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Numero do processo: 10166.721619/2009-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2006
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. SÚMULA CARF Nº 89.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Numero da decisão: 9202-007.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. SÚMULA CARF Nº 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 16 19 /2 00 9- 69 Fl. 614DF CARF MF 2 Cuidase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte, acima identificado, em face do Acórdão nº 2301002.102, proferido na Sessão de 7 de junho de 2011, que negou provimento a Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzales Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006 Ementa: SALÁRIO INDIRETO – AUXÍLIO TRANSPORTE INCIDÊNCIA As verbas intituladas valetransporte, pagas em pecúnia e em desacordo com a legislação própria, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: incidência da contribuição previdência sobre auxíliotransporte pago em pecúnia. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara, da Segunda Seção do CARF deus seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 568 a 570. Em suas razões recursais, a contribuinte sustenta, em síntese, a não incidência da contribuição previdenciária paga em pecúnia, com base nos fundamentos esposados pelos acórdãos apontados como paradigmas. Cientificada do Recurso Especial do Contribuinte em 02/07/2015 (efls. 582), a Fazenda Nacional apresentou, em 03/07/2015, as Contrarrazões de efls. de efls. 583 a 585 nas quais sustenta, em síntese, a incidência da Contribuição Previdenciária sobre as verbas em apreço, com base nos fundamentos esposados no Acórdão Recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, a matéria devolvida ao Colegiado diz respeito à possibilidade de incidência da contribuição social previdenciária sobre valor correspondente a valetransporte pago pelo empregador aos empregados em pecúnia. Entendeu o acórdão recorrido que esse fato – o pagamento em pecúnia e não mediante a entreva de valetransporte Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10166.721619/200969 Acórdão n.º 9202007.914 CSRFT2 Fl. 3 3 – não afasta a natureza indenizatória da verba e, por conseguinte, a nãoincidência da contribuição. Essa questão já foi pacificada no âmbito do CARF que editou a Súmula nº 89. Confirase: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. E exatamente disso que se cuida neste processo. Aqui o empregador entregou aos empregados, a título de antecipação, valores em dinheiro correspondente ao auxílio transporte. Entendeu a Fiscalização que tal procedimento estava em desacordo com a legislação que disciplina o instituto e, não tendo sido o benefício concedido nos termos da legislação de regência, não estariam satisfeitas as condições referidas na Lei nº 8.212, de 1991 para a exclusão da verba do saláriodecontribuição. Como visto, todavia, a questão já foi pacificada, devendo ser aplicado o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 89, acima reproduzida. Ante o exposto, conheço do recurso interposto pela contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.727509/2015-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA.
É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMA TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.
Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária.
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF.
Numero da decisão: 3401-006.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMA TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMA TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 75 09 /2 01 5- 85 Fl. 175DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/RPO, que manteve o lançamento de multa isolada em decorrência do julgamento do PAF 10120.729209/201298 que manteve despacho decisório que não homologou créditos relativos à COFINS, na modalidade não cumulativa, referentes ao 1º trimestre de 2011. Das Compensações A contribuinte apresentou, em 2012, diversos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação referentes a PIS/COFINS pagos a maior e de crédito acumulado dessas contribuições decorrentes de exportação, durante o período compreendido entre abril de 2010 a junho de 2012. Em decorrência disso, foi iniciada fiscalização com a finalidade de verificar a apuração dos valores solicitados, através do MPF nº 0120100201300983. Como resultado dessa fiscalização, diversos pedidos de ressarcimento foram indeferidos bem como compensações não foram homologadas, decorrente da glosa de créditos admitidos pelo contribuinte na apuração da contribuição ao PIS e da COFINS nãocumulativos, a saber: PER/DCOMP CRÉDITO PLEITEADO ORIGEM PERÍODO CRÉDITO HOMOLOGADO 10120.729209/201298 R$ 2.213.559,33 Cofins/ME 1º Trimestre/2011 R$ 10120.729214/201209 R$ 148.081,15 Cofins/MI 1º Trimestre/2011 R$ 10120.729336/201297 R$ 477.662,80 PIS/ME 1º Trimestre/2011 R$ 10120.729341/201208 R$ 31.954,35 PIS/MI 1º Trimestre/2011 R$ 10120.729211/201267 R$ 840.186,31 Cofins/ME 2º Trimestre/2011 R$ 10120.729215/201245 R$ 222.427,51 Cofins/MI 2º Trimestre/2011 R$ 10120.729337/201231 R$ 181.303,36 PIS/ME 2º Trimestre/2011 R$ 10120.729342/201244 R$ 47.997,51 PIS/MI 2º Trimestre/2011 R$ 10120.729212/201210 R$ 457.887,05 Cofins/ME 3º Trimestre/2011 R$ 10120.729216/201290 R$ 172.008,37 Cofins/MI 3º Trimestre/2011 R$ 10120.729339/201221 R$ 98.807,20 PIS/ME 3º Trimestre/2011 R$ 10120.729343/201299 R$ 37.117,60 PIS/MI 3º Trimestre/2011 R$ 10120.729213/201256 R$ 108.261,64 Cofins/ME 4º Trimestre/2011 R$ Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10120.727509/201585 Acórdão n.º 3401006.094 S3C4T1 Fl. 176 3 10120.729218/201289 R$ 27.642,01 Cofins/MI 4º Trimestre/2011 R$ 10120.729340/201255 R$ 23.361,72 PIS/ME 4º Trimestre/2011 R$ 10120.729344/201233 R$ 5.964,86 PIS/MI 4º Trimestre/2011 R$ 10120.792221/201201 R$ 4.644.267,83 Cofins/ME 1º Trimestre/2012 R$ 2.642.913,75 10120.729219/201223 R$ 705.009,96 Cofins/MI 1º Trimestre/2012 R$ 395.347,81 10120.729345/201288 R$ 1.002.184,11 PIS/ME 1º Trimestre/2012 R$ 573.790,48 10120.729349/201266 R$ 152.133,73 PIS/MI 1º Trimestre/2012 R$ 85.832,09 10120.729222/201247 R$ 1.292.547,64 Cofins/ME 2º Trimestre/2012 R$ 701.239,08 10120.729220/201258 R$ 202.565,93 Cofins/MI 2º Trimestre/2012 R$ 98.300,79 10120.729348/201211 R$ 278.918,17 PIS/ME 2º Trimestre/2012 R$ 146.350,46 10120.729350/201291 R$ 43.711,60 PIS/MI 2º Trimestre/2012 R$ 18.640,17 Em razão na não homologação da compensação objeto de contencioso sob PAF nº 10120.729209/201298, houve lançamento de crédito tributário lavrado através de Auto de Infração contra a contribuinte em epígrafe, no montante de R$ 940.762,72, relativo à multa isolada de que trata o art. 74, §17, da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pela Lei n° 12.249, de 2010. Da Impugnação Irresignado, o contribuinte apresentou Impugnação, que, em síntese, alega nulidade do lançamento em vista de que a multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 "não se conforma com o direito de petição inserto no art. 5ª, inciso XXXIV, alínea "a", da CF/1988" e requer que o referido dispositivo (§17 do art. 74) seja interpretado segundo a Constituição. Da Decisão de Primeiro Grau Sobreveio o acórdão da DRJ/RPO que manteve o lançamento tributário, sob os fundamentos sumarizados na sua ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMA TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. Fl. 177DF CARF MF 4 Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF. Do Recurso Voluntário Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as teses da impugnação. Da Resolução Os autos foram distribuídos a outra turma dessa Seção e, em razão da conexão suscitada pela Recorrente, foi emitida Resolução para que o presente processo fosse redistribuído a mim, em razão de já sido o relator do PAF 10120.725254/201516. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que lhe tomo conhecimento. Da Preliminar de Nulidade O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve o lançamento, alegando nulidade. Contudo, não merece prosperar as alegações da Recorrente. O art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), prevê as hipóteses de nulidade do lançamento: Art.59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10120.727509/201585 Acórdão n.º 3401006.094 S3C4T1 Fl. 177 5 II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, o pleito de nulidade suscitado pela Recorrente se baseia em hipótese distinta: não está a se falar de incompetência ou ainda em cerceamento de defesa, mas em argumento que objetiva afastar a aplicação de norma vigente sob razão de suposta inconstitucionalidade, o que tampouco é possível de ser acolhido por esse Colegiado em virtude da obediência à Súmula CARF nº 2. Assim, nego provimento à alegação de nulidade. Assim, inexistindo mais alegações de fato e de direito quanto ao lançamento efetuado, é cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. Por outro lado, é de se reconhecer de ofício, diante da conexão com o PAF 10120.729209/201298, que o valor lançado no presente deve ser revisto proporcionalmente à reforma decorrente do reconhecimento parcial dos créditos glosados naquele processo. Em vista do exposto, conheço do Recurso Voluntário, porém negolhe provimento, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900571/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900562/2014-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schluckin.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900562/2014-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schluckin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 71 /2 01 4- 45 Fl. 71DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.249 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900571/2014-45 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900562/2014-54, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 72DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.249 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900571/2014-45 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900562/2014-54, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.246 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 73DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.249 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900571/2014-45 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 74DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.249 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900571/2014-45 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 75DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.249 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900571/2014-45 Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720705/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DA COFINS INCIDENTES SOBRE COMBUSTÍVEIS E BEBIDAS (RECOB).
Nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo Recob deve se dar por intermédio de aplicativo disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, não sendo válida a simples apuração em planilhas e registros internos da empresa. No caso específico do ano-calendário de 2011, o prazo para opção foi até novembro de 2010.
ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
As empresas que se realizam atividade de natureza apenas comercial (não prestam serviços ou não produzem ou fabricam bens ou produtos destinados à venda) não fazem jus ao crédito previsto no art. 3º, II, da Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003.
MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO DE CONDUTA.
Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica.
A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, sujeita o infrator à multa de ofício qualificada.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DA COFINS INCIDENTES SOBRE COMBUSTÍVEIS E BEBIDAS (RECOB).
Nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo Recob deve se dar por intermédio de aplicativo disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, não sendo válida a simples apuração em planilhas e registros internos da empresa. No caso específico do ano-calendário de 2011, o prazo para opção foi até novembro de 2010.
ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
As empresas que se realizam atividade de natureza apenas comercial (não prestam serviços ou não produzem ou fabricam bens ou produtos destinados à venda) não fazem jus ao crédito previsto no art. 3º, II, da Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003.
MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO DE CONDUTA.
Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica.
A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, sujeita o infrator à multa de ofício qualificada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO.
As intimações, quando feitas por via postal, devem ser enviadas, por expressa previsão legal, para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA.
Não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico.
Numero da decisão: 3201-005.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Marco Antônio de Medeiros Alonso e em negar provimento ao Recurso de Ofício e aos Recursos Voluntários, exceto o apresentado pelo responsável solidário André Luciano Zanovello, ao qual foi negado provimento pelo voto de qualidade, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento. Manifestou intenção apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DA COFINS INCIDENTES SOBRE COMBUSTÍVEIS E BEBIDAS (RECOB). Nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo Recob deve se dar por intermédio de aplicativo disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, não sendo válida a simples apuração em planilhas e registros internos da empresa. No caso específico do ano-calendário de 2011, o prazo para opção foi até novembro de 2010. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As empresas que se realizam atividade de natureza apenas comercial (não prestam serviços ou não produzem ou fabricam bens ou produtos destinados à venda) não fazem jus ao crédito previsto no art. 3º, II, da Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO DE CONDUTA. Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, sujeita o infrator à multa de ofício qualificada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011 OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DA COFINS INCIDENTES SOBRE COMBUSTÍVEIS E BEBIDAS (RECOB). Nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo Recob deve se dar por intermédio de aplicativo disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, não sendo válida a simples apuração em planilhas e registros internos da empresa. No caso específico do ano-calendário de 2011, o prazo para opção foi até novembro de 2010. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As empresas que se realizam atividade de natureza apenas comercial (não prestam serviços ou não produzem ou fabricam bens ou produtos destinados à venda) não fazem jus ao crédito previsto no art. 3º, II, da Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO DE CONDUTA. Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, sujeita o infrator à multa de ofício qualificada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. As intimações, quando feitas por via postal, devem ser enviadas, por expressa previsão legal, para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico.
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Nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo Recob deve se dar por intermédio de aplicativo disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, não sendo válida a simples apuração em planilhas e registros internos da empresa. No caso específico do anocalendário de 2011, o prazo para opção foi até novembro de 2010. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As empresas que se realizam atividade de natureza apenas comercial (não prestam serviços ou não produzem ou fabricam bens ou produtos destinados à venda) não fazem jus ao crédito previsto no art. 3º, II, da Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO DE CONDUTA. Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, sujeita o infrator à multa de ofício qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 07 05 /2 01 5- 15 Fl. 3941DF CARF MF 2 OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DA COFINS INCIDENTES SOBRE COMBUSTÍVEIS E BEBIDAS (RECOB). Nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo Recob deve se dar por intermédio de aplicativo disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, não sendo válida a simples apuração em planilhas e registros internos da empresa. No caso específico do anocalendário de 2011, o prazo para opção foi até novembro de 2010. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As empresas que se realizam atividade de natureza apenas comercial (não prestam serviços ou não produzem ou fabricam bens ou produtos destinados à venda) não fazem jus ao crédito previsto no art. 3º, II, da Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO DE CONDUTA. Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, sujeita o infrator à multa de ofício qualificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. As intimações, quando feitas por via postal, devem ser enviadas, por expressa previsão legal, para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Marco Antônio de Medeiros Alonso e em negar provimento ao Recurso de Ofício e aos Recursos Voluntários, exceto o apresentado pelo responsável solidário André Luciano Zanovello, ao qual foi negado provimento pelo voto de qualidade, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento. Manifestou intenção apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Fl. 3942DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.942 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente das Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incluídos juros de mora e multa qualificada. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: O litígio decorre de impugnação apresentada pelo sujeito passivo de que trata o presente processo contra a lavratura dos autos de infração para cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fls. 703/727, no valor total de R$ 38.764.393,87, e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, fls. 728/753, no valor total de R$ 178.309.666,96. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 709/710 (PIS) e 734/735 (Cofins), e o Termo de Verificação Fiscal, fls. 754/773, foram apuradas as infrações descritas a seguir. 01 – Incidência NãoCumulativa Padrão – Insuficiência de Recolhimento da Contribuição Álcool A fiscalizada, no anocalendário de 2011, apresentou à Receita Federal do Brasil DCTF e DACON "zeradas" (sem movimento), não tendo efetuado o pagamento de qualquer valor referente as contribuições devidas ao Pis e Cofins no regime não cumulativo. Como a atividade do contribuinte contempla a distribuição de combustíveis derivados de petróleo e álcool carburante, foi levado em conta os regimes tributários próprios aplicáveis a esses produtos. No tocante aos combustíveis derivados de petróleo, em face do regime de incidência monofásica das contribuições, as saídas do distribuidor se dão com alíquota "zero". Portanto Fl. 3943DF CARF MF 4 não há exigência de contribuições sobre o faturamento decorrente desses produtos revendidos. O mesmo não ocorre com o álcool para fins carburante. O regime tributário aplicável a esse produto, desde 2008, é o constante da Lei n° 9.718, de 1998, na redação dada pelo artigo 7o da Lei n° 11.727 de 23.06.2008. O disciplinamento é tratado no Decreto n° 6.573/2008 e na Instrução Normativa RFB 876/2008, com redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 894/2008. Com base nesses dispositivos, concluise que a opção pelo regime especial de tributação para o PIS e Cofins RECOB somente pode ser utilizado a partir do momento em que passar a produzir os efeitos da sua opção. No presente caso, a fiscalizada efetuou a sua opção com vigência a partir de 01/01/2013: Porém, ao analisar as Planilha de Apuração e a Escrituração Contábil apresentadas pelo contribuinte, constatouse que a empresa, ao proceder a apuração das contribuições devidas ao PIS e Cofins, efetuou indevidamente com base nos valores de vendas em quantidade por m³ como optante pelo regime especial RECOB para o período de 01/2011 a 12/2011, em desacordo com o inicio de sua vigência que seria a partir de 01/01/2013. A fiscalizada não exerceu, em tempo hábil, a opção pelo Regime Especial para o anocalendário de 2011, e, portanto, não poderá receber o tratamento disciplinado aos optantes pelo RECOB. Desta forma, em prosseguimento a fiscalização foi efetuada a recomposição das contribuições devidas ao PIS e Cofins, escrituradas na Planilha de Apuração, sendo apuradas com base nas alíquotas aplicáveis ao seu faturamento decorrente das vendas de álcool que são aquelas fixadas no inciso II do art. 5o da Lei n° 9.718, de 1998, na redação dada pelo artigo 7o da Lei n° 11.727 de 23/06/2008. Fl. 3944DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.943 5 02 Da Multa Aplicada Foi aplicada a multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre tributos exigidos de ofício, em razão da fiscalizada ter praticado os atos previstos no art. 44, §1°, da Lei 9.430/1996. No caso, estarse diante de conduta omissiva reiterada do contribuinte, que jamais pode ser atribuída a esquecimento, erro ou falha formal. Pelos próprios registros contábeis da fiscalizada, verificase a apuração de valores a Recolher de PIS e Cofins, mas que não foram informados na DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Com efeito, no anocalendário de 2011 o contribuinte apresentou movimentação financeira expressiva que totalizaram o montante de R$ 413.810.077,01 e em contrapartida apresentou todas as DCTF perante a Administração Tributária Federal totalmente “zeradas”, quando sabia ter valores a declarar, numa clara tentativa de ludibriar o fisco federal, mantendoo em erro. O dolo, elemento volitivo do tipo, está materializado na própria conduta reiterada da fiscalizada, consistente em ludibriar a Administração Tributária, mediante o expediente doloso de informar que nada devia a título de tributos e contribuições federais (não se trata de omissão de Declarações, mas de ação movida pela vontade de apresentar débitos "zero") justificando a qualificação da penalidade e sua exasperação para 150% (cento e cinquenta) por cento, a incidir sobre os tributos e contribuições agora exigidos de ofício. 03 Responsabilidade Tributária Pelo fato de os integrantes da administração da empresa Fabrício Zanovelo Rebelato admitido na sociedade em 29/03/2010 na qualidade de Sócio Administrador; e os representantes da sócia ARCFRAN (detentora de 99,00% do capital da fiscalizada) na qualidade de SócioAdministrador André Luciano Zanovelo admitido em 20/07/2011 e Marco Antonio de Medeiros Alonso atuando formalmente no período de 11/02/2008 a 24/05/2010, terem exercidos a administração ou gerência da sociedade com a prática de atos com infração à lei, pondo em execução a fraude e a sonegação fiscal, com o resultado de supressão ou redução dos tributos, foram arrolados como devedores solidários, nos termos dos artigos 135, inciso III, e 124, I, do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 3945DF CARF MF 6 05 Da Representação Fiscal para Fins Penais Em cumprimento ao artigo 1o do Decreto n° 2.730/98, foi formalizada representação fiscal para os fins do art. 83 da Lei n° 9.430/96, visto que durante o trabalho foram constatados fatos que configuram, em tese, o delito tipificado nos artigos 1o e 2o da Lei n° 8.137, de 27 de Dezembro de 1990, a qual redefine a sonegação como crime contra a ordem tributária. 06 Do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos Tendo em vista que a soma de créditos tributários de responsabilidade do sujeito passivo é superior a 30% de seu patrimônio conhecido, procedeuse o arrolamento de bens determinado pelo artigo 64 da Lei n° 9.532/1997 e Decreto 7573/2011. A pessoa jurídica autuada tomou ciência do lançamento em 08/12/2015, fls. 775. Os devedores solidários arrolados aos autos tomaram ciência nas seguintes datas: Inconformada com a exigência, a pessoa jurídica autuada apresentou impugnação em 30/12/2015, fls. 872/889, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. 1) Não consideração de vendas canceladas. O primeiro ponto é que se a fiscalização apurou as receitas a partir das notas fiscais de saída, deveria evidenciar que Fl. 3946DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.944 7 considerou vendas canceladas e devoluções de mercadorias, situações que são redutoras do faturamento; se assim não fez, a base de cálculo está indevidamente inchada pela inserção de situações que não caracterizam saída de mercadoria. 2) Inconsistência no levantamento fiscal. Conferindose os dados das planilhas "Notas Fiscais de Saída" e comparando com os dados da planilha "Apuração Pis Cofins Gigante 2011", percebese algumas inconsistências que não foram esclarecidas no Termo de Verificação Fiscal. Por exemplo, na planilha "Apuração" o campo "Venda de Álcool em Reais" diz que a receita com a venda do combustível (durante todo o exercício) foi de R$ 414.028.870,63 ao passo que na planilha "Notas Fiscais de Saída", se aplicada uma soma na coluna "Valor da Nota" o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69. 3) Sobre a multa no percentual de 150%. Se houve apuração das contribuições, ainda que não se tenha informado esse fato na DCTF e no DACON, não se pode afirmar que houve dolo por parte do contribuinte, porque a conduta de informar a movimentação/apuração é de todo incompatível com a vontade livre e consciente de ludibriar a Administração Fiscal. Pelos registros contábeis da empresa (vale dizer, pelo SPED que é transmitido em tempo real à Receita Federal) a Fiscalização constatou que houve apuração das contribuições. Mais do que isso, se foi possível à Fiscalização chegar ao volume (em litros) e ao valor das operações de venda (utilizando as informações do SPED), é fato que toda a movimentação da contribuinte estava devidamente anotada no "registro de saídas". O caso não se relaciona à fraude porque não há notícia da prática de nenhum ato para impedir ou retardar ocorrência de fato gerador. Muito pelo contrário, o fato gerador das contribuições (vale dizer "faturamento") ocorreu, é conhecido e foi informado no SPED. Sobraria a figura da "sonegação" que também não se caracteriza haja vista que houve informação sobre o movimento de saída (vendas) escriturado no registro de saídas que compõe o SPED. Assim, ainda que se quisesse afirmar que a "sonegação" se caracterizaria pela transmissão de declarações (DCTF e DACON) zeradas à Receita Federal, o órgão fazendário tinha todas as informações das vendas de combustível realizadas no período. Parece bastante claro que a conduta de informar a movimentação fiscal no SPED não se coaduna com a intenção de sonegar tributo, de tal maneira que não se tem caracterizado o dolo. 4) Da Opção pelo RECOB. Fl. 3947DF CARF MF 8 A apuração da contribuição ao PIS e da COFINS devidamente transmitidas à Receita Federal seguiram estritamente os parâmetros do RECOB. Se assim o foi, fica claro qual a opção do contribuinte, ainda que isso não tenha sido formalmente manifestado. Se a empresa havia feito opção em sua contabilidade pelo regime especial, o que consta inclusive do SPED, conforme registrado no termo de verificação fiscal, esse deveria ser o critério utilizado para apuração tanto do débito lançado, quanto dos créditos não cumulativos. Não obstante a opção da autuada pelo regime especial, o que, reiterese, foi inclusive ressaltado pela autoridade fiscal, apurouse o débito de PIS e COFINS, no presente auto de infração, pelo regime normal previsto no art. 5º, II, da Lei nº 9.718/98. Isso porque a empresa não teria feito opção hábil pelo referido regime especial e, portanto, não poderia receber o tratamento dado aos optantes. No entender da contribuinte, o uso da opção pelo "regime normal" é indevido já que suas demonstrações evidenciavam a apuração pelo RECOB e, se quiser se falar em inexistência de opção formal pelo regime, estarseá claramente privilegiando a forma em relação ao direito. A autoridade fiscal manipulou a aplicação de dispositivos da legislação pertinente de forma a impor ao contribuinte a maior carga tributária possível. 5) Utilização de dois regimes pela autoridade fiscal. O relatório fiscal informa que foi feita a dedução dos valores dos créditos declarados na DCTF antes do início da ação fiscal, de forma a encontrar o saldo a pagar o objeto do lançamento de ofício. Ou seja, para apuração do débito foi aplicado o regime normal e, para o levantamento dos créditos usouse a informação do próprio contribuinte (que, segundo anotado no relatório, calculava tudo de acordo com o RECOB). São dois regimes aplicados simultaneamente, de forma a maximizar o resultado do lançamento, o que é claramente inconcebível. É inconcebível que dois regimes de apuração diferentes e excludentes sejam utilizados de acordo com a conveniência da autoridade autuante. Não há respaldo legal para a forma de apuração adotada pela fiscalização no presente auto de infração: a empresa havia feito opção em sua contabilidade pelo regime especial, o que consta inclusive do SPED, conforme registrado no termo de verificação fiscal. Esse deveria ser o critério utilizado para apuração tanto do débito lançado, quanto dos créditos não cumulativos. Em nenhuma hipótese poderia ter a autoridade fiscal adotado simultaneamente os regimes normal (por alíquota) e especial (por metro cúbico), tampouco no caso, já que evidente o intuito de agravar o montante de débito lançado. Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.945 9 6) Créditos de PIS e Cofins e o conceito de "insumo" segundo a recente jurisprudência do CARF. Ainda no que diz respeito aos créditos, não foram considerados insumos que geram o direito aos créditos de ditas contribuições na modalidade nãocumulativa. Todos os custos decorrentes de gastos da empresa que sejam necessários para sua operação geram créditos para a apuração do PIS e da COFINS não cumulativos. A apuração realizada pela Auditoria evidencia que os elementos que dão direito a crédito são os que foram estritamente listados pelo legislador. Esse entendimento é absolutamente diverso daquele que vem sendo adotado pelo CARF. Produtos e serviços inerentes à produção, mesmo que não sejam consumidos durante o processo produtivo, geram créditos que podem reduzir o valor final a ser recolhido a título de PIS e COFINS. A autuada tem consideráveis gastos com viagens, água, telefone, despesas postais, impressos e materiais de escritório, internet, cursos e treinamento de funcionários, cartório, pedágio, material de limpeza, uniformes/vestuário, seguros, honorários contábeis, informática e despesas com conservação e limpeza. Todos os referidos gastos estão diretamente vinculados à atividade principal da empresa, sendo considerados insumos na produção. Os créditos em questão precisam e devem ser aproveitados na apuração do débito de PIS e COFINS, sob pena de violação à não cumulatividade próprio do sistema. Não se trata, pois, de nãocumulatividade, em seu sentido constitucional e econômico, mas de um sistema de abatimento de créditos eleitos pelo legislador, o qual definiu de forma taxativa os custos e as despesas que podem ser objeto do cálculo desse crédito e, por exclusão, definiu também aquelas que não compõem tal base de cálculo. Nesse sentido, a defesa faz uma análise da legislação que dispõe sobre o assunto (Lei nº 10.637/02, Lei n. 10.833/03, Instrução Normativa IN nº 247/2002 e IN nº 404/2004). Conclui, afirmando que, o entendimento aplicado pelo CARF diverge muito daquele adotado pela autoridade fiscal. O CARF vem desconsiderando o conceito restritivo com que a Receita Federal vem analisando os créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, autorizando a apuração de créditos utilizando como base o conceito de despesa dedutível para a apuração do IRPJ, o que alarga sobremaneira o volume de créditos de ditas contribuições. Assim, necessário no caso a alteração da forma de apuração dos créditos de PIS e COFINS, possibilitandose o aproveitamento dos créditos acima relacionados vinculados aos produtos e Fl. 3949DF CARF MF 10 serviços inerentes à atividade da empresa, mesmo os que não são consumidos durante o processo produtivo, reduzindo com isso o valor final a ser recolhido a título de PIS e COFINS. 7) Do Pedido. Diante do exposto, requerse seja PROVIDO o presente recurso, para o fim de ser cancelado in totum o auto de infração combatido, reconhecendose a nulidade do lançamento em função do reconhecimento da irregularidade no uso cumulado dos regimes normal e especial de apuração do PIS e da COFINS, já que o cálculo dos débitos se fez segundo o regime normal e o calculo dos créditos foi mantido da mesma forma como apurado pelo contribuinte (que se valeu dos parâmetros do RECOB). Subsidiariamente, REQUERSE: (a) que seja retificado o cálculo do débito lançado, apurandose o valor devido pela sistemática do regime especial (cálculo por metro cúbico de álcool vendido); (b) o aproveitamento dos créditos relacionados aos produtos e serviços inerentes à atividade da empresa, mesmo que não sejam consumidos durante o processo produtivo, reduzindo com isso o valor final a ser recolhido a título de PIS e COFINS, gastos a serem comprovados pela apresentação de documentos e perícia contábil; (c) que se determine à Autoridade Fiscal responsável pela autuação a apresentação de esclarecimentos em relação aos cálculos realizados e, determinese nova apuração da base de cálculo de forma se corrigir as discrepâncias entre os dados apurados nas planilhas "Notas Fiscais de Saída" e "Apuração Pis Cofins Gigante 2011", excluindose, também, as notas fiscais de saída que se refiram a vendas canceladas e de mercadorias que porventura tenham sido objeto de devolução de venda. (d) ainda subsidiariamente, e dado o fato de que a empresa mantinha e transmitia à Receita Federal escrituração (SPED) com todas as informações pertinentes aos fatos imponíveis, de tal maneira que foi possível à fiscalização obter dos correspondentes registros todos os elementos necessários à formação do crédito, concluir pela não caracterização do dolo de maneira a reduzir a multa qualificada de 150%. Os devedores solidários apresentaram impugnação nos seguintes termos. I) Impugnação apresentada por Petrogold Intermediação e Agenciamento de Negócios em Álcool Combustíveis Ltda. (fls. 892/904, em 06/01/2016). Incompetência do Agente Fiscal para Identificação do Responsável Solidário: É entendimento do órgão máximo da instância administrativa que a imputação de responsabilidade tributária é ato servil a Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.946 11 garantir o recebimento do crédito tributário e, portanto, privativo da Procuradoria da Fazenda Nacional. Com efeito, no caso presente não se tem sequer crédito tributário válido, eis que pendente de apreciação na esfera administrativa, de sorte que não há que se falar em responsabilidade solidária nessa esfera. Do Direito Requisitos da Sujeição Passiva Solidária Art. 124, I do CTN: O agente fiscal não logrou demonstrar qual o vinculo de interesse entre a autuada e a recorrente, limitandose a alegar simplesmente que entre as empresa haveriam sócios comuns e "única direção econômica". O simples fato de uma empresa ter seu quadro societário sócios ou pior, parentes de sócios outras empresas não é juridicamente relevante para os fins solidariedade do art. 124, I do CTN. É absolutamente necessário que haja interesse comum no fato gerador tributário, de sorte a possibilitar um eventual concerto no sentido de fraudar a arrecadação. No caso em tela não houve nenhuma operação entre a empresa autuada e a recorrente. Desse modo, impossível sequer imaginar qual seria o "interesse comum". Se a empresa autuada vendeu mercadoria a terceiros, que não constam do presente processo e nem foram arrolados como responsáveis solidários, qual o interesse comum entre aquela e a recorrente? Em verdade, o instituto da sujeição passiva solidária no caso presente foi utilizado de forma equivocada, devendo ser o Termo de Sujeição Passiva Solidária cancelado em relação à recorrente. Como se verifica, os autos demonstram claramente que foi somente a empresa autuada que efetuou vendas, e nenhuma delas foi para ou teve a participação da recorrente, de sorte que não há como se extrair de tais atos jurídicos qualquer interesse da recorrente. Mais ainda, não houve qualquer operação realizada entre ambas, seja comercial ou financeira. Assim, nos termos em que se apresenta e, havendo restado clara a inobservância dos requisitos legais que regem a matéria, a administração pública e as garantias individuais e, requerse: 1) Seja acolhida a preliminar de incompetência do agente fiscal para estabelecer a solidariedade passiva tributária, anulandose o Termo de Sujeição Passiva Solidária epigrafado; 2) No mérito, sejam acolhidas as razões de direito arguidas e julgado nulo o Termo de Sujeição Passiva Solidária epigrafado. II) Impugnação apresentada por Oxxil Logística e Transportadora Ltda. (datada de 19/01/2016, fls. 923/932), Fl. 3951DF CARF MF 12 tendo como signatário o senhor Orlando Carvalho de Medeiros. O Termo de Sujeição Passiva que atribui à Impugnante responsabilidade solidária mostrase abusivo, inconstitucional, ilegal e desprovido de qualquer razoabilidade, eis que a Impugnante jamais poderia figurar como sujeito passivo da obrigação tributária de terceiros. O mercado que a Impugnante e o sujeito passivo (GIGANTE) atuam é restrito, dado o alto investimento necessário para o seu desempenho, bem como a burocracia relacionada com as licenças e autorizações. Por estas razões, é comum que as pessoas que atuam neste mercado negociem e alienem participações societárias e ativos entre si. Contudo, tal fato jamais pode levar à conclusão absurda de que a Impugnante e a GIGANTE formaria um suposto "Grupo Econômico de Fato". Caso contrário, a mera existência de relação comercial entre empresas do mesmo ramo de atividade poderia ensejar abusivamente a solidariedade em matéria tributária. É o que ocorre, por exemplo, no presente caso concreto. Com relação à "confusão patrimonial", a fiscalização se apóia unicamente na ocorrência de transferências de veículos automotores da empresa GIGANTE para a Impugnante em 2012. No entanto, a Fiscalização desconsidera o fato de que tais transferências ocorreram em um ambiente de livre compra e venda e foram absolutamente legítimas. Os automóveis integrantes do ativo imobilizado da Impugnante foram vendidos leiase novamente: vendidos para a GIGANTE em 30/11/2010 (cf. documentos em anexo, juntados por amostragem Doc. 03). Esta, por sua vez, deixou de pagar pelas aquisições. Consequentemente, a Impugnante determinou a devolução imediata dos veículos em 2012. O que foi feito pela devedora. Portanto, ao contrário do que pretende fazer crer o fiscal autuante, a "transferência de 27 (vinte e sete) veículos de seu patrimônio para a empresa OXXIL Logística e Transportes Ltda. " foi realizada porque a GIGANTE não quitou os débitos com a Impugnante e foi obrigada a devolver os veículos. De maneira alguma, a Fiscalização poderia sustentar que a intenção da GIGANTE era se desfazer de parte do seu patrimônio até porque os veículos jamais lhe pertenceram!! Por fim, há que se rebater ainda o argumento da fiscalização de que a identidade entre o objeto social da Impugnante e da GIGANTE demonstraria "afinidade econômica", e, portanto, fundamentaria a alegação absurda de suposto "Grupo Econômico de Fato". Ora Sr. Julgador, a única coisa que o objeto das empresas demonstra é que atuam em segmentos distintos do mercado de combustíveis! Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.947 13 Enquanto a GIGANTE é uma distribuidora de combustíveis, a Impugnante é uma transportadora. A GIGANTE precisa contratar serviços de transporte para circular com as suas mercadorias, e tais serviços podem ser livremente contratados no mercado, inclusive da própria Impugnante. Esta, por sua vez, presta serviços de transporte para qualquer cliente que aceite os seus termos e condições. Para tentar justificar o seu ponto de vista, o auditor fiscal cita trechos do depoimento de um demandante em (um único) processo trabalhista, em que a Impugnante figura como uma das reclamadas, como fundamento para a lavratura do Termo de Sujeição Passiva em tela. Ora, é óbvio que o depoimento de qualquer Reclamante em qualquer ação trabalhista é tendencioso e não pode servir como base para a apuração de responsabilidade tributária. Além do mais, o conceito de grupo econômico para fins trabalhistas, conforme § 2o, do Art. 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho CLT DecretoLei n° 5.452/43), não guarda qualquer relação com a figura da solidariedade para fins fiscais prevista no artigo 124, inciso I, do CTN. Para fins de aplicação da responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, inciso I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Nos termos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizarem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. Portanto, temos que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não pode ser o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico, que surge a partir de direitos e deveres comuns entre as pessoas numa mesma relação jurídica privada que constitui o fato gerador. Diante de todo esse imbróglio é que se afirma que o Termo de Sujeição Passiva, na forma como foi proposto, é nulo e ilegal, em especial porque não há existência de interesse comum entre a Impugnante e a autuada, em franca ofensa ao art. 124,I, do CTN. Ressaltese ainda, que o i. auditor fiscal baseia o seu entendimento sobre solidariedade em uma única sentença da Justiça do Trabalho, que sequer transitou em julgado. E ainda que tivesse transitado, não constitui elemento suficiente para gerar a responsabilização fiscal. Em suma, o mau uso da máquina judiciária (alegação de grupo econômico a partir de uma sentença prolatada em reclamatória trabalhista que sequer transitou em julgado) não pode ser elemento caracterizador de responsabilidade Fl. 3953DF CARF MF 14 tributária da Impugnante, que é, na verdade, terceiro estranho na relação tributária. III) Impugnação apresentada por Oxxil Logística e Transportadora Ltda. (datada de 14/01/2016, fls. 994/1.001), tendo como signatário o senhor Marcelo Barizão de Oliveira Júnior o conteúdo da impugnação é similar a da outra contestação cujo signatário foi o Sr. Orlando Carvalho de Medeiros. IV) Impugnação apresentada pelo Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso, fls. 952/970. O IMPUGNANTE NUNCA FOI ADMINISTRADOR DO SUJEITO PASSIVO O Impugnante jamais ocupou um único cargo sequer de administração na GIGANTE (sujeito passivo), o que se dirá em relação ao período sob fiscalização (01/2011 a 12/2011). Logo, o Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 002/2015 indica base legal (artigo 135, III, do CTN) desconectada dos fatos reais para tentar construir indevidamente um argumento de sujeição passiva em relação ao Impugnante, padecendo assim de sérios vícios de nulidade e legalidade. É preciso retornar a regra matriz do CTN (artigo 135, III). Em matéria tributária, somente a pessoa física jamais a pessoa jurídica que estiver legalmente investida e tiver poderes para representar a sociedade, poderá ser responsabilizada caso pratique atos em ofensa à lei, contrato social ou estatuto. Não há espaço para presunções ou conjecturas. A pessoa física deve deter poderes de administração (ser nomeada, empossada e autorizada pelos sócios a representar a sociedade em assuntos tributários). Caso contrário, seria possível responsabilizar um transeunte qualquer que decidisse aconselhar o contador a não pagar tributos por entendêlos excessivos. Seguindo a mesma linha de raciocínio, mas agora aplicada ao caso concreto, questionase: seria possível responsabilizar uma sócia pessoa jurídica (ARCFRAN EMPREEDIMENTO, NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.) por atos de administração? Certamente que "não". Primeiro porque pessoa jurídica não pode administrar. Segundo porque o sócio carece de poderes e meios para interferir nas decisões de gestão com reflexo fiscal. Ou mesmo o que é ainda pior: seria possível responsabilizar, com base no artigo 135, inciso III, do CTN, o exadministrador pessoa física (Impugnante) da sócia pessoa jurídica (ARCFRAN) do sujeito passivo principal (GIGANTE)? Novamente, a resposta é "não". O Impugnante era administrador da sócia ARCFRAN e não do sujeito passivo principal (GIGANTE). Há, neste ponto, um nítido equívoco: o fato de ter atuado como administrador da sócia não transfere automaticamente para o Impugnante o "status" de administrador da investida. Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.948 15 Caso a regra do CTN fosse alargada excessivamente, a ponto de abarcar os exadministradores de sócios de sujeitos passivos, estaríamos diante de uma nova modalidade de desconsideração da personalidade jurídica, inexistente na Constituição e na lei: a "desconsideração dos direitos da personalidade da pessoa física do administrador". Por esta nova lógica, todos os ex administradores de sujeitos passivos e o que é pior: os ex administradores de sócios do sujeito passivo estão definitivamente "marcados". Carregam o fardo da incompetência e da má gestão tributária das gerações futuras de administradores. Ora, nada mais absurdo e contrário à segurança jurídica! O IMPUGNANTE JAMAIS ATUOU COMO ADMINISTRADOR DO SUJEITO PASSIVO (GIGANTE). O IMPUGNANTE ATUOU COMO SÓCIO ADMINISTRADOR DA SÓCIA (ARCFRAN) EM PERÍODO ANTERIOR AO PERÍODO FISCALIZADO Outro ponto que precisa ser bem esclarecido é o seguinte: o Impugnante atuou como sócio e administrador da ARCFRAN entre 11/02/2008 e 03/05/2010, e o período de fiscalização que gerou a autuação do sujeito passivo (GIGANTE) e a responsabilização indevida do Impugnante se circunscreve a 01/2011 a 12/2011. Vale dizer: além de pretender inaugurar uma nova modalidade de desconsideração da personalidade jurídica que procura alcançar administradores dos sócios do sujeito passivo, com base em uma leitura estressada do artigo 135, III, do CTN, a Fiscalização decide congelar no tempo a responsabilidade do administrador. Tratase de medida de extrema violência jurídica, contrária a todos os postulados de segurança defendidos pelo Direito, em especial a previsibilidade das condutas. No presente caso concreto, o Impugnante deixou de ser sócio e administrador da sócia do sujeito passivo pelo menos 07 (sete) meses antes do início do período objeto da fiscalização. O Impugnante vendeu toda a participação societária que detinha na ARCFRAN e se descompatibilizou integralmente da função de administrador como consequência da própria venda em si. Os novos compradores, por sua vez, nomearam outro administrador, como atesta a 8a alteração contratual da ARCFRAN (Doc. 02). Portanto, além de ser penalizado indevidamente por atuar como administrador da sócia (ARCFRAN), em franco desacordo com o texto do artigo 135, III, do CTN, o Impugnante é surpreendido com o "congelamento no tempo" do seu status de administrador da sócia do sujeito passivo e a projeção desta posição para o futuro com o objetivo de "alcançar pessoas e coisas". Tratase de perpetuar a condição do Impugnante enquanto "alvo fiscal", apesar de não dispor de meios, nem de instrumentos para evitar tal situação, pois não mais participa, desde de Fl. 3955DF CARF MF 16 03/05/2010 como sócio ou como administrador da ARCFRAN, sendolhe impossível antecipar problemas e intervir na ARCFRAN ou em quaisquer de seus investimentos (GIGANTE, por exemplo), caso tais investimentos ainda existam. O IMPUGNANTE ATUA NO MERCADO DE COMBUSTÍVEIS. O FATO DE EXERCER OU DE TER EXERCIDO ATIVIDADES DISTINTAS NESTE SEGMENTO DE MERCADO JAMAIS PODE SUGERIR A FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. CASO CONTRÁRIO, TODOS QUE NELE ATUAM DEVEM SER ORIENTADOS A NÃO SE RELACIONAR COMERCIALMENTE SOB PENA DE RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. AFIRMAÇÃO PERIGOSA POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO E CONTRÁRIA À LIVRE INICIATIVA. Conforme destacado anteriormente, o Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 002/2015 lavrado contra o Impugnante adotou como base legal o artigo 135, inciso III, do CTN. Tal dispositivo é simplesmente inaplicável ao caso concreto por vários motivos, merecendo destaque o fato de o Impugnante jamais ter ocupado um único cargo sequer de administração no sujeito passivo principal (GIGANTE). Consequentemente, o artigo 135, inciso III, do CTN não pode ser invocado como fundamento para justificar eventual sujeição passiva do Impugnante e o arrolamento de seus bens e direitos. A indicação de base legal desconectada dos fatos constitui razão suficiente para anular o presente Auto de Infração e o Termo de Arrolamento lavrados contra o Impugnante. No entanto, é preciso enfrentar outro tópico que permeia a narrativa fiscal. A alegação de que o Impugnante pertenceria a um suposto "grupo econômico", e que tal situação atrairia a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. Para justificar a sua alegação, a Fiscalização se "pendura" em parte de sentença trabalhista que sequer transitou em julgado, mesmo sabendo que a Justiça do Trabalho adota critérios muito flexíveis para condenar empregadores. Neste ramo da justiça, o ônus da prova recai exclusivamente sobre o empregadorréu. Em matéria tributária, a lógica é completamente inversa. Cabe à Fiscalização demonstrar de maneira contundente a existência de "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal". O mero depoimento de exfuncionários descontentes não pode ensejar a responsabilidade tributária, sob pena de se fomentar estratégias de arrecadação fiscal a partir de insatisfações trabalhistas. É preciso não perder de vista que o processo trabalhista usado pela Fiscalização não transitou em julgado. Isto significa dizer que os reclamados podem recorrer e que a sentença pode ser reformada, mudando completamente o rumo do julgamento. De fato, como narrado anteriormente, o Impugnante vendeu, em 03/05/2010, toda a participação que detinha na ARCFRAN e optou por concentrar esforços e atenção em outro nicho do mercado por entender que a diversificação poderia prejudicálo. Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.949 17 Tratase de decisão totalmente legítima e corriqueira no setor privado. Empresários ativos e bem sucedidos costumam comprar e vender negócios com rapidez e facilidade. De um modo geral, gozam de extrema liquidez e credibilidade. Por acaso, o mercado que o Impugnante atua (combustíveis) se alinha ao mercado do sujeito passivo (GIGANTE), mas tal fato jamais pode levar à conclusão de que o Impugnante e a GIGANTE formariam um "grupo econômico". Neste contexto, cabem ainda mais perguntas: como se precaver do comportamento estratégico de exfuncionários insatisfeitos e mal intencionados? Afinal, tais funcionários existem, certo? Como se proteger da consequência tributária devastadora de depoimentos pessoais tomados na seara trabalhista capazes de criar liames de responsabilidade fiscal? Existem inúmeras perguntas que apenas reforçam a perplexidade do Impugnante. Outro ponto que precisa ser destacado é que o artigo 124, I, do CTN não adota a expressão "grupo econômico" como fundamento para atrair a solidariedade, provavelmente por entender corretamente que "grupos econômicos" existem e são legítimos sob o ponto de vista do arranjo empresarial e tributário. Na verdade, o artigo 124, inciso I, do CTN exige o interesse comum sobre a situação fática que constitui o fato gerador do tributo. A expressão "interesse comum" é semanticamente aberta e isto parece gerar para a Autoridade Fiscal uma sensação de liberdade para subsumir os conceitos que bem desejar. Mas felizmente não é assim. A jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça é muito firme no sentido afastar excessos cometidos pelas Autoridades Fazendárias ao interpretar o artigo 124, inciso I, do CTN, em especial com relação ao uso dos conceitos "interesse comum" e "grupo econômico". A jurisprudência pacífica do STJ afasta por completo a possibilidade do uso do artigo 124, I, do CTN, como base normativa para a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 002/2015. Talvez por este mesmo motivo é que a própria Fiscalização tenha optado por não indicar expressamente o artigo 124, I, do CTN como fundamento legal do Temo de Sujeição Passiva Solidária 002/2015. Tratase de reconhecer e respeitar a orientação jurisprudencial em vigor. Por fim, outro argumento usado pela Fiscalização para tentar sustentar a tese do grupo econômico está relacionado com uma procuração outorgada ao Impugnante para acessar conta bancária específica em nome da GIGANTE. Fl. 3957DF CARF MF 18 Conforme destacado acima, o Impugnante também atua no mercado de combustíveis, e, portanto, mantinha relações comerciais com diversas empresas do ramo. Após a troca do controle societário ocorrido na ARCFRAN (sócia da GIGANTE), os novos sócios queriam ampliar a carteira de clientes da empresa recémadquirida. Para tanto, propuseram ao Impugnante o início de uma relação de representação comercial, em especial porque o mesmo detinha inúmeros contatos no setor de venda de combustíveis no varejo (postos de gasolina) clientes em potencial. Como resultado das negociações ocorridas entre o Impugnante e os novos sócios da GIGANTE, ficou determinado que a GIGANTE indicaria uma conta bancária específica com o propósito de segregar o faturamento dos clientes indicados pelo Impugnante em relação ao restante de sua operação. O objetivo do uso da conta bancária era conferir visibilidade às receitas geradas pelo Impugnante e segurança para as partes contratantes. O Impugnante receberia uma remuneração em decorrência da indicação dos clientes. Ademais, ficou determinado que o Impugnante, assim como os representantes legais da GIGANTE, teriam acesso e poderes para movimentar aquela conta bancária específica. Tal exigência comercial foi imposta pelo próprio Impugnante durante as negociações com o intuito de proteger a sua posição contratual, e prontamente aceita pelos sócios da GIGANTE. Portanto, é preciso deixar claro que a procuração mencionada no relato fiscal foi gerada num ambiente de relação comercial livre e saudável existente entre o Impugnante e a GIGANTE. Tal fato não guarda qualquer tipo de relação com o presente auto de infração e jamais poderá ensejar responsabilidade. Ademais, é preciso destacar que a tentativa de representação comercial estabelecida entre o Impugnante e a GIGANTE não prosperou, e que o Impugnante jamais acessou a referida conta bancária, assim como não sabe dizer qual destino foi dada à mesma pela GIGANTE. Seja por causa de uma decisão trabalhista de Ia instância não transitada em julgado fundada em depoimentos pessoais, seja por causa de algum contrato pactuado livremente entre as parte, seja porque ficou acordado o uso de conta bancária para segregar o faturamento gerado pelo representante comercial, a qual sequer foi movimentada em razão do insucesso da relação. V) Impugnação apresentada pelo Sr. André Luciano Zanovelo, fls. 1.023/1.038. O relatório fiscal afirma a existência de "grupo econômico" baseada nas informações extraídas da reclamação trabalhista (RT 000076138.2012.5.15.0076), sem contudo fazer qualquer comprovação do liame do defendente André Luciano Zanovelo Fl. 3958DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.950 19 com a pessoa jurídica devedora ou, mais do que isso, mostrar quais teriam sido seus atos de gestão à frente da pessoa jurídica. O relatório é bastante confuso nesse ponto, à medida que mistura os institutos sem detalhar como estaria caracterizado cada um deles, tendo assim se manifestado o Auditor Fiscal: A leitura da sentença da mencionada reclamatória em comparação com o termo de verificação revela que o Fiscal copiou, aleatoriamente, vários trechos da sentença (conforme lhe aprouve) sem nenhum tratamento adequado das informações e sem trazer, dos autos da Justiça do Trabalho, os documentos que seriam necessários ao embasamento da tese fiscal. Não se fez também a comprovação dos requisitos do art. 124, inciso I (solidariedade) ou do art. 135, inciso III (responsabilidade tributária de terceiros). O que se lê do termo são afirmações genéricas sem apontamento de atos específicos que autorizassem o uso de um instituto ou de outro. Necessário, para análise correta, desvelar a confusa redação do Termo de Verificação Fiscal, separando fatos que não se constituem em hipótese de imputação de responsabilidade por tributo a terceiro e principalmente carecedora de provas concretas quanto aos fatos narrados, ou seja, o caso reclama uma atenção com olhar imparcial. Não há apontamento ou prova a respeito da necessária participação, no fato gerador dos tributos, para se ter garantida a imputação de responsabilidade. Ou seja, elementos imprescindíveis, nos termos da lei, para a transferência da obrigação do pagamento dos débitos tributários. De fato, conforme entendimento do STJ, "a desconsideração da personalidade jurídica, com a consequente invasão no patrimônio dos sócios para fins de satisfação de débitos da empresa é medida de caráter excepcional [...]" (Ag RgAREsp 42.985, 2.a Turma, Rei Min. Humberto Martins, DJe 01/03/2013). Ora, a assertiva de grupo econômico de fato, com Desconsideração de personalidade jurídica bem como de responsabilidade de terceiro que nunca foi sócio da devedora, a fortiori se consubstancia em medida excepcional e como tal deve ser tratada. Veja que o relatório não tem fundamento em informações constantes de estatutos sociais, atas ou deliberações para demonstrar a efetiva participação do Defendente na administração da devedora principal (Gigante Armazenadora e Distribuidora), seja direta ou indiretamente. É sempre bom ter em conta que o defendente foi quotista da ARCFRAN Empreendimentos, Negócios e Participações Ltda., no curto período que vai de 20 de julho de 2011 e 19 de abril de Fl. 3959DF CARF MF 20 2012, conforme as informações do próprio relatório da auditoria fiscal. E a ARCFRAN, por seu turno, era detentora de participação na devedora, a Gigante Armazenadora e Distribuidora. Não há, pois, qualquer ato de Gestão apresentado com o Relatório que comprove ou ao menos indique qualquer vínculo dessa natureza com o defendente. Ademais disso, em decisão exemplar, o Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento de que o pedido de inclusão do corresponsável indicado para figurar no pólo passivo da execução fiscal, condicionase à apresentação dos documentos comprobatórios de que exercia cargo de gestão à época em que ocorreu o fato gerador do crédito exercendo (RESP n.° 621.900, Rei Min. Francisco Falcão, Dje 31/05/2004 e RESP n.° 1.166.200, Rei Hamilton Carvalhido, DJe 11/05/2010). O corresponsável, e aqui defendente, André Luciano Zanovelo nunca foi do quadro societário da devedora "Gigante Armazenadora e Distribuidora", conforme se pode verificar pelo histórico de alterações contratuais juntadas aos autos. Durante uma parte do período fiscalizado, foi sócio da ARCFRAN Empreendimentos, Negócios e Participações Ltda., que, por seu turno, era detentora de participação na devedora Gigante Armazenadora e Distribuidora. Traçando um histórico da evolução societária, a partir dos documentos anexados pelo Auditor, vêse que a contribuinte e devedora Gigante Armazenadora e Distribuidora é constituída em maio de 2006 por Cláudio Luiz Fabri e Kátia Alvarenga Fabri (fls. 33/38). Durante o período em que ocorrem os fatos geradores das contribuições que estão sendo cobradas (janeiro a dezembro de 2011), portanto, a devedora é uma pessoa jurídica que está sob administração de Fabrício Rebelato, o que é confirmado pelos documentos das fls. 73/424 (autorizações de carregamento e confirmações de pedidos de compra) nos quais SEMPRE consta a sua assinatura. Por óbvio, a leitura em sentido contrário vai infirmar que a falta de demonstração da ligação do defendente com a devedora, mas esse ponto deve ser esclarecido até por conta do que se afirmou na sentença da reclamatória trabalhista 0000761.38.2012.5.15.0076. Conclusão: o defendente André entrou na ARCFRAN em julho de 2011 (conforme relata o próprio fiscal) e saiu em abril de 2012, como sócio quotista e NUNCA com poderes de administração; muito menos teve poderes de gestão da devedora Gigante Armazenadora e Distribuidora. Para fins de comprovação, o instrumento da 11ª Alteração Contratual da ARCFRAN (registrado em 20 de julho de 2011) atesta sua entrada; ao passo que a 12ª alteração (registrada no dia 09 de abril de 2012) retrata sua saída da sociedade. Fl. 3960DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.951 21 O defendente teve em seu nome quotas da ARCFRAN e essa empresa foi detentora de quotas da devedora Gigante Armazenadora e Distribuidora, cujo administrador sempre foi o sócio Fabrício Rebelato. Esse fato isolado, no entanto, e nem mesmo aqueles trazidos pela Auditoria Fiscal em seu relatório, autorizam o uso de institutos como solidariedade ou responsabilização de terceiros para que assim se atinja o defendente. O ponto de partida é que a Gigante Armazenadora e Distribuidora esteve (tanto formalmente, quanto na prática) sob administração do sócio, pessoa física, Fabrício Rebelato, que sempre exerceu gestão comercial, administrativa e financeira, o que se afirma, primeiramente com fundamento nas cláusulas das alterações contratuais juntadas aos autos. Tanto que isso se confirma pela análise dos documentos das fls. 73/424, juntados pelo próprio Auditor Fiscal. São dezenas de autorizações de carregamento e confirmações de pedidos de compra nos quais SEMPRE consta a assinatura do administrador nomeado Fabrício Rebelato. Ou seja, a prática de atos de administração ocorre exclusivamente pelo seu administrador e, até onde se nota, não existe nenhuma infração nessa administração. Assim, não restou comprovada a gestão do defendente sobre a pessoa jurídica devedora nem mesmo quais teriam sido os atos com infração de lei que autorizariam a cobrança em relação a sua pessoa física, não se podendo, portanto, sobre ele recair a responsabilidade, sob pena de se ferir o princípio da legalidade. A fiscalização, baseada em trecho da sentença da Justiça do Trabalho, diz haver uma comunicação eletrônica (email) no qual um pretenso funcionário da ARCFRAN (Flávio Vinhola) fez a cobrança de valores que lhe seriam devidos, ao que se respondeu que a liberação do pagamento dependeria do Sr. André, que por seu turno, dependia de autorização do Sr. Marco. Como sócio ingressante na ARCFRAN foi procurado para pagar as verbas que eram reclamadas por Flávio Vinhola e, por não se tratar de dívida de funcionário que teria laborado sob comando de antigos sócios, buscou se comunicar com o Sr. Marco Antônio Medeiros, pois foi no período deste que vigorou o contrato de trabalho. Se fossem realmente devidas essas verbas pela então diretoria que constava no quadro social da ARCFRAN, tal tipo de assunto deveria ser tratado diretamente com o Sr. Fabrício Rebelato, então responsável pelos assuntos de contratação de funcionários. O uso desconexo desse excerto, como fez a Autoridade Fiscal, tem uma conotação bastante diferente daquela que se obtém a partir da sua contextualização: Fl. 3961DF CARF MF 22 • o autor da ação na Justiça do Trabalho (Flávio André Vinhola), reclamava ter prestado serviços para a ARCFRAN (que por seu turno era detentora de participação societária na Gigante Distribuidora), e que lhe eram devidas verbas salariais; e por mensagem eletrônica enviada em 2011 (antes, portanto, de distribuir a RT 000076138.2012.5.15.0076) fez cobranças em relação a valores que lhe seriam devidos pela prestação de serviços. Mais do que isso, a transcrição que consta no processo não reflete a realidade da comunicação contida nesse email, cujo teor e sequência verdadeiros são os seguintes (e que podem ser confirmados no documento anexo). Ou seja, nessa comunicação não se afirmou, em nenhum ponto, que "André" dependia da autorização de "Marco" para realizar pagamento. Aliás, não se reconhece a existência de tal email no processo trabalhista, nem que houve qualquer pedido ao Sr. André pelo Sr. Flávio de qualquer pagamento, muito menos que dependeria de autorização do Sr, Marco. Tanto que o Sr. Flávio Vinhola nunca mandou qualquer email ao Sr. André. Não há, nem neste processo administrativo e muito menos no processo trabalhista qualquer documento neste sentido. Vale frisar que a sentença não pode ter efeito absoluto como quer fazer crer o Agente Fiscal, pois ainda pendente de análise pelo Tribunal Regional do Trabalho, uma vez que o processo não transitou em julgado. Fl. 3962DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.952 23 Marco Antônio de Medeiros Alonso havia sido, entre agosto de 2008 e novembro de 2010, titular de quotas da mesma ARCFRAN, sendo que o vínculo de emprego, na justiça do trabalho, foi reconhecido no interregno 02 de junho de 2008 a 30 de julho de 2011. Nunca se reconheceu qualquer vínculo entre o Defendente (André) e o Sr. Flávio Vinhola. Muito menos qualquer vinculo societário entre André Luciano Zanovelo e Marco Antônio Alonso. Até porque, como visto, não se refere ao período em que André era sócio da ARCFRAN. Como é sabido, em virtude do princípio do hipossufíciência do trabalhador, julgase a corresponsabilidade trabalhista a todos contra quem o reclamante ajuizar ação. E foi exatamente o que ocorreu aqui. A abusividade da interpretação da Autoridade Fiscal reside também e especialmente no fato de que não restou demonstrada a infração à lei ou estatuto social até porque conforme destacado pela própria auditoria, toda a escrita fiscal pareceu regular, bem como as notas fiscais estavam devidamente escrituradas e tudo disponibilizado no SPED. As operações, portanto, eram de conhecimento da Receita Federal que recebeu corretamente os dados informados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON). A obrigação por solidariedade (art. 124, inciso I, do CTN) pressupõe que o terceiro a ser responsabilizado tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. E por "interesse comum" entendese o interesse jurídico e não apenas o simples vínculo econômico. A autoridade fiscal não demonstrou esse "interesse comum" na situação que constitua o fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, aspecto que seria indispensável para invocar a solidariedade. No caso presente, não há fundamento no pedido e na decisão recorrida que respalde a aplicação do art. 124, inciso I, do CTN. A alegação de grupo econômico também não supre a deficiência da decisão, notadamente porque veio transplantada (sem o devido tratamento) da Justiça do Trabalho, onde esse instituto tem significado e caracterização totalmente diferentes. Nesse particular, invocase novamente a jurisprudência do STJ, que em suas duas Turmas de Direito Público (que integram a Primeira Seção de julgamentos) entendem que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Fl. 3963DF CARF MF 24 Ressaltese que, acima de tudo, a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário. Excluída a hipótese de solidariedade do art. 124, resta analisar a ocorrência de autorização para aplicação da responsabilidade de terceiros, nos termos do art. 135, também do CTN. A responsabilidade pelo débito fiscal atribuída a terceiro nos reporta à chamada substituição legal tributária. Tal substituição se refere à responsabilização pessoal de terceiros, que possuam alguma relação íntima com a obrigação criadora dos créditos tributários do Fisco. Não obstante o acima alegado, parecendo ser límpida a definição, a matéria sobre o redirecionamento das execuções fiscais para os sócios das empresas, ao qual o caso em tela se refere, merece maiores atenções. Cumpre esclarecer, inicialmente, que o redirecionamento perpetrado no caso em tela consiste na transferência, da responsabilidade para quitar o débito fiscal, aos administradores da sociedade comercial pelo inadimplemento junto ao Fisco. Entretanto, a responsabilização tributária do administrador, ou qualquer denominação que a ele se dê, só é possível no caso de o mesmo ter praticado ato ilícito ou agido com excesso de poderes, conforme disposto no art. 135 do CTN. Com o fito de compreender o real alcance de qualquer dispositivo legal, além de interpretar o dispositivo inserto em um sistema, cumpre empreender verdadeira exploração literal, gramatical, de todos os termos empregados pelo legislador na construção legislativa. O excesso de poderes tem a ver com a desobediência às cláusulas contratuais, que à semelhança do mandatário que exorbita dos poderes a ele outorgados (conforme art. 665 do Código Civil), responde pessoalmente junto a terceiro pelos prejuízos que causar. Verificase o abuso ou excesso de poder quando o sujeito, no caso específico, os gerentes, representantes, sócios ou diretores, praticam atos que o Direito autoriza, porém, além dos limites do seu exercício. A infração à lei tem sentido mais amplo e atinge aqueles valores maiores, até mesmo em decorrência de atos ilícitos dolosos, embora seja evidente que ambos os conceitos se refiram a atos ilícitos em geral, incluindo a infração ao contrato social ou estatutos, por extrapolar os limites com que é constituída a personalidade jurídica. Assim, o uso abusivo da pessoa jurídica, por exemplo, para fins de enriquecimento pessoal, caracteriza um ilícito e autoriza a aplicação do art. 135. Fl. 3964DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.953 25 Diante desses conceitos, fácil concluir que a Auditoria Fiscal não teve êxito em comprovar a prática de qualquer ato ilícito ou com abuso de poderes por parte dos sócios. Menos ainda em relação ao Defendente, que não figurou no quadro societário da Gigante Armazenadora e Distribuidora e, nesse sentido, é de se reforçar que a Fiscalização não conseguiu angariar qualquer documento por ele assinado em nome da devedora; ao contrário, todos os (regulares) atos de administração comprovados nos autos, foram praticados pelo sócio Fabrício Rebelato. Do ponto de vista legal, portanto, fica afastada qualquer tipo de responsabilidade em relação a André Luciano Zanovelo. Desse modo, considerando não preenchidos os requisitos para a responsabilização do impugnante (especialmente porque se tem prova de que todos os atos de administração foram executados pelo sócio Fabrício Rebelato) e de rigor a reforma do ato impugnado para fins de excluir o impugnante da condição de responsável solidário pelo crédito lançado. Por aplicação subsidiária da parte final do art. 37 do Código de Processo Civil pede a concessão de prazo de até 15 dias para regularizar a representação processual. VI) Impugnação apresentada por Arpex Consultoria e Gestão Empresarial S/A, fls. 1.086/1.088. O Impugnante afirma que jamais constituiu grupo econômico (ou algo que o valha) com a empresa "GIGANTE", muito menos para realizar situação configuradora do fato gerador da obrigação tributária tratada no Auto de Infração em referência, elemento imprescindível para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária, nos termos do que disciplina o CTN. A relação do Impugnante com a Gigante sempre esteve exclusivamente restrita ao âmbito comercial da compra e venda de combustíveis; nada além disso. Registrese, por oportuno, que não há nos autos qualquer prova capaz de ilidir tal afirmação. Neste contexto, forçoso concluir que o Impugnante jamais poderia responder solidariamente pelas dívidas tributárias da principal autuada, uma vez que não possui qualquer tipo de controle/ingerência sobre ela. Por estas razões, o Termo de Sujeição Passiva que atribui ao Impugnante responsabilidade solidária pelos Autos de Infração de PIS e de COFINS consubstanciados no processo administrativo n° 10865.720.705/201515, mostrase absurdo, em razão da manifesta e inequívoca ilegitimidade passiva do Impugnante. A suposta relação entre as sociedades identificada pelo fiscal autuante ao analisar sentença proferida em um (único) processo Fl. 3965DF CARF MF 26 que tramita na Justiça do Trabalho do Estado de São Paulo (que ainda não transitou em julgado), que levou em consideração depoimento unilateral, fantasioso e tendencioso prestado pelo Reclamante, não pode, por óbvio, ser utilizado como exclusivo meio de prova para fins de configuração de responsabilidade tributária de terceiro. Por estas razões, o Impugnante requer que seja julgada totalmente procedente a presente defesa administrativa, para reconhecer a ilegitimidade passiva do Impugnante e, por conseguintese, excluído do pólo passivo da autuação em referência. Termos em que pede e espera deferimento. VII) Impugnação apresentada por Fabrício Zanovelo Rebelato, fls. 1.060/1.080. A impugnação apresentada pelo Sr. Fabrício Zanovelo Rebelato é quase idêntica a peça contestatória apresentada pela autuada. O único aspecto que diverge é a inclusão do item a seguir descrito. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS PARA APLICAÇÃO DO ART. 124, INCISO I E ART. 135, INCISO III DO CTN O relatório final da ação fiscal também não consegue demonstrar, da forma devida, quais os atos ou ocorrências que atrairiam a aplicação da responsabilidade solidária (art. 124, inciso I do CTN) e a responsabilização de terceiros (art. 135,inciso III do CTN). Ignorando as reiteradas decisões do CARF nesse sentido, a autoridade julgadora também desconsiderou os créditos decorrentes de insumo. Como se pode extrair da redação do art. 135 do CTN, a responsabilidade em matéria tributária somente invade o patrimônio das pessoas físicas ali referidas, nos casos em que se configurem atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Contudo, como é possível verificar pela documentação dos autos e do relatório da ação fiscal, não houve a incidência de qualquer dos requisitos contidos no caput do dispositivo supra, que justifique o redirecionamento do débito a pessoa física dos sócios. A divergência de informações entre as declarações, conforme se verá, não pode motivo bastante, máxime porque a DACON, a escrituração fiscal digital (EFD) e a escrituração contábil digital estavam (ECD) preenchidas com as informações corretas, tanto que foi a partir desses bancos de dados que a fiscalização partiu para realizar a apuração das contribuições. A competência para figurar no pólo passivo de uma demanda na seara tributária é do contribuinte ou responsável pelo pagamento do tributo (art. 121 e seg. do CTN), que no caso em tela é a pessoa jurídica Gigante Armazenadora e Distribuidora. Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.954 27 A legislação prevê restritas hipóteses onde o sócio da empresa pode ser incluído no pólo passivo da ação, desconsiderando o verdadeiro contribuinte (empresa). No entanto, para que isso aconteça, é preciso que se demonstre que esse sócio (gerente ou administrador) agiu com excessos de poderes ou infração a lei ou ao contrato social. O redirecionamento dos débitos fiscais aos sócios (responsabilização de terceiros) apenas poderá ocorrer quando demonstrado que agiu com dolo ou fraude, bem como exista prova de que a sociedade, em razão da dificuldade econômica decorrente desse ato, não pode honrar com o débito fiscal. Porém, a análise da documentação acostada pela Fazenda em momento algum demonstra o preenchimento destes requisitos, o que se confirma pela análise dos documentos das fls. 73/424: são dezenas de autorizações de carregamento e confirmações de pedidos de compra que denotam nada mais do que a administração regular da pessoa jurídica. A argumentação do Fisco é de que a entregada DCTF zerada (de maneira reiterada) caracterizaria o dolo, no entanto, é bem de se ver que as informações que muniram a autoridade fiscal para o lançamento foram extraídas da própria contabilidade da empresa. Ou seja, ainda que a DCTF não contivesse as informações corretas, outras obrigações acessórias como o DACON e as escriturações digitais (fiscal e contábil) estavam em boa ordem e serviram de guia para a execução do serviço fiscal, o que eliminar qualquer alegação de ocorrência de dolo. Isso significa que não pode haver dolo quando o contribuinte declara correta e regularmente, nas suas obrigações fiscais mais importante, a totalidade de sua movimentação. De outra senda, a solidariedade (art. 124, inciso 1, do CTN) pressupõe que o terceiro a ser responsabilizado tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. E por "interesse comum" entendese o interesse jurídico e não apenas o simples vínculo econômico. Em decisão recente, o CARF considerou que somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum nos lançamentos fiscais se o fisco demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude. A autoridade fiscal não demonstrou esse "interesse comum" na situação que constitua o fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, aspecto que seria indispensável para invocar a solidariedade. Fl. 3967DF CARF MF 28 A prática do fato gerador em conjunto aconteceria, por exemplo, em um condomínio de um imóvel, no qual todos os condôminos são solidariamente responsáveis pelo pagamento do imposto predial porque todos praticam em conjunto o fato gerador (ser proprietário de imóvel). No caso presente, diferente disso, não há fundamento no pedido e na decisão recorrida que respalde a aplicação do art. 124, inciso I, do CTN. Analisando a matéria, esta 3ª turma decidiu pela conversão do julgamento em diligência, Resolução DRJ/FOR nº 3.049/2017, para que fossem adotadas as seguintes providências: 1 Intimar o contribuinte a indicar os valores, acompanhados dos respectivos elementos de prova, que supostamente não teriam sido considerados pelo autuante na apuração da base de cálculo das contribuições devidas (relativos a venda canceladas e/ou devolução de vendas). 2 – Esclarecer o motivo da divergência existente entre os dados das planilhas "Notas Fiscais de Saída", fls. 425, e "Apuração PIS/Cofins 2011", fls. 72, em especial no que concerne ao campo "Venda de Álcool em Reais". Na primeira, as notas fiscais de saída totalizam R$ 378.523.566,69, ao passo que na segunda a receita com a venda do combustível (durante todo o exercício) foi de R$ 414.028.870,63. 3 A autoridade fiscal deve proceder à juntada ao presente processo dos elementos de prova considerados relevantes para o arrolamento dos devedores solidários, que originalmente haviam sido constituídos no processo judicial nº 000076138.2012.5.15.0076. Em cumprimento ao solicitado, a autoridade lançadora, após a realização das providências requeridas, elaborou a Informação Fiscal, fls. 3.537/3.539. O sujeito passivo e as demais pessoas arroladas como solidários foram cientificadas da referida informação fiscal, tendo apresentado aditivo à impugnação os seguintes contribuintes: Gigante Armazenadora e Distribuidora de Derivados de Petróleo e Alcóois Ltda ME., CNPJ nº 08.056.113/000110, fls. 3.566/3.567; André Luciano Zanovelo, CPF 263.595.72826, fls. 3.576; e Fabrício Zanovelo Rebelo, CPF 169.807.10869, fls. 3.577. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente em parte as impugnações, proferindo o Acórdão DRJ/FOR n.º 0840.775, de 20/10/2017 (fls. 3589 e ss.), assim ementado: Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.955 29 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 COFINS NÃO CUMULATIVO. VENDAS CANCELADAS. Não integram a base de cálculo da Cofins no regime não cumulativo as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. COFINS. OUTRAS EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Não podem ser consideradas outras exclusões da base de cálculo da Cofins, quando a impugnante não especifica quais são esses valores na peça contestatória, nem apresenta à autoridade fiscal os referidos comprovantes durante o procedimento de diligência. OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DA COFINS INCIDENTES SOBRE COMBUSTÍVEIS E BEBIDAS (RECOB). Nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo Recob deve se dar por intermédio de aplicativo disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, não sendo válida a simples apuração em planilhas e registros internos da empresa. No caso específico do ano calendário de 2011, o prazo para opção foi até novembro de 2010. CRÉDITOS DE COFINS. INSUMOS. São considerados insumos, para fins de apuração de crédito da não cumulatividade da Cofins, os bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. A legislação exige relação direta e imediata entre o bem ou serviço considerado insumo e o bem ou serviço vendido ou prestado pela pessoa jurídica ao público externo. GASTOS CONSIDERADOS DEDUTÍVEIS NA APURAÇÃO DO IRPJ. NÃO GERA CRÉDITOS. Gastos com viagens, água, telefone, despesas postais, impressos e materiais de escritório, internet, cursos e treinamento de funcionários, dentre outros, embora possam ser considerados dedutíveis para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, não podem gerar crédito para fins de apuração da Cofins, pois não se enquadram no conceito de insumos previsto na legislação dessa contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 Fl. 3969DF CARF MF 30 VENDAS CANCELADAS. Não integram a base de cálculo das contribuições para o PIS no regime não cumulativo as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. PIS. OUTRAS EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Não podem ser consideradas outras exclusões da base de cálculo da contribuições PIS, quando a impugnante não especifica quais são esses valores na peça contestatória, nem apresenta à autoridade fiscal os referidos comprovantes durante o procedimento de diligência. OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTES SOBRE COMBUSTÍVEIS E BEBIDAS (RECOB). Nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo Recob deve se dar por intermédio de aplicativo disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, não sendo válida a simples apuração em planilhas e registros internos da empresa. No caso específico do anocalendário de 2011, o prazo para opção foi até novembro de 2010. CRÉDITOS DE PIS. INSUMOS. São considerados insumos, para fins de apuração de crédito da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, os bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. A legislação exige relação direta e imediata entre o bem ou serviço considerado insumo e o bem ou serviço vendido ou prestado pela pessoa jurídica ao público externo. GASTOS CONSIDERADOS DEDUTÍVEIS NA APURAÇÃO DO IRPJ. NÃO GERA CRÉDITOS. Gastos com viagens, água, telefone, despesas postais, impressos e materiais de escritório, internet, cursos e treinamento de funcionários, dentre outros, embora possam ser considerados dedutíveis para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, não podem gerar crédito para fins de apuração do PIS, pois não se enquadram no conceito de insumos previsto na legislação dessa contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, demonstram o inequívoco intuito de fraude, sujeitando o infrator à multa de ofício qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. ART. 135 CTN. Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.956 31 Se as provas carreadas aos autos deixam fora de dúvida a participação de variado número de pessoas nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tais pessoas devem ser mantidas no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. ART. 124 CTN. Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas”. É imprescindível que as empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As multas de ofício pecuniárias vinculadas aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil têm sede em lei ordinária federal, sendo de aplicação obrigatória por parte da autoridade lançadora e observância pelas autoridades julgadoras que compõem o contencioso administrativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 ÔNUS DA PROVA. É ônus do impugnante apresentar os elementos de prova para contestar o demonstrativo utilizado pela fiscalização, mormente quando tais documentos que poderiam dirimir as dúvidas levantadas estão em seu poder. PROVA EMPRESTADA. É perfeitamente admitido, no sistema jurídico pátrio, que a prova produzida num processo seja transladada e aproveitada em outro, por meio de certidão extraída do processo de origem. As restrições referemse a simples transposição das conclusões sem as provas correspondentes. A prova emprestada deve ser admitida principalmente quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 3971DF CARF MF 32 Irresignada, a contribuinte autuada, GIGANTE ARMAZENADORA E DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO E ÁLCOOIS LTDA ME, apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 3775 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega que, ao conferiremse os dados das planilhas "Notas Fiscais de Saída", comparandoos com os dados da planilha "Apuração Pis Cofins Gigante 2011", perceberse ia algumas inconsistências que não foram esclarecidas no Termo de Verificação Fiscal (na planilha "Apuração", o campo "Venda de Álcool em Reais" diz que a receita com a venda do combustível, durante todo o exercício, foi de R$ 414.028.870,63, enquanto que, na planilha "Notas Fiscais de Saída", se somados os valores da coluna "Valor da Nota", o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69). Contudo, no acórdão recorrido, o relator afirma que os documentos que são capazes de dirimir a dúvida levantada estão em poder da contribuinte, a Recorrente, e somente ela tem condições de apresentálos. Assim, não seria admissível a simples transferência dessa incumbência à autoridade fiscal. No entanto, caberia à fiscalização a prova do crédito tributário. No mais, reproduz os mesmos argumentos já encartados em sua impugnação. Também, no prazo legal, apresentaram recursos voluntários os seguintes responsáveis solidários, tecendo, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: PETROGOLD INTERMEDIAÇÃO E AGENCIAMENTO DE NEGÓCIOS EM ÁLCOOL COMBUSTÍVEIS LTDA. (fls. 3700 e ss.) Segundo o Superior Tribunal de Justiça STJ, não caracteriza solidariedade passiva o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico; O ponto de partida para o acórdão recorrido foi a decisão proferida em ação trabalhista. A fiscalização não se desincumbiu de identificar a participação da empresa nos fatos tributários; O julgador fala em atividade complementar da Petrogold e confusão patrimonial, mas não as identifica; O STJ é firme em afastar a responsabilidade na interpretação do art. 124, I, do CTN; Não há nenhuma linha sequer mencionando a Petrolgold e seus sócios no pedido cautelar. FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO (fls. 3803 e ss.) Na diligência, não houve a análise de todos os pontos invocados pela contribuinte autuada, por isso os argumentos foram reforçados quando de sua manifestação (fls. 3566/3567). Não se pode chamar de alegações genéricas as situações legalmente previstas e que não integram as bases de cálculo das contribuições; Outro aspecto que não ficou suficientemente esclarecido está no fato de que a receita com a venda do combustível, durante todo o exercício, foi de R$ 414.028.870,63, conforme a planilha "Apuração", enquanto que, na planilha "Notas Fiscais de Saída", se somados os valores da coluna "Valor da Nota", o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69); Pelos registros contábeis da contribuinte autuada (vale dizer, SPED), a fiscalização constatou que houve apuração das contribuições. E se houve apuração, ainda que o esse fato não tenha sido informado na Dacon ou no DCTF, não se pode afirmar que houve dolo; A fiscalização fez constar do Termo de Verificação que a contribuinte autuada apurava as contribuições na contabilidade como se fosse optante do regime especial (RECOB) previsto no art. 5º, § 4º, II, da Lei nº 9.718, de 1999. E se fez opção por este regime, Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.957 33 ele deveria ser o critério utilizado para apuração tanto dos débitos lançados, quanto dos créditos não cumulativos; Informase que se fez a dedução dos créditos declarados na DCTF antes do início da ação fiscal, de forma a encontrar o saldo a pagar. Ou seja, para a apuração dos débitos, foi aplicado o regime normal e, para o levantamento dos créditos, usouse informação da própria contribuinte, que calculava tudo de acordo com o RECOB. São dois regimes aplicados simultaneamente, o que é inconcebível; Não foram considerados insumos que geram o direito a créditos no regime não cumulativo. Todos os gastos necessários à operação da empresa geram esse direito (passa a citálos); O Relatório Fiscal não conseguiu demonstrar quais atos atraíram a responsabilidade solidária (art. 124, I, do CTN) e a responsabilização de terceiros (art. 135, III, do CTN). A responsabilidade dos sócios só é possível quando provado que agiram com dolo ou fraude e de que a sociedade não pode honrar a sua dívida fiscal. Ainda que a DCTF tenha sido entregue zerada, outras obrigações acessórias, como o Dacon e a escrituração digital, estavam em boa ordem e serviram para a execução do serviço fiscal; O interesse de que fala o art. 124, I, do CTN é o jurídico, não o econômico. O CARF entende que só é possível a responsabilidade por interesse comum quando se demonstre que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seu resultado; Não obstante a opção pelo regime de apuração especial, o PIS e a Cofins foram apuradas pelo regime normal no auto de infração. Ao apurar os créditos a que teria direito a contribuinte autuada, a fiscalização do regime especial, o que reduziu à metade tais créditos. ANDRÉ LUCIANO ZANOVELO (fls. 3741 e ss.): basicamente, repete os mesmos argumentos já declinados na sua impugnação. Intimados por edital (fls. 3723), depois de infrutífera a tentativa pelos Correios, os responsáveis solidários ARCFRANEMPREND. NEG E PART LTDA., TRIMDISTR DE DERIV DE PETR S.A. e MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO não apresentaram recurso voluntário. Retirada pela DRJ do polo passivo, a ARPEX CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL S/A, atual denominação da ARROWS PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. foi cientificada do acórdão de impugnação por meio do AR de fl. 3695. Por meio da Resolução de fls. 3837 e ss., os autos foram baixados em diligência, a fim de que a unidade preparadora anexasse ao presente processo a comprovação de que a OXXIL LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA. foi, de fato, cientificada do Acórdão nº 0840.775, de 20/10/2017. E, caso a ciência não tivesse sido efetivada ou não se tivesse obtido a sua comprovação, a apontada responsável solidária deveria ser cientificada do acórdão recorrido, para que, se assim quisesse, também apresentasse, no prazo legal, o seu recurso voluntário. Intimada em face da diligência, a OXXIL LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA. apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário de fls. 3907 e ss., no qual basicamente repete os mesmos argumentos já suscitados na sua impugnação. Fl. 3973DF CARF MF 34 O responsável solidário FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO apresentou, por meio da petição de fls. 3843 e ss., razões de defesa adicionais ao seu recurso voluntário. O responsável solidário MARCO ANTÔNIO DE MEDEIROS ALONSO, que não havia apresentado recurso voluntário, compareceu aos autos e apresentou o recurso de fls. 3877 e ss., cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se exporá no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve contra si lavrado auto de infração, para a cobrança do PIS e da Cofins, com origem em períodos de apuração compreendidos no ano de 2011. Segundo consta dos autos, notadamente do Termo de Verificação Fiscal de fls. 754 e ss., a Recorrente – uma empresa atacadista de álcool carburante e derivados de petróleo –, é optante do regime de apuração do lucro real, de modo que apura o PIS/Cofins pela sistemática não cumulativa. Contudo, no caso das saídas de derivados de petróleo, a Recorrente submete se ao regime monofásico das contribuições, tributadas à alíquota zero, de modo que não houve cobrança de crédito tributário sobre o faturamento com origem nas vendas de tais produtos. Já nos casos das vendas de álcool carburante, o regime aplicável é o cumulativo, previsto no art. 5º da Lei 9.718, de 1998, na redação conferida pela Lei nº 11.717, de 20081. Ocorre que, durante todo o ano de 2011, a Recorrente promoveu a entrega de DCTFs completamente "zeradas", não tendo efetuado qualquer pagamento a título de PIS/Cofins. Interpostas impugnações pela Recorrente e pelos responsáveis solidários, a DRJ manteve em parte o crédito tributário lançado (na diligência que propôs, verificouse uma inconsistência quanto às vendas canceladas, que resultou na redução do crédito tributário lançado; fls. 3537/3539) e exonerou, da solidariedade passiva, a Arpex Consultoria e Gestão Empresarial S/A, daí o recurso interposto de ofício. Nos recursos voluntários, a Recorrente e os demais solidariamente obrigados repetem, basicamente, os mesmos argumentos que já constaram de suas impugnações e que foram muito bem enfrentados – e com clareza – pelo il. Relator do acórdão recorrido, motivo pelo qual, não constando nada de novo, passamos a transcrever e adotar os seus fundamentos como razão de 1 Art. 5o A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) II – 3,75% (três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) e 17,25% (dezessete inteiros e vinte e cinco centésimos por cento), no caso de distribuidor. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.958 35 decidir, porém, ao final da sua transcrição, faremos considerações adicionais que entendemos imprescindíveis: Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 754/773, foi apurada irregularidade por insuficiência de recolhimento no anocalendário de 2011, tendo o contribuinte apresentado declarações à Receita Federal “zeradas” (sem movimento), não tendo efetuado o pagamento de qualquer valor referente às contribuições PIS e Cofins. A fiscalização constatou também que a empresa ao proceder a apuração das contribuições devidas ao PIS e Cofins efetuou indevidamente com base nos valores de vendas em quantidade por m³ como optante pelo regime especial RECOB para o período de 01/2011 a 12/2011, em desacordo com o inicio de sua vigência que seria a partir de 01/01/2013. A fiscalizada não exerceu, em tempo hábil a opção pelo Regime Especial para o anocalendário de 2011, e, portanto, não poderá receber o tratamento disciplinado aos optantes pelo RECOB. A seguir, serão analisados cada um dos itens questionados pelas impugnantes. I – Impugnação Apresentada pela Pessoa Jurídica Autuada – Gigante Armazenadora e Distribuidora de Derivados de Petróleo e Álcoois Ltda. Sobre as vendas canceladas e devolução de mercadorias. A defesa alega que o levantamento fiscal deveria ter evidenciado que foram consideradas as vendas canceladas e devoluções de mercadorias, situações que são redutoras do faturamento. Continua: se assim não fez, a base de cálculo está indevidamente inchada pela inserção de situações que não caracterizam saída de mercadoria. Compulsandose os autos, verificase que a fiscalização ao apurar as contribuições devidas, anexo I, fls. 773, se utilizou dos valores de venda de álcool extraídos de planilha fornecida pela própria autuada (anexo à fls. 72). No entanto, a simples análise da citada planilha não permite que se conclua sobre a existência de venda canceladas e/ou devolução de vendas. Nesse contexto, considerandose que as vendas canceladas não integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins (art. 1º, §3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003), tornouse necessária a conversão do julgamento em diligência, fato concretizado com a Resolução DRJ/FOR nº 3.049/2017, fls. 1.148/1.175. No referido pedido de diligência solicitouse que o contribuinte fosse intimado "(...) a indicar os valores, acompanhados dos respectivos elementos de prova, que supostamente não teriam sido considerados pelo autuante na apuração da base de cálculo das contribuições devidas (relativos a venda canceladas e/ou devolução de vendas)". Fl. 3975DF CARF MF 36 O relatório de diligência (Informação Fiscal, fls. 3.537/3.539) foi conclusivo nos seguintes termos: A empresa foi intimada na data 31/05/2017 através do Termo de Intimação fiscal – 01 (Fl. 1177) para apresentar no prazo de 10 (Dez) dias as notas fiscais de vendas canceladas e devoluções de vendas acompanhados dos respectivos elementos de provas. Em resposta a intimação (Fls. 1178 a 1251) apresentou as notas fiscais de vendas canceladas e devoluções de vendas que encontramse relacionadas no ANEXO I – NF vendas canceladas/devoluções (Fls. 3535/3536), e representam a seguinte totalização mensal: Na apuração acima não foram consideradas as notas fiscais 61.462 e 61.463 apresentadas pela empresa, que foram canceladas, más referemse a operações de DEVOLUÇÕES DE COMPRAS (sic). Pelo fato destas vendas canceladas/devoluções não foram deduzidas da basedecálculo na apuração das contribuições devidas do Pis e Cofins, procederseá a correção dos valores lançados de ofício, conforme demonstrativo abaixo: Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.959 37 Como se pode observar, o autuante reconheceu a existência de vendas canceladas e devolução de vendas, tendo procedido, inclusive, à retificação dos valores lançados de ofício. Em seu aditivo à impugnação, a autuada não questiona esses cálculos. No entanto, alega que permanecem situações como remessas e outras que segundo a legislação deveriam ser excluídas da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. A rigor, a defesa apenas questiona genericamente a existência de erro no levantamento fiscal, sem se preocupar em apontar quais seriam esses outros valores que deveriam ser excluídos da base de cálculo. Também não apresentou qualquer elemento de prova nesse sentido. A Impugnação, do latim impugnatio, de impugnare (atacar, combater, contradizer), exprime todo ato de repulsa, de contestação, de contradita, praticado contra atos do adversário ou parte contrária, pelos quais se procura anular ou desfazer suas alegações ou pretensões, ou impedir que promova ato processual. Para ser justa e cabível, deve o impugnante mostrar a justeza de sua repulsa ou contrariedade trazida ao ato ou decisão impugnada, e a procedência de seu ato de impugnação Fl. 3977DF CARF MF 38 (De Plácido e Silva, in Dicionário Jurídico, pág. 434, destaque acrescido). A legislação processual tributária manteve esse entendimento, conforme se pode observar no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, a seguir transcrito (destaque acrescido): Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...)A exigência de que a impugnação contenha os motivos de fato e de direito em que se fundamenta significa que não se admite atualmente no processo administrativo fiscal a negação geral, que é a simples discordância desprovida de fundamento. Em havendo a negação geral, considerase não impugnada a exigência, devendose dar prosseguimento à cobrança do crédito tributário, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante). Portanto, se a impugnante realmente entende que existem outras exclusões da base de cálculo não consideradas no levantamento fiscal, deveria ter demonstrado e comprovado que valores seriam esses, e não simplesmente alegar genericamente a sua existência. Aliás, oportunidade é que não faltou ao contribuinte, em especial durante a diligência, e até mesmo após a sua ciência da Informação Fiscal, fls. 3.537/3.539. Por tal motivo, não há como acolher os argumentos da defesa na presente fase processual. Desta forma, aceito a correção dos valores lançados, proposta na Informação Fiscal, fls. 3.537/3.539, já transcrita no presente voto. Inconsistência no Levantamento Fiscal. Aponta a impugnante que, conferindose os dados das planilhas "Notas Fiscais de Saída" e comparando com os dados da planilha "Apuração Pis Cofins Gigante 2011" percebemse algumas inconsistências que não foram esclarecidas no Termo de Verificação Fiscal. Cita, como exemplo, que, na planilha "Apuração" o campo "Venda de Álcool em Reais" aponta que a receita com a venda do combustível (durante todo o exercício) foi de R$ 414.028.870,63, ao passo que na planilha que relaciona as notas fiscais de saída, se aplicada uma soma na coluna "Valor da Nota", o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69. As planilhas a que se refere à defesa estão anexadas aos autos como arquivos não pagináveis, cujos termos de juntada encontramse às seguintes folhas do processo, com as respectivas denominações: Planilha de Apuração fls. 72 e Relação de NF de Vendas – fls. 425. Tais documentos foram apresentados pelo próprio sujeito passivo durante a ação fiscal, Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.960 39 conforme fazem prova os termos de resposta à intimação, às fls. 26/29. Da análise dos dois demonstrativos referenciados, verificase que existe realmente divergência entre eles, conforme se vê abaixo (recortes fotocopiados dos originais constantes no processo): A questão que exsurge é a seguinte: ou nem todas as notas fiscais de venda foram relacionadas na planilha às fls. 425, ou existe algum erro nos valores de vendas de álcool na Planilha de Apuração às fls. 72. Desta forma, para o deslinde da questão foi incluído no pedido de diligência, Resolução DRJ/FOR nº 3.049/2017, fls. 1.148/1.175, a adoção da seguinte providência: 2 – Esclarecer o motivo da divergência existente entre os dados das planilhas "Notas Fiscais de Saída", fls. 425, e "Apuração PIS/Cofins 2011", fls. 72, em especial no que concerne ao campo "Venda de Álcool em Reais". Na primeira, as notas fiscais de saída totalizam R$ 378.523.566,69, ao passo que na segunda a receita com a venda do combustível (durante todo o exercício) foi de R$ 414.028.870,63. Em seu relatório de diligência (Informação Fiscal, fls. 3.537/3.539), o autuante esclareceu que "A planilha “Notas Fiscais de Saídas” estava incompleta, para sanar a inconsistência foi juntada a Planilha “ Relação Notas Fiscais de Saída RETIFICADORA ” (Fl. 3534)". O contribuinte em seu aditivo, fls. 3.567, questionou tal conclusão da fiscalização, alegando que não teriam sido apontados quais seriam os eventuais erros contidos na planilha "Notas Fiscais de Saída" que forçaram ser esta desconsiderada. A situação aqui é similar à abordada no item anterior, tendo a defesa se preocupado apenas em questionar a validade do novo demonstrativo, sem especificar em qual das planilhas estaria o erro. Também não indicou o empecilho (ou quais) que a impediu Fl. 3979DF CARF MF 40 de apresentar os elementos de prova para o deslinde dessa divergência. Não custa lembrar que os documentos que são capazes de dirimir a dúvida levantada pela impugnante estão em seu poder, e somente ela tem condições de apresentálos. Assim, não é admissível a simples transferência dessa incumbência à autoridade fiscal. Desta forma, até prova em contrário, não existem motivos para se questionar a validade dos dados constantes na planilha "Relação Notas Fiscais de Saída RETIFICADORA ”, arquivo não paginável, fls. 3.534, que estão em consonância com os dados da "Planilha de Apuração PIS/Cofins 2011", fls. 72, utilizada pelo autuante para determinação das contribuições lançadas de ofício. Da Opção pelo Recob. Nesse tópico a defesa alega que, se a empresa havia feito opção em sua contabilidade pelo Regime Especial de Apuração e Pagamentos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre Combustíveis e Bebidas (Recob), o que consta inclusive do Sistema Público de Escrituração Digital SPED, conforme registrado no termo de verificação fiscal, esse deveria ser o critério utilizado para apuração tanto do débito lançado, quanto dos créditos não cumulativos. Vejamos o que dispõe a legislação tributária sobre o Regime Especial de Apuração e Pagamentos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre Combustíveis e Bebidas Recob Art. 5º da Lei nº 9.718/98 (grifei): Art. 5o A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). I – 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) e 6,9% (seis inteiros e nove décimos por cento), no caso de produtor ou importador; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). II – 3,75% (três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) e 17,25% (dezessete inteiros e vinte e cinco centésimos por cento), no caso de distribuidor.(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). § 1o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda de álcool, inclusive para fins carburantes, quando auferida:(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). I – por distribuidor, no caso de venda de álcool anidro adicionado à gasolina;(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). II – por comerciante varejista, em qualquer caso;(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.961 41 (...)§ 4o O produtor, o importador e o distribuidor de que trata o caput deste artigo poderão optar por regime especial de apuração e pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no qual as alíquotas específicas das contribuições são fixadas, respectivamente, em:(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). I – R$ 23,38 (vinte e três reais e trinta e oito centavos) e R$ 107,52 (cento e sete reais e cinqüenta e dois centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador;(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). II – R$ 58,45 (cinqüenta e oito reais e quarenta e cinco centavos) e R$ 268,80 (duzentos e sessenta e oito reais e oitenta centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor.(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). § 5o A opção prevista no § 4odeste artigo será exercida, segundo normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, até o último dia útil do mês de novembro de cada anocalendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o anocalendário subseqüente ao da opção.(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). § 6o No caso da opção efetuada nos termos dos §§ 4oe 5odeste artigo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil divulgará o nome da pessoa jurídica optante e a data de início da opção.(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). § 7o A opção a que se refere este artigo será automaticamente prorrogada para o anocalendário seguinte, salvo se a pessoa jurídica dela desistir, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, até o último dia útil do mês de novembro do anocalendário, hipótese em que a produção de efeitos se dará a partir do dia 1ode janeiro do ano calendário subseqüente.(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). § 8o Fica o Poder Executivo autorizado a fixar coeficientes para redução das alíquotas previstas no caput e no § 4o deste artigo, as quais poderão ser alteradas, para mais ou para menos, em relação a classe de produtores, produtos ou sua utilização.(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). Com base no disposto no § 8º acima transcrito, foi editado o Decreto nº 6.573/2008, cuja redação vigente em 2011 era a seguinte: Art.1º O coeficiente de redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que trata o§ 8odo art. 5oda Lei no9.718, de 27 de novembro de 1998, aplicável às alíquotas específicas de que trata o § 4ºdo mesmo artigo, fica fixado em 0,6333 para produtor, importador ou distribuidor. Fl. 3981DF CARF MF 42 I 0,0833 (oitocentos e trinta e três décimos de milésimos) para produtor ou importador; e(Incluído pelo Decreto nº 7.997, de 2013)(Vigência) II 1,00 (um inteiro) para o distribuidor.(Incluído pelo Decreto nº 7.997, de 2013) Art.2ºAs alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de que trata o§ 4ºdo art. 5ºda Lei nº9.718, de 1998, com a utilização do coeficiente fixado no art. 1º, ficam reduzidas, respectivamente, para: I R$ 8,57 (oito reais e cinqüenta e sete centavos) e R$ 39,43 (trinta e nove reais e quarenta e três centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador; e II R$ 21,43 (vinte e um reais e quarenta e três centavos) e R$ 98,57 (noventa e oito reais e cinqüenta e sete centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor. (...)A Instrução Normativa RFB nº 876/2008, com redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 894/2008, disciplinou a opção pelo Regime Especial aplicável às operações com álcool carburante, dispondo: Art. 1º Fica aprovado o aplicativo de opção pelo Regime Especial de Apuração e Pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre Combustíveis e Bebidas (Recob), de que tratam o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, o art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e o art. 4º da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 894, de 23 de dezembro de 2008) § 1º O aplicativo a que se refere o caput está disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. (destaque acrescido) § 2º Para o acesso ao aplicativo é obrigatória a assinatura digital do optante, mediante utilização de certificado digital válido. Art. 2º Podem optar pelo Recob as pessoas jurídicas: (...)II produtoras, importadoras ou distribuidoras de álcool, inclusive para fins carburantes, referidas no caput do art. 5ºda Lei nº9.718, de 1998; (...)Art. 3ºA opção pelo Recob produzirá efeitos a partir: I de 1ºde janeiro do anocalendário subseqüente, quando efetuada até o último dia útil do mês de novembro; II de 1ºde janeiro do ano seguinte ao anocalendário subseqüente, quando efetuada no mês de dezembro; e III do 1º(primeiro) dia do mês de opção, quando efetuada por pessoa jurídica que iniciar suas atividades no anocalendário em curso. Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.962 43 § 1º A opção de que trata o caput é irretratável durante o ano calendário em que estiver produzindo seus efeitos. § 2º A opção será automaticamente prorrogada para o ano calendário subseqüente, salvo em caso de desistência na forma do art. 4º. § 3º Para os efeitos do inciso III do caput, considera se início de atividade a data de começo da: (...) II produção, importação ou distribuição dos produtos referidos no inciso II do art. 2º; (...)A legislação tributária não deixa dúvidas, estabelecendo a necessidade de o contribuinte interessado no Recob efetuar sua opção por intermédio de aplicativo disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet. No caso específico do anocalendário de 2011, o prazo para opção foi até novembro de 2010. Tratase de uma típica obrigação tributária acessória, conforme definida no § 2º do art. 113 da Lei nº 5.172/19661 (Código Tributário Nacional – CTN) 2. Com efeito, o simples fato de o sujeito passivo efetuar a apuração em planilhas e registros internos, não é suficiente para elidir a sua obrigação de proceder de acordo com o legislação vigente, acima referenciada. Não há base legal para acolher os argumentos da defesa nesse aspecto. O contribuinte alega, também, que a autoridade fiscal manipulou a aplicação de dispositivos da legislação pertinente, de forma a impor a maior carga tributária possível. Não consigo vislumbrar em que ponto a legislação tributária foi manipulada no caso em questão. Considerandose que o contribuinte apresentou no anocalendário da autuação a DCTF “zerada”, e que não fez a opção pelo Recob, na forma prevista na legislação vigente, a forma de tributação tinha que ser a prevista no Art. 5º, inciso II, da Lei nº 9.718/98, retrotranscrita, e foi exatamente o que ocorreu. Daí porque não há como acolher o argumento de que teria havido manipulação do agente fiscal. Da Suposta Utilização de Dois Regimes pela Autoridade Fiscal. 2 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 3983DF CARF MF 44 Acusa a autuada que a fiscalização teria se utilizado de dois regimes de apuração diferentes e excludentes. Para apuração do débito foi aplicado o regime normal e, para o levantamento dos créditos usouse a informação do próprio contribuinte (que, segundo anotado no relatório, calculava tudo de acordo com o Recob). Conforme já destacado nesse voto, a fiscalização, ao apurar as contribuições devidas, anexo I, fls. 773, se utilizou de dados contidos em planilha fornecida pela própria autuada (Planilha de Apuração, fls. 72). No entanto, é de se observar que foram feitas as devidas adaptações para apuração da forma de tributação que o fisco entendeu como correta. Nesse sentido, foram utilizadas as alíquotas consideradas corretas (3,75% para o PIS e de 17,25% para a Cofins), e expurgados alguns valores de créditos considerados indevidos pela legislação vigente (essa questão ainda será comentada em item mais adiante). Portanto, o fato de alguns dados que se prestaram à apuração do contribuinte serem os mesmos a ser considerados pelo fisco não permite que se conclua que foram utilizados “dois regimes de apuração diferentes e excludentes”, de acordo com “a conveniência da autoridade autuante”. Créditos de PIS e Cofins e o Conceito de "Insumo" Segundo a Recente Jurisprudência do CARF. A defesa alega que a autuada tem consideráveis gastos com viagens, água, telefone, despesas postais, impressos e materiais de escritório, internet, cursos e treinamento de funcionários, cartório, pedágio, material de limpeza, uniformes/vestuário, seguros, honorários contábeis, informática e despesas com conservação e limpeza. Todos os referidos gastos estão diretamente vinculados à atividade principal da empresa, sendo considerados insumos na produção. Afirma que os créditos em questão precisam e devem ser aproveitados na apuração do débito de PIS e COFINS, sob pena de violação à não cumulatividade própria do sistema. Conforme consta na planilha de apuração das contribuições devidas, anexo I, fls. 773, os créditos foram apurados com base no disposto nos §§ 13 e 14 da Lei 9.718/98, cuja redação vigente em 2011 era a seguinte: § 13. O produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). § 14. Os créditos de que trata o § 13 deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.963 45 devidos pelo vendedor em decorrência da operação. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). A fiscalização também considerou como créditos os seguintes itens: Fretes e Carretos Diversos; Energia Elétrica; Aluguéis; Depreciação; Combustíveis e Lubrificante; e Despesas Veículos. Desde logo deve ser destacado que o contribuinte em questão é um distribuidor de combustíveis e, como tal, não faz sentido em se falar em insumos no processo produtivo. É certo que, efetivamente a questão relacionada ao conceito de insumos tem gerado bastante controvérsia na jurisprudência e doutrina. No âmbito da RFB, após a edição de diversos atos normativos tratando do assunto, destacase, por ser bastante esclarecedora, a recente Solução de Divergência Cosit nº 07, de 23/08/2016, cuja parte do conteúdo transcrevo, in verbis: 6. Consoante se observa, a divergência interpretativa circunscrevese ao conceito de “insumos” na legislação da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 7. As discussões em torno do tema são profundas e de grande relevância no contexto da não cumulatividade das aludidas contribuições. 8. Preliminarmente à análise de mérito das questões apresentadas pela recorrente, convém fixar premissas hermenêuticas norteadoras das análises subseqüentes. 9. Para facilitar a compreensão da matéria, transcrevemse as disposições legais pertinentes: Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)§ 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 3985DF CARF MF 46 (...)II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)§1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...)II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;” 10. Relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep, a Instrução Normativa SRF no 247, de 21 de novembro de 2002, em seu artigo 66, § 5º, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003, esclarece o conceito de insumo para fins de apuração de créditos: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...)b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b.2) na prestação de serviços; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) (...)§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.964 47 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifos nossos) 11. Quanto à Cofins, o referido conceito foi elucidado pela Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em seu artigo 8º: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...)b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...)§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)§ 7º O aproveitamento de crédito na forma dos §§ 2º e 5º deve ser efetuado sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...)§ 9º Aplicase ao PIS/Pasep não cumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: Fl. 3987DF CARF MF 48 I na alínea "b" do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea "e" do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004.” (grifos nossos) 12. Conforme se observa, apenas se consideram insumo, para fins de apuração de crédito da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. 13. Em outras palavras, entendese que a legislação exige relação direta e imediata entre o bem ou serviço considerado insumo e o bem ou serviço vendido ou prestado pela pessoa jurídica ao público externo, o que se demonstra, na maioria das vezes, pela existência de contato físico entre o beminsumo ou serviçoinsumo e o bem produzido para venda ou o bem ou pessoa beneficiado pelo serviço. Exatamente por esta característica, parcela dos estudiosos denomina este critério de critério físico ou crédito físico. 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.965 49 c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (...)Conforme se observa, são considerados insumos, para fins de apuração de crédito da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. A legislação exige relação direta e imediata entre o bem ou serviço considerado insumo e o bem ou serviço vendido ou prestado pela pessoa jurídica ao público externo. Por tais motivos, os gastos referenciados pela defesa, tais como viagens, água, telefone, despesas postais, impressos e materiais de escritório, internet, cursos e treinamento de funcionários, etc., embora possam ser considerados dedutíveis para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, não podem gerar crédito para fins de apuração do PIS e da Cofins, pois não se enquadram no conceito de insumos previsto na legislação dessas contribuições. Ressaltese que, as Soluções de Divergência da Cosit, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal (Art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396/2013). Portanto, o entendimento aqui expresso é incontroverso no âmbito da primeira instância administrativa. Sobre a Multa no Percentual de 150%. Discutese agora a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. A defesa alega, em resumo: Não se pode afirmar que houve dolo por parte do contribuinte, porque a conduta de informar a movimentação/apuração é de todo incompatível com a vontade livre e consciente de ludibriar a Administração Fiscal; O caso não se relaciona à fraude porque não há notícia da prática de nenhum ato para impedir ou retardar ocorrência de fato gerador. Muito pelo contrário, o fato gerador das contribuições ocorreu, é conhecido e foi informado no SPED. a "sonegação" também não se caracteriza haja vista que houve informação sobre o movimento de saída (vendas) escriturado no registro de saídas que compõe o SPED. Assim, ainda que se quisesse afirmar que a "sonegação" se caracterizaria pela transmissão de declarações (DCTF e DACON) zeradas à Receita Federal, o órgão fazendário tinha todas as informações das vendas de combustível realizadas no período. A multa qualificada no percentual de 150% teve por base o disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, a saber: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3989DF CARF MF 50 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)§ 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)O percentual de 150% deve ser aplicado apenas nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, o intuito de fraude foi aí aludido em seu sentido amplo, devendo para seu entendimento serem observadas as definições dos indigitados dispositivos, in verbis: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72.” O conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma, pois se refere à possibilidade de a sonegação e/ou a fraude serem orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). Analisandose as características textuais das definições empreendidas pelos arts. 71 e 72, a primeira premissa indispensável é a de que sonegação e fraude são condutas dolosas. Isso se depreende da expressão “(...) toda ação ou omissão dolosa tendente (...)”, que é repetida em ambos os artigos. Sonegação e fraude puníveis são condutas, e não genericamente quaisquer situações jurídicas. São sempre uma “ação” ou “omissão” perpetradas por ser humano, seja em relação ao sujeito passivo pessoa física, seja em relação ao sujeito passivo pessoa jurídica. Isto é, apenas existe Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.966 51 sonegação ou fraude qualificadoras se houver uma conduta humana (ação ou omissão). A conduta humana qualificadora deve ser dolosa. Afora todas as doutrinas e controvérsias existentes, podese satisfatoriamente colherse no direito positivo brasileiro o conceito jurídico de dolo. O Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940) prevê as figuras do dolo direto e do dolo eventual; tendo adotado a “teoria da vontade” em relação ao dolo direto e a “teoria do assentimento” em relação ao dolo eventual. Segundo a teoria da vontade, age dolosamente quem pratica a ação consciente e voluntariamente. São elementos do dolo: a) a consciência, isto é, o conhecimento do fato, a ciência de que a conduta é a conduta típica; b) a vontade de realizar a conduta típica. Eis o “dolo direto”: a vontade consciente de realizar a conduta típica. Age dolosamente (dolo direto) quem age sabendo que está agindo e querendo agir dessa maneira, mesmo que ignore completamente o caráter ilícito dessa ação. A potencial consciência da ilicitude não é elemento do dolo e, por isso, não se localiza dentro da tipicidade, mas sim é elemento componente da culpabilidade. Se a pessoa realiza uma conduta sabendo que estava realizando essa conduta e com vontade de realizar essa conduta, ela agiu dolosamente, ainda que tivesse plena convicção da licitude dessa conduta. Terá incorrido numa excludente de culpabilidade – erro de proibição –, mas terá agido dolosamente. Já o dolo eventual, conforme a teoria do consentimento, existe quando o sujeito tem a previsão da possibilidade de acontecimento do resultado e ainda assim realiza a conduta, ainda que não queira o resultado. O agente consente em realizar o resultado, mesmo que não o queira (irrelevância da vontade, substituída pelo assentimento). E aqui a diferença fundamental em relação à “culpa consciente”, que acontece quando o sujeito prevê a possibilidade do resultado, mas com ele não assente, porque ele acredita sinceramente que o resultado não acontecerá. Portanto, sonegação e fraude são condutas dolosas (dolo direto ou eventual). Para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, mediante apresentação de conjunto probatório suficiente. No caso dos autos, a fiscalização justificou a aplicação da multa qualificada nos seguintes termos, fls. 760/762: Foi aplicada a multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre tributos exigidos de ofício em razão da fiscalizada ter Fl. 3991DF CARF MF 52 praticado os atos previstos no art. 44, §1°, da Lei 9.430/1996, assim redigido: (...)Claro que a conduta comissiva ou omissiva tem que ser dolosa. Por isso, a mera inadimplência no pagamento de tributos ou as falhas e erros no cumprimento da obrigação principal, não caracterizam a sonegação. Mas, no caso, estamos diante de conduta omissiva reiterada do contribuinte, que jamais pode ser atribuída a esquecimento, erro ou falha formal. Alias, comportamento já praticado pela fiscalizada nos anos de 2009 e 2010 conforme Relatório Fiscal lavrado nos autos do processo n° 10865.721433/201228. Pelos próprios registros contábeis da fiscalizada, verificase a apuração de valores a Recolher de Pis e Cofins, mas que não foram informados na DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. (...)Com efeito, no anocalendário de 2011, o contribuinte apresentou movimentação financeira expressiva que totalizaram o montante de R$ 413.810.077,01 e em contrapartida apresentou todas as DCTF perante a Administração Tributária Federal totalmente “zeradas”, quando sabia ter valores a declarar, numa clara tentativa de ludibriar o fisco federal, mantendoo em erro. (...)O dolo, elemento volitivo do tipo, está materializado na própria conduta reiterada da fiscalizada, consistente em ludibriar a Administração Tributária, mediante o expediente doloso de informar que nada devia a título de tributos e contribuições federais (não se trata de omissão de Declarações, mas de ação movida pela vontade de apresentar débitos "zero") justificando a qualificação da penalidade e sua exasperação para 150% (cento e cinquenta) por cento, a incidir sobre os tributos e contribuições agora exigidos de ofício. Como se pode observar, no caso em questão restou devidamente comprovada a existência de uma ação constante e repetitiva do contribuinte em não informar ao fisco, por intermédio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, os valores devidos durante os anoscalendário de 2009, 2010 e 2011 (este abrangido no presente lançamento), relativo aos tributos PIS e Cofins, embora tenha apurado valores em sua própria escrituração. A contumácia com que essa ação se repetiu demonstra o caráter intencional do procedimento adotado pelo sujeito passivo (dolo). Tal conduta, sem sombra de dúvidas retardou o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador das contribuições, o que justifica a qualificação da multa, conforme previsto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, combinado com os art. 71 e 72 da Lei nº 4.506/64. A jurisprudência administrativa já consolidou o entendimento de que caracteriza o evidente intuito de fraude a prestação de informação sistemática e reiterada à Receita Federal, em Fl. 3992DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.967 53 valores expressivamente menores do que os efetivamente devidos com base na legislação vigente. Citemse nesse sentido: Ac. 0532179 DRJ Campinas Multa Qualificada. Omissão de Receita. Expressiva, Sistemática e Reiterada. Inaplicável ao caso a Súmula nº 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, na medida em que não se trata de simples apuração de omissão de receitas, mas de apuração de omissão de receitas com circunstâncias (quais sejam: informação sistemática e reiterada à RFB de bases de cálculo e de tributos devidos em valores expressivamente menores do que os efetivamente apurados) que autorizam a qualificação da multa de ofício, porque comprovado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ac. CARF nº 1201000.913, de 07/11/2013 MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. A insistência da contribuinte de se declarar inativa durante anoscalendários consecutivos e omitir receitas reiteradamente com o claro propósito de sonegar tributos denota o elemento subjetivo da prática dolosa e dá azo à aplicação da multa qualificada em razão do dolo previsto no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Ac. CARF nº 2801003.581, de 16/07/2014 PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF RETIFICADORAS QUE AUMENTAM VALOR DE RESTITUIÇÃO. REITERAÇÃO. FRAUDE. INTENÇÃO DO AGENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA 150%.. LEGALIDADE. A transmissão reiterada de declarações retificadoras que incluíram deliberadamente deduções da base de cálculo do imposto que o contribuinte sabia inexistentes configuram o evidente intuito de fraudar o Fisco. Esse entendimento também foi mantido pelo CARF ao apreciar o processo nº 10865.721433/201228, que envolve a mesma infração praticada pela autuada nos anoscalendário de 2009 e 2010: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, demonstram o inequívoco intuito de fraude, sujeitando o infrator à multa de ofício qualificada. Escorreito, pois, o procedimento fiscal em considerar dolosa a conduta do contribuinte, qualificando a multa, nos termos previstos no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Impugnação Apresentada pelo Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso, fls. 952/970. De início, convém transcrever parte do Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Marco Antonio de Medeiros Fl. 3993DF CARF MF 54 Alonso (Termo nº 002/2015, fls. 786/787) e do Termo de Verificação Fiscal, fls. 762/763 (destaque acrescido): Termo de Sujeição Passiva: Termo de Verificação Fiscal: Assim, pelo fato dos integrantes da administração da empresa FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO admitido na sociedade em 29/03/2010 na qualidade de Sócio Administrador; e os representantes da sócia ARCFRAN (detentora de 99,00% do capital da fiscalizada) na qualidade de Sócio Administrador ANDRE LUCIANO ZANOVELO admitido em 20/07/2011 e MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO atuando formalmente no período de 11/02/2008 a 24/05/2010, terem exercidos a administração ou gerência da sociedade com a prática de atos com infração à lei, pondo em execução a fraude e a sonegação fiscal, com o resultado de supressão ou redução dos tributos, estes devem responder solidariamente pelas dívidas tributárias, nos termos dos artigos 135, inciso III, e 124, I, do Código Tributário Nacional, verbis: (...)Pela alteração contratual da sócia ARCFRAN o Sr. MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO teria saído formalmente da sociedade em 24/05/2010, porém mesmo após esta retirada continuou há (sic) participar ativamente da administração da GIGANTE, fato este devidamente comprovado nos Autos do processo da Reclamatória Trabalhista n° 000076138 2012.5.15.0076: Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.968 55 O Sr. ANDRE LUCIANO ZANOVELO que detinha 99,00% das quotas do capital social da ARCFRAN (na qualidade de SócioAdministrador) de 20/07/2011 a 09/04/2012, que em contrapartida era controladora da GIGANTE com 99,00% do seu capital social. Mas no intervalo de 24/05/2010 a 20/07/2011 a empresa ARCFRAN tinha como sócia a XANGRILA PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ: 10.267.594.000155 com participação de 99,00 % do seu capital social, que por sua vez teve como PRESIDENTE o Sr. ANDRE LUCIANO ZANOVELO no período de 21/05/2010 a 04/10/2013. Na data de 12/11/2012 foi nomeado pela GIGANTE o Sr. FABIO ANDRE CALDAS como representante para movimentar a conta bancária junto ao Banco Bradesco S/A por meio da Procuração lavrada no Cartório de Registro Civil de Paulinia SP Livro 0203 FL 312, registrese que no período de 04/2011 a 06/2014 o mesmo Sr. Fábio Andre Caldas era SócioAdministrador da empresa MAXX ÁLCOOL REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA CNPJ 11.948.501/000110 que nesta época tinha o Sr. ANDRE LUCIANO ZANOVELO com 50% do seu capital social. Em sessão de 01/06/2010 (JUCESP 169.113/103) foi registrada a retirada da participação societária na GIGANTE do Sr. MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO, porém na data 09/02/2012 ele foi representante da fiscalizada com poderes para movimentar a conta bancária junto ao Banco Bradesco S/A por meio da Procuração lavrada no Cartório de Registro Civil de Paulinia SP Livro 0192 FL372. Como se pode observar, embora o Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso tenha saído formalmente da empresa autuada em 24/05/2010, a fiscalização entendeu que ele continuou participando ativamente da sua administração, durante o anocalendário de 2011, com base na constatação dos seguintes fatos: Fl. 3995DF CARF MF 56 1 os dados apurados nos autos do processo da Reclamatória Trabalhista n° 0000761382012.5.15.0076 (2ª Vara da Justiça do Trabalho, em Franca, São Paulo); 2 na data 09/02/2012 ele foi representante da fiscalizada com poderes para movimentar a conta bancária junto ao Banco Bradesco S/A, por meio da Procuração lavrada no Cartório de Registro Civil de Paulinia SP Livro 0192, fls. 372. O referido processo trabalhista teve as seguintes partes envolvidas (destaque acrescido): Reclamante: FLÁVIO ANDRE VINHOLA Reclamadas: 1) ARCFRAN — EMPREENDIMENTOS, NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; 2) MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO; 3)ANTONIO ALONSO FERRACINI; 4) MARIA SILVIA DE MEDEIROS ALONSO KUHN; 5) ANDRE LUCIANO ZANOVELO; 6) OXXIL LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA; 7) PETROBALL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA.; 8) GIGANTE ARMAZENADORA E DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO E ÁLCOOIS LTDA— ME; 9) PETROGOLD DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA.; 10) ARROWS PETRÓLEO DO BRASIL LTDA — ME; 1 11) TRIM DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA ME. Objeto: Ação trabalhista. A partir da decisão de primeira instância, a autoridade judicial competente entendeu que restara comprovado que o Sr. Flávio Andre Vinhola prestou serviços para um grupo de empresas que atuavam na área de combustíveis (dentre elas, a autuada), que foram representadas pelo Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso. Seque o inteiro teor do Dispositivo, datado de 22/10/2015: Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.969 57 Conforme documento anexado ao processo trabalhista às fls. 782/783, ingressaram com recurso ordinário as seguintes partes do processo: Fl. 3997DF CARF MF 58 No entanto, tais recursos restaram prejudicados, tendo em vista a existência de acordo entre o reclamante (Sr. Flávio Andre Vinhola) e a reclamada Petroball Distribuidora de Petróleo Ltda. Copiase, a seguir, parte da decisão do Sr. Juiz Auxiliar da VicePresidência Judicial Renato Henry Sant'Anna: Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.970 59 A decisão judicial entendeu que o Sr. Flávio Andre Vinhola prestou serviços para um grupo de empresas que atuavam na área de combustíveis (dentre elas, a autuada), que foram representadas pelo Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso. O Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso se insurgiu contra o termo de sujeição passiva com base nos seguintes argumentos: Jamais ocupou um único cargo sequer de administração na GIGANTE (sujeito passivo), mormente em relação ao período sob fiscalização (01/2011 a 12/2011). O Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 002/2015 ao indicar base legal (artigo 135, III, do CTN) é desconectado dos fatos reais e padece de sérios vícios de nulidade e legalidade. Era administrador da sócia ARCFRAN e não do sujeito passivo principal (GIGANTE). Há, neste ponto, um nítido equívoco: o fato de ter atuado como administrador da sócia não transfere automaticamente para o Impugnante o "status" de administrador da investida. O Impugnante atuou como sócio e administrador da ARCFRAN entre 11/02/2008 e 03/05/2010, e o período de fiscalização que gerou a autuação se circunscreve a 01/2011 a 12/2011. Os novos compradores, por sua vez, nomearam outro administrador, como atesta a 8ª alteração contratual da ARCFRAN (Doc. 02). O relato fiscal realiza uma superposição totalmente ilegítima entre o cargo de administrador da sócia (ARCFRAN) e o cargo de administrador do sujeito passivo (GIGANTE), sendo certo que a regra constante do artigo 135, III, do CTN, está endereçada exclusivamente ao administrador do sujeito passivo (GIGANTE), jamais ao administrador do sócio do sujeito passivo (ARCFRAN). Afinal, este último carece de poderes e meios para interferir na gestão fiscal da sociedade investida. Considera também incabível a alegação de que o Impugnante pertenceria a um suposto "grupo econômico", e que tal situação atrairia a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. Questiona a sentença trabalhista em que se baseou a fiscalização, pois sequer transitou em julgado. O artigo 124, I, do CTN não adota a expressão "grupo econômico" como fundamento para atrair a solidariedade. Sobre a existência de uma procuração outorgada ao Impugnante para acessar conta bancária específica em nome da GIGANTE, a defesa alega que também atua no mercado de combustíveis, e, portanto, mantinha relações comerciais com diversas empresas do ramo. Após a troca do controle societário ocorrido na ARCFRAN (sócia da GIGANTE), os novos sócios queriam ampliar a carteira de clientes da empresa recémadquirida. Como resultado das negociações ocorridas entre o Impugnante e os novos sócios da GIGANTE, ficou determinado que a GIGANTE indicaria uma conta Fl. 3999DF CARF MF 60 bancária específica com o propósito de segregar o faturamento dos clientes indicados pelo Impugnante em relação ao restante de sua operação. O objetivo do uso da conta bancária era conferir visibilidade às receitas geradas pelo Impugnante e segurança para as partes contratantes. O Impugnante receberia uma remuneração em decorrência da indicação dos clientes. Como se pode observar, a defesa concentra seus argumentos no sentido de questionar a validade da referida decisão judicial e o fato de ainda não ter transitado em julgado. Na realidade, a fiscalização se utilizou de uma prova produzida em outro processo, o que se costuma designar de "prova emprestada". De acordo com o art. 369 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), as partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. No caso específico da prova emprestada, tem sido convergente o entendimento da doutrina e da jurisprudência de que o essencial é que tenha sido obtida por meio lícito e respeitados os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Além disso, o empréstimo é da prova, ou seja, fatos, demonstrações, levantamentos, em função do que firmase um convencimento, e não simplesmente das conclusões formais do outro processo. Nesse sentido, citemse os seguintes julgados administrativos (grifei): Ac. DRJ/CPS nº 30.204, de 02/09/2010: Prova Emprestada. Validade. É perfeitamente admitido, no sistema jurídico pátrio, que a prova produzida num processo seja transladada e aproveitada em outro, por meio de certidão extraída do processo de origem. As restrições referemse a simples transposição das conclusões sem as provas correspondentes, fato não ocorrido no âmbito dos presentes autos. A prova emprestada deve ser admitida principalmente quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório Ac. 3102 002.363, sessão 29/01/2015: PROVA EMPRESTADA. INFORMAÇÃO PRESTADA PELO FISCO ESTADUAL EXTRAÍDA DE DECLARAÇÃO PRESTADA PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. DADA OPORTUNIDADE DE JUSTIFICAR DIFERENÇA DA RECEITA OMITIDA NA FASE DE FISCALIZAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual, na fase de fiscalização, são admissíveis no processo administrativo fiscal, especialmente, se o contribuinte foi intimado a justificar a diferença a menor entre a receita declarada perante à Secretaria da Receita Federal do Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.971 61 Brasil (RFB) e a declarada ao órgão de Administração Tributária estadual e, de forma intencional e deliberada, não apresenta à fiscalização livros ou documentos da sua escrituração fiscal que foram juntados aos autos apenas na fase recursal. Recurso Voluntário Negado. Acórdão 10307388, de 13/05/86: O empréstimo é da prova, ou seja, fatos, demonstrações, levantamentos, em função do que firmase um convencimento, e não simplesmente das conclusões formais, ainda que tenha havido pagamento, ato de vontade que pode ter à base de fatores diversos de conveniências e/ou oportunidades, e que, naturalmente, não tem como ser erigido à condição de uma presunção jure et jure de concordância com os fatos subjacentes, posto que a obrigação tributária denunciadora da ocorrência concreta do fato gerador (imponível), é exlege por excelência, e não exvolunta. Assim, no presente caso o elemento de prova que deve ser utilizado para análise da vinculação do Sr. Marco com a autuada são os documentos constantes no processo trabalhista que ensejaram a decisão da 2ª Vara do Trabalho de Franca, São Paulo ( fls. 3.245). Resssaltese que, por solicitação dessa autoridade, todo conteúdo do processo judicial em referência foi anexado aos autos (fls. 1.252/3.533). Portanto, são provas obtidas por meio lícito, e como tal podem ser consideradas no presente processo. Retornemos à questão relacionada à atribuição de responsabilidade solidária atribuída ao Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso. Na decisão da 2ª Vara do Trabalho de Franca, São Paulo, o meritíssimo Sr. Juíz destaca que: Fl. 4001DF CARF MF 62 O email a que se refere a citada decisão tem o seguinte teor (anexado aos autos às fls. 1.831): Esse documento foi retirado dos autos do processo judicial, sendo, portanto, plenamente válido para ser analisado no presente processo. Também se extraem do processo trabalhista as seguintes questões: 1 diante dos depoimentos colhidos, o Sr. Flávio André Vinhola foi contratado pelo Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso para representar os seus negócios. À época, o Sr. Marco figurava como sócio administrador da Arcfran, que era proprietária de 99% das cotas sociais da Gigante (autuada); e 2 em audiência pública, o representante da Arcfran e da Gigante confessou que essas empresas pertencem a um mesmo grupo econômico. 3 embora de per si não possa ser considerado como elemento probante, merece ser destacado que o Sr. Juiz Eduardo Souza Braga concluiu, a partir das provas constantes no processo, que as pessoas físicas e jurídicas (dentre elas a autuada) faziam parte de uma só organização empresarial nesses termos: Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.972 63 Com efeito, deveria a defesa ter apresentado elementos que pudessem inquinar a validade de tais provas, e não simplesmente questionar a decisão judicial ou o fato de ainda não ter transitada em julgado. Outro aspecto relevante, que corrobora com a tese que durante o ano de 2011 a Gigante possuía intensa ligação com o sr. Marco (apesar desse ter se desligado da empresa controladora ARCFRAN), foi a constatação de que em 09/02/2012 foi concedido poderes ao Sr. Marco para representar a fiscalizada, inclusive movimentar a conta bancária junto ao Banco Bradesco S/A (Procuração lavrada no Cartório de Registro Civil de Paulinia SP Livro 0192 FL372). A defesa alega que essa procuração objetivou conferir visibilidade às receitas geradas pelo Impugnante, a partir de uma nova relação comercial, em que o Sr. Marco atuaria como representante comercial. Ora, não faz sentido se transferir tantos poderes a um terceiro que não faça parte da administração da empresa. Se era para dar transparência, bastaria o fornecimento do extrato bancário periódico, e não a concessão de poderes de movimentação da conta, que é inerente ao responsável da pessoa jurídica. Portanto, essa concessão de poderes para movimentação bancária logo no início de 2012, somada ao conteúdo do email indicado no processo trabalhista, fortalece o entendimento de que o Sr. Marco continuou a ter ingerência na Gigante Armazenadora, mesmo tendo formalmente se desligado da empresa controladora ARCFRAN em 2010. Passemos agora à análise do dispositivo legal utilizado pela fiscalização para embasar o vínculo de responsabilidade tributária. Embora o Termo de Verificação Fiscal cite tanto o art. 124 como o art. 135, inciso III, do CTN, o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso (Termo nº 002/2015, fls. 786/787) faz referência somente a esse último. Assim, restringirei a minha análise somente a esse dispositivo. O art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, estabelece a responsabilidade tributária aos diretores, gerentes e administradores de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, nos seguintes termos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; Fl. 4003DF CARF MF 64 II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. De início, emerge a questão da correta exegese do que vem a ser “infração de lei”. A Súmula nº 430, de 24/03/2010, do Supremo Tribunal Federal (a seguir transcrita), traduz o entendimento de que o mero inadimplemento do pagamento do tributo não pode dar causa à responsabilização dos sócios gerentes (administradores). STJ Súmula nº 430 Inadimplemento da Obrigação Tributária Responsabilidade Solidária do SócioGerente O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Ainda sobre o inciso III do art.135 do CTN, a Fazenda Pública Federal, por meio da ProcuradoriaGeral, já se manifestou acerca do tema, conforme consta no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, que ora se reproduz excertos de sua conclusão: VII CONCLUSÃO 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: a) A responsabilidade do dito “sóciogerente”, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de “gerente” (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art.135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; [...]d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; [...]j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o “sóciogerente” só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art.135, III, do CTN; [...]u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando, sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. 107. Por fim, ressaltamos que nossas conclusões aplicamse exclusivamente ao regramento ordinário do art.135, III, do CTN, não alcançando, portanto, regras especiais previstas na Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.973 65 legislação que responsabilizam com mais rigor os sócios ou os administradores das pessoas jurídicas. Como evidenciado no exame de mérito do lançamento, com multa de ofício qualificada (150%), a habitualidade e reiteração no cometimento das infrações tributárias revelam, inescapavelmente, o evidente intuito em lesar a Fazenda Nacional. No caso em análise, ficou perfeitamente comprovado que não se trata de mero inadimplemento da obrigação, mas de conduta deliberada (falta de declaração de valores devidos), que, inquestionavelmente, configura infração à lei cometida pelas pessoas com poderes de administração no período fiscalizado. Na esteira desse entendimento citemse, dentre muitas, as seguintes decisões do CARF: Ac. CARF nº 1302001.991, Sessão de 13/09/2016: SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135 DO CTN. Os atos infracionais dos sócios que administravam a sociedade durante o período autuado são enquadráveis no artigo 135 do CTN, devendo ser mantida a sua responsabilidade sobre os créditos lançados na presente autuação. Ac. CARF Acórdão 130200.167, Sessão de 11/03/2010: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA Se as provas carreadas aos autos deixam fora de dúvida a participação de variado número de pessoas nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tais pessoas devem ser mantidas no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. Portanto, diante das evidências expostas na auditoria fiscal, entendo como correta a imputação de responsabilidade ao Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso. Impugnação apresentada pelo Sr. André Luciano Zanovelo, fls. 1.023/1.038. Alega, em síntese, o Sr. André Luciano Zanovelo: Embora a fiscalização acuse a existência de "grupo econômico" baseada nas informações extraídas da reclamação trabalhista (RT 000076138.2012.5.15.0076), não fez qualquer comprovação do liame do defendente André Luciano Zanovelo com a pessoa jurídica devedora ou, mais Fl. 4005DF CARF MF 66 do que isso, mostrar quais teriam sido seus atos de gestão à frente da pessoa jurídica. O relatório é bastante confuso nesse ponto, à medida que mistura os institutos sem detalhar como estaria caracterizado cada um deles. O Fiscal copiou, aleatoriamente, vários trechos da sentença (conforme lhe aprouve) sem nenhum tratamento adequado das informações e sem trazer, dos autos da Justiça do Trabalho, os documentos que seriam necessários ao embasamento da tese fiscal. É sempre bom ter em conta que o defendente foi quotista da ARCFRAN Empreendimentos, Negócios e Participações Ltda., no curto período que vai de 20 de julho de 2011 e 19 de abril de 2012, conforme informações do próprio relatório da auditoria fiscal. E a ARCFRAN, por seu turno, era detentora de participação na devedora, a Gigante Armazenadora e Distribuidora. Não há, pois, qualquer ato de Gestão apresentado com o Relatório que comprove ou ao menos indique qualquer vínculo dessa natureza com o defendente. O defendente André entrou na ARCFRAN em julho de 2011 (conforme relata o próprio fiscal) e saiu em abril de 2012, como sócio quotista e NUNCA com poderes de administração; muito menos teve poderes de gestão da devedora Gigante Armazenadora e Distribuidora. Sobre o email alega: A fiscalização, baseada em trecho da sentença da Justiça do Trabalho, diz haver uma comunicação eletrônica (email) no qual um pretenso funcionário da ARCFRAN (Flávio Vinhola) fez a cobrança de valores que lhe seriam devidos, ao que se respondeu que a liberação do pagamento dependeria do Sr. André, que por seu turno, dependia de autorização do Sr. Marco. O email de folha 79 revela uma conversa entre o Sr. Sérgio, da Gigante, e o reclamante, em que o obreiro solicita o seu pagamento. Esses emails são de abril de 2011 (depois, portanto, do término da parceria). Nessa comunicação não se afirmou, em nenhum ponto, que "André" dependia da autorização de "Marco" para realizar pagamento. Aliás, não se reconhece a existência de tal email no processo trabalhista, nem que houve qualquer pedido ao Sr. André pelo Sr. Flávio de qualquer pagamento, muito menos que dependeria de autorização do Sr. Marco. Tanto que o Sr. Flávio Vinhola nunca mandou qualquer email ao Sr. André. Não há, nem neste processo administrativo e muito menos no processo trabalhista qualquer documento neste sentido. Vale frisar que a sentença não pode ter efeito absoluto como quer fazer crer o Agente Fiscal, pois ainda pendente de análise pelo Tribunal Regional do Trabalho, uma vez que o processo não transitou em julgado. Como sócio ingressante na ARCFRAN foi procurado para pagar as verbas que eram reclamadas por Flávio Vinhola e, por Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.974 67 não se tratar de dívida de funcionário que teria laborado sob comando de antigos sócios, buscou se comunicar com o Sr. Marco Antônio Medeiros, pois foi no período deste que vigorou o contrato de trabalho. Se fossem realmente devidas essas verbas pela então diretoria que constava no quadro social da ARCFRAN, tal tipo de assunto deveria ser tratado diretamente com o Sr. Fabrício Rebelato, então responsável pelos assuntos de contratação de funcionários. A alegação de grupo econômico também não supre a deficiência da decisão, notadamente porque veio transplantada (sem o devido tratamento) da Justiça do Trabalho, onde esse instituto tem significado e caracterização totalmente diferentes. Entretanto, a responsabilização tributária do administrador, ou qualquer denominação que a ele se dê, só é possível no caso de o mesmo ter praticado ato ilícito ou agido com excesso de poderes, conforme disposto no ar. 135. Desse modo, considerando não preenchidos os requisitos para a responsabilização do impugnante (especialmente porque se tem prova de que todos os atos de administração foram executados pelo sócio Fabrício Rebelato) e de rigor a reforma do ato impugnado para fins de excluir o impugnante da condição de responsável solidário pelo crédito lançado. Dada a sua relevância, convém transcrever novamente parte do Termo de Verificação Fiscal: Fl. 4007DF CARF MF 68 O Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 788 fundamentou o vínculo de responsabilidade do Sr. André Luciano Zanovelo somente com base no art. 135, III, do CTN (embora o Termo de Verificação Fiscal também cite o art. 124 do mesmo código). De início, devese destacar que o email que consta às fls. 79 do processo judicial já foi transcrito no presente voto, quando da análise do item anterior. Da sua leitura, inferese que a referida mensagem não foi enviada pelo Sr. Flávio Vinhola diretamente ao Sr. André. Assim tal documento, por si só, não pode ser considerado como elemento probante para atribuir a responsabilidade tributária do contestante. Porém, o seu conteúdo, se verdadeiro, indica que o Sr. André Luciano Zanovelo tinha uma participação ativa na administração de negócios de combustíveis, tanto é que estava sendo consultado para efetuar o pagamento de serviços prestados por terceiros. Devese observar, também, que a fiscalização se utilizou de outros fatos para arrolar o Sr. André Luciano Zanovelo, em especial, a vinculação de suas atividades com as do Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso. Além disso, conforme comentado no item precedente, a partir dos depoimentos prestados nos autos do processo judicial, restou comprovado que as pessoas físicas e jurídicas (dentre elas a autuada) faziam parte de uma só organização empresarial. Portanto, o Sr. André Luciano Zanovelo não era meramente um sócio das controladoras "Arcfran" e "Xangrila", mas também exercia participação ativa na administração dos negócios da controlada (no caso, a Gigante Armazenadora e Distribuidora), fato que fortalece a tese de veracidade do conteúdo do email citado. Destarte, considerandose que a questão relacionada à atribuição de responsabilidade, com base no art. 135, inciso III, do CTN já foi enfrentada no item anterior, dispensase, por economia processual, tecer novamente as mesmas considerações sobre o assunto. Mantenho, portanto, as mesmas conclusões já expostas no presente voto, com relação à atribuição de responsabilidade ao Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso, devendose considerar também o Sr. André Luciano Zanovelo como responsável solidário pelo crédito tributário lançado. Impugnação apresentada por Fabrício Zanovelo Rebelato, fls. 1.060/1.080. A impugnação apresentada pelo Sr. Fabrício Zanovelo Rebelato é quase idêntica à peça contestatória apresentada pela autuada. O único aspecto que diverge é quanto à alegação de inexistência de requisitos para aplicação dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN. Aqui também o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 003/2015, fls. 790, fundamentou apenas no art. 135, inciso III, do CTN. Fl. 4008DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.975 69 A questão que envolve a atribuição de responsabilidade solidária ao Sr. Fabrício decorre do fato de ele ser o sócio administrador da empresa autuada, tendo sido admitido em 29/03/2010. Conforme já foi analisado no presente voto (item relacionado à defesa do Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso), os atos infracionais dos sócios que administravam a sociedade durante o período autuado são enquadráveis no artigo 135 do CTN, sendo pacífica e convergente a jurisprudência administrativa nesse aspecto. Portanto, no presente caso, uma vez comprovado que se trata de sócio com poderes de administração, é de se manter a mesma conclusão dos itens precedentes, sendo correta a atribuição de responsabilidade solidária. Pessoas Jurídicas Arroladas como Devedores Solidários. Foram arrolados como devedores solidários, com base no art. 124, inciso I, do CTN, as seguintes pessoas jurídicas, por interesse comum na situação que constitua o fato gerador das obrigações tributárias lançadas: Contestaram o lançamento, as seguintes empresas: Arpex Consultoria e Gestão Empresarial S/A, fls. 1.086/1.088. Oxxil Logística e Transportadora Ltda. (datada de 14/01/2016, fls. 994/1001), tendo como signatário o senhor Marcelo Barizão de Oliveira Júnior Oxxil Logística e Transportadora Ltda. (datada de 19/01/2016, fls. 923/932), tendo como signatário o senhor Orlando Carvalho de Medeiros; e Petrogold Intermediação e Agenciamento de Negócios em Álcool Combustíveis Ltda. (fls. 892/904, em 06/01/2016). Dada a similitude dos argumentos apresentados e por terem por base os mesmos fatos apurados pela fiscalização, analisarei as contestações em conjunto no presente item. Fl. 4009DF CARF MF 70 O litígio envolve a vinculação entre as pessoas jurídicas arroladas como devedores solidários, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. Art. 124 CTN. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) preconiza que “na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas”. Para o STJ “é imprescindível que as empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico”. Segundo o referido Tribunal, é necessário demonstrar que os titulares dos interesses estão no mesmo pólo da relação jurídica3. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, imperativo procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do art. 124, I, do CTN. Assim, o interesse comum das pessoas não pode ser interpretado como sinônimo de simples reflexo do interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal, pressupondose, pois, interesse jurídico, que guarda correlação à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, “é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico” (REsp. nº 834.044/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, julgado em 11/11/2008) Nesse sentido, o Resp 1079203/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, 2ª T, 03/03/2009, STJ: 3 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). REsp 834.044/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJe 15.12.08; REsp 884.845/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/02/2009; REsp 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 15.10.2007; REsp 1.001.450/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJe 27.03.2008; AgRg no REsp 21.073, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 26.10.2011; AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, DJe 26.3.2009; AgRg no REsp 94.238/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe 16/10/2012; AgRg no Ag 1.415.293/RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 21/09/2012; AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 27/03/2015; AgRg no REsp 1.433.631/PE, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 13/03/2015; Resp 1.079.203/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe 02/04/2009. Fl. 4010DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.976 71 “É tranquilo nesta Corte o entendimento segundo o qual não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico”. A existência de grupo econômico não desnatura a identidade das empresas associadas, que permanecem como pessoas jurídicas distintas e autônomas, respondendo cada qual pelo pagamento de seus débitos tributários, exceto quando se comprovar que o grupo econômico é irregular. A questão essencial em situações dessa natureza é que reste comprovado que o grupo econômico formado não deixa de ser uma única empresa. Normalmente considerase que há interesse comum quando as empresas possuem o mesmo corpo diretivo, ou quando há confusão patrimonial entre duas ou mais empresas ou, ainda, quando ocultam ou simulam negócios jurídicos internos, visando dificultar ou impedir que a execução fiscal. Para se caracterizar o interesse comum deve estar devidamente demonstrada a existência de um liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico. As empresas têm apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação é complementar. São os casos em que resta caracterizada confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, casos em que há abuso da forma entre as empresas integrantes do agrupamento. Analisemos, agora, os motivos que ensejaram a atribuição de responsabilidade solidária no caso em litígio. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 764/771, a seguinte fundamentação (grifei): 4.2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO GRUPO ECONÔMICO Além da responsabilização dos administradores da fiscalizada, os créditos tributários devidos também devem ser exigidos solidariamente das empresas abaixo relacionadas, tendo em vista a formação de grupo econômico de fato, caracterizado pelos os fortes liames societários, confusão patrimonial e econômica, submissão ao mesmo poder de controle e identidade do objeto social, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, verbis, conforme será explanado a seguir. Com efeito, se devidamente comprovado o que foi indicado pela fiscalização, entendo que estará bem fundamentado o arrolamento das empresas como devedores solidários, tendo por base o entendimento convergente da jurisprudência citada. Analisemos, pois, os fatos apurados, que embasaram essa conclusão. 1 SENTENÇA DA JUSTIÇA DO TRABALHO Fl. 4011DF CARF MF 72 Conforme já citado no presente voto, a Sentença proferida em 22/10/2015 pela Justiça do Trabalho na Reclamatória Trabalhista Processo n° 0000761382012.5.15.0076, embora tenha reconhecido a formação de um GRUPO ECONÔMICO composto por estas empresas e pessoas físicas na condução negócios com combustíveis (Distribuição, Transporte e Comercialização), não possui, de per si, efeito vinculante nessa instância tributária. Assim, apenas os elementos de prova constantes no referido processo podem ser utilizados na convicção dessa autoridade julgadora. Nesse contexto, são relevantes os depoimentos e demais elementos de prova que demonstram que estas empresas juntamente com a autuada pertenciam a um conglomerado familiar e que tinham uma direção unitária sob a responsabilidade do Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso e o Sr. André Luciano Zanovelo. Dentre esses depoimentos, destacamse: 1 Depoimento do Sr. Flávio André Vinhola, fls. 1.269: Fl. 4012DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.977 73 Depoimento de Clayton André de Lima Paiva, fls. 2.907: Fl. 4013DF CARF MF 74 2 QUADRO SOCIETÁRIO DAS SOCIEDADES AGRUPADAS Após fazer uma análise detalhada da composição societária das diversas empresas envolvidas, fls. 766/768, a autoridade fiscal demonstrou a existência de empresas com um controle unitário e obedecendo todas a uma única direção econômica. Na composição delas, o Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso ou algum membro de sua família como sócio, em conjunto com o Sr. André Luciano Rebelato ou alguma outra pessoa a ele ligada. Fl. 4014DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.978 75 No presente voto já decidimos que procede a atribuição de responsabilidade solidária aos referidos senhores, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN. Um dado interessante, que reforça a íntima ligação entre as empresas e administradores, é que elas em juízo perante a JUSTIÇA DO TRABALHO no mesmo processo (Reclamatória Trabalhista n° 0000761.38.2012.5.15.0076), foram representadas pelo mesmo Advogado. Tal constatação é mais um elemento indiciário a convergir com a tese levantada pela autuante de que a empresas possuem controle unitário. 3 CONFUSÃO PATRIMONIAL E DE NEGÓCIOS Neste ponto, a fiscalização identificou diversas operações de transferências de bens e a realização de empréstimos entre empresas e administradores. Transcrevo, a seguir, in verbis: • A fiscalizada para não ter os seus bens arrolados para garantia do crédito tributário no Processo 10865.721433/201228 em que foi cientificada no dia 06/06/2012, em uma ação rápida e intencional no prazo de 15 (quinze) dias anterior a ciência efetuou a transferência de 27 (vinte e sete) veículos de seu patrimônio para a empresa OXXIL Logística e Transportes Ltda; • Em 12/2012 também transferiu 02 (dois) veículos para a empresa REDE K5 PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ: 14.789.650/000172 que tem como sócioadministrador MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO desde 21/12/2011; • Na IRPF de 2012 do Sr. MARIO ZANOVELO consta o registro de um empréstimo de R$ 70.000,00 efetuado pelo sr. FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO e em 02/04/2012 a aquisição de R$ 15.000,00 em quotas do capital social da empresa ARCFRAN Empreendimentos, Negócios e Participações Ltda; • Nas IRPF do Sr. FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO consta o registro das seguintes operações: 2011 Empréstimo de R$ 150.000,00 junto a empresa GIGANTE; 2012 Empréstimo de R$ 1.320.000,00 junto a empresa XANGRILA PARTICIPAÇÕES para aquisição 1.470.000 quotas do capital social da empresa ARCFRAN Empreendimentos, Negócios e Participações Ltda; 2012 Recebimento de R$ 2.773.500,00 de Lucros e Dividendos da empresa ARCFRAN Empreendimentos, Negócios e Participações Ltda. Nas IRPF do Sr. ANDRE LUCIANO ZANOVELO consta o registro das seguintes operações: Fl. 4015DF CARF MF 76 2011 Empréstimo de R$ 500.000,00 junto a empresa GIGANTE; 2012 ADQUIRIU 1.485.000 QUOTAS DE CAPITAL DA EMPRESA ARCFRAN EMPREENDIMENTOS O PGTO ACORDADO EM 30 PARCELAS DE R$ 50.000,00. EM 02/04/2012 TRANSFERE 15.000 QUOTAS DE R$ 1,00 (CADA) A MARIO ZANOVELO CPF 205.190.52820. E 1.470.000 QUOTAS DE R$ 1,00 (CADA) A FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO CPF 168.807.10869. JUNTAMENTE COM A DIVIDA CONTRAÍDA NA AQUISIÇÃO DAS QUOTAS. RECEBENDO EFETIVAMENTE A QUANTIA DE R$ 150.000,00 EM 27/12/2012. 105 Brasil 2012 Recebimento de R$ 6.125.076,00 de Lucros e Dividendos da empresa ARCFRAN Empreendimentos, Negócios e Participações Ltda 2013 ADQUIRIU EM 19/10/2012 50.000 COTAS DE CAPITAL DE R$ 10,00 (CADA) DA SÓCIA ARCFRAN EMPRE. NEG. E PART. LTDA CNPJ 52.820.900/000116. POR MEIO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. • Nas IRPF do Sr. MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO consta o registro das seguintes operações: 2010 Empréstimo de R$ 70.000,00 junto ao Sr, ANTONIO ALONSO FERRACINI; 2010 Recebimento de R$ 1.000.000,00 de Lucros e Dividendos da empresa ARCFRAN Empreendimentos, Negócios e Participações Ltda 4) IDENTIDADE DE OBJETO SOCIAL A fiscalização apontou, conforme quadro abaixo, que as empresas possuem afinidades econômicas, tendo sempre atuando no ramo de Combustíveis: Distribuição, Comercialização e Transporte. Embora tal fato isolado não seja suficiente para demonstrar o interesse comum requerido pelo art. 124, inciso I, do CTN, é mais um dado a convergir com a demais provas arroladas anteriormente. Enfrentemos agora os argumentos das defesas das empresas envolvidas, no que concerne especificamente às questões que ainda não foram apreciados no presente voto. Fl. 4016DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.979 77 Impugnação apresentada por Petrogold Intermediação e Agenciamento de Negócios em Álcool Combustíveis Ltda. (fls. 892/904, em 06/01/2016). A defesa alega a incompetência do Agente Fiscal para Identificação do Responsável Solidário. Tal argumento não tem sustentação. O art. 142 do CTN é claro ao dispor que é na atividade administrativa do lançamento é necessária a identificação do sujeito passivo, in verbis (grifei): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Em consonância com o nosso Código Tributário, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que (grifei): Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; (...)Ressaltese que, até mesmo no caso específico do vínculo de responsabilidade de um terceiro, como é o caso do art. 135, III, do CTN, não existe qualquer irregularidade em constarem os devedores solidários no auto de infração. Esse entendimento foi mantido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, cuja parte da conclusão reproduzo a seguir: (...)o) Por nascer a responsabilidade do terceiro em momento distinto do crédito tributário do contribuinte, e por ter natureza distinta desta (ato ilícito vs. fato lícito), não precisa sua obrigação ser declarada no mesmo momento ou no mesmo ato em que for constituído este crédito tributário; p) A responsabilidade do administrador pode ser declarada no mesmo auto de infração que lançar o. crédito tributário em face da pessoa jurídica contribuinte, como também poderá ser declarado em auto de infração e em momento distintos, independentemente de ter o ato ilícito sido praticado no mesmo átimo da ocorrência do fato jurídico tributário que deu origem à obrigação tributária principal; a responsabilidade de cada administrador pode ser declarada ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos; (...)r) Por se tratar de solidariedade imprópria, que não se dá entre contribuintes, mas sim entre contribuinte e responsável, não precisa este último estar mencionado no lançamento do Fl. 4017DF CARF MF 78 crédito tributário como sujeito passivo; sua responsabilidade, como já se disse, pode ser atestada em ato apartado; s) Não há qualquer nulidade em se não declarar a responsabilidade do administradorinfrator no mesmo auto de infração em que é lançado o crédito tributário devido pela pessoa jurídica, uma vez que não há qualquer imposição legal em que esses dois atos jurídicos distintos sejam realizados no mesmo corpo documental e na mesma oportunidade; (...)A defesa da Petrogold Intermediação e Agenciamento de Negócios em Álcool Combustíveis Ltda. afirma ainda que o agente fiscal não logrou demonstrar qual o vinculo de interesse entre a autuada e a recorrente, limitandose a alegar simplesmente que entre as empresa haveriam sócios comuns e "única direção econômica". No início do presente item, foi efetuada uma análise de todos os elementos de prova utilizados pela fiscalização, os quais demonstraram haver uma concentração de empresas com personalidade jurídica própria, economicamente unidas sob a forma de integração (Participações societárias em comum dos sócios), que resultou num controle unitário e mesma direção econômica. Os fatos apurados no processo judicial reforçaram esse entendimento. Assim, como nenhum desses elementos de prova foi expressamente contestado, deve prevalecer o entendimento mantido pela fiscalização. Impugnação apresentada por Oxxil Logística e Transportadora Ltda. (datada de 19/01/2016, fls. 923/932), tendo como signatário o senhor Orlando Carvalho de Medeiros. A defesa considera a atribuição de responsabilidade solidária abusiva, inconstitucional, ilegal e desprovida de qualquer razoabilidade, no entanto não indica quais dispositivos legais supostamente teriam sido infringidos, de forma a lastrear esse entendimento. A esse respeito é preciso fixar que o Controle da Constitucionalidade das Leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF/88 , sendo defeso aos órgãos administrativos, de forma original, reconhecer alegada inconstitucionalidade da lei que fundamenta o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Nesse sentido, cumpre citar os ensinamentos de Tito Rezende, expostos no Parecer Normativo CST nº 329/70, publicada no DOU em 21/10/70: “É princípio assente, e com muito sólido fundamento lógico, o de que os órgãos administrativos em geral não podem negar aplicação a uma lei ou um decreto, porque lhes parecia inconstitucional. A presunção natural é que o Legislativo, ao estudar o projeto de lei, ou o Executivo, antes de baixar o decreto, tenham examinado a questão da constitucionalidade e Fl. 4018DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.980 79 chegado à conclusão de não haver choque com a Constituição: só o Poder Judiciário é que não está adstrito a essa presunção e pode examinar novamente a questão”. O art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, veda expressamente que os órgãos de jurisdição administrativa afastam a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. Outro ponto questionado é que o mercado em que a Impugnante e o sujeito passivo atuam é restrito, dado o alto investimento necessário para o seu desempenho, bem como a burocracia relacionada com as licenças e autorizações. Por estas razões, é comum que as pessoas que atuam neste mercado negociem e alienem participações societárias e ativos entre si. Argumenta também que as empresas atuam em segmentos distintos do mercado de combustíveis. Concordo com tais argumentações, quando analisadas isoladamente. No entanto, ela perde força quando se verifica que tais operações estão ocorrendo entre empresas sob controle comum. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Diversos pronunciamentos contábeis foram nesse sentido, dentre os quais destacamse: . Resolução CFC nº 750/93; Instrução CVM nº 247/96; OFÍCIO CIRCULAR/CVM/SNC/SEP nº 01/2007; OCPC nº 02, aprovado Fl. 4019DF CARF MF 80 em 30/01/2009. CPC 18 –22A; Resolução CFC nº 1.110/2007 NBC T 19.10. Daí porque não se admite o reconhecimento de uma maisvalia em operação quando originada de transação entre partes sob controle comum, haja vista a ausência de substância econômica e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. A título exemplificativo, citese que atualmente duas Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade (NBC T 19.10 e NBC TG 04) expressamente estabelecem que: ““O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futuragerado internamente(goodwill interno) é vedadopelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado” (Grifei). A defesa ainda afirma que: o depoimento que consta no processo trabalhista é "tendencioso" e não pode ser utilizado como elemento de prova. Já comentei, linhas atrás, que não há efeito vinculante entre o que foi decidido no processo judicial trabalhista sobre o nosso processo administrativo fiscal. No entanto, não se pode deixar de considerar relevante o fato de que a autoridade judiciária não apontou vícios nos depoimentos juntados àquele processo. Com efeito, não existindo elementos novos que possam macular a validade dos depoimentos prestados no processo judicial, não há motivo para que essa autoridade administrativa venha a adotar entendimento diverso da autoridade judiciária, até porque outros elementos probantes elencados pela fiscalização (controle comum, confusão patrimonial e de negócios) fortalecem o mesmo entendimento. Impugnação apresentada por Oxxil Logística e Transportadora Ltda. (datada de 14/01/2016, fls. 994/1001), tendo como signatário o senhor Marcelo Barizão de Oliveira Júnior O conteúdo da impugnação é similar a da outra contestação cujo signatário foi o Sr. Orlando Carvalho de Medeiros. Impugnação apresentada por Arpex Consultoria e Gestão Empresarial S/A, fls. 1.086/1.088. A defesa da Arpex Consultoria e Gestão Empresarial S/A (anterior Arrows Petróleo do Brasil Ltda.) afirma que a empresa jamais constituiu grupo econômico (ou algo que o valha) com a autuada, daí porque não poderia ser arrolada como devedor solidário. Da análise dos elementos de prova apontados no Termo de Verificação Fiscal TVF, verificase que a vinculação da Arpex como empresa do mesmo grupo econômico não decorre dos mesmos elementos de prova que ensejaram o arrolamento das demais empresas. Fl. 4020DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.981 81 Aqui, a rigor, a fiscalização se utilizou unicamente do constante do processo judicial e do fato de as empresas terem a mesma atividade, diferentemente do que ocorreu com os demais casos já analisados, em que são apontados outros relevantes elementos de prova, tais como o controle comum ou a confusão patrimonial. Vejamos, desde logo, a questão relacionada ao controle comum. No TVF consta o seguinte, fls. 768: Pela análise do quadro societário verificase uma concentração de empresas com personalidade jurídica própria, contundo economicamente unidas sob a forma de integração (Participações societárias em comum dos sócios) resultando em um controle unitário e obedecendo todas a uma única direção econômica. Notase que na sua composição, sempre teve o sr. MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO ou algum membro de sua família como sócio, em conjunto com o sr. ANDRÉ LUCIANO REBELATO ou alguma outra pessoa a ele ligada: Também no referido termo de verificação, fls. 768, está indicada a seguinte composição societária da Arpex (antiga Arrows): No entanto, no fluxograma elaborado pela fiscalização, às fls. 768, não se consegue identificar a vinculação desses dois sócios (Flávio e Álvaro) com o Sr. Marco Antonio ou o Sr. André, ou qualquer membro de suas famílias: Fl. 4021DF CARF MF 82 Além disso, quando da descrição do item "c) Confusão Patrimonial e de Negócios" do TVF, não está apontada nenhuma transação envolvendo a Arpex e as demais empresas e/ou sócios. Já me manifestei no presente voto no sentido de que, para se caracterizar o interesse comum deve estar devidamente demonstrada a existência de um liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico. As empresas têm apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação é complementar. São os casos em que resta caracterizada confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, casos em que há abuso da forma entre as empresas integrantes do agrupamento. Com efeito, é de se concluir que no caso específico da Arpex Consultoria e Gestão Empresarial S/A (anterior Arrows Petróleo do Brasil Ltda.) a fiscalização não indicou os elementos de prova suficientes para o arrolamento como devedor solidário. Portanto, devese reconhecer o pleito pela defesa nesse aspecto. Conclusão. De todo o exposto, voto no sentido de: a) alterar parcialmente o crédito tributário lançado, nos períodos de apuração a seguir indicados (valores constantes na última coluna à direita), mantendose integralmente os demais valores lançados de ofício, inclusive a incidência da multa de ofício qualificada: b) considerar correta a atribuição de responsabilidade às pessoas elencadas no Termos de Sujeição Passiva às fls. 776/791, com exceção da Arpex Consultoria e Gestão Empresarial S/A, CNPJ 03.698.533/000187 (anterior Arrows Petróleo do Brasil Ltda.), que deve ser excluída da presente relação obrigacional. Cabem, ainda, algumas considerações adicionais, como já indicamos. Fl. 4022DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.982 83 No recurso voluntário apresentado pela Recorrente, a GIGANTE ARMAZENADORA E DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO E ÁLCOOIS LTDA ME, alegase que, ao serem conferidas as planilhas "Notas Fiscais de Saída", que, quando comparadas com os dados da planilha "Apuração Pis Cofins Gigante 2011", haveria algumas inconsistências não esclarecidas no Termo de Verificação Fiscal, informouse, na diligência, que "A planilha “Notas Fiscais de Saídas” estava incompleta e que, para sanar a inconsistência foi juntada a Planilha “Relação Notas Fiscais de Saída RETIFICADORA” (Fl. 3534), que traz a relação mensal das notas fiscais de vendas emitidas pela empresa no período de 01/2011 a 12/2011, totalizando exatos R$ 414.028.870,63, correspondente à RECEITA BRUTA da Recorrente. Esse argumento de defesa também foi levantado por FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO, que, em razões adicionais, diz que seu nome foi indevidamente utilizado por MARCO ANTÔNIO DE MEDEIROS ALONSO, que seria o verdadeiro proprietário da empresa autuada. Ora, isso em nada altera a configuração da sua responsabilidade solidária. Se agiu por ordem, ou em conluio, ou mesmo enganado pelo Sr. MARCO ANTÔNIO DE MEDEIROS ALONSO, a verdade é que, a partir de 29/03/2010, passou a ser o seu sócio administrador, situação suficiente para atrair a aplicação do disposto no art. 135 do CTN. Conforme expusemos no corpo do Relatório, o responsável solidário MARCO ANTÔNIO DE MEDEIROS ALONSO, provavelmente instado pela diligência requerida por esta Turma para cientificar um dos responsáveis solidários do acórdão de impugnação, apresentou o recurso voluntário de fls. 3877 e ss, no qual diz nula a sua intimação acerca de sua prolação, pois enviada para endereço diverso do informado na impugnação que apresentou. Lembra que, nesta peça recursal dirigida à DRJ, forneceu, quando de sua qualificação, endereço diferente daquele para o qual enviada a intimação, destacando, inclusive, que acostou comprovante de residência que atestava tal informação. Cabe ressaltar, contudo, que as intimações, quando feitas por via postal, devem ser enviadas, por expressa previsão legal, para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo4 – aquele que consta dos cadastros da RFB e que foi fornecido pelos contribuintes. Não fosse isso o bastante, nada mais se disse na impugnação, vale dizer, o referido responsável solidário sequer solicitou o envio das intimações para o endereço que indicou quando de sua qualificação. Ainda há que se fazer o seguinte e último registro: as glosas de créditos sobre os gastos referenciados pela defesa da Recorrente, tais como viagens, água, telefone, despesas postais, impressos e materiais de escritório, internet, cursos e treinamento de funcionários etc., não podem gerar crédito para fins de apuração do PIS/Cofins não é porque não se enquadram no conceito de insumos, senão que a atividade exercida pela contribuinte, meramente comercial, o impossibilita (não produz nem industrializa nada!). 4 Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 4023DF CARF MF 84 Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário MARCO ANTÔNIO DE MEDEIROS ALONSO e NEGO PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntários. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário A presente Declaração de Voto tem por objetivo firmar posicionamento acerca do Recurso Voluntário apresentado pelo solidário ANDRÉ LUCIANO ZANOVELLO, ao qual dei provimento, divergindo do entendimento manifestado pelo Relator. Na hipótese dos autos, foi imputada solidariedade ao Recorrente com fundamento no art. 135, III do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. É fato constante dos autos que o Recorrente ANDRÉ LUCIANO ZANOVELLO jamais figurou sequer como sócio da empresa "Gigante Armazenadora e Distribuidora". O Recorrente foi sócio administrador da empresa ARCFRAN Empreendimentos, Negócios e Participações Ltda. ARCFRAN, por sua vez, sócia da autuada Gigante. Assim, para que se possa atribuir responsabilidade ao O Recorrente ANDRÉ LUCIANO ZANOVELLO é preciso que se demonstre que este atuou (de direito ou de fato) como diretor, gerente ou representante da empresa Gigante. Acrescentese que a atribuição de responsabilidade solidária é medida excepcional e, como tal, deve estar fundamentada em prova robusta e cabal. Na hipótese dos autos, tenho que a Fiscalização não logrou tal mister. Destaquese os termos do voto proferido pela DRJ: Fl. 4024DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Acórdão n.º 3201005.361 S3C2T1 Fl. 3.983 85 O Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 788 fundamentou o vínculo de responsabilidade do Sr. André Luciano Zanovelo somente com base no art. 135, III, do CTN (embora o Termo de Verificação Fiscal também cite o art. 124 do mesmo código). De início, devese destacar que o email que consta às fls. 79 do processo judicial já foi transcrito no presente voto, quando da análise do item anterior. Da sua leitura, inferese que a referida mensagem não foi enviada pelo Sr. Flávio Vinhola diretamente ao Sr. André. Assim tal documento, por si só, não pode ser considerado como elemento probante para atribuir a responsabilidade tributária do contestante. Porém, o seu conteúdo, se verdadeiro, indica que o Sr. André Luciano Zanovelo tinha uma participação ativa na administração de negócios de combustíveis, tanto é que estava sendo consultado para efetuar o pagamento de serviços prestados por terceiros. Devese observar, também, que a fiscalização se utilizou de outros fatos para arrolar o Sr. André Luciano Zanovelo, em especial, a vinculação de sua atividades com as do Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso. Além disso, conforme comentado no item precedente, a partir dos depoimentos prestados nos autos do processo judicial, restou comprovado que as pessoas físicas e jurídicas (dentre elas a autuada) faziam parte de uma só organização empresarial. Portanto, o Sr. André Luciano Zanovelo não era meramente um sócio das controladoras "Arcfran" e "Xangrila", mas também exercia participação ativa na administração dos negócios da controlada (no caso, a Gigante Armazenadora e Distribuidora), fato que fortalece a tese de veracidade do conteúdo do email citado. Destarte, considerandose que a questão relacionada à atribuição de responsabilidade, com base no art. 135, inciso III, do CTN já foi enfrentada no item anterior, dispensase, por economia processual, tecer novamente as mesmas considerações sobre o assunto. Mantenho, portanto, as mesmas conclusões já expostas no presente voto, com relação à atribuição de responsabilidade ao Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso, devendose considerar também o Sr. André Luciano Zanovelo como responsável solidário pelo crédito tributário lançado. Notase que o único documento de prova existente nos autos com vista à comprovar que o Recorrente ANDRÉ LUCIANO ZANOVELLO seria representante de fato da autuada é uma troca de emails extraída do conjunto probatório de uma ação trabalhista movida em face da ARCFRAN. Segundo afirma a própria Fiscalização, tal documento, por si só, não seria suficiente para atrair a responsabilidade solidária do Recorrente ANDRÉ LUCIANO ZANOVELLO. Desse modo, o que faz a DRJ é afirmar que tal responsabilidade se comprova Fl. 4025DF CARF MF 86 pela “vinculação de sua atividades com as do Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso”, fazendo menção aos elementos de prova colhidos relativamente ao Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso. Ocorre que, ao examinar o voto proferido, constatase que a vinculação das atividades é representada exatamente pela referida troca de emails, o que faz com que o raciocínio fiscal esteja fundamentado em um silogismo impossível. De fato, se (i) a troca de e mails não é prova, se (ii) a prova é a vinculação e se (iii) a vinculação se prova pela troca de e mail, a única conclusão possível é que não há prova! Ademais, relativamente ao Sr. Marco Antonio de Medeiros Alonso, se verifica que foram apuradas pela Fiscalização provas robustas de sua atuação, especialmente uma procuração que este detinha para atuar em nome da empresa Gigante, além de prova testemunhal na ação trabalhista que mencionam exclusivamente o sócio Marco Antônio. O Recorrente ANDRÉ LUCIANO ZANOVELLO não consta desta procuração e não foi mencionado na prova testemunhal utilizada. Assim, entendo que, de fato, a única prova capaz de fundamentar a alegação fiscal de que o Recorrente ANDRÉ LUCIANO ZANOVELLO seria representante da empresa Gigante é a troca de emails identificada, sendo que, tal elemento, como reconhece o próprio acórdão recorrido, não se reveste da segurança necessária para fundamentar o ato excepcional de extensão da responsabilidade tributária. Desse modo, deve ser afastada a responsabilidade atribuída. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 4026DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.003475/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO.
Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil.
Numero da decisão: 2401-006.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
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TRIBUTAÇÃO. Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier- Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking Relatório O contribuinte apresenta Recurso Voluntário e-fls. 94 e 95) a este colegiado contra o Acórdão 03-24.485 da 3ª Turma da DRJ/BSA que julgou procedente em parte a sua impugnação. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Fisica - IRPF (fis. 24 a 30), referente ao exercício 2004, ano-calendário 2003, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 34 75 /2 00 7- 20 Fl. 128DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.635 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003475/2007-20 por Auditor Fiscal da, Receita Federal, da DRF/Goiânia-GO. Após a revisão da Declaração foram apurado um crédito tributário total (incluindo multa e juros) de R$ 193.789,85. O lançamento acima foi decorrente de Omissão de Rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, para os meses de março, julho e setembro de 2003, em razão de: 1) compra dos automóveis S10/2.8D 4x4, ano 2003, adquirido por R$69.032,94; 2) o veículo BMW X5FA51, ano 2003, adquirido por RS 240.000,00, conforme documentação apurada no Departamento Estadual_ de Trânsito em Goiás/GO; e 3) imóvel residencial, no valor de R$ 28.000,00, situado na Rua Pernambuco Q 231, L 5 Centro, Goiatuba/GO, conforme consta na Declaração de Operação Imobiliária encaminhada pelo Cartório do Segundo Oficio de Goiatuba-GO. O contribuinte apresenta impugnação, protocolada em 17/07/2007 (fis. 36 a 38), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: 1) conforme provam os documentos em anexo, a compra do veículo S-10 deu-se na modalidade de leasing, junto ao Banco HSBC Leasing, no valor de R$ 69.032,94, não tendo havido, portanto, variação patrimonial a descoberto; 2) a compra do veículo BMW deu-se por meio de recursos advindos de operações de crédito ao consumidor e crédito comercial, junto a instituições bancárias, nos anos de 2002 e 2003, cujo destino foi a aquisição do automóvel mencionado, tanto que ficou alienado fiduciariamente junto ao Banco HSBC, conforme comprova o certificado de propriedade do veiculo, em anexo; 3) que, em 31/12/2002, conforme extrato em anexo, o contribuinte já dispunha na sua conta corrente o crédito de R$ 62.430,58; 4) conforme os extratos bancários juntados, à época da aquisição do bem imóvel, já estava de posse de valores suficientes para sua aquisição, cujo valor declarado (R$223.000,00), não leva à conclusão de que sua aquisição se deu com suporte financeiro a descoberto. 5) requer a anulação do auto de infração e diligências para apurar junto ao HSBC a disponibilização dos recursos apontados nos extratos, como forma de provar a origem para a aquisição dos bens. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quanto ao pedido de diligência, afastou a medida, visto estarem presentes no processo os elementos suficientes à solução. Quanto ao mérito, o órgão a quo julgou o lançamento procedente em parte, excluindo da omissão de rendimentos, em face de variação patrimonial a descoberto, o valor de R$ 60.000,00, e mantendo as infrações restantes, pelos motivos a seguir: 1) quanto ao veículo S10/2.8D 4x4, ano 2003, adquirido por R$ 69.032,94, em 05/09/2003, da análise da documentação (fls. 54/55 e 63), a DRJ entendeu que houve, de fato, financiamento, junto ao HSBC, porém, não do valor integral, mas de R$ 60.000,00. A diferença, R$ 9.032,94, está registrada como entrada (fl. 54), sendo assim, admitida a comprovação da parte efetivamente financiada e mantida a omissão quanto à parte restante; Fl. 129DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.635 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003475/2007-20 2) quanto ao veiculo BMW X5FA5l, ano 2003, adquirido por R$ 240.000,00, compulsando a documentação acostada (fls. 57 a 72 e 76), do documento de folha 57, que comprovaria o financiamento junto ao HSBC, a DRJ constatou que o valor de mercado do bem como R$140.000,00 (fl. 57), enquanto a nota fiscal monta R$ 240.000,00 (fl. 76), havendo também diferença na numeração dos chassis dos veículos bem como no ano e modelo dos veículos. No documento que comprovaria o financiamento (fl. 57), consta o chassi de número WBAAV5l021FZ11248 e o ano e modelo do veículo é 2001, enquanto que, na nota fiscal do veículo de 28/03/2003 (fl. 76), o chassi aposto é WBAFA51042LM39266 e o veículo é zero Km. De igual modo, o Certificado de Registro de Veiculo apresentado (fl. 58) faz prova contra o documento de financiamento supra (fl. 57), pois contém veiculo de chassis, placas e anos de fabricação diferentes, em relação aos documentos de folhas 57, 59, 63 (contrato de CDC n° 13431267556). Além disso, de acordo com a decisão de piso, os vários CDC apresentados, pelos seus valores, estão correlacionados a veículo de valor de R$ 140.000,00 (contrato de CDC n° 13431267556), ou seja, a outro diferente do informado no auto de infração: valor de R$240.000,00; e o CDC de 16/09/2003, de R$ 60.000,00, à fl. 63, corresponde àquele acatado como suporte financeiro para a aquisição do veículo S10 2.8, portanto, não é origem financeira para a compra da BMW, objeto do auto de infração. 3) no que tange à alegação de que, em sua conta corrente, à época da aquisição, havia crédito de R$ 62.430,58, não foi encontrado qualquer elemento, no conjunto probatório apresentado, que permitisse concluir nesse sentido. Não havendo na Declaração de Ajuste Anual (fls. 12 a 15), indicação desse saldo ou de outro valor que pudesse justificá-lo. Ao contrário, segundo a DRJ, os documentos apresentados informam saldo devedor no dia 31/12/2002, no valor de R$ 279,27 (fl. 59), em vez de R$ 62.430,58. Dessa forma, de acordo com a decisão de piso, não há comprovação de provisão para a aquisição do automóvel BMW, objeto do auto de infração, no início do ano-base 2003, aduzindo ainda que esse mesmo documento apresentado dá conta tão-somente de saldo devedor de CDC, na data de O6/08/2002, no valor de RS 62.430,58, em nada se correlacionando essa importância a saldo bancário (fl. 59). E mais, o CDC ali especificado está vinculado ao contrato de nº 13431267556 correspondente a outro veículo BMW, não o do auto de infração, ano 2003. Assim, quanto a este veículo, BMW X5FA5l, no valor de R$ 240.000,00, diante das inúmeras questões apontadas na documentação apresentada, a DRJ observou que o Impugnante não comprova, de forma hábil e idônea, a argumentação trazida em sua peça inicial, devendo ser mantida, por conseguinte, a omissão apurada. 4) quanto ao imóvel, no valor de R$ 28.000,00, quando da análise da existência de suporte financeiro para a aquisição do veículo BMW, a DRJ entendeu que não houve ou comprovação de valores suficientes em conta corrente para suportar tais dispêndios; ou operações de crédito; ou mesmo sobras que permitissem identificar lastro disponível para a compra do imóvel. Dessa forma, concluiu que sua aquisição se deu com suporte financeiro a descoberto. Em suas alegações recursais (fls. 94 e 95), o contribuinte pela anulação do auto de infração nos seguintes termos: "Após a interposição de recurso para a DRJ, houve o reconhecimento apenas da origem da quantia de R$ 60.000,00. referente à compra do veículo S10/2 8d 4x4. Dessa forma, a compra dos demais veículos foi considerada como variação patrimonial a Fl. 130DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.635 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003475/2007-20 descoberto, haja vista que o contribuinte não conseguiu provar a origem dos recursos para fazer frente ao custo dos mesmos. Ocorre que, como demonstra as Cédulas Hipotecárias Rurais em Anexo, no ano- calendário de 2003 houve o ingresso na esfera patrimonial do contribuinte da quantia de R$ 386.230,00 (trezentos e oitenta e seis mil, duzentos e trinta reais), o que demonstra que a compra dos veículos estava acobertada por tais empréstimos." (sic) É o relatório. Voto Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking- Relatora. Admissibilidade. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 16/05/2008, conforme documento à fl. 93, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 27/05/2008, conforme fl. 94, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito. O contribuinte se insurge contra a variação patrimonial a descoberto - VPD, colacionando aos autos novos documentos com os quais pretende demonstrar a origem dos recursos destinados à aquisição dos bens cujos valores de aquisição foram objeto do lançamento. Sobre o tema, o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […]” Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: “Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. “(Grifamos). Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presume-se a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Destarte, para que o contribuinte não sofra a tributação do Imposto de Renda após a constatação da variação patrimonial a descoberto, necessário se faz que ele demonstre que os Fl. 131DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.635 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003475/2007-20 acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, ou aponte, fundamentadamente, os equívocos existentes na análise da evolução patrimonial. Ora, a jurisprudência administrativa é pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fim de se elidir a tributação erigida por acréscimo patrimonial injustificado, conforme Acórdãos emanados do então Conselho de Contribuintes, a seguir colacionados: PROVA A tributação de acréscimo patrimonial não justificado pelo total dos rendimentos auferidos pelo contribuinte, só pode ser elidida por meio de prova em contrário. (Ac. 10612485, sessão de 23/01/2002) VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PROVA DOS RECURSOS O afastamento da variação patrimonial a descoberto somente é possível se há prova inequívoca do ingresso dos recursos (Ac.10612203, sessão de 19/09/2001). IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A tributação de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos declarados, tributáveis ou não, só pode ser elidida mediante prova em contrário. (Ac. 10242582, sessão de 12/12/1997). Verifica-se, portanto, que a variação patrimonial a descoberto é matéria cujo ônus da prova foi transferido para o contribuinte, por presunção legal, uma vez que a prova de infração fiscal pode ser realizada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes. Analisando as provas apresentadas junto à sua peça recursal, verifica-se que as mesmas constituem instrumentos de financiamentos rurais adquiridos pelo contribuinte para aplicação exclusiva desses recursos nos fins rurais a que se destinam, conforme a seguir descrito: 1) o documento das fls. 96 a 99 corresponde à Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária nº 20/00080-4 no valor de R$ 40.500,00 destinados à compra de dois tratores da marca FORD, a serem pagos diretamente ao fabricante ou revendedor, tendo a Fazenda Contendas como instrumento de garantia; 2) o documento das fls. 101 a 106 corresponde à Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária nº 21/00146-4 no valor de R$ 48.654,00 destinados à compra de 90 matrizes bovinas da ração nelore e 04 reprodutores ; 3) o documento das fls. 107 a 113 corresponde à Cédula Rural Hipotecária nº 20/75547-3 no valor de R$ 149.915,00 destinados exclusivamente à realização de projeto de recuperação de pastagem de 209 ha da Fazenda Vala do Rio do Peixe, dada em garantia; 4) o documento das fls. 115 a 118 corresponde à Cédula Rural Hipotecária nº 21/00328-9 no valor de R$ 147.161,00 destinados à formação de 200 ha de pastagens, construção de cerca, casa para caseiro, conjunto de currais e elaboração do projeto, da Fazenda Vala do Rio do Peixe, dada em garantia. Como se pode perceber, não há nenhum liame que demonstre que tais empréstimos foram utilizados na aquisição dos bens que deram origem a autuação ora em discussão. Ao contrário do que alega o contribuinte de que "a compra dos veículos estava Fl. 132DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.635 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003475/2007-20 acobertadas por tais empréstimos", tem-se que esses empréstimos têm relação direta e exclusiva na aquisição de outros bens, não tendo assim o contribuinte se desincumbido do ônus da prova. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.908350/2009-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2003
DCTF. DIPJ. DACON. VALORES DIVERGENTES.
Sendo a DCTF uma declaração que constitui o crédito tributário, os valores dos tributos nela informados prevalecerão sobre as informações prestadas em declarações informativas, como a DIPJ e o Dacon, cabendo ao contribuinte o ônus de comprovar, documentalmente, eventuais erros cometidos naquela declaração.
DCTF. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Uma vez inexistente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, não se homologa a compensação declarada.
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO.
Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3003-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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DIPJ. DACON. VALORES DIVERGENTES. Sendo a DCTF uma declaração que constitui o crédito tributário, os valores dos tributos nela informados prevalecerão sobre as informações prestadas em declarações informativas, como a DIPJ e o Dacon, cabendo ao contribuinte o ônus de comprovar, documentalmente, eventuais erros cometidos naquela declaração. DCTF. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Uma vez inexistente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, não se homologa a compensação declarada. RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 83 50 /2 00 9- 20 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.908350/200920 Acórdão n.º 3003000.254 S3C0T3 Fl. 3 2 Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem retratar os fatos reproduzo o relatório proferido pela DRJ na oportunidade em que apreciou a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 15332.20258.280905.1.3.043074, por meio da qual a contribuinte em epígrafe, utilizouse de crédito no montante de R$ 3.287,71, relativo ao DARF de PIS/Pasep, 6912, recolhido em 15/12/2003, no valor total de R$ 10.218,08, para extinguir os débito(s) nela informado(s). Em 25/03/2009 foi emitido Despacho Decisório de não homologação da compensação, pelo fato de o DARF discriminado na Dcomp estar integralmente utilizado para quitação de débito do mesmo tributo e período de apuração, não restando saldo credor disponível para a compensação pleiteada. Cientificada, a Manifestante apresentou em 30/04/2009 a Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte. Aduz que o valor devido a título de PIS, no período de 11/2003, era de R$ 6.930,37 e não R$ 10.218,08, como mencionado no Despacho Decisório. Junta, então, cópia da DIPJ, a qual demonstra que o valor do débito seria no montante de R$ 6.930,37. Diz, ainda, que quando do envio da DCTF, equivocouse no lançamento do valor devido a título de PIS, lançando, indevidamente, o montante de R$ 10.218,08. Aduz, entretanto, que possui direito ao valor de R$ 3.287,71, diferença entre o que pagou e o que era devido. Do recurso houve julgamento com o acórdão N.º 0638.837 3ª Turma DRJ/CTA cuja ementa segue transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 15/12/2003 DCTF. DIPJ. DACON. VALORES DIVERGENTES. Sendo a DCTF uma declaração que constitui o crédito tributário, os valores dos tributos ali informados prevalecerão sobre as informações prestadas em declarações informativas, como a DIPJ e o Dacon, cabendo ao contribuinte o ônus de Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.908350/200920 Acórdão n.º 3003000.254 S3C0T3 Fl. 4 3 comprovar, documentalmente, eventuais erros cometidos naquela declaração. DCTF. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Uma vez inexistente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, não se homologa a compensação declarada. Ao tomar ciência do Acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário replicando os termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Inicialmente, cumpre observar que dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o RICARF vigente, verbis: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.908350/200920 Acórdão n.º 3003000.254 S3C0T3 Fl. 5 4 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Compulsando os autos verifico que o Recorrente ao apresentar o Recurso Voluntário replicou as razões da impugnação, deixando, assim, de apresentar novas razões de defesa perante este Colegiado, e tendo em vista minha absoluta concordância com os fundamentos do Colegiado a quo e amparado no fundamento regimental acima reproduzido, utilizo das razões de decidir do voto condutor do respectivo acórdão. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva. Dela se toma conhecimento. Inicialmente, cabe observar que, relativamente ao 4o trimestre de 2003, a Interessada entregou apenas uma DCTF, de n° 0000.100.2004.91656499, em 12/02/2004. Nesta DCTF, o débito está declarado no montante de R$ 10.218,08, tendo sido extinto pela utilização integral do Darf informado na Dcomp. Por sua vez, tanto a DIPJ, quanto o Dacon apresentados pela Interessada informam com valor do débito de PIS, 6912, do mês de novembro de 2003, o valor de R$ 6.930,37. A DIPJ, de n° 1295066, foi entregue em 03/10/2006 e o Dacon, de n° 39.59.02.09.47.52, foi transmitido em 09/07/2004. Depreendese, portanto, que foram entregues antes da ciência do Despacho Decisório recorrido. Em função disso, a questão que se coloca é que existem duas informações conflitantes, relativamente ao mesmo tributo e período de apuração: na DCTF, consta o valor de R$ 10.218,08 e no Dacon e na DIPJ, o de R$ 6.930,37. Qual informação deve, portanto, prevalecer? A DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência, conforme art. 5º do Decreto lei nº 2.124/84. Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Por sua vez, o art. 16, da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, determina que “compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.908350/200920 Acórdão n.º 3003000.254 S3C0T3 Fl. 6 5 inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável”. Com base nestes dispositivos, a DCTF, instituída por instrução normativa do Secretário da Receita Federal do Brasil tem caráter de confissão de dívida. Aliás, apesar de desnecessário, o STF editou, em maio de 2010, a Súmula 436, com o seguinte enunciado A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Diante do exposto, podese concluir que o débito informado pela Interessada em sua DCTF está válida e eficazmente lançado no valor de R$ 10.218,08. Consequentemente, a conclusão emitida pela Autoridade Fiscal teve como pressuposto as informações prestadas pela própria contribuinte através de declarações fiscais próprias e válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Por isso, não é suficiente, para os fins pretendidos pela Contribuinte, a mera alegação de que sua DIPJ e seu Dacon apresentam informações de débitos inferiores àqueles confessados em DCTF. Tem a contribuinte, nesses casos, a necessidade de comprovar, por meio de documentos contábeis e fiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos confessados. Vale destacar que, enquanto a DCTF consiste no instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, o Dacon e a DIPJ são declarações informativas, que não têm o poder de constituir o crédito tributário. A própria legislação tributária prevê a necessidade da contribuinte apresentar DCTF retificadora sempre que eventual retificação do Dacon acarretar na modificação dos valores declarados em DCTF anterior. É o que se verifica desde a publicação da Instrução Normativa SRF nº 543, de 20/05/2005, que assim dispôs: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. ... 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (destaques não constam do original) Tal dispositivo reforça o fato de que caso esse demonstrativo apresente valor divergente do confessado em DCTF, devese Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.908350/200920 Acórdão n.º 3003000.254 S3C0T3 Fl. 7 6 retificála, pois esta declaração tem a virtude de tornar o crédito tributário exigível. Por fim, cabe ainda destacar que, conforme §1° do art. 147 do CTN, para haver redução de débito validamente lançamento em declaração por iniciativa do próprio declarante, deve a Interessada comprovar o erro quem se funde: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No caso concreto, verificase que o valor devido da contribuição foi declarado por meio da DCTF enviada em 12/02/2004. Por se tratar de uma declaração que, como visto, constitui o crédito tributário, os valores dos tributos devidos constantes da DCTF, na verdade, prevalecerão sobre as informações prestadas por meio de declarações informativas, cabendo ao contribuinte o ônus de comprovar, documentalmente, eventuais erros cometidos naquela declaração. Aliás, não poderia ser diferente. Imagine a situação inversa, ou seja, os valores informados na DIPJ e/ou Dacon serem superiores aos declarados em DCTF. Não poderia a RFB cobrar essa diferença de débito simplesmente por este fato. Para cobrálo, fazse necessário, antes, constituir o crédito tributário pelo lançamento. Portanto, não há como o valor informado em DIPJ e/ou Dacon suplantar aquele informado em DCTF. Diante do exposto, voto pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, ratificando a não homologação da compensação declarada na Dcomp de n° 15332.20258.280905.1.3.043074. Complementando o prestigiado voto da DRJ de Curitiba, destaco que não há nos autos menção acerca da DCTF retificadora, bem como não há comprovação de que houve a retificação por parte do contribuinte, logo, concluise que a retificação não foi realizada, sendo esta uma condição primordial para análise do eventual crédito. Concluo que por ausência da referida retificação da DCTF não há elementos suficientes para prover o Recurso Voluntário da Recorrente. Dispositivo Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.908350/200920 Acórdão n.º 3003000.254 S3C0T3 Fl. 8 7 É o meu entendimento. Márcio Robson Costa Relator Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.927902/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/06/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 79 02 /2 01 6- 11 Fl. 47DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10680.927902/201611 Acórdão n.º 3401006.455 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 49DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.927902/201611 Acórdão n.º 3401006.455 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 51DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18365.721205/2011-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. DEFINITIVIDADE.
As matérias não contestadas por ocasião da impugnação tornam-se definitivas, vez que sobre elas não se instaurou litígio, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto Lei nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 3001-000.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. DEFINITIVIDADE. As matérias não contestadas por ocasião da impugnação tornam-se definitivas, vez que sobre elas não se instaurou litígio, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto Lei nº 70.235/1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. DEFINITIVIDADE. As matérias não contestadas por ocasião da impugnação tornamse definitivas, vez que sobre elas não se instaurou litígio, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto Lei nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 36 5. 72 12 05 /2 01 1- 10 Fl. 93DF CARF MF 2 Adoto o relatório da decisão recorrida que bem historia os fatos objeto do presente processo (fls. 90/96), verbis. Em decorrência de atraso verificado na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON referente ao mês de agosto de 2007, foi lavrado contra a Interessada o Auto de Infração de fl. 39 — data de vencimento 26/08/2011 — com vistas à cobrança de uma multa no valor de R$ 7.891,08. A multa em questão foi calculada pelo percentual de 2% por mês de atraso, ou fração, incidente sobre o montante da COFINS informado no DACON — respeitados o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00 —, aplicandose, no caso concreto, redução de 50% no valor da penalidade, por se tratar de entrega espontânea do demonstrativo (art. 7º, inciso III e §§, da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Inconformada com a exigência, a Interessada apresentou, em 15/08/2011, a impugnação de fls. 02/34, alegando, em síntese: • Erro na apuração do PIS/COFINS – Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, que alargou indevidamente a base de cálculo das referidas contribuições, ao determinar sua incidência sobre a totalidade das receitas auferidas; • Erro na apuração da COFINS – Ilegalidade e inconstucionalidade do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998, que majorou a alíquota da contribuição para 3%; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Ilegalidade da inclusão da taxa de administração de cartões de débito e crédito nas bases de cálculo das referidas contribuições; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Inconstitucionalidade da inclusão do ISS na base de cálculo das referidas contribuições; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Ilegalidade da incidência das referidas contribuições sobre receitas decorrentes de serviços prestados a pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; • Efeito confiscatório da multa – Violação dos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade – Ofensa à garantia do direito de propriedade; • Inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 18365.721205/201110 Acórdão n.º 3001000.788 S3C0T1 Fl. 3 3 Subsidiariamente, a Interessada pleiteia “a realização de diligência, para que seja efetuada nova apuração dos valores lançados no auto de infração em questão, considerando, para tanto, as deduções concernentes às despesas com a prestação dos serviços realizados, bem como a constituição de novos cálculos, excluindose da base do PIS e a majoração da alíquota do COFINS, a Receita Bruta esculpida pelo artigo 3º da Lei 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, da não incidência do PIS/COFINS sobre a Taxa de Administração de Cartão de Crédito e Débito, bem como a não incidência do pagamento do PIS e COFINS sobre os serviços prestados à pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior”. Por fim, na eventualidade de se aplicar alguma multa, a Interessada postula, ao menos, “seja excluída a Taxa Selic, aplicandose os juros de mora de 1%, nos termos do parágrafo 1º, do artigo 161 do CTN, bem como sejam reduzidas as multas aplicadas em patamar condizente com a condição econômica da impugnante”. A decisão recorrida negou guarida à pretensão deduzida pelo contribuinte em sua impugnação (fls. 90/95), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 90), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 95DF CARF MF 4 Os débitos fiscais recolhidos em atraso estão sujeitos à incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada da decisão guerreada em 29 de maio de 2017 (fls. 98/103), ingressou a contribuinte com Recurso Voluntário em 12 de junho de 2017, vazado em singelas 6 linhas (fls. 108). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recurso é tempestivo, posto que o contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 29 de maio de 2017 e ingressou com Recurso em 12 de maio de 2017. Presentes os demais pressupostos processuais, dele tomo conhecimento. Em decorrência de atraso verificado na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON referente ao mês de agosto de 2007, foi lavrado contra a Interessada o Auto de Infração de fl. 39 — data de vencimento 26/08/2011 — com vistas à cobrança de uma multa no valor de R$ 7.891,08. A longa impugnação da empresa (fls. 3/35), foi devida e adequadamente rebatida pelo v. acórdão recorrido (fls. 90/96), em consonância com a jurisprudência predominante neste Conselho. Em seu singelo Recurso, a Companhia Tropical de Hoteis da Amazônia limitouse a reportarse ao que chamou de inicial e requerer o cancelamento do débito fiscal reclamado, em peça de apenas 6 linhas (fls. 108), verbis. I – Os Fatos/ Preliminar /Mérito Conforme já exposto na inicial sobre a improcedência dos débitos exigidos vêmse manifestar a este Conselho. II – Do pedido e Conclusão À vista de todo o exposto nas iniciais já apresentadas nos recursos, as estâncias anteriores e demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede deferimento Verificase, pois que, de fato, a empresa não se insurgiu sobre nenhum dos pontos abordados pelo v. Acórdão recorrido. Em outras palavras, não existe Recurso Voluntário a ser apreciado, uma vez que não foram rebatidos, mesmo que indiretamente, os fundamentos jurídicos formalizados através da decisão guerreada. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18365.721205/201110 Acórdão n.º 3001000.788 S3C0T1 Fl. 4 5 A matéria é conhecida deste Colegiado, sendo considerado como inexistente o Recurso Voluntário que não conteste motivadamente a decisão recorrida, haja vista que o apelo deve preencher todos os pressupostos processuais para ser conhecido. Quando não os preenche, não será conhecido, em obediência ao sistema recursal do processo à comando dos arts. 14 a 16 do Decreto nº 70.235/1972, regramento importante no exercício do direito na lide. Sob este aspecto, peço venia ao Conselheiro João Alfredo Duarte Filho para transcrever parte do seu voto que resultou no Acórdão nº 2001000.301 Turma Extraordinária 1ª Turma, proferido em 27 de fevereiro de 2018, verbis. Reformar decisão para afastar possível engano no julgamento que reflita injustiça corresponde a uma ação muito delicada e, especialmente por isso, o trâmite processual deve ser devidamente observado. A motivação é pressuposto fundamental para a admissão do recurso. A parte que recorre deve sempre motivar, ou seja, dar suas razões para interpor o recurso, seja pelo seu inconformismo, seja por discordar de algum ponto técnico na decisão. Nesse sentido não basta o Recorrente anexar provas sem dizer do contraditório ao que foi decidido no julgamento anterior. Relevante transcrever, também, a ementa constante do Acórdão nº 3302 006.108 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, poferido em 25 de outubro de 2018, tendo como Relator o ilustre Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, verbis ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. DEFINITIVIDADE. As matérias não contestadas por ocasião da impugnação tornamse definitivas, vez que sobre elas não se instaurou litígio, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto Lei nº 70.235/1972. IMPUGNAÇÃO. DELIMITAÇÃO DA LIDE. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS EM FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. O conhecimento e apreciação das alegações recursais e provas deve ser conduzido sob as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, nos termos do disposto nos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/1972, segundo os quais as matérias que delimitam o contencioso devem ser aduzidas por ocasião da impugnação, não se podendo conhecer de novas alegações produzidas apenas em sede de recursal. Diante do exposto, e tendo em vista que, de fato, inexiste Recurso atacando o teor da decisão recorrida, voto POR NÃO CONHECER do apelo por falta de cumprimento de pressupostos básicos de admissibilidade, como recomendado nos arts. 14 a 16 do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972). Fl. 97DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916788/2008-29
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente até 08.06.2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador da apuração do saldo negativo.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente até 08.06.2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador da apuração do saldo negativo. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente até 08.06.2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador da apuração do saldo negativo. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 67 88 /2 00 8- 29 Fl. 151DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.733 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.916788/2008-29 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 3229038335.140404.1.3.02-2425, em 14.04.2004, fls. 06-10, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$20.234,83 do ano-calendário de 1998, apurado em 31.12.1998, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 01, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documentos acima identificado, constatou-se que na data da transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso de prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data da apuração do saldo negativo. Data de apuração da saldo negativo: 31/12/1998 Data da transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 14/04/2004 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: R$ 20.234,83 [...] Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 7ª Turma DRJ/SPI/SP nº 16-27.408, de 27.10.2010, fls. 95- 105: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO DO DIREITO A COMPENSAÇÃO. O prazo para formalização do exercício do direito compensação vinculada ao saldo negativo da IRPJ encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados a partir da data de encerramento do período de apuração da contribuição, consoante disciplina a legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 03.12.2010, fl. 107, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.12.2010, fls. 109-121, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: III - DO DIREITO 6. Conforme mencionado, a não homologação das compensações teve como único fundamento a decadência do direito da contribuinte, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos entre a data da apuração do saldo negativo e a data de entrega da PER/DCOMP. [...] 8. Ora, o saldo negativo usado na compensação foi apurado em 31/12/1998 e informado na DIPJ entregue no ano seguinte - 1999. A PER/DCOMP, por sua vez, foi enviada em 14/04/2004. Fl. 152DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.733 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.916788/2008-29 9. Assim, o prazo para realizar a compensação é de cinco anos, contados da entrega da Declaração e não da data de apuração do saldo negativo, conforme alegado no despacho decisório e na decisão recorrida. [...] 13. O artigo 858, § 1°, inciso II do RIR dispõe [...] 14. O dispositivo legal acima ê claro: tratando-se de saldo negativo, o contribuinte poderá compensá-lo com o imposto a ser pago a partir de abril do ano subseqüente ou requerer a restituição após a entrega da declaração de rendimentos. 15. No ano em que foi apurado o saldo negativo compensado - 1998, o prazo para a entrega da DIPJ foi fixado para outubro, conforme IN SRF n° 118/99”, sendo que a Empresa entregou a sua em 27/10/1999. 16. Portanto, o termo inicial para contagem do prazo para requerer a restituição/ compensação do saldo negativo de 31/12/1998 é em outubro de 1999, sendo que a Empresa dispunha de até outubro de 2004 para fazê-lo. 17. Assim, considerando que a PER/DCOMP foi enviada em abril de 2004, não há que se falar em perda do direito pelo transcurso do prazo. [...] 23. Diante do exposto, é forçoso concluir que não houve a decadência do direito de compensar, quer se inicie a contagem de abril de 1999, quer se inicie com a entrega da DIPJ em outubro de 1999. 24. A PER/DCOMP foi enviada em 14/04/2004, dentro do prazo de cinco anos conferido legalmente ao contribuinte e a Empresa dispunha do crédito usado, tanto que ele sequer foi questionado no despacho decisório ou na decisão recorrida. 25. Assim, tendo em vista que a não homologação da compensação teve por único fundamento o decurso do prazo legal para efetuá-la e, considerando que ela foi feita DENTRO DO PRAZO LEGAL, as compensações DEVEM SER HOMOLOGADAS, com a integral reforma da decisão recorrida. 26. Mais uma vez ressaltamos que o termo inicial para a contagem do prazo de compensação deve ser a entrega da Declaração que, no ano de 1998, era o instrumento hábil de reconhecimento do crédito tributário usado no PER/DCOMP, e não com a data de apuração do saldo negativo, conforme pretendido no despacho decisório. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: 27. Ante todo exposto, requer o acolhimento deste Recurso Voluntário com a reforma integral da decisão [...], para AFASTAR a alegada decadência do direito de compensar o saldo negativo e HOMOLOGAR as compensações feitas no processo em referência É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 153DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.733 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.916788/2008-29 A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientando-se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os Fl. 154DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.733 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.916788/2008-29 erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal ( art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientando-se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). No Despacho Decisório e na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que na data de sua transmissão com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do direito creditório em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de emissão do pleito e a data de apuração do direito creditório. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do saldo negativo de IRPJ no valor de R$20.234,83 do ano-calendário de 1998, apurado em 31.12.1998, pode ser analisado, uma vez que “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de Fl. 155DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.733 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.916788/2008-29 junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” (Súmula Vinculante CARF nº 91 e Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018). Assim, o Per/DComp pleiteado administrativamente até 08.06.2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador da apuração do saldo negativo. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve possibilitando-lhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.000589/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUXÍLIO DOENÇA. RENDIMENTO ISENTO.
No tocante aos rendimentos derivados de auxílio doença são isentos a teor do 48 da Lei nº 8.541, de 1992, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995.
ÔNUS DA PROVA
O ônus da prova para desconstituição do crédito lançado é do contribuinte beneficiário.
Numero da decisão: 2201-005.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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AUXÍLIO DOENÇA. RENDIMENTO ISENTO. No tocante aos rendimentos derivados de auxílio doença são isentos a teor do 48 da Lei nº 8.541, de 1992, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova para desconstituição do crédito lançado é do contribuinte beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 89 /2 00 6- 71 Fl. 114DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.283 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.000589/2006-71 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 80/82) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). “Versa o presente processo sobre Notificação de Lançamento referente a Imposto de Renda - Pessoa Física, correspondente ao exercício de 2005, ano-calendário de 2004, datado de 02.05.2006, que reduziu a restituição pleiteada de R$ 3.365,97 para R$ 1.143,28, conforme fls 02 a 04, entregue em 09.05.2006, conforme cópia do “AR”, fl 56. 2. A autoridade fiscalizadora descreveu a infração como “Omissão de Rendimentos” da Fonte pagadora Governo do Estado de Rondônia, CNPJ n° 00.394.585/0001-71, no valor de R$ 16.000,00, e subsidiou o lançamento com cópia da DIRF apresentada, fls 04 e 05, respectivamente. 3. Inconformado o sujeito passivo apresentou impugnação protocolada em 12.05.2006, com a seguinte argumentação, fl 01: a) Que foi acometido de acidente vascular cerebral que lhe causou paralisia irreversível e incapacitante, e que os rendimentos de R$ 16.000,00 auferidos correspondeu ao auxílio doença; b) Para comprovar sua fundamentação anexou ao processo documentos vários, tais como: resultados de exames, laudos médicos, inclusive a publicação da Portaria no Diário Oficial do Estado de Rondônia, lhe concedendo aposentadoria, ocorrida em 22.06.2006, fl 66.” 02- A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ reconhecendo que não há previsão legal pra que os rendimentos decorrentes de auxílio doença sejam considerados isentos e assim estão incluídos no campo dos rendimentos tributáveis. 03 – Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às e-fls.85 e documentos às fls. 85/112, sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 04 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 05 – O lançamento do crédito tributário tem por motivação o seguinte, de acordo com o e-fls 12 e 13 respectivamente identificado abaixo: Fl. 115DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.283 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.000589/2006-71 06 – O contribuinte alega que o valor de R$ 16.000,00 (dezesseis mil) são rendimentos a título de auxílio doença recebidos do Governo do Estado de Rondônia e portanto isentos do IR trazendo à colação em seu recurso a IN 15/2001: 07 – A DRJ fundamentou sua decisão no seguinte sentido, considerando a inexistência de lei que ampare a isenção pleiteada pelo contribuinte: 5. Inicialmente cabe esclarecer ao impugnante que não há previsão legal para que os rendimentos decorrentes de auxílio-doença seja considerados isentos, e assim, estão incluídos no campo dos rendimentos tributáveis. 6. O art. 39, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999) prevê nos incisos I a XLVII, e §§ 1° ao 9°, todas as situações de isenções concedidas às pessoas físicas, e nelas não se encontra listada a situação de rendimentos decorrentes de auxílio doença. Tanto é assim, que foram computados no cálculo para determinar o valor a ser retido pela Fonte Pagadora, a título de Imposto de Renda. 7. Somente para orientar o impugnante informo que o inciso XXXIII do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda já acima citado, trata da isenção correspondente aos rendimentos recebidos a título de Aposentadoria por Doença Grave. 8. Considerando que a aposentadoria se deu a partir da publicação de Decreto, datado de 26 de maio de 2006, no Diário Oficial do Estado de Porto Velho, na data de 22.06.2006, fl 66, somente a partir daquele mês (junho de 2006), os rendimentos de aposentadoria devem ser considerados isentos. 08 – Vou iniciar pela preliminar de mérito aventada pelo contribuinte quanto a decadência, em que pese que no mérito o recurso deve ser provido por entender esse julgador que deve ser mantido os termos da Declaração do IR do recorrente por estar correta. Contudo caso vencido na matéria de decadência passo para a análise do mérito. Fl. 116DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.283 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.000589/2006-71 09 – Entendo que o contribuinte tem razão no sentido de que os valores pagos a título de auxílio doença são isentos do IRPF e portanto equivocada a decisão da DRJ nesse sentido, sendo que existe a Solução de Consulta COSIT da RFB de nº 399 de 2017 que trata do tema com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF ISENÇÃO. AUXÍLIO-DOENÇA. Os rendimentos relativos ao auxílio-doença, desde que se refiram a benefício de natureza previdenciária, efetivamente custeados pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada estão isentos do imposto sobre a renda da pessoa física. Dispositivos Legais: Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 48;Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 39, inciso XLII; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), arts. 111, 175 e 176; Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, arts. 6º e 10. 10 – De acordo com as razões da Solução Cosit acima especificada, na qual adoto como razões de decidir, sem grifos no original, temos: 12. Quanto ao questionamento “a”, inicia-se o esclarecimento da dúvida apresentada informando à consulente que a isenção tributária configura uma forma de exclusão do crédito tributário que deve ser prevista em lei, a qual deve especificar as condições e requisitos exigidos para sua concessão, os tributos a que se aplica e o prazo, se for o caso, conforme arts. 175 e 176 do Código Tributário Nacional (CTN), a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. “Art. 175. Excluem o crédito tributário: I - a isenção; (...) Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares.” 13. Conforme art. 111, inciso II, do CTN, a legislação que trata de outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, não sendo possível ampliar, nem restringir o alcance de norma tributária isentiva. “Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; Fl. 117DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.283 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.000589/2006-71 III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.” 14. O art. 48 da Lei nº 8.541, de 1992, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, concedeu isenção do IRPF relativa ao auxílio-doença, nos termos abaixo: “Art. 48. Ficam isentos do imposto de renda os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas decorrentes de seguro-desemprego, auxílio-natalidade, auxílio- doença, auxílio-funeral e auxílio-acidente, pagos pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada. (Redação dada pela lei nº 9.250, de 1995)” 15. O RIR/1999 tratou da referida isenção no inciso XLII do art. 39, nos mesmos termos da Lei nº 8.541, de 1992. “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto:(...) XLII - os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas decorrentes de seguro- desemprego, auxílio-natalidade, auxílio-doença, auxílio-funeral e auxílio-acidente, pagos pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada (Lei nº 8.541, de 1992, art. 48, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 27); (...)” 16. O Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, que regulamenta a Previdência Social, dispõe acerca dos regimes próprios de previdência social em seus arts. 6º e 10: “Art. 6º A previdência social compreende: I - o Regime Geral de Previdência Social; e II - os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos e dos militares. (...) Art. 10. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado neste Regulamento, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) § 3º Entende-se por regime próprio de previdência social o que assegura pelo menos as aposentadorias e pensão por morte previstas no art. 40 da Constituição Federal. (Redação dada pelo Decreto nº 3.452, de 2000))” 17. Ou seja, restou estabelecido em lei a isenção dos rendimentos relativos ao auxílio- doença, desde que se refira a um benefício de natureza previdenciária, pago pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e pelas entidades de previdência privada. 18. Estando os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos e dos militares compreendidos na previdência social oficial, pode-se afirmar que o referido dispositivo legal também estabeleceu a isenção para o auxílio-doença pago a servidor público pela previdência oficial dos entes federados, dentre eles o auxílio-doença custeado pela previdência oficial dos servidores do município ao qual a consulente se refere. Fl. 118DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.283 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.000589/2006-71 11 – Portanto, nesse aspecto quanto a inexistência de previsão legal para isenção, apesar da impropriedade contida na decisão de piso, no mérito, contudo, pela análise dos documentos juntados aos autos, verifica-se que o contribuinte não demonstrou de forma inequívoca que os rendimentos no valor de R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais) são realmente provenientes de auxílio doença pagos pelo Governo de Rondônia. 12 – Pela análise do informe de rendimentos de fls. 9 da fonte pagadora ela não discrimina o rendimento como isento e não tributável, apenas indica o valor de R$ 34.751,94 como rendimento de natureza tributável. 13 – Basta observar que na DIRPF de fls. 65/67 do contribuinte há apenas lançado o valor como rendimento tributável o de R$ 18.715,94 proveniente do Governo do Estado de Rondônia e portanto com a soma dos R$ 16.000,00 que o contribuinte indicou como isento ou não tributável dá a soma total indicado como de rendimento tributável indicados pela fonte pagadora. 14 – Não há nos autos prova inequívoca que infirmem o quanto lançado pela fonte pagadora, para demonstrar que apesar de lançado como rendimento tributável, na realidade o valor de R$ 16.000,00 são relativos a pagamento de auxílio doença, não bastando meras alegações relacionando o fato com requisições administrativas e relatório médico com afastamentos do trabalho pois tais documentos por si só não fazem prova concreta de que tais valores são oriundos de tais rendimentos isentos. 15 - Portanto, sendo do contribuinte o ônus em provar o fato constitutivo do seu direito, a teor do art. 373, I 1 do CPC aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo, não havendo outros documentos que demonstrem que o valor de R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais) são oriundos de pagamento a título de auxílio-doença, por mais que haja documentos fls. 10/21 relativos a requisições da Coordenadoria de Recursos Humanos do Governo de Rondônia e relatório médico, eles por si só, não demonstram o quanto necessário relativo a fazer jus o contribuinte à isenção pleiteada e portanto, entendo que deve ser mantido o lançamento na forma como procedido. Conclusão 1 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 119DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.283 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.000589/2006-71 16 - Diante do exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao recurso nos termos da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 120DF CARF MF
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