Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10768.013876/2001-97
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REEXAME.
O imposto de renda retido na fonte (IRRF), indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-002.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REEXAME. O imposto de renda retido na fonte (IRRF), indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10768.013876/2001-97
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5355869
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.160
nome_arquivo_s : Decisao_10768013876200197.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 10768013876200197_5355869.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
dt_sessao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5502131
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812201320448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 418 1 417 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.013876/200197 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.160 – 3ª Turma Especial Sessão de 6 de maio de 2014 Matéria IRRF COMPENSAÇÃO Recorrente REXAM BEVERAGE CAN SOUTH AMERICA S/A., anteriormente LATASA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REEXAME. O imposto de renda retido na fonte (IRRF), indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 38 76 /2 00 1- 97 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10768.013876/200197 Acórdão n.º 1803002.160 S1TE03 Fl. 419 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10768.013876/200197 Acórdão n.º 1803002.160 S1TE03 Fl. 420 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 148 a 151): Versa o presente processo sobre Pedido de Restituição (fl. 01), apresentado em 28/11/2001, no montante de R$ 727.440,90, oriundo de retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre a remuneração de Juros sobre Capital Próprio (código 5706), recebidos no anocalendário de 2000, cumulado com Pedido de Compensação (fl. 02), formulado na mesma data, do crédito alegado com débitos de IRPJ e CSLL devidos a título de estimativa mensal relativa a out/2001 e Pedido de Compensação relativo ao crédito em questão com débito de CSLL (estimativa mensal relativa a nov/2001) anexado à fl. 01 do Processo apenso nº 10768.015194/200119. Em 24/11/2006, o Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro–DERAT/RJ, em seu despacho decisório (fl. 83), não reconheceu o direito creditório da interessada, não homologando as compensações declaradas. O não reconhecimento se deu com base no Parecer Conclusivo nº 164/2006 (fls.79/82), no qual consta a observação de que o Pedido de Compensação de fl. 02, assim como o Pedido de Compensação de fl. 01 do Processo Apenso nº 10768.015194/200119, foi convertido em Declaração de Compensação por força do art. 49, § 4º, da Lei nº 10.637/2002. Os fatos destacados no mesmo Parecer, com base na análise da DIPJ/2001, anocalendário de 2000, cujo extrato parcial de consulta encontrase anexado às fls. 38/64, são os seguintes: a forma de tributação no citado anocalendário foi com base no lucro real e a forma de apuração do IRPJ e CSLL no período foi anual; de acordo com a ficha 11, a empresa calculou o imposto de renda mensal por estimativa com base em balanço/balancete de suspensão/redução nos meses de janeiro/2000 a dezembro/2000, só apurando imposto devido no mês de dezembro, no valor de R$ 1.583.518,72, não apurando imposto a pagar em função das deduções efetuadas a título de incentivos fiscais e IRRF nos valores de R$ 94.400,63 e R$ 1.489.118,09, respectivamente; a empresa apurou imposto de renda devido sobre o lucro real anual no valor de R$ 1.583.518,72 (ficha 12A), apurando, entretanto, IRPJ negativo, de R$ 1.696.924,57, em função das deduções efetuadas a título de Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), IRRF e imposto de renda mensal pago por estimativa, nos respectivos valores de R$ 38.580,45, R$ 1.752.744,75 e 1.489.118,09; o IRRF deduzido do imposto de renda mensal por estimativa devido no mês de dezembro/2000 (ficha 11), somado ao IRRF deduzido na ficha 12A perfaz o montante de R$ 3.241.862,84, valor este, em função do qual, acrescido do PAT, foi apurado o saldo credor de IRPJ que a interessada pretende tenha seu direito creditório reconhecido; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10768.013876/200197 Acórdão n.º 1803002.160 S1TE03 Fl. 421 4 de acordo com a ficha 43, a totalidade do imposto de renda retido na fonte utilizado como dedução nas fichas 11 e 12A é referente às retenções efetuadas sob os códigos 3426 e 6800 nos montantes de R$ 3.183.671,93 e R$ 58.190,91, respectivamente; de acordo com a ficha 06A, a empresa declarou R$ 33.240.251,88 a título de “outras receitas financeiras”, porém, em contrapartida, declarou R$ 68.048.017,69 na rubrica “outras despesas financeiras”. Na fundamentação do Parecer Conclusivo nº 164/2006 constam, em síntese, os seguintes argumentos: não se encontram nos autos quaisquer evidências que demonstrem se a empresa já se utilizou, ou não, do crédito pleiteado para compensações com débitos próprios nos anoscalendário posteriores a 2000; o “imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias pagas ou creditadas aos sócios ou acionistas das pessoas jurídicas a título de juros sobre o capital próprio tem como regime de tributação, para a pessoa jurídica tributada com base no lucro real beneficiária dos rendimentos, a sua dedução do apurado no encerramento do período de apuração, quer mensal, trimestral ou anual, sendo, portanto, considerado antecipação do valor devido do imposto de renda pessoa jurídica apurado na respectiva declaração de rendimentos apresentada (art. 668 do RIR)”; no “caso em análise não há que se falar em saldo negativo de IRPJ, uma vez que a totalidade do IRRF deduzido na declaração de rendimentos relativa ao ano calendário de 2000, para fins de apuração do saldo negativo de imposto nela apresentado, foi concernente às retenções na fonte efetuadas sobre rendimentos de aplicações financeiras sob os códigos 3426 e 6800”; “a empresa não usou da prerrogativa que a legislação lhe permitia de deduzir a totalidade do IRRF sobre a receita auferida de juros sobre o capital próprio, no valor de R$ 727.440,90, do imposto de renda devido, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ apresentado naquele anocalendário, além do que não se encontra nos autos elementos de prova da ocorrência de pagamentos a maior ou indevidos referentes a estas retenções efetuadas, não havendo, por conseguinte, previsão legal para sua restituição ou compensação com quaisquer débitos, uma vez que os IRRF teriam sido retidos e recolhidos, à época, com base em legislação de regência que assim o determinava”. Dessa forma, através do referido Parecer, foi proposto o indeferimento dos pleitos de fls. 02 e de fl. 01 do processo apenso de nº 10768.015194/200119, pelo não reconhecimento de qualquer direito creditório que lhe desse sustentação legal, dada a total ausência de comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado, e a consequente não homologação das compensações efetuadas. Tendo sido cientificada da decisão da DERATRio de Janeiro, e cobrada dos débitos objeto dos pedidos de compensação indeferidos, em 27/11/2006 (fl. 88), a interessada apresenta, em 27/12/2006, manifestação de inconformidade (fls. 91/97), alegando que: a) os créditos de IRRF objetos dos pedidos de compensação e de restituição em causa têm como principal origem o IRRF retido por Latas de Alumínio do Nordeste S.A. (Lanesa que, na época, era sua controlada), em razão de juros sobre o capital próprio (JCP) por ela pagos, conforme documentos que anexa; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10768.013876/200197 Acórdão n.º 1803002.160 S1TE03 Fl. 422 5 b) consta no Parecer que indeferiu o pedido em causa, que a incidência do IRRF sobre JCP é de natureza autônoma em relação à legislação do IRPJ, o que ensejaria a caracterização da possibilidade de restituição/compensação do IRRF apenas quando comprovado terse efetuado o recolhimento de forma indevida ou a maior; o que estaria previsto seria a utilização do valor do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do período para compensação ou mesmo restituição; c) o que ocorre é que foram oferecidos integralmente à tributação o rendimento de JCP pago, tendo sido recolhido na fonte o imposto devido e lançado em sua contabilidade o montante global de imposto recolhido como “IRRF a recuperar”, para ser compensado após a entrega do pedido de compensação; d) para comprovar suas alegações, acosta aos autos cópia dos levantamentos contábeis efetuados, referentes ao ano de 2000, quando foram realizados os pagamentos de JCP com a respectiva retenção na fonte, que geraram os créditos ora discutidos; e) fica, assim, comprovada a correta e integral contabilização da receita de JCP paga, que gerou o IRRF, devidamente recolhido (DARF de fls. 144/145), cuja compensação se pleiteia; f) houve, é verdade, equívoco no preenchimento da DIPJ/2001, onde se deixou de lançar o IRRF incidente sobre os JCP para fins de consolidação da base negativa de IRPJ referente ao respectivo exercício; g) o procedimento a ser adotado deveria ter sido o de consideração do IRRF sobre JCP juntamente com o IRRF sobre aplicação financeira para alcançar o montante final que consubstanciaria seu crédito de IRPJ a ser utilizado no primeiro exercício seguinte em que a empresa obtivesse base positiva de IRPJ (lucro); h) é inquestionável o fato de que possui efetivamente “um crédito de IRRF, uma vez que o mesmo não foi utilizado para formar o prejuízo por ela sofrido naquele exercício, bem como a base negativa do IRPJ levado para ser compensado com resultados positivos nos anos posteriores”; i) a presunção, neste caso, é de que os rendimentos de que se trata foram, sim, contabilizados e submetidos à tributação, do contrário, estarseia invertendo o ônus da prova, matéria já pacificada nos tribunais administrativos (conforme acórdãos reproduzidos à fl.96), mas, também, acusando, sem qualquer base ou fundamento, que teria sonegado receita; j) consta, também, no Despacho Decisório, que não teria sido demonstrada a não utilização dos créditos em anos posteriores a 2000; k) tal argumento não deve prosperar, uma vez que o crédito em questão foi utilizado tão somente para compensar os débitos já descritos; a simples análise das DCTF dos anos seguintes a 2001 demonstra que tais débitos não foram utilizados para outras compensações que não aquelas aqui pleiteadas; e l) da mesma forma, não existe qualquer pedido de compensação que tenha formulado para anos posteriores onde tais créditos estejam sendo utilizados. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 146): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10768.013876/200197 Acórdão n.º 1803002.160 S1TE03 Fl. 423 6 CRÉDITOS DE IRRF SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. O imposto retido na fonte sobre juros sobre capital próprio constitui, no caso das empresas tributadas com base no lucro real, antecipação do imposto de renda devido, não podendo ser compensado diretamente com outros tributos. Somente após encerrado o período de apuração, e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo do imposto de renda, é que o contribuinte pode eventualmente ter um direito líquido e certo de IRPJ passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. Ademais, cabe ao contribuinte a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Rest./Ress. Indeferido – Comp. não Homologada 3. Cientificada da referida decisão em 28/05/2007 (fls. 159verso), a tempo, em 27/06/2007, apresenta a interessada Recurso de fls. 160 a 179, instruído com os documentos de fls. 180 a 339, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10768.013876/200197 Acórdão n.º 1803002.160 S1TE03 Fl. 424 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. O pleito da Recorrente, efetuado por meio de Pedido de Restituição e Pedidos de Compensação, posteriormente convertidos em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), foi indeferido, basicamente, pelo fato de o direito creditório pleiteado (IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio) não haver sido incluído na apuração do saldo negativo do IRPJ do exercício de 2001 (decisão recorrida, fls. 153): Em relação ao caso em análise, a interessada não requereu a restituição do saldo negativo do imposto sobre a renda de pessoa jurídica apurado em sua DIPJ/2001, anobase 2000, conforme lhe facultava a legislação, mas sim do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF – Juros sobre Capital Próprio, no total de R$ 727.440,90. 5. Observase, por oportuno, que a própria decisão recorrida reconhece, expressamente, que o rendimento correspondente àquela retenção teria sido tributado na referida declaração (fls. 153 e 154): Realmente, de acordo com os Demonstrativos apresentados, referentes à Lanesa (empresa que pagou os juros e efetuou a retenção em causa) os rendimentos brutos correspondentes (fls.140/141) totalizam R$ 4.849.605,98, valor que consta na DIPJ/2001 ficha 06A (Demonstração do Resultado) linha 23 Receitas de Juros sobre o Capital Próprio (fl. 40v.). 6. No presente caso, admite a Recorrente que deveria ter indicado o imposto de renda retido na fonte (IRRF) na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) devido ao final do período de apuração, compondo o saldo negativo correspondente (fls. 171172): 5.5. Houve, é verdade, equívoco quando do preenchimento da DIPJ de 2001, onde se deixou de lançar o IRRF incidente sobre o JCP para fins de consolidação da base negativa de IRPJ referente ao respectivo exercício. O procedimento a ser adotado deveria ter sido o de consideração do IRRF sobre JCP juntamente com o IRRF incidente sobre aplicações financeiras para alcançar o montante final que consubstanciaria o crédito de IRPJ a ser utilizado pela empresa. 7. Assim, aquele pagamento de IRRF, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, limitado ao valor daquele. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10768.013876/200197 Acórdão n.º 1803002.160 S1TE03 Fl. 425 8 8. Em assim sendo, deve a repartição de origem reexaminar o pleito da Recorrente, como saldo negativo do IRPJ, limitado ao valor requerido de R$ 727.440,90, podendo, para tanto, intimála a apresentar a documentação comprobatória que entender de direito (se já não juntada aos autos), observados o contido no item 5 supra e a declaração da Recorrente abaixo transcrita (fls. 97), sendo incabível a eventual exigência, por parte da DRF, de qualquer prova negativa: 4.12. Tal argumento, no entanto, não deve prosperar, uma vez que o crédito em questão foi utilizado tão somente para compensar os débitos descritos acima. Simples análise das DCTFs dos anos seguintes a 2001 demonstra que tais créditos não foram utilizados para outras compensações que não aquelas aqui pleiteadas. Da mesma forma, não existe qualquer pedido de compensação formulado por REXAM para anos posteriores onde tais créditos estejam sendo utilizados. Só isso já é suficiente para demonstrar que não houve nova utilização dos créditos. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado (R$ 727.440,90) seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, na forma do item 8 supra. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 426DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720733/2009-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL
O cálculo da relação percentual entre as receitas sujeitas e não sujeitas à incidência não-cumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, deve considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas a esses dispêndios, sob pena de se distorcer esse resultado caso se excluam as receitas decorrentes de vendas com suspensão ou sujeitas a alíquota zero.
Recurso Voluntário Negado na parte conhecida
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL O cálculo da relação percentual entre as receitas sujeitas e não sujeitas à incidência não-cumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, deve considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas a esses dispêndios, sob pena de se distorcer esse resultado caso se excluam as receitas decorrentes de vendas com suspensão ou sujeitas a alíquota zero. Recurso Voluntário Negado na parte conhecida Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13971.720733/2009-75
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5363830
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-003.069
nome_arquivo_s : Decisao_13971720733200975.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 13971720733200975_5363830.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5546137
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812229632000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 687 1 686 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720733/200975 Recurso nº 13.971.720733200975 Voluntário Acórdão nº 3403003.069 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria COFINS PEDIDO ELETRONICO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL O cálculo da relação percentual entre as receitas sujeitas e não sujeitas à incidência nãocumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, deve considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas a esses dispêndios, sob pena de se distorcer esse resultado caso se excluam as receitas decorrentes de vendas com suspensão ou sujeitas a alíquota zero. Recurso Voluntário Negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 33 /2 00 9- 75 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA transmitiu, em 17/10/2008, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 42050.54095.171008.1.1.093227, de créditos da apuração nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins exportação no valor de R$ 234.044,07, referente ao terceiro trimestre de 2008. O Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 418 a 457, inicialmente, explicita os critérios adotados ante as discrepâncias verificadas entre os montantes das operações de aquisição de bens e serviços, apurados por CFOP, registrados no LRE e os consignados na memória de cálculo (referentes aos valores informados nas respectivas linhas do Dacon): (i) em sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, adotou tal valor como base sobre a qual efetuou as glosas pelas notas fiscais desconsideradas na análise, resultando em valor ajustado pela diferença (ii) quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória de cálculo, a diferença foi glosada por falta de comprovação e o valor do LRE foi adotado como base paras as glosas, e (iii) quando o valor apurado no LRE foi superior ao da memória de cálculo, sobre ele foram efetuadas as glosas dos valores das notas fiscais desconsideradas: se o valor resultante foi superior ao informado na memória, validouse o valor da própria memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise se o valor resultante foi inferior ao informado na memória, considerouse este como sendo o valor ajustado (e o máximo admissível). Para os montantes das operações registradas, apurados por CFOP das entradas, apuraramse os valores ajustados ou valores da memória validados na análise (máximo admissível por CFOP), cujo somatório foi adotado como o máximo admissível em relação à respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem. A partir dessa sistemática, apurouse glosa no valor total de R$ 140.930,57 em razão das seguintes irregularidades: a) aquisições de insumo da linha 02 das fichas 16A e 16B do Dacon: Fl. 688DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720733/200975 Acórdão n.º 3403003.069 S3C4T3 Fl. 688 3 as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações os valores das notas fiscais de aquisição de bens que não se enquadram no conceito de insumo dentre os quais, os valores de aquisições de bens que foram imobilizados, em relação aos quais a contribuinte informou se referirem a compras de reflorestamento, sendo feito o crédito pela exaustão as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 02 do Dacon. b) aquisições de serviços linha 03 das fichas 16A e 16B do Dacon: as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações os valores das notas fiscais de aquisição de serviços que não se enquadram no conceito de insumo as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 03 do Dacon c) despesas com energia elétrica linha 04 da ficha 16A do Dacon: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes a doações, Cosip, créditos de ICMS a compensar, parcelamentos e benefício fiscal d) despesas com locação de máquinas e equipamentos: glosaramse os valores referentes às despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., pois, de acordo com a NCM, caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina e) despesas com armazenagem e frete na operação de venda: glosaramse os valores referentes a serviços portuários, quais sejam os serviços de posicionamento, levante, fumigação, retirada de vazios e descarga de contêineres f) encargos com depreciação: glosaramse os valores da depreciação de máquinas e equipamentos que não são utilizados da atividade industrial e os valores referentes a despesas e investimentos em fazendas que compõem projetos florestais, sujeitos a quotas de exaustão a) aquisições de insumo da linha 02 das fichas 16A e 16B do Dacon: g) as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações? Fl. 689DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 h) os valores das notas fiscais de aquisição de bens que não se enquadram no conceito de insumo? dentre os quais, os valores de aquisições de bens que foram imobilizados, em relação aos quais a contribuinte informou se referirem a “compras de reflorestamento, sendo feito o crédito pela exaustão”? i) as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 02 do Dacon. j) b) aquisições de serviços linha 03 das fichas 16A e 16B do Dacon: k) as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações? l) os valores das notas fiscais de aquisição de serviços que não se enquadram no conceito de insumo? m) as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 03 do Dacon? n) c) despesas com energia elétrica linha 04 da ficha 16A do Dacon: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes a doações, Cosip, créditos de ICMS a compensar, parcelamentos e benefício fiscal? o) d) despesas com locação de máquinas e equipamentos: glosaramse os valores referentes às despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., pois, de acordo com a NCM, “caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”? p) e) despesas com armazenagem e frete na operação de venda: glosaramse os valores referentes a serviços portuários, quais sejam os serviços de posicionamento, levante, fumigação, retirada de vazios e descarga de contêineres? q) f) encargos com depreciação: glosaramse os valores da depreciação de máquinas e equipamentos não utilizados da atividade industrial e os valores referentes a despesas e investimentos em fazendas que compõem projetos florestais, sujeitos a quotas de exaustão. Ainda, para o mês de agosto de 2008 foram ajustados os encargos de depreciação de 1/12 para 1/48 dos itens: 1021, 1022, 1023, 1024, 1025, 1026, 1027, 1028, 1029, 1030 e 1031 o que eleva o valor da base de calculo a ser desconsiderada para R$ 22.423,20. Tendo em vista que a base de cálculo informada pela interessada totalizou R$ 265.931,59, resta um valor máximo admissível equivalente a R$ 243.508,39 (R$ 265.931,59 R$ 22.423,20)? as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito informado no Dacon. e as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito informado no Dacon. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720733/200975 Acórdão n.º 3403003.069 S3C4T3 Fl. 689 5 Ainda, considerando que a proporção de receitas vinculadas ao mercado interno e ao mercado esterno, discriminadas nas fichas 16A, 16B e 17A do Dacon, apresentaram significativas discrepâncias nos meses que compõem o trimestre em análise, a Fiscalização adotou para efeitos de cálculo dos créditos de mercado interno e externo, a proporção das receitas discriminadas na ficha 17A do Dacon, conforme Quadro 01 que segue: Proporção das receitas declaradas na ficha de apuração da contribuição do Dacon MÊS MERCADO INTERNO MERCADO EXTERNO JULHO 58,07% 41,93% AGOSTO 54, 84% 45,16% SETEMBRO 67, 11% 32,89% A DRFBlumenauSC, acolhendo o referido Relatório de Auditoria Fiscal, expediu o Despacho Decisório de fls. 463 e 464, deferindo o pleito parcialmente, em R$ 93.113,50. Em Manifestação de Inconformidade, fls. 494 a 502, o interessado contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo, argumentando que as receitas não tributadas no mercado interno, no caso, as tributadas à alíquota zero e de vendas de bens do ativo permanente, apresentadas, respectivamente, nas linhas 04 e 06 do Dacon, não podem ser consideradas para compor o cálculo da proporção, como, equivocadamente, fez a autoridade fiscal e que a autoridade fazendária considerou, para fins de cálculo da proporção do mercado interno, além do valor das linhas 04 e 06 do Dacon, o valor da receitas auferidas informadas na coluna receita das linhas 01 e 02, onde deveria ter considerado os valores da coluna base de cálculo aduz que procedendo assim, a autoridade fiscal acabou por considerar em duplicidade os valores de receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno. Defende os percentuais para a receita vinculada ao mercado externo de contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo, argumentando que as receitas não tributadas no mercado interno, no caso, as tributadas à alíquota zero e de vendas de bens do ativo permanente, apresentadas, respectivamente, nas linhas 04 e 06 do Dacon, não podem ser consideradas para compor o cálculo da proporção, como, equivocadamente, fez a autoridade fiscal? e que a autoridade fazendária considerou, para fins de cálculo da proporção do mercado interno, além do valor das linhas 04 e 06 do Dacon, o valor da receitas auferidas informadas na coluna “receita” das linhas 01 e 02, onde deveria ter considerado os valores da coluna “base de cálculo”? aduz que procedendo assim, a autoridade fiscal acabou por considerar em duplicidade os valores de receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno. Defende os percentuais para a receita vinculada ao mercado externo de 89,49% no mês de julho; 91,60% no mês de agosto e; 92,87% no mês de setembro. Em relação a glosa de aquisições de bens, alega que não há amparo legal para a autoridade fiscal glosar os créditos referentes à compra de floresta para extração de madeira utilizada em seu processo produtivo. Alega que as aquisições glosadas referemse a compra de floresta para dela extrair sua matéria prima? consistindo, portanto, de aquisição de insumo de gera crédito da não cumulatividade. Esclarece que a compra foi lançada no ativo imobilizado, Fl. 691DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 com a devida incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Todavia, não tendo sido a extração promovida em um único momento, o pedido de crédito ocorreu em etapas, à medida que as árvores eram extraídas, fato comprovado pelas notas fiscais de transferência juntadas (CFOP 1.151), colacionadas por amostragem, haja vista o grande número de notas fiscais existentes. Quanto aos encargos de depreciação inicialmente informa que a glosa se deu em relação aos seguintes números e descrições de bens informados: 129 aquisição de caminhão trator? 403 aquisição de caminhão trator? 773 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças? 774 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças e serviços? 775 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças? 776 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças? 862 acréscimo referente reforma do trator florestal aquisição de peças e 873 acréscimo referente reforma do trator florestal aquisição de peças. Reconhece que os bens adquiridos são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, não podendo se fazer distinção entre os que são e não utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços? ainda que se queira dar uma interpretação restritiva à lei de regência, não há como negar que os bens objeto da glosa fiscal são efetivamente máquinas ou equipamentos, ou seja, não há como negar, por exemplo, que um caminhão trator ou um trator seja uma máquina? não há a necessidade de maiores explicações para que se entenda que os tais bens são utilizados na produção de bens destinados à venda, já que sua descrição fala por si. Por fim, alega que a autoridade administrativa teve todos os subsídios necessários para comprovar as aquisições em comento, com a possibilidade de análise das notas fiscais e que, em assim sendo, se havia qualquer tipo de dúvida quanto a natureza e destinação do bem, esta poderia ter intimado a recorrente para prestarlhe todo e qualquer tipo de esclarecimento. Em relação aos ajustes dos encargos de depreciação da proporção 1/12, utilizados pela empresa, para o equivalente a 1/48, defende que se utilizou corretamente dos encargos de depreciação, consoante se verifica no artigo 1º da Lei n 11.774/2008. Alega que de acordo com este dispositivo, a partir de maio de 2008, o crédito referente aos encargos de depreciação será apurado na proporção de 1/12, corroborando o procedimento adotado pela requerente. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente para reverter a glosa de R$ 200,26 (= R$ 800,78 – R$ 600,52) no mês de julho, R$ 2.233,92, no mês de agosto e R$ 35,60 (= R$ 142,42 – R$ 106,82) no mês de setembro, referente à depreciação na proporção 1/12. O Acórdão nº 07028.694, de 4 de maio de 2012, fls. 596 a 617, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2008 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720733/200975 Acórdão n.º 3403003.069 S3C4T3 Fl. 690 7 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. Os percentuais a serem estabelecidos entre as receitas sujeita e as não sujeitas à incidência nãocumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, devem considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam a estes dispêndios associadas, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade, os que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bem destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 649 a 657, após síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre o sistema de distribuição do ônus da prova no processo administrativo, articulandoo com o princípio da verdade material, para concluir que não se pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No mérito, reportandose à Ficha do Dacon própria para o cálculo da contribuição no regime nãocumulativo, contesta o cálculo do rateio proporcional de receitas, Fl. 693DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 pugnando pela adoção dos valores consignados na coluna “Base de cálculo”, e não da coluna “Receitas”, como fez a Fiscalização, e pela exclusão do montante da receita bruta total do valor das receitas tributadas a alíquota zero (linha 04) e das receitas com suspensão das contribuições (linha 09), o que levaria os percentuais de exportação a 89,49% no mês de julho; 91,60% no mês de agosto e; 92,87% no mês de setembro, conforme minuta de cálculo que anexa à peça recursal. Quanto à glosa dos créditos em função das aquisições para reflorestamento ou oriundos de quotas de exaustão, explica que, como o contrato de compra e venda juntado aos autos, comprou uma floresta, incorporandoa ao seu Ativo Imobilizado, e dela extrai sua matériaprima. Ao invés de tomar o crédito de uma só vez, ao comprar a floresta, apropria o crédito à medida que a floresta é abatida e a madeira extraída, como comprovarias as notas fiscais de transferência juntadas quando da apresentação de manifestação de inconformidade. Entende resguardado seu direito de crédito, nos termos da Solução de Consulta nº 153, de 15 de maio de 2009, que transcreve. Contesta também a glosa dos créditos tomados a título de insumo dos custos de formação de floresta, a serem incorporados ao valor desse bem, registrado no ativo imobilizado. Alega que o bem adquirido é efetivamente integrado ao ativo imobilizado e é diretamente utilizado no processo produtivo dos bens fabricados e destinados à venda, não se podendo fazer distinção entre os que são e não são utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Aduz que se houvesse qualquer dúvida quanto à natureza e destinação do bem, a autoridade fiscal poderia ter intimado a recorrente para prestarlhe todo e qualquer tipo de esclarecimento. Pede provimento. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/2009 40 e 13971.720926/200764, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 649 a 657 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07028.694, de 596 a 617. Devolvemse a esta Turma Recursal as discussões a respeito do ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do método de rateio proporcional de custos, despesas e encargos comuns; do direito à tomada de crédito sobre encargos de exaustão e sobre as despesas de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720733/200975 Acórdão n.º 3403003.069 S3C4T3 Fl. 691 9 Tenho notícia de que ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA, ora recorrente, ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 500358124.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do SulSC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado – aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na presente peça exordial, os quais foram glosados pela autoridade fiscal nos processos administrativos nºs 13975.000463/200357, 13975.000464/200300, 13975.000496/200305, 13975.000018/2004 78, 13975.000217/200567, 13975.000215/200578, 13975.000213/2005 89, 13975.000212/200534, 13975.000210/2005 45, 13975.000199/200513, 13971.720021/200875, 13971.720022/200810, 13971.720023/200864, 13971.720024/2008 17, 13971.720025/200853, 13971.720026/200806, 13971.910941/201189, 13971.910944/201112, 13971.910945/2011 67, 13971.910950/201170, 13971.910958/2011 36, 13971.910959/201181, 13975.000218/200510, 13975.000216/2005 12, 13975.000214/200523, 13975.000224/200569, 13975.000209/200511, 13971.001997/2006 83, 13971.001996/2006 39, 13971.720016/200862, 13971.720017/200815, 13971.720018/200851, 13971.720019/200804, 13971.720020/2008 21, 13971.910942/2011 23, 13971.910943/201178, 13971.910946/201110, 13971.910949/201145, 13971.910960/2011 13, 13971.910955/201101, corrigidos monetariamente pela taxa referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos. Como se vê, à exceção das duas primeiras matérias, as demais foram submetidas à tutela do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face da renúncia à discussão administrativa dessas matérias, só se conhecerá das alegações recursais atinentes (i) ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte e (ii) sobre os percentuais a serem estabelecidos entre as receitas sujeita e não sujeitas à incidência nãocumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional previsto na legislação de regência, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns. Ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte Em que pese a dissertação da recorrente, comungo integralmente com as considerações sobre a distribuição do ônus probatório tecidas pela relatora da decisão recorrida, AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 10 Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO Fl. 696DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720733/200975 Acórdão n.º 3403003.069 S3C4T3 Fl. 692 11 – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a Fl. 697DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 12 instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Mérito – tomada de crédito sobre os fretes pagos na aquisição de insumos Conforme relatado, em face das discr4pâncias verificadas na proporção de receitas vinculadas ao mercado interno e ao mercado externo, discriminadas nas fichas 06A, 06B e 07A do DACON, a Fiscalização adotou a proporção das receitas discriminadas na ficha 17A do DACON para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e de mercado externo. Na reclamação, as relações percentuais Receita de Mercado Interno (RMI) / Receita Bruta (RB) e Receita de Mercado Externo (RME) / Receita Bruta (RB) foram contestadas, objetando se a inclusão, no cálculo, das receitas tributadas à alíquota zero e de vendas de bens do ativo permanente, e apontandose duplicidade de inclusão das receitas das linhas 01 e 02, já incluídas nas linhas 04 e 11. A decisão recorrida, quando foi o caso, acolheu parcialmente a objeção e somente excluiu do cálculo as receitas de venda de bens do Ativo Permanente, nos meses em que elas efetivamente ocorreram, ante sua interpretação da legislação de regência, especialmente o inc. II do § 8° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. No recurso voluntário, o contribuinte refutou o cálculo da DRJ/FNS, insistindo na adoção dos valores consignados na coluna “Base de cálculo”, e não da coluna “Receitas”, e na exclusão do montante da receita bruta total do valor das receitas tributadas a alíquota zero (linha 04) e das receitas com suspensão das contribuições (linha 09). Bem esclarecido na decisão recorrida, diante de custos, despesas e encargos comuns, para os quais não haja, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita, tornase necessário fazer o rateio proporcional a fim de determinar em que percentual os créditos estão associados a cada tipo de receita (tributadas pelo regime cumulativo, tributadas pelo regime não cumulativo, sujeita a alíquota zero, isentas, incidência suspensa etc.). Os créditos apurados segundo cada uma das relações percentuais merecerão tratamentos distintos, de acordo com a legislação. Por exemplo, as receitas isentas, sujeitas a alíquota zero ou mesmo decorrentes de vendas com suspensão da contribuição ou infensas a ela não impedem que o contribuinte mantenha os créditos a elas vinculados; as receitas vinculadas às vendas para o mercado externo ensejam ressarcimento em espécie dos créditos respectivos, ao passo que os créditos associados às demais receitas só podem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição ou, em as sobejando, na compensação com débitos próprios de outros impostos e contribuições... Com esse fim em mente, fica patente a impropriedade da objeção recursal. Retirar do cálculo da receita bruta o valor das receitas sujeitas a alíquota zero ou decorrentes de vendas com suspensão da contribuição distorceria a relação proporcional assim obtida. Por conta disto é que na receita bruta total devem ser incluídas todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns, e não aquelas que, por sua natureza, não se associam a esses montantes, como é o caso, por exemplo, das receitas de venda de bens do ativo permanente. Do mesmo modo, não há sentido algum em tomar os valores informados na coluna Base de Cálculo , pois é na coluna “Receita” que está consignado o valor total do faturamento auferido no período, correspondente à receita bruta, assim entendida o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil adotada para essas receitas, já diminuído das receitas informadas nas Linhas 04 a 11. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720733/200975 Acórdão n.º 3403003.069 S3C4T3 Fl. 693 13 Na coluna "Base de Cálculo", deve ser informado o valor constante do campo "Receita" líquido das exclusões previstas em lei (descontos incondicionais concedidos, quando computados como receita bruta vendas canceladas, após deduzidos os valores dos descontos incondicionais concedidos IPI, quando destacado na nota fiscal ICMS, quando recolhido na condição de substituto tributário reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Assim, julgo irretocável o cálculo do rateio proporcional procedido efetuado na decisão recorrida. Conclusão Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário (direito à tomada de crédito sobre encargos de exaustão e sobre as despesas de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado) e, na parte conhecida, quanto ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte e ao método de rateio proporcional, por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001851/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2005
Ementa:SAÍDAS DE PRODUTOS SEM N O T A FISCAL. MULTA REGULAMENTAR.
A legislação vigente impõe a fabricantes de produtos isentos que não emitam ou emitam de forma irregular as notas fiscais a que se encontram obrigados multa de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou, ainda, do valor do imposto que incidiria caso a operação osse tributada.
Numero da decisão: 3401-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira
.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2005 Ementa:SAÍDAS DE PRODUTOS SEM N O T A FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. A legislação vigente impõe a fabricantes de produtos isentos que não emitam ou emitam de forma irregular as notas fiscais a que se encontram obrigados multa de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou, ainda, do valor do imposto que incidiria caso a operação osse tributada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10283.001851/2007-89
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5363817
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.625
nome_arquivo_s : Decisao_10283001851200789.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANGELA SARTORI
nome_arquivo_pdf_s : 10283001851200789_5363817.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira .
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5546124
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812251652096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.001851/200789 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.625 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria IPI Recorrente BIC Amazonia S.A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2005 Ementa:SAÍDAS DE PRODUTOS SEM N O T A FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. A legislação vigente impõe a fabricantes de produtos isentos que não emitam ou emitam de forma irregular as notas fiscais a que se encontram obrigados multa de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou, ainda, do valor do imposto que incidiria caso a operação osse tributada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 18 51 /2 00 7- 89 Fl. 3984DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de Multa Regulamentar código 3738 – relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor de R$ 44.087,25 (fl. 06), aplicada em decorrência da saída de produtos sem emissão de nota fiscal. O lançamento, nos termos da descrição de fatos e enquadramento legal de fls. 07/08, indica os seguintes fundamentos para a autuação: a) Ao compararse a quantidade dos produtos informados na DCI com aquela escriturada nos respectivos documentos fiscais que instruíram tal declaração, chegase à constatação de saída de produtos industrializados com os incentivos fiscais do DL n° 288/1967 em quantidades superiores àquelas escrituradas nas notas fiscais de saída correspondentes, já que na DCI consta um quantitativo do produto maior do que aquele registrado nos documentos fiscais. b) Na apuração, destacaramse as internações de produtos sujeitos ao DCR, destinadas às demais regiões do país, excluída amazônia ocidental e áreas de livre comércio. Segregaramse, com base na inscrição estadual, as notas fiscais cujos CFOPs revelaram a destinação de produtos, sujeitos ao DCR, para as demais regiões do país, excluída a Amazônia ocidental e áreas de livre comércio. Excluíramse as notas fiscais canceladas, retificandose as quantidades escrituradas nas notas fiscais de saída. Cotejaramse, por período de referência da DCI e por produto industrializado, as quantidades registradas na DCI com aquelas escrituradas nas notas fiscais de saída. Nesse cotejo, excluíramse as quantidades objeto de nota fiscal cancelada. O resultado desse cotejamento está demonstrado às fls. 68/75, 87/98 e 111/122. Cientificada em 21/06/2007 (fl. 06), a contribuinte apresentou, em 20.07.2007, a impugnação de fls. 2547/2562, na qual alega, em síntese, que: a) Ao afirmar à fl. 08 que excluiu dos cálculos das penalidades as notas fiscais de saídas para a amazônia ocidental, a fiscalização está passando informação tendenciosa, que não condiz com a realidade dos fatos, isso porque a fiscalização excluiu em grande maioria as operações sob CFOP 6109, deixando de excluir, por exemplo, as vendas destinadas à Amazônia ocidental sob os CFOP 6401 e 6101, fato que deverá ser corrigido em respeito ao princípio da lealdade processual. b) O âmago das demonstrações das infrações apontadas e ratificadas no auto de infração está espelhado nos demonstrativos de fls. 6875, 8798 e 11122, os quais combate tomando como base os números dos DCR que figuram no trabalho fiscal e em contraposição às alegações da fiscalização apresenta demonstrativos contendo os números dos DCR, anexos aos quais estão cópias das notas fiscais de saída e, dependendo do caso, a documentação fiscal inerente às devoluções. Para contrapor a pretensão fiscal, junta aos autos demonstrativos nos quais, após destacar os vícios no trabalho fiscal, contesta todas as supostas infrações, Fl. 3985DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.001851/200789 Acórdão n.º 3401002.625 S3C4T1 Fl. 6 3 explicando a metodologia e a lógica que deveriam ter sido empregadas pela fiscalização, fazendo acompanhar a respectiva documentação probatória. c) A conclusão da fiscalização, ao afirmar que em relação a cada produto, a quantidade informada na DCI deve ser igual àquela descrita nas notas fiscais, seria correta, desde que o trabalho espelhasse a realidade dos fatos, ou seja, não contivesse as imperfeições apontadas nos demonstrativos acima referidos. d) O jogo de números e a adoção de estranhos critérios de avaliação surgem freqüentemente no auto de infração. Para exemplificar, no demonstrativo de fl. 70, a fiscalização toma como ponto de partida as quantidades contidas na DCI (840 caixas), comparando com o número de caixas apurado com base em notas fiscais de saída emitidas pela impugnante, que resultaram na saída da mesma quantidade de caixas (840). Neste mesmo demonstrativo, na coluna "Quntcanc", menciona 500 caixas e na coluna "Resultado" também 500 caixas. Na operação em questão, não ocorreu cancelamento algum que justifique aparecer na coluna "Resultado" 500 caixas. A bem da verdade, ao considerar o cancelamento de 500 caixas, sem qualquer justificativa plausível, temse o nítido convencimento de estar diante de um jogo de números adicionados e diminuídos a bel prazer. Destaquese que no interior do processo são inúmeras as errôneas considerações idênticas a esta agora apontada e que não podem subsistir. e) Outra situação esdrúxula está estampada no demonstrativo fiscal de fls. 90, relacionada ao DCR n° 2003/07178, objeto do Doe. 552, versando sobre a devolução de mercadoria. Em 22/12/2003, a impugnante promoveu a saída de mercadoria (16 caixas) ao amparo da nota fiscal n° 970, cujo imposto de importação reduzido foi recolhido através da DCI n° 04/00001612. O cliente devolveu a mercadoria e, em 01/04/2004, foi emitida a nota fiscal de entrada n° 6, a qual foi regularmente lançada no Registro de Entradas de Mercadorias. Posteriormente, a mesma mercadoria foi vendida para outro cliente, conforme nota fiscal n° 140, de 06/04/2004. Ao promover a nova saída, a impugnante não recolheu novamente o tributo, por se tratar de crédito em seu favor, assim como não submeteu a mercadoria a novo desembaraço. A fiscalização, contudo, considerou a segunda saída como venda de produto industrializado com os benefícios do DecretoLei n° 288/1967 sem emissão da nota fiscal. A prevalecer tal. entendimento, estará recolhendo duas vezes o tributo sobre a mesma hipótese de incidência. Não há na legislação pátria um dispositivo legal regulamentando a reinternação dos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus. f) Os demonstrativos juntados aos autos explicitam que as diferenças apontadas no DCR n° 2002/06064 e 2002/05490 (fl. 69), tratamse de saídas de mercadorias para o Estado do Amapá, amparadas pelas notas fiscais n°s 21192 e 414, ambas emitidas em 30/06/2003, operação essa que a fiscalização, por considerar o Estado do Amapá como inserido na Amazônia Ocidental, entendeu como internação de produtos em quantidade superior àquela registrada nas notas fiscais, resultando, de forma injusta, a aplicação de multa. Aduz que, nos termos da legislação de regência, o Estado do Amapá não faz parte da amazônia ocidental. Tendo em vista a quantidade de relatórios da fiscalização que misturam as operações realizadas com clientes estabelecidos no Estado do Amapá, com outras localidades, requer que a solução que for dada para as operações em tela beneficiem todas as demais que versem sobre a mesma matéria, constantes dos demonstrativos juntados aos autos. Frente ao DL n° 291/1967, não há como se admitir ou inserir o Estado do Amapá na Amazônia Ocidental Fl. 3986DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 e tão pouco interpretar extensivamente o art. 2o do referido Decreto a ponto de alargar a relação dos bens especificamente beneficiados com a isenção a todo e qualquer artigo. g) Diante das enormes imperfeições contidas nos relatórios que acompanham o auto de infração, requer a determinação de diligência, propondo os seguintes quesitos (fls. 2561/2562): 1) Fundamentada em qual dispositivo legal a fiscalização decidiu que as vendas da impugnante para o Estado do Amapá não devem recolher o II reduzido no ato da internação? 2) No caso concreto dos autos à fl. 71, quanto ao DCR 2002/03511, pode o Sr. Diligenciador informar por que a fiscalização lançou na coluna "QTDE DEC" a quantidade total das vendas (23.228 caixas) como um todo? 3) No caso concreto dos autos à fl. 70, quanto aos DCRs 2001/02666, 2002/03510, 2002/3511 e 2002/04053, pode o Sr. Diligenciador informar por que a fiscalização levou em consideração no seu trabalho notas fiscais canceladas? 4) Pode o Sr. Diligenciador informar por que a fiscalização com relação às operações para a Amazônia Ocidental não se utilizou de todos os CFOP para a identificação dessas operações? 5) As respostas aos quesitos acima como amostragem permitem concluir que o trabalho fiscal está repleto de imperfeições? Em 16/10/2009, foi determinada a realização da diligência de fls. 3824/3828, em resposta à qual foi expedido o documento de fls. 3829/3830, do qual consta: "O levantamento fiscal comparou duas informações prestadas pelo próprio contribuinte. Uma delas, a nota fiscal de saída de mercadorias da Zona Franca de Manaus. A outra, a Declaração de Controle de Internação. A Declaração de Controle de Internação deve refletir fielmente a quantidade de mercadorias constantes das notas fiscais de saída emitidas para fora da Zona Franca de Manaus no período de referência da DCI, independente da natureza jurídica das saídas ou sujeição delas a pagamento de tributos. Um dos aspectos relativos ao lançamento fiscal a ensejar dúvidas prendese' ao fato da inclusão, no auto de infração, de notas fiscais de saída para Amazônia Ocidental ou destinadas a Áreas de Livre Comércio. Esta hesitação surgiu em razão de dois equívocos, um de natureza redacional e o outro, interpretativo, perpetrados pela autoridade lançadora e pelo próprio impugnante respectivamente, .como segue: Na descrição dos fatos e enquadramento legal, no tópico 'Da Apuração', das folhas 08 dos autos, a redação deixa a entender que foram excluídos do levantamento produtos destinados à Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio. Contudo, essa passagem é daquelas em que a palavra escrita não foi capaz de retratar o efetivamente ocorrido. Há que acomodála numa interpretação restritiva. Não foram excluídas aquelas saídas pelo simples fato de estarem obrigadas à Declaração de Controle de Internação (DCI). Não é o fato de sujeitaremse as saídas' de mercadorias ao tributo correspondente que lhes impõem a necessidade da informação ao controle aduaneiro. As informações das notas fiscais de saída foram extraídas dos arquivos que representam os documentos fiscais do contribuinte, nos termos do ADE15/2001. O arquivo (...) tem como conteúdo todas as notas fiscais de saída ou de entrada emitidas pela empresa. Destarte, esse arquivo contém no campo 'número documento' todos os documentos fiscais emitidos, independente da situação de cancelamento deles. No outro campo — indicador de situação de cancelamento de documento — consta a informação do cancelamento daquelas notas fiscais constante do campo 'número do documento'. As planilhas das folhas 68 a 75; 87 a 98 e 111 a 122 foram elaboradas com a seguinte metodologia: A coluna 'QTDE DCI' registra as quantidades de mercadorias informadas na DCI. A coluna 'QTDE NF' registra as quantidades de mercadorias escrituradas nas notas fiscais de saída, independente da situação de cancelamento dos respectivos documentos fiscais. Fl. 3987DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.001851/200789 Acórdão n.º 3401002.625 S3C4T1 Fl. 7 5 Cientificada do resultado da diligência em 21/09/2010 (fl. 3831), a contribuinte manifestouse às fls. 3833/3846, alegando: "(...) conforme comprovado pelos demonstrativos apresentados pela Peticionária quando da apresentação da impugnação administrativa, o trabalho fiscal imperfeições que o maculam substancialmente culminando na Nulidade Infração. A conclusão da fiscalização, acerca da necessidade de identidade quantidade informada na DCI e a descrita nas notas fiscais seria correta desde o trabalho fiscal espelhasse a realidade dos fatos. (...) Inicialmente, o limo. Senhor AuditorFiscal da Receita Federal assevera que pessoalmente no 'contribuinte acima identificado' para a realização das diligências. Entretanto, a Peticionária não recebeu pessoalmente quaisquer dos Auditores Fiscais da Receita Federal, embora os estivesse aguardando para a realização necessárias diligências. Salientese que a Peticionária detém controle de saída de pessoas em sua sede e pode afirmar que o Senhor AuditorFiscal compareceu em sua sede para promover a diligência determinada, colocando já os controles de entradas de pessoas à disposição das autoridades competentes. (...) (...) ao final, concluiu adotando princípios bizarros e alicerçados em ' suposições que a coluna 'RESULTADO' teria refletido as situações em quantidades informadas em DCI seriam superiores àquelas informadas fiscais de saídas, o que permitiria inferir que teria havido saída de mercadoria nota fiscal correspondente. Em que pesem os argumentos esposados pelo limo. Sr. Auditor Fiscal Federal, verificase, claramente, da simples leitura do Termo de Intimaçao que as diligências determinadas pelo Sr. Julgador Tributário não foram cumpridas. Limitouse o Senhor AuditorFiscal da Receita Federal em ratificar os argumentos que justificaram a lavratura do Auto de Infração, no entendimento fiscalização, porém não respondeu a nenhum dos quesitos apresentados Impugnante, tampouco às exigências e providências apontadas pelo Senhor Tal situação nada esclarece, permanecendo sem qualquer solução as constantes de fls. 3.824/3.828, do Despacho n° 18909. Ressaltese, por oportuno, que situação semelhante ocorreu nos autos administrativo n° 10283.001853/200778 (...). Fl. 3988DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 (...) Diante desse cenário, verificase que, nos autos do processo administrativo 10283.001853/200778, assim como ocorre nos presentes autos, que a Fiscalização (...) Assim sendo, diante das inúmeras imperfeições apontadas no ' trabalho da Fiscalização, serve a presente reiterar o requerimento no sentido de que seja dado provimento à impugnação e julgado improcedente o Auto de Infração. A DRJ decidiu; A s s u n t o : I m p o s t o s o b r e P r o d u t o s I n d u s t r i a l i z a d o s I P I Período de apuração: 0 1 / 0 6 / 2 0 0 3 a 3 1 / 1 2 / 2 0 05 SAÍDAS DE PRODUTOS SEM N O T A FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. A legislação vigente impõe a fabricantes de produtos isentos que não emitam ou emitam de forma irregular as notas fiscais a que se encontram obrigados multa de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou, ainda, do valor do imposto que incidiria caso a operação fosse tributada. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, d o CTN. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. A recorrente apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos acima. É o relatório. Fl. 3989DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.001851/200789 Acórdão n.º 3401002.625 S3C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Angela Sartori O recurso é tempestivo por isto dele tomo conhecimento. Consta do relatório acima que houve "falta de emissão ou emissão de forma irregular de notas fiscais de saída" por parte da Recorrente a qual deu saída a produtos isentos sem emissão de nota fiscal, dando ensejo à multa prevista no art. 80, § Io , 1, da Lei n° 4.502/1964. Impõese inicialmente, pois, examinar as disposições pertinentes constantes da Lei n° 4.502/1964, como seguem: "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de oficio de 75% (setenta cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) § Ia No mesmo percentual de multa incorrem: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) (...) I os fabricantes de produtos isentos que não emitirem ou emitirem de forma irregular, as notas fiscais a que são obrigados; (...) § 2o Nos casos do parágrafo anterior, quando o produto for isento ou a sua saída do estabelecimento não obrigar a lançamento, as multas serão calculadas sobre o valor do imposto que, de acordo com as regras de classificação e de cálculo estabelecidas nesta lei, incidiria se o produto ou a operação fossem tributados. " Constatase que a hipótese normativa de incidência, acima transcrita, é explícita em impor a fabricantes de produtos isentos que não emitam ou emitam de forma irregular as notas fiscais a que se encontram obrigados multa de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou, ainda, do valor do imposto que incidiria caso a operação fosse tributada. Fl. 3990DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 No caso vertente, a controvérsia estabelecida diz respeito ao cálculo do quantum da multa aplicada, especificamente no que diz respeito às seguintes alegações: a) não exclusão de notas fiscais de saídas para a amazônia ocidental; b) erros aritméticos e "errôneas considerações" que teriam lugar nos demonstrativos de fls. 68/75, 87/98 e 111/122; e c) a inclusão de saídas de mercadorias para o Estado do Amapá, que não faz parte da Amazônia ocidental. Urge esclarecer, para a adequada e escorreita apreciação da matéria, que o lançamento objeto dos autos não diz respeito à exigência de tributo eventualmente devido por ocasião da saída dos produtos industrializados e sua posterior internação. Tratase de multa aplicada ao sujeito passivo pela não emissão ou emissão irregular de notas fiscais (descumprimento de obrigação acessória), na condição de fabricante de produtos isentos, não sendo demais rememorar que o Código Tributário Nacional, em matéria de infrações à legislação tributária, adota como regra geral a responsabilidade objetiva. Com efeito, preceitua o art. 136 da referida Lei Complementar material que: "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do atei". Note se que se extrai do texto normativo, ainda, que a responsabilidade por infrações também independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, isto é, não se exige que tenha havido, concretamente, prejuízo econômico ao fisco, bastando o potencial de lesão, resultante da conduta do agente. Não Exclusão de Notas Fiscais de Saídas para a Amazônia Ocidental A Recorrente alega que a autoridade fiscal não excluiu dos cálculos das penalidades as notas fiscais de saídas para a amazônia ocidental, indicando em seu RV que o lançamento deixou de excluir, por exemplo, as vendas destinadas à amazônia ocidental sob os CFOP 6401 e 6101. Ocorre, porém, que nenhuma de tais notas fiscais deveriam ou devem, efetivamente, ser excluídas do cômputo do total de saídas não acobertadas por notas fiscais, haja vista que a infração à legislação tributária, nos termos em que tipificada na respectiva lei de incidência (art. 80, § Io , I, da Lei n° 4.502/1964) e conforme acima já esclarecido, corresponde à não emissão ou emissão irregular de notas fiscais, dada sua condição de fabricante de produtos isentos. Logo, a apuração do quantitativo de mercadorias a que deu saída o sujeito passivo, sem a emissão das correspondentes e obrigatórias notas fiscais, deve alcançar a totalidade de suas operações, fazendose irrelevante que tenham sido ou não sujeitas à incidência tributária. Fl. 3991DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.001851/200789 Acórdão n.º 3401002.625 S3C4T1 Fl. 9 9 Sendo também verdadeiro que o cômputo das quantidades de mercadorias saídas sem a emissão de nota fiscal deve.levar em conta a totalidade das saídas do estabelecimento industrial, sem a exclusão daquelas efetuadas para a amazônia ocidental ou qualquer outro ponto do território nacional. Inclusão de Saídas de Mercadorias para o Estado do Amapá Sustenta a Recorrente que determinados demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal (DCR n° 2002/06064 e n° 2002/05490, v.g.) referemse a saídas de mercadorias para o Estado do Amapá as quais não poderiam ensejar a multa em tela. Afirma que a fiscalização, por considerar o Estado do Amapá como inserido na Amazônia Ocidental, entendeu como internação de produtos em quantidade superior àquela registrada nas notas fiscais, resultando, de forma injusta, a aplicação de multa. Dos argumentos expendidos pela interessada, inferese que seu raciocínio é no sentido de que, não fazendo parte, o Estado do Amapá, da amazônia ocidental, as remessas de mercadorias a pessoas jurídicas ali domiciliadas não se encontrariam (como de fato não se encontram) beneficiadas com qualquer isenção. Assim, como já recolhera os tributos devidos por ocasião da respectiva internação, não seria cabível nova cobrança. E esta a tese que sustenta ao longo de vários dos demonstrativos de fls. 2581/3780, ao afirmar que "o Fiscalização em sua análise excluiu (...) cxs relativas a vendas para o Estado do Amapá (...), ou seja, a Fiscalização conclui que a impugnante não deveria pagar II para esse Estado" (fl. 2725, v.g.). Ocorre que, conforme já suficientemente esclarecido acima, o cálculo da divergência entre as mercadorias saídas do estabelecimento industrial e o quantitativo destas descrito em suas notas fiscais deve alcançar a totalidade das operações e, portanto, fazse irrelevante que o contribuinte tenha recolhido "o Imposto de Importação reduzido nas saídas tendo como destino final o Estado de Macapá (sic)" (fl. 2560), posto que a exigência em questão não diz respeito a tributo eventualmente recolhido (ou não ) pelo sujeito passivo. E em assim sendo, fazse explícita a razão pela qual os "relatórios da fiscalização (...) misturam as operações realizadas com clientes estabelecidos no Estado do Macapá (sic) com outras localidades" (fl. 2561). Erros Aritméticos e Errôneas Considerações Temse que a Recorrente aponta, ao longo dos demonstrativos que juntou às fls. 2581/3780, múltiplos equívocos em que, supostamente, teria incorrido a autoridade fiscal Fl. 3992DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 ao longo de sua apuração. Ocorre que inexistem os erros apontados pelo sujeito passivo, como resulta explicitado na seqüência. Cancelamento de 500 caixas sem justificativa Aponta a Recorrente a título exemplificativo, que no demonstrativo fiscal de fl. 70, nas colunas QTDE DCI e QTDE NF o número de caixas é o mesmo, ou seja, 840. Ao considerar o cancelamento de 500 caixas sem qualquer justificativa, estaria a autoridade fiscal realizando mero jogo de números. Aduz, ainda, que mesmo que em seus arquivos a fiscalização houvesse encontrado alguma nota cancelada, não significaria que o cancelamento estaria relacionado com a operação objeto da respectiva DCR, pois nota fiscal cancelada significa números mortos (fl. 2554). Vejase, neste ponto, que a autoridade fiscal declara que as informações acerca das notas fiscais de saída foram extraídas do "Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída ou de Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica", elaborado conforme determina o ADE Cofins n° 15/2001 e que exibe como conteúdo "todas as notas fiscais de saída ou de entrada emitidas pela empresa. Destarte, esse arquivo contém no campo 'número do documento' todos os documentos fiscais emitidos, independente da situação de cancelamento deles. No outro campo indicador de situação de cancelamento de documento consta a informação do cancelamento daquelas notas fiscais constante do campo número do documento". Ora, se as informações e dados coligidos pela autoridade fiscal têm como origem arquivos oficias elaborados e fornecidos pelo próprio sujeito passivo, não se apresenta razoável a alegação de que o uso dos mesmos apresentase sem justificativa. Notese que o contribuinte, encontrando divergência entre o dado utilizado e aquele constante de seu próprio arquivo, poderia facilmente trazer aos autos a prova do quanto alega, desincumbindose sem custo ou esforço de seu ônus probatório, dado que a teórica prova encontrarseia, ao final das contas, em seu poder. Por outro lado, quanto à impossibilidade de utilização de notas fiscais canceladas, observase o flagrante equívoco em que incide a contribuinte, posto que se "nota fiscal cancelada significa números mortos", segundo suas próprias palavras (fl. 2554), então resulta óbvio que o ulterior cancelamento das mesmas implica concluir que a saída das mercadorias relacionadas em DCI deuse sem cobertura de notas fiscais (as quais, por conta do cancelamento, deixaram de existir, passando a expressar "números mortos"). Desta feita, resulta notório que a apuração levada a efeito deverá tomar em conta, como levou, a exclusão, do quantitativo de mercadorias escrituradas nas notas fiscais de Fl. 3993DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.001851/200789 Acórdão n.º 3401002.625 S3C4T1 Fl. 10 11 saída (relacionadas na coluna "QTDE NF"), da quantidade de mercadorias constantes de notas fiscais posteriormente canceladas. Devolução de Mercadorias Aponta a Recorrente como exemplificativa de outro' conjunto de equívocos que teriam lugar na apuração efetuada pela autoridade fiscal, a situação estampada no demonstrativo fiscal de fls. 90, relacionada ao DCR n° 2003/07178, objeto do Doc. 552, versando sobre devolução de mercadorias. Alega, em síntese, que havendo o cancelamento de determinada venda, a nova saída não poderá sofrer, outra vez, incidência tributária, posto que estaria recolhendo duas vezes o tributo sobre a mesma hipótese de incidência. Constatase, de logo, que o raciocínio empregado pela Recorrente vinculase à errônea suposição de que o lançamento projetase à exigência de tributo eventualmente não recolhido, ao passo que o mesmo, como já sobejamente esclarecido no presente voto, destina se à lavratura de infração pela incidência da hipótese "normativa constante do art. 80, § Io , I, da Lei n° 4.502/1964, sendo certo que o cômputo das quantidades de mercadorias saídas sem a emissão de nota fiscal deve levar em conta a totalidade das saídas do estabelecimento industrial em determinado período, sem quaisquer exclusões. Demais Alegações Assinalese, igualmente, que parcela majoritária das justificativas apresentadas pela interessada nos demonstrativos de fls. 2581/3780, como comprobatórias de erros em que haveria incido o lançamento resistido, relacionamse a aspectos também da Amazônia Ocidental" e "Inclusão de Saídas de Mercadorias para o Estado do Amapá") e os quais, portanto, já foram devidamente refutados. Registrese, ainda, que os argumentos utilizados pela Recorrente nos demonstrativos de fls. 2581/3780 também foram objeto de verificação (tais argumentos, em decorrência da referida verificação, encontramse inclusive destacados nos respectivos demonstrativos. Por sua vez, apenas as alegações que já não se encontrem anteriormente refutadas é que constam do presente tópico. Fl. 3994DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Assim, quanto às demais alegações encontradas nos demonstrativos de fls. 2581/3780 (e diversas das já abordadas anteriormente, de forma direta ou indireta), cabe a seguinte análise: Eventuais argumentos relacionados à DCRE 2002/00170 apresentamse desprovidos de qualquer utilidade prática, posto tratarse de operações ocorridas em 13/02/2003, ao passo que não consta do lançamento de ofício qualquer exigência que se projete a fatos ocorridos no mês de fevereiro/2003, conforme se constata na descrição de fls. 09/10 (parte integrante do auto de infração); Alega a Recorrente quanto à DCRE 2002/03510, que "a quantidade de 870 cxs canceladas está equivocada, pois no período apenas foram canceladas 33 cxs". Impõese reafirmar, pois, que o presente fato, argüido pela interessada, vinculase diretamente à matéria de prova e, no caso concreto, havendo encontrado suposta divergência entre o dado utilizado pela fiscalização e aquele constante de seu próprio arquivo, poderia facilmente e sem qualquer gravame trazer aos autos a prova do quanto alega. Logo, não havendo se desincumbindo a Recorrente de seu ônus probatório, não se faz possível acolher o argumento oposto ao lançamento. Raciocínio similar também se apresenta válido a considerações equivalentes que acompanham os demonstrativos de fls. 3115 (Doe. 698), 3122 (Doe. 704), 3178(Doe. 759), 3187 (Doe. 768), 3219 (Doe. 800), 3238 (Doe. 818), 3248 (Doe. 828), 3441. (Doe. 536), 3538 (Doe. 878), 3579 (Doe. 915), 3608 (Doe. 944), 3714 (Doe. 1044), 3719 (Doe. 1049), 3724 (Doe. 1053), 3731 (Doe. 1059), 3737 (Doe. 1065), 3739 (Doe. 1067), 3741 (Doe. 1069), 3745 (Doe. 1073), 3751 (Doe. 1079), 3757v (Doe. 1084), 3771 (Doe. 1097), 3773 (Doe. 1099), 3775 (Doe. 1101), 3777 (Doe. 1103), 3779 (Doe. 1105). Da diligência. No caso concreto, fazse evidente que foram trazidos aos autos todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão, não exibindo relevo (e muito menos as conseqüências imaginadas pela interessada) que a metodologia utilizada pelo responsável pela realização da diligência tenhase apresentado diversa dos contornos formulados pela instância julgadora, importando antes, dada a prevalência da verdade material, a efetividade do resultado que tenha alcançado. Aliás, não por outra razão, a totalidade dos questionamentos apresentados pela Recorrente encontramse elucidados e respondidos no presente voto. Por outro lado, é evidente que não há que se falar em nulidade a alcança/ o lançamento como decorrência direta de determinada diligência. Houvesse imperfeições que a maculassem (e não há), apenas a diligência é que se poderia considerar passível de anulabilidade. Na hipótese dos autos, contudo, vêse que a autoridade fiscal apresentou os Fl. 3995DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.001851/200789 Acórdão n.º 3401002.625 S3C4T1 Fl. 11 13 esclarecimentos que lhe pareceram cabíveis e suficientes à elucidação dos fatos, deles cientificando a contribuinte para que, em querendo, apresentasse suas objeções, restando assim preservadas as garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa. Finalmente, verificase que o processo em tela contém exata descrição dos fatos e o respectivo enquadramento normativo e fundamentação legal. A alegação indireta de cerceamento de defesa não procede inclusive, em face da impugnação e do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, na qual demonstra o pleno conhecimento dos fatos que lhe são atribuídos e que se apresenta como prova cabal do pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Assim, inexistem razões para serem acolhidas as nulidades suscitadas, porque inexistentes. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ na integra. Angela Sartori Relator Fl. 3996DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11070.900495/2008-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei.
DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.
DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11070.900495/2008-27
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5353613
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-004.168
nome_arquivo_s : Decisao_11070900495200827.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11070900495200827_5353613.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5490939
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812256894976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 41 1 40 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.900495/200827 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.168 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de abril de 2013 Matéria PIS – COMPENSAÇÃO Recorrente IRMÃOS SALVATI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 04 95 /2 00 8- 27 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 2 Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 14/07/2004 que buscou compensar créditos de PIS/Pasep alegadamente pago indevidamente ou a maior, de período de apuração abril de 2003, com débitos de COFINS, de competência de julho de 2004, no valor total de R$ 3.253,23. Através de Despacho Decisório eletrônico, recebido em 24/04/2008, a DRF em Santo Ângelo/RS não homologou o pedido do contribuinte indicando que, a partir das informações do DARF indicado foram localizados pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do sujeito passivo. Irresignado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que transcreveremos, em sua integralidade, abaixo: Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008. A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou sua decisão na falta de provas para se comprovar o direito. Discorre acerca da falta de espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em consequência, a falta do caráter probatório destas. Ementou como se segue: Inconformada o contribuinte protocolou Recurso Voluntario sucinto que transcreverei a seguir na sua íntegra: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900495/200827 Acórdão n.º 3803004.168 S3TE03 Fl. 42 3 Anexa “planilha de calculo contábil de PIS”, extratos de balancete de verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Das retificações da DCTF e da DACON posteriores ao Despacho Decisório. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindoas integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida como prova suficiente para redução do valor do tributo devido. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543, de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos: “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 4 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos” “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Grifamos” O contribuinte retificou a DCTF e DACON do período, após a ciência do despacho decisório, com isso as declarações retificadoras, não produzem os efeitos modificativos dos débitos originalmente confessados. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900495/200827 Acórdão n.º 3803004.168 S3TE03 Fl. 43 5 Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/Pasep, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos, em sede de manifestação de inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Da apresentação das provas. O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade. A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 6 Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não trazendo documentos fiscais de compras das mercadorias de pessoas físicas nem mesmo a escrita fiscal que registrou tais entradas. Conclusão A retificação da DCTF e da DACON após o conhecimento do despacho decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar seu direito creditório em manifestação de inconformidade, não o fez. Somente em recurso voluntario anexa escrituração contábil, porém nesse momento processual as provas só são admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso da contribuinte. Mesmo que fossem admitidas as provas anexadas em sede de Recurso Voluntario, estas se mostram insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do direito perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO e não reconhecer o direito creditório. É como voto. Sala das sessões, 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001265/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1993
IPMF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório em Análise
Numero da decisão: 3301-002.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1993 IPMF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório em Análise
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13886.001265/2003-18
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357129
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3301-002.205
nome_arquivo_s : Decisao_13886001265200318.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 13886001265200318_5357129.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5508098
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812258992128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 102 1 101 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13886.001265/200318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.205 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO IPMF Recorrente INDÚSTRIAS ROMI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1993 IPMF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório em Análise Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 12 65 /2 00 3- 18 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13886.001265/200318 Acórdão n.º 3301002.205 S3C3T1 Fl. 103 2 Relatório Por economia processual, aproveito o relatório elaborado acórdão recorrido, pela DRJ/Campinas, in verbis: Tratase de Pedido de Restituição, protocolado pela contribuinte em 28/10/2003, de crédito relativo a alegados recolhimentos indevidos de IPMF (Imposto Provisório sobre a Movimentação ou a Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) feitos no ano de 1993, no valor total de R$ 45.980,75 (fl. 3). Como motivo do pedido, informa a contribuinte: Restituição de IPMF indevidamente cobrado no ano de 1993, em valor correspondente a 21.293,03 UFIRs, conforme Ofício SRF/COSAR/DIRAR nº 0112 de 18/02/1999 e SRF/COSAR/ DIRAR nº 0380 de 10/07/1998 da Secretaria da Receita Federal. Cobrança julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal ação direta de inconstitucionalidade nº 939/DF. Em Despacho Decisório emitido em 03/02/2012, a DRF Piracicaba indeferiu o pedido, sob o argumento de que “na data de seu protocolo, os recolhimentos efetuados a maior ou indevidamente já se encontravam decaídos.” (...) cotejandose os artigos 165, inciso I, e 168, caput e inciso I do CTN, (...), têmse que, conquanto o pagamento de tributo indevido confira ao contribuinte direito à sua restituição, esse direito extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados "da data da extinção do crédito tributário”. No caso sob exame, o crédito exigido pela Administração Pública extinguiuse na data do pagamento, na forma prevista pelo artigo 156, inciso I, do C.T.N. e art. 3º da LC 118/05. Destarte, se o pagamento extingue o crédito tributário, inferese de forma inequívoca que é da data do pagamento que se deve contar o prazo de 5 (cinco) anos a que se refere o aludido art. 168 para que a interessada formule o pedido de restituição (...), sob pena de não mais poder exercer esse direito pela ocorrência da decadência ou prescrição. O Parecer PGFN/CAT/N.° 1538/99 (...), fixou o entendimento de que o prazo decadencial do direito de pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, regese pelo art. 168 do CTN, extinguindose, dessa forma, depois de decorridos cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo Código, motivando o Sr. Secretário da Receita Federal a expedir, para observância no âmbito da Administração Tributária, o seguinte Ato Declaratório: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13886.001265/200318 Acórdão n.º 3301002.205 S3C3T1 Fl. 104 3 ATO DECLARATÓRIO SRF nº 096, DE 26 DE NOVEMBRO DE 1999 Dispõe sobre o prazo para a repetição de indébito relativa a tributo ou contribuição pago com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no exercício dos controles difuso e concentrado 0 SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o teor do Parecer PGFN/CAT/N." 1.538, de 1999, declara: 1 — o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em ~~ lei' posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratoria ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data de extinção do crédito tributário arts. 165, le 168, I, da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). (...) A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 24/02/2012 e em 23/03/2012 apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 41 a 50). Alega ter direito à restituição dos valores de IPMF recolhidos em 1993, por serem indevidos face à decisão proferida pelo STF na ADIn nº 939DF, em relação à LC nº 77/93, cujo trecho está abaixo transcrito. “(...) Em conseqüência, quanto à Lei Complementar nº 77/93. o Tribunal, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do art. 28, na parte em que permitiu a cobrança do tributo no ano de 1993, vencidos, nesse ponto, os Ministros SEPÚLVEDA PERTENCE e Presidente (Min. OCTÁVIO GALLOTTI). Ainda, por maioria, declarar a inconstitucionalidade, sem redução de textos, dos artigos 3°, 4° e 8º do mesmo diploma (L.C, n" 77/93) por haverem deixado de excluir, da incidência do I.P.M.F.. as pessoas jurídicas de Direito Público e as demais entidades ou empresas referidas nas alíneas "a", "b", "c", e "d" do inciso VI do art.150 da constituição Federal (...)” A contribuinte alega também que seu pedido de restituição foi feito dentro do prazo legal: cinco anos contados da data de homologação tácita do cumprimento da obrigação tributária, sem ter sido atingido pela decadência. (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13886.001265/200318 Acórdão n.º 3301002.205 S3C3T1 Fl. 105 4 Quanto à referida tese chamada pela doutrina e jurisprudência de tese "dos cinco mais cinco", não tendo ocorrido a homologação expressa, o prazo prescricional de 05 (cinco) anos iniciase após o decurso dos 05 (cinco) anos em que ocorre a homologação tácita, independentemente da data do pagamento do tributo, pois a homologação do lançamento é condição resolutoria da extinção do crédito tributário, mesmo após o pagamento. Ademais, a referida tese "dos cinco mais cinco" era tão sedimentada que houve a preocupação em criar uma nova lei, qual seja, a Lei Complementar 118/2005, que instituiu novo direito para a Fazenda, porém sem poder afetar o direito adquirido dos Contribuintes, por primor a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada "surpresa fiscal" e ao Princípio da Irretroatividade das normas jurídicas (Art. 5 o , inciso XXXVI, da Constituição Federal). Portanto, não havendo homologação expressa e tratandose de direito de compensação e/ou restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação, na prática a prescrição se dá pelo prazo de 10 (dez) anos a contar da data do fato gerador e seu termo final, sendo irrelevante no caso da Recorrente o disposto na LC 118/2005. (...) Ao analisar referida manifestação de inconformidade a 3ª Turma da DRJ/CampinasSP proferiu o Acórdão nº 0539.106, cuja ementa transcrevo abaixo: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido, inclusive nos casos de tributos sujeito à homologação ou de declaração de inconstitucionalidade, consoante Ato Declaratório SRF 96/99, que vincula este órgão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repetindo basicamente os mesmos pontos defendidos em sede de impugnação e ainda cita jurisprudência do STF a respeito da aplicabilidade da tese dos 5 + 5 anos antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13886.001265/200318 Acórdão n.º 3301002.205 S3C3T1 Fl. 106 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. O pedido de restituição do contribuinte foi indeferido tanto pela autoridade preparadora, DRF/Piracicaba, quanto pela autoridade julgadora de 1ª instância, DRJ/Campinas, em decorrência de ter transcorrido o prazo decadencial de 5 anos para pleitear a restituição. Fundamentaram as negativas com base nos art. 165 e 168 do CTN e também com base no Ato Declaratório SRF nº 096/1999. A recorrente defende que este prazo é de 10 anos a contar do pagamento indevido, ou seja, 5 anos para a homologação tácita do lançamento e mais 5 anos para solicitar a restituição. A tese defendida pela interessada, foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621 sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13886.001265/200318 Acórdão n.º 3301002.205 S3C3T1 Fl. 107 6 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Após esta decisão, esta corte administrativa passou a adotála em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual determina a observância de decisões proferidas pelo STF e STJ no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste sentido, recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1991 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13886.001265/200318 Acórdão n.º 3301002.205 S3C3T1 Fl. 108 7 Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. (Acórdão da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 9303002.333, sessão do dia 20/06/2013) Portanto, há que se reconhecer que para os pedidos de restituição protocolizados antes de 09/06/2005, o prazo decadencial é de dez anos contados da data do pagamento indevido. O contribuinte efetuou o seu pedido de restituição do valor pago a maior do IPMF relativo ao ano calendário de 1993, nos termos da IN SRF nº 210/2002, fl. 01 (03 do e processo), em 28/10/2003. Por esta linha de raciocínio o contribuinte só teria direito a restituição do IPMF pago após 28/10/1993. Porém, compulsando os presentes autos, pode se constatar que houve uma série de eventos, anteriores ao protocolo do presente processo, que demonstram cabalmente as tentativas efetuadas pelo contribuinte em receber o valor do IPMF a que se refere o presente processo. Seguem os fatos em ordem cronológica dos acontecimentos. em 12/02/98, o Banco Bozano Simonsen S/A edita correspondência, por meio da qual noticia ao interessado que estariam sendo mantido contatos junto ao Serpro/RJ para que providências fossem tomadas a respeito da restituição do IPMF/93, fl. 51 (64 do e processo); em 02/07/98, a interessada, por meio de carta endereçada à SRF, solicita providências e informações a respeito da restituição do IPMF/93, fl. 52 (65 do eprocesso); em 10/07/98, a SRF, por meio do Ofício SRF/COSAR nº 0380, responde a correspondência do interessado, confirmando os dados da restituição do IPMF/93, fl. 08 (16 do eprocesso). Envia também em anexo ao ofício o espelho de pesquisa efetivada no sistema IPMF/93, no qual consta que o interessado possui o valor de 21.293,03 UFIR no controle do Banco Bozano Simonsen S/A, fl. 09 (17 do eprocesso); Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13886.001265/200318 Acórdão n.º 3301002.205 S3C3T1 Fl. 109 8 em 18/02/1999, a SRF, por meio do Ofício SRF/COSAR/DIRAR, volta a informar o interessado que está tomando providências para a restituição do IPMF/93, fl. 07 (15 do eprocesso). Após estes eventos, em 28/10/2003 o contribuinte protocolou o presente pedido de restituição, solicitando exatamente os mesmos valores que estavam em vias de serem pagos pela SRF, conforme demonstram os expedientes acima citados. A DRF/Piracicaba, no mesmo dia em que indeferiu o pedido do contribuinte, 03/02/2012, efetuou pesquisas ao sistema IPMF/93, imprimiu dois espelhos das consultas, que trazem aparentemente informações contraditórias. Na primeira pesquisa, em nome do interessado, consta a existência do IPMF retido exatamente no valor do pedido de restituição – 21.293,03 UFIR, fl. 14 (22 do eprocesso). Na segunda pesquisa, com o CNPJ da instituição financeira, Banco Bozano Simonsen S/A, consta a informação de que “não existe correntista não pago para o CNPJ informado”, fl. 15 (23 do eprocesso). Portanto diante do exposto, entendo que o pedido de restituição apresentado pelo contribuinte no presente processo, não foi atingido pelo lapso decadencial previsto na legislação acima citada, e sua interpretação conferida pelo STF, adicionado ao fato que está soberbamente demonstrado que pelo menos desde 10/07/1998, o contribuinte está tentando junto à SRF a devolução dos valores do IPMF/93 tidos como pagos indevidamente. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, no sentido de afastar o prazo decadencial estipulado pelas decisões recorridas, estabelecendo o retorno do presente processo à autoridade preparadora para que ela verifique se o IPMF/93, constante do pedido de restituição de fl. 01 (03 do eprocesso), já foi ou não objeto de restituição ao interessado. Caso já tenha sido objeto de restituição, proferir despacho fundamentado com os elementos de prova que dispuser, dando ciência ao contribuinte deste fato. Caso contrário proceder a restituição nos termos da legislação pertinente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002923/2002-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.666
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:
Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 11) e cientificado por via postal em 11/06/2002 (fls. 119), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 64.956,09 em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de outubro a dezembro de 1997.
Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 11/07/2002, impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas.
De inicio, destaca que os débitos exigidos na presente autuação já foram objeto de impugnação à Carta de Cobrança nº 30/1339/01 e ao Comunicado nº 00313301, emitidos por esta Delegacia da Receita Federal.
Na seqüência reporta-se à amortização dos débitos através do instituto da compensação com crédito de terceiros, na forma do art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo em conta o pedido de restituição formulado por Unigel Participações Serv. Ind. Representação Ltda (13819.001788/9769, doc 03 fls. 60/61).
Menciona que cometeu alguns equívocos ao preencher os formulários de compensação para pagamento de débitos com créditos de terceiro, mas retificou tais pedidos, substituindo o pedido de compensação com créditos próprios inicialmente apresentado, e corrigindo o CNPJ antes informado, pertencente a outra empresa do grupo. Ainda, foi retificado o número do processo ao qual se vincula a compensação, de 13819.001866/97-71 (primeiro pedido de compensação apresentado pela impugnante) para 13819.001788/97-69.
Aduz que, além dos pedidos de compensação retificadores, providenciou a retificação das DCTFs dos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997 (doc 05 fls. 69/107), eis que constou a informação de que os valores objeto de compensação tinham como origem o Processo Judicial 93.00068628, quando o correto seria constar os créditos do Pedido de Restituição nº 13819.001788/97-69.
Entende, então, ser descabida a exigência.
Aborda seu direito à compensação na forma do art. 170 do CTN, do art. 66 da Lei nº 8.383/91, do art. 39 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do então vigente art. 15 da IN SRF nº 21/97.
Finaliza requerendo a improcedência do lançamento.
Por meio do despacho de fls. 128, a autoridade preparadora atestou ser tempestiva a impugnação e, após regularização do cadastramento do processo, foi ele remetido para julgamento (fls. 132).
A 1ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 05-38.894, cuja ementa abaixo reproduzo:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Ano-calendário: 1997
DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CRÉDITO DE TERCEIRO.
Lançamento anterior a Medida Provisória 66, de 2002. Inexistindo certeza e liquidez acerca dos créditos alegados, à época do lançamento, confirma-se a sua validade, especialmente em vista do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Ademais, mesmo que o lançamento fosse posterior a 30/09/2002, pedido de compensação com crédito de terceiro não está amparado pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 2002, a partir da referida data, não se cogitando de sua conversão em DCOMP nem da conseqüente extinção dos débitos.
DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO.
Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005
Impugnação Procedente em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que:
Os débitos exigidos estão controlados no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro n° 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97-69, ambos pendentes de decisão administrativa. Conforme restou demonstrado nos autos, as compensações foram centralizadas no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro nº 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97- 69. Naquele processo não houve até o momento, despacho decisório acerca das compensações pleiteadas;
É insubsistente o lançamento tendo cm vista que à época da lavratura do auto de infração sequer havia decisão acerca da compensação pleiteada, portanto, não haveria que se falar em compensação indevida passível de lançamento nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35;
Na época do protocolo dos pedidos de compensação com créditos de terceiros a legislação permitia o feito;
Quando do início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 66/2002 (01/10/2002), não havia sido proferido despacho decisório nos pedidos de compensação, logo, estes foram convertidos em declaração de compensação.
Termina a petição requerendo o provimento do recurso para reconhecer a inadequação do lançamento, a homologação tácita das compensações e o cancelamento integral do auto de infração.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13819.002923/2002-01
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362297
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-000.666
nome_arquivo_s : Decisao_13819002923200201.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13819002923200201_5362297.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5533854
ano_sessao_s : 2014
decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 11) e cientificado por via postal em 11/06/2002 (fls. 119), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 64.956,09 em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de outubro a dezembro de 1997. Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 11/07/2002, impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De inicio, destaca que os débitos exigidos na presente autuação já foram objeto de impugnação à Carta de Cobrança nº 30/1339/01 e ao Comunicado nº 00313301, emitidos por esta Delegacia da Receita Federal. Na seqüência reporta-se à amortização dos débitos através do instituto da compensação com crédito de terceiros, na forma do art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo em conta o pedido de restituição formulado por Unigel Participações Serv. Ind. Representação Ltda (13819.001788/9769, doc 03 fls. 60/61). Menciona que cometeu alguns equívocos ao preencher os formulários de compensação para pagamento de débitos com créditos de terceiro, mas retificou tais pedidos, substituindo o pedido de compensação com créditos próprios inicialmente apresentado, e corrigindo o CNPJ antes informado, pertencente a outra empresa do grupo. Ainda, foi retificado o número do processo ao qual se vincula a compensação, de 13819.001866/97-71 (primeiro pedido de compensação apresentado pela impugnante) para 13819.001788/97-69. Aduz que, além dos pedidos de compensação retificadores, providenciou a retificação das DCTFs dos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997 (doc 05 fls. 69/107), eis que constou a informação de que os valores objeto de compensação tinham como origem o Processo Judicial 93.00068628, quando o correto seria constar os créditos do Pedido de Restituição nº 13819.001788/97-69. Entende, então, ser descabida a exigência. Aborda seu direito à compensação na forma do art. 170 do CTN, do art. 66 da Lei nº 8.383/91, do art. 39 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do então vigente art. 15 da IN SRF nº 21/97. Finaliza requerendo a improcedência do lançamento. Por meio do despacho de fls. 128, a autoridade preparadora atestou ser tempestiva a impugnação e, após regularização do cadastramento do processo, foi ele remetido para julgamento (fls. 132). A 1ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 05-38.894, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CRÉDITO DE TERCEIRO. Lançamento anterior a Medida Provisória 66, de 2002. Inexistindo certeza e liquidez acerca dos créditos alegados, à época do lançamento, confirma-se a sua validade, especialmente em vista do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Ademais, mesmo que o lançamento fosse posterior a 30/09/2002, pedido de compensação com crédito de terceiro não está amparado pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 2002, a partir da referida data, não se cogitando de sua conversão em DCOMP nem da conseqüente extinção dos débitos. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: Os débitos exigidos estão controlados no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro n° 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97-69, ambos pendentes de decisão administrativa. Conforme restou demonstrado nos autos, as compensações foram centralizadas no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro nº 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97- 69. Naquele processo não houve até o momento, despacho decisório acerca das compensações pleiteadas; É insubsistente o lançamento tendo cm vista que à época da lavratura do auto de infração sequer havia decisão acerca da compensação pleiteada, portanto, não haveria que se falar em compensação indevida passível de lançamento nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35; Na época do protocolo dos pedidos de compensação com créditos de terceiros a legislação permitia o feito; Quando do início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 66/2002 (01/10/2002), não havia sido proferido despacho decisório nos pedidos de compensação, logo, estes foram convertidos em declaração de compensação. Termina a petição requerendo o provimento do recurso para reconhecer a inadequação do lançamento, a homologação tácita das compensações e o cancelamento integral do auto de infração. É o Relatório. VOTO
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812263186432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 100 1 99 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.002923/200201 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.666 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de maio de 2014 Assunto Diligência Recorrente PROQUIGEL IND E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA Recorrida DRJ CAMPINAS (SP) RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 02 92 3/ 20 02 -0 1 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002923/200201 Resolução nº 3402000.666 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 11) e cientificado por via postal em 11/06/2002 (fls. 119), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 64.956,09 em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de outubro a dezembro de 1997. Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 11/07/2002, impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De inicio, destaca que os débitos exigidos na presente autuação já foram objeto de impugnação à Carta de Cobrança nº 30/1339/01 e ao Comunicado nº 00313301, emitidos por esta Delegacia da Receita Federal. Na seqüência reportase à amortização dos débitos através do instituto da compensação com crédito de terceiros, na forma do art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo em conta o pedido de restituição formulado por Unigel Participações Serv. Ind. Representação Ltda (13819.001788/9769, doc 03 – fls. 60/61). Menciona que cometeu alguns equívocos ao preencher os formulários de compensação para pagamento de débitos com créditos de terceiro, mas retificou tais pedidos, substituindo o “pedido de compensação” com créditos próprios inicialmente apresentado, e corrigindo o CNPJ antes informado, pertencente a outra empresa do grupo. Ainda, foi retificado o número do processo ao qual se vincula a compensação, de 13819.001866/9771 (primeiro pedido de compensação apresentado pela impugnante) para 13819.001788/9769. Aduz que, além dos pedidos de compensação retificadores, providenciou a retificação das DCTF’s dos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997 (doc 05 fls. 69/107), eis que constou a informação de que os valores objeto de compensação tinham como origem o Processo Judicial 93.00068628, quando o correto seria constar os créditos do Pedido de Restituição nº 13819.001788/9769. Entende, então, ser descabida a exigência. Aborda seu direito à compensação na forma do art. 170 do CTN, do art. 66 da Lei nº 8.383/91, do art. 39 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do então vigente art. 15 da IN SRF nº 21/97. Finaliza requerendo a improcedência do lançamento. Por meio do despacho de fls. 128, a autoridade preparadora atestou ser tempestiva a impugnação e, após regularização do cadastramento do processo, foi ele remetido para julgamento (fls. 132). Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002923/200201 Resolução nº 3402000.666 S3C4T2 Fl. 102 3 A 1ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0538.894, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CRÉDITO DE TERCEIRO. Lançamento anterior a Medida Provisória 66, de 2002. Inexistindo certeza e liquidez acerca dos créditos alegados, à época do lançamento, confirmase a sua validade, especialmente em vista do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Ademais, mesmo que o lançamento fosse posterior a 30/09/2002, pedido de compensação com crédito de terceiro não está amparado pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 2002, a partir da referida data, não se cogitando de sua conversão em DCOMP nem da conseqüente extinção dos débitos. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) Os débitos exigidos estão controlados no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro n° 13819.001866/97 71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97 69, ambos pendentes de decisão administrativa. Conforme restou demonstrado nos autos, as compensações foram centralizadas no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro nº 13819.001866/9771, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97 69. Naquele processo não houve até o momento, despacho decisório acerca das compensações pleiteadas; b) É insubsistente o lançamento tendo cm vista que à época da lavratura do auto de infração sequer havia decisão acerca da compensação pleiteada, portanto, não haveria que se falar em compensação indevida passível de lançamento nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835; Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002923/200201 Resolução nº 3402000.666 S3C4T2 Fl. 103 4 c) Na época do protocolo dos pedidos de compensação com créditos de terceiros a legislação permitia o feito; d) Quando do início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 66/2002 (01/10/2002), não havia sido proferido despacho decisório nos pedidos de compensação, logo, estes foram convertidos em declaração de compensação. Termina a petição requerendo o provimento do recurso para reconhecer a inadequação do lançamento, a homologação tácita das compensações e o cancelamento integral do auto de infração. É o Relatório. VOTO Como já relatado, a lide posta nos autos diz respeito a constituição de créditos tributários em virtude da compensação pretendida pelo sujeito passivo não estar lastreada com direito creditório líquido e certo, conforme determina o art. 170 do Código Tributário Nacional. Analisando os autos, consto que o direito creditório e o pedido de compensação que sustenta a autuação estão sendo discutidos em processos administrativos próprios de nº 13819.001866/9771 e 13819.001788/9769. Já me posicionei em outras ocasiões no sentido de que processo que trate de compensação, cujo crédito a ser utilizado esteja sendo discutido em outro processo administrativo, deve esperar a decisão do processo conhecido como “mãe”, aquele que contém o crédito pleiteado, para então poder ter seu desfecho final. Mesmo entendimento tenho para os processos de auto de infração, cujo objeto é a compensação discutida em outro processo. Conforme já relatado, o recorrente protocolou pedido de compensação com créditos de terceiros que está sendo decidido nos autos do processo nº 13819.001866/9771. Já o crédito financeiro que poderá contemplar a compensação pretendida é objeto do processo nº 13819.001788/9769. Em face dessas dependências entre os processos citados, voto por converter o julgamento em diligência, determinando que a Unidade Preparadora acoste cópia das decisões definitivas dos processos nº 13819.001866/9771 e nº 13819.001788/9769 e que seja elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser restituído. Depois de tomadas as providências requeridas, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 28/05/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005938/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES.
A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins.
CRÉDITO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE
A sistemática da não cumulatividade admite o creditamento do PIS e da COFINS sobre os fretes de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa
CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. PROVA
Não são admitidos os créditos sobre a depreciação de bens do ativo imobilizado contabilizados indistintamente como despesas operacionais, quando não provado pelo contribuinte sua utilização em seu processo produtivo.
CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. FUNÇÃO DO PRODUTO
Admite-se os créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos a serem utilizados no processo produtivo da agroindústria em função do produto a ser produzido, e não do insumo adquirido.
CRÉDITO. INSUMOS. FRETES CONTRATADOS DE PESSOAS FÍSICAS
A legislação de regência do PIS e da COFINS inadmite a tomada de créditos sobre os fretes contratados diretamente de pessoas físicas.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.467
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de utilização da alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido e o crédito básico nas aquisições de agroindústria nos dias 01, 02, 03 de abril de 2006; (ii) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito sobre despesas de fretes nas operações com CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152) e Walber José da Silva (CFOP 5152). Negado provimento quanto às demais matérias, nos seguintes termos: (iii) por unanimidade de votos, quando ao crédito sobre fretes cujas notas não foram registradas no Livro de Saída e quanto à inclusão do valor dos fretes pagos à pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido; (iv) por maioria de votos, quando ao crédito sobre fretes nas operações com CFOP 7949, 5151, 6151, 5905, 6905, 5503. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Alexandre Gomes, que davam provimento. (v) Pelo voto de qualidade, quanto ao crédito sobre bens para revenda e insumos adquiridos com alíquota zero e sobre despesas de depreciação. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Gileno Gurjão Barreto
Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. CRÉDITO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE A sistemática da não cumulatividade admite o creditamento do PIS e da COFINS sobre os fretes de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. PROVA Não são admitidos os créditos sobre a depreciação de bens do ativo imobilizado contabilizados indistintamente como despesas operacionais, quando não provado pelo contribuinte sua utilização em seu processo produtivo. CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. FUNÇÃO DO PRODUTO Admite-se os créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos a serem utilizados no processo produtivo da agroindústria em função do produto a ser produzido, e não do insumo adquirido. CRÉDITO. INSUMOS. FRETES CONTRATADOS DE PESSOAS FÍSICAS A legislação de regência do PIS e da COFINS inadmite a tomada de créditos sobre os fretes contratados diretamente de pessoas físicas. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Direito Creditório Reconhecido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10909.005938/2008-10
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350719
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.467
nome_arquivo_s : Decisao_10909005938200810.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILENO GURJAO BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10909005938200810_5350719.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de utilização da alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido e o crédito básico nas aquisições de agroindústria nos dias 01, 02, 03 de abril de 2006; (ii) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito sobre despesas de fretes nas operações com CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152) e Walber José da Silva (CFOP 5152). Negado provimento quanto às demais matérias, nos seguintes termos: (iii) por unanimidade de votos, quando ao crédito sobre fretes cujas notas não foram registradas no Livro de Saída e quanto à inclusão do valor dos fretes pagos à pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido; (iv) por maioria de votos, quando ao crédito sobre fretes nas operações com CFOP 7949, 5151, 6151, 5905, 6905, 5503. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Alexandre Gomes, que davam provimento. (v) Pelo voto de qualidade, quanto ao crédito sobre bens para revenda e insumos adquiridos com alíquota zero e sobre despesas de depreciação. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5468424
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812303032320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2109; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 398 1 397 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.005938/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.467 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria PIS/COFINS Recorrente SEARA ALIMENTOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. CRÉDITO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE A sistemática da não cumulatividade admite o creditamento do PIS e da COFINS sobre os fretes de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. PROVA Não são admitidos os créditos sobre a depreciação de bens do ativo imobilizado contabilizados indistintamente como despesas operacionais, quando não provado pelo contribuinte sua utilização em seu processo produtivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 59 38 /2 00 8- 10 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 399 2 CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. FUNÇÃO DO PRODUTO Admitese os créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos a serem utilizados no processo produtivo da agroindústria em função do produto a ser produzido, e não do insumo adquirido. CRÉDITO. INSUMOS. FRETES CONTRATADOS DE PESSOAS FÍSICAS A legislação de regência do PIS e da COFINS inadmite a tomada de créditos sobre os fretes contratados diretamente de pessoas físicas. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de utilização da alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido e o crédito básico nas aquisições de agroindústria nos dias 01, 02, 03 de abril de 2006; (ii) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito sobre despesas de fretes nas operações com CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152) e Walber José da Silva (CFOP 5152). Negado provimento quanto às demais matérias, nos seguintes termos: (iii) por unanimidade de votos, quando ao crédito sobre fretes cujas notas não foram registradas no Livro de Saída e quanto à inclusão do valor dos fretes pagos à pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido; (iv) por maioria de votos, quando ao crédito sobre fretes nas operações com CFOP 7949, 5151, 6151, 5905, 6905, 5503. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Alexandre Gomes, que davam provimento. (v) Pelo voto de qualidade, quanto ao crédito sobre bens para revenda e insumos adquiridos com alíquota zero e sobre despesas de depreciação. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 400 3 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento e Declarações de Compensação de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social — PIS, não cumulativa exportação, referente ao 2° trimestre de 2006, no valor de R$ 1.767.623,86. Do Parecer Fiscal Em seu parecer, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal (DRF) em Itajai/SC, registra que os valores informados pela interessada no Dacon não correspondem àqueles presentes na memória de cálculo apresentada em atendimento intimação à Receita Federal para fins de demonstração da composição da base de cálculo do direito de crédito e que foram, então, considerados como pleiteados os valores presentes nesta e não os declarados no Dacon. Relata a Autoridade Fiscal que do confronto entre a memória de calculo apresentada pela contribuinte e os documentos e registros da empresa, à luz da legislação aplicável à matéria, resultaram as glosas que seguem: a) Bens Adquiridos para Revenda linha 01 do Dacon: do montante informado a esse título foram excluídos os valores de aquisição de produtos classificados no capítulo 29, no código 3002.30 e na posição 38.08. todos da TIPI, por se tratarem de produtos sujeitos à alíquota zero de acordo com o art. I o do decreto n°5.127/2004 e com o art. I o da Lei n° 10.925/2004; b) Bens Utilizados como Insumos linha 02: do montante informado a esse título foram excluídos os valores de aquisição de bens utilizados como insumos (constantes do Anexo II), cujas receitas de vendas estão sujeitas a alíquota zero, conforme: art.l0 , I. do Decreto n°5.127/2004; art. 28, III, da Lei n°10.865/2004; a r t . l 0 , incisos I. II. IV. IX. X XI e IX da Lei n° 10.925/2004; c) Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda linha 07: foram excluídos: os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram no Livro Registro de Saídas do período; os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas encontramse no Livro Registro de Saídas do período mas não se referem a uma operação de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros ou a uma operação de venda de produção do estabelecimento. d) Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado linha 09: foram excluídos os valores referentes a bens do ativo imobilizado que não são utilizados na produção de bens destinados à venda; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 401 4 e) Créditos da Atividade de Transporte de Carga linha 18: sobre os valores informados a esse título, informa a autoridade fiscal que a interessada não presta serviços de transporte rodoviário de carga e que os códigos Cnae relativos a esse tipo de serviço, atribuídos a algumas de suas filiais, têm servido apenas para a emissão de conhecimentos de carga cujo tomador do serviço é a própria empresa, tendo sido, então, excluídos os valores informados destes serviços, por não gerarem créditos nos termos previstos nos §§ 19 e 20 do art. 3 o da Lei n° 10.833/2003, na redação da Lei n° 11.051/2004. f) Crédito Presumido Atividades Agroindustriais linha 25: dos valores informados a esse título: foram ajustadas as alíquotas aplicadas A. aquisições de insumos de pessoas fisicas: 0,99% (60% de 1,65%) para os produtos de origem 'animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, e de 0,5775% (35% de 1,65%) para os demais produtos; Além das glosas acima, no tópico intitulado • como Rateio das Exportações, considerando que a interessada utiliza o método de rateio proporcional, a Autoridade Fiscal ajustou a proporção entre a receita de exportação, vinculada as aquisições de bens e serviços que geram direito ao crédito, e a receita bruta total de vendas de bens e serviços, a ser aplicada sobre os valores dos custos, despesas e encargos comuns, incorridos no mês. Ressalta, que neste ajuste os valores das receitas adotados foram os informados pela contribuinte no Dacon e em resposta a intimação fiscal. Efetuadas as glosas e feitos os ajuste restou reconhecido o crédito remanescente ao final do trimestre no valor de R$ 772.930,32 relativo as receitas de exportações. Com base no Parecer/Sarac/DRF/ITJ n° 209/2008, a DRF/Itajal/SC decidiu por meio do Despacho Decisório à folha 68: a) reconhecer parcialmente o direito creditório objeto do Pedido de Ressarcimento n° 092535.50001.110806.1.1.081263, no valor de R$ 772,930,32; b) homologar parcialmente a Dcomp n° 39142.94762.090408.1.3.08 4329, até o limite do crédito reconhecido; c) não homologar as compensações declaradas na Dcomp n° 05856.10639.160408.1.3.080130. Da Manifestação de Inconformidade Em sua Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório a interessa contesta o parecer fiscal nos termos que seguem. Inicialmente a interessada contesta a glosa dos valores das aquisições dos bens para revenda e de insumos adquiridos a alíquota zero alegando que, a despeito de terem as aquisições sido realizadas mediante alíquota zero de PIS, os tais produtos "foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação". Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 402 5 Nesse sentido aduz que "Mesma quando o contribuinte adquira insumos tributados com aliquota zero, paga, embutido no preço, o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, [...], adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo". A corroborar sua tese traz excertos de uma decisão do STJ e de outras do Conselho de Contribuintes. Conclui, então, que as aquisições de produtos tributados pela presente contribuição a alíquota zero, não se tratam "de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições, e por isto não incide o óbice previsto no artigo 3°, parágrafo 2° da Lei 10.637/02". E acrescenta que a própria legislação, no caso a Lei n° 11.033/04, em seu artigo 17, autoriza a manutenção dos créditos em situações como a presente. Em relação As glosas dos valores referentes a fretes nas operações de venda, relativos a CTRC cujas notas fiscais não se encontrariam escrituradas no Livro Registro de Saídas e a CTRC que não estariam vinculados a notas fiscais de saída, alega que não tem condições de contestálas pois não teria como identificar "quais são as notas fiscais que não estariam registradas no aludido livro, eis que Tao hi qualquer menção a elas na decisão ora recorrida, apresentando o fisco apenas o valor total glosado a este titulo" (destaque no original). Reclama então que "teve seu direito A ampla defesa cerceado, impondose que, na dúvida, lhe sejam totalmente deferidos os créditos indevidamente glosados.". Segue então argumentando que, mesmo que assim não fosse, ainda assim improcedentes seriam as mencionadas glosas, uma vez que a legislação de regência não impõe a escrituração de notas fiscais em Livros Registro de Saídas como condição a geração de créditos. Aduz que o direito ao crédito está vinculado "ao efetivo valor de frete suportado, desde que se refira a serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada no Pais" e conclui que "comprovado que o frete realmente foi um custo incorrido pela Recorrente, a glosa fiscal aqui tratada não merece prosperar". Já em relação as despesas de fretes entre os estabelecimentos da própria empresa, defende que "com base na lei e nas soluções de consulta da Receita Federal, conferem direito a créditos de COFINS", entre outros: (...) c) transferência de produto acabado entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento distribuidor da mesma pessoa jurídica; d) serviços de transporte (adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País) de insumos, de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, sendo esse deslocamento necessário à inserção desse insumo no processo produtivo desenvolvido no estabelecimento de destino. e) transporte de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, de insumos adquiridos de terceiros, quando o ônus for suportado pelo adquirente. E conclui que comprovado o direito ao crédito referente a despesas de "serviços de transporte relativos a transferências essenciais ao processo produtivo" as glosas dos valores correspondentes não devem ser mantidas, "eis que tratam de créditos a título de frete apropriados nos exatos termos das leis que regulamentam esta questão". Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 403 6 Das glosas referentes aos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, a interessada manifestase concordando com a glosa em relação aos "Juros Capitaliz. Operacional" e "Construções Civis e Benfeitorias". Todavia, contesta a glosa dos valores referentes aos móveis e utensílios, computadores ou softwares alegando que todos esses bens, indistintamente, fazem parte do seu processo produtivo, gerando portanto o direito ao crédito pretendido, a teor das soluções de consulta da RPB cujas ementas transcreve. Explica, então, a utilização dos bens em questão, como segue: Com efeito, em seus parques industriais se utiliza de mesas de corte e cadeiras para seus funcionários, sendo estes utensílios essenciais ao seus processos produtivos, como bem se observa por meio das fotos anexas, tiradas, exemplificativamente, da fábrica localizada em Seara/Santa Catarina (doc. 03) ". O mesmo ocorre em relação aos computadores e softwares, tendo em vista que a Recorrente Os utiliza em todas as suas fábricas, a exemplo daquelas destinadas a produção de rações, onde controlam a mistura e composição das rações, monitorando itens como o peso, quantidade, qualidade, etc. Vide, também neste contexto, as fotos anexas, que bem comprovam a utilização dos computadores na fabricada Recorrente localizada em Seara/Santa Catarina (doc. 04). No que concerne ao crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, a interessada inicialmente insurgese contra a glosa dos valores da aquisições junto a pessoas jurídicas, alegando: (...) Desta forma, no entendimento da fiscalização, a Recorrente somente teria direito ao crédito presumido sobre os valores relativos às aquisições de pessoas jurídicas beneficiadas com a suspensão da contribuição ao COFINS, conferida pelo artigo 9º da Lei n° 10.925/04, a partir de 04/04/2006, visto que somente a partir desta data a IN SRF n° 636/2006 regulamentou tal suspensão. Ocorre que, de acordo com tal entendimento, a fiscalização deveria ter efetuado a inclusão de tais aquisições ha rubrica "bens utilizados como instintos" e, portanto, ter concedido a Recorrente o direito ao crédito do COFINS sobre tais aquisições mediante a aplicação da alíquota integral de 7,6%. Isto porque, com base na premissa fixada pela fiscalização que somente a partir de 04/04/2006 foi possível efetuar vendas com a suspensão da contribuição para o COFINS, inferese, por conclusão lógica, que as aquisições realizadas pela Recorrente até 04/04/2006 sofreram a tributação pelo COFINS, o que, pela sistemática da não cumulatividade, gera o inquestionável direito da Recorrente apropriarse dos créditos de COFINS. No mais contesta a aliquota de 0,5775% (35% de 1,65%) aplicada pela Autoridade Fiscal na apuração do crédito presumido referente as aquisições de pessoas físicas. Defende considerando que o critério eleito pelo legislador para determinar o cálculo do beneficio do crédito presumido não é o insumo e sim o produto produzido pela empresa, observada a respectiva classificação nos Capítulos 2 e 16 da TIPI, bem como nos códigos Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 404 7 15.01 da NCM — que calculou corretamente o crédito presumido da Contribuição para o PIS aliquota de 0,99% (60% de 1,65%), tendo em vista que os produtos produzidos pela mesma encontramse classificados nos códigos constantes do inciso I do § 3°, art. 8° do mencionado diploma legal. A contribuinte defende, ainda, ter direito a crédito em relação aos custos com a subcontratação de serviços de transporte de carga prestados por pessoa física por força do disposto nos §§ 19 e 20 do art. 3 o da Lei n° 10.833/2003, considerando ser uma de suas atividades empresariais, conforme consta de seu objeto social (doe. 02). a prestação de serviços de transporte de cargas. Salienta que: (..) a fiscalização reconhece que a Recorrente é uma empresa prestadora de serviços de transporte de cargas, o que significa que, mesmo prestando operações de transporte em beneficio próprio, tem inquestionável direito aos créditos de COFINS ora glosados, na medida em que NÃO HÁ QUALQUER ÓBICE LEGAL PARA TANTO Diante de todo o exposto, requer o acolhimento de sua Manifestação de Inconformidade para que reste deferido seu pleito. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão supra, em 28.11.2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 08.12.2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Considerações Iniciais Os questionamentos da Recorrente dizem respeito à possibilidade de aproveitamento de créditos referentes às contribuições para o PIS/COFINS, no regime de não cumulatividade, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, relativamente ao 3º trimestre de 2006. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 405 8 A Lei nº 10.637, de 2002, instituiu a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para o PIS/PASEP, em seu art. 3º, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004. No mesmo sentido, a Lei nº 10.833/03 dispôs acerca da não cumulatividade da COFINS em seu art. 3º, com a redação também dada pela Lei nº 10.865, de 2004, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (...) Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 406 9 Assim, da leitura dos dispositivos acima transcritos, depreendese que a pessoa jurídica sujeita à incidência nãocumulativa de PIS/PASEP e COFINS pode, com as restrições previstas, em especial nos §§ 2º e 3º, descontar créditos relativos ao valor dos serviços por ela contratados, utilizados como insumo na sua prestação de serviços. Com vistas a disciplinar a aplicação dos dispositivos dessas leis, a Instrução Normativa SRF nº 404/2004, em seu art. 8º, estabeleceu, para a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, o conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática não cumulativa, nos seguintes termos: Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º , a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput , entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Referidos dispositivos referemse a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. A condição prescrita na Lei é de que o bem ou serviço seja insumo, mas não qualquer insumo, uma vez que o dispositivo especifica que deva ser utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 407 10 insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Ademais os, ditos, insumos devem fazer parte do processo produtivo, ou seja, precisam ser utilizados na elaboração do produto final. No âmbito dessa E. Corte o entendimento não está pacificado, sendo compartilhado por 3 (três) correntes: (i) o conceito de insumos estaria diretamente atrelado a legislação do IPI, ou àquilo que está expresso nas Leis que regem o PIS e a COFINS; ii) que os elementos classificados como insumos estariam atrelados à Legislação que rege o IRPJ, e; iii) a classificação de bens e serviços como insumos, para fins de creditamento de PIS e COFINS deve seguir critérios próprios, devendo cada caso ser analisado isoladamente, dentro de suas próprias características. Alinhome a terceira corrente. Entendo, em consonância com a jurisprudência, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. A hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas, cuja amplitude torna inviável a sua vinculação ao valor exato da tributação incidente em cada etapa anterior do ciclo produtivo. Da mesma forma, para fins de creditamento do PIS e da Cofins, admitese que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, quanto à abrangência dada pela legislação de regência ao admitir que serviços sejam considerados como insumos de produção ou fabricação, com o qual corrobora a doutrina, a exemplo de Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003, grifo nosso). Seguindo o que escrevera o doutrinador, as leis mencionadas preveem expressamente que o serviço pode ser utilizado como insumo na produção ou fabricação e que um serviço (atividade + utilidade) pode ser insumo da produção ou da fabricação de um bem. Será efetivamente insumo esse serviço sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Vale dizer, quando atividade ou utilidade contribuírem para o processo ou o produto existirem ou terem certas características. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 408 11 Portanto, o conceito de insumo adotado pelas Leis é amplo a ponto de abranger até mesmo as utilidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que relevantes para o processo ou para o produto. Terem as leis de regência admitido créditos relativos a "serviços utilizados como insumos" demonstra o conceito de "utilização como insumo" no âmbito da nãocumulatividade de PIS/COFINS não tem por critério referencial o objeto físico, pois um sem número de serviços não interfere direta nem fisicamente com o produto final; limitase a assegurar que o processo exista ou se desenvolva com as qualidades pertinentes. Seguindo a linha de raciocínio de Marco Aurélio Greco, este introduz na sequência os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Uma vez que processo de construção de um produto requer um conjunto de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento requer o cômputo de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção, mais uma vez mais amplo que o previsto na legislação do IPI. Considerando todas essas peculiaridades da nova sistemática de não cumulatividade instituída pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as referidas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04 não poderiam simplesmente reproduzir o conceito de insumo para fins de IPI restringindo, por conseguinte, os bens/produtos cujos valores poderiam ser creditados para fins de dedução das contribuições para o PIS e Cofins nãocumulativos, sob pena de distorcer o alcance que as referidas leis conferiram a esse termo, obstaculizando a operacionalização da sistemática nãocumulativa para essas contribuições. Explico: As Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 majoraram as alíquotas das contribuições do PIS e da Cofins de 0,65% para 1,65 e de 3% para 7,6%, respectivamente. E, em contrapartida, criaram um sistema legal de abatimento de créditos apropriados em razão das despesas e aquisições de bens e serviços relacionados no art. 3º de ambas as leis. Da própria exposição de Motivos da Medida Provisória n. 66, de 29 de agosto de 2002, constou explicitamente que "constitui premissa básica do modelo à manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/PASEP". Assim, a restrição pretendida pelas Instruções Normativas para o conceito de insumos aos elementos consumidos no processo operacional, além de ir de encontro à própria essência do princípio da nãocumulatividade, acaba por gerar a ampliação da carga tributária das contribuições em comento. Dessa forma, é inexorável a conclusão de que os referidos atos normativos fazendários, ao validarem o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos com acepção restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, acabaram por extrapolar os termos do ordenamento jurídico hierarquicamente superior, in casu, as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois vão de encontro à finalidade da sistemática de nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 409 12 Reconhecida a ilegalidade das Instruções Normativas 247/02 e 404/04, por adotarem definição de insumos semelhante à da legislação do IPI, impede definir agora qual seria a exegese para o termo mais condizente com a sistemática da nãocumulatividade das contribuições em apreço. Da mesma forma, entendo incabível a utilização da legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo. Primeiramente, porque se assim o quisesse o legislador, teria sido mais simples aumentar diretamente a alíquota do IRPJ ou da própria CSLL (considerando a sua desvinculação constitucional) e permitir aos contribuintes a dedução das despesas operacionais. Por essa linha de raciocínio, em contraponto, o conceito de insumo poderia se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterizasse como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. Seria dizer que "bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços", na acepção da lei, referirseia a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Houve precedente nesse sentido nesse mesmo CARF, no Recurso n. 369.519, Processo n. 11020.001952/200622, 2ª Câmara, Sessão de 08.12.2010. Valhome desse julgado, mas para concluir de forma distinta, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento – exemplo – Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa (o que abrange a administração). Porém, por princípio, todos os custos (não todas as despesas) da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, poderiam ser passíveis de crédito. Dito isso, permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 410 13 Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a intepretação da legislação ao ponto de tornala inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. Como havia dito no primeiro parágrafo, a exclusão do "Custo das mercadorias ou serviços" e das "Despesas Operacionais" da base de cálculo das contribuições ao PISPasep e Cofins, caso considerados insumos, resultaria em que seria tributado apenas o Lucro Operacional da empresa + as Receitas não Operacionais (receitas não relacionadas diretamente com o objetivo social da empresa), como dito, o que resultaria na subversão da norma jurídica ao aproximála por interpretação às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Sendo assim, podese afirmar que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 PIS e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 COFINS exige que: i) O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); ii) A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e iii) Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 411 14 Se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, estaremos diante da essencialidade desse bem ou serviço, necessária à sua classificação como insumo. Não apenas em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. A título de exemplo, os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Outrossim, não basta que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial e que haja prova disso. Como corolário, possível verificarse se a sua subtração resulte na impossibilidade dessa prestação do serviço ou da produção, isto é, prejudique a atividade da empresa, ou resulte em perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, nos dizeres de Marco Aurélio Greco. Essa interpretação, senhores conselheiros, com a devida vênia, é a que adequase à intenção do legislador, à norma em vigor, ao direito do contribuinte e à manutenção dos níveis de arrecadação pela União. É a interpretação que coadunase com as modernas técnicas de produção, neutra do ponto de vista filosófico, por não resultar em incentivos negativos aos investimentos em modernização e em inovação de processos e produtos. Pois bem, feitas essas considerações, passo a analisar, especificamente, o processo em epígrafe. Subiram para apreciação as seguintes glosas, mantidas pelo Acórdão recorrido: 1) Aquisição de bens não sujeitos ao pagamento do PIS na etapa anterior; 2) Despesas com Frete na Operação de Venda, subdividindose em 2.1) Fretes relativos ao CTRC cujas notas vinculadas não constam do LRS; 2.2) Fretes que não se referem à operação de venda; 3) encargos de depreciação do ativo imobilizado; 4) Créditos presumidos das atividades agroindustriais, que subdividese em 4.1) aquisições de pessoas jurídicas; 4.2) aquisições de pessoas físicas; 5) Serviços de transporte de carga prestados por pessoa física. 1) Aquisição de bens não sujeitos ao pagamento do PIS Nos termos do § 2º do artigo 3º da Lei 10.637/02 temos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 412 15 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) O referido dispositivo legal estabelece que os contribuintes sujeitos ao pagamento do PIS e da COFINS com base nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, poderão deduzir, nas situações jurídicas que preconiza, os montantes pagos a título de PIS e de COFINS. A lei pode autorizar exclusões e vedar deduções de determinados valores para fins de apuração da base de cálculo do tributo, encontrandose elencadas no artigo 1º, § 3º, da Lei n.º 10.637/02, e no artigo 1º,§ 3º, da Lei n.º 10.833/03, as exclusões autorizadas. Por seu turno, estabelecem os artigos 3ºs, de ambas as Leis, as deduções permitidas, bem como as vedações quanto ao aproveitamento de determinados créditos para essa finalidade. Ademais, é necessário buscar o alcance da disposição prevista no inciso II do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e duas são as conclusões extraídas: (i) não dá direito ao crédito a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da COFINS; (ii) quando os bens ou serviços adquiridos forem isentos, a sua aquisição não dará direito a crédito quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. As Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 têm natureza específica no tocante às regras de não cumulatividade do PIS e da COFINS, e, por força do princípio da especialidade, a regra especial prevalece sobre a regra geral. Ao justificar os motivos que levaram à glosa de créditos de COFINS referentes a bens adquiridos para revenda e bens utilizados como insumos, alegou o fisco que as aquisições de produtos classificados no código 3002.30 e na posição 38.08, da T I P I , referemse a produtos sujeitos a alíquota zero, que devem ser, portanto, excluídas do cômputo de créditos. Tais insumos seriam, por exemplo, a batatinha inglesa, tomate em cubos, cenoura em cubos, champignon fatiado, etc. Claramente tratamse de matériasprimas utilizadas na fabricação de condimentos e rações destinados a todos os alimentos, ou seja, carnes de aves e suínos, industrializados pela Recorrente. O fundamento para a glosa em questão recairia no artigo 3o, parágrafo 2 o da Lei 10.833/03, com a redação dada pelas Leis n° 10.685/04 e 10.925/04: "§ 22 Não dará direito a crédito o valor: Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 413 16 I I da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Entendo correto o argumento de que a aquisição dos produtos acima gera sim o direito ao creditamento glosado, na medida em que, a despeito de terem sido realizadas mediante alíquota zero de COFINS , é fato incontestável que foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação. Nesse sentido, faz jus ao creditamento mesmo que o contribuinte adquira insumos tributados com alíquota zero, eis que paga, ainda que embutido no preço, o t r i b u to ( P I S / C O F I N S ) indiretamente em outros insumos ou produtos, a exemplo de adubos, fertilizantes, ferramentas, maquinários, dentre outros, adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Por isso existe o legislador trouxe o art. 17 à Lei no. 10.033. Importante mencionar dois julgados nesse sentido: Primeiro, a decisão proferida pela Ministra Eliana Calmon, da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, que ao julgar caso referente aos créditos relativos ao Crédito Presumido de IPI, regulado pela Lei 9363/96, bem reconhece o direito atinente a aquisições em que o tributo ( P IS e C O F I N S ) tenha incidência em cascata: "( ... ) Muito ponderei sobre o tema, especialmente diante de algumas reflexões trazidas nos memoriais, dentre as quais destaco: 1) a COFIN S e o PIS oneram em cascata o produto rural , por isso , estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador mesmo não havendo incidência na sua última aquisição: 2) o Decreto 2.367/98 regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; 3) a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2) sem condicionantes. Depois de todas essas avaliações, concluí da seguinte maneira: 1o) o produtorexportador adquire como insumo, por exemplo, tecidos, linhas, agulha, botões, etc, e em todas essas aquisições é ele contribuinte de fato da PIS/COFINS, paga pelo vendedor que, no preço, já embutiu a PIS/COFINS paga pelos seus insumos. Na hipótese, a lei permite o ressarcimento sobre o preço final da aquisição, o que leva a também deduzir as antecedentes incidências da PIS/COFINS; 2o) mesmo quando o produtorexportador adquire matériaprima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física, embutido no preço dessas mercadorias o tributo PIS/COFINS Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 414 17 indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários. adubos, etc , adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Pareceme, portanto, que razão assiste aos que entendem ter a instrução normativa aqui questionada extrapolado o conteúdo da lei." (RESP 586392 DJ 06.12.2004, pág. 259) O mesmo entendimento foi adotado pelo CARF: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE I P I . AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. (...) Mesmo as aquisições de insumos de não c o n t r i b u i n t e s das contribuições em causa (P I S / P A S E P e C O F I N S ) dão d i r e i to ao crédito presumido, considerandose quef em etapas anteriores, tais contribuições oneraram, em cascata, o custo do produto a ser e x p o r t a d o e t êm sua incidência embutida nas operações anteriores. (Recurso n° 129856 Terceira Câmara Processo n° 13527.000092/200120 Sessão De 10/08/2005 Entendo pois que há o direito à manutenção integral dos créditos apropriados pela Recorrente como custo incorrido por serem claramente insumos, no conceito amplo que lhe conferiu o legislador Ainda há outro argumento trazido à baila pelo contribuinte que entendo reforçar o raciocínio: essas operações não se tratam de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições, elas são sim sujeitas ao seu pagamento, mas à alíquota zero, e por isto não incide o óbice previsto no artigo 3°. parágrafo 2° da Lei 10.637/02. com a redação dada pelas Leis n° 10.684/03 e 10.865/04, tal como acima transcrito. Por isso, caso nossos pares entendam que a contribuinte não faz jus aos créditos integrais decorrentes das aquisições mediante aplicação de alíquota zero, automaticamente teremos que reconhecer o cabimento do direito ao crédito presumido previsto no artigo 8° da Lei n°. 10.925/2004. Referido dispositivo, prevê que a pessoa jurídica poderá deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o. das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Os produtos acima relacionados tratamse de insumos adquiridos pela Recorrente, na qualidade de produtora de mercadorias de origem animal destinados à alimentação humana, os quais foram utilizados na fabricação de produtos por ela fabricados e destinados à venda. Nesse tópico, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Finalmente, Caso haja distinção de alguma espécie por parte dos nobres pares, consigno que esses mesmos argumentos e razões de decidir são válidos para as glosas da Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 415 18 rubrica de "Bens adquiridos para Revenda", ou seja, relativas aos produtos classificados no código 3002.30 e na posição 38.08, da T I P I, para os quais também entendo plenamente cabível o direito ao crédito. 2) Despesas com frete nas operações de venda 2.1) Fretes relativos ao CTRC cujas notas vinculadas não constam do LRS; No que tange à glosa de créditos referente às despesas com frete nas operações de venda, muito embora entenda perfeitamente cabível o direito ao creditamento, compulsando os autos, verifico que há carência de material probatório, em que pese as alegações da recorrente sejam no sentido de que tal prova seria impossível em virtude das próprias características do transporte de aves vivas. Perfilome do entendimento sufragado pelos i. julgadores de primeira instância onde restou decidido que: “Assim, dos conhecimentos de transporte relacionados pela contribuinte, a Autoridade Fiscal não acolheu aqueles aos quais não há qualquer nota fiscal vinculada. Neste caso, agiu corretamente a Autoridade Fiscal, haja vista nos casos em que não há no CTRC a informação precisa da nota fiscal do material transportado resta prejudicada a confirmação de trataremse de fretes na venda de um produto da empresa, requisito essencial para que a despesa de frete gere o crédito pretendido. (...) Em assim não tendo agido a contribuinte, a teor do que está firmado no item 1 deste voto, deixou de cumprir o ônus que a lei lhe impõe de comprovar os créditos pleiteados não havendo, portanto, como reconhecêlos.” Assim, por não ter havido a comprovação, por parte da Recorrente da efetiva ocorrência das operações de venda vinculadas aos referidos CTRC, entendo não assistirlhe razão quanto a esse tópico. 2.2) Fretes que não se referem à operação de venda Existência de direito ao credito relativo aos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa A fiscalização negou o direito ao crédito decorrente dos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 416 19 da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”, como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. Neste contexto, por todo exposto entendo que assiste razão a recorrente, que pode creditarse de frete realizado pela empresa, uma vez que se tratam de despesas operacionais indispensáveis e essenciais ao funcionamento da Recorrente, sem os quais a atividade industrial da empresa fica evidentemente prejudicada. Assim entende a RFB: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 9 de 30 de maio de 2006 ASSUNTO: 15 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITO FRETE. Geram direito ao crédito da Cofins, os pagamentos, a pessoas jurídicas domiciliadas no país, pelo serviço de transporte de bens de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, na qualidade de insumos para obtenção de um , produto cuja industrialização será concluída no estabelecimento de destino, desde que esse deslocamento se revele necessário no processo produtivo, integrando o custo de produção, e de sde que o produto acabado seja destinado à venda. Também geram direito ao crédito mencionado os pagamentos a pessoa jurídicas domiciliadas no país pelo serviço de transporte de insumos adquiridos de terceiros, quando o ônus for suportado pelo adquirente e o produto acabado for destinado à venda. Ainda: 7a REGIÃO F I S C AL SOLUÇÃO DE CONSULTA N°. 275 de 02 de julho de 2004 EMENTA: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, COFINS NÃO Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 417 20 CUMULATIVA CRÉDITO. TRANSPORTE DE INSUMOS E PRODUTOS. Os valores referentes aos fretes contratados para transporte de insumos, aplicados na fabricação de produtos, desde que prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, por serem considerados insumos nos termos do art. 66, I , " b " , da IN SRF n° 247, de 2002, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados da COFINS. Os valores referentes ao frete na operação de venda de produtos, desde que suportados pelo vendedor, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados da COFINS, a partir de 01 de fevereiro de 2004. As despesas de comissões de vendas, pagas a pessoa jurídica domiciliada no país não geram direito a crédito da COFINS por falta de amparo legal A recorrente inclusive demonstra os CFOP´s cujos créditos foram glosados. Referiramse a 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento 5451 Remessa de Animal ou de Insumo para Estabelecimento Produtor 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação 5905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 5923 Remessa de mercadoria por conta e o r d em de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado. 6151 Transferência de produção do estabelecimento 6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação d e Serviço Não Especificada Claramente, todas as operações ou são relativas a insumos, ou referese ao envio de produtos acabados para seus armazéns ou até mesmo para exportação. 3) Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado Fl. 417DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 418 21 Alega a Recorrente que a glosa referente a depreciação de bens do ativo imobilizado é indevida, uma vez que os móveis e utensílios, computadores ou softwares fazem parte do processo produtivo da empresa. Foram glosados bens que eventualmente não seriam utilizados na produção, especificamente, Móveis e utensílios; Construções civis e benfeitorias; Softwares imobilizados; Juros capitaliz. Operacional; Computadores e Acessórios A fiscalização alega que não houve prova de que tais bens estariam ligados à produção. O contribuinte apresentou diversas fotografias. Alega que no parque industrial os empregados utilizamse de mesas e cadeiras, que os computadores controlam as suas unidades industriais, as misturas e composição de rações, os respectivos softwares idem. Para que haja direito aos créditos relativos aos encargos de depreciação, há necessidade de que os bens depreciados estejam, intimamente ligados à produção, elaboração do produto final a ser vendido. Nesse caso entendo que estamos diante de uma questão de prova. A fiscalização simplesmente glosou tais encargos, não tendo logrado, na minha opinião, demonstrar o contrário, ou seja, que não seriam tais bens pertencentes ao processo produtivo. Entendo que deveria ter intimado o contribuinte para demonstrálo antes de proceder a glosa, posto que da forma como conduzido o processo, houvera a inversão de ônus. No presente caso, os bens em questão, quais sejam, móveis e utensílios, computadores ou softwares, por princípio estão ligados diretamente ao processo produtivo da recorrente, e entendo que as fls. 915 a 933 o contribuinte o demonstrou por meio de prova fotográfica. Isso posto, vislumbro seu direito ao creditamento relativo aos encargos de depreciação, exceto quanto à conta “Juros Capital.”, que claramente não deveriam pertencer às contas de depreciação passíveis de creditamento, cujas explanações do contribuinte não o alcançaram. 4) Créditos presumidos das atividades agroindustriais, A título de esclarecimento, não foram glosados os créditos presumidos de mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas, foram readequadas as alíquotas aplicáveis na presunção, tal como será doravante exposto. 4.1) aquisições de pessoas jurídicas; Nos termos do artigo 8º da Lei 10.925/04 temos: Fl. 418DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 419 22 Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal Fl. 419DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 420 23 classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) A controvérsia aqui, como bem demonstrado pela recorrente, deve mudar de foco. A fiscalização glosou valores relativos às aquisições de pessoas jurídicas incluídos pela Recorrente na base de cálculo do crédito presumido do COFINS, sob a justificativa de que a suspensão da exigibilidade deste tributo, prevista no artigo 9 o da Lei n°. 10.925/04, dependia do estabelecimento de termos e condições de sua aplicação, o que se deu somente com a edição da IN SRF n°. 636/2006, publicada no DOU em 04/04/2006. Nesse caso, nunca houve então simplesmente a impossibilidade de crédito, pois que ainda vigorava o regime anterior, qual seja, o de que seria possível tomar créditos sobre tais valores como simples insumos, à alíquota de 7,6%, dentro da regra geral. Contudo, a glosa foi mantida por entender a fiscalização que não foram apresentados documentos hábeis e suficientes a comprovar não só a existência dos custos e despesas incluídos na base de cálculo do crédito apurado, como sua natureza, conforme informado pela contribuinte e pleiteado por meio de PER/Dcomp, para a necessária análise e conferência dos créditos pela autoridade fazendária. Ora, ao contrário do afirmado pela Autoridade Fazendária, a Recorrente não pretende que sejam reconhecidos créditos acima do pleiteado por meio de PER/Dcomp, mas que sejam reconhecidos os créditos de COFINS sobre as aquisições realizadas no período envolvido, mediante a aplicação da alíquota integral de 7,6%, uma v ez que ainda não estava em v i g o r a suspensão da contribuição à C O F I N S prevista no artigo 9o da Lei no. 10.925/2004. O novo dispositivo apenas passou a vigorar após a sua regulamentação, em 04/04/2006, já que a partir desta data a IN SRF n°. 636/2006 regulamentou tal suspensão. Ou seja, o ponto aqui não se refere à natureza, mas à vigência de Lei. Nesse sentido, bem restou decidido pela DRJ do Rio de Janeiro II: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS (...) INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 421 24 É cabível a apropriação de crédito da Cofins calculado mediante aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor das aquisições de insumos de pessoas jurídicas domiciliadas no País realizadas antes da aplicação da suspensão da incidência da Cofins de que trata o artigo 9o da Lei n°. 10.925/2004. (...) Ao analisar a composição da base de cálculo do crédito presumido da agroindústria, a autoridade fiscal considerou indevida a inclusão de valores relativos a aquisições de pessoas jurídicas nos meses de agosto a setembro de 2004. A glosa teve por base o entendimento de que a suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS prevista no artigo 9 da Lei n°. 10.925/2004 passou a vigorar somente a partir de 04/04/2006, após a regulamentação do referido dispositivo legal pela IN SRF n°. 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF n°. 660/2006. Alega o contribuinte que, não havendo a suspensão da exigibilidade das contribuições nas vendas efetuadas por pessoas jurídicas, as aquisições glosadas deveriam ter sido incluídas pela autoridade fiscal na rubrica correspondente aos bens utilizados como insumos adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País gerando crédito normal,calculado à alíquota de 7,6%. Neste ponto assiste razão à interessada. De fato a suspensão do PIS e da COFINS nas vendas efetuadas por pessoas jurídicas que exerçam atividades agropecuárias , para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos do artigo 9o da Lei n°. 10.925/2004 somente foi regulamentada pela IN SRF n°. 636/06 (24/3/06), publicada no DOU de 4/4/06, posteriormente revogada pela IN SRF n°. 660/06 (17/7/06), publicada no DOU DE 25/6/06 aplicandose em relação às operações praticadas a partir de 4/4/06. Consequentemente, as vendas efetuadas antes da referida data estavam sujeitas à incidência da contribuição em tela e, portanto, os valores das aquisições efetuadas pela interessada são passíveis de gerar créditos calculado à alíquota de 7,6%. A exclusão efetuada foi de (...) Processo n°. 10909.003039/200441 Sessão de Julgamento de 4 de fevereiro de 2010 Relatora Andréa Paula de Morais Machado." Diante do exposto, que em que pese o fato da empresa não ter direito ao crédito presumido de COFINS sobre as aquisições realizadas de pessoas jurídicas anteriores a 04/04/2006, já que as pessoas jurídicas encontravamse impedidas de utilizar o beneficio da suspensão da contribuição ao COFINS prevista no artigo 9o da Lei n° 10.925/04, a empresa tem direito de creditarse sobre tais aquisições com a alíquota integral, sob pena de ofensa ao princípio da nãocumulatividade, uma vez que tais insumos foram adquiridos tributados pela contribuição ao C O F I N S. Finalmente, duas observações – a uma, a que deve ser evitado o cômputo em duplicidade desses créditos por parte do contribuinte, e a duas, que nesse caso, pelo período de apuração, apenas estaríamos diante do provimento da pretensão da recorrente para os dias 1o, 2 e 3 de abril, enquanto não vigorava ainda a dita Instrução Normativa. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 422 25 4.2) aquisições de pessoas físicas Conforme o entendimento da fiscalização, para a apuração do crédito presumido referente às aquisições de pessoas físicas, a Recorrente deveria aplicar as alíquotas previstas nos incisos I e II do §3° do artigo 8 o da Lei n° 10.925/04 de acordo com cada insumo adquirido. Desta forma, de acordo com tal entendimento, a fiscalização apurou que a contribuinte Recorrente teria utilizado, equivocadamente, a alíquota de 4,56%, quando na verdade, sobre as aquisições de alguns insumos, deveria ter aplicado a alíquota de 2,66%. Nesse caso, tratase de interpretação da Lei. De acordo com a Lei n° 10.925, de 23 de j u l h o de 2004, acima transcrita, foi autorizado às pessoas jurídicas que comercializam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas em determinados códigos NCM especificados na T I P I , a apuração de crédito presumido das contribuições ao PIS/PASEP e à C O F I N S sobre os insumos adquiridos de pessoa física e pessoa jurídica que exerça a atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária. Discorremos sobre essa matéria por ocasião da apreciação de outros casos, no qual restei vencido. Por outro lado, importante ressaltar que esse dilema fora resolvido posteriormente pelo legislador, que encerrou a controvérsia. De qualquer sorte, entendo que ao dispor sobre o direito ao crédito presumido o legislador considerou toda a cadeia de custos dos fabricantes de produtos de origem animal e vegetal , tendo chegado a conclusão de que a primeira é mais onerada pelo PIS / COFINS do que a segunda, haja vista a pecuária incorrer em gastos de produção muito mais vultosos do que o segmento puramente agrícola, justificando assim um maior percentual de crédito presumido. Por outro lado, segregar o direito ao crédito presumido de acordo o tipo de insumo seria infringir o comando normativo do caput do art. 8o da Lei n° 10.925/2004, que qualificou o direito a crédito pela condição do adquirente e não pelas características do seu fornecedor. Prova disso são as classificações fiscais citadas no inciso I do §3°: "60% (sessenta por cento) (...), para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas oupreparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; Como se pode perceber pelas classificações fiscais citadas, o referido dispositivo está fazendo alusão aos produtos comercializados pela agroindústria, uma v e z que as classificações fiscais sublinhadas referemse a uma parcela dos produtos finais deste segmento e não as matériasprimas advindas de seus fornecedores (ex: animais vivos ) . Vejamos alguns exemplos das classificações citadas no inciso: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 423 26 02.02 Carnes de animais da espécie bovina, congeladas. 02.03 Carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas 02.06 Miudezas comestíveis de animais das espécies bovina, suína, ovina, caprina, cavalar, asinina e muar, frescas, refrigeradas ou congeladas 02.07 Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. 1501.00.00 Gorduras de porco (incluída a banha) e gorduras de aves, exceto as das posições 02.09 ou 15.03. 1506.00.00 Outras gorduras e óleos animais, e respectivas frações, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados. 15.16 Gorduras e óleos animais ou vegetais, e respectivas frações, parcial ou totalmente hidrogenados, interesterificados, reesterificados ou elaidinizados, mesmo refinados, mas não preparados de outro modo. No referido dispositivo não se citam os animais vivos da posição 1 da TIPI, mas apenas os subprodutos de sua matança. Ora, se a realmente a intenção do legislador fosse conceder o direito ao crédito presumido com base nas entradas, ela deveria citar os animais vivos (NCM's 1.02: bovinos, 1.03: suínos e 1.06: aves) no inciso I do §3° do art . 8o, principal insumo de parte significativa da agroindústria de alimentos de origem animal, como geradores do direito a crédito presumido. Isso nos leva a concluir que o percentual determinase de acordo com as saídas e não com as entradas. Nesta ordem de considerações entendo que no caso de empresas que fabriquem produtos de origem animal o direito a crédito é de 60% independente do tipo de insumo, animal ou vegetal, adquirido pelo agroindustrial. Finalmente, gostaria também de mencionar recente voto do I. Conselheiro Rosaldo Trevisan, no Acórdão no. 340200.476: 5.14. Crédito presumido de atividade agroindustrial Em relação ao crédito presumido de atividade agroindustrial, informa o fisco que houve aplicação incorreta da alíquota de 60% (o correto seria 35%) a diversas aquisições de produtos classificados em códigos da NCM não contemplados no comando legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (como animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero (pintos de 1 dia / ovo fértil). A recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido, e que os bens são de fato utilizados no processo produtivo (animais reprodutores e de lactação, para preparar outros animais para abate; lenha para fornos destinados a produzir copa, salame, etc; retentores como partes e peças de Fl. 423DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 424 27 máquinas usadas na produção; e laudos técnicos para manutenção da qualidade e higiene na linha de produção). O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins),devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos.Na letra da lei: (...) Vêse,pelas glosas, que o fisco aplicou as alíquotas conforme os insumos adquiridos. Contudo, a recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido. Assim, devese iniciar a análise da questão pela alíquota aplicável.A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema,mantendoo lógico, coerente e harmônico.Tal tarefa foi recentemente empreendida nesta turma, que unanimemente chegou à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281,Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS Fl. 424DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 425 28 incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes,defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até anti isonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que,simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1o). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicalo depois de reduzida azero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no.10.925/04: decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que,se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matérias primas,bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 426 29 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido,por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário,estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e,como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes,conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” Assim, entendese aqui também cabível a concessão do crédito presumido mediante a aplicação das alíquotas de 60% ou 35% em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Restaria ainda analisar as questões referentes à inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e à inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero(pintos de 1 dia). Contudo, parte do contencioso foi solucionada com a decisão de piso: “Quanto às aquisições de pintos de 1 dia, como já visto, o art. 8o da Lei no 10.925/04, estabelece que poderão apurar crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa dessas contribuições que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, nele especificadas, destinadas à alimentação humana ou animal, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na produção dessas mercadorias, adquiridos de pessoas físicas ou das pessoas jurídicas listadas no seu § 1o.A concessão do crédito presumido, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, é conjugada com a obrigatória suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas vendas de insumos feitas por essas pessoas jurídicas, consoante determinação do art. 9o da Lei no 10.925, de2004. (...) Por fim, quanto à lenha utilizada em fornos e câmaras para produção de diversos produtos, tendo em vista a utilização destes bens como combustível, constatase que lenha corresponde ao Fl. 426DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 427 30 conceito de insumos e concede direito ao crédito presumido quando adquirida de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas incluídas no § 1o do artigo 8o da Lei no 10.925/2004. Desta forma, concedese o crédito presumido em relação às aquisições de lenha e pintos de 1 dia, ao percentual de 35%incidente sobre a alíquota das contribuições, explicitados na planilha anexada a este acórdão, (...)” (grifo nosso) Assim, resta apenas acrescer ao já decidido pela DRJ nossas considerações sobre a alíquota aplicável em relação ao crédito presumido. Na parte que ainda resta contenciosa animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos,há que se destacar que os dois últimos não são produtos agropecuários, aptos a gerar o creditamento. Os três primeiros, por sua vez, passaram a ensejar o creditamento apenas em 2009, como também destacou o julgador a quo: “Quanto à glosa de créditos em relação a animais reprodutores,animais para lactação e animais para recria, esclarecese que apenas após a publicação da Lei no 12.058/09, eficaz a partir de1o de novembro de 2009, foi concedido o direito a crédito presumido em relação a aquisições de animais vivos da espécie bovina. Ressaltase que não é permitido o crédito presumido em relação a animais reprodutores, animais para lactação e animais para recria de outras espécies devido a estes bens encontraremse incluídos no ativo imobilizado e, portanto, não corresponderem ao conceito de insumos.Tendo em vista que o presente lançamento referese ao 1o trimestre de 2007, mostrase correta a glosa.” (grifo nosso) Concluise, então, neste tópico, pela improcedência das glosas no que se refere às alíquotas adotadas, inclusive em relação aos créditos presumidos só assegurados na decisão de piso, e pela manutenção das glosas referentes a animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos.” Isso posto, entendo procedente os argumentos da recorrente, e voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário também nesse tópico. 5) Fretes de Pessoa Física No que se refere às glosas de créditos com fretes adquiridos de pessoas físicas, importante algumas considerações. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos deve ser interpretada de forma sistemática, e de fato, o legislador busca eliminar a incidência em cascata das contribuições na cadeia produtiva. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 428 31 Tanto o é que regra geral é a de que aquisições de pessoas físicas não são admitidas para crédito, em diversos momentos. A exemplo, despesas de aluguéis pagos a pessoa físicas, mãodeobra, etc. Havendo possibilidade de restrição legal dos créditos, e sendo regra geral a inadimissibilidade de créditos sobre aquisições de pessoas físicas (não que não possa haver créditos sobre elas, caso concreto da presunção analisada anteriormente, claramente trazida à baila para moldar a Lei à realidade da cadeia específica do agronegócio) Como dito, os arts. 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, expressamente estabelecem que o creditamento é em relação a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” (grifo nosso), Concluindo, muito embora creia firmemente que fretes são insumos, seja na venda, seja durante a produção, no caso de fretes contratados a pessoa física entendo que a lei inadmite tal creditamento. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso e julgo parcialmente procedente É como voto. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto às seguintes matérias: 1. Direito ao creditamento sobre as aquisições de bens para revenda e insumos não sujeitos ao pagamento do PIS; 2. Direito ao creditamento sobre despesas de fretes em operações não comprovadas como de venda; 3. Direito ao creditamento sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Direito ao creditamento sobre as aquisições de bens para revenda e insumos não sujeitos ao pagamento da contribuição A autoridade fiscal glosou os créditos tomados sobre a aquisição de bens para revenda classificados no capítulo 29, no código 3002.30 e na posição 38.08, cuja redução à alíquota zero está prevista na Lei nº 10.925, de 2004 e no Decreto nº 5.127, de 2004. Do mesmo modo, glosou os créditos tomados sobre as aquisições de insumos, reduzidos à alíquota Fl. 428DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 429 32 zero pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 28, inciso III, pela Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, incisos I, II, IV, V, VII e pelo Decreto nº 5.127, de 2004, art. 1º, inciso I. Lei 10.856, de 2004, art. 28: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) ... III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; Lei nº 10.925, de 2004: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; IV corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; ... VII produtos classificados no Código 3002.30 da TIPI; e IX farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho, classificados, respectivamente, nos códigos 1102.20, 1103.13 e 1104.19, todos da TIPI; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) ... XI leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) XII queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Decreto nº 5127, de 2004: Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, incidentes sobre a operação de importação e sobre a receita decorrente da venda, no mercado interno, dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; O fundamento da glosa foi de que tais bens, por não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições, não podem gerar créditos. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 430 33 O conselheiro relator entendeu pela possibilidade de creditamento, afastando a restrição imposta no §2º, inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, sob dois fundamentos: ter havido incidência deste tributo nas etapas anteriores da circulação e entender que sujeição à alíquota zero implica, sim, em pagamento, mas à alíquota zero. Penso, entretanto, de modo diverso. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei, obedecidas as restrições legais, dentre elas a impossibilidade de creditamento em relação a bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, conforme dispositivos legais abaixo transcritos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. A clareza do dispositivo não deixa margem a dúvidas: o que se exige é que a aquisição seja sujeita ao pagamento e não sujeita à incidência tributária. A tributação sob alíquota zero, embora inserta no campo da incidência tributária, não possui qualquer conteúdo econômico positivo. Por outro lado, as aquisições à alíquota zero não transferem carga tributária, uma vez que além de não haver débito na saída, o crédito embutido na etapa anterior é ressarcível pelo vendedor (artigo 17 da Lei nº 11.033, de 20041 combinado com artigo 16 da Lei nº 11.116, de ,20052), não havendo transferência de carga tributária no preço. O que ocorre, de fato, é a aquisição desonerada de carga tributária. 1 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 431 34 A questão foi enfrentada no julgamento do RE 353.6575 – PR, ao tratar do creditamento de IPI sobre as aquisições sujeitas à alíquota zero. No item 6 do voto, a Ministra Ellen Gracie assim explicitou: 6. Desejo frisar a importância da ausência de tributação em momento anterior à etapa zero ou nãotributada. Isso porque, a maneira pela qual os contribuintes ingressam e juízo e pleiteiam o creditamento faz parecer que qualquer entrada de matéria prima haverá de gerar crédito, a ser compensado com o montante do tributo devido na saída do produto industrializado. Não é essa, todavia, a sistemática da nãocumulatividade, que objetiva tãosomente evitar a incidência tributária sobre uma base já onerada pelo mesmo tributo. Se, no entanto, a etapa zero ou N/T não está precedida de tributação positiva, a base de cálculo já está desonerada, sem que faça necessário – ou mesmo pertinente – qualquer mecanismo compensatório. Como frisado no voto da Ministra Ellen Gracie, a inexistência de transferência de carga tributária para a etapa seguinte constitui um dos fundamentos para o impedimento de creditamento à alíquota zero, restrição imposta que não desnatura o princípio da nãocumulatividade. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de creditamento de PIS/Pasep ou Cofins, sobre as aquisições de bens para revenda e insumos tributados à alíquota zero, porquanto delas não resulta qualquer pagamento. Direito ao creditamento sobre despesas de fretes em operações não comprovadas como de venda A autoridade fiscal glosou despesas de fretes tomados pela recorrente sob o argumento de se tratarem de fretes sobre operações de venda (art. 3º3, inciso IX da Lei nº 10.833, de 2003). Segundo a autoridade fiscal, tais fretes se referiam a transferências entre estabelecimentos da própria recorrente, mas que não integravam uma operação de venda, pois não havia uma nota fiscal de venda emitida previamente à operação. A recorrente contestou especificamente os Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOP – abaixo relacionados: 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento 5451 Remessa de Animal ou de Insumo para Estabelecimento Produtor 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação 5905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 3 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 432 35 5923 Remessa de mercadoria por conta e o r d em de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado. 6151 Transferência de produção do estabelecimento 6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação d e Serviço Não Especificada Pontuese que as glosas referentes aos demais CFOPs não foram contestadas e consideramse incontroversas. A recorrente, em síntese, alegou que os fretes glosados estavam vinculados a operações de venda ou ao processo produtivo. Por sua vez, o relator entendeu que assistiria direito à recorrente, em razão de que tais fretes se referiam a despesas operacionais indispensáveis e essenciais à atividade industrial da recorrente. Com respeito aos argumentos do relator, divirjo, em parte, de seu entendimento, pois relativamente aos CFOPs 5151, 5503, 5905, 6151, 6905 e 7949, entendo que não cabe razão à recorrente. Embora me alinho em termos gerais com o conceito de insumo esposado pelo relator, reputo que os fretes para serem classificados como insumos devem estar inseridos no custo de produção ou no custo dos serviços prestados, ou seja, serem aplicados ou consumidos no processo produtivo, sendo, portanto, essenciais e inerentes a este processo. Tenho, portanto, que para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa incorrida posteriormente ao processo produtivo. Já em relação aos fretes em operações de venda, acompanho a premissa da autoridade fiscal de que esta operação de venda deve ocorrer previamente à realização da despesa. A recorrente afirmou na peça recursal que os fretes vinculados às notas fiscais de CFOPs 5151 e 6151 se referiam às transferências de produtos industrializados dos estabelecimentos fabris para os centros de distribuição. Em relação aos CFOPs 5905 e 6905, afirmou apenas tratarem de mercadorias enviadas para depósito fechado ou armazém geral. Portanto, por se tratarem de despesas operacionais, como bem salientado pelo relator, relativas a transferências de produtos acabados, ou seja, despesa incorrida após o processo produtivo, não devem gerar créditos das contribuições por falta de previsão legal, isto é, não podem ser considerados insumos, nem fretes em operações de venda. Já os fretes vinculados às notas fiscais de CFOP 5503 tratam de devolução de mercadoria, não se referindo, pois à venda de produto/mercadoria, nem a serviço aplicado ou consumido no processo produtivo. Por fim, os fretes vinculados ao CFOP 7949 referemse a despesas operacionais que a recorrente afirmou serem decorrentes de remessa para formação de lote de exportação. Entretanto, este CFOP é um código residual destinado às saídas não especificadas nos demais códigos. A operação descrita pela recorrente, aparentemente, deveria ser registrada Fl. 432DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 433 36 nos códigos 5504, 5505, 6504 ou 65054 que tratam das remessas para formação de lote de exportação. A escrituração em um código genérico e residual não é suficiente para confirmar a natureza da operação, devendo a recorrente ter trazido aos autos as provas necessárias para caracterizar a operação como de exportação ou de remessa com o fim específico de exportação. Destarte, voto para negar provimento ao recurso voluntário quanto ao direito ao desconto de créditos da contribuição sobre as despesas de fretes vinculados aos CFOPs 5151, 5503, 5905, 6151, 6905 e 7949. Direito ao creditamento sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado Nesta questão, a autoridade fiscal glosou créditos tomados sobre encargos de depreciação de bens escriturados nas contas 1849 JRS CAPITALIZ.OPERACIONAL, 1860 CONSTR.CIVIS E BENFEITORIAS, 1900 MOVEIS E UTENSÍLIOS, 1901 COMPUTADORES E ACESSÓRIOS, 3495 SOFTWARESIMOBILIZADO, sob alegação de que tais bens não foram utilizados no processo produtivo da recorrente. Relativamente aos dois primeiros itens, não há lide, pois não houve contestação na manifestação de inconformidade, considerando precluso o direito à fazêlo em sede de recurso voluntário, a teor do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972. Por seu turno, o colegiado de primeira instância entendeu que a recorrente não comprovou a vinculação dos referidos bens ao processo produtivo e que a generalidade dos títulos das contas permite o registro de vários tipos de móveis, utensílios, computadores e softwares não utilizáveis no processo produtivo. A recorrente aduziu em recurso voluntário que todos os valores registrados referiamse a bens necessários ao processo produtivo, anexando fotografias aos autos para corroborar sua afirmação. O relator entendeu que a autoridade fiscal deveria intimar a recorrente a demonstrar a vinculação ao processo produtivo antes de efetuar a glosa e ainda que as provas fotográficas apresentadas seriam suficientes para se comprovar o direito ao desconto dos créditos sobre os encargos de depreciação dos referidos bens. Acompanho o relator quando afirma que a questão é de prova, mas divirjo quanto à sua conclusão. Entendo que a autoridade fiscal procedeu corretamente, pois efetuou intimações nas quais solicitou arquivos digitais, livros, planilhas de memória de cálculo e descrição dos critérios utilizados no cálculo do crédito de cada linha do Dacon. Na hipótese de creditamento sobre encargos de depreciação, o artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, restringe o desconto de créditos aos bens do imobilizado utilizados na produção ou na prestação de serviço, conforme transcrito abaixo: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção 4 5.504 Remessa de mercadoria para formação de lote de exportação, de produto industrializado ou produzido pelo próprio estabelecimento 5.505 Remessa de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, para formação de lote de exportação. 6.504 Remessa de mercadoria para formação de lote de exportação, de produto industrializado ou produzido pelo próprio estabelecimento 6.505 Remessa de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, para formação de lote de exportação. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 434 37 de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) ... VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) ... § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) ... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; O comando legal permite o desconto apenas dos encargos do imobilizado utilizado no processo produtivo ou na prestação de serviços, ou seja, veda, por exemplo, a apropriação de créditos sobre os encargos de depreciação do imobilizado da área administrativa, exceção feita às edificações e benfeitorias. Os encargos ora discutidos possuem a natureza de custo de produção, a teor do art. 13, §1º do Decretolei nº 1.598, de 1977, matriz legal do art. 290 do RIR/99, cujo conteúdo transcrevese: Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; (grifo nosso) d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Assim, o desconto de crédito das contribuições sobre estes encargos pressupõe sua escrituração como custo de produção, segregados contabilmente dos encargos de Fl. 434DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.005938/200810 Acórdão n.º 3302002.467 S3C3T2 Fl. 435 38 depreciação dos demais bens do imobilizado não utilizados na produção. Esta segregação se torna imprescindível mormente a descrição dos bens em questão indica sua utilização, normalmente, em outras áreas que não a produção. Verificase na relação constante do Anexo VI mencionado no relatório fiscal, que os bens ali mencionados não podem ser considerados como intrinsecamente relacionados à produção, por sua descrição, mas, pelo contrário, indicam bens que normalmente seriam designados como da área administrativa. Exemplificando: rádio gravador, cadeiras giratórias, mesas, sistema de ponto, armários em aço, geladeira, bebedouro, aparelhos de ar condicionado, telefones sem fio, retroprojetor, maca para exames, gaveteiros, software referente a despesas de viagem. Dada a descrição dos bens e sua contabilização de forma genérica como despesa operacional, confirmada pelo patrono da recorrente em sustentação oral, e não segregada como custo de produção, incumbe, pois, à recorrente a prova de quais bens especificamente são vinculados à produção, mediante mapas de depreciação, notas fiscais, identificação de patrimônio etc. Entretanto, a recorrente se limitou a anexar fotografias, que podem sugerir que alguns bens sejam vinculados, mas que não são suficientes para infirmar a glosa fiscal, uma vez que não se provou quais os encargos se referiam a tais bens, em razão da contabilização, de forma indistinta, em conta de despesa operacional. Portanto, voto para negar provimento ao recurso voluntário quanto ao direito ao desconto de créditos da contribuição sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado . (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 435DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910077/2011-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/09/2002
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 13/09/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13819.910077/2011-88
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362158
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.441
nome_arquivo_s : Decisao_13819910077201188.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 13819910077201188_5362158.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5533715
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812326100992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 110 1 109 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.910077/201188 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.441 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Receitas Financeiras Recorrente MAKITA DO BRASIL FERRAMENTAS ELÉTRICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/09/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 77 /2 01 1- 88 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910077/201188 Acórdão n.º 3801003.441 S3TE01 Fl. 111 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910077/201188 Acórdão n.º 3801003.441 S3TE01 Fl. 112 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910077/201188 Acórdão n.º 3801003.441 S3TE01 Fl. 113 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910077/201188 Acórdão n.º 3801003.441 S3TE01 Fl. 114 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910077/201188 Acórdão n.º 3801003.441 S3TE01 Fl. 115 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910077/201188 Acórdão n.º 3801003.441 S3TE01 Fl. 116 7 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 35464.002834/2004-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
SOLIDARIDADE. DESCABIMENTO QUANDO REALIZADA FISCALIZAÇAO NA PRESTADORA DE SERVIÇO SEM A DISCRIMINAÇÃO DOS RESPECITVOS CONTRATANTES.
Realizada fiscalização total na prestadora de serviço, incabível novo lançamento na tomadora englobando a mesma mão de obra sob pena de duplicidade de cobrança.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.312
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 SOLIDARIDADE. DESCABIMENTO QUANDO REALIZADA FISCALIZAÇAO NA PRESTADORA DE SERVIÇO SEM A DISCRIMINAÇÃO DOS RESPECITVOS CONTRATANTES. Realizada fiscalização total na prestadora de serviço, incabível novo lançamento na tomadora englobando a mesma mão de obra sob pena de duplicidade de cobrança. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 35464.002834/2004-19
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354433
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.312
nome_arquivo_s : Decisao_35464002834200419.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 35464002834200419_5354433.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
dt_sessao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5496129
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812329246720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1554; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35464.002834/200419 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.312 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente PROCTER & GAMBLE HIGIENE E COSMÉTICOS LTDA.(INCORPORADA POR PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S/A), E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 SOLIDARIDADE. DESCABIMENTO QUANDO REALIZADA FISCALIZAÇAO NA PRESTADORA DE SERVIÇO SEM A DISCRIMINAÇÃO DOS RESPECITVOS CONTRATANTES. Realizada fiscalização total na prestadora de serviço, incabível novo lançamento na tomadora englobando a mesma mão de obra sob pena de duplicidade de cobrança. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 28 34 /2 00 4- 19 Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.002834/200419 Acórdão n.º 2803003.312 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.002834/200419 Acórdão n.º 2803003.312 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, referente a contribuições devidas em razão de contratação de empresa de cessão de mão de obra – responsabilidade solidária. Lavrada NFLD subistitutiva às NFLDs 35.566.9862 e 35.416.5798. O r. acórdão – fls 2849 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando a Notificação lavrada em razão da decadência parcial reconhecida – 01/1996 a 11/1996. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência total do crédito · Erro de arbitramento no cálculo da base devida · Inaplicabilidade da responsabilidade solidária · Inexistência de débito a ser quitado · Requer o provimento do recurso com o cancelamento do lançamento, bem como o envio das intimações aos patronos. É o relatório. Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.002834/200419 Acórdão n.º 2803003.312 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO PEDIDO DE INTIMAÇÃO PESSOAL DOS PROCURADORES O pedido formulado não encontra amparo na legislação vigente. As intimações são feitas ao sujeito passivo conforme procedimentos previstos no art. 23 do decreto 70.235/72, sem ordem de preferência. Ante o exposto, indefiro o pedido formulado. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.002834/200419 Acórdão n.º 2803003.312 S2TE03 Fl. 6 5 A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Tratase de NFLD substitutiva onde não foram comprovados recolhimentos, atraindo a aplicabilidade do art. 173 citado O r. acórdão sintetiza a questão: O presente lançamento, constituído em 31/08/2004, substitui a NFLD n.º 35.566.9862, de 17/07/2003, nos termos do inciso II do art. 173 do CTN. Essa NFLD n.º 35.566.9862, de 17/07/2003, por sua vez, era substitutiva da NFLD n.º 35.416.5798, de 05.06.2002. O presente lançamento substitutivo do que consta nas NFLDs 35.566.9862 e 35.416.5798, nos termos do art. 172,II do CTN, foi entregue ao contribuinte, 31.08.2004, dentro do prazo de cinco anos contados da data em que se tornou definitiva as decisões que anularam, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. As competências remanescentes, 12/1996 a 12/1998, não se encontram alcançadas pela decadência. DO MÉRITO Tratase de lançamento em razão da contratação da empresa PROMONEWS PROMOÇÕES MERCHANDISING REPRESENTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA, prestadora de serviços com cessão de mão de obra. Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.002834/200419 Acórdão n.º 2803003.312 S2TE03 Fl. 7 6 A responsabilidade solidária fundase no art. 31 da lei 8.212/91, que tinha a seguinte redação à época: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Da norma posta, tínhamos então que a tomadora de serviço deveria comprovar o devido recolhimento para afastar sua responsabilidade. O que não foi feito pela recorrente. Por cautela, o Conselho de Recursos da Previdência Social entendeu anular a decisão de primeiro grau, baixar os autos em diligência na prestadora de serviços, com o fito de se verificar se havia passivo tributário a ser apurado e, se positiva a resposta, evitar duplicidade de cobrança. A Diligência fiscal informa que a notificação ora sob exame deve ser mantida pois a prestadora PROMONEWS não apresentou as folhas de pagamento por prestador e tampouco a escrita fiscal, elemento indispensável para a averiguação da efetiva mão de obra disponível. A r. decisão traz: Foi informado que a própria Fiscal Notificante já havia fiscalizado a empresa prestadora Promonews, no período de 01/1996 a 06/2006, no procedimento fiscal n° 09289075, finalizado em 25/10/2006. A seguir, transcrevemse trechos do Termo de Ciência do Resultado da Diligência Fiscal, onde a Fiscalização conclui pela não elisão da responsabilidade solidária, e pela manutenção do lançamento de crédito após a exclusão das competências decadentes, já implementada: “(...) 5. Convertido o processo em Diligência, para que seja cumprido o determinado no Acórdão n° 0001058, de 04/08/2005 (fls. 2.556 a 2.565, Vol. 08, numeração antes da digitalização), para que sejam adotadas as cautelas mínimas de Auditoria fiscal previdenciária, em face do contribuinte (prestador), para evitar duplicidade de exação tendo por base a mesma dívida, sob o fundamento da responsabilidade solidária. 6. Cabe ressaltar que coincidentemente a empresa Promonews Merchandising Representações e Comércio Ltda, inscrito no CNPJ sob o n° 74.318.726/000103, foi fiscalizada por mim, em que examinei no período de 01/1996 a 06/2006, sob o procedimento fiscal n° 09289075, finalizado em 25/10/2006. Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.002834/200419 Acórdão n.º 2803003.312 S2TE03 Fl. 8 7 7. Nesta ocasião, intimamos que apresentasse os Livros Contábeis, Contratos de Prestação de Serviços, Notas Fiscais emitidos pela prestação de serviços, Folhas de Pagamentos distintos por tomador de serviços e GPS específicos por tomador. 8. Ocorre que a empresa Promonews deixou de apresentar os livros contábeis nos anos calendário 1996 a 2003, que ensejou na lavratura do Auto de Infração Al por descumprimento de Obrigação Acessória, cujo código de fundamentação legal (CFL) "38", também deixou de apresentar as folhas de pagamento referentes às competências de 11/1996 a 08/1997, sendo lavrado o Al, cujo CFL "30" e para o período de 01/1996 a 10/1996 e 09/1997 a 12/1998, apresentou folha de pagamento geral, sem distinguir os segurados por tomador, que foi lavrado o Al cujo CFL "65". 9. O fato de o contribuinte deixar de elaborar as folhas de pagamento distintas por tomador de serviços, deixou de dar condições da fiscalização verificar quem são os segurados que laboraram ao tomador de serviços, se, estes, constam na folha de pagamento geral apresentada à fiscalização e se ocorreu de fato o recolhimento da contribuição previdenciária. Ressaltamos que a empresa deixou de apresentar os livros contábeis para o período referente ao lançamento. Desta forma, não pudemos validar a veracidade das folhas de pagamento apresentada sem analisar a escrituração contábil. 10. Resta dizer que a empresa prestadora de serviços não comprovou os devidos recolhimentos da contribuição previdenciária dos segurados que prestaram os serviços para a Procter & Gamble, no período de 01/1997 a 12/1998, Na fiscalização realizada na prestadora não efetuada o lançamento da contribuição previdenciária sobre a mãodeobra contida nas notas fiscais de serviços emitidas a Procter, no período referente, uma vez que o lançamento já tinha sido realizado no tomador de serviços por meio do instituto da solidariedade. 11.A empresa tomadora de serviços, Procter & Gamble, em razão de deixar de apresentar, as folhas de pagamento específicas e cópias autenticadas das guias de recolhimento distintas para cada tomador, não elidiu a solidariedade da responsabilidade tributária do recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados incluídos na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados. Passo seguinte concluise pela procedência parcial da notificação, mas em razão somente da decadência apontada. Não vejo como compartilhar da conclusão oferecida. Uma vez que a prestadora foi fiscalizada, temos que assumir, em tese, que todo tributo devido foi apurado. Se os livros não foram apresentados, certamente foram aplicados outros métodos de aferição para se chegar a um quantum qualquer, mas de todo modo já foi lançado no prestador tudo o que deveria, pois esse é o escopo da fiscalização in loco. Poderia sim ser aplicada a solidariedade em relação aos débitos lançados na prestadora, mas desde que os respectivos lançamentos identificassem a mão de obra utilizada na cessão à recorrente, o que expressamente foi atestado como não possível – seja em razão da falta de folhas de pagamento, seja em razão da falta da contabilidade. Temos então uma ação fiscal na prestadora onde, repisase, em tese todos os débitos sobre serviços prestados foram apurados, e outra ação na tomadora, com lançamentos Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.002834/200419 Acórdão n.º 2803003.312 S2TE03 Fl. 9 8 sobre os mesmos serviços prestados, configurando a nosso sentir, duplicidade de lançamento, situação incabível se ser sustentada por este Colegiado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000383/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2002
SIMPLES NACIONAL. INCLUSÃO. REGULARIZAÇÃO DENTRO DE 30 DIAS. ANALOGIA. POSSIBILIDADE.
A razão da norma que permite a permanência da pessoa jurídica optante do Simples Nacional quando comprovar a regularização do débito no prazo assinado pelo art. 31, § 2º é estimular o empreendedorismo, assegurando que os contribuintes possam usufruir do regime diferenciado, e, ao mesmo tempo, assegurar o interesse de a Fazenda Pública ver seus créditos saldados.
O intuito da norma permite-nos lançar mão do recurso à analogia, para que se extenda à hipótese do indeferimento do pedido de inclusão a permissão contida para a excepcionar a exclusão no caso de regularização no prazo de 30 dias.
Numero da decisão: 1101-001.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Presidente - MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Relator - BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Mônica Sionara Schpallir Callijuri e Joselaine Boeira Zatorre.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2002 SIMPLES NACIONAL. INCLUSÃO. REGULARIZAÇÃO DENTRO DE 30 DIAS. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. A razão da norma que permite a permanência da pessoa jurídica optante do Simples Nacional quando comprovar a regularização do débito no prazo assinado pelo art. 31, § 2º é estimular o empreendedorismo, assegurando que os contribuintes possam usufruir do regime diferenciado, e, ao mesmo tempo, assegurar o interesse de a Fazenda Pública ver seus créditos saldados. O intuito da norma permite-nos lançar mão do recurso à analogia, para que se extenda à hipótese do indeferimento do pedido de inclusão a permissão contida para a excepcionar a exclusão no caso de regularização no prazo de 30 dias.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10945.000383/2009-56
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358734
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1101-001.061
nome_arquivo_s : Decisao_10945000383200956.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10945000383200956_5358734.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Presidente - MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator - BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Mônica Sionara Schpallir Callijuri e Joselaine Boeira Zatorre.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5517320
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812343926784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.000383/200956 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.061 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2014 Matéria SIMPLES Recorrente CASA VITORIA UTILIDADES DOMESTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2002 SIMPLES NACIONAL. INCLUSÃO. REGULARIZAÇÃO DENTRO DE 30 DIAS. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. A razão da norma que permite a permanência da pessoa jurídica optante do Simples Nacional quando comprovar a regularização do débito no prazo assinado pelo art. 31, § 2º é estimular o empreendedorismo, assegurando que os contribuintes possam usufruir do regime diferenciado, e, ao mesmo tempo, assegurar o interesse de a Fazenda Pública ver seus créditos saldados. O intuito da norma permitenos lançar mão do recurso à analogia, para que se extenda à hipótese do indeferimento do pedido de inclusão a permissão contida para a excepcionar a exclusão no caso de regularização no prazo de 30 dias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Presidente MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Mônica Sionara Schpallir Callijuri e Joselaine Boeira Zatorre. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 03 83 /2 00 9- 56 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Relatório Segundo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional de 25/03/2009 fl. 14, o contribuinte teve seu pedido de ingresso indeferido em razão da existência de débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil relativo a contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei n. 8.212/91, e das contribuições instituídas a título de substituição, cuja exigibilidade não estava suspensa. Cientificado do indeferimento de seu pedido, o contribuinte apresentou em manifestação com as seguintes alegações: No ato do pedido de ingresso no Simples, conforme relatório do INSS de 22/01/2009, não foi constatado nenhuma irregularidade, tanto que foi expedida uma CND nesta data; O indeferimento de 25/03/2009 resultou de divergências de valores declarados e recolhidos nas competências 07/2004 e 09/2004; e Quanto à competência 01/2005, informa que o agente arrecadador efetuou o recebimento desta guia sem desmembrar a parte de outras entidades e alega que, para o referente mês 01/2005, foram apresentados os documentos Sefip e GPs no INSS e o fiscal já regularizou essa informação no sistema. Em 21/05/2009, a DRF de Foz do Iguaçu efetuou a análise do caso e emitiu a Informação Fiscal de fls.90/92 concluindo que persistiam débitos em aberto para as competências 07/2004, no montante de R$8,97, e 09/2004, no montante de R$46,20. Em 22/05/2009, a empresa efetuou o recolhimento dos débitos que ensejaram o indeferimento de inclusão no Simples. Tendo em vista que a regularização fiscal da contribuinte se deu após o prazo para efetuar o pedido de inclusão ao Simples, a DRJ manteve a decisão que indeferiu a inclusão da empresa no regime. Em Recurso Voluntário (fl. 139/142), a empresa argui que as irregularidades foram sanadas, de forma que não mais inexistiria justificativa para o indeferimento do pedido de inclusão. Segundo a contribuinte, a demora da Fiscalização em analisar o pedido de inclusão ao Simples fez com que ela não pudesse regularizar sua situação perante ao Fisco dentro do prazo para pleitear sua inclusão no regime simplificado. É o relatório. Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator O Recurso é tempestivo, conforme se verifica do contraste das folhas 138 e 139, razão pela qual dele tomo conhecimento. No anocalendário de 2009, o prazo para solicitação de opção pelo Simples Nacional teve como termo final o dia 20 de fevereiro de 2009 (conforme art. 7º, § 1ºA, da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN nº 4, de 30/05/2007). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000383/200956 Acórdão n.º 1101001.061 S1C1T1 Fl. 3 3 Apesar de estar munido de Certidão Negativa quando do pedido de inclusão ao Simples, a contribuinte veio a retificar a GFIP depois do referido pedido, do que resultou falta de quitação de débitos das competâncias 07/2004 e 09/2004. A existência desses débitos não é contestada pela ora Recorrente, que efetuou o recolhimento do tributo após a manifestação da DRF sobre a existência dos referidos débitos. Realmente, a existência de débitos para com o INSS ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal impede a fruição do regime simplicado. Esta é a dicção do art. 17, V, da Lei Complementar n. 123/06, in verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Ocorre que o art. 31 do referido diploma normativo, estabelece que a regularização do débito no prazo de até 30 dias contado a partir da ciência da comunição da exclusão oportuniza a permanência da empresa como optante do Simples Nacional. Confirase: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) §2º Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. Certo que o dispositivo acima transcrito faz referência à exclusão e não ao indeferimento do pedido de inclusão. Não há norma expressa que permita a pessoa jurídica usufruir do regime, se tenha incidido em norma que impede a inclusão, mesmo que venha a regularizar sua situação perante o Fisco. Recorro, porém, à analagia, que é método de integração e de interpretação da legislação tributária, para suprir a ausência de norma reguladora dessa hipótese fática. Como assevera o art. 108 do CTN, na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária poderá utilizarse da analogia, sempre que não resulte exigência ou dispensa de tributo. Entendo que a razão da norma que permite a permanência da pessoa jurídica optante do Simples Nacional quando comprovar a regularização do débito no prazo assinado pelo art. 31, § 2º, é estimular o empreendedorismo, assegurando que os contribuintes possam usufruir de regime diferenciado e, ao mesmo tempo, assegurar o interesse de a Fazenda Pública ver seus créditos saldados. O intuito da norma permitenos lançar mão do recurso à analogia, para que se extenda à hipótese do indeferimento do pedido de inclusão a permissão contida para a excepcionar a exclusão no caso de regularização no prazo de 30 dias, já que, ao permitir a inclusão ao Simples mediante sua regularização perante o Fisco, serão contemplados os Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 objetivos de promover o empreendedorismo, de um lado, e assegurar o interesse da Fazenda Pública. O Termo de Indeferimento data de 25/03/2009 (fl. 14) e dele foi dada ciência ao Contribiunte que apresentou “Impugnação” (fl. 2/4). Em 21/05/2009, a DRF de Foz do Iguaçu efetuou a análise do caso e emitiu a Informação Fiscal de fls. 90/92 concluindo que persistiam os débitos indicados no Termo de Indeferimento. No dia 22/05/2009, a Contribuinte apresenta nova “Impugnação”, em que junta as guias de recolhimento, aduzindo que não existiria a razão pela qual foi negada a inclusão ao Simples. Retomo os principais eventos e suas datas para afirmar que, segundo o Despacho SECAT de fl. 132, ambas as “Impugnações” são recebidas como Manifestação de Inconformidade, sendo remetidos os autos para a DRJ, que as analisou em conjunto na decisão ora recorrida. Contados os 30 dias para regularização a partir do Termo de Indeferimento, a regularização perante o Fisco terseia dado a destempo. Entendo, porém, que a negativa de adesão ao Simples fora analisada complexivamente pela autoridade preparadora, tendo o indeferimento de adesão ocorrido no dia 21/05/2009, data em que é dada a ciência ao contribuinte da Informação Fiscal. Como a regularização ocorreu no dia seguinte à Informação Fiscal, entendo que deve ser aplicada, analogamente, a regra do art. 31, § 2º, da Lei Complementar 123/06, para dar provimento ao Recurso Voluntário. Além disso, causame espécie que um formalismo exarcebado possa impedir a dicção de uma norma constitucional, que visa a promover o desenvolvimento econômico e social do país com atenção aos micro e pequenos empreendedores. No presente processo, estamos diante de um débito ínfimo que – os tributos somados perfazem o montante de R$55,17 –, o que, no meu entender, ensejam a aplicação de um juízo de razoabilidade. Lembrese que o débito de que se cuida o indeferimento é inclusive inferior ao limite que dispensa a própria constituição do crédito tributário, segundo o art. 18 da Lei n. 10.522/2002. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
