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Numero do processo: 13896.721844/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2007
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciadas no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ATRASO NA ENTREGA DO DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF.
Conforme a Súmula n° 49 do CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA.
Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/11/2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciadas no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATRASO NA ENTREGA DO DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a Súmula n° 49 do CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado
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LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciadas no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATRASO NA ENTREGA DO DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a Súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 18 44 /2 01 1- 63 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13896.721844/201163 Acórdão n.º 3201003.940 S3C2T1 Fl. 3 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu a declaração de nulidade ou o cancelamento da autuação, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a fundamentação legal da autuação trouxe inserta legislação revogada; b) o Agente Fiscal “não fora objetivo” na capitulação legal, o que dificultou o exercício da defesa, ferindoo plenamente; c) a apresentação intempestiva do Dacon não trouxe prejuízo ao Erário, tratandose de mero erro formal o atraso na sua entrega; d) entregouse equivocadamente o Dacon semestral quando o correto seria a entrega do demonstrativo mensal; e) desproporcionalidade da multa, cuja imposição se traduz em violação à legalidade, tendo em vista que o Dacon havia sido entregue espontaneamente; f) nos termos do art. 138 do CTN, a denúncia espontânea da infração exclui a responsabilidade. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 05 037.959, julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes fundamentos: 1) inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias; 2) inexistência de cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração indica claramente os fatos e motivos da imposição da penalidade, bem como a prática infratora administrativa, tendo o contribuinte bem se defendido da infração tributária descrita na autuação; 3) uma vez caracterizada a entrega em atraso do demonstrativo, tornase devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória; 4) não compete à autoridade administrativa a apreciação de alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor; Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13896.721844/201163 Acórdão n.º 3201003.940 S3C2T1 Fl. 4 3 5) a vedação ao confisco previsto na Constituição Federal dirigese ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando o seguinte: i) o Dacon originalmente entregue foi o semestral, quando o correto seria o mensal, tendo a Receita Federal do Brasil informado que a correção seria feita por meio de malha fiscal, com o cancelamento do demonstrativo enviado equivocadamente, tendo em vista que a IN SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005, expressamente vedava tal mudança; ii) por meio de processo administrativo próprio, solicitouse o cancelamento do Dacon; iii) a multa aplicada viola os princípios da razoabilidade, da capacidade contributiva e da estrita legalidade; e iv) no caso, devese aplicar o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.939, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13896.721843/201119, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.939): No que tange a nulidade arguida por falta de objetividade na capitulação legal do lançamento, entendo que não está configurada. O presente processo preenche todos os requisitos de validade, estando instruído corretamente, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. As situações passíveis de nulidade estão elencadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13896.721844/201163 Acórdão n.º 3201003.940 S3C2T1 Fl. 5 4 As informações necessárias para a formalização do Auto de Infração constam do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." O Auto de Infração contém todas as informações imprescindíveis a constituição do lançamento, estando identificados (i) o fato gerador, (ii) a base legal para exigência fiscal e (iii) o valor apurado da multa exigida. Ainda, entendo que estão cumpridos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." No caso dos autos não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas nos citados dispositivos que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a recorrente apresentou Impugnação e Recurso com alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. Da decisão recorrida destaco: "Doutro lado, a autuação trouxe todos os elementos do tipo infracional tributário, como indicação da espécie de demonstrativo não apresentado, prazo final de entrega, data da efetiva apresentação, metodologia de cálculo da penalidade, descrição dos fatos e fundamentação legal.. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13896.721844/201163 Acórdão n.º 3201003.940 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, não cabe alegação de cerceamento de defesa, pela impossibilidade de entendimento da autuação. Ao contrário, o AI descreve os fatos e fundamentos, demonstrando regularidade formal do lançamento, na forma do Decreto 70.235/72. Além do mais, observase que o Impugnante bem se defendeu da autuação, de forma a demonstrar que a defesa não fora cerceada. Afastada, então, a alegação de cerceamento de defesa." A jurisprudência administrativa assim entende: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/05/2009 a 31/08/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. (...)" (Processo 10950.723159/201343; Acórdão 3301003.872; Relator Conselheiro ;LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS; Sessão de 27/06/2017) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL INOCORRÊNCIA Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo. Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. (...)" (Processo 10803.000156/2008 64; Acórdão 2201003.657; Relator Conselheiro MARCELO MILTON DA SILVA RISSO; Sessão de 06/06/2017). Diante do exposto, entendo não estar configurada nenhuma nulidade apta a resultar no refazimento do processo administrativo fiscal ou no seu cancelamento, razão pela qual não acolho a preliminar arguida. Em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13896.721844/201163 Acórdão n.º 3201003.940 S3C2T1 Fl. 7 6 “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, referese à caracterização, ou não, do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, na hipótese de falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON. Tal matéria está pacificada no âmbito do CARF, nos termos do estatuído pela Súmula n° 49: "Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." Tal posição tem sido adotada pelo Poder Judiciário, conforme se depreende dos seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MULTA ADMINISTRATIVA. APREENSÃO DE EQUIPAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. . 1. A indicada afronta do art. 208, § 2º, da Lei 7.661/1945 não deve ser analisada, pois o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor sobre esse dispositivo legal. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. 2. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar multa administrativa pela apreensão de equipamento não autorizado, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedente: AgRg no REsp 1.466.966/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 11/5/2015. 3. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido." (REsp 1618348/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2016, REPDJe 01/12/2016, DJe 10/10/2016) "TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/09/2011, DJe 27/09/2011) Em tal sentido, colacionase, ainda, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13896.721844/201163 Acórdão n.º 3201003.940 S3C2T1 Fl. 8 7 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ATRASO NA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Recurso especial a que se dá provimento. DIFPAPEL IMUNE. MULTA. ADVENTO DA LEI N° 11495/2009. APLICAÇÃO DO ARTIGO 106, INCISO II, C, DO CTN. Com fundamento no artigo 106, inciso II, “c”, retroage lei que ameniza penalidade. No caso, a Lei n° 11.945/2009, abrandou a penalidade prevista no artigo 57 da MP n° 215835/ 2001, para a hipótese de atraso na entrega da DIFPapel Imune. Recurso Especial do Procurador Provido." (Processo 19615.000157/2005 58; Acórdão 9303002.100; Relatora Conselheira Susy Gomes Hoffmann) Neste contexto, não há margem para interpretação diversa sobre a não caracterização da denúncia espontânea na hipótese versada nos autos. Com relação aos demais argumentos expendidos pela recorrente, em especial de que o suposto atraso na entrega do DACON implica em mero erro formal e que o DACON originalmente entregue foi o semestral, quando o correto seria o mensal e que solicitou o cancelamento do DACON equivocadamente enviado, melhor sorte não socorre a recorrente. Conforme expressamente confessado pela própria recorrente, estava sujeita à apresentação do DACON mensal e não ao semestral. Da peça recursal, consta expressamente: "A peculiaridade no caso em questão é que a DACON originariamente entregue foi a semestral, quando o correto seria mensal." Ora, tal circunstância não pode ser caracterizada como mero erro formal, pois se a recorrente deveria ter cumprido a obrigação acessória em periodicidade mensal, não se pode admitir que a entrega semestral, ou seja, em período superior supriu tal irregularidade. Reportome ao contido na decisão recorrida: "É fato que o DACON deveria ter sido entregue de forma mensal. O próprio Impugnante traz a afirmação na defesa. Também é fato que o demonstrativo fora entregue a destempo. Segundo consta dos autos, a falta da apresentação foi percebida em outubro de 2010, mas somente em 16/05/2011 fora encaminhado o demonstrativo. Desta forma, não há que se falar em erro, ainda mais se considerada a clareza das disposições normativas no caso concreto e o lapso temporal entre a entrega e o prazo determinado no normativo. A alegação relativa a que o DACON semestral fora entregue não exime a prática infratora, já que a periodicidade era clara no normativo. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13896.721844/201163 Acórdão n.º 3201003.940 S3C2T1 Fl. 9 8 O argumento relativo ao impedimento no encaminhamento do demonstrativo ante a demora no cancelamento do DACON semestral também não pode ser aceito como excludente de responsabilidade pela prática infratora, seja pelo fato de que o pedido não se deu em 2007 mas em 26/10/2010, anos após expirado o prazo da apresentação do DACON mensal, seja ante a ausência de mínimos elementos probatórios nos autos (considerando o ônus da prova do Impugnante), seja em razão da aplicação do art. 136, do CTN." Sobre a matéria, assim tem decidido o CARF: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA ATRASO DACON. DACON MENSAL. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação de DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, não é possível elidir a multa pelo descumprimento do prazo de entrega." (Processo nº 11543.001117/201070; Acórdão nº 1803001.972; Relator Conselheiro Walter Adolfo Maresch; sessão de 07/11/2013) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DACON ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A previsão da entrega da DACON (obrigação acessória), bem como o esclarecimento dos procedimentos que devem ser adotados pelos contribuintes estão claros nos termos das Instruções Normativas nº 1.015/10 e nº 974/09, desta forma e inexistindo qualquer justificativa para a apresentação das declarações em atraso (como, por exemplo, a inviabilidade do sistema da Receita Federal para recebimento da declaração), deve ser mantida a penalidade. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000354/201045; Acórdão nº 3302001.771; Relatora Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas; sessão de 22/08/2012) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. A opção pela entrega mensal do Dacon é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 10580.720288/200959; Acórdão nº 3302001.967; Relatora Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas; sessão de 27/02/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13896.721844/201163 Acórdão n.º 3201003.940 S3C2T1 Fl. 10 9 Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.905831/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. Não tendo sido instaurada a fase litigiosa do processo, eis que a Manifestação de Inconformidade apresentada não respeitou o prazo estipulado pela norma processual vigente, e, não tendo o contribuinte aportado razões ou documentos capazes de elidir a constatação feita em primeira instância, há de se negar provimento ao recurso interposto.
Numero da decisão: 1301-000.939
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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INTEMPESTIVIDADE. Não tendo sido instaurada a fase litigiosa do processo, eis que a Manifestação de Inconformidade apresentada não respeitou o prazo estipulado pela norma processual vigente, e, não tendo o contribuinte aportado razões ou documentos capazes de elidir a constatação feita em primeira instância, há de se negar provimento ao recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 12448.905831/201080 Acórdão n.º 130100.939 S1C3T1 Fl. 254 2 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 12448.905831/201080 Acórdão n.º 130100.939 S1C3T1 Fl. 255 3 Relatório CONSERVADORA LUSO BRASILEIRA S/A COMÉRCIO E CONSTRUÇÕES, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que, por julgar intempestiva, não conheceu a Manifestação Inconformidade apresentada, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de declarações de compensação, por meio das quais a contribuinte objetiva extinguir débitos com crédito de IRPJ relativo a saldo negativo apurado no segundo trimestre de 2004. Apreciando o pedido, a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro homologou parcialmente a compensação, vez que do total de retenções na fonte indicado na apuração do saldo negativo (R$ 189.114,51), só foi confirmada parte (R$ 137.931,16). Manifestação de Inconformidade às fls. 5/6. A já citada 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, como dito, fundada em intempestividade, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 37.205, de 13 de maio de 2011, não conhecer a peça de defesa. O referido julgado restou assim ementado: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade apresentada com mais de 30 dias da data de ciência do despacho decisório de homologação parcial da declaração de compensação é intempestiva, impedindo seu conhecimento. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 226/233, em que, relativamente à alegada intempestividade da apresentação da Manifestação de Inconformidade, argumenta: ... Conforme se depreende do referido acórdão a Manifestante não obteve o Julgamento do Mérito por supostamente não ter apresentado, Tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade, razão pela qual pretende manter a não homologação e as respectivas cobranças dos Débitos Não Compensados. Ocorre que, conforme protocolo a Manifestante o fez pontualmente, ou seja, em até 30 (trinta) dias do conhecimento do referido Despacho Decisório, estacionando tal afirmativa no fato de que o Receptor apto a tais desdobramentos responsável nas dependências da Manifestante, TÃO LOGO DE SEU CONHECIMENTO ante a Segurança Jurídica, promoveu os necessários desdobramentos, que adiante seguem. É o Relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 12448.905831/201080 Acórdão n.º 130100.939 S1C3T1 Fl. 256 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Em que pese a sua tempestividade, o recurso voluntário impetrado há de ser improvido, eis que a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE foi apresentada pela contribuinte fora do prazo legal. Com efeito, a contribuinte tomou ciência do DESPACHO DECISÓRIO em 11 de agosto de 2010 (fls. 218), porém, só interpôs Manifestação de Inconformidade em 28 de outubro de 2010 (fls. 05). A data limite para interposição da referida Manifestação de Inconformidade era 10 de setembro de 2010. Não apresentada contestação no prazo estipulado pelo art. 15 do Decreto nº 70.235/72, o litígio deixou de ser instaurado, tornandose definitiva, em âmbito administrativo, a decisão estampada no despacho decisório de fls. 02. Assim, conduzo o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900175/2012-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2009
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INDISPENSABILIDADE.
É ilíquido e incerto suposto direito creditório, resultante de pagamento alegado como indevido, se tal recolhimento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como tendo sido utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF pelo próprio contribuinte.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, a alteração de suas informações, posteriormente a procedimento fiscal, exige efetiva comprovação material.
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova o pedido deve ser rechaçado, em vista dos requisitos de certeza e liquidez.
Numero da decisão: 3001-000.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2009 DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INDISPENSABILIDADE. É ilíquido e incerto suposto direito creditório, resultante de pagamento alegado como indevido, se tal recolhimento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como tendo sido utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF pelo próprio contribuinte. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, a alteração de suas informações, posteriormente a procedimento fiscal, exige efetiva comprovação material. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova o pedido deve ser rechaçado, em vista dos requisitos de certeza e liquidez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2009 DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INDISPENSABILIDADE. É ilíquido e incerto suposto direito creditório, resultante de pagamento alegado como indevido, se tal recolhimento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como tendo sido utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF pelo próprio contribuinte. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, a alteração de suas informações, posteriormente a procedimento fiscal, exige efetiva comprovação material. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova o pedido deve ser rechaçado, em vista dos requisitos de certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 01 75 /2 01 2- 61 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10820.900175/201261 Acórdão n.º 3001000.410 S3C0T1 Fl. 94 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1451.207 da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, que, em sessão de julgamento realizada no dia 24.06.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 53 a 56), que segue transcrito: Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração vencido em 31/03/2009, cujo valor original é de R$28.351,86. A DRF de Araçatuba, SP, por meio de despacho decisório de fl. 43, não homologou a compensação declarada porque o pagamento a maior ou indevido indicado no PER/DCOMP havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade de fls. 02 a 12, alegando, em síntese, que: 1. A requerente sofreu uma desapropriação de parte substancial de seu imóvel por ato ilícito cometido pela CESP e que ensejou o recebimento de indenização; 2. A ação ajuizada pela requerente foi julgada procedente e em 19/08/2004 as partes se compuseram para determinar o final da execução da sentença favorável à requerente, de modo que a indenização devida em virtude da desapropriação foi fixada em 1 milhão de reais. 3. Sobre os valores recebidos e contabilizados, a requerente calculou e recolheu tempestivamente os tributos sobre o lucro (IRPJ e CSLL) e sobre a receita (PIS e Cofins) no mês de abril de 2009, conforme Darf anexos; 4. Em outubro do mesmo ano a requerente tomou conhecimento de que os valores recebidos a título de indenização por desapropriação não são tributáveis e, em razão disto, procedeu à compensação dos valores anteriormente pagos; Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10820.900175/201261 Acórdão n.º 3001000.410 S3C0T1 Fl. 95 3 5. O caráter jurídico da desapropriação indireta é o mesmo da desapropriação direta e, portanto, no plano tributário, deve ter tratamento igual; 6. Os valores relativos à indenização por desapropriação não integram a base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e Cofins, fato fundamentado em numerosa jurisprudência do CARF e dos tribunais superiores (STF e STJ). Da ementa da acórdão recorrido A 11ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2009 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Os valores declarados em DCTF, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, constituem confissão de dívida. Inexiste direito creditório quando o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito houver sido utilizado para quitar débito declarado em DCTF. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às e fls. 63 a 73, recurso voluntário para, depois de historiar os fatos que justificam o direito creditório pleiteado com a apresentação do Perd/DComp, aduzir que: (i) a decisão recorrida não se ateve à questão dos fundamentos da existência do indébito, qual seja, a não incidência de tributos sobre valores recebidos a título de indenização por desapropriação, mantendo a decisão da autoridade fiscal da unidade tributária de jurisdição, fundamentada no caráter de confissão de dívida da DCTF e na ausência de prova do recolhimento indevido pleiteado; Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10820.900175/201261 Acórdão n.º 3001000.410 S3C0T1 Fl. 96 4 (ii) que nos termos do artigo 165 do CTN, tem direito à restituição do indébito, independentemente de protesto ou qualquer outra providência, tal qual explicitado no Parecer Normativo CST 67 de 1986, quando este afirma que o fundamento jurídico do direito à restituição do indébito tributário é a restauração da licitude do ato praticado sem causa legal, devendo o sujeito ativo efetuar a restituição, em face do direito subjetivo outorgado pela Constituição de o sujeito passivo ser tributado exatamente como prescreve a lei, sob pena, de assim não o fazendo, o fisco locupletar ilegitimamente de parcela de seu patrimônio; (iii) no presente caso, negarlhe a restituição dos valores indevidamente recolhidos equivale a uma nova desapropriação; (iv) no presente caso, a negativa da compensação pretendida parte do pressuposto de que a DCTF entregue constitui confissão de dívida, logo, o valor indicado no Perd/DComp corresponde a crédito utilizado para quitar débito indicado na respectiva DCTF, em outros termos, que não faz jus à compensação porque não retificou a DCTF; (v) as normas de regência da matéria exige do contribuinte a entrega do Perd/DComp para validar a compensação pretendida, não exigindolhe, para sua validação, a retificação da DCTF, conforme concluiu a decisão recorrida, quando negoulhe o pleito; (vi) o fato de a DCTF constituir uma espécie de confissão de dívida não é argumento suficiente para tornála imune a qualquer modificação, seja em decorrência de retificação direta ou em razão de apresentação de pedido de compensação, como faz crer a decisão recorrida, contrariando as normas constitucionais e legais, que garantem que ao contribuinte a obrigação de suportar apenas os encargos tributários impostos pela legislação de regência; (vii) a decisão recorrida não adentra o mérito da questão, que é a incidência de contribuições sobre receitas decorrentes de desapropriação; (viii) os documentos relativos à desapropriação foram apresentados e não foram contestados pela decisão que deu origem à manifestação de inconformidade apresentada; (ix) a decisão recorrida não nega o fato de que houve o efetivo recolhimento do tributo, apenas negouse a analisar a questão do direito material com base em ausência de conexão entre o recebimento de receita em 2004 e o pagamento do tributo em 2009; (x) é irrelevante a prova da referida conexão, pois ao recorrente cabia somente demonstrar o pagamento e apresentar documentos acerca do direito pleiteado; (xi) demonstrado o pagamento e apresentado os documentos sobre a natureza da controvérsia, era da responsabilidade da autoridade julgadora analisar os fatos e julgar conforme o direito, o que não ocorreu no caso presente, pois o relator negouse a "entrar no mérito"; (xii) a alegada disparidade de datas receita em 2004 e recolhimento em 2009 decorreu do fato de o recorrente ter efetuado o recolhimento dos tributos em razão da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit 63 de 16.03.2009, mas que mais adiante, discordando da sua conclusão, pleiteou o indébito; Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10820.900175/201261 Acórdão n.º 3001000.410 S3C0T1 Fl. 97 5 (xii) competia à autoridade a quo decidir sobre a validade da cobrança de tributo sobre indenização de desapropriação com base nos documentos de arrecadação e documentos contábeis apresentados, mas que, malgrado, abstevese de analisar o mérito da questão. À vista dessas razões jurídicas, requer o deferimento das compensações levadas a efeito, porquanto estão apoiadas na lei e no direito. Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por esta Turma Extraordinária do Carf na forma regimental (efl. 92). É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade No caso em apreço, a parte autora restou cientificada da decisão de 1º (primeiro) grau, por via postal, conforme carimbo aposto no Aviso de Recebimento "AR" CDDARAÇATUBA/SP (efl. 61), em 11.08.2014. O recurso voluntário, conforme se depreende do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada", foi juntado em 04.09.2014. Assim, considerando o prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, o presente recurso voluntário é tempestivo. Do mérito Conforme será explicitado, não obstante os diversos argumentos recursais apresentados, temse que o cerne do litígio posto à apreciação desta Turma de Julgamento, restringese em se determinar os elementos de prova coligidos aos autos são hábeis e suficientes para infirmar a decisão exarada pela autoridade competente do órgão fiscal de origem, que não homologou a compensação declarada através do Per/DComp, posto que não reconheceu o direito creditório declarado pelo contribuinte. O recorrente alega que a decisão recorrida ignorou os aspectos jurídicos relativos à existência do indébito decorrente da não incidência das contribuições PIS/Cofins sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação, conforme determinado em decisão judicial. Sustenta, ademais, que a manutenção do indeferimento do pleito foi fundamentada tão somente na natureza de confissão de dívida da DCTF e na ausência de prova do recolhimento indevido. No caso sob exame, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, no intuito de provar o direito creditório vindicado, o contribuinte anexou Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10820.900175/201261 Acórdão n.º 3001000.410 S3C0T1 Fl. 98 6 peças de decisões judiciais. Sendo uma indicada na própria manifestação de inconformidade, de 2004, e outra num "Termo de Audiência de Instrução e Julgamento de 2009". Não há dúvida que o direito creditório referese a um pagamento realizado em 30.04.2009, concernente à Cofins de 03/2009, conforme evidencia o DARF discriminado no Per/DComp 20376.82169.301009.1.3.047172, em decorrência do "recebimento de verba indenizatória por desapropriação indireta", haja vista que à época o contribuinte entendia tratar se de operação tributável. Porém, comungando com o que já pontuou a decisão recorrida, o recorrente não logrou demonstrar qual o vínculo do recolhimento realizado somente em 2009 com o depósito, em tese, efetuado em 2004. Mais, os elementos de prova carreados aos autos não permitem fazerse qualquer conexão entre o recolhimento efetuado e o recebimento das indenizações acordadas judicialmente. Mais ainda, sequer identificam quais as receitas que compuseram a base de cálculo da contribuição. Não bastasse a desconexão de datas e a ausência de prova, temse que o "Termo de Audiência de Instrução e Julgamento" dá conta, ao menos em princípio, de que em 29.07.2009 foi chancelado acordo entre as partes envolvidas na disputa judicial na qual o recorrente receberia a importância de R$ 2.000.000,00, em 11.08.2009, mediante depósito em conta judicial, a título de indenização, ou seja, quase 4 (quatro) meses depois deste ter efetuado o mencionado recolhimento da Cofins 30.04.2009, evidenciando, uma vez mais, o absoluto descompasso entre a receita proveniente do citado acordo judicial e suposto recolhimento indevido da contribuição. São estas, portanto, as razões pelas quais a decisão recorrida deixou apreciar a questão atinente à incidência de PIS/Cofins sobre receitas decorrentes de desapropriação, bem como deixou de emitir juízo de valor sobre estes petições e decisões, apresentadas e exaradas no âmbito da ação judicial proposta pelo recorrente contra a CESP Cia Energética de São Paulo, relativamente ao imóvel rural de sua propriedade Fazenda Santa Paula, em razão da formação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Irmãos, pois se tais elementos de prova se mostraram imprestáveis para determinar minimamente a correlação dos fatos neles narrados com os recolhimentos tributários tidos por indevidos pelo recursante, é despicienda e sem sentido lógicojurídico procederse à análise do cabimento ou não da incidência das contribuições para o PIS e a Cofins sobre receitas de indenização por desapropriação de imóvel rural. Aduz o recorrente que tem direito à restituição do indébito, independentemente de protesto ou qualquer outra providência, conforme dispõe o artigo 165 do Código Tributário Nacional e explicita o Parecer Normativo CST 67 de 1986. Correto. Realmente, a declaração de compensação em face de um recolhimento indevido deve ser validada quanto à sua disponibilidade nos termos do artigo 165 do CTN, que não condiciona o direito à compensação e restituição, a requisitos formais. Neste passo, o direito creditório não pode ser vinculado a requisitos meramente formais. Interessa, portanto, que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos e consequentemente, se busca descobrir se ocorreu ou não o fato gerador. Ainda que determinado contribuinte tenha se equivocado ao preencher alguns de seus documentos fiscais, em face do recolhimento indevido, a comprovação através de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10820.900175/201261 Acórdão n.º 3001000.410 S3C0T1 Fl. 99 7 outros elementos contábeis e fiscais que denotem o erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta sua declaração de compensação. Outrossim, o princípio da livre convicção do julgador informa o sistema jurídico brasileiro. Por este princípio a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos é feita livremente pelo julgador. De fato, na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. O recorrente alega que, equivocadamente, recolheu Cofins do período de apuração PA 03/2009. Ao ser julgada sua manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que o recorrente não havia trazido aos autos a documentação hábil e idônea suficiente para a comprovação de seu crédito, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal. Assim, interessa verificar se houve ou não o pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. No caso, segundo as informações constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF apresentada pelo contribuinte até a data entrega do Per/DComp e até a ciência do Despacho Decisório eletrônico, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Frisese que o processo trata de suposto excesso de pagamento de crédito tributário constituído por declaração do próprio contribuinte: a DCTF. A apuração de tributos é realizada na contabilidade do contribuinte, sendo seu valor informado à Administração Tributária por meio de DCTF, declaração que constitui confissão de dívida nos termos do parágrafo 1º do artigo 5º do Decretolei 2.124 de 13.06.1984, que dispõe que "o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". Além de confessar o débito nos valores constantes da DCTF, o contribuinte tomou a iniciativa de quitálo via pagamento do montante integral. Nesse caso, é incontestável que, segundo informações constantes da DCTF, apresentada até a data entrega do Per/DCcomp e até a ciência do despacho decisório, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabia ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na referida declaração e que o valor efetivamente devido não é aquele nela declarado. Ressaltese, afora as cópias dos documentos judiciais apresentadas na manifestação de inconformidade, nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10820.900175/201261 Acórdão n.º 3001000.410 S3C0T1 Fl. 100 8 Salientese, no presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal do contribuinte poderiam comprovar o montante do tributo (Cofins) devido no PA 03/2009, e que, desta forma, o pagamento indevido efetuado em Darf daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em suma, constatase que neste caso o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. Repriso, a DCTF é o sim instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação, de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o débito tributário formalmente constituído, para que se pudesse infirmálo seria necessária prova de sua inexatidão, pois, neste caso, o ônus da prova cabe ao interessado artigo 36 da Lei 9.784 de 31.01.1999 Lei de Procedimento Administrativo e inciso I do artigo 373 da Lei 13.105 de 16.032015 Código de Processo Civil CPC. Sem qualquer elemento de prova do direito creditório do recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN Lei 5.172 de 25.10.1966, mostrase impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, pelo próprio contribuinte, por meio da DCTF. Da jurisprudência administrativa É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, antigo Conselho de Contribuintes, é vestuta e solidificada nesse sentido, conforme exemplificam as seguintes ementas: DIREITO CREDITÓRIO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O sujeito passivo tem direito à restituição e/ou compensação de tributo pago/retido a maior que o devido em face da legislação tributária ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, deve comprovar com documentos hábeis e idôneos o indébito efetivamente apurado. Recurso Voluntário Procedente em Parte (1º CC, 1ª Câmara, Rec. Voluntário nº 160140, Proc. nº 10283.001953/9814, Rel. Valmir Sandri, Acórdão nº 10197098, Sessão de 19/12/2008) COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. A compensação de créditos tributários autorizada pela legislação fica condicionada à liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo com a Fazenda Pública. Ausência de prova cabal por parte do contribuinte da existência dos créditos compensados acarreta o indeferimento. Recurso provido em parte. (2º CC, 2ª Câmara, Rec. Voluntário nº 239449, Proc. nº 10580.012408/200436, Rel. Domingos de Sá Filho, Acórdão nº 20219119, Sessão de 02/07/2008") Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10820.900175/201261 Acórdão n.º 3001000.410 S3C0T1 Fl. 101 9 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração contábil e fiscal e documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. (Acórdão 380302.491 3ª Turma Especial, Terceira Seção do CARF, processo administrativo 10467.902984/200988) Da conclusão Pelo exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721042/2013-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Após a edição da Lei nº 9.430/96, depósitos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas. Não havendo comprovação hábil e idônea que exclua a presunção, cabe o lançamento desses depósitos bancários. Qualquer dedução ou exclusão destes valores tributados com base nos depósitos bancários deve ser demonstrado pelo contribuinte, se não disponíveis à fiscalização.
SALDO CREDOR DE CAIXA. OCORRÊNCIA.
Cabe a presunção de saldo credor de caixa aos optantes do Simples Nacional, aplicando-se a regra de que é o resultante do maior saldo credor do período.
Numero da decisão: 1402-003.283
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Após a edição da Lei nº 9.430/96, depósitos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas. Não havendo comprovação hábil e idônea que exclua a presunção, cabe o lançamento desses depósitos bancários. Qualquer dedução ou exclusão destes valores tributados com base nos depósitos bancários deve ser demonstrado pelo contribuinte, se não disponíveis à fiscalização. SALDO CREDOR DE CAIXA. OCORRÊNCIA. Cabe a presunção de saldo credor de caixa aos optantes do Simples Nacional, aplicandose a regra de que é o resultante do maior saldo credor do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 10 42 /2 01 3- 30 Fl. 1136DF CARF MF 2 Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.137 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, que julgou IMPROCEDENTE, em parte, a impugnação do contribuinte acima mencionado, ora recorrente. Houve exoneração do valor autuado, mas em valor inferior ao determinado pela Portaria MF nº 63/2017 como limite de alçada para o recurso de ofício. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Nacional, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2009, acrescidas de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 1.969.229,46, entre principal, multa e juros corrigidos até abril/2013. Em essência, decorreram de omissão de receitas que não foram escrituradas, saldo credor de caixa e de depósitos bancários não escriturados, bem como insuficiência de recolhimento. Houve a exclusão do Simples Nacional, contudo, com o litígio em outro processo nº 18470.721043/201384, e com efeitos a partir do ano calendário seguinte. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: A contribuinte acima identificada teve contra si lavrado os autos de infração de IRPJ, Contribuição para o PIS/Pasep, CSLL, Cofins e Contribuição Patronal Previdenciária (AIs e demonstrativos às fls. 462 a 571) em decorrência de: a) omissão de receitas relativas a: a.1) receitas não escrituradas; a.2) saldo credor de Caixa; a.3) depósitos bancários não escriturados; b) insuficiência de recolhimentos. O lançamento resultou em R$ 1.969.229,46 incluídos todos os tributos, multas proporcionais de ofício (75%) e juros de mora calculados até abril de 2013 (fl. 461). Os valores individuais estão discriminados em cada auto de infração. Da Impugnação: Fl. 1138DF CARF MF 4 Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: A ciência da contribuinte, relativamente aos autos de infração, ocorreu, pessoalmente, em 25 de abril de 2013, conforme assinaturas do representante legal da pessoa jurídica nos campos próprios dos AIs (fls. 463, 469, 475, 481 e 487), bem como no Termo de Encerramento (fl. 572). Em 21 de maio de 2013 foi protocolado o documento de fls. 580 a 620, no qual é aduzido, em apertada síntese, que: a) preliminarmente: a.1) a nulidade do Ato Declaratório Executivo DRF/RJO2 nº 1, que excluiu a contribuinte do Simples; a.1.1) porque os valores creditados nas contas correntes não representam as receitas da contribuinte. Em sua maior parte correspondem a empréstimos obtidos junto a bancos e, ainda, muitos desses valores pertenciam aos efetivos donos dos veículos revendidos recebendo a autuada apenas parte deles (comissão); a.1.2) em face da retroatividade benigna (CTN, art. 106), deve ser aplicado ao caso o disposto na Lei Complementar nº 139/2011 e, assim, eventual crédito tributário, calculado pelo Lucro Presumido, só poderá ser exigido a partir de fevereiro de 2009; a.2) são nulos os autos de infração uma vez que formalizados pela sistemática do Simples, pois deveria sêlo pelo Lucro Presumido, a partir de fevereiro de 2009, nos termos da Lei Complementar nº 139/2011, art. 5º da Lei nº 9.716/1998 e IN SRF nº 152/1998; a.2.1) além disso, havia outros motivos para a exclusão da contribuinte do Simples, com efeitos a partir do próprio mês em que incorridos, que não foram objeto de representação, para que pudesse ser lançado um crédito tributário indevido, de proporções astronômicas; a.2.2) também, a atividade da contribuinte (intermediação) não permitiria a inclusão dela na sistemática do Simples, ocasionando a exclusão desde a data da opção; a.2.3) os lançamentos não podem prosperar somente baseados em parecer da Cosit, em processo de consulta; a.2.4) os contratos firmados entre a contribuinte e seus clientes não são de consignação ou estimatórios, mas de comissão e a receita bruta é a comissão, tributada pelo regime do Lucro Presumido; a.3) os lançamentos são nulos tendose em vista que os depósitos bancários não se consubstanciam em fato gerador do Imposto de Renda, mesmo depois da edição da Lei nº 9.430/1996, uma vez comprovados a origem dos créditos; a.3.1) os lançamentos deveriam ter fundamento em acréscimo patrimonial a descoberto e não “Receita não Escriturada” ou “Depósitos não Escriturados”; a.3.2) não tem sentido tributarse os depósitos como receita não escriturada se todos os lançamentos a eles relativos constam nos livros contábeis apresentados à fiscalização; Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.138 5 a.3.3) foram adotadas duas tipificações distintas: uma para os depósitos na conta do Banco Itaú e outra para na do Banco Real, o que caracteriza a nulidade dos lançamentos; a.3.4) as provas relativas aos depósitos foram desconsideradas pela autuante que não os excluiu dos lançamentos e nem sequer identificou os créditos que considerou como não comprovados; b) no mérito: b.1) toda a movimentação bancária foi escriturada, tanto os recebimentos dos clientes (compradores), quanto os pagamentos dos fornecedores (proprietários dos veículos vendidos); b.2) “quanto à documentação comprobatória das operações, o Impugnante tem encontrado dificuldade em sua obtenção na medida em que é representada, basicamente pelo documento de transferência do veículo (DUT), que fica em poder da pessoa física adquirente. Como a Impugnante figura como uma espécie de intermediária da compra e venda, não lhe é dada sequer cópia de tal documento”; b.3) a planilha apresentada pela impugnante é suficiente para comprovar que, do montante dos depósitos bancários, parte substancial tem origem na venda dos veículos com repasses feitos aos proprietários dos veículos vendidos e outro grande volume é decorrente de empréstimos bancários, os primeiros podendo ser aferidos pela “circularização” junto aos vendedores e compradores dos veículos; b.4) os livros contábeis estão corretamente escriturados; b.5) não existem os saldos credores de Caixa. As contas “Caixa” e “Bancos” devem ser analisadas em conjunto e, sempre que o saldo fica credor, o banco libera empréstimos nas modalidades “Conta Garantida” ou “Capital de Giro”, mediante a “Transferência Eletrônica de Fundos” (TEF); b.6) tais modalidades de empréstimo prescindem de contrato formal entre as partes; b.7) as Notas Fiscais das operações encontravamse no escritório de contabilidade, mas não foram localizadas; b.8) os livros contábeis, os extratos bancários e os contratos de comissão demonstram a origem dos valores creditados nas contas bancárias; b.9) embora este não exista, no que concerne ao saldo credor de Caixa, o lançamento não prospera uma vez que a legislação determina a tributação apenas do maior saldo credor do período e os valores dos depósitos somam mais que quinze vezes o montante dos saldos credores; b.10) há a pergunta: “... que tipo de infração caracteriza eventual falta de comprovação de depósito bancário: receita não escriturada ou depósito não escriturado? Ora, a fiscalização não pode ao seu bel prazer enquadrar um mesmo fato imponível no dispositivo legal que lhe convier ou quiser eleger, mesmo porque a legislação tributária submetese ao princípio da legalidade cerrada, previsto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional, sob pena de por em risco a segurança jurídica do contribuinte”; b.11) não há comprovação do nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de receitas; Fl. 1140DF CARF MF 6 b.12) os lançamentos não foram feitos nos moldes do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, mas sim a título de receita não escriturada, que não encontra respaldo nessa norma; c) há erros de cálculo e necessários ajustes na base de cálculo dos lançamentos, “representados pela inclusão de valores que não podem ser caracterizados como receitas da empresa, por sua própria natureza, quais sejam: a) empréstimos bancários creditados nas contas que o Impugnante mantém no Banco Itaú e no Banco Real (R$ 5.218.654,64); b) produto da venda de veículos de terceiros vendidos por intermédio da autuada, cujo valor, deduzido da comissão a que faz jus a Impugnante, e repassado aos donos (R$ 4.274.984,08); c) valor do reembolso. pelos compradores (clientes) dos valores das multas e emplacamentos dos veículos vendidos (R$ 81.148,16); e d) valor do custo dos veículos vendidos, caso venha se entender que a Impugnante comercializou veículos em seu próprio nome”; c.1) “... ainda que a Impugnante tivesse omitido rendimentos, o que se admite apenas por amor à argumentação, não se poderia cogitar de omissão de rendimento na totalidade daquele valor. Basta observar que o valor repassado para o titular do veículo vendido representa um custo que necessariamente teria que ser compensado na hipótese de omissão de receita”; c.2) a autuante não apresentou nenhum elemento seguro de prova para que pudesse rejeitar os documentos trazidos pela impugnante; d) há que se realizar um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSLL lançados, excluindose o valor da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins lançadas de ofício por ocasião do mesmo procedimento fiscal; e) os lançamentos reflexos devem ser afastados, em face da aplicação a eles dos mesmos fundamentos da impugnação relativa ao IRPJ e à CSLL; f) não cabe o lançamento da contribuição patronal previdenciária, uma vez tal contribuição possuir legislação própria que não admite o lançamento por presunção; g) é ilegal a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício. Ao final é requerida a declaração de nulidade dos lançamentos. Se ultrapassadas as preliminares, que os autos de infração sejam considerados totalmente improcedentes. Protestase pela juntada de provas e elementos necessários à comprovação das alegações, inclusive a realização de perícia. “Finalmente, caso venha remanescer alguma parcela do crédito tributário lançado, que sejam procedidos aos ajustes na base de cálculo da exigência, a fim de que sejam expurgados do seu cômputo os valores relativos a: a) empréstimos bancários creditados nas contas que o Impugnante mantém no Banco Itaú e no Banco Real (R$ 5.218.654,64); b) produto da venda de veículos de terceiros vendidos por intermédio da autuada, cujo valor, deduzido da comissão a que faz jus a Impugnante, é repassado aos donos (R$ 4.274.984,08); c) valor do reembolso, pelos compradores (clientes) dos valores das multas e emplacamentos dos veículos vendidos (R$ 81.148.16); d) transferências entre as contas examinadas e da conta investimento para a conta corrente, computadas em duplicidade, na medida em que a D. Fiscal não excluiu tais valores e, e) valor do custo dos veículos vendidos, caso venha se entender que a Impugnante comercializou veículos em seu próprio nome.” Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.139 7 Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu por dar negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento apreciar a matéria de forma antecipada e preventiva. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser juntadas à impugnação e o pedido de diligência ou de perícia só é deferido quando estas forem necessárias. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATO DECLARATÓRIO. NULIDADE. É válido o ato de exclusão do Simples Nacional motivado por excesso de receitas, se não presentes outros motivos. LANÇAMENTOS. NULIDADE. São válidos os lançamentos baseados em provas e fundamentados em lei, independentemente da tipificação, desde que estas sejam pertinentes aos fatos ocorridos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Após a edição da Lei nº 9.430/96, depósitos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas. SALDO CREDOR DE CAIXA. OCORRÊNCIA. No caso de contribuintes optantes pelo Simples Nacional, há a possibilidade de ocorrência de saldo credor de caixa. SALDO CREDOR DE CAIXA. CORREÇÃO. A omissão tributável relativa à presunção por saldo credor de Caixa é somente aquela resultante do maior saldo credor do período. OMISSÃO DE RECEITAS. MOTIVAÇÕES DIVERSAS. TRIBUTAÇÃO. Constatada a omissão de receitas em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, a totalidade do valor desses depósitos é tributada, sem que deva haver qualquer dedução ou exclusão de valores tributados em face de outras receitas auferidas. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Procedente em Parte Fl. 1142DF CARF MF 8 Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: descabe a alegação de não incide juros selic sobre a multa de ofício; negou a perícia requerida; nas preliminares, rejeitou a todas às arguições de nulidade; a comprovação apresentada pela recorrente durante o procedimento fiscal e na sua peça impugnatória não foi satisfatória. As planilhas são documentos produzidos unilateralmente; os contratos não tem nenhuma chancela pública para caracteriza a época exata em que foram produzidos; não apresentou e reconhece não ter condições de apresentar as notas fiscais emitidas no período; durante o procedimento fiscal houve intimação comprovar e apresentar qualquer documento para justificar porque os valores não foram oferecidos à tributação e a recorrente então disse não possuir as documentações solicitadas; os livros contábeis/fiscais apresentados não apresentam condições de vincular os créditos bancários com os recebimentos decorrentes das vendas dos veículos; a conta bancária junto ao Banco Real não foi escriturada; alegações de cunho de falta de previsão legal para autuação com base nos depósitos bancários não prosperam com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/1996; as alegações de que suas receitas são da comissão da venda de carros usados não prospera, pois não houve cumprimento à legislação pertinente desta matéria para se obter a tributação pertinente apenas a margem bruta; quanto à infração imputada de saldo credor de caixa, foi mantido apenas aquela resultante do maior saldo credor do período, sendo exonerado da autuação fiscal os demais valores de saldo imputados; quanto a possíveis erros de cálculo e ajustes nas bases de cálculo dos lançamentos, não houve comprovação satisfatória para elidir tais valores. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 01/09/2016, a recorrente apresentou recurso voluntário em 09/09/2016. Na sua peça recursal repisa praticamente os mesmos elementos e alegações da sua peça impugnatória, dos quais relembro, em aperta síntese: preliminarmente: a) a nulidade do Ato Declaratório Executivo que excluiu a contribuinte do Simples; Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.140 9 b) os lançamentos são nulos tendose em vista que os depósitos bancários não se consubstanciam em fato gerador do Imposto de Renda, mesmo depois da edição da Lei nº 9.430/1996, uma vez comprovados a origem dos créditos; no mérito: c) verdade material : sua atividade é de revenda de veículos que age em nome e por conta de terceiros, que é o proprietário do veículo, assim, a movimentação bancária não representa suas receitas; d) houve a escrituração de toda a movimentação bancária, e isso seria prova material inequívoca; e) houve a demonstração inequívoca da origem dos depósitos bancários; quanto as operações, a recorrente tem encontrado dificuldade em sua obtenção, já que se baseia em documento de transferência do veículo (DUT), que fica em poder do adquirente. Apresenta planilha que entende suficiente para comprovar que parte substancial do montante de depósitos bancários tem origem na venda dos veículos usados, sendo o valor repassado aos proprietários dos veículos vendidos; f) os livros contábeis estão corretamente escriturados; g) a autoridade fiscal adotou diferentes tipificações e capitulações legais para um mesmo fato tido como infração; h) há erros de cálculo e necessidade de ajustes na base de cálculo dos lançamentos; i) há que se realizar um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSLL lançados, excluindose o valor da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins lançadas de ofício por ocasião do mesmo procedimento fiscal; j) os lançamentos reflexos devem ser afastados, em face da aplicação a eles dos mesmos fundamentos da impugnação relativa ao IRPJ e à CSLL; h) não cabe o lançamento da contribuição patronal previdenciária, uma vez tal contribuição possuir legislação própria que não admite o lançamento por presunção; i) é ilegal a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício. j) o seu pedido final é nos seguintes termos, ipsis litteris: VIII DO PEDIDO 149. Diante de todo o exposto, e tendo, inexoravelmente, restado demonstrada a nulidade do lançamento, pelos diversos vícios e equívocos praticados pela Auditora Fiscal, requer a Recorrente a reforma da decisão a quo e consequente declaração de nulidade dos lançamentos guerreados. Se, por absurdo, forem ultrapassadas as preliminares e examinado o mérito, requer e espera a recorrente, que o julgamento seja no sentido da total improcedência das exigências fiscais consubstanciadas nos Fl. 1144DF CARF MF 10 Autos de Infração repudiados, por absoluta falta de respaldo fático e legal que validálos. 150. Protestase, por último, pela juntada de novas provas, demonstrativos e outros elementos que venham se demonstrar necessários à comprovação das alegações ora articuladas, inclusive a realização de diligência, que desde já requer. 151. Finalmente, caso venha remanescer alguma parcela do crédito tributário lançado, que sejam procedidos aos ajustes na base de cálculo da exigência, a fim de que sejam expurgados do seu cômputo os valores relativos a: a) empréstimos bancários creditados nas contas que a recorrente mantém no Banco Itaú e no Banco Real (R$ 5.218.654,64); b) produto da venda de veículos de terceiros vendidos por intermédio da Recorrente, cujo valor, deduzido da comissão a que faz jus a Suplicante, é repassado aos donos (R$ 4.274.984,08); c) valor do reembolso, pelos compradores (clientes) dos valores das multas e emplacamentos dos veículos vendidos (R$ 81.148,16); d) transferências entre as contas examinadas e da conta investimento para a conta corrente, computadas em duplicidade, na medida em que a D. Fiscal não excluiu tais valores e, e) valor do custo dos veículos vendidos, caso venha se entender que a Recorrente comercializou veículos em seu próprio nome. É o relatório. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.141 11 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Nacional, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2009, acrescidos de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. Em essência, decorreram de omissão de receitas que não foram escrituradas, saldo credor de caixa e de depósitos bancários não escriturados, bem como insuficiência de recolhimento. Houve exclusão do Simples a partir de 01/01/2010,constante em outro processo. Na sua impugnação requer, preliminarmente, a nulidade da sua exclusão do Simples e informa que os valores nas suas contascorrentes não representam suas receitas. Igualmente, não deveria ter ocorrido a autuação fiscal no Simples, e sim pelo lucro presumido, e alegou outras questões em preliminar. No mérito, alega que toda a movimentação bancária foi escriturada, tem dificuldades de obter os documentos comprobatórios, e que sua atividade é de revenda de veículos, onde acaba contraindo muitos empréstimos bancários, repassandoos. A fiscalização deveria ter feito circularização junto aos vendedores e compradores de veículos. Não existem os saldos credores de caixa. Há valores errados na base de cálculo autuada que não podem ser caracterizados como receitas da empresa. Ataca outras questões como não ser possível o lançamento por presunção da contribuição patronal previdenciária, bem como ilegalidade da taxa de juros Selic. A decisão a quo rechaçou a nulidades arguidas. No mérito, afastou as alegações do contribuinte, pois vieram sem nenhum suporte comprobatório apresentou planilhas produzidas unilateralmente; contratos sem comprovação da época produzidos, e não trouxe nenhuma nota fiscal ou outro documento que elidisse as presunções, algo já também intimado durante o procedimento fiscal. Também afastou a alegação que a base tributável seria apenas da comissão da revenda de veículos usados, pois não houve cumprimento da legislação pertinente. Quanto a infração de saldo credor de caixa, houve manutenção apenas do maior valor do saldo no ano, sendo exonerados os demais valores, mas com redução pouco substancial da autuação fiscal, ficando bem aquém do limite para eventual recurso de ofício. De resto, afastou todas as demais alegações da recorrente. Fl. 1146DF CARF MF 12 Na sua peça recursal repisa os mesmos elementos e alegações da sua peça impugnatória, praticamente a replicando na sua integralidade, sendo que nada de relevante a acrescentar foi posto. Das questões suscitadas na peça recursal Antes de adentrar na análise da peça recursal, cabe destacar que a recorrente se vale da mesma, além das matérias pertinentes ao presente processo, para contrapor alegações contra sua exclusão do Simples e questões incidentais a respeito. Contudo, quanto à exclusão do Simples Nacional, imputada sobre a recorrente, com efeitos a contar de janeiro de 2010, tal matéria está sendo objeto de análise no processo administrativo fiscal nº 18470.721043/201384, que no momento está aguardando distribuição no CARF. A recorrente apresentou em ambos os processos o presente e o de exclusão do simples nacional, supracitado o mesmo recurso voluntário, na mesma data. Desta feita, as alegações pertinentes exclusivamente ao ato de exclusão do simples nacional não estarão sendo analisadas no presente voto. das preliminares de nulidade suscitadas Na sua peça recursal, replicando exatamente as mesmas alegações e fundamentos das mesmas da sua peça impugnatória, a recorrente suscita uma série de nulidades, que em síntese envolve os seguintes tópicos: a) alegação de nulidade do ADE que a excluiu do Simples Nacional, por ausência de suporte fático e legal, em que ataque a motivação do mesmo, bem como o momento dos seus efeitos; b) alegação de nulidade dos lançamentos face à adoção de regime de tributação inaplicável ao caso; c) alegação de nulidade do lançamento por erro na tipificação e enquadramento legal da exigência e eleição de base de cálculo irreal; Quanto ao item "a" acima, como já alegações são inerentes exclusivamente ao processo administrativo fiscal de exclusão do simples nacional, e não serão analisadas no presente voto. Quanto ao item "b", apesar de suscitados em faces do item "a", acabam se confundindo com o mérito da questão, e serão analisados, complementarmente, logo a seguir. Nas questões levantadas pela recorrente, analisase os seguintes pontos abaixo. A recorrente alega que os autos de infração que lhe foram imputados não deveriam ser ainda dentro do regime tributário do simples para todo o anocalendário de 2009 (cuja exclusão gerou efeitos a partir de 01/01/2010), e sim a partir de fevereiro de 2009, que seria o mês subsequente ao do excesso, conforme estabelecido na LC nº 139/2011, e que tais Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.142 13 valores devam ser calculados pelo lucro presumido, nos moldes estabelecidos pelo art. 5º da Lei nº 9716/1998 e na IN SRF nº 152/1998. Aduz, adicionalmente, que já que a acusação da própria fiscalização lhe imputa, teria cometido uma série de irregularidades na escrituração dos livros fiscais e comerciais, além de outras infrações, estas seriam suficientes para lhe excluir do simples a partir da sua opção. Tais alegações na sua peça recursal se confundem em parte com a questão meritória da autuação fiscal, em parte com os efeitos da exclusão do simples. No que tange à primeira vinculação, será analisado logo a seguir. Questões inerentes aos efeitos da exclusão ficam resguardadas para análise no processo administrativo específico. Assim, alguns pontos suscitados nesta preliminar, principalmente no que tange a atividade da recorrente, e os preceitos tributários aplicáveis na revenda de veículos usados, de competência do presente processo, serão abordados oportunamente na análise do mérito, pois ali pertencem. Quanto ao item "c", que trata das alegações de que houve erro na tipificação e enquadramento legal da autuação fiscal, em que foi eleito uma base de cálculo irreal, cabe ressaltar que tal matéria também se confunde com a questão meritória, pois envolve ataque à presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 e a devida comprovação para justificar a origem dos depósitos bancários, e será analisada então, logo a seguir. Por conseguinte, REJEITO AS PRELIMINARES suscitadas pela recorrente. No mérito: a atividade da recorrente e sua movimentação bancária Alega a recorrente que esclareceu, no curso da ação fiscal, que é uma revendedora de veículos que age em nome e por conta do verdadeiro proprietário do veículo, mediante contrato de comissão firmado entre as partes, e que a movimentação de tais contas corrente, em verdade, jamais representou uma forma de receita da mesma, e sim mera movimentação bancária do adquirente para o proprietário anterior do veículo. Neste diapasão, a recorrente escriturou sua contabilidade, com toda a movimentação das contas bancárias, e que isso demonstraria haver provas materiais da remessa de valores que não compõem sua receita, e que tal matéria não teria sido enfocada de quando da autuação fiscal. Compulsando os autos, verificase que o procedimento fiscal baseouse na análise dos extratos bancários da recorrente cotejandoos com sua escrituração contábil e fiscal. Inicialmente, foi intimada e reintimada (ciência em 27/03/2012 e 12/05/2012, respectivamente) a apresentar os extratos bancários e os livros contábeis/fiscais, o que não o fez. Após, então, a autoridade fiscal obteve os extratos bancários em resposta, e intimou a recorrente para comprovar a origem e a tributação dos valores levados a crédito no extrato bancário do banco Itaú S/A (fls. 21 a 38) e do banco Real (fls. 39 a 40), ciências dada Fl. 1148DF CARF MF 14 em 17/09/2012 e 04/10/2012, respectivamente. Houve então pedidos de prorrogação de prazo, nova reintimação (fl. 46 ciência em 27/11/2012), termo de constatação que não houve resposta à comprovação dos depósitos bancários (fl. 47 ciência em 11/01/2013), e só em 17/01/2013 a recorrente se manifesta (fls. 48 a 264) , através de esclarecimentos, cópias de contrato de consignação, planilhas, etc. Posteriormente, houve nova intimação fiscal em que pede para justificar os saldos credores na conta caixa escriturada no razão (fl. 265 ciência dada em 28/01/2013), em que informa os documentos não foram encontrados, possivelmente extraviados (fl. 266). Neste ínterim, a recorrente entregou, além dos extratos bancários (fls. 280 a 346), o livro razão (fls. 347 a 441). Então houve a autuação fiscal, cujo termo de constatação está em fls. 447 a 458. Relato tais fatos constatados nos autos que a autuação fiscal decorreu essencialmente do cotejo dos extratos bancários com a contabilidade, além da análise da mesma, e da comprovação tanto dos depósitos bancários quanto dos lançamentos contábeis registrados no livro razão. Assim, a priori, tornase desnecessário adentrar no mérito de qual a atividade exercida pela recorrente. Se não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários de forma e com documentos convincentes, cabe (como ocorreu) a autuação fiscal. No termo de constatação, a autoridade fiscal até faz uma análise do segmento da venda de veículos usados, em que coloca a seguinte ponderação a respeito: 1 A VENDA DE VEÍCULOS USADOS EM CONSIGNAÇÃO MEDIANTE CONTRATO DE COMISSÃO TEM POR OBJETO O SERVIÇO DO COMISSÁRIO, REMUNERADO POR MEIO DE PAGAMENTO DE UMA COMISSÃO. NESSE CASO, A RECEITA BRUTA É A COMISSÃO, TRIBUTADA PELO ANEXO III DA LEI COMPLEMENTAR N° 123, DE 2006. NA VENDA DE VEÍCULOS USADOS EM CONSIGNAÇÃO MEDIANTE CONTRATO ESTIMATÓRIO A RECEITA BRUTA É O PRODUTO DA VENDA A TERCEIROS DOS BENS RECEBIDOS EM CONSIGNAÇÃO, NÃO INCLUÍDAS AS VENDAS CANCELADAS E OS DESCONTOS INCONDICIONAIS CONCEDIDOS, TRIBUTADA PELO ANEXO I DA LEI COMPLEMENTAR N° 123, DE 2006. PARA FINS DE SIMPLES NACIONAL, NÃO SE APLICA A EQUIPARAÇÃO DE QUE TRATA O ART. 5º DA LEI N° 9.716, DE 1998, CONFORME SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT N° 4/2011, (...) Ou seja, a autoridade fiscal autuante descartou, fundamentando, qualquer evocação de que eventualmente seria tributado apenas a margem bruta da recorrente, algo não suscitado pela recorrente no transcorrer do procedimento fiscal. Afinal, além dos preceitos inerentes a tal sistemática de tributação pelo valor da comissão recebida, se sobressai que tal sistemática não é aplicável para os optantes, e enquanto perdurar a opção, pelo regime tributário do simples nacional. Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.143 15 Assim, os ditames legais pertinentes à venda por consignação, que queiram oferecer à tributação apenas a comissão na revenda de veículos usados, devem, além de serem optantes do lucro presumido (que já não é o caso), respeitar os preceitos legais atinentes ao art. 5º da Lei nº 9.716/19981 e da sua regulamentação disposta na Instrução Normativa SRF nº 152/19982. Algo que também não é o caso. No transcorrer do procedimento fiscal, a recorrente apresentou cópias de contrato de consignação. Não vislumbrei, como as instâncias que me precedem, a devida comprovação, pois não há nenhuma documentação paralela que corrobore elementos, por exemplo, de quando foram produzidos, estando acompanhando apenas o raciocínio exposto na 1 Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. 2 Instrução Normativa SRF nº 152, de 16 de dezembro de 1998 (DOU de 17/12/1998, pág. 105): Dispõe sobre a determinação da base de cálculo de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente às operações com veículos usados. Alterada pela IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. (*) O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 5° da Lei n° 9.716, de 26 de novembro de 1998, resolve: Art. 1° A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2° Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1° Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2° O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Art. 3° A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anterior. Art. 4° As disposições desta Instrução Normativa aplicamse exclusivamente para efeitos tributários. Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 30 de outubro de 1998. (grifouse) Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (DOU de 26.11.2002): Dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral. Art. 10. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Fl. 1150DF CARF MF 16 resposta à intimação fiscal, e não tendo nenhuma vinculação com nenhuma outra informação constante no livro razão ou nos extratos bancários. A própria recorrente diz ainda em procedimento fiscal, e nas suas peças impugnatória e recursal que não dispõe de outros elementos da época, como notas fiscais, ou qualquer outro. Como destacou o voto a quo neste ponto: Ficou assentado que os contratos, embora tragam a identificação do consignante, não têm nenhuma chancela pública que poderia atestar a época em que foram formalizados. Assim, eram necessários, para a aceitação dos contratos como prova do negócio efetuado, outros documentos como, por exemplo, Notas Fiscais emitidas no período, documentos relativos aos veículos comercializados e livros contábeis e fiscais autenticados tempestivamente. Como já visto, quanto às Notas Fiscais e aos documentos dos veículos, a própria impugnante reconhece que não os pode fornecer. Mais uma vez, deve ser ressaltado que, pela análise do livro Razão apresentado, não há como ser feita a vinculação dos créditos bancários com os recebimentos decorrentes das vendas dos veículos, nem tampouco da alegada entrega do valor do veículo ao vendedor com os débitos nessas contas bancárias. Destarte, não vislumbro a alegada comprovação da recorrente para os valores dos depósitos bancários bastando trazer a tona sua atividade. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. dos esclarecimentos prestados e provas da origem dos créditos bancários apresentadas Alega a recorrente que demonstrou, de forma inequívoca, a origem dos depósitos questionados, apresentando, na oportunidade, farta documentação comprobatória de suas alegações, representada pela cópia dos contratos de consignação, que na essência correspondem a contratos de comissão mercantil, além de outros documentos, como extratos bancários, livros diário e razão, planilha elaborada pela empresa contendo o histórico de cada crédito nas respectivas data, da conta corrente mantida no banco Itaú. Aduz, em seguida, que quanto à documentação comprobatória das operações,(...) tem encontrado dificuldade em sua obtenção(..). Como já exposto no tópico anterior, não vislumbrei a comprovação adequada da origem dos valores depositados nas contas correntes. Os contratos de consignação se mostram muito precários e sem amparo documental algum para se verificar a autenticidade das informações ali contidas. A planilha apresentada em 17/01/2013 (fl. 54 a 69), na sua resposta à intimação fiscal, mostrase um documento de produção unilateral e meramente informativa, Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.144 17 igualmente, sem nenhum suporte documental para se confirmar a autenticidade das informações ali postas. Podem ser até verdadeiras, mas não condições de isoladamente serem consideradas válidas, à luz da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Há, por exemplo, na planilha muitas informações de valores creditados que a recorrent tenta lhes imputar a condição de serem empréstimos. Contudo, além de não haver nenhum documento que suporte tal afirmação, o que seria plausível e esperado se obter, o histórico se refere a transferência eletrônica de valores (TEF, TRANSF,etc), que abre um leque de possibilidades de outras origens, distintas de empréstimo, pois este costuma vir assim (ou similarmente) descrito no histórico do lançamento bancário. Como já dito anteriormente, os valores desta planilha são compatíveis apenas com o valores constantes dos créditos nos extratos bancários que se pede comprovar a origem, e estão em consonância com os contratos de consignação apresentados nesta mesma data, já analisados neste voto como precários documentalmente, não tendo nenhuma relação com outro documento da época, e nem foi trazido aos autos pela recorrente. Na sua peça impugnatória traz exatamente os mesmos documentos citados acima, já sabendo que a autoridade fiscal autuadora os não considerou válidos o bastante para elidir a presunção legal imputada. Haveria condições e mais tempo, e agora até maior interesse, em buscar outros documentos que dessem suporte ao alegado, mas não o fez. Na sua peça recursal apresenta idênticas alegações, remete aos documentos já apresentados anteriormente, e nada agrega. O princípio da busca da verdade material tem duplo sentido, tanto para o lado do fisco, quanto para o lado do contribuinte. No caso, não se vislumbra uma verdade material ao que foi apresentado pela recorrente, pois falta ao alegado e apresentado algum documento que possa ser identificado na época dos fatos, e corrobore com o que tenta justificar. Absolutamente nenhum documento da época dos fatos foi apresentado. Descabe aqui a pretensão da recorrente que a autoridade fiscal deveria diligenciar todos os que constam nos contratos de consignação para comprovar as operações. A presunção em foco é de inversão do ônus da prova, ou seja, deve ser apresentada pela recorrente. E mesmo que não fosse, cabe a mesma documentar, registrar e guardar os documentos que dão suporte aos seus lançamentos contábeis à época dos fatos. Diante do todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. da alegação da acusação improcedente A recorrente alega que a autoridade fiscal autuante desconsiderou todos os esclarecimentos e provas apresentadas da origem da totalidade dos créditos bancários autuados, não excluindo os valores de que entende ter demonstrado serem empréstimos bancários, repasses para os proprietários dos veículos vendidos, valor do reembolsos, entre outros itens. Fl. 1152DF CARF MF 18 Igualmente alega que a autoridade fiscal autuante adotou diferentes tipificações e capitulações legais para um mesmo fato tido como infração, ou seja, embora tenha considerado tanto os depósitos efetuados no Banco Itaú quanto os feitos no Banco Real como de origem não comprovado, tipificou os do banco Itaú como "Receita não Escriturada" e os do Banco Real como "Depósito não Escriturado", adotando fundamentação legal também distinta para os dois casos. Se insurge também a recorrente quanto o saldo credor de caixa, aqui citando saldos credores de caixa, não alterando suas alegações em virtude da exoneração promovida pela instância a quo quanto a este item, a qual manteve apenas o maior saldo credor de caixa identificado no transcorrer do anocalendário de 2009. Tais pontos alegados pela recorrente foram já trabalhados nos itens anteriores do meu voto, mas os repasso novamente, no que for repetido, de forma mais sintetizada. Primeiramente, cabe relembrar que a autuação fiscal envolveu três infrações principais, e outra decorrente, quais são: 1) omissão de receitas não escrituradas são os valores inerentes aos depósitos bancários no banco Itaú, cuja contabancária estava escriturada, mas a receita nesta contacorrente não estava, pois a recorrente não logrou comprovar a origem dos créditos, o que caracterizou uma omissão de receitas total dos depósitos de R$ 9.958.382,86; 2) saldo credor de caixa, identificado na conta caixa escriturada no razão conta contábil nº 1.1.1.01.001, que ficou mantido apenas o valor inerente ao final do mês de outubro/2009 R$ 174.118,03, que é o maior encontrado no ano, sendo os demais valores autuados com bases nos saldos credores dos demais meses exonerados pela decisão a quo; 3) depósitos bancários não escriturados depósitos na conta bancária no banco Real, em que não estava contabilizada, e a recorrente não logrou comprovar sua origem total dos depósitos de R$ 252.300,84; 4) insuficiência de recolhimentos decorre da apuração da omissão de receitas, que envolveria o recálculo do percentual, majorado, aplicado sobre a receita bruta auferida. Como já analisado anteriormente no presente voto, durante o procedimento fiscal a recorrente já foi instada a comprovar os depósitos bancários identificados e cotejados com sua receita bruta auferida e oferecida à tributação via DASN e apurada no seu livro razão. A recorrente apresentou planilha e contrato de consignação, que não se mostraram documentação hábil e idônea para comprovar e justificar a origem destes depósitos bancários. No que tange ao saldo de credor de caixa (aqui só falando do que remanesceu após a decisão a quo), também não trouxe nenhuma documentação que elidisse tal presunção legal. Os lançamentos fiscais baseados nos depósitos bancários foram efetuados à luz da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, matéria há muitos anos relativamente comum nos julgamentos desta corte administrativa. Esta presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos decorre dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o seu titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.145 19 No caso concreto, a recorrente, nem durante o procedimento fiscal, nem durante suas peças impugnatória e recursal conseguiu trazer aos autos elementos que demonstrassem, de forma hábil e idônea, a origem destes valores que estão creditados em suas contascorrentes. Já se analisou que trouxe alegações e documentos (no caso planilhas e contratos de consignação) que se mostram muito tênues e precários para tal comprovação. Teve várias oportunidades para trazer documentos mais adequados, e não logrou êxito. Em sede de procedimento fiscal já informa que não tem as notas fiscais das operações, e nem documentos pertinentes aos veículos que transacionou. Tenta apenas aduzir que houve empréstimos e vendas de veículos de terceiros que justificariam os depósitos em suas contas bancários, querendo que a fiscalização promova a obtenção das provas do que alega. No caso concreto, como já exposto, cabe ao fisco intimar para justificar os depósitos bancários, e que a recorrente que traga prova para justificar sua origem. Se não conseguir comprovar, serão considerados como receita omitida, por presunção. Como bem salientou a decisão a quo: não cabe ao fisco promover a dilação probatória, intimando terceiros a apresentar documentos, em face da inversão do ônus probante. Compulsando os autos, verificase que a autoridade fiscal tipificou adequadamente todas as infrações, apenas dando uma titulação diferente para distinguir os valores creditados na conta corrente do banco Real (que não estava contabilizado no seu livro razão) dos valores creditados na conta corrente do banco Itaú (que estava contabilizado). Todos os valores de ambas conta correntes foram intimados e autuados sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Igualmente, no que tange ao saldo credor de caixa identificado com base no seu livro razão apresentado, em que nada se confunde com as autuações fiscais dos depósitos bancários, houve a devida tipificação legal, e existiram, estando identificados na escrituração contábil da recorrente. Quando oportunizada a se manifestar a respeito, silenciou, e nas suas peças de defesa apenas alega, sem nada trazer de aporte documental para elidir tal situação. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. do alegado erro de cálculo e necessários ajustes na base de cálculo dos lançamentos e do alegado descabimento da exigência da contribuição patronal previdenciária A recorrente se insurge alegando que houve a inclusão de valores que não podem ser caracterizados como receitas da empresa, elencando alguns valores, quais sejam: empréstimos bancários produto da venda de veículos de terceiros vendidos por intermédio de terceiros; reembolso pelos compradores dos valores das multas e emplacamentos dos veículos; e Fl. 1154DF CARF MF 20 valor do custo dos veículos vendidos Contudo, tais itens já analisados acima, e não apôs nenhuma outra prova que já não fora apresentada no transcorrer do procedimento fiscal. Compulsando os autos, e reiterando algumas passagens do meu voto, a recorrente se baseia na resposta que apresentou quando intimada a justificar a origem dos depósitos bancários, e replicou exatamente os mesmos elementos na sua peça impugnatória, nada mais agregando. Tais elementos foi entendido pela autoridade fiscal autuando como não hábeis e idôneos, e inclusive reintimou a recorrente a apresentar documentos mais idôneos para comprovar o alegado nas planilhas, a qual não apresentou, sob diversas justificativas, tipo que o documento não existia (no caso dos empréstimos bancários), ou não encontrou os documentos da época (no caso das notas fiscais e outros que deveriam ser produzidos então). Na instância a quo houve a manutenção deste entendimento da autoridade fiscal autuante, e entendeu que o apresentado pela recorrente não era satisfatório para comprovar o alegado. Não vislumbro outro posicionamento que a mesma das instâncias que me precederam. Não houve a comprovação hábil e idônea por parte da recorrente, apesar de lhe ofertada várias vezes, tanto no procedimento fiscal quanto no litígio administrativo. A recorrente montou um planilha, que até pode ser verdadeira, mas como ficou um documento unilateral, produzido para atender à intimação fiscal, precisa ter suporte documental para validálo. Nesta planilha tenta rebater os valores depositados em conta corrente, definindoos como empréstimos, ou repasses a terceiros, etc. Contudo, não anexou nada que comprovasse os empréstimos. Dos repasses para terceiros, procurou comprovar com contratos de consignação, que estabelece informações de venda de carro, produzidos muito parecidos, mas sem nenhuma comprovação e validação das informações contidos nos mesmos. Sem nada os valide, fica impossível aceitálos. A recorrente também faz outras alegações, em que pleiteia a exclusão dos valores da contribuição do PIS/Pasep e Cofins do IRPJ e CSLL, bem como não caberia o lançamento da contribuição patronal previdenciária, que não seria admitida por presunção. Contudo, não procedem suas alegações. Ocorrido a tributação da recorrente dentro da sistemática do Simples Nacional, cada tributo ou contribuição inerente compõe uma parte da alíquota aplicável, e sobre estas partes que ocorre a tributação, ou seja, todos os tributos e contribuições inerentes a esta alíquota, incluindo aí o PIS/Pasep, Cofins e a contribuição patronal previdenciária. Tal situação está prescrita nos artigos 13 e 18 da Lei Complementar nº 123/2006. Por conseguinte, não há nenhum reparo no que tange a estas matérias, pelo que NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a estes itens. da alegada ilegalidade da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 18470.721042/201330 Acórdão n.º 1402003.283 S1C4T2 Fl. 1.146 21 Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O credito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de credito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Conclusão: Voto por conhecer o recurso voluntário, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantidos a autuação fiscal nos termos da decisão a quo. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720172/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 11/11/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO NO ENVIO.
Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu.
Numero da decisão: 2401-005.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 11/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO NO ENVIO. Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu.
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ERRO NO ENVIO. Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 72/78) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 72 /2 00 9- 91 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.720172/200991 Acórdão n.º 2401005.697 S2C4T1 Fl. 146 2 53/67), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 2/4) em face de Despacho Decisório (fl. 10) que homologou parcialmente a compensação informada na Declaração de Compensação – DCOMP nº 20729.82393.111103.1.3.049364, transmitida em 11/11/2003 (fls. 12/17). De acordo com o Despacho Decisório: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 83.591,45. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. [...] Entretanto. considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado. correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 27/02/2009. Principal Multa Juros 9.875,08 1.975,01 6.941,19 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/4), alegando, em síntese, que: O IRRF apurado na 4ª semana de setembro de 2003 importou em R$ 83.591,45, conforme DCTF (fl. 26), enquanto o recolhimento efetuado para o período importou em R$ 84.094,81, ocasionando um pagamento a maior no valor de R$ R$ 503,36. Para recuperação do valor recolhido a maior foram apresentadas duas DCOMPs: 20729.82393.111103.1.3.049364 (cadastrada neste processo), onde foi utilizada a importância de R$ 83.591,45 na extinção do IRRF referente à 4ª semana de setembro de 2003, através da compensação. 21766.88304.100204.l.3.042094 quando foi utilizada a importância de R$ 503,36 na extinção do IRRF apurado na 3ª semana de outubro de 2003, através da compensação. O manifestante argumenta que o procedimento executado na DCOMP de n° 20729.82393.111103.1.3.049364 foi “indevido”, considerando que no caso em questão a compensação efetuada era desnecessária. Esclarece que “tal procedimento gerou indevidamente a aplicação de multa, motivada por erro operacional e não por um valor efetivamente devido pela empresa”. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10680.720172/200991 Acórdão n.º 2401005.697 S2C4T1 Fl. 147 3 Requereu o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, o cancelamento da cobrança no Despacho Decisório n° 795076519, e a suspensão da exigibilidade dos débitos em cobrança, nos termos do Decreto 70.235/72. A DRJ/BHE, por meio do Acórdão 0223.254 (fls. 53/67), considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme disposto a seguir: Delimitou o litígio à parcela de compensação não homologada. O argumento utilizado pelo contribuinte neste processo reportase unicamente à solicitação de cancelamento da DCOMP, por considerála desnecessária, e que, uma vez apresentada, gerou a multa de mora que deu origem ao saldo de débitos exigidos. A Declaração de Compensação é um instrumento fundamental na execução do procedimento, na medida em que identifica os créditos utilizados e os débitos compensados. Esta foi a ferramenta instituída pelo legislador com o intuito de permitir ao fisco o controle dos atos praticados pelos contribuintes. Neste contexto, os elementos essenciais da DCOMP se traduzem na identificação dos créditos utilizados e dos débitos compensados (extintos pela compensação). Os créditos utilizados pelo contribuinte na DCOMP, bem como os débitos por ele compensados não podem simplesmente ser ignorados ou substituídos quer seja por ato informal do contribuinte ou mesmo exofício pela Administração Pública. Contudo, a legislação tributária também prevê a alteração destes dados, considerando exatamente possíveis erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento destas declarações. Cita a Lei 9.430/97, as Instruções Normativas SRF 460/2004 e RFB 900/2008, e esclarece que a retificação ou o cancelamento da PER/DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento. Contudo, não indiscriminadamente, o procedimento é efetuado formalmente, quer seja através da apresentação de formulário ou de PER/DCOMP eletrônica, e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa. Concluiu que a operacionalização da compensação em litígio neste processo foi efetuada nos termos em que determinada na legislação tributária vigente, embasada pelas informações prestadas pelo próprio contribuinte nas declarações apresentadas à RFB. Assim sendo, não há como alterála. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 72/78), alegando, em síntese, o que segue: Diz que caso seja mantido o entendimento da DRJ, haverá enriquecimento sem causa da arrecadação fazendária. Cita o CTN, art. 165, o Código Civil, artigos 876 e 877, e disserta sobre o conceito de pagamento indevido. Afirma que o Acórdão da DRJ se baseou em norma infralegal (Instrução Normativa) e seu direito não pode ser limitado por norma infralegal. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10680.720172/200991 Acórdão n.º 2401005.697 S2C4T1 Fl. 148 4 Requer a reforma do acórdão recorrido, o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, e que o valor considerado como compensado seja efetivado como valor devido da quarta semana de setembro/03, e considerado sua quitação pelo próprio DARF de R$ 84.094,81, vencido e quitado em 01/10/2003.' É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. ADMISSIBILIDADE Conforme despacho de fl. 144, o recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO No caso em análise, vêse que o contribuinte cometeu um equívoco ao preencher a DCOMP, para justificar o crédito de R$ 503,36 que seria usado para compensar parte do IRRF devido relativo à 3ª semana de outubro de 2003. Conforme relatado, o contribuinte apurou o IRRF para 4ª semana de setembro de 2003 no valor de R$ 83.591,45 e efetuou o recolhimento a maior, no vencimento da obrigação, em 1/10/03, no valor de R$ 84.094,81. A DCOMP com tais informações foi transmitida em 11/11/03. Não foi encontrado nos autos o Detalhamento da compensação, mas conforme procedimento que deveria ser observado, foram efetuadas os seguintes ajustes: Crédito reconhecido de R$ 83.591,45, recolhido em 1/10/03, valorado de 1% de juros, pois a DCOMP foi enviada em 11/11/03, totalizando R$ 84.427,36. Foi apurado o valor utilizado do crédito na data da valoração da seguinte forma: Principal R$ 73.716,37 Multa R$ 9.973,82 Juros R$ 737,16 Vêse que o crédito total valorado seria para abater do valor devido, considerando principal, juros (1%) e multa (41x0,33% = 13,53%). Fezse a conta ao inverso: partindose do total recolhido, ele foi rateado em principal, 1% de juros e 13,53% de multa, os dois últimos incidentes sobre o valor do principal. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10680.720172/200991 Acórdão n.º 2401005.697 S2C4T1 Fl. 149 5 Desta forma, o principal recolhido seria de R$ 73.716,37 e como o saldo devedor declarado na DCOMP foi de R$ 83.591,45, apurouse um valor ainda devido de R$ 9.875,08. Da análise da situação que se apresenta é possível verificar que valor lançado é a multa apurada na conta invertida, que seria devida caso o recolhimento tivesse ocorrido com atraso. A diferença se deve aos juros de 1% aplicado sobre R$ 83.591,45 na valoração e sobre R$ 73.716,37 na conta invertida = R$ 98,75; logo a multa de R$ 9.973,82 R$ 98,75= R$ 9.875,07, que é o valor lançado (com 0,01 de erro de aproximação), considerado não homologado. Assim, sob o aspecto formal, tratouse a compensação declarada, sendo valorado o crédito e extinto parte do débito na data do encontro de contas, 11/11/03. Contudo, sob o aspecto material, o débito relativo à 4ª semana de setembro de 2003, foi extinto pelo pagamento na data do vencimento, 1/10/03. Conforme as instruções normativas citadas no acórdão recorrido, não seria possível cancelar a DCOMP. Acontece, que a verdade material que se apresenta é realmente a cobrança de uma multa de mora, decorrente do erro do contribuinte ao enviar a DCOMP que serviu de base para o Despacho Decisório que apurou crédito tributário, diante da compensação parcialmente homologada. A Lei 9.430/96, assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifo nosso) . § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Logo, o crédito tributário lançado, que equivale à multa de mora apurada por suposto atraso no pagamento não pode prosperar, pois o pagamento ocorreu na data do vencimento da obrigação (1/10/03). CONCLUSÃO Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10680.720172/200991 Acórdão n.º 2401005.697 S2C4T1 Fl. 150 6 Sendo assim, prestigiando o princípio da verdade material, dou provimento ao recurso voluntário, para declarar extinto o crédito tributário constituído por meio do Despacho Decisório de fl. 10. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000021/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação da PIS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.021
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 PIS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da PIS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 21 /2 01 0- 37 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 2 No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento dos créditos de valores referentes a itens não considerados como insumos pela fiscalização, de despesas de arrendamento mercantil e de encargos de depreciação. Além das glosas de créditos citadas, a autoridade fiscal também procedeu ao recálculo do rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Sustenta que, na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos, motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 4 Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 5 Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 6 Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Acórdão nº 0727.604. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.018, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.000006/201099, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.018): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012, interpondo seu voluntário em 11/06/2012, portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. Consta da Intimação SAORT, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 7 Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, sobreveio a Intimação SAORT, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo Auditor Fiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 8 E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/2010 37ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda: Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 9 Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 10 diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037 Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo: Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou: Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 11 Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova: (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando: Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 12 Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em síntese, que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 13 critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 14 destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303 003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 15 "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 16 DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 17 contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 18 final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 19 alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 20 relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 21 de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302 001.587, v. u.). O voto do aludido precedente elucida a questão: Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 22 Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 23 objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 24 Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ reconheceu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 25 (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que esta trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3.”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 26 Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime não cumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10925.000021/201037 Acórdão n.º 3401005.021 S3C4T1 Fl. 0 27 (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 591DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914327/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.500
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 43 27 /2 01 0- 36 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.914327/201036 Acórdão n.º 3302005.500 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.850. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.914327/201036 Acórdão n.º 3302005.500 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.914327/201036 Acórdão n.º 3302005.500 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.914327/201036 Acórdão n.º 3302005.500 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.914327/201036 Acórdão n.º 3302005.500 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.901881/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 61 1 60 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.901881/200871 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.666 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUCTIVA ENGENHARIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 18 81 /2 00 8- 71 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.901881/200871 Acórdão n.º 3302005.666 S3C3T2 Fl. 62 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CANCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento de declaração de compensação (Dcomp) está submetido a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 25.06.2004, DCOMP de nº 16614.33025.250604.1.3.043072, objetivando a compensação de suposto crédito de COFINS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 15.03.2001, relativo ao período de apuração encerrado em 28.02.2001, no valor original de R$827,361, com débito da mesma contribuição do período encerrado em 30.04.2004, no valor original de R$1.259,57. Sobreveio, em 18.07.2008, despacho decisório informando que foi localizado o pagamento informado pelo contribuinte, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2172 referente ao período de Abril/2004, no valor de R$ 9.328,5, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. Os membros da 7ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento. 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 25.06.2004 era de R$1.321,71. (fl. 3) Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13819.901881/200871 Acórdão n.º 3302005.666 S3C3T2 Fl. 63 3 Alegaram ainda os membros da 7ª Turma da DRJ/CPS, que não foi comprovada real base de cálculo da COFINS de abril/2004, não sendo possível afirmar que os débitos declarados na DCOMP não estejam incluídos nos confessados em DCTF. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 16.09.2015, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. Sustenta ainda que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário, e que muito embora a DCOMP constitua confissão de dívida, tal preceito não pode ferir o art. 149, II e IV do CTN, no sentido de que seja promovida a revisão de ofício. Por fim, pede que em caso de não se entender pelo cancelamento da DCOMP, seja a DRF/São Bernardo do Campo oficiada para que não haja cobrança duplicada do débito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. 1 Do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13819.901881/200871 Acórdão n.º 3302005.666 S3C3T2 Fl. 64 4 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso dos autos, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado o pagamento integral, em 29.12.2005, por meio de DARF (fl. 13), do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício por meio do cancelamento da DCOMP 16614.33025.250604.1.3.04 3072. Assim, no que cinge ao suposto crédito de COFINS do mês 02/2001, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. A DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento, bem como que não foi comprovada real base de cálculo da COFINS de abril/2004, não sendo possível afirmar que os débitos declarados na DCOMP não estejam incluídos nos confessados em DCTF. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação, sob pena de pagamento em duplicidade. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13819.901881/200871 Acórdão n.º 3302005.666 S3C3T2 Fl. 65 5 Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa reconheceu a inexistência do direito creditório antes alegado e pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. Em processos de outro contribuinte, muito semelhantes à este, cuja relatoria foi também confiada ao presente relator, julgados em sessão de 22.05.2018 por esta turma2, foi proposta a solução adotada no acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, onde além de não conhecer do recurso, anulavase o acórdão recorrido e determinavase a recepção da manifestação de inconformidade como Pedido de Revisão de Ofício, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 08/2014, no que restei vencido. Naquela oportunidade, assim decidiu a turma, em voto vencedor da lavra do ilustre conselheiro Walker Araújo: Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. 2 Vide acórdãos de nºs: 3302005.427 a 3302005.434. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13819.901881/200871 Acórdão n.º 3302005.666 S3C3T2 Fl. 66 6 Assim, em homenagem à colegialidade, sigo a solução adotada pelos outros sete membros da turma naqueles autos, no sentido de não conhecer do recurso voluntário face à inexistência de litígio sobre matérias de competência deste colegiado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.006975/2007-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
OPÇÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. ASPECTO TEMPORAL.
Tem-se que a opção pelo Simples Nacional dar-se-á por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano-calendário. Excepcionalmente para o ano-calendário de 2007, na hipótese de a pessoa jurídica por opção excluir-se do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007 os efeitos dessa exclusão dar-se-ão a partir de 1º de julho de 2007. O Pedido de Exclusão Retroativa no Simples Nacional foi formalizado após o prazo legal de 31.08.2007 para a providência e por essa razão não foi deferido pela Administração Pública, que somente pode aplicar a lei de ofício e atuar nos estritos limites legais com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo.
Numero da decisão: 1003-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OPÇÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. ASPECTO TEMPORAL. Temse que a opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. Excepcionalmente para o ano calendário de 2007, na hipótese de a pessoa jurídica por opção excluirse do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007 os efeitos dessa exclusão darseão a partir de 1º de julho de 2007. O Pedido de Exclusão Retroativa no Simples Nacional foi formalizado após o prazo legal de 31.08.2007 para a providência e por essa razão não foi deferido pela Administração Pública, que somente pode aplicar a lei de ofício e atuar nos estritos limites legais com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 69 75 /2 00 7- 10 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10945.006975/200710 Acórdão n.º 1003000.104 S1C0T3 Fl. 73 2 A Recorrente formalizou em 04.11.2007, fl. 02, o Pedido de Exclusão Retroativa no Simples Nacional, nos seguintes termos: [...] tendo solicitado inadvertidamente sua opção ao SIMPLES NACIONAL em data de 17.08.2007, através de seu representante legal infraassinado, vem mui respeitosamente e na forma Lei solicitar e requerer de V. Excia., o cancelamento de referida opção e a permanência em seu atual regime de tributação, tendo em vista que a migração para o SIMPLES NACIONAL é notadamente inviável e oneroso a mesma a qual optou de forma equivocada. A Decisão Simples Nacional DRF/FOZ/PR nº 09, de 26.01.2011, fls. 2124, indeferiu o pedido fundamentandose no fato de que: 6. Desse modo, quando a ME ou EPP deseja ser excluída do Simples Nacional, por opção, deve efetuar a comunicação à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, a qualquer tempo. No entanto, a exclusão só produzirá efeitos a partir de 19 de janeiro do anocalendário subseqüente, exceto no caso em que a comunicação for efetuada no mês de janeiro, quando os efeitos da exclusão darseão no mesmo anocalendário. 7. Excepcionalmente para o anocalendário de 2007, foi prevista a hipótese de a ME ou EPP comunicar a sua exclusão do Simples Nacional, por opção, entre 0 primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007, sendo que os efeitos da exclusão darseiam a partir de 01/07/2007, cf. § 12 do art. 6° da Resolução CGSN n° 15/2007, com a redação dada pela Resolução CGSN n° 1 9/2007. 8. Assim, a interessada, tendo solicitado inadvertidamente a opção pelo Simples Nacional em 17/08/2007 (fls. 05 e 17), deveria ter comunicado a sua exclusão, por opção, no Portal do Simples Nacional na internet, dentro do prazo previsto na Resolução CGSN n° 15/2007, ou seja, até 31/O8/2007. 9. De acordo com a Nota Técnica n° 1, de 22/10/2007, anexa ao Informativo Cotec/Simples Nacional n° 43/2007, item 3.2.4.2 nos casos de solicitação de exclusão retroativa à data da opção, como o prazo se encerrou em 31/08/2007, somente poderá ser deferido o pedido no caso de “erro de fato". No presente caso, a requerente não apresentou nenhum argumento que caracterize a ocorrência de um “erro de fato", alegando apenas que o Simples Nacional é inviável e oneroso para a empresa. Portanto, não existe erro a ser retificado pela autoridade administrativa. 10. Diante do exposto, com base na Lei Complementar n° 123/2006 e na Resolução CGSN n° 15/2007, e considerando o disposto na Nota Técnica n° 1, de 22/10/2007, anexa ao Informativo Cotec/Simples Nacional n° 43/2007, proponho o indeferimento do pedido da interessada. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/CTA/PR nº 0631.835, de 19.05.2011, fls. 4445: PEDIDO DE EXCLUSÃO. PRAZO. No anocalendário de 2007, os optantes pelo Simples Nacional poderiam ser excluídos desse regime, por opção, com efeitos retroativos a 01/07/2007, desde que comunicassem a exclusão pela internet até o dia 31/08/2007, Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10945.006975/200710 Acórdão n.º 1003000.104 S1C0T3 Fl. 74 3 Notificada em 01.06.2011, fl. 56, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.07.2011, fls. 5763, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que toca ao pedido de exclusão retroativa do Simples Nacional defende que não é optante e ainda: Não pode o recorrente concordar com o entendimento e julgamento exarados, pelo que reitera os argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade, e requer pela apreciação daqueles, por esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e os mais que se apresentam adiante. [...] Vejamos informação disponibilizada pela administração relativamente à Receita Federal do Brasil, (destacamos): "www.serpro.gov.brlnegocios/areas.../adm_tributaria [...]" Com o devido respeito, mas, com todos estes recursos, e outros mais, não citados aqui, a autoridade Julgadora de Primeira Instância quer desconsiderar informação do contribuinte sob a alegação de que "(...) ainda não havia sido processada até aquele momento." Concernente ao pedido expõe que: Pelo exposto, requer se digne Vossa Senhoria em conhecer do presente Recurso Voluntário para. julgálo totalmente procedente com o especial fim de declarar a nulidade e ineficácia do DESPACHO DECISÓRIO combatido no PAF, mantendose o requerente devidamente EXCLUÍDO, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, desde 1° de julho de 2007. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10945.006975/200710 Acórdão n.º 1003000.104 S1C0T3 Fl. 75 4 O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. A Resolução CGSN nº04 de 30 de maio de 2007, prevê: Art. 6º [...] § 12. Excepcionalmente para o anocalendário de 2007, na hipótese de a ME ou a EPP excluirse do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007, por opção, os efeitos dessa exclusão darseão a partir de 1º de julho de 2007. Analisando a legislação tributária específica temse que no art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007 e § 12 do art. 6º da Resolução CGSN nº 15, de 25 de julho de 2007, todos vigentes à época (art. 144 do Código Tributário Nacional), a opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. Excepcionalmente para o anocalendário de 2007, na hipótese de a pessoa jurídica por opção excluirse do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007 os efeitos dessa exclusão darseão a partir de 1º de julho de 2007. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais1. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). 1 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10945.006975/200710 Acórdão n.º 1003000.104 S1C0T3 Fl. 76 5 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Em conformidade com o Termo de Opção pelo Simples Nacional, fl. 05, consta "Data da Solicitação: 17/08/07", fl. 05. Está registrado na tela denominada CNPJ, CONSULTA: "MATRIZ OPTANTE PELO SIMPLES: 01/07/2007", fl. 16. Verificase que a Recorrente formalizou o Pedido de Exclusão Retroativa no Simples Nacional em 04.11.2007, fl. 01, após o prazo estabelecido para a exclusão em relação ao anocalendário 2007, o que impede a exclusão da contribuinte em relação a este ano calendário. Consta no Acórdão da 4ª Turma/DRJ/CTA/PR nº 0631.835, de 19.05.2011, fls. 4445, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Pelo que se depreende dos dispositivos transcritos, o Comitê Gestor do Simples Nacional estabeleceu a forma pela qual os contribuintes deveriam comunicar sua intenção de sair do regime (por meio do Portal do Simples Nacional na internet). Estabeleceu também a data dos efeitos da comunicação, sendo certo que para o ano de 2007 os efeitos da exclusão só se dariam a partir de 01/07/2007 se a comunicação fosse efetuada até o dia 31 de agosto de 2007. A norma em questão é de observância obrigatória pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, uma vez que determinado contribuinte tenha solicitado validamente a opção pelo Simples Nacional, só poderá verse excluído com efeitos no mesmo anocalendário da opção se efetuar a comunicação de exclusão no prazo e na forma previstos para tanto na Resolução n° 15 do CGSN, em consulta ao Portal do Simples Nacional na internet (fls. 4243), verificase que a pessoa jurídica interessada solicitou opção pelo regime em 17/08/2007 e não efetuou solicitação de exclusão ate a data limite de 31/08/2007. Nessa consulta, observase que a empresa só veio a solicitar exclusão em 30/01/2008, sendo então excluída com efeitos a partir a empresa só veio a solicitar exclusão em 30/01/2008, sendo então excluída com efeitos a partir de 01/01/2008, nos termos da regulamentação acima mencionada. Na manifestação de fls. 28 a 32, a interessada afirmou que solicitou a exclusão nos termos do § 12 do art. 6° da Resolução CGSN n° 15, de 23/07/2007. Contudo, não produziu nenhuma prova nesse sentido, de modo que não resta alternativa, senão considerar que a empresa não formalizou comunicação de exclusão pela internet no ano de 2007. Quanto ao documento anexado pela interessada (fls. 35), intitulado “Informações de Apoio para Emissão de Certidão”, observo que se trata de impressão de tela extraída dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil com data de 31/08/2007, mas o fato de constar nesse documento que a empresa Classic Motos Ltda “não era optante” pelo Simples Nacional não significa que naquela data a empresa já havia sido excluída do referido regime, mas sim que sua solicitação de opção efetuada em 17/08/2007 ainda não havia sido processada até aquele momento, Nessa.situação,.para que a pessoa jurídica desistisse da opção Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10945.006975/200710 Acórdão n.º 1003000.104 S1C0T3 Fl. 77 6 solicitada, teria que comunicar formalmente sua exclusão, na forma e no prazo estabelecidos pelo Comitê Gestor do Simples Nacional. Por fim, em relação ao possível erro de fato que poderia justificar a exclusão do contribuinte do Simples Nacional com efeito retroativo a 01/07/2007, entendo que só se poderia falar em erro de fato se estivesse presente alguma situação causadora de exclusão obrigatória, ou seja, alguma das hipóteses previstas no inciso II do artigo 3° da já citada Resolução CGSN n° 15/2007. Nessa hipótese, o deferimento da opção pelo regime seria considerado um equívoco e teria de ser revisto de oficio. Entretanto, não foi isso que ocorreu no presente caso, pois o único motivo apresentado pelo contribuinte para pleitear a exclusão foi 0 fato de o novo regime ter se mostrado “inviável e oneroso” para a empresa, o que representa apenas inconveniência da opção pelo regime, e não erro de fato. Em resumo, entendo que a empresa deve ser mantida no Simples Nacional no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, pois optou validamente por esse regime e não solicitou exclusão na forma e no prazo previstos para tanto na Resolução CGSN n° 15, de 23/07/2007. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca a demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 2. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Por essa razão não cabem reparos à Decisão Simples Nacional DRF/FOZ/PR nº 09, de 26.01.2011, fls. 2124, nem ao Acórdão da 4ª Turma/DRJ/CTA/PR nº 0631.835, de 19.05.2011, fls. 4445. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado de boafé não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10945.006975/200710 Acórdão n.º 1003000.104 S1C0T3 Fl. 78 7 ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.722024/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/06/2010, 19/08/2010, 05/10/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DA REAL ADQUIRENTE. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL.
A medida extrema de perdimento dos bens a favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do Decreto-Lei 1.455/76 somente se mostra cabível quando demonstrada cabalmente as fraudes imputadas ao contribuinte. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário é nulo, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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OCULTAÇÃO DA REAL ADQUIRENTE. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL. A medida extrema de perdimento dos bens a favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do DecretoLei 1.455/76 somente se mostra cabível quando demonstrada cabalmente as fraudes imputadas ao contribuinte. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário é nulo, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 20 24 /2 01 3- 31 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 236 2 Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de lançamento no valor de R$ 166.742,13, relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias já comercializadas importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante ocultação do real adquirente em operações de comércio exterior. Foi aplicada a pena de perdimento às mercadorias importadas pela OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e posteriormente enviadas para a DONG QIAOYUME, em virtude da ocultação desta última empresa na operação de importação, aplicandose o disposto no § 3º, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A empresa OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA foi objeto de ação fiscal com o objetivo de verificar se a mesma tinha capacidade econômicofinanceira para atuar no comércio exterior. A OSKN foi autuada para aplicação da multa prevista no art. 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Relata a fiscalização, o seguinte: (...) em procedimento de fiscalização na OKSN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 08.989.948/000123, doravante denominada simplesmente OKSN, foram apurados fatos demonstrando que essa empresa efetuou, em nome próprio, operações de comércio exterior de terceiros, ocultando estes ao Fisco Federal, caracterizando assim a interposição fraudulenta de pessoas. Restou comprovado que embora a OKSN promovesse a importação de mercadorias em nome próprio, efetivamente registrando as declarações de importação e dando uma aparência de legalidade às operações, na realidade isso era feito ocultando do Fisco os reais beneficiários dessas operações, que foram as empresas listadas no doc. 21 (fls. 2168 a 2173), comprovadamente as verdadeiras encomendantes das mercadorias importadas pela OKSN. Foi lavrado, então, o presente Auto de Infração, com base no artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que prevê a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, aplicável à pessoa jurídica que cedeu seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. 4. DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO 4.1 Da Diligência ao Estabelecimento da Empresa e Primeira Intimação Em 07/05/2012 foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização e Intimação nº 110/2012 (fls. 62 a 74) intimando a empresa a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias contados da ciência, os documentos e esclarecimentos pertinentes à ação fiscal em curso. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 237 3 Nesta mesma data foi realizada por essa fiscalização diligência no local indicado como domicílio fiscal da empresa, situado na Avenida Rio Branco, 45 – Sala 1705 – Centro – Rio de Janeiro/RJ. A ciência do Termo de Início de Fiscalização e Intimação foi dada pessoalmente nessa ocasião (fls. 64), à Sra. Maria Janeide M. Aragão, que se identificou como secretária do Sr. Lin Haiping, sócio administrador da OKSN, que não se encontrava presente. Foram anexados ao Termo de Início cópia da identificação funcional da Sra. Maria Janeide (fls. 74) e cópia de um alvará de licença para estabelecimento (fls. 73). Porém, este documento autorizava o funcionamento da OKSN na Rua Leandro Martins, 20 Sala 501, ou seja, tratase do alvará da antiga sede da empresa e não da atual. Mesmo assim, chamese atenção para o fato da licença vedar a circulação de mercadorias e armazenagem no local. Causou total estranheza o fato da sede de uma empresa que movimentou, somente no período fiscalizado, quase 40 milhões de reais, ser simplesmente uma sala comercial, com apenas uma secretária. Não é possível entender como, naquele local e através de que pessoas, possam ter sido negociadas todas as operações comercias que envolveram a nacionalização de mercadorias importadas com valor aduaneiro total de quase 17 milhões de reais, que é o cenário ora fiscalizado. 6. DA ANÁLISE FISCAL 6.1 DA CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DA EMPRESA Foram apresentadas, conforme protocolo de fls 76, cópias do contrato social e de sua primeira alteração (doc. 1), dos documentos de identificação dos sócios (doc. 2), de fatura de energia elétrica do mês de abril/2012 (doc. 3), de boleto bancário de serviços de telefonia/dados também do mês de abril/2012 (doc. 3), da notificação de lançamento do IPTU 2012 (doc. 3), de uma escritura de compra e venda (doc. 3) e de um Livro Registro de Empregados com data de abertura de outubro de 2009 (doc. 4). Quanto ao registro de empregados, existem no Livro 4 registrados, porém, na diligência ao estabelecimento em 07/05/2012, só estava presente a Sra. Janeide Aragão, secretária. Ela, da mesma forma que o sócio da empresa em entrevista, informou ser a única funcionária da empresa. Além disso, chamou imediatamente atenção o fato das faturas de energia elétrica (fls. 109) e telefonia (fls. 111) apresentadas estarem em nome de outra empresa, a AAS ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA., CNPJ 09.154.495/000188, que é exatamente a prestadora de serviços aduaneiros da fiscalizada, cujo sócio majoritário com 99% de participação (fls. 2167) é o Sr. Alexandre Ayres dos Santos (inicias AAS), CPF 013.512.79718, já citado no presente relatório como sendo despachante e representante legal da fiscalizada. Afinal, quem funciona na Rio Branco 45, sala 1705? A empresa fiscalizada e o seu escritório de despacho funcionam na mesma sala comercial? Em busca desta resposta, fizemos ampla pesquisa na Internet, procurandose pela razão social da fiscalizada, pelo seu nome de fantasia (OARY), pelo nome de seu sócio e não existe absolutamente nada. O que encontramos, com muita facilidade, já que consta de vários apontadores de lista, foi a indicação da empresa AAS ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA., cuja localização informada é a Av. Rio Branco, 45 Sala 1705 (fls. 2166), embora ao Fisco a AAS informe seu endereço de cadastro na Rua Cândido Portinari, 445, Barra da Tijuca (fls. 2167). Tais constatações inferem diretamente para a atuação da fiscalizada como interposta em suas operações de comércio exterior, pois não se entende de que forma Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 238 4 a OKSN pôde movimentar, somente no período fiscalizado, quase 17 milhões de reais em importações, a partir de uma sala comercial com área bruta de 63 m ² (fls. 113) , com apenas uma secretária, sem depósito nem exposição de mercadorias, sem vendedores, sem representantes comerciais, sem site na Internet e com um capital social de apenas R$ 100.000,00, totalmente incompatível com o porte de uma empresa que faturou, no período fiscalizado, aproximadamente 40 milhões de reais. 6.2 DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS PARA FECHAMENTO DE CÂMBIO E PAGAMENTO DE TRIBUTOS Esta análise foi pautada nos documentos listados abaixo, apresentados pela fiscalizada, que foram analisados em conjunto com os dados das declarações de importação registradas: · Extratos Bancários (doc. 7); · Contratos de Câmbio constantes nos dossiês de cada DI autuada (fls. 2630 a 9559); · Escrituração contábil composta dos Livros Diário (doc. 8 a 11) e Razão (doc. 12 a 15) dos anos de 2008 a 2011 e os Livros Registro de Entradas (doc. 16) e Registro de Saídas (doc. 17) dos anos de 2008 a 2012 (escriturados até abril). As operações de câmbio e pagamento de tributos das importações auditadas são feitas em uma única conta bancária, qual seja a conta 2649034, da agência 0716 do Banco HSBC. Esses extratos bancários apresentados pela fiscalizada, constantes do doc. 7, materializam e comprovam a alta movimentação financeira da empresa, apurada inicialmente através de consulta aos sistemas informatizados da RFB, já suscitada no item 2 do presente relatório e que atinge nos anos fiscalizados a cifra de R$ 39.868.213,34. Existe ampla movimentação de recursos a crédito na conta corrente da empresa, de forma “pulverizada”, ou seja, muitas entradas, com valores diversos, por meios também diversos, como por exemplo, cheques depositados pelo correntista, cheques depositados por terceiros, TED de diferente titularidade, depósito em dinheiro e recebimentos de títulos bancários emitidos pela correntista pagos em dinheiro e cheque. Segue abaixo uma reprodução de parte do extrato bancário de fls 227 e 228 de julho/2010, onde se vê entradas que variam de R$ 50,00 a R$ 178.918,00: (...) Através da análise dos extratos bancários é possível visualizar que os fechamentos de câmbio e os pagamentos de tributos são feitos exatamente com recursos oriundos dessas entradas diversas, como as citadas acima. A contabilidade apresentada (doc. 12 a 15) registra essas entradas como “Recebimento de Clientes” na Conta 1.1.2.01.01.001 Clientes Diversos no País (fls. 1305), porém, não as identifica. Ou seja, não há referência a que notas fiscais de venda essas entradas dizem respeito, nem consequentemente de que clientes se originaram. A não identificação dessas origens é presunção legal de interposição fraudulenta. Legalmente, o importador passaria a ser caracterizado como interposto fraudulento pelo fato de não ter conseguido comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior, conforme prevê Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 239 5 o Decreto Lei n° 1.455/76, art. 23, § 2°, com a redação dada pelo art. 59 da MP 66/2002. Porém, com o uso das novas tecnologias da fiscalização tributária, que se modernizou em busca da apuração de fraudes mais complexas, foi feito, sobretudo através do sistema CONTÁBIL, o cruzamento das informações das notas fiscais emitidas pela empresa com as declarações de importação por ela registradas. Nesse cruzamento de informações, através do qual foi possível verificar o conteúdo de cada nota fiscal de venda emitida, ficou evidenciada a integral transferência de mercadorias importadas através de uma declaração de importação a um único cliente, ou seja, ao destinatário da nota fiscal de venda, que agora tornase conhecido. Assim, obtevese a prova direta de que a fiscalizada realiza operações para revenda a encomendante predeterminado, pois, os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais dessas operações, conforme minuciosamente explicitado no próximo tópico, comprovam tal fato. Dessa forma, ao invés de presumir, por ficção legal, a interposição fraudulenta por não comprovação de origem, foi possível comprovar documentalmente a existência dos reais beneficiários das operações, os identificando. Materializouse, então, nas importações da fiscalizada, um quadro de interposição fraudulenta comprovada, ao invés de presumida. Se essas importações tivessem sido realizadas diretamente com recursos fornecidos por esses beneficiários, restaria caracterizada a importação por conta e ordem desses. Como não foi verificada tal situação, restou caracterizada a importação por encomenda, conforme disposições da Lei n° 11.281/2006, regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 634, de 24 de março de 2006. Em impugnação, a empresa alegou: Em sede preliminar, foi arguida nulidade dos lançamentos por vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Aduziu a defesa que o MPF delimitava o objeto da fiscalização ao exercício 2012 e ao tributo IRPJ. Prosseguiu afirmando que, uma vez tendo sido objeto dos lançamentos as contribuições PIS e COFINS, não haveria outra solução senão a anulação do MPF e, consequentemente, do auto de infração. No mérito, a impugnante aduziu a ausência de provas e que a autoridade fiscal lançou com base em presunção, sem qualquer amparo legal. Ainda, postulou a inexistência de solidariedade com base no art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Segundo a defesa, todas as operações se caracterizam simplesmente como aquisição de mercadorias no mercado interno. Também foi alegado desproporcionalidade das multas aplicadas e caráter confiscatório, tendo a defesa afirmado que: “A MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO SOMENTE PODE SER APLICADA QUANDO A MERCADORIA AINDA NÃO TIVER SIDO DESEMBARAÇADA” (fl. 116). Outro pleito trazido pela impugnante é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 240 6 nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Em suas considerações finais, a ora impugnante pleiteou juntada posterior de outros elementos probatórios, dilação de prazo para impugnação e realização de diligência. Devidamente impugnado o auto de infração, a 2ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão n° 0736.402, negou provimento ao apelo. Entendeu a DRJ que não há dúvida quanto à configuração da interposição fraudulenta: IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A ocultação do real adquirente e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Em seu recurso voluntário, a empresa requer a nulidade do auto de infração e aponta que não há provas da conduta fraudulenta a ela imputada. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. De início, cumpre diferençar a interposição fraudulenta comprovada e a presumida para corretamente valorar as provas produzidas nestes autos, o que se faz a seguir. I.a Interposição fraudulenta comprovada O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prescreve: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 241 7 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, prevista no artigo 23, do Decreto Lei nº 1.455/1976 e artigo 689, VI, § 3º e §3ºA do Regulamento Aduaneiro vigente (Decreto nº 6.759/09), é definida como a participação de terceiro agente em operação de comércio exterior com o objetivo de ocultar o real vendedor, comprador ou o sujeito responsável pela operação, praticada mediante fraude ou simulação. A penalidade cabível é a pena de perdimento, que será aplicada após o encerramento do procedimento especial instaurado nos termos da IN SRF nº 228/2002. A pena de perdimento também encontra guarida no art. 105 do DecretoLei nº 37, de 1966: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; O perdimento convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (§ 1º e do art. 689, do Regulamento Aduaneiro). Essa multa será exigida mediante lançamento de ofício que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União (§ 2º art. 73 da Lei 10.833/2003). A autoridade lançadora deve trazer elementos de prova para caracterização de interposição fraudulenta, uma vez que, em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 242 8 I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A prova deve ser efetiva e inequívoca para aplicação da pena de perdimento, dessa forma deve ser comprovado objetivamente o dano ao Erário mediante fraude e simulação. No que tange às infrações, o dolo e a culpa não podem ser presumidos, devem sim ser provados, conforme a lição de Paulo de Barros Carvalho1: Sendo assim, ao compor em linguagem o fato ilícito, além de referir os traços concretos que perfazem o resultado, a autoridade fiscal deve indicar o nexo entre a conduta do infrator e o efeito que provocou, ressaltando o elemento volitivo (dolo ou culpa, conforme o caso), justamente porque integram o vulto típico da infração. A autuação fiscal por interposição comprovada referese a graves condutas fraudulentas imputadas ao contribuinte, por isso o auto de infração deve trazer todo o suporte documental para avaliação da configuração de tais condutas ilícitas. I.b Interposição fraudulenta presumida A disposição legal do § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prevê que a ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior enseja o perdimento ou multa substitutiva. Tratase de presunção legal, que pode ser afastada sempre que a empresa autuada comprovar a origem, a disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Então, na interposição presumida as operações de comércio exterior não são realizadas pela própria empresa, mas por outrem. Por consequência, aplicase o perdimento e a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1º da Lei nº 9.430/1996. Havendo presunção legal, cabe à autoridade administrativa apresentar provas do fato que enseja a aplicação dessa presunção, como ensina Fabiana Del Padre Tomé2: Qualquer que seja a modalidade de presunção, é imprescindível a prova dos indícios para, a partir deles, demonstrar a existência de causalidade com o fato que se pretende dar por ocorrido. A diferença reside na circunstância de que, tratandose da chamada presunção legal, a relação causal entre fato presuntivo 1 Direito Tributário Linguagem e Método. 6ª ed. São Paulo: Editora Noeses, 2015, p. 857. 2 A Prova no Direito Tributário. 4ª ed. São Paulo: Noeses, 2016, p. 299300. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 243 9 e fato presumido dáse no âmbito prélegislativo. Identificando o aplicador do direito, no caso concreto, a situação prevista na hipótese da regra de presunção, há de concluir pela ocorrência do fato prescrito no consequente normativo: o fato presumido. A demonstração do fato presuntivo é condição inarredável para a constituição do fato presumido. I.c Caracterização da Interposição Fraudulenta neste caso Segundo a descrição do auto de infração, os dados coletados que caracterizariam que a autuada se ocultou ao Fisco nas operações de importação conduzidas pela OKSN, caracterizando dano ao Erário de forma comprovada, são os citados abaixo: 6.3 DAS OPERAÇÕES POR ENCOMENDA Nas fls. 2630 a 9559, estão os dossiês de importação de todas as 341 declarações autuadas na presente fiscalização, constando de extrato da DI, fatura (invoice), conhecimento de carga, contrato de câmbio, nota fiscal de entrada e notas fiscais de venda, através das quais a fiscalizada deu saída às mercadorias por ela importadas. Para melhor visualização de que as mercadorias importadas pela OKSN já tinham destinatário determinado ao serem desembaraçadas, os dados acima foram tabulados nas planilhas constantes dos doc. 22 a 26, separadas por ano, contendo cada planilha o número de todas as DI autuadas, a data de desembaraço das mesmas, a discriminação e quantidades dos itens importados através de cada uma delas, o número da nota fiscal de venda emitida pela fiscalizada com a totalidade dos itens importados em cada DI, a data de emissão dessa nota fiscal (para que possa ser comparada com a data de desembaraço), os dados do destinatário da nota fiscal (CNPJ e nome) e o valor aduaneiro da operação, já que é sobre este que se calcula a penalidade ora lançada. A análise dessas operações, sob os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais, comprovam que as mesmas são para revenda a encomendante predeterminado. Sob os dois primeiros aspectos, levandose em conta a gama de produtos importados, bem como a grande quantidade de cada um deles, não seria razoável crer que, após cada desembaraço, a OKSN encontrasse aqui no mercado interno, por mero acaso e coincidência, uma só empresa interessada em exatamente toda a carga desembaraçada. Seria concordar que a fiscalizada fosse capaz de saber perfeitamente em quantidades e sortimento a exata demanda dos seus clientes. O aspecto temporal das operações que a fiscalizada tenta registrar como legais é ainda mais comprovador da fraude. A data de desembaraço, por exemplo, da DI 11/07163368 é 20/04/2012 (DI 220). A nota fiscal de entrada n° 538 (fls. 7110) e a de venda n° 539 (fls. 7111) também são de 20/04/2012. No campo fático, seria completamente inexequível desembaraçar, emitir nota de entrada e vender tudo em um mesmo dia. Se a OKSN estivesse operando a partir de desígnio e por conta e risco próprios, normalmente haveria um lapso temporal entre a importação e a revenda dos bens, dado que a tarefa de achar um comprador para o mesmo normalmente toma algum tempo. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 244 10 Mesmo considerando que em algumas operações a data da nota fiscal de venda não seja exatamente a mesma do desembaraço, o intervalo é de no máximo dois ou três dias, período no qual é igualmente impossível supor que a empresa receberia a mercadoria do exterior, ofertaria no mercado e venderia em lotes exatos. Enfim, é esse o “modus operandi” da OKSN e exatamente nesses moldes são todas as 341 operações autuadas na presente fiscalização. Isso pode ser visualizado nas planilhas constantes dos documentos 22 a 26, que contêm todas as operações dos anos de 2008 a 2012. Entretanto, frisese que as planilhas se propõem apenas a fornecer uma melhor visualização. Os instrumentos de prova, efetivamente, são os próprios documentos, que como já citado, encontramse nas fls. 2630 a 9559. 6.4 DOS REAIS BENEFICIÁRIOS DAS OPERAÇÕES, OS ENCOMENDANTES No tópico anterior, ficou demonstrado que as mercadorias importadas pela OKSN tinham destinação certa ao serem desembaraçadas. Ao contrário de uma operação comum de importação, onde o importador nacionaliza mercadorias para oferecer no mercado interno, por sua conta e risco, as operações em questão foram feitas para destinatários predeterminados, sob demanda destes. Assim, a OKSN foi apenas uma intermediadora das operações, cujos reais beneficiários foram seus clientes, destinatários das notas fiscais de venda, verdadeiros compradores das mercadorias importadas. Como já citado anteriormente, se essas importações tivessem sido realizadas com recursos fornecidos por esses compradores, restaria caracterizada a importação por conta e ordem desses terceiros, que seriam tecnicamente chamados de reais adquirentes. Como isso não foi verificado, restou caracterizada a importação por encomenda, sendo os compradores das mercadorias chamados de encomendantes. Dessa forma, a OKSN é uma empresa que atua como importadora por encomenda, porém, e onde reside o problema, ocultando do Fisco essa informação. A lista dos clientes da OKSN, encomendantes das mercadorias importadas através das declarações de importação ora autuadas, encontrase no doc. 21. Essas empresas ficaram ocultas ao Fisco até a presente fiscalização. A OKSN registrou as declarações de importação, declarandose como real adquirente das mercadorias importadas, ocultando os reais encomendantes da relação jurídico tributária. Para essas empresas atuarem legalmente, adquirindo de um importador por encomenda, mercadorias de procedência estrangeira para comercialização, deveriam ter sido atendidas as regras para as importações sob encomenda previstas na Lei n° 11.281/2006 e na IN SRF n° 634/2006, quais sejam: 1a) A Declaração de Importação somente poderia ser registrada após a habilitação do encomendante no SISCOMEX; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 245 11 2a) O encomendante deveria informar à Receita Federal as operações em que utilizaria um importador; e 3a) O importador por encomenda deveria indicar em campo próprio da DI o CNPJ do encomendante. De acordo com o parágrafo único do artigo 3° da IN SRF n° 634/2006, enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Nada disso foi feito. Os encomendantes não foram habilitados, a RFB não foi informada que seria utilizado um importador por encomenda para realizar essas operações nem este importador, OKSN, indicou na DI quem seriam os encomendantes (fls. 2630 a 9559). Em pesquisa aos sistemas informatizados da RFB, verificase que os clientes da OKSN são, em sua maioria, empresas pequenas, localizadas em São Paulo, atuantes no conhecido mercado de venda de importados daquela capital. Tais empresas não possuem habilitação para operar no comércio exterior e dificilmente a obteriam, pois, as pesquisas aos sistemas apontam para diversas irregularidades, inclusive envolvimento em fraudes e omissão de declarações ao Fisco Federal. Ou seja, essas empresas, não poderiam, através delas próprias, importar as mercadorias que desejavam revender no mercado interno, pois não obteriam habilitação para tal fim. Também não poderiam, de forma legal, utilizar os serviços de importação de outra empresa, por encomenda ou por conta e ordem, pois para isto também precisariam estar habilitadas. Assim, se utilizaram da OKSN para fazer o que não poderiam fazer sozinhas. Dentre as empresas mantidas ocultas nas operações da empresa OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, verificouse que a autuada foi destinatária das mercadorias importadas sob o amparo de 05 declarações de importação, conforme constante da planilha abaixo: Na ação fiscal em desfavor da OSKN BRASIL, verificouse que as mercadorias das declarações de importação listadas foram transferidas na sua totalidade para a autuada, por meio das notas fiscais também listadas na planilha acima. Na próxima planilha transcrevemos as datas de registro e desembaraço das declarações de importação e também as datas de emissão das notas fiscais de venda das mercadorias constantes de cada D.I.: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 246 12 O quadro acima corrobora o já mencionado no relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa OSKN BRASIL, no que tange ao aspecto temporal das operações de importação efetuadas pela empresa. O lapso temporal entre o desembaraço das mercadorias e o seu repasse para a autuada foi mínimo, indicando, junto com os demais fatos apurados no decorrer da referida ação fiscal, o caráter de encomenda das importações efetuadas pela OSKN BRASIL. Os dados transcritos foram apurados por meio de consultas realizadas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil e com base nos documentos recebidos da empresa OSKN BRASIL. No anexo I do presente auto de infração juntamos os extratos das declarações de importação e as respectivas notas fiscais de venda. No anexo II, juntamos as partes de planilha constante do auto de infração lavrado em desfavor da OSKN BRASIL, onde consta a correlação das declarações de importação e as notas fiscais de venda das mercadorias à DONG QIAOYU ME Com a emissão do MPF Nº 0815500201300433, em desfavor da autuada, intimamos a mesma a informar se ainda estava de posse/propriedade das mercadorias adquiridas da OSKN BRASIL, importadas sob o amparo das declarações citadas acima. Recebida a intimação, conforme o AR constante do anexo III, o autuado não respondeu. Reintimado, o autuado recebeu a nova intimação, conforme AR constante do anexo IV, mas também não apresentou resposta. Como se observa acima, a autoridade fiscal afirma que a empresa Dong Qiaoyu foi a real adquirente das mercadorias objeto das DI autuadas. E não como compradora no mercado interno, mas utilizandose da empresa OKSN em operações irregulares de comércio exterior mediante interposição fraudulenta, permanecendo oculta ao Fisco. Segundo a fiscalização, as operações de importação conduzidas pela OKSN eram sempre declaradas como próprias. Entretanto, a movimentação das mercadorias recém desembaraçadas evidenciava situação que não se coadunava como importações por conta própria, ou seja, a totalidade das mercadorias era integralmente revendida imediatamente após o desembaraço a uma única empresa (em cada caso) e geralmente através de uma única nota fiscal. No auto de infração, a fiscalização faz menção ao Processo n° 10074.721681/201285: Em cumprimento a determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal nº 0815500201300433, procedemos à ação fiscal em desfavor da empresa DONG QIAOYU, tendo em vista que verificouse que a mesma era a real adquirente de mercadorias importadas pela empresa OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, que agiu como interposta pessoa para ocultar a atuação do autuado nas referidas operações de importação, conforme relato a seguir. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 247 13 A empresa OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA foi objeto de ação fiscal com o objetivo de verificar se a mesma tinha capacidade econômicofinanceira para atuar no comércio exterior. Transcrevemos abaixo trechos do relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa OSKN BRASIL, onde estão expostos os fatos que ensejaram a lavratura de auto de infração em desfavor da referida empresa, tendo em vista o disposto no artigo 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Observase do relato da autoridade fiscal, que o convencimento a respeito da ocorrência da interposição fraudulenta se deu após a ação fiscal sofrida pela OSKN, objeto do Processo n° 10074.721681/201285. Inclusive, cita que: Os instrumentos de prova, efetivamente, são os próprios documentos, que como já citado, encontramse nas fls. 2630 a 9559. As páginas 2630 a 9559 são do Processo n° 10074.721681/201285. Entretanto, é necessário esclarecer que ainda que nesse outro processo haja comprovação da interposição fraudulenta, nestes autos, não há. Neste processo, o auto de infração está acompanhado apenas de: 1) notas fiscais que supostamente acobertaram a saída (venda para a ora Recorrente) das mercadorias importadas, evidenciando que toda a operação fora previamente contratada e caracterizando a utilização de fraude mediante interposição; 2) planilha; 3) DIs; 4) cópia do Termo de Verificação Fiscal do Processo n° 10074.721681/201285 e 5) nada mais. Logo, entendo não haver elementos nestes autos capazes de confirmar o quadro fraudulento apontado pela fiscalização, matéria totalmente vinculada à produção de prova pela autoridade administrativa. Vejase que a própria DRJ fundamentou a manutenção do auto de infração, levando em conta a produção probatória no outro processo, o de n° 10074.721681/201285: Em diligência à sede da OSKN, verificouse que se tratava de uma mera sala comercial e contava com apenas um funcionário (secretária), o que inviabiliza sua atuação no comércio exterior por conta própria, uma vez ausentes infraestrutura humana e física para tal. Tendo em conta tais circunstâncias e demais analisadas no curso do processo nº 10074.721681/201285, foi lavrada autuação com base no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por cessão de seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Os dados expostos caracterizam que a ora impugnante se ocultou ao Fisco nas operações de importação conduzidas por OKSN, caracterizando dano ao Erário de forma comprovada e Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.722024/201331 Acórdão n.º 3301004.709 S3C3T1 Fl. 248 14 não por presunção, o que, inclusive, permite a legislação em alguns casos. Deveria a autoridade lançadora ter trazido os elementos de prova para caracterização de interposição fraudulenta para este presente processo. Considerando o império da estrita legalidade, tipicidade tributária, motivação do lançamento tributário, devido processo legal e ampla defesa, diante da gravidade da fraude aduaneira imputada à Recorrente, o lançamento tributário desprovido de provas deve ser declarado nulo, por vício material. Por conseguinte, deve ser cancelada a multa de perdimento aplicada, diante da total ausência dos pressupostos legais para sua aplicação. Os demais argumentos ofertados pela empresa perdem seus objetos em face da questão principal controvertida de mérito lhe ser favorável. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 248DF CARF MF
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