Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13982.001100/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por REGINALDO ROVARIS.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13982.001100/2010-79
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435742
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-000.499
nome_arquivo_s : Decisao_13982001100201079.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 13982001100201079_5435742.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por REGINALDO ROVARIS. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5840122
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706284326912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.001100/201079 Recurso nº Resolução nº 2202000.499 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de junho de 2013 Assunto Sobrestamento Recorrente REGINALDO ROVARIS. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por REGINALDO ROVARIS. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 82 .0 01 10 0/ 20 10 -7 9 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Resolução nº 2202000.499 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, REGINALDO ROVARIS, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, mediante o auto de infração de folhas 3 a 16 (v.1 – processo digital), relativos a fatos geradores verificados nos anos calendário 2005 a 2008. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 5 a 8 do processo digital – v.1) e do Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 115 a 123 – v.3 do processo digital), verificase que a autuação deuse em razão da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise foram sido obtidas as informações mediantes RMFs de fls. 27 e 29. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Resolução nº 2202000.499 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 804DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Resolução nº 2202000.499 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 805DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Resolução nº 2202000.499 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 806DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Resolução nº 2202000.499 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 807DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001277/2010-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2403-002.664
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências de 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. c) Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza-Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.001277/2010-97
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435049
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.664
nome_arquivo_s : Decisao_16327001277201097.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 16327001277201097_5435049.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências de 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. c) Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza-Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5838184
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706300055552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001277/201097 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.664 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 12 de agosto de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CREDIT SUISSE (BRASIL) DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 77 /2 01 0- 97 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências de 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. c) Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees StringariPresidente e Relator Ivacir Julio de SouzaRelator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1629.858 da 11ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e de Terceiros será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração (AI) foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. SALÁRIO . DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. Os Acordos Coletivos de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, de caráter irrelevável, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores. A lei superveniente não se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade mais severa que a prevista na lei vigente à época. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (Aí) DEBCAD n° 37.271.7250. lavrado nela fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa (inclusive o adicional de 2,5% previsto no parágrafo Io do artigo 22 da Lei n° 8.212/91), e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações a título de Programa de Participação nos Lucros e/ou Resultados, pagas e/ou creditadas aos empregados nos anos de 2005, 2006, e 2007, não recolhidas e não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 12.064.048,40 (doze milhões, sessenta e quatro mil e quarenta e oito reais e quarenta centavos), abrangendo as competências 01/2005, 10/2005, 01/2006, 10/2006, 01/2007, e 10/2007, consolidado em 10/09/2010. De acordo com o Relatório de Auto de Infração Termo de Verificação Fiscal, de fls. 10 a 18: • O débito teve como origem os valores das remunerações a título de Programa de Participação nos Lucros e/ou Resultados pagos e/ou creditados aos empregados, apurados em Folhas de Pagamento e informações prestadas pelo próprio Sujeito Passivo; • Nos itens 5 e 6 do Relatório estão apresentados o artigo 7o da Constituição Federal e a Lei n° 10101/2000; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 4 5 • A Convenção Coletiva de Trabalho do ano de 2005 foi solicitada conforme item 14 do Termo de Início de Procedimento Fiscal, de 27/11/2009, e Termo de Intimação Fiscal 2, de 01/09/2010, mas não foi apresentada; • As Convenções Coletivas de Trabalho entre o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários no Estado de São Paulo, e o Sindicato dos Empregados em Empresas de Seguros Privados, e Capitalização, e de Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Crédito e em Empresas de Previdência Privada no Estado de São Paulo, vigentes nos anos de 2006 e 2007, assinadas em 21/12/2005 e 23/01/2007, respectivamente, não tratam de Participação nos Lucros e Resultados dos Empregados, embora a cláusula trigésima primeira tenha o título "Participação nos Lucros"; • O Acordo de Participação em Lucros e Resultados 2005 e seu anexo, assinado em 10/02/2005, na cláusula terceira, parágrafo primeiro do anexo 1, apresenta os elementos relevantes na avaliação, mas sem nenhuma objetividade (transcrevese o trecho do Acordo); • Em momento algum existem objetivos claros a serem atingidos, ao contrário do que prevê a lei em seu artigo 2º, parágrafo 1º (transcrevese o trecho do Acordo); • O mesmo ocorre nos acordos de Participação em Lucros ou Resultados 2004, 2006 e 2007, com a agravante de que tais acordos e seu anexos foram assinados no ano seguinte, caso de 2004, ou no final do ano a ser avaliado, 10/02/2005, 22/12/2006, e 27/12/2007; • O pagamento de PLR tem como essência a retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou na realização de um resultado previamente pactuado. A partir do momento em que o acordo é firmado em período posterior ao período que será avaliado, perdese a característica de estímulo, e, portanto, de incentivo à produtividade, objetivo do artigo I o da Lei n° 10101/2000 (transcreve); • Conforme o artigo 3º da Lei n° 10101/2000 (transcreve), a PLR não substitui ou complementa a remuneração. Mas quando se analisa a folha de pagamento da empresa, verifica se grande disparidade entre o valor pago mensalmente ao empregado a título de salário, e o valor distribuído a título de PLR; • Reproduz os artigos 28, inciso I, da Lei n° 8212/91, 457, 458, e 76 da CLT, e esclarece que a partir do momento em que o empregado recebe valores extremamente superiores aos valores pagos mensalmente por seu trabalho, esse recebimento será utilizado para suprir suas necessidades de acordo com seu padrão de vida c poder aquisitivo; • No caso em tela, na proporção dos valores pagos a título de PLR, comparados com os valores declarados como salário Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 mensal, verificase proporções elevadas, conforme discriminado em planilha anexa. A PLR distribuída nestes moldes, confundese com a remuneração; • As Antecipações de PLR, pagas em 2005, 2006, e 2007, segundo as Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos bancos, não estão de acordo com a Lei n° 10101/2000, já que os empregados da fiscalizada não participam dos sindicatos incluídos nestas convenções, e sim do Sindicato dos empregados em empresas de seguros privados e de capitalização, de agentes autônomos de seguros privados e de crédito em empresas de previdência privada no Estado de São Paulo; • A Antecipação de PLR paga em 29/10/2007, referente a PLR a ser distribuída em 2008, não será descontada no ano de 2008, conforme prevê o parágrafo quinto, cláusula terceira, do Acordo de PLR 2007/2008. Portanto, não foi cumprida e Lei n° 10101/00 em 2008, já que tal adicional não se vincula à distribuiçãode PLR no ano, assemelhandose a um complemento do que já foi distribuído; Foi lavrado o AI n° 37.271.7250, contendo as contribuições parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), e o AI n° 37.271.7241, pelo fato da empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação às bases de cálculo, omitindo o fato gerador PLR paga a empregados nas competências 01/2005, 10/2005, 01/2006, 10/2006, 01/2007 e 10/2007; • Foi observada a penalidade mais benéfica para o Contribuinte, comparandose o artigo 284 do Decreto n° 3048/99 e o artigo 35A da Lei n° 8212/91, alterada pela Lei n° 11941/09; • No Levantamento PL Participação nos Lucros foram lançadas como salário de contribuição os valores pagos e/ou creditados aos empregados a título de Participação nos Lucros e Antecipação de Participação nos Lucros, encontrados nas planilhas fornecidas pela empresa e Folhas de Pagamento; • A fiscalização foi atendida pela Sra. Adriana Lima nas questões da área trabalhista e encargos sociais, e pelo Sr. Aguinaldo Brito nas questões relacionadas à área contábil e fiscal, a quem foram prestados todos os esclarecimentos necessários. Complementam o Relatório do Auto de Infração, e encontramse anexos ao Auto de Infração: IPC Instruções para o Contribuinte, de fls. 02 a 03; DD Discriminativo do Débito, de fls. 04 a 05; FLD Fundamentos Legais do Débito, de fls. 06 a 07; Relatório de Vínculos, de fls. 08 a 09; RL Relatório de Lançamentos, de fl. 19; Planilhas de Pagamento de PLR Proporção, fls. 20 a 22; Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, fls. 23 a 26; Resposta da empresa ao TIPF, fls. 28 a 29; Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 5 7 Termo de Intimação Fiscal n° 2 e Resposta da empresa, fls. 82 a 83; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF, íl. 113. Também foram juntados pela fiscalização, por cópias: Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005 e Anexo I, fls. 30 a 38; Convenção Coletiva de Trabalho entre Sindicato das Empresas Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários no Estado de São Paulo, e Sindicato dos Empregados em Empresas de Seguros Privados, e Capitalização, e de Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Crédito e em Empresas de Previdência Privada no Estado de São Paulo (2006), fls. 39 a 47; Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2006 e Anexo I, fls. 48 a 56; Convenção Coletiva de Trabalho entre Sindicato das Empresas Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários no Estado de São Paulo, e Sindicato dos Empregados em Empresas de Seguros Privados, e Capitalização, e de Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Crédito e em Empresas de Previdência Privada no Estado de São Paulo (2007), fls. 57 a 64; Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2007/2008 e Anexo I, fls. 65 a 73; Convenção Coletiva de Trabalho entre Sindicato das Empresas Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários no Estado de São Paulo, e Sindicato dos Empregados em Empresas de Seguros Privados, e Capitalização, e de Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Crédito e em Empresas de Previdência Privada no Estado de São Paulo (2008), íls. 74 a 81; Convenção Coletiva de Trabalho entre Sindicato das Empresas Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários no Estado de São Paulo, e Sindicato dos Empregados em Empresas de Seguros Privados, e Capitalização, e de Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Crédito e em Empresas de Previdência Privada no Estado de São Paulo (2005), fls. 84 a 92; Resumos de Folha de Pagamento e Mapas de Contabilização, lis. 93 a 101; Ata de Assembléia, fls. 102 a 112. DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido cientificada do Auto de Infração em 29/09/2010, fl. 01, a Autuada impugnou o lançamento tempestivamente, conforme despacho de fl. 269, através do instrumento de fls. 115/133, com juntada dos seguintes documentos, por cópias simples ou autenticadas: • Doc. 01: Procuração, Ata de Assembléia e Estatuto Social, e documentos dos procuradores, fls. 134/151; • Doc. 02: Acordos de Participação em Lucros ou Resultados de 2004, 2005, 2006, 2007/2008, fls. 152/188; • Doc. 03: "MyPerformanceSystem" (apresentação de 18 slides,e endereço eletrônico), fls. 189/208; • Doc. 04: "Performance Review" Avaliações 2004, 2005, 2006, algumas acompanhadas de tradução, fls. 211/257; Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 • Doc. 05: Mapas de Contabilização e Planilhas de Pagamento de PLR, ano base 2004, 2005, 2006, fls. 258/267. De início, apresenta um breve relato sobre o Auto de Infração em epígrafe, relacionando os motivos expostos no Relatório Fiscal para a autuação: (i) os Acordos de PLR relativos aos anosbase 2004, 2005, 2006 c 2007 não estabeleceriam objetivos claros a serem atingidos pelos empregados; (ií) o Acordo de PLR relativo ao anobase 2004 teria sido assinado no ano seguinte, apenas em 10/02/2005; os Acordos de PLR relativos aos anosbase 2006 c 2007 teriam sido assinados ao final dos anos avaliados (em 22/12/2006 e 27/12/2007, respectivamente), o que contrariaria o objetivo do instituto da PLR de estimular o empenho dos trabalhadores na geração de resultados previamente pactuados; (iii) haveria grande disparidade entre o valor da PLR e o valor do salário dos beneficiários, não podendo a PLR ser utilizada para substituir ou complementar a remuneração; (iv) as antecipações de PLR pagas em 10/2005, 10/2006, e 10/2007 não estariam previstas na Convenção Coletiva do Sindicato dos empregados da Impugnante, mas na Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato dos Bancários; (v) a antecipação de PLR paga em 10/2007 não estaria vinculada à PLR anobase 2007, por não haver a previsão do seu desconto no pagamento da PLR efetiva, paga em 2008. Afirma que o Auto não procede, pois, conforme será demonstrado: a) em 29/09/2010 a Fiscalização decaiu do direito de exigir contribuições relativas ao período de janeiro de 2005; b) todos os pagamentos de PLR foram efetuados em conformidade com a Lei n°10.101/00 e com os Acordos de PLR celebrados nos termos do art. 2o , I, da referida lei; c) o AI exige contribuições sobre ganhos eventuais; d) a multa de mora deve ser excluída do valor do crédito tributário do Al. A seguir, demonstra seus argumentos. Da Preliminar de Decadência Tendo em vista a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8212/91, a Fiscalização, cm 29/09/2010, decaiu do direito de cobrar contribuições referentes ao mês de janeiro de 2005 (transcreve a referida súmula). Uma vez que as contribuições são tributos sujeitos a lançamento por homologação, pois a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o seu pagamento sem prévio exame da Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 6 9 autoridade administrativa, deve ser aplicado ao presente caso o artigo 150, parágrafo 4o , do CTN (transcreve), que determina o prazo de 5 anos, contados do fato gerador, para exigir tributos lançados por homologação. Assim, em 29/09/2101, decaiu o direito de exigir contribuições relativas a períodos anteriores a setembro/2005. Do Enquadramento, na Lei n° 10101/00, da PLR Paga aos Empregados da Impugnante Transcreve o artigo 2o da Lei n° 10.101/00 e afirma ser fato incontroverso que os Acordos celebrados pela Impugnante com seus empregados observaram o referido dispositivo legal, ou seja, foram firmados com o Sindicato (conforme documentos anexados Doe. 02). Transcreve algumas cláusulas do Acordo de PLR relativo ao anobase 2005, bem como de seu anexo, ressaltandose que tais cláusulas são comuns aos Acordos dos demais anosbase, e aduz que: • O Acordo de PLR é pautado por um plano de metas cujas diretrizes constam do Acordo — cláusula terceira, parágrafo primeiro, Anexo i.; • Todos os empregados têm acesso às informações relativas às premissas e aos resultados previstos no Acordo de PLR, através dos meios internos de comunicação, conforme se constata na cláusula sexta, parágrafo primeiro. Esclarece que no início de cada ano, e por meio de programa interno denominado "My Performance", cujo manual de uso foi acostado ao presente (Doe. 03), são estabelecidas, de forma objetiva, as metas individuais e específicas de cada empregado. Tais metas são estabelecidas após análises e discussões internas entre a diretoria, gerentes das diversas áreas, e os próprios empregados. Tanto as revisões das metas quanto a avaliação dos empregados também são efetuadas pelo sistema "My Performance". A Impugnante anexou formulários gerados pelo referido sistema, em que estão previstas as metas individuais e as avaliações de desempenho, referentes aos períodos autuados (Doe. 04). Para que não haja dúvida acerca da regularidade dos pagamentos da PLR, também foram juntados os documentos relativos a esses pagamentos, com a indicação dos valores pagos, acompanhados das respectivas memórias de cálculo (Doe. 05). O fato de as metas individuais estarem previstas em documento à parte (sistema "My Performance") não tem o condão de descaracterizar a PLR para os fins da Lei n° 10.101/00, em virtude da cláusula terceira do Anexo I do Acordo. Colaciona jurisprudência administrativa. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Também não procede o entendimento no sentido de que os Acordos relativos aos anosbase 2004, 2006 e 2007 estão em desconformidade com a Lei n° 10101/00 pelo fato de não terem sido assinados no início dos respectivos anos: • Em relação ao anobase 2004, cujo pagamento da PLR foi em janeiro de 2005, ocorreu a decadência, como já demonstrado; • No tocante aos Acordos de PLR anosbase 2006 e 2007, entende que o fato de terem sido assinados em 22/12/2006 e 27/12/2007, respectivamente, não conduz à descaracterização da verba como tal, vez que precederam ao respectivo e efetivo pagamento. Transcreve julgado administrativo; • Além disso, as metas para fins de avaliação dos funcionários foram fixadas no início dos respectivos anos, como exposto. Quanto ao motivo elencado pela Fiscalização, de que a parcela da PLR corresponde à remuneração, em razão da disparidade entre o valor da PLR paga e o dos salários dos beneficiários, também não procede. Pautandose em doutrina e jurisprudência administrativa, articula que não há, na lei de regência, nenhuma regra que limite o valor da rubrica, ou que disponha acerca da existência de relação entre esta e o montante dos salários de seus beneficiários. Também é paradoxal o fato de a Fiscalização apontar as oscilações dos valores recebidos a título de PLR e depois afirmar que "a PLR distribuída nestes moldes passa a integrar a renda gerada pelo trabalho, ela é esperada e, portanto, confundese com a remuneração do empregado" (itens 21 e 22 do Relatório Fiscal). Tais oscilações demonstram, sim, que a PLR é incerta, não sendo possível caracterizála como renda esperada. No tocante às antecipações feitas nos meses de 10/2005, 10/22006 e 10/2007, ressalta que os Acordos de PLR celebrados foram firmados com o Sindicato e incorporaram expressamente a regra que prevê o pagamento de antecipações de PLR, a teor da cláusula terceira. Transcreve renomado jurista. Em relação ao motivo apontado, de que a antecipação paga em 10/2007 não estaria vinculada à PLR do anobase 2007 por não haver a previsão de seu desconto, também é improcedente, uma vez que na Lei n° 10101/2000 não há qualquer regra que obrigue o desconto dos valores antecipados de PLR. O que importa é que a totalidade dos valores pagos esteja em consonância com o Acordo celebrado. Em conclusão, assevera que qualquer pretensão de descaracterização da PLR, a partir de uma análise subjetiva sobre a observância da Lei n° 10.101/00, nega vigência à previsão do artigo 7o , inciso XXVI, da CF, restando desestimulada a aplicação dos instrumentos coletivos como jurisprudência trabalhista. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 7 11 forma de prevenção e solução de conflitos. Colaciona Pelo exposto, todos os pagamentos de PLR foram efetuados em conformidade com a Lei n° 10101/00, e com os Acordos de PLR celebrados nos termos do artigo 2o , inciso I, da referida lei. Do Caráter Eventual dos Pagamentos Realizados a Título dc PLR Alternativamente, argumenta que se não consideradas como PLR, as verbas em tela haveriam de ser subsumidas ao disposto no artigo 28, parágrafo 9o , alínea "e", item 7, da Lei n° 8.212/91 (transcreve), uma vez que se trata de ganho eventual, que não está sujeito à incidência de contribuições. Reproduz jurisprudência Da Aplicação do Art. 106, II, Alínea "c", do CTN ao Caso Concreto e o Afastamento da Multa de Mora Incluída no Auto Por fim, a multa de mora incluída no Auto deve ser excluída do valor do crédito tributário, em virtude da edição da Medida Provisória MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/09, que deu nova redação ao artigo 35 da Lei n°8.212/91, e introduziu o artigo 35A (transcreve estes dispositivos legais). Portanto, considerando o disposto no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, a multa de mora não pode subsistir com a sistemática introduzida pela MP n° 449/08, pois não é possível a coexistência de multa de mora com lançamento de ofício. Alternativamente, requer que a multa de mora imposta seja reduzida para 20%, nos termos do artigo 61 da Lei n° 9430/96, em face do disposto no "novo" artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Do Pedido Por todo o exposto, pede e espera que o Auto seja integralmente cancelado. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decadência da competência janeiro de 2005. · Imunidade da PLR prevista na Constituição Federal. · Pagamentos efetuados estão harmonizados com a lei 10.101/00. · Multa de mora. Exclusão ou limitação a 20%, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/96. É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 8 13 Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) A recorrente anexou cópia da guia de recolhimento da competência 01/2005. Uma vez comprovado recolhimento na competência do lançamento, entendo que devese aplicar o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. O período do lançamento é: 01 e 10/2005, 01 e 10/2006 e 01 e 10/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 29/09/2010. Entendo decadentes a competência 01/2005. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 19122008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 9 15 de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 10 17 legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. A recorrente questiona a tributação da PLR e afirma que cumpriu todas determinações da Lei 10.101/2000. VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10/101/00 Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006). Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2006, folhas 48 a 56, assinado em 22/12/2006, sendo o adiantamento pago em 10/2006 e a PLR em 01/2007. Entendo que não cumpriu integralmente com os requisitos da Lei 10.101/00. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 11 19 Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) Entendo que por o acordo ter sido assinado no final de dezembro, a incerteza do atingimento das metas ficou totalmente afastada. Entendo que os valores pagos não estão em harmonia com a Lei 10.101/00, especificamente com o artigo 2º, § 1º, II, que impõe a condição de o pacto ser estabelecido previamente e que, por essa razão, devem ser tributados. Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2007/2008, folhas 65 a 73, assinado em 27/12/2007 (este processo contém exclusivamente o adiantamento pago em 10/2007). Conforme o parágrafo quinto da cláusula terceira do Acordo de PLR 2007/2008, verificase que a Antecipação de PLR, paga em 29/10/2007 não seria descontada. CLÁUSULA TERCEIRA DA PERIODICIDADE E DO PAGAMENTO A periodicidade do pagamento da participação em lucros ou resultados será anual, nas mesmas datas da Convenção Coletiva de Trabalho 2007/2008 e 2008/2009, considerandose as antecipações previstas.... PARÁGRAFO QUINTO A antecipação de participação nos lucros e resultados creditada em 29 de Outubro de 2007 não será descontada na participação nos lucros e resultados do ano de 2008; as antecipações de participação nos lucros e resultados creditadas em 2008, não serão compensadas na participação nos lucros e resultados do ano 2009. Temos aqui 2 situações excludentes: a data do acordo (final de dezembro) e a situação de um adiantamento que não é compensado. Para a data, são válidas as considerações acima. O adiantamento não compensado, entendo que equivale a um abono pago por liberalidade da empresa, sujeito portanto à tributação. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 20 MULTA DE MORA No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: decorrente do pagamento em atraso, desde Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 12 21 que de forma espontânea e decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 22 retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Entendo que a multa de mora deve ser recalculada com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO À vista do exposto, nas preliminares, voto pelo reconhecimento da decadência da competência 01/2005, com base no artigo 150, § 4º do CTN. No mérito voto pelo provimento parcial, afastando a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006 e pelo recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Por maioria de votos esta Colenda Turma resolveu afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator. Eis , pois, a questão de fundo. Ao conduzir seu voto, no enfrentamento pontual da questão, o i. Conselheiro, manifestou seu entendimento tal qual o registro abaixo reproduzido na íntegra: "VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10/101/00" Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006). Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2006, folhas 48 a 56, assinado em 22/12/2006, sendo o adiantamento pago em 10/2006 e a PLR em 01/2007. Entendo que não cumpriu integralmente com os requisitos da Lei 10.101/00. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 13 23 empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Entendo que por o acordo ter sido assinado no final de dezembro, a incerteza do atingimento das metas ficou totalmente afastada. Entendo que os valores pagos não estão em harmonia com a Lei 10.101/00, especificamente com o artigo 2º, § 1º, II, que impõe a condição de o pacto ser estabelecido previamente e que, por essa razão, devem ser tributados. Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2007/2008, folhas 65 a 73, assinado em 27/12/2007 (este processo contém exclusivamente o adiantamento pago em 10/2007). Conforme o parágrafo quinto da cláusula terceira do Acordo de PLR 2007/2008, verificase que a Antecipação de PLR, paga em 29/10/2007 não seria descontada. Temos aqui 2 situações excludentes: a data do acordo (final de dezembro) e a situação de um adiantamento que não é compensado. Para a data, são válidas as considerações acima. O adiantamento não compensado, entendo que equivale a um abono pago por liberalidade da empresa, sujeito portanto à tributação. Com destaque para o fato de o pacto ter sido assinado em 22/12/2006, o i. Conselheiro entendeu que os adiantamento ocorrido em 10/2006 e a PLR em 01/2007, não tinha respaldo: "Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2006, folhas 48 a 56, assinado em 22/12/2006, sendo o adiantamento pago em 10/2006 e a PLR em 01/2007. Entendo que não cumpriu integralmente com os requisitos da Lei 10.101/00. " Como se observa o fato do pacto ter sido assinado no final de dezembro, formou convicção de que as condições não foram estabelecidas previamente e que, então houvera sido quebrada regra básica não se cumprindo integralmente com os requisitos da Lei 10.101/00. Na forma do abaixo transcrito, o i. Relator assevera que a incerteza do atingimento das metas fora afastada; "Entendo que por o acordo ter sido assinado no final de dezembro, a incerteza do atingimento das metas ficou totalmente afastada. " O sobredito, a "contrário sensu " , faz lícito concluir que houvera certeza no atingimento das metas. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 24 Visto assim,descontextualizado, não haveria mais o que se discutir e dar provimento ao Recurso neste quesito. Ocorre que verificando o todo e tendo como certo de que seguramente não foi isso que o Relator quis declarar, vindo à calhar, tal qual as evidências do caso em comento, não me permito utilizar do equívoco e, por um prisma único, sustentar a divergência. Apenas o menciono para ilidir hipótese de argumento para eventual embargo. Na seqüência, exortouse o preceituado artigo 2º, § 1º, II da Lei n 10.101/00 : "Entendo que os valores pagos não estão em harmonia com a Lei 10.101/00, especificamente com o artigo 2º, § 1º, II, que impõe a condição de o pacto ser estabelecido previamente e que, por essa razão, devem ser tributados." artigo 2º, § 1º, II da Lei n 10.101/00 "Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1o (...) II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. " Extraído da condução do voto, o texto abaixo reproduzido aduz que o i. Relator verificou cumpridas as exigências para o período imediatamente anterior ao em comento: "Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006)." Não se pode deixar de notar que na forma do encimado a empresa, costumeiramente , vinha de conceder o benefício combinado com seus empregados. Dessa forma não causa constrangimento inferir que o acordo em comento sempre esteve pactuado, entretanto, no período em comento, aperfeiçoado de maneira retardada. Relevante ressaltar que acordos, ainda que informais, também são de ser respeitado na legislação pátria. Por óbvio que no caso presente qualquer que tenha sido o pactuado, o acordo somente se aperfeiçoa mediante a assinatura das partes. Entretanto a lei requer que tenha havido o pacto prévio mas, embora as assinaturas sejam decorrente por coerência, não determina que sejam contemporâneas. Afirmar que não houve o pacto requer provas cabais que não se materializam pelo fato de as assinaturas terem sido apostas extemporâneamente. Relevante notar que foram firmadas em 22/12/2006 no mesmo ano em que ocorreram os lucros distribuídos na PLR em 01/2007. Penso que se tivesse havido intenção de burla, as partes teriam combinado de colocar outra data qualquer, anterior , e tal ato passaria ao largo e sequer estaria sendo questionado devido a impossibilidade de fazêlo. Noutro giro, tendo presente que o contrato o pacto é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, embora a Lei específica estabeleça as condições de pactuar no caso em tela, isto não afasta observar a aplicação subsidiária do art. 112 do Código Civil, quando revela que o contrato deve ser interpretado com prevalência da Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 2403002.664 S2C4T3 Fl. 14 25 intenção dos contraentes à literalidade das cláusulas, neste sentido o melhor meio de interpretar o contrato é a conduta das partes, ou seja, a forma como vinham executando o contrato nos anos anteriores e antes da aposição das assinaturas. "Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem" Por óbvio, para pagar o benefício a empresa se valeu de documentos expressos em relatórios de produção, formulários e outros instrumentos de controle cuja existência encerra a materialização de pacto prévio. Ademais, por incidência do princípio da primazia da realidade sobre a forma, segundo o qual a realidade fática sobrepõese aos aspectos meramente formais do contrato, em matéria trabalhista o que importa é o que ocorre na prática. Por derradeiro, exortando o brocardo “Exceptio non adimplenti contractus” da exceção de contrato não cumprido o legislador reservou o art. 476 do Código Civil preceituando que nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. Assim, se os empregados não tivessem conhecimento prévio das metas não poderiam cumprir seus compromissos e exigir da empresa a reciprocidade implícita e a empresa estaria livre para inadimplir e não proceder aos pagamentos realizados. "Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro." Assim, em razão de tudo que foi exposto, sou de concluir que se dava afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007. Ivacir Júlio de Souza Relator designado Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001281/2001-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2000
Ementa:
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. As estimativas mensais nada mais são do que a antecipação do imposto que será apurado e devido ao final do ano-calendário. Este crédito (de imposto) pode ser extinto por pagamentos e compensações efetuadas no decorrer do ano-calendário (estimativas mensais), bem como pelo pagamento ou compensação de eventual ajuste anual apurado. Caso o valor recolhido – seja via pagamento ou compensação, ou até, mediante retenção na fonte – supere o débito de IRPJ apurado ao final do ano-calendário, o artigo 2º, § 4º, inciso IV da Lei nº 9.430/96 permite que o contribuinte apure valor a ser compensado com outros tributos federais.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-001.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. As estimativas mensais nada mais são do que a antecipação do imposto que será apurado e devido ao final do ano-calendário. Este crédito (de imposto) pode ser extinto por pagamentos e compensações efetuadas no decorrer do ano-calendário (estimativas mensais), bem como pelo pagamento ou compensação de eventual ajuste anual apurado. Caso o valor recolhido – seja via pagamento ou compensação, ou até, mediante retenção na fonte – supere o débito de IRPJ apurado ao final do ano-calendário, o artigo 2º, § 4º, inciso IV da Lei nº 9.430/96 permite que o contribuinte apure valor a ser compensado com outros tributos federais. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10070.001281/2001-37
conteudo_id_s : 5453335
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-001.259
nome_arquivo_s : Decisao_10070001281200137.pdf
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10070001281200137_5453335.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5887566
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706310541312
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-18T01:40:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-02-18T01:40:25Z; Last-Modified: 2015-02-18T01:40:25Z; dcterms:modified: 2015-02-18T01:40:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-02-18T01:40:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-18T01:40:25Z; meta:save-date: 2015-02-18T01:40:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-18T01:40:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-02-18T01:40:25Z; created: 2015-02-18T01:40:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-02-18T01:40:25Z; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-18T01:40:25Z | Conteúdo => S1-C1T2 Fl. 1 1 S1-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.001281/2001-37 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102-001.259 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria Compensação Recorrente EMPRESA DE NAVEGAÇÃO ALIANÇA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. As estimativas mensais nada mais são do que a antecipação do imposto que será apurado e devido ao final do ano-calendário. Este crédito (de imposto) pode ser extinto por pagamentos e compensações efetuadas no decorrer do ano-calendário (estimativas mensais), bem como pelo pagamento ou compensação de eventual ajuste anual apurado. Caso o valor recolhido – seja via pagamento ou compensação, ou até, mediante retenção na fonte – supere o débito de IRPJ apurado ao final do ano-calendário, o artigo 2º, § 4º, inciso IV da Lei nº 9.430/96 permite que o contribuinte apure valor a ser compensado com outros tributos federais. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAÚJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Terceira Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), assim ementado, verbis: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Indefere-se a compensação, se não comprovado o saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Solicitação Indeferida” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Versa este processo sobre Pedido de Restituição (fl. 1) e Pedidos de Compensação convertidos em Declarações de Compensação — Dcomp (fls. 65, 75 e 87). 2 Através do Despacho Decisório — Parecer n° 120/2006 (fls. 185/187), houve o reconhecimento parcial do direito creditório, no valor de R$962.192,19, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, e foram homologadas as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. 3 Foi dada ciência ao interessado em 16/08/2006 (fl. 204). 4 O interessado apresentou, em 14/09/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 227/231. Nesta peça, alega, em síntese, que: 5 - apurou antecipações do IRPJ com base em balancetes mensais, devidamente transcritos no seu Livro Diário (doc. 2); 6 - os valores devidos a titulo de antecipações nos meses de agosto e setembro, R$100.259,53 e R$205.888,32, respectivamente, foram compensados (doc. 3 e 4); 7 - do imposto anual, deve ser deduzido o que foi pago no decorrer do período base; 8 - o pagamento e a compensação são formas de extinção do crédito tributário; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10070.001281/2001-37 Acórdão n.º 1102-001.259 S1-C1T2 Fl. 2 3 9 - é insubsistente, por falta de amparo legal, a glosa dos valores efetivamente recolhidos a titulo de antecipação, mediante compensação. 10 Encerra protestando por todos os meios de prova. 11 À fl. 439, o julgamento foi convertido em diligência. Foi prestada a informação de fls. 440/441.” Por maioria de votos dos integrantes do Colegiado a quo, o acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob alegação de não ser possível considerar no saldo negativo do ano-calendário de 2000 os valores das estimativas dos meses de agosto e setembro deste ano, no valor de R$100.259,53 e R$205.888,32, compensadas pela Contribuinte por meio do PA n. 10070.001106/00-42. Segundo o acórdão, pelo fato de estes débitos não estarem informados na DIPJ/2001, não seria legítimo dizer que estes (débitos) teriam sido extintos por compensação, pois eles (débitos) jamais teriam existido. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente quanto à equiparação entre pagamento e compensação para fins de de extinção do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme despacho decisório de fls. 185/187 (fls. 219 a 221 do PDF), proferido com base em auditoria realizada nesses autos (fls. 181 a 183 – fls. 215 a 217 do PDF), a Contribuinte não teria apurado débitos de estimativa nos meses de agosto e setembro do ano-calendário de 2000 em DIPJ/2001 e em seu LALUR, nada obstante os tenha declarado em DCTF e os tenha compensado por meio de declaração de compensação objeto do PA n. 10070.001106/00-42. Por tal razão, não poderiam ser considerados na formação do saldo negativo do respectivo ano. Veja-se, nesse sentido, trecho do relatório de diligência que embasa o Despacho Decisório, verbis: No demonstrativo apresentado pelo contribuinte relativo ao valor de R$654.940,73, consignado em sua DIPJ/2001 (item 16, ficha 12A) como Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa (fls. 144/150), está incluído os valores de R$ 100.259,53 e R$ 205.888,32, referentes aos períodos de apuração de AGO/2000 e SET/2000, respectivamente. Ocorre que, através da análise dos balancetes de suspensão ou redução do imposto de renda transcritos no LALUR, bem como dos dados informados na ficha 11 da DIPJ/2001, nos citados meses não foram apurados débitos de IRPJ por estimativa (fls. 10/13 e 127/130). Pertinente ressaltar que o interessado entregou pedido de compensação, relativos aos citados débitos indevidos, através do processo n° 10070.001106/00-42, bem como os declararam em DCTF (fls. 146/150). Fl. 451DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 Denota-se que, com a exclusão dos referidos valores de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa (AGO/2000 E SET/2000), o montante a ser considerado no item 16, ficha 12A da DIPJ/2001 passa a ser de R$ 348.792,88 (R$ 654.940,73 — (R$ 100.259,53 + R$ 205.888,32)), valor este que o próprio sujeito passivo afirma ter utilizado como estimativa no demonstrativo anexado às fls. 153. Dessa forma, verifica-se que a ocorrência citada acima, s.mj., culmina em alteração do saldo negativo do 1RPJ, consignado no item 18, ficha 12A da DIPJ/2001, conforme abaixo: IRPJ Valor declarado Valor apurado Aliquota de 15% 229.175,95 229.175,95 Adicional 128.783,97 128.783,97 (-) PAT 9.167,04 9.167,04 (-) IRRF 962.192,19 962.192,19 (-) IR Mensal Estimativa 654.940,73 348.792,88 IRPJ A PAGAR (-) 1.268.340,04 (-) 962.192,19” Em sua defesa, a Contribuinte aduz que, nada obstante nada devesse a título de estimativas nos meses de agosto e setembro de 2000, conforme informação constante de seu LALUR e de seus balancetes de suspensão/redução de imposto, é certo que efetuou o recolhimento dessas estimativas nos citados meses, as quais, obrigatoriamente, por recolhidas, devem compor o saldo negativo do respectivo ano-calendário, na forma do art. 231 do RIR/99. O voto vencido do acórdão recorrido acolheu a tese de defesa da Contribuinte, no sentido de reconhecer a integralidade do direito creditório pretendido, considerando-se, para tanto: (a) que os débitos estavam declarados em DCTF e em declaração de compensação; (b) que, à época, tal declaração de compensação pendia de exame pela Receita Federal do Brasil, conforme informação em diligência fiscal (fls. 439/441); e (c) que, portanto, implicariam extinção do crédito tributário respectivo, na forma da Lei n. 9.430/96. O voto vencedor do acórdão recorrido, por sua vez, acolheu relatório de diligência fiscal acima citado para reduzir o valor do montante do direito creditório concedido à Contribuinte, sob a alegação que os débitos de estimativa dos meses de agosto e setembro de 2000 não existiriam e, portanto, não poderiam ser considerados para formação do saldo negativo do respectivo ano. Confira-se: “32. De fato pagamento e compensação são formas de extinção do crédito tributário, entretanto constituem modalidades distintas, razão porque foram incluídas em incisos diferentes no art. 156 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional - CTN). 33. A compensação pressupõe a existência de créditos de ambas as partes, devedor e credor, sujeito passivo e sujeito ativo (art. 170 do CTN). Conforme foi demonstrado, nestes autos, pela autoridade administrativa, nos meses de agosto e setembro de 2000, não foram apurados créditos tributários (débitos de IRPJ por estimativa). Inexistindo crédito de uma das partes, não há que se falar em compensação.” Em recurso, a Contribuinte reitera sua argumentação no sentido de que a sistemática de apuração do IRPJ pelo lucro real anual exige que sejam considerados no cálculo do ajuste anual todos os recolhimentos e compensações efetuadas no decorrer do ano. Verbis (fls. 479): Fl. 452DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10070.001281/2001-37 Acórdão n.º 1102-001.259 S1-C1T2 Fl. 3 5 “Destarte, se a norma legal e o seu regulamento prevêem que, do imposto anual, deve ser deduzido o que foi pago pela pessoa jurídica no decorrer do período-base, não é permitido ao intérprete considerar outra hipótese senão a de efetivo recolhimento. Logicamente, o mesmo raciocínio aplica-se à situação em que a pessoa jurídica compensou o valor devido em determinado mês, uma vez que, conforme acima mencionado, a legislação tributária, de modo geral, equipara os efeitos do pagamento e da compensação realizados pelo sujeito passivo, que, nos termos do art. 156 do Código Tributário Nacional, são formas de extinção do crédito tributário. Destarte, para efeito do cálculo do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, no encerramento do ano-calendário, o que importa é o montante efetivamente recolhido, mediante pagamento ou compensação, mensalmente pela pessoa jurídica, seja ele maior que o devido ou não.” Com razão a Contribuinte. Em que pesem as razões do voto condutor do acórdão recorrido, não é legítimo desconsiderar o recolhimento de estimativas realizado pela Contribuinte nos meses de agosto e setembro de 2000 pelo fato de eles não terem sido informados em DIPJ ou não constarem do LALUR, já que são incontroversas as circunstâncias de que tais débitos foram informados como tal em DCTF e compensadas via declarações de compensação. Ambos os instrumentos representativos de confissão de dívida da Contribuinte em favor do Fisco. Por sua vez, também não merece respaldo eventual alegação de que a extinção do crédito via compensação seria distinta da extinção do crédito tributário via pagamento, para fins de apuração de saldo negativo de imposto de renda ao final do ano- calendário. A sistemática de apuração do lucro real anual permite que sejam consideradas, no cálculo do ajuste anual todos os recolhimentos efetuados no decorrer do ano, o que, intuitivamente, abrange também aqueles recolhimentos efetuados por intermédio de compensações. Como é de conhecimento geral, as estimativas mensais nada mais são do que antecipação do imposto que será apurado e devido ao final do ano-calendário. Este crédito (de imposto) pode ser extinto por pagamentos e compensações efetuadas no decorrer do ano- calendário (estimativas mensais), bem como pelo pagamento ou compensação de eventual ajuste anual apurado. Caso o valor recolhido – seja via pagamento ou compensação, ou até, mediante retenção na fonte – supere o débito de IRPJ apurado ao final do ano-calendário, o artigo 2º, § 4º, inciso IV da Lei nº 9.430/96 permite que o contribuinte apure valor a ser compensado com outros tributos federais. Diante do exposto, orienta-se voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 454DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725812/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009
DECADÊNCIA OCORRÊNCIA PARCIAL. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. ABONO FÉRIAS. ABONO ASSIDUIDADE SOBRE FÉRIAS. SITUAÇÕES QUE FICAM FORA DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇAS DE VALORES GFIP X MANAD/FOLHA DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA QUE SE ENCONTRAVA EM VIGOR NA ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, POR SER A MAIS BENÉFICA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PARTE DA EXAÇÃO É DEVIDA. FRETE E CARRETO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RETENÇÃO SERVIÇOS FORA DA INCIDÊNCIA DA TÉCNICA DE ARRECADAÇÃO. EXCLUSÃO. INCONSTITUCIONALIDADE CONHECIMENTO VEDADO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto à decadência e multa da competência 12/2008.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 DECADÊNCIA OCORRÊNCIA PARCIAL. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. ABONO FÉRIAS. ABONO ASSIDUIDADE SOBRE FÉRIAS. SITUAÇÕES QUE FICAM FORA DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇAS DE VALORES GFIP X MANAD/FOLHA DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA QUE SE ENCONTRAVA EM VIGOR NA ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, POR SER A MAIS BENÉFICA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PARTE DA EXAÇÃO É DEVIDA. FRETE E CARRETO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RETENÇÃO SERVIÇOS FORA DA INCIDÊNCIA DA TÉCNICA DE ARRECADAÇÃO. EXCLUSÃO. INCONSTITUCIONALIDADE CONHECIMENTO VEDADO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15504.725812/2012-18
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445189
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.137
nome_arquivo_s : Decisao_15504725812201218.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15504725812201218_5445189.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto à decadência e multa da competência 12/2008. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5874003
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706442661888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 4.824 1 4.823 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.725812/201218 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.137 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de março de 2015 Matéria CP: REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO; REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS; CONTRIBUINTE INDIVIDUAL; SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO – SAT/GILRAT/ADICIONAL; TERCEIROS; CONSTRUÇÃO CIVIL: CESSÃO DE MÃO DE OBRA. EMPRESAS EM GERAL. Recorrente TOTAL ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 DECADÊNCIA OCORRÊNCIA PARCIAL. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. ABONO FÉRIAS. ABONO ASSIDUIDADE SOBRE FÉRIAS. SITUAÇÕES QUE FICAM FORA DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇAS DE VALORES GFIP X MANAD/FOLHA DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA QUE SE ENCONTRAVA EM VIGOR NA ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, POR SER A MAIS BENÉFICA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PARTE DA EXAÇÃO É DEVIDA. FRETE E CARRETO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RETENÇÃO SERVIÇOS FORA DA INCIDÊNCIA DA TÉCNICA DE ARRECADAÇÃO. EXCLUSÃO. INCONSTITUCIONALIDADE CONHECIMENTO VEDADO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto à decadência e multa da competência 12/2008. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 58 12 /2 01 2- 18 Fl. 4824DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.825 2 Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 4825DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.826 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.342.5899, que objetiva o lançamento das retenções de onze por cento, decorrente de serviços prestados por empreitada, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.342.5902 que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.342.5910, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada do trabalhador, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.342.5929, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, com período de apuração 01/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 135 e 136. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 16/07/2012, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 03; 20; 38 e 52. A contribuinte apresentou petição, em 09/08/2012, fls. 246; 249; 251, onde pede o desmembramento do crédito DEBCAD 37.342.5902; 37.342.5910; 37.342.5929, referente aos levantamentos “ajuda de custo” (AJ, AC E C1), relativamente as competências 07/2007 a 12/2008. O pedido de desmembramento foi atendido, conforme Termo de Transferência – TETRA, de fls. 260; 274 e 285, do qual consta que foi transferido do DEBCAD 37.342.5902; 37.342.5910; 37.342.5929 para o DEBCAD 37.390.6714; 37.390.6790; 37.390.6757, os valores de R$ 96.882,27; R$ 33.698,16 e R$ 19.018,51, respectivamente. A efetivação do desmembramento está confirmada pelo Despacho Desmembramento, de fls. 296 e 297. O contribuinte foi cientificado do desmembramento, pela intimação, de fls. 298, recebida pelo AR, de fls. 299 e 300, em 07/12/2012. O contribuinte apresentou suas defesas/impugnações petição, as fls. 301; 1.059; 1.817; 1.964, recebidas, em 14/08/2012, com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 302 a 357; 1.060 a 1.113; 1.818 a 1.826; 1.965 a 1.997, estando acompanhada dos documentos, de fls. 358 a 1.058; 1.114 a 1.816; 1.827 a 1.963; 1.998 a 2.663. As impugnações foram consideradas tempestivas, fls. 2.264. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0829.416 6ª, Turma DRJ/FOR, em 24/04/2014, fls. 2.694 a 2.712. Fl. 4826DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.827 4 A impugnação foi considerada procedente em parte e o crédito retificado pelos Discriminativos Analíticos de Débitos Retificados – DADR, de fls. 2.671 a 2.693, conforme a seguir discriminado. DEBCAD 37.342.5899, fls. 2.671 a 2.679: · comp: 03/2008 – exclusão R$ 27.364,92 da BC – levantamento R1 – Retencao Empreitada Serviços; · comp: 12/2008 – exclusão R$ 8.000,00 da BC – levantamento S6 – Retencao Empreitada Serviços; · comp: 12/2008 – exclusão R$ 1.590,21 da BC – levantamento S8 – Reteno Empreitada Serviços; · comp: 12/2008 – exclusão R$ 21.520,16 da BC – levantamento S9 – Retencao Empreitada Serviços; · comp: 12/2008 – exclusão R$ 17.479,85 da BC – levantamento V1 – Retenção Empreitada Serviços; · comp: 12/2008 – exclusão R$ 430,77 da BC – levantamento V2 – Retencao Empreitada Serviços; · comp: 12/2008 – exclusão R$ 2.568,17 da BC – levantamento V3 – Retencao Empreitada Serviços; · comp: 12/2008 – exclusão R$ 6.042,00 da BC – levantamento V5 – Retencao Empreitada Serviços; DEBCAD 37.342.5902, fls. 2.680 a 2.687: · comp: 06/2008 – exclusão R$ 1.920,00 da BC – levantamento CI – Contribuinte Ind Autonomo; DEBCAD 37.342.5910, fls. 2.688 a 2.693: · comp: 06/2008 – exclusão R$ 211,20 da contribuição do segurado – levantamento CI – Contribuinte Ind Autonomo; O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 26/05/2014, conforme AR de fls. 2.715 a 2.720. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, em petições apartadas para cada crédito, conforme fls. 2.721; 2.760; 2.824; 3.716, com razões recursais acostadas, as fls. 2.722 a 2.759; 2.761 a 2.823; 2.825 a 2.835; 3.717 a 3.779, recebidos, em 25/06/2014, acompanhados dos documentos, de fls. 2.836 a 3.715; 3.780 a 4.821. As razões recursais são as que seguir constam de forma sumariada. DEBCAD 37.342.5929. Fl. 4827DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.828 5 Mérito. · que ocorreu decadência para as contribuições com fatos geradores ocorridos até 16/07/2007, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, pois apesar de entender a turma julgadora a quo de que não houve a antecipação do pagamento pela recorrente, devese observar que a recorrente juntou aos autos diversas GPS, bem como o lançamento referese a diferenças verificadas entre GFIP e folha de pagamento e não ao recolhimento integral, operandose a decadência parcial; · que sobre os valores pagos a título de alimentação não devem incidir contribuição social previdenciária, pois o vale refeição não tem correlação com as atividades do trabalhado, não tendo, assim, natureza salarial, cita Délio Maranhão, sendo que o artigo 28, I, da Lei 8.212/91 e artigo 240, da CF/88 informam que o salário de contribuição é a remuneração auferida pela trabalhador e que a contribuição previdenciária se dá sobre a folha de salários, sendo irrelevante a falta de inscrição no PAT, cita decisão do STJ, AD Nº 03/2011 – PGFN, volta a citar decisão do STJ, cita Roque Antônio Carraza, devendo a exigência fiscal sobre alimentação ser excluída do lançamento; · que os montantes pagos a título de abono de férias não tem caráter salarial ou retributivo e assim não é fato gerador da contribuição social previdenciária, sendo tal valor pago por força de acordo coletivo de trabalho, como estimulo assiduidade, sendo um abono anual pago em conjunto com a remuneração de férias, que apesar do nome a verba é premial, excepcional e não habitual e só é paga aos trabalhadores assíduos, cita Maurício Godinho Delgado e Arnaldo Sussekind; · que o abono de férias é um prêmio eventual, pois não é direito de pronto, sendo esporádico porque nem todos os trabalhadores fazem jus, só aqueles filiados a certo sindicato e que sejam assíduos, ficando clara a eventualidade, pois apenas pago em 2008 apesar do lançamento envolver o ano de 2007, votando a citar Sussekind; · que se tal verba fosse salário seria devida a todos inclusive aos faltosos, bem como de forma proporcional na rescisão o que é vedado pelo ACT que tem força de lei entre as partes, cita decisão do STJ, cita o artigo 28, §9º, “e”, item 7, da Lei 8.212/91 e volta a citar o STJ, cita decisão do CARF, cita o AD 16/2011 – PGFN, esbarrando o lançamento em incontornáveis vícios e ilegalidades que o inquinam de morte, devendo ser cancelado e extinto o créditos tributário arrimado no prêmio assiduidade; · que a recorrente verificou a ocorrência de diferenças de valores entre o MANAD e as GFIP e assim corrigiu os valores para o período 01/2008 a 12/2008, sendo a base de cálculo da contribuição as que estão declaradas em GFIP, as quais encontramse detalhadas nas Fl. 4828DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.829 6 folhas de pagamento e no MANAD, cita exemplificativamente Eurico Pires da Gama, em 03/2008, sendo que as bases de cálculo corretas são as das GFIP e folha de pagamento, não havendo diferença de contribuição, não merecendo a atuação prosperar; · que os valores constantes do Anexo VI são decorrentes de pagamento de rescisão de contratos a posteriori e que não podem ser declarados em GFIP posterior, presumindo o fisco o seu não recolhimento, listando os oito exempregados que estariam nessa situação, exemplifica a situação de José Ventura Alves que em 01/2008 recebeu R$ 8.116,42 e em 02/2008 a diferença de R$ 192,98, os quais somados dão R$ 8.309,40 onde aplicado 5,8% de terceiros, teríamos R$ 481,95 exatamente o valor recolhido; · que o fisco desconsiderou efetivamente as bases de cálculo declarada em GFIP pela recorrente em alguns casos, listando quinze empregados em que teria isso ocorrido, mas todos foram devidamente declarados em GFIP, ilustra com a situação de Jaderson Ferreira da Cunha – comp. 02/2008 – R$ 795,98, tendo a contribuição sido recolhida como consta da GPS, estando o lançamento equivocado, conforme provas apresentadas, cabendo a exclusão dos valores da autuação; · que deve ser aplicada a multa menos onerosa, artigo 106, II, “c”, do CTN, pois no período de 01/2007 a 12/2008 foi aplicada multa de vinte e quatro por cento, mas que o artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 determina a aplicação de multa limitada a vinte por cento, devendo essa nova penalidade incidir sobre o fato, pois é mais benéfica, cita decisão do STJ, assim a aplicação de multa de vinte e quatro por cento é ilegal, devendo ser reduzida a vinte por cento · Dos pedidos: a) que seja acolhido o recurso; b) reformada a decisão a quo; c) reconhecendo a decadência para os fatos geradores ocorridos até 16/07/2007; d) excluindo a incidência da contribuição sobre fornecimento de ticket alimentação e abono assiduidade/prêmio; e) exclusão da exigência ilegal das supostas divergências entre MANAD e GFIP; f ) redução da multa de mora para vinte por cento. DEBCAD 37.342.5910 e 37.342.5902. Mérito. · decadência tese já apresentada no recurso do DEBCAD 37.342.5929. · auxílio – alimentação – idem ao item anterior. · abono de férias – idem ao item anterior. · que é indevida a cobrança sobre remunerações de contribuintes individuais, pois parte já foi paga, a tempo e a modo, uma vez que Fl. 4829DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.830 7 incluídas em GFIP e GPS é o caso de Evaldo da Silva Paiva e John Gilbert Spangler, conforme documentos, mas a decisão recorrida manteve o lançamento, pois constou da GFIP o nome Edvaldo e não Evaldo, porém o NIT no RPA e GFIP são os mesmos, bem como o sobrenome; · que o mesmo se deu com Ailton Gonçalves Pereira e Alex Ribeiro Figueiredo, uma vez que ambos são funcionários da recorrente, sendo o NIT de Ailton 124.46285.416, estando declarado em GFIP, não sendo possível admitir lançamento por presunção, cita decisão do CARF; · que em face dos funcionários não foi emitido RPA como consta de forma equivocada na decisão recorrida, ocorre que tais funcionários são auxiliares administrativos e que sob suas responsabilidades são enviados recursos para cobrir despesas de obras, foi o que ocorreu com o valor de R$ 801,00 transferido a Ailton em 09/2008, porém tal valor era para pagamento de Pedro Roberto do Santos autônomo, entendendose equivocadamente que o RPA foi emitido em razão do empregado, repetindose essa situação de janeiro a abril/2008, transferindo a recorrente valores para os empregados fazerem frente as despesas de obra, que foram erroneamente considerados pelo fisco pagamento a autônomos, os documentos anexados comprovam as alegações, pedindo pela exclusão dos valores da autuação; · que o fisco está exigindo contribuição social sobre frete e carretos a transportadores autônomos, conforme RPA’s, mas o STF considerou essa cobrança indevida, por ausência de lei em sentido formal e material, pois a alíquota está fixado no artigo 267, do RPS, e alterações, culminando na Portaria MPAS nº 1.135/2001, sendo o tributo e base de cálculo estabelecido por ato infralegal, cita RMS 25.467/DF, não havendo campo de incidência da exação de frete, segundo o STF, sendo insubsistente a exação; · que caso ultrapassada essa questão cabe lembrar que o auditor lançou sobre o valor bruto do frete ou carreto, mas o artigo 201, § 4º, do Decreto 3.048/99 estabeleceu que a base de cálculo é de 20% da nota, estando o crédito sendo exigido a maior, não aceitando o fisco os RPA’s apresentadas pela empresa, o que viola o artigo 368, do CPC, cabendo ser declarado improcedente o lançamento a título de frete; · inexistência de diferenças entre folha de pagamento e GFIP tese já apresentada no recurso do DEBCAD 37.342.5929. · que a aplicação da multa do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009 multa de ofício, no período de janeiro/2007 a 12/2008 é prejudicial, aplicando o agente fiscal dois pesos e duas medidas nos DEBCAD’s 37.341.5910 e 37.342.5902, aplicou o artigo 44, I, da Lei 9.430/1996 e nos DEBCAD’s 37.341.5899 e 37.342.5928, aplicou vinte e quatro por cento, artigo 35, alínea “a”, Fl. 4830DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.831 8 realizou o agente autuante notória confusão entre as penalidades: (multa de ofício; multa de mora) com fossem de idêntica natureza, cita decisão do TRF5 e decisão do CARF, diz que a jurisprudência do CARF distingue as penalidade por descumprimento de obrigação principal e acessórias; · que o artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 estabeleceu penalidade menos severa, no importe máxima de vinte por cento, volta a citar precedente do CARF; · que da forma como comparadas as multas acabouse por aplicar multa mais severa, ou seja, setenta e cinco por cento, sendo a de vinte e quatro por cento menos severa, porém para o período da autuação aplicavase a multa de vinte e quatro por cento e paralelamente a multa isolada de cem por cento, artigo 32, §§ 3 º e 5º, da Lei 8.212/91, mas tais dispositivos foram revogados pela Lei 11.941/2009, passando a prever multa isolada no artigo 32A, deixando de existir a de cem por cento, não se podendo utilizar a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, pois esta extrapola os limites da Lei, cita decisão da CSRF no sentido de que é pacífico naquele órgão o entendimento de que atos infralegais não podem inovar o ordenamento, criando restrição não prevista em lei, rogando pela exclusão da multa de setenta e cinco por cento, com a aplicação de multa no patamar de vinte por cento ou pela argumento a de vinte e quatro por cento; · Dos pedidos: a) que seja acolhido o recurso; b) reformada a decisão a quo; c) reconhecendo a decadência para os fatos geradores ocorridos até 16/07/2007; d) excluindo a incidência da contribuição sobre fornecimento de ticket alimentação e abono assiduidade/prêmio; e) exclusão de fretes e carretos pagos aos transportadores autônomos ou redução da base de cálculo; f ) exclusão da exigência ilegal das supostas divergências entre MANAD e GFIP; g) redução da multa de mora para vinte por cento ou caso superada a aplicação da multa de vinte e quatro por cento. DEBCAD 37.342.5899. Mérito. · que o fisco está exigindo contribuições sobre serviços que não se submetem a retenção, conforme rol taxativo que regulamenta o artigo 31, da Lei 8.212/91, estando tal dispositivo regulamentado pelo artigo 219, do Decreto 3.048/99, sendo que o artigo 147, da IN Nº 03/2005 deixa claro que a lista de serviços é exaustiva; · que embora a lista seja extensa nela não se inclui: a ) locação de equipamentos; b) serviços de recrutamento e consultoria, cita Bernado Ribeiro de Moraes, cita a SV 31 do STF, sendo que o fisco não admitiu as notas para comprovação dos serviços, exigindo a apresentação dos contratos, mas para tal o fisco deveria comprovar a Fl. 4831DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.832 9 inidoneidade dos documentos, o que não ocorreu, o que viola os artigos 387 e 389, do CPC, cita decisão do STJ, não comprovando o fisco que as notas das empresas CWA; Metro Mont; Mega RH e Cláudio Ferreira, não sejam merecedoras de fé, as quais demonstram que os serviços por elas prestados não se submetem a retenção, rogandose sejam excluídos esses serviços do lançamento; · Dos pedidos: a) a recorrente roga seja julgado parcialmente procedente o recurso, para exclusão dos serviços de locação, recrutamento e consultoria do lançamento. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 4.822. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 4.822. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 11/09/2014, Lote 09, fls. 4.823. É o Relatório. Fl. 4832DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.833 10 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. O presente Processo Administrativo Fiscal contém quatro débitos distintos, contudo algumas situações são relativas a mais de um débito e outras são específicas, estando tais situações discriminadas no sumário recursal do relatório. Desta forma, as questões que se referirem a mais de um crédito serão julgadas em conjunto e as demais da forma que se apresentam e que foram sumariadas. DEBCAD 37.342.5929; DEBCAD 37.342.5910 e 37.342.5902; DEBCAD 37.342.5899. Decadência. Verificase dos autos, conforme relação abaixo, que existem GPS de pagamento para o período de 01/2007 a 06/2007, embora algumas estejam recolhidas no código 2.119 que referese somente a recolhimento para terceiros. GPS CNPJ 00.756.862/000149 COMP 01/2007 – FLS. 3.810 – VALOR R$ 621,96 COD. 2119 COMP 02/2007 FLS. 3.846 A 3.848 – VALOR R$ 671,29 – CÓD. 2119 COMP 03/2007 FLS. 3.875 – VALOR R$ 679,81 – CÓD. 2100 COMP 04/2007 FLS. 3.917 A 3.919 – VALOR R$ 6.721,51 – CÓD. 2100 COMP 05/2007 FLS. 3.979 E 3.981 – VALOR R$ 833,49 – CÓD. 2119 COMP 06/2007 FLS. 4.024 E 4.025 – VALOR R$ 431,63 – CÓD. 2119 A contribuição para terceiros não se confunde com contribuição social previdenciária e assim o pagamento exclusivo da contribuição para terceiros não aproveita a contagem do prazo decadencial relativo a contribuição social previdenciária e vice versa. Aliás, é isso que diz a Súmula 99, do CARF a seguir transcrita, pois ela se reporta a contribuição previdenciária de forma expressa. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor Fl. 4833DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.834 11 considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifei). Assim, apenas para as competências março e abril/2007 podese levar em consideração as GPS apresentadas, relativamente a contribuições sociais previdenciárias. Entendo que para a contagem do prazo de decadência acompanhando jurisprudência do STJ, que o pagamento é o marco diferenciador da contagem e para as competências citadas, como houve pagamento e como o lançamento se deu em 13/07/2012, retroagindose cinco anos, terseia a data fatal da decadência em 14/07/2007 RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN Destarte, as competências março/2007 e abril/2007 referentes as contribuições sociais previdenciárias quando do lançamento estavam decadentes e assim devem ser excluídas dos lançamentos para todos os levantamento, exceto o crédito DEBCAD 37.342.5929 – relativo a outras entidades e fundos – terceiros. Nessa linha de raciocínio as competências 01/2007; 02/2007; 05/2007 e 06/2007, relativas ao crédito DEBCAD 37.342.5929 – referente a outras entidades e fundos – terceiros devem ser excluídas em razão da decadência. O fato do lançamento ser referente a supostas diferenças como alega a recorrente é irrelevante, pois nos termos da lei o pagamento só se prova com o recibo/comprovante, artigo 320, da Lei 10.406/2002 c/c o artigo 158, da Lei 5.172/66. Alimentação. O levantamento denominado AL –ALIMENTAO SEM PAT, conforme ANEXO I DISCRIMINATIVO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DA ALIMENTAÇÃO FORNECIDA SEM PAT, fls. 80 a 94, na coluna “Descrição da Conta” deixa patente que tal valor foi pago para compra de (lanche; alimentação; refeição; vale refeição, cesta básica), porém verifiquei que na competência 08/2007 10/08/2007 00001810 3.1.01.02.0014 viagens e refeições 60,00 2.1.03.08.1313 valor ref. Provisão nf 1158 pousada ouro de minas – consta um despesa com viagem, mas isso é irrelevante em razão do valor R$ 60,00, pois esse jamais seria superior a cinquenta por cento da remuneração de qualquer trabalhador, uma vez que nessa competência o salário mínimo era de R$ 415,00. Fl. 4834DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.835 12 Assim sendo, em todo o período constante do citado Anexo I o valor pago a título de alimentação referese a alimentação in natura e deste forma não é base de incidência da contribuição social previdenciária, nos termos da AD nº 03/2011. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Com os esclarecimentos acima o levantamento AL –ALIMENTAO SEM PAT deve ser excluídos de todos os créditos desse PAF onde se encontra lançando, pois alimentação in natura. Abono férias. É irrelevante o fato do abono férias estar instituído por acordo coletivo, pois como bem disse a recorrente o acordo é lei entre as partes e o fisco não é parte no acordo, assim, não se submete a ele, além do que aplicase nesse caso o artigo 123, da Lei 5.172/66. O Refisc, de fls. 73, identifica dois tipos de abonos, a saber: · Cód: 029 – Abono Férias Convenção; · Cód: 143 – Abono Assiduidade Férias CCT. Podese verificar do ANEXO III DISCRIMINATIVO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DO ABONO DE FÉRIAS CCT, de fls. 107 a 109, que a rubrica cód. 029 foi paga uma única vez, na comp. 04/2007. Fl. 4835DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.836 13 As características dessas duas rubricas dão a transparecer que elas se ajustam ao que contido no artigo 143 e 144, do DecretoLei 5.452/1943 e assim não integrariam a base de cálculo da contribuição social previdenciária, nos termos do artigo 28, § 9º, alínea “e”, item 6, que percorre o caminho da não incidência, observese as decisões transcritas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2003 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ABONO DE FÉRIAS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE VERBA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. 1. O simples fato de o pagamento do abono estar condicionado à assiduidade do empregado não tem o condão, por si só, de modificar a sua natureza jurídica. Ora, se a própria aquisição das férias subordinase a este requisito (art. 130 da CLT), admitirse tal sorte de ilação implicaria a transformação automática das férias em prêmio por assiduidade, o que seria um absurdo. 2. Apesar de uma análise isolada do instituto levar a uma possível caracterização da verba como gratificação (frise se, gratificação, e não prêmio), foi a própria lei quem lhe negou o caráter salarial (art. 144 da CLT), não podendo o intérprete se esquivar da sua aplicação, sob pena de infringência ao principio da legalidade, insculpido no caput do art. 37 da Constituição da República (CR). 3. Os prêmios somente integram o salário de contribuição quando pagos com habitualidade ao empregado. Recurso Voluntário Provido. Proc: 106670.002104/200966. Acórdão 2803001.157. Data 03/11/2011. Cons. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2007 NÃO INCIDÊNCIA. INDENIZAÇÃO POR SUPRESSÃO DE HORAS EXTRAS HABITUAIS, A indenização prevista na súmula n. 291 do tribunal superior do trabalho, em face da natureza que ostenta, não atrai a incidência de contribuições previdenciárias ABONO DE FÉRIAS. ACORDO COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA. Abono de férias reduzido em razão da assiduidade do empregado, concedido em virtude de convenção coletiva, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integra a remuneração do empregado para os efeitos da previdência social, conforme dispõe o artigo144 da CLT, não estando, portanto, sujeito à incidência da contribuição previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E FUNCIONÁRIOS. VALOR FIXO. CRITÉRIOS. Para fins de não incidência sobre as verbas pagas aos empregados a título de PLR, é necessário que os critérios seja vinculados à resultado e lucro, com metas bem definidas. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Proc: 13603.723691/201056. Acórdão 2803003.690. Data 07/10/2014. Cons. Gustavo Vettorato. A primeira rubrica de cód. 029 – Abono Férias Convenção só foi paga uma única vez, na competência abril/2007, como supramencionado e assim ajustase ao AD Nº 16/2011, da PGFN, nos termos que segue. Fl. 4836DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.837 14 ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Desta forma, com essas esclarecimentos os levantamentos AB – ABONO FERIAS CCT 2007 e AF – ABONO FERIAS CONV COLETIVA devem ser excluídos de todos os créditos desse PAF onde se encontram lançados. Diferenças MANAD X GFIP Os documentos apresentados em fase recursal denominados de MANAD – ACERTO, fls. 3.263 a 3.715, pela recorrente não tem valor probatório algum, pois não se sabe a origem das informações, bem como a validade das mesmas. Aliás, não se sabe nem quais são as informações que se pretende fornecer com tais documentos, sendo um amontoado de dados, desconfigurados e não identificados. Não fosse isso suficiente tais arquivos precisam passar pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme ocorreu com os documentos entregues em 06/06/2012 CD/DVD, recibo, fls. 240, bem como recibo, de fls. 670, Disquete. Além do que dito, acima a DRJ já desmistificou tal alegação, conforme transcrito. Vejase por exemplo, o ocorrido com o trabalhador João Mendes Pinheiro, competência 06.2008: A fiscalização lançou como valor de folha a base de R$ 742,61 (fl. 122, Anexo VI) e R$ 726,49 como base declarada em GFIP, apontando, portanto, a diferença de R$ 5,18; já a folha apresentada pela empresa consta como “base de INSS” o valor Fl. 4837DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.838 15 de 737,44 (fl. 1.460). Evidenciase,portanto, desencontro até mesmo na folha digital apresentada à fiscalização e a folha impressa trazida na impugnação, não conseguindo demonstrar a empresa que as diferenças entre folha e GFIP inexistem. A folha de pagamento, de fls. 4.545, em relação ao mesmo trabalhador e competência traz a mesmo informação salário R$ 737,44, enquanto o fisco encontrou R$ 742,62, mas isso a recorrente não esclarece. Cumpre, ainda, lembrar que aplicase ao caso o artigo 147, parágrafo único, da Lei 5.172/66. A GFIP possui campo para declaração de valores rescisórios e caso ocorra o pagamento de diferença a posteriori como alega a recorrente ela tem o dever de enviar GFIP retificadora para a competência informando novamente todos os dados já informados e passando a informar o novo valor para o trabalhador com direito a diferença é o que diz Manual SEFIP/GFIP versão 8.4, de 10/2008. Atenção: Havendo diferença de remuneração em decorrência de rescisão complementar, a quitação dos valores devidos ao FGTS deve ser realizada em Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS, sendo necessário o envio de nova GFIP/SEFIP, para informação à Previdência Social, contendo o valor integral da remuneração, já considerado o complemento, e indicando que o recolhimento do FGTS já foi efetuado. Assim, improcede a alegação da recorrente. Não verifico a alegação da recorrente, as fls. 2.365, consta um resumo da folha de pagamento do mês de janeiro/2008, cuja a base de cálculo para o INSS é de R$ 8.309,40, e, as fls. 2.366, consta uma listagem da folha de pagamento na qual informa um valor de R$ 192,98 em favor do Senhor José Ventura Alves. Porém, as fls. 2.371, temse um novo resumo para a folha de janeiro/2008 onde a base de cálculo da previdência passou a ser R$ 8.551,98, ou seja, R$ 242,58 maior que a anterior, assim ante a desconexão das informações, ao fisco cabe lançar as diferenças encontradas. O valor de R$ 8.309,40 que a empresa alega ser da soma de R$ 8.116,42 (salário de janeiro) + R$ 192,98 (diferença de rescisão) não encontra respaldo nos documentos, pois o valor de R$ 8.309,40 referese a total da folha de janeiro, conforme resumo já citado, e não de pagamento de duas parcelas a um só trabalhador. E caso se admitisse como correta a assertiva da empresa o que se faz apenas a título de ilustração e demonstração da invalidade da tese, o valor a ser recolhido de parte patronal não seria os R$ 982,21, da GPS, de fls. 2.369, pois R$ 8.309,40 x 23% (20% patronal + 3% SAT), sem incluir a contribuição do segurado daria R$ 1.911,16, ou seja, faltou recolher R$ 928,85, só nesse exemplo. No que tange a alegação de que trabalhadores declarados em GFIP foram listados como não declarados exemplificando a situação com Jaderson Ferreira da Cunha – Fl. 4838DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.839 16 comp 02/2008, verificou a existência de uma Relação dos Trabalhadores com GRRF constantes no arquivo SEFIP, mas que não contém o recibo de remessa Conectividade Social não permitindo averiguar a regularidade da informação, veja o que diz o manual SEFIP/GFIP. 11.2 – Comprovantes para a Previdência Social A entrega de GFIP/SEFIP para a Previdência Social é comprovada com os seguintes documentos: a) Protocolo de Envio de Arquivos, emitido pelo Conectividade Social; b) Comprovante de Declaração à Previdência; c) Comprovante/Protocolo de Solicitação de Exclusão. Desta forma, sem validação da informação não se pode fazer uma maior averiguação, situação que impede reconhecer a existência de irregularidade, caso haja. Multa menos onerosa. Os lançamentos são todos decorrentes de lançamento de ofício em razão da não inclusão de determinadas informações em GFIP e em assim sendo essa situação elimina a possibilidade de aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 61, da Lei 9.430/96, ou seja, multa de vinte por cento. Todavia, no tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria do levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 13/07/2012, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2007 a 12/2008, Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 135 e 136. Desta forma, para o período de 01/2007 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. No que tange a competência 12/2008, a multa a aplicar é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, pois essa já se encontrava em vigor. Fl. 4839DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.840 17 A retificação da multa nos termos acima esclarecidos deve ser aplicados para todos os levantamentos dos débitos DEBCAD 37.342.5902 e 37.342.5910, relativamente as competências 01/2007 a 11/2008. Contribuintes Individuais. Não há reparos a fazer na decisão da DRJ no que tange a Evaldo/Edvaldo, pois existem três RPA em nome deste contribuinte individual, fls. 4.038; 4039 e 4.040, respectivamente, RS 606,36; 320,00 e 300,00, as duas últimas somam por óbvio R$ 620,00 e aparentemente estão declaradas na GFIP 02/2008, fls. 4.042, em que pese a precariedade da prova. Contudo, a outra de valor mais alto não se encontra declarada e é esse valor que o fisco está cobrando, ante a falta de prova de oferecimento a tributação. No caso do outro contribuinte individual John Gilbert Spangler o fisco o incluiu na competência maio/2008, do Anexo V, pois foi a competência do pagamento da expressão monetária, contudo parte da documentação apresentada, a fls. 4.028 a 4.037, ainda, que de forma precária ante a incompletude dos elementos e a má qualidade das cópias, permitiram verificar que este consta da GFIP, competência 04/2008 mês da emissão da RPA. Assim, nesse competência maio/2008 o segurado John Gilbert Spangler e valor correspondente devem ser excluídos. A situação do senhor Ailton Gonçalves Pereira é a seguinte, conforme consta dos autos, está listado no Anexo V para as competências 01/2008 a 04/2008 e 09/2008 na qualidade de contribuinte individual – CI. Porém, a empresa alega que ele é empregado, juntando os documentos, de fls. 4.068 e 4.069, visando comprovar que o mesmo é empregado da recorrente e que este apenas estava efetuando o repasse do pagamento para o real contribuinte individual. · Comp 01/2008 – consta, as fls. 4.081 e 4.124, que o pagamento se refere a adiantamento a favor de Reinaldo P. Mendonça, constando Ailton e Reinaldo na GFIP, ambos – categoria 1; · Comp 02/2008 – consta, as fls. 4.082, que o pagamento se refere a Movimento de Caixa Nº 16, fls. 4.084, mas o valor de um documento não confere com o outro, o que nega a alegação devendo permanecer o lançamento; · Comp 03/2008 – consta, as fls. 4.086, que o pagamento se refere a fundo de caixa, bem como, as fls. 4.088 a 4.090, que este pagamento é relativo a acordo trabalhista em razão do reclamante Wilson Gomes Silva; · Comp 03/2008 – consta, as fls. 4.092 e 4.093, que o pagamento se refere a fundo de caixa; Fl. 4840DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.841 18 · Comp 09/2008 – consta, as fls. 4.069 a 4.072, que o pagamento se refere a RPA 23 a favor de Pedro R. Santos, constando Ailton e Pedro na GFIP, respectivamente – categoria 1 e 13; Passo a analisar a situação do Senhor Alex Ribeiro de Figueiredo, consta, as folhas 4.052, registro de empregados. · Comp 01/2008 – consta, as fls. 4.053 e 4.054, que o pagamento se refere a liq. Proventos, que pode ser a qualquer um inclusive ao Senhor Alex, pois este é identificado como favorecido, sendo o nome da operação Realpaque Salários, assim o lançamento deve permanecer, até porque o valor diverge do constante da GFIP, de fls. 4.057 a 4.064, o que indica outro pagamento; · Comp 01/2008 – consta, as fls. 4.055 e 4.056, que o pagamento se refere a liq. Proventos, que pode ser a qualquer um inclusive ao Senhor Alex, pois este é identificado como favorecido, sendo o nome da operação Realpaque Salários, assim o lançamento deve permanecer, até porque o valor diverge do constante da GFIP, de fls. 4.057 a 4.064, o que indica outro pagamento; Dessa forma, com os esclarecimentos acima devem ser excluídos do crédito os lançamentos das competências indicadas abaixo levantamento CI – CONTRIBUINTE IND AUTÔNOMO, nos valores constante do Anexo V. · Comp 01/2008 – consta, as fls. 4.081, que o pagamento se refere a adiantamento a favor de Reinaldo P. Mendonça, constando Ailton e Reinaldo na GFIP, fls. 4.124, ambos – categoria 1; · Comp 03/2008 – consta, as fls. 4.086, que o pagamento se refere a fundo de caixa, bem como, as fls. 4.088 a 4.090, que este pagamento é relativo a acordo trabalhista em razão do reclamante Wilson Gomes Silva; · Comp 03/2008 – consta, as fls. 4.092 e 4.093, que o pagamento se refere a fundo de caixa; · Comp 09/2008 – consta, as fls. 4.069 a 4.072, que o pagamento se refere a RPA 23 a favor de Pedro R. Santos, constando Ailton e Pedro na GFIP, respectivamente – categoria 1 e 13; Transportadores autônomos – fretes e carretos. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 4841DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.842 19 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Por fim, apenas para sedimentar de vez a impossibilidade do reconhecimento de inconstitucionalidade por órgão administrativo, basta ler o que disse o Supremo Tribunal Federal – STF ao tratar da competência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ que apesar de órgão da estrutura do judiciária exerce competência administrativa e não judicial, artigo 103B, parágrafo 4º, da CRFB/88. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. INADMISSIBILIDADE. ATRIBUIÇÃO ESTRANHA À ESFERA DE COMPETÊNCIA DESSE ÓRGÃO DE PERFIL ESTRITAMENTE ADMINISTRATIVO. ATUAÇÃO ULTRA VIRES. LEGITIMIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL.PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (PLENO). AUTOGOVERNO DA MAGISTRATURA, Fl. 4842DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.843 20 PRERROGATIVA INSTITUCIONAL DOS TRIBUNAIS JUDICIÁRIOS E AUTONOMIA DOS ESTADOSMEMBROS: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS QUE NÃO PODEM SER DESCONSIDERADAS PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. LIMINAR MANDAMENTAL E A QUESTÃO DA INVESTIDURA APARENTE. PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA, DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ OBJETIVA. CONSEQUENTE SUBSISTÊNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS E/OU JURISDICIONAIS PRATICADOS EM DECORRÊNCIA DO PROVIMENTO CAUTELAR, AINDA QUE EVENTUALMENTE DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. D.2. Indevido exercício da atividade de controle de constitucionalidade e descumprimento do dever de zelar pelo cumprimento da LOMAN. Essa Suprema Corte, por diversas vezes, já declarou ser vedado ao CNJ o exercício de atividade de controle de constitucionalidade, por tratarse o Conselho de órgão com natureza administrativa. Nesse sentido, em recente decisão, proferida nos autos da medida cautelar no MS 32582, deixou claro o Ministro Celso de Mello que o CNJ não dispõe de competência para exercer o controle incidental ou concreto de constitucionalidade (muito menos o controle preventivo abstrato de constitucionalidade) dos atos do Poder Legislativo. Inobstante, na hipótese presente, como já referido, para a prolação da decisão aqui combatida, o CNJ afastou do ordenamento jurídico pátrio o disposto no artigo 99 da LOMAN que, conforme esclarecido adiante, chancela de forma explícita a correção da atuação do primeiro impetrante , declarando uma suposta inconstitucionalidade do mesmo dispositivo e negando efeitos à sua vigência. Ademais, além do exercício indevido de atividade de controle de constitucionalidade, ao negar vigência a dispositivo da LOMAN, deixou o CNJ, ainda, de exercer competência indelével de zelar pelo cumprimento daquele estatuto, competência esta que lhe é conferida, também de forma explícita, pelo disposto no artigo 103B, § 4, inciso I, da Constituição: (STF MS: 32865 DF , Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 02/06/2014, Data de Publicação: DJe108 DIVULG 04/06/2014 PUBLIC 05/06/2014) Evidente, assim, que o CARF apesar de órgão judicante, mas por exercer essa competência apenas na função administrativa e não judicial não detém competência para o controle de constitucionalidade seja ele difuso ou concentrado. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. De mais a mais a norma e vigente, eficaz e válida e assim, nos termos do artigo 37, caput, c/c o artigo 142, parágrafo único da Lei 5.172/66 é de observação obrigatória pelo fisco. Quanto a valor da base de cálculo a exação de transportadores frete e carretos, podese verificar o que segue. Fl. 4843DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.844 21 · NFA Nº 016032, fls. 1.410, comp. 05/2008 deve ter a base de cálculo reduzida para 20% do valor da nota; · RPA, de fls. 1.412, não consta do Anexo V; · NFA Nº 016499, fls. 1.413, comp. 06/2008 já teve a base de cálculo retificada pela DRJ; · RPA, de fls. 1.417, comp. 07/2008 deve ter sua base de cálculo reduzida para R$ 40,00; · NFA Nº 016727, fls. 1.419, comp. 06/2008 não tem no Anexo V, lançamento correspondente ao valor dessa nota R$ 1.760,00; · RPA, de fls. 1.420, comp. 06/2008 deve ter sua base de cálculo reduzida para R$ 60,00; · RPA, de fls. 1.422, comp. 06/2008 deve ter sua base de cálculo reduzida para R$ 26,00; · RPA, de fls. 1.424, comp. 07/2008 não consta do Anexo V; · RPA, de fls. 1.426, comp. 07/2008 não consta do Anexo V; · NFA Nº 017140, fls. 1.428, comp. 09/2008 não consta do Anexo V; Das averiguações supramencionados verificase que as notas ou RPA’s devem ter suas bases de cálculo retificadas no lançamento tanto na parte patronal como na contribuição do segurado, conforme lista a seguir. · NFA Nº 016032, fls. 1.410, comp. 05/2008 deve ter a base de cálculo reduzida para 20% do valor da nota; · RPA, de fls. 1.417, comp. 07/2008 deve ter sua base de cálculo reduzida para R$ 40,00; · RPA, de fls. 1.420, comp. 06/2008 deve ter sua base de cálculo reduzida para R$ 60,00; · RPA, de fls. 1.422, comp. 06/2008 deve ter sua base de cálculo reduzida para R$ 26,00; Retenção sobre serviços fora dessa sistemática. Penso de maneira diametralmente oposta ao julgador a quo não é a empresa que tem que provar que não está sujeita à retenção, mas sim o fisco é que deve provar que ela e o serviço prestado se submetem a essa técnica de arrecadação, caso ela própria não se autoconsidere sujeito a essa sistemática. Assim sendo, as notas fiscais das empresas, abaixo citadas, e identificadas pelo número de folhas do processo se, ainda, não foram excluídas da retenção devem o ser. Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.845 22 · Mega – Recursos Humanos Ltda, de fls. 1.874 a 1.894; · Metro Montagens e Locações de Equipamentos para Construção Civil Ltda – ME, de fls. 1.901; · Cláudio Ferreira de Araújo – de fls. 1.916. Expostos os argumentos acima o crédito merece ser retificado, nos termos supramencionados. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para excluir dos créditos os elementos a seguir discriminados: I – em razão da decadência pelo artigo 150, §4º, da Lei 5.172/66 as competências março/2007 e abril/2007 de todos os créditos e levantamentos, relativo as contribuições sociais previdenciárias, exceto o crédito DEBCAD 37.342.5929 – por se referir a outras entidades e fundos – terceiros; II em razão da decadência pelo artigo 150, §4º, da Lei 5.172/66 as competências 01/2007; 02/2007; 05/2007 e 06/2007, relativas ao crédito DEBCAD 37.342.5929 – referente a outras entidades e fundos – terceiros; III – o levantamento AL – ALIMENTAO SEM PAT de todos os créditos, pois alimentação in natura não é base de calcula da contribuição previdenciária; IV os levantamentos AB – ABONO FERIAS CCT 2007 e AF – ABONO FERIAS CONV COLETIVA devem ser excluídos de todos os créditos desse PAF onde se encontram lançados, uma vez que estão fora da hipótese de incidência; V o segurado John Gilbert Spangler e valor correspondente da competência maio/2008 do levantamento CI – CONTRIBUINTE IND AUTÔNOMO parte patronal e segurado; VI do crédito os lançamentos das competências indicadas abaixo do levantamento CI – CONTRIBUINTE IND AUTÔNOMO, nos valores constante do Anexo V, parte patronal e segurado Comp 01/2008 – consta, as fls. 4.081, que o pagamento se refere a adiantamento a favor de Reinaldo P. Mendonça, constando Ailton e Reinaldo na GFIP, fls. 4.124, ambos – categoria 1; Comp 03/2008 – consta, as fls. 4.086, que o pagamento se refere a fundo de caixa, bem como, as fls. 4.088 a 4.090, que este pagamento é relativo a acordo trabalhista em razão do reclamante Wilson Gomes Silva; Comp 03/2008 – consta, as fls. 4.092 e 4.093, que o pagamento se refere a fundo de caixa; Comp 09/2008 – consta, as fls. 4.069 a 4.072, que o pagamento se refere a RPA 23 a favor de Pedro R. Santos, constando Ailton e Pedro na GFIP, respectivamente – categoria 1 e 13; VII devem ser retificadas as bases de cálculo das notas fiscais ou RPA’s tanto na parte patronal como na contribuição do segurado, para o levantamento CI – CONTRIBUINTE IND AUTÔNOMO, Anexo V, conforme a seguir descrito: a) NFA Nº 016032, fls. 1.410, comp. 05/2008 deve ter a base de cálculo reduzida para 20% do valor da Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.725812/201218 Acórdão n.º 2803004.137 S2TE03 Fl. 4.846 23 nota; b) RPA, de fls. 1.417, comp. 07/2008 deve ter sua base de cálculo reduzida para R$ 40,00; c) RPA, de fls. 1.420, comp. 06/2008 deve ter sua base de cálculo reduzida para R$ 60,00; d) RPA, de fls. 1.422, comp. 06/2008 deve ter sua base de cálculo reduzida para R$ 26,00; VIII – as notas de retenção relativas as empresas citadas devem ser excluídos, pois os serviços delas (notas) constante não se sujeitam a retenção: a ) Mega – Recursos Humanos Ltda, de fls. 1.874 a 1.894; b) Metro Montagens e Locações de Equipamentos para Construção Civil Ltda – ME, de fls. 1.901; c) Cláudio Ferreira de Araújo – de fls. 1.916. IX – que a multa de mora/ofício seja retificada para o período de 01/2007 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66, pois a regra a ser aplicada é a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. No que tange a competência 12/2008, a multa a aplicar é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, pois essa já se encontrava em vigor. A retificação da multa nos termos acima esclarecidos deve ser aplicados para todos os levantamentos dos débitos DEBCAD 37.342.5902 e 37.342.5910, relativamente as competências 01/2007 a 11/2008, tudo a depender do momento do pagamento, parcelamento ou execução. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 4846DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13709.000633/2001-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1991 a 31/12/1999
PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE.
No direito constituciona1 vigente o princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão-somente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores.
O princípio da não-cumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados.
CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de insumos não tributados (alíquota zero ou isentos) pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar. Súmula CARF nº 10.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-001.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1991 a 31/12/1999 PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. No direito constituciona1 vigente o princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão-somente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O princípio da não-cumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados. CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não tributados (alíquota zero ou isentos) pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar. Súmula CARF nº 10. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13709.000633/2001-81
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5451289
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.624
nome_arquivo_s : Decisao_13709000633200181.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 13709000633200181_5451289.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
id : 5887302
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706454196224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2149; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.337 1 1.336 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13709.000633/200181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.624 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2015 Matéria IPI. CRÉDITO BÁSICO. Recorrente FORJA RIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1991 a 31/12/1999 PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. No direito constituciona1 vigente o princípio da nãocumulatividade garante aos contribuintes apenas e tãosomente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O princípio da nãocumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados. CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não tributados (alíquota zero ou isentos) pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar. Súmula CARF nº 10. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira– Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 06 33 /2 00 1- 81 Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13709.000633/200181 Acórdão n.º 3202001.624 S3C2T2 Fl. 1.338 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de pedido de ressarcimento do IPI (efls. 04ss), tendo como origem dos supostos créditos insumos isentos ou tributados à alíquota zero, no montante de R$ 2.330.186,97, cumulado com diversos pedidos de compensação (efls. 4/ss). Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI, fl. 01, relativamente ao período compreendido entre abril de 1991 e dezembro de 1999, no montante de R$2.330.186,97. Ao ressarcimento, formalizado em 12/04/2001, foram atrelados os pedidos de compensação de fls. 02/12 e 405/416, convertidos em declarações de compensação, por força do disposto no art. 74, §4°, da Lei n° 9 430, de 27/12/1996, com redação dada pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30/12/2002. Acompanhou o Pedido de Ressarcimento a argumentação de fls. 25/51, em que há razões para apurar créditos sobre insumos isentos e tributados à alíquota zero, a prescrição decenal e a aplicação de correção monetária de créditos de IPI. 0 montante de R$2.360.186,97 foi calculado em planilhas anexadas As fls. 52/100, relativamente a créditos de períodos compreendidos entre 1991 e 1999, corrigidos pela variação da UFIR e/ou pela aplicação da taxa Selic. As fls. 929/931 estão relacionadas 58 (cinquenta e oito.) Declarações de Compensação Dcomps, transmitidas no período de 13/04/2004 a 26/09/2005, cujos débitos somam R$4.545.183,33, nas quais o contribuinte mencionou vinculado ao presente ressarcimento. Assim, tais declarações foram baixadas em papel, As fls. 477/856, para análise conjunta com o pedido de fl. 01. Na análise de legitimidade do pleito, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributaria no Rio de Janeiro — Derat/RJ expediu o Despacho Decisório de fls 928/947 para indeferir o pedido de ressarcimento e, consequentemente, não homologar as compensações declaradas. Os motivos indicados para tanto foram: a) os créditos formadores do saldo credor foram calculados sobre insumos tributados a alíquota zero; b) vários períodos de apuração já estavam prescritos. Houve, ainda: 1) o pronunciamento sobre a impossibilidade de se aplicar a atualização monetária sobre créditos de IPI. 2) o alerta em relação ao fato de o contribuinte apresentar declarações de compensação, cujos débitos montavam valor bem superior ao saldo credor requerido a fl. 01, fato que demandava a cobrança imediata dos valores excedentes Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13709.000633/200181 Acórdão n.º 3202001.624 S3C2T2 Fl. 1.339 3 ao saldo credor requerido, ainda que diante de possível manifestação de inconformidade. Ciente do despacho decisório, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 949/962, para alegar que: a) não subsistia a declaração de que apresentara Dcomp cujos débitos a compensar eram superiores ao saldo credor indicado à fl. 01, no montante de R$2.330.186,97, apurado no 4° trimestre de 1999, pois além deste já incluíra diversos outros saldos, conforme quadro abaixo: 1) por intermédio da Dcomp n° 23761.38361.130404.1.3.015319 fora acrescido ao valor originalmente apresentado o crédito de R$3.561.699,83, referente ao 4° trimestre de 2002; 2) por intermédio da Dcomp n° 16761.37922.060705.1.3.010650 fora acrescido ao valor originalmente apresentado o crédito de R$1.420.789,82, referente ao 4° trimestre de 2004; 3) os créditos referidos nos itens (1) e (2) acima decorrem do incentivo previsto no art. 29 da Lei no 10.637, de 2002; 4) somados os créditos pleiteados, é titular do saldo credor de R$7.312.676,62. Destarte, é inaplicável ao caso o disposto no inc. II do § 3° do art. 48 da IN SRF no 48, de 18/10/2004. 5) a incidência do inc. II do § 3 0 do art. 48 da IN SRF no 48, de 18/10/2004, viola o devido processo legal, pois subtrai o direito de ele manifestar inconformidade no que tange àqueles débitos declarados e de imediato exigidos. Constitui medida de arbítrio e é absolutamente ilegal; b) embora se refira o despacho decisório apenas a crédito decorrente de insumos tributados à alíquota zero, também detém créditos sobre insumos isentos. Sobre esses créditos há decisão do STF que reconhece o direito de creditamento; c) tendo em vista a óbice do Fisco em não lhe permitir o creditamento sobre insumos isentos e tributados à alíquota zero, impõese a incidência de correção monetária, que é implementada pela variação da taxa Selic; d) demonstrada a insustentabilidade da decisão impugnada, requer, na forma do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, diligência para que sejam atendidos os seguintes quesitos: I) que sobre o montante compensável estão incluídos os créditos objeto das DCOMP n0' 23761.38361.130404.1.3.015319 e 16761.37922.060705.1.3.010650? II) consideradas as Dcomp referidas no item anterior, os débitos superam os créditos? III) até o advento da Lei n° 10.637, de 2002, além dos créditos de insumos tributados à alíquota zero, há créditos relativos a insumos isentos? IV) as operações efetuadas pelo interessado se enquadram na hipótese consignada na Lei n° 10.637, de 2002, art. 29, pelo que gozam de suspensão e manutenção de crédito de IPI? V) caso positivo, considerando as atividades desempenhadas pelo interessado, os referidos créditos restam impossibilitados de serem consumidos na dedução do IPI, pelo que é titular de saldo remanescente passível de compensação na forma do art. 16, §2°, da IN SRF no 600, de 2005? Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13709.000633/200181 Acórdão n.º 3202001.624 S3C2T2 Fl. 1.340 4 Diante das considerações feitas tanto no despacho decisório quanto na manifestação de inconformidade, os autos retornaram à Derat/RJ para que essa se manifestasse sobre (expediente de fls. 1.155/1157): a) os alegados créditos constantes das Dcomps nº 23761.38361.130400.1.3.015319 e 16654.37922.060705.1.3.010650; b) a relação existente entre o saldo credor pleiteado (f1: 01 e Dcomps) e os débitos declarados, para fins de verificar a suspensão de exigibilidade desses débitos, nos termos §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, incluído pela Lei n° 10.833, de 29/12/2003; c) a possibilidade de aproveitamento de créditos sobre insumos isentos, caso a contribuinte realmente os tivesse incluído na apuração do saldo credor, fosse nas planilhas anexadas ás fls. 52/100, fosse nas Dcomps. A solicitação da DRJ foi atendida, segundo o documento de fls. 1.158/1.161, expedido pela DIORT/DERAT/RJO por meio do qual houve pronunciamento acerca dos créditos decorrentes de aquisição de insumos isentos e da relação entre débitos e saldo credor pretendido e por fim, houve a ratificação do despacho decisório. Retornado o processo à DRJ/JFA/JFA, houve nossa remessa a DERAT/RJO, para que do expediente de fls. 1.158/1.161 fosse dada a ciência ao e, se o desejasse, apresentasse razões adicionais de defesa. Intimado o contribuinte (Intimação e Aviso de Recebimento às fls. 1.172/1.174), este se absteve de apresentar razões adicionais de defesa. Os autos então retornaram a DRJ/JFA para prosseguimento. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG proferiu o Acórdão nº 0936.797, em 9 de setembro de 2011 (efolhas 1291/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1991 a 31/12/1999 CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTOS OU AL1QUOTA ZERO). Nos termos da própria Constituição Federal de 1988, a nãocumulatividade é exercida pelo aproveitamento do montante cobrado na operação anterior, ou seja, do imposto incidente e pago sobre insumos adquiridos, o que não ocorre quando tais insumos são desonerados do tributo. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, o aproveitamento de créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/04/1991 a 31/12/1999 1. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia. Não cabe ã esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação, mas, tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento. 2. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13709.000633/200181 Acórdão n.º 3202001.624 S3C2T2 Fl. 1.341 5 É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais do IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado, sejam eles decorrentes dos chamados créditos básicos ou de incentivos fiscais. 3. CREDITO DE IPI. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O crédito de IPI tem a natureza jurídica de uma divida passiva da União, desse modo lhe é aplicável a norma especifica do art. 10 do Dec. n°. 20.910, de 06/01/1932, que a fixa em cinco anos prescrição do direito de reclamálo. 4. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIMITAÇÃO. Até 31/03/2007, a declaração de compensação com a informação precisa dos créditos era instrumento legal e eficaz para o contribuinte demonstrar a existência de saldo credor capaz de extinguir os débitos que desejava compensar, independentemente da existência de Pedido de Ressarcimento precedente. Entretanto, a simples inserção de débitos na DCOMP a configurava como ato de confissão de divida que não tinha o condão de conferir direito de crédito ao declarante. (IN SRF no 728, de 2003/2007, e IN SRF no 600, de 28/12/2005)) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1991 a 31/12/1999 1. CONFIGURAÇÃO DA LIDE. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na vigência do art. n° 48, inc. II, da IN SRF n° 460, de 2004, os débitos excedentes aos créditos, nas Declarações de Compensação transmitidas pelo contribuinte, relativamente ao mesmo período de apuração do saldo credor, seguiam para cobrança imediata, portanto não integravam a lide e não se submetiam às normas do Decreto n° 70.235, de 1972 PAF. Ocorrida essa circunstância, não cabe às DRJ pronunciaremse sobre o procedimento de cobrança encaminhado pela DRF de origem. 2. DILIGÊNCIA Há de se indeferir, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a diligência impraticável, pois que não possui informações para análise na declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Juiz de Fora, em 13/11/2011 (efolhas 1315), interpôs Recurso Voluntário em 02/12/2011 (e fls. 1317/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13709.000633/200181 Acórdão n.º 3202001.624 S3C2T2 Fl. 1.342 6 A controvérsia em discussão nestes autos referese à possibilidade da empresa creditarse do IPI em relação às aquisições de insumos isentos ou tributados à alíquota zero. Essa matéria já foi julgada por este colegiado em datas recentes. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 3202000.718, de 24/04/2013, Conselheiro Relator Luís Eduardo G. Barbieri; nº 3202001.312, de 17/09/2014, Conselheiro Relator Thiago Moura de Albuquerque Alves. Assim, neste voto mantenho os mesmo fundamentos já proferidos naqueles julgados, como passo a expor. Como relatado, vêse que a Recorrente está pleiteando o ressarcimento de supostos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos não tributados (alíquota zero e isentos), ou seja, não onerados na aquisição pelo imposto. A solução da presente lide cingese, basicamente, em determinar se os estabelecimentos contribuintes de IPI têm direito de creditarse desse tributo referente à matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem não tributados pelo IPI. A controvérsia tem como “pano de fundo” a correta interpretação do princípio constitucional da nãocumulatividade do imposto. A sistemática da nãocumulatividade do IPI permite que o contribuinte compense o tributo destacado na nota fiscal de aquisição de insumos de fornecedores com aquele que for devido na operação seguinte, na saída do produto. Neste sentido dispõe a Carta Magna (art. 153, parágrafo 3º., inciso II) ao prescrever que o IPI “será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores” O CTN, da mesma forma, em seu artigo 49 e parágrafo único, trata da não cumulatividade do IPI: Art. 49. O imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/1998) e no art. 163 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/2002), é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13709.000633/200181 Acórdão n.º 3202001.624 S3C2T2 Fl. 1.343 7 Essa é a regra trazida pelo art. 25 da Lei nº 4.502/64, reproduzida pelo art. 164, inciso I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (grifo não constante do original) Como visto a Carta Magna, o CTN e os demais dispositivos da legislação foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado/pago nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados (alíquota zero ou isentos), não há o que se creditar, portanto, não há também que se falar em nãocumulatividade. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo lançado (na nota fiscal de aquisição de insumo) na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é imperativo ao garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança (nem lançamento na nota fiscal houve) do tributo na operação de entrada de insumo, não há que falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a nãocumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como “imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada “base contra base” (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como parece pretender a Recorrente. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de suspensão do imposto, de alíquota neutra (zero), de isenção ou de não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido nas diversas fases do processo produtivo. O crédito do IPI pleiteado pela Recorrente, portanto, tratase de um valor fictício, presumido, posto que ele não existe de fato, repitase, não foi pago pelo contribuinte e nem cobrado pelo Fisco na operação anterior. Não houve ônus ao contribuinte na aquisição dos insumos. Não há lei específica que autorize o contribuinte utilizar os créditos originários da aquisição de insumos não tributados, para a hipótese tratada no caso em discussão. E mais, a Constituição Federal veda expressamente a concessão de crédito presumido, sem lei que autorize, conforme dicção do § 6o do art. 150, verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13709.000633/200181 Acórdão n.º 3202001.624 S3C2T2 Fl. 1.344 8 § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (negritei) O entendimento proferido na decisão recorrida, mantida neste voto, está em perfeita harmonia com a decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na sessão do dia 15/02/2007, negou provimento, por maioria, aos Recursos Extraordinários (REs) nºs 370.682 e 353.657, decidindo pela impossibilidade de compensação de créditos de IPI relativos à aquisição de matériaprima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero. Concluido o julgamento dos Recursos Extraordinários acima, em sessão plenária do dia 25/06/2007, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por dez votos a um, que a União poderá reaver o IPI das empresas que compensaram tributos com créditos de matériasprimas não tributadas ou sujeitas à alíquota zero. Transcrevese a ementa do RE nº 370.682/SC, cujo relator foi o Ministro Gilmar Mendes, sessão de 25/06/2007: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. Colocando uma “pá de cal” sobre a matéria, no RE nº 592.917 AgR / RJ, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 31/05/2011, 1ª Turma, o STF decidiu que não cabe o desconto de créditos do IPI, com base na regra constitucional da não cumulatividade, na aquisição de insumos com alíquota zero, isentos, não tributados ou não sujeitos ao pagamento do IPI. Confirase a ementa do julgado: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. PRODUTO FINAL TRIBUTADO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O artigo 153, § 3º, II, da Constituição dispõe que o IPI “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. 2. O princípio da nãocumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 3. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matériaprima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Isso porque a compensação com Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13709.000633/200181 Acórdão n.º 3202001.624 S3C2T2 Fl. 1.345 9 o montante devido na operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias. 4. A jurisprudência do egrégio STF, à luz de entendimento hodierno retratado por recentes julgados, inclui os insumos isentos no rol de hipóteses exoneratórias que não geram créditos a serem compensados, verbis: “Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. ... Frisese que, como bem esclareceu o voto condutor, 'a nãoexigência do IPI se dá sempre que essa é adquirida sob os regimes, indistintamente, de isenção (exclusão do imposto incidente), alíquota zero (redução da alíquota ao fator zero) ou de não incidência (produto não compreendido na esfera material de incidência do tributo)” ( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10). 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos são nossos) Quanto à jurisprudência trazida à colação pela Recorrente, além de superada, não dá respaldo à autoridade administrativa divorciarse da vinculação legal e negar vigência a texto literal de lei, até porque não tem efeito vinculante. Mais ainda, este Tribunal Administrativo já firmou entendimento de que a aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera crédito do IPI, nos termos da Súmula nº 10, abaixo transcrita: SÚMULA nº 10 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Em relação ao pedido de atualização monetária ou acréscimo de juros equivalente à taxa Selic, pleiteada pela Recorrente, mostrase desnecessário analisálo uma vez que não há o que ressarcir. Conclusão À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13709.000633/200181 Acórdão n.º 3202001.624 S3C2T2 Fl. 1.346 10 Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002296/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Data do fato gerador: 10/05/2010, 19/05/2010
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais Data do fato gerador: 10/05/2010, 19/05/2010 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10909.002296/2010-11
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5455185
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.628
nome_arquivo_s : Decisao_10909002296201011.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10909002296201011_5455185.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 5895898
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706459439104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 240 1 239 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.002296/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.628 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2015 Matéria Auto de Infração Recorrente COLEÇÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE INFORMÁTICA, TELECOMUNICAÇÕES E ELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Data do fato gerador: 10/05/2010, 19/05/2010 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 22 96 /2 01 0- 11 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.002296/201011 Acórdão n.º 3301002.628 S3C3T1 Fl. 241 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ, assim expresso: Trata o presente processo de autuação para exigência de direitos antidumping, no valor de R$ 77.606,10, acrescido de juros e multa de mora, pelo fato de a empresa ter submetido a despacho aduaneiro, por meio das Declarações de Importação (DI) n° 10/07622824 e 10/08249329, registradas em 10/05/2010 e 19/05/2010, a mercadoria de origem chinesa descrita como conjuntos de caixas acústicas modelo TCS3150, TCS3252 e CT683601, classificadas na NCM 8518.21.00, conforme Resolução CAMEX n° 66/07. Regularmente cientificada (fl. 03), a autuada apresentou impugnação (fls.33/42), na qual, em síntese: Descreve pormenorizadamente os produtos por ela importados, inclusive juntando extenso Relatório Técnico (fls. 69/107), correlacionandoos aos altofalantes excepcionados na Resolução Camex n° 66/2007, eis que destinados a aparelhos de dudio e video e impossível a sua utilização em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Alega, contrariamente ao argumento da auditoria fiscal, que o simples fato de poder ser utilizado também em computadores não desqualifica a destinação do produto e muito menos afasta a aplicação da exceção do art. 2° da Resolução Camex n° 66/2007. Informa acerca do Mandado de Segurança n° 5001.353 96.2010.404.7208/SC, impetrado pela ora impugnante em face do Delegado da Receita Federal do Brasil em ItajaiSC, visando ao desembaraço aduaneiro e a liberação das mercadorias objeto das DI n° 10/08249329 e 10/07622824. Requer seja julgado improcedente o presente auto de infração. A DRJ de Florianópolis não conheceu da impugnação apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Data do fato gerador: 10/05/2010, 19/05/2010 ESFERA 'JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENUNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.002296/201011 Acórdão n.º 3301002.628 S3C3T1 Fl. 242 3 Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário apontando que a ação referida foi sentenciada e requerendo que esse conselho suspenda qualquer ato tendente a cobrança do auto lançado e em discussão nesse processo. É o que importa relatar. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.002296/201011 Acórdão n.º 3301002.628 S3C3T1 Fl. 243 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo porém não possui um dos requisitos para que esse conselho possa conhecer do mesmo. Conforme informação trazida pela própria Recorrente em sede de Recurso Voluntário, fica confirmada a existência de concomitância no presente caso, diante do ajuizamento da Ação Judicial. Submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão se reveste do caráter definitivo e imutável prevalecendo na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a decisão judicial. O tema não merece maiores digressões e já se encontra sumulado (Súmula CARF n° 1), que tem o seguinte teor: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ao contrário do que alega a Recorrente isso não é descumprimento de decisão judicial porque não cabe a esse Conselho dar ou não cumprimento a qualquer determinação daquele Poder em relação à cobrança do tributo. A regra legal de que uma demanda não pode ser discutida ao mesmo tempo nas esferas administrativa e judicial visa economizar tempo e custos, já que a decisão da Justiça sempre prevalece. Em princípio, quando o interessado opta por discutir uma questão pela via judicial, o interesse de agir na esfera administrativa desaparece, posto que a decisão administrativa perderá toda a utilidade que poderia ter para o interessado. A decisão administrativa, na parte em que for coincidente com a decisão judicial, será inútil, posto que desnecessária; e, na parte na que for conflitante, também não terá utilidade, uma vez que a decisão judicial, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Dessa forma, para evitar discussões administrativas desprovidas de qualquer utilidade, existem diversos dispositivos legais e atos normativos segundo os quais, em síntese, a propositura pelo interessado de ação judicial, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.002296/201011 Acórdão n.º 3301002.628 S3C3T1 Fl. 244 5 A unicidade da jurisdição e a vedação à concomitância tem por base a dicção do inciso XXXV do artigo 5º da Constituição Federal de 1988: “a lei não excluirá do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Tal comando constitucional garante a todos o acesso ao Judiciário para proteção de seus direitos de forma irrestrita. É claro que o principio que garante o acesso irrestrito ao Poder Judiciário deve ser ponderado com o princípio da segurança jurídica através do impedimento do convívio de decisões conflitantes advindas dessas distintas esferas de poder. O que diferencia o processo administrativo do processo judicial é a presença, neste último, do poder jurisdicional do Estado enquanto pacificador de conflitos. Ou seja, o Estado, no exercício de seu poderdever de promover a paz social por seu braço judicial, é dotado de jurisdição. Por isso, na circunstância de uma decisão judicial e uma decisão administrativa serem conflitantes, a judicial prevalece. Esse é o intuito da denominada vedação à concomitância prescrita no parágrafo único do artigo 38 da Lei n.º 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal), que assim dita: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. O próprio Regimento Interno do CARF em seu artigo 78 estabelece que a propositura de ação judicial concomitante à discussão administrativa implica em renúncia à discussão na sua seara: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. É claro e óbvio o objetivo pretendido: a proteção da unicidade da jurisdição (concentrada no Poder Judiciário, o que a exclui do Poder Executivo), seja qual for o tipo de ação ajuizada pelo contribuinte para discussão de matéria tributária objeto de concomitante processo administrativo instaurado antes ou depois daquela. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.002296/201011 Acórdão n.º 3301002.628 S3C3T1 Fl. 245 6 Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, uma vez que a matéria já foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, não cabendo a este órgão administrativo colegiado a sua apreciação, pois configurada a renúncia à via administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000923/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
IRPF. DEDUÇÃO A TÍTULO DE PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA. MANUTENÇÃO.
O contribuinte, por meio de um expediente voluntário, optou por homologar acordo judicial para pagamento de pensão alimentícia, sem que houvesse rompimento da unidade da família. Como o contribuinte, de fato, não deixou a residência familiar, deve-se manter a glosa perpetrada pela autoridade fiscal, já que a homologação judicial do acordo não altera a natureza do pagamento efetuado a título de pensão alimentícia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNANDEZ (Relator) e NATHALIA MESQUITA CEIA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 IRPF. DEDUÇÃO A TÍTULO DE PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA. MANUTENÇÃO. O contribuinte, por meio de um expediente voluntário, optou por homologar acordo judicial para pagamento de pensão alimentícia, sem que houvesse rompimento da unidade da família. Como o contribuinte, de fato, não deixou a residência familiar, deve-se manter a glosa perpetrada pela autoridade fiscal, já que a homologação judicial do acordo não altera a natureza do pagamento efetuado a título de pensão alimentícia. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16004.000923/2009-16
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441795
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2201-002.570
nome_arquivo_s : Decisao_16004000923200916.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
nome_arquivo_pdf_s : 16004000923200916_5441795.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNANDEZ (Relator) e NATHALIA MESQUITA CEIA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5861935
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706470973440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2033; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 119 1 118 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000923/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.570 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de novembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente LUIZ AUGUSTO DURAN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRPF. DEDUÇÃO A TÍTULO DE PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA. MANUTENÇÃO. O contribuinte, por meio de um expediente voluntário, optou por homologar acordo judicial para pagamento de pensão alimentícia, sem que houvesse rompimento da unidade da família. Como o contribuinte, de fato, não deixou a residência familiar, devese manter a glosa perpetrada pela autoridade fiscal, já que a homologação judicial do acordo não altera a natureza do pagamento efetuado a título de pensão alimentícia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNANDEZ (Relator) e NATHALIA MESQUITA CEIA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 23 /2 00 9- 16 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Versam os presentes autos sobre Auto de Infração decorrente de dedução indevida de despesas com pensão alimentícia aos alimentandos RENATA APARECIDA QUILES AGUILAR (companheira) e ANA LUÍSA AGUILAR DURAN (filha), decorrente de sentença judicial proferida nos autos do Processo n° 2.060/2000, cujo trâmite se deu perante a 2a Vara Cível da Comarca de Olímpia. A ação judicial foi proposta em novembro de 2000 e o acordo homologado judicialmente em fevereiro de 2001. Pelo que consta da homologação do acordo, a obrigação alimentar deriva de afastamento temporário do recorrente do convívio familiar, em decorrência de mudança por motivo de trabalho, sendo fixada pensão no valor correspondente a 66% dos vencimentos do recorrente. De acordo com informações prestadas pelo próprio recorrente, a partir da 19 de julho de 2001, a união estável com Renata Aparecida Quiles Aguilar se encerrou em definitivo. Contudo, não havendo litígio entre as partes, e nem havendo pendência a respeito dos bens a serem partilhados, decidiu o casal de comum acordo pela separação, não julgando necessário recorrer ao Judiciário, haja vista já existir homologação judicial acerca dos alimentos a serem prestados pelo alimentante às alimentadas. Assim, os alimentos continuaram a ser descontados da folha de pagamento do recorrente, no mesmo percentual acordado anteriormente, conforme sentença judicial. Logo, no entendimento do recorrente, os valores descontados diretamente em folha, seriam passíveis de dedução do imposto de renda, nos termos da lei. A DRFBJ julgou procedente a ação fiscal, por entender que a prestação de alimentos não se sustenta enquanto perdura o convívio entre o casal. Os valores pagos, ainda que decorrentes de ação judicial, seriam, portanto, desvinculados de qualquer obrigação alimentar, nos termos da lei civil. Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, alegando, em breve síntese, a legalidade das deduções realizadas com fundamento no artigo 4o , inciso II da Lei Federal 9.250/95 Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16004.000923/200916 Acórdão n.º 2201002.570 S2C2T1 Fl. 120 3 Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A fundamentação adotada pela autoridade autuante se baseia no seguinte. A acordo judicial homologado e os valores lá previstos como decorrentes de pensão alimentícia, na realidade, se referem a obrigação livremente pactuada entre o casal, que à época do ajuizamento da ação se encontravam em união estável e sob convívio comum. A separação de fato ocorrida em 2001, não poderia ser reconhecida, dada a ausência de qualquer uma das condições previstas no artigo 1.571 do CC, dispositivo este aplicável para fins de reconhecimento do fim da sociedade conjugal. Ademais, uma das filhas do casal, inclusive declarada como dependente pelo recorrente nos anoscalendário 2007 a 2009, Maria Fernanda Aguilar Duran, CPF 387.071.828 56, nasceu em 07/06/2002, fl. 20, ou seja, quase um ano após a data que o recorrente alega não mais viver em regime de união estável com Renata Aparecida Quiles Aguilar, o que causaria estranheza Alega que dado o não rompimento da sociedade conjugal, pela ausência de qualquer uma das condições previstas no artigo 1.571 do CC, a guarda dos filhos é mantida por ambos os conjuges, o que impossibilitaria o nascimento da obrigação alimentar, ainda que homologada judicialmente. A DRJ seguiu o mesmo fundamento para manter o Auto e as glosas realizadas. Em que pese o fundamento adotado pela autoridade lançadora e pela DRJ, entendo que a previsão de dedutibilidade de despesas com pensão alimentícia prevista em lei, não cria qualquer outra condição além daquelas já previstas no inciso II do 4 do artigo da lei 9.250. No caso em julgamento, há decisão judicial homologatória de acordo, na qual resta estipulada pensão alimentícia à excompanheira no valor correspondente a 66% dos vencimentos do recorrente, sem qualquer ressalva e descontados diretamente em folha. Ainda que de forma indevida as despesas com pensão alimentícia tenham sido lançadas em nome da excompanheira Renata e em nome da filha do casal, Ana Luisa, os valores lá lançados encontram sustentação no acordo homologado pelo Poder Judiciário, dado o desconto em folha ordenado pelo Poder Judiciário, prova inequívoca do pagamento realizado. Equivocase a autoridade lançadora ao concluir que a obrigação alimentar somente deriva da perda da guarda do menor, dada a possibilidade de guarda compartilhada e dever de alimentos, bem como quanto à necessidade da presença de um dos requisitos previstos no artigo 1.571 do CC para dar fim à sociedade conjugal. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Isso porque o litígio recursal posto não se refere a pensão alimentícia de menor, e sim, de excompanheira, cujo fundamento jurídico não mantêm qualquer relação com manter ou não a guarda de menor, bem como por se tratar de união estável, para cuja constituição ou dissolução não se exige qualquer uma das condições previstas no artigo 1.571 do CC/2002 e regulada pela Lei 9.278/96. Aliás, quanto à possibilidade de fixação de obrigação alimentar ainda na constância do casamento, aplicável, portanto, na constância de união estável, acórdão do TJ do RS, relatora Maria Berenice Dias: ALIMENTOS NA CONSTÂNCIA DO CASAMENTO Em tese, é plenamente viável tutelarse a dignidade da cônjuge economicamente inativa que se encontra afetada por severas restrições financeiras que o outro cônjuge lhe impõe, sujeitando lhe a uma situação de inferioridade econômica, cultural, social, que não se compatibiliza, de forma alguma, com a tutela que a Constituição confere à dignidade da pessoa humana e à igualdade entre homens e mulheres.(AC Nº 70016530230) Do acórdão acima citado, extraise importante trecho sobre a possibilidade de fixação de obrigação alimentar mesmo na constância do casamento, e da interpretação dos enunciados sobre direito de família conforme os ditames constitucionais: Com efeito, a pretexto de o Código Civil, no seu artigo 1704, prever a possibilidade de um dos cônjuges separados judicialmente pedir pensão alimentícia ao outro caso necessite de alimentos, não se pode simplesmente impedir que pretensões diversamente fundamentadas sejam analisadas, ainda mais quando o próprio Código Civil prevê o dever de mútua assistência entre cônjuges (artigo, III, do CC) e a possibilidade de parentes, cônjuges ou companheiros pedirem uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social. Para reforçar tais ponderações, é válido expor que a pretensão da parte autora não é, de forma alguma, manifestamente infundada. Pelo contrário, se comprovadas as alegações formuladas na inicial, teria boas condições de prosperar quando da análise do mérito. Isso porque, a dignidade da pessoa humana, que em tese está sendo violada pelas severas restrições financeiras impostas pelo réu à autora, constituiu um fundamento da República Federativa do Brasil, como previsto no art. 1º, inciso III, da Constituição. Outrossim, a igualdade entre homem e mulher, consagrada no primeiro inciso do rol dos direitos fundamentais (art. 5º, I, da CF), seria desprezada pela perpetuação de uma situação em que o cônjuge economicamente ativo abusa de sua condição financeira para sujeitar o outro cônjuge a uma situação de inferioridade econômica, cultural, social, além de expor a sua saúde e a sua vida a riscos decorrentes das mencionadas restrições econômicas. Destarte, os valores da dignidade da pessoa humana e da igualdade entre homens e mulheres hão de permear a interpretação da legislação infraconstitucional, levando à Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16004.000923/200916 Acórdão n.º 2201002.570 S2C2T1 Fl. 121 5 adoção da interpretação que melhor os promova. Por essa razão, a pretensão da autora poderia perfeitamente encontrar fundamento na codificação civil corretamente interpretada, mesmo que esta ainda viva maritalmente com o réu. Por fim, é válido destacar que se exigir a dissolução do vínculo matrimonial para a tutela da dignidade da esposa atentaria nitidamente contra a especial proteção que o Estado há de conferir à família (art. 226) e inclusive contra os próprios interesses da esposa, a qual busca a tutela estatal para que tenha uma vida digna dentro da instituição do casamento. Logo, se possível a fixação de alimentos durante a constância do casamento, de igual modo possível e não vedado pela lei civil, a fixação de alimentos à excompanheira ainda que estes estivessem à época do pedido, sob convívio comum. Aliás, em relação aos anoscalendários glosados, é inequívoco que não havia mais convívio comum. Entretanto, a autoridade autuante motivou o lançamento sobre premissas falsas, inclusive sobre a "estranheza" do nascimento de outra filha após a noticiada separação de fato, em dados irrelevantes e estranhos à autuação, sem levar em consideração a viabilidade jurídica do acordo realizado e devidamente homologado pelo Poder Judiciário. E mais, deveria a fiscalização se preocupar em saber ou ao menos questionar se a excompanheira, nos anoscalendários sob fiscalização constituiu nova união estável, aí sim, nos termos da lei civil, motivo suficiente para fazer cessar a obrigação alimentar do recorrente, nos termos do artigo 1.708 do CC/2002. Vale dizer, a fiscalização se afastou do seu dever legal de lançamento nos termos da lei e buscou, em interpretação peculiar da lei civil e da situação de fato apresentada, glosar despesas cuja dedutibilidade se encontra assegurada por texto expresso de lei. Dada a existência de acordo judicial e por se tratar de pensão alimentícia devida em consonância com a lei civil, nos exatos termos do inciso II do art. 4º da lei n. 9.250. dedutíveis os valores da base de cálculo do IRPF. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Analisando detidamente os autos, verifico, pois, que os valores descontados dos rendimentos do contribuinte não se tratam de pensão alimentícia, já que decorrem, de fato, do dever de sustento familiar. Para melhor esclarecimento dos fatos, transcrevo trecho Termo de Verificação Fiscal (fls. 103/104): Apesar de o fiscalizado ter informado em suas Declarações de Imposto de Renda dos exercícios 2007 a 2009 o pagamento de metade dos valores para sua filha menor Ana Luiza Aguilar Duran e a outra metade para a sua companheira Renata Aparecida Quiles Aguilar (conforme descrito no item 1.1 acima), os valores descontados tiveram como única beneficiária a sua companheira acima mencionada, conforme constam dos documentos relativos ao processo judicial abaixo mencionado e dos informes de rendimentos dos anoscalendário 2006 a 2008, fls. 43 a 66. Ou seja, o fiscalizado informou em suas Declarações de Imposto de Renda o pagamento dos referidos alimentos em desacordo ao acordo homologado judicialmente e aos seus próprios informes de rendimentos, já que a sua filha menor Ana Luiza Aguilar Duran não consta como beneficiária dos alimentos acordados. (...) O fiscalizado declarou em resposta a esta fiscalização que deixou de viver em regime de união estável com Renata Aparecida Quiles Aguilar desde 19/07/2001, porém NÃO recorreu ao judiciário para oficializar a separação de fato. Desse modo, a sentença de homologação de acordo de alimentos foi motivada pela saída temporária do fiscalizado da residência da família, conforme descrito na mesma petição inicial acima mencionada, logo não tem relação nenhuma com o suposto término do regime de união estável do fiscalizado e de sua companheira, o que, segundo declarado pelo mesmo, teria ocorrido após a tramitação do processo judicial. Ressaltese também que o fiscalizado declarou como sua dependente em suas Declarações de Imposto de Renda dos exercícios 2007 a 2009 sua outra filha menor Maria Fernanda Aguilar Duran, CPF 387.071.82856, nascida em 07/06/2002, fl. 20, ou seja, quase 1 ano após a data que o fiscalizado alega não mais viver em regime de união estável com Renata Aparecida Quiles Aguilar. Causa estranheza o fato de o fiscalizado alegar não viver mais em regime de união estável desde 19/07/2001 e quase um ano depois o mesmo teve outra filha com a mesma mulher. Como não houve rompimento da sociedade conjugal, ambos os cônjuges continuam tendo os deveres atinentes ao regime de união estável, os quais se assemelham aos do casamento, inclusive quanto ao sustento, guarda e educação dos filhos, conforme disposto no artigo 1.724 do Código Civil: (...) O dever de sustento dos pais não se confunde com o dever de prestar alimentos, o qual só surge para o pai ou para mãe que Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16004.000923/200916 Acórdão n.º 2201002.570 S2C2T1 Fl. 122 7 não mais detém a guarda de seus filhos, o que só pode ocorrer por decorrência de decisão judicial, normalmente expedida em processo de separação do casal (o que não ocorreu no caso, conforme afirmado pelo próprio fiscalizado), onde o juiz pode determinar que a guarda fique com um dos companheiros, gerando para o outro a obrigação de prestar alimentos. Neste caso os filhos deixam de ser dependentes do pai ou da mãe que não mais detém a sua guarda, passando à condição de alimentandos. Considerando todo o acima exposto, no caso do fiscalizado, como não houve rompimento da unidade familiar à época da homologação do acordo de alimentos, sua filha Ana Luiza Aguilar Duran continuou a estar sob sua guarda mesmo no período que o mesmo residiu em endereço diverso do de sua companheira. Assim, o fiscalizado possui o dever de sustento para com sua filha, e NÃO o dever de prestar alimentos, sendo a mesma dependente do fiscalizado para todos os fins, e não alimentanda. (...) As despesas decorrentes do poder de família e do dever de sustento dos filhos e de assistência mútua entre os companheiros são contempladas na legislação tributária com a possibilidade de dedução a título de dependentes, despesas médicas e de instrução, e não como pensão alimentícia. Pelo que se vê, o contribuinte, por meio de um expediente voluntário, optou por homologar um acordo judicial, sem que houvesse rompimento da unidade familiar. Com efeito, a homologação judicial do acordo não altera a natureza de suas despesas, já que o contribuinte, de fato, não deixou a residência da família. Sem querer ser repetitivo, reproduzo os bem lançados fundamentos do relator singular que analisou a questão: Assim, mantida a unidade familiar e não caracterizada, conforme estabelecido pelo art. 24, da Lei 5.478/68, a saída da residência do responsável pelo sustento da família, mas sim mero afastamento temporário, por razões profissionais, as despesas a que o contribuinte faz jus para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda são aquelas inerentes aos deveres familiares, quais sejam: dedução com os dependentes assim considerados na forma da legislação do imposto de renda , despesas médicas e despesas com instrução. (...) Segundo o contribuinte, o não acatamento da dedução dos valores em discussão carece de amparo legal Oportuno destacar o art. 109 do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Desse modo, para fins tributários, o fenômeno econômico prevalece sobre a forma jurídica e, que sob o princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o que se busca é verificar, no caso concreto, se há o enquadramento preciso da situação ao permissivo legal, tendo em vista o princípio da legalidade. Outrossim, no presente caso não se discute conceitos jurídicos oriundos do direito privado, mas sim a ocorrência ou não da condição que permite ao contribuinte reduzir a base de cálculo do tributo mediante dedução de pensão alimentícia. À autoridade fiscal o ora impugnante informou que, a partir de 19/07/2001, deixou de existir a união estável, não sendo levada ao conhecimento do Poder Judiciário por conveniência das partes. Todavia, a mera alegação não tem o condão de alterar a configuração jurídica determinada quando do acordo homologado nos autos de oferta de alimentos e, conforme bem ressaltado pela autoridade fiscal lançadora, os valores cuja dedução se discute estes autos foi motivada pela saída temporária do fiscalizado da residência da família, do que decorre inexistir relação entre os pagamentos decorrentes de referida ação e o suposto término do regime de união estável do contribuinte e sua companheira, o que, segundo informa, teria ocorrido pouco mais de cinco meses após a homologação judicial do acordo. Outrossim, nada alega o impugnante acerca do fato do nascimento de outra filha que teve com a Sra. Renata, nascida quase um ano após o suposto rompimento da união estável. Na peça impugnatória o contribuinte aborda a necessidade de que a autoridade administrativa observe os princípios da legalidade e motive seus atos. Quanto a este último aspecto, não aponta objetivamente se o lançamento carece de motivação, mas a análise dos autos demonstram que o auditor fiscal expressou suas conclusões acerca dos documentos e esclarecimentos apresentados pelo interessado, explicitando o raciocínio jurídico utilizando e as conclusões a que chegou, apontando o enquadramento legal pertinente. Plenamente motivado, portanto, o presente ato administrativo de lançamento. No que se refere à legalidade, ancora seu argumento no fato de considerar dedutível os valores em questão, não aceito pela autoridade fiscal, o que, a seu ver, desrespeita a legislação. Verifico que o auditor fiscal responsável aponta os dispositivos legais em que se baseou e, em respeito ao princípio da legalidade, rejeita a dedução pleiteada pelo contribuinte porque não se enquadra nos estritos ditames da lei. Vale lembrar que alguns doutrinadores do direito afirmam que vige no direito tributário o princípio da tipicidade cerrada, do que resulta não poder a administração tributar além dos estritos ditames legais. Igual deve ser o procedimento quanto se trata de redução da base de cálculo do tributo. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16004.000923/200916 Acórdão n.º 2201002.570 S2C2T1 Fl. 123 9 Ante a esses argumentos, penso que deve ser mantida a glosa dos valores descontados dos rendimentos do contribuinte, já que por sua natureza jurídica não se trata, efetivamente, de pagamentos a título de pensão alimentícia. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000297/2005-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA TOTAL EXPRESSA NA FORMA DE QUITAÇÃO INTEGRAL DO DÉBITO. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA PROVIDO POR OUTROS FUNDAMENTOS PARA RESTABELER O LANÇAMENTO.
De conformidade com o artigo 78, § 2o, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o pagamento do crédito tributário consubstanciado no lançamento fiscal importa na desistência do recurso/discussão administrativa e, por conseguinte, na manutenção da exigência na forma constituída e/ou nos limites da renúncia, impondo seja dado provimento ao recurso especial da Procuradoria com o fito de se restabelecer a integralidade da exigência fiscal, por outros fundamentos.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado)e Gustavo Lian Haddad. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA TOTAL EXPRESSA NA FORMA DE QUITAÇÃO INTEGRAL DO DÉBITO. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA PROVIDO POR OUTROS FUNDAMENTOS PARA RESTABELER O LANÇAMENTO. De conformidade com o artigo 78, § 2o, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o pagamento do crédito tributário consubstanciado no lançamento fiscal importa na desistência do recurso/discussão administrativa e, por conseguinte, na manutenção da exigência na forma constituída e/ou nos limites da renúncia, impondo seja dado provimento ao recurso especial da Procuradoria com o fito de se restabelecer a integralidade da exigência fiscal, por outros fundamentos. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 17883.000297/2005-31
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429285
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.563
nome_arquivo_s : Decisao_17883000297200531.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 17883000297200531_5429285.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado)e Gustavo Lian Haddad. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5824629
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706477264896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 386 1 385 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17883.000297/200531 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.563 – 2ª Turma Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria ITR APP ADA INTEMPESTIVO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADHEMAR JOÃO DE BARROS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA TOTAL EXPRESSA NA FORMA DE QUITAÇÃO INTEGRAL DO DÉBITO. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA PROVIDO POR OUTROS FUNDAMENTOS PARA RESTABELER O LANÇAMENTO. De conformidade com o artigo 78, § 2o, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o pagamento do crédito tributário consubstanciado no lançamento fiscal importa na desistência do recurso/discussão administrativa e, por conseguinte, na manutenção da exigência na forma constituída e/ou nos limites da renúncia, impondo seja dado provimento ao recurso especial da Procuradoria com o fito de se restabelecer a integralidade da exigência fiscal, por outros fundamentos. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado)e Gustavo Lian Haddad. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 97 /2 00 5- 31 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório ADHEMAR JOÃO DE BARROS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 18/11/2005 (AR fl. 31), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda da Lapa”, localizado no município de Resende/RJ, inscrita na RFB sob nº 32176309, conforme peça inaugural do feito, às fls. 24/30, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 11 22.271/2008, às fls. 112/124, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 28/07/2011, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220101.223, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR. AREA TRIBUTÁVEL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n° 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso provido” Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000297/200531 Acórdão n.º 9202003.563 CSRFT2 Fl. 387 3 Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 173/180, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30240.044, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência da área de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende da requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição tempestiva do ADA. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada decorre do art. 17O, § 1°, da Lei n° 6.938/1981, alinhandose com a norma que consagrou o benefício tributário (Art. 10, § 1°, II, da Lei n° 9.393/96) e apontando o meio para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de reserva legal e preservação permanente são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente Instrução Normativa SRF n° 76/2005, c/c Decreto n° 4.382/2002. No presente caso, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220000.957, de 17/09/2012, de fl. 189/190. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou petição, de fl. 375, informando que o débito objeto do recurso fora devidamente quitado, consoante se comprova do DARF acostado ao processo, requerendo a extinção do feito, com a consequente baixa dos autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma (Acórdão nº 302 40.044) trazido à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental – ADA quanto à área de preservação permanente, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito aduzidas pela recorrente, mister suscitar questão prejudicial ocorrida após a prolação do Acórdão recorrido, capaz de ensejar o provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por outros fundamentos, senão vejamos. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000297/200531 Acórdão n.º 9202003.563 CSRFT2 Fl. 388 5 Destarte, em 26 de Outubro de 2012, o contribuinte apresentou petição, de fls. 375, informando da quitação integral da exigência fiscal, ocorrida em 03/11/2009, requerendo, assim, a extinção do feito, com a consequente baixa dos autos. E, de conformidade com o artigo 78, § 2o, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, o pagamento do débito representa desistência do recurso, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” Na verdade, a grande celeuma que permeia a resolução da presente demanda se fixa no fato de o recurso voluntário da contribuinte ter sido provido, ensejando a interposição do Recurso Especial da Procuradoria. Neste sentido, a controvérsia passou a se fixar em determinar quais os efeitos do pedido de desistência nesta esfera recursal, diante do Recurso Especial interposto pela Procuradoria. Consoante se infere dos autos, concluise não poder prevalecer o resultado do julgamento contemplado no Acórdão recorrido, tendo em vista que o pedido de desistência total, a partir da quitação do débito, fora interposto no decorrer do processo administrativo fiscal, sem o trânsito em julgado da decisão, em face da interposição do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Aliás, o que torna ainda digno de realce é que a contribuinte, procedendo o pagamento integral do crédito, requereu a desistência total de seus recursos ofertados nos autos do processo administrativo fiscal. Tivesse desistido somente da parte do lançamento não teria causado esta celeuma. Partindo dessas premissas, uma vez já interposto o Recurso Especial da Procuradoria contra Acórdão favorável ao pleito do contribuinte, não podemos olvidar de exarar decisão contemplando todos esses fatos processuais. Entrementes, despiciendo analisar as razões recursais da Fazenda Nacional, eis que a quitação integral do débito, implicando em pedido de desistência total, irretratável e irrevogável, apresentado em qualquer fase recursal representa a renuncia expressa do interesse de agir na esfera administrativa e judicial, inclusive de recursos que porventura já tenham sido interpostos. Na esteira desse entendimento, manifestada em petição nos autos do processo a renúncia total aos recursos interpostos, a partir do pagamento do débito, impõese reformar o Acórdão recorrido, de maneira a restabelecer a exigência fiscal na forma constituída, conforme Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 se extrai do artigo 78, § 2o, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, como segue: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo.” (grifamos) Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E DARLHE PROVIMENTO, por outros fundamentos, restabelecendo o crédito tributário originalmente constituído, em virtude da desistência total manifestada pelo contribuinte, a partir da quitação integral do débito, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.720312/2013-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
A interposição do recurso voluntário trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância implica o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 1103-001.204
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado não conhecer do recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator) e Marcos Shigueo Takata. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Redator Designado, no exercício da Presidência.
(assinado digitalmente)
Breno Ferreira Martins Vasconcelos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. A interposição do recurso voluntário trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância implica o seu não conhecimento.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11070.720312/2013-59
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454307
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1103-001.204
nome_arquivo_s : Decisao_11070720312201359.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
nome_arquivo_pdf_s : 11070720312201359_5454307.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado não conhecer do recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator) e Marcos Shigueo Takata. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Redator Designado, no exercício da Presidência. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5891878
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706483556352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 5.198 1 5.197 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.720312/201359 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.204 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2015 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente CEREAIS ADAMS IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. A interposição do recurso voluntário trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância implica o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado não conhecer do recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator) e Marcos Shigueo Takata. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Redator Designado, no exercício da Presidência. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 03 12 /2 01 3- 59 Fl. 5198DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.199 2 Relatório Lançamento A questão sob análise diz respeito a autos de infração lavrados para a exigência de débitos de IRPJ e CSLL relativos aos anos calendário de 2008 a 2010, acrescidos de multa de ofício qualificada e juros de mora (fls. 50175102). O relatório fiscal de fls. 4577 a 4600 expõe os seguintes motivos para a lavratura das autuações fiscais. Foi iniciado, em 21/02/2011, procedimento de fiscalização contra a pessoa física Luis Vanderlei Adams (“Luis Adams”). Após ser intimado a apresentar diversos documentos relativos ao ano calendário de 2007, Luis Adams afirmou, entre outros pontos, não possuir livrocaixa da atividade rural porque não atuou no período como produtor agrícola, tendo realizado apenas a intermediação da compra e venda de produtos agrícolas. A Fiscalização entendeu ser a informação acima incompatível com as declarações de imposto de renda de Luis Adams, nas quais foram informadas receitas e despesas da atividade rural. Assim, Luis Adams foi novamente intimado e respondeu (fls. 41) que tais informações foram lançadas por equívoco no campo Atividade Rural, pois apenas um pequeno valor foi obtido com produção. Os documentos apresentados por Luis Adams – recibos de pagamentos a pessoas físicas em razão da compra de grãos, pagamentos de fretes a terceiros e blocos de produtor rural nos quais estão registradas compra e venda de grãos – revelam que era exercida, na verdade, a atividade de compra e venda de grãos, e não a intermediação de negócios. O exercício de compra e venda de produtos configura atividade comercial, equiparando Luis Adams a empresário, nos termos do art. 150, §1º, II do RIR. Ademais, consta dos recibos a indicação de que era descontado o Funrural dos vendedores, cuja obrigação é própria das pessoas jurídicas. Para confirmar a condição de pessoa jurídica, em 05/05/2011 foi realizada diligência à sede da recorrente (fls. 658669), tendo sido constatada a realização de compra e venda de grãos nesse estabelecimento, que possui a seguinte estrutura: (i) classificador de sementes com capacidade para 500 sacas de 60 kg/hora; (ii) secador de grãos com capacidade de 800 sacas 60 kg/hora; (iii) elevador com capacidade para 60 toneladas; (iv) 2 moegas com capacidade para 1200 sacas de 60 kg cada uma; (v) 5 silos metálicos com capacidade de 20.000 sacas de 60kg cada; (vi) 1 silo metálico com capacidade para 30.000 sacas de 60kg; (vii) 1 poço artesiano com caixa d’água de 10.000 litros; (viii) 1 balança para caminhões; e (ix) 3 empregados fixos exercendo funções na sede da empresa, que estava em operação há mais de 6 anos, conforme informações fornecidas por tais empregados. Tendo em vista que Luis Adams, mesmo após ter sido intimado e reintimado, não apresentou extratos bancários ou autorizou a RFB a solicitálos diretamente às instituições financeiras, foi solicitada, por intermédio do Ministério Público Federal, a quebra do Fl. 5199DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.200 3 sigilo bancário. Os extratos bancários das contas correntes mantidas por Luis Adams foram disponibilizados nos autos da representação criminal nº 500746735.2011.404.7105/RS. Por meio do termo de intimação fiscal nº 07/2012, cientificado em 20/04/2012, Luis Adams foi intimado a comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias e indicar a quais atividades os créditos se referiam. Luis Adams respondeu que os depósitos são (i) predominantemente originários de atividades de intermediação de compra e venda de produtos coloniais, especialmente soja; (ii) de financiamentos; e (iii) de atividade agrícola. Respondendo ofício enviado pela Fiscalização, a Sefaz/RS informou que Luis Adams possuía 4 inscrições estaduais, as quais registraram compras e vendas nos valores totais de R$4.736.477,41 em 2008, R$9.175.998,36 em 2009 e R$5.633.928,69 em 2010. A Fiscalização também realizou diligências em empresas que comercializam trigo, soja e outros cereais, tendo recebido respostas afirmando que foram adquiridos grãos de Luis Adams e os seguintes documentos comprobatórios: relação de pagamentos, recibos, notas fiscais de produtor e contranotas. Assim, a Fiscalização concluiu que, a despeito de terem sido apresentadas declarações de inatividade, desde sua constituição a recorrente operou na compra e venda de grãos, com atividades típicas de cerealista (secagem, armazenagem, seleção de grãos) e de compra e venda da produção agrícola de terceiros, devendo tributar as respectivas receitas. A recorrente informou a opção pelo lucro real, mas, ao ser intimada para apresentar a escrituração fiscal, afirmou que “em razão de ter operado em nome de seu sócio Luis Vanderlei Adams e submetido estas operações à tributação na pessoa física, não tem os referidos livros escriturados referente às operações anteriores a 2011” (fls. 731). Dessa forma, o IRPJ e a CSLL foram determinados com base nos critérios do lucro arbitrado, nos termos do art. 530, III do RIR. A receita bruta conhecida, nos moldes do art. 532 do RIR, foi extraída das informações fornecidas pela Sefaz/RS e dos blocos de produtor rural, não tendo sido considerada a movimentação financeira detectada nos extratos bancários. O IRPF recolhido por Luis Adams sobre as receitas em questão foi compensado no auto de infração de IRPJ. Foi aplicada multa qualificada (150%) sobre a diferença entre as receitas informadas nas declarações de pessoa física e as receitas efetivamente obtidas, indicadas nos registros da Sefaz/RS. Isso porque houve a inequívoca prática de atos comerciais com a finalidade de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e o conhecimento da condição de contribuinte da recorrente, o que configura a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Além disso, a omissão de receitas da atividade rural (diferença entre as receitas informadas pela Sefaz/RS e aquelas declaradas pela pessoa física) configura, em tese, a infração prevista na Lei nº 8.137/90. Sobre as demais receitas foi exigida multa de ofício de 75%. Não foram realizados lançamentos de PIS e Cofins porque as atividades desenvolvidas pela recorrente estão sujeitas à suspensão dessas contribuições nos moldes dos arts. 9º da Lei nº 10.925/04 e 29 da Lei nº 11.051/2004. Fl. 5200DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.201 4 Impugnação Às fls. 51045120 a recorrente apresentou impugnação afirmando, em suma, o que segue. Os autos de infração são nulos porque (i) foi extrapolado o prazo de 60 dias para a execução do MPF 10108002011000497 contra Luis Adams e (ii) a quebra de sigilo bancário envolvendo os anos de 2007 a 2010 ocorreu anteriormente à extensão do período da ação fiscal que, até então, englobava apenas os anos de 2007 e 2008. Em vez de arbitrar o lucro, o Fisco deveria ter considerado como despesas o valor das compras, pois foram disponibilizados por Luiz Adams os devidos comprovantes de pagamento. Não cabe o arbitramento quando são colocados à disposição do fiscal todos os documentos válidos à apuração da situação real. O percentual de presunção de lucratividade de 9,6% da receita é incompatível com as atividades desenvolvidas pela recorrente, em que o lucro não chega a ser de 2% sobre as compras. Deve ser reduzida a multa exigida no patamar de 150%, pois os autos de infração foram lavrados com base em elementos apresentados pelo próprio contribuinte e não houve rasura ou adulteração de documentos, inexistindo, portanto, justificativa para a qualificação da penalidade. Acórdão da DRJ Na sessão de 29 de agosto de 2013 a 2ª Turma da DRJ Curitiba acordou, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento efetuado, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, segundo a qual a autoridade tributária impossibilitada de aferir a exatidão do lucro real, em virtude da não apresentação de livros e documentos da escrituração, está legitimada a adotálo como meio de apuração da base de cálculo do IRPJ. IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO. CUSTOS E DESPESAS No regime de tributação pelo lucro arbitrado, as despesas e custos necessários e usuais de cada atividade estão consideradas no percentual específico de determinação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Fl. 5201DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.202 5 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento dele decorrente em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. REGRA GERAL E ESPECIAL. VINCULAÇÃO. Só em casos especiais, devidamente expressos na Constituição Federal ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos e judiciais têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu ofício de julgar. A regra geral é que as decisões administrativas e judiciais tenham eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. EFEITO SUSPENSIVO. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário. PROCURADOR. INTIMAÇÃO. As intimações devem ser feitas ao sujeito passivo, no domicílio tributário por ele eleito perante a Administração Tributária. Fl. 5202DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.203 6 SUSTENTAÇÃO ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. INDEFERIMENTO. Não existe, no âmbito administrativo de primeira instância, a previsão de defesa oral. Pedido nesse sentido é indeferido. A recorrente foi cientificada por via postal em 12/09/2013 (AR de fls. 5164). Embargos de Declaração Em 17/09/2013, às fls. 51675171, a recorrente opôs embargos de declaração com fundamento no art. 64, I e 65, II do RICARF. Alegou a recorrente haver contradição e confusão no acórdão proferido pela DRJ quanto (i) aos prazos para a conclusão da ação fiscal e das prorrogações e (ii) à quebra do sigilo bancário. Despacho da DRJ Às fls. 51755178, a Presidente da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA proferiu despacho por meio do qual não conheceu dos embargos de declaração por falta de previsão legal. A recorrente foi cientificada por via postal em 07/10/2013 (AR de fls. 5179) Recurso Voluntário Em 21/10/2013, às fls. 51815195, a recorrente interpôs recurso voluntário no qual reiterou os termos da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Relator. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Admissibilidade do recurso voluntário No despacho de encaminhamento de fls. 5196, a unidade de origem da Receita Federal consignou ser intempestivo o recurso voluntário interposto pela recorrente, de modo que inicio o presente voto pela análise da tempestividade. A recorrente foi cientificada do Acórdão proferido pela DRJ no dia 12/09/2013, conforme o aviso de recebimento acostado às fls. 5164. Nos termos dos arts. 5º1 e 332 do Decreto nº 70.235/72, o prazo de 30 dias para a interposição de recurso voluntário teve início no dia 13/09/2013, primeiro dia útil subsequente ao da ciência, e venceu no dia 14/09/2013 (primeiro dia útil subsequente ao termo a quo do prazo de 30 dias, que se deu em 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 2 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 5203DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.204 7 12/09/2013, um sábado). A contribuinte, contudo, protocolou seu recurso voluntário apenas no dia 21/10/2013 (fls. 5181). Esse “atraso” na interposição do recurso ocorreu porque, cinco dias após ser cientificada, a recorrente opôs Embargos de Declaração por entender haver omissão, obscuridade e contradição no Acórdão da DRJ (fls. 51675171). A Presidente da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, porém, entendeu que (...) não há previsão de embargos de declaração no rito processual estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, bem como na Lei nº 9.784, de 1999 e, muito menos no Regimento Interno da Receita Federal, com relação a Acórdão proferido por DRJ e, ademais, a autoridade fiscal não está obrigada a se pronunciar expressamente sobre todas as argumentações constantes do processo, senão aquelas necessárias à solução legal aplicável ao caso concreto. Desta forma, inexiste espaço para que a autoridade administrativa conheça do recurso de fls. 5.1675.171, apresentado pelo interessado em 17/09/2013. Com efeito, as Delegacias Regionais de Julgamento têm entendimento majoritário no sentido de que apenas podem ser opostos Embargos de Declaração contra acórdãos de primeiro grau que padecem de manifesto lapso – assim entendido como o erro cometido por descuido, distração, esquecimento ou engano involuntário – ou de erro de escrita ou de cálculo3, na esteira do que prevê o art. 32 do Decreto nº 70.235/72: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Para demonstrar esse entendimento, transcrevo alguns precedentes das DRJ: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Verificandose a existência de erros de digitação no voto do Acórdão embargado, acolhemse os embargos de declaração para reparar tais erros. (Acórdão nº 0428977, de 14 de junho de 2012, 4ª Turma da DRJ em Campo Grande); EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO ACÓRDÃO LAVRADO. Constatado erro material no acórdão lavrado anteriormente, é de se retificar a parte equivocada. (Acórdão nº 12 42478, de 29 de novembro de 2011, 2ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I); 3 NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Tereza Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2004, p. 375. Fl. 5204DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.205 8 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. RE RATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Verificada a existência de inexatidão material no acórdão original prolatado, em razão de lapso manifesto, cumpre retificálo, de modo a permitir a correta execução do julgado. (Acórdão nº 1242098, de 09 de novembro de 2011, 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I); e EMBARGOS. Acatamse os embargos quando for constatado erro no cálculo do imposto devido. (Acórdão nº 1528158, de 31 de agosto de 2011, 3ª Turma da DRJ em Salvador) Esse entendimento, ao meu ver, é correto, pois a legislação de regência do processo administrativo fiscal federal realmente não prevê a oposição de Embargos de Declaração contra acórdãos proferidos em primeira instância com fundamento em omissão, contradição ou obscuridade. O “recurso” (embargos de declaração) intentado pela contribuinte em primeiro grau, portanto, é inexistente juridicamente. Ora, o art. 33 do Decreto nº 70.235/72 é claro ao estabelecer que da decisão proferida pela DRJ caberá recurso voluntário no prazo de 30 dias, e nada mais. É o que ensinam Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López: Vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se o fizer, estará sujeito ao prazo legal de 30 dias, sob pena de preclusão, ou seja, se ultrapassar este período estará impedido de apresentar o recurso em outro momento. No processo administrativo, o sistema de preclusão visa garantir a realização do ato em determinado tempo como também fixa o lapso de tempo para a passagem de uma etapa processual para a próxima. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2004, p. 375) Na verdade, nem mesmo as manifestações apresentadas com fundamento no art. 32 do Decreto nº 70.235/72 para a retificação de erros contidos na decisão, que pode ser admitida a título de embargos de declaração pelos julgadores de primeiro grau, têm o condão de suspender ou interromper o prazo para a interposição de recurso voluntário. São exatamente nesse sentido as percucientes palavras de Antonio da Silva Cabral a respeito do art. 32 do Decreto nº 70.235/72: Em se tratando de obscuridade, contradição entre fundamentação e decisão, ou dúvidas a respeito do que pretendeu dizer o julgador, é mais fácil a aceitação, pelo Conselho de Contribuintes, da preliminar de nulidade da decisão, por cerceamento do direito de defesa. Se o contribuinte preferir apresentar requerimento ao julgador a fim de que este desfaça a parte que ficou obscura ou que desfaça a possível contradição, não deve descuidar de apresentar, igualmente, o recurso Fl. 5205DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.206 9 voluntário dentro do prazo. (Processo Administrativo Fiscal, São Paulo: Saraiva, 1993, p. 409) É por essa razão, isto é, para resguardar o direito do contribuinte de interpor Recurso Voluntário, que as DRJ têm entendido que “Os embargos de declaração admitidos, ainda que improcedentes, ensejam a prolação de novo acórdão” (Acórdão nº 1439459, de 29 de novembro de 2012). Nessa hipótese, o novo acórdão produzirá efeito substitutivo, podendo ser atacado por recurso voluntário no prazo de 30 dias contados da ciência desse novo julgamento em primeira instância. Os embargos de declaração opostos pela recorrente, porém, não foram admitidos pela DRJ, razão pela qual não foi proferido novo acórdão e, assim, decorreu o prazo para a interposição de recurso a este Conselho. Concluo, assim, ser intempestivo o recurso voluntário de fls. 51815195. Ocorre, porém, que a peça denominada “embargos de declaração” (i) foi protocolada pela contribuinte no prazo de 30 dias contados da ciência do acórdão proferido pela DRJ e (ii) tem indiscutível caráter infringente, pois contém a irresignação da contribuinte quanto aos termos da decisão de primeiro grau, devendo, portanto, ser recebida por este Conselho como verdadeiro recurso voluntário. No âmbito do processo administrativo, que tem por finalidade o controle de legalidade do ato de lançamento, não pode ser prestigiado o formalismo em detrimento da busca pela verdade material. Dessa forma, e aplicando ao presente caso o chamado princípio do informalismo moderado, entendo que o equívoco cometido pela contribuinte deve ser relevado para que, ao menos, as alegações inseridas na peça de fls. 51675171 sejam submetidas à apreciação deste Conselho. Por sua pertinência, destaco os ensinamentos de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López sobre o assunto: (...) o processo administrativo fiscal releva pequenas incorreções de forma, de modo a possibilitar o acesso do administrado ao processo da maneira mais simples possível, até porque não há necessidade de o contribuinte ser representado por um advogado. A Lei nº 9.784/99, em seu artigo 2º, inciso IX, orienta a “adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. Tal informalidade moderada, desde que preservadas as garantias fundamentais do administrado, é mais adequada ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta à busca da verdade real que, como vimos, é a base de todo sistema.4 São também nesse sentido as palavras de Hely Lopes Meirelles: 4 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Ed. Dialética, 2004, pág. 76. Fl. 5206DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.207 10 O princípio do informalismo dispensa ritos sacramentais e formas rígidas para o processo administrativo, principalmente para os atos a cargo do particular. Bastam as formalidades estritamente necessárias à obtenção da certeza jurídica e à segurança procedimental.5 O primado da verdade material, acima mencionado como fundamento para o informalismo moderado, se concretiza na atividade instrutória, permitindo ao julgador atuação proativa para, no plano do processo, alcançar a maior proximidade com o plano fático pela livre investigação do motivo e verificação de sua congruência com a motivação. Se a verdade material amplia a produção probatória, sob outro ângulo esbarra na preclusão consumativa inscrita no artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72, acima mencionado. É cediço que a válida e eficaz aplicação da verdade material e do informalismo moderado deve ser sopesada especialmente com os princípios do contraditório e do devido processo legal, para impedir tumultos no rito processual e assegurar que quem se aproveite de tais preceitos não o faça exclusivamente para obter algum benefício. Exsurge, aqui, o princípio do prejuízo, que (...) constitui seguramente a viga mestra do sistema das nulidades e decorre da ideia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida.6 Ainda nessa esteira, é importante considerar que o processo administrativo tributário tem por característica precípua conferir liquidez e certeza ao crédito tributário. Dessa forma, e tendo em vista que os elementos trazidos aos autos pela contribuinte na peça de fls. 51675171 poderiam conduzir à redução dos valores dos autos de infração, entendo que os novos argumentos devem ser analisados pelo bem do interesse público. Isso porque permitir a constituição definitiva de crédito tributário potencialmente improcedente, além de ignorar os princípios acima mencionados, causaria inegável prejuízo à contribuinte e à coletividade, pois o débito seria desnecessariamente inscrito em dívida ativa e cobrado por meio de execução fiscal, movimentando em vão a Administração pública e o Poder Judiciário. Sendo assim, passo a analisar a peça de fls. 51675171. Contradição quanto ao termo final do prazo para execução do MPF A contribuinte alegou haver contradição no acórdão proferido pela DRJ quanto ao argumento, inserido na impugnação, de que o MPF nº 1010800.2011.00049 (instaurado contra a pessoa física) seria nulo por não prever o prazo para a conclusão do 5 Direito Administrativo Brasileiro, 13ª ed., São Paulo: RT, 1987, p. 582 Apud Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Ed. Dialética, 2004, pág. 76. 6 GRINOVER, Ada Pellegrini. In: NEDER. Marcos Vinicius. LÓPEX. Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Ed. Dialética, 2004, pág. 61. Fl. 5207DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.208 11 procedimento fiscal. Nessa linha, a contribuinte afirmou existir contradição por terem os julgadores afirmado que o prazo para a conclusão do MPF seria em 21/06/2011 a despeito de essa informação não constar do mandado acostado aos autos. Registro, inicialmente, que, não tendo sido arguidas pela contribuinte nulidades envolvendo a execução do MPF 10108002012003236, instaurado contra a pessoa jurídica, analisarei tão somente a regularidade do mandado de procedimento fiscal instaurado contra a pessoa física. Não assiste razão à contribuinte quanto a este argumento, pois, conforme se depreende do MPF disponível no sítio da RFB (código de acesso nº 19320184, indicado no termo de início do procedimento fiscal de fls. 3536), foi expressamente consignado nesse documento o prazo inicial para a conclusão do procedimento fiscal: Este Mandado deverá ser executado até 21 de junho de 2011. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Concluo, dessa forma, que não há contradição na decisão de primeira instância, pois o MPF, ao contrário do que alegou a contribuinte em sua impugnação, previu o prazo para a conclusão do procedimento fiscal, estando correto, portanto, o acórdão recorrido. Contradição quanto à inobservância do prazo para as prorrogações de prazo A contribuinte também afirmou existir contradição quanto às prorrogações de prazo, que o acórdão da DRJ informa terem “ocorrido em 13/04/2012, 10/08/2012, 07/12/2012 e 05/04/2013” (fls. 5168), mas houve erro de contagem, pois todas essas prorrogações foram feitas após o prazo de 60 dias previsto pelo Decreto nº 70.235/72. Registro, inicialmente, estar equivocada essa afirmação feita na peça de fls. 51675171, pois foi consignado, no acórdão recorrido, que ocorreram “prorrogações de prazo para até 20/08/2011, 16/12/2011, 13/04/2012, 10/08/2012, 10/08/2012, 07/12/2012 e 05/04/2013” (fls. 5152). De acordo com o MPF disponível no sítio da RFB, as prorrogações de prazo mencionadas pela DRJ realmente ocorreram. Após confrontar as datas em questão, verifiquei o seguinte: Dias transcorridos Instauração do MPF 21/02/2011 Vencimento do MPF 21/06/2011 120 dias Primeira prorrogação (até) 20/08/2011 60 dias Segunda prorrogação (até) 16/12/2011 118 dias Terceira prorrogação (até) 13/04/2012 119 dias Quarta prorrogação (até) 10/08/2012 119 dias Quinta prorrogação (até) 07/12/2012 119 dias Sexta prorrogação (até) 05/04/2013 119 dias Fl. 5208DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.209 12 Como se vê, os julgadores de primeiro grau realmente equivocaramse ao afirmar, às fls. 5152, que os termos de prorrogação acostados ao processo observaram o prazo de 60 dias estabelecido pelo §2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. A despeito desse equívoco cometido pela DRJ, entendo que não há fundamento para que os autos de infração sejam considerados nulos em razão da inobservância do prazo máximo estabelecido pelo referido Decreto para a execução do MPF, pelos motivos que discorrerei a seguir. Às fls. 113, 117, 119, 121, 123, 135 e 656, a autoridade fiscal afirma ter expedido os termos de ciência e continuação de procedimento fiscal com fundamento no art. 7º, §2º do Decreto nº 70.235/72, que prevê o seguinte: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Conforme visto acima, porém, o prazo de 60 dias estabelecido pelo referido Decreto foi observado, tão, somente, na primeira prorrogação de prazo. Essa situação se deve ao fato de a autoridade fiscal ter observado os prazos estabelecidos nos atos normativos da RFB que dispunham sobre o planejamento das atividades fiscais e estabeleciam normas para a execução de procedimentos fiscais à época dos fatos, os quais divergiam da regra contida no Decreto. Vejamos. Quando da instauração do MPF, em 21/02/2011, e até 1º/08/2011, estava em vigor a Portaria RFB nº 11.371/07. Esse ato normativo determinava que o prazo do MPF Fiscalização seria de 120 dias, podendo ser prorrogado por 60 dias: Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Por essa razão, o prazo inicial do MPF, indicado no quadro acima, foi de 120 dias, e a primeira prorrogação, realizada ainda sob a vigência da Portaria RFB nº 11.371/07, observou o prazo de 60 dias. Fl. 5209DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.210 13 Essa regra, porém, foi alterada pela Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011, e que entrou em vigor em 1º/08/2011. Esse ato normativo manteve o prazo inicial de 120 dias para o MPFFiscalização, mas inovou ao prever que as prorrogações também poderiam ser realizadas por 120 dias (e não mais por 60 dias, como na regra anterior): Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I 120 dias, nos casos de MPFF e de MPFE; e II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e II do art. 11, conforme o caso. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Tendo em vista essa alteração, que produziu efeitos até o ano de 2014, quando a Portaria RFB nº 3.014/11 foi revogada pela Portaria RFB nº 1.687/14, as demais prorrogações foram realizadas pela autoridade fiscal observando o prazo de 120 dias. Entendo que, por ser a Portaria hierarquicamente inferior ao Decreto, os dois atos normativos acima mencionados não poderiam ter previsto prazo para a execução do MPF Fiscalização superior àquele estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72. Esse meu entendimento não significa, contudo, que a inobservância do prazo previsto pelo art. 7º, §2º do referido Decreto implique nulidade dos autos de infração lavrados no âmbito do procedimento fiscal. Essa inobservância poderá implicar, apenas, eventual responsabilização funcional do auditor fiscal e a reaquisição da espontaneidade pelo contribuinte. Por sua pertinência, transcrevo, nesse ponto, as palavras de Antonio da Silva Cabral: O art. 7º, em estudo, previu a maneira de se iniciar o procedimento contra o contribuinte, mas este não poderá esperar indefinidamente pelo fisco. Se a repartição não der continuidade à sua ação, o contribuinte adquirirá a espontaneidade, de acordo com o previsto no §2º deste dispositivo, que atribuiu aos atos de início de fiscalização o prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. É preciso, no entanto, que se entenda corretamente esta disposição. Muitos contribuintes acham que, passados os sessenta dias, sem que a fiscalização tenha dado prosseguimento ao ato inicial, o auto de infração ou a medida inicial se tornam nulos. Não é isto o que diz o Fl. 5210DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.211 14 decreto. A falta de continuidade da ação fiscal tem por efeito, apenas, restituir a espontaneidade. Por exemplo: se, ao início da fiscalização, a empresa não possuía escrituração regular, nada impede que, passados os sessenta dias, sem prorrogação da ação fiscal, ela cuide de corrigir essa falha. Estará o contribuinte apto a apresentar a denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN.7 Após fazer raciocínio semelhante ao do excerto transcrito acima, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lopez também destacaram que “não é nulo o auto de infração lavrado contra contribuinte que, readquirindo a espontaneidade, não faz uso dos benefícios a ela inerente”.8 Embora as razões acima sejam suficientes para afastar a nulidade arguida pela contribuinte, vale também registrar que a autoridade fiscal se manifestou diversas vezes, durante o procedimento fiscal, em intervalo de tempo inferior a 60 dias, o que, a despeito do vício quanto à emissão dos termos de prorrogação, demonstra a intenção de dar continuidade à Fiscalização, na linha do que ensinam Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lopez sobre essa questão: (...) a espontaneidade é readquirida se o autor do procedimento fiscal não ultimar a continuidade da ação fiscal no prazo mencionado e não expedir nenhum outro ato, nesse ínterim, que demonstre sua intenção de prosseguir com o trabalho. Na verdade, a cada novo ato do fiscal (intimação, pedido de esclarecimento, auto de infração etc.), cientificado o contribuinte, este prazo se reinicia mesmo no caso de o anterior terse expirado.9 Afasto, portanto, a segunda nulidade arguida pela contribuinte. Omissão quanto ao argumento de que os prazos não poderiam ser superiores a 60 dias Por fim, a contribuinte afirmou que o acórdão a quo estaria também eivado de omissão por não ter sido apreciada a inconformidade da contribuinte quanto aos prazos superiores a 60 dias em razão do que dispõe o art. 7º, §2º do Decreto 70.235/72 c/c art. 2º do Decreto nº 3.724/01. Os julgadores de primeiro grau analisaram a questão apenas sob o prisma da Portaria RFB nº 11.371, “norma sabidamente de hierarquia inferior”. Conforme visto acima, a despeito de assistir razão à contribuinte quando afirma que a Portaria não poderia extrapolar o prazo de 60 dias fixado pelo Decreto nº 70.235/72, essa situação, por si só, não implica nulidade das autuações fiscais. Dessa forma, é igualmente improcedente a terceira nulidade arguida pela contribuinte. Omissão quanto à quebra do sigilo bancário A contribuinte alega ter a DRJ se omitido quanto ao seguinte argumento inserido na impugnação: não poderia ter ocorrido a quebra do sigilo bancário envolvendo os anos de 2009 a 2010, pois o mandado de procedimento fiscal tinha por objeto apenas o período de jan/2007 e dez/2008. 7 Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Saraiva, 1993, p. 198199. 8 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2004, p. 140. 9 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2004, p. 140. Fl. 5211DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.212 15 Ao contrário do quanto afirmado pela recorrente, contudo, o Acórdão proferido pela DRJ não é omisso nesse ponto. Pelo contrário, a alegação feita pela contribuinte em sede de impugnação foi amplamente analisada pelos julgadores de primeiro grau, os quais concluíram que (...) o senhor Luis Vanderlei Adams foi pessoalmente cientificado da ampliação do período investigado pelo fisco e mais, os extratos bancários sequer foram utilizados no presente lançamento, posto que a autoridade fiscal houve por bem utilizar as informações relativas ao total de vendas efetuadas, fornecidas pela SEFAZ/RS e, os blocos apresentados pelo próprio contribuinte, os quais comprovam a receita bruta conhecida. (5.154) Está correta a afirmação feita no Acórdão recorrido, pois, conforme se verifica dos autos de infração e do Relatório Fiscal, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados conforme o regime do lucro arbitrado correspondeu às receitas da atividade rural indicadas nos ofícios enviados pela Sefaz/RS à Fiscalização e nos blocos de produtor rural apresentados durante o procedimento fiscal, senão vejamos: Assim, com base no artigo 532 do RIR/99, considerandose que a SEFAZ/RS forneceu a esta Delegacia da Receita Federal as informações relativas ao total de vendas efetuadas pelo Sr. Luis Vanderlei Adams, que foram cotejadas com os blocos apresentados pelo próprio contribuinte, a base de cálculo do lucro arbitrado será com base na receita bruta conhecida. Em virtude da obtenção das informações sobre as receitas com as vendas de produtos agrícolas, para o lançamento de ofício não foi considerada a movimentação financeira detectada nos extratos bancários. (Página 20 do Relatório Fiscal – fls. 4.596). Tendo em vista que as informações obtidas pela autoridade fiscal junto às instituições financeiras não foram utilizadas para o lançamento de ofício, afasto, de plano, a alegação de nulidade dos autos de infração trazida aos autos pela contribuinte. Ainda assim, e apenas para fins de registro, destaco que o meu entendimento de que, quando a quebra do sigilo bancário ocorre com base em determinação judicial, não se aplicam as regras contidas no Decreto nº 3.724/01 (que, ao regulamentar o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, obriga a autoridade fiscal a indicar os dados do mandado de procedimento fiscal na Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – “RMF”) e, consequentemente, não há vinculação entre o período do MPF e o período da movimentação bancária. Ademais, se a quebra ocorreu por força de decisão judicial, não cabe a este Conselho afastar os efeitos da determinação proferida pelo Poder Judiciário. Contradição quanto à multa qualificada Por fim, a contribuinte alega existir contradição por terem os Julgadores de primeiro grau admitido a exigência da multa de ofício no patamar de 75% para os créditos tributários lançados em relação ao anocalendário de 2007 (autuações lavradas em outro Fl. 5212DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.213 16 processo administrativo) e de 150% para os débitos exigidos nestes autos, relativos aos anos de 2008 a 2010. No Relatório Fiscal, o autuante consignou o seguinte: Será lançada multa de ofício qualificada (150%) sobre a diferença entre as receitas declaradas nas declarações de pessoa física apresentadas pelo contribuinte e as receitas efetivamente obtidas conforme as informações prestadas pela Sefaz/RS, que representam as vendas registradas nos blocos de produtor rural, conforme as tabelas abaixo, enquanto que sobre as demais receitas será exigida a multa de ofício de 75%. A qualificação da multa justificase pela inequívoca prática de atos comerciais com a finalidade de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica da empresa estabelecida para comercializar produtos agrícolas e realizar atividades típicas de cerealista, impedindo, consequentemente, o conhecimento da condição de contribuinte dessa empresa, suscetível de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente, nos termos do artigo 71 da Lei 4.502/64. Além disso, foram omitidas informações sobre o total de receitas com a atividade rural, conforme detectado pela comparação entre as receitas atividade rural declaradas como pessoa física, e o total de receitas da atividade rural informada pela SEFAZ/RS, cuja prática amoldase, em tese, à infração prevista no artigo 1º da Lei 8.137/90. (fls. 4.598) A leitura do excerto acima indica que a autoridade fiscal exigiu (i) multa de 75% sobre as receitas declaradas e submetidas à tributação pela pessoa física (quando, na verdade, foram auferidas pela pessoa jurídica) e (ii) multa de 150% sobre as receitas omitidas, isto é, que sequer foram declaradas pela pessoa física. Não é possível verificar se e por qual motivo, em relação ao anocalendário de 2007, a autoridade fiscal exigiu apenas a multa de 75%, pois a contribuinte não acostou cópia das respectivas autuações fiscais à sua manifestação e, de acordo com as informações disponíveis no Comprot e no sítio do CARF, a lavratura ocorreu no processo nº 11070.722415/201272, cujo recurso voluntário, pendente de julgamento, foi distribuído para a relatoria do Conselheiro Arthur José André Neto, da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, em 09/04/2014 (mesma data em que os presentes autos foram distribuídos para minha relatoria). Seja como for, entendo que o simples fato de ter sido exigida multa de ofício no patamar de 75% naqueles autos não implica redução da penalidade aplicada no presente processo administrativo. Fl. 5213DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.214 17 Sendo assim, passo a analisar se merece ser reduzida a multa de ofício qualificada exigida nestes autos sobre as receitas omitidas, isto é, informadas pela Sefaz/RS à autoridade fiscal, mas que não foram declaradas e tributadas por Luis Adams. Nos termos do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96, para a aplicação da penalidade qualificada, a fiscalização deverá constatar que o contribuinte realizou ao menos uma das condutas tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que tratam, respectivamente, sobre a prática de sonegação, fraude e conluio. Destaco que a prática de sonegação, fraude ou conluio exige a prova de ação ou omissão dolosa praticada pelo contribuinte. Ou seja, deve ser comprovada a prática de um ato doloso do contribuinte que possa configurar um desses crimes contra a ordem tributária. Compartilho do entendimento manifestado em voto relatado pelo eminente Conselheiro Marcos Takata, desta Turma, no acórdão nº 110300.538, de 04/10/2011, de que os tipos previstos nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei nº 4.502/64 exigem dolo específico: As infrações pressupostas nos arts. 71 a 73, da Lei 4.502/64 constituem elemento normativo do tipo da multa qualificada do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96. E as referidas infrações reclamam o concurso de dolo. O elemento subjetivo também integra o tipo da multa qualificada administrativa. Já tive oportunidade de dizer, em inúmeras ocasiões que, para mim, o elemento subjetivo do tipo exigido é o dolo específico, e não o dolo genérico, muito menos o dolo eventual. Quer dizer, o tipo da multa qualificada em comentário reclama a vontade da conduta descrita e a finalidade do resultado condenado (que é o concurso do dolo específico). Nessa esteira, este Conselho tem entendimento consolidado no sentido de que a multa qualificada apenas pode ser aplicada quando a autoridade fiscal comprova a prática de ato doloso que configure sonegação, fraude ou conluio, razão pela qual foi editada a Súmula nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já afirmou reiteradas vezes que “O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização” (Acórdão nº 920201.983 – 2ª Turma, Sessão de 16/02/2012). Importante registrar que, até a edição da Lei nº 11.488/2007, havia previsão expressa do requisito de “evidente intuito de fraude” na redação do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, termo excluído por aquela lei. O entendimento doutrinário – ao qual me filio – é de que a retirada da expressão “evidente intuito de fraude” do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 não alterou a disciplina Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.215 18 geral deste dispositivo, uma vez que a constatação do dolo sempre foi o requisito principal para a aplicação da multa qualificada. É nesse sentido a doutrina de Paulo Coviello Filho: Importante destacar, ainda, que tanto a doutrina quanto a jurisprudência, na vigência da antiga redação dos art. 44, II, da Lei n. 9.430, sempre deram muita importância para a expressão evidente intuito de fraude. O evidente intuito de fraude seria, então, requisito imprescindível para a qualificação da multa de ofício. Apesar dos diversos pronunciamentos doutrinários e jurisprudenciais sobre a necessidade de apresentação desse requisito, não nos parece que a sua retirada da lei tenha mudado a disciplina geral desse dispositivo. Isso porque, conforme supraexposto, o dolo sempre foi o principal aspecto para autorizar a aplicação da multa de ofício na modalidade qualificada. (A multa qualificada na Jurisprudência Administrativa. Análise Crítica das Recentes Decisões do CARF. In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 218, São Paulo, Nov. 2013, p. 130141) No caso sob julgamento, restou demonstrado que, ao longo de três anos, receitas sabidamente auferidas pela pessoa jurídica foram indevidamente declaradas e incluídas apenas na base de cálculo do IRPF pelo seu sócio Luis Adams. Corrobora essa conclusão o fato, consignado no Relatório Fiscal (fls. 4.593), de a pessoa física ter efetuado a retenção do Funrural quando adquiria grãos de terceiros, pois a responsabilidade pelo recolhimento desse tributo é atribuída pela Lei nº 8.212/91 apenas às pessoas jurídicas adquirentes de produtos rurais: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.216 19 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; Não há dúvidas, portanto, de que a contribuinte sabia que as receitas em questão eram de sua titularidade, mas, para evitar o recolhimento do IRPJ e da CSLL, decidiu submeter tais valores à tributação na pessoa física do seu sócio. Ademais, foram utilizados artifícios visando a ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos pela pessoa jurídica (IRPJ e CSLL), a saber: (i) Ao longo de três anos a pessoa jurídica apresentou declarações informando sua inatividade, mas, na realidade, estava desenvolvendo atividades de compra e venda de produtos rurais (o que foi constatado, especialmente, mediante diligência realizada pela autoridade fiscal ao seu estabelecimento – fls. 658669); (ii) As receitas decorrentes de atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica, conforme visto acima, foram reiteradamente movimentadas em contas bancárias mantidas por Luis Adams e declaradas (em parte, conforme se verá a seguir) apenas pela pessoa física; e (iii) Foram omitidas, nas declarações da pessoa física de Luis Adams, receitas da atividade rural em valor considerável (total de R$11.636.930,94) em três anos consecutivos (2008 a 2010), conforme as planilhas constantes das páginas 22 a 23 do Relatório Fiscal (fls. 4.5984.599), resumidas a seguir: Receitas informadas pela Sefaz/RS Receitas declaradas por Luis Adams Receitas omitidas Jan/08 R$ 436.559,66 R$ 153.783,00 R$ 282.776,66 Fev/08 R$ 630.176,78 R$ 190.592,00 R$ 439.584,78 Mar/08 R$ 184.178,81 R$ 144.027,00 R$ 40.151,81 Abr/08 R$ 528.515,64 R$ 764.236,00 R$ 0,00 Mai/08 R$ 1.352.565,44 R$ 629.559,00 R$ 723.006,44 Jun/08 R$ 794.698,63 R$ 364.984,00 R$ 429.714,63 Jul/08 R$ 246.202,81 R$ 212.898,00 R$ 33.304,81 Ago/08 R$ 19.492,31 R$ 10.081,00 R$ 9.411,31 Set/08 R$ 69.664,88 R$ 32.315,00 R$ 37.349,88 Out/08 R$ 236.759,48 R$ 161.350,00 R$ 75.409,48 Nov/08 R$ 143.705,40 R$ 69.783,00 R$ 73.922,40 Dez/08 R$ 93.957,57 R$ 3.615,00 R$ 90.342,57 TOTAL 2008 R$ 4.736.477,41 R$ 2.737.223,00 R$ 2.234.974,77 Jan/09 R$ 502.118,19 R$ 312.267,43 R$ 189.850,76 Fev/09 R$ 413.954,43 R$ 205.164,92 R$ 208.789,51 Mar/09 R$ 764.165,20 R$ 130.290,96 R$ 633.874,24 Fl. 5216DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.217 20 Abr/09 R$ 1.274.510,82 R$ 641.910,64 R$ 632.600,18 Mai/09 R$ 3.866.950,40 R$ 600.529,53 R$ 3.266.420,87 Jun/09 R$ 857.166,61 R$ 374.313,12 R$ 482.853,49 Jul/09 R$ 143.573,68 R$ 81.133,71 R$ 62.439,97 Ago/09 R$ 6.600,00 R$ 6.600,00 R$ 0,00 Set/09 R$ 33.553,60 R$ 43.763,37 R$ 0,00 Out/09 R$ 30.325,07 R$ 92.462,95 R$ 0,00 Nov/09 R$ 282.737,36 R$ 197.137,35 R$ 85.600,01 Dez/09 R$ 1.000.343,00 R$ 175.694,63 R$ 824.648,37 TOTAL 2009 R$ 9.175.998,36 R$ 2.861.268,61 R$ 6.387.077,40 Jan/10 R$ 214.438,00 R$ 10.995,32 R$ 203.442,68 Fev/10 R$ 550.943,71 R$ 78.260,76 R$ 472.682,95 Mar/10 R$ 444.385,38 R$ 91.774,15 R$ 352.611,23 Abr/10 R$ 1.547.714,62 R$ 307.780,42 R$ 1.239.934,20 Mai/10 R$ 1.325.740,37 R$ 941.895,25 R$ 383.845,12 Jun/10 R$ 188.037,38 R$ 279.162,39 R$ 0,00 Jul/10 R$ 563.101,10 R$ 267.079,36 R$ 296.021,74 Ago/10 R$ 550.120,59 R$ 531.057,25 R$ 19.063,34 Set/10 R$ 6.920,70 R$ 6.768,45 R$ 152,25 Out/10 R$ 104.599,41 R$ 211.741,27 R$ 0,00 Nov/10 R$ 130.623,27 R$ 83.498,01 R$ 47.125,26 Dez/10 R$ 7.304,16 R$ 207.304,16 R$ 0,00 TOTAL 2010 R$ 5.633.928,69 R$ 3.017.316,79 R$ 3.014.878,77 Omissão total R$ 11.636.930,94 Diante dos fatos acima sintetizados, concluo pela existência de dolo específico da contribuinte tendente a ocultar a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL, configurando prática reiterada (nos anoscalendário de 2008 a 2010) de sonegação: Lei nº 4.502/64 Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Sendo assim, voto pela manutenção da multa de ofício qualificada. Fl. 5217DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.218 21 Conclusão Pelas razões acima expostas, recebo a petição de fls. 51675171 como recurso voluntário, mas lhe nego provimento. É o meu voto. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator Designado. Não obstante a detalhada análise meritória realizada pelo I. Cons. Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que tão bem expôs o caso ao colegiado, entendo que o recurso voluntário não pode ser conhecido em razão de ter sido interposto tardiamente. Inicialmente, com a devida vênia, não há como escapar da conclusão de que a petição de fls.5.167/5.171 tratase de “Embargos de Declaração”, interpostos em face do Acórdão nº 0643.477, proferido pela Segunda Turma da DRJ – Curitiba (PR) (fls.5.128/5.161), de sorte que não pode ser recebida como recurso voluntário. Tal constatação decorre não apenas da denominação conferida pelo sujeito passivo logo no início daquela petição, mas da fundamentação regimental ali exposta, tomada de empréstimo do Regimento Interno do CARF, que prevê o cabimento de embargos de declaração contra decisões proferidas por seus colegiados. Senão, vejamos: Regimento Interno do CARF (Anexo II) “Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; ..... Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. §1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: ..... II pelo contribuinte, responsável ou preposto.” Mas não é só isso. Fl. 5218DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.219 22 Materialmente, a peça processual produzida pelo contribuinte revela nítida feição de embargos de declaração, vez que as razões recursais eleitas foram exatamente as típicas dos aclaratórios, quais sejam, supostas contradições e omissões do acórdão a quo. Logo, considerando a inexistência de previsão, no processo administrativo tributário federal, de cabimento de embargos de declaração contra decisões de primeira instância, agiu bem a Presidência da Segunda Turma da DRJ – Curitiba (PR) ao não conhecê los nos seguintes termos (fls.5.175/5.178): “Concluindo, é de se ressaltar que não há previsão de embargos de declaração no rito processual estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, bem como na Lei nº 9.784, de 1999 e, muito menos no Regimento Interno da Receita Federal, com relação a Acórdão proferido por DRJ e, ademais, a autoridade fiscal não está obrigada a se pronunciar expressamente sobre todas as argumentações constantes do processo, senão aquelas necessárias à solução legal aplicável ao caso concreto. Desta forma, inexiste espaço para que a autoridade administrativa conheça do recurso de fls. 5.1675.171, apresentado pelo interessado em 17/09/2013.” É importante esclarecer que na hipótese de haver omissão, contradição, obscuridade ou mesmo dúvida em decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, tais vícios devem ser levados ao conhecimento da segunda instância em sede de recurso voluntário, de forma que não há qualquer prejuízo ao exercício do direito constitucional à ampla defesa. Essa é uma particularidade do processo administrativo tributário federal que vai ao encontro da desejada razoável duração do processo, estampada, desde a Emenda Constitucional nº 45, de 30/12/04, no art.5º, LXXVIII, da CF/88: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.”. No caso concreto, o contribuinte também interpôs o recurso voluntário de fls.5.181/5.195. Tendo sido cientificado do acórdão de primeira instância em 12/9/13, conforme Aviso de Recebimento (fl.5.164), e inexistindo previsão de suspensão ou interrupção do prazo recursal em virtude, por exemplo, do indevido manejo de embargos de declaração, que, como visto, sequer tinha previsão legal, concluise que a protocolização do recurso voluntário em 21/10/13, ou seja, após trinta dias, foi intempestiva, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6/3/72, que regula o processo administrativo tributário federal: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ..... Art. 23. Farseá a intimação: ..... Fl. 5219DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11070.720312/201359 Acórdão n.º 1103001.204 S1C1T3 Fl. 5.220 23 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ..... § 2° Considerase feita a intimação: ..... II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ..... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. ..... Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” (destaquei) Nos mesmos moldes, dispõe o Decreto nº 7.574, de 29/9/11: “Art.73.O recurso voluntário total ou parcial, que tem efeito suspensivo, poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, art. 33). Art.74.O recurso voluntário total ou parcial, mesmo perempto, deverá ser encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção (Decreto no 70.235, de 1972, art. 35).” (destaquei) Pelo exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 5220DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.000213/2003-03
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 52.658.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10935.000213/2003-03
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450439
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-000.934
nome_arquivo_s : Decisao_10935000213200303.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10935000213200303_5450439.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 52.658. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
id : 5886548
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706567442432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.000213/200303 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.934 – 1ª Turma Especial Data 19 de março de 2015 Assunto Solicitação de diligência Recorrente SPERAFICO AGROINDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 52.658. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 00 21 3/ 20 03 -0 3 Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3801000.934 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Tratase de pedido de ressarcimento (fl. 04) de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, formalizado em 30/12/2002 e no montante de R$ 354.071,08, respeitante ao 1º trimestrecalendário de 1998, cumulado com as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 1397/1398, com débitos no total de R$ 131.805,15. Pelo Despacho Decisório nº 022/2007 (fls. 1420/1427), a DRFB em Cascavel/PR deferiu parcialmente o pleito, tendo sido glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, às exportações de soja após limpeza e secagem e à atualização monetária pela SELIC do total requerido. O reconhecimento parcial do pedido de ressarcimento foi de R$ 31.131,25. Na manifestação de inconformidade (fls. 1437/1469), apresentada em 07/08/2007, foram alegadas ilegalidade e inconstitucionalidade de atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação comporiam a base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais mencionados. Neste ínterim, a interessada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0037088 pleiteando a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do benefício, sendo que, antes que esta instância administrativa se pronunciasse, logrou obter o pedido deduzido no Agravo de Instrumento nº 2007.04.00.0321455/PR, que determinou o recálculo do crédito presumido com a inclusão das controvertidas aquisições. Assim, em 20/05/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 92/2008 (fls. 1514/1519) com o reconhecimento da parcela em questão do crédito presumido e a homologação total da Declaração de Compensação vinculada ao pedido de ressarcimento. Contudo, a requerente apresentou, em 08/07/2008, nova manifestação de inconformidade (fls. 1540/1547) com a alegação de que este processo não poderia seguir para arquivo, na medida em que não foram apreciadas no âmbito do contencioso administrativo de primeira instância as alegações relativas à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das exportações de soja após limpeza e secagem e a atualização monetária, à taxa SELIC, do total requerido. Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3801000.934 S3TE01 Fl. 12 3 Em 17/10/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 318/2008 (fl. 1576), com a homologação total das Declarações de Compensação, por força de decisão judicial nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0010727 e conforme memorando à fl. 1556. Veio então a manifestação de inconformidade de 09/06/2009 (fls. 1590/1600) em relação a diversos processos atinentes a ressarcimento, inclusive este, com o pedido para apreciação de todos os recursos voluntários interpostos, sob pena de ofensa a direito líquido e certo. O Acórdão DRJ/RPO nº 1433.649 (fls. 1613/1617) foi prolatado em 11/05/2011, com o julgamento de improcedência da manifestação de inconformidade e o nãoreconhecimento do direito creditório. Em conseqüência, foi interposto em 27/07/2011 o recurso voluntário às fls. 1624/1685). Sobreviera, antes, o Acórdão (fls. 1705/1713), de 29/06/2011 (publicação em 07/07/2011) nos autos da Apelação Cível nº 2007.70.05.0037088/PR. Em 08/04/2013, no Despacho Decisório nº 194/2013 (fls. 1720/1725) foi decidido o seguinte: “a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 022/2007, no VALOR de R$ 31.131,25 (trinta e um mil, cento e trinta e um reais e vinte e cinco centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 092/2008, no VALOR de R$ 177.900,47 (cento e setenta e sete mil, novecentos reais e quarenta e sete centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 318/2008 (fls. 1576), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o calculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 30/12/2002 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95)”. (grifos do original) Depois da ciência em 07/05/2013 (AR à fl. 1753), foi oposta a manifestação de inconformidade (fls. 1779/1789), em 06/06/2013, firmada pelo representante legal da pessoa jurídica, qualificado na cópia de alteração de contrato social (fls. 1791/1798). Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3801000.934 S3TE01 Fl. 13 4 Primeiramente, é defendida a tempestividade da manifestação de inconformidade. Em segundo lugar, sustenta que a taxa Selic deve incidir sobre todo o direito creditório requisitado, desde o início do procedimento, conforme doutrina aduzida, não somente sobre o montante de R$ 177.900,47, inicialmente indeferido por se tratar de aquisições de insumos de não contribuintes; do contrário, tratase locupletamento indevido do Fisco: decorreram dez anos do protocolo do pedido de compensação de créditos e débitos até a apreciação conclusiva pela Receita Federal, tendo sido corrigidos monetariamente somente os débitos; a atualização monetária deve incidir sobre todos créditos, inclusive os créditos homologados, e não apenas sobre os créditos não homologados no início do procedimento. Por fim, requer que seja conhecida e provida integralmente a manifestação de inconformidade e homologadas as declarações de compensação, e, especialmente, que seja determinada a correção monetária pela Selic, até a data de encerramento da análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos, do direito creditório inicialmente homologado pela autoridade fiscal, à semelhança do que foi apenas reconhecido judicialmente. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: CRÉDITOS ESCRITURAIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto, passíveis de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após relatar os fatos, no mérito sustenta que a DRJ interpretou equivocadamente o pedido da recorrente, pois entendeu que a pretensão se resumia, pura e simplesmente, em atualizar os créditos presumidos de IPI incontroversos. Pontua que o erro fundamental da DRJ é ignorar o efeito da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n. 2007.70.05.0037088/PR. Recorda que a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança tem o condão de anular o ato administrativo impugnado e tem efeito “mandamental.” Insiste que a ordem do Juiz foi no sentido de que o AFRFB deixasse de reconhecer apenas o valor de R$ 31.131,25 em créditos presumidos e reconhecesse mais o valor de R$ 177.900,47. Ou seja, que ressarcisse R$ 209.031,72. Argumenta que a autoridade fiscal deveria ter ignorado ignorasse toda e qualquer análise até então feita, como se nunca tivesse tido contato com o pedido de ressarcimento da recorrente. A partir de então, apreciando os elementos constantes nos autos, reconhecesse que a recorrente tem direito a R$ 209.031,72. Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3801000.934 S3TE01 Fl. 14 5 Assim, consoante determina o Mandado de Segurança, deveria a autoridade administrativa fazer incidir a SELIC desde a data do pedido de ressarcimento até o momento em que a recorrente utiliza o crédito ou lhe dê outra destinação. Apresenta quadro do impacto financeiro que referida medida produz no crédito presumido da recorrente. Quanto à matéria atualização pela Selic sobre créditos, apresenta em síntese as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o STJ enfrentou o tema pelo rito dos recursos repetitivos, quando firmou peremptoriamente que a oposição do Fisco faz surgir o direito do contribuinte de ter seus créditos atualizados pela SELIC; é incontroverso no presente feito que houve a oposição do Fisco ao aproveitamento integral do crédito presumido; o ressarcimento foi negado pela Receita Federal do Brasil, o que impossibilitou a recorrente de aproveitar seus créditos devidos por mais de 10 (dez) anos; este Conselho Administrativo possui idêntico entendimento ao que se disse acima; Por fim requer que seja conhecido o recurso voluntário e provido integralmente seus pedidos, especialmente para determinar que incida a correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente (R$ 209.031,72), uma vez que é inequívoca a existência de injusta oposição estatal ao direito líquido e certo da recorrente. É o relatório. Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3801000.934 S3TE01 Fl. 15 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início constatase que não é possível delimitar o litígio. Como relatado, este processo tem uma situação atípica. A tramitação processual foi conturbada em face dos três despachos decisórios, respectivas manifestações de inconformidade, duas decisões da DRJ e dois recursos voluntários. Reconhecese que os despachos decisórios foram complementares, todavia o litígio não ficou demarcado a partir da última decisão da DRJ. Entendese, a princípio, que a recorrente deveria em seu último recurso voluntário reafirmar as teses de seu primeiro recurso o. A simples menção a sua interposição não é suficiente para a apreciação de todas as alegações porque algumas perderam o seu objeto. De sorte que no primeiro recurso a recorrente questiona diversas matérias, enquanto no segundo recurso voluntário, a recorrente simplesmente reiterou de forma genérica as alegações do primeiro recurso e se insurgiu especificamente em relação à incidência da correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente. Ocorre, todavia, que diversas matérias foram objeto de provimento pela primeira decisão a quo. Assim sendo, a reiteração genérica no segundo recurso voluntário inviabiliza a delimitação precisa das matérias ainda em litígio. Por outro lado, o não conhecimento do primeiro recurso voluntário implicaria em ofensa ao amplo direito de defesa. No caso vertente, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa e a fim de se evitar a caracterização da preterição do direito de defesa da interessada, a medida que se impõe é a intimação da recorrente para que consolide em uma única peça recursal devidamente fundamentada as matérias que ainda tem interesse em recorrer. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime a interessada para que consolide em uma única peça recursal as matérias que ainda tem interesse em agir no prazo de 30 (trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
