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Numero do processo: 10880.903982/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 2201-004.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 39 82 /2 00 9- 25 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.903982/200925 Acórdão n.º 2201004.966 S2C2T1 Fl. 3 2 "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista o preenchimento indevido da DCTF. Diante do equívoco a Recorrente efetuou a retificação da DCTF, informando os valores corretos e a existência do crédito tributário a que teria direito. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que a Recorrente deveria ter apresentado cálculos a fim de demonstrar a composição do erro com as respectivas explicações, se o valor errado foi descontado na folha de salários e constou no Informe de Rendimentos. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.962 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.903982/200925 Acórdão n.º 2201004.966 S2C2T1 Fl. 4 3 contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°). Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201 004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.903982/200925 Acórdão n.º 2201004.966 S2C2T1 Fl. 5 4 A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portanto, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prová lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Sendo assim, ante a falta de comprovação dos créditos a que alega ter direito, não há como concluir pela legitimidade do crédito. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento." Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.903982/200925 Acórdão n.º 2201004.966 S2C2T1 Fl. 6 5 Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.723661/2017-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/11/2015
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% - prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8212/91 - quando a autoridade fiscal não demonstra a conduta dolosa do sujeito passivo necessária para caracterizar a falsidade da declaração em GFIP.
Numero da decisão: 2402-007.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2012 a 30/11/2015 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% - prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8212/91 - quando a autoridade fiscal não demonstra a conduta dolosa do sujeito passivo necessária para caracterizar a falsidade da declaração em GFIP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA Recorrente USINA CANSANÇÃO DE SINIMBU S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2012 a 30/11/2015 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8212/91 quando a autoridade fiscal não demonstra a conduta dolosa do sujeito passivo necessária para caracterizar a falsidade da declaração em GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 36 61 /2 01 7- 95 Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10410.723661/201795 Acórdão n.º 2402007.210 S2C4T2 Fl. 1.194 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 238 interposto em face do Acórdão da DRJ nº 03079.796 (fls. 437) que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Nos termos do relatório da recorrida decisão, temse que: Tratase de lançamento fiscal concernente à imposição de multa isolada de 150% pela realização de compensação em GFIP com falsidade, a teor do § 10 do artigo 89 da Lei 8.212/1991, decorrente da glosa de valores lançados em GFIP’s a título de compensação que foi apurada nos processos administrativos 10410.721654/201678 e 10410.720800/201729. Os valores apurados de multa isolada referemse às competências 12/2012, 07/2013, 01/2014, 12/2014, 12/2015, 01/2016, 12/2016 e 01/2017, no valor de R$ 18.155.384,40, consolidado em 07/08/2017. I DO RELATÓRIO FISCAL O Relatório Fiscal (fls. 146/156) informa que, nos autos dos processos n°s 10410.721654/201678 e 10410.720800/201729, o contribuinte foi instado a justificar as compensações de contribuições previdenciárias das competências 04/2012 a 04/2016. Após a análise da informação do contribuinte, tais compensações em GFIP foram consideradas indevidas, e os valores foram glosados nos seguintes montantes originários: R$ 9.811.867,68 (processo 10410.721654/201678) e R$ 3.867.122,25 (processo 10410.720800/201729). Registra também que a aplicação da multa isolada (falsidade da declaração) decorre dessas compensações alusivas aos processos n°s 10410.721654/201678 e 10410.720800/201729, pois não tiveram lastro e foram glosadas pelo motivo de a ação judicial apontada como supedâneo para os créditos ainda não haver transitado em julgado (ação judicial n° 0003411 78.1993.4.05.8000), de acordo com a informações da PFN acostadas em ambos processos e também nos autos deste Auto de Infração (fls. 03/36). Nesse passo, o Relatório Fiscal registra a conduta do contribuinte se enquadra na capitulação prevista pelo § 10 do art. 89 da Lei 8.212/91 na medida em que houve falsidade na declaração prestada, uma vez que, ao arrepio da lei, o contribuinte pretendeu compensar débitos previdenciários com Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10410.723661/201795 Acórdão n.º 2402007.210 S2C4T2 Fl. 1.195 3 créditos pretensamente oriundos de ação judicial não transitada em julgado. Afirma que as compensações tiveram como justificativa valores que o contribuinte buscou repetição de indébito na justiça, e procedeu, antes do tramite em julgado, a declaração de compensação de valores de contribuição ao FINSOCIAL pagos indevidamente (objeto da ação) com contribuições previdenciárias devidas. Entretanto, a manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional no bojo dos mencionados processos (Ofício n° 1467/2016 e Ofício n° 3628/2016) foi no sentido de que foram interpostos embargos à execução pela PFN, estando o processo na pendência de julgamento, carecendo, pois, de trânsito em julgado. Isso demonstraria que a ação judicial apontada pelo contribuinte não poderia ser utilizada para proceder as compensações, tendo em vista que ainda não existe decisão final sobre as questões levadas para a justiça decidir. Ao informar, nesses moldes, as compensações de contribuições previdenciárias nas GFIP’s, o contribuinte evitou que os sistemas da Receita Federal do Brasil reconhecessem o seu débito, uma vez que é principalmente por meio da GFIP que a Administração Tributária se instrumentaliza a fim de cobrar coercitivamente os tributos sujeitos a lançamento por homologação que lhe são devidos. Logo, com declarações falsas o contribuinte passou para o Fisco a falsa ideia de que estava adimplente com suas obrigações previdenciárias, as quais teriam sido satisfeitas mediante a compensação destas contribuições com créditos inexistentes. Os valores indevidamente compensados são demonstrados, por competência, na Planilha I Demonstrativo dos Valores Indevidamente Compensados (fls. 152/153). O cálculo da multa isolada foi demonstrado na Planilha II Demonstrativo do Cálculo da Multa Isolada Compensados (fls. 154/156). Houve a elaboração de Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP), pela ocorrência, em tese, do crime contra a ordem tributária, capitulado no art. 1° da Lei 8.137/1990. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo autuado deuse em 14/08/2017 (fls. 02 e 157/158), por meio de carta registrada com aviso de recebimento. II DA IMPUGNAÇÃO Em 13/09/2017 (fl. 194), o contribuinte apresentou sua peça de Impugnação de fls. 160/167. Essa Impugnação deduz as questões fáticas e jurídicas a seguir sintetizadas PRELIMINARMENTE: Da Necessidade de Suspensão da Exigibilidade da Multa Isolada. A Impugnante alega suspensão do presente processo em que se apura a multa isolada, já que ainda não houve apreciação Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10410.723661/201795 Acórdão n.º 2402007.210 S2C4T2 Fl. 1.196 4 administrativa definitiva acerca das manifestações de inconformidade e recursos administrativos da empresa nos processos de crédito nos 10410.721.654/201678 e 10410 720800/201729, que determinaram a pretendida glosa das compensações de que serviu como base para aplicação da multa no presente auto de infração. Afirma que é cristalino e extremamente didático ao asseverar que, nos casos em que é apresentada manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, a multa de ofício prevista no § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 fica devidamente suspensa, ainda que não haja impugnação específica contra a citada penalidade. Assim, por igual motivo, devem ser suspensas todas as penalidades decorrentes da glosa de compensações, inclusive, no caso dos presentes autos, a multa de que trata o art. 44, I, da mesma Lei 9.430/1996, quando ainda estiver em discussão, no âmbito administrativo, a validade mesma dessas compensações, posto que não é possível afirmar, definitivamente, a falsidade de declaração do contribuinte, quando a própria validade das compensações é ainda discutida. DO DIREITO. Das Compensações Realizadas com Créditos Decorrentes de Ação Judicial Transitada em Julgado. Sustenta que já obteve decisão judicial que lhe reconheceu créditos decorrentes de pagamentos indevidos à Previdência Social, objeto da ação ordinária 000341178.1993.4.05.8000 (93.00034111). Aduz que o trânsito em julgado da citada decisão ocorreu em 12 de agosto de 2005, e foi proposta execução fundada em sentença, cujo pedido original deu ao crédito o valor de R$ 8.967.743,17 (oito milhões, novecentos e sessenta e sete mil, setecentos e quarenta e três reais e dezessete centavos), atualizado até 31 de março de 2006. Nesse contexto, informa que a Fazenda Nacional opôs embargos à execução, autuados sob o no 000289686.2006.4.05.8000, alegando, em suma, que a sentença executada seria ilíquida, porque teria ocorrido a utilização de índices inadequados no cálculo do montante a ser compensado e a aplicação de juros de mora a partir dos pagamentos indevidos, e não a partir do trânsito em julgado da decisão. Afirma que, prosseguindo o processo de execução, deuse a elaboração de laudo pericial, realizado de acordo com os critérios elaborados pelo Juízo de execução, que apontou o montante de R$ 9.415.525,74 (nove milhões, quatrocentos e quinze mil, quinhentos e vinte e cinto reais e setenta e quatro centavos) para o quantum debeatur, em valores atualizados até o mês de junho de 2007. E, ao se manifestar quanto às conclusões do laudo pericial, a PGFN apresentou nos autos uma série de Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10410.723661/201795 Acórdão n.º 2402007.210 S2C4T2 Fl. 1.197 5 planilhas, com vários cenários que entendia possíveis para a atualização dos créditos da empresa, sendo que, dentre essas planilhas de cálculos, a PGFN declarou nos autos que o montante correto para a execução deveria ser a de menor valor, totalizando R$ 4.116.375,68 (quatro milhões, cento e dezesseis mil, trezentos e setenta e cinco reais e sessenta e oito centavos), em valores atualizados até junho de 2007. Diz que em 2007, após a propositura da execução, a Fazenda Nacional também ingressou com Ação Rescisória no 0057405 71.2007.4.05.8000 no TRF5a Região, com os mesmos fundamentos apresentados nos embargos à execução, buscando desconstituir o título judicial transitado em julgado que deu origem aos créditos da Impugnante. Informa que, ao apreciar esta ação rescisória, o Tribunal Regional Federal da 5a Região (Recife) concedeu liminar absolutamente atípica, para suspender a execução do julgado, situação que perdurou até a análise do mérito, em 2010, quando o órgão colegiado julgou improcedente a pretensão da Fazenda Nacional. Aduz que, com a decisão do TRF5, a Impugnante retomou o processo de execução, a despeito de a Fazenda Nacional ter interposto Recurso Especial e Recurso Extraordinário, que não têm o condão de suspender o cumprimento da decisão transitada em julgado, sobretudo em sede de ação rescisória, a teor do art. 489 do Código de Processo Civil de 1973 (então em vigor), cuja disciplina foi reproduzida no art. 969 da Lei 13.105, de 16 de março de 2015, que instituiu o Novo CPC. Do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu os créditos compensados. Argumenta que, em momento algum a empresa, ora Impugnante, violou a norma do art. 170A, do Código Tributário Nacional, já que a decisão judicial que reconheceu os créditos tributários da empresa, proferida nos autos da ação ordinária 0003411 78.1993.4.05.8000 (93.00034111), transitou em julgado em agosto de 2005. Afirma que a origem dos créditos utilizados para realizar as compensações ora glosadas decorre de decisão de mérito proferida nos autos da ação ordinária 0003411 78.1993.4.05.8000, e esta transitou em julgado, de forma que as compensações realizadas com tais créditos atendem aos requisitos do aludido art. 170A do CTN. Com isso, entende que se afigura completamente descabida a interpretação dada aos fatos pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil, pois não há como se cogitar a “falsidade de declaração”, fundamento para a aplicação da multa, ora impugnada, quando as compensações foram realizadas mediante expressa autorização judicial. Dos Pedidos. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10410.723661/201795 Acórdão n.º 2402007.210 S2C4T2 Fl. 1.198 6 Requer que seja reconhecida a manifesta ausência de “falsidade de declaração” nas compensações realizadas com a utilização dos créditos decorrentes da ação judicial no 0003411 78.1993.4.05.8000, cuja decisão definitiva transitou em julgado em 12 de agosto de 2005, dandose provimento à impugnação, para declarar a improcedência do auto de infração no 10410 723.661/201795. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/12/2012 a 31/01/2017 MULTA ISOLADA DE 150%. CRÉDITO UTILIZADO INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. É justificável a exigência da multa isolada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, minuciosamente justificado e comprovado nos autos. A multa isolada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de compensação oriunda da utilização de créditos inexistentes e com o objetivo de reduzir o montante das contribuições devidas. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS DE PROCESSOS JUDICIAIS NÃO TRANSITADOS EM JULGADO. CONTROVÉRSIA NO CÁLCULO DO MONTANTE A SER COMPENSADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições previdenciárias, como é o caso dos valores decorrentes de decisões judiciais não transitadas em julgado em que a questão controvertida se refere ao cálculo do montante a ser compensado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O sujeito passivo foi intimado da decisão da DRJ em 06/06/2018, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos (fls. 222) e interpôs recurso voluntário em 05/07/2018 (fls. 224 e seguintes), por meio do qual, basicamente, reiterou os termos de sua impugnação. É o relatório. Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10410.723661/201795 Acórdão n.º 2402007.210 S2C4T2 Fl. 1.199 7 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Do Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Da multa aplicada com base na falsidade da declaração Sobre o tema objeto de análise, este Relator acompanhou o voto do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, consubstanciado no Acórdão 2402006.704, referente ao julgamento do PAF 10073.721893/201515 na sessão de 05/10/2018, in verbis: A fiscalização entendeu que a contribuinte teria prestado declaração falsa e que portanto seria aplicável o disposto no § 10 do art. 89 da Lei 8212/91 (transcrição abaixo). A declaração falsa teria sido prestada em GFIP, documento no qual a compensação deveria ser informada, de conformidade com o § 7º do art. 56 da IN RFB 1300/12 (transcrição abaixo): Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). ................................................................................................... ...... Art. 56. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas “a” a “d” do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, inclusive o crédito relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. [...] Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10410.723661/201795 Acórdão n.º 2402007.210 S2C4T2 Fl. 1.200 8 § 7º A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação, observado o disposto no § 8º. A interpretação literal dos dispositivos retro mencionados realmente parece chancelar a conclusão da autoridade fiscal. Todavia, não pode passar despercebido que a conduta da contribuinte estava pautada, na sua interpretação, de que parte considerável da doutrina entendia e ainda entende ser desnecessária a existência prévia de definição administrativa ou judicial sobre a certeza e liquidez do crédito e do débito1, e que o art. 170A somente se aplicaria à hipótese em que o contribuinte decide ajuizar ação judicial, mas não à hipótese em que ele, por sua conta e risco, faria valer um alegado direito subjetivo à autocompensação. Vejase a interpretação de Angelina Mariz de Oliveira: Logo, no presente cenário jurídico nacional, a compensação do indébito tributário passa a conviver simultaneamente com duas sistemáticas autônomas e inconfundíveis, cujo disparo deflagrador de uma ou outra regra ficará jungido à deliberada opção do sujeito passivo que: a) por sua conta e risco, independentemente de qualquer ação judicial, faz valer o seu direito subjetivo à autocompensação, nos moldes da Lei nº 8.383/91, sujeito à ulterior verificação do Fisco sobre a regularidade do procedimento compensatório efetuado (regularidades de valores, etc), ou; b) renuncia a sua facultas agendi e, por conseguinte, ingressa com a competente ação judicial, visando obter a certeza acerca da inexistência da relação jurídica obrigacional, de modo que tãosomente após o seu trânsito em julgado é que estará habilitado a efetuar a compensação, conforme reza o novo art. 170A do CTN. 2 Como exposto no tópico anterior, esta relatoria não concorda com essa interpretação. O art. 170A do CTN preleciona que é necessária a existência prévia de ação judicial e o trânsito em julgado da decisão. Ademais, a intelecção exposta no excerto acima é a menos razoável, pois não se poderia admitir que o legislador tivesse a intenção de exigir um procedimento mais moroso e gravoso em desfavor do contribuinte que tivesse optado por discutir a existência do seu crédito em juízo, ao passo que aquele outro poderia fazer a compensação sem qualquer ação e sem trânsito em julgado. De toda forma, o que se demonstra é que há esse entendimento por parte de alguns doutrinadores e que a contribuinte estava alinhada com essa interpretação. Nesse contexto, a fiscalização não demonstrou que a contribuinte tenha, dolosamente, prestado declaração falsa em 1 HORVATH, Estevão, compensação e autolançamento, em RDT 67, Ed. Malheiros, p. 344/345. 2 MARIZ DE OLIVEIRA, Angelina. A superveniência do novo art. 170A do CTN e a duvidosa questão acerca da revogabilidade do direito subjetivo à autocompensação do indébito tributário, Ed. RDDT 68, maio/01, p. 07/14. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10410.723661/201795 Acórdão n.º 2402007.210 S2C4T2 Fl. 1.201 9 GFIP. A contrario sensu, o sujeito passivo entendeu ter exercido um direito que lhe seria assegurado pela legislação. Expressandose de outra forma, a divergência de entendimento a respeito da aplicação da legislação tributária afasta a exigibilidade da multa lançada com base na falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo, devendo ser cancelada a exigência da multa isolada, de forma a subsistir apenas o Auto de Infração decorrente da glosa da compensação e da constituição das contribuições indevidamente compensadas. A falsidade difere do simples erro, pois ela pressupõe a existência de máfé. E a máfé, como sabido, não se presume, vez que "inexiste no Direito qualquer princípio que erija a máfé em regra ou critério de interpretação. Pelo contrário, notadamente em matéria de penalizações, tenham o caráter que tiverem, é vedada presunção de tão desabusado teor"3. A fiscalização, portanto, tem o dever de provar a existência do elemento subjetivo dolo, mais propriamente a intenção de alterar, suprimir, esconder, ludibriar, etc. Noutro giro verbal, a autoridade administrativa deve comprovar a existência de máfé, a qual não se presume no Direito brasileiro. Este colegiado já manifestou entendimento semelhante no julgamento do PAF 10580.721524/201411, cujo voto vencedor foi de minha autoria: [...] COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. NÃO CABIMENTO. 1. A multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, é inaplicável quando a autoridade fiscal não comprova a existência de falsidade. 2. A falsidade difere do simples erro, pois ela pressupõe a existência de máfé por parte do sujeito passivo. 3. A autoridade administrativa tem o dever de comprovar a existência de máfé, a qual não se presume no Direito brasileiro. (Número do Processo 10580.721524/201411, Data da Sessão 15/06/2016, Acórdão 2402005.347) A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento tem entendimento idêntico. Vejase: [...] 3 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Procedimento Tributário. Revista de Direito Tributário. 718. RT. P. 66. Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10410.723661/201795 Acórdão n.º 2402007.210 S2C4T2 Fl. 1.202 10 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 quando a autoridade fiscal não demonstra, por meio da linguagem de provas, a conduta dolosa do sujeito passivo necessária para caracterizar a falsidade da compensação efetuada por meio da apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). (PAF 11030.721697/201267, Acórdão 2401004.741, Data da Sessão 05/04/2017, Relator CLEBERSON ALEX FRIESS) Por fim, mas não menos importante, não se deve olvidar que, conforme restou demonstrado no julgamento do PAF 10410.720800/201729, no qual se discute, justamente, se a Recorrente detinha ou não decisão judicial em seu favor transitada em julgado hábil a embasar o procedimento por si adotado, a Recorrente acreditava que estava amparada judicialmente (isto, independentemente do resultado do julgamento do PAF 10410.720800/201729), além de ter utilizado, como crédito nas compensações declaradas em GFIP, valores incontroversos, ou seja, créditos já reconhecidos pela própria Fazenda Nacional, o que só reforça o entendimento aqui defendido. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa de 150% lançada no Auto de Infração. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1202DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.009769/2008-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO.
Cabe manter a glosa do imposto compensado indevidamente na declaração de ajuste anual quando o contribuinte não comprova sua retenção por meio de documentação hábil.
MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO.
No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2001-001.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.009769/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.243 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria IRPF: COMPENSAÇÃO INDEVIDA IRRF Recorrente DIRCEU RODRIGUES GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO. Cabe manter a glosa do imposto compensado indevidamente na declaração de ajuste anual quando o contribuinte não comprova sua retenção por meio de documentação hábil. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicála, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicálas, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 97 69 /2 00 8- 16 Fl. 121DF CARF MF 2 Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005, anocalendário de 2004. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 6.034,80, conforme Dimob e omissão de rendimentos recebidos de Quality Assessoria e Cobrança S/C ltda, no valor de R$ 2.892,74, com R$ 90,19 de IRRF, e compensação indevida de IRRF no valor de R$ 2.107,18 referente à empresa Nova América Fomento Mercantil Ltda., por falta de DIRF. A contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que em relação à omissão de rendimentos da empresa Quality, quem o teria contratado para prestação de serviços de prospecção de clientes, teria sido a empresa Nova América Factoring, localizada na cidade de Campinas – SP. Aduz que solicitou à Nova América os comprovantes de rendimentos para fins de confecção de sua DIRPF, tendolhe sido fornecido os recibos de fls. 13/30. Quanto à empresa Quality alega não ter certeza se a mesma é coligada à Nova América, e como não lhe foi entregue o comprovante de rendimentos entende que não estava nem haveria como lançar, até porque presumiu que todos os rendimentos teriam sido pagos pela Nova América. Quanto ao IRRF glosado de R$ 2.107,18, sustenta que foi devidamente compensado posto que sofreu a retenção, conforme comprovantes anexos às fls. 13/30; pelo que depreende a empresa teria retido e não recolhido o imposto, o que além de sonegação teria incorrido no delito de apropriação indébita. Entende não ter cometido erros, pois, teria apresentado a sua DIRPF de forma lícita, e quem teria incorrido e de certa forma o instigado a cometêlo teria sido à empresa Nova América, ao não recolher o IRRF, a qual deve ser apenada pela infração apontada. Por fim, requer o acolhimento das suas razões e o cancelamento do débito reclamado. A DRJ Curitiba, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que : quanto à omissão de rendimentos de alugueis, no valor de R$ 6.034,80, o impugnante não se manifesta contra, motivo pelo qual se considera essa parte do lançamento como não impugnada e, portanto, não litigiosa. No que se refere à omissão de rendimentos percebidos de Quality Assessoria e Cobrança S/C ltda, no valor de R$ 2.892,74, com R$ 90,19 de IRRF, como não foram Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10980.009769/200816 Acórdão n.º 2001001.243 S2C0T1 Fl. 3 3 acostados aos autos provas inequívocas do não recebimento dos valores ou que os mesmos estariam incluídos dentre os recebidos da Nova América, é de se manter a omissão de rendimentos apurada pelo lançamento embasada em DIRF apresentada pela fonte pagadora. No que concerne à compensação indevida de IRRF, por falta de comprovação hábil, não há, pois, como restabelecer a compensação o imposto de renda retido indicado nos documentos de fls. 13, 18, 20, 22 e 24. Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte apenas sustenta que teria o direito a compensação do imposto de renda retido na fonte e que os documentos por ele apresentados evidenciam isso. Alega que a fonte pagadora não presta informações verídicas, mas fica apenas no campo das alegações, não tendo nenhuma prova consubstancial que ratifique suas afirmações. Por fim alega caráter confiscatorio da multa aplicada e pede que seja reconhecido o seu direito guerreado no Recurso Voluntário É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Compensação indevida imposto de renda retido na fonte No caso em comento argumenta de forma exaustiva o Recorrente que não pode ser penalizado por equívocos e informações inverídicas prestadas pela empresa, fonte pagadora dos seus rendimentos em análise, com relação a retenção do imposto de renda. Por fim, mais uma vez questiona a multa de 75% alegando que seria confisco A despeito das alegações efetuadas pelo Recorrente, os fatos evidenciam que não há comprovação hábil que seja capaz de restabelecer a compensação o imposto de renda retido. E, quantos as demais infrações, o Recorrente nem questiona mais em sede de Recurso Voluntário. Os fatos prevalecem sobre os argumentos. Assim deve ser no Direito, principalmente no foco da busca pela verdade material. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade Fl. 123DF CARF MF 4 e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando os argumentos claros e objetivos trazidos pela DRJ e pelo fiscal na fundamentação do presente lançamento fiscal, entendo que deve ser NEGADO provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento fiscal na sua integralidade pelos motivos exposados. Mérito SELIC Juros e multa aplicada Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.009769/200816 Acórdão n.º 2001001.243 S2C0T1 Fl. 4 5 No que se refere a aplicação da multa e Selic, vale frisar logo de início que aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa SELIC passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da Lei9.250/95. Vale dizer, para os tributos federais deve ser aplicada a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95) e não mais o regramento previsto no Código Tributário Nacional, haja vista que ele próprio abre espaço para que cada ente da federação legisle de forma distinta quanto aos seus tributos. O termo inicial da fluência tanto da correção monetária quanto dos juros de mora, nos tributos federais, após 1º de janeiro de 1996, será a data do recolhimento indevido. A Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Vejamos: Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que tange à multa, em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Apenas a título de ratificação, o STJ já se manifestou diversas vezes no sentido de que é legal o arbitramento realizado pelo Fisco, quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis a afastar a infração. A multa de oficio de 75% não se confunde com a multa de mora. Esta decorre do não pagamento no prazo do tributo. A multa de oficio é aplicada quando, em decorrência de fiscalização, é lavrado auto de infração, apurado o quantum devido e efetuado o lançamento de oficio. Inteligência do art. 44 , da Lei nº 9.430 /96. Ademais, conforme determinado no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, de 27/12/96, nos lançamentos de oficio serão aplicadas as multas de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, quando das ocorrências de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, no que tange à multa de 75%, em face do lançamento de oficio, a respectiva penalidade não pode ser reduzida nem dispensada, pois foi expressamente determinada pela legislação de regência. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário e manter a decisão a quo nos exatos termos da DRJ. CONCLUSÃO: Fl. 125DF CARF MF 6 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme acima detalhado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001958/2010-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PENSÃO JUDICIAL.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Incabível a dedução pela mãe das crianças dos valores pagos pelo pai a título de pensão aos filhos.
RENDIMENTOS AUFERIDOS. PENSÃO JUDICIAL. DEPENDENTES.
São tributáveis os valores percebidos, em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais.
Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2002-000.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que conheceu parcialmente do recurso, somente no tocante à pensão judicial. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente SANDRA LICIA LOPES DE LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 PENSÃO JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Incabível a dedução pela mãe das crianças dos valores pagos pelo pai a título de pensão aos filhos. RENDIMENTOS AUFERIDOS. PENSÃO JUDICIAL. DEPENDENTES. São tributáveis os valores percebidos, em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 19 58 /2 01 0- 96 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10805.001958/201096 Acórdão n.º 2002000.946 S2C0T2 Fl. 109 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que conheceu parcialmente do recurso, somente no tocante à pensão judicial. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 18/22), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2006. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$4.172,02 para saldo de imposto a pagar de R$1.924,09. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$23.372,57, consignando: NÃO FICOU COMPROVADO O PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA PELA DECLARANTE. A PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL FOI PAGA POR RENE SAVORDELLI EM FAVOR DE SANDRA LICIA LOPES DE LIMA, MÃE DE TABATA SAVORDELLI, RUBEM DE LIMA SAVORDELLI E RYAN SAVORDELI BENEFICIÁRIOS FINAIS DA REFERIDA PENSÃO. UMA VEZ QUE OS FILHOS FORAM RELACIONADOS COMO DEPENDENTES DA DECLARANTE OS RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL SERÃO TRIBUTADOS CONJUNTAMENTE COM OS RENDIMENTOS DA DECLARANTE. O VALOR TOTAL DA PENSÃO FOI INFORMADO NA LINHA DESTINADA A RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS TITULAR, QUANDO O CORRETO SERIA DEPENDENTES. Impugnação Cientificada à contribuinte em 13/10/2010, a NL foi objeto de impugnação, em 12/11/2010, às fls. 2/23 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10805.001958/201096 Acórdão n.º 2002000.946 S2C0T2 Fl. 110 3 a) cometeu erro no preenchimento da declaração, pois o valor não diz respeito a pensão alimentícia judicial, devendo ser considerado como dedução de outra natureza; b) o valor da pensão percebida pelos dependentes da impugnante não constitui fato gerador de incidência tributária do Imposto sobre a Renda; c) atendeu à notificação ao apresentar a documentação relativa às deduções efetuadas em sua declaração, atendendo a todas as exigências da fiscalização, o que demonstra sua boafé; d) conforme art. 8º da Lei 9.250/1995, os valores oriundos do pagamento de pensão alimentícia não integram a base de cálculo do imposto; e) a glosa foi feita contrariamente ao que dispõe a legislação de regência, eis que a impugnante apresentou a documentação que demonstra que o valor de R$ 23.372,57 não deve integrar a base de cálculo do imposto, pois se refere à pensão alimentícia percebida por seus dependentes, suportadas por seu ex companheiro, em atendimento à determinação judicial; f) os valores recebidos por seus dependentes não se amoldam ao conceito de renda esculpido constitucionalmente e conceituado na doutrina e no art. 43 do Código Tributário Nacional, vez que não é todo ou qualquer acréscimo patrimonial que se insere no conceito de renda; g) os valores de pensão percebidos pelos dependentes da impugnante são por eles utilizados com despesas ordinárias, como vestuário, educação, saúde, tendo caráter mais indenizatório do que renda, no rigor da palavra; h) ainda que a contribuinte tenha efetuado alguma impropriedade na declaração, isso não ilide o fato de que o valor da pensão alimentícia percebida por seus filhos não constitua renda na acepção jurídica do termo; i) tais valores trazem em si a natureza de indenização, pelo fato de que a impugnante, enquanto responsável pela guarda dos alimentandos, suporta gastos elevados, que são amortizados pela parcela patrimonial cedida pelo seu excompanheiro; j) na lavratura do auto de infração questionado deixouse de se levar em conta que a impugnante percebeu abono pecuniário, no valor de R$ 1.914,67, o qual deve ser excluído da base de cálculo do imposto exigido, conforme entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça exposto na ementa de decisão que transcreve; k) “[...] a Impugnante se encontra totalmente de boafé, tendo atendido a todas as notificações perpetradas pela D. Autoridade Fiscal para prestar os devidos esclarecimentos”; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10805.001958/201096 Acórdão n.º 2002000.946 S2C0T2 Fl. 111 4 l) as glosas efetuadas devem ser afastadas, nos termos e valores declinados, visto que a impugnante não pode assumir encargo maior do que o verdadeiramente devido; m) transcreve o art. 11 do DecretoLei nº 5.844/1943 e art. 73 do Decreto nº 3.000/1999, destacando que as deduções glosadas por falta de comprovação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa, para concluir que “[...] a hora de corrigir os equívocos é agora”; n) conclui invocando o princípio da justiça fiscal, solicitando a acolhida da impugnação e o restabelecimento das deduções, protestando pela posterior juntada de documentos que se entenda necessários. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 84/89): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução a título de pensão alimentícia está condicionada a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de seu efetivo pagamento por parte do contribuinte. RETIFICAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA DE ERRO. IMPOSSIBILIDADE. Após a notificação do lançamento, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante somente é admissível mediante comprovação de erro de fato. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 9/6/2015 (fl. 93), a contribuinte, em 5/7/2015 (fl. 94), apresentou, por intermédio de seu representante legal, recurso voluntário, às fls. 95/103, no qual alega, em apertado resumo, que: teria atendido à solicitação para apresentação dos documentos relativos às deduções declaradas, o que demonstraria sua boafé. a glosa da pensão declarada contrariaria a legislação de regência. teria juntado documentação comprobatória de que o montante informado a título de pensão alimentícia, recebida por seus filhos, não deveria integrar a base de cálculo do IRPF, visto que não se amoldariam ao conceito de renda. a pensão recebida pelos filhos seria utilizada com despesas ordinárias, com vestuário, educação, saúde. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10805.001958/201096 Acórdão n.º 2002000.946 S2C0T2 Fl. 112 5 ainda que tenha cometido algum erro em sua declaração de ajuste, a pensão recebida pelos filhos não constitui renda na acepção jurídica do termo, configurandose, no seu entendimento em indenização à recorrente pela guarda dos alimentandos. a autuação não teria levado em conta o abono pecuniário de férias, no valor de R$1.914,67, que deveria ser excluído da base de cálculo do IRPF. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Pensão Alimentícia Judicial O litígio recai sobre a dedução de valores a título de pensão alimentícia informada pela contribuinte, no montante de R$23.372,57 (fl.29). Pois bem, tendo em vista que o recurso voluntário é idêntico à impugnação apresentada, consignando os mesmos argumentos, reproduzo no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, a decisão de primeira instância, com a qual concordo, mantendoa integralmente no tocante à pensão declarada. Da Dedução de Pensão Alimentícia 6. No que concerne à dedução de pensão alimentícia na DAA, assim dispõe a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10805.001958/201096 Acórdão n.º 2002000.946 S2C0T2 Fl. 113 6 que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; 7. Como se extrai da legislação colacionada, os valores pagos a título de pensão alimentícia são passíveis de dedução na DAA. 8. Da análise da Descrição dos Fatos que integra a Notificação de Lançamento impugnada, bem como das alegações da impugnação, extraise que os valores de pensão alimentícia declarados como dedução pela contribuinte se tratam, na realidade, de valores de pensão alimentícia recebidos por seus filhos, dos quais detém a guarda. 9. A contribuinte alega erro no preenchimento da DAA, afirmando não se tratar de renda. 10. Cabe esclarecer que a autoridade fiscal tão somente procedeu à glosa da dedução de pensão alimentícia declarada, eis que, como admitido pela própria contribuinte, não realizou pagamento de pensão alimentícia como informado na DAA, sendo apenas esta glosa o escopo do julgamento. 11. Ressaltese que a inclusão de dependentes na DAA é uma faculdade assegurada aos contribuintes, desde que respeitadas as condições previstas no art. 35 da Lei nº 9.250/1995, e, uma vez que a contribuinte arrolou espontaneamente seus filhos como dependentes, os rendimentos de pensão por eles auferidos devem constituir a base de cálculo do IRPF na DAA, não se vislumbrando erro neste procedimento. (destaques acrescidos) Portanto, tratandose de pensão paga pelo excônjuge aos filhos da recorrente, incabível a dedução da pensão recebida na Declaração de Ajuste dela. Quanto à tributação desses valores, observo que a recorrente informou o recebimento desses valores na sua declaração de ajuste (fl.30). Nesse tocante, registro que, uma vez que a recorrente informou os beneficiários da pensão como dependentes (fl.31), cabível o oferecimento dos rendimentos recebidos por eles à tributação na declaração de ajuste dela. Quanto à alegação de que esses rendimentos seriam isentos, assim dispunha o Regulamento do Imposto de Renda então vigente (RIR/99): Seção IV Rendimentos de Pensão Judicial Alimentos ou Pensões Art. 54. São tributáveis os valores percebidos, em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10805.001958/201096 Acórdão n.º 2002000.946 S2C0T2 Fl. 114 7 Encontrase em vigor o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 9.580, de 2018, que, em seu artigo 46, dispõe sobre a tributação desses valores. Seção IV Dos alimentos e da pensão Art. 46. São tributáveis os valores percebidos, em dinheiro, a título de alimentos ou de pensões, em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública registrada em cartório, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 43, § 1º; DecretoLei nº 1.301, de 1973, art. 3º e art. 4º; e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Assim, independentemente do destino dado aos valores recebidos, eles são tributáveis a teor da legislação tributária. Assim, não se vislumbra o erro de preenchimento da declaração de ajuste aventado pela contribuinte em relação à pensão alimentícia judicial, seja no tocante à dedução informada, seja no tocante aos rendimentos declarados. Abono Pecuniário Registro que, na autuação, não houve alteração dos rendimentos informados pelo contribuinte. Assim, a natureza tributável dos rendimentos não compõe a lide. Tal pleito se configura num pedido de retificação da Declaração de Ajuste, cuja competência para análise não é das instâncias de julgamento. Não obstante, entendo que, em observância de princípios da Administração Pública, os princípios da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, e quando os elementos trazidos sejam evidentes, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, atender a pedidos de retificação efetuados em sede de impugnação/recurso. Cumpre frisar que se trata de medida excepcional, que entendo possível em casos em que a prova seja robusta e não paire qualquer dúvida acerca do direito do contribuinte ao que está sendo pleiteado. Isto porque, no caso, uma eventual alteração do montante dos rendimentos tributáveis tem reflexo direto na base de cálculo do imposto devido e, indiretamente, na necessidade de comprovação ou justificação das deduções, objeto da autuação. Ressalto ainda o fato de que, tendo sido autuada, ela estava impossibilitada de apresentar seu pedido pela via adequada, qual seja, declaração retificadora, ainda que atinente a elementos não incluídos na autuação. Entretanto, analisando os autos, entendo que a recorrente não faz prova quanto ao direito alegado. Vejamos. A teor das disposições da IN RFB nº 936, de 2009, sendo o abono pecuniário isento de imposto de renda retido na fonte, caberia aos contribuintes, para pleitear a restituição da retenção indevida, apresentar declaração retificadora do respectivo ano de retenção, excluindo o valor recebido a título de abono pecuniário de férias do campo de “rendimentos tributáveis”, informando este valor na ficha de “rendimentos isentos e nãotributáveis”. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10805.001958/201096 Acórdão n.º 2002000.946 S2C0T2 Fl. 115 8 Não obstante, do exame dos autos, não é possível concluir se os rendimentos tributáveis ofertados à tributação pela recorrente na Declaração de Ajuste objeto da autuação (fls. 29/32) incluem a parcela correspondente à indenização de férias. Pelo contrário. Os documentos juntados evidenciam que o abono de férias não integra os valores ofertados à tributação. Nesse sentido, o comprovante de rendimentos da Prefeitura de São Bernardo do Campo consigna rendimentos no montante de R$48.290,52 (fl.37). Na Declaração de Ajuste retificadora, objeto da autuação, a recorrente informou ter recebido dessa fonte pagadora o montante de R$46.375,85. A diferença apurada entre esses valores, de R$1.914,67, é exatamente o valor consignado no recibo relativo ao abono de férias (fl.23). Logo, a teor desses documentos, o abono de férias já teria sido excluído da base de cálculo do IRPF pela própria contribuinte e o atendimento do pleito dela por essa instância de julgamento ensejaria o desconto em duplicidade. Portanto, também nesse tocante, cabe negar provimento ao recurso. Por fim, quanto a sua boa fé, esclareçase que não é suficiente para eximir sua responsabilidade em relação ao feito, conforme disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136 – Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É preciso dizer ainda que, no presente lançamento, a interessada não está sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900528/2016-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DÉBITO INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1402-003.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiro Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Evandro Correa Dias. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10783.900527/2016-03, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DÉBITO INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiro Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Evandro Correa Dias. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10783.900527/201603, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 05 28 /2 01 6- 40 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter se constatado qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido, tendo o recolhimento do período sido totalmente aproveitado. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alega a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de DCTF, contudo, vez que o r. Despacho Decisório foi proferido posteriormente ao prazo quinquenal para a sua retificação, não foi possível assim se proceder. Desse modo, não seria detectável tal creditório em face desse erro escusável, apontando que o valor declarado na DIPJ que abrange o mesmo período estaria correto, evidenciando seu direito. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à Manifestação de Inconformidade, entendendo que, ainda que seja possível, neste processo administrativo, pela via impugnatória, se recorrer a presença de tal lapso, de modo a revelar o direito creditório pretendido, não teria a Contribuinte trazido os elementos probatórios necessários considerando seu ônus processual probatório para tal averiguação e constatação. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que em face da transmissão de EDC referente ao período analisado, a própria Receita Federal do Brasil já tinha elementos para apurar e confirmar a alegada existência de erro na DCTF e veracidade das informações da DIPJ, também demonstrando a possibilidade de comprovar, nesse momento tal lapso, inclusive passível de retificação, juntando, agora, cópias de Declarações fiscais e vasta documentação contábil, constante da ECD. Na sequência, os autos foram encaminhados para esta Conselheira relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 4 3 1402003.825, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10783.900527/2016 03, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.825): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constandose que o pagamento fora integralmente utilizado anteriormente para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a presença de erro na DCTF, referente ao débito quitado pelo pagamento do período em questão, estando sua DIPJ transmitida regularmente preenchida, entendeu a DRJ a quo que não se procedeu à devida prova, pelos meios hábeis, além de tal Declaração, da existência de qual equívoco, que, ao seu turno, evidenciaria o crédito pretendido. Frisese que a transmissão da DCOMP deuse regularmente dentro do prazo legal, não havendo em se falar de caducidade do direito da Parte pleiteante. Contudo, o r. Despacho Decisório, que deu margem à inauguração do presente contencioso, ocorreu após 5 (cinco) anos após o prazo de entrega da DCTF sob debate, não podendo mais se proceder à sua retificação pelas vias formais ordinárias. Posto isso, sendo clara a matéria incontroversa do presente feito, cabe a este Conselheiro registrar que nos últimos anos veio se adotando entendimento de que, mesmo diante da apresentação prévia de DIPJ que corroborasse a existência do crédito pretendido em PER/DCOMP, tal Declaração não prestavase, isoladamente, como prova do direito do contribuinte, em razão da sua natureza informativa, sendo necessário, no curso do processo administrativo, a apresentação de provas hábil que corroborassem as informações lá constantes. Contudo, diante de recentes debates em sessões de julgamento, considerando as razões e a posição apresentadas pela I. Conselheira Edeli Pereira Bessa sobre o tema, restou claro que, à luz das normas, legais e infralegais, vigentes há mais de uma década, bem como da dinâmica da análise administrativa da procedência dos créditos dos contribuinte, não pode ser simplesmente desconsiderado pela Administração Tributária Federal, no momento da apreciação inicial dos PER/DCOMPs visando sua homologação, o teor da DIPJ correlata à formação dos créditos, espontaneamente transmitida pelo contribuinte. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, implementando as razões de decidir do presente julgamento, adotase o entendimento estampado no v. Acórdão nº 1402003.767, proferido por esta mesma C. Turma Ordinária, em sessão de 21/02/2019, no qual, por voto de qualidade, deuse provimento ao Apelo do contribuinte, para reconhecer seu direito creditório. Confirase a ementa e trechos de tal julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. (...) O exame da DCOMP sob análise evidencia que o indébito utilizado em compensação, apesar de integrar pagamento totalmente vinculado a débito declarado em DCTF à época da edição do despacho decisório, é inferior à diferença entre o recolhimento indicado e o débito correspondente informado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório e contemporaneamente à transmissão da DCOMP. Confirmase, assim, a alegação da recorrente de que o indébito foi constatado por ocasião da apresentação da DIPJ, devendo apenas se ressalvar que tal se deu por ocasião da retificação da DIPJ original, mas ainda assim apresentada quase dois anos antes da análise pela autoridade fiscal que resultou no despacho decisório de não homologação sob debate. A autoridade julgadora de 1ª instância expressou o entendimento de que, nos termos dos arts. 26 e 27 do Decreto nº 7.574/20111, faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, e que, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Observou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, e que, na forma do art. 147, §1º do Código Tributário Nacional, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante depende Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 6 5 da comprovação do erro em que se funde, e deve ser promovida antes da notificação do ato fiscal. Sob esta ótica, entendeu imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Em recurso voluntário, a contribuinte apresenta cópia do Livro Diário no qual está reproduzida a demonstração de resultado do período, bem como os ajustes correspondentes no LALUR, dos quais resulta o lucro real que, informado na DIPJ retificadora, origina os tributos devidos em valor inferior aos recolhidos e informados em DCTF. Contudo, desnecessária se mostra a confirmação da regularidade da escrituração fiscal e contábil assim apresentada, dado que esta Conselheira já apreciou litígio semelhante, assim decidindo nos termos do voto condutor do Acórdão nº 110100.536: Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1º . O art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 7 6 Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2º A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 8 7 [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 9 8 § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do ano calendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 10 9 § 2º A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 11 10 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 12 11 nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. É certo que o entendimento assim exposto foi reformado pela 1ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9101002.766, que deu provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: (...) Todavia, o fato é que, embora não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, a DIPJ retificada contemporaneamente à apresentação da DCOMP evidenciava débito inferior ao recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, conduta esta que o Fisco não poderia alegar desconhecimento, e que assim se presta a exigir verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sujeito a demonstração em DIPJ. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Dessa forma, tendo em vista que no presente caso a Administração Tributária deixou que proceder à averiguação da DIPJ do Contribuinte, transmitida espontaneamente, antes da denegação de seu crédito, inclusive confirmando nas suas Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10783.900528/201640 Acórdão n.º 1402003.826 S1C4T2 Fl. 13 12 informações o direito crédito pretendido em DCOMP (independentemente das falhas de preenchimento de DCTF, que não mais poderia ser retificada), adotase e aplicase o entendimento acima exposto para dar provimento ao Recurso Voluntário. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, reconhecendo integralmente o seu direito creditório pleiteado, homologando a compensação estampada na DCOMP sob análise. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, reconhecendo integralmente o seu direito creditório pleiteado, homologando a compensação estampada na DCOMP sob análise. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720083/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99).
No caso dos autos, extintas pela decadência as contribuições lançadas na competência 01/2008, exclusivamente nos autos-de-infração de obrigações principais.
OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS.
Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizam-se como remuneração, constituindo-se, assim, em fato gerador das contribuições previdenciárias.
OPÇÃO DE COMPRA DE UNITS -. STOCK OPTIONS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador, quando o mesmo exerce o direito em relação às ações que lhe foram outorgadas. No caso dos autos, elegido critério distinto, torna-se insubsistente a autuação.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PLR. REMUNERAÇÃO.
O pagamento a título de PLR não pode substituir ou complementar a remuneração. Inteligência do artigo 3º caput da Lei nº 10.101/2000.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO
Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. Art. 22, I , III e § 1º c/c Art. 28, § 9º, j, ambos da Lei nº 8.212/91.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS. PRÉVIO CONHECIMENTO DOS BENEFICIÁRIOS.
As regras claras e objetivas referem-se à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem alcançados. No caso dos autos, o conjunto probatório não foi apto a comprovar o conhecimento prévio das regras por parte dos beneficiários.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. DECISÃO POR MAIORIA ACOLHENDO APENAS A CONCLUSÃO DO RELATOR. RICARF, ARTIGO 63, § 8º.
Para fins de pagamento de PLR faz-se necessária a participação do representante do sindicato da categoria profissional na etapa de negociação do plano. No caso dos autos, a maioria do Colegiado entendeu regular a participação de sindicato representativo de categoria profissional similar à da classe trabalhadora a que pertencem os empregados.
Dispõe o art. 63, § 8º do Anexo II do RICARF, que na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO DAS PARCELAS EM DESACORDO COM A LEI. DECISÃO POR MAIORIA ACOLHENDO APENAS A CONCLUSÃO DO RELATOR. RICARF, ARTIGO 63, § 8º.
Pagamentos feitos a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil e/ou mais de dois pagamentos no mesmo ano civil, caracterizam violação do critério de periodicidade de pagamentos previsto no §2º, do artigo 3º, da Lei nº 10.101/2000. Havendo pagamento em desacordo devem ser computadas na base de cálculo das contribuições previdenciárias as parcelas ulteriores: a partir da segunda parcela na periodicidade semestral; a partir da terceira parcela, se periodicidade anual.
Dispõe o art. 63, § 8º do Anexo II do RICARF, que na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 2301-005.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para: 1) por maioria, reconhecer a decadência da competência de 01/2008 nos autos de infração de obrigações principais, vencido o conselheiro Wesley Rocha que reconheceu a decadência também em relação às obrigações acessórias; 2) por unanimidade, excluir do lançamento os valores relativos às opções de compra de units no levantamento de stock options; 3) por maioria de votos, manter o lançamento em relação aos valores pagos a título de PLR, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento na matéria; votaram pelas conclusões: a) os conselheiros Reginaldo Paixão Emos, Cleber Ferreira Nunes Leite, José Alfredo Duarte Filho e João Maurício Vital que entenderam ter havido participação do sindicato no acordo de PLR; b) os conselheiros João Maurício Vital, Reginaldo Paixão Emos e Cleber Ferreira Nunes Leite que entenderam que a inobservância da periodicidade afeta apenas os beneficiários que receberam além de duas parcelas anuais; c) o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que entendeu que a inobservância da periodicidade afeta apenas a terceira parcela paga aos beneficiários, e d) os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite e José Alfredo Duarte Filho que entenderam ter havido regras claras e de conhecimento dos beneficiários para pagamento da PLR; 4) por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo da multa (AIOA nº 37.377.801-5), na sistemática vigente à época dos fatos geradores, os valores relativos à stock options, e aplicar a Súmula CARF nº 119. Nos termos do art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) não votaram em relação aos itens 1 e 2, por tratarem de questões já votadas pelos conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Juliana Marteli Fais Feriato e Thiago Duca Amoni em reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 03/2019
(Assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99). No caso dos autos, extintas pela decadência as contribuições lançadas na competência 01/2008, exclusivamente nos autos-de-infração de obrigações principais. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizam-se como remuneração, constituindo-se, assim, em fato gerador das contribuições previdenciárias. OPÇÃO DE COMPRA DE UNITS -. STOCK OPTIONS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador, quando o mesmo exerce o direito em relação às ações que lhe foram outorgadas. No caso dos autos, elegido critério distinto, torna-se insubsistente a autuação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PLR. REMUNERAÇÃO. O pagamento a título de PLR não pode substituir ou complementar a remuneração. Inteligência do artigo 3º caput da Lei nº 10.101/2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. Art. 22, I , III e § 1º c/c Art. 28, § 9º, j, ambos da Lei nº 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS. PRÉVIO CONHECIMENTO DOS BENEFICIÁRIOS. As regras claras e objetivas referem-se à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem alcançados. No caso dos autos, o conjunto probatório não foi apto a comprovar o conhecimento prévio das regras por parte dos beneficiários. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. DECISÃO POR MAIORIA ACOLHENDO APENAS A CONCLUSÃO DO RELATOR. RICARF, ARTIGO 63, § 8º. Para fins de pagamento de PLR faz-se necessária a participação do representante do sindicato da categoria profissional na etapa de negociação do plano. No caso dos autos, a maioria do Colegiado entendeu regular a participação de sindicato representativo de categoria profissional similar à da classe trabalhadora a que pertencem os empregados. Dispõe o art. 63, § 8º do Anexo II do RICARF, que na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO DAS PARCELAS EM DESACORDO COM A LEI. DECISÃO POR MAIORIA ACOLHENDO APENAS A CONCLUSÃO DO RELATOR. RICARF, ARTIGO 63, § 8º. Pagamentos feitos a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil e/ou mais de dois pagamentos no mesmo ano civil, caracterizam violação do critério de periodicidade de pagamentos previsto no §2º, do artigo 3º, da Lei nº 10.101/2000. Havendo pagamento em desacordo devem ser computadas na base de cálculo das contribuições previdenciárias as parcelas ulteriores: a partir da segunda parcela na periodicidade semestral; a partir da terceira parcela, se periodicidade anual. Dispõe o art. 63, § 8º do Anexo II do RICARF, que na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99). No caso dos autos, extintas pela decadência as contribuições lançadas na competência 01/2008, exclusivamente nos autosdeinfração de obrigações principais. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizamse como remuneração, constituindose, assim, em fato gerador das contribuições previdenciárias. OPÇÃO DE COMPRA DE UNITS . STOCK OPTIONS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador, quando o mesmo exerce o direito em relação às ações que lhe foram outorgadas. No caso dos autos, elegido critério distinto, tornase insubsistente a autuação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PLR. REMUNERAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 83 /2 01 3- 37 Fl. 5525DF CARF MF 2 O pagamento a título de PLR não pode substituir ou complementar a remuneração. Inteligência do artigo 3º caput da Lei nº 10.101/2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. Art. 22, I , III e § 1º c/c Art. 28, § 9º, “j”, ambos da Lei nº 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS. PRÉVIO CONHECIMENTO DOS BENEFICIÁRIOS. As regras claras e objetivas referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem alcançados. No caso dos autos, o conjunto probatório não foi apto a comprovar o conhecimento prévio das regras por parte dos beneficiários. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. DECISÃO POR MAIORIA ACOLHENDO APENAS A CONCLUSÃO DO RELATOR. RICARF, ARTIGO 63, § 8º. Para fins de pagamento de PLR fazse necessária a participação do representante do sindicato da categoria profissional na etapa de negociação do plano. No caso dos autos, a maioria do Colegiado entendeu regular a participação de sindicato representativo de categoria profissional similar à da classe trabalhadora a que pertencem os empregados. Dispõe o art. 63, § 8º do Anexo II do RICARF, que na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO DAS PARCELAS EM DESACORDO COM A LEI. DECISÃO POR MAIORIA ACOLHENDO APENAS A CONCLUSÃO DO RELATOR. RICARF, ARTIGO 63, § 8º. Pagamentos feitos a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil e/ou mais de dois pagamentos no mesmo ano civil, caracterizam violação do critério de periodicidade de pagamentos previsto no §2º, do artigo 3º, da Lei nº 10.101/2000. Havendo pagamento em desacordo devem ser computadas na base de cálculo das contribuições previdenciárias as parcelas ulteriores: a partir da segunda parcela na periodicidade semestral; a partir da terceira parcela, se periodicidade anual. Dispõe o art. 63, § 8º do Anexo II do RICARF, que na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119. Fl. 5526DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.526 3 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para: 1) por maioria, reconhecer a decadência da competência de 01/2008 nos autos de infração de obrigações principais, vencido o conselheiro Wesley Rocha que reconheceu a decadência também em relação às obrigações acessórias; 2) por unanimidade, excluir do lançamento os valores relativos às opções de compra de units no levantamento de stock options; 3) por maioria de votos, manter o lançamento em relação aos valores pagos a título de PLR, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento na matéria; votaram pelas conclusões: a) os conselheiros Reginaldo Paixão Emos, Cleber Ferreira Nunes Leite, José Alfredo Duarte Filho e João Maurício Vital que entenderam ter havido participação do sindicato no acordo de PLR; b) os conselheiros João Maurício Vital, Reginaldo Paixão Emos e Cleber Ferreira Nunes Leite que entenderam que a inobservância da periodicidade afeta apenas os beneficiários que receberam além de duas parcelas anuais; c) o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que entendeu que a inobservância da periodicidade afeta apenas a terceira parcela paga aos beneficiários, e d) os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite e José Alfredo Duarte Filho que entenderam ter havido regras claras e de conhecimento dos beneficiários para pagamento da PLR; 4) por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo da multa (AIOA nº 37.377.8015), na sistemática vigente à época dos fatos geradores, os valores relativos à stock options, e aplicar a Súmula CARF nº 119. Nos termos do art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) não votaram em relação aos itens 1 e 2, por tratarem de questões já votadas pelos conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Juliana Marteli Fais Feriato e Thiago Duca Amoni em reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 03/20191 (Assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. 1 A primeira deliberação do Colegiado, ocorrida na sessão ordinária de 12/03/2019, com a presença dos conselheiros Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente em exercício), sendo que os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Fl. 5527DF CARF MF 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 5154/5184) interposto em face do Acórdão nº 1649.016 (efls 5091/5149), prolatado pela DRJ São Paulo I, em sessão de julgamento realizada em 30 de julho de 2013. 2. Por bem traçar os contornos da exigência fiscal e do litígio devolvido a este Colegiado, fazse a transcrição parcial do relatório contido na decisão recorrida, circunscrevendonos somente à matéria litigiosa. início da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 1649.016 DA AUTUAÇÃO 1. São integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração (AI): (i) AI DEBCAD n.º 37.377.7990, no montante de R$ 250.858.008,74 (duzentos e cinqüenta milhões, oitocentos e cinqüenta e oito mil e oito reais e setenta e quatro centavos), consolidado em 19/02/2013, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I, II e III, e parágrafo 1º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, correspondentes à parte da empresa (base de cálculo 22,5% do salário de contribuição) e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas aos levantamentos: ● OC – OPÇÕES, nas competências de 02/2008 a 09/2008; ● OE – OPÇÕES, nas competências de 01/2008 a 09/2008; ● OE2 – OPÇÕES, na competência de 12/2008; ● PL – PARTICIPAÇÃO, nas competências de 01/2008 a 11/2008 ● PL1 – PARTICIPAÇÃO, na competência de 10/2008 ● PL2 – PARTICIPAÇÃO, na competência de 12/2008 (ii) AI DEBCAD n.º 37.377.8007, no montante de R$ 24.118.764,25 (vinte e quatro milhões, centos e dezoito mil e setecentos e sessenta e quatro reais e vinte e cinco centavos), consolidado em 19/02/2013, referente a contribuições devida a Fl. 5528DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.527 5 Terceiros: Salário Educação e INCRA, – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas aos levantamentos: ● OE – OPÇÕES, nas competências de 01/2008 a 09/2008; ● OE2 – OPÇÕES, na competência de 12/2008; ● PL – PARTICIPAÇÃO, nas competências de 01/2008 a 11/2008 ● PL1 – PARTICIPAÇÃO, na competência de 10/2008 ● PL2 – PARTICIPAÇÃO, na competência de 12/2008 (iii) AI DEBCAD nº 37.377.8015 Descumprimento de Obrigação Acessória, relacionadas aos fatos geradores lançados na ação fiscal sem a devida informação nas GFIP e nas competências em que a multa anterior à Medida Provisória n° 449/08, convertida em 27/05/2009, na Lei nº 11.941, demonstrouse mais favorável ao contribuinte, o código de fundamento legal é CFL 68, e a multa no valor originário importa em R$ 858.690,00 (oitocentos e cinquenta e oito mil e seiscentos e noventa reais), por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999. 2. O Relatório Fiscal, fls. 4879/4931, em suma, traz as seguintes informações: 2.1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações, sobre as quais não foram recolhidas as devidas contribuições sociais: a) pagas aos segurados empregados a propósito de "Participação nos Lucros ou Resultados", em desacordo com a legislação específica; e b) pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, na forma de concessão de opções de compra de units; e (...) 2.2. Os valores apurados foram obtidos das folhas de pagamento, confirmados com a contabilidade da empresa, entregues pela empresa em arquivos magnéticos, validados pelo Sistema de Validação e Autenticação (SVA); 2.3. Os valores apurados de "Opções de Compra de Units" foram obtidos de dados constantes em planilha (formato Excel), com senha, fornecidos pela empresa por meio de arquivo em meio magnético, em 17/09/2012, validados pelo Sistema de Validação e Autenticação (SVA); (...) 3. "Participação nos Lucros ou Resultados" PLR 3.1 Os valores apurados foram obtidos das folhas de pagamento, confirmados com a contabilidade da empresa; 3.2. Foram encontrados na contabilidade da empresa pagamentos de verbas a titulo de PLR aos empregados da empresa, contas nº: 8971020001 Participação Lucros Empregados; 4931500001 Provisão para Participação nos Lucros; Fl. 5529DF CARF MF 6 4931500002 Gratificação Diretoria a Pagar; 4933000001 Gratificação Diretoria a Pagar; 493300003 Gratificações e Participações a Pagar. 3.3. Foram encontradas em suas folhas de pagamentos, verbas pagas a título de PLR, aos seus empregados, nas rubricas nº: 3485 PLR CCT Parcela Adicional; 3495 PLR/PRU; 3505 PLR Bônus; 4100 PLR/CCT; 4200 Adiantamento de PLR I; 4210 PLR/Bônus; 4211 PLR/Bônus; 4225 Parcela Adicional da PLR (CCT Bancários); 4226 Parcela Adicional da PLR (CCT Bancários); 4230 PLR/PRU; 4235 PLR/RR (Remuneração por Resultado); 4236 Dif PLR/RR (Remuneração por Resultado); 4240 Participação nos Lucros e Resultados VI; 4245 Participação nos Lucros e Resultados VII; 4275 PLR/PLUS RV e 4276 Dif PLR/PLUS RV); 3.4. Constatou a fiscalização que tais pagamentos foram realizados com base nos instrumentos de negociação: a) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2007 e 2008; e b) Acordos Próprios sobre Plano de Participação nos Resultados Anos Base 2007 e 2008, celebrados entre empresas do grupo Unibanco (dentre elas a empresa autuada) e Comissão de Trabalhadores dessas empresas. 3.4.1. A fiscalização analisou a periodicidade desses pagamentos e, constatou o não atendimento ao disciplinado no art. 3º, § 2º, da Lei n° 10.101/2000, que expressamente veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; 3.4.2 Os pagamentos efetuados podem ser observados pela amostragem consignada no Demonstrativo da Periodicidade dos Pagamentos de PLR2, constam casos para o mesmo beneficiário de três pagamentos dentro do mesmo ano ou, de dois pagamentos no mesmo semestre; 3.4.3. Constatado pela fiscalização o descumprimento de determinação legal e sendo a PLR um instituto único, todos os valores pagos a esse título, constantes do Demonstrativo da PLR Paga por Beneficiário 2008, que incluem tanto os pagamentos fundamentados nas Convenções Coletivas de Trabalho específicas de PLR quanto os relativos aos Acordos Próprios de PLR (item 5.14 do Relatório Fiscal), foram considerados integrantes do salário de contribuição; 3.5. Quando da elaboração de Acordo Próprio (Plano Próprio), outros quesitos da Lei nº 10.101/2000, foram contrariados assim informa a fiscalização: 3.5.1. O Acordo Próprio possui vigência retroativa foi assinado em 29 de março de 2007 (vigência de 01 de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2008), é decorrente de negociação entre algumas empresas do grupo Unibanco e Comissão de Trabalhadores, e como tal, é obrigatória a participação de um representante do sindicato da categoria, em cumprimento ao disposto no inciso I do art. 2º da Lei n° 10.101/2000. 3.5.2. Os empregados da empresa (banco) são representados pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região na sua base territorial e nacionalmente pela CONTRAF Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, entidades filiadas à Central Única dos Trabalhadores CUT. Esta é a representação sindical eleita pela categoria dos bancários em São Paulo. No 2 Anexado às efls 53/4823, o Demonstrativo da periodicidade dos pagamentos de PLR é composto por 4771 páginas, e traz uma listagem com dados identificadores dos empregados (nome e CPF) e dos pagamentos (competência, código e descrição da rubrica, valor pago). Fl. 5530DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.528 7 entanto, o Acordo Próprio datado de 29 de março de 2007 foi assinado por um representante da CONTEC Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito, uma Confederação estranha à categoria e que não possui legitimidade para representar os bancários no Município de São Paulo, Osasco e Região, desrespeitando assim a soberania da categoria e a Lei n° 10.101/2000 que prevê a obrigatoriedade do representante do sindicato da categoria; 3.5.3. Que a carta apresentada na ação fiscal, datada de 22 de março de 2007 e endereçada à CONTRAF, convocando a entidade a indicar um membro para integrar a Comissão de Negociação da PLR de empresas do grupo e notificandoa para que o membro indicado comparecesse à reunião de negociação que ocorreria em 29 de março de 2007; ainda que a entidade sindical tenha restado silente, tal fato não supre a obrigatoriedade do representante do sindicato da categoria na referida negociação, requisito este exigido por lei. 3.5.4. Menciona matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, no caderno Dinheiro2, datado de 14 de agosto de 2008, sob o título "Bancos priorizam diretores na participação de lucros", (matéria pode ser obtida do acervo do jornal em http://acervo.folha.com.br/fsp/2008/08/14/73/); na qual o presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, expõe de uma forma simples o posicionamento do sindicato em relação ao PLR. 3.5.5. Daí concluir que, se por um lado os bancos nas Convenções Coletivas negociam no sentido de limitar as participações nos lucros dos empregados, pois abrange a totalidade da categoria e é igualitário, por outro lado buscam regulamentar um plano próprio que limite a população elegível e inclua a remuneração variável dos níveis gerenciais e acima. Provavelmente isso tenha sido um fator inibidor da negociação, visto que dificilmente o sindicado dos bancários aprovaria uma proposta que não contemplasse todos os funcionários e fosse isonômica. 3.6. Outro quesito apontado que contraria a Lei nº 10.101/2000 é que não houve comprovação de que o Plano Próprio se encontra arquivado na competente entidade sindical, como estabelecido no art. 2º, § 2º, da Lei n° 10.101/2000. Foi apresentada pela empresa em 23/05/2012, carta, não datada, endereçada ao Ministério do Trabalho e Emprego, em que é requerido o registro e arquivamento do Plano Próprio, protocolada sob o número 46219.022516/200735 em 19/04/2007; 3.6.1. Que, não foram observados os mandamentos legais: a) participação de um representante do sindicato da categoria nas negociações, e b) que o acordo celebrado seja arquivado no sindicato da categoria. 3.7. Outro fato apontado é quanto a previsão da Lei nº 10.101/2000, de que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, destaca do Plano Próprio, de 29 de março de 2007, a Cláusula Sétima, que transcreve no item 5.30 do Relatório Fiscal, informando que os Anexos II, III e IV do Plano Próprio, que trata de Modelos de Pagamento de Participação nos Lucros e Resultados, também citam o contrato de metas como elemento de avaliação para o pagamento da PLR; 3.7.1. Que restou comprovado, pela análise que procedeu nos documentos apresentados pela empresa, em atendimento à Intimação TIF de 17/04/2012, como descrito no Relatório Fiscal, o desrespeito pelo contribuinte às normas que regem a distribuição de PLR, uma vez que a própria empresa não logrou êxito em compor e Fl. 5531DF CARF MF 8 explicar os valores pagos a título de PLR e, nem comprovar o prévio conhecimento pelos empregados das metas estabelecidas, itens 5.32/5.37 do Relatório Fiscal; 3.7.2. Que a escolha de critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, impossíveis de aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o art. 2º, § 1º, da Lei n° 10.101/00, também descaracteriza a natureza não remuneratória das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. 3.7.3. Que o quantum a ser distribuído a cada empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva, sem depender de critérios subjetivos de avaliação 3.7.4. Que a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Do exame das folhas de pagamento, observaramse diversos casos em que verba paga a título de PLR aos empregados, paga com base nos Acordos Próprios, excedia em dezenas de vezes o valor do salário base (do ordenado) do próprio empregado, como destacados por amostragem no Demonstrativo PLR x Ordenado. Há casos em que o valor da PLR excede em mais de cem vezes o ordenado do funcionário. 3.8. Destaca a Auditora Fiscal do Anexo I do Acordo Próprio de 29.de março de 2007, que trata da definição do total do montante a ser distribuído sob a forma de participação nos lucros e resultados, o chamado "pool de bônus", que estabelece: "É atribuído a cada Área/Unidade de Negócio um percentual para gerar o montante a ser distribuído como Participação nos Lucros e Resultados. Estes percentuais foram definidos com base em estudos específicos para cada Área/Unidade de Negócio, pesquisa de mercado e histórico de remuneração variável dos colaboradores. A alteração destes percentuais é prerrogativa do Presidente do Unibanco em conjunto com o Executivo responsável pela Área de Recursos Humanos do Conglomerado (Unibanco Pessoas)." Mais adiante prescreve: "Eventuais exceções somente poderão ser implementadas se aprovadas pelo Presidente Executivo do Unibanco." 3.8.1. Informa a Auditora Fiscal que, também, o caput do art. 3º da Lei n° 10.101/2000, foi claramente contrariado, pois, a verba paga a título de participação nos lucros, para muitos empregados beneficiários, passou a ser sua remuneração principal e, que da leitura dos planos e dos seus anexos, não se verifica qualquer possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultosos, como os concedidos. 3.9. Os motivos relatados, a não obediência aos critérios legais, caracterizou que a "participação nos lucros ou resultados", paga com base no Acordo Próprio e na Convenção Coletiva de PLR, como integrante do salário de contribuição, visto que não atende aos requisitos da lei em seu aspecto formal e material, perdem as características de desoneração e, assim, entram no conceito de salário de contribuição, não estando dentre as exceções previstas no art. 28, § 9º, da Lei n° 8.212/1991. 4. Das "Opções de Compra de Units", consta que: 4.1. Os valores apurados foram obtidos de dados constantes em planilha (formato Excel), cuja senha é ilp3o63, fornecida pela empresa ora notificada por meio de arquivo em meio magnético (CD), Código de Identificação Geral CIGA = 811939319803fc332053ea9f552a2873; Fl. 5532DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.529 9 4.2. Os planos de "Stock Options" (distribuição de opções de compra de ações para trabalhadores) consistem numa espécie de remuneração variável, e representam a concessão futura do direito de opção de compra de ações a destinatários específicos (administradores, empregados ou prestadores autônomos de serviços da companhia ou de suas subsidiárias), mediante o pagamento de um preço prefixado; 4.3. Sobre o Plano de Opção de Compra de Ações Unibanco – Performance, consta que após analise do Regulamento do Plano de Opção de Compra de Ações Unibanco – Performance, nos termos da Proposta do Conselho de Administração, de 15 de outubro de 2001 e posteriores reformas do Plano, aprovados por Assembléias Gerais Extraordinárias de 08 de abril de 2005, de 21 de março de 2007 e, de 27 de março de 2008; do Formulário 20F, arquivado na U.S. Securities and Exchange Comission (SEC) em 30 de junho de 2008, que contém informações referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2007, concluiu a fiscalização que: 4.3.1. O Plano foi criado para possibilitar ao Unibanco, a obtenção e a manutenção dos serviços de executivos de alto nível, sendolhes oferecido em contrapartida o benefício de se tornarem acionistas, por meio da concessão de opções de compra de ações ou de units, nos termos, nas condições e no modo previsto no Regulamento; 4.3.2. Podem receber as opções: os administradores e empregados da empresa e de suas controladas; 4.3.3. Aos beneficiários do Plano podem ser outorgadas: a) Opções de compra de ações que confere ao trabalhador (executivo) o direito de subscrever (adquirir) ações; b) Opções de compra de units (opções de units) que confere ao trabalhador o direito de adquirir units; 4.3.4. Constatou a fiscalização, através da análise das Atas Sumárias das Reuniões do Comitê de Administração do Plano, que no período de interesse da auditoria, não houve outorga de opções de compra de ações aos executivos, mas somente de opções de compra de units, sendo sempre deliberado nessas reuniões os nomes dos beneficiários, quantidade de units outorgadas, o prazo de exercício e o preço de exercício (às vezes fixado por lote de 1.000 units e às vezes por preço unitário de units); 4.3.5. O prazo de exercício foi sempre estipulado: "1/3 por ano após 3 anos", o que significa que a cada ano contado a partir do terceiro ano da data de outorga, o titular adquire 1/3 das opções que lhe foram outorgadas; 4.3.6. O item 1.2.6. do Regulamento original define: "PRAZO DE EXERCÍCIO é o período de carência entre a data de outorga da Opção de Compra e a data em que a mesma pode ser exercida pelos Executivos, fixado pelo COMITÊ". 4.3.7. Combinados os dispostos no item 1.2.6. do Regulamento original com os itens 4.4.2. e 4.6.1. do Regulamento do Plano (transcritos pela auditora), verificouse que somente após decorrido o prazo de exercício é que tais opções são definitivamente adquiridas pelo trabalhador, ou seja, poderá este agir como titular da opção e exercer o direito nela conferido, que é o de comprar units pagando o preço de exercício; 4.3.8. É exigida a manutenção da prestação dos serviços durante todo o prazo de exercício, sob pena de ser extinta a opção outorgada. Resta claro (i) o efeito "algemas de ouro" (essa função de "algema" dizse por disposições segundo as quais um trabalhador perde o direito de exercer as suas opções ou de exercêlas apenas Fl. 5533DF CARF MF 10 durante um período limitado e/ou apenas até certo limite, caso deixe a companhia contra a vontade dela) e, (ii) o caráter remuneratório da opção, uma vez que são concedidas ao trabalhador em troca dos bons serviços por este prestado; 4.3.9. A data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações por meio de opções de units é a data de aquisição das opções de units, e no caso em apreço, é definida como sendo o dia imediatamente seguinte ao término do prazo de exercício, e a base de cálculo apurada é a mensurável nessa mesma data. Destaca que não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções que adquiriu. 5. Da Aferição da Base de Cálculo 5.1. A base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo foi obtida por aferição indireta, aplicado o disposto no artigo 33, § 3º, da Lei n° 8.212/1991, em virtude de não constar das folhas de pagamento o valor relativo às remunerações dos segurados por meio de opções de compra de units, tendo a auditoria se guiado por critérios razoáveis e aceito tecnicamente, escorandose em princípios, em especial, o da supremacia do interesse público, o da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva; 5.2. Os parâmetros utilizados para aferir da base de calculo na data do fato gerador cujos valores foram fornecidos pela empresa (planilha e senha conforme informado no item 6.79 do relatório Fiscal), são: a) o preço de mercado da unit ajustado pelos eventos de grupamento e bonificação; b) o preço de exercício da opção ajustado pelos mesmos eventos acima; c) quantidade de opções outorgadas (ativoválidas) também ajustada pelos eventos citados e cancelamentos realizados; 5.3. Como cada opção de compra de unit enseja o direito à aquisição de uma unit, a base de cálculo das contribuições devidas (remuneração dos segurados) foi obtida multiplicandose a quantidade de opções de units outorgadas e passíveis de exercício pela diferença, entre o preço de mercado da units e, o preço de exercício da opção, ambos referentes à data do fato gerador. 5.4. A apuração da base de cálculo consta do Demonstrativo Remuneração com Opções de Compra de Units3. (...) 7. Das Obrigações Acessórias 7.1. O sujeito passivo incorreu na infração ao art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, combinado com art. 225, IV e §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, por ter deixado de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP os valores relativos à remuneração paga aos empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR em desacordo com lei específica e os valores referentes à remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, por meio de opções de compra de units e, os valores da remuneração paga a contribuintes individuais sob a forma de previdência privada, originando a lavratura do Auto de Infração de Obrigações Acessórias AIOA n° 37.377.8015. 3 Efls. 4836/4847. Fl. 5534DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.530 11 Da Aplicação e do Cálculo da Multa 7.2. No período de autuação pelo descumprimento das obrigações acessórias prevista no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, o número total de segurados da empresa enquadrase na faixa de "acima de 5.000 segurados". Sendo assim, o limite mensal previsto no art. 32, § 5º da Lei n° 8.212/1991, acrescentado pela Lei n° 9.528/1997, e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, artigos 284, inciso II e 373, é de R$ 80.856,00 (oitenta mil e oitocentos e cinqüenta e seis reais), que corresponde a "50 x o valor mínimo". Tal limite foi calculado conforme determina a lei e a Portaria Interministerial MPS/MF n° 15, de 10 de janeiro de 2013. 7.3. A multa aplicada corresponde a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada em GFIP, limitada, por competência, ao limite mensal. 7.4. A partir da edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida, em 27 de maio de 2009, na Lei n° 11.941, a multa em lançamento de ofício sobre a totalidade ou diferença das contribuições previdenciárias e, para outras entidades e fundos (terceiros), simultaneamente nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração e no de declaração inexata, passou a ser regida pelo art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7.5. A multa prevista no art. 44, inciso I, é única, de 75% (setenta e cinco por cento), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento, seja ele parcial ou total, do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou sua apresentação de forma inexata. 7.6. A multa de ofício, agora prevista pela Lei n° 9.430/96, a partir da competência de dezembro de 2008, não pode conviver com outra penalidade da mesma natureza e sobre o mesmo fato, ou seja, para a conduta de não pagar e não declarar os valores relativos às contribuições previdenciárias e de terceiros ou declarálos de forma inexata, teremos somente a multa em lançamento de ofício. 7.7. A penalidade menos severa resultante da comparação entre a aplicação da multa de oficio estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96 e a soma da multa de mora prevista pela alínea "a", do inciso II, do art. 35 da Lei n° 8.212/91 (24%) com a multa prevista no §5° do art. 32 do mesmo diploma legal, no presente caso, nas competências de 01/2008, 02/2008, 03/2008, 04/2008, 05/2008, 06/2008, 07/2008, 08/2008, 09/2008 e 11/2008, a penalidade anterior à publicação da MP n° 449/2008 mostrouse menos severa que a utilização da multa de lançamento de ofício, já nas competências 10/2008 e 12/2008 foi aplicada a multa de ofício. 7.8. Os documentos comprobatórios do crédito tributário constam arrolados no item 11.44 do Relatório Fiscal DA IMPUGNAÇÃO 8. Inconformada com as autuações, no prazo regulamentar, o sujeito passivo apresentou impugnação ao Procedimento Administrativo n° 16327.720083/201337, Autos de Infração DEBCAD nº 37.377.7990, 37.377.8007 e 37.377.8015, às fls. 4 Efls. 4928/4929. Fl. 5535DF CARF MF 12 4.936 a 4.962, com documentos de representação, atas, documentos diversos anexos às fls. 4.963/5.084. 8.1. A impugnante faz um breve relato dos fatos, e deduz em sua defesa, as alegações a seguir sintetizadas: Dos fatos: 9. Que tomou ciência dos autos de infração em 21.02.2013, nos valores de R$ 250.858.008,74 (AI 37.377.7990) e R$ 24.118.764,25 (AI 37.377.8007), para cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos empregados, relativas à parte da empresa e àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT, bem como para cobrança de contribuição previdenciária destinada a terceiros (Salário Educação e INCRA), relativamente às competências janeiro a dezembro de 2008 e, do auto de infração n° 37.377.8005, no valor de R$ 858.690,00 para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória, por deixar de informar, na guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social – GFIP, incidentes sobre os pagamentos efetuados pela Impugnante a título de: Participação nos Lucros e Resultados ("PLR"), sobre a outorga de opções de compra de units a determinados diretores elegíveis e sobre as contribuições extraordinárias efetuadas a alguns participantes do Plano de Previdência Complementar. Das Preliminares 10. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO, alega que: 10.1. A presente autuação contém vício com relação ao quantum autuado, razão pela qual padece de nulidade e deve ser cancelada; 10.2. O auto de infração nº 37.377.7990 relacionase à pretensão da autoridade fiscal de exigir contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados a título de participação nos lucros e resultados em suposto desacordo com a legislação específica (Lei n° 10.101/00) e, os caracterizou como remuneração; 10.3. A autoridade autuante alegou desrespeito ao requisito da periodicidade dos pagamentos previsto no § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000 e; incluiu na base de cálculo autuada os pagamentos feitos a todos os funcionários, sem distinguir quais seriam aqueles que efetivamente foram contemplados com pagamentos em desrespeito à periodicidade imposta pela lei; 10.4. A base de cálculo autuada deveria conter somente a parcela que efetivamente excedeu o referido limite legal e; em observância aos artigos 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade fiscal deveria ter identificado os funcionários que receberam, supostamente, mais de dois pagamentos a título de PLR; 10.5. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo já reconheceu a nulidade do ato administrativo que ofende aos ditames do art. 142 do CTN e; o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, em inúmeras oportunidades, quanto à nulidade do auto de infração nas situações de erro na base de cálculo. Transcreve ementas dos acórdãos. 10.6. O procedimento adotado pela autoridade fiscal está em dissonância com a legislação que rege a matéria, visto que a base de cálculo autuada deveria ter sido segregada para que fosse possível a identificação dos funcionários que receberam, supostamente, mais de dois pagamentos a título de PLR. Fl. 5536DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.531 13 10.7. Tal fato fulmina o auto de infração, impondose seu cancelamento. 11. DA DECADÊNCIA DOS LANÇAMENTOS RELATIVOS TANTO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL COMO ACESSÓRIA, alega que: 11.1. Consumouse a decadência com relação ao mês de janeiro de 2008, tanto em relação aos créditos tributários relativos à obrigação principal como pela exigência da multa pelo descumprimento da correspondente obrigação acessória, objeto do auto de infração n. 37.377.8015, tendo em vista o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN; 11.2. Para os tributos que, por sua natureza, estão sujeitos ao lançamento por homologação, incluindose entre eles as contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o tributo devido e efetuar o seu pagamento, se, desse procedimento, houver algum tributo a ser pago, aguardando, por fim, a sua homologação que está previsto no § 4º do artigo 150 do CTN, que estabelece ao Fisco o prazo de cinco anos não somente para homologar o pagamento, caso existente, mas também para verificar se o contribuinte agiu de acordo com a lei, homologando ou não o seu ato; 11.3. Com a pacificação do entendimento sobre a contagem do prazo decadencial pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, ocorrida nos autos do RESP n° 973.733, de 12/08/2009, ficou consolidado que, para a aplicação da regra decadencial contida no artigo 150, §4°, do CTN, deverá ser comprovado que houve o pagamento antecipado do tributo; 11.4. O Impugnante procedeu ao recolhimento das contribuições previdenciárias que entendia devidas, relativamente ao período autuado, destacando se, para a presente situação, os comprovantes de recolhimento do mês de janeiro de 2008 (doc. 03), juntados à impugnação e, que demonstram a existência de pagamento antecipado; 11.5. Face à comprovação da antecipação de pagamento da contribuição previdenciária, aplicase, ao caso, o prazo decadencial do artigo 150, §4°, do CTN, razão pela qual deve ser cancelada a autuação referente ao mês de janeiro de 2008, relativamente às obrigações principais e acessória. No Mérito Alega que a autuação é improcedente: 12. DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OS PAGAMENTOS DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). 12.1. Que a autoridade fiscal assevera que os pagamentos de PLR, tanto os decorrentes de Convenções Coletivas de Trabalho (CCT), quanto os relativos a planos próprios (Acordos Próprios), não integrem o salário de contribuição, não estejam sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, referidos pagamentos devem estar de acordo com os ditames estabelecidos pela Lei n° 10.101/00. 12.1.1. DA PERIODICIDADE PREVISTA NA LEI 10.101/00 Fl. 5537DF CARF MF 14 12.1.2. Aponta a fiscalização o não atendimento ao §2° do artigo 3º da Lei n° 10.101/00, que impede o pagamento a título de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. 12.1.3. A parcela de pagamentos efetuada acima da periodicidade fixada em lei decorre de peculiaridades que buscam possibilitar a correta quitação de tais valores, em cumprimento da legislação vigente. 12.1.4. A impugnante, no ano de 2008, realizou dois pagamentos a título de PLR (Programas Próprios e CCT) aos seus funcionários. A parcela de pagamentos apontada pela fiscalização, supostamente efetuada acima da periodicidade fixada em lei, decorre de mero ajuste dos primeiros pagamentos realizados o que não altera a natureza dos valores pagos a título de PLR, tampouco traduz ofensa ao art. 3º, § 2º da Lei n° 10.101/00. Menciona julgados do E. Tribunal Superior do Trabalho 12.1.5. Caso seja a autuação mantida deve observar apenas os pagamentos que excederam a periodicidade mencionada, devendo ser excluído da autuação o último pagamento realizado, por CPF identificado. 12.2. DA PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO DA CATEGORIA NA NEGOCIAÇÃO DO PLANO PRÓPRIO E SEU RESPECTIVO ARQUIVAMENTO, alega que: 12.2.1. O Acordo Coletivo assinado em 29/03/2007, com vigência de 01/01/2007 a 31/12/2008, houve a participação do representante da CONTEC Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito, destaca que o plano próprio foi assinado por diversas empresas, dentre elas empresas do ramo de crédito, o que legitima a participação da citada Confederação (doc. 04). 12.2.2. O Impugnante, durante a fiscalização, apresentou carta, datada de 22/03/2007, endereçada à CONTRAF Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (representante do Impugnante a nível nacional), convocando esta entidade a indicar um membro para integrar a Comissão de Negociação da PLR e participar da reunião de negociação que ocorreria em 29/03/2007 (doc. 05). 12.2.3. A entidade quedouse silente e não enviou nenhum representante para participar da reunião de negociação que, não pode essa ausência ser fundamento para a autoridade fiscal descaracterizar os pagamentos realizados pelo Impugnante a titulo de PLR, pois, como visto, sem prejuízo da efetiva participação do representante da CONTEC no acordo assinado em 2007, com período de vigência de 01/2007 a 12/2008, o Impugnante adotou os procedimentos cabíveis para que o representante nacional de sua categoria (CONTRAF) também pudesse participar das negociações. 12.2.4. Entende ter atendido o requisito legal previsto no inciso I do artigo 2º da Lei nº 10.101/2000. 12.3. Ausência de comprovação de que o plano próprio se encontra arquivado na competente entidade sindical: 12.3.1. Que o acordo assinado em 29/03/2007 foi arquivado na CONTEC e no Ministério do Trabalho (docs.06 e 07). 12.3.2. Cita lições de Ives Granda da Silva Martins, em Parecer elaborado sobre "Participação nos Resultados ofertada por empresa em valores superiores aos acordados com sindicatos ou acordo coletivo Tratamento Tributário" e julgado proferido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região. 12.4. DA EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS Fl. 5538DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.532 15 12.4.1. O agente fiscal afirma que não foram apresentadas as métricas de cálculo dos pagamentos efetivados segundo planos próprios e dos contratos de metas que pudessem explicar e justificar os valores pagos e que comprovassem prévio conhecimento pelos empregados das metas estabelecidas para confirmar o seu atendimento. 12.4.2. Os programas próprios, apresentados na fase de fiscalização são bem claros quanto às regras e aos montantes que serão recebidos pelos empregados se cumpridos os objetivos propostos. 12.4.3. Como verificado pela autoridade fiscal, os anexos II, III e IV dos Planos Próprios, que tratam do Modelo de Distribuição de Participação nos Lucros e Resultados, citam o contrato de metas como elemento de avaliação para o pagamento da participação nos resultados. O Impugnante foi intimado a apresentar, por amostragem, os contratos de metas de alguns funcionários, mas, apesar da apresentação de referidos contratos, a fiscalização desconsiderouos por não trazerem as assinaturas dos empregados, nem a data de ciência dos mesmos, concluindo pela impossibilidade da comprovação acerca da ciência das metas envolvidas no pagamento. 12.4.4. A assinatura e, validação das metas ocorreu no sistema virtual interno do Impugnante ("intranet"), sendo certo que tal sistema já foi desativado, o que impossibilita a apresentação das telas do sistema que comprovam a data e a hora que os gestores e colaboradores entraram no sistema para assinatura do contrato, bem como para registrar as avaliações de desempenho. 12.4.5. Pontua, por oportuno, que antes ainda de sua aprovação, o contrato de metas ficava disponível no sistema interno do Impugnante para que os funcionários pudessem consultar as prerrogativas básicas do Plano Próprio e colocálas em discussão com seus superiores a fim de aclarálas e adequálas a realidade do setor a que são aplicáveis. 12.4.6. Os contratos de metas juntados pelo Impugnante contêm de forma pormenorizada as competências funcionais, com os descritivos dos resultados quantitativos, desenvolvimento pessoal, resultados qualitativos, descrição da auto avaliação e da avaliação do gestor, essas informações, possibilitam a comprovação da existência de regras claras e objetivas que possibilitaram a aferição do cumprimento do quanto acordado para determinação da participação nos resultados de cada empregado. 12.4.7. Dessa forma, a partir das provas juntadas aos autos, entende demonstrado que o programa próprio estabeleceu regras claras e objetivas, que possibilitam a aferição do cumprimento do quanto acordado, não podendo prevalecer o entendimento da fiscalização em sentido contrário. 12.5. DA AUSENCIA DE LIMITE LEGAL DA PLR A SER PAGA, alega que: 12.5.1. Dos casos, onde haveria grande desproporção entre o valor da PLR paga e o próprio salário base do empregado, o que demonstraria que, nesses casos, essa verba passaria a ser a remuneração principal do empregado, com caráter substitutivo do salário, o que é vedado por lei. 12.5.2. Os programas próprios dos quais o Impugnante fez parte permitem dizer que não houve nenhum intuito de se pagar salário indireto e, claramente, não se prestam a essa finalidade. Fl. 5539DF CARF MF 16 12.5.3. Os salários pagos aos funcionários do Impugnante são compatíveis com as atribuições e atividades inerentes ao cargo assumidos, sempre norteados pelos parâmetros de mercado. 12.5.4. O próprio Fiscal reconhece, expressamente, que "é consenso que os profissionais do mercado financeiro são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam", se admite que "é consenso" , que essa é a realidade do mercado financeiro no que se refere à participação nos lucros e resultados, não há como justificar a atuação em face de pagamentos que justamente se apresentam tal qual essa mesma reconhecida realidade. 12.5.5. A legislação que rege a matéria não traz qualquer limite de percentual a ser pago aos empregados a título de PLR. 12.5.6. Traz julgado do TRF da 2ª Região, manifestando o entendimento do Poder Judiciário no sentido de que, no caso da participação nos lucros e resultados, devese evitar o formalismo excessivo. 12.5.7. Considerado o julgado, se manifesta no sentido de que, na análise dos acordos de participação nos lucros e resultados, devese buscar privilegiar a intenção do constituinte, que foi retirar os pesados encargos trabalhistas e previdenciários sobre os pagamentos de participação nos lucros e resultados, de modo a incentivar a sua adoção pelas empresas, beneficiando assim aos trabalhadores e à própria empresa, que ganha com satisfação e produtividade de seus empregados. 12.5.8. Sobre o tema conclui a impugnante que não houve pagamento de salário indireto e que a empresa está de boafé e, devese aceitar a participação nos lucros e resultados, não podendo prosperar a descaracterização dos pagamentos efetivados pelo Impugnante, seja com base nas CCTs, seja com base nos Planos Próprios, pelo que se impõe que esta C. Turma Julgadora determine o cancelamento da exigência fiscal ora impugnada, o que, desde já, se requer. 13. DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AS OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES E DE UNITS, alega que: 13.1. A autoridade fiscal exige contribuição previdenciária sobre as opções de compra de units (certificados de depósito representativos de ações) concedidas a administradores ou funcionários, sob o fundamento de que a diferença entre o preço de exercício das opções na data em que elas podem ser exercidas e o preço de mercado da unit na mesma data corresponderia a uma remuneração paga aos titulares das opções. 13.2. Sob o título: DA NATUREZA SOCIETÁRIA DOS PLANOS DE OUTORGA DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES, alega que: 13.2.1. Os planos de outorga de opções de compra de ações (ou de units) consistem em programas cuja finalidade principal é reter administradores ou funcionários com importantes e destacadas competências profissionais, incentivandoos a participar da empresa, como acionistas, mediante a possibilidade de adquirir ações por preços predeterminados; 13.2.2. Tais planos prevêem uma série de condições, associadas aos fatores de risco naturais do mercado de ações, que os administradores ou funcionários enfrentam para o exercício das opções de compra, inclusive a obrigação de permanecer na empresa durante certo tempo e a obrigação de não vender as ações, ou parte delas, durante certo período, o que marca sua postura como participante do risco de capital (e não mero trabalhador); Fl. 5540DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.533 17 13.2.3. A possibilidade de outorga de opções de compra de ações está prevista na Lei 6.404/76, art. 168, §3º, que foi regulamentada pela CVM, por meio das Instruções n°s 290/98, 291/98 e 390/03; 13.2.4. São condições para a implementação dos planos de opções, destacas pela impugnante: (a) deve tratarse de companhia de capital autorizado; (b) a disciplina das opções é matéria estatutária; (c) o plano deve ser aprovado pela Assembléia Geral de Acionistas; 13.2.5 Aduz, pelo que expõe, que não se cuida de aspecto ligado ao contrato de trabalho ou de serviços entre empresa e seus colaboradores mas, de matéria de natureza societária, regulada pela legislação das companhias, pela CVM, e por disposições do Estatuto Social da Companhia, a par de traduzir matéria de competência deliberativa da Assembléia Geral; 13.2.6. Alega que o funcionário ou administrador elegível à outorga das opções de compra de ações não adquire, desde logo, o direito de compra, mas apenas uma expectativa desse direito. Somente após o decurso dos prazos previstos e da satisfação das demais condições do Plano é que o titular da opção pode exercêla, dependendo, ainda, das condições e perspectivas do mercado de ações, pois o exercício das opções pode, afinal, acarretar para ele (como ocorre com qualquer investidor no mercado de ações) um ganho ou uma perda. Tanto assim é que, em muitas ocasiões, as opções podem acabar não sendo exercidas. 13.2.7. Que na data da outorga das opções, ao funcionário ou administrador eleito pela empresa, é atribuído o direito de adquirir ações por um valor estipulado (preço de exercício da opção), direito que poderá ser exercido apenas após o decurso de um período prédeterminado; 13.2.8. Vencido o período (vesting period), poderá o funcionário ou administrador exercer a opção de compra, subscrevendo as ações a que tiver direito e finalmente, observadas as condições e restrições temporais previstas no plano, poderá alienar as ações, caso não prefira mantêlas como investimento e, como ocorre com qualquer investidor, a operação pode trazerlhe um resultado positivo ou negativo; 13.2.9. Pelas suas razões endente que restou demonstrado que os planos de outorga de opções de compra de ações não representam nenhuma espécie de remuneração pelo trabalho e, sendo típico de negócio societário ou mercantil, com os riscos inerentes aos negócios desta natureza. 13.3. Sob o título: DO CARÁTER NÃO SALARIAL OU REMUNERAÇÃO DOS PLANOS DE OUTORGA DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES/UNITS, alega que: 13.3.1. A autoridade fiscal proclamou o caráter remuneratório das opções de compra de ações, como se tratasse de pagamento como contraprestação de um serviço, mesmo que sem vinculo empregatício, entendeu que as opções de compra de units são oferecidas em troca dos serviços prestados à empresa, do que decorreria sua natureza remuneratória e, que tal entendimento não encontra amparo na doutrina e jurisprudência trabalhistas já pacificadas quanto à natureza não salarial das opções de ações; 13.3.2. Menciona doutrina, por Luciana Aboim Machado Gonçalves da Silva: Fl. 5541DF CARF MF 18 "A Lei de Sociedades Anônimas (Lei n° 6.404/1976, artigo 168, §3° prevê a possibilidade de os empregados participarem das ações da empresa por meio de plano de opções de compra de ações, negociados no mercado de capitais, por um dado preço e em certo período. O contrato de opção de compra de ações negociados no mercado de capitais tem natureza jurídica mercantil e, por conseguinte, não integra o contrato de trabalho. Atribui ao empregado a opção de aquisição de lotes de ações, dentro de um prazo predeterminado, por meio de pagamento de um preço préfixado. O proveio obtido pelo empregado com a venda de ações não se confunde com o salário. Nesse caso o empregado adquire uma personalidade mista de assalariado e capitalista." (Revista IOB, n° 199janeiro/2006). 13.3.3. O titular das opções, para exercêla e adquirir as ações, acaba realizando um investimento num mercado de risco, o mercado de capitais. Assim, não há qualquer sustentação para a pretensão da autoridade fiscal de caracterizar como salário/remuneração, o ganho (que é eventual, pois sujeito aos riscos de mercado) que possa ser apurado na comparação entre o custo das ações e o valor que, em dado momento, as ações possam ter no mercado e, que, eventualmente, num segundo momento, pode traduzirse em perda; 13.3.4. Assim, nada similar à certeza e liquidez da remuneração por trabalho ou serviço, não sujeita às áleas do mercado; 13.3.5. Eventual ganho (assim como eventual perda) que possa ser obtido no mercado de ações, não depende do trabalho prestado pelo titular da opção, pois, trabalhando ou não, o resultado positivo ou negativo decorrerá das oscilações do mercado e não do esforço empreendido pelo titular das opções em suas funções profissionais. Daí o caráter não salarial das opções de compra de ações; 13.3.6. Pretendeu a autuação que, terminada a carência a que se sujeita o exercício das opções, automaticamente ocorreria o fato gerador das contribuições, mesmo que inexistisse o exercício das opções. O que reforça a falta de sustentação do auto de infração; 13.3.7. Se não exercidas as opções durante o prazo de vencimento previsto no Plano, elas simplesmente se extinguem, sem que o titular tenha tido ganho ou prejuízo, mesmo que o titular exerça as opções, o resultado é incerto e ilíquido, pois a participação societária adquirida não pode ser vendida de imediato, a não ser parcialmente; 13.3.8. Não se trata de remuneração por trabalho assalariado ou não. Nessa linha é o entendimento adotado pacificamente pela jurisprudência trabalhista. Transcreve julgado proferido pelo Tribunal Superior do Trabalho e, acórdão proferido pelo CRPS – Conselho de Recursos da Previdência Social; 13.3.9. Ainda que assim o fosse, o que admite apenas a título de argumentação, e ainda de acordo com o entendimento firmado pelo TST, as stock options melhor se enquadrariam na categoria não remuneratória de participação nos lucros e resultados e, como tal, estariam excluídas do salário de contribuição, nos termos do artigo 28, §9°, alínea "j", da Lei n° 8.212/91 e artigo 152 da Lei n° 6.404/76, que disciplinam o pagamento aos administradores e diretores. 13.3.10. Por suas razões, entende evidente o caráter não remuneratório da outorga de opções de compra de ações, não podendo prevalecer a exigência da contribuição previdenciária em questão (...) 15. DA MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. (Auto de infração n° 37.377.8015), alega que: Fl. 5542DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.534 19 15.1. O lançamento, exige, ainda, multa por descumprimento de obrigação acessória, por ter deixado a Impugnante de declarar na GFIP os valores supostamente devidos a título de contribuição previdenciária sobre os pagamentos de participação nos lucros e resultados, bem como sobre a outorga de opções de compra de units a determinados diretores elegíveis e, dos aportes feitos em favor de dois participantes do Plano Prever PGBL no período autuado; 15.2. As verbas autuadas não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária. Não há, portanto, base legal que obrigue o Impugnante a lançar em folha de pagamento os valores que discute, pois são formados por valores que não devem integrar a base de cálculo das contribuições; 15.3. Como não constituem fato gerador da contribuição previdenciária, tendo em vista que as verbas autuadas não possuem natureza salarial, não devem ser incluídos na folha de pagamento, razão pela qual descabe a multa imposta, devendo ser afastada por essa autoridade julgadora. 16. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO, alega que: 16.1. O Fisco não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. A Lei 9.430/96 prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora (art. 61, caput), e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora (art. 61, § 3º). 16.2. Se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Se a multa de ofício estivesse compreendida na referência (feita pelo caput do art. citado) aos débitos de tributos e contribuições, chegarseia ao absurdo de concluir que o § 3º do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. 16.3. O artigo 164 do CTN confirma essa conclusão quando, ao tratar de crédito tributário, separam claramente os conceitos de crédito, juros de mora e penalidades . A mesma clara distinção ocorre no art. 161, caput, do CTN e, por consequência, também não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês, referidos no § 1º, do art. 161, do CTN. Cita Acórdão nº 9101000.722, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cita outros julgados do CARF e, conclui que não cabem juros sobre a multa, para argumentar, fossem cabíveis, seriam aplicáveis apenas juros moratórios à taxa Selic, limitados a 1%. DO PEDIDO 17. Requer o Impugnante seja julgado totalmente improcedente o lançamento, cancelandose os autos de infração 37.377.7990, 37.377.8007 e 37.377.8015, integrantes do processo administrativo fiscal n° 16327.720083/201337. final da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 1649.016 2.1. Ao julgar improcedente a impugnação, o acórdão recorrido tem a ementa redigida como se segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Fl. 5543DF CARF MF 20 Não procede a arguição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula nº 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, na hipótese de lançamento de ofício, utilizase a regra geral do art. 173, I, do CTN e, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito referente às obrigações acessórias, aplicase a regra decadencial prevista no art.173, I, do CTN, uma vez que, quanto a esses deveres, não há que se falar em pagamento antecipado. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. RETROATIVIDADE BENIGNA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN). As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC e multa de mora, que não pode ser relevada pela Administração, nos termos dos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91, vigentes à época dos fatos geradores. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as situações elencadas no art.57, §4º do Decreto nº 7.574/2011. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Por força do mandamento constitucional, a Lei nº 8.212 de 24.07.1991, no seu artigo 28, incisos I e III, incluiu o salário utilidade no conceito de salário de contribuição. Considerase salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive sob a forma de utilidades. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. Art. 22, I , III e § 1º c/c Art. 28, § 9º, “j”, ambos da Lei nº 8.212/91. OPÇÃO DE COMPRA DE UNITS . STOCK OPTIONS. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Constitui forma de remunerar os segurados obrigatórios da previdência social as verbas pagas pela empresa sob a forma de opções de compra de units stock options, como retribuição ao trabalho prestado, tem natureza Fl. 5544DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.535 21 remuneratória e integra o salário de contribuição para o cálculo da contribuição devida à Seguridade Social, prevista no Art. 22, I , III e § 1º, da Lei nº 8.212/91. A ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações por meio de opções de compra de ações/units é a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. A base de cálculo apurada é a mensurável nessa mesma data. PROGRAMA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Os valores pagos pela empresa a título de programa de previdência complementar enquadramse no conceito de salário de contribuição quando não extensíveis à totalidade dos empregados e dirigentes. Art. 28, parágrafo 9º, alínea “p” da Lei n.º 8.212/91. EXCLUSÕES LEGAIS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o salário de contribuição. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008,01/11/2008 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 68. Pratica infração a empresa que não informar em GFIP todos os dados relacionados a fatos geradores, bases de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária, conforme dispõe o art. 32, inciso IV, e § 5º, da Lei 8.212/91. 3. Interposto o recurso voluntário (efls 5154/5184), após breve exposição dos fatos , deduz as alegações tal como apresentado a seguir: II DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DOS LANÇAMENTOS RELATIVOS TANTO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL COMO ACESSÓRIA efls 5156/5159 III DO MÉRITO efls 5159 III.l DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OS PAGAMENTOS DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR) efls 5159/5160 III.l.l DA PERIODICIDADE PREVISTA NA LEI N° efls 5160/5162 Fl. 5545DF CARF MF 22 10.101/00 III.1.2 DA PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO DA CATEGORIA NA NEGOCIAÇÃO DO PLANO PRÓPRIO E SEU RESPECTIVO ARQUIVAMENTO efls 5162/5165 III.1.3 DA EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS efls 5165/5167 III.1.4 DA AUSÊNCIA DE LIMITE LEGAL DA PLR A SER PAGA efls 5167/5170 III.2 DA NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES/UNITS efls 5171 III.2.1 Da natureza societária dos planos de opções de compra de ações/units efls 5171/5173 III.2.2 Do caráter não salarial ou remuneratório dos planos de opções de compra de ações/units efls 5173/5175 III.2.3 Da inexistência de remuneração diante da mera possibilidade de exercício de um direito de compra de ações/units efls 5175/5179 III.4 DA MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (Auto de infração n° 37.377.8015) efls 5182 III.5 DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO efls 5182/5183 3.1. Fazse a transcrição do pedido (efls 5184): IV DO PEDIDO Diante do exposto, o Recorrente pleiteia o provimento do recurso, com a consequente determinação da improcedência dos autos de infração n°s 37.377.7990, 37.377.8007 e 37.377.8015, integrantes do processo administrativo fiscal n° 16327.720.083/201337. 3.2. Em complementação ao recurso, anexa documentos (efls 5193/5209) tais como escrituras públicas de declarações prestadas por funcionários (efls 5193/5196) e Ata Sumária de Assembléia Geral realizada em 27 de março de 2008 (efls 5197/5198), que deliberou sobre a reforma do Regulamento do Plano de Opção de Compra de Ações Performance (efls 5199/5209). 3.3. Em petição anexada às efls 5483/5484), consta pedido de desistência parcial em relação ao levantamento "PP Previdência". É o relatório. Voto Fl. 5546DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.536 23 Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. PPRREEJJUUDDIICCIIAALL DDEE MMÉÉRRIITTOO DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA PPAARRCCIIAALL DDOO DDÉÉBBIITTOO PPAAGGAAMMEENNTTOO AANNTTEECCIIPPAADDOO AAPPLLIICCAAÇÇÃÃOO DDOO AARRTT.. 115500,, §§44°°,, DDOO CCTTNN 5. É alegado pela Recorrente que teria se consumado a decadência com relação ao mês de janeiro de 2008, tanto em relação aos créditos tributários relativos à obrigação principal como pela exigência da multa pelo descumprimento da correspondente obrigação acessória, objeto do auto de infração n. 37.377.8015, tendo em vista o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, §4° do CTN. 5.1. Sustenta que procedeu ao recolhimento, relativamente ao período autuado, das contribuições previdenciárias que entendia devidas, tendo juntado comprovantes de recolhimento do mês de janeiro de 2008 (efls 5052/5053) que entende aptos a comprovar a existência de pagamento antecipado. 5.2. Ao pleitear a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º do CTN, assiste parcial razão ao Recorrente, no que respeita aos autos de infração de obrigações principais, mas não em relação ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Vejamos. 5.3. No caso dos autos, as cópias das guias GPS anexadas (efls 5052/5053), assim como o ateste da autoridade fiscal observado em campo específico do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (efls 4932/4933) de ter procedido o exame de guias de recolhimento, constituem evidências seguras para se formar a convicção de ter sido feito pagamento antecipado de contribuições previdenciárias. AAIIOOPP 3377..337777..77999900 ee AAIIOOPP 3377..337777..88000077 5.4. No que respeita às obrigações principais lançadas no AIOP 37.377.7990 e AIOP 37.377.8007, assiste razão à Recorrente ao pleitear a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º do CTN. 5.5. Tendo a ciência do lançamento ocorrida em 21/02/2013, e o crédito lançado abrangido o período compreendido entre 01/2008 a 12/2008; considerando, ainda, ausência nos autos de elementos indicativos de dolo, fraude ou simulação, e formada a convicção sobre a antecipação do pagamento do tributo, independentemente do título da rubrica, assiste parcial razão à Recorrente ao pleitear o reconhecimento da decadência com relação à competência 01/2008, mas frisese, somente no que respeita às obrigações principais. 5.6. Nesse sentido, o enunciado da Súmula CARF nº 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste Fl. 5547DF CARF MF 24 recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. AAIIOOAA 3377..337777..88001155 5.7. Situação distinta se verifica no caso do AIOA n.º 37.377.8015. Não se cogita de se falar em decadência, pois se trata de lavratura para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, devendo, neste caso, a decadência ser aferida pela regra estatuída no artigo 173, inciso I do CTN. 5.8. O período do lançamento compreendido entre 01/2008 e 12/2008, e a ciência tendo se operado em 21/02/2013, verificase que ao se aplicar o disposto no artigo 173, inciso I do CTN ao AIOA nº 37.377.8015, não há qualquer competência fulminada pela decadência. 5.9. Para concluir a análise da prejudicial, em síntese, devese reconhecer extintas pela decadência as contribuições lançadas exclusivamente ns autosdeinfração de obrigações principais, ou seja, AIOP 37.377.7990 e AIOP 37.377.8007 relativas à competência 01/2008. MMÉÉRRIITTOO DDAA NNÃÃOOIINNCCIIDDÊÊNNCCIIAA DDAA CCOONNTTRRIIBBUUIIÇÇÃÃOO PPRREEVVIIDDEENNCCIIÁÁRRIIAA SSOOBBRREE OOPPÇÇÕÕEESS DDEE CCOOMMPPRRAA DDEE AAÇÇÕÕEESS//UUNNIITTSS 6. No que respeita a esta parte da autuação, a decisão de primeira instância assim se pronuncia: 23.13. Quanto à outorga das opções de compra de ações para trabalhadores, essa se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, pois no momento da outorga há apenas uma expectativa de direito com relação ao exercício das opções, direito este condicionado a uma situação temporal (cumprimento do prazo de carência) e, a uma situação laborativa (manutenção da prestação de serviço do trabalhador). (...) 23.17. As outorgas de opções de units para os trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que ocorre o vencimento do prazo de carência, que é o momento do implemento da condição suspensiva contratual. Não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções que detinha. À luz do a art. 125 do Código Civil Brasileiro, Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o direito do trabalhador está constituído na data do vencimento do seu prazo de carência e, de acordo com o CTN (art. 117, inciso I), ai ocorreu o fato gerador sobre esse direito. (...) 23.20. Definese que o momento da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações por meio de opções de units com o a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. A base de cálculo apurada é a mensurável nessa mesma data. 23.21. Assim, não tem cabimento o argumento, segundo o qual, a impugnante não teria efetuado nenhuma espécie de pagamento aos beneficiários dos programas de opção de compra de ações, não se podendo perder de vista que o ato de se outorgar um direito de se subscrever ações de uma companhia por um preço inferior ao de mercado, em contraprestação ao serviço prestado, consiste em remunerar. 23.22. Pouco importa se o beneficiado exerceu, ou não, este direito , o fato é que, no termo do período de carência, com o implemento da condição suspensiva Fl. 5548DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.537 25 acima citada, o beneficiado adquiriu um bem, correspondente a um direito, que tem valor econômico e que gera acréscimo patrimonial. Tal valor econômico corresponde à diferença entre o valor de mercado da ação, na data do termino de carência (quando as ações poderiam ser adquiridas), e o valor de subscrição, preestabelecido no contrato de outorga. Se aquele for superior a este, obviamente o beneficiado tem um acréscimo patrimonial, correspondente à remuneração em virtude do trabalho prestado anteriormente (durante o período de carência) e, conseqüentemente, também houve a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária previdenciária. Caso contrário, evidentemente, não houve acréscimo patrimonial e tampouco remuneração, não havendo que se falar em fato gerador de obrigação tributária previdenciária. 7. Este Colegiado já teve a oportunidade de analisar a matéria, e o entendimento majoritário dos Conselheiros firmou posicionamento em que a base de cálculo, tanto na incidência da contribuição previdenciária, como na do IRPF, se apura mediante a diferença entre o valor de mercado na data do efetivo exercício e o preço no momento do exercício das opções, também estabelecendo o aspecto temporal do fato gerador. 7.1. Afigurase elucidativo, transcrever, com a devida permissão do Conselheiro João Maurício Vital, parte da fundamentação contido no voto vencedor proferido no Acórdão nº 2301005.752, destacadamente, na parte que perfaz a análise do aspecto temporal do fato gerador: O fato gerador do Imposto sobre a Renda ou Proventos de Qualquer Natureza é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. A renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os proventos são acréscimos patrimoniais que não sejam renda5. Para efeito de se estabelecer o aspecto temporal do fato gerador, portanto, devese identificar o momento em que houve o acréscimo ao patrimônio do sujeito passivo, caracterizandose, assim, a percepção de proventos. Esse momento, no caso de stock options, ocorre quando o sujeito passivo exercita o direito que lhe foi outorgado e adquire as ações. A partir de então, mesmo que, eventualmente, haja limitações para que as ações sejam negociadas, elas já integram o patrimônio sujeito passivo, que passa a ter direito a dividendos, pode alugálas, entram na sucessão, podem ser penhoradas e dadas em garantia; enfim, estão sujeitas a várias conseqüências da propriedade. Entendo, ainda, que eventual cláusula de limitação temporária de venda das ações recebidas não torna condicionado o negócio jurídico, pois a tradição dos títulos terá ocorrido e dela decorrerão os efeitos jurídicos próprios. Portanto, ainda que haja cláusula de lock up, não vejo, na espécie, a hipótese do inc.I do art. 117 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Uma vez exercida a opção, ela não será desfeita e, por conseguinte, a situação estará definitivamente constituída, nos termos do inc. II do art. 116 do mesmo diploma. Fl. 5549DF CARF MF 26 Quanto ao aspecto quantitativo do fato gerador, entendo que corresponde ao quantum acrescido ao patrimônio do indivíduo. Esse valor é o preço de mercado da ação no dia do exercício da opção, pois é por esse montante que o título passa a compor o ativo do beneficiado e é, inclusive, o curso histórico para efeito de apuração de eventual ganho de capital quando e se o ativo for vendido. Porém, como no caso dos autos, em havendo valores pagos para o exercício da opção eles devem ser abatidos do preço de mercado do ativo adquirido, isso porque os pagamentos para o exercício da opção são eventos permutativos que alteram apenas qualitativamente o patrimônio, sem aumentálo. 7.2. Assim, verificada a incongruência da autuação no que respeita ao critério elegido na determinação do momento do fato gerador, no que respeita às remunerações pagas na forma de concessão de opções de compra de units, é imperioso excluir do lançamento os levantamentos referentes a stock options (OC – OPÇÕES, OE – OPÇÕES e OE2 – OPÇÕES). MMÉÉRRIITTOO DDAA NNÃÃOO IINNCCIIDDÊÊNNCCIIAA DDAA CCOONNTTRRIIBBUUIIÇÇÃÃOO PPRREEVVIIDDEENNCCIIÁÁRRIIAA SSOOBBRREE OOSS PPAAGGAAMMEENNTTOOSS DDEE PPAARRTTIICCIIPPAAÇÇÃÃOO NNOOSS LLUUCCRROOSS EE RREESSUULLTTAADDOOSS ((PPLLRR)) 8. No mérito, detendose nas verbas pagas a título de PLR, verificada a coincidência entre as razões deduzidas no recurso voluntário e aquelas ofertadas por ocasião da impugnação, e por concordar com os fundamentos expostos na decisão recorrida, adotase como razões de decidir, o trecho do voto inserto na decisão de primeira instância, que se passa a transcrever: início da transcrição do voto inserto no Acórdão nº 1649.016 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR5 22. A Impugnante insurgese contra os valores tidos como pagos, aos seus empregados a titulo de plano de participação nos lucros e resultados, restaram claro que razão não assiste à Impugnante e, sim que o pagamento a título de “PLR – Plano Próprio” esta em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, portanto base de cálculo de contribuição previdenciária. 22.1. Consta informado no relatório fiscal e, identificados na planilha as diferentes rubricas, como das folhas de pagamentos, por competência, fls. 53/4.823, arrolando todos os beneficiários da PLR paga e, no Demonstrativo da Periodicidade dos Pagamentos de PLR podemos identificar, pelo código da rubrica e sua descrição a existência de pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil e/ou mais de dois pagamentos no mesmo ano civil, a Impugnante por sua vez alega que a parcela de pagamentos apontada pela fiscalização, supostamente efetuada acima da periodicidade fixada em lei, decorre de mero ajuste dos primeiros pagamentos realizados, ou seja, confirma o que seus documentos fiscais registraram, a não observância da periodicidade prevista na Lei 10.101/00 22.2. Em preliminar já afastamos a nulidade da autuação, no mérito a autuação deve ser mantida em sua totalidade, em estrita obediência aos ditames da 5 Efls. 5121. Fl. 5550DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.538 27 legislação, notadamente no §2º, do artigo 3º, da Lei nº 10.101/2000, que impede o pagamento a título de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Os livros fiscais e, as folhas de pagamento da empresa provaram que a periodicidade dos pagamentos foi desrespeitada. DOS PLANOS PRÓPRIOS6 22.3. Apesar da pouca tradição brasileira de adoção de sistemas de participação nos lucros (PL), o assunto foi tratado por todas as constituições do país, desde 1946. A Constituição Federal de 1946, estabelecida em seu art. 157, inciso IV: Art. 157. A legislação do trabalho e da previdência social obedecerão nos seguintes preceitos, além de outros que visem à melhoria da condição dos trabalhadores; IV – Participação obrigatória e direta do trabalhador nos lucros da empresa, nos termos e pela forma que a lei determinar. 22.4. A Constituição de 1967, em seu art. 158, V, também tratou do tema: Art. 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos de lei, visem à melhoria de sua condição social ... V – integração na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições em que forem estabelecidos. 22.5. A Emenda Constitucional de1969, praticamente repetiu em seu art. 65, V, o texto de 1967. Tais dispositivos constitucionais, de eficácia contida, ou seja, condicionados à promulgação de uma lei que retirasse tal determinação do plano dos propósitos, apesar de várias tentativas, nunca foram regulamentados por lei. 22.6. Já a Constituição de 1988, em seu art. 7º, XI, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) 22.7. Notase que o legislador Constituinte, ao estabelecer o direito à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, remeteu à lei o poder de definir as condições e requisitos aplicáveis a tal direito. Não poderia ser diferente, tendo em vista que, obviamente, o texto constitucional não poderia chegar a minúcias e detalhes, esmiuçando os critérios a serem observados na concessão de tal benefício. 22.8. Assim, a Constituição de 1988, apesar de desvincular expressamente a Participação nos Lucros das verbas salariais não é auto aplicável, tendo em vista que 6 Efls. 5121. Fl. 5551DF CARF MF 28 a norma veiculada no seu artigo 7º, inciso XI, não tem aplicabilidade imediata, dada a sua eficácia limitada. Tal qual às demais, necessitava de regulamentação, que acabou acontecendo por meio da Medida Provisória nº 794, de 29.12.94 e, por vários anos, por meio de inúmeras outras Medidas Provisórias, até que, com a Lei 10.101/2000, a matéria foi definitivamente regulamentada. Lei nº 10.101/00 Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. 22.9. Como se observa, segundo os princípios básicos da legislação que disciplina a matéria, a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa deve: 1 ser um instrumento de integração entre capital e trabalho; 2 servir como incentivo à produtividade; 3 ter regras claras e objetivas, podendo ser considerados como critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, b) programa de metas, resultados e prazos pactuados, c) não constitui base para qualquer encargo trabalhista ou previdenciário e d) a periodicidade do pagamento não poderá ser inferior a um semestre. 22.10. Por sua vez, a legislação previdenciária, mais especificamente a Lei 8.212/91 e o RPS – Decreto 3.048/99, embora considere como salário de contribuição a remuneração auferida pelo empregado, a qualquer título, destinada a retribuir o trabalho, excluiu do montante do mesmo as verbas pagas a título de participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, desde que paga ou creditada de acordo com lei específica. LEI nº 8.212/91: Art.28. Entende por salário de contribuição: (...) Fl. 5552DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.539 29 § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j – a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. 22.11. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, discrimina em seu art. 214, parágrafo 9º quais as rubricas que não integram o salário de contribuição, dispondo o parágrafo 10º do mesmo artigo: § 10º As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. 22.12. Observase que as parcelas pagas a título de participação de lucro ou resultado da empresa, a princípio deveriam fazer parte do salário de contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, tendo em vista a sua natureza remuneratória do trabalho prestado pelo empregado. Entretanto, a Lei 8.212/91, no § 9º, “j”, do seu art. 28, em cumprimento ao que dispõe o art. 7º, XI, da Constituição Federal, exclui tal verba do referido salário de contribuição. 22.13. Deve ser salientado que é a própria Constituição Federal que dispõe que a participação nos lucros ou resultados somente será desvinculada da remuneração se for paga de acordo com lei específica. Conforme foi acima enfatizado, a matéria foi regulamentada por várias medidas provisória, até ser definitivamente veiculada por meio da Lei 10.101, de 19/12/2000. 22.14. Diante dos dispositivos legais acima citados, com a regulamentação do dispositivo constitucional (art. 7º, inciso XI da CF/88), e nos termos do art. 28, §9º, “j” da Lei n.º 8.212/91, a participação nos lucros ou resultados só não terá natureza jurídica salarial, e não integrará o salário de contribuição, se for pago em conformidade com o disposto na Medida Provisória nº 794, de 29/12/1994, reeditada sucessivamente e com numeração variada até a MP nº 198277/2000, convertida posteriormente na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento da integração entre o capital e o trabalho. 22.15. Quando da elaboração dos Acordos Próprios (Planos Próprios), vários quesitos da Lei nº 10.101/2000, foram contrariados, dentre eles e conforme constam nos autos temos: ● Ausência da participação do sindicato da categoria na negociação do plano próprio e seu respectivo arquivamento na competente entidade sindical7. 22.16. Quanto à participação do representante da Categoria, melhor sorte não assiste à Impugnante, a CONTEC Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito não tem legitimidade para representar os funcionários do UNIBANCO UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S.A, assim, a ausência da CONTRAF Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, pelo não atendimento da solicitação de indicar um membro para integrar a Comissão de Negociação da PLR na reunião de negociação para 29/03/2007, não supre a falta do representante da Categoria, querendo a Impugnante poderia garantir a presença de 7 Efls. 5124. Fl. 5553DF CARF MF 30 um representante, utilizando de mecanismos próprios disponibilizados pelo Ministério do Trabalho. 22.17. Posto isto, o arquivamento do Acordo Coletivo na Contec e/ou no Ministério do Trabalho, em nada atende as necessidades da Impugnante, resta caracterizada a ausência de participação de um representante do sindicato da categoria nos acordos assinados, bem como do arquivamento na competente entidade sindical. Tais formalidades vêm expressamente previstas no art. 2º da Lei 10.101, 19/12/2000, que dispõe: Lei nº 10.101/00 Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; .(negritei) II convenção ou acordo coletivo. (...) § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores.(negritei) ● Das Regras Claras e Objetivas. Ausência de Demonstração das Métricas de Cálculo dos Pagamentos Efetivados8. 22.18. Os acordos para terem validade e irradiarem efeitos devem obedecer às disposições legais pertinentes e, conforme consta nos autos, a Impugnante não logrou demonstrar que na elaboração dos mesmos foram cumpridas as formalidades legais essenciais à sua validade, pelo contrário, a Impugnante não demonstra: (i) quais foram as regras dos programas próprios; (ii) como foram estabelecidas; (iii) sobre os direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, como foram fixados e, (iv) qual o mecanismo de aferição de cumprimento do acordado foi estabelecido. 22.18.1. Quanto à documentação apresentada à fiscalização e à juntada à Impugnação essas são insuficientes para dar guarida ao pagamento da verba como PLR, ou seja, foram elaborados documentos, que por si só não possuem o condão de validar o programa. 22.18.2. Resta claro o desconhecimento por parte dos empregados dos requisitos que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais, nada comprova a simples alegação da Impugnante de que a validação ocorreu no seu sistema virtual interno ("intranet"), que já foi desativado, o que impossibilita a apresentação das telas que comprovam a data e a hora em que os gestores e colaboradores entraram no sistema para assinatura do contrato, bem como para registrar as avaliações de desempenho, estranhase o fato de não haver uma cópia de segurança (backup) de tais documentos. ● Ausência de limite legal da PLR9 8 Efls. 5124. 9 Efls. 5125. Fl. 5554DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.540 31 22.19. Do que consta dos programas próprios notase a adoção de uma política gerencial, que atenda as expectativas da empresa e, cujo foco é unilateral, vejamos, os pagamentos apontados onde consta uma grande desproporção entre o valor da PLR paga e o próprio salário base do empregado; segundo a Impugnante os salários pagos aos seus funcionários são compatíveis com as atribuições e atividades inerentes ao cargo assumidos, sempre norteados pelos parâmetros de mercado. Ora, a verba paga a titulo de PLR acaba por ajustar as remunerações pagas aos seus empregados. 22.19.1. Admitirse que "é consenso que os profissionais do mercado financeiro são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam", não implica em reconhecer que pagamento de salário indireto, no caso, de verba a título de PLR, é uma pratica regular, pois, tal prática é ilegal. 22.19.2. Regra geral, toda verba paga ao empregado em contrapartida à prestação de serviço tem natureza salarial e a participação nos lucros e resultados não foge a esta regra, já que constitui forma de remuneração do empregado, com a qual lhe é garantida uma parcela dos lucros auferidos pelo empreendimento econômico do qual participa. Por isso mesmo, no direito comparado e também na doutrina brasileira, prevalece a teoria que a conceitua como prestação aleatória de natureza salarial. Entretanto, o Poder Constituinte, quando da elaboração da Constituição Federal de 1988, entendeu, por razões políticas e sociais, que embora de natureza salarial, esta participação não mais constitui salário no sistema legal brasileiro, desde que respeitadas certas condições estabelecidas em lei, conforme previsão expressa constante no art. 7º, inciso XI, da Carta Maior. As formalidades impostas pela Lei nº 10.101/2000 visam justamente garantir que não ocorram desvios na concessão do referido benefício. 22.20. Salientese que a PLR é um instituto único, sendo certo que todos os valores pagos sejam com fundamento nas Convenções Coletivas de Trabalho específicas de PLR, e, quanto aos valores relativos aos Acordos Próprios de PLR, estes integram o salário de contribuição pela sua totalidade. Desta forma o total dos pagamentos a título de “PLR” PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária. final da transcrição do voto inserto no Acórdão nº 1649.016 CCUUMMPPRRIIMMEENNTTOO DDOO DDIISSPPOOSSTTOO NNOO §§ 88 DDOO AARRTTIIGGOO 6633 DDOO RREEGGIIMMEENNTTOO IINNTTEERRNNOO DDOO CCAARRFF.. CCOONNSSIIDDEERRAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS AAOO IITTEEMM 33 DDOO DDIISSPPOOSSIITTIIVVOO.. 9. Dáse prosseguimento à análise de questões ventiladas no recurso voluntário, relacionadas à parte do lançamento que diz respeito aos pagamentos de participação nos lucros e resultados (PLR). Após ter sido deferida postulação feita da tribuna, a coleta de votos dos conselheiros foi feita de forma segmentada, procurandose observar grau de correspondência com critérios estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000, tendo sido proclamado o resultado exarado no item 3 do dispositivo, assim redigido: 3) por maioria de votos, manter o lançamento em relação aos valores pagos a título de PLR, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento na matéria; votaram pelas conclusões: a) os conselheiros Reginaldo Paixão Emos, Cleber Ferreira Nunes Leite, José Fl. 5555DF CARF MF 32 Alfredo Duarte Filho e João Maurício Vital que entenderam ter havido participação do sindicato no acordo de PLR; b) os conselheiros João Maurício Vital, Reginaldo Paixão Emos e Cleber Ferreira Nunes Leite que entenderam que a inobservância da periodicidade afeta apenas os beneficiários que receberam além de duas parcelas anuais; c) o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que entendeu que a inobservância da periodicidade afeta apenas a terceira parcela paga aos beneficiários, e d) os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite e José Alfredo Duarte Filho que entenderam ter havido regras claras e de conhecimento dos beneficiários para pagamento da PLR. 9.1. Diante do resultado supra transcrito, impõese o acréscimo do presente tópico (item 9), assim como as considerações delineadas nos subitens 9.2 a 9.5 infra, para fins de se observar a norma estatuída pelo § 8º do artigo 63 do Regimento Interno do CARF: § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. PPAARRTTIICCIIPPAAÇÇÃÃOO DDOO SSIINNDDIICCAATTOO 9.2. O programa de PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados mediante comissão de empregados e empregador, integrada, também, por representante do sindicato da categoria profissional. 9.2.1. No caso sob exame, foi prevalecente no Colegiado o entendimento favorável à postulação do Recorrente, pelos fundamentos a seguir: 9.2.1.1. Primeiro, pela constatação de que a Recorrente adotou as cautelas necessárias para o comparecimento de representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro CONTRAF (sindicato da categoria profissional). 9.2.1.2. Em segundo lugar, levando em conta a decisão prolatada pela 18ª Vara do Trabalho de Brasília no mandado de segurança nº 0033700022006.5.10.0018, em que foi concedida segurança para tornar sem efeito o ato de concessão do registro sindical da CONTRAF. 9.2.2. Assim, à exceção do relator e do conselheiro Virgilio Cansino Gil, a maioria dos integrantes do Colegiado entendeu que a participação de representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito CONTEC tem aptidão para suprir a condição legal estabelecida no estabelecida no artigo 2º, inciso I, da Lei nº 10.101/2000. PPEERRIIOODDIICCIIDDAADDEE DDEE PPAAGGAAMMEENNTTOOSS 9.3. Com base nas informações produzidas pela fiscalização, destacadamente, no Demonstrativo da Periodicidade dos Pagamentos (efls 53/4823), constatouse a existência de pagamentos feitos a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil e/ou mais de dois pagamentos no mesmo ano civil, tendo o colegiado entendido que houve descumprimento da condição estabelecida no §2º, do artigo 3º, da Lei nº 10.101/2000. 9.3.1. Detendose na redação das alíneas "b" e "c" do dispositivo, podese divisar que a questão controversa nele retratada diz respeito aos efeitos decorrentes da eventual Fl. 5556DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.541 33 inobservância do critério legal da periodicidade, tendo em vista situações peculiares de beneficiários que teriam recebido três pagamentos dentro do mesmo ano e de outros que receberam dois pagamentos no mesmo semestre, nos termos da constatação exposta no item 5.15 (efls. 4884) do Relatório Fiscal. 9.3.2. No entendimento dos conselheiros João Maurício Vital, Reginaldo Paixão Emos e Cleber Ferreira Nunes Leite, na eventualidade de inobservância específica deste critério (periodicidade), integraria o saláriodecontribuição o somatório das parcelas pagas a título de PLR em relação ao conjunto de segurados que tivesse recebido mais de duas parcelas anuais. 9.3.3. Quanto aos efeitos da inobservância do critério da periodicidade, no entendimento do conselheiro José Alfredo Duarte Filho, integraria o saláriodecontribuição os montantes pagos a partir da terceira parcela anual em benefício do conjunto de segurados que eventualmente a recebessem. 9.3.4. Registrese que os posicionamentos referidos nos subitens 9.3.2 e 9.3.3, por se referir unicamente ao descumprimento de requisito estabelecido no §2º, do artigo 3º, da Lei nº 10.101/2000, não tem nenhuma eficácia para fins da execução do presente acórdão (ver subitem 9.5 infra). RREEGGRRAASS CCLLAARRAASS EE DDEE PPRRÉÉVVIIOO CCOONNHHEECCIIMMEENNTTOO DDOOSS BBEENNEEFFIICCIIÁÁRRIIOOSS 9.4. A deliberação feita pelo Colegiado teve por abrangência a análise sobre a existência de regras claras e objetivas, assim como sobre o conhecimento prévio por parte dos trabalhadores do programa, das regras estipuladas e prazos para cumprimentos da meta. 9.4.1. Considerandose a natureza da atividade econômica desenvolvida pela Recorrente, e por conseqüência, a necessária cautela esperada das instituições financeiras para garantir a higidez das informações registradas nos bancos de dados dos sistemas informatizados por elas administrados, parecenos descabida de verossimilhança a alegação acerca da impossibilidade de resgatar informações comprobatórias registradas na página eletrônica interna (intranet). É a opinião deste relator no que tange à prova do conhecimento prévio por parte dos trabalhadores. 9.4.2. Registrese que parte dos integrantes do Colegiado formou convicção no sentido contrário, qual seja, sobre a existência de regras claras e de conhecimento prévio dos empregados com base em depoimentos feitos por funcionários da Recorrente no âmbito da Ação Cautelar de Justificação (efls. 5253/5319). 9.4.3. Porém, como se pode observar pela redação da alínea "d" do dispositivo transcrito, acabou prevalecendo nessa matéria, por voto de qualidade, o posicionamento do Relator. PPLLRR NNÃÃOO SSUUBBSSTTIITTUUII OOUU CCOOMMPPLLEEMMEENNTTAAAA RREEMMUUNNEERRAAÇÇÃÃOO DDEEVVIIDDAA AA QQUUAALLQQUUEERR EEMMPPRREEGGAADDOO 9.5. A questão decisiva para o Colegiado manter o lançamento em relação aos valores pagos a título de PLR guarda correspondência com os fatos articulados nos itens 5.41 a 5.51 (efls 4892/4895) do Relatório Fiscal. Como se pode extrair do item 5.42 (efls 4892): Fl. 5557DF CARF MF 34 5.42 Do exame das folhas de pagamento, observaramse diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados, paga com base no Acordo Próprio, excedia em dezenas de vezes o valor do salário base (do ordenado) do próprio empregado, como destacados por amostragem no Demonstrativo — PLR x Ordenado. 9.5.1. A partir do exame do Demonstrativo PLR x Ordenado (efls 4824/4835), ao se deparar com evidencias robustas de utilização deturpada do instituto (PLR), como forma de pagamento disfarçado de remuneração, a maioria dos integrantes do Colegiado formou convicção segura no sentido de reconhecer, no caso dos autos, a violação expressa do artigo do artigo 3º caput da Lei nº 10.101/2000. Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. 9.5.2. A maioria dos conselheiros confirmou, pois, o entendimento apontado pela fiscalização e assentido pela decisão de primeira instância, ao decidir que o PLR não pode substituir ou complementar a remuneração nos termos do artigo 3º caput da Lei nº 10.101/2000. DDAA MMUULLTTAA PPEELLOO DDEESSCCUUMMPPRRIIMMEENNTTOO DDEE OOBBRRIIGGAAÇÇÃÃOO AACCEESSSSÓÓRRIIAA ((AAIIOOAA NN°° 3377..337777..88001155)) 10. No caso concreto, tendo havido a lavratura de AIOP (DEBCAD n.º 37.377.7990) juntamente com a de AIOA (DEBCAD nº 37.377.8015), verificase a aplicabilidade do enunciado da Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. 10.1. A análise minuciosa exposta na decisão de primeira instância, especificamente no item 28, subitens 28.1 a 28.7 (efls 5141/5143), no que respeita à materialidade da infração, assim como no item 29, subitens 29.1 a 29.13 (efls 5143/5145), no que respeita à aplicação da retroatividade benigna no cálculo da multa, se mostra em perfeita sintonia com o enunciado da Súmula CARF nº 119. 10.2. Esclareçase que a decisão deste Colegiado relativa à exclusão dos levantamentos referente a stock options no autodeinfração de obrigações principais (subitem 7.2 supra), terá reflexos no cálculo da multa no AIOA nº 37.377.8015, de modo a se excluir da base de cálculo da multa, na sistemática vigente à época dos fatos geradores, os valores relativos à stock options. DDeemmaaiiss qquueessttõõeess ddee mméérriittoo Fl. 5558DF CARF MF Processo nº 16327.720083/201337 Acórdão n.º 2301005.988 S2C3T1 Fl. 5.542 35 11. Para encerrar a análise das questões de mérito, no que respeita ao pleito de não incidência de juros sobre a multa de ofício, a questão já está pacificada no âmbito deste Colegiado: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 12. Pelo exposto, voto por reconhecer extintas pela decadência as contribuições lançadas exclusivamente nos autosdeinfração de obrigações principais, ou seja, AIOP 37.377.7990 e AIOP 37.377.8007 relativas à competência 01/2008, e no mérito, dar parcial provimento para, em relação às remunerações pagas na forma de concessão de opções de compra de units excluir do lançamento o levantamento referente a stock options. 12.1. Quanto à multa, voto por excluir da base de cálculo da multa (AIOA nº 37.377.8015), na sistemática vigente à época dos fatos geradores, os valores relativos à stock options, e aplicar a Súmula CARF nº 119. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 5559DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.902464/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 24 64 /2 01 5- 99 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10680.902464/201599 Acórdão n.º 1401003.209 S1C4T1 Fl. 3 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de inconformidade, alegando que: Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício, verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte encerrou o exercício com prejuízo; O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito. Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos efetuados de forma indevida ou a maior. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10680.902464/201599 Acórdão n.º 1401003.209 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que, no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram se em crédito em benefício da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10680.902464/201599 Acórdão n.º 1401003.209 S1C4T1 Fl. 5 4 3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401 003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10680.902464/201599 Acórdão n.º 1401003.209 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10680.902464/201599 Acórdão n.º 1401003.209 S1C4T1 Fl. 7 6 despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10680.902464/201599 Acórdão n.º 1401003.209 S1C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10680.902464/201599 Acórdão n.º 1401003.209 S1C4T1 Fl. 9 8 Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900491/2008-54
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
INFORMAÇÃO NECESSÁRIA; NÃO SUFICIENTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO.
A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento saldo negativo, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas, Exegese da Súmula CARF n.º 92.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 INFORMAÇÃO NECESSÁRIA; NÃO SUFICIENTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento saldo negativo, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas, Exegese da Súmula CARF n.º 92. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento saldo negativo, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas, Exegese da Súmula CARF n.º 92. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 04 91 /2 00 8- 54 Fl. 68DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 11.35.825, de 22 de dezembro de 2011, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Por bem retratar os fatos até o momento processual anterior ao julgamento da Manifestação de Inconformidade e por economia processual, transcrevo e adoto o relatório contido no acórdão a quo, complementado mais adiante: "A interessada acima qualificada apresentou o PER DCOMP n° 06114.41074.101006.1.7.023149 (fls. 01/06), por meio do qual compensou crédito do IRPJ, do período de apuração de 01/01/2002 a 31/12/2002, com os débitos relacionados. O crédito informado, no valor original de R$ 34.327,52, seria decorrente de saldo negativo do IRPJ do exercício de 2003. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, As fls. 08, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada no PER/DCOMP se fundamentando no fato de o valor informado na DIPJ (saldo negativo de R$ 55.507,73) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 34.327,52. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, As fls. 12/13, alegando que: na DIPJ do ano calendário de 2001, exercício de 2002, entregue em 28/06/2002, a Impugnante apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 34.327,52. Apurado o saldo negativo, tem a contribuinte o direito a compensar os débitos dos impostos administrados pela Receita Federal do Brasil, a partir do ano calendário seguinte, ou seja, 2002. Determinado o crédito, a Impugnante, a partir do período de apuração de junho de 2002 em diante, passou a utilizar o saldo negativo para compensação dos débitos apurados por estimativa mensal do próprio IRPJ, conforme tabela As fls. 13. Diferença do valor apurado para o valor compensado no ano calendário de 2003, R$ 48,95 foi pago em 30/11/2002; a Impugnante, em tempo hábil, procedeu com a elaboração e entrega do PER/DCOMP de n°06114.41074.101006.1.7.023149, para demonstrar que os débitos de IRPJ estimativa dos meses de junho/2002 a Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10480.900491/200854 Acórdão n.º 1003000.671 S1C0T3 Fl. 68 3 novembro/2002 foram compensados com o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001; requereu que se desconsidere a decisão de não homologar as compensações feitas no PER/DCOMP, bem como requereu que em caso de dúvida se interprete a norma jurídica da forma mais favorável à Impugnante (art. 112 do CTN), se houve ou não saldo negativo do IRPJ referente ao ano calendário 2002, exercício 2003, em montante suficiente para absorver os valores compensados. Nestes termos, pediu deferimento." A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. AUTORIDADE COMPETENTE. RITO PROCEDIMENTAL. Retificação de um PER/Dcomp não pode ser manuseada por via da manifestação de inconformidade. O PER/Dcomp somente pode ser retificado antes de adoção de decisão administrativa em torno do pleito dele constante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme consta em despacho a efl. 66, o recurso voluntário foi tempestivamente protocolado em 05/04/2012. Nas razões recursais a Recorrente alega, em síntese o seguinte: Que nos períodos de apuração de 2001 e 2002 optou por apurar o imposto sobre a renda sob a forma de lucro real por estimativa mensal; Que, embora tenha elaborado as declarações de compensação com algumas incorreções e equívocos, na sua manifestação de inconformidade justificou a existência dos créditos através de suas DIPJs, não logrando contudo convencer os julgadores na 1ª instância da legitimidade das compensações efetuadas; Que para demonstrar a liquidez e certeza do crédito oriundo de saldo negativo do IRPJ e CSLL acosta as DIPJs que não tinham sido contestadas pela RFB, pelo que entende ter direito ao crédito; Que comprova a existência dos créditos oriundos dos saldos negativos com os pagamentos de estimativas realizados no período para robustecer o direito que pretende ver reconhecido; Fl. 70DF CARF MF 4 Entende que o indeferimento das compensações sem atentar para os esclarecimentos produzidos e as informações contidas na DIPJ atenta contra o princípio basilar do processo administrativo tributário da verdade material. Apresentou jurisprudência do CARF, que entende embasaria a sua tese. No pedido, requer a homologação da compensação efetuado no PER/DCOMP n° 06114.41074.101006.1.7.023149. É o Relatório no essencial. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Verificase que a justificativa apresentada pela Recorrente é que teria se equivocado ao informar na PER/DCOMP que o crédito de saldo negativo de IRPJ seria do exercício 2003 (período de apuração 01/01/2002 a 31/01/2002) e não do exercício 2002 (período de apuração 01/01/2002 a 31/01/2002). A Recorrente foi intimada, antes de prolatado o Despacho Decisório, a retificar a DIPJ ou o PER/DCOMP (efl.9), contudo a contribuinte não retificou nem a DIPJ/2003, pois permanece com o saldo negativo do IRPJ no valor de (R$ 55.507,73) (fls. 29/30); nem o PER/DCOMP conforme constatado pelos julgadores da 1° instância de julgamento. Tampouco nesta fase recursal a Recorrente apresentou justificativas para a não retificação tempestiva (antes da emissão do Despacho Decisório) do PER/DCOMP, eis que a Recorrente afirma que as informações contidas na DIPJ estão corretas. Verifico que o suposto saldo negativo está baseado na informação prestada na Ficha 12A da DIPJ 2002, entregue em 28/06/2002 (efl.17), no qual consta saldo negativo de imposto de renda no valor de R$ 34.327,52, informação essa que, segundo a Recorrente, embasaria o crédito informado no PER/DCOMP. A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de saldo negativo, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Esse o entendimento pacificado neste Colegiado, conforme súmula vinculante abaixo transcrito: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10480.900491/200854 Acórdão n.º 1003000.671 S1C0T3 Fl. 69 5 Concluise portanto que não é possível confirmar o direito de compensação de saldo negativo de imposto de renda apenas com informação contida na DIPJ, eis que não tem natureza jurídica de tributo lançado. Além da informação prestada na DIPJ, a Recorrente deveria ter apresentado para a defesa de seus interesses outras provas indispensáveis para atestar a legitimidade do direito vindicado, como Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real, balancetes transcritos na sua escrita contábil, quadro analítico descritivo e detalhado do suposto crédito e as declarações fiscais do período com eles relacionados (DCTF, DACON, etc). O embasamento está no Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 2o). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 3o). A obrigatoriedade de apresentação das provas pela Recorrente está arrimada no Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Com efeito, no âmbito administrativo fiscal, o ônus de provar o direito ao suposto crédito, incumbe a Recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto 70.235/72: (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 72DF CARF MF 6 b) refirase: a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; e que a Recorrente não apresentou documentos capazes de confirmar o crédito tributário vindicato, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901678/2014-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 16 78 /2 01 4- 36 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10675.901678/201436 Acórdão n.º 1201002.741 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1278.024, pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 268,05 a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2011 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Descabe a restituição de pagamento supostamente indevido quando o sujeito passivo não logra demonstrar a irregularidade do recolhimento. Cientificado dessa última decisão em 06/08/2015, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em 03/09/2015, por meio do qual tece as seguintes considerações: No presente caso, a recorrente demonstrou que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG, inscrita no CNPJ n° 17.194.853/0001 04, emitindo nota fiscal (doc. 1); Que ao realizar o pagamento referente a nota emitida, a fonte pagadora, promoveu a retenção dos impostos devidos, conforme comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de impostos devidamente identificados em anexo (doc. 2); Ocorre, que a recorrente, equivocadamente, também recolheu tal imposto do referido período, ocasionando com isso, pagamento em duplicidade do mesmo imposto, conforme comprovante de recolhimento/pagamento em anexo (doc. 3). Vale ressaltar, que o valor do tributo recolhido referente a nota fiscal emitida pela recorrente acima citada, está embutido no DARF devidamente pago em anexo (doc. 3). Conforme os fatos relatados e documentos acostados, a recorrente produziu provas que comprovam o pagamento realizado em duplicidade de imposto. Em razão disso, deve ser o referido valor ser restituído ou compensado com imposto vincendo, conforme determinação legal. Com isso, requereu a reforma de decisão recorrida, para que seja deferida a restituição declarada. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10675.901678/201436 Acórdão n.º 1201002.741 S1C2T1 Fl. 4 3 Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio de relatório. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1201002.734, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/2014 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.734): O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente afirma que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG que, ao realizar o pagamento do serviço, promoveu a retenção do IRRF. Afirma, ainda, que realizou o pagamento do IRPJ do correspondente período, em que "está embutido" o tributo referente ao supracitado serviço, o que caracterizaria a duplicidade de pagamento. A decisão recorrida entendeu que não havia pagamento em duplicidade em razão do fato de o contribuinte ter recolhido IRPJ pelo lucro presumido, apurado conforme sua própria declaração. Na primeira vez em que o colegiado se reuniu para decidir o feito, o processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.457. A diligência foi cumprida e reduzida a termo por meio da informação fiscal de fls. 78, em que a autoridade fiscal manifestouse no sentido de que o contribuinte cometeu um erro formal e que há pagamento a maior de tributo, nos seguintes termos: Concluindo, constatase que estamos diante de um erro formal caracterizado pela ausência de informação quanto à dedução do valor do IRRF, o que prejudicou a Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10675.901678/201436 Acórdão n.º 1201002.741 S1C2T1 Fl. 5 4 correta apuração do valor do imposto de renda a pagar, o que poderia ter sido solucionado com a retificação da DIPJ e da DCTF, o que não ocorreu. Todavia, adotandose o princípio da verdade material em detrimento do aspecto meramente formal entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de fato do direito creditório, uma vez comprovado a ocorrência de erro de fato e que realmente o pagamento foi feito a maior, no valor pleiteado de R$ 199,39, por falta de dedução do IRRF. Assim entendo que a contribuinte faz jus à restituição do imposto de renda pessoa jurídica, pleiteado no PER nº 06655.10092.131213.1.2.049517, em analise no presente processo. Acato a conclusão da autoridade fiscal e reconheço o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.101292/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO.
Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao contribuinte não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência da COFINS do regime não-cumulativo sobre eles.
Numero da decisão: 3301-006.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Ausente a conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao contribuinte não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência da COFINS do regime nãocumulativo sobre eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Ausente a conselheira Liziane Angelotti Meira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 12 92 /2 00 6- 62 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 434 2 Relatório Os autos decorrem de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação da COFINS – Não Cumulativa, PER/DCOMP nº 2119952867.260906.1.5.097126, referente ao 2º trimestre de 2006, em decorrência de Crédito da Contribuição para a COFINS Exportação (parágrafo l° do art. 6° da Lei n° 10.833/2003), no valor de R$ 782.328,69. A Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo/RS, por meio do Despacho Decisório DRF/NHO/2007, reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 708.385,24, restando indeferido um saldo no valor de R$ 73.970,45. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe, que reconheceu parcialmente o direito creditório. Para complementar este relatório e por expor adequadamente os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual passo a transcrever: A contribuinte supracitada solicitou ressarcimento de COFINS não cumulativa dos meses de abril a junho de 2006 para fins de ressarcimento/compensação, conforme consta nos autos. A DRF de origem analisou o pleito da contribuinte, tendo deferido parcialmente o ressarcimento, conforme Relatório Fiscal e Despacho Decisório, de fls.201 a 215. A glosa parcial do ressarcimento ocorre porque a contribuinte não ofereceu à tributação as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICMS. Irresignada, apresenta manifestação de inconformidade, de fls.293 a 305. Nesta, alega que os benefícios fiscais estaduais recebidos (valores de ICMS a serem utilizados na compensação com débitos do mesmo imposto), sob a forma de subvenção para investimento, não são receita bruta, pois estas são somente as receitas operacionais. As subvenções são classificadas como reserva de capital e não passam pela apuração do resultado do exercício, nos termos da Lei 6.404/1976, não sendo passível a tributação de contas do Patrimônio Líquido pela contribuição. Traz jurisprudência favorável a sua tese de defesa. Para fins de argumentação, alega que os créditos de ICMS presumidos, decorrentes da aplicação de um percentual sobre as vendas efetuadas, são abarcados pelo princípio da nãocumulatividade (art.155,§2º, inciso I, da Constituição), devendo ter o mesmo tratamento, haja vista que não se constituem em receita, mas em diminuição do custo dos produtos fabricados. Caso ainda seja aceita a tributação sobre as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICM, requer que os valores que lhe dariam crédito de ICMS na entrada dos produtos, mas não lhe deram, pois pela sistemática do benefício fiscal fica impedido o creditamento na entrada, somente permitindo na saída, através de um percentual sobre o ICMS devido. Isto porque estes valores serviriam de crédito da contribuição e não foram considerados pela DRF de origem na apuração dos valores do ressarcimento. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 435 3 Ainda requer que a correção monetária do crédito já reconhecido e o requerido na manifestação de inconformidade do período existente entre a requisição do crédito e o efetivo ressarcimento/compensação, através da taxa SELIC (art.39 da Lei 9.250/1995), conforme jurisprudência. Por fim, solicita a suspensão da exigibilidade dos débitos que estão vinculados ao créditos complementar não deferido e requerido na manifestação de inconformidade, nos termos do art.74, §11º, da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 10.833/2003. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre DRJ/POA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve a decisão proferida pela delegacia de origem, conforme Acórdão nº 1027.406, datado de 16/09/2010, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SUBVENÇÕES INCIDÊNCIA. Sendo as subvenções, tanto as para investimento quanto as correntes para custeio, integrantes, respectivamente, dos resultados nãooperacionais e operacionais das pessoas jurídicas, resulta que, em qualquer das situações, comporão a base de cálculo do PIS e da COFINS. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente cientificada do Acórdão DRJ, a contribuinte, inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário, onde repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, além de suscitar a nulidade da decisão da DRJ Porto Alegre, em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. É o relatório. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 436 4 Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais pressuposto de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à incidência, ou não, da COFINS, regime nãocumulatividade (previsto na Lei nº 10.833/2003), sobre os valores decorrentes de incentivos fiscais de ICMS recebidos do Governo da Bahia, no programa denominado “Probahia”. Sobre o assunto, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por intermédio do Acórdão 9303005.399, de 25/07/2017, exarado no curso do Processo Administrativo nº 11065.101290/200673, já se pronunciou no sentido de os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao contribuinte não constituírem receita bruta para fins de incidência do PIS e da COFINS do regime nãocumulativo, consoante ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao Contribuinte não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime nãocumulativo sobre os mesmos. Destaquese que o referido acórdão apreciou lide cujo objeto engloba o mesmo contribuinte (VIA UNO S/A CALÇADOS E ACESSÓRIOS), mesma matéria (glosa parcial do ressarcimento porque a contribuinte não ofereceu à tributação as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICMS) e mesmo período de apuração (2º trimestre de 2006), divergindo apenas quanto ao tributo que originou o crédito (PIS, enquanto aqui se discute a Cofins, embora em sua ementa tenha ampliado a apreciação também para a Cofins, em razão de a legislação sob análise ser aplicada aos dois tributos). Assim, por ali englobar a análise integral das alegações constantes do recurso aqui apreciado, entendo que a solução a ser dada ao presente processo seja a mesma daquele, em razão da coincidência do objeto central dos feitos amoldarse ao disposto no art. 6º, §1º, inciso I, do Anexo II, do RICARF vigente: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 437 5 em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Ademais, analisando o v. Acórdão nº 9303005.399, verificase que a Recorrente traz argumentações muito semelhantes senão idênticas àquelas trazidas nestes autos. Não há dúvidas sobre a correta constatação de existência de conexão e não foi possível constatar o motivo do não julgamento em conjunto dos autos neste Conselho, visto que ambos foram encaminhados ao CARF pela unidade de origem por despachos contemporâneos: aqueles autos, em 03/01/2011, conforme sua fl. 297; estes, em 05.01.2011, consoante provado à fl. 430. Apesar de tal falha, não existe prejuízo à higidez processual e ao alcance do conteúdo normativo do art. 6º do Anexo II do RICARF, devendo este Conselheiro, para evitar decisões institucionalmente conflitantes sobre o mesmo objeto de jurisdição, adotar a conclusão e o resultado do v. Acórdão nº 9303005.399, que concluiu pela não inclusão do crédito presumido de ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins. Diante das razões acima, reproduzse a seguir os termos meritórios da r. decisão, definitiva, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: No mérito, cingese a controvérsia: à impossibilidade de cobrança do PIS/Pasep sem o devido lançamento de ofício; e à inclusão ou não das receitas de subvenção (benefícios fiscais de créditos presumidos de ICMS) na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep apurada pela sistemática da nãocumulatividade. Em razão do entendimento de que não devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep na sistemática nãocumulativa os valores relativos aos créditos presumidos de ICMS, auferidos em razão do programa de incentivo fiscal PROBAHIA, iniciarse a análise do recurso especial por este tema, passando se à necessidade de lançamento de ofício na hipótese de restar vencido na votação pelo Colegiado. Natureza jurídica do incentivo fiscal (crédito presumido de ICMS) e não incidência do PIS nãocumulativo Ponto crucial na análise do presente tema é perquirirse se o valor que se pretende tributar pode ser conceituado como receita, pois esse o critério que definirá a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, nos termos do que dispôs o legislador nos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, mais importante que a classificação contábil do incentivo em tela, é a definição de sua natureza jurídica, pois dela dependerá o seu regime jurídico de tributação. Deixou claro o legislador que a essência assume maior relevância que a forma, indicando que a tributação não dependerá de o valor estar registrado como receita, mas sim que o mesmo seja efetivamente uma receita. Visando à melhor compreensão da natureza dos valores objeto do litígio, importa tecer algumas considerações sobre as características singulares dos benefícios fiscais concedidos pelos Governos Estaduais na forma de subvenções de ICMS. Conforme consignado no acórdão recorrido, o incentivo fiscal em análise foi concedido pelo Estado da Bahia, com fulcro na Lei Estadual nº 7.025/1997, alterada Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 438 6 pela Lei Estadual nº 7.138/1997 e regulamentado pelo Decreto Estadual nº 6.734/1997, cujo artigo 1º dispõe sobre a concessão do benefício, e as condições para a obtenção e fruição do mesmo: Art. 1º Fica concedido crédito presumido nas operações de saídas dos seguintes produtos montados ou fabricados neste Estado e nos percentuais a saber: I veículos automotores, bicicletas e triciclos, inclusive seus componentes, partes, peças, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados pneumáticos e acessórios: a) 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente, nos 5 (cinco) primeiros anos de produção; b) 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento) do imposto incidente, do sexto ao décimo ano de produção; II calçados e seus componentes, bolsas, cintos e artigos de malharia: até 99% (noventa e nove por cento) do imposto incidente durante o período de até 20 (vinte) anos de produção; III móveis: 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente durante o período de até 15 (quinze) anos de produção. § 1° Somente estabelecimentos industriais, dos segmentos descritos neste artigo, inscritos no Cadastro de Contribuintes do ICMS do Estado da Bahia (CAD/ICMS) a partir da vigência da Lei 7.025/97, poderão utilizar o tratamento tributário previsto nesta Seção. § 2° O crédito presumido de que trata este Decreto só se aplica às operações próprias do estabelecimento não alcançando às operações relativas à substituição tributária. § 3° A utilização do tratamento tributário previsto neste artigo constitui opção do estabelecimento em substituição a utilização de quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores. Para a Recorrente, deuse a concessão do crédito presumido no percentual de 90% (noventa por cento), conforme Resolução nº 50/99 do Conselho Deliberativo do PROBAHIA (fls. 193 e 194), sendolhe deferido o benefício inicialmente pelo prazo de 15 (quinze) anos, contados a partir da emissão da primeira nota fiscal, posteriormente alterado para 20 (vinte) anos por meio da Resolução nº 45/2006 (fl. 195). Na leitura dos dispositivos do Decreto Estadual, inferese que os créditos de ICMS, para serem concedidos, exigem uma contraprestação por parte da Contribuinte, que deve cumprir as determinações contidas na legislação estadual para a obtenção e fruição do benefício. Ainda, não se tratam de simples obrigações acessórias, mas sim implicam verdadeiros desembolsos realizados pelo Sujeito Passivo, na medida em que deixa de se creditar do ICMS da aquisição de mercadorias ou da prestação de serviços em etapas anteriores à saída da mercadoria do seu estabelecimento. Além disso, para que ocorra a implantação do empreendimento da Contribuinte em território do Ente subvencionador, necessariamente haverá investimento de recursos próprios da empresa para a construção e início das atividades econômicas. Só posteriormente é que serão geradas as receitas, fruto do investimento, e por conseguinte transferidos para a pessoa jurídica como subvenção. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 439 7 Assim, os benefícios de ICMS concedidos podem ser conceituados como ingressos condicionados, restando inequivocamente afastados da definição de receita. A afirmação encontra lastro no entendimento do Supremo Tribunal Federal consignado em julgamento proferido nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que tratou da incidência de PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS, no sentido de que o conceito constitucional de receita bruta implica em um "ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". Em razão do entendimento externado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, esvaziase a discussão sobre a correta classificação contábil do referido crédito de ICMS (subvenção para custeio, para investimento, recuperação de custo ou de despesa). Ao trazer o conceito constitucional de receita bruta, definiu a Suprema Corte como cerne verificarse a existência de condicionantes ou contraprestação para o ingresso patrimonial da pessoa que o recebe. Importa a transcrição da ementa do julgado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 440 8 tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) No caso em análise, portanto, os créditos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais não constituem receita bruta em virtude de não serem concedidos sem reservas ou condições e por não se constituírem em elemento novo e positivo. Assim, inequivocamente afastada hipótese de incidência das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa. Confirmando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativo, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse no sentido de que o crédito presumido deve ser sempre entendido como redutor de custos e não como efetivo ingressos de receitas. Ilustram precedentes da Primeira e da Segunda Turmas da Primeira Seção daquela Corte: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. PRECEDENTES. 1. As Turmas da Primeira Seção desta Corte firmaram entendimento no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no REsp 1.363.902/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 19/08/2014 e AgRg no AREsp 509.246/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 10/10/2014. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014) (grifouse) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 03/05/2011) (grifouse) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 441 9 Ainda que se entenda importar ao deslinde do feito adentrarse na classificação contábil dos créditos presumidos de ICMS, é possível atribuir aos mesmos natureza jurídica de subvenção financeira ou de investimento, uma vez que se trata de auxílio ou doação que só pode ser concretizada se atendidos os requisitos estabelecidos na respectiva legislação de regência. Nesse sentido, pronunciouse o Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis ao proferir Voto Vencedor no acórdão nº 3401001976, de 26/09/2012, que também consignou entender de menor relevância a classificação contábil, em face da predominância natureza jurídica do incentivo. Além disso, de acordo com o art. 182, §1º, alínea "d" da Lei nº. 6.404/76, vigente à época do período lançado, as subvenções para investimento eram classificadas como reservas de capital, não interferindo na apuração do lucro líquido da Empresa, de que a receita faz parte, e se destinando a incrementar o Ativo Permanente. Também por esse prisma, não há de se entender subvenção como receita. Nessa linha relacional, considerando que os créditos decorrentes de subvenção não integram o conceito de receita, afastando a incidência do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade, pronunciouse a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em acórdão assim ementado, cujos fundamentos passam a integrar a presente fundamentação: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. PIS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para o PIS/PASEP extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRSUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.336/96. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011) (grifouse) Corrobora o entendimento deste voto, as recentes decisões proferidas por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que as subvenções de investimento recebidas dos Estados da Federação não se constituem em receita e, portanto, estão fora da incidência das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas. Para elucidar a assertiva, são transcritas ementas de votos prolatados por este Colegiado, in verbis: Acórdão nº 9303004.312 Voto vencedor do Ilustre Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Sessão de 15/09/2016 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2009 Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 442 10 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo do PIS. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins. Recurso Especial do Contribuinte provido. Acórdão nº 9303004.674 Voto vencedor da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama Sessão de 16/02/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo do PIS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastálos da tributação das contribuições, temse que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pelo PIS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 443 11 Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo da COFINS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastálos da tributação das contribuições, temse que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pela COFINS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Necessário registrarse que a decretação de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084 PR, não aproveita ao presente caso, tendo em vista que lá se tratou da base de cálculo do PIS e COFINS do regime da cumulatividade e aqui analisase a tributação das referidas contribuições já na sistemática da nãocumulatividade instituída pelas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. Esclareçase, ainda, que não se está diante de hipótese de aplicação do art. 62 A do RICARF, pois, embora aplicáveis a este caso os fundamentos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral no que tange ao conceito de insumos, a matéria tratada no RE nº 606.107/RS não é idêntica ao caso em exame. Portanto, reconhecese que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao Sujeito Passivo não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime nãocumulativo sobre os mesmos. Em razão da procedência das alegações da Contribuinte em relação à não incidência do PIS sobre os créditos presumidos de ICMS, a discussão acerca da impossibilidade de exigência do crédito sem o respectivo lançamento restou prejudicada, uma vez extinto o crédito tributário em exigência em sua totalidade. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11065.101292/200662 Acórdão n.º 3301006.070 S3C3T1 Fl. 444 12 É o Voto. Dessa forma, e também por concordar integralmente com os fundamentos anteriormente citados, adoto como fundamento de decidir as razões apresentadas no voto do Acórdão nº 9303005.399. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 444DF CARF MF
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