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Numero do processo: 10580.727550/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício.
IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal - STF e pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543-C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2201-001.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo os juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Relator) e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que apenas excluíram os juros, e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de ofício o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator
Assinatura digital
Gustavo Lian Haddad Redator designado
EDITADO EM: 10/08/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Preliminar rejeitada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 75 50 /2 00 9- 96 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo os juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Relator) e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que apenas excluíram os juros, e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de ofício o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Assinatura digital Gustavo Lian Haddad – Redator designado EDITADO EM: 10/08/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório MARIA DE FÁTIMA SILVA CARVALHO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA que julgou procedente lançamento, formalizado por meio dE auto de infração, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 88.766,07, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 192.267,27. A infração que ensejou o lançamento foi a classificação indevida de rendimentos como isentos, conforme descrição dos fatos do auto de infração, a seguir reproduzida: Intimado, o sujeito passivo não comprovou a natureza isenta e não tributável dos rendimentos declarados como tal, presumidamente rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ13.100.722/000160, a título de “URV” Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.727550/200996 Acórdão n.º 2201001.724 S2C2T1 Fl. 3 3 Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Preceitua a referida lei, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do imposto de renda, de competência da União. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo, em respeito aos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988. As diferenças recebidas pelo sujeito passivo têm natureza eminentemente salarial, e consequentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de3 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada aos rendimentos para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Ademais, o CTN dispõe, no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Assim, resta claro que os valores recebidos pelo sujeito passivo referente a diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, denominada ‘valores indenizatórios de URV’, são tributáveis. O cálculo do imposto devido está de4monstrado no anexo I, composto de folha única, parte integrante e indissociável deste auto de infração, elaborado em obediência ao despacho do Ministro da Fazenda de 11 de maio de 2009, que aprova o PARECER PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, que dispõe que no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Para apuração do imposto devido decorrente das diferenças de URV, consideramos o valor por ele declarado a este título no anocalendário 2005 (também adotado como paradigma para o ano de 2006), e mensalmente distribuímos no período de abril de 1994 a julho de 2001, levandoos à tributação com base nas alíquotas vigentes à época, apurando o valor total do imposto devido, que, somado aos valores omitidos e arbitrados nos anos Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 calendário de 2004 e 2006, foi dividido pelos três anos em que ocorreu o recebimento, janeiro de 2004 a dezembro de 2006, já que toda a diferença salarial devida a título de URV foi recebida ao longo desses 3 (três) anos. Aplicouse ao presente lançamento a multa básica determinada pelo artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de novembro de 1996, de caráter objetivo, em face da ausência de dolo. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o auto de infração seria nulo em razão da falta de emissão de mandado de procedimento fiscal. Quanto ao mérito, aduziu que a União é parte ilegítima para exigir o imposto em questão; que as diferenças pagas pelo Estado da Bahia decorrentes do erro na conversão da remuneração dos Magistrados de Cruzeiro Real para URV têm natureza jurídica indenizatória, conforme previsto nos arts. 4º e 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Portanto, tais rendimentos são isentos de imposto de renda; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro o caráter indenizatório de tais verbas, e da consequente não incidência do imposto de renda. Neste mesmo sentido estão a jurisprudência pátria, decisões do Conselho de Contribuintes, e a Solução de Consulta SRF nº 55 de 18 de abril de 2005; que mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros de mora, pois o contribuinte agiu de boafé, seguindo informações constantes nos contracheques emitidos pela fonte pagadora; que o próprio Ministério da Fazenda reconheceu a inaplicabilidade da multa em resposta a consulta formulada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; que, além disso, o caráter indenizatório de tal verba estava previsto em lei, o que, também, afastaria de a aplicação de multa e juros, nos termos dos artigos 100 e 112 do CTN. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente o lançamento, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSALVADOR/BA rejeitou a preliminar de nulidade ressaltando que o Mandado de Procedimento Fiscal foi regularmente entregue, conforme documento de fls. 79. Quanto ao mérito, observou que as verbas em questão foram pagas em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003 que se refere a diferenças de remuneração quando da conversão da URV, a qual era realizada mensalmente e visava à manutenção do valor real do salário. Daí concluiu que as diferenças recebidas tinham natureza eminentemente salarial; que o recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera a natureza das verbas, ainda que o beneficiário tenha tido que recorrer à Justiça e o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar. Registra, ainda, que a tributação incide também sobre os complementos, juros e atualização monetária. Sobre o disposto no artigo 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe que as diferenças pagas teriam natureza indenizatória, observa que o Imposto de Renda é regido por legislação federal e, portanto, tal dispositivo não tem nenhum efeito em matéria tributária, destacando que a incidência do imposto de renda independe da denominação dos rendimentos e que indenizações não são indistintamente isentas, mas apenas aquelas previstas em lei específica como tal; que o art. 55, XIV, do RIR/99 prevê expressamente que tanto os juros moratórios quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento estão sujeitos à tributação, salvo se corresponderem a rendimentos isentos ou não tributáveis. Sobre a alegação de que deveria ser reconhecida a isenção com base na Resolução do STF nª 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado às diferenças Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.727550/200996 Acórdão n.º 2201001.724 S2C2T1 Fl. 4 5 de URV pagas aos magistrados federais, registra que o benefício não poderia ser estendido aos membros do Ministério Público Estadual, pois tal resultaria em isenção sem lei específica, e que também não seria o caso de se recorrer à analogia. Também não seria o caso de se aplicar a isonomia com relação aos magistrados federais, pois se trata de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, e que a isenção, no âmbito federal, decorreu de resolução expedida no âmbito do próprio Poder Judiciário. E sobre a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, registra que esta se extingue com o término do prazo para a apresentação da declaração dos rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, conforme orientação da Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002. Ainda sobre a retenção do imposto pela fonte pagadora, anota que, embora o produto da arrecadação do imposto pertença à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, este fato não isenta o beneficiário dos rendimentos de oferecêlo à tributação; que, portanto, a competência para o lançamento tributário e o julgamento da lide são da União. Relativamente à multa de ofício, a DRJ rechaça a alegação de que, como os informes de rendimento apresentados pela fonte pagadora indicavam que se tratava de rendimentos isentos, sem a retenção do imposto, agiu de boafé e não poderia ser punido com a multa. Observa que a infração independe da intenção do agente e que a multa é devida pela omissão dos rendimentos e não pela prática de fraude. Finalmente, a DRJ registra que a autuação observou a regra estabelecida pela orientação da PGFN por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, eliminando os efeitos tributários do recebimento dos rendimentos de forma acumulada, e que também foram excluídos da base de cálculo os valores correspondentes a diferenças de 13º salário e abono de férias. Isto porque, embora a autuação tenha sido feita antes da edição do referido parecer, o processo foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora ajustasse o lançamento às novas orientações, o que foi feito. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 14/10/2011 e, em 20/10/2011, interpôs o recurso voluntário que ora se examina e no qual afirma, como preliminar, que a União não é parte legítima para exigir o imposto e que a incidência tributária neste caso fere o princípio constitucional da isonomia. Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à natureza indenizatórias das verbas recebidas; sobre a quebra do princípio constitucional da isonomia, em face do tratamento recebido pelo membros do Poder Judiciário Federal; questiona procedimentos de cálculos quanto á alíquota aplicável, as base de cálculo e a inclusão indevida de rendimentos que seria de 13º salário e abono de férias. Por fim, reitera alegações contra a aplicação da multa e dos juros de mora, sob o argumento de que declarou rendimentos segundo orientações da fonte pagadora, tanto pelos comprovantes de rendimentos por esta fornecidos quanto pela Lei Estadual que definiu que a verba em questão teria natureza indenizatória. Sobre a exigência da multa reportase a resposta a consulta formulada pelo Tribunal de Justiça da Bahia que teria reconhecido a não aplicabilidade da multa. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a argüição de nulidade do lançamento. Afirma o Recorrente que o auto de infração seria nulo devido à ilegitimidade ativa da União e a possível violação do princípio da isonomia. Rejeito de plano a argüição de nulidade, pois ambas as questões se confundem com o mérito e serão examinadas mais adiante. Isto é, uma das questões a serem aqui discutidas é se o fato de pertencer ao estado o produto da arrecadação do IRRF afasta a competência da União para fiscalizar, lançar e cobrar dos contribuintes beneficiários dos rendimentos sobre os quais devem incidir o imposto na fonte e, como já dito, a solução dessa questão, neste caso, se confunde com o mérito do lançamento; a outra questão diz respeito à alegada violação de princípio constitucional para a qual este órgão julgador não tem competência para examinar e quanto ao mérito da questão a respeito da possibilidade de exigência do imposto neste caso quando magistrados federais, que receberam verba semelhante, tiveram a não incidência do imposto reconhecida, será examinada quando da análise do mérito. Por outro lado, o lançamento foi formalizado por servidor competente e de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal, e, portanto, não vislumbro nenhum vício que pudesse ensejar sua nulidade. Rejeito a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, sobre a distribuição das competências tributárias esta é claramente definida na Constituição Federal sendo da União a competência do Imposto de Renda. E quanto a sito não há controvérsia. A pretensão da defesa, todavia, é de que, como o produto da arrecadação do IRRF, no caso, pertenceria ao Estado da Bahia, a União não teria legitimidade para exigir o tributo. Mas, como ressaltou a decisão de primeira instância, independentemente de ter havido ou não a retenção do imposto pela fonte pagadora, é dever dos contribuintes informarem os rendimentos quando do ajuste anual. A retenção do imposto pela fonte pagadora é mera antecipação do imposto devido quando do ajuste anual, e tanto é assim que, quando apurado o imposto devido no ajuste, compensase o imposto retido na fonte. Sobre isto, a propósito, há súmula do CARF, a saber: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF Nº 12) Não há, portanto, relação entre o dever de reter o imposto, o fato de o produto da arrecadação do imposto retido pertencer ao Estado e a competência tributária do Imposto de Renda. Vale ressaltar também que a exigência foi feita de acordo com a legislação aplicável, que não pode deixar de ser aplicada com base em juízo subjetivo da administração Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.727550/200996 Acórdão n.º 2201001.724 S2C2T1 Fl. 5 7 tributária a respeito da capacidade contributiva. Isto é, a compatibilização da carga tributária ao princípio da capacidade contributiva deve ser considerada pelo legislador e não pelos agentes arrecadadores que estão vinculados á lei. No caso concreto a Contribuinte queixase do fato de que, tendo oferecimentos os rendimentos à tributação de acordo com a orientação da própria fonte pagadora, por meio do comprovante de rendimentos por ela fornecida e de acordo com orientação legal do próprio estado, não poderia ser onerada com a exigência do imposto com acréscimos de multa, juros e correção, portanto, ser instada a pagar mais do que pagaria sob condições normais. Mas, mais uma vez, o argumento da defesa confunde aspectos que não se relacionam. A administração tributária deve limitarse a exigir os tributos devidos de acordo as normas de incidência previstas na legislação tributária. Se o Contribuinte não recebeu os rendimentos quando fazia jus a eles, por divergências com a fonte pagadora quanto a esse direito, e veio a receber em momento posterior, este fato não pode interferir na regra de incidência tributária que deve levar em conta os rendimentos efetivamente recebidos pelos contribuintes; e se o Contribuinte recebeu os rendimentos em momento posterior e não os ofereceu à tributação quando desse recebimento, o imposto deve ser exigido, com os acréscimos previstos em lei. Sobre o fato de que o Contribuinte agiu de boafé e, portanto, não deveria ser onerado com multa e juros, a questão será examinada mais adiante. Por enquanto afasto apenas a objeção levantada pela defesa de que a autuação tenha onerado a carga tributária em relação à situação hipotética de o rendimento ter sido recebido ao tempo em que o Contribuinte faria jus a eles. Sobre a alegada natureza indenizatória das verbas recebidas, pela própria descrição dos fatos, fica claro que não é disso que se trata. Segundo o relato da própria Contribuinte, as verbas em questão referemse a diferenças salariais devidas em decorrência de erro na conversão dos salários de Cruzeiro Real para URV. Isto é, nesta conversão teria havido erro com prejuízo para os servidores, prejuízo que veio a ser posteriormente reparado, pagandose a eles aquilo que antes deixou de ser pago. E o que deixou de ser pago não foi outra coisa que não salários. Logo, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Mas o Contribuinte apóiase na Lei Complementar nº 20, de 2003 do Estado da Bahia que no seu art. 3º definiu que as tais verbas teriam natureza indenizatória, a saber: Art. 2º. As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em conseqüência com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será devido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º. São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta lei. Ora, primeiramente, como já referido acima, o Imposto de Renda é da competência da União e, portanto, os estados da federação não são competentes para legislar em matéria tributária relativamente a este tributo. Portanto, se o Estado da Bahia se arvora a definir a natureza das coisas e a dizer que diferença de salário tem natureza indenizatória, esta Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 denominação não se presta para fins de definição da incidência ou não do imposto de renda. Isto, aliás, está dito expressamente no § 1º do art. 43 do CTN, a saber: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Mas a Recorrente invoca a Resolução nº 245, do Supremo Tribunal Federal que definiu que verba semelhante devida aos magistrados federais teria natureza indenizatória. Pois bem, é certo que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, considerou como tendo natureza indenizatória o abono variável concedido aos membros do Poder Judiciário da União pela Lei nº 10.474, de 2002, e como tal, não sujeitas à tributação pelo imposto de renda, como também é certo que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529/2003, manifestou entendimento no sentido de que as referidas verbas não estariam sujeitas à tributação. Mas tanto a Resolução do STF quanto o Parecer da PGFN referemse especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União, e, em seguida, aos membros do Ministério Público Federal, e o que se discute neste processo é se o mesmo entendimento deve ser aplicado à verba atribuída aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. E o que passo a analisar. Vale destacar, inicialmente, que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do abono variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, por óbvio, não se trata de uma decisão judicial cujos efeitos são bem distintos dos de um ato administrativo. Enfim, é elementar e dispensa maiores considerações, que a Resolução do STF não vinculava a Administração Tributária da União. Sobreveio, todavia, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, e que concluiu que o abono variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002 tem natureza indenizatória. O referido Parecer, entretanto, não deixa dúvidas quanto aos limites desse entendimento, senão vejamos. Após destacar que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do imposto de renda, fez a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, o mesmo tem natureza indenizatória. E, segundo o Parecer da PGFN, seria este, no entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, o caso do abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, no entendimento do STF. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.727550/200996 Acórdão n.º 2201001.724 S2C2T1 Fl. 6 9 Fica claro, portanto, que o Parecer da PGFN somente reconhece a natureza indenizatória do abono variável de que tratam as Leis nº 9.655, de 1998 e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF de que tal abono destinase a reparar direito. Assim, o que se tem é, por um lado, a Resolução nº 245, do STF que, como se viu, não emana os efeitos de uma decisão judicial e, por outro, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 que se limita a reconhecer a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF. É dizer, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Nessas condições, não vejo como se estender o alcance dos dois atos acima referidos para abonos concedidos posteriormente, para outro grupo de servidores, por meio de ato específico distinto daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Por outro lado, é irrelevante o fato de a lei estadual se reportar ao sistema remuneratório dos Magistrados da União. Tratase de mera questão de técnica legislativa, de opção por uma determinada forma de fixação de parâmetros remuneratórios, o que de modo algum implica na equiparação de uma e de outra verba. É preciso examinar, portanto, no caso concreto, a natureza da verba recebida pela Recorrente para se poder concluir pela incidência ou não incidência, sobre ela, do imposto de renda, e, como vimos acima, a verba tem natureza salarial e como tal é tributável. Registrese, por fim, que em recente julgado a Câmara Superior de Recursos Fiscal – CSRF, analisando situação semelhante em que era parte um membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, decidiu pela manutenção da exigência. Tratase do Acórdão nº 9202002.032, de 21 de março de 2012. Eis a ementa do acórdão: Ementa: REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. Sobre a quebra de isonomia entre os membros do Poder Judiciário Federal e os membros do Ministério Público do Estado da Bahia, que teriam tratamento diferenciado, estando em situações semelhantes, registrese que, ainda que se verificasse tal situação, isto não poderia ser invocado para deixar de aplicar a norma tributária. Os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e outros que informam o sistema tributário devem ser observados pelo legislador na feitura das normas tributárias, e não cabe aos agentes da administração, vinculados que são a esta legislação, deixar de aplicála a pretexto de violação de princípios que elas deveriam observar. Ademais, no caso concreto, a situação específica dos membros da Magistratura Federal decorrem de ato do próprio Poder Judiciário, e não da legislação ou da administração tributária. Sobre os alegados erros na base de cálculo, vale ressaltar, como foi destacado na descrição dos fatos da autuação, que o lançamento, seguindo orientação do Parecer PGFN//CRJ nº 287/2009 e considerando os rendimentos nos meses do recebimento e com as alíquotas vigentes às época, como demonstrado na planilha anexa ao auto de infração. Por outro lado, a pretensão de que deveria ser aplicada a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, há um equívoco da Contribuinte. É que se trata aqui de exigência de Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 imposto devido no ajuste anual, e não mais na fonte e, portanto, deve ser considerado, na base de cálculo do imposto, a totalidade dos rendimentos recebidos no período e não apenas os rendimentos não tributados na declaração. Portanto, considerando os valores totais dos rendimentos recebidos pela Contribuinte em cada exercício, a alíquota aplicável é a alíquota máxima. E sobre as deduções reclamadas pela Contribuinte, estas também deveriam ter sido pleiteadas quando da apresentação da declaração de rendimentos. O que o Fisco exige mediante a autuação objeto deste processo é apenas a diferença de imposto que deixou de ser paga. O Fisco apenas incluiu rendimentos que deixaram de ser tributados. Tudo o mais que se refere à apuração do imposto já deveria constar da declaração apresentada. Correto, portanto, o lançamento quanto a este aspecto. A Contribuinte pede a exclusão das parcelas isentas e dos valores relativos ao 13º salário. E, conforme o relato fiscal, foram excluídos da base de cálculo do lançamento o valor correspondente a 13º salário e a abono de férias. Portanto, este aspecto já foi considerado na autuação. Quanto ao pedido de exclusão da multa de ofício e dos juros, sob a alegação de que a Contribuinte teria agido de boafé, seguindo orientação normativa da fonte pagadora, a questão foi adequadamente enfrentada pela decisão de primeira instância. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte teria que oferecer os rendimentos à tributação ,e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; E quanto à consulta que teria sido respondida concordando com a tese da não aplicabilidade da multa de ofício, diferentemente do quem afirma o Recorrente, por não ter sido a consulta processada de acordo com o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, esta não tem efeito vinculante. Sobre a aplicação do art. 100 ou 110 do CTN, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é dever dos contribuintes apurar o imposto devido, devendo observar a legislação aplicável, e não o fazendo fica sujeito ao lançamento em relação a eventuais diferenças de impostos. Ora, não sendo a fonte pagadora competente para legislar a respeito do imposto, que é de competência da União, não poderia o Contribuinte ter apurado o imposto com base nessas orientações. Se o fez, ainda que de boafé, responde pela omissão sujeitandose à multa prevista em lei. Mais uma vez, como noutras situações acima analisadas, não cabe ao Fisco, ao proceder ao lançamento tributário, fazer juízo subjetivo sobre a boafé ou máfé do Contribuinte, devendo se limitar a aplicar a legislação à qual está vinculado e que, no caso, prevê a imposição dos acréscimos legais. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.727550/200996 Acórdão n.º 2201001.724 S2C2T1 Fl. 7 11 Finalmente, sobre os juros incidentes sobre as verbas recebidas, ressalvando minha posição em sentido contrário, penso ser aplicável ao caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual os juros calculados sobre verbas, recebidas em decorrência de decisões judiciais em ações trabalhistas, têm natureza indenizatórias, não estando sujeitos à incidência do imposto, nos termos do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Deve ser excluída da base de cálculo, portanto, a parcela dos rendimentos correspondentes aos juros recebidos pelo beneficiário. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor correspondente aos juros. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Voto Vencedor Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Redatordesignado Divergi das conclusões do I. Relatora, Dr. Pedro Paulo Pereira Barbosa, no que respeita ao não acolhimento do pleito de exclusão da multa de ofício formulado pelo recorrente. De fato e como consta de seu voto, a fonte pagadora – no caso o Poder Judiciário do Estado da Bahia tratou os rendimentos como de natureza indenizatória e não os submeteu a tributação, assim informando o contribuinte em informe de rendimentos que lhe foi entregue. Tratase de situação em que o recorrente foi induzido a equívoco quanto ao tratamento dos rendimentos recebidos, configurando erro escusável como já decidido em inúmeros precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Confiramse os seguintes acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais: CSRF/01—4.825, j. 16.02.2004, Rel. Antonio de Freitas Dutra; MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. CSRF/0400.058, j. 21.06.2005, Rel. Remis Almeida Estol IRPF RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO NA FONTE ANTECIPAÇÃO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. Recurso especial parcialmente provido. Assim, com as presentes considerações e com base em todo o exposto, divirjo das conclusões do I. Relator para dar parcial provimento parcial ao recurso com vistas a excluir do crédito tributário o valor correspondente à multa de ofício. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.727550/200996 Acórdão n.º 2201001.724 S2C2T1 Fl. 8 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.727550/200996 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.714. Brasília/DF, 10 de setembro de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10830.008676/2008-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
IRPJ - CSLL - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - MULTA - ISOLADA
Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelando-se improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças, mormente quando verificado o prejuízo no ano-calendário.
Numero da decisão: 1802-001.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. A Conselheira Ester Marques Lins de Sousa acompanhou o voto do relator pelas conclusões e apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 IRPJ - CSLL - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - MULTA - ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelando-se improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças, mormente quando verificado o prejuízo no ano-calendário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. A Conselheira Ester Marques Lins de Sousa acompanhou o voto do relator pelas conclusões e apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. A Conselheira Ester Marques Lins de Sousa acompanhou o voto do relator pelas conclusões e apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 86 76 /2 00 8- 98 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), que por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Por economia processual, transcrevo o relatório da DRJ: “Tratase de autos de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ E MULTA ISOLADA de 50% pela falta de recolhimento/declaração de estimativas apuradas como devidas durante o anocalendário 2003, lavrados em 26/08/2008 (fls. 02/08), contra a contribuinte em epígrafe, em decorrência do procedimento de fiscalização autorizado pelo Registro de Procedimento Fiscal RPF nº 08.1040020080001322 Revisão Interna da DIPJ/2004, anocalendário de 2003. Conforme DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO (fls. 02) foi formalizada a exigência no total de R$ 205.965,09, já incluídos o principal, a multa isolada, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, assim discriminados: LANÇAMENTO TOTAIS EM R$ IMPOSTO DE RENDA PJ 170.230,84 MULTA ISOLADA 35.734,25 VALOR DO CRÉDITO APURADO 205.965,09 O trabalho fiscal, no concernente ao IRPJ, encontrase sintetizado no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 09/11, sendo adiante reproduzido parcialmente: Trata a presente auditoria de revisão da Declaração de Informações Econômico Fiscais, relativa ao anocalendário 2003, DIPJ 2004, do contribuinte acima identificado, onde foram constatadas divergências entre os valores constantes da DIPJ e da DCTF, conforme Quadro abaixo, em relação ao IRPJ e a CSLL Mensais: Meses 2003 / R$ IRPJ MENSAL DIPJ IRPJ DCTF CSLL MENSAL DIPJ CSLL DCTF Janeiro 190.739,28 0,00 83.332,35 0,00 Fevereiro 198.275,25 0,00 85.063,23 0,00 Março 208.067,75 0,00 98.749.90 0,00 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 39 4 Abril 237.786,12 0,00 110.651,84 0,00 Maio 203.862,25 89.816,00 100.154,80 0,00 2. Em 14/01/2008, o contribuinte recebeu intimação para prestar os esclarecimentos necessários quanto ás inconsistências constatadas e apresentar a devida documentação comprobatória (escrituração contábil e/ou fiscal). 3. Em 31/01/2008, foi apresentado documento solicitando prorrogação de prazo de 20 (vinte) dias para apresentar os documentos complementares para atendimento da intimação recebida. Na mesma data, também foram apresentados os documentos (planilha, cópia de DCOMP's e DARF's) relacionados as inconsistências apontadas, bem como os esclarecimentos necessários, conforme consta do item a seguir. Da análise dos documentos apresentados, verificouse o que segue: 4. Em relação ao IRPJ: Meses 2003 / R$ IRPJ MENSAL DIPJ IRPJ DCTF DARF DCOMP Janeiro 190.739,28 0,00 190.739,28 Fevereiro 198.275,25 0,00 198.275,25 Março 208.067,75 0,00 208.067,75 Abril 237.786,12 0,00 237.786,12 Maio 203.862,25 89.816,00 89.816,00 42.577,74 4.1. Os valores compensados constam da DCOMP nº 39768.58629.290903.1.3.025380, entregue em 29/09/2003. 4.2. A entrega da DCOMP n° 9768.58629.290903.1.3.025380, acima referida, ocorreu antes da edição da MP nº 135, publicada em 31/10/2003, não sendo considerada, portanto, confissão de divida. 4.3. Porém, houve validação da referida Declaração de Compensação apresentada a RFB, após análise do Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT da DRF/Campinas, conforme informação em anexo. 4.4 O valor pago foi confirmado através de consulta no Sistema Sinal08. 5. Em relação a CSLL: Meses 2003 / R$ CSLL MENSAL DIPJ CSLL DCTF RETIFICADORA DCOMP Janeiro 83.332,35 83.332,35 83.332,35 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 40 5 Fevereiro 85.063,23 85.063,23 85.063,23 Março 98.749.90 98.749.90 98.749.90 Abril 110.651,84 110.651,84 110.651,84 Maio 100.154,80 100.154,80 100.154,80 5.1. Os valores compensados constam da DCOMP nº 28781.43535.290903.1.3.036810, entregue em 29/09/2003. 5.2. Em 28/11/2007, portanto antes do inicio da presente ação fiscal, foram entregues DCTF Retificadoras que eliminaram as divergências existentes em relação a CSLL. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 6. As bases de cálculo utilizadas na apuração dos valores constantes do presente Termo de Verificação foram obtidas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apresentadas pela empresa a RFB. 7. Considerando que, em relação ao IRPJ mensal do mês de maio de 2003, apenas parte do valor total apurado, conforme DIPJ/2004, foi declarado em DCTF ou consta da DCOMP validada pelo SEORT/DRF/Campinas, será lançada, através de Auto de Infração, do qual o presente Termo é parte integrante, a diferença constante do Quadro abaixo como INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IRPJ ANUAL APURADO: Mês 2003 / R$ IRPJ MENSAL DIPJ IRPJ DCTF DCOMP DIFERENÇA Maio 203.852,25 89.816,00 42.577,74 71.468,51 8. Será lançada multa de 50%, exigida isoladamente, pela FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE O VALOR MENSAL APURADO COM BASE NA RECEITA BRUTA, conforme a seguir demonstrado: Mês 2003 / R$ DIFERENÇA IRPJ MULTA 50% Maio 71.468,51 35.734,25 CONCLUSÃO 9. Foi solicitada a Retificação das DCTF’s do 1° e 2° trimestres de 2003 para correção dos valores referentes ao IRPJ, devendo ser incluídos os valores constantes da DCOMP apresentada a RFB. 10. O valor do IRPJ apurado na presente ação fiscal foi objeto de lançamento de oficio, com os devidos acréscimos legais, constituindose o Crédito Tributário nos termos do artigo 142 do CTN, conforme discriminado no Auto de Infração do qual o presente Termo é parte integrante. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 41 6 11. A presente ação fiscal restringiuse a revisão da DIPJ/2004, ano calendário 2003, em confronto com as respectivas DCTF's. Fica, portanto, ressalvado o direito de a Fazenda Nacional fazer verificações posteriores e cobrar o que for devido em razão dos fatos, circunstancias e elementos não verificados e/ou não conhecidos nesta oportunidade. 12. Por tratarse de procedimento de revisão interna, fica dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, com base no artigo 11, inciso IV, da Portaria RFB n° 4.066/2007. 13. E, para constar e surtir todos os efeitos da lei, foi lavrado o presente Termo, em três vias de igual forma e teor, assinadas pela AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, sendo uma das vias entregue ao contribuinte, através do representante legal, para ciência e providências. Tendo sido dada ciência da autuação em 27/08/2008, a fiscalizada interpôs, em 26/09/2008, por meio de seu procurador (procuração de fl. 57), a impugnação juntada às fls. 49/56, alegando as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas. Inicialmente, afirma não existir insuficiência de recolhimento de IRPJ, informando que irá apresentar no curso desse procedimento administrativo os comprovantes de recolhimento/compensação que demonstrarão cabalmente a inexistência das diferenças lançadas nesse procedimento. Quanto à multa isolada, defende a Impugnante estar assente na jurisprudência administrativa o entendimento de que a penalidade em referência apenas pode ser aplicada ao contribuinte nos casos de prejuízo ao Fisco pelo retardo no recolhimento do tributo, o que não ocorreu no caso dos autos. Aduz que, caso seja reconhecida a existência de erro de preenchimento na DIPJ/2004, restaria afastada a acusação fiscal de não recolhimento de IRPJ sobre bases estimadas no anocalendário 2003, por conseguinte, a insubsistência da multa isolada aplicada. Por fim, questiona a aplicação cumulativa das multas de ofício e isolada, além da utilização da Taxa Selic como índice para cálculo dos juros moratórios devidos.” A DRJ em Campinas (SP) julgou parcialmente procedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AJUSTE ANUAL. RECONSTITUIÇÃO. Reconstituise o ajuste anual de IRPJ do anocalendário 2003, a partir das antecipações declaradas e confirmadas, tendo em vista ter a fiscalização expressamente validado as antecipações de janeiro a abril e parcialmente a de maio, por compensação, nada mencionando acerca das antecipações declaradas quanto aos demais períodos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 42 7 Anocalendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ devido na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ mensalmente devido. CONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para análise de argu ições de inconstitucionalidade e ilegalidade, de apreciação exclusiva do Poder Judiciário, restringindose o contencioso administrativo ao controle de legalidade dos atos praticados pelos agentes do fisco. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Com esse julgamento, resumidamente a DRJ manteve a integralidade do crédito referente a multa isolada no valor de R$ 35.734,25 e reduziu o crédito respectivo ao ajuste anual de 2003 de R$ 71.468,51 para R$ 452,59. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 14/02/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 194 a 205) em 15/03/2012, onde expressamente afirma que não está recorrendo do ajuste anual e respectiva multa de ofício, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 43 8 contudo volta a se insurgir quanto a multa isolada. Posteriormente junta às fls. 230 cópia do DARF que comprova o pagamento da parcela não recorrida. Este é o Relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 44 9 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos previstos em lei, portanto dele tomo conhecimento. Incialmente vale salientar não é objeto do presente recurso o ajuste anual e a respectiva multa de ofício, mas apenas a multa isolada. Conforme relatado, o presente processo visa a manutenção pela Receita Federal e a desconstituição pela Recorrente, de multa de ofício isolada concomitante com multa de ofício sobre a mesma infração. O AuditorFiscal propõe a manutenção da exigência de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa sobre a parcela excedente ao valor do tributo devido pela recorrente no balanço de encerramento ao final do exercício, amparado posteriormente pela DRJ em Campinas (SP) que julgou procedente essa parte do lançamento. As autoridades fiscais assim consideraram procedente a exigência da multa isolada mesmo na hipótese em que a estimativa é superior ao tributo devido ao fim do exercício. Sendo assim, me permito discordar desse entendimento, convencido de que a multa isolada só pode ser cobrada no exercício fiscal em curso. Mesmo não sendo a minha posição, entendo como sustentável a corrente dos que crêem na aplicação da multa isolada nos casos em que o valor da estimativa não recolhida for igual ou inferior ao valor do tributo devido ao final do exercício, mas inadimito a aplicação da multa sobre a parcela excedente ao montante devido ao fim do período, como observase no caso em tela. Essa matéria, já foi enfrentada na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que vem entendendo ser indevida a cobrança da multa isolada de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430/96 no caso de os valores calculados por estimativa serem superiores aos apurados no balanço de encerramento do exercício. Nesse diapasão, transcrevo o voto de relatoria do Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no acórdão CSRF/0105.179, que com brilhantismo discorreu sobre essa matéria, in verbis: “A divergência a ser solucionada versa sobre a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento da estimativa quando a empresa apurar, ao final do exercício, tributo inferior ao valor das estimativas devidas ao longo do ano ou mesmo base de cálculo negativa. O art 44 da Lei nº 9.430/96 que autoriza a aplicação da multa isolada tem o seguinte teor: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 45 10 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Art. 2º (Lei nº 9.430/96) – A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.” As remissões relevantes são as seguintes: “Art. 35 (Lei nº 8.981/95) – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário.” Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei nº 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 46 11 porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade préjurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que “o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público, Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais”. 1 Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. Nesse sentido, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: HIPÓTESE CONSEQUÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória Pagar multa de 75% ou 150%3 calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) ; Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV); 1 MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44. 2 Ricardo Guastini citado por Humberto Ávila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22. 3 A hipótese de majoração da multa de ofício para 150% está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 47 12 Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período. Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44. §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). Essas proposições extraídas do texto legal devem guardar coerência interna, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 48 13 dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Fixadas essas premissas, passo ao exame dos enunciados acima transcritos. Primeiro, o exame do texto evidencia que o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Por inferência lógica, tem que se entender que os incisos I e II também se referem à falta de pagamento de tributo. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. Tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3º do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos da pessoa jurídica. Marco Aurélio Greco, na mesma direção, sustenta que “mensalmente, o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2°, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3° do art. 2°). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95).”4 Esse entendimento está respaldado pala IN nº 93/97, art. 15 que veio, pela ótica do Fisco, interpretar a Lei nº 9.430/96, art. 2º, que trata do regime da estimativa, prescrevendo a impossibilidade de as autoridades fiscais exigir de ofício a estimativa não paga no vencimento, a saber: 4 Marco Aurélio Geco. Multa Agravada em Duplicidade. São Paulo: Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 49 14 “Art.15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (último dia do anocalendário). Na sistemática da estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do anocalendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (Lei nº 8.981/94, art. 29). Assim, o tributo sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. O mesmo julgador quando redigiu o voto vencedor do acórdão nº 107 09.519, acrescentou: “Tal inferência se alinha coerentemente com o princípio de bases correntes, pois se a empresa nada deve ao longo do ano, nada deverá ao seu final. Se houvesse algum recolhimento prévio que não tem correspondência com o tributo devido ao final do período, tal fato implicaria apenas em restituição ou compensação tributária. Por outro lado, no encerramento do exercício, caso constatada a insuficiência de pagamento do tributo apurado pelo lucro real as empresas terão de complementar a estimativa que fora recolhida ao longo do mesmo período. Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou a menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução de tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. Defendem alguns que a conclusão acima contradiz o § 1º, inciso IV, do mesmo dispositivo legal, que estabelece a aplicação de multa isolada na hipótese de a pessoa jurídica estar sujeita ao pagamento de tributo ou contribuição e deixar de fazêlo, ainda que tenha prejuízo ou apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Ou seja, por esse enunciado, permaneceria obrigatório o recolhimento por estimativa mesmo se houvesse prejuízo ou base de cálculo negativa. Essa contradição é apenas aparente. O parágrafo 2° do art. 39 da Lei n.º 8.383/91 autoriza a interrupção ou diminuição dos pagamentos por antecipação quando o contribuinte demonstra, mediante balanços ou balancetes mensais, que o valor já pago da estimativa Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 50 15 acumulada excede o valor do tributo calculado com base no lucro ajustado do período em curso. Os balanços ou balancetes mensais são, então, os meios de prova exigidos pelo Direito, para que se demonstre a inexistência de tributo devido. Na verdade, para emprestar praticidade ao regime de estimativa, inverteuse o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o dever de demonstrar que não apurou lucro no curso do ano e que não está sujeito ao recolhimento antecipado. Via de regra, o ônus de provar que o contribuinte está sujeito ao regime de estimativa, para fins de aplicação da multa, caberia ao agente fiscal. Assim, caso a pessoa jurídica não promova o correspondente recolhimento da estimativa nos meses próprios do respectivo anocalendário e não apresente os balancetes de suspensão no curso do período ainda que tenha experimentado base de cálculo negativa ficará sujeita à multa isolada de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei estabelece uma presunção de que o valor calculado de forma presumida (estimada) coincide com o tributo que será devido ao final do período, partindo da constatação de que a estimativa não foi recolhida e de omissão do sujeito passivo em apresentar os balanços ou balancetes. Esse não é caso, contudo, da empresa que, após o término do anocalendário correspondente, apresenta o balanço final do período ao invés de balancetes ou balanços de suspensão. Nesse caso, a exigência da norma sancionadora para que se comprove a inexistência de tributo é atendida. Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e pode se conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Não há porque se obrigar o contribuinte a antecipar o que não é devido e forçálo a pedir restituição posteriormente. Daí concluir que o balanço final é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. Resta examinar, então, qual seria a hipótese em que, na presença de base de cálculo negativa, se deveria aplicar a multa isolada. Na presença de base de cálculo negativa, a interpretação sistemática dos dois enunciados prescritivos dispostos no mesmo artigo aqui comentados (caput e § 1º, inciso IV, do art. 44) conduz ao entendimento de que o procedimento fiscal e a aplicação da penalidade devem obrigatoriamente ocorrer no curso do anocalendário, pois a conduta objetivada pela norma (dever de antecipar o tributo) é descumprida e, nesse momento, o efetivo resultado do exercício não está evidenciado mediante balancetes. Assim, em virtude da inobservância da pessoa jurídica dos dispositivos legais reitores, o agente fiscal não tem como aferir a Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 51 16 situação fiscal corrente do contribuinte. O legislador concede a fiscalização, durante o transcorrer do períodobase, o poder de presumir que o valor apurado de forma estimada a partir da receita da empresa coincide com o tributo devido, desde que demonstrada a omissão do dever probatório atribuído pela lei ao contribuinte. Essa presunção legal da existência de tributo não poderia ser desfeita após a aplicação da multa de lançamento de ofício pela posterior apresentação de balanço na fase de defesa administrativa, pois tornaria o arbitramento do tributo sob base estimada condicional. Chegamos, portanto, a poucas, mas importantes conclusões: 1 as penalidades, além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. 2 a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas normas sancionadoras faz pressupor a identidade do critério material dessas normas; 3 tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3º do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos; 4 a base de cálculo predita no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 referese à multa pela falta de pagamento de tributo; 5 o tributo devido ao final do exercício e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício; 6 não será devida estimativa caso inexista tributo devido no encerramento do exercício; 7 os balanços ou balancetes mensais são os meios de prova exigidos pelo Direito, para que o contribuinte demonstre a inexistência de tributo devido e a dispensa do recolhimento da estimativa. 8 após o final do exercício, o balanço de encerramento e o tributo apurado devem ser considerados para fins de cálculo da multa isolada; 9 antes do final do exercício, o fisco pode considerar para fins de aplicação de multa isolada o valor estimado calculado a partir da receita da empresa, desde que a inexistência de tributo não esteja comprovada por balanços ou balancetes mensais.” A respeito da cumulatividade das multas de ofício e isolada, reproduzo algumas decisões deste Conselho: MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL Deve Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 52 17 ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. Acórdão 1024693. MULTA ISOLADA CUMULATIVIDADE COM A MULTA DE OFÍCIO – Contendo o artigo 44, I, da lei nº 9430, de 1996, norma que alberga a falta, genérica, de pagamento do Imposto de Renda, sua aplicação inibe a eficácia simultânea daquela contida no § 1º, III, desse artigo. Acórdão 10246375. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº 9.430, de 1996). Acórdão 10421094. Em relação a multa isolada por falta do recolhimento mensal da antecipação do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro (CSL) por estimativa (Lei nº 9.430/96, arts. 2º e 30), colaciono outros acórdãos desse Conselho: IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças, mormente quando verificado o prejuízo no anocalendário. Acórdão 1032103. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A DEVIDA POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO – Descabe a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430/96 com a multa proporcional ao imposto devido lançado, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração. Acórdão 10708001. MULTA ISOLADA – INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO A RECOLHER – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/96) – A exigência da multa isolada prevista na legislação de regência não tem cabimento se o descumprimento versa sobre desatendimento de mera obrigação acessória apurada após o encerramento do ano calendário, sem repercussão na órbita do tributo. Acórdão CSRF/0104.263. PENALIDADES RECOLHIMENTO TRIBUTÁRIO POR ESTIMATIVA MULTA DE OFÍCIO Falece legalidade a aplicação de multa de ofício sobre tributo objeto de recolhimento com base em estimativa, visto, não se inserir esta última no conceito de fato gerador do imposto de renda e da contribuição social de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Acórdão 10416357 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 53 18 Restame claro que a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício consiste na duplicação da penalidade, sendo a mesma desproporcional ao eventual prejuízo causado. Faço coro ao entendimento que, nessas circunstâncias, devese manter somente a multa de ofício, a qual incidiria sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido aos cofres públicos. Nesse sentido, a própria MP nº 303/06, convertida na Lei nº 11.488/07, que revogou inciso I do § 1º da Lei nº 9.430/96, extinguiu a possibilidade da cobrança da multa isolada juntamente com o IRPJ ou a CSLL, quando não tiverem sido anteriormente pagos. A partir da vigência da norma passou a ter apenas a possibilidade da cobrança da multa de ofício de 75% e do tributo eventualmente devido, mas não a cobrança cumulada da multa isolada e da multa de ofício. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, exonerando a multa isolada. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Declaração de Voto A presente declaração de voto limitase à esclarecer o fundamento pelo qual esta Conselheira dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de 50%, no valor de R$ 35.734,25 exigida isoladamente, pela falta de recolhimento do IRPJ sobre o valor mensal apurado com base na receita bruta relativa ao mês de maio de 2003, no valor de R$ 71.468,51, conforme demonstrado no voto condutor do presente acórdão que acompanho pelas conclusões. Conforme relatado a ciência do auto de infração ocorreu em 27/08/2008 (fls. 02/08). Para melhor entender a controvérsia é importante transcrever os seguintes artigos da Lei nº 9430/96 que assim dispõe: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (...) Pagamento por Estimativa Fl. 276DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 54 19 Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo . ............................... Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... Fl. 277DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 55 20 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Inferese dos artigos 1º e 2º que o IRPJ pode ser anual ou trimestral, dependendo de opção da empresa. Tratandose de IRPJ anual a mencionada lei impõe ao contribuinte o pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Encerrado o ano calendário, em 31 de dezembro, a pessoa jurídica deve apurar o lucro real e calcular o saldo do IRPJ a pagar (se os recolhimentos antecipados foram insuficientes para suportar o IRPJ devido) ou a ser restituído se pagou a maior. Podendo este ser compensado com tributos vincendos nos moldes do artigo 74 da mesma Lei nº 9.430/96. De outra banda, a pessoa jurídica que achou por bem optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, na forma do art. 2o da mencionada Lei, mas que deixar de efetuar o pagamento mensal, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, está sujeita à multa 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal. Quanto à exigência do IRPJ determinado sobre base de cálculo estimada, tenho pronunciadome em vários acórdãos dessa 2a.Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento que, após o encerramento do ano calendário não há razão para se exigir o IRPJ por estimativa, pois, já ocorreu fato gerador anual em 31 de dezembro e calculado o saldo do IRPJ a pagar ou a restituir/compensar. Encerrado o ano calendário correspondente, por questão lógica o que se deve exigir é a multa pela falta do pagamento mensal obrigatório, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido. Vêse pois, que a penalidade a ser aplicada pela autoridade administrativa independe do encerramento do ano calendário. É bastante que tenha ocorrido o fato gerador mensal, ou seja, que tenha sido apurada a base cálculo estimada, e não tenha havido o obrigatório pagamento mensal do IRPJ devido. Nesse aspecto divirjo do voto condutor do presente acórdão por afastar a multa isolada em virtude de que somente deve ser exigida “a multa de ofício de 75% e do tributo eventualmente devido, mas não a cobrança cumulada da multa isolada e da multa de ofício”. Porém pelas conclusões acompanhoo, para exonerar a multa isolada por entender que na data da ciência do auto de infração em 27/08/2008, já havia decaído o prazo para exigir a multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ por estimativa relativo ao mês de maio/2003. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.008676/200898 Acórdão n.º 1802001.381 S1TE02 Fl. 56 21 Sobre o prazo decadencial para o lançamento da multa isolada mensal entendo que deve ser aplicado a mesma regra temporal para o lançamento do tributo que deixou de ser recolhido e que serviu de base de cálculo para o lançamento da multa isolada. Conforme relatado no voto condutor do presente julgado, na autuação foi considerado que, em relação ao IRPJ mensal do mês de maio de 2003, apenas parte do valor total apurado, conforme DIPJ/2004, foi declarado em DCTF ou consta da DCOMP validada pelo SEORT/DRF/Campinas, de modo que foi lançado, através de Auto de Infração, a diferença no valor de R$ 71.468,51 sobre o qual foi aplicado 50% para fins do cálculo da multa isolada em comento. O novo regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, impõe sejam os processos julgados de acordo com o entendimento das Cortes Superiores de Justiça e, de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, é a data do fato gerador exvi do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. Indubitavelmente houve pagamento por estimativa relativamente ao mês de maio/2003, pois, a multa isolada tem como base de cálculo a diferença do IRPJ apurado em 31/05/2003 não recolhido. Nesse diapasão, considerando que o fato gerador mensal ocorreu sob a égide da Lei n° 9.430/96, art. 2o, portanto, no último dia do mês de maio de 2003, data de apuração do tributo com base de cálculo estimada apuração mensal , e que, a partir do mês seguinte a Fazenda Nacional já poderia exigir o tributo devido por estimativa, ou a multa isolada pela falta de recolhimento, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial contarseá a partir do mês seguinte (junho/2003). Portanto, tendo o contribuinte tomado ciência do lançamento em 27/08/2008, o prazo para a administração lançar a a multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ por estimativa referente ao mês de maio de 2003, ex vi do disposto no no § 4º do artigo 150 do CTN , venceu em 30/05/2008. Por tal fundamento acompanho o voto do relator para exonerar a multa isolada. Assinado digitalmente Ester Marques Lins de Sousa Fl. 279DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10715.002484/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador:11/12/2006
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, § 2º, DO DECRETO-LEI nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro, em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas.
RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no Decreto-Lei nº 37/66.
Numero da decisão: 3201-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado Daniel Mariz Gudiño. Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim-relatora. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sahade Filho e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador:11/12/2006 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, § 2º, DO DECRETOLEI nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro, em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, fazse necessário observar o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no DecretoLei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado Daniel Mariz Gudiño. Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano D’Amorimrelatora. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 24 84 /2 01 0- 17 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. DANIEL MARIZ GUDIÑO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sahade Filho e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O presente processo trata da exigência do valor de R$ 5.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em dezembro de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE’s listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO nº 0717700/00/00197/10”, descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 23, acompanhada dos documentos de fls. 24 a 76, para aduzir, em apertada síntese, que (i) o “o auto de infração se mostra improcedente, uma vez que a conduta da Impugnante não se enquadra aos princípios que norteiam a conduta administrativa, (...), cuja cobrança é desproporcional, desarrazoada e ilegítima, além de tais atrasos terem sido motivados pela própria Impugnada, em função das constantes falhas e ausência de informações do SISCOMEX”. (ii) “Em vista disto, conforme exposto a seguir, o Auto de Infração em epígrafe afigurase nulo e, Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002484/201017 Acórdão n.º 3201001.125 S3C2T1 Fl. 121 3 portanto, insuscetível de imposição da multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66 ou de qualquer outra penalidade contra a Impugnante”. (iii) “Por todo exposto, é a presente para requer seja julgado improcedente o Auto de Infração tendo em vista à violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade pela Autoridade Impugnada, assim como às constantes falhas verificadas no sistema SISCOMEX e que isentam de culpa a Impugnante nos atrasos alegados”. É o relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0724.847, de 09/06/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cujo julgamento foi dispensado de ementa, nos termos da Portaria n° 1.364, de 10/11/2004. O julgamento foi no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e por julgar procedente a impugnação, para manter o crédito tributário lançado no valor de R$ 5.000,00. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. Observese que a referência da IN 510/2005 foi quando da lavratura do Auto de Infração. Inicialmente, tratarei da preliminar suscitada de nulidade do lançamento por errônea tipificação, já que a recorrente entende que o dispositivo citado no auto de infração não guarda pertinência com o fato ocorrido. Argumenta a empresa, que o Auto de Infração foi lavrado com fundamento no art. 37 da IN n° 28/1994, que estabelecia, à época, o prazo de dois dias para que o transportador procedesse ao registro no Siscomex os dados de embarque das mercadorias Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 destinadas ao exterior. No entanto, o art. 44 da referida IN determina expressamente que o descumprimento da obrigação constitui embaraço à fiscalização aduaneira, penalidade prevista na alínea “c”, IV, do art. 107 do Decretolei n° 37/66 e não alínea “e”, inc IV, do mesmo dispositivo. Observase que o art. 44 da citada IN menciona que o descumprimento a vários artigos, dentre eles, o art. 37, constitui embaraço à atividade da fiscalização aduaneira, sujeitando ao pagamento da multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, o art. 44 da referida IN estabelece que o descumprimento do disposto no art. 37 daquela norma regulamentar é considerado embaraço à fiscalização, punível com multa pecuniária. A norma infracional em análise não dispunha de comando integral, na medida em que não definiu o que seria o embaraço à fiscalização na hipótese de não apresentação de documentos à fiscalização; constituindo, da forma com está colocada pela redação dada pelo DL 751/69, “norma penal em branco”, uma vez que o agente para ser considerado infrator deveria descumprir determinada obrigação acessória não definida na lei de regência, mas em norma infralegal. Pois bem, o comando constante do art. 37 da IN/SRF 28/1994 tem por objetivo criar obrigação acessória a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. Portanto, diferentemente do entendimento da recorrente quanto à inaplicabilidade ao caso da multa exigida, o art. 37 da IN/SRF 28/1994 e suas alterações posteriores, tem por fim completar a “norma penal em branco”, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita. No caso concreto, a infração tipificou a conduta da recorrente na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005 (à época do auto de infração), que dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (grifei) ** Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) (grifei) (...) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002484/201017 Acórdão n.º 3201001.125 S3C2T1 Fl. 122 5 Entendo que houve aplicação direta e objetiva da norma. Logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, que no caso é a prestação intempestiva da informação sobre carga transportada, ou seja, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de registrar corretamente os dados de embarques das mercadorias exportadas, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Em sendo assim, a recorrente não prestou as informações sobre as cargas transportadas no prazo estabelecido na legislação, justificada está a aplicação da multa em comento, por descumprimento de obrigação acessória, não havendo falar em embaraço à fiscalização e, por conseguinte, em fundamentação legal equivocada da multa para gerar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; IIOs despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por todo o exposto, são improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, logo, não vejo como acolher essa preliminar. Concluindo, afasto alegação de nulidade levantada pela recorrente. Passando ao mérito, mas antes de adentrálo, quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Passo a todo histórico da legislação, do caso em concreto. O fato é que houve registro no Siscomex das cargas acobertadas pelas declarações de exportação listadas no auto de infração em prazo superior a dois dias, razão pela qual o auto de infração tipificou a conduta da autuada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprindo da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005. A obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, no Siscomex, independe da participação efetiva do fisco aduaneiro para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de dois dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04. Os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil para acessarem, de forma ininterrupta, o Siscomex, dentre outros sistemas informatizados, razão pela qual, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no referido sistema também devem ser contados ininterruptamente. A sistemática operacional consiste em o transportador registrar os dados de embarque imediatamente depois de realizado o embarque da mercadoria para o exterior, com base nos documentos por ele emitidos (observar os prazo da norma). E, posteriormente ocorrerá a averbação que é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. A averbação, por fim, será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes pelo transportador. Por isso, a importância, dentro do prazo, do informe dos dados de embarque pelo transportador, com a documentação. Registrados os dados de embarque, se os dados informados pelo transportador coincidirem com os registrados no desembaraço da DDE ou DSE, haverá averbação automática do embarque pelo Sistema. Caso contrário, a Alfândega irá analisar a documentação apresentada, confrontandoa com os dados relativos ao desembaraço e ao embarque, efetuandose a chamada averbação manual, com ou sem divergência. Pois bem, as IN SRF 28/1994, da IN SRF 510/2005 ou da IN RFB 1.096/2010 dispõem: IN/SRF 28, de 27.04.1994, redação original Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (g.n.) Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002484/201017 Acórdão n.º 3201001.125 S3C2T1 Fl. 123 7 embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. IN/SRF 28/1994, com redação da IN/SRF 510, de 14.02.2005 (vigente à época dos fatos geradores e da lavratura do auto de infração) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) (g.n.) (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) IN/SRF 28/1994, com redação da IN/RFB 1.096, de 13.12.2010 (vigente a partir de sua publicação, ocorrida no DOU de 14.12.2010) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (g.n.) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (...) A multa de que tratava o artigo 107 do DecretoLei 37/1966, antes da nova redação dada pela Lei 10.833/2003, assim dispunha. Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) (...) O art. 37 da IN/SRF 28/1994, estabelecia originalmente o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria pelo transportador no Siscomex, como sendo “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”. O alcance do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex 105, de 27.07.1994: Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. A IN/SRF 510/2005, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/RFB 1.096/2010, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu sete dias como sendo o prazo para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, independentemente da modalidade de transporte efetuada. É de observar também que o artigo 37 é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Logo, o aumento do prazo para o transportador registrar no Siscomex os dados do embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional. Por fim, a recorrente argumenta que não foi possível efetuar no prazo regulamentar os registros de embarque de que trata a presente autuação, uma vez que ocorreram falhas no Siscomex que a impediram de assim proceder, bem assim, em caso de divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas eram obrigadas a excluir a informação equivocada para incluir a correta, porém, o sistema somente considerava a data da inserção da informação correta, ou seja, apenas alega e foram verificados registros intempestivos de dados de embarque referentes aos despachos de exportação. Permanece, portanto, a multa referente ao embarque (Voo DL/060) ocorrido em 08.12.2006, observase que as informações foram prestadas de forma intempestiva, uma vez que o registro foi efetuado somente em 26.12.2006. (R$ 5.000,00), ultrapassando os 7 (sete) dias, inclusive, por conta da entrada em vigor da IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010. Logo, mantido o crédito tributário lançado no valor de R$ 5.000,00, tendo em vista, prazo é de 7 (sete) dias para efeitos de cumprimento dessa obrigação acessória. Para finalizar, transcrevo algumas linhas, do que penso sobre a nova tese aplicada ao caso (que é a base do voto vencedor) , que discordo pelos motivos abaixo: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002484/201017 Acórdão n.º 3201001.125 S3C2T1 Fl. 124 9 O Art. 40 Lei 12.350, de 20/12/2010 (das demais alterações na legislação tributária), passa a vigorar dessa forma: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (NR) De acordo com o item 40 da Exposição de Motivos da MP 497/2010 (que foi convertida na Lei 12.350/2010) a nova redação dada ao § 2º do art. 102 do Decretolei 37/66 "visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza". Ainda, consta na Nota Descritiva sobre a Exposição de Motivos da MP 497/2010, em seu item 7, das alterações do DecretoLei de n° 37/66, declaração sobre previsão de que a denúncia espontânea exclua, também, penalidades de natureza meramente administrativa. Quanto à figura de denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN somente é possível sua ocorrência de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso de atraso na entrega da declaração, ou pela prestação de informações sobre o embarque de cargas transportadas no Siscomex, a destempo, que se torna ostensivo com decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma ou do prazo a ser observado. Pois bem, sempre entendi que denúncia espontânea tratavase de um procedimento formal, pertinente a uma comunicação à RFB, que tinha como consequência a exclusão de penalidades, a partir de alguma informação desconhecida pela própria Receita. No entanto, agora surge essa corrente que propugna pela aplicação da regra para o caso de não cumprimento de procedimentos em prazo fixado, como é o caso do não cumprimento de prazo para a prestação de informações. Tratase, no meu entender, de infração que já ocorreu. A valer desse entendimento, a RFB, por exemplo, iria ter que manter um agente de plantão (fiscalização) para que, no dia seguinte que ultrapassar o prazo de prestação de informações pelo transportador, seja formalizado o auto de infração. E deverá ser feito um auto de infração por dia, porque se o fiscal esperar para juntar diversas omissões do transportador, poderá incorrer na possibilidade de que, em dia que se seguir, já tenha sido Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 apresentada a informação, embora a destempo, mas que viria a abrigar o transportador com a pretendida denúncia espontânea. Com esse argumento, não vejo aplicabilidade às multas fixas (como é o caso), nem às sanções de advertência suspensão e cassação. E, mais, seria o caso, de aplicação da súmula CARF n° 49, pois a prestação de informações é uma obrigação acessória. A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Falando no art.138 do Código Tributário Nacional, analisando o Capítulo V – “Responsabilidade Tributária” e Seção IV – “Responsabilidade por Infrações”, que trata acerca do instituto da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Pela leitura, o pagamento do tributo se torna necessário para a ocorrência da denúncia espontânea, com a devida atualização monetária e juros de mora, atentandose para outra condição, qual seja: apresentar a denúncia espontânea antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco. Adotando este procedimento, o contribuinte tem a seu favor a exclusão da penalidade, em outro dizer, multa moratória incidente sobre o valor objeto da denúncia. O legislador teve a intenção de criar a denúncia espontânea como um estímulo aos contribuintes a se manterem regulares perante o Fisco. Antecipandose em relação à administração fazendária e realizando o pagamento da obrigação tributária que está em atraso, a multa moratória deve ser excluída, ante o seu caráter de penalidade. Como leciona Hugo de Brito Machado, em sua obra “Curso de Direito Tributário”, 27ª Edição, Malheiros, página 184: O Art. 138 do Código Tributário Nacional é um instrumento de política legislativa tributária. O legislador estimulou o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, premiando o sujeito passivo com a exclusão de penalidades quando este espontaneamente denuncia a infração cometida e paga, sendo o caso, o tributo devido. No entendimento do STJ, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. É pacífica a jurisprudência da Corte Superior no sentido da impossibilidade de se estender os benefícios da denúncia espontânea quando se tratar de entrega com atraso da declaração de rendimentos. Os diversos julgados existentes salientam que as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. A Egrégia 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 195161/GO (98/00849050), em que foi relator o Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de 1999), por unanimidade de votos, que embora tenha tratado de declaração do Imposto de renda é, também, aplicável à entrega de DCTF: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002484/201017 Acórdão n.º 3201001.125 S3C2T1 Fl. 125 11 "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI 8.981/95. 1 A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2 As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3 Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei n.º 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4 Recurso provido." Destaco alguns trechos do RESP 738.397RS, do relator ministro Teori Albino Zavascki, da 1ª Turma, STJ, linhas que resumem de uma forma geral as razões do posicionamento adotado pela STJ, após diversos julgados na mesma linha de julgamento, com destaques: (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Conseqüentemente, não há possibilidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários já constituídos e, portanto, líquidos, certos e exigíveis. Em tais casos, o recolhimento fora de prazo não é denúncia espontânea e, portanto, não afasta a incidência de multa moratória. (...) 4.À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante conseqüência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. Assim, v.g, ficou decidido no ERESP 531249DJ de 09.08.2004, Min. Castro Meira: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO DECLARADO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A posição majoritária da Primeira Seção desta Corte é no sentido da não admitir a denúncia espontânea nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando houver declaração desacompanhada do recolhimento do tributo. 2. Embargos de divergência rejeitados. Assim, considerase que, nessas hipóteses, a declaração formaliza a existência do crédito tributário, trazendoo para o mundo jurídico, e, constituído o crédito, ocorrendo o seu recolhimento a destempo, não enseja o benefício do art. 138 do CTN, que é incompatível com a expressão “do pagamento do tributo devido e dos juros de mora” nele Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 contida, haja vista que uma das características para o benefício da denúncia espontânea é o pagamento na data do tributo, estabelecida em lei. Ao efetuar o pagamento do tributo fora de prazo (ainda que pelo valor integral, corrigido monetariamente e com juros), o STJ considera tal ato como sendo fator inibidor para a incidência da aplicação do benefício de denúncia espontânea. Então, por todo o raciocínio desenvolvido, pelas correntes acima apontadas; aplicamse, ao caso, perfeitamente, o de prestar informações de embarque na exportação sobre cargas transportadas a destempo no Siscomex. Assim sendo, o disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Voto Vencedor Conselheiro DANIEL MARIZ GUDIÑO A despeito de entender que a Recorrente realmente praticou ato infracional aos controles aduaneiros, é preciso levar em conta que a infração formal foi devidamente sanada antes do início da ação fiscal que culminou na lavratura do auto de infração ora discutido. Por essa razão, ouso discordar da ilustre relatora, uma vez que, desde a edição da Lei nº 12.350 de 2010, a nova redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966 passou a admitir o instituto da denúncia espontânea no âmbito dos controles aduaneiros. É disso que se está a tratar no presente julgamento. Convém ressaltar que já existe jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre o assunto. Confirase: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12/2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. (Acórdão nº 3101000.997, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 25/01/2012) Para fácil referência, transcrevese a norma do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação da Lei nº 12.350 de 2010, a saber: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002484/201017 Acórdão n.º 3201001.125 S3C2T1 Fl. 126 13 Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) E nem se diga que a hipótese verificada nos autos está prevista no art. 102, § 1º, alínea “a”, do DecretoLei nº 37 de 1966, pois a obrigação adimplida intempestivamente pela Recorrente era devida após o desembaraço da mercadoria. Também não se diga que a Lei nº 12.350 de 2010 é posterior à data da infração praticada pela Recorrente, pois, de acordo com o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional, a lei se aplica retroativamente quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, deixe de definilo como infração. Sobre a aplicação da retroatividade benigna nos casos de denúncia espontânea, a Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou, a saber: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. (Acórdão nº 910100344, Cons. Rel. Valmir Sandri, Sessão de 24/08/2009) Diante de todo o exposto, é de se dar provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário na íntegra. DANIEL MARIZ GUDIÑORedator designado Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15374.916741/2008-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. Fez sustentação oral: Dr. Marcelo de Freitas e Castro, OAB/RJ nº 129.036.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues (Relator), Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. Fez sustentação oral: Dr. Marcelo de Freitas e Castro, OAB/RJ nº 129.036. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues (Relator), Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 67 41 /2 00 8- 07 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Relatório O contribuinte por meio do Per/DComp eletrônico nº 03527.05569.281004.1.3.040035, transmitida em 28/10/2004 (fls. 02/06), buscou homologar a compensação de créditos tributários oriundos de pagamento a maior de Cofins (cód. rec. 2172), valor original de R$ 4.733,94, com débito próprio de CSLL da competência de abril/2002, com vencimento/quota em 15/05/02. O Despacho Decisório nº 781157328 proferido pela Derat/RJ (fl. 09), após análise eletrônica realizada pelo sistema de processamento de dados da RFB, se pronunciou em 12/08/2008 (fl. 09) pela inexistência do crédito alegado pelo contribuinte, posto que foi integralmente utilizado para liquidação de débitos próprios, não restando saldo para a compensação informada no Per/DComp, por conseguinte deliberou o órgão administrativo pela não homologação da compensação declarada. Ao tomar ciência em 25/09/08 (fls. 11/22), a contribuinte informou à autoridade administrativa haver retificado a DCTF original referente ao 2o trimestre/2002, bem como a DIPJ/2003, haja vista não haver localizado anteriormente a utilização desses créditos, conforme registrado nos Livros Razão dos anos de 2003 e 2004, cópias anexas em 18/09/08 Livro Razão – Cofins a recuperar ( fls. 12/13); recibo de entrega da DCTF retificadora (fl. 14/21), sendo este documento reconhecido como manifestação de inconformidade. Foram os autos encaminhados conclusos para o julgamento da lide pela 4ª Turma da DRJ/RJ2, que proferiu a decisão, cuja ementa adiante se transcreve por meio do Acórdão nº 1334.799, de 18/05/11 (fls. 28/30). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 ALEGAÇÃO DE CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO IDÔNEA. Cabe ao contribuinte trazer na impugnação todos os elementos de prova de que dispõe para comprovar o crédito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O voto condutor do acórdão de fls. 28/30 teceu considerações acerca dos princípios da verdade material e da oficialidade, como também acerca do dispositivo do art. 170 do CTN, para aduzir que nos autos não haveria qualquer explicação para a afirmação de que a base de cálculo que serviu de parâmetro para a DCTF transmitida continha valor de receita superior ao que efetivamente representava a base de cálculo da Cofins do período em apreço, e que o contribuinte não juntou aos autos cópias de livros empresariais ou fiscais que comprovassem a real base de cálculos que lhe conferiria o direito creditório, colacionando tão somente o lançamento relacionado à compensação, posteriormente à apuração da base de cálculo. Do exposto concluiu que a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, seja através de guias de pagamento (ou de controles internos da RFB confirmando a efetivação dos recolhimentos), seja através da Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916741/200807 Acórdão n.º 3803003.649 S3TE03 Fl. 105 3 comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores, não havendo a interessada trazido aos autos qualquer prova conclusiva a propósito das bases de cálculo da Cofins para o período em que alega o direito creditório, não se podendo operar, portanto, a liquidez e certeza de seus eventuais créditos. Argumentou o i. Relator, ainda, que no caso em análise, a interessada reduziu o valor da contribuição para a Cofins relativa ao período de apuração de janeiro de 2002, sem justificar o motivo, nem demonstrar contabilmente como apurou novo valor, o que deveria ter feito. Por tais razões foi julgada a improcedência da manifestação de inconformidade e não reconhecido o direito creditório da contribuinte. Inconformada com o teor da decisão de primeira instância, cuja ciência deu se em 01/08/11 conforme registrado em AR, dela recorreu o contribuinte em 25/08/11, conforme atesta o protocolo do recurso aviado, para deduzir resumidamente: · Houve a constatação da existência de erro de fato, ou seja, de indébito proveniente de recolhimento a maior de Cofins no mês de abril de 2002, por meio de DARF R$ 7.530,72, sendo apurado no mesmo período débitos no valor de R$ 2.796,78, portanto restando um saldo credor de R$ 26.818,70 (que foi informado na Dcomp em questão e que instrui os presentes autos); · O mero equívoco quando do cumprimento de obrigações acessórias, que não eram bastante para ilidir o direito creditório e, por tal razão, não foi homologada a compensação declarada; · A diferença entre o valor recolhido e o valor declarado em DCTF constitui indébito tributário no valor de R$ 4.733,94; · A Recorrente percebeu em 19/09/2008 que havia declarado valores equivocados referentes a Cofins e apresentou DCTF retificadora (cópia anexa), apenas para corrigir os equívocos cometidos no preenchimento da declaração, cujo valor relativa à Cofins de abril/02 corresponde a R$ 2.796,78; · O procedimento adotado pela Recorrente foi absolutamente correto, observou todos os preceitos da legislação contidos no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e nas IN SRF nº 210/02 e 460/2004, vigente à época dos fatos, sendo que o fato da e Recorrente ter declarado em DCTF original, valores equivocados, não pode tornála devedora de tributo indevido. A Recorrente menciona julgados do STF e dos Conselhos de Contribuintes/MF em corroboração à sua tese (RE 104.5451/SP; 104.7321/SP; 103.1263/SP; AC 10319.995, DOU de 22/06/99; AC 20402.364, DOU de 14/09/07; AC 10806.291, DOU de 30/01/01 e AC 10513.143, DOU de 29/05/00), dos quais destacase as ementas daqueles acórdãos proferidos pelo já extinto Conselhos de Contribuintes. REVISÃO DE LANÇAMENTO COM BASE EM DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – restando demonstrados pela escrituração da contribuinte equívocos e lacunas cometidos quando do Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 preenchimento de sua Declaração de Rendimentos, impõese a sua recomposição objetivando escoimála das incongruências praticadas, sobrelevandose a verdade material na quantificação do tributo devido. COFINS. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. Erro no preenchimento de DCTF, devidamente comprovado por documentação contábil da contribuinte, não enseja cobrança de tributo indevido. Recurso Provido. ERRO DE FATO – IRPJ Ano 1993: Cancelase a exigência fiscal apurada em revisão sumária da declaração de rendimentos do imposto de renda pessoa jurídica, quando comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento em relação ao cálculo da isenção deste tributo. Recurso de ofício negado. REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – ERRO DE FATO – IRPJ – EX 1994 – Não prospera o lançamento resultante da revisão interna a declaração de rendimentos, quando calcado em mero erro de fato cometido em seu preenchimento, devidamente comprovado pela pessoa jurídica. Aduziu ainda a Recorrente: · Em se tratando de erro de fato no preenchimento da DCTF com valores indevidamente majorados, que em momento algum trouxe prejuízo para o erário público, devem ser considerados, para fins de quantificação do direito creditório ora pleiteado, os valores informados em DCTF retificadora já transmitida e constante dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil. · Ainda que assim não o fosse, caso as autoridades julgadoras de primeira instância administrativa tivessem quaisquer dúvidas acerca dos valores declarados em DCTF retificadora, não poderiam por este motivo indeferir as compensações, mas sim, a designar a realização de uma diligência, de modo a sanar quaisquer eventuais divergências existentes e, assim, quantificar de forma devida o valor do direito creditório utilizado na compensação. · Isto porque, por mais que a Recorrente tenha informado na DCTF original valores indevidamente majorados, não restam dúvidas que as autoridades julgadoras de primeira instância já tinham conhecimento da transmissão de DCTF retificadora na qual constam os valores corretos devidos a título de Cofins. · O fato de ter sido feita uma DCTF retificadora da respectiva DCTF, motivaria ainda mais a designação de uma diligência para que o contribuinte pudesse explicar o porquê das retificações, e ter a oportunidade de demonstrar que o equívoco cometido no Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916741/200807 Acórdão n.º 3803003.649 S3TE03 Fl. 106 5 preenchimento da declaração original em nada afetou o seu direito líquido e certo da compensação. · Não há justa motivação para o indeferimento das compensações requeridas pela Recorrente, e o entendimento constante da decisão recorrida não se coaduna com a legislação fiscal federal nem com os princípios norteadores do processo administrativo. · Isto porque, nos termos do artigo 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, c/c o disposto no artigo 924 deste mandamus, que estabelece caber à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados, sendo estes argumentos expendidos o segundo fundamento do recurso interposto. · A decisão recorrida não se preocupou em comprovar o que alega, tentando justificar uma ilegal inversão do ônus da prova que não tem o menor cabimento em âmbito administrativo, tornando, portanto, insubsistentes os motivos que a levaram a não homologar parte da compensação pleiteada. · A corroborar com a tese adotada de aplicação do princípio da verdade material nos processos de restituição menciona a título de melhor jurisprudência adotada pelo CARF, o Acórdão 10419.193. Requer ao final a reforma do julgado a quo, para o reconhecimento da integralidade do direito creditório referente ao pagamento a maior de Cofins no mês de janeiro/02 e, para determinação da homologação das compensações até o limite do direito creditório, extinguindo os respectivos crédito tributários na forma do art. 156, II, do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A controvérsia submetida à apreciação desta Corte aborda a questão de liquidez e certeza do crédito alegado pelo contribuinte, bem como da ausência do exame da DCTF (2o trim/02) e DIPJ/03 retificadoras pelo juízo da instância a quo, que deu como justificativa para a recusa a não colação aos autos de cópias de livros empresariais ou fiscais que comprovassem a real base de cálculos, que lhe conferiria o direito creditório. O recorrente reconheceu que cometeu erro de fato na transmissão do Per/DComp nº 03527.05569.281004.1.3.040035e, após o despacho decisório, procedeu a retificação daqueles documentos acima informados, juntando aos autos cópias do Livro Razão Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 – Cofins a recuperar (fls. 12/13) e da DCTF retificadora do 2o trim/02 (fl. 14/21), respectivamente, que entendeu ser o bastante para a comprovação do alegado em seu inconformismo ante o despacho decisório, com vistas à regularização de sua situação fiscal, e o fez, segundo alegado de acordo com a legislação vigente. Ocorre que mesmo estando a par dos fatos acima descritos o juízo a quo negouse a se pronunciar acerca da liquidez e certeza dos créditos do contribuinte, a partir da retificação efetuada e, se porventura restava dúvida acerca da aludida liquidez do direito creditório da contribuinte, tampouco buscou esclarecêlas por meio de diligência à repartição de origem, limitandose, outrossim, a se pronunciar pela improcedência da manifestação de inconformidade. O juízo a quo sequer argüiu a perda da espontaneidade pelo contribuinte, eis que tais documentos somente foram retificados em 18/08/08, portanto após a data do despacho decisório que se deu em 12/08/08. A verdade material é o princípio que rege o Direito Administrativo Tributário e se desenvolve a partir do exercício do direito ao contraditório, sob pena de alegação ao amplo direito de defesa. Diz respeito ao direito de audiência pelo administrado e se constitui em ato vinculatório, ex vi do art 142 do CTN, portanto relacionado ao poderdever investigatório da autoridade administrativa, a que não se pode olvidar. Partindose da premissa que o sujeito passivo prestou informações acerca da antecipação do pagamento de tributo devido à autoridade administrativa, que por sua vez após ulterior exame da regularidade atividade prestada a homologa ou não, ou dito em outras palavras, se o lançamento fiscal depende da declaração pelo sujeito passivo de sua atividade, na forma da legislação tributária, cabe a individualização e quantificação, ou seja, a verificação da certeza e liquidez acerca do crédito informado, ou da penalidade que lhe deva ser atribuída, o que não ocorreu in casu. E tal procedimento deveria ocorrer antes de apenar o sujeito passivo, pois após a constituição do crédito fiscal cabelhe o direito de exercício à ampla defesa, ex do art. 5o, LIV e LV, CF/88. Entretanto se tal situação se perpetuar restará caracterizado o cerceamento deste direito. Isto posto e após procedido o exame dos elementos materiais constantes dos autos e, sabedor do madamus contido no disposto no art. 147, § 2o, do CTN1, bem assim considerando que esta Turma em situações análogas tem se posicionado pelo retorno dos autos à instância a quo para o exame dos documentos ignorados e posterior pronunciamento acerca da liquidez e certeza do crédito constante da DComp sob análise, pugno pelo retorno do presente processo para que seja procedida à completude da prestação jurisprudencial. Dou provimento ao recurso para anular o processo desde a origem, retornandose os autos a DRF competente, para que haja o devido pronunciamento acerca da liquidez e certeza do crédito constante do Per/DComp nº 29151.81896.281004.1.3.044044, bem assim se há saldo credor para a compensação declarada. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º (...). § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916741/200807 Acórdão n.º 3803003.649 S3TE03 Fl. 107 7 É assim que voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado De início, registrese que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento de prova que pudesse convalidar as suas alegações no que tange à efetiva existência do direito creditório pleiteado, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal e os documentos que a lastreiam, todos esses indispensáveis à comprovação do indébito. Foi trazida aos autos, além de cópias das declarações preenchidas e entregues pelo contribuinte, apenas uma listagem identificada como “Razão”, em que constam informações acerca das compensações efetuadas, nada havendo quanto às bases de cálculo da contribuição. Em razão da total falta de prova, evidenciouse flagrante descaso do interessado no que tange à comprovação de seu alegado direito. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente, ao afirmar que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com base no excerto supra, é possível concluir que o interessado, tendo em vista o duplo grau de jurisidição, deveria ter produzido a prova de suas alegações na fase de Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Não se pode perder de vista que, enquanto nos casos de lançamento de ofício de crédito tributário, cabe à Administração tributária o ônus de comprovar o não recolhimento do tributo devido pelo contribuinte, nos casos de processos inaugurados por pedido do próprio interessado, cabe a este, e não à Administração tributária que o apreciará, explicitar e comprovar o direito pleiteado. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 2 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: 2 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916741/200807 Acórdão n.º 3803003.649 S3TE03 Fl. 108 9 Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. Nesse sentido, dada a ausência de comprovação, com documentação hábil, do indébito alegado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 15374.916741/200807 Interessada: CCAA CENTRO DE CULTURA ANGLO AMERICANA LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.649, de 24 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004360/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA.
O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS LIMITADOS A ATÉ DUAS PARCELAS ANUAIS.
Por força do dispositivo do art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000, os pagamentos a título de PLR que foram posteriores à segunda parcela anual devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, tendo em vista que não obedecem ao requisito legal para desfrutar da mencionada isenção.
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO.
Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar do lançamento os pagamentos a título de PLR referentes a empregados que receberam somente até duas parcelas anuais, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar do lançamento as duas primeiras parcelas pagas a título de PLR para aqueles empregados que receberam mais de duas parcelas, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Luiz Felipe de Alencar Melo Minidouro. OAB: 292.531/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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DE TERCEIROS PLR Recorrente ACUMENT SISTEMAS DE FIXAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS LIMITADOS A ATÉ DUAS PARCELAS ANUAIS. Por força do dispositivo do art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000, os pagamentos a título de PLR que foram posteriores à segunda parcela anual devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, tendo em vista que não obedecem ao requisito legal para desfrutar da mencionada isenção. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 60 /2 01 0- 99 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 140 2 Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar do lançamento os pagamentos a título de PLR referentes a empregados que receberam somente até duas parcelas anuais, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar do lançamento as duas primeiras parcelas pagas a título de PLR para aqueles empregados que receberam mais de duas parcelas, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Luiz Felipe de Alencar Melo Minidouro. OAB: 292.531/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de Voto Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 141 3 Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 1, lavrado em 06/12/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições de terceiros incidentes sobre remunerações recebidas a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) em desacordo com a legislação vigente, no período de 01/2006 a 12/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 185.884,68, fls. 01. O lançamento trata, segundo o Relatório Fiscal, de: “Auto de Infração relativo as obrigações principais de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social , correspondentes à quota patronal sobre valores pagos a: A)segurados empregados constantes das folhas de pagamento da empresa, que receberam o beneficio do PLR Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a legislação vigente ;B) autônomos identificados nominalmente, conforme RPARecibo de Pagamento a Autônomo e lançamentos contábeis na conta sintética 331301: Alfredo Gunther Fuchs, Renato Alencar Dias e Caleb Latkstigal Angelo, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa , bem como não constam declarações do banco de dados da Receita Federal do BrasilRFB.” Ainda segundo o Relatório Fiscal: “A rubrica pagamento de PLR foi considerada pela fiscalização como base de cálculo do Salário de Contribuição, tendo em vista a inobservância de determinações contidas no artigo 3º, parágrafo 2° da Lei 10.101 de 19/12/2000 que legisla sobre o assunto e aqui reproduzido: "É vedado o Pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil"( grifos nossos) Convém informar, que empresa efetuou o pagamento em meses seqüenciais ou em intervalos menores do que um semestre civil, tais sejam: a) CNPJ final 0001: 01/2006, 02/2006, 03/2006, 07/2006, 08/2006 e 12/2006; b) CNPJ final 0004:01/2006, 02/2006, 03/2006, 05/2006, 07/2006 e 12/2006 e c)CNPJ final 0008: 01/2006 e 0512006. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 142 4 Após tomar ciência pessoal da autuação em 10/12/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 31/48, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Não houve impugnação quanto aos contribuintes individuais, tendo a empresa juntado A 11ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 69/83, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 03/02/2012, fls. 89. O recurso voluntário, apresentado em 27/02/2012, fls. 90/111, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Com relação à existência de mais de dois pagamentos no ano relativamente à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), aponta que para um mesmo empregado somente foram feitos dois pagamentos e que existiram pagamentos a outros empregados em períodos diversos, o que levou à fiscalização a concluir, equivocadamente que foram feitos mais de dois pagamentos para o mesmo grupo de empregados. Passa a defender a natureza não salarial da PLR e a autoaplicabilidade do art. 7º inciso XI da Constituição Federal (CF). Colaciona jurisprudência para defender o argumento de que mesmo a periodicidade pode ser objeto de negociação coletiva sem se amoldar completamente ao texto legal. Entende que a periodicidade não é relevante, devendo apenas ser analisado o intuito fraudulento de pagar salário mascarado de PLR. O art. 3º, §4º da Lei 10.101/2000 permitiria a alteração da periodicidade. No Tribunal Superior do Trabalho (TST) o assunto estaria pacificado no sentido de não ver na periodicidade um requisito par a natureza não salarial da PLR. Solicita a exclusão dos diretores como coresponsáveis por entender que não foram atendidos os requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 144 6 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Participação nos resultados. Requisitos. Inicio a análise do litígio sobre a participação nos resultados posicionando me sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a esse título. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 145 7 Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 146 8 Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 147 9 argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 148 10 indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 149 11 empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Limitação à periodicidade do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) A lei 10.101/2000 expressamente instituiu um requisito para os pagamentos a título de PLR no art. 3º, parágrafos 2º e 4º, in verbis: Art . 3º A participação de que trata o art . 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civ il, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) § 4º A periodicidade semestral mínima referida no § 2opoderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em f unção de eventuais impactos nas receitas tributárias. A limitação imposta pela lei, conforme o dispositivo acima transcrito, tem a clara finalidade de impedir que parcela salarial seja revestida de PLR na medida em que houver o pagamento em mais de duas parcelas anuais. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 150 12 Por não concordarmos com os respectivos fundamentos jurídicos, não seguimos as conclusões da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que é freqüentemente citada para sustentar o argumento de que a periodicidade não afasta a natureza não salarial. Ademais a questão tem fundo constitucional que poderá ser interpretada em definitivo não pelo TST mas sim pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, os pagamentos a título de PLR que foram posteriores à segunda parcela anual devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, tendo em vista que não obedecem ao requisito legal para desfrutar da mencionada isenção. No caso em tela, observamos que, como muito bem argumentou a recorrente, existem vários empregados que receberam apenas dois pagamentos anuais a título de PLR, conforme consta em fls. 42/79. Tais pagamentos devem, portanto, serem excluídos do lançamento. Devem também ser excluídos do lançamento os dos primeiros pagamentos de todos os empregados que receberam mais de duas parcelas anuais. Exclusão dos diretores do anexo “CORESP” Em suas razões recursais o contribuinte tece considerações defendendo a exclusão dos sóciosgerentes da empresa da lista de ‘coresponsáveis’. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. É que, uma vez arrolados os sóciosgerentes da empresa na anexa lista, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as “pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo”, como defendido pela Fazenda. Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes. E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será de pronto inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os coresponsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, como exceção à regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 151 13 Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sóciogerente responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sóciosgerentes ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos coresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do coresponsável. Isso porque partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sóciogerente ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos coresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do coresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao coresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor arrolado na Certidão. Nesse sentido colhese a seguinte decisão ementada: “PROCESSUAL CIVIL – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA 211/STJ – NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA – POSSIBILIDADE. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 152 14 1. Descumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702.232/RS, de relatoria do Min. Castro Meira, assentou que, se a execução fiscal foi promovida contra a pessoa jurídica e o sóciogerente ou se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em face da presunção juris tantum de liquidez e certeza da referida certidão. 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Dívida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como corresponsável tributário, cabendo à executada o ônus de provar os requisitos do art. 135 do CTN. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no Ag 1162734/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009) Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do coresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Resta claro o prejuízo para as pessoas arroladas como responsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de afastar a co responsabilidade dos sóciosgerentes listados no CORESP, tendo em conta que não houve nos autos a adequada apuração do cometimento das condutas exigidas pelo caput do art. 135 do CTN. Esse raciocínio vale para os levantamentos não relacionados com os contribuintes individuais no presente caso. Porém, com relação ao lançamento relacionado com os contribuintes individuais, mantenho a responsabilização dos sócios, dada a existência de apropriação indébita. Obviamente que se ficar comprovado que essa parte foi completamente extinta pela pagamento não haverá mais crédito tributário a ser cobrado dos sócios. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 153 15 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 154 16 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 155 17 declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 156 18 Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 157 19 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 158 20 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Tal posição é aplicável inclusive para situações nas quais a fiscalização tenha feito sua análise de retroatividade benéfica, com a qual não concordamos, e aplicado a multa de 75% do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) afastar do lançamento os pagamentos a título de PLR referentes a empregados que receberam somente até duas parcelas anuais; (b) afastar do lançamento as duas primeiras parcelas pagas a título de PLR para aqueles empregados que receberam mais de duas parcelas; (c) manter a multa de mora limitada a 20%; (d) afastar a responsabilidade dos sócios listados no anexo CORESP por ausência nos autos de provas dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 159 21 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes: 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio a respeito das matérias constantes nestes autos que foram objeto de controvérsia entre os nobres conselheiros, e dou parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos que se seguem. DO NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR 2. Peço vênia ao relator para trazer o meu posicionamento diverso ao seu quanto aos valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa – PLR. Isso porque verifiquei que tais importâncias foram pagas em notória observância aos requisitos mínimos estabelecidos pela Lei 10.101/2000, não constituindo, portanto, em fato gerador de obrigação tributária acessória, uma vez que não estão sujeitas à incidência de contribuição previdenciária, ainda que pagas parceladamente. 3. A PLR visa à disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros ou resultados aos funcionários se atingidas metas, sejam elas de rentabilidade a ser alcançada (para percepção dos lucros) ou de desempenho individual dos funcionários (para percepção dos resultados). O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporcionando a atração de melhores resultados, regulada pela lei 10.101/2000. 4. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, art. 7º, XI, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” 5. A esse respeito, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, j, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 160 22 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 6. Desse modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do aludido benefício, é necessário o preenchimento de alguns requisitos mínimos, dispostos no artigo 2°, da Lei 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 7. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) 8. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei 10.101/2000, como se demonstrou anteriormente. 9. Logo, em se constatando que a estrutura montada pela empresa é satisfatória para determinar a natureza dos pagamentos, esses serão excluídos da base de cálculo do tributo. A preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito do trabalhador. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 161 23 10. Devese verificar, portanto, a existência de um procedimento bilateral, firmado entre empregadores e empregados, a fim de delinear uma estrutura normativa interna com o escopo de dar a máxima efetividade ao texto constitucional (art. 7º, inc. XI da CF/88). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é neste sentido, in verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. [...] 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 162 24 estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. [...] Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes: AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido” [g.n.] (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 24/11/2010). 11. Na decisão exarada pelo Augusto Superior Tribunal de Justiça, acima transcrita, merece especial destaque o posicionamento adotado pelo relator, o Ministro Luiz Fux, que defendeu, com a mestria que lhe é peculiar, o não atendimento a todas as exigências disposta na Lei nº 10.101/2000, uma vez não afetando a natureza dos pagamentos, não é por si só motivos para a tributação sobre a PLR. Assim, mais uma vez peço vênia para trazer parte do voto do eminente Ministro: “Destarte, a evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. Não obstante, conforme bem destacou a Corte de Origem, a intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. Vale dizer, o registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na forma acordada. O desrespeito a tais exigências afeta os trabalhadores, que poderiam, eventualmente, ser prejudicados numa negociação desassistida, não obtendo tudo aquilo que alcançariam com a presença de um terceiro não vulnerado pela relação de emprego. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 163 25 Com efeito, atendidos os demais requisitos da legislação que tornem possível a caracterização dos pagamentos como participação nos resultados, a ausência de intervenção do sindicato nas negociações e a falta de registro do acordo apenas afastam a vinculação dos empregados aos termos do acordo, podendo rediscutilos novamente. Deveras, mencionadas irregularidades não afetam a natureza dos pagamentos, que continuam sendo participação nos resultados: podem interferir, tãosomente, na forma de participação e no montante a ser distribuído, fatos irrelevantes para a tributação sobre a folha de salários. In casu, o Tribunal a quo firmou entendimento no sentido de que a natureza dos pagamentos aos empregados restou preservada e caracterizada como participação nos resultados, que não integra a remuneração e, por isso, não incide contribuição previdenciária.” 12. Dessa feita, sendo preenchidos os requisitos mínimos dispostos na lei, o fato de o contribuinte ter optado pelo parcelamento da PLR é uma questão de administração e gerenciamento empresarial diante do acordo ou da convenção coletiva, permanecendo a não incidência de contribuição previdenciária sobre tais valores. 13. Diante desses elementos, dou provimento ao recurso para invalidar a exação lançada sobre a distribuição dos lucros ou resultados para os empregados da recorrente. CORRESP 14. Quanto à responsabilidade de a pessoa física não poder decorrer da simples falta de pagamento de tributo, acompanho o posicionamento do douto relator. Ora, é inquestionável que o lançamento tributário tem sua exigibilidade em face da sociedade contribuinte, porém se refuta a exigibilidade de tais créditos perante o administrador dessa sociedade. 15. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). No caso em tela, inegável a condição de contribuinte da sociedade. 16. De outro lado, é completamente dúbia a condição de responsável do administrador por esses créditos. O que o sistema tributário prevê é a responsabilidade tributária do administrador por atos irregulares – atos ultra vires –, seja este administrador sócio ou não. 17. A forma da responsabilização daquele que exerça cargo de administração ou gerência encontrase presente no art. 135, inc. III do CTN, que dispõe: “Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 164 26 18. De maneira que, sem a presença dos requisitos do art. 135, não há de se falar em responsabilidade do sócio administrador. Nesse sentido leciona o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319). 19. In casu, o fisco não colacionou aos autos nenhuma manifestação que delimite a ter havido a prática de ato para o qual os relacionados não detivessem poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto da empresa. Nesse sentido, uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de pré executividade com vista a tratar de matérias de ordem pública em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361). 20. Assim, ante a impossibilidade de responsabilização tributária dos administradores da recorrente pelos créditos lançados (art. 135 do CTN), ante a ausência de provas no sentido da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos, devem ser excluídos da relação de vínculos as pessoas nele relacionadas, no que dou provimento ao recurso voluntário nesta parte. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. 21. No tocante à multa adotada pelo nobre relator, acompanho o seu posicionamento por considerar que o Fisco deve perscrutar a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea c. 22. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 23. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, consoante a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991, assim dispondo: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004360/201099 Acórdão n.º 2301003.153 S2C3T1 Fl. 165 27 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 24. Por sua vez, o art. 61 da Lei 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 25. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 26. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, aplicase a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, até 11/2008, se mais benéfica para o contribuinte. 27. Quanto às demais alegações da recorrente, acompanho o voto relator e nego provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO 28. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: a) afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados – PLR; b) afastar a responsabilidade dos sócios e administradores pelo não recolhimento tributário devido; c) aplicar multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei 11.941/2009, até 11/2008, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10380.000195/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
Ementa:
NULIDADE DA DECISÃO
A decisão deve mostrar consistência entre os fundamentos desenvolvidos e decisório efetivamente exarado.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
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Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Ementa: NULIDADE DA DECISÃO A decisão deve mostrar consistência entre os fundamentos desenvolvidos e decisório efetivamente exarado. Decisão Recorrida Nula
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. .
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Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 01 95 /2 00 8- 80 Fl. 958DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 . Relatório Trata o presente, de pedido de restituição protocolado em 08/01/2008, relativo às retenções de 11% incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviço, no período de 01/2004 a 12/2007, fundamentando a requerente que não presta serviços com cessão de mão de obra. Após exame da documentação juntada, Informação Fiscal de fls. 548/559, se posiciona pelo indeferimento do pedido de restituição devido a falta de folha de pagamento específica por tomador de serviço, o que inclusive foi motivo de autuação pelo Fisco e a autuada quitou o auto de infração; que não há ação judicial que impeça a retenção; que os documentos apresentados são deficientes e as diversas divergências que discrimina na informação, impedem a correta apuração do valor devido. Reitera que o contribuinte não apresentou diversos documentos mesmo após ser intimado para tanto. A requerente apresentou Manifestação de Inconformidade e Acórdão de fls. 741/750, pugna pelo indeferimento da restituição quanto às tomadoras FUBRA, AGEPISA e DESO, não conhece a Manifestação de Inconformidade com relação à CAGECE , pela existência de ação judicial e conseqüente renúncia à esfera administrativa, intimando à unidade de origem a proceder ao desmembramento do processo. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que a ação interposta pela CAGECE não possui o mesmo objeto que este pedido de restituição, devendo as suas razões serem apreciadas; b) que a ação judicial já foi arquivada em 16/08/2010; c) que a decisão recorrida admite que não há cessão de mão de obra na prestação dos serviços pela FUBRA e DESO, mas mesmo assim indeferiu a restituição; d) reitera os argumentos da manifestação de inconformidade e junta documentos retificados. Requer a reapreciação da matéria e o provimento do recurso para reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente, excluídos os já compensados com as contribuições devidas incidentes sobre as folhas de pagamento. É o relatório. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.000195/200880 Acórdão n.º 2302002.132 S2C3T2 Fl. 947 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, analisando a decisão recorrida é de se ver que a mesma possui inconsistência, pois nas razões expostas se pronuncia pela ausência de cessão de mão de obra nas prestações de serviço para as tomadoras FUBRA e DESO, enquanto que ao final pugna pela improcedência da manifestação de inconformidade da requerente e pelo indeferimento total do pedido de restituição. Mesmo que o Acórdão recorrido tenha se posicionado pela existência de divergências entre as folhas de pagamento trazidas aos autos e as GFIP’s declaradas pela recorrente e este fosse o motivo para sustentar o indeferimento da restituição, tenho que da leitura do decisório, tal fato não ficou evidenciado. O Acórdão é expresso ao dizer da inexistência da prestação de serviços com cessão de mão de obra para duas tomadoras FUBRA e DESO, mas ao final pugna pela improcedência da impugnação. Ora, se o próprio julgador diz que inexiste prestação de serviço com cessão de mão de obra, condição sine qua non para a incidência da retenção não há como sustentar o indeferimento do pedido de restituição, pois consequentemente os valores foram retidos indevidamente. Ou seja, a aclamada inexistência da prestação de serviço com cessão de mão de obra e a efetiva existência de valores retidos não pode ter como deslinde da questão o indeferimento do pedido de restituição, sem outra explicação plausível. Ademais, no final do Acórdão, fls. 750, Volume III, o julgador expõe que as divergências apontadas e a falta de folha de pagamento específica, o que seriam motivos para o indeferimento, se aplicam apenas à tomadora AGEPISA: Dessa forma, considerando a continuidade de desencontro entre as informações documentais prestadas, consoante antes sublinhado, e a falta de GFIP e/ou folha especifica por tomador para os serviços prestados via cessão de mão de obra para o tomador AGEPISA. Também, é de se ver que ao não conhecer a Manifestação de Inconformidade da requerente com relação à prestadora CAGECE, em vista da existência de ação judicial, a decisão pugnou pela remessa dos autos à unidade de origem para o desmembramento do pedido de restituição, o que efetivamente não ocorreu. Portanto, frente às contradições apontadas no Acórdão recorrido, entendo que o mesmo deve ser anulado. E, como sugestão antes da emissão de novo decisório, entendo ser cabível a realização de diligência fiscal para que restem explicitados todos os pontos obscuros do pedido de restituição, como: Fl. 960DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 a) se efetivamente a recorrente prestou serviço com cessão de mão de obra; b) qual o andamento da ação judicial MS 5002.81.000165869, da empresa CAGECE Companhia de Água e Esgoto do Ceará; e, se for o caso promover efetivamente o desmembramento do pedido de restituição relativo a esta prestadora; c) na hipótese de não se configurar a cessão, então não há porque exigir folha de pagamento específica por tomadora envolvida, devendo o fisco apurar mediante o exame dos documentos apresentados o valor a ser eventualmente restituído, se for o caso; d) elaborar discriminativo dos valores a serem restituídos, se for o caso; e, e) na falta de apresentação ou apresentação deficiente de documentos, lavrar os pertinentes autos de infração, para justificar o indeferimento do pedido. Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 961DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10469.903972/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 39 72 /2 00 9- 51 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.18) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação —DCOMP de fls. 11/15, por meio da qual compensou credito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ código 2089 com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 2.863,81 seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 4° trimestre do anocalendário 2002. Através do despacho de fl.01, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal em Natal — DRF/Natal identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de debito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 03/07), fazendo, em síntese, as seguintes alegações: que o crédito é fruto da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares de 32% para 8%, descreve sobre a matéria às fls. 04/06; não procedeu à retificação da DCTF por ocasião da compensação pleiteada, para deixar patente que seu pagamento foi a maior, porque já havia transcorrido o tempo hábil para retificação, o sistema da Receita Federal não aceita retificação "após cinco anos da data prevista"; o crédito subsiste porque o descumprimento de obrigação acessória, não interfere na principal; requer a procedência da manifestação de inconformidade, homologação das compensações e a retificação de oficio das DCTFs corn base no art. 149, inciso II do CTN. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1134.672, de 24 de agosto de 2011 (fls.18/21), cientificado ao interessado em 17/10/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.18): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903972/200951 Acórdão n.º 1802001.531 S1TE02 Fl. 3 3 A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 16/11/2011. Eis a defesa da Recorrente: ... O presente Recurso tem por escopo sanar defeito correspondente a uma formalidade do procedimento das compensações, não se pretendendo, pois, discutir o mérito dos crédito tributários respectivos. Não há que se falar em inexistência dos créditos, isto pelo fato de que os tributos pagos forma a maior resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizá los para posteriores compensações. Entretanto, efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. Quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Nesse contexto, a obrigação de apresentar a DCTF é uma obrigação tributária acessória que, ainda quando descumprida, não interfere na obrigação principal, ou seja, ainda que não se tenha procedido às retificações, o crédito subsiste. Observase que as compensações não foram homologadas somente em virtude do mero descumprimento de obrigação acessória, havendo crédito suficiente para legitimar as compensações. IIIDO PEDIDO: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, fundada na lavratura do auto de infração, espera e requer a Recorrente que seja acolhido o Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 presente Recurso Administrativo, homologandose as compensações administrativas realizadas e cancelando os débitos ora determinados. Para tanto, requer à Receita Federal que retifique as DCTFs de ofício, em conformidade com o art. 149, II, do CTN, que prevê o lançamento de ofício pela autoridade administrativa quando "a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária". Finalmente, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 0065.87687.310706.1.3.049348 (fls.11/15), transmitido em 31/07/2006, em que a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ: R$ 1.778,07, código 2089, e CSLL: R$ 2.816,34, código 2372, relativos ao 2º trimestre de 2006, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 31/12/2002; Vencimento: 31/01/2003, Valor: R$ 5.449,09). Conforme o despacho decisório de fl.01, emitido em 25/05/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 02/07/2009 (fls.03/07), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 1134.672, de 24 de agosto de 2011 (fls.18/21) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A Recorrente diz que não pretende discutir o mérito do crédito tributário e que, não há falar em inexistência do crédito, pelo fato de que o tributo pago a maior foi resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizálos para posteriores compensações. A defesa não pode prosperar, pois, como explicado acima, nos presentes autos se discute a compensação de débitos de IRPJ e CSLL com a utilização de suposto crédito Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903972/200951 Acórdão n.º 1802001.531 S1TE02 Fl. 4 5 decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 31/12/2002, Vencimento: 31/01/2003, Valor: R$ 5.449,09). Verificase que a Recorrente se reporta a crédito relativo ao 1º trimestre de 2000, portanto, distinto do constante no PER/DCOMP em comento relativo ao 4º trimestre/2002, o que por si só já desqualifica o objeto do Recurso. Sobre o pagamento a maior, a Recorrente aduz que efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. E, quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Ainda que se admita como equívoco da Recorrente ao se reportar ao 1º trimestre de 2000 e não ao 4º trimestre de 2002, depreendese de suas alegações que a contribuinte pretende que o indébito se exteriorize tão somente com os dados declarados na DCTF comparados com o PER/DCOMP. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, a declaração de compensação deve estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito do contribuinte na Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 4.594,41, adotando a via do PER/DCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao 4º trimestre do ano calendário de 2002. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 31/07/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 25/05/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 02/07/2009 (fls.03/07). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 05 (cinco) anos da entrega do PERDCOMP. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. No tocante à revisão de ofício da DCTF, aventada pela interessada, como bem ressaltado na decisão recorrida, não se aplica ao caso a determinação do inciso II do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que não se discute no presente processo lançamento de ofício de crédito tributário decorrente de lavratura do auto de infração como aduzido pela Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903972/200951 Acórdão n.º 1802001.531 S1TE02 Fl. 5 7 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13749.001263/2008-08
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Inexistindo nos autos um documento que demonstre que o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, a dedutibilidade de tais despesas está condicionada tão somente ao atendimento dos requisitos formais previstos na legislação do imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-002.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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COMPROVAÇÃO. Inexistindo nos autos um documento que demonstre que o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, a dedutibilidade de tais despesas está condicionada tão somente ao atendimento dos requisitos formais previstos na legislação do imposto de renda. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 12 63 /2 00 8- 08 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13749.001263/200808 Acórdão n.º 2801002.833 S2TE01 Fl. 222 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 10.405,56, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2006, os seguintes fatos: Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 17.305,42. Segundo a Autoridade lançadora os recibos emitidos por Sandra Maria Oliveira da Silva, Mauro Villa Nova de Oliveira e Viviane Pereira de Souza estão em desacordo com a legislação do IRPF. Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada (Itaú Vida e Previdência S.A), no valor de R$ 3.000,00. Na apuração do imposto devido foi compensado o valor de R$ 450,00 retido na fonte. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/5 deste eprocesso, que foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 38/49. Os ilustres julgadores da instância de piso consideraram ineficazes as declarações e os recibos emitidos por Sandra Maria Oliveira da Silva e Viviane Pereira de Souza e eficazes a Declaração e os recibos emitidos por Mauro Villa Nova de Oliveira, restabelecendo a glosa de R$ 560,00 de despesas médicas pagas a este último. Não foi impugnada a glosa relativa aos pagamentos efetuados à UNIMED Teresópolis Cooperativa de Trabalho Médico, no valor de R$ 4.825,42. Quanto à omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, houve concordância expressa do contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/05/2011 (AR à fl. 104), o interessado interpôs, em 17/06/2011, o recurso de fls. 57/60, acompanhado dos documentos de fls. 61/103. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Os pagamentos efetuados ao plano de saúde UNIMED podem ser comprovados pelos documentos com autenticação bancária e demais indícios de autenticidade. Vislumbrase no acolhimento parcial da impugnação que a decisão recorrida não se muniu da necessária profundidade do que estava decidindo. Utilizouse entendimento que não poderia ser levado em consideração à luz dos documentos carreados aos autos. A decisão atacada foi exarada contra a prova e os fatos, que restaram provados com os documentos colacionados aos autos e que foram ignorados. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso e reformada a decisão recorrida. Voto Fl. 222DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13749.001263/200808 Acórdão n.º 2801002.833 S2TE01 Fl. 223 3 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A controvérsia restringese à glosa de despesas médicas, uma vez que o Recorrente reconheceu, expressamente (fl. 4), a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada. No processo administrativo fiscal, a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove a efetiva prestação dos serviços ou o pagamento decorrente desta prestação quando as circunstâncias assim recomendarem, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, todavia, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir. No caso concreto, a Autoridade lançadora registrou que os recibos apresentados estavam em desacordo com a legislação do IRPF para considerálos insuficientes à comprovação das despesas médicas. Contudo, deixou de mencionar qual requisito previsto na legislação não foi atendido. O contribuinte suscitou esta questão na peça impugnatória, nos seguintes termos: Quanto aos recibos dos Drs. Sandra Maria Oliveira da Silva, Mauro Villa Nova de Oliveira e Viviane Pereira de Souza (em anexo DOC. III), o que restou faltando nos recibos, seu CPF?, sua identificação médica?, o valor dos honorários recebidos no ano em análise?, o endereço de seu consultório?, (...) deveria se dúvida houvesse ter sido o contribuinte convocado para apresentar novo documento que satisfizesse o fisco, o que não aconteceu. A Autoridade julgadora, por seu turno, estipulou um critério com base no valor das despesas médicas para concluir que aquelas de valor expressivo necessitariam de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13749.001263/200808 Acórdão n.º 2801002.833 S2TE01 Fl. 224 4 elementos complementares à comprovação, ao passo que as de pequeno valor poderiam ser comprovadas com documentos contendo os requisitos do § 2º do art. 8° da Lei nº 9.250/1995. Confira: 7.1 Despesas médicas de valor expressivo: ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida, as deduções médicas que tenham valor expressivo, individualmente ou em conjunto. É sabido que, em regra, os tratamentos de saúde mais onerosos são mais complexos, sendo, por isso, precedidos por exames laboratoriais, radiológicos e outros. Além disso, é possível afirmar que, em regra, as dívidas de valores elevados são pagas em cheque ou cartão de crédito, por questões de segurança e de comodidade. Considerando esses fatores, que são de conhecimento geral, e, portanto, deduzidos a partir da ordinária experiência, presumese que, nesses casos, em regra, é viável, e possível, a apresentação, pelo contribuinte, de elementos complementares ao recibo de pagamento, tais como os documentos retrocitados (exames laboratoriais, cheques, etc.). (...) 7.2 Despesas médicas de pequeno valor: contrário sensu, salvo situações especiais, são suficientes para comprovar as despesas de pequena monta, as declarações/recibos/notas fiscais emitidos com todos os requisitos do art. 8º, § 2º da Lei nº 8.250/95 (ver item 1 a 3 supra), notadamente quando o valor for compatível com a natureza do serviço prestado, considerando que, nesses casos, a prova suplementar é de difícil, e até mesmo impossível produção para o contribuinte, haja vista que os tratamentos de menor valor, em regra, correspondem a serviços de menor complexidade, que, por isso, em regram dispensam exames médicos subsidiários. Além disso, de acordo com a experiência, é de grande probabilidade de a quitação da obrigação ser realizada em dinheiro. Com base no referido critério a Autoridade julgadora considerou ineficazes as declarações e os recibos emitidos por Sandra Maria Oliveira da Silva e Viviane Pereira de Souza, por entender que as despesas com essas profissionais eram de valores consideráveis, necessitando, portanto, da confirmação do efetivo dispêndio realizado. Os mesmos documentos emitidos por Mauro Villa Nova de Oliveira foram aceitos, uma vez que, no entendimento da Autoridade julgadora, eram despesas de pequeno valor. Não obstante a razoabilidade do critério adotado pela Autoridade julgadora, fato é que o contribuinte não foi intimado (ou pelo menos não consta dos autos qualquer documento que comprove a intimação) a confirmar o efetivo dispêndio realizado. Essa questão somente veio a lume na fundamentação do acórdão recorrido. Nesse contexto, penso que a dedutibilidade de despesas médicas está condicionada tão somente ao atendimento dos requisitos formais previstos no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cujo teor assim soa: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13749.001263/200808 Acórdão n.º 2801002.833 S2TE01 Fl. 225 5 (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; O Recorrente apresentou, a título de comprovação, os documentos abaixo discriminados: Antes da autuação: recibos emitidos pela psicóloga Sandra Maria Oliveira da Silva contendo as seguintes informações: a) nome, CPF e número do registro no Conselho Regional de Psicologia CRP da profissional, bem como o nome de quem efetuou o pagamento; b) o valor recebido c) a assinatura aposta acima de carimbo contendo o nome, a especialidade e o CRP da profissional de saúde que subscreveu o recibo; recibos emitidos pela fisioterapeuta Viviane Pereira de Souza contendo as seguintes informações: a) nome, CPF e número do registro no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – CREFITO da profissional, bem como o nome de quem efetuou o pagamento; b) o valor recebido c) a assinatura aposta acima de carimbo contendo o nome, a especialidade e o CREFITO da profissional de saúde que subscreveu o recibo. Na impugnação: declaração emitida pela psicóloga Sandra Maria Oliveira da Silva contendo as seguintes informações: a) que os serviços foram prestados ao paciente Antonio Estrela de Barcelos, ora Recorrente; b) discriminação dos honorários recebidos durante o anocalendário 2005; c) endereço do consultório da profissional; d) assinatura aposta acima de carimbo contendo o nome, a especialidade, o CRM e o CPF da profissional de saúde que subscreveu a declaração; declaração emitida pela fisioterapeuta Viviane Pereira de Souza contendo as seguintes informações: a) que os serviços foram prestados ao paciente Antonio Estrela de Barcelos, ora Recorrente; b) discriminação dos honorários recebidos durante o anocalendário 2005; c) endereço do consultório da profissional; d) assinatura aposta acima de carimbo Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13749.001263/200808 Acórdão n.º 2801002.833 S2TE01 Fl. 226 6 contendo o nome, a especialidade, o CREFITO e o CPF da profissional de saúde que subscreveu a declaração. Assim, sou pelo restabelecimento das glosas relativas às deduções de R$ 8.000,00 e R$ 3.920,00 referentes aos pagamentos efetuados, respectivamente, às profissionais Sandra Maria Oliveira da Silva (psicóloga) e Viviane Pereira de Souza (fisioterapeuta), haja vista que os documentos apresentados atendem ao disposto no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995. As despesas com o plano de saúde UNIMED foram glosadas por falta de comprovação. Na impugnação o contribuinte não fez qualquer menção a tais despesas, levando a Autoridade julgadora a considerar não impugnada essa parte do lançamento, com fulcro no art. 17 do Decreto 70.235/1972. No entanto, o Interessado anexou, à peça recursal, 21 boletos da UNIMED em que aparece na qualidade de sacado e respectivos comprovantes de pagamentos (fls. 83/103), no montante exato do valor lançado na declaração de ajuste anual a título de despesas médicas (R$ 4.825,42). Assim, em homenagem à verdade material, também sou pelo restabelecimento de tais despesas. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso, afim de que sejam restabelecidas despesas médicas no valor de R$ 16.745,42. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 12466.002345/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/07/2005 a 30/03/2006
RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NÃO INDICAÇÃO EM TERMO PRÓPRIO. NULIDADE INEXISTENTE.
A falta de indicação do responsável solidário em termo próprio não configura hipótese de nulidade, formal ou material.
Recurso de Ofício provido.
Considera-se dano ao erário a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
Numero da decisão: 3202-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, para declarar a inexistência de nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Redator designado: Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Charles Mayer de Castro Souza Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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PRESUNÇÃO LEGAL. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior se a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Considerase dano ao erário a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/07/2005 a 30/03/2006 RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NÃO INDICAÇÃO EM TERMO PRÓPRIO. NULIDADE INEXISTENTE. A falta de indicação do responsável solidário em termo próprio não configura hipótese de nulidade, formal ou material. Recurso de Ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, para declarar a inexistência de nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Redator designado: Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 23 45 /2 00 8- 75 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Charles Mayer de Castro Souza – Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto em 11 de fevereiro de 2011 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que julgou procedente a impugnação (fls. 92/106) apresentada em 22 de agosto de 2008, por TBJ TRADING Ltda.. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: “Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 01 a 49) lavrado com vistas à constituição de crédito tributário referente a conversão da pena de perdimento em multa no valor total de R$ 2.447.984,00 (dois milhões, quatrocentos e quarenta e sete mil, novecentos e oitenta e quatro reais), equivalente ao valor aduaneiro de mercadorias importadas, entre 11/07/2005 e 30/03/2006 (fls. 46/47), pelo contribuinte em epígrafe, mediante prática de interposição fraudulenta, segundo foi apurado no procedimento especial de fiscalização, de que tratou o PAF n.° 12466.002344/200821 (cópia integral consistente nos Volumes I a IX do, Anexo I), realizado nos termos da Instrução Normativa SRF n.° 228, de 2002 (fl. 520 do Anexo I), e durante o qual o contribuinte não logrou comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações. Mais precisamente, segundo relata a autoridade autuante (fls. 05 a 37), foram constatadas as seguintes irregularidades: a) o contribuinte não comprovou a integralização do capital social por parte do sócios que, por sua vez, tampouco declararam suas participações na empresa TBJ TRADING S/A, muito provavelmente em virtude da limitada capacidade financeira de que dispunham; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.002345/200875 Acórdão n.º 3202000.541 S3C2T2 Fl. 178 3 b) não houve a identificação do responsável pelo depósito de R$ 50.000,00, correspondente à integralização do capital inicial da empresa, e mesmo que referido depósito houvesse sido realizado por terceiro, sem a identificação do depositante, restam desatendidas as exigências previstas nos art. 6°, incisos e § 1° da IN SRF n.° 228, de 2002; c) o contribuinte igualmente não comprovou a integralização do capital social quando este foi aumentado na segunda alteração contratual, ocorrida em 05/04/2006, eis que os sócios não possuíam recursos financeiros para proceder à referida integralização (R$ 132.000,00 cada sócio), tampouco podendo ser aceito como origem contrato de mútuo, quando o contribuinte não descreve o valor de garantia, a forma de prestação e a identificação dos bens oferecidos em garantia e, bem assim, quando não justificados pelo provedor dos recursos a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência desses recursos; d) em relação ao contrato de mútuo aventado como origem da integralização do aumento do capital social, o contribuinte declarou não ter documento que comprove o depósito ou transferência do mencionado valor, além do que, muito embora tenha sido lançado contabilmente pelo contribuinte, o depósito contabilizado não consta dos extratos bancários apresentados pelo fiscalizado; e) de outra parte, as transferências de recursos localizadas nos extratos bancários não foram contabilizados pelo contribuinte, em razão de que se conclui que, além de não ter sido comprovada a integralização do capital social da empresa, tampouco a escrita contábil do contribuinte é confiável; f) registros de lançamentos contábeis com histórico designado por "REC. CLIENTES CF. DEPOSITO% "VR. RF. RECEB. DE ADIANT. DE CLIENTE", "VR. DESP. DÉB. CONTA N/DATA", "PAGO. REF. FORNECEDORES DIV. N/DATA", dentre outros, não apresentam individualização nem clareza acerca de qual seria o cliente, a despesa, o beneficiário da despesa, o documento probante, etc; g) os livros Diário e Razão foram apresentados em desacordo com as normas legais, pois não seguem as Normas Brasileiras de Contabilidade e não cumprem a Resolução CFC n.° 563/83, em especial a NBC T2 2.13, que determina que sejam lançadas no livro Diário, com individuação, clareza e referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, incluídas as de natureza aleatória, e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais; h) o contribuinte não fazia contato com fornecedores no exterior, sendo a operação internacional conduzida pelo verdadeiro importador, ao passo que a empresa TBJ atuava somente como importador de fachada; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 i) o contribuinte declarou não ter tomado empréstimo/financiamento com qualquer outra empresa e que tampouco houve financiamento junto ao Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A (BANDES); j) o contribuinte declarou que os responsáveis pelo pagamento dos tributos incidentes na importação foram os "consumidores finais" relacionados em uma planilha que apresentou à fiscalização, e que sequer pagou as despesas incorridas nas operações de importação, incluindo os tributos aduaneiros, cujo pagamento tampouco foi escriturado nos livros fiscais do contribuinte; k) além de não poder contar com recursos advindos do capital social, pois este não foi integralizado, e de não tomar financiamentos, o contribuinte tampouco podia contar com receitas operacionais para suportar suas despesas, uma vez que, em verificação por amostragem de notas fiscais (fls. 1728 a 1750), foi possível observar que a TBJ registrava a entrada de mercadorias por um determinado preço e, na mesma data, registrava a saída dessas mesmas mercadorias pelo mesmo preço ou até por um preço inferior ao de aquisição, descontados os impostos; Em razão dessas constatações, concluiu a autoridade autuante que o contribuinte nunca foi o adquirente das mercadorias importadas, nem o responsável pelas operações internacionais, atuando apenas como importador de fachada, visto que não mantinha contatos com os fornecedores estrangeiros, não suportava os custos das operações, não estipulava o preço de venda das mercadorias nacionalizadas, não obtinha lucro nas operações e não dispunha de recursos para operar no comércio exterior, sendo, por conseguinte, falsas as faturas comerciais que instruíram as importações registradas pelo contribuinte como se fosse por conta e risco próprios, além de ser notória a interposição fraudulenta praticada pelo fiscalizado e definida nos termos do inciso XXII e do § 5 0, ambos do art. 618 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.° 4.543, de 2002, com redação dada pelo Decreto n.° 4.765, de 2003, visto que este não comprovou a origem dos recursos aplicados no comércio exterior e ocultou os reais adquirentes das mercadorias importadas. Em consequência, foi lavrado o Auto de Infração em comento, através do qual foi aplicada a multa de conversão da pena de perdimento, prevista nos termos do § 3° do art. 23 do DecretoLei n.° 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei n.° 10.637, de 2002, combinado com o inciso III do art. 81, da Lei n.° 10.833, de 2003, e elaborada Representação Fiscal para fins de inaptidão da inscrição do contribuinte perante o CNPJ, autuada no PAF n.° 12466.002344/200821 e cuja cópia integral constitui o Anexo I do presente processo. Regularmente cientificado da exação em 28/07/2008 (fl. 91 — verso), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 22/08/2008, os documentos colacionados às fls. 107 a 157 e a impugnação de fls. 92 a 106, onde, em síntese: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.002345/200875 Acórdão n.º 3202000.541 S3C2T2 Fl. 179 5 Alega que a empresa autuada não pode ser considerada inexistente de fato, porquanto detém instalações e equipamentos condizentes com sua operação rotineira, nada obstante haver funcionado em endereço diverso daquele que havia registrado no CNPJ, fato este que, depois de informado à fiscalização operou mudança de entendimento acerca da inexistência da empresa; Em outro plano, alega que o aumento de capital social para R$ 314.000,00 foi integralizado pelos sócios através de empréstimo tomado em dinheiro junto ao Sr. João Julião Filho que, por ser pai dos sócios da empresa autuada, realizou um pacto simplório de mútuo, ao que indaga qual a razão de impor garantias, reconhecimento de firma ou qualquer outra formalidade contratual em um empréstimo realizado entre pai e filhos; No ponto, reclama que o que deveria ter sido objeto de investigação por parte do Fisco é a essência do negócio jurídico, qual seja, se o pai dos sócios em questão detinha, ou não, referida quantia em caixa e se foi oficializado o aumento de capital no patamar informado; Admite que as operações de importação sob apreço ocorreram por conta e ordem de terceiros, mas que errou ao registrar as respectivas declarações como se fossem importações diretas por ter interpretado que o termo se referia a "importação direta para comercialização', ao que argumenta que, se com isto foi minimizada a apuração dos tributos incidentes nas importações em relevo, o lançamento deveria constituir o crédito relativo aos tributos não recolhidos e não aplicar multa correspondente ao valor das mercadorias, o que, a seu ver, malfere os princípios da vedação ao confisco, da proporcionalidade, da seletividade, da progressividade e da legalidade, ao que alega que o valor da exigência fiscal é superior a todo o seu lucro bruto e até superior à sua capacidade econômica; Em outro plano, debita a não comprovação do aumento de capital da empresa ao entendimento da autoridade autuante segundo o qual os documentos contábeis da empresa são imprestáveis, ao que reputa ser curioso, já que tais documentos foram lavrados de próprio punho pelo presidente do Conselho de Contabilidade do Estado do Espírito Santo; Na mesma linha, reclama que a fiscalização não acatou a forma do documento apresentado e, em razão disso, concluiu que a sua contabilidade é imprestável porque escriturada sem o respectivo documento comprobatório; Alega jamais ter ocultado seus clientes, e que jamais praticou fraude ou tentou simular a realização de importação por conta e risco próprios, havendo cometido, de boafé, erro de interpretação, pelo que considera injusta a aplicação da multa ora combatida em valor correspondente ao das mercadorias que foram repassadas aos reais adquirentes, sendo que estes sequer foram alcançados pela fiscalização; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, solicita que seja realizada diligência na sede social da empresa com o desiderato de constatar a sua existência de fato, capacidade produtiva e corroborar todos os fatos e atos contábeis registrados no decorrer de sua existência, e que seja declarada a nulidade do Auto de Infração hostilizado. Em sua decisão, a DRJ/FNS houve por bem julgar nulo o lançamento, em virtude de vício formal, através do acórdão n° 0723.070, de 11 de fevereiro de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/07/2005 a 30/03/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. SUJEIÇÃO PASSIVA. FALTA DE RESPONSABILIZAÇÃO DOS REAIS ADQUIRENTES. PLURALIDADE DE FATOS E DE SUJEITOS PASSIVOS. AUTO DE INFRAÇÃO ÚNICO. IMPOSSIBILIDADE DE FRACIONAMENTO DO CRÉDITO EM EVENTUAL COBRANÇA EXECUTIVA. VÍCIO FORMAL. É nulo o auto de infração que deixa de qualificar como responsáveis pela satisfação da exigência, nele veiculada, todas as pessoas que foram identificadas como praticantes da infração ou que dela se beneficiaram, respeitada a unicidade, que sempre deve existir, entre a sujeição passiva e o fato gerador da exigência. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” Diante de decisão que exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos da multa de valor total, nos termos do artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997 e artigo 1º da Portaria MF n. 03, de 03 de janeiro de 2008 recorre de ofício a DRJ/FNS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, assim, dele conheço. Primeiramente, cumpre tecer alguns esclarecimentos acerca das espécies de nulidade que podem atingir os processos administrativos. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.002345/200875 Acórdão n.º 3202000.541 S3C2T2 Fl. 180 7 Existem dois tipos de vícios que podem acarretar a nulidade de um lançamento, quais sejam, os formais e os materiais. Os primeiros ocorrem quando alguma das regras procedimentais para a constituição do crédito tributário é desrespeitada, enquanto os segundos surgem se a autoridade administrativa não logra demonstrar a existência de todos os seus aspectos, conforme previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Dentre tais requisitos, podese citar a necessidade de identificar o sujeito passivo, de comprovar a ocorrência do fato gerador e de determinar a matéria tributável. Ou seja, fazse necessário delimitar os aspectos que identificam e caracterizam a infração que se pretende imputar. Como bem observou a DRJ/FNS, tendo em vista que as condutas perseguidas pelas autoridades fiscais foram praticadas por mais de um sujeito, funcionando a trading company apenas como importador de fachada, não prospera auto de infração que venha a colher apenas esse sujeito, visto que há concurso de terceiros e a lei impõe sejam também eles solidariamente responsabilizados. A diversidade de condutas e infrações também recomenda seja formalizado mais de um auto de infração, a fim de colher os sujeitos e as condutas reprimidas pela legislação fiscal. Segundo o artigo 27 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, para fins de aplicação do disposto nos artigos.77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, caso em que a responsabilidade solidária do adquirente da mercadoria estrangeira por essa infração está expressa nos termos do inciso V do artigo 95 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, que, na redação dada pelo art. 78 da Medida Provisória n° 2.15835/01. Logo, temos que a aplicação da penalidade isolada ao importador ou adquirente só é cabível nas hipóteses em que tais agentes agirem de modo isolado, sem o concurso de terceiros. Nesse sentido, dispõe os artigos 2º e 3º da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010: “Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação”. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 Ademais, no presente caso, os adquirentes das mercadorias importadas não são incógnitos, pois foram, inclusive, identificados pelas autoridades no momento da autuação, conforme consta na fls. 32 do auto de infração. Notamos, todavia, que faltou responsabilizar aqueles que supostamente teriam praticado a infração, incluindoos no polo passivo da relação obrigacional que se pretende formalizar através do lançamento. Além disso, a inclusão no polo passivo, sequer poderia ter sido feito no âmbito de um mesmo auto de infração, dada a multiplicidade de importações, que dão origem à obrigação em causa. Nesse sentido, por bem resumir o tema, vale transcrever o quanto decidido no acórdão nº 07.26204, de 30 de setembro de 2011: “EMENTA: Crédito Tributário. Lançamento. Unicidade. Cobrança. Indivisibilidade. Nulidade. O crédito tributário deve ter sua formalização efetivada com unicidade quanto a sujeição passiva e ao fato gerador da obrigação tributária que lhe deu nascimento. Vale dizer, o crédito tributário não pode ser resultado da somatória de créditos tributários decorrentes de fatos geradores próprios e específicos de distintos sujeitos passivos. É nulo, portanto, o lançamento de crédito tributário quando o quantum exigido no auto de infração é resultado da somatória de créditos exigidos de distintos sujeitos passivos em razão da ocorrência de distintos fatos geradores da obrigação tributária. Essa hipótese, por certo, não se confunde com aquelas situações em que se verifica a existência de pluralidade de sujeitos passivos, em cujo âmbito, verificase a ocorrência de fato gerador cuja repercussão, por força da norma, alcança mais de uma pessoa.” Resta evidente, portanto, que a autuação deve ser anulada, haja vista a existência de vícios que maculam a obrigação principal, comprometendo lançamento. Por conseguintes, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo integralmente a decisão da DRJ/FNS por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Voto Vencedor Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.002345/200875 Acórdão n.º 3202000.541 S3C2T2 Fl. 181 9 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Entendo não ter havido qualquer vício de natureza formal, ou mesmo material, no lançamento. O fato é que este foi direcionado ao contribuinte – aquele que promoveu a importação das mercadorias. A responsabilidade tributária do devedor solidário serve, é fato, para emprestar maior garantia ao crédito tributário, mas a sua não indicação, em termo específico, não prejudica a higidez do ato administrativo. Idêntica situação ocorre naqueles confeccionados a partir da constatação de que valores de receita foram omitidos do Fisco, quando a fiscalização, embora tenha discorrido, com fundamento em provas cabais, sobre a conduta do sócio que infringiu a lei, o contrato social ou o estatuto da pessoa jurídica, deixe de nomeálo responsável tributário pelo crédito lançado, em que pese a autorização legal conferida pelo art. 135 do CTN, que, como cediço, destinase a ampliar a sujeição passiva pela dívida tributária. Apesar de não contaminado o lançamento, a falta de indicação do responsável solidário não impede que a sua responsabilização possa vir a ser proposta, pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, em sede de execução fiscal, quando, então, se admitida a indicação pelo Poder Judiciário, lhe será aberta a possibilidade de defenderse nos embargos à execução. Pelo exposto, dou provimento ao recurso de ofício para declarar a inexistência de nulidade do auto de infração. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 44021.000269/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
MULTA. CONFISCO.INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. MULTA. CONFISCO.INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 02 1. 00 02 69 /2 00 7- 06 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 44021.000269/200706 Acórdão n.º 2402002.996 S2C4T2 Fl. 445 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por POLICOLOR PINTURAS LTDA, em face de acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.075.7440, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte de parte da empresa, destinadas a terceiros e ao financiamento do GILRAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e retiradas de prólabore. Consta do relatório fiscal que serviram de base para este levantamento, os valores constantes nas folhas de pagamento e informados a menor nas GFIPs Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social, o que resultou nas diferenças apresentadas na presente notificação O lançamento compreende o período de 01/1999 a 12/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 21/04/2007 (fls. 01). Diante dos argumentos defesa apresentados em impugnação, às fls. 176 foi determinada a realização de diligência para que fosse apurado se a relação de notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, a partir de fevereiro de 1999, continham valores das retenções de 11% (onze por cento) que deveriam ter sido compensados em suas contribuições a pagar. Sobreveio resposta no sentido de que a relação de notas fiscais apresentadas pela recorrente referiamse a notas canceladas e notas nas quais apenas se especificava o fornecimento de materiais, motivo pelo qual restou mantido incólume o lançamento. A recorrente fora intimada do resultado da diligência e, via de conseqüência, fora proferido acórdão (fls.269) que entendeu por acatar a decadência de parte do crédito, de acordo com o disposto no art. 150, 4o do CTN. Após, ter sido proferido o acórdão, antes mesmo de ter sido dele cientificado, a recorrente atravessou petição (fls. 313) na qual informa ter efetuado o pagamento do crédito tributário objeto do presente auto de Infração. Em continuidade ao processo administrativo, o contribuinte foi intimado a do v. acórdão recorrido, contra o qual interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que houve o cerceamento de seu direito defesa, uma vez que não lhe foram apresados o DAD e demais anexos do Auto de Infração, bem como o mesmo carece de motivação, clareza e objetividade; 2. que possui créditos que deveriam ter sido compensados com os valores lançados, em decorrência da retenção de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviço mediante a cessão de mãodeobra; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3. que a multa aplicada possui caráter confiscatório; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 44021.000269/200706 Acórdão n.º 2402002.996 S2C4T2 Fl. 446 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Quanto ao pedido para o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração, tenho que o mesmo mereça ser rejeitado. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de contribuições previdenciárias por ela não adimplidas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não hã que se reconhecer a nulidade do lançamento. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal, verificase que este veio devidamente acompanhado de todos os anexos do Auto de Infração, sendo dele parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Ademais, quanto a decadência, nada a prover, tendo em vista que o v.acórdão de primeira instância já a reconheceu com base no art. 150, 4o do CTN. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Assim, rejeito as preliminares. MÉRITO Melhor sorte não aufere o recurso voluntário. A alegada existência de créditos que deveriam ser compensados já fora exaustivamente analisada seja pelo fiscal autuante, seja pelo próprio acórdão de primeira instância. Numa primeira oportunidade, quando da realização da diligência fiscal, restou claro que a relação de notas fiscais nas quais sustentou o recorrente ter havido retenção não merecia prosperar. Isso porque comprovouse, mediante a juntada de tais notas no processo, que elas ou estariam canceladas, se referiam ao fornecimento de materiais, eram de pessoas físicas ou mesmo que, nelas constando a retenção de 11%, os sistemas informatizados da receita não apontam a existência do respectivo recolhimento. Logo, os autos demonstram claramente, que não há qualquer crédito a ser reconhecido à recorrente e que pudesse vir a ser compensado do lançamento do crédito tributário objeto do presente Auto de Infração. A propósito, transcrevo interessante excerto do voto condutor do v. acórdão de primeira instância (fls. 298): “Em consulta realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), não encontrei os recolhimentos das retenções. Por conseguinte, a impugnante pretende se apropriar de créditos decorrentes retenções indevidamente realizadas, as quais não foram sequer recolhidas, que resultam em evidente prejuízo ao órgão fiscalizador. Desconheço norma tributária vigente que autorize o acolhimento da tese da impugnante, a qual lhe é descabidamente benevolente.” Não obstante, cumpre apontar que a própria recorrente juntou aos autos comprovantes de pagamento que alega serem relativos aos valores lançados no presente auto de Infração. No mais, no que se refere as argumentações recursais sobre o caráter confiscatório da multa, bem com de sua desproporcionalidade, a irresignação não pode ser analisada por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso, com a determinação de que antes mesmo da execução do presente julgado, a Fl. 449DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 44021.000269/200706 Acórdão n.º 2402002.996 S2C4T2 Fl. 447 7 autoridade competente verifique se as guias de recolhimento juntadas com a petição de fls. 313 seriam aptas a efetuar a quitação do crédito lançado no presente Auto de Infração. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 450DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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