata que a decisão proferida pela DRJ mantendo a glosa realizada foi no sentido de ocorrer a impossibilidade, por falta de amparo legal, do desconto de créditos calculados em relação a encargos de exaustão. Afirma que a recorrente simplesmente adquiriu uma floresta e dela extrai sua matériaprima, como restou comprovado pelo contrato e nota fiscal juntados ao processo, ou seja, tratase da aquisição normal de insumo. Esclarece que ao invés de pleitear o crédito de uma só vez , no momento que efetuou a compra, fêlo paulatinamente, ao passo que extraía a madeira da floresta. Afirma que a compra fora lançada no ativo imobilizado, com a devida incidência das contribuições PIS e Cofins. Insiste na tese de que não sendo a extração promovida em um único momento, o pedido de crédito também não se deu em um só tempo, mas a medida que a extração ocorria. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 471 9 Cita Solução de Consulta sobre o tema. Em outro tópico, discorda da tese do acórdão recorrido que manteve a glosa dos encargos de depreciação. Alega que os bens adquiridos são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, bem como são diretamente utilizados no processo produtivo dos bens fabricados e destinados à venda, não se podendo fazer distinção entre os que são e os que não são utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Reitera que não há como negar que os bens objeto da glosa fiscal foram efetivamente empregados no processo produtivo. Por fim, requer o recebimento e apreciação de seu recurso voluntário para o efeito de reconhecer o direito da recorrente de ressarcirse dos créditos da contribuição para o PIS, relativos ao 1º trimestre do ano de 2008, no que toca a proporção da exportação, produtos não considerados insumos e depreciação de bens integrantes do ativo imobilizado. É o relatório. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 472 10 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. As matérias serão enfrentadas em tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 – Proporção das receitas de exportação vinculadas ao mercado interno e mercado externo A interessada insurgiuse com a alteração da forma de distribuição das receitas pelo rateio proporcional pela autoridade julgadora de primeira instância que considerou também em seu demonstrativo da proporção como “Receitas MI Tributadas” o valor das exportações, as vendas com suspensão, as vendas do ativo permanente e receitas financeiras. Nesta matéria assiste razão parcial à interessada. Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) Fl. 533DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 473 11 O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Assim, neste caso concreto devese estabelecer uma proporção entre receita de exportação e a receita bruta total, com os respectivos ajustes específicos. O conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta incluemse as receitas tributadas à alíquota zero (receitas financeiras), salientando que a decisão de primeira instância excluiu do montante da receita bruta, os valores das receitas de vendas de bens do ativo permanente. Por outro lado, a partir da tese acima, verificase que tanto a autoridade fiscal como a autoridade julgadora incorreram em erro no cálculo do rateio proporcional. De fato, no item Receitas MI tributadas estavam incluídas indevidamente as receitas de exportação. Além disso, as receitas tributadas à alíquota foram computadas em duplicidade. Do exame dos balancetes e do Livro Registro de Apuração do IPI, constatase que a recorrente inadvertidamente incluiu no item 01 o valor das receitas de exportação, o que induziu as autoridades fiscais a cometerem um equívoco nos cálculos. Assim sendo, retificase o demonstrativo da decisão de primeira instância, nos termos abaixo: Receitas declaradas na Ficha 07A do Dacon – fl. 40, 56 e 72 Julho Agosto Setembro 01. Receitas de vendas de bens e serviços 240.208,24 221.647,94 70.354,70 02. Demais receitas 1.870,38 1.501,62 2.525,45 03. Total da contribuição Outras receitas 04. Receita tributada a alíquota zero 288.910,58 149.857,48 458.667,32 05. Receita tributação monofásica ,00 ,00 ,00 06. Receitas de vendas de bens do AP ,00 265,00 ,00 07. Receita – Exportação 2.261.249,76 2.495.285,58 951.639,36 08. Receitas isentas e sem incidência ,00 ,00 ,00 09. Receita com suspensão 23.436,78 5.613,72 144,00 10. Receita com substituição tributária ,00 ,00 ,00 11. Receita tributada pelo RET ,00 ,00 ,00 Proporção entre as receitas relacionadas ao créditos Janeiro Fevereiro Março Receitas MI tributadas [linha 01 + linha 02] 242.078,62 223.149,56 72.880,15 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 474 12 Receitas MI nãotributadas [04+05+08+09+10] 312.347,36 155.471,20 458.811,32 Receitas de exportação [07] 2.261.249,76 2.495.285,58 951.639,36 Receita Bruta [01+02+04+05+07+08+09+10] 2.815.675,74 2.873.906,34 1.483.330,83 % Receitas de exportação 80,31 86,83 64,16 Em conclusão, a Delegacia deve adotar os percentuais acima no cálculo do ressarcimento. 2 – glosas dos produtos não considerados como insumo Como se nota, a controvérsia cingese em verificar se a recorrente tem o direito de descontar créditos calculados em relação a extração de madeiras de uma floresta lançada no ativo imobilizado. Esta controvérsia tem por objeto o direito de descontar créditos sobre créditos calculados em relação a encargos de exaustão. Como visto, a recorrente defende o seu direito de descontar créditos em relação à aquisição de uma floresta e dela extrai sua matériaprima em etapas. Alega que essa operação se amolda a aquisição de insumos Para o deslinde da questão é fundamental identificar de forma precisa a natureza jurídica e fiscal da operação. A recorrente insiste na tese de que a fiscalização fazendária se enganou e que no caso vertente a operação é de aquisição de insumos. Com efeito, a solução deste tópico envolve o exame do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e alterações posteriores: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 535DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 475 13 (...) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; (...) 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) (grifouse) É incontroverso que as florestas destinadas a corte objeto do presente processo são registradas no ativo permanente, fato admitido pela recorrente. Assim sendo, o custo ou encargo correspondente à diminuição de recursos florestais mediante quotas de exaustão não se subsume ao conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/02. De sorte que descartase a tese da recorrente de que tratase de uma aquisição normal de insumo. Por seu turno, o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.637 menciona os casos em que o contribuinte pode descontar créditos em relação aos encargos de depreciação e amortização dos bens. Com efeito, resta evidente que não há neste dispositivo legal qualquer referência aos encargos de exaustão. O julgador não pode estender o direito de descontar créditos. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos gastos que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Destarte, o legislador optou pelo direito de descontar créditos somente em relação às despesa de amortização e depreciação em operações específicas, não havendo previsão legal em relação as quotas de exaustão. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 476 14 A propósito da Solução de Consulta 153, 15 de maio de 2009, é preciso consignar que ele foi reformada pela Solução de Consulta 326, 16 de setembro de 2010, conforme ementa abaixo: INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. ESTOQUE DE ABERTURA. REFORMA A SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/8ª RF/DISIT Nº 153, DE 2009. Os insumos para a formação de florestas não compõem o estoque de abertura, para fins de atribuição de crédito presumido. Esses insumos, à medida em que forem sendo despendidos, são incorporados ao valor da floresta registrada no ativo imobilizado NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. GASTOS NA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. ENCARGOS DE EXAUSTÃO. Não há previsão legal para o aproveitamento de créditos da Cofins relativos às despesas de exaustão. Assim, não geram créditos dessa contribuição os encargos de exaustão provenientes das despesas incorridas na formação de florestas e contabilizadas no ativo imobilizado. (grifouse) Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, II e VI e §1º, III e §§ 2º e 3º, e art. 11; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), art. 334; PN CST nº 108, de 1978. Além disso, a matéria já se encontra pacificada no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme Ato Declaratório Interpretativo nº 35/2011, publicado no DOU de 03/02/2011, in verbis: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 35, de 2 de fevereiro de 2011 Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) calculados em relação a encargos de exaustão. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 261 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, e tendo em vista o disposto no inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no Processo nº 10680.002125/200962, declara: Artigo único. Às pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) é vedado descontar créditos calculados em relação aos encargos de exaustão suportados, por falta de amparo legal. (grifouse) Fl. 537DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 477 15 Em remate, mantémse a glosa da fiscalização em relação ao aproveitamento de créditos da contribuição para o PIS referentes aos encargos de exaustão. 3 Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado A recorrente sustenta o seu direito a manutenção dos créditos decorrentes de apropriação sobre os encargos de depreciação. Como relatado, argumenta que os bens adquiridos são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, bem como são diretamente utilizados no processo produtivo dos bens fabricados e destinados à venda. Como visto, a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e alterações dispunha: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; (...) 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) Com efeito, a norma estabelece um requisito para que a pessoa jurídica possa descontar créditos, isto é, as máquinas e equipamentos têm que ser utilizadas na fabricação de produtos destinados à venda. Assim sendo, o problema central é identificar se os aludidos equipamentos e máquinas foram utilizados na fabricação dos produtos. A autoridade fiscal relatou: Fl. 538DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 478 16 Assim, correta a inclusão no cômputo da base de cálculo de obras civis que possibilitam a instalação e funcionamento de máquinas industriais. Incorreto, porém o cômputo de máquinas e equipamentos que não se enquadram nos preceitos acima, bem como de despesas e investimentos em fazendas que compõem projetos florestais, sujeitos a quotas de exaustão, cujo crédito não foi contemplado pela legislação em vigor, conforme se destacou alhures.(grifouse) Embora a recorrente tenha omitido no recurso voluntário as descrições dos bens, para efeito de julgamento adotarseá a identificação mencionada na manifestação de inconformidade e repetida na decisão a quo, ou seja, no geral as aquisições referemse a tratores e respectivas peças para reforma. Como amplamente demonstrado pela decisão de primeira instância, os tratores são utilizados na formação e manutenção dos recursos florestais de propriedade da recorrente. Por sua vez, os recursos florestais são classificados no ativo imobilizado, fato incontroverso neste processo, de sorte que os gastos utilizados na manutenção do ativo imobilizado, por falta de previsão legal, não geram o direito de descontar créditos da contribuição para o PIS. Desta forma, a interessada não conseguiu descaracterizar a glosa da fiscalização, que teve por fundamento o fato de que as máquinas e equipamentos não foram utilizados na fabricação dos produtos vendidos. Em síntese, somente geram créditos da contribuição PIS os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção, o que não ficou caracterizado no caso vertente. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na matéria proporção das receitas de exportação vinculadas ao mercado interno e mercado externo (item 01 deste voto) para excluir no cálculo da proporção, item Receitas MI tributadas, as receitas de exportação nos termos do demonstrativo acima. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pese o entendimento dado à questão pelo ilustre relator, ouso dele divergir. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 479 17 Tenho que são incabíveis glosas dos bens e serviços considerados como insumo. O que dispõe a Lei é o seguinte (os destaques são nossos): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (…) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes… Adoto, apenas para fins de explanação do meu raciocínio o conceito mais restrito de insumo, que apesar de ultrapassado nesse Conselho, foi apontado no presente caso: insumo como aquilo que é diretamente empregado no produto final, de modo que não haja, no mínimo neste primeiro momento, qualquer divergência quanto a isso. Duas são as alegações que sustentam as glosas. A uma, que esses insumos são registrados no ativo permanente da Recorrente e desse modo o custo ou encargo correspondente à diminuição de recursos florestais mediante quotas de exaustão não se subsume ao conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. A duas, que os bens utilizados não integram o produto final. Discordo de ambas. Como se pode ver a Lei preceitua no seu artigo 1º que o PIS e a COFINS têm como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Assim, para se definir a alcance da norma de incidência é despicienda a denominação ou classificação contábil das receitas. Este é o princípio norteador da regra em tela, que deve ser aplicado, por corolário lógico, unidade do sistema e igualdade, não apenas às receitas, mas também aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito. A Recorrente registra as florestas próprias no ativo imobilizado e as submetem a quotas de exaustão, à medida da respectiva exploração. Em outros termos, isto significa que os dispêndios feitos com a sua formação e desenvolvimento (plantio, manutenção etc.) compõem esse valor do ativo. Daí a dúvida quanto aos mesmos dispêndios poderem gerar o direito ao crédito de PIS/COFINS como insumos utilizados na produção ou fabricação de portas de madeira – como in casu – ou do papel ou da celulose – como em casos semelhantes. Não vejo incompatibilidade da dedução no âmbito de PIS/COFINS. São três os motivos para essa conclusão. O primeiro motivo já foi exposto acima. A Lei de regência afasta o critério contábil para definição da receita tributável. Se a classificação contábil não é relevante para determinar o que seja receita tributável, também não o é para delimitar o sentido de “insumo”, no âmbito da respectiva não cumulatividade. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 480 18 Seria no mínimo incoerente e ilógico (a agredir o mínimo de racionalidade que deve informar o ordenamento positivo) que a classificação contábil fosse, ao mesmo tempo, irrelevante para definir os débitos e determinante para circunscrever os créditos. Do mesmo modo que na formação da base de cálculo se exige uma correlação lógica e direta com a hipótese de incidência do tributo — não sendo admissível, por ex., que a hipótese descreva a materialidade de imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana e, concomitantemente, a base de cálculo escolha grandeza apta para medir a renda auferida pelo proprietário do bem imóvel, — que a classificação contábil seja determinante para os créditos, se não o é para os débitos. Não há dúvida que a lei pode fazer referências a conceitos contábeis, mas estes serão apenas indicadores preliminares e não definidores da essência ou dos parâmetros dos créditos a deduzir. Portanto, não é o fato de um bem – para fins societários e de imposto sobre a renda – estar classificado no “ativo imobilizado” da pessoa jurídica que, automaticamente, não haverá direito ao respectivo crédito de PIS/COFINS calculado sobre o preço de sua aquisição. Fundamental é examinar em cada caso concreto a natureza desses bens e serviços à luz do processo de produção e fabricação desenvolvido pelo contribuinte. No caso da Recorrente, os insumos utilizados para a implantação e desenvolvimento das florestas são indispensáveis para a obtenção da madeira, pois dela advém a essência do produto final colocado à venda (portas de madeira), incorporandose ao mesmo. Em segundo motivo, porque a própria norma mostra ter havido clara intenção de indicar que os dispêndios realizados com as florestas configuram verdadeiros insumos no processo de produção ou fabricação, abrangidos pela regra de dedução contida no inciso II do seu artigo 3º. É importante ressaltar que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ao disciplinarem o regime de créditos, admitem que sejam eles calculados sobre o valor dos encargos de depreciação e amortização, mas silenciam quanto às quotas de exaustão (aplicáveis no caso de florestas à medida da sua exploração) Essa aparente omissão ou esquecimento quanto às quotas de exaustão, na verdade, demonstram essa intenção. Explico. Ao nos referirmos aos bens e direitos sujeitos a depreciação ou amortização a diminuição do seu valor decorre do desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência normal. Mas, os bens transcendem ao processo, quer dizer, continuam a existir, ou seja, os bens sujeitos a depreciação ou amortização tem diminuído o seu valor por conta do efeito do tempo, mas não desaparecem ou cessam a sua fruição. Nestas duas hipóteses, a fruição da utilidade que emana dos bens é continua. Na exaustão, porém, como decorre do próprio conceito, a redução do valor se dá a medida que os recursos minerais ou florestais vão se exaurindo. A exaustão se caracteriza Fl. 541DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 481 19 pela perda de valor que sofrem as imobilizações suscetíveis de exploração e que se esgotam no decorrer do tempo. Assim a exaustão tipificase “porque a perda de valor dos recursos minerais e florestais não decorre de uso, ação da natureza ou obsolescência, mas da extração” (Imposto sobre a Renda, vol. I, JUSTEC Adcoas, Rio de Janeiro, 1.979, pág. 429); vale dizer, é encargo cuja causa tem origem numa fruição instantânea que leva ao desaparecimento do próprio bem pela utilização na finalidade que lhe é própria. Notese a diferença: enquanto na depreciação os bens são utilizados, mas suportam este uso – embora passem a ter um menor valor – na exaustão os bens simplesmente desaparecem, posto que a utilização se dá na fabricação de um novo produto (caso típico de recursos florestais). Qual a razão para a lei admitir a dedução de um crédito quando o bem apenas perde seu valor, mas ainda continua existindo, e não prever o crédito quando o bem que pela sua própria natureza desaparecerá por conta de sua utilização no processo produtivo? Só vejo uma razão: porque o respectivo dispêndio já gera crédito de PIS/COFINS, pois o bem ou serviço estará sendo utilizado como insumo do processo de produção ou fabricação! O terceiro motivo é porque as florestas criadas pela própria empresa têm um único objetivo: fornecer matériaprima ao processo de obtenção das portas industrializadas pela mesma. Estão classificadas no ativo permanente por transcenderem mais de um exercício e somente por conta disso estão no imobilizado. Mas são, por natureza, “estoque” de matériaprima. Desta óptica, tem sentido a falta de previsão do legislador em relação aos encargos de exaustão, pois, neste caso, não se trata de deduzir apenas a perda parcial do valor, mas sim a totalidade do que for aplicado pela pessoa jurídica em bens e serviços necessários à produção da matériaprima indispensável a seu processo de industrialização. Portanto, o fato de as florestas estarem contabilmente classificadas como itens do ativo imobilizado não afasta o direito ao crédito de PIS/COFINS relativo aos dispêndios com bens e serviços nelas aplicados. Repito: a existência do direito ao crédito de PIS/COFINS como insumo advém do atendimento aos requisitos da inerência e da relevância acima examinados e não da classificação contábil adotada para outros fins ainda que societários ou tributários. Evidentemente, incorporamse, na qualidade de matériaprima ao produto final, sendo despicienda a discussão do conceito de insumo dado pelo inciso II do artigo 3º da Lei n.º 10.637/2002 nesse caso, por se tratar do mais restrito possível, apesar de não ser o conceito de insumo que pessoalmente adoto. Quanto a esse conceito, por citado como um dos elementos que deram suporte às glosas — que os bens utilizados não integram o produto final — apesar de superados, peço vênia para apontar apenas uma observação. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 482 20 Sendo o referencial do insumo, para fins de crédito de PIS e COFINS, o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda a relação de “inerência” da matériaprima deve ser analisada na perspectiva dinâmica da sua incorporação ao produto final. Isso quer dizer que não é somente a matériaprima final que se incorpora ao produto final, mas a matériaprima da matériaprima, também se incorpora porquanto, sem essa matériaprima da matériaprima, não haveria produto final, ou seja, todas são matériasprimas essenciais ao produto final e a ele se incorporam. Para finalizar, apenas chamo atenção para um termo constante na norma. O inciso II do artigo 3º expressa que os créditos podem ser apurados sobre os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entendo, novamente, que não foi por mero acaso que o legislador usou os dois termos: produção e fabricação lado a lado. Não entendo que o fez por redundância, simplesmente para enfatizar o termo, nem como sinonímia, mas para destacar as suas diferenças. Produção tem sentido mais abrangente que fabricação e incorpora tudo que vem da natureza ou da atividade humana. Fabricação é termo mais restrito e implica na criação de um objeto novo, com nova natureza, decorrente transformação dos elementos por meio de máquinas e equipamentos voltados a proceder a tal modificação. Por isso, as próprias leis tantas vezes se referem a “produção in natura”, “produção agropecuária” ou “produtos de origem vegetal”. etc., mas a estes não se referem como hipótese de “fabricação”. Isto me leva a concluir que o dispositivo em análise referese a duas situações distintas, igualmente abrangidas pelo direito ao crédito. Não apenas os contribuintes que exerçam atividade tipicamente industrial estarão sujeitos às contribuições e terão direito aos respectivos créditos no âmbito delimitado pelas mencionadas leis; mas também o produtor agricola, o produtor no ambito da pecuária etc. estão alcançados pelo preceito. Esta conclusão da qual exala uma certa obviedade é de grande importância no caso em exame. A Recorrente desenvolve uma atividade complexa, que vai desde a produção da madeira até a fabricação de portas. A existência da integração econômica da fase rural de produção da madeira a uma industrial de transformação é reconhecida pela própria legislação, como algo possível e normal, hipótese em que a primeira assume um caráter instrumental em relação à segunda, como se lê no § 6° do artigo 22A da Lei n.º 8.212/1991 que depois de criar um regime substitutivo de contribuição aplicável às agroindústrias determina: § 6° Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a Fl. 543DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720781/200963 Acórdão n.º 3801001.887 S3TE01 Fl. 483 21 utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. Independentemente da discussão travada quanto à constitucionalidade desse artigo o legislador reconhece que se trata de produção da matériaprima necessária ao desenvolvimento da própria atividade industrial e que nesta encontra o seu sentido. Desse modo, aquele que simplesmente produzir madeira para venda terá direito ao crédito sobre as sementes, adubos, fertilizantes, serviços de plantio, preparação etc. são todos bens e serviços indispensáveis à obtenção do bem – madeira – destinado à venda e aquele que a comprasse para fabricação das portas poderia aproveitar esse crédito, o que é indubitável. Daí a perplexidade. Então porque numa indústria integrada que, ela própria, produz a madeira que irá utilizar no seu estabelecimento fabril para a obtenção de seu produto final (no caso portas) não haveria direito a crédito pelos bens e serviços utilizados no desenvolvimento da floresta? Pareceme no mínimo paradoxal impedir esse direito. Estes dispêndios, ao lado de outros que apresentem a mesma relação de inerência e o mesmo grau de relevância para o processo de produção da madeira, e do papel e da celulose dela resultantes, estão alcançados pelo conceito de insumo explanados nas leis de regência dos PIS e da COFINS não cumulativas. Nesse sentido, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 544DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009151/2008-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES. DESPESAS. MEDICAS COMPROVAÇÃO.
A ausência de documentos probantes de supostas despesas médicas impossibilita o aproveitamento das mesmas para dedução da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física.
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE
As despesas médicas com planos de saúde somente poderão ser deduzidas quando os comprovantes identifiquem os beneficiários do plano, que somente poderá abranger o próprio contribuinte e seus dependentes. Hipótese em que a prova requerida não é apresentada.
IRPF. REGIME DE CAIXA. DEDUÇÕES. O IRPF
Rege-se pelo regime de Caixa o que impede a dedução de despesas pagas em outro ano calendário.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora..
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:29/5/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS. MEDICAS COMPROVAÇÃO. A ausência de documentos probantes de supostas despesas médicas impossibilita o aproveitamento das mesmas para dedução da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE As despesas médicas com planos de saúde somente poderão ser deduzidas quando os comprovantes identifiquem os beneficiários do plano, que somente poderá abranger o próprio contribuinte e seus dependentes. Hipótese em que a prova requerida não é apresentada. IRPF. REGIME DE CAIXA. DEDUÇÕES. O IRPF Rege-se pelo regime de Caixa o que impede a dedução de despesas pagas em outro ano calendário. Recurso Negado.
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DESPESAS. MEDICAS COMPROVAÇÃO. A ausência de documentos probantes de supostas despesas médicas impossibilita o aproveitamento das mesmas para dedução da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE As despesas médicas com planos de saúde somente poderão ser deduzidas quando os comprovantes identifiquem os beneficiários do plano, que somente poderá abranger o próprio contribuinte e seus dependentes. Hipótese em que a prova requerida não é apresentada. IRPF. REGIME DE CAIXA. DEDUÇÕES. O IRPF Regese pelo regime de Caixa o que impede a dedução de despesas pagas em outro ano calendário. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:29/5/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 91 51 /2 00 8- 62 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra parte do lançamento por meio do qual exigese do recorrente, IRPF suplementar relativo ao ano calendário, 2005, em virtude: 1) Dedução indevida de Incentivo, no valor de R$73,62; 2) Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$10.611,63, 3) Omissão de Rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$961,00; 4) Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte , no valor de R$148,04. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1027.462, de 24 de setembro de 2010, que se encontra às fls. 63/66, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência de tal julgado se deu por via postal em 09/11/2010, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 71). À vista da decisão, foi protocolizado, em 07/12/2010, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 72/76, no qual o pólo passivo: · Assevera que a documentação apresentada referente às despesas médicas é totalmente idônea. Foram gastos efetivamente realizados e comprovados.O Fisco ao reputar inábil a NF emitida pela CLINIVITTA, de no 2876, está dizendo que a declaração contida nela não espelha a realidade do fato declarado, ou seja, está dizendo que o recibo é ideologicamente falso. Neste caso, caberia a mesma provar sua falsidade, pois o ônus da prova é de quem alega a falsidade. · Menciona o artigo 8° da Lei no 9.250/95 que exige que a dedução de despesas médicas esteja comprovada por recibos que contenham indicação do nome, do endereço e do número de inscrição no CPF ou CNPJ, de quem recebeu o pagamento. · Assegura que a NF apresentada, no 2876, preenche todos estes requisitos, possui o nome do recorrente, possui o nome da empresa e o seu CNPJ. · Transcreve o artigo 11 da Lei nº 8383/91 como fundamento de que se até mesmo um cheque nominativo é aceito, COMO NÃO ACEITAR A PRÓPRIA NOTA FISCAL DO SERVIÇO PRESTADO E PAGO. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.009151/200862 Acórdão n.º 2802002.348 S2TE02 Fl. 597 3 · Ressalta que os pagamentos efetuados à UNIMED, e descontados em folha de pagamento, aplicase também o artigo 11 supracitado. Ora, se é dado validar o pagamento através de cheque nominativo, sem o respectivo recibo, muito mais válido comprovarse a despesa médica com o desconto em folha de pagamento nos olerites juntados, resta cabalmente comprovado os valores pagos a unimed, portanto, nenhuma razão para que sejam desconsiderados e glosados. tais descontos foram efetuados e obviamente pagos a unimed. Nenhuma sombra de inidoneidade deve pairar sobre tal comprovação. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O litígio mantido em sede recursal versa sobre) glosa de despesas médicas efetuadas com Luiz Roberto de Borba Freda, no valor de R$ 1.600,00; Vitta Clinica, no valor de R$ R$2.688,00; e UNIMED: no valor de R$6.323,63. Em primeira instância o litígio foi estabelecido apenas em relação às deduções de despesas médicas glosadas no valor de R$ 10.611,63, uma vez que os demais valores não foram objeto de impugnação. Assim o lançamento foi mantido sob o fundamento de que: “ ... As cópias de cheques de fls. 14/17 não podem ser aceitos como documentos hábeis, para fins de dedução da base de cálculo do imposto, uma vez que não foram emitidos em nome de Luiz Roberto de Borba Freda, mas de outras pessoas (Hospital Banco de Olhos e Maria Cecilia Peroni), as quais não constam da Dirpf do impugnante. A nota fiscal de fl. 18, emitida por Vitta Clinica de Fisioterapia, Medicina e Nutrição S/S Ltda., não pode ser aceita, porquanto, embora mencione "57 sessões de Fisioterapia realizadas durante o ano de 2005", foi emitida tãosomente em 16 de abril de 2008. Vale observar, neste passo, que, nos termos do artigo 32, inciso I, da Lei Complementar Municipal n.° 7, de 07 de dezembro de 1973, redação alterada pela LCM n.° 501, de 30 de dezembro de 2003, "Os contribuintes do imposto cuja atividade esteja sujeita tributação com base no preço do serviço e as sociedades de profissionais ficam obrigados a: I emitir nota fiscal de serviço ou documento equivalente, para cada operação"— Grifouse. Não há, portanto, como aceitarse, como documento hábil, com vistas comprovação de despesas médicas, uma nota fiscal, a um, relativa não a uma única prestação de serviço, mas a 57 sessões de fisioterapia realizadas ao longo do ano de 2005; e, a dois, emitida somente cerca de três anos após a alegada prestação dos serviços. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Finalmente, quanto aos contracheques de fls. 19/21, já foram eles examinados pela Fiscalização (cópias de fls. 43/45), que não os considerou aptos a comprovar as deduções pleiteadas. Assim, caberia ao impugnante, em face da glosa efetuada, apresentar documentos outros que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas e não trazer aos autos aqueles já verificados pela autoridade lançadora.” Em fase de recurso, não foram apresentados nenhum documento ou outro elemento que viesse a esclarecer as falhas apontadas na decisão de primeira instância. Somente podem ser restabelecidas as despesas glosadas que são comprovadas com documentação hábil e idônea, não bastando mera alegação, sem prova documental. O recorrente apenas alegou que todos os comprovantes apresentados preenchem os requisitos legais, entretanto não trouxe aos autos nenhum documento comprobatório dessa alegação. Ora, caberia ao recorrente ter acostado a comprovação de que o pagamento relativo ao cheque de fls. 14/17, foi realmente efetuado ao Luiz Roberto de Borba Freda, vez que o cheque está nominal Hospital Banco de Olhos e Maria Cecilia Peroni. Uma declaração fornecida pelo profissional seria suficiente para sanar este vício apontado pela DRJ.. Quanto a nota fiscal, emitida por Vitta Clinica de Fisioterapia, Medicina e Nutrição S/S Ltda., no valor de R$2.736,00, emitida em 16.04.2008, (fls.78), compartilho com o entendimento da DRJ, “de que embora mencione "57 sessões de Fisioterapia realizadas durante o ano de 2005", foi emitida tãosomente em 16 de abril de 2008”, pois nos leva a crer que indicam que os pagamentos se referem a serviços inadimplidos no ano de 2005 e pagos em 2008. É de se ressaltar que O IRPF regese pelo regime de Caixa (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º ) o que vale tanto para os rendimentos quanto para as deduções, de forma que as despesas pagas em 2008 não são dedutíveis no anocalendário 2005 o que impede o restabelecimento da despesa médica, efetuada pela Vitta Clinica de Fisioterapia, Medicina e Nutrição S/S Ltda., no valor de R$2.736,00. Quanto a parte da despesa médica relacionada ao plano de saúde UNIMED (R$6.323,63), importante ressaltar a necessidade de serem apresentados documentos que comprovassem os efetivos beneficiários do plano de saúde e respectivos valores a eles referentes, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento de prova adicional que possibilitasse decidir o litígio em seu favor. Verificase, inclusive, que o autuado argumenta que os pagamentos efetuados à UNIMED, e descontados em folha de pagamento, resta cabalmente comprovado os valores pagos a unimed, portanto, nenhuma razão para que sejam desconsiderados e glosados. tais descontos foram efetuados e obviamente pagos a UNIMED. Observo, por oportuno, que o contribuinte não possui nenhum dependente em sua DIRPF do exercício de 2006. Não há problema algum no fato do contribuinte ter apresentado vários comprovantes relativo ao mesmo plano de saúde. A questão é que estes não identificam o beneficiário, sendo certo que a dedução somente será permitida para despesa relacionada ao próprio declarante. No caso em exame, a DRF e a DRJ não questionaram a prova do pagamento, mas indicaram insuficiência de informação nos comprovantes apresentados, que não atendem ao disposto no artigo 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: (...). II dasdeduções relativas: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.009151/200862 Acórdão n.º 2802002.348 S2TE02 Fl. 598 5 a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;(grifei) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). (grifei) §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10166.902421/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 14/03/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo,
condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170,
do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-000.996
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o
presente julgado.
Nome do relator: Tatiana Midori Migiyama
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Assinado digitalmente Participaram do presente julgamento os Conselheiros RÉGIS XAVIER HOLANDA (Presidente), FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO, CLÁUDIO GONÇALVES PEREIRA, SOLON SEHN e TATIANA MIDORI MIGIYAMA (Relatora). Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902421/200801 Acórdão n.º 3802000.996 S3TE02 Fl. 151 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CEB Lajeado S.A. contra Acórdão nº 0340.434, de 22 de novembro de 2010 (de fls. 133 a 137), proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSB, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto parte do relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Tratam os autos de declaração de compensação, transmitida em 31.12.2004, pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP, de débitos no valor de R$ 62.622,60, relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de PIS (código 8109), arrecadado em 14.03.2003, no valor de R$ 47.442,51. Em despacho decisório (fls. 112) emitido em 09.05.2008, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 09515.13687.311204.1.3.043048, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada da decisão em 26.05.2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório em 25.06.2008 (fls. 01. a 04), alegando, em síntese, que: ü O crédito de PISFaturamento recolhido a maior e;ou indevidamente referese a valores apurados equivocadamente através do regime Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902421/200801 Acórdão n.º 3802000.996 S3TE02 Fl. 152 3 cumulativo de apuração, quando deveriam ter sido apurados pelo regime nãocumulativo; ü A Solução de Consulta nº 201 2006 (fls. 26 a 32), exarada pela Superintendência Regional da Receita Federal da 1ª Região Fiscal – SRRF 1ª RF, corrobora tal entendimento; ü Não foram efetuadas as correções no DACON e na DIPJ do período em questão; ü Apresentase cópia da memória de calculo dos valores apurados em 2003 (fls. 33 a 47) e o comparativo do que foi recolhido a maior indevidamente pela contribuinte em função da solução citada; ü Também é anexada cópia do balancete com a demonstração dos valores utilizados para a apuração dos créditos e débitos do PIS Faturamento pelo regime cumulativo. (fls.48 a 85); ü A Administração deve fundamentase na busca da verdade real e não pode indeferir sumariamente pedidos de compensação. Por fim, requer seja estabelecido o crédito utilizado pela contribuinte e que seja homologada a compensação pleiteada, extinguindose definitivamente a cobrança do suposto débito quitado com o crédito respectivo a que se refere o despacho decisório. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade – com a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/03/2003 RETROATIVIDADE DAS NORMAS TRIBUTÁRIAS. ART. 10, INCISO XI, ALÍNEA “C”, DA LEI Nº 10.833, DE 2003. VERDADE MATERIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Estão sujeitos à cumulatividade os débitos de PIS, decorrentes de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea “c”, da Lei nº 10.833, de 2003, com vencimento até 31 de janeiro de 2004. A litigante não traz aos autos prova que dê suporte à alegação de que o direito creditório declarado é decorrente de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea “c”, da Lei nª 10.833, de 2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902421/200801 Acórdão n.º 3802000.996 S3TE02 Fl. 153 4 Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16 de fevereiro de 2011, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 18 de março de 2011. Do mérito Pelo presente processo, vêse que a questão está vinculada a manifestação de Inconformidade contra despacho decisório de nº de rastreamento 759927071 emitido pela DRF Brasília e assinado pelo Delegado da Receita Federal em Brasília no dia 09.05.2006 e recebido com ciência, em 26 de maio de 2006, que indeferiu pedido de compensação de débitos da interessada, com créditos de pagamento indevido ou a maior de PISFaturamento no anocalendário de 2003. Insurge a recorrente que o acórdão da Delegacia de Julgamento reconhece que juridicamente há o crédito compensável, contudo indefere o PER/DCOMP sob o único fundamento de que os documentos juntados aos autos não seriam suficientes para comprovação. O que, alega ser obrigação da autoridade administrativa verificar tais fatos em seus arquivos, justificando que todos os documentos referentes ao lançamento equivocado e ao seu pagamento, bem como a retificação do lançamento e conseqüente nascimento do crédito estão de posse da Receita Federal. Traz a argumentação de que o ato de lançamento é um ato legalmente vinculado conforme expressa dicção do art. 142 do CTN, e por determinação do referido dispositivo deve a autoridade administrativa cobrar tributos não lançados, bem como reconhecer pagamentos indevidos ou a maior. A função da Receita Federal é a administração legal dos tributos e que isto inclui cobrar o que é devido e devolver o pagamento indevido, como no caso em tela. Conclui que entende a Delegacia de Julgamento que os documentos não foram suficientes para provar a quantia do credito existente, ao verificar que juridicamente existe, deveria ter baixado o feito em diligência para a certificação da existência ou não do crédito e posterior adequada análise sobre a compensação pleiteada. De fato, a DRJ verificouse que a contribuinte tem razão em sua argumentação de direito – qual seja, de que as receitas auferidas de contratos firmados até 31 de outubro de 2003, e com cláusula de reajuste de preços, também estão sujeitos à sistemática da cumulatividade, aplicandose tal entendimentos retroativamente a fevereiro de 2004. Tal interpretação tem suporte expresso na IN SRF nº 658, de 2006 que, por sua vez, está em consonância com a Lei 11.196, de 2005. No entanto, a DRJ, quanto a questão da verdade material, clarifica que a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902421/200801 Acórdão n.º 3802000.996 S3TE02 Fl. 154 5 funda, quando deveria instruir a manifestação de inconformidade com demonstrativo de apuração e documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para deixar o julgador convicto de que efetivamente os contratos de fornecimento de energia foram efetuados a preço determinado, firmados até 31 de outubro de 2003 e respeitadas todas as condicionantes que a lei determina que não tendo a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito trazido qualquer prova documental que dê respaldo às suas alegações e comprove a verdade material dos fatos concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório da contribuinte. Eis que, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, o que podemos aplicar por analogia à manifestação de inconformidade, a prova documental quando da impugnação deveria ser apresentada, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a ato ou a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou posteriormente trazidas aos autos. Em continuação às alegações trazidas pela recorrente, contempla nova informação de que, ademais, não bastasse o crédito de PIS, de fato possui outro crédito decorrente da antecipação mensal do imposto de renda e da base de cálculo negativa de IR e CSLL em face do prejuízo no período em questão. E que as antecipações mensais por estimativa, foram realizadas, conforme determina o art. 2ª da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior.” Sendo assim, esclarece que durante todo o ano de 2002 e 2004 a recorrente realizou diversos pagamentos de imposto de renda por estimativa considerando o seu faturamento anual realizando o ajuste na DIPJ dos exercícios de 2003 e 2005 respectivamente, verificando no período que a empresa apresentou um resultado final menor do que o valor pago por estimativa, havendo inclusive registro de prejuízo no exercício de 20022003. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902421/200801 Acórdão n.º 3802000.996 S3TE02 Fl. 155 6 O que traz a conclusão de que os valores pagos antecipadamente no regime por estimativa poderiam ser compensados nos tributos devidos no exercício seguintes, nos termos do art. 6º da Lei 9.430/96: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente Assim sendo, alega que acumulou elevados créditos, decorrentes do recolhimento a maior do imposto de renda sobre estimativa no período de 2002 e 2004, que seriam compensáveis com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, direito este consagrado em diversos dispositivos legais, destacandose o art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O que, segundo a recorrente, houve indiscutível pagamento em excesso de Imposto de Renda e consequentemente o crédito compensável, inferindo que o fato de ter existido um erro de preenchimento da DIRPJ não tem o condão de eliminar o crédito da recorrente, já informado nas declarações retificadoras a seguir: Isso posto, requer a contribuinte que seja conhecida e provido o pedido do presente recurso voluntário para homologar a compensação realizada e sucessivamente, determinar que o feito seja baixado em diligência para análise das DIPJ´s apresentadas pela recorrente. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.902421/200801 Acórdão n.º 3802000.996 S3TE02 Fl. 156 7 Ora, notase que essas novas argumentações não foram aduzidas na instância originária, motivo pelo qual não pode o CARF apreciarlhe sob pena de supressão de instância, além de restar malferido os arts. 16, III, e 17, do RPAF, que exigem sejam explicitadas na impugnação – o que aplico por analogia à manifestação de inconformidade, todos os argumentos de defesa do sujeito passivo. E ainda assim, vêse que apesar das argumentações trazidas pela contribuinte expondo novas informações de créditos que entende que deveriam ser apreciados, a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, tampouco documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para suportar a liquidez do crédito a que se refere. Da conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto no mérito por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000509/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2007
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. REVOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A revogação de dispositivo que serve de fundamento legal ao auto de infração não torna este nulo (tempus regit actum), mas tão somente permite a aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte, se o ato não foi definitivamente julgado, uma vez existente autorização expressa do art. 106, II, c do CTN.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 2301-003.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. REVOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A revogação de dispositivo que serve de fundamento legal ao auto de infração não torna este nulo (tempus regit actum), mas tão somente permite a aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte, se o ato não foi definitivamente julgado, uma vez existente autorização expressa do art. 106, II, c do CTN. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2502; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000509/201014 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.467 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria Omissão em GFIP. Dados não Correspondentes a Fatos Geradores. Recorrente TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. REVOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A revogação de dispositivo que serve de fundamento legal ao auto de infração não torna este nulo (tempus regit actum), mas tão somente permite a aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte, se o ato não foi definitivamente julgado, uma vez existente autorização expressa do art. 106, II, “c” do CTN. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 09 /2 01 0- 14 Fl. 619DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000509/201014 Acórdão n.º 2301003.467 S2C3T1 Fl. 3 2 Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Acessória lavrado em face de TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A, por ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP de forma inexata, incompleta ou omissa, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme se infere do Relatório Fiscal. Em virtude de ter infringido o art. 32, IV, §§ 3º 5º da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 225, IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, foi imputado à Recorrente pagamento no montante de R$ 143.179,00 (cento e quarenta e três mil cento e setenta e nove reais) a título de multa, com fulcro no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/1991 e arts. 284, II e 373, do Decreto nº 3.048/1999. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000509/201014 Acórdão n.º 2301003.467 S2C3T1 Fl. 4 3 Ciente da autuação em 22/12/2010, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 21/01/2011. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/11/2007 a 30/11/2007 ENTREGA DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária, nos termos do artigo 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Inconformada, interpôs Recurso Voluntário em 17/08/2011, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) O pagamento dos valores apontados pelo fisco como não declarados em GFIP não representa fato gerador da contribuição previdenciária, por não ter natureza salarial, motivo pelo que não poderia ser lançado como tal na contabilidade da Recorrente. 2) Não houve omissão de informação, mas divergência quanto à forma contábil de declaração, já que a Recorrente, apesar de não ter contabilizado os valores como salário, o fez como outras espécies de pagamento. 3) As inconsistências apontadas pelo Relatório Fiscal se referem a valores que não constituem fato gerador da contribuição previdenciária, sendo correta a informação prestada pela ora Recorrente. Em não havendo omissão de informações, deve ser afastada a penalidade aplicada. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Fl. 621DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000509/201014 Acórdão n.º 2301003.467 S2C3T1 Fl. 5 4 Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Preclusão sobre matérias não impugnadas A penalidade decorrente do Auto de Infração recorrido foi aplicada em conseqüência da omissão, na GFIP, de informações referentes a fatos geradores de contribuição previdenciária. Da leitura das razões recursais em apreço, verificase que a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento nega que deixou de informar os dados especificados às fls. 60 do Relatório Fiscal, ou seja, apresentou uma defesa genérica, baseada na desnecessidade de apresentar documentação referente a valores que não configuram fato gerador de contribuição previdenciária, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Notese que a Recorrente não aponta, especificamente, quais informações consideradas como omissas na GFIP não possuem natureza salarial, o que torna preclusa a matéria. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000509/201014 Acórdão n.º 2301003.467 S2C3T1 Fl. 6 5 Da aplicação de penalidade mais benéfica No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000509/201014 Acórdão n.º 2301003.467 S2C3T1 Fl. 7 6 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição Fl. 624DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000509/201014 Acórdão n.º 2301003.467 S2C3T1 Fl. 8 7 previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Da Conclusão Ante o exposto, deve ser DADO PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, para que seja aplicada a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de abril de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 625DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 19647.013087/2004-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2000
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento decorrente as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles.
OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇAS ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO OU PAGO.
Diferenças apuradas em verificações obrigatórias entre o valor escriturado e o declarado ou pago representam omissão de receita quando não justificadas pelo contribuinte.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE.
Tributos com exigibilidade suspensa em face de impugnação administrativa não são dedutíveis da base de calculo do IRPJ e da CSLL lançados de oficio.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1202-000.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, em não conhecer parcialmente do recurso quanto à redução de penalidade por retroatividade benigna e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, em reconhecer a decadência do PIS e da Cofins, relativamente aos fatos geradores dos períodos de apuração de janeiro a novembro de 1999, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Quanto à multa isolada, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento para cancelar a multa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Andrada Marcio Canuto Natal, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-06-20T13:53:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-06-20T13:53:40Z; Last-Modified: 2013-06-20T13:53:40Z; dcterms:modified: 2013-06-20T13:53:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:f58c367b-57c5-438b-9964-2759fc0ec10b; Last-Save-Date: 2013-06-20T13:53:40Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-06-20T13:53:40Z; meta:save-date: 2013-06-20T13:53:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-06-20T13:53:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-06-20T13:53:40Z; created: 2013-06-20T13:53:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2013-06-20T13:53:40Z; pdf:charsPerPage: 2196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-06-20T13:53:40Z | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.013087/200440 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1202000.968 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2013 Matéria Omissão de receitas Recorrentes DPM DISTRIBUIDORA S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000 RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE PARCIAL. DECISÃO QUE APLICA RETROATIVIDADE BENIGNA. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos da Lei nº 12.788, de 2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor. NULIDADE. IRREGULARIDADE NO MPF. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Por se tratar o MPF de instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização, eventuais falhas na sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento decorrente da ação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGRA GERAL. O lançamento de multa isolada obedece à regra geral de decadência, contida no art. 173, inciso I, do CTN, por se tratar de lançamento de ofício. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. REGRA ESPECIAL. No caso de tributos e contribuições sujeitos a lançamento por homologação, em relação aos quais tenha havido pagamento, aplicase a regra decadencial prevista no art. 150, §4º, do CTN, conforme interpretação dada pelo recurso especial repetitivo nº 973.733, nos termos do art. 62A da Portaria MF 256, de 2009 e alterações. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 30 87 /2 00 4- 40 Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 3 2 A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Tributos com exigibilidade suspensa em face de impugnação administrativa não são dedutíveis da base de calculo do IRPJ e da CSLL lançados de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 OMISSÃO DE RECEITA. ESTORNO DE VENDAS NÃO COMPROVADO. Caracterizamse como omissão de receita os estornos de vendas sem comprovação, constatados na escrituração do contribuinte, visto que compete a ele a prova dos registros contábeis através de documentos hábeis, nos termos do art. 923 do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇAS ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO OU PAGO. Diferenças apuradas em verificações obrigatórias entre o valor escriturado e o declarado ou pago representam omissão de receita quando não justificadas pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente as mesmas conclusões sobre o IRPJ, em função da estrita relação de causa e efeito entre eles. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, em não conhecer parcialmente do recurso quanto à redução de penalidade por retroatividade benigna e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, em reconhecer a decadência do PIS e da Cofins, relativamente aos fatos geradores dos períodos de apuração de janeiro a novembro de 1999, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Quanto à multa isolada, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento para cancelar a multa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Andrada Marcio Canuto Natal, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 5 4 Relatório Trata o presente processo dos Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL (fls.10311036), decorrente de irregularidades apuradas no ano calendário de 1999. Consoante o Relatório da Ação Fiscal, foram autuadas as seguintes infrações: item 1) Omissão de Receitas Receitas não contabilizadas: valores creditados na conta de estoques, com arbitramento do lucro sobre as presumidas vendas sem documentação fiscal; item 2) Omissão de Receitas Estorno de Vendas não Comprovadas: valores debitados na conta vendas, em contrapartida ao crédito em estoques já tributado no item 1 acima; item 3) Omissão de Receitas: exigência de tributo sobre a diferença de R$ 547,88, apurada no confronto entre os valores levantados com base no Razão e os declarados a título de Receita Bruta; item 4) Omissão de Receitas Financeiras: diferença de R$ 46.660,17, apurada em levantamento fiscal, com base no Livro Razão, em confronto com os valores da Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) item 5) Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago (verificações obrigatórias), incluindo os valores lançados de ofício; item 6) Multas Isoladas Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago IRPJ Estimativa (verificações obrigatórias), incluídas as receitas omitidas. Em decorrência, foram também formalizadas exigências relativas à CSLL, ao PIS e à COFINS. Na impugnação, o contribuinte, como preliminares, apontou (i) a nulidade do lançamento por desrespeito às regras do Mandado de Procedimento Fiscal e (ii) a decadência do direito de lançar a multa isolada por falta de pagamentos de estimativas mensais do IRPJ, bem assim de lançar a contribuição para o PIS e a Cofins, relativamente aos meses de janeiro a novembro de 1999. Quanto ao mérito, alegou que (i) os lançamentos contábeis tidos como incorretos, detectados durante a ação fiscal, não teriam produzido efeito tributário em razão "de redução simultânea de uma conta de receita em contrapartida a uma conta de custo"; (ii) existiriam várias "imposições tributárias" incidindo sobre os mesmos fatos contábeis; (iii) não haveria previsão legal de arbitramento do valor da receita omitida por meio de cálculos aritméticos de hipotética margem de lucro, por representar presunção simples; (iv) a margem Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 6 5 de lucro apurada pelo fisco, de 277,91%, seria irreal, crivando de incerteza o levantamento; (v) o valor tributável do item 005 do Auto de Infração, no montante R$ 2.201.312,60, corresponderia ao lucro real declarado na DIPJ do ano calendário de 1999, o qual servira de base de imposto que já teria recolhido; (vi) o valor de R$ 46.660,17, apontado como omissão de receita financeira, já teria sido tributado, porquanto incluído na receita nãooperacional declarada na DIPJ, e o valor de R$ 547,88, tido como omissão de receita, diria respeito "ao IPI faturado", que não comporia a Receita Bruta; (vii) impossibilidade de multa de oficio por falta de pagamento do imposto concomitantemente com a multa isolada por falta de pagamento de estimativas sobre a receita considerada omitida; (viii) não caberia a aplicação da multa isolada por falta de pagamentos mensais de estimativas após o encerramento do anocalendário, mormente quando se apura imposto e se entrega tempestivamente a Declaração de Rendimentos; (ix) os valores do PIS e da Cofins, lançados de oficio, deveriam ter sido deduzidos para efeito de determinação do valor tributável do IRPJ e da CSLL; (x) a taxa Selic não poderia ter sido aplicada como juros de mora; (xi) as multas aplicadas teriam caráter confiscatório, além de ferirem o princípio da proporcionalidade. A DRJ julgou o lançamento procedente em parte para (i) exonerar o montante de R$ 4.534.786,37, relativo aos valores principais do imposto e das contribuições, referente à acusação de omissão de receita oriunda dos lançamentos a crédito nas contas de Estoque inicial e Compras do Período (infração 1), à inclusão do IPI na receita bruta tributável (infração 3), considerada indevida e a acusação de omissão de receitas financeiras (infração 4), tributadas como receita não operacional, bem como (ii) exonerar o montante de R$ 227.449,11, relativo à multa exigida isoladamente (infração 6), em função da redução do percentual por aplicação retroativa da legislação mais benéfica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Por o Mandado de Procedimento Fiscal ser mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, suas eventuais falhas não implicam em nulidade do lançamento efetuado sob seus auspícios. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITA. ESTORNO DE VENDAS NÃO COMPROVADO. Caracterizamse como omissão de receita os estornos de vendas constatados na escrituração do contribuinte, quando este não os logra justificar. OMISSÃO DE RECEITA. NÃOCARCTERIZAÇÃO. Os lançamentos a crédito em conta que consubstancia lançamentos relativos ao Estoque inicial e às Compras do Período, no caso de apuração de inventário periódico, não evidenciam a saída de unidades do estoque e, conseqüentemente, não induzem a caracterização de omissão de receitas. RECEITA BRUTA. COMPOSIÇÃO. Não compõe a Receita Bruta tributável o IPI apurado e escriturado pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 7 6 Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO. O prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições sociais é de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, consoante legislação de regência. Por tratarse de lançamento de ofício, o prazo para constituirse crédito relativo à multa por falta de pagamento de estimativa é regido pelo inciso I do art. 173 do CTN. MULTA ISOLADA E MULTA ACOMPANHADA DE TRIBUTO. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de ofício exigida isoladamente sobre o valor das estimativas que deixou de ser recolhido no curso do anocalendário é aplicável concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido. INDEDUTIBILIDADE DO PIS E DA COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. Não há falar em dedutibilidade do PIS e da Cofins, lançados de ofício, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando a sua exigibilidade encontrase suspensa. MULTA POR FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. De acordo com o princípio da retroatividade benigna, consubstanciado na alínea c do inciso II do art. 106 do CTN, aplicase a ato pretérito, não definitivamente julgado, lei que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. De maneira que a multa por falta de pagamento de estimativas deve ser calculada com aplicação da alíquota de 50%, “ex vi” do disposto no art. 14 da MP 351, de 22 de janeiro de 2007. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. Em razão do montante exonerado, a DRJ recorreu de ofício dessa decisão. Cientificado da decisão em 17/11/2008 (cfe AR, fl.1111, verso), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 15/12/2008 (fls.1124 e ss.), em que, praticamente, repisa os argumentos da impugnação, no tocante às preliminares: (i) de nulidade dos lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por desrespeito às regras do Mandado de Procedimento Fiscal; (ii) de decadência do direito de lançar a Multa Isolada de 75% no período de janeiro a novembro de 1999, porque a ciência do auto de infração ocorreu em 01 de dezembro de 2004; (iii) de decadência do direito de lançar o PIS e a COFINS, relativamente aos períodosbase de janeiro a novembro de 1999, porque a ciência do auto de infração ocorreu em 01 de dezembro de 2004. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 8 7 No mérito, sustenta que os lançamentos efetuados a débito em conta de receita que correspondam a crédito sem conta que represente as compras da empresa têm efeito nulo sobre o resultado contábil, inexistindo consequência tributária decorrente de tais registros. Quanto ao item 002 do auto de infração (Omissão de Receitas Estorno de vendas não comprovados), aponta que a redução contábil ocorrida na conta Vendas foi compensada integralmente pelo crédito no custo da empresa, inexistindo efeitos tributários sobre o Lucro Real. Sustenta que descabe a imposição de multa isolada sobre pretensas omissões de receita não comprovadas, redundando a exigência em tripla imposição sobre a mesma base de cálculo. Alega a impossibilidade legal do arbitramento de receita omitida através de imposição de margem de lucro, por presunção simples, sem prova do fato ocorrido, bem como a apuração, pelo Fisco, de margem de lucro fora da realidade, no patamar de 277,91%. Contra a infração descrita no Item 005 do auto de infração (Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/ Pago (Verificações Obrigatórias), aduz que, caso houvesse sido exigido imposto sobre a diferença decorrente de receitas consideradas omitidas, estaria sendo tributada pela quarta vez a mesma base de cálculo. No entanto, foi considerada como diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, o valor de R$ 2.201.312,60, que é o montante do Lucro Real, já declarado, tributado e recolhido. Aponta, ainda: (i) a ilegitimidade da cobrança da multa isolada de 75% por falta de recolhimento mensal de estimativa do IRPJ incidente concomitantemente com a multa calculada sobre o imposto lançado de ofício; (ii) que a multa de ofício, no percentual de 75%, concomitante com multa isolada, é exorbitante, tendo caráter confiscatório; (iii) erro na determinação do valor tributável do IRPJ e CSLL pela não exclusão dos montantes de PIS e COFINS exigidos de ofício no mesmo período; (iv) a inaplicabilidade da taxa Selic imposta como juros de mora. Por fim, estende os mesmos argumentos aos autos de infração decorrentes É o relatório. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO DE OFÍCIO Em razão da exoneração das infrações 1, 3 e 4, integralmente, e 6, parcialmente, em montante maior do que o limite de alçada de R$ 1.000.000,00, nos termos da Portaria MF nº 3, de 2008, a DRJ recorreu de ofício do CARF. O recurso é conhecido por atender aos pressupostos legais. Da Infração 1 A receita omitida foi arbitrada multiplicandose a margem de lucro da interessada, calculada pela autoridade fiscal, pelo montante indevidamente lançado a crédito na mencionada conta (infração 001), com fulcro no art. 285 do RIR/99. A alegação da defesa foi acatada pela turma julgadora de primeira instância, por considerar que a omissão de receita por nãocomprovação do estorno de vendas não teria ocasionado nenhum reflexo na apuração do lucro real, dado que o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) teria sido reduzido do mesmo valor, já que a interessada apurava o seu inventário de forma periódica. Nesse caso, como bem observou o relator de origem, o CMV é calculado, ao final do período de apuração, através da fórmula Ei (estoque inicial) + C (compras do período) EF (estoque final, Inventário Físico) = CVM. Considerou o relator que, embora o lançamento do estorno de vendas devesse ter tido como contrapartida uma conta patrimonial, como, por exemplo, a conta cliente, o simples fato de ter sido efetuado, erroneamente, o lançamento a crédito na conta Estoque (Livro Razão, fls. 159213), “não evidencia que houve saída de estoques não comprovados a caracterizar omissão de receita”. De fato, a contabilização pode ser feita, basicamente, utilizandose contas representativas das Compras e do Estoque. Assim, os lançamentos a crédito na Conta Estoque, por terem diminuído o saldo das compras do período, diminuíram também, na mesma proporção, o CMV utilizado no cálculo do Lucro apurado na DIPJ. Desse modo, inexiste omissão de receita a ser lançada, como bem decidido anteriormente. Da infração 3 A autoridade fiscal apurou o total de receita de vendas de mercadorias, no montante de R$ 24.148.530,03, a partir do Livro Razão de 1999, conforme Demonstrativo "Receita Bruta/Outras Receitas" (fls. 610613) e apurou uma diferença de R$ 547,88 em relação ao montante de R$ 24.147.982,15 registrado na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 10 9 A decisão de primeira instância acatou a alegação da defesa de que o valor corresponderia ao IPI não considerado pelo fiscal quando da elaboração do referido demonstrativo (fl. 716). Considerandose que o IPI não deve compor a Receita Bruta utilizada no cálculo do Lucro tributável e reconhecendose, também nesta instância superior, que “os valores de receita adotados no mencionado Demonstrativo restaram aumentados, indevidamente, no exato montante dos valores do IPI lançados a débito”, é de se manter a decisão recorrida que excluiu a parte do crédito tributário indevidamente constituído. Da infração 4 A autoridade fiscal apurou diferença entre o montante de R$ 254.003,23, relativo a outras receitas (descontos obtidos, juros recebidos, variação ativa taxa SELIC, Rendas Eventuais outras, Rendas Eventuais Recup. de despesas e Rendas eventuais – Bonificações), e o valor declarado em DIPJ (ficha 07A) "outras receitas financeiras", no valor de R$ 207.343,06, tributando a diferença de R$ 46.660,17 como omissão de receita. Em defesa, o contribuinte detalhou os valores como relativos às contas Rendas eventuais (R$1.619,06), Rendas Eventuais recuperação de despesas (R$5.967,44) e Rendas Eventuais – bonificações (R$39.107,39), no total de R$46.693,89 (incluindo o montante de R$ 33,72 relativo a receita financeira, conta 1123) e justificou que esses valores foram computados na Demonstração do Resultado do Exercício (fl. 113), e declarados na DIPJ/2000, a titulo de Receitas não Operacionais (fl. 71). Examinandose os autos, constatase que, de fato, foram declarados os valores relativos às mencionadas contas como receita não operacional, pelo que descabe nova tributação sob o título de receitas financeiras, já que inexistiu prejuízo ao Fisco, como reconheceu a decisão ora reexaminada, a qual, nessa parte, deve ser mantida. Da infração 6 No tocante à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, houve a redução da alíquota de 75% para 50%, em face do disposto no art. 14 da MP 351, de 22 de janeiro de 2007 c/c a alínea “c” do inciso II do art.106 do CTN. Nesse ponto, deve ser mantida a decisão, inclusive em face do disposto no art. 11 da Lei nº 12.788, de 14 de janeiro de 2013, resultado da conversão da Medida Provisória nº 578, de 2012, que alterou o art. 27 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, estabelecendo novas hipóteses de descabimento de recurso de ofício, abaixo: Art. 11. Os arts. 19 e 27 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, passam a vigorar com as seguintes alterações: [...] “Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 11 10 II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; IV quando se tratar de homologação de compensação; V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19.” (NR) (destacouse) Tratandose de remessa necessária, e não de recurso propriamente dito, o exame de admissibilidade realizado pelo órgão de destino (ad quem) deve observar a norma vigente na data do julgamento do reexame. Isso porque, se o próprio legislador reconhece que não merece ser revista decisão que aplica retroativamente a legislação que reduz a penalidade, a partir da data da publicação da lei que dispensa o recurso de ofício, tal regra deve valer para as decisões ainda pendentes de revisão. Nesse sentido, cabe referir o Acórdão nº 340101.345, de 08/04/2011 e o Acórdão nº 120200.737, de 10/04/2012. Assim, não se conhece do recurso de ofício nessa matéria. RECURSO VOLUNTÁRIO Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. Da preliminar de nulidade por irregularidade no MPF No tocante à preliminar, considerase que o Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, tem por escopo único o planejamento e o controle, por parte da Receita Federal do Brasil, das atividades de fiscalização externa dos tributos e contribuições federais a serem desenvolvidas em cada exercício fiscal. Em outras palavras, como ato relativo a assunto interna corporis, é instrumento de controle interno de instauração de procedimentos fiscais de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Seus eventuais vícios, pois, devem ser consideradas meras irregularidades, não tendo o efeito de anular o lançamento de ofício, por não se enquadrarem nas hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Assim como consubstanciado na decisão recorrida, entendese que “a competência para a prática de atos relativos a procedimento de fiscalização, inclusive para o lançamento, não se condiciona à existência de MPF”. Essa é a jurisprudência majoritária do Conselho de Contribuinte e do CARF. Dentre inúmeros julgados nesse sentido, podem ser referidos: Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 12 11 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) VALIDADE No processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, quais sejam, os atos praticados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, quaisquer outras irregularidades não implicam em nulidade e devem ser sanadas, exceto se o sujeito passivo as tenha dado causa. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno da repartição fiscal de gerenciamento, controle e acompanhamento da ação fiscal e eventuais inobservâncias de suas normas resolvese no âmbito do processo administrativo disciplinar, que não aproveita ao sujeito passivo e nem implica nulidade do auto de infração, observadas, ainda, as disposições do caput do art. 195 do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 10809719, julgado em 18/09/2008) NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF INOCORRÊNCIA – O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Mesmo no caso de eventuais falhas nesses procedimentos, estas, por si só, não contaminam o lançamento decorrente da ação fiscal. (Acórdão nº 10423400, julgado em 07/08/2008) Cabe ainda referir decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais confirmando que o MPF constitui mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, e que eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento não implicam nulidade dos procedimentos fiscais, conforme abaixo: PAF. NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL São válidos os lançamentos de contribuições decorrentes de autuação de IRPJ, cujo MPF foi aberto tãosomente para este tributo. São válidos os lançamentos decorrentes de procedimento fiscal, ainda que não tenha sido dada ciência pessoal ao sujeito passivo das prorrogações do MPF relativo a este. (Acórdão nº 910100.491, de 25.1.2010) Em vista disso, considerase superada a preliminar de nulidade do auto de infração por vício no MPF. Da preliminar de decadência A recorrente alega decadência para o lançamento do IRPJ, do PIS e da Cofins, tendo em conta a data da ciência dos autos de infração, ocorrida em 01/12/2004, e os fatos geradores do período de janeiro a novembro do anocalendário de 1999, assim como para o lançamento da multa isolada por falta de estimativa, considerando o disposto no §4° do art. 150 do CTN. O lançamento da multa isolada, diferentemente do lançamento por homologação, somente pode ser realizado pela autoridade fiscal, o que, por si só, derruba a tese de que estaria sujeito à regra do citado § 4° do art. 150 do CTN. Tratandose de lançamento de ofício, submetese à regra geral de decadência estabelecida pelo art. 173 do CTN. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 13 12 Quanto às contribuições para o PIS e a Cofins, a DRJ considerou o prazo decadencial de dez anos, pois a decisão ocorreu anteriormente à publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF, que declarou a inconstitucionalidade daquele prazo. Atualmente, nos termos do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e alterações posteriores), deve ser aplicada aos julgamentos administrativos a jurisprudência do STJ adotada sob a forma de recurso repetitivo no recurso especial – Resp nº 973.733/SC. Aplicase ao caso concreto a regra do art. 150, §4º, do CTN, considerandose a apuração de PIS e Cofins a pagar, conforme DIPJ e registros no Livro Razão (volume 1 dos autos). Em se tratando de contribuições sujeitas à apuração mensal, como a ciência do auto de infração ocorreu em 01/12/2004, cabe reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores dos períodos de apuração de janeiro a novembro de 1999. Do mérito propriamente dito Da infração 2 Em relação à infração 2, lavrada com fulcro no art. 285 do RIR/99, a decisão recorrida considerou que, como a impugnante, ora recorrente, não trouxe justificativa para os lançamentos a débito da conta Receita de Vendas de Mercadoria e a crédito da conta de estoque (objeto da infração 1), limitandose a afirmar que não teria ocorrido reflexo na apuração do lucro, deveria ser reconhecida a procedência da caracterização de omissão de receita por falta de comprovação de estorno de vendas (infração 2). A recorrente contesta essa conclusão, por considerar que a redução contábil ocorrida na conta Vendas foi compensada integralmente pelo crédito no custo da empresa, inexistindo efeitos tributários sobre o Lucro Real, que descabe a imposição de multa isolada sobre pretensas omissões de receita não comprovadas, redundando a exigência em tripla imposição sobre a mesma base de cálculo. A autoridade fiscal concluiu que, como o contribuinte (ora recorrente) não conseguiu esclarecer os lançamentos a crédito de estoque, haveria indícios de vendas de mercadorias sem a devida escrituração contábil, fato que o autorizava a adotar algum método de arbitramento da receita, conforme previsto no art. 8 ° da Lei nº 8.846, de 1994. Nesse sentido, consignou (fl.33): Adotaremos como método para fins de arbitramento da receita o cálculo da margem de lucro através da razão entre a receita escriturada (R$27.540.079,28) e o custo escriturado (R$9.909.592,75). Por tal método encontramos o valor de 2,779133308, ou seja, se o contribuinte deu saída no estoque no montante de R$3.391.065,66, por esse método a receita arbitrada representa R$9.424.223,53. Portanto, é de se considerar que o lucro foi de R$6.033.157,87 (9.424.223,53 () 3.391.065,66). Conforme descrito autoridade fiscal (fl. 678), "analisando o Livro Razão (fls. 221, 365, 388 e 490) e o Livro Diário (fls. 109,a 110), no tocante aos lançamentos efetuados na conta de receita 3.1.1.01.001 Venda de Mercadorias Matriz, verificamos que. a mesma recebeu lançamentos a débito, tendo como contrapartida a conta 1.1.2.01.001 Estoques Matriz, nos dias 29.01.1999, 31.07.1999, 31.08.1999 e 31.12.1999, que somados totalizam R$3.391.065,66." Sustenta a recorrente que os registros contábeis nos valores respectivos de R$ 1.762.892,20; R$ 282.970,26; R$ 955.563,08 e R$ 389.640,12 (total de R$ 3.391.065,66) Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 14 13 realmente existiram e foram corretamente identificadas as contas debitadas (Receita de Vendas) e creditadas (Estoques Matriz), tendo, todavia, sido incorreta a interpretação dos lançamentos, bem como de seus efeitos tributários. Alega que ambos os lançamentos tiveram efeito de estorno e nenhum reflexo no resultado, visto que “as receitas que o compuseram constaram a menor, no mesmo montante em que foram reduzidas, em contrapartida, as despesas com compras da empresa.” Lembra que adota a sistemática do método do Inventário Periódico, em que as compras são registradas em conta de despesa. Verificase que essa alegação foi a mesma dada em resposta a uma intimação da autoridade fiscal à época da fiscalização, sobre a qual assim se manifestou (fl.678): Visando avaliarmos a procedência da afirmação do contribuinte, voltamos a analisar seu Livro Razão e verificamos que, no mês de janeiro de 1999, o total de lançamentos a crédito representou R$928.236,15 (fl. 221), portanto, menor que os R$1.762.892,20 lançados a débito. Verificamos também que os valores escriturados a crédito da conta de receita de vendas matriz correspondem aos valores das vendas de mercadorias escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, do mesmo ano (fls. 579 a 599 e 602 a 606), ou seja, se realmente tivesse havido lançamentos a maior na conta de receita de vendas, os registros do Livro Registro de Apuração do ICMS deveriam refletir esses fatos, o que não ocorreu. Ocorre que, mesmo após essa constatação da fiscalização, em nenhuma fase do processo administrativo a recorrente apresentou elementos que a desconstituíssem, apenas insistiu na mesma argumentação. Assim, considerandose que compete ao contribuinte a prova dos registros contábeis referentes aos estornos através de documentos hábeis (art. 923 do RIR/99), e que os registros constantes do Livro Registro de Apuração do ICMS fazem prova em sentido contrário, concluise que não foi comprovado o estorno alegado. Em razão disso, justificase a apuração de omissão de receitas por estorno de vendas não comprovado. Da infração 5 A autoridade fiscal lançou a diferença de IRPJ não recolhido, apurado com base nos registros do Livro Diário, DIPJ, e Lalur, relativos ao ano calendário de 1999, esclarecendo no relatório (fl.678): A partir da Demonstração do Resultado do Exercício, constante no Livro Diário, do ano "calendário de 1999 (fl. 113), da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2000 (fls. 67 a 107) e do demonstrativo intitulado "RECEITA BRUTA / OUTRAS RECEITAS`(fls.610 a 613), elaboramos o demonstrativo intitulado DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO A PARTIR DOS VALORES ESCRITURADOS" (fl. 641), no qual pudemos apurar o valor do Lucro Líquido Antes da CSLL. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 15 14 O julgador de primeira instância observou que o montante declarado é aproximado, mas não foi corretamente tributado pelo contribuinte, já que dele fora deduzido, indevidamente, o valor de R$ 479.215,79 (fl. 799), como imposto pago por estimativa, quando não poderia fazêlo, por não ter sido efetuado qualquer pagamento a esse título (Planilha à fl. 638), tendo havido apenas recolhimento do próprio imposto apurado no final do período, no montante de R$ 27.107,74, sob o código 2362, erroneamente, consoante extrato Sinal 04 (fl. 607). Observou, ainda, que o autuante o considerou esse valor recolhido como estimativa (Demonstrativo da fl. 645) e dele abateu, inclusive, a multa por não pagamento da estimativa relativa ao mês de dezembro (Demonstrativo de fl. 640). Concluiu o julgador pelo cabimento da formalização do crédito que deixou de ser pago, consoante apuração realizada com base nos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte, diminuindose do referido crédito os valores dos parcelamentos (já quitados, segundo fls. 608/609) dos meses de janeiro a junho de 1999, descritos na planilha (fl.639). Aqui, mais uma vez, o contribuinte (ora recorrente) insiste na alegação contra a infração apurada, mas não comprova o alegado. Apenas aduz que, caso houvesse sido exigido imposto sobre a diferença decorrente de receitas consideradas omitidas, estaria sendo tributada pela quarta vez a mesma base de cálculo, pois o valor tributado, com pequena diferença, representaria o valor do Lucro Real apurado pela empresa, no total de R$ 2.202.482,97, constante da linha 38 da Folha 10A da DIPJ apresentada tempestivamente (fl.792). Ocorre que a recorrente não logrou comprovar o recolhimento das estimativas, tampouco a respectiva declaração desses valores em DCTF, a qual representa o instrumento de confissão de dívida cabível no caso. Considerandose que compete ao contribuinte a prova dos registros contábeis por documentos hábeis (art. 923 do RIR/99), é cabível o lançamento efetuado. Da multa isolada A recorrente se insurge contra a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício de 75%, no que não tem razão. Nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei nº 9.430/96, art. 44, prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota de 50%, prevista na nova redação dada pela Medida Provisória 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, aplicase retroativamente, como reconheceu a decisão recorrida, por inserir uma penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:[...] II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:[...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 16 15 Enquanto isso, a multa de ofício de 75% é prevista no inciso I do mesmo artigo, consoante redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, como se verificou no caso concreto. A tese alegada pela recorrente, de que não incide multa isolada por falta de recolhimento de estimativas concomitantemente com a apuração de multa de ofício sobre o tributo apurado ao final do ano calendário, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, data venia, não merece ser reconhecida. Apesar de respeitáveis opiniões em contrário, entendese que a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º, uma vez optante, ele estará sujeito às regras dessa sistemática. A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do anocalendário em referência. O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traz consequências, na medida em que a falta de recolhimento representa um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. Assim, a falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Ora, são distintos tributo e multa pela própria natureza jurídica de cada um. Enquanto o tributo decorre de ato lícito – fato gerador –, o outro (multa) decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Da mesma forma, distinguese a multa isolada, esta devida nos casos em que for detectada a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês, da multa de ofício incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração. Nesse diapasão, não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente, mas anualmente, e a base de cálculo da multa isolada é a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de ofício, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição efetivamente devidos ao final do período de apuração. A nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, de 75% para 50%, veio apenas reforçar essa distinção. Ademais, a legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor do tributo até aquele momento apurado, o que não implica dizer que a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida após o encerramento do período. A determinação legal é clara nesse sentido, ao reafirmar que a multa é devida “ainda Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 17 16 que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Em outras palavras, a regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido, o que não se verificou no presente caso. Ademais, para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal expressa, o que não se inclui na função de julgamento na esfera administrativa, pela impossibilidade de manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. Nesse sentido, o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de desproporcionalidade necessariamente atrai a apreciação de sua compatibilidade com o texto constitucional, fazendo incidir, na hipótese, o teor da Súmula CARF nº 2, que dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. A mesma súmula deve ser referida para afastar a possibilidade de apreciar o argumento de que a multa no patamar de 75% tem efeito confiscatório, o que exigiria a apreciação da legislação tributária sob o aspecto de sua compatibilidade com o texto constitucional. Com base nesses fundamentos, negase provimento ao recurso nessa parte. Da dedutibilidade do PIS e da COFINS lançados de oficio A recorrente ainda pleiteia a dedução de PIS e Cofins na apuração da matéria tributável de IRPJ e CSLL, invocando o art. 41 da Lei n° 8.981/95, que tem a seguinte redação: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutiveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° 0 disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. De fato, as contribuições para o PIS e a Cofins são, em regra, dedutíveis na apuração do lucro real, conforme previsto no caput do dispositivo supra transcrito, mas não poderão ser deduzidas quando estiverem com a exigibilidade suspensa, consoante a exceção prevista no §1º do mesmo dispositivo legal. Como a exigibilidade dos tributos e contribuições discutidos nos presentes autos encontrase suspensa, em razão do próprio recurso voluntário, a teor do art. 151, inciso III, do CTN, a pretensão da recorrente não se justifica. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19647.013087/200440 Acórdão n.º 1202000.968 S1C2T2 Fl. 18 17 Da aplicação da taxa Selic Finalmente, sobre a última matéria recorrida, cabe referir que, no âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em vista disso, negase provimento ao recurso também nessa parte. Da CSLL, do PIS e da COFINS Considerandose o reflexo da apuração de montante tributável pelo IRPJ na apuração da CSLL, do PIS e da COFINS nos casos de omissão de receitas, aplicamse a essas contribuições as mesmas conclusões acima registradas quanto ao tributo principal. Dispositivo Isto posto, não se conhece parcialmente do recurso de ofício quanto à redução de penalidade por retroatividade benigna e, na parte conhecida, negase provimento. Quanto ao recurso voluntário, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, reconhecese a decadência do PIS e da Cofins, relativamente aos fatos geradores dos períodos de apuração de janeiro a novembro de 1999, e, no mérito, negase provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 15504.013087/2009-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2005
PREVIDENCIÁRIO.VALORES PAGOS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARTE SEGURADO.
Incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo aos segurados contribuintes individuais, nos termos da legislação previdenciária.
Cabe à contratante dos serviços arrecadar e recolher as contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA. JUROS.
As contribuições sociais em atraso, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação.
ALTERAÇÃO DOS ART.35 E 32 DA Lei 8.212/91 PELA MP 449, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.LANÇAMENTO EFETUADO APÓS AS MUDANÇAS CITADAS.
O lançamento efetuado após as mudanças citadas deve conter comparativo da multa aplicada identificando a legislação mais benéfica, em observância ao disposto no art. 106 do CIN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo aos segurados contribuintes individuais, nos termos da legislação previdenciária. Cabe à contratante dos serviços arrecadar e recolher as contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA. JUROS. As contribuições sociais em atraso, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação. ALTERAÇÃO DOS ART.35 E 32 DA Lei 8.212/91 PELA MP 449, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.LANÇAMENTO EFETUADO APÓS AS MUDANÇAS CITADAS. O lançamento efetuado após as mudanças citadas deve conter comparativo da multa aplicada identificando a legislação mais benéfica, em observância ao disposto no art. 106 do CIN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 30 87 /2 00 9- 28 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.013087/200928 Acórdão n.º 2403001.574 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi , na íntegra, com grifos de minha autoria: “ Conforme disposto no Relatório Fiscal (fls.94/98), tratase de crédito lançado no valor de R$1.820,50, contra o contribuinte acima identificado, pois, o contribuinte deixou de declarar e recolher, no período de 01/01/2004 a 30/11/2005, as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais a seu serviço, apurados neste auto de infração. O presente lançamento foi efetuado conforme os levantamentos efetuados por estabelecimento e demonstrados no Discriminativo Analítico do Débito DAD de fls.04 a 08: CIN contribuinte individual não declarado em GFIP Para apuração do crédito foram verificados os documentos listados no item 6 do Relatório Fiscal sendo eles: os Livros Diários d s. 62 a 104 e Razões, as folhas de pagamento, os Recibos de Pagamentos a Autônomos RPA's (cópias anexadas por amostragem no DEBCAD 37.182.3277) e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. No Relatório de Lançamentos RL de fls.15/28 a Auditoria demonstra como foram apurados os créditos identificando nominalmente os contribuintes individuais contratados e incluídos no lançamento e no Relatório de Fundamentos Legais, fls.44/45, encontramse as normas que nortearam o lançamento. A Auditoria esclarece, também, que tendo em vista as alterações incluídas pela Lei 11.941/2009, que estipulou novos parâmetros para a aplicação de multas acessórias e multas relativas a lançamentos de oficio, foi observado o principio da retroatividade benigna, Conforme disposto no Relatório Fiscal (fls.94/98), tratase de crédito lançado no valor de R$1.820,50, contra o contribuinte acima identificado, pois, o contribuinte deixou de declarar e recolher, no período de 01/01/2004 a 30/11/2005, as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais a seu serviço, apurados neste auto de infração. O presente lançamento foi efetuado conforme os levantamentos efetuados por estabelecimento e demonstrados no Discriminativo Analítico do Débito DAD de fls.04 a 08: CIN contribuinte individual não declarado em GFIP. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Para apuração do crédito foram verificados os documentos listados no item 6 do Relatório Fiscal sendo eles: os Livros Diários d s. 62 a 104 e Razões, as folhas de pagamento, os Recibos de Pagamentos a Autônomos RPA's (cópias anexadas por amostragem no DEBCAD 37.182.3277) e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. No Relatório de Lançamentos RL de fls.15/28 a Auditoria demonstra como foram apurados os créditos identificando nominalmente os contribuintes individuais contratados e incluídos no lançamento e no Relatório de Fundamentos Legais, fls.44/45, encontramse as normas que nortearam o lançamento. A Auditoria esclarece, também, que tendo em vista as alterações incluídas pela Lei 11.941/2009, que estipulou novos parâmetros para a aplicação de multas acessórias e multas relativas a lançamentos de oficio, foi observado o principio da retroatividade benigna, porque inexiste verbas previdenciárias incidentes sobre tais pagamentos, seja em razão da inexistência da relação jurídica, seja porque não possui natureza salarial; também, os valores pagos aos autônomos que prestaram serviços a impugnante, mesmo que estejam incluídos em contas que a auditoria entenda como sendo de incidência de contribuição previdenciária, não devem ser considerados como tal. Dos Pedidos Requer: 1 o recebimento de sua peça e encaminhamento para análise do órgão competente; 2 seja julgado improcedente o presente auto de infração para desconstituir o lançamento imposto na sua totalidade, porque a empresa não deixou de arrecadar, contribuições sociais devidas A Seguridade Social, correspondente à parte da empresa relativa ao período de janeiro/2004 a novembro de 2005, pela comprovação de que os valores recebidos pelas pessoas jurídicas e pelos segurados contribuintes individuais, não constituem salário de contribuição e, por este motivo, não há que se falar em falta de pagamento A Previdência Social; 3 o cancelamento do auto de infração e, na remota hipótese deste não ser aceito, que seja retificado o valor da multa, assim como recalculado os juros, utilizandose os percentuais permitidos em lei, por ser medida de justiça. É o relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.176, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 09 de dezembro de 2010 , exarou o Acórdão n° 0229.944 , mantendo procedente o lançamento. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.013087/200928 Acórdão n.º 2403001.574 S2C4T3 Fl. 4 5 DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.193, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” Fl. 408DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro nos autos, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AGRAVAMENTO POR REINCIDÊNCIA A reiterada alegação faz lícito inferir que a Recorrente demonstra não ter lido os argumentos que sustentaram a condução do voto “ad quod ”. Com efeito ressurge despropositado o pedido de nulidade em razão de que não se observa nos autos penalização com agravamento por reincidência. Como as demais alegações apresentadas na forma do Recurso, esta também já fora enfrentada em sede de impugnação onde na ocasião ficou demonstrado que isto não ocorrera em razão de se tratar o presente de lançamento de obrigação PRINCIPAL que não comporta tal majoração reservada para eventuais reincidentes inadimplementos de obrigações acessórias.Assim, por inexistência de materialidade, não há o que prover. DO MÉRITO No presente caso, o lançamento diz respeito à obrigação principal referentes a obrigação de arrecadar e recolher as contribuições sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos e demais pessoas físicas – autônomos que lhe prestaram serviços. Ao analisar a documentação que lhe foi disponibilizada, restou constatada pela Auditoria que no período de 01/2004 a 11/2005 a empresa não registrou em suas folhas de pagamento e tampouco recolheu os valores referentes às incidências sobre as remunerações que fizera a todos os segurados que lhes prestaram serviços na condição de contribuintes individuais. Consta nos autos que os recibos analisados pela Auditoria se referem aos pagamentos efetuados às pessoas físicas, denominados contribuintes individuais, no caso, os autônomos e os transportadores autônomos, identificados no anexo I e no Relatório de Lançamentos. Ademais, verificase que os documentos probantes colacionados, são recibos assinados de pagamentos a autônomos – RPA. Com relação às obrigações das empresas, no que diz respeito ao recolhimento das contribuições apuradas em face da contração de segurados contribuintes individuais, o artigo 30, I, “a” e “ b”, da Lei n° 8.212/91 assim determina : “ Art. 30 A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem ás seguintes normas: I a empresa é obrigada a. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.013087/200928 Acórdão n.º 2403001.574 S2C4T3 Fl. 5 7 a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da a línea "a", a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia vinte do mes subseqüente ao da competência;” ( grifos de minha autoria) No mesmo diapasão, também a Lei n° 10.666, de 08 de maio de 2003, artigo 4° preceitua que : Art. 4 ° Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência; ”( grifos de minha autoria) Tendo isto presente, li e analisei o Relatório de primeira instância e compulsei com os autos, inclusive o Acórdão exarado naquela sede . ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA. JUROS. As contribuições sociais em atraso, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação. Os artigos 35 e 32 da lei 8.212/91 foram alterados pela MP 449, convertida na lei 11.941/2009. O lançamento foi efetuado após as mudanças supracitadas e teve observado o comparativo da multa aplicada identificando a legislação mais benéfica, em observância ao disposto no art. 106 do CIN. DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DAS REITERADAS ALEGAÇÕES Considerando que o Recorrente não confrontou as razões do “decisium” com pontuais e efetivos argumentos contraditórios, convencido da exação do lançamento e tendo anuído na íntegra a decisão da I. Julgadora “ ad quod ”, não me ocorre justificado trazer à colação arrazoado sinônimo para tornar a negar provimento. Assim, até mesmo por economia processual, entendo despiciendo reenfrentar os mesmos reclamos postados em sede de impugnação. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para NO MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001977/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/03/2007
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. DESOBEDIÊNCIA DO ART. 4º DA LEI 7.418/85. PRECEDENTE DO STF QUE DISPENSA A AQUISIÇÃO DOS VALES. SÚMULA AGU.
Conforme dispõe o art. 4º da Lei 7.418/85, a concessão do benefício do vale transporte implica a aquisição pelo empregador dos Vales-Transporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência-trabalho e vice-versa. Porém, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 478.410, transitado em julgado em 02/03/2012, decidiu por unanimidade que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a esse título afronta a Constituição em sua totalidade normativa. Havendo autorização para afastamento da norma legal por inconstitucionalidade no art. 26-A do Decreto 70.235/72 e considerando a existência de Súmula 60 da Advocacia Geral da União (AGU), concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que o benefício não pode ser incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária apenas por ter sido pago em pecúnia.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA.
A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência a tal requisito legal não haveria como reconhecer o direito à isenção. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.117/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inexistência de inscrição no PAT.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA.
O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. INFRAÇÕES RELATIVAS A GFIP.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso nas questões do vale transporte e do auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 31/03/2007 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. DESOBEDIÊNCIA DO ART. 4º DA LEI 7.418/85. PRECEDENTE DO STF QUE DISPENSA A AQUISIÇÃO DOS VALES. SÚMULA AGU. Conforme dispõe o art. 4º da Lei 7.418/85, a concessão do benefício do vale transporte implica a aquisição pelo empregador dos Vales-Transporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência-trabalho e vice-versa. Porém, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 478.410, transitado em julgado em 02/03/2012, decidiu por unanimidade que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a esse título afronta a Constituição em sua totalidade normativa. Havendo autorização para afastamento da norma legal por inconstitucionalidade no art. 26-A do Decreto 70.235/72 e considerando a existência de Súmula 60 da Advocacia Geral da União (AGU), concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que o benefício não pode ser incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária apenas por ter sido pago em pecúnia. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência a tal requisito legal não haveria como reconhecer o direito à isenção. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.117/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inexistência de inscrição no PAT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. INFRAÇÕES RELATIVAS A GFIP. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PREV VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA ALIMENTAÇÃO SEM PAT PLR DIFERENÇAS DE DISSÍDIO Recorrente GP TECCALL SERVIÇOS DE TELEMARKETING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 31/03/2007 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. DESOBEDIÊNCIA DO ART. 4º DA LEI 7.418/85. PRECEDENTE DO STF QUE DISPENSA A AQUISIÇÃO DOS VALES. SÚMULA AGU. Conforme dispõe o art. 4º da Lei 7.418/85, a concessão do benefício do vale transporte implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa. Porém, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 478.410, transitado em julgado em 02/03/2012, decidiu por unanimidade que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a esse título afronta a Constituição em sua totalidade normativa. Havendo autorização para afastamento da norma legal por inconstitucionalidade no art. 26A do Decreto 70.235/72 e considerando a existência de Súmula 60 da Advocacia Geral da União (AGU), concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que o benefício não pode ser incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária apenas por ter sido pago em pecúnia. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência a tal requisito legal não haveria como reconhecer o direito à isenção. Porém, considerando a existência do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 19 77 /2 01 0- 39 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 61 2 Parecer PGFN 2.117/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inexistência de inscrição no PAT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. INFRAÇÕES RELATIVAS A GFIP. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso nas questões do vale transporte e do auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 62 3 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 63 4 Relatório Registramos que serão julgados pelo mesmo Relator o Auto de Infração de exigência de obrigação principal – AIOP (13896.001968/201048; DEBCAD nº 37.288.5942) e os juntados por apensação os processos nº 13896.001969/201092 (DEBCAD nº 37.288.595 0), nº 13896.001970/201017 (DEBCAD nº 37.288.5969) e nº 13896.001977/201039 (DEBCAD nº 37.276.3154), este último por descumprimento de obrigação acessória – AIOA. O lançamento nº 37.276.3154, lavrado em 23/08/2010, constituiu crédito tributário relativo de penalidade pecuniária por ter a empresa acima qualificada apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências, no período de 09/2006 a 03/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 100.225,30, fls. 01. Conforme consta do Acórdão a quo, o lançamento é composto pelos seguintes levantamentos: PR1 Participação de Resultados (SC Salário de Contribuição) referente aos valores pagos aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados, período de 01/2006 a 05/2006; FP e FP1 Folha de Pagamento (SC Salário de Contribuição) referente a valores pagos em folha aos segurados empregados, período de 01/2006 a 06/2007; DD1 Diferença de Dissídio (SC Salário de Contribuição) referente a uma diferença paga aos segurados empregados, no período de 01/2006 a 05/2006; VT e VT1 Vale Transporte (SC Salário de Contribuição) referente a valores pagos aos segurados empregados como vale transporte, período de 01/2006 a 06/2007; VR e VR1 Vale Alimentação (SC Salário de Contribuição) referente ao fornecimento de alimentação sem o PAT, período de 01/2006 a 06/2007; O desdobramento dos lançamentos referentes aos fatos geradores em dois diferentes lançamentos (FP/FP1, VT/VT1 e VR/VR1), deveuse à diferença na aplicação da multa. Os valores correspondentes aos levantamentos FP,VT e VR, são aqueles em que prevaleceu o valor da multa aplicada conforme a legislação anterior a dezembro de 2008. Os valores correspondentes aos levantamentos FP1, VT1 e VR1, são aqueles em que foi aplicada a multa conforme a legislação atual, embora os fatos geradores tenham ocorrido em competências anteriores a dezembro de 2008. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 64 5 A fiscalização motivou o lançamento de acordo com os levantamentos da seguinte maneira: PR1 – não havia regulamentação do pagamento da participação nos resultados conforme exige a lei; DD1 – diferenças de dissídio; VT e VT1 vale transporte pago em pecúnia; VR e VR1 – Vale refeição foi pago sem inscrição no PAT; Após tomar ciência pessoal da autuação em 07/08/2010, fls. 01(processo original), a recorrente apresentou impugnação, fls. 277/286, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 377/387, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 05/10/2011, fls. 392. O recurso voluntário, apresentado em 04/11/2011, fls. 444/452, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia insistindo que fez a opção pelo SIMPLES. Teria feito vários recolhimentos por tal sistemática e só posteriormente teria tido seu pedido indeferido. Se o fisco aceitou os pagamentos, estes são válidos e a opção deve ser respeitada, nada havendo, conseqüentemente, de equivocado em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP). Alega ter ocorrido nulidade na medida em que a fiscalização não enumerou corretamente a fundamentação legal e que se baseou. Discute o valor mínimo em que se baseou a fiscalização, alegando que seria de R$ 636,17 e não R$ 1.431,79. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 65 6 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A recorrente alega que fez a opção do SIMPLES por meio dos pagamentos mensais que realizou. Porém, a fiscalização apurou que esta nunca fez a opção nos moldes previstos na legislação. A pretensão da recorrente de um enquadramento automático não encontra respaldo nas leis que regem a sistemática do SIMPLES. Os arts. 8º a 13º da Lei 9.317/96 (aplicável ao caso) prescrevem as condições de opção e de exclusão no SIMPLES, afastando a possibilidade de enquadramento por meio de pagamentos como quer a recorrente. Passamos a enfrentar os argumentos da recorrente em relação aos fatos geradores constantes do lançamento. Vale transporte. Requisitos para a isenção. Possibilidade de pagamento em pecúnia. O transporte concedido pelo empregador ao empregado em deslocamento para o trabalho era considerado salárioutilidade até a alteração da CLT em 06/2001 pela Lei 10.243/2001. A partir desse diploma normativo, tal utilidade deixou de ser considerada salário, mas não perdeu sua condição de utilidade fornecida pela empregador, o que ainda a deixa no campo da incidência da contribuição previdenciária, conforme a segunda parte do inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91. No entanto, o empregador poderá desfrutar da isenção prevista na alínea “f”, §9º do art. 28, desde que o vale transporte obedeça a legislação própria. Foi a Lei 7.418/85 que instituiu o vale transporte e que disciplina as condições para sua concessão. A imensa maioria da jurisprudência e da doutrina tem concluído que nesta lei existe a exigência de que o empregador faça o desconto de 6% do salário base do empregado como requisito para desfrute da isenção. Com a devida vênia, não conseguimos assim concluir. Vejamos o texto de alguns dispositivos da lei: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; (...) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 66 7 Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (Vide Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 280, de 2006) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. No art. 2º acima transcrito vemos que a parte custeada pelo empregador não tem natureza salarial, ao passo que no art. 4º temos a determinação de que o empregador custeará aquilo que exceder 6% do salário básico do empregado. Em outras palavras, o empregado deve suportar o custo do vale transporte com seu próprio salário até o limite de 6%. Não interpretamos existir no art. 4º uma condição expressa para o desfrute da isenção, mas uma delimitação daquilo que será custeado pelo empregado e daquilo que será custeado pelo empregador. Se o empregador resolve, por vontade própria ou por força de acordo coletivo, nada descontar do empregado, equivale a ter concedido uma nova parcela salarial ao empregado, mas não na totalidade do valor pago a título de vale transporte, mas somente até 6% do salário base, pois é esta parte que o empregado deve suportar. A parcela que exceder 6% ainda continuará custeada pelo empregador. Com relação ao requisitos para a isenção, vislumbramos estarem estes nos arts. 1º e 4º da Lei 7.418/85: · utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa; · utilização através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal e/ou interestadual com características semelhantes aos urbanos, geridos diretamente ou mediante concessão ou permissão de linhas regulares e com tarifas fixadas pela autoridade competente, excluídos os serviços seletivos e os especiais; · não serem pagos em dinheiros, uma vez que o art. 4º fala em aquisição de Vales Transporte, o que afasta a possibilidade de o valor respectivo ser entregue em moeda ao trabalhador. Esse último requisito conflito com o que decidiu o STF no RE 478.410, in verbis: RE 478410 / SP SÃO PAULO EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 67 8 NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. A referida decisão do STF transitou em julgado em 02/03/2012. Ademais, existe a Súmula AGU 60, in verbis: Ementa: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Logo, a insistência na tese da incidência no caso de pagamento em pecúnia do benefício, atentaria contra o princípio da eficiência e da moralidade administrativa, bem como resultaria na emissão de ato administrativo sem finalidade, portanto nulo, pois o próprio órgão encarregado da defesa da União no Poder Judiciário já admitiu a tese não incidência. Diante disso, concluímos que os valores entregues em pecúnia ao empregado ma título de vale transporte não podem, por esse motivo, integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT. Alinhamento com Parecer PGFN. Princípio da eficiência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 68 9 Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 69 10 A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 70 11 CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A respeito da incidência da contribuição previdenciária sobre o seguro em vida em grupo temos que considerar o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Diante da existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda, ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 71 12 I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil irá rever de ofício o lançamento que tratar de matérias objeto de parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção do lançamento nesse aspecto, o crédito tributário não prevalecerá para inscrição em dívida ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência. Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremo las para evitarmos a emissão de um ato administrativo (Acórdão) sem finalidade e em homenagem ao princípio da eficiência. Assim, votamos por excluir da base de cálculo os valores do auxílio alimentação pago in natura. Participação nos resultados. Requisitos. Inicio a análise do litígio sobre a participação nos resultados posicionando me sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a esse título. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 72 13 Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 73 14 conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 74 15 Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 75 16 passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 76 17 social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 77 18 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 78 19 ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 79 20 Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Regras claras e objetivas A Lei 10.101/2000 determinou que a PLR seja objeto de negociação entre empresas e empregados, seja por meio de comissão escolhida entre as partes ou por acordo coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto, podemos afastar possibilidade de as regras para o recebimento da PLR serem estabelecidas unilateralmente. Todo o contorno das regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Mas o que seriam regras claras e objetivas? Entre os sentidos possíveis para a expressão “regras claras”, segundo o dicionário Michaelis, temos: regras fáceis de entender, evidentes, explícitas, inequívocas, manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo exterior; regras que existem fora do espírito e independentemente do conhecimento que dele possua o sujeito pensante; ou regras que não se relacionam com os sentimentos pessoais do sujeito pensante. Em síntese, regras claras e objetivas são regras inequívocas, fáceis de Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 80 21 entender pelo empregado e que se referem ao mundo dos objetos, não podendo estar relacionadas com sentimentos pessoais. Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio moral e todo o tipo de discriminação no ambiente do trabalho, o que não contribui para a melhoria da relação entre capital e trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III da CF). Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso) Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200. Nesse sentido o voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no Acórdão 230200.256 “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. “ Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos aceitar o conteúdo de acordo coletivo que, nitidamente, convencionou uma avaliação individual baseada em critérios subjetivos. A autonomia privada pode prevalecer ainda que ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN? Vejamos o comando da norma complementar in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 81 22 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que paga parcela a título de PLR que foi regida por regras subjetivas não pode beneficiarse da imunidade da contribuição previdenciária respectiva. Se a parte paga com base em critérios subjetivos não for atingida pela tributação, por conta do conteúdo de acordo coletivo, estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição do sujeito passivo da obrigação tributária – a empresa , configurando ofensa frontal ao estabelecido no art. 123 do CTN. Nesse sentido, em sua manifestação no RE 398.2842 que discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”. Parecenos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão 920200.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela fiscalização. Alguns trechos do voto daquele julgado evidenciam a posição do mencionado relator: Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. (..) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,... Além de representar ofensa ao art. 123 do CTN, o conteúdo de Acordo Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma cogente que protege ou beneficia o trabalhador, conforme consta do OJ 31 da SDC daquele Tribunal: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 82 23 OJ 31 SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS Nº31 ESTABILIDADE DO ACIDENTADO. ACORDO HOMOLOGADO. PREVALÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91 (inserida em 19.08.1998) Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente, quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da vontade das partes. Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ou seja, as regras estipuladas no Acordo não podem conter critérios subjetivos para a concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei, conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os preceitos do art. 123 do CTN. Pagamento mínimo sem que a meta seja atingida Ainda que o Acordo traga regras claras e objetivas, entre estas poderá existir a determinação de um pagamento mínimo no caso de as metas não serem atingidas? Entendemos que a resposta a esse questionamento só pode ser negativa, pois é uma exigência da finalidade de combate à fraude que a norma reguladora da imunidade assume. O pagamento mínimo permite que uma verba remuneratória seja substituída pelo pagamento de PLR, dada a certeza de seu recebimento. É uma ofensa direta ao conteúdo do caput do art. 3º da Lei 10.101/2000 no trecho em que prescreve que a PLR “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado”. Nesse sentido, o Conselheiro Elias Sampaio Freire já destacou que os valores de PLR só são liberados se os objetivos e metas forem atendidos. Vejamos o trecho do voto do Conselheiro no Acórdão CSRF 920200.503: “Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas.” Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 83 24 Logo, ainda que constante do Acordo, valores pagos a título de PLR em situações nas quais as metas de lucros ou resultados não forem atingidas, não possuem a natureza pretendida, o que lhes impõe a natureza de remuneração e sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária. A par das digressões jurídicas genéricas já apresentadas, passamos a analisar o caso concreto. A recorrente não apontou os elementos probantes que poderiam demonstrar o preenchimento dos requisitos tendo se limitado a defender a aplicação imediata do art. 7º, inciso XI da CF. No entanto, tal argumento foi afastado pelo STF, conforme podemos constatar da Ementa do RE 386.636: “(...) Conforme se infere dos votos proferidos no Mandado de Injunção 102PE, Plenário, DJ de 25.10.2002, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, somente com a superveniência da Medida Provisória n. 794, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito dos trabalhadores no lucro das empresas. Dessa maneira, embora o inciso XI do artigo 7º da Constituição assegurasse o direito dos empregados à participação nos lucros da empresa e previsse que essa parcela participação nos lucros é algo desvinculado da remuneração, o exercício desse direito não prescindia de lei disciplinadora que definisse o modo e os limites de sua participação, bem assim a natureza jurídica dessa benesse, quer para fins tributários, quer para fins de incidência de contribuição previdenciária...." Assim, a aplicação da imunidade o art. 7º, inciso XI da Constituição Federal depende do atendimento da lei regulamentadora. Sem o preenchimento dos requisitos legais correta a atuação da fiscalização ao incluir tais pagamentos na base de cálculo da contribuição. Da contribuição ao INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 84 25 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) II O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 85 26 Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ...” Vale enfatizar, porque importante, que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 86 27 II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. “ Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: “PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 87 28 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original).” A seu turno, destaquese ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido.” Desta forma, não vislumbro reparos na decisão recorrida neste ponto. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 88 29 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 89 30 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 90 31 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 91 32 · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 92 33 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 93 34 Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que: · A penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. É de ser observado que a fiscalização considerou duas infrações na apuração das multas aplicáveis: atraso e GFIP não apresentada ou apresentada em desacordo com a legislação. No entanto, conforme acima explanado, cada uma das infrações deve ter sua penalidade analisada quanto à retroatividade benéfica: · A penalidade aplicável à infração relativa ao atraso, a multa de mora, deve ser mantida em todas as competências, mas limitada a 20%; · A penalidade aplicável à infração relativa à GFIP, nas competências em que estiver presente no lançamento, deve ser comparada com a penalidade do art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo a que for mais favorável ao contribuinte. No caso em tela, consta do processo 13896.001977/201039, fls. 09, o Anexo V que demonstra a forma como a fiscalização aplicou a multa menos severa ao contribuinte. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001977/201039 Acórdão n.º 2301003.065 S2C3T1 Fl. 94 35 Quanto ao valor mínimo considerado pela fiscalização, conforme admitido pela recorrente, este foi tomado da Portaria 333/10 no montante de R$ 1.431,79. A alteração do valor da penalidade por norma infralegal obedece a autorização da própria Lei 8.212/91 em seu art. 102. Portanto, a Portaria, ao estabelecer novo valor mínimo para a penalidade, atuou dentro de seu poder regulamentar conforme delegação da prórpia lei. Ao contrário do que alega a recorrente, tal norma infralegal foi citada em fls. 8 (Anexo IV), o que afasta seus argumentos de cerceamento de defesa. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) excluir do lançamento os levantamentos VT, VT1, VR e VR1; (b) determinar a comparação da penalidade aplicada com a penalidade do art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo a que for mais favorável ao contribuinte. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 16327.720705/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE DA DECISÃO - INOCORRÊNCIA - Não configurados os vícios de omissão e de cerceamento de defesa arguidos, mantém-se incólume a decisão recorrida.
ASSUNTO: Imposto sobre s Renda se Pessoa Jurídica - IRPJ
DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F - Ganho de capital decorrente do processo de desmutualização da BM&F e da Bovespa, implicando devolução de bens e valores correspondentes aos títulos patrimoniais aos associados. Tributação nos termos do art. 17 da Lei 9.532/97. Matéria excluída da apreciação na via administrativa, por ter sido submetida ao Poder Judiciário.
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA - Não está fulminada pela decadência o auto de infração aperfeiçoado em 2009, para lançamento de ofício de ganho de capital auferido em 2007.
ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
DESMUTUALIZAÇÃO - TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - Ganho de capital decorrente do processo de desmutualização da BM&F e da Bovespa, implicando devolução de bens e valores correspondentes aos títulos patrimoniais aos associados. Tributação nos termos do art. 17 da Lei 9.532/97. Matéria excluída da apreciação na via administrativa, por ter sido submetida ao Poder Judiciário.
MULTA ISOLADA- APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO - IMPOSSIBILIDADE - Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO - TAXA SELIC - A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 1301-001.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada aplicada sobre as estimativas não recolhidas, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas quanto ao cancelamento da multa isolada. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães quanto ao cancelamento da multa isolada e quanto à aplicação da taxa SELIC aos juros sobre a multa isolada. Fez sustentação o Dr. Vladimir Afanasielf, OAB/SP n° 208.302.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DA DECISÃO INOCORRÊNCIA Não configurados os vícios de omissão e de cerceamento de defesa arguidos, mantémse incólume a decisão recorrida. ASSUNTO: Imposto sobre s Renda se Pessoa Jurídica IRPJ DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F Ganho de capital decorrente do processo de desmutualização da BM&F e da Bovespa, implicando devolução de bens e valores correspondentes aos títulos patrimoniais aos associados. Tributação nos termos do art. 17 da Lei 9.532/97. Matéria excluída da apreciação na via administrativa, por ter sido submetida ao Poder Judiciário. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA Não está fulminada pela decadência o auto de infração aperfeiçoado em 2009, para lançamento de ofício de ganho de capital auferido em 2007. ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL DESMUTUALIZAÇÃO TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Ganho de capital decorrente do processo de desmutualização da BM&F e da Bovespa, implicando devolução de bens e valores correspondentes aos títulos patrimoniais aos associados. Tributação nos termos do art. 17 da Lei 9.532/97. Matéria excluída da apreciação na via administrativa, por ter sido submetida ao Poder Judiciário. MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 05 /2 01 1- 65 Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 3 2 conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada aplicada sobre as estimativas não recolhidas, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas quanto ao cancelamento da multa isolada. 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Relatório Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 4 3 Contra a pessoa jurídica Novinvest Corretora de Valores Mobiliários Ltda. foram lavrados autos de infração para formalizar exigência de créditos tributários relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do ano calendário de 2007, incluindo multa de ofício e juros de mora, bem como com imposição da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A ciência dos autos de infração ocorreu em 28/06/2011. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 583 a 606, as infrações de que é acusada a sociedade são as seguintes: 1 Não oferecimento à tributação do IRPJ e da CSLL, no ano calendário de 2007, do ganho auferido na devolução de títulos patrimoniais de instituições isentas (Bovespa e BM&F), apurado pela diferença entre o valor nominal das ações recebidas de emissão da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos entregue para a formação do patrimônio das instituições isentas; 2 Não oferecimento à tributação do IRPJ e da CSLL, no ano calendário de 2007, do ganho auferido no processo de reorganização societária da CBLC e da Bovespa Holding, representado pela diferença entre o valor nominal das ações recebidas de emissão da Bovespa Holding e o custo de aquisição das ações da CBLC entregues, da qual era acionista; 3 Falta de recolhimento do imposto e da contribuição por estimativa (em agosto e outubro de 2007), da parcela incidente sobre os ganhos auferidos citados nas infrações anteriores, o que implica na incidência de multa isolada. A autoridade fiscal dá as seguintes informações, relacionadas com ações judiciais envolvendo os mesmos fatos: 1 Desmutualização da Bovespa: Em 17/12/2007, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança (MS) Preventivo nº 2007.61.00.0345898 perante a 1ª Vara Federal em São Paulo, com pedido para abster a autoridade fiscal de proceder quaisquer atos tendentes à cobrança do IRPJ e da CSLL nos termos da Solução de Consulta 10/2007, ou seja, cobrar tais tributos sobre a diferença entre o valor nominal das ações recebidas em troca dos títulos da Bovespa e o custo de aquisição destes, tendo sido indeferido o pedido em 1º/02/2008 e, por essa razão, foi interposto, em 25/02/2008, o Agravo de Instrumento ao E. TRF da 3a Região n° 2008.03.00.0066354, solicitando a concessão de medida liminar para que o agravado se abstenha de efetuar quaisquer atos tendentes à cobrança do IRPJ e da CSLL nos termos manifestados na SC n° 10/2007. Em 10/03/2008 a Desembargadora Federal decidiu por não acatar o pedido do Agravante (“Assim, não constato no momento subsídios jurídicos para afastar a decisão agravada, de modo que indefiro o efeito suspensivo”). Em 23/03/2008, houve recurso visando à reforma da decisão do E. TRF da 3a Região. Em 02/07/2008 foi proferida a decisão da 1ª Vara Federal, julgando improcedente o pedido formulado, denegando a segurança e decretando a extinção do feito. Em 08/09/2008, a contribuinte interpôs Recurso de apelação contra a decisão da 1a Vara Federal, de 02/07/2008, recebido no efeito meramente devolutivo, estando os autos conclusos ao relator. 2 Desmutualização da BM&F Em 18/12/2007, a contribuinte impetrou o MS Preventivo nº 2007.61.00.0347123, perante a 14ª Vara Cível Federal em São Paulo, com Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 5 4 pedido para abster a autoridade fiscal de proceder quaisquer atos tendentes à cobrança do IRPJ e da CSLL nos termos das Soluções de Consulta SC 10/2007, SC 520/2007 e SC 521/2007, ou seja, cobrar tais tributos sobre a diferença entre o valor nominal das ações recebidas em troca dos títulos da BM&F e o custo de aquisição. Em 15/02/2008, foi indeferida a liminar e, por essa razão, em 03/03/2008, foi interposto o Agravo de Instrumento ao E. TRF da 3a Região n° 2008.03.00.0076098, requerendo a reforma da decisão agravada e solicitando a concessão de medida liminar para que o agravado se abstenha de efetuar quaisquer atos tendentes à cobrança do IRPJ e da CSLL nos termos manifestados na SC nº 10/2007. Em 28/11/2008, a decisão da 14ª Vara Cível Federal julgou improcedente a demanda e denegou a ordem. Em 18/02/2009, a contribuinte interpôs Recurso de Apelação junto ao E. TRF da 3a Região requerendo a reforma integral da sentença apelada. Anota a autoridade fiscal que, do histórico das medidas judiciais interpostas e apresentadas à fiscalização, depreende se que a contribuinte não obteve provimento judicial contra a tributação da mais valia dos títulos patrimoniais que possuía na Bovespa e na BM&F, representada pela diferença entre o valor nominal das novas ações recebidas (equivalente ao valor contabilizado dos títulos patrimoniais) e os valores entregues para a formação do patrimônio daquelas associações. Em impugnação tempestiva, a interessada iniciou por afirmar que o objeto e a matéria do presente procedimento administrativo não têm qualquer relação com o objeto/matéria discutidos nos Mandados de Seguranças 2007.61.00.0345898 e 2007.61.00.0347123. Em seguida, discorre sobre o processo de desmutualização das bolsas. Afirma que, não havendo qualquer vedação legal ao processo, as desmutualizações que originaram as autuações fiscais não podem ser simplesmente desconsideradas com a finalidade única de arrecadação de tributos. Alega que, tendo sido toda a operação analisada e aprovada pelas autoridades públicas competentes é inadmissível a tentativa do Fisco de desconsiderar a desmutualização e afirmar que ela "não encontra amparo no ordenamento jurídico". Afirma que as autuações baseadas na tese de que a desmutualização teria implicado em "devolução de capital, à qual se aplica o artigo 17 da Lei 9.532/97, de 10 de dezembro de 1997", infringem basilares Princípios do Direito Tributário, dispositivos de lei, bem como normas do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários, além de terem sido fulminados pelo instituto da decadência tributária. Com o escopo de demonstrálo, desenvolve extenso arrazoado, sob oito títulos, alegando, em apertada síntese: 1 Da falta de liquidez e certeza dos cálculos fiscais Dos equívocos dos cálculos. Sob esse título, contesta os cálculos da fiscalização, argumentado que, conforme documento "Extrato de Movimentação de Ações Escriturais" emitido pela "Instituição Financeira Depositária Bradesco", em 28/08/2007, com a cisão da Bovespa foram lhe atribuídas 5.134.815 ações da Bovespa Holding em substituição/troca/permuta a Títulos Patrimoniais da Bovespa, sendo 4.564.280 ações recebidas em troca pelos 8 títulos patrimoniais da Bovespa que a Novinvest possuía e 570.535 ações recebidas em troca pelo único título patrimonial da Bovespa que a Corretora Nacional de Fundos Públicos Ltda. (incorporada pela Novinvest). Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 6 5 Assim, argumenta que, caso se admitisse a tese da fiscalização, as bases tributáveis não seriam de R$ 2.886.164,12, R$ 14.119.233,39 e R$ 9.869.625,00, totalizando R$ 26.875.022,51 (em 31/12/2007), mas sim de R$ 21.268.914,30 (em 31/12/2007), conforme balancetes e cálculo apresentado pelo contabilista da Impugnante (R$ 11.399.289,30 e R$ 9.869.625,00). Defende que esse fato configura verdadeiro vício de mérito que ensejaria o cancelamento integral do auto de infração lavrado. 2 Da decadência do direito do fisco desconsiderar o custo de aquisição dos títulos patrimoniais contabilizados em 2004. Argui a decadência do direito de o Fisco desconsiderar o custo de aquisição dos títulos patrimoniais contabilizados em 2004, alegando que a cada ano, elaborou seus demonstrativos contábeis e declarou ao Fisco os valores atualizados dos seus títulos patrimoniais da Bovespa, nunca tendo havido qualquer questionamento a esse respeito. Assim, no seu entendimento, teria decaído o direito do Fisco questionar a validade de tal atualização, no que se refere ao período anterior a 2006. Diz que a escrituração regular faz prova em favor do contribuinte. Reportase a doutrina para defender o entendimento de que “a própria contabilidade é a prova legal de que houve prestação dos serviços e a correspondente despesa”. E conclui que as autoridades fiscais não provaram cabalmente a inveracidade dos fatos contabilizados, pelo contrário, estão querendo fazer prevalecer à autuação com base em indícios. 3 Da tributação sofrida pela própria Bovespa. Rebate o argumento da fiscalização, de que a Bovespa e a BM&F, como associações sem fins lucrativos, gozavam de certas benesses fiscais, e que foram utilizados recursos positivos nunca antes tributados. Contrapõe que, conforme artigo 15, § 2º, da Lei nº 9.532/1997, não estão abrangidos pela isenção os “rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável”. Afirma que “as autuações fiscais tratam de mera presunção da fiscalização que, com base em indícios e em considerações não verídicas considerou que os recursos da Bovespa teriam sido gerados por resultados positivos nunca tributados”, apresenta, às fls. 643/644, uma série de dados pertinentes a receitas financeiras da BOVESPA que foram tributados na fonte e sua relação com o superávit do período (1996 a julho de 2007), com o propósito de demonstrar que o acréscimo patrimonial da associação Bovespa era tributado, e, em assim sendo, requer a subtração dos valores que foram tributados pela associação sem fins lucrativos. 4 Da tributação sofrida pela própria BM&F. Estende a argumentação aos rendimentos da BM&F, apresentando, às fls. 645/646, dados pertinentes a receitas financeiras da entidade que foram tributados na fonte e sua relação com o superávit do período (2006 e até julho 2007), com o propósito de demonstrar que o acréscimo patrimonial da antiga BM&F era tributado, e, em assim sendo, requer a subtração dos valores que foram tributados pela associação sem fins lucrativos. 5 Não houve “devolução de patrimônio”, mas sim permuta sem torna Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 7 6 Afirma que em hipótese alguma poderseia falar em "devolução de patrimônio" quando da substituição dos títulos patrimoniais por ações. Reportase ao Prospecto Definitivo de Oferta Pública Inicial de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias, para defender que não houve a extinção do patrimônio da associação civil sem fins lucrativos (antiga Bovespa), mas sim que referida entidade passou por uma cisão parcial, não tendo sido extinta a antiga BOVESPA (CNPJ 61.694.865/000), que apenas teve sua razão social e seu objeto social alterados, continuando a existir a referida pessoa jurídica. Menciona correspondência (anexa) datada de 18 de setembro de 2007, enviada pela Bovespa aos seus exassociados, então acionistas, na qual consta que o valor do título patrimonial em 28/08/2007 era de R$ 1.568.890,19, sendo que referido título patrimonial foi convertido em 706.762 ações de emissão da Bovespa Holding S/A., no valor de R$ 1.568.803,71. Conclui que não há que se falar em ganho de capital, eis que foi trocado um bem por outro de mesmo valor pecuniário, ou seja, permuta sem torna. 6 Não houve “ganho com a entrega de ações da CBLC” Invoca os artigos 282 e 383 do RIR/99 para defender que não houve “ganho com a entrega de ações da CBLC”. Diz que pelo fato de a CBLC ser pessoa jurídica sujeita à tributação, diferentemente das associações Bovespa e BM&F, a contrapartida do registro contábil na Impugnante da incorporação de lucros ou reservas da CBLC avaliados pelo custo de aquisição não são computados na determinação do lucro real. 7 Da impossibilidade de exigência da multa isolada. Contesta a exigência da multa isolada, dizendoa arbitrária e ilegal, quer por não ter ocorrido o fato imponível da hipótese de incidência tributária no que tange aos tributos exigidos no presente processo, uma vez que os cálculos da autoridade lançadora, bem como seu entendimento estão equivocados, quer porque não admite a aplicação cumulativa da multa de ofício e da multa isolada, quer porque, com base no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que a aplicação de um tipo de multa exclui a outra. 8 Da inaplicabilidade dos juros incidentes sobre as multas de ofício e isolada. Afirma ser inaplicável a incidência dos juros sobre as multas de ofício e isolada, dizendo equivocado o entendimento da autoridade fiscal de que a multa de ofício estaria compreendida no conceito de obrigação tributária. A Turma a quo não tomou conhecimento da impugnação, na parte em que o contribuinte discute a mesma matéria que já foi levada à decisão do Poder Judiciário, no caso, a matéria tratada na Solução de Consulta nº Cosit nº 10, de 2007 (da incidência do art. 17 da Lei nº 9.532/97 sobre o processo de desmutualização e da ocorrência de devolução de patrimônio). A decisão alcançou apenas as questões não levantadas junto ao Poder Judiciário, quais sejam: (i) equívocos dos cálculos fiscais; (ii) decadência do direito de se desconsiderar o custo de aquisição dos títulos contabilizados em 2004; (ii) tributação sofrida pelas Bolsas; (iv) não ocorrência de “ganho com a entrega de ações da CBLC”; (v) impossibilidade de exigência da multa isolada; (vi) inaplicabilidade dos juros incidentes sobre as multas de ofício e isolada. E, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação, estando à decisão assim ementada: Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 8 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBJETOS. Não se conhece da impugnação quanto à matéria que foi levada à apreciação do Poder Judiciário. O processo administrativo deve ter seu seguimento normal, quando distintos os objetos do processo judicial e da impugnação. CUSTO DE AQUISIÇÃO DOS TÍTULOS. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRAZO PARA GUARDA. PRAZO DECADENCIAL. INEXISTÊNCIA. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Não há prazo decadencial previsto relativamente à averiguação da veracidade dos registros contábeis, mormente em relação ao custo de aquisição de bens envolvidos em operações que acarretem modificação no patrimônio do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBJETOS. Não se conhece da impugnação quanto à matéria que foi levada à apreciação do Poder Judiciário. O processo administrativo deve ter seu seguimento normal, quando distintos os objetos do processo judicial e da impugnação. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência da contribuição social sobre o lucro líquido, computandose na determinação da base de cálculo da CSLL do ano, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houverem sido entregues para a formação do referido patrimônio. CUSTO DE AQUISIÇÃO DOS TÍTULOS. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRAZO PARA GUARDA. PRAZO DECADENCIAL. INEXISTÊNCIA. Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 9 8 A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Não há prazo decadencial previsto relativamente à averiguação da veracidade dos registros contábeis, mormente em relação ao custo de aquisição de bens envolvidos em operações que acarretaram modificação no patrimônio do contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. E MULTA PROPORCIONAL. APLICAÇÃO. A materialidade da multa calculada sobre a totalidade ou diferença de contribuição nos casos de falta de pagamento/declaração inexata, não se confunde com aquela calculada sobre a base estimada ao longo do anocalendário e que deixou de ser paga. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 17/02/2012, a interessada ingressou com recurso em 16 de março seguinte, no qual reedita, sob idênticos títulos, as razões declinadas na impugnação, aduzindo algumas considerações, a seguir relatadas. Da falta de liquidez e certeza dos cálculos fiscais Dos equívocos dos cálculos. Acrescenta que as autoridades julgadoras se equivocaram ao afirmar que a quantidade de ações entregues por título seria 706.762,00; que a quantidade de ações da Bovespa recebida seria de 6.360.858,00; e que o suposto valor tributável seria de R$ 14.119.233,39, pois os números não coincidem. Diz que multiplicando o número de ações entregue por título (706.762) pelo valor de cada ação, temse 14.121.104,76, e não 14.119.233,39, como afirmado pela Relatora. Diz que quer parecer que se tentou fazer uma “conta de chegada” para tentar salvar as autuações. E repete a demonstração trazida na impugnação e apreciada pela Turma a quo. Diz que os julgadores partem da premissa equivocada, de que a Recorrente teria recebido 6.360.858 ações em substituição aos títulos patrimoniais. No que tange à BM&F, diz que as autoridades julgadoras calaramse, o que é suficiente para decretar a nulidade da decisão, que requer. Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 10 9 Requer o cancelamento integral do auto de infração pela imprestabilidade dos cálculos fiscais e falta de liquidez e certeza. Da decadência do direito do fisco desconsiderar o custo de aquisição dos títulos patrimoniais contabilizados em 2004. Menciona que o fato de o item 8.1 da folha 2061 estar incompleto cerceia o direito de defesa, que fica impossibilitada de rebater todos os argumentos da relatora, requerendo a nulidade da decisão. Da tributação sofrida pela própria Bovespa. Acrescenta que as autoridades julgadoras afirmaram que o fato de os rendimentos das Bolsas terem sido tributados na fonte “não autoriza concluir que (...) restaria a salvo da tributação na pessoa jurídica do associado que recebeu as ações”. Argumenta que não foi isso que alegou, mas sim que, diferentemente do alegado pela fiscalização, não é verdade que os recursos da Bovespa eram totalmente isentos de tributação. Não houve “devolução de patrimônio”, mas sim permuta sem torna Aduz a recorrente que “Neste item as autoridades julgadoras de primeira instância limitaramse a citar a folha 24 da impugnação (folha 648 do presente processo eletrônico), no item 7.2 da folha 2060. Ocorre que a alegação do presente item não tem qualquer relação com os Mandados de Segurança impetrados pela Recorrente. Basta ler as petições acostadas aos autos eletrônicos para se verificar que em nenhum momento a Recorrente alega junto ao Poder Judiciário que não houve devolução de patrimônio, mas sim permuta sem torna. Assim, resta clara mais esta omissão existente no r. acórdão recorrido, motivo pelo qual se requer, novamente, a decretação da nulidade do acórdão para que outro seja proferido pela DRJ a quo.” Em seguida, repete os argumentos discorridos na impugnação, para o caso de o CARF decidir suprir a nulidade, frisando que o tema não tem relação com os mandamus impetrados junto ao Poder Judiciário. Não houve “ganho com a entrega de ações da CBLC” Aduz ser inverídica a afirmação da DRJ, no item 10.3 da fl. 2065, de que a contribuinte não traz nenhuma prova material (documentação onde constam os valores registrados no ativo e os correspondentes lançamentos contábeis) para respaldar a alegação de que o procedimento estaria respaldado pelo art. 383 do RIR. Afirma que foi anexado o balancete onde constam registrados no ativo os valores referentes às ações da CBLC, e que na conta contábil 2.1.5.10.10 estão registradas as ações totalizando R$ 770.675,00. Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 11 10 Em relação aos dois últimos títulos (Da impossibilidade de exigência da multa isolada e Da inaplicabilidade dos juros incidentes sobre as multas de ofício e isolada), nada acrescentou ao que já constou da impugnação. A Fazenda nacional apresentou contrarazões. É o relatório Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo e conforme a lei. Dele conheço. A matéria de fundo do presente litígio corresponde à tributação de ganhos originados dos processos de desmutualização da Bovespa e da BM&F, a seguir sumariamente explicados. Até 2007, a Bovespa e a BM&F eram associações sem fim lucrativo, regidas por seus respectivos estatutos e pelos artigos 53 e seguintes do Código Civil. As corretoras de valores mobiliários, para atuarem na BM&F e na BOVESPA, eram obrigadas a deter títulos patrimoniais das referidas entidades. Tais títulos representavam "frações ideais" do patrimônio das entidades, e eram contabilizados na conta de "ativo permanente" das corretoras, ficando sujeitos às atualizações periódicas de acordo com informações fornecidas pela BM&F e pela BOVESPA, com base nas demonstrações financeiras. As atualizações tinham como parâmetro a variação do valor do patrimônio líquido das bolsas e eram contabilizadas como acréscimos ao valor dos ativos, em contrapartida à subconta "reserva de atualização dos títulos patrimoniais", dentro da conta de "reserva de capital". Em 2007 deuse a “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, compreendendo as seguintes etapas: (i) “transformação, passando de associações integradas exclusivamente pelos membros a sociedades anônimas, seguida de abertura do capital; (ii) cisão parcial, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades (“Holding” e “Serviços”); (iii) incorporação das ações da “Serviços” ao capital da Holding (artigo 252 da Lei 6.404/1976). Em decorrência da “desmutualização”, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F (as corretoras) passaram a ser titulares de ações representativas do capital das “Holdings”, que, por sua vez, passaram a ter como subsidiárias integrais as “Serviços”. A administração tributária entendeu que nas operações descritas houve uma devolução de patrimônio aos associados, e que o ganho tributável obtido está sujeito à incidência do IRPJ e da CSLL com base no art. 17 da Lei nº 9.532/97. Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 12 11 A decisão recorrida alcançou apenas as questões não levantadas junto ao Poder Judiciário, quais sejam: (i) equívocos dos cálculos fiscais; (ii) decadência do direito de se desconsiderar o custo de aquisição dos títulos contabilizados em 2004; (ii) tributação sofrida pelas Bolsas; (iv) não ocorrência de “ganho com a entrega de ações da CBLC”; (v) impossibilidade de exigência da multa isolada; (vi) inaplicabilidade dos juros incidentes sobre as multas de ofício e isolada. Passo a analisar os argumentos da Recorrente para se por às exigências, na ordem em que apresentadas, exceto quanto ao não conhecimento da matéria submetida à instância judicial, quinto item na ordem tratada na peça impugnatória e no recurso, sob o título “Não houve “devolução de patrimônio”, mas sim permuta sem torna”. Sobre essa matéria, a recorrente invoca nulidade da decisão, por ter sido omissa, assim se expressando na peça recursal: “Neste item as autoridades julgadoras de primeira instância limitaramse a citar a folha 24 da impugnação (folha 648 do presente processo eletrônico), no item 7.2 da folha 2060. Ocorre que a alegação do presente item não tem qualquer relação com os Mandados de Segurança impetrados pela Recorrente. Basta ler as petições acostadas aos autos eletrônicos para se verificar que em nenhum momento a Recorrente alega junto ao Poder Judiciário que não houve devolução de patrimônio, mas sim permuta sem torna. Assim, resta clara mais esta omissão existente no r. acórdão recorrido, motivo pelo qual se requer, novamente, a decretação da nulidade do acórdão para que outro seja proferido pela DRJ a quo.” A afirmativa da Recorrente, de que em nenhum momento alega junto ao Poder Judiciário que não houve devolução de patrimônio, mas sim permuta sem torna não corresponde à realidade. Às fls. 14 da inicial dos Mandados de Segurança Impetrados consta: “A desmutualização foi realizada pelo valor contábil dos bens, direitos e obrigações das entidades envolvidas, sendo que a simples troca dos títulos por ações não ensejou qualquer espécie de devolução de patrimônio aos antigos associados da bolsa, como quer a Autoridade Impetrada.”(destaque constante do original). Correta, pois a decisão ao não se manifestar sobre a matéria, já submetida ao crivo do Poder Judiciário, e improcedente a arguição de nulidade. Da falta de liquidez e certeza dos cálculos fiscais Dos equívocos dos cálculos. Em sede de impugnação a interessada contestou os cálculos da fiscalização, reportandose ao “Extrato de Movimentação de Ações Escriturais” emitido pela instituição depositária Bradesco, que indica que em 28/07/2007, com a cisão da Bovespa foramlhe Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 13 12 atribuídas 5.134.815 ações da Bovespa Holding em substituição/troca/permuta a Títulos Patrimoniais da Bovespa, sendo 4.564.280 ações recebidas em troca pelos 8 títulos patrimoniais da Bovespa que a Novinvest possuía e 570.535 ações recebidas em troca pelo único título patrimonial da Bovespa que a Corretora Nacional de Fundos Públicos Ltda. (incorporada pela Novinvest). Por isso, no seu entender, as bases tributáveis apuradas pela fiscalização (R$ 2.886.164,12, R$ 14.119.233,39 e R$ 9.869.625,00) estariam incorretas, assim conforme demonstrado: 1 Nove títulos patrimoniais da Bovespa Ações BOVH3 (quantidade) 5.134.815 Valor Unitário (R$) 2,22 Valor total da suposta base tributável 11.399.289,30 2Dois títulos patrimoniais da Bovespa Ações BMEF3 (quantidade) 9.869.625 Valor Unitário (R$) 1,00 Valor total da suposta base tributável 9.869.625 Segundo a então impugnante, a base tributável seria de R$ 21.268.914,30, ao invés de R$ 26.875.022,51 considerados no lançamento. O voto condutor da decisão de primeira instância, ao analisar essa questão, confirmou os cálculos da fiscalização e assentou que a diferença de R$ 5.606.108,21 tem origem no número de ações recebidas por título patrimonial da Bovespa considerados pela Fiscalização e aquele considerados pela contribuinte, e assim o demonstra: Cálculo da fiscalização Cálculo do contribuinte Quantidade de Títulos da Bovespa 9 9 Quantidade de Ações entregue por Título 706.762,00 570.535,00 Quantidade de ações da Bovespa Recebidas 6.360.858,00 5.134.815,00 Valor de cada ação recebida 2,22 2,22 Valor total das Ações da Bovespa recebidas R$ 14.119.233,39* R$ 11.399.289,30 *.R$ 14.119.233,39 = 9 títulos x R$ 1.568.803,71. Elucida a decisão que o Ofício Circular Bovespa nº 225, de 18/09/2007 (fls. 238/239), instrui que “um título patrimonial da BOVESPA equivalerá a 706.762 ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. totalizando R$ 1.558.803,71 (um milhão, quinhentos e sessenta e oito mil, oitocentos e três reais e setenta e um centavos). Em grau de recurso a interessada alega nulidade da decisão porque, no que tange à BM&F, as autoridades julgadoras calaramse. Quanto à Bovespa, diz que está equivocada a decisão quando afirma que a quantidade de ações entregues por título seria 706.762,00; que a quantidade de ações da Bovespa recebida seria de 6.360.858,00; e que o suposto valor tributável seria de R$14.119.233,39, pois os números não coincidem. Diz que multiplicando o número de ações entregue por título (706.762) pelo valor de cada ação, temse 14.121.104,76, e não Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 14 13 14.119.233,39, como afirmado pela Relatora, e que quer parecer que se tentou fazer uma “conta de chegada” para tentar salvar as autuações. Inicialmente, descabe alegar omissão por parte da decisão a quo, no que se refere às ações da BM&F, eis que não houve impugnação expressa em relação a elas. Quanto às ações da Bovespa, o contribuinte alega que teriam sido recebidas 570.535 ações por título patrimonial da Bovespa, enquanto o cálculo do Fisco considera 706.762 ações por título. Essa divergência está explicada com clareza no Termo de Verificação Fiscal, que aponta: “ A Novinvest considerou a quantidade de 5.134.815 ações ou 570.535 ações por cada um dos nove títulos patrimoniais, quando a quantidade correta é 706.762 ações por cada título. Tal diferença se deve ao fato de que no processo de desmutualização da Bovespa cada título patrimonial implicou, inicialmente, no recebimento de 570.535 ações da Bovespa Holding. Entretanto, como a Bovespa Associações era titular de ações representativas de 100% (menos uma ação) do capital da Bovespa Serviços e Participações –BSP (posteriormente, BVSP), que por sua vez participava na CBLC com 19,63%, cada título patrimonial gerou, ao seu detentor, 64.661 ações da BVSP. Em ato contínuo, houve a incorporação de ações da BVSP (tornandose subsidiária integral) pela Bovespa Holding, o que gerou para cada lote de 64.661 ações da BVSP o direito ao seu detentor a 136.227 ações ordinárias da Bovespa Holding, totalizando, portanto, 706.762 ações para cada título patrimonial.” Esse cálculo está confirmado no ofício circular Bovespa nº 255, de 18/09/2007, que registra: “..um título patrimonial da BOVESPA equivalerá a 706.762 ações de emissão da BOVESPA Holding S.A.,totalizando R$ 1.558.803,71 (um milhão, quinhentos e sessenta e oito mil, oitocentos e três reais e setenta e um centavos). Notase que o valor total das ações por título (R$ 1.568.803,71) comparado ao valor do título patrimonial em 28/08/2007 (R$ 1.568.890,19), resulta em um valor residual para o título de R$ 86,46 (oitenta e seis reais e quarenta e seis centavos), o qual deve permanecer registrado no Ativo Permanente da instituição. O próprio documento anexado à impugnação, denominado “Extrato de Movimentação de Ações Escriturais”, emitido pela instituição depositária (Bradesco), confirma o cálculo 706.762 ações por título patrimonial. No recurso, a única alegação da interessada para se contrapor a essas provas é de que a multiplicação da quantidade de ações que teria sido recebida (6.360.858,00) pelo valor de cada ação ($2,22) temse R$ 14.121.104,76, e não R$ 14.119.233,39, como afirmado pela Relatora, e que quer parecer que se tentou fazer uma “conta de chegada” para tentar salvar as autuações. Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 15 14 A Relatora reproduziu o cálculo feito pela fiscalização, e o erro cometido na operação de multiplicação não invalida a tributação, eis que foi em favor do contribuinte. Da decadência do direito do fisco desconsiderar o custo de aquisição dos títulos patrimoniais contabilizados em 2004. Não merece acolhida a postulação de nulidade da decisão pelo fato de seu item 8.1 da folha 2061 estar incompleto, o que teria acarretado cerceamento do direito de defesa, por impossibilitada de rebater todos os argumentos da relatora. A motivação da decisão recorrida para rejeitar a decadência está expressa no item 8 (caput) da decisão, que argumenta que a decadência, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN reportase à data do fato gerador do tributo objeto do lançamento, e que o fato gerador da incidência tributária em comento ocorreu em 2007, de forma que em 28/06/2011, data da ciência da autuação, não haveria como se cogitar em decadência nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Nos subitens 8.1 a 8.8 a Relatora tece considerações sobre a contestação quanto ao custo de aquisição dos títulos patrimoniais. A alegada incompletude do subitem 8.1 em nada prejudica a compreensão da decisão, e muito menos cerceia a defesa, uma vez que o subitem do item (8.8) deixa claro que a decisão reclama a prova, por parte do contribuinte, do custo de aquisição registrado em sua contabilidade. Confirase: 8.1. Ademais, como se verá adiante, é a própria legislação tributária que determina a guarda da documentação que serviu de base para a escrituração contábil e a sua conservação em ordem enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial. Ora, como os títulos patrimoniais podiam ser negociados resta evidente a possibilidade de modificação da situação patrimonial de seu detentor, motivo pelo qual (..truncado...) (...) 8.3. Quanto aos lançamentos contábeis e da contabilidade como prova a favor do contribuinte, devese ressaltar ser de conhecimento basilar que a contabilidade deve espelhar de forma fidedigna o patrimônio da entidade (empresa/instituição financeira). É também oportuno lembrar que os artigos 251 e 274, § 1º, do RIR/99(a seguir transcritos), com base nos arts. 7º e 67, XI, do Decretolei nº 1.598/77, no art. 2º da Lei nº 2.354/1954 e no art. 18 da Lei nº 7.450/1985, impõem a observância das leis comerciais e fiscais, dentre elas a Lei 6.404, de 15/12/1976, que em seu artigo 177 (também a seguir transcrito) dispõe especificamente sobre a escrituração contábil: (...) 8.8 Por todo o acima exposto e considerando que a interessada não logrou provar o custo de aquisição dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F que se encontravam registrados em sua contabilidade, concluise não haver prazo decadencial previsto Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 16 15 relativamente à averiguação da veracidade dos registros contábeis, mormente em relação ao custo de aquisição de bens (títulos patrimoniais) envolvidos em operações (desmutualização) que acarretaram modificação no patrimônio do contribuinte (ganho). Rejeitada a nulidade da decisão, passo a analisar a decadência suscitada. A interessada arguiu a decadência do direito de o Fisco desconsiderar o custo de aquisição dos títulos patrimoniais contabilizados em 2004, alegando que, a cada ano, elaborou seus demonstrativos contábeis e declarou ao Fisco os valores atualizados dos seus títulos patrimoniais da Bovespa, nunca tendo havido qualquer questionamento a esse respeito. Assim, no seu entendimento, teria decaído o direito de o Fisco questionar a validade de tal atualização, no que se refere ao período anterior a 2006. Contudo, para a tributação de que se trata, o que é relevante é o custo de aquisição dos títulos patrimoniais, e o fisco não questiona sua atualização. A atualização dos títulos patrimoniais não significa alteração do seu custo de aquisição, mas sim, do seu valor. A dizer, os títulos tiveram um custo de aquisição, que foi o valor despendido na sua aquisição, e conforme o patrimônio da instituição (Bovespa ou BM&F) foi aumentando, seu valor (e não seu custo de aquisição) foi se alterando para maior. Assim, não é procedente a alegação da interessada de que o custo de aquisição a ser considerado deve ser o que se encontrava registrado no balanço de 2005, se ela não o comprova documentalmente (aliás, sequer o alega, pois admite que o valor registrado decorre de atualizações). O fato gerador (aquisição da disponibilidade) não ocorreu com a valorização do título patrimonial (fração do patrimônio da Bolsa), mas apenas com a devolução de patrimônio pela associação. Nesse momento é que o associado adquire a disponibilidade do acréscimo correspondente à valorização do título (decorrente do acréscimo patrimonial isento auferido pela Bolsa). Portanto, como o fato gerador (aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica do acréscimo patrimonial) ocorreu em 2007, o auto de infração formalizado em 2011 não está alcançado pela decadência. Da tributação sofrida pela própria Bovespa e pela BM&F. Em sede de impugnação, alegou a interessada que as autuações fiscais tratam de mera presunção da fiscalização, com base em indícios e em considerações não verídicas de que os recursos da Bovespa e da BM&F teriam sido gerados por resultados positivos nunca tributados, tendo em vista tratarse de associações sem fins lucrativos, que gozavam de certas benesses fiscais, especialmente em relação ao IRPJ e à CSLL. Disse que, conforme artigo 15, § 2º, da Lei nº 9.532/1997, não estão abrangidos pela isenção os “rendimentos e ganhos de capital auferido em aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável”, e requereu, afinal, a subtração dos valores que foram tributados pela associação sem fins lucrativos. A decisão de primeira instância assentou que: (i) não há base legal para atendimento da solicitação feita pela impugnante no sentido de se subtrair da base de cálculo (ganho do associado) os valores que foram tributados definitivamente a título de rendimentos e Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 17 16 de ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável pelas Bolsas (associações); (ii) de qualquer forma, a questão relativa ao fato dos rendimentos e ganhos de capital auferidos pelas Bolsas (Associações) terem sido objeto de tributação exclusiva na fonte, apesar de não corresponder exatamente ao objeto da ação judicial, referese à causa de pedir e, portanto, encontrase inserida na discussão judicial pertinente à incidência do IRPJ e da CSLL na operação de desmutualização. Em grau de recurso a interessada aduz que não alegou que o fato de os rendimentos das Bolsas terem sido tributados na fonte os deixa a salvo da tributação da pessoa jurídica do associado, mas sim que, diferentemente do alegado pela fiscalização, não é verdade que os recursos da Bovespa eram totalmente isentos de tributação. O fato de as Bolsas (associações) terem sofrido tributação na fonte (exclusiva) sobre os rendimentos e ganhos de capital auferidos em nada interfere na exigência sob exame, que leva em conta a diferença entre o valor (em dinheiro ou bens) recebidos da instituição isenta, a título de devolução do patrimônio, e o valor (em dinheiro, bens ou direitos) que houver entregue para a formação do referido patrimônio, a teor do que prescreve o art. 17 e seu § 3º, da Lei nº 9.532 de 1997: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda (...) a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta,(...), a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (...) § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. Não houve “ganho com a entrega de ações da CBLC” A contribuinte defende que não houve “ganho com a entrega de ações da “CBLC”“. Alega que, por tratarse de pessoa jurídica sujeita à tributação, diferentemente das associações Bovespa e BM&F, a contrapartida do registro contábil em sua escrituração, da incorporação de lucros ou reservas da CBLC avaliados pelo custo de aquisição, não são computados na determinação do lucro real, com fundamento nos arts. 382 e 383 do RIR/99. Aduz ser inverídica a afirmação da DRJ, no item 10.3 da fl. 2065, de que a contribuinte não traz nenhuma prova material (documentação onde constam os valores registrados no ativo e os correspondentes lançamentos contábeis) para respaldar a alegação de que o procedimento estaria respaldado pelo art. 383 do RIR. Afirma que se encontra nos autos balancete onde constam registrados no ativo os valores referentes às ações da CBLC (conta contábil 2.1.5.10.10) totalizando R$ 770.675,00. O balancete que consta dos autos, e que registra ações da CBLC pelo valor de R$ 770.675,00, é de junho de 2007. Porém, conforme registra a autoridade fiscal, em setembro de 2007 foi contabilizada uma “atualização de valor” de R$ 2.115.489,12. Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 18 17 O termo de Verificação Fiscal aponta que e 28/08/2007 as ações da CBLC foram incorporadas pela Bovespa Holding resultando num aumento de capital e emissão de ações da Bovespa Holding, sendo que os acionistas da CBLC receberam 46.223 ações da Bovespa Holding para cada lote de 25 ações da CBLC. A Novinvest recebeu mais 1.294.244 ações da Bovespa Holding, no valor de R$ 2.886.164,12 (R$2,22 por ação). O valor tributado pela fiscalização (R$ 2.115.489,12) corresponde à diferença entre o valor das ações da Bovespa Holding recebidas (R$ 2.886.164,12), em decorrência da incorporação das ações da CBLC e o valor contábil das ações da CBLC (R$ 770.675,00). Assim, a prova reclamada para fazer jus ao tratamento do art. 383 do RIR/99 é de que a atualização contábil do valor das ações registrada em setembro de 2007, no valor de R$ 2.115.489,12, corresponde a aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros. E essa prova não consta dos autos. Da impossibilidade de exigência da multa isolada. A Recorrente postula a impossibilidade de cobrança da multa isolada cumulada com a multa de ofício. Sobre esse tema tenho reiteradamente me manifestado no sentido de que a aplicação da multa pela falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas só se justifica quando exigida dentro do próprio período de apuração das antecipações que deixaram de ser recolhidas, vez que, encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência apurada com base no balanço patrimonial encerrado ao final do anocalendário. Por conseguinte, desaparece o bem jurídico tutelado pela norma sancionadora, no caso, as antecipações que deveriam ter sido recolhidas por estimativas, não havendo, portanto, base para sua exigência. Na verdade, o dispositivo legal previsto que veicula a multa isolada tem como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário. Assim, sendo inerente ao dever de antecipar a exigência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, a penalidade só poderá ser aplicada durante o anocalendário, de vez que, com encerramento do anocalendário e a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do anocalendário, desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), restando ausente à necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. A partir daí nasce uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex officio, mas jamais com a aplicação concomitante multa isolada prevista no inciso II. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c./c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 19 18 Esse tema foi recentemente apreciado pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que por intermédio do Acórdão nº 910101.455, sessão de 15 de agosto de 2012, negou provimento a recurso especial da Fazenda Nacional, conforme ementa a seguir transcrita: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Nesse item , entendo deva ser provido o recurso, para cancelar a multa isolada. Da inaplicabilidade dos juros incidentes sobre as multas de ofício e isolada. Sobre esse tema, a jurisprudência tem sido muito controvertida. Eu mesmo, por diversas vezes, tive oportunidade de enfrentálo, e já me posicionei no sentido da incidência dos juros de mora à taxa Selic, sobre a multa de ofício, nos casos de lançamentos referentes a tributos incidentes sobre fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Após tantos debates neste CARF, que trazem a lume aspectos nem sempre considerados, convencime da necessidade de repensar o tema. E o revisitei, quando do julgamento do recurso objeto do processo nº 16327.001043/200914, com uma reflexão sobre o alcance dos dispositivos do Código Tributário Nacional e demais atos legais que tratam dos juros de mora. Tudo gira em torno de uma relação obrigacional, que consiste num vínculo jurídico que une duas pessoas em torno de um objeto. Quando esse objeto se traduz numa prestação em dinheiro, vista pelo lado de um dos polos da relação (o do sujeito ativo), essa prestação representa um crédito, e vista pelo lado do outro polo (o do sujeito passivo), essa prestação representa um débito. Portanto, débito e crédito são dois ângulos da mesma prestação, objeto da obrigação. O art. 161 e seu § 1º do CTN dispõem que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, e que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 20 19 A 1ª conclusão a que se chega é que sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem sempre juros de mora (exceto na pendência de consulta, conforme § 2º do mesmo artigo 161). A pergunta que se segue a essa conclusão é: o que é crédito tributário? O CTN não o define diretamente, mas diz, no seu art. 139. que ele “decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”. Por seu turno, o § 1º do art. 113 do Código dispõe que “a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Portanto, concretizada a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador do tributo, nasce à obrigação principal (art. 114 c.c . 113, § 1º), mas não nasce o crédito dela decorrente. Ensina Hugo de Brito Machado: “A obrigação é um primeiro momento na relação tributária. Seu conteúdo ainda não é determinado e o seu sujeito passivo ainda não está formalmente identificado. Por isso mesmo a prestação não é exigível. Já o crédito tributário é um segundo momento da relação de tributação. No dizer do CTN, ele decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art. 139). Surge com o lançamento, que confere à relação tributária liquidez e certeza;1 O crédito, que decorre da obrigação principal (ou seja, da concretização do fato gerador), surge com o lançamento, que, conforme define o art. 142 do CTN, implica identificar o sujeito passivo e calcular o montante do tributo devido e, se for o caso, aplicar a multa. Portanto, a multa de ofício proporcional decorrente do descumprimento da obrigação principal compõe o crédito tributário (é parte dele). Constituído o crédito tributário pelo lançamento, o montante a ele correspondente, sob a ótica do sujeito ocupante do polo passivo da relação obrigacional, constitui um débito para com a Fazenda. Dispõe o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto 1 Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p. 87. Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 21 20 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia se refere do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nos termos deste artigo, a multa de ofício, se não paga do vencimento (que se dá o prazo de 30 dias da ciência do lançamento), sujeitase a juros de mora segundo a taxa Selic (§ 3° do art. 5° da Lei 9.430/96), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por vezes, a essa interpretação (de que expressão “débitos para com a União” contida no art. 61 da Lei 9.430/1996, alcança o tributo e a multa) é oposto o argumento de que ela implicaria concluir que os juros de mora deveriam também incidir sobre a multa de mora, o que, sabidamente, não ocorre. Contudo, o Decretolei nº 1.736, de 1979, ao dispor sobre os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional previu expressamente que os juros de mora não incidem sobre a multa de mora (Parágrafo único do art. 1º) e definiu, no seu artigo 3º, valor originário, como a seguir: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, (...) (...) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978) Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, exclui a multa de mora, mas não exclui a multa de ofício. Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.720705/201165 Acórdão n.º 1301001.222 S1C3T1 Fl. 22 21 Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Pelas razões expostas, rejeito a preliminar de nulidade da decisão, não conhecer da matéria levada ao crivo do Poder Judiciário, para no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar a multa isolada aplicada sobre as estimativas não recolhidas. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de junho de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11080.730810/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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OUTROS DADOS Recorrente SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA SESI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 08 10 /2 01 1- 29 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 23/11/2011 pela apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP com informações inexatas de FPAS e CNAE, conforme detalha o relatório da decisão recorrida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. Em havendo a matéria impugnada sido submetida à apreciação judicial, deve ser juntada cópia da respectiva petição. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 GFIP. CNAE FISCAL. O CNAE Fiscal 9411100 (ou 94111/00), que corresponde a “atividades de organizações associativas patronais e empresariais”, destinase a identificar, a partir da atividade preponderante da empresa, o correspondente grau de risco, conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas. É irrelevante o entendimento defendido pelo impugnante, na medida em que não houve lançamento de contribuição de entidade do sistema “S” em prejuízo do SESI, mas apenas das contribuições para o FNDE e para o INCRA. ... No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora esclarece que o sujeito passivo apresentou GFIPs com informações incorretas nos campos referentes ao FPAS e CNAE, correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. No caso, foram informados os códigos FPAS 507 e CNAE 8599699, quando seriam corretos os códigos FPAS 523 e CNAE 9411100. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: O impugnante, após breve relato acerca dos fatos e da “instituição SESI”, afirma, inicialmente, que, na Ação n.º 2003.71.00.0255664, “foi concedida a segurança para declarar Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730810/201129 Acórdão n.º 2402003.566 S2C4T2 Fl. 170 3 a inexigibilidade das contribuições objeto da autuação”. Refere, ainda, que esse processo “aguarda o julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela União, no entanto, os recursos referidos foram recebidos apenas no efeito devolutivo, como manda a praxe nas ações mandamentais”. Tem, assim, por arbitrária a lavratura do presente auto de infração, visto que os débitos estão com exigibilidade suspensa por força de determinação judicial e não poderiam ser objeto de cobrança por parte da autoridade fazendária. Ademais, se a obrigação principal encontrase eivada pela ilegalidade e pela inconstitucionalidade, resta claro que a obrigação acessória também o está. Noticia ainda que em face de outras ações fiscais realizadas pela União, em alguns Estados da Federação, o SENAI e o SESI ajuizaram, com sucesso, ações perante a Justiça Federal, que declarou “ilegal e inexigível em relação às entidades as contribuições para o INCRA, FUNRURAL, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SESC e SENAC”. No mérito propriamente dito, refere, “ab initio”, “que a imposição da utilização da FPAS 523 surgiu com a IN MPS/SRP n.º 20, de 11/01/2007, não sendo razoável aplicar multa pela sua não utilização no ano de 2007”. Menciona, ainda, “o CNAE do SENAI (COD. 85.99.6.99), cuja atividade principal é outras atividades de ensino não especificadas anteriormente, vinculado ao FPAS 515”, e bem assim o “parecer da Procuradoria Federal Especializada AGU (PFEINSS/ CGMT/DCAAT n.º 14/2003”, segundo o qual “nenhuma entidade do sistema ‘S’ deve recolher contribuição à outra”. “Necessário neste caso que seja criado de um CNAE próprio para os SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS.” Aduz que o SESI, além de não estar ligado ao meio rural, também não é uma empresa, no seu exato sentido técnico jurídico, mas entidade paraestatal, qualificado como serviço social autônomo, e que tem por objetivo realizar a assistência social e educacional, em escolas ou unidades por ele mantidas ou sob forma de cooperação, sem fins lucrativos. Ademais, ainda que se juridicizasse a cobrança de todas as empresas, aí, nesse caso, somente as “empresas”, propriamente ditas, estariam obrigadas a informar os códigos apontados pela Fiscalização, destinados à indústria e ao comércio. “Logo, o SESI, por não ser empresa, por não exercer atividades comerciais e industriais, não pode lhe ser exigido a utilização do FPAS 523 e o CNAE 9411100, sob pena de desvirtuamento da equação normativa constitucional.” Reportase, ainda, aos fundamentos já alinhados, no tocante à ampla isenção fiscal de que goza, para neutralizar, desde logo, a pretensão da Fiscalização à cobrança de contribuições para terceiros, e, via de conseqüência, ao cumprimento das Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 obrigações acessórias delas decorrentes – em que pese o fato de, como serviço social autônomo, sem personalidade jurídica de empresa comercial, mas, ente de cooperação, sem fins lucrativos, não estar, “por conseguinte, obrigado a contribuir para tais entes de cooperação, bem como prestar informações como se contribuinte fosse”. Descabe, em conseqüência, exigirlhe a prestação de informações como empresa de comércio. Refere, ainda, que não se enquadra em qualquer das entidades sindicais subordinadas à Confederação Nacional do Comércio CNC (artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT), porquanto não exerce as atividades de que tratam os cinco grupos federativos do plano da CNC, e, mais, o SESI não é sequer empresa, não explora qualquer atividade econômica, não tendo nenhum vínculo sindical com a CNC. Ademais, os empregados do SESI jamais foram contribuintes do extinto Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários IAPC, e sim, à época, do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários IAPI. “O mesmo raciocínio deve ser feito com relação as obrigações acessórias, quais sejam, o preenchimento do código de outras atividades, código FPAS e CNAE.” Conclui que o SESI não é contribuinte do Serviço Social do Comércio SESC, e “respaldado no artigo 240 da CF, o SESI está vinculado à Confederação Nacional da Indústria, por quem foi organizado e é administrado, ex vi legis do artigo 3.º do DecretoLei n.º 4.048/42 e os artigos 1.º e 3.º de seu Regimento, aprovado pelo Decreto n.º 494, de 10 de janeiro de 1962”. Ao final, o impugnante requer seja julgado insubsistente o presente auto de infração, em face das razões ora apresentadas. É o Relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730810/201129 Acórdão n.º 2402003.566 S2C4T2 Fl. 171 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos: O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mérito: As ações judiciais alegadas pela recorrente não guardam relação com o presente processo. Ainda que nelas esteja em discussão a exigência de contribuições às demais entidades do denominado sistema “S”, no presente processo, diferentemente, discutese o enquadramento da recorrente como entidade e de acordo com sua atividade econômica ou institucional; portanto, a correção ou não da declaração em GFIP nos campos destinados a essas informações: FPAS e CNAE, respectivamente. Não discutem neste processo, assim: caracterização como empresa, exigência de contribuições ou imunidade. Conforme relatório fiscal se trata de obrigação acessória sujeita à multa isolada: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.730810/201129 Acórdão n.º 2402003.566 S2C4T2 Fl. 172 7 5 . Os lançamentos fiscais foram processados em controles separados: ... b) Pelo descumprimento da obrigação acessória, constante deste relatório, no registro de COMPROT N° 11080730.810/201129. E no período de ocorrência da infração já vigia a Instrução Normativa MPS/SRP n.º 20, de 11 de janeiro de 2007 que instituiu o FPAS 523, próprio para os serviços sociais autônomos; portanto, de fato, sem relação com o FPAS 507 que é reservado para as empresas industriais: FPAS 523: SINDICATO OU ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL DE EMPREGADO, TRABALHADOR AVULSO OU EMPREGADOR, PERTENCENTE A ATIVIDADE OUTRORA NÃO VINCULADA AO exIAPC EMPRESA BRASILEIRA DE NAVEGAÇÃO (exclusivamente em relação aos tripulantes de embarcação inscrita no Registro Especial Brasileiro – REB, Lei nº 9.432, de 1997 e Decreto n° 2.256, de 1997), PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO CONSTITUÍDAS SOB A FORMA DE SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO. FPAS 507: INDÚSTRIA – TRANSPORTE FERROVIÁRIO e de CARRIS URBANOS (inclusive Cabos Aéreos) EMPRESA METROVIÁRIA – EMPRESA DE TELECOMUNICAÇÕES – OFICINA GRÁFICA DE EMPRESA JORNALÍSTICA – Oficinas Mecânicas de Manutenção e Reparação de Veículos e Máquinas, inclusive de concessionárias – ESCRITÓRIO E DEPÓSITO DE EMPRESA INDUSTRIAL – INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL – ARMAZENS GERAIS – SOCIEDADE COOPERATIVA (estabelecimento no qual explora atividade econômica relacionada neste código) – TOMADOR DE SERVIÇO DE TRABALHADOR AVULSO – contribuição sobre a remuneração de trabalhador avulso vinculado à indústria. INDÚSTRIA DE CARNES E DERIVADOS (frigorífico) de animal de qualquer espécie, inclusive o setor industrial das agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura (exceto quanto aos empregados envolvidos diretamente com o abate – FPAS 531). SETOR INDUSTRIAL DA AGROINDÚSTRIA de florestamento e reflorestamento quando não aplicável a substituição, na forma do art. 22 A da Lei 8.212/91. ESTALEIRO – setor de fabricação e desmontagem de embarcações navais Quanto ao CNAE Fiscal 9411100 (ou 94111/00): “atividades de organizações associativas patronais e empresariais”, de fato, corresponde às atividades institucionais da recorrente. O CNAE nº 8599699, informado pela recorrente, destinase às instituições de ensino ou que tenham finalidade específica e principal ministrar cursos em geral. Entendo que às finalidades institucionais do SESI vão muito além da organização de cursos, embora seja Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 essa uma atividade importante de seu papel como organização associativa. Essas atividades, como as demais, estão voltadas para os profissionais das categorias que representam e não ao público em geral. Quanto as demais alegações, insurgese a recorrente sob alegação de inconstitucionalidade. Reportome à Súmula nº 2, aprovadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E à regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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