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Numero do processo: 11128.724057/2017-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/09/2015
CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3001-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/09/2015 CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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EM TRANSP. INTER. E LOG. EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/09/2015 CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 40 57 /2 01 7- 34 Fl. 233DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra Acórdão de Impugnação emitido pela DRJ de São Paulo que decidiu pela improcedência da impugnação mantendo o crédito tributário lançado. O presente processo versa sobre auto de infração lavrado para exigência da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66, com redação dada pela Lei no 10.833/03. Afirma a fiscalização que o Agente de Carga AED BRASIL CONS. EM TRANSP. INTER. E LOG. EIRELI concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico MHBL 151505208043730 a destempo em/a partir de 28/09/2015 14:39:51 cuja carga objeto da desconsolidação foi trazida ao Porto de Santos com atracação registrada em 30/09/2015 03:45:00. Insta registrar que o citado Conhecimento Eletrônico foi incluído em 13/09/2013 às 12:11, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. A perda do prazo ocorreu em virtude da inclusão do conhecimento eletrônico house em prazo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. A Recorrente apresentou Impugnação em face do auto de infração alegando, em síntese, o seguinte: (i) não se aplica a concomitância entre o processo administrativo e judicial tendo em vista que o presente processo não é objeto de ação coletiva impetrada pela ACTC e que esta atua em nome próprio pleiteando direito alheio; (ii) nulidade do auto de infração por não descrição do dispositivo infringido e por falta de motivação; (iii) inoperância do sistema SISCOMEXCarga; (iv) a necessidade de prova do elemento subjetivo; (v) que a denúncia espontânea exclui a sanção pelo descumprimento da obrigação principal quando acompanhada do pagamento do tributo. A DRJ de São Paulo julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento do auto de infração conforme Acórdão no 1682.075 a seguir transcrito: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/09/2015 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE CARGA. MULTA. A não prestação de informação do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Antecipação de Tutela. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo COSIT n° 7/14. Súmula CARF n° 1. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11128.724057/201734 Acórdão n.º 3001000.644 S3C0T1 Fl. 234 3 Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os argumentos apresentados em sede de Impugnação e alegando o seguinte: (i) nulidade da decisão de primeira instância por não ter enfrentado todos os argumentos da defesa por ocasião da sua impugnação; (ii) não haver concomitância entre os processos judicial e administrativo; (ii) nulidade do auto de infração por não descrição do dispositivo infringido e por falta de motivação; (iii) da necessidade de prova do elemento subjetivo; (iv) da denúncia espontânea; (v) da violação da proporcionalidade; (vi) da retroatividade benigna. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento Em juízo de admissibilidade do presente Recurso Voluntário constatei o não preenchimento de um dos requisitos para o seu conhecimento. A seguir, em sede preliminar, serão analisadas as alegações de nulidade e concomitância suscitadas pela Recorrente. Preliminar Preliminarmente a recorrente alega a nulidade da decisão de primeira instância por não ter enfrentado todos os argumentos da defesa por ocasião da sua impugnação, afirmando que a decisão vergastada tratou apenas das matérias “denúncia espontânea” e “parcial concomitância”. Com isso afirma em seu Recurso Voluntário que as seguintes perguntas não foram respondidas: “O auto de infração é ou não é nulo? Descreve a infração ou não? Descreve os fatos? Em que local? Houve prova do elemento subjetivo? Por quais motivos é possível afirmar se houve ou não revogação da infração em questão?” Antes de adentrarmos na alegação da Recorrente, insta destacar que encontrando o julgador fundamentos suficientes para justificar seu convencimento, tornase Fl. 235DF CARF MF 4 desnecessária a abordagem de outras alegações apresentadas pela parte, porque já estão inócuas frente à decisão proferida. Portanto, o julgador não está jungido às minúcias de todos os argumentos lançados pela parte, senão aquelas necessárias e suficientes aos deslinde da controvérsia. Não há que se falar em ausência de pronunciamento por parte da decisão de piso tendo em vista que as questões suscitadas pela Recorrente em sede de impugnação foram respondidas conforme parágrafo extraído daquela decisão e abaixo reproduzido: “O presente Auto de Infração possui como dispositivo legal infringido o art. 107, inciso IV, alínea 'e' do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, por não prestação de informações da carga no prazo legal estabelecido pela INSRF n° 800 de 2007, em seu artigo 22, que é de quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo. Como descrito no relatório fiscal de fls.04/05, o agente de carga concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151505208043730 a destempo em/a partir de 28/09/2015 14:39:51. A carga objeto da desconsolidação foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) SUDU5781055, pelo Navio M/V TABEA, em sua viagem 006S, com atracação registrada em 30/09/2015 03:45:00, portanto não respeitando o prazo previsto na legislação tributária” Portanto, improcedente a alegação de nulidade arguida pela Recorrente neste particular. A discussão objeto da presente demanda versa sobre o cabimento da aplicação da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66 em virtude da inclusão do conhecimento eletrônico house fora do prazo estabelecido no art. 22 da IN SRF nº 800/2007. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário os seguintes motivos para cancelamento da penalidade: (i) Não haver concomitância entre os processos judicial e administrativo; (ii) Nulidade do auto de infração por não descrição do dispositivo infringido e por falta de motivação; (iii) A necessidade de prova do elemento subjetivo; (iv) Da denúncia espontânea; (v) Da violação da proporcionalidade; (vi) Da retroatividade benigna. 1) Não haver concomitância entre os processos judicial e administrativo Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11128.724057/201734 Acórdão n.º 3001000.644 S3C0T1 Fl. 235 5 A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que não há concomitância entre a ação judicial no 000523886.2015.4.03.6100 que tramita na 4ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, impetrada pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissária de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC), e o presente processo tendo em vista que não há identidade entre o pedido e a causa de pedir em ambos os casos, não cabendo, por conseguinte, a aplicação da Súmula CARF no 1. Não assiste razão à Recorrente. Conforme bem destacado pelo acórdão recorrido, o principal objetivo da demanda judicial impetrada pela ACTC é impedir a aplicação da penalidade prevista nos art. 18 e 22 da IN SRF no 800/2007 bem como reconhecer a denúncia espontânea prevista no art. 102, §2º do Decretolei no 37/66. Portanto, a causa de pedir é justamente o afastamento da penalidade aplicada na presente demanda e um de seus pedidos consiste no exercício da denúncia espontânea previsto no art. 102, §2º do citado DecretoLei. Ou seja, as citadas causa de pedir e pedido ajustamse perfeitamente na lide aqui instaurada. Portanto, correto o entendimento da decisão de primeira instância em relação à concomitância da ação judicial e do presente processo administrativo. Considerando as circunstâncias de fato, aplicase a Súmula CARF no 1 abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 1 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Diante do exposto, não conheço do Recurso Voluntário, restando, portanto, prejudicada a análise dos demais argumentos sustentados pela Recorrente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904964/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2006
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.900
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2006 COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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EFEITOS Recorrente MOINHO CANUELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2006 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 49 64 /2 01 2- 46 Fl. 245DF CARF MF 2 convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Declaração de Compensação para o aproveitamento de crédito de COFINS decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade intempestiva, com prequestionamento de tempestividade. Através do Acórdão nº 02061.851, a DRJ não conheceu da defesa por intempestiva. Cientificada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.886, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.904939/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.886): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 18/12/2012, mais de 30 (trinta) dias após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico, ocorrida em 14/11/2012 (e fl. 69). O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10882.904964/201246 Acórdão n.º 3402005.900 S3C4T2 Fl. 3 3 ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) No presente caso, a intempestividade é patente, vez que, intimado em 14/11/2012 (quartafeira), o prazo fatal para a apresentação da Manifestação de Inconformidade encerrouse em 14/12/2012 (sextafeira). Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 247DF CARF MF 4 A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma (houve apresentação intempestiva da Manifestação de Inconformidade), de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.724660/2011-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 60 /2 01 1- 16 Fl. 721DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402004.896, proferido pela 2ª Turma / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratamse dos Autos de Infrações (AI’s) abaixo discriminados, lavrados pela Auditoria Fiscal: 1.1. AI DEBCAD n.º 37.195.5432, consolidado 30.08.2011, referente à exigência de R$ 3.685.291,52 em Contribuições Previdenciárias da Empresa, incidentes sobre pagamentos feitos pela impugnante a contribuintes individuais, cujas contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e nem recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 12/2008; 1.2. AI DEBCAD n.º 37.195.5440, consolidado em 30.08.2011, referente à exigência de R$ 18.014,38 em Contribuições Destinada a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros), incidentes sobre remunerações pagas pela impugnante a segurados empregados, não declaradas em GFIP ou recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 13/2008. 1.3. AI DEBCAD n.º 37.195.5416, emitido em 30.08.2011, referente à aplicação de multa no valor de R$ 12.195,44, por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP’s com omissão de dados correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes nas competências de 01/2007, 02/2007, 09/2007 e 09/2008. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 417/424. A DRJ/SDR, às fls. 583/597, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 649/655. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 663/678, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir do AI n.º 37.195.5440 as competências de 05/2007 a 13/2008. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 10 3 São improcedentes os lançamentos de ofício em que o tributo exigido esteja com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do seu montante integral. Decisão que se alinha ao entendimento firmado em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça adotada sob o rito do art. 543C do CPC, conforme determina o art. 62A do RICARF. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. REPASSE DE AÇÕES EM TESOURARIA. RETRIBUIÇÃO POR SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Malgrado haja contrato de doação entre a empresa e seus diretores para a transferência de ações em tesouraria para estes, as evidências dos autos conduzem à conclusão de que os repasses tiveram como causa jurídica o vínculo de prestação de serviço entre a autuada e seus diretores, revelando o caráter remuneratório das parcelas. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS UNICAMENTE PELOS EMPREGADOS. APORTES EFETUADOS PELA EMPRESA EM BENEFÍCIO DE DOIS DIRETORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Verificandose que a empresa não participava do custeio de planos de previdência disponível aos segurados a seu serviço, os aportes efetuados em benefícios de apenas dois diretores é equiparado a prêmio pela prestação do serviço, devendo sofrer a incidência de contribuições. FORNECIMENTO DE CARTÕES PARA COMPRA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS A DIRETORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS PAGAMENTOS SE INSEREM NA SISTEMÁTICA DO PAT. INCIDÊNCIA. Os valores fornecimentos mediante cartões a diretores para compra de alimentos sujeitamse a incidência de contribuições, posto que a empresa os fazia em desrespeito à legislação do PAT. CARTÕES PARA DESPESAS COM VEÍCULOS. INCLUSÃO NO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Os valores repassados aos diretores mediante cartões para pagamento de despesas com veículos devem sofrer a incidência de contribuições, posto que a empresa não demonstrou que os veículos eram utilizados para o trabalho e nem houve comprovação das despesas. Fl. 723DF CARF MF 4 JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 680/698, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: valores depositados judicialmente lançamento de ofício das quantias depositadas. O e. Colegiado a quo decidiu anular parcialmente o lançamento fiscal por considerálo desnecessário face a existência de depósito integral das quantias lançadas nos períodos especificados, divergindo do entendimento já proferido pelo CARF, conforme Acórdãos paradigmas 1101001.135 e 10707.992, segundo os quais o depósito judicial não impede lançamento fiscal, não o exonera nem o torna nulo, razão pela qual este deve se manter incólume. Os acórdãos apontados como paradigmas demonstram claramente que não há nada que impeça o fisco de efetuar o lançamento, no caso da existência de depósito judicial integral. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 694 e ss., a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: valores depositados judicialmente lançamento de ofício das quantias depositadas. O Contribuinte foi cientificado à fl. 702. À fl. 710, a RFB informou: 1. O presente processo foi encaminhado a esta equipe face evento automático efetuado pelo sistema para preparar a recuperação dos débitos passíveis de inclusão no parcelamento especial da Lei 12996/14 . 2. No entanto, por ocasião da consolidação via internet, a empresa não selecionou os AI 371955424, 371955440, 371955432 e 371955416 e o evento para estes autos foi cancelado, apenas o AI 371955459 foi incluído. 3. A empresa ainda detém a modalidade RFB PREV ART 1º, Lei 12865/13, porém localizamos apenas 4 pagamentos ínfimos se comparados aos valores dos AI em comento,sendo que o último pagamento foi efetuado em 07/2014, além dos AI 371955424, 371955432 e 371955440 conterem período não Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 11 5 comtemplados na Lei 12865/13, qual seja, 11/2008, 12/2008 e 13/2008 e o AI 371955416 não estar comtemplado período 08/2011. 4. Diante do acima exposto propomos devolução ao SECAT para seguimento da cobrança e demais procedimentos a seu cargo. 5. A consideração superior, após retorne ao SECAT em continuidade. À fl. 716, a Delegacia de origem também informou que “foram transferidos do processo nº 10980.724660/201116 para o processo nº 11061.720002/201777 os créditos previdenciários referentes à parte não impugnada pelo sujeito passivo lançados nos AI 37.195.5416 e AI 37.195.5432. Permanece no processo 10980.724660/201116 o crédito previdenciário lançado no AI 37.195.5440, que seguirá para o CARF para julgamento.” Sem contrarrazões, os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratamse dos Autos de Infrações (AI’s) abaixo discriminados, lavrados pela Auditoria Fiscal: 1.1. AI DEBCAD n.º 37.195.5432, consolidado 30.08.2011, referente à exigência de R$ 3.685.291,52 em Contribuições Previdenciárias da Empresa, incidentes sobre pagamentos feitos pela impugnante a contribuintes individuais, cujas contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e nem recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 12/2008; 1.2. AI DEBCAD n.º 37.195.5440, consolidado em 30.08.2011, referente à exigência de R$ 18.014,38 em Contribuições Destinada a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros), incidentes sobre remunerações pagas pela impugnante a segurados empregados, não declaradas em GFIP ou recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 13/2008. 1.3. AI DEBCAD n.º 37.195.5416, emitido em 30.08.2011, referente à aplicação de multa no valor de R$ 12.195,44, por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP’s com omissão de dados correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes nas competências de 01/2007, 02/2007, 09/2007 e 09/2008. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Fl. 725DF CARF MF 6 O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: valores depositados judicialmente lançamento de ofício das quantias depositadas. 1. O DEPÓSITO JUDICIAL NÃO IMPEDE O LANÇAMENTO FISCAL, NÃO O EXONERA NEM O TORNA NULO. Essa matéria não é nova na apreciação deste Colegiado, de modo que, na primeira oportunidade em que me manifestei em julgado da sessão de 20/07/2016, divergi do voto emanado (por qualidade) por este Colegiado de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo no Acórdão nº 9202004.303: De plano, julgo prudente esclarecer que não entendo aplicável ao presente caso o mandamento insculpido no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Nos processos administrativos em que se discute a (im)possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial, é frequente a alegação, por parte dos sujeitos passivos, de que a questão já teria sido decidida de maneira definitiva pelo STJ no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. O julgamento de tal recurso judicial efetivamente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC), em virtude de aquela Corte Superior ter considerado o recurso como representativo de controvérsia. Portanto, tal julgado se enquadraria, em tese, entre as hipóteses elencadas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Ocorre que o caso concreto enfrentado nos presentes autos não é alcançado pelo teor daquele julgado, de forma a vincular a decisão deste Colegiado. A 2ª Turma da CSRF teve recentemente a oportunidade de deliberar a respeito do alcance do acórdão de julgamento do Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 12 7 REsp nº 1.140.956/SP. Dispôs a respeito do assunto o voto condutor do Acórdão nº 9202004.303: "A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: "A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade Fl. 727DF CARF MF 8 autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilida de inscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: Exigibilida de execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 13 9 "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte referese à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original) Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do Fl. 729DF CARF MF 10 crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." (...) Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito." (grifouse) Acompanho as razões expostas no julgado transcrito para concluir que a tese construída no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP não se aplica indistintamente a qualquer hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial. A i. Conselheira Relatora do Acórdão nº 9202004.303, fazendo remissão ao Acórdão nº 1101001.135, conclui que o Egrégio STJ somente apreciou, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, hipótese em que o sujeito ativo promove o lançamento de crédito tributário acompanhado de penalidade, em razão de entenderse, no momento do lançamento, pela não integralidade dos depósitos judiciais por meio dos quais o sujeito passivo pretendeu suspender a exigibilidade o crédito tributário, valendose da previsão legal do inciso II do art. 151 do CTN. Não estão contempladas na manifestação exarada pelo STJ hipóteses como a encontrada nos presentes autos, em que a Fiscalização reconhece no auto de infração a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos e realiza o lançamento sem a imputação de penalidade alguma, com o propósito de prevenção da decadência. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 14 11 Tal conclusão é corroborada pela declaração feita no início do voto condutor do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Ao justificar a necessidade de julgamento da controvérsia pelo rito do art. 543C do CPC então vigente, o i. Ministro Relator faz referência à existência de grande quantidade de recursos especiais em que se discute acerca da integralidade ou mesmo da existência de depósito judicial e dos seus efeitos em relação à impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal. Além disso, quando mencionou os atos de cobrança cuja realização estaria inibida pela existência do depósito judicial, o voto condutor do acórdão judicial fez menção apenas à "lavratura do auto de infração e aplicação de multa", não abordando a hipótese de lançamento realizado sem a aplicação de qualquer penalidade em virtude do reconhecimento da integralidade do depósito judicial e da consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante de tais fatos, considero que o STJ, ao construir sua decisão no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, não contemplou hipóteses fáticas em que a autoridade tributária realiza lançamento de ofício com a exclusiva finalidade de prevenir a decadência, reconhecendo expressamente a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos em virtude da existência de depósitos judiciais e corretamente se abstendo de aplicar penalidade ao sujeito passivo. Assim, concluise que, embora o STJ tenha proferido o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP seguindo o rito estabelecido no art. 543C do CPC então vigente, não há que se falar em vinculação dos conselheiros desta Turma, no presente julgamento, àquela decisão. [...]Passase então ao desenvolvimento das razões de decidir aplicáveis ao caso ora submetido ao julgamento desta 1ª Turma da CSRF. Filiome ao grupo dos julgadores administrativos que entendem não haver impedimento à lavratura de autos de infração para prevenção da decadência de obrigação tributária que já seja objeto de depósito vinculado a uma demanda judicial. A autoridade tributária tem entre suas atribuições a atividade administrativa de lançamento, que, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, é vinculada e obrigatória. In verbis: [...]Identificando, portanto, a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, aquela autoridade tem como dever funcional a realização do lançamento tributário, que se completa com as etapas de determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível, se for o caso. O dispositivo é expresso ao definir a atividade administrativa de lançamento como vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não trazendo qualquer previsão de tratamento diferenciado para Fl. 731DF CARF MF 12 hipóteses de crédito com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Na hipótese de existência de depósito judicial relacionado à obrigação identificada pela autoridade tributária, poderseia discutir a necessidade de realização do lançamento. Isso porque existe a tese de que a efetivação de tal depósito seria análoga ao pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, figura encontrada na sistemática adotada para os tributos submetidos ao lançamento por homologação. Os defensores de tal tese entendem que o depósito judicial seria suficiente para a constituição do crédito tributário (sujeita à posterior homologação do sujeito ativo), sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício pela autoridade tributária. Tal entendimento, todavia, não leva à conclusão de que os lançamentos de ofício realizados neste contexto sejam nulos ou passíveis de cancelamento. O Decreto nº 70.235/1972 trata da seguinte forma as hipóteses de nulidade no processo administrativo tributário: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Lançamentos de ofício como o praticado nos presentes autos não se enquadram em nenhuma das situações de nulidade prescritas. O auto de infração foi lavrado por autoridade competente (Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil) e não houve qualquer preterição de direito de defesa. Após a formalização do lançamento, o contribuinte pôde exercer plenamente seu direito de defesa assegurado por lei, impugnando o auto de infração e provocando o contencioso administrativo, que inclusive nos trouxe até a presente fase de julgamento de recurso especial. Os requisitos formais dos autos de infração, cujo descumprimento poderia, em tese e em último caso (impossibilidade de saneamento), levar a uma declaração de sua nulidade, são objeto do art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: O auto de infração que originou os presentes autos cumpriu rigorosamente todas as formalidades que dele são exigidas, não se podendo cogitar de sua nulidade em razão de alguma mácula neste sentido. Sendo assim, não se identifica qualquer vício ou irregularidade que possa provocar a nulidade do lançamento realizado. A autuação, embora possa ser considerada desnecessária por alguns, se deu de forma completamente regular, notadamente diante de seu propósito de prevenir a decadência, do reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito constituído em virtude da existência de depósito judicial e da não imputação de penalidade ao sujeito passivo. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 15 13 Acrescentese que não acarretou qualquer prejuízo para o contribuinte o lançamento realizado com a finalidade de prevenção da decadência (e tampouco provocará prejuízo sua manutenção neste julgamento). Quando um sujeito passivo suspende a exigibilidade de crédito tributário mediante a realização de depósito judicial integral, nenhuma exigência lhe é feita até o trânsito em julgado da demanda judicial. Somente com o trânsito em julgado da ação é que o sujeito passivo é autorizado a levantar os valores depositados, devidamente corrigidos (caso obtenha êxito no mandado de segurança), ou observa a conversão do depósito judicial em renda a favor da União (caso a decisão judicial seja favorável à Fazenda Nacional). Diante do exposto, quanto ao mérito do recurso especial da Fazenda Nacional, voto por DARLHE PROVIMENTO para restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos. Contudo, mais recentemente em voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão N. 9202007.129, na sessão de 28/08/2018, acompanhei pelas conclusões, cujo excerto abaixo transcrito adoto como razão de decidir para aplicação no caso destes autos, os quais analiso a frente: O Colegiado a quo entendeu por dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte sob o fundamento de que o lançamento seria desnecessário face à existência do de depósitos judiciais no montante integral. O contribuinte alega que há duplicidade de lançamento em razão da existência de depósito judicial, no entanto, não lhe confiro razão. De fato houve a realização do depósito judicial nos mesmos valores lançados, deixando claro tratarse de depósito do montante integral do crédito tributário. Por sua vez, o presente lançamento foi efetuado com o intuito de prevenir a decadência, eis que a matéria está sendo discutida em juízo. Cumpre dizer que nos termos do art. 142 do CTN, transcrito a seguir, o lançamento encontrase dentre das atividades vinculadas do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não comportando juízo de conveniência. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 733DF CARF MF 14 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) É certo que o depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário. Ao final da demanda judicial, caso vença a Fazenda Nacional, os valores depositados serão convertidos em renda, caso contrário, os valores serão levantados pelo contribuinte. Entretanto, não se vislumbra ilegalidade no lançamento ou qualquer vício que leve à sua nulidade. Tampouco se pode dizer que há duplicidade de lançamento, porque, conforme já arguido, caso a contenda termine de forma favorável à Fazenda Nacional, o depósito será convertido em renda e o lançamento será desconstituído, tal qual ocorreu no provimento parcial dado pela decisão de primeira instância. Tanto é assim, que não se julga o mérito das questões quando existe identidade fática entre o lançamento e a ação judicial, em conformidade com o que: " Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Por outro lado, não se vislumbra que o lançamento possa levar a algum prejuízo ao contribuinte, eis que havendo decisão final a seu favor, o crédito será considerado extinto e os valores depositados judicialmente poderão ser, por ele, levantados. Não se pode olvidar que, por variadas hipóteses, o juízo pode decretar o levantamento do valor depositado ainda no curso da ação judicial. Caso isso ocorra e o contribuinte, por hipótese, venha a sucumbir no processo judicial, tendo transcorrido o prazo decadencial, ficaria o fisco impossilitado de proceder à cobrança do crédito tributário, o que traria desnecessário dano ao Erário. Ainda que a formalização do lançamento possa ser considerada desnecessária, uma vez efetuado o lançamento, não cabe sua anulação se inexiste qualquer mácula em sua constituição. Deste modo, ressaltada minha mudança de posicionamento, adoto exclusivamente o trecho acima como razão de decidir e assim entendo devase dar provimento ao recurso da PGFN para afastar a nulidade declarada. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 16 15 Pelo exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento, contudo, com retorno à Câmara a quo para apreciação das demais questões. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 735DF CARF MF
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Numero do processo: 13799.720010/2018-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/08/2006
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA REGULAMENTAR - CIGARROS - LEGITIMIDADE PASSIVA
O fato gerador da multa é qualquer das figuras descritas no artigo 3.º do Decreto 300/68. No caso, manter em depósito coaduna-se com a prescrição da legislação de regência, não subsistindo o argumento de que a mercadoria ão pertenceria ao ora recorrente.
Numero da decisão: 3001-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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No caso, manter em depósito coadunase com a prescrição da legislação de regência, não subsistindo o argumento de que a mercadoria ão pertenceria ao ora recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 9. 72 00 10 /2 01 8- 13 Fl. 161DF CARF MF 2 Relatório Auto de Infração Tratase de Auto de Infração de n. 0810300/00144/2016, lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Bauru/SP – DRFBAU, na data de 29/09/2016, em face de Allan Dener Vicente, tendo como responsável solidário Jairo Vicente no qual se aplicou multa no valor de R$ 36.598,00 (trinta e seis mil quinhentos e noventa e oito reais), ensejando a abertura do processo administrativo n. 10646.720101/201634. O mencionado auto de infração descreveu os fatos da seguinte forma: Aplicase a penalidade pela INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO, CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. De fato, conforme consta do processo administrativo 10646.720100/2016 90, em 15/12/2015 ocorreu a apreensão de 18.299 maços de cigarros de origem estrangeira em posse do(s) sujeito(s) passivo(s) indicado(s) acima, de que resultou o perdimento de mercadorias materializado pelo Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda de Mercadoria (AITAGF) 16/00143 lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru (DRF/BAURU). A multa regulamentar aplicada tem como fundamento o art. 3º do DecretoLei n. 399/68, com redação dada pelo art. 78 da Lei n. 10.833/03, na proporção de R$ 2,00 por maço de cigarros, cumulada com a pena de perdimento da mercadoria, tendo em vista a não apresentação de documentação idônea, no caso, despacho de importação. Foi lavrado termo de guarda dos produtos apreendidos e os autuados intimados para apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias. Impugnação Em sede de impugnação, os contribuinte alegaram que o laudo pericial elaborado nos autos do processo criminal n. 000133107.2015.403.6132, em trâmite perante a Justiça Federal de Avaré/SP, teria constatado que nem todos os cigarros apreendidos pela fiscalização seriam de procedência estrangeira, de modo que parte deles seriam nacionais e, portanto, não poderiam ser contabilizados para a fixação da multa de R$ 2,00 por maço do produto. Contudo, deixou de apresentar o documento mencionado, argumentando que o mesmo não foi disponibilizado, e, ainda nesse ponto, requereu a suspensão do processo administrativo até o julgamento da ação judicial. Ademais, aduziram a ilegitimidade passiva do impugnante Jairo Vicente, afirmando que as mercadorias apreendidas pertenciam exclusivamente ao outro impugnante, Allan Dener Vicente, o qual teria admitido na instrução criminal que era o único dono dos produtos. Ainda, alegaram que o endereço onde houve a apreensão seria a residência de Allan, o qual teria pedido auxílio de seu pai Jairo no momento do flagrante. Por fim, aduzem que há excesso no valor da autuação, devendo ser considerado como total o valor de R$ 36.598,00, o qual deve ser dividido na proporção da responsabilidade de cada autuado ou então igualmente entre os dois. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 122 3 Houve pedido de prioridade de tramitação em decorrência da idade do impugnante Jairo Vicente, com fulcro nas Leis n. 10.048/00 e 10.741/03. Conversão em diligência A DRJ/FOR entendeu por bem converter o julgamento em diligência com a finalidade de esclarecer as alegações no tocante à nacionalidade das mercadorias apreendias e à legitimidade passiva do autuado Jairo Vicente. Em resposta à intimação, os impugnantes esclareceram que seu procurador não foi intimado dos atos praticados no presente processo administrativo, apesar de devidamente investido de procuração e que o magistrado de primeiro grau rejeitou a denúncia oferecida na ação criminal que tramita perante a Justiça Federal de Avaré/SP, tendo juntado movimentações do referido processo. DRJ/FOR A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0841.005 7ª Turma da DRJ/FOR Sessão de 26 de outubro de 2017 Processo 10646.720101/201634 Interessado ALLAN DENER VICENTE JAIRO VICENTE CPF 749.981.53820 CNPJ/CPF 425.527.78852 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/08/2006 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. A posse de cigarros de procedência estrangeira, sem documentação que comprove sua regular importação, constitui infração às medidas de controle fiscal, sujeitando o infrator à multa de R$ 2,00 por cada maço. MULTA. PROPORCIONALIDADE. As multas aplicadas de acordo com a legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas, e não violam os princípios constitucionais, devendo ser exigidas sob pena de responsabilidade funcional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/08/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. A arguição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa, porquanto a autoridade administrativa carece de competência para apreciar matéria reservada ao Poder Judiciário. INTIMAÇÃO. MODALIDADES. COMPETÊNCIA. No processo administrativo tributário, as intimações devem ser realizadas na forma prevista no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações posteriores, pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil responsável pelo preparo do processo, cabendo a ela decidir qual das modalidades de intimação admitidas pela lei deve ser utilizada para dar ciência dos atos processuais. Acaso seja utilizada a via postal ou o meio eletrônico, não há previsão legal para intimação em local diverso do Fl. 163DF CARF MF 4 domicílio tributário do sujeito passivo, sendo, portanto, incabível aventar se nulidade acaso não atendido pedido nesse sentido. PEDIDO DE PARCELAMENTO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete à Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciar pedido de parcelamento de créditos tributários, devendo o pleito ser formulado perante a autoridade competente. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/08/2006 INSTÂNCIAS PENAL E ADMINISTRATIVA. INDEPENDÊNCIA. O julgamento administrativo de infrações tributárias não está adstrito ao que tiver sido decidido em ação penal, ainda que ambos os julgamentos decorram da apuração dos mesmos fatos, salvo na hipótese de que trata o art. 935 do Código Civil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Tratase da exigência do crédito tributário relativo a multa prevista no art. 3º, parágrafo único, do Decretolei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Os fatos que fundamentaram o lançamento são os mesmos descritos no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda de Mercadoria (AITAGF) nº 16/00143, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru, SP (DRF/Bauru) e integrante do processo administrativo nº 10646.720100/201690, segundo o qual 18.299 maços de cigarros de procedência estrangeira foram arrecadados pela autoridade policial por se encontrarem na posse dos sujeitos passivos desacompanhados de documentação comprobatória de sua regular importação, dele constando que: “não tendo o detentor tomado as devidas providências legais necessárias à regular introdução das mercadorias em território nacional, passam as mesmas a se encontrar em circulação ilegal”. Também consta do referido processo que, como consulta ao Portal Anvisa (disponível em portal.anvisa.gov.br) revelou que a marca de cigarro apreendida não consta no Registro de Produto Fumígeno – Dados Cadastrais do referido Portal, a apreensão em questão deverá ser considerada como contrabando, conforme art. 334A do Decretolei nº 2.848, de 1940 (Código Penal). Cientificados do lançamento em 13 de outubro de 2016 (fls. 2124), os sujeitos passivos apresentaram, em 2 de novembro de 2016, a impugnação conjunta de fls. 2732, por meio da qual arguem: Que os 18.299 maços de cigarros foram apreendidos na residência de 1 (um) dos Sujeitos Passivos o Sr. ALLAN DENER VICENTE o qual em situação de desespero acionou o seu Pai, ora, outro Sujeito Passivo o Sr. JAIRO VICENTE; que o Laudo Pericial elaborado a pedido do Ministério Público Federal, nos autos do Processo Criminal n° 000133107.2015.403.6132, que tramita perante a Justiça Federal da Comarca de Avaré, no qual consta Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 123 5 preliminarmente cigarros de origem nacional e cigarros de origem estrangeira não foi apresentado para o Sujeito Passivo ALLAN para que o mesmo possa apresentar suas notas fiscais e confrontar o mesmo Laudo; A aplicação da multa antes de fornecer ao sujeito passivo Allan condições de apresentar seus pontos de defesas em relação ao Laudo Pericial e ao término do Processo Criminal é inconstitucional, uma vez que essa Multa aplicada aos sujeitos Passivos antes do término do Processo Criminal elimina qualquer presunção de inocência, uma vez que não foi ainda apresentado a denúncia pelo Ministério Público, não foi dado vista aos Réus do Laudo Pericial, não foi dada oportunidade de apresentar sua defesa, ainda mais, que o Sujeito Passivo Allan tem a absoluta certeza que foram apreendidos cigarros de origem nacional juntamente com alguns cigarros de origem estrangeira. O Sujeito Passivo conta com 62 (sessenta e dois) anos de idade completos. Por esse motivo requer prioridade na tramitação deste processo nos termos da Lei 10.048/2000 e Lei 10.741/2003, integrante do ordenamento pátrio jurídico. Conforme depoimento na Delegacia o filho do Sujeito Passivo JAIRO VICENTE, o Sr. ALLAN DENER VICENTE admitiu a propriedade de toda a mercadoria. O Acusado Jairo nunca foi proprietário da banca de comércio nesta cidade, a banca pertence ao seu filho Allan Dener Vicente, assim como os produtos encontrados na casa de seu filho, sendo que seu filho admitiu a propriedade de todos os produtos. No momento da Busca e apreensão o Sr. Jairo estava trabalhando na instalação de internet, quando seu filho Allan o ligou pedindo socorro, sendo que nesse momento, quando foi socorrer o filho ficou sabendo que estaria envolvido em tese no crime. Além disso, o Sr. Jairo Vicente não reside no endereço do seu filho, reside no bairro do Macuco, rancho na represa Jurumirim, na cidade de Cerqueira César/SP, com distância aproximada de 8 (oito) quilômetros de distância da Cidade, inclusive nessa área, encontrase a maioria dos seus clientes rurais, os quais recebem manutenção da internet via rádio. O Sr. Jairo Vicente informou corretamente todas as perguntas do delegado, não se negou a responder nenhuma, prestou todos os esclarecimentos, não interferindo ou prejudicando a investigação. Ante o exposto requer a suspensão do processo administrativo, uma vez que é necessário o término do processo criminal para que se apure a participação do Sujeito Passivo Jairo Vicente. É evidente que há um erro de cobrança gravíssimo, uma vez que se apurado que os Sujeitos Passivos Pai e Filho são legítimos para configurarem no Polo Passivo do Processo Administrativo, cabe apurar quantos maços de cigarros pertencem a cada um dos Sujeitos Passivos, assim aplicando a multa proporcional a cada um ou até dividindo a multa pela metade a cada um dos Sujeitos. Fl. 165DF CARF MF 6 O que está havendo na aplicação dos Autos de Infrações é que está existindo uma majoração da multa uma vez que ela está sendo equivalente a quantia de 36.598 (trinta e seis mil quinhentos e noventa e oito reais) de maços de cigarros, isso multiplicado por R$ 2,00 totaliza o valor de R$ 73.196,00 (setenta e três mil e cento e noventa e seis reais) . Ante o exposto os Sujeitos Passivos requerem a revisão da Multa pela metade uma vez que os 18.299 (dezoito mil duzentos e noventa e nove) maços de cigarro devem ser divididos entre os Sujeitos ou aplicado apenas ao Sujeito Passivo Allan Dener. Em virtude da Presunção de Inocência de um dos Sujeitos Passivos é necessária a suspensão do Processo Administrativo a fim de se apurar a real e evidente participação de cada Sujeito. Além disso, é evidente que os Sujeitos não tiveram a oportunidade de questionarem o Laudo Pericial, uma vez que possuem Notas Fiscais e a certeza que preliminarmente o Laudo Pericial constou cigarros nacionais. E em virtude da majoração da Multa que deverá ser revista é necessário de maneira direta impugnar pelo valor aplicado a ambos os Sujeitos Passivos. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: Estão anexados a esta Impugnação os seguintes documentos: Demonstrativo consolidado do crédito tributário de ambos os Sujeitos, documentos pessoais, dados da empresa do sujeito passivo Sr. Jairo Vicente, comprovantes de endereços, cópia das fases do processo judicial, uma vez que não foi apresentado denuncia pelo Ministério Publico Federal. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial do lançamento requer que seja acolhida a presente Impugnação. Requer a suspensão do Processo Administrativo até o término do Processo Judicial que tramita perante a Justiça Federal de Avaré, uma vez que é necessário apurar a quantia real de cigarros de origem estrangeira e a participação de um dos sujeitos passivos. Por fim se o Ilmo. Julgador entender que a multa deva ser apenas aplicada a 1 (um) dos Sujeitos Passivos ou entenda que ela deva ser aplicada em um único valor de R$ 36.598,00 (trinta e seis mil e quinhentos e noventa e oito reais) aos dois sujeitos, desde já requer o parcelamento com redução de 40% (quarenta por cento). O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 08003.112, expedida em 26 de junho de 2017 por esta 7ª Turma da DRJ/FOR, para que a unidade preparadora providenciasse: (i) a juntada de laudo merceológico ou qualquer outro documento que pudesse confirmar a procedência dos cigarros objeto da autuação; (ii) a juntada de cópia das decisões judiciais exaradas nos autos do processo criminal nº 000133107.2015.403.6132, especialmente aquelas relativas ao sujeito passivo Jairo Vicente; e (iii) a juntada de quaisquer outros documentos ou informações que entendesse necessários ou importantes para o aperfeiçoamento da diligência e para a solução da presente lide. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 124 7 Em cumprimento à dita Resolução, a unidade preparadora juntou aos autos os documentos de fls. 7590, contendo manifestação dos autuados, inclusive cópia de consultas extraídas do sítio da Justiça Federal em São Paulo, referentes ao andamento do processo criminal nº 0001331 07.2015.403.6132, e assim informou, às fls. 97: 1. Os interessados Jairo Vicente a Allan Dener Vicente foi intimado, em 14/07/2017, através do Termo de Intimação nº 090/2017, para juntar cópia de eventual decisão exarada nos autos do Processo do Processo Criminal nº 0001331.2015.403.6132. Em resposta foram juntadas as fls. 75 a 90; 2. Foi realizada nova conferência/recontagem pelo depósito de mercadorias apreendidas responsável pela guarda das mercadorias apreendidas desta unidade da Receita Federal e a funcionária daquele local (fiel depositária) afirmou que nenhuma mercadoria nacional foi encontrada; 3. Não foi juntado aos autos quaisquer outros documentos ou informação que se entenda necessário para o aperfeiçoamento desta diligência e para solução da lide; 4. Foram cientificados os sujeitos passivos do Teor da Resolução 08 003.112 7ª Turma da DRJ/FOR e desta diligência, assegurandolhe o prazo de 30 dias para pronunciar sobre as informações ou documentos trazidos aos autos em conforme art. 16, § 4º, “c” do Decreto nº 70.235, de 06 de 1972, com redação dada pela Lei 9.532, de dezembro de 1997, c/c art., parágrafo único, do Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011. Em sua manifestação, os sujeitos passivos, por meio de seu representante, sugerem que possam existir atos nulos neste processo, pelo fato de o procurador não vir recebendo qualquer tipo de informação ou intimação, e pedem para que todas as intimações sejam direcionadas ao escritório daquele. Também afirmam, os sujeitos passivos, que o Juiz Federal não aceitou a denúncia do Ministério Público Federal e remeteu os autos ao ProcuradorGeral da República; que até então não haviam sido abertas vistas do processo para a defesa, nem liberado o laudo pericial para impugnações, nem aberto prazo para apresentação de defesa; e que seria necessário cautela em relação às informações prestadas pela fiel depositária responsável pela guarda das mercadorias apreendidas, uma vez que o juiz federal não abriu vistas para análise do laudo pericial e da contagem dos produtos, o que tornaria temerária qualquer discussão referente aos produtos apreendidos. Alegam, ainda, os sujeitos passivos, em sua manifestação, que esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) se omitiu quanto à majoração do auto de infração, uma vez que entende que estão sendo cobradas multas em duplicidade, e reiteram o pedido para que o processo seja suspenso até o trânsito em julgado do processo criminal n° 000133107.2015.4.03.6132. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF 8 Quanto à arguição de nulidade por ausência de intimação do procurador dos impugnantes, a DRJ considerou que não existiram irregularidade na forma como foram realizadas as comunicações aos contribuintes, acrescentando que no processo administrativo fiscal a notificação será realizada no domicílio fiscal do sujeito passivo por via postal, tal como foi efetuado no nestes autos. Em relação ao pleito de ilegalidade por ter sido realizado o lançamento antes do término do processo criminal, os julgadores entenderam pela regularidade do lançamento, haja vista terem sido colacionados os fatos e argumentos que a autoridade fazendária considerou legítimos e por não haver relação de subordinação entre as instâncias administrativa e judicial. Sobre a arguição de inconstitucionalidade da multa aplicada, considerou que sua análise é de competência exclusiva do Poder Judiciário. No tocante à alegação de ilegitimidade passiva do impugnante Jairo Vicente, firmou se o convencimento de que o mesmo teve relação com o fato que ensejou a aplicação da penalidade por conta da posse de cigarros estrangeiros sem documento idôneo que comprovasse a regular nacionalização das mercadorias. Ainda nesse ponto, a DRJ entendeu que não há duvidas quanto à origem estrangeira dos cigarros, refutando os argumentos de que parte deles seria nacional. Outrossim, constatouse a prática de infração, tendo havido confissão dos fatos imputados na instrução criminal, não se podendo argumentar acerca do não recebimento da denúncia na ação criminal, uma vez que a ausência de documentação idônea referente à importação constitui ato ilícito por si só. Por fim, a DRJ reputou correta a multa no montante em que foi fixada, não havendo duplicação do valor, e destacou não ter competência para analisar pedido de parcelamento. Isso posto, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na impugnação, quais sejam: Ilegitimidade passiva de Jairo Vicente Os recorrentes aduzem que Jairo Vicente, pai de Allan Dener Vicente, não possuiria responsabilidade tributária no caso em apreço, tendo em vista que a conduta que originou a multa teria sido praticada exclusivamente pelo segundo, enquanto que o primeiro apenas teria prestado socorro ao filho. Alega, para tanto, que Jairo não teria interesse no fato gerador, portanto, não poderia ser aplicada a prescrição do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Desmembramento do processo n. 10646.720101/201634 O Agente da Receita Federal em Avaré/SP entendeu por bem aplicar a previsão do art. 7º, §3º da Portaria RFB nº 2.284/10, determinando a abertura desse processo em apartado ao processo n. 10646.720101/201634, para que fosse analisado exclusivamente o vínculo de responsabilidade do recorrente Jairo Vicente na prática dos atos que deram ensejo ao Auto de Infração n. 0810300/00144/2016. Ademais, por se tratar de pessoa idosa, submeteuse o presente recurso com prioridade para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 125 9 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração n. 0810300/00144/2016. Admissibilidade do Recurso Os contribuintes tiveram ciência do acórdão de impugnação em 24.11.2017, conforme Avisos de Recebimento AR, fls. 125/128, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 15.12.2017, conforme comprova o comprovante de protocolo da DRF – BAU ARF AVARÉ, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado em decorrência de decisão que julgou improcedente impugnação oferecida contra auto de infração que aplicou multa no valor de R$ 36.598,00 com fundamento no art. 3º do DecretoLei n. 399/68, com redação dada pelo art. 78 da Lei n. 10.833/03, em decorrência da apreensão de maços de cigarro estrangeiros desacompanhados de documentação idônea, qual seja o despacho de importação, caracterizando o cometimento de infração tributária. Questionase, nesse julgamento, a insurgência quanto à legitimidade do recorrente Jairo Vicente em figurar como sujeito passivo no lançamento pelos fatos narrados no relatório acima. MÉRITO O cerne da questão perpassa a leitura da legislação de regência, a qual, expressamente, prevê em seu texto, que ter em depósito mercadoria irregular. DECRETOLEI Nº 399, DE 30 DE DEZEMBRO DE 1968. Fl. 169DF CARF MF 10 Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Da resposta da diligencia, foi fornecido a decisão que não acatou a denuncia formulada pelo Ministério Público Federal, mas que, em seu bojo, revela indícios das condutas perpetradas pelo requerente, uma vez que "teriam sido supreendidos, mantendo em depósito, em proveito próprio" grande quantidade de cigarros, enquadrandose, portanto, na figura em destaque do artigo terceiro retromencionado. No recurso voluntário a recorrente alega a impossibilidade de atribuirse a responsabilidade solidária ao Jairo, uma vez que não se comprovou a participação de de Jairo na conduta. Contudo, o argumento não se sustenta, uma vez que, conforme se viu na narrativa acima, ambos foram surpreendidos mantendo a mercadoria em depósito. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 126 11 Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906442/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2011
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário.
Direito creditório que não se reconhece
Numero da decisão: 1402-003.292
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 65 1 64 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.906442/201278 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.292 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ/Compensação Recorrente APRUMO PROMOCIONAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2011 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário. Direito creditório que não se reconhece Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 64 42 /2 01 2- 78 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 66 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que “o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado na quitação de débito(s) da contribuinte, não restando crédito disponível". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. que a decisão recorrida não teria levado em conta, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito; 2. que, o princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância se restringido a fazer menção de artigos genéricos da legislação tributária; 3. que, assim, fica inexequível a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada; 4. que, inexistindo fundamentação que sustente a decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitar o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta; 5. que, além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada; 6. que, sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo em cerceamento de defesa. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 67 3 Finaliza requerendo o provimento do recurso voluntário e a reforma da decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologou a compensação. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Como se vê no recurso voluntário, a recorrente limitase a alegar falta de fundamentação na decisão e até cerceamento de defesa porque não saberia o motivo do indeferimento da compensação. Na verdade, o cenário que se observa é de mera irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. De outra banda, no que interessa, não há, no RV, qualquer contraposição argumentativa ou documental que possa elidir o que consta do Despacho Decisório que, ao contrário do entendimento da recorrente, tem ampla e clara fundamentação. Vejase: “A partir das características do DARF descriminado no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Enquadramento legal arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Como se nota acima, o despacho traz de forma explícita e fundamentada a motivação da não homologação da compensação realizada, justificada pela inexistência do crédito utilizado na compensação realizada no Per/Dcomp, haja vista que o pagamento relativo ao DARF ali discriminado foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ confessado em DCTF. Nessa linha, soam até despropositadas as alegações de que a apresentação de provas não foi possível (a recorrente teve amplo campo material para fazer isso e tempo mais que suficiente) ou de que não teria havido motivação para o indeferimento. Ou seja, não se verificando, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante ou influam na solução do litígio, não Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 69 5 há se falar em nulidade da decisão, pois não houve ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, do contraditório e da ampla defesa e da eficiência, como alega a recorrente, razão pela qual devem ser rejeitadas as ponderações feitas no recurso voluntário. Quanto ao mérito propriamente dito, a simples leitura do recurso voluntário mostra a singeleza dos argumentos que, repitase, tão somente pugnaram pela possível (mas incomprovada) falta de motivação para decidir. Na verdade, caberia à recorrente contrapor provas robustas de que o pagamento de que tenta lançar mão para a compensação intentada não teria sido (ao revés do informado no Despacho Decisório) “integralmente utilizado para quitar débito confessado em DCTF apresentado pela própria contribuinte”. Estas provas, argumentativas ou documentais, não vieram aos autos, assim como não se acostaram quaisquer registros contábeis ou fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Como é cediço, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da indisponibilidade do interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 70 6 Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000396/2005-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO.
Cancela-se a exigência de multa e juros lançada de ofício quando, pela documentação carreada aos autos, no recurso voluntário, comprova-se que a composição da base de cálculo da Cofins do período em trato refere-se a receitas de aluguéis, a teor do disposto no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, que dispensou citados acréscimos na hipótese de a entidade fechada de previdência complementar efetuar o pagamento da referida contribuição em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002.
Numero da decisão: 3001-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Cancela-se a exigência de multa e juros lançada de ofício quando, pela documentação carreada aos autos, no recurso voluntário, comprova-se que a composição da base de cálculo da Cofins do período em trato refere-se a receitas de aluguéis, a teor do disposto no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, que dispensou citados acréscimos na hipótese de a entidade fechada de previdência complementar efetuar o pagamento da referida contribuição em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Cancelase a exigência de multa e juros lançada de ofício quando, pela documentação carreada aos autos, no recurso voluntário, comprovase que a composição da base de cálculo da Cofins do período em trato referese a receitas de aluguéis, a teor do disposto no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, que dispensou citados acréscimos na hipótese de a entidade fechada de previdência complementar efetuar o pagamento da referida contribuição em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1320.720, da 4ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJOII AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 03 96 /2 00 5- 72 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 400 2 que, na sessão de julgamento realizada em 29.07.2008 (fls. 45 a 48), que julgou procedente o lançamento. Da ementa do acórdão recorrido A 4ª Turma da DRJ/RJOII, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o citado acórdão, cujas ementas colacionase: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. ANISTIA ART. 12 MP Nº 75/2002. ALEGA SER BENEFICIÁRIO. ALEGAÇÃO NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO. MANTÉM. É de se manter o lançamento de multa e juros de mora sobre valor recolhido da Cofins depois de decorrido o prazo legalmente previsto para o seu recolhimento, quando não restar comprovado ser o valor recolhido referente a fato gerador decorrente de qualquer uma das hipóteses contidas no art. 12 da MP nº 75/2002. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Lançamento Procedente Da síntese dos fatos Adotase, para o acompanhamento inicial dos fatos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 25 a 33, lavrado pela Deinf/Rio de Janeiro em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 14.763,61, correspondente à multa de mora e aos juros de mora exigidos isoladamente referentes ao mês 12/1999. 2. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Lega.l”, à fl. 28, do “Anexo IIa Demonstrativos de Pagamentos Efetuados Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 401 3 Após o Vencimento”, à fl. 29, e do “Anexo IV Demonstrativo de Multa e/ou Juros a pagarNão Pagos ou Pagos a Menor”, à fl. 30, que: 2.1 O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na DCTF (Retificadora) referente ao 4º Trimestre do anocalendário 1999, conforme INSRF nºs 045/98 e 077/98; e 2.2 A irregularidade constatada no crédito vinculado informado nessa DCTF diz respeito à insuficiência de pagamento da multa de mora e à falta de pagamento dos juros de mora, conforme “Anexo IV Demonstrativo de Multa e/ou Juros a pagarNão Pagos ou Pagos a Menor”. 3. Os dispositivos legais infringidos constam do “Quadro 10” da “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, à fl. 28 do Auto de Infração. 4. Cientificada em 04/10/2005 (fl. 01), a Interessada, inconformada, apresentou, em 31/10/2005, a impugnação de fl. 01 a 05, na qual alega, em síntese, que: 4.1 O recolhimento da Cofins por ela realizado (doc. nº 02, fl. 23) lastreouse na anistia concedida pela Medida Provisória nº 75, de 24/10/2002, que, em seu art. 12, dispensou de juros e multa as entidades fechadas de previdência complementar que efetuassem o pagamento da Contribuição para o PIS ou da Cofins em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002, nas hipóteses nele previstas; 4.2 Atende a todos os pressupostos elencados pelo dispositivo supracitado para à adesão à anistia, quais sejam: 4.2.1 É entidade fechada de previdência complementar, o que se depreende claramente da leitura de seus atos societários (doc. nº 01, fls. 13/21); 4.2.2 Realizou o pagamento da Cofins em parcela única no dia 27/11/2002, ou seja, antes do último dia útil de mês de novembro de 2002, conforme o Darf em anexo (doc. nº 02, fl. 23); 4.2.3 O fato gerador relativo à Cofins, devidamente recolhida em 27/11/2002, ocorreu bem antes do dia 31 de julho de 2002, o que se comprova pela DCTF anexada (doc. nº 04, fls. 35/38), que se refere ao período relativo ao mês 12/1999, anteriormente, portanto, ao mês de julho de 2002; e 4.2.4 O fato gerador que deu origem à Cofins recolhida referese justamente ao auferimento de rendimentos e receitas previstos na legislação que concedeu da anistia, como se pode depreender da anexa planilha demonstrativa da base de cálculo (doc. nº 05, fl. 40). 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 402 4 6. É o relatório. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 59 a 64), para, além de reprisar os argumentos de defesa apresentados na sua impugnação, aduzir, com fundamento nos princípios da ampla defesa e da busca pela verdade material dos fatos, que os documentos neles juntados (fls. 65 a 378), que "espancam qualquer sombra de dúvida que possa haver acerca da natureza das receitas que foram consideradas para a apuração da COFINS paga em relação ao período de dezembro de 1999 com o beneficio da anistia". Nestes termos, requer, "considerandose a adesão da Recorrente à anistia veiculada pela Medida Provisória nº 75/2002, o que a dispensou de recolher a multa e os juros de mora lançados, (...) a reforma do v. acórdão recorrido, para que se determine o cancelamento da exigência fiscal". Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 03.11.2008 (fl. 381), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 10.10.2008 (segundafeira), conforme depreendese da chancela constante na sua "Folha de Rosto" (fl. 59), depois da ciência ocorrida em 19.09.2008 (sextafeira), conforme esclarece o "Aviso de Recebimento" (fl. 55), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Dos fatos O lançamento consubstanciado no Auto de Infração nº 0001754 está fundamentado na falta de pagamento de multa e juros de mora, decorrentes do atraso no recolhimento da Cofins relativa ao período de dezembro de 1999, cuja data de vencimento era 12.01.2000. Portanto, não se trata de falta de recolhimento da contribuição, mas de acréscimos Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 403 5 legais supostamente devidos em face de o pagamento ter sido efetuado após o vencimento da respectiva obrigação tributária. Em sua defesa, o recorrente assevera que o pagamento efetuado da referida contribuição não contemplou mencionados acréscimos legais porque foi realizado ao amparo das disposições veiculadas na Medida Provisória nº 75, de 24.10.2002, que previu expressamente a dispensa de juros e multa. A decisão do colegiado a quo assentouse na premissa segundo a qual Devidamente impugnado o lançamento, foi o mesmo mantido, ao fundamento o recorrente não teria comprovado que o valor recolhido se referia aos fatos geradores decorrentes das receitas especificadas nos incisos I a III do artigo 12 da MP nº 75, de 2002. Não se conformando com a manutenção da exigência, além de brevemente discorrer sobre o descabimento da cobrança dos mencionados acréscimos legais, o recorrente esclarece que ora traz à colação documentos que, juntamente com aqueles apresentados na impugnação, entende suficientes para evidenciar a natureza das receitas utilizadas como base de cálculo da contribuição, quais sejam: (i) balancete contábil do mês de dezembro de 1999, destacando as páginas 11, 13, 17 e 19 (doc. nº 01), (ii) folhas relevantes dos Livros Diário e Razão (doc. nº 02) e (iii) contratos de aluguel em vigor no período (doc. nº 03). Do mérito Como visto, em seu recurso, o recorrente argui que "aderiu à anistia veiculada" pelo artigo 12 da Medida Provisória n° 75, de 24.10.2002, mais adiante reproduzido, que dispensou o pagamento de juros e multa às entidades fechadas de previdência complementar que efetuassem o recolhimento da Cofins em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002, nas hipóteses nele previstas. Art. 12. As entidades fechadas de previdência complementar poderão pagar em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, com dispensa de juros e multa, os débitos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa, ajuizados ou a ajuizar, referentes a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002 e decorrentes de: I rendimentos relativos a receitas de aluguel, destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; II receita decorrente da venda de bens imóveis, destinada ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; III o resultado positivo auferido na reavaliação da carteira de investimentos imobiliários referida nos incisos I e II. Compulsandose os documentos carreados aos presentes autos, notadamente o Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, de fl. 23; a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de fls. 35 a 38 estes apresentados juntamente com a impugnação, em 31.10.2005; o Balancete de Verificação do mês de dezembro 1999, de fls. 74 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 404 6 a 92; o Livro Razão, de fls. 95 a 103; o Livro Diário, de fls. 104 a 110, e os diversos contratos de locação não residencial firmados, no período, entre o recorrente e as empresas AMERADA HESS LTDA., ANDERSEN CONSULTING DO BRASIL LTDA., ARTHUR ANDERSEN S/C, BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO S.A., BOOZALLEN HAMILTON DO BRASIL CONSULTORES & LTDA., CADAM CAULIM DA AMAZÔNIA S/A, CAEMI MINERAÇÃO E METALURGlA S/A, CIMENTO TUPI S/A., COMPASS ASSET MANAGEMENT SERVICES S/C LTDA., CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S.A., BANCO HSBC BAMERINDUS S.A., BONARI HOLDING LTDA., MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A MBR, McKlNSEY Ltda. S/C, MSL MINERAIS S/A, SONY MUSIC ENTERTAINMENT (BRASIL) INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., STAFFORDMILLER INDÚSTRIA LTDA., todos relativos à locação não residencial de "espaços" localizados no edifício CAEMI, evidenciase assistir razão ao recorrente, na medida em que estes demonstram, sem margem a dúvida, que a composição da base de cálculo da Cofins, do P.A. de 12/1999, referese à hipótese contida no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, por se tratar, efetivamente, de receitas de aluguéis. Da conclusão Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, cancelandose a exigência consubstanciada no presente auto de infração. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 404DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.918426/2015-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/11/2013
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.504
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 84 26 /2 01 5- 00 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 135 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 128/129) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 114/119), proferida em sessão de 14 de junho de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1677.991, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 04/05) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 05/05/2015 (efl. 107), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 05764.90727.220914.1.3.046584 (efls. 102/106), transmitido em 22/09/2014, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 102/106 (PER/DCOMP n.º 05764.90727.220914.1.3.046584), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 136 3 IRPJ (cód. receita 2362 – IRPJ – PJ OBRIGADA À APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEMAIS ENTIDADES – ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/10/2013. Pelo Despacho Decisório de fl. 107 o contribuinte foi cientificado, em 12/05/2015 (fl. 109), de que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 8.845,39). Irresignado, o contribuinte apresentou em 09/06/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 04/05, alegando, em síntese, i) que recolheu e declarou em DCTF a estimativa de IRPJ relativa a outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70; ii) que não retificou a DCTF correspondente para apontar o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013, que seria de R$ 680.685,12; iii) que o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013 foi devidamente informado na DIPJ transmitida em 30/06/2014; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF; v) anexa em favor dos seus argumentos, cópias da DCTF, PER/DCOMP, DIPJ, todas originais, do DARF no valor de R$ 729.717,70, bem como de parte do razão contábil das contas de IRPJ referentes ao ano de 2013; vi) por fim, pede que seja acolhida a sua Manifestação de Inconformidade e homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que os processos ns.º 10880.918416/201566, 10880.918424/201511, 10880.918422/201513, 10880.918417/201519, 10880.918423/201568 e 10880.918425/201557, estão sendo julgados, tendo em vista a identidade do direito creditório discutido e corresponderem ao mesmo Darf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 8.150,16, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 137 4 31/10/2013 2362 R$ 729.717,70 29/11/2013 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 2670473753 R$ 729.717,70 Db: cód 2362 PA 31/10/2013 R$ 729.717,70 Valor Total R$ 729.717,70 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/05/2015 Principal: R$ 8.845,39 Multa: R$ 1.769,07 Juros: R$ 663,40 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme consignado no Despacho Decisório de fl. 107, o indeferimento teve como origem a alocação integral do Darf de R$ 729.717,70 para quitação do débito de IRPJ (cód 2362) relativo a outubro/2013. Ou seja, uma das providências requeridas para a indicação do pretenso direito creditório seria a retificação da DCTF referente a outubro/2013. Consulta aos sistemas da RFB revela que a DCTF atualmente ativa de outubro/2013 (original) foi entregue em 20/12/2013, nela constando a alocação integral do pagamento ao débito de outubro/2013, tal qual demonstra a DCTF anexada pelo interessado às fls. 29 e seguintes. Assim, tomandose em consideração a informação prestada pelo próprio contribuinte em sua DCTF, inexistiria direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. Reza o parágrafo 1.º do artigo 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984: Parágrafo 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário,constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Tratase de confissão extrajudicial da existência de tais débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) – Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso mesmo é título executivo. Os débitos tributários, então declarados e confessados na DCTF, decorrem do lançamento por homologação de que trata o artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. É a DCTF, portanto, a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 138 5 jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente do tributo. Por essa razão a necessidade da retificação da DCTF sempre que o sujeito passivo queira modificar anterior informação prestada quanto aos seus débitos tributários, pois o conhecimento deste fato pelo Fisco é elemento indispensável para o aperfeiçoamento do lançamento por homologação. Sobre a imprescindibilidade da retificação da DCTF para a comprovação do pagamento indevido ou a maior, a Receita Federal do Brasil editou o Parecer Normativo (PN) COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, que confirmou a vinculação necessária entre as informações prestadas na DCTF e a disponibilidade do direito creditório utilizado em PER/DCOMP, além de esclarecer diversos pontos relacionados à temporalidade da apresentação desta DCTF retificadora, admitindo, sem deixar de considerála obrigatória, a sua apresentação mesmo após a transmissão do PER/DCOMP, e até após a ciência de Despacho Decisório que não tenha homologado as compensações declaradas. É oportuna a transcrição de trecho do citado PN que aborda a necessidade da informação do débito correto em DCTF para que possa ficar caracterizado o direito creditório do pagamento indevido ou a maior, inclusive com citação a vários acórdãos da 2ª instância administrativa de julgamento (CARF): 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão n.º 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 139 6 (Acórdão n.º 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifouse) 10.6. A despeito da necessidade de o sujeito passivo retificar a DCTF para ter direito creditório contra a Fazenda Nacional, não há impedimento para que ele a retifique para reduzir tributos cujos pagamentos já tenham sido objeto de PER ou de DCOMP como créditos a serem restituídos ou compensados. Consoante o seguinte julgado administrativo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativo poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão n.º 3403003.340, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, Sessão de 15/10/2014). Sendo assim, não tendo o interessado retificado, até a data deste julgamento, o débito de IRPJ Estimativa de outubro de 2013, através da necessária apresentação da DCTF retificadora, é de se indeferir seu pedido de homologação das compensações por ausência do indébito pleiteado na PER/DCOMP objeto deste processo. Todavia, ainda que essa questão preliminar da ausência da retificação do débito em DCTF correspondente ao pagamento pleiteado como indevido ou a maior pudesse ser superada, o que se faz aqui por mera argumentação, a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 69) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 140 7 Nos razões contábeis apresentados pelo interessado às fls. 51/52 deste processo, não há a conta que registra os lançamentos da provisão de IRPJ de 2013 (valores devidos de IRPJ), inclusive a do mês de outubro de 2013 que interessa particularmente a este processo. Consta apenas o lançamento do IRPJ pago/antecipado (conta n.º 112225) em 29/11/2013, relativo ao período de apuração outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70. Porém, no processo n.º 10880.918416/201566, que está sendo julgado nesta mesma sessão de julgamento, o interessado juntou à fl. 34 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, que diminuído do IRF informado como retido neste mês de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, ausente a retificação do débito de IRPJ estimativa referente a outubro de 2013, bem como não tendo o sujeito passivo comprovado adequadamente por meios hábeis e idôneos o indébito, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário (efls. 128/129), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Argumenta que não efetuou a retificação da DCTF mensal de Outubro/2013 para o valor correto do débito de R$ 680.685,12, conforme DIPJ do respectivo período. Diz que essa problemática originou a divergência que redundou na inexistência do crédito. Alega que os pontos de discordância são: a) a DIPJ de 2013, transmitida em 30/06/2014, informa o valor correto de débito para o IRPJ na ordem de R$ 680.685,12; b) houve erro no preenchimento da DCTF de Outubro/2013, resultando no lançamento de imposto indevido; c) devese considerar os lançamentos apresentados na DCTF retificadora transmitida em 17/11/2017 que evidencia o referido crédito tributário originado de pagamento à maior, referente ao código de receita 236201 IRPJ (página 03, no valor de R$ 680.685,12 IRPJ por estimativa mensal demonstrado na DIPJ de 2013). Informa como documentos anexados, especialmente: a DCTF retificadora referente a Outubro/2013; a DIPJ de 2013; o razão contábil das contas de IRPJ de Outubro/2013; recibo do SPED Contábil referente a 2013. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 141 8 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 8.150,16. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 26/10/2017, efls. 120 e 124/125, e protocolo recursal em 22/11/2017, efls. 126/128), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 142 9 Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. A fim de refutar tal constatação, o contribuinte retificou a DCTF e afirma que a DIPJ corroboraria a informação. Ocorre que, após analisar os autos, incluindo os documentos não pagináveis, constato que não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da redução do valor devido a título do tributo que estava inicialmente alocado no DARF objeto do crédito anotado no PER/DCOMP, de forma que inexiste comprovação, pelo contribuinte, de certeza e liquidez para o crédito vindicado. Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 143 10 quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. A despeito da retificação da DCTF, inexistiu provas, mínimas que fossem, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. O razão contábil, quanto a conta apresentada, não atesta a redução do débito. Aliás, neste ponto interessante a anotação da DRJ, nestes termos, litteris: (...), a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 69) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Nos razões contábeis apresentados pelo interessado às fls. 51/52 deste processo, não há a conta que registra os lançamentos da provisão de IRPJ de 2013 (valores devidos de IRPJ), inclusive a do mês de outubro de 2013 que interessa particularmente a este processo. Consta apenas o lançamento do IRPJ pago/antecipado (conta n.º 112225) em 29/11/2013, relativo ao período de apuração outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70. Porém, no processo n.º 10880.918416/201566, que está sendo julgado nesta mesma sessão de julgamento, o interessado juntou à fl. 34 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, que diminuído do IRF informado como retido neste mês de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 144 11 No que se refere ao argumento acima apresentado pela primeira instância, o contribuinte não refuta o fundamento, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Demais disto, a retificadora desprovida de outros elementos não corrobora com a certeza e liquidez necessárias para autorizar o reconhecimento do crédito. Da forma como este é vindicado apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez. Desprovidos de outros elementos da escrita contábil, não resta comprovado o crédito. Aliás, as demonstrações contábeis também não estão colacionadas a contento nos autos para confirmação inconteste do eventual crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Relator: Waldir Navarro Bezerra Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e, consequentemente, da comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Vejase, ainda, que não foi juntado aos autos outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais, como, por exemplo, o Livro Diário, eventuais balancetes transcritos na escrita contábil, o Balanço, eventuais apurações demonstrando os erros e correções posteriores, deixandose, portanto, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito vindicado apenas com as declarações, ou parte delas, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito. Sendo assim, não cabe reconhecer liquidez e certeza, no que não resta demonstrado, comprovado. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, apurações, balanço patrimonial, balancetes e demais demonstrações contábil, e integral análise de contas contábeis do razão, tudo a fim de comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito, inclusive para se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 145 12 retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Outrossim, não compete a este julgador sanear os autos para colacionar provas ao processo, quando sequer está convencido quanto a verossimilhança das alegações. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte e apreciado no Despacho Decisório. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 146 13 Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000833/2006-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
RECEITAS DE ATO COOPERATIVO. SUJEIÇÃO AO PIS/FATURAMENTO ATÉ 12/2004
As cooperativas de crédito, na condição de instituições financeiras, estavam sujeitas ao PIS/Faturamento nos anos-calendário de 2002 a 2004, pelas leis então vigentes, que não contemplavam exclusões de receitas decorrentes de ato cooperativo, da base de cálculo.
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. DEDUÇÃO DAS SOBRAS.
A base de cálculo das contribuições ao PIS das sociedades cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei nº 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindo-se as sobras, conforme reza o § 2º do art. 1º da Lei nº 10.676/2003.
Numero da decisão: 9303-007.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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SUJEIÇÃO AO PIS/FATURAMENTO ATÉ 12/2004 As cooperativas de crédito, na condição de instituições financeiras, estavam sujeitas ao PIS/Faturamento nos anoscalendário de 2002 a 2004, pelas leis então vigentes, que não contemplavam exclusões de receitas decorrentes de ato cooperativo, da base de cálculo. PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. DEDUÇÃO DAS SOBRAS. A base de cálculo das contribuições ao PIS das sociedades cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei nº 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, conforme reza o § 2º do art. 1º da Lei nº 10.676/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 33 /2 00 6- 21 Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do Contribuinte e da Fazenda contra o Acórdão 3302.01449 (fls. 1440/1446), de 12/02/2012, o qual foi assim ementado: Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei nº 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do § 2º do art. 1º da Lei nº 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP nº. 2.15835/ 2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. O recorrido foi parcialmente provido para excluir do auto de infração, no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2004, as sobras apuradas na forma do § 2º do art. 1º da Lei 10.676/2003, bem como para determinar a compensação de pagamentos a título de PIS/Folha. Impende ressaltar que inicialmente o julgamento da impugnação pela DRJ foi convertido em diligência (fls. 1065/1066) para que o órgão lançador informasse analiticamente as receitas decorrentes de atos cooperativos, por período de apuração, bem como os valores das sobras passíveis de dedução, nos termos do art. 30 da Lei 11.051/2004. Realizada a diligência, a decisão de piso (fls. 1301/1321) exonerou o lançamento das receitas de atos cooperativos no período entre 01/2005 a 12/2005, com arrimo no art. 30 da Lei 11.051/2004, conforme reconhecido pela própria fiscalização na informação fiscal fruto da diligência. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 4 3 A Fazenda manejou recurso especial de divergência (fls. 1460/1475) quanto à parte provida, uma vez entender, em suma, que a exclusão das "sobras" das cooperativas para fins de cálculo do PIS/Faturamento está condicionada ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários, acostando como paradigma o aresto 3101001.123. Entende que o inciso I do § 2º do art. 15 da MP 1.858/99 é expresso nesse sentido, como pontuado na fundamentação do acórdão divergente. De igual sorte, continua, a IN SRF 145/99 é expressa quanto à isso em seu art. 4º, bem como a IN SRF 247/2002, em seu art. 33, e a IN SRF 635/2006. Quanto à procedência do recorrido que deferiu ao contribuinte a compensação do valor recolhido a título de PIS/Folha de salários com os débitos encartados no auto de infração, alega a Fazenda que a turma julgadora autorizou aquela sem observância do procedimento próprio e em dissonância com as prescrições legais atinentes à essa forma de extinção do crédito tributário, mais especificamente os artigos 73 e 74 da Lei 9.430/96. Para comprovar a divergência nesse tópico trouxe como paradigma o acórdão 3401001.420, o qual versou entendimento de que a inobservância das prescrições legais atinentes à compensação, que possui rito próprio, impediria o reconhecimento desta no procedimento de ofício. Foi dado seguimento ao recurso da Fazenda nos termos do Despacho de fls. 1511/1513. Em contrarrazões (fls. 1568/1583), o contribuinte pede, em preliminar, o não conhecimento do recurso fazendário em relação à primeira matéria por falta de interesse de agir, pois, argui, "recolheu o PIS sobre folha de salários de todo o período fiscalizado". Quanto à segunda matéria, a impossibilidade de arguir compensação como matéria de defesa, alega que tratamse de tributos da mesma espécie (pisfaturamento e pisfolha de salários), o que carateriza "mera dedução", o que a seu juízo "não carece de compensação". Acresce que talvez o acórdão recorrido tenha incorrido em mero erro formal ao ter utilizado o termo compensação ao invés de abatimento ou dedução". Averba que o paradigma trata de situação distinta, "vez que discute pedido de compensação de tributos de natureza essencialmente diversa", PIS com COFINS. No mérito, pede o improvimento do especial fazendário. De sua feita, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência (fls. 1663/1720), alegando, em preliminar, a nulidade da decisão que não admitiu os embargos por ela interpostos, pois entende que o recorrido não teria enfrentado, em específico, sua alegação "a teor do artigo 79 da Lei nº 5.674/71", que sobre os atos cooperativos típicos não incidiria o PIS. No mérito, em suma, entende que sobre os atos cooperativos típicos não há incidência tributária sobre sua receita e resultado. Ao recurso especial do contribuinte somente foi dado seguimento, nos termos do despacho de fls. 1772/1777, "em relação a incidência da contribuição ao PIS sobre atos cooperativos que abrangem a captação de recursos de cooperados, empréstimos e aplicações financeiras no mercado". Em contrarrazões, a Fazenda (fls. 1779/1789), em preliminar, postula o não conhecimento do especial do contribuinte por entender que "no presente caso não se verifica a divergência necessária a sustentar o recurso interposto pelo contribuinte", eis que "enquanto o recorrido aborda as Leis 10.637/2002 e 10.676/2003, o paradigma tãosomente analisa a situação à luz das Leis nº 9.718/98 e 5.764/71". Ademais, aduz que nos termos do capítulo II do Manual de Exame de Admissibilidade, o acórdão paradigma tem que tratar da mesma legislação que orientou o recorrido. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 5 4 No mérito, afirma: A especialidade das cooperativas de crédito face as demais sociedades cooperativas originase da natureza das operações mantidas junto aos associados. Os serviços prestados pela cooperativa de crédito aos associados equiparamse à intermediação financeira. Entretanto, os clientes da cooperativa são os seus sócios, os quais arcam, como qualquer cliente de instituição financeira, com os custos da intermediação de recursos promovida pela cooperativa. Sobre as quantias repassadas pela cooperativa ao associado, logicamente, são cobrados juros e demais encargos. O associado da cooperativa de crédito, portanto, arca com as despesas da sociedade ao utilizarse de seus serviços como cliente. Tais despesas estão embutidas no custo do dinheiro movimentado junto à cooperativa. Logo, os custos financeiros com a movimentação das quantias junto ao autuado não são suportados pelos seus associados, mas pelo “consumidor final”, o produtor, ao qual são disponibilizados os recursos necessários para a realização da sua atividade. Com isso, percebese, mais uma vez, que a especialidade da cooperativa em análise frente às demais cooperativas resta evidente diante das operações que mantém junto aos associados, equiparadas às operações de instituição financeira, havendo o legislador, nos diplomas legais retro mencionados, esclarecido que, realmente, a cooperativa de crédito é sujeito passivo do PIS e da COFINS. Conclui a Fazenda pedindo que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator I DO CONHECIMENTO DOS RECURSOS I.1 DA FAZENDA NACIONAL Alega a autuada, de forma confusa, digase, que há falta de interesse de agir para o recurso da PFN. Ora se a decisão recorrida ao mesmo tempo em que permitiu a dedução das sobras e sentenciou que descabe pagamento cumulativo de PIS/Faturamento e PIS/Folha de salários, e a Fazenda alega que só há que se falar em exclusão das sobras quando aquelas contribuições forem recolhidas simultaneamente, evidente o interesse de agir fazendário. Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 6 5 Portanto, deve ser analisado o argumento fazendário no sentido de que a exclusão das "sobras" das cooperativas está condicionada ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários com o PIS/faturamento. Da mesma forma, entendo provado o dissídio jurisprudencial quanto à impossibilidade da compensação como exceção de defesa no rito do Decreto 70.235. O aresto colacionado, 3401001.420, tem a seguinte ementa: “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RITO PRÓPRIO. Não compete ao CARF se pronunciar sobre o mérito de pedido de compensação, exceto em sede de recurso voluntário interposto contra decisão da primeira instância que apreciou manifestação de inconformidade relativa ao pedido, sendo que eventuais excessos de recolhimentos devem ser aproveitados pelo contribuinte por meio do procedimento próprio, em vez de empregados para redução dos valores lançados.” E a alegação da entidade financeira de que só incidiria essa hipótese tratando se de tributos de espécies distintas, o que, a seu juízo, não seria o caso de PIS/Faturamento, PIS/folha de salários, não procede. Embora tenham o mesmo nome, PIS, as normas impositivas são diversas e suas hipóteses de incidência distintas, o que, ipso facto, lhes conferem distinção, e, por conseguinte, revestemse de díspares espécies. Não por acaso seus códigos de recolhimento são distintos. Porém, como se verá adiante, esta questão restará prejudicada. Portanto, conheço do recurso especial fazendário nos moldes em que admitido pelo despacho de fls. 1511/1514. I.2 DO CONTRIBUINTE A única matéria admitida em relação ao recurso especial do contribuinte foi "em relação a incidência da contribuição ao PIS sobre atos cooperativos que abrangem a captação de recursos de cooperados, empréstimos e aplicações financeiras no mercado". Embora a Fazenda pugne pelo seu não conhecimento, entendo que o mesmo deva ser conhecido, pois um dos paradigmas, o acórdão 3403000.206, trata de mesma matéria. Vejase a ementa: A questão de fundo é a mesma, qual seja, se sobre ato cooperativo, tratando se de cooperativa de crédito, incide ou não PIS. E a peça recursal articula, inclusive transcrevendo excertos do paragonado, demonstrando que há a devida similitude fática. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 7 6 Portanto, conheço do recurso do contribuinte nos termos em que admitido pelo Despacho de fls. 1772/1777. II MÉRITO II1 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE A matéria devolvida ao nosso conhecimento em relação ao recurso especial do contribuinte cingese a definirmos se, no período de 2002 a 2004 (2005 foi expungido do lançamento pela decisão de piso), os atos cooperativos praticados por cooperativas de crédito incide ou não, no caso, a contribuição do PIS. Alega a recorrente, em síntese, ser indevida a incidência de PIS sobre o ato cooperativo, o qual, entende, incluiria a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados e a movimentação financeira da cooperativa, não se configurando essas hipóteses operação de mercado nem contrato de compra e venda, nos termos do artigo 79 da Lei das Coopetativas (Lei 5.754), e, assim, em seu entender, não representaria receita para fins de incidência do PIS. Caso houvesse receita, alega, esta seria do cooperado, não da cooperativa, ressaltando que as legislações especiais do PIS se orientaram no sentido de excluir o ato cooperativo da incidência tributária, porque a Lei Complementar 07/70, artigo 3°, parágrafo 4°, complementada pela Resolução BACEN 174/71 e a Lei 9.715/98, artigo 2°, parágrafo 1°, admitiram tributação dos atos cooperativos apenas pelo PIS/Folha, o que enfatizaria a ausência de receita. A irresignação da autuada está, de fato, endereçada ao tratamento dado as cooperativas de crédito pela legislação fiscal aplicada pela autoridade fiscal, vigente nos anos calendário em que ocorreram os fatos geradores objeto do lançamento. Em verdade, ao contrário do alegado pela recorrente, as normas legais eram expressas no sentido de considerar tais organizações como instituições financeiras, embora não típicas, e, nesta condição, sujeitos passivos do PIS e da COFINS, não sendo excluídas as receitas decorrentes do ato cooperativo até 31/12/2004. As cooperativas de crédito, ao integrarem o rol das pessoas jurídicas elencadas no artigo 22, parágrafo 1°, da Lei 8.212/91, a seguir reproduzido, foram designadas como sujeitos passivos, primeiro, do PISReceita bruta operacional, no artigo 72, do ADCT, da CF, e no artigo 1°, da Lei 9.701/98, e, posteriormente, do PISFaturamento, no artigo 3°, parágrafo 5°, da Lei 9.718/98, no artigo 1°, da MP 1.807/99, e nos artigos 3°, 26 e 32, do Decreto 4.524/2002, também transcritos abaixo. Lei 8.212/91 Art. 22. (...) § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois virgula cinco por cento Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 8 7 sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (grifos nossos) ADCT Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: (...) III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da aliquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1º do Art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1° de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 10, de 1996) C..) V a parcela do produto da arrecadação da contribuição de que trata a Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o inciso III deste artigo, a qual será calculada, nos exercícios financeiros de 1994 a 1995, bem assim nos períodos de rde janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997 e de 1° de julho de 1997 a 31 de dezembro de 1999, mediante a aplicação da alíquota de setenta e cinco centésimos por cento, sujeita a alteração por lei ordinária posterior, sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. (Redação dada pela Emenda Constitucional no 17, de 1997) Lei 9.701/98 Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei No 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: Lei 9.718/98 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à. receita bruta da pessoa jurídica. ... § 5° Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 9 8 MP 1.807/99 Art 1° A alíquota da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público —PIS/PASEP, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, fica re sessenta e cinco centésimos por cento em relação aos fatos gerado ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999. Decreto 4.524/2002 Art. 3° São contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre o faturamento as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9° (Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 1° , Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 60, Lei n° 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 10, Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2°, Lei n° 9.718, de 1998, art. 2°, e Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, art. 6°, inciso II). § 1° (...). Art. 26. Os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem deduzir da receita bruta o valor (Lei no 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 1°, inciso III, e Lei n° 9.718, de 1998, art. 3°, §§ 4 0 e 5° e inciso I do § 6° , com a redação da Medida Provisória n°2.15835, de 2001, art. 2° ): I das despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; II dos encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais ou de direito privado; III das despesas de câmbio, observado o disposto no § 2° do art. 10; IV das despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; V das despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; VI do deságio na colocação de títulos; VII das perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e VIII das perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 10 9 ... Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art.15, e Provisória no 66, de 2002, art. 36): (...); V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e (...) § 1° (...) § 3° Relativamente as exclusões previstas nos incisos I a V do caput, as operações serão contabilizadas destacadamente, sujeitas comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. § 4° A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Esse é o arcabouço legal da cobrança de PIS sobre as operações das cooperativas de crédito, donde se conclui que para o legislador não há qualquer distinção quer se trate de ato cooperativo ou não para que haja incidência daquela contribuição. O mesmo se dá em relação à COFINS. Tais normas vigoraram, no que tange ao ato cooperativo, até a entrada em vigência da Lei 11.051/2004 que, em seu artigo 30, autorizou a dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS, das receitas originárias do ato cooperativo. Com relação à afirmativa de que a Lei Complementar 07/70, artigo 3°, parágrafo 4°, teria admitido tributação dos atos cooperativos apenas quanto ao PIS/Folha, deve ser notado que tal interpretação introduz restrição à exigência do PIS, que a referida norma não faz. O citado parágrafo diz apenas que, com respeito ao Fundo de Participação do PIS, as "entidades de fins não lucrativos, que tenham empregados (..), contribuirão para o Fundo na forma da lei.", o que não implica dizer que as cooperativas estariam, ad eternum, necessariamente exoneradas da contribuição sobre o faturamento. De fato, normas posteriores terminaram por modificar o contexto legal criado pela LC 07/70, dentre elas a ECR 01/1994 e seguintes, que, ao alterarem o art. 72 do ADCT, suso transcrito, submeteu as cooperativas de crédito à exigência do PISfaturamento, sem fazer distinção entre ato cooperativo e não cooperativo. Frente ao exposto, máxima vênia, divirjo do eminente Conselheiro Demes Brito, que no Acórdão 9303005.786, de 20/09/2017, aplicou à sociedade cooperativa naqueles autos (PA 01/01/2002 a 31/12/2004) o entendimento expresso nos Recursos Especiais 1.164.716 e 1.141.667, julgados sob o rito dos recursos repetitivos. Com o devido respeito, entendo que eles não se aplicam tratandose de sociedade cooperativa de crédito, mormente no período objeto da exação. Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 11 10 Ressaltese que o STF no RE 599.362RJ, no rito de repercussão geral, manifestouse sobre a possibilidade de tributação dos atos cooperativos em relação às contribuições sociais, embora o caso em si verse sobre cooperativas de trabalho. Transcrevo a ementa desse julgado: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/ 2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 12 11 uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835/ 2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração Esse julgamento do STF ocorreu em 06/11/2014, e, de forma hialina, assentou que não é inconstitucional tributar ato cooperativo. Os repetitivos a que aludiu o i. Conselheiro Demes Brito, que fiz menção alhures, concluiu que os atos cooperativos típicos, mais especificamente aqueles submetidos ao julgamento, não poderiam ser tributados porque na hipótese seria caso de não incidência tributária por força de lei. Observo que no RE 1164716 MG, o caso tratavase da "Cooperativa dos Instrutores de Formação Profissional e Promoção Social Rural Ltda COOPIFOR", e no RE 1141667 a parte era "Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caé Ltda ECOCITRUS". O tipo dessas cooperativas em nada se assemelham a uma cooperativa de crédito, pois sabemos que estas últimas tem toda uma regulamentação diferenciada, inclusive em nível de Constituição Federal, bem como em nível infraconstitucional regramento e fiscalização como instituição financeira pelo Banco Central. Em pesquisa ao sítio do STJ, reparei existirem algumas decisões proferidas após esses repetitivos. Na pesquisa de jurisprudência de repetitivos no sítio do STJ tem um link com o seguinte título "Acórdãos posteriores ao Repetitivo". Nessa pesquisa depareime com o seguinte julgado: AgInt nos EDcl no RE nos EDcl no AgRg no REsp 686511 / RS, julgado em 29/06/2018: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TEMAS 516 E 536/STF. SOBRESTAMENTO. Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 13 12 1. A agravante entende que a hipótese dos autos não se amolda ao precedente afetado à sistemática de repercussão geral, por entender que o Tema 516/STF aborda apenas atos das cooperativas de trabalho, enquanto, na hipótese, trata de "cooperativa de crédito". 2. Contudo, conforme consignado quando do julgamento dos embargos de declaração, não se pode inferir do Tema 516/STF que sua aplicabilidade se restringe às cooperativas de trabalho, pois o acórdão que afetou o tema fala de "valores recebidos pelas cooperativas", sem nenhuma mitigação. 3. Aliás, quanto ao tema da incidência de contribuições sociais sobre as atividades das cooperativas, há, em verdade, dois precedentes afetados. 4. O Plenário do STF reconheceu a existência de repercussão geral no RE 672.215RG/CE, oportunidade em que será decidida a questão da "incidência de COFINS, PIS e CSLL sobre o produto de ato cooperado ou cooperativo" (Tema 536/STF), e no RE 597.315RG/RJ, ocasião em que será solucionada a "Sujeição passiva das cooperativas à contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS" (Tema 516/STF), controvérsias que se assemelham ao presente caso. 5. A incidência dos referidos temas às cooperativas de crédito é referendado por precedentes do STF: RE 965.113 EDAgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 6/10/2017, publicado em 31/10/2017; RE 594.695 AgRAgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma, julgado em 5/5/2015, publicado em 25/5/2015). 6. "Destacase que no referido tema 536, o Pleno da Corte voltará a analisar, em sede de repercussão geral, a matéria da tributação das cooperativas em geral, considerados os conceitos constitucionais de 'ato cooperativo', 'receita de atividade cooperativa' e 'cooperado'" (RE 1.082.173, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/10/2017, publicado em 6/11/2017.). 7. Inexiste, portanto a alegada restrição do entendimento a outras cooperativas que não sejam as de crédito. 8. A toda evidência, o único equívoco da decisão agravada é quando determina o sobrestamento apenas pelo Tema 516, quando o correto é o sobrestamento por ambos os temas (516 e 536). Agravo interno improvido. Assim, o que se constata é que quando a discussão que chega ao STJ é sobre a tributação de Cooperativas de Crédito, aquela Corte está sobrestando os processos para aguardar o que o STF vai decidir no julgamento dos temas 516 e 536. Ou seja, não estão aplicando o que decidiram nos repetitivos aos quais o Dr. Demes Brito se reporta quando a cooperativa seja de crédito. Portanto, não há qualquer Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 14 13 vinculação aos repetitivos nos Recursos Especiais 1.164.716 e 1.141.667 em se tratando de cooperativas de crédito. Dessarte, por força dos dispositivos legais transcritos, o lançamento em análise está validamente fundamentado nas normas fiscais vigentes para os fatos geradores sob comento, não se podendo reconhecer como legítima a pretensão da autuada de excluir da base de cálculo do PISFaturamento as receitas dos atos cooperativos. Em remate no ponto, deve ser negado provimento ao recurso especial de divergência do contribuinte. II2 RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA A Fazenda entende que a exclusão das "sobras" das cooperativas está condicionada ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários. Consigna que o inciso I do § 2º do art. 15 da MP 1.858/99 é expresso nesse sentido, como pontuado na fundamentação do acórdão divergente. De sua feita, o recorrido entendeu que as sobras devem ser excluídas da base imponível do PIS, porém descabendo a incidência do PIS/Folha de pagamento. Em relação à dedução das sobras das bases de cálculo do PISFaturamento e da COFINS das cooperativas, essa exclusão foi introduzida pelo artigo 15 da Medida Provisória 1.858/99, de 27/09/99, abaixo transcrito, que expressamente condicionou tal exclusão, bem como a de outros valores repassados aos cooperados, ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários. Vejase: MP 1.858/1999 (hoje inserta no art. 13 e 15 da MP 2.15835/2001) Art 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: ... Art 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue a. cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 15 14 § 1° Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente A atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2° Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput : I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; A IN SRF 145/99, de 10/12/99, consolidou as normas de recolhimento do PIS e COFINS para as cooperativas, estabelecendo em seu artigo 3°, inciso IX, a seguir transcrito, a dedução das sobras, porém condicionando essa exclusão ao recolhimento do PIS/Folha, nos termos de seu artigo 4°. Esta vinculação foi repetida pelas IN SRF 247/2002 e 358/2003. IN SRF 145/99, de 10/12/99 Exclusão da Base de Cálculo Art. 3º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições referidas no art. 1° poderão ser excluídos da receita bruta mensal os valores correspondentes a: ... IX "Sobras Liquidas" apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, após a destinação para constituição da Reserva de Assistência Técnica, Educacional e Social (RATES) e para o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES) previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, efetivamente distribuídas. § 1º ... Art. 4º Havendo a exclusão de qualquer dos valores a que se refere os incisos IV a IX do art. 3º, a contribuição para o PIS/PASEP incidirá também sobre folha de salários. IN SRF 247/2002 Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: ,,, V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, ate o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica Educacional e Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 16 15 Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. ... § 4° O disposto no inciso VI do caput aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de novembro de 1999, observado que as sobras liquidas, apuradas após a destinação para constituição dos Fundos a que se refere, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 5° A sociedade cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep sobre a folha de salários. ... § 11. A exclusão permitida às demais sociedades cooperativas limitase aos valores destinados i formação dos fundos previstos no inciso VI do caput. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 12. O disposto nos §§ 7º, 8° e 11 aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de novembro de 1999." (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Assim, o disposto no artigo 1º, parágrafo 2º, da Lei 10.676/2003, a seguir transcrito, deve ser interpretado no contexto legal da Medida Provisória 1.858/99 e pelos atos normativos infralegais acima reproduzidos, em que a exclusão de valores da base de cálculo do PIS e COFINS tem de ser acompanhada do recolhimento do PIS/Folha. Lei 10.676/2003 Art. 12 As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835. de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n°5.764, de 16 de dezembro de 1971. ... § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão e que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Assim, correto o entendimento da Fazenda que as sobras só podem ser deduzidas, se recolhido, também, o PIS/Folha de salário. Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 17 16 Na peça recursal, em anexo (fls. 1375/1427), constam comprovantes de arrecadação PIS/folhas relativamente a alguns períodos abarcados pela exação, sem que tenha sido atestado a exatidão dos mesmos. Assim, as sobras podem ser deduzidas da base imponível. Portanto, deve ser dado provimento ao recurso da Fazenda no sentido de que para que as chamadas sobras possam ser deduzidas da base imponível do PIS/faturamento deve ser recolhido o PIS/Folha, nos termos suso articulados. Quanto à questão da compensação como exceção de defesa, em que pese concorde com os argumentos fazendários, resta prejudicada, pois, como afirmado, é devido o PIS/Folha e PIS/faturamento para que as sobras possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Faturamento. Portanto, não há valor a ser compensado a título de PIS/Folha de pagamento. DISPOSITIVO Em face do exposto: 1 Conheço e dou provimento ao recurso da Fazenda, admitindo a exclusão dos valores das sobras da base de cálculo do PIS/faturamento, desde que, cumulativamente, tenha sido recolhido o PIS/Folha de pagamento. 2 Conheço e nego provimento ao recurso do contribuinte; É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama Não obstante ao elaborado voto proferido pelo ilustre conselheiro relator, que tanto admiro, quanto à matéria trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, peço vênia para divergir de seu entendimento, vez que fui designada para redigir o voto vencedor. Recordo que: · A Fazenda Nacional entende que a exclusão das "sobras" das cooperativas está condicionada ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários; · O colegiado a quo reconheceu a não incidência do PIS especificamente sobre as sobras de sociedade cooperativa em relação aos fatos geradores de dezembro de 2004, além de ter admitido a compensação dos pagamentos efetuados a título de PIS sobre a folha de pagamento com os débitos apurados. Após breves recordações, considerando a matéria já ser conhecida por essa turma, antecipo meu entendimento pela concordância ao voto do acórdão recorrido. Entendo que o art. 15 da MP 1.858/99 – não mais vigente, possui redação idêntica à do art. 15 da MP 2.158/35/01. E como bem colocado pelo relator do acórdão recorrido, não há menção em nenhum momento às sobras no rol das deduções permitidas em nenhum dos dois dispositivos. Ademais, a dedução das sobras foi esclarecida com a Lei 10.676/03, a qual não a condiciona ao recolhimento do PIS sobre a folha de salários. A referência ao art. 15 da MP 2.15835/01 no art. 1º da Lei 10.676/03 somente clarifica que o reconhecimento da dedução das sobras não traz qualquer prejuízo às demais deduções já previstas naquele dispositivo. Não se pode interpretar tal citação para se restringir o direito de o contribuinte deduzir as sobras que, por sua vez, decorrem da essência da cooperativa. Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 19 18 Eis o art. 1º da Lei 10.676/03 (Grifos meus): “Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999.” Tal dispositivo além de ser explicito em relação à dedução das sobras, trouxe claramente que tal procedimento alcança fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP 1.858/99. O que abarca o período discutido no caso vertente. Para melhor elucidar também esse entendimento, importante transcrever parte do voto do acórdão recorrido: “[...] Quanto a esse aspecto, a questão requer analisemos se, a partir da edição da Lei no. 9.718/98 e até a publicação da Lei no. 11.051/04, que literalmente excluiu das bases de cálculo desses tributos os atos cooperados, se cabível o lançamento. Primeiramente, importante observar que a sociedade deve ser tributada pela Lei no. 9.718/98, inclusive pela simples razão de que discutiu Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 20 19 diretamente, em nome próprio, a sua aplicação às suas atividades (importante frisar que não discutiu qualquer artigo em específico) às fls. 103 e ss. De acordo com a Lei, portanto, incidiram as contribuições. O que temos que verificar é se a Lei no. 10.676/2003 teve o condão de afastar essa incidência, estabelecer outra base de cálculo e conseqüentemente modificar esse lançamento, considerando que as autoridades fiscais lançaramlhe os tributos, de acordo com a diligência de fls.1156 e os demonstrativos de fls. 1156. Nesse sentido, diligentemente o auditor fiscal já apresentou três demonstrativos: um contendo a base utilizada para o lançamento (faturamento), outra com a dedução das sobras do art. 1o da Lei no. 10.676/2003 e outra a base de cálculo para as “demais cooperativas”, tal como o parágrafo 2o do art. 1o da mesma Lei. A Lei no. 10.676/03, conversão da MP no. 101/2002, com vigência a partir de 01/01/2002 trouxe consigo a seguinte exposição de motivos: “MF 00354 EM MP PIS/PASEP COFINS COOPERATIVAS Brasília, 30 de dezembro de 2002. Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Tenho a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência a proposta de edição de Medida Provisória que dispõe sobre a contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para Seguridade Social COFINS devidas pelas sociedades cooperativas. 2. A proposta aperfeiçoa a legislação do PIS/PASEP e da Cofins aplicável às sociedades cooperativas e constava da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, no seu art. 36, que foi modificada pelo Congresso Nacional, quando da conversão da Medida Provisória no Projeto de Lei de Conversão nº 31, de 2002. 3. Como os artigos do Projeto de Lei de Conversão foram vetados, a proposta ora apresentada visa a não interromper o tratamento tributário relativamente ao PIS/PASEP e à COFINS dispensado às sociedades Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 21 20 cooperativas, e desta forma justifica a relevância e a urgência dessa Medida Provisória. 4. Essas, Senhor Presidente, são as razões pelas quais submeto a Vossa Excelência a presente proposta de edição de Medida Provisória.” Não faz, portanto, qualquer distinção entre as espécies do gênero “cooperativas”. Mais, referese ao art. 36 da MP no. 66, que resultou justamente na Lei no. 10.637/2002. Dizia o art. 36, após conversão, o seguinte: Art. 33. São isentas da Cofins as sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, de acordo com o disposto no art. 6o, inciso I, da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991 Vetado pelas seguintes razões: “Os arts. 9º e 33 restabelecem normas de incidência, respectivamente, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis às sociedades cooperativas, vigentes até meados de 1999, as quais foram alteradas por darem ensejo a graves distorções concorrenciais, principalmente por alcançar todas as atividades tidas como cooperativas, inclusive consumo e crédito. Ressaltese que as alterações objetivaram construir um modelo de tributação onde apenas às cooperativas de produção passou a ser dado justo privilégio. Assim, tais dispositivos, que retroagiriam aos fatos geradores ocorridos a partir de junho de 1999 (art. 67), produziriam uma perda de arrecadação, em 2003, da ordem de R$ 1,2 bilhão, sendo que, destes, R$ 445 milhões se referem a arrecadação corrente, que se reproduziria nos anos subseqüentes. Seu texto, ao final, é o seguinte: “1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 22 21 §1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. §2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. §3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999.” Em minha opinião, então, o legislador efetivamente pretendeu, com a Lei no. 10.676/2003, manter parte da tributação das cooperativas de crédito, excluindo apenas as sobras das bases de cálculo das contribuições. Quanto ao requerido pelo contribuinte, no sentido de que o PIS/Folha pago não seria cabível, portanto, poderia ser compensado com tais débitos, considero adequado seu pedido. Isso porque as Cooperativas de Crédito estão na seara do art. 26 do Decreto no. 4.524/2003, logo, não estariam sujeitas ao PIS/Folha na forma do art. 9o. desse mesmo Decreto. Adicionalmente, o artigo 15 da MP no. 2.15835, de 2001, aplicável ao caso, trás consigo rol exaustivo das exclusões que, caso adotadas pelo contribuinte, ensejariam a incidência também do PIS/Folha. Finalmente, a IN 635/2006 foi posterior aos fatos geradores aqui tratados. Por isso, do provimento ao Recurso do contribuinte nesse tópico em especial. Nesse sentido, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do auto de infração as sobras apuradas na diligência, indevidamente computadas no auto de infração, e para que sejam compensados os pagamentos efetuados a título de PIS/Folha com os débitos apurados, mantendo no mais a decisão recorrida.” Frisemse ainda tal entendimento os acórdãos já consignados por essa turma: · Acórdão 9303006.773: “[...] Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 23 22 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013. · Acórdão 9303003.271: “[...] COOPERATIVAS DE CRÉDITO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE FEVEREIRO DE 1999 A MAIO DE 2003. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. ALÍQUOTA DE 0,65%. Nos termos da Lei nº 9.718/98 e da Medida Provisória nº 1.807, de 28/01/1999, atual MP nº 2.15835/2001, a partir de partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher o PIS sobre o faturamento ou receita bruta, à alíquota de 0,65%, com as deduções específicas estabelecidas no § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, introduzido pela referida MP. Também poderão ser deduzidas da base de cálculo, a partir de novembro de 1999 e em conformidade com a Lei nº 10.676/2003, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, limitadas ao valor destinado para a constituição do Fundo Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 24 23 de Reserva (FATES) e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (RATES), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764/71. Recurso Especial Negado.” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1908DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902319/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA.
É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo.
AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPREA INSCRITA NO SIMPLES.
A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI mesmo que destacado na Nota Fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA. É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPREA INSCRITA NO SIMPLES. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI mesmo que destacado na Nota Fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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PROCEDÊNCIA. É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPREA INSCRITA NO SIMPLES. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI mesmo que destacado na Nota Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 23 19 /2 01 0- 82 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13851.902319/201082 Acórdão n.º 3401005.417 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado, referente ao 3º Trimestre de 2008, com concomitante Declaração de Homologação de Tributos Federais através de PER/DCOMP nº 17516.22984.311008.1.1.016483. A DRF de Araraquara proferiu Despacho Decisório Eletrônico de fls. 144, com a seguinte fundamentação: Analisadas as Informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificado, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 110.721,17 Valor do crédito reconhecido: R$ 110.688,89 0 valor do crédito reconhecido foi Inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados Indevidos. Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é Inferior ao valor pleiteado. O crédito reconhecido foi utilizado em compensações, razão pela qual não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 17516.22984.311008.1.1.016483. Discordando do Despacho emitido pela unidade de origem a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, dizendo que o crédito considerado indevido é de empresa emitente de nota fiscal optante do SIMPLESP, "oriundo da Compra de Atacadista não Equiparado a Industrial (Art. 165 do RIPI/2002). Nesta situação, o industrial adquire de um não contribuinte do IPI que não o destaca, no documento "fiscal; contudo, a legislação permite o crédito de 50% do imposto que seria devido. Solicita a Homologação Integral da compensação declarada. A 2ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito ao crédito da parcela que foi glosada, com fundamentos sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau (efls.167), repisando as razões de sua Inconformidade e que deve ser respeitado o princípio constitucional da não cumulatividade. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13851.902319/201082 Acórdão n.º 3401005.417 S3C4T1 Fl. 4 3 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Está em discussão nesses autos a glosa de crédito de IPI correspondente ao valor de R$ 32,28 referente aquisição de produto fornecido por empresa inscrita no SIMPLES, através de uma única Nota Fiscal conforme relação de fls. 146. A Recorrente não conseguiu em suas intervenções no processo, comprovar que sua fornecedora e emitente da Nota Fiscal em questão, não estava enquadrada no SIMPLES na época da operação realizada. Permaneceu apenas no campo das alegações, aduzindo questões de direito que nada contribui para superar a decisão do fisco. É vedado a empresa do SIMPLES transferir crédito de IPI, através de operação de venda com destaque do imposto, nos termos da Lei nº 9.317/96, art. 5º, §5º, “verbis”: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Por dedução lógica, se a empresa inscrita no SIMPLES não pode transferir crédito relativo ao IPI, a empresa adquirente está impedida de registrar crédito de IPI resultante de aquisições de tais empresas. Correta a decisão recorrida que ratificou integralmente os termos do despacho decisório, não merecendo nenhum reparo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13851.902319/201082 Acórdão n.º 3401005.417 S3C4T1 Fl. 5 4 Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.904427/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 27 /2 00 9- 43 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
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