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Numero do processo: 13603.002202/2007-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2003
ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS.
O arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro. A falta de escrituração contábil ou de manutenção do livro Caixa, por parte de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido trimestral, constitui hipótese de arbitramento do lucro. Portanto, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido trimestral, apesar de
reiteradas intimações, implica no arbitramento do lucro.
ÔNUS DA PROVA. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS. Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a
documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo lucro
presumido. Havendo extravio ou furto, é do contribuinte o ônus da prova do fato, bem como o de refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações. Se 06 (seis) meses depois de dados como furtados os livros não foram refeitos, cabe o arbitramento do lucro pelo fisco.
LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL,
PIS e Cofins. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negaram
provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003 ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS. O arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro. A falta de escrituração contábil ou de manutenção do livro Caixa, por parte de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido trimestral, constitui hipótese de arbitramento do lucro. Portanto, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido trimestral, apesar de reiteradas intimações, implica no arbitramento do lucro. ÔNUS DA PROVA. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS. Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo lucro presumido. Havendo extravio ou furto, é do contribuinte o ônus da prova do fato, bem como o de refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações. Se 06 (seis) meses depois de dados como furtados os livros não foram refeitos, cabe o arbitramento do lucro pelo fisco. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e Cofins. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
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AUSÊNCIA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS. O arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro. A falta de escrituração contábil ou de manutenção do livro Caixa, por parte de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido trimestral, constitui hipótese de arbitramento do lucro. Portanto, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido trimestral, apesar de reiteradas intimações, implica no arbitramento do lucro. ÔNUS DA PROVA. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS. Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo lucro presumido. Havendo extravio ou furto, é do contribuinte o ônus da prova do fato, bem como o de refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações. Se 06 (seis) meses depois de dados como furtados os livros não foram refeitos, cabe o arbitramento do lucro pelo fisco. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e Cofins. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 252 3 Relatório Por economia processual e bem descrever a lide adoto parte do Relatório da decisão recorrida (fl.209/212) que transcrevo a seguir: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls.05/09 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/07/2007, no montante de R$110.489,21, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2004. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento legal: art. 530, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999 001 — Receitas operacionais (atividade não imobiliária) — Revenda de mercadorias: valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) em anexo. Enquadramento legal: art. 532 do RIR11999. Os demais autos de infração lavrados constam especificados abaixo, cujos valores indicados representam o montante da contribuição lançada, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/07/2007, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2004: • Contribuição Social s/ Lucro Liquido (CSLL) — CSLL sobre o lucro arbitrado — R$65.540,64 — fls. 10/15; • Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — Insuficiência de recolhimento da Cofins — R$183.331,43 — fls. 18/24; • Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) — Insuficiência de recolhimento do PIS — R$39.721,71 — fls. 27/33. No citado TVF, anexado às fls. 35/44, foram relatados os procedimentos fiscais, com destaque para a ciência do Termo de Inicio de Ação Fiscal e do MPF, as intimações expedidas, além das respostas, documentos e declarações apresentados pelo contribuinte. Consta ainda um item especifico, que tratou do contrato social e alterações. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Relativamente aos livros comerciais e fiscais do ano de 2003, a autoridade fiscal ressaltou que a empresa, intimada, deixou de apresentálos, limitandose a informar que teriam sido extraviados, tendo entregado apenas cópia de uma Representação Policial. Foi ressalvado ainda que o contribuinte não comprovou o atendimento às disposições do art. 264 do RIR/1999. Concluiu a fiscalização que a empresa deixou de apresentar os livros de sua escrituração comercial e fiscal ou o Livro Caixa, embora tenham sido oferecidas inúmeras oportunidades desde março de 2007, restando cabível o arbitramento do lucro, conforme legislação de regência. Na parte que cuidou do lançamento do crédito tributário, a autoridade fiscal discorreu acerca da exigência do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado, tendo ainda apontado insuficiência de recolhimento da Cofins e do PIS relativamente ao período fiscalizado. Os demais documentos que fundamentam a exigência foram juntados às fls.45/183. A intimação da exigência foi dada pelo Edital Safis n° 41/2007 (fls. 184 e 205/206), afixado em 06/08/2007, além das intimações enviadas aos responsáveis pela empresa, recepcionadas em 10 e 13 de agosto de 2008, conforme documentação de fls.185/192. Por sua vez, a impugnação de fls. 194/203 foi apresentada em 27/08/2007, cujo resumo é feito em seguida. I — Dos fatos que precederam à fiscalização O impugnante discorreu acerca de particularidades da empresa, tendo ressaltado que, antes mesmo de iniciar suas atividades na nova sede, foi surpreendido com a ação de meliantes, que levaram todos os seus bens ali alojados. Acrescentou que foi nesse mesmo período que a fiscalização federal intimou a empresa a apresentar seus livros contábeis, salientando ainda que o roubo de seus bens e documentos foi registrado na Delegacia de Policia Civil competente, e estaria sob investigação para apuração de autoria e materialidade. 11 — Da ilegalidade do arbitramento de impostos no presente caso Segundo o impugnante, não é causa para o arbitramento do lucro a simples falta de apresentação de livros comerciais, quando há razão fática que impeça tal exibição documental. No caso, embora devidamente intimado a apresentar livros de sua escrita mercantil, não pôde cumprir a intimação, uma vez que houve o extravio desses livros, que se deu por caso fortuito, tendo sido ! o impugnante vitima de roubo de vários bens e documentos, dentre os quais aqueles requisitados Pelo , fisco. Tal fato foi comprovado por meio de Representação Policial, efetivada perante a Delegacia de Policia Civil do 1º Distrito de Contagem. Porém, após tentativas para elucidação dos fatos e Fl. 254DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 253 5 apuração da autoria, não logrou êxito no expediente, estando o caso ainda sob investigação. Assim, se a empresa demonstrou a causa da impossibilidade de apresentar os documentos fiscais exigidos, não tendo o fisco apurado inexatidão na declaração de extravio dos documentos, e tendo sido tal extravio superveniente à declaração tributária dos impostos fiscalizados, então não poderia a Receita apurar o quantum debeatur por arbitramento. No caso, o arbitramento do valor dos tributos passou a configurar penalidade, quando deveria o fisco ter aceito a declaração de impostos apresentada pelo contribuinte referente ao período fiscalizado. Sustentou o defendente que a regra do art. 47 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, inciso III, não se aplica quando a falta de apresentação dos livros fiscais se der em razão de caso fortuito. Outro tanto, é o fato de que a Fazenda Pública não apresentou razões para desconstituir a declaração de rendimentos e a DCTF apresentadas pela empresa referente ao ano de 2003. Citou ainda jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Fazendo referência à declaração de fl. 129, argumentou que a empresa não se desincumbiu de apresentar a sua documentação ao fisco, pois prometeu tentar recuperála e, caso não obtivesse sucesso, faria a sua recomposição, o que obviamente necessitaria de tempo maior. Portanto, poderseia, no caso, considerar que o tempo necessário para recuperar ou recompor a escrita fiscal constitui se em mero atraso de uma obrigação acessória, e nunca em omissão do dever de colaborar com o fisco para o devido lançamento tributário. Sendo certo que ainda falta um bom tempo para se dar a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, então não teria o erário público qualquer prejuízo em aguardar um pouco mais para a entrega dos documentos solicitados. Daí que nessa corrente de pensamento, o atraso na escrita fiscal, não constituído de dolo, não pode justificar o arbitramento de tributos. Ao final, o impugnante pede o deferimento da impugnação, para que seja reconhecida a ilegalidade do arbitramento. À impugnação foi juntado o instrumento de procuração e cópia de alteração contratual e de documento de identificação pessoal (fls. 201/203). A decisão de primeira instância julgou PROCEDENTES os lançamentos mediante o Acórdão nº 0220.831, de 27/01/2009, da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG (fls.208/216), assim ementado: Fl. 255DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 ARBITRAMENTO DO LUCRO CASO FORTUITO. A alegação de extravio dos livros e documentos, devido a caso fortuito não afasta a tributação com base em arbitramento do lucro, notadamente quando o contribuinte não observa as cautelas legais pertinentes à divulgação do fato nos meios de comunicação e aos órgãos competentes e deixa de providenciar a regularização da sua escrituração no período transcorrido até a autuação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. BASE DE CÁLCULO FISCO ESTADUAL Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais de escrituração obrigatória, é lícito o lançamento que tomou por base os valores informados pelo próprio contribuinte ao fisco estadual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. A empresa foi cientificada do mencionado acórdão, em 28/02/2009 (fl.227) e, protocolizou o recurso ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 11/03/2009, (fls.229/233). Na peça recursal a Recorrente apresenta, em síntese, os mesmos argumentos consignados na impugnação, portanto, desnecessário repetilos porquanto já relatados acima. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 254 7 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. A autuação decorre de arbitramento do lucro tendo em vista que havendo o contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação, ou seja, o contribuinte deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial ou o Livro Caixa relativos ao período de janeiro a dezembro de 2003. No relatório da ação fiscal (fls.35/44 ) consta o detalhamento dos procedimentos fiscais e das infrações apuradas pela fiscalização, do qual transcrevo o seguinte trecho (fls.41/43): (...) O contribuinte, em relação ao ano de 2003, não apresentou a escrita contábil nos termos da legislação comercial e tampouco o Livro Caixa. Por conseguinte, efetuouse o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), calculado sobre o lucro arbitrado determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados em lei sobre as receitas mensais conhecidas, apuradas a partir dos dados apresentados pela própria empresa à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) consignadas nos Demonstrativos de Apuração c Informação do ICMS (DA PI), anexos às fls. 168/179. As linhas das quais se extraíram os valores dos DAPIs foram as de número 0001 —Valores contábeis referentes aos seguintes campos: 0044 (Vendas no Estado): 0052 (Vendas para Outros Estados) e 0018 (Devolução no Estado), cujos valores estão discriminados no quadro a seguir: (...) Lavrouse, ainda, o auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) decorrente da fiscalização do 1RPJ. Os autos de infração (fls. 05/11) indicam os valores lançados, pormenorizando a metodologia de cálculo do imposto de renda e da contribuição devida e especificando os enquadramentos legais. Na apuração do imposto e da contribuição devidos foram deduzidos os débitos constantes da Declaração de Débitos e Fl. 257DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Créditos Tributários Federais DCTFs de fl. 180 a titulo de IRPJ e CSLL, código de receita 2089 e 2372. (Grifei) 2 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). 3 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). Apurouse também a insuficiência de recolhimento da Cofins e do Contribuição para o Pis nos meses de janeiro a dezembro de 2003, nos valores indicados no quadro abaixo. (...) A base de cálculo mensal foi determinada a partir dos dados consignados nos DAPIs —ICMS e encontrase detalhada no Quadro 1 supra. A insuficiência de recolhimento foi apurada a partir da diferença entre as contribuições devidas (colunas 2 e 5) e os débitos declarados a titulo de COFINS e PIS constantes das DCTFs _ (colunas 3 e 6), conforme telas às fls. 180/183. (Grifei) Os autos de infração (fis. 18/31) indicam os valores lançados, pormenorizando a metodologia de cálculo das contribuições devidas e especificando os enquadramentos legais. Para constar e surtir seus efeitos legais, lavrouse o presente termo em 3 (três) vias de igual teor e forma, o qual faz parte integrante do auto de infração respectivo, juntamente com todos os demonstrativos nele citados. É sabido que o arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro que se deu no presente caso em virtude de o contribuinte haver deixado de apresentar a escrituração comercial e fiscal, apesar de reiteradas intimações, tal como descrito no auto de infração, e ainda no relatório de ação fiscal, de acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995 e artigo 1º da Lei nº 9.430, de 1996, bem como o artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99.Vejamos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 12): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Fl. 258DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 255 9 Alega a recorrente que, embora devidamente intimada a apresentar livros de sua escrita mercantil, não pôde cumprir a intimação, vez que tais documentos encontramse extraviados e que, o extravio desses livros se deu por caso fortuito, eis que a impugnante foi vitima do furto de vários bens e documentos, dentre os quais estavam os livros requisitados pelo erário fiscal. Desse modo, entende ser inviável a pretensão do fisco em quantificar a tributação da impugnante com base em arbitramento. Como se vê, a lei tributária ao determinar as hipóteses de arbitramento não comporta exceção para os casos em que ocorra a situação alegada pela recorrente. A razão está descrita na decisão recorrida, sintetizada em sua ementa (fl.208), da seguinte maneira: “A alegação de extravio dos livros e documentos, devido a caso fortuito não afasta a tributação com base em arbitramento do lucro, notadamente quando o contribuinte não observa as cautelas legais pertinentes à divulgação do fato nos meios de comunicação e aos órgãos competentes e deixa de providenciar a regularização da sua escrituração no período transcorrido até a autuação”. O mencionado entendimento que também adoto como razão de decidir tem escora no DecretoLei n°486, de 1969, consolidado no artigo 264 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, transcrito às fls.213/214 a seguir reproduzido, verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n°486, de 1969, art. 4°). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei n°486, de 1969, art. 10). § 2° A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei n° 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3° Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei n°9.430, de 1996, art. 37). Como afirmado acima a falta de escrituração contábil ou de manutenção do livro Caixa, por parte de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido trimestral, constitui hipótese de arbitramento do lucro. Portanto, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido trimestral, apesar de reiteradas intimações, implica no arbitramento do lucro. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Depreendese da prescrição legal acima que, em relação aos documentos dito extraviados, cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo lucro presumido. Havendo extravio ou furto, é do contribuinte o ônus da prova do fato, bem como o de refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações. Registrese que, o documento apresentado pelo contribuinte (fl. 125), no qual informa o extravio de documentos da empresa, tratase de cópia de representação firmada pelo sócio Elias Neves Stehling, datada de 29/01/2007, em papel com timbre da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais. A ciência dos lançamentos ora questionados se deu em agosto de 2007. Se 06 (seis) meses depois de dados como furtados os livros não foram refeitos, cabe o arbitramento do lucro pelo fisco, pois, o contribuinte teve a oportunidade de regularizar a escrita fiscal e contábil, e, não o fez. Portanto, é de se concluir que, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido trimestral implica na conseqüente apuração do IRPJ e CSSL com base no lucro arbitrado em consonância com o artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, acima transcrito. A recorrente alega ainda que, outro fato é o de que a Fazenda Pública não apresentou razões para desconstituir a declaração de rendimentos e a DCTF apresentadas pela empresa. Sobre a questão em foco, melhor sorte não tem a defesa. A razão está novamente com a decisão recorrida ao contradizer os argumentos da impugnante (fls.214/215) da seguinte maneira: Também é importante salientar que, diferentemente do entendimento da defesa, para fins de determinação do lucro real ou presumido, o fato de o contribuinte ter apresentado a D1PJ e DCTF dos períodos fiscalizados não supre a falta da escrituração contábil e do livro Caixa, sendo insuficientes para obstar o arbitramento do lucro, na medida em que a própria ausência da escrituração impede que os dados dessas declarações sejam auditados e validados pela autoridade fiscal. Assim, uma vez constatado que o contribuinte não mantinha a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, deixando de apresentar ainda o livro Caixa, numa demonstração clara da falta de condições materiais para se determinar o lucro real ou presumido da empresa, ficou configurada a hipótese de arbitramento do lucro de que trata o art.530, III do RIR/1999, abaixo transcrito: (...) Importante reforçar que no Termo de Verificação Fiscal (fls.41/43) restou consignado que: (...) Na apuração do imposto e da contribuição devidos foram deduzidos os débitos constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFs de fl. 180 a titulo de IRPJ e CSLL, código de receita 2089 e 2372. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 256 11 (...) A insuficiência de recolhimento foi apurada a partir da diferença entre as contribuições devidas (colunas 2 e 5) e os débitos declarados a titulo de COFINS e PIS constantes das DCTFs _ (colunas 3 e 6), conforme telas às fls. 180/183. Como se vê, a recorrente labora em equívoco ao afirmar que a Fazenda Pública não levou em consideração as DCTF apresentadas pela empresa. Portanto, as receitas declaradas pela contribuinte foram submetidas ao Lucro Arbitrado para lançar as diferenças entre os dois regimes, bem como os valores não declarados, conforme detalhado nos Demonstrativos de Apuração do IRPJ e CSLL. E, exigidas as diferenças em relação ao PIS e a Cofins. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e Cofins. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 261DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004869/2005-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO.
Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que
não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do
registro do imóvel.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR.
VALOR DA TERRA NUA. PROVA.
Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para
justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há
que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com
a lei.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Manoel Coelho Arruda Junior em relação ao laudo técnico.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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FALTA DE AVERBAÇÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Manoel Coelho Arruda Junior em relação ao laudo técnico. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior – Relator EDITADO EM: 06/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte com fundamento no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, os membros da 2ª. Câmara da 1ª. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento negaram provimento ao recurso, exarando o Acórdão nº 3201 00159, de 21/05/2009, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBACÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A inconformidade do contribuinte referese às seguintes divergências: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004869/200507 Acórdão n.º 920201.860 CSRFT2 Fl. 2 3 a) Dispensa da necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR. b) Desobrigação de averbação da área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR. O Recorrente aponta acórdão paradigmas segundo os quais, comprovada a existência das áreas de reserva legal por outros meios, deve ser acatada a exclusão. c) Desnecessidade de o Laudo técnico de avaliação observar os requisitos formais definidos pela ABNT. d) Além disso questionou em preliminar o cerceamento de defesa em razão de não ter sido apreciada a documentação juntada aos autos que comprova que a Receita Federal não fez o levantamento dos preços de terras para os municípios localizados no Estado de Mato Grosso. O recurso foi admitido, conforme consta do despacho às fls. 307/309, e encaminhado à Fazenda Nacional para apresentação de contrarazões que, por sua vez, sustentou o seguinte que no tocante à necessidade de apresentação do ADA, para efeito da exclusão das áreas de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal especifico e individualmente da respectiva área, apresentando o ADA ou protocolizando requerimento de ADA perante o IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do termino do prazo fixado para a entrega da declaração. Em relação à necessidade de averbação da área de reserva legal, deve ser destacado que o dispositivo legal trata de concessão de beneficio fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN). No caso dos autos, constatase que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis, consoante determina a legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade conforme consta do despacho às fls. 307/309, razão pela qual deve ser conhecido. Registro que o acórdão recorrido manteve a decisão de 1ª. Instância que, por sua vez, julgou procedente o lançamento no tocante à glosa da área de reserva legal, tendo em vista a inexistência de averbação junto à matrícula do Registro Imobiliário, bem como a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, além de o valor da terra nua ter sido recalculado levandose em consideração os valores constantes da tabela SIPT. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Conforme já mencionado, as teses controversas trazidas para apreciação deste colegiado referese à dispensa da necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR; a desobrigação de averbação da área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR; e a desnecessidade de o Laudo técnico de avaliação observar os requisitos formais definidos pela ABNT. Também foi apresentada preliminar de cerceamento de defesa decorrente da não apreciação pelo órgão a quo das alegações relacionadas ao não levantamento de preços de terras pela Receita Federal, bem como as restrições de uso e acesso ao imóvel decorrente de Portaria da FUNAI. Contudo, não merece prosperar tal argumentação, tendo em vista os documentos acostados aos autos, ao contrário do que afirma o recorrente, não demonstrarem de maneira cabal o fato argüido. A apresentação de ofício elaborado Secretaria de Estado e Desenvolvimento Rural/MT declarando que as informações solicitadas pela Receita Federal e que serviriam para compor o banco de dados SIPT s exigiriam um esforço de coleta de dados em campo, bem como não se poderia utilizar os valores de terra nua baseados em dados históricos haja vista a possibilidade de distorções, não comprovam que os critérios para elaboração do SIPT não foram atendidos. Indica, apenas, que o órgão estadual não logrou êxito em atender a demanda do fisco federal que, por sua vez, tem outros meios para elaborar tais pesquisas, inexistindo norma legal que impossibilite a atuação do órgão federal ante a ausência de informação do órgão estadual. Ademais, há de ser ressaltado que tal matéria não se constitui em objeto do presente recurso especial, haja vista seu manejo ser restrito aos casos em que restar demonstrada divergência na jurisprudência entre os colegiados deste Conselho. Inicialmente, há de ser destacado que o Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas, registrese que este documento é instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural ITR, em até 100%, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APP), Reserva Legal (ARL), Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), Interesse Ecológico (AIE), Servidão Florestal ou Ambiental (ASFA), áreas cobertas por Floresta Nativa (AFN) e áreas Alagadas para Usinas Hidrelétricas (AUH). Nesse sentido, deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O cadastramento das áreas de interesse ambiental declaradas permite a redução do Imposto Territorial Rural do imóvel rural. Com isso, procurase estimular a preservação e proteção das florestas e, consequentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. O Ato Declaratório Ambiental tornouse obrigatório a partir da inclusão do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, Código Florestal Brasileiro, por meio da alteração implementada pela Lei 10.165, de 2000. Além disso, no tocante à necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR, observase que a Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, acrescentou o § 7º ao artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996, Fl. 360DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004869/200507 Acórdão n.º 920201.860 CSRFT2 Fl. 3 5 estabelecendo que para fins de isenção do ITR relativa as áreas de proteção permanente e reserva legal, não há obrigatoriedade de prévia comprovação por parte do declarante. É dizer, ao apresentar o documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, o contribuinte não está obrigado a apresentar qualquer documentação, contudo, durante procedimento fiscal, tendo sido intimado a apresentar o referido documento com objetivo de comprovar a existência das áreas utilizadas para fins de isenção, verificase a necessidade de sua apresentação em conformidade ao art. 17O do Código Florestal. Nesse sentido, considerando que o lançamento reportase ao exercício 2002, posterior, portanto à modificações implementadas pela legislação, não há como acolher a pretensão do contribuinte de não lhe ser exigido o ato declaratório ambiental, tendo em vista encontrarse contrária às exigências legais. No que pertine à alegação de estaria desobrigada de averbar a área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR, entendo que não merece prosperar a pretensão do contribuinte. De acordo com o texto legal, o conceito de Reserva Legal encontrase no Código Florestal, Lei nº 4.771, de 1965, art. 1°, §2°, III, inserido pela MP n°. 2.16667, de 24.08.2001, como sendo "área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas." Para fins de gozo de isenção do ITR, as áreas de reserva legal devem estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no respectivo cartório. Tal obrigação decorre do comando legal previsto no § 8º do art. 16 do Código Florestal, Lei 4.771, de 1965, com a redação alterada pela Medida Provisória nº 2.16667: § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Com efeito, a Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, ao disciplinar o instituto da reserva legal e consagrar a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matricula do imóvel teve como objetivo, conforme o § 2º do art. 16, vedar "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou desmembramento da área". Assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Uma vez definida pela lei a área de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar a margem da matrícula do imóvel, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio. Tal beneficio é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal (art. 10, II da Lei 9393/96, transcrito acima). Fl. 361DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 Áreas de reserva legal são, portanto, aquelas já acima mencionadas, definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal, não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel. Nesse sentido, o art. 16 da Lei nº 4.771/65 dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão ,desde que sejam mantidas, a título de reserva legal ,no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do §7º deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. Como é possível observar, a depender da localização da propriedade haverá um percentual mínimo para definição da área de reserva legal, circunstância que, para usufruto da isenção, exige sua constituição por meio da averbação na matrícula do registro imobiliário. No tocante ao laudo de avaliação e a exigência de atendimento aos requisitos da ABNT, destaca o contribuinte, respaldado em alguns julgados de outros colegiados, que o dispositivo legal não previu que o laudo esteja submisso aos critérios da ABNT, sendo necessário tão somente que a emissão seja feita por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional habilitado. Importante destacar que os procedimentos para fixação do VTN mínimo, adotados pelo órgão lançador, obedecem às exigências contidas no parágrafo 2.° do art. 3° da Lei n°8.847/1994. Na hipótese de o contribuinte não concordar com o VTN mínimo lançado, a administração abriulhe a possibilidade de rever essa valoração, por meio de laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o qual irá detalhar as condições de localização, padrão de terras e serviços públicos disponíveis para a propriedade em apreço e, assim, atribuirlhe justo valor, conforme previsto no § 4°, do artigo 3°, da Lei citada, que assim dispõe, "verbis": "§ 4° A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Fl. 362DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004869/200507 Acórdão n.º 920201.860 CSRFT2 Fl. 4 7 Valor da Terra Nua mínimo VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte." De fato, analisando o dispositivo legal, não encontramos a exigência de que o laudo deva cumprir as orientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Além disso, o próprio Código de Processo Civil, artigo 436, afirma que a autoridade julgadora “não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos.” Contudo, não se pode olvidar que a simples menção ao conceito de laudo nos remete a documento elaborado por um ou mais peritos capacitados para realizar determinada tarefa de acordo com critérios técnicos estabelecidos. Ora, quando se trata de exame de provas em que especificidades técnicas são essenciais para formação de convicção, encontrase pacificado no âmbito deste CARF, bem como do poder judiciário, que as Normas Técnicas da ABNT são os requisitos mínimos que devem ser exigidos para fins de apuração da verdade que se procura alcançar. Nesse sentido, a ABNT é entidade consagrada e reconhecido como o Fórum Nacional de Normalização, isto é, nela são discutidos padrões mínimos que devem ser atendidos com o propósito de evitar subjetivismos na elaboração de laudos e documentos de natureza técnica. Na medida em que são exigidos determinados requisitos, estes passam a valer para todas as pessoas envolvidas, permitindo uma melhor análise do conteúdo que se pretende evidenciar, sendo útil, especialmente, para os órgãos julgadores que são auxiliados por meio de laudos com o objetivo de produzirem provas técnicas, isto é, provas cuja grau de especialidade demandam profissionais com conhecimentos específicos. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estudo Especiais Temporárias (ABNT/CEET), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros), conforme consta do Prefácio da atualmente vigente Norma Técnica 146533 que trata da avaliação de bens imóveis. No que pertine a laudos de avaliação, verificase que a força probante de tais documentos encontrase justamente no atendimento dos requisitos normativos criados justamente para eliminar o elemento subjetivo da avaliação. Conforme bem destacado no acórdão recorrido, o laudo apresentado pelo sujeito passivo com o objetivo de demonstrar o Valor da Terra Nua para efeito de calculo do ITR não atende ao mínimo exigido pelas Normas da ABNT razão pela qual o valor que foi apurado não tem o poder de alterar o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Ressalto que a jurisprudência deste colegiado é pacífica no entendimento de que os laudos de avaliação somente possuem o poder de afastar o VTN estabelecido pelo sistema SIPT na hipótese de atender as normas procedimentais definidas pela ABNT, especificamente. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 8 Transcrevo trecho do acórdão recorrido, fl. 304/305, que reporta as razões de inadimissibilidade do laudo: “...o laudo trazido aos autos pelo contribuinte, verifica se estar indicada a metodologia utilizada (método comparativo direto de preços, tornandose como parâmetros comparativos o valor das terras brutas sem benfeitorias) e que ali se afirma ter chegado aquele VTN por meio de pesquisa de preços, que se teria realizado junto a entidades privadas (corretores e imobiliárias) e a entidades públicas (prefeitura e EMPAER), mas. em momento algum, são trazidos documentos que respaldem a dita pesquisa. nem mesmo urn rol indicativo desta. Não há qualquer documento que demonstre as fontes da pesquisa que se afirma têlo subsidiado: não há declaração da prefeitura, não há declaração da EMPAER, não há sequer comprovação de vendas imobiliárias realizadas no período que tenham sido efetuadas ao preço simbólico de R$ 1,00 por hectare. 0 que consta é indicação genérica das fontes de pesquisa, sem que as tenha concretamente indicado. O Laudo Técnico apresentado, apesar de ter sido elaborado por profissional habilitado e estar acompanhado de ART, não cumpriu as normas constantes da ABNT, como salientado no Auto de infração, limitandose a indicar um VTN por hectare para o imóvel sem demonstrar a origem dos valores utilizados como base para chegar a esse valor intimo de R1,00 por hectare, nem mesmo demonstrar que houve levantamento de preços de benfeitorias ou de areas distintas do imóvel. Demais . .disso, deixou de constar no laudo a indicação de, pelo menos, cinco transações ou ofertas de imóveis semelhantes no que diz respeito a situação, destinacão, forma; grau de aproveitamento, características tisicas e ambiência, devidamente verificados, como estatui a norma. Ante o exposto, pelos motivos acima expostos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior Fl. 364DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004869/200507 Acórdão n.º 920201.860 CSRFT2 Fl. 5 9 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
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Numero do processo: 10380.010626/2004-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE ART. 61 DA LEI N°. 8.981,
DE 1995 DECADÊNCIA.
O art. 61 da Lei no. 8.981, de 1995, relativo ao imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou efetuados sem comprovação da operação ou causa, veicula hipótese de lançamento de ofício, dada a evidente ausência de antecipação de pagamento do imposto em relação aos fatos geradores ocorridos, sendo o prazo de decadência para a
constituição do crédito tributário de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 173, I, CTN.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.882
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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O art. 61 da Lei no. 8.981, de 1995, relativo ao imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou efetuados sem comprovação da operação ou causa, veicula hipótese de lançamento de ofício, dada a evidente ausência de antecipação de pagamento do imposto em relação aos fatos geradores ocorridos, sendo o prazo de decadência para a constituição do crédito tributário de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 173, I, CTN. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior – Relator EDITADO EM: 06/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, Acórdão nº 10423.044, de 05/03/2008, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Anocalendário: 1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE ART. 61 DA LEI N°. 8.981, DE 1995 DECADÊNCIA O art. 61 da Lei no. 8.981, de 1995, relativo ao imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou efetuados sem comprovação da operação ou causa, veicula hipótese de lançamento por homologação, sendo o prazo de decadência para a constituição do crédito tributário de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 150, parágrafo 4° do CTN, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. LEI N° 10.684/2003 (PAES REFIS II) DÉBITOS CONFESSADOS APÓS A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO O Programa Especial de Parcelamento PAES, instituído pela Lei n°. 10.684, de 30 de maio de 2003, abrange confissão de débitos com vencimento ate 28 de fevereiro de 2003, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF não concluída no prazo da vigência da lei. Somente a adesão ao Programa Especial de Parcelamento formalizada dentro do prazo da vigência da lei e Fl. 570DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10380.010626/200492 Acórdão n.º 920201.882 CSRFT2 Fl. 2 3 antes da lavratura do Auto de Infração autoriza a exclusão da base de calculo da exigência do valor confessado. Argüição de decadência acolhida. Recurso negado. A inconformidade da Fazenda Nacional referese ao acolhimento da preliminar de decadência do lançamento referente aos fatos geradores ocorridos até 19/11/1999, aplicando no caso o art. 150, § 4º, do CTN, extinguindo parcialmente o crédito tributário lançado. No entendimento da Fazenda Nacional, a decisão contrariou os dispositivos previstos nos artigos 149, V, e 173, I, ambos do CTN, pois inexistindo pagamento do tributo o prazo a ser aplicado não é o previsto no art. 150, § 4º, conforme aplicou a decisão recorrida, mas o previsto no art. 173 do CTN, sendo esta a orientação atual do Superior Tribunal de Justiça. O recurso foi admitido, conforme consta do despacho às fls. 537/538, e encaminhado ao contribuinte para ciência, tendo sido facultadolhe a apresentação de contra razões que, por sua vez, sustentou a tese referente à aplicação do art. 150, 4º, haja vista o que se homologa é a atividade do sujeito passivo e não o recolhimento propriamente dito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls. 537/538. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação deste colegiado referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito lançado e discutido no presente lançamento que, por sua vez, teve como fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte diversos pagamentos sem causa contabilizados pela empresa, em conformidade com o procedimento previsto no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95. No tocante à preliminar decadência, insta observar que para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10380.010626/200492 Acórdão n.º 920201.882 CSRFT2 Fl. 3 5 Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Inexistem dúvidas quanto ao fato de que todos os membros desde colegiado concordam que a modalidade de lançamento por homologação ocorre quando a legislação que rege determinado tributo determine ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do valor devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesses casos, a atuação da administração tributária é posterior, seja ao homologar expressamente o pagamento prévio realizado pelo sujeito passivo, seja de maneira tácita, decorrido o prazo legalmente estabelecido para sua manifestação acerca do recolhimento efetuado pelo obrigado, conforme consta do § 4º do art. 150 do CTN, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No caso em apreço, não há nos autos documento comprobatório de recolhimento antecipado de IRRF sobre os eventos contabilizados pela empresa na conta caixa e, por essa razão, não seria possível a aplicação do prazo fixado no parágrafo 4° do artigo 150 conforme decidiu o acórdão recorrido. Registrese que o presente lançamento tem natureza especial dada a condição de ter sido constituído por meio de ação fiscal em que o contribuinte foi instado a comprovar a destinação ou os beneficiários de diversos pagamentos não identificados em sua contabilidade. Por essa razão verificase que, para os fatos sob apreciação deste colegiado, não se verificou a necessária antecipação do pagamento. Acrescentese, conforme tenho defendido nesta colenda Turma, que a antecipação de pagamento deve ser apreciada sob a égide de cada regime jurídico em que se analisa a obrigação principal objeto do lançamento, razão pela qual, considerando a especificidade dos lançamentos decorrentes do art. 61 da Lei no. 8.981, de 1995. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 Nesse sentido, isto é, inexistindo razão para aplicação da norma específica que norteia os lançamentos por homologação, a saber, recolhimento antecipado referente aos fatos geradores que constituíram o lançamento, seguese a imperiosa necessidade de aplicação da regra geral esculpida no Código Tributário Nacional nos termos do artigo 173 . Assim, a conclusão que se impõe é a de que, não havendo pagamento antecipado, o lançamento de tributo sujeito à homologação poderá ser realizado no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;....” No presente caso em que saídas da conta caixa ocorreram nos meses de 01/1999 a 12/1999, o vencimento do imposto ocorreu, respectivamente, nas mesmas competências, segundo o disposto no § 2° do artigo 61 da Lei n° 8.981/1995. Uma vez que o lançamento poderia ser efetuado no dia útil subseqüente ao do vencimento do tributo, o primeiro dia do exercício seguinte em relação à competência mais antiga, isto é, 01/1999, seria 01/01/2000. Nesta data, teve início a fluência do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, dentro do qual a Fazenda Pública poderia levar a efeito o lançamento, previsto no artigo 173 do CTN, e encerrouse em 31/12/2004. Considerando que a ciência do auto de infração em tela ocorreu em 19/11/2004 (fl. 06), o lançamento objeto destes autos não se encontra atingido pela decadência e por conseguinte, assiste razão à Fazenda Nacional em seu propósito de ver reformada a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 574DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012125/2006-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1997, 1999, 2001
DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF).A decadência das contribuições sociais segue as regras dos demais tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8.
Numero da decisão: 9101-000.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1999, 2001 DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF).A decadência das contribuições sociais segue as regras dos demais tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8.
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CSLL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF). A decadência das contribuições sociais segue as regras dos demais tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator. EDITADO EM: 20/01/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffman (Vice- Presidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho, Karen Jureidini Dias e Valmir Sandri. Relatório Com fundamento no art. 7º, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, Anexo II, de 25 de junho de 200, a Fazenda Nacional apresentou o Recurso Especial (fls. 467/483) em face do Acórdão 105-16.797, proferido pela Egrégia Quinta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado, na parte que interessa à presente análise: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - CSLL - SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA - APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN - A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n/ 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. Recurso voluntário conhecido e provido.” Em 30.11.2003, a contribuinte teve ciência do auto de infração (fls. 03/04) lavrado para exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em razão da não observância do limite de 30% para compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores. A fiscalização efetuou o lançamento relativamente ao 4º trimestre de 1996, ao 1º, 2/ e 3º trimestres de 1998, aos quatro trimestres de 2000, ao 1º, 2º e 4º trimestres de 2001 e ao 2º e 3º trimestres de 2002. A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, por meio da decisão de fls. 446/462, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte em relação aos fatos geradores ocorridos até junho de 2001. Entendeu o acórdão recorrido que o lançamento relativamente aos trimestres anteriores ao 4º trimestre de 1996 até o 2º trimestre de 2001, fora efetuado quando já havia transcorrido o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Em 27.03.2008, a Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou Recurso Especial sustentando, em suas razões, que a decisão recorrida contrariou o disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, que prevê o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições sociais. O art. 45 da Lei nº 8.212/91 é norma especial frente ao CTN e este prevê expressamente, em seu art. 150, a edição de norma especifica sobre decadência em matéria tributária, inexistindo qualquer conflito sobre as normas em referência. Por meio do despacho PRESI nº 105-185/2008, o Presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.012125/2006-28 Acórdão n.º 9101-00.716 CSRF-T1 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS O recurso da Fazenda Nacional foi interposto tempestivamente, desafia decisão não unânime da Câmara a quo e, nos termos do art. 15, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), demonstra fundamentadamente que a decisão recorrida apresenta suposta contrariedade à lei. No entanto, não deve ser conhecido, pelas seguintes razões. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional tem por fundamento a contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91, que prevê o prazo decadencial de 10 anos para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, por unanimidade, declarar a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei Nº 8.212/1991, editando a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: Súmula Vinculante nº 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Sobre os recursos pendentes de julgamento e efeitos da aludida súmula, o Decreto nº 2.346/99 determina o seguinte: “Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador- Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II - não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV- sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.” (os grifos não constam do original) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 4 Em consequência, tendo em vista que o recurso interposto pela Fazenda Nacional questiona unicamente a contrariedade à norma que foi declarada inconstitucional pelo STF, a análise do recurso restou prejudicada, por perda de objeto, em face do que dispõe o Parágrafo único do art. 4º do aludido Decreto nº 2.346/99. Assim, em face da Súmula Vinculante do STF nº 8, não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante do exposto, por encontrarem-se não só os órgãos do Poder Judiciário, mas também os órgãos julgadores da Administração Fazendária vinculados à referida súmula, voto no sentido de não conhecer do recurso especial. É como voto. Sala das sessões, 9 de novembro de 2010. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.900074/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
A Declaração de Compensação não pode ser retificada após a decisão administrativa de não homologação, especialmente no caso em que o sujeito passivo foi intimado, antes da prolação do Despacho Decisório, a corrigir as inconsistências apontadas quanto ao crédito por ele indicado.
Numero da decisão: 1102-000.532
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A Declaração de Compensação não pode ser retificada após a decisão administrativa de não homologação, especialmente no caso em que o sujeito passivo foi intimado, antes da prolação do Despacho Decisório, a corrigir as inconsistências apontadas quanto ao crédito por ele indicado.
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Recorrente CASA HG LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A Declaração de Compensação não pode ser retificada após a decisão administrativa de não homologação, especialmente no caso em que o sujeito passivo foi intimado, antes da prolação do Despacho Decisório, a corrigir as inconsistências apontadas quanto ao crédito por ele indicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plinio Rodrigues Lima. Relatório Fl. 109DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10735.900074/200872 Acórdão n.º 110200.532 S1C1T2 Fl. 108 2 Trata o presente processo de declaração de compensação eletrônica nº 38107.84434.090104.1.3.039050, fls. 3 a 13, de crédito referente a saldo negativo de CSLL apurado no período de 01.01.2003 a 31.10.2003, no valor de R$ 19.848,25, com débitos de estimativas de CSLL apurados no período de janeiro a outubro de 2003. A DRF/Nova Iguaçu/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 02, proferido em 07.03.2008, cuja ciência ao interessado foi dada em 19.03.2008 (fls. 24), não homologou a compensação, uma vez que na DIPJ correspondente ao ano calendário de apuração do crédito informado na DCOMP consta imposto a pagar de R$ 1.231,19. Irresignado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1, alegando o seguinte, verbis: “1 A empresa em sua declaração DIPJ ano calendário 2003 exercício 2004 obteve um saldo negativo de CSLL de R$15.446,94 em virtude de R$17.937,25 de recolhimentos das estimativas durante o exercício e uma CSLL a pagar na declaração de R$1.231,19 conforme pode ser verificado na Declaração Retificadora entregue em 20/09/2006 recibo de entrega n. 15.46.98.68.1962 2 Na PER/DCOMP apresentada a empresa declara compensar esse crédito com os recolhimentos mensais de estimativa do ano calendário de 2003, exercício 2004 cujos valores estão informados na declaração retificadora apresentada em 20/09/2006, recibo n. 15.46.98.68.19. 3 Os valores das estimativas apuradas até a competência Outubro de 2003, já que no mês de Novembro foi apurado em balancete imposto bem menor, correspondem ao valor do crédito atualizado apresentado na PER/DCOMP apresentada.” A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de JaneiroI/RJ negou provimento à manifestação de inconformidade, ante a inexistência de saldo negativo de CSLL em 31.12.2003, e ao entendimento de que não é possível retificar a DCOMP após a ciência da decisão administrativa. Em suas razões de decidir, consignou a impropriedade na identificação do período a que se referiria o crédito, em razão de o período de apuração encerrarse em 31.12.2003, e não 31.10.2003, como constou na DCOMP, e a impossibilidade de um suposto saldo negativo de 2003 compensar as próprias estimativas de 2003 que comporiam este mesmo saldo. Registrou ainda que, em consulta às DCTF entregues pela empresa, os débitos das estimativas da CSLL dos meses de janeiro a outubro de 2003 apresentavam indicações de terem sido compensados com saldo negativo de CSLL apurado em 31.12.2002. O Acórdão nº 1235.564, fls. 48 a 50, está assim ementado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É defeso ao contribuinte retificar a DCOMP após a ciência da decisão administrativa.” Fl. 110DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10735.900074/200872 Acórdão n.º 110200.532 S1C1T2 Fl. 109 3 Cientificada desta decisão em 25.03.2011, conforme AR de fls. 53, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 26.04.2011, fls. 54 a 55, alegando, em síntese, que na sua DIPJ relativa ao ano calendário 2002, apurou saldo negativo de CSLL de R$ 21.232,69, em virtude de ter recolhido R$ 22.230,84 a título de estimativas durante o referido exercício, e de ter apurado CSLL devida de apenas R$ 998,15, conforme declaração retificadora entregue em 20.09.2006, fls. 71 a 87, de sorte que a compensação pleiteada deve ser homologada. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Cediço que o regime jurídico da compensação tributária, em vigor a partir da Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requisita a iniciativa do contribuinte, que, mediante a apresentação de Declaração de Compensação – DCOMP, informa ao Fisco que efetuou o encontro de contas entre seus débitos e créditos. Nesta sistemática, percebase que não se trata de simples pedido de compensação ou de restituição, mas sim da formalização, pelo próprio contribuinte, deste encontro de contas realizado, o qual, inclusive, tem o efeito de extinção dos débitos fiscais ali indicados, desde o momento de sua apresentação. A partir daí, fica o sujeito ativo incumbido de, no prazo de cinco anos, homologar ou não o ato compensatório por ele praticado, findo o qual, se não efetivada qualquer apreciação, a referida compensação se resolve pelo evento da sua homologação tácita. Neste contexto, ainda que não se esteja a afirmar ser este o caso dos autos, o fato é que, mesmo ante a total inexistência de crédito, se não houver apreciação por parte da autoridade administrativa no referido prazo, terseão por extintos os respectivos débitos informados na DCOMP. Assim, exigese do contribuinte que identifique corretamente os créditos e débitos utilizados, bem como que disponha dos elementos de prova da procedência do crédito pleiteado. Por certo que, como em qualquer outra declaração, há a possibilidade da ocorrência de erros, decorrentes de falha humana, e perfeitamente escusáveis, pelo que plenamente cabível a apresentação de declaração retificadora para sanálo. Entretanto, tendo em vista o seu caráter de confissão de dívida, com a concomitante extinção dos respectivos débitos, e a necessidade de apreciação por parte da autoridade administrativa para que se possa cogitar da exigência destes débitos, imprescindível Fl. 111DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10735.900074/200872 Acórdão n.º 110200.532 S1C1T2 Fl. 110 4 que se estipule um prazo para esta retificação, inclusive para dar efetividade à própria sistemática criada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Perfeitamente razoável, assim, que somente seja aceita a retificação da Declaração de Compensação enquanto esta se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Por outro lado, é consistente a jurisprudência do CARF, e mesmo desta Turma, no sentido de que de erros de fato não se originam direitos, sendo bastante amplo o leque de situações fáticas em que este entendimento foi aplicado, inclusive na hipótese de previsão legal da impossibilidade de retificação de declarações após certo marco processual. No caso concreto, verificase que o contribuinte identificara na DCOMP que a origem do crédito pleiteado era saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2003, porém nas razões recursais informou ser o crédito, na verdade, decorrente de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2002. Em outras palavras, embora não o tenha dito expressamente, pleiteia o reconhecimento da ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCOMP em análise. Tendo em vista a notória impropriedade na identificação dos débitos e créditos compensados, vez que o contribuinte supostamente pretenderia compensar saldo negativo de CSLL apurado entre janeiro e outubro de 2003, com estimativas de CSLL destes mesmos meses, o caso, a princípio, seguiria o mesmo destino de precedentes anteriores desta Turma, no sentido de admitir a retificação proposta. Contudo, dois são os motivos que me levam a concluir de forma diversa no presente caso. Em primeiro lugar, porque a recorrente foi informada, antes da prolação do Despacho Decisório da autoridade administrativa (v. Termo de Intimação de fls. 14), de que havia inconsistências nas informações prestadas na DCOMP, visto que não fora apurado saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2003, mas sim CSLL a pagar de R$ 1.231,19. Especificamente, consta ainda do referido termo a seguinte instrução, verbis: “Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição.” No mesmo termo, consta ainda que, caso não fossem sanadas as irregularidades apontadas no prazo estipulado, o PER/DCOMP em análise poderia ser não homologado. Portanto, a recorrente teve a oportunidade de efetuar a retificação da DCOMP antes da emissão do Despacho Decisório, entretanto, não o fez. Em segundo lugar, porque a tentativa de alteração do período a que se referiria o crédito ocorre somente agora, em sede recursal, caracterizando inovação também com relação às suas alegações de defesa, visto que na inicial, apresentada perante a autoridade julgadora de primeira instância, insistira na alegação de que o saldo negativo de CSLL seria efetivamente de 2003, conforme também fizera indicar na DCOMP em questão. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10735.900074/200872 Acórdão n.º 110200.532 S1C1T2 Fl. 111 5 Ante as duas circunstâncias acima relatadas, entendo não ser mais possível, neste estágio processual, aceitar a alegação de incorreção na indicação do período a que se refere o crédito. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 113DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10880.005224/2001-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.
A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 9303-001.451
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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Período: janeiro de 2001 a março de 2001. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os valores relativos às operações de beneficiamento de couro, realizada sob encomenda, devem ser excluídos do cálculo do crédito presumido do IPI. Recurso da Fazenda Nacional Provido Pelo voto de qualidade, deuse provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Marcos Tranchesi Ortiz, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Judith do Amaral Marcondes Armando – Relatora Participaram do julgamento Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo Da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López e Susy Gomes Hoffmann; Fl. 288DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório A empresa ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI tendo incluído na base de cálculo do mesmo os valores relativos à industrialização por encomenda no período de julho a setembro de 2000. A decisão a quo ficou assim ementada: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O beneficio deve ser calculado incluindose os valores referentes à operação de beneficiamento do couro semi acabado na industrialização por encomenda. Recurso provido em parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. O recurso foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF. O sujeito passivo apresentou contra razões às fls. 207/222. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Judith do Amaral Marcondes Armando Aprecio Recurso Especial da Fazenda Nacional, admitido conforme disposto no Despacho às fls. 202, com o qual concordo. A matéria trazida a este Colegiado versa sobre a possibilidade de incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS o valor dos serviços prestados por terceiros, neste caso, a industrialização por encomenda de couros. Quanto à inclusão dos valores relativos à industrialização por encomenda, apropriome, com licença do autor Conselheiro Gilson Macedo Rosenbgurg Filho, e minhas homenagens pelo trabalho apresentado, de excerto de seu voto relativo à matéria: A questão a ser decidida por esse Colegiado diz respeito a possibilidade de inclusão do valor dos serviços prestados correspondentes à industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Fl. 289DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 11065.002929/0072 Acórdão n.º 9303001.458 CSRFT3 Fl. 250 3 Sobre esse tema, percuciente é a lição do conselheiro Antonio Bezerra Neto, que peço vênia para transcrever e utilizar como fundamento de meu voto: A Lei nº 9 363, de 1996, que introduziu o beneficio em tela, previu, em seu art 1º, que o crédito premunido de IP!, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes "sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" (g n.). Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastarse das .seguintes premissas.' por primeiro, que os insumos utilizados no cômputo do beneficio devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil, não de serviços, como é o caso em comento; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matériaprima, uma vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matériaprima se deu, portanto, em momento anterior à remessa para a industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como "Gastos Gerais de Fabricação", não como incremento do valor da matériaprima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do beneficio. ......................................................................................................... .................. Assim, tendo em vista que serviços de beneficiamento de matéria prima ou insumo, encomendados por empresas industriais que detenham tais produtos em decorrência de compra anterior, devem ser incluídos na contabilidade da empresa como gastos gerais de fabricação, não podendo ser incluído no cômputo do crédito presumido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para reformar a decisão a quo no sentido de não admitir os valores relativos à industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido do IPI. Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 290DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Fl. 291DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10840.001328/2004-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL.
0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9101-000.991
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. 0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
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CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10840.001328/2004-47 Recurso n° 338.025 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.991 — la Turma Sessão de 24 de maio de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KMB MARKETING PROMOCIONAL S/S LTDA. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. 0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Editado em: t i-02 1 3S 2 I, 12 SET 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, 1 Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórddo proferido pela extinta Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES ANO-CALENDÁRIO: 2003 A simples previsão no contrato social da empresa de atividade que não se comprovou como efetivamente realizada não impede a sua opção pelo Simples. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: "Trata-se de recurso voluntário manejado contra Acórdão DRI/RPO no 14- 14.816, de 05 de fevereiro de 2007, proferido pela DRI Ribeirão Preto. Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório componente da decisão recorrida, de fls. 84, que transcrevo, a seguir: "A contribuinte acima qualificada, mediante o Despacho decisório, de 02 de maio de 2005, emitido pelo Delegado da Receita Federal de sua jurisdição, foi indeferida a sua solicitação de inclusão, com data retroativa ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações posteriores. Inconformado, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade clefts. 01/04, onde alega que a empresa não desenvolve e nunca desenvolveu qualquer função intelectual inerente ao exercício de atividade profissionalmente regulamentada." A DRI/Ribeircio Preto/SP não acolheu as alegações da autuada e indeferiu sua solicitação, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbis: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS 2 Processo n° 10840.001328/2004-47 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.991 Fl. 2 MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE-SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA. Uma vez comprovado o exercício de atividade vedada (Promoção e divulgação de vendas, na área de marketing promocional, sendo trabalhos, de propaganda e publicidade, desenvolvidos de maneira pessoal em estabelecimentos de terceiros, podendo, para tanto, receber e utilizar materiais e produtos promocionais fornecidos por seus clientes) é legitima a exclusão do Simples. Solicitação Indeferida." Seguiu-se recurso voluntário, de fls. 88/93, em que a recorrente aduz que: - em momento algum explorou atividade relacionada a criação ou ao desenvolvimento de projetos de propaganda e publicidade; - restringe-se à demonstração pessoal, na pessoa de seus sócios- administradores, de mercadorias a serem adquiridas diretamente pelo consumidor final, ou seja, quando da contratação dos serviços da recorrente, seus sócios- administradores comparecem em feiras ou supermercados, demonstrando, pessoalmente, a cada consumidor interessado, os produtos comercializados pela empresa contratante, com material e estandes de propriedade desses; - presta serviços para empresas de propaganda e marketing promocional, sendo elas que desenvolvem trabalhos intelectuais de criação e desenvolvimento de projetos de marketing; - pode ser considerada um simples "veiculo de comunicação" e farta jurisprudência administrativa pacificaria esse entendimento. É o relatório." 0 acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário para permitir a inclusão do Contribuinte no SIMPLES retroativamente a partir de 01.01.2003. Segundo o acórdão, (i) as notas fiscais juntadas aos autos (fls. 70/79) demonstram que os clientes da Contribuinte são empresas de marketing e propaganda que, segundo alegações de seu recurso, são as que desenvolvem os trabalhos intelectuais de criação e desenvolvimento dos projetos; (ii) depreende-se que os valores dos serviços prestados pela recorrente são irrisórios, em se tratando de campanhas "publicitárias", mas são compatíveis com o serviço de "demonstração" de produtos que alega exercer; e (iii) a simples previsão no contrato social da empresa de atividade que não se comprovou como efetivamente realizada não impede a sua opção pelo Simples. Não há nos autos prova alguma de que a empresa tenha efetivamente exercido a atividade de propaganda e publicidade, pelo que a Contribuinte deveria ser incluída regularmente no Simples. 3 Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido a aresto proferido pela extinta 2a Camara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes (Ac. 202-12.341), o qual assenta o entendimento de que: "a previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 9", inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, constituem impedimento ci op cão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES". 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 401/2008 (fls.120/121)), ante a alegada configuração de dissenso jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contra-razões. E o relatório. 4 Processo n° 10840.001328/2004-47 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.991 Fl. 3 Voto 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. 0 recurso não merece provimento. Com a devida vênia ao asseverado pelo acórdão paradigma, tenho assente que eventual (e mera) previsão de atividade vedada A. opção pelo SIMPLES nos atos constitutivos do contribuinte tem o condão de inverter o ônus da prova quanto ao exercício (ou não) da atividade vedada pela empresa perante a Fiscalização; mas não, como pretende a Fazenda Nacional neste recurso, impedir instantaneamente a adesão da pessoa jurídica ao sistema simplificado de tributação. Conforme já me manifestei em sessões anteriores deste Colegiado, entendo que, via de regra, incumbe à Fazenda Nacional demonstrar que o Contribuinte exerce atividade vedada pela lei para justificar ato de exclusão (ou indeferimento de opção) pelo SIMPLES. Cabe à Fazenda Nacional demonstrar a legitimidade de eventual ato declaratório de exclusão ou o indeferimento da opção da pessoa jurídica pelo Simples. Contudo, quando o Contribuinte insere voluntariamente entre seus objetivos sociais atividades que sabidamente são proibitivas da op* pelo regime de tributação simplificado e, mesmo assim, simultaneamente, mantém-se vinculado ao SIMPLES, incumbe a ele (contribuinte) demonstrar A. Fiscalização a origem de suas receitas de sorte a comprovar que elas não decorreram de atividades impeditivas de opção ao citado regime de tributação. Em outros termos, a inserção pelo contribuinte de atividade vedada entre seus objetivos sociais implica presunção relativa de que a pessoa jurídica não poderia optar validamente pelo SIMPLES. Tal se dá, a meu ver, pelo fato de a lei vigente A. época não impedir a opção pelo Simples de empresas que arrolem determinadas atividades em seu objeto social, mas sim e tão-somente daquelas que efetivamente "realizem operações" (Lei n. 9.317/96, art. 9 0, XII) ou "prestem serviços profissionais de" (Lei n. 9.317/96, art. 9 °, XIII). No caso, e à vista das provas produzidas nos autos, parece-me evidente que a Contribuinte não exerce atividades relacionadas h publicidade e A. propaganda no sentido estrito dos termos respectivos. Da análise dos autos constatam-se as seguintes descrições das atividades praticadas pelo contribuinte: "Agenciamento e gerenciamento na promoção de vendas, na área de marketing promocional, propaganda e publicidade em estabelecimentos de terceiros". (Contrato social datado de 04.11.2002 - fls. 05/08) "Promoção e divulgação de vendas, na área de marketing promocional, sendo os trabalhos, de propaganda e publicidade, desenvolvidos de maneira pessoal em estabelecimentos de terceiros, podendo, para tanto, receber e utilizar materiais e 5 produtos promocionais fornecidos por seus clientes". (Contrato social datado de 20.12.2003 — fls. 09/20) "serviços pessoais de demonstração de produtos" (Contrato social datado de 25.102004 — fls. 59/69) No termos da Lei no 4.680, de 18 junho de 1965, que dispõe sobre o exercício da profissão de publicitário e de agenciador de propaganda, publicitário é aquele profissional, legalmente habilitado, que, em caráter regular e permanente, exerce funções de natureza técnica da especialidade, nas agências de propaganda, nos veículos de divulgação, ou em quaisquer empresas nas quais se "produza" propaganda. Propaganda, para efeito da lei, significa qualquer forma remunerada de difusão de idéias, mercadorias ou serviços, por parte de um anunciante identificado. Propaganda, pois, está intimamente ligada ao anúncio, A publicidade de determinado produto ou serviço. Veja-se, a titulo ilustrativo, o texto de lei, que, além destes conceitos, ainda qualifica o quanto seja agência de propaganda e veículos de divulgação, verbis: "Art. 1° - São Publicitários aqueles que, em caráter regular e permanente, exercem funções de natureza técnica da especialidade, nas Agencias de Propaganda, nos Veículos de Divulgação, ou em quaisquer empresas nas quais se produza propaganda. Art. 3° - A Agencia de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4° - Sao Veículos de Divulgação, para os efeitos desta Lei, quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim consideradas as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitcirios. Art. 5" - Compreende-se por propaganda qualquer forma remunerada de difusdo de idéias, mercadorias ou serviços, por parte de um anunciante identificado. (grifos nossos). A produção da propaganda (anúncio) a que a legislação se refere - e que qualifica em última análise a figura do publicitário — refere-se à criação cientifica, que engloba o estudo, a concepção, a execução e a distribuição da propaganda pelos diversos meios de divulgação. Não por outro motivo a jurisprudência desta Corte Administrativa impede a exclusão do Simples de empresas que não exerçam atividades inerentes à publicidade, entendidas estas como aquelas relacionadas diretamente com a criação, concepção e distribuição dos anúncios publicitários. Verbis. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microernpresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO MEDIANTE INFORMAÇA -0 FISCAL DO NÃO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE 6 Processo n° 10840.001328/2004-47 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-000.991 Fl. 4 IMPEDITIVA. ATIVIDADES EXERCIDAS NÃO ESTA -0 INCLUÍDAS NOS DISPOSITIVOS DE VEDAÇÃO À 01 30-0 PELO REGIME ESPECIAL DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. Demonstrado que a recorrente se dedica ao ramo de veiculagdo de propaganda, como: promoções, relações públicas, locação, transporte, montagem e desmontagem de equipamentos diversos em eventos realizados com a contratação de recepcionistas, e outros similares, código n° 5249-3-99, devidamente comprovado através da "Informação Fiscal" realizada pela SEFIS/SRRF- 10aRF/PAE/RS, e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços de propaganda e publicidade de código 7440-3, impedição prevista no inciso XII, letra "d" do artigo 9° da Lei 9.779/99, mesmo que constasse de seus objetivos sociais, são portanto, as atividades exercidas pela recorrente, perfeitamente permitidas pela legislação vigente aplicável. É de se tornar sem efeito o Ato Declaratório de sua exclusão da sistemática do SIMPLES. (Acórdão n° 30334367 do Processo 110800016879941 - 24/05/2007 - Terceiro Conselho de Contribuintes. 3° Câmara. Turma Ordinária) No mesmo sentido: Número do Recurso: 117688 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10680.018072/99-41 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: SIMPLES - IMPOSTO CJNICO SIMPLES Recorrente: 3067 - ESTAMPARIA LTDA. Recorrida/Interessado: DRJ-BELO HORIZONTE/MG Data da Sessão: 08/11 12001 13:00:00 Relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda Decisão:AC6RDÃO 202-13468 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa: SIMPLES - OPÇÃO - Poderá optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de captação de anúncios e execução de trabalhos de publicidade já determinados por terceiros. Recurso a que se dá provimento. No mesmo sentido: Número do Recurso: 112964 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10855.001066/99-97 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: SIMPLES - IMPOSTO ÚNICO SIMPLES Recorrente: MIDIA ENGENHARIA E PUBLICIDADE LTDA Recorrida/Interessado: DRJ-CAMPINAS/SP 7 Data da Sessão: 18/04/2001 14:00:00 Relator: Adolfo Monte lo Decisão: ACÓRDÃO 202-12911 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa: SIMPLES - OPÇÃO - Mantém-se a opção ao Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES quando a atividade da pessoa jurídica se restringe A veiculação de propaganda e publicidade já produzidas pelos clientes. Recurso provido. No mesmo sentido: Número do Recurso: 118093 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10825.001917/99-95 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: SIMPLES - IMPOSTO ÚNICO SIMPLES Recorrente: EMPRESA COMÉRCIO DO JAÚ LTDA Recorrida/Interessado: DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Data da Sessão: 24/01/2002 13:00:00 Relator: Eduardo da Rocha Schmidt Decisão:ACÓRDÃO 202-13593 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa:SIMPLES. OPÇÃO. EDITORAÇÃO DE JORNAIS E REVISTAS. É permitida a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, das pessoas jurídicas que se enquadram como veiculo de comunicação (jornal), quando apenas veiculam a propaganda e publicidade e não realizam a sua criação (alínea "d" do inciso X do art. 9° da Lei n°9.317/1996). Recurso a que se dá provimento. No mesmo sentido: Número do Recurso: 115830 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10166.018847/99-61 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: SIMPLES - IMPOSTO ÚNICO SIMPLES Recorrente: THEGA - PUBLICIDADE LTDA Recorrida/Interessado:DRJ-BRASILIPJDF Data da Sessão: 18/04/2001 14:00:00 Relator: Dalton César Cordeiro de Miranda Decisão: ACÓRDÃO 202-12928 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa:SIMPLES - OPÇÃO - Poderá optar pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições - SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de captação de anúncios publicitários em geral para terceiros. Recurso provido. Não bastasse, e conforme bem assinalado pelo acórdão recorrido, constam dos autos notas fiscais de prestação de serviços (fls. 70/79) que atestam a prestação de serviços relacionados A mera demonstração de produtos para terceiros, a qual — inclusive pela irrisória contraprestação - não poderiam ser equiparados as atividades de propaganda e publicidade. 8 Processo n° 10840.001328/2004-47 Acórdão n.° 9101-000.991 Por tais funda interposto pela Fazenda Nacion CSRF-T1 Fl. 5 s, voto no sentido de conhecer do recurso especial 1 , no mérito, negar-lhe provimento. I Antonio Caluidon Filho - Relator 9
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Numero do processo: 11522.000779/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULAR INTERNADO EM UNIDADE HOSPITALAR, SEM CONDIÇÃO DE COMPREENSÃO E DE COMUNICAÇÃO.
A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao(s) titular(es) da contacorrente.
Portanto, não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando
em procedimento fiscal for verificado que o titular das contas bancárias em exame esteja internado em unidade hospitalar, sem condição de compreensão e de comunicação, por encontrar-se,
neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito que o art. 42 exige para que se caracterize a presunção legal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.582
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULAR INTERNADO EM UNIDADE HOSPITALAR, SEM CONDIÇÃO DE COMPREENSÃO E DE COMUNICAÇÃO. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao(s) titular(es) da contacorrente. Portanto, não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando em procedimento fiscal for verificado que o titular das contas bancárias em exame esteja internado em unidade hospitalar, sem condição de compreensão e de comunicação, por encontrarse, neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito que o art. 42 exige para que se caracterize a presunção legal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 360 2 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSE MARIA DE MELO foi lavrado Auto de Infração, fls. 259/264, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2001, exercício 2002, no valor total de R$ 825.200,67, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 31/07/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Os créditos objeto do lançamento foram efetivados em uma contacorrente mantida junto a Caixa Econômica Federal, cujo titular era o contribuinte e duas contas (uma corrente e uma conta poupança) mantidas junto ao Banco Bradesco, cuja titular era Adriana Vilhomar de Lacerda, que foi considerada interposta pessoa do contribuinte. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 274/297, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento, para reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75%, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 0111.658, de 05/08/2008, fls. 320/332. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/09/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 338, o contribuinte apresentou, em 10/10/2008, recurso voluntário, fls. 339/356, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Cerceamento ao direito de defesa – Em 20/06/2006 o contribuinte foi cientificado de um termo de constatação e intimação fiscal, fls.233/252, determinando que o mesmo comprovasse a origem dos créditos efetuados em contas correntes de sua titularidade e de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda. Ocorre, que o contribuinte se encontrava, desde o dia 06 de maio de 2006, internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital 09 de Julho, em São Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 361 3 Paulo/SP. Tal fato foi atestado pelo corpo clínico daquela instituição que remeteu à Delegacia da Receita Federal em Rio Branco relatório médico circunstanciado, no qual é descrito o estado de saúde do contribuinte, que não tinha qualquer possibilidade de comunicação com o mundo externo, em coma induzido devido à gravidade de sua situação, conforme relatório médico, fl. 258. No entanto, no que pese a gravidade desta situação, o AFRF responsável pela condução do MPF desprezou esta informação, e lavrou o auto de infração com base no art. 42 da Lei 9.430/96. Um paciente que se encontra em estado de coma não pode à luz da ciência, nem da lei, ser intimado ou tomar ciência de qualquer coisa a seu redor; Deste modo, estando sobejamente demonstrada a supressão do devido processo legal, ante ao lançamento com ausência de diligência no sentido de se aguardar a melhora do quadro médico do contribuinte para que o mesmo pudesse prestar as informações solicitadas, requerse a nulidade do lançamento. Decadência – O Auto de Infração foi lavrado em 24/08/2006, ou seja, quando já havia incidido a decadência nos débitos cujos fatos geradores operaram em 31/01/01, 28/02/01, 31/03/01, 30/04/01, 31/05/01, 30/06/01 e 31/07/01. Falta de descrição de datas e valores no Auto de Infração. Nulidade insanável No campo reservado à "descrição dos fatos e enquadramento legal", não se encontra qualquer informação que permita ao contribuinte identificar em qual momento e qual foi o valor dos depósitos que deram causa ao lançamento tributário de imposto sobre a renda. Não bastasse isso foi realizado lançamento sobre valores integrais depositados em contacorrente de terceiros, baseandose exclusivamente em informações prestadas pela titular da conta. Ademais, não foi excluída da base de cálculo do imposto os valores efetivamente declarados pelo contribuinte em sua declaração de renda, tampouco foram debitados os valores pagos a título de IRPF mensalmente. Da equivocada interpretação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 – A tributação com base em, depósitos bancários, bem como aquela com base em pagamento de CPMF, é um mecanismo tributário extremamente frágil, que bem poderia ser eliminado da legislação, uma vez que menospreza os mais basilares institutos de tributação da renda. No Auto de Infração não foram aproveitados os valores tributados em meses anteriores, os quais justificam os créditos nos meses subseqüentes, tampouco excluise da tributação os valores dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, que não ultrapassaram dentro do exercício o valor total de R$ 80.000,00, conforme expressamente consignado pela Lei nº 9.430/96. Não se pode tomar por base depoimentos absolutamente frágeis e contraditórios como os que foram prestados pela contribuinte Adriana Vilhamor de Lacerda, que aliás jamais afirmou ter dado qualquer cheque ou fornecido dados de sua contacorrente ao recorrente. A titular das contas mantidas junto ao Banco Bradesco, num primeiro momento afirmou que era seu filho Elivaldo Vilhamor de Lacerda quem de fato movimentava sua contacorrente e que assinava para ele todas Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 362 4 as folhas de cheque, em branco, fls. 14. Posteriormente esta informação é confirmada em expediente encaminhado à Delegacia da Receita Federal em Rio Branco, fls. 52, no qual é acrescida a informação de que seu filho utilizava as cártulas para compra de mercadorias, mercadorias estas que podem muito bem ter sido compradas do senhor José Maria de Melo que, por sua vez, pode ter repassado os cheques a terceiros. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 363 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e no recurso a defesa traz a preliminar de cerceamento do direito de defesa, argüindo que quando cientificado do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, se encontrava internado em unidade de terapia intensiva, em coma induzido. De pronto, vale destacar que no mencionado Termo o contribuinte foi cientificado da constatação de que seria o responsável pela movimentação de recursos nas contas bancárias de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda, ao tempo em que foi intimado a comprovar a origem dos recursos movimentados em tais contas e na contacorrente, mantida junto a Caixa Econômica Federal, da qual era o titular. De fato, o contribuinte foi cientificado do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, em 20/07/2006, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 253, e consta dos autos, fls. 258, relatório médico, emitido em 25/07/2006, do qual inferese que o contribuinte se encontrava internado na UTI do Hospital 9 de Julho desde o dia 04 de maio de 2006, sob suporte avançado de vida, sedado, com traqueostomia e respirando com ajuda de aparelhos artificiais e que não tinha condições de compreensão nem de comunicação. Como se vê, assiste razão à defesa quando afirma que quando da ciência do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, em que o contribuinte foi cientificado de ser o responsável pela movimentação das contas bancárias de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda e intimado a comprovar a origem dos créditos ali efetivados, assim como na conta de sua titularidade já se encontrava em coma induzido. Ressaltese que a impugnação ao lançamento foi assinada por procuradores, cuja procuração, fls. 153, foi assinada pelo contribuinte em 27/01/2006 e o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, por AR, fls.273, em 29/08/2006. Digase, ainda, que além do Termo de Constatação, houve o Termo de Início, fls. 178/179, do qual o contribuinte foi cientificado por AR, fls. 179, em 03/04/2006. No Termo de Início o contribuinte é apenas intimado a apresentar extratos bancários, não havendo intimação para comprovar a origem dos créditos havidos em suas contas bancárias, tampouco falase das contas bancárias de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda. Houve também um Termo de Intimação, fls. 140, em que o contribuinte é intimado a comparecer a RFB para prestar esclarecimentos, e também um Termo de Constatação Fiscal, fls. 141, dos quais foi cientificado em 25/01/2006, por AR, fls. 142. Houve, ainda, um Termo de Intimação, fls. 143, no qual o contribuinte é intimado a identificar as operações que deram causa ao recebimento de três cheques emitidos por Adriana, cuja ciência ocorreu em 25/01/2006, por AR, fls. 151. Em Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 364 6 atendimento o contribuinte apresentou resposta, fls. 154/157, assinada por ele, porém, nada esclarece quanto aos cheques e afirma que está doente e internado no hospital. Resta claro, portanto, dos documentos acostados aos autos, que o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, no qual a autoridade fiscal comunica que o contribuinte é responsável pela movimentação das contas bancárias de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda e faz a intimação para a comprovação da origem dos créditos efetivados tanto na conta de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda como nas contas em que o próprio contribuinte é o titular, não atendeu ao disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O dispositivo legal acima transcrito estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimento. As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividemse em absolutas (juris et jure) e relativas (juris tantum). Denominase presunção juris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; dizse que a presunção é juris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua inexistência. Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum (relativa). Cabe, portanto, ao titular apresentar justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contascorrentes. No presente caso, conforme já visto quando a autoridade fiscal encaminhou para o endereço do contribuinte o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, (AR, fls. 253, datado de 20/07/2006), o contribuinte já se encontrava internado em unidade hospitalar e segundo informações que constam do relatório médico, sem condições de compreensão e de comunicação. Tal intimação, recebida e respondida por preposto do contribuinte, que se encontrava sem condições de compreensão e de comunicação, não atende às disposições do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Do mencionado dispositivo, depreendese que quem se encontra obrigado a comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados é o titular da contacorrente, seja de fato ou de direito. O procurador do contribuinte, ainda que por ele indicado, não é o titular das contascorrentes examinadas, logo não há como lhe exigir que comprove os valores depositados nas contascorrentes do contribuinte, que se encontrava internado em hospital, sem condições de compreensão e de comunicação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 365 7 Ressaltase que a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se caracteriza na medida em que o titular, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Assim, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve se conformar aos moldes da lei, sendo imprescindível que os titulares, e somente estes, sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos, pois a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada aos titulares das contas bancárias. Portanto, não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando em procedimento fiscal for verificado que o titular das contas bancárias em exame esteja internado em unidade hospitalar, sem condição de compreensão e de comunicação, por encontrarse, neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito que o art. 42 exige para que se caracterize a presunção legal. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. É bom lembrar que no texto da lei as palavras são cuidadosamente escolhidas e não há palavras de sobra. Vêse que o legislador, quando da redação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ao designar qual pessoa física ou jurídica que deveria ser intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em conta de depósito ou investimento, utilizou a palavra “titular” e não “contribuinte” ou “sujeito passivo” ou “gerente da instituição financeira” ou alguma outra expressão. Isso porque é praticamente impossível que outra pessoa, diferente do titular da conta bancária, tenha condições de comprovar a origem de todos os depósitos em contas correntes de outrem. Assim, deixouse bem claro na letra da lei, aliás, de forma inconfundível, que somente o titular pode, de fato, responder por tais operações. Nessa conformidade, não há como prosperar o lançamento, dado que o titular das contas bancárias examinadas não foi devidamente cientificado da intimação para justificar a origem dos créditos efetivados nas contas bancárias examinadas. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 366 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10820.001189/00-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Renda de Pessoa Física
Exercício: 1999
FÉRIAS.
Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificou-se no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto sobre a renda.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 EDITADO EM: 15/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em 23/01/2008, a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 106-16.733 que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para excluir da exigência o valor de R$ 35.621,20, conforme ementa abaixo colacionada: IRF PRELIMINAR — ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS VERBAS TRABALHISTAS Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de demissão, inclusive aqueles que, tendo sido chamados de indenização, decorrem, na realidade, de acordo firmado entre empregador e empregado. FÉRIAS Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Recurso voluntário parcialmente provido Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial, com fulcro no art. 7º, II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n. 47/2007). Alega, em síntese, que o decisum recorrido diverge do Acórdão n. 10243025, abaixo ementado: IRPF FÉRIAS NÃO GOZADAS São tributáveis os valores percebidos a título de "indenização" de férias não gozadas, mesmo que por necessidade de serviço. ISENÇÃO nos termos do art. 97, inciso VI, do C.T.N, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusões de crédito tributário. Recurso negado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10820.001189/0002 Acórdão n.º 920201.559 CSRFT2 Fl. 2 3 Ato contínuo, a então Presidente, em exercício, da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n° 920200.036 [fls.149150], que deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade. Ciente do acórdão e do Recurso Especial da Fazenda, o Contribuinte restou silente. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência entre as decisões, pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda. Tratase de Especial manejado em face de decisão colegiada que reviu o lançamento que determinou como tributável as férias não gozadas, ou seja, entendeu como não tributável: IRF PRELIMINAR — ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS VERBAS TRABALHISTAS Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de demissão, inclusive aqueles que, tendo sido chamados de indenização, decorrem, na realidade, de acordo firmado entre empregador e empregado. FÉRIAS Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Recurso voluntário parcialmente provido Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial, com fulcro no art. 7º, II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n. 47/2007). Alega, em síntese, que o decisum recorrido diverge do Acórdão n. 10243025, abaixo ementado: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 IRPF FÉRIAS NÃO GOZADAS São tributáveis os valores percebidos a título de "indenização" de férias não gozadas, mesmo que por necessidade de serviço. ISENÇÃO nos termos do art. 97, inciso VI, do C.T.N, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusões de crédito tributário. Recurso negado. Não obstante os argumentos apresentados pela PGFN, entendo que as razões recursais não devem ser acolhidas, pois, em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pela Súmulas 125 do STJ, que inclui aquela verba fora do campo de incidência do imposto de renda, com a seguinte dicção: O PAGAMENTO DE FERIAS NÃO GOZADAS POR NECESSIDADE DO SERVIÇO NÃO ESTA SUJEITO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. (Súmula 125, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/12/1994, DJ 15/12/1994 p. 34815) Por conseguinte, devem ser excluídas da exação as verbas no total de R$ 35.621,20, referentes a férias não gozadas e pagas em pecúnia, pelo que, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário. Portanto, voto por conhecer do recurso, para no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 12963.000659/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
IMPOSSIBILIDADE DE LIMITAÇÃO DA AMPLA DEFESA POR NORMA INFRALEGAL.
Norma infralegal que tenta limitar o direito à ampla defesa ao tornar exaustiva lista de documentos que podem ser utilizados como prova deve ser afastada por ofender o direito constitucional à ampla defesa.
EQUÍVOCO NO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR.
IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Na presença de provas que demonstram ter havido equívoco no aspecto temporal do fato gerador, deve o lançamento ser afastado com o provimento do recurso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.346
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Bernadete de Oliveira Barros acompanhou o Relator por suas conclusões.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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OBRA Recorrente NARCISO LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 IMPOSSIBILIDADE DE LIMITAÇÃO DA AMPLA DEFESA POR NORMA INFRALEGAL. Norma infralegal que tenta limitar o direito à ampla defesa ao tornar exaustiva lista de documentos que podem ser utilizados como prova deve ser afastada por ofender o direito constitucional à ampla defesa. EQUÍVOCO NO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Na presença de provas que demonstram ter havido equívoco no aspecto temporal do fato gerador, deve o lançamento ser afastado com o provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Bernadete de Oliveira Barros acompanhou o Relator por suas conclusões. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12963.000659/200911 Acórdão n.º 230102.346 S2C3T1 Fl. 164 3 Relatório Tratase do Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) nº 37.254.0082 lavrado em 24/11/2009, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre mão de obra utilizada na construção de obra de construção civil, no período de 01/10/2009 a 31/10/2009, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 13.705,35, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 27/11/2009, fls. 41, a recorrente apresentou impugnação, fls. 42/46, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, no Acórdão de fls. 93/102, julgou o a impugnação improcedente, uma vez que a então impugnante não teria juntado aos autos elementos probatórios em conformidade com o art. 390 da IN 971/2009. A recorrente foi cientificada do decisório em 22/11/2010, fls. 109. O recurso voluntário, apresentado em 09/12/2010, fls. 110/114, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Alega que a obra foi concluída dentro do período decadente. Protesta pela prescrição do crédito tributário. Para provar a data de conclusão das obras trouxe diversos documentos, fls. 47/91. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A controvérsia reside na data de conclusão das obras nas quais foi utilizada mão de obra cuja remuneração deu ensejo à incidência de contribuição previdenciária. A recorrente alega que a obra foi concluída dentro de período decadente, tendo juntado vários documentos para provar o alegado. Observamos que o órgão julgador de primeira instância somente aceitou como provas aqueles documentos que seguiam o determinado no art. 390 da IN 971/2009. No entanto, tal limitação não pode prevalecer, pois se trata de evidente violação ao direito à ampla defesa. A lista de documentos que estão insertos no art. 390 da IN 971/2009 pode servir de orientação para os servidores da administração tributária. Mas não se trata de lista exaustiva., uma vez que uma norma infralegal não pode limitar um direito constitucional, mormente o direito à ampla defesa que é tão importante para a manutenção de um Estado Democrático de Direito. Se o contribuinte traz outros elementos de prova além dos previstos na referida norma infralegal, estes devem ter sua idoneidade e força probante analisadas na formação da convicção do aplicador da lei. Assim, faremos nossa análise sem considerar a necessidade de o elemento probante adequarse ao conteúdo do art. 390 da IN 971/2009. Cada elemento de prova que consideraremos na formação de nossa convicção será analisado pela idoneidade e força probante que traz consigo. Listaremos a seguir o conjunto de elementos que tomamos para formar nossa convicção quanto à conclusão das obras em período já decadente: 1 Documento da companhia de luz da região informando que os imóveis situados na Rua Santa Bárbara, 152 e 158 tem instalação desde 1996, fls. 60/61; 2 Certidão da Prefeitura Municipal informando que os imóveis situados imóveis situados na Rua Santa Bárbara, 152 e 158 estão cadastrados no órgão municipal desde 1997; 3 Documentos de Arrecadação Estadual, com autenticação mecânica de 1998, que informam o funcionamento de uma pessoa jurídica no imóvel cujo endereço é Rua Santa Bárbara, 152, fls. 85; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12963.000659/200911 Acórdão n.º 230102.346 S2C3T1 Fl. 165 5 Ao contrário do que afirmou a autoridade fiscal, não encontramos elementos nos autos que demonstram que a prefeitura municipal informou a conclusão de obras em 2005. O ofício do órgão municipal, fls. 18/20, informa os proprietários e as áreas construídas, sem informar qualquer data de conclusão de obras. Acrescentamos que a data de ocorrência do fato gerador, 10/2009, não corresponde aos elementos que constam dos autos. O próprio Relatório Fiscal de fls. 11 informa que o Aviso para Regularização da Obra (ARO) está datado de 06/04/2005. Na Declaração de Informação sobre obra (DISO) de fls. 21 é informado como data de conclusão 16/02/2004, o que, de per si, já é prova suficiente que o fato gerador não ocorreu em 10/2009. Se tomarmos a data de 16/02/2004 já estaríamos diante de uma obra concluída em período decadente, se considerarmos o art. 150. §4º do CTN. E mesmo que assim não fosse, o equívoco no aspecto temporal já seria motivo bastante para o cancelamento do lançamento. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA
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