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Numero do processo: 10980.017729/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2004
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF
Uma vez revertida a exclusão do SIMPLES, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, porquanto, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.
Numero da decisão: 1101-001.023
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do SIMPLES, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, porquanto, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, José Ricardo da Silva e Manoel Mota Fonseca, substituindo a conselheira Nara Cristina Takeda Taga, ausente justificadamente. Relatório Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 A empresa foi excluída do Simples Federal por Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 439.172, emitido em 07/08/2003, cujos efeitos retroagiram a 01/01/2002, com fulcro nos artigos 9º, XIII, c/c 14, I e 15, II, todos da Lei nº 9.317/96, sob o motivo de prestar serviços de decoração de anteriores – que seria atividade que não poderia ser exercida pelos optantes do regime. A exclusão da empresa do SIMPLES, com os efeitos retroativos, ensejou a emissão do Auto de Infração, objeto dos presentes autos, para exigir multa pela falta de entrega de DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, no valor de R$ 500,00, relativa ao 4º trimestre de 2004. Quanto ao processo em que se discutia a exclusão (processo n. 10980.003919/200454,), temos que a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ. Dessa decisão recorreu a interessada a este Conselho, e o processo que tratava da exclusão, foi distribuído a este relator. O Ato de Declaratório de Exclusão foi analisado por esta Turma em 13 de setembro de 2012, ocasião na qual, por maioria, foi dado provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte e revertido o acórdão da DRJ. Tendo restado vencido este relator, a conselheira Nara Cristina Takeda Taga foi designada para redigir o voto vencedor, em que aduziu que: A expressão “ou assemelhados” constante do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 constitui verdadeira cláusula geral, ou seja, uma janela aberta deixada pelo legislador para ser preenchida pelo aplicador do Direito caso a caso, e na situação em análise vêse que não se aplica a vedação do dispositivo supra mencionado. A Recorrente atua no ramo de decoração de interiores prestando serviços de decoração, por meio de projetos de balcões e estantes, bem como de arremates de gesso. Entendo que tais atividades não implicam em “alteração do espaço arquitetônico original”, “modificação nas instalações hidráulicas e elétricas ou ar condicionado”, “modificação na estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso”, ou ainda na “modificação da parte externa da edificação”, atividades estas arroladas como excludentes do conceito de decoração de interiores segundo a Deliberação Normativa nº 024/2000 da Câmara Especializada de Arquitetura do CREA/PR. (...) Ademais, as atividades exercidas pela Postulante não exigem “habilitação profissional legalmente exigida” como preceitua o fim do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 ao arrolar os impedidos de optar pelo SIMPLES. Destarte, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para afastar a exclusão do contribuinte do SIMPLES. Já este processo, que trata dos efeitos da exclusão, chegou a este Conselho, mas foi distribuído à conselheira Ana de Barros Fernandes da 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento. Por se tratar de processo decorrente do processo que fora a este relator sorteado, a 1ª Turma Especial decidiu, com força do art. 49 do RICARF, remeter o processo a esta turma, para que os processos fossem julgados concomitantemente. O presente processo foi julgado em 07 de agosto de 2012, ou seja, antes da apreciação do processo principal; porém sua distribuição por conexão ocorreu apenas em 2013, momento em que o processo principal já havia há muito sido julgado. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.017729/200848 Acórdão n.º 1101001.023 S1C1T1 Fl. 2 Error! Unknown document property name. 3 Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator O Recurso é tempestivo, dele conheço. A multa cominada ao sujeito passivo decorre do atraso na entrega de DCTF. Esse atraso exsurge dos efeitos da exclusão do SIMPLES, na medida em que da contribuinte só poderia ser exigida tal declaração se ao regime especial ela não fizesse jus. Sendo assim, uma vez revertida a exclusão do SIMPLES operada pelo ADE n. 439.172, a Contribuinte realmente não estava obrigada à entrega de DCTF no anocalendário de 2004, e, portanto, não podem subsistir as multas por atraso na entrega destas declarações. Este Conselho já se pronunciou a esse respeito no acórdão n. 180201.291, de 04 de julho de 2012, em que se analisou a exigência de multa derivada de ato de exclusão, que fora revertido. Da lavra do conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, da 2ª Turma Especial da 1ª Seção, o acórdão restou assim ementado: “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do Simples, por decisão judicial já transitada em julgado, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, posto que, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.” (acórdão n. 180201.291, de 04 de julho de 2012) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10820.004809/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 04 80 9/ 20 08 -7 6 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10820.004809/200876 Resolução nº 1401000.271 S1C4T1 Fl. 353 2 Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão PretoSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Do procedimento de revisão eletrônica da Declaração de Informações EconômicoFiscais, relativa ao anocalendário 2003 (DIPJ/2004 n° 1304281), foram constatadas divergências entre os valores do IRPJ e da CSLL declarados e os valores calculados com base na legislação em vigor, informados pelo sujeito passivo acima identificado em DIPJ e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF dos respectivos períodos: Tributo declarado em DIPJ Ficha/ Linha Valor declarado em DIPJ Valor declarado em DCTF Diferença DIPJ/DCTF Ocorrência Diferenças a pagar IRPJ 12 A/19 158.736,7 0 0,00 158.736,7 0 Não informado em DCTF CSLL 17A/19 52.695,2 6 0,00 52.695,2 6 Não informado em DCTF A contribuinte foi intimada a prestar esclarecimentos quanto à divergência dos valores informados em DIPJ e na DCTF do anocalendário 2003, referente ao IRPJ a pagar e à CSLL, conforme Termo de Intimação Revisão DIPJ, lavrado em 05 de junho de 2008 (fls. 4 e 5). Mediante representação legal, apresentou ao Fisco cartaresposta (com as seguintes alegações: •Com relação ao IRPJ, que no anocalendário 2001 sua DIPJ apresentou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 170.176,87; •no anocalendário 2002 sua DIPJ apresentou prejuízo fiscal, permanecendo, ainda, saldo a compensar de R$ 208.282,55; •as divergências constatadas no termo de intimação, referemse ao saldo negativo declarado na DIPJ 2003, anocalendário 2002. •No que diz respeito à CSLL, alegou que no anocalendário 2001 sua DIPJ apresentou saldo negativo da CSLL no valor de R$ 63.037,32; •no anocalendário 2002 sua DIPJ apresentou prejuízo fiscal, permanecendo, ainda, saldo mpensar de R$ 74.815,37; •as divergências constatadas no termo de intimação referemse aos saldos negativos apurados na DIPJ /2003, anocalendário 2002. Foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal que, em síntese, relatou divergência dos pagamentos apresentados por estimativa e os declarados na DIPJ do anocalendário de 2001 e solicitou a apresentação de Pedido de Compensação protocolado, referente ao IRPJ e CSLL a pagar apurados na DIPJ/2004, anocalendário 2003. A contribuinte por meio de seu representante legal apresentou cartaresposta alegando que o IRPJ a pagar do anocalendário 2003, DIPJ/2004, foi compensado contabilmente com saldos negativos de anoscalendário anteriores, nos moldes da Fl. 353DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10820.004809/200876 Resolução nº 1401000.271 S1C4T1 Fl. 354 3 antiga redação do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, o mesmo ocorrendo com a CSLL, e que embora não seja o procedimento correto (efetuado contabilmente sem a apresentação da Declaração de Compensação), o crédito utilizado é existente. Foram lavrados os Autos de Infração AI (fls. 110/115) que exigem, com fulcro nas disposições legais nele citados, crédito tributário no montante de R$ 532.123,12, assim composto: Valor do tributo Juros de mora (cálculo válido até 30/09/2008) Multa de ofício (75%) Total IRPJ 158.736,7 0 381.460,1 5 119.052,5 2 381.460,1 5 CSLL 62.695,2 6 40.946,2 7 47.021,4 4 150.662,9 7 Ciente dos lançamentos em 06/10/2008, a contribuinte ingressou em 06/11/2008 com a impugnação de fls. 118/139, mediante a qual os refuta, em suma, sob as seguintes alegações: • Embora tenha sido esclarecido, em resposta à intimação, que as divergências constatadas pela fiscalização referemse aos saldos negativos de IRPJ e CSLL declarados na DIPJ 2001, anocalendário 2002; que o saldo de IRPJ e CSLL a pagar do anocalendário 2003 foi compensado contabilmente com os saldos negativos dos anos calendário anteriores, nos moldes da antiga redação do art, 74 da Lei Federal n° 9.430/96 e que embora não seja o procedimento correto, o crédito utilizado pelo contribuinte é existente, liquido e certo, foram lavrados os autos de infração, não sendo aceita pelo Fisco a compensação contábil realizada pelo contribuinte. Consta do AI: Com a falta da entrega da "Declaração de Compensação" do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001 e anteriores, com o IRPJ apurado e não pago no anocalendário 2003, de R$ 158.736,70, seu crédito prescreveu conforme o disposto no art. 168 do Código Tributário Nacional e no DecretoLei 4.597, de 19/08/1942, sendo exigível o 1RPJ a pagar do anocalendário 2003, declarado na DIPJ 2004 e não declarada em DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS — DCTF(...) Com a falta da entrega da "Declaração de Compensação" do saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2001 e anteriores, com a CSLL apurada e não paga no anocalendário 2003, de R$ 62,695,26, seu crédito prescreveu conforme o disposto no art. 168 do Código Tributário Nacional e no DecretoLei 4.597, de 19/08/1942, sendo exigível a CSLL a pagar do anocalendário 2003, declarado na DIPJ 2004 e não declarada em DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇõES E TRIBUTOS. •A partir da alteração do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002, devidamente regulada em âmbito administrativo pela IN SRF n.° 210/02, toda e qualquer compensação passou a ser feita através da chamada Declaração de Compensação, seja para tributos da mesma espécie e destinação constitucional, como também para tributos de espécies diferentes. Oportuno frisar que o contribuinte não pretende aqui alegar o desconhecimento da norma, até porque nossa Lei de Introdução ao Código Civil reza que ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece (art. 30 do Decreto — Lei n.° 4.657/1942). O objetivo do contribuinte é ter reconhecido, por essa Administração, que houve uma compensação contábil, restando assim extinto o crédito tributário ora exigido. Para tanto, se vale do principio da verdade material, bem como pelos princípios da razoabilidade, finalidade e prevalência da substância sobre a forma. Logo, tornase necessário que o contribuinte comprove que o mesmo realizou a compensação contábil, assim como comprovar a existência do referido crédito tributário (saldo negativo de IRPJ e CSLL) e sua respectiva baixa, e posterior compensação. Para tanto, a impugnante requer a juntada dos seguintes documentos, que inclusive foram fornecidos à Administração durante a Fl. 354DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10820.004809/200876 Resolução nº 1401000.271 S1C4T1 Fl. 355 4 Fiscalização, cujo histórico remonta todo o saldo negativo da Impugnante, com sua respectiva compensação. •A compensação foi realizada nos exatos termos da antiga redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, razão pela qual, com base nos princípios da verdade material, razoabilidade, não prejuízo ao Erário, prevalência da substância sobre a forma e finalidade, deve ser reconhecida a improcedência do AI. Sobre esse entendimento existem decisões que se aplicam, simultaneamente, a um caso concreto os retrocitados princípios. (foram citados diversos acórdãos). •A realidade fática se sobrepõe à qualquer obrigação tida por acessória, pois essas obrigações, muitas vezes, não expressam aquilo que efetivamente aconteceu no mundo fático, principalmente em casos em que o contribuinte "incorreu em erro de preenchimento de obrigação acessória, ou, porque não, compensação contábil quando da legislação passou a exigir a entrega de Declaração de compensação". ... "esta obrigação de buscar a verdade substancial decorre do próprio principio da legalidade (art. 5°, inciso II e art. 150, inciso I, todos da CF/88), pois se só é possível exigir tributo na exata medida da lei, ou o Fisco, na verificação da ocorrência do plano dos fatos constata a subsunção do fato à norma, e, por conseguinte, efetua o lançamento, ou então agiu fora da legalidade, ferindo os princípios constitucionais acima mencionados." •Conforme ficou demonstrado e comprovado pelos documentos ora acostados, e tendo como base o principio da verdade material, razoabilidade, finalidade, ausência de prejuízo ao Erário e prevalência da substância sobre a forma, o presente Auto de Infração há de ser cancelado, com todos os seus consectários legais. • Requer o cancelamento do AI diante das razões acima expostas, excluindose por conseqüência qualquer cobrança. Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, para demonstrar a veracidade dos fatos alegados na presente defesa, inclusive prova pericial, se a RFB julgar necessária e, requer que as intimações referentes a este processo se faça em nome da empresa, no endereço declinado na peça impugnatória. É o essencial. A DRJ Manteve os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DÉBITO NÃO CONFESSADO. Mantémse o lançamento do IRPJ não declarado em DCTF e não compensado mediante DCOMP. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DÉBITO NÃO CONFESSADO. Mantémse o lançamento da CSLL não declarada em DCTF e não compensada mediante DCOMP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 INTIMAÇÕES. ENDEREÇAMENTO. Feita a eleição pelo sujeito passivo que consta do CNPJ, não é possível a admissão de domicílio especial para o processo administrativo fiscal. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10820.004809/200876 Resolução nº 1401000.271 S1C4T1 Fl. 356 5 ATIVIDADE VINCULADA Positivada a norma tributária, é dever da autoridade fiscal aplicála, pois o lançamento é uma atividade vinculada, conforme disposição contida no CTN. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10820.004809/200876 Resolução nº 1401000.271 S1C4T1 Fl. 357 6 VOTO O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, o lançamento foi efetuado pelo fato de terem sido constatadas divergências entre os valores do IRPJ e da CSLL, apurados em 31/12/2003, declarados em DIPJ, que não foram declarados em DCTF. A contribuinte alegou que a divergência ocorreu porque havia efetuado a compensação dos valores desses tributos informados na DIPJ com saldos negativos apurados em períodos anteriores e que tal fato teria sido consignado em sua contabilidade. Venho pautando meus votos no sentido de que o simples direito a compensação sem prova de sua formalização não serve de argumento defesa para infirmar auto de infração lavrado adequadamente. Também não desconheço que a compensação tributária tem rito próprio e precisa ser aferida a liquidez e certeza dos crédito, mormente a partir de outubro de 2002, em que inaugurouse uma nova sistemática de compensação, onde qualquer tipo de compensação, mesmo a compensação de que trata a Lei 8.383/91, envolvendo tributos da mesma espécie, deve ser feita sempre através de Declaração de Compensação: Como se vê, a declaração de compensação é uma prerrogativa da recorrente e que não foi utilizada, não cabendo ao fiscal fazêlo de ofício. Porém, em favor do contribuinte pesa alguns fatores. O caso concreto é peculiar e o princípio da verdade material aqui deve ser respeitado. A Recorrente traz provas robustas na fase impugnatória de que de fato seria detentora de créditos de períodos anteriores (saldos negativos) e que fizera a compensação de tributos da mesma espécie de que tratava a Lei 8.383/91 pela contabilidade. Assim demonstra a Recorrente a existência de seu saldo credor do IRPJ de anos anteriores e as transações registradas na contabilidade que provam essa autocompensação. Faz acompanharos razões contábeis que demonstrariam a composição de seu crédito de saldo negativo de Imposto de Renda , desde 1999 até 2003, assim como sua respectiva utilização e baixa, (doc. 04): (...) Como dissemos, é importante analisar o saldo credor da Recorrente a partir do anocalcndário de 1999. no qual o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ. no valor de R$ 118.765.79, que por sua vez foi transferido para o anocalendario 2000. No anocalendário de 2000. o contribuinte efetuou algumas compensações utilizando o referido crédito tributário. Conforme o razão contábil do contribuinte, foram compensados o próprio IRPJ estimativa mensal, dos meses de junho, setembro, outubro e novembro. As compensações efetuadas pelo contribuinte foram suficientes para consumir todo o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. conforme comprova o razão contábil do contribuinte. Por sua vez. o contribuinte apurou neste mesmo ano um saldo negativo de IRPJ de R$ 61.919.74. decorrente de suas antecipações mensais. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10820.004809/200876 Resolução nº 1401000.271 S1C4T1 Fl. 358 7 Este saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 foi devidamente transferido para o anocalendário 2001, conforme demonstra o razão contábil. Notese que pelo razão, o saldo negativo de 2000 foi devidamente utilizado cm compensação do IRPJ estimativa mensal do anocalendário de 2001. dos meses de janeiro e março. Entretanto, no referido ano calendário, a Recorrente também apurou saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 170.176,88. em razão das suas antecipações, cujos DARF's já foram fornecidos durante o processo de fiscalização. Neste anocalendário. após a entrega da Declaração, foi constatado que a Recorrente apurou saldo negativo no valor de R$ 170.176,88. que foi transferido para o anocalendário 2002. Em 2002, a Recorrente também utilizou todo o seu saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001. compensando o IRPJ devido por estimativa dos meses de janeiro e abril 2002. consumindo assim todo o seu crédito tributário do referido ano calendário. Ocorre que ao final de 2002. não houve imposto de renda a pagar, razão pela qual, as estimativas recolhidas durante o ano viraram saldo negativo de IRPJ. totalizando a quantia de R$ 208.282,54. transferidas para o anocalendário 2003. conforme demonstra o razão contábil da Empresa. Por sua vez, em 31 de dezembro de 2003. o contribuinte apurou lucro, conforme declarado na DIPJ 2004. no valor de R$ 158.736,70. que foi exatamente o valor lançado pela Fiscalização no presente Auto de Infração, já que o contribuinte não apresentou a referida Declaração de compensação, que passou a ser obrigatória a partir de 1° de outubro de 2002, conforme narrado pela própria Fiscalização no respectivo Auto de Infração. Nesse momento, oportuno abrirmos um parêntese para tratar das referidas estimas, tendo em vista as compensações efetuadas pelo contribuinte. Durante o referido anocalendário. o contribuinte apurou IRPJ a pagar em setembro de 2003. no valor de R$ 35.768.90. tendo compensado contabilmente em 30/09/2003. Notese que pelo razão contábil da Recorrente, é possível verificar a compensação contábil realizada, com a respectiva baixa do crédito utilizado. Mais não é só. Em outubro do mesmo ano. a Recorrente também apurou IRPJ a pagar (estimativa) no valor de R$ 134.088.91. conforme declarado na sua D1PJ 2004. Este imposto, por sua vez. também foi compensado contabilmente em 31/10/03, conforme razão contábil, ora juntado. Por fim, em novembro de 2003. o contribuinte também compensou contabilmente o IRPJ estimativa apurado, no valor de R$ 54.245,85. utilizando o saldo negativo do anocalendário de 2002. Mais uma vez. frisase. referida compensação está devidamente comprovada pelo livro razão, que comprova o referido lançamento contábil. Assim, tendo em vista a comprovação de que o contribuinte possuía crédito suficiente para realizar a referida compensação, e com base nos princípios da verdade material, finalidade, ausência de prejuízo ao Erário e prevalência da substância sobre a forma, a compensação contábil realizada pela Recorrente há de ser reconhecida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e seus respectivos consectários legais. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10820.004809/200876 Resolução nº 1401000.271 S1C4T1 Fl. 359 8 Para tanto, a Recorrente juntou todos os razões contábeis que demonstram a composição de seu crédito de saldo negativo de Imposto de Renda , desde 1999 até 2003, assim como sua respectiva utilização e baixa, (doe. 04). Ademais, oportuno também ajuntada da respectiva DIPJ 2004. anocalendario 2003, no qual constam as estimativas apuradas pelo contribuinte, mês a mês. bem como o 1RP.1 devido no referido ano. (doe. 05) Traz explicação semelhante em seu recurso também em relação à CSLL. Como se vê, a sua peça impugnatória bem assim o seu recurso são ricos em detalhes de que agira com boa fé, mormente em um período de transição onde a sistemática das Dcomps ainda não estava consolidada no sentido de que o regime de encontro de contas, da forma pretendida pela contribuinte, também conhecido como autocompensação, deixara mesmo juridicamente de existir a partir de 1° de outubro de 2002. Nesse sentido, é conhecido muitos julgados discutindo essa matéria. Conforme mansa jurisprudência administrativa, o mero equívoco no preenchimento das declarações apresentadas pelo contribuinte não impede o reconhecimento do direito informado. O contexto desse caso, principalmente pelo fato de aparentemente existir respaldo contábil, incliname pela ampliação dessa jurisprudência para casos tais em que deixouse de entregar Dcomps, entre tributos da mesma espécie e cujos eventos tenha sido registrados contabilimente. Nesse contexto e também em nome do princípio da verdade material e da prevalência da essência sobre a forma, inclinome no sentido de que seja realizada uma diligência específica para que a fiscalização: Investigue mais profundamente suas alegações e provas trazidas na defesa, verificando a existência, suficiência, e disponibilidade do crédito pretendido na compensação. Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide; Se efetivamente houver liquidez e certeza nos respectivos saldos negativos da IRPJ e da CSLL prosseguir na homologação das compensações dos débitos ora autuados até o limite dos saldos negativos encontrados. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 359DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10768.018461/2002-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1998
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ACÓRDÃOS CONVERGENTES.
Nos casos em que os acórdãos recorrido e paradigma são convergentes, impossível o conhecimento do Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-001.600
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ACÓRDÃOS CONVERGENTES. Nos casos em que os acórdãos recorrido e paradigma são convergentes, impossível o conhecimento do Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 84 61 /2 00 2- 91 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR 2 Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 484/491) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7°, inciso II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, Anexo II, de 25 de junho de 2007. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 10709.522 de fls. 476/483, por meio do qual os membros da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deram provimento ao Recurso Voluntário. O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998 CSLL. INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADAS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DAS QUESTÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Súmula 1°CC n ° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CSLL. BASE DE CÁLCULO. SUPERÁVIT. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Não obstante a exclusão das reservas matemáticas e das reservas de contingências estarem limitadas a 25%, não há que se falar em lucro tributável, pois o contribuinte destina a totalidade do superávit restante para garantir os benefícios pagos no futuro.” No voto condutor do acórdão recorrido restou consignado que quanto à existência de previsão legal para exigência da CSLL de instituição de previdência privada fechada, houve renúncia pelo Contribuinte à impugnação na esfera administrativa, pois este fundamentou seu recurso em decisão (ainda que provisória) proferida em via judicial (Mandado de Segurança), portanto, houve reconhecimento da concomitância. Nesse contexto, observou que caberia a análise de apenas dois pontos: (i) “sobre a obrigatoriedade de considerar a autoridade lançadora bases negativas constituídas em períodos anteriores” e (ii) sobre a “obrigatoriedade de dedução da base de cálculo da CSLL dos valores constitutivos das reservas de contingência”. E concluiu que (i) quanto à consideração de bases negativas constituídas em períodos anteriores cingiuse a Recorrente a alegar a existência de valores a deduzir, omitindose de comprovar as alegações por documentos idôneos, o que impede o conhecimento da alegação” e (ii) que o superávit existente após o limite de 25% previsto na legislação, jamais poderia ser considerado lucro da Fl. 518DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR Processo nº 10768.018461/200291 Acórdão n.º 9101001.600 CSRFT1 Fl. 518 3 Recorrente, visto que a mesma não poderá dispor livremente dos aludidos valores e, portanto, deu provimento ao Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional, em suas razões recursais, afirmou que o entendimento adotado pelo acórdão recorrido, no sentido de que a discussão relativa à formação da base de cálculo da CSLL cobrada das EFPP não foi alcançada pela concomitância entre os processos judicial e administrativo e que, no caso em apreço, não haveria base de cálculo sobre a qual deveria incidir a alíquota aplicável na exigência do mencionado tributo, diverge do entendimento adotado pela Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que adotou entendimento no sentido de que o impedimento para a manifestação do órgão julgador administrativo se dá quando há semelhança entre a causa de pedir constante da inicial do processo judicial e o conteúdo material em discussão na via administrativa. Nesse passo trouxe a ementa do acórdão paradigma nº 10321.898 proferido pela 3ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuinte, assim ementado: “CSLL NORMAS PROCESSUAIS CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS NA VIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA PREVALÊNCIA DA UNA JURISDICTIO. No aparente conflito entre os magnos princípios, a autoridade administrativojulgadora deverá sopesar e optar por aquele que tenha maior força, frente as peculiaridades do caso sub judice, com o fito da decisão poder assegurar as garantias individuais e realizar a segurança jurídica através do respeito à coisa julgada e à ordem constitucional, aqui revelado pelo prestigio a unicidade de jurisdição. O óbice para que a via administrativa manifestese, na hipótese, não decorre da simples propositura e coexistência de processos em ambas as esferas, ele exsurge quando há absoluta semelhança na causa de pedir e perfeita identidade no conteúdo material em discussão tanto na via administrativa quanto na via judicial, como configurado na hipótese vertente. ” Ademais, esclareceu que o cerne da questão é a análise da possibilidade de apreciação, no âmbito administrativo, sobre a formação da base de cálculo aplicável à EFPP autuada, matéria esta que é discutida no Mandado de Segurança Coletivo n.° 2001.51.010248010, em trâmite na 7º Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, interposto por ABRAPP, ao qual o contribuinte é filiado. Por fim, pugnou pelo reconhecimento da concomitância dos feitos administrativo e judicial, haja vista que a matéria versada no presente recurso é a mesma discutida no Poder Judiciário por meio do Mandado de Segurança Coletivo n° 2001.51.010248010. Em sede de exame de admissibilidade (fls. 503/504) foi dado segmento ao recurso. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR 4 O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 505/512 afirmando que o objeto do presente processo administrativo é a observância da lei pelo auto de infração combatido na formação da base de cálculo no caso concreto, não se confundindo, portanto, com o do Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0248010 no qual se pretende o reconhecimento de que as Entidades Fechadas de Previdência não apuram lucro; bem como que o superávit não pode ser equiparado ao lucro. Portanto, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda Nacional, senão vejamos. A Fazenda Nacional, em sede de Recurso Especial, sustentou que quando há semelhança entre a causa de pedir constante da inicial do processo judicial e o conteúdo material em discussão na via administrativa há concomitância e pugnou pelo seu reconhecimento no presente caso. Trouxe como paradigma o acórdão nº 10321.898 proferido pela 3ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuinte que adota o entendimento no sentido de que há concomitância e, portanto, impedimento de julgamento na via administrativa quando há absoluta semelhança na causa de pedir e perfeita identidade no conteúdo material em discussão nesta esfera e na via judicial. No acórdão recorrido restou consignado, nos termos da súmula nº 1 deste Conselho, que “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Assim, resta evidente que a posição defendida no acórdão paradigma acostado é convergente com aquela adotada no acórdão recorrido. Ambos os acórdãos reconhecem a renúncia às instâncias administrativas nos casos em que há concomitância entre o conteúdo em discussão na via administrativa e na via judicial. Cumpre observar que no caso a Fazenda Nacional pretende a reforma do acórdão recorrido na parte em que não foi reconhecida a concomitância, ou seja, na parte em que consignou que o superávit não poderia ser considerado lucro. Para haver divergência seria necessário paradigma que tratasse da mesma ação judicial e que sobre a mesma matéria reconhecesse a concomitância. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR Processo nº 10768.018461/200291 Acórdão n.º 9101001.600 CSRFT1 Fl. 519 5 Não é o caso do acórdão paradigma apresentado, pois este reconhece o impedimento de julgamento na esfera administrativa quando a matéria discutida também é submetida a julgamento na esfera judicial, tese esta que também é defendia pelo acórdão recorrido, conforme já exposto. Desta forma, temse que os acórdãos cotejados quanto à concomitância são convergentes. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial. Do exposto, por inexistir a divergência jurisprudencial, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 521DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR
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Numero do processo: 11516.004201/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4°, DO CTN.
Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO DA ÁREA DA SAÚDE. ART. 22, IV DA LEI Nº 8.212/91.
É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa, relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, incidente à alíquota de quinze por cento sobre os valores brutos consignados nas respectivas notas fiscais/fatura/recibos.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Na prestação de serviços de cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, havendo previsão contratual de fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, esses valores serão deduzidos da base de cálculo da contribuição, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e comprovado o custo de aquisição dos materiais e de locação de equipamentos de terceiros, se for o caso.
MULTA DE MORA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA.
Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais tributárias vigentes e eficazes.
Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, vencido o Conselheiro Relator. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
André Luís Mársico Lombardi - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4°, DO CTN. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO DA ÁREA DA SAÚDE. ART. 22, IV DA LEI Nº 8.212/91. É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa, relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, incidente à alíquota de quinze por cento sobre os valores brutos consignados nas respectivas notas fiscais/fatura/recibos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Na prestação de serviços de cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, havendo previsão contratual de fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, esses valores serão deduzidos da base de cálculo da contribuição, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e comprovado o custo de aquisição dos materiais e de locação de equipamentos de terceiros, se for o caso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 42 01 /2 01 0- 72 Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 MULTA DE MORA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais tributárias vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, vencido o Conselheiro Relator. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. André Luís Mársico Lombardi Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.152 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 07/12/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 08/12/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância aviada no Acórdão nº 0725.909, proferido pela 5ª Turma da DRJ/FNS/SC, referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 37.304.6448, que em sua análise, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte, exonerando do crédito lançado o valor de R$ 5.419.528,17 (cinco milhões, quatrocentos e dezenove mil, quinhentos e vinte e oito reais e dezessete centavos), e mantendo o valor de R$ 11.397.988,51 (onze milhões, trezentos e noventa e sete mil, novecentos e oitenta e oito reais e cinquenta e um centavos). Da Decisão proferida, a DRJ/FNS interpôs RECURSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), na forma do art. 366, I, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Informa a Fiscalização que a Caixa de Assistência dos Empregados dos Sistemas BESC e CODESC, do BADESC e da FUSESC – SIM tem por finalidade operar planos privados de assistência à saúde na segmentação médico hospitalar e odontológica, proporcionando esses serviços aos seus associados e dependentes através de profissionais e estabelecimentos especializados credenciados ou conveniados. De acordo com o seu Regulamento, para a consecução desses objetivos o SIM mantém termos de acordo, convênio e contratos com hospitais, casas de saúde, laboratórios, clinicas médicas e odontológicas, cooperativas e outros estabelecimentos especializados no tratamento de saúde. Em sua resenha fiscal, relata a Autoridade Lançadora ter constatado na ação fiscal que o SIM contratou serviços de assistência médico hospitalar para os empregados e agregados dos Sistemas BESC e CODESC, do BADESC e da FUSESC, além de serviços odontológicos para os seus associados e dependentes, através das cooperativas UNIMED/Federação Estadual e filiadas; UNIMED Florianópolis e da UNIODONTO, não declarados em GFIP e não considerados nos recolhimentos efetuados pela empresa, conforme levantamentos detalhados e relacionados a seguir: a) Levantamento (SE) — Composto pela contribuição de 15% (quinze por cento) incidente sobre o valor bruto das Faturas emitidas pela UNIMED do Estado de Santa Catarina Federação Estadual das Cooperativas Médicas e suas filiadas (UNIMED Singulares), referente ao Contrato s/n° (FSC 0018), de 1° de maio de 1995, e Termos Aditivos, realizado com o SIM, referentes ao plano de Saúde MédicoHospitalar dos empregados dos Sistemas BESC (incorporado pelo Banco do Brasil) e CODESC, do BADESC e da FUSESC, conforme identificado por competência, nas planilhas do ANEXO I, deste Auto de Infração. Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 De acordo com os dispositivos do contrato (cópia em anexo) a cooperativa e a contratante (SIM) estipularam de comum acordo, os serviços e honorários, cujo pagamento é feito após o atendimento, caracterizando o contrato, com vigência no período de 01/2005 a 12/2007, como de custo operacional. b) Levantamento (SA) — Composto pela contribuição de 15% (quinze por cento) incidente sobre o valor bruto das Faturas emitidas pela UNIMED Florianópolis Cooperativa de Serviços Médicos Ltda, relativas ao Contrato de Assistência à Saúde Plano —UNIFLEX Nacional Coletivo por Adesão n° de Registro: 435.412/015 (Contratos n°. 6801, 6802, 6804, 6805, 6810, 6890, 6896 a 6999), plano este denominada pelo SIM de SIMEF SIM, para atender aos agregados, ou seja, os familiares dos empregados dos Sistemas BESC e CODESC, do BADESC e da FUSESC, onde a UNIMED e o contratante (SIM) estipulam de comum acordo, os serviços e honorários com pagamento por valor predeterminado. c) Levantamento (AO) — Composto pela contribuição de 15% (quinze por cento) incidente sobre o valor bruto das faturas emitidas contra o SIM, no período de 01/2005 a 12/2007, pela cooperativa UNIODONTO de SC Cooperativa Administradora de Contratos, CNPJ 02.338.268/000163, referente ao Contrato de Administração para Prestação de Serviços Odontológicos de 10 de abril de 1999 e aditivos, prestados aos seus associados e dependentes. Os valores foram lançados na contabilidade do SIM, nas seguintes contas: 2.1.2.2.18.00.000.000 UNIODONTO e 4.1.1.1.01.04.000.000 UNIODONTO. Foi considerado como base de cálculo das contribuições lançadas no presente Auto de Infração, referente as faturas emitidas pelo UNIODONTO, o montante correspondente ao percentual de 60% (sessenta por cento) do valor bruto das faturas, mensalmente emitidas contra o SIM , responsável pelo pagamento. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 385/422. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão Nº 0725.909 – 5ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 880/903, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para deste fazer excluir as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a novembro/2005, em razão da decadência, e para alterar a base de cálculo do Levantamento SE na competência julho/2006, mantendo o crédito tributário na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 866/879, recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06/03/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 4097. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 4098/4133, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nas alegações que se vos seguem: Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.153 5 · Nulidade do Acórdão em razão da imprescindibilidade da prova pericial requerida; · Que atua meramente como operacionalizadora dos planos de saúde e odontológico e que não figura como tomadora de serviços, tampouco arca com o ônus decorrente dos serviços médicos prestados por intermédio das cooperativas de trabalho. Aduz que tal circunstância é reflexo da relação jurídica verdadeiramente existente no caso concreto, mantida entre a pessoa física beneficiária do plano e o prestador do serviço médico, o qual atua por intermédio das cooperativas de trabalho; · Que pelo art. 195, inciso I, da CF/88, o fato gerador só pode ser a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviços, mesmo sem vinculo empregatício. Aduz que na contribuição em exame, ou existe uma relação jurídica entre cooperativa e cooperado, configurando ato cooperativo, insusceptível de tributação, ou existe uma relação jurídica entre cooperativa e a empresa tomadora de serviços, isto é, entre duas pessoas jurídicas, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária patronal; · Que não foram considerados pela Fiscalização os valores glosados/retirados das Faturas, ou seja, os valores cobrados em desacordo com o contrato e valores tabelados, ou, ainda, eventos que foram realizados fora das condições, que, via de regra, são descontados nas faturas dos meses posteriores ao da emissão da Nota Fiscal; · Que os valores pagos a cooperativas médicas não se referem unicamente a serviços prestados por seus cooperados pessoas físicas, mas englobam ainda despesas com materiais e medicamentos que não poderiam compor a base de calculo da contribuição; · Ilegitimidade da multa de mora aplicada, em razão da desproporção à infração cometida, constituindo violação expressa e direta à máxima da legalidade do ato administrativo ocorrendo então o desvio da finalidade da multa e o abuso de poder. Afirma que o controle de constitucionalidade deve ser feito com vistas no principio da proporcionalidade, mediante os critérios da necessidade, adequação e proibição de excesso. Ao fim, requer a declaração de improcedência do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4155DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 06/03/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO INDEFERIMENTO DE PERÍCIA Advoga o Recorrente a nulidade do Acórdão Recorrido em razão do indeferimento da perícia requerida. Sem razão. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de situações fáticas, cujo teor já é do conhecimento do Auditor Fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da Fl. 4156DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.154 7 Autoridade Julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nessa prumada, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do Contribuinte, desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade, em regra, são tidos como prescindíveis, uma vez que os Agentes do Fisco são dotados de conhecimento específico sobre a matéria objeto do seu dever de oficio e competência legal para o exame e apreciação dos paramentos atávicos aos fatos geradores apurados, circunstância que torna despicienda a manifestação de pessoa estranha aos procedimentos fiscalizatórios que, em tese, nada irá acrescentar ao convencimento motivado do Julgador. Não se mostra despiciendo relembrar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina do rito processual em tela restou a cargo do Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo quarto. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 4157DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Fl. 4158DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.155 9 No caso em debate, o Órgão Julgador de 1ª Instância considerou ser inócua e desnecessária a produção de prova pericial em razão de a base de cálculo considerada no lançamento estar prevista literalmente na legislação em vigor e o deslinde da questão estar adstrito à apreciação das provas documentais acostadas ao processo, não possuindo este Colegiado competência para sindicar as razões do convencimento do Órgão Julgador a quo. Com efeito, emerge dos dispositivos legais que regem a matéria em debate que as provas documentais que dão esteio aos argumentos e alegações de defesa têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais acima referidas, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. De acordo com os princípios mais comezinhos do Direito Processual, incumbe ao Autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do Direito do autor. A Fiscalização comprovou, mediante documentação idônea, auditada nos estabelecimentos da empresa, elaborada sob a responsabilidade e domínio do próprio Recorrente, que este efetuou pagamentos relativos a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, sem a comprovação do devido recolhimento da contribuição social incidente à alíquota de 15% sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação desses serviços, conforme exigido pelo inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, estando a hipótese de incidência perfeitamente descrita, de maneira genérica e abstrata, na legislação tributária, e estando o vertente Processo Administrativo Fiscal apropriada e suficientemente instruído com as provas documentais em que se fundamentou o lançamento em relevo, consideramos também ser dispensável a produção de prova pericial requerida pelo Recorrente, uma vez que as provas de sustentação das alegações de bloqueio já deveriam estar contidas no Instrumento de Impugnação apresentado, não demonstrando o Autuado a ocorrência de qualquer das circunstâncias elencadas numerus clausus no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Fl. 4159DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DOS FATOS GERADORES O Recorrente alega que atua meramente como operacionalizadora dos planos de saúde e odontológico e que não figura como tomadora de serviços, tampouco arca com o ônus decorrente dos serviços médicos prestados por intermédio das cooperativas de trabalho. Aduz que tal circunstância é reflexo da relação jurídica verdadeiramente existente no caso concreto, mantida entre a pessoa física beneficiária do plano e o prestador do serviço médico, o qual atua por intermédio das cooperativas de trabalho. Argumenta, em ádito, que pelo art. 195, inciso I, da CF/88, o fato gerador só pode ser a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, a pessoa física que lhe preste serviços, mesmo sem vinculo empregatício. Aduz que na contribuição em exame, ou existe uma relação jurídica entre cooperativa e cooperado configurando ato cooperativo, insusceptível de tributação, ou existe uma relação jurídica entre cooperativa e a empresa tomadora de serviços, isto é, entre duas pessoas jurídicas, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária patronal. Razão não lhe assiste. Em primeiro lugar, há que se observar que, nos termos dispostos no art. 4º da Lei nº 5.764/71, “as sociedades cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características...”. De outro canto, o art. 3º do citado Diploma Legal dispõe que “celebram contrato de sociedade cooperativa pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro”. Dessai da Lei das Sociedades Cooperativas as marcantes diferenças entre as cooperativas e as sociedades mercantis típicas: a) aquelas são sociedades de pessoas e estas sociedades de capital; b) as cooperativas têm como objetivo essencial a prestação de serviços aos cooperados ao passo que as sociedades mercantis visam o lucro; c) o cooperativado é o próprio dono, havendo uma relação interna não mercantil, diferentemente das sociedades mercantis, nas quais o usuário é estranho ao dono, há uma relação comercial de consumo; d)Nas cooperativas reúnemse um número limitado de cooperativados, já nas sociedades mercantis restringese ao máximo o número de acionistas; e) na cooperativa, o controle é democrático, cabendo um voto para cada cooperado, enquanto nas mercantis a força do voto é ditada pelo número de quotas; f) nas cooperativas, as quotas partes são intransferíveis a não associados, enquanto que nas sociedades mercantis a transferência de ações é livre; g) nas cooperativas, os excedentes são retornados na proporção das operações dos Fl. 4160DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.156 11 cooperativados, enquanto que nas sociedades mercantis o lucro é vertido aos sócios na proporção de suas quotas parte. Assim, não são as cooperativas de trabalho que prestam serviços a outras pessoas, físicas ou jurídicas, mas, sim, os cooperados, tidos pela lei de custeio da Seguridade Social como segurados contribuintes individuais, que prestam serviços a outras pessoas, por intermédio da cooperativa de trabalho. Em segundo lugar, a contribuição social previdenciária, a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas foi instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, cumprindo às exigências fixadas no art. 195, §4º c.c. art. 154, I da CF/88. Cabe observar que, até 16 de dezembro de 1998, data da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Conforme redação acima transcrita, não figurava abarcada no campo de incidência das contribuições previdenciárias a exação incidente sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a instituição de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados não empregados, dentre eles os assim denominados segurados contribuintes individuais, somente poderia ser promovida mediante Lei Complementar, no exercício da competência residual exclusiva da União, prevista no art. 150, I da CF/88, conforme estatuído expressamente no art. 195, §4º da Carta de 1988. Nessa perspectiva, no desempenho da competência residual supra referida e trilhando um processo legislativo em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico vigente à época, foi editada pelo Congresso Nacional e promulgada pelo Presidente da República a Lei Complementar n° 84/1996, instituindo a novel fonte de custeio previdenciário incidente sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos e demais pessoas físicas. Lei Complementar nº 84, de 18.01.1996. Fl. 4161DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Art.1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Posteriormente, com a publicação da citada Emenda Constitucional n° 20/1998, foi alterado o teor normativo do art. 195, I da Constituição Federal, cuja redação passou a dispor, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. (grifos nossos) (...) Da leitura de tais comandos constitucionais deflui que, a contar da EC n° 20/98, as normas que disciplinam a espécie ora em apreciação não impõem mais qualquer exigência de Lei Complementar para a imposição de tributação sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, a qual pode ser instituída mediante mera lei ordinária, em obediência à reserva legal prevista no art. 97 do CTN, in verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; (grifos nossos) II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Fl. 4162DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.157 13 VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Nessa toada, sem que tenha ocorrido solução de continuidade, foi editada, já sob a nova ordem constitucional, a lei nº 9.876/99 que majorou a alíquota da contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, de 15% para 20% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, ao mesmo tempo em que fez inserir, no corpo da lei de custeio da Seguridade Social, precisamente em seu art. 22, o inciso IV, o qual estatuiu a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos mesmos segurados contribuintes individuais, agora quando tais serviços são prestados à empresa por intermédio de cooperativas de trabalho. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999) (grifos nossos) Conforme detalhadamente descrito, na ordem jurídica inaugurada pela EC nº 20/1998, a contribuição social previdenciária a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, não demanda mais, para a sua instituição, de Lei Complementar, mas mera lei ordinária. A matéria ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional n. 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Nesse panorama, diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência legal, que a condução do regramento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais é prerrogativa reservada à Lei Orgânica da Seguridade Social, a qual estabeleceu duas hipóteses distintas: a) Se o serviço for prestado diretamente à empresa pelo segurado contribuinte individual, há subsunção à hipótese descrita no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91: A Contribuição previdenciária a cargo da empresa será à alíquota de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. b) Se o serviço for prestado à empresa pelo segurado contribuinte individual, por intermédio da cooperativa de trabalho, dáse a subsunção à hipótese descrita no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91: A Contribuição previdenciária a cargo da empresa será à alíquota de quinze por cento incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe forem prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Dessarte, a base de incidência das contribuições previdenciárias, na hipótese ora tratada, abraça o valor bruto global mensal das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços referentes aos serviços que foram prestados à empresa por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. A exação ora em debate referese à contribuição patronal destinada ao custeio da Seguridade Social, a qual será suportada pela empresa, nos termos da lei, conforme as circunstâncias da contratação de mão de obra: a) Se a contratação for direta de segurados contribuintes individuais: a empresa contratante recolherá 20% sobre o Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais que lhe prestarem serviços (art. 22, III da Lei nº 8.212/91); b) Se a contratação for de segurados contribuintes individuais por intermédio de cooperativa de trabalho: a empresa contratante (não a cooperativa) recolherá 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços (art. 22, IV da Lei nº 8.212/91) Conforme já salientado, a cooperativa não se configura como empregadora dos cooperados (segurados contribuintes individuais prestadores de Fl. 4164DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.158 15 serviços), tampouco se assela como o contribuinte, nem mesmo como o responsável tributário da exação em comento. Na hipótese em estudo, segurados contribuintes individuais se reúnem em cooperativa para prestar serviços a terceiros, por intermédio da cooperativa. O Contribuinte de fato e de direito da contribuição social patronal associada a tal prestação de serviços é a própria empresa contratante, jamais a cooperativa de trabalho. Deve restar esclarecido, entrementes, que a prestação de serviços por cooperados a empresas por intermédio de cooperativa de trabalho não se ajusta ao conceito legal de ato cooperativo. Com efeito, o art. 79 da própria Lei nº 5.764/71, conceitua o ato cooperativo nos seguintes termos: Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Como visto, malgrado a prestação de serviços a terceiros não possa ser caracterizada como ato cooperativo, isto não a torna ilegal, uma vez que a própria lei tratou de admitir a prática dessa sorte de atos não cooperativos, desde que pertinentes aos objetivos sociais da cooperativa e em conformidade com a lei, distinguindoos todavia para fins de tributação. Fl. 4165DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Assim, se trabalhadores cooperados prestam serviços a terceiros por intermédio da cooperativa, estarão estes realizando ato nãocooperativo não abraçado pelo art. 79 da lei de regência. Não procede a alegação recursal de que o Recorrente atue como mero intermediário entre a pessoa física beneficiária do plano e o prestador do serviço médico. Conforme assentado no Relatório Fiscal, o SIM é uma associação civil que tem por finalidade operar planos privados de assistência à saúde na segmentação médicohospitalar e odontológica, proporcionando esses serviços aos seus associados e dependentes através de profissionais e estabelecimentos especializados credenciados ou conveniados. De acordo com o seu Regulamento, para a consecução desses objetivos o SIM manterá termos de acordo, convênio e contratos com hospitais, casas de saúde, laboratórios, clinicas médicas e odontológicas, cooperativas e outros estabelecimentos especializados no tratamento de saúde. Os contratos firmados entre as cooperativas de trabalho e a Recorrente são claros e expressos em determinar que objeto do liame é o fornecimento, pelas Cooperativas, de serviços de assistência MédicoHospitalar, através de seus cooperados, e a prestação de serviços complementares próprios ou contratados, aos participantes ativos e assistidos da Recorrente, bem como a seus beneficiários. Configuramse membros do SIM as PATROCINADORAS e os USUÁRIOS, assim consideradas PATROCINADORAS as empresas e instituições que firmarem ou que vierem a firmar Convênio de Adesão com o SIM, previamente aprovadas pelo Conselho Deliberativo, e USUÁRIOS, os associados e seus dependentes, empregados e exempregados das patrocinadoras, inscritos como tais no SIM, desde que participantes ativos, assistidos ou auto patrocinados da FUSESC, inclusive os pensionistas destes, bem como os diretores das patrocinadoras. Os associados pagam ao SIM, além de uma taxa de inscrição, um valor fixo mensal, variável em função da faixa etária do beneficiário, independentemente de este ter ou não consumido os serviços prestados pelo cooperados, ou do quanto consumiu. Extraise das provas dos autos que o pagamento efetuado pelos usuários é vertido em favor do SIM, e não dos cooperados em tela. Avulta do exposto que o ajuste jurídico firmado pelos cooperados, por intermédio da cooperativa de trabalho não é diretamente com os beneficiários das patrocinadoras, mas, sim, com a Caixa de Assistência dos Empregados dos Sistemas BESC e CODESC, do BADESC e da FUSESC – SIM, para que esta possa cumprir seus compromissos com os associados das patrocinadoras. A julgar pela tese defendida pelo Recorrente, os motoristas e cobradores de ônibus não prestam serviços às empresas de transporte coletivo, mas, sim, diretamente aos próprios passageiros, por intermédio das empresas de transporte. Estas seriam apenas intermediadoras. Convenhamos ... Fl. 4166DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.159 17 Tal compreensão é corroborada pelo fato de as Notas Fiscais de serviço serem emitidas diretamente em nome da Autuada, e contabilizadas nessa condição em títulos próprios de sua contabilidade. Fossem os serviços prestados diretamente aos associados, as faturas deveriam ter sido emitidas em nome de um dos beneficiários dos serviços. Nesse sentido, remansa a Jurisprudência da Corte Superior de Justiça, conforme se depreende do seguinte julgado: REsp 431.054/RS Rel. Min. HERMAN BENJAMIN Publicação: DJ 27/11/2009 [...] A controvérsia foi muito bem analisada pela Ministra Eliana Calmon no REsp 962.297/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 03/09/2009, onde constam as seguintes conclusões: 1) a Unimed, na condição de entidade cooperativa, atua como intermediadora entre o cooperado e a pessoa jurídica tomadora do serviço, ao colocar à disposição do usuário o serviço médico, sujeitandose, pois, ao recolhimento da contribuição previdenciária prevista no art. 1º, II, da LC nº 84/96; 2) mesmo que o serviço seja prestado à pessoa física (empregado), a destinatária imediata é a pessoa jurídica (empregador), contratante da Unimed; 3) os profissionais médicos que atendem aos terceiros são associados à cooperativa e dela recebem a retribuição pelos atendimentos realizados, e não diretamente do terceiro que utilizou o serviço; 4) as cooperativas são equiparadas à empresa para fins de aplicação da legislação do custeio da Previdência Social. Assim, sobre os valores pagos mensalmente aos médicos, os cooperados, incide contribuição previdenciária. [...] Diante do exposto, nos termos do art. 557, §1ºA, do CPC, dou provimento ao Recurso Especial. As provas dos autos não deixam margem a dúvida de que o Recorrente se apresenta como o destinatário imediato dos serviços prestados pelos cooperados, por intermédio da cooperativa de trabalho, circunstância que o qualifica como o Contribuinte de fato e de direito da contribuição social prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, ainda que mediatamente os serviços dos médicos cooperados sejam prestados a pessoas físicas associadas às patrocinadoras do SIM. Fl. 4167DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Há, portanto, dois liames jurídicos: O primeiro, entre os cooperados, por intermédio da cooperativa de trabalho e a Caixa de Assistência dos Empregados dos Sistemas BESC e CODESC, do BADESC e da FUSESC, e o segundo, entre a SIM e os beneficiários dos planos de assistência médicohospitalar. Os fatos geradores de contribuições previdenciárias ora em debate efetivamse materialmente no primeiro, não no segundo. Procedente o lançamento. Correta a decisão do Órgão Julgador de 1ª Instância. 3.2. DAS DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO Alega o Recorrente que os valores pagos a cooperativas médicas não se referem unicamente a serviços prestados por seus cooperados pessoas físicas, mas englobam ainda despesas com materiais e medicamentos que não poderiam compor a base de calculo da contribuição. Tal alegação não merece o abrigo pretendido. Na dicção do art. 111 do CTN, há que se emprestar interpretação restritiva às normas que concedam qualquer espécie de renúncia fiscal. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conforme já salientado no tópico precedente, a lei nº 9.876/99 estatuiu a contribuição previdenciária a cargo da empresa incidente sobre a remuneração dos serviços que lhe são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, à alíquota de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de tais serviços, cumprindo assim a princípio da legalidade estrita consagrado no art. 97 do CTN, tão exigido pelo Recorrente. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.160 19 V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876/99) (grifos nossos) É de se notar que, nos termos assinalados no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a base de cálculo da contribuição social em comento é o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que são prestados à empresa por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, inexistindo na norma legal tributária qualquer menção a eventuais exclusões da base de incidência da exação em realce. Nada obstante, por questões de justiça tributária, a IN SRP nº 3/2005 instituiu norma complementar prevendo a exclusão da base de cálculo para fins da exação de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dos valores relativos ao material eventualmente fornecido e à utilização de equipamentos próprios ou de terceiros. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 289. Na prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, havendo previsão contratual de fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, esses valores serão deduzidos da base de cálculo da contribuição, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e comprovado o custo de aquisição dos materiais e de locação de equipamentos de terceiros, se for o caso, observado o disposto no §2º do art. 149 e no art. 152. (grifos nossos) Fl. 4169DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Ocorre que tal exclusão não é incondicionada. Há que existir previsão contratual de fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, constituindose condição sine qua non que tais valores sejam discriminados na nota fiscal/fatura/recibo de prestação de serviços e que seja comprovado o custo de aquisição dos materiais fornecidos e da locação de equipamento de terceiros, se for o caso. No caso sobre o qual nos debruçamos, inexiste nas notas fiscais de serviços apuradas pela Fiscalização qualquer menção a fornecimento de materiais e equipamentos, muito menos comprovação de custo de aquisição dos materiais alegadamente fornecidos, tampouco dos eventuais equipamentos locados. O Recorrente sequer descreve quais foram esses materiais. A própria Recorrente reconhece que não há nas notas fiscais de serviços menção a fornecimento de materiais e medicamentos. Não procede a alegação recursal de que “não podem as normas infralegais extrapolar os limites da lei”. Conforme já visto, a base de cálculo de tal exação prevista expressamente na Lei de Custeio da Seguridade Social é o “valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que são prestados à empresa por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”, inexistindo na norma legal tributária qualquer hipótese de exclusão de valores relativos a materiais e equipamentos. O direito a tal exclusão houvese por concedido mediante Norma Complementar Tributária, que não o fez de forma automática e a bangu, mas, sim, condicionada à discriminação de tais materiais/equipamentos nas notas fiscais/faturas/recibos de prestação de serviços e à comprovação do custo de aquisição dos materiais fornecidos/locação de equipamento de terceiros, não se contentando a legislação tributária com meras alegações verbais, desacompanhadas do indispensável adimplemento das condições fixadas nas normas concessivas do direito em tela. E não se desdenhe do poder normativo da Instrução Normativa SRP nº 3/2005. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) Fl. 4170DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.161 21 a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Sintonizado nessa mesma frequência, a Suprema Lei reservou aos Ministros de Estado a competência para expedir instruções expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: I exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República; II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; (grifos nossos) III apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; IV praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República. Art. 3o As atribuições de que tratam os arts. 1o e 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. Depreendese do exposto que as Instruções Normativas expedidas pelos órgãos da administração direta decorrem da competência constitucional do Presidente da República e dos Ministros de Estado, estes últimos, para complementar e concretizar a vocação presidencialista, constitucionalmente afigurada. Por via de consequência, as Instruções Normativas dos órgãos da administração direta fulguram como emanações de agentes políticos de elevada estatura – Presidente da República e Ministros de Estado – ocupantes do arquétipo fundamental de Poder, os quais, nestas circunstâncias, aliamse para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelos arts. 1º e 3º da Lei nº 11.098, de 13 de janeiro de 2005 e pelo inciso IV do art. 18 do Anexo I do Decreto nº 5.469, de 15 de junho de 2005, a Secretária da Receita Previdenciária editou a Fl. 4171DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Instrução Normativa SRP nº 3/2005 dispondo sobre normas gerais de tributação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e das destinadas a outras entidades ou fundos. Lei no 11.098, de 13 de janeiro de 2005. Art. 1o Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e consequentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Art. 3o As atribuições de que tratam os arts. 1o e 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. Decreto nº 5.469, de 15 de junho de 2005 ANEXO I Art. 18. À Secretaria da Receita Previdenciária compete: (...) IV propor, em conjunto com a Secretaria de Previdência Social, o aperfeiçoamento da legislação tributária relacionada à previdência social e expedir os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução; Assentado que a Instrução Normativa suso citada encontrase dotada de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que a empresa contratante, de acordo com a norma administrativa em realce, para deduzir os valores relativos ao fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, quando previsto em contrato, da base de cálculo da contribuição de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 tem que, necessariamente, discriminar tais materiais/equipamentos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e comprovar o custo de aquisição dos materiais e de locação de equipamentos de terceiros. Diante de tal cenário, não havendo o Recorrente cumprido com fidelidade as exigências previstas na legislação tributária, não há como lhe assegurar o benefício pretendido. 3.3. DOS VALORES SUPOSTAMENTE GLOSADOS Fl. 4172DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.162 23 Argumenta a empresa que não foram considerados pela Fiscalização os valores glosados/retirados das Faturas, ou seja, os valores cobrados em desacordo com o contrato e valores tabelados, ou, ainda, eventos que foram realizados fora das condições, que, via de regra, são descontados nas faturas dos meses posteriores ao da emissão da Nota Fiscal. Tal pedido não reúne condições de prosperar. Conforme consignado no Relatório Fiscal e no Relatório de Lançamentos, a matéria tributável lançada pela Autoridade Fiscal houvese por apurada, diretamente, com base nos valores brutos das notas fiscais/faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que são prestados à empresa por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme expressamente determinado pelo inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. O Recorrente alega que pelo procedimento acordado com a cooperativa, não é emitido um novo documento fiscal para corrigir eventuais correções referentes a eventuais glosas ou discrepâncias ocorridas em competências anteriores. Muito embora extremamente difundido pelos Causídicos militantes do Direito Tributário, a busca sem mesuras da verdade material, nesse ramo do Direito, não passa de um mito etéreo que não consegue vencer, nem por instantes, as expressas determinações inseridas nas leis tributárias que reclamam todas pelo formalismo exacerbado. Não resta dúvida que a verdade material se configura na meta colimada pelo julgador de qualquer ordem, seja nas diversas instâncias judiciais, seja nas variadas áreas administrativas. O que varia, com certeza, é o âmbito de perquirição da verdade material, o qual, de regra, se circunscreve às provas acostadas aos autos. No ramo do Direito Tributário, a legislação impõe a observância de um formalismo hercúleo, o qual, muita vez, suplanta a própria verdade material demonstrada nos autos, como sói ocorrer nas hipóteses de retenção de contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 30, I, ‘a’ e 31 da Lei nº 8.212/91, este, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, e art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Nesses casos, mesmo que reste demonstrado que a empresa obrigada não efetuou a retenção das respectivas contribuições previdenciárias (verdade material), estas sempre se presumirão feitas, oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Dessarte, nessas e em outras hipóteses, de nenhuma valia será a verdade material eis que a lei expressamente a desconsidera. Prevalece a presunção absoluta. Fl. 4173DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 O ramo do Direito Tributário se configura, quiçá, como aquele mais agrilhoado pelos imperativos do formalismo, tanto no âmbito do direito material quanto na parte processual, o qual não pode ser desprezado pelo operador do direito, circunstância que caracterizaria negativa de vigência à norma tributária impositiva e eficaz. A legislação tributária exige que todos os atos e fatos jurídicos praticados pelo Contribuinte sejam devidamente representados por um documento escrito, contabilizados em títulos próprios da contabilidade, devidamente informados em documentos específicos e/ou declaratórios a serem mantidos pela empresa ou encaminhados ao Fisco, tais como GPS, RPA, DIRF, DIPJ, GFIP, Notas Fiscais, folhas de pagamento, RAIS, etc. Tais documentos, por força de lei, devem ser mantidos sob a tutela e guarda da empresa enquanto não estiverem caducas ou prescritas as obrigações e créditos tributários deles decorrentes. Nessa perspectiva, avulta que negligenciada não pode ser a forma dos atos jurídicos, quando a legislação tributária assim o exige, sob pena de nulidade. Da áurea pena da Ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha colhemos o ensinamento que reza: “A civilização é formal. As formas desempenham um papel essencial na convivência civilizada dos homens; elas delimitam espaços de ação e modos inteligíveis de comportamento para que a surpresa permanente não seja um elemento de tensão constante do homem em seu contato com o outro em sua busca de equilíbrio na vivência com o outro e, inclusive, consigo mesmo". Não por acaso já prelecionava Ihering: "Inimiga jurada do arbítrio, a forma é a irmã gêmea da liberdade". Anotese que a manutenção de informação inverídica em documento particular que, nos termos da Lei de Custeio da Seguridade Social comporta a base de cálculo de contribuição previdenciária, constituise falsidade ideológica uma vez que representa alteração da verdade sobre fato juridicamente relevante, a teor do art. 299, in fine, do Código Penal. Registrese, por relevante, que a lei equipara a documento público o documento contábil ou qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, incorrendo nas mesmas penas cominadas ao crime de falsificação de documento público quem insere ou faz inserir nesses documentos declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. Nessa vertente, exigindo a lei, como da própria substância da hipótese de incidência, que a base de cálculo seja apurada com base, exclusivamente, nos valores brutos expressos nas notas fiscais de serviço prestados à empresa por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, havendo incorreções nos valores devidos pelo contratante ao contratado, a emissão de nota fiscal retificadora é de observância obrigatória, pois dela decorrem obrigações tributárias, não vinculando a Fazenda Pública as estipulações e convenções particulares acordadas entre as partes. Como é cediço, a voz de defesa do sujeito passivo em matéria tributária se propaga em ondas documentais. No caso em apreço, a lei exige que a base de cálculo da exação em relevo corresponda ao valor bruto da nota fiscal ou Fl. 4174DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.163 25 fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que são prestados à empresa por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Por tais razões, obrigando, como de fato obriga, a lei tributária o assentamento de todos os fatos jurígenos tributários em documentos específicos e idôneos, falam ao vácuo, no vertente Processo Administrativo Fiscal, as correções ajustadas entre as partes contratantes, sem o obrigatório reflexo nas correspondentes notas fiscais de serviço, uma vez que, unicamente com base nestes documentos, a lei exige que seja apurada a base de cálculo da contribuição social em debate. Nessa perspectiva, a redução da base de cálculo pretendida pelo Recorrente, tendo por fundamento, tão somente, as alegadas glosas e incorreções no valor dos serviços, representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência ao preceito inscrito, de maneira isenta de dúvidas, no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. O Órgão Julgador de 1ª Instância já havia repelido, em sede de defesa administrativa, a pretensão ora deduzida pelo Recorrente, em razão da não retificação das notas fiscais/faturas ora em foco. Mas enquanto houver bambu, tem flecha. Aproveitando a oportunidade concedida para atacar a tese e espancar as razões sobre as quais se escorou o órgão a quo no juízo negativo de acolhimento ao pedido veiculado na impugnação, retorna à carga o sujeito passivo a formular as mesmas alegações de defesa, tão bem apreciadas na decisão recorrida, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da negativa de provimento ora discutida, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso: a retificação das mencionadas notas fiscais/faturas, de onde é extraída, com exclusividade, a base de cálculo das contribuições do lançamento em debate. Não se inclui na competência desta Corte Administrativa a redução do valor consignado nas notas fiscais/faturas. Tal redução somente poderá decorrer da emissão de um novo documento fiscal, que represente fielmente o valor dos serviços prestados à empresa por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho. Assim diz a lei. 3.4. DA MULTA DE MORA O Recorrente defende a ilegitimidade da multa de mora aplicada, em razão da desproporção à infração cometida, constituindo violação expressa e direta à máxima da legalidade do ato administrativo, ocorrendo então o desvio da finalidade da multa e o abuso de poder. Afirma que o controle de constitucionalidade deve ser feito com vistas no principio da proporcionalidade, mediante os critérios da necessidade, adequação e proibição de excesso. Não lhe sorri a razão. Fl. 4175DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Fl. 4176DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.164 27 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de Fl. 4177DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido por aqueles que militam com profissionalismo no Direito que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 4178DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.165 29 Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 4179DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de 1ª Instancia não demanda, alfim, qualquer reparo. Por todo o exposto, há se se concluir pela procedência do lançamento levado a efeito pela Autoridade Fiscal, inexistindo arestas a serem reparadas. 4. DO RECURSO DE OFICIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão Nº 0725.909 – 5ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 880/903, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para deste fazer excluir as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a novembro/2005, em razão da decadência, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, e alterar a base de cálculo do Levantamento SE na competência julho/2006, mantendo o crédito tributário na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 866/879, recorrendo de ofício de sua decisão. De fato, o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à Fl. 4180DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.166 31 matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda Fl. 4181DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Fl. 4182DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.167 33 Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontrase extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Fl. 4183DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos, máxime do Conta Corrente dos recolhimentos da empresa, assim como do CCORGFIP CONSULTA VALORES A RECOLHER X VALORES RECOLHIDOS X LDCG/DCG, que os recolhimentos efetuados antecipadamente pela empresa, no período de janeiro a dezembro de 2005, batem nos centavos com os valores devidos relativos aos fatos geradores declarados em GFIP, sendo certo que os fatos geradores objeto do vertente lançamento, não se houveram por declarados nessas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, circunstância que motivou a lavratura, na mesma ação fiscal, do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº 37.304.6456, CFL 68, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 11516.004202/201017. CCORGFIP CONSULTA VALORES A RECOLHER X VALORES RECOLHIDOS X LDCG/DCG COMPET GFIP GPS LDCG/DCG mm/aaaa QTD. VALOR A RECOLHER QTD. VALOR LÍQUIDO VALOR ORIGINÁRIO 12/2005 1 11.913,73 1 11.913,71 NAO CONSTA 11/2005 1 11.023,27 1 11.023,28 NAO CONSTA 10/2005 1 9.476,65 1 9.476,66 NAO CONSTA 09/2005 1 11.680,96 1 11.680,96 NAO CONSTA 08/2005 1 11.847,62 1 11.847,63 NAO CONSTA 07/2005 1 11.668,14 1 11.668,15 NAO CONSTA 06/2005 1 12.039,74 1 12.039,70 NAO CONSTA 05/2005 1 10.448,64 1 10.448,64 NAO CONSTA 04/2005 1 11.681,64 1 11.681,64 NAO CONSTA 03/2005 1 11.754,32 1 11.754,28 NAO CONSTA 02/2005 1 23.559,81 2 23.559,81 NAO CONSTA 01/2005 1 28.572,37 3 28.572,39 NAO CONSTA Nessas circunstâncias, somente pelo desenvolvimento de uma ação fiscal específica nas dependências da empresa em questão teve condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores ora lançados e de apurar a matéria tributável correspondente. Fl. 4184DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.168 35 Dessarte, ante a comprovada inexistência de recolhimento antecipado do tributo em relação aos fatos geradores objeto do vertente lançamento, as obrigações tributárias de tais fatos geradores permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do recolhimento antecipado efetuado pelo Recorrente relativo aos demais fatos geradores que não estes. Nessa prumada, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores contidos neste Auto de Infração de Obrigação Principal extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos assentados no art. 173, I, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 4185DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. Fl. 4186DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.169 37 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, tem se por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2004 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2006, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2010, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Auto de Infração em debate lavrado aos 07 dias do mês de dezembro de 2010, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2004, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, considerando que o vertente Auto de Infração de Obrigação Principal promoveu o lançamento tributário relativo a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2005 a dezembro/2007, concluise que todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento decorrem de fatos geradores ocorridos em horizonte temporal ainda não ceifado pela decadência tributária. Quanto à retificação da base de cálculo referente ao mês competência julho/2006, a decisão do Órgão Julgador de 1ª Instância não merece reparos, haja vista terse verificado que a nota fiscal nº 40836 houvese por lançada em duplicidade. Por tais razões, pugnamos pelo provimento parcial do Recurso de Ofício para, reconhecendo a regência do art. 173, I do CTN, afastar a declaração de decadência proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Outrossim, deve ser excluído do lançamento o crédito tributário decorrente da nota fiscal nº 40836, lançada em duplicidade na competência julho/2006, nos termos expendidos no Acórdão nº 0725.909 – 5ª Turma da DRJ/FNS. Fl. 4187DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Outrossim, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso de Ofício, tão somente para EXCLUIR o valor de R$ 437,71 da base de cálculo da competência julho/2006, decorrente do lançamento em duplicidade da nota fiscal nº 40836, mantido o crédito tributário relativo a todos os demais fatos geradores. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 4188DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.170 39 Voto Vencedor Decadência. A controvérsia dos autos que interessa ao presente voto diz respeito a qual regra decadencial contida no CTN deve ser aplicada. A decisão da DRJ aplicou a regra decadencial expressa no parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, pois “conforme demonstrado nos autos, no RDA — Relatório de Documentos Apresentados, fls. 12 e 12verso e no RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, fls. 13 a 16, houve recolhimento antecipado de créditos previdenciários, nas competências 01/2005 a 11/2005, ou seja, a empresa recolheu, ainda que parcialmente, contribuições previdenciárias que incidiram sobre o fato gerador ora lançado” (fls. 891). Por outro lado, o respeitável relator defendeu a aplicação do artigo 173, I, do CTN, pois, como restaria comprovada a “inexistência de recolhimento antecipado do tributo em relação aos fatos geradores objeto do vertente lançamento, as obrigações tributárias de tais fatos geradores permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do recolhimento antecipado efetuado pelo Recorrente relativo aos demais fatos geradores que não estes”. Do voto da DRJ colhese, como destacado, que houve recolhimento relativo aos fatos geradores lançados, enquanto que no voto do respeitável relator extraise que inexistem recolhimentos. A celeuma não está na análise das provas dos autos, mas na concepção que cada qual tem sobre o que constitui o fato gerador para fins de definição se houve recolhimento ou não. Assim, ambos parecem concordar que o pagamento antecipadamente realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, § 4º, do CTN em relação aos fatos geradores para os quais houve o pagamento antecipado. Todavia, como afirmado, cada um tem um entendimento próprio sobre o que consubstancia o fato gerador da obrigação tributária. Vejamos o que entendemos por fato gerador. Antes, porém, é preciso justificar que a expressão fato gerador, está sendo utilizada aqui de forma equivalente à hipótese de incidência, indicando “tanto aquela figura conceptual e hipotética – consistente no enunciado descritivo do fato, contido na lei – como o próprio fato concreto que, na sua conformidade, se realiza, hic et nunc, no mundo fenomênico” (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 54). Pois bem. O Código Tributário Nacional demarca que o fato gerador é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Então, voltando à questão tratada, perguntase: qual é esta situação necessária e suficiente para a configuração da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária? Vejamos o quadro normativo para chegarmos a uma conclusão. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites da instituição de contribuições previdenciárias, estabelecendo, assim, o seu arquétipo constitucional. Sem especificação muito pormenorizada do fato gerador das aludidas contribuições, dispõe que são devidas pela Fl. 4189DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 empresa e que incidem sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.” Subordinado a tais ditames e concretizando a hipótese de incidência/fato gerador, os incisos I, II e III do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 são repetitivos ao estipularem que a contribuição previdenciária das empresas incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título “no decorrer” ou “durante o mês”. Do cotejamento dos referidos dispositivos, extraímos os elementos essenciais da hipótese de incidência/fato gerador, de sorte que podemos concluir que o legislador não atomizou o fato gerador da contribuição previdenciária tomando por base cada levantamento ou cada rubrica. Pelo menos não há menção expressa neste sentido. Também podemos afirmar que o legislador optou por segmentar o fato gerador mês a mês. Da mesma forma ocorre com a contribuição do segurado. Vejamos a contribuição dos segurados empregados e avulsos, a qual leva em consideração o denominado saláriodecontribuição mensal (art. 20 da Lei n° 8.212/91), que está definido no inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 com critérios semelhantes aos da contribuição da empresa, naquilo que nos interessa. Para o referido dispositivo legal, o saláriodecontribuição corresponde à “totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês”. Depreendese da análise atenta do dispositivo legal que, novamente, o legislador congrega todos os rendimentos daquela competência em um único instituto – saláriodecontribuição. É verdade que o saláriodecontribuição representa a base de cálculo, e não propriamente o fato gerador, todavia, o corte temporal (mensal) e quantitativo (totalidade) da descrição indica, novamente, que a situação necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador é o pagamento ou crédito da totalidade da remuneração, “no decorrer” ou “durante o mês”. Voltando para a contribuição da empresa, se consideramos que a Lei n° 8.212/91, ao estabelecer que a contribuição previdenciária incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título no “decorrer” ou “durante o mês” (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991) está definindo o seu fato gerador, podemos concluir que este fato gerador constituise da totalidade da remuneração no mês e não de cada parcela, rubrica ou levantamento isoladamente. Se a definição do fato gerador apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês, consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à toda àquela competência. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para aquela competência, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN. Diversas são as decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais que parecem apontar para esse sentido: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERMO INICIAL E PRAZO É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir crédito tributário relativo a contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, ainda que se trate de recolhimento genérico, relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo, o prazo se inicia na data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. (Recurso Especial 13971.001934/200716, Rel. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, 2ª Turma, julgado em 25/04/2013) Fl. 4190DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 2302002.689 S2C3T2 Fl. 4.171 41 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir crédito relativo a contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, ainda que se trate de recolhimento genérico, relativo a valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo, o prazo se inicia na data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. (Recurso Especial 36550.000603/200715, Rel. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, 2ª Turma, julgado em 07/11/2012) DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há informação do próprio Fisco sobre a existência e verificação de recolhimentos, o que determina a aplicação do § 4°, Art. 150 do CTN. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. (Recurso Especial 13637.000873/200762, Rel. Conselheiro Marcelo Oliveira, 2ª Turma, julgado em 08/08/2013) Fl. 4191DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há recolhimentos parciais efetuados, motivo do provimento do recurso. (Recurso Especial 37213.000269/200785, Rel. Conselheiro Marcelo Oliveira, 2ª Turma, julgado em 25/04/2013) (destaques nossos) É verdade que estamos tratando aqui da contribuição prevista no artigo 22, IV, da Lei n° 8.212/91, mas, conforme abalizada doutrinada, esta contribuição “foi criada justamente para substituir os 20% devidos em razão dos valores percebidos pelos cooperados” (IBRAHIM, Fabio Zambitte. Curso de direito previdenciário, 17. ed. – Rio de Janeiro: Impetus, 2012, p. 275), “criandose uma clara substituição tributária” (idem, p. 274). Vale dizer, a substituição referese à contribuição prevista no artigo 22, I, da Lei n° 8.212/91 e sobre a qual já definimos o fato gerador. Portanto, tudo quanto afirmado relativamente à definição do fato gerador, aplicase, indistintamente, ao caso presente. Sendo assim, havendo recolhimentos nas competências 01/2005 a 11/2005 e diante da concepção de que o fato gerador da contribuição em comento referese à totalidade da competência, podese reconhecer que há recolhimentos a homologar, conforme preceitua o art. 150, § 4º do CTN. Destarte, com razão a decisão de primeira instância, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício. É como voto. André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado Fl. 4192DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.923061/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira E Corintho Oliveira Machado (Presidente).
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Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira E Corintho Oliveira Machado (Presidente). A contribuinte alegou que no exercício de 2002 apurou e recolheu valores atinentes a contribuições sociais de PIS e Cofins sobre outras receitas, que não o faturamento, com base na Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do seu artigo 3º foi declarado inconstitucional pelo STF, quando do julgamento do RE 346.084/PR, em 09/11/95. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 23 06 1/ 20 09 -7 4 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.923061/200974 Resolução nº 3803000.299 S3TE03 Fl. 6 2 Em face desse fato deduziu pelos recolhimentos de valores de PIS e Cofins efetuados a maior/indevidamente, buscando então a sua compensação perante a repartição fiscal de sua circunscrição. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 848671554, de 07/10/09 (fls. 49/52), emitido pelo Sistema de Controle de Crédito da RFB, a autoridade administrativa que analisou o limite do crédito original informado em PER/DComp nº 09138.10847.160707.1.3.046741, transmitida em 16/07/07, constatou que o referido crédito foi utilizado integralmente para a quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando saldo credor disponível para a compensação dos débitos informados na DComp, pois de acordo com o detalhamento da compensação, os valores devedores e emissão de DARF assinala que o valor declarado na DComp é o mesmo que o saldo devedor apurado para compensação de R$ 34.573,65. Irresignada com o teor do despacho retromencionado o sujeito passivo manifestou a sua inconformidade deduzindo sucintamente acerca da legitimidade do seu direito de realização da compensação informada, cujo crédito originouse a partir da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que propiciou o alargamento da base de cálculo do PIS e Cofins, defendendo inclusive pela atualização dos valores indevidamente recolhidos, nos moldes previstos no artigo 39, § 4o, da Lei nº 9.250/95, ou seja, mediante incidência da taxa Selic para requerer pela insubsistência do despacho guerreado e o seu posterior arquivamento. Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 8ª Turma da DRJ/CPS, quando em sessão realizada em 08/02/12, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 05 36.844, cuja ementa encontrase adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 Compensação. Créditos. Comprovação. É requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do credito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão em questão partiu do pressuposto de que a DComp tem a finalidade de formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, cabendo àquela a responsabilidade pelas informações acerca dos créditos e os débitos, e à autoridade administrativa a necessária verificação e validação/homologação, se for o caso, confirmando a extinção do crédito, ou invalidando as informações prestadas. Ou seja, o reconhecimento do direito creditório oponível à Fazenda Nacional depende de prova, a ser produzida pelo interessado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.923061/200974 Resolução nº 3803000.299 S3TE03 Fl. 7 3 Assinalou o referido acórdão que a contribuinte, a título de elemento probante do alegado, fez colação aos autos da DComp, da DCTF e de DARF, bem assim que o exame realizado acerca dos débitos e créditos por ela informados à Administração, revelou como causa da não homologação, a utilização integral do crédito original para a extinção anterior de outros débitos, ou seja, não existia o crédito utilizado para a compensação não existia. A decisão de primeira instância reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98, a partir do julgamento dos RE nos 390.840, 346.084 e 358.273, bem assim do RE 585.2351, quando decidiu o STF reconhecer a repercussão geral da questão constitucional em tela, em acórdão proferido em sessão de 10/09/2008, publicado no DJE no 227 de 28/11/2008, e transitado em julgado em 12/12/2008. Isto tudo com base no Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, c/c o art. 26 A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o procedimento administrativo fiscal no âmbito da RFB, na alteração promovida pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como de acordo com a edição pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, do Parecer PGFN/CRJ/N° 492, de 22/03/2010 e a Portaria PGFN n° 294, de 2010, que veio a prever a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, em determinados casos dentre os quais se incluiu o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3°, §1° da Lei n. 9.718/98. Concluiu que o reconhecimento da não incidência não implica, necessariamente, o reconhecimento de direito creditório, pois tal fato exige do pleiteante que demonstre a existência e a magnitude de parcelas indevidas nos recolhimentos que fez. Nenhum elemento nesse sentido existe nos autos e a contribuinte não logrou comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado, condição para a homologação da compensação declarada. A ciência eletrônica por decurso de prazo/disponibilização do teor da decisão de primeira instância na caixa postal da contribuinte ocorreu em 16/04/12, com previsão para o vencimento dessa ciência em 01/05/12. Ocorre que mesmo não se encontrando expressa a data de interposição do recurso voluntário nos autos, a data de emissão do despacho de encaminhamento pela repartição preparadora dos autos do processo em sede de recurso voluntário para o CARF, nele incluso o respectivo recurso, efetivouse em 22/05/12, portanto antes do vencimento do prazo estabelecido para ciência pela contribuinte. A recorrente reafirmou minudentemente os argumentos expendidos na exordial para requerer: (i) a reforma da decisão hostilizada; (ii) o reconhecimento da legitimidade do crédito pleiteado e a incidência da taxa Selic até a data da efetiva homologação; (iii) a anuência para a juntada dos documentos em anexo (DCTF, DIPJ/2004, Razão analítico – de 01 a 30/04/03, Planilha de Cálculo do PIS/Pasep e Cofins, conforme decisão do STF de 09/11/05, DARF – Cód. receita 2172 e PA 04/03), em respeito ao princípio da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Fl. 208DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.923061/200974 Resolução nº 3803000.299 S3TE03 Fl. 8 4 O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios no período de apuração do 2º trimestre/2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico (fls. 49/52), bem assim na listagem de créditos e saldos remanescentes (fl. 57/58) e no Demonstrativo Analítico de Compensação (60), ambos de lavra da Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança da Receita Federal do Brasil – CODAC, que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão também reconheceu a origem do crédito apresentado pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia instituído o conceito que culminou alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Ademais disso há o pleito para o acolhimento de documentos acostados aos autos inoportunamente. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo quando assinalou que cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém à homologação confirmando a extinção da obrigação tributária. Em relação ao pleito formulado pela contribuinte para o acolhimento de documentos colacionados aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário, a título de dar cumprimento aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa temse a observar. A dinamicidade do Direito possibilitou a aplicação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do processo administrativo tributário, como subsídio na busca e para a formação da convicção do juízo do julgador por ocasião de seu pronunciamento, tendo em vista o deslinde da querela. Consubstanciado no conjunto de provas que lhe são apresentadas, inclusive aquelas entregues a extemporaneamente, este princípio também permite ao julgador ir para Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.923061/200974 Resolução nº 3803000.299 S3TE03 Fl. 9 5 além da formalidade processual, pontuada por alguns limites temporais ou materiais, para lhe propiciar a busca pela verossimilhança, por uma ordem de maior aproximação da verdade, em tempo razoável. A complexidade das matérias e o dever de decidir nos processos administrativos vinculado à força probante, tornou possível a interação entre a verdade formal e a material, bem assim a prevalência desta sobre aquela, suplantando a dicotomia de prevalência da forma sobre o conteúdo, eis que a verdade absoluta ainda reside na utopia, no ideal. Com isso, na busca de seu convencimento a autoridade julgadora pode e deve se utilizar de ferramentas que confiram segurança jurídica naquilo que lhe é ambíguo, inclusive do instituto da diligência. Inobstante a legitimidade do lançamento e das provas acostadas aos autos sob exame, oportunamente, a juntada de novas provas ainda que extemporâneas, não compromete o devido processo legal, impossibilitará a alegação de cerceamento de defesa, não trará prejuízo às litigantes, e dará mais elementos com vistas ao fortalecimento da convicção do julgador. Com estas observações acolho o pleito da recorrente para anuir afirmativamente à juntada da documentação trazida aos autos juntamente com o recurso voluntário e, para que não se venha porventura a alegar a supressão de instância, proponho pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa competente se certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. É como voto. Sala de Sessões de 25 de junho de 2013 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10980.721569/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008, 2009, 2010
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. TRABALHOS DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÕES. DISPENSA DE EMISSÃO.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle administrativo interno, cuja falta não invalida o procedimento fiscal, sobretudo quando se trata de trabalhos atinentes à revisão interna de declarações (malha fiscal), para os quais existe dispensa de expedição expressa na legislação de regência.
REVISÃO DE DECLARAÇÕES. DIPJ. DCTF. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
A emissão de termo de intimação fiscal, por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Desta forma, se o contribuinte está sob procedimento fiscal, eventual retificação das declarações (DIPJ e DCTF) não caracteriza espontaneidade, tampouco enseja a nulidade do lançamento de ofício.
INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DAS DECLARAÇÕES. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL.
É dever de o contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das declarações apresentadas e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto e contribuição apurados, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL DE OUTROS PERÍODOS DE APURAÇÃO. COMPENSAÇÃO APENAS MEDIANTE DCOMP.
Os Saldos Negativos de IRPJ e CSLL, de outros períodos de apuração, a partir de 01/10/2002, somente podem ser compensados com Débitos do contribuinte mediante a transmissão de competente DCOMP Declaração de Compensação.
DEMONSTRATIVOS OFICIOSOS CONFECCIONADOS PELO CONTRIBUINTE. DIVERGÊNCIA DESTES EM RELAÇÃO AOS DADOS DE DIPJ E DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PREVALÊNCIA DESTES DOIS ÚLTIMOS.
Demonstrativos oficiosos e esparsos formulados pelo contribuinte, com dados divergindo de sua própria DIPJ e de sua própria escrituração contábil não podem prevalecer sobre estes últimos, no sentido de serem oponíveis ao Fisco.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio as receitas omitidas na declaração de renda da pessoa jurídica.
Preliminar rejeitada.
Numero da decisão: 1402-001.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Sandra Dias Nunes e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. TRABALHOS DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÕES. DISPENSA DE EMISSÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle administrativo interno, cuja falta não invalida o procedimento fiscal, sobretudo quando se trata de trabalhos atinentes à revisão interna de declarações (malha fiscal), para os quais existe dispensa de expedição expressa na legislação de regência. REVISÃO DE DECLARAÇÕES. DIPJ. DCTF. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A emissão de termo de intimação fiscal, por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Desta forma, se o contribuinte está sob procedimento fiscal, eventual retificação das declarações (DIPJ e DCTF) não caracteriza espontaneidade, tampouco enseja a nulidade do lançamento de ofício. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DAS DECLARAÇÕES. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever de o contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das declarações apresentadas e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto e contribuição apurados, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL DE OUTROS PERÍODOS DE APURAÇÃO. COMPENSAÇÃO APENAS MEDIANTE DCOMP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 15 69 /2 01 2- 11 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Os Saldos Negativos de IRPJ e CSLL, de outros períodos de apuração, a partir de 01/10/2002, somente podem ser compensados com Débitos do contribuinte mediante a transmissão de competente DCOMP Declaração de Compensação. DEMONSTRATIVOS OFICIOSOS CONFECCIONADOS PELO CONTRIBUINTE. DIVERGÊNCIA DESTES EM RELAÇÃO AOS DADOS DE DIPJ E DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PREVALÊNCIA DESTES DOIS ÚLTIMOS. Demonstrativos oficiosos e esparsos formulados pelo contribuinte, com dados divergindo de sua própria DIPJ e de sua própria escrituração contábil não podem prevalecer sobre estes últimos, no sentido de serem oponíveis ao Fisco. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio as receitas omitidas na declaração de renda da pessoa jurídica. Preliminar rejeitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Sandra Dias Nunes e Paulo Roberto Cortez. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório C. A. W. PROJETOS E CONSULTORIA INDUSTRIAL LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 00.173.802/000101, com domicílio fiscal na cidade de Campo Largo, Estado do Paraná, Rua Marechal Deodoro, nº 555 – Bairro Timbutuva, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 508/525, prolatada pela 1° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 533/553. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, em 20/03/2012, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 369/390), com ciência, em 23/03/2012 (fl. 392), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 14.827.410,83), a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social, acrescido de multa lançamento de ofício normal 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuição referente aos exercícios de 2008 a 2010, correspondente aos anoscalendário de 2007 a 2009, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO: Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado em trabalho de revisão interna, pelo regime de tributação Lucro Real Trimestral, através do confronto entre dados informados na DIPJ (Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica), ano calendário 2009 e os declarados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais), na qual, o contribuinte intimado conforme, Termo de Intimação nº 01 de 14/10/2011, apresentou Balancetes Mensais, com registros trimestrais do IRPJ, bem como informou por escrito, que a tributação da empresa foi com base no lucro Real, Anual, Estimativas Mensais, contrariando as informações constantes nas DCTF s e Darfs que estão no código de recolhimento 0220 (dados obtidos no sistemas Interno da Receita Federal do Brasil SINAL e SIEF), sendo que, o primeiro recolhimento feito em 30/07/2009 definiu a forma de tributação da empresa para esse ano calendário; Porém em 27/01/2012, intimamos o contribuinte a Reenviar a DIPJ, para deixála em conformidade com a DCTF, que confrontada com os Balancetes Trimestrais, Demonstrações de Resultados Trimestrais, Demonstrativo de Apuração de Cálculo do IRPJ, Termo de Abertura e Encerramento do Livro Diário e páginas n° 13 conta contábil reduzida n° 176 (IRPJ a recolher) do Livro Razão, gerado pelo Sistema Público de Escrituração Digital Speed, solicitados em 14/02/2012, mediante Termo de intimação n° 05, ficou evidenciado que a apuração do IRPJ, para esse ano calendário foi pelo Lucro Real, Trimestral. Dessa forma, constituiuse o crédito Tributário, considerando como forma de tributação da empresa no Lucro Real, Trimestral, cujo valores e créditos considerados estão no demonstrativo em anexo I. Infração capitulada no art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99; Fl. 590DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 2 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO : Insuficiência de Recolhimento ou de Declaração do Imposto de Renda, apurado pelo regime de tributação Lucro Presumido, com o confronto entre a valores informados em DIPJ (Declaração Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Fichas 14A, Linha 29 (ano calendário 2007) e Linha 33 (ano calendário 2008) e os declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais) no código 2089, enviada em 05/06/2009 (1 semestre 2007), 22/12/2008 (2 semestre de 2007) e 25/03/2010 (1 e 2 semestre de 2008), conforme Termo de Intimação n° 02 de 26/10/2011. Em resposta, o contribuinte confirmou por escrito e assinado pelo responsável da empresa e seu contador que os valores informados em sua DIPJ estão corretos. Diante disso, intimamos o contribuinte através do Termo de Intimação n° 05 de 11/02/2012 a corrigir a sua DCTF para deixála em conformidade com o Dacon; dessa forma, constituímos o crédito tributário, pela diferença entre a DIPJ e as DCTFs apresentadas em 05/06/2009 (1 semestre de 2007), 22/12/2008 (2 semestre de 2007) e 25/03/2010 (1 e 2 semestre de 2008), antes do início de nossa ação fiscal, deduzidos os valores compensados (PERDCOMP) e os recolhidos em DARF, código 2089, conforme demonstramos em planilha (Anexo II). Infração capitulada, arts. 516, §§ 4º e 5º, 541, 841, incisos I e IV, do RIR/99. É de se observar, que por decorrência foi lavrado o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ou seja, o crédito tributário foi constituído tendo por base as mesmas irregularidades apuradas no IRPJ. Em sua peça impugnatória de fls. 394/417, apresentada, tempestivamente, em 19/04/2012, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: a No que diz respeito à nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, alega que os procedimentos fiscais prescindem de Mandado de Procedimento Fiscal, e em nenhum momento lhe foi apresentado o referido instrumento, motivo pelo qual entende serem nulos todos os atos praticados pela Fiscalização, visto que não houve a expedição e apresentação do Mandado de Procedimento Fiscal, o que requer; b No diz respeito à exclusão da multa de ofício pela reaquisição da espontaneidade, alega que a Fiscalização intimou o Impugnante a retificar sua DIPJ, relativo ao anocalendário de 2009, correspondente ao exercício de 2010, bem como suas DCTF referente aos anoscalendário de 2007 e 2008, para adequar a primeira aos valores de sua contabilidade e as outras aos valores informados em DIPJ, o que foi feito, e com isso o Fisco devolveulhe, por escrito e formalmente a espontaneidade e oportunidade para regularizar os valores equivocados. Em sendo assim, é improcedente a cobrança de multa de ofício de 75%, devendo ser exigida tãosomente a multa moratória e eventual multa regulamentar por informações incorretas inseridas em DCTF (IN RFB 1.110/2010, art.7º); c No que diz respeito à cobrança duplicada dos débitos, alega que com base na consulta de fls. 455, obtida por intermédio do Serviço de Atendimento Virtual (eCac), reclama que os mesmos Débitos que estão sendo cobrados pelo Auto de Infração também estão inseridos no seu conta corrente, o que não pode ser, pois assim fica sujeito a dupla cobrança, uma via processo, em face da autuação, e outra via sistema de cobrança automática pelo conta corrente, razão pela qual requer exclusão dos Débitos deste, mantendoos apenas no processo de Auto de Infração; d – No que diz respeito à falta de compensação de prejuízo fiscal no 2º Trim 2009, ref. 1º Trim 2009, alega que o Prejuízo Fiscal, apurado no 1º Trimestre de 2009, Fl. 591DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 4 5 no valor de R$ 62.048,60, não foi compensado com o Lucro Real do 2º Trimestre de 2009, sendo que o mesmo assim deve ser considerado, principalmente quando se trata de lançamento de ofício. Alega, ainda, que a empresa, por um lapso, não compensou o prejuízo em sua DIPJ, e a Fiscalização utilizou essa base de cálculo equivocada, sem a compensação, para fins de lançamento, razão pela qual requer que o referido prejuízo seja afastado da base tributável referente o 2º Trimestre de 2009; e – No que diz a respeito da falta de compensação de IRRF no 2º Trim 2009, ref. 1º Trim 2009, alega que no 1º Trimestre de 2009, cf. fls. 219, sofreu retenção de IR no valor de R$ 72.545,37, que não foi aproveitado naquele trimestre em face da apuração de prejuízo. Assim, referido IRRF deveria ter sido compensado no 2º Trimestre, principalmente em se tratando de Lançamento de Ofício; f – No que diz respeito à falta de compensação de pagamento indevido ou a maior no 3º Trim 2007, alega que em sua DCTF retificadora, referente ao 3º Trim de 2007, efetuou compensação de pagamento a maior, no valor de R$ 6.929,27, porém essa compensação não foi considerada no lançamento de ofício, razão pela qual solicita seu expurgo do Auto de Infração; g – No que diz respeito à divergência entre os valores lançados e os demonstrativos de fls. 175, 198 e 199, alega que os valores lançados estão divergentes dos demonstrativos constantes de fls. 175, 198 e 199, sendo que nestes os tributos e contribuições estão menores, e cita como exemplo o demonstrativo de fls. 175, onde o IRPJ A PAGAR referente o 2º Trim de 2009 consta no valor de R$ 472.780,12, e após descontado o valor já pago de IRPJ, no valor de R$ 45.919,71, restaria como diferença devida apenas R$ 426.860,41, e não R$ 544.075,65, como foi lançado. Assim, requer que os valores sejam ajustados para menos, consoante estão constando dos já ditos demonstrativos; h – No que diz respeito à CSLL lançada, alega que em suas respectivas ocorrências e valores, os mesmos argumentos e fatos que despendeu para o IRPJ. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, concluíram pela procedência parcial da impugnação e pela manutenção, em parte, do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, no que diz respeito à nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer, que o trabalho fiscal aqui em análise é fruto de atividade desenvolvida no âmbito de auditoria interna, consoante foi noticiado pela Fiscalização no curso do procedimento, v.g. conf. fls. 192. De fato, tratase de típica atividade de procedimento interno de malha pessoa jurídica, onde a discordância entre os dados de DIPJ e de DCTF provoca “retenção” das declarações para averiguações (revisão interna de declarações), que esclareçam referidas divergências. Verificase que todos os atos praticados pela Fiscalização enveredaram nesse caminho, com expedição de intimações e análises de livros e documentos de forma remota. Ao final, concluiuse que o contribuinte confessou seus Débitos a menor em DCTF, dando azo para que se cobrasse de ofício as parcelas que a empresa não “constituiu” como Crédito Tributário a favor do Fisco; que, assim, com fulcro no mesmo Decreto 6.104/2007 e Portaria RFB 3014/2011, invocados pelo Impugnante, para reclamar sobre a ausência do MPF, o que Fl. 592DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 invalidaria o feito fiscal, vamos verificar que o interessado olvidou, ou quis olvidar, da previsão acerca da dispensa de Mandado para os procedimentos de fiscalização que envolvam malhas fiscais; que, não obstante a tudo isso, verificase que o contribuinte, desde o início dos trabalhos fiscais, recebeu as intimações fiscais regularmente e as atendeu, abstendose de, durante todo o procedimento fiscal, questionar sua legalidade ou validade, sinalizando pelo reconhecimento da legitimidade da fiscalização a que foi submetido; que, no que diz respeito à exclusão da multa de ofício pela reaquisição da espontaneidade, é de se dizer, que a Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, prevê em seu artigo 16 que a Secretaria da Receita Federal, hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, é competente para dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável; que, no uso dessa atribuição, a RFB expediu a Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, dispondo sobre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que reúne as regras hoje vigentes sobre o assunto, no âmbito da Administração Tributária Federal; que o fato das declarações retificadoras ter sido entregues pelo contribuinte em atendimento à intimação fiscal não modifica a regra geral e nem o entendimento versado acima, tampouco atribui à ocorrência a devolução da espontaneidade, que teria o condão de afastar a aplicação de multa de ofício; que, portanto, a intimação fiscal expedida pela Fiscalização nada mais foi do que fruto da aplicação dos procedimentos previstos nas normas relativas aos trabalhos dessa natureza, e teve apenas o condão de impelir o contribuinte a sanar erro de fato em suas declarações, não implicando isso na devolução expressa de espontaneidade, como quer acreditar o Impugnante. Tanto é assim que a IN RFB 974/2009 deixa expresso que tais retificações não elidem a aplicação da multa prevista em seu artigo 7º. Ora, se não há prejuízo da aplicação da citada penalidade, significa que não há que se falar em espontaneidade; que, no que diz respeito à cobrança duplicada dos débitos, é de se dizer, que a norma de Execução COFIS nº 001, de 15 de outubro de 2010, prevê que nos casos em que houver entrega de DCTF Retificadora, mediante intimação, constando valores de Débitos superiores aos anteriormente pagos ao início do procedimento fiscal, o executor dos trabalhos de revisão interna de declarações (malha fiscal) procederá ao encaminhamento de representação para a área de Administração Tributária informando que a referida parte da declaração será objeto de lançamento de ofício; que o impugnante traz o documento de fls. 455, alegando que as partes da declaração retificadora em questão estão sendo cobradas automaticamente, e pede que os Débitos sejam excluídos imediatamente do conta corrente do contribuinte. Se assim realmente for, de fato, urge que se bloqueie tal cobrança, e se a Fiscalização deixou de formalizar a representação para a área de Administração Tributária, a que alude o subitem 8.1 da Norma de Execução COFIS 001, de 15 de outubro de 2010, deve ser impelida a fazêlo; e se efetuou a formalização, a área de Administração Tributária deve ser exortada a esclarecer se tomou as providências que lhe cabiam, ou não; que, todavia, num caso ou no outro, esse não é um assunto a ser dirimido por este órgão julgador, por lhe faltar competência, já que são providências operacionais afetas Fl. 593DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 5 7 exclusivamente às DRF, para a qual o contribuinte deve endereçar petição, postulando pela tomada de providências que impeçam a cobrança dobrada dos mesmos débitos; que, no que diz respeito à falta de compensação de prejuízo fiscal no 2º Trim 2009, ref. 1º Trim 2009, é de se dizer, que inicialmente, podese, registrar que os dados de Prejuízo Fiscal (1º Trim 2009) e dos Lucros Reais informados na DIPJ Retificadora Ativa (Lucro Real Trimestral), de fls. 211218, bem como aqueles anteriormente constante da DIPJ Original Cancelada (Lucro Real Anual), de fls. 345346, não encontram correspondência com os dados escriturados no LALUR, Parte A, de fls. 20, de que deveriam ser cópia fiel. Talvez exista uma reescrituração desse LALUR do ano de 2009, mas essa eventual nova versão não consta dos autos, permanecendo as divergências entre escrituração fiscal (LALUR) e informações em declarações (DIPJ); que de qualquer forma, como a própria Fiscalização se louvou nos dados da DIPJ para a formação da base tributável, partiremos do pressuposto da existência do alegado e informado Prejuízo Fiscal referente ao 1º Trimestre de 2009, no valor de R$ 62.048,60; que o Impugnante assevera que esse Prejuízo Fiscal deve ser compensado com o Lucro Real do 2º Trimestre de 2009, com respaldo no artigo 890 do RIR/99, sendo que, por um lapso não promoveu, ele mesmo, essa compensação na DIPJ; mas, segundo alega, na sua escrituração mercantil o referido prejuízo foi devidamente considerado, conforme consta de seu Livro Diário, em fls. 83 (vide item 23 da Impugnação); que, por primeiro, mister frisar que o pleito nesse ponto diz respeito a Prejuízo Fiscal e não Prejuízo Contábil, que são conceitos diferentes, embora, ainda que em raras vezes, os dois possam apresentar idêntico valor. O Prejuízo Fiscal é escriturado e demonstrado no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, e o Prejuízo Contábil é escriturado e demonstrado no Livro Diário e Razão; que, para tanto, voltemos vistas para a folha 83 deste feito, apontada pelo Impugnante como residência da demonstração que na escrituração está compensado o prejuízo. A referida folha abriga um balancete contábil que compreende o período de 01/01/2009 a 30/06/2009, ou seja, um acumulado até o 2º Trimestre de 2009. Trimestre este em que o contribuinte alega ter promovido a compensação aqui em questão. Pois bem, no referido balancete, vêse que no grupo 4.3 – PROVISÕES, está inserida a conta 4.3.1.01.001 IMP. DE RENDA PESSOA JURÍDICA, a qual apresenta o saldo de R$ 643.441,70. Quer isso significar que, no PA 2º Trim/2009, a Provisão para Imposto de Renda foi constituída no referido valor, que, como cediço, é produto da multiplicação da alíquota de 15% sobre uma base tributável (o Lucro Real). Igualmente cediço, o Lucro Real é resultante do Lucro Líquido do Exercício (contábil) ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária (DecretoLei 1.598/77). Assim, basta checarmos a formação do Lucro Real do 2º Trimestre de 2009, para descobrirmos se nas compensações o prejuízo do 1º Trimestre de 2009 foi inserido; que, no presente caso, consulta ao sistema SAPLI, de fls. 501, mostra que o sujeito passivo possui saldo acumulado de prejuízos fiscais a compensar, e exatamente aquele surgido no 1º Trimestre de 2009, no valor de R$ 62.048,60, que deve ser compensado com o Lucro Real dos períodos seguintes, respeitado o limite de 30% previsto na legislação; que igualmente, o sistema SAPLI, de fls., 502, confirma a disponibilidade de Base de Cálculo Negativa de CSLL, referente ao 1º Trim de 2009, no mesmo valor de R$ Fl. 594DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 62.048,60, a qual deve ser aproveitada para compor os cálculos da contribuição apurada pelo Fisco nos períodos seguintes, respeitando o limite de 30% previsto na legislação; que, no que diz respeito à falta de compensação de IRRF no 2º Trim 2009, ref. 1º Trim 2009, é de se dizer, que o interessado, neste tópico da Impugnação, pretende que o IRRF informado na Linha 14, Ficha 12A, do 1º Trimestre de 2009, no valor de R$ 72.545,37, constante de fls. 219, seja aproveitado nos cálculos da exação devida referente ao 2º Trimestre de 2009, já que referida retenção lhe teria sido realizada a maior no 1º Trimestre de 2009, pois neste apurou prejuízo fiscal, o que não lhe permitiu aproveitar a o imposto retido; que . Portanto, o interessado, neste tópico da Impugnação, pretende que o IRRF informado na Linha 14, Ficha 12A, do 1º Trimestre de 2009, no valor de R$ 72.545,37, constante de fls. 219, seja aproveitado nos cálculos da exação devida referente ao 2º Trimestre de 2009, já que referida retenção lhe teria sido realizada a maior no 1º Trimestre de 2009, pois neste apurou prejuízo fiscal, o que não lhe permitiu aproveitar a o imposto retido; que não se trata, pois, de utilizar o IR e a CSLL em questão no mesmo período de suas retenções, ou seja, no 1º Trimestre de 2009, o que, em verdade, a meu ver, seria bem possível, já que apenas se trataria de procedimento de ajuste nos cálculos do tributo daquele período, caso eventual Saldo Negativo formado com tais parcelas já não tivesse sido utilizado em outras circunstâncias, tais como informado em DCOMP – Declaração de Compensação, como Crédito. que, portanto, os valores de IRRF e CSSL Retida, que vieram posteriormente a integrar Saldos Negativos, não são possíveis de utilização para compor (reduzindo) os cálculos dos tributos e contribuições do 2º Trimestre de 2009 no auto de infração, como pretende o Impugnante, razão pela qual considero improcedente a Impugnação nessa parte; que, no que diz respeito à falta de compensação de pagamento indevido ou a maior no 3º Trim 2007, é de se dizer, que verificase nas fls. 295, que na DCTF Retificadora Ativa do 3º Trim/2007, o Débito IRPJ – 2089, com valor inicial de R$ 86.959,06, está realmente vinculado a um Crédito oriundo de Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior, no valor de R$ 6.929,27, restando como Débito Confessado o valor de R$ 80.029,79; que o Demonstrativo de Cálculo da Diferença entre a DIPJ e DCTF, de fls. 359, que serviu de base para confecção do Auto de Infração, apresenta no primeiro quadro, na linha do “3 Trimestre”, o valor de R$ 86.959,06 como “Diferença Encontrada”, e esse valor foi, de fato, levado às fls. 382 do referido Auto em seu “estado bruto”, ou seja, sem a redução da vinculação no valor de R$ 6.929,27; que a referida vinculação de Crédito, promanada de Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior, tem sua existência comprovada por pesquisas no sistema SIEF WEB PERDCOMP, de fls. 504, que juntei, onde se verifica que a mesma foi instrumentalizada pela transmissão do PER/DCOMP 06361.51221.101007.1.3.040559; que, por isso, o valor de R$ 6.929,27 deve ser diminuído da exação referente ao 3º Trim/2007, reduzindoa de R$ 86.959,06 para R$ 80.029,79; que, no que diz respeito à divergência entre os valores lançados e os Demonstrativos de fls. 175, 198 e 199, é de se dizer, que o Impugnante diz que os valores lançados estão divergentes em relação aos demonstrativos constantes de fls. 175, 198 e 199, Fl. 595DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 6 9 querendo que estes prevaleçam em relação àqueles. Menciona, como exemplo, que o IRPJ A PAGAR referente o 2º Trim de 2009 consta no demonstrativo de fls. 175 pelo valor de R$ 472.780,12, sendo que após descontado o valor já pago de IRPJ, de R$ 45.919,71, restaria R$ 426.860,41, e não R$ 544.075,65, como foi lançado. . que os descompromissados demonstrativos de fls. 175, 198 e 199, não possuem a consistência necessária para prevalecer sobre os dados informados em DIPJ e sobre os constantes da escrituração contábil, consoante demonstrado, sendose de considerar improcedente a Impugnação nesta parte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO INTERNO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. NÃO HÁ NULIDADE EM CASO DE SUA FALTA, SOBRETUDO NOS TRABALHOS DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÕES. O MPF é instrumento de controle administrativo interno, cuja falta não invalida o procedimento fiscal, sobretudo quando se trata de trabalhos atinentes à revisão interna de declarações (malha fiscal), para os quais existe dispensa de expedição expressa na legislação de regência. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. OBRIGATORIEDADE NOS PROCEDIMENTOS DE OFÍCIO. Os Prejuízos Fiscais e as Bases de Cálculo Negativa de CSLL de períodos anteriores, quando devidamente comprovadas mediante consulta no sistema informatizado próprio (SAPLI), devem ser obrigatoriamente compensadas nos procedimentos de ofício. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL DE OUTROS PERÍODOS DE APURAÇÃO. COMPENSAÇÃO APENAS MEDIANTE DCOMP. Os Saldos Negativos de IRPJ e CSLL, de outros períodos de apuração, a partir de 01/10/2002, somente podem ser compensados com Débitos do contribuinte mediante a transmissão de competente DCOMP Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO EFETUADA MEDIANTE PER/DCOMP E INFORMADA EM DCTF. REDUÇÃO DO DÉBITO. É de ser considerada, para redução do Débito confessado em DCTF, o valor de compensação tributária formalizada mediante PER/DCOMP e expressamente informada naquela, até prova de sua improcedência. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 DEMONSTRATIVOS OFICIOSOS CONFECCIONADOS PELO CONTRIBUINTE. DIVERGÊNCIA DESTES EM RELAÇÃO AOS DADOS DE DIPJ E DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PREVALÊNCIA DESTES DOIS ÚLTIMOS. Demonstrativos oficiosos e esparsos formulados pelo contribuinte, com dados divergindo de sua própria DIPJ e de sua própria escrituração contábil não podem prevalecer sobre estes últimos, no sentido de serem oponíveis ao Fisco. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 29/08/2012, conforme Termo constante às fls. 526/531, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (25/09/2012), o recurso voluntário de fls. 533/553, instruído pelos documentos de fls. 544/585, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito da indevida exigência de multa de ofício no lançamento, é de se dizer, que conforme anteriormente sinalizado, a União, no decorrer dos trabalhos de auditoria, intimou o Contribuinte a retificar a DIPJ relativa ao anocalendário de 2009, exercício de 2010 (Termo de Intimação n° 04, fls.200), bem como a retificar DCTF’s (Termo de Intimação n° 05, fls.229), de sorte a corrigir os valores dos tributos equivocadamente informados nas declarações originais apresentadas. A DIPJ foi retificada (fls. 203/228), assim como também foram retificadas as DCTF´s, conforme comprovantes anexos (doc. 01/01 a doc. 01/17). Procedendo dessa maneira, a Fazenda Nacional concedeu novo prazo para o Contribuinte regularizar as declarações equivocadamente apresentadas, devolvendolhe portanto, por escrito e formalmente, a espontaneidade e oportunidade para regularizar o equivoco; que, de todo o exposto, pedese desde logo o afastamento integral dos valores relativos à multa de oficio constante do auto de infração, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor originário do tributo lançado; que, no que diz respeito da indevida inclusão no Conta Corrente do Contribuinte do IRPJ exigido por intermédio de Auto de Infração, é de se dizer, que pode se, verificar na cópia do extrato da conta corrente do Contribuinte, já nos autos, os créditos tributários exigidos por intermédio do auto de infração de IRPJ constam também da Conta corrente da Recorrente; que uma vez constituído de ofício o crédito tributário, por intermédio de auto de infração, não pode ele constar também da conta corrente, sob pena de sofrer dupla cobrança, ou seja, uma via processo, em face do auto de infração, e outra via débito em conta corrente; que, por isso, requer desde logo a exclusão da conta corrente do Contribuinte da totalidade dos débitos relativos ao IRPJ exigidos por intermédio do auto de infração, de sorte que referida exação conste apenas do processo ora impugnado; que, no que diz respeito ao equívoco quanto à Apuração da Base de Cálculo do IRPJ Relativo ao Segundo (2°) Trimestre do AnoCalendário de 2009 – Falta de Compensação do Prejuízo Fiscal Acumulado no Lançamento de Oficio, é de se dizer, que conforme se contata pela “Ficha 06A” – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da Fl. 597DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 7 11 DIPJ, páginas 01 e 02, às fls. 203/204, a Recorrente apurou prejuízo fiscal no primeiro (1°) trimestre do anocalendário de 2009, no montante de R$ 62.048,60 (sessenta e dois mil, quarenta e oito reais e sessenta centavos). O prejuízo fiscal apurado em determinado trimestre deve ser compensado, principalmente quando se trata de lançamento de oficio, com o lucro real apurado em trimestre seguintes, respeitada a trava de 30% (trava essa que não se aplica ao caso presente em face do montante do lucro real apurado no 2° trimestre), conforme estabelece o art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999; que, requer dede logo, o afastamento da base de cálculo do IRPJ, no segundo (2°) trimestre do anocalendário de 2009, para fins de apuração do imposto devido, da importância de R$ 62.048,60 (sessenta e dois mil, quarenta e oito reais e sessenta centavos), correspondente ao prejuízo fiscal apurado no primeiro (1°) trimestre do mesmo anocalendário de 2009; que, no que diz respeito à inexatidão do valor exigido por intermédio do auto de Infração no 2° Trimestre do AC 2009 – Falta de compensação do IRRF no Trimestre Anterior, é de se dizer, que deste modo, conforme se constata pela cópia da DIPJ, ás fls. 219, o Contribuinte sofreu retenção de IRPJ no decorrer do primeiro (1°) trimestre do anocalendário de 2009, no montante de R$ 72.545,37 (setenta e dois mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e trinta e sete centavos), retenções essas que não foram compensadas no períodos em face da ocorrência de prejuízos fiscal; que, da inexatidão do valor exigido por intermédio do auto de Infração no 2° Trimestre do AC 2009 – Falta de compensação do IRRF no Trimestre Anterior. Portanto, conforme se constata pela cópia da DIPJ, às fls.219 (1°) trimestre do ano –calendário de 2009, no montante de R$ 72.545,37 (setenta e dois mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e trinta e sete centavos), retenções essas que não foram compensadas no período em face da ocorrência de prejuízos fiscal; que, portanto, sem mais delongas, pede que o valor do IRRF relativo ao primeiro (1°) trimestre do anocalendário de 2009, no montante de R$ 72.545,37, seja diminuído do valor do IRPJ exigido de oficio relativo ao segundo (2°) trimestre do ano calendário de 2009; que, no que diz respeito à inexatidão do valor exigido por intermédio do auto de Infração no 3° Trimestre do AC 2007 – Falta de compensação de pagamento indevido ou maior, é de se dizer, que conforme demonstrado na DCTF retificadora relativa ao terceiro (3°) trimestre do anocalendário de 2007 (doc. 01), o contribuinte compensou pagamento a maior que o devido n valor de R$ 6.929,27 (seis mil, novecentos e vinte e nove reais e vinte e sete centavos), valor esse que não foi levado em conta pela Fazenda Nacional na exação de ofício efetuada; que, no que diz respeito das divergências entre os valores lançados e os demonstrativos de fls. 175, 198 e 199, é de se dizer, que constatase, divergência entre os valores constantes dos demonstrativos de fls. 175, 198 e 199 de processo e os valores lançados por intermédio do auto de infração de IRPJ em todos os trimestres. Apenas exemplificando, observese que a soma dos valores constantes da coluna IRPJ, LÍQ. A pagar, relativa ao segundo trimestre de 2009, às fls. 175, monta em R$ 472.780,12. Descontando desse valor a quantia paga, de R$ 45.919,71, restaria valor devido de apenas R$ 426.860,41, e não de R$ 544.075, 65, como constou da exação formalizada (fls. 382); Fl. 598DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 que, portanto, requer que os valores exigidos por intermédio do auto de infração de IRPJ sejam ajustados para os valores a menor que constarem dos demonstrativos acima mencionados; que, no que diz respeito à CSLL, é de se dizer, que a indevida exigência de multa de oficio, conforme anteriormente sinalizado, a União, no decorrer dos trabalhos de auditoria, intimou o Contribuinte a retificar a DIPJ relativa ao anocalendário de 2009, exercício de 2010 (Termo de Intimação n° 04, fls.200), bem como a retificar DCTF’s (Termo de Intimação n° 05, fls. 229), de sorte a corrigir os valores dos tributos equivocadamente informados nas declarações originais apresentadas. A DIPJ foi devidamente retificada (fls. 203/228), assim como também foram retificadas as DCTF’s, conforme comprovantes anexos (doc. 01/01 a doc. 01/17). Procedente dessa maneira, a Fazenda Nacional concedeu novo prazo para o Contribuinte regularizar as declarações equivocadamente apresentadas, devolvendolhe, portanto, por escrito e formalmente, a espontaneidade e oportunizando a regularização; que, no que diz respeito à ausência do Mandado de Procedimentos Fiscal, é de dizer, que o lançamento é nulo, conforme dispõe o artigo 2° do Decreto 6.104/2007, os procedimentos fiscais para terem inicio prescindem do Mandado de Procedimento Fiscal; que, assim sendo, há que se anular todos os atos praticados visto que não houve a expedição e apresentação do Mandado de Procedimento Fiscal. É o relatório. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 533/553), interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (fls. 508/525). A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização interna (auditoria interna de malha de pessoa jurídica) referente aos exercícios de 2008 a 2010, onde a autoridade fiscal lançadora apurou divergências de valores entre o informado em DIPJ e o confessado em DCTF. Diante desse fato, o contribuinte foi intimado a esclarecer o motivo das diferenças (fls. 192), o mesmo respondeu que os valores corretos são aqueles constantes de suas DIPJ, estando equivocados aqueles constantes de DCTF, que não coincidam com os valores daquela declaração (fls. 195). Ainda, esclareceu que para os referidos períodos optou pelo Lucro Presumido (fls. 196). Em face das divergências e dos esclarecimentos do interessado, a Fiscalização intimou a empresa a apresentar DCTF retificadoras para 2007 e 2008, adequando os valores de débitos nela confessados conforme a DIPJ, o que foi feito conforme fls. 288/299 e 304/321. Se faz necessário observar, que para os períodos de 2007 e 2008, foi efetuado lançamento cobrando as diferenças inicialmente apuradas entre DCTF e DIPJ, conforme demonstrativos de fls. 358/359. As DCTF Originais Canceladas, que trouxeram os dados iniciais e serviram de parâmetro para apuração das diferenças, estão às fls. 305/311. No que diz respeito ao período de 2009, inicialmente o contribuinte informou à Fiscalização que havia apurado IRPJ e CSLL pela forma do Lucro Real ANUAL, com balancetes/balanço de suspensão e redução, conforme fls. 07 c/c com a DIPJ Original Cancelada de fls. 345/349. Todavia, mais tarde, tendo o contribuinte entregue balancetes trimestrais atendendo intimação da Fiscalização, e esta constatado que a empresa efetuou o primeiro recolhimento no Código de Receita 0220 para o IRPJ, que fixou o regime de tributação como Lucro Real Trimestral, conforme narrativa de fls. 386, o contribuinte foi intimado (fls. 200) a corrigir sua DIPJ. Assim, retificouse a DIPJ, declarandose o IRPJ pelo Lucro Real Trimestral, conforme fls. 203/228. entendeu haver, omissão de ganho auferido na devolução do patrimônio social de entidade isenta, conforme apurado em regular procedimento de fiscalização e relatado no Termo de Constatação Fiscal em anexo e parte integrante do presente Auto. Infração capitulada no art.17, caput § 1°, 3° e 4° da Lei n° 9.532, de 1997 e art. 239 do RIR/99. Observando, que estas infrações foram aplicadas por decorrência para a lavratura do Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, Fl. 600DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 ataca o que entende terem sido os fundamentos na parte mantida do lançamento, apresentado uma preliminar de nulidade do auto de infração e razões de mérito. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento sob o entendimento de que houve irregularidade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer que, como visto no relatório a suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob a consideração de que não houve expedição de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Inicialmente com referência aos vícios alegados em decorrência da ausência, nos autos, de Mandado de Procedimento Fiscal — MPF observese que a Portaria RFB no 11.371, de 2007, dispensa a emissão de MPF nos seguintes casos: Art. 10. O MPF não semi exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de formalização de exigência de crédito tributário constituído em termo de responsabilidade ou pelo descumprimento de regime aduaneiro especial, lançamento de multas isoladas, revisão aduaneira e formalização de abandono ou apreensão de mercadorias realizada por outros órgãos; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho realizado em operação ostensiva; IV relativo a revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais). V destinado, exclusivamente, à aplicação de multa por não atendimento a intimação efetuada por AFRFB em procedimento de diligência, realizado mediante a utilização de MPFD; VI destinado à aplicação de multa por não atendimento a Requisição de Movimentação Financeira (RMF), nos termos do art. 42 do Decreto n2 3.724, de 10 de janeiro de 2001; e VII destinado a verificação de ocorrência de avaria ou extravio de mercadorias sob controle aduaneiro. § 12 Na hipótese de realização de diligência, em decorrência dos procedimentos fiscais de que trata este artigo, deverá ser emitido MPFD. § 2º Para fins do disposto no inciso lido caput, considerase revisão aduaneira o procedimento destinado a identificar irregularidades fiscais relativas ao despacho, com base tão somente nos elementos probatórios disponíveis no âmbito da RFB. E, no presente caso, observase no Termo de Intimação juntado às fls. 04/05, que foi ele lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR e cientificado a contribuinte por via postal, à semelhança do que anotado no Auto de Infração (fls. 369/390), confirmando que o procedimento fiscal se desenvolveu internamente, e teve por finalidade aplicar as consequências legais decorrentes da revisão das DIPJs e DCTFs, complementando as atividades de revisão de seu conteúdo. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 9 15 Como visto, o trabalho fiscal aqui em análise é fruto de atividade desenvolvida no âmbito de auditoria interna, consoante foi noticiado pela Fiscalização no curso do procedimento (fls. 192). De fato, tratase de típica atividade de procedimento interno de malha pessoa jurídica, onde a discordância entre os dados de DIPJ e de DCTF provoca “retenção” das declarações para averiguações (revisão interna de declarações), que esclareçam referidas divergências. Verificase que todos os atos praticados pela Fiscalização enveredaram nesse caminho, com expedição de intimações e análises de livros e documentos de forma remota. Ao final, concluiuse que o contribuinte confessou seus Débitos a menor em DCTF, dando azo para que se cobrasse de ofício as parcelas que a empresa não “constituiu” como crédito tributário a favor do Fisco. Ademais, indiscutivelmente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desta forma, o mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. A competência para a verificação fiscal inerente aos tributos e contribuições administrados pela União encontrase determinada desde a Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, artigo 7°, que alterou o artigo 124 do Decreto n° 24.239, de 1947. O cargo de AuditorFiscal da Receita Federal foi criado pelo Decretolei n° 2.225, de 1985, que por sua vez substituiu o anterior de Fiscal de Tributos Federais, Grupo TAF601. Este último decorreu da Lei n° 5.645, de 10 de dezembro de 1970, que estabeleceu diretrizes para a classificação de cargos do Serviço Civil da União e das autarquias federais. Sobre a competência do agente, também dispõe o art. 6° da Lei nº 10.593, de 2002, in verbis: Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: I – em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário. Ora, as referidas Portarias não tem o condão de limitar o dispositivo legal. Ou seja, extrair o poder de investigação fiscal da autoridade competente para esse fim. O poder/dever do AuditorFiscal da Receita Federal foi atribuído pelo Decretolei n° 2.225, de 1985. De outro lado, somente a ele incumbe efetuar o lançamento, na forma do artigo 142 do CTN. Como visto, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e da Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Fl. 602DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Secretaria da receita Federal e não pode obstar o exercício da atividade de lançamento estabelecida por força de lei. Assim, estando o AuditorFiscal em pleno exercício de suas funções e tendo formalizado administrativamente o procedimento, mesmo a falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não invalida o feito, se não ausentes outras irregularidades formais ou materiais. Esta posição não é isolada e combina com a jurisprudência dominante deste Conselho de Contribuintes, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados: Acórdão n° 20177049 PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. Acórdão n° 108.07458 NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão n° 202.14949 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. Acórdão n° 107.06797 MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em qualquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não observância – na instauração ou amplitude do MPF – poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de Fl. 603DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 10 17 suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão n° 107.06820 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. É equivocada a conclusão da suplicante no sentido de que as informações sucintas; falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF válido à época da lavratura do auto ou a indicação de qualquer matéria a ser analisada e/ou a falta de comunicação específica da expedição do MPF pela autoridade administrativa ou a extinção por decurso de prazo de sua validade, levaria à incompetência do agente fiscal para o ato. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. Assim, não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob os argumentos de ter ultrapassado o prazo de encerramento do procedimento fiscal; ou porque do novo Mandado de Procedimento Fiscal só foi dado ciência no dia da lavratura do Auto de Infração; ou porque não houve emissão do Mandado nos casos de revisão interna (malhas fiscais); ou porque o Mandado foi transformado de procedimento de diligência para procedimento de fiscalização sem a substituição do AuditorFiscal que iniciou o procedimento; ou porque não houve a emissão de Mandado Complementar, haja vista o dever de ofício que o obriga a observar as normas que subordinam o exercício desse dever e que não contraria o disposto na Portaria SRF de nº 1.265, de 1999 e suas edições posteriores, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. É de se observar, ainda, que nenhuma lei estabelece como requisito elementar do auto de infração a existência de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, aqueles estão previstos no art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é Fl. 604DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 necessário apenas para o controle administrativo dos atos dos fiscais na realização de exames e intimação de contribuintes ou terceiros para que apresentem documentos ou prestem informações, jamais para efetivação do lançamento que é procedimento imposto pela lei e não por norma infra legal. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores), é norma interna da Secretaria da Receita Federal do Brasil que não acarreta a nulidade levantada pelo suplicante. Eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente. O processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que tem status de lei, e não pode ser alterado por um instrumento (MPF) instituído por uma portaria da SRFB, hierarquicamente inferior. Assim, não há dúvidas que todas as autoridades fiscais estão sujeitas às regras aplicáveis ao Mandado de Procedimento Fiscal, e caso sejam descumpridas, cabe ao funcionário, autor do feito, se for o caso, punição administrativa. Porém, entendo que jamais provocam a nulidade do lançamento. No que diz respeito à espontaneidade da retificação das declarações (DIPJ e DCTF) da recorrente, impõese necessário verificar se, em verdade, houve ou não apresentação espontânea da mesma, bem como se existe alguma justificativa razoável para se processar as declarações em questão em outra data, senão aquela original prevista na legislação de regência. Ora, com a devida vênia, o Processo Administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. O referido decreto tem status de lei, pois ele regula e não apenas regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União. Por isso, as alterações são processadas por dispositivo legal de igual natureza. Diz o Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; (o destaque não é do original) III – o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 11 19 Conforme se infere do citado artigo, o início do procedimento fiscal é objetivo, isto é, atuação da autoridade administrativa tendente a verificar a relação jurídico tributária sobre determinado fato para se apurar ou não infração à legislação tributária. Tanto é verdadeira essa afirmativa, que o inciso I, quando diz “o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto”, a exclusão da espontaneidade do contribuinte está vinculada aos termos de intimações emitidos. Ora, é cristalino nos autos que foi lavrado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal, em cumprimento ao Decreto nº 70.235, de 1972, as intimações e a Notificação de Lançamento. É o que basta para dar início ao procedimento fiscal e este ato exclui a espontaneidade do sujeito passivo e este somente se descaracteriza se ficar, por mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, uma vez iniciado o procedimento fiscal, toda e qualquer alteração nas declarações do período sob fiscalização deve ser efetuada de ofício pelo Auditor Fiscal da Receita Federal responsável pelo procedimento, e, na apuração de eventuais infrações cometidas pelo fiscalizado, este dela pode participar, recebendo as intimações fiscais e fornecendo os esclarecimentos, informações e documentos que julgue necessários. Não se admite as declarações retificadoras apresentada após a ciência do início do procedimento de oficio, a não ser nas hipóteses em que a autoridade fiscal solicite por meio de intimação, não tendo as mesmas o condão de anular ou alterar o auto de infração lavrado e tampouco acarretam duplicidade de lançamento, visto que não produzem efeitos legais sem o aval da autoridade fiscal. O fato das declarações retificadoras terem sido entregues pelo contribuinte em atendimento à intimação fiscal não modifica a regra geral e nem o entendimento versado acima, tampouco atribui à ocorrência a devolução da espontaneidade, que teria o condão de afastar a aplicação de multa de ofício. No que diz respeito da inclusão no conta corrente do IRPJ exigido por intermédio de Auto de Infração, alega a recorrente que é possível se verifica na cópia do extrato da conta corrente os créditos tributários exigidos por intermédio do Auto de Infração de IRPJ constam também da Conta corrente da Recorrente. Entende, ainda, que uma vez constituído de ofício o crédito tributário, por intermédio de auto de infração, não pode ele constar também da conta corrente, sob pena de sofrer dupla cobrança, ou seja, uma via processo, em face do auto de infração, e outra via débito em conta corrente. Ora, a Norma de Execução COFIS nº 001, de 15 de outubro de 2010, prevê que nos casos em que houver entrega de DCTF Retificadora, mediante intimação, constando valores de Débitos superiores aos anteriormente pagos ao início do procedimento fiscal, o executor dos trabalhos de revisão interna de declarações (malha fiscal) procederá ao encaminhamento de representação para a área de Administração Tributária informando que a referida parte da declaração será objeto de lançamento de ofício. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 Evidentemente, que tal providência visa evitar que tais partes da declaração sejam duplamente cobradas: a) por intermédio da cobrança automática alimentada pelo conta corrente; e b) por intermédio do auto de infração. Resta claro, que com tal representação, se pretende que a parte da declaração retificadora, que também conste do auto de infração, tenha sua cobrança automática bloqueada. A recorrente apresenta o documento de fls. 455, alegando que as partes da declaração retificadora em questão estão sendo cobradas automaticamente, e pede que os débitos sejam excluídos imediatamente do conta corrente do contribuinte. A autoridade julgadora de Primeira Instância já observou em seu julgado, que “se assim realmente for, de fato, urge que se bloqueie tal cobrança, e se a Fiscalização deixou de formalizar a representação para a área de Administração Tributária, a que alude o subitem 8.1 da Norma de Execução COFIS 001, de 15 de outubro de 2010, deve ser impelida a fazêlo; e se efetuou a formalização, a área de Administração Tributária deve ser exortada a esclarecer se tomou as providências que lhe cabiam, ou não.”. Entretanto, tanto num caso ou no outro, esse não é um assunto a ser dirimido por este órgão julgador, por lhe faltar competência, já que são providências operacionais afetas exclusivamente às DRF, para a qual a contribuinte deve endereçar petição, postulando pela tomada de providências que impeçam a cobrança dobrada dos mesmos débitos. No que diz respeito ao equívoco quanto à Apuração da Base de Cálculo do IRPJ Relativo ao Segundo (2°) Trimestre do AnoCalendário de 2009 – Falta de Compensação do Prejuízo Fiscal Acumulado no Lançamento de Oficio, alega a recorrente, que conforme se contata pela “Ficha 06A” – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ, páginas 01 e 02, às fls. 203/204, a recorrente apurou prejuízo fiscal no primeiro (1°) trimestre do ano calendário de 2009, no montante de R$ 62.048,60 (sessenta e dois mil, quarenta e oito reais e sessenta centavos). O prejuízo fiscal apurado em determinado trimestre deve ser compensado, principalmente quando se trata de lançamento de oficio, com o lucro real apurado em trimestre seguintes, respeitada a trava de 30% (trava essa que não se aplica ao caso presente em face do montante do lucro real apurado no 2° trimestre), conforme estabelece o art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999. Alega, ainda, a recorrente, que esse Prejuízo Fiscal deve ser compensado com o Lucro Real do 2º Trimestre de 2009, com respaldo no artigo 890 do RIR/99, sendo que, por um lapso não promoveu, ele mesmo, essa compensação na DIPJ; mas, segundo alega, na sua escrituração mercantil o referido prejuízo foi devidamente considerado, conforme consta de seu Livro Diário, em fls. 83. Ora, a autoridade julgadora de Primeira Instância já atendeu este pleito, conforme consta da decisão, verbis: 62. No presente caso, consulta ao sistema SAPLI, de fls. 501, mostra que o sujeito passivo possui saldo acumulado de prejuízos fiscais a compensar, e exatamente aquele surgido no 1º Trimestre de 2009, no valor de R$ 62.048,60, que deve ser compensado com o Lucro Real dos períodos seguintes, respeitado o limite de 30% previsto na legislação. 63. Igualmente, o sistema SAPLI, de fls., 502, confirma a disponibilidade de Base de Cálculo Negativa de CSLL, referente ao 1º Trim de 2009, no mesmo valor de R$ 62.048,60, a qual deve ser aproveitada para compor os cálculos da contribuição Fl. 607DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 12 21 apurada pelo Fisco nos períodos seguintes, respeitando o limite de 30% previsto na legislação. 64. Considero, pois, procedente o pleito nesta parte da Impugnação. No que diz respeito a inexatidão do valor exigido por intermédio do auto de Infração no 2° Trimestre do AC 2009 – Falta de compensação do IRRF no Trimestre Anterior, alega a recorrente, conforme se constata pela cópia da DIPJ, às fls. 219, o Contribuinte sofreu retenção de IRPJ no decorrer do primeiro (1°) trimestre do anocalendário de 2009, no montante de R$ 72.545,37 (setenta e dois mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e trinta e sete centavos), retenções essas que não foram compensadas no períodos em face da ocorrência de prejuízos fiscal. Não há dúvidas de que a recorrente pretende que o IRRF informado na Linha 14, Ficha 12A, do 1º Trimestre de 2009, no valor de R$ 72.545,37, constante de fls. 219, seja aproveitado nos cálculos da exação devida referente ao 2º Trimestre de 2009, já que referida retenção lhe teria sido realizada a maior no 1º Trimestre de 2009, pois neste apurou prejuízo fiscal, o que não lhe permitiu aproveitar a o imposto retido. No mesmo sentido, requer idêntico destino à CSLL retida, informada na Linha 72, Ficha 17, do 1º Trimestre de 2009, no valor de R$ 41.509,27. Assim sendo, é de capital importância deixar claro que a pretensão da recorrente é ver IRRF e CSLL retida do 1º Trimestre de 2009 serem aproveitados no cálculo de exação do 2º Trimestre de 2009, portanto, em outro período de apuração. Ora, resta evidente, que não se trata de utilizar o IR e a CSLL em questão no mesmo período de suas retenções, ou seja, no 1º Trimestre de 2009. Os períodos de apuração envolvidos são diferentes, e além disso, envolve também o fato de que já não estamos mais tratando de IRRF e CSLL retida como parcelas autônomas. O art. 170 do Código Tributário Nacional, estabelece que o contribuinte só terá direito a compensar se, e apenas se, (a) a lei estabelecer esse direito; (b) se forem atendidas as condições estipuladas diretamente pela lei, ou as condições cuja estipulação a lei delegue às autoridades administrativas competentes; e, ainda, (c) sob as garantias estipuladas pela lei. Portanto, a única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1º. A necessidade de apresentação de declaração de compensação é obrigatória desde 01/10/2002, com a inclusão do § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637, de 2002), nele inexistindo qualquer ressalva para tributos de mesma espécie. É evidente, que resulta do exposto que a recorrente, em tese, possui direito creditório constituído pelos seus Saldos Negativos de IRPJ e CSLL, mas referidos créditos somente serão passíveis de aproveitamento mediante a transmissão de competente DCOMP – Declaração de Compensação. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 Assim, os valores de IRRF e CSSL Retida, que vieram posteriormente a integrar Saldos Negativos, não são possíveis de utilização para compor (reduzindo) os cálculos dos tributos e contribuições do 2º Trimestre de 2009 no auto de infração, como pretende a recorrente. No que diz respeito das divergências entre os valores lançados e os demonstrativos de fls. 175, 198 e 199, alega a recorrente, que constatase, divergência entre os valores constantes dos demonstrativos de fls. 175, 198 e 199 do processo e os valores lançados por intermédio do Auto de Infração de IRPJ em todos os trimestres. A recorrente cita a título exemplificativo, que a soma dos valores constantes da coluna IRPJ, LÍQ. à pagar, relativa ao segundo trimestre de 2009, às fls. 175, monta em R$ 472.780,12. Descontando desse valor a quantia paga, de R$ 45.919,71, restaria valor devido de apenas R$ 426.860,41, e não de R$ 544.075, 65, como constou da exação formalizada (fls. 382). Assim sendo, requer que os valores exigidos por intermédio do auto de infração de IRPJ sejam ajustados para os valores a menor que constarem dos demonstrativos acima mencionados. Ora, os demonstrativos de fls. 175, 198 e 199, foram produzidos pela própria recorrente, em atendimento às intimações fiscais de fls. 45 e 192/193, respectivamente, e não podem prevalecer como dados válidos, como quer a recorrente, já que veiculam números discordantes com a DIPJ que ele próprio apresentou e, inclusive, dissonante com sua própria escrituração contábil. Senão vejamos: Tomando o exemplo ofertado pela recorrente, constata se que o valor correto é realmente R$ 544.075,65 e não R$ 472.780,12 ou R$ 426.860,41, como quer. Basta para isso checar a DIPJ de fls. 219, que apresenta na Linha 20, no 2º Trimestre, o valor de R$ 589.995,36, que descontado do valor já pago, de R$ 45.919,71, resulta nos R$ 544.075,65; valor este, como dito, declarado pela própria recorrente, e utilizado pela Fiscalização na composição da autuação. Ainda, às fls. 237, onde consta o Balancete contábil referente o 2º Trimestre de 2009, constatase que a empresa contabilizou como Provisão para o Imp. de Renda Pessoa Jurídica o valor de R$ 643.441,70, que deduzida do IRRF daquele período, no valor de R$ 53.446,34 (conf. Fls. 219), apurase o valor de R$ 589.995,36 (já citado, que está informado na Linha 20), o qual, como já dito, diminuído do pagamento anteriormente efetuado, de R$ 45.919,71, acaba novamente nos R$ 544.075,36 lançados pelo Fisco. Portanto, cristalino está, que os descompromissados demonstrativos de fls. 175, 198 e 199, não possuem a consistência necessária para prevalecer sobre os dados informados em DIPJ e sobre os constantes da escrituração contábil, consoante demonstrado. Por fim, cabe tecer algumas considerações sobre a penalidade aplicada. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. É de se observar, que a intimação fiscal expedida pela Fiscalização nada mais foi do que fruto da aplicação dos procedimentos previstos nas normas relativas aos trabalhos dessa natureza, e teve apenas o condão de impelir o contribuinte a sanar erro de fato em suas declarações, não implicando isso na devolução expressa de espontaneidade, como quer acreditar a recorrente. Tanto é assim que a IN RFB 974/2009 deixa expresso que tais Fl. 609DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 13 23 retificações não elidem a aplicação da multa prevista em seu artigo 7º. Ora, se não há prejuízo da aplicação da citada penalidade, significa que não há que se falar em espontaneidade. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). Fl. 610DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando Fl. 611DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721569/201211 Acórdão n.º 1402001.388 S1C4T2 Fl. 14 25 com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Enfim, o fato das declarações retificadoras ter sido entregues pelo contribuinte em atendimento à intimação fiscal não modifica a regra geral e nem o entendimento versado acima, tampouco atribui à ocorrência a devolução da espontaneidade, que teria o condão de afastar a aplicação de multa de ofício. Por fim, como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 612DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10950.902980/2011-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 80 /2 01 1- 62 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902980/201162 Acórdão n.º 3803005.108 S3TE03 Fl. 97 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/01/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902980/201162 Acórdão n.º 3803005.108 S3TE03 Fl. 98 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902980/201162 Acórdão n.º 3803005.108 S3TE03 Fl. 99 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902980/201162 Acórdão n.º 3803005.108 S3TE03 Fl. 100 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910779/2008-24
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 79 /2 00 8- 24 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 66): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador31/05/2002 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 76 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910779/200824 Acórdão n.º 3802002.024 S3TE02 Fl. 261 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 75), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 76). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910779/200824 Acórdão n.º 3802002.024 S3TE02 Fl. 262 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10120.901886/2008-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2003
Ementa:
DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO-RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não-homologação da DComp.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2003 Ementa: DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO-RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não-homologação da DComp. Recurso negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2003 Ementa: DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser nãohomologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de nãohomologação da DComp. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 18 86 /2 00 8- 63 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de DComp transmitida em 14.05.2004 (e posteriormente retificada em 22.09.2006), por meio da qual se pretende compensar suposto indébito da Contribuição ao PIS relativa à competência 12/2003, com débito da mesma exação apurado em 04/2004 (fls. 19/23). Destinatária da declaração, a DRFGoiânia/GO recusou a homologação por meio de despacho eletrônico (fls. 04). Segundo dele se lê, a negativa se deu em razão de a interessada ter transmitido a DComp sem prévia retificação da DCTF pertinente ao período de apuração do suposto indébito. É dizer: tendo apurado o montante da exação a pagar naquela competência e efetuado espontaneamente o respectivo recolhimento, o sujeito passivo refez o cálculo do montante devido e verificou ter supostamente promovido pagamento a maior. Transmitiu, então, a declaração de compensação indicando, como crédito, o pretenso excesso, sem, todavia, corrigir a DCTF já entregue, a fim de reduzir o débito confessado aos novos valores. Foi no que se apegou a DRF para recusar a homologação, ao argumento de que, sem retificação, a quantia recolhida permanecia integralmente alocada para quitação da própria Contribuição ao PIS de dezembro de 2003. Irresignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual afirma que teria declarado incorretamente, em DCTF, o montante de PIS apurado em dezembro de 2003, donde resultaria o alegado direito de crédito aproveitado para a compensação objeto destes autos (fls. 1/3). Com a peça, vieram aos autos (i) planilha ilustrativa do alegado indébito, além de cópias (ii) da DIPJ correspondente ao anocalendário de 2003, (iii) da DCTF pertinente ao quarto trimestre de 2003, (iv) da DCOMP não homologada, e (v) da guia DARF comprobatória do pagamento realizado. Em 5 de janeiro de 2012, a DRJBrasília/DF proferiu acórdão desprovendo a inconformidade ao principal argumento de que “a DIPJ, declaração de caráter informativo, não tem o condão de retificar o valor declarado em DCTF, cujo caráter é de confissão de dívida (fls. 86/89). Devidamente cientificada, a recorrente interpôs recurso voluntário reafirmando os fundamentos da anterior irresignação (fls. 98/104). Este, em síntese, o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10120.901886/200863 Acórdão n.º 3403002.637 S3C4T3 Fl. 7 3 Tempestivamente interposto, o recurso atende também às demais formalidades aplicáveis, razão pela qual dele se conhece. O objeto central dos processos administrativofiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, art. 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para a produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião do despacho decisório, com efeito, vigorava a IN SRF no. 600/05, cujos artigos 3o e 4o estabeleciam: “Art. 3o (...). §1o A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório.” “Art. 4. A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas”. De ordinário, portanto, a declaração de compensação era (e ainda é) transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. E apenas neste último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico, o contribuinte tem o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório (art. 3o, §1o). Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico, competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova (art. 4o). Daí porque o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai uma oportunidade para a documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem depois fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Distanciase do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3a ed., 2010, p. 305). Digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN SRF no. 255/02 e as que se lhe seguiram não a exigiam como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Este defeito da decisão de origem, contudo, não é, a meu ver, drástico o bastante para nulificála. Penso assim porque o processo administrativo prestase justamente para que o contribuinte possa provar o seu direito com vistas a alcançarse a tão almejada verdade material aludida acima. A teor dos artigos 74, §11 da Lei no. 9.430/96 e 14 do Decreto no. 70.235/72, é a manifestação de inconformidade que deflagra a fase contenciosa do processo administrativo decorrente de compensação, a partir do que os princípios do contraditório e da ampla defesa fazemse mandatórios. Antes da manifestação de inconformidade, vivese a fase inquisitiva do procedimento, na qual preponderam atos de impulso da própria Administração. Nesse sentido, James Marins: “Na etapa fiscalizatória, não há, porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento (...). A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial das garantias do due process of Law, confundem momentos logicamente distintos.” (in Direito processual tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2001, p. 222). Chamando a etapa inquisitória de “procedimento” administrativo, conclui o doutrinador: “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte”. É dizer, por mais que a oportunidade para a produção da prova quanto ao direito de crédito do contribuinte seja desejável – e até sugerida pelo artigo 4o da IN SRF no. 600/05 – a sua inocorrência não vicia o procedimento haja vista que somente com a prolação do despacho decisório inaugurase o contencioso e, a partir de então, estão garantidos pelo Decreto no. 70.235/72 a ampla defesa e o contraditório. Noutro giro, se a DRF peca ao recusar a homologação sem investigar o fato gerador, peca ainda mais o contribuinte que desperdiça a oportunidade de, com amparo no artigo 16 do PAF produzir, a partir da sua manifestação de inconformidade, prova idônea a seu favor. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10120.901886/200863 Acórdão n.º 3403002.637 S3C4T3 Fl. 8 5 Em situações análogas a esta, havendo um bom início de prova trazido pelo recorrente, já propus a realização de diligências a fim de que o órgão preparador – que se furtara da investigação – se debruçasse sobre a existência efetiva do direito de crédito (v.g., PA no. 10240.900466/200984, j. 28.10.10). Refletindo melhor sobre o tema, inclinome, agora, por somente adotar semelhante solução nas situações em que a prova coligida aos autos com a manifestação de inconformidade ou com o recurso voluntário requeira o exame técnico e minucioso não compatível com as atribuições deste Conselho. Fora desta hipótese residual, será o caso de, desde logo, se decidir o recurso voluntário, aplicandose a regra de distribuição do ônus probatório. Portanto, de duas, uma: ou o sujeito passivo tributário se desincumbe do encargo, produzindo elementos documentais consistentes do direito alegado ou, ao contrário, fica aquém do necessário, caso em que a realização de uma diligência estaria, em verdade, suprindolhe a deficiência. No caso concreto, o suposto indébito resultaria da errônea apuração da Contribuição ao PIS para a competência 12/2003. A recorrente trouxe aos autos, além da guia DARF que documenta o suposto pagamento a maior, a DCTF em que confessa também a maior a obrigação apurada naquela competência, a DIPJ correspondente ao anocalendário em questão e uma planilha ilustrativa do alegado excesso de recolhimento. Quando o contribuinte afirma ter apurado erroneamente a base de cálculo de um tributo, de tal forma que recolhe – a maior ou indevidamente – a exação, deve ser capaz de demonstrar a existência do suposto erro na apuração. Em outras palavras, a recorrente deveria ter documentado a origem do crédito. O crédito restituendo constitui fato constitutivo do seu direito e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio lhe compete (CPC, art. 333, I). Nenhum outro documento foi trazido aos autos, além daqueles já mencionados, os quais são insuficientes para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Poderia a recorrente, se quisesse, ter dado conhecimento a este Colegiado dos seus LivrosDiário, Razão, notas fiscais de saída, bem como quaisquer outros elementos que pudessem, minimamente, comprovar seu suposto crédito. Daí porque, a meu sentir, a recorrente não se desincumbiu do dever de provar o fato por ela alegado, motivo pelo qual os autos não comprovam satisfatoriamente os pressupostos de que dependeria o aproveitamento do direito creditório. Em conclusão, dada a insuficiência de elementos convincentes a respeito da existência do alegado direito creditório, voto por desprover o recurso voluntário, forte nos argumentos expostos acima. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10950.907769/2011-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 69 /2 01 1- 36 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907769/201136 Acórdão n.º 3803005.199 S3TE03 Fl. 118 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre ingressos (ICMS) não abrangidos pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCTF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 18/06/2002 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907769/201136 Acórdão n.º 3803005.199 S3TE03 Fl. 119 3 ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 17 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal 1 ADC n° 18/DF Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907769/201136 Acórdão n.º 3803005.199 S3TE03 Fl. 120 4 Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907769/201136 Acórdão n.º 3803005.199 S3TE03 Fl. 121 5 tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Além disso, mesmo que houvesse previsão legal do direito à exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo (escrituração contábilfiscal e documentos fiscais) foi apresentado para comprovar o direito arguido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907769/201136 Acórdão n.º 3803005.199 S3TE03 Fl. 122 6 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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