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6601054 #
Numero do processo: 10830.917847/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. RECONHECIMENTO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos, em parte, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o reconhecimento do direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Esteve presente ao julgamento deste processo, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­003.494  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de novembro de 2016  Matéria  PIS/PASEP ­ PER/DCOMP  Recorrente  HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004  COFINS.  BASE DE CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE DO  §  1º  DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98.   A base de cálculo da  contribuição para o PIS/Pasep é o  faturamento,  assim  compreendido como a  receita bruta da venda de mercadorias, de  serviços e  mercadorias  e  serviços,  afastado  o  disposto  no  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal  em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.  PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. RECONHECIMENTO   Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do §  1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos, em parte, o alegado  recolhimento  indevido,  requisito  indispensável  ao  gozo  do  direito  à  restituição  previsto  no  inciso  I  do  artigo  165  do  CTN,  enseja  o  reconhecimento do direito à restituição pleiteada.  Recurso Voluntário Provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente julgado.    (assinado digitalmente)  Antônio Carlos Atulim ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 47 /2 01 1- 77 Fl. 3028DF CARF MF     2  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  seguintes  Conselheiros:  Antônio  Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo  Deligne,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.  Esteve presente ao julgamento deste processo, o Dr. Maurício Bellucci, OAB  nº 161.891 (SP).  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 09­47.714, da 2a  Turma  da  DRJ  de  Juiz  de  Fora  (MG),  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  indeferiu  a  Manifestação de Inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de  compensação  declarada  em  PER/DCOMP  nº  37558.68331.100506.1.2.04­6020,  visando  a  restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de PIS/Pasep.  A decisão de primeira  instância,  não  reconheceu o direito  creditório  sob os  argumentos sintetizados na Ementa do Acórdão abaixo transcrita:   ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  ARGÜIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI  Não  cabe  ao  julgador  administrativo  apreciar  a  matéria  do  ponto de vista constitucional.  COMPENSAÇÃO.  NECESSIDADE  DE  DCTF  ANTERIOR  À  TRANSMISSÃO DA DCOMP.  A  compensação  pressupõe  a  existência  de  direito  creditório  líquido  e  certo,  direito  esse  evidenciado  na DCTF anterior  ou,  no máximo, contemporânea à Dcomp.  PIS/PASEP.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE  DECLARADA  PELO  STF.  CONTROLE DIFUSO.  A  decisão  exarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  no  âmbito  de  recurso  extraordinário,  que  reconheceu  a  inconstitucionalidade  do  alargamento  da  base  de  cálculo  das  contribuições,  surte  efeitos  jurídicos  apenas  entre  as  partes  envolvidas  no  processo,  eis  que  proferida  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade,  não  produzindo  efeitos  erga  omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10830.917847/2011­77  Acórdão n.º 3402­003.494  S3­C4T2  Fl. 3.029          3 A  ciência  da  decisão  que  indeferiu  o  pedido  da  Recorrente  ocorreu  em  03/12/2013  (fl.  79).  Inconformada,  apresentou  em  17/12/2013,  Recurso  Voluntário  (fls.  81/101), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, argumentando, em síntese, que:  ­ a origem do crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  declarada  pelo  STF  (Supremo  Tribunal  Federal).  Informa  que  a  contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado  ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu  o  alargamento  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da COFINS,  houve  por  bem  a  recorrente  efetuar  uma  revisão  contábil  interna,  ocasião  em  que  se  constatou  recolhimento  a maior  da  contribuição no período mencionado;  ­  sustenta  ainda  que  a  decisão  do  STF  deve  ser  reproduzida  pelos  Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62­A, Regimento Interno (Portaria MF  nº  256/09).  Aduz  a  prescindibilidade  da  retificação  da  DCTF,  apresentando,  ao  final,  documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito;  ­  informa  que  acosta  aos  autos  (fls.  102/126)  os  seguintes  documentos:  demonstrativo  denominado  “Planilha  de  Apuração  do  PIS”,  cópia  do  “Razão  Contábil  do  Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”.  Ao final,  requer que seu recurso seja conhecido e provido,  reformando­se o  acórdão  recorrido  e  subsidiariamente,  caso  não  seja  esse  o  entendimento  deste  colegiado,  o  retorno  do  autos  a DRJ  de  origem  para  que,  em  instancia  inicial,  proceda  a  análise  de  toda  documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo  necessária, a conversão do julgamento em diligência.  Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para serem analisados.  Como  se  sabe,  o  §1º  do  art.  3º  da  Lei  no  9.718/1998  foi  declarado  inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR:  CONSTITUCIONALIDADE  SUPERVENIENTE  ARTIGO  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  EMENDA CONSTITUCIONAL Nº  20, DE  15 DE DEZEMBRO  DE 1998. O sistema  jurídico brasileiro não contempla a  figura  da  constitucionalidade  superveniente.  TRIBUTÁRIO  INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO.  A  norma  pedagógica  do  artigo  110  do  Código  Tributário  Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio  da  realidade,  considerados  os  elementos  tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PIS  RECEITA  BRUTA  NOÇÃO  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI  Nº  9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido  de  tomar  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento  como  sinônimas,  jungindo­as  à  venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.  É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que  Fl. 3030DF CARF MF     4 ampliou o  conceito de  receita bruta para envolver a  totalidade  das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.  (STF.  T.  Pleno.  RE  346.084/PR.  Rel.Min.  ILMAR  GALVÃO.  Rel.  p/  Acórdão  Min.  MARCO  AURÉLIO.  DJ  01/09/2006).  Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento  de  questão  de  ordem  no  RE  no  585.235/MG  (questão  constitucional  versada  nos  RE  nº  346.084/PR,  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG),  decidido  em  regime  de  repercussão  geral (CPC, art. 543­B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a  matéria:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da  Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel.  Min. MARCO AURÉLIO, DJ de  15.8.2006) Repercussão Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo Plenário.  Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.  (STF. RE  585235 RG­QO. Rel. Min.CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008).  Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o  disposto no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, o que implica o reconhecimento da  inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998.  No  entanto,  o  Colegiado  entendeu  que  não  seria  possível,  o  exame  das  demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros  sobre  aplicações,  descontos  obtidos,  royalties,  franquias  e  venda  de  sucata  tenha  sido  efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e da COFINS.  Neste contexto, os membros da extinta 2ª Turma Especial, (Terceira Seção de  julgamento),  resolveram  converter  o  julgamento  em  DILIGÊNCIA,  conforme  Resolução  nº  3802­000.185, de 27/05/2014, concluindo nos seguintes termos (fls. 127/129):  "(...) Entende­se, assim, que o julgamento deve ser convertido em  diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas  contabilizadas  nas  contas  em  questão  foram  efetivamente  incluídas  na  base  de  cálculo  da  contribuição,  intimando  o  contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem".  Com  efeito,  a  Turma  decidiu  pela  realização  de  diligência  para  verificar  a  legitimidade  dos  créditos  de  PIS  e  da  COFINS,  sobre  as  “outras  receitas”,  pleiteados  pela  Recorrente para o período abrangendo o período do crédito objeto do pedido controlado neste  processo.  Em  cumprimento  a  solicitação  do  CARF,  o  Fisco  emitiu  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  1275/2014  e  60/2015,  o  qual  requereu  planilhas  demonstrativas  da  composição da base de cálculo das contribuições, acompanhadas da respectiva escrita contábil  (Livro Razão,  balanços/balancetes),  e notas  explicativas  do  conteúdo das  rubricas  utilizadas,  assim como fundamentação acerca das receitas excluídas da base de cálculo das contribuições.  Após  a  conclusão  da  Diligência  a  fiscalização  formalizou  suas  conclusões  constante na Informação Fiscal de fls. 2.927/2.928.  Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10830.917847/2011­77  Acórdão n.º 3402­003.494  S3­C4T2  Fl. 3.030          5 Cientificada  do  resultado  da  Diligência,  a  Recorrente  manifestou­se,  conforme documentos de fls. 2.933/2.936 e 2.963/2.965.   Após  o  cumprimento  do  disposto  na Resolução,  o  processo  retornou  a  este  CARF para prosseguimento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra   Da admissibilidade  Por  conter  matéria  de  competência  deste  Colegiado  e  presentes  os  demais  requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pela  Recorrente.  MÉRITO  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto,  em  face  da  não  homologação  de  Compensação  declarada  em  PER/DCOMP,  visando  a  restituição  do  crédito  oriundo  de  pagamento indevido ou a maior a título de PIS/Pasep.   Como já relatado, a origem do crédito decorre da inconstitucionalidade do §  1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).  Os  autos  foram convertidos  em diligência para  retorno a Unidade origem a  fim de se verificar, se as receitas financeiras e outras receitas não operacionais compuseram a  base de cálculo das contribuições, e, caso positivo, seu montante, a fim de que se determine o  valor do indébito correspondente a essas receitas.  O Fisco, então, após concluir a Diligência solicitada, prolatou a  Informação  Fiscal, concluindo o seguinte (fl. 2.928) ­ grifei:  "(...) Portanto,  tendo  em  vista  o  prosseguimento  do  julgamento  do  documento  de  número  37558.68331.100506.1.2.04­6020,  tratado  pelo  processo  epigrafado,  o  qual  requer  R$  1.487,73  referente  a  crédito  de  PIS/PASEP  relativo  ao  período  de  apuração 11/2002, ao compararmos a base de cálculo declarada  em DIPJ, no valor de R$ 7448999,38, com a calculada com base  nos  balancetes,  no  valor  de  R$  7055229,13,  conclui­se  que  integrou a base de cálculo o montante de R$ 146.174,86 a título  das receitas que se pretende excluir.  Por conseguinte, tem­se que as receitas as quais alega inclusão  indevida para o cálculo da PIS/PASEP totalizam R$ 146174,86.  Assim, a parcela de PIS/PASEP relativa a essas receitas somam  R$ 950,14".  Após  intimada  desse  relatório,  a  Recorrente,  em  sua  manifestação  de  fl.  2.936, desta forma se pronunciou:  Fl. 3032DF CARF MF     6 "(...)  a  Recorrente  manifesta  a  sua  concordância  com  o  resultado da diligência e requer o reconhecimento de seu direito  de  crédito  com  base  nas  Informações Fiscais  emitidas  para  os  pedidos  de  restituição,  bem  como  o  posterior  encaminhamento  dos  autos  à  DRF  de  origem  para  atualização  e  correção  monetária dos valores que deverão restituídos a Recorrente, pois  dados em valores históricos."  Mais adiante, reitera o seu pedido, nos seguintes termos (fl. 2.965):  "(...)Assim, vislumbra­se que a própria Receita Federal do Brasil  já reconheceu parcialmente os créditos ora discutidos, de forma  que resta claro que a Recorrente possui o direito creditório da  forma como apontado pelo órgão competente na diligência.   Desse  modo,  considerando  o  resultado  da  diligência,  requer  o  provimento  do  Recurso  Voluntário  para  o  devido  reconhecimento  do  pleito  restituitório,  com  base  nas  Informações  Fiscais  emitidas  pela  Receita  Federal,  para  o  pedido  de  restituição  de  COFINS  relativo  à  competência  de  novembro  de  2002,  no  valor  de  R$  950,14,  (original),  com  o  acréscimo  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  Selic,  consoante os documentos anexos.  Desta  forma,  conforme  o  resultado  da  apuração  em  diligência,  restou  comprovado que para os  créditos  pleiteados neste processo,  a Recorrente possui o direito  ao  credito no valor de R$ 950,14, relativos a recolhimento indevido a título de PIS/Pasep.  Conclusão  Assim,  voto  para  dar  parcial  provimento  à  questão  de  direito  aduzida  no  presente recurso, concernente à legitimidade da apuração do crédito em favor da recorrente, em  vista da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, reconhecendo­se, neste  PAF,  o  valor  de  R$  950,14,  referente  ao  recolhimento  indevido  de  PIS/Pasep,  com  o  acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, conforme legislação vigente.  É como voto.   (assinado digitalmente)                Waldir Navarro Bezerra                            Fl. 3033DF CARF MF

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6521624 #
Numero do processo: 10580.726162/2009-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA   2   Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  o  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  em  dar­lhe  provimento com retorno dos autos à  turma a quo para análise das demais questões postas no  recurso  voluntário,  vencidos  os  conselheiros Rita Eliza Reis  da Costa  Bacchieri,  Patrícia  da  Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Maria Teresa Martínez López,  que  lhe  negaram  provimento.  Designada  para  redigir  o  voto  vencedor  a  conselheira  Elaine  Cristina Monteiro e Silva Vieira.     (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente    (Assinado digitalmente)   Gerson Macedo Guerra ­ Relator    (Assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva ­ Redatora Designada    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri,  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Elaine  Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson  Macedo Guerra.  Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726162/2009­98  Acórdão n.º 9202­004.221  CSRF­T2  Fl. 310          3 Relatório  Trata­se de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para  cobrança  de  IRPF  sobre  rendimentos  auferidos  do Ministério  Público  da  Bahia,  a  título  de  valores indenizatórios de URV.  Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando  da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor  (URV) em 1994,  reconhecidas e  pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na  Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei  dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão.  No  entendimento  da  autoridade  fiscal,  as  diferenças  recebidas  pelo  contribuinte  têm  natureza  salarial,  pois  decorreram  de  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão  de Cruzeiro Real  para URV  em  1994  e,  portanto,  são  tributáveis  pelo  IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  que  fora  julgada  totalmente improcedente.  Ato  seguinte,  tempestivamente  foi  apresentado  Recurso  Voluntário,  apreciado  pela  2ª  Turma  Ordinária,  da  1ª  Câmara,  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  que,  por  unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, conforme ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF  Exercício: 2005, 2006, 2007  IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. RESOLUÇÃO  STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA.  Os  valores  pagos  aos  integrantes  do ministério  público  federal  a  título  de  diferença de URV  foram excluídos da  incidência do  imposto de  renda pela  leitura  combinada  das  Leis  nº  10.477/2002  e  nº  9.655/98,  nos  termos  da  Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003,  endossado pelo  Sr.  Ministro  da  Fazenda.  Aplicação  do  mesmo  entendimento  à  verbas  de  mesma natureza, pagas aos  integrantes do ministério público da Bahia, na  forma da Lei complementar estadual nº 20/2003.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  DAR  provimento ao recurso.  Inconformada  com  essa  decisão  a  União,  tempestivamente,  apresentou  Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo:  Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA   4 a)  Em  consonância  ainda  com  o  art.  16  da  Lei  nº  4.506/64,  serão  classificados como rendimentos do  trabalho assalariado, para  fins de  incidência  do  Imposto  de  Renda,  todas  as  espécies  de  remuneração  por  trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos  ou  funções.  Logo,  os  valores  recebidos  a  título  de  diferenças  no  cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto  de renda.  b)  Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos;   c)  A Resolução STF nº 245/2002 é  restrita ao abono variável aplicável  aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa  do Parecer PGFN n° 923/2003,  aprovado pelo Ministro da Fazenda,  está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os  membros  do  MPF.  Atribuir  aos  rendimentos  em  análise  a  mesma  natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria  alargar as fronteiras da não­incidência tributária sem previsão de Lei  Federal para tanto.  Na análise de admissibilidade, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Sessão, deu  seguimento  ao  Recurso  Especial  interposto  tendo  em  vista  serem  as  interpretações  dos  acórdãos  recorrido  e  paradigma  divergentes.  No  primeiro,  entendeu­se  que  as  diferenças  auferidas  pelos  membros  do  Ministério  Público  Federal,  com  base  no  art.  2º  da  Lei  nº  10.477/2002, têm caráter indenizatório, e que igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças  auferidas aos membros do Ministério Público da Bahia. Portanto, que esses valores não devem  sofrer  a  incidência  do  imposto  de  renda. No  outro,  que  descabe  excluir  tais  rendimentos  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda,  haja  vista  ser  vedada  a  analogia  para  verificar  a  incidência tributária.  Regularmente intimado o contribuinte apresentou contrarrazões.  a)  Os  rendimentos  previstos  na  Lei  Complementar  20/2003  tem  a  mesma  natureza  daqueles  mencionados  pela  Lei  Federal  nº  10.477/2002,  que  trata  do  pagamento  de  diferenças  de  URV  a  membros do Ministério Público Federal;  b)  É nítida a natureza  indenizatória das diferenças de URV, na medida  em  que  representam  ressarcimento  pelo  erro  de  cálculo  da  remuneração;  c)  Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso  em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura  Federal  e  aos  membros  do  MPF  em  relação  aos  membros  do  Ministério Público Estadual;  É o relatório.  Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726162/2009­98  Acórdão n.º 9202­004.221  CSRF­T2  Fl. 311          5 Voto Vencido  Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator  Presentes os pressupostos de admissibilidade, deve ser admitido o recurso da  União.  Pois bem.  No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos  e  não  tributáveis  de  suas  declarações  de  ajuste  anual,  exercícios  2005,  2006  e  2007,  valores  recebidos  do Ministério  Público  do  Estado  da  Bahia,  por  entende­las  isentas  de  imposto  de  renda à luz do disposto na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que assim dispõe   Art.  2º  ­ As  diferenças  de  remuneração ocorridas  quando da  conversão de  Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor ­ URV, objeto da Ação Ordinária  de nº 140.97592153­1, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia,  e  em  consonância  com  os  precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal,  especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614,  serão apuradas mês a  mês,  de  1º  de  abril  de  1994  a  31  de  agosto  de  2001,  e  o  montante,  correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em  36 parcelas  iguais e consecutivas para pagamento nos meses de  janeiro de  2004 a dezembro de 2006.   Art.  3º  ­  São  de  natureza  indenizatória  as  parcelas  de  que  trata  o  art.  2º  desta Lei.  O  STF,  ao  se  posicionar  sobre  o  abono  variável  pago  aos  magistrados  da  União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV,  dentre  outras  verbas,  manifestou­se  pela  sua  natureza  indenizatória,  conforme  artigo  1º  da  Resolução 245/2002, que assim dispõe:  Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de  que  trata  o  artigo  2º  da  Lei  nº  10.474,  de  2002,  conforme  precedentes  do  Supremo Tribunal Federal.  Conforme  conclusões  do STF nas  decisões  que  ensejaram o  nascimento  da  Resolução  em  questão,  a  regra  de  incidência  tributária  é  excetuada  quando  a  concessão  do  abono for  "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que  lhe  emprestaria  o  caráter  de  indenização",  que  foi,  exatamente,  o  que  ocorreu  com  o  abono  variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida  no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002.  Registre­se ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os  membros do Ministério Público da União passaram a fazer  jus ao abono variável criado pela  Lei nº 9.655/1998.  Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA   6 Na  ocasião,  a  PGFN  se  pronunciou  por  meio  dos  Pareceres  529/2003  e  923/2003,  concluindo  que,  tal  qual  o  abono pago  aos membros  da magistratura  da União,  o  abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória,  conforme Resolução 245/2002, do STF.   Importante destacar que o Parecer emitido pela PGFN foi aprovado pelo Sr.  Ministro da Fazenda que  chancelou  a  exclusão  da  incidência do  imposto de  renda  as verbas  referentes às diferenças de URV, pagas aos servidores federias em questão.  Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o  objetivo  de  reparação  ou  supressão  de  perda  de  direito,  e  esta  característica  lhe  confere  a  natureza  de  verba  indenizatória  para  os  membros  da  magistratura  e  Ministério  Público  da  União,  outra  não  pode  ser  sua  natureza  quando  paga  aos  membros  de  Ministério  Público  Estadual.  Observe­se  que  aqui  não  se  está  aplicando  analogia  para  afastar  o  tributo  devido, mas apenas dando a mesma  interpretação  jurídica a normas que só não são  idênticas  por  provirem  de  fontes  diversas  União  e  Estado  da  Bahia  e  terem  destinatários  diferentes.  Porém os efeitos do art. 2º da Lei  federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº  20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não  podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra.  Diante  de  todo  o  aqui  exposto,  entendo  que  deve  ser  cancelado  o  crédito  tributário exigido no Auto de Infração.  Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso da União.  Gerson Macedo Guerra.  Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726162/2009­98  Acórdão n.º 9202­004.221  CSRF­T2  Fl. 312          7 Voto Vencedor  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Redatora Designada   DO MÉRITO  Peço licença ao ilustre conselheiro para divergir do seu entendimento quanto  ao mérito da incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente  de diferenças de URV, bem como aplicação do princípio da isonomia no presente caso.  Em face do REsp e do conteúdo do acórdão recorrido, cinge­se a discussão  ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do  Ministério Público da Bahia.  Competência para legislar sobre IR.  Primeiramente, conforme descrito no lançamento, a Lei Complementar nº 20  do  Estado  da  Bahia,  de  08  de  setembro  de  2003,  consignaria  o  caráter  indenizatório  dos  rendimentos,  todavia,  entendo  que  a  competência  para  legislar  sobre  imposto  de  renda  é  da  União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, faz­se necessário realizar a  análise  da  natureza  jurídica  dos  valores  recebidos,  de  forma  a  se  determinar  seu  caráter  indenizatório ou salarial.   Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:  [...]  III ­ renda e proventos de qualquer natureza;  [...[  § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os  limites  estabelecidos  em  lei,  alterar  as  alíquotas  dos  impostos  enumerados nos incisos I, II, IV e V.  § 2º O imposto previsto no inciso III:  I  ­  será  informado  pelos  critérios  da  generalidade,  da  universalidade e da progressividade, na forma da lei;  Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subsume ao citado  dispositivo  face  a  configuração  de  nítido  acréscimo  patrimonial  das  verbas  com  natureza  indenizatórias,  cujo  fundamento  para  exclusão  configura­se  como  a  reparação  por  um  dano  sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias.  Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por  meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido  pelo  contribuinte,  mas  a  compensação  em  razão  da  ausência  da  devida  correção  salarial  Fl. 315DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA   8 decorrentes  de  alteração  da moeda.  Portanto,  tais  valores  integram  a  remuneração  percebida  pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos.   Concluindo, em relação a este  item, entendo incabível  tomar como absoluta  para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia),  face a competência instituída pelo texto constitucional.   Incidência sobre valores de diferenças de URV.  Ainda quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores  Indenizatórios  de  URV”  advêm  de  diferenças  salariais  decorrentes  da  conversão  da  remuneração dos  servidores  beneficiados,  quando da  implantação do Plano Real. Em  função  disso, constata­se que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a  remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao  longo dos anos subseqüentes.   Nesse  sentido, podemos concluir que o objetivo de ações  judiciais  sob esse  fundamento ou mesmo da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que  apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou  de ser pago, ou seja, diferença de salários.   Considerando o nítido caráter salarial  ­ diferenças pagas a posteriori, penso  que a verba trazida à discussão encontra­se sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art.  43 do CTN:  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou  da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza,  assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos  no inciso anterior.  §  1o  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.  (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)  Nesse  sentido,  está­se  diante  de  acréscimo  patrimonial  tributável  pelo  Imposto  de  Renda,  entendimento  que  fora  inclusive  salientado  pelo  acórdão  proferido  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.  Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo  julgador da  turma a quo  para definir  a natureza das diferenças de URV. Segundo o  acórdão  recorrido  a  verba  recebida  pelos  servidores  estaduais  possui  a  mesma  natureza  daquela  percebida  pelos  seus  pares  da  União  e,  portanto,  não  se  poderia  dispensar  tratamento  diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação.  Entendo, que não há como  igualar  as  situações dos membros do Ministério  Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia,  haja vista inexistir  lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que  concede  isenção deve ser  interpretada sempre literalmente, conforme inciso  II do art. 111 do  CTN.   Fl. 316DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726162/2009­98  Acórdão n.º 9202­004.221  CSRF­T2  Fl. 313          9 Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de  interpretações  extensivas  para  alcançar  sujeitos  passivos  em  situação  semelhantes.  Pensar  diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art.  150  da CF  e  o  art.  176  do CTN. Dessa  forma,  ao  contrário  do  exposto  pelo  julgador a quo  entendo  que  ao  adotar  mesmo  tratamento  tributário,  alterando  a  natureza  dos  pagamentos,  estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob  a competência da União.   A  Resolução  do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  nº  245/2002  conferiu  natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário  Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e  Lei nº 10.474/2002). No mesmo  sentido,  a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003,  aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para  a Magistratura Federal e MP Federal,  respeitando a  interpretação do STF, contudo,  tal verba  não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV, ora sob análise.  Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da  forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que  trata  o  art.  2º  e  parágrafos  da  Lei  n.º 10.474/2002,  considerando­o como de natureza indenizatória. Neste sentido, o  inciso  I  do  art.  1º  trouxe a  forma de  cálculo  deste abono: “I  ­  apuração, mês  a mês,  de  janeiro/98  a maio/2002,  da  diferença  entre  os  vencimentos  resultantes  da  Lei  nº  10.474,  de  2002  (Resolução  STF  nº  235,  de  2002),  acrescidos  das  vantagens  pessoais,  e  a  remuneração mensal  efetivamente  percebida  pelo  Magistrado,  a  qualquer  título,  o  que  inclui,  exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV,  PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”.  A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do  abono  as  verbas  referentes  à  diferença  de  URV,  de  onde  se  interpreta  que  esta  não  tem  natureza  indenizatória,  mas  de  recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo  Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as  diferenças  entre  o  abono  salarial  tratado  pela  norma  e  a  diferença  da  URV,  conforme  se  verifica  de  voto  da  Ministra  Eliana Calmon:  “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes,  que  sempre  distinguiram  as  hipóteses  de  percepção  das  diferenças  remuneratórias  da  URV  do  abono  identificado  na  Resolução  245/STF:  (...)”  (STJ,  Recurso  Especial  n.º  1.187.109/MA,  Segunda  Turma,  Ministra  Relatora  Eliana  Calmon, julgado em 17/08/2010)  E  tal  também  foi  o  entendimento  do  Ministro  Dias  Toffoli,  do  Supremo  Tribunal  Federal,  em  decisão  monocrática  proferida  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário  n.º  471.115,  do  qual  se  colaciona o seguinte excerto:  “Os  valores  assim  recebidos  pelo  recorrido  decorrem  de  compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal  Fl. 317DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA   10 do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem  parte integrante de seus vencimentos.  As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago,  no  momento  oportuno,  são  dotadas  dessa  mesma  natureza  jurídica  e,  assim,  incide  imposto  de  renda  quando  de  seu  recebimento.  No  que  concerne  à  Resolução  no.  245/02,  deste  Supremo  Tribunal  Federal,  utilizada  na  fundamentação  do  acórdão  recorrido, tem­se que suas normas a tanto não se aplicam, para  o  fim  pretendido  pelo  recorrido  (...)”  (STF,  Recurso  Extraordinário  n.º  471.115,  Ministro  Relator  Dias  Toffoli,  julgado em 03/02/2010)  Conclui­se, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos  acumuladamente  pelo  Recorrente,  razão  pela  qual  deverão  compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa  Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional.  Pelos  fundamentos  expostos,  entendo  que  a  verba  em  exame  deve  ser  tributada.  Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou  este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o  encaminhamento aqui formulado:  ACÓRDÃO 9202­003.659  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF.   VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS  A  PARTIR  DE  INFORMAÇÕES  PRESTADAS  PELA  FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.  Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em  virtude de sua natureza remuneratória.  Recurso especial provido.  ACÓRDÃO 9202.003.585   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF.   VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS  A  PARTIR  DE  INFORMAÇÕES  PRESTADAS  PELA  FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.  Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em  virtude de sua natureza remuneratória.  Fl. 318DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726162/2009­98  Acórdão n.º 9202­004.221  CSRF­T2  Fl. 314          11 Precedentes do STF e do STJ.  Recurso especial provido.  ACÓRDÃO 2201­002.491   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007   PAF.  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.  O  julgador  administrativo  não  está  obrigado  a  rebater  todas as questões levantadas pela parte, mormente quando  os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para  embasar a decisão.  INCONSTITUCIONALIDADE.  APRECIAÇÃO.  INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.  Falece  competência  a  este  órgão  julgador  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE.  RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.  “Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário,  ainda  que a  fonte  pagadora  não tenha procedido à respectiva retenção”.  IRRF. COMPETÊNCIA.  A  repartição  do  produto  da  arrecadação  entre  os  entes  federados  não  altera  a  competência  tributária  da  União  para  instituir,  arrecadar  e  fiscalizar  o  Imposto  sobre  a  Renda.  IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.  Os  valores  recebidos  por  servidores  públicos  a  título  de  diferenças  ocorridas  na  conversão  de  sua  remuneração,  quando  da  implantação  do  Plano  Real,  são  de  natureza  salarial,  razão  pela  qual  estão  sujeitos  aos  descontos  de  Imposto de Renda.  ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.  Fl. 319DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA   12 Inexistindo  lei  federal  reconhecendo  a  isenção,  incabível  a  exclusão  dos  rendimentos  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda.  IRPF.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  ACUMULADAMENTE.  TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF.  O  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente  deve  ser  calculado  com  base  nas  tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam  ter  sido  adimplidos,  conforme  dispõe  o  Recurso  Especial  nº  1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC.  Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).  IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.  “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de  renda,  causado  por  informações  erradas,  prestadas  pela  fonte  pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”.  IRPF.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  VERBAS  TRIBUTADAS.  INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.  No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do  CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os  juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em  ação  de  natureza  trabalhista,  por  se  tratar  de  verba  indenizatória  paga  na  forma  da  lei,  são  isentos  do  imposto  de  renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.  Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título  de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de  IR,  sendo  incabível  acatar  a  argumentação  de  que  a  natureza  salarial  da  referida  verba  seja  alterada por  legislação estadual, qual  seja,  a Lei Complementar nº 20, de 08 de  setembro de  2003,  ou  mesmo  que  Resolução  nº  245  do  STF  lastreada  em  Lei  federal  com  destinação  específica  possa  ser  aplicada  por  analogia  a  outros  casos  que  não  os  expressamente  nela  descritos.  Por  fim,  conforme  acima  esclarecido,  a  competência  para  legislar  sobre  IR  recai  sobre  a  União,  não  podendo  ser  alterada  a  natureza  jurídica  da  verba  para  efeitos  de  definição do fato gerador.  Nesse sentido, importante destacar que não pode o agente fiscal entender ou  mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência  para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja  competência para  legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza  jurídica  para  efeitos  de  definição  da  natureza  tributos  de  contribuição  previdenciária  para  regime  próprio  de  previdência.  Assim,  ao  fisco  Federal  compete  apreciar  se  a  verba  recebida  pelos  Membros do MP da Bahia, encontra­se abarcada como  fato gerador de  IR, utilizando­se dos  fundamentos  dessa  legislação  para  apuração  do  fato  gerador,  da  natureza  jurídica  do  pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, não há que se  falar ser necessário, primeiramente, declarar a constitucionalidade da legislação estadual.  Fl. 320DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726162/2009­98  Acórdão n.º 9202­004.221  CSRF­T2  Fl. 315          13 Quanto  a  incompetência  do  CARF  para  afastar  lei  sob  o  fundamento  de  inconstitucionalidade,  entendo não  ser  essa  a  questão  aplicável  ao  caso  concreto. Realmente  nos  termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das  turmas de julgamento afastar a  aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento  de  inconstitucionalidade",  todavia,  a  competência  básica  dos  membros  desse  colegiado  é  identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo  recorrente  seriam suficientes para  a desconstituição do  lançamento. Assim,  esse  julgador  em  momento  algum  descumpri  ou  fere  dispositivo  regimental,  pelo  contrário,  entendo  que  ao  acatar  os  argumentos  do  recorrente  pela  aplicabilidade  da  legislação  estadual  e  resolução  245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal.  Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado  pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da  legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e  legislação do  IR,  incorreto  considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis.   Quanto  as  demais  questões  trazidas  em  sede  de  contrarrazões  deixou  de  apreciá­las, considerando a existência de outros argumentos trazidos ainda em sede de recurso  voluntário, mas não apreciados pela  turma a quo  frente ao encaminhamento do relator de no  mérito dar provimento ao recurso.  CONCLUSÃO  Diante  do  exposto,  voto  por  conhecer  do Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  para no mérito DAR­LHE PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para  analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte.  É como voto.    (Assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                  Fl. 321DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA

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Numero do processo: 10865.905446/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.369
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1912; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.905446/2012­58  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3201­002.369  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de agosto de 2016  Matéria  Compensação. DCOMP.  Recorrente  ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/03/2008  COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.  É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de  liquidez e certeza.  ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE  FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.  Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.  PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO  A  prova  documental  deve  ser  produzida  até  o  momento  processual  da  reclamação,  precluindo  o  direito  da  parte  de  fazê­lo  posteriormente,  salvo  prova  da  ocorrência  de  qualquer  das  hipóteses  que  justifiquem  sua  apresentação tardia.  PROVA  DOCUMENTAL.  PRINCÍPIO  PROCESSUAL  DA  VERDADE  MATERIAL.  A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que  tenha  deixado  de  apresentar,  no momento  processual  apropriado,  as  provas  necessárias à comprovação dos créditos alegados.  Recurso Voluntário Negado.      ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de  Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 54 46 /2 01 2- 58 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905446/2012­58  Acórdão n.º 3201­002.369  S3­C2T1  Fl. 0          2 Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator.   Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Winderley  Morais  Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano  D'Amorim,  Cássio  Schappo,  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos  Araújo,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.    Relatório  ELO  COMERCIO  DE  COMPONENTES  AUTOMOTIVOS  LTDA  transmitiu  PER/DCOMP  alegando  indébito  de  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social ­ Cofins.  A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a  compensação,  em  virtude  de  o  pagamento  informado  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  declarados  pelo  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  a  compensação declarada.  Em Manifestação de  Inconformidade  a contribuinte alegou, em síntese,  que  comercializa  alguns  produtos  sujeitos  à  tributação  monofásica  (alíquota  zero  sobre  as  suas  vendas),  que  foram  indevidamente  tributados,  o  que  deu  origem  aos  créditos  informados  no  PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia  da DCTF retificadora.  A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do  Acórdão 02­055.299. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente  para  comprovar  o  pagamento  indevido  ou  a  maior  que  o  devido,  e  que  a  contribuinte  não  trouxe  aos  autos  elementos  comprobatórios  do  direito  creditório  utilizado  na  compensação  declarada.  Em  seu  recurso  voluntário  a  Recorrente  traz,  em  resumo,  os  seguintes  argumentos:  a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida,  na  base  de  cálculo  da  contribuição,  de  receitas  oriundas  da  venda  de  produtos  sujeitos  à  alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO ­ componente do sistema  de escapamento ­ NCM 87.08.92.00), que já  teriam sofrido tributação obedecendo ao critério  monofásico;  b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de  inconformidade  acompanhada  da  DCTF  retificadora,  mas  que,  agora,  junta  aos  autos  demonstrativo  mais  detalhado  e  minucioso  (listagem  de  notas  fiscais  com  indicação  dos  produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA  correspondentes),  servindo  para  o  reconhecimento  de  seu  direito  de  crédito  ou,  pelo menos,  para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803­000.330 como precedente);  c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as  notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco;  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905446/2012­58  Acórdão n.º 3201­002.369  S3­C2T1  Fl. 0          3 d)  sustenta  que  a  decisão  recorrida  negou  seu  direito  atendo­se  a  aspecto  meramente  formal,  sem  observar  o  princípio  da  verdade  material,  que  norteia  o  processo  administrativo fiscal.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­002.316, de  24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/2012­31, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­002.316):  "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78  merece  ser  conhecida  como  recurso  voluntário  contra  o  Acórdão  DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 08­26.232, de 20 de agosto de 2013.  No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de  erro na apuração da contribuição  social, nem a simples  retificação da  DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o  declarante,  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  não  se  desincumbiu  do  ônus  probatório  que  lhe  cabia  e  não  juntou  nos  autos  seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil,  para  infirmar o motivo que  levou a autoridade fiscal competente a não  homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a  alegada  inclusão  indevida  de  valores  na  base  de  cálculo  das  contribuições,  que  poderiam  levar  à  reduções  de  valores  dos  débitos  confessados em DCTF.   Agora,  já  no  recurso  voluntário,  o  interessado aporta  aos  autos  novos  documentos,  que  não  haviam  sido  oferecidos  à  autoridade  julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses  novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à  luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF,  assim dispõe, verbis:  Art.  14.  A  impugnação da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento.  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão  preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a  intimação da exigência.  [...]Art. 16. A impugnação mencionará:  [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada  pela Lei nº 8.748, de 1993)  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905446/2012­58  Acórdão n.º 3201­002.369  S3­C2T1  Fl. 0          4 [...]§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997):  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;  (Incluído  pela Lei  nº  9.532, de 1997);  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  [...]Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante.  (Redação  dada  pela Lei nº 9.532, de 1997).  O processo  administrativo  fiscal  pode  ser  considerado  como um  método de composição dos  litígios, empregado pelo Estado ao cumprir  sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso  concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma  como  o  processo  se  desenvolve  assume  feições  diferentes.  Humberto  Theodoro  Júnior  em  "Curso  de  Direito  Processual  Civil,  vol.  I"  (ed.  Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é  uma  unidade,  como  relação  processual  em  busca  da  prestação  jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso,  pode  assumir  diversas  feições  ou  modos  de  ser.”.  Ensina  o  renomado  autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou  seja, o modo e a  forma por que se movem os atos do processo”. Neste  sentido,  o  procedimento  está  estruturado  segundo  fases  lógicas,  que  tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da  parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador.  Conforme  os  antes  transcritos  artigos  14  e  15  do  Decreto  70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é  a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os  documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador  no prazo de  trinta dias, que  instaura a fase  litigiosa do procedimento.  (grifei)  Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece  que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação,  precluindo o direito de fazê­lo em outro momento processual. O sistema  da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da  marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de  solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o  estabelecimento da preclusão.  Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocar­se com os  princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº  9.784/1999,  que  regula o processo  administrativo  em geral,  no  art.  3º,  possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão  e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados  até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor  doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº  70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em  detrimento da lei geral.  Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905446/2012­58  Acórdão n.º 3201­002.369  S3­C2T1  Fl. 0          5 Neste  ponto,  sobre  o  momento  da  apresentação  da  prova  no  processo  administrativo  fiscal,  cabe  mencionar  que  de  fato  existe  na  jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando  a  preclusão  em  alguns  casos  excepcionais,  que  indicam  tratarem­se  daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante  a  documentos  que  permitem  o  fácil  e  rápido  convencimento  do  julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até  o  momento  da  decisão  administrativa  comporta  graduação  e  será  determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo  de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de  que  efetivamente  houve  um  esforço  na  busca  de  comprovar  o  direito  alegado,  que  é  ônus  daquele  que  objetiva  a  restituição,  ressarcimento  e/ou compensação de tributos.   Como  se  vê,  as  alegações  de  defesa  são  faculdades  do  demandado,  mas  constituem­se  em  verdadeiro  ônus  processual,  porquanto,  embora  o  ato  seja  instituído  em  seu  favor,  não  sendo  praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas,  dentre elas a perda do direito de fazê­lo posteriormente, pois opera­se,  nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o  processo  é  um  caminhar  para  a  frente,  não  se  admitindo,  em  regra,  ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores.  O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas  alegações  em  supressão  de  instância  quando:  relativas  a  direito  superveniente,  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior ou destine­se a contrapor fatos ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos.  Compete  ainda  ao  julgador  administrativo  conhecer  de  ofício  de  matérias  de  ordem  pública,  a  exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente,  o § 5º do mesmo dispositivo  legal exige que a  juntada dos documentos  deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições  previstas nas alíneas do parágrafo anterior.  Especificamente  no  caso  desses  autos,  o  recorrente  não  se  preocupou  em  produzir  oportunamente  os  documentos  que  comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema  de  distribuição  da  carga  probatória  adotado  pelo  Processo  Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é  do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de  1999, art. 36:  Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado,  sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e  do disposto no artigo 37 desta Lei.  No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de  1973 (CPC):  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I  –  ao  autor,  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito;  II  –  ao  réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do  direito do autor.  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905446/2012­58  Acórdão n.º 3201­002.369  S3­C2T1  Fl. 0          6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das  hipóteses  das  alíneas  “a”  a  “c”  do  §  4º  do  art.  16  do  PAF,  que  justificasse  a  apresentação  tão  tardia  dos  referidos  documentos.  No  caso,  o  acórdão  da  DRJ  foi  bastante  claro  ao  fundamentar  suas  conclusões  pela  insuficiência  da  comprovação  do  direito  creditório  alegado  quando  afirmou:  "a  simples  retificação  da  DCTF  sem  que  o  contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que  comprovem  as  alterações  efetuadas  não  pode  servir  como  justificativa  de  eventual  erro  no  preenchimento  da  DCTF"  (grifei).  Ao  final,  a  decisão  recorrida  novamente  destaca:  "a  manifestação  de  inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original  mediante  retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório,  sem  apresentação  de  elementos  comprobatórios  do  direito  creditório  pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei)  A  propósito  dos  documentos  que  instruem  a  peça  recursal  (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e  Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da  apuração do ICMS), verifica­se que o contribuinte anexou uma relação  de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando  que  tal  providência  o  dispensaria  da  anexação  de  todas  estas  notas  emitidas  no  período,  em  face  de  seu  "grande  volume".  Quanto  à  esta  alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado  na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das  referidas notas  fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam  sob  sua  guarda  e  poderiam  ser  imediatamente  disponibilizadas  na  hipótese  de  realização  de  diligência,  o  interessado  sequer  procurou  juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um  mínimo  esforço  no  sentido  de  comprovar  o  efetivo  teor  das  mesmas.  Ainda,  também  não  se  preocupou  em  demonstrar  a  origem  das  mercadorias  que  teria  revendido,  mediante  a  apresentação  das  Notas  Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o  fabricante/fornecedor  operava  sob  o  regime  da  tributação monofásica.  No  caso,  optou  por  reiterar  suas  alegações  quanto  à  supremacia  da  verdade  material  sobre  a  verdade  formal,  quando  deveria  procurar  demonstrar de maneira  efetiva  suas alegações  juntando cópias de pelo  menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com  base  em  elementos  concretos,  capazes  de  comprovar  a  veracidade  do  alegado direito creditório.  O recorrente  invoca o princípio processual da verdade material.  O que deve ficar assente é que o referido princípio destina­se à busca da  verdade  que  está  para  além  dos  fatos  alegados  pelas  partes,  mas  isto  num  cenário  dentro  do  qual  as  partes  trabalharam  proativamente  no  sentido  do  cumprimento  do  seu  ônus  probandi.  Em  outras  palavras,  o  principio  da  verdade  material  autoriza  o  julgador  a  ir  além  dos  elementos  de  prova  trazidos  pelas  partes,  quando  tais  elementos  de  prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como  esta  ou  aquela  parte  afirma,  mas  de  uma  outra  forma  qualquer  (o  julgador não está vinculado às versões das partes).   Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que  tem o ônus de provar o que alega/pleiteia,  a oportunidade de produzir  algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como  requisito  de  admissibilidade,  o  pleito  desde  sua  formalização  inicial.  Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905446/2012­58  Acórdão n.º 3201­002.369  S3­C2T1  Fl. 0          7 Dito  de  outro  modo:  da  mesma  forma  que  não  é  aceitável  que  um  lançamento  seja  efetuado  sem  quaisquer  provas  e  que  se  permita  posteriormente,  em  sede  de  julgamento  ou  por meio  de  diligências,  tal  instrução  probatória,  também  não  é  aceitável  que  um  pleito,  onde  se  objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida  e  minuciosa  demonstração  e  comprovação  da  efetiva  existência  do  indébito  e  que  posteriormente,  também  em  sede  de  julgamento,  se  oportunize tais demonstração e comprovação.  Pelo  exposto,  entendo  que  deve  ser  afastada  a  insinuação  recursal,  implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que  esta  instância  de  julgamento  estaria  obrigada  a  acolher  todos  e  quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro  porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas  no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF  que  no  presente  caso  é  o  momento  processual  da  apresentação  da  manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui  é  do  contribuinte,  quando  este  pleiteia  um  ressarcimento  ou  uma  restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente  o  seu  alegado  direito  creditório  no momento  que  contesta  o  despacho  decisório e instaura o contencioso.  Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se  revela  suficiente  para  atestar  liminarmente  a  liquidez  e  a  certeza  do  crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da  dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase  recursal do processo, exceto em casos excepcionais.  A  comprovação  do  valor  do  tributo  efetivamente  devido  (e,  por  conseqüência,  do  direito  à  restituição  de  eventual  parcela  recolhida  a  maior)  no  caso  concreto  deveria  ter  sido  efetuada  mediante  apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o  valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o  valor  informado  na  DCTF  vigente  quando  da  emissão  do  Despacho  Decisório  aqui  analisado,  mas  apenas  o  valor  informado  na  DCTF  retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução  deste  débito).  Como  tal  documentação  não  foi  juntada  no  momento  processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário  foi  integralmente  apresentada,  quedou  sem  comprovação  a  certeza  e  liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos  indispensáveis  para  a  homologação  da  compensação  pretendida,  nos  termos do art. 170 do CTN.  Sobre  a  jurisprudência  trazida  à  colação  pelo  recorrente,  inclusive a citada Resolução nº 3803­000.330, deve­se contrapor que se  tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e  nem  vinculam  o  presente  julgamento,  podendo  cada  instância  decidir  livremente,  de  acordo  com  suas  convicções.  Além  disso,  tratam­se  de  precedentes que não constituem normas complementares, não têm força  normativa,  nem  efeito  vinculante  para  a  administração  tributária,  pela  inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN.  Alertando­se para  a  estrita  vinculação das autoridades  administrativas  ao  texto  da  lei,  no  desempenho  de  suas  atribuições,  sob  pena  de  responsabilidade,  motivo  pelo  qual  tais  decisões  não  podem  ser  aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas.  Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905446/2012­58  Acórdão n.º 3201­002.369  S3­C2T1  Fl. 0          8 Com  essas  considerações,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário  do  Contribuinte,  para  não  reconhecer  o  direito  creditório em litígio e manter a não homologação das compensações."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das  compensações.    Winderley Morais Pereira                            Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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Numero do processo: 14751.000142/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A. (anteriormente denominada SOCIEDADE ANÔNIMA DE ELETRIFICAÇÃO DO PARAÍBA - SAELPA), já qualificada, inconformada com a decisão da 3a Turma da DRJ de Recife/PE, recorre a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Contra a empresa foram lavrados Autos de Infração para exigência de crédito tributário de irpj e CSLL de R$ 6.112.616,03, aí já incluidos principal, juros e multa, referentes aos fatos geradores ocorridos nos anos calendários de 2000 e 2001, cujos enquadramentos legais encontram-se discriminados nos respectivos autos de infração. Foi elaborado auto de infração complementar da CSLL, referente à falta de recolhimento do adicional da referida contribuição, tendo em vista a base de cálculo da CSLL apurada no lançamento de folhas 11/14 relativa ao ano calendário de 2000. O relatório da decisão recorrida traz uma síntese das infrações apuradas pela fiscalização. Devido a quantidade e diversidade de fatos apurados, considero importante reproduzi-la neste relatório com vistas a melhor compreensão das matérias em litígio, verbis: Segundo a descrição dos fatos (fls 05-07) e do Relatório Fiscal (fls. 19-127), foram apuradas infrações decorrentes de glosas de despesas, adições e exclusões indevidas do lucro real relativas à contabilização do Acordo Geral do Setor Elétrico, nos seguintes termos: Segundo a descrição dos fatos (fls.05-07) do auto de infração do IRPJ e Relatório de Trabalho Fiscal - RTF (fls. 19 a 127), foram apuradas as seguintes infrações: 001 – IRPJ – CUSTOS DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS – GLOSA DE CUSTOS. (F.G. 31/12/2001) R$ 10.434.423,05 (item 5.3.1.2 do RTF – ENERGIA COMPRADA -FATURAMENTO COMPLEMENTAR) 31/12/2001 – Contabilidade SAELPA (L.Razão, pág 497 – fl. 3.847) D -615.03.3.5.4.1 – OPERAÇÕES C/ENERGIA ELÉTRICA, Subconta 4101ENERGIA COMPRADA-INICIAL (CUSTO) C-211.01.2 – Suprimento de Energia Elétrica, subconta 001 CHESF (PC) - Complem. CHESF abr a dez R$ 11.096.782,02 (Somatório encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1%, em cada mês – abril a novembro de 2001) CHESF: Nota Fiscal emitida pela CHESF nº 5342 no valor de [R$ 10.908.181,17 – R$ 473.758,12(estorno)], pelos depósitos/créditos bancários efetuados pela SAELPA, referente ao faturamento complementar, conforme acordo do setor elétrico (faturamento dos contratos iniciais deveriam ser reduzidos na ordem de 2% a 3%, em função do racionamento de energia elétrica, ocorrido entre jun/2001 e fev/2002, que reduziu o consumo de energia elétrica na ordem de 20%, o que implicou na emissão das faturas de junho a novembro de 2001, pela CHESF, reduzidas de 20% do montante inicialmente contratado), correspondente a 17% (20% - 3%) dos montantes contratados no período de junho a novembro de 2001, em função do Termo Aditivo nº 01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre SAELPA e CHESF. Energia de fato não fornecida à CHESF, não é custo em 2001, é direito a recuperar (ativo circulante ou realizável a longo prazo – Parecer COSIT nº 26). INFRAÇÃO:A SAELPA NÃO ADICIONOU ESTE VALOR NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (DESPESA INDEDUTÍVEL – art.249, I, 251 e §único, 290, I e 300, do RIR/99). R$ 2.871.961,74 (item 5.3.1.1 do RTF – ENERGIA COMPRADA EM DEZEMBRO/2001 – ESTORNOS NÃO ADICIONADOS) 31/12/2001 – Contabilidade SAELPA (L.Razão, págs. 331 e 497 – fls. 3.846 e 3.847) D -615.03.3.5.4.1 – OPERAÇÕES C/ENERGIA ELÉTRICA, Subconta 4101ENERGIA COMPRADA-INICIAL (CUSTO) 211.01.2 – Suprimento de Energia Elétrica, subconta 001 CHESF (PC) - Provisão CHESF dez/01R$ 12.084.922,43 - Complem. CHESF abr a dez R$ 11.096.782,02 Relativo à diferença entre os dois lançamentos contábeis na conta 615.03.3.5.4.1 – subconta 4101 – energia comprada – inicial (débito), nos valores de R$ 12.084.922,43 e R$ 11.096.782,02, respectivamente, custos levado à apuração do resultado do exercício, e os valores comprovados pela CHESF, através das notas fiscais 5324 e 5342, nos montantes de (R$ 11.973.825,10 – R$ 2.098.505,44) e (R$ 10.908.181,17 – R$ 473.758,12), também, respectivamente. CHESF: Nota Fiscal emitida pela CHESF nº 5324 no valor de R$ 11.973.825,10, referente ao faturamento pela demanda/energia contratada – (menos) 3 x R$ 699.501,81 = R$ 2.098.505,44 (estornos de cada parcela de pagamento igual R$ 3.291.773,22, totalizando R$ 9.875.319,66 de pagamentos efetuados pela SAELPA). INFRAÇÃO:A SAELPA NÃO ADICIONOU OS VALORES DOS ESTORNOS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (DESPESA INDEDUTÍVEL – art.249, I, 251 e §único, 290, I e 300, do RIR/99). R$ 70.342.053,18 (item 5.2 do RTF – fls. 80 a 100 - COMPRA DE ENERGIA. PROVISIONAMENTO DA COMPRA DE ENERGIA NO MERCADO ATACADISTA NO ANO CALENDÁRIO DE 2001 – DIFERENÇA ENTRE A IMPLEMENTAÇÃO DO ACORDO E O EFETIVAMENTE RECEBIDO DO MERCADO ATACADISTA) Referente a lançamentos contábeis na conta 615.03.3.5.4.1 – subconta 4103 – energia comprada – curto prazo, contrapartida na conta 211.01.2 suprimento de energia elétrica – subconta energia de curto prazo (custo levado à apuração do resultado do exercício). INFRAÇÃO:A SAELPA NÃO ADICIONOU ESTE VALOR NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (DESPESA INDEDUTÍVEL – art.249, I, do RIR/99). 002 - GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS – VARIAÇÃO MONETÁRIA. -R$ 10.359.592,48 (F.G. 31/12/2000) – fls. 109 a 114 INFRAÇÃO:A SAELPA CONTABILIZOU, SEM AMPARO LEGAL, A ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS DÉBITOS DE ICMS PARCELADOS (TENDO O ESTADO DA PARAÍBA DISPENSADO AS RESPECTIVAS ATUALIZAÇÕES – JUROS E MULTA), NO ANO-CALENDÁRIO DE 2000, NOS VALORES DE R$ 3.106.397,18, R$ 6.377.734,28, R$ 286.745,25 E R$ 588.715,77 E NÃO ADICIONOU AO LUCRO LÍQUIDO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (art.251 E §único, 299 e §§ 1º e 2º, e 377, do RIR/99). 003 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL. INFRAÇÃO:DESPESA INDEDUTÍVEL - art.249, I, do RIR/99. R$ 13.452.296,34 (f.g. 31/12/2000) – provisão para créditos de liquidação duvidosa – da redução dos titulos provisionsdos em 2001 “títulos provisionados em 2000 por X e também provisionados em 2001 por X – Y” – Redução no montante de títulos provisionados em 2000 explicada por majoração indevida dos valores provisionados – fls.54 a 57, fato este reconhecido pela SAELPA. Fundamenta-se a autuação na existência de 904.370 registros de títulos provisionados (RIR/99, art. 340, §1º - perdas com créditos decorrentes de suas atividades), com o mesmo número de matrícula e a mesma data de vencimento, onde somando estes registros tem-se R$ 58.121.067,24 e R$ 44.673.929,56, em 2000 e 2001, respectivamente. Intimada a SAELPA a justificar o motivo da redução dos valores relativos a determinados consumidores informou que: “A Saelpa em 2001 emitiu em torno de pelo menos 9 milhões de constas de energia elétrica, que com certeza forçam correções no faturamento inicial. Adicionalmente, em face da privatização da Empresa, ocorreram alterações nos Sistemas de Faturamento e Arrecadação que também contribuíram para o seu incremento do número de contas corrigidas e outro fator de relevância em 2001, que veio a incrementar de forma significativa as correções de constas de energia elétrica foi o Programa de Racionamento do Governo Federal.” Esses fatos foram relevantes nas alterações das constas informadas pelo Senhor Fiscal no Termo de Constatação e Intimação Fiscal que ora justificamos.” R$ 265.600,00 (f.g. 31/12/2000) provisão p/cred de liquidação duvidosa – provisão de cheques sem provisão de fundos (valor referente pdd para cheques em cobrança a mais de 120 dias), por ter sido constatado que os cheques com data de emissão até 30/06/2004 constam da relação de cheques devolvidos e que vários cheques foram emitidos após 30/06/2000, período que não é permitido considerá-los como perda com recebimento para legislação vigente - fls. 41-42. R$ 1.690.105,00 (f.g. 31/12/2000) - provisão para créditos de liquidação duvidosa – dispêndio a reembolsar de difícil recebimento. Salários de funcionários da SAELPA cedidos (liberados) a outros órgãos do Estado e Prefeituras no período anterior à privatização da empresa, sendo os mais relevantes, nos anos de 1998 e 1999, pelo honorários advocatícios ao Sr. Carlos Frederico Nóbrega Farias – fls. 42 – 45. R$ 399.351,00 (f.g. 31/12/2000) provisão para créditos de liquidação duvidosa – provisão para ajustes do contas a receber – Para ajustar a diferença existente entre o saldo contábil e comercial, do contas a receber de contas de energia elétrica (diferença ente o saldo do relatório do setor de faturamento e arrecadação e o saldo contábil – saldo do balancete superior ao de sua comercialização). Valor indedutível por força do art 13, I, da Lei nº 9.249/95, devendo ser adicionada ao LLE para apuração do Lucro Real – fls. 46-47. R$ 4.813.022,08 (f.g. 31/12/2000) provisão para créditos de liquidação duvidosa – diferença entre os valores provisionados e adicionados no ano-calendário de 2000, com 120.123 registros – fl. 51. Da análise das provisões constituídas em 2000, com 1.939.934 registros, totalizando R$ 81.839.140,61 e dos títulos a receber que foram adicionados especificamente na apuração do Lucro Real, com 294.731 registros, perfazendo R$ 28.766.429,00, constatou-se a existência de vários títulos que foram provisionados no ano calendário de 2000 com um valor “X”, e por entendê-la indedutível, a SAELPA efetuou uma adição ao lucro líquido por “X-Y”, Y igual a R$ 4.813.022,08 R$ 161.806,19 (f.g. 31/12/2000) provisão para créditos de liquidação duvidosa - provisão para baixa de conta de serviços prestados a terceiros – Valores de difícil recebimento de serviços prestados a terceiros, no valor de R$ 122.114,00 (set-dez/1999, não recebidas até 11/2000) e R$ 39.691,20 (perda em 11/2000), não tendo a SAELPA apresentado as notas fiscais que respaldam os serviços prestados, apenas relatórios por ela elaborados, além de que , vários serviços tiveram como beneficiária a própria SAELPAe os materiais utilizados denotam ampliação, aperfeiçoamento ou modernização da rede de distribuição – fls. 47 a 51. R$ 324.321,86 f.g. 31/12/2000 - títulos provisionados e não adicionados ao LLE – PROVISÃO PARA CRÉDITO DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA – ANO-CALENDÁRIO DE 2000 – EMPRESAS INTIMADAS(cerâmica elizabeth s/a, nortelas s/a, gráfica santa merta ltda, indústria de bebidas antarctica da paraíba s/a, myrtel empreendimentos hoteleiros ltda e agar brasileiro indústria e comércio ltda). NÃO CORRESPONDÊNCIA DOS VALORES DOS TÍTULOS PROVISIONADOS PELA SAELPA COM OS CONSTANTES NAS RESPECTIVAS FATURAS - fls.77 a 80) R$ 62.939,20 (f.g. 31/12/2000) Exclusão da provisão de cheques em cobrança, no valor de R$ 265.600,00, dos cheques da Relação DFFR, correspondente a valores em duplicidade, cheques acima de R$ 5.000,00 e cheques vencidos a menos de 180 dias – fls. 40-41. R$ 8.836,53 (f.g. 31/12/2000) - Exclusão da provisão de cheques em cobrança, no valor de R$ 265.600,00, dos cheques da Relação do faturamento, correspondente a valores em duplicidade - fls. 40-41. R$ 187.339,79 (f.g. 31/12/2000) provisão para créditos de liquidação duvidosa – provisão de títulos superiores a R$ 30.000,00 vencidos a mais de um ano, sem comprovação de ter sido iniciado e mantido os procedimentos judiciais para o recebimento, sem comprovação de sua constituição – fls. 52-54. R$ 7.936.588,47 (f.g. 31/12/2001) – provisão de crédito de liquidação duvidosa a título judicial – A fiscalização constatou: 1º) que a SAELPA não observou as regras da legislação do IRPJ para contabilização das perdas de títulos de liquidação duvidosa “A SAELPA não emitiu a fatura complementar referente ao aumento questionado judicialmente (20%) - No caso de empresas mercantis, a operação será caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal – IN SRF nº 93/1997, art. 24, § 5”; 2º) não correspondência dos valores de alguns títulos provisionados com os constantes nas respectivas faturas, além de inconsistências entre os títulos constantes do arquivo JUDICIAL.XLS e o arquivo títulos a receber em 2001 “títulos provisionados a título de ações judiciais que não constam na relação de títulos a receber – fls. 75 a 77) R$ 2.348.826,44 (f.g. 31/12/2001 – provisão constituída em 31/12/2001. títulos vencidos entre 01/07/2001 e 31/12/2001, menos de 6 meses – fls. 69) R$ 228.966,25 (f.g. 31/12/2001 – da provisão constituída em 31/12/2001. Existência de 25 registros de títulos vencidos entre 01/01/2001 e 30/06/2001, acima de R$ 5000,00, menos de 01 ano – fls. 68-69) R$ 2.500.237,26 (f.g. 31/12/2001 – baixa de contas incobráveis, referente ao registro da baixa de contas de consumidores das classes residencial, industrial, comercial e rural, vencidas até 01/01/98, de valores R$ 0,01 a R$ 5.000,00, já provisionadas em 31/12/2000 e não adicionadas na apuração do Lucro real em 31/12/2000 e 31/12/2001 - duplicidade de provisão - fls. 59 a 67). R$ 998.992,23 (f.g. 31/12/2001 - títulos provisionados e não adicionados ao LLE – PROVISÃO PARA CRÉDITO DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA – ANO-CALENDÁRIO DE 2001 – EMPRESAS INTIMADAS( cerâmica elizabeth s/a, nortelas s/a, gráfica santa merta ltda, indústria de bebidas antarctica da paraíba s/a, myrtel empreendimentos hoteleiros ltda e agar brasileiro indústria e comércio ltda). NÃO CORRESPONDÊNCIA DOS VALORES DOS TÍTULOS PROVISIONADOS PELA SAELPA COM OS CONSTANTES NAS RESPECTIVAS FATURAS - fls.77 a 80) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS. (fls. 115 a 121) -R$ 7.896.751,95 (f.g. 31/12/2001) – provisão para créditos de liquidação duvidosa no ano calendário de 2001. Valor revertido de provisão constituída. Da análise da DIPJ (fls. 184) e do LALUR (fls. 296) constatou-se que a SAELPA excluiu na apuração do lucro real a importância de R$ 7.896.751,95, a título de reversão de provisão para devedores duvidosos. A Saelpa foi intimada a apresentar os títulos recebidos constituintes do valor excluído de R$ 7.869.751,95 e o ato da legislação do IR que a autorizou, tendo informado que o procedimento que apurou em Dez/2001 R$73.942.388,66, R$ 7.896.751,95 inferior ao apurado em Dez/2000, resulta da operação: Provisão constituída até dez/2000 – contas baixadas em 2001 + contas incluídas na provisão em 2001 – contas corrigidas em 2001 que se encontravam na provisão em 2000, foi realizado em conformidade com as regras definidas pela ANEEL contidas no manual de contabilidade do serviço público de energia elétrica onde mensalmente são efetuadas reversões do saldo da provisão constituída até o mês anterior, efetuando-se nova provisão, de conformidade com os parâmetros definidos (contas de energia vencidas, parcelamentos com TCD, contas questionadas na justiça, parcelamento com SINED e contas de energia renegociadas), levando-se em consideração a posição do “Contas a Receber” do mês em curso, e que, com base no art 250, do RIR/99, excluiu na determinação do L.Real a reversão de provisões consideradas indedutíveis na sua constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade. Intimada a informar o lançamento pelo recebimento de uma conta de energia elétrica que já tenha havido constituição da provisão para devedores duvidosos, respondeu: Pelo recebimento da conta: D – 111.01.2 - contas bancárias a vista C – 112.01.1 - fornecimento Pela reversão da provisão: D – 112.61.0001 – provisão para crédito liquidação duvidosa C – 615.05.19.96.9601 – outras despesas - reversão Pela recuperação do valor da conta de energia elétrica . D – 112.01.1 - fornecimento C – 112.61.0001 - provisão para crédito liquidação duvidosa “Com efeito, tem-se que a SAELPA não apresentou os títulos que foram recebidos que compõem o valor de R$ 7.896.751,95, conteve-se em justificar o cálculo do valor. Sabe-se que neste valor está o de R$ 2.500.327,26, provisionado, conforme o item 5.1.3.1. deste Relatório.” BAIXA DE CONTAS INCOBRÁVEIS=> R$ 2.500.327,26 contas vencidas até 01/01/1998 já foram provisionadas acarretando numa constituição em duplicidade. INFRAÇÃO: “TAL FATO, EXCLUSÃO INDEVIDA, ENSEJA A SUA COBRANÇA DE OFÍCIO NOS TERMOS DO ART. 250, I, DO RIR/99). A recorrente, cientificada do auto de infração impugnou tempestivamente o lançamento, tendo sua impugnação sido considerada parcialmente procedente pela 3ª Turma da DRJ-Recife, que proferiu o Acórdão nº 11-25.428, de 20 de fevereiro de 2009, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO REAL. CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS DE ENERGIA INICIALMENTE CONTRATADA NÃO CONSUMIDA EM FUNÇÃO DO ACORDO DO SETOR ELÉTRICO (RACIONAMENTO). Assim como a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o § 1º do artigo 4º da Lei nº 10.438/2002, os custos resultantes do acordo do setor elétrico, em função do racionamento de energia, deverão compor, em 2001, direito a recuperar da empresa (ativo circulante ou realizável a longo prazo) e somente comporão a apuração da base de cálculo do IRPJ, referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o tributo apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do artigo 144 do CTN. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001). Para que sejam dedutíveis, os gastos incorridos, além de atender às condições legais de necessidade, usualidade, ficam sujeitos à comprovação documental da ocorrência e quitação. LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (2001). Glosam-se os valores excluídos pelo contribuinte que não estão autorizados pela legislação tributária ou não estão devidamente comprovados. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO REAL. CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS DE ENERGIA CONTRATADA NÃO CONSUMIDA EM FUNÇÃO DO ACORDO DO SETOR ELÉTRICO (RACIONAMENTO). Assim como a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o § 1º do artigo 4º da Lei nº 10.438/2002, os custos resultantes do acordo do setor elétrico, em função do racionamento de energia, deverão compor, em 2001, direito a recuperar da empresa (ativo circulante ou realizável a longo prazo) e somente comporão a apuração da base de cálculo da CSLL, referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o tributo apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do artigo 144 do CTN. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001). Para que sejam dedutíveis, os gastos incorridos, além de atender às condições legais de necessidade, usualidade, ficam sujeitos à comprovação documental da ocorrência e quitação. LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (2000). Glosam-se os valores excluídos pelo contribuinte que não estão autorizados pela legislação tributária ou não estão devidamente comprovados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há falar em nulidade do procedimento fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜI ÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIO NALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂN CIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIA ÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Face ao grande número de fatos apurados, que ensejaram a apuração das infrações, DRJ fez uma tabela correlacionando os subitens do lançamento com a impugnação, na qual identificou que a interessada deixou de impugnar e acatou diversos itens do lançamento, conforme resumido na tabela abaixo: AUTO DE INFRAÇÃO SUBITEM * VALOR TRIBUTÁVEL 5.1.2.1 R$ 265.600,00 5.1.2.3 R$ 399.351,00 5.1.4 R$ 324.321,86 5.1.2.1 R$ 62.939,20 5.1.2.1 R$ 8.836,53 5.1.2.1 R$ 187.339.79 5.1.3.2 R$ 2.348.826,44 5.1.3.2 R$ 228.966,25 5.1.3.1 R$ 2.500.237,26 5.1.4 R$ 998.992,23 * Numeração dos subitens conforme o Relatório de Trabalho Fiscal Cientificada do acórdão de impugnação em 13/04/2009 (e-fls. 4682), a interessada apresentou recurso voluntário em 13/05/2009 (fls. 4684 e segs.). O recurso voluntário foi trazido a julgamento e foi conhecido por este colegiado, na sessão de 15 de março de 2012, que resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 1302-000.150. No recurso voluntário, a recorrente reitera os argumentos trazidos na impugnação, aditada pelos argumentos sintetizados na resolução referida, verbis: A) Do ano-calendário 2000: - Da glosa da variação monetária do parcelamento de ICMS de R$10.359.592,48. Afirmou a fiscalização ter constatado que a Recorrente havia contabilizado como despesa financeira a variação monetária do ICMS. Conforme transcrito no próprio Relatório de Trabalho Fiscal, a Recebedoria de Rendas da Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGP-DI (FGV). -Apesar da clareza da resposta do Fisco paraibano, que confirmou a aplicação de atualização monetária desde janeiro de 2000 sobre os débitos vencidos e não pagos naquele ano, o r. auditor fiscal concluiu ter a Recorrente contabilizado, "sem amparo legal, atualização monetária dos débitos de ICMS no ano-calendário de 2000". - O Acórdão da Delegacia de Julgamento, ao tratar deste item do Auto de Infração, manteve a autuação sob o argumento de que a Recorrente não teria "nenhuma prova, que não por ela mesma produzida, de que, sobre seus débitos de ICMS sobre os quais versa o lançamento incidiram (sic) atualização monetária (juros e multa). - Ora as As (sic) regras legais atinentes à possibilidade de dedução da variação monetária correspondente à. Obrigações tributárias vigentes em 2000 encontram-se consubstanciadas no entendimento contido no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 52. - No caso em tela, a Recorrente celebrou, em 15/7/2000, um parcelamento com o Estado da Paraíba, relativamente a Débito Fiscal de ICMS - em 36 (trinta e seis) parcelas mensais e sucessivas, acrescidas de mora, juro e correção monetária, quando couber, atualizado pela UFIR ou outro critério adotado pela DEFINpara correção de tributos. - Do citado parcelamento, 3 (três) parcelas foram pagas em 2000, sem correção, uma vez que não houve variação da UFIR naquele ano. O saldo devedor em 2000, contudo, foi corrigido conforme determinação da Portaria GSF n° 002, de 05.01.2001, do Secretário das Finanças, publicada no DOE PB de 06.01.2001, a qual instituiu a aplicação do IGPD-I em substituição da extinta UFIR a partir de janeiro de 2000, para débitos não pagos naquele ano. - A Recorrente então contabilizou em 2000 o valor das atualizações monetárias incidentes sobre o saldo devedor, de acordo com a variação do IGP-DI contida na Tabela acima referida. Tais valores estão demonstrados na Planilha de Parcelamento ICMS (doc.06), para mais fácil visualização. - Ao ao (sic) reconhecer no ano de 2000 a despesa decorrente da incidência do IGP-DI naquele ano, a recorrente somente deu cumprimento ao princípio da competência, reconhecendo que tal despesa, apesar de ainda não desembolsada, foi incorrida naquele ano. - diante dos fundamentos apresentados acima, a recorrente requer que seja reconhecido e homologado como despesa o valor contabilizado de R$ 10.359.592,48 - Da glosa de custos - Diferença entre os valores provisionados e adicionados no Ano-Calendário de 2000 (R$ 4.813.022,08). Afirma o auditor ter constatado que vários títulos a receber da Recorrente teriam sido provisionados no ano-calendário de 2000 e adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real daquele mesmo exercício fiscal. Ainda segundo ele de um total de 294.731 títulos totalizando R$ 28.766.429,00 a parcela de 120.123 títulos teriam sido provisionados por um valor X e adicionados ao lucro líquido por um valor inferior, X - Y. Essa diferença de valor, Y, totalizaria R$ 4.813.022,08, e seria um custo/despesa indedutível, o que ensejaria sua cobrança de ofício. - A DRJ manteve a autuação por não ter a Recorrente apresentado provas documentais. - Ao contrário do afirmado pelo auditor, não há qualquer diferença entre o valor dos 294.731 títulos provisionados por R$ 28.766.429,00 e o valor pelo qual esses mesmos títulos foram lançados ao lucro líquido na apuração do lucro real. - Ponto inconteste, afirmado pelo próprio auditor fiscal, é que os citados títulos foram provisionados, contabilmente, no ano-calendário de 2000 por R$ 28.766.429,00. Toda a celeuma decorre do equívoco do auditor, ao indicar que tais títulos teriam sido computados no lucro líquido para apuração do lucro real por valor inferior ao provisionado. - Demonstrando exatamente o contrário, ou seja, que o valor computado no lucro líquido para apuração do lucro real foi exatamente igual ao valor provisionado (R$ 28.766.429,00) a Recorrente apresenta cópia da fls. 25 do LALUR do exercício de 2000 (doc.07), juntamente com a pág.06 da DIPJ do mesmo exercício (doc.08), ambas contendo o mesmo valor provisionado, (no caso da DIPJ, o valor compõe o lançamento de linha 3. Despesas operacionais - Parcelas Não Dedutíveis), então adicionado na apuração do lucro real. Razão porque a autuação não tem amparo e foi equivocada . - Da glosa de Custos - Provisões constituídas em 2000 e repetidas em 2001 -Diferença de provisão 2000/2001. (R$ 13.452.296,34). Afirma o auditor ter constatado 904.370 registros com os mesmos número de matricula e data de vencimento, que totalizavam R$ 58.121.067,24 (2000) e R$ 44.673.929,56 (2001). - Segundo o auditor, a diferença encontrada em 2000 ("X") e 2001 ("X - Y"), seria de R$ 13.452.296,34 e representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada no ano-calendário de 2000. A partir dessa presunção, ele concluiu que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. - Curiosamente, o auditor realizou outro lançamento tributário sob o mesmo fundamento, no valor de R$ 7.896.751,95, com base na diferença entre o valor total da provisão para créditos de liquidação duvidosa de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66). - Destaque-se que os valores tomados por base para o lançamento ora recorrido, R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001, eram parcelas integrantes da provisão para créditos de liquidação duvidosa ("PDD") de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66), respectivamente. O auditor efetuou lançamentos distintos, um para a parte e outro para o todo (doe.09 e 10 - fls.09 e 10 do Lalur e pag.6 da DIPJ 2002). - A DRJ ao tratar deste item manteve a autuação simplesmente por não ter a Recorrente apresentado provas documentais, ignorando os argumentos aduzidos, sobretudo o da verdade material. - Inicialmente, impõe-se destacar o claro bis in idem configurado pela duplicidade de autuações com base no mesmo fato. Pela diferença entre a PDD de 2000 e 2001, o auditor já efetuou o lançamento constante do item 5.5 do Relatório Fiscal defendido no presente Recurso. - Não pode ele, com base na diferença entre parciais que compõem o saldo das referidas provisões, efetuar novo lançamento, em adição ao já existente. Não bastasse a ocorrência do bis in idem, trata-se de autuação baseada pura e simplesmente em presunções ilegais: - de que o valor provisionado em 2001 seria o correto, e não o de 2000 e, - que a diferença entre o valor dos títulos nos dois anos foi deduzida na apuração do lucro real de 2000. - Se a administração tributária pudesse, a seu bel prazer, cobrar tributos com base em meras suposições, o contribuinte ficaria à mercê das interpretações da autoridade fiscal. Presunção não é base de cálculo de imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo fiscal. Ao comparar registros com o mesmo número de matricula e a mesma data de vencimento, na data-base dezembro/2000 e dezembro/2001, o auditor confunde registros de sistema com títulos representativos de dívida. Os registros de sistema representam o total do débito de um determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica. Uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. - Fato é que qualquer desses consumidores pode pagar uma fatura de energia elétrica de uma unidade de consumo e deixar de pagar a de outra. Com isso, o valor do registro, de um ano para o outro pode reduzir normalmente, sem que tenha havido qualquer erro por parte da Recorrente. - Não demonstrou o auditor ter sido a contabilização de 2000 excessiva, nem tampouco ter resultado cm qualquer benefício fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção dc ilegalidade, furtou-se de perquirir a verdade dos fatos. - Por conseqüência de todo o exposto requer a Recorrente que seja reconhecido o bis idem e a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento, devendo ser anulada a autuação de tais valores. B) Do ano-calendario 2001: - Provisão para Crédito Liquidação Duvidosa. Consumidores com medidas judiciais.(R$7.936.588,47). No relatório de trabalho fiscal, o auditor fiscal constatou a indedutibilidade da provisão do valor, correspondente às contas de energia elétrica de clientes que ingressaram na Justiça questionando os reajustes tarifários de 1986. - A DRJ deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado provas documentais correspondentes. - Durante o ano de 2001, diversas faturas de clientes que ingressaram na justiça questionando os reajustes tarifários de 1986 foram emitidas, em cumprimento a decisões judiciais, por 80% do valor integral. Por um equívoco contábil da Requerente, os 20% restantes foram levados a tributação como faturamento e, pendentes no Contas a Receber, foram objeto de provisão pela Recorrente conforme parâmetros para constituição de provisão para Devedores Duvidosos. - Em razão do equívoco cometido quando da emissão de faturamento de receita em 80% (oitenta por cento) e 20% de provisão de devedores duvidosos, houve o devido estorno no LALUR, de forma que não afetou o lucro líquido do exercício. Tal equívoco ocorreu em virtude da Recorrente não ter cumprido, de imediato, a determinação de redução das ações judiciais. - Uma vez que a empresa constatou que aqueles valores de PDD não podiam ser lançados na rubrica de contas a receber, buscou o seu devido estorno, não acarretando qualquer prejuízo ao erário público. - Prosseguir com o entendimento do fiscal seria praticar o estorno de um lançamento irregular. A Recorrente anexa relatório de todos os consumidores com débitos oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, os quais foram objeto de estorno. Ainda como meio de prova do alegado, a Recorrente anexou cópia da CE n°. 016/2001-DFIN, pela qual a Saelpa solicita à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% (vinte por cento) desses faturamentos, bem como Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pelo auditor em seu relatório para comprovar que essas contas continuavam pendentes até 31/12/2001. - Da Glosa de Custos - Faturamento Complementar(R$ 10.434.423,05). Este item refere-se à contabilização de faturas de compra de energia elétrica, pela Recorrente, junto à Companhia Hidroelétrica do São Francisco - CHESF, no ano de 2001. Trata-se, de fato, da nota fiscal n° 5342, emitida pela CHESF, no valor de R$ 10.908.181,17 - R$ 473.758,12 (ajuste), em vista dos depósitos/créditos bancários feitos pela ENERGISA (Saelpa), referente ao faturamento complementar relativo ao fornecimento de energia do ano de 2001. - Sustenta o auditor que tais valores não poderiam ser Considerados como custo, mas sim como um ativo circulante ou recuperável a longo prazo. Tal entendimento equivocado decorreu da escusável falta de conhecimento técnico acerca do funcionamento e da regulação do setor elétrico brasileiro, vigentes à época. Por esse desconhecimento, o fiscal acabou confundindo o objeto da autuação (faturamento de energia comprada) com a Recomposição Tarifária Extraordinária - RTE. - A DRJ não analisou os argumentos da recorrente, atendo-se simplesmente a transcrever na íntegra o Parecer COSIT n° 26. o r. julgador manteve a linha de pensamento equivocada do r. auditor fiscal, vinculando o pagamento da nota fiscal n° 5342 da CHESF à sobretarifa objeto do Parecer COSIT n° 26/2002, quando na verdade, esse dois fatos não guardam entre si qualquer relação. - Em 2001, o setor elétrico era regulado, principalmente, pelas Leis n° 9.648, de 27 de maio de 1998 e n° 9.427, de 26 de dezembro de 1996. O art. 12 da Lei n° 9.648/1998, em seu §2°, estabelecia que a compra e venda de energia elétrica nos sistemas elétricos interligados seriam realizadas no âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica - MAE, observado o disposto no art. 10, que tratava dos contratos iniciais. - A Recorrente tinha, em 2001, um contrato de compra e venda de energia em vigor com a CHESF, celebrado em 25 de janeiro de 2000 (doc.16) Seu Anexo I apresenta as quantidades contratadas e as tarifas do contrato inicial. O montante de energia contratado para 2001, com a CHESF, correspondeu a 396 MW médios. Tais montantes mensais foram registrados no MAE considerando o disposto no Parágrafo Primeiro da Cláusula 11 do Contrato. - Para fins de informação, a Recorrente apresenta a tabela Ia (doc. 17), que apresenta os montantes mensais contratados e adquiridos em 2001, bem como teriam sido os correspondentes faturamentos, caso não houvesse sido decretado o racionamento de energia. Para cada mês, as tarifas e os faturamentos foram obtidos conforme Cláusula 14 do contrato inicial. - Na Região Nordeste, onde se localiza a Recorrente, o racionamento de energia elétrica foi decretado pelo Poder Concedente a partir de junho de 2001. CHESF, então, conforme recomendação da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica - ABRAGE, efetuou, a partir de junho de 2001, o faturamento provisório tomando por base as quantidades contratadas, ajustadas pelo percentual da meta de racionamento estabelecida pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica - GCE, conforme faturas e respectivas correspondências de encaminhamento, todas anexas (docs.18). - Com isto, a CHESF passou a faturar, a título provisório, a energia contratada pela Recorrente com uma redução de 20%. A tabela 1 .b, anexa, consolida os valores mensais faturados, em MWH (quantidade de energia faturada) e Reais. Somente em dezembro de 2001 foi estabelecido pelo §8° do art.2° da Resolução GCE n° 091, de 21 de dezembro de 2001, a metodologia para o fator de redução a ser aplicado aos contratos iniciais durante o período de vigência do racionamento. - Esta metodologia foi posteriormente detalhada no art.5° da Resolução ANEEL n° 31; de 24 de janeiro de 2002, senão vejamos: (doe. 19) Em face da cláusula 6 do aditivo (04.07.02) ao contrato inicial da CHESF - SAELPA (doc.20) reduziram-se os montantes contratados no período de vigência do racionamento. Para o período de junho a dezembro de 2001, ficou definido que seria aplicado o fator de redução previsto no art.5° da Resolução ANEEL n° 031, de 2002. - Finalmente, apenas em 12 de agosto de 2002, os fatores de redução aplicáveis ao ano de 2001 foram definitivamente informados pela ANEEL por meio do Ofício Circular n° 761/2002-SFF-SRE/ANEEL (doc.21), correspondendo a 0,93638 de junho a dezembro de 2001, ou seja, uma redução de 6,362%. - A tabela l.c (anexa - doe. 17) apresenta os valores que deveriam ter sido faturados pela Saelpa considerando este fator de redução. Verificou-se, então, que a SAELPA havia consumido um volume de energia equivalente a 93,638% do contrato inicial, mas apenas 80% tinha sido faturado e recebido pela CHESF. Dessa diferença originou-se um débito de compra de energia da Energisa (Saelpa) para com a CHESF. - Conseqüentemente, a CHESF emitiu faturamento complementar contra a Saelpa relativo à diferença entre o valor que deveria ter sido faturado em 2001 com base no Ofício Circular n° 761/2002-SFF-SRE/ANEEL (tabela lc - doe. 17) e aquele objeto do faturamento preliminar (tabela lb), correspondendo a R$ 10.434.423,05 (tabela ld - doc. 17). - A SAELPA, até então, havia efetuado o registro contábil das operações de comercialização, realizadas com base em estimativas elaboradas pela sua própria administração, observando os princípios fundamentais da contabilidade. -Assim, em dezembro de 2001, a SAELPA registrou o valor de R$ 11.096.782,02 para fins de efeitos contábeis, tendo em vista a definição, à época, dos redutores pelos órgãos competentes. Posteriormente, com a determinação em definitivo do Fator de Redução, foram efetuados os devidos ajustes, nos valores de R$ 473.758,12 e R$ 188.600,85 (receitas levadas à tributação no exercício de 2002 - vide Diário - doc. XX anexo), resultando no valor líquido de R$ 10.434.423,05. -De acordo com o site da Agência Nacional de Energia Elétrica: "A Recomposição Tarifária Extraordinária é um instrumento que se destina à compensação pelas perdas de receita das concessionárias, impostas pelo Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, e acumuladas no período de 10 de janeiro a 25 de outubro de 2001. A recomposição foi estabelecida mediante a aplicação dos seguintes percentuais de reajuste: 2,9% para as classes Residencial e Rural; 7,9% para as demais classes, excluídos os consumidores de Baixa Renda, os Serviços Executados e os suprimentos entre empresas, conforme legislação citada nos anexos." - Depreende-se da leitura do próprio Parecer COSIT n° 26/2002, que "as concessionárias de energia elétrica tiveram redução de suas margens de lucro, seja devido à diminuição do faturamento, seja pelo aumento de custos não gerenciáveis". E que "visando a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro de contratos de concessão a que se refere o dispositivo acima transcrito (art. 28 da MP n° 2.198/2001), a MP n° 14, de 21 de dezembro de 2001, em seu artigo 4o, assim dispôs: "Art. 4° A ANEEL procederá à recomposição tarifária extraordinária prevista no art. 28 da Medida Provisória no 2.198-5, de 24 de agosto de 2001, sem prejuízo do reajuste tarifário anual previsto nos contratos de concessão de serviços públicos de distribuição de energia elétrica. § 1° A recomposição tarifária extraordinária de que trata o caput será implementada por meio de aplicação às tarifas de fornecimento de energia elétrica dos seguintes índices: I - 2,9%, para os consumidores integra- ntes das Classes Residencial e Rural; e II - 7,9%, para os demais consumidores. (...)"- Ora, a perda de receita da Recorrente em virtude do racionamento de 2001, a ser compensada de forma diferida pela RTE, não se confunde com o valor pago à CHESF pela energia consumida naquele ano. - Como é de conhecimento comum, a mercadoria energia tem uma peculiaridade que a difere das demais. Não se armazena energia na distribuição. Não há estoque. A distribuidora, simplesmente, contrata uma quantidade de energia com a geradora, que passa a ter a obrigação de gerar esse montante de energia e lançá-lo no sistema interligado. - A distribuidora tem, então, o direito de vender energia nessa quantidade, pois foi ela quem pagou ao gerador. No caso, a Recorrente havia contratado com a CHESF o fornecimento de 2.058.271,448 MWH para o ano de 2001, pelo preço de R$ 76.509.921,18. - Por conta do racionamento, a CHESF, inicialmente, faturou apenas 80% do contrato (1.646.617,159 MWh, pelo preço de R$ 61.207.936,96). Quando, finalmente, em agosto de 2002, a ANEEL apurou o fator de redução e determinou qual havia sido a quantidade de energia vendida pela CHESF para a SAELPA no ano de 2001, contatou-se que havia sido entregue o montante de 1.927.324,218 MWh, o que totalizava o preço de R$ 71.642.360,01, resultando numa diferença a pagar de R$ 10.434.423,05, valor esse, então faturado de forma complementar pela CHESF. - Frise-se, foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação (venda de.,energia) e, por conseguinte, dedutível. - O fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a seu mercado consumidor deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE! - Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir o objeto da autuação (despesa com energia consumida em 2001) com a RTE (valores incluídos na fatura de energia elétrica dos consumidores a partir de 2002, para reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão). - o Auditor Fiscal deveria levar em consideração o Princípio da Competência do exercício, bem como a emissão da fatura complementar, que se deu em dezembro de 2001. - Entende a requerente, em vista do exposto, que se essa despesa operacional foi confirmada com o valor apurado pela Chesf na competência de 2001, por tratar-se de complemento do valor do contrato inicial de compra e venda de energia do exercício de 2001, tal despesa deve ser considerada como custo do resultado para apuração do exercício, uma vez que esse valor foi relativo ao período de comercialização, cuja competência refere-se ao exercício de 2001. - Tem-se como regra que os Valores serão apurados considerando o período de comercialização, e, no caso, esses períodos: foram os meses de abril a dezembro/01, portanto, foram eles reconhecidos naquela competência. Diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (R$ 2.871.961,74). O fiscal solicitou informações à Companhia Hidroelétrica do São Francisco - CHESF e, com base na resposta obtida, entendeu que havia divergências entre os valores escriturados pela SAELPA e os valores constantes da emissão das notas fiscais da Chesf, relativas a essas contas. - O Auditor Fiscal, então, glosou os valores estornados da nota fiscal n° 5324 em R$ 2.098.505,44, bem como a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33. Da mesma forma, glosou o estorno da nota fiscal n° 5342, no valor de R$ 473.758,12, e a diferença entre o valor contabilizado e o constante daquela nota, no valor de R$ 188.600,85, totalizando a glosa de R$ 2.871.961,74, como despesa/custo indedutível para a apuração do lucro real no ano-calendário de 2001. - A DRJ entendeu que somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea. - Os procedimentos realizados pela ora Recorrente, tiveram suporte na época pelo seu órgão regulador, bem como pelas disposições do Setor Elétrico, a saber ANEEL, ABRAGE, GCE, através de expedição de resoluções. Ademais, todos os lançamentos contábeis tiveram suporte no que determina os contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, a legislação vigente no período de racionamento e os fatores econômicos efetivos. - No período objeto da fiscalização, em razão do racionamento de energia, as parcelas de demanda e a energia de todos os contratos iniciais foram reduzidas em 2,1% em cada mês. Esse fator de redução foi divulgado pela ABRADEE - Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, durante o processo de negociação com o Governo Federal. - Em dezembro de 2001, o governo e as empresas de energia elétrica firmaram o Acordo Geral do Setor Elétrico com as concessionárias distribuidoras e as geradoras de energia elétrica, com o intuito de garantir o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos existentes e a recomposição de receitas relativas ao período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica (Racionamento / "Programa Emergencial"). - Tal acordo abrangia (i) as perdas de margem incorridas pelas distribuidoras e geradoras no período de vigência do citado Programa Emergencial, (ii) os custos adicionais da Parcela A . para o período de 1/01/2001 a 25/10/2001, (iii) a parcela dos custos com a compra de energia no âmbito do Mercado Atacadista de Energia (MAE), denominada "energia livre", realizadas até dezembro de 2002 e (iv) a substituição do direito contratual previsto no Anexo V dos Contratos Iniciais (compra e venda de energia). - Assim, as distribuidoras alcançadas por essa recomposição tarifária extraordinária teriam que pagar às geradoras, durante o Programa Emergencial, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às distribuidoras. Essa redução foi definida em 2,341%. - A Recorrente demonstra através do Extrato contábil (doc.22 - anexo 09 da impugnação) que efetuou a contabilização em dezembro de 2001 dos valores relativos à diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, bem como o valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com os demonstrativos de cálculos efetuados à época (doc 23 - anexo 10 da impugnação). - Com base na informação detida no momento do lançamento contábil (antes da definição final do fator de redução), a SAELPA efetuou os cálculos utilizando o Fator de Redução 2,1%. - Como bem colocado pelo Senhor Fiscal, e diante do exposto acima, a Saelpa efetuou a contabilização na conta contábil 615.03.3.5.41 subconta 4101 dos valores de energia comprados da CHESF em montantes de: (i) R$12.084.922,43 - energia comprada de dezembro de 2001, e (ii) R$11.096.782,02 - valor complementar de valores de energia comprada de abril a dez de 2001. - Os documentos hábeis e idôneos que serviram de base para os registros contábeis dos valores de R$ 11.096.782,02 e R$ 12.084.922,43 foram apresentados pela Recorrente no momento da fiscalização, tendo sido, no entanto, desconsiderados pelo Fiscal, que desprezou a correção de tais valores contabilizados com fator de redução (2,1%), relativo ao período de abril a dezembro de 2001. - O lançamento de R$ 11.096.782,02 refere-se ao somatório encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1% sobre o valor do contrato inicial de compra e venda de energia elétrica do período de abril a novembro de 2001. E o lançamento de R$ 12.084.922,43 é o valor contrato inicial de compra e venda de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, já aplicado o fator de redução de 2,1 %. - Em um segundo momento, após a celebração do Acordo Geral do Setor Elétrico, foi utilizado pela Recorrente o fator de redução de 2,341% para o cálculo da diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, e de 20% sobre o valor da compra de energia elétrica (contrato inicial) para o mês de dezembro de 2001, apurando-se os valores de R$13.122.235,30 em vez de R$11.096.782,02 e de R$9.875.319,66 em vez de R$12.084.922,43, respectivamente. - Logo, a diferença apontada para a nota fiscal da Chesf n° 005324, no valor de R$ 2.209.602,77, refere-se ao valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela Chesf, com o redutor de 20% (vinte por cento). Com relação à diferença citada na nota fiscal n° 005342, no valor de R$ 662.358,97, a mesma refere-se à subtração do valor registrado pela SAELPA, e o valor efetivamente devido após o ajuste. - O valor contábil registrado em dezembro de 2001 pela SAELPA (R$ 11.096.782,02) foi assim calculado em função de que também se desconhecia o ajuste da fatura complementar, o que se deu apenas em meados de 2002. Destaque-se que as diferenças de R$ 2.209.602,77 e de R$ 662.358,97, acima esclarecidas e que totalizam R$ 2.871.961,74, foram levadas à tributação no exercício fiscal de 2002, quando houve a definitiva indicação do valor devido pelo MAE, conforme se comprova do lançamento contido no Diário (doe. XX anexo). - Diante do esclarecimento acima, fica caracterizado que o valor glosado pelo Auditor Fiscal é justamente a variação decorrente das duas notas fiscais emitidas pela Chesf. - Em razão dos fundamentos apresentados acima, não é possível outra conclusão que não seja o reconhecimento da legalidade e correção do valor total contabilizado sobre a rubrica de despesa/custo, relativo as despesas de Compra de Energia à CHESF, bem como seu lançamento contábil em 31.12.2001. - Da Glosa de Custos - Provisionamento da Compra de Energia no Mercado Atacadista no Ano-Calendário de 2001 - R$ 70.342.053,18. Este item do auto de infração refere-se a contabilização, em 31/12/2001, da energia comprada no Mercado Atacadista de Energia Elétrica -MAF no valor de R$ 70.342.053,18. -Percebe-se, novamente, que o auditor confunde o custo da energia consumida no ano 2001 com a RTE, aplicando indevidamente o diferimento previsto no Parecer COSIT n° 26/2002. É, pois, equivocada a conclusão do auditor, de que teria a SAELPA, indevidamente, deixado "de adicionar na apuração do lucro real a importância de R$ 70.342.053,18, por ser tal custo/despesa indedutível. - O Acórdão da DRJ novamente, descuidou de analisar os argumentos da então impugnante, atendo-se simplesmente a aplicar o Parecer COSIT n° 26, de 26 de setembro de 2002. Não bastasse, ainda negou pedido de diligência requerido que teria esclarecido definitivamente a celeuma. - De acordo com o sitio eletrônico da Receita Federal do Brasil, "provisões são expectativas de obrigações ou de perdas de ativos resultantes da aplicação do principio contábil da Prudência. São efetuadas com o objetivo de apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro." - Ou seja, provisões são sempre criadas para atender, segundo o principio da competência, a apropriação de custos e despesas que se concretizarão no futuro Definitivamente, não é o caso dos lançamentos glosados pelo auditor. - Tais lançamentos do Livro Diário n° 127, contidos nas fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos, apesar de terem sido denominados "PROVISÃO COMPRA MAE", não são provisões, pois retratam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001. Aqueles valores, que totalizam R$ 70.342.053,18, representam o custo da energia comprada pela Recorrente no MAE a cada mês de 2001, a fim de atender seu mercado consumidor. - Como já explicado no tópico do presente recurso relativo à compra de energia junto à CHESF, o suprimento de energia da Saelpa em 2001 era proveniente de seu Contrato Inicial com a geradora Chesf, (doe. 16 Contrato da CHESF), complementado por Contratos Iniciais de compra das concessionárias de distribuição Companhia Energética do Ceará, Companhia Energética de Pernambuco e Companhia Energética do Rio Grande do Norte. - Esta energia comprada visava ao atendimento da carga de seus consumidores, bem como ao suprimento de energia para a Celpe, a Cosem e a Companhia Energética da Borborema, mediante Contratos Iniciais de venda de energia elétrica. - Para fins de esclarecimentos, note-se que as diretrizes e condições para os Contratos Iniciais entre distribuidoras foram estabelecidas pela Resolução ANEEL n° 44, de 01/02/01 (anexo). Os montantes mensais de energia contratada e respectivas tarifas foram homologados pelas Resoluções ANEEL n° 45, de 10/02/01, e n° 173, de 10/05/01 (docs.24 a 26). Sabendo-se, assim, quais eram os contratos iniciais da Recorrente no inicio de 2001, tem-se que a Energisa dispunha de sobras de energia dentro do seu planejamento anual, o que lhe permitia vender diretamente a outras distribuidoras de energia por meio de contratos bilaterais, na forma do arl. 12 da Lei n° 9.648/1998. Em 17 de abril de 2001, antes que se falasse em racionamento de energia elétrica, a Energisa celebrou contratos bilaterais de venda de energia para a Companhia Força e Luz Cataguazes - Leopoldina e empresa Energética de Sergipe S.A. (does. 27 e 28). Como conseqüência do racionamento de energia elétrica, foi celebrado o Acordo Geral do Setor Elétrico, do qual constou a instituição da Recomposição Tarifária Extraordinária - RTE, assim como a obrigatoriedade de celebração, por cada distribuidora, de um "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" com as geradoras. - Destaque-se que o "Acordo de Compra de Sobras Liquidas Contratuais" não tem absolutamente nenhuma vinculação com a RTE. Enquanto esta visava, como explicado, o restabelecimento do equilíbrio econômico financeiro dos contratos de concessão, mediante a reposição de perdas das distribuidoras, o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" tinha por objetivo redistribuir as eventuais sobras de energia das distribuidoras para as geradoras, como forma incentivo ao setor de geração. Assim, a Recorrente celebrou o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" (doc.29), sendo o conceito de sobras definido na cláusula 1', como a diferença, se positiva, entre: (i) Contratos Iniciais e Equivalentes, acrescidos da quota de Itaipu e da geração própria; e (i.l.) Carga de cada concessionária de distribuição referenciada ao Centro de Gravidade correspondente (referir ao centro de gravidade significa acrescentar à carga sua respectiva parcela das perdas elétricas no sistema nacional de transmissão, conforme calculado pelo Mercado Atacadista de Energia). - Como a Energisa não é quotista de Itaipu, nem tampouco possui geração própria, a oferta contabilizada pelo MAE correspondeu a seus contratos iniciais de compra, deduzidos dos contratos iniciais de venda. Logo, sua carga referenciada ao Centro de Gravidade correspondeu à carga associada a seus consumidores finais (apurada pelo MAE nos pontos de medição das conexões com o sistema de transmissão da CHESF e com os sistemas de distribuidoras vizinhas), acrescida das perdas na rede básica alocadas à Energisa na contabilização do MAE. - Acontece que os contratos bilaterais de venda de energia celebrados com a CFLCL e a ENERGIPE não foram considerados para o cálculo das sobras, pois, com base no disposto no inciso III do § 5o do art. 2° da Resolução GCE n° 091, de 21/12/01, não foram considerados como equivalentes aos contratos iniciais. - Esse entendimento foi ratificado por meio do item I do Despacho ANEEL n° 288, de 16/05/02, anexo, que não relacionou tais contratos como equivalentes aos iniciais. Como conseqüência, acabou a recorrente sendo obrigada a comprar no Mercado Atacadista de Energia a quantidade de energia necessária para honrar os contratos bilaterais. - Como exposto, o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais resultou em exposição ("compra" de energia no mercado de Curto prazo do MAE) da Recorrente correspondente aos montantes vendidos a CFLCL e Energipe, registrados no MAE. Esta exposição foi valorada ao preço da energia no mercado de curto prazo (na ocasião denominado PMAE) no submercado Nordeste, que correspondeu a R$ 684/MWh de Io de junho até a 21 de setembro e R$ 562,15/MWh de 22 de setembro até 31 de dezembro de 2001 (valores constantes do site da CCEE,entidade que sucedeu o MAE). - Desta feita, a Recorrente foi obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a comprar no MAE no ano de 2001, para ter lastro para cumprir seus contratos bilaterais de venda de energia. Sendo assim, os Agentes do Setor Elétrico, entre esses a ora Recorrente, solicitaram do MAE o posicionamento sobre essas contas, a fim de formalizar os lançamentos contábeis do exercício. - No entanto, em razão do Comunicado 1-AS 017/02 (doc. 30), as empresas foram informadas que o MAE não poderia divulgar os valores relativos às contabilizações, a energia comercializada no Mercado Atacadista referente ao exercício de 2001 em razão de processo ajuizada pelas Centrais Elétricas Brasileiras - Eletrobrás em face da ANEEL, ASMAE e outras. - Nessa situação, apenas em 28 de fevereiro de 2002, é que houve a divulgação aos Agentes do Demonstrativo provisório e aproximado, de natureza meramente informativa contendo os melhores números para se proceder ao registro contábil-financeiro, formalizado mediante a CI-AS 0347/2002, com a denominação de Provisionamento 2001 e Formulação Algébrica referente ao Acordo de Racionamento (doc.31). - Dessa forma, os números que constam no demonstrativo divulgado no Comunicado acima, registram os valores disponíveis às distribuidoras e geradoras, resultado das compras e vendas de energia no MAE. Os valores constantes da coluna "Montante Financeiro Mensal (R$) representam os créditos e débitos decorrentes das sobras ou déficits de energia em cada mês (que resultam do balanço entre oferta e consumo), valoradas ao PMAE (Preço MAE). - Percebe-se, então, que, o valor de R$ 70.342.053,18, detalhado na tabela 2 (doe.32), resulta dos valores devedores mensais relativos à Recorrente, apurados pelo MAE, constantes da coluna Montante Financeiro Mensal (R$) do anexo Resultados do Provisionamento 2001, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como Ajuste MAE compra jan a ago/00 (doc.33). - Resta, portanto, inequivocamente demonstrado que: (i) Provisionamento foi a denominação utilizada pelo MAE quando informou o valor devido pela Recorrente pela energia adquirida no mercado de curto prazo nos meses de 2001. O fato de constarem da escrituração contábil lançamentos com indicação desse nome não transforma tais lançamentos em provisões. Pelo contrário, o fato de tais lançamentos representarem despesas incorridas no ano de 2001, não custos futuros, é suficiente para afastar qualquer entendimento naquele sentido, sendo certo não se tratar de provisão, mas sim de despesa operacional; (ii) O auditor confundiu o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais com a RTE, quando a única ligação entre esses dois fatos é o momento histórico. Como demonstrado, a despesa de R$ 70.342.053,18 decorreu da obrigatoriedade de aquisição de energia no mercado de curto prazo pela Energisa, para honrar as vendas de energia efetuadas, não tendo qualquer vinculação com a sobre tarifa criada para os exercícios subseqüentes com a finalidade de reequilibrar econômica e financeiramente seu contrato de concessão pela perda de receita em 2001 (RTE). - Frise-se, o valor pago a título de energia comprada no MAE foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação e, por conseguinte, dedutível. Vale repetir a mesma observação já feita neste recurso voluntário: o fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a suprir seus contratos bilaterais deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE ! - Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir o objeto da autuação (despesa com energia revendida em 2001) com a RTE (valores incluídos na fatura de energia elétrica dos consumidores a partir de 2002, para reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão). - A Energisa com base no Princípio do Conservadorismo, e de posse dos números apresentados em planilha do MAE, que indicou a compra naquele mercado, lançou tal despesa como custo dedutível na apuração do lucro real, para o exercício de 2001, em virtude da observância do princípio da competência e em função da planilha informativa apresentada pelo MAE. - Nesse sentido, seguiu determinação do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, no item 6.3.16, que trata da Comercialização de Energia Elétrica no Âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica - MAE. - Como acima explicitado, naquele momento os números contidos na planilha apresentada pelo MAE eram os únicos valores conhecidos a título de despesa para compra de energia no MAE. - Em face disso, a planilha do MAE era, definitivamente, o documento hábil e idôneo que indicava o valor a ser levado a custo como compra de energia no Mercado. Portanto para o exercício de 2001, fazendo correspondência ao extrato emitido pelo Mercado Atacadista de Energia, a Saelpa contabilizou: 611.03.3.1.0.2 - Suprimento de Energia Subconta 0002 - Energia de Curto Prazo - R$6.036.832,43 e; 615.03.3.5.4.1 - Operações com energia elétrica Subconta: 4103 - Energia Comprada - Curto Prazo - R$ 70.342.053,18. - Diante do exposto acima, fica claro e evidenciado o equívoco do fiscal em aumentar a base tributável do Imposto de Renda, e por reflexo da CSLL ao glosar a citada despesa de R$70.342.053,18. - Outrossim, o Auditor Fiscal em seus procedimentos, deixou de requisitar informações perante a ANEEL, a fim de atestar os lançamentos de despesas efetuadas em cada exercício. Tais custos reconhecidos pela ANEEL servem de base para a autorização das revisões das tarifas de energia. - Em razão dos fundamentos apresentados acima, requer a recorrente, sob pena de cerceamento de defesa, seja deferido o pedido de diligências com pedidos de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE - Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (nova denominação do Mercado Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745 - 9° Andar, Cerqueira César - São Paulo - SP, CEP: 01419-001, seja dado provimento ao recurso. -Exclusões no Lalur Indevidas (R$ 7.896.751,95). Segundo o auditor, da análise dos arquivos da empresa, constatou-se a existência de vários registros onde os valores provisionados em 2000 são superiores aos de 2001. Dessa forma, entendeu que houve uma majoração indevida de R$ 12.851.228,33 que representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada. - A partir dessa presunção, o auditor concluiu que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. - A DRJ ao tratar deste item, deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado as provas documentais correspondentes. - As provisões comparadas pelo fiscal não serviram para reduzir o lucro tributável, logo, o que a fiscalização fez foi glosar a diferença entre provisões de dois exercícios subseqüentes, por pura presunção. - Presunção não é base de cálculo de qualquer imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo - fiscal. - Diante do relatório do trabalho fiscal, não demonstrou o auditor ter sido a contabilização de 2000 excessiva, nem tampouco ter resultado em qualquer beneficio fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção de ilegalidade, furtou-se de perquirir a verdade dos fatos, o que fere de nulidade a exação lançada. - O fato é que, para à constituição da provisão de devedores duvidosos em dezembro de 2001 foram utilizados os seguintes parâmetros contas de energia vencidas há mais de 90 dias da classe residencial, com mais de 180 dias da classe comercial e com mais de 360 dias das classes industrial, rural, poder público, iluminação pública e serviço público: - parcelamentos com TCD (Termos de Confissão de Dívidas) vencidos com o mesmo período das contas de energia acima especificadas; - Contas de energia de consumidores que estão questionando na justiça (aumento de tarifa em 1986), com o mesmo prazo definido para as contas de energia (acima); - Parcelamentos com SINED (Sistema de Negociação de Débitos), utilizou-se como parâmetro o montante das parcelas vencidas; - Contas de energia renegociadas, montante referente ao débito de consumidores que foram renegociados, deduzido da base apurada. Com esses parâmetros, em dezembro de 2001, apurou-se o montante de R$ 73.942.388,66, valor esse inferior em R$ 7.896.751,95 àquele apurado até dezembro/2000 que era de R$ 81.839.140,61. - O Artigo 249 do RIR/99 dispõe a regra geral sobre os ajustes (adições) para a determinação do Lucro Real. Na apuração do Lucro Real, conforme Lei n° 9.249/95, artigo 13, são considerados valores indedutíveis, as constituições de provisões, exceto as relacionadas com a legislação trabalhista, bem como, as perdas no recebimento de créditos excedentes aos limites legais definidos nos artigos 90 a 12 da Lei n° 9.430/96. - Assim como nas adições, também nas exclusões não existe uma relação especifica, cabendo ao contribuinte adequar as situações legais. Em regra, as exclusões permitem o diferimento das receitas ou a sua não tributação. O RIR/99, dispôs sobre este assunto: Art. 250: "Na determinação do lucro real,poderão ser excluídos do lucro liquido: I -, os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro liquido do período de apuração; II - os resultados, rendimentos receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto não sejam comparados no lucro real - Dessa forma, também são consideradas como "Outras Exclusões" a Reversão de Provisões, consideradas indedutíveis (art. 13 da Lei n° 9.249/96) na sua constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade. - Como já bem demonstrado, a recorrente quando do fechamento do exercício de 2001, efetuou a comparação dos valores das Provisões de Devedores Duvidosos constituída até dezembro de 2001 vis à vis aquela de dezembro de 2000, tendo apurado uma reversão de provisão da ordem de R$7.896.751,95. Tal reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida no exercício de 2001 que envolveu contas baixadas, novas contas que foram incluídas na provisão, como também correção de contas de energia elétrica. -Por todo o exposto, requer a Recorrente seja reconhecida a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento tributário em comento, devendo ser anulada a autuação no que concerne a tais valores. - Quanto aos sub-itens referente ao dispêndio a reembolsar de pessoal cedido (R$ 1.690.105,00) e provisões para perdas com serviços prestados - ODS (R$ 161.806,19) a Recorrente reconhece a procedência dos lançamentos e afirma que efetuará os ajustes contábeis necessários. A recorrente deixou, portanto, de apresentar recurso relativo às infrações indicadas nos subitens 5.1.2.2 (R$ 1.690.105,00 - f.g. 31/12/2000 - provisão para créditos de liquidação duvidosa – dispêndio a reembolsar de difícil recebimento) e 5.1.2.4 (R$ 161.806,19 - f.g. 31/12/2000 - provisão para créditos de liquidação duvidosa - provisão pela baixa da conta de serviços prestados a terceiros) do Relatório de Trabalho Fiscal que instrui o auto de infração. Por meio da Resolução nº 1302-000.150, este colegiado acatou proposta do relator e converteu o processo em diligências, determinando-se, verbis: Por todo o exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a DRJ se pronuncie sobre a documentação, conforme descrito no voto acima produzido, uma vez que diversos documentos não foram sequer citados pela autoridade julgadora que se limitou a afirmar que os mesmos não existiam. Aproveitando as diligências a serem realizada e como forma de esclarecimento e de se evitar o cerceamento de defesa que seja deferido o pedido de diligências e pedidos de esclarecimento acerca das operações de compra e Venda de Energia junto à CCEE - Câmara de Comercialização Energia Elétrica, com endereço na Alameda Santos, 745 - 9' Andar, Cerqueira César - São Paulo - SP, CEP: 01419-001, com os seguintes quesitos: (i)- Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001 (doc.32 anexo) possuem natureza de Recomposição Tarifária Extraordinária - RTE? (ii)- Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001 são relativos à energia comprada e utilizada no ano de 2001 pela SAELPA, ou relativos a despesas/custos de exercícios futuros (2002 em diante), provisionados em 2001? A autoridade fiscal encarregada das diligências apresentou o Relatório de Diligência Fiscal (e-fls. 7042/7058), trazendo as seguintes conclusões aos quesitos formulados, verbis: DA CONCLUSÃO Quesito nº 1 A CCEE afirmou que os valores informados como "Resultados do Provisionamento 2001" trataram-se de valores provisórios, por ela apurados (na época MAE), por solicitação dos agentes, para fins de fechamento dos balanços contábeis e demonstrações financeiras do ano de 2001 destes. Afirmou ainda que os resultados das operações de 2001 foram divulgados em março de 2002, mas foram alterados em 2 momentos: (1) por ocasião da contabilização de todas as operações de 2001, com as regras específica da MP nº 14, de 21/12/2001; e (2) quando foram efetuados os ajustes na contabilização das operações do ano de 2001, no primeiro semestre de 2003. De acordo com a CCEE, a liquidação financeira do período em questão ocorrera em 30/12/2002 (50%) e em 03/07/2003 (50%), neste último, após a divulgação definitiva dos resultados das operações de 2001, para conclusão da liquidação financeira do período de setembro de 2000 a setembro de 2002, informação confirmada, posteriormente, pela ANEEL. A CCEE não pôde informar se esses valores teriam sido considerados na Recomposição Tarifária Extraordinária - RTE, pois, a análise e definição da RTE compete à ANEEL. A fim de dirimir a questão, a ANEEL foi intimada e, em sua resposta, afirmou que a parcela dos valores relativos à compra de "energia livre" de geradores no MAE, no período de junho de 2001 a fevereiro de 2002, constituía-se ativo e passivo regulatórios para os distribuidores ante os geradores e que, os valores por ela homologados em agosto de 2002, conforme RES 483/2002, eram provisórios, uma vez que a contabilização definitiva no MAE ainda dependia de auditoria, o que somente ocorrera em 2003. A ANEEL não afirmou que os valores provisórios em questão possuíam natureza de RTE, mas sim, que os valores arrecadados à título de RTE se prestavam ao ressarcimento do distribuidores aos geradores no que se refere aos valores homologado de "Energia Livre". Quesito nº 2 A CCEE afirmou que os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001" restringem-se somente ao ano de 2001 e se referem aos resultados das operações desse período, levando em consideração a energia comprada no MAE e as regras do "Acordo do Setor Elétrico" (Lei nO10.438/2002 e resoluções da ANEEL), as quais se aplicaram à contabilização das operações cujos resultados substituíram os valores provisórios classificados como "Resultados do Provisionamento 2001 ". Ante as respostas obtidas, verifica-se que os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001" referem-se a estimativas (provisões) das compras de energia realizada pela Energisa ao longo do ano 2001, tratando-se, portanto, de valores provisórios, representativos da expectativa dos custos do período. Tem-se que, conforme informado pela CCEE, tais estimativas foram fornecidas a pedido dos agentes, a fim de atender exigências de ordem societárias, relacionadas às suas demonstrações financeiras, em razão de questionamentos realizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Outrossim, no âmbito do "Acordo do Setor Elétrico" (Lei n° 10.438/2002 e resoluções da ANEEL), foi permitida a contabilização de valores provisórios, referentes ao ano de 2001, os quais só foram divulgados em caráter definitivo em junho de 2003, por ocasião da conclusão da liquidação financeira das operações daquele ano. O fato é que, ainda em 2002, a Energisa tomou conhecimento do Despacho ANEEL nº 288/2002, que deu tratamento de Contratos Bilaterais como Contratos Equivalentes aos contratos iniciais, tanto é que, em 30/06/2002, do montante anteriormente contabilizado como "energia comprada", R$ 70.341.231,86 (Livro Diário nº 127, contidos na fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos), fez um estorno no valor de R$ 40.113.000,00, referente ao contrato com a CFLCL, como consta no livro Diário nº133, autenticado na Junta comercial em 04/12/2002. Inclusive, cumpre salientar, que a própria Energisa, em resposta datada em 11/11/2013, passou a reconhecer a não efetividade dos R$ 40.113.000,00, registrados inicialmente na condição de custo operacional do ano de 2001. Ademais, frise-se que, apesar da Energisa afirmar que os R$ 70.342.053,18, originalmente contabilizados, não são provisões, pois retratariam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001, muito embora terem sido denominados "PROVIS. COMPRA MAE" nos registros contábeis, o estorno realizado em 30/06/2002, no valor R$ 40.113.000,00, bem como as informações prestadas pela CCEE e ANEEL, contrariam aquela afirmação, pois, reforçam a natureza de provisão dos R$ 70.342.053,18. Tem-se que, pelo que possível verificar, a Energisa lançou as provisões em questão como custos em atendimento ao procedimento contábil regulatório adotado pelo setor energético, especificamente as regras do "Acordo do Setor Elétrico", o que necessariamente não possui a mesma repercussão no âmbito tributário, uma vez que não se trata de custo e sim de provisão, portanto indedutível, devendo assim ser adicionado na apuração do lucro por falta de embasamento legal. Ademais, mesmo após o encerramento, a Energisa não comprova a efetividade do pagamento junto ao MAE das demais provisões, totalizando R$ 30.229.053,18, principalmente pelo contrato celebrado com a empresa ENERGIPE, no montante de R$ 29.616.211,39. Ressalta-se, ainda, que na tabela "Resultados do Provisionamento 2001" consta o valor referente ao ajuste MAE referente ao ano-calendário de 2000. Então, a energia para suprir os contratos com a CFLCL e ENERGIPE foi comprada? Pelos dados obtidos pela diligência, efetuou-se um demonstrativo fazendo um comparativo entre o que a Energisa efetivamente comprou e vendeu no ano-calendário de 2001, fls. 7038 a 7041, onde fica evidenciado que a Energisa sempre possuiu sobras nos meses em questão de modo que não teria recorrido ao MAE para adquirir energia adicional para atender os contratos de venda de energia firmados com a CFLCL e a ENERGIPE, isto é, a energia vendida foi a adquirida da CHESF, onde o custo já está contabilizado. Além disso, conforme foi possível verificar ao longo da presente diligência fiscal, não se tem a liquidação efetiva dos R$ 30.229.053,18, parcela não estornada do provisionamento original, no valor de R$ 70.341.231,86, conforme as informações fornecidas pela própria Energisa, por meio das quais afirmou que: a) possuía no Balanço Patrimonial em 31/12/2001 débito junto ao MAE de R$ 70.342.053,18 e um crédito de R$ 17.142.000,00, perfazendo um saldo devedor de R$ 53.200.000,00; b) em junho de 2002 houve um ajuste da compra no valor de R$ 40.113.000,00, chegando a um saldo a pagar de R$ 13.087.000,00; c) no período de janeiro a setembro de 2002, em decorrência das operações realizadas, o saldo foi reduzido a R$ 392.000,00; d) em dezembro de 2002 efetuou o pagamento de 50% da dívida, R$ 196.000,00; e) pelas operações efetuadas no período de outubro a dezembro de 2002 no montante de R$ 15.462.000,00, apurou um saldo a receber do MAE em 31/12/2002 no montante de R$ 15.266.000,00. Nesse sentido, verifica-se que a conta 211.01.2 Suprimento de Energia Elétrica - subconta 0005 Energia de Curto Prazo (passivo) apresentou um saldo em 31/12/2001 de R$ 70.341.231,86, o qual, em 01/01/2002, foi transferido para a conta 211.01.4 Compra de Energia Elétrica - subconta 0005 Energia de Curto Prazo (passivo). Em 30/06/2002, houve um lançamento a débito nesta subconta (211.01.4 sub 0005), a título de ajuste compra MAE, no valor de R$ 40.113.000,00, restando um saldo de R$ 30.164.833,01. Em 31/07/2002, este saldo foi transferido para a conta 211.01.4 Compra de Energia Elétrica - subconta 0006 Compra Energia MAE Curto Prazo (passivo), que, por sua vez, em 10/12/2002, foi transferido para a conta do ativo 112.11.3 Energia Elétrica de Curto Prazo - subconta 0006 Liquidação MAE (ativo), cujo respectivo saldo, em 31/12/2002, era de R$ 37.173.543,33 credor. Esta conta (112.11.3 sub 0006) teve lançamentos referentes aos anos de 2002 e 2003, apresentando um saldo credor em 31/12/2003 de R$ 37.075.014,26, de forma que esta dívida não sofreu alteração (pagamento, compensação), fls. 7002 a 7037. A conta 112.11.1.1 Moeda Nacional - subconta 0005 Suprimento Energia - Curto Prazo (ativo), por sua vez, apresentou um saldo em 31/12/2001 de R$ 17.141.766,31; que, em 01/01/2002, foi transferido à conta 112.11.3 Energia Elétrica de Curto Prazo - subconta 0005 Suprimento de Energia Curto Prazo (ativo); não havendo registro de quitação da compra de energia junto ao MAE do período em questão até o balanço encerrado em 31/12/2013, período posterior a liquidação do MAE, fls. 7009 a 7037. Pelo exposto fica claro que; • A Energisa já demonstra que não comprou energia ao MAE pelo contrato Saelpa/CFLCL no período de racionamento, no montante de R$ 40.113.000,00; • A Energisa não conseguiu comprovar que comprou e pagou a importância ao MAE, principalmente referente ao contrato Saelpa/Energipe. Pelo exposto fica evidente que a contabilização das Provisões no montante de R$ 70.342.053,18 tem que ser adicionada na apuração do lucro real, tal qual efetuado no auto de infração, por ser indedutível para o imposto de renda e pela não comprovação através de documentação hábil e idônea, tal qual procedido no lançamento tributário com base nos arts. 6°, § 2°, 7°, 13, § 1°, do Decreto-lei nº1.598/77; art. 2° da Lei nº 2.354/54, e art. 45, §2°, da Lei nº4.506/64. Intimada do Relatório de Diligência Fiscal, a recorrente apresentou manifestação (fls. 7062/7082), na qual refuta as conclusões da autoridade diligenciante e reafirma que o montante de energia registrado como custo no ano de 2001 (R$70.342.053,18) refere-se efetivamente ao custo da energia adquirido naquele ano e não a mera provisão e que o estorno parcial do valor ocorrido em 2002 (R$ 40.113.000,00) não o desnatura face a aplicação do princípio do regime de competência e, ainda, que, ao contrário da conclusão fiscal, o saldo foi efetivamente quitado mediante compensações realizadas no mercado de custo prazo no MAE e pagamentos realizados pela SAELPA. Tendo este processo sido devolvido pelo relator original tendo em vista a renúncia ao mandato de conselheiro, este relator foi designado para relatá-lo, mediante o sorteio realizado em 07/04/2016. É o relatório.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A. (anteriormente denominada SOCIEDADE ANÔNIMA DE ELETRIFICAÇÃO DO PARAÍBA - SAELPA), já qualificada, inconformada com a decisão da 3a Turma da DRJ de Recife/PE, recorre a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Contra a empresa foram lavrados Autos de Infração para exigência de crédito tributário de irpj e CSLL de R$ 6.112.616,03, aí já incluidos principal, juros e multa, referentes aos fatos geradores ocorridos nos anos calendários de 2000 e 2001, cujos enquadramentos legais encontram-se discriminados nos respectivos autos de infração. Foi elaborado auto de infração complementar da CSLL, referente à falta de recolhimento do adicional da referida contribuição, tendo em vista a base de cálculo da CSLL apurada no lançamento de folhas 11/14 relativa ao ano calendário de 2000. O relatório da decisão recorrida traz uma síntese das infrações apuradas pela fiscalização. Devido a quantidade e diversidade de fatos apurados, considero importante reproduzi-la neste relatório com vistas a melhor compreensão das matérias em litígio, verbis: Segundo a descrição dos fatos (fls 05-07) e do Relatório Fiscal (fls. 19-127), foram apuradas infrações decorrentes de glosas de despesas, adições e exclusões indevidas do lucro real relativas à contabilização do Acordo Geral do Setor Elétrico, nos seguintes termos: Segundo a descrição dos fatos (fls.05-07) do auto de infração do IRPJ e Relatório de Trabalho Fiscal - RTF (fls. 19 a 127), foram apuradas as seguintes infrações: 001 – IRPJ – CUSTOS DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS – GLOSA DE CUSTOS. (F.G. 31/12/2001) R$ 10.434.423,05 (item 5.3.1.2 do RTF – ENERGIA COMPRADA -FATURAMENTO COMPLEMENTAR) 31/12/2001 – Contabilidade SAELPA (L.Razão, pág 497 – fl. 3.847) D -615.03.3.5.4.1 – OPERAÇÕES C/ENERGIA ELÉTRICA, Subconta 4101ENERGIA COMPRADA-INICIAL (CUSTO) C-211.01.2 – Suprimento de Energia Elétrica, subconta 001 CHESF (PC) - Complem. CHESF abr a dez R$ 11.096.782,02 (Somatório encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1%, em cada mês – abril a novembro de 2001) CHESF: Nota Fiscal emitida pela CHESF nº 5342 no valor de [R$ 10.908.181,17 – R$ 473.758,12(estorno)], pelos depósitos/créditos bancários efetuados pela SAELPA, referente ao faturamento complementar, conforme acordo do setor elétrico (faturamento dos contratos iniciais deveriam ser reduzidos na ordem de 2% a 3%, em função do racionamento de energia elétrica, ocorrido entre jun/2001 e fev/2002, que reduziu o consumo de energia elétrica na ordem de 20%, o que implicou na emissão das faturas de junho a novembro de 2001, pela CHESF, reduzidas de 20% do montante inicialmente contratado), correspondente a 17% (20% - 3%) dos montantes contratados no período de junho a novembro de 2001, em função do Termo Aditivo nº 01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre SAELPA e CHESF. Energia de fato não fornecida à CHESF, não é custo em 2001, é direito a recuperar (ativo circulante ou realizável a longo prazo – Parecer COSIT nº 26). INFRAÇÃO:A SAELPA NÃO ADICIONOU ESTE VALOR NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (DESPESA INDEDUTÍVEL – art.249, I, 251 e §único, 290, I e 300, do RIR/99). R$ 2.871.961,74 (item 5.3.1.1 do RTF – ENERGIA COMPRADA EM DEZEMBRO/2001 – ESTORNOS NÃO ADICIONADOS) 31/12/2001 – Contabilidade SAELPA (L.Razão, págs. 331 e 497 – fls. 3.846 e 3.847) D -615.03.3.5.4.1 – OPERAÇÕES C/ENERGIA ELÉTRICA, Subconta 4101ENERGIA COMPRADA-INICIAL (CUSTO) 211.01.2 – Suprimento de Energia Elétrica, subconta 001 CHESF (PC) - Provisão CHESF dez/01R$ 12.084.922,43 - Complem. CHESF abr a dez R$ 11.096.782,02 Relativo à diferença entre os dois lançamentos contábeis na conta 615.03.3.5.4.1 – subconta 4101 – energia comprada – inicial (débito), nos valores de R$ 12.084.922,43 e R$ 11.096.782,02, respectivamente, custos levado à apuração do resultado do exercício, e os valores comprovados pela CHESF, através das notas fiscais 5324 e 5342, nos montantes de (R$ 11.973.825,10 – R$ 2.098.505,44) e (R$ 10.908.181,17 – R$ 473.758,12), também, respectivamente. CHESF: Nota Fiscal emitida pela CHESF nº 5324 no valor de R$ 11.973.825,10, referente ao faturamento pela demanda/energia contratada – (menos) 3 x R$ 699.501,81 = R$ 2.098.505,44 (estornos de cada parcela de pagamento igual R$ 3.291.773,22, totalizando R$ 9.875.319,66 de pagamentos efetuados pela SAELPA). INFRAÇÃO:A SAELPA NÃO ADICIONOU OS VALORES DOS ESTORNOS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (DESPESA INDEDUTÍVEL – art.249, I, 251 e §único, 290, I e 300, do RIR/99). R$ 70.342.053,18 (item 5.2 do RTF – fls. 80 a 100 - COMPRA DE ENERGIA. PROVISIONAMENTO DA COMPRA DE ENERGIA NO MERCADO ATACADISTA NO ANO CALENDÁRIO DE 2001 – DIFERENÇA ENTRE A IMPLEMENTAÇÃO DO ACORDO E O EFETIVAMENTE RECEBIDO DO MERCADO ATACADISTA) Referente a lançamentos contábeis na conta 615.03.3.5.4.1 – subconta 4103 – energia comprada – curto prazo, contrapartida na conta 211.01.2 suprimento de energia elétrica – subconta energia de curto prazo (custo levado à apuração do resultado do exercício). INFRAÇÃO:A SAELPA NÃO ADICIONOU ESTE VALOR NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (DESPESA INDEDUTÍVEL – art.249, I, do RIR/99). 002 - GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS – VARIAÇÃO MONETÁRIA. -R$ 10.359.592,48 (F.G. 31/12/2000) – fls. 109 a 114 INFRAÇÃO:A SAELPA CONTABILIZOU, SEM AMPARO LEGAL, A ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS DÉBITOS DE ICMS PARCELADOS (TENDO O ESTADO DA PARAÍBA DISPENSADO AS RESPECTIVAS ATUALIZAÇÕES – JUROS E MULTA), NO ANO-CALENDÁRIO DE 2000, NOS VALORES DE R$ 3.106.397,18, R$ 6.377.734,28, R$ 286.745,25 E R$ 588.715,77 E NÃO ADICIONOU AO LUCRO LÍQUIDO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (art.251 E §único, 299 e §§ 1º e 2º, e 377, do RIR/99). 003 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL. INFRAÇÃO:DESPESA INDEDUTÍVEL - art.249, I, do RIR/99. R$ 13.452.296,34 (f.g. 31/12/2000) – provisão para créditos de liquidação duvidosa – da redução dos titulos provisionsdos em 2001 “títulos provisionados em 2000 por X e também provisionados em 2001 por X – Y” – Redução no montante de títulos provisionados em 2000 explicada por majoração indevida dos valores provisionados – fls.54 a 57, fato este reconhecido pela SAELPA. Fundamenta-se a autuação na existência de 904.370 registros de títulos provisionados (RIR/99, art. 340, §1º - perdas com créditos decorrentes de suas atividades), com o mesmo número de matrícula e a mesma data de vencimento, onde somando estes registros tem-se R$ 58.121.067,24 e R$ 44.673.929,56, em 2000 e 2001, respectivamente. Intimada a SAELPA a justificar o motivo da redução dos valores relativos a determinados consumidores informou que: “A Saelpa em 2001 emitiu em torno de pelo menos 9 milhões de constas de energia elétrica, que com certeza forçam correções no faturamento inicial. Adicionalmente, em face da privatização da Empresa, ocorreram alterações nos Sistemas de Faturamento e Arrecadação que também contribuíram para o seu incremento do número de contas corrigidas e outro fator de relevância em 2001, que veio a incrementar de forma significativa as correções de constas de energia elétrica foi o Programa de Racionamento do Governo Federal.” Esses fatos foram relevantes nas alterações das constas informadas pelo Senhor Fiscal no Termo de Constatação e Intimação Fiscal que ora justificamos.” R$ 265.600,00 (f.g. 31/12/2000) provisão p/cred de liquidação duvidosa – provisão de cheques sem provisão de fundos (valor referente pdd para cheques em cobrança a mais de 120 dias), por ter sido constatado que os cheques com data de emissão até 30/06/2004 constam da relação de cheques devolvidos e que vários cheques foram emitidos após 30/06/2000, período que não é permitido considerá-los como perda com recebimento para legislação vigente - fls. 41-42. R$ 1.690.105,00 (f.g. 31/12/2000) - provisão para créditos de liquidação duvidosa – dispêndio a reembolsar de difícil recebimento. Salários de funcionários da SAELPA cedidos (liberados) a outros órgãos do Estado e Prefeituras no período anterior à privatização da empresa, sendo os mais relevantes, nos anos de 1998 e 1999, pelo honorários advocatícios ao Sr. Carlos Frederico Nóbrega Farias – fls. 42 – 45. R$ 399.351,00 (f.g. 31/12/2000) provisão para créditos de liquidação duvidosa – provisão para ajustes do contas a receber – Para ajustar a diferença existente entre o saldo contábil e comercial, do contas a receber de contas de energia elétrica (diferença ente o saldo do relatório do setor de faturamento e arrecadação e o saldo contábil – saldo do balancete superior ao de sua comercialização). Valor indedutível por força do art 13, I, da Lei nº 9.249/95, devendo ser adicionada ao LLE para apuração do Lucro Real – fls. 46-47. R$ 4.813.022,08 (f.g. 31/12/2000) provisão para créditos de liquidação duvidosa – diferença entre os valores provisionados e adicionados no ano-calendário de 2000, com 120.123 registros – fl. 51. Da análise das provisões constituídas em 2000, com 1.939.934 registros, totalizando R$ 81.839.140,61 e dos títulos a receber que foram adicionados especificamente na apuração do Lucro Real, com 294.731 registros, perfazendo R$ 28.766.429,00, constatou-se a existência de vários títulos que foram provisionados no ano calendário de 2000 com um valor “X”, e por entendê-la indedutível, a SAELPA efetuou uma adição ao lucro líquido por “X-Y”, Y igual a R$ 4.813.022,08 R$ 161.806,19 (f.g. 31/12/2000) provisão para créditos de liquidação duvidosa - provisão para baixa de conta de serviços prestados a terceiros – Valores de difícil recebimento de serviços prestados a terceiros, no valor de R$ 122.114,00 (set-dez/1999, não recebidas até 11/2000) e R$ 39.691,20 (perda em 11/2000), não tendo a SAELPA apresentado as notas fiscais que respaldam os serviços prestados, apenas relatórios por ela elaborados, além de que , vários serviços tiveram como beneficiária a própria SAELPAe os materiais utilizados denotam ampliação, aperfeiçoamento ou modernização da rede de distribuição – fls. 47 a 51. R$ 324.321,86 f.g. 31/12/2000 - títulos provisionados e não adicionados ao LLE – PROVISÃO PARA CRÉDITO DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA – ANO-CALENDÁRIO DE 2000 – EMPRESAS INTIMADAS(cerâmica elizabeth s/a, nortelas s/a, gráfica santa merta ltda, indústria de bebidas antarctica da paraíba s/a, myrtel empreendimentos hoteleiros ltda e agar brasileiro indústria e comércio ltda). NÃO CORRESPONDÊNCIA DOS VALORES DOS TÍTULOS PROVISIONADOS PELA SAELPA COM OS CONSTANTES NAS RESPECTIVAS FATURAS - fls.77 a 80) R$ 62.939,20 (f.g. 31/12/2000) Exclusão da provisão de cheques em cobrança, no valor de R$ 265.600,00, dos cheques da Relação DFFR, correspondente a valores em duplicidade, cheques acima de R$ 5.000,00 e cheques vencidos a menos de 180 dias – fls. 40-41. R$ 8.836,53 (f.g. 31/12/2000) - Exclusão da provisão de cheques em cobrança, no valor de R$ 265.600,00, dos cheques da Relação do faturamento, correspondente a valores em duplicidade - fls. 40-41. R$ 187.339,79 (f.g. 31/12/2000) provisão para créditos de liquidação duvidosa – provisão de títulos superiores a R$ 30.000,00 vencidos a mais de um ano, sem comprovação de ter sido iniciado e mantido os procedimentos judiciais para o recebimento, sem comprovação de sua constituição – fls. 52-54. R$ 7.936.588,47 (f.g. 31/12/2001) – provisão de crédito de liquidação duvidosa a título judicial – A fiscalização constatou: 1º) que a SAELPA não observou as regras da legislação do IRPJ para contabilização das perdas de títulos de liquidação duvidosa “A SAELPA não emitiu a fatura complementar referente ao aumento questionado judicialmente (20%) - No caso de empresas mercantis, a operação será caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal – IN SRF nº 93/1997, art. 24, § 5”; 2º) não correspondência dos valores de alguns títulos provisionados com os constantes nas respectivas faturas, além de inconsistências entre os títulos constantes do arquivo JUDICIAL.XLS e o arquivo títulos a receber em 2001 “títulos provisionados a título de ações judiciais que não constam na relação de títulos a receber – fls. 75 a 77) R$ 2.348.826,44 (f.g. 31/12/2001 – provisão constituída em 31/12/2001. títulos vencidos entre 01/07/2001 e 31/12/2001, menos de 6 meses – fls. 69) R$ 228.966,25 (f.g. 31/12/2001 – da provisão constituída em 31/12/2001. Existência de 25 registros de títulos vencidos entre 01/01/2001 e 30/06/2001, acima de R$ 5000,00, menos de 01 ano – fls. 68-69) R$ 2.500.237,26 (f.g. 31/12/2001 – baixa de contas incobráveis, referente ao registro da baixa de contas de consumidores das classes residencial, industrial, comercial e rural, vencidas até 01/01/98, de valores R$ 0,01 a R$ 5.000,00, já provisionadas em 31/12/2000 e não adicionadas na apuração do Lucro real em 31/12/2000 e 31/12/2001 - duplicidade de provisão - fls. 59 a 67). R$ 998.992,23 (f.g. 31/12/2001 - títulos provisionados e não adicionados ao LLE – PROVISÃO PARA CRÉDITO DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA – ANO-CALENDÁRIO DE 2001 – EMPRESAS INTIMADAS( cerâmica elizabeth s/a, nortelas s/a, gráfica santa merta ltda, indústria de bebidas antarctica da paraíba s/a, myrtel empreendimentos hoteleiros ltda e agar brasileiro indústria e comércio ltda). NÃO CORRESPONDÊNCIA DOS VALORES DOS TÍTULOS PROVISIONADOS PELA SAELPA COM OS CONSTANTES NAS RESPECTIVAS FATURAS - fls.77 a 80) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS. (fls. 115 a 121) -R$ 7.896.751,95 (f.g. 31/12/2001) – provisão para créditos de liquidação duvidosa no ano calendário de 2001. Valor revertido de provisão constituída. Da análise da DIPJ (fls. 184) e do LALUR (fls. 296) constatou-se que a SAELPA excluiu na apuração do lucro real a importância de R$ 7.896.751,95, a título de reversão de provisão para devedores duvidosos. A Saelpa foi intimada a apresentar os títulos recebidos constituintes do valor excluído de R$ 7.869.751,95 e o ato da legislação do IR que a autorizou, tendo informado que o procedimento que apurou em Dez/2001 R$73.942.388,66, R$ 7.896.751,95 inferior ao apurado em Dez/2000, resulta da operação: Provisão constituída até dez/2000 – contas baixadas em 2001 + contas incluídas na provisão em 2001 – contas corrigidas em 2001 que se encontravam na provisão em 2000, foi realizado em conformidade com as regras definidas pela ANEEL contidas no manual de contabilidade do serviço público de energia elétrica onde mensalmente são efetuadas reversões do saldo da provisão constituída até o mês anterior, efetuando-se nova provisão, de conformidade com os parâmetros definidos (contas de energia vencidas, parcelamentos com TCD, contas questionadas na justiça, parcelamento com SINED e contas de energia renegociadas), levando-se em consideração a posição do “Contas a Receber” do mês em curso, e que, com base no art 250, do RIR/99, excluiu na determinação do L.Real a reversão de provisões consideradas indedutíveis na sua constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade. Intimada a informar o lançamento pelo recebimento de uma conta de energia elétrica que já tenha havido constituição da provisão para devedores duvidosos, respondeu: Pelo recebimento da conta: D – 111.01.2 - contas bancárias a vista C – 112.01.1 - fornecimento Pela reversão da provisão: D – 112.61.0001 – provisão para crédito liquidação duvidosa C – 615.05.19.96.9601 – outras despesas - reversão Pela recuperação do valor da conta de energia elétrica . D – 112.01.1 - fornecimento C – 112.61.0001 - provisão para crédito liquidação duvidosa “Com efeito, tem-se que a SAELPA não apresentou os títulos que foram recebidos que compõem o valor de R$ 7.896.751,95, conteve-se em justificar o cálculo do valor. Sabe-se que neste valor está o de R$ 2.500.327,26, provisionado, conforme o item 5.1.3.1. deste Relatório.” BAIXA DE CONTAS INCOBRÁVEIS=> R$ 2.500.327,26 contas vencidas até 01/01/1998 já foram provisionadas acarretando numa constituição em duplicidade. INFRAÇÃO: “TAL FATO, EXCLUSÃO INDEVIDA, ENSEJA A SUA COBRANÇA DE OFÍCIO NOS TERMOS DO ART. 250, I, DO RIR/99). A recorrente, cientificada do auto de infração impugnou tempestivamente o lançamento, tendo sua impugnação sido considerada parcialmente procedente pela 3ª Turma da DRJ-Recife, que proferiu o Acórdão nº 11-25.428, de 20 de fevereiro de 2009, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO REAL. CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS DE ENERGIA INICIALMENTE CONTRATADA NÃO CONSUMIDA EM FUNÇÃO DO ACORDO DO SETOR ELÉTRICO (RACIONAMENTO). Assim como a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o § 1º do artigo 4º da Lei nº 10.438/2002, os custos resultantes do acordo do setor elétrico, em função do racionamento de energia, deverão compor, em 2001, direito a recuperar da empresa (ativo circulante ou realizável a longo prazo) e somente comporão a apuração da base de cálculo do IRPJ, referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o tributo apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do artigo 144 do CTN. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001). Para que sejam dedutíveis, os gastos incorridos, além de atender às condições legais de necessidade, usualidade, ficam sujeitos à comprovação documental da ocorrência e quitação. LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (2001). Glosam-se os valores excluídos pelo contribuinte que não estão autorizados pela legislação tributária ou não estão devidamente comprovados. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO REAL. CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS DE ENERGIA CONTRATADA NÃO CONSUMIDA EM FUNÇÃO DO ACORDO DO SETOR ELÉTRICO (RACIONAMENTO). Assim como a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o § 1º do artigo 4º da Lei nº 10.438/2002, os custos resultantes do acordo do setor elétrico, em função do racionamento de energia, deverão compor, em 2001, direito a recuperar da empresa (ativo circulante ou realizável a longo prazo) e somente comporão a apuração da base de cálculo da CSLL, referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o tributo apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do artigo 144 do CTN. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001). Para que sejam dedutíveis, os gastos incorridos, além de atender às condições legais de necessidade, usualidade, ficam sujeitos à comprovação documental da ocorrência e quitação. LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (2000). Glosam-se os valores excluídos pelo contribuinte que não estão autorizados pela legislação tributária ou não estão devidamente comprovados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há falar em nulidade do procedimento fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜI ÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIO NALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂN CIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIA ÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Face ao grande número de fatos apurados, que ensejaram a apuração das infrações, DRJ fez uma tabela correlacionando os subitens do lançamento com a impugnação, na qual identificou que a interessada deixou de impugnar e acatou diversos itens do lançamento, conforme resumido na tabela abaixo: AUTO DE INFRAÇÃO SUBITEM * VALOR TRIBUTÁVEL 5.1.2.1 R$ 265.600,00 5.1.2.3 R$ 399.351,00 5.1.4 R$ 324.321,86 5.1.2.1 R$ 62.939,20 5.1.2.1 R$ 8.836,53 5.1.2.1 R$ 187.339.79 5.1.3.2 R$ 2.348.826,44 5.1.3.2 R$ 228.966,25 5.1.3.1 R$ 2.500.237,26 5.1.4 R$ 998.992,23 * Numeração dos subitens conforme o Relatório de Trabalho Fiscal Cientificada do acórdão de impugnação em 13/04/2009 (e-fls. 4682), a interessada apresentou recurso voluntário em 13/05/2009 (fls. 4684 e segs.). O recurso voluntário foi trazido a julgamento e foi conhecido por este colegiado, na sessão de 15 de março de 2012, que resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 1302-000.150. No recurso voluntário, a recorrente reitera os argumentos trazidos na impugnação, aditada pelos argumentos sintetizados na resolução referida, verbis: A) Do ano-calendário 2000: - Da glosa da variação monetária do parcelamento de ICMS de R$10.359.592,48. Afirmou a fiscalização ter constatado que a Recorrente havia contabilizado como despesa financeira a variação monetária do ICMS. Conforme transcrito no próprio Relatório de Trabalho Fiscal, a Recebedoria de Rendas da Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGP-DI (FGV). -Apesar da clareza da resposta do Fisco paraibano, que confirmou a aplicação de atualização monetária desde janeiro de 2000 sobre os débitos vencidos e não pagos naquele ano, o r. auditor fiscal concluiu ter a Recorrente contabilizado, "sem amparo legal, atualização monetária dos débitos de ICMS no ano-calendário de 2000". - O Acórdão da Delegacia de Julgamento, ao tratar deste item do Auto de Infração, manteve a autuação sob o argumento de que a Recorrente não teria "nenhuma prova, que não por ela mesma produzida, de que, sobre seus débitos de ICMS sobre os quais versa o lançamento incidiram (sic) atualização monetária (juros e multa). - Ora as As (sic) regras legais atinentes à possibilidade de dedução da variação monetária correspondente à. Obrigações tributárias vigentes em 2000 encontram-se consubstanciadas no entendimento contido no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 52. - No caso em tela, a Recorrente celebrou, em 15/7/2000, um parcelamento com o Estado da Paraíba, relativamente a Débito Fiscal de ICMS - em 36 (trinta e seis) parcelas mensais e sucessivas, acrescidas de mora, juro e correção monetária, quando couber, atualizado pela UFIR ou outro critério adotado pela DEFINpara correção de tributos. - Do citado parcelamento, 3 (três) parcelas foram pagas em 2000, sem correção, uma vez que não houve variação da UFIR naquele ano. O saldo devedor em 2000, contudo, foi corrigido conforme determinação da Portaria GSF n° 002, de 05.01.2001, do Secretário das Finanças, publicada no DOE PB de 06.01.2001, a qual instituiu a aplicação do IGPD-I em substituição da extinta UFIR a partir de janeiro de 2000, para débitos não pagos naquele ano. - A Recorrente então contabilizou em 2000 o valor das atualizações monetárias incidentes sobre o saldo devedor, de acordo com a variação do IGP-DI contida na Tabela acima referida. Tais valores estão demonstrados na Planilha de Parcelamento ICMS (doc.06), para mais fácil visualização. - Ao ao (sic) reconhecer no ano de 2000 a despesa decorrente da incidência do IGP-DI naquele ano, a recorrente somente deu cumprimento ao princípio da competência, reconhecendo que tal despesa, apesar de ainda não desembolsada, foi incorrida naquele ano. - diante dos fundamentos apresentados acima, a recorrente requer que seja reconhecido e homologado como despesa o valor contabilizado de R$ 10.359.592,48 - Da glosa de custos - Diferença entre os valores provisionados e adicionados no Ano-Calendário de 2000 (R$ 4.813.022,08). Afirma o auditor ter constatado que vários títulos a receber da Recorrente teriam sido provisionados no ano-calendário de 2000 e adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real daquele mesmo exercício fiscal. Ainda segundo ele de um total de 294.731 títulos totalizando R$ 28.766.429,00 a parcela de 120.123 títulos teriam sido provisionados por um valor X e adicionados ao lucro líquido por um valor inferior, X - Y. Essa diferença de valor, Y, totalizaria R$ 4.813.022,08, e seria um custo/despesa indedutível, o que ensejaria sua cobrança de ofício. - A DRJ manteve a autuação por não ter a Recorrente apresentado provas documentais. - Ao contrário do afirmado pelo auditor, não há qualquer diferença entre o valor dos 294.731 títulos provisionados por R$ 28.766.429,00 e o valor pelo qual esses mesmos títulos foram lançados ao lucro líquido na apuração do lucro real. - Ponto inconteste, afirmado pelo próprio auditor fiscal, é que os citados títulos foram provisionados, contabilmente, no ano-calendário de 2000 por R$ 28.766.429,00. Toda a celeuma decorre do equívoco do auditor, ao indicar que tais títulos teriam sido computados no lucro líquido para apuração do lucro real por valor inferior ao provisionado. - Demonstrando exatamente o contrário, ou seja, que o valor computado no lucro líquido para apuração do lucro real foi exatamente igual ao valor provisionado (R$ 28.766.429,00) a Recorrente apresenta cópia da fls. 25 do LALUR do exercício de 2000 (doc.07), juntamente com a pág.06 da DIPJ do mesmo exercício (doc.08), ambas contendo o mesmo valor provisionado, (no caso da DIPJ, o valor compõe o lançamento de linha 3. Despesas operacionais - Parcelas Não Dedutíveis), então adicionado na apuração do lucro real. Razão porque a autuação não tem amparo e foi equivocada . - Da glosa de Custos - Provisões constituídas em 2000 e repetidas em 2001 -Diferença de provisão 2000/2001. (R$ 13.452.296,34). Afirma o auditor ter constatado 904.370 registros com os mesmos número de matricula e data de vencimento, que totalizavam R$ 58.121.067,24 (2000) e R$ 44.673.929,56 (2001). - Segundo o auditor, a diferença encontrada em 2000 ("X") e 2001 ("X - Y"), seria de R$ 13.452.296,34 e representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada no ano-calendário de 2000. A partir dessa presunção, ele concluiu que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. - Curiosamente, o auditor realizou outro lançamento tributário sob o mesmo fundamento, no valor de R$ 7.896.751,95, com base na diferença entre o valor total da provisão para créditos de liquidação duvidosa de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66). - Destaque-se que os valores tomados por base para o lançamento ora recorrido, R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001, eram parcelas integrantes da provisão para créditos de liquidação duvidosa ("PDD") de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66), respectivamente. O auditor efetuou lançamentos distintos, um para a parte e outro para o todo (doe.09 e 10 - fls.09 e 10 do Lalur e pag.6 da DIPJ 2002). - A DRJ ao tratar deste item manteve a autuação simplesmente por não ter a Recorrente apresentado provas documentais, ignorando os argumentos aduzidos, sobretudo o da verdade material. - Inicialmente, impõe-se destacar o claro bis in idem configurado pela duplicidade de autuações com base no mesmo fato. Pela diferença entre a PDD de 2000 e 2001, o auditor já efetuou o lançamento constante do item 5.5 do Relatório Fiscal defendido no presente Recurso. - Não pode ele, com base na diferença entre parciais que compõem o saldo das referidas provisões, efetuar novo lançamento, em adição ao já existente. Não bastasse a ocorrência do bis in idem, trata-se de autuação baseada pura e simplesmente em presunções ilegais: - de que o valor provisionado em 2001 seria o correto, e não o de 2000 e, - que a diferença entre o valor dos títulos nos dois anos foi deduzida na apuração do lucro real de 2000. - Se a administração tributária pudesse, a seu bel prazer, cobrar tributos com base em meras suposições, o contribuinte ficaria à mercê das interpretações da autoridade fiscal. Presunção não é base de cálculo de imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo fiscal. Ao comparar registros com o mesmo número de matricula e a mesma data de vencimento, na data-base dezembro/2000 e dezembro/2001, o auditor confunde registros de sistema com títulos representativos de dívida. Os registros de sistema representam o total do débito de um determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica. Uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. - Fato é que qualquer desses consumidores pode pagar uma fatura de energia elétrica de uma unidade de consumo e deixar de pagar a de outra. Com isso, o valor do registro, de um ano para o outro pode reduzir normalmente, sem que tenha havido qualquer erro por parte da Recorrente. - Não demonstrou o auditor ter sido a contabilização de 2000 excessiva, nem tampouco ter resultado cm qualquer benefício fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção dc ilegalidade, furtou-se de perquirir a verdade dos fatos. - Por conseqüência de todo o exposto requer a Recorrente que seja reconhecido o bis idem e a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento, devendo ser anulada a autuação de tais valores. B) Do ano-calendario 2001: - Provisão para Crédito Liquidação Duvidosa. Consumidores com medidas judiciais.(R$7.936.588,47). No relatório de trabalho fiscal, o auditor fiscal constatou a indedutibilidade da provisão do valor, correspondente às contas de energia elétrica de clientes que ingressaram na Justiça questionando os reajustes tarifários de 1986. - A DRJ deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado provas documentais correspondentes. - Durante o ano de 2001, diversas faturas de clientes que ingressaram na justiça questionando os reajustes tarifários de 1986 foram emitidas, em cumprimento a decisões judiciais, por 80% do valor integral. Por um equívoco contábil da Requerente, os 20% restantes foram levados a tributação como faturamento e, pendentes no Contas a Receber, foram objeto de provisão pela Recorrente conforme parâmetros para constituição de provisão para Devedores Duvidosos. - Em razão do equívoco cometido quando da emissão de faturamento de receita em 80% (oitenta por cento) e 20% de provisão de devedores duvidosos, houve o devido estorno no LALUR, de forma que não afetou o lucro líquido do exercício. Tal equívoco ocorreu em virtude da Recorrente não ter cumprido, de imediato, a determinação de redução das ações judiciais. - Uma vez que a empresa constatou que aqueles valores de PDD não podiam ser lançados na rubrica de contas a receber, buscou o seu devido estorno, não acarretando qualquer prejuízo ao erário público. - Prosseguir com o entendimento do fiscal seria praticar o estorno de um lançamento irregular. A Recorrente anexa relatório de todos os consumidores com débitos oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, os quais foram objeto de estorno. Ainda como meio de prova do alegado, a Recorrente anexou cópia da CE n°. 016/2001-DFIN, pela qual a Saelpa solicita à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% (vinte por cento) desses faturamentos, bem como Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pelo auditor em seu relatório para comprovar que essas contas continuavam pendentes até 31/12/2001. - Da Glosa de Custos - Faturamento Complementar(R$ 10.434.423,05). Este item refere-se à contabilização de faturas de compra de energia elétrica, pela Recorrente, junto à Companhia Hidroelétrica do São Francisco - CHESF, no ano de 2001. Trata-se, de fato, da nota fiscal n° 5342, emitida pela CHESF, no valor de R$ 10.908.181,17 - R$ 473.758,12 (ajuste), em vista dos depósitos/créditos bancários feitos pela ENERGISA (Saelpa), referente ao faturamento complementar relativo ao fornecimento de energia do ano de 2001. - Sustenta o auditor que tais valores não poderiam ser Considerados como custo, mas sim como um ativo circulante ou recuperável a longo prazo. Tal entendimento equivocado decorreu da escusável falta de conhecimento técnico acerca do funcionamento e da regulação do setor elétrico brasileiro, vigentes à época. Por esse desconhecimento, o fiscal acabou confundindo o objeto da autuação (faturamento de energia comprada) com a Recomposição Tarifária Extraordinária - RTE. - A DRJ não analisou os argumentos da recorrente, atendo-se simplesmente a transcrever na íntegra o Parecer COSIT n° 26. o r. julgador manteve a linha de pensamento equivocada do r. auditor fiscal, vinculando o pagamento da nota fiscal n° 5342 da CHESF à sobretarifa objeto do Parecer COSIT n° 26/2002, quando na verdade, esse dois fatos não guardam entre si qualquer relação. - Em 2001, o setor elétrico era regulado, principalmente, pelas Leis n° 9.648, de 27 de maio de 1998 e n° 9.427, de 26 de dezembro de 1996. O art. 12 da Lei n° 9.648/1998, em seu §2°, estabelecia que a compra e venda de energia elétrica nos sistemas elétricos interligados seriam realizadas no âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica - MAE, observado o disposto no art. 10, que tratava dos contratos iniciais. - A Recorrente tinha, em 2001, um contrato de compra e venda de energia em vigor com a CHESF, celebrado em 25 de janeiro de 2000 (doc.16) Seu Anexo I apresenta as quantidades contratadas e as tarifas do contrato inicial. O montante de energia contratado para 2001, com a CHESF, correspondeu a 396 MW médios. Tais montantes mensais foram registrados no MAE considerando o disposto no Parágrafo Primeiro da Cláusula 11 do Contrato. - Para fins de informação, a Recorrente apresenta a tabela Ia (doc. 17), que apresenta os montantes mensais contratados e adquiridos em 2001, bem como teriam sido os correspondentes faturamentos, caso não houvesse sido decretado o racionamento de energia. Para cada mês, as tarifas e os faturamentos foram obtidos conforme Cláusula 14 do contrato inicial. - Na Região Nordeste, onde se localiza a Recorrente, o racionamento de energia elétrica foi decretado pelo Poder Concedente a partir de junho de 2001. CHESF, então, conforme recomendação da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica - ABRAGE, efetuou, a partir de junho de 2001, o faturamento provisório tomando por base as quantidades contratadas, ajustadas pelo percentual da meta de racionamento estabelecida pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica - GCE, conforme faturas e respectivas correspondências de encaminhamento, todas anexas (docs.18). - Com isto, a CHESF passou a faturar, a título provisório, a energia contratada pela Recorrente com uma redução de 20%. A tabela 1 .b, anexa, consolida os valores mensais faturados, em MWH (quantidade de energia faturada) e Reais. Somente em dezembro de 2001 foi estabelecido pelo §8° do art.2° da Resolução GCE n° 091, de 21 de dezembro de 2001, a metodologia para o fator de redução a ser aplicado aos contratos iniciais durante o período de vigência do racionamento. - Esta metodologia foi posteriormente detalhada no art.5° da Resolução ANEEL n° 31; de 24 de janeiro de 2002, senão vejamos: (doe. 19) Em face da cláusula 6 do aditivo (04.07.02) ao contrato inicial da CHESF - SAELPA (doc.20) reduziram-se os montantes contratados no período de vigência do racionamento. Para o período de junho a dezembro de 2001, ficou definido que seria aplicado o fator de redução previsto no art.5° da Resolução ANEEL n° 031, de 2002. - Finalmente, apenas em 12 de agosto de 2002, os fatores de redução aplicáveis ao ano de 2001 foram definitivamente informados pela ANEEL por meio do Ofício Circular n° 761/2002-SFF-SRE/ANEEL (doc.21), correspondendo a 0,93638 de junho a dezembro de 2001, ou seja, uma redução de 6,362%. - A tabela l.c (anexa - doe. 17) apresenta os valores que deveriam ter sido faturados pela Saelpa considerando este fator de redução. Verificou-se, então, que a SAELPA havia consumido um volume de energia equivalente a 93,638% do contrato inicial, mas apenas 80% tinha sido faturado e recebido pela CHESF. Dessa diferença originou-se um débito de compra de energia da Energisa (Saelpa) para com a CHESF. - Conseqüentemente, a CHESF emitiu faturamento complementar contra a Saelpa relativo à diferença entre o valor que deveria ter sido faturado em 2001 com base no Ofício Circular n° 761/2002-SFF-SRE/ANEEL (tabela lc - doe. 17) e aquele objeto do faturamento preliminar (tabela lb), correspondendo a R$ 10.434.423,05 (tabela ld - doc. 17). - A SAELPA, até então, havia efetuado o registro contábil das operações de comercialização, realizadas com base em estimativas elaboradas pela sua própria administração, observando os princípios fundamentais da contabilidade. -Assim, em dezembro de 2001, a SAELPA registrou o valor de R$ 11.096.782,02 para fins de efeitos contábeis, tendo em vista a definição, à época, dos redutores pelos órgãos competentes. Posteriormente, com a determinação em definitivo do Fator de Redução, foram efetuados os devidos ajustes, nos valores de R$ 473.758,12 e R$ 188.600,85 (receitas levadas à tributação no exercício de 2002 - vide Diário - doc. XX anexo), resultando no valor líquido de R$ 10.434.423,05. -De acordo com o site da Agência Nacional de Energia Elétrica: "A Recomposição Tarifária Extraordinária é um instrumento que se destina à compensação pelas perdas de receita das concessionárias, impostas pelo Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, e acumuladas no período de 10 de janeiro a 25 de outubro de 2001. A recomposição foi estabelecida mediante a aplicação dos seguintes percentuais de reajuste: 2,9% para as classes Residencial e Rural; 7,9% para as demais classes, excluídos os consumidores de Baixa Renda, os Serviços Executados e os suprimentos entre empresas, conforme legislação citada nos anexos." - Depreende-se da leitura do próprio Parecer COSIT n° 26/2002, que "as concessionárias de energia elétrica tiveram redução de suas margens de lucro, seja devido à diminuição do faturamento, seja pelo aumento de custos não gerenciáveis". E que "visando a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro de contratos de concessão a que se refere o dispositivo acima transcrito (art. 28 da MP n° 2.198/2001), a MP n° 14, de 21 de dezembro de 2001, em seu artigo 4o, assim dispôs: "Art. 4° A ANEEL procederá à recomposição tarifária extraordinária prevista no art. 28 da Medida Provisória no 2.198-5, de 24 de agosto de 2001, sem prejuízo do reajuste tarifário anual previsto nos contratos de concessão de serviços públicos de distribuição de energia elétrica. § 1° A recomposição tarifária extraordinária de que trata o caput será implementada por meio de aplicação às tarifas de fornecimento de energia elétrica dos seguintes índices: I - 2,9%, para os consumidores integra- ntes das Classes Residencial e Rural; e II - 7,9%, para os demais consumidores. (...)"- Ora, a perda de receita da Recorrente em virtude do racionamento de 2001, a ser compensada de forma diferida pela RTE, não se confunde com o valor pago à CHESF pela energia consumida naquele ano. - Como é de conhecimento comum, a mercadoria energia tem uma peculiaridade que a difere das demais. Não se armazena energia na distribuição. Não há estoque. A distribuidora, simplesmente, contrata uma quantidade de energia com a geradora, que passa a ter a obrigação de gerar esse montante de energia e lançá-lo no sistema interligado. - A distribuidora tem, então, o direito de vender energia nessa quantidade, pois foi ela quem pagou ao gerador. No caso, a Recorrente havia contratado com a CHESF o fornecimento de 2.058.271,448 MWH para o ano de 2001, pelo preço de R$ 76.509.921,18. - Por conta do racionamento, a CHESF, inicialmente, faturou apenas 80% do contrato (1.646.617,159 MWh, pelo preço de R$ 61.207.936,96). Quando, finalmente, em agosto de 2002, a ANEEL apurou o fator de redução e determinou qual havia sido a quantidade de energia vendida pela CHESF para a SAELPA no ano de 2001, contatou-se que havia sido entregue o montante de 1.927.324,218 MWh, o que totalizava o preço de R$ 71.642.360,01, resultando numa diferença a pagar de R$ 10.434.423,05, valor esse, então faturado de forma complementar pela CHESF. - Frise-se, foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação (venda de.,energia) e, por conseguinte, dedutível. - O fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a seu mercado consumidor deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE! - Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir o objeto da autuação (despesa com energia consumida em 2001) com a RTE (valores incluídos na fatura de energia elétrica dos consumidores a partir de 2002, para reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão). - o Auditor Fiscal deveria levar em consideração o Princípio da Competência do exercício, bem como a emissão da fatura complementar, que se deu em dezembro de 2001. - Entende a requerente, em vista do exposto, que se essa despesa operacional foi confirmada com o valor apurado pela Chesf na competência de 2001, por tratar-se de complemento do valor do contrato inicial de compra e venda de energia do exercício de 2001, tal despesa deve ser considerada como custo do resultado para apuração do exercício, uma vez que esse valor foi relativo ao período de comercialização, cuja competência refere-se ao exercício de 2001. - Tem-se como regra que os Valores serão apurados considerando o período de comercialização, e, no caso, esses períodos: foram os meses de abril a dezembro/01, portanto, foram eles reconhecidos naquela competência. Diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (R$ 2.871.961,74). O fiscal solicitou informações à Companhia Hidroelétrica do São Francisco - CHESF e, com base na resposta obtida, entendeu que havia divergências entre os valores escriturados pela SAELPA e os valores constantes da emissão das notas fiscais da Chesf, relativas a essas contas. - O Auditor Fiscal, então, glosou os valores estornados da nota fiscal n° 5324 em R$ 2.098.505,44, bem como a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33. Da mesma forma, glosou o estorno da nota fiscal n° 5342, no valor de R$ 473.758,12, e a diferença entre o valor contabilizado e o constante daquela nota, no valor de R$ 188.600,85, totalizando a glosa de R$ 2.871.961,74, como despesa/custo indedutível para a apuração do lucro real no ano-calendário de 2001. - A DRJ entendeu que somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea. - Os procedimentos realizados pela ora Recorrente, tiveram suporte na época pelo seu órgão regulador, bem como pelas disposições do Setor Elétrico, a saber ANEEL, ABRAGE, GCE, através de expedição de resoluções. Ademais, todos os lançamentos contábeis tiveram suporte no que determina os contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, a legislação vigente no período de racionamento e os fatores econômicos efetivos. - No período objeto da fiscalização, em razão do racionamento de energia, as parcelas de demanda e a energia de todos os contratos iniciais foram reduzidas em 2,1% em cada mês. Esse fator de redução foi divulgado pela ABRADEE - Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, durante o processo de negociação com o Governo Federal. - Em dezembro de 2001, o governo e as empresas de energia elétrica firmaram o Acordo Geral do Setor Elétrico com as concessionárias distribuidoras e as geradoras de energia elétrica, com o intuito de garantir o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos existentes e a recomposição de receitas relativas ao período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica (Racionamento / "Programa Emergencial"). - Tal acordo abrangia (i) as perdas de margem incorridas pelas distribuidoras e geradoras no período de vigência do citado Programa Emergencial, (ii) os custos adicionais da Parcela A . para o período de 1/01/2001 a 25/10/2001, (iii) a parcela dos custos com a compra de energia no âmbito do Mercado Atacadista de Energia (MAE), denominada "energia livre", realizadas até dezembro de 2002 e (iv) a substituição do direito contratual previsto no Anexo V dos Contratos Iniciais (compra e venda de energia). - Assim, as distribuidoras alcançadas por essa recomposição tarifária extraordinária teriam que pagar às geradoras, durante o Programa Emergencial, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às distribuidoras. Essa redução foi definida em 2,341%. - A Recorrente demonstra através do Extrato contábil (doc.22 - anexo 09 da impugnação) que efetuou a contabilização em dezembro de 2001 dos valores relativos à diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, bem como o valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com os demonstrativos de cálculos efetuados à época (doc 23 - anexo 10 da impugnação). - Com base na informação detida no momento do lançamento contábil (antes da definição final do fator de redução), a SAELPA efetuou os cálculos utilizando o Fator de Redução 2,1%. - Como bem colocado pelo Senhor Fiscal, e diante do exposto acima, a Saelpa efetuou a contabilização na conta contábil 615.03.3.5.41 subconta 4101 dos valores de energia comprados da CHESF em montantes de: (i) R$12.084.922,43 - energia comprada de dezembro de 2001, e (ii) R$11.096.782,02 - valor complementar de valores de energia comprada de abril a dez de 2001. - Os documentos hábeis e idôneos que serviram de base para os registros contábeis dos valores de R$ 11.096.782,02 e R$ 12.084.922,43 foram apresentados pela Recorrente no momento da fiscalização, tendo sido, no entanto, desconsiderados pelo Fiscal, que desprezou a correção de tais valores contabilizados com fator de redução (2,1%), relativo ao período de abril a dezembro de 2001. - O lançamento de R$ 11.096.782,02 refere-se ao somatório encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1% sobre o valor do contrato inicial de compra e venda de energia elétrica do período de abril a novembro de 2001. E o lançamento de R$ 12.084.922,43 é o valor contrato inicial de compra e venda de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, já aplicado o fator de redução de 2,1 %. - Em um segundo momento, após a celebração do Acordo Geral do Setor Elétrico, foi utilizado pela Recorrente o fator de redução de 2,341% para o cálculo da diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, e de 20% sobre o valor da compra de energia elétrica (contrato inicial) para o mês de dezembro de 2001, apurando-se os valores de R$13.122.235,30 em vez de R$11.096.782,02 e de R$9.875.319,66 em vez de R$12.084.922,43, respectivamente. - Logo, a diferença apontada para a nota fiscal da Chesf n° 005324, no valor de R$ 2.209.602,77, refere-se ao valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela Chesf, com o redutor de 20% (vinte por cento). Com relação à diferença citada na nota fiscal n° 005342, no valor de R$ 662.358,97, a mesma refere-se à subtração do valor registrado pela SAELPA, e o valor efetivamente devido após o ajuste. - O valor contábil registrado em dezembro de 2001 pela SAELPA (R$ 11.096.782,02) foi assim calculado em função de que também se desconhecia o ajuste da fatura complementar, o que se deu apenas em meados de 2002. Destaque-se que as diferenças de R$ 2.209.602,77 e de R$ 662.358,97, acima esclarecidas e que totalizam R$ 2.871.961,74, foram levadas à tributação no exercício fiscal de 2002, quando houve a definitiva indicação do valor devido pelo MAE, conforme se comprova do lançamento contido no Diário (doe. XX anexo). - Diante do esclarecimento acima, fica caracterizado que o valor glosado pelo Auditor Fiscal é justamente a variação decorrente das duas notas fiscais emitidas pela Chesf. - Em razão dos fundamentos apresentados acima, não é possível outra conclusão que não seja o reconhecimento da legalidade e correção do valor total contabilizado sobre a rubrica de despesa/custo, relativo as despesas de Compra de Energia à CHESF, bem como seu lançamento contábil em 31.12.2001. - Da Glosa de Custos - Provisionamento da Compra de Energia no Mercado Atacadista no Ano-Calendário de 2001 - R$ 70.342.053,18. Este item do auto de infração refere-se a contabilização, em 31/12/2001, da energia comprada no Mercado Atacadista de Energia Elétrica -MAF no valor de R$ 70.342.053,18. -Percebe-se, novamente, que o auditor confunde o custo da energia consumida no ano 2001 com a RTE, aplicando indevidamente o diferimento previsto no Parecer COSIT n° 26/2002. É, pois, equivocada a conclusão do auditor, de que teria a SAELPA, indevidamente, deixado "de adicionar na apuração do lucro real a importância de R$ 70.342.053,18, por ser tal custo/despesa indedutível. - O Acórdão da DRJ novamente, descuidou de analisar os argumentos da então impugnante, atendo-se simplesmente a aplicar o Parecer COSIT n° 26, de 26 de setembro de 2002. Não bastasse, ainda negou pedido de diligência requerido que teria esclarecido definitivamente a celeuma. - De acordo com o sitio eletrônico da Receita Federal do Brasil, "provisões são expectativas de obrigações ou de perdas de ativos resultantes da aplicação do principio contábil da Prudência. São efetuadas com o objetivo de apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro." - Ou seja, provisões são sempre criadas para atender, segundo o principio da competência, a apropriação de custos e despesas que se concretizarão no futuro Definitivamente, não é o caso dos lançamentos glosados pelo auditor. - Tais lançamentos do Livro Diário n° 127, contidos nas fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos, apesar de terem sido denominados "PROVISÃO COMPRA MAE", não são provisões, pois retratam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001. Aqueles valores, que totalizam R$ 70.342.053,18, representam o custo da energia comprada pela Recorrente no MAE a cada mês de 2001, a fim de atender seu mercado consumidor. - Como já explicado no tópico do presente recurso relativo à compra de energia junto à CHESF, o suprimento de energia da Saelpa em 2001 era proveniente de seu Contrato Inicial com a geradora Chesf, (doe. 16 Contrato da CHESF), complementado por Contratos Iniciais de compra das concessionárias de distribuição Companhia Energética do Ceará, Companhia Energética de Pernambuco e Companhia Energética do Rio Grande do Norte. - Esta energia comprada visava ao atendimento da carga de seus consumidores, bem como ao suprimento de energia para a Celpe, a Cosem e a Companhia Energética da Borborema, mediante Contratos Iniciais de venda de energia elétrica. - Para fins de esclarecimentos, note-se que as diretrizes e condições para os Contratos Iniciais entre distribuidoras foram estabelecidas pela Resolução ANEEL n° 44, de 01/02/01 (anexo). Os montantes mensais de energia contratada e respectivas tarifas foram homologados pelas Resoluções ANEEL n° 45, de 10/02/01, e n° 173, de 10/05/01 (docs.24 a 26). Sabendo-se, assim, quais eram os contratos iniciais da Recorrente no inicio de 2001, tem-se que a Energisa dispunha de sobras de energia dentro do seu planejamento anual, o que lhe permitia vender diretamente a outras distribuidoras de energia por meio de contratos bilaterais, na forma do arl. 12 da Lei n° 9.648/1998. Em 17 de abril de 2001, antes que se falasse em racionamento de energia elétrica, a Energisa celebrou contratos bilaterais de venda de energia para a Companhia Força e Luz Cataguazes - Leopoldina e empresa Energética de Sergipe S.A. (does. 27 e 28). Como conseqüência do racionamento de energia elétrica, foi celebrado o Acordo Geral do Setor Elétrico, do qual constou a instituição da Recomposição Tarifária Extraordinária - RTE, assim como a obrigatoriedade de celebração, por cada distribuidora, de um "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" com as geradoras. - Destaque-se que o "Acordo de Compra de Sobras Liquidas Contratuais" não tem absolutamente nenhuma vinculação com a RTE. Enquanto esta visava, como explicado, o restabelecimento do equilíbrio econômico financeiro dos contratos de concessão, mediante a reposição de perdas das distribuidoras, o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" tinha por objetivo redistribuir as eventuais sobras de energia das distribuidoras para as geradoras, como forma incentivo ao setor de geração. Assim, a Recorrente celebrou o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" (doc.29), sendo o conceito de sobras definido na cláusula 1', como a diferença, se positiva, entre: (i) Contratos Iniciais e Equivalentes, acrescidos da quota de Itaipu e da geração própria; e (i.l.) Carga de cada concessionária de distribuição referenciada ao Centro de Gravidade correspondente (referir ao centro de gravidade significa acrescentar à carga sua respectiva parcela das perdas elétricas no sistema nacional de transmissão, conforme calculado pelo Mercado Atacadista de Energia). - Como a Energisa não é quotista de Itaipu, nem tampouco possui geração própria, a oferta contabilizada pelo MAE correspondeu a seus contratos iniciais de compra, deduzidos dos contratos iniciais de venda. Logo, sua carga referenciada ao Centro de Gravidade correspondeu à carga associada a seus consumidores finais (apurada pelo MAE nos pontos de medição das conexões com o sistema de transmissão da CHESF e com os sistemas de distribuidoras vizinhas), acrescida das perdas na rede básica alocadas à Energisa na contabilização do MAE. - Acontece que os contratos bilaterais de venda de energia celebrados com a CFLCL e a ENERGIPE não foram considerados para o cálculo das sobras, pois, com base no disposto no inciso III do § 5o do art. 2° da Resolução GCE n° 091, de 21/12/01, não foram considerados como equivalentes aos contratos iniciais. - Esse entendimento foi ratificado por meio do item I do Despacho ANEEL n° 288, de 16/05/02, anexo, que não relacionou tais contratos como equivalentes aos iniciais. Como conseqüência, acabou a recorrente sendo obrigada a comprar no Mercado Atacadista de Energia a quantidade de energia necessária para honrar os contratos bilaterais. - Como exposto, o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais resultou em exposição ("compra" de energia no mercado de Curto prazo do MAE) da Recorrente correspondente aos montantes vendidos a CFLCL e Energipe, registrados no MAE. Esta exposição foi valorada ao preço da energia no mercado de curto prazo (na ocasião denominado PMAE) no submercado Nordeste, que correspondeu a R$ 684/MWh de Io de junho até a 21 de setembro e R$ 562,15/MWh de 22 de setembro até 31 de dezembro de 2001 (valores constantes do site da CCEE,entidade que sucedeu o MAE). - Desta feita, a Recorrente foi obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a comprar no MAE no ano de 2001, para ter lastro para cumprir seus contratos bilaterais de venda de energia. Sendo assim, os Agentes do Setor Elétrico, entre esses a ora Recorrente, solicitaram do MAE o posicionamento sobre essas contas, a fim de formalizar os lançamentos contábeis do exercício. - No entanto, em razão do Comunicado 1-AS 017/02 (doc. 30), as empresas foram informadas que o MAE não poderia divulgar os valores relativos às contabilizações, a energia comercializada no Mercado Atacadista referente ao exercício de 2001 em razão de processo ajuizada pelas Centrais Elétricas Brasileiras - Eletrobrás em face da ANEEL, ASMAE e outras. - Nessa situação, apenas em 28 de fevereiro de 2002, é que houve a divulgação aos Agentes do Demonstrativo provisório e aproximado, de natureza meramente informativa contendo os melhores números para se proceder ao registro contábil-financeiro, formalizado mediante a CI-AS 0347/2002, com a denominação de Provisionamento 2001 e Formulação Algébrica referente ao Acordo de Racionamento (doc.31). - Dessa forma, os números que constam no demonstrativo divulgado no Comunicado acima, registram os valores disponíveis às distribuidoras e geradoras, resultado das compras e vendas de energia no MAE. Os valores constantes da coluna "Montante Financeiro Mensal (R$) representam os créditos e débitos decorrentes das sobras ou déficits de energia em cada mês (que resultam do balanço entre oferta e consumo), valoradas ao PMAE (Preço MAE). - Percebe-se, então, que, o valor de R$ 70.342.053,18, detalhado na tabela 2 (doe.32), resulta dos valores devedores mensais relativos à Recorrente, apurados pelo MAE, constantes da coluna Montante Financeiro Mensal (R$) do anexo Resultados do Provisionamento 2001, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como Ajuste MAE compra jan a ago/00 (doc.33). - Resta, portanto, inequivocamente demonstrado que: (i) Provisionamento foi a denominação utilizada pelo MAE quando informou o valor devido pela Recorrente pela energia adquirida no mercado de curto prazo nos meses de 2001. O fato de constarem da escrituração contábil lançamentos com indicação desse nome não transforma tais lançamentos em provisões. Pelo contrário, o fato de tais lançamentos representarem despesas incorridas no ano de 2001, não custos futuros, é suficiente para afastar qualquer entendimento naquele sentido, sendo certo não se tratar de provisão, mas sim de despesa operacional; (ii) O auditor confundiu o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais com a RTE, quando a única ligação entre esses dois fatos é o momento histórico. Como demonstrado, a despesa de R$ 70.342.053,18 decorreu da obrigatoriedade de aquisição de energia no mercado de curto prazo pela Energisa, para honrar as vendas de energia efetuadas, não tendo qualquer vinculação com a sobre tarifa criada para os exercícios subseqüentes com a finalidade de reequilibrar econômica e financeiramente seu contrato de concessão pela perda de receita em 2001 (RTE). - Frise-se, o valor pago a título de energia comprada no MAE foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação e, por conseguinte, dedutível. Vale repetir a mesma observação já feita neste recurso voluntário: o fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a suprir seus contratos bilaterais deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE ! - Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir o objeto da autuação (despesa com energia revendida em 2001) com a RTE (valores incluídos na fatura de energia elétrica dos consumidores a partir de 2002, para reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão). - A Energisa com base no Princípio do Conservadorismo, e de posse dos números apresentados em planilha do MAE, que indicou a compra naquele mercado, lançou tal despesa como custo dedutível na apuração do lucro real, para o exercício de 2001, em virtude da observância do princípio da competência e em função da planilha informativa apresentada pelo MAE. - Nesse sentido, seguiu determinação do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, no item 6.3.16, que trata da Comercialização de Energia Elétrica no Âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica - MAE. - Como acima explicitado, naquele momento os números contidos na planilha apresentada pelo MAE eram os únicos valores conhecidos a título de despesa para compra de energia no MAE. - Em face disso, a planilha do MAE era, definitivamente, o documento hábil e idôneo que indicava o valor a ser levado a custo como compra de energia no Mercado. Portanto para o exercício de 2001, fazendo correspondência ao extrato emitido pelo Mercado Atacadista de Energia, a Saelpa contabilizou: 611.03.3.1.0.2 - Suprimento de Energia Subconta 0002 - Energia de Curto Prazo - R$6.036.832,43 e; 615.03.3.5.4.1 - Operações com energia elétrica Subconta: 4103 - Energia Comprada - Curto Prazo - R$ 70.342.053,18. - Diante do exposto acima, fica claro e evidenciado o equívoco do fiscal em aumentar a base tributável do Imposto de Renda, e por reflexo da CSLL ao glosar a citada despesa de R$70.342.053,18. - Outrossim, o Auditor Fiscal em seus procedimentos, deixou de requisitar informações perante a ANEEL, a fim de atestar os lançamentos de despesas efetuadas em cada exercício. Tais custos reconhecidos pela ANEEL servem de base para a autorização das revisões das tarifas de energia. - Em razão dos fundamentos apresentados acima, requer a recorrente, sob pena de cerceamento de defesa, seja deferido o pedido de diligências com pedidos de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE - Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (nova denominação do Mercado Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745 - 9° Andar, Cerqueira César - São Paulo - SP, CEP: 01419-001, seja dado provimento ao recurso. -Exclusões no Lalur Indevidas (R$ 7.896.751,95). Segundo o auditor, da análise dos arquivos da empresa, constatou-se a existência de vários registros onde os valores provisionados em 2000 são superiores aos de 2001. Dessa forma, entendeu que houve uma majoração indevida de R$ 12.851.228,33 que representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada. - A partir dessa presunção, o auditor concluiu que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. - A DRJ ao tratar deste item, deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado as provas documentais correspondentes. - As provisões comparadas pelo fiscal não serviram para reduzir o lucro tributável, logo, o que a fiscalização fez foi glosar a diferença entre provisões de dois exercícios subseqüentes, por pura presunção. - Presunção não é base de cálculo de qualquer imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo - fiscal. - Diante do relatório do trabalho fiscal, não demonstrou o auditor ter sido a contabilização de 2000 excessiva, nem tampouco ter resultado em qualquer beneficio fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção de ilegalidade, furtou-se de perquirir a verdade dos fatos, o que fere de nulidade a exação lançada. - O fato é que, para à constituição da provisão de devedores duvidosos em dezembro de 2001 foram utilizados os seguintes parâmetros contas de energia vencidas há mais de 90 dias da classe residencial, com mais de 180 dias da classe comercial e com mais de 360 dias das classes industrial, rural, poder público, iluminação pública e serviço público: - parcelamentos com TCD (Termos de Confissão de Dívidas) vencidos com o mesmo período das contas de energia acima especificadas; - Contas de energia de consumidores que estão questionando na justiça (aumento de tarifa em 1986), com o mesmo prazo definido para as contas de energia (acima); - Parcelamentos com SINED (Sistema de Negociação de Débitos), utilizou-se como parâmetro o montante das parcelas vencidas; - Contas de energia renegociadas, montante referente ao débito de consumidores que foram renegociados, deduzido da base apurada. Com esses parâmetros, em dezembro de 2001, apurou-se o montante de R$ 73.942.388,66, valor esse inferior em R$ 7.896.751,95 àquele apurado até dezembro/2000 que era de R$ 81.839.140,61. - O Artigo 249 do RIR/99 dispõe a regra geral sobre os ajustes (adições) para a determinação do Lucro Real. Na apuração do Lucro Real, conforme Lei n° 9.249/95, artigo 13, são considerados valores indedutíveis, as constituições de provisões, exceto as relacionadas com a legislação trabalhista, bem como, as perdas no recebimento de créditos excedentes aos limites legais definidos nos artigos 90 a 12 da Lei n° 9.430/96. - Assim como nas adições, também nas exclusões não existe uma relação especifica, cabendo ao contribuinte adequar as situações legais. Em regra, as exclusões permitem o diferimento das receitas ou a sua não tributação. O RIR/99, dispôs sobre este assunto: Art. 250: "Na determinação do lucro real,poderão ser excluídos do lucro liquido: I -, os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro liquido do período de apuração; II - os resultados, rendimentos receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto não sejam comparados no lucro real - Dessa forma, também são consideradas como "Outras Exclusões" a Reversão de Provisões, consideradas indedutíveis (art. 13 da Lei n° 9.249/96) na sua constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade. - Como já bem demonstrado, a recorrente quando do fechamento do exercício de 2001, efetuou a comparação dos valores das Provisões de Devedores Duvidosos constituída até dezembro de 2001 vis à vis aquela de dezembro de 2000, tendo apurado uma reversão de provisão da ordem de R$7.896.751,95. Tal reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida no exercício de 2001 que envolveu contas baixadas, novas contas que foram incluídas na provisão, como também correção de contas de energia elétrica. -Por todo o exposto, requer a Recorrente seja reconhecida a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento tributário em comento, devendo ser anulada a autuação no que concerne a tais valores. - Quanto aos sub-itens referente ao dispêndio a reembolsar de pessoal cedido (R$ 1.690.105,00) e provisões para perdas com serviços prestados - ODS (R$ 161.806,19) a Recorrente reconhece a procedência dos lançamentos e afirma que efetuará os ajustes contábeis necessários. A recorrente deixou, portanto, de apresentar recurso relativo às infrações indicadas nos subitens 5.1.2.2 (R$ 1.690.105,00 - f.g. 31/12/2000 - provisão para créditos de liquidação duvidosa – dispêndio a reembolsar de difícil recebimento) e 5.1.2.4 (R$ 161.806,19 - f.g. 31/12/2000 - provisão para créditos de liquidação duvidosa - provisão pela baixa da conta de serviços prestados a terceiros) do Relatório de Trabalho Fiscal que instrui o auto de infração. Por meio da Resolução nº 1302-000.150, este colegiado acatou proposta do relator e converteu o processo em diligências, determinando-se, verbis: Por todo o exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a DRJ se pronuncie sobre a documentação, conforme descrito no voto acima produzido, uma vez que diversos documentos não foram sequer citados pela autoridade julgadora que se limitou a afirmar que os mesmos não existiam. Aproveitando as diligências a serem realizada e como forma de esclarecimento e de se evitar o cerceamento de defesa que seja deferido o pedido de diligências e pedidos de esclarecimento acerca das operações de compra e Venda de Energia junto à CCEE - Câmara de Comercialização Energia Elétrica, com endereço na Alameda Santos, 745 - 9' Andar, Cerqueira César - São Paulo - SP, CEP: 01419-001, com os seguintes quesitos: (i)- Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001 (doc.32 anexo) possuem natureza de Recomposição Tarifária Extraordinária - RTE? (ii)- Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001 são relativos à energia comprada e utilizada no ano de 2001 pela SAELPA, ou relativos a despesas/custos de exercícios futuros (2002 em diante), provisionados em 2001? A autoridade fiscal encarregada das diligências apresentou o Relatório de Diligência Fiscal (e-fls. 7042/7058), trazendo as seguintes conclusões aos quesitos formulados, verbis: DA CONCLUSÃO Quesito nº 1 A CCEE afirmou que os valores informados como "Resultados do Provisionamento 2001" trataram-se de valores provisórios, por ela apurados (na época MAE), por solicitação dos agentes, para fins de fechamento dos balanços contábeis e demonstrações financeiras do ano de 2001 destes. Afirmou ainda que os resultados das operações de 2001 foram divulgados em março de 2002, mas foram alterados em 2 momentos: (1) por ocasião da contabilização de todas as operações de 2001, com as regras específica da MP nº 14, de 21/12/2001; e (2) quando foram efetuados os ajustes na contabilização das operações do ano de 2001, no primeiro semestre de 2003. De acordo com a CCEE, a liquidação financeira do período em questão ocorrera em 30/12/2002 (50%) e em 03/07/2003 (50%), neste último, após a divulgação definitiva dos resultados das operações de 2001, para conclusão da liquidação financeira do período de setembro de 2000 a setembro de 2002, informação confirmada, posteriormente, pela ANEEL. A CCEE não pôde informar se esses valores teriam sido considerados na Recomposição Tarifária Extraordinária - RTE, pois, a análise e definição da RTE compete à ANEEL. A fim de dirimir a questão, a ANEEL foi intimada e, em sua resposta, afirmou que a parcela dos valores relativos à compra de "energia livre" de geradores no MAE, no período de junho de 2001 a fevereiro de 2002, constituía-se ativo e passivo regulatórios para os distribuidores ante os geradores e que, os valores por ela homologados em agosto de 2002, conforme RES 483/2002, eram provisórios, uma vez que a contabilização definitiva no MAE ainda dependia de auditoria, o que somente ocorrera em 2003. A ANEEL não afirmou que os valores provisórios em questão possuíam natureza de RTE, mas sim, que os valores arrecadados à título de RTE se prestavam ao ressarcimento do distribuidores aos geradores no que se refere aos valores homologado de "Energia Livre". Quesito nº 2 A CCEE afirmou que os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001" restringem-se somente ao ano de 2001 e se referem aos resultados das operações desse período, levando em consideração a energia comprada no MAE e as regras do "Acordo do Setor Elétrico" (Lei nO10.438/2002 e resoluções da ANEEL), as quais se aplicaram à contabilização das operações cujos resultados substituíram os valores provisórios classificados como "Resultados do Provisionamento 2001 ". Ante as respostas obtidas, verifica-se que os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001" referem-se a estimativas (provisões) das compras de energia realizada pela Energisa ao longo do ano 2001, tratando-se, portanto, de valores provisórios, representativos da expectativa dos custos do período. Tem-se que, conforme informado pela CCEE, tais estimativas foram fornecidas a pedido dos agentes, a fim de atender exigências de ordem societárias, relacionadas às suas demonstrações financeiras, em razão de questionamentos realizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Outrossim, no âmbito do "Acordo do Setor Elétrico" (Lei n° 10.438/2002 e resoluções da ANEEL), foi permitida a contabilização de valores provisórios, referentes ao ano de 2001, os quais só foram divulgados em caráter definitivo em junho de 2003, por ocasião da conclusão da liquidação financeira das operações daquele ano. O fato é que, ainda em 2002, a Energisa tomou conhecimento do Despacho ANEEL nº 288/2002, que deu tratamento de Contratos Bilaterais como Contratos Equivalentes aos contratos iniciais, tanto é que, em 30/06/2002, do montante anteriormente contabilizado como "energia comprada", R$ 70.341.231,86 (Livro Diário nº 127, contidos na fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos), fez um estorno no valor de R$ 40.113.000,00, referente ao contrato com a CFLCL, como consta no livro Diário nº133, autenticado na Junta comercial em 04/12/2002. Inclusive, cumpre salientar, que a própria Energisa, em resposta datada em 11/11/2013, passou a reconhecer a não efetividade dos R$ 40.113.000,00, registrados inicialmente na condição de custo operacional do ano de 2001. Ademais, frise-se que, apesar da Energisa afirmar que os R$ 70.342.053,18, originalmente contabilizados, não são provisões, pois retratariam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001, muito embora terem sido denominados "PROVIS. COMPRA MAE" nos registros contábeis, o estorno realizado em 30/06/2002, no valor R$ 40.113.000,00, bem como as informações prestadas pela CCEE e ANEEL, contrariam aquela afirmação, pois, reforçam a natureza de provisão dos R$ 70.342.053,18. Tem-se que, pelo que possível verificar, a Energisa lançou as provisões em questão como custos em atendimento ao procedimento contábil regulatório adotado pelo setor energético, especificamente as regras do "Acordo do Setor Elétrico", o que necessariamente não possui a mesma repercussão no âmbito tributário, uma vez que não se trata de custo e sim de provisão, portanto indedutível, devendo assim ser adicionado na apuração do lucro por falta de embasamento legal. Ademais, mesmo após o encerramento, a Energisa não comprova a efetividade do pagamento junto ao MAE das demais provisões, totalizando R$ 30.229.053,18, principalmente pelo contrato celebrado com a empresa ENERGIPE, no montante de R$ 29.616.211,39. Ressalta-se, ainda, que na tabela "Resultados do Provisionamento 2001" consta o valor referente ao ajuste MAE referente ao ano-calendário de 2000. Então, a energia para suprir os contratos com a CFLCL e ENERGIPE foi comprada? Pelos dados obtidos pela diligência, efetuou-se um demonstrativo fazendo um comparativo entre o que a Energisa efetivamente comprou e vendeu no ano-calendário de 2001, fls. 7038 a 7041, onde fica evidenciado que a Energisa sempre possuiu sobras nos meses em questão de modo que não teria recorrido ao MAE para adquirir energia adicional para atender os contratos de venda de energia firmados com a CFLCL e a ENERGIPE, isto é, a energia vendida foi a adquirida da CHESF, onde o custo já está contabilizado. Além disso, conforme foi possível verificar ao longo da presente diligência fiscal, não se tem a liquidação efetiva dos R$ 30.229.053,18, parcela não estornada do provisionamento original, no valor de R$ 70.341.231,86, conforme as informações fornecidas pela própria Energisa, por meio das quais afirmou que: a) possuía no Balanço Patrimonial em 31/12/2001 débito junto ao MAE de R$ 70.342.053,18 e um crédito de R$ 17.142.000,00, perfazendo um saldo devedor de R$ 53.200.000,00; b) em junho de 2002 houve um ajuste da compra no valor de R$ 40.113.000,00, chegando a um saldo a pagar de R$ 13.087.000,00; c) no período de janeiro a setembro de 2002, em decorrência das operações realizadas, o saldo foi reduzido a R$ 392.000,00; d) em dezembro de 2002 efetuou o pagamento de 50% da dívida, R$ 196.000,00; e) pelas operações efetuadas no período de outubro a dezembro de 2002 no montante de R$ 15.462.000,00, apurou um saldo a receber do MAE em 31/12/2002 no montante de R$ 15.266.000,00. Nesse sentido, verifica-se que a conta 211.01.2 Suprimento de Energia Elétrica - subconta 0005 Energia de Curto Prazo (passivo) apresentou um saldo em 31/12/2001 de R$ 70.341.231,86, o qual, em 01/01/2002, foi transferido para a conta 211.01.4 Compra de Energia Elétrica - subconta 0005 Energia de Curto Prazo (passivo). Em 30/06/2002, houve um lançamento a débito nesta subconta (211.01.4 sub 0005), a título de ajuste compra MAE, no valor de R$ 40.113.000,00, restando um saldo de R$ 30.164.833,01. Em 31/07/2002, este saldo foi transferido para a conta 211.01.4 Compra de Energia Elétrica - subconta 0006 Compra Energia MAE Curto Prazo (passivo), que, por sua vez, em 10/12/2002, foi transferido para a conta do ativo 112.11.3 Energia Elétrica de Curto Prazo - subconta 0006 Liquidação MAE (ativo), cujo respectivo saldo, em 31/12/2002, era de R$ 37.173.543,33 credor. Esta conta (112.11.3 sub 0006) teve lançamentos referentes aos anos de 2002 e 2003, apresentando um saldo credor em 31/12/2003 de R$ 37.075.014,26, de forma que esta dívida não sofreu alteração (pagamento, compensação), fls. 7002 a 7037. A conta 112.11.1.1 Moeda Nacional - subconta 0005 Suprimento Energia - Curto Prazo (ativo), por sua vez, apresentou um saldo em 31/12/2001 de R$ 17.141.766,31; que, em 01/01/2002, foi transferido à conta 112.11.3 Energia Elétrica de Curto Prazo - subconta 0005 Suprimento de Energia Curto Prazo (ativo); não havendo registro de quitação da compra de energia junto ao MAE do período em questão até o balanço encerrado em 31/12/2013, período posterior a liquidação do MAE, fls. 7009 a 7037. Pelo exposto fica claro que; • A Energisa já demonstra que não comprou energia ao MAE pelo contrato Saelpa/CFLCL no período de racionamento, no montante de R$ 40.113.000,00; • A Energisa não conseguiu comprovar que comprou e pagou a importância ao MAE, principalmente referente ao contrato Saelpa/Energipe. Pelo exposto fica evidente que a contabilização das Provisões no montante de R$ 70.342.053,18 tem que ser adicionada na apuração do lucro real, tal qual efetuado no auto de infração, por ser indedutível para o imposto de renda e pela não comprovação através de documentação hábil e idônea, tal qual procedido no lançamento tributário com base nos arts. 6°, § 2°, 7°, 13, § 1°, do Decreto-lei nº1.598/77; art. 2° da Lei nº 2.354/54, e art. 45, §2°, da Lei nº4.506/64. Intimada do Relatório de Diligência Fiscal, a recorrente apresentou manifestação (fls. 7062/7082), na qual refuta as conclusões da autoridade diligenciante e reafirma que o montante de energia registrado como custo no ano de 2001 (R$70.342.053,18) refere-se efetivamente ao custo da energia adquirido naquele ano e não a mera provisão e que o estorno parcial do valor ocorrido em 2002 (R$ 40.113.000,00) não o desnatura face a aplicação do princípio do regime de competência e, ainda, que, ao contrário da conclusão fiscal, o saldo foi efetivamente quitado mediante compensações realizadas no mercado de custo prazo no MAE e pagamentos realizados pela SAELPA. Tendo este processo sido devolvido pelo relator original tendo em vista a renúncia ao mandato de conselheiro, este relator foi designado para relatá-lo, mediante o sorteio realizado em 07/04/2016. É o relatório.

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1302­000.451  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  05 de outubro de 2016  Assunto  Solicitação de diligências  Recorrente  ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Alberto  Pinto  Souza  Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido  Gil,  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Talita  Pimenta  Félix  e  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 51 .0 00 14 2/ 20 05 -1 0 Fl. 7554DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.554          2 Relatório    ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A. (anteriormente  denominada SOCIEDADE ANÔNIMA DE ELETRIFICAÇÃO DO PARAÍBA ­ SAELPA), já  qualificada,  inconformada  com  a  decisão  da  3a  Turma  da DRJ  de Recife/PE,  recorre  a  este  Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado.  Contra  a  empresa  foram  lavrados Autos  de  Infração  para  exigência  de  crédito  tributário de IRPJ e CSLL de R$ 6.112.616,03, aí já incluidos principal, juros e multa, referentes  aos  fatos  geradores  ocorridos  nos  anos  calendários  de  2000  e  2001,  cujos  enquadramentos  legais encontram­se discriminados nos respectivos autos de infração.  Foi  elaborado  auto  de  infração  complementar  da  CSLL,  referente  à  falta  de  recolhimento do adicional da referida contribuição, tendo em vista a base de cálculo da CSLL  apurada no lançamento de folhas 11/14 relativa ao ano calendário de 2000.  O  relatório  da  decisão  recorrida  traz  uma  síntese  das  infrações  apuradas  pela  fiscalização.  Devido  a  quantidade  e  diversidade  de  fatos  apurados,  considero  importante  reproduzi­la neste relatório com vistas a melhor compreensão das matérias em litígio, verbis:   Segundo  a  descrição  dos  fatos  (fls  05­07)  e  do Relatório Fiscal  (fls.  19­127),  foram apuradas infrações decorrentes de glosas de despesas, adições e exclusões indevidas do  lucro real relativas à contabilização do Acordo Geral do Setor Elétrico, nos seguintes termos:  Segundo a descrição dos fatos (fls.05­07) do auto de infração do IRPJ e Relatório  de Trabalho Fiscal ­ RTF (fls. 19 a 127), foram apuradas as seguintes infrações:  001 – IRPJ – CUSTOS DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS – GLOSA DE  CUSTOS. (F.G. 31/12/2001)  R$  10.434.423,05  (item  5.3.1.2  do  RTF  –  ENERGIA  COMPRADA  ­ FATURAMENTO COMPLEMENTAR)  31/12/2001 – Contabilidade SAELPA (L.Razão, pág 497 – fl. 3.847)  D  ­615.03.3.5.4.1  –  OPERAÇÕES  C/ENERGIA  ELÉTRICA,  Subconta  4101ENERGIA COMPRADA­INICIAL (CUSTO)  C­211.01.2 – Suprimento de Energia Elétrica, subconta 001 CHESF (PC)  ­ Complem. CHESF abr a dez R$ 11.096.782,02 (Somatório encontrado após a  aplicação do fator de redução de 2,1%, em cada mês – abril a novembro de 2001)   CHESF:  Nota  Fiscal  emitida  pela  CHESF  nº  5342  no  valor  de  [R$  10.908.181,17 – R$ 473.758,12(estorno)], pelos depósitos/créditos bancários efetuados  pela SAELPA, referente ao FATURAMENTO COMPLEMENTAR, conforme acordo do setor  elétrico (faturamento dos contratos  iniciais deveriam ser  reduzidos na ordem de 2% a  3%, em função do racionamento de energia elétrica, ocorrido entre jun/2001 e fev/2002,  que  reduziu  o  consumo  de  energia  elétrica  na  ordem  de  20%,  o  que  implicou  na  emissão das faturas de junho a novembro de 2001, pela CHESF, reduzidas de 20% do  montante  inicialmente  contratado),  correspondente  a 17%  (20%  ­  3%)  dos montantes  contratados no período de junho a novembro de 2001, em função do Termo Aditivo nº  Fl. 7555DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.555          3 01  ao  Contrato  Inicial  de  Compra  e  Venda  de  Energia  Elétrica,  celebrado  entre  SAELPA e CHESF.  Energia  de  fato  não  fornecida  à  CHESF,  não  é  custo  em  2001,  é  direito  a  recuperar (ativo circulante ou realizável a longo prazo – Parecer COSIT nº 26).   INFRAÇÃO:A SAELPA NÃO ADICIONOU ESTE VALOR NA APURAÇÃO  DO LUCRO REAL  (DESPESA  INDEDUTÍVEL – art.249,  I,  251 e  §único,  290,  I  e  300, do RIR/99).  R$  2.871.961,74  (item  5.3.1.1  do  RTF  –  ENERGIA  COMPRADA  EM  DEZEMBRO/2001 – ESTORNOS NÃO ADICIONADOS)  31/12/2001 – Contabilidade SAELPA (L.Razão, págs. 331 e 497 –  fls. 3.846 e  3.847)  D  ­615.03.3.5.4.1  –  OPERAÇÕES  C/ENERGIA  ELÉTRICA,  Subconta  4101ENERGIA COMPRADA­INICIAL (CUSTO)  211.01.2 – Suprimento de Energia Elétrica, subconta 001 CHESF (PC)  ­  Provisão CHESF  dez/01R$  12.084.922,43  ­ Complem. CHESF  abr  a  dez R$  11.096.782,02  Relativo  à  diferença  entre  os  dois  lançamentos  contábeis  na  conta  615.03.3.5.4.1 – subconta 4101 – ENERGIA COMPRADA – INICIAL (DÉBITO), nos valores  de R$ 12.084.922,43 e R$ 11.096.782,02, respectivamente, custos levado à apuração  do resultado do exercício,  e os valores comprovados pela CHESF, através das notas  fiscais  5324  e  5342,  nos montantes  de  (R$  11.973.825,10  – R$  2.098.505,44)  e  (R$  10.908.181,17 – R$ 473.758,12), também, respectivamente.  CHESF:  Nota  Fiscal  emitida  pela  CHESF  nº  5324  no  valor  de  R$  11.973.825,10, referente ao faturamento pela demanda/energia contratada – (menos) 3 x  R$  699.501,81  = R$  2.098.505,44  (estornos  de  cada  parcela  de  pagamento  igual  R$  3.291.773,22, totalizando R$ 9.875.319,66 de pagamentos efetuados pela SAELPA).  INFRAÇÃO:A SAELPA NÃO ADICIONOU OS VALORES DOS ESTORNOS  NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (DESPESA INDEDUTÍVEL – art.249, I, 251 e  §único, 290, I e 300, do RIR/99).  R$ 70.342.053,18 (item 5.2 do RTF – fls. 80 a 100 ­ COMPRA DE ENERGIA.  PROVISIONAMENTO  DA  COMPRA  DE  ENERGIA  NO  MERCADO  ATACADISTA  NO  ANO  CALENDÁRIO  DE  2001  –  DIFERENÇA  ENTRE  A  IMPLEMENTAÇÃO  DO  ACORDO  E  O  EFETIVAMENTE  RECEBIDO  DO  MERCADO ATACADISTA)  Referente  a  lançamentos  contábeis  na  conta  615.03.3.5.4.1  –  subconta  4103  –  ENERGIA COMPRADA – CURTO PRAZO, contrapartida na conta 211.01.2 SUPRIMENTO DE  ENERGIA ELÉTRICA – SUBCONTA ENERGIA DE CURTO PRAZO  (custo  levado à apuração  do resultado do exercício).  INFRAÇÃO:A SAELPA NÃO ADICIONOU ESTE VALOR NA APURAÇÃO  DO LUCRO REAL (DESPESA INDEDUTÍVEL – art.249, I, do RIR/99).  002  ­ GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS – VARIAÇÃO  MONETÁRIA.  ­R$ 10.359.592,48 (F.G. 31/12/2000) – fls. 109 a 114 INFRAÇÃO:A SAELPA  CONTABILIZOU, SEM AMPARO LEGAL, A ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS  Fl. 7556DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.556          4 DÉBITOS  DE  ICMS  PARCELADOS  (TENDO  O  ESTADO  DA  PARAÍBA  DISPENSADO  AS  RESPECTIVAS  ATUALIZAÇÕES  –  JUROS  E  MULTA),  NO  ANO­CALENDÁRIO  DE  2000,  NOS  VALORES  DE  R$  3.106.397,18,  R$  6.377.734,28,  R$  286.745,25  E  R$  588.715,77  E  NÃO  ADICIONOU  AO  LUCRO  LÍQUIDO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (art.251 E §único, 299 e §§ 1º e 2º, e  377, do RIR/99).  003 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL  – CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL.  INFRAÇÃO:DESPESA INDEDUTÍVEL ­ art.249, I, do RIR/99.  R$ 13.452.296,34 (f.g. 31/12/2000) – PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO  DUVIDOSA  –  DA  REDUÇÃO  DOS  TITULOS  PROVISIONSDOS  EM  2001  “títulos  provisionados em 2000 por X e também provisionados em 2001 por X – Y” – Redução  no montante  de  títulos  provisionados  em 2000  explicada  por majoração  indevida  dos  valores provisionados – fls.54 a 57, fato este reconhecido pela SAELPA.  Fundamenta­se  a  autuação  na  existência  de  904.370  registros  de  títulos  provisionados  (RIR/99,  art.  340,  §1º  ­  perdas  com  créditos  decorrentes  de  suas  atividades), com o mesmo número de matrícula e a mesma data de vencimento, onde  somando estes registros tem­se R$ 58.121.067,24 e R$ 44.673.929,56, em 2000 e 2001,  respectivamente.  Intimada  a  SAELPA  a  justificar  o  motivo  da  redução  dos  valores  relativos  a  determinados consumidores informou que:  “A  Saelpa  em  2001  emitiu  em  torno  de  pelo  menos  9  milhões  de  constas  de  energia  elétrica,  que  com  certeza  forçam  correções  no  faturamento  inicial.  Adicionalmente,  em  face  da  privatização  da  Empresa,  ocorreram  alterações  nos  Sistemas  de  Faturamento  e  Arrecadação  que  também  contribuíram  para  o  seu  incremento do número de contas  corrigidas  e outro  fator de  relevância  em 2001, que  veio a incrementar de forma significativa as correções de constas de energia elétrica foi  o Programa de Racionamento do Governo Federal.”  Esses  fatos  foram relevantes nas alterações das constas  informadas pelo Senhor  Fiscal no Termo de Constatação e Intimação Fiscal que ora justificamos.”  R$ 265.600,00 (f.g. 31/12/2000) PROVISÃO P/CRED DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA –  PROVISÃO DE CHEQUES  SEM PROVISÃO DE  FUNDOS  (valor  referente  pdd  para  cheques  em cobrança a mais de 120 dias), por ter sido constatado que os cheques com data de  emissão até 30/06/2004 constam da relação de cheques devolvidos e que vários cheques  foram emitidos após 30/06/2000, período que não é permitido considerá­los como perda  com recebimento para legislação vigente ­ fls. 41­42.  R$ 1.690.105,00 (f.g. 31/12/2000) ­ PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO  DUVIDOSA  –  DISPÊNDIO  A  REEMBOLSAR  DE  DIFÍCIL  RECEBIMENTO.  Salários  de  funcionários da SAELPA cedidos (liberados) a outros órgãos do Estado e Prefeituras no  período anterior à privatização da empresa, sendo os mais relevantes, nos anos de 1998  e 1999, pelo honorários advocatícios ao Sr. Carlos Frederico Nóbrega Farias – fls. 42 –  45.  R$  399.351,00  (f.g.  31/12/2000)  PROVISÃO  PARA  CRÉDITOS  DE  LIQUIDAÇÃO  DUVIDOSA – PROVISÃO PARA AJUSTES DO CONTAS A RECEBER – Para ajustar a diferença  existente entre o  saldo contábil  e comercial, do contas a  receber de contas de energia  elétrica (diferença ente o saldo do relatório do setor de faturamento e arrecadação e o  Fl. 7557DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.557          5 saldo  contábil  –  saldo  do  balancete  superior  ao  de  sua  comercialização).  Valor  indedutível por força do art 13, I, da Lei nº 9.249/95, devendo ser adicionada ao LLE  para apuração do Lucro Real – fls. 46­47.  R$ 4.813.022,08 (f.g. 31/12/2000) provisão para créditos de liquidação duvidosa  –  diferença  entre  os  valores  provisionados  e  adicionados  no  ano­calendário  de  2000,  com  120.123  registros  –  fl.  51. Da  análise  das  provisões  constituídas  em  2000,  com  1.939.934  registros,  totalizando  R$  81.839.140,61  e  dos  títulos  a  receber  que  foram  adicionados  especificamente  na  apuração  do  Lucro  Real,  com  294.731  registros,  perfazendo  R$  28.766.429,00,  constatou­se  a  existência  de  vários  títulos  que  foram  provisionados  no  ano  calendário  de  2000  com  um  valor  “X”,  e  por  entendê­la  indedutível, a SAELPA efetuou uma adição ao lucro líquido por “X­Y”, Y igual a R$  4.813.022,08  R$  161.806,19  (f.g.  31/12/2000)  PROVISÃO  PARA  CRÉDITOS  DE  LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA ­ PROVISÃO PARA BAIXA DE CONTA DE SERVIÇOS PRESTADOS A  TERCEIROS – Valores de difícil recebimento de serviços prestados a terceiros, no valor  de R$ 122.114,00 (set­dez/1999, não recebidas até 11/2000) e R$ 39.691,20 (perda em  11/2000),  não  tendo  a  SAELPA  apresentado  as  notas  fiscais  que  respaldam  os  serviços  prestados,  apenas  relatórios  por  ela  elaborados,  além  de  que  ,  vários  serviços  tiveram  como  beneficiária  a  própria  SAELPAe  os  materiais  utilizados  denotam ampliação, aperfeiçoamento ou modernização da rede de distribuição –  fls. 47 a 51.  R$ 324.321,86 f.g. 31/12/2000 ­ títulos provisionados e não adicionados ao LLE  –  PROVISÃO  PARA  CRÉDITO  DE  LIQUIDAÇÃO  DUVIDOSA  –  ANO­ CALENDÁRIO DE 2000 – EMPRESAS INTIMADAS(cerâmica elizabeth s/a, nortelas  s/a,  gráfica  santa  merta  ltda,  indústria  de  bebidas  antarctica  da  paraíba  s/a,  myrtel  empreendimentos  hoteleiros  ltda  e  agar  brasileiro  indústria  e  comércio  ltda).  NÃO  CORRESPONDÊNCIA  DOS  VALORES  DOS  TÍTULOS  PROVISIONADOS  PELA  SAELPA  COM  OS  CONSTANTES  NAS  RESPECTIVAS  FATURAS  ­  fls.77 a 80)  R$  62.939,20  (f.g.  31/12/2000)  Exclusão  da  PROVISÃO  DE  CHEQUES  EM  COBRANÇA,  no  valor  de  R$  265.600,00,  dos  cheques  da  RELAÇÃO  DFFR,  correspondente  a  valores  em  duplicidade,  cheques  acima  de  R$  5.000,00  e  cheques  vencidos a menos de 180 dias – fls. 40­41.  R$  8.836,53  (f.g.  31/12/2000)  ­  Exclusão  da  PROVISÃO  DE  CHEQUES  EM  COBRANÇA, no valor de R$ 265.600,00, dos cheques da RELAÇÃO DO FATURAMENTO,  correspondente a valores em duplicidade ­ fls. 40­41.  R$  187.339,79  (f.g.  31/12/2000)  PROVISÃO  PARA  CRÉDITOS  DE  LIQUIDAÇÃO  DUVIDOSA – PROVISÃO DE TÍTULOS SUPERIORES A R$ 30.000,00 vencidos a mais de um  ano, sem comprovação de ter sido iniciado e mantido os procedimentos judiciais para o  recebimento, sem comprovação de sua constituição – fls. 52­54.  R$  7.936.588,47  (f.g.  31/12/2001)  –  PROVISÃO  DE  CRÉDITO  DE  LIQUIDAÇÃO  DUVIDOSA  A  TÍTULO  JUDICIAL  –  A  fiscalização  constatou:  1º)  que  a  SAELPA  não  observou as  regras da  legislação do  IRPJ para contabilização das perdas de  títulos de  liquidação  duvidosa  “A  SAELPA  não  emitiu  a  fatura  complementar  referente  ao  aumento questionado judicialmente (20%) ­ No caso de empresas mercantis, a operação  será caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal –  IN SRF nº 93/1997, art. 24, § 5”; 2º) não correspondência dos valores de alguns títulos  provisionados com os constantes nas respectivas faturas, além de inconsistências entre  os  títulos constantes do arquivo JUDICIAL.XLS e o arquivo TÍTULOS A RECEBER EM  2001 “títulos provisionados a  título de ações  judiciais que não constam na  relação de  títulos a receber – fls. 75 a 77)  Fl. 7558DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.558          6 R$ 2.348.826,44  (f.g. 31/12/2001 – provisão constituída em 31/12/2001.  títulos  vencidos entre 01/07/2001 e 31/12/2001, menos de 6 meses – fls. 69)  R$  228.966,25  (f.g.  31/12/2001  – DA  PROVISÃO  CONSTITUÍDA  EM  31/12/2001.  Existência de 25 registros de títulos vencidos entre 01/01/2001 e 30/06/2001, acima de  R$ 5000,00, MENOS DE 01 ANO – fls. 68­69)  R$ 2.500.237,26 (f.g. 31/12/2001 – BAIXA DE CONTAS  incobráveis, referente ao  registro  da  baixa  de  contas  de  consumidores  das  classes  residencial,  industrial,  comercial  e  rural,  vencidas  até  01/01/98,  de  valores  R$  0,01  a  R$  5.000,00,  já  provisionadas  em  31/12/2000  e  não  adicionadas  na  apuração  do  Lucro  real  em  31/12/2000 e 31/12/2001 ­ DUPLICIDADE DE PROVISÃO ­ fls. 59 a 67).  R$ 998.992,23 (f.g. 31/12/2001 ­ títulos provisionados e não adicionados ao LLE  –  PROVISÃO  PARA  CRÉDITO  DE  LIQUIDAÇÃO  DUVIDOSA  –  ANO­ CALENDÁRIO  DE  2001  –  EMPRESAS  INTIMADAS(  cerâmica  elizabeth  s/a,  nortelas  s/a,  gráfica  santa  merta  ltda,  indústria  de  bebidas  antarctica  da  paraíba  s/a,  myrtel  empreendimentos  hoteleiros  ltda  e  agar  brasileiro  indústria  e  comércio  ltda).  NÃO  CORRESPONDÊNCIA  DOS  VALORES  DOS  TÍTULOS  PROVISIONADOS  PELA  SAELPA  COM  OS  CONSTANTES  NAS  RESPECTIVAS FATURAS ­ fls.77 a 80)  EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES  NÃO  AUTORIZADAS  NA  APURAÇÃO  DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS. (fls. 115 a 121)  ­R$ 7.896.751,95 (f.g. 31/12/2001) – PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO  DUVIDOSA NO ANO CALENDÁRIO DE 2001. Valor revertido de provisão constituída.  Da análise da DIPJ (fls. 184) e do LALUR (fls. 296) constatou­se que a SAELPA  excluiu na apuração do lucro real a importância de R$ 7.896.751,95, a título de reversão  de provisão para devedores duvidosos.  A  Saelpa  foi  intimada  a  apresentar  os  títulos  recebidos  constituintes  do  valor  excluído  de  R$  7.869.751,95  e  o  ato  da  legislação  do  IR  que  a  autorizou,  tendo  informado  que  o  procedimento  que  apurou  em  Dez/2001  R$73.942.388,66,  R$  7.896.751,95  inferior  ao  apurado  em  Dez/2000,  resulta  da  operação:  PROVISÃO  CONSTITUÍDA  ATÉ  DEZ/2000  –  CONTAS  BAIXADAS  EM  2001  +  CONTAS  INCLUÍDAS  NA  PROVISÃO EM 2001 – CONTAS CORRIGIDAS EM 2001 QUE SE ENCONTRAVAM NA PROVISÃO  EM 2000, foi realizado em conformidade com as regras definidas pela ANEEL contidas  no manual de  contabilidade do  serviço público de  energia  elétrica onde mensalmente  são efetuadas reversões do saldo da provisão constituída até o mês anterior, efetuando­ se  nova  provisão,  de  conformidade  com  os  parâmetros  definidos  (contas  de  energia  vencidas, parcelamentos com TCD, contas questionadas na justiça, parcelamento com  SINED  e  contas  de  energia  renegociadas),  levando­se  em  consideração  a  posição  do  “Contas a Receber” do mês em curso, e que, com base no art 250, do RIR/99, excluiu  na  determinação  do L.Real  a  reversão  de  provisões  consideradas  indedutíveis  na  sua  constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade.  Intimada  a  informar  o  lançamento  pelo  recebimento  de  uma  conta  de  energia  elétrica  que  já  tenha  havido  constituição  da  provisão  para  devedores  duvidosos,  respondeu:  Pelo recebimento da conta:  D  –  111.01.2  ­  contas  bancárias  a  vista  C  –  112.01.1  ­  FORNECIMENTO  Pela  reversão da provisão:  Fl. 7559DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.559          7 D  –  112.61.0001  –  provisão  para  crédito  liquidação  duvidosa  C  –  615.05.19.96.9601 – outras despesas ­ reversão Pela recuperação do valor da conta de  energia elétrica    . D – 112.01.1 ­ FORNECIMENTO  C – 112.61.0001 ­ provisão para crédito liquidação duvidosa  “Com  efeito,  tem­se  que  a  SAELPA  não  apresentou  os  títulos  que  foram  recebidos que compõem o valor de R$ 7.896.751,95, conteve­se em justificar o cálculo  do valor. Sabe­se que neste valor está o de R$ 2.500.327,26, provisionado, conforme o  item 5.1.3.1. deste Relatório.”  BAIXA DE CONTAS INCOBRÁVEIS=> R$ 2.500.327,26 contas vencidas até  01/01/1998 já foram provisionadas acarretando numa constituição em duplicidade.  INFRAÇÃO:  “TAL  FATO,  EXCLUSÃO  INDEVIDA,  ENSEJA  A  SUA  COBRANÇA DE OFÍCIO NOS TERMOS DO ART. 250, I, DO RIR/99).  A  recorrente,  cientificada  do  auto  de  infração  impugnou  tempestivamente  o  lançamento, tendo sua impugnação sido considerada parcialmente procedente pela 3ª Turma da  DRJ­Recife, que proferiu o Acórdão nº 11­25.428, de 20 de fevereiro de 2009, com a seguinte  ementa:  Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­ calendário:  2000,  2001  LUCRO  REAL.  CONCESSIONÁRIAS  DE  ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS  DE  ENERGIA  INICIALMENTE  CONTRATADA  NÃO  CONSUMIDA  EM  FUNÇÃO  DO  ACORDO  DO  SETOR  ELÉTRICO  (RACIONAMENTO).  Assim  como  a  receita  gerada  pela  aplicação  da  sobretarifa,  de  que  trata o § 1º do artigo 4º da Lei nº 10.438/2002, os custos resultantes do  acordo  do  setor  elétrico,  em  função  do  racionamento  de  energia,  deverão  compor,  em  2001,  direito  a  recuperar  da  empresa  (ativo  circulante  ou  realizável  a  longo  prazo)  e  somente  comporão  a  apuração da base de cálculo do IRPJ, referente aos períodos em que  ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança,  à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o tributo apurado de  acordo  com  a  lei  vigente  em  cada  um  desses  períodos,  por  força  do  artigo 144 do CTN.  GLOSA  DE  DESPESAS  OPERACIONAIS.  CUSTOS  E  DESPESAS.  CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001).   Para  que  sejam  dedutíveis,  os  gastos  incorridos,  além  de  atender  às  condições  legais  de  necessidade,  usualidade,  ficam  sujeitos  à  comprovação documental da ocorrência e quitação.  LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA (2001).  Glosam­se  os  valores  excluídos  pelo  contribuinte  que  não  estão  autorizados  pela  legislação  tributária  ou  não  estão  devidamente  comprovados.  Fl. 7560DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.560          8 Assunto:  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL  Ano­ calendário:  2000,  2001  LUCRO  REAL.  CONCESSIONÁRIAS  DE  ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS  DE ENERGIA CONTRATADA NÃO CONSUMIDA EM FUNÇÃO DO  ACORDO DO SETOR ELÉTRICO (RACIONAMENTO).  Assim  como  a  receita  gerada  pela  aplicação  da  sobretarifa,  de  que  trata o § 1º do artigo 4º da Lei nº 10.438/2002, os custos resultantes do  acordo  do  setor  elétrico,  em  função  do  racionamento  de  energia,  deverão  compor,  em  2001,  direito  a  recuperar  da  empresa  (ativo  circulante  ou  realizável  a  longo  prazo)  e  somente  comporão  a  apuração da base de cálculo da CSLL, referente aos períodos em que  ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança,  à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o tributo apurado de  acordo  com  a  lei  vigente  em  cada  um  desses  períodos,  por  força  do  artigo 144 do CTN.  GLOSA  DE  DESPESAS  OPERACIONAIS.  CUSTOS  E  DESPESAS.  CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001).   Para  que  sejam  dedutíveis,  os  gastos  incorridos,  além  de  atender  às  condições  legais  de  necessidade,  usualidade,  ficam  sujeitos  à  comprovação documental da ocorrência e quitação.  LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA (2000).  Glosam­se  os  valores  excluídos  pelo  contribuinte  que  não  estão  autorizados  pela  legislação  tributária  ou  não  estão  devidamente  comprovados.  Assunto:  Processo  Administrativo  Fiscal  Ano­calendário:  2000,  2001  PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS.   Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10  do Decreto n.º 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há  falar em nulidade do procedimento fiscal.  O Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  sob  a  égide  da  Portaria  que  o  criou,  é  mero  instrumento  interno  de  planejamento  e  controle  das  atividades  e  procedimentos  fiscais,  não  implicando  nulidade  do  procedimento  fiscal  as  eventuais  falhas  na  emissão  e  trâmite  desse  instrumento.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜI ÇÃO DE ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIO  NALIDADE.  INCOMPETÊNCIA  DAS  INSTÂN  CIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIA ÇÃO.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos  regularmente editados.  IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  Fl. 7561DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.561          9 As  alegações  apresentadas  na  impugnação  devem  vir  acompanhadas  das  provas  documentais  correspondentes,  sob  risco  de  impedir  sua  apreciação pelo julgador administrativo.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA  OU  PERÍCIA.  PRESCINDIBILIDADE.  INDEFERIMENTO.  Estando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários à adequada solução da lide, indefere­se, por prescindível,  o pedido de diligência ou perícia.  Face  ao  grande  número  de  fatos  apurados,  que  ensejaram  a  apuração  das  infrações, DRJ fez uma tabela correlacionando os subitens do lançamento com a impugnação,  na  qual  identificou  que  a  interessada  deixou  de  impugnar  e  acatou  diversos  itens  do  lançamento, conforme resumido na tabela abaixo:  AUTO DE INFRAÇÃO  SUBITEM *  VALOR TRIBUTÁVEL  5.1.2.1  R$ 265.600,00  5.1.2.3  R$ 399.351,00  5.1.4  R$ 324.321,86  5.1.2.1  R$ 62.939,20  5.1.2.1  R$ 8.836,53  5.1.2.1  R$ 187.339.79  5.1.3.2  R$ 2.348.826,44  5.1.3.2  R$ 228.966,25  5.1.3.1  R$ 2.500.237,26  5.1.4  R$ 998.992,23   *  Numeração  dos  subitens  conforme  o  Relatório  de  Trabalho  Fiscal  Cientificada  do  acórdão  de  impugnação  em  13/04/2009 (e­fls. 4682), a interessada apresentou recurso voluntário em 13/05/2009 (fls. 4684 e segs.).  O recurso voluntário foi trazido a julgamento e foi conhecido por este colegiado,  na  sessão  de  15  de março  de  2012,  que  resolveu  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos da Resolução nº 1302­000.150.  No  recurso  voluntário,  a  recorrente  reitera  os  argumentos  trazidos  na  impugnação, aditada pelos argumentos sintetizados na resolução referida, verbis:  A) Do ano­calendário 2000:  ­  Da  glosa  da  variação  monetária  do  parcelamento  de  ICMS  de  R$10.359.592,48.  Afirmou a fiscalização ter constatado que a Recorrente havia contabilizado como  despesa  financeira  a  variação  monetária  do  ICMS.  Conforme  transcrito  no  próprio  Relatório  de Trabalho Fiscal,  a Recebedoria  de Rendas  da Secretaria  de Finanças  do  Estado da Paraíba, informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos  naquele  mesmo  ano  não  sofreram  atualização  monetária,  pois  a  UFIR  permaneceu  "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de  2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGP­ DI (FGV).  ­Apesar da clareza da resposta do Fisco paraibano, que confirmou a aplicação de  atualização monetária  desde  janeiro  de  2000  sobre  os  débitos  vencidos  e  não  pagos  Fl. 7562DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.562          10 naquele  ano, o  r.  auditor  fiscal  concluiu  ter  a Recorrente contabilizado,  "sem amparo  legal, atualização monetária dos débitos de ICMS no ano­calendário de 2000".  ­  O  Acórdão  da  Delegacia  de  Julgamento,  ao  tratar  deste  item  do  Auto  de  Infração, manteve a autuação sob o argumento de que a Recorrente não teria "nenhuma  prova, que não por ela mesma produzida, de que, sobre seus débitos de ICMS sobre os  quais versa o lançamento incidiram (sic) atualização monetária (juros e multa).  ­ Ora as As (sic) regras  legais atinentes à possibilidade de dedução da variação  monetária  correspondente  à.  Obrigações  tributárias  vigentes  em  2000  encontram­se  consubstanciadas no  entendimento  contido no Ato Declaratório Normativo COSIT n°  52.  ­ No caso em tela, a Recorrente celebrou, em 15/7/2000, um parcelamento com o  Estado  da  Paraíba,  relativamente  a  Débito  Fiscal  de  ICMS  ­  em  36  (trinta  e  seis)  parcelas mensais e sucessivas, acrescidas de mora, juro e correção monetária, quando  couber, atualizado pela UFIR ou outro critério adotado pela DEFINpara correção de  tributos.  ­ Do citado parcelamento, 3 (três) parcelas foram pagas em 2000, sem correção,  uma  vez  que  não  houve  variação  da  UFIR  naquele  ano.  O  saldo  devedor  em  2000,  contudo, foi corrigido conforme determinação da Portaria GSF n° 002, de 05.01.2001,  do  Secretário  das  Finanças,  publicada  no DOE  PB  de  06.01.2001,  a  qual  instituiu  a  aplicação do IGPD­I em substituição da extinta UFIR a partir de janeiro de 2000, para  débitos não pagos naquele ano.  ­ A Recorrente então contabilizou em 2000 o valor das atualizações monetárias  incidentes  sobre  o  saldo  devedor,  de  acordo  com  a  variação  do  IGP­DI  contida  na  Tabela  acima  referida.  Tais  valores  estão  demonstrados  na  Planilha  de  Parcelamento  ICMS (doc.06), para mais fácil visualização.  ­ Ao ao (sic)  reconhecer no ano de 2000 a despesa decorrente da  incidência do  IGP­DI  naquele  ano,  a  recorrente  somente  deu  cumprimento  ao  princípio  da  competência,  reconhecendo  que  tal  despesa,  apesar  de  ainda  não  desembolsada,  foi  incorrida naquele ano.  ­  diante  dos  fundamentos  apresentados  acima,  a  recorrente  requer  que  seja  reconhecido e homologado como despesa o valor contabilizado de R$ 10.359.592,48 ­  Da  glosa  de  custos  ­  Diferença  entre  os  valores  provisionados  e  adicionados  no  Ano­Calendário de 2000 (R$ 4.813.022,08).   Afirma o auditor ter constatado que vários títulos a receber da Recorrente teriam  sido  provisionados  no  ano­calendário  de  2000  e  adicionados  ao  lucro  líquido  na  apuração do lucro real daquele mesmo exercício fiscal. Ainda segundo ele de um total  de 294.731 títulos totalizando R$ 28.766.429,00 a parcela de 120.123 títulos teriam sido  provisionados por um valor X e adicionados ao lucro líquido por um valor inferior, X ­  Y.  Essa  diferença  de  valor, Y,  totalizaria  R$  4.813.022,08,  e  seria  um  custo/despesa  indedutível, o que ensejaria sua cobrança de ofício.  ­  A  DRJ  manteve  a  autuação  por  não  ter  a  Recorrente  apresentado  provas  documentais.  ­ Ao contrário do afirmado pelo auditor, não há qualquer diferença entre o valor  dos  294.731  títulos  provisionados  por  R$  28.766.429,00  e  o  valor  pelo  qual  esses  mesmos títulos foram lançados ao lucro líquido na apuração do lucro real.  Fl. 7563DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.563          11 ­ Ponto inconteste, afirmado pelo próprio auditor  fiscal, é que os citados títulos  foram provisionados, contabilmente, no ano­calendário de 2000 por R$ 28.766.429,00.  Toda a celeuma decorre do equívoco do auditor, ao indicar que tais títulos teriam sido  computados  no  lucro  líquido  para  apuração  do  lucro  real  por  valor  inferior  ao  provisionado.  ­ Demonstrando exatamente o contrário, ou seja, que o valor computado no lucro  líquido  para  apuração  do  lucro  real  foi  exatamente  igual  ao  valor  provisionado  (R$  28.766.429,00) a Recorrente apresenta cópia da fls. 25 do LALUR do exercício de 2000  (doc.07),  juntamente  com  a  pág.06  da  DIPJ  do  mesmo  exercício  (doc.08),  ambas  contendo o mesmo valor provisionado, (no caso da DIPJ, o valor compõe o lançamento  de  linha  3.  Despesas  operacionais  ­  Parcelas  Não  Dedutíveis),  então  adicionado  na  apuração do lucro real. Razão porque a autuação não tem amparo e foi equivocada .  ­ Da glosa de Custos ­ Provisões constituídas em 2000 e repetidas em 2001 ­ Diferença de provisão 2000/2001. (R$ 13.452.296,34).   Afirma  o  auditor  ter  constatado  904.370  registros  com  os mesmos  número  de  matricula  e  data  de  vencimento,  que  totalizavam  R$  58.121.067,24  (2000)  e  R$  44.673.929,56 (2001).  ­ Segundo o  auditor,  a  diferença  encontrada  em 2000  ("X")  e  2001  ("X  ­ Y"),  seria de R$ 13.452.296,34 e representaria o montante no qual a provisão para créditos  de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada no ano­calendário de 2000.  A  partir  dessa  presunção,  ele  concluiu  que  essa  parcela  da  provisão  para  créditos  de  liquidação  duvidosa  teria  sido  integralmente  utilizada  para  apuração  do  lucro  real  enquanto perda dedutível.  ­  Curiosamente,  o  auditor  realizou  outro  lançamento  tributário  sob  o  mesmo  fundamento, no valor de R$ 7.896.751,95, com base na diferença entre o valor total da  provisão para créditos de liquidação duvidosa de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$  73.942.388,66).  ­ Destaque­se que os valores tomados por base para o lançamento ora recorrido,  R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001, eram parcelas integrantes da  provisão para créditos de  liquidação duvidosa ("PDD") de 2000 (R$ 81.839.140,61) e  2001 (R$ 73.942.388,66), respectivamente. O auditor efetuou lançamentos distintos, um  para  a parte e outro para o  todo  (doe.09 e 10  ­  fls.09  e 10 do Lalur  e pag.6 da DIPJ  2002).  ­  A  DRJ  ao  tratar  deste  item manteve  a  autuação  simplesmente  por  não  ter  a  Recorrente  apresentado  provas  documentais,  ignorando  os  argumentos  aduzidos,  sobretudo o da verdade material.  ­  Inicialmente,  impõe­se  destacar  o  claro  bis  in  idem  configurado  pela  duplicidade de autuações com base no mesmo fato. Pela diferença entre a PDD de 2000  e  2001,  o  auditor  já  efetuou  o  lançamento  constante  do  item  5.5  do Relatório  Fiscal  defendido no presente Recurso.  ­ Não pode ele, com base na diferença entre parciais que compõem o saldo das  referidas provisões, efetuar novo lançamento, em adição ao já existente. Não bastasse a  ocorrência  do  bis  in  idem,  trata­se  de  autuação  baseada  pura  e  simplesmente  em  presunções ilegais: ­ de que o valor provisionado em 2001 seria o correto, e não o de  2000  e,  ­  que  a  diferença  entre  o  valor  dos  títulos  nos  dois  anos  foi  deduzida  na  apuração do lucro real de 2000.  Fl. 7564DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.564          12 ­ Se a administração tributária pudesse, a seu bel prazer, cobrar tributos com base  em meras  suposições,  o  contribuinte  ficaria  à mercê  das  interpretações  da  autoridade  fiscal. Presunção não é base de cálculo de imposto, devendo esse tipo de expediente ser  rechaçado do procedimento administrativo fiscal.  Ao  comparar  registros  com  o mesmo  número  de matricula  e  a mesma  data  de  vencimento,  na  data­base  dezembro/2000  e  dezembro/2001,  o  auditor  confunde  registros  de  sistema  com  títulos  representativos  de  dívida.  Os  registros  de  sistema  representam  o  total  do  débito  de  um  determinado  cliente,  que  pode  ter mais  de  uma  unidade  de  consumo  conectada  à  rede  elétrica.  Uma  rede  de  supermercados  com  diversas filiais, por exemplo.  ­  Fato  é  que  qualquer  desses  consumidores  pode  pagar  uma  fatura  de  energia  elétrica de uma unidade de consumo e deixar de pagar a de outra. Com isso, o valor do  registro,  de  um  ano  para  o  outro  pode  reduzir  normalmente,  sem  que  tenha  havido  qualquer erro por parte da Recorrente.  ­  Não  demonstrou  o  auditor  ter  sido  a  contabilização  de  2000  excessiva,  nem  tampouco  ter  resultado  cm  qualquer  benefício  fiscal  indevido  para  a  Recorrente.  Na  verdade,  ao  adotar  a  presunção  dc  ilegalidade,  furtou­se  de  perquirir  a  verdade  dos  fatos.  ­ Por conseqüência de todo o exposto requer a Recorrente que seja reconhecido o  bis  idem  e  a  ilegalidade  da  presunção  na  qual  se  baseou  o  lançamento,  devendo  ser  anulada a autuação de tais valores.  B) Do ano­calendario 2001:  ­ Provisão para Crédito Liquidação Duvidosa. Consumidores com medidas  judiciais.(R$7.936.588,47).   No relatório de  trabalho  fiscal,  o  auditor  fiscal  constatou  a  indedutibilidade da  provisão  do  valor,  correspondente  às  contas  de  energia  elétrica  de  clientes  que  ingressaram na Justiça questionando os reajustes tarifários de 1986.  ­ A DRJ deixou de apreciar os  fundamentos expostos, por não ter a Recorrente  apresentado provas documentais correspondentes.  ­ Durante o ano de 2001, diversas faturas de clientes que ingressaram na justiça  questionando  os  reajustes  tarifários  de  1986  foram  emitidas,  em  cumprimento  a  decisões judiciais, por 80% do valor integral. Por um equívoco contábil da Requerente,  os 20% restantes foram levados a tributação como faturamento e, pendentes no Contas  a  Receber,  foram  objeto  de  provisão  pela  Recorrente  conforme  parâmetros  para  constituição de provisão para Devedores Duvidosos.  ­ Em razão do equívoco cometido quando da emissão de faturamento de receita  em 80% (oitenta por cento) e 20% de provisão de devedores duvidosos, houve o devido  estorno no LALUR, de forma que não afetou o lucro líquido do exercício. Tal equívoco  ocorreu  em  virtude  da Recorrente  não  ter  cumprido,  de  imediato,  a  determinação  de  redução das ações judiciais.  ­ Uma vez que a empresa constatou que aqueles valores de PDD não podiam ser  lançados na rubrica de contas a receber, buscou o seu devido estorno, não acarretando  qualquer prejuízo ao erário público.  ­  Prosseguir  com  o  entendimento  do  fiscal  seria  praticar  o  estorno  de  um  lançamento  irregular.  A  Recorrente  anexa  relatório  de  todos  os  consumidores  com  Fl. 7565DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.565          13 débitos oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, os quais  foram objeto de estorno. Ainda como meio de prova do alegado, a Recorrente anexou  cópia da CE n°. 016/2001­DFIN, pela qual a Saelpa solicita à Secretaria de Finanças do  Estado  da  Paraíba  compensação  do  ICMS  recolhido  sobre  os  20%  (vinte  por  cento)  desses faturamentos, bem como Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pelo  auditor  em seu  relatório para  comprovar que  essas  contas continuavam pendentes  até  31/12/2001.  ­ Da Glosa de Custos ­ Faturamento Complementar(R$ 10.434.423,05).   Este item refere­se à contabilização de faturas de compra de energia elétrica, pela  Recorrente,  junto  à  Companhia  Hidroelétrica  do  São  Francisco  ­  CHESF,  no  ano  de  2001. Trata­se,  de  fato,  da nota  fiscal  n° 5342,  emitida pela CHESF, no valor de R$  10.908.181,17 ­ R$ 473.758,12 (ajuste), em vista dos depósitos/créditos bancários feitos  pela  ENERGISA  (Saelpa),  referente  ao  faturamento  complementar  relativo  ao  fornecimento de energia do ano de 2001.  ­ Sustenta o auditor que tais valores não poderiam ser Considerados como custo,  mas  sim  como  um  ativo  circulante  ou  recuperável  a  longo  prazo.  Tal  entendimento  equivocado  decorreu  da  escusável  falta  de  conhecimento  técnico  acerca  do  funcionamento  e  da  regulação  do  setor  elétrico  brasileiro,  vigentes  à  época.  Por  esse  desconhecimento,  o  fiscal  acabou  confundindo  o  objeto  da  autuação  (faturamento  de  energia comprada) com a Recomposição Tarifária Extraordinária ­ RTE.  ­  A DRJ  não  analisou  os  argumentos  da  recorrente,  atendo­se  simplesmente  a  transcrever  na  íntegra  o  Parecer  COSIT  n°  26.  o  r.  julgador  manteve  a  linha  de  pensamento equivocada do r. auditor fiscal, vinculando o pagamento da nota fiscal n°  5342 da CHESF à sobretarifa objeto do Parecer COSIT n° 26/2002, quando na verdade,  esse dois fatos não guardam entre si qualquer relação.  ­ Em 2001, o setor elétrico era regulado, principalmente, pelas Leis n° 9.648, de  27  de  maio  de  1998  e  n°  9.427,  de  26  de  dezembro  de  1996.  O  art.  12  da  Lei  n°  9.648/1998,  em  seu  §2°,  estabelecia  que  a  compra  e  venda  de  energia  elétrica  nos  sistemas  elétricos  interligados  seriam  realizadas no  âmbito do Mercado Atacadista de  Energia  Elétrica  ­ MAE,  observado  o  disposto  no  art.  10,  que  tratava  dos  contratos  iniciais.  ­ A Recorrente  tinha, em 2001, um contrato de compra e venda de energia  em  vigor  com  a  CHESF,  celebrado  em  25  de  janeiro  de  2000  (doc.16)  Seu  Anexo  I  apresenta  as  quantidades  contratadas  e  as  tarifas  do  contrato  inicial.  O  montante  de  energia  contratado  para  2001,  com a CHESF,  correspondeu  a  396 MW médios. Tais  montantes mensais  foram  registrados  no MAE  considerando  o  disposto  no  Parágrafo  Primeiro da Cláusula 11 do Contrato.  ­  Para  fins  de  informação,  a  Recorrente  apresenta  a  tabela  Ia  (doc.  17),  que  apresenta os montantes mensais  contratados e  adquiridos  em 2001, bem como  teriam  sido  os  correspondentes  faturamentos,  caso  não  houvesse  sido  decretado  o  racionamento  de  energia.  Para  cada  mês,  as  tarifas  e  os  faturamentos  foram  obtidos  conforme Cláusula 14 do contrato inicial.  ­ Na Região Nordeste, onde se localiza a Recorrente, o racionamento de energia  elétrica foi decretado pelo Poder Concedente a partir de junho de 2001. CHESF, então,  conforme recomendação da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia  Elétrica  ­  ABRAGE,  efetuou,  a  partir  de  junho  de  2001,  o  faturamento  provisório  tomando  por  base  as  quantidades  contratadas,  ajustadas  pelo  percentual  da  meta  de  racionamento estabelecida pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica ­ GCE,  Fl. 7566DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.566          14 conforme  faturas  e  respectivas  correspondências  de  encaminhamento,  todas  anexas  (docs.18).  ­ Com  isto, a CHESF passou a  faturar, a  título provisório, a energia contratada  pela Recorrente com uma  redução de 20%. A tabela 1  .b, anexa, consolida os valores  mensais  faturados,  em MWH  (quantidade  de  energia  faturada)  e  Reais.  Somente  em  dezembro de 2001 foi estabelecido pelo §8° do art.2° da Resolução GCE n° 091, de 21  de  dezembro  de  2001,  a  metodologia  para  o  fator  de  redução  a  ser  aplicado  aos  contratos iniciais durante o período de vigência do racionamento.  ­ Esta metodologia foi posteriormente detalhada no art.5° da Resolução ANEEL  n° 31;  de 24 de  janeiro de 2002,  senão vejamos:  (doe.  19) Em  face da  cláusula 6 do  aditivo (04.07.02) ao contrato  inicial da CHESF  ­ SAELPA (doc.20)  reduziram­se os  montantes  contratados  no  período  de  vigência  do  racionamento.  Para  o  período  de  junho a dezembro de 2001, ficou definido que seria aplicado o fator de redução previsto  no art.5° da Resolução ANEEL n° 031, de 2002.  ­ Finalmente, apenas em 12 de agosto de 2002, os fatores de redução aplicáveis  ao  ano  de  2001  foram  definitivamente  informados  pela  ANEEL  por meio  do Ofício  Circular n° 761/2002­SFF­SRE/ANEEL (doc.21), correspondendo a 0,93638 de junho a  dezembro de 2001, ou seja, uma redução de 6,362%.  ­  A  tabela  l.c  (anexa  ­  doe.  17)  apresenta  os  valores  que  deveriam  ter  sido  faturados  pela  Saelpa  considerando  este  fator  de  redução. Verificou­se,  então,  que  a  SAELPA havia consumido um volume de energia equivalente a 93,638% do contrato  inicial, mas apenas 80%  tinha sido  faturado e  recebido pela CHESF. Dessa diferença  originou­se um débito de compra de energia da Energisa (Saelpa) para com a CHESF.  ­ Conseqüentemente, a CHESF emitiu faturamento complementar contra a Saelpa  relativo à diferença entre o valor que deveria  ter sido faturado em 2001 com base no  Ofício Circular n° 761/2002­SFF­SRE/ANEEL (tabela lc ­ doe. 17) e aquele objeto do  faturamento preliminar (tabela lb), correspondendo a R$ 10.434.423,05 (tabela ld ­ doc.  17).  ­  A  SAELPA,  até  então,  havia  efetuado  o  registro  contábil  das  operações  de  comercialização,  realizadas  com  base  em  estimativas  elaboradas  pela  sua  própria  administração, observando os princípios fundamentais da contabilidade.   ­Assim,  em  dezembro  de  2001,  a  SAELPA  registrou  o  valor  de  R$  11.096.782,02 para fins de efeitos contábeis, tendo em vista a definição, à época, dos  redutores pelos órgãos competentes. Posteriormente, com a determinação em definitivo  do Fator de Redução, foram efetuados os devidos ajustes, nos valores de R$ 473.758,12  e R$ 188.600,85 (receitas levadas à tributação no exercício de 2002 ­ vide Diário ­ doc.  XX anexo), resultando no valor líquido de R$ 10.434.423,05.  ­De acordo com o site da Agência Nacional de Energia Elétrica:  "A  Recomposição  Tarifária  Extraordinária  é  um  instrumento  que  se  destina  à  compensação  pelas  perdas  de  receita  das  concessionárias,  impostas  pelo  Programa  Emergencial  de  Redução  do  Consumo  de  Energia Elétrica,  e  acumuladas no  período  de  10  de  janeiro a  25  de  outubro  de  2001.  A  recomposição  foi  estabelecida  mediante  a  aplicação dos seguintes percentuais de reajuste:  2,9% para as classes Residencial e Rural;  Fl. 7567DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.567          15 7,9%  para  as  demais  classes,  excluídos  os  consumidores  de  Baixa  Renda,  os  Serviços  Executados  e  os  suprimentos  entre  empresas,  conforme legislação citada nos anexos."  ­  Depreende­se  da  leitura  do  próprio  Parecer  COSIT  n°  26/2002,  que  "as  concessionárias  de  energia  elétrica  tiveram  redução  de  suas  margens  de  lucro,  seja  devido à diminuição do faturamento, seja pelo aumento de custos não gerenciáveis". E  que  "visando  a  recomposição  do  equilíbrio  econômico­financeiro  de  contratos  de  concessão a que se refere o dispositivo acima transcrito (art. 28 da MP n° 2.198/2001),  a MP n° 14, de 21 de dezembro de 2001, em seu artigo 4o, assim dispôs:  "Art. 4° A ANEEL procederá à recomposição  tarifária extraordinária  prevista no art. 28 da Medida Provisória no 2.198­5, de 24 de agosto  de 2001, sem prejuízo do reajuste tarifário anual previsto nos contratos  de concessão de serviços públicos de distribuição de energia elétrica.  § 1° A recomposição tarifária extraordinária de que trata o caput será  implementada  por  meio  de  aplicação  às  tarifas  de  fornecimento  de  energia elétrica dos seguintes índices:  I ­ 2,9%, para os consumidores integra­ ntes das Classes Residencial e  Rural; e II ­ 7,9%, para os demais consumidores.   ( . . . ) " ­  Ora,  a  perda  de  receita  da  Recorrente  em  virtude  do  racionamento de 2001, a ser compensada de forma diferida pela RTE,  não se confunde com o valor pago à CHESF pela energia consumida  naquele ano.  ­ Como é de conhecimento comum, a mercadoria energia tem uma peculiaridade  que a difere das demais. Não se armazena energia na distribuição. Não há estoque. A  distribuidora, simplesmente, contrata uma quantidade de energia com a geradora, que  passa  a  ter  a  obrigação  de  gerar  esse  montante  de  energia  e  lançá­lo  no  sistema  interligado.  ­ A distribuidora tem, então, o direito de vender energia nessa quantidade, pois  foi ela quem pagou ao gerador. No caso, a Recorrente havia contratado com a CHESF o  fornecimento  de  2.058.271,448  MWH  para  o  ano  de  2001,  pelo  preço  de  R$  76.509.921,18.  ­  Por  conta  do  racionamento,  a  CHESF,  inicialmente,  faturou  apenas  80%  do  contrato (1.646.617,159 MWh, pelo preço de R$ 61.207.936,96). Quando, finalmente,  em agosto de 2002, a ANEEL apurou o fator de redução e determinou qual havia sido a  quantidade de energia vendida pela CHESF para a SAELPA no ano de 2001, contatou­ se que havia sido entregue o montante de 1.927.324,218 MWh, o que totalizava o preço  de R$ 71.642.360,01,  resultando numa  diferença  a  pagar  de R$  10.434.423,05,  valor  esse, então faturado de forma complementar pela CHESF.  ­  Frise­se,  foi  uma  despesa  efetivamente  incorrida  no  ano  de  2001.  Um  custo  necessário para sua operação (venda de.,energia) e, por conseguinte, dedutível.  ­ O fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter  recebido  do  Poder  Concedente  um  reequilíbrio  econômico­financeiro  do  contrato  de  concessão  de  maneira  diferida  (RTE)  não  faz,  absolutamente,  com  que  a  despesa  incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a seu mercado consumidor  deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer  COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE!  Fl. 7568DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.568          16 ­ Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir  o objeto da autuação (despesa com energia consumida em 2001) com a RTE (valores  incluídos  na  fatura  de  energia  elétrica  dos  consumidores  a  partir  de  2002,  para  reequilíbrio econômico­financeiro do contrato de concessão).  ­ o Auditor Fiscal deveria levar em consideração o Princípio da Competência do  exercício, bem como a emissão da  fatura complementar, que se deu em dezembro de  2001.  ­ Entende a requerente, em vista do exposto, que se essa despesa operacional foi  confirmada com o valor apurado pela Chesf na competência de 2001, por tratar­se de  complemento do valor do contrato inicial de compra e venda de energia do exercício de  2001,  tal  despesa  deve  ser  considerada  como  custo  do  resultado  para  apuração  do  exercício,  uma  vez  que  esse  valor  foi  relativo  ao  período  de  comercialização,  cuja  competência refere­se ao exercício de 2001.  ­ Tem­se como regra que os Valores serão apurados considerando o período de  comercialização,  e,  no  caso,  esses  períodos:  foram  os meses  de  abril  a  dezembro/01,  portanto, foram eles reconhecidos naquela competência.  Diferenças  de  Despesas  com  Compra  de  Energia  da  CHESF  (R$  2.871.961,74).   O  fiscal  solicitou  informações  à  Companhia  Hidroelétrica  do  São  Francisco  ­  CHESF  e,  com  base  na  resposta  obtida,  entendeu  que  havia  divergências  entre  os  valores escriturados pela SAELPA e os valores constantes da emissão das notas fiscais  da Chesf, relativas a essas contas.  ­ O Auditor Fiscal, então, glosou os valores estornados da nota fiscal n° 5324 em  R$ 2.098.505,44,  bem como  a  diferença  entre  o  valor  contabilizado e  o  constante  da  nota no valor de R$ 111.097,33. Da mesma forma, glosou o estorno da nota fiscal n°  5342, no valor de R$ 473.758,12, e a diferença entre o valor contabilizado e o constante  daquela nota, no valor de R$ 188.600,85, totalizando a glosa de R$ 2.871.961,74, como  despesa/custo indedutível para a apuração do lucro real no ano­calendário de 2001.  ­ A DRJ entendeu que somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos  e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea.  ­ Os procedimentos realizados pela ora Recorrente, tiveram suporte na época pelo  seu órgão  regulador, bem como pelas disposições do Setor Elétrico,  a  saber ANEEL,  ABRAGE, GCE, através de expedição de resoluções. Ademais,  todos os  lançamentos  contábeis  tiveram  suporte  no  que  determina  os  contratos  iniciais  de  fornecimento  de  energia  elétrica,  a  legislação  vigente  no  período  de  racionamento  e  os  fatores  econômicos efetivos.  ­  No  período  objeto  da  fiscalização,  em  razão  do  racionamento  de  energia,  as  parcelas de demanda e a energia de todos os contratos iniciais foram reduzidas em 2,1%  em  cada  mês.  Esse  fator  de  redução  foi  divulgado  pela  ABRADEE  ­  Associação  Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, durante o processo de negociação com  o Governo Federal.  ­ Em dezembro de 2001, o governo e as empresas de energia elétrica firmaram o  Acordo Geral do Setor Elétrico com as concessionárias distribuidoras e as geradoras de  energia  elétrica,  com  o  intuito  de  garantir  o  equilíbrio  econômico­financeiro  dos  contratos  existentes  e  a  recomposição de  receitas  relativas  ao  período de  vigência do  Fl. 7569DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.569          17 Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica  (Racionamento  /  "Programa Emergencial").  ­ Tal acordo abrangia  (i)  as perdas de margem  incorridas pelas distribuidoras e  geradoras  no  período  de  vigência  do  citado  Programa  Emergencial,  (ii)  os  custos  adicionais da Parcela A . para o período de 1/01/2001 a 25/10/2001, (iii) a parcela dos  custos com a compra de energia no âmbito do Mercado Atacadista de Energia (MAE),  denominada "energia  livre",  realizadas  até dezembro de 2002 e  (iv)  a  substituição do  direito  contratual  previsto  no  Anexo  V  dos  Contratos  Iniciais  (compra  e  venda  de  energia).  ­  Assim,  as  distribuidoras  alcançadas  por  essa  recomposição  tarifária  extraordinária  teriam  que  pagar  às  geradoras,  durante  o  Programa  Emergencial,  os  valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada  às distribuidoras. Essa redução foi definida em 2,341%.  ­  A  Recorrente  demonstra  através  do  Extrato  contábil  (doc.22  ­  anexo  09  da  impugnação) que efetuou a contabilização em dezembro de 2001 dos valores relativos à  diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, bem como  o valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com  os demonstrativos de cálculos efetuados à época (doc 23 ­ anexo 10 da impugnação).  ­ Com base na informação detida no momento do lançamento contábil (antes da  definição final do fator de redução), a SAELPA efetuou os cálculos utilizando o Fator  de Redução 2,1%.  ­ Como bem colocado pelo Senhor Fiscal, e diante do exposto acima, a Saelpa  efetuou a contabilização na conta contábil 615.03.3.5.41 subconta 4101 dos valores de  energia  comprados  da  CHESF  em  montantes  de:  (i)  R$12.084.922,43  ­  energia  comprada  de  dezembro  de  2001,  e  (ii)  R$11.096.782,02  ­  valor  complementar  de  valores de energia comprada de abril a dez de 2001.  ­  Os  documentos  hábeis  e  idôneos  que  serviram  de  base  para  os  registros  contábeis dos valores de R$ 11.096.782,02 e R$ 12.084.922,43 foram apresentados pela  Recorrente no momento da  fiscalização,  tendo sido, no entanto, desconsiderados pelo  Fiscal,  que  desprezou  a  correção  de  tais  valores  contabilizados  com  fator  de  redução  (2,1%), relativo ao período de abril a dezembro de 2001.  ­ O  lançamento de R$ 11.096.782,02  refere­se  ao somatório  encontrado após a  aplicação do  fator de  redução de 2,1% sobre o valor do  contrato  inicial  de  compra  e  venda de energia elétrica do período de abril a novembro de 2001. E o lançamento de  R$ 12.084.922,43 é o valor contrato inicial de compra e venda de energia elétrica para o  mês de dezembro de 2001, já aplicado o fator de redução de 2,1 %.  ­  Em  um  segundo  momento,  após  a  celebração  do  Acordo  Geral  do  Setor  Elétrico, foi utilizado pela Recorrente o fator de redução de 2,341% para o cálculo da  diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, e de 20%  sobre o valor da compra de energia elétrica (contrato inicial) para o mês de dezembro  de 2001, apurando­se os valores de R$13.122.235,30 em vez de R$11.096.782,02 e de  R$9.875.319,66 em vez de R$12.084.922,43, respectivamente.  ­ Logo, a diferença apontada para a nota fiscal da Chesf n° 005324, no valor de  R$ 2.209.602,77, refere­se ao valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela  Chesf, com o redutor de 20% (vinte por cento). Com relação à diferença citada na nota  fiscal n° 005342, no valor de R$ 662.358,97, a mesma  refere­se à subtração do valor  registrado pela SAELPA, e o valor efetivamente devido após o ajuste.  Fl. 7570DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.570          18 ­  O  valor  contábil  registrado  em  dezembro  de  2001  pela  SAELPA  (R$  11.096.782,02) foi assim calculado em função de que também se desconhecia o ajuste  da fatura complementar, o que se deu apenas em meados de 2002. Destaque­se que as  diferenças de R$ 2.209.602,77 e de R$ 662.358,97, acima esclarecidas e que totalizam  R$ 2.871.961,74, foram levadas à tributação no exercício fiscal de 2002, quando houve  a  definitiva  indicação  do  valor  devido  pelo  MAE,  conforme  se  comprova  do  lançamento contido no Diário (doe. XX anexo).  ­ Diante  do  esclarecimento  acima,  fica  caracterizado  que  o  valor  glosado  pelo  Auditor Fiscal é justamente a variação decorrente das duas notas fiscais emitidas pela  Chesf.  ­ Em razão dos fundamentos apresentados acima, não é possível outra conclusão  que  não  seja  o  reconhecimento  da  legalidade  e  correção  do  valor  total  contabilizado  sobre a rubrica de despesa/custo, relativo as despesas de Compra de Energia à CHESF,  bem como seu lançamento contábil em 31.12.2001.  ­ Da Glosa de Custos ­ Provisionamento da Compra de Energia no Mercado  Atacadista no Ano­Calendário de 2001 ­ R$ 70.342.053,18.   Este  item  do  auto  de  infração  refere­se  a  contabilização,  em  31/12/2001,  da  energia  comprada  no Mercado Atacadista  de  Energia  Elétrica  ­MAF  no  valor  de R$  70.342.053,18.  ­Percebe­se, novamente, que o auditor confunde o custo da energia consumida no  ano  2001  com  a  RTE,  aplicando  indevidamente  o  diferimento  previsto  no  Parecer  COSIT n° 26/2002. É, pois, equivocada a conclusão do auditor, de que teria a SAELPA,  indevidamente,  deixado  "de  adicionar na  apuração do  lucro real  a  importância de R$  70.342.053,18, por ser tal custo/despesa indedutível.  ­ O Acórdão da DRJ novamente, descuidou de analisar os argumentos da então  impugnante,  atendo­se  simplesmente  a  aplicar  o  Parecer  COSIT  n°  26,  de  26  de  setembro de 2002. Não bastasse, ainda negou pedido de diligência requerido que teria  esclarecido definitivamente a celeuma.  ­ De acordo com o sitio eletrônico da Receita Federal do Brasil, "provisões são  expectativas  de  obrigações  ou  de  perdas  de  ativos  resultantes  da  aplicação  do  principio  contábil  da  Prudência.  São  efetuadas  com  o  objetivo  de  apropriar  no  resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou  despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro."  ­  Ou  seja,  provisões  são  sempre  criadas  para  atender,  segundo  o  principio  da  competência,  a  apropriação  de  custos  e  despesas  que  se  concretizarão  no  futuro  Definitivamente, não é o caso dos lançamentos glosados pelo auditor.  ­ Tais lançamentos do Livro Diário n° 127, contidos nas fls. 3.835, 3.836 e 3.838  dos autos, apesar de terem sido denominados "PROVISÃO COMPRA MAE", não são  provisões, pois retratam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001.  Aqueles  valores,  que  totalizam  R$  70.342.053,18,  representam  o  custo  da  energia  comprada pela Recorrente no MAE a cada mês de 2001, a fim de atender seu mercado  consumidor.  ­ Como já explicado no tópico do presente recurso relativo à compra de energia  junto  à CHESF,  o  suprimento  de  energia  da  Saelpa  em  2001  era  proveniente  de  seu  Contrato Inicial com a geradora Chesf, (doe. 16 Contrato da CHESF), complementado  por  Contratos  Iniciais  de  compra  das  concessionárias  de  distribuição  Companhia  Fl. 7571DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.571          19 Energética do Ceará, Companhia Energética de Pernambuco e Companhia Energética  do Rio Grande do Norte.  ­ Esta energia comprada visava ao atendimento da carga de seus consumidores,  bem como ao suprimento de energia para a Celpe, a Cosem e a Companhia Energética  da Borborema, mediante Contratos Iniciais de venda de energia elétrica.  ­  Para  fins  de  esclarecimentos,  note­se  que  as  diretrizes  e  condições  para  os  Contratos  Iniciais entre distribuidoras  foram estabelecidas pela Resolução ANEEL n°  44,  de  01/02/01  (anexo).  Os  montantes  mensais  de  energia  contratada  e  respectivas  tarifas foram homologados pelas Resoluções ANEEL n° 45, de 10/02/01, e n° 173, de  10/05/01 (docs.24 a 26).  Sabendo­se,  assim,  quais  eram os  contratos  iniciais  da Recorrente  no  inicio  de  2001, tem­se que a Energisa dispunha de sobras de energia dentro do seu planejamento  anual, o que lhe permitia vender diretamente a outras distribuidoras de energia por meio  de contratos bilaterais, na forma do arl. 12 da Lei n° 9.648/1998.  Em 17 de abril de 2001, antes que se falasse em racionamento de energia elétrica,  a Energisa celebrou contratos bilaterais de venda de energia para a Companhia Força e  Luz Cataguazes  ­  Leopoldina  e  empresa Energética  de  Sergipe  S.A.  (does.  27  e  28).  Como conseqüência do racionamento de energia elétrica, foi celebrado o Acordo Geral  do  Setor  Elétrico,  do  qual  constou  a  instituição  da  Recomposição  Tarifária  Extraordinária  ­  RTE,  assim  como  a  obrigatoriedade  de  celebração,  por  cada  distribuidora,  de  um  "Acordo  de  Compra  de  Sobras  Líquidas  Contratuais"  com  as  geradoras.  ­ Destaque­se  que  o  "Acordo  de Compra  de  Sobras Liquidas Contratuais"  não  tem  absolutamente  nenhuma  vinculação  com  a  RTE.  Enquanto  esta  visava,  como  explicado,  o  restabelecimento  do  equilíbrio  econômico  financeiro  dos  contratos  de  concessão, mediante a reposição de perdas das distribuidoras, o "Acordo de Compra de  Sobras  Líquidas  Contratuais"  tinha  por  objetivo  redistribuir  as  eventuais  sobras  de  energia das distribuidoras para as geradoras, como forma incentivo ao setor de geração.  Assim, a Recorrente celebrou o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais"  (doc.29),  sendo  o  conceito  de  sobras  definido  na  cláusula  1',  como  a  diferença,  se  positiva, entre:    (i) Contratos  Iniciais e Equivalentes, acrescidos da quota de Itaipu e  da  geração  própria;  e  (i.l.)  Carga  de  cada  concessionária  de  distribuição  referenciada  ao  Centro  de  Gravidade  correspondente  (referir  ao  centro  de  gravidade  significa  acrescentar  à  carga  sua  respectiva  parcela  das  perdas  elétricas  no  sistema  nacional  de  transmissão,  conforme  calculado  pelo  Mercado  Atacadista  de  Energia).  ­  Como  a  Energisa  não  é  quotista  de  Itaipu,  nem  tampouco  possui  geração  própria,  a  oferta  contabilizada  pelo  MAE  correspondeu  a  seus  contratos  iniciais  de  compra,  deduzidos  dos  contratos  iniciais  de  venda.  Logo,  sua  carga  referenciada  ao  Centro  de  Gravidade  correspondeu  à  carga  associada  a  seus  consumidores  finais  (apurada pelo MAE nos pontos de medição das conexões com o sistema de transmissão  da CHESF e com os sistemas de distribuidoras vizinhas), acrescida das perdas na rede  básica alocadas à Energisa na contabilização do MAE.  ­  Acontece  que  os  contratos  bilaterais  de  venda  de  energia  celebrados  com  a  CFLCL e a ENERGIPE não foram considerados para o cálculo das sobras, pois, com  Fl. 7572DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.572          20 base no disposto no inciso III do § 5o do art. 2° da Resolução GCE n° 091, de 21/12/01,  não foram considerados como equivalentes aos contratos iniciais.  ­ Esse entendimento  foi  ratificado por meio do  item I do Despacho ANEEL n°  288,  de  16/05/02,  anexo,  que  não  relacionou  tais  contratos  como  equivalentes  aos  iniciais.  Como  conseqüência,  acabou  a  recorrente  sendo  obrigada  a  comprar  no  Mercado  Atacadista  de  Energia  a  quantidade  de  energia  necessária  para  honrar  os  contratos bilaterais.  ­ Como exposto, o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais  resultou  em exposição ("compra" de energia no mercado de Curto prazo do MAE) da Recorrente  correspondente  aos  montantes  vendidos  a  CFLCL  e  Energipe,  registrados  no  MAE.  Esta exposição foi valorada ao preço da energia no mercado de curto prazo (na ocasião  denominado PMAE) no submercado Nordeste, que correspondeu a R$ 684/MWh de Io  de junho até a 21 de setembro e R$ 562,15/MWh de 22 de setembro até 31 de dezembro  de 2001 (valores constantes do site da CCEE,entidade que sucedeu o MAE).  ­ Desta  feita, a Recorrente foi obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a  pagar pela energia que foi obrigada a comprar no MAE no ano de 2001, para ter lastro  para cumprir seus contratos bilaterais de venda de energia. Sendo assim, os Agentes do  Setor  Elétrico,  entre  esses  a  ora  Recorrente,  solicitaram  do  MAE  O  posicionamento  sobre essas contas, a fim de formalizar os lançamentos contábeis do exercício.  ­  No  entanto,  em  razão  do  Comunicado  1­AS  017/02  (doc.  30),  as  empresas  foram  informadas  que  o  MAE  não  poderia  divulgar  os  valores  relativos  às  contabilizações, a energia comercializada no Mercado Atacadista referente ao exercício  de 2001 em razão de processo ajuizada pelas Centrais Elétricas Brasileiras ­ Eletrobrás  em face da ANEEL, ASMAE e outras.  ­ Nessa situação, apenas em 28 de fevereiro de 2002, é que houve a divulgação  aos  Agentes  do  Demonstrativo  provisório  e  aproximado,  de  natureza  meramente  informativa  contendo  os  melhores  números  para  se  proceder  ao  registro  contábil­ financeiro,  formalizado  mediante  a  CI­AS  0347/2002,  com  a  denominação  de  Provisionamento 2001 e Formulação Algébrica referente ao Acordo de Racionamento  (doc.31).  ­  Dessa  forma,  os  números  que  constam  no  demonstrativo  divulgado  no  Comunicado  acima,  registram  os  valores  disponíveis  às  distribuidoras  e  geradoras,  resultado das compras e vendas de energia no MAE. Os valores constantes da coluna  "Montante Financeiro Mensal  (R$)  representam os  créditos  e  débitos  decorrentes  das  sobras  ou  déficits  de  energia  em  cada  mês  (que  resultam  do  balanço  entre  oferta  e  consumo), valoradas ao PMAE (Preço MAE).  ­  Percebe­se,  então,  que,  o  valor  de  R$  70.342.053,18,  detalhado  na  tabela  2  (doe.32),  resulta dos valores devedores mensais  relativos à Recorrente,  apurados pelo  MAE, constantes da coluna Montante Financeiro Mensal (R$) do anexo Resultados do  Provisionamento 2001, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como  Ajuste MAE compra jan a ago/00 (doc.33).  ­ Resta, portanto, inequivocamente demonstrado que:  (i) Provisionamento  foi a denominação utilizada pelo MAE quando  informou o  valor  devido  pela  Recorrente  pela  energia  adquirida  no  mercado  de  curto  prazo  nos  meses  de  2001.  O  fato  de  constarem  da  escrituração  contábil  lançamentos  com  indicação desse nome não transforma tais lançamentos em provisões. Pelo contrário, o  fato de tais lançamentos representarem despesas incorridas no ano de 2001, não custos  Fl. 7573DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.573          21 futuros,  é  suficiente  para  afastar  qualquer  entendimento  naquele  sentido,  sendo  certo  não se tratar de provisão, mas sim de despesa operacional;  (ii) O  auditor  confundiu  o  Acordo  de Compra  de  Sobras  Líquidas  Contratuais  com a RTE, quando a única ligação entre esses dois fatos é o momento histórico. Como  demonstrado, a despesa de R$ 70.342.053,18 decorreu da obrigatoriedade de aquisição  de energia no mercado de curto prazo pela Energisa, para honrar as vendas de energia  efetuadas, não tendo qualquer vinculação com a sobre tarifa criada para os exercícios  subseqüentes  com  a  finalidade  de  reequilibrar  econômica  e  financeiramente  seu  contrato de concessão pela perda de receita em 2001 (RTE).  ­ Frise­se, o valor pago a  título de energia comprada no MAE foi uma despesa  efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação e, por  conseguinte,  dedutível.  Vale  repetir  a  mesma  observação  já  feita  neste  recurso  voluntário: o fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de  ter recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômico­financeiro do contrato de  concessão  de  maneira  diferida  (RTE)  não  faz,  absolutamente,  com  que  a  despesa  incorrida  no  ano  de  2001  com  compra  de  energia  destinada  a  suprir  seus  contratos  bilaterais deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar  o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE !  ­ Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir  o  objeto da  autuação  (despesa  com energia  revendida  em 2001)  com a RTE  (valores  incluídos  na  fatura  de  energia  elétrica  dos  consumidores  a  partir  de  2002,  para  reequilíbrio econômico­financeiro do contrato de concessão).  ­ A Energisa com base no Princípio do Conservadorismo, e de posse dos números  apresentados em planilha do MAE, que indicou a compra naquele mercado, lançou tal  despesa como custo dedutível na apuração do lucro real, para o exercício de 2001, em  virtude  da  observância  do  princípio  da  competência  e  em  função  da  planilha  informativa apresentada pelo MAE.  ­  Nesse  sentido,  seguiu  determinação  do Manual  de  Contabilidade  do  Serviço  Público de Energia Elétrica, no  item 6.3.16, que  trata da Comercialização de Energia  Elétrica no Âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica ­ MAE.  ­  Como  acima  explicitado,  naquele momento  os  números  contidos  na  planilha  apresentada  pelo  MAE  eram  os  únicos  valores  conhecidos  a  título  de  despesa  para  compra de energia no MAE.   ­ Em face disso, a planilha do MAE era, definitivamente, o documento hábil e  idôneo que indicava o valor a ser levado a custo como compra de energia no Mercado.  Portanto  para  o  exercício  de  2001,  fazendo  correspondência  ao  extrato  emitido  pelo  Mercado Atacadista de Energia, a Saelpa contabilizou: 611.03.3.1.0.2 ­ Suprimento de  Energia Subconta 0002 ­ Energia de Curto Prazo ­ R$6.036.832,43 e; 615.03.3.5.4.1 ­  Operações com energia elétrica Subconta: 4103 ­ Energia Comprada ­ Curto Prazo ­  R$ 70.342.053,18.  ­  Diante  do  exposto  acima,  fica  claro  e  evidenciado  o  equívoco  do  fiscal  em  aumentar  a  base  tributável  do  Imposto  de Renda,  e por  reflexo  da CSLL  ao  glosar  a  citada despesa de R$70.342.053,18.  ­  Outrossim,  o  Auditor  Fiscal  em  seus  procedimentos,  deixou  de  requisitar  informações perante a ANEEL, a fim de atestar os lançamentos de despesas efetuadas  em  cada  exercício.  Tais  custos  reconhecidos  pela  ANEEL  servem  de  base  para  a  autorização das revisões das tarifas de energia.  Fl. 7574DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.574          22 ­ Em razão dos fundamentos apresentados acima,  requer a recorrente,  sob pena  de  cerceamento  de  defesa,  seja  deferido  o  pedido  de  diligências  com  pedidos  de  esclarecimento  acerca das operações de Compra  e Venda de Energia  junto à CCEE  ­  Câmara  de  Comercialização  de  Energia  Elétrica  (nova  denominação  do  Mercado  Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745 ­ 9° Andar, Cerqueira  César ­ São Paulo ­ SP, CEP: 01419­001, seja dado provimento ao recurso.  ­Exclusões no Lalur Indevidas (R$ 7.896.751,95).   Segundo o auditor, da análise dos arquivos da empresa, constatou­se a existência  de vários registros onde os valores provisionados em 2000 são superiores aos de 2001.  Dessa  forma,  entendeu  que  houve  uma majoração  indevida  de R$ 12.851.228,33  que  representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria  sido indevidamente majorada.  ­ A partir dessa presunção, o auditor concluiu que essa parcela da provisão para  créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro  real enquanto perda dedutível.  ­ A DRJ ao  tratar deste  item, deixou de apreciar os  fundamentos expostos, por  não ter a Recorrente apresentado as provas documentais correspondentes.  ­  As  provisões  comparadas  pelo  fiscal  não  serviram  para  reduzir  o  lucro  tributável, logo, o que a fiscalização fez foi glosar a diferença entre provisões de dois  exercícios subseqüentes, por pura presunção.  ­  Presunção  não  é  base  de  cálculo  de  qualquer  imposto,  devendo  esse  tipo  de  expediente ser rechaçado do procedimento administrativo ­ fiscal.  ­  Diante  do  relatório  do  trabalho  fiscal,  não  demonstrou  o  auditor  ter  sido  a  contabilização de 2000 excessiva,  nem  tampouco  ter  resultado em qualquer beneficio  fiscal  indevido  para  a Recorrente. Na  verdade,  ao  adotar  a  presunção  de  ilegalidade,  furtou­se de perquirir a verdade dos fatos, o que fere de nulidade a exação lançada.  ­  O  fato  é  que,  para  à  constituição  da  provisão  de  devedores  duvidosos  em  dezembro  de  2001  foram  utilizados  os  seguintes  parâmetros  contas  de  energia  vencidas  há  mais  de  90  dias  da  classe  residencial,  com  mais  de  180  dias  da  classe  comercial  e  com  mais  de  360  dias  das  classes  industrial,  rural,  poder  público,  iluminação pública e serviço público:  ­ parcelamentos com TCD  (Termos de Confissão de Dívidas) vencidos com o  mesmo período das contas de energia acima especificadas;  ­  Contas  de  energia  de  consumidores  que  estão  questionando  na  justiça  (aumento de  tarifa em 1986), com o mesmo prazo definido para as contas de energia  (acima);  ­ Parcelamentos com SINED  (Sistema de Negociação de Débitos), utilizou­se  como parâmetro o montante das parcelas vencidas;  ­  Contas  de  energia  renegociadas,  montante  referente  ao  débito  de  consumidores  que  foram  renegociados,  deduzido  da  base  apurada.  Com  esses  parâmetros,  em dezembro de 2001, apurou­se o montante de R$ 73.942.388,66, valor  esse  inferior  em R$  7.896.751,95  àquele  apurado  até  dezembro/2000  que  era  de  R$  81.839.140,61.  Fl. 7575DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.575          23 ­ O Artigo 249 do RIR/99 dispõe a regra geral sobre os ajustes (adições) para a  determinação do Lucro Real. Na apuração do Lucro Real,  conforme Lei n° 9.249/95,  artigo 13, são considerados valores indedutíveis, as constituições de provisões, exceto  as  relacionadas com a  legislação  trabalhista, bem como, as perdas no recebimento de  créditos excedentes aos limites legais definidos nos artigos 90 a 12 da Lei n° 9.430/96.  ­  Assim  como  nas  adições,  também  nas  exclusões  não  existe  uma  relação  especifica, cabendo ao contribuinte adequar as situações legais. Em regra, as exclusões  permitem o diferimento das receitas ou a sua não tributação.  O RIR/99, dispôs sobre este assunto:  Art.  250:  "Na  determinação  do  lucro  real,poderão  ser  excluídos  do  lucro  liquido:  I  ­,  os  valores  cuja  dedução  seja  autorizada  por  este  Decreto  e  que  não  tenham  sido  computados  na  apuração  do  lucro  liquido  do  período  de  apuração;  II  ­  os  resultados,  rendimentos  receitas  e  quaisquer  outros  valores  incluídos  na  apuração  do  lucro  líquido  que,  de  acordo  com  este  Decreto  não  sejam  comparados  no  lucro  real  ­  Dessa  forma,  também  são  consideradas  como  "Outras  Exclusões" a Reversão de Provisões, consideradas indedutíveis (art. 13  da Lei n° 9.249/96) na sua constituição e posteriormente ajustadas na  contabilidade.  ­ Como já bem demonstrado, a recorrente quando do fechamento do exercício de  2001,  efetuou  a  comparação  dos  valores  das  Provisões  de  Devedores  Duvidosos  constituída até dezembro de 2001 vis à vis aquela de dezembro de 2000, tendo apurado  uma reversão de provisão da ordem de R$7.896.751,95. Tal reversão da provisão foi o  resultado  apurado  referente  à  movimentação  ocorrida  no  exercício  de  2001  que  envolveu contas baixadas, novas contas que foram incluídas na provisão, como também  correção de contas de energia elétrica.  ­Por  todo  o  exposto,  requer  a  Recorrente  seja  reconhecida  a  ilegalidade  da  presunção na qual se baseou o lançamento tributário em comento, devendo ser anulada  a autuação no que concerne a tais valores.  ­ Quanto aos sub­itens referente ao dispêndio a reembolsar de pessoal cedido (R$  1.690.105,00) e provisões para perdas com serviços prestados ­ ODS (R$ 161.806,19) a  Recorrente  reconhece a procedência dos  lançamentos e afirma que efetuará os ajustes  contábeis necessários.  A  recorrente  deixou,  portanto,  de  apresentar  recurso  relativo  às  infrações  indicadas nos subitens 5.1.2.2 (R$ 1.690.105,00 ­ f.g. 31/12/2000 ­ PROVISÃO PARA CRÉDITOS  DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA – DISPÊNDIO A REEMBOLSAR DE DIFÍCIL RECEBIMENTO) e 5.1.2.4 (R$  161.806,19 ­ f.g. 31/12/2000 ­ PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA ­ PROVISÃO  PELA BAIXA DA CONTA DE SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS) do Relatório de Trabalho Fiscal  que instrui o auto de infração.  Por  meio  da  Resolução  nº  1302­000.150,  este  colegiado  acatou  proposta  do  relator e converteu o processo em diligências, determinando­se, verbis:  Por todo o exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a  DRJ se pronuncie sobre a documentação, conforme descrito no voto acima produzido,  uma vez que diversos documentos não foram sequer citados pela autoridade julgadora  que se limitou a afirmar que os mesmos não existiam.  Fl. 7576DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.576          24 Aproveitando as diligências a serem realizada e como forma de esclarecimento e  de se evitar o cerceamento de defesa que seja deferido o pedido de diligências e pedidos  de esclarecimento acerca das operações de compra e Venda de Energia junto à CCEE ­  Câmara de Comercialização Energia Elétrica, com endereço na Alameda Santos, 745 ­  9'  Andar,  Cerqueira  César  ­  São  Paulo  ­  SP,  CEP:  01419­001,  com  os  seguintes  quesitos:  (i)­  Os  valores  contidos  no  documento  "Resultados  do  Provisionamento  2001  (doc.32 anexo) possuem natureza de Recomposição Tarifária Extraordinária ­ RTE?  (ii)­  Os  valores  contidos  no  documento  "Resultados  do  Provisionamento  2001  são relativos à energia comprada e utilizada no ano de 2001 pela SAELPA, ou relativos  a despesas/custos de exercícios futuros (2002 em diante), provisionados em 2001?  A  autoridade  fiscal  encarregada  das  diligências  apresentou  o  Relatório  de  Diligência Fiscal (e­fls. 7042/7058), trazendo as seguintes conclusões aos quesitos formulados,  verbis:  DA CONCLUSÃO   Quesito nº 1 A CCEE afirmou que os valores informados como "Resultados do  Provisionamento 2001" trataram­se de valores provisórios, por ela apurados (na época  MAE), por  solicitação dos agentes, para fins de fechamento dos balanços contábeis e  demonstrações financeiras do ano de 2001 destes.  Afirmou  ainda  que  os  resultados  das  operações  de  2001  foram  divulgados  em  março de 2002, mas foram alterados em 2 momentos: (1) por ocasião da contabilização  de todas as operações de 2001, com as regras específica da MP nº 14, de 21/12/2001; e  (2) quando foram efetuados os ajustes na contabilização das operações do ano de 2001,  no primeiro semestre de 2003.   De acordo com a CCEE, a liquidação financeira do período em questão ocorrera  em  30/12/2002  (50%)  e  em  03/07/2003  (50%),  neste  último,  após  a  divulgação  definitiva  dos  resultados  das  operações  de  2001,  para  conclusão  da  liquidação  financeira do período de setembro de 2000 a setembro de 2002, informação confirmada,  posteriormente, pela ANEEL.  A  CCEE  não  pôde  informar  se  esses  valores  teriam  sido  considerados  na  Recomposição  Tarifária  Extraordinária  ­  RTE,  pois,  a  análise  e  definição  da  RTE  compete à ANEEL.  A fim de dirimir a questão, a ANEEL foi  intimada e, em sua resposta, afirmou  que a parcela dos valores relativos à compra de "energia livre" de geradores no MAE,  no  período  de  junho  de  2001  a  fevereiro  de  2002,  constituía­se  ativo  e  passivo  regulatórios  para  os  distribuidores  ante  os  geradores  e  que,  os  valores  por  ela  homologados em agosto de 2002, conforme RES 483/2002, eram provisórios, uma vez  que  a  contabilização  definitiva  no MAE  ainda  dependia  de  auditoria,  o  que  somente  ocorrera em 2003.  A ANEEL não afirmou que os valores provisórios em questão possuíam natureza  de  RTE,  mas  sim,  que  os  valores  arrecadados  à  título  de  RTE  se  prestavam  ao  ressarcimento do distribuidores aos geradores no que se refere aos valores homologado  de "Energia Livre".   Quesito  nº  2  A  CCEE  afirmou  que  os  valores  contidos  no  documento  "Resultados  do  Provisionamento  2001"  restringem­se  somente  ao  ano  de  2001  e  se  Fl. 7577DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.577          25 referem aos resultados das operações desse período, levando em consideração a energia  comprada  no MAE  e  as  regras  do  "Acordo  do Setor Elétrico"  (Lei  nO10.438/2002  e  resoluções  da  ANEEL),  as  quais  se  aplicaram  à  contabilização  das  operações  cujos  resultados  substituíram  os  valores  provisórios  classificados  como  "Resultados  do  Provisionamento 2001 ".  Ante  as  respostas  obtidas,  verifica­se  que  os  valores  contidos  no  documento  "Resultados  do  Provisionamento  2001"  referem­se  a  estimativas  (provisões)  das  compras de energia realizada pela Energisa ao longo do ano 2001, tratando­se, portanto,  de valores provisórios, representativos da expectativa dos custos do período.  Tem­se que, conforme informado pela CCEE, tais estimativas foram fornecidas a  pedido dos agentes, a  fim de atender exigências de ordem societárias, relacionadas às  suas demonstrações financeiras, em razão de questionamentos realizados pela Comissão  de Valores Mobiliários (CVM).  Outrossim,  no  âmbito  do  "Acordo  do  Setor  Elétrico"  (Lei  n°  10.438/2002  e  resoluções da ANEEL), foi permitida a contabilização de valores provisórios, referentes  ao ano de 2001, os quais só foram divulgados em caráter definitivo em junho de 2003,  por ocasião da conclusão da liquidação financeira das operações daquele ano.  O  fato  é  que,  ainda  em  2002,  a  Energisa  tomou  conhecimento  do  Despacho  ANEEL  nº  288/2002,  que  deu  tratamento  de  Contratos  Bilaterais  como  Contratos  Equivalentes  aos  contratos  iniciais,  tanto  é  que,  em  30/06/2002,  do  montante  anteriormente contabilizado como "energia comprada", R$ 70.341.231,86 (Livro Diário  nº 127, contidos na fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos), fez um estorno no valor de R$  40.113.000,00, referente ao contrato com a CFLCL, como consta no livro Diário nº133,  autenticado na Junta comercial em 04/12/2002.   Inclusive,  cumpre  salientar,  que  a  própria  Energisa,  em  resposta  datada  em  11/11/2013, passou a  reconhecer  a não  efetividade dos R$ 40.113.000,00,  registrados  inicialmente na condição de custo operacional do ano de 2001.  Ademais,  frise­se  que,  apesar  da  Energisa  afirmar  que  os  R$  70.342.053,18,  originalmente  contabilizados,  não  são  provisões,  pois  retratariam  custos  e  despesas  efetivamente  ocorridos  a  cada  mês  de  2001,  muito  embora  terem  sido  denominados  "PROVIS.  COMPRA  MAE"  nos  registros  contábeis,  o  estorno  realizado  em  30/06/2002,  no  valor  R$  40.113.000,00,  bem  como  as  informações  prestadas  pela  CCEE e ANEEL, contrariam aquela afirmação, pois, reforçam a natureza de provisão  dos R$ 70.342.053,18.  Tem­se  que,  pelo  que  possível  verificar,  a  Energisa  lançou  as  provisões  em  questão  como  custos  em  atendimento  ao  procedimento  contábil  regulatório  adotado  pelo setor energético, especificamente as  regras do "Acordo do Setor Elétrico", o que  necessariamente não possui a mesma repercussão no âmbito tributário, uma vez que não  se trata de custo e sim de provisão, portanto indedutível, devendo assim ser adicionado  na apuração do lucro por falta de embasamento legal.  Ademais, mesmo após o  encerramento,  a Energisa não comprova a  efetividade  do  pagamento  junto  ao  MAE  das  demais  provisões,  totalizando  R$  30.229.053,18,  principalmente pelo contrato celebrado com a empresa ENERGIPE, no montante de R$  29.616.211,39.  Ressalta­se, ainda, que na tabela "Resultados do Provisionamento 2001" consta o  valor referente ao ajuste MAE referente ao ano­calendário de 2000.  Fl. 7578DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.578          26 Então,  a  energia  para  suprir  os  contratos  com  a  CFLCL  e  ENERGIPE  foi  comprada?  Pelos  dados  obtidos  pela  diligência,  efetuou­se  um  demonstrativo  fazendo  um  comparativo entre o que a Energisa efetivamente comprou e vendeu no ano­calendário  de 2001, fls. 7038 a 7041, onde fica evidenciado que a Energisa sempre possuiu sobras  nos meses em questão de modo que não teria recorrido ao MAE para adquirir energia  adicional  para  atender  os  contratos  de  venda  de  energia  firmados  com  a CFLCL  e  a  ENERGIPE, isto é, a energia vendida foi a adquirida da CHESF, onde o custo já está  contabilizado.  Além  disso,  conforme  foi  possível  verificar  ao  longo  da  presente  diligência  fiscal, não se tem a liquidação efetiva dos R$ 30.229.053,18, parcela não estornada do  provisionamento  original,  no  valor  de  R$  70.341.231,86,  conforme  as  informações  fornecidas pela própria Energisa, por meio das quais afirmou que:  a) possuía no Balanço Patrimonial em 31/12/2001 débito  junto  ao MAE de R$  70.342.053,18 e um crédito de R$ 17.142.000,00, perfazendo um saldo devedor de R$  53.200.000,00;  b) em junho de 2002 houve um ajuste da compra no valor de R$ 40.113.000,00,  chegando a um saldo a pagar de R$ 13.087.000,00;  c)  no  período  de  janeiro  a  setembro  de  2002,  em  decorrência  das  operações  realizadas, o saldo foi reduzido a R$ 392.000,00;  d) em dezembro de 2002 efetuou o pagamento de 50% da dívida, R$ 196.000,00;  e)  pelas  operações  efetuadas  no  período  de  outubro  a  dezembro  de  2002  no  montante de R$ 15.462.000,00, apurou um saldo a receber do MAE em 31/12/2002 no  montante de R$ 15.266.000,00.  Nesse sentido, verifica­se que a conta 211.01.2 Suprimento de Energia Elétrica ­  subconta 0005 Energia de Curto Prazo (passivo) apresentou um saldo em 31/12/2001 de  R$ 70.341.231,86, o qual, em 01/01/2002, foi transferido para a conta 211.01.4 Compra  de Energia Elétrica ­ subconta 0005 Energia de Curto Prazo (passivo).  Em  30/06/2002,  houve  um  lançamento  a  débito  nesta  subconta  (211.01.4  sub  0005),  a  título  de  ajuste  compra MAE,  no  valor  de  R$  40.113.000,00,  restando  um  saldo  de  R$  30.164.833,01.  Em  31/07/2002,  este  saldo  foi  transferido  para  a  conta  211.01.4  Compra  de  Energia  Elétrica  ­  subconta  0006  Compra  Energia MAE  Curto  Prazo (passivo), que, por sua vez, em 10/12/2002, foi transferido para a conta do ativo  112.11.3  Energia  Elétrica  de  Curto  Prazo  ­  subconta  0006  Liquidação MAE  (ativo),  cujo  respectivo  saldo,  em  31/12/2002,  era  de  R$  37.173.543,33  credor.  Esta  conta  (112.11.3 sub 0006) teve lançamentos referentes aos anos de 2002 e 2003, apresentando  um  saldo  credor  em  31/12/2003  de R$  37.075.014,26,  de  forma  que  esta  dívida  não  sofreu alteração (pagamento, compensação), fls. 7002 a 7037.  A conta 112.11.1.1 Moeda Nacional ­ subconta 0005 Suprimento Energia ­ Curto  Prazo (ativo), por sua vez, apresentou um saldo em 31/12/2001 de R$ 17.141.766,31;  que, em 01/01/2002, foi transferido à conta 112.11.3 Energia Elétrica de Curto Prazo ­  subconta  0005  Suprimento  de  Energia  Curto  Prazo  (ativo);  não  havendo  registro  de  quitação  da  compra  de  energia  junto  ao MAE  do  período  em  questão  até  o  balanço  encerrado em 31/12/2013, período posterior a liquidação do MAE, fls. 7009 a 7037.  Pelo exposto fica claro que;  Fl. 7579DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.579          27 •  A  Energisa  já  demonstra  que  não  comprou  energia  ao  MAE  pelo  contrato  Saelpa/CFLCL no período de racionamento, no montante de R$ 40.113.000,00;   • A Energisa não conseguiu comprovar que comprou e pagou a  importância ao  MAE, principalmente referente ao contrato Saelpa/Energipe.  Pelo exposto fica evidente que a contabilização das Provisões no montante de R$  70.342.053,18  tem que ser adicionada na apuração do lucro real,  tal qual efetuado no  auto de infração, por ser indedutível para o imposto de renda e pela não comprovação  através  de  documentação  hábil  e  idônea,  tal  qual  procedido  no  lançamento  tributário  com base nos arts. 6°, § 2°, 7°, 13, § 1°, do Decreto­lei nº1.598/77; art. 2° da Lei nº  2.354/54, e art. 45, §2°, da Lei nº4.506/64.  Intimada  do  Relatório  de  Diligência  Fiscal,  a  recorrente  apresentou  manifestação  (fls.  7062/7082),  na  qual  refuta  as  conclusões  da  autoridade  diligenciante  e  reafirma que o montante de energia registrado como custo no ano de 2001 (R$70.342.053,18)  refere­se efetivamente ao custo da energia adquirido naquele ano e não a mera provisão e que o  estorno parcial do valor ocorrido em 2002 (R$ 40.113.000,00) não o desnatura face a aplicação  do princípio do regime de competência e, ainda, que, ao contrário da conclusão fiscal, o saldo  foi  efetivamente  quitado  mediante  compensações  realizadas  no  mercado  de  custo  prazo  no  MAE e pagamentos realizados pela SAELPA.  Tendo  este  processo  sido  devolvido  pelo  relator  original  tendo  em  vista  a  renúncia  ao  mandato  de  conselheiro,  este  relator  foi  designado  para  relatá­lo,  mediante  o  sorteio realizado em 07/04/2016.  É o relatório.  Fl. 7580DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.580          28   Voto   O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  pressupostos  legais  e  regimentais. Assim, dele conheço.  A  recorrente  apresenta  uma  preliminar  de  nulidade  do  lançamento,  tendo  em  vista que o Mandado de Procedimento Fiscal ­ MPF estaria expirado no momento da lavratura  da autuação. Alega que o MPF tinha prazo de validade até 21 de julho de 2004 e que o agente  público encarregado e cumpri­lo deveria encerrar a fiscalização até aquela data ou, no caso de  prorrogação dar ciência  formal da continuidade dos trabalhos ao contribuinte, nos termos das  normas regulamentadoras do instrumento.  A questão já foi enfrentada e rejeitada pelo colegiado quando do conhecimento  do recurso, na sessão de 15/03/2012, quando proferida a Resolução nº 1302­000.15, verbis:  De   início, cumpre destacar que estando o lançamento revestido das formalidades  previstas no Decreto n.° 70 235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se  falar em nulidade do procedimento fiscal.  As  formas  instrumentais  adequadas  foram  respeitadas,  os  documentos  foram  reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas  por  meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a  peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes.  Ademais,  o  enfrentamento  das  questões  na  peça  de  defesa  denota  perfeita  compreensão da descrição dos  fatos que ensejaram o procedimento e a  indicação dos  enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio.  E  pacífica  a  jurisprudência  deste  Conselho  no  sentido  de  que  o MPF  é  mero  instrumento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo,  sendo  que  eventuais  irregularidades  nele  contidas  não  ensejam  a  nulidade  do  lançamento ou prejuízo para o contribuinte.  No caso em tela inexistiu cerceamento de defesa nem qualquer ato ou omissão da  autoridade que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa uma vez que o  contribuinte  teve  ciência  de  todos  os  elementos  de  que  necessitava  para  sua  defesa,  ficando afastada, portanto, qualquer hipótese de nulidade.  O entendimento acima espelha, de forma sintética, a  jurisprudência majoritária  deste  Conselho,  de  modo  que  adoto­a  como  razão  de  decidir  para  rejeitar  a  alegação  de  nulidade.  Passando ao exame de mérito, verifico que foram apontadas diversas infrações  pela autoridade lançadora, algumas com situações bastante complexas decorrente da natureza  das operações empresariais da interessada, de modo que este colegiado, em assentada anterior,  em  sua  antiga  composição,  determinou  a  realização  de  diligências  que  vieram  a  ser  empreendidas pela unidade preparadora, conforme já relatado.  Não obstante o atendimento, por parte da unidade preparadora das solicitações  feitas  por  meio  da  Resolução  nº  1302­000.150,  ao  examinar  os  argumentos  trazidos  pela  Fl. 7581DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.581          29 recorrente  em  cotejo  com  os  elementos  por  ela  apresentados  e  dos  que  foram  juntados  pela  autoridade  fiscal  responsável  pelo  lançamento,  entendo  pela  necessidade  de  conversão  do  julgamento  em  nova  diligência  com  vistas  a  aclarar  as  situações  que  passo  a  descrever,  relacionadas ao ano de 2001.  ­ Provisão para Crédito Liquidação Duvidosa. Consumidores com medidas  judiciais.(R$7.936.588,47).  ­  Subitem  5.1.3.3  do  RTF  No  relatório  de  trabalho  fiscal,  o  auditor  fiscal constatou  a  indedutibilidade da provisão do valor,  correspondente às contas de  energia elétrica de clientes que  ingressaram na Justiça questionando os  reajustes  tarifários de  1986.  A contribuinte alega que a DRJ deixou de apreciar os fundamentos expostos, por  não ter a Recorrente apresentado provas documentais correspondentes.  Sustenta que durante o ano de 2001, diversas faturas de clientes que ingressaram  na  justiça  questionando  os  reajustes  tarifários  de  1986  foram  emitidas,  em  cumprimento  a  decisões judiciais, por 80% do valor integral e que, por um equívoco contábil da recorrente, os  20% restantes foram levados a tributação como faturamento e, pendentes no Contas a Receber,  foram objeto de provisão pela Recorrente conforme parâmetros para constituição de provisão  para Devedores Duvidosos.  Alega que em razão do equívoco cometido quando da emissão de faturamento  de  receita  em  80%  (oitenta  por  cento)  e  20% de  provisão  de  devedores  duvidosos,  houve  o  devido estorno no LALUR, de forma que não afetou o lucro líquido do exercício. Observa que  tal equívoco ocorreu em virtude da Recorrente não ter cumprido, de imediato, a determinação  de redução das ações judiciais.  Assevera que,  uma vez  que  a  empresa  constatou  que  aqueles  valores  de  PDD  não  podiam  ser  lançados  na  rubrica  de  contas  a  receber,  buscou  o  seu  devido  estorno,  não  acarretando qualquer prejuízo ao erário público.  Conclui  que  acatar  o  entendimento  do  fiscal  seria  praticar  o  estorno  de  um  lançamento irregular.   A Recorrente anexa relatório de todos os consumidores com débitos oriundos de  redução de  tarifa,  totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, os quais  foram objeto de  estorno.  Ainda como meio de prova do alegado, a Recorrente anexou cópia da CE n°. 016/2001­DFIN,  pela  qual  a  Saelpa  solicita  à  Secretaria  de  Finanças  do  Estado  da  Paraíba  compensação  do  ICMS recolhido sobre os 20% (vinte por cento) desses faturamentos, bem como Notas Fiscais  relativas  aos  consumidores  citados  pelo  auditor  em  seu  relatório  para  comprovar  que  essas  contas continuavam pendentes até 31/12/2001.  A  fiscalização,  com  base  nos  elementos  obtidos  junto  a  alguma  clientes  da  fiscalizada,  concluiu  que  a  Saelpa  não  emitiu  as  notas  fiscais/contas  de  energia  elétrica  complementar referente ao aumento do valor da energia questionado judicialmente.  A  recorrente,  no  entanto,  apresentou  em  sua  impugnação  cópia  de  diversas  faturas que corresponderiam ao valor complementar questionado judicialmente, com relação às  empresas diligenciadas pela fiscalização (e­fls. 4344/4529), sendo que em diversas delas consta  textualmente que se trata de "valor correspondente a 20% da fatura original conforme processo  judicial nº .. da 1ª Vara da Fazenda Pública". Outras, no entanto, referem­se a "ICMS calculado  Fl. 7582DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.582          30 por  fora  conforme processo  nº...  da  4ª Vara da Fazenda Pública"  e,  ainda  "correspondente  a  25,79%  do  valor  da  fatura  original  conforme  processo  nº  ...  da  9ª  Vara  Civel  da  Capital".  Cotejando,  por  amostragem,  verifica­se  a  coincidência  dos  valores  das  notas  fiscais  com  os  débitos constantes da relação "Consumidores com Débitos Oriundos de redução de Tarifa" (e­ fls.  4815/4880),  como p.  ex.  em  relação  ao  contribuinte Cia de Bebidas Antartica PB  (e­fls.  4344/4355).  Não  obstante,  não  trouxe  aos  autos  a  comprovação  da  contabilização  da  respectiva receita e do alegado estorno realizado posteriormente.  Assim, impõe­se a realização de diligência como vistas a apresentação por parte  da recorrente da comprovação da contabilização da respectiva receita e dos estornos realizados  e  de  que  os  valores  objeto  da  provisão  referida  integrava  o  saldo  de  contas  a  receber  em  31/12/2001.  Assim a recorrente deve ser intimada a:  a) apresentar comprovação da contabilização como receita dos valores relativos  aos valores questionados judicialmente pelos clientes/consumidores (com débitos oriundos de  redução  de  tarifa)  conforme  relatório  anexado,  totalizando  o  valor  de  R$  7.936.588,47,  indicando a respectiva nota fiscal emitida;  b)  apresentar  comprovação  de  que  os  valores  objeto  da  provisão  referida  integrava o saldo de contas a receber em 31/12/2001;  c) apresentar comprovação de que os valores foram devidamente estornados em  períodos de apuração subsequentes.  A fiscalização deverá confrontar os dados e elementos apresentados e apresentar  relatório conclusivo sobre as comprovações solicitadas nos itens a, b e c, acima. Em caso de  comprovação parcial, quantificar os valores comprovados e incomprovados em relação a cada  item.  ­  Das  Diferenças  de  Despesas  com  Compra  de  Energia  da  CHESF  (R$  2.871.961,74).  ­ Subitem 3.1.1.1 do RTF De acordo com o descrito no TVF,  a  fiscalização  solicitou  informações à Companhia Hidroelétrica do São Francisco  ­ CHESF e, com base na  resposta obtida, entendeu que havia divergências entre os valores escriturados pela SAELPA e  os valores constantes da emissão das notas fiscais da Chesf, relativas a essas contas. O Auditor  Fiscal,  então,  glosou os  valores  estornados da nota  fiscal  n° 5324 em R$ 2.098.505,44, bem  como a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33.  Da mesma  forma,  glosou  o  estorno  da  nota  fiscal  n°  5342,  no  valor  de R$  473.758,12,  e  a  diferença entre o valor contabilizado e o constante daquela nota, no valor de R$ 188.600,85,  totalizando  a  glosa  de R$  2.871.961,74,  como  despesa/custo  indedutível  para  a  apuração  do  lucro real no ano­calendário de 2001.  A DRJ, por sua vez, entendeu que somente são dedutíveis na apuração do lucro  real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea.  A  recorrente  alega  que  os  procedimentos  tiveram  suporte  na  época  pelo  seu  órgão  regulador, bem como pelas disposições do Setor Elétrico,  a  saber ANEEL, ABRAGE,  GCE,  através de  expedição de  resoluções. Ademais,  todos os  lançamentos  contábeis  tiveram  Fl. 7583DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.583          31 suporte no que determina os contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, a legislação  vigente no período de racionamento e os fatores econômicos efetivos.  Sustenta que em dezembro de 2001, o governo e as empresas de energia elétrica  firmaram  o  Acordo  Geral  do  Setor  Elétrico  com  as  concessionárias  distribuidoras  e  as  geradoras de energia elétrica, com o intuito de garantir o equilíbrio econômico­financeiro dos  contratos existentes e a recomposição de receitas relativas ao período de vigência do Programa  Emergencial  de  Redução  do  Consumo  de  Energia  Elétrica  (Racionamento  /  "Programa  Emergencial").  Que  este  acordo  abrangia  (i)  as  perdas  de  margem  incorridas  pelas  distribuidoras  e  geradoras  no  período  de  vigência  do  citado  Programa  Emergencial,  (ii)  os  custos adicionais da Parcela A . para o período de 1/01/2001 a 25/10/2001, (iii) a parcela dos  custos  com  a  compra  de  energia  no  âmbito  do  Mercado  Atacadista  de  Energia  (MAE),  denominada "energia  livre",  realizadas  até dezembro de 2002 e  (iv) a  substituição do direito  contratual previsto no Anexo V dos Contratos Iniciais (compra e venda de energia).  Assim,  as  distribuidoras  alcançadas  por  essa  recomposição  tarifária  extraordinária teriam que pagar às geradoras, durante o Programa Emergencial, os valores dos  contratos  iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às distribuidoras.  Essa redução foi definida em 2,341%.  A recorrente alega que demonstra através do Extrato contábil (doc.22 ­ anexo 09  da  impugnação)  que  efetuou  a  contabilização  em  dezembro  de  2001  dos  valores  relativos  à  diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, bem como o valor  da  compra  de  energia  elétrica  para  o  mês  de  dezembro  de  2001,  de  acordo  com  os  demonstrativos de cálculos efetuados à época (doc 23 ­ anexo 10 da impugnação).  Afirma  que,  com  base  na  informação  detida  no  momento  do  lançamento  contábil (antes da definição final do fator de redução), efetuou os cálculos utilizando o Fator de  Redução 2,1%.  Sustenta que efetuou a contabilização na conta contábil 615.03.3.5.41 subconta  4101 dos  valores  de  energia  comprados  da CHESF  em montantes  de:  (i) R$12.084.922,43  ­  energia  comprada  de  dezembro  de  2001,  e  (ii)  R$11.096.782,02  ­  valor  complementar  de  valores de energia comprada de abril a dez de 2001.  Diz que os documentos hábeis e idôneos que serviram de base para os registros  contábeis  dos  valores  de  R$  11.096.782,02  e  R$  12.084.922,43  foram  apresentados  pela  Recorrente no momento da fiscalização,  tendo sido, no entanto, desconsiderados pelo Fiscal,  que desprezou a correção de tais valores contabilizados com fator de redução (2,1%), relativo  ao período de abril a dezembro de 2001.  Sustenta  que  o  lançamento  de  R$  11.096.782,02  refere­se  ao  somatório  encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1% sobre o valor do contrato inicial de  compra e venda de energia elétrica do período de abril a novembro de 2001 e que o lançamento  de R$ 12.084.922,43 é o valor  contrato  inicial  de compra e venda de energia  elétrica para o  mês de dezembro de 2001, já aplicado o fator de redução de 2,1 %.   Refere  que  num  segundo  momento,  após  a  celebração  do  Acordo  Geral  do  Setor Elétrico, utilizou o fator de redução de 2,341% para o cálculo da diferença de despesas  com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, e de 20% sobre o valor da compra de  energia elétrica (contrato inicial) para o mês de dezembro de 2001, apurando­se os valores de  Fl. 7584DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.584          32 R$13.122.235,30  em  vez  de  R$11.096.782,02  e  de  R$9.875.319,66  em  vez  de  R$12.084.922,43, respectivamente.  Assim, a diferença apontada para a nota fiscal da Chesf n° 005324, no valor de  R$ 2.209.602,77, refere­se ao valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela Chesf,  com  o  redutor  de  20%  (vinte  por  cento).  Com  relação  à  diferença  citada  na  nota  fiscal  n°  005342,  no  valor  de R$ 662.358,97,  a mesma  refere­se  à  subtração  do  valor  registrado  pela  SAELPA, e o valor efetivamente devido após o ajuste.  Afirma que o valor contábil registrado em dezembro de 2001 pela SAELPA (R$  11.096.782,02) foi assim calculado em função de que também se desconhecia o ajuste da fatura  complementar, o que se deu apenas em meados de 2002.   Alega  que  as  diferenças  de  R$  2.209.602,77  e  de  R$  662.358,97,  acima  esclarecidas e que totalizam R$ 2.871.961,74, foram levadas à tributação no exercício fiscal de  2002, quando houve a definitiva indicação do valor devido pelo MAE, o que se comprovaria  com o lançamento contido no Diário (doc. XX anexo).  O  relato  das  alegações  trazidas  pela  recorrente  apenas  confirmam  o  entendimento  da  fiscalização  de  que  tais  valores  não  poderiam  compor  o  custo  da  energia  comprada no ano de 2001.  Desde  logo  a  fiscalização  constatou  diferenças  entre  os  valores  lançados  pela  interessada  como  custo  e  as  notas  fiscais  (nº  005324  e  005342)  emitidas  pela  CHESF,  apontando,  respectivamente  os  valores  de  R$  111.097,33  e  R$  188.600,85,  que  a  própria  recorrente  confirma  como  incorretos,  uma  vez  que  procedeu  aos  lançamento  com  base  em  estimativas feitas antes da emissão das notas fiscais, o que ocorreu ainda em 2001. Portanto, a  glosa desses valores é inquestionável.  Com relação à diferença de R$ 2.098.505,44, relativa à Nota Fiscal nº 005324,  verifica­se  pelo  TVF  que  a  interessada  procedeu  à  liquidação  da  fatura,  com  o  referido  desconto  aplicado,  por  meio  de  depósitos/créditos  bancários  em  15/01/2002  e  05/02/2002.  Evidentemente, tais valores não poderiam compor o custo do ano de 2001, em face do regime  de competência.   O mesmo se aplica ao valor de R$ 473.758,12, estornado pela CHESF relativo à  NF.  nº  005342,  relativo  ao  ajuste  feito  em  face  do Acordo Geral  do  Setor  Elétrico,  que  de  acordo com o TVF foram quitadas em março e setembro de 2002. Note­se que, com relação a  este último valor, ainda que não tivesse sido feito o ajuste de estorno, tratar­se­ia de valor não  dedutível no ano­calendário de 2001, nos termos analisados no tópico anterior que analisou a  glosa do valor de R$ 10.434.423,05 relativo ao valor efetivamente devido e pago relativo à NF.  nº  005342,  nos  termos  do  Parecer  Cosit  nº  26,  de  26  de  setembro  de  2002,  que  expediu  o  entendimento,  confirmado  para  o  próprio  contribuinte  por  meio  da  Solução  de  Consulta  SRRF/4ª RF/DIST nº 7, de 29/01/2003 (Processo nº 11618.004276/2002­03, conforme citado  pelo acórdão recorrido e parcialmente observado pela própria recorrente.  Assim,  uma  vez  indevidamente  registrados  nos  custos  contabilizados  em  dezembro de 2001,  tais valores deveriam  ter sido adicionados ao resultado apurado em 2001  Fl. 7585DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.585          33 pela  recorrente,  em  observância  ao  regime  de  competência,  nos  termos  do  §  4º  do  art.  6ºdo  Decreto­Lei nº1.598/1977.1  Por fim, a alegação da recorrente de que teria procedido ao estorno dos valores  no ano­calendário 2002, apesar de esta ter citado a juntada de comprovação por meio do anexo  XX  do  recurso,  não  ficou  comprovada,  pois  o Documento  20  juntado  com  o  recurso  (e­fls.  4972/4980) corresponde ao Termo Aditivo ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia  Elétrica.   Tal  fato,  se  comprovado,  poderia  caracterizar  a  ocorrência  de  postergação  de  pagamento do imposto por inobservância do regime de competência, nos termos do art. 273 do  RIR/1999,  mas  exigiria  também  a  comprovação  de  que  a  recorrente  apurou  e  recolheu  os  tributos  devidos  no  ano  em  que  se  deu  tal  reconhecimento2,  o  que  também  não  restou  comprovado nos autos.  Não  obstante,  tendo  em  vista  a  proposta  de  conversão  de  julgamento  em  diligência  descrita  na  análise  do  subitem  anterior,  entendo  que  é  razoável  oportunizar  à  interessada a apresentação da comprovação do alegado estorno dos valores no ano de 2002 e  que tais valores foram efetivamente tributados naquele ano, ou seja, que a interessada apurou e  recolheu os tributos lançados (IRPJ e CSLL) sobre o resultado anual de 2002, além da juntada  aos autos da DIPJ referente ao ano­calendário 2002.  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligências,  determinando  o  retorno  do  processo  a  unidade  preparadora,  para  que  seja  designada autoridade fiscal responsável para:  a) Intimar a recorrente a:  a.1) Com relação à infração descrita no subitem 5.1.1.3 do RTF:   I) apresentar comprovação da contabilização como receita dos valores relativos  aos valores questionados judicialmente pelos clientes/consumidores (com débitos oriundos de  redução  de  tarifa)  conforme  relatório  anexado,  totalizando  o  valor  de  R$  7.936.588,47,  indicando a respectiva nota fiscal emitida;  II)  apresentar  comprovação  de  que  os  valores  objeto  da  provisão  referida  integrava o saldo de contas a receber em 31/12/2001;                                                              1 Art 6º ­ Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas  ou autorizadas pela legislação tributária.  [...]    § 4º  ­ Os valores que, por competirem a outro período­base,  forem, para efeito de determinação do  lucro real,  adicionados  ao  lucro  líquido  do  exercício,  ou  dele  excluídos,  serão,  na  determinação  do  lucro  real  do  período  competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente.  2 PN. CST. 02/1996:  [...]  9. Por outro lado, nos casos em que, nos períodos­base subseqüentes ao de início do prazo da postergação até o de  término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social devidos, em virtude de prejuízo  fiscal  ou  de  base  de  cálculo  negativa  da  comtribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  o  lançamento  deverá  ser  efetuado para  exigir  todo o  imposto  e  contribuição  social  apurados  no período­base  inicial,  com os  respectivos  encargos legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar  ganhos anteriores.      Fl. 7586DF CARF MF Processo nº 14751.000142/2005­10  Resolução nº  1302­000.451  S1­C3T2  Fl. 7.586          34 III)  apresentar  comprovação  de  que  os  valores  foram  devidamente  estornados  em períodos de apuração subsequentes.  a.2) Com relação à infração descrita no subitem 3.1.1.1 do RTF:  I)  apresentar  comprovação  do  estorno,  no  ano  de  2002,  das  diferenças  de  despesas com Compra de Energia da CHESF, no valor de R$ 2.871.961,74, mediante cópias  dos  registros  contábeis  nos  livros  Diário  e  Razão  (partida  e  contrapartida,  devidamente  identificadas no plano de contas)  III)  apresentar  comprovação de que  tais valores  foram efetivamente  tributados  naquele ano, ou seja, que a interessada apurou e recolheu os tributos lançados (IRPJ e CSLL)  sobre o resultado anual de 2002, mediante juntada de cópias de Demonstração de Resultado,  Lalur, DIPJ e DCTF, relativos aos tributos apurados em 31/12/2002.  Com relação à solicitação contida no subitem a.1, acima descrita, a autoridade  fiscal  deverá  confrontar  os dados  e  elementos  apresentados  e  apresentar  relatório  conclusivo  sobre  as  comprovações  solicitadas  nos  itens  I,  II  e  III,  acima.  Em  caso  de  comprovação  parcial, quantificar os valores comprovados e incomprovados em relação a cada item.  Encerradas  as  diligências,  a  interessada  deverá  ser  intimada  do  relatório  conclusivo,  para,  querendo,  apresentar manifestação  no  prazo  de  até  30  dias,  nos  termos  do  parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2001.  Expirado  este  prazo,  o  processo  deverá  ser  devolvido  a  este  colegiado  para  prosseguimento do julgamento.  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator  Fl. 7587DF CARF MF

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Numero do processo: 12269.004711/2008-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9202-000.042
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta junte aos autos a informação de todos os recolhimentos de contribuição social previdenciária, realizados pelo contribuinte no período cuja decadência está sendo discutida (de 01/01/2003 a 31/12/2003). Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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9202­000.042  –  2ª Turma  Data  26 de outubro de 2016  Assunto  Solicitação de Resolução  Recorrente  FUNDAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL  Interessado  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta junte aos autos a informação de  todos os  recolhimentos de contribuição  social  previdenciária,  realizados pelo  contribuinte no  período  cuja  decadência  está  sendo  discutida  (de  01/01/2003  a  31/12/2003). Após,  que  seja  intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias,  retornando­se os autos ao  relator, para prosseguimento.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator e Presidente em exercício   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine  Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson  Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 69 .0 04 71 1/ 20 08 -5 7 Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 12269.004711/2008­57  Resolução nº  9202­000.042  CSRF­T2  Fl. 3          2   RELATÓRIO  Do AI até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração ­ NFLD  DEBCAD nº 37.200.617­5, às e­fls. 03 a 30, cientificado à contribuinte em 23/12/2008, com relatório  fiscal  às  e­fls.  51  a  58. As  notificações decorreram de:  contribuições  cujos  recolhimentos  não  foram  comprovados  e  também  não  constam  do  banco  de  dados  do  Sistema  de Arrecadação  do MF/RFB  ­  Dataprev  no  período  01/2003  a  12/2007.  Tais  contribuições  são  relativas  a  contribuição  da  empresa  sobre o valor pago a cooperativa de trabalho médico (UNIMED) e relativas remuneração paga, devida  ou creditada a segurados contribuintes individuais (Bolsas de Pesquisa e Bolsas de Extensão).   A NFLD foi impugnada, às e­fls. 62 a 171, em 22/01/2009. Já a 5ª Turma da DRJ/JFA,  no acórdão nº 09­27.637, prolatado em 16/12/2009, às e­fls. 285 a 297, considerou, por unanimidade,  procedente  em  parte  a  impugnação,  pelo  afastamento  apenas  dos  valores  relativos  a  utilização  dos  serviços da UNIMED, em face da existência de pagamento realizado antes do início da ação fiscal.  Inconformada, em 13/05/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário ­ RV, às e­fls.  300 a 340. Essa  contestação  teve  em  resumo, o  conteúdo abaixo extraído do  relatório do  acórdão de  julgamento do mesmo RV, à e­fl. 435:   a) Não foi oferecida a produção de prova, nem perícia;  b) É nula a decisão por cerceamento do direito de defesa;  c)  as  bolsas  de  pesquisa  e  extensão  atenderam  integralmente  ao  disposto previsto na Lei n° 8.958/94 e o respectivo Decreto n° 5.205/04  que o regulamenta, de forma que estão totalmente isentas de quaisquer  recolhimentos de contribuições sociais.  d)  Outrossim,  os  profissionais  que  receberam  as  respectivas  bolsas,  jamais  podem  ser  considerados  como  contribuintes  individuais,  haja  vista  que  não  recebem  valores  a  titulo  de  remuneração  e  sim  corno  mera  doação,  ou  seja,  recebem  os  valores  como  ressarcimento  ou  indenização pelo desenvolvimento de pesquisa ou pela extensão.  e)  Há  norma  especifica  da  Previdência  Social  dispondo  que  não  ha  incidência  sobre  os  valores  pagos  a  titulo  de  bolsa  na  forma  da  Lei  8.958;  f) O doador não se beneficiou da atividade dos beneficiários;  g) Não há a prestação de serviço de assistência médica por parte do  professor médico preceptor, que tem por único objetivo o ensino.  h) A recorrente possui direito à imunidade;  i) Não há certeza nem liquidez na presente autuação;  O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda  Seção de Julgamento em 26/10/2011, resultando no acórdão 2302­01.388, às e­fls. 433 a 441, que tem a  seguinte ementa:  Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 12269.004711/2008­57  Resolução nº  9202­000.042  CSRF­T2  Fl. 4          3 CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS. SIMPLES PROTESTO.  A  recorrente  não  tem  que  protestar  pelas  provas  documentais  no  processo  administrativo,  mas  sim  tem  que  produzi­las.  Como  as  demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem  que  ser  colacionadas  na  peça  de  defesa,  no  processo  judicial  tal  procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as  provas, assim corno ao réu colacioná­las na contestação.  CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO  DA PROVA PERICIAL.  Quanto  d.  prova  pericial  a  mesma  tem  que  ser  requerida  na  peça  inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do  Processo Administrativo.  No  presente  caso,  a  perícia  é  despicienda;  pois  toda  a  matéria  probatória  já consta nos autos. E como já afirmado, caberia A. parte  adversa, no caso o contribuinte, a contraprova.  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS.  REMUNERAÇÃO.  BOLSAS  DE  ENSINO. LEI 8.958.  A  condição  para  que  os  valores  sejam  enquadrados  como  bolsas  é  justamente  não  ser  contraprestação  a  serviços  executados  pelos  beneficiários, conforme previsto no art. 6° do Decreto n 5.205.  Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem  ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538  do Código Civil, considera­se doação o contrato em que uma pessoa,  por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o  de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma  liberalidade  da  empresa;  pois  a  liberalidade  não  teria  uma  causa  jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a  verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a  prestação  de  serviços  remunerada  é  fato  gerador  de  contribuição  previdenciária.  Não  haveria  incidência  de  contribuição  previdenciária  se  os  valores  fossem  pagos  de  acordo  com  a  Lei  n  8.958.  Todavia  restou  demonstrada  a  desobediência  do  comando  legal  O  acórdão  teve  o  seguinte teor:  ACORDAM  os membros  da  Segunda  Turma  da  Terceira  Câmara  da  Segunda  Seção  do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais,  por  maioria  foi  negado provimento ao  recurso, nos  termos do  relatório e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Quanto  à  preliminar  de  decadência, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e  Eduardo Augusto Marcondes  de Freitas  que  entenderam aplicar­se o  art. 150, parágrafo 4 do CTN. Quanto ao mérito vencido o Conselheiro  Manoel Coelho Arruda Júnior que entendeu pela exclusão apenas dos  valores relativos à bolsa de extensão.  Embargos  de  declaração  da  contribuinte  A  contribuinte  manejou  embargos  de  declaração ­ ED ao acórdão, em 30/03/2012, às e­fls. 446 a 452, afirmando a existência de contradição  Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 12269.004711/2008­57  Resolução nº  9202­000.042  CSRF­T2  Fl. 5          4 naquele aresto ao não aceitar suas afirmações de que os médicos preceptores não prestavam serviços  assistenciais  e  por  essa  razão  as  bolsas  por  eles  recebidas  não  estariam  sujeitas  à  tributação  previdenciária.   Através da Informação nº 2302­159, às e­fls. 476 e 477, em 15/05/2012, o Presidente da  2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de  Julgamento rejeitou os ED por não entender  existentes  as  contradições  alegadas  e  vendo  nestes  embargos  apenas  ataque  aos  fundamentos  da  decisão, para o que tal recurso é inservível.  RE da contribuinte Ciente da denegação dos embargos em 06/11/2012 (e­fl. 481), no  dia 20 do mesmo mês a empresa manejou recurso especial de divergência (e­fls. 482 a 496) ao citado  acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF em duas matérias.  A primeira diz respeito à decadência, que entende dever ser contada nos termos  do  disposto  no  art.  150  da  Lei  nº  5.172  de  25/10/1966  ­  CTN,  para  os  lançamentos  por  homologação,  ao  passo  que  o  voto  condutor  do  recorrido  se  utilizou  do  hiato  temporal  estabelecido pelo art. 173, inc. I, do mesmo Código, para os lançamentos de ofício. Apresenta  como  paradigmas  para  essa  divergência,  os  acórdãos  nº  2401­002.480  e  nº  2401­02.439.  Outrossim, a  recorrente pleiteia que seja aplicada a  regra dos  lançamentos por homologação,  alegando inclusive a existência de pagamentos a serem comprovados com os documentos de e­ fls. 497 a 507.   A segunda, trataria de nulidade do lançamento, por falta de fundamentação, pelo  autuante,  da  comprovação  da  sua  falsa  premissa  de  que  os  médicos  prestariam  serviço  à  população  do  SUS.  Esse  proceder  adotado  pela  fiscalização  resultou  em  inversão  do  ônus  probatório que levaria à realização de prova negativa pela autuada. Para sustentar a divergência  arguida,  informa  os  acórdãos  paradigmas  nº  2803­001.686  e  nº  9202­01.924,  nos  quais  se  inquinava de nulidade lançamentos com incompleta descrição dos fatos e fundamentos legais  da autuação.  O RE da contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de  Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº  2300­283/2014, datado de 07/04/2014, às e­fls. 3189 a 3195, deu seguimento, à primeira divergência  arguida e negou seguimento à segunda.   Quanto a primeira, entendeu presentes as similitudes fáticas e jurídicas dos paradigmas  e do recorrido, por isso os admitiu. Já com relação à segunda, o acórdão guerreado não teria tratado de  erros na descrição dos  fatos geradores que  foi  o  foco dos paradigmas, mas do ônus de colacionar  as  provas aos autos, autuada ou autuante; por isso a denegou.  No  despacho  de  e­fl.  3197,  o  Presidente  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ­  Câmara Superior de Recursos Fiscais ­ CSRF, em reexame baseado no art. 71 do Regimento Interno do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009,  decidiu por manter totalmente o despacho acima citado, dando prosseguimento ao RE apenas no tocante  à primeira divergência.  Cientificada  do  RE  em  16/09/2014,  a  Fazenda  Nacional,  manifestou­se  pela  não  apresentação de contrarrazões em 18/09/2014, à e­fl. 3199.   Em  27/08/2014,  a  contribuinte,  através  de  novos  representantes,  juntou  petição  aos  autos,  à e­fls. 3210 e 3211, na qual afirma que não  teriam sido juntadas aos autos algumas planilhas  correspondentes às competências de agosto, setembro e outubro de 2006, o que prejudicaria sua defesa  Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 12269.004711/2008­57  Resolução nº  9202­000.042  CSRF­T2  Fl. 6          5 no que tange ao valor e a natureza de cada bolsa doada (ensino/pesquisa/extensão), o nome do  bolsista,  e  o  projeto  que  a  justificou,  não  há  como  proceder­se  a  uma  defesa  casuística,  demonstrando em quais bolsas o  fiscal utilizou base de cálculo a maior do que o  salário­de­ contribuição.   No  seu  entender,  tal  omissão  ensejaria  a  nulidade  dos  débitos  em  razão  de  suposta  preterição do direito de defesa, pelo que requer que sejam acostadas aos autos os citados documentos.  Já em 09/03/2015, traz novo requerimento aos autos, às e­fls. 3287 a 3292, alegando em  síntese:  a)  Ilegitimidade  passiva  da  recorrente,  pois  não  seria  ela  a  tomadora dos  serviços  ou  quem  teria  as  verbas  para  pagamento  das  verbas  oriundas  do Ministério  da  Educação  ­  MEC  para  patrocínio das ações no âmbito das rotinas hospitalares necessárias à formação dos médicos residentes  do Hospital de Clínicas de Porto Alegre ­ HCPA; ela seria apenas intermediaria as contratações com os  médicos/professores e repassaria os valores recebidos pelo HCPA provindos do MEC;  b)  reafirma que existiriam  recolhimentos de contribuições que suportam a decadência  com base no art. 150, § 4º do CTN e que a documentação supostamente extraviada, cuja juntada foi  requerida  em  27/08/2014,  seria  imprescindível,  demandando  assim,  a  realização  de  diligência  nesse  sentido;  c)  por  fim,  requer  redução  da multa  de mora  para  20%,  conforme  prevista  pela MP  499/09, e afastamento dos juros moratórios sobre as multas aplicadas.  É o relatório.  VOTO  Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator  O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade.  Cinge­se o litígio aos períodos de apuração objeto de lançamento que poderiam  estar fulminados pelo efeito decadencial, ao se considerar a aplicação do art. 150 §4º do CTN  ou,  alternativamente,  o  art.  173,  I  do  CTN.  Contudo,  há  nos  autos  também  requerimentos  juntados  às  e­fls.  3210/3211  e 3287/3292,  que  representam verdadeiramente  novos  recursos,  tratando de matéria jurídica e fática não alentada, seja em sede de ED seja no RE, sem qualquer  previsão regimental, pedindo manifestação de ofício pelo colegiado.   Antes de manifestar­me sobre o mérito, cabe fazer uma colocação.  A  propósito,  a  decadência  dos  tributos  lançados  por  homologação  é  questão  tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito  dos  antigos  Conselhos  de  Contribuintes,  e  agora  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço.  É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do  nosso Código Tributário Nacional ­ CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito  de  constituir  o  crédito  tributário  (art.  173),  e  outra  para  o  direito  de  não  homologar  o  pagamento  antecipado  de  certos  tributos  previstos  em  lei  (art.  150,  §4o).  Apesar  de  serem  situações  distintas,  o  efeito  atingido  é  o  mesmo,  pois,  uma  vez  homologado  tacitamente  o  Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 12269.004711/2008­57  Resolução nº  9202­000.042  CSRF­T2  Fl. 7          6 pagamento,  o  crédito  tributário  estará  definitivamente  extinto,  não  se  permitindo  novo  lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas  duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no  dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento  anteriormente  efetuado,  o  art.  150,  §4o,  determina  o  marco  inicial  na  ocorrência  do  fato  gerador.  Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo  de  interpretação das  leis  federais,  firmou o  entendimento de que a  regra do art. 150, §4o, do  CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for  comprovada  a existência de dolo,  fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173,  nos demais casos. Veja­se a ementa do Recurso Especial nº 973.733 ­ SC (2007/0176994­0),  julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux:  PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado da  exação ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação de dolo,  fraude ou simulação do contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004,  DJ  28.02.2005).  2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,  importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas  gerais  e  abstratas,  entre as quais  figura a  regra da decadência do direito de  lançar nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz  de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 12269.004711/2008­57  Resolução nº  9202­000.042  CSRF­T2  Fl. 8          7 poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se  trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando­se  inadmissível  a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos  nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10ª  ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  (...)  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (destaques  do  original)  Observe­se que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do  art. 543­C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que  essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário.  A  Portaria  MF  no  152,  de  2016,  deu  nova  redação  ao  §  2º  do  art.  62  do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela  Portaria n° 343 de 09/06/2015, com a seguinte redação:  §  2º  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B e  543­C da Lei  nº  5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 ­  Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros  no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso  Especial nº 973.733 – SC, de que a  regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos  casos em que o  sujeito passivo antecipar o pagamento e não  for comprovada a existência de  dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos.   A polêmica, no caso em questão, em verdade, se cinge a existência ou não de  pagamento antecipado. O voto que orienta o acórdão vergastado dispõe:  No  presente  caso  trata­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  cujo  pagamento  não  foi  realizado,  sendo  necessário  o  lançamento de oficio. Por não ter pago, nem declarado em GF1P, os  valores  somente  conseguiriam  ser apurados  em  lançamento do  fiscal,  dai  a  aplicabilidade  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN,  para  efeitos  da  contagem do prazo decadencial.  Mesmo porque para aplicação do art. 150, parágrafo 4° ou 173, inciso  I do CTN, há que se analisar o recolhimento rubrica por rubrica, pois  na  hipótese  de  o  contribuinte  não  reconhecer  determinada  parcela  como  incidente,  a  mesma  somente  conseguiria  ser  apurada  em  urna  ação  fiscal.  A  obrigação não  restou  adimplida,  no  que  concerne  aos  fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2003 a dezembro de  2007. 0 lançamento foi realizado em 23 de dezembro de 2008.  Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 12269.004711/2008­57  Resolução nº  9202­000.042  CSRF­T2  Fl. 9          8 Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que  o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por  homologação.  Por sua vez, defende a contribuinte que se aplicaria o art. 150, §4º do CTN, até  mesmo porque teria ocorrido pagamentos entre janeiro e novembro de 2003.  A  propósito,  faço  notar  que  editou  este Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  a  Súmula  no  99,  aprovada  por  esta  2a.  Turma  desta  Câmara  Superior  em  09  de  dezembro de 2013 e que assim reza:  Súmula  CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte  na  competência  do  fato  gerador  a  que  se  referir  a  autuação, mesmo  que não  tenha sido  incluída, na base de cálculo deste recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente  exigida  no  auto  de  infração.(Grifei.)  Ou seja, para  fins de  aplicação da Súmula supra na  situação sob análise,  deve  haver convicção de que há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido  pelo  contribuinte nas  competências dos  fatos geradores  a que  se  referem a  autuação, mesmo  que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a rubrica  especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para  fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o da Lei no 5.172, de 1966  (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código  (no caso da inexistência de recolhimento).  Não  é  possível  depreender  do  cotejo  aos  autos  a  efetiva  existência  de  recolhimento  de  tributos  aptos  a  atrair  a  regra  decadencial  do  art.  150,  §  4o  do  Código  Tributário Nacional.  Assim,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  autoridade  preparadora junte aos autos a informação de todos os débitos declarados como devidos e todos  os  correspondentes  recolhimentos  de  contribuição  social  previdenciária,  realizados  pelo  contribuinte no período cuja decadência está sendo discutida: entre 01/01/2003 e 31/12/2003.  Em  seguida,  elabore  relatório  circunstanciado  quanto  à  existência  de  pagamento  por  fato  gerador:  (a)  folha  de  pagamento  ­  cota  patronal,  (b)  folha  de  pagamento  ­  contribuição  do  segurado,  (c)  folha  de  pagamento  ­  terceiros,  (d)  autônomos/contribuintes  individuais  ­  cota  patronal,  (e)  autônomos/contribuintes  individuais  ­  contribuição  do  segurado.  Por  fim,  abra  prazo de  trinta dias para manifestação do contribuinte,  com posterior  retorno ao  relator, para  prosseguimento.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos.  Fl. 3339DF CARF MF

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Numero do processo: 10909.003094/99-21
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 1996 Ementa IRPF - DECADÊNCIA-ARTIGO 62-A DO RICARF. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que nos casos onde são constatados recolhimentos mesmo que parciais do tributo, deve ser aplicado o artigo 150, § 4º e para os casos onde não foram efetivados recolhimentos deve ser aplicado o art. 173, I, ou parágrafo único, ambos do Código Tributário Nacional. Recurso negado.
Numero da decisão: 9900-000.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: francisco Mauricio R de alburquerque Silva

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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 1996 Ementa IRPF - DECADÊNCIA-ARTIGO 62-A DO RICARF. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que nos casos onde são constatados recolhimentos mesmo que parciais do tributo, deve ser aplicado o artigo 150, § 4º e para os casos onde não foram efetivados recolhimentos deve ser aplicado o art. 173, I, ou parágrafo único, ambos do Código Tributário Nacional. Recurso negado.

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1216.11243.CY6J. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:   Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto  Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso  Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de  Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Marcelo  Oliveira,  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Rycardo  Henrique  Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque  Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo  Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.      Relatório  Insurge­se  a  Fazenda  Nacional,  através  de  Recurso  Extraordinário  às  fls.  879/887,  admitido  pelo  Despacho  à  fl.  909,  contra  o Acórdão  à  fl.  867,  que  unanimemente  negou provimento ao seu Recurso Especial, confirmando a decadência do lançamento do IRPF  pela Fazenda Nacional relativamente ao ano­calendário de 1996.    O acórdão recorrido traz a seguinte ementa:    “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF    Exercício: 1997 e 1998    Ementa:  DECADÊNCIA  —  IMPOSTO  DE  RENDA  —  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  O  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  situa­se  dentre as hipóteses de lançamento por homologação em que o fato gerador  do  imposto de  renda  se  concretiza no dia 31 de  cada ano­calendário. Não  ocorrendo  a  homologação  expressa,  o  crédito  tributário  é  atingido  pela  decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador  (art. 150, § 4, do CTN).    Recurso Especial Negado”      Aduz a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido diverge do entendimento  jurisprudencial  acerca  da  matéria,  trazendo  como  paradigma  o  Acórdão  (CSRF/01­03.215),  cuja ementa e voto transcreve à fl. 881.    Fl. 941DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1216.11243.CY6J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10909.003094/99­21  Acórdão n.º 9900­000.352  CSRF­PL  Fl. 941          3 Na  ótica  articulada  pela  União  (Fazenda  Nacional),  o  marco  inicial  para  contagem  do  prazo  decadencial  deve  ser  o  primeiro  dia  útil  do  exercício  seguinte  ao  que  deveria  ter sido efetuado o lançamento,  lastreando­se no artigo 173,  inc.  I, CTN, ao invés do  artigo 150, § 4º, que determina como marco inicial a ocorrência do fato­gerador.    Transcreve  também às  fls.  882/883  trecho de voto do Conselheiro Cândido  Rodrigues Neuber, proferido no acórdão CSRF/01­03.103 favorável à tese manipulada.    Como ponto fulcral das suas razões extraordinárias aponta o fato de não  ter  havido pagamento antecipado a homologar, transcrevendo também à fl. 885 ementa de Recurso  Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça da Relatoria do Ministro Luiz Fux.    Por fim, cita à fl. 886 entendimento do doutrinador LUCIANO AMARO, que  também concorda com a tese de que não havendo pagamento antecipado à homologar o prazo  decadencial deverá ser regido pelo art. 173, inc. I, do CTN.    Requer seja reformado o acórdão combatido para afastar a decadência do ano  calendário de 1996.    À fl. 900, pedido de desistência do Contribuinte quanto ao ano­calendário de  1997,  em  razão  de  ter  optado  pelo  parcelamento  do  débito  oportunizado  pela  Lei  nº  11.941/2009.    Contra­Razões  do Contribuinte  às  fls.  914/917  não  passíveis  de  apreciação  por serem intempestivas.    É o relatório.      Voto             V O T O do Conselheiro Relator Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque  Silva.  Fl. 942DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1216.11243.CY6J. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     4   O Recurso preenche condições de admissibilidade dele tomo conhecimento.    Indiscutível que a tributação das pessoas físicas pelo IRPF, sujeita a ajuste na  declaração  anual  e  independentemente  de  exame  prévio  do  Fisco,  nela  incluído  acréscimo  patrimonial a descoberto, caracteriza lançamento por homologação, situação na qual o direito  da Fazenda Nacional lançar, decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano­ calendário questionado (fato gerador).    Sobre  os  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  o  Egrégio  STJ  posicionou­se  no Resp.  nº973.733­SC(2007/0176994­0),  tendo  como  relator  o Ministro Luiz  Fux:    “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º E 173 DO CTN.  IMPOSSIBILIDADE.”    Tendo em vista que no caso dos autos ocorreu pagamento antecipado, mesmo  que  a  menor,  conforme  Declaração  de  Imposto  de  Renda  às  fls.  006/009  e  Consulta  Administrativa aos Pagamentos Realizados às fls. 351/354, correta a aplicação do art. 150 do  CTN em observância ao art. 62­A do RICARF.     O acréscimo patrimonial a descoberto – no caso presente  ­ corresponde aos  anos  –  calendário  de  1996  e  1997  e  o  Contribuinte  foi  notificado  em  13.12.2002,  portanto,  caracterizando a decadência em relação aos fatos geradores que foram materializados em 1996.    Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso  da  Fazenda Nacional.    Sala das Sessões, 28 de agosto de 2012.    Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva – Relator.                Fl. 943DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1216.11243.CY6J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10909.003094/99­21  Acórdão n.º 9900­000.352  CSRF­PL  Fl. 942          5                   Fl. 944DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1216.11243.CY6J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA em 30/11/2012 18:18:05. Documento autenticado digitalmente por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA em 30/11/2012. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 21/01/2013 e FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA em 30/11/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/12/2016. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.1216.11243.CY6J Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 109090030949921. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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6593594 #
Numero do processo: 13502.000463/00-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 29/07/1994, 21/12/1994, 30/01/1995 COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos, para comprovação do regime Drawback, Registros de Exportação devidamente vinculados a apenas um Ato Concessório. Da mesma forma, não devem ser considerados, para efeito de comprovação de Drawback, os Registros de Exportação utilizados na comprovação de dois Atos Concessórios distintos.
Numero da decisão: 9303-004.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 29/07/1994, 21/12/1994, 30/01/1995 COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos, para comprovação do regime Drawback, Registros de Exportação devidamente vinculados a apenas um Ato Concessório. Da mesma forma, não devem ser considerados, para efeito de comprovação de Drawback, os Registros de Exportação utilizados na comprovação de dois Atos Concessórios distintos.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1462; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 432          1 431  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13502.000463/00­08  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­004.335  –  3ª Turma   Sessão de  4 de outubro de 2016  Matéria  II ­ DRAWBACK  Recorrente  BRASKEM S/A (nova denominação de COPENE PETROQUÍMICA DO  NORDESTE S/A)  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do fato gerador: 29/07/1994, 21/12/1994, 30/01/1995  COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO.  Somente  podem  ser  aceitos,  para  comprovação  do  regime  Drawback,  Registros  de  Exportação  devidamente  vinculados  a  apenas  um  Ato  Concessório. Da mesma  forma, não devem ser considerados,  para efeito  de  comprovação  de  Drawback,  os  Registros  de  Exportação  utilizados  na  comprovação de dois Atos Concessórios distintos.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade  de  votos,  em conhecer  do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas,  Tatiana Midori  Migiyama  e  Vanessa  Marini Cecconello.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 63 /0 0- 08 Fl. 434DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos  Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pelo contribuinte acima, em face do acórdão n°  301­32.290, de 06/12/2005, do qual resultou a ementa abaixo transcrita:  IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DRAWBACK. CUMPRIMENTO  DE EXPORTAÇÃO.  A  concessão  do  regime  condiciona­se  ao  cumprimento  dos  termos e condições estabelecidos no seu, regulamento (art. 78  do  Decreto­lei  nº  37/66).  O  descumprimento  das  obrigações  estabelecidas no art. 325 do RA, que determina a utilização do  beneficio  no  documento  comprobatório  de  exportação,  e  no  art.  7º  da  Portaria DECEX  nº  24/92,  que  estabelece  que  os  documentos de exportação não poderão ser utilizados em mais  de uma operação de drawback, implica a descaracterização do  regime  e a exigência dos  tributos  suspensos  relativamente  aos  bens importados.  DESPACHO ADUANEIRO. SUSPENSÃO DO IMPOSTO.  Constatado  que  o  ato  concessório  foi  emitido  posteriormente  ao  registro da DI, mas que  essa  foi complementada por DCI  recepcionada  pela  unidade  da  SRF  antes  do  desembaraço  aduaneiro da mercadoria, é licito o uso dos bens no regime.  RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.    A  recorrente  suscitou  divergência  quanto  à  necessidade  de  observância  integral  das  formalidades  exigidas  como  condição  do  adimplemento  do  compromisso  de  exportar no  regime de Drawback. Mais precisamente,  quanto  à vinculação, nos Registros de  Exportações, a Atos Concessórios diversos daqueles a que deveria se referir, e vinculação de  RE's a mais de um AC.  Foi admitido o recurso especial, ao meu ver corretamente, pois os paradigmas  trazidos, de fato, consubstanciam aplicação de mesma legislação e questão fática extremamente  similar, de forma diversa do acórdão recorrido. Para ilustrar traz­se a ementa de um deles:   Acórdão nº 302­35.851  DRAWBACK  (SUSPENSÃO)  ­  DESCUMPRIMENTO  DE  FORMALIDADES  ­  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS  ­  EXPORTAÇÕES REALIZADAS.  O descumprimento de formalidades e obrigações acessórias, tais  como  a  vinculação  dos  AC's  aos  RE's,  enquadramento  no  Siscomex,  pela  indicação  de  código  da  operação,  etc,  não  é  suficiente  para  caracterizar  o  inadimplemento  do  compromisso  de  exportar,  fixado  em  Atos  Concessórios  de  DRAWBACK.  Tendo ocorrido a exportação da mercadoria compromissada nos  respectivos  Atos  Concessórios,  em  quantidade,  qualidade  e  Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13502.000463/00­08  Acórdão n.º 9303­004.335  CSRF­T3  Fl. 433          3 preço determinado, tem­se por resolvida a pendência, tornando­ se inexigíveis os tributos suspensos.  RECURSO PROVIDO PELO VOTO DE QUALIDADE.    No recurso especial é  referido que o cumprimento dos requisitos do regime  pode ser comprovado através da análise dos fluxos financeiros das importações e exportações,  bem  assim  da  compatibilidade  entre  as  mercadorias  importadas  e  aquelas  exportadas,  do  mesmo modo o descumprimento deverá ser comprovado a partir da mesma análise.  Nas contra­razões, a Fazenda Nacional diz que as irregularidades detectadas  não  se  caracterizam  como  mera  inobservância  de  formalidades,  mas  sim  corno  descumprimentos de requisitos de ordem material, capazes de invalidar a fruição do beneficio  fiscal e requer a negativa de provimento ao recurso especial.   É o relatório    Voto             Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  recurso  interposto  pelo  contribuinte  é  tempestivo,  atende  aos  demais  pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido.  A  irresignação  da  recorrente  quanto  à  manutenção  parcial  do  auto  de  infração,  por  haver  vinculação  de  Registros  de  Exportação  a  Atos  Concessórios  diversos  daqueles a que deveria se referir, e vinculação de RE's a mais de um AC, passa pela análise do  princípio  da  vinculação  física  no  bojo  do  regime  especial  do  Drawback.  Tal  matéria  é  recorrente nesta Câmara Superior, e já tive oportunidade de expressar minha visão acerca dela  em outras oportunidades.  O regime aduaneiro especial de drawback, previsto no art. 78 do DL 37/66 e  restabelecido  por  força  do  art.  1º,  inciso  I,  da  Lei  nº  8.402/1992  foi,  inicialmente,  regulamentado pelo Decreto nº 68.904, de 12/07/1971, sendo que ao tempo dos fatos geradores  deste  expediente  sua  regulamentação  constava  dos  arts.  314  a  319  do  Regulamento  Aduaneiro/92. É um estímulo à exportação e consiste na suspensão, isenção ou restituição de  tributo  incidente  no  ingresso  da  mercadoria  (matéria­prima  ou  produtos  intermediários)  utilizada  na  fabricação,  complementação  ou  acondicionamento  de  produto  destinado  à  exportação.  Na modalidade drawback­suspensão, o importador se compromete a proceder  à exportação dentro do prazo que lhe é concedido pelo Ato Concessório (condição resolutória  futura). Se ao final deste prazo, a condição é satisfeita a contento, a suspensão da exigência do  crédito tributário se transforma em isenção. Contudo, decorrido esse prazo sem que a referida  exportação  se  efetive,  o  contribuinte  deverá  liquidar  o  débito  em  trinta  dias,  sendo  que  este  Fl. 436DF CARF MF     4 débito  corresponde  à  obrigação  tributária  nascida  por  ocasião  do  fato  gerador  e  constituída  através do termo de responsabilidade.  O regime de drawback tem a natureza jurídica de um contrato, firmado entre  a  União  e  a  empresa  beneficiária,  com  direitos  e  obrigações  de  ambas  as  partes,  no  qual  a  União concede os benefícios de suspensão, restituição ou isenção de impostos e a beneficiária  se  compromete  a  cumprir  sua obrigação  de  exportar,  dentro  dos  limites,  condições  e  termos  pactuados.  A  finalidade  deste  Regime  é  propiciar  ao  exportador  nacional  condições  competitivas em relação aos preços internacionais, desonerando­o dos encargos financeiros que  caracterizam  as  importações  comuns,  sob  a  condição  de  que  os  produtos  importados  sejam  empregados na industrialização de produtos nacionais a serem exportados. É neste aspecto que  o  princípio  da  vinculação  física  entre  produtos  importados  e  produtos  a  serem  exportados  reveste­se de fundamental relevância.  No  caso  do  Drawback  ­  modalidade  Suspensão,  como  já  destacado,  os  tributos  que  incidiriam  na  importação  ficam  com  sua  exigibilidade  suspensa,  sob  condição  resolutiva  do  regime,  que  é  a  exportação  do  produto  final.  Com  o  adimplemento  desta,  a  suspensão dos tributos se transforma em isenção concreta. Ou seja, na modalidade Suspensão,  o  benefício  é  concedido  anteriormente  à  ocorrência  de  um  evento  futuro,  no  caso,  a  futura  exportação,  estando  intimamente  ligado  aos  compromissos  assumidos  pela  empresa,  em  conformidade  com  o  projeto  elaborado  pelo  próprio  interessado  e  nos  termos  do  Ato  Concessório emitido pela SECEX.  A sistemática do Drawback­Suspensão é bem diferente daquela que ocorre na  modalidade Isenção, em relação à qual o importador utilizou produtos de importação comum,  com  o  pagamento  dos  tributos  devidos,  na  fabricação  de  produtos  já  exportados.  Nesta  hipótese,  o  benefício  fiscal  visa  “compensar”  os  encargos  financeiros  anteriormente  despendidos,  possibilitando  ao  interessado  importar  com  isenção  de  tributos  a  mesma  mercadoria (qualidade, quantidade, etc.) para repor seus estoques.  Por  ser um  incentivo à exportação, o controle  a  ser efetuado em relação ao  cumprimento  das  condições  e  requisitos  envolvidos  deve  ser  mais  cuidadoso  e  abrangente,  sem, contudo, tornar impraticável ou impossibilitar o alcance do objetivo maior pretendido.  Isto  porque,  ao  se  beneficiar  determinadas  empresas,  deve­se  sempre  ter  a  precaução  de  não  se  criar uma  situação  de  desigualdade  e  injustiça  com outras  empresas  do  mesmo setor econômico, o que fatalmente ocorreria se os produtos importados com suspensão  de tributos, em decorrência do Regime Drawback, fossem “desviados” para o mercado interno.  No presente caso, houve a concessão do regime, surgindo um vínculo entre o  fisco  e  o  beneficiário  do  regime,  pelo  qual  o  primeiro  desembaraçou  mercadorias  com  suspensão  da  exigibilidade  dos  tributos,  sob  condição  de  que  o  segundo  promovesse  a  sua  aplicação  em  produtos  destinados  à  exportação,  no  prazo  e  condições  estipulados  no  ato  concessório emitido pelo órgão competente.  A  condição  básica  para  a  obtenção  do  benefício  é  que  a  importadora  se  comprometa  a  atingir  certas  metas  de  exportação,  utilizando­se  para  tanto  dos  insumos  importados sob o regime de Drawback, conforme visto.  Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13502.000463/00­08  Acórdão n.º 9303­004.335  CSRF­T3  Fl. 434          5 Não bastasse  isso, o  regulamento aduaneiro de 2002, aplicável aos  fatos do  contencios,  também  previa  a  total  vinculação  entre  as  mercadorias  importadas  e  aquelas  a  exportar, conforme transcrição do artigo 341 do Decreto 4543/2002:  “Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade  de suspensão, deverão ser  integralmente utilizadas no processo  produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação  das mercadorias a serem exportadas.  Parágrafo  único.  O  excedente  de  mercadorias  produzidas  ao  amparo  do  regime,  em  relação  ao  compromisso  de  exportação  estabelecido  no  respectivo  ato  concessório,  poderá  ser  consumido  no mercado  interno  somente  após  o  pagamento  dos  impostos  suspensos  dos  correspondentes  insumos  ou  produtos  importadas, com os acréscimos legais devidos.” (grifei)  Se,  no  entanto,  a  importadora  descumpre  o  acordado,  desrespeitando  quaisquer condições previstas na legislação, perde a característica essencial que lhe confere o  benefício previsto no Ato Concessório, devendo sujeitar­se ao regime de importação comum.  No regime de Drawback­Suspensão, é pressuposto essencial que os insumos  importados  com  benefício  fiscal  sejam  efetivamente  empregados  na  industrialização  dos  produtos a serem exportados, o que é o princípio da vinculação física citado.  A auditoria­fiscal aponta no auto de infração (sintetizado no relato da DRJ ­ fl. 211) as questões fáticas ocorridas:  No  item  3  do  referido  Relatório  (fls.  11  a  22)  —  Das  Irregularidades  e  Infrações  Apuradas  —  o  Autuante  identifica  cada  infração,  aponta  o  seu  fundamento,  e  sustenta  que  o  Autuado cometeu irregularidades em relação aos seguintes Atos  Concessórios:  •  Ato  Concessório  nº  6­94/0027­9,  de  29/06/1994  –  Compromisso  de  exportar  comprovado pelos RE's  94/1091864­ 001 e 95/0004276­001, que se encontram vinculados apenas aos  Atos  Concessórios  n°s  6­94/0021­0  e  6­94/0067­8,  respectivamente;  • Ato Concessório n° 6­95/007­7, de 11/01/1995 – Compromisso  de exportar comprovado pelos RE's 95/0280070­001 (vinculado  apenas  ao AC  n°  6­94/0067­8)  e  95/0395994­001  (vinculado a  este  AC  (6­95/007­7)  e  ao  AC  n°  6­95/012­8).  O  Autuante  também  sustenta  que  toda  a  operação  de  drawback  foi  descaracterizada  em  relação  A  DI  nº  002161,  registrada  em  27/12/1994,  tendo  em  vista  que  o  AC  n°  6­95/007­7  só  foi  emitido em 11/01/1995;  •  Ato  Concessório  nº  6­95/012­8,  emitido  em  18/01/1995  –  Compromisso  de  exportar  comprovado  pelos  RE's  nos  95/0395994­001  (vinculado a este AC e ao de n° 6­95/007­7) e  95/0589663­001 (vinculado a este AC e ao de n° 6­ 95/017­4).    Fl. 438DF CARF MF     6   Como  se  depreende  da  descrição  acima,  a  interessada  praticou  atos  que  indicam  a  não  vinculação  entre  os  produtos  exportados  e  os  insumos  importados  no  regime  Drawback.   Quando  da  decisão  recorrida,  o  ilustre  relator  alicerçou  seu  voto,  dando  parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma:  As operações da recorrente, pertinentes aos 3 Atos Concessórios  (ACs) objeto de autuação, foram desenvolvidas entre junho/1994  a agosto/1995.  Portanto,  os  benefícios  recebidos  ficaram  sujeitos  ao  pleno  cumprimento  das  normas  vigentes  à  época,  entre  as  quais  o  registro de exportação no Siscomex.  Destarte,  não  vejo  como  aceitar  a  alegação  da  recorrente,  no  sentido  de  que  foi  criado  no RE  um  campo  apropriado  para  a  inserção  do  número  do  ato  concessório,  mas  que  não  havia  obrigação de ser consignada tal informação.  Ademais, em se  tratando de suspensão de crédito  tributário, há  que se interpretar literalmente as normas que lhe dizem respeito  (art.  111,  I,  CTN).  A  interpretação  literal  não  permite  a  integração extensiva ou restritiva, e sim, determina a aplicação  do  significado  gramatical  que  lhe  respeita,  podendo  em  certos  casos o contribuinte ser beneficiado, em outros não, dependendo  da norma.  De  observar­se  que  a  norma  expressa  no  CTN  tem  aplicação  abrangente aos casos a que se refere e que para a mesma não foi  prevista qualquer exceção, bastando que o pagamento do tributo  seja afastado pelo instituto da suspensão, independentemente de  ser  esta  decorrente  de  simples  beneficio  ou  de  beneficio  considerado incentivo fiscal, como é o caso de drawback.  As  normas  de  drawback  estabelecidas  do  RA  são  de  cumprimento  obrigatório,  porque  se  relacionam  a  casos  de  dispensa de pagamento de tributo em função do beneficio fiscal  referido, considerado incentivo à exportação.  Diante  da  impossibilidade  de  utilização,  à  época,  dos  documentos  que  antes  eram  utilizados,  a  obrigatoriedade  de  vinculação  do  regime  de  drawback  passou  a  ser  feita  exclusivamente  nos  REs,  em  face  da  nova  legislação.  Esses  registros é que, desde então, compõem e satisfazem a obrigação  de vinculação, para os efeitos do controle previsto, à época, no  art. 325 do RA/85.  Na  realidade,  ao  mesmo  tempo  em  que  alegou  a  não  obrigatoriedade  de  fazer  a  vinculação  nos  REs,  a  recorrente  demonstrou  o  pleno  conhecimento  da  legislação,  tanto  que  os  autos do processo mostram que foram efetuados REs e que se fez  vinculação de exportações com o beneficio pretendido.  Acontece, no entanto, que em algumas exportações a recorrente  indicou  nos  REs  a  vinculação  a  ACs  diversos  daqueles  a  que  Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13502.000463/00­08  Acórdão n.º 9303­004.335  CSRF­T3  Fl. 435          7 deveria  se  referir  originalmente,  bem  como  vinculou  tais  exportações a mais de um AC.  Essa  pratica  não  tem  respaldo  na  legislação  em  vigor,  ern  especial  no  art.  7º  da  Portaria  Decex  nº  24/92,  que  veda  expressamente a utilização de um documento de exportação em  mais de um beneficio de drawback.  A  propósito,  a  respeito  da  matéria  foi  solicitado  o  pronunciamento  da  Secex  que,  em  resposta  a  diligência,  declarou  que  o  adimplemento  foi  considerado  coin  base  na  Portaria  Secex  nº  7/93  (pertinente  a  declaração  específica  do  beneficiário  quando  não  fosse  possível  obter  no  Siscomex  o  documento  de  exportação),  mas  que  caberia  à  beneficiária  do  regime observar o contido no art. 7º da Portaria Decex nº 24/92.  Ademais,  na  data  em  que  as  operações  foram  feitas,  era  perfeitamente  possível  obter  o  documento  de  exportação,  tanto  que as exportações foram objeto de REs.  A  resposta  do  Decex,  contida  no  Oficio  nº  047/DECEX,  de  22/1/2004,  foi  clara  no  sentido  de  que  a  recorrente  devia  obrigatoriamente  cumprir  o  requisito  expresso  no  art.  7º  da  Portaria  Decex  nº  24/92,  consistente  em  não  utilizar  o  documento  de  exportação  em  mais  de  uma  operação  de  drawback.  O  entendimento  da Decex  é  idêntico  ao  da  SRF. Com efeito,  a  utilização de um comprovante de exportação em mais de um AC  é  contrario  às  regras  estabelecidas  para  o  regime, porque  não  permite  o  seu  adequado  controle.  Os  atos  concessórios  devem  ser  cumpridos  de  forma  distinta,  com  utilização  de  REs  vinculados e exclusivos, e a utilização de um RE em mais de um  AC  caracteriza  a  falta  da  correspondente  individualidade,  significando  que  a  cadeia  de  comprovações  individuais  em  algum momento foi rompida, devido a alguma irregularidade na  utilização dos bens importados.  Em vista dos fatos, entendo que o regime não foi cumprido, por  não terem sido atendidos os requisitos e obrigações a que estava  sujeita  a  beneficiária,  razão  pela  qual  concordo  com  o  lançamento parcial em relação aos REs vinculados a outros ACs  ou a mais de um AC, como no caso em exame, referente aos ACs  6­ 94/027­9 e 6­95/012­8.  O mesmo entendimento (lançamento parcial) caberia em relação  ao beneficio objeto do AC n2 6­95/007­7. No entanto, o referido  beneficio foi objeto de glosa integral pelo autuante, em razão de  a DI  nº  2.161  ter  sido  registrada  em 27/12/94  e  o AC  ter  sido  emitido em 11/1/95.  Discordo da autuação integral quanto a esse AC. E isso porque  a referida DI (fls. 65/67) foi complementada pelas DCIs nº 152,  de 2/2/95 (fls. 68/70) e nº 203, de 17/2/95 (fls. 71/73), que foram  apresentadas pela recorrente e devidamente recepcionadas pela  Alfândega  do  Porto  de  Salvador,  sendo  que  o  desembaraço  aduaneiro  da  mercadoria  importada  ocorreu  somente  após  a  Fl. 440DF CARF MF     8 recepção dessas declarações complementares e sob o regime de  suspensão ali  requerido, o que  implica a aceitação do  referido  regime.    No caso em tela, ficou caracterizado que a autuada não pautou suas ações de  acordo com o pactuado com a Administração Tributária, e em sendo autuada, no decorrer do  processo deixou de apresentar elementos de prova pertinentes, o que faz com que os  tributos  sejam exigíveis, além de seus acréscimos legais, inclusive penalidades por pagamento fora do  prazo legal.  Aqui  o  ônus  probante  é  do  beneficiado  pela  suspensão  dos  tributos.  A  comprovação  de  uma  das  partes  de  determinado  fato  ou  situação  jurídica  decorre  das  distribuição  legal do ônus da prova. Há que  se  “convencer” o  julgador  da existência do  fato  impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo, no caso, o total cumprimento  do regime.  O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem  efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de  fatos ou a existência de  situações  jurídicas que ensejassem que os  julgadores  tomassem uma  decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. É  interesse de ambas as partes fazê­lo.  Mas  se  o  ônus  decaí  em  uma  parte  e  ela  não  o  faz,  assume  os  riscos  e  as  conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria.  O  ônus  da  prova  não  é  um  dever  e  nem  um  comportamento  necessário  da  parte  interessada,  mas  um  direito  de  a  parte  poder  convencer  os  julgadores  acerca  da  veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável.  In  casu,  o  sujeito  passivo  é  que  teria  interesse  em  provar  o  seu  direito  à  fruição do benefício acordado no ato concessório, e não o fez. Assim não há como se decidir  pelo cumprimento do regime.  Apenas  para  ilustrar  o  voto,  trago  a  ementa  de  um  aresto  desta  Câmara  Superior de Recursos Fiscais que sufraga a vinculação física no regime ora discutido:  Acórdão 9303­001.346  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II   Data do fato gerador: 31/01/1995   PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.  No  regime  de  Drawback­Suspensão,  é  condição  para  a  regularidade  do  regime  que  os  insumos  importados  com  benefício  fiscal  sejam  efetivamente  empregados  na  industrialização dos produtos a serem exportados.    Na  esteira  disso  tudo,  penso  que  a  decisão  recorrida  não merece  qualquer  reparo,  pois  além  de  bem  fundamentada  está  em  consonância  com  a  jurisprudência  administrativa.   Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13502.000463/00­08  Acórdão n.º 9303­004.335  CSRF­T3  Fl. 436          9 Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial.    (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas                              Fl. 442DF CARF MF

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Numero do processo: 13055.000016/2001-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . CONTRADIÇÃO . OCORRÊNCIA - Constatada a ocorrência de contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes
Numero da decisão: 9303-004.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos da Fazenda Nacional, para corrigir a ementa do acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . CONTRADIÇÃO . OCORRÊNCIA - Constatada a ocorrência de contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos da Fazenda Nacional, para corrigir a ementa do acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 1.172          1  1.171  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13055.000016/2001­18  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  9303­004.167  –  3ª Turma   Sessão de  5 de julho de 2016  Matéria  Embargos Declaratórios  Embargante   FAZENDA NACIONAL  Interessado  INDÚSTRIA DE PELES PAMPA LTDA.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . CONTRADIÇÃO . OCORRÊNCIA ­   Constatada a ocorrência de contradição na decisão embargada, deve ser dado  provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.  Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e  acolher  os  embargos  da  Fazenda  Nacional,  para  corrigir  a  ementa  do  acórdão  embargado,  sem  efeitos infringentes.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Relator e Presidente Interino  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos,  Tatiana Midori  Migiyama,  Charles Mayer  de  Castro  Souza,  Érika  Costa  Camargos  Autran, Robson  José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen  e Rodrigo da Costa  Pôssas  (Presidente  Interino).  Ausentes,  justificadamente,  os  Conselheiros  Carlos  Alberto  Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.     Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 00 00 16 /2 00 1- 18 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2  Trata­se  de  embargos  de  declaração  (e­fls.  425  a  427)  interposto  pela  FAZENDA  NACIONAL  contra  o  Acórdão  nº  9303­01.619,  fls.  403  a  412,  por  suposta  contradição desse decisum. O acórdão embargado possui a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS IPI   Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000   CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI  BASE  DE  CÁLCULO  INDUSTRIALIZAÇÃO  POR  ENCOMENDA.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI  .  Provado  que  o  bem  submetido  a  industrialização  adicional  em  outro  estabelecimento  é  empregado  pelo  encomendante  em  seu  processo  produtivo  na  condição de matériaprima, produto intermediário ou material de  embalagem,  para  obtenção  do  produto  por  ele  exportado,  o  valor  pago  ao  executor  integra  a  base  de  cálculo  do  incentivo  instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI  AQUISIÇÕES  DE  PESSOAS  FÍSICAS E COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.  POSSIBILIDADE.  As  decisões  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  recursos  repetitivos,  por  força  do  art.  62A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  devem  ser  observadas  no  Julgamento  deste  Tribunal  Administrativo.  É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de  IPI,  dos  valores  pertinentes  às  aquisições  de  matériasprimas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagens,  efetuadas  junto  a  pessoas  físicas  e  a  cooperativas  de  produtores.  No  ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que  atos  normativos  infralegais  obstaculizaram  o  creditamento  por  parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com  base  na  Selic,  desde  o  protocolo  do  pedido  até  o  efetivo  ressarcimento  do  crédito  (recebimento  em  espécie  ou  compensação com outros tributos).  Recurso Especial da Fazenda Nacional Provido em parte.  A  embargante  alegou  que  ocorreu  contradição  entre  a  ementa  e  a  parte  dispositiva do Acórdão.  É o relatório.    Voto             Os  embargos  são  tempestivos  e  apontam  contradição,  merecendo  ser  conhecidos.  O  exame  de  admissibilidade  (e­fls.  428/429),  que  acolheu  os  embargos,  constatou a contradição na decisão embargada.  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13055.000016/2001­18  Acórdão n.º 9303­004.167  CSRF­T3  Fl. 1.173          3  A  contradição,  fundamento  legal  dos  presentes  declaratórios,  encontrava­se  prevista no art. 65 do RI – CARF (Portaria MF nº 256/2009), segundo o qual “cabem embargos  de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar­se a turma”.  Com relação a contradição, seu surgimento se faz presente quando a decisão  administrativa possui proposições conflitantes entre si.  De fato, verifica­se a ocorrência de contradição entre o provimento parcial do  recurso referido na ementa com a negativa de provimento referida no resultado do julgamento  constante do acórdão. Vejamos a transcrição da parte dispositiva do acórdão embargado:  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar  provimento  ao  recurso  especial.  Vencidos  os  Conselheiros  Rodrigo  da  Costa  Pôssas  (Relator),  Luis  Eduardo  Garrossino  Barbieri, Henrique Pinheiro Torres e Otacílio Dantas Cartaxo,  que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base  de  cálculo  do  crédito  presumido  do  IPI  a  industrialização  por  encomenda.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Júlio  César  Alves  Ramos.  Fez  sustentação  oral  o  Dr.  Jorge  Anderson  Corte  Real,  CRA/RS  nº  17.904,  representante do sujeito passivo.  O acórdão de recurso voluntário (e­fl. 307 e seguintes), segundo o resultado,  deu provimento ao  recurso da  Interessada,  I) por Maioria de votos, quanto à  industrialização  por encomenda; II) por unanimidade de votos, quanto às aquisições de cooperativas (4° Trim  de  2000);  e  III)  por maioria de  votos,  quanto  à  atualização monetária  (Selic),  admitindo­a  a  partir  da  data  de  protocolização  do  pedido  de  ressarcimento  e,  após  embargos,  quanto  ao  cálculo da receita operacional bruta.  A  Fazenda  Nacional  interpôs  recurso  especial  por  contrariedade  à  lei  e  divergência  (e­fls.  322  e  seguintes),  ao  qual  foi  dado  seguimento,  conforme  despacho  de  fls.359 a 362, pela presidência da Quarta Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes.  O  sujeito  passivo  apresentou  contrarrazões  às  fls  368/401  onde  pleiteia  a  manutenção do acórdão recorrido.  No  recurso  especial,  a  Fazenda  Nacional  pleiteava  a  reforma  do  acórdão  recorrido,  requerendo  o  acolhimento  de  suas  razões,  para  fins  de  recálculo  do  crédito  presumido  de  IPI,  com  a  exclusão  dos  valores  relativos  aos  insumos  adquiridos  de  não  contribuintes  (pessoas  físicas  e  cooperativas),  bem  como  os  custos  de  serviços  de  industrialização por encomenda.  Nos  termos  do  voto  do  Relator  do  acórdão  embargado  foi  admitida  a  inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagens,  efetuadas  junto  a  pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o  protocolo  do  pedido  até  o  efetivo  ressarcimento  e,  no  atinente  à  industrialização  por  encomenda, a maioria divergiu do entendimento esposado pelo Relator, ficando consignado no  voto  vencedor  o  deferimento  da  parcela  que  a  Fazenda  Nacional  pretendia  fosse  excluída,  mantendo­se a decisão recorrida.  Fl. 432DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4  Assim,  na  Parte  dispositiva  consta  que  foi  negado,  por  maioria  de  votos,  provimento  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional,  ficando  consignado  a  divergência  dos  conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Henrique  Pinheiro  Torres  e  Otacílio  Dantas  Cartaxo,  que  davam  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir da base de cálculo do crédito presumido do IPI a industrialização por encomenda. No  entanto,  consta  na  ementa  como  resultado  do  julgamento  "Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional Provido em parte".  Dessa forma, forçoso concluir que houve um equívoco na ementa do acórdão  embargado que deve ser corrigido, passando aquela a ter a seguinte redação:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS IPI   Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000   CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI  BASE  DE  CÁLCULO  INDUSTRIALIZAÇÃO  POR  ENCOMENDA.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI  .  Provado  que  o  bem  submetido  a  industrialização  adicional  em  outro  estabelecimento  é  empregado  pelo  encomendante  em  seu  processo  produtivo  na  condição  de  matéria­prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem,  para  obtenção do  produto  por  ele  exportado,  o  valor  pago  ao  executor  integra  a  base  de  cálculo  do  incentivo  instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtor­exportador.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI  AQUISIÇÕES  DE  PESSOAS  FÍSICAS E COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.  POSSIBILIDADE.  As  decisões  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  recursos  repetitivos,  por  força  do  art.  62A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  devem  ser  observadas  no  Julgamento  deste  Tribunal  Administrativo.  É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de  IPI,  dos  valores  pertinentes  às  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagens,  efetuadas  junto  a  pessoas  físicas  e  a  cooperativas  de  produtores.  No  ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que  atos  normativos  infralegais  obstaculizaram  o  creditamento  por  parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com  base  na  Selic,  desde  o  protocolo  do  pedido  até  o  efetivo  ressarcimento  do  crédito  (recebimento  em  espécie  ou  compensação com outros tributos).  Recurso Especial do Procurador Negado.  Com estas considerações, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos  para  corrigir  a  ementa  do  acórdão  embargado,  conforme  acima  explicitado,  sem  efeitos  infringentes.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Relator             Fl. 433DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13055.000016/2001­18  Acórdão n.º 9303­004.167  CSRF­T3  Fl. 1.174          5                Fl. 434DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 13888.901431/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.365
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901431/2014­11  Acórdão n.º 3402­003.365  S3­C4T2  Fl. 3          2  denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que  o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de  débitos anteriormente declarados pelo contribuinte.  Em  tempo hábil,  foi apresentada manifestação de  inconformidade na qual  a  defesa  alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o  crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS  na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o  ICMS é mero  ingresso que não pode  ser  incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do  STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o  indébito apurado.   A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  rejeitou  a  preliminar  de  nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para  pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão  da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da  receita  proveniente  da  alienação  onerosa  de  créditos  do  ICMS;  e  c)  o  valor  dos  débitos  declarados para  compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a  essas compensações.   Regularmente  notificado  do  Acórdão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  apresentou  em  tempo  hábil  recurso  voluntário  a  este  Colegiado,  alegando,  em  síntese,  o  seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões  pelas  quais  o  contribuinte  não  tem  o  crédito  que  alega  possuir.  Essa  omissão  impediu  o  contribuinte  de  exercer  a  plena  demonstração  de  seu  crédito,  pois  não  há  como  argumentar  contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o  faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de  cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do  ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110  do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o  contribuinte  mero  ingresso,  pois  o  valor  é  posteriormente  destinado  ao  fisco  estadual.  Tal  interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.785­2, que deve ser aplicado ao  caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensá­lo com base nos  arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator.   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­003.317, de  28  de  setembro  de  2016,  proferido  no  julgamento  do  processo  10865.904904/2012­31,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­003.317):  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901431/2014­11  Acórdão n.º 3402­003.365  S3­C4T2  Fl. 4          3  "O recurso preenche os  requisitos  formais para sua admissibilidade  e,  portanto, dele se toma conhecimento.  Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa.  Isso  porque,  ao  contrário  do  alegado,  o  despacho  decisório  declinou  com  todas  as  letras  o  motivo  pelo  qual  a  Administração  Tributária  denegou  o  pleito  do  contribuinte  e  não  homologou  as  compensações  declaradas.  O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação:   "(...)  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DECOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DECOMP. (...)"  No mesmo despacho encontram­se perfeitamente identificados o número  do  PER/DECOMP,  o  número  do  DARF  e  o  valor  relativo  ao  suposto  pagamento indevido.  O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada  porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de  débitos declarados pelo próprio contribuinte.   Em  outras  palavras:  o  contribuinte  não  possui  o  crédito  alegado  no  PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por  ele próprio declarados.  Portanto, o despacho decisório não  foi  lacônico, uma vez que declinou  expressamente  o  motivo  da  não  homologação  da  compensação:  o  contribuinte não tem o crédito alegado.  Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente  com  a  decisão  de  não  homologar  a  compensação,  o  que  atende  às  exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99.   Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte  não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo  porque  a  apresentação  de  impugnação  e  de  recurso  voluntário,  deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do  indébito desautorizam a invocação dessa preliminar.  No  mérito,  deflui  dos  autos  que  o  contribuinte  apurou  e  recolheu  a  contribuição  incluindo  o  ICMS  na  sua  base  de  cálculo  e  agora  comparece  perante  a  Administração  Tributária  alegando  que  o  recolhimento  foi  efetuado  em  montante  superior  ao  devido  porque  a  inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional.  O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de  cálculo  da  contribuição,  está  calcado  em  entendimento  sedimentado  desde  tempos  imemoriais  na  seara  tributária.  Tal  entendimento  tem  respaldo  legal  no  art.  12  do  Decreto­Lei  nº  1.598/77  e  na  Instrução  Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou.  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901431/2014­11  Acórdão n.º 3402­003.365  S3­C4T2  Fl. 5          4  O art.  12 do Decreto­Lei nº 1.598/77, na redação vigente na  época do  fato  gerador  relativo  ao  pagamento  tido  como  indevido,  estabelecia  o  seguinte:  "Art  12  ­  A  receita  bruta  das  vendas  e  serviços  compreende  o  produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço  dos serviços prestados.    § 1º  ­ A  receita  líquida de  vendas  e  serviços  será a  receita bruta  diminuída  das  vendas  canceladas,  dos  descontos  concedidos  incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)"   (Fonte  da  transcrição:  http://www.planalto.gov.br/  ccivil_03/decreto­lei/ del1598.htm)  Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte:  4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas  e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos  e  abatimentos  concedidos  incondicionalmente  e  (c)  dos  impostos  incidentes sobre as vendas.  (...)  4.3  ­  Para  os  efeitos  desta  Instrução  Normativa  reputam­se  incidentes  sobre  as  vendas  os  impostos  que  guardam  proporcionalmente  (sic)  com  o  preço  da  venda  ou  dos  serviços,  mesmo  que  o  respectivo montante  integra  (sic)  a  base  de  cálculo,  tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre  serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto  único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e  lubrificantes etc.  4.3.1 ­ Incluem­se também neste item:  a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda;  b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social  calculada sobre o faturamento;  c)  a  quota  de  contribuição,  ou  retenção  cambial,  devida  na  exportação.  (Fonte  da  transcrição:  http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/  sijut/Pesquisa.htm)  Portanto,  o  recolhimento  efetuado  pelo  contribuinte  está  em  conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado  há  anos  na  seara  tributária,  uma  vez  que  o  valor  do  ICMS  integra  o  preço  da  mercadoria,  sendo  tal  valor  deduzido  contabilmente  como  despesa operacional.  O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do  ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não  se  enquadra  no  conceito  de  faturamento  ou  mesmo  no  de  receita  estabelecido pela constituição.  Ao contrário do alegado pelo contribuinte,  tal argumento não pode ser  acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26­A do  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901431/2014­11  Acórdão n.º 3402­003.365  S3­C4T2  Fl. 6          5  Decreto  nº  70.235/72  proíbe  este  colegiado  de  negar  vigência  a  texto  legal  com  hierarquia  superior  a  Decreto,  em  razão  de  arguição  de  inconstitucionalidade, in verbis:  "Art. 26­A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado  aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  (...)  §  6o O  disposto  no  caput  deste  artigo  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:(Incluído  pela  Lei nº 11.941, de 2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)"  O  contribuinte  invoca  a  seu  favor  o  acórdão  do  STF  proferido  no RE  240.785­2.  Entretanto,  esse  recurso  extraordinário  ainda  não  foi  definitivamente  julgado,  não  se  enquadrando  no  disposto  no  §  6º,  I,  acima  transcrito,  e  nem  nas  disposições  do Decreto  nº  2.346/97,  para  que  o  entendimento  possa  ser  estendido  administrativamente  a  outros  casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos  recursos  submetidos  à  sistemática  da  repercussão geral  no  STF  e  será  decidida no RE nº 574.706.  Acrescente­se  que  a  Súmula CARF  nº  2  estabelece  que  o CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  da  lei  tributária.  Considerando que  os  recolhimentos  efetuados  pelo  contribuinte,  com a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  COFINS,  estão  conformes  à  legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio.    (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim                             Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 18471.003648/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 CUSTO DE AQUISIÇÃO A inexistência de registro permanente de estoques ou do Livro de Inventário impede a determinação do custo das mercadorias revendidas ou da matéria-prima utilizada e, por isso mesmo, impende a glosa de gastos deduzidos àquele título. DESPESAS OPERACIONAIS Admite-se a dedução de despesas operacionais até o limite de sua comprovação. CSLL Reflexo do lançamento do IRPJ, o lançamento da CSLL segue a mesma sorte daquele.
Numero da decisão: 1302-002.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro Marcelo Calheiros Soriano (Relator) Ana de Barros Fernandes Wipprich, tendo esta última acompanhado o relator pelas conclusões Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. RELATOR MARCELO CALHEIROS SORIANO - Relator. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: MARCELO CALHEIROS SORIANO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 802          1 801  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.003648/2008­12  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­002.008  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de outubro de 2016  Matéria  Custos ou despesas não comprovadas ­ glosa de despesas  Recorrente  CEMEX COMERCIAL MADEIRA EXPORTAÇÃO S. A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003  CUSTO DE AQUISIÇÃO  A inexistência de registro permanente de estoques ou do Livro de Inventário  impede a determinação do custo das mercadorias  revendidas ou da matéria­ prima  utilizada  e,  por  isso  mesmo,  impende  a  glosa  de  gastos  deduzidos  àquele título.   DESPESAS OPERACIONAIS   Admite­se  a  dedução  de  despesas  operacionais  até  o  limite  de  sua  comprovação.  CSLL  Reflexo do lançamento do IRPJ, o lançamento da CSLL segue a mesma sorte  daquele.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  DAR  provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  Conselheiro  Marcelo  Calheiros  Soriano  (Relator) Ana de Barros Fernandes Wipprich,  tendo esta última acompanhado o relator pelas  conclusões  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Marcos  Antonio  Nepomuceno Feitosa  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO ­ Presidente.   RELATOR MARCELO CALHEIROS SORIANO ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 36 48 /2 00 8- 12 Fl. 803DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 803          2 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA ­ Redator Designado.      Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza  Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido  Gil,  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Talita  Pimenta  Félix  e  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado.    Relatório  Nada  obstante  a  data  aposta  no Aviso  de  Recebimento  ­  AR  e  a  anotação  correspondente sem qualquer indicação de quem a teria feito (fl. 405), o teor do MEMO: CAC  CENTRO EMPRESA n. 43/12 (fl. 419) e a única data aposta sobre a peça recursal (fl. 420), há  muito restou reconhecida por este colegiado a tempestividade do recurso (fl. 472), razão pela  qual  adoto  o  relatório  elaborado  no  bojo  da  Resolução  n.  1302­000.233  (fls.  466/71),  que  adiante copio:  Trata­se  de  apreciar  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  acórdão  proferido nestes autos pela 1a Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por  unanimidade,  não  dar  provimento  à  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  remanescente nos autos, tal como se demonstra abaixo:  Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 442.745,84, mais a multa  de ofício de 75% e os juros de mora;  e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 168.019,48,  mais a multa de ofício de 75% e os juros de mora.  O acórdão restou assim ementado:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  CUSTOS NÃO COMPROVADOS.  A dedutibilidade dos dispêndios  realizados a  título de custos  requer a prova  documental hábil e idônea das respectivas operações.  DESPESAS NÃO COMPROVADAS.  A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de despesas requer a prova  documental hábil e idônea das respectivas operações.  CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.  Aplica­se à exigência reflexa o mesmo tratamento dado ao lançamento matriz,  em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.  Fl. 804DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 804          3 Os  eventos  ocorridos  até  o  julgamento  na  DRJ,  foram  assim  relatados  no  acórdão recorrido:  Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração lavrados  contra o interessado em epígrafe em 10/12/2008. Foi constituído crédito tributário de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  (fls.  165/170),  no  montante  de  R$  655.594,33, mais a multa de ofício de 75% e os  juros de mora; e de Contribuição  Social  sobre  o Lucro Líquido  ­  CSLL  (fls.  176/181),  no  valor  de R$  244.653,94,  mais a multa de oficio de 75% e os juros de mora;  2.  Consta,  no  "Demonstrativo  Consolidado  do  Crédito  Tributário  do  Processo"  (fl.  02),  que  os  autos  de  infração  lavrados,  depois  de  formalizados,  totalizaram o montante a pagar de R$ 2.243.579,28, já incluídos os valores devidos a  título  de  tributo,  de  multa  de  ofício  de  75%  e  de  juros  de  mora,  calculados  até  28/11/2003.  3.  Os fatos geradores imbricados com o crédito tributário ora em análise  ocorreram  em  31/03/2003,  30/06/2003,  30/09/2003  e  31/12/2003  (Lucro  Real  trimestral).  A  autoridade  administrativa,  além  de  relacionar  as  infrações  apuradas  no  corpo  dos  autos  de  infração,  pormenorizou­as  no  Termo  de  Constatação  Fiscal  acostado aos autos do processo (fls. 152/156), no qual relata o resultado da auditoria  fiscal:  001 ­ CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS  GLOSA DE CUSTOS  A  autoridade  fiscal  afirma  que  o  interessado  contabiliza  na  conta  5.1.17  (Custos ­ Compras ­ Explorações Diversas) valores correspondentes a aquisição de  madeiras,  que  são  apropriadas  trimestralmente  na  conta  5.1.1.01  ­  madeiras.  Os  montantes trimestrais decorrem de várias aquisições ocorridas no ano de 2003, isto  é, são o somatório de inúmeras notas fiscais de aquisições.  Defende  que  tais  lançamentos  apenas  poderiam  ser  considerados  comprovados se o interessado  tivesse apresentado uma planilha de estoque com as  respectivas  aquisições  e  suas  apropriações.  O  custo  de  produtos,  mercadorias,  matérias­primas  utilizadas  deve  ser  apurado  com  base  em  registro  permanente  de  estoque  ou  no  valor  dos  estoques  existentes,  de  acordo  com  o  Livro  Registro  de  Inventário.  Por  fim,  defende  que  a  ausência  de  apresentação  de  notas  fiscais  correspondentes  às  compras  de  mercadorias  registradas  nos  livros  contábeis  da  empresa  legitima a glosa desses valores  escriturados na conta 5.1.1.01  ­ madeiras,  isto é, R$ 1.677.333,00.  Os valores glosados encontram­se detalhados no documento de fls. 144/147,  bem como no Termo de Constatação Fiscal.  Enquadramento legal (IRPJ): Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289,  292, 299, inciso I, e 300, do RIR/99.  Enquadramento legal (CSLL): Art. 2º e §§, da Lei n. 7.689/88; art. 1º da Lei  n. 9.316/96, art. 28 da Lei n. 9.430/96; art. 37 da Lei n. 10.637/02.  002 ­ CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS  Fl. 805DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 805          4 GLOSA DE DESPESAS  A autoridade fiscal afirma, em relação à segunda infração, que o interessado  não  apresentou,  apesar  de  intimado,  documentação  hábil  e  idônea  para  fins  de  comprovação das despesas escrituradas, no valor de R$ 851.393,96, na conta 4.1.09  ­ Despesas com Vendas ­ Conservação Florestal.  Os valores glosados encontram­se detalhados no documento de fl. 143, bem  como no Termo de Constatação Fiscal.  Ainda  em  relação  a  este  item  da  autuação,  aduz  que  o  interessado  não  apresentou,  apesar  de  intimado,  documentação  hábil  e  idônea  para  fins  de  comprovação das despesas escrituradas, no valor de R$ 112.600,00, na conta 4.2.05  ­ Prestação de Serviços Pessoa Jurídica.  Os  valores  glosados  encontram­se  individualizados  no  documento  de  fls.  129/141, bem como no Termo de Constatação Fiscal.  Enquadramento legal (IRPJ): Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e  300, do RIR/99.  Enquadramento legal (CSLL): Art. 2º e §§, da Lei n. 7.689/88; art. 1o da Lei  n. 9 316/96, art. 28 da Lei n. 9.430/96; art. 37 da Lei n. 10.637/02.  003 ­ GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS  A autoridade  fiscal afirma, em relação à  terceira  infração, que o  interessado  não  apresentou,  apesar  de  intimado,  documentação  hábil  e  idônea  para  fins  de  comprovação das despesas escrituradas, no valor de R$ 77.050,45, na conta 4.3.01 ­  Juros e Despesas Bancárias.  Os  valores  glosados  encontram­se  individualizados  no  documento  de  fls.  80/98, bem como no Termo de Constatação Fiscal.  Enquadramento  legal  (IRPJ): Arts. 251 e parágrafo único, 299 e §§ lºe 2º, e  374, inciso I, do RIR/99.  Enquadramento legal (CSLL): Art. 2º e §§, da Lei n. 7.689/88; art. 1º da Lei  n. 9.316/96, art. 28 da Lei n. 9.430/96; art. 37 da Lei n. 10.637/02.  O  interessado,  cientificado  dos  aludidos  autos  de  infração  em  10/12/2008  (vide  fl.  185),  apresentou  sua  peça  de  impugnação  em 07/01/2009,  nos  termos  da  petição acostada aos autos do processo às fls. 190/214, por intermédio da qual alega  o que segue abaixo:  De imediato, informa que não localizou as notas fiscais referentes à primeira  parte  do  item  n.  002  da  autuação,  ou  seja,  despesas  com  vendas  ­  conservação  florestal.  Assim,  garante  que  não  impugnará  o  lançamento  e  que  requererá  o  parcelamento do crédito tributário correspondente.  001 ­ CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS  GLOSA DE CUSTOS  Em  primeiro  lugar,  explicita  que  o  custo  glosado  pela  fiscalização  engloba  dois  tipos  de  dispêndios  distintos:  (i)  extração  e  transporte  de  madeiras;  (ii)  conservação  das  estradas  por  onde  transitam  os  caminhões  com  as  madeiras  extraídas, conforme planilha de fls. 197/198.  Fl. 806DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 806          5 Quanto ao item (i),  informa que a madeira por ela  industrializada é extraída  pela  empresa  Maflops,  que  efetuou  o  trabalho  de  inventário  florestal,  marcação,  corte, arraste e preparo das toras.  Tais  serviços  são  prestados  mensalmente  pela  Maflops,  apesar  de  as  correspondentes faturas serem emitidas apenas em determinados meses.  Por essa razão, verifica o valor total das faturas emitidas no ano­calendário e  divide esse montante pelo volume de madeira extraída nesse mesmo ano­calendário,  apurando assim o valor do custo unitário.  O valor do  custo unitário é multiplicado pelo volume de madeira extraída e  transportada  mensalmente,  donde  se  apura  o  custo  total  mensal  para  extração  e  transporte das madeiras adquiridas.  Para comprovar sua técnica contábil, acosta aos autos planilha e notas fiscais  correspondentes.  Quanto ao item (ii), explicita que verifica o valor total das faturas emitidas no  ano­calendário  e  divide  o montante  pelo  volume de madeira  passível  de  extração,  apurando assim o valor do custo unitário.  O valor do custo unitário é multiplicado pelo volume de madeira efetivamente  extraída  e  transportada  mensalmente,  donde  se  apura  o  custo  total  mensal  pela  conservação da estrada.  Para comprovar sua técnica contábil, acosta aos autos planilha e notas fiscais  correspondentes.  002 ­ CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS  GLOSA DE DESPESAS  Menciona que a fiscalização glosou as despesas com o escritório de advocacia  Geller  &  Borghezan  Advogados  Associados  por  considerar  que  as  despesas  não  foram devidamente comprovadas.  Contudo,  pugna  que  o  pagamento  das  despesas  e  a  descrição  dos  serviços  efetivamente  prestados  podem  ser  comprovados  por  meio  dos  recibos  de  pagamentos trazidos aos autos.  Apresenta também cópia dos andamentos relativos aos processos judiciais de  seu  interesse,  que  foram  patrocinados  pelo  escritório  de  advocacia  Geller  &  Borghezan Advogados Associados.  Cita  jurisprudência  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes  referente  à  dedutibilidade  das  despesas  com  honorários  advocatícios  quando  comprovada  a  efetiva contratação de profissional.  003 ­ GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS  Informa  que  passou  por  dificuldades  financeiras  no  ano  de  2003  e  que  enfrentou  processo  de  concordata.  Destarte,  não  teve  condições  financeiras  de  honrar os cheques emitidos, fato que gerou a necessidade de renegociar suas dívidas  junto com seus fornecedores e prestadores de serviços.  Os cheques emitidos foram pagos em datas posteriores aos seus vencimentos,  o que justificaria o pagamentos de juros.  Fl. 807DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 807          6 Considerando  a  praxe  de mercado  e  que  a  renegociação  da  dívida  foi  feita  com  parceiros  comerciais  antigos  do  impugnante,  a  negociação  ocorreu  sempre  informalmente, sem qualquer ato formal por escrito.  A formalização que existia era os recibos emitidos pelos credores relativos ao  pagamento  de  juros,  nos  quais  constavam  relacionados  os  cheques  cujas  datas  de  vencimento foram prorrogadas, bem como a data de prorrogação.  Informa  que  acostou  aos  autos  do  processo  cópias  dos  recebidos  (sic)  mencionados acima, assim como apresenta planilha que vincula os juros pagos aos  cheques emitidos e que tiveram seus vencimentos postergados.  Esclarece  que,  em  determinados  casos,  os  cheques  chegaram  a  ser  apresentados  à  instituição  financeira  pelo  credor,  não  tendo  sido  descontado  em  razão da ausência de fundos na conta bancária de sua titularidade.  A ausência de contrato redefinindo os prazos para pagamento não desconstitui  o fato de que tais pagamentos efetivamente ocorreram após o prazo de vencimento,  tendo sido cobrados os respectivos juros.  Ao  final,  cita  doutrina  e  jurisprudência  sobre  a  dedutibilidade  das  despesas  glosadas pela fiscalização.  Requer o provimento da impugnação.  Em  decorrência  da  impugnação  parcial  ao  lançamento,  foram  transferidos  para  o  processo  15374.723532/2009­94  os  débitos  que  não  foram  objeto  da  impugnação  apresentada  pelo  interessado  (vide  petição  da  empresa,  extrato  do  processo e despacho ­ fls. 371/377).  O  crédito  tributário  remanescente,  no  que  se  refere  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa Jurídica, alcança o valor de R$ 442.745,84, mais a multa de ofício de 75% e  os  juros  de  mora;  já  a  autuação  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  totaliza o valor de R$ 168.019,48, mais a multa de ofício de 75% e os juros de mora.  A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou,  em síntese, que quanto ao:  ­  item  (i)  ­  custos  com  extração  e  transporte  de  madeira,  comprovou  com  documentos  hábeis  e  idôneos  os  custos  deduzidos. A  fiscalização  efetuou  a  glosa  pois entendeu que não foi observada a melhor técnica contábil. Mas então, deveria  ter refeito as bases de cálculo do IRPJ e CSLL de acordo com a forma correta, ao  invés de glosar os custos;  ­  item  (ii)  ­  despesas  com  conservação  florestal:  desistiu  de  prosseguir  na  discussão e solicitou compensação dos valores pagos;  ­  itens  (iii)  ­  despesas  com  honorários  advocatícios  e  (iv)  ­  despesas  financeiras  (juros e despesas bancárias): a decisão recorrida se pautou em detalhes  formais para manter a glosa. Os documentos apresentados são hábeis e idôneos.  Alegou, ainda, que:  ­ quanto ao item (i), o fato de não haver vinculação das notas fiscais com os  projetos desenvolvidos pela  empresa não é  suficiente para  afastar  a  existência dos  custos. No campo discriminação atestava­se "serviços de exploração de madeira";  Fl. 808DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 808          7 ­ o Parecer Normativo COSIT n. 2/96 não foi seguido. A mera inobservância  do momento correto da dedutibilidade não representa, necessariamente, prejuízo ao  Fisco. Tal conduta viola o art 142 do CTN;  ­  quanto  ao  item  (iii)  ­  honorários  advocatícios,  embora  não  apresentou  o  contrato de prestação de serviços, os recibos apresentados comprovam que o serviço  foi  prestado.  Ao  contrário  do  que  alegou  a  decisão  recorrida  (que  os  serviços  poderiam ter como destinatário os sócios e não a empresa) os recibos apresentados  mencionam o  nome da  recorrente,  o  objeto da  prestação  de  serviços  advocatícios,  contêm a assinatura dos advogados responsáveis e mencionam que os serviços foram  prestados "nos termos do contrato de prestação de serviços iniciado em 01.02.98";  ­  apresentou  os  andamentos  processuais  relativos  aos  recibos  prestados  e  discriminou  os  processos  de  atuação  do  escritório  de  advocacia  contratado.  É  possível observar o nome do advogado, Miguel Borghezan, como responsável pela  causa, e há andamentos que demonstram efetiva prestação de serviços em 2003. Não  há nos recibos qualquer menção aos sócios;  ­  jurisprudência  do  CARF  vem  aceitando  comprovação  de  prestação  de  serviços de advocacia mediante recibos;  ­  tratando­se  de  prestação  de  serviços  contínua,  é  comum  a  cobrança  de  serviços  prestados  tão  somente  quando  atingida  uma  determinada  fase  processual.  Assim,  antes  disso,  a  recorrente  não  tinha  como  saber  qual  o  valor  devido  pelos  serviços já prestados;  ­  ainda  que  as  despesas  fossem  de  períodos  anteriores,  haveria  mera  inobservância  do  regime  de  competência,  e  a  fiscalização  deveria  ter  refeito  a  apuração do IRPJ e CSLL e não apenas efetuar a glosa das despesas;  ­  quanto  ao  item  (iv)  —  despesas  com  juros,  não  houve  justificativa  para  desconsideração dos documentos apresentados, tendo havido cerceamento do direito  de defesa. A decisão recorrida exige o contrato de repactuação dos pagamentos em  questão, sendo certo que tal documento não foi celebrado entre as partes;  ­  apresentou  todos  os  cheques  cujos  pagamentos  foram  postergados,  os  recibos das despesas em questão, que contêm a comprovação de que se  tratava de  juros pela postergação de pagamentos, os novos prazos concedidos para pagamento  e a taxa de juros pactuada. A repactuação foi feita verbalmente e documentada nos  recibos apresentados;  ­ o formalismo exacerbado viola a verdade material;  ­ cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício viola o art. 161 do CTN.  A  recorrente  ingressou  no  parcelamento  concedido  pela  Lei  n.  11.941/09,  mas, segundo despacho da DRF/RJ1 (fls. 461) não apresentou pedido de desistência  de  impugnação  e  recurso  administrativo.  Apresentou,  ainda,  recurso  voluntário  contra a decisão de primeiro grau administrativa.  Desta  forma,  o  processo  foi  encaminhado  ao  CARF  para  julgamento.  Entretanto,  na  sessão  de  08/05/2013  esta  turma  houve  por  bem  converter  o  julgamento  em  diligência "para que a fiscalização, de posse dos novos elementos coligidos pela recorrente na  fase recursal":  ­ Com relação à glosa de custos:  Fl. 809DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 809          8 a) reintime a recorrente a apresentar a movimentação contábil do seu estoque  de  produto,  obtendo  os  valores  de  estoque  final  nas  quatro  datas  que marcam  os  elementos temporais do fato gerador do IRPJ e CSLL (31/03, 30/06, 30/09 e 31/12),  mediante  a  adoção  de  qualquer  dos  critérios  aceitos  pela  legislação  (critério  permanente  de  apuração  do  estoque  ou método  PEPS),  demonstrando,  ainda,  sua  compatibilidade com o quanto declarado na DIPJ (fls. 8/11);  b) requisite a apresentação das notas fiscais originais, relativamente às cópias  apresentadas  na  impugnação  (fls.  242/248  –  item  i;  e  fls.  260/283  –  item  ii),  e  verifique sua idoneidade documental, bem como compatibilidade com o restante da  escrita, e ainda, se foram efetivamente pagas;  c)  faça a apropriação dos custos com a prestação dos serviços prestados por  produto (item i – notas fiscais de fls. 242/248; item ii – notas fiscais de fls. 260/283),  e, assim, obtenha o valor a ser apropriado ao custo do produto vendido;  d) proceda a quaisquer outros exames que julgar apropriados;  e)  redimensione,  se  for o caso, a materialidade relativa à glosa de custo por  extração de madeira;  ­ Com relação à glosa de despesa financeira, aprecie os documentos acostados  pela recorrente (fls. 316/364), e podendo inclusive intimar a recorrente a apresentar  os  documentos  originais,  se  assim  o  entender  ­  manifeste­se  quanto  às  provas  juntadas,  sua  idoneidade  documental,  e  se  fazem  ou  não  prova  do  alegado  pela  recorrente,  redimensionando,  se  for  o  caso,  a  materialidade  relativa  à  glosa  de  despesa financeira.  Após:  a) intime a recorrente a se manifestar no prazo de 30 dias;  b) por fim, devolva os autos a este colegiado para retomada do julgamento.  Realizada  a  diligência,  a  autoridade  fiscal  pronunciou­se  nos  seguintes  termos:  ( ... omissis ... )  Relativamente aos Custos: Compras ­ Exploração Diversas ­ conta 5.1.17:  ( ... omissis ... )  2. Da análise documental relacionada com os custos:  A Intimada encaminhou cópia do Livro Registro de Inventário, cujo registro  de  abertura data de 21.06.2006,  isto  é,  o  registro deste  foi efetuado 3 anos após  à  data  do  ano  sob  ação  fiscal.  Acrescento  eu:  levado  à  autenticação  em  alguma  repartição estadual paraense em 19.11.2008 (fl. 500) e encerrado em 31.12.2003 (fl.  515)! A data de encerramento é anterior à data de abertura!  As quantidades de madeira, informadas no livro de registro de inventário, em  metros  cúbicos,  em  relação  às  notas  fiscais  encaminhadas,  não  são  passíveis  de  verificação visto que os tipos de madeiras, a quantidade por metro cúbico, o valor  unitário e o total registrado continuam sem uma comprovação clara e inequívoca, no  que  dia  respeito  à  documentação  que  dê  respaldo  aos  registros  do  estoque  da  autuada.  Fl. 810DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 810          9 Os registros efetuados no  livro de Estoque não puderam ser analisados com  respaldo  em  documentos  que  nos  dessem  segurança  de  que  os  lançamentos  correspondem ao adquirido no período.  A autuada informa em sua resposta como efetua o cálculo do custo unitário,  inclusive exemplificando, por ocasião de sua impugnação apresentado o cálculo para  o mês de  janeiro de 2003; porém, os montantes demonstrados para este mês dado  como exemplo, não foram acompanhados de documentos que demonstrem e dêem  respaldo  ao  valor  total  demonstrado,  e  nem  ao  total  de  metros  cúbicos,  como  tampouco ao tipo de madeira recebida.  O  exemplo  numérico  apresentado  em  sua  impugnação,  desacompanhado  de  documentos que dêem cobertura aos valores contábeis não pode ser aceito, visto que  continuam  sem  comprovação  hábil  e  idônea  dos  valores  registrados  em  seus  estoques.  Por  outro  lado,  o  contribuinte  por  ocasião  desta  diligência  continuou  sem  demonstrar os valores  registrados  em seu estoque  ao  longo de  cada  trimestre, não  apresentando nem mesmo o Livro Registro de Inventário para os outros 3 trimestres  além daquele encerrado em 31.12.2003.  Os  produtos  registrados  no  final  do  último  trimestre  não  tiveram  suas  quantidades  e valores  acobertados por documentos de  terceiros que  identificassem  cada um dos tipos de produto que tornasse real o cálculo do custo unitário e mensal.  A autuada não fez menção, nem em sua impugnação e nem por ocasião desta  diligência,  quanto  à  relação de cada madeira  registrada  em seu  livro de  inventário  com documentos que comprovem a aquisição destas ao longo do ano de 2003.  O simples preenchimento do Livro Registro de Inventário não esclarece que  as quantidades em metros cúbicos e os valores finais ali registrados para o mês de  dezembro  de  2003  sejam  a  realidade  do  inventário  da  empresa,  visto  não  ter  demonstração clara e  inequívoca da relação destes  registros com documentação de  aquisição e de venda.  Um  estoque  por  si  só,  demonstrado  em  livro  de  Registro  de  Inventario  desacompanhado  de  movimentação  qualitativa,  quantitativa  e  de  valor,  demonstrando suas entradas e saídas, e devidamente acompanhado de documentação  de entradas (notas fiscais de aquisição) e de saídas (notas fiscais de vendas) não se  faz comprovado.  Na nossa autuação glosamos os valores registrados na conta 5.1.17 ­ Custos ­  Compras ­ Explorações Diversas, relativos a aquisição de madeiras cuja apropriação  se  faz  trimestralmente na conta 5.1.1.01  ­ Madeiras. Estes montantes  referem­se  a  aquisições ocorridas ao longo do ano de 2003 e que deveriam estar respaldados em  notas  fiscais  de  aquisição.  Nem  por  ocasião  da  autuação  e  nem  no  ato  desta  diligência  foram  demonstrados  e  comprovados  que  os  valores  autuados  e  que  se  encontram informados no Termo de Constatação Fiscal,  tenham sido comprovados  com  simples  relação  das  notas  fiscais  demonstradas  de  acordo  com  as  regras  informadas na resposta da autuada ao item 1.  Por  conseguinte,  mais  uma  vez,  não  foi  possível  verificar  se  os  valores  glosados  relativos  à  conta  Compras  foram  devidamente  calculados,  em  conformidade  com  as  normas  contábeis  e  com  base  em  registros  respaldados  em  documentos fiscais hábeis e idôneos, visto que não houve apresentação de registros  Fl. 811DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 811          10 de estoques completos e documentados que se chegasse aos montantes transferidos  para o custo no ano autuado.  Desta forma não se obtém na contabilidade da autuada a apuração regular do  custo da mercadoria vendida. O reconhecimento do custo, mesmo entendendo haver  um  custo  para  a  mercadoria  vendida,  não  é  comprovado  por  lançamentos  versus  documentos de aquisição, e posteriormente seus efetivos pagamentos, portanto não  há como se examinar a (sic) com exatidão a veracidade dos valores registrados em  sua contabilidade como tal.  O documento 03, constante da impugnação [fl. 239] refere­se a uma simples  listagem  com  valores  mensais  totais,  no  qual  se  informa  a  procedência  de  cada  volume de metro cúbico registrado, o valor unitário e valor mensal total. Ele por si  só,  não  comprova  nenhum  dos  lançamentos  contábeis  visto  que  a  empresa  não  mantinha  registros  permanentes  com  apuração mensal  do  seu  estoque  baseado  na  documentação comprobatória.  Conforme  determinado  na  legislação  tributária  pertinente  é  imposto  que  os  controles de estoques poderão se adotar a apuração com base no critério de registros  permanente ou pelo método de PEPS, mas para  tanto,  as baixas  e  transferências  e  aquisições  que  influenciam  o  estoque,  e  por  conseqüência  o  custo,  deverão  ser  devidamente controladas.  De  acordo  com  o  determinado  pelo  julgamento,  mesmo  após  se  oferecer  a  oportunidade  de  apresentar  os  devidos  controles  que  demonstrem  de  forma  inequívoca  o  custo  do  produto  vendido,  não  veio  aos  autos  a  demonstração  da  movimentação dos seus estoques ao  longo do ano de 2003 e  seu saldo ao final de  cada trimestre o que poderia explicar aos valores transferidos para a conta custos.  Por outro lado, as Notas fiscais de n. 102, 104, 071, 077 e 078, apresentadas  no original, descrevem que a empresa Maflops prestou serviços a CEMEX ao longo  do  ano  de  2003,  num  total  de  R$  788.608,53  (setecentos  e  oitenta  e  oito  mil,  seiscentos e oito reais e cinqüenta e três centavos).  Juntamente com as notas fiscais, o sujeito passivo encaminhou transferências  eletrônicas (TED) e documentos de ordem de crédito (DOC) tendo como favorecida  a empresa MAFLOPS LTDA, ocorridas ao longo do ano de 2003 e cujo somatório  dos  pagamentos  efetuados  e  demonstrados  em  planilha  denominada  "PAGAMENTOS  REALIZADOS  PELA  CEMEX  COMERCIAL  MADEIRA  EXPORTAÇÃO S/A À MAFLOPS LTDA". era na ordem de RS 1.521.945,00 (um  milhão, quinhentos e vinte e um mil, novecentos e quarenta e cinco reais).  Em resumo temos a seguinte situação:  a) Valores contabilizados ao custo ao longo dos trimestres de 2003:  1º trimestre: 585.680, 84  2º trimestre: 243.162,65  3º trimestre: 155.518,95  4o trimestre: 692.970,56,  Cujo somatório é de R$ 1.677.333,00.  b) Notas Fiscais emitidas pela MAFLOPS, num total anual de R$ 788.608,53.  Fl. 812DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 812          11 c)  E  pagamentos  ao  longo  do  ano  de  2003,  no  total  de  R$  1.521.945,00,  conforme DOC c TED apresentados.  3. Conclusão  Os  valores  registrados  como  custo  do  período, mesmo  se  considerarmos  as  Notas fiscais apresentadas e sem o confronto com os lançamentos no livro registro  de inventário, não acoberta o montante lançado no ano como custo (total) declarado,  uma  vez  que  não  possuímos  a  movimentação  do  Inventário  do  contribuinte  nos  trimestres  anteriores  e  nem  o  saldo  inicial,  isto  é,  em  31.12.2002,  não  nos  possibilitando o exame de cada montante levado ao trimestre.  Bem como não há uma  relação clara de quais dos pagamentos ocorridos ao  longo  do  ano  refere­se  às  Notas  fiscais  emitidas  no  ano.  Devemos  lembrar  que  muitos  pagamentos  ocorridos  num  ano  podem  estar  relacionados  às  aquisições  de  anos anteriores.  Os valores declarados como Custo no ano calendário de 2003 continuam sem  sus comprovação devidamente esclarecida, uma ver que não podemos considerar o  total  das  compras  efetuadas  no  ano, R$ 788.608,53,  como  totalmente  vendidas no  mesmo  ano,  visto  que  havia  um  estoque  declarado. Além de  que,  a nota  fiscal  da  MAFLOPS apresentada posteriormente refere­se a um serviço que se entende possa  ter sido prestado em novembro de 2003, com emissão da Nota fiscal em 2004.  Relativamente às Despesas Operacionais: Prestação de Serviço PJ: Conta  4.2.05:   ( ... omissis ... )  2. Da análise documental  relacionada com as Despesas de Serviços  com  Pessoas Jurídicas:  A intimada encaminhou os originais dos recibos relacionados com as despesas  ocorridas no ano de 2003, assinados pelos advogados Miguel Borghezan e Rodolfo  Hans  Geller.  Estes  recibos  descrevem  os  serviços  prestados  de  assessoramento,  atendimento  de  demandas  e  questões  no  âmbito  da  Comarca  de  Santarém,  acompanhamento em audiências na área trabalhista.  A seguir relacionamos os referidos recibos por data, assunto e valor:  ( ... omissis ... )  3. Conclusão  Entendemos  que  as  despesas  com  prestação  de  serviços  ­  honorários  advocatícios, mesmo sem o contrato entre as partes,  foram neste ato, devidamente  comprovada,  no montante de RS 103.000,00  (cento  e  três mil  reais)  uma vez  que  alem  dos  recibos  apresentados,  assinados  pelos  respectivos  advogados  dando  os  mesmos  como prova  de  haver  recebido  os  pagamentos  e  plena,  geral,  definitiva  e  irrevogável  quitação  para  os  cada  um  dos  respectivos montantes;  e  ainda  tendo  o  contribuinte anexado, por ocasião da impugnação, a comprovação da efetividade do  serviços  prestados  dando  como  exemplo,  informação  sobre  os  andamentos  dos  processos  trabalhistas  acompanhados  pelos  referidos  advogados,  que  tramitavam  perante  as  varas  trabalhistas  de  Santarém.  (Vide  fls.  296  a  314,  do  processo  administrativo  de  n.  18471.003648/2008­12,  onde  se  encontra  anexada  a Consulta  Processual ­ Subseção Judiciária de Santarém).  Fl. 813DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 813          12 Relativamente as Despesas Financeiras: Conta 4.3.01  ( ... omissis ... )  2. Da análise documental relacionada com as Despesas Financeiras:  Os  documentos  originais  acostados  à  resposta  da  intimada  a  esta  diligência  refere­se  a  recibos  emitidos  sem  o  detalhamento  do  cheque  a  que  se  refere  com  históricos do tipo: pagamentos de juros sobre troca de prorrogação de cheques (cita  o número dos cheques e valor) cujo nome do emitente dos recibo são E C Aguiar,  Auto  Posto Cuiabá  Ltda, Diane Maria  Brelaz  de Castro, Auto  Posto Nossa Terra  Ltda, José Wilker Gomes de Castro.  Juntamente com estes recibos foram apresentados controles de caixa ­ simples  fichas de uso interno da CEMEX, onde estão registrados os lançamentos de estornos  dos referidos cheques (por se trator de cheques sem fundo) como também algumas  cópias dos cheques emitidos para pagamentos dos juros.  Além destes, a intimada nos encaminhou planilhas com os cálculos dos juros  vinculados  aos  cheques  estornados.  Estes  cálculos  demonstram  os  montantes  contabilizados  a  título  de  juros  sobre  por  troca  de  cheques  que  na  ocasião  foram  devolvidos por falta de fundos e ainda por pagamentos prorrogados. Na ocasião da  nossa fiscalização estes montantes ficaram sem respaldo documental, o que causou a  glosa dos montantes, visto que, a dedutibilidade destas despesas financeiras estaria  subordinada à sua efetiva comprovação.  Conclusão  Todos os valores glosados a título de despesa financeira foram justificados e  comprovados,  uma  vez  que  os  mesmos  fiaram  comprovados  com  a  planilha  que  demonstra os cálculos dos juros e com a apresentação dos recibos assinados por cada  fornecedor, que através destes deu quitação aos cheques.  Cientificada do resultado da diligência, a  recorrente bem resumiu os pontos  ainda em litígio:  ( ... omissis ... )  (i)  com  relação  aos  custos,  pela  manutenção  da  glosa  do  valor  total  das  despesas deduzidas de RS 1.677.333,00;  (ii) com relação às despesas com honorários advocatícios deduzidas no valor  total de RS 112.600,00, pela manutenção da glosa apenas do valor de RS 9.600,00;  (iii) com relação às despesas financeiras, pelo cancelamento integral da glosa  de tais despesas no valor de RS 77.050,45.  Mas, como era de se esperar, entende que as glosas remanescentes "também  devem ser canceladas", porque (fls. 719/20):  ( ... omissis ... )  (I)  Custos com Extração e Transportes de Madeira  ( ... omissis ... )  Fl. 814DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 814          13 não  resta  dúvida  de  que  os  documentos  apresentados  pela  Recorrente  são  hábeis e idôneos para comprovar os custos incorridos com extração e transportes de  madeira, razão pela qual a respectiva glosa deve ser cancelada.  23.  Até  porque,  em  tendo  a  Recorrente  auferido  receitas,  devidamente  oferecidas à tributação, relativas à venda de madeiras, não resta dúvida de que algum  custo foi despendido para aquisição de tais madeiras. O que não se pode admitir é  que a Recorrente tenha auferido receitas sem qualquer custo a elas vinculado.  (II)  Despesas com Prestação de Serviços Advocatícios  24. A respeito das despesas com prestação de serviços advocatícios deduzidas,  no valor total de R$ 112.600,00, a fiscalização concluiu pelo cancelamento da glosa,  no  montante  de  R$  103.000,00,  uma  vez  que,  além  dos  recibos  assinados  pelos  respectivos advogados, os quais atestam a quitação dos honorários, foi comprovada  a  efetividade  dos  serviços  prestados  através  dos  andamentos  dos  processos  acompanhados pelos advogados contratados no período dos pagamentos.  25.  Como  decorrência,  a  fiscalização  concluiu  pela  manutenção  da  glosa  apenas  do  valor  de RS 9.600,00  relativo  às  despesas  com a  prestação  de  serviços  advocatícios,  sem,  contudo,  apresentar  qualquer  justificativa  para  a  manutenção  dessa parcela glosada.  26. Ocorre que, da mesma forma como procedeu para as despesas admitidas  pela  fiscalização  no montante  de  R$  103.000,00,  a  Recorrente  anexou  os  recibos  assinados  pelos  respectivos  advogados  (fls.  293/294),  os  quais  atestam  a  quitação  dos  honorários  no  valor  de  R$  9.600,00  (R$  4.800,00  +  R$  4.800,00),  e  os  andamentos dos processos acompanhados pelos advogados contratados, no período  dos pagamentos, os quais comprovam a efetividade dos serviços prestados.  27.  Considerando  que  a  fiscalização  não  esclareceu  porque  entendeu  pela  manutenção  da  glosa  dessa  despesa  específica  (RS  9.600,00)  e  que  a  Recorrente  efetuou  a  devida  comprovação  da  efetividade  dos  serviços  prestados,  não  resta  dúvida  de  que  deve  haver  o  cancelamento  integral  da  glosa  das  despesas  com  prestação de serviços advocatícios no valor total de R$ 112.600,00.  Apresentado o relatório devido, passo a proferir o voto.  Voto Vencido  Conselheiro Relator Marcelo Calheiros Soriano  1  Glosa de custos  Se é certo que em sua última manifestação a recorrente assevera que a glosa  dos custos não deve prevalecer porque restariam comprovados por meio de documentos hábeis  e  idôneos  (fl.  719), menos  certo  não  é  que  há muito  tempo  compreendera  que  "apesar  de  a  ementa  [da  decisão  de  primeira  instância]  falar  em  ausência  de  prova  documental  hábil  e  idôneas  (sic)  das  operações,  as  autoridades  julgadoras  rejeitaram  a  dedutibilidade  dos  custos  com  extração  e  transporte  de  madeiras,  bem  como  com  a  preservação  de  estradas  por  discordarem, em síntese, da forma de apuração e apropriação de tais custos" (fl. 425). "Ou seja,  Fl. 815DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 815          14 a discussão travada no presente processo refere­se apenas ao modo de apuração e ao momento  de apropriação de tal custo para fins de dedutibilidade na apuração do Lucro Real e da base de  cálculo da CSLL do ano­calendário de 2003" (fl. 428). Portanto, a questão de que aqui se cuida  não  é  de  natureza  probatória,  mas  de  admissão,  ou  não,  do  método  todo  particular,  único,  peculiar, sui generis mesmo, de a recorrente determinar o custo das matérias­primas utilizadas.  Aliás,  esta Segunda Turma Ordinária,  quando da  sessão  em que  converteu  o  julgamento  em  diligência,  já  teve  a  oportunidade  de  enfrentar  a  questão,  ainda  que  muito  rapidamente,  conforme se verifica no voto do E. Relator à época (fls. 472/3):  Como se vê, tal “custo” é de fato transformado em “despesa” pela recorrente.  Isto porque o custo, para ser apurado, há de ter relação com a mercadoria vendida.  Assim,  vendida  a  mercadoria,  deve  ser  baixada  do  estoque,  sendo  seu  custo  de  aquisição  incluído no custo do período. Ao não proceder desta  forma, a  recorrente  efetua o lançamento do custo como se despesa fosse, sem que finalize o período com  estoque em seu poder. Evidentemente, tal procedimento não encontra amparo legal.  Já  com  relação  ao  item  (ii),  conservação  de  estradas,  explica  que  efetua  cálculo semelhante ao anterior, apurando o custo  total das  faturas e dividindo pelo  volume  total  passível  de  extração  de  madeira  (fornecida  pelo  IBAMA).  Daí,  multiplica este valor pelo volume de madeira efetivamente  extraída  e  transportada  mensalmente, obtendo, assim, o custo total mensal pela conservação da estrada.  Evidentemente,  esta  segunda  forma  de  apuração  é  tão  irregular  quanto  a  primeira,  sendo  o  resultado  obtido  absolutamente  dissociado  do  custo  efetivo  da  prestação  do  serviço.  O  rateio  do  custo  da  conservação  de  estrada  pela  madeira  passível de extração é totalmente dissociado do produto efetivamente vendido.  Deveras, de tudo o que se relatou, percebe­se a enorme confusão em que obra  a recorrente, ao não fazer a análise criteriosa dos vários conceitos envolvidos. Percebida esta  enorme  confusão,  esta  Segunda  Turma  Ordinária  "ofereceu  ao  contribuinte  uma  nova  oportunidade  de  demonstrar  a  movimentação  dos  estoques  e  seu  saldo  ao  final  de  cada  trimestre e apropriar os custos aos produtos efetivamente vendidos" (fl. 474). Novamente, de  tudo o que se relatou, a recorrente não aproveitou a nova oportunidade oferecida e reprisou os  argumentos de que se vale desde o curso do procedimento fiscal a que se submeteu.  Permita­se  breve  transcrição  da  peça  recursal  que  comprova  a  enorme  confusão em que opera a recorrente:  21.  Assim, o fato é que a Recorrente efetivamente incorreu em tais custos,  de modo que a manutenção da glosa de sua totalidade, conforme pretende a decisão  recorrida,  significa  considerar  que  o  custo  para  aquisição  e  transporte  dessas  madeiras  e  para  a  conservação  de  estradas  corresponderia  a  zero.  Isto  é,  que  a  Recorrente  não  teria  qualquer  custo  relacionado  à  madeira  (mercadoria)  por  ela,  vendido.  22.  É  evidente  que  essa  hipótese  é  absurda!  A  simples  análise  das  notas  fiscais já anexadas aos autos do presente processo e acima mencionadas, por si só, já  comprovam a existência dos custos.  23.  Além disso, a Recorrente não  tem como vender madeira  sem  incorrer  em  custos  para  a  sua  aquisição.  Ou  seja,  sem  os  custos  não  há  produção  a  ser  vendido  (sic). Admitir  o contrário  só  seria possível caso  a  fiscalização presumisse  que alguma alma caridosa e altruísta prestasse, gratuitamente, serviços no valor de  R$ 1.677.333,00 para a Recorrente.  Fl. 816DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 816          15 Ora,  é  evidente  que  qualquer  pessoa  com  o  mínimo  de  bom  senso  jamais  imaginaria a possibilidade de a pessoa jurídica dedicar­se à venda ou à revenda de madeira sem  realizar  gastos,  repete­se:  gastos,  para  a  aquisição  das  respectivas  matérias­primas  ou  das  mercadorias revendidas! Para além disso, admite­se que o senso comum confunda o conceito  de  gasto  com  o  conceito  de  custo.  Entretanto,  é  inadmissível  a  confusão  quando  se  trata  de  conferir  ao  conceito de  custo o efeito  tributário desejado pelos  contribuintes em geral e pela  Recorrente em particular.  Sob esta perspectiva e parafraseando a própria Recorrente, não resta dúvida  de que os documentos apresentados são hábeis e idôneos para comprovar os gastos, repete­se:  gastos, realizados com a extração e o transportes de madeira, bem como com a preservação das  estradas. Até porque, auferidas receitas, relativas à venda de madeiras, não resta dúvida de que  algum gasto, repete­se: gasto, foi  realizado para aquisição de tais madeiras. Difícil admitir­se  que a Recorrente tenha auferido receitas sem qualquer gasto, repete­se: gasto, a elas vinculado.  Entretanto, os tais documentos apresentados não são hábeis e idôneos para comprovar os custos  das mercadorias revendidas ou das matérias­primas utilizadas.  Isto porque de acordo com o art. 289 do RIR/99 custo não se prova, nem de  comprova1: custo se determina e se determina com base em registro permanente de estoques ou  no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de  apuração que, no presente caso, se deu nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31  de  dezembro  do  ano­calendário  de  2003  (RIR/99,  art.  220,  caput).  E,  data  maxima  venia,  determinado pela pessoa jurídica e não pela autoridade fiscal como tentou impor a Recorrente  para fugir de ônus que lhe cabe, como restará demonstrado adiante, nada obstante este Colendo  Colegiado ter baixado estes autos em diligência para que, verbis, a autoridade fiscal fizesse a  apropriação  dos  custos  com  a  prestação  dos  serviços  prestados  por  produto  (item  i  –  notas  fiscais de fls. 242/248; item ii – notas fiscais de fls. 260/283), e, assim, obtivesse o valor a ser  apropriado ao custo do produto vendido.  Parafraseando, aqui, comentarista da atuação de árbitros de jogos de futebol  televisionados, a regra não pode ser mais clara: o art. 260, inciso I, do RIR/99, determina que a  pessoa  jurídica,  além  dos  livros  de  contabilidade  previstos  em  leis  e  regulamentos,  deverá  possuir o livro para registro de inventário. Se o verbo empregado na redação do dispositivo não  é o mais feliz para descrever toda o obrigação acessória que cabe à pessoa jurídica (ou todo o  dever instrumental que cabe à mesma pessoa jurídica, para se adotar expressão tão aprazível a  tantos que militam na esfera do direito tributário), o art. 261 do mesmo regulamento esclarece  que  no  Livro  de  Inventário  deverão  ser  arrolados,  com  especificações  que  facilitem  sua  identificação, as mercadorias, os produtos manufaturados, as matérias­primas, os produtos em  fabricação e os bens em almoxarifado existentes na data do balanço patrimonial levantado ao  fim da cada período de apuração; no caso, ao fim de cada trimestre, ou, para deixar bem claro:  nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro do ano­calendário. Isto é:  não basta possui o livro, tem que escriturá­lo adequadamente.  Não  bastassem  o  dispositivos  regulamentares  mencionados,  o  art.  292  do  RIR/99 deixa claro que cabe à pessoa jurídica promover o levantamento e avaliação dos seus  estoques  ao  final  de  cada  período  de  apuração  do  imposto.  Cabe  a  invocação  deste  último  artigo  dada  uma  das  duas  hipóteses  previstas  no  art.  289  do  RIR/99  para  determinação  do  custo: a primeira, o  registro permanente de estoques, por óbvio a cargo da pessoa  jurídica; o  segundo, o valor dos estoques existentes no fim de cada período de apuração.                                                              1 Prova­se a correta determinação do custo.  Fl. 817DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 817          16 Ora,  de  tudo  o  que  se  conseguiu  apanhar  desde  o  início  do  procedimento  fiscal  de  fiscalização  até  o  encerramento  do  procedimento  fiscal  de  diligência,  restou  absolutamente  provado  e  comprovado,  isso  sim,  que  a  Recorrente  não  cumpriu  com  a  obrigação  acessória  prevista  no  art.  260,  inciso  I,  do  RIR/99,  isto  é,  não  escriturou  o  livro  Registro de Inventário, com o que ficou impossibilitada de determinar o custo de mercadorias  revendidas ou de matérias­primas utilizadas na venda de produtos de fabricação própria, frise­ se, mediante os métodos previstos na legislação de regência da matéria. Vale dizer: para valer­ se da permissão de deduzir o custo da mercadorias revendidas e das matérias­primas utilizadas,  a Recorrente sujeita­se ao ônus de escriturar o livro Registro de Inventário para ter condições  de determinar aquele mesmo custo, mediante o emprego dos métodos admitidos na legislação  de regência da matéria.  Observe­se  que  o  documento  trazido  aos  autos  pela  Recorrente  às  fls.  500/515 pelas razões já expostas, quais sejam: abertura em 21 de junho de 2006 (fl. 500), isto  é,  aberto  3  (três)  anos  depois  do  período  de  apuração  do  imposto  a  que  se  refere  o  procedimento  fiscal  de  fiscalização;  levado  à  autenticação  em  repartição  estadual  paraense  impossível de ser identificada em 19.11.2008 (fl. 500); e encerrado em 31.12.2003 (fl. 515) não  pode ser levado em consideração.  Mais  uma  vez,  de  tudo  o  que  se  conseguiu  apanhar  desde  o  início  do  procedimento  fiscal  de  fiscalização até o  encerramento do procedimento  fiscal  de diligência,  em verdade o que restou absolutamente provado e comprovado foi que a Recorrente não só não  escriturou o livro Registro de Inventário, como determinou o "custo", aqui escrito o termo entre  aspas  garrafais, mediante  o  emprego  de método  todo  particular,  único,  peculiar,  sui  generis  mesmo, à margem da legislação de regência da matéria.  Sendo  assim,  indeterminado  o  custo  das  mercadorias  revendidas  e  das  matérias­primas utilizadas, vale dizer: inexistente custo na acepção técnico­jurídica do termo,  por óbvio não restou custo a ser deduzido, razão pela qual voto por não dar provimento a este  capítulo do recurso voluntário para manter a glosa dos "custos" com extração e transporte de  madeira, bem como com a preservação das estradas, no valor de R$ 1.677.333,00 (infração 001  descrita no Auto de Infração).  2  Glosa de despesas ­ Prestação de Serviços Pessoa Jurídica  Deveras,  neste  ponto  compartilho  a  perplexidade  por  que  é  tomada  a  Recorrente, uma vez que a autoridade fiscal adota novos critérios jurídicos para se desvencilhar  da  "diligência"  requerida  e  acatar,  a partir  deste  passo  e  sem maiores  justificativas,  todos os  documentos e argumentos  já apresentados pela pessoa  jurídica desde a impugnação. Se paira  alguma dúvida, observe­se a relação por "data, assunto e valor" elaborada pela autoridade fiscal  e encartada no bojo do resultado da diligência (fls. 708/9): apesar de os recibos apresentados  pela própria Recorrente (fls. 284, 285, 292, 627, 628 e 635) deixar absolutamente claro que se  referem a período de apuração do imposto distinto do ano­calendário de 2003, mesmo assim a  autoridade  fiscal  passa  a  admiti­los  como  prova  para  dedução  de  despesa  operacional  deste  período  e  as  reconhece  como  tal.  A  par  disso,  ainda  imputa  à  prestação  de  serviços  de  assessoramento, atendimento de certas demandas e questões na área cível, administrativa e/ou  judicial, valor devido pela prestação de serviços de assessoramento e orientação técnica na área  trabalhista, e vice­versa.  Fl. 818DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 818          17 Por outro lado, só reconhece as despesas operacionais provadas por meio dos  recibos apresentados em resposta à diligência  requerida por este colegiado (fls. 627/35), mas  ignora as despesas operacionais de mesma natureza provadas por meio de recibos que em nada  destoam destes  últimos  e que  acompanharam a  peça  impugnatória  (fls.  293/4)! Não  se  pode  admitir que se usem dois pesos e duas medidas para uma idêntica situação!  Não tenho dúvida que, nada obstante judiciosas posições contrárias, forte no  art.  320  do Código Civil,  o  recibo  faz  prova  bastante  do  pagamento,  dispensados,  portanto,  outros  documentos  que  comprovem  a  origem  e  a  natureza  da  dívida, mormente  no  caso  de  contratos  de  natureza  eminentemente  civil,  como  é  o  caso  de  contratos  para  prestação  de  serviços de  advocacia. O que não quer dizer que  escritórios de  advocacia organizados  como  empresa  estejam  dispensados  da  emissão  de  nota  fiscal.  Nada  impede  que  ambos  os  documentos coexistam dada a diversa função desempenhada por ambos. Importante a digressão  para evitar futuros mal­entendidos.  Portanto, para o quanto interessa para a solução do litígio materializado nos  presente  autos  de  e­processo  administrativo  fiscal,  "independentemente  da  apresentação  do  contrato  de  prestação  de  serviços,  é  evidente  que,  no  presente  caso,  os  recibos  em  questão  fazem  prova  da  efetiva  existência  da  despesa  com  honorários  advocatícios"  (fl.  440).  A  transcrição  de  brevíssimo  trecho  da  peça  recursal  revela  concordância  com  o  argumento  da  Recorrente. Entretanto, a concordância se encerra neste exato momento.  Isto porque de acordo com os arts. 247, § 1º, e 274, § 1º, ambos do RIR/99,  precede à determinação do lucro real a apuração do lucro líquido de cada período de apuração  com observância das disposições das leis comerciais e, mais especificamente, com observância  das disposições da Lei n. 6.404/76.  Por seu turno, o art. 177, caput, da Lei n. 6.404/76, que permanece incólume  desde  a  publicação  original,  determina  expressamente  que  a  escrituração  da  companhia  seja  mantida em registros permanentes, com obediência tanto aos preceitos da legislação comercial  e da própria Lei n. 6.404/76, quanto aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, e deve  observar  os  métodos  ou  critérios  contábeis  uniformes  no  tempo  e  registrar  as  mutações  patrimoniais segundo o regime de competência.  Logo,  diante  de  expressa  disposição  legal,  apenas  as  despesas  operacionais  com serviços de advocacia prestados ao longo do ano­calendário de 2003 e provados por meio  dos recibos correspondentes apresentados pela Recorrente podem ser deduzidas, sob pena de se  negar vigência aos dispositivos que regem a matéria, o que, respeitadas as eventuais honrosas  opiniões  contrárias,  refoge  à  competência  deste  colegiado.  Vale  dizer,  em  uníssono  com  a  primeira instância administrativa: "o recibo de fl. 276 (agora, fl. 284) ... versa sobre a prestação  de serviços advocatícios durante o mês de dezembro de 2002. Destarte, não é possível aceitá­lo  como comprovante hábil de despesa supostamente ocorrida em janeiro de 2003, em função do  regime de competência adotado pelas empresas que optam pelo (rectius: adotam o) lucro real.  O mesmo se constata quanto aos recibos de fls. 277 e 284 (agora, fls. 285 e 292), pois versam  sobre a prestação de  serviços advocatícios, na  seara  trabalhista, durante o período de 2001 a  2002. Desta  forma,  não  se  pode  aceitá­lo  como  comprovante  hábil  de despesa  supostamente  ocorrida  em  novembro  de  2003,  em  decorrência  do  regime  de  competência  adotado  pelas  empresas que optam (rectius: adotam o) pelo lucro real" (os sublinhados constam do original).  Fl. 819DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 819          18 Ao  fim  e  ao  cabo,  no  seguinte  quadro  sinóptico  relacionam­se  as  despesas  operacionais com escritório de advocacia dedutíveis e que restaram comprovadas por meio dos  recibos apresentados pela Recorrente:    Discriminação  Data  Valor   Folhas  Serviços advocatícios no mês de janeiro de  2003: assessoramento e atendimentos a  certas demandas e questões estabelecidas em  contrato, nas áreas cível, administrativa e/ou  judicial, na Comarca de Santarém  15.05.2003  4.000,00  286, 630  Serviços advocatícios no mês de fevereiro de  2003: assessoramento e atendimentos a  certas demandas e questões estabelecidas em  contrato, nas áreas cível, administrativa e/ou  judicial, na Comarca de Santarém  15.05.2003  4.000,00  287, 629  Serviços advocatícios no mês de março de  2003: assessoramento e atendimentos a  certas demandas e questões estabelecidas em  contrato, nas áreas cível, administrativa e/ou  judicial, na Comarca de Santarém  16.05.2003  4.000,00  291, 634  Serviços advocatícios no mês de abril de  2003: assessoramento e atendimentos a  certas demandas e questões estabelecidas em  contrato, nas áreas cível, administrativa e/ou  judicial, na Comarca de Santarém  06.11.2003  4.800,00  293  Serviços advocatícios no mês de maio de  2003: assessoramento e atendimentos a  certas demandas e questões estabelecidas em  contrato, nas áreas cível, administrativa e/ou  judicial, na Comarca de Santarém  06.11.2003  4.800,00  294  Serviços advocatícios no mês de janeiro de  2003, prestados na área trabalhista  15.05.2003  3.000,00  288, 631  Serviços advocatícios no mês de fevereiro de  2003, prestados na área trabalhista  15.05.2003  3.000,00  289, 632  Serviços advocatícios no mês de março de  2003, prestados na área trabalhista  15.05.2003  3.000,00  290, 633  Total da despesa com serviços advocatícios  referente ao ano­calendário de 2003    30.600,00      Cabe,  ainda,  destacar  que  a  invocação  do  art.  6º,  §§  4º  a  6º,  do  Decreto­lei  n.  1.566/77 não me seduz. E não porque o referido decreto­lei trata de autorizar a subscrição, pelo Tesouro  Nacional, de ações da Siderurgia Brasileira S.A.  ­ SIDERBRÁS, mas porque o art. 6º, §§ 4º a 6º do  Decreto­lei  n.  1.598/77,  reproduzido  no  art.  273  do  RIR/99,  ao  contrário  do  que  argumenta  a  Recorrente,  dá  suporte  ao  procedimento  empregado  pela  autoridade  fiscal  e  à  decisão  tomada  pela  primeira instância administrativa.  De  fato,  de  acordo com o art.  273,  inciso  II,  do RIR/99, a  inexatidão quanto ao  período  de  apuração  de  escrituração  de  receita,  rendimento,  custo  ou  dedução,  ou  do  reconhecimento  de  lucro,  constitui  fundamento  para  lançamento  de  imposto,  diferença  de  imposto,  atualização  monetária,  quando  for  o  caso,  ou  multa,  se  dela  resultar  a  redução  indevida do lucro real em qualquer período de apuração, incluído, evidentemente, o período de  apuração  a  que  se  refere  o  próprio  lançamento,  no  caso,  o  ano­calendário  de  2003.  Ora,  Fl. 820DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 820          19 desnecessário  tecer maiores  considerações  para  esclarecer  não  fossem  glosadas,  ao  fim  e  ao  cabo, as despesas com serviços advocatícios realizadas ao longo dos anos­calendário de 2001 e  2002 resultariam redução indevida do lucro real correspondente ao ano­calendário de 2003.  E mais. No caso sub examine, tendo em vista a obstrução do acesso aos fatos  jurídicos tributários referentes ao IRPJ e a CSLL correspondentes aos anos­calendário de 2001  e 2002 por parte da autoridade fiscal por  força do disposto no art. 173 do Código Tributário  Nacional, impossível exigir­se, nas exatas palavras da recorrente, "a reapuração do IRPJ e da  CSLL dos períodos  envolvidos"  (fl.  442).  Impossível  afirmar e  aferir,  neste momento, que a  autoridade  fiscal  "verificaria que,  ao deixar de deduzir  as  referidas despesas  em períodos de  apuração  anteriores,  é  possível  que  a  Recorrente  tenha  pago  um  imposto  a  maior  naquele  momento,  imposto  esse que deveria  ser descontado do crédito  tributário  exigido no presente  processo" (fl. 442). Isto não passa, data maxima venia, de ilação despropositada nesta fase de  todo o processado.  Sendo  assim,  comprovada  a  despesa  com  escritório  de  advocacia  no  ano­ calendário  de  2003  no  montante  de  R$  30.600,00,  voto  por  dar  parcial  provimento  a  este  capítulo  do  recurso  voluntário  para manter  a  glosa  de despesas  operacionais  no  valor  de R$  82.000,00,  resultado  da  subtração  do  valor  glosado  por  meio  do  Auto  de  Infração,  R$  112.600,00,  pelo  montante  devidamente  comprovado  (número  3  do  Termo  de  Constatação  Fiscal).  3  Glosa de despesas ­ Juros e Despesas Bancárias  Em  homenagem  ao  princípio  do  contraditório  e  por  determinação  deste  Colegiado,  submeteram­se  à  autoridade  fiscal  as  provas  da  realização  de  despesas  com  o  pagamento  de  juros  e  de  despesas  bancárias  por  parte  da  Recorrente  ao  longo  do  ano­ calendário de 2003 e que vieram ao autos somente em anexo à Impugnação ao lançamento, que  assim  se  pronunciou:  "todos  os  valores  glosados  a  título  de  despesa  financeira  foram  justificados e comprovados, uma vez que os mesmos foram comprovados com a planilha que  demonstra  os  cálculos  dos  juros  e  com  a  apresentação  dos  recibos  assinados  por  cada  fornecedor, que através destes deu quitação aos cheques".  Diante do pronunciamento da autoridade fiscal que põe cobro a este  litígio,  outro  não  pode  ser  o  voto  senão  por  dar  provimento  integral  a  este  derradeiro  capítulo  do  recurso voluntário para cancelar a glosa de despesas operacionais com o pagamento de juros e  de despesas bancárias (infração 003 descrita no Auto de Infração).  4  CSLL  Mutatis  mutandis,  aplica­se  ao  lançamento  da  CSLL  o  mesmo  tratamento  dado ao lançamento do IRPJ, em razão daquele ser reflexo deste.  Relator Marcelo Calheiros Soriano ­ Relator  Voto Vencedor      Fl. 821DF CARF MF Processo nº 18471.003648/2008­12  Acórdão n.º 1302­002.008  S1­C3T2  Fl. 821          20 Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Redator Designado.  Apesar  do  brilhante  voto  do  Conselheiro  Relator,  peço  permissão  para  discordar  do  seu  entendimento  em  relação  ao  não  provimento  do  Recurso  Voluntário  em  análise. Vejamos os motivos:  Ao  contrário  do  Ilustre  Relator,  entendo  que  a  fiscalização  deveria  ter  constituído o crédito tributário por meio do arbitramento do lucro da recorrente e não com base  na apuração pelo Lucro Real, haja vista que a escrituração contábil da contribuinte, conforme  relato fiscal e decisão de 1ª instancia, deixa claro, ao meu sentir, a inexatidão da escrita fiscal  da contribuinte não ensejando, obviamente, qualquer certeza na composição da base imponível  do  Imposto  (o  próprio  acréscimo  patrimonial)  e  da  Contribuição  Social,  e,  como  corolário  lógico, na quantificação do próprio crédito tributário.  A base de cálculo do Imposto de renda da pessoa jurídica é o lucro, definido  conforme as suas três formas de apuração: real, arbitrado ou presumido, de acordo com o art.  44 do CTN.  Segundo o art. 6º do Decreto­lei 1.598/77, o  lucro real é o  lucro  líquido do  exercício,  ajustado  pelas  adições,  exclusões  ou  compensações  prescritas  ou  autorizadas  pela  legislação  própria.  Por  sua  vez,  o  lucro  líquido  deve  ser  apurado  com  observância  das  disposições da lei comercial. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado de acordo  com as prescrições da legislação específica.   Ao  se  deparar  com  glosa  de  custos  e  despesas  que  representavam  parte  significativa  da  receita  da  contribuinte,  que  implicavam  em  elevar  o  Lucro  Real  de  forma  significativa, o único procedimento aplicável que coaduna com a legislação tributária em vigor  seria o arbitramento dos lucros. Isso porque:  i)  no  lançamento  de  ofício,  se  presentes  as  condições,  o  arbitramento  é  impositivo e não facultativo, inexistindo meio termo;  ii)  Tal  qual  o  lançamento  de  tributos  de  oficio,  o  Arbitramento  não  é  penalidade. É a modalidade alternativa, legal é viável, para apuração dos tributos devidos em  face da ocorrência do fato gerador.  iii) O Arbitramento de  lucros é uma modalidade de  tributação que deve ser  levada  a  efeito  exatamente  pela  impossibilidade  do  lucro  real  ou  do  lucro  presumido  (cuja  natureza não estamos tratando aqui).  No caso dos autos, verifica­se, de forma inquestionável, que a contabilidade  apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II do artigo  47  da  Lei  nº  8.981,  de  1997  e  artigos  529  e  530,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR/99), que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado.  Portanto,  em  face  da  legislação  em  vigor,  provada  a  imprestabilidade  da  escrituração para apuração do lucro real, a imputação fiscal só se sustentaria sob as regras do  lucro  arbitrado,  devendo  ser  canceladas  as  exigências  por  ter  sido  indevidamente mantida  a  opção da contribuinte pelo lucro real.  Ante  tudo  acima  exposto  e  o  que  mais  constam  nos  autos,  voto  por  dar  provimento ao recurso voluntário.    MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA ­ Redator Designado                  Fl. 822DF CARF MF

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