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Numero do processo: 10183.003971/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
AUXÍLIO MORADIA.
PERCENTUAL FIXO, INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO.
São tributáveis as verbas que integram, mensalmente, a remuneração de Magistrado, a título de auxílio moradia e representam um percentual fixo do subsídio, sendo pagas, inclusive, sobre o 13º salário.
Numero da decisão: 2101-001.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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PERCENTUAL FIXO, INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO. São tributáveis as verbas que integram, mensalmente, a remuneração de Magistrado, a título de auxíliomoradia e representam um percentual fixo do subsídio, sendo pagas, inclusive, sobre o 13º salário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 39 71 /2 00 6- 68 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado, no anocalendário de 2004, exercício 2005, imposto sobre a renda de pessoa física suplementar, no montante de R$ 4.310,95, sujeito a multa de ofício, e imposto sobre a renda sujeito a multa de mora no valor de R$ 2.452 44 (fls. 5). Segundo relato da Fiscalização (fls. 6 e 7), foi glosada a compensação de R$ 6.842,89, pleiteada indevidamente a titulo de imposto complementar (código de receita 0246) e omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, no montante de R$ 43.232,16. Em 24.10.2006, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 4), argumentando, em síntese, que o valor considerado omitido pela Fiscalização foi subtraído dos rendimentos tributáveis porque referese a auxíliomoradia que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso declarou indevidamente como sendo valor tributável. Complementa que o valor glosado de R$ 6.482,89, lançado como imposto suplementar na declaração de ajuste, corresponde ao imposto de renda pago no exercício, conforme fotocópias dos DARF que anexa. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou a impugnação procedente, por meio do Acórdão n.º 0414.508, de 16 de julho de 2008, que contou com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTO. AUXÍLIOMORADIA. Os valores recebidos a título de auxíliomoradia, desprovidos de comprovação da sua destinação ou de prestação de contas, configuram acréscimo patrimonial da pessoa física e sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda. MUDANÇA DE ENTENDIMENTO. A Administração pode adotar novo critério jurídico, em relação ao mesmo sujeito passivo, desde que incida sobre fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. É glosado o imposto complementar quando não comprovado o seu pagamento. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 56 a 61, no qual alega que o valor glosado de R$ 6.482,89 referese ao imposto apurado em sua declaração de ajuste anual do exercício 2005, na qual foi apurado imposto a pagar, recolhido sob o código de receita 0211, em duas quotas de R$ 3.421,44, no próprio exercício 2005, conforme documentos que diz anexar. Explica que, em decorrência da retificação de sua declaração, na qual apurou resultado mais favorável, foi orientado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a lançar o imposto recolhido como imposto complementar, o que, de fato, fez. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10183.003971/200668 Acórdão n.º 2101001.925 S2C1T1 Fl. 70 3 Sustenta que o Estado de Mato Grosso não disponibiliza aos seus Magistrados moradias oficiais, o que torna legítimo o auxílio moradia que lhes é pago a título de indenização, sendo certo, a seu ver, que sobre esse valor não deve incidir qualquer espécie de tributação, conforme preceitua o artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001. Sendo assim, o Ato Declaratório n.º 87/99, como medida posta a regulamentar o referido dispositivo, não possui mais efeitos no ordenamento jurídico, haja vista ser o auxílio moradia atualmente concedido através da MP n.º 2.15835, de 2001 e através da Lei Complementar n.º 35, de 1979 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional LOMAN). Nesse esteio, ao exigir do contribuinte comprovação de pagamento de alugueis ou contrato de locação para que ele possa usufruir do direito que lhe é garantido pela Medida Provisória e pela LOMAN, a RFB está afrontando o princípio da reserva legal. Por fim, informa que foram solicitadas ao Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso informações sobre a disponibilidade de residência oficial aos magistrados integrantes do Poder Judiciário do Estado, e a resposta veio informando que não há imóveis que sirvam a essa finalidade, demonstrando, assim, que a percepção do auxílio moradia possui caráter indenizatório. Além disso, o Tribunal de Justiça retificou sua DIRF, a fim de excluir da tributação do imposto sobre a renda o valor percebido a título de auxílio moradia, inclusive sobre o valor do 13.º salário. Pede seja desconstituído o Auto de Infração, procedendose à restituição do Imposto de Renda no valor de R$ 11.888,85, corrigidos monetariamente, nos mesmos índices adotados pela RFB para correção de seus créditos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Do auxíliomoradia A Fiscalização procedeu ao lançamento de imposto sobre a renda suplementar, entendendo ter havido omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, no montante de R$ 43.232,16. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que o valor considerado omitido foi subtraído dos rendimentos tributáveis porque referese a auxíliomoradia que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso declarou indevidamente como sendo valor tributável. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente, por entender que o caráter indenizatório do auxíliomoradia, que lhe confere a não incidência do IRPF, não é automático, uma vez que depende da comprovação da sua aplicação para suprir a correspondente despesa. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Com supedâneo no Ato Declaratório SRF n.º 87, de 1999, a Relatora do voto condutor da decisão a quo sustenta que, para a outorga da isenção, é necessário que haja o direito de uso de imóvel funcional e ainda que o beneficiário comprove à pessoa jurídica de direito público o valor das despesas efetuadas em substituição a esse direito, mediante apresentação do contrato de locação ou recibo comprovando os pagamentos efetuados, ou seja, as despesas efetivamente incorridas é que são ressarcidas. Fundamenta ainda seu posicionamento no artigo 43 do Código Tributário Nacional, na Lei n.º 7.713, de 1988, nos artigos 215 e 216 da Lei (Estadual –MT) n.º 4.964, de 1985, Código de Organização e Divisão Judiciária do Estado de Mato Grosso Coje e nos Recursos Especiais 553.941/AL e 509.872/MA, que decidiram pela incidência de imposto de renda sobre verba paga a parlamentares estaduais, em caráter permanente, quantia fixa e que pode ser usada pelo contribuinte de acordo com suas necessidades e conveniências, sem necessidade de comprovação, e ainda no REsp 695.499/RJ, no sentido que "as indenizações que geram acréscimo patrimonial dão ensejo à incidência do imposto de renda" A defesa rebate esses argumentos, salientado, em sede de recurso, que o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso não disponibiliza moradias oficiais aos seus Magistrados, o que torna legítimo o auxíliomoradia que lhes é pago a título de indenização, não sujeito a qualquer espécie de tributação, nos termos do artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, que não impõe condição à fruição do direito, tampouco confere à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder de regulamentar o benefício, tal como o fez ao editar o Ato Declaratório n.º 87, de 1999. Além disso, o recorrente alega que o auxíliomoradia tem fulcro no artigo 65 da Lei Complementar n.º 35/79 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional – Loman). Antes de discorrer sobre o assunto, cabe transcrever o artigo 215 da Lei Estadual nº 4.964, de 1985, que trata do Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado de Mato Grosso: Art. 215 Nas Comarcas em que não houver residência oficial para Juiz é concedida ajuda de custo, para moradia, de 30% (trinta por cento) do subsídio do Magistrado. Ainda sobre o tema, o artigo 65 da Lei Complementar nº 35, de 1979 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), assim prescreve: Art. 65 Além dos vencimentos, poderão ser outorgadas aos magistrados, nos termos da lei, as seguintes vantagens: I ajuda de custo, para despesas de transporte e mudança; II ajuda de custo, para moradia, nas localidades em que não houver residência oficial à disposição do Magistrado. (Redação dada pela Lei nº 54, de 22.12.1986) [...] Finalmente, o texto do artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, trazido à baila pelo recorrente: Art.25. O valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxíliomoradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza deste direito, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10183.003971/200668 Acórdão n.º 2101001.925 S2C1T1 Fl. 71 5 não se sujeitando à incidência do imposto de renda, na fonte ou na declaração de ajuste. Com base no artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, acima transcrito, e nos demais dispositivos legais citados, o recorrente alega que, devido ao fato de a lei não estipular qualquer condição para a fruição do direito ao auxíliomoradia e por não haver, no Estado do Mato Grosso, disponibilização de moradias oficiais aos Magistrados, não há, a seu ver, necessidade de prova do pagamento de aluguel, dentre outras, pois, a aplicação da verba é destinada de acordo com a necessidade daquele que a recebe. Por esses motivos, complementa, o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso até mesmo procedeu à retificação da DIRF, a fim de que fosse excluído, da tributação do imposto sobre a renda, o valor percebido a título de auxíliomoradia, inclusive sobre o valor do 13.º salário. Examinando os autos, verificase que o Comprovante de Rendimentos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, referente ao anocalendário 2004, emitido, em nome do contribuinte, pelo Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso (fls. 11), informa como rendimentos tributáveis o montante de R$ 256.524,65, e não de R$ 213 292,49, tal como consta da declaração de ajuste anual retificadora do contribuinte (fls. 13 e 25). A DIRF retificadora entregue, em 14.7.2006, por aquela pessoa jurídica de direito público também declara que os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, pagos ao recorrente naquele ano calendário, foram da ordem de R$ 256.524,65 (e não R$ 213 292,49). No ATESTADO 1647/2005/PAGTO.MAG, emitido pela Subcoordenadoria da Folha de Pagamento de Magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, acostado às fls. 10, não existe manifestação quanto a qualquer entendimento daquele órgão no sentido de considerar isentas do imposto sobre a renda as verbas recebidas pelos Magistrados a título de auxíliomoradia. Diante dessas constatações, sem razão a parte recorrente ao alegar que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso retificou a DIRF, a fim de que fosse excluído, da tributação do imposto sobre a renda, o valor percebido pelos Magistrados a título de auxílio moradia, tendo em vista que não é isso o que se conclui da apreciação das provas dos autos. Pelo contrário, conforme anteriormente ressaltado, todos os documentos produzidos pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, anexados aos autos, dão conta que o montante auferido a título de “auxíliomoradia” integra os rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte, no ano calendário 2004. Por outro lado, salientase que naquele ATESTADO 1647/2005/PAGTO.MAG (fls. 10) consta que a verba de auxíliomoradia é paga sobre o 13º salário dos magistrados (vide item “b”). Nos termos do artigo 3.º, §1.º, da Lei nº 7.713, de 1988, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. O § 4.º do mesmo artigo estipula que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Vejamos o texto legal: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. [...]. Dos dispositivos transcritos acima, depreendese que toda a renda percebida pelo particular está sujeita ao imposto sobre a renda, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. No caso vertente, a verba em discussão corresponde a um percentual do subsídio auferido pelo Magistrado do Estado de Mato Grosso. Verificase, da legislação pertinente e dos documentos acostados, que a ajuda de custo consubstanciada no denominado “auxíliomoradia” é um percentual fixo sobre o subsídio pago, sem levar em consideração, ao menos, o custo da moradia em cada região do Estado. Ademais, incide, inclusive, sobre o 13.º salário. Sendo assim, apesar da denominação a ela atribuída, não se pode entender que tal verba vise a ressarcir um dispêndio com moradia. A uma, porque representa um percentual fixo da remuneração do Magistrado, integrandoa; a duas, porque não leva em consideração, nem mesmo, o custo da moradia na região ou o valor efetivamente despendido pelo beneficiário a esse título; a três, porque também incide sobre o 13.º salário, o que só reforça a sua desvinculação com a despesa correspondente. De ver está que não existe qualquer correlação do denominado “auxílio moradia” com uma despesa efetivamente realizada, pelo beneficiário, a esse título. Não há que se falar, portanto, de caráter indenizatório de tal verba, não só pelas razões anteriormente suscitadas, mas também porque, conforme o próprio recorrente admite, em sua peça recursal, e podese concluir, da legislação pertinente e das provas dos autos, o montante recebido a esse título pode ser utilizado da maneira que melhor convier ao beneficiado. Forçoso concluir, do exposto, que o “auxíliomoradia” ao qual faz jus o recorrente, Magistrado do Estado de Mato Grosso, tem natureza salarial, com todas as características de acréscimo patrimonial. Integra o rendimento mensal auferido pelo Magistrado como um percentual de seu subsídio, sem qualquer vínculo com eventual despesa incorrida com moradia, e pode ser gasto com qualquer outra finalidade, a critério daquele que a aufere. Não tem, assim, natureza indenizatória e, por esse motivo, inegável a característica de Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10183.003971/200668 Acórdão n.º 2101001.925 S2C1T1 Fl. 72 7 rendimento tributável, independentemente da denominação a ele atribuída pela lei que o instituiu. Ressaltase que, para que não haja a incidência do imposto sobre a renda, o artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, exige, entre outros requisitos, que o auxíliomoradia não integre a remuneração do beneficiário. Como visto, na hipótese sob análise, tal requisito não fica atendido, pois tratase de verba integrante do rendimento mensal do contribuinte. Tem sido entendimento deste Colegiado que são tributáveis as verbas pagas a título de “auxíliomoradia”, quando integram a remuneração mensal do beneficiário e não estão vinculadas ao efetivo gasto feito a esse título, a exemplo do Acórdão n.º 2101001.183, de 28.7.2011 (Relator: Conselheiro José Evande Carvalho Araujo), cuja ementa, a seguir, transcrevese: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIOMORADIA. São tributáveis as verbas recebidas mensalmente, em percentual fixo do subsídio, por magistrado como auxíliomoradia, sem que exista qualquer controle sobre os gastos efetuados. Neste ponto, portanto, sem razão o recorrente. Entendese que a verba auferida a título de auxíliomoradia, na hipótese, tem natureza de renda. 2. Dos pagamentos a título de imposto complementar e da restituição pleiteada A Fiscalização glosou a compensação de R$ 6.842,89, pleiteada indevidamente a título de imposto complementar (código de receita 0246) (vide fls. 6 e 7) pelo contribuinte, em sua declaração retificadora do exercício 2005. Em preliminar, o recorrente alega que o valor glosado referese ao imposto calculado em sua declaração de ajuste anual original correspondente àquele exercício, na qual foi apurado imposto a pagar, posteriormente recolhido sob o código de receita 0211, em duas quotas de R$ 3.421,44, no próprio exercício 2005. Todavia, esclarece, ao retificar sua declaração, apurou resultado mais favorável, e foi orientado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a lançar o imposto recolhido como imposto complementar. Do exame da declaração de ajuste anual original, correspondente ao exercício 2005, constatase que foi apurado imposto a pagar no total de R$ 6.842,89, a ser recolhido em duas quotas de R$ 3.421,44 (fls. 19). Já na declaração retificadora, foi apurado imposto a restituir de R$ 11.888,84, e nela o contribuinte informou imposto complementar pago de R$ 6.842,89, além de imposto retido na fonte e carnêleão (fls. 25). No cômputo do valor a restituir, o recorrente considerou o imposto retido na fonte declarado, o pago a título de carnê leão e mais o valor de R$ 6.842,89, chegando àquele total de R$ 11.888,84 a ser restituído. A DRJ em Campo Grande, ao analisar o pleito, constatou que os autos não haviam sido instruídos com os alegados DARF e, conforme consignado no Auto de Infração, não constava, nos sistemas informatizados da Receita Federal, a arrecadação desses valores no anocalendário 2004. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Em sede de recurso voluntário, o recorrente anexa aos autos cópias de dois DARF (fls. 64 e 65), cujo principal corresponde a duas vezes R$ 3.421,44 e pede que o montante correspondente a esses pagamentos (R$ 6.842,89) lhe seja restituído, pois integram o montante de R$ 11.888,85 aos quais entende fazer jus, em decorrência da retificação de sua declaração de ajuste do exercício 2005. Da análise dos documentos de arrecadação apresentados, é possível verificar que os respectivos recolhimentos foram feitos a título de quotas do imposto sobre a renda do exercício 2005 (código de receita 0211), e não de imposto complementar, tal qual consta da declaração retificadora do contribuinte. Foram recolhidos em 2005 e sob o código de receita 0211; por isso, a DRJ em Campo Grande não conseguiu localizar os recolhimentos no ano calendário 2004. No entanto, muito embora tenha ficado comprovado que os pagamentos informados como imposto complementar na declaração retificadora são aqueles feitos na forma de quotas, no exercício 2005, tal como alegado, a declaração retificadora apresentada às fls. 25 a 28 não prevaleceu. Por essa razão, os montantes recolhidos por meio dos DARF apresentados não podem ser restituídos ao recorrente. Muito menos se pode, pelos mesmos motivos, proceder à restituição do valor integral de R$ 11.888,85, corrigidos monetariamente, tal como solicitado. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11020.005002/2007-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1995
COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese.
Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação.
Ademais, na forma da Nota COSIT n.º 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS.
Numero da decisão: 9303-008.519
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. Ademais, na forma da Nota COSIT n.º 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 50 02 /2 00 7- 58 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 391 2 PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 330100.367 de (fls. 296 a 301 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, retificado pelo acórdão nº decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. Por meio do processo judicial MS 2001.71.07.0040494 o Contribuinte requereu provimento para compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS na vigência dos DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. A referida ação transitou em julgado e lhe foi favorável quanto à possibilidade de compensação, restringindo, todavia, o encontro de contas dos alegados créditos de PIS com débitos do próprio PIS. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 392 3 Analisando o pedido, a DRFB Caxias do Sul indeferiuo sob a alegação de desrespeito à coisa julgada, fundamentada no art. 472 do Código de Processo Civil vigente à época, uma vez que o provimento judicial que transitou em julgado atendeu ao pedido que limitavase à compensação e restringindoa aos débitos do próprio PIS. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade defendendo seu direito ao ressarcimento em moeda corrente, bem como a possibilidade de compensálo com outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Seu direito decorreria da própria legislação regente à matéria, já que, uma vez reconhecido seu direito creditório, poderia dele dispor "do modo que bem lhe aprouver". Argui que o artigo 74 da Lei n.º 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n.º 10.637/2002 resguarda seu pleito, além de pronunciamento da Superintendência Regional da Receita Federal da 10ª Região, manifestado através da Solução de Consulta n.º 54, de 08 de março de 2004 e do art. 26 da IN SRF n.º 600/2005. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial, conforme acordão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1995 PIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. Na forma da Nota COSIT n° 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Voluntário Não Conhecido. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 393 4 A DRJ de Caxias do Sul opôs embargos de declaração. Houve despacho de fls. 303 retificando o acordão apenas para constar como Recurso Voluntário Parcialmente Provido. O Contribuinte também apresentou embargos de declaração de fls 323, que foi acolhido conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retificase o Acórdão nº 330100.367 3 ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cuja ementa e decisório passam a ter a seguinte redação: PIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. POSSIBILIDADE. Na forma da Nota COSIT nº 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Voluntário Provido. Embargos Acolhidos. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 344) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito a compensação de créditos do PIS com quaisquer tributos administrados pela RFB, não obstante direito creditório estar alicerçado em decisão judicial transitada em julgado que reconhecera aludido direito à compensação, mas somente do PIS com o próprio PIS. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 394 5 Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma os acórdãos de nº 0202.839 e 20402.901 A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 363/365. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 372 manifestando pelo não conhecimento e provimento e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 363/365. Do Mérito O caso em tela diz respeito a acórdão em que foi reconhecido o direito à compensação de créditos do PIS com quaisquer tributos administrados pela RFB, não obstante o direito creditório estar alicerçado em decisão judicial transitada em julgado que reconhecera aludido direito à compensação, mas somente do PIS com o próprio PIS. A contribuinte obteve o direito à restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS, na vigência dos DecretosLei n.° 2.445/88 e Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 395 6 2.449/88, através do Mandado de Segurança n.° 2001.71.07.0040494, inclusive já transitado em julgado em 10/09/2004 O Superior Tribunal de Justiça, que se manifestou em sede de repetitivo, no Resp. 1.137.738, no sentido de que o Contribuinte pode proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, de acordo com as normas posteriores. Ou seja, foi consolidado que em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios. No presente caso a decisão judicial proferida na Ação Ordinária n.º 2001.71.07.004049, foi em 04 de julho de 2002, e teve o trânsito em julgado em 10/09/2004, fl.108 e 130 (volume I) Relevante destacar que a sentença, foi proferida em data anterior a entrada em vigor da Lei n.º 10.637/02 (01/10/2002), que alterou o art. 74 da Lei n.º 9.430/96 para permitir a compensação com tributos diversos. O art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n.º 10.637/02 regula o instituto da compensação tributária nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Se o trânsito em julgado ocorreu na vigência da redação original do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, e a implementação da compensação (a entrega da Dcomp) vier a ser Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 396 7 realizada após a entrada em vigor da Medida Provisória n.º 66, de 2002, mesmo que a decisão judicial tenha limitado o direito à compensação a tributos de mesma espécie, o Contribuinte tem o direito a compensar débito referente a qualquer tributo administrado pela RFB vez que o legislador reafirmou este seu direito em uma nova lei posterior. A Lei n.º 10.637/2002 sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei n.º 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. A Receita Federal do Brasil desde 2003 vem se posicionando no sentido que o Contribuinte pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. Segue abaixo várias Soluções de Consulta e de Divergência sobre o tema: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2003. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA. LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL. O sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. A compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Não é admitida, entretanto, a compensação desses créditos com débitos de terceiros, a exemplo dos débitos dos fabricantes e dos importadores de veículos, oriundos da obrigação, relativamente às vendas Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 397 8 que fizerem, de cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas, ainda que o detentor dos créditos seja o contribuinte substituído. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966, arts. 128 170 e 170A; Lei nº 8.383, de 1991, art. 66; Lei nº 9.250, de 1995, art. 39; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 10.637, de 2002, art. 49; Lei nº 10.677, de 2003; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 43; Medida Provisória nº 135, de 2003, art. 17; IN SRF nº 210, de 2002, art. 30; IN SRF nº 360, de 2003. VERA LÚCIA RIBEIRO CONDE Chefe da Divisão de Tributação SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 2 de 22 de setembro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 279, DE 07 DE OUTUBRO DE 2014 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 398 9 ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. As restrições à compensação da nova legislação devem ser observadas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 399 10 EXECUÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO PRESCRICIONAL. Tendo o contribuinte iniciado a execução na via judicial e posteriormente dela desistido, o direito de compensar prescreve no prazo de cinco anos contados a partir da homologação da desistência pelo Juízo da execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativo, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB). DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF06 Nº 6035, DE 12 DE JULHO DE 2017 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 400 11 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB – exceção feita às contribuições previdenciárias e aos tributos apurados na sistemática do Simples Nacional – quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido administrativo de restituição, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal de 1988. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014. DISPOSITIVOS LEGAIS: CF, de 1988, art. 100, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74 e IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 41, 81 e 82. Também através da Nota COSIT n.º 141, de 23 de maio de 2003, a Receita Federal entendeu pela possibilidade de aplicação da legislação ulterior mais benéfica ao Contribuinte que aquelas definidas em decisão judicial transitada em julgado. A Receita Federal publicou, também, a Solução de Consulta n.º 29/COSIT/SRF, segundo a qual “como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie”. Solução de Consulta nº 29 Cosit Data 30 de março de 2016 Processo Interessado CNPJ/CPF Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 401 12 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. Dispositivos Legais: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2º e 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput. Como se pode ver todos os casos acima se aplicam perfeitamente ao presente caso. Sobre o tema ainda, encontrei diversos posicionamentos esclarecendo que as sentenças transitadas em julgado posteriormente à Lei n.º 10.637/2002 — mesmo na hipótese de terem autorizado apenas a compensação entre tributos da mesma espécie — poderiam ser utilizadas pelos contribuintes para a compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Prevaleceu, assim, a aplicação da norma contida em lei a despeito de restrição eventualmente estabelecida em sentença. Tal se justifica na medida em que o Contribuinte pode ter requerido o reconhecimento do seu indébito em juízo de forma mais restritiva antes da alteração legislativa que veio a permitir a compensação ampliada. A alteração na legislação e no procedimento de compensação poderia, portanto, ser aplicada posteriormente. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 402 13 Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão n.º 9303 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Possas, manifestouse no mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. É permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido à compensação de COFINS com parcelas da própria COFINS. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Verificase que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por conseguinte, se a decisão judicial transitada em julgado não tiver sido proferida com base na legislação posterior, esta poderá ser aplicada, possibilitando o contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. Quanto ao teor do título judicial em favor da Contribuinte, ressaltese que o mesmo, de fato, se restringe ao direito de compensação das parcelas pagas a maior a título do PIS com o próprio PIS. Contudo, o reconhecimento apenas parcial do direito pela Justiça, frente à legislação restritiva do direito de compensação à época vigente, não impede seja aludido título judicial aproveitado para a quitação de outros débitos da recorrente, como autorizado pela legislação superveniente, não sendo razoável exigir que a decisão judicial admitisse hipótese de compensação ainda não albergada pela legislação vigente à época da autuação do processo. Logo, o deferimento administrativo do direito de compensar o crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal não importa em desobediência à Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 403 14 decisão judicial, mas tão somente uma justa adequação do direito da interessada às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. A vista do exposto voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 403DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.000963/2006-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF, MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. BENS OU DIREITOS COM VALOR TOTAL SUPERIOR A R$80,000,00.
Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro do ano-calendário, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80,000,00 (oitenta mil reais).
Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a I% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$ 165,74.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-00.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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JULGAMENTO Processo n" 10530. 000963/2006-72 Recurso n" 169.03.3 Voluntário Acórdão n" 2101-00.783 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente TEREZINHA SANTANA DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF, MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. BENS OU DIREITOS COM VALOR TOTAL SUPERIOR A R$80,000,00. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa fisica residente no Brasil, que teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro do ano-calendário, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80,000,00 (oitenta mil reais). Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a I% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$ 165,74. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido - Presidente. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relator.. Li\RI EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 06, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência de multa no valor de R$165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 05), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls.. 22), não estar obrigado à apresentação da declaração e que apresentou espontaneamente estando protegido pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional, ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 3" Turma da DM/Salvador/BA julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 21 a 24): Cumpre observar que as Instruções Normativas da SRF que regulamentam a obrigatoriedade de entrega de declaração de ajuste anual determinam que está obrigado a apresentar a declaração o contribuinte que, dentre outros requisitos, no ano-calendário, participou do quadro societário de empresa como titular ou sócio, ou possuiu bens acima de R$ 80,000,00 Considerando os extratos anexados aos autos, verifica-se que o interessado manteve a posse ou propriedades de bens no valor R$ 80.001,00. Logo, conclui-se que, associado ao contribuinte, havia a obrigação acessória de apresentar a declaração de ajuste anual do ano-calendário em questão Invocado pela impugnante, faz-se relevante a reprodução, também, do artigo n," 138 da Lei 5.172, de 1966— Código - Tributário Nacional : Art. 338- A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, safar o caso, do pagamento do tt ibuto devido e dos juros de mora, ou do depósito da impou tância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. De rigor, o dispositivo transcrito encontra-se inserto no Capitulo da Responsabilidade Tributária e visa, com figura da "denúncia espontânea", afastar a responsabilidade da multa punitiva, apenas Note-se que, nestes casos, em que se verifique o descumprimento de obrigação principal, a ensejar a aplicação de multa compensatória desde que adimplida espontaneamente, origina a seguinte estrutura: 1) principal – tributo; 2) multa penalidade pecuniária; 3) juros de mora,• 2 H Processo e 10530 000963/2006-72 S2-CM AcOrtliio n " 2101-00383 Fl 36 A seu turno, o descumprimento da obrigação acessória, a exemplo da entrega da Declaração de Rendimentos fora do prazo fixado na legislação tributária, faz surgir um crédito tributário com a seguinte estrutura: 1) principal — multa; 2) multa — inexistente. Depreende-se, assim, que o legislador está tratando de penalidade exclusivamente vinculada a tributo, prevendo uma situação em que a multa ex officio (aquela prevista no artigo 957 do regulamento de Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999) deva ser afastada. Outro aspecto que confirma a inaplicabilidade do art. 138 às multas por descumprimento de obrigação acessória está no fato de que o contribuinte pode denunciar apenas infrações desconhecidas pelo Fisco. Só os fatos desconhecidos podem ser revelados. A recompensa pela revelação (denúncia) é justamente a exclusão da punição (multa de ofício), Por isso, infrações conhecidas e constantes dos Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita Federal não podem, por óbvio, ser denunciadas a este mesmo órgão. Sem dúvida, o pragmatismo recomenda que as discussões acerca da matéria ora em apreço sejam finalizadas, em face do pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, que sentenciou (Diário de lustiça da União, de 26 de abril de 1999): .,. a entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar; com atraso, a declaração do imposto de renda . Neste mesmo sentido . já se manifestava, caudalosamente, a jurisprudência administrativa. A exemplo, citem-se os acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, 2, 4 e 6" Câmaras: 102-41 190/97, 104-7.960/90, 104-14,170/97, 104-15.133/97, 106-08 997/97, 106-08,719/97. (...) ) Desta forma, a multa por atraso na entrega da declaração foi aplicada como determina a legislação tributária pertinente, não podendo a autoridade administrativa (lançadora e a julgadora), em face do caráter plenamente vinculado de sua atividade, deixar de cumpri-la RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 08/04/2008 (fl. 30), o contribuinte apresentou, em 15/04/2008 (fl. 32), o recurso de ff 32, onde pugnou pelo cancelamento da multa aplicada, pois não estava obrigado a declarar por ter auferido rendimentos inferiores ao limite de isenção. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl.. 34, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório, Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator, r-I 1.•.) 3 i 4 Dr. CARI' Mi' O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há argüição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou, no dia 14/02/2006, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física - DIRPF do exercício de 2004 (fl. 11). A Instrução Normativa SRF n" 393, de 2 de fevereiro de 2004, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art inciso VI, que estava obrigado a declarar quem teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80,000,00 (oitenta mil reais), e fixava o prazo de entrega para 30/04/2004 (art. 3 G) Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste por ter declarado que possuía bens e direitos que totalizavam R$80.001,00 em 31 de dezembro de 2003 (fl. 12), e por fazê-lo em atraso, recebeu a multa no valor mínimo de R$165,74. A exigência da multa por atraso na entrega da declaração exigida no lançamento em exame está devidamente alicerçada na legislação que rege a matéria. Confira- se: Lei n°9.250, de 26 de dezembro de 1995. art 7" A pessoa fisica deverá apurai o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a sei restituiria, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano- calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal Lei n°8,981, de 20 de janeiro de 1995. • t. 88 A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, si/citará a pessoa física ou jurídica I - à multa de mora de uni por cento ao mês ou fração sobre o Imposto cia Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei n°9532, de 1997) - á multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido § 1" O valor Milli1110 a ser aplicado será a) de cinzentas LIfirs, para as pessoas fisicas, b) de quinhentas LIfirs, para as pessoas juridicas Lei n°9.532 de 10 de dezembro de 1997. Art. 27. A multa a que se refere o inciso 1 do art 88 da Lei n" 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mininio de que trata o § 1"do referido art 88, convertido em reais de acordo com o disposto no ai t 30 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 1 . 1 . Processo n" 10530 000963/2006-72 S2-C111 Acórdão n " 2.101-00.783 P137 ) Lei n" 9.779, de 19 de ianeiro de 1999. Ari 16.Compete á Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostas e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo lesponsávet Como se vê, de acordo com a legislação acima transcrita, resta claro que a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo enseja o lançamento da multa por atraso correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor mínimo previsto no §1°, alínea "a", do artigo 88 da Lei IV 8.981, de 1995, quantia que, convertida para reais, resulta em R$ 165,74. A lei autorizou, também, a Secretaria da Receita Federal a dispor sobre forma, prazo e condições para as obrigações acessórias relativas a impostos, o que, para a declaração anual de ajuste do ano-calendário de 2003, foi feito por meio da Instrução Normativa SRF n° 393, de 2004, que fixou as hipóteses de obrigatoriedade de declarar e o prazo de entrega. Assim, resta evidente que o contribuinte se encontrava obrigado a declarar por possuir bens ou direitos que totalizaram mais de R$80.000,00 em 31 de dezembro de 200.3, valor informado' . pelo próprio sujeito passivo.. As condições de obrigatoriedade são independentes umas das outras, e o dever de declarar persiste mesmo se o rendimento tributável for inferior ao limite legal. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. José Evande Carvalho Araujo
score : 1.0
Numero do processo: 15374.720015/2009-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO.
O tribunal de origem confirmou a intempestividade da impugnação , e assim corrobora o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo.
Numero da decisão: 2001-001.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 13850.720293/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2001
PAGAMENTO NÃO VINCULADO. RESTITUIÇÃO
Pagamento não vinculado pela RFB ao indicado na DCTF e tampouco ao lançado de ofício deve ser considerado como indevido e passível de restituição.
Numero da decisão: 3301-005.753
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2001 PAGAMENTO NÃO VINCULADO. RESTITUIÇÃO Pagamento não vinculado pela RFB ao indicado na DCTF e tampouco ao lançado de ofício deve ser considerado como indevido e passível de restituição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração em análise. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 0. 72 02 93 /2 01 4- 90 Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13850.720293/201490 Acórdão n.º 3301005.753 S3C3T1 Fl. 3 2 O pagamento objeto do crédito representaria a diferença da alíquota da Cofins de 2% para 3%, já que o interessado teria decisão judicial definitiva parcialmente procedente em discussão da Lei nº 9.718/98, na qual o STF teria afastado apenas a ampliação da base de cálculo, mas declarado constitucional a majoração da alíquota. Finda a ação judicial, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem iniciou procedimento fiscal, para apurar as diferenças de Cofins não declaradas. Após o início da ação fiscal, o interessado recolheu a Cofins, acrescida apenas dos juros de mora, sem multa, alegando os benefícios da MP nº 303/2006 e espontaneidade. A autoridade fiscal que lavrou o auto de infração, rechaçou os benefícios da Medida Provisória, já que o contribuinte não teria cumprido com os requisitos legais exigidos na mesma. O auto de infração foi discutido administrativamente, sendo que o acórdão proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso voluntário na matéria conhecida e não conheceu do recurso quando à alegação dos pagamentos se beneficiarem da MP nº 303/2006. Interposto recurso especial pela Fazenda Nacional, em face de tal decisão, o CARF determinou o não reconhecimento do recurso. Finda a discussão administrativa, o contribuinte apresentou o presente Pedido de Restituição, pretendendo utilizar o montante pago após o início do procedimento de fiscalização que culminou na lavratura do auto de infração. O PER/Dcomp foi baixado para tratamento manual, em virtude de medida liminar proferida no processo judicial. No despacho decisório, a autoridade fiscal indeferiu o pedido. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade, para argumentar que teria efetuado recolhimentos diversos de Cofins, correspondentes à diferença de 1%, em referência à majoração da alíquota da Cofins implementada pela Lei nº 9.718/98, pleiteando a anistia prevista na Medida Provisória nº 303/2003, quando já estava em procedimento de fiscalização. Alegou que apesar dos recolhimentos, as autoridades fiscais teriam constituído o auto de infração e declarado a impossibilidade do interessado se beneficiar do Refis III, de modo que teria sido exigida a parcela referente à majoração da alíquota em 1% dos débitos de Cofins incidentes entre abril de 1999 e dezembro de 2001, janeiro, março, abril, agosto e novembro de 2003. O manifestante afirmou que no auto de infração constaria que o contribuinte não teria cumprido com as exigências da MP nº 303/2006, pois a mesma exigiria que os débitos ainda não constituídos teriam que ser confessados de forma irretratável e irrevogável, enquanto que a parcela exigida através do auto não teria sido declarada em DCTF. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13850.720293/201490 Acórdão n.º 3301005.753 S3C3T1 Fl. 4 3 O manifestante argumentou que as próprias autoridades fiscais teriam afirmado, expressamente, que os pagamentos, sendo considerados indevidos, poderiam ser objeto de pedido de restituição ou compensação, conforme relatório anexo ao auto de infração. Acrescentou que o referido auto de infração teria sido discutido administrativamente e que o CARF teria dado provimento ao recurso voluntário de autoria da empresa, para cancelar o auto de infração e reconhecer a decadência do direito do Fisco constituir os débitos de Cofins. Por conseqüência de tal entendimento, o contribuinte teria transmitido PER/Dcomps diversos, para se aproveitar do direito à restituição dos pagamentos efetuados. Emitido o despacho decisório, as autoridades fiscais teriam indeferido o pleito, por entenderem que não haveria pagamento indevido ou a maior, por ter recolhido a Cofins espontaneamente, pleiteando a anistia da MP nº 303/2006. O contribuinte afirmou que os pagamentos realizados seriam indevidos, pois inexistiriam débitos constituídos, mas que seu direito não seria decorrente do cancelamento do auto de infração, e sim, dos pagamentos efetuados no âmbito do Refis III e considerados inválidos pelas autoridades fiscais. Citou jurisprudência administrativa e judicial. O manifestante afirmou que existiriam duas formas de se constituir o crédito tributário: através de lançamento por procedimento fiscal ou através de lançamento por homologação. Como teria efetuado os pagamentos antes da constituição do auto de infração e como os débitos não teriam sido declarados em DCTF, em seu entendimento, os pagamentos seriam indevidos. O interessado reclamou ainda que teria ocorrido mudança de critério jurídico, em violação ao art. 146 do Código Tributário Nacional, pois no auto de infração as autoridades fiscais teriam considerado os pagamentos como indevidos, por descumprimento do §2º do art. 1º da MP nº 303/2006; já no despacho decisório, as autoridades do Fisco teriam modificado o entendimento para declarar que o pagamento não seria indevido nem maior que o devido. O manifestante aduziu também que a mudança de critério no despacho decisório afrontaria o Princípio da Segurança Jurídica e o da vedação ao comportamento contraditório, sendo vedado às autoridades administrativas alterarem seus atos anteriores. O interessado requereu ainda a reunião e julgamento conjunto de processos que tratariam de matéria idêntica. Concluiu, para requerer o provimento integral de sua manifestação, o deferimento do pedido de restituição e, caso necessária, a juntada posterior de documentos. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14061.443. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, trazendo, essencialmente, os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13850.720293/201490 Acórdão n.º 3301005.753 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3301005.727, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13850.720166/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3301005.727): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Foi indeferido pedido de restituição de COFINS, cujo crédito foi originado de um pagamento de COFINS realizado em 14/09/06, no montante de R$ 784.160,59 (R$ 417.417,54, de principal, e R$ 366.743,05, de juros). No DARF, foi indicado que referiase ao período de apuração (PA) 30/04/99 (fl. 142). O PER foi transmitido em 09/09/11. Dos autos, cumpre destacar o seguinte: i) Em 05/04/05, iniciouse uma fiscalização, que deu origem ao processo de n° 13864000164/200701. O objetivo era o de cobrar diferenças de COFINS do período de abril de 1999 a novembro de 2003. ii) Os débitos em aberto nasceram das discussões acerca do alargamento da base de cálculo da COFINS e da majoração de 1% da alíquota da COFINS, promovidos pelos § 1° do art. 3° e art. 8° da Lei n° 9.718/98, cujas constitucionalidades a recorrente questionou em juízo, porém obteve êxito apenas com relação à primeira. iii) No dia em que foi efetuado o recolhimento (14/09/06) considerado pela recorrente como indevido, estava em curso a citada ação fiscal. E o auditor fiscal não o abateu do crédito tributário a ser lançado, iv) A auditoria fiscal terminou em 02/07/07, com a lavratura de auto de infração (fls. 27 a 45), no qual, sobre os valores confessados em DCTF, lançados de ofício e pago (objeto do presente processo), autoridade fiscal fez constar o seguinte (fls. 31 a 33): "(. . .) DA EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE Conforme Termo de Início de Ação Fiscal 71/200501 (fl. 200), o contribuinte encontravase sob fiscalização desde Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13850.720293/201490 Acórdão n.º 3301005.753 S3C3T1 Fl. 6 5 05/04/2005, havendo sido informado que, de acordo com os MPF 08120002005000712 (fl. 1) e 08120002005 0007121 (fl. 2) conforme disposto no parágrafo 1° do artigo 7° do Decreto 70.235/72, sua espontaneidade estava excluída em relação à COFINS do período de abril/1999 a dezembro/2004. DOS PAGAMENTOS ERRONEAMENTE EFETUADOS Em sua resposta entregue em 02/02/07 (fl. 548), o contribuinte informou que "a diferença da alíquota adotada (1%) foi integralmente recolhida, nos termos da MP 303/06". Intimado, através do Termo de Intimação Fiscal 71/200525 (fl. 557), o contribuinte apresentou (fl. 558 e 559) cópias dos DARF de folhas 560 a 617, para comprovação desse recolhimento. Como nesses DARF não constasse multa, o contribuinte foi intimado, através do Termo Fiscal de Constatação e de Intimação 71/200526 (fl. 620), a informar a base legal (artigos da MP 303/06) de que se valera para efetuar os recolhimentos em questão sem acréscimo de multa. Em sua resposta entregue em 04/04/07 (fl. 621), o contribuinte informou que efetuara o pagamento dos valores de COFINS em questão sem computar a multa de mora uma vez que, no momento do pagamento à vista dos débitos em questão, ainda se encontrava amparado por provimento jurisdicional suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (Medida Cautelar n° 9511, incidental ao Mandado de Segurança n° 1999.61.03.0013261). Informou ainda que o período de fevereiro de 1999 até 28 de fevereiro de 2003 fora pago à vista, com os benefícios da Medida Provisória n° 303/2006 (artigo 9°). (. . .) Assim, conforme parágrafo 6° do artigo 9°, combinado com o parágrafo 1° do artigo 1°, da MP 303/06, o pagamento com redução de multa (de mora ou de ofício) e juros de mora aplicavase à totalidade dos débitos da pessoa jurídica, constituídos ou não. No caso de débitos não constituídos (parágrafo 2° do artigo 1°), deveria haver a confissão de forma irretratável e irrevogável (denúncia espontânea). No caso em tela, verificase nos DARF de folhas 560 a 617 que, conforme informado pelo contribuinte em sua resposta entregue em 04/04/07 (fl. 621), ele efetuou, em 14/09/06, pagamentos do principal (que informou serem decorrentes da diferença de 1% na alíquota adotada) do período de fevereiro de 1999 até 28 de fevereiro de 2003 com os benefícios da Medida Provisória n° 303/2006 (artigo 9°), qual seja, redução de trinta por cento sobre o valor consolidado dos juros de mora incorridos até o mês Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13850.720293/201490 Acórdão n.º 3301005.753 S3C3T1 Fl. 7 6 do pagamento integral. Como, para os anoscalendário de 1999 (a partir de abril), 2000 e 2001, o contribuinte não havia declarado essas diferenças em DCTF, o correspondente crédito tributário não se encontrava constituído. Assim, para gozar do benefício fiscal previsto na MP 303/06, o contribuinte precisaria fazer a denúncia espontânea da infração. Ora, comparandose os valores declarados em DCTF de COFINS constantes dos sistemas informatizados da RFB em 16/03/07 (fl. 105 a 118), com os declarados em DCTF antes do início da presente ação fiscal (fl. 7 a 63), constatase que são os mesmos, com o que o contribuinte não fez a denúncia espontânea da infração (e nem poderia fazêlo, por estar com sua espontaneidade excluída), visto que não alterou suas DCTF para incluir as diferenças que informou ter pago. Limitouse, como informou, a efetuar pagamentos, sem correspondência com nenhum crédito tributário constituído ou confessado o que, inclusive, DARIA MARGEM A QUE O CONTRIBUINTE, APÓS OCORRIDA A DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE LANÇAR, VIESSE A PEDIR A RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS, ALEGANDO PAGAMENTO SEM CAUSA. Assim, como o contribuinte não atendeu (e nem poderia atender, por não gozar de espontaneidade para tal) à forma especificada no parágrafo 2° do artigo 10 na MP 303/06 para efetuar o pagamento à vista dos débitos não constituídos, não podia gozar do benefício fiscal previsto na referida MP, com o que os pagamentos foram erroneamente efetuados. Aos pagamentos erroneamente efetuados aplicase a conclusão da Solução de Consulta Interna n° 11 da Cosit/SRF, de 18 de dezembro de 2002, a seguir transcrita: "Desta forma, concluise que pagamento erroneamente efetuado, antes da lavratura do auto de infração, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de interromper o curso normal da ação fiscal. Deve ser lançado o crédito tributário total, sendo o pagamento efetuado utilizado para amortização do crédito tributário apurado, cobrandose eventual saldo remanescente." Citese também a respeito o seguinte acórdão da l a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: "IRPJ PAGAMENTO DO IMPOSTO APÓS O INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL ESPONTANEIDADE Quando o sujeito passivo recolhe o tributo após o início do procedimento fiscal e sem o restabelecimento da espontaneidade, cabe o lançamento do tributo, com a multa de lançamento de ofício e dos juros de mora, calculados até a data do efetivo recolhimento. Os tributos Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13850.720293/201490 Acórdão n.º 3301005.753 S3C3T1 Fl. 8 7 e acréscimos recolhidos, sob ação fiscal e para a mesma finalidade, podem ser utilizados para a quitação do crédito tributário lançado. (Acórdão 10194354Sessão de 10/09/2003)." Logo, quanto às diferenças apuradas na planilha anexa PARA OS ANOSCALENDÁRIO DE 1999 (A PARTIR DE ABRIL), 2000 e 2001, CABE O LANÇAMENTO DE OFÍCIO ATRAVÉS DESTE AUTO DE INFRAÇÃO, PELO SEU VALOR INTEGRAL, tanto para constituição do crédito tributário pago mas não confessado, como para a cobrança integral dos juros até o efetivo recolhimento (sem a redução da MP 303), podendo os pagamentos indevidamente efetuados pelo contribuinte, A SEU CRITÉRIO, serem objetos de pedido de compensação, para amortização do crédito tributário apurado, como previsto na Solução de Consulta Interna n° 11/02 da Cosit/SRF, ou de restituição, à luz da legislação de regência. (. . .)"(g.n.) v) A recorrente defendeuse do auto de infração, obtendo decisão parcialmente favorável, no âmbito do CARF, por meio do Acórdão n° 3402001.161, de 02/06/11. Foram cancelados os débitos de COFINS do período de abril de 1999 a dezembro de 2003, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário." Com efeito, os artigos 45 e 46, respectivamente, determinavam que eram de dez anos os prazos prescricionais e decadenciais das contribuições sociais. vi) No Despacho Decisório (fls. 364 a 367), consta que o PER foi indeferido, porque o pagamento de R$ 784.160,59, realizado em 14/09/06 e referente ao período de apuração de 04/99, estava vinculado ao débito de 04/99, lançado de ofício. Enfatizou, inclusive, que valor o apurado pela fiscalização era maior do que o pago. Portanto, não havia pagamento indevido. viii) A DRJ ratificou que o pagamento estava vinculado ao débito lançado de ofício. Que foi efetuado no curso da ação fiscal, referindose a tributo (COFINS) e período de apuração (no DARF, foi indicado que se referia a 04/99) objetos do lançamento. ix) A decisão de piso consignou ainda que o Ministro Gilmar Mendes, em sede do RE n° 550.8829/RS, modelara os efeitos da declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, no sentido de que tão somente seriam Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13850.720293/201490 Acórdão n.º 3301005.753 S3C3T1 Fl. 9 8 passíveis de repetição os pagamentos objetos de pedidos de restituição ou compensação protocolizados até o dia anterior ao do julgamento, qual seja, 11/06/08. Como o PER foi transmitido em 09/09/11, não havia direito à restituição. Assiste razão à recorrente. Em 19/07/07, a fiscalização lavrou auto de infração (processo n° 13864.000164/200701), no qual consignou que o pagamento efetuado em 14/09/06 não fora admitido como vinculado ao período de apuração abril de 1999, em razão de não ter sido confessado em DCTF, e também de que já havia ação fiscal em curso, o que se constata por meio da leitura do trecho do auto de infração acima transcrito (fls. 31 a 33), do qual destaco o seguinte: "(. . .) Ora, comparandose os valores declarados em DCTF de COFINS constantes dos sistemas informatizados da RFB em 16/03/07 (fl. 105 a 118), com os declarados em DCTF antes do início da presente ação fiscal (fl. 7 a 63), constatase que são os mesmos, com o que o contribuinte não fez a denúncia espontânea da infração (e nem poderia fazêlo, por estar com sua espontaneidade excluída), visto que não alterou suas dctf para incluir as diferenças que informou ter pago. Limitouse, como informou, a efetuar pagamentos, sem correspondência com nenhum crédito tributário constituído ou confessado o que, inclusive, daria margem a que o contribuinte, após ocorrida a decadência do direito do fisco de lançar, viesse a pedir a restituição dos valores pagos, alegando pagamento sem causa. (. . .) Logo, quanto às diferenças apuradas na planilha anexa para os anoscalendário de 1999 (a partir de abril), 2000 e 2001, cabe o lançamento de ofício através deste auto de infração, pelo seu valor integral, tanto para constituição do crédito tributário pago mas não confessado, como para a cobrança integral dos juros até o efetivo recolhimento (sem a redução da MP 303), podendo os pagamentos indevidamente efetuados pelo contribuinte, a seu critério, serem objetos de pedido de compensação, para amortização do crédito tributário apurado, como previsto na Solução de Consulta Interna n° 11/02 da Cosit/SRF, ou de restituição, à luz da legislação de regência. (. . .)" (g.n.) Confirmase tal informação, nas fls. 35 (auto de infração, "fato gerador abril de 1999") e 46 (planilha anexa ao auto de infração), que contêm o cálculo do valor a ser lançado de ofício para o mês de abril de 1999. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13850.720293/201490 Acórdão n.º 3301005.753 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, o montante de R$ 784.160,59, pago em 14/09/06, a título de COFINS, referente ao período de apuração de 04/99, foi efetuado indevidamente e, portanto, é passível de restituição. Com efeito, verificase no excerto do auto de infração acima reproduzido que o próprio agente fiscal rotulou o pagamento efetuado como indevido. Ademais, não há que considerar o argumento da DRJ de que o STF não teria autorizado a repetição de tributos pagos sob a vigência dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, porém não reclamados. Tal argumento somente seria aplicável, caso o pagamento em questão tivesse sido vinculado ao valor lançado na DCTF ou de ofício, o que, como vimos, não foi o caso. Isto posto, dou provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 500DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.995320/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo.
PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO.
Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO.
No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido.
DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE.
Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos.
Numero da decisão: 1401-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO. No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos.
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FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO. No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 53 20 /2 01 2- 79 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.995320/201279 Acórdão n.º 1401003.147 S1C4T1 Fl. 3 2 Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012 44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente processo de PER/Dcomp transmitido pelo contribuinte no qual demonstra crédito decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior e declara compensações. Ao processar o PER/DComp apresentado pelo contribuinte, a Autoridade Administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil exarou Despacho Decisório denegando o pedido repetitório e não homologando a compensação. A negativa deveuse à constatação de que o DARF apresentado pelo contribuinte como origem do crédito teria sido integralmente utilizado para pagamento de débitos tributários, não restando nenhum saldo a ser repetido. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que a fiscalização não teria se atido a todos os elementos do crédito pleiteado. Ao final, pede a homologação das compensações declaradas. Juntou notas fiscais. Na decisão de piso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou que, nos termos do disposto no artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC/73), incumbe ao Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.995320/201279 Acórdão n.º 1401003.147 S1C4T1 Fl. 4 3 contribuinte, no caso de pedidos de repetição de indébito, fazer prova de seu direito, que deve ser líquido e certo conforme determinação do artigo 170 do Código Tributário Nacional. No caso concreto, a DRJ constatou que, efetivamente, o DARF indicado pelo contribuinte havia sido integralmente utilizado no pagamento de outros débitos. Também constatou que o débito no qual o pagamento foi integralmente aproveitado está declarado em DCTF e DIPJ. Ao analisar os documentos apresentados pelo contribuinte, a DRJ conclui que estes não têm o condão de demonstrar qualquer erro que possa levar à alteração do débito declarado em DCTF e DIPJ, no qual o valor do DARF foi integralmente utilizado. Desta forma, a DRJ decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendose incólume o Despacho Decisório de indeferiu o crédito postulado e não homologou a compensação declarada. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alegou, sucintamente: (i) nulidade da decisão de piso: o contribuinte não pede de forma expressa a declaração de nulidade da decisão da DRJ. Entretanto, alegou que a DRJ teria deixado de fundamentar sua decisão, pois, embora tenha julgado improcedente a Manifestação de Inconformidade com fundamento na falta de comprovação do direito creditório, os julgadores teriam deixado de apreciar os documentos juntados, tais como livros fiscais, DCTF e cópias de notas fiscais. A falta de fundamentação da decisão afetaria o direito de defesa do contribuinte; (ii) pagamento em duplicidade ou a maior: o contribuinte repisou a alegação de que teria ocorrido efetivamente o pagamento indevido ou a maior; (iii) falta de comprovação, por parte da Administração, de fato impeditivo do direito creditório: alegou o contribuinte que à Administração incumbiria a comprovação de fato impeditivo do direito creditório pleiteado, nos termos do artigo 333, II, CPC/73; (iv) documentação e contabilidade idôneas: considerando que não há nenhum ato que desqualifique a contabilidade ou declare inidôneos os documentos apresentados, pleiteia o afastamento de qualquer punibilidade imputada; (v) juntada de novos documentos: o contribuinte protesta pela possibilidade de juntar novos documentos que eventualmente sejam necessários para provar suas alegações. Era o que havia a relatar. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.995320/201279 Acórdão n.º 1401003.147 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.142, de 20/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.995319/2012 44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.142): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente feito pode ser explicitada no seguintes pontos: (i) o contribuinte indicou o DARF por meio do qual teria ocorrido pagamento a maior ou indevido; (ii) com base nesse suposto pagamento indevido ou a maior, o contribuinte apresentou o PER/DComp requerendo o deferimento do crédito equivalente ao valor do pagamento indevido e a homologação da compensação declarada; (iii) a autoridade da DRF indeferiu o pedido porque o DARF havia sido inteiramente utilizado no pagamento de outros débitos e portanto, não havia nenhum saldo a ser repetido; (iv) a DRJ confirmou o Despacho Decisório ao constatar que o débito que foi quitado com o DARF em questão está declarado em DCTF e DIPJ. Diante desse quadro, o que seria necessário para configurar o pagamento indevido ou a maior? O contribuinte deveria, mesmo após o Despacho Decisório que denegou o direito creditório, retificar a DCTF e a DIPJ e demonstrar com documentos hábeis e idôneos que teria incorrido em erro de fato ao preencher as duas declarações. Somente a demonstração por meio da escrita contábil e fiscal, com a devida documentação de suporte, teria o condão de comprovar que houve um pagamento indevido e que haveria um saldo a repetir. Há diversos precedentes deste Conselho nesse sentido, como se pode ver nos excertos abaixo: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.995320/201279 Acórdão n.º 1401003.147 S1C4T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 PERDCOMP. CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. (Acórdão nº 1302003.122, de 20/09/2018, relatoria do conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. NECESSIDADE. A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. (Acórdão nº 9303007.439, de 19/09/2018, redator designado conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal). No caso em apreço, o contribuinte não apresentou declarações retificadoras de DCTF e DIPJ. Também não trouxe as escritas contábil e fiscal que façam prova de que o tributo devido, que foi quitado com o DARF sob análise, seria inferior ao registrado nas declarações originais. O contribuinte, na impugnação e no recurso voluntário, limitou se a apresentar cópias de notas fiscais e singelos demonstrativos extra contábeis com relações de notas fiscais e demonstração de apuração (fora da escrita fiscal) das bases de cálculo dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) do terceiro trimestre do anocalendário. Tais elementos de prova não demonstram a retificação do débito que foi quitado com o DARF em questão. Não comprovam que teria ocorrido erro de fato nas declarações. Não comprovam que haja um saldo de pagamento indevido ou a maior a repetir. Não havendo liquidez e certeza do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN, não é de se deferir o pedido de repetição. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.995320/201279 Acórdão n.º 1401003.147 S1C4T1 Fl. 7 6 Passo, agora, à análise das matérias postas pelo contribuinte no recurso voluntário. Preliminar de nulidade da decisão de piso A DRJ, ao fundamentar seu acórdão, manifestase acerca dos documentos juntados pelo contribuinte à manifestação de inconformidade. A manifestação é singela, mas chega às mesmas conclusões deste relator, conforme exposto acima. O que se percebe é que há uma inconformidade do contribuinte em relação às conclusões a que chegou a DRJ na análise das provas juntadas aos autos e pretende rediscutir a matéria por forma transversa, ou seja, alegando que a DRJ não fundamentou sua decisão. Não se enxerga nenhum prejuízo ao direito de defesa ou ao contraditório na forma como a DRJ fundamentou sua decisão. Não há que se falar, portanto, em nulidade da decisão. Neste ponto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Juntada de novos documentos. O Decreto nº 70.235/72 regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União. O artigo 16, § 4º, deste diploma institui a regra geral de preclusão do direito de juntar novos elementos de prova com a impugnação. As exceções à regra geral de preclusão, que permitiriam a apresentação de provas em momentos processuais posteriores, resumemse a três hipóteses, a saber: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente processo, não há fatos ou direitos supervenientes e nem fatos e razões trazidas aos autos após o Despacho Decisório. Restaria ao contribuinte, para fundamentar um pedido de apresentação de provas a destempo, conforme dicção do § 5º do dispositivo aludido, demonstrar a ocorrência de motivo de força maior que tenha impedido a apresentação tempestiva dos elementos de prova necessários para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não encontra acolhida na norma processual mencionada, no atual estágio do processo, pugnar genericamente pelo direito de apresentar novos elementos de prova a qualquer tempo, caso sejam necessários. O que se constata de forma cristalina é que o contribuinte, desde o início e ao longo de todo o processo, não logrou apresentar os Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.995320/201279 Acórdão n.º 1401003.147 S1C4T1 Fl. 8 7 elementos probatórios necessários para demonstrar o crédito tributário pleiteado. Assim, neste ponto, voto por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova. Mérito. Pagamento em duplicidade ou a maior e falta de comprovação, por parte da Administração, de fato impeditivo de seu direito Conforme exposto anteriormente, com lastro na jurisprudência deste Conselho, incumbe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170 do CTN. Neste sentido, a hipótese de distribuição do ônus probatório pelas partes, no caso vertente, é a veiculada pelo artigo 373, I, do CPC/2015, ou seja, incumbe ao contribuinte a prova quanto ao fato constitutivo de seu direito creditório. Em síntese, o contribuinte tem o ônus de comprovar a existência, liquidez e certeza de seu direito creditório. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. E o contribuinte não se desincumbiu minimamente desse ônus probatório. Os parcos documentos apresentados, desacompanhados da retificação de DCTF e DIPJ e das escritas fiscal e contábil, não são hábeis para demonstrar que teria efetivamente ocorrido um pagamento a maior ou indevido. Assim, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Documentação e contabilidade idôneas. Alegou o contribuinte que não houve nenhum ato declarando os documentos inidôneos ou desconsiderando a sua contabilidade. Por isso, pretende ver qualquer punibilidade afastada. Ora, tratase neste processo de duas normas jurídicas, uma de repetição de indébito e outra de compensação. A primeira tem como antecedente a existência de um crédito líquido e certo. E, como consequente, a relação obrigacional do Estado de repetir o imposto pago indevidamente ou a maior. A segunda norma jurídica tem no antecedente o crédito do contribuinte face ao Estado, decorrente da aplicação da norma anterior. E, no consequente, a satisfação de um débito pela compensação, sujeita à homologação. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.995320/201279 Acórdão n.º 1401003.147 S1C4T1 Fl. 9 8 O contribuinte não comprovou a existência de um crédito líquido e certo. Desta forma, não surgiu o direito à repetição. Destarte, como não há crédito, não se aplica a segunda norma e não se homologa a compensação. Nas duas hipóteses normativas, não há necessidade da Administração desconsiderar a contabilidade ou declarar a inidoneidade dos documentos. Na esteira da fundamentação deste voto, na medida que o contribuinte não comprova a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não deve haver homologação da compensação declarada. Os débitos compensados indevidamente estão sujeitos à incidência de multa e juros. Desta forma, neste ponto voto pelo indeferimento do recurso voluntário. Conclusão. Em síntese, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.909989/2009-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/05/2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA.
Incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4.
Nos termos da Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/05/2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito pleiteado, contudo, sujeito à confirmação do montante pela unidade de origem no momento da execução do julgado.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/05/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4. Nos termos da Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 15/05/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR IPI Recorrente HOGANAS BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4. Nos termos da Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/05/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 99 89 /2 00 9- 17 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13884.909989/200917 Acórdão n.º 3002000.704 S3C0T2 Fl. 86 2 A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito pleiteado, contudo, sujeito à confirmação do montante pela unidade de origem no momento da execução do julgado. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP (fl. 05/09), transmitido em 17/06/2009, cujo crédito teria origem em recolhimento do IPI efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 3), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 2), na qual informou possuir o crédito pleiteado e juntou a DCTF retificadora, referente ao mês de abril de 2008, para comproválo. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13884.909989/200917 Acórdão n.º 3002000.704 S3C0T2 Fl. 87 3 (DRJ/RPO) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/05/2008 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza, o que traz como conseqüência que o crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À DATA DE TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão em 10/12/12, conforme Aviso de Recebimento (fl. 39), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 41/58) em 08/01/2013, no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando ser detentora do crédito pleiteado e alegando em seu favor, ainda, o direito de retificação da DCTF, o Princípio da Verdade Material, a impossibilidade de cobrança de juros SELIC e da multa de mora. Com seu Voluntário, a ora recorrente juntou cópia de parte do Livro de Apuração do IPI. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13884.909989/200917 Acórdão n.º 3002000.704 S3C0T2 Fl. 88 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13884.909989/200917 Acórdão n.º 3002000.704 S3C0T2 Fl. 89 5 Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13884.909989/200917 Acórdão n.º 3002000.704 S3C0T2 Fl. 90 6 Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13884.909989/200917 Acórdão n.º 3002000.704 S3C0T2 Fl. 91 7 A decisão de primeira instância considerou, corretamente, que o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constituía em um conjunto probatório. Após a ciência dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Embasado em todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Dessa maneira, quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza no momento apropriado. Por fim, no tocante à aplicação da multa moratória e dos juros SELIC, a recorrente alegou que não pode prosperar tal cobrança, tendo em vista que ela teria agido em conformidade com a legislação de regência. Melhor sorte não possui a recorrente nessa matéria, pois a multa e seu percentual decorrem de comando legal. Transcrevese o art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13884.909989/200917 Acórdão n.º 3002000.704 S3C0T2 Fl. 92 8 Nesse passo, percebese que incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, como no caso ora analisado, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, de acordo com o dispositivo anteriormente reproduzido. Por outro lado, ressaltese que, mesmo em compensações homologadas, caso o PER/DCOMP tenha sido transmitido após a data de vencimento de débito declarado em DCTF, incidem os acréscimos moratórios entre a data do vencimento e a data de transmissão da declaração. Quanto à taxa Selic, diferentemente do alegado, a Lei nº 9.430, de 1996 dispõe, em seu art. 61, que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF n° 4, cujo efeito vinculante foi atribuído pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 277, de 07/06/2008: Súmula CARF nº 2: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.908272/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luiz Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luiz Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 27 2/ 20 12 -1 3 Fl. 895DF CARF MF Processo nº 13888.908272/201213 Resolução nº 3001000.193 S3C0T1 Fl. 3 2 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035335 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 08091.50953.281111.1.3.044107. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$37.703,02, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/08/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de COFINS, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Fl. 896DF CARF MF Processo nº 13888.908272/201213 Resolução nº 3001000.193 S3C0T1 Fl. 4 3 Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para Fl. 897DF CARF MF Processo nº 13888.908272/201213 Resolução nº 3001000.193 S3C0T1 Fl. 5 4 obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 939). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes Fl. 898DF CARF MF Processo nº 13888.908272/201213 Resolução nº 3001000.193 S3C0T1 Fl. 6 5 empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Fl. 899DF CARF MF Processo nº 13888.908272/201213 Resolução nº 3001000.193 S3C0T1 Fl. 7 6 Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 13888.908272/201213 Resolução nº 3001000.193 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 901DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.724351/2017-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015
AUTOS DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS.
Os Autos de Infração (AI's) encontram-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA
A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou seu Recurso implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais" (Súmula CARF nº 4).
PEDIDO DE PARCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA
O CARF não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF).
Numero da decisão: 2202-005.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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FORMALIDADES LEGAIS. Os Autos de Infração (AI's) encontramse revestido das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou seu Recurso implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais" (Súmula CARF nº 4). PEDIDO DE PARCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 43 51 /2 01 7- 91 Fl. 10997DF CARF MF 2 O CARF não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 03080.231, proferido pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF (DRJ/BSB) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Tratase de crédito tributário constituído por meio dos Autos de Infração de Obrigação Principal em desfavor do Município de TeféPrefeitura Municipal, consolidados em 14/09/2017, como segue. Auto de Infração Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, relativo a contribuição devida pelo empregador, incluindo o GILRAT, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2014 a 12/2015, cujos valores não foram declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, no valor consolidado de R$ 43.469.846.02. Auto de Infração Contribuição Previdenciária dos Segurados, relativo às contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre as respectivas remunerações pagas, devidas ou Fl. 10998DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 10.998 3 creditadas, no período de 01/2014 a 12/2015, valor consolidado de R$ 17.424.733,28. Do Relatório Fiscal Informa o Relatório Fiscal (fls. 10874 10882) acerca da origem e da exigibilidade das contribuições lançadas, o que segue. O Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF foi recebido pelo contribuinte, em 19/04/2017, e teve como finalidade, solicitar ao ente federativo que apresentasse os documentos pertinentes à verificação de sua regularidade fiscal, relacionada à Contribuição Social Previdenciária CSP. A solicitação não foi atendida/justificada pelo sujeito passivo. Foi realizada nova intimação por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF1, recebido pelo sujeito passivo no dia 24/05/2017, onde a fiscalização reiterou a apresentação dos documentos solicitados no TIPF. Essa intimação também não foi atendida pelo sujeito passivo. Emitido o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal recebido pelo sujeito passivo, em 17/07/2017, com o objetivo de cientificálo de que os documentos e as informações anteriormente solicitados não foram fornecidas à fiscalização. O referido termo teve também o objetivo de oportunizar, mais uma vez, que os documentos e informações solicitadas nos termos anteriores fossem apresentados, além de informar sobre a prerrogativa de que dispõe a Receita Federal do Brasil em lançar de oficio a importância que reputar devida com os meios e informações que dispuser, conforme determina a legislação tributária previdenciária (§§ 3o a 6o do art. 33 da Lei n° 8.212/91). Em 28/08/2017, de forma extemporânea, o sujeito passivo protocolou os documentos a seguir relacionados e informou que. em relação às folhas de pagamento, estava fornecendo somente o ano de 2015: • Notas de empenho liquidadas em MANAD 2014 e 2015; • Folhas de pagamento em MANAD 2015; • Balancetes de despesas em PDF 2014 e 2015; • Informações dos empenhos da rubrica orçamentária "Vencimentos e Vantagens fixas em PDF 2014 e 2015 "e. • Informações dos empenhos da rubrica orçamentária "Contratação por tempo determinado em PDF 2014 e 2015" Da Contribuição Previdenciária do Empregador Incluindo o GILRAT A Contribuição devida pelo empregador, incluindo o GILRAT, foi apurada sobre os valores pagos ou creditados aos segurados Fl. 10999DF CARF MF 4 empregados e que não foram declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. As diferenças de bases de cálculo consolidadas e contribuição dos segurados, não declaradas e não recolhidas estão demonstradas nos quadros 6.1.1 e 6.1.2 do Relatório Fiscal. Outra parcela da Contribuição do Empregador incidiu sobre os pagamentos efetuados aos segurados Contribuintes Individuais que prestaram serviços como pessoa física. Para determinação da base de cálculo, foram considerados os valores dos empenhos liquidados, pagos pelo ente federativo a pessoas físicas prestadoras de serviço e que não foram declarados na GFIP. Os valores estão demonstrados no Quadro Resumo do item 6.2 do Relatório Fiscal. No ano de 2014, as bases de cálculo foram arbitradas pelo critério de aferição indireta, em razão da falta de apresentação, pelo sujeito passivo, das informações e documentos solicitados pela fiscalização, especificamente as "folhas de pagamento dos servidores". Para determinação da base de cálculo, foram considerados os valores dos empenhos liquidados, pagos pelo ente federativo a pessoas físicas prestadoras de serviço e que não foram declarados na GFIP. As informações analíticas estão relacionadas nos seguintes demonstrativos: ''Pagamentos vencimentos e vantagens fixas pessoal civil 2014". Item de despesa 3.1.90.11; "Pagamentos contratação por tempo determinado 2014". item de despesa 3.1.90.4 Para o ano de 2015, as bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo em meio digital no padrão MANAD. As informações analíticas estão relacionadas no demonstrativo "Folha de pagamento por rubrica 2015". Em relação à contribuição do empregador incidente sobre os pagamentos efetuados aos segurados Contribuintes Individuais (prestadores de serviços pessoas físicas), para a determinação das bases de cálculos foram considerados os valores dos pagamentos consignados nos empenhos liquidados, cujos valores não foram declarados na GFIP. Os valores por beneficiário estão relacionados no demonstrativo analítico "3.3.90.36 Pagamentos efetuados outros serviços de terceiros pessoas físicas": Da Contribuição dos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais As bases de cálculos para apuração da contribuição dos segurados foram, em parte, arbitradas pelo de método de aferição indireta em razão da falta de apresentação, pelo sujeito passivo, das informações e documentos solicitados pela fiscalização, especificamente às folhas de pagamento dos servidores. Fl. 11000DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 10.999 5 Para o ano de 2014, não houve apresentação de documentos comprobatórios dos valores retidos. Os valores devidos foram arbitrados e calculados por meio da aplicação da alíquota mínima de 8%, sobre as diferenças de bases de cálculo. Os valores apurados estão demonstrados na última coluna à direita do quadro do item 6.1.1 do Relatório Fiscal. No ano de 2015, os valores foram extraídos das folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo no padrão MANAD e estão totalizados no quadro do item 6.1.2, do Relatório Fiscal. As informações analíticas estão relacionadas no demonstrativo "Folha de pagamento por rubrica 2015". A contribuição dos segurados contribuintes individuais (que se presume retida de forma legal e oportuna quando do pagamento ou do credito efetuado pelos serviços prestados) foi calculada, utilizandose a regra prevista no art. 33, § 3o da Lei 8.212/91 e no art. 79 da Instrução Normativa RFB N° 971, de 13/11/2009, com a aplicação da alíquota de 11%, sobre o valor pago ou creditado pelos serviços prestados durante o mês. observandose o limite máximo do salário de contribuição. Os cálculos dos valores devidos estão demonstrados no anexo intitulado "3.3.90.36 Pagamentos efetuados outros serviços de terceiros pessoas físicas" parte integrante do Relatório Fiscal. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, não há créditos relativos a valores parcelados a serem apropriados no lançamento. Os valores apurados decorrem da falta de recolhimento das contribuições devidas, assim como da ausência de informações em GFIP. Esclarece a autoridade fiscal que o único parcelamento relacionado ao período do crédito apurado é o de n° 120674157. efetuado em 05/06/2015, no valor originário de R$ 80.806.45, e se refere a valores declarados em GFIP, ou seja, oriundos de "DCGOLDCG/DCG ON LINE"', de modo que não há créditos relativos a parcelamentos dedutíveis ou compensáveis em favor do contribuinte neste lançamento. Aplicada multa de ofício de 75%, na forma do art. 35A, da Lei ° 8.212 91 c/c com o inciso I, do art. 44 da Lei ° 9.340/96. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 10283.724800/201709, tendo em vista que os fatos verificados configuram, em tese, a prática de ilícito previsto na legislação previdenciária e penal. Da Impugnação Em 31/10/2017, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 10948/10954), com as alegações que se seguem, em síntese. Sustenta que o Auto de Infração se encontra eivado de vícios de ilegalidade dada à exorbitância e total desproporcionalidade dos Fl. 11001DF CARF MF 6 créditos apurados, contrariando os princípios constitucionais que norteiam a Administração Pública. Segue comentando que a Administração Pública está submetida aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, eficiência e, no ambiente fazendário, em que se desenvolvem atividades voltadas à cobrança de tributos, aos princípios da estrita legalidade, devido processo legal, contraditório e ampla defesa, tudo no sentido de estabelecer a tão sonhada justiça fiscal. Tece considerações sobre esses princípios constitucionais. Diz que o Município se vê na condição de arcar com descumprimento de obrigações fiscais, fruto da omissão de gestores anteriores, acarretando pesadas multas tributárias. Sustenta que está havendo repetição da cobrança dos débitos que fundamentam o lançamento, vez que os Autos de Infração estão fundados em crédito tributário já incluso em parcelamento de débitos retidos na fonte pela Receita Federal do Brasil, cujo ônus financeiro já é efetivamente suportado pelo Município de Tefé, ou seja, está havendo repetição da cobrança dos débitos que fundamentam o lançamento de ofício da obrigação tributária supostamente devida. Argumenta que os valores a título de juros e multa são exorbitantes, vez que equivalem a praticamente o dobro do valor do crédito tributário, o que caracteriza excesso de exação, em afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. E ainda compromete o limite da capacidade contributiva do impugnante e acarreta o enriquecimento sem causa da União. Segue dizendo que, em consonância com o entendimento do STF, confíscatória é a multa aplicada de forma desarrazoada, que comprometa o patrimônio ou exceda o limite da capacidade contributiva da empresa/pessoa. Faz comentários sobre algumas decisões judiciais acerca do tema. Do Pedido Ao final requer que: I seja acolhida a impugnação, cancelandose o débito fiscal ora reclamado; II — em caso de entendimento diverso seja promovida à revisão do lançamento para adequar o crédito tributário na alíquota de juros e multa razoável e proporcional: III em não sendo acolhida a impugnação, requer também seja oportunizado ao Município de Tefé a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), chamado de novo Refis e regulado pela Lei n° 13.485 2017 que dispõe sobre o parcelamento de débitos com a Fazenda Nacional relativos às contribuições previdenciárias de responsabilidade dos Municípios para que o crédito ora impugnado seja objeto de ajuste para fragmentação do valor global do Crédito Tributário em 200 (duzentas) prestações mensais além do benefício da redução da multa de ofício, entre o Município e a União Fl. 11002DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 11.000 7 representada pela Receita Federal do Brasil com vistas ao consequente adimplemento, sem comprometimento das políticas públicas de governo e da continuidade dos serviços públicos. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/BSB, mantendo o crédito tributário exigido. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DOS SEGURADOS. São devidas pela empresa e equiparada as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestem serviços. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Em lançamento de ofício, é legítima a incidência da multa de ofício e juros de mora. os quais são devidos por imposição legal e não há previsão para exonerar a cobrança de tais encargos. Não cabe à autoridade administrativa afastar a incidência de multa de ofício e juros ou multa disciplinada em Lei não inquinada de inconstinicionalidade. PARCELAMENTO. FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO. Não compete às Delegacias de Julgamento conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil. Informações sobre formas e meios de obtenção de parcelamento poderão ser obtidas no site da Receita Federal do Brasil, endereço eletrônico: idg.receita.fazenda.gov.br, ou em qualquer unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/BSB em 13/07/2018 (efls. 10980). Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 10/08/2018 (efls. 10983/10989), repisando os argumentos da impugnação, em apertada síntese: conforme já reiteradamente dito, o fato gerador, já encontrase parcelado e sendo devidamente adimplido pelo Município de Tefé; Fl. 11003DF CARF MF 8 a "resolução dos processos administrativos em que se discute sobre lançamento tributário exige dos órgãos de julgamento decisões consetâneas com a Lei Maior e pelos princípios constitucionais, para inclusive, incutir no universo de contribuintes a certeza de soluções justas, destacase o "Direito a Ampla defesa" onde todo contencioso tributário propiciarão ao contribuinte uma tutela jurisdicional justa e contra possíveis violações constitucionais, haja vista que a possível inobservância pode ocasionar em dano jurídico, restrição de contribuinte". as alíquota de juros e multa aplicada ao Município de Tefé não respeitam os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e nãoconfisco; solicita ainda que caso não seja em acolhido o Recurso, pugnase para que seja oportunizado ao Município de Tefé a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), chamado de novo Refis e regulado pela Lei n. 13.485/2017 que dispõe sobre o parcelamento de débitos com a Fazenda Nacional relativos às contribuições previdenciárias de responsabilidade dos Municípios para que o crédito ora impugnado seja objeto de ajuste para fragmentação do valor global do Crédito Tributário em 200 (duzentas) prestações mensais além do beneficio da redução da multa de oficio, entre o Município e a União representada pela Receita Federal do Brasil com vistas ao consequente adimplemento sem comprometimento das políticas públicas de governo e da continuidade dos serviços públicos. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator. O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Cerceamento de Defesa Quanto ao cerceamento de defesa, cumpre esclarecer que, no curso da ação fiscal, a Autoridade Fiscal atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O direito ao contraditório e à ampla defesa devem ser plenamente garantidos ao Contribuinte desde a ciência do lançamento, o que de fato ocorreu no presente caso, tendo o mesmo impugnado e recorrido do presente lançamento, em sua plenitude. Observese, ainda, que os Auto de Infrações combatidos foram lavrados por autoridade competente, contém precisa e clara descrição dos fatos e da infração, bem como indica os dispositivos legais infringidos, não se vislumbrando, pois, qualquer vício apto a ensejar a nulidade do lançamento, nos termos do art. 12 do Decreto nº 7.574/11, impondose a rejeição da preliminar de cerceamento de defesa. Da Alegação de que o Crédito Teria Sido Incluído em Parcelamento Em sede de Recurso, o Recorrente alega que o crédito tributário lançado já encontrase parcelado e sendo devidamente adimplindo pelo Município de Tefé. Fl. 11004DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 11.001 9 No caso concreto, valhome das considerações e conclusão promovidas pela decisão guerreada, adotandoas como razão de decidir. (...) O contribuinte não apresentou contestação fática sobre os valores apurados. Apenas disse que os créditos dos Autos de Infração teriam sido incluídos em parcelamento e que estaria havendo repetição da cobrança dos débitos que fundamentam o lançamento da obrigação tributária em questão. Todavia, não apresentou provas que confirmem tal alegação. Registrese que a própria fiscalização já se manifestou a esse respeito, quando destacou no Relatório Fiscal que: Créditos apropriados O credito lançado, decorre de falta de recolhimento e de declaração do imposto e informações em GFIP. O único parcelamento relacionado ao período do credito é o de número 120674157, efetuado em 05/06/2015, no valor originárias de RS 80.806,45 e se refere a valores declarados na GFIP, ou seja, oriundos de "DCGO LDCG / DCG ONLINE". Dessa forma não há créditos dedutíveis ou compensáveis em favor do sujeito passivo Como se vê, o único parcelamento relacionado ao período do credito (n° 120674157) se refere a valores declarados na GFIP. No caso dos autos, os valores apurados não foram declarados em GFIP, Logo. não há como acolher as razões do impugnante. (...) Portanto, ao contrário do alegado pelo Recorrente, não consta nos autos em questão, nenhum documento que comprove que o crédito tributário lançado tenha sido objeto de parcelamento pelo Contribuinte. Pelo contrário, os sistemas da Receita Federal do Brasil demonstram o não parcelamento do crédito tributário lançado. Da Multa de Ofício e Juros Selic A multa de ofício com percentual de 75% (setenta e cinco por cento) deve acompanhar os tributos exigidos mediante lançamento de ofício, sendo que sua previsão legal encontrase disciplinada no art. 35A da Lei 8.212/91 c/c com o art. 44, I da Lei n. 9.430 de 1996. Em relação ao argumento do recorrente de que a multa de ofício seria confiscatório e não respeitaria os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade, lembro que a este Conselho não é dado se pronunciar sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicála, nos termos do art. 59 do Decreto nº 7.574/2011 e Súmula CARF nº 2: Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de Fl. 11005DF CARF MF 10 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A vedação ao confisco e o respeito aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da moralidade e da capacidade contributiva, previstos na Constituição Federal são dirigidas ao Legislador. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. Quanto à alegação sobre juros à taxa Selic, a questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do Pedido de Adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária O contribuinte requer que, em não sendo acolhido o seu recurso, seja oportunizado ao Município de Tefé a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), chamado de novo Refis, regulado pela Lei n° 13.485/2017. Nesse ponto, vale esclarecer que este órgão julgador não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, redação dada pela pela Portaria MF 153, de 2018, artigo 1º do Anexo I, que assim dispõe: Art. 1o O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1a (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Depreendese pela norma antes transcrita, que não cabe a este Colegiado decidir sobre pedido de parcelamento. Caso o Município tenha interesse em parcelar sua dívida, informações sobre formas e meios de obtenção de parcelamento poderão ser obtidas junto Receita Federal do Brasil. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto em negarlhe provimento ao recurso. Fl. 11006DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 11.002 11 (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 11007DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901617/2013-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.839
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 17 /2 01 3- 85 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.984. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 304DF CARF MF
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