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Numero do processo: 16682.720933/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 93 3/ 20 11 -9 6 Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1302000.387 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES EMBRATEL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que nãohomologou compensações com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001. A contribuinte apresentou as Declarações de Compensação DCOMP de fls. 3/45, informando na DCOMP nº 05836.66179.160605.1.3.020051, apresentada em 16/06/2005 e retificada por meio da DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 em 01/11/2006, que do saldo negativo total de R$ 49.151.036,30, estaria utilizando a parcela original de R$ 5.228.938,80. As demais DCOMP apresentadas até 31/01/2007 indicaram como origem o crédito demonstrado na DCOMP nº 05836.66179.160605.1.3.020051. Em DIPJ a contribuinte informou a apuração de saldo negativo de R$ 49.151.036,30 (fls. 46/53), porém, consoante Parecer de fls. 88/90, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 foi reconhecido à contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270 em valor equivalente a R$ 41.113.086,04, dele remanescendo a parcela de R$ 316.857,44, após confirmação da destinação dada pela contribuinte às compensações ali pleiteadas/declaradas. Além disso, a contribuinte posteriormente consignou em DCTF que a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002 também foi liquidada mediante compensação com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Frente a tais circunstâncias, as compensações aqui declaradas não foram homologadas porque o valor restante de crédito não é suficiente sequer para quitar a estimativa de IRPJ referente a fevereiro/2002, e, portanto, não existe crédito disponível relativo ao saldo negativo de IRPJ para compensar os débitos das Dcomp citadas. Cientificada do ato de nãohomologação em 26/10/2011, a contribuinte manifestou sua inconformidade alegando que depois do pedido de restituição veiculado no processo administrativo nº 10768.011910/200270 restaralhe crédito de R$ 8.037.950,26, e assim destinou a parcela de R$ 5.228.950,26 para as compensações tratadas neste processo. Afirmou equivocada a decisão de nãohomologação uma vez que referido crédito não foi anteriormente analisado e indeferido, conforme afirmado no despacho decisório. Apresentou justificativas para os itens componentes do crédito e requereu a conversão do julgamento em diligência para confirmação das retenções junto a órgãos públicos, assim como perícia contábil para averiguação de seus registros. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que o direito creditório já foi objeto de julgamento em primeira instância administrativa, vez que a análise do saldo negativo de IRPJ é referente à totalidade do crédito. Demonstrando que o saldo negativo original de R$ 49.151.036,30 foi reduzido a R$ 41.113.086,04 por falta de comprovação das retenções por órgãos públicos, consignouse no voto condutor do julgado que já julgado o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, não há que se falar em produção de provas para a definição de seu montante, razão porque o pedido do interessado para produção de provas (documental, diligencial e pericial) não pode ser deferido, mormente tendo em conta Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1302000.387 S1C3T2 Fl. 4 3 que não foi interposto recurso voluntário contra a decisão que, proferida nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, confirmou o saldo negativo no montante de R$ 41.113.086,04. Cientificada da decisão de primeira instância em 29/06/2012 (fl. 522/523), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 31/07/2012 (fls. 524/546). Aduz que o saldo negativo utilizado nas compensações em litígio é composto por estimativas referentes a janeiro e fevereiro/2001, bem como pelas retenções sofridas em razão de serviços prestados a órgãos públicos, dado que nos meses subsequentes apurou prejuízo fiscal. Demonstra os recolhimentos e as informações prestadas em DIPJ, assevera que pleiteou a restituição da parcela de R$ 41.113.135,12 do saldo negativo, e destinoua a compensações cujo valor atualizado representou R$ 43.853.187,51. Relata que o pedido formalizado nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270 foi, inicialmente, rejeitado, mas em razão da manifestação de sua inconformidade a 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro reconheceulhe crédito no valor original de R$ 41.113.086,04. Assim, considerando o saldo negativo no valor original de R$ 49.151.036,30 e os valores históricos do crédito pleiteado e utilizado em compensações, restou lhe o montante de R$ 8.037.950,26, do qual foi destacada a parcela de R$ 5.228.938,80 destinada às compensações aqui formalizadas. Discorda do entendimento da autoridade julgadora de 1ª instância de que a totalidade do saldo negativo apurado em 2001 já havia sido analisada e integralmente utilizada para quitação de débitos nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, bem como para posterior compensação declarada nos autos do processo administrativo nº 15374.720068/200984, argumentando que o crédito pleiteado no pedido de restituição analisado naqueles autos LIMITOUSE a R$ 41.113.135,12 dos R$ 49.151.036,30 a que a Recorrente faz jus, de modo que qualquer verificação do crédito ACIMA DO PLEITEADO pela Recorrente representaria análise extra petita, e não poderia ser considerada nem tampouco imputada ao Contribuinte. Assim, deveria ser reconhecido o crédito remanescente, não utilizado nas outras compensações, uma vez que referido crédito não foi anteriormente analisado (e indeferido) conforme afirmado no despacho decisório. Sob a premissa de que seu direito creditório não foi analisado, passa à demonstração de sua origem e validade, discorrendo sobre as retenções de órgãos públicos e a possibilidade de sua dedução, bem como de sua restituição/compensação em caso de apuração de saldo negativo, e reitera seu requerimento de realização de diligência a fim de que fossem intimados os órgãos públicos para os quais prestou serviço no ano de 2001, os quais tinham obrigação legal de reter o Imposto de Renda Retido na Fonte e informar tais retenções, para que declarem os valores pagos e as retenções promovidas em face da contribuinte. Pede, também perícia contábil, formulando quesitos, para confirmação em sua escrituração dos valores retidos. Destaca, porém, que juntou à manifestação de inconformidade parte dos comprovantes de retenção na fonte enviados por órgãos públicos, e requer a juntada dos demais comprovantes, pugnando sejam considerados para a comprovação da existência do crédito. A relatoria do recurso voluntário foi, inicialmente, atribuída por meio de sorteio ao Conselheiro José Evande Carvalho Araújo. Todavia, por meio da Resolução nº 1102 000.251 (fls. 2020/2025), a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1302000.387 S1C3T2 Fl. 5 4 determinou o encaminhamento dos autos à 1ª Turma Ordinária da mesma 1ª Câmara, em cumprimento à Resolução nº 1101000.068, proferida nos autos do processo administrativo nº 15374.720068/200984 e determinando seu sobrestamento até julgamento do processo administrativo nº 16682.720933/201196 a ser distribuído por conexão ao Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Reunidos os autos, a relatoria dos recursos voluntários interpostos nos processos administrativos nº 15374.720068/200984 e 16682.720933/201196 foi atribuída ao Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, porém com sua renúncia os processos foram redistribuídos para esta Conselheira, que foi redatora do voto vencedor na Resolução nº 1101 000.068. Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1302000.387 S1C3T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argumenta que nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270 não foi analisado o direito creditório objeto de compensação nestes autos. Consoante relatado, no anocalendário 2001 a recorrente teria apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 49.151.036,30, destinando parte deste crédito a compensações nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, no qual lhe foi reconhecido crédito no valor original de R$ 41.113.086,04. Além disso, o crédito remanescente de R$ 8.037.950,26 foi compensado com a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002, no valor de R$ 2.915.192,09, bem como com débitos tratados nestes autos, correspondentes à parcela de R$ 5.228.938,80 do crédito original. No voto condutor da Resolução nº 1101000.608, exarada nos autos do processo administrativo nº 15374.720068/200984 no qual se discute o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002, esta Conselheira assim se manifestou acerca da análise do direito creditório tratado no processo administrativo nº 10768.011910/200270: O segundo ponto em discussão diz respeito à quitação da estimativa de fevereiro/2002. A contribuinte alegou que o valor total de R$ 2.915.192,09 teria sido compensado com saldo negativo do anocalendário 2001, mas a autoridade administrativa somente identificou crédito disponível para liquidação da parcela de R$ 324.873,93. No parecer que instrui estes autos (fls. 2266/2271), a autoridade competente somente se reporta à formalização da compensação da estimativa de fevereiro/2002 em DCTF, vinculada inicialmente ao processo administrativo nº 10768.011910/200270 e, posteriormente, a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Neste contexto, conclui que do direito creditório reconhecido no processo administrativo nº 10768.011910/200270 somente remanesceu a parcela de R$ 316.857,44 para compensação com a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002. A recorrente reportase ao processo administrativo nº 16682.720933/201196 e, em consulta aos seus autos digitalizados, é possível verificar que ali estão tratadas DCOMP apresentadas para utilização da parcela de R$ 5.228.938,80 do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, cujo valor original seria de R$ 49.151.036,30. De forma semelhante, a autoridade administrativa, ao apreciar aquelas compensações, reafirmou que do direito creditório reconhecido no processo administrativo nº 10768.011910/200270 somente remanesceu a parcela de R$ 316.857,44, já utilizada em compensação com a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002, nos autos do presente processo. Desta forma, concluiu por não homologar as compensações veiculadas naqueles autos (fls. 88/90 do processo administrativo nº 16682.720933/201196). Referida decisão foi mantida pela DRJ/Rio de JaneiroI, cujo voto condutor, reportandose ao que decidido no processo administrativo nº 10768.011910/200270, exteriorizou a seguinte conclusão: 28. Dessa forma, já julgado o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, não há que se falar em produção de provas para a definição de seu montante, razão por que o pedido do interessado para produção de provas (documental, diligencial e pericial) não pode ser deferido. 29. Por fim, cabe assinalar que, proferida a decisão de primeira instância, é perante a segunda instância que deve ser interposto recurso buscando a sua reforma. Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1302000.387 S1C3T2 Fl. 7 6 30. Todavia, para o citado processo 10768.011.910/200270 (que foi desarquivado em 01.04.2008), não há registro de Manifestação de Inconformidade, o que sinaliza que a decisão de primeira instância, a princípio, se tornou definitiva na esfera administrativa (consulta Comprot às fls.493/502). Ante a alegação da recorrente, nestes autos, que não teria pleiteado todo o saldo negativo nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, e que necessária seria a reunião destes autos ao de nº 16682.720933/201196, o I. Relator observou que a decisão proferida pela DRJ/Rio de JaneiroI, nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, teria sido ultra petita, pois, embora reconhecendo que a contribuinte somente pleiteara R$ 41.113.135,12 do crédito total de R$ 49.151.036,30, imiscuiuse a turma julgadora, inexplicavelmente, no próprio mérito deste sobressalente importe, à medida que afirmou que a DIPJ/2002 deveria ser retificada, pela interessada, para que figurasse o saldo negativo de IRPJ recalculado. Frente a esta situação, o I. Relator destacou que o colegiado recorrido, no âmbito daqueloutro processo administrativo, deu por decidir sobre parcela creditória que sequer havia sido requerida, glosandoa de ofício, a seu talante, e concluiu que a contribuinte deveria ter interposto o devido Recurso Voluntário, com o objetivo de reformar o aresto irregular, ou seja, que a intromissão dos julgadores a quo no mérito do saldo credor de R$ 8.037.950,26 (oito milhões, trinta e sete mil, novecentos e cinquenta reais e vinte e seis centavos) deveria ter sido posta em xeque. Neste ponto, ouso divergir do I. Conselheiro. Isto porque assim já me manifestei ao proferir o voto condutor do Acórdão nº 110100.382: Neste ponto, esclareçase que desde a edição da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, a autoridade administrativa não tem mais competência de restituir indébitos tributários sem o prévio pedido do interessado, em razão da supressão do inciso III, antes contido no art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 210/2002: Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002: Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III – de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). Assim, o remanescente do crédito permanece disponível nos sistemas de controle da RFB até que a interessada manifestese quanto à sua utilização em compensação, ou recebimento em espécie. E, somente se isto se der em valor superior àquele que restou disponível, haverá interesse processual na discussão da real existência do montante total de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, cumprindo à autoridade preparadora transportar para novos autos todos os elementos de convicção que resultaram na apuração do crédito original de R$ 5.286.925,66, com vistas a processarse regularmente a defesa e o julgamento da matéria. Ausente qualquer ato da interessada relativamente ao crédito não utilizado em compensação, a discussão de seu efetivo valor somente se processaria em tese, sem qualquer efeito prático, o que, aliás, vislumbrase no próprio pedido que encerra o recurso voluntário: Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1302000.387 S1C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, requer a improcedência do Acórdão 03 30.469 da 2a Turma da DRJ/BSB no sentido de ser reconhecido, à CEB o total dos créditos informados a título de Saldo Negativo de IRPJ no ano calendário 2002 na DIP3 2003. Por estas razões, firmase, aqui, entendimento diverso daquele contido na decisão recorrida, que analisou a formação do direito creditório antes referido por vislumbrar ato de reconhecimento parcial daquele, e conseqüente glosa do excedente, passível de contestação no âmbito administrativo. O despacho decisório proferido pela DIORT/DRF Brasília cuidou de apenas homologar as compensações declaradas, respondendo favoravelmente à pretensão da interessada deduzida na apresentação das DCOMP. Logo, não há qualquer discordância que possa permitir a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal. Diante deste contexto, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. Em outras palavras, só tem interesse em recorrer quem teve sua pretensão resistida. Nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, a contribuinte pleiteou restituição no valor de R$ 41.113.135,12, a ela vinculou compensações, e teve reconhecido quase que integralmente aquele valor pela DRJ/Rio de JaneiroI, que admitiu a existência de saldo negativo de IRPJ, em 2001, no valor de R$ 41.113.086,04. Este valor, como se infere das conclusões aqui exaradas pela DERAT/RJ, foi suficiente para liquidar as compensações vinculadas àquele processo, remanescendo saldo original de R$ 316.857,44. Diante deste contexto, entendo que somente se tornou definitivo o não reconhecimento da parcela de R$ 49,08, correspondente à diferença entre o valor pleiteado (R$ 41.113.135,12) e o valor reconhecido (R$ 41.113.086,04), relativamente à qual a contribuinte não apresentou recurso voluntário nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270. No âmbito de restituição, ressarcimento ou compensação, a autoridade julgadora de 1a instância somente é competente para apreciar manifestações de inconformidade contra atos das autoridades locais, cuja atuação está, por sua vez, limitada ao que é requerido ou declarado pelo sujeito passivo. Assim, a autoridade julgadora de 1a instância pode até recomendar que o sujeito passivo promova a adequação de sua apuração original às constatações que integram a fundamentação do voto condutor do acórdão, de modo a evitar a prática de atos que possivelmente serão contestados administrativamente. Mas este cuidado, de forma alguma, pode ser interpretado como uma decisão acerca de algo que não havia sido, sequer, apreciado pela autoridade local, à qual a lei atribui a competência inicial para análise de créditos pleiteados ou utilizados pelos sujeitos passivos. De fato, a autoridade julgadora de 1a instância não tinha conhecimento da destinação dada pela contribuinte à parcela remanescente do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001. Tanto o é que o dispositivo da decisão administrativa limitase a deferir parcialmente o direito creditório ali pleiteado e a determinar sua imputação às compensações declaradas naqueles autos: Isso posto, voto para que a solicitação seja deferida em parte, reconhecendose ao interessado o direito creditório no valor de R$ 41.113.086,04, bem como, para que, até este limite, seja homologada a compensação declarada, com fins à extinção dos débitos abaixo, reprisese, até o limite do valor do direito creditório ora reconhecido (grifos e sublinhas nossos). Por sua vez, a análise do saldo negativo por inteiro, a partir do valor originalmente informado na DIPJ, ou na escrituração do sujeito passivo, é a única forma de aferição da existência deste tipo de crédito. Assim, quer o pedido seja integral, quer seja parcial, a análise sempre terá como referência a apuração original do sujeito passivo na íntegra. Apenas que, o resultado daí decorrente será reconhecido até o limite do Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1302000.387 S1C3T2 Fl. 9 8 pleito da interessada, e o interesse de recorrer somente se verificará se este reconhecimento for inferior ao que pleiteado. Do contrário, o questionamento será formulado quando, em análise de outra pretensão da interessada, houver resistência por parte da autoridade administrativa competente. Assim, no presente caso, entendo que a recorrente tem, sim, interesse em debater a constituição do saldo negativo do anocalendário 2001, pois apenas com a edição do Parecer de fls. 2226/2271, a ela cientificado em 27/10/2011, foi manifestada contrariedade à compensação por ela promovida entre aquele crédito e a estimativa de IRPJ apurada em fevereiro/2002. Por esta razão, passo ao exame da inadmissibilidade desta compensação. [...] Nestes termos, não tem razão a recorrente quando aduz que não foi analisado o direito creditório utilizado nas DCOMP tratadas nestes autos. A autoridade fiscal abordou por inteiro o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001 quando analisou o direito creditório pleiteado nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, e expressou suas razões para reduzilo a R$ 41.113.086,04. Todavia, a partir do momento em que a autoridade fiscal negou homologação a compensações em razão daquela apuração, o sujeito passivo tem o direito de contestála administrativamente, e assim regularmente procedeu nestes autos. Portanto, adotase aqui entendimento diferente daquele que orientou a decisão recorrida, declarandose a preclusão do direito de a contribuinte discutir, apenas, a parcela de R$ 49,08 do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, correspondente à diferença entre o valor pleiteado nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/2002 70 (R$ 41.113.135,12) e o valor reconhecido e confirmado em decisão de 1ª instância contra a qual não foi interposto recurso voluntário (R$ 41.113.086,04). Em consequência, passase à análise das provas que, no entender da recorrente, legitimariam o direito creditório correspondente à diferença entre o valor do saldo negativo original (R$ 49.151.036,30) e aquele antes pleiteado (R$ 41.113.135,12). Às fls. 54/63 consta a decisão de 1ª instância proferida nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, na qual está relatado que a autoridade fiscal não reconhecera nenhuma parcela do saldo negativo alegado pela contribuinte porque esta não atendeu à intimação para esclarecer a origem dos valores constantes na planilha de fls. 03, na qual foi indicado IRPJ em valor diferente daquele apurado em DIPJ, bem como para apresentar comprovação do imposto retido na fonte por órgão público. Frente aos esclarecimentos apresentados em manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de 1ª instância confirmou as retenções da fonte, exceto as promovidas por órgãos públicos, bem como os recolhimentos de estimativas, concluindo que o saldo negativo passível de compensação deveria ser reduzido de R$ 49.151.036,30 para R$ 41.113.086,04, em razão da exclusão das parcelas de R$ 6.808.442,21 e R$ 1.229.508,05 correspondentes às retenções de órgãos públicos deduzidas, respectivamente, no ajuste anual e na apuração de estimativas. Assim, para ver legitimadas as compensações tratadas nestes autos, cumpriria à recorrente demonstrar as retenções promovidas por órgãos públicos ao longo do anocalendário 2001. Ao manifestar sua inconformidade, a contribuinte juntou os elementos de fls. 254/479 correspondentes a informes de rendimento e outros documentos referentes a operações com órgãos públicos (código de retenção 6190). Em recurso voluntário, outros elementos foram agregados às fls. 547/2007. Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1302000.387 S1C3T2 Fl. 10 9 Na DIPJ apresentada pelo sujeito passivo, observase que na Ficha 43, destinada ao Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, somente foram relacionadas as retenções sofridas em razão de rendimentos de aplicações financeiras e de juros sobre o capital próprio. As retenções promovidas por órgãos públicos foram descritas apenas por ocasião da apresentação da DCOMP, e na declaração retificadora nº 29481.35085.011106.1.7.025159 constatase que as retenções indicadas sob código 6190 totalizariam, para fins de dedução na apuração do IRPJ, R$ 8.037.913,33. Ocorre que inconsistências verificadas na comparação dos documentos juntados às fls. 254/479 e 547/2007 com as retenções indicadas na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159, impedem uma análise conclusiva acerca do direito creditório pretendido pela recorrente. Isto porque, de um lado, constatase diversos informes de rendimento referentes a fontes pagadoras que não foram indicadas pela contribuinte na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 (como por exemplo os documentos de fls. 271/275, 277, 337, 338/342 e 343), e de outro lado retenções indicadas na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 e vinculadas a CNPJ cujos informes de rendimento não foram apresentados pela contribuinte, sendo que muitas vezes as divergências se referem à unidade do órgão público referenciada nos elementos confrontados. Além disso, mesmo nos casos em que há coincidência entre os CNPJ informados na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 e indicados nos comprovantes de retenção, há descompassos significativos de valores, como por exemplo no documento de fl. 276, emitido pela fonte pagadora DIRETORIA DE ELETRONICA E PROTEÇÃO AO VO (CNPJ 00.394.429/004874), que indica retenções no valor total de R$ 1.956.473,99, da qual se destacaria o equivalente a 4,8% da retenção total de 9,45% para fins de dedução no âmbito da apuração do IRPJ1, ou seja, R$ 993.764,57, ao passo que na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 a retenção que teria sido aproveitada desta fonte pagadora corresponderia a R$ 8.338,03. Observase, ainda, que em caso no qual a retenção informada na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 foi associada apenas à matriz da fonte pagadora (Banco Central do Brasil CNPJ nº 00.038.166/000105), as retenções totalizadas a partir dos informes de rendimentos emitidos por diferentes unidades do órgão público em favor de diversas filiais da contribuinte (fls. 254/270) são divergentes do imposto deduzido pela contribuinte. Tais informes de rendimento indicam retenção total de R$ 377.741,98, e destacandose deste montante a parcela correspondente ao imposto de renda (4,80% da retenção total de 9,45%, como já dito), o valor passível de dedução seria de R$ 191.868,94, superior ao informado como dedução pela contribuinte (R$ 129.090,71). Inferese do exposto que a contribuinte provavelmente não fez constar na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 a identificação correta das fontes pagadoras que promoveram retenções em seu desfavor ao longo do anocalendário 2001. A análise acima referida denota que várias outras unidades pagadoras se valeram dos serviços da recorrente e lhe remuneraram serviços de telefonia, promovendo a correspondente retenção. Assim, é imperioso que a contribuinte regularize a relação das fontes pagadoras e das retenções sofridas e aproveitadas na apuração do IRPJ do anocalendário 2001 (inclusive nas estimativas de janeiro e fevereiro), para que os comprovantes de retenção possam ser avaliados. 1 A Instrução Normativa Conjunta SFC/SRF/STN nº 23/2001 estabelece para serviços de telefonia a retenção total de 9,45%, integrada pelo percentual de 4,80% a título de imposto de renda. Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1302000.387 S1C3T2 Fl. 11 10 Ressaltese, também, que consoante manifestado por esta Conselheira no voto condutor da Resolução nº 1101000.068, nos casos de retenções de órgãos públicos, é possível provar a ocorrência não só por meio da apresentação dos informes/comprovantes de rendimentos, mas também por outros documentos contábeis que evidenciem o valor do serviço prestado e a retenção sofrida. Embora o informe de rendimentos seja o documento previsto em lei como prova da retenção, o beneficiário não pode ser prejudicado pela omissão da fonte pagadora, e pode construir provas alternativas àquela que não lhe foi possível reunir. Para tanto, porém, não se prestam os extratos do sistema SIAFI que sequer indicam o CNPJ da fonte pagadora, como se vê às fls. 278/332, mas estão associados a um documento fiscal que poderia ser apresentado juntamente com aquele registro financeiro para demonstrar a operação e a retenção sofrida, e distinguila de outras que poderiam estar computadas em informes/comprovantes de rendimento. Em suma, embora o beneficiário não possa, de fato, ser penalizado por ato da fonte pagadora, nem por isso está desobrigado de provar, por outros meios, a retenção sofrida. Por tais razões e considerando que o início de prova documental apresentado pela recorrente aponta no sentido de que há retenções promovidas por órgãos públicos passíveis de dedução na apuração do IRPJ devido nas estimativas de janeiro e fevereiro/2001, bem como no ajuste do anocalendário 2001, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que se exija a apresentação, pela contribuinte, de relatório detalhado das retenções aproveitadas nos períodos em referência, indicando o CNPJ da fonte pagadora e o valor dos serviços e da retenção correspondente, bem como apontando a origem da informação, juntando aos autos os informes de rendimento eventualmente não anexados às defesas administrativas, ou apresentando à autoridade fiscal, para conferência, os registros fiscais e contábeis que demonstrem as retenções sofridas. Atentese, ainda, para a necessidade de análise conjunta deste e do processo administrativo nº 15374.720068/200984, cujo direito creditório é afetado pelas compensações aqui em debate. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010672/2002-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO.
O ônus probatório da certeza e liquidez do crédito tributário é de quem o pleiteia. Não sendo comprovado o direito creditório, deve ser negado o pedido de ressarcimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O ônus probatório da certeza e liquidez do crédito tributário é de quem o pleiteia. Não sendo comprovado o direito creditório, deve ser negado o pedido de ressarcimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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(incorporadora de CALÇADOS ANIGER NORDESTE LTDA.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O ônus probatório da certeza e liquidez do crédito tributário é de quem o pleiteia. Não sendo comprovado o direito creditório, deve ser negado o pedido de ressarcimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 06 72 /2 00 2- 20 Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.010672/200220 Acórdão n.º 9303003.304 CSRFT3 Fl. 1.258 2 Relatório Cuidase de recurso especial fundado no art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF 256/09, interposto em face do acórdão nº 210100.046, prolatado em 06/05/2009, que negou provimento ao recurso voluntário por ausência de liquidez e certeza quanto ao crédito vindicado. O recorrente indica dissensão interpretativa em relação aos acórdãos 204 02.186, quanto à higidez do crédito requerido, mormente a prova documental e correção monetária; e 380301.722, referente à aplicação da taxa Selic sobre o valor ressarcido. A comprovação da divergência se faz pela juntada de inteiro teor das decisões conforme documentos de fls. 1.076/1.104. Eis a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. CRÉDITOS BÁSICOS. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. INDEFERIMENTO. Incumbe a requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em no o fazendo, tornase impossível o acolhimento da pretensão. Recurso negado. O contribuinte apresentou recurso especial, que foi admitido apenas em relação à certeza e liquidez do crédito pleiteado. A PGFN apresentou contrarrazões, onde pede a manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conheço o recurso e passemos à análise do mérito. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.010672/200220 Acórdão n.º 9303003.304 CSRFT3 Fl. 1.259 3 O direito ao crédito básico de IPI decorrente da industrialização por encomenda depende do cumprimento de certas formalidades contidas no Regulamento do IPI. No presente caso, o cumprimento das formalidades não foi devidamente comprovado, nos termos da legislação, conforme demonstra, em seu detalhado voto, o relator da instância a quo, Antônio Zomer. Usarei como razões de decidir, o conteúdo do seu voto, em relação à parte probatória. O ressarcimento do IPI é beneficio fiscal que pode ser deferido apenas para a empresa que seja contribuinte deste imposto. E contribuinte do IPI é o estabelecimento responsável pela operação industrial, mesmo que realizada em estabelecimento de terceiro, alugado, arrendado ou por qualquer outro meio cedido para a fabricação de seus produtos (PN nº 124/74). Quando a industrialização é feita em estabelecimentos de terceiros, a empresa não é contribuinte direta mas por equiparação. A operação que equipara a recorrente a estabelecimento industrial e, portanto, que a torna contribuinte do IPI, esta prevista inciso IV do art. 9º do RIPI/98 e do RIPI/2002, nos seguintes termos: "Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: (...) IV Os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso III, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 33ª);" Todo contribuinte deve atentar para as normas constantes do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98 – Ripi/98 e Decreto nº 4.544/2002 – Ripi/2002), pois que, sem a sua observância, não se pode receber os incentivos fiscais relativos a este imposto, como o ressarcimento de créditos, sejam eles básicos ou presumidos. As normas de controle dos insumos, quando a industrialização é feita fora estabelecimento adquirente e exportador dos produtos fabricados por terceiros, são ainda mais rígidas do que aquelas que devem sem cumpridas pelos estabelecimentos industriais. Na industrialização por encomenda, o direito de escrituração dos créditos exige do equiparado a industrial um rigoroso controle documental das operações industriais, sem o qual não haverá saldo credor a ser ressarcido com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99. O AuditorFiscal não inventa os controles contábeis que exige da empresa. Ao contrario, só exige aqueles que estão previstos nas normas pertinentes à escrituração das empresas que pretendem requerer o ressarcimento de créditos do IPI. Não tem sentido, pois, reclamação de que houve excessivo rigor formal por parte da fiscalização, quando esta registrou a falta de coerência da escrituração contábil da empresa, no que tange à Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.010672/200220 Acórdão n.º 9303003.304 CSRFT3 Fl. 1.260 4 emissão de notas fiscais, ao controle de estoques e a movimentação de insumos e produtos acabados entre o seu estabelecimento e o da prestadora dos serviços de industrialização. Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agregase a documentação que deve ser emitida quando da movimentação cios insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estenderse ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retorno dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade física dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceuse uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 160/189 . Entre elas, destacase a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e viceversa. Se a requerente do credito de IPI não mantém os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na fabricação dos produtos exportados, não há que se falar em direito ao ressarcimento do crédito presumido. Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meio dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.010672/200220 Acórdão n.º 9303003.304 CSRFT3 Fl. 1.261 5 O que se tem é uma empresa que adquiriu insumos e exportou calçados, registrando estas operações nos livros contábeis próprios. Não se tem, todavia, a prova de que o processo industrial foi, de fato, desenvolvido pela Cocalqui sob encomenda da Calçados Aniger, porque não se tem nem mesmo a comprovação de que os insumos adquiridos por esta foram utilizados no processo de industrialização realizado por aquela. O bom senso das autoridades fiscais não pode ir além do que dispõe o regulamento do 1P1 e as demais normas que tratam da matéria. Em se tratando de incentivo fiscal, a prova não se faz por presunção mas de forma direta. E os documentos examinados pela fiscalização e aqueles juntados aos autos pela empresa não foram suficientes para demonstrar onde e para que finalidade foram utilizados os insumos adquiridos por meio das notas fiscais apresentadas. A falta desta comprovação, outrossim, não pode ser suprida pela visita do AuditorFiscal ao estabelecimento fabril da recorrente, que se presta para a averiguação da existência efetiva do processo industrial, constatação esta que, por si só, não garante o direito ao ressarcimento. O indeferimento do ressarcimento dos créditos, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está a firmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido existência efetiva cio processo industrial, constatação esta que, por si só, não garante o direito ao ressarcimento. O indeferimento do ressarcimento dos créditos, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. 0 que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculada das remessas de insumos e do retorno dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao credito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim – CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul cio pais, no município de Campo Bom RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.010672/200220 Acórdão n.º 9303003.304 CSRFT3 Fl. 1.262 6 fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrario podem surgir, não porque os AuditoresFiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão esta correta e a outra errada, ou viceversa, pois ambas foram proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Como ficou demonstrado no voto transcrito acima, não houve a comprovação do direito creditório ora pleiteado. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre da distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo, como dito no parágrafo anterior. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, quem pleiteia um crédito é quem deve provar o seu direito, conforme preceitua a legislação de regência do tributo, no caso, o RIPI. Não apresentando a documentação exigida pelo regulamento, não há como se deferir o pedido de ressarcimento. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.911277/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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Recorrente FAURECIA AUTOMOTIVE DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por FAURECIA AUTOMOTIVE DO BRASIL LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Curitiba que concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade acerca de pedido de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ referente a setembro de 2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 11 27 7/ 20 09 -7 3 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.911277/200973 Resolução nº 1401000.354 S1C4T1 Fl. 153 2 No PER/DCOMP, solicitase compensação de crédito no valor de R$ 1.017.862,72. Alegase que esta é a diferença entre os valores do DARF pago (R$ 1.255.611,66) e o apurado a título de IRPJ a pagar no referido mês (R$ 237.784,94). A DRF/Curitiba não homologou a compensação porque constatou que o DARF já tinha sido utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte. Isso porque o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ do mês de setembro/2004 informado na respectiva DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, a empresa retrucou que houve erro no preenchimento da DCTF original. Afirma que o correto teria sido vincular o pagamento apenas até o limite do valor do débito, restando, assim, o referido crédito como pagamento a maior. Nada obstante, a 1ª Turma da já mencionada DRJ/Curitiba proferiu o Acórdão nº 0635.423, de 02 de fevereiro de 2012, por meio do qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. Alegação de erro de preenchimento na DCTF, pretendendo que o Débito lá confessado seja reduzido em seu valor, de tal forma a restar saldo do pagamento anteriormente vinculado, que, por sua vez, é informado na condição de Crédito em PER/DCOMP não homologado, deve estar pautada em provas inequívocas de que o Débito, de fato, é menor do que o originalmente confessado. Assim, não pode ser reconhecido Direito Creditório alegado como originado de erro de preenchimento de DCTF, quando esse erro não é devidamente comprovado, havendo incerteza quanto ao Crédito pretendido. Cumpre esclarecer que a instância a quo, inicialmente, verificou que pesava incerteza quanto ao correto valor do débito (se era de R$ 237.784,94 ou de R$ 1.255.611,66). Por isso, converteu o julgamento em diligência para que se intimasse a interessada a apresentar cópias autênticas de sua escrituração onde estivesse assentado o balancete ou balanço de suspensão do mês de setembro de 2004. De posse dessas cópias, a própria DRJ constatou que as contas nas quais deveria estar retratado o IRPJ a ser pago naquele mês ("98101PROVISÃO P/IRPJ E CSSL" e "21301006IRPJ A RECOLHER") figuravam com valores zerados. Assim, concluiu que a escrituração contábil entregue só aumentou aquela incerteza e decidiu pela improcedência do pedido. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual deduz os seguintes argumentos: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.911277/200973 Resolução nº 1401000.354 S1C4T1 Fl. 154 3 1) A Faurecia adotou como critério que os valores pagos de IRPJ por estimativas no ano de 2004 (Código da Receita 2362) fossem contabilizados na conta do n° Ativo 11230057 IRPJ2004 (anexo III). 2) Referente ao pagamento do mês de Setembro/2004, como demonstrado no Livro Diário n° 75, Volume 6, Página 4455 (anexo III), foi efetuado o recolhimento no valor de R$ 1.255.611,66 (Anexo IV) e contabilizado na conta contábil 11230057, sob os números de lançamentos CP0083765 e CP0083766, por se tratar de pagamento de estimativa. 3) Na ocasião do preenchimento da DIPJ 2005, ano calendário 2004, constatou se que o valor devido do mês de Setembro/2004 era de R$ 237.784,94 conforme demonstrado em Livro LALUR (Anexo V). Sendo assim no dia R$ 30/11/2005, foi solicitado o pedido de restituição através do PERD/COMP n° 33199.15762.301105.1.2.040046 do valor pago a maior R$ 1.017.826,72, conforme demonstrado no Livro Diário n° 137, Página 612 (anexo VI). Antes de vir para minha relatoria, o processo foi distribuído para a Terceira Seção de Julgamento desta Casa. A 2ª TO da 4ª Câmara daquela Seção, por meio do Acórdão nº 3402002.593, não conheceu do recurso e declinou da competência em favor desta Seção. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Pelo que foi relatado, verificase que a decisão recorrida baseou sua decisão tão somente no fato de constatar que as contas nas quais deveria estar retratado o IRPJ a ser pago figuravam com valores zerados. Assim, a partir dessa constatação nas cópias de extratos dos livros contábeis apresentados pela interessada, decidiu pelo indeferimento do pleito. No entanto, penso haver verossimilhança nas alegações da recorrente. A conversão do julgamento em diligência, pela DRJ, não determinou que a unidade de origem fizesse uma verificação das razões alegadas na manifestação de inconformidade a partir do confronto dos dados colhidos na escrituração da empresa com os contidos nos sistemas de informações da Receita Federal. Mas, sim, determinou a intimação para a apresentação das cópias do balancete ou balanço de suspensão e, uma vez apresentados, tirou suas próprias conclusões. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.911277/200973 Resolução nº 1401000.354 S1C4T1 Fl. 155 4 Por isso, considero pertinente a juntada de prova documental em momento posterior à manifestação de inconformidade. Com efeito, a alínea "c", do § 4º, do artigo 16, do PAF, assim dispõe: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Os anexos juntados com o recurso voluntário servem, justamente, para contrapor as razões da decisão recorrida. E, aparentemente, houve a apuração (no LALUR) de um valor de IRPJ a pagar equivalente a R$ 237.784,93 (fls. 138). Outrossim, a DIPJ contida nos autos (fls. 67 e 69) indica que esse foi o valor considerado na apuração do ajuste no respectivo anocalendário. A jurisprudência do CARF já é pacífica quanto ao direito ao indébito da estimativa paga a maior. Confirase: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Contudo, nos termos do artigo 170 do CTN, é necessário aferir a certeza e liquidez do direito creditório. Quando existem dúvidas sobre a existência do direito investigado na lide, a diligência pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora. Nesse sentido, confirase o que diz o artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifei) Assim, entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência para que a unidade de origem promova a efetiva verificação dos seguintes elementos: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.911277/200973 Resolução nº 1401000.354 S1C4T1 Fl. 156 5 a) se a apuração contida na DIPJ (fls. 67 e 69), a qual considera uma estimativa de R$ 237.784,93 no mês de setembro, corresponde ao ajuste efetivamente apurado no anocalendário de 2004; b) se existe DIPJ retificadora daquela juntada na manifestação de inconformidade; c) se o DARF apresentado efetivamente foi computado nos sistemas de informação da Receita Federal; e d) se o crédito foi aproveitado em outro processo de compensação. Concluídas essas verificações, devese produzir um relatório circunstanciado em que se determine o valor possível de ser restituído a título de estimativa paga indevidamente. Depois, promover a ciência à empresa dos elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10920.721961/2012-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-003.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 19 61 /2 01 2- 75 Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.437 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2302003.542, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 03 de dezembro de 2014 (efls. 3257 a 3314). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ENQUADRAMENTO DE SEGURADOS EMPREGADOS. NECESSIDADE DE DESCRIÇÃO DOS REQUISITOS ESSENCIAIS. IMPOSSIBILIDADE DE GENERALIZAÇÃO OU ABSTRAÇÃO TOMANDO POR BASE A PROFISSÃO, MORMENTE QUANDO SE TRATA DE PROFISSIONAL LIBERAL QUE PRESTA SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL É SÓCIO. MÉDICOS EM HOSPITAIS. O lançamento que desconsidera o contrato celebrado entre hospital e sociedade médica para enquadrar os sócios da sociedade médica como segurados empregados do hospital deve Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.438 3 conter a descrição da presença cumulativa de todos requisitos essenciais da relação de emprego, sendo necessário para tanto que se indique quem prestou o serviço e como este se realizou, com menção às particularidades da atividade de cada profissional, quando existentes, e como o empregador exerceu o seu poder diretivo. Para a configuração da relação de emprego não basta a mera generalização ou abstração simplesmente por se tratar de atividade hospitalar e pelo prestador do serviço ser médico sócio de sociedade médica formalmente contratada, salvo na hipótese de impossibilidade de individualização das situações por omissão da sociedade ou da empresa contratante na apresentação de documentos ou na hipótese destes se mostrarem deficientes (art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212/91; e art. 148 do CTN). Não se nega a necessidade de o hospital manter segurados empregados, inclusive médicos, para assegurar um mínimo de organização das atividades, mas também não se impõe fática e juridicamente que todos os médicos ou prestadores de serviço devam ser, necessariamente, empregados. Cumpre à fiscalização individualizar as atividades dos segurados que, como profissionais liberais, não raras vezes exercem suas atividades com liberdade e autonomia, inclusive por intermédio de suas próprias sociedades médicas. Recurso Voluntário Provido em Parte DECISÃO: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento, por vício material, os fatos geradores decorrentes da descaracterização da prestação de serviços por pessoas jurídicas, porque não restou suficientemente demonstrada a fundamentação fática da existência dos pressupostos da relação de emprego entre cada um dos sócios das pessoas jurídicas contratadas e a recorrente. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, que entenderam por negar provimento ao recurso. Por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.333.4516, lavrado no CFL 68, para excluir os fatos geradores relativos à descaracterização da prestação de serviços por pessoa jurídica, devendo, nos fatos geradores remanescentes, a multa aplicada ser recalculada, tomandose em consideração as disposições contidas no artigo 32A,I da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor da multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao contribuinte, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, c do Código Tributário Nacional. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, que entenderam por negar provimento ao recurso, no que se refere à exclusão dos fatos geradores decorrentes da prestação de serviço por pessoas jurídicas. Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao cancelamento da isenção patronal das contribuições previdenciárias, porque a recorrente não cumpriu com os requisitos exigidos pela legislação, por período de regência. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.439 4 Enviados os autos à Fazenda Nacional em 25/02/2015 (efl. 3316) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 08/04/2015 (e fl. 3327), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 3317 a 3326). Alegase, no pleito, após errônea menção ao Acórdão CARF 230200.761, divergência em relação ao decidido, em 03/12/2009, no Acórdão 240100.784, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, bem como ao decidido pela 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais através do Acórdão CSRF 9.20202.086, prolatado em 22 de março de 2012, de ementas e decisões a seguir transcritas, visto que adotados como paradigmas, na forma do art. 67, §7o. do referido Anexo II ao RICARF. Acórdão 240100.784 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP. INFRAÇÃO. A empresa é obrigada a declarar mensalmente na Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) os dados cadastrais, a totalidade dos fatos geradores ocorridos e outras informações de interesse para a Previdência Social. OBRIGATORIEDADE DE CONCESSÃO PELO FISCO DE PRAZO PARA O SUJEITO PASSIVO CORRIGIR A INFRAÇÃO ANTES DE EFETUAR A LAVRATURA. INEXISTÊNCIA. Não há previsão legal para que a autoridade fiscal, antes de aplicar a penalidade, faculte ao sujeito passivo corrigir infração verificada durante a ação fiscal. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. IRRELEVÂNCIA PARA FINS DE APLICAÇÃO DA MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. A responsabilidade por infração à legislação tributária independe da intenção do agente ou do resultado da conduta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2006 Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.440 5 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME POR ÓRGÃO ADMINISTRATIVO DE JULGAMENTO. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: Por unanimidade de votos deuse provimento parcial ao recurso para, recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, para as competências nas quais ocorreu lançamento da obrigação principal e o nos termos do art. 32A, II, da Lei n.º 8.212/1991, para as competências em que não houve lançamento da obrigação principal. Acórdão CSRF 920202.086 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/09/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.441 6 pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso especial negado. Decisão: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) haveria de se aplicar, à situação fática, o art. 35A da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, quando da comparação da penalidade mais benéfica ao contribuinte. devendo ser efetuado o seguinte cálculo: somar as multas aplicadas na sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV, da norma revogada) e comparar o resultado desta operação com a multa prevista no art. 35A da mesma Lei no. 8.212, de 1991, introduzido pela Medida Provisória no. 449, de 2008, e que remete ao art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (percentual de 75%). Rejeita, assim, a comparação feita separadamente pelo vergastado entre a multa prevista no art. 32, IV e §5o. da norma revogada com o novo art. 32A da Lei no. 8.212, de 24 de 1991, aplicandose aqui a norma mais benéfica ao contribuinte; b) Entende restringirse o art. 32A do diploma, citado pelo vergastado, ao lançamento de multa isolada quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do caput do art. 32 da mesma Lei no. 8.212, de 1991, sob pena de bis in idem. Entende que, sempre que houver lançamento das contribuições previdenciárias vinculado ao descumprimento das obrigações principal e acessória, há que se utilizar, agora, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, o teor do art. 35A daquele diploma, consoante o cálculo acima mencionado. Ressalta, ainda, entender que o art. 44, I da Lei no. 9430, de 1996, referenciado pelo mencionado art. 35A, abarca tanto a conduta de descumprimento da obrigação principal como da acessória. Requer, assim, que seja conhecido o recurso e lhe seja dado provimento recurso, a fim de que prevaleça a forma de cálculo defendida no item "a" supra, para aplicação da multa mais benéfica O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 3329 a 3333. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 23/04/2015 (efl. 3337), a contribuinte apresentou, em 07/05/2015, Recurso Especial de sua Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.442 7 iniciativa de efls. 3340 a 3358. Todavia, a tal recurso se deu seguimento somente quanto à matéria de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, consoante despachos de efls. 3422 a 3428. Quanto à matéria admitida, o contribuinte alega divergência em relação ao decidido, em 17/09/2014, no Acórdão 3403003.271, de lavra da 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 3a. Seção deste CARF, bem como ao decidido pela 3a. Cãmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 10323.566, prolatado em 17 de setembro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 3.403003.271 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 MERCADORIAS IMPORTADAS. REVENDA SAÍDAS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. SUSPENSÃO. INAPLICABILIDADE. Só fazem jus ao benefício da suspensão ao componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, nas respectivas saídas promovidas por estabelecimento industrial ou por comerciais atacadistas, quando adquirem produtos resultantes da industrialização por sua encomenda, àquele equiparado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Decisão: Por maioria de de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a incidência de juros sobre a multa de lançamento de ofício. Vencidos o Relator e o Conselheiro Paulo Roberto Stocco Portes, que negaram provimento na íntegra. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Acórdão CSRF 10323.566 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Essa regra aplicase também à CSLL por força da Súmula nº 8 do STF. Acolhese a argüição de decadência em relação ao anocalendário de 1997. Assunto: Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.443 8 Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1997, 1998, 1999 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE Aplicase ao lançamento formalizado como decorrência o resultado do julgamento proferido no processo que lhe deu origem, tendo em vista o liame fático que os une. Decisão: Por maioria de votos, acolheram a preliminar de decadência relativamente ao ano 1997, vencido o conselheiro Luciano de Oliveira Valença que aplicava o art. 173, I, do CTN. No mérito, por maioria de votos, deram provimento ao recurso, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa. Fundamenta o contribuinte em seu pleito, quanto à matéria a que se deu seguimento, que a imposição de Juros Selic sobre a multa de ofício é vedada pelo ordenamento jurídico brasileiro, havendo previsão legal apenas para incidência dos juros de mora sobre tributos ou contribuições, colacionando jurisprudência administrativa acerca do tema que suportaria tal argumentação. Requer, quanto à matéria, que seja cancelada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Finalmente, encartou ao feito a contribuinte, ainda, contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional de efls. 3410 a 3416, onde reproduz o entendimento do vergastado, no sentido da especialidade da Lei no. 8.212, de 1991, e, ainda, da aplicação do art. 32A do mesmo diploma, para o caso específico de descumprimento de obrigação acessória vinculada à GFIP. Entende que o art. 35A se aplicaria tão somente ao descumprimento de obrigação principal, devendose aplicar o art. 32A, no caso de descumprimento da obrigação acessória, havendo ou não pagamento da contribuição. Pugna, assim, pelo não provimento do Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Fl. 3443DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.444 9 1. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 3444DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.445 10 previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.446 11 acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.447 12 mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.448 13 dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou, para o DEBCAD 37.333.4516, pela comparação a ser realizada entre o aplicado no AI, baseado no art. 32, IV e § 5o., da redação anterior da mesma Lei no. 8.212, de 1991, antes da edição da MP, e o disposto no art. 32A da referida Lei no. 8.212, de 1991, mantendose das duas multas a mais benéfica ao contribuinte. Ouso discordar desta comparação. Entendo a propósito que, em verdade, o art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Fl. 3448DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.449 14 Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal, tal como realizado, no presente caso para o AI 37.333.4516, lavrado com fundamento legal no mencionado art. 32, § 5o. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter, agora a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo tanto a constatação, através de procedimento de ofício, de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Fl. 3449DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.450 15 (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.451 16 atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.452 17 acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Quanto a tal entendimento, apenas refutando parte da argumentação do vergastado e da autuada em sede de contrarrazões, cediço que não há, ainda, qualquer exceção, no art. 35A, que remeta a sua não aplicabilidade, no caso de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória caracterizada necessariamente, de forma simultânea, ao lançamento de ofício da contribuição não declarado ou declarado a menor (tal como o descumprimento previsto no art. 32A). Assim, correta a interpretação sistemática em que o art. 32A tem sua aplicação limitada aos casos em que as infrações ali descritas não decorrem de ação fiscal que leve ao lançamento de débitos pela autoridade fiscal junto ao contribuinte. No caso sob análise, ao aplicar tal entendimento, verifico que permanecem em litígio, quanto à aplicação da retroatividade benéfica: a) as multas aplicadas constantes dos AIs 37.333.4478, 37.333.4486 , 37.333.4494 e 37.333.4580 (débitos de obrigação principal) e b) a multa aplicada através do AI 37.333.4516, aplicada por haver a empresa infringido o disposto no inciso IV do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, para competências (fatos geradores) anteriores à vigência Medida Provisória no. 449, de 2008 (noto, inclusive, que o lançamento constante do AI de descumprimento de obrigação acessória abrange somente as competências de 01 a 10/08, conforme planilha de efl. 61) . Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado, agora ao caso sob análise, entendo que, para os débitos de obrigação principal cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP no. 449. de 2008, bem como para o débito de obrigação acessória lavrado sob a égide da legislação anterior à mesma MP, se deva restabelecer as penalidades nos termos em que constante dos AIs, respectivamente vinculados à constituição dos créditos de obrigação principal (AIs 37.333.4478, 37.333.4486 , 37.333.4494 e 37.333.4580 (débitos de obrigação principal) e ao crédito decorrente descumprimento de obrigação acessória (AI 37.333.4516) baseado este último no art. 32, §5o. da mencionada Lei no. 8.212, de 1991, ou seja, restabelecendose as penalidades lançadas, limitada, assim, a soma das penalidades aplicáveis à cada competência ao percentual de 75% dos valores devidos a título de obrigação principal, na forma de demonstrativo de efl. 61, sem que se deva falar em comparação segregada de multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória (AI 37.333.4516), na forma proposta pelo vergastado. Este percentual é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose as penalidades na forma que lançadas nos autos de infração. 2. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Inicialmente, quanto ao conhecimento do Recurso da autuada, ressalto meu posicionamento pessoal no sentido da matéria admitida (incidência de juros sobre a multa de Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.453 18 ofício), ainda que objeto de prequestionamento nas instâncias ordinárias, tratarse de matéria atinente à cobrança do crédito tributário, ultrapassando assim o controle de legalidade do lançamento (que, notese, não abrange os referidos juros), seara a que deveria se limitar este Conselho e se constituindo, assim, em meu entendimento pessoal, em matéria estranha ao litígio, inclusive desde sua fase impugnatória. Curvome, porém, aqui, à jurisprudência pacificada no âmbito deste mesmo CARF, de conhecimento da matéria (evidenciada de forma clara pela existência de paradigmas divergentes em relação ao recorrido), de forma a superar eventual preliminar de não conhecimento. No mais, pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade e às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Adentrando o mérito, rejeito a argumentação do contribuinte, adotando como razões de decidir aquelas brilhantemente expostas pela ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1a. Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9101 00.539, de 11 de março de 2010, verbis: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.454 19 o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.455 20 Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. Fl. 3455DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.456 21 No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.(g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." Fl. 3456DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10920.721961/201275 Acórdão n.º 9202003.727 CSRFT2 Fl. 3.457 22 No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (...) Assim, com fulcro nas fortes razões de decidir acima expostas, que espelham de forma fidedigna meu posicionamento pessoal acerca da incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício constante do lançamento, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 3457DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13816.000702/2002-11
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 1997
COFINS. AUDITORIA ELETRÔNICA EM DCTF.
PAGAMENTO NÃO COMPROVADO.
De se manter o lançamento de oficio para constituir crédito
tributário em face da não comprovação de recolhimento das
importâncias declaradas em DCTF.
Recurso negado
Numero da decisão: 203-12.805
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE,por unanimidade votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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Recorrida DRJ-CAMPINAS/S13 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 1997 COFINS. AUDITORIA ELETRÔNICA EM DCTF. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. De se manter o lançamento de oficio para constituir crédito tributário em face da não comprovação de recolhimento das importâncias declaradas em DCTF. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE C 7r' RIBU S, por animidade de votos, em negar provimento ao recurso. O • • ACEDO ROSENBURG FILHO çt Pre . ,tet;»,_ _., .. ( GDASSI GUERZONILHO , elalari Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ey:RUO:MOO CONSI1J-;0 Dr co;,-.– CONFERE. C344 O ORC:NAi "T" firigf6N--0132-05.J.._ag I Marikkt ett3 Onveira Mat. Sla 91650 Processo n° 13816.000702/2002-11 CCO2/CO3 Acórdão n ° 203-12.805 Fls. 114 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração resultante de auditoria eletrônica em DCTF, relativa aos períodos de apuração de outubro e novembro de 1997, por conta de pagamentos informados da Cotins, porém não localizados ou confirmados pelos sistemas da Receita Federal do Brasil. O valor do auto de infração montou a R$ 128.370,66, nele incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%. A ciência do contribuinte se deu em 08/06/2002. Na Impugnação a argumentação utilizada é a de que o auto é nulo pois os dois débitos não teriam constado do sistema de contas correntes da SRF até o ano de 2001 e que teriam surgido de uma hora para outra. Aduz ainda que irá examinar a sua contabilidade para provar que tais débitos foram devidamente quitados e que o auto é improcedente. A DRJ considerou, entretanto, que a defesa apresentada pela autuada configurou a negação geral, visto que desacompanhada de qualquer prova de recolhimento das parcelas exigidas no auto de infração e manteve o auto de infração, exceção feita à multa de oficio, que exonerou em face da aplicação retroativa do artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003. No Recurso Voluntário o argumento apresentado, ou melhor, repetido, é o de que os débitos nunca constaram da conta-corrente da empresa na SRF até o ano calendário de 2001, tendo os mesmos surgido de surpresa. É o Relatório. -3—"U-CN-FIVFCEtt:Cic-CL:i1DO-Intr AL iS Brasília, 1 MariMe Cu no de Oliveira Mat. Stage 91650 2 i Processo n° 13816.000702/2002-11 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.805 Fls. 115 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificado da decisão da DRJ em 26/05/2006, uma sexta-feira, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 29/06/2006. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. O Recurso não merece ser provido. - Conforme bem destacou a decisão recorrida, o artigo 90 da Medida Provisória n° - 2.158-35, de 24/08/2001, dispõe, verbis: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ora, na impugnação a autuada consignara que iria examinar a sua contabilidade, bem como localizar os documentos de arrecadação, a fim de provar que as duas parcelas estariam devidamente quitadas, e ficou nisso, ou seja, não produziu qualquer fato ou documento novo capaz de elidir a autuação. Certamente examinou a sua contabilidade e não logrou encontrar os tais comprovantes, dai ter insistido apenas na argumentação, sem qualquer prova concreta da improcedência do lançamento que ora se discute. Tais débitos deixaram de integrar a conta-corrente da Recorrente visto que a mesma informara na DCTF estarem os mesmos quitados, o que, à evidência, não se confirmou. Assim, há que se manter na sua integralidade a decisão recorrida, que, frise-se, exonerou a multa de oficio. Sala das Sessões, em 08 de abril e 2008 .. ODAS S I GUERZONI LHO \ \ ME-SEGUNDO CONSUMO DE CONTR/SUiN rES CONFERE COM O ORIGÈNAL Brasala. /3 / O r / C) g -1'-Marikie C sinoC de Oliveira Mat. Siape 91650 3 Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13819.001586/2003-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada pela extinta 7a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução no 10700722, de 15 de Outubro de 2008 (fls. 646, efls. 677), sendo relator originário do processo o i. conselheiro Hugo Correia Sotero. Reproduzo a seguir relatório e voto da referida resolução, para conhecimento do colegiado: “Recurso voluntário tempestivo. Preenchidos os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. Recurso de oficio que atende aos requisitos legais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 01 58 6/ 20 03 -1 6 Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 3 2 A Recorrente impetrou Ação de Mandado de Segurança (Proc. n°. 1999.61.14.0047289) buscando lograr prestação jurisdicional que lhe garantisse o direito de se apropriar de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrentes do pagamento do imposto nas operações de aquisição de insumos empregado na industrialização de bens tributados por alíquota zero no período de junho de 1994 a dezembro de 1998, antes, portanto, da vigência da Lei Federal n°. 9.779/99. A sentença exarada na referida Ação de Mandado de Segurança, submetida a duplo grau de jurisdição obrigatório e sem trânsito em julgado, tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido deduzido e extingo o processo com exame do mérito, nos termos do art. 269, 1, do Código de Processo Civil; para reconhecer o direito da impetrante de refazer sua escrita fiscal desde. junho de 1994 a dezembro de 1998, e permitir o creditamento do IPI incidentes sobre as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em produtos tributados à alíquota zero e que sejam utilizados no processo de industrialização, permitindose sua manutenção pelo valor nominal sem correção monetária conforme fundamentação." Utilizandose da determinação judicial, formulou a Recorrente pedidos de ressarcimento/compensação (Processos Administrativos nos. 13819.000568/200147, 13819.000562/200170 e 13819.000495/0022), postulando utilizar os créditos acumulados de IPI para quitação dos valores devidos à guisa de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Os aludidos pedidos de restituição/compensação foram indeferidos pela Delegacia da Receita Federal competente, apresentando a Recorrente, em face das decisões de indeferimento, manifestação de inconformidade. Ato continuo ao indeferimento do pedido de restituição e à glosa das compensações requeridas, formalizou a Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo lançamento de oficio (Proc. Administrativo n°. 13819.001586/200316, exigindo, independentemente do desfecho da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, as parcelas dos tributos e contribuições objeto das compensações. Este Colendo Conselho de Contribuintes, analisando recurso voluntário aviado pelo contribuinte, decidiu a questão nos termos seguintes: "PAF – NORMAS PROCESSUAIS – IRPJ/CSLL/PIS/COFINS – JULGAMENTO CONJUNTO – INDEPENDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS – NULIDADE – Nos termos do art. 9°, c.c seu § 1°, lançamentos derivados de negativa a pleito de restituição/compensação de IPI, são autônomos em relação ao lançamento de imposto de renda, devendo, pois, ser preparados e julgados isoladamente, pelo que é nula a decisão proferida em um único processo versando sobre todos os lançamentos. PAF – NORMAS PROCESSUAIS – RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – QUESTÃO JUDICIAL – SOBRESTAMENTO DO FEITO – O julgamento de lançamentos de oficio derivados de negativa a pleito de restituição/compensação, por dependerem da solução que afinal venha se Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 4 3 dar no julgamento do direito creditório, não pode ser levado a termo senão após a solução dada ao direito creditório controvertido". Remetidos os autos à autoridade preparadora, foram deslindadas as manifestações de inconformidade apresentadas pelo contribuinte, assim: a) Proc. n°. 13819/000568/200147: "RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LIMITES ESTABELECIDOS PELA COISA JULGADA. O direito de restituição ou compensação, obtido judicialmente, deve se adequar ao decidido no processo judicial, inclusive com as limitações nele estabelecidas. IPI. SALDO CREDOR EM 31/12/98. O direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, só pode ser invocado nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n°. 9.779/1999 e na IN SRF n°. 33/99" b) Proc. n°. 13819.000562/200170: "RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LIMITES ESTABELECIDOS PELA COISA JULGADA. O direito de restituição ou compensação, obtido judicialmente, deve se adequar ao decidido no processo judicial, inclusive com as limitações nele estabelecidas. RESTITUIÇÃO. IPI. É imperativo, no caso do IPI, que o contribuinte faça prova do não repasse do pagamento de tributo indevido ao custo do bem ou do serviço. Solicitação Indeferida" c) Proc. n°. 13819.000495/0022: "RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento a Pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. IPI. SALDO CREDOR EM 31/12/98. O direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, só pode ser invocado nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n°. 9.779/1999 e na IN SRF n°. 33/99" Em decorrência do indeferimento dos pedidos de compensação, o lançamento de oficio foi julgado parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas (SP), por decisão assim ementada: "NULIDADE — Não se configura cerceamento do direito de defesa se a contribuinte foi regularmente cientificado dos autos de infração e seus anexos e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. Inexistente qualquer indicio de violação as determinações contidas no art. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 5 4 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972, não há que se cogitar de nulidade da autuação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO — Apreciados pela DRF, anteriormente a edição da MP 66, de 2002, pedidos de ressarcimento de IPI e de restituição cumulados com compensação, as manifestações de inconformidade e os recursos apresentados contra indeferimento de tais pedidos, ainda que pendentes de apreciação, não impedem a constituição do crédito tributário, por meio de auto de infração, e não suspendem a exigibilidade. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Encerrado o ano calendário, a falta de recolhimento das estimativas, por contribuinte optante pelo lucro real anual, somente se sujeita a multa isolada prevista no art. 44, inciso I c/c §1°, inciso IV da Lei n°. 9.430/96. Lançamento Procedente em Parte" (...) Recurso voluntário do contribuinte ás fls. 592/604, insurgindose contra o indeferimento dos pedidos de restituição/compensação e da conseqüente manutenção do lançamento de oficio. Para além dos pedidos de restituição vinculados à Ação de Mandado de Segurança n°. 1999.61.14.0047289, que se referiam aos créditos de IPI acumulados no período de junho de 1994 a dezembro de 1998, formulou a Recorrente pedidos de compensação já na vigência da Lei n°. 9.779/1999, referindose a pagamento do IPI realizados para aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos tributados por alíquota zero nos períodos de 01/10/1999 a 31/12/1999 (PA if. 13819.000495/0022), de 01/01/2000 a 31/03/2000 (13819.001109/0092), de 01/04/2000 a 30/06/2000 (13819.001447/0015). Nos termos das disposições insertas na Instrução Normativa SRF n°. 33/1999, a apuração “do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999”, sendo o referido direito creditório apurado em cada trimestrecalendário. Apesar de não ter se manifestado a sentença exarada no Mandado de Segurança n°. 1999.61.14.0047289 sobre pedidos de restituição/compensação posteriores à vigência da Lei n°. 9.779/1999, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas (SP) indeferiu os pedidos sob a alegação de que o resultado da referida ação judicial poderia alterar o valor do ressarcimento solicitado. Tendo o lançamento de oficio corporificado no PA n°. 13819.001586/200316 exigido o adimplemento de tributos e contribuições compensados com os créditos postulados nos pedidos de restituição/compensação posteriores à vigência da Lei n°. 9.799/99, proponho a conversão do julgamento em diligencia para que a autoridade preparadora esclareça os seguintes pontos: a) Se os pedidos de restituição/compensação nos. 13819.000495/0022, 13819.001109/0092 e 13819.001447/0015, referemse apenas a pagamentos do IPI realizados após a vigência da Lei n°. 9.799/1999; Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 6 5 b) analisados os limites da sentença pronunciada no Mandado de Segurança n°. 1999.61.14.0047289, quais os reflexos da decisão judicial na apuração do saldo credor de IPI concernentes a períodos de apuração posteriores a dezembro de 1998. Cumprimento a presente solicitação, dêse vistas ao contribuinte para, querendo, se manifestar acerca das conclusões da diligência. Após o prazo de vistas, com ou sem manifestação do contribuinte, retornem os autos a esse Conselho para julgamento.” De se observar que, após a anulação do primeiro acórdão originário da 1a Turma da DRJ/CAMPINAS/SP, e tendo sido os lançamentos apartados, o presente processo passou a dizer respeito exclusivamente ao lançamento de ofício do IRPJ, abrangendo os anoscalendário de 1999 a 2001, para os quais foi lançado o ajuste anual não informado em DCTF, e o ano de 2002, para o qual foram lançados os valores de estimativas devidas relativas aos meses de fevereiro e abril de 2002 que já se encontravam informados em DCTF. A DRJ, no novo acórdão proferido, afastou a exigência das estimativas pertinentes ao anocalendário 2002 (e correspondentes multas de ofício proporcionais), sob o fundamento de que, para estas, caberia apenas a exigência de multa isolada, e recorreu de ofício desta decisão. Restaram mantidas pela DRJ as seguintes exigências de IRPJ (valores relativos ao principal, sobre os quais aplicada a multa de 75%): No recurso, a recorrente argumentou, em síntese, o seguinte: a) uma vez que obteve decisão favorável no Mandado de Segurança Preventivo (Processo n° 1999.61.14.0047289), e então pleiteou o Ressarcimento do crédito de IPI nos Processos Administrativos n°s. 13819.000495/0022, 13819.001109/0092, 13819.001447/00 15, 13819.002172/9959, 13819.002629/9952, 13819.000562/0170 e 13819.000568/0147, seguidos dos respectivos Pedidos de Compensação; b) que os pedidos de compensação efetuados pela Recorrente nada mais são que declarações de compensação, as quais, enquanto não apreciadas pelas autoridades administrativas, extinguem o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, não poderia a autoridade fiscal desconsiderar as compensações efetuadas pela Recorrente e constituir o crédito tributário de IRPJ sem antes proceder à análise dos pedidos de compensação; c) nesses termos, caberia a autoridade fiscal apenas efetuar o lançamento com o objetivo de prevenir a decadência, com a exigibilidade do crédito de IRPJ suspensa até o resultado final do Mandado de Segurança n° 1999.61.14.0047289; d) em suma, resta claro que as compensações de débitos de IRPJ efetuadas pela Recorrente com créditos de IPI estão vinculadas ao resultado do Mandado de Segurança n° 1999.61.14.0047289, em que se discute o direito ao creditamento do IPI; Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 7 6 e) a autoridade administrativa aplicou retroativamente dispositivos da Instrução Normativa SRF n° 210/02 (arts. 23 e 35, § 2°) para ignorar as impugnações apresentadas pela ora Recorrente nos processos de ressarcimento de IPI e promover o lançamento de oficio do crédito tributário objeto daqueles pedidos, feitos ainda sob a égide da Instrução Normativa SRF n° 21/97, pelo que deveria ser exonerada a multa de ofício aplicada. f) finaliza requerendo o cancelamento integral do auto de infração, ou, no mínimo, o sobrestamento do mesmo até o término do processo judicial em que se discute o direito ao crédito de IPI. Em atenção ao quanto solicitado pela Resolução no 10700722, a autoridade administrativa informou o seguinte (fls. 674): Item a da Resolução: se os pedidos de restituição/compensação nos. 13819.000495/0022, 13819.001109/0092 e 13819.001447/0015, referemse apenas a pagamentos do IPI realizados após a vigência da Lei n°. 9.799/1999. Resposta: “os processos citados referemse a Pedidos de Ressarcimento, relativos ao 4°. trimestre/99; 1o. trimestre/2000 e 2°. trimestre/2000, respectivamente, nos quais foram apresentados Pedidos de Compensação com débitos de outros tributos/contribuições, apurados em 31/12/99, 30/04/00, 31/05/00, 30/06/00 e 31/07/00, sendo os mesmos indeferidos (ressarcimento e compensação) por não estarem sob tutela jurisdicional e terem sido pleiteados sem atendimento das determinações legais vigentes;” Item b da Resolução: analisados os limites da sentença pronunciada no Mandado de Segurança n°. 1999.61.14.0047289, quais os reflexos da decisão judicial na apuração do saldo credor de IPI concernentes a períodos de apuração posteriores a dezembro de 1998. Resposta: “com relação a esse item, é de se ressaltar que quanto à apuração do saldo credor de IPI concernentes a períodos posteriores a dezembro/98, os reflexos da decisão judicial seria o aproveitamento dos créditos apurados com o IPI devido na escrita fiscal, sendo todavia, improcedente o ressarcimento/compensação, antes de ser esgotado o saldo credor acumulado em 31/12/98, conforme preceitua o §3°. do art. 5 °. da IN SRF33/99. Cientificada da diligência, a contribuinte aduziu, em 25/06/2009, em síntese, que: os Pedidos de Ressarcimento que geraram o crédito de IPI utilizado para compensar os débitos apurados em 31/12/99, 30/04/00, 31/05/00, 30/06/00 e 31/07/00 objetos dos Autos de Infração nos 13819.001586/200316 e 10943.000032/200531 referemse única e exclusivamente ao 4° trimestre de 1999, 1° trimestre de 2000 e 2° trimestre de 2002; (obs.: processo para o qual foram transferidos os lançamentos de CSLL ajuste e multa isolada) sendo operações realizadas após o advento da Lei n°. 9.779/99, a utilização do respectivo crédito para compensação com outros tributos é assegurada pelo art. 11 da referida lei, não tendo nenhuma relação desses créditos com o Mandado de Segurança n° 1999.61.14.0047289; Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 8 7 equivocase a autoridade fiscal ao vincular os Pedidos de Ressarcimento em questão à existência do Mandado de Segurança n° 1999.61.14.0047289, pois neste a empresa pleiteia (i) o direito de refazer a sua escrita fiscal, desde junho de 1994 a dezembro de 1998, para o fim de efetuar o lançamento a crédito dos valores correspondentes ao IPI incidentes sobre as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em seus produtos tributados a alíquota zero; (ii) o direito de proceder à correção monetária integral desses créditos, e; (iii) o direito de utilização desses créditos corrigidos para a compensação com quaisquer tributos ou contribuições federais administrados pela Receita Federal; esses créditos de IPI, objeto do Mandado de Segurança, são anteriores a dezembro de 1998, e foram objeto dos Pedidos de Ressarcimento nos 13819.000568/0147 e 13819.000562/0170, nos quais já foram esgotados, e, se foram indeferidos pelas autoridades, em razão da existência do Mandado de Segurança, e os respectivos débitos já estão sendo cobrados, esta é outra discussão, que em nada afeta a legitimidade das operações realizadas após o advento da Lei n°. 9.779/99. dessa forma, não podem as autoridades fiscais entender que tais créditos foram compensados sem atendimento das determinações legais vigentes, e muito menos, que tais Pedidos de Ressarcimentos encontram relação com o Mandado de Segurança. Posteriormente, conforme fls. 676 e seguintes, informa que protocolou junto à repartição fiscal desistência parcial do recurso, para fins de adesão ao parcelamento da Lei n° 11.941/09. A desistência abrange os débitos (principal e multa) a seguir descritos: Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 9 8 Por fim, esclarece que “o presente Processo Administrativo deverá prosseguir com relação aos demais débitos cobrados, tendo em vista que a empresa não pretende incluí los no mencionado parcelamento, na medida em que tais débitos foram compensados com créditos de IPI gerados a partir de 1999; em estrita obediência aos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99”. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Recurso de ofício O recurso de ofício não preenche os requisitos de admissibilidade, e não deve ser conhecido. De fato, em que pese o registro feito pelo relator originário da Resolução no 107 00722 de que o recurso de oficio “atende aos requisitos legais”, vêse pelo seu relatório e voto que, para chegar a tal conclusão, partira de premissa equivocada, pois entendera que o acórdão recorrido teria exonerado integralmente a aplicação da multa de ofício aos débitos constantes do processo, conforme se verifica pelos seguintes parágrafos: “O acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas (SP) excluiu a imputação de multa de oficio proporcional, por considerar que, apesar de a autuação decorrer de compensação indevida, não houve imputação objetiva das hipóteses de fraude ou dolo previstas no art. 74, § 12, d, da Lei n°. 9.430/96. Em face da exclusão da multa de oficio, interpôs a Delegacia de Julgamento recurso de oficio.” Entretanto, o acórdão recorrido deixou bem claro que o entendimento referido pelo i. conselheiro relator originário no primeiro parágrafo acima transcrito aplicavase tão somente aos débitos relativos ao lançamento das estimativas devidas nos meses de fevereiro e abril de 2002, informados em DCTF, mas não aos demais débitos lançados, que dizem respeito ao IRPJ devido no ajuste anual, e não informado em DCTF, dos anoscalendário de 1999 a 2001. É o que se verifica nos seguintes excertos do voto da decisão recorrida (grifei): “43. Logo, aqui também seria o caso, em razão do art. 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional, de exoneração da multa de oficio proporcional aplicada, sem prejuízo da cobrança dos débitos com multa de mora, alem dos juros de mora, relativamente aos valores lançados que já se encontravam informados em DCTF (débitos do anocalendário 2002). Observese que essa conclusão não se aplica aos anoscalendário de 1999 a 2001 para os quais foi lançado o ajuste anual não informado em DCTF. 44. Ocorre que, exonerada a multa de oficio relativamente aos débitos dos períodos de fevereiro e abril de 2002 em função da retroatividade admitida, também o principal não merece prosperar. Isso porque, tratandose de lançamento por falta de pagamento de estimativa, cumpre observar o disposto na Instrução Normativa SRF no 93/97: (...)” Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 10 9 Portanto, conforme já mencionara no relatório ao norte, o recurso de ofício diz respeito tão somente à exoneração integral das estimativas pertinentes ao anocalendário 2002 (principal e multa de ofício proporcional). Ocorre que tais valores, somados, não atingem o limite de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) fixado pela Portaria MF nº 3 de 03.01.2008. Não se deve conhecer, portanto, do recurso de ofício. Recurso voluntário O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. É importante que fique claro qual é o lançamento que se encontra em litígio no recurso voluntário. A autoridade fiscal, após constatar divergências entre os valores declarados em DCTF e informados nas DIPJ, refez a apuração anual do IRPJ devido pelo contribuinte nos anos de 1999, 2000, e 2001. Neste recálculo, levou em consideração as informações prestadas pelo próprio contribuinte em atendimento a intimações no curso da ação fiscal, no que toca ao valor do IRPJ apurado sobre o lucro real e aos valores dos respectivos pagamentos e/ou compensações (LALUR e demonstrativos de apuração e de valores devidos e pagos e/ou compensados). O que a autoridade fiscal fez foi tão somente abater, dos valores do IRPJ devidos, apenas os valores das estimativas pagas, e desconsiderar todos os valores das estimativas que haviam sido compensadas nos diversos processos. Transcrevese a seguir excerto do relatório fiscal que explica a apuração do valor lançado relativo ao ano de 1999: “Desta forma, refizemos a apuração anual de 1RPJ conforme demonstrado a fl. 109. Consideramos o valor do lucro real de R$ 5.899.649,01, que resulta no imposto de renda devido, após a dedução do P.A.T., de R$ 1.433.576,33. Deduzindose os pagamentos de estimativas efetuados por Darf obtivemos o valor do imposto de renda a pagar de R$ 751.668,60. Deste valor, R$ 700.257,70, já foi lançado e mantido em acórdão da DRJ, através do processo 13819.001737/0003 (fls. 108). Ressaltamos que o valor de R$ 90.000,00, exonerado pela DRJ, é relativo ao mês de junho/99 e está considerado no nosso Demonstrativo do Calculo do Imposto de Renda Ano Calendário 1999. Assim, estamos efetuando o lançamento de oficio do valor de R$ 51.410,90, referente a apuração anual.” Da mesma forma, com relação ao ano de 2000: “(...) A partir da DIPJ /2001, apuramos o valor devido no anocalendário 2000 através do Demonstrativo de Cálculo do Imposto de Renda — Ano Calendário 2000 (fl. 115). Nesta apuração anual, deduzimos apenas os valores do P.A.T. e dos valores de estimativa pagos através de Darf já que os pedidos de compensação foram indeferidos. Estamos efetuando o lançamento de oficio do valor de R$ 1.433.036.65, obtido na apuração anual.” Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 11 10 Deixase de transcrever o relatório fiscal com relação ao ano de 2001, posto que o contribuinte, com relação a este ano, desistiu integralmente do litígio, incluindo os débitos em parcelamento, conforme se verifica na seguinte manifestação(fls. 676 e seguintes): “(...) 5) Frisese que o débito indicado no item 1 do quadro acima não será parcelado, diferentemente do débito indicado no item 3. que será integralmente parcelado. Contudo, o débito indicado no item 2 será parcialmente parcelado, conforme se verifica na referida petição apresentada na DRF/SBC em 26/02/2010 juntada aos autos).” As referidas reapurações do IRPJ devido no ajuste anual, feitas pela fiscalização, com relação aos anos de 1999 e 2000, constam às fls. 109 e 115 dos autos. Apenas para efeito de demonstração, tomese, por exemplo, o mês de janeiro de 1999, em que o valor do imposto de renda a pagar por estimativa seria de R$ 168.290,72. Conforme o demonstrativo de fls. 109, apenas R$ 84.899,14 foram declarados e pagos conforme a respectiva DCTF. A diferença entre os valores, de R$ 83.391,48, no caso, será encontrada, nos autos, integrando o Pedido de Compensação de fls. 14, no qual é informado como crédito o valor de IPI no montante de R$ 1.454.888,32. Este valor de crédito, de R$ 1.454.888,32, é o que consta no Pedido de Restituição de fls. 12, no qual é informado como motivo do pedido o seguinte: “Sentença proferida pelo Juízo da 2a Vara da Justiça Federal de São Bernardo do Campo nos autos do mandado de segurança no 1999.61.14.0047289, conforme noticiado na petição que endereça o presente pedido de restituição.” A referida restituição do IPI e respectiva compensação com o IRPJ foi objeto, no caso, do processo 13819/000568/200147. Este, aliás, um dos processos identificados pela própria recorrente nas suas peças de defesa como um daqueles processos “vinculados” ao Mandado de Segurança n° 1999.61.14.0047289. Portanto, não há dúvidas de que, efetivamente, pelo menos em alguma medida o desfecho do presente processo sempre esteve vinculado ao resultado do Mandado de Segurança n° 1999.61.14.0047289. Pois, se acaso fosse inteiramente vencedor o contribuinte, fazendo então jus ao direito creditório discutido (IPI sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em produtos tributados a alíquota zero, de junho de 1994 a dezembro de 1998) e ao direito de compensálo com o IRPJ, então as parcelas compensadas deveriam ser consideradas no recálculo feito pela autoridade fiscal, e o lançamento de ofício seria, ao menos em parte, ou talvez no todo, insubsistente. Por outro lado, o fato de o desfecho final do presente processo estar de alguma forma atrelado ao resultado do Mandado de Segurança n° 1999.61.14.0047289, com a devida Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 12 11 vênia de possíveis entendimentos em contrário, não significa que o lançamento devesse ter sido feito sem a multa de ofício, apenas para prevenção da decadência, como deseja a recorrente. Conforme dito, no presente processo não se discute a existência ou não de crédito de IPI, e nem tampouco se discute a compensação deste possível crédito de IPI com as estimativas de IRPJ devidas. Por fim, sequer se trata do lançamento de ofício dessas estimativas não adimplidas (sob a ótica do fisco) por não estarem elas ainda confessadas (como de fato não estavam, pois, pelas informações dos autos, não estavam inseridas em DCTF, e tampouco os pedidos de compensação apresentados constituíam confissão de dívida — aliás, tais pedidos sequer foram convertidos em declaração de compensação, como alega a recorrente, posto que não se encontravam pendentes de análise pela autoridade administrativa quando da edição da Lei no 10.637/02). O processo, conforme dito, é relativo ao lançamento do ajuste anual de IRPJ devido, apurado a partir da desconsideração das compensações de estimativas em questão, as quais não foram aceitas. Portanto, a procedência ou não do lançamento aqui discutido depende, em última análise, dos vários processos em que se discutem as compensações em questão. Conforme a própria recorrente mencionara no recurso, são diversos os processos em que foram efetuadas compensações com débitos de estimativas de IRPJ, a saber: 13819.000495/0022, 13819.001109/0092, 13819.001447/0015, 13819.002172/9959, 13819.002629/9952, 13819.000562/0170 e 13819.000568/0147. Embora a diligência solicitada pela extinta 7a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, por motivos que escapam a este relator, tenha feito referência tão somente aos três primeiros processos acima referidos, é possível verificar, pela análise de algumas peças contidas nos autos, que os processos 13819.002172/9959 e 13819.002629/9952 também dizem respeito a períodos de apuração do IPI já sob a vigência da Lei n°. 9.799/99. Portanto, somente os dois últimos processos citados no parágrafo imediatamente acima (13819.000562/0170 e 13819.000568/0147) se referiam aos pedidos de apuração do IPI anteriores à vigência da referida lei. No caso destes dois processos relativos aos períodos anteriores à Lei n°. 9.799/99, a sua conexão com o Mandado de Segurança n° 1999.61.14.0047289 é direta e notória. Em consulta ao referido processo judicial na página do TRF da 3ª Região, verifiquei que a sentença que originalmente conferia a segurança ao contribuinte, foi inteiramente reformada em segunda instância (o Tribunal deu provimento à apelação da União Federal e negou provimento à apelação da impetrante), e que o contribuinte desistiu da referida ação em 25/02/2010, tendo o acórdão transitado em julgado em 19/04/2010. Isto explica a – ou é explicado pela – concomitante desistência parcial no presente processo, para inclusão em parcelamento especial, o que apenas confirma o acerto, neste aspecto, do lançamento originariamente efetuado. A desistência, contudo, não foi integral, porque o contribuinte entende que, com relação aos débitos que relacionou, e ao norte transcrevi no relatório, os créditos opostos Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.001586/200316 Resolução nº 1201000.179 S1C2T1 Fl. 13 12 seriam relativos aos períodos de apuração do IPI já sob a vigência da Lei n°. 9.799/99, cuja compensação, portanto, não poderia ser obstada. Ora, conforme dito, não se discute no presente processo o direito ou não à compensação de crédito de IPI com débitos de IRPJ estimativa, aliás, sequer possui a 1ª Seção de Julgamento do CARF competência para tal mister. A referida compensação de crédito de IPI com débitos de IRPJ estimativa foi (ou está sendo) discutida no âmbito daqueles citados processos, e a decisão no presente processo depende diretamente da decisão administrativa final em cada um deles. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa de jurisdição do contribuinte informe, após a prolação de decisão administrativa final e irrecorrível no âmbito dos processos 13819.000495/0022, 13819.001109/0092, 13819.001447/0015, 13819.002172/9959, e 13819.002629/9952, quais os valores de estimativas de IRPJ relativas aos anos calendários 1999 e 2000 (que ainda não haviam sido consideradas no cálculo do IRPJajuste lançado no presente processo) tiveram a sua compensação, afinal, homologada. Após tal providência, restituamse os autos a este colegiado para o competente julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10670.001025/2007-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Não há que se falar em divergência interpretativa, quando o acórdão recorrido não guarda similitude fática com o paradigma, mormente quando se trata de análise da conduta do Contribuinte, motivadora de exasperação de penalidade.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidas as Conselheiras Ana Paula Fernandes e Patrícia da Silva.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Não há que se falar em divergência interpretativa, quando o acórdão recorrido não guarda similitude fática com o paradigma, mormente quando se trata de análise da conduta do Contribuinte, motivadora de exasperação de penalidade. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidas as Conselheiras Ana Paula Fernandes e Patrícia da Silva. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 10 25 /2 00 7- 76 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista, dentre outras infrações, glosas de despesas médicas. Em sessão plenária de 09/06/2011, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2801001.656 (fls. 538 a 542), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 PRELIMINAR. NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos, mormente quando pairam dúvidas acerca da prestação dos serviços e correspondentes desembolsos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DESPESAS MÉDICAS INEXISTENTES. A inclusão na Declaração de Ajuste Anual de despesas médicas sabidamente inexistentes, tãosomente com o propósito de reduzir o imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição de multa de ofício qualificada. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado” Cientificada do acórdão em 09/09/2011 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 548), a Contribuinte interpôs, em 26/09/2011, o Recurso Especial de fls. 549 a 589, com fundamento no art. 5º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, há muito revogado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que regulamenta o Recurso Especial de Divergência, por meio de seu art. 67. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10670.001025/200776 Acórdão n.º 9202003.674 CSRFT2 Fl. 608 3 O Recurso Especial visava rediscutir a qualificação da multa de ofício, bem como outras matérias. Como paradigma, foi indicado o Acórdão nº 220100.608. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, por meio do despacho de 19/11/2012 (fls. 596/597), admitindose apenas a rediscussão da qualificação da multa de ofício, o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame às fls. 598/599. Cientificada do recurso da Contribuinte em 12/04/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 600), a Fazenda Nacional ofereceu, em 15/04/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 606), as Contrarrazões de fls. 601 a 605, pedindo o não conhecimento do apelo ou, se for conhecido, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do recurso. Quanto à matéria que teve seguimento à Instância Especial – qualificação da multa – a Contribuinte indicou como paradigma o Acórdão nº 220100.608. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, desde já descartandose a eventual divergência em matéria de prova, uma vez que, nesse aspecto, cada processo constitui um universo específico. Com estas considerações, constatase que a discussão que se pretende travar no presente recurso – aplicação de multa qualificada de 150%, tendo em vista glosas de despesas médicas – diz respeito essencialmente à análise do conjunto probatório constante dos autos. No caso do acórdão recorrido, a situação fática configurada nos autos demandou o aprofundamento da ação fiscal, exigindose elementos probatórios adicionais que, não apresentados, procedeuse às glosas com a qualificadora da penalidade. Confirase os respectivos trechos do julgado guerreado: Ementa “(...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DESPESAS MÉDICAS INEXISTENTES. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 A inclusão na Declaração de Ajuste Anual de despesas médicas sabidamente inexistentes, tãosomente com o propósito de reduzir o imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição de multa de ofício qualificada.” Voto “(...) Quanto à necessidade de comprovação das despesas médicas por meio de outros elementos de prova que não apenas os recibos , cumpre destacar que tal matéria não é nova neste Colegiado que a tem exaustivamente discutido e firmado o entendimento de que, em situações tais como a que se verifica nos autos, em que inclusive houve a qualificação da multa de ofício em virtude de os recibos apresentados terem sido considerados 'frios', e, ao mesmo tempo a contribuinte só tem em seu poder recibos, indispensável a comprovação da efetividade dos pagamentos para que se acate a dedução pleiteada. Afinal, o art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, dispõe: (...) No tocante à qualificação da multa de ofício, conforme extenso relato da autoridade lançadora (Termo de Verificação Fiscal, fls. 12 a 23), a interessada se utilizou de recibos emitidos por diversas pessoas jurídicas e físicas, relacionadas nos itens 01 a 12, sem conseguir comprovar a efetividade dos serviços e pagamentos correspondentes, de sorte que: Ante os fatos relatados, restou demonstrado que o contribuinte declarou pagamentos que não correspondem a serviços efetivamente realizados. Aceitar estes recibos como legítimos, seria premiar e incentivar a sonegação fiscal e a utilização fraudulenta de recibos 'frios'. Assim, restou caracterizada a intenção do contribuinte em reduzir de maneira fraudulenta o valor do imposto de renda a pagar nos referidos anos. A Lei n° 4.502/1964, dispôs: Nesse contexto, diante da omissão da contribuinte em apresentar as indispensáveis provas da efetividade dos serviços alegados e dos correspondentes desembolsos, caracterizado pela Fiscalização o evidente intuito de fraude, cabe manter a multa qualificada aplicada sobre as glosas de despesas médicas. (...)” (grifei) A decisão acima foi baseada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 23, que fornece o contexto tratado no acórdão recorrido, relativamente às despesas médicas que ensejaram a qualificação da multa. Confirase: "III DESPESAS MÉDICAS: 1) CODENTE CONSULTÓRIOS DENTÁRIOS Fl. 611DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10670.001025/200776 Acórdão n.º 9202003.674 CSRFT2 Fl. 609 5 (...) tem como sócio e responsável perante a Receita Federal o Sr. EDMILSON MAGALHÃES SANTOS. Os serviços profissionais prestados pela CODENTE nos anoscalendário 2000 a 2005, declarados por pessoas físicas , supostamente tomadoras de tais serviços, totalizaram R$ 3.940.105,99. No anocalendário, 2002, em que a Sra. Alba declarou pagamentos à CODENTE, no montante de R$ 3.205,00, os pagamentos declarados à referida empresa totalizaram R$ 1.090.983,12. No referido ano a empresa declarou uma receita inferior a 22% deste montante. • Em ações fiscais levadas a efeito nos anos de 2004, 2005 e 2006, restou constatado que a empresa CODENTE não mais funciona no endereço constante no cadastro do CNPJ, e que o Sr. Edmilson Magalhães Santos, responsável legal pela empresa, não reside no endereço constante do cadastro do CPF, sendo o seu paradeiro ignorado. • Em ações de fiscalização anteriores ao "desaparecimento", do Sr., Edmilson, nenhum dos termos de intimação recebidos pelo mesmo, relativos aos recibos de sua emissão e da empresa CODENTE, foi respondido. • É importante ressaltar, que nenhum Contribuinte, dentre aqueles que informaram em suas declarações pagamentos ao Sr. Edmilson ou à sua empresa, aí incluída a Sra. Alba, conseguiu comprovar a utilização dos serviços de odontologia ou o efetivo pagamento pelos mesmos. • Apos diversas ações fiscais nesta DRF, restou apurado,sem qualquer sombra de dúvida, que os recibos de emissão do Sr. Edmilson e de sua empresa são recibos frios, uma vez que não correspondem a qualquer prestação de serviço de saúde. Tal fato é facilmente constatável em razão da inexistência de comprovação de pagamento por parte dos usuários dos recibos, de recebimento por parte do emissor dos mesmos, e, ainda, em razão do pagamento ou parcelamento dos feitos fiscais lavrados Contra os usuários de tais recibos; • Em razão do exposto resta evidente que a CODENTE não prestou serviços de odontologia a Sra. Alba. 2) CLINICA INTEGRADA DE SAÚDE ORAL LTDA (...) tentouse intimar a referida clínica a prestar esclarecimentos sobre os serviços prestados a Sra. Alba no ano calendário 2002. O termo de intimação foi enviado por via postal ao endereço da empresa constante do cadastro do CNPJ, tendo sido devolvido pelos Correios em razão de mudança de endereço. • Assim, o referido termo foi enviado por via postal para o endereço do Sr. Moacir Lopes Junior, (...), responsável pela empresa perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil; Fl. 612DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 • Em resposta à intimação, o Sr. Moacir declarou que não conheceria a Sra. Alba Valeria, não tendo prestado nenhum serviço odontológico ou de qualquer outra natureza para a mesma; • Em razão da expressividade dos valores dos recibos, da informação por parte do responsável pela clínica de não haver prestado qualquer serviço de odontologia à Sra. Alba, da falta de comprovação do efetivo pagamento pelos serviços por parte desta última, resta evidente que não houve efetivamente a prestação de tais serviços de odontologia. 3) REGINA INES DOS SANTOS LOBO (...) A senhora Regina Inês dos Santos Lobo, psicóloga, possui 4 (quatro) inscrições distintas no Cadastro de Pessoas Físicas CPF da Secretaria da Receita Federal. Em duas destas inscrições (...) foi informado o nome Regina Inez Lobo Alves. Nas demais inscrições (...) foi informado o nome de Regina Ines dos Santos Lobo. As inscrições de números (...) encontramse, atualmente, canceladas; • Em recibos apresentados e através da consulta às informações constantes das declarações de imposto de renda de diversos contribuintes, ficou constatado que a referida profissional forneceu recibos utilizando 2 (duas) das" mencionadas inscrições no CPF. Com a inscrição número (...) nos anos calendário 2000 a 2004, supostamente, emitiu recibos no valor de R$ 1.010.905,00. Com a inscrição número (...), cancelada, para a qual não existe declaração de rendimentos, houve a suposta emissão de recibos, nos mesmos períodos, no valor total de R$ 823.208,50; • No anocalendário 2003, em que a Sra. Alba apresentou recibos da Sra. Regina no valor de R$ 6.250,00 os valores declarados como pagos à mesma totalizaram R$ 482.730,00 (...). No referido período foram apresentadas duas declarações de rendimentos da Sra. Regina, a primeira em 12/05/2004, da qual não consta nenhum valor se rendimento e a segunda, somente em 09111/2004, cujos rendimentos informados são também inferiores à soma dos montantes informados como pagos à mesma no referido período; • No anocalendário 2004, em que a Sra. Alba apresentou recibos da Sra. Regina no valor de R$ 5.040,00 os valores declarados como pagos à mesma totalizaram R$ 214.757,50 (...). No referido período, os rendimentos recebidos de pessoa física informados na DIRPF da Sra Regina são inferiores a 41% deste montante; • (...)a Sra. Regina foi intimada a prestar informações sobre os recibos emitidos em favor da Sra. Alba nos anoscalendário 2003 e 2004. O referido termo foi recebido por via postal em 12/04/2007, tendo o prazo para atendimento expirado em 19/04/2007, sem que a intimada apresentasse qualquer resposta. Assim, foi lavrado auto de infração por falta de atendimento a termo de intimação, sendo a Sra. Regina reintimada mediante termo lavrado em 27/04/2007; Fl. 613DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10670.001025/200776 Acórdão n.º 9202003.674 CSRFT2 Fl. 610 7 • O novo termo foi recebido por via postal em 30/04/2007, tendo o prazo para atendimento expirado em 08/05/2007, sendo que até a presente data, a intimada não apresentou resposta aos referidos termos; • Em outras ações de fiscalização nesta DRF, em que a Sra. Regina foi intimada a apresentar informações sobre os recibos dê sua emissão a mesma ou negou a emissão dos recibos (...) ou informou que, em 21/03/2000, todos os registros, testes e fichas dos seus pacientes teriam sido roubados do seu consultório. Todavia, na cópia do boletim de ocorrência n° 9.191, anexo à resposta apresentada (MOI), constava tão somente o relato de haver sido subtraído um telefone e uma secretária eletrônica, não havendo qualquer menção ao roubo/desaparecimento de registros, testes ou fichas relativas aos pacientes; • É interessante constatar o fato de que a cada vez que é intimada, a Sra. Regina apresenta uma versão diferente dos fatos: ora dizendo não ter prestado atendimentos em valores expressivos e de não possuir praticamente qualquer patrimônio, ora informando que os registros de seus pacientes teriam sido subtraídos, ora confirmando a prestação de serviços, sem, contudo, apresentar qualquer comprovante inequívoco da prestação dos referidos serviços, e, por fim, como no caso presente, simplesmente não atendendo aos termos de intimação; • Além disto, a intimada nunca explicou o fato de ter quatro inscrições no cadastro do CPF e, jamais apresentou qualquer comprovante de recebimento referente aos numerosos e vultosos recibos apresentados por diversos contribuintes para fins de dedução do imposto de renda devido, apesar de ter sido intimada inúmeras vezes para comprovar a prestação dos serviços e o efetivo recebimento pelos mesmos; É importante ressaltar que nenhum contribuinte, dentre aqueles que informaram em suas declarações pagamentos a Sra. Regina, aí incluída a Sra. Alba, conseguiu comprovar a utilização dos serviços de psicologia ou o efetivo pagamento pelos mesmos; • Após diversas ações fiscais nesta DRF, restou apurado, sem qualquer sombra de dúvida, que os recibos de emissão da Sra. Regina são recibos frios, uma vez que não correspondem a qualquer prestação de serviço de saúde. Tal fato é facilmente constatável em razão da inexistência de comprovação de pagamento por parte dos usuários dos recibos, de recebimento por parte da emissora dos mesmos, e, ainda, em razão do pagamento ou parcelamento dos feitos fiscais lavrados contra os usuários de tais recibos; • Em razão da expressividade dos valores dos recibos, da comparação com as receitas de outros profissionais de psicologia, da existência de várias inscrições no CPF, da falta de comprovação do recebimento dos recursos por parte da profissional, da falta de comprovação do efetivo pagamento pelos serviços realizados por parte da contribuinte, resta Fl. 614DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 evidente que a Sra. Regina não prestou efetivamente tais serviços de psicologia. 4) CECILIA VIRGINIKBENTO PIMENTEL (...) a Sra:Cecília foi intimada a prestar esclarecimentos sobre os serviços prestados a Sra. Alba no anocalendário 2003. O referido termo foi recebido por via postal em 12/04/2007, tendo o prazo para atendimento expirado em 19/04/2007, sem que a Intimada apresentasse qualquer resposta. Assim, foi lavrado auto de infração por falta de atendimento a termo de intimação, sendo a Sra Cecilia reintimada (...); • O novo termo foi recebido por via postal em 02/05/2007, tendo o prazo para atendimento expirado em 09/05/2007, sendo que até a presente data, a intimada não apresentou resposta aos referidos termos; • Em razão da expressividade dos valores dos recibos, da falta de atendimento aos termos de intimação por parte da suposta prestadora dos serviços, da falta de comprovação do efetivo pagamento pelos serviços realizados por parte da Sra. Alba, e, ainda em razão da utilização de recibos sabidamente fraudulentos conforme descrito nos itens 1, 2 e 3 deste termo, resta evidente que a Sra. Cecília não prestou efetivamente serviços de fisioterapia à contribuinte ou a seus dependentes. 5) NUNO JOSE DO COUTO (...) o Sr. Nuno foi intimado a prestar esclarecimentos sobre os serviços prestados a Sra. Alba no anocalendário 2004. O referido termo foi recebido por via postal em 13/04/2007, tendo o prazo para atendimento expirado em 20/04/2007, sem que o intimado apresentasse qualquer resposta. Assim, foi lavrado auto de infração por falta de atendimento a termo de intimação, sendo o Sr. Nuno reintimado mediante termo lavrado em 27/04/2007; • O novo termo foi recebido por via postal em 02/05/2007, tendo o prazo para atendimento expirado em 09/05/2007, sendo que até a presente data, o intimado não apresentou resposta aos referidos termos; • Em razão da expressividade dos valores dos recibos, da falta de atendimento aos termos de intimação por parte do suposto prestador dos serviços, da falta de comprovação do efetivo pagamento pelos serviços realizados por parte da Sra. Alba, e, ainda em razão da utilização de recibos sabidamente fraudulentos conforme descrito nos itens 1, 2 e 3 deste termo, resta evidente que o Sr. Nuno não prestou efetivamente serviços de odontologia à contribuinte ou a seus dependentes. 6) ANDRESSA TAFAS SCALZO (...) a referida profissional foi intimada a prestar informações sobre os recibos emitidos em favor da Sra. Alba no ano calendário 2004; Fl. 615DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10670.001025/200776 Acórdão n.º 9202003.674 CSRFT2 Fl. 611 9 • Em atendimento postado em 17/04/2007, a intimada confirmou a prestação de serviços psicológicos aos dependentes da Sra. Alba e a emissão dos recibos; • Asseverou que teria prestado atendimentos quinzenais, realizados de fevereiro a maio em domicílio e de junho a novembro na Clínica Social Espaço Aberto, situada à Rua Aimorés, 1123, bairro Funcionários, em Belo Horizonte/MG; • Apresentou cópia da carteira de identidade profissional emitida pelo CRP de Minas Gerais, cópia de certificado de conclusão de curso de Psicologia, cópia de canhotos de recibos e declaração firmada por Jesus Marcos da Silva de que a mesma seria membro integrante do quadro de profissionais autônomos credenciados na Clínica Social Espaço Aberto, desde junho/2004; • Com relação ao pagamento limitouse a informar que o mesmo foi feito em dinheiro, não tendo comprovado com documentação hábil e idônea a efetividade dos recebimentos pelos serviços que afirma ter prestado. É importante ressaltar, que ainda que os pagamentos fossem efetuados em espécie, a comprovação dos mesmos seria possível, através de comprovantes de depósitos na conta corrente do recebedor na data dos recebimentos ou em data próxima, ou, ainda, através da apresentação dos gastos efetuados com os referidos recursos, o que não foi feito; • É importante ressaltar o fato da intimada ter informado que, de fevereiro a maio, teria prestado atendimentos aos dependentes da Sra. Alba no domicílio desta última, ou seja, na Cidade de Montes Claros, uma vez que, conforme a documentação apresentada pela mesma, ela residiria, teria se graduado e trabalharia em clínica de psicologia na cidade de Belo Horizonte. Também releva ressaltar, que no período de junho a novembro, os supostos atendimentos teriam sido na clínica de psicologia em Belo Horizonte, cidade que dista mais de 400 km de Montes Claros, onde reside a Sra.Alba Valéria. É totalmente inverossímil que os dependentes da contribuinte fossem se deslocar inúmeras vezes de Montes Claros a Belo Horizonte para se submeterem a tratamento de psicologia com uma profissional recémformada; • Em razão da expressividade dos valores dos recibos, das inverossimilhanças apontadas, da falta de comprovação de recebimento dos recursos por parte da profissional, da falta de comprovação de pagamento por parte da Sra. Alba, e, ainda em razão da utilização de recibos sabidamente fraudulentos conforme descrito nositens1,2 e,3 deste termo, resta evidente que a Sra. Andressa não prestou tais serviços de psicologia. 7) JANNE CARLA LOPES MENDES (...)a referida profissional foi intimada a prestar informações sobre os recibos emitidos em favor da Sra. Alba nos anos calendário 2002 e 2003; Fl. 616DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 • Em atendimentos protocolados em 18/04/2007 e 25/04/2007, a intimada, através de sua procuradora, confirmou a prestação de serviços odontológicos à Sra. Alba nos referidos períodos, informando que os serviços teriam sido realizados em consultório localizado à rua Gonçalves Figueira, 226, sala 202, nesta cidade de Montes Claros. Apresentou, dentre outros documentos, cópia da carteira do CRO, cópia de diploma de curso de odontologia, alvarás de funcionamento relativos aos anos de 2002 e 2003, cópias de recibos de aluguel, cópias de contas de energia e telefone, e cópia de fichas clínicas relativas ao tratamento; • Apresentou, ainda, cópia de relatório dos procedimentos realizados, em que estão discriminadas as datas dos supostos atendimentos, e recibos de despesas efetuadas em BrasíliaDF, referentes aos anos 2002 e 2003. É relevante destacar que dentre os comprovantes de despesas constam cópias de recibos de emissão da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico na Área da Saúde FUNSAÚDE, que se referem a pagamento de matrícula e mensalidades dos meses de setembro a dezembro/2002 e janeiro a agosto/2003. Ao que tudo indica tais recibos são relativos a curso de especialização realizados em Brasília (DF), sendo que em tais meses, consta do relatório apresentados que teriam sido efetuados atendimentos à Sra. Alba em tais períodos; • Embora tenha apresentado copiosa documentação comprobatória da existência e funcionamento de consultório odontológico, a intimada não informou absolutamente nada sobre os pagamentos recebidos, ,não tendo comprovado com documentação hábil e idônea a efetividade dos recebimentos pelos serviços que afirma ter prestado. É importante ressaltar, que ainda que os pagamentos fossem efetuados em espécie, a comprovação dos mesmos seria possível, através de comprovantes de depósitos na conta corrente do recebedor na data dos recebimentos ou em data próxima, o que não foi feito; • Assim, em razão da expressividade dos valores dos recibos, da falta de comprovação de recebimento dos recursos por parte da profissional, da falta de comprovação de pagamento por parte da Sra. Alba, e, ainda em razão da utilização de recibos sabidamente fraudulentos conforme descrito nos itens 1, 2 e 3 deste termo, resta evidente que a Sra. Janne não prestou tais serviços de Odontologia. 8) JUSSYMARA PEREIRA DE ANDRADE (...) a referida profissional foi intimada a prestar informações sobre os recibos emitidos em favor da Sra. Alba no ano calendário 2005; • Em respostas protocoladas em 20/04, 27/04 e 07/05/2007, a intimada confirmou a prestação de serviços de fisioterapia domiciliar a Sra. Alba, no endereço residencial da mesma, no ano de 2005, não tendo precisado em que datas, exatamente, teria prestado tais atendimentos; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10670.001025/200776 Acórdão n.º 9202003.674 CSRFT2 Fl. 612 11 • Confirmou a emissão de recibos no valor total de R$ 4.000,00 não tendo informado em que teriam consistido, de maneira detalhada, os serviços Prestados; • Apresentou cópia da carteira de inscrição noo CREFITO, emitida pelo Conselho Regional de Minas Gerais, cópia de diploma de graduação em curso de fisioterapia e cópia dos recibos emitidos; • Com relação aos pagamentos, resumiuse a informar que os mesmos teriam sido em espécie, tendo apresentado cópia de extratos bancários relativos ao anocalendário 2005, nos quais não foram identificados quaisquer valores de depósitos em dinheiro que fossem coincidentes com as datas e valores dos recibos emitidos. Assim sendo, da mesma maneira que os demais supostos prestadores de serviços, a intimada não apresentou qualquer comprovante idôneo de que houvesse recebido os valores dos pagamentos; • Também não apresentou qualquer comprovante de pagamento de despesas necessárias ao desempenho da atividade relativo à época da prestação dos serviços, não tendo especificado qual o tipo de tratamento fisioterápico que teria sido prestado à suposta paciente; • Em razão da expressividade dos valores dos recibos, da total falta de comprovação da realização de qualquer despesa necessária ao desempenho da atividade, da falta de comprovação de recebimento dos recursos por parte da profissional, da falta de comprovação de pagamento por parte da Sra. Alba, e, ainda em razão da utilização de recibos sabidamente fraudulentos, conforme descrito nos itens 1, 2 e 3 deste termo, resta evidente que a Sra. Jussymara também não prestou tais serviços de fisioterapia. 9) LUCIANA NASCIMENTO FONSECA (...) a referida profissional foi intimada a prestar informações sobre os recibos emitidos em favor da Sra. Alba no ano calendário 2004; • Em resposta protocolada em 17/04/2007, a intimada informou que teria prestado atendimento fisioterápico domiciliar a Sra. Alba, no período de janeiro a março de 2004, a um dependente no período de maio a julho de 2004 e a outro dependente no período de setembro a novembro do mesmo ano; • Enumerou quais teriam sido os diagnósticos dos mencionados pacientes, tendo apresentado cópia de carteira profissional do CREFITO, cópia de cartão de identificação profissional emitida pelo mesmo órgão, cópia de diploma de graduação, cópia de histórico escolar, cópia de declaração emitida pela Universidade de Ribeirão Preto e cópia dos canhotos dos recibos emitidos; • Com relação aos pagamentos, resumiuse a informar que os mesmos teriam sido realizados em moeda corrente nacional não Fl. 618DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 12 tendo comprovado com documentação hábil e idônea a efetividade dos recebimentos pelos supostos serviços prestados; • A intimada também não apresentou qualquer comprovante de pagamento de despesas necessárias ao desempenho da atividade na época da prestação dos serviços, conforme consta dos itens 7 e 8 do termo de intimação; • Assim, em razão da expressividade dos valores dos recibos, da total falta de comprovação da realização de qualquer despesa necessária ao desempenho da atividade, da falta de comprovação de recebimento dos recursos por parte da profissional, da falta de comprovação de pagamento por parte da Sra. Alba, e, ainda em razão da utilização de recibos sabidamente fraudulentos, conforme descrito nos itens 1, 2 e 3 deste termo, resta evidente que a Sra. Luciana também não prestou tais serviços de fisioterapia. 10) MARIA FERNANDA MOREIRA VELOSO (...) a referida profissional foi intimada a prestar informações sobre os recibos emitidos em favor da Sra. Alba no ano calendário 2003; • Em atendimento protocolado em 27104/2007, a intimada informou que teria prestado serviços odontológicos a Sra. Alba durante o referido ano, em consultório cedido por terceiros, localizado à rua Dom Pedro II, n°370, sala 201, centro, nesta cidade de Montes Claros; • Informou que os tratamentos efetuados teriam implicado no valor total de R$ 2.000,00 tendo enumerado quais teriam sido os supostos serviços prestados, mas não fazendo qualquer referência aos valores recebidos; • A intimada apresentou cópia da ficha relativa à suposta paciente, cópia de alvará de licença de consultório odontológico da Sra. Vanusa Diniz, Rabelo Lopes, emitido em 13/09/2006, com validade até 28/02/2007 e cópia da carteira de inscrição no Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais; • Conforme análise da cópia do alvará apresentado, o mesmo se refere a consultório situado à rua Dom Pedro II, n°370, sala 201, centro, que é o mesmo endereço em que a intimada alega haver prestado os serviços de odontologia. Na hipótese de que a mesma tenha prestado os serviços em consultório de outro profissional, tal alvará não serviria para comprovar o local onde os serviços teriam sido prestados, uma vez que o documento, cuja cópia foi apresentada, foi emitido em 13/09/2006, com data de validade até 28/02/2007 sendo que os serviços que a intimada informa ter prestado foram realizados no ano de 2003; • A intimada não comprovou com documentação hábil e idônea a efetividade dos recebimentos pelos supostos serviços prestados e, também, não apresentou qualquer comprovante de pagamento de despesas necessárias ao desempenho da atividade na época da prestação dos serviços, conforme consta dos itens 7 e 8 do termo de intimação; Fl. 619DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10670.001025/200776 Acórdão n.º 9202003.674 CSRFT2 Fl. 613 13 • Cumpre também destacar que Sra. Alba não apresentou nenhum recibo de emissão da Maria Fernanda, quando do atendimento ao termo de início de intimação; • Assim, em razão da expressividade dos valores dos recibos, da total falta de comprovação da realização de qualquer despesa necessária ao desempenho da atividade, da falta de comprovação de recebimento dos recursos por parte da profissional, da falta de apresentação dos recibos e da comprovação do pagamento por parte da Sra. Alba, e, ainda em razão da utilização de recibos sabidamente fraudulentos, conforme descrito nos itens 1, 2 e 3 deste termo, resta evidente que a Sra. Maria Fernanda também não prestou tais serviços de odontologia. 11) MYRENE RUSSO COELHO (...) a referida profissional foi intimada a prestar informações sobre os recibos emitidos em favor da Sra. Alba no ano calendário 2002; • Em resposta protocolada em 25/04/2007, a intimada confirmou a prestação de serviços de psicoterapia à Sra. Alba no período de janeiro a novembro de 2002, à rua Eugênio Nunes, nº 10, sala 202, bairro Melo, nesta cidade de Montes Claros; • Informou haver recebido 10 pagamentos mensais de R$ 600,00 cada, perfazendo o total de R$ 6.000,00, e que tais valores teriam sido pagos em moeda corrente. Alegou que parte dos valores recebidos foi destinada ao pagamento de imposto de renda e às despesas cotidianas, bem como a sublocação de consultório; • Apresentou cópia dos seguintes documentos: carteira de identidade profissional, comprovante de pagamento do conselho regional de psicologia relativo ao ano de 2007, contrato de prestação de serviços para a INFRAERO, termo aditivo ao referido contrato, comprovantes de pagamento ao conselho de psicologia efetuados em 31/07, 01/09 e 30/09/2003, DARF's relativos a pagamentos de imposto de renda efetuados em abril e maio/2003 e em julho/2004, comprovante de depósito em conte Corrente de Maria Márcia Bicalho, cartão de inscrição municipal em atividade de psicólogo, emitido em 12/09/2003, guias de arrecadação de tributos municipais relativas ao ano de 2003, faturas de cartão de crédito referentes a abril e outubro/2002, contas de serviço de telefonia célular referentes ao ano de 2002; • É relevante ressaltar que nenhum dos documentos apresentados se presta à comprovação de funcionamento de consultório de psicologia durante o ano calendário 2002, uma vez que as guias de ISS, bem como o cartão de inscrição municipal, são todos relativos ao ano de 2003; • Com relação aos pagamentos, a intimada resumiuse a alegar que os mesmos teriam sido efetuados em moeda corrente não Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 14 tendo apresentado qualquer comprovante do efetivo recebimento dos mesmos; • Assim, em razão da expressividade ,dos valores dos recibos, da total falta de comprovação da realização de qualquer despesa necessária ao desempenho da atividade à época da emissão dos recibos, da falta de comprovação de recebimento dos recursos por parte da profissional, da falta de comprovação de pagamento por parte da Sra. Alba, e, ainda em razão da utilização de recibos sabidamente fraudulentos, conforme descrito nos itens 1, 2 e 3 deste termo, resta evidente que a Sra. Myrene não prestou tais serviços de psicologia. 12) VERA LUCIA MENDES ANTUNES ZUCULIN (...) a referida profissional foi intimada a prestar informações sobre os recibos emitidos em favor da Sra. Alba no ano calendário 2003; • Em atendimento protocolado em 23/04/2007, a intimada informou que teria prestado serviços odontológicos aos dependentes da Sra. Alba durante o referido ano, em consultório localizado à rua Dom Pedro II, n°799, sala 201, centro, nesta cidade de Montes Claros; • Enumerou quais teriam sido os supostos tratamentos, informando que teria emitido um único recibo no valor total de R$ 1.000,00, os quais teriam sido recebidos em dinheiro; • A intimada apresentou cópia da carteira de cirurgiãodentista, cópia de guia de recolhimento relativo ao conselho regional de odontologia, referente ao ano de 2004, cópia de guia de recolhimento de ISS do ano de 2003, cópia de diploma de graduação e cópia de termo de aditamento ao referido diploma; • A intimada não comprovou com documentação hábil e idônea a efetividade dos recebimentos pelos supostos serviços prestados e, também, não apresentou comprovantes de pagamento de despesas necessárias ao desempenho da atividade à época da prestação dos serviços, conforme consta dos itens 7 e 8 do termo de intimação; • Assim, em razão da expressividade dos valores dos recibos, da falta de comprovação da realização de qualquer despesa necessária ao desempenho da atividade, da falta de comprovação de recebimento dos recursos por parte da profissional, da falta de comprovação de pagamento por parte da Sra. Alba, e, ainda em razão da utilização de recibos sabidamente fraudulentos, conforme descrito rios itens 1, 2 e 3 deste termo, resta evidente que a Sra. Vera não prestou tais serviços de odontologia." Quanto ao paradigma indicado – Acórdão n° 220100.608 – a Contribuinte limitouse a reproduzir parte da ementa, conforme a seguir: “(...) Fl. 621DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10670.001025/200776 Acórdão n.º 9202003.674 CSRFT2 Fl. 614 15 MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVAS DA AÇÃO OU OMISSÃO DOLOSA. SÚMULA CARF Nº 14. Cabe ao auditorfiscal provar que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa, requisito indispensável para a aplicação da penalidade qualificada com base nos tipos descritos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.503/1964. Tratase de matéria sumulada neste CARF – Súmula CARF nº 14. (...)” Com efeito, a leitura da ementa acima não permite vislumbrar onde residiria a alegada divergência jurisprudencial, já que o paradigma vaza o mesmo entendimento esposado no acórdão recorrido: provando a Fiscalização que a ação do Contribuinte foi dolosa, qualifica se a penalidade. Ocorre que, ao contrário do que ocorreu no caso do acórdão recorrido, no paradigma a conduta dolosa não foi comprovada. Restaria à Contribuinte demonstrar que o paradigma trataria do mesmo contexto retratado no acórdão recorrido. Entretanto, compulsandose o paradigma Acórdão nº 220100.608 constatase que ele sequer trata de glosas de despesas médicas, conforme evidencia a menção à Súmula CARF nº 14, que trata de “simples omissão de rendimentos”, o que de forma alguma se identifica com o que se verificou no acórdão recorrido. Com efeito, o paradigma trata de autuação por omissão de rendimentos, com base na presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, as soluções diversas não são devidas a interpretações distintas da legislação, mas sim à ausência de similitude fática entre os julgados em confronto, que inclusive atraíram incidências tributárias diversas glosa de despesas médicas no recorrido e presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem identificação de origem, no caso do paradigma. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Contribuinte, por falta de demonstração de divergência jurisprudencial. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 622DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 10166.904944/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÕES DO IMPOSTO ANUAL. IDENTIDADE DE PERÍODO DE APURAÇÃO.
Deve existir identidade de período de apuração entre a "determinação do lucro real" (em que uma receita é computada) e a "determinação do saldo do imposto a pagar ou a compensar" (em que a correspondente retenção do imposto é deduzida). Afinal, se o contribuinte tivesse a liberdade de escolher o período de apuração que melhor lhe convém para deduzir o imposto retido, a lei teria instituído uma medida de controle dos saldos das retenções à semelhança do que se faz com os saldos de prejuízos acumulados (aos quais a lei impõe o controle no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR).
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO CREDITADOS. PESSOA JURÍDICA BENEFICIÁRIA. TRATAMENTO.
O imposto retido na fonte será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos da pessoa jurídica beneficiária que seja tributada com base no lucro real. A lei faz essa exigência indistintamente para os juros "pagos ou creditados". Portanto, o crédito dos juros é suficiente para nascer a exigência de que a pessoa jurídica beneficiária inclua a receita e a correspondente retenção no respectivo período de apuração.
FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. RETENÇÃO NA FONTE.
A retenção na fonte a que se submetem os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços engloba, além do IRPJ, outros tributos administrados pela Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-001.501
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DEDUÇÕES DO IMPOSTO ANUAL. IDENTIDADE DE PERÍODO DE APURAÇÃO. Deve existir identidade de período de apuração entre a "determinação do lucro real" (em que uma receita é computada) e a "determinação do saldo do imposto a pagar ou a compensar" (em que a correspondente retenção do imposto é deduzida). Afinal, se o contribuinte tivesse a liberdade de escolher o período de apuração que melhor lhe convém para deduzir o imposto retido, a lei teria instituído uma medida de controle dos saldos das retenções à semelhança do que se faz com os saldos de prejuízos acumulados (aos quais a lei impõe o controle no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR). JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO CREDITADOS. PESSOA JURÍDICA BENEFICIÁRIA. TRATAMENTO. O imposto retido na fonte será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos da pessoa jurídica beneficiária que seja tributada com base no lucro real. A lei faz essa exigência indistintamente para os juros "pagos ou creditados". Portanto, o crédito dos juros é suficiente para nascer a exigência de que a pessoa jurídica beneficiária inclua a receita e a correspondente retenção no respectivo período de apuração. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte a que se submetem os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços engloba, além do IRPJ, outros tributos administrados pela Receita Federal. Recurso Voluntário Negado
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Recorrente CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEDUÇÕES DO IMPOSTO ANUAL. IDENTIDADE DE PERÍODO DE APURAÇÃO. Deve existir identidade de período de apuração entre a "determinação do lucro real" (em que uma receita é computada) e a "determinação do saldo do imposto a pagar ou a compensar" (em que a correspondente retenção do imposto é deduzida). Afinal, se o contribuinte tivesse a liberdade de escolher o período de apuração que melhor lhe convém para deduzir o imposto retido, a lei teria instituído uma medida de controle dos saldos das retenções à semelhança do que se faz com os saldos de prejuízos acumulados (aos quais a lei impõe o controle no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR). JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO CREDITADOS. PESSOA JURÍDICA BENEFICIÁRIA. TRATAMENTO. O imposto retido na fonte será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos da pessoa jurídica beneficiária que seja tributada com base no lucro real. A lei faz essa exigência indistintamente para os juros "pagos ou creditados". Portanto, o crédito dos juros é suficiente para nascer a exigência de que a pessoa jurídica beneficiária inclua a receita e a correspondente retenção no respectivo período de apuração. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. RETENÇÃO NA FONTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 49 44 /2 01 3- 41 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.904944/201341 Acórdão n.º 1401001.501 S1C4T1 Fl. 138 2 A retenção na fonte a que se submetem os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços engloba, além do IRPJ, outros tributos administrados pela Receita Federal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA ECONÔMICA FEDERAL contra acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão PretoSP que concluiu pela procedência parcial de manifestação de inconformidade acerca de pedidos de compensação de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2008. O crédito informado tinha o valor originário de R$ 75.007.651,10, mas a unidade de origem reconheceu o direito creditório de apenas R$ 55.599.972,87 sob o fundamento de que não foram confirmadas a totalidade das retenções na fonte compensadas na apuração do saldo negativo. Em sua manifestação de inconformidade, a empresa segregou seus argumentos por fonte pagadora. Em síntese alegou o seguinte: i) Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome As retenções, que totalizam a quantia de R$ 7.002.747,13, referemse a pagamentos que foram efetuados em Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.904944/201341 Acórdão n.º 1401001.501 S1C4T1 Fl. 139 3 2004 e 2005. As receitas foram contabilizadas naqueles anos sem a correspondente retenção dos impostos, os quais foram escriturados em 2008. Junta comprovação dos fatos. ii) CIBRASEC Companhia Brasileira de Securitização A retenção, no valor de R$ 49.275,14, é relativa a pagamento de juros sobre o capital próprio efetuado em 2007. A receita e a retenção foram contabilizadas em 2008. Contudo, a fonte pagadora declarou valores superiores porque houve pagamentos realizados em janeiro e fevereiro que foram contabilizados no próprio ano de 2007. Junta comprovação dos fatos. iii) EMGEA Empresa Gestora de Ativos A retenção, no valor de R$ 19.956.024, 97, englobou a totalidade dos tributos retidos no código de receita financeira 6188. A parcela referente ao IRPJ é de R$ 6.793.540,43 (2,4%). Junta comprovação dos fatos. iv) Conselho Regional de Biologia da Sétima Região A retenção, no valor de R$ 269,32, foi declarada em conformidade com o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. Junta o referido comprovante. A 15ª Turma da já mencionada DRJ/Ribeirão PretoSP proferiu, então, o Acórdão nº 1449.668, de 15 de abril de 2014, por meio do qual considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. A DIPJ tem efeito meramente informativo, constituindo, apenas, demonstrativo da existência do direito creditório pleiteado, cumprindo à pessoa jurídica comprovar a veracidade das informações prestadas em tal documento, quando o pedido de restituição/compensação se origina de saldo negativo apurado em referida declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. A restituição e/ou compensação de saldo negativo de IRPJ condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. O IRRF é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução com observância ao regime de competência, desde que comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes e Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.904944/201341 Acórdão n.º 1401001.501 S1C4T1 Fl. 140 4 apresentado o respectivo Comprovante de Rendimentos Pagos, emitido nos termos da legislação vigente. Reconhecido em parte o direito creditório, homologamse as compensações trazidas a litígio, até o limite do crédito concedido. Cumpre esclarecer que a instância a quo não concordou com o aproveitamento das retenções cujas compensações não observaram o regime de competência (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e CIBRASEC), mas concordou com o aproveitamento da parcela da retenção referente ao IRPJ (EMGEA). No que diz respeito ao comprovante de rendimentos fornecido pelo Conselho Regional de Biologia, a DRJ identificou que a fonte pagadora havia apresentado DIRF retificadora, de modo que a retenção de R$ 269,32 também englobava outros tributos (a retificadora corrigiu o código de retenção de 1708 para 6190). Com isso, ficou constatado que a parcela da retenção referente ao IRPJ, no valor de R$ 136,80, já havia sido reconhecida no despacho decisório da unidade de origem. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, deduz os seguintes argumentos por fonte pagadora: a) Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome O montante compensado foi efetivamente retido e recolhido pela fonte pagadora. As receitas auferidas foram computadas na apuração do lucro real. A negativa de reconhecimento do crédito decorre de uma interpretação restritiva de dispositivo de lei que não impede a dedução da retenção em período de apuração do imposto distinto daquele no qual a correspondente receita foi considerada. b) CIBRASEC Companhia Brasileira de Securitização Apesar de o comprovante anual de rendimentos fazer referência ao exercício de 2007, o pagamento dos juros sobre o capital próprio, referentes aos meses de março a dezembro daquele ano, ocorreu, via SPB, em 16/04/2008 conforme comprova o documento de fls. 118. Além disso, não faz sentido, para a recorrente, o argumento invocado pelo Órgão Julgador segundo o qual haveria que se comprovar que não houve utilização do valor retido para compensar o imposto devido em caso de pagamento de juros de capital próprio aos seus sócios ou acionistas (artigo 9º, § 6º, da Lei nº 9.249/95). Afinal, a recorrente é empresa pública, integralmente pertencente à União, a qual não se sujeita à retenção do imposto por ser o próprio ente que detém sua competência tributária. c) Telemar Norte Leste S/A A compensação da retenção não aceita no despacho decisório pode ser confirmada conforme documentos anexos. d) Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento A compensação da retenção não aceita no despacho decisório pode ser confirmada conforme documentos anexos. e) Conselho Regional de Biologia da Sétima Região Apesar de a fonte pagadora ter retificado a DIRF, houve a retenção e o recolhimento do montante de R$ 269,32. Por isso, requer que seja admitido o aproveitamento da diferença na compensação do IRPJ. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.904944/201341 Acórdão n.º 1401001.501 S1C4T1 Fl. 141 5 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Quanto às retenções efetuadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, assiste razão à instância a quo. Com efeito, o artigo 231 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), assim dispõe: Subseção VI Deduções do Imposto Anual Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º): I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (grifei) IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Como se vê, o dispositivo trata da apuração do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado (saldo negativo) na hipótese do regime de tributação escolhido pela recorrente, qual seja, o lucro real anual. No inciso III, quando trata da dedução do imposto pago ou retido na fonte, a lei qualifica esse imposto como sendo o incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Por óbvio, deve existir identidade de período de apuração entre essa "determinação do lucro real" (em que a receita é computada) e a "determinação do saldo do imposto a pagar ou a compensar" (em que a retenção é deduzida) mencionada no caput. Afinal, se o contribuinte tivesse a liberdade de escolher o período de apuração que melhor lhe convém para deduzir o imposto retido, a lei teria instituído uma medida de controle dos saldos Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.904944/201341 Acórdão n.º 1401001.501 S1C4T1 Fl. 142 6 das retenções à semelhança do que se faz com os saldos de prejuízos acumulados (aos quais a lei impõe o controle no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR). Não se trata, pois, de interpretação restritiva, como ventilado pela recorrente, mas de interpretação lógica e sistemática do dispositivo. Portanto, se as receitas foram oferecidas à tributação nos anos de 2004 e 2005, as correspondentes retenções do imposto deveriam ter sido deduzidas naqueles mesmos anos. Nesse sentido, correta a observação da autoridade julgadora de primeira instância sobre a forma como a recorrente deveria ter procedido, isto é, mediante retificação, no prazo quinquenal, das DIPJ daqueles anoscalendário. Assim, se apurasse saldos negativos, poderia ter pleiteado a compensação dos respectivos créditos. No que tange à retenção da CIBRASEC, melhor sorte não acompanha a recorrente. É que, nesse caso, a norma que trata da remuneração a título de juros sobre o capital próprio (artigo 9º da Lei nº 9.249/95) determina que o imposto retido na fonte será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos da pessoa jurídica beneficiária que seja tributada com base no lucro real. A lei faz essa exigência indistintamente para os juros "pagos ou creditados". Confirase: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; (...) (grifei) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.904944/201341 Acórdão n.º 1401001.501 S1C4T1 Fl. 143 7 Portanto, o crédito dos juros é suficiente para nascer a exigência de que a pessoa jurídica beneficiária inclua a receita e a correspondente retenção no respectivo período de apuração. Assim, mesmo que o pagamento dos juros tenha ocorrido em 2008, como alega a recorrente, o comprovante anual de rendimentos fornecido pela fonte pagadora (fls. 54) indica que os créditos foram efetuados segundo o regime de competência na base mensal. Tanto que os valores ali destacados referemse aos "rendimentos" da recorrente. Novamente, a empresa deveria ter retificado sua DIPJ, agora referente ao anocalendário de 2007, para fazer valer seu eventual direito ao crédito. Não porque deveria reunir no mesmo período de apuração a retenção e a correspondente receita, visto que isso havia sido feito, mas porque deveria ter obedecido ao regime de competência, de modo que ambos, retenção e receita, deveriam fazer parte da apuração daquele ano de 2007. Quanto às retenções da Telemar Norte Leste S/A e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, houve inovação. Nesse sentido, vejase o que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.237/72 (que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997 Portanto, não se pode apreciar matéria não contestada na manifestação de inconformidade, a qual, no caso dos pedidos de compensação, à luz do que consta nos §§ 10 e 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, assume o papel da impugnação. Confirase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.904944/201341 Acórdão n.º 1401001.501 S1C4T1 Fl. 144 8 Por fim, no que concerne à retenção do Conselho Regional de Biologia, não se pode acolher o pedido da recorrente somente porque houve o recolhimento da totalidade do valor retido. Conforme extrato juntado pela autoridade julgadora de primeira instância (fls. 100), a DIRF retificadora foi entregue pela fonte pagadora em 12/04/2010. O crédito pleiteado foi consubstanciado em PER/DCOMP apresentada em 18/10/2010 (fls. 11). Mesmo que a empresa não tenha sido notificada da retificação efetuada pela fonte pagadora, não pode se escusar do conhecimento da norma citada no voto condutor do acórdão recorrido, a Instrução Normativa nº 480/2004, a qual determina que a retenção na fonte a que se submetem os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços engloba, além do IRPJ, outros tributos administrados pela Receita Federal. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.722639/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório SIEMENS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1262.183, de 16/12/2013, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do sucinto e objetivo relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 63 9/ 20 12 -1 0 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722639/201210 Resolução nº 1301000.292 S1C3T1 Fl. 919 2 Do lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, lavrado pela DFI/São PauloSP e cientificado à interessada acima identificada em 28/11/2012, no valor de R$ 3.094.542,61, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal, decorre de glosa de prejuízo compensado indevidamente, uma vez que insuficientes, no anocalendário de 2008, no montante de R$ 12.378.170,48. A insuficiência foi resultado dos autos de infração objetos dos processos nºs 16643.000069/200954 e 16643.000288/201077, que absorveram, nos anos calendário de 2004 e 2005, os prejuízos fiscais que a interessada dispunha, relativos aos anos calendário anteriores a 2004, não restando, por conseguinte, saldo passível de compensação em 31/12/2007. [...] Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 22/12/2012, sua impugnação na qual descreve a autuação e suas razões, argui a tempestividade e alega, em síntese: Que a fiscalização não poderia desconsiderar a suspensão da exigibilidade dos processos nºs 16643.000069/200954 e 16643.000288/201077 para recompor as compensações de prejuízos. Desta forma, até o transito em julgado das decisões administrativas relativas aos mesmos, não há que se falar em compensação indevida nem pagamento a menor de IRPJ em 2008. Diante disso, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto deste processo até as decisões finais e definitivas no âmbito dos processos administrativos nºs 16643.000069/200954 e 16643.000288/201077. A 2ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1262.183, de 16/12/2013 (fls. 675/680), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722639/201210 Resolução nº 1301000.292 S1C3T1 Fl. 920 3 Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício, mantémse a glosa do valor indevidamente compensado. Ciente da decisão de primeira instância em 15/04/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 684, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/05/2014 conforme carimbo de recepção à folha 687. No recurso interposto (fls. 689/696), a interessada historia, sob sua ótica, o ocorrido, as autuações sofridas nos processos administrativos nº 16643.000069/200954 (fatos geradores ocorridos no anocalendário 2004) e nº 16643.000288/201077 (fatos geradores ocorridos no anocalendário 2005), além da autuação discutida no presente processo nº 19515.722639/201210 (fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008). A recorrente sustenta que teria sido ilegal e irregular a compensação de prejuízos fiscais anteriores, feita de ofício nos processos administrativos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077. Isso decorreria do fato de que, no momento em que lavrados aqueles autos de infração, a interessada já teria se utilizado dos prejuízos fiscais para compensação no anocalendário 2008, de tal forma que não haveria qualquer saldo de prejuízos fiscais disponível para a compensação de ofício. Com isso, entende nula a presente autuação, devendo ser acatada a disponibilidade dos prejuízos acumulados na forma em que compensados pela recorrente. Caso essa nulidade não seja reconhecida, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, no sentido de que as exigências dos processos administrativos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077 (e, por via de consequência, também as compensações de prejuízos anteriores feita de ofício) ainda não foram definitivamente julgadas na esfera administrativa. Sustenta que isso retiraria a liquidez e a certeza do lançamento aqui discutido, o que ensejaria, no mínimo, o sobrestamento do presente processo administrativo. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração em razão da indevida compensação de prejuízos efetuada nos anos de 2004 e 2005. Alternativamente, protesta pela suspensão da exigibilidade dos créditos tributários cobrados neste processo administrativo, até que sejam proferidas decisões finais e definitivas nos processos administrativos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento. É que a discussão, no presente processo administrativo, gira em torno da glosa de compensação de prejuízos fiscais anteriores. Por sua vez, tais prejuízos fiscais anteriores já Fl. 920DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722639/201210 Resolução nº 1301000.292 S1C3T1 Fl. 921 4 teriam sido absorvidos, de ofício, em dois outros processos administrativos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077. Consulta ao sistema eprocesso revela: a) O processo nº 16643.000069/200954 foi julgado em segunda instância e, mediante o acórdão nº 1402001.028, de 09/05/2012, o recurso voluntário foi negado. Foi interposto recurso especial pela contribuinte, ao qual foi dado seguimento parcial, mas ainda não julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na data deste julgamento, o processo se encontra pendente, portanto, de decisão final administrativa. b) O processo nº 16643.000288/201077 foi julgado em segunda instância e, mediante o acórdão nº 1301001.262, de 06/08/2013, o recurso voluntário foi parcialmente provido. Foi interposto recurso especial pela Fazenda Nacional, ao qual foi dado seguimento, mas ainda não julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na data deste julgamento, o processo se encontra pendente, portanto, de decisão final administrativa. A absorção dos prejuízos fiscais, feita de ofício nos processos administrativos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077 é matéria prejudicial à decisão que se há de tomar neste processo, acerca da glosa de compensação de prejuízos fiscais por insuficiência de saldo a compensar no anocalendário 2008. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa dos processos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077. 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia das decisões definitivas na instância administrativa dos processos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/2010 77. 3. A Unidade Preparadora se manifeste, em relatório conclusivo, acerca do montante de prejuízos fiscais disponível para compensação no anocalendário 2008, após computados os efeitos das decisões finais nos processos administrativos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077. 4. A Unidade Preparadora faça acostar aos autos extrato do sistema SAPLI, atualizado até a data de realização da diligência. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 921DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722639/201210 Resolução nº 1301000.292 S1C3T1 Fl. 922 5 Fl. 922DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724505/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ÁREA DE REFLORESTAMENTO. COMPROVAÇÃO.
Cabe restabelecer a área comprovadamente utilizada com reflorestamento.
ÁREA DE PASTAGEM. COMPROVAÇÃO.
Cabe acatar a área comprovadamente utilizada como pastagens.
ÁREA OCUPADA POR BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR.
Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DITR, nos termos do § 2º do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequá-lo aos elementos fáticos reais.
VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. NECESSIDADE.
Para fins de revisão do VTN, exige-se Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais da ABNT (NBR 14.653-3), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
É exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do inciso I do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, por expressa determinação legal.
Numero da decisão: 2201-002.727
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso. Votaram pelas conclusões quanto ao Recurso Voluntário os Conselheiros IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada) e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, por entenderem que existem outros métodos além do Laudo Técnico de Avaliação para definir o VTN.
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 30/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2010 ÁREA DE REFLORESTAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabe restabelecer a área comprovadamente utilizada com reflorestamento. ÁREA DE PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. Cabe acatar a área comprovadamente utilizada como pastagens. ÁREA OCUPADA POR BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DITR, nos termos do § 2º do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequá-lo aos elementos fáticos reais. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. NECESSIDADE. Para fins de revisão do VTN, exige-se Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais da ABNT (NBR 14.653-3), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do inciso I do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, por expressa determinação legal.
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COMPROVAÇÃO. Cabe restabelecer a área comprovadamente utilizada com reflorestamento. ÁREA DE PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. Cabe acatar a área comprovadamente utilizada como pastagens. ÁREA OCUPADA POR BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DITR, nos termos do § 2º do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo aos elementos fáticos reais. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. NECESSIDADE. Para fins de revisão do VTN, exigese Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais da ABNT (NBR 14.6533), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do inciso I do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, por expressa determinação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 45 05 /2 01 3- 99 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso. Votaram pelas conclusões quanto ao Recurso Voluntário os Conselheiros IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada) e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, por entenderem que existem outros métodos além do Laudo Técnico de Avaliação para definir o VTN. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI – PresidenteSubstituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 30/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidentesubstituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2010, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 20/25), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 13.879.848,18, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Palmeiras do Ricardo”, cadastrado na RFB sob o nº 0.326.8020, com área declarada de 5.136,6 ha, localizado no Município de Itapeva/SP. A fiscalização efetuou a glosa integral da área de reflorestamento (3.053,3 ha) e de pastagens (1.180,4 ha), além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 9.220.937,53 (R$ 1.795,14/ha), arbitrando o valor de R$ 40.065.480,00 (R$ 7.800,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme demonstrado às fls. 24. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: entende que a Notificação foi lavrada de forma arbitrária, pois a fiscalização glosou todas as áreas que vem sendo declaradas como a de pastagem, reflorestamento, preservação permanente e de florestas nativas, e, além disso, arbitrou o VTN levando em conta somente o suposto valor para o Município de Itapeva/SP, do SIPT, sem levar em conta que parte considerável do imóvel pertence a zona rural do Município de Itaberá/SP; Fl. 312DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10855.724505/201399 Acórdão n.º 2201002.727 S2C2T1 Fl. 3 3 considera que a fiscalização sequer deferiu o prazo suplementar requerido para a apresentação dos documentos solicitados e nem diligenciou junto ao imóvel para verificar se todas as áreas glosadas têm destinação as quais são declaradas; ressalta que o exposto pela fiscalização não guarda relação com a verdade dos fatos, posto que informa que até a data da lavratura da Notificação não teria sido apresentado nenhum documento o que denota que a impugnante teria agido de forma desidiosa perante os entes federativos, o que não condiz com a realidade, já que cumpre obrigações principais e acessórias tempestivamente; salienta que sempre esteve de “portas abertas” para qualquer análise, perícia e documentação, sendo que não foi constatado qualquer ato tendente à fiscalização em suas dependências e quando foi determinada à apresentação de vasta documentação em curto espaço de tempo, solicitou prazo suplementar, o qual até o momento sequer foi analisado; considera que a perícia teria o condão de ratificar o que será exposto, logo, por haver patente erro na autuação, tal fato deve ser revisto de ofício vez que há indevida atribuição e apuração do quantum debeatur e, em respeito ao art. 145, III, combinado com o art. 149, IV, ambos do CTN, deve ocorrer, de ofício, a revisão do lançamento; entende que a fiscalização desconsiderou qualquer pedido de produção de provas e nem mesmo diligenciou ao imóvel para verificar a veracidade das informações declaradas, suscitando argumentos que não guardam relação com o objeto da exação e tampouco com a verdade jurídica constatada nos fatos; conclui, preliminarmente, que houve flagrante cerceamento do direito de defesa, o qual é assegurado pelo art. 5º, LV, da Constituição da República, e aos demais preceitos relatados nos tópicos que se seguem; entende que as áreas de preservação permanente de 448,5 ha e de florestas nativas de 307,2 ha foram glosadas pela fiscalização e por isso discorre sobre os preceitos legais para a exclusão dessas áreas da incidência do ITR, reconhecendo a obrigatoriedade do ADA para tal exclusão, em função do art. 17 O, § 1º, da Lei nº 6.938/81 e da Instrução Normativa do IBAMA nº 5/2010, registrando que apresenta anualmente o ADA, conforme legislação, sendo certo que tal documento foi registrado no IBAMA sob o nº 11035350374003 e devidamente informado na DITR, o que não teria sido considerado; discorda das glosas das áreas ambientais pelo fato de ter cumprido o que determina a legislação para a sua exclusão e para demonstrar boafé quando em relação as informações informadas na DITR, junta, também, planta topográfica da do imóvel, devidamente digitalizada por profissional da área, onde resta claro toda a área de preservação permanente e floresta nativa declaradas; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 considera que a média anual de cabeças de animais de grande porte foi de 1.488 cabeças e 41 cabeças ajustadas, sendo informado uma área de pastagens de 1.180,4 ha, assim, essas informações declaradas satisfaz o índice de lotação por zona pecuária da região do imóvel e para comprovar tais dados junta cópias da Declaração de Vacinação, bem como o Demonstrativo do Movimento de Gado protocolados junto a Coordenadoria de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e, assim, não pode prevalecer a glosa efetuada pela fiscalização; afirma, diferentemente do apontado pela fiscalização, que tem sim grande atividade de reflorestamento, com extração e venda de goma resina, venda, também, de madeira (pinus e eucalipto), além do plantio e venda de grãos (milho e soja); expõe que realizou operações de venda e exportação de resina, pinus, eucalipto, soja e milho em 2009 e 2010, referentes as safras de 2008 a 2010 (doc. 08), como se depreende das Notas Ficais por ela emitidas, o que comprova de forma cabal a existência da informada área de reflorestamento de 3.053,3 ha e de produção vegetal de 123,0 ha; informa que, para comprovar de forma contundente a área de reflorestamento, junta uma planta fotométrica da totalidade da área rural, onde comprovase, pela simples análise da fotometria, a área de reflorestamento, de pastagens, de preservação permanente e de floresta nativa, e transcreve Ementa do CARF para referendar seu argumento quando áreas declaradas estão acobertadas por documentos que comprovem sua destinação, tais como notas fiscais de venda da produção, notas fiscais de aquisição de insumos, contratos agrícolas e outros; conclui, sobre a matéria, que resta demonstrado de forma documental e jurisprudencial, no que se refere a comprovação da área de reflorestamento e de culturas vegetais, que não deve prosperar a glosa da totalidade da área informada, pois a apuração por parte da fiscalização se deu de forma generalista e, consequentemente, descaracteriza uma apuração zelosa dos fatos ditos irregulares; entende que o arbitramento do VTN foi realizado de forma abusiva, porque não considerou o real valor do imóvel e porque não considerou que parte das terras pertencem a zona rural do município de Itaberá/SP, não podendo utilizar como parâmetro os valores do SIPT somente para o município de Itapeva/SP; considera que, apesar de o VTN poder ser arbitrado com base no SIPT, outros elementos de prova, como informações do INCRA ou Prefeituras, escrituras de compra e venda do imóvel em exercício futuro, laudos técnicos, são meios hábeis a contraditar os valores do SIPT e, desse modo, servese dos valores venais apresentados pelas Prefeituras dos dos Municípios de Itapeva e Itaberá, por meio de Certidões devidamente assinadas pelos seus responsáveis legais, para demonstrar seu inconformismo com o arbitramento; Fl. 314DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10855.724505/201399 Acórdão n.º 2201002.727 S2C2T1 Fl. 4 5 informa que, segundo a Certidão expedida pela Lançadoria Municipal de ItaberáSP, o valor venal total da Terra Nua para a área localizada no Município é de R$5.398.426,25 e que, segundo a Certidão expedida pela Secretaria Municipal de Administração e Finanças do Município de ItapevaSP, o valor venal total da Terra Nua para a área localizada no Município é de R$12.242.571,48 e, dessa forma, são valores menores do que o arbitrado, devendo prevalecer o primeiro, e cita e transcreve Ementas do CARF, para embasar sua tese; entende ser incabível a manutenção do arbitramento do VTN com base no SIPT, quando não cumpridos os requisitos especificados no art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e quando o documento oficial apresentado difere do valor arbitrado pela fiscalização; expõe que a multa possui caráter confiscatório, vedado pelo art. 150, IV, da Constituição da República e ressalta que o art. 5º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, que determina que a lei será interpretada atendendose aos fins sociais e ao bem comum, para dizer que a multa retrata outra realidade inflacionária que não a atual e que foi instituída para punir os contribuintes que agem de máfé, de forma a impedir a conduta reiterada, o que não é o caso, e pede seu cancelamento; requer, desde já,com base no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72 e do art. 38 da Lei nº 9.784/99, sempre em busca da verdade material, seja autorizada a juntada de novos documentos, bem como a realização de diligências e perícias que se fizerem necessárias e, por fim, a elaboração de cálculos que foram erroneamente apresentados pela fiscalização; indica Perito, o qual será qualificado após anuência, momento pelo qual serão elaborados os quesitos necessários e formula quesitos prévios; pelo o exposto, restando comprovado de forma documental as informações acertadamente prestadas na DITR, que contraria os fatos indevidamente apontados pela fiscalização, requer sejam acolhidas as pretensões apresentadas e declarado improcedente o lançamento, tornando sem efeito ou desconsiderando, por conseqüência, a Notificação de Lançamento, por ser insubsistente o suposto débito, determinando, assim, o seu arquivamento; reitera, ainda, o pedido de produção de todas as provas em direito admitidas, bem como o pedido de perícia, ambos devidamente requeridos; por fim, informa e requer que todas as notificações, intimações ou publicações sejam realizadas em nome dos advogados Dr. Odair Z. Afonso, inscrito na OAB/SP sob o nº 41.774 e Dr. Marcus Montanheiro P. Garini, inscrito na OAB/SP sob o nº 236.603, ambos com escritório na Rua dos Pinheiros nº 870, 19º andar, Bairro Pinheiros, São PauloSP, determinandose as providências cabíveis. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Em 02.04.2014, às fls. 209/212, a contribuinte apresentou impugnação complementar, acompanhada dos documentos de fls. 213/257, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: suscita que a presente impugnação tem o condão de corroborar, por meio de Laudo Técnico, os argumentos levados a efeito na impugnação outrora apresentada, não havendo qualquer prejuízo em acolher as presentes razões complementares; ressalta alguns pontos considerados pelo D. Técnico responsável pela elaboração do Laudo Pericial, no que tange a distribuição das áreas do imóvel, e traz algumas conclusões nele contidas e apresenta quadro com as áreas: preservação permanente de 450,0 ha; vegetação nativa fora APP de 314,26 ha; pastagens de 1.208,54 ha; benfeitorias de 241,07 ha; reflorestamento de 2.793,57 ha; agricultura de 109,9 ha e área total de 5.117,38 ha; considera que, lastreado pelo parecer técnico, o aproveitamento do imóvel é de 83,63%, respeitando a reserva legal obrigatória de 16,37%, sendo que ao contrário do que considerou a fiscalização, é inerente a área reservada a pastagens, reflorestamento, agricultura, benfeitorias, além da vegetação nativa e APP, logo, se torna mais robusto o devido cancelamento in totum da Notificação de Lançamento; atesta a qualificação do perito assistente (Srº Levy Chrischner) para acompanhar a perícia outrora requerida e, por esta via, reitera o pedido de perícia e a conversão do julgamento em diligência; pelo o exposto, em complementação ao solicitada na impugnação anteriormente apresentada, pleiteia: (i) a juntada do incluso Laudo Pericial (técnico) com o devido recolhimento da ART e (ii) ratifica a indicação de perito assistente, qualificandoo; por derradeiro, requer que todas as notificações, intimações ou publicações sejam realizadas em nome dos advogados Dr. Odair Z. Afonso, inscrito na OAB/SP sob o nº 41.774 (odair@oza.com.br) e Dr. Marcus Montanheiro P. Garini (marcus@oza.com.br), inscrito na OAB/SP sob o nº 236.603, ambos com escritório na Rua dos Pinheiros nº 870, 19º andar, Bairro Pinheiros, São PauloSP, determinandose as providências cabíveis A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). Fl. 316DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10855.724505/201399 Acórdão n.º 2201002.727 S2C2T1 Fl. 5 7 DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela Autoridade Fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DA ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS Com base em prova documental hábil, cabe acatar as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural e de produtos vegetais requeridas para efeito, respectivamente, de apuração da área aproveitável e do Grau de Utilização do imóvel. DAS ÁREAS COM REFLORESTAMENTO Cabe restabelecer, parcialmente, para fins de apuração do Grau de Utilização do imóvel, a área comprovadamente utilizada com reflorestamento (plantio de pinus). DA ÁREA DE PASTAGEM. DO REBANHO Com base no rebanho comprovado, cabe acatar a área de pastagens requerida, para efeito de apuração do Grau de Utilização do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, observadas as suas características particulares. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. DA PROVA PERICIAL Fl. 317DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Impugnação Procedente em Parte A conclusão do julgado foi no seguinte sentido: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, votar no sentido de rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação interposta pela Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 08110/00006/2013 de fls. 20/25, para acatar uma área ocupada com benfeitorias de 241,1 ha, para restabelecer, parcialmente, uma área com reflorestamento de 2.793,6 ha e acatar uma área de pastagens de 1.208,5 ha, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$6.798.182,00 para R$118.369,03, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Contra a referida decisão foi interposto Recurso de Ofício a este Conselho Administrativo, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 3/2008. Intimada da decisão de primeira instância em 07/05/2014 (fl. 287), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 06/06/2014 (fls. 289 e seguintes), questionando, sobretudo: Arbitramento do Valor da Terra Nua Multa aplicada (confiscatória e abusiva) É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah Os recursos atendem os requisitos de admissibilidade. I – Do exame do recurso de ofício: Em sua Impugnação alegou a contribuinte erro de fato no preenchimento da DITR, solicitando novo cálculo do imposto suplementar conforme quadro resumo de áreas, fl. 216, constante do Laudo de Usos de Solo – Quantificação de Áreas, fls. 213/223, elaborado pelo engenheiro Agrônomo Levy Chrischner, da sociedade empresária LK Ambiental Ltda, com ART de fls. 234/237. No citado instrumento consta uma área de preservação permanente Fl. 318DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10855.724505/201399 Acórdão n.º 2201002.727 S2C2T1 Fl. 6 9 de 450,0 ha, declarada como de 448,5 ha; uma área de floresta nativa de 314,3 ha, declarada como de 307,2 ha; uma área de benfeitorias de 241,1 ha, declarada como de 24,2 ha e uma área de produtos vegetais de 109,9 ha, declarada como de 123,0 ha, além da área total da propriedade de 5.117,4 ha, declarada como de 5.136,6 ha. Por sua vez, entendeu a autoridade recorrida que de acordo com as provas dos autos, bem como o “Laudo de Usos de Solo – Quantificação de Áreas”, fls. 213/223, elaborado pelo engenheiro Agrônomo Levy Chrischner, da sociedade empresária LK Ambiental Ltda, houve comprovação efetiva das áreas da propriedade, razão pela qual deu provimento ao recurso para: ... acatar uma área ocupada com benfeitorias de 241,1 ha, restabelecer, parcialmente, uma área com reflorestamento de 2.793,6 ha e acatar uma área de pastagens de 1.208,5, aumentando o Grau de Utilização do imóvel de 2,9% para 99,6% e, por isso, reduzindo a alíquota aplicada de 20,0% para 0,45% e, consequentemente, reduzindo o valor do imposto suplementar apurado pela Autoridade Fiscal, conforme demonstrado a seguir: De fato, quanto à área de pastagem, analisando detidamente as Declarações de Vacinação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento/SP contra febre aftosa, verificase que foram vacinados 1.063 animais de grande porte, fl. 95, e na segunda vacinação, realizada em novembro de 2009, foram vacinados 1.095 animais de grande porte, fl. 96, resultando em uma média de 1.079 [(1.063 + 1.095)/2] cabeças de bovinos vacinados durante o ano de 2009 (exercício 2010). Assim, em razão do número de cabeças de gado é possível acatar a área de pastagem de 1.208,5 ha, solicitada pela recorrente. No que tange à área de reflorestamento, considerou a autoridade julgadora a quo que: ... Laudo de Usos de Solo – Quantificação de Áreas, às fls. 213/223, elaborado pelo engenheiro Agrônomo Levy Chrischner, da sociedade empresária LK Ambiental Ltda, com ART de fls. 234/237, no qual consta a discriminação das áreas utilizadas com reflorestamento, concluindo que essas áreas, para essa atividade rural, corresponde a dimensão de 2.793,6 ha. Além disso constam dos autos Notas Fiscais, às fls. 124/130 e 136/150, emitidas pela impugnante referentes à venda de pinus, resina e eucalipto, em 2009 e 2010, referentes as safras de 2008 a 2009, que corroboram as informações constantes do referido Laudo. Desta forma, cabe considerar comprovada com documentos hábeis uma área com reflorestamento de 2.793,6 ha, para efeito de apuração do Grau de Utilização do imóvel, restabelecendo, parcialmente, a área declarada. Do exposto, compulsandose o “Laudo de Usos de Solo – Quantificação de Áreas”, fls. 213/223, penso que o citado documento faz prova de que a área utilizada com reflorestamento na propriedade é de 2.793,6 ha. Ademais, as Notas Fiscais, fls. 124/130 e 136/150, datadas de 2009 e 2010, relativas à venda de pinus, resina e eucalipto, confirmam a citada atividade no imóvel da contribuinte. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Portanto, devese considerar como área de reflorestamento 2.793,6 ha. Quanto à área ocupada por benfeitorias, verificase que a autoridade recorrida, com base nos documentos acostados aos autos, mormente o “Laudo de Usos de Solo – Quantificação de Áreas”, fls. 213/223, elaborado pelo engenheiro Agrônomo Levy Chrischner, da sociedade empresária LK Ambiental Ltda, com ART de fls. 234/237, efetuou a revisão de ofício dos dados informados pelo contribuinte na sua DITR. Assim, em razão de erro de fato, considerou a autoridade julgadora a quo que a área ocupada com benfeitorias foi de 241,1 ha, em substituição a área declarada de 24,2 ha. Nesse caso, penso que não há qualquer reparo no entendimento da DRJ, já que o documento carreado é apto a identificar e quantificar a citada área na propriedade. Com efeito, não é razoável que o laudo possa produzir efeito em relação a algumas áreas da propriedade (reflorestamento e pastagens) e não em relação a outras (benfeitorias). Nessa conformidade, cumpre reproduzir o art. 147 do Código Tributário Nacional: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º. Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. (grifei) Pelo que se vê, o § 2º do art. 147 permite a retificação de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Esse também é o entendimento da CSRF, consoante a ementa transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Rerratificase o Acórdão CSRF/03 04.093“ITR – VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO – ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. – Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DITR, nos termos do § 2º, do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo aos elementos fáticos reais (...) (Acórdão nº. : CSRF/0304.351) Dessarte, correto o entendimento da autoridade recorrida. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. II – Do exame do recurso voluntário: Como visto do relatório, a matéria posta em discussão pela recorrente, nesta segunda instância, diz respeito ao arbitramento do valor da terra nua e a multa de oficio aplicada. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10855.724505/201399 Acórdão n.º 2201002.727 S2C2T1 Fl. 7 11 Quanto ao arbitramento do VTN, alega a suplicante que o laudo técnico não é necessário para fins de comprovação do valor venal propriedade, já que carreou aos autos Certidão expedida pela Lançadoria Municipal de Itaberá/SP, fl. 187, além da Certidão expedida pela Secretaria Municipal de Administração e Finanças do Município de Itapeva/SP, fl. 186, demonstrando que o valor da propriedade rural é inferior ao levantado pelo fisco. De pronto, verifico, pois, que não assiste razão à recorrente. Na verdade, a suposta avaliação defendida pela contribuinte baseouse, fundamentalmente, em informações obtidas pela Prefeitura Municipal de Itaberá/SP e Prefeitura Municipal de Itapeva/SP. Com efeito, os documentos fornecidos pelas Prefeituras, em momento algum, justifica a discrepância entre o preço das terras apurado pelo SIPT e o preço sugerido para o imóvel em particular. Para fazer prova do valor da terra nua, deveria a contribuinte juntar aos autos laudo de avaliação, expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT (NBR 14.6533). Ressaltese que a alegação de que grande parte da propriedade está localizada no município de Itaberá/SP e, por esse motivo, deveria ser utilizado os parâmetros deste município, não socorre a contribuinte, já que o próprio laudo carreado pela suplicante, bem como o Registro do Imóvel, indica que a propriedade está localização no município de Itapeva/SP (fl. 207). Frisese que a alegação de que, em relação ao ano anterior (processo nº 10855.724504/201344), houve um aumento injustificado de cerca de 100% do VTN apurado pelo SIPT, não tem passagem, pois sem o laudo técnico de avaliação, não é possível aferir o exato valor da terra nua. Ausente o laudo de avaliação, correto o arbitramento perpetrado pela autoridade lançadora com base no SIPT. No que se refere à aplicação da multa de ofício, já é de amplo domínio que as instâncias julgadoras administrativas não podem estender suas apreciações para o campo das arguições relacionadas com a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados (confiscatória e abusiva). É uma limitação de competência que nasce da própria natureza da atividade administrativa. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de tributo, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar as multas de lançamento de ofício, previstas no art. 44 da Lei no 9.430/1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. Dessarte, correta, a imposição da multa de ofício. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 321DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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